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Editorial Decidiu o MedUBI retomar a publicação da revista Diagnóstico, após algum tempo de interrupção. Penso que decidiu bem, mas apenas iremos saber se assim é caso as pessoas colaborem, e isso passa a ser tarefa de todos. Com o intuito de ser "científico-cultural", tem a abrangência de poder contribuir para um espaço de partilha e de divulgação do que se vai fazendo, sem a pretensão de ser uma revista exclusivamente científica, mas dando espaço para a comunicação em ciência e juntando um ingrediente que é da maior relevância, a cultura. Sendo o nosso espaço tão rico em manifestações culturais, sendo o MedUBI um dinamizador tão relevante e as iniciativas e diversidade tão presentes, vale a pena voltar a disponibilizar este espaço. Parece-me um contributo importante para a Universidade na sua função mais abrangente, a elevação e qualificação da Pessoa. Enquanto diretor de curso de Medicina, saúdo o regresso da Diagnóstico e faço votos para que tenha sucesso.

Professor Doutor Miguel Castelo-Branco, Diretor do Curso de Medicina

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Índice Pág. 2 —Editorial

Pág. 3 —Índice

Pág. 5 —Aconteceu

Pág. 13 —Med’s Health

Pág. 16 — + Cultura

Pág. 25 — Expressa-te

Pág. 30 —Leiturar’te

Pág. 32 — Personalidade em destaque

Pág. 35 —15 anos MedUBI

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Índice Pág. 39 — Open Mic

Pág. 42— Sem Fronteiras

Pág.51 —Representantes de Ano

Pág. 52 – Alumni

Pág. 55 — CICS

Pág. 56 — ANEM

Pág. 58 —Perder as EstriBeiras

Pág. 60 —AMP Student

Pág. 62—O Maravilhoso Mundo da Medicina

Pág. 75—Acontecerá

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Aconteceu! Departamento de Mobilidade O Departamento de Mobilidade tem

No passado mês realizou-se um almo-

como objetivo ligar os alunos da nossa fa-

ço acompanhado pelos testemunhos de

culdade ao resto do país e do mundo.

membros da AIESEC e do aluno André Fer-

Achamos que, no paradigma atual de glo-

nandes que realizou o Programa Almeida

balização, é cada vez mais importante que

Garrett, que ajudou os alunos a esclarece-

os alunos explorem todas as suas oportuni-

rem as suas dúvidas.

dades de intercâmbio, de modo a conhece-

Programa Almeida Garret, Voluntaria-

rem diferentes realidades de ensino médico

do AIESEC, Erasmus, Bolsas Santander e

e aprenderem a interagir com diferentes

os Intercâmbios Médicos da IFMSA são

culturas. Nesse sentido, o departamento

apenas algumas das oportunidades que os

tem promovido a divulgação de vários pro-

alunos têm para expandir os seus horizon-

jetos, tendo sido realizadas sessões de es-

tes.

clarecimento para ajudar os alunos a nave-

Estejam atentos a mais novidades!

gar por entre as burocracias inerentes aos mesmos.

José Ganicho

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Aconteceu! X Hospital Faz de Conta Histórias Para a Rádio A cadelinha distraída

Buzinou de uma maneira

Num certo dia de manhãzinha,

Que a sua mãe a viu em apuros

Passeava pela cidade uma cadeli-

E lhe puxou pela coleira.

nha,

“Já viste se eu não estivesse aqui?

Ia visitar uma amiga sua,

Podias ter-te magoado!”- Disse a ma-

Que morava do outro lado da rua.

mã num tom zangado

Ao sair de casa,

Ainda com as patinhas a tremer,

A mãe tinha-a avisado com mil cuida-

A cadelinha acabou por perceber

dos:

Que mesmo que tenha confiança

“Ao atravessar a rua, não te esque-

Tem de ter sempre em atenção à se-

ças

gurança

De olhar para os dois lados,

Por isso, é preciso relembrar,

Porque se estiver um carro a passar,

Antes de atravessar

Podes mesmo magoar-te!”

Deves sempre olhar

Mas a cadelinha distraída,

Para a esquerda e direita do caminho

Só pensava em ir brincar

Para ver se vem algum carrinho.

E com a pressa, Nem olhou para atravessar.

Mariana Pereira

De repente, um condutor atrapalhado

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X Hospital Faz de Conta Entre os dias 13 e 19 de abril decor-

mação

à

abertura

desta

semana.

reu, nos corredores da nossa Faculdade, a

Aos quase 300 colaboradores, que sa-

décima Edição do Hospital Faz de Conta –

bem tão bem como nós que poucas pala-

o projeto já tão bem conhecido por todos e

vras há que consigam descrever a experi-

que em todos ocupa uma boa parte do co-

ência que é trabalhar neste Hospital, restam

ração.

os registos fotográficos feitos diariamente, e

Esta edição contou com mais de 900

as inúmeras memórias emocionantes e di-

crianças dos distritos de Castelo Branco e

vertidas que cada criança faz questão de

Guarda que, como é hábito (e como tão

deixar onde quer que passe.

bem lhes é característico), encheram de sorrisos, alegria contagiante e diversão os nossos alunos, funcionários, pessoal docente e não docente. Para além das crianças, contou com a habitual presença dos utentes da APPACDM – Covilhã, logo no primeiro dia, que já vão conhecendo os cantos à casa, bem como os alunos mais velhos. Não faltou, também, a presença das duas Tunas da faculdade – Tuna-MUs e C’a Tuna aos Saltos, para trazer música e ani-

E é aqui – nestes momentos, em situações como esta – que sentimos o nosso poder de ação (a oportunidade perfeita para fazermos aquilo por que somos “pagos” neste

Hospital)

desmistificar

os

(infelizmente) tão comuns medos que as crianças aparentam ter quando vêm alguém

com o triplo do seu tamanho, encasacado numa bata branca e acorrentado por um estetoscópio gelado, e que, em vez de es-

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Aconteceu! X Hospital Faz de Conta padas ou pistolas, enverga agulhas e xaro-

edição, a Inês aprendeu a lavar os dentes,

pes com sabor azedo, e só sabe trazer más

as mãos, regras de uma alimentação sau-

notícias – o médico.

dável e ainda a não se afastar dos adultos,

Neste hospital, os “médicos” tanto usam bata, como a tiram para ir saltar e brincar. Os estetoscópios trazem sorrisos, e as agulhas não existem. Más notícias, aqui, só se forem as que dizem que o percurso do Hospital Faz de Conta está a acabar, e que em breve terão de voltar à “vida real”. E é neste ambiente descontraído que se reúnem todas as condições para que as crianças não mais temam um ambiente hospitalar: nos consultórios diagnosticam-se problemas como os mais comuns nas vidas das crianças (dores de barriga, dores de cabeça, um arranhão ou uma ferida); nas salas de tratamento cuidam-se estes proble-

sempre com a ajuda do porquinho João e dos seus amigos da quinta. Faz-se, assim, a ponte para o tema da decoração do Hospital Faz de Conta deste ano: A Quinta. Tive o prazer (honra, quiçá?) de me cruzar com

alguns destes seres de palmo e meio, e que me tentaram descrever o que é, para eles, vir nestes dias à “escola dos meninos grandes”, e experienciar algo como o Hospital Faz de Conta: a Diana contou-me a história do seu Ursinho (cujo nome próprio corresponde à designação), que comeu “muitos, muitos doces e ficou com dor de barriga”, e

que ficou logo melhor “depois de levar uma pica”.

mas, e alerta-se para a importância do cum-

Perguntei-lhe se o Ursinho não tinha

primento do tratamento (neste caso, pelos

tido medo de “levar a pica”, ao que, pronta-

bonecos, mas alargando-o para a vida das

mente, me respondeu – como se fosse mui-

crianças.

to óbvio – “Claro que não! Não foi uma pica

Toda esta visita está, como dita a tra-

dição, associada a ensinamentos de educação para a saúde, nomeadamente na peça de teatro, que já é obrigatória em todas as edições do nosso Hospital favorito. Nesta

a sério!”. Bem… Resignada, lá perguntei de novo “Então e tu? Tens medo de picas?”. Como seria de esperar, o nariz torceu e a voz da Dianita não escondeu o receio da resposta: “Só um bocadinho…”

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Corredores decorados com ce-

res) é que esta semana tem de terminar e,

leiros, moinhos, palha, os animais e plan-

portanto, chegámos ao fim de mais uma

tas da quinta, e tudo mais que possa vir à

edição

imaginação, encheram os olhos destas cri-

Não nos podemos despedir desta edição

anças de cor e brilho, e deu-lhes, ainda,

sem parabenizar a Comissão Organizado-

uma oportunidade única para exibirem os

ra (constituída por Diogo Ministro, Dina

conhecimentos que diariamente adquirem

Raimundo, Raquel Serrano, Tiago Gonçal-

e/ou consolidam nas respetivas escolas.

ves e Sandra Ferraz) pelo excelente (e ir-

Diz-me o Tomás: “Trouxeram mesmo os

repreensível) trabalho, que, certamente,

animais para aqui? Parece que estou a ou-

ficará nas nossas memórias e nas de todos

vir uma galinha como as do meu avô!” ao

por que aqui passaram nestes dias.

passar num corredor que, para além de

A todos os alunos, deixamos a dica

cuidadosamente decorado, tinha constan-

para que fiquem atentos a eventuais novi-

temente sons relativos à quinta a preen-

dades, porque o mundo do Hospital Faz de

cher o ambiente.

Conta é demasiado grande para se limitar

Mas, tal como para as crianças, o pior para nós (participantes e colaborado-

do

Hospital

Faz

de

Conta.

aos corredores da FCS! Inês Rento 9


Aconteceu! Cerimónia da Bata Branca Passado. Um passado de so-

estranho pensar assim. Olho em meu

nhos, de ansiedades, sacrifícios, am-

redor, hoje, no presente, e vejo-os e

bições, desejos, foram eles que nos

revejo-os em mim. O sonho condu-

trouxeram ao dia de hoje. A professo-

ziu-nos a esta doce cidade que nos

ra Ana Bernardo sobe ao palco. As

acolheu tão bem.

borboletas na barriga estão cada vez

Revejo neles os longos quilóme-

mais agitadas. Daqui a pouco ouvirei

tros de saudades que nos separam

o

não.

dos nossos, as noites em que os li-

eu.

vros são a nossa companhia, as ma-

O discurso vai a meio e a emo-

nhãs agitadas do hospital e as tardes

ção assume um controlo inigualável

novamente repletas de mil e um con-

sobre mim, as lágrimas caem como

ceitos que têm de estar memorizados

se a felicidade renascesse nelas e

para a apresentação do dia seguinte,

nelas ganhasse vida. Segue-se o

os jantares de última hora que juntam

professor Miguel. Já vejo as batas.

as pessoas da nossa nova família,

“Não caias, um passo de cada vez,

que juntam histórias, que juntam vida

devagarinho, não custa nada.” Lá ou-

e respiram a nós.

meu

nome.

“Concentra-te”,

Mas

ainda

penso

ço o meu nome. E então, de forma inesperada e simultaneamente tão

Sim, a nós. Os futuros médicos.

esperada, a maior espiral de emo-

ções. As palmas, o olhar inconfundível dos meus pais, o sorriso dos meus, os meus futuros colegas, os futuros médicos da minha geração. É 10


Começamos como simples so-

veis, a primeira morte, a primeira cu-

nhadores e hoje, a caminho de tornar

ra, a primeira vida que salvamos.

o sonho realidade, a consciência do

Serão estes marcos que nos construi-

que nos espera impera na nossa al-

rão, que nos farão os médicos do

ma. Esperam-nos pessoas e tudo o

amanhã, os médicos da palavra, do

que as torna tão belas… mas tão frá-

toque, da alma.

geis. Seremos nós, os da bata branca, que teremos de as ajudar. As per-

Adriana Costa

guntas difíceis, as decisões impossí-

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Aconteceu! Departamento de Saúde e Ação Social Largada de Balões, Dia Internacional da Mulher Dia 8 de maio, o dia em que as mulheres são as protagonistas, o dia da Mulher. Na verdade, as mulheres são protagonistas todos os dias, as personagens centrais do seu próprio enredo, da sua própria narrativa.

Celebrou-se o amor, a amizade, o companheirismo, a beleza do dia a dia, a beleza dos pequenos gestos, que de tão especiais que são fazem o nosso mundo um sítio melhor.

Todas de uma forma especial e com as su-

Celebraram-se os sorrisos, os toques,

as peculiaridades, revestindo-se estas de

os abraços. Celebrou-se à CooLabora, uma

uma dimensão muito característica, intrinse-

instituição que todos os dias luta pela igual-

camente ligada às suas personalidades. No

dade de género, pelo enaltecimento dos di-

dia 8 de maio, no relvado da FCS, construi-

reitos da Mulher, que luta pelos finais feli-

se uma nova narrativa, tendo sido inspirada

zes.

nas Mulheres. A largada de balões contou com alunos de diferentes cursos, funcioná-

rios, docentes, Mulheres e Homens que se juntaram pela igualdade de género, pelos direitos equitativos entre géneros, pela beleza que subjaz a Humanidade.

O sentimento que pairava no ar era esse, o mais puro, o mais delicado. Nesse dia, nessa tarde, nesse momento, o sorriso da Mulher prevaleceu. Adriana Costa

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Med’s Health Exercício físico: candidato potencial a terapêutica complementar da epilepsia Ricardo Mario Arida, Luiz Fernando Peixinho-Pena, Fulvio A. Scorza e Esper A. Cavalheiro

Os autores demonstram com vários argumentos os benefícios do tratamento nãofarmacológico da epilepsia. Tem aumentado o número de relatos na literatura que apontam para o efeito positivo

cardiovascular e psicológica das pessoas com epilepsia. O efeito benéfico do exercício em animais com epilepsia tem sido relatado, do ponto de vista experimental.

do exercício nas pessoas com epilepsia.

Os estudos metabólicos, eletrofisiológi-

A terapêutica não deve ser considerada co-

cos e imuno-histoquímicos também de-

mo alternativa à medicação antiepilética,

monstram efeitos encorajadores do exercí-

mas antes como algo complementar ao tra-

cio em ratos com epilepsia.

tamento da epilepsia. Um grande número

Considerando a influência do exercício

de pessoas com epilepsia usa terapêuticas

físico na função cerebral e o impacto positi-

alternativas juntamente com a medicina tra-

vo no controlo das crises, parece razoável

dicional.

incluir exercício físico como uma terapêutica

Os estudos mostram globalmente que a

alternativa ou complementar em epilepsia.

atividade física pode diminuir a frequência de crises, assim como melhorar a saúde

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Med’s Health Adoçantes: Mitos & Verdades Desde o seu aparecimento, sur-

O seu impacto no aparecimento

giram boatos e acusações sobre os

de doenças crónicas (como o cancro

adoçantes. O endocrinologista Walmir

e a artrite reumatoide) ainda não foi

Coutinho esclareceu mitos e verda-

comprovado, mas, enquanto estas

des sobre eles.

dúvidas não estiverem devidamente

O tes?

que

são

adoçan-

Substâncias de baixo valor

esclarecidas, é recomendado um uso

moderado de adoçantes.

energético que conferem a um alimento o sabor doce. Quando apareceram no mercado pareciam milagrosos, foram rapidamente adotados por milhões de pessoas que viviam às voltas com problemas de peso. Hoje em dia, pairam as dúvidas quanto aos riscos que este poderoso substituto do açúcar pode vir a causar na saúde dos seus consumidores ativos.

Entre os mais conhecidos encontram-se a sacarina, o ciclamato, o aspartame a sucralose.

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15 anos MedUBI,

15 Razões para fazer exercício físico

No âmbito das comemorações dos 15 anos do MedUBI que decorrerão durante o mês de maio, o Med’s Health traz-te uma razão por dia para fazeres exercício físico, para que conheças os benefícios de uma vida ativa. Podes acompanhar as publicações na página do facebook da Diagnóstico:

https://www.facebook.com/diagnostico.ubi/

Vais ficar parado?

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+ Cultura Med´s Got Talent

Além de excelentes atuações, nesta noite foram vistos pela primeira vez todos os

O passado dia 29 de março o Departa-

vídeos de ano que, como é costume, trouxe-

mento Cultural presenteou a Faculdade de

ram gargalhadas e boa disposição a todos

Ciências da Saúde com a VIII edição do

os que lá estavam.

“Meds Got Talent”. Um evento que contou com a presença de professores, funcionários e alunos, tendo sido apresentado pelas caras do departamento, Inês Jorge, João Pais e Rita Cagigal.

O dia ficou marcado pela vitória do Duarte Santos, aluno do 2º ano de Medicina, que interpretou “Porto Sentido”, tendo no final também arrancado alguns sorrisos do público ao cantar uma música original escri-

O auditório encheu para assistir ao pu-

ta pelo seu colega e amigo Diogo Dias. O

ro talento de todos os que aquele palco pi-

vencedor, além de ter ganho entrada na Ga-

saram, sendo cada atuação avaliada pelos

la de Medicina também teve a oportunidade

júris (Fernando Pimenta, Inês Moreira, Jor-

de se dar a conhecer numa pequena mas

ge Santos, Juliana Sá, Magda Cassapo e

curiosa entrevista. Um rapaz que à primeira

Themudo Barata) e pelo público que elegeu

vista se mostra reservado, sobe ao palco e

o vencedor da noite. E de vencedores é que

encanta o público e que tem uma atitude

esta gala é feita, tendo sido entregues os

confiante em relação às suas capacidades,

prémios para “Melhor Funcionário”, “Melhor

tendo à pergunta “Estavas à espera de ven-

Bloco”, “Melhor Tutor”, “Melhor Colega”,

cer?” respondido prontamente da seguinte

“Revelação do ano”, “O Artista”, “O Músico”

forma “Achei que seria possível”. A conhe-

e “Melhor Fotógrafo”.

cer na entrevista.

O palco do grande auditório foi tomado de assalto por diversas atuações que levaram o público lá presente por várias atmosferas. Do pop à ópera, da ópera ao rock e até a uma atuação cómica, a audiência assistiu e persistiu até de madrugada, sempre preparada para aplaudir aquilo que de melhor a FCS tem. 16


Entrevista: Duarte Santos Duarte Santos, estudante do segundo ano de Medicina, foi o grande vencedor da oitava edição do Med’s Got Talent. Quisemos conhecer melhor esta jovem promessa de médico com um grande gosto pela música, que concordou em dar uma entrevista para saciar a curiosidade dos nossos leitores. 1. Há quanto tempo tocas e cantas? Desde criança que gosto de cantar. Por volta dos 7 anos, os meus pais ofereceram-me um pequeno sintetizador e o meu pai, embora não tivesse conhecimentos de música, conseguia tocar músicas como os parabéns ou vários hinos, por tentativa e erro. Eu tentava imitá-lo e mais tarde comecei, eu próprio, a tocar músicas por tentativa e erro. Após fazer

Heaven" de Eric Clapton; curiosamente, foi

no

primeiro

ano

na

Covilhã

(2015/2016), que comecei a desenvolver mais a capacidade de tocar.

isto várias vezes, acabei por desenvolver a capacidade de perceber em que teclas

2. O que te levou a concorrer ao

é que teria de tocar em cada música. No

Med’s Got Talent?

entanto, não era possível tocar com as

Decidi concorrer porque queria experi-

duas mãos porque o sintetizador não ti-

mentar cantar à frente de várias pesso-

nha muitas teclas, o que não impediu

as, já que, até ao momento, só tinha to-

que tentasse evoluir. Mais tarde, por vol-

cado e cantado à frente de alguns ami-

ta dos 13 anos, os meus pais ofereceram

gos e ter algum feedback que me permi-

-me uma guitarra, mas apenas conse-

tisse avaliar melhor em que ponto me

guia tocar com uma corda. Comecei a

encontro, visto que, como já ficou claro,

ver vídeos na internet e aprendi algumas

não tenho formação musical e sou 100%

músicas, sendo a mais difícil o "Tears in

autodidata. 17


Entrevista: Duarte Santos

3. O que sentiste quando viste a reação do público e do júri à tua atuação? Fiquei muito contente por ver que tanto o público como o júri tinham gostado da atuação. Era sinal de que tinha corrido bem.

4. Estavas à espera de vencer? Achei que seria possível, mas não de-

5. O que é que esta vitória representa para ti? É sempre gratificante sabermos que podemos proporcionar alguma alegria às pessoas através da música. Fico orgulhoso por ter conseguido esse desempenho e também pelo resultado, claro. No entanto, a minha grande preocupação era que as coisas corressem bem, que fosse uma atuação bem conseguida

e o público ficasse satisfeito. Esse é, na

fini essa meta como objetivo e também

minha opinião, o verdadeiro grande re-

gostei de outras atuações como a banda

sultado.

que tocou uns minutos antes de mim e dley (não assisti a esta última atuação

6. Quais os planos para o futuro?

porque estava a ensaiar mas durante o

O plano é seguir medicina, tornar-me

checksound realizado de tarde tive a

profissional na área e ter a música como

oportunidade de ouvi-las e gostei).

hobby, cantar e tocar, a solo ou acom-

as duas raparigas que fizeram um me-

panhado, mas sempre pelo prazer que a música proporciona, a quem canta e muito especialmente a quem ouve. 18


+ Cultura Wool N´Woods - Music Sessions Vol.I No passado dia 1 de março, decorreu

um conjunto de músicas preparado, para

na sede do MedUBI a primeira sessão do

funcionar como um “quebra-gelo”, desper-

Wool ‘n Woods, a primeira de muitas ativi-

tando, assim, o bichinho na plateia, para

dades organizadas pelo novo Departamen-

que se juntassem a eles. Foram, sem dúvi-

to Cultural do MedUBI, que pretende mos-

da, bem sucedidos no seu trabalho, tendo

trar a importância da vertente cultural na

conseguido levar alguns colegas a trazer os

formação académica e pessoal nos estu-

seus dotes musicais ao de cima. Os mais

dantes. Neste serão musical, todos os estu-

tímidos participaram também, cantando do

dantes são convidados a partilhar os seus

seu lugar.

talentos com os presentes ou apenas a apreciar a música e distraírem-se dos estudos por umas horas.

O agrado demonstrado pelos presentes leva-nos a concluir que a atividade tem pés para andar, pelo que o Departamento Cultu-

A atividade começou com a atuação

ral prepara já uma nova sessão para maio,

de Emanuel Seiça e Fernando Silva, guitar-

que se espera que cresça sem perder o es-

rista e vocalista no grupo Os Trovadores,

pírito de convívio e intimidade que se expe-

respetivamente, que trocaram os seus habi-

rienciou durante a estreia.

tuais fados por um registo rock, bem mais familiar ao público em geral. O duo tinha já

Rui Simões

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Workshop de Teatro

Fazer teatro é como apanhar ar puro…

volver a nossa personalidade e interação

O objetivo deste workshop era esse

social.

mesmo: apanhar ar puro! Fugir à rotina, fa-

Durante cada exercício, os participan-

zer uma pausa e… “pensar a brincar”!

tes puderam perceber como, muitas vezes,

Quando o Departamento Cultural do MedU-

é preparada uma peça de teatro de raiz.

BI me convidou para dar um workshop de

Quando não há texto, cria-se um, mesmo as

teatro na FCS, sendo este dirigido a estu-

personagens poderão ser criadas com base

dantes, maioritariamente de medicina, pen-

numa frase, num objeto, numa imagem, nu-

sei em usar a expressão dramática com es-

ma ação…

tes jovens, de modo a que pudessem es-

O bom deste tipo de jogos é perceber

quecer tudo lá fora, o teste que têm ama-

em cada expressão, em cada sorriso, o

nhã, ou a prova oral na semana que vem!

quanto a atividade mexe com a pessoa que

A expressão dramática é uma prática que

a pratica. Pude verificar que estes jovens

põe em ação, através de atividades lúdicas,

estavam realmente a divertir-se, a passar

o desenvolvimento cognitivo, afetivo, senso-

um bom bocado unidos uns aos outros, e,

rial, motor e estético de cada um de nós.

quase inconscientemente, a fazer teatro!

Então, através de pequenos jogos, pude-

Pois existe um ator dentro de cada um de

mos explorar a imaginação, as emoções, a

nós!

criatividade coletiva, a entreajuda e cooperação, a concentração, de forma a desen-

Atriz Adriana Pais 20


+ Cultura Integrado no projeto Um mês, uma ar-

A observação também é muito impor-

te, que no mês de março se dedicou às Ar-

tante. Ela serve como base para a criação

tes Cénicas, o Departamento Cultural do

de personagens mas, no dia-a-dia, permite-

MedUBI, no dia 20 desse mês, convidou os

nos reparar mais nas pessoas, nas suas ex-

alunos a porem de lado os livros por uma

pressões e feições e, quem sabe, perceber

hora, para virem descontrair um pouco para

um pouco melhor o que lhes vai na alma, o

o Workshop de Teatro. Dirigido pela sempre

que estão a sentir.

sorridente atriz Adriana Pais, que fez questão de pôr toda a gente à vontade.

Quem melhor para pode experienciar isto do que futuros médicos, que lidarão

Ao fim do primeiro exercício já toda a

com pessoas no seu quotidiano? O teatro

gente ria e falava com naturalidade. O tea-

permite, sem dúvida, melhorar as nossas

tro faz um pouco isso às pessoas: se nos

apetências comunicacionais como futuros

sentirmos à vontade com os outros à nossa

profissionais de saúde, tornando-nos médi-

volta, é possível sentirmo-nos mais confian-

cos mais capazes e humanos.

tes e seguros de nós próprios.

Mas a melhor e mais peculiar caraterística que o teatro nos proporciona é que, em cima do palco, podemos ser o que nós quisermos, sem tabus ou julgamentos. É em cima do palco que me sinto realmente livre, no sentido holístico da palavra, com a adrenalina a fervilhar em todos os poros do meu ser. E não há sensação igual no mundo. Rui Simões e Rita Cagigal

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Workshop de Dança Contemporânea Desde já, quero agradecer ao MedU-

Pode parecer estranho para aqueles

BI, particularmente à Inês, e à professora

que nunca dançaram o sentimento que aqui

Margarida, pela oportunidade que nos pro-

descrevo de plenitude e liberdade: já experi-

porcionaram com a realização deste evento.

mentaram voar? Eu também não, mas acre-

Numa perspetiva de quem desde sempre

dito que a sensação inerente a ambas as

dançou e que, por força das circunstâncias,

situações possa ser bastante semelhante.

há 3 anos, se viu obrigada a pôr de parte

Talvez aqueles que dançam ou já o fizeram

essa paixão, este workshop representou um

me entendam…os restantes, por favor fa-

regresso àquilo que sei ser das coisas que

çam-no!

mais feliz me faz. Foi só uma hora, é certo,

É mesmo com esta ideia que quero termi-

mas uma hora plena, que me obrigou a con-

nar: que todos tenham a capacidade para,

ter as lagrimitas que tentaram aparecer ao

por uma vez na vida, dar uma oportunidade

mesmo tempo que os primeiros acordes, e

à dança. Experimentem, divirtam-se e vão

que eu desejava que se tivesse prolongado

ver que vão ser muito felizes!

até ao dia seguinte. Madalena Espada Madalena Espada

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+ Cultura

A dança é o expressar de sentimen-

reótipo que conhecemos desde sempre.

tos e ajuda quem não o consegue fazer por

Uma pessoa disse-me, uma altura:

palavras. Aliás, muitas vezes, os melhores

“Cada um de nós tem um talento, só ainda

bailarinos não conseguem expressar os

não o descobriu!”. Se calhar muitos de nós

seus sentimentos sem ser na dança, pois

já descobriram o seu talento, apenas têm

conseguem fazê-lo com algo que cada um

medo de o mostrar devido a preconceitos

de nós tem e facilmente consegue usar - o

sociais existentes (que se exacerbam expo-

corpo. Aqueles que dizem que são uma

nencialmente em cidades pequenas como

“nódoa” a dançar, pés de chumbo, chamam

a Covilhã). Comecem, pois, a pensar no

-lhes, apenas o são porque têm medo de o

que realmente gostam de fazer e façam-no,

fazer mal, têm receio de expressar os seus

sem medos, sem pressões sociais. Não

sentimentos, mas acima de tudo, de serem

nos podemos esquecer que vai haver sem-

julgados por o fazerem.

pre pessoas a criticar, mas isso não pode

Os melhores bailarinos portugueses

interferir. Se essas pessoas usassem o

são do sexo masculino e há muitas mulhe-

tempo em que criticam alguém para fazer

res bem-sucedidas na área dos negócios.

algo que as enriquecesse física, psicológica

Nota-se, por isso, uma inversão no papel

ou culturalmente, teriam muito melhor pro-

de géneros que permaneceu imutável du-

veito dele.

rante anos. Uma quebra do que é um este-

Gabriel Pereira 23


+ Cultura Workshop de Pintura A Estrela terminou de falar. Tenho um

É deixarmo-nos envolver pelo mundo

desenho na minha frente que tenho de pin-

que imaginamos, é deixar que a criatividade

tar com aguarela. Que pincel tenho de

flua pelo nosso pincel e nos transporte para

usar? Peguei no que está mais perto de

um sítio onde estamos sós com o nosso de-

mim. Mas parece preso à minha mão. Que

senho. É algo mágico. É o pincel surgir co-

está a acontecer? Não quero estragar o de-

mo um prolongamento da nossa própria

senho que a Estrela fez para mim, para nós.

mão. E o que custa são apenas as primei-

Já não faço isto há tanto tempo, no que me

ras pinceladas. Elas dão lugar a uma sede

vim meter? Hesito. Molho o pincel no cor-de

insaciável que não nos deixa até pegarmos

-rosa e passo pela água. Muito devagar,

no pincel outra vez. E outra vez. E, depois,

pouso-o sobre a folha. E agora? Quero que

já não há volta a dar.

tudo fique perfeito e dentro das linhas. Borratou. Estraguei tudo! Tento remediar. Rapidamente percebo que pintar dentro das linhas é algo que todos nós conseguimos, com maior ou menor sucesso. Mas PINTAR no sentido puro da palavra, prometo-vos, é muito mais do que nos resignarmos a ficar

No dia 18 de março, a FCS tornou-se num ateliê, onde jovens promessas de médicos viraram artistas. E que artistas! Um

obrigada muito especial à artista Estrela Nunes por ter tornado esta sessão possível. Rita Cagigal

dentro dessas linhas.

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Expressa-te! A minha aldeia Pela terra seca de Verão Depois do tanque esverdeado Chega-se ao coração

Não teme o trabalho duro

Mas aquilo que está por vir Com um copo de vinho maduro Lembra o que deixa quando partir

Que nunca está fechado E Com o dia a acabar Ainda mal a brisa traz Um raio de sol embrulhado Com sua enxada atrás

Sem um pedaço enxuto Vê as andorinhas voar Nesta aldeia onde se ouve o cuco.

Marcha o velho soldado Poema: Mariana Pereira Ilustração: João Pais

25


Expressa-te! Como voa Como voa, como corre, Nesta rua em que tanto chove, A rapariga da casa ao lado A rapariga que tenho amado. Olhos, estrelas que ele tem, Brilham mais que os de ninguém. Vou-lhe dizer, vou-lhe contar, Mas esta dor não me deixa andar. Fico preso nesta casa Onde se vê tudo, e tudo passa. Maldita perna, maldito coração, Qual dos dois me impede a acção? Vou chamar, vou gritar, Mas nada a vai fazer olhar. Aqueles olhos têm mais que fazer, Não olhar para um miúdo a sofrer. Como voa, como corre, Nesta rua em que tanto chove. Como passa, como desaparece, Nesta vida em que tudo se desvanece. Poema: Anónimo Ilustração: Mariana Pereira

26


A Queda de Alexandria Vida como te conheci, tão cedo explorei os

recantos desse império vermelho de águia imperial. Tão cedo amei e senti o teu conforto, ao ponto de esquecer a realidade. Correm águas fortes de sangue, corre bravura e inocência. Numa redoma gira a roca protegida.

Mas partiste, morreste, fiquei tão triste. -AlexandriaNa tua ausência partiram os maduros, permaneceram os podres multiplicando-se! Traição, desilusão... Realidade? Opressão?

Manipulação? Onde está a flor de Guernica? Emburranço imposto!!!!! -RenasciRegressei dos mortos de mãos dadas com Anúbis, sou fénix chamuscado, afinal não morri!! Procuro Honra!! Estudo os grandes mestres, observo, aprendo, compreendo, respeito, adapto e invento – inovação -TriunfoCaiu Alexandria e sua falsa Cleópatra Francisco P. Negreiro

Cartoon!

Carolina Inês 27


Expressa-te!

Anatomia de SuperfĂ­cie, Daniela Martins 28


Este sou eu, jovem, ambicioso, pers-

Olhar, sentir, cheirar…mas não tocar.

picaz e saudoso. Sim, saudoso da vida,

Tocar é supérfluo, fácil, desvantajoso. Toco

dos bons momentos, da infância não muito

e acaba. Não quero!

longínqua, do que virá e será bom.

Como é possível, Deus, estar eu a

Este sou eu, sentado numa cadeira

desejar algo, sabendo que não me ficarei

de jardim, respirando umas palavras de um

por aqui, pelo desejo…Raio de Natureza

livro que me inspira, este que puxa por

Humana, fraca!

mim, pelos meus sentimentos… Pela inspiração. Leio e sinto, sinto-te aqui, sejas quem fores que me zombeias a cabeça. Leio e vejo-te, não muito longe, quase posso tocar… Mas não quero! Quero-te apreciar, tocar soa a definitivo. Parece que não há mais nada além disso, parece que todo o prazer imaginado desaparece, desa-

parece porque se concretiza. E eu quero viver assim, à espera do melhor, sem gran-

Sinto-me… Feliz… Saudoso… Encantado pela tua luz ó céu primaveril. Encantas-me. Tu, ó alguém, tu, ó primavera, tu, livro, minha companhia eterna. Abres-me horizontes. Quero-te. (De)Lírio

des distúrbios, sem grandes alaridos, vivo, cheio de cor, natureza, água! Continuo aqui sentado, respiro e sinto um leve cheiro a comida, carne no grelhador penso eu… Entra-me pelo nariz e o que este pedaço de fumo perfumado me faz cá dentro é mistério. Mas não tenho vontade de comer, só de cheirar, assim, perpetuamente.

29


Leitur’Ar-te Vladimir Nabokov afirma que

pecial destaque para o grande poeta

“um bom leitor, um leitor importante,

Fernando Pessoa e demonstrou-se

um leitor ativo e criativo é um relei-

como a literatura indica caminhos: ler

tor”. Acrescentaria que um bom leitor

para realizar sonhos. Estudos científi-

é aquele que sente o impulso da par-

cos comprovam que ler sobre situa-

tilha do prazer da leitura.

ções de sucesso e de resiliência faz

As sessões de Leitur'Ar-te criam essa oportunidade para o leitor comum ouvir, partilhar e conhecer o rico património literário existente, que está ao alcance de todos. Sob a temática do sonho, no dia 7 de março, evocaram-se autores e obras que incitam o sonho, com es-

com que o leitor se identifique com as personagens e as histórias vividas, e se sinta capaz, inspirado e motivado a lutar pelos seus sonhos. Leitura e sonho andam lado a

lado. Leitur'Ar-te é um caminho para SONHAR. Cristina Caetano, Bibliotecária

30


7 de março de 2017, 21 horas, uma

transformação, porque cada um de nós sa-

noite lindíssima no exterior e a sede do Me-

iu daquela sessão uma pessoa diferente,

dUBI a mais aconchegadora do Ensino Su-

mesmo que seja só um bocadinho. Sem

perior. Um pequeno grupo fascinado pela

dúvida que os livros fizeram um dos seus

literatura aventurou-se a descobrir um pou-

trabalhos naquela noite.

co mais sobre o Sonho. A Anabela e a Cristina, que não gostam de ser chamadas de doutoras, foram as mentoras desta primeira sessão, trazendo múltiplas obras de diferentes temas e todas falavam de uma forma ou outra sobre o sonho.

Uma opinião ainda mais pessoal agora, foi uma atividade que adorei do fundo do meu coração. Sempre fui, e sou, uma

pessoa que, mais do que adorar ler, viver essa história, esses sonhos de outrem, adoro os livros por si só, pelas suas capas, pelas edições, pelos cheiros e pelas mãos

O que é sonho? Se formos pesquisar

que os levam e que os partilham. Foi uma

no dicionário, há múltiplas definições e es-

sessão fenomenal, que me possibilitou dar

sa foi uma das mensagens que passou da

um bocadinho mais a conhecer de mim,

sessão, dos diversos livros apresentados

mas que também permitiu conhecer outros

tanto pelas mentoras, como pelo grupo lá

à minha volta!

reunido, ideias, viagens, o imaginário e o

Obrigada, MedUBI, continuem com o bom

real, tudo podem ser considerados sonhos.

trabalho.

Aqueles que conseguimos alcançar, aqueles que ficam pelo caminho, aqueles que

Mariana Silva

traçamos para nós próprios ou aqueles que nos foram entregues. Penso que o objetivo da sessão foi

cumprido, uma apresentação da leitura, das diferentes formas de arte e, além disso, de

31


Personalidade em Destaque Leonor Amaral A Associação de Jovens para a Ação Solidária (AJAS) surge de um encontro de jovens (alunos e exalunos) atentos às necessidades sociais, afetivas e económicas da comunidade da cidade que os acolhe. Esta associação, cuja sede está situada no pólo das engenharias da UBI, tem como principal objetivo promover a palavra AJUDA na cidade Covilhã. Visa ajudar jovens em vias de abandono do ensino superior ou secundário, aju-

dar famílias social e economicamente desfavorecidas e apoiar os idosos. Para isso, desenvolve atividades que envolvem a angariação de fundos para apoiar determinados projetos, pretendendo sensibilizar a comunidade para os seus deveres sociais, éticos e mo-

Como

é

quando

surgiu

a

AJAS?

O principal objetivo da associação é apoiar

A AJAS surgiu em 2012, formada por 15

jovens (universitários ou não) com dificulda-

estudantes que decidiram implementar uma

des financeiras de modo a diminuir o aban-

associação para promover a palavra AJU-

dono escolar. Tem como outros objetivos

DA.

fornecer mecanismos de apoio para famí-

Quem

são

os

seus

fundadores?

lias em dificuldades e idosos que estejam

Os seus fundadores são: Joana Cardoso,

sozinhos. Trabalhamos com várias institui-

Joana Pires, Amílcar Baptista, Mariana Val-

ções e associações, como, por exemplo, a

lejo, Ana Monteiro, Filipa Nicolau, Sofia

“CooLabora”, “Refood”, Santa Casa da Mi-

Faustino, Carlos Vilas Boas, Ana Carina

sericórdia e a “Instinto”.

Pires, Fernando Lopo, Filipe Quinaz, Gonçalo Gomes, Joana Madeira, Raquel Sobral e Maurício Rafael.

Quantos elementos compõem a associa-

ção neste momento? A AJAS conta com cerca de 30 membros.

Quais são os objetivos deste projeto de

Existe também ainda um banco de voluntá-

cariz social?

rios com cerca de 15 elementos. 32


Uma associação que tem como base o

almoço solidário da cerimónia da bênção

voluntariado, certo?

das pastas, a um preço acessível, reverten-

Sim, sem fins lucrativos.

do o dinheiro para algumas instituições.

Que tipos de atividades desenvolvem? As atividades são muito variadas, por exem-

Também elaboramos a decoração do espaço.

plo, promovemos a recolha de papel para

Em parceria com a AAUBI, promovemos a

angariar fundos para o banco alimentar. Re-

praxe solidária em que todos os cursos têm

colhemos também roupa, material escolar e

uma tarde que vão a um lar ou a outras ins-

brinquedos na altura do Natal para distribuir

tituições, onde promovem atividades desti-

pelos mais carenciados.

nadas ao público-alvo das mesmas.

A recolha é feita principalmente na UBI, nos

Organizamos caminhadas solidárias, mais

cafés e em alguns ginásios, dependendo do

na altura do verão; trabalhamos com a Liga

público alvo.

dos Amigos do CHCB no sentido de reco-

Semanalmente temos um turno na “Refood” às sextas-feiras das 20-22h. Damos apoio a alguns alunos na Escola Secundária da Quinta das Palmeiras, efetuan-

do o estudo acompanhado a alunos com dificuldades cognitivas e de aprendizagem.

lher dinheiro para comprar fraldas e outros bens necessários para o projeto “Miminhos dos Bebés”. Alguma

iniciativa

para

breve?

Teremos várias atividades com o SASUBI (Serviços de Ação Social da UBI) cujo objetivo será conseguir ajudar e apoiar os alu-

Participámos recentemente num projeto da

nos, nomeadamente através de apoio ao

CooLabora, denominado “Quero ser mais

gabinete do aluno e criação de eventos para

E6G”, um projeto de inclusão social que tem

angariação de fundos para cabazes alimen-

sido desenvolvido na freguesia de Tortosen-

tares; diversas recolhas nomeadamente de

do.

tampas juntamente com o MedUBI e a Liga

Trabalhamos também em conjunto com a AMO Portugal com intuito de aumentar a florestação. Na universidade fazemos, anualmente, um

dos Amigos do CHCB (para ajudar na fisioterapia de uma criança) e de roupa e o almoço da bênção das pastas solidário que se realizará numa das cantinas da universidade. 33


Personalidade em Destaque Leonor Amaral Está também nos nossos planos prestar

tar em contacto permanente com o volunta-

uma maior ajuda à APPACDM.

riado. Acho que o voluntariado é uma expe-

Pretendemos realizar algumas atividades também com a Instinto, como, por exemplo, uma caminhada. Com a AAUBI estamos a planear um Sunset Solidário no BA, ainda sem data definida. Vamos também comemorar alguns dias especiais, como, por exemplo, o Dia Mundial da Criança, Dia da Música, entre outros. Que significado tem para ti esta associação? Como surgiu o teu interesse por esta associação?

riência bastante enriquecedora. Considero que o tempo que gasto com a AJAS não é uma “perca” mas sim um “ganho de tempo”, porque me faz sentir bem a todos os níveis. É uma oportunidade para criar amigos e de

sentir que conseguimos ajudar as pessoas que necessitam. Como definirias voluntariado numa frase? Voluntariado para mim é dar muito de nós, mas receber ainda mais em troca, em pequenas coisas como sorrisos e abraços.

Eu faço parte desta associação há cerca de 3 anos. Gosto muito de fazer voluntariado desde criança. Para mim estar na AJAS foi

Entrevista por Mariana Ribeiro

uma oportunidade que vi para ajudar e es-

34


Desde 2002 que a história do MedUBI

Com os 15 anos do MedUBI, são estes

vem sendo construída. Um passado que é

valores que se pretendem transmitir. É um

curto em tempo, mas não o é em evolução,

objetivo major que a união entre o MedUBI

inovação e rigor.

e os seus estudantes, parceiros e comuni-

Com quinze anos de história, e resulta-

dade local seja dotada da maior qualidade e

do de um trabalho de crescimento constante

transparência.

e de uma representação sempre pautada

No

âmbito

destas

comemorações,

pela dedicação e integridade, este Núcleo

maio foi o mês escolhido para celebrar esta

apresenta-se como um dos mais dinâmicos

data tão importante na história do Núcleo,

e interventivos a nível local e nacional.

pelo que foram preparadas para os estudan-

A criação e consolidação de atividades de referência, com impacto notável na nos-

tes atividades em todas as Áreas e Departamentos que constituem o MedUBI.

sa comunidade local e estudantil marcam a realidade atual deste Núcleo de Estudantes, e assinalam o ponto de equilíbrio para uma

abordagem holística, integradora e séria. Numa hipotética analogia com um matrimónio, os 15 anos simbolizariam as co-

A ti, agradecemos-te por estares desse lado. É por ti que continuamos. Catarina Gonçalves, Presidente do MedUBI

nhecidas bodas de cristal. O cristal é um vidro de altíssima qualidade e transparência, caraterísticas que se associam ao nível de maturidade que se atinge ao longo de quinze anos de união.

35


Antigos Presidentes Qual a principal razão que te levou a

muitos elogios.” – Paulo Pinheiro, mandato

candidatares-te a presidente do MedU-

de 2015.

BI?

O que mais recorda desse ano em que

“Foi uma jornada. Já estava no núcleo há 3

foi presidente?

anos, vi sempre o trabalho a dar os seus

“O espírito de equipa, a vontade de fazer o

frutos, fui criando os laços com os estudan-

núcleo crescer e servir os estudantes de

tes, com as atividades que íamos desenvol-

Medicina. Recordo toda a direção… Todos

vendo… Penso que se tornou natural que-

eles têm lugar na história do MedUBI (…)”

rer criar a minha equipa, a minha família,

– Diogo Abreu Pereira, mandato de 2011.

em prol da representação da faculdade que

“(…) Houve alturas em que o trabalho era

nos forma, em prol dos estudantes que têm

imenso, mas o ambiente entre todos permi-

e devem ser representados ao mais alto

tia que tudo fosse ultrapassado com boa

nível.” – Inês Moreira, mandato de 2016.

disposição e com muito sucesso. Recordo

Qual a atividade que mais gostaste de ver realizada?

também a FCS-UBI, os seus professores e funcionários, que sempre foram de uma amabilidade e proximidade indescritíveis.” –

“O erguer de cada atividade é o culminar

Pedro Oliveira, mandatos de 2012 e

das paixões de muitas pessoas que dedi-

2013.

cam, nelas, o seu tempo e esforço. E esse processo é, por si mesmo, alvo da minha

E qual é a atividade de que mais se or-

admiração. É verdade que nem sempre o

gulha?

produto final é o reflexo da sua preparação

“Se não me falha a memória, foi no ano em

e talvez eu consiga identificar o hiato entre

que fui presidente que começou a desen-

os dois para cada evento, mas terá sempre

volver-se o departamento de solidariedade

o viés de quem assiste ao espetáculo nos

social. O mérito não é meu pois a ideia não

bastidores. Ainda assim, pela crítica perce-

foi minha, mas penso que a abordagem

bida destacava o VII Congresso MedUBI

dessas questões pelo MedUBI foi muito im-

que foi, em várias dimensões, um exemplo

portante.” – Luís Patrão, mandato de 2007.

de profissionalismo e rigor e que granjeou 36


Antigos Presidentes “Possivelmente, terá sido há precisamente

nos envolvermos nos projectos nunca

5 anos atrás, enquadrado nas comemora-

saímos destas experiências iguais.” – Julia-

ções dos 10 anos do MedUBI, quando or-

na Sá, mandato de 2010.

ganizamos a iniciativa “10 anos, 10 conferências”. Foi uma atividade que me marcou particularmente pois conseguimos trazer até à Covilhã personalidades médicas com amplo reconhecimento nacional e até inter-

“O impacto foi enorme. Deu-me ferramentas, conhecimentos e desenvolveu muito a minha interação e capacidade de comunicação.” – Luís Patrão, mandato de 2007.

nacional. Por um lado, demos a conhecer a

“Sou o que sou graças ao MedUBI. (…) Te-

FCS-UBI e, por outro, demos aos nossos

nho a certeza que serei melhor profissional,

estudantes a possibilidade de contactarem

melhor ser humano, simplesmente pelas

com personalidades de inegável interesse.

experiências que tive oportunidade de pas-

(…)” – Pedro Oliveira, mandatos de 2012 e

sar. Contatei com as pessoas mais fantásti-

2013.

cas, adaptei-me a momentos de pressão

De que maneira o associativismo teve

intensiva e fui confrontada com situações

impacto na sua vida atual?

com as quais nunca tive oportunidade de

“Teve imenso impacto, tanto a nível pesso-

lidar… Isso muda-te, transforma-te e torna-

al como profissional, foi uma experiência de

te mais forte.” – Inês Moreira, mandato de

aprendizagem enorme, de desenvolvimento

2016

de capacidades que serão sempre úteis. Descobri que era capaz de fazer mais do que achava possível. E, fundamentalmente, impulsionou o meu interesse para área da

Qual a sensação ao saber que o MedUBI completa este ano 15 anos de existência?

educação médica, o que me tem permitido

“A idade do núcleo vejo-a aumentar com

desenvolver trabalho nesta área e aprender

naturalidade. O que me deixa satisfeito é a

mais sobre o tema. (…) Acho que a experi-

forma como o núcleo continua a crescer

ência no associativismo é marcante para a

com bases sólidas e fiel aos princípios bási-

maioria dos estudantes que têm o privilégio

cos da defesa dos estudantes.” – Diogo

de participar, há um antes e um depois, se

Abreu Pereira, mandato de 2011. 37


Antigos Presidentes Qual a sensação ao saber que o MedUBI

“Pensar no MedUBI e nas pessoas que co-

completa este ano 15 anos de existên-

migo fizeram parte dele desperta um turbi-

cia?

lhão de pensamentos e sensações que não

“A idade do núcleo vejo-a aumentar com naturalidade. O que me deixa satisfeito é a

são passíveis de resumir numa frase.” – Luís Patrão, mandato de 2007

forma como o núcleo continua a crescer

“O MedUBI é a voz dos estudantes de Me-

com bases sólidas e fiel aos princípios bási-

dicina da UBI, é uma família que não pára

cos da defesa dos estudantes.” – Diogo

de crescer.” – Juliana Sá, mandato 2010

Abreu Pereira, mandato de 2011.

“Ao MedUBI devo alguns dos momentos

“É um orgulho imenso, olhar para trás e ver

mais felizes da minha vida de estudante

todos os estudantes que colaboraram na

(…)” – Pedro Oliveira, mandatos de 2012 e

construção do Núcleo, ver como evoluiu ao

2013

longo do tempo, como conseguimos construir a partir do nada. (…) Ainda hoje fico feliz com as conquistas do MedUBI, me divirto de ver que há problemas que nunca

mudam e me emociono de ver que continua

“Um justo merecedor de orgulho pelo passado, respeito pelo presente e certeza no que está por vir.” – Paulo Pinheiro, mandato de 2015

a haver pessoas que estão dispostas a tra-

“O MedUBI é mais do que uma casa de

balhar, a dar do seu tempo de descanso e

afetos… O MedUBI é um pequeno grande

de estudo, porque acreditam que juntos po-

núcleo, com um coração de ouro e com

demos contribuir para mudar o mundo, e

uma vontade extraordinária de fazer mais e

talvez com um pouco de sorte, a Medicina

melhor pelos estudantes que representa.” –

em Portugal.” – Juliana Sá, mandato de

Inês Moreira, mandato de 2016

2010 Defina o MedUBI numa frase.

E numa palavra? “Casa.” – Diogo Abreu Pereira, mandato de 2011

Tens curiosidade em ler as entrevistas integrais? Então fica atento à página do Facebook da Diagnóstico no próximo mês de maio! https://www.facebook.com/diagnostico.ubi/

38


Open Mic C’a Tuna Aos Saltos Desde da formação, há oito anos, da

ra voltarmos ao mítico VII Panaceia – Festi-

C’a Tuna aos Saltos que esta tem levado

val de Tunas Femininas da TFMUC. Re-

de Norte a Sul do País a sua música e o

gressamos à Cidade Neve com os prémios

seu espírito de família, tendo proporcionado

de Melhor Serenata, Melhor Instrumental,

a todas as cidades que visita muitos mo-

Melhor Original, Melhor Porta-Estandarte,

mentos de diversão e animação.

Melhor Pandeireta e Melhor Tuna!

A nossa viagem começou no Algarve,

Antes das férias da Páscoa, voltámos

onde participamos no XIV Moura Encanta-

a viajar, desta vez para as terras solaren-

da, promovido pela Feminis Ferventis – Tu-

gas do Alentejo. O convite surgiu das Tu-

na Académica Feminina da Universidade do

ninfas IPP, a tuna organizadora do VI En-

Algarve., onde trouxemos dois prémios para

saias’Tu – Festival de Tunas Femininas de

a nossa cidade: Melhor Pandeireta e Melhor

Portalegre que nos mostrou o que a sua ci-

Tuna!

dade tem de melhor para oferecer.

Em março, prosseguimos para Almada

No final deste festival, fomos presente-

para o Marias 2017 – Festival Internacional

adas com um fantástico folar: os prémios de

de Tunas Femininas FCT/UNL. Sendo esta

Melhor Serenata, Melhor Solista, Melhor

a 3ºvez que participamos no festival, sabía-

Instrumental, Melhor Pandeireta e Melhor

mos que tínhamos de ser originais para nos

Porta-Estandarte!

destacarmos de todas as restantes tunas.

Trabalho de equipa, de união e espíri-

Foi um sucesso, trouxemos para casa mais

to de diversão foi o que nos permitiu, após

5 prémios: Melhor Original, Melhor Pandei-

uma viagem por quatro cidades, conquistar

reta, Melhor Porta-Estandarte, Melhor Gira-

18 prémios. Preparamo-nos agora para o

Discos e Melhor Tuna!

próximo festival que se realizará na Madei-

Começámos abril rumo a Coimbra pa-

ra, em Maio, no qual esperamos conseguir conquistar as ilhas com a magia da Serra! 39


Open Mic Tuna-MUs A Tuna-MUs (Tuna Médica da Univer-

2017, a Tuna-MUs marcou a sua presença

sidade da Beira Interior) teve os meses de

na habitual barraca C’A Tuna-MUs em par-

março e abril recheados de eventos.

ceria com a C’A Tuna aos Saltos (Tuna Mé-

No dia 4 de Março realizámos a nossa Gala no H2Otel. Tivemos um festival, o VI LÁGRIMAS DE AMORES em Coimbra, realizado pelo

dica Feminina da UBI). Para além da nossa presença diária na barraca durante a SA, atuamos no pavilhão da ANIL dia 21 de abril.

Coral Quecofónico do Cifrão nos dias 10 e

No passado fim de semana realiza-

11 de Março. Como prémios conseguimos

mos a V edição do nosso estimado festival

arrecadar os de Melhor Pandeireta, Melhor

Herminius, decorreu pelas 20h30 no Teatro

Original e de Melhor Tuna!

Municipal da Covilhã. Graças às tunas de

Ainda no mês de março, tivemos atuação no dia 24 na Cerimónia da Bata Branca e no dia 29 no VIII Med’s Got Talent. Não poderíamos ir de férias da Páscoa sem mais um festival, o XXII ALCATRAZ em Vila do Conde. A Tuna-MUs trouxe para a Covilhã os prémios de Melhor Instrumental, Melhor Pandeireta, Melhor Estandarte e Melhor Tuna.

No dia 17 de abril, realizamos uma

alto renome, esta edição superou as expetativas!

Já em maio, no dia 11 iremos atuar na VI Festa do Sineiro, proporcionando à Comunidade Académica a toda a festa e animação que a Tuna-MUs tem para oferecer. Após todos estas atividades, a TunaMUs não irá parar, pelo que poderão encontrar-nos durante maio e junho pelas ruas da Covilhã e do Fundão, animando as gentes da terra.

Jam Session no Bar do Oriental juntamente com a Encantatuna – Tuna Feminina da UBI. Durante a Semana Académica AAUBI 40


Trovadores O nosso grupo de fados, ainda na sua

A Encantatuna, por sua vez, convidou

primeira geração, orgulha-se em levar a

-nos para uma atuação de serenata no seu

nossa música e a tradição covilhanense a

festival de tunas, o VII Feitiço. Foi, mais

todas as pessoas que fazem parte desta

uma vez, um momento sentido para todos

comunidade académica.

os membros, não só pela música mas tam-

O grupo foi criado por mero acaso e crescemos de mãos dadas com o público, que nos oferece sempre uma receção positiva e de coração quente.

bém pelo reconhecimento dado ao nosso

trabalho. Do António de Abreu, António Bebiano, Emanuel Seiça, Fernando Silva e Ricardo Fonte, só temos a agradecer-vos a forte presença. No virar desta página, não

Após o hiato das férias, fomos apre-

só do grupo, mas também da nossa vida,

sentados com o maior desafio até à data: a

esperamos que a próxima geração d'Os

serenata da receção ao caloiro AAUBI. O

Trovadores continue a dar música e espíri-

sucesso da atuação foi sentido por todos

to às noites académicas, que sejamos a

nós, a visibilidade que nos deu não podia

banda sonora de tudo o bom que a Covilhã

ser mais positiva, deu-nos a força de von-

tem para dar.

tade para continuar o grupo para além dos membros existentes. Essa continuidade foi

De nós todos, um obrigado.

reforçada na atuação da Sessão de Fados organizada pelo MedUBI, onde queremos dar todo o mérito ao grupo de caloiros e caloiras que colaboraram connosco para

tornar aquele momento único. Tentamos inovar com temas modernos e mais mexidos e, mais uma vez, a receção foi extre-

Ricardo Fonte, guitarra clássica

mamente positiva. 41


Sem Fronteiras Dicas Para Correr o Mundo Para alguns, planear uma viagem pode ser uma dor de cabeça. Muitos preferem confiar o processo de organização a alguém mais entendido na matéria como uma agência de viagens ou um amigo viajante, sendo que na primeira opção geralmente é necessário desembolsar um valor mais elevado para compensar o serviço prestado. Felizmente, na era da internet o processo foi substancialmente simplificado. Existem destinos “fáceis” e outros que requerem um planeamento mais detalhado e atempado. Nos pontos seguintes, são expostos os pontos essenciais para organizar uma “trip” de sonho. Preparados? Que tipo de viagem? É importante definir o género de viagem que se ambiciona fazer. Desde uma viagem curta para conhecer apenas as atrações principais, a uma viagem para sair todas as noites e fazer praia todos os dias. Uma pessoa não pode esperar fazer uma visita com o intuito de conhecer a história e cultura de um país se escolher ficar numa região de praia isolada, extremamente turística. Esta decisão tem de ser feita desde cedo e também será importante definir com quem se quer viajar, visto que nem todo o grupo pode partilhar os mesmos objetivos.

42


Informações detalhadas sobre o destino

Depois de se ter um destino em men-

agendar uma consulta do viajante quando

se viajar para um país tropical.

te, é importante conhecer de antemão as

Por vezes, certos seguros de saúde

principais característica (língua, fuso horá-

contemplam uma extensão (gratuita ou

rio, segurança, etc..) do país que se quer

não) para o estrangeiro, pelo que se deve

conhecer. Existem várias ferramentas onli-

informar da modalidade e opções do seu

ne para tal, existe uma página útil e fidedig-

seguro de saúde de antemão. Alguns sites

na, da responsabilidade da Secretaria de

como o Worldnomads.com oferecem um

Estado das Comunidades Portuguesas:

seguro de viagem e de saúde bastante útil.

https://www.portaldascomunidades.mne.pt/

Consulte o seguinte site para infor-

pt/conselhos-aos-viajantes/.

mações

Neste site é possível consultar infor-

detalhadas:

https://

www.worldnomads.com/

mação detalhada acerca de todos os países, são disponibilizados contactos impor-

Comprar Bilhetes de Avião

tantes, desde a representação portuguesa

Representando uma grande fatia do

no destino aos números dos serviços de

orçamento, torna-se fulcral a pesquisa

emergência. Também são disponibilizadas

exaustiva e com antecedência dos voos

informações acerca dos regimes de entra-

disponíveis. Para isso, existe uma panóplia

da e saída de cada país. Atenção que al-

de ferramentas na internet (skyscanner;

guns países requerem um visto para se vi-

momondo; edreams; dohop; kayak). Na

sitar, pelo que tem de ser tratado com a

pesquisa dos voos, é importante realizar

devida antecedência.

várias simulações em vários sites até obter uma opção que seja satisfatória a nível de

Saúde do Viajante Se o plano de viagem envolve sair da União Europeia, convém pesquisar que países aconselham a realização de certas medidas

de

prevenção

em

saúde

(profilaxias) e que requerem vacinação obrigatória. Ainda mais importante será

preço e tempo de voo. Ocasionalmente, convém comprar o bilhete diretamente no

site da companhia aérea, pois, por vezes, os preços dos bilhetes nos sites ferramentas de pesquisa têm algumas taxas de reserva associadas. 43


Sem Fronteiras Dicas Para Correr o Mundo Por norma, os preços dos bilhetes

clássicos para férias.

de uma sexta-feira ou sábado são mais ca-

Para consultar o que cada país/

ros que os de uma terça ou quarta-feira. O

região tem para oferecer, existem páginas

preço varia, naturalmente, consoante a

oficiais de turismo para cada lugar e outros

época do ano.

sites como o Tripadvisor, o Wikitravel e o

Ao viajar em low-cost, o preço do

Virtual Tourist, que apresentam a informa-

bilhete é geralmente mais barato, mas nem

ção de forma simples e intuitiva, com os

sempre esse valor compensa, uma vez que

“truques e dicas” para cada destino.

estas companhias por norma aterram em aeroportos secundários, mais afastados da cidade em questão. Assim, somando o preço do transporte do aeroporto para o centro da cidade, o valor final somado e o tempo total pode ultrapassar o das linhas aé-

reas convencionais. No entanto, na maioria dos casos, viajar através de companhias low-cost revela-se um bom negócio.

Alojamento Existem várias modalidades de alojamento, desde couchsurfing aos hotéis mais

Pontos de Interesse:

luxuosos. A escolha depende das preferên-

Convém selecionar os locais que se

cias e orçamento de cada um. Aconselho a

querem visitar antes de tratar do alojamen-

consulta de sites como o Airbnb (aluguer

to, uma vez que a localização deste prefe-

de temporadas de quartos partilhados,

rencialmente deverá ser próxima as atra-

quartos privados e apartamentos), o Triva-

ções em vista. Atenção ao facto das atra-

go, Couchsurfing (opção para quem deseja

ções mais conhecidas estarem literalmente

viajar sem custos de alojamento, mediante

a abarrotar de turistas durante os meses

a partilha de alojamento) e Booking. 44


Dicas:

gem ou para quem viaja de low-cost, andar

-a flexibilidade das datas da sua via-

só com uma mala de cabine e uma mochila

gem é fulcral, evitando de preferência a época alta.

pode ser a opção. Faça cópias de todos os seus docu-

– verifique a localização em relação

mentos, deixe os originais no cofre do hotel

ao centro da cidade, é importante jogar

ou num sítio seguro. Utilize as fotocópias

com preço do alojamento e os encargos

para a sua identificação pessoal. Acima de

dos transportes e o gasto de tempo até

tudo nunca entregue a ninguém os seus

chegar ao centro da cidade.

documentos.

– leia sempre alguns testemunhos/

Elabore uma lista com tudo o que

comentários de viajantes que pernoitaram

leva, para confirmar que não se esquece

no hotel, pois muitas vezes o que aparenta

de nada.

ser um ótimo sítio económico, nem sempre se revela o melhor negócio. Equipamento Procure sempre viajar o mais leve

possível, evitando o excesso de roupa. Leve apenas a adequada ao tempo e a indis-

No dia da partida

pensável. Esqueça os objetos de valor,

Verifique se tem tudo o que apontou na

uma vez que, na maioria dos casos, ser-

sua lista. Geralmente, para voos internacio-

vem apenas para serem roubados ou se

nais, dever-se-á comparecer no aeroporto

perderem. Esteja atento ao transporte de

2h antes da partida, e para voos domésti-

líquidos, géis e aerossóis devido às medi-

cos 1:30h. Em alguns aeroportos mais mo-

das de segurança aeroportuárias.

vimentados ou em que o serviço é mais

Levar uma mala de rodas e uma

lento deverá chegar mais cedo, pois corre

mochila pequena é o ideal para se conse-

o risco de não conseguir chegar a tempo à

guir movimentar sem grande transtorno.

porta de embarque.

Para quem não quer esperar pela baga-

Emanuel Seiça 45


Sem Fronteiras Como Mudar o Mundo Quem me conhece sabe que acredi-

po o que fazia de mim a “médica on call” e

to que uma gota enche o oceano e que não

tinha de dar resposta a tudo o que aconte-

são os grandes gestos que fazem a dife-

cia. Tive de reaprender técnicas desde

rença, mas a vontade de fazer mais muda,

ecografias a injeções intramusculares. Tive

de facto, alguma coisa.

de ultrapassar a barreira linguística e

A atual crise dos refugiados é, desde o seu início, um dos problemas mundiais que mais me preocupa. Em março de 2016, o dia do atentado de Bruxelas, o “raising awareness” deixou de ser suficiente para mim: como não tinha meios para combater o terrorismo, decidi partir para ajudar quem foge dele. O primeiro desafio

aprender a desenhar planos terapêuticos. E percebi que o background e a cultura importam muito, que quando se é “médico” num local destes tem que se ter em conta os factos atuais, mas também os passados, o que foi vivido, o que foi sofrido, do que fogem, as histórias que trazem, os sonhos de que abdicaram, os pesadelos

era trabalhar numa clínica ambulante que funcionava dentro de um autocarro, num campo de refugiados localizado a uma hora de Atenas, de 19 de maio a 16 de junho. Apesar de ter experiências prévias de voluntariado, nunca tinha feito nada a nível internacional e apesar da vontade e do entusiasmo pela medicina humanitária, sair da zona de conforto não é fácil e eu não sabia o que ia encontrar… Esse mês passou a voar, durante dias intercalados era a única voluntária da área de saúde no cam46


Quando voltei a Portugal para fazer

as avaliações finais do quinto ano do curso, tinha nova viagem marcada para a Grécia, por mais um mês no mesmo campo. Desta vez a fazer trabalho mais administrativo, auxiliando a manager do campo e não um trabalho ligado à medicina. Se me perguntarem se acho que fiz a diferença, respondo que sim. Para o resto da minha vida nunca vou esquecer o que vi, o que ouvi, o que fiz e o que senti e, durante o resto da minha vida, nunca serei capaz de esquecer estas caras, as lágrimas e os sorrisos que partilhamos e aqueles que tocaram profundamente o meu coração. Mudei para sempre porque me apercebi ainda mais do quão estúpido é este

de que nos rodeia. Espero com este texto dar-vos a conhecer a minha experiência, mas também, quem sabe, motivar alguém a fazer o mesmo! Maria Helena Silva

mundo em que vivemos. Mudei para sempre porque me apercebi da imensidão de coisas que o amor consegue superar. Enquanto estudantes de medicina somos chamados a dar resposta a este tipo

de crises, a participar, a dar mais de nós e não podemos ficar indiferentes à atualida-

47


Sem Fronteiras Um Olhar Pluricultural Caros leitores, chamo-me Khrystyna,

isso encantou uma criança.

sou aluna do 3º ano de Medicina e gostaria

E acho que são precisamente essas

de partilhar convosco a minha história. A

atividades extracurriculares, tais como a

história da grande reviravolta da minha vi-

música, com a típica flauta amarela, o des-

da.

porto, as aulas de desenho e de informátiFoi há cerca de 12 anos que entrei no

ca, as festas que faziam em cada época

avião Lviv-Kiev-Lisboa-Porto. Uma aventura

especial, o desfile de Carnaval e as pren-

para uma miúda de 9 anos, que nem imagi-

das feitas com as nossas mãos e criativida-

nara o que a esperava no país que o pai

de para os pais nos seus dias, que enrique-

escolhera há 3 anos como destino para

cem o desenvolvimento de uma criança.

uma nova vida com um futuro melhor.

Na Ucrânia era diferente. Um ensino

Foi precisamente no início do 4ºano

rigoroso. Não há separação entre ensinos –

do ensino primário que ingressei nesta nova

escola única, desde o 1º até ao 11º ano. As

vida. E, realmente, posso dizer que foi tudo

atividades extracurriculares eram escassas.

novo para mim. Inicialmente, comecei por

As visitas de estudo mais ainda. É claro que

frequentar apenas o ATL, para poder apli-

tínhamos Educação Física, Música e Dese-

car as 100 palavras que aprendera por ca-

nho, mas eles investiam mais nas discipli-

da dia. Depois, com alguma adaptação, dei

nas separadas, adequadas para cada géne-

os primeiros passos na minha querida esco-

ro: aulas de cozinha ou costura para as me-

la primária Prof.ª Elvira Fernandes Dias, na

ninas e aulas de construção para os meni-

vila de S.Roque, pertencente a Oliveira de

nos. Os livros com as páginas a preto-

Azeméis, Aveiro. Primeiramente, o que

branco, sem desenhos, implementados já

mais me espantou foi o método do ensino

desde o 3º ano, talvez para não nos distrair-

português, que nos anos primários, é incrí-

mos com outras coisas, se não a aprendiza-

vel. Nunca tive tantas visitas de estudo nos

gem.

primeiros 3 anos de escola, na Ucrânia,

Na esperança de em poucos anos vol-

quantas tive nesse ano em Portugal e tudo

tar para a terra natal, os meus pais quise48


ram que eu continuasse com a aprendiza-

gostavam de mim. Também fiz novas ami-

gem das disciplinas ucranianas. Inscreve-

zades. Fiz parte de muitos projetos na es-

ram-me numa escola ucraniana, a qual fre-

cola – ginástica, danças, eco-escola, músi-

quentava aos sábados de manhã, e à tarde

ca e teatro. A partir do 6º ano comecei a

o meu pai ocupava o papel de professor,

atingir resultados extraordinários na escola.

passando horas e horas comigo à secretá-

Já o ensino secundário foi mais uma bar-

ria de volta dos números e letras da Mate-

reira que deu imensa luta. A mudança de

mática.

cidade, de escola e de colegas pode ter

Naquela altura, continuava apenas

influenciado de alguma forma pejorativa o

com dúvidas na Língua Portuguesa. Enten-

meu aproveitamento, mas a ideia de seguir

dia quase tudo, o problema era a estrutura-

Medicina já estava bem enraizada. Não a

ção de frases, a gramática, e principalmen-

consegui concretizar à primeira tentativa:

te a conjugação verbal. Infelizmente, essa

estive um ano extra a lutar pelo que tanto

limitação trouxe algumas consequências –

sonhava e tanto quis, tanto lutei, que tão

senti que não estava a integrar-me da me-

bem atingi.

lhor maneira. Entendia perfeitamente quan-

Os anos passaram a voar, e com o tempo

do troçavam com o meu modo de pronunci-

comecei a sentir-me um pouco mais lusa

ar as palavras ou de formular frases.

do que ucraniana.

Porém, não passou de uma fase menos boa, que foi ultrapassada. A grande razão residia na difícil adaptação. Felizmente, estava rodeada por gente boa que me deu imensas forças para superar muitos obstáculos e momentos menos agradáveis. E por ordem cronológica dos acontecimen-

tos, transitei para o 5º ano, para uma nova escola. Continuei sempre na turma dos meninos que conhecera na primária, e até me tornei amiga dos que pensara que não

49


Sem Fronteiras Todavia, em minha casa, os costumes ucranianos sempre se mantiveram. As férias de verão são sempre e sem exceção, dedicadas às idas à Ucrânia. E é tão bom rever a família, os amigos e o país em si, que é deslumbrante. Relativamente à vertente espiritual, a minha religião é Cristã Ortodoxa, praticante sempre que é possível. Temos a nossa igreja, com a comunidade ucraniana, em Aveiro. Festejamos o Natal no dia 7 de janeiro, segundo a respetiva religião, mas também no dia 25 de dezembro. Esse costume desde sempre esteve presente, graças ao catolicismo da minha mãe e da família do seu lado. Eis um facto curioso, pois as igrejas católicas existentes na Ucrânia são todas polacas e foram construídas pe-

Como podem ver, sou uma fusão de

los mesmos, na época em que estes con-

diferentes origens, diferentes culturas, dife-

quistaram em 1919 a zona de “Halichina”

rentes ideias, e à medida que contacto com

da Ucrânia, que incluía Lviv (distrito ao qual

novas pessoas e novas realidades, moldo

pertence a minha cidade natal – Zolochiv) e

cada vez mais o meu eu como ser humano

que em 1923 foi libertada. Dito isto, confir-

racional.

mo que também tenho ascendência polaca,

Isso acontece com toda a gente. Especial-

originária do ramo da família da minha bisa-

mente convosco, caros leitores, depois de

vó materna. E não só polaca, como checa.

terem conhecido um pouquinho da história de vida de uma estrangeira em Portugal.

O meu bisavó materno era checo. Mui-

Obrigada!

ta mistura, confesso. Krystyna Fedak 50


Ser Representante de Ano Foi numa quarta-feira, dia 2 de no-

o significado de Representante de Ano?

vembro de 2016. Eleições. Eleitos. Comis-

Facilitar a comunicação e a cooperação

são de Ano. Tinha uma vaga ideia, imagi-

entre professores, funcionários e alunos,

nava até, mas, na verdade, não sabia bem

permitindo o progresso da faculdade que

o que envolvia, nem mesmo o que signifi-

nos recebeu de braços abertos! Um dia

cava integrar uma Comissão de Ano. Abra-

mais tarde, quero despedir-me orgulhosa-

cei o desafio, comprei uma agenda, liguei

mente desta faculdade com o sentimento

vezes sem conta à Inês Garcia Moreira…

não de que a deixei tal e qual como a rece-

Honestamente, quase seis meses depois,

bi,

mas

que

a

deixei

melhor!

acho que ainda não descobri! Ser Repre-

São algumas as frustrações e as desi-

sentante de Ano, por vezes, significa es-

lusões, são mais e maravilhosas as aven-

crever e-mails e mandar relatórios, outras

turas, as memórias e os sorrisos, e nada

vezes, ser uma enciclopédia – ficariam sur-

seria possível sem os meus maravilhosos

preendidos com as perguntas que nos fa-

compinchas, a Comissão de Primeiro Ano.

zem e com os emails que nos mandam –,

Beatriz Faneca

maioritariamente, significa ajudar alguém. Não sei se conte, mas cá entre nós, um dos maiores desafios é, sem dúvida, conciliar as dificuldades dos professores com os interesses dos alunos. Como uma vez uma professora me confidenciou, a Faculdade de Ciências da Saúde pode evoluir extraordinariamente, contudo, evolui apenas com a colaboração entre professores,

funcionários e alunos. Afinal não será esse

51


Alumni Façam Cumprir-se a Covilhã! Abro hoje o passo desta história por

os também. Dizem que Deus escreve direito

acreditar que as singularidades que nela

por linhas tortas, mas aquela parecia-me

aconteceram podem ser vividas com a mes-

uma linha de declive acentuado e cheia de

ma significação também por vós. Um per-

tortuosidades. Tortuosidades bem definidas

curso de vida faz-se em muitos sítios e nas

- queria acreditar.

mais variadas circunstâncias, mas é unânime o valor e o peso que os anos de estudante têm numa vida, por, permitam-me o cliché, serem dos melhores que vivemos. Há sete anos escrevi que não neguei a entrada ao fascínio quando avistei a faculdade pela primeira vez. A mala foi feita com muitas expetativas e sonhos que estariam prestes a cumprir-se, com inseguranças e recei-

Digo-vos que o trilho passou bem mais

rápido do que esperava. Parece que a Terra deu seis voltas rápidas sobre o Sol sem a estabilidade antiga, embora não saiba se esta versão seja toda ela verdadeira e concordante, porque houve dias que pareceram durar uma vida inteira. Principalmente durante o 3º e 6º anos.

52


Dentro desses, o último ganha o troféu

que o carácter particular do caminho vertigi-

Ano-Que-Todos-Os-Medos-Levanta.

noso que avistamos é que todo ele é transi-

Sem dúvida que as maiores dificuldades

tório e tem dois sentidos – o próprio, que é

foram sentidas num passado recente, du-

nosso e podemos mudar, e o figurado, que

rante os meses absorvidos pelo dito cujo

os outros transformam. Todo este palavrea-

ameaçador de futuros, em que deixamos a

do para vos dizer que não há perigo se co-

vida suspensa quase sem fome, sem sede,

locarem umas vírgulas no texto, ou no per-

sem sono, como se fôssemos comtempla-

curso. Vírgulas com sabor a MedUBI, com

dos pela pressão, esperando alguém capaz

sabor a Diagnóstico, com sabor a Voluntari-

de nos desentranhar para um conforto livre

ado, Tuna, Melícia, ou outra atividade extra-

da infinidade de medos inconfessados.

curricular que sirva para vos enriquecer, a

do

Há ocasiões em que nos vemos como máquinas e nos sentimos como máquinas e parece-me que esta despersonalização também faz parte da formação de uma vida - mas também as máquinas se cansam e avariam e têm problemas técnicos e preci-

vós e ao texto que se escreve. Não tenham medo de se deixar levar pelos melhores desígnios que os anos de estudante oferecem, nomeadamente o sentido de liberdade, autonomia e responsabilidade, que vinca tudo o que irão ser.

sam de ser reparadas e substituídas, e….!

O melhor dia? Posso eleger os dois

Se ficaram sem fôlego a ler estra frase, é

melhores dias? Um: o dia em que tudo se

porque também sentem e sabem que por

funde e confunde entre fitas a voar ao sabor

vezes precisamos de continuar indefinida-

do vento e muitos Avós a testemunhar uma

mente em busca da meta que se avizinha

glória que não puderam ter. São centenas

num ponto final qualquer mergulhado no

de pessoas a brindar ao passado e a recear

futuro.

o futuro com a sensação de medo e vitória

O mais custoso é conseguir respirar adequadamente, sem nos falhar ou tremer a voz. Como quem diz: a memória. Como não temos suplentes de nós mesmos, prosseguimos e resistimos até descobrirmos

típicos do fim de uma caminhada. É uma

lágrima fácil sempre a cair, uma emoção que nos diz que Tudo Valeu a Pena. Outro: o dia em que sempre voltamos. Seja por que motivo for. 53


Alumni Quanto à vida profissional, perdoemme por nada de jeito vos saber dizer. Mas tudo é ainda novo e a aprendizagem fazse sentir em ritmos de outrora. Uma coisa é certa: hoje sinto-me com a certeza de que o meu futuro começou aí.

mas que se dissipará, não tarda. Gostava de vos poder ensinar qualquer coisa, mas à exceção dos Pais e Avós, ninguém entende nada da vida - e desenganem-se se alguém vos tentar convencer do contrário, é paranóia e aconse-

Nessa Escola que faz dos Colegas os

lhem-lhes um Médico! Limitem-se a lutar

Amigos para uma vida inteira, que tem

pelo horizonte, porque ninguém o conse-

Professores e Funcionários que se tornam

guiu ainda atingir.

também amigos e que nos dão a certeza de um conforto acolhedor e feliz sempre que regressarmos. Nessa Terra de Gente Boa que amanhece sob um mar de nevoeiro que rapidamente se dissipa e nos mostra os melhores raios de Sol. É aí que o dia

Vivam um caminho onde se reconheçam a cada passo, repletos de sonhos e memórias, e cumpram-se dos valores que alimentam e nutrem. Façam cumprir-se, também, a Covilhã.

começa e tudo acontece. E é esse mo-

Fico com a sensação que tudo isto já

mento que devem levar para a vida, a es-

sabe a dito. E como a vida de estudante

perança de que cores vivas irão sobressair

ensina que nunca haverá palavras de des-

de raios antes ocultos e afogados num ne-

pedida: Espero-vos por aí, Colegas. Até já.

voeiro de dúvidas que irá existir sempre,

Jennifer Jesus 54


CICS

Centro de Investigação em Ciências da Saúde O Centro de Investigação em Ciên-

A organização do Centro em subgru-

cias da Saúde (CICS), localizado na Facul-

pos e áreas de I&D permite um foco mais

dade de Ciências da Saúde da Universida-

direcionado e especializado sobre as temá-

de da Beira Interior é, atualmente, uma das

ticas, processos e metodologias realizadas.

bandeiras desta instituição. Financiado pela

No entanto, o objetivo comum do CICS

Fundação para a Ciência e Tecnologia

“obriga” a uma coordenação, interligação e

(FCT), tem como missão promover e produ-

cooperação entre os grupos e os seus

zir conhecimento científico no domínio das

membros.

Ciências da Saúde. A biomedicina, biotec-

Ao longo dos anos, tem sido crescente

nologia, biologia celular e molecular são al-

o reconhecimento do CICS por parte da co-

gumas das áreas de Investigação e Desen-

munidade científica. Para tal, contribuíram

volvimento (I&D) potenciadas pelo CICS,

várias publicações científicas de relevo, dis-

organizadas em dois grupos de investiga-

tinções e prémios conquistados por mem-

ção: Hormonas e Inflamação na Saúde e

bros do Centro. Tais reconhecimentos de-

Doença (HIHD) - subdividido nas áreas de

monstram o excelente trabalho realizado

Endocrinologia e Reprodução, Doenças

por professores, investigadores e alunos

Cardiovasculares, Neuroprotecção e Neuro-

neste Centro. Lutando, cada vez menos,

degeneração e Imunologia Integrativa Hu-

contra o facto do CICS (e a UBI) se encon-

mana - e Biotecnologia e Ciências Biomole-

trar fora dos radares habituais dos poderes

culares (BBS), que agrega três áreas de in-

de decisão científica e política, é notável o

vestigação: Bioprocessos e Pesquisa Mole-

contributo que este Centro deu e continua a

cular, Biomateriais e Engenharia de Tecidos

dar à comunidade científica, produzindo ci-

e ainda Química Biomedicinal e Investiga-

ência e formando profissionais com valor

ção de Fármacos.

reconhecido. João Pedro Pais, Mestre em Biotecnologia pelo CICS - Health Science Research Centre - UBI

55


ANEM A Associação Nacional de Estudantes

dade da ANEM) e a Assembleia Geral. A

de Medicina (ANEM) é uma Federação

Assembleia Geral é o órgão máximo deli-

com mais de 30 anos que representa os

berativo da ANEM. Reúne ordinariamente

cerca de 12000 alunos das oito escolas

quatro vezes por ano, e é aberta a qual-

médicas do país. Atua a vários níveis na

quer estudante. No entanto, apenas pesso-

defesa dos interesses dos estudantes de

as credenciadas pela sua AE/Núcleo têm

medicina de Portugal, projetando as suas

direito a voto, até um máximo de quatro

opiniões e reivindicando as suas causas

votos por AE/Núcleo.

junto de parceiros estratégicos (como a Ordem dos Médicos, por exemplo), alcançan-

do cada vez mais a esfera da opinião pública. A ANEM tem várias áreas de atuação, havendo para cada uma destas um grupo de trabalho. Os grupos de trabalho atuais são de Saúde Sexual e Reprodutiva, Saúde Pública, Direitos Humanos e Ética Médica, Educação Médica, Formação e Inter-

câmbios. Cada grupo de trabalho é constituído por um ou dois representantes locais eleitos de cada escola médica, juntamente com o diretor de área, pertencente à direção eleita da ANEM. Para além da direção, existem outros três órgãos na ANEM: o Senado (órgão de natureza consultiva e deliberativa, constituído pelos presidentes das AEs*/Núcleos associados à ANEM), o Conselho Fiscal

O MedUBI esteve presente nas 116ª e 117ª Assembleias Gerais da ANEM (de 17 a 19 de fevereiro), onde aprovou o plano de atividades e orçamento da nova direção para o novo mandato da ANEM. Foi também discutida a continuidade do Encontro Nacional de Estudantes de Medicina (ENEM), tendo sido decidido que este ano não se realizaria e que seria criada uma comissão para averiguar a pertinência da continuidade desta atividade como parte do plano de atividades da ANEM. O MedUBI absteve-se por considerar que não teve oportunidade de ouvir os seus estudantes sobre este assunto, não devendo, assim, manifestar uma opinião. A próxima Assembleia Geral ordinária

será nos dias 26, 27 e 28 de maio, em Coimbra.

(órgão consultivo que supervisiona a ativi-

56


Nova PNAS Iniciou-se no dia 10 de abril de 2017, o processo de discussão pública ao novo mo-

6. Existência de bibliografia pública, recomendada e referenciada.

delo de Prova Nacional de Acesso à For-

7. Análise do enquadramento das per-

mação Específica, que se prolongará até

guntas na matriz, na bibliografia e no con-

ao final do mês de maio.

texto epidemiológico português. 8. Previsão de revisão da prova.

A ANEM redigiu um documento expli-

9. Ausência de nota mínima.

cativo no qual elabora um balanço entre as

10. Realização de prova-piloto.

posições dos estudantes de Medicina, defendidas pela ANEM e o novo modelo proposto pela Comissão, que resultou do trabalho conjunto de diversas entidades ao longo de sete meses. Tendo em conta a proposta, são salientados os seguintes aspetos positivos:

11. Recomendação para que o volume da carga de preparação não difira do atual.

12. Sugestão de criação do Gabinete Nacional de Provas de Avaliação Médica com o objetivo de profissionalizar a estrutura responsável pelo processo de avaliação e seriação dos médicos para o acesso

1. Promoção do raciocínio clínico ao invés de apelar à memorização de dados. 2. Abordagem de conhecimentos transversais à prática médica, com respeito às

ao Internato Médico. Como aspetos negativos: 1. Possível sobrecarga da matriz de

Medicina Interna.

áreas de Medicina Interna, Cirurgia Geral,

2. Ausência de referência aos pro-

Ginecologia e Obstetrícia, Psiquiatria, Pe-

cessos de validação e garantia de qualida-

diatria e MGF.

de das questões produzidas.

3. Existência de uma matriz de natureza

A nível local, foi realizada a Sessão de

pública, detalhada ao nível da patologia e

Esclarecimentos ‘’E depois do Harrison?’’,

tipologia do conhecimento a avaliar.

com a presença de um elemento da ANEM

4. Publicitação oficial de qualquer alte-

(Inês Coelho Rodrigues); um elemento da

ração à matriz com, pelo menos, 18 me-

Comissão Nacional para a Nova Prova

ses de antecedência.

(André Fernandes) e o Diretor de Curso de

5. Organização dos conteúdos de acordo com a sua relevância e categorização das competências a avaliar.

Medicina da FCS-UBI (Prof. Dr. Miguel Castelo Branco). Catarina Gonçalves 57


Perder as EstriBeiras Barragem dos Conchos

Situada no coração da Serra da Estre-

Ela recolhe toda a água da ribeira das Ne-

la, a barragem dos Conchos tem sido alvo

ves. Tem cerca de 4,6 metros de altura, 48

de atenção de curiosos um pouco por todo

de coroamento e uma capacidade de arma-

o país. Isto porque a lagoa tem, nada mais,

zenamento 120 mil metros

nada menos, do que um grande “furo” nas

água.

cúbicos de

suas águas, que dá a impressão que “suga” os arredores para as suas profundezas.

Rita Cagigal

Esse “furo” não é mais do que um túnel, com cerca de 1519 metros de extensão e que termina na albufeira da lagoa Comprida. A barragem dos Conchos, construída em 1955 com betão e granito, faz parte do complexo hidroelétrico da Serra da Estrela. 58


Castelo de Folgosinho Classificado como imóvel de interesse

Juntamente com os castelos de Linha-

público a 25 de março de 1936, o Castelo

res e de Celorico da Beira, o castelo de Fol-

de Folgosinho é a maior atração da vila de

gosinho compõe um triângulo defensivo no

Folgosinho, em Gouveia, Guarda.

vale do rio Mondego.

A sua origem é incerta: há quem a atri-

Reconstruído em 1938, altura em que

bua a Viriato, que aqui terá nascido, mas

estava já em ruínas, o castelo consiste atu-

outros acreditam que o castelo terá sido

almente num recinto circular com aproxima-

mandado construir por D. Sancho I, aquan-

damente 10 metros de diâmetro, com uma

do da atribuição da carta de foral em 1187,

muralha reforçada por um pequeno adarve

na época da reconquista cristã da Península

protegido por merlões e três guaritas cilín-

Ibérica, procurando povoar e defender

dricas. O uso de quartzo branco-rosado na

aquela região que considerava estar estra-

sua construção confere-lhe uma beleza sin-

tegicamente bem posicionada.

gular. Rui Simões

59


A AMP-S – a secção student da Acta Médica Portuguesa – é especialmente dedicada à publicação científica por estudantes e jovens médicos. Enquanto plataforma para a comunicação de Ciência, trabalhamos para a promoção de ciência de alta-qualidade, disseminação do conhecimento científico no seio da comunidade estudantil biomédica e formação de futuros profissionais de saúde mais cultos e críticos. Publicamos artigos científicos, casos clínicos e imagens médicas, com indexação na Pubmed, bem como artigos mais generalistas, incidindo no vasto mundo da Medicina, disponíveis exclusivamente online. Poderás igualmente juntar-te a nós como revisor dos nossos Online Posts! De que estás à espera para publicar o teu trabalho?

Descobre mais em: www.actamedicaportuguesa.com/student Representante Local da FCS-UBI: Beatriz Faneca Contacto: student@actamedicaportuguesa.com

60


AMP—Student Os longos anos do curso, os livros, os

nicação.

professores e os colegas não nos prepara-

Aumentar a segurança cirúrgica.

ram para enfrentar o erro, particularmente

Aumentar a segurança na utiliza-

o nosso próprio erro. Aceitamos que “errar

ção da medicação.

é humano”, desde que esse “humano” não

seja eu.

voca dos doentes.

Também no meio clínico surgem, por vezes, relatos deste erro do qual falámos,

o de cariz humano. Os números são claros, nos hospitais portugueses, tal como nos hospitais de todo o mundo, 10% dos doentes internados são lesados pelos próprios cuidados de saúde. E destes, pelo

Assegurar a identificação inequí-

Prevenir a ocorrência de quedas.

Prevenir a ocorrência de úlceras

de pressão. 

Assegurar a prática sistemática

de notificação, análise e prevenção de incidentes. 

Prevenir e controlar as infeções e

as resistências aos antimicrobianos.

menos 50% poderiam ter sido evitados. Neste sentido, serviços hospitalares como

Fazer um diagnóstico correto de uma

o Gabinete de Segurança do Doente, no

doença, não é suficiente se esse diagnósti-

Centro Hospitalar de Lisboa Central, ten-

co não é comunicado ao doente, se o pla-

tam aumentar, nos profissionais de saúde,

no terapêutico é mal prescrito ou adminis-

a consciência dos riscos que podem dar

trado ou se o doente é lesado gravemente

origem ao incidente e à lesão do doente,

por uma queda no internamento ou uma

desenvolvendo uma cultura institucional

infeção do local cirúrgico. Uma cultura de

que permita assumir, comunicar, apren-

segurança bem implementada beneficiará

der e corrigir os erros. As propostas

os doentes, pelos quais somos responsá-

vêm do Plano Nacional para a Segurança

veis, os nossos familiares e, em última

dos Doentes 2015-2020:

análise, nós próprios.

do ambiente interno. 

Adaptado de :

Aumentar a cultura de segurança http://

Aumentar a segurança da comu61


O Maravilhoso Mundo da Medicina

Impacto das antigas descobertas n Quando, nos anos quarenta do sé-

humano (HPV –

culo passado, Georgios Nikolaou Papani-

human papilloma

kolaou demonstrou, cerca de 15 anos de-

virus) na génese

pois da sua descoberta, a possibilidade de

ou promoção da

se diagnosticar precocemente o cancro do

neoplasia cervical

colo uterino através do estudo morfológico

uterina, que lhe

das células descamadas colhidas da cavi-

veio a valer o Pré-

dade vaginal, iniciou-se uma dinâmica cu-

mio Nobel da Me-

rativa de um dos tumores mais relevantes

dicina em 2008,

como causa de morte na mulher. Estabele-

abriu obviamente

ceram-se, então, programas de rastreio,

uma linha impor-

evolutivamente organizados,

que, para

tante de investigação laboratorial que levou

atingir o seu fim e os altos níveis de efici-

à introdução de técnicas de deteção da

ência evidenciados, requereram a prepara-

presença do vírus, com crescentes sensi-

ção e a formação de profissionais particu-

bilidade e capacidade identificativa dos

larmente qualificados para essa função,

seus tipos, permitindo assim o estabeleci-

citologistas, autónomos, citotécnicos, auxi-

mento de estudos epidemiológicos em lar-

liares, em número que foi crescendo com a

ga escala, ampla cobertura etária e diversi-

expansão desta atividade. Grandes investi-

dade populacional. Foi possível, então, co-

mentos se fizeram, desta forma, para asse-

nhecer a história natural da infeção, propor

gurar quer a execução destes programas,

formas de conduta clínica nela baseadas,

quer a formação e a atualização deste no-

culminando, nas últimas décadas, com a

vo tipo de profissionais, garantindo um pro-

descoberta e comercialização de vacinas,

cedimento que se mostrou eficiente em

que no presente incluem antigénios dum

poupança de vidas.

número já considerável (nove) de tipos..

Harald zur Hausen, médico alemão

A identificação, por Harald zur Hausen, da implicação do vírus do papiloma 62


na Medicina atual E, assim, se vão confirmando as expectativas associadas à implementação da vacinação em massa, em faixas etárias precoces, e que são a erradicação (ou quase) de tão perniciosa afeção neoplásica. Atente-se, porém, nas características de todo este processo e nas consequências que

acarreta em termos de metodologia assis-

mesmo tempo que se assegura (ou mesmo

tencial e de impacto profissional, campos

aumenta) a eficiência dos programas com

que poderiam parecer alheios. Na realidade,

esta modificação, evitando a perda de quali-

a redução da prevalência das lesões malig-

dade que a diminuição da sensibilidade do

nas e pré-malignas do colo uterino iria afe-

estudo clássico evidenciaria, garante-se

tar a eficiência do rastreio citomorfológico,

uma transição sem riscos e um ganho finan-

pela redução do número de casos positivos,

ceiro graças à automatização da técnica.

tendo este facto desde logo implicações nu-

Mas o que é curioso, e que resulta do ritmo

ma alteração relevante na sequência diag-

pausado e coordenado de evolução de todo

nóstica. E, assim, duma época inicial em

este processo, é que se conseguirá evitar

que o estudo era meramente morfológico, e

as graves consequências da redução do nú-

que depois passou a ser complementado

mero de profissionais de citopatologia, per-

pela pesquisa da presença de vírus em cé-

mitindo que ao longo de duas décadas se

lulas alteradas, se transitou paulatinamente

vá limitando o quantitativo de formandos en-

para a inversão desta sequência de técni-

quanto se verifica a natural saída de técni-

cas: hoje, pois, dá-se prioridade à deteção

cos do ativo. Garante-se assim um progra-

de vírus HPV com responsabilidades na-

ma de qualidade, com significativa redução

quela afeção, para se realizar o estudo mor-

de efetivos humanos, por recurso a tecnolo-

fológico apenas nos casos em que aquele

gias de precisão automatizadas sem o im-

exame demonstra a sua presença. E, ao

pacto negativo que poderiam ter no mundo 63


O Maravilhoso Mundo da Medicina HeartMate 3™ - Amigo do Peito No dia 6 de Março de 2017, no Hospi-

ção e que teria de ser posteriormente re-

tal de Santa Marta (HSM), em Lisboa, reali-

movido. Tem, na verdade, o nome comerci-

zou-se, pela primeira vez em Portugal, a

al de HeartMate 3™, e é produzido pela

implantação de um sistema de assistência

Thoratec®.

ventricular esquerda portátil, liderada pelo

O dispositivo é colocado na cavidade

cirurgião cardiotorácico Prof. José Fragata.

pericárdica e auxilia o ventrículo esquerdo

Apesar de já ser sido feita em vários paí-

na sua função de bombeamento para a cir-

ses, esta intervenção surge, em Portugal,

culação sistémica. Surge, assim, como se

para melhorar significativamente a qualida-

fosse um “Bypass” ao ventrículo, aspirando

de de vida de doentes com insuficiência

sangue desta cavidade cardíaca para de-

cardíaca grave. Aprovada a 8 de Outubro

pois injetá-lo na aorta ascendente a um

de 2015 na Europa, pode ser usado como

caudal regulável de acordo com as neces-

terapêutica de destino, quando há contrain-

sidades, que varia entre os 2,5 a 10L por

dicação para transplante cardíaco, ou co-

minuto.

mo ponte para o mesmo, aquando da es-

pera. Neste caso pioneiro, o doente não tolerava os fármacos imunossupressores, usados após transplante para evitar episódios de rejeição. Outros dispositivos não portáteis já são implantados no nosso país, principalmente em crianças.

Ao contrário do que foi inicialmente anunciado pelos media, este dispositivo não se trata, de todo, de um coração artificial, que substitui a função de todo o cora64


Está ligado a uma unidade de carga

seis meses e 83% têm uma melhoria da

portátil através de um cabo percutâneo elé-

classe NYHA, tendo uma taxa de sucesso

trico externo. A bateria conta com uma ca-

de 100% no aumento da distância percorri-

pacidade de até 17h de funcionamento con-

da em 6 minutos.

tínuo, podendo ser ligada à corrente no conforto da habitação.

Apesar de todos estes dados animadores, HeartMate 3™ não é isente de ris-

Como se assegura a hemostase e

cos. Para além do risco cirúrgico óbvio, o

integridade dos elementos sanguíneos? A

principal efeito colateral é a propensão para

resposta é simples: através da tecnologia

o tromboembolismo, devido ao contacto en-

MagLev™ (levitação magnética). O rotor é

tre o sangue e as superfícies internas do

suspenso por força magnética, aspirando

aparelho. Muito embora o próprio revesti-

sangue sem contacto entre componentes

mento interno do dispositivo seja composto por micropartículas de titânio que reduzem a trombogénese, os candidatos devem obrigatoriamente tolerar anticoagulantes. Os processos infeciosos na zona de saída do cabo também são importantes. Outros efei-

tos são: arritmias; sepsis; insuficiência cardíaca direita; insuficiência renal; hemólise; disfunção hepática; embolia cerebral; distúrbios psiquiátricos; miocardiopatia isquémica. artificiais, o que induz forças de cisalhamen-

A próxima fronteira poderá ser uma

to mínimas, sendo, por isso, um processo

nova versão que é carregada através de in-

praticamente inócuo para a estrutura e inte-

dução, sem ter de estar ligada por cabos.

gridade dos eritrócitos.

Ainda mais inovador, quase futurista, seria

Segundo os dados apresentados no 19th Annual Meeting of the Heart Failure

um dispositivo sem necessidade de uma bateria.

Society of America, 98% dos doentes sobrevivem durante pelo menos 30 dias, 92%

Emanuel Cortesão de Seiça 65


O Maravilhoso Mundo da Medicina Pode a microbiota no nosso intestino controlar as nossas “mentes”? Todos nós temos algo em comum:

Este órgão é, portanto, como um se-

passamos os primeiros 9 meses da nossa

gundo cérebro que controla a nossa função

existência dentro de um ambiente comple-

física e mental quase tanto como aquele

tamente estéril. Porém, no momento em

que está dentro das nossas cabeças e po-

que nascemos, somos colonizados por mi-

de constituir o elemento-chave na epidemi-

cróbios amigáveis. Estes seres multiplicam

ologia moderna a nível global. E, sabes

-se e desenvolvem-se para formar como

que mais? Pesa tanto como ou mais como

que um órgão invisível dentro do nosso in-

o próprio cérebro.

testino – a microbiota intestinal. Como assim, um órgão invisível?! Não, não leste mal. A nossa saúde é muito dependente desta diversidade de

O nosso intestino e cérebro estão ligados física e bioquimicamente por uma série de maneiras. 1.

Ligação física através do nervo va-

bactérias do nosso organismo. Diferentes

go, que envia sinais em ambas as dire-

tipos de micróbios digerem certas comidas,

ções. Os nossos intestinos podem conti-

produzem algumas vitaminas essenciais e

nuar a funcionar normalmente sem recebe-

hormonas, respondem a medicamentos e

rem sinais superiores, o que sugere que

infeções, controlam a glicemia e até os ní-

eles têm uma “mente” própria.

veis de colesterol no sangue. Como um órgão! Quer isto dizer que o tipo de bactérias que habitam no nosso intestino podem controlar de forma significativa o risco de desenvolver certas doenças, desde a obesidade à diabetes e até a osteoporose!

2. Os nossos cérebros estão compostos por milhares de milhões de neurónios, que enviam continuamente mensagens para o nosso corpo trabalhar e para determi-

nar como nos comportamos. Paralelamente, os nossos intestinos têm cento e muitos milhões de neurónios.

66


3. A microbiota constitui o centro do

Portanto, não podemos descurar a

nosso sistema imune, significando isto

possibilidade destas bactérias poderem in-

que um desequilíbrio na mesma pode

terferir com o nosso comportamento, na

causar múltiplas reações imunes subtis

maneira de pensar e até no nosso humor.

em todo o nosso corpo que, se prolon-

Existem vários estudos que suportam esta

gadas, podem afetar a saúde do nosso

teoria:

cérebro. 4. Os neurotransmissores são químicos que possuem a capacidade de alterar a forma como pensamos, nos comportamos e como nos sentimos. Muitos destes neurotransmissores são também produzidos no nosso intestino. No caso da serotonina, o anti-depressivo natural do nosso corpo, 90% da sua totalidade é produzida no intestino.

“Outro exemplo conhecido de modificação de comportamento corre pelo Toxoplasma gondii, que altera a resposta ao medo do roedor hospedeiro. Roedores infetados perdem o comportamento defensivo na presença de predadores felinos, que, em contrapartida, tornam-se atraídos sexu-

almente pelos odores dos mesmos (House et al., 2011).” Rita Cagigal

67


O Maravilhoso Mundo da Medicina Pode a microbiota no nosso intestino controlar as nossas “mentes”? “Observou-se que ratos livres de ger-

De facto, colonização por microorga-

mes mostram uma resposta elevada ao

nismos específicos, como Bifidobacterium

stress durante a imobilização forçada.

infantis restaura o defeito, o que demonstra

(Sudo et al., 2004). Na ausência de micro-

que são sinais de bactérias específicas

biota, os ratos têm níveis substancialmente

conduzem o comportamento normal. (Sudo

elevados de corticosterona, uma hormona

et al., 2004).”

de stress no hipotálamo, assim como níveis reduzidos de BDNF (brain-derived neurotrophic factor) que estimula a neurogénese e crescimento sinático e modula a plasticidade sinática e a transmissão. (Lu et al., 2013; Sudo et al., 2004). (…) Este fenómeno pode ser parcialmente revertido através de uma re-colonização com microbiota diversa durante a fase adulta, sugerindo que sinais ativos da microbiota têm um papel importante no desenvolvimento

Ainda se desconhecem grande parte dos mecanismos por detrás disto. Uma coisa é certa: passámos mais de um século a tentar destruir estas nossas bactérias, em vez de tentarmos perceber o seu papel na nossa saúde… É tempo de rumarmos noutra direção e cuidarmos bem delas, também para nosso bem e, principalmente, para bem da nossa saúde mental. Rita Cagigal

cerebral.

68


Sabias que? Alucinações Alucinar, ao contrário do que muitos

rienciam alucinações musicais – para eles,

pensam, não implica necessariamente es-

o som da música é tão claro como se tives-

tar a enlouquecer. As alucinações psicóti-

sem a ouvir uma música na rádio. E, mui-

cas distinguem-se das restantes porque se

tas vezes, atribuem “à vizinha que deixou a

dirigem a nós, insultam-nos, chamam-nos,

TV ligada” ou a música da rua, quando, na

vêm ao nosso encontro. Uma alucinação

realidade, a música está dentro deles. À

que nos surge como um filme, que não in-

primeira vista, pode ser visto como algo

terage connosco, pode não ser mais do

agradável – ter uma jukebox interna cons-

que um mecanismo de coping do nosso

tantemente ligada – mas, na verdade, pode

cérebro perante algum desequilíbrio na sua

ser um importante fator de comorbilidade,

homeostasia. Isto é particularmente fre-

afetando profundamente a qualidade de

quente em indivíduos com défices de visão

vida da pessoa. Em casos graves, afeta os

- cerca de 10% destas pessoas possui alu-

hábitos sono, afeta as relações pessoais,

cinações visuais, mas apenas 1% o admi-

impede a realização de algumas tarefas

te, com receito de ser chamado de louco.

que exijam concentração. E isto é algo fre-

Existem também o que se chamam de alucinações musicais. Quantas vezes aquela música da rádio entra na nossa ca-

quente em, mais uma vez, indivíduos com défices de audição, embora muito poucos o admitam.

beça e o nosso cérebro a repete vezes e

É, portanto, muito importante estar-

vezes sem conta? Não, não te preocupes,

mos alerta para este tipo de situações e

que não andas a alucinar! Quando ouvimos

retirar peso ao estigma associado a estas

uma música dentro da nossa cabeça, reco-

condições, para que sejam identificadas e

nhecemos a sua origem como interna. Tal

devidamente tratada.

não acontece com os indivíduos que expe-

Rita Cagigal

69


O Maravilhoso Mundo da Medicina David Ângelo: Um Médico para além dos cânones da Medicina David Serrano Faustino Ângelo, nascido em La-Chaux-de-Fonds, na Suíça, médico especialista em Estomatologia e aluno de doutoramento na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, partilha o seu percurso académico com os estu-

ano após terminar o curso na UBI, em con-

dantes de Medicina da UBI. Pois é, de

junto com outro ex-aluno de Medicina na

2004 a 2010, David Ângelo estudou Medi-

Faculdade de Ciências da Saúde, Miguel

cina na UBI.

Nunes, fundou a empresa Blocomed®. Em

Apesar de atualmente, trabalhar na zona de Lisboa, ainda recorda, com carinho, os seis anos que passou na nossa cidade-neve: “(…) éramos todos muito solidários uns com os outros e muito amigos. Esse espírito de camaradagem é difícil de encontrar numa grande cidade.” – conta ao Jornal Online da UBI. Durante o curso, foi também um dos fundadores da Tuna Médica da UBI, cuja evolução continua a acompanhar com orgulho. David fez o internato no Hospital de

Santa Maria em Lisboa, com um desempe-

2015, após a participação no programa de televisão Shark Tank Portugal, a empresa teve o seu maior impulso nos mercados nacionais. Com o lema “a repetição leva à perfeição”, a empresa parece refletir um

pouco uma das caraterísticas mais prezadas pelo seu fundador: “(…) temos de ser muito persistentes.” – relata David Ângelo ao Jornal Online da UBI. – “Ou seja, eu dou como exemplo um dos artigos que eu publiquei e que foi rejeitado em nove revistas. E eu nunca desisti, pois acreditava no valor do trabalho, mas publicar o primeiro

artigo é difícil.” .

nho, no mínimo, brilhante. Para além de médico, David Ângelo é também um jovem empreendedor. Um 70


perfícies articulares são revestidas por fibrocartilagem. Interposta entre as superfí-

cies

articulares

encontra-se

um

dis-

co fibrocartilaginoso. Esse disco, que possui uma forma elíptica, permite eliminar as incongruências ósseas e facilitar o movimento harmonioso da articulação. Posteriormente

situa-se

a

região

bilaminar

(altamente inervada) e, anteriormente, o Já vestindo o papel de voluntário, em

2015 David viajou para a Guiné-Bissau numa missão internacional, que afirma ter-lhe mudado a vida. Há três anos que o médico tem estado empenhado no seu projeto de Doutoramento na Faculdade de Medicina de Lisboa. A sua tese tem sido orientada pelo

Prof. Doutor Francisco Salvado e intitulase Role of bioengineering and regenerative medicine in temporomandibular joint (TMJ) intracapsular reconstruction. Mas em que consiste exactamente este trabalho? Para

músculo pterigoideu lateral. O disco articular é, portanto, capaz de absorver as forças mastigatórias e dissipálas sem que exista uma sobrecarga excessiva da articulação. Quando há desgaste, deslocamento ou inflamação do disco, o doente apresenta sintomatologia heterogénea que vai des-

de dores de cabeça inespecíficas, estalidos articulares, limitação da abertura da boca, dores na articulação, crepitação articular, etc.

percebermos, vamos recuar um pouco aos primórdios da anatomia. As estruturas ósseas que constituem a articulação temporomandibular são: a fossa mandibular do osso temporal e o côndilo da mandíbula. Trata-se de uma articulação sinovial, sendo que as suas su71


O Maravilhoso Mundo da Medicina David Ângelo:

Um Médico para além dos cânones da Medicina Quando há desgaste, deslocamento

abrir a boca cerca de dois milímetros. Foi

ou inflamação do disco, o doente apresen-

operado com sucesso mas passados qua-

ta sintomatologia heterogénea que vai des-

tro ou cinco meses da cirurgia voltou à es-

de dores de cabeça inespecíficas, estalidos

taca zero (...)” – sensibilizado com a situa-

articulares, limitação da abertura da boca,

ção, David acrescenta “(…) foi aí que tive

dores na articulação, crepitação articular,

consciência que era necessário fazer algo

etc.

de novo nesta área.” Esta patologia pode comprometer

Sem se resignar a esta situação, o

significativamente a qualidade de vida de

médico arregaçou as mangas e começou a

um indivíduo, pois, ao limitar os movimen-

procurar uma solução para este problema,

tos da boca, o doente pode ver-se impedi-

que se pensa que afeta cerca de 30% da

do de se alimentar (por dificuldades na

população. Se existe desgaste do disco,

mastigação) e até mesmo de falar. Tal

porque não substituí-lo? E foi assim que

constitui um fator importante de comorbili-

surgiu a premissa base para a sua investi-

dade que não se deve descurar. Infeliz-

gação.

mente, esta patologia é muito subdiagnosticada. Em 2012, o tema da disfunção temporomandibular começou a despertar interesse em David Ângelo. Percebeu que havia uma profunda escassez de opções de tratamento para estes doentes, especialmente quando os casos eram mais graves. “O primeiro doente com disfunção severa ti-

À esquerda, foto do antes da cirurgia. À direita, foto do pós operatório imediato.

nha 15 anos [fig.1] e apenas conseguia

72


Inicialmente, a ideia era produzir um disco in-vitro com um seeding de stem

cells e fatores de crescimento que pudesse ser implantado nos doentes com este problema. Contudo, rapidamente tal hipótese foi posta de lado por condicionalismos burocráticos e legais. David decidiu, então, optar por propor um disco que promovesse a regeneração in situ. Este disco teria de respeitar a morfologia e bi-

omecânica do disco nativo de modo a permitir o crescimento celular temporizado com a biodegradação do material. O biomaterial a usar foi um dos grandes desafios que a sua investigação lhe impôs, mas David não desistiu e procurou parceiros interessados neste projeto por

todo o mundo. Encontrou um centro interessado bem perto, no Instituto Politécnico de Leiria, e outro parceiro um “pouco” mais longe, na Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos. Agora, era “só” passar da teoria à prática.

cerca de um ano a analisar vários animais, David publicou um artigo em que conclui que ovelha deve ser o animal mais

apropriado

para

estudos

pré-

clínicos na área da ATM. Para a primeira fase de estudo foram usadas nove ovelhas Black Merino, onde o médico quis perceber qual o pa-

O primeiro passo foi perceber que

pel do disco na ATM. E, assim, nos dias

modelo animal se deveria usar. Até à da-

1 e 2 de fevereiro de 2016, David e a sua

ta, a maioria dos estudos tinham sido

equipa operaram nove ovelhas.

conduzidos no Porco. No entanto, após 73


O Maravilhoso Mundo da Medicina David Ângelo:

Um Médico para além dos cânones da Medicina Seis meses após esta cirurgia, David Ângelo conseguiu provar que o disco é, de facto, uma estrutura importante na articulação, tendo, por isso, preparado a fase 2, onde operou outras 9 ovelhas, porém, desta vez, substituiu o disco por três biodiscos que podem vir a ser uma revolução no tratamento destes doentes. A Diagnóstico contactou David Ângelo para saber pormenores da sua investigação. Em breve contar-nos-á novidades fresquíssimas em primeira mão! Curioso? Não podes,

pois, perder a próxima edição! Podes consultar o currículo do nosso David Ângelo em www.davidangelo.org e aceder aos artigos publicados de forma gratuita. A chave para o sucesso é (…) ser disciplinado nos objetivos e nas metas que impomos a nós mesmos.- David Ângelo.

David Ângelo com dois reputados cirurgiões estrangeiros após 2 dias de cirurgias. 74


Acontecerá Maio 2017 seg

ter

1

2

qua

qui 3

DFCEM II Medical Sherlock

DC

DDR WS Gestão de Stress

sex

sáb

dom

4 XHFC HFC On Tour

5 DSAS MedAlive

6 DSAS MedAlive

7 DSAS MedAlive

12

13

14 Shopping

WNW Vol.II

8 DDR WS Defesa Pessoal

15 DSAS Sex Outside The Box

22 DFCEM Almoço Científico

29 MedUBI

Gala de Medicina

9 DM Mobility Sessions Voluntariado em Campos de Refugiados

10

11

DDR

DSAS

WS Gestão de Stress

Rastreio s no Centro d’Atividades UbiMedical Sessão Interativa Sessão de Cinema

DC Sessão de cinema

16 DSAS Sex Outside The Box

17 DSAS Sex Outside The Box

23 DFCEM

24

25

X HFC HFC Edição Serra

19 DSAS Sex Outside The Box

26 ANEM 118ª e 119ª Assembleia Geral

Desabafos de um Futuro Médico

30

18 DSAS Sex Outside The Box

DM PET/T4PE

20

21

27

28

ANEM 118ª e 119ª Assembleia Geral

ANEM 118ª e 119ª Assembleia Geral

31 DFCEM Desabafos de um Futuro Médico

75


Comissão Organizadora da Diagnóstico Coordenação: Rita Cagigal, João Pais e Inês Jorge. Colaboradores: Rui Simões, Ricardo Lopes, Tatiana Neves, Emanuel Seiça, Mariana Ribeiro, Inês Rento e Mariana Pereira. Grafismo: João Pais e Rita Cagigal Colaboradores convidados: Adriana Costa, Beatriz Faneca, Carolina Inês, Catarina Gonçalves, Daniela Martins, Gabriel Pereira, Inês Moreira, José Ganicho, Krystyna Fedak, Madalena Espada, Maria Helena Silva, Mariana Santos, Miguel Ângelo, Natacha Ladeira, Paulo Pinheiro, Ricardo Fonte e Wanda Saraiva.

Colaboração especial: Atriz Adriana Pais, Dra. Cristina Caetano, Mestre João Pedro Pais, Doutora Jeniffer Jesus, Doutor Diogo Abreu Pereira, Doutora Juliana Sá, Doutor Luís Patrão, Doutor Pedro Oliveira, Doutor David Ângelo, Prof. Doutor Miguel Castelo Branco e Prof. Doutor José Martinez Oliveira. Contacto: diagnostico@medubi.pt

Frase Diagnóstico do Mês: “ (…) medicine, law, business, engineering, these are noble pursuits and necessary to sustain life. But poetry, beauty, romance, love, these are what we stay alive for.” Dead Poets Society (1989)

Projeto: MedUBI Morada: Faculdade de Ciências da Saúde Rua Infante D. Henrique | 6200-506 Covilhã

76

V Edição Diagnóstico Maio 2017  
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