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Informe CRMVES Informativo do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Espírito Santo

Editorial: As diferenças entre ambulatório, consultório, clínica e hospital veterinário Página 2

Novo site do CRMV-ES já está no ar Página 4

Cães e gatos também precisam de cuidados odontológicos Página 4

Edição 06 Dezembro de 2016

IPRAM cuida da reabilitação de animais marinhos debilitados Página 3


Editorial

Consultório, clínica e hospital veterinário exigem estruturas definidas para o seu funcionamento Tal Resolução definiu, entre outros itens, o que é uma estrutura de hospital veterinário, uma clínica veterinária, um consultório e um ambulatório veterinário, com áreas definidas e equipamentos necessários ao seu funcionamento.

Luiz Carlos Barboza Tavares

Presidente do CRMV-ES Preocupado com um assunto que é de permanente importância para a sociedade e diretamente ligado à medicina veterinária, aproveito o espaço deste editorial para retomar um tema muito caro à nossa profissão: os diferentes tipos de estabelecimentos médico veterinários e as atividades que podem ser desenvolvidas em cada um deles. O CFMV normatizou o assunto ainda em 2012, com a Resolução CFMV n° 1015, gerando uma série de questionamentos à época, o que levou o assunto a uma consulta pública, com revisão de alguns de seus pontos, e posteriormente à sua efetiva aplicação.

O objetivo da Resolução era atualizar a norma anterior, especialmente dando mais detalhes sobre a questão técnica que deve existir para o exercício da medicina veterinária em seus diversos níveis, com observância da qualidade do serviço prestado, com equipamentos, estrutura e fluxo que permitam o máximo de segurança para o paciente, condições de trabalho ao profissional e expectativa de resultado ao responsável pelo paciente, ou seja, tudo o que a sociedade espera e a profissão deve prestar a ela. O CRMV-ES trabalhou e continua trabalhando muito para a implantação, manutenção e respeito a esta normativa, pois é incontestável que ela valoriza a profissão, os profissionais e seus serviços, o que reverte em garantias de excelência

na prática da medicina veterinária a serviço da sociedade. É verdade que houve resistência por parte de alguns profissionais no início desse processo de modernização, pelos mais diversos motivos, dentre eles os custos de sua implementação, porém o Conselho manteve seu papel de fiscalizar o exercício da profissão e a maioria absoluta dos profissionais da medicina veterinária reconheceu a importância desse passo a caminho da modernidade, apoiando e procedendo às mudanças e investimentos necessários. A profissão é medicina veterinária, porém isso não pode ser uma afirmativa verdadeira se a sua prática for realizada em condições inadequadas. Não se exerce medicina em um local sem estrutura, equipamentos, técnica e segurança ao paciente. Aqui fica mais uma vez patente a responsabilidade do profissional médico veterinário em cumprir as normas que regulamentam a sua profissão e, o mais importante, respeitar o tipo de atividade que a estrutura do local onde

trabalha lhe permite executar. De forma simples, consultório é para o ato básico da consulta, nunca para cirurgia de qualquer natureza ou para internação. Clínica pode, dependendo da estrutura disponível, realizar consultas, cirurgias e internações. Hospitais possuem obrigatoriamente uma estrutura completa que permite consultas, cirurgias, diagnósticos e internações. A nós médicos veterinários compete respeitar e fazer respeitar o que é o melhor para a profissão, valorizando-a e atendendo aos anseios da sociedade. Ao final de todo esse trabalho esperamos que não ocorram mais denúncias ou suspeitas, por exemplo, de cirurgias sendo realizadas clandestinamente em consultórios, e que a sociedade seja a maior e mais importante fiscalizadora em relação ao respeito das normas que preservam seus interesses, neste caso por uma medicina veterinária ética, de excelência técnica e respeitadora das normas.

Novo site

Novo site do CRMV-ES já está no ar Com um layout reformulado, mais interativo e de fácil acesso, o novo site do CRMV-ES já está no ar. No endereço você fica sabendo das notícias e eventos relacionados ao conselho, confere as publicações nas quais o conselho ou seus membros foram notícia e tem acesso aos informativos que são publicados bimensalmente. Além disso, é possível ter acesso à legislação, licitações, concursos e convênios disponíveis, entre outros serviços. Há também o Portal de Transparência que torna acessíveis as informações diversas sobre esta Autarquia Federal. Faça-nos uma visita!

www.crmves.org.br

EXPEDIENTE Publicação oficial do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado do Espírito Santo • Rua Cyro Lima, nº 125, Enseada do Suá, Vitória-ES. Tel.: (27) 3324-3877. Funcionamento: 8h às 12h e 13h às 17h • crmves@terra.com.br www.crmv-es.org.br • DIRETORIA EXECUTIVA: Luiz Carlos Barboza Tavares - Presidente • José Carlos Landeiro Fraga - Vice Presidente • Alexandre Câmara dos Santos Secretário Geral • Daniele da Costa - Tesoureira • CONSELHEIROS EFETIVOS: Osvaldo Góis de Oliveira Filho • Nézio Faber da Silva • Maria da Glória Alves Cunha • Virgínia do Carmo Teixeira Emerich • Rogério Magno do Vale Barroso • Douglas Severo Silveira • CONSELHEIROS SUPLENTES: Nildo Marcelo Milanezi • Giuliano Moraes Figueiró • Iliani Bianchi • Bruna Alves Devens • Aline de Castro Alvarenga • Flaviana Lima Guião Leite • EXPEDIENTE: Supervisão de Conteúdo: Rogério Magno do Vale Barroso • Criar Comunicação Integrada - Jornalistas Responsáveis: Denise Póvoa e Lurdinha Perovano • Textos: Bárbara Luz • Projeto Gráfico e Diagramação: Yuki&Fleming • Sugestões de pauta: criar@criarcomunica.com.br • Atualização dos dados cadastrais diretamente ao CRMV-ES pelo e-mail crmves@terra.com.br.

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IPRAM

IPRAM cuida da reabilitação de animais marinhos debilitados Como é o processo desde a chegada do animal no instituto até sua soltura em seu ambiente natural? No momento, existe um projeto de monitoramento de praias da Petrobrás que recolhe carcaças ou animais marinhos vivos e os destina para atendimento veterinário ou investigação da causa do óbito. Nesse processo, o IPRAM atende grande parte das ocorrências no Espírito Santo. Uma vez que o animal é entregue ao IPRAM, ele é avaliado e tratado, recebendo todo o suporte até ter alta veterinária. Para receber alta, os animais passam por avaliações hematológicas, de comportamento e de funcionalidade dos aspectos morfológicos (por exemplo, testes de impermeabilidade para aves). Qual é o procedimento indicado à população ao encontrar um animal marinho na praia? Fundado em outubro de 2010 pelo médico veterinário Luis Felipe Mayorga, o Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos (IPRAM) é uma associação sem fins lucrativos que cuida da reabilitação de animais marinhos resgatados em estado de debilidade e de sua devolução ao ambiente natural. Situado dentro da sede do IEMA, em Cariacica, o IPRAM cuida atualmente de 15 animais em reabilitação, sendo nove tartarugas-verde, uma tartaruga-oliva, dois pinguins-de-Magalhães e três atobás-pardos, mas quando há encalhe em massa de pinguins o Instituto chega a atender 500 animais por ano. Leia abaixo uma entrevista com Luis Felipe Mayorga falando mais sobre o funcionamento do Instituto: Qual é a situação atual da fauna marinha no Espírito Santo? Tartarugas, pinguins e demais aves marinhas estão sofrendo gravemente com aprisionamento não intencional em redes de pesca, captura não intencional por anzol de pesca, ingestão de lixo plástico ou atropelamento por embarcações. Os pinguins, particularmente, são mais susceptíveis a se contaminarem com óleo no mar, o que prejudica sua impermeabilidade, e também sofrem com a falta de alimentos (peixes). Quanto mais o litoral do ES for urbanizado

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com a construção de mais portos e o aumento do tráfego de embarcações, a tendência é que aumentem os casos de animais marinhos afetados por essas situações necessitando de atendimento. Antes da criação do IPRAM como era feita a reabilitação de animais marinhos no Estado? Como o trabalho dependia de doações e voluntários, os animais eram atendidos por instituições diversas, muitas vezes sem um médico veterinário envolvido no processo. Apenas o Projeto Tamar conseguia proporcionar um atendimento adequado às tartarugas marinhas. Já os golfinhos, pinípedes e as aves marinhas, por exemplo, não eram contemplados com logística e estrutura de atendimentos adequados. Além dos pinguins-de-Magalhães, quais outros animais marinhos precisam de ajuda com frequência no litoral do ES? Tartarugas marinhas precisam constantemente de atendimento clínico e cuidamos desses animais em parceria com o Projeto Tamar. Aves marinhas também são atendidas durante todo o ano. Existe ainda um jovem elefante-marinho, apelidado de “Fred” pela população, que costuma visitar o Estado duas vezes por ano, e precisa de nossa ajuda para repousar em paz.

Informar imediatamente o projeto de monitoramento de praias da Petrobras (0800-039-5005). Em horário noturno, ou em qualquer situação em que esse serviço esteja impedido de ser realizado, pode telefonar diretamente para o IPRAM (27-99865-6975), que tentará mobilizar o atendimento adequado em conjunto com as autoridades. Não se aproximar de animais muito grandes, como baleias, elefantes-marinhos ou tartarugas adultas, devido ao risco de sofrer um acidente com o animal. Evitar pegar animais pequenos, mas se for inevitável, tomar cuidado para não levar mordidas ou bicadas, especialmente no rosto. Jamais resfriar ou colocar pinguins no gelo. Qual é o caminho a ser seguido por um médico veterinário que deseja trabalhar com animais marinhos? Este é um mercado recente, em crescimento, pois existem projetos de monitoramento de praias em vários pontos do litoral brasileiro, onde a presença do médico veterinário é fundamental, especialmente na realização de exames necroscópicos. Entretanto, não sabemos por quanto tempo esse cenário existirá. Há poucos cursos sobre o assunto e a melhor forma de ingressar nessa área é realizando voluntariados ou estágios em instituições que atendem animais marinhos pelo Brasil, criando contatos profissionais e adquirindo experiência.


Eventos Confira os eventos que aconteceram na sede do CRMV-ES ou que contaram com a participação de representantes do conselho.

Cães e gatos também precisam de cuidados odontológicos

Conselheira do CRMV-ES e membro da Comissão de Animais Silvestres, a médica veterinária Aline Alvarenga esteve em Goiânia participando do XXV Congresso da Associação Brasileira de Animais Selvagens. O evento tratou diversos temas relacionados à conservação da biodiversidade de fauna com a presença de palestrantes nacionais e internacionais.

Durante muito tempo o mau hálito de cães e gatos era ignorado, mas essa situação vem mudando. A cada ano mais tutores conscientizam-se sobre a importância da saúde bucal de seus pets e buscam um médico veterinário para auxiliar no controle e tratamento das doenças periodontais em animais.

No dia 07 de outubro a diretoria, os conselheiros e a assessoria de comunicação estiveram reunidos para definir as próximas ações do Conselho.

No dia 21 de outubro o presidente do CRMV-ES, Luiz Carlos Barboza Tavares, comandou a solenidade de entrega das carteiras de registro no conselho para os novos profissionais da Medicina Veterinária: Stéphannee Oliveira da Silva Rangel, Gabriel Martins Ferreira e Sabrina de Souza Miranda. Na ocasião, esteve presente também a tesoureira do CRMV-ES, Daniele Costa.

Mestranda da UFES em Ciência Animal com ênfase em Odontologia Veterinária, a médica veterinária Thays Amorim explica que 80% dos animais de companhia têm algum tipo de doença periodontal, sendo as mais comuns: halitose, gengivite, periodontite e pulpite. Apesar de serem recorrentes, se não forem tratadas, essas doenças podem apresentar consequências mais graves caso as bactérias atinjam a corrente sanguínea e linfática (bacteremia), causando problemas sistêmicos como glomerulonefrite, endocardite, hepatite, poliartrite etc. “Alguns médicos veterinários, por não terem o conhecimento necessário, deixam acumular o cálculo nos dentes dos animais, mas isso não é o correto. Por isso é muito importante a avaliação de um médico veterinário especialista”, explica. A falta de escovação diária é apontada pela médica veterinária como uma das principais causas das doenças periodontais em cães e gatos. Sabendo que nem todo animal aceita a escovação facilmente, a profissional destaca que é preciso ganhar a confiança do bicho. “Comece fazendo carinho no rosto dele, por cima da boca na parte de fora, para ele ir se acostumando com essa proximidade. Com o tempo, passe o dedo com a pasta veterinária dentro da boca ou utilize dedeiras, comumente usadas em bebê. Esse é um bom começo”, ensina Thays. Biscoitos específicos para higienização, ossinhos e brinquedos, também podem contribuir para impedir o acúmulo de cálculo dental, pois provocam atrito com o dente, auxiliando a remoção da placa bacteriana.

O presidente do CRMV-ES, Luiz Carlos Barboza Tavares, esteve em Salvador (BA) participando de encontro com o grupo de presidentes que discute a composição e o modelo eleitoral dos Conselhos do Sistema CFMV-CRMVs.

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Se o animal estiver apresentando alguma gengivite ou dentes escuros, a médica veterinária recomenda levá-lo em um especialista que irá fazer a anamnese completa e exame físico do pet e pedir os exames pré-operatórios. São fundamentais esses exames das funções dos órgãos sensíveis a anestesia (rins, fígado e coração) para realizar o tratamento periodontal, já que o procedimento é feito com o animal sob o efeito de anestesia geral. “Os riscos são mínimos, mas existem, e por isso muita gente deixa de fazer o tratamento. O tutor, no entanto, deve lembrar de que o não tratamento pode comprometer seriamente a saúde de seu animal”, ressalta Thays.

Crmves informativo 06 dezembro 2016  

Edição de dezembro 2016 do informe CRMV-ES

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