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RevistaDentalPressde

Periodontia e Implantologia

Rev. Dental Press Periodontia Implantol.

Maringรก

v. 4

n. 1

p. 1-112

ISSN 1980-2269 jan./fev./mar. 2010


Sumário

volume 4, número 1, jan./fev./mar. 2010

ACONTECIMENTOS

36 Explicações e Aplicações Mecanismo da saucerização nos implantes osseointegrados Alberto Consolaro, Renato Savi de Carvalho, Carlos Eduardo Francischone Jr., Carlos Eduardo Francischone

37

Entrevista

Pergunte a um Expert

Rui Vicente Oppermann

Cirurgia estética peri-implantar

10

Jamil Awad Shibli

55


ARTIGO INÉDITO 2,5

Prevalência da doença periodontal em mulheres e crianças da Estratégia de Saúde da Família no

2,0

Janaína Rodrigues Lopes da Silva, Alessandro Diogo de Carli, Cibele Bonfim de Rezende Zárate, Edilson José Zafalon, Paulo Zárate Pereira, Valéria Rodrigues de Lacerda

61

IHO - S

município de Campo Grande/MS

Médio

1,5 1,3 1,0

Bom

0,5

0,0

Norte

Sul

Leste

Oeste

Teste de Kruskal-Wallis

CASO SELECIONADO Odontologia estética: integração entre Prótese e Periodontia – relato de caso clínico Frederico dos Reis Goyatá, Ana Paula Grimião Queiroz, Arnaldo dos Santos, José Guilherme da Rocha Gilson, Débora Caminha Paiva Arantes, Sérgio Luiz Bertoldo

71

ARTIGO INÉDITO Avaliação das práticas e atitudes do cirurgião-dentista no controle do uso de tabaco pelos pacientes Gislaine Cazavechia, Fabiano Carlos Marson, Cléverson O. Silva

79

35 30 25 20 15 10 5 0

ARTIGO INÉDITO Método dos elementos finitos (MEF) na Implantodontia Bruno Gadelha Fernandes Maia, Sérgio Maia, Marcos Blatt, Tiago Galvão G. Neiva

92

CASO CLÍNICO Técnica inovadora para o manejo estético de freio labial superior hipertrófico: relato de caso Roberta Santos Domingues, Maria Lúcia Rubo de Rezende, Adriana Campos Passanezi Sant`Ana, Sebastião Luiz Aguiar Greghi, Samira Salmeron, Euloir Passanezi

101

Há quantos anos fuma + quantos cigarros/dia Há quantos anos fuma Quantos cigarros/dia Há quantos anos fuma + quantos cigarros/ dia + horário Marca do cigarro + quantos cigarros/dia + há quantos anos fuma + horário Há quantos anos fuma + horário Não se manifestaram


EDITORES Carlos Eduardo Francischone - FOB-USP/Bauru, USC/Bauru

Diretora Teresa R. D'Aurea Furquim ANALISTA DA INFORMAÇÃO Carlos Alexandre Venancio

Maurício Guimarães Araújo - UEM/PR

Produção Gráfica e Eletrônica Andrés Sebastián Fernando Truculo Evangelista Gildásio Oliveira Reis Júnior Tatiane Comochena

EDITORAS ASSISTENTES Carina Gisele Costa Bispo - UEM/PR Flávia Matarazzo - UEM/PR Flávia Sukekava - FO/USP

Internet Carlos Eduardo de Lima Saugo

PUBLISHER Laurindo Z. Furquim - UEM/PR

BANCO DE DADOS Adriana Azevedo Vasconcelos Cléber Augusto Rafael Soraia Pelloi

CONSULTORES CIENTÍFICOS Eduardo Feres - UFRJ/RJ

DEPARTAMENTO DE CURSOS E EVENTOS Ana Claudia da Silva Rachel Furquim Scattolin

Elaine Cristina Escobar Gebara - FMU/SP Francisco A. Mollo Jr. - UNESP-Araraquara/SP Giuseppe Alexandre Romito - FUNDECTO - USP/SP Hugo Nary Filho - USC/SP Jean-Paul Martinet - Universidade de Buenos Aires João Garcez Filho - Clínica particular - Aracaju/SE

DEPARTAMENTO COMERCIAL Roseneide Martins Submissão de artigos Simone Lima Lopes Rafael BIBLIOTECA Alessandra Valéria Ferreira

Jorge Luis Garcia - Argentina José Cícero Dinato - UFRGS/RS

NORMALIZAÇÃO Marlene G. Curty

José Valdívia - Chile Juan Carlos Abarno - Uruguai

Revisão Ronis Furquim Siqueira

Luis Antonio Salata - FORP - USP/SP Luis Lima - USP/SP Luiz Meirelles - Universidade de GBG Marco Antonio Bottino - UNESP-São José dos Campos/SP Mario Groisman - UNIGRANRIO/RJ

DEPARTAMENTO FINANCEIRO Roseli Martins Márcia Cristina Plonkóski Maranha SECRETARIA Luana Gouveia

Marly Kimie Sonohara Gonzales - UEM/PR Paulo Maló - Portugal

Impressão Gráfica Regente

Paulo Martins Ferreira - USP - Bauru/SP Ricardo de Souza Magini - UFSC/SC Ricardo Fisher - UERJ/RJ Ronaldo de Barcelos Santana - UFF/RJ Sidney Kina - Clínica particular - Maringá/PR Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP) Revista Dental Press de Periodontia e Implantologia / Dental Press International. -v. 1, n. 1 (jan./fev./mar.) (2007) – . -- Maringá : Dental Press International, 2007Trimestral. ISSN 1980-2269. 1. Periodontia. Implantologia (Odontologia) – Periódicos I. Dental Press International. II. Título. CDD. 617.643005

A Revista Dental Press de Periodontia e Implantologia (ISSN 1980-2269) é uma publicação trimestral (quatro edições por ano) da Dental Press Ensino e Pesquisa Ltda. - Av. Euclides da Cunha, 1.718 - Zona 5 - CEP 87.015-180 - Maringá/PR - Brasil. Todas as matérias publicadas são de exclusiva responsabilidade de seus autores. As opiniões nelas manifestadas não correspondem, necessariamente, às opiniões da Revista. Os serviços de propaganda são de responsabilidade dos anunciantes. Assinaturas: dental@dentalpress.com.br ou pelo fone/fax: (44) 3031-9818.


Editorial Editores

Prof. Dr. Carlos Eduardo Francischone

Prof. Dr. Maurício Guimarães Araújo

Há três anos iniciávamos a publicação da Revista Dental Press de Periodontia e Implantologia. Foram 13 edições com motivos de sobra para nos orgulharmos: entrevistas inéditas, artigos criteriosos, técnicas inovadoras e, principalmente, a criação de um novo espaço para difusão científica de nossas especialidades. A partir dessa edição, os consultores optaram por novas normas de publicação, em consenso com os principais periódicos clínicos e de pesquisa: a norma Vancouver. Todos os órgãos indexadores receberam nossas edições e cremos que as avaliações serão noticiadas em breve. Ganham os autores e os leitores. Como saldo de uma visita à Reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre, esta edição apresenta uma entrevista de grande expectativa com o Prof. Dr. Rui Vicente Oppermann, professor de Periodontia e atual vice-reitor desta faculdade. Nas palavras do entrevistador, Angelo Menuci, “vocês encontrarão uma aula de história sobre a Periodontia brasileira e uma visão impressionantemente clara” sobre vários temas. Na seção “Explicações e Aplicações”, os professores Alberto Consolaro, Renato Savi de Carvalho, Carlos Eduardo Francischone Jr. e Carlos Eduardo Francischone, de forma inédita, apresentam e discutem a influência do Fator de Crescimento Epitelial (EGF) na saucerização de implantes osseointegrados. Jamil Awad Shibli, professor da Universidade Guarulhos (UnG), SP, nos esclarece sobre o tema “Cirurgia estética peri-implantar”, com foco na adesão do tecido epitelial e conjuntivo à superfície do conjunto implante-pilar protético, e de seu selamento da mucosa peri-implantar. O “Caso Selecionado” demonstra as possibilidades da integração entre Prótese e Periodontia, com cirurgia de aumento de coroa clínica e coroas totais livres de metal. O desejo dos pacientes de controlar ou extinguir o uso de tabaco é uma realidade. Quais seriam, então, as práticas e atitudes do CD? Este artigo apresenta o índice de intervenção e o aconselhamento ao paciente fumante. Alguns métodos de pesquisa na área de Biomecânica são hoje utilizados na determinação da distribuição de tensões, deformações e deslocamentos gerados pelas interações mecânicas. O Método de Elementos Finitos (MEF), uma das opções técnicas, também foi tema de um artigo selecionado nesta revista e, finalmente, uma técnica inovadora para o manejo estético de freio labial superior hipertrófico. Aproveite ao máximo todos os conhecimentos aqui publicados, e questione-os, se oportuno. Este ambiente que modela nossas carreiras clínicas teve respaldo nesta iniciativa editorial. Muitas novidades foram programadas, nossa função primordial de debate aberto e pluraridade não será esquecida, boa leitura!

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Entrevista

Rui Vicente Oppermann

Por solicitação dos professores Maurício Araújo e Carlos Eduardo Francischone, editores científicos da Revista Dental Press de Periodontia e Implantologia, parti, no final de novembro de 2009, em direção à Reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre/RS. Lá deveria entrevistar meu antigo professor, Prof. Dr. Rui Vicente Oppermann. Sabia que ele continuava como professor de Periodontia da Faculdade de Odontologia da UFRGS, como coordenador da Periodontia daquela faculdade em níveis de graduação e pós-graduação, que havia sido diretor da FO da UFRGS e que era, atualmente, vice-reitor da Universidade. Que surpresas me aguardariam? A seguir, vocês encontrarão uma aula de história sobre a Periodontia brasileira, um exemplo de dedicação à pesquisa, e uma visão impressionantemente clara do estágio atual da Odontologia brasileira, da formação acadêmica, posicionamento político e associativo, de mercado e comportamento ético-profissional. Angelo Menuci entrevistador

Ingressou na UFRGS em 1970, tendo sido o primeiro colocado no concurso vestibular para o curso de Odontologia. Recebeu o Prêmio E. M. Wagner como primeiro aluno da disciplina de Fisiologia. Foi bolsista de iniciação científica no Laboratório de Microbiologia Oral e, posteriormente, na Disciplina de Periodontia. Em 1975-76, foi estagiário na área de Periodontia e, como bolsista do CNPq, produziu o primeiro programa de instrução de higiene bucal para a Faculdade. De 1977 a 1980, como bolsista da CAPES, realizou seu doutorado na Faculdade de Odontologia da Universidade de Oslo, na Noruega. De volta ao Brasil, trabalhou como professor horista até realizar, em 1983, concurso para Professor Titular do Departamento de Odontologia Conservadora – quando, então, foi contratado no regime de 40 horas. Na graduação, atua nas disciplinas de Periodontia e Acompanhamento Clínico. Colaborou na organização e fez parte da primeira Comissão Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Odontologia, onde atua como professor e orientador. Atualmente é pesquisador do CNPq e sua linha de pesquisa abrange estudos na área de Epidemiologia Clínica, Odontologia Preventiva e Saúde Coletiva. Na área de Periodontia, introduziu formas não-invasivas de tratamento das doenças periodontais, mudando o paradigma cirúrgico então vigente. As abordagens desenvolvidas são, atualmente, aceitas em todo o mundo como padrão de referência para o tratamento dessas doenças. Formou 29 mestres e 2 doutores. Publicou mais de 50 artigos, 17 capítulos de livros e 3 livros, cobrindo, além da Periodontia, a área de Cariologia. É consultor ad hoc da CAPES e do CNPq, tendo sido membro do Comitê Assessor da CAPES. É revisor de periódicos nacionais (Brazilian Oral Research, Cadernos de Saúde Pública, Revista Brasileira de Epidemiologia, Periodontia, Revista da Faculdade de Odontologia da UFRGS) e internacionais (Journal of Periodontology, Periodontology 2000). É sócio-fundador e foi presidente, em duas ocasiões, da Associação Brasileira de Odontologia Preventiva. Na ABOPREV teveatuaçãodestacadanoprocessodefluoretaçãodaságuasedentifrícios,medidasquecolaboraram para a significativa redução de cáries observada no país. É membro da Sociedade Brasileira de Periodontia, tendo organizado o congresso nacional em 2001. Desde 2006 pertence à Academia Gaúcha de Odontologia. É o coordenador do 43º Encontro Nacional da Associação Brasileira de Ensino Odontológico a ser realizado este ano, em Porto Alegre, com o tema “A Responsabilidade da Pós-Graduação no Ensino da Graduação”. Trabalhou como consultor de governos municipal, estadual e federal, tendo assessorado a implantação de programas preventivos em escolas públicas de todo o país. Assumiu, no final de 2004, como Diretor da Faculdade de Odontologia, em regime de dedicação exclusiva e lidera as mudanças do projeto político-pedagógico que norteiam o novo currículo do Curso de Odontologia. Tem estimulado projetos na área de graduação e pós-graduação, desenvolve atividades institucionais de extensão e, em conjunto com o Instituto de Psicologia, iniciou o Curso de Fonoaudiologia (e-mail: ruioppermann@gmail.com).

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Rui Vicente Oppermann

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Rui Vicente Oppermann

o objetivo da clínica nunca foi ganhar dinhei-

investimento. Os outros vão naufragar por-

ro, o dinheiro vem automaticamente. O meu

que saúde não é uma mercadoria que nem

objetivo na clínica era construir protocolos,

um carro, que tanto faz tu andar num Ford

construir relações, fazer coisas. E mais, os

ou num Chevrolet. Não é assim não, a saú-

pacientes reconhecem isso, eles começam a

de tem componentes muito próprios, um

valorizar o que tu estás fazendo.

paciente comprar saúde é diferente de um

Mas se tu começas a fazer a Odontolo-

paciente comprar um carro, bem diferente.

gia que chamo de fast Dentistry, tem o fast

Alguns compram saúde como se fosse um

food e o fast Dentistry, bom, daí o cara vai

carro: “Eu fiz um seguro de saúde, um con-

te comer como ele come um cheesebur-

vênio, eu pago só R$ 20,00 por mês”. En-

guer, entendeu? Come esse, come outro e

tão, ganham uma “merreca” de porcaria de

o gosto é o mesmo. Tanto faz o dentista

tratamento de saúde por mês também. En-

que ele for. Eu sou muito otimista porque

tão, tu pagas e tu ganhas o que está pagan-

nós vamos passar por uma seleção natural

do. Acredito que as pessoas vão perceber,

e as pessoas vão perceber que tem uma

com o tempo, que estão se prejudicando ao

Odontologia qualitativa que merece um

fazer isso… eu sou otimista.

Entrevistador Angelo Menuci - Mestre em Implantodontia pela USC-Bauru. - Especialista em CTBMF pela PUCRS. - Membro Titular do Colégio Brasileiro de CTBMF. - IAOMS Fellow, EAO Member, ITI Member. - E-mail: menuci@terra.com.br

Agradecimentos: Ao Prof. Ronald Halla Junior, pelo auxílio na revisão do texto.

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Acontecimentos Acontecimentos

28º Congresso CIOSP

Oswaldo Scopin de Andrade, coordenador da Comissão Científica do 28º CIOSP.

Waldemar Daudt Polido, Mariana Soldateli e Carlos Eduardo Francischone.

Maurício Araújo e Paul Note, presidente da Geistlich Pharma AG.

Cláudio Figueiredo, Liliana Brangeli, Alan Rodrigues e André Luis Zetola.

Cátia Cilene de Oliveira e Renata Rodrigues.

Alberto Consolaro e Priscila Abdala Lavrador.

Evelise Maria Steula e Ana Nogueira.

Mary Sandra e Sylvia Lessa Bini com Maria Emília Abrão Issa.

Nayara Maria Mayela Quer e Eduardo F. Oliveira.

Priscila Garcia.

Thiago Soares Porto e Betina Grehs Porto.

Jorge e Francisco R. M. Sampaio.

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Rev. Dental Press Periodontia Implantol., v. 4, n. v.1, 4, p. n. 36,1,jan./fev./mar. 2010 Rev. Dental Press Periodontia Implantol., p. 36, jan./fev./mar. 2010


Explicações e Aplicações

Mecanismo da saucerização nos implantes osseointegrados Alberto Consolaro, Renato Savi de Carvalho, Carlos Eduardo Francischone Jr., Carlos Eduardo Francischone A saucerização ocorre em praticamente

(12µg/ml), plasma (2µg/ml) e líquido amnió-

todos os implantes osseointegrados, indepen-

tico (1µg/ml). O gene que controla a produ-

dentemente do seu design, tipo de superfície,

ção do EGF no homem está no cromossomo

de sua plataforma e de sua conexão, da sua

4 e sua molécula contém 53 aminoácidos com

marca comercial e das condições do paciente.

peso molecular de 6045 daltons. Sua molécula

A sua velocidade pode ser maior ou menor, mas

é estável, inclusive no calor.

sua ocorrência parece fazer parte da integração

Os receptores específicos para esse poli-

dos implantes com o epitélio e tecido conjuntivo

peptídio são representados pela sigla EGFr e

gengival. O conhecimento do seu mecanismo

constituem-se de proteína transmembrana divi-

biológico é importante para compreendê-la e, se

dida em três partes: extracelular, transmembrana

possível, reduzir ou controlar essa perda óssea

e intracelular18,19. Quando o EGF se liga à parte

cervical peri-implantar. A saucerização também

extracelular do receptor, na porção intracelular

pode ser referida como “remodelamento ósseo

ativa-se a tirosina-cinase e iniciam-se eventos

peri-implantar cervical”. Neste trabalho, será

em cascata que culminam com a mitose11,12,13. O

apresentada uma explicação para o mecanismo

EGFr está presente em células epiteliais de locais

da saucerização, que tem como agente central o

com alto ou baixo índice de proliferação celular,

Fator de Crescimento Epitelial, também conhecido como Fator de Crescimento Epidérmico, ou simplesmente EGF, produzido pelo epitélio e também encontrado largamente na saliva.

com alto ou baixo grau de diferenciação26. Outros mediadores também se ligam aos EGFr, mas induzem efeitos diferentes do EGF, como por exemplo o fator de crescimento α-transformador ou TGF-α. O “receptor EGF” representa uma fa-

O Fator de Crescimento Epidérmico

mília dos receptores de membrana, sendo refe-

(EGF): histórico e suas funções

rido mais comumente como EGFR1 ou ERB B1.

O EGF representa uma substância secreta-

O receptor ERB B2, também conhecido como

da pelas células para regular e estimular o cres-

HER-2/Neu, recebe grande atenção porque está

cimento, a proliferação e a diferenciação, em

superexpressado nos cânceres de mama, consti-

especial das células epiteliais

tuindo-se em alvo terapêutico40.

. O EGF tem

11,12,17

distribuição em vários fluidos corporais, como:

Nos tecidos bucais, os receptores para EFG

urina (100µg/ml), leite (80µg/ml), saliva

estão presentes em todos os epitélios59, inclusive

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Mecanismo da saucerização nos implantes osseointegrados

e funcional. Para tal, apresentamos os principais

dos implantes, nos quais o EGF tem papel cen-

aspectos históricos e fisiológicos do EGF e seus

tral. Provavelmente a saucerização não está re-

receptores, da sua participação nos Restos Epi-

lacionada ou na dependência dos vários tipos

teliais de Malassez para a manutenção do espa-

de designs e marcas comerciais dos implantes,

ço periodontal e do seu papel na manutenção

tipos de superfície, de conexão e de platafor-

das distâncias biológicas gengivais, quer seja

mas, de seus componentes protéticos e das

em tecidos periodontais ou peri-implantares.

condições do paciente, pois o epitélio pavimen-

O fenômeno de saucerização óssea peri-

toso de revestimento, de um modo geral, não

implantar faz parte dos mecanismos de integra-

tem esse grau de seletividade na escolha do

ção dos tecidos moles com a porção cervical

que vai ser revestido.

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Alberto Consolaro, Renato Savi de Carvalho, Carlos Eduardo Francischone Jr, Carlos Eduardo Francischone

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Mecanismo da saucerização nos implantes osseointegrados

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54

Alberto Consolaro E-mail: consolaro@uol.com.br

Rev. Dental Press Periodontia Implantol., v. 4, n. 1, p. 37-54, jan./fev./mar. 2010


Pergunte a um Expert

Cirurgia estética peri-implantar Jamil Awad Shibli

Introdução

ruptura de alguns capilares, havendo um leve sangra-

A utilização de implantes dentários osseointegráveis

mento. Já no seu homólogo dentário, a sonda penetra

na reabilitação de indivíduos parcialmente edêntulos exi-

até a porção apical do epitélio juncional (sulco gengi-

ge uma maior preocupação do profissional com a es-

val). Embora o sangramento à sondagem possa não

. O prognóstico dessas restaurações também

significar a presença de doença6, a ausência desse sinal

depende da adesão do tecido epitelial e conjuntivo à su-

clínico é considerada estado de saúde7. Entretanto, vá-

perfície do conjunto implante-pilar protético, resultando

rios estudos têm indicado que o sangramento à sonda-

em um selamento funcional da mucosa peri-implantar .

gem pode ser um indicador de doença peri-implantar12.

tética

8,10

4,8

Várias técnicas de regeneração óssea têm como objetivo estabilizar ou corrigir deformidades anatômi-

Mucosa Ceratinizada ao redor

cas, embora esses procedimentos nem sempre criem

de dentes e implantes

um contorno tecidual estético e estável. Essas defor-

Estudos clínicos e experimentos em animais têm

midades presentes no tecido mole peri-implantar fre-

demonstrado que, frente a uma higiene bucal satisfató-

quentemente acompanham as imperfeições do tecido

ria e uma boa colaboração do indivíduo, a condição de

ósseo subjacente. Na tentativa de minimizá-las ou

saúde dos tecidos peri-implantares pode ser mantida

eliminá-las, técnicas cirúrgicas mucogengivais oriundas

mesmo com a ausência de tecido ceratinizado2.

da Periodontia têm sido empregadas5,11. Etiologia dos defeitos peri-implantares Aspectos clínicos dos tecidos peri-implantares

Plano de tratamento A falha durante o planejamento cirúrgico-protético

As características biológicas do tecido peri-implan-

é a principal causa de defeitos peri-implantares e do

tar refletem as diferenças entre a resistência mecânica à

fracasso estético. Por meio de diálogo com o indivíduo

sondagem oferecida pelo tecido gengival e pela mucosa

para conhecer suas expectativas, da anamnese médi-

peri-implantar, nas condições de saúde e doença. Estu-

co-odontológica, exames clínicos e radiográficos, exa-

dos em animais

concluíram que a configuração e a

mes complementares, modelos de estudo, montagem

orientação das fibras colágenas nos tecidos moles peri-

em articulador semiajustável, enceramento de diagnós-

implantares poderiam influenciar a sua tenacidade, au-

tico, confecção de guias cirúrgicos protéticos e outros

mentando assim a profundidade de sondagem. Durante

exames a serem considerados para cada situação, será

a sondagem, a extremidade da sonda pode causar a

realizado um plano de tratamento reverso, no qual é

9,12

Rev. Dental Press Periodontia Implantol., v. 4, n. 1, p. 55-60, jan./fev./mar. 2010

55


Cirurgia estética peri-implantar

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60

Endereço para correspondência Jamil Awad Shibli E-mail: jashibli@yahoo.com

Rev. Dental Press Periodontia Implantol., v. 4, n. 1, p. 55-60, jan./fev./mar. 2010


Artigo Inédito

Prevalência da doença periodontal em mulheres e crianças da Estratégia de Saúde da Família no município de Campo Grande/MS Janaína Rodrigues Lopes da Silva*, Alessandro Diogo de Carli**, Cibele Bonfim de Rezende Zárate**, Edilson José Zafalon**, Paulo Zárate Pereira***, Valéria Rodrigues de Lacerda**

Palavras-chave

Resumo

Índice periodontal. Saúde bucal.

Objetivo: verificar a prevalência da doença periodontal em mulheres e crianças cadastradas na Estratégia de Saúde da Família no município de Campo Grande/MS. Métodos: realizou-se um estudo quantitativo transversal com mulheres e crianças (5-12 anos) cadastradas na Estratégia de Saúde da Família. A amostra foi calculada segundo idade e regiões do município, e o valor mínimo distribuído proporcionalmente nos quatro distritos sanitários – Norte (n = 40), Sul (n = 56), Leste (n = 26) e Oeste (n = 38). Para obtenção dos dados, foram utilizados os Índice de Higiene Oral Simplificado, Índice Periodontal Comunitário e Índice de Perda de Inserção Periodontal. Os exames foram realizados com sonda periodontal com esfera de 0,5mm em sua ponta, preconizada pela Organização Mundial de Saúde, e abaixador de língua. Os dados obtidos foram tabulados em ficha clínica adaptada do Projeto SB Brasil. Resultados: para o Índice de Higiene Oral Simplificado obteve-se a média de 1,45±0,85 para mulheres e 1,35±0,58 para crianças. No Índice Periodontal Comunitário das mulheres, 43,3% dos sextantes encontravam-se hígidos, 10,42% apresentavam sangramento, 15,21% cálculo, 10,21% bolsa entre 4 e 5mm e 0,83% bolsa de 6mm ou mais. Para o Índice de Perda de Inserção Periodontal, obteve-se os valores de 75,63% para perda de inserção entre 0 e 3mm, 3,75% para perda entre 4 e 5mm e 0,42% para perda entre 6 e 8mm. Já para o Índice Periodontal Comunitário das crianças, 75,63% dos sextantes avaliados encontravam-se hígidos, 12,71% apresentavam sangramento e 8,54% apresentavam cálculo. Conclusão: a prevalência da doença periodontal na população estudada foi considerada baixa.

Saúde coletiva.

* Acadêmica do curso de Odontologia da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) – Campo Grande/MS. ** Professores assistentes da disciplina de Odontologia em Saúde Coletiva da UFMS. *** Professor adjunto da disciplina de Odontologia em Saúde Coletiva da UFMS.

Rev. Dental Press Periodontia Implantol., v. 4, n. 1, p. 61-70, jan./fev./mar. 2010

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Janaína Rodrigues Lopes da Silva, Alessandro Diogo de Carli, Cibele Bonfim de Rezende Zárate, Edilson José Zafalon, Paulo Zárate Pereira, Valéria Rodrigues de Lacerda

Prevalence of the periodontal disease in women and children from the Family Health Strategy in Campo Grande city-MS ABSTRACT Objective: To verify the prevalence of the periodontal disease in women and children registered in the Family Health Strategy in the Campo Grande city-MS. Methods: It took place a transverse quantitative study with women and children (5-12 years old) registered in the Family Health Strategy in Campo Grande-MS. The sample was calculated according to age and areas of the municipal district and the minimum value distributed proportionally in the four sanitary districts – North (n = 40), South (n = 56), East (n = 26) and West (n = 38). For obtaining the data were used the Simplified Oral Hygiene Index, Community Periodontal Index and Attachment Loss Index. The exams were accomplished with periodontal probe with a 0.5 mm sphere in it’s tip, recommended by the World Health Organization, and tongue reducer. The obtained data were tabulated in clinical card adapted from the project SB Brasil. Results: In the Simplified Oral Hygiene Index it was obtained measurements of 1.45±0.85 for women and 1.35±0.58 for children. In the women’s Community Periodontal Index, 43.3% of the sextants were healthful, 10.42% presented bleeding, 15.21% calculus, 10.21% pocket among 4 to 5 mm and 0.83% pocket among 6 mm or more. For Attachment Loss Index it was obtained the values of 75.63% for insert loss among 0 to 3 mm, 3.75% for loss among 4 to 5 mm and 0.42% for loss among 6 to 8 mm. On the other hand, for children’s Community Periodontal Index 75.63% of the appraised sextants were healthful, 12.71% presented bleeding and 8.54% presented calculus. Conclusion: The prevalence of the periodontal disease in the studied population was considered low. KEYWORDS: Periodontal index. Oral health. Public health.

Rev. Dental Press Periodontia Implantol., v. 4, n. 1, p. 61-70, jan./fev./mar. 2010

69


Prevalência da doença periodontal em mulheres e crianças da Estratégia de Saúde da Família no município de Campo Grande/MS

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70

Endereço para correspondência Cibele Bonfim de Rezende Zárate Travessa Nestor Moreira, 138 – São Bento CEP: 79.100-040 – Campo Grande/MS E-mail: crzarate@yahoo.com.br

Rev. Dental Press Periodontia Implantol., v. 4, n. 1, p. 61-70, jan./fev./mar. 2010


Caso Selecionado

Odontologia estética: integração entre Prótese e Periodontia – relato de caso clínico Frederico dos Reis Goyatá, Ana Paula Grimião Queiroz, Arnaldo dos Santos, José Guilherme da Rocha Gilson, Débora Caminha Paiva Arantes, Sérgio Luiz Bertoldo Resumo

O tratamento restaurador estético deve restabelecer a função mastigatória, além de proporcionar um sorriso agradável. Um planejamento multidisciplinar favorece a obtenção de um resultado clínico mais satisfatório. Este trabalho tem por objetivo relatar um caso clínico em que se integraram as especialidades Prótese e Periodontia, com cirurgia de aumento de coroa clínica e coroas totais livres de metal. Palavras-chave: Coroas livres de metal. Prótese. Periodontia.

INTRODUÇÃO Atualmente, devido à grande expectativa dos pacientes quanto ao resultado final do seu tratamento, a Odontologia tem buscado a excelência funcional, biológica e estética. Nos procedimentos restauradores diretos ou indiretos, é importante observar a saúde dos tecidos periodontais como parte do planejamento clínico1. Reconhecer deficiências e estabelecer ou recuperar uma aparência harmoniosa e saudável depende de vários fatores que interferem na estética dentofacial. A proporção dentária, a simetria, o alinhamento, o ponto de contato e ameia dentária devem ser criteriosamente analisados2,3,4. Na elaboração de um sorriso agradável, é necessário que se estabeleça uma harmonia entre os lábios, os dentes e a gengiva5,6,7.

As cirurgias periodontais são procedimentos que visam corrigir a anatomia do tecido gengival e os aspectos de forma e contorno, proporcionando uma harmonia estética ao sorriso8-11. Este trabalho tem como objetivo relatar um caso clínico em que se promoveu a integração entre a Prótese e a Periodontia – com cirurgia periodontal e coroas totais livres de metal, em zircônia – na reabilitação dos incisivos centrais superiores. RELATO DO CASO CLÍNICO Paciente do gênero feminino, com 32 anos de idade, apresentou-se à Clínica do Curso de Aperfeiçoamento em Dentística da EAP/ABO de Volta Redonda/RJ, insatisfeita com a estética do seu sorriso. A queixa principal eram as coroas metalocerâmicas dos dentes 11 e 21 e o aspecto gengival próximo às coroas (Fig. 1 - 4).

Rev. Dental Press Periodontia Implantol., v. 4, n. 1, p. 71-78, jan./fev./mar. 2010

71


Frederico dos Reis Goyatá, Ana Paula Grimião Queiroz, Arnaldo dos Santos, José Guilherme da Rocha Gilson, Débora Caminha Paiva Arantes, Sérgio Luiz Bertoldo

DISCUSSÃO A Odontologia moderna tem buscado tratamentos que proporcionem função e excelência estética aos pacientes. Deve ser ressaltada a importância da interdisciplinaridade no planejamento restaurador estético, favorecendo o sucesso do tratamento e a satisfação plena do paciente. Para que resultados estéticos com próteses sejam alcançados é necessário que o cirurgião-dentista tenha conhecimento dos sistemas cerâmicos, domínio da técnica e embasamento científico com relação aos requisitos estéticos básicos, como a proporção áurea2,3,4. A beleza de um sorriso está intimamente

relacionada à reabilitação dos dentes, obtendo-se forma, proporção, simetria, textura e cor ideais5,6. A inter-relação da Prótese com a Periodontia se faz necessária no planejamento e execução do aumento das coroas clínicas, bem como para se obter uma relação normal da margem gengival com a junção cemento-esmalte8-12. CONCLUSÃO Concluiu-se que inter-relação entre a Prótese e a Periodontia foi fundamental para proporcionar ao paciente um sorriso estético e mais harmonioso, com saúde periodontal.

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77


Odontologia estética: integração entre Prótese e Periodontia – relato de caso clínico

Frederico dos Reis Goyatá • Professor assistente II de Dentística e Clínica Integrada do Curso de Odontologia da Universidade Severino Sombra (USS) - Vassouras/RJ. • Professor de Prótese e Clínica Integrada da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) - Juiz de Fora/MG. • Membro da SBOE.

Débora Caminha Paiva Arantes • Especialista em Periodontia pela ABO - Volta Redonda/RJ. • Pós-graduada em Dentística e Prótese pela ABO - Volta Redonda/RJ. Sérgio Luiz Bertoldo • TPD do Laboratório Cerâmica e Arte (Juiz de Fora/MG).

Ana Paula Grimião Queiroz • Especialista em Periodontia e professora de Periodontia e Clínica Integrada do Curso de Odontologia da USS. Arnaldo dos Santos • Especialista em Dentística e pós-graduado em Periodontia e Prótese – FOUSP (Bauru, SP). José Guilherme da Rocha Gilson • Graduado pelo Curso de Odontologia da USS. • Pós-graduado em Dentística e Prótese pela ABO - Volta Redonda/RJ.

Endereço para correspondência Frederico dos Reis Goyatá Av. Rui Barbosa, 310/802 CEP: 27.521-190 – Resende/RJ E-mail: fredgoyata@oi.com.br

78

Rev. Dental Press Periodontia Implantol., v. 4, n. 1, p. 71-78, jan./fev./mar. 2010


Artigo Inédito

Avaliação das práticas e atitudes do cirurgião-dentista no controle do uso de tabaco pelos pacientes Gislaine Cazavechia*, Fabiano Carlos Marson**, Cléverson O. Silva***

Palavras-chave

Resumo

Periodontia. Tabaco. Abandono do

O objetivo deste estudo foi avaliar o conhecimento e as atitudes dos cirurgiõesdentistas em relação aos métodos de aconselhamento para que os pacientes deixem de fumar. Para tanto, foi distribuído um questionário a 70 cirurgiõesdentistas na região de Maringá/PR, contemplando, entre outras questões, os métodos aplicados no aconselhamento de pacientes fumantes e a receptividade dos mesmos a tal intervenção. Ao todo, 40 profissionais retornaram o questionário. Os resultados mostraram que a maioria dos profissionais demonstra grande interesse pela relação do tabaco com os problemas bucais (65%), acha possível inserir a abordagem e tratamento dos fumantes na rotina de atendimento (60%), conhece algum método de intervenção para ajudar na cessação do hábito (55%) e promove intervenção (32,5%). Porém, o resultado dessa intervenção é mínimo, pois a maior parte dos pacientes não demonstra interesse nas orientações e tem pouca intenção em parar de fumar (57,5%), fazendo com que a maioria dos profissionais considere baixo o índice de sucesso das intervenções (45%). Sendo assim, dentro dos limites do presente estudo, pode-se concluir que o número de cirurgiões-dentistas que não intervêm ainda é grande e a intervenção, quando feita, fica mais voltada a perguntas e aconselhamentos sobre o hábito, ficando relegados a segundo plano o acompanhamento mais intenso e direcionado do paciente fumante, bem como o aconselhamento de métodos alternativos para se deixar de fumar como, por exemplo, a terapia de reposição de nicotina.

hábito de fumar.

* Aluna do 4º ano de Odontologia na Uningá – Maringá/PR. ** Professor adjunto de Dentística Uningá – Maringá/ PR. Doutor em Dentística UFSC. *** Professor adjunto de Periodontia Uningá – Maringá/ PR. Doutor em Periodontia pela FOP-Unicamp / Ohio State University.

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Avaliação das práticas e atitudes do cirurgião-dentista no controle do uso de tabaco pelos pacientes

relegados ao segundo plano o acompanhamento

alternativos para se deixar de fumar. Isso faz com

mais intenso e direcionado do paciente fuman-

que os profissionais tenham um baixo índice de

te, bem como o aconselhamento de métodos

sucesso nas suas intervenções.

Assessment of dental surgeon’s practices and attitudes about patient’s tobacco use control ABSTRACT The aim of the present study was to evaluate the knowledge and the attitudes of dentists in relation to the methods of counseling for smoking cessation. Therefore, a questionnaire was distributed to 70 dentists in the city of Maringá, Paraná State/Brazil, dealing with questions such as the methods applied for smokers advice and the receptiveness of these patients for such intervention. Forty professionals answered the questionnaire. The results showed that most professionals demonstrate great interest in the relationship between tobacco and oral problems (65%), they think that it is possible to insert smokers counseling and treatment in the daily office service (60%), know some method of intervention for smoking cessation (55%), and do counseling (32.5%). However, they do minimal intervention, because most of the patients is not interested in counseling and has little interest in quit smoking (57.5%). This way, most part of dentists considers the counseling success rate low (45%). Hence, within the limits of the present study, it can be assumed that the number of professionals that does not get involved is still high and the intervention, when it is done, is more concentrated in questions and advises about smoking, being relegated to second plan the more intense and direct counseling of smokers, as well as the advise of alternative methods for quit smoking, such as the therapy of nicotine replacement. KEYWORDS: Periodontics. Tobacco. Smoking cessation.

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Endereço para correspondência Cléverson O. Silva Av. Colombo, 9727 – Km 130 CEP: 87.070-810 – Maringá/PR E-mail: prof.cleversonsilva@yahoo.com.br

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Artigo Inédito

Método dos elementos finitos (mef) na Implantodontia Bruno Gadelha Fernandes Maia*, Sérgio Maia**, Marcos Blatt***, Tiago Galvão G. Neiva****

Palavras-chave

Resumo

Implantes dentários. Método dos

Com a previsibilidade e longevidade alcançadas pelas reabilitações sobre implantes, uma atenção especial tem sido destacada no que diz respeito à dissipação de tensões em função dos materiais restauradores. Alguns métodos de pesquisa na área de Biomecânica são hoje utilizados na determinação da distribuição de tensões, deformações e deslocamentos, com a finalidade de solucionar problemas estruturais complexos e de analisar os campos de tensão/deformações gerados pelas interações mecânicas. Dentre esses métodos pode-se destacar o Método de Elementos Finitos (MEF), que é uma técnica pela qual pode ser recriado matematicamente o comportamento de um sistema físico determinado. Em outras palavras, um protótipo físico pode ser estudado mediante a criação de um modelo matemático preciso. Esse método faz uso de um computador para resolver um grande número de equações matemáticas, as quais simulam as propriedades físicas da estrutura a ser analisada. Este artigo tem por objetivo discutir a aplicabilidade do MEF na análise dos aspectos biomecânicos relacionados aos implantes dentários osseointegráveis.

elementos finitos. Biomecânica.

* Mestre em Implantodontia Unisa/SP. Especialista em Prótese FOB/USP. ** Mestre em Implantodontia Unisa/SP. Especialista em Implantodontia HRAC/USP-Bauru. *** Mestre em Implantodontia Unisa/SP. Especialista em Prótese FOB/USP. **** Mestre em Implantodontia UNISA/SP. Especialista em Periodontia FOP/Unicamp.

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Bruno Gadelha Fernandes Maia, Sérgio Maia, Marcos Blatt, Tiago Galvão G. Neiva

Finite element method (feM) in implantology ABSTRACT With the predictability and longevity attained by restorations on implants, special attention has been highlighted concerning the stress distribution on the basis of restorative materials. Some methods of research in biomechanics are now used in determining the distribution of stresses, strains and displacements, in order to solve complex structural problems and to explore the fields of tension/strain generated by mechanical interactions. Among these methods can be highlighted the Finite Element Method (FEM). The FEM is a technique in which the behavior of a given physical system can be mathematically recreated. In other words, a physical prototype can be studied by creating a precise mathematical model. This method uses a computer to solve a large number of mathematical equations, which simulate the physical properties of the structure to be analyzed. This article aims to discuss the applicability of FEM in analyzing the biomechanical aspects related to osseointegrated implants. KEYWORDS: Dental implants. Finite element method. Biomechanics.

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Bioengenharia aplicada à Odontologia: método dos

bone quality on stress distribution in an implant-supported

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Endereço para correspondência Bruno Gadelha Fernandes Maia Rua Joaquim Fagundes, 596 – Tirol CEP: 59.022-500 – Natal/RN E-mail: brunogadelha@yahoo.com.br

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Caso Clínico

Técnica inovadora para o manejo estético de freio labial superior hipertrófico: relato de caso Roberta Santos Domingues*, Maria Lúcia Rubo de Rezende**, Adriana Campos Passanezi Sant`Ana**, Sebastião Luiz Aguiar Greghi***, Samira Salmeron****, Euloir Passanezi*****

Palavras-chave

Resumo

Estética. Diastema. Freio labial.

O freio labial superior hipertrófico ou de inserção anômala pode causar transtornos funcionais – como a limitação da movimentação do lábio, dificuldade de higiene bucal, retração da margem gengival – e também estéticos, quando associado com linha de sorriso alta e diastemas. O procedimento comumente utilizado para tratar o freio labial anômalo é a frenectomia. Embora tenha sofrido modificações ao longo do tempo, nenhuma das técnicas conhecidas de frenectomia considera a faixa de gengiva inserida, e não são indicadas em casos em que a remoção do freio pode comprometer a estética. Este relato de caso demonstra uma técnica para manuseio estético de freio labial superior hipertrófico e de inserção transpapilar, associado com diastema amplo, na qual a gengiva inserida foi preservada, a cicatrização se deu por primeira intenção, obtendo-se ótimo resultado estético com mínimo desconforto pós-operatório.

Higiene bucal. Frenectomia.

* Mestre em Reabilitação Oral, opção Periodontia, pela Faculdade de Odontologia de Bauru-USP. ** Doutora e professora associada, Disciplina de Periodontia do Departamento de Prótese, Faculdade de Odontologia de Bauru-USP. *** Doutor e professor da Disciplina de Periodontia do Departamento de Prótese, Faculdade de Odontologia de Bauru-USP. **** Aluna do curso de mestrado em Reabilitação Oral, opção Periodontia, da Faculdade de Odontologia de Bauru-USP. ***** Doutor, professor titular e chefe da Disciplina de Periodontia do Departamento de Prótese, Faculdade de Odontologia de Bauru-USP.

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Roberta Santos Domingues, Maria Lúcia Rubo de Rezende, Adriana Campos Passanezi Sant`Ana, Sebastião Luiz Aguiar Greghi, Samira Salmeron, Euloir Passanezi

a se constituir um fator de risco para o apareci-

CONCLUSÃO

mento de problemas periodontais, como também

Essa técnica inovadora de manejo de freio

a prejudicar o futuro fechamento do diastema por

labial superior anormal confirmou-se como al-

meios ortodônticos.

ternativa vantajosa em casos associados a dias-

A técnica original relata, como vantagens do

tema amplo de linha média, por promover cica-

procedimento, o ganho de gengiva inserida, óti-

trização por primeira intenção, preservar ou au-

mo mascaramento de cor, cicatrização por primei-

mentar a faixa de gengiva inserida, não resultar

ra intenção, mínima formação de cicatriz e pre-

em alteração de cor ou formação de cicatrizes,

venção da reinserção coronal. Todas essas vanta-

além de reduzir o desconforto pós-operatório

gens foram confirmadas nesse caso clínico, além

frequente em situações onde há exposição ós-

de minimização do desconforto pós-operatório.

sea ao meio bucal.

A novel technique for esthetic management of atrophic upper labial frenum: Case report ABSTRACT The hypertrophied upper labial frenum or abnormally inserted frenum may cause functional disorders such as limited movement of the lip, impaired oral hygiene, retraction of the gingival margin, as well as lack of aesthetic when associated with high smile line and diastema. The most commonly used procedure to treat anomalous labial frenum is frenectomy. Although it has undergone to several modifications over time, none of them considers the attached gingiva zone and are not indicated in cases where the removal of the frenum can compromise aesthetics. This case report demonstrates a technique for aesthetic management of a hypertrophic upper labial frenum with transpapillary insertion associated to wide diastema in which the attached gingiva was preserved. Healing occurred by first intention, resulting in excellent aesthetic results with minimal postoperative discomfort. KEYWORDS: Esthetics. Diastema. Labial frenum. Oral hygiene. Frenectomy.

Rev. Dental Press Periodontia Implantol., v. 4, n. 1, p. 101-110, jan./fev./mar. 2010

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Técnica inovadora para o manejo estético de freio labial superior hipertrófico: relato de caso

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Endereço para correspondência Roberta Santos Domingues Al. Octávio Pinheiro Brisola, 9-75 - Departamento de Prótese CEP: 17.012-901 – Bauru/SP E-mail: rdomingues@usp.br

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Normas de apresentação de originais — A REVISTA DENTAL PRESS DE PERIODONTIA E IMPLANTOLO-

6. Tabelas

GIA, dirigida à classe odontológica, destina-se à publicação de relatos de

— devem ser autoexplicativas e complementar, e não duplicar, o texto.

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mencionadas no texto.

— Os artigos serão submetidos ao parecer do Corpo Editorial da Revista, que

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decidirá sobre a conveniência ou não da publicação, avaliando como favorável,

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indicando correções e/ou sugerindo modificações. A REVISTA, ao receber os

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autor correspondente e incluir seu endereço, números de telefone e e-mail.

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— utilize os exemplos a seguir:

2. Resumo/Abstract

• Artigos com um até seis autores

— os resumos estruturados, em português e inglês, de 250 palavras ou

Sterrett JD, Oliver T, Robinson F, Fortson W, Knaak B, Russell CM. Width/

menos são os preferidos.

length ratios of normal clinical crowns of the maxillary anterior dentition in

— os resumos devem ser acompanhados de 3 a 5 palavras-chave, ou des-

man. J Clin Periodontol. 1999 Mar;26(3):153-7.

critores, também em português e em inglês, as quais devem ser adequadas • Artigos com mais de seis autores

conforme o MeSH/DeCS.

De Munck J, Van Landuyt K, Peumans M, Poitevin A, Lambrechts P, Braem 3. Texto

M, et al. A critical review of the durability of adhesion to tooth tissue: metho-

— os textos devem ter o número máximo de 4.000 palavras, incluindo

ds and results. J Dent Res. 2005 Feb;84(2):118-32.

legendas das figuras, resumo, abstract e referências. — envie figuras e tabelas em arquivos separados (ver abaixo).

• Capítulo de livro

— também insira as legendas das figuras no corpo do texto, para orientar

Kina S. Preparos dentários com finalidade protética. In: Kina S, Brugnera A.

a montagem final do artigo.

Invisível: restaurações estéticas cerâmicas. Maringá: Dental Press; 2007. cap. 6, p. 223-301.

4. Figuras — as imagens digitais devem ser no formato JPG ou TIF, em CMYK ou tons

• Capítulo de livro com editor

de cinza, com pelo menos 7 cm de largura e 300 dpis de resolução.

Breedlove GK, Schorfheide AM. Adolescent pregnancy. 2ª ed. Wieczorek RR,

— as imagens devem ser enviadas em arquivos independentes.

editor. White Plains (NY): March of Dimes Education Services; 2001.

— se uma figura já foi publicada anteriormente, sua legenda deve dar todo o crédito à fonte original.

• Dissertação, tese e trabalho de conclusão de curso

— confirme se todas as figuras foram citadas no texto.

Beltrami LER. Braquetes com sulcos retentivos na base, colados clinicamente e removidos em laboratórios por testes de tração, cisalhamento e torção.

5. Gráficos e traçados cefalométricos

[dissertação]. Bauru: Universidade de São Paulo; 1990.

— devem ser enviados os arquivos contendo as versões originais dos gráficos e traçados, nos programas que foram utilizados para sua confecção.

• Formato eletrônico

— não é recomendado o envio dos mesmos apenas em formato de ima-

Câmara CALP da. Estética em Ortodontia: Diagramas de Referências Esté-

gem bitmap (não editável).

ticas Dentárias (DRED) e Faciais (DREF). Rev Dental Press Ortod Ortop

— os desenhos enviados podem ser melhorados ou redesenhados pela

Facial. 2006 nov-dez;11(6):130-56. [Acesso 12 jun 2008]. Disponível

produção da revista, a critério do Corpo Editorial.

em: www.scielo.br/pdf/dpress/v11n6/a15v11n6.pdf.

Rev. Dental Press Periodontia Implantol., v. 4, n. 1, p. 111, jan./fev./mar. 2010

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Etapas para publicação de artigos

Dentre os principais objetivos da Revista Dental Press, tem considerável destaque a tarefa de preservar a idoneidade dos artigos publicados, valorizando-os perante a classe odontológica. Por essa razão, todo artigo recebido pela Editora passa pelo processo descrito abaixo: 1) O artigo chega até a sede da editora, na Av. Euclides da Cunha nº 1718, Zona 5 - Maringá/PR. A equipe responsável confere o material recebido e comunica o autor principal da chegada do mesmo. 2) Uma das cópias do artigo é enviada ao Conselho Editorial da Re-

ver novamente o trabalho já corrigido ou se não há necessidade de retorno. 5) Caso seja necessário, o artigo é enviado aos autores para que procedam as correções e sugestões feitas pelos consultores. 6) Já de volta à empresa, o artigo é submetido à correção e normalização das referências, seguindo os padrões adotados pela Norma Vancouver. 7) Uma equipe de diagramadores e profissionais de editoração encarrega-se, a partir dessa etapa, de adequar o artigo aos critérios gráficos da Revista. 8) Devidamente diagramado e revisado, o artigo é enviado ao Conse-

vista, para apreciação. 3) Os membros do Conselho Editorial selecionam 2 profissionais, dentre os consultores e colaboradores da Revista, para avaliar o artigo. Nessa

lho Científico da Revista que verá globalmente a obra, observando colocação de fotos, gráficos, texto, abstracts, unitermos e demais componentes.

etapa entra em vigor o sistema “duplo cego”: o nome dos autores é, propo-

9) Finalmente, o artigo é enviado ao autor, que fará suas últimas obser-

sitalmente, omitido para que a análise do trabalho não sofra qualquer influ-

vações. Somente nessa etapa do processo, os autores são informados sobre

ência e, da mesma forma, os autores, embora informados sobre o método

a edição na qual seu artigo será publicado.

em vigor, não ficam cientes sobre quem são os responsáveis pelo exame de sua obra.

10) Artigos e demais materiais de cada edição são reunidos, formando um “boneco” da Revista, que é revisado página por página, foto

4) Junto com o artigo, os consultores recebem um questionário – cujo modelo encontra-se logo abaixo – que permitirá suas observações e recomendará a publicação ou não do artigo. Ao devolver para a Dental Press o artigo e o questionário preenchido, os consultores escolhem se desejam

por foto, letra por letra pelo revisor da Revista – que assume o papel de “ombudsman”. 11) Somente após serem feitas as derradeiras correções, iniciam-se as etapas gráficas e de impressão propriamente ditas.

FORMULÁRIO PARA AVALIAÇÃO DE ARTIGOS Revista Dental Press de Periodontia e Implantologia

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Rev. Dental Press Periodontia Implantol., v. 4, n. 1, p. 112, jan./fev./mar. 2010

Edição V4N1 - Janeiro, Fevereiro e Março de 2010  
Edição V4N1 - Janeiro, Fevereiro e Março de 2010  

Edição V4N1 - Janeiro, Fevereiro e Março de 2010

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