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Revista Clínica de Ortodontia Dental Press

ORTODONTIA revista

CLÍNICA de

volume 9, número 2, abril / maio 2010

Dental Press

Volume 9 - Número 2 - Abril / Maio 2010 Dental Press International


Dental Press

ISSN 1676-6849 Rev Clín Ortod Dental Press

Maringá

v. 9

n. 2

p. 1-112

abr./maio 2010


Dental Press

41

14

Redução da sobremordida com extrusão dos dentes posteriores

41

A influência do atrito na mecânica ortodôntica

51

Tratamento da mordida aberta anterior com esporão colado e mentoneira

Overbite treatment with extrusion of the posterior teeth Omar Gabriel da Silva Filho, Tulio Silva Lara, Carlos Alberto Aiello, Francisco Antônio Bertoz

The influence of friction in orthodontics Flavio A. Cotrim-Ferreira

Anterior open bite treatment with bonded spur appliance and chincup therapy Michelle Alonso Cassis, Renato Rodrigues de Almeida, Renata Rodrigues de Almeida-Pedrin, Fernando César Torres, Arnaldo Pinzan

59

O “Sliding-Jig” na prática ortodôntica

67

Verticalização de molares inferiores: revisão de literatura e relato de caso clínico

77

Etiologia das más oclusões: perspectiva clínica (Parte I) — fatores genéticos

14

The Sliding-Jig in orthodontic practice Marcos Salomão Moscardini

Mandibular molars uprighting: Literature review and case report Verônica Cristiani Benicá Girelli, Gláucia Lacerda Santos, Francisco Ferreira Nogueira, Sérgio Milton M. M. Penido

Etiology of malocclusions: Clinical perspective (Part I) — Genetic factors Daniela G. Garib, Omar Gabriel da Silva Filho, Guilherme Janson

51


67

101

Editorial ................................................ 5 Pergunte a um Expert ........................... 8 Dica Clínica ......................................... 14 Eventos ............................................... 28 Ortodontia Forense ............................ 29 Arquitetura ......................................... 30 Marketing ........................................... 32

59

Sua Clínica .......................................... 34 Abstracts ............................................. 98

77

Controvérsias .................................... 101 Instruções aos autores ...................... 111


EDITOR Omar Gabriel da Silva Filho EDITOR ASSISTENTE Danilo Furquim Siqueira Rosely Suguino PUBLISHER Laurindo Furquim

DIRETORA Teresa Rodrigues D'Aurea Furquim

HRAC-USP

ANALISTA DA INFORMAÇÃO Carlos Alexandre Venancio

UNICID-SP CESUMAR-PR

PRODUTOR EDITORIAL Júnior Bianchi

UEM-PR

PRODUÇÃO GRÁFICA E ELETRôNICA Andrés Sebastián Pereira de Jesus Fernando Truculo Evangelista Gildásio Oliveira Reis Júnior Tatiane Comochena

CONSELHO EDITORIAL CIENTÍFICO Adilson Luiz Ramos UEM-PR Hélio Hissashi Terada UEM-PR CONSULTORES INTERNACIONAIS Björn U. Zachrisson Jeffrey P. Okeson Jesús Fernández Sánchez Júlia Harfin Larry White Lorenzo Franchi Ravindra Nanda Roberto Justus Tiziano Baccetti Vincent G. Kokich CONSULTORES CIENTÍFICOS Ademir Roberto Brunetto Arno Locks Ary dos Santos-Pinto Carlo Marassi Cristina Feijó Ortolani Daniela Gamba Garib David Normando Eduardo Dainesi Fábio Bibancos Francisco Ajalmar Maia Henrique Mascarenhas Villela José Fernando C. Henriques José Nelson Mucha Julio de Araújo Gurgel Jurandir Antonio Barbosa Leopoldino Capelozza Filho Luciano da Silva Carvalho Marcio Rodrigues de Almeida Marden Bastos Ricardo Nakama Roberto Hideo Shimizu Sebastião Interlandi Weber José da Silva Ursi CIRURGIA ORTOGNÁTICA Eduardo Sant’Ana

Universidade de Oslo / Noruega Universidade de Kentucky / Estados Unidos Universidade de Madrid / Espanha Universidade de Maimonides / Buenos Aires - Argentina AAO Dallas / EUA Universidade de Florença / Itália University of Connecticut Orthodontics - EUA Universidade Tecnológica do México / Cidade do México - México Universidade de Florença / Itália Universidade de Washington / EUA

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A Revista Clínica de Ortodontia Dental Press (ISSN 1676-6849) é uma publicação bimestral (seis edições por ano), com tiragem de 4.000 exemplares, da Dental Press Ensino e Pesquisa Ltda. - Av. Euclides da Cunha, 1.718 - Zona 5 - CEP 87.015-180 - Maringá

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OCLUSÃO Paulo Cesar Rodrigues Conti

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PATOLOGIA Alberto Consolaro

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ou pelo fone/fax: (44) 3031-9818.

Revista Clínica de Ortodontia Dental Press. – v. 1, n. 1 (fev./mar. 2002). – Maringá : Dental Press International, 2002-. Bimestral. ISSN 1676-6849.

INDEXAÇÃO:

1. Ortodontia – Periódicos. I. Dental Press International. CDD 21.ed.

617.643005

Revista Clínica de Ortodontia Dental Press é indexada pela BIREME, nas bases BBO e LILACS - 2003.


editorial

Além da ciência Omar Gabriel

Desde a Mona Lisa, o retrato mais cultuado do mundo, até o frenesi das ordinárias máquinas digitais dos telefones celulares, passando pela irreverência do aclamado artista americano Andy Warhol — com suas coloridas e divertidas serigrafias do retrato de Marilyn Monroe, na segunda metade do século XX —, o olhar humano reverencia a beleza. A essa altura da humanidade, na era digital e com a explosão da internet, ninguém mais subestima a força de uma fotografia ao compreender e sugerir uma riqueza de implicações. Sucede que acima da marcha real do progresso, ao capturar o caráter histórico da experiência humana, o encantamento da fotografia está na sua implicação psicossocial — o culto à beleza. Um deleite absoluto. Um flash pode ter a energia de um raio de sol. Ninguém quer se refletir na fotografia com uma estampa imperfeita. Diante dessa expectativa estética, o sorriso passa a ser uma celebração à vida. Nesse contexto, a Ortodontia, como ofício plural que é, acompanha a obsessão humana pelo belo. A bem da verdade, ninguém poderá acusar a Ortodontia de ter estagnado no tempo. Muito pelo contrário. Desde que o mundo ortodôntico se vergou à construção do conceito Edgewise — no primeiro quarto do século passado, arquitetado por Angle, com um braquete para receber um fio retangular correndo num trilho, permitindo o controle tridimensional da movimentação ortodôntica ao retificar o arco dentário — esse acessório ortodôntico tem evoluído. Em tempos de evidente recuo do Edgewise, a partir do Straight Wire, o auge da evolução consiste em trocar o sistema braquete/arco/ligadura por um braquete fechado, sem necessidade da amarração. Daí a alcunha de braquete “autoligável”, assunto enfocado com esmero pela Dra. Liliana Ávila Maltagliati, na seção Pergunte a um Expert. A proposta do braquete autoligável é a ausência da fricção criada com a amarração do arco de nivelamento. A fricção se define em Ortodontia como as forças que retardam ou impedem o deslocamento. É sinônimo de atrito. Menciona-se que mais de 40% das forças aplicadas em Orto-

dontia se perdem na fricção. Claro que a amarração é apenas um dos fatores determinantes da fricção, como bem explica o excelente artigo do Dr. Flávio A. Cotrim-Ferreira. Junto com os braquetes autoligáveis estão os fios superelásticos, fruto do desenvolvimento tecnológico das últimas décadas, e a promessa de tratamentos sem extrações, sem aparelhos de ancoragem, com consultas espaçadas, tempo de cadeira reduzido e mais conforto. Braquete esse que o professor Sheldon Peck tem descrito como uma evocação ao passado filosófico da Ortodontia no seu editorial contundente da Angle Orthodontist (So what’s new? Arch expansion, again? Angle Orthod. 2008;78(3):574). Os braquetes autoligáveis já convenceram muitos ortodontistas e prometem continuar a conquistar adeptos. No entanto, eles devem ser encarados como avanço tecnológico sobreposto a uma ciência secular, o que pressupõe, como qualquer outro domínio do conhecimento, um saber prévio. Acima do acessório está a mente do ortodontista. O fato incontestável é que o ortodontista enfrenta inúmeros desafios todos os dias, independentemente do braquete que escolha como instrumento de trabalho. Antes do ofício, é preciso o conhecimento. Além da Ortodontia Forense, Arquitetura, Marketing, e Controvérsias, o leitor vai se deparar nessa edição com uma nova seção: Domínio Conexo. Prometendo despertar o interesse do clínico pela erudição acadêmica. A presente edição contém o primeiro artigo de uma série de três comandados pela Dra. Daniela Garib, um dos grandes nomes contemporâneos do estudo ortodôntico. A enorme complexidade dos fatores etiológicos das más oclusões ganha simplicidade nesses 3 artigos pelo crivo do seu olhar atento. A notável erudição que se respira nesses artigos é requisito imprescindível para o desempenho ainda melhor de uma especialidade que abriga sucessivos questionamentos. Deleitem-se! Voltando ao início do editorial, a eloquência da imagem congelada na fotografia partilha passado e presente, atribuindo cores e odores a momentos distantes, emendando ou subtraindo reminiscências. Enfim, remexendo memórias e sonhos. O sonho comanda a vida. Acende a vontade de viver. No mais, uma salva de palmas para a Ortodontia.

Omar Gabriel Rev Clín Ortod Dental Press. 2010 abr-maio;9(2):5

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pergunte a um expert

Braquetes autoligados ativos x passivos Liliana Ávila Maltagliati*

Nos últimos anos, os braquetes autoligados têm recebido um grande destaque na Ortodontia. A principal característica ressaltada e apontada como vantagem recai sobre o fato de que, ao dispensar a necessidade de ligadura, eliminam o contato do material de amarração com o fio e possibilitam a redução do atrito durante o alinhamento e nivelamento, e também no momento do fechamento dos espaços1. Esse fato incentivou a popularização dos braquetes nos últimos anos. Desde o final da década de 70 e início da de 80, inúmeros modelos de autoligados foram desenvolvidos e apresentados por quase todas as empresas produtoras de materiais ortodônticos. No quadro 1, estão listados os principais braquetes autoligados comercialmente disponíveis na atualidade (Fig. 1). Todos apresentam características muito semelhantes e podem ser genericamente divididos em dois grupos: o grupo de braquetes autoligados passivos e o grupo de autoligados ativos. Todo braquete autoligado, seja ele ativo ou passivo, apresenta a quarta parede móvel, utilizada para converter o slot em tubo. No grupo de braquetes passivos, encontram-se os modelos em que a canaleta do braquete é fechada por meio de uma trava que desliza na superfície externa das aletas, transformando todos os braquetes em tubos e criando quatro paredes nas canaletas, rígidas e passivas. No grupo dos braquetes ativos, o fechamento se dá por um clipe que invade uma parte da canaleta, em uma das paredes, superior ou inferior. Esses clipes têm a característica de exercer certa pressão sobre os fios mais calibrosos, normalmente superiores ao 0,018”. Existe, ainda, um terceiro tipo, com clipes posicionados nas laterais de um braquete com design convencional, desenvolvido pela empresa 3M®, mas que se enquadra no grupo dos passivos, pela sua característica de atuação. Apesar de serem exaltados por apresentar baixo atrito e existirem diversas opiniões acerca de qual é o melhor modelo a ser adotado, a escolha entre um ou outro braquete deve levar em consideração vários aspectos: desde a facilidade de obtenção do produto, seu preço, qualidade de fabricação e vantagens clínicas de cada um, adaptadas ao caso clínico selecionado para tratamento.

8

Rev Clín Ortod Dental Press. 2010 abr-maio;9(2):8-13

NOME

MARCA COMERCIAL

CARACTERÍSTICAS

PRESCRIÇÃO

Carriere LX

Ortho Organizers

metálico, passivo

Roth, MBT

Carriere SLB

Class One

metálico, passivo

Roth, MBT

Clarity SL

Unitek

estético com canaleta metálica, passivo

MBT

Damon 3

Ormco

estético, passivo

high, standard, low*

Damon MX

Ormco

metálico, passivo

high, standard, low*

Damon Q

Ormco

metálico, passivo

high, standard, low*

Easy Clip

Aditek

metálico, passivo

Roth

Evolution LT

Adenta

metálico, para técnica lingual, passivo/ativo

Roth

In-Ovation C

GAC

estético, passivo/ativo

Roth, Roncone, 7/3

In-Ovation L

GAC

metálico, para técnica lingual, passivo/ativo

não disponível

In-Ovation R

GAC

metálico, passivo/ativo

Roth, Roncone, 7/3

Opal

Ultradent

estético, passivo

Roth

Oyster

Gestenco

estético

Roth

Praxis Glide

Lancer

metálico, passivo

Roth, MBT

Quick

Forestadent

metálico, passivo/ativo

Roth, MBT

Quicklear

Forestadent

estético, passivo/ativo

Roth, MBT

Smart Clip

Unitek

metálico, passivo

MBT

Speed

Strite Industries

metálico, passivo/ativo

Hanson, Roth, MBT, Bioprogressiva

Time

Adenta

metálico

standard*

T3

American Orthodontics

metálico, passivo/ativo

Roth, MBT

Vision LP

American Orthodontics

metálico, passivo/ativo

Roth, MBT

Quadro 1 Principais modelos de braquetes autoligados disponíveis no mercado, dispostos conforme marca, nome comercial, principais características e prescrição (*prescrição própria do fabricante).


Maltagliati LA

Essa característica de combinar baixa fricção com encaixe seguro do fio na canaleta dos braquetes de configuração Edgewise só é possível, atualmente, com os braquetes autoligados. Essa é, provavelmente, a maior vantagem desses braquetes17. As vantagens demonstradas pelos braquetes autoligados em relação aos convencionais aplicam-se, em princípio, a todos os braquetes autoligados, apesar de o modo como elas são demonstráveis na prática possa diferir. Apresentam maior certeza na inserção total do arco no slot, pouco atrito entre o braquete e o arco, menor tempo de cadeira e maior rapidez na mudança do arco. A tendência de se esperar “evidências científicas” das inovações é bastante saudável, porém as evidências clínicas são gritantes e saltam aos olhos. Vale lembrar que há muito pouca, se houver, evidência científica demonstrando que o sistema de braquetes pré-ajustados é melhor do que o sistema de braquetes padrão (sem incorporação das características das coroas dentárias) no que se refere à excelência no tratamento ortodôntico. Nem tampouco de que os fios de níquel-titânio são mais efetivos no posicionamento dentário correto de nivelamento. Entretanto, a evidência clínica dos bons resultados e do quanto eles simplificam o tratamento ortodôntico fez com que ocupassem o espaço nas clínicas de Ortodontia. Cremos que o mesmo tende a acontecer com o sistema de braquetes autoligados.

REfERêNCIAS 1. 2. 3.

4. 5.

6.

7. 8.

9.

10. 11.

12. 13.

14. Liliana Ávila Maltagliati Brangeli Graduada pela Faculdade de Odontologia de Bauru pela Universidade de São Paulo (1991).

15.

Mestre em Ortodontia e Odontologia em Saúde Coletiva pela Universidade de São Paulo (1997).

16.

Doutora em Ortodontia e Odontologia em Saúde Coletiva pela Universidade de São Paulo (2000). Professora do curso de Mestrado em Biologia Oral, área de concentração Ortodontia, da Universidade do Sagrado Coração em Bauru, São Paulo. Coordenadora do curso de Especialização em Ortodontia da ABCD-SP.

17. 18.

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ENdEREÇO PARA CORRESPONdêNCIA Liliana Ávila Maltagliati E-mail: lilianamaltagliati@hotmail.com

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dica clínica

Redução da sobremordida com extrusão dos dentes posteriores Overbite treatment with extrusion of the posterior teeth

Omar Gabriel da Silva Filho* Tulio Silva lara** Carlos Alberto aiello** Francisco Antônio Bertoz***

Abstract

Resumo O presente artigo descreve um método simples para redução da sobremordida promovendo a extrusão dos dentes posteriores. Tal método alia a técnica do arco contínuo com

o levantamento de mordida anterior e com elásticos de intercuspidação na região de pré-molares e molares para extrusão dos dentes posteriores, sobretudo os inferiores.

The current article focuses on a simple method to reduce overbite by extruding the posterior teeth. This method includes both the continuous archwire technique and raising of the anterior

bite in order to allow the extrusion of the posterior teeth, mostly the lower ones, and with intercuspation elastics in the premolar and molar area.

Palavras-chave:

Keywords:

Sobremordida profunda. Problema vertical. Ortodontia Corretiva.

Deepbite. Vertical discrepancies. Orthodontics, Corrective.

* Ortodontista do HRAC-USP / Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo. Coordenador do Curso de Aperfeiçoamento em Ortodontia Preventiva e Interceptiva – Profis, Bauru/SP. Aluno do curso de doutorado, área de concentração Ortodontia, da Faculdade de Odontologia de Araçatuba – Unesp. ** Alunos do curso de doutorado, área de concentração Ortodontia, da Faculdade de Odontologia de Araçatuba – Unesp. Ortodontistas do HRAC-USP / Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo. Professores do Curso de Aperfeiçoamento em Ortodontia Preventiva e Interceptiva – Profis, Bauru/SP. *** Professor titular da disciplina de Ortodontia do Departamento de Odontologia Infantil e Social da Faculdade de Odontologia de Araçatuba - Unesp. Professor do programa de pós-graduação em Ortodontia da Faculdade de Odontologia de Araçatuba - Unesp.

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Silva Filho OG, Lara TS, Aiello CA, Bertoz FA

11/08/2005

11/08/2005

A

B

30/06/2003

30/06/2003 11/08/2005

11/08/2005

30/06/2003 11/08/2005

C

D

Figura 12 Traçado cefalométrico final (A). Sobreposição cefalométrica total (B). Sobreposições de maxila e de mandíbula, respectivamente (C, D).

consideRAções finAis A extrusão dos dentes posteriores com finalidade de reduzir a sobremordida está subordinada ao diagnóstico morfológico da má oclusão. A extrusão é permitida quando a posição vertical dos incisivos é considerada normal, numa face sem excesso vertical. Uma mecânica com acessórios palatinos “stop e guia” para a desoclusão posterior e uso de elásticos é eficiente para a correção da sobremordida profunda.

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dica clínica

Redução da sobremordida com extrusão dos dentes posteriores

REfERêNCIAS 1. 2.

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ENdEREÇO PARA CORRESPONdêNCIA Omar Gabriel da Silva filho Rua Rio Branco, 20-81 – Altos da Cidade – 17.014-037 – Bauru / SP E-mail: ortoface@travelnet.com.br

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eventos

1º cuRso de imeRsão em oRtodontiA linguAl DAtA: 1 a 5 de junho de 2010 (1º módulo) LoCAL: Belo Horizonte / MG InForMAçõEs: (11) 3816-1096 / (11) 3816-9110 cursolingual.abol@succeedtour.com.br

oRtodontiA dos 8 Aos 80 - Bem estAR e quAlidAde de vidA DAtA: 11 e 12 de junho de 2010 LoCAL: Brasília / DF InForMAçõEs: www.abordf.com.br

3º ccoRto - 2010 DAtA: 24 a 26 de junho de 2010 LoCAL: Florianópolis / SC InForMAçõEs: (48) 3322-1021 www.ccorto.com.br

i JoRnAdA oRtodÔnticA dA ABoR-ceARÁ DAtA: 29, 30 e 31 de julho de 2010 LoCAL: Hotel Luzeiros - Fortaleza / CE InForMAçõEs: (85) 3226-9172 / 3242-3036

14º encontRo ex-Alunos de oRtodontiA de ARARAquARA DAtA: 27 e 28 de agosto de 2010 LoCAL: Curitiba / PR InForMAçõEs: (11) 2031-2300 / (11) 2037-0623 www.aoa.org.br

v encontRo de Alunos e ex-Alunos do cuRso de esPeciAlizAção em oRtodontiA dA ABo-PA DAtA: 3 e 4 de setembro de 2010 LoCAL: Belém / PA InForMAçõEs: (91) 3227-63682 / (91) 3276-0500 congresso@amazon.com.br

1st inteRnAtionAl meeting - eRosion DAtA: 20, 21 e 22 de outubro de 2010 LoCAL: Bauru / SP InForMAçõEs: erosion_2010@yahoo.com.br www.fob.usp.br/erosion2010

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ortodontia forense

“encantando”o paciente Beatriz Helena Sottile França*

Uma preocupação constante dos cirurgiões-dentistas tem sido quanto ao modo como têm que agir em relação à captação de pacientes. Para tanto, os profissionais têm recorrido a empresas que prestam tais serviços e, após terem colocado em prática a proposta contratada, se defrontam com a fiscalização dos órgãos de classe que os orientam que a prática realizada fere a legislação vigente, frustrando, assim, seus interesses e trazendo-lhes prejuízo. Para se evitar tais transtornos, orienta-se, sempre, buscar informação junto ao conselho da classe, antes de adquirir o serviço, porque as empresas querem vender seu produto e não se atêm ao que preconiza a legislação vigente. Ao pretender realizar um tratamento — seja médico, odontológico ou qualquer outro da área —, o paciente sempre busca conversar com alguém em quem confia para lhe orientar em relação à escolha do profissional. O chamado processo “boca a boca” ainda é o utilizado pelas pessoas quando se trata de cuidados com sua saúde. O que deve ser lembrado pelos profissionais de saúde é que a captação de pacientes só é efetivamente realizada quando da primeira consulta. O fato de o paciente estar em sua sala de espera configura que teve informações positivas a seu respeito, mas tudo vai depender dessa primeira relação. A esse respeito, muito se tem escrito sobre “encantar” o paciente. Na maioria das vezes, ele não volta devido às mirabolantes “ofertas” que lhe são feitas no sentido de encantá-lo, tais como: “cobrir orçamentos” feitos por outros colegas, deixar de cobrar a consulta, atender o desejo do leigo quando não indicado o procedimento, e tantas outras formas que têm sido erroneamente preconizadas e utilizadas.

O que o paciente deseja é confiar no profissional, e isso só acontece quando ele tem diante de si alguém que demonstra segurança, conhecimento e comportamento adequado, próprio de um profissional que se preocupa com a condição dele, que se coloca como “cuidador” de sua saúde bucal, alguém que esteja comprometido em tratá-lo do melhor modo possível, de acordo com o que lhe está indicado e é preconizado pela ciência. Encantar o paciente significa respeitar a sua autonomia por meio de informações detalhadas a respeito de suas necessidades, sobre as alternativas atualizadas para a resolução de seus problemas, e sobre os riscos do tratamento a ser realizado. Ter comportamento ético e respeitoso, próprio de quem se dedica a cuidar da saúde das pessoas, é dedicar-lhe atenção, esclarecendo todas as suas dúvidas, deixando claros os direitos e deveres recíprocos. Paciente satisfeito é o paciente bem informado. A informação clara e precisa, além de atender os dispositivos legais, é a conduta que mais estreita os laços de confiança na relação. É a conduta que realmente encanta o paciente, e paciente encantado é fonte de captação de novos pacientes.

... o paciente deseja confiar no profissional, e isso só acontece quando ele tem diante de si alguém que demonstra segurança, conhecimento e comportamento adequado.

* Professora doutora em Odontologia Legal e Dentologia/FOP Unicamp. Professora titular da graduação e pós-graduação da PUCPR. Professora adjunta doutora da UFPR.

ENdEREÇO PARA CORRESPONdêNCIA Beatriz Helena Sottile frança Rua Professor Arnaldo Alves de Araújo, 31 - Seminário 80.740-430 - Curitiba/PR E-mail: bhfranca@gmail.com

Rev Clín Ortod Dental Press. 2010 abr-maio;9(2):29

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arquitetura

ergonomia no consultório odontológico - Parte ii Como conseguir melhores resultados no trabalho usando o ambiente a seu favor Maria Augusta Paes de Mello*

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concêntricos — A, B e C, de raios 0,5m; 1,0m e 1,5m, respectivamente — que se destinam à localização dos elementos do equipamento. O eixo 6-12 horas divide a sala em duas áreas, à direita e à esquerda da cadeira: essas áreas são destinadas ao dentista e à auxiliar, respectivamente. Na área delimitada pelo círculo A (Fig. 1), devem estar situadas as pontas ativas do equipo, compreendendo a área de transferência, e também ambos os mochos3. A área delimitada pelo círculo A corresponde à chamada “zona de transferência”, onde tudo que se transfere à boca do

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9

cm = 50

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6

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35cm

Buscando melhorar a relação entre o profissional e seu ambiente de trabalho, na edição anterior iniciamos a exposição de considerações a respeito da ergonomia no consultório odontológico, a correta posição de trabalho e a importância de sua observância para evitar o aparecimento de doenças ocupacionais, como dores nas costas, que podem prejudicar o desempenho profissional. Falamos sobre os movimentos realizados pelo profissional e sua assistente, o correto posicionamento do profissional no mocho e as posições de trabalho básicas para o profissional. Nessa edição faremos as considerações finais a respeito desse assunto. Conforme já citado na edição anterior, é importante que os movimentos, tanto do dentista quanto de sua assistente, sejam racionalizados para um melhor rendimento do trabalho, evitando ao máximo manobras improdutivas. Dessa forma, a dimensão e o posicionamento dos equipamentos no consultório são muito importantes para tornar o ambiente ergonômico. O consultório odontológico deve ter dimensões em torno de 9m², geralmente 3mx3m, permitindo abrigar todo o equipamento, o dentista, sua auxiliar e o paciente, visando a funcionalidade2. Pode-se ter também um consultório com 3m de largura por 4m de comprimento, que funcionará muito bem quando se trabalha com diversas auxiliares1. O tamanho da sala poderá ter medidas de até 5mx5m ou mais, o importante é a montagem ergonômica dos acessórios e equipamentos dentro das áreas de trabalho do dentista e auxiliares que serão descritas a seguir. O esquema de circulação do paciente deve ser estratégico, sua admissão e saída devem ser por uma porta à direita ou à frente da cadeira clínica, não interferindo na área de ação dos profissionais. Os equipamentos deverão estar dispostos de acordo com a posição da cadeira clínica, estando essa sempre na diagonal, ao longo do eixo da sala, o que permitirá maior diâmetro de área de ação dos profissionais. Para a análise da distribuição do equipamento na sala clínica, as entidades ISO/FDI convencionaram a divisão da mesma idealizando um mostrador de relógio2. O centro corresponde ao eixo dos ponteiros e à boca do paciente, quando em posição supina. Foram levados em conta três círculos

30cm 25cm

mínimo = 150cm

Figura 1 Eixo 6-12 horas e a área delimitada pelo círculo A, “zona de transferência”. (Fonte: Martins3).


Mello MAP

paciente deve estar situado, como instrumentos e as pontas do equipo e da unidade auxiliar. A área delimitada pelo círculo B (Fig. 2) é o chamado “espaço mínimo de pega”e nele devem estar localizados o corpo do equipo e da unidade auxiliar, a mesa auxiliar e as gavetas abertas dos armários fixos3. A área delimitada entre os círculos A e B é a chamada “área útil de trabalho”, alcançada nos movimentos com o braço estendido. A região delimitada pelo círculo C (Fig. 3) limita a área total do consultório e nela devem estar a pia e os armários fixos3. A área delimitada entre os círculos B e C não deve exceder os 3 metros de diâmetro, para não se tornar antiergonômica. Dessa forma, frente aos fatos descritos ao longo dessas duas edições, vimos que a ergonomia busca melhorar a relação entre o profissional e seu ambiente de trabalho, objetivando minimizar e prevenir o aparecimento de doenças ocupacionais, como a dor nas costas, e o gasto de energia com movimentos desnecessários. Usando essas dicas, você poderá usar o ambiente a seu favor, melhorando o seu dia a dia no consultório e atendendo o seu paciente com maior disposição.

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mínimo = 150cm

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Figura 3 Área delimitada pelo círculo C, área total do consultório. (Fonte: Martins3).

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3.

Barros OB. Ergonomia 1: a eficiência ou rendimento e a filosofia correta de trabalho em Odontologia. 2ª ed. São Paulo: Pancast; 1999. Naressi WG. Ergonomia em Odontologia: o consultório. 3ª ed. São Paulo: Gnatus; 2001. Martins DPL. Desenhe seu consultório. [Acesso em 2010 mar 2]. Disponível em: www.dabiatlante.com.br/br/uni_artigos02.php#.

30cm

25cm

mínimo = 150cm

* Graduada em Arquitetura com especialização em Arquitetura de Interiores – Projeto de Ambiente e Qualidade de Vida pela Unifil - Londrina. Desenvolve projetos para clínicas e consultórios.

ENdEREÇO PARA CORRESPONdêNCIA

Figura 2 Área delimitada pelo círculo B, chamado “espaço mínimo de pega”. (Fonte: Martins3).

Maria Augusta Paes de Mello E-mail: gutamel@gmail.com

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marketing

“negociação ortodôntica” Ricardo nakaMa*

Para estar prontos para diagnosticar, planejar e conduzir um tratamento ortodôntico, investimos cinco anos de graduação, vários cursos de aperfeiçoamento, inúmeros congressos, três anos de especialização, incontáveis horas de estudo e milhares de reais. Paralelamente à especialização, vamos idealizando o perfil dos clientes que queremos atender, definimos as técnicas e os serviços que ofereceremos, selecionamos um local para instalar o consultório, contratamos e treinamos as auxiliares e, finalmente, montamos uma comunicação eficaz, que divulgue nosso consultório e atraia os clientes. O técnico-científico e o marketing são aspectos complementares dos consultórios odontológicos: são faces da mesma moeda. Aquele desenvolve o serviço, e esse viabiliza sua execução como promotor de saúde e bem-estar, e como opção de carreira. Existe um momento especial na relação com o cliente em que os conhecimentos técnico-científicos e todo esforço de marketing se entrelaçam com maior intensidade: a “negociação ortodôntica”. A negociação ortodôntica é o momento da verdade, em que o cliente decreta seu veredicto final, fechando ou não o tratamento com o dentista. Veremos a seguir as fases do processo de negociação (planejamento, execução e controle), e algumas boas práticas que aumentarão as chances de ganhar o “Sim” do nosso cliente.

negócio. Nessa fase, avaliamos o perfil e as expectativas do cliente. O cadastro é uma fonte imprescindível de informações sobre o cliente, e deve conter dados pessoais como endereço, profissão, empresa, escola e nome dos familiares. Conhecer os esportes que pratica, os hobbies, e até o time para o qual torce pode somar pontos valiosos de afinidade, que ajudarão a criar um vínculo com o cliente. Embora esses dados complementares possam ser conhecidos em um momento mais descontraído da conversa, tornando a interação mais espontânea e natural, a aplicação de um questionário direto sistematiza a coleta. O planejamento clínico está inserido no plano de negociação, sendo o próprio objeto negociado. Ao dentista cabe decidir a indicação do protocolo clínico mais adequado, mas tendo sempre em mente que o plano deve contemplar a satisfação da expectativa do cliente, afinal, o que ele está disposto a comprar não é o tratamento propriamente dito, mas a solução do seu problema. O planejamento clínico deve focar a queixa principal do cliente. Para definir o plano de pagamento, além dos fatores mais objetivos como custos fixos e variáveis, é preciso considerar a complexidade do caso, experiência clínica e o posicionamento do profissional no mercado. Esses últimos, sim, devem ser os principais fatores a se considerar. Não varie aleatoriamente seus preços, mas estabeleça uma política de preços e descontos, com os limites máximo e mínimo aceitáveis. Ter critérios gera credibilidade e confiança. Disponibilize para o cliente opções de pagamento, como cheque, parcelamento e cartões de crédito ou débito. O ambiente da negociação também deve ser planejado. Prepare uma sala tranquila, organizada e confortável, onde não haja trânsito ou interrupções. Tenha à disposição vários recursos que auxiliem a esclarecer para o cliente os

Os clientes não são todos iguais, portanto, lembre-se de ajustar sua forma de abordagem de comunicação ao perfil dos mesmos.

1. PlAneJAmento dA negociAção O planejamento ocorre antes da apresentação do plano de tratamento para o cliente, e tem o objetivo de dar ao dentista uma visão mais clara do cenário que irá encontrar na negociação, aumentando sua confiança e as chances de fechar um bom

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Nakama R

procedimentos propostos, como macro modelos, modelos de estudo, fotografias de casos clínicos, desenhos esquemáticos, sites e depoimentos. Vídeos e câmera intrabucal costumam causar uma boa impressão e têm bons resultados. Prepare-se para as possíveis objeções que o cliente pode fazer, como tempo de tratamento, outras opções de tratamentos, riscos envolvidos, além, é claro, da questão financeira. Para contornar as resistências dos clientes, prepare-se para contra-argumentar com as qualidades, os benefícios, facilidades e conveniências que você oferece. E, principalmente, conquiste o cliente com atitude confiante e empática.

2. execução dA negociAção Tendo planejado a negociação, agora é estar frente a frente com o cliente. Iniciar a conversa com amenidades ajuda a quebrar a ansiedade do cliente e cria um clima amistoso. Recomeçar com ganchos da conversa do primeiro encontro é sinal de consideração pelo cliente, e é sempre bem recebido. Por exemplo, será muito simpático perguntar como foi a pescaria que o cliente comentou que faria no fim de semana seguinte àquela consulta. Se precisar de um lembrete, não se acanhe em anotar essas conversas iniciais nos registros do cliente. Considere que ter o cuidado de não esquecê-las é um ato de consideração pelo cliente. Após o contato inicial, explique para o cliente que a finalidade da consulta é explicar o diagnóstico e o tratamento, e que ele pode ficar à vontade para tirar todas as dúvidas. Para facilitar a comunicação, apresente suas propostas com o auxílio de materiais explicativos e a própria documentação ortodôntica. Os clientes não são todos iguais, portanto, lembre-se de ajustar sua forma de abordagem de comunicação ao perfil dos mesmos. No início da minha carreira ortodôntica, negociava com os clientes me detendo muito nos números e análises diagnósticas, mostrando os acessórios que seriam utilizados no tratamento, explicava como seriam as consultas de ativação e a previsão do tempo de tratamento. Com a experiência, percebi que essa abordagem técnica, cheia de números, interessa pessoas com perfil mais racional. Mas, um cliente de perfil mais emocional ficará mais interessado pelo tratamento se ouvir que ele ficará bonito com um novo sorriso, sem a necessidade de enfatizar questões técnicas. Como leigos, o que os sensibiliza são suas próprias expectativas e percepções sobre o tratamento. Com preparo para entender as várias dimensões da Ortodontia (técnica, científica, histórica, estética, funcional, psicológica, social, etc.) cabe a nós, profissionais, utilizar a melhor abordagem de comunicação com cada cliente.

Para muitos dentistas, a discussão dos valores de honorários costuma ser o momento mais difícil da negociação. A tática do “Se... então” é uma boa forma de limitar as concessões, ao mesmo tempo em que mantém a decisão na mão do cliente. Funciona, por exemplo, quando o cliente pede um desconto, e a resposta é “SE eu te der o desconto, ENTÃO o pagamento será à vista”, ou “SE pagar em parcelas, ENTÃO não terá o desconto”. O “Se... então” não nega o pedido do cliente e equilibra naturalmente a negociação. Além de descontos, existem várias alternativas que podem ser utilizadas como moeda de troca em uma negociação: outras técnicas de tratamento (fixo, móvel), formas de pagamento (cheque, cartão de crédito, cartão de débito, à vista, a prazo), utilização de diferentes materiais (metal, porcelana), tempo de atendimento, realizar o tratamento por partes, etc. Chegando a um acordo satisfatório entre o dentista e o cliente, encerra-se a negociação registrando os termos em um contrato, ou no próprio prontuário, especificando os procedimentos contratados e as formas de pagamento. Muitos veem as negociações como uma disputa, onde quem pode mais chora menos. Ao contrário, o dentista bom negociador sabe conciliar os resultados com o relacionamento com os clientes, mantendo suas perspectivas de longo prazo. Ganha o sorriso do cliente, e ganha a carreira do dentista.

* Cirurgião-dentista, doutor em Ortodontia pela Unesp-Araraquara, MBA em gestão empresarial pela FGV, autor do Ortosoft, programa de gerenciamento de clínicas odontológicas. Consultor do Programa Pró-clínica do Sebrae.

ENdEREÇO PARA CORRESPONdêNCIA Ricardo Nakama E-mail: ricardonakama@dentalklan.com.br

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sua clínica

dra. mariana moron

Graduada pela Universidade Metropolitana de Santos (SP) em 2001, com especialização em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial pela APCD/SP, a cirurgiã-dentista Mariana Moron sempre esteve focada na atenção e na qualidade do tratamento dentário. Desde o início de sua carreira profissional, procurou, acima de tudo, proporcionar, além do tratamento, a melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Edificada em 2008, a clínica com 183m2 ocupa uma área de 240m2 no centro de Sorocaba (SP). Com estacionamento para quatro veículos, facilita o acesso a todos os pacientes. O projeto é assinado pelo arquiteto Marcelo Sodré. Na parte interna, a funcionalidade se reflete na distribuição equilibrada de duas salas de atendimento, laboratório e escritório. Para proporcionar maior amplitude ao espaço, todos os ambientes servidos são separados por um corredor com paredes de vidro. O material também foi escolhido para fechar as salas de atendimento, possibilitando aos pacientes a visão de harmoniosos jardins, que propiciam um clima de tranquilidade. “O cuidado com a edificação da clínica é constatado em cada detalhe”, destaca a cirurgiã-dentista. A clínica proporciona aos seus clientes tranquilidade e conforto, fatores para um bom atendimento e qualidade nos tratamentos.

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Rev Clín Ortod Dental Press. 2010 abr-maio;9(2):34

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artigo inédito

A influência do atrito na mecânica ortodôntica The influence of friction in orthodontics

Flavio A. COTRIM-Ferreira*

Abstract

Resumo São inúmeros os fatores a serem considerados pelo profissional quando do planejamento mecânico de uma terapia ortodôntica. Dentre esses, o coeficiente de atrito tem chamado grande atenção de clínicos e pesquisadores, principalmente após a popularização dos braquetes autoligados. No presente artigo são listadas as diversas características do aparelho ortodôntico que interferem na

geração de forças de atrito, ou fricção, entre o fio ortodôntico e o braquete, quando da realização de uma mecânica de deslize. Objetiva-se fornecer ao ortodontista subsídios para um melhor controle biomecânico e, desta forma, agilizar a movimentação dentária, reduzir o dano tecidual decorrente da terapia, assim como encurtar o tempo total de tratamento.

There are numerous factors to be considered by the professional when planning a mechanical orthodontic therapy. Among these items, the coefficient of friction has drawn great attention of clinicians and researchers, especially after the popularization of self-ligating brackets. In this article, are listed the various characteristics of the orthodontic appliance which interfere with the generation of frictional forces between

the orthodontic wire and the bracket, when performing a sliding mechanics. The aim is to provide information to the orthodontist to perform better biomechanicaly controlled cases and thus be able to speed up tooth movement, reduce tissue damage resulting from therapy as well as shortening the overall treatment time.

Palavras-chave:

Keywords:

Atrito. Materiais ortodônticos. Braquetes autoligados.

Friction. Orthodontic materials. Self-ligating brackets.

* Mestre em Ortodontia pela FOUSP. Doutor em Diagnóstico Bucal pela FOUSP. Professor associado do departamento de Ortodontia da Unicid.

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Cotrim-Ferreira FA

K

L

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P

Q

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t

Figura 6 Sequência clínica do nivelamento dentário, em um caso com extrações, empregandose braquetes autoligados.

s

M

Figura 7 O Ângulo Crítico de Contato (Φ) é aquele formado entre o fio e a canaleta do braquete a partir do qual o atrito começa a aumentar significativamente. O mesmo depende da dimensão transversal do fio, da altura da canaleta (0,018” ou 0,022”) e da largura do braquete (se simples ou gêmeo).

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artigo inédito

A influência do atrito na mecânica ortodôntica

O Ângulo Crítico de Contato (Φ) depende da dimensão transversal do fio, da altura da canaleta (0,018” ou 0,022”) e da largura do braquete (se simples ou gêmeo). Quanto maior for o calibre do fio e quanto maior for a largura mesiodistal e menor for a altura cervico-oclusal do braquete, menor será o Ângulo Crítico de Contato. Experimentos desenvolvidos por Kusy e Whitley12 em 1999 mostraram que, para se deslizar um fio de aço 0,014” x 0,022” em um braquete de aço com canaleta 0,018”, o Ângulo Crítico de Contato é de 2,9º. Entretanto, se empregado um fio 0,019” x 0,025”, o Φ será de apenas 0,5º. Esse exemplo demonstra a necessidade de realizar-se um excelente nivelamento e alinhamento dentário antes de qualquer tentativa de retração, principalmente se empregadas as técnicas de deslize14.

conclusões Os fatos apresentados realçam a necessidade de entendimento, por parte do ortodontista, dos fatores que interferem na geração de atrito quando do deslize do fio ortodôntico nas canaletas de encaixe dos braquetes. O atrito está presente em diversas fases do tratamento corretivo, porém desempenha papel crítico nas etapas de nivelamento e de fechamento de espaços. A busca por um melhor controle friccional da terapia ortodôntica tem levado os pesquisadores a desenvolverem novos fios, braquetes e métodos de ligação entre esses elementos. A evolução da Ortodontia certamente caminhará na direção de sistemas mecânicos que gerem menor atrito, beneficiando, desta forma, os pacientes e os profissionais com tratamentos mais eficientes, rápidos e fisiológicos.

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Rev Clín Ortod Dental Press. 2010 abr-maio;9(2):41-8

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ENdEREÇO PARA CORRESPONdêNCIA flavio A. Cotrim-ferreira Av. Paulista, 2202, 4 andar - Conj. 41 – 01.310-300 - São Paulo/SP E-mail: cotrim@vellini.com.br


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caso clínico

tratamento da mordida aberta anterior com esporão colado e mentoneira Anterior open bite treatment with bonded spur appliance and chincup therapy

Michelle Alonso CaSSiS* Renato Rodrigues de alMeida** Renata Rodrigues de alMeida-Pedrin*** Fernando César torreS**** Arnaldo Pinzan*****

Abstract

Resumo A prevalência da mordida aberta anterior é quatro vezes maior em indivíduos com padrão hiperdivergente e hábitos de sucção prolongados. O aparelho esporão lingual colado surge como uma alternativa viável para o tratamento dessa má oclusão, podendo ser utilizado em

associação com a mentoneira para um melhor controle vertical da face. O presente artigo revisa conceitos referentes ao aparelho esporão e a importância de se realizar o controle vertical durante o tratamento da mordida aberta anterior na dentadura mista.

The prevalence of anterior open bite is four times bigger in people with facial hyperdivergency and prolonged sucking habits. The bonded lingual spur appliance provides a viable alternative for the treatment of this malocclusion and for an improved vertical control, the high-pull chincup

therapy can also be used. This article reviews the concepts regarding the bonded lingual spur appliance and the importance of vertical control throughout the treatment of the anterior open bite in the mixed dentition.

Palavras-chave:

Keywords:

Ortodontia. Má oclusão. Mordida aberta anterior.

Orthodontics. Malocclusion. Anterior open bite.

* Mestre em Ortodontia pela Faculdade de Odontologia de Bauru, USP. Aluna do curso de pós-graduação em Ortodontia, nível doutorado, pela Faculdade de Odontologia de Bauru, USP. ** Professor associado da Disciplina de Ortodontia da Faculdade de Odontologia de Bauru, USP. Professor adjunto da Faculdade do Norte do Paraná, Unopar. *** Mestre e doutora pela Faculdade de Odontologia de Bauru, USP. Professora do curso de especialização do CORA, Bauru. **** Mestre e doutor pela Faculdade de Odontologia de Bauru, FOB-USP. Professor em Ortodontia pela Universidade Metodista de São Paulo, Umesp. ***** Professor associado da Disciplina de Ortodontia da Faculdade de Odontologia de Bauru, USP.

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51


Cassis MA, Almeida RR, Almeida-Pedrin RR, Torres FC, Pinzan A

A

B

Figura 5 Telerradiografias laterais inicial (A) e final (B), demonstrando a correção da mordida aberta anterior.

Figura 6 Sobreposição dos traçados cefalométricos inicial (preto) e final (vermelho), demonstrando as alterações obtidas com o tratamento.

MEdIdAS

INICIAL

fINAL

SNA

80,6

81,4

SNB

78,5

79,4

ANB

2,1

2,0

SN.Gn

68,6

67,0

SN.GoGn

35,2

31,4

Ângulo goníaco

133,7

132,5

1.NA

33,8

31,7

1-NA

8,5

8,2

1.NB

39,8

38,7

1-NB

7,8

8,2

Overbite

-4,1

2,3

Ângulo nasolabial

103°

101,5°

Quadro 1 Medidas cefalométricas iniciais e finais.

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caso clínico

Tratamento da mordida aberta anterior com esporão colado e mentoneira

consideRAções clínicAs Quando existe alguma participação do componente esquelético na etiologia da mordida aberta anterior, via de regra, o tratamento exige a interceptação dos fatores locais que impedem o desenvolvimento dentoalveolar normal, acompanhada do controle do crescimento vertical, a fim de proporcionar um melhor resultado estético. Seguindo esse raciocínio, optou-se por realizar o tratamento do paciente apresentado no presente trabalho com o esporão lingual colado Nogueira®, associado ao uso da mentoneira para um melhor controle vertical, seguindo a

metodologia de alguns estudos já publicados17,18,20,22. O protocolo de tratamento empregado proporcionou a correção da mordida aberta anterior em apenas sete meses. A ausência de ferimentos na língua do paciente durante todo o tratamento comprovou que a mesma ficou estimulada a não tocar nos esporões durante a realização de suas funções e durante o repouso, sugerindo uma alteração postural da língua com o uso dos esporões, conforme relatos de diversos autores7,9,10,11,13. Cabe ressaltar que, apesar dos bons resultados obtidos por esse protocolo de tratamento, a estabilidade em longo prazo deve ser estudada em amostras prospectivas e randomizadas.

REfERêNCIAS 1. Almeida RR, Henriques JFC, Almeida MR, Vasconcelos MHF. Early treatment of anterior open bite - prevention of orthognatic surgery. In: Davidovitch Z, Mah J, editors. Biological mechanisms of tooth eruption, resorption and replacement by implants. Boston: Harvard Soc for the Advancement of Orthodontics; 1998. p. 585-8. 2. Almeida RR, Ursi WJ. Anterior open bite. Etiology and treatment. Oral Health. 1990 Jan;80(1):27-31. 3. Cozza P, Baccetti T, Franchi L, McNamara JA Jr. Treatment effects of a modified quad-helix in patients with dentoskeletal open bites. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2006 Jun;129(6):734-9. 4. English JD. Early treatment of skeletal open bite malocclusions. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2002 Jun;121(6):563-5. 5. Giuntini V, Franchi L, Baccetti T, Mucedero M, Cozza P. Dentoskeletal changes associated with fixed and removable appliances with a crib in open-bite patients in the mixed dentition. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2008 Jan;133(1):77-80. 6. Haryett RD, Hansen FC, Davidson PO, Sandilands ML. Chronic thumb-sucking: the psychologic effects and the relative effectiveness of various methods of treatment. Am J Orthod. 1967 Aug;53(8):569-85. 7. Huang GJ, Justus R, Kennedy DB. Stability of anterior open bite treated with crib therapy. Angle Orthod. 1990;60(1):17-24. 8. Işcan HN, Dinçer M, Gültan A, Meral O, Taner-Sarisoy L. Effects of vertical chincap therapy on the mandibular morphology in open-bite patients. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2002 Nov;122(5):506-11. 9. Justus R. Tratamiento de la mordida abierta anterior: un estudio cefalométrico y clínico. Rev Ass Dent Mex. 1976;6:17-40. 10. Justus R. Correction of anterior open bite with spurs: long-term stability. World J Orthod. 2001;2(3):219-31. 11. Meyer-Marcotty P, Hartmann J, Stellzig-Eisenhauer A. Dentoalveolar open bite treatment with spur appliances. J Orofac Orthop. 2007 Nov;68(6):510-21. 12. Ngan P, Fields HW. Open-bite: a review of etiology and management. Pediatr Dent. 1997 Mar-Apr;19(2):91-8. 13. Nogueira FF, Mota LM, Nouer PRA, Nouer DF. Esporão colado lingual Nogueira®: tratamento coadjuvante da deglutição atípica por pressionamento lingual. Rev Dental Press Ortod Ortop Facial. 2005 mar-abr;10(2):129-56. 14. Parker JH. The interception of the open bite in the early growth period. Angle Orthod. 1971 Jan;41(1):24-44.

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ENdEREÇO PARA CORRESPONdêNCIA Michelle Alonso Cassis Alameda Octavio Pinheiro Brisola 9-75 – 17.012-901 Bauru / SP E-mail: michellecassis@yahoo.com.br


artigo inédito

o “sliding-Jig” na prática ortodôntica The Sliding-Jig in orthodontic practice

Marcos Salomão MoSCardini*

Abstract

Resumo O emprego de dispositivos auxiliares no tratamento ortodôntico não é necessariamente novo. O Sliding-Jig é um aparato de baixo custo, fácil confecção e grande aceitação por parte do paciente. Suas principais indicações consistem em movimentações dentárias utilizando-se a ancoragem intermaxilar, tais como a distalização de

molares, a retração de pré-molares e caninos, entre outros. A preparação adequada da arcada antagonista se faz necessária, para minimizar os efeitos colaterais do uso dos elásticos intermaxilares. A necessidade de cooperação por parte do paciente também deve ser incluída nas variáveis a serem analisadas no planejamento ortodôntico.

The use of assistant devices on orthodontic treatment is not necessarily new. The Sliding-Jig is a low cost and easy to make device besides have great acceptance by patient. Its main indications are tooth movement using intermaxillary anchorage, as well molars distalization, canines and bicuspids retraction among others. The appropriate preparation of the

Palavras-chave:

Keywords:

Retração. Distalização. Cursores.

Retraction. Sliding-Jig. Distalization.

antagonistic arch is necessary, to minimize de undesirable effects produced by intermaxillary elastics. The need of patient´s cooperation should also be included on the variables that will be analyzed in the orthodontic planning.

* Mestre e especialista em Ortodontia pela Universidade São Leopoldo Mandic.

Rev Clín Ortod Dental Press. 2010 abr-maio;9(2):59-64

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Moscardini MS

cAso clínico Com o intuito de ilustrar uma das indicações clínicas do uso do Sliding-Jig, será apresentado um caso clínico onde optou-se por utilizar um aparelho distalizador intrabucal (Pendulum) para a correção da Classe de molares do lado esquerdo e recuperar o espaço do canino superior esquerdo. Após a instalação do distalizador, esse permaneceu ativo até que a relação de classe dos molares fosse obtida. Em seguida, foi instalado um Botão de Nance para ancorar os molares. Foi então

feita a instalação do Sliding-Jig, com o propósito de retrair os pré-molares e recuperar o espaço para o canino superior do lado esquerdo. Após três meses de uso, é possível ver o espaço do canino totalmente recuperado e pode-se notar que não houve nenhuma perda de ancoragem do molar (Fig. 6 a 9). É importante ressaltar que, no momento da instalação do dispositivo, a arcada inferior ainda estava com um fio de aço redondo, que apenas recebeu uma dobra, para evitar a extrusão do molar, pois havia a intenção de uma leve vestibularização dos incisivos inferiores.

A

B

C

D

E

Figura 6 Modelos iniciais.

A

B

C

D

Figura 7 Resultado após o uso do distalizador.

Rev Clín Ortod Dental Press. 2010 abr-maio;9(2):59-64

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artigo inédito

O “Sliding-Jig” na prática ortodôntica

A

B

C

B

C

Figura 8 Instalação do Sliding-Jig.

A

Figura 9 Retração dos pré-molares e recuperação de espaço para o canino.

conclusão O Sliding-Jig é um dispositivo altamente viável na prática ortodôntica, tendo em vista que pode ser utilizado em muitas alternativas mecânicas, tem baixo custo, fácil confecção e é bem tolerado pelo paciente. Desde que os cuidados com

a arcada antagonista sejam tomados, é possível controlar, de forma bastante precisa, os efeitos colaterais do uso dos elásticos intermaxilares. É importante ressaltar que o paciente deve estar motivado, tendo em vista que esse dispositivo depende de sua colaboração, e a ausência dessa pode causar o comprometimento da fase do tratamento em questão.

REfERêNCIAS 1.

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Rev Clín Ortod Dental Press. 2010 abr-maio;9(2):59-64

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ENdEREÇO PARA CORRESPONdêNCIA Marcos Salomão Moscardini Rua Gileno Amado, 220 / Goes Calmon – 45.605-385 – Itabuna / BA E-mail: msmoscardini@uol.com.br


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artigo inédito

verticalização de molares inferiores: revisão de literatura e relato de caso clínico Mandibular molars uprighting: Literature review and case report

Verônica Cristiani Benicá girelli* Gláucia Lacerda SantoS** Francisco Ferreira nogueira*** Sérgio Milton M. M. Penido****

Abstract

Resumo A verticalização de molares inferiores com abertura ou fechamento de espaço constitui um movimento muito utilizado em pacientes adultos. Esse movimento pode causar extrusão, interferências oclusais e envolvimento

periodontal. O objetivo do presente artigo é abordar aspectos ortodônticos e periodontais envolvidos na verticalização de molares, apresentando um caso clínico de verticalização e mesialização bilateral dos molares inferiores.

The uprighting of mandibular molars with opening or closing spaces consist on a movement very used in adult patients. This movement can cause teeth extrusion, occlusal interferences and periodontal involvement. The purpose of this article is to approach

orthodontic and periodontal aspects related to molars uprighting and to present a clinical case of bilateral uprighting and mesial movement of mandibular molars.

Palavras-chave:

Keywords:

Tratamento ortodôntico. Verticalização de molares. Tecidos periodontais.

Orthodontic treatment. Molars uprighting. Periodontal tissues.

* Especialista em Ortodontia pela ABO Divinópolis/MG. ** Especialista em Ortodontia pela PUC-Minas. Mestranda em Implantodontia na PUC-Minas. Professora do Curso de Especialização em Ortodontia da ABO Divinópolis-MG. *** Mestre em Ortodontia pela São Leopoldo Mandic, Campinas/SP. Professor do Curso de Especialização em Ortodontia da ABO Divinópolis/MG. **** Mestre e doutor em Ortodontia pela Unesp Araraquara/SP. Coordenador do Curso de Especialização de Ortodontia da ABO Divinópolis/MG.

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Girelli VCB, Santos GL, Nogueira FF, Penido SMMM

A

B

C

Figura 18 Fotografias intrabucais finais: oclusão normal com relação de molares em Classe II.

D

E

Figura 19 Levantamento periapical final: perda óssea horizontal generalizada e localizada na região mesial dos molares inferiores.

conclusão A verticalização de molares inclinados é útil e necessária, pois possibilita uma melhora nas condições periodontais dos dentes inclinados, levando a uma diminuição das bolsas infraósseas. Com isso, ocorre melhora da topografia óssea e gengival, o que proporciona um melhor acesso para controle de higienização, devolvendo ao indivíduo saúde dos tecidos de suporte e uma maior longevidade dos mesmos.

Figura 20 Radiografia panorâmica final.

AgRAdecimento Agradecemos à Dra. Glaucia Lacerda Santos, que gentilmente forneceu o caso clínico apresentado nesse artigo.

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artigo inédito

Verticalização de molares inferiores: revisão de literatura e relato de caso clínico

REfERêNCIAS 1.

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ENdEREÇO PARA CORRESPONdêNCIA Verônica C. Benicá Girelli R. Tenente Garro,154, Ap. 201, Sta Efigênia – 30.240-360 – Belo Horizonte/MG E-mail: veronicabenica@hotmail.com

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Rev Clín Ortod Dental Press. 2010 abr-maio;9(2):67-76


domínio conexo

etiologia das más oclusões: perspectiva clínica (Parte i) — fatores genéticos Etiology of malocclusions: Clinical perspective (Part I) — Genetic factors

Daniela G. gariB* Omar Gabriel da Silva Filho** Guilherme JanSon***

Abstract

Resumo

A etiologia das más oclusões representa um tema de importância relevante na especialidade Ortodontia. Primeiro, por cumprir um compromisso acadêmico, a erudição fundamental do especialista. Segundo, por possibilitar ao ortodontista uma visão mais aprofundada, e por isso mais refinada, da origem do problema. O arsenal de informações permite ao profissional ponderar sobre a possibilidade de prevenção de uma determinada irregularidade, delinear seu prognóstico de tratamento e a estabilidade da correção, bem como valorizar a sua manifestação provável na árvore genealógica. O presente trabalho investe numa classificação simples e em

consonância com a prática clínica, dividindo os fatores etiológicos em dois grandes grupos: fatores genéticos e fatores ambientais. É oportuno comentar de antemão que, pela diversidade morfológica, esses dois fatores podem estar presentes na mesma má oclusão, somando seus efeitos. Por motivos unicamente didáticos, o texto abrangendo os dois fatores etiológicos será dividido em 3 partes. A parte I discute as características dentofaciais com marcante determinação genética. A parte II destaca os fatores ambientais que provocam más oclusões. A parte III retrata as fissuras labiopalatinas, cuja etiologia congrega fatores genéticos e ambientais.

The etiology of malocclusions is a subject of relevant importance in Orthodontics. At first, it is important for meeting an academic commitment, the fundamental erudition of the specialist. Second, it is relevant for opening to the orthodontist the possibility of a broad and detailed view of the origin of the problem. The arsenal of information allows the professional to rationalize the possibility of prevention, the treatment prognosis and the stability of the correction, as well as to consider the manifestation in other members of the patient’s family. This study demonstrates a simple classification with consonance to the clinical practice, dividing the etiological factors into two large groups: Genetic factors and environmental factors.

Palavras-chave:

Keywords:

Etiologia. Má oclusão. Genética.

Etiology. Malocclusion. Genetics.

It is appropriate to highlight that due to morphological diversity, these two factors may be present in the same malocclusion, mixing its effects. For didactical reasons, the article is divided into 3 parts. Part I discusses the dentofacial characteristics with preponderant genetic determination. Part II highlights the environmental factors which causes malocclusions. Part III discusses the etiology of cleft lip and palate, which associates both genetic and environmental factors.

* Professora doutora de Ortodontia, Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais e Faculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de São Paulo. ** Ortodontista do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, Universidade de São Paulo. Coordenador do Curso de Ortodontia Preventiva e Interceptiva da Sociedade de Promoção Social do Fissurado Labiopalatal (PROFIS). *** Professor titular e chefe do departamento de Odontopediatria, Ortodontia e Saúde Coletiva da Faculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de São Paulo.

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domínio conexo

Etiologia das más oclusões: perspectiva clínica (Parte I) — fatores genéticos

F

G

H

I

J

K

L

M

n

Figura 15 Paciente do gênero masculino, sete anos de idade, com disostose cleidocraniana.

96

Rev Clín Ortod Dental Press. 2010 abr-maio;9(2):77-97


Garib DG, Silva Filho OG, Janson G

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ENdEREÇO PARA CORRESPONdêNCIA daniela G. Garib Faculdade de Odontologia de Bauru-USP Al. Octávio Pinheiro Brisola 9-75 – 17.012-901 – Bauru/SP E-mail: dgarib@uol.com.br

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abstracts

literatura ortodôntica mundial Resumos, em Português, de artigos publicados em importantes revistas de Ortodontia de todo o mundo. Informação qualificada e oportuna para a melhoria de sua prática clínica.

AutotRAnsPlAnte de 28 PRé-molARes em 24 PAcientes oRtodÔnticos

efeitos do uso PRecoce do AeB de tRAção AltA no tRAJeto eRuPtivo dos cAninos suPeRioRes

Autotransplantation of 28 premolar donor teeth in 24 orthodontic patients

Early headgear effects on the eruption pattern of the maxillary canines

Tadasu Tanaka, Toshio Deguchi, Toru Kageyama, Ryuzo Kanomi, Masahiro Inoue, Kelvin W. C. Foong Angle Orthod. 2008 Jan;78(1):12-9.

Anna-Sofia Silvola, Päivi Arvonen, Johanna Julku, Raija Lähdesmäki, Tuomo Kantomaa, Pertti Pirttiniemi Angle Orthod. 2009 May;79(3):540-5.

Objetivo: testar a hipótese nula de que o autotransplante de prémolar em pacientes ortodônticos não é bem-sucedido. Material e Métodos: no presente estudo, o transplante de 28 pré-molares foi realizado em associação ao tratamento ortodôntico. Foram realizadas consultas de rotina a cada 3 meses onde os pacientes foram submetidos a uma radiografia e controle periodontal. Três radiografias odontológicas foram obtidas por um assistente odontológico usando uma colgadura individualizada: estágio préoperatório (T0), 2 anos pós-operatório (T1) e contenção (T2) (com acompanhamento de 4 a 14 anos). Todos os transplantes foram conduzidos em uma única fase operatória por um mesmo operador. As áreas receptoras foram: dez por ausência de caninos superiores, nove por incisivos centrais e laterais superiores, oito por segundos pré-molares inferiores, e cinco por outros pré-molares ausentes. Todas essas áreas foram mantidas com os próprios antecessores decíduos. Resultados: a proporção de sucesso de todos os 28 transplantes foi de 100%, embora quatro transplantes que tiveram um período de observação menor do que quatro anos foram excluídos. Dois pacientes transplantados, um com história médica de histiocitose e outro com história de osteomielite da maxila sem um alvéolo receptor, também foram excluídos do estudo. Onze de 22 pré-molares transplantados receberam tratamento endodôntico, sendo que quatro deles receberam o tratamento endodôntico dois anos após a operação. Conclusões: a hipótese inicial foi rejeitada. A proporção de sucesso dos pré-molares transplantados foi de 100%.

Objetivo: testar a hipótese nula de que o tratamento com o AEB de tração alta não influencia o trajeto eruptivo dos caninos superiores no início da dentadura mista. Material e Métodos: sessenta e oito crianças (40 meninos e 28 meninas) com tendência à Classe II e apinhamento moderado nas arcadas dentárias foram randomizadas em dois grupos. No primeiro grupo, o tratamento com o AEB de tração alta foi iniciado imediatamente. No segundo grupo, foram realizados somente procedimentos interceptivos menores durante o primeiro período seguido por dois anos. As radiografias panorâmicas foram obtidas em três tempos, com intervalo de 1 ano entre elas, e após o crescimento, na idade de 16 anos. O trajeto de erupção foi avaliado. O espaço entre o primeiro molar e o incisivo lateral foi medido nos modelos de gesso. Resultados: a inclinação do canino superior em relação à linha média estava mais vertical no lado direito no grupo do AEB 1 e 2 anos após o início do tratamento (p = 0,0098 e p = 0,0003, respectivamente). A inclinação em relação ao incisivo lateral foi menor bilateralmente no grupo do AEB após 1 e 2 anos de tratamento, e no lado direito após 3 anos de tratamento. Conclusão: a hipótese está rejeitada. O tratamento com o AEB de tração alta influencia significativamente a inclinação do canino superior durante a sua erupção. A maior influência foi vista após 2 anos do uso do AEB, sendo mais proeminente no canino do lado direito.

Palavras-chave: Autotransplante. Pré-molar doado. Hipodontia. Acompanhamento a longo prazo. Ortodontia. Movimento dentário.

Tradução: João Paulo Schwartz.

Palavras-chave: Canino superior. Tratamento ortodôntico. AEB de tração alta. Apinhamento. Avaliação radiográfica.

Tradução: Naiara Jordão Souza Parteira.

conheça o acervo de Abstracts da dental Press, acesse: www.dentalpress.com.br/abstracts

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controvérsias

A anquilose não é induzida pelo movimento ortodôntico ou O movimento ortodôntico não elimina os restos epiteliais de Malassez ou As funções dos restos de Malassez no movimento ortodôntico ou Os restos epiteliais de Malassez na fisiologia periodontal

Alberto ConSolaro* Maria Fernanda M-o. ConSolaro** Milton SantaMaria Jr***

Em casos de anquilose alveolodentária, a primeira suspeita clínica quanto à sua causa deve recair sobre o traumatismo dentário. A natureza do traumatismo dentário pode ser acidental ou cirúrgica. Não se deve comparar o traumatismo dentário, o trauma oclusal e o movimento ortodôntico. Os efeitos celulares e teciduais dessas três situações são bem diferentes entre si e não devem ser extrapolados de uma para outra: 1. No traumatismo dentário, a força é intensa, súbita, abruptamente aplicada em curto período de tempo, rompendo e dilacerando os tecidos. 2. No trauma oclusal, a força aplicada tende a ser menor do que no traumatismo dentário, mas aplicada de forma repetitiva em curtíssimos espaços de tempo e ao longo de meses e anos. 3. No movimento ortodôntico, a força aplicada é muito menor, de ação lenta e contínua sobre os tecidos periodontais durante um curto período de tempo e a cada ativação do aparelho. O movimento ortodôntico não é abrupto, súbito e intenso — essas características são próprias do traumatismo dentário.

As funções dos Restos ePiteliAis de mAlAssez Durante muitas décadas não se conhecia nenhuma das funções dos Restos Epiteliais de Malassez (Fig. 1, 2), mas atualmente sabe-se que: 1. Atuam na manutenção do espaço periodontal, evitando a anquilose alveolodentária18,19,32 pela liberação continuada de EGF21,29 (Fig. 2). Nos traumatismos dentários, a evolução para anquilose é comum e ocorre pela destruição dos Restos Epiteliais de Malassez. Durante o tratamento ortodôntico, não ocorre anquilose alveolodentária, pois os restos epiteliais de Malassez não são destruídos (Fig. 3) durante o deslocamento dentário induzido15,28,30. Os Restos Epiteliais de Malassez não são formados por células quiescentes, pois, em culturas, secretam vários tipos de proteínas, peptídeos6 e prostaglandinas3,4,6, essas últimas importantes mediadores da reabsorção óssea. Experimentos revelam que, quando em culturas, as células epiteliais continuam a secretar mediadores que induzem a reabsorção óssea, mesmo que no ambiente seja colocada indometacina, um inibidor da produção

* Professor titular da FOB-USP e da pós-graduação da FORP-USP. ** Professora doutora de Ortodontia e de pós-graduação em Biologia Oral e Ortodontia da USC. *** Professor doutor do curso de pós-graduação em Ortodontia da Uniararas.

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Consolaro A, Consolaro MFM-O, Santamaria M Jr

A evolução nAtuRAl dA Anquilose: ReABsoRção dentÁRiA PoR suBstituição O tecido ósseo está em constante remodelação. Em alguns anos, todo o esqueleto humano se renova em vida, remodela-se. Esse dinamismo faz parte da fisiologia óssea, o que lhe dá enorme capacidade adaptativa e importante participação nos mecanismos de controle hidrodinâmico de nosso organismo. A remodelação óssea não envolve os dentes, que estão isolados do processo pelo fato de suas raízes serem recobertas por cementoblastos — células que não possuem receptores para os mediadores que comandam a ocorrência e a velocidade da remodelação óssea. A instalação da anquilose alveolodentária implica na união do dente ao osso (Fig. 5), ou seja, entre o osso e o dente não há mais ligamento periodontal, pois, com a morte dos Restos Epiteliais de Malassez e sem EGF, os componentes do tecido ósseo também se aposicionam na superfície radicular (Fig. 5, 6). A partir desse evento, em velocidade muito lenta ou mais aceleradamente, os mecanismos de reabsorção e neoformação óssea constantes envolverão os tecidos dentários como cemento e dentina. À medida que os tecidos dentários são reabsorvidos, as células ósseas organizam componentes como trabéculas, sistemas de Havers e espaços medulares (Fig. 6, 7). Há uma substituição de tecidos dentários por tecido ósseo, caracterizando-se o mecanismo de reabsorção dentária por substituição (Fig. 7).

Inevitavelmente, a reabsorção dentária por substituição irá ocorrer após a anquilose alveolodentária. O que pode ocorrer muito lentamente é a velocidade dessa reabsorção dentária e não a sua iniciação. O que pode demorar para aparecer é a imagem da reabsorção dentária por substituição nas radiografias e tomografias, mas não o seu início, pois a sua instalação é decorrência natural do processo de anquilose alveolodentária.

consideRAção finAl Os Restos Epiteliais de Malassez são estruturas periodontais ectodérmicas com a função principal de preservar o espaço periodontal em decorrência da liberação do EGF ou Fator de Crescimento Epidérmico ou Epitelial. Esse mediador liberado estimula a proliferação e a manutenção dos Restos Epiteliais de Malassez e, ao mesmo tempo, estimula a osteoclasia na superfície periodontal, deixando o tecido ósseo à distância de 0,2 a 0,4 micrômetros. Durante o movimento ortodôntico, não há destruição dos Restos Epiteliais de Malassez, mas durante o traumatismo dentário isso ocorre frequentemente. A evolução natural da anquilose alveolodentária é a reabsorção dentária por substituição, cuja evolução pode ser muito lenta ou rápida, dependendo de vários fatores associados. Quando casos de anquilose alveolodentária e/ou de reabsorção por substituição são identificados antes, durante ou após o tratamento ortodôntico, a causa a ser detectada ou atribuída quase inevitavelmente deverá ser o traumatismo dentário.

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controvérsias

A anquilose não é induzida pelo movimento ortodôntico

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ENdEREÇO PARA CORRESPONdêNCIA Alberto Consolaro E-mail: consolaro@uol.com.br

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— forneça um breve título para cada uma. — se uma tabela tiver sido publicada anteriormente, inclua uma nota de rodapé dando crédito à fonte original. — apresente as tabelas como arquivo de texto (Word ou Excel, por exemplo) e não como elemento gráfico (imagem não editável). 7. Referências — todos os artigos citados no texto devem ser referenciados. — todas as referências listadas devem ser citadas no texto. — com o objetivo de facilitar a leitura, as referências serão citadas no texto apenas indicando a sua numeração. — as referências devem ser identificadas no texto por números arábicos sobrescritos e numeradas na ordem em que são citadas no texto. — as abreviações dos títulos dos periódicos devem ser normalizadas de acordo com as publicações “Index Medicus” e “Index to Dental Literature”. — a exatidão das referências é de responsabilidade dos autores; as mesmas devem conter todos os dados necessários à sua identificação. — as referências devem ser apresentadas no final do texto obedecendo às Normas Vancouver (http://www.nlm.nih.gov/bsd/uniform_requirements.html). — não devem ultrapassar o limite de 30. — utilize os exemplos a seguir: • Artigos com um até seis autores Sterrett JD, Oliver T, Robinson F, Fortson W, Knaak B, Russell CM. Width/length ratios of normal clinical crowns of the maxillary anterior dentition in man. J Clin Periodontol. 1999 Mar;26(3):153-7. • Artigos com mais de seis autores De Munck J, Van Landuyt K, Peumans M, Poitevin A, Lambrechts P, Braem M, et al. A critical review of the durability of adhesion to tooth tissue: methods and results. J Dent Res. 2005 Feb;84(2):118-32. • Capítulo de livro Kina S. Preparos dentários com finalidade protética. In: Kina S, Brugnera A. Invisível: restaurações estéticas cerâmicas. Maringá: Dental Press; 2007. cap. 6, p. 223-301. • Capítulo de livro com editor Breedlove GK, Schorfheide AM. Adolescent pregnancy. 2ª ed. Wieczorek RR, editor. White Plains (Ny): March of Dimes Education Services; 2001. • Dissertação, tese e trabalho de conclusão de curso Beltrami LER. Braquetes com sulcos retentivos na base, colados clinicamente e removidos em laboratórios por testes de tração, cisalhamento e torção. [dissertação]. Bauru: Universidade de São Paulo; 1990. • Formato eletrônico Câmara CALP da. Estética em Ortodontia: Diagramas de Referências Estéticas Dentárias (DRED) e Faciais (DREF). Rev Dental Press Ortod Ortop Facial. 2006 nov-dez;11(6):130-56. [Acesso 12 jun 2008]. Disponível em: www.scielo.br/pdf/dpress/v11n6/a15v11n6.pdf. — Outros tipos de correspondência poderão ser enviados para: Revista Clínica de Ortodontia Dental Press Av. Euclides da Cunha 1718, Zona 5 - CEP: 87.015-180, Maringá/PR Tel. (44) 3031-9818 - E-mail: artigos@dentalpress.com.br

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registro de ensaios clínicos Os ensaios clínicos se encontram entre as melhores evidências para tomada de decisões clínicas. Considera-se ensaio clínico todo projeto de pesquisa com pacientes que seja prospectivo, nos quais exista intervenção clínica ou medicamentosa com objetivo de comparação de causa/efeito entre os grupos estudados e que, potencialmente, possa ter interferência sobre a saúde dos envolvidos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os ensaios clínicos controlados aleatórios e os ensaios clínicos devem ser notificados e registrados antes de serem iniciados. O registro desses ensaios tem sido proposto com o intuito de identificar todos os ensaios clínicos em execução e seus respectivos resultados, uma vez que nem todos são publicados em revistas científicas; preservar a saúde dos indivíduos que aderem ao estudo como pacientes; bem como impulsionar a comunicação e a cooperação de instituições de pesquisa entre si e com as parcelas da sociedade com interesse em um assunto específico. Adicionalmente, o registro permite reconhecer as lacunas no conhecimento existentes em diferentes áreas, observar tendências no campo dos estudos e identificar os especialistas nos assuntos. Reconhecendo a importância dessas iniciativas e para que as revistas da América Latina e Caribe sigam recomendações e padrões internacionais de qualidade, a BIREME recomendou aos editores de revistas científicas da área da Saúde indexadas na Scientific Library Electronic Online (SciELO) e na LILACS (Literatura Latino-americana e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde) que tornem públicas estas exigências e seu contexto. Assim como na base MEDLINE, foram incluídos campos específicos na LILACS e SciELO para o número de registro de ensaios clínicos dos artigos publicados nas revistas da área da Saúde. Ao mesmo tempo, o International Committee of Medical Journal Editors (ICMJE) sugeriu aos editores de revistas científicas que exijam dos autores o número de registro no momento da submissão de trabalhos. O registro dos ensaios clínicos pode ser feito em um dos Registros de Ensaios Clínicos validados pela OMS e ICMJE, cujos endereços estão disponíveis no site do ICMJE. Para que sejam validados, os Registros de Ensaios Clínicos devem seguir um conjunto de critérios estabelecidos pela OMS.

Portal para divulgação e registro dos ensaios A OMS, com objetivo de fornecer maior visibilidade aos Registros de Ensaios Clínicos validados, lançou o portal WHO Clinical Trial Search Portal (http://www.who.int/ictrp/network/en/index. html), com interface que permite a busca simultânea em diversas bases. A pesquisa, nesse portal, pode ser feita por palavras, pelo título dos ensaios clínicos ou pelo número de identificação. O resultado mostra todos os ensaios existentes, em diferentes fases de execução, com enlaces para a descrição completa no Registro Primário de Ensaios Clínicos correspondente. A qualidade da informação disponível nesse portal é garantida pelos produtores dos Registros de Ensaios Clínicos que integram a rede recém-criada pela OMS: WHO Network of Collaborating Clinical Trial Registers. Essa rede permitirá o intercâmbio entre os produtores dos Registros de Ensaios Clínicos para a definição de boas práticas e controles de qualidade. Os sites para que possam ser feitos os registros primários de ensaios clínicos são: www.actr. org.au (Australian Clinical Trials Registry), www.clinicaltrials.gov e http://isrctn.org (International Standard Randomised Controlled Trial Number Register (ISRCTN). Os registros nacionais estão sendo criados e, na medida do possível, os ensaios clínicos registrados nos mesmos serão direcionados para os recomendados pela OMS.

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A OMS propõe um conjunto mínimo de informações que devem ser registradas sobre cada ensaio, como: número único de identificação, data de registro do ensaio, identidades secundárias, fontes de financiamento e suporte material, principal patrocinador, outros patrocinadores, contato para dúvidas do público, contato para dúvidas científicas, título público do estudo, título científico, países de recrutamento, problemas de saúde estudados, intervenções, critérios de inclusão e exclusão, tipo de estudo, data de recrutamento do primeiro voluntário, tamanho da amostra pretendido, status do recrutamento e medidas de resultados primárias e secundárias. Atualmente, a Rede de Colaboradores está organizada em três categorias: - Registros Primários: cumprem com os requisitos mínimos e contribuem para o Portal; - Registros Parceiros: cumprem com os requisitos mínimos, mas enviam os dados para o Portal, somente através de parceria com um dos Registros Primários; - Registros Potenciais: em processo de validação pela Secretaria do Portal, ainda não contribuem para o Portal.

Posicionamento da Revista clínica de ortodontia dental Press A REVISTA CLÍNICA DE ORTODONTIA DENTAL PRESS apoia as políticas para registro de ensaios clínicos da Organização Mundial da Saúde - OMS (http://www.who.int/ictrp/en/) e do International Committee of Medical Journal Editors – ICMJE (http://www.wame. org/wamestmt.htm#trialreg e http://www.icmje.org/clin_trialup. htm), reconhecendo a importância dessas iniciativas para o registro e divulgação internacional de informação sobre estudos clínicos, em acesso aberto. Sendo assim, seguindo as orientações da BIREME/ OPAS/OMS para a indexação de periódicos na LILACS e SciELO, somente serão aceitos para publicação os artigos de pesquisas clínicas que tenham recebido um número de identificação em um dos Registros de Ensaios Clínicos, validados pelos critérios estabelecidos pela OMS e ICMJE, cujos endereços estão disponíveis no site do ICMJE: http://www.icmje.org/faq.pdf. O número de identificação deverá ser registrado ao final do resumo. Consequentemente, recomendamos aos autores que procedam o registro dos ensaios clínicos antes do início de sua execução.

Ediçaõ V9N1 - Fevereiro e março de 2010  

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