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IV MOSTRA DE POESIA 2


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INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PROF. DENIZARD RIVAIL

DIREÇÃO GERAL: MANOEL SERQUEIRA DIRETORA PEDAGÓGICA: PROF. VERALÚCIA SERQUEIRA SUPERVISORA: PROF. CRISTIANE SALES TELLES COORDENAÇÃO DO PROJETO: PROF. MARIA OLIVEIRA DE ABREU

EQUIPE DE LÍNGUA PORTUGUESA, ARTE E LITERATURA. PROF. ALCIONE DE OLIVEIRA PROF. NEIDE F. FREITAS PROF. MARIA OLIVEIRA DE ABREU

ARTE GRÁFICA: FELIPE THIAGO

EDIÇÃO REVISTA E REFORMULADA JUNHO DE 2011 3


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IV MOSTRA DE POESIA – 2000 LUIZ BACELLAR

Vestido de flores dança ao som do vento como um deus hindu

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Luiz Bacellar é um dos escritores mais significativos da literatura que se produz no Amazonas. Nascido em Manaus, no dia 4 de setembro de 1928, o poeta viveu sua infância numa época marcada pela crise econômica que se seguiu ao fausto do "ciclo da borracha". Sua obra é perpassada por elementos de forte componente erudito, ao mesmo tempo em que retrata temas e motivos da cultura popular, do folclore, em particular as vivências de sua infância no bairro dos Tocos, hoje Aparecida. O universo poético retratado por Bacellar, sobretudo em Frauta de Barro, constrói-se sobre o plano da memória. Tece seus versos com os fios das lembranças, reminiscências de seu mundo infantil. Constrói um mapa esmaecido de uma cidade corroída pelo tempo e pelas transformações econômicas – Manaus. Não a que conhecemos hoje, 8


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surgida sob as determinações da Zona Franca, mas a Manaus provinciana da segunda metade do século que se encerra. Estudou no Colégio São Bento, em São Paulo, onde completou seus estudos. Aperfeiçoando-se posteriormente, no Rio de Janeiro, em Pesquisa Social, Antropologia e Museologia, realizando parte de seus estudos sob a orientação do saudoso professor e estudioso da cultura brasileira Darcy Ribeiro. A música é outro componente importante de sua produção poética. Parte significativa de seus textos são plasmados por intensa musicalidade. Foi professor de Literatura e Língua Portuguesa no Colégio Estadual D. Pedro II, pólo aglutinador, nos anos 50 e 60, da jovem intelectualidade de Manaus. Destacou-se no processo de renovação da literatura regional, participando da movimentação que culminou na fundação do Clube da Madrugada, em 1954. Exerceu o jornalismo, atuando em diversos órgão de comunicação de Manaus. No plano institucional, foi conselheiro de cultura do Estado do Amazonas em diversas oportunidades. A vida literária do poeta Luiz Bacellar teve um começo feliz: conquistou, em 1959, o prêmio "Olavo Bilac", da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, com aquele que seria seu livro de estréia, Frauta de barro, publicado em 1963.

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O Poeta Veste-se Com seu paletó de brumas e suas calças de pedra, vai o poeta. E sobre a cambraia fina da camisa de neblina, o arco-íris em gravata vai atado em nó singelo. (Um plátano, sobre a prata da água tranqüila do lago, se debruça só por vê-lo). Ele leva sobre os ombros a cachoeira do lago (cachecol à moda russa) levemente debruada de um fino raio de sol. Vai o poeta a caminhar pelas serras. (pelos montes friorentos mal se espreguiça a manhã) com seu pull over cinzento (feito com lã das colinas) com seus sapatos de musgo (camurça verde dos muros) com seu chapéu de abas largas (grande cumulus escuro). Mas algo ainda lhe falta Para a elegância completa: Súbito pára, se curva, num gesto sóbrio e perfeito, um breve floco de nuvens colhe e prende na lapela

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COMENTÁRIO DE ANÁLISE CRÍTICA DA OBRA LITERÁRIA DO POETA LUIZ BACELLAR

Adrino Aragão Luiz Bacellar é, dentre os expressivos poetas amazonenses, o mais aclamado pelas elites, estudantes e populares de Manaus. Mas, ao contrário do que possa parecer, sua poesia não é tão simples, de fácil consumo. Artesão da palavra, carpinteiro do verso, Bacellar constroi cada poema com rigor formal e forte densidade temática, numa linguagem refinada, primorosa. Como explicar o sucesso de um poeta sério como Luiz Bacellar que não faz poesia em função do mercado? Mistérios da poesia, da arte? Quem sabe uma resposta ao mercado do livro que aí está: a boa literatura brasileira existe; há, sim, leitores para a poesia, o conto, o romance, a novela de nossos escritores. A verdade é que são 50 anos de trabalho poético de Luiz Bacellar. Frauta de barro, seu livro de estréia, na correta afirmação do poeta e crítico literário professor Tenório Telles, “é um marco na evolução da literatura que se faz no Amazonas”. De formação clássica e espírito de renovação estética modernista, Bacellar pôde construir, com liberdade (já a partir desse livro) algo de novo na dicção 11


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lírica de sua poesia. E que haveria de se ampliar em livros posteriores. Canta o poeta em “Variações sobre um prólogo”: “Em menino achei um dia/ bem no fundo de um surrão/ um frio tubo de argila/ e fui feliz desde então; // rude e doce melodia/ quando me pus a soprá-lo/ jorrou límpida e tranqüila/ como água por um gargalo. // E mesmo que toda a gente/ fique rindo, duvidando/ destas estórias que narro, // não me importo: vou contente/ toscamente improvisando/ na minha frauta de barro.// É o tema recomendado na minha vária canção.“ Enquanto muitos destroem o passado com a ânsia de criar o novo, o moderno, o poeta Luiz Bacellar mantém forte diálogo com a tradição, elege memória como tema em muitos de seus textos poéticos. Sem saudosismos. O passado tem o sentido de memória, de registro – seja de denúncia ou crítica (quase sempre bem-humorada) contra o silêncio do descado, do abandono, da “insanidade de um presente” que flagela e aniquila as fontes de nossa história. Como nos versos de “Balada da rua da Conceição”: “Vão derrubar vinte casas/ na rua da Conceição./ Vão derrubar as mangueiras/ e as fachadas de azulejo/ da rua da Conceição./ (Onde irão morar os ratos/ de ventre gordo e pelado?/ e a saparia canora da rua da Conceição?” O poeta, por vezes, estende o olhar sobre gentes humildes, os esquecidos, como “Lavadeiras”, poema do mais fino lirismo, comparável a de um Jorge de Lima: “A roupa nos varais panda flutuando,/ com seus laivos de anil coando a brisa,/ até parece ávida nau cortando/ o mar azul que a leve espuma frisa./ O vento timoneiro vai guiando/ e o sol nas bolhas de sabão se irisa/ enquanto as lavadeiras vão cantando/ a torcer e a bater na tábua lisa”. Aliás, como Midas, Bacellar consegue transformar em filigranas de poesia as coisas mais comuns, por exemplo, um simples isqueiro, vejam: “Se, na pedra, acordo estrelas/ com um golpe de polegar,/ a chama, só para vê-las,/ já se levanta a bailar”. Frauta de barro tem ainda outro mérito. Deu ao poeta Luiz Bacellar o prêmio Olavo Bilac, da Prefeitura do Rio de Janeiro (1959). Na comissão julgadora do concurso estavam dois dos maiores poetas brasileiros, Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira. Pode haver reconhecimento maior que este, para qualquer escritor? Mas Luiz Bacellar não é poeta de um livro só. Outros foram publicados. Cada um deles revela, de modo surpreendente, a performance desse poeta que tece poesia de altíssima qualidade. Sol de feira é outro grande momento literário de Luiz Bacellar. Para início, o tema é originalíssimo, senão inusitado, na poética brasileira. Professor Ernesto Renan Freitas Pinto considerou o livro um “pomar real” que “nos ensina a admirar e saborear a rica coleção dos frutos da terra”. Vejo-o como telas do mais belo impressionismo. Mas, às vezes, parece escorrer, do rondel de cada fruta, um sumo mágico de canções: é quando me sinto arrebatado pelos acordes de uma sinfonia de Bach ou Handel. Por que não de Villa-Lobos? Como nos versos de “rondel da pitanga”: “Gracioso arbusto/ de folhas breves/ todo adornado/ de frutos leves/ como as caboclas/ do meu torrão/ e as notas loucas/ do meu violão// rubras miçangas/ rubis talhados/ de viva cor/ sois vós pitangas/ cristalizados/ beijos de amor”.

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Há mais, muito mais. Por exemplo, um belíssimo poema musical longo, dividido em 33 partes – ou, como declara o poeta, sonata em si bemol menor para flauta,fagote, clarinete e eboé. Inclusive uma boa safra de haicais, em que o poeta reafirma o seu talento criativo. “Rajadas de chuva/ sobre o teto de alumínio:/ sons da lua cheia.” “Como um prisioneiro/ a lua me espia pelas/ grades do banheiro.”"Água resmungona…/ No tanque limoso/ o pulo da rã.” (Bashô) A editora Valer publicou (1998) as obras de Luiz Bacellar, reunidas em um só volume,com o título de Quarteto. Vale a pena ler Luiz Bacellar. E conhecer, através de seus poemas, a trajetória luminosa do poeta amazonense, que atingiu o estado de excelência na poesia brasileira. Mais que isto. Ultrapassou a barreira do preestabelecido: ao lidar com elementos tradicionais, aprofunda oexato conceito de modernidade. (Publicado na Revista da Literatura Brasileira/44, São Paulo-SP, dezembro de 2006)

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HAICAIS DE BACELLAR

Relâmpago. Trovão, vento, chuvisco. A saída da lua.

Da flor o orvalho nas pétalas: tua face depois que choraste.

O mar está bravo. Bate, e enfurecido, canta nos rochedos.

Kimonos ao sol. Agitou-se a manga do menino morto.

(O poeta) Sempre perseguido o grilo fica tranqüilo cantando escondido.

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Variações Sobre Um Prólogo

III Nos longes da infância paro; há uma inscrição sobre o muro: Frauta clara, arroio escuro, Frauta escura, arroio claro. E esse cavalo capenga? E esse espelho espedaçado? E a cabra? E o velho soldado? E essa casa solarenga? Tudo volta do monturo da memória em rebuliço. Mas tudo volta tão puro!... E, mais puro que tudo isso, essa anárquica inscrição feita no muro a carvão. São temas recomeçados na minha vária canção.

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Apresentação de Textos Poéticos Ensino Fundamental

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Apresentação de Textos Poéticos Ensino Médio

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Sumário APRESENTAÇÃO ............................................................................................................................ 4 BIOGRAFIA LUIZ BACELLAR .......................................................................................................... 7 O POETA VESTE-SE ........................................................................................................................ 9 COMENTÁRIO DE ANÁLISE CRÍTICA DA OBRA LITERÁRIA DO POETA LUIZ BACELLAR ............. 10 HAICAIS DE BACELLAR ................................................................................................................ 13 VARIAÇÕES SOBRE UM PRÓLOGO ............................................................................................. 14 APRESENTAÇÃO DE TEXTOS POÉTICOS, ENSINO FUNDAMENTAL ............................................ 15 APRESENTAÇÃO DE TEXTOS POÉTICOS, ENSINO MÉDIO .......................................................... 30 SUMÁRIO .................................................................................................................................... 36 REFERÊNCIAS .............................................................................................................................. 37

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Referências http://www.revista.agulha.nom.br/lbacellar.html http://pt.wikipedia.org/wiki/Luiz_Bacellar http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/amazonas/luiz_bacellar.html http://pensador.uol.com.br/autor/luiz_bacellar/o+Tempo+Entre+Duas+%C1gu http://jmartinsrocha.blogspot.com/2008/09/oitenta-anos-do-poeta-luizbacellar.html http://www.sumauma.net/haijins/haicai-bacellar.html http://br.linkedin.com/pub/luiz-bacellar/18/324/1b4 http://omalfazejo2.wordpress.com/2009/02/16/tres-haicais-ineditos-de-luizbacellar/

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Anotações

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IV Mostra de Poesia - Luiz Bacellar 2000  

A formação de pessoas lúcidas, mais envolvidas com a cultura e mais sensíveis para a realidade interna e externa é uma das maiores preocupa...