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Nunca fomos tão apaixonados pela tecnologia. Nunca ela nos forneceu tantas oportunidades de maravilhamento. E, no entanto, caímos mesmerizados diante do que é original, do entalhe, do detalhe, da customização. E chegamos à conclusão de que o melhor dos mundos talvez seja aquele em que é possível se apoiar no universal e criar o que é único. Dia há de chegar em que poderemos customizar até mesmo os elétrons que correm pelos aparelhos eletrônicos. Enquanto esse momento não chega, c  vasculha a cidade em busca de pautas, imagens, produtos e pessoas que espelhem o paradigma. Nesta edição, conversamos com pessoas que construíram negócios de sucesso — lugares legais — em áreas da cidade consideradas degradadas, perigosas ou fora de moda pelo senso comum. Empreendedores que mostram que, com paixão e inteligência (e sem esperar pelo poder público), é possível superar os desafios da massificação e da violência em Curitiba.

o lugar mais notável de curitiba é ��� sorry, periferia! ��� — ��� elles trompent les yeux ��� — ��� essa tal street fashion ��� — ��� street fashion ��� — ��� musicness �� � — �� � extras ��� — �� � ao amantes de pães �� � — �� � uma autêntica pepinaria curitibana �� � — �� � de leve ���

Curitiba Deluxe ���, ��/���� 

Os conteúdos das colunas e artigos

Heros Mussi Schwinden

são de responsabilidade exclusiva dos autores e não expressam

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necessariamente a opinião de

Rodrigo Wolff Apolloni

Curitiba Deluxe.

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Na área de moda, conversamos com pessoas que investigam e praticam a chamada street fashion, caminho de vestir que conecta centros urbanos tão distantes quando Curitiba, Helsinki e Tóquio e, ao mesmo tempo, valoriza o local, o familiar e o personalíssimo. Nosso colunista de gastronomia, Eduardo Sganzerla, resgatou um sabor antigo e maravilhoso, o das conservas de pepino preparadas por um imigrante ucraniano que há décadas cultiva sua arte no bairro do Bigorrilho. E Narah Julia, sempre ela, captou alguns dos looks mais criativos encontrados nas ruas e baladas da cidade. Em resumo: luxo, mesmo, é ser único. Boa leitura! O Editor.

Anderson Maschio

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Daniella Baumguertner

comercial@curitibadeluxe.com.br (��) �� �� �� ��

   Ivonete Chula dos Santos Curitiba Deluxe pode ser encontrada  ( )

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Narah Julia

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A Comendador Araújo e arredores. Apesar da localização, o lugar não tem o agito nervoso do Centro ou o glamour forçado do Batel. Gosto da arquitetura das velhas construções, de uma livraria de calçada como a Ghignone e de um shopping como o Omar, que tem uma proposta diferente. A rua tem um charme discreto. O Bosque do Papa. No verão, à noite, é cheio de vaga-lumes... quando a gente caminha por lá, parece que estamos num conto de fadas e que a qualquer minuto um duende pode aparecer... é encantado. Não há um lugar específico. Gosto de assistir as transformações pelas quais a cidade molda-se incansável e diariamente. Um exemplo é a Rua Cruz Machado, linda durante o dia e que, à noite, é tomada por seres que se valem do brilho da purpurina e das lâminas das facas. O Largo da Ordem. Aliás, o Largo era o lugar mais notável de Curitiba, não é mais. Por conta do abandono, há muito se converteu em um local inseguro e pouco atraente. É uma pena, porque o potencial é muito grande. O Bacacheri, com suas casas antigas de muro baixo e gramado na frente. Dá uma sensação boa de liberdade. Além disso, o bairro tem uma infraestrutura invejável, que inclui até um parque, uma base aérea e uma linha férrea. As Mercês, por uma razão muito pessoal: sou nascido e criado lá, na verdade moro na mesma quadra em que nasci. Inclusive, já morei em três casas diferentes na mesma quadra. Rodei um pouco pelo mundo, mas sempre parei por aqui. Além disso, é tranqüilo e estrategicamente posicionado. A região que chamo de Baixo Guaíra, que vai da praça Santos Andrade até a Reitoria e do Colégio Estadual ao terminal Guadalupe. Tenho a impressão de que é ali que acontecem as coisas em Curitiba. Onde está o melhor e o pior da cidade.

Ieda Godoy 

Mariella Dias 

Pryscilla Vieira 

José Avelar de Melo      

Arlindo Ventura   

André Brick 

Flavio Jacobsen 


,  ��� — ���

A cidade é a imagem da cidade: há bairros sofisticados, eixos da moda, ruas populares e regiões associadas à pobreza e à violência. Áreas boas, normais e ruins, cujo entorno e fama muitas vezes são determinantes para a instalação e até para o sucesso de um negócio. Perguntamos: dá, realmente, para acreditar em um geodeterminismo desse tipo? Fomos buscar a resposta junto a pessoas que, sem saber, lembrar ou sequer tomar conhecimento da fama local – ou mesmo levando isso totalmente em conta –, montaram estabelecimentos fantásticos em áreas menos glamurizadas da cidade. E que estão fazendo um tremendo sucesso. Ø2NDQIGNØ7NKÛØ!ONKKNMIØdØ Rafael Dabul


 — Excelentes pratos... e convivência absolutamente pacífica Durante muito tempo, a rua Voluntários da Pátria, no Centro de Curitiba, foi conhecida principalmente por sua vida noturna escrachada e de perfil bas-fond: as calçadas eram local de trabalho de prostitutas e travestis. Hoje, a atividade continua (mais contida, é verdade), mas as pessoas estabeleceram outra imagem para o local: a Voluntários é a rua da gastronomia sofisticada, e isso se deve principalmente a um restaurante, o Boulevard, do chef Celso Freire. Fundada em ����, a premiada casa tem uma história das mais saborosas, que prova com maestria nossa tese de que é possível superar o geodeterminismo e criar coisas extraordinárias em lugares que os experts consideram ruins. De certa forma, a história do Boulevard começa antes do nascimento do chef que lhe garantiu fama. Antes, mesmo, de a Voluntários passar à condição de região degradada da cidade. Quem explica é Eduardo Feliz, um dos sócios do restaurante: A história remonta aos anos ��. Meu avô, Nicolau Pedro Nicolau, era importador de trigo. Ele montou um moinho no Bacacheri e planejou construir uma rede de padarias. Adquiriu vários terrenos, mas, como as padarias de alemães e italianos estavam começando a fazer sucesso – e a comprar a produção dele – desistiu do projeto. E o imóvel ficou em estoque de família. O terreno, um alagado de cerca de ��� metros quadrados, não era especialmente atraente, e ficou sem obras até o início da década de ����, quando Eduardo, um irmão e o pai resolveram construir um prédio comercial. Na época, Celso Freire – que é cunhado de Eduardo - iniciava a carreira de chef no Hotel Bourbon (logo depois ele iria para São Paulo e, de lá, para Londres, onde

assumiria a cozinha da embaixada brasileira). A construção atrasou em cerca de um ano e, nesse período, Celso resolveu voltar ao Brasil. Ele comentou que tinha interesse em abrir um restaurante e que, se o projeto da Voluntários fosse adaptado, poderia ser lá, diz Eduardo, lembrando que os curitibanos pouco sabiam a respeito da profissão de chef de cozinha. Idéia aceita, a mudança foi levada à prefeitura, que (bingo!) não concedeu o alvará. Eles exigiam que se construísse uma garagem subterrânea, mas o lençol freático ficava a poucos centímetros da superfície e isso impedia uma escavação. Construir um estacionamento na parte de trás do terreno, em um terreno de ��� metros quadrados, também inviabilizava o projeto. A coisa ficou mal-parada até que o pai de Eduardo resolveu conversar pessoalmente com o então presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento de Curitiba (), Cassio Taniguchi. E é aí que a história teve um desfecho surpreendente. Nós fomos ao  e, assim que chegamos, recebemos a informação, da secretária do Cassio, de que a reunião precisava ser desmarcada porque o prefeito havia convocado uma reunião de emergência. A porta do gabinete estava entreaberta e o Cassio estava lá, de costas. Meu pai não teve dúvida: entrou e fechou a porta. E eu pensei: ‘nunca mais vamos construir nada naquele terreno’, recorda. Cerca de �� minutos depois, os dois saíram abraçados da sala – e o projeto havia sido autorizado. Não sei o que eles conversaram, mas sei que o Boulevard existe em função dessa autorização pessoal do Cassio. Talvez nem ele lembre da história, mas, sem essa intervenção, não haveria restaurante. A autorização, explica Eduardo, deu um novo estímulo ao projeto, e eles resolveram investir mesmo sem ouvir os experts. Eles falavam da importância do ponto e diziam que

era preciso ir para bairros onde os restaurantes convencionalmente são instalados, como o Batel e Santa Felicidade. Mas o negócio era familiar e a gente não tinha muita percepção disso. Instalado o Boulevard, não faltaram especialistas em localização a prever o fracasso do empreendimento. Afinal, na mesma quadra, do outro lado da rua, havia meretrício, travestis, isso e aquilo... imagina se alguém se arriscaria a ir a um restaurante francês, top de linha, em um lugar como aquele? Pois a comunidade local, as prostitutas, travestis e os moradores perceberam que o restaurante dava outro tipo de visibilidade para a região. Em resumo: nunca aconteceu absolutamente nada, jamais atacaram um cliente, quebraram uma vidraça ou picharam uma porta.    — Eduardo lembra que ninguém investe por altruísmo, e que projetos como o do Boulevard são negócios. Mesmo assim, a opção pelo investimento em uma região degradada tem um diferencial, de resgate da cidade para os próprios cidadãos. As pessoas precisam ter em mente que, nesses lugares, não é preciso inventar nada, que tudo já está lá e que é preciso apenas ter iniciativa. É preciso, porém, fugir do convencional. E o poder público deve participar estimulando esse crescimento, identificando vocações, garantindo estrutura e policiamento. Hoje, o Centro de Curitiba é pobre, por exemplo, em informações ao turista. É algo que facilita a vida de quem vem para cá e torna visíveis coisas que estão fora dos ‘eixos da moda’. Para o sócio-proprietário do Boulevard, a cidade guarda um enorme potencial em áreas como as das ruas Riachuelo e Barão do Rio Branco, Saldanha Marinho, Cruz Machado e da praça Osório. São áreas que poderiam formar um circuito muito atraente de restaurantes e bares.   Rua Voluntários da Pátria, ��� — Centro (��) �� �� �� �� www.restauranteboulevard.com.br


 — Uma invulgar aposta na Rua São Francisco. A rua São Francisco, no coração do Centro Velho, alcança os curitibanos de duas maneiras: para muitos, é apenas uma área degradada, reduto de traficantes e consumidores de crack que conseguiram afugentar até as prostitutas que nos últimos anos faziam ponto ali. Uma área, enfim, pouco recomendável. Outras pessoas, porém, se detêm sobre os paralelepípedos negros, sobre os passeios estreitos e diante das imensas janelas das velhas construções. Para elas, a São Francisco é um dos lugares mais pitorescos da cidade, com quês invulgares de cidade européia da Belle Époque, de ruela de gueto medieval, de coisa antiga e venerável. O empresário Sandro Tavares está entre os que encaram a rua com olhos apaixonados. Foi lá, no número ���, que, em ����, ele inaugurou uma casa noturna que se tornou lendária na cena alternativa curitibana, o Circus Bar. Meu pai tinha um escritório lá. Quando ele se mudou para um lugar maior, ia entregar o ponto. Eu tinha a idéia de montar um bar e assumi o imóvel, conta Sandro. Sucesso imediato. Em ����, surgiu uma oportunidade de compra do casarão localizado no número ���. Mesmo diante de algumas resistências – o pai, por exemplo, desaprovava a aquisição de um imóvel em uma área tão degradada da cidade -, Sandro foi em frente. Reuniu as economias, deu um carro como parte do pagamento e financiou o resto com o antigo proprietário. O preço era bom e a casa havia sido inteiramente reformada. No mesmo ano, fechou o Circus Bar e abriu o Jokers, voltado a uma clientela mais sofisticada. O Circus teve a sua época. Eu fiquei mais velho, os clientes também, e surgiu uma demanda por mais qualidade. A resposta foi o Jokers, observa. Atualmente, o bar em estilo inglês do Jokers serve sete tipos de chope e cervejas de várias partes do mundo. A casa ainda possui duas salas de exposições, um lounge, um jardim de inverno e uma pista de dança com palco para shows e camarotes. A casa também guarda um acervo cultural único: trajes, adereços e fotografias cedidos pela Família Queirolo, um dos mais importantes clãs circenses do Brasil. O Circus já trazia essa relação com a arte circense, mas pelo lado underground. Quando abrimos o Jokers, resolvemos homenagear o circo antigo. Eu conhecia o Luizinho Queirolo – artistas da família animavam as festas de aniversário do Circus -, conversei com ele e com a mãe, Dona Zeferina, e eles cederam as peças para exposição.    — Questionado sobre os riscos de possuir uma casa noturna na São Francisco, Sandro é pragmático. A rua é mais tranqüila à noite do que durante o dia, que é quando o tráfico funciona mais intensamente. Isso tem muito a ver com a ocupação da área. A circulação de pessoas, a iluminação da fachada, tudo isso colabora para afastar o problema à noite. Se a gente não estivesse aqui, provavelmente a situação seria bem pior, analisa. É claro que a relação com o tráfico não é boa. É pacífica, mas não é boa. E, sem dúvida, prejudica muito meu negócio. A questão do crack, porém, não é suficiente para reduzir o entusiasmo de Sandro com a rua e com a idéia de investir fora dos chamados eixos da moda na cidade. Eu estou no coração de Curitiba, onde tudo começou. Há um elemento histórico, um charme que não existe em outros lugares, afirma. Para Sandro Tavares, os empresários – principalmente os do segmento de bares e restaurantes – deveriam olhar com mais atenção para as áreas degradadas da cidade: no caso da rua São Francisco, você está no Centro da cidade, o acesso é fácil e não há risco de enfrentar filas e congestionamentos, como acontece em áreas ‘da moda’ que concentram bares. Além disso, o valor dos imóveis é menor. Um casarão como o que abriga o Jokers, em uma área com a do Baixo Batel, por exemplo, custaria infinitamente mais. O proprietário do Jokers também observa que a opção por um lugar diferente pode denotar uma saudabilíssima intenção de se diferenciar, de criar algo exclusivo, que esteja além de modismos e vanidades.   Rua São Francisco, ��� — Centro ̓̀ Ú͂͂Ú́̓Ú́͂Ú̈́̀ÚeÚ͂̿Ú̀͂Ú̈́̀Ú̓ͅ www.jokers.com.br


  — Um oásis de livros e música Você é o proprietário de um velho edifício em uma das áreas mais pitorescas e (infelizmente) degradadas da cidade. O valor do aluguel de imóveis comerciais na região não é dos mais altos e o  bate, voraz, à porta. Como fazer para que a herança não se converta em dor-de-cabeça? Se você tiver disposição de espírito e um excelente acervo de livros,  e , pode montar um sebo sui generis. Pois foi exatamente isso que fizeram Gilmar Fonseca e Sandra Joanides, sócios, há cerca de dois anos, da Joaquim Livraria, que funciona na rua Alfredo Bufrem a poucos metros do edifício histórico da  e da Praça Santos Andrade. A região é mais conhecida por abrigar comércio popular, pastelarias e lojas de móveis usados. Com a livraria, passou a atrair, também, a atenção de interessados em literatura e música alternativa. Existem outros sebos no Centro. Aliás, é na área central que essas livrarias costumam estar localizadas, pelo menos na maioria das cidades brasileiras. Nós, porém, buscamos criar um espaço diferente, com uma seleção cuidadosa de livros e um bom acervo de música, explica Gilmar. Hoje, o catálogo literário inclui obras de autores como Paul Verlaine, Virginia Woolf, Yukio Mishima e Nabokov; o musical,  e vinis de Ravi Shankar, B.B. King, Miles Davis e Tim Maia, além de boa parte da produção recente de grupos locais como Wandula, Folk Trio e O Lendário Chucrobillyman. Outra diferença está no ambiente, que permite ao interessado folhear um livro ou revista – ou escutar boa música – enquanto saboreia um bom café.  — Questionado sobre os riscos e vantagens de começar um empreendimento como o dele em uma área como o Centro Velho de Curitiba, Gilmar é pragmático: o resgate de ruas e áreas degradadas por empreendedores é comum em Londres, Nova Iorque e Amsterdã. E funciona. As pessoas deveriam fazer mais isso. Mas é preciso insistir: a valorização vem com o tempo. E é com o tempo, acrescenta, que os governos podem despertar para melhorar a situação. No futuro, a idéia dos sócios é ampliar a ocupação cultural do velho edifício: de olho nos turistas estrangeiros que visitam Curitiba, eles pretendem montar um hostel – sem perder, é claro, o espaço da livraria. Normalmente, essas pessoas se interessam pela área central da cidade, é comum vê-las caminhando por aqui. Além disso, somos vizinhos da Universidade Federal, que atrai esse público, analisa Gilmar.

  Rua Alfredo Bufrem, �� — Centro (��) �� �� �� �� www.joaquimlivraria.com.br


 Simone Demour e Maria Teresa

   Jhonas Almeida

  Rodrigo Alberini

 Juan Parada e Claudio Celestino

   Letícia Dubinski

 Julio K, Rafael Lopes e Rudy Sarnovski Filho

   Felipe Waltrick

 Rafael Dabul

 Ponnei + Deluxe

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 Lamb

 Comb

 Angélica Sanches


   Thiago Aniceski


 Lisa Simpson


: , ,   - Anos de pesquisa e trabalho com tatuagem levaram Jô Maciel e Marco Teixeira, sócios do estúdio Teix Tattoo, a perceber em detalhes as sutilezas de sua arte. Uma tattoo de qualidade – por mais simples que seja – exige sensibilidade, conhecimento técnico, senso estético e respeito à individualidade. Guarda relação, inclusive, com a percepção da moda e do próprio tempo. Tais valores, porém, não precisam se referir  Rodrigo Wolff Apolloni apenas à tatuagem: cultivados, podem tornar a vida mais rica, sábia e bela. Foi  Rafael Dabul pensando nisso que Jô e Marco decidiram somar elementos à proposta de trabalho. Atualmente, a Teix conta com um espaço para a venda de roupas e acessórios   exclusivos e, em breve, terá também um espaço de exposições. Rua Vicente Machado, ��� — Batel ̓̀ Ú͂̿Ú͈̀Ú́́Ú͈̓ÚeÚ͂̿Ú͇̀Ú́͆Ú͂́ Nós nos propomos a realizar um serviço que cumpra todas as exigências, não só de uma teixtattoo@hotmail.com tattoo linda, perfeita, mas de um ambiente agradável, onde a pessoa se sinta bem, diz Jô. Um público com o qual ela se preocupa é o das pessoas que acompanham quem vai fazer a tatuagem. Muitas vezes, essas pessoas – amigos, namorados ou parentes – ficam aguardando, fora da sala de procedimento, pelo fim da sessão. Por que não fazer com que elas se sintam o mais confortável possível?, pergunta. Para passar o tempo, nada melhor do que entrar na moda, ver obras de arte ou se deliciar com os bombons, chás ou sucos oferecidos pela casa.  — Assim como cada tattoo é única – na Teix, todos os desenhos são exclusivos – os novos espaços do estúdio oferecem originalidade e pessoalidade. O dedicado à moda (roupas e acessórios), por exemplo, traz peças selecionadas, de marcas cuja proposta se destaca pela qualidade. As peças são feitas em pequena quantidade, com materiais e modelagens especiais – e com preço acessível e justo. O estúdio também oferece buttons assinados pela própria Teix Tattoo, além de artigos adquiridos em viagens. E, uma vez por mês (sempre em um sábado), a loja e a estilista Lisa Simpson promovem uma oficina de customização de roupas. Em outras palavras: não é preciso necessariamente desejar uma tatuagem para ir à Teix Tattoo – basta gostar de arte, moda e originalidade. Mas, mesmo para quem quer fazer uma bela tattoo, a nova fase do estúdio também reserva uma boa notícia: nos próximos meses será inaugurada uma segunda sala de procedimentos. Com ela, poderemos atender mais clientes sem perder o caráter pessoal do atendimento. As novidades, observa Marco Teixeira, reforçam a filosofia da Teix, de oferecer tatuagem de qualidade. Cada tattoo é planejada. Nós conversamos com o cliente, pesquisamos referências, produzimos o desenho e fazemos uma simulação fotográfica antes de iniciar o trabalho na pele. Quando tudo está conforme desejado, iniciamos o procedimento, observa. As pessoas devem sair daqui totalmente satisfeitas e felizes.


    ��� — ���

Se você curte moda e usa a internet para buscar novidades, certamente já encontrou galerias de imagens e blogs que afirmam a existência de uma street fashion. As imagens são de pessoas legais, que se vestem como todo mundo – aliás, que não se vestem como todo mundo, mas fazem da composição de roupas e adereços para certas ocasiões (como o próprio dia-a-dia) uma arte pessoal e distintiva. Nesta reportagem, conversamos com experts em moda e com alguns descolados para saber mais sobre essa tal street fashion.   Ø2NDQIGNØ7NKÛØ!ONKKNMIØdØØ.AQAHØ*TKIAØdØ   Felipe Pedroso e Mariellen Barros


Há pouco mais de um ano, depois de retornar de uma viagem à Europa, a jornalista Narah Julia passou a observar com mais atenção os modos de vestir dos curitibanos. No Velho Mundo, percebeu a dedicação especial de muitas pessoas à composição do próprio look, um cuidado em expressar não apenas conhecimento sobre moda e tendências, mas a própria identidade (ou uma identidade desejada em um dado momento) por meio do visual. Interessantíssimo. Será que os curitibanos concebiam algo semelhante? Com essa questão em mente, passou a freqüentar lugares – festas, eventos, as próprias ruas – portando uma câmera digital. Desde então, sempre que encontra alguém que se enquadre no perfil street fashionist, pede licença para fotografar. Via de regra, as respostas são positivas - as pessoas, afinal, adoram ter seu charme reconhecido - e as imagens acabam publicadas em um blog, o   , e nas páginas de Curitiba Deluxe. Até o fechamento desta edição, o blog contava com nada menos (provavelmente mais) de oitocentas imagens, o que nos leva a concluir – santa conclusão – que parte da cidade aderiu, de fato, à street fashion. Simples, assim? Tudo é uma questão de ponto de vista: para Marianne Reinhardt Röhrig, professora do curso de pós-graduação em Moda e Gestão do Senai-PR, talvez não exista, de fato,  moda que pode receber o título de Street. Pessoalmente, não acho que seja uma moda, mas um modismo. Street fashion é um termo cunhado por alguém e que, para mim, nada mais é do que a velha moda de rua nascida nos anos oitenta e noventa. E, na verdade, são inúmeras as modas de rua, mesmo em uma única cidade. Ou seja: o termo é extremamente abrangente, genérico, e não define um estilo ou uma cara só. Considerando válida a identificação da atual street fashion com a ancestral moda de rua (se a coisa depender apenas da tradução, não há polêmica), onde ela – ou melhor, onde esse conjunto de modas – está? Se você quer ver algo realmente novo em termos de moda de rua, o negócio é ir a Londres e ficar lá, parado, olhando, sugere Marianne. E por estas bandas, há street fashionists? A professora do Senai-PR acredita que não. Por aqui é tudo extremamente uniformizado. Se você ficar na Rua XV, é claro que vai ver muitos estilos, mas não relacionados com a moda. As pessoas não se preocupam em combinar o esmalte, o batom e os sapatos com essa ou aquela roupa, sentencia. Denise de Leão Mueller Bianco, professora do curso de Design de Moda da Universidade Tuiuti, vê o desempenho dos curitibanos com mais simpatia. Segundo ela, é preciso, em um primeiro momento, diferenciar moda de . A primeira, em letras minúsculas, está relacionada aos modismos, ao que nasce e se encerra a cada estação; a segunda, em maiúsculas, é a moda-linguagem, cujos discursos estão relacionados às atitudes e ao comportamento e que trocam influências com a música, a arte e o vestir. Segundo Denise, a street fashion é um reflexo da  contemporânea, caracterizada pela subjetividade e pelo estilo de vida. Eu acredito que os curitibanos estão adquirindo uma cultura de . E já é possível, sem dúvida, perceber expressões de street fashion nas ruas, eventos de moda e baladas alternativas. Há produções bem interessantes, principalmente quando se trata do estilo Lolita, pondera.    — Para Narah Julia, quem personifica a street fashion em Curitiba – as pessoas que ela fotografa - tem como característica principal o que ela chama de atitude. Atitude é, digamos assim... atitude! Em outros termos (partamos para a filosofia), é a capacidade de colocar para outras pessoas a própria forma de ver o mundo, sem apelar para o olhar do outro – no caso da moda, sem aderir integralmente a uma moda ou tendência. Não passa, também, por quanto alguém gasta para se vestir, observa. É por isso que, partindo de uma leitura purista, não é adepta do street fashion uma pessoa que tenha adquirido um look vendido como street fashion por uma grife e que desfile com ele sem acrescentar um mínimo da própria visão de mundo. Isso não quer dizer, porém, que todas as pessoas que têm atitude se enquadram no perfil: é perfeitamente possível ser um cafona cheio de atitude ou, então, sair de casa com uma roupa de mariachi e ganas de chocar o mundo. Uma característica dos adeptos da street fashion é o estudo do cenário da própria moda e do que o mercado oferece. As pessoas que eu fotografo não compram roupas em lugares comuns. Elas procuram se vestir em lojas de moda alternativa. E também pesquisam e buscam se informar sobre o que acontece em outros cenários urbanos, diz Narah. Nesse processo, a internet é uma ferramenta de tremenda importância. Tanto que, para Marianne Röhrig, ela pode ser determinante, no futuro, de uma verdadeira moda de rua transnacional. Sem dúvida. No momento que a internet informa sobre algo que está acontecendo agora, a informação está sendo copiada, vista e discutida. E desejada. Segundo Marianne, esse fenômeno ainda não é tão comum no Brasil, onde a influência da televisão ainda é muito grande na definição de estilos e tendências.

    — Aos poucos, o trabalho de Narah Julia começa a fazer parte do universo de coisas desejáveis pelos amantes da street fashion. O blog Curitiba Street Fashion recebe, em média, cento e cinqüenta visitas por dia (quatro mil e quinhentos por mês, número certamente maior do que o de toda a comunidade street fashionista de Curitiba), e a jornalista já é recebida com frases do tipo Tira uma foto minha? Nada é impossível, mas para sair no blog é preciso, de fato, ter o perfil – sem afetação ou babaquice. E o que Narah Júlia veste quando quer sair à street fashion? Pessoalmente, eu gosto muito de misturar coisas antigas com novas. Ultimamente, tenho fotografado muito vintage, gente que usa isso. Mas não há um guarda-roupas específico, analisa. Para Narah, looks interessantes fogem do exagero (nos decotes e na sobreposição de estampas, por exemplo). Os femininos normalmente são mais elaborados, e os masculinos, mais básicos. A proprietária do bar Kitinete, Marcia Toledo, vez por outra tem looks registrados pela câmera de Narah Julia. Seu visual, conta, é produto de múltiplas referências e anos de pesquisa. Sou uma consumidora super-ativa de sites e revistas de moda, arte e design. Fã da moda retrô, Marcia freqüenta brechós em busca de novidades vintage. Segundo ela, a produção do look de cada dia passa pelo humor e até pela programação do bar. A riqueza de possibilidades combinatórias é outro de seus segredos: tenho um baú legal em casa. Alessandro Oliveira, vocalista das bandas Our Gang e Copacabana Club, é outro indicado por Narah Júlia. Segundo ele, o segredo está na observação do cotidiano – é lá que estão as referências. Não sou de comprar coisas e nem de pesquisar em sites e revistas. Assim, adapto muita coisa, afirma. Freqüentador de brechós, também apela para o acervo da família, que acaba combinado com peças básicas como camisetas, calças e lenços. Não tem segredo. Eu misturo mesmo, confessa.


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Produzido por Narah Julia curitibastreetfashion.blogspot.com


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  — O canadense que marcou a popularização do eletro no início da década, falou ao musicness. Simpático, tímido e bastante simples, o  e produtor passa longe de todos os estereótipos consagrados pelo eletroclash, e confessou que muitas vezes ainda sente pânico de encarar uma pista cheia.             .   ,     — Bem, o eletro foi algo que já passou, já teve sua fase. Mas eu nunca tento me colocar dentro de uma categoria, o que aconteceu com o eletro foi que em um determinado momento a música que eu realmente amo se tornou popular. Mas foi algo muito natural. Acho perigoso quando as pessoas tentam se enquadrar em um estilo por ele estar na moda. Eu não sigo uma estratégia para me enquadrar, faço as coisas que acredito, e é assim desde antes da explosão do eletro.     ,   — Sou inspirado por tudo aquilo que me cerca. Eu não toco nenhum instrumento, então a minha inspiração é muito visual, se baseia muito em filmes e livros, que são a minha maior diversão.         -     — Bem, eu já li Gabriel Garcia Marques, mas não foi aquela coisa de me apaixonar pelo estilo dele. Talvez se eu ler mais algumas coisas até goste, mas não foi algo que me encantou. Gosto muito dos livros de Borges (Jorge Luis Borges, escritor argentino) e do Ítalo Calvino (italiano). Prefiro este estilo.        .   — Ah sim, este é meu verdadeiro sonho. É uma pena que não tenha nascido no Brasil, sou um apaixonado pelo futebol.   ,      — Adoro as produções do Gui Boratto, mas sempre fujo de coisas óbvias como a bossa-nova ou de todos os ícones, como Copacabana. Eu sou mais interessado por coisas menos conhecidas, mas ainda não tive a oportunidade de um contato maior com a cultura brasileira.             — Já comecei a trabalhar nele, espero que até o próximo verão (no Hemisfério Norte) ele esteja pronto. Mas ainda não posso falar nada sobre o trabalho em si.


   Aproveitando o gancho dos dez anos de blogs no Brasil, o site do Skol Beats publicou um texto listando os �� diários eletrônicos mais relevantes no cenário        brasileiro. E eis que entre figuras bem conhecidas - como Tom Zé, Lúcio Ribeiro, Alexandre Matias e Camilo Rocha – a versão online do  também O periódico canadense The Vancouver Sun noticiou que o governo apareceu na lista! do Canadá negocia secretamente um acordo internacional de leis de copyright que pode fazer com que o conteúdo de iPods, laptops Confira os �� primeiros da lista: ou qualquer aparelho de armazenamento eletrônico se torne ilegal, dificultando a utilização desses gadgets em viagens. .... Lúcio Ribeiro, um dos nomes mais comentados do jornalismo brasileiro de cultura O acordo criaria uma regulamentação que transformaria qualquer pop, é mais conhecido hoje pela Popload, seu blog de música. guarda de fronteira ou pessoal de segurança em polícia de copyright. Eles estariam encarregados em chegar os equipamentos atrás de ..... material que infrinja direitos autorais. Atualmente, no Canadá, os Repórter de música do caderno Ilustrada, da Folha de S.Paulo, Thiago Ney é oficiais de fronteira já podem vasculhar computadores atrás de responsável pelo blog Ilustrada no Pop da Folha Online. pornografia infantil e, segundo o jornal, caberia a eles decidir se o conteúdo dos gadgets seria ilegal ou não. O viajente estaria então .. sujeito a multas. Música eletrônica é o assunto preferido desse blog. Chamado de Anti-Counterfeiting Trade Agreement (), o novo ... plano une canadenses, norte-americanos e alguns países membros Um dos mais promissores. Fique de olho. da comunidade européia em uma coalizão contra o que consideram quebra das leis de copyright. .. Administrado por quatro jovens, dois de ��, um de �� e outro de �� anos. Alex Segundo o jornal, o  também propõe novas sanções aos Correa, Cédric Fanti, Gabriel Zorzo e Marçal Righi. Molecada antenada. provedores de internet, que seriam forçados a entregar ao governo informações pertinentes à troca de arquivos de seus clientes. .. Hip hop, reggae, ragga/dancehall, jazz, downtempo, funk, drum'n'bass, tudo A história contata pelo jornal é longa e detalha pormenores que amarrado por uma forte influência que o DJ Dubstrong tem do dub jamaicano. colocam a validade do plano em questionamento. Por exemplo, diz o jornal, tratados federais como esse não precisam de aprovação do ..// Parlamento canadense. Mas por que tanto segredo em torno do ato? Na ativa desde os primórdios da cultura eletrônica no Brasil, o DJ, produtor e Estranha, especialmente em países onde a tradição democrática é jornalista Camilo Rocha não escreve apenas sobre dance music em seu blog. predominante, que se tenha que discutir "secretamente" tais linhas de ação. Isso leva a crer que, ou já se sabe que judicialmente há ..// entraves para sua aplicação e o sigilo seja para ganhar tempo, ou Claudia Assef é autora do livro Todo DJ Já Sambou, trabalha como editora de não se quer discutir de forma clara com a sociedade mudanças nas internet e sempre dá furos em seu blog. leis de direito autoral (uma linha de comparação pode ser feita no Brasil com a marcha da maconha). ..// No cultuado blog, Diogo Dreyer, João Anzolin, Raul Aguilera escrevem sobre indie Especialistas do setor de legislação autoral ouvidos pelo jornal na rock e eletrônica. reportagem já se mostram irados pela falta de diálogo do governo na tentativa de empurrar o . Em conversa via  com um ../ amigo que mora por aquelas bandas, ele me garante que a oposição Editado pelo jornalista carioca Bruno Natal, cobre música, cultura e urbanidades. ao governo atual já prepara um contra-ataque para a medida. De qualquer forma, mesmo na contramão dos modelos que vão se adotando internet afora, incluindo aí esforços dos grandes produtores de mídia, o  será discutido na próxima reunião do G�, em julho, no Japão.

Produzido por Diogo Dreyer, Raul Aguilera e João Anzolin. rraurl.uol.com.br/blogs/musicness


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  



A  traz com exclusividade para Curitiba a linha de objetos da Magis Design. Fundado na Itália em ���� por Eugenio Perazza, a Magis é hoje um dos escritórios de design mais conceituados do mundo. Quem visitar a loja poderá ver e comprar peças assinadas de Richard Sapper, Jasper Morrison, Stefano Giovannoni, Marc Newson, James Irvine, Konstantin Grcic, Ron Arad, entre outros.

Rua Vicente Machado, ��� — Batel

O container 

O porta garrafas 

de poliestireno é

é uma criação de Jasper

assinado pelo

Morrison. Produzido em

designer Marcel

polipropileno e alumínio,

Wenders. Tem ��,�

está disponível nas

x ��,�cm e ��cm

cores azul e branco

de profundidade na

(transparente).

cor laranja.

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   

  

Especializada em móveis com design assinado, a    faz sua aposta em nomes nacionais. A nova coleção traz móveis assinados por Sergio Fahrer, Marcus Ferreira, Pedro Mendes e Jacqueline Terpins. Jacqueline criou a coleção denominada Linha D'Água, concebida a partir da percepção de uma poça d'água. Trabalhando com as peças todas em vidro, a profissional apostou no seu já conhecido estilo arrojado.

Rua Des. Costa Carvalho, ��� — Batel

A poltrona  é

Mesa de centro de

do designer Sergio

Jacqueline Terpins

Fahrer, feita em fibra de carbono, também exclusiva.


    ��� — ���

Alimento sagrado e fundamental para muitas culturas, o pão possui uma das mais antigas receitas da história culinária. Fato é que um pãozinho caprichado vai bem da entrada à sobremesa em todas as refeições e é indispensável no café da manhã. Em Curitiba, o pão nosso (nobre e bem-feito) de cada dia pode ser encontrado, em grande estilo, em cinco endereços que somam requinte e tradição.  Rafael Dabul


  A localização central e as fornadas a cada �� minutos levam gente de vários bairros a formar filas atrás do pão francês quentinho. Aberta há �� anos, a casa oferece mais de �� tipos de produtos, caso da Broa Mista de ��� g (� �,�� a unidade), da Broa Úmida de ��� g (� �,��) e do pão Caseirão, que leva fermento caseiro e pesa cerca de ��� g (e custa � �,�� a unidade). Rua Cruz Machado, �� — Centro (��) �� �� �� ��

  Os proprietários lidam com panificação em Curitiba desde ����. A atual panificadora conta com delicatessen, empório com produtos importados e cafeteria. A fama da casa, porém, se deve a pães especiais como o Italiano (de ��� g), que sai por � ��,��, a Broa Alemã (de ���g, por � ��,��) e o Pão de Mel, Nozes e Passas (de ��� g, que custa � ��,�� e é o campeão de vendas da casa). Avenida Nossa Senhora da Luz, ���� — Jardim Social (��) �� �� �� ��

  Referência em pães para cinco gerações de curitibanos (foi fundada em ����), a América conta com uma variedade de mais de cem produtos, entre pães, broas, cuques, etc. O mais apreciado é o Schrott, broa de centeio puro vendida em dois tamanhos: grande (��� g), que custa � �,��, e pequeno (��� g), que custa � �,��. Há também o Pão Caseiro (de ��� g), por � �,��, e uma produção especial de produtos sem adição de glúten e açúcar. Rua Carlos Cavalcanti, ��� — São Francisco (��) �� �� �� ��

 Mais do que uma panificadora-padrão, a Prestinaria é um ambiente onde é possível tomar um bom café, vinhos, chás ou sucos acompanhados por bolos, tortas e empadões. Para os amantes de pão bem fresquinho, a dica é ir lá a partir das quatro da tarde, quando saem as fornadas do dia (e, a partir daí, a cada trinta minutos). São destaques o Pão de Fibras (de ��� g, a � �,��), o Pão de Champanhe (de ��� g, a � �,��) e o Petit Pain, mini-baguete feita com farinha branca, sem gordura ou açúcar (cada baguete pesa �� g e custa � �,��). Rua Euclides da Cunha, ��� c — Bigorrilho (��) �� �� �� ��

 Destaque para o Pão Árabe, de fabricação própria, que custa � ��,�� o quilo. Há também o pão-folha, que custa � ��,�� o quilo, além de broas mistas, pão de leite e de batata a � �,�� o quilo. A casa conta com confeitaria e sala de chá/café colonial. Rua Augusto Stresser, ���� — Hugo Lange (��) �� �� �� ��


    ��� — ���

   Eduardo Sganzerla


João Spodarik, �� anos, é provavelmente o imigrante ucraniano mais antigo do Paraná e do Brasil a cultivar uma das mais caras tradições culinárias de sua terra natal, que hoje faz o gosto dos curitibanos: azedar pepino, na fermentação natural da folha da parreira. Em sua singela casa no bairro do Bigorrilho, rodeada de árvores frutíferas, flores e parreiras, ele mantém ainda hoje a tradição, herdada dos pais, que introduziu na capital paranaense quando aqui chegou, há cinqüenta anos, ininterruptos. A pepinaria que funciona em um anexo de sua casa é uma extensão nostálgica, mas verdadeira, do Armazém Dnipro, de secos e molhados, estabelecido por ele em ����, e que esteve aberto até os anos de ����. Pepinaria com muitos fregueses. Alguns com �� anos de casa, diz orgulhoso seu João como é chamado carinhosamente por todos. E mais: suas iguarias conservadas nos tradicionais vidros de compota são levadas para lugares muito distantes de Curitiba, como a Amazônia, Nordeste, Paraguai e até para a Europa, especialmente a França. Filho de agricultores, João Spodarik chegou ao Brasil em ����, aos �� anos, junto com os pais Alexandre e Theodosia e o irmão Miguel. Depois de uma rápida passagem pelo interior de São Paulo, a família fixou residência em Prudentópolis, centro-sul do Paraná. Só depois que veio para Curitiba. E construiu a casa no Bigorrilho, quando o prefeito era Ney Braga. Casado com Maria Taras Spodarik, �� anos, tem duas filhas, Lessia e Iára. A mais nova, Iára Serathiuk, é o seu braço-direito na pepinaria. Os pepinos azedos de seu João, na verdade, viraram uma legenda em Curitiba, pelo sabor, qualidade e, especialmente, pela tradição da sua receita clássica. A produção é pequena, naturalmente, e sai muito rápida. Qual é, afinal, o segredo desta iguaria? Seu João não revela na sua essência, mas dá pistas. Começa pela qualidade da matéria-prima. Pepino comum caipira proveniente de um fornecedor, de muitos anos, escolhido a dedo. Endro fresco e folhas de parreira bem verdes são fundamentais. Alho e cebola dão o toque especial, no sabor. Esses ingredientes vão para um recipiente de barro esmaltado, com água fervida e fria, onde permanecem por cerca de oito dias nesta infusão, quando ocorrerá a fermentação. Depois vão para os vidros. O ciclo da colheita do pepino é de novembro a março. O segredo está no tempero, diz ele. Esta tradição eslava, conservada pelas mãos de João e feita como o coração, como se orgulha, vale a pena saborear.  (��) �� �� �� ��


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Começarei com declaração de princípio. Gosto de mulher. Acho mulher um barato, o barato. Gosto de mulher a ponto de ser feminista da ala Simone de Beauvoir, não das americanas analfabetas&maluquetes.  — Produto das três tristes raças, sou americanófilo de carteirinha, crismado. Atenção: americanofilia não implica americanalhização, imitação beata, macaqueação abjeta do que é made in . Antes de dar um exemplo, outra declaração de princípio. (Relax and enjoy como diria a Martaxa.) Sou homem. Ou melhor, sou do sexo masculino, heterossexual - essa velharia, démodé, old fashion pra falar Português.    — Sendo assim, admiro a anatomia feminina como o amador admira a obra de arte, com renovado prazer. Especialmente sítios da anatomia feminina, os peitos pra citar um apenas, o mais saliente com exceção do derrière – me socorri da língua da diplomacia em sua homenagem, leitora. Pronto; cheguei ao ponto.            — Como disse lady Astor a bordo do Titanic – pedi gelo, mas essa quantidade é verdadeiramente ridícula. Admiro seios, mas na abundância com que as brasileiras estão a servi-lo é patético. Seios bombados, inflados, siliconados, congestionados, apopléticos, ingurgitados, transbordantes, redundantes, exorbitantes, excedentes, excessivos, demasiados, cheguei, escandalosos, exibicionistas, pretensiosos, espaçosos.        — São seios tipo banha, pornográficos. Os opostos exatos dos tipos carne, eróticos, discretos, civilizados, sofisticados, ton sur ton, no ponto, suficientes, portables, sugeridos, em surdina, de câmera, surpreendentes, fugidios, que se adivinham. Admiro seios, mas não à moda diretório (����-��), não à moda da revista Playboy, não à americana ou à vaca premiada na feira de Uberaba.  — A americana exagera os seios como compensação ao imperceptível derrière, cortina de fumaça ao deprimido derrière, ao côncavo derrière. Calipígia, de soberbo derrière, o produto nacional por excelência, for export, a brasileira pode dispensar a manobra. Ou não?

 Carlos Alberto Pessoa



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