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Sublime Renascer da Fênix Duologia Fênix – Livro 2 1ª Edição – E-book 2015 NINA MÜLLER


Sublime Renascer da Fênix © Copyright 2015 — Nina Müller REVISÃO Carolina Durães de Castro Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares e acontecimentos descritos são produtos da imaginação da autora. Qualquer semelhança com nomes, datas e acontecimentos reais é mera coincidência. Esta obra segue as regras da Nova Ortografia da Língua Portuguesa. Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 10/02/1998. É proibido o armazenamento e/ou a reprodução de qualquer parte dessa obra, através de quaisquer meios — tangível ou intangível — sem o consentimento escrito da autora. Criado no Brasil.


Sumário Dedicatória Agradecimentos Nota da Autora Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 Capítulo 5 Capítulo 6 Capítulo 7 Capítulo 8 Capítulo 9 Capítulo 10 Capítulo 11 Capítulo 12 Capítulo 13 Capítulo 14 Capítulo 15 Capítulo 16 Capítulo 17 Capítulo 18 Capítulo 19 Capítulo 20 Capítulo 21 Capítulo 22 Capítulo 23 Capítulo 24


Capítulo 25 Capítulo 26 Capítulo 27 Capítulo 28 Capítulo 29 Capítulo 30 Capítulo 31 Capítulo 32 Capítulo 33 Capítulo 34 Capítulo 35 Capítulo 36 Capítulo 37 Capítulo 38 Capítulo 39 Capítulo 40 Capítulo 41 Capítulo 42 Capítulo 43 Capítulo 44 Capítulo 45 Epílogo


Dedicatória Dedico essa obra a todos os leitores que amam Fênix. Esse livro é para vocês, fenexianos!


Agradecimentos Agradeço, sobretudo, a Deus por ter me concedido o dom da escrita. Muito obrigada, Senhor. Meus agradecimentos às minhas amigas e leitoras betas, Lígia de Carvalho e Maria Augusta Farias, bem como a todos os demais leitores e colaboradores que se empenharam em tornar essa obra ainda mais brilhante. Não faria nada sem vocês. Amo a todos! Carol, minha revisora querida, agradeço pelo seu empenho e pelos dias que você se dedicou a minha obra. Obrigada por tudo! Um beijo grande para você! Obrigada a todos que lerão esse desfecho repleto de muitas emoções e surpresas. Zeus e Afrodite também agradecem!


Nota da Autora Foram realizadas algumas pequenas modificações na obra, mas nada que implique em seu enredo. A você que está lendo, espero que aprecie a leitura.


Capítulo 1 Alexander

É irônico, mas qualquer um daria a vida para ser quem eu sou e ter o que eu tenho. Menos eu! Abro os braços e me aproximo da borda. Olho para baixo e vejo os carros cruzarem a movimentada avenida. Observando aqui de cima, tudo é muito pequeno e calmo. Nem parece a barulhenta e agitada metrópole de sempre. Ergo os olhos e avisto raios anunciarem uma chuva. A brisa sopra suave em meu rosto e eu aspiro profundamente para senti-la em meus pulmões. O ar da noite está gelado, mas pouco se compara ao frio que habita em meu peito. A gélida e amarga presença dos sentimentos tem sido minha companhia constante nos últimos quatro meses. Nunca senti tanto amor e tanta dor misturados juntos dentro de mim. As sensações me transformaram em um novo homem e este novo eu tem sentido na pele e em dobro os sentimentos que outrora estavam trancafiados. Até os pesadelos, que antes me atormentavam de vez em quando, hoje me fazem companhia. Quanto às crises de pânico, também não dou importância a elas que vez ou outra batem em minha porta, despertando-me para o horror. Com muita dificuldade eu saio delas e visto minha máscara de Homem de Aço. Tenho sobrevivido duramente fora da minha redoma de vidro. Os dias estão passando lentamente, causando-me agonia. Divido a rotina entre trabalhar, malhar e trabalhar. Não vou a reuniões da sociedade, nem a eventos e muito menos a festas. Não sinto vontade alguma de mostrar aos demais que participo da hipocrisia que comanda as rodinhas da classe abastada. Desde que ela me deixou e partiu para não mais voltar, eu tenho sido a sombra de um homem duro e implacável. Proibi todos de pronunciarem seu nome. O nome daquela que me despertou para a vida e ao mesmo tempo para a morte. Ela apenas deixou um rastro de cinzas e desalento por onde passou e nada mais. Faz mais de sete meses que ela se foi. Não tenho notícias dela e não procuro saber. E é assim que será! Afinal, ela me expulsou da sua vida, não acreditou em minha palavra e me acusou de ser covarde e ardiloso. Feriu profundamente o meu coração e, depois, arrancou-o de dentro do meu peito, deixando apenas um buraco vazio e negro. Volto o olhar para baixo e percebo uma pequena aglomeração de pessoas começarem a se formar diante do edifício da companhia. Parece que algum filho da puta chamou a imprensa e a polícia. Será que ninguém mais pode subir no terraço de sua própria construção para apreciar uma tempestade se aproximar, que vem sempre um abutre para acabar com a diversão? Eu só quero apreciar o ar da noite de cima de meu prédio. Que mal há nisso?


Ouço um barulho na porta e logo uma voz ecoa em meus ouvidos. — Senhor Alexander, o que está fazendo aqui em cima? — indaga Pierre às minhas costas. — Olá, Pierre. Estou observando a noite. Por quê? — respondo sem olhá-lo enquanto inclino a cabeça e vejo que a aglomeração de pessoas que cresce lá embaixo. — Senhor, por favor, saia da beirada do terraço — implora com voz abafada. O coitado está preocupado comigo por eu estar tão próximo da borda de concreto. Giro o corpo lentamente e encontro seus olhos castanhos aflitos sobre mim. Ele respira fundo e sinto que está nervoso. Merda! Não quero que ele vá parar no pronto socorro devido à alteração de sua pressão arterial. Pierre é como um pai para mim e nunca me perdoaria se ele passasse mal por minha causa. — Pierre, quem chamou a imprensa e a polícia? — Eu me movo em sua direção e ele suaviza a expressão. — Não sei senhor, por quê? — Bando de abutres! Não sei o que fazem em frente a empresa a essa hora! — Afinal, o que o senhor faz aqui? — indaga enquanto se move ao meu lado em direção a saída. — Como eu disse, estava apreciando a noite, a tempestade, respirando ar puro. — Eu lanço um olhar para ele que me olha com desconfiança. Neste instante Carlos aparece para se juntar a nós. — Senhor Alexander, acho melhor o senhor sair pelos fundos da empresa. A aglomeração está grande lá fora — aconselha o meu motorista. — Maldita imprensa! Nunca vão me deixar em paz? — indago caminhando na companhia deles até o elevador. Deixamos a empresa abaixo de raios e trovões. A chuva veio forte, assim como os malditos paparazzi que nos seguem tirando fotos. A aglomeração é tão grande que Carlos tem um pouco de dificuldade em colocar o carro em pleno movimento. Momentos depois, eu estou cruzando o corredor em direção ao escritório da minha casa em companhia de Ernani, que me segue. Ele estava me esperando e pelo jeito não é para tratar de assunto trivial, senão ele teria deixado para discutir sobre isso amanhã, na empresa. Eu me acomodo atrás da mesa e ele se senta diante de mim com um envelope nas mãos e o semblante preocupado. — O que você tem ai, Ernani? — Senhor Alexander, aqui está o resultado do exame de DNA que o senhor conseguiu na justiça. — Ele me entrega o envelope que contém o conteúdo precioso. Tive que recorrer às leis para conseguir com que Samara deixasse ser realizado um exame laboratorial de paternidade. Somente depois da autorização do juiz competente é que eu pude realizar o procedimento. A ruiva não queria de jeito algum que eu descobrisse se o filho que ela teve é meu ou não. Tiro os papéis e começo a ler atentamente as informações. Solto um ar aliviado e caio sentado


na cadeira ao constatar que o exame deu negativo. Neste instante é como se um fardo fosse removido de meus ombros. Graças a Deus o filho que a Samara tem não é meu. Eu tinha certeza que eu não era o pai dessa criança. Afinal, depois da noite que ela armou tudo para cima de mim me dopando com boa noite cinderela, eu fui me informar sobre quais chances eu tinha de ter feito sexo, ou até mesmo ejaculado enquanto estava desacordado. E o médico, um dos mais renomados da cidade, me disse que as chances eram mínimas. Portanto, depois de padecer durante esses meses, cogitando a ideia de ser o pai do filho da ruiva, eu finalmente respiro aliviado. — A notícia é boa, senhor? — indaga meu funcionário me fitando especulativamente. — É uma das melhores notícias que eu recebi em toda a minha vida! — desabafo levantado para guardar o documento no meu cofre pessoal. — Que bom! — Alguém mais sabe sobre o resultado desse exame? — Eu retorno para me acomodar a cadeira. — Acredito que todos os envolvidos foram intimados sobre o conteúdo do documento. — Claro que sim, uma vez que foi feito via judicial — declaro me recordando que recebi no dia de hoje a intimação da justiça de que o exame de DNA estava pronto. — Agora é esperar pela retaliação da Samara e do Vicente. Tenho certeza que algo de ruim está por vir. — O que o senhor acha que eles farão? — Não sei... — respondo pensativo. — Talvez Vicente até venha conversar comigo e me pedir desculpas pelo ocorrido. Mas acho improvável, pois a nossa convivência dentro da empresa se tornou insuportável depois de tudo que aconteceu. Mas uma coisa é certa, Samara não deixará isso barato. — Essa moça é um perigo! — exclama se levantando. — Samara é uma louca que precisa de tratamento psiquiátrico urgente, Ernani. Isso é fato! — argumento sabendo que a ruiva está fora de controle. — O senhor vai precisar de mim? — Não, isso era tudo! A gente se vê amanhã na empresa. — Boa noite! — Ele se despede e sai do escritório. Deixo o corpo descansar na cadeira enquanto a sensação de alívio me invade. Finalmente eu estou mais tranquilo após todos esses meses em que a dúvida me torturou sem me dar nenhum dia de trégua. Samara foi a responsável por transformar os meus dias, que antes eram coloridos e que agora são negros. Devido a sua artimanha que eu perdi aquela que amo para sempre e isso não tem volta. E de imediato eu em recordo dos doces momentos vividos ao lado dela, onde eu estava acordando para a vida e para tudo de bom que ela me oferecia. Agora há em mim somente uma cicatriz profunda e dolorosa. Mais dolorosa que todas que senti até hoje. E esta me acompanhará para sempre. Abro a gaveta da escrivaninha e tiro debaixo de alguns papéis, um porta-retratos que tem uma foto de nós dois. Foto esta tirada naquele lindo domingo no parque. Seu lindo sorriso e seus olhos


verdes são tudo que vejo diante de mim. Neste instante o coração martela angustiado em meu peito, enquanto os sentimentos inundam-me, deixando-me perdido outra vez. Saudades e lembranças. Nada mais! *** O dia na empresa está agitado como sempre. Ainda mais depois que Vicente ficou ciente do resultado do exame de DNA, que me excluía da paternidade de seu neto. Mais, cedo quando cheguei, eu e ele acabamos cruzando pelos corredores e vi em seu semblante que ele está furioso. O velho amigo que eu tinha hoje se tornou meu mais novo inimigo. Eu não o considero assim, mas a recíproca não é verdadeira, infelizmente. Tenho observado que em quase todas as reuniões, Vicente tem feito de tudo para contrariar a minha opinião, sempre batendo de frente comigo. E ele faz isso de propósito para se vingar de mim. O vice-presidente da minha própria empresa anda fodendo com os meus negócios, colocando empecilho em tudo e ideias negativas na cabeças dos demais sócios. Quem está me surpreendendo é Estela, que não se deixa influenciar pelo pensamento do velho Vicente Fagundes. Ao contrário do que eu pensei, a megera loira tem me apoiado entre uma reunião e outra, expondo os argumentos e se posicionando, na maioria das vezes, contra as ideias de Vicente. Essa atitude da Estela tem me deixado muito reflexivo, pois antigamente era ela que fodia com tudo, se intrometendo em meus assuntos. O que será que Estela quer demonstrando sua bondade repentina? Depois que eu recebi o resultado do exame, pensei que teria uma boa noite de sono. Ledo engano! Passei a noite rolando de um lado para o outro da cama. E, quando me levantei, mesmo antes das 6h, fui me exercitar um pouco para ver se me acalmava. Mas nem isso me deixou mais relaxado. Preciso fazer algo para descarregar esse estresse que tem me consumido. Eu preciso trepar! Ligo para Daniela e digo a ela que mande Ernani vir imediatamente em minha sala. Em poucos instantes, o meu braço direito está parado em minha frente, aguardando ordens como de praxe. — Ernani, eu quero que você ligue para a melhor agência de acompanhante e contrate três mulheres para mim — digo decidido a acabar com a maldita abstinência sexual. — Três, senhor? — Ele para de anotar em seu bloco e me encara de olhos arregalados. — Sim! Você não me ouviu? — Arqueio uma sobrancelha intimidadora para ele que pigarreia piscando os olhos. — Sim, senhor. Três! — repete constrangido. — Quero as mulheres mais safadas e bonitas. Aquelas que fazem de tudo na cama e que não se cansam nunca de uma foda — declaro e vejo que meu funcionário anota tudo sem me fitar. Ernani parece um pouco inibido com o assunto e eu me recordo de imediato que ele e Manolo estão namorando. É óbvio que ele fica assim quando eu começo a usar os meus termos sujos e, e ainda mais quando o assunto é mulher. Ah, foda-se! Eu sou macho e adoro uma sacanagem. Faz tempo que não faço um ménage e estou louco para extravar.


— Mais alguma coisa, senhor? — indaga voltando seus olhos castanhos para mim. — Sim! Quero loiras ou ruivas. Mas nenhuma de cabelo castanho. Você entendeu, Ernani? — Entendi, senhor. Está tudo anotado. Algo mais? — Contrate as garotas e diga ao Carlos o local e horário para pegá-las. Quero as três no meu apartamento, aquele que eu tenho somente para a perversão, até as 9h da noite. Está dispensado! — finalizo impaciente e perturbado demais. Ernani anota tudo e sai para cumprir as minhas ordens. Quero foder garotas que não me lembrem daquela que me deixou. Não quero ter lembrança alguma dela! Deus me livre se aparecer uma de cabelos castanhos. Eu mato o Ernani. Mas sei que ele fará conforme eu ordenei. Afinal, o meu funcionário e braço direito nunca me decepcionou e não será hoje que isso acontecerá. *** — Fode o meu pau, sua cadelinha! — digo para a loira de número um que cumpre a ordem direitinho. — Ruivinha, chupe as minhas bolas. E, divida o meu pau com a loira de número dois. — Aponto para a outra cadelinha que faz o que eu digo. As duas mocinhas passam chupar o meu pau simultaneamente, enquanto a terceira faz o serviço, com a língua em minhas bolas. Não procuro saber o nome das garotas. O meu objetivo é extravazar a minha frustração por pensar somente naquela que desdenhou o meu amor e se foi para não mais voltar. Seguro forte o cabelo da loira de número um e bombeio os quadris freneticamente, enterrando o meu pau em sua boquinha gostosa. Ela quase se afoga e lágrimas saltam dos seus olhos. Meto fundo, tudo para dentro e ela me encara em tom suplicante, com os olhos castanhos arregalados. Deixo a boca da loira de número um e passo a comer a boca da ruivinha que está doida para ser fodida. Empurro forte e duro e sinto a sua garganta. Acontece com ela o mesmo que aconteceu com a sua amiguinha. Em poucos segundos ela está sem ar e com os olhos cheios de água. A outra cadelinha que até agora estava me dando prazer lambendo as minhas bolas dá sinal que quer experimentar o meu pau. E, como estou prestes a gozar, eu saio de dentro da boca da ruiva e, esfomeada, a loira número dois avança sobre mim. Ela chupa com vontade e tenta ter o controle da situação. Eu agarro seu cabelo com força e semicerro os olhos. — Acalme-se, putinha! Quem manda nessa porra sou eu! — aviso em tom duro, metendo fundo e rápido, enquanto as outras duas cadelinhas se beijam e se tocam diante de mim. Eu passo a comer a boca da garota sem piedade. Duro, forte, enterrando até o fundo. Vejo em seu olhar o desejo estampado por estar me satisfazendo e isso não tem preço. Todas se maravilham por estarem sendo fodidas por mim e realizarem os meus desejos. Sempre fui frio e pragmático quando o assunto é sexo e mulheres. Pelo menos, eu era assim antes de conhecer aquela que tornou a minha vida céu e inferno, alternadamente. Dissipo o pensamento para longe e me concentro na transa. Quando sinto que gozarei eu tiro meu pau de dentro da boca da putinha e ela arfa, buscando por ar.


— As cachorrinhas ajoelhem-se na minha frente para beber da minha porra — ordeno massageando o meu pau e elas obedecem. As três se colocam de joelhos diante de mim e abrem a boca, prontas para receber o meu sêmen que é ejaculado de forma intensa. Rosno feito um louco e fecho os olhos sentindo a luxúria preencher o vazio que sinto no peito. — Bebam tudo, putinhas! Tudo! — digo por entredentes, enquanto as três voltam a dividir o meu pau entre lambidas e chupadas. Após me esvair na cara das três, eu sinto que preciso de mais. Muito mais. A necessidade que tenho em fugir da realidade para camuflar o meu sofrimento é imensa. Seguro tanto a ruiva, quanto a loira de número dois pelo cabelo, uma em cada mão, e conduzo-as para a cama. A terceira putinha me segue, fazendo carícias e deslizando a sua língua em meu corpo. Jogo as duas na cama e me volto para a safada que está com a língua agora em meu pescoço, subindo em direção ao meu queixo, com a deliberada intenção de me dar um beijo na boca. — Nem ouse fazer isso, cachorra! — Seguro o pulso da garota com força e lanço um olhar intimidador, fazendo-a recuar de imediato. — Beijo na boca nunca fez parte dos meus acordos pervertidos — rosno e me volto para as outras que esperam loucas pelo meu pau. — Ruivinha, fique de joelhos na cama e empine essa bunda para cima. E você loira de número dois, abra as pernas e mostre a sua boceta para mim — digo deslizando um preservativo no meu pau. As safadinhas fazem o que lhe é ordenado e ficam nas posições que eu peço. Dou umas palmadas bem dadas no traseiro da ruiva que arqueja forte, mordendo os lábios. Volto a atenção para a loira número dois e, segurando firme em seus quadris, eu meto meu pau para dentro. Ela solta um gemido alto devido a penetração brusca enquanto eu me enterro nela. — E você, loira de número um, chupe as minhas bolas! Ela faz o que eu recomendo e se coloca deitada entre mim e a outra cadelinha que está gritando de tanto prazer. Lanço um olhar para a ruivinha, que está massageando o seu clitóris e saio da boceta da putinha que estou comendo, para me preparar para estocar fundo no rabinho da outra garota que me espera em prontidão. Pego um vidro de óleo de cima do criado mudo e espalho em seu canal. Observo que a garota é praticante de sexo anal há algum tempo, e, portanto, eu não terei muita dificuldade na penetração. Ela se contorce excitada e sem dar tempo para processar o que virá a seguir eu a penetro em um único golpe. — Rebola, cadelinha! Rebola bem gostoso! — exijo e ela começa a se mover no mesmo ritmo intenso que as minhas investidas. Sei que não estou sendo nada gentil com as garotas que estão me servindo. Mas esse é o jeito de me punir por estar com o pensamento mergulhado naquela que me negou a luz, deixando-me nas trevas. Não posso sequer pensar em seu nome, quanto mais pronunciá-lo. Não dá! Meu coração não aguenta e meu cérebro não aceita. Estou testando os meus limites a qualquer custo com a intenção de ficar exausto fisicamente, uma vez que emocionalmente eu estou em pedaços. O meu corpo não vale muito depois que a melhor parte


dele está em posse de outra pessoa, que é o meu coração. E, como estou desprovido da melhor parte de mim faz alguns meses, eu não me importo com mais nada. Vivo um dia após o outro, com a esperança que a responsável por me apresentar o amor em sua plenitude, saia da minha cabeça para sempre. Passo a estocar ora no rabinho da ruiva, ora na bocetinha da loira de número dois. Meto fundo e rápido várias vezes enquanto a terceira garota agora lambe o meu corpo, com o olhar carregado de luxúria. Estou prestes a gozar de novo e me reatraio. Não quero ejacular dentro de nenhuma delas. Embora esteja de preservativo, eu me abstenho de cometer algum ato inconsequente. Sei o que isso poderá me custar se algo der errado. Saio de dentro da bocetinha da loira de número dois e ela geme frustrada. — Agora as três cachorras deitem de frente para mim que quero gozar em vocês! — Tiro o preservativo e sinto o orgasmo emergindo com fúria. E a noite de perversão termina comigo ejaculando feito um louco na cara e no corpo das três mulheres que me satisfizeram fisicamente, pois, emocionalmente, ninguém mais me satisfará. Ninguém além daquela que me deixou e levou consigo o meu coração estilhaçado.


Capítulo 2 Três dias depois...

Isadora

Faz trinta minutos ou mais que estou acomodada ao sofá de meu pequeno apartamento e tenho um livro como companhia. Após uma ducha relaxante, estou tentando me concentrar na leitura de um romance do qual eu não lembro sequer o nome. Trabalhei muito durante o dia que tanto o meu corpo, quanto a minha mente, estão exaustos. O emprego que arrumei em uma empresa do ramo da construção civil tem sugado minhas energias. Mas eu não me queixo, pelo contrário, agradeço ter um trabalho que ocupe os meus pensamentos durante o dia. Durante a noite, eles estão todos voltados para Alexander. As lembranças dos nossos momentos juntos é algo que tenho guardado em mim, além do amor e da saudade. A falta que sinto dele é tanta que chega a doer. Embora eu saiba que ele me traiu sorrateiramente com Samara, que deve estar quase parindo um filho dele, eu ainda o amo com todas as minhas forças. E isso tem sido o meu calvário há meses. O som da campainha me tira de meus pensamentos dolorosos. Levanto-me e saio em direção a porta. Para minha completa surpresa, Estela Hoffman surge diante de mim. — Estela! — exclamo surpresa enquanto a loira platinada me abraça apertado. — Oh, Dora! Que saudade! Posso entrar? — Claro! — Estela entra e eu fecho a porta atrás de mim. Ela dá uma rápida olhada ao redor e gira o rosto para me fitar. — Então é neste minúsculo apartamento que você está vivendo? — pergunta deixando sua bolsa em cima de uma poltrona. — Eu gosto dele. É o meu lar — declaro me acomodando ao sofá e fazendo sinal para que ela se sente. Estela torce os lábios nada contente e se acomoda em uma poltrona. — Desculpe-me, Dora, por chegar assim de repente. Mas eu resolvi de vir de última hora. — Confesso que estou surpresa com sua presença — declaro num meio sorriso. — Quer algo para beber? Água? Café? — Não, obrigada — agradece e vai direto ao assunto. — Dora, você precisa voltar.


Agora entendi o motivo de sua viagem repentina: Estela veio me persuadir a retornar a minha antiga vida. Se ela pensa que sua ladainha chorosa que virá a seguir, me fará mudar de ideia, ela está muito enganada. Estou decidida a me manter longe de Alexander e é assim que pretendo continuar. — Eu não voltarei! — declaro convicta. — Ah, você voltará sim. Depois do que eu tenho para dizer, você voltará! Balanço minha cabeça em negativa, enquanto um mar de sentimentos toma conta de meu peito. Eles vêm tão fortes e tão intensos, que meu coração começa a bater em minha garganta. — Estela, eu não quero... — Isadora — Ela me interrompe abruptamente. —, me escute! Você acha que eu sairia da minha comodidade para vir aqui defender o Alex à toa? Fala sério! Você precisa ouvir a verdade dos fatos. — Verdade?! Qual delas? A que ele me traiu com a piranha ruiva ou a que ele não sente amor nem ódio por ninguém? — rosno inquieta me levantando. Estela suspira fundo e retira uma página de jornal de dentro de sua bolsa. Ela se levanta e estica o braço em minha direção. — Acredito que você ainda não viu isso! Aqui está a veracidade dos fatos. Essa matéria foi publicada ontem. Seguro o jornal e as letras embaralham diante dos meus olhos. Busco o ar enquanto tento ler com calma cada linha da matéria jornalística. Segundo o texto, que está na coluna social, Alexander conseguiu perante a justiça um exame de DNA para a comprovação da paternidade do filho da Samara. E, depois de alguns dias ele recebeu o resultado que deu negativo. Ainda diz a matéria que, tanto a ruiva quanto a sua família, exigirão um novo exame em outro laboratório. — Estela, isso... Isso é verdade? — sussurro sem desviar os olhos do jornal. — Sim, é sim! Alex não é o pai do filho da cadelinha ruiva. — Eu arregalo os olhos e volto o olhar para ela. — Meu Deus! Mas e como ele conseguiu fazer esse exame se a criança ainda não nasceu? — pergunto confusa. — O bebê nasceu prematuro, de sete meses. Ele tem menos de vinte dias de vida. Você não soube? — Não! Eu não sabia de nada. — Bem, como você viu a criança não é filha dele. Samara armou para separar vocês e ficar com Alex. Um nó se forma em minha garganta e o ar me falta. Senhor Deus! Como Samara teve a coragem de fazer isso? Como eu fui tola em acreditar nela! Na época, os indícios eram fortes e apontavam para a traição de Alexander. Mas agora, lendo essa matéria e ouvindo todos os argumentos expostos por Estela, eu tenho que admitir que fui sorrateiramente enganada pela ruiva. A pressão é demais para mim. Com a sensação de que o chão me falta abaixo de meus pés, eu procuro pelo sofá e sento com a cabeça em minhas mãos. Dor, saudade e amor emergem com fúria e vem devastando tudo ao redor. As lembranças dos momentos que vivemos juntos surgem em minha mente e comprimem fortemente meu coração.


— Escute — Estela se aproxima e senta-se ao meu lado novamente. —, você precisa voltar! Alex... Ele... — Ela tenta falar mais interrompe a frase. Ergo a cabeça e encontro seus olhos verdes arregalados. — Ele precisa de você, Dora! Alex não é mais a mesma pessoa. Ele mudou muito! — Mudou como? — pergunto preocupada. — Ele se tornou o verdadeiro Homem de Aço em todos os sentidos da palavra. Está mais duro e exigente com os funcionários, não admite ser contestado; esta última não é nenhuma novidade, mas ele está obstinado pelos negócios e pelo jeito voltou aos seus velhos hábitos. — Velhos hábitos? — repito as palavras temendo uma possível resposta vinda da Estela. — Você entendeu o que eu disse. Ele voltou a ser o velho pervertido de sempre. Só que dessa vez, está com o coração mais congelado do que o Polo Norte inteiro! Se Alexander voltou a vida que levava antes de me conhecer, provavelmente ele não passou uma noite sequer sozinho. A sensação que eu tenho é como se tivesse levado um soco na boca do meu estômago. A angústia se manifesta e junto com ela todos os sentimentos que estão trancafiados dentro de mim. — Dora, volte, por favor! — A voz da Estela me desperta dos meus devaneios. — Eu não posso... — digo receosa. Ela se levanta, pega a bolsa e caminha na minha direção. — Deixe de ser cabeça dura, Dora! Retorne e desfaça com esse desentendimento entre vocês dois. Salve a vida do arrogante do Alex antes que ele se perca para sempre! — Estela me dá um beijo no rosto e caminha em direção a porta. — Até breve! Se cuide! — Gira a maçaneta e sai. Eu caio sentada no sofá enquanto os neurônios queimam em meu cérebro. O que acontecerá entre nós dois? Fecho os olhos e deixo a cabeça repousar no encosto estofado. Eu me deixei ludibriar por uma mulher sem escrúpulos como a Samara e acabei cometendo a maior burrada de toda a minha vida. Eu abdiquei do homem que amava por uma armação feita pela piranha ruiva. Se eu voltar, o que pode acontecer? Alexander me perdoará? Eu me perdoarei pelo que fiz a ele? *** Uma semana mais tarde...

Nem acredito que estou de volta em meu velho e espaçoso apartamento. Só Deus sabe o quanto foi difícil tomar essa decisão. Pensei em todas as consequências que a minha volta acarretaria para mim, para Alexander e para os demais e, resolvi seguir o conselho da Estela. Não avisei ninguém da empresa, fora Estela e Manolo, que eu estaria de volta. Não quero que Alexander saiba que retornei. Afinal, não sei qual será a reação dele quando souber que assumi outra vez o meu cargo na companhia.


Abro mais uma das poucas caixas que trouxe na mudança, e me deparo com o quadro que Alexander me deu, alguns dias antes do nosso rompimento. Fixo os olhos no retrato, onde estamos abraçados e sorridentes, e meu coração se contrai angustiado. Lágrimas descem molhando o meu rosto e deixando minha visão embaçada. Acaricio a nossa imagem como se estive acariciando o próprio Alexander. A lembrança do nosso lindo domingo no parque é reprisada em minha memória como um filme romântico. Enxugo as lágrimas com a palma da minha mão e guardo novamente o quadro dentro da caixa. Não tenho forças mais para ficar olhando para ele, nem que seja através de um retrato. Escondi tudo que me lembra do Alexander: esse quadro, o lenço vermelho e o conjunto de lingerie preto, que ganhei dele quando fizemos amor pela primeira vez, sem falar no sino dos ventos e no vinho tinto que continua intacto. É melhor assim! Sei que tenho que seguir adiante, no entanto a única coisa que eu preciso aprender é como fazer isso. Ainda mais agora que terei que conviver com ele outra vez, trabalhando na mesma empresa e dividindo a mesma sala de reuniões. Não sei se estou preparada para encontrá-lo de novo. E será que ele está preparado para me encontrar? Bem, eu descobrirei isso amanhã. Deixo a caixa no quarto de hóspedes e ouço o som do interfone. O porteiro me avisa que Manolo e um amigo estão aqui para me vê. Aviso a ele que os dois podem subir e minutos depois a campainha toca. Abro a porta e vejo o meu melhor amigo na companhia do Ernani. Eu não estou surpresa com a presença do braço direito do Alexander em minha casa, pois sei que ele e Manolo estão namorando. — Afrodite! Que saudade! — Manolo dá um gritinho me abraçando apertado. — Oi, Manolo! Eu estava com saudades de você também! — exclamo com ternura e ele me dá um rápido selinho nos lábios que é assistido pelo seu companheiro. Abro um sorriso sem jeito Ernani estende a mão para mim educadamente. — Olá, senhorita Isadora. Como vai? — diz ele em sua costumeira polidez. — Estou bem. Por favor, entrem. — os dois passam por mim e eu fecho a porta. — Por favor, não reparem a bagunça, é que ainda não deu tempo de desencaixotar tudo. — Dorinha, por que você não me avisou que precisava de ajuda?! — ralha Manolo com os olhos voltados para as poucas caixas que estão em um canto. — Eu não quis incomodar. Além do mais, são apenas algumas caixas. — Isso me lembra da outra mudança a qual o senhor Alexander a ajudou — Manolo fala sem pensar e logo se arrepende colocando a mão sobre a boca, e arregalando os olhos. Sem jeito devido ao comentário feito pelo namorado, Ernani pigarreia e lança um olhar breve em direção ao Manolo. As palavras proferidas pelo meu amigo me despertam uma ansiedade enorme. Só que além da inquietação, vem com ela o amor e a saudade dos velhos e bons tempos. Tento dissipar o pensamento para longe, pois não quero que eles percebam que fiquei abalada. — Oh, Dora! Me desculpe! Eu... Eu sou um língua de trapo mesmo — diz, xingando a si mesmo enquanto se acomoda ao sofá ao lado do namorado. — Ernani vive me dizendo para controlar a minha impulsividade e sempre acabo cometendo uma gafe, como agora. — Ele abaixa os olhos,


visivelmente constrangido. — Eu tenho recomendado isso a ele, senhorita Isadora. Mas nem sempre Manolo consegue colocar freios em suas palavras. — Está tudo bem, gente! Fiquem tranquilos! — Abro um sorriso tentando amenizar a situação. — Vocês gostariam de beber algo? Acho que eu devo ter uma garrafa de suco na geladeira. — Oh, não se preocupe. Nós viemos para ver como você está — responde Manolo me olhando sorridente. — Eu estou bem. Estou um pouco cansada, mas é da viagem e também da mudança. — Eu tenho uma novidade! — antecipa-se Manolo com o olhar brilhante. — Eu e o Ernani estamos pensando em morar juntos e depois oficializar a nossa união. — Ele lança um olhar repleto de sentimento para o namorado e posso ver corações apaixonados saltando de seus olhos. Manolo segura firme a mão do namorado e o meu sorriso se alarga. Manolo e Ernani são muito diferentes, tanto física como psicologicamente. Manolo fez 28 anos é alto, magro, cabelo castanho sempre arrepiado para cima, olhos verdes alegres e curiosos. É mais despojado e extrovertido. Ernani tem 42 anos, estatura mediana, tem a cabeça raspada e olhos castanhos. É muito centrado e por vezes, calado também. Mas como diz o velho ditado, os opostos de atraem. E isso se aplica aos dois. — Que maravilha! Desejo que vocês sejam muito felizes! — digo com sinceridade, pois sei que os dois se amam. — Obrigada, senhorita Isadora — agradece Ernani um pouco sem jeito devido ao estilo espontâneo que Manolo tem. — Ansiosa para reassumir o cargo? — indaga Manolo curioso. — Um pouco... — admito tensa. Se eles soubessem o quanto eu estou receosa, não me fariam essa pergunta. — Será bom tê-la de volta, senhorita Isadora. A empresa está precisando de você! — diz Ernani me encarando com ar sugestivo e percebo que ele não está se referindo a empresa propriamente dita. — Ernani, eu gostaria de fazer um pedido — adianto-me nervosa. — Sim! É só dizer. — Eu não quero que Alexander saiba que estou de volta. — Os dois se entreolham surpresos. — Não sei se ele está pronto para me receber novamente na empresa. — Fique tranquila quanto a isso. O senhor Alexander não saberá de nada — assegura Ernani em tom firme. — É melhor assim! — Sorrio um pouco aliviada. Conversamos um pouco mais e depois Manolo e Ernani vão embora. Ansiosa demais para o dia de amanhã, eu nem consigo comer o meu lanche direito. Optei por fazer um sanduíche com pão, presunto e queijo em vez de sair para comer algo fora. Após o lanche, eu tomo um banho e caio na cama. Permaneço por um momento apenas olhando


para o teto. Amanhã eu estarei frente a frente com o homem que amo de maneira mensurável e não sei como será o nosso reencontro. A única coisa que tenho certeza é que ele será explosivo em todos os sentidos.


Capítulo 3 Alexander

— Ernani, que merda é essa? — bufo puto de raiva analisando o documento que está em minhas mãos. Nele está escrito que Vicente vendeu as suas cotas e sequer me comunicou. — Senhor, eu fiquei perplexo quando soube da notícia — confessa meu funcionário. — Vicente ficou louco? Ele quer foder com a empresa pelo que aconteceu com Samara? A filha dele arma uma gravidez para me destruir e eu sou o culpado? Isso é o fim! — esbravejo deixando o papel em cima da mesa e me levantando, nervoso. — Ainda tem mais, senhor Alexander. — Mais?! — Arregalo os olhos, apavorado. — Sim. O senhor Vicente vendeu as cotas dele para um terceiro que não faz parte dos sócios da empresa — Ernani fala e eu vou a loucura. — Mas isso está ficando cada vez pior! Quem adquiriu essas cotas? — Foi o senhor Roberto Gusmão. O nome dito por Ernani faz ferver os meus neurônios instantaneamente. Agora não resta dúvida que Vicente quer me punir pelo que aconteceu com Samara. O homem que eu tinha como amigo e que eu confiava, acabou de me apunhalar pelas costas vendendo as suas ações para um empresário inexperiente, que está crescendo no mercado. Roberto vem ganhando destaque nos últimos 5 anos no ramo do aço e além de ser considerado um dos meus rivais, agora é o meu mais novo sócio. E se não bastasse isso, ao adquirir as cotas do Vicente, Roberto se torna vice-presidente da minha empresa! Eu me sento na cadeira e busco o ar nos pulmões. O sangue está sendo bombeado com tanta rapidez em minhas veias que as sinto queimarem ligeiramente. Não acredito no que está acontecendo. Desde quando eu não tenho mais a porra do controle dos meus negócios? Eu estava tão cego e enfiado em meu mundinho, deixando todos os sentimentos me invadir por inteiro que não vi o que acontecia ao meu redor. A minha vida esteve ruindo e somente agora é que eu fui perceber? — Ernani, Roberto está aqui hoje? — Sim, ele está e ao que tudo indica marcou uma reunião para a primeira hora da tarde. — Ele teve a petulância de marcar uma reunião sem me comunicar? Ele acha que pode entrar na minha empresa e sair ditando ordens? Está muito enganado! — Eu me levanto decidido a acabar com a farra o mais rápido possível. — O desgraçado está na sala que Vicente ocupava? — Sim, ele está e trouxe alguns pertences pessoais que ainda estão dentro das caixas.


— Excelente! Assim fica mais fácil enxotá-lo com as suas tralhas — declaro entredentes abrindo a porta e cruzando a passos largos até o elevador. Ernani me segue preocupado. — O senhor precisa de ajuda? — Não se preocupe comigo, Ernani. Qualquer coisa eu chamo os seguranças para colocar Gusmão para fora da empresa. — Aperto o botão do andar desejado e as portas se fecham. A irritação que toma conta de mim é gigantesca e me transforma quase em um homem das cavernas. Afrouxo um pouco a gravata, pois sinto que o ar me falta outra vez. Abotoo o segundo botão do terno e fixo os olhos nas portas de metal. Instantes depois elas se abrem e eu saio pisando duro. Passo pela secretária que antes era do Vicente e que agora é do Roberto e ela prende a respiração. Parece que a coitada adivinha o motivo da minha visita repentina e se prepara para o que virá a seguir: um duelo. Abro a porta sem ser anunciado e encontro o filho da mãe acomodado atrás da mesa. Em um canto da sala estão algumas caixas com os seus pertences pessoais que nem foram desencaixotadas. Desvio o olhar dos objetos e, semicerrando os olhos, eu me aproximo. Roberto levanta a cabeça e me encara com um sorriso zombeteiro nos lábios. — Bom dia, Bismarck. Você não costuma ser anunciado antes de entrar na sala dos seus sócios? — pergunta com ironia, deixando os papéis que estava analisando de lado para me fulminar com seus olhos castanhos. — Sócio?! — Arqueio uma sobrancelha parando diante da mesa. — Roberto, você é um intruso em minha empresa, mas jamais será meu sócio. — Você e sua arrogância sem medidas. Que bela dupla! — Ele abre um sorriso cínico e se recosta na cadeira tranquilamente. — Prefiro ser tratado como arrogante ao me tratarem como hipócrita. — Devolvo na mesma moeda. — O que você está fazendo aqui? — Alexander, eu sou o vice-presidente dessa companhia agora. Tomei posse em meu cargo e, pelo que me disseram essa é a minha sala a partir de hoje. — Você acha que tem poder aqui só porque adquiriu as cotas do Vicente? Aliás, cotas essas que ele deveria ter me consultado antes de vender. Sabe que isso é ilegal, Roberto! — Eu o alerto em tom duro e ele ri. O filho da mãe tem a audácia de debochar da minha cara. — A gente pode conversar sobre isso na primeira hora da tarde. — Não tenho nada para conversar com você. Pegue as suas tralhas e suma da minha empresa! — Exijo enfurecido e ele lança um olhar entediado para o relógio de pulso, me ignorando. Essa é a gota d’água. Eu inclino o tronco para frente e espalmo as mãos sobre o vidro da mesa. — Roberto, você tem até o meio-dia de hoje para dar o fora daqui ou eu mesmo dou um pontapés em sua bunda e o atiro no meio da avenida. — Alexander, eu sei que não somos grandes amigos, mas quer você queira, quer não, sou o seu sócio. — Ele abre uma gaveta e tira uma pasta, colocando-a sobre a mesa. — Está tudo aqui e, principalmente, está tudo dentro da lei.


Analiso os papéis e constato, para o meu pesar, que Roberto está falando a verdade. Embora Vicente tenha quebrado uma das cláusulas mais importantes do contrato, qual seja vender as cotas para um terceiro sem antes comunicar aos demais sócios, eu não posso deixar de admitir que esse documento seja legal. Mas como não quero me dar por vencido, eu deixo os papéis na mesa e volto a encará-lo friamente. — Não me interessa o conteúdo desse documento. Quero você fora da minha empresa e quero isso hoje! — rosno voltando a posição vertical. — Quer um conselho, Bismarck? Esfrie a cabeça e depois a gente conversa sobre isso na reunião — sugere tentando colocar panos quentes. — Você acha mesmo que eu deixarei você comandar essa reunião? — E quem disse que serei eu a presidi-la? — Ele arqueia uma sobrancelha especulativa. — Não estou aqui para tomar o seu lugar, se é isso que você pensa. Estou aqui apenas para trabalhar e tentar ajudar a empresa a crescer cada vez mais no ramo do aço. Penso por um momento e o melhor que eu tenho a fazer por hora, é entrar no jogo do filho da mãe. Deixarei que ele pense que eu estou do seu lado, para depois encontrar uma falha nesse maldito acordo e enxotá-lo porta afora. — Muito bem Gusmão, eu só quero que você entenda duas coisas. Primeiro, nós não seremos amigos, e sim colegas de trabalho; segundo, quem organiza ou deixa de organizar as reuniões nesta empresa sou eu! Que isso fique claro! — concluo em tom firme. — Alexander, você está irritado porque o seu novo sócio e vice-presidente da empresa convocou uma reunião para se apresentar? — Eu estou furioso porque você não me comunicou sobre essa reunião! — Como não? Eu avisei a uma de suas secretárias sobre o assunto um pouco mais cedo. Ela não te avisou? — Qual das minhas secretárias você deu o aviso? — pergunto desconfiado, pois se for a Vanessa é muito provável que ela possa ter se esquecido de me avisar. A garota vive no mundo da lua ultimamente. — O nome dela é Vanessa — responde e eu respiro fundo. — Bem, eu falarei com ela. E quanto à reunião, ela está marcada e acontecerá na sala de conferências e eu a presidirei. Até depois! Eu deixo a sala do Roberto e subo para o meu andar. Preciso conversar com a minha secretária e saber o porquê ela se esqueceu de me avisar. Detesto gente incompetente que não passa os recados e vive com a cabeça no mundo da lua. E a Vanessa vez ou outra anda agindo assim. Ela precisa saber que trabalha em uma empresa grande e que exerce funções que demandam disciplina e responsabilidade. Eu me aproximo de sua mesa e a chamo para a minha sala. Vanessa se levanta ajeitando o vestido reto e começa a caminhar atrás de mim, fazendo barulho desnecessário em seus sapatos de salto alto. Eu me sento na cadeira executiva e a mocinha para diante de mim acomodando uma mecha


do cabelo loiro atrás da orelha e os óculos de grau ao rosto. Vanessa parece um pouco nervosa, pois vejo a pasta que ela tem em mãos começar a tremer levemente. — Vanessa, você está bem? — Si-Sim, senhor Alexander — gagueja enquanto me fita sem pestanejar. — Nós precisamos conversar — declaro inclinando o corpo para frente e apoiando os braços sobre a mesa. Neste instante, eu a pego em flagrante analisando as minhas mãos e subindo com o olhar em meus braços cobertos pelo terno. Contenho um sorriso divertido e percebo que a minha presença a afeta. — Perdeu alguma coisa, Vanessa? — A minha pergunta a faz corar instantaneamente. Ela pigarreia, desvia os olhos de mim e volta a ajeitar os óculos como se esse gesto fosse uma mania que ela tenha. — Não, senhor! — responde engolindo em seco e com as bochechas em chamas. Enquanto a minha secretária está tendo uma crise de progesterona na minha frente, eu estou me divertindo por dentro, mas com o semblante totalmente neutro. — Pois não é o que parece. — Ela arregala os olhos azuis. — Você não tinha um recado do senhor Roberto Gusmão para me entregar mais cedo? — Oh, me... me des-desculpe, senhor Alexander. Como eu sai mais cedo ontem para ir ao médico, eu acabei deixando algumas coisas para serem resolvidas hoje e... E o trabalho de ontem acumulou e eu acabei me esquecendo de avisar. Eu sinto muito — ela se explica, visivelmente constrangida abaixando os olhos e fixando-os na pasta que traz em suas mãos. — Eu prezo pessoas que são dedicadas e perspicazes, mas, sobretudo, prezo as que têm responsabilidade e disciplina. Que seja a primeira e última vez que isso aconteça. Você está fazendo seu MBA e tem boas notas, tem boa conduta aqui dentro e eu espero que continue assim. — Ela ergue os olhos e me encara aliviada. — Obrigada! — Sorri com o olhar brilhante. — Isso era tudo — digo voltando a atenção aos papéis. Vanessa gira o corpo e sai. Espero que ela tenha escutado o meu conselho, pois detestaria ter que colocá-la na rua por ineficiência. Ela trabalha há três anos aqui e eu não tenho queixas dela. Sei que é uma boa moça, embora seja um pouco dispersa em seus afazeres. A coitada estava atarefada no trabalho quando recebeu a ligação do Roberto e se esqueceu de me passar o recado. Termino de assinar uns papéis referentes a um novo contrato com uma empresa nacional e saio até a mesinha onde há uma garrafa com café. Para o meu pesar, ela está vazia. Mas que diabos deu no pessoal da copa que não trouxe o meu café? Sei que são raras as vezes que eu bebo café no expediente de trabalho, pois quase nunca tenho tempo para isso. E, justamente hoje, que estou sentindo necessidade de cafeína no meu organismo, a garrafa está vazia. A solução é pegar o café na recepção. Abro a porta e caminho até ao balcão. Estou absorto, de cabeça baixa, pensando na maldita reunião de logo mais, que quando ergo o olhar o meu mundo dá um giro de 180 graus. A minha frente, a uma distância segura, está a mulher que foi responsável por despertar em mim todos os sentimentos


adormecidos. Isadora De Luca Medeiros está entretida conversando com Estela e com Marco Ramírez. Eu interrompo os passos no meio do saguão e fico inerte. O meu coração bate com tanta intensidade dentro do peito que parece que vai saltar para fora da minha boca. A respiração me falta, bem como a razão. Isadora gira o rosto lentamente e nossos olhos finalmente se encontram depois de meses. Neste momento eu não vejo mais nada além dela. Parece que todos ao redor sumiram e somente há eu e ela na recepção. A saudade e o amor vêm forte assim como a dor e a solidão. Eu não pisco e somente a encaro de longe. Ela está linda como sempre, embora esteja um pouco mais magra e com olheiras debaixo de seus olhos verdes. Eu analiso cada milímetro dela. Os pés pequenos em uma sandália branca, as pernas bem torneadas e lisas cobertas até o joelho por um vestido creme, o busto generoso escondido em um decote bem comportado e finalmente o seu rosto delicado. Encaro seus olhos, que são duas esmeraldas que brilham para mim, e desço o olhar para contemplar a sua boca carnuda, que está pintada com gloss labial rosa. Ah, essa boca! Quanta saudade eu senti dos seus beijos, do seu corpo, da sua voz, da sua presença. Quanta falta Isadora me fez! Volto a encarar seus olhos e vejo todos os sentimentos explícitos emergirem com fúria e chegarem até mim. Amor, dor, saudade, desejo: tudo isso se faz presente entre nós dois. Isadora ofega, passa a língua nos lábios e percebo que está ela está tão afetada quanto eu. Com os dedos trêmulos, ela ajeita uma mecha do seu cabelo cor de chocolate atrás da orelha e noto o esmalte em suas unhas em tom de vermelho. A cor do pecado, da paixão, da sedução. A sua cor favorita! Pisco rapidamente, saindo do transe momentâneo que me encontro e visto a minha máscara de aço. E, controlando os sentimentos que transbordam violentamente em mim, giro o corpo e volto a me mover em direção a minha sala. Ao passar pela mesa da Daniela, uma das minhas secretárias, ela ajeita uns papéis e ergue os olhos para mim. — Senhor Alexander, tem um pessoal da filial da Espanha que lhe espera para... — Desmarque todos os meus compromissos da manhã — digo com voz embargada, sentindo o corpo queimar de tanta paixão. — Mas, senhor... — Passe o assunto para o Marco. — Eu entro em minha sala, fecho a porta e saio em direção à cadeira, onde caio sentado. O choque ao rever Isadora é tão grande que meu corpo inteiro está em combustão. Todas as minhas células estão ardendo em uma mistura de amor e raiva. Os sentimentos desconexos invadem o meu peito e se espalham pelo meu corpo. Sentindo-me sufocado, eu arranco a gravata por cima da cabeça e abro os primeiros botões da minha camisa. Preciso de ar! Preciso de razão! Respiro profundamente várias vezes e busco o autocontrole que se foi. Fecho os olhos e a única coisa que vejo é Isadora. Ela voltou! A mulher que foi responsável por libertar todos os sentimentos trancafiados dentro de mim está de volta. O que ela está fazendo aqui? Uma visita? Um passeio? Ou veio para ficar? Abro os olhos e afundo a cabeça em minhas mãos. O melhor pedaço de mim está aqui e resta-me


saber se ela trouxe consigo o coração, que arrancou do meu peito.


Capítulo 4 Isadora

Não sei descrever o que estou sentindo após rever Alexander. A única coisa que sei é que eu não sinto o chão abaixo dos meus pés e tudo ao redor está inerte. Embora eu soubesse que as chances de encontrá-lo eram prementes, mesmo assim eu não estava preparada para a intensidade de emoções que aconteceu agora há pouco. Estela e Marco ainda conversam algo que eu não faço ideia do que seja, pois a minha mente está desligada com o mundo exterior. A confusão de sentimentos que toma conta de mim é tão intensa, que não consigo mais me concentrar em nada. Dou uma desculpa qualquer para os dois e saio rapidamente em direção a minha sala. As minhas pernas estão tão bambas, que não sei como consigo caminhar. Neste instante me dou conta de que estava prendendo a respiração até agora e busco o ar nos pulmões. Eu me apoio na parede de concreto e respiro com muita dificuldade. O corpo inteiro está tremendo. Sinto o coração batendo em minha garganta e o sangue ser bombeado com rapidez em minhas veias. Amor, paixão, angústia e saudade me inundam por completo. Não tem uma partícula de mim que não esteja viva e pulsando intensamente. Quando chego a minha sala, passo como um foguete por Manolo e Luana, que me lançam um olhar especulativo. Manolo arregala os olhos e tenta manter uma comunicação verbal comigo. — Dorinha, está tudo bem? — pergunta preocupado enquanto eu passo por ele. — Eu preciso ficar sozinha! — sussurro, entrando e fechando a porta. Sento na cadeira parece que tudo ao redor está girando, assim como a minha cabeça. Eu sabia que rever Alexander causaria um efeito intenso em mim, porém não sabia que esse efeito seria devastador. Ele continua lindo, sedutor e másculo, embora esteja um pouco abatido. Mas o porte elegante que ele ostentava vestindo o seu terno grafite continua o mesmo. Encará-lo foi como reviver todos os sentimentos que tenho em mim. Quando Alexander me olhou eu vi os seus olhos se transformar em duas bolas de fogo que imediatamente queimaram a minha pele. Eu ardia por inteiro e fiquei presa em seu cativeiro azulado, completamente sem ação. Não enxergava mais nada em minha frente que não fosse ele. Meus olhos me traíram e em fração de segundos eu passei a analisar cada traço seu, para graválo ainda mais em minha memória. O cabelo negro estava cuidadosamente penteado, o formato quadrado do seu rosto ostentava a costumeira barba cerrada, a covinha em seu queixo estava lá, assim como o nariz afilado e bem desenhado. Mas o que me deixou abalada e fora de mim, foi a sua


boca de lábios carnudos e sensuais. Senti tanta saudade dos seus lábios colados aos meus, das suas mãos grandes acariciando o meu corpo, do seu cheiro viril que me enlouquece. A falta que senti de Alexander foi tanta que chega a doer. Levanto-me devagar e vou me servir de um copo de água. Bebo o líquido de uma só vez na tentativa de me acalmar um pouco. Deixo o copo sobre a mesinha de canto e volto a me acomodar na cadeira. Percebo no relógio do monitor do meu notebook que já passa das 11h da manhã. Neste momento eu deveria estar saindo para almoçar, mas perdi completamente a fome. Segundo informações da Estela, na primeira hora da tarde teremos uma reunião para apresentar o novo sócio da empresa. Parece que um empresário que é desafeto de Alexander adquiriu as cotas que eram do senhor Vicente. Boa tentativa do pai da Samara de se vingar do seu sócio, vendendo as suas ações para um rival de mercado, que por ironia, acaba de se tornar aliado no mundo dos negócios. Como enfrentarei Alexander na sala de conferências? Como ele reagirá ao saber que estou de volta ao time? Deus do céu! Eu preciso me acalmar! Coloco os óculos de grau com as mãos ainda um pouco trêmulas e abro a pasta de documentos, a qual contém a pauta da reunião. Tento me concentrar na leitura, mas é em vão. Alexander ocupa todos os meus pensamentos e não há espaço para mais nada além dele. Leio o primeiro parágrafo e quando chego ao final da última linha eu tenho que retomar a leitura, pois tamanha é a minha dispersão. Deixo a pauta de lado e recosto-me na cadeira. Fixo os olhos no teto e penso em todas as consequências que esse encontro frente a frente com o Alexander acarretará. Ele não virá me receber com flores, tampouco com sorrisos. Vi em seu olhar que todos os sentimentos estão presentes nele. Mas o que mais me despertou a atenção foi a mudança no brilho dos seus olhos. Quando ele me viu eles estavam resplandecendo o fogo da paixão, porém, pouco antes de ele girar o corpo e voltar para a sua sala, os seus olhos estavam frios. Será que Alexander se tornou de verdade o Homem de Aço que Estela mencionou outro dia? Muito em breve eu descobrirei! *** Chego à sala de conferências e me deparo com um homem alto, vestindo um terno cinza claro, cabelos e olhos castanhos e com a pele ligeiramente bronzeada do sol. Ele abre um sorriso sensual em seus lábios e analisa meu corpo de cima abaixo. Sinto as bochechas pegarem fogo e desvio o olhar do estranho. Ele está conversando de pé com Marco, mas em vez de estar concentrado em seu assunto o desconhecido me segue com o olhar até eu me acomodar a uma cadeira ao redor da mesa. Certamente que o tal homem é o mais novo sócio, Roberto Gusmão e eu acerto em cheio quando ouço Estela chegar e cumprimentá-lo, chamando-o pelo nome. A loira platinada se senta ao meu lado e abre um sorrisinho enigmático em seus lábios rosados. — O que achou do nosso novo sócio? Gato, não é? — Ela lança uma olhar para Roberto que lhe sorri. Estela devolve o cumprimento e se volta para mim. — Ele tem um sorriso quente, não acha? — Eu nem percebi — respondo com os olhos voltados para os papéis em minha frente. Estela solta uma risadinha abafada e inclina o corpo para ficar mais próxima de mim.


— Dora, o homem tem um sorriso de molhar a calcinha de qualquer mulher. Resta-me saber se o pau dele também é tão quente quanto o sorriso — sussurra maliciosa e eu arregalo os olhos. — Estela! — exclamo perplexa e a desgraçada amplia o sorriso em seus lábios. Neste instante eu vejo Alexander entrar e estremeço. Ele está acompanhado de Ernani que caminha ao seu lado e eu fico me perguntando desde quando o seu funcionário começou a participar das reuniões dos sócios da empresa? Ao cruzar diante de mim, ele lança um olhar rápido em minha direção e eu engulo em seco. Mas não se demora muito e logo volta a olhar para frente com a postura tesa e o semblante duro. Eu fixo os olhos nos papéis e tento controlar os sentimentos que se alvoroçam em mim. Marco se acomoda ao lado de Estela enquanto Roberto puxa uma cadeira e se senta na minha frente. Novamente o novo sócio está me observando, me estudando com astúcia. Ignoro seu olhar zombeteiro e me concentro na pauta da reunião. Alexander se acomoda na cadeira de destaque e só então eu percebo que a única pessoa que está entre nós dois é Ernani, que acaba de se sentar ao meu lado. Ergo a cabeça e pelo canto dos olhos eu o pego em flagrante me encarando com a expressão fria. Seus olhos azuis estão faiscando fúria em minha direção e eu receio que ele possa estar odiando a minha presença na empresa. Será esse o motivo de seu desconforto? Por que é óbvio que algo o irritou ao extremo e eu receio de que seja eu a responsável por isso. — Sejam todos bem-vindos — diz Alexander dando início a pauta. — Senhor Roberto Gusmão adquiriu as cotas do senhor Vicente Fagundes e agora é o nosso mais novo sócio da empresa — anuncia e parece que as palavras embrulham em sua boca. — Obrigado pelo acolhimento, Alexander. Quero desempenhar com qualidade e esmero o cargo que conquistei — diz Roberto em tom irônico. — E eu espero que você cumpra a sua palavra, Roberto. Para o seu bem profissional e para o bem da empresa — rebate Alexander, semicerrando os olhos para o homem que não demonstra intimidação. — Certamente que Roberto será um ótimo colega de trabalho. Ouvi falar muito em suas habilidades no mundo dos negócios — elogia Estela cheia de segundas intenções. Roberto apenas sorri para ela que se derrete abertamente para o homem. Santo Deus! Cadê a discrição da Estela? Após soltar um suspiro pesado, Alexander gira seu corpo na minha direção e seus olhos se tornam ilegíveis outra vez. Ele prende os lábios e parece buscar as palavras certas para me recepcionar. E pelo jeito, elas não são amigáveis. — Também quero dar as boas-vindas para a senhorita Isadora De Luca Medeiros, que retona ao seu cargo no dia de hoje. — rosna me tratando em tom formal e meu queixo cai. Senhorita Isadora?! Essa foi o fim! Empino o queixo e mostro para ele que se é formalismo e frieza que ele quer, ele terá. — Obrigada, senhor Alexander pela recepção. E sim! Eu estou de volta ao cargo! — digo decidida enquanto nos fitamos imersos em sensações que somente nós dois conhecemos. Estela e Marco se entreolham surpresos enquanto Roberto está calado sem entender nada. Ernani pigarreia ao meu lado, completamente sem jeito diante do tom de voz seco de seu chefe. Eu praguejo mentalmente Alexander com todos os palavrões possíveis e imagináveis e volto à concentração aos


papéis. Irei ignorá-lo! É o melhor a fazer. E a reunião prossegue sob um clima tenso e pesado. *** Depois de mais ou menos quase 2h ininterruptas, Alexander dá por encerrada a reunião. Eu arrumo meus papéis rapidamente e me levanto sem olhar para ele. Mas posso sentir os seus olhos sobre mim enquanto me movo em direção à porta. Esqueci meus óculos de grau na minha sala e devido a isso, estou com um forte dor de cabeça. Quando eu chego ao corredor, Roberto me alcança e começa a caminhar ao meu lado. Ergo a cabeça e o encontro sorrindo para mim. Ele esboça o mesmo sorriso malicioso e sacana que ostentava um pouco antes de começar a reunião, o que me deixa incomodada. — Então você é Isadora, a neta do conhecidíssimo Samuel Medeiros — diz fazendo referência ao meu falecido avô. — Você o conhecia? — Sim e quem não conhecia o velho Samuel? — Ele volta a sorrir. — Meu avô era muito conhecido no mundo dos negócios e era excelente no que fazia. — E pelo jeito você herdou a última característica dele. Eu li alguma coisa a seu respeito, e confesso que fiquei impressionado com a sua habilidade para lidar com os negócios — elogia, enquanto flerta deliberadamente comigo. Ouço passos ecoarem atrás de nós, mas me detenho em virar o rosto para ver quem é o responsável por fazer a minha cabeça latejar ainda mais. Ao que tudo indica a pessoa está apressada ou é acostumada a caminhar assim, pisando duro. — Obrigada, Roberto. Mas eu sou uma novata ainda. Tenho muito que aprender. — Eu posso ajudá-la se quiser. Sei algumas táticas infalíveis para se ganhar uma concorrência — fala presunçoso enquanto seus olhos se fixam em minha boca. Desvio meus olhos dele e ignoro a sua segunda cantada. Paramos em frente ao elevador e, quando eu viro o rosto eu me deparo com Alexander logo atrás de nós. Seus olhos estão estreitos em fúria e a sua expressão não é nada amigável. Ele aperta com tanta intensidade a valise que traz em uma de suas mãos, que os nós dos seus dedos ficam levemente esbranquiçadas. Engulo em seco e um arrepio atravessa a minha coluna como um raio. Roberto olha para Alexander e abre um sorriso enigmático. Os dois se encaram por um breve momento e percebo que a relação entre eles não é das melhores. Não sei se é impressão minha, mas parece que o sorriso que Roberto ostenta em seus lábios tem um propósito específico: provocação?! Será? As portas do elevador se abrem e Roberto entra. — Tem espaço para todos, Alexander — diz Roberto virando-se para encará-lo.


— Obrigado, Roberto. Eu pegarei o elevador de serviço — rosna Alexander girando o corpo e saindo na direção oposta. — Vai entrar, Isadora? — Eu fico em dúvida sobre qual destino seguir: se entro e divido o elevador social com o tarado do Roberto ou se divido o elevador de serviço com o enfurecido Alexander. — Eu esqueci os meus óculos de grau na sala de reuniões. — Dou uma desculpa para sair da saia justa em que me encontro. — Até amanhã! — Até amanhã, Isadora! Cuide-se, pois já está anoitecendo — ele se despede sorridente e as portas se fecham. Respiro fundo e espero pacientemente o elevador descer e depois subir. Pelo menos assim, eu escapo das garras de Roberto, bem como do olhar frio de Alexander. Minutos depois eu cruzo o hall de saída e saio até a calçada. Como o meu carro está na revisão, eu acabei vindo de táxi. E, embora Manolo tenha me enviado mensagem de WhatsApp durante a reunião me oferecendo uma carona, achei melhor não fazê-lo esperar por mim. Sei que ele queria jantar com o seu namorado e não queria fazer com que ele chegasse atrasado. O crepúsculo chega e com ele o ar fresco anunciando a noite. Desde que fui assaltada, aqui mesmo em frente à empresa, eu tenho sido mais cautelosa no quesito “sair à noite sem companhia”. O pensamento me traz Alexander e seu lado protetor. A cena é reprisada em minha mente e por um momento parece que sinto seus dedos em volta de meu corpo, me dando alento e cuidado. Balanço a cabeça na tentativa de dissipar as lembranças dolorosas e ergo a mão chamando por um táxi. É hora do rush e os veículos passam a toda velocidade na avenida movimentada. Vários táxis passam por mim, mas ou estão com passageiros, ou indo de encontro a um chamado. Nenhum para. Decido atravessar a avenida e tentar algum táxi vago do outro lado. O celular toca e enquanto eu cruzo em direção a rua, aproveito para procurar pelo aparelho que está dentro da bolsa. Estou tão entretida em minha busca que não ouço o som estridente de uma buzina soar em meus ouvidos. Apenas sinto alguém segurando firme o meu braço e me trazendo de volta para a calçada. — Isadora! — A voz de Alexander se mistura aos palavrões dos motoristas que passam por nós disparando suas buzinas sem cessar. Tudo acontece muito rápido. Em um instante estou caminhando concentrada procurando pelo meu celular e no outro, eu estou em seus braços fortes. Ergo os meus olhos e encontro os seus, que me encaram com aflição. O coração dispara dentro do peito e as minhas pernas tremem consideravelmente. Engulo em seco e prendo a respiração. Alexander sente que estou abalada com o ocorrido e escova suavemente os seus dedos em meu rosto. O contato da sua pele com a minha desperta um enorme calor em meu corpo. Entro em chamas instantaneamente e fecho os olhos para senti-lo em mim. O seu toque tão familiar e o cheiro do seu hálito quente me deixam embriagada. Não ouço mais nada ao redor, apenas sinto os seus dedos que queimam a minha pele. — Que diabos você está fazendo, Isadora? — sussurra próximo ao meu rosto enquanto eu abro os olhos saindo do transe em que me encontro. Sua pergunta me deixa confusa. Ele me encara e depois fixa seu olhar na minha boca. Neste


instante um brilho diferente toma conta de seus olhos. É aquele brilho selvagem, primitivo e carregado de magnetismo que eu conheço muito bem. Alexander ofega, engole em seco e me solta abruptamente. Eu tento me equilibrar em minhas sandálias de salto alto, enquanto ele volta a vestir a sua máscara fria de aço. — Está querendo ser atropelada, é isso? — rosna enfurecido passando um das mãos ao cabelo. — Eu estava apenas tentando pegar um táxi para ir para casa — rebato buscando o autocontrole de minhas emoções. — Não precisa chamar um táxi. Eu te dou uma carona. — Obrigada, mas eu não quero a sua carona. Eu ainda prefiro o táxi! — Rejeito a sua ajuda e ele se aproxima segurando o meu braço. E novamente a sensação de estar pegando fogo se instala em mim. Que ódio! — Mas que porra! Você continua teimando comigo quando eu só quero ajudá-la. — E você continua sendo prepotente, achando que todos devem cumprir as suas ordens! Me deixe! — Eu tento escapar de seu toque perturbador e ele me puxa de encontro a si. — Pelo visto nada mudou, não é? — E outra vez as suas frases dúbias me enlouquecem. — Acredito que não... — respondo em tom baixo, imersa em sensações desconexas. Permanecemos por alguns segundos apenas nos encarando e buscando respostas no olhar um do outro. Vejo em seus olhos a confusão de sentimentos que ele se encontra neste momento. Tudo se torna explícito para mim. Amor e raiva duelam dentro dele, enquanto somente o primeiro explode em mim.


Capítulo 5 Alexander

A proximidade do corpo de Isadora quase colado ao meu, o cheiro de feminilidade que eu conheço e sou viciado, o brilho dos seus olhos me encarando e a boca carnuda entreaberta, como se estivesse implorando por um beijo, tudo isso tem um efeito avassalador em mim. Permaneço calado, tentando manter o controle ao máximo que posso, fugindo das sensações intensas que Isadora me desperta. Negando a mim mesmo que essa mulher mexe comigo quando nenhuma outra conseguiu fazer. Encaro seus olhos felinamente e sinto o tesão aflorando em mim, assim como a raiva, me deixando em um misto de emoções. Desço o olhar e me deparo com a sua boca. Ela umedece o lábio inferior com a língua e, neste instante, mil e uma ideias permeiam a minha mente. O desejo de ter essa língua dentro da minha boca, chupá-la com sofreguidão, beijar os seus lábios com tanta dureza até deixá-los inchados. Eu me amaldiçoo por sentir o meu pau se avolumar dentro da calça de linho. O tesão vem varrendo dentro de mim, assim como a luxúria e a paixão. E outra vez os pensamentos pornográficos vagueiam e imagino essa boca que continua malcriada e afiada, engolir o meu pau até a garganta e contornar a cabeça com a língua sedutora. O desejo vem traiçoeiro e voraz, consumindo cada célula do meu corpo, me deixando quase cego. E, buscando o último fio de domínio que ainda tenho, eu a solto cautelosamente e me afasto, nervoso. Isadora pisca os olhos rapidamente, abalada, com as mãos levemente trêmulas e a respiração ofegante. Ela demonstra que sente tudo que estou sentindo e isso me deixa ainda mais puto. Desde quando eu fui de demonstrar o que sinto? Nunca dei esse privilégio para ninguém antes dela. Mas depois do que aconteceu entre nós dois, Isadora passou a ser uma exceção. A minha única exceção. Furioso com o ocorrido e tenso devido a nossa proximidade, eu visto mais uma vez a minha máscara usual de frieza e volto a encará-la, sem deixar transparecer o que sinto. Se existe alguém que esteja se odiando mais no mundo neste momento, esse alguém sou eu! — Como eu disse, eu a levo para casa. Carlos está com o carro logo ali. — Faço sinal com a cabeça, mostrando a ela onde o meu motorista me espera acomodado na Range Rover. Isadora olha por cima do ombro e volta seu olhar para mim. Ela segura firme a alça da bolsa e empina o queixo, decidida. Percebo que pelo modo como está, ela não cederá ao meu convite. E, como temo pela sua segurança, volto a insistir: — Aceite a minha carona. — Eu não preciso de sua carona. Como eu disse, pegarei um táxi.


— Deixe de criancice, Isadora! — rosno enfurecido por ela teimar comigo. — Agora você me trata com intimidade. Mas antes, na sala de reuniões, para você eu era “senhorita” Isadora, não é senhor Alexander? — diz com voz ferida, mas ainda de queixo altivo. Respiro fundo e ignoro suas palavras, embora eu saiba que o que ela diz é verdade. Fiquei louco quando a vi sentada a mesa e ainda mais louco quando percebi o modo como Roberto olhava para ela, devorando-a com os olhos, desejando-a como um cachorro faminto. O jeito safado como ele a encarava, com a malícia estampada em seu olhar, como se fosse um lobo espreitando a sua caça. Isso me enlouqueceu. Não sei como consegui manter a calma e prosseguir a reunião sem partir para cima dele. A vontade que tive foi de socá-lo até ele sangrar. E depois, no corredor, eu quase coloquei em prática o meu plano de vê-lo com o nariz quebrado. Vi que ele flertava descaradamente com Isadora, o que me deixou enfurecido, a beira de cometer uma loucura. A fúria me dominou e eu a controlei bravamente. Não sei o que deu em mim. Isadora não é mais minha. Ela me chutou para escanteio e aqui estou eu, enfurecido e louco de ciúmes dela. O que está havendo comigo? Não estou em reconhecendo mais. — Venha, vou levá-la para casa — digo decidido, dando um passo à frente. — Mas eu já disse que eu... — Sem “mas”! — Eu me aproximo decidido e seguro seu braço com cautela. Isadora arregala os olhos e engole em seco. Mas ao contrário do que eu imagino, ela cessa seus protestos e caminha ao meu lado. Com a intenção de manter-se longe de mim, ela puxa o braço de minha posse, se liberando. Nós nos aproximamos do carro e Carlos espera com a porta traseira aberta. — Boa noite, senhor Alexander, senhorita Isadora. — Ele faz reverência com a cabeça educadamente. — Boa noite, Carlos. Quanto tempo! — diz Isadora antes de se acomodar no banco de couro. Ela desliza e fica próxima a janela, na outra extremidade. Eu entro e me acomodo ao seu lado. Isadora coloca o cinto e eu faço o mesmo rosnando, puto da vida. Ela vira o rosto para frente e tenta me ignorar outra vez. — Para onde, senhor? — pergunta Carlos, colocando o carro em movimento. — Para o apartamento da senhorita Isadora — respondo, voltando a tratá-la de modo formal, somente para provocá-la e eu consigo. Ela me lança um olhar estreito enquanto eu viro o rosto para frente. Agora é a minha vez de devolver na mesma moeda! Fazemos o trajeto sob um silêncio mórbido. Isadora não fala nada e eu faço o mesmo. Se for indiferença que ela quer de mim, é o que ela terá! Sei que ela quer me enlouquecer fazendo o joguinho de permanecer em silêncio e não vou dar o prazer de puxar assunto com ela. Até porque, eu ainda estou furioso com a cena presenciada no corredor e, enquanto eu não me acalmar um pouco, é melhor manter a boca fechada do que falar merda. Chegamos e Isadora desce apressadamente com a nítida intenção de fugir de mim. Parece que meu cérebro está entorpecido diante de tudo que aconteceu, que quando percebo, eu a estou seguindo


hall adentro, em direção ao elevador. Ela olha para mim com os olhos arregalados e eu não falo nada, apenas mantenho o semblante neutro e sério. Entramos no elevador e eu aperto o botão referente ao seu andar. Isadora se coloca em um canto, mordendo o lábio, segurando firme a sua bolsa. Respiro fundo com a finalidade de manter a razão presente e controlar o desejo de encurralá-la contra a parede do elevador. O tesão aflora outra vez e, devido ao espaço apertado, eu me sinto como uma fera enjaulada, louca para se libertar. Finalmente as portas se abrem e eu a sigo até a porta de sua casa. Isadora procura pelas chaves dentro de sua bolsa, com as mãos trêmulas enquanto nos aproximamos da entrada. Eu me detenho e paro um pouco atrás dela. Os meus olhos me traem e eu analiso as suas curvas cobertas pelo vestido que ela usa. A bunda empinada e redondinha está voltada para os meus olhos famintos com um único objetivo: deixar o meu pau duro como aço. Tento me conter e desvio o olhar de seu traseiro. Isadora se vira abruptamente e parece um pouco abalada com a minha presença. Enfio as mãos nos bolsos da calça e encaro seus olhos. Preciso disfarçar essa fome que tenho dela, bem como não cair em tentação. Não posso me deixar levar pelos meus instintos de macho. Não depois de tudo que ela me fez. Por causa dela é que eu estou nesse mergulhado em um mar de sentimentos. — Obrigada pela carona — agradece quebrando o silêncio. — De nada. Isadora abre a porta e eu reparo que há algumas caixas no canto da sala. Prontamente a cena de quase um ano atrás é reprisada em minha memória. Eu me recordo perfeitamente de quando estive aqui e a ajudei a montar a cama, a pendurar o sino dos ventos que lhe dei de presente, juntamente com uma garrafa de vinho. Lembro-me que era um dia quente, embora fosse começo de outono. A temperatura se assemelha a dessa noite de verão, no final do mês de janeiro. Essas lembranças vêm fortes e repletas de emoções, as quais eu não consigo administrar. — Boa noite e obrigada mais uma vez — diz me tirando dos meus pensamentos. Isadora faz menção de girar o corpo e fechar a porta, e eu a detenho segurando o seu braço. Sei que não devia de ter feito isso, e que agi impulsivamente, guiado somente pela paixão e cego de razão. Ela estremece ao contato de minha mão, prende a respiração e arregala os olhos, apavorada. — Por que você voltou? — pergunto sem pensar enquanto as palavras saem descomedidas da minha boca. — Eu... Eu... — Ela repete pensativa com os olhos fixos em mim. — Eu voltei para assumir o meu cargo na empresa. — Só por isso? — Sim, somente por isso! Ficamos nos encarando outra vez, muito próximos e ligados um ao outro. O calor que sinto em sua pele se equipara ao meu, ardente e selvagem. Não tenho dúvidas de que ela está mentindo para mim. Não foi somente para reassumir o seu posto que ela voltou. Tem algo mais por trás desse discurso sem fundamento e cabe a eu descobrir o que é. Atordoado, devido a nossa proximidade, eu a solto e dou dois passos para trás, passando a mão


no cabelo. O contato de sua pele quente com a minha faz remexer todos os sentimentos dentro de mim. E não são somente os bons, mas também os ruins. Sinto todas as sensações me inundarem e me deixarem sufocado. Foi um erro ter oferecido carona para Isadora e um erro maior ainda ter subido com ela até o seu apartamento. — Boa noite! — digo por fim, girando o corpo e caminhando em direção ao elevador. Não consigo suportar mais a sua presença sem que o desejo se manifeste ferozmente. Preciso lutar comigo mesmo e com os meus sentimentos. Preciso mostrar a Isadora que ela não me abala mais como antes. Pelo menos, tenho que fazer com que ela acredite nisso! *** Chego em casa e subo direto para minha suíte. Ligo o som e a melodia Closer de Kings of Leon preenche o espaço. Sei que preciso de um banho para aliviar o tesão contido, bem como o calor que está infernal. Mas em vez de ir para o banheiro, eu jogo o paletó sobre uma poltrona e caio na cama. Preciso pensar! A volta de Isadora mexeu tanto comigo que estou me sentindo em chamas. O corpo inteiro convulsiona intensamente. Sinto os pelos do meu corpo se arrepiarem e o sangue ser bombeado com rapidez para o meu coração. Desfaço a gravata e abro a camisa com tanta ansiedade, que parece que os botões são arrancados da roupa. Sinto-me tão sufocado e tão fodidamente excitado, que o meu pau começa a latejar de tão duro que está. Fecho os olhos e repriso os momentos que estive com ela. Cada pedacinho do seu corpo está gravado em minha mente de uma forma tentadora e fatal. Os seios volumosos, os olhos brilhantes, a bunda empinadinha e por fim a sua boca sensual. Deslizo a mão em direção a calça, abro o cinto italiano e desço o zíper. Preciso fazer algo para aliviar esse tesão que está me consumindo. O desejo de fodê-la cresce em mim imensuravelmente. É como se eu não tivesse mais domínio de mim mesmo e me deixasse levar somente pelos meus instintos. Seguro firme o meu pau e começo a fazer movimentos de cima para baixo. Enquanto em minha mente eu vejo Isadora lamber os lábios de um jeito provocante. Imagino aquela boca gostosa me chupando, a língua contornando a cabeça do meu pau e depois o enterrando dentro da boca. O desejo surge e me faz seu prisioneiro. Esqueço-me de tudo e passo a me masturbar somente pensando nela. Aumento o ritmo de meus movimentos quando imagino Isadora imobilizada em cima da cama e eu metendo bruto em sua bocetinha. A minha mente está tão conectada com o meu tesão que ouço até os seus gemidos sexy em meu ouvido, sinto suas mãos arranhando o meu corpo, enquanto eu lhe dou prazer de todas as formas. Em, meus devaneios, eu vejo seus olhos cravados nos meus, o desejo estampado em seu rosto bonito, sinto o cheiro de sua pele, o gosto de seus lábios. As imagens são tão reais que quando percebo, eu estou ejaculando como um louco, rosnando e me debatendo na cama. O orgasmo vem potente e voraz, me fazendo ejacular mais de uma vez. Cerro os dentes e inclino a cabeça para trás, saboreando o gozo que se espalha pelo meu corpo. — Porra! — Solto um palavrão enquanto minha roupa fica banhada pelo meu sêmen.


Abro os olhos e sinto coração batendo em minha garganta. A sensação pós-orgasmo ainda me consome, atravessando o meu corpo. Irritado por não ter me controlado e sucumbido ao desejo, saio direto para o banheiro. Tiro as minhas roupas e ligo o chuveiro. A água fria desce abundante em meu corpo quente e suado pelo prazer. Enquanto me banho, eu me amaldiçoo por ter deixado Isadora invadir a minha mente assim, tão facilmente. Isso não pode mais acontecer. Eu preciso esquecê-la e tirá-la de vez da minha vida. Mas como farei isso agora que ela está de volta? Vê-la todos os dias no trabalho será uma prova de fogo para mim. Não sei se consigo me frear por muito tempo. Ainda mais agora que percebi claramente as intenções do Roberto para cima dela. Ele sabe que eu e Isadora estávamos namorando e que agora não estamos mais juntos. E o safado não perderá a chance de tentar conquistá-la. Conheço o filho da mãe. Roberto é um homem esperto, calculista, está sempre esperando a melhor oportunidade para dar o bote, seja no mundo dos negócios ou no dos prazeres. Saio do banho mais tenso do que entrei. Vou ao closet e visto meu calção de dormir. A raiva por estar com Isadora no pensamento o dia todo está me deixando irritado ao extremo. Os sentimentos se alvoroçam em mim, deixando-me inquieto. Deito-me na cama e tento me acalmar. Preciso montar uma estratégia em minha cabeça para me manter o máximo possível longe dela. Começarei tratando-a de maneira formal dentro do ambiente do trabalho, mantendo contato com ela o mínimo necessário. Preciso que esse plano dê certo, caso contrário eu estou condenado a me viciar nela para o resto da minha vida. E isso será a minha perdição! *** — Bismarck! — Atendo a ligação ainda concentrado na papelada. — Alex, my guapo. Como estás? — A voz de Thereza Sandoval ecoa em meus ouvidos. Deixo os documentos de lado por um instante e lhe dou atenção. — Estou bem e você? — Melhor agora ouvindo a sua voz — responde, flertando comigo pelo telefone. Essa é a espanhola desinibida Thereza Sandoval que eu conheço. — A que devo a honra de sua ligação? — Hum, eu liguei para avisar que em breve estarei no Brasil — responde animada e eu franzo o cenho, surpreso. — E quando você chega? — pergunto interessado. — Em três dias. Eu preciso conversar pessoalmente com você, uma vez que você não quis receber os meus representantes ontem. Mil vezes merda! Não acredito que os espanhóis que estavam aqui ontem eram funcionários da filial da Espanha! Como não cogitei essa ideia? Eu estava tão afetado devido a presença da Isadora que dispensei o pessoal e, tampouco me lembrei de perguntar ao Marco o que eles queriam. — Sinto muito, Thereza. Eu estava ocupado com um assunto urgente, mas Marco conversou com


eles. — Dou uma desculpa e praguejo o meu subconsciente por ser tão relapso. — Tudo bem, querido. Entendo perfeitamente o quanto você deva estar atarefado desde o retorno de sua ex-sócia. — Como Thereza soube que Isadora está de volta? — Quem contou a você sobre a volta da Isadora? — indago levemente irritado. — Marco falou sobre o retorno dela e também sobre a presença de um novo sócio na empresa. Acredito que é por isso que você esteja tão ocupado. — Você está enganada, Thereza. Tenho coisas mais importantes do que me preocupar com a presença dos velhos e novos sócios. Afinal, quem comanda essa empresa sou eu! — rosno impaciente devido à indireta proferida por ela. — Oh, claro! Alex, você é o Rei do aço! — Ela ri sem maldade. — Bem, nos vemos em três dias, mi guapo. Besos! — diz se despedindo de um jeito meloso. — Até breve, Thereza! — Eu me despeço em um tom casual e desligo o telefone. A visita da Thereza é tudo o que eu não preciso neste momento. Tenho tantos pepinos para resolver e a presença da espanhola somente vem me trazer ainda mais atribulação. Espero que ela mantenha a sua postura e não fique me cantando deliberadamente em frente aos demais. Thereza é um ex-caso de algumas noites, mas é ex. E com ex eu não mantenho laços de amizade. Pelo contrário, eu mantenho distância. Se bem que essa regra não se aplica a ela, pois é gerente da nossa filial em Barcelona. Ajeito-me na cadeira e decido me concentrar em meus afazeres, visto que meu pensamento começa a vaguear outra vez para Isadora. Decido pôr em prática o plano que montei na noite de ontem: manter distância dela o máximo possível. Preciso estar com a mente ocupada no trabalho e não dar brechas para Isadora se instalar nela. Somente assim eu tenho um pouco de tranquilidade.


Capítulo 6 Isadora

Que noite terrível que eu tive ontem. Não dormi quase nada e passei a maior parte do tempo me virando de um lado para o outro na cama. Rever Alexander foi algo que mexeu muito comigo e com minhas emoções. Ainda mais depois dele me oferecer carona e ter subido comigo até o meu apartamento. Confesso que isso tudo me pegou de surpresa e eu não sabia o que falar ou como agir. Quando ele parou na porta, percebi que ele lançou um olhar rápido em direção as caixas que trouxe em minha mudança. E a cena em que ele me ajudou há quase um ano atrás foi reprisada em minha mente e, possivelmente, na dele. Vi o quanto ele ficou tenso com a nossa proximidade e ele não foi o único. No instante em que Alexander me puxou de encontro a si e fixou os olhos em minha boca, achei que ele fosse sucumbir ao tesão que estalava entre nós e fosse me beijar. Ledo engano. Seu autocontrole falou mais alto e ele me soltou abruptamente. Saio da sala de arquivos espirrando devido ao pó que vem dos papéis. A pasta que tenho em minhas mãos está pesada de tanta documentação para ser analisada. Enquanto estive ausente da empresa, Manolo sempre me passou todos os relatórios de cada transação realizada, mas mesmo assim, quero conferir com os meus próprios olhos todos os acordos fechados. Estou cruzando o corredor quando vejo Estela se mover em minha direção. Ela veste um vestido levemente rodado de seda que balança quando ela caminha, movendo seus quadris. A loira platinada desperta a atenção de alguns funcionários para param o que estão fazendo para admirá-la. — Estou vendo que você veio do arquivo. — Ela lança um olhar rápido para a pasta que levo em minhas mãos. — Sim, preciso rever algumas coisas — respondo enquanto atravessamos o corredor juntas. — Você soube quem está vindo da Espanha? — Hum, não! Quem? — pergunto curiosa. — Thereza Sandoval, a gerente administrativa da filial da empresa. — Não a conheço. — Então vai conhecer — diz Estela segurando o meu braço e interrompendo os passos. — Thereza á a mulher mais fria e pervertida que conheço em minha vida. Se você acha que eu sou uma mulher liberal é porque você não a conhece. — Que bom para ela! — Reviro os olhos, dando pouca importância ao assunto. — Dora, eu quero alertá-la para ficar com os olhos bem abertos enquanto essa espanhola estiver


aqui. Além do mais, é um dos muitos casos antigos de Alex. A declaração feita por Estela me deixa sem ar e apreensiva. Não sei por que, mas sinto meu corpo arder de ciúmes. Um sentimento louco de posse de algo que não é meu me domina e não consigo me controlar. Se ele teve mesmo um caso com essa mulher e agora está solteiro novamente, é óbvio que está livre para galinhar à vontade. A inquietação que me invade é algo mais forte do que eu e, eu não consigo me dominar. Com o corpo levemente trêmulo e a mente girando, volto a andar em direção ao elevador. Estela me lança um olhar sugestivo, mas nada fala. Ela percebe o meu desconforto. Aliás, qualquer um pode perceber a minha carranca. Eu preciso camuflar os meus sentimentos, pois não quero que todos pensem que ainda estou apaixonada pelo Alexander, embora isso seja a mais pura verdade. — Era isso que você tinha para me contar, Estela? — indago irritada parando próximo ao elevador. Aperto o botão referente ao meu andar e espero as portas se abrirem. — Sim, era! — Bem, então eu vou descer para a minha sala, pois o trabalho me espera. — Abro um sorriso forçado e entro no elevador. A manhã transcorre infernal para mim, pois após receber a notícia de que a tal Thereza está chegando em breve, eu mal me concentro em meus afazeres. E agora estou prestes a conhecer uma mulher, que segundo as concepções da Estela, é liberal e pervertida. Será que ela é bonita também? Será que Alexander ainda sente tesão por ela? Merda! O que eu tenho que ver com isso? Pelo modo como ele me tratou ontem, eu duvido que consiga tê-lo de volta. E esse pensamento faz espezinhar o meu coração. Eu o amo tanto que chega a doer. A única finalidade de estar de volta é reconquistá-lo. E será que eu conseguirei? Após ler e reler os arquivos, algumas dúvidas surgem em minha mente. O assunto é um pouco complexo, uma vez que está ligado diretamente aos negócios realizados por Alexander. Peço para Luana ligar para a Estela com a finalidade de pedir ajuda, mas a minha secretária avisa que ela saiu para o almoço. O mesmo acontece com Marco, que está ausente. Respiro fundo e percebo que estou sem saída. Merda! Tudo o que eu não quero é ter que ir até a sala de Alexander para sanar as minhas indagações. Ligo outra vez para Luana e peço para que ela ligue para ele. Pelo menos ao telefone é mais fácil, uma vez que não estou diante de sua presença perturbadora. Para o meu pesar, minutos depois Luana me liga de volta. — Senhorita Isadora, o senhor Alexander pediu para que você vá até a sala dele. — Mas ele não pode me atender ao telefone? — indago sentindo um arrepio atravessar a minha coluna. — Ele foi bem direto quando disse que a espera na sala dele — responde Luana sem jeito. Isso é tudo o que eu não preciso para hoje: enfrentar o frio e distante Alexander. — Ok! Diga-lhe que eu estou indo. — Mil vezes merda! Passa das 11h quando eu chego no escritório dele. Nem Daniela e nem Vanessa se fazem presente. Provavelmente as duas saíram para almoçar e não há ninguém para me anunciar. Com o


corpo levemente trêmulo, caminho até a porta e dou uma batidinha suave. — Pode entrar! Abro a porta e o encontro de pé. Ele está apoiado à mesa e de braços cruzados sobre o peito. Levo um baque tão grande com a sua beleza e virilidade que prendo a respiração. Alexander está lindo em um terno azul grafite e com uma camisa branca, sem gravata. O cabelo negro está revolto e seus olhos azuis cintilam escurecidos em minha direção. Fecho a porta atrás de mim e volto a fitá-lo. Nunca me cansarei de admirar a sua beleza e masculinidade. E outra vez eu me remeto a Zeus, o soberano máximo dos deuses. Alexander continua com os olhos fixos em mim, sem piscar. Sinto minha pele aquecer, pois tamanha é a intensidade de seu olhar. Ele me analisa o corpo inteiro. Primeiro ele olha para as minhas pernas que estão expostas dos joelhos para baixo, em seguida sobe analisando as minhas curvas coberta pelo vestido de seda levemente rodado. Seu olhar azulado se detém em apreciar o meu decote comportado, que escondem os meus seios, e por fim ele encontra a minha boca. Alexander estreita o olhar e por um momento passa a contemplá-la. Ele pisca os olhos e o brilho ardente que antes era visível em seu olhar, se torna frio e indecifrável. Engulo em seco e busco ar nos pulmões. A parte mais fria de sua personalidade acaba de tomar conta de si. O homem de aço se materializa diante de meus olhos. — Você quer falar comigo, senhorita Isadora? — Sua voz viril e sexy me chamando em tom formal faz trepidar o chão abaixo dos meus pés. Amor e raiva se mesclam em mim neste instante. — Sim, senhor Alexander. — Eu o trato no mesmo tom e me aproximo de queixo altivo e postura tesa. — O assunto é sobre alguns contratos realizados durante a minha ausência. — Por favor, sente-se. — Ele aponta para a poltrona a sua frente, mas não se move do lugar. Eu me acomodo cruzando as pernas e tudo é assistido por ele que está a poucos centímetros de distância. Ajeito os óculos de grau ao rosto e ergo a cabeça para encará-lo. Alexander descruza os braços e apoia as mãos na mesa de vidro. Ele agarra com tanta intensidade a borda que eu imagino suas mãos apertando as minhas coxas e me remexo excitada. Sinto minhas bochechas pegarem fogo, assim como o resto do meu corpo. E, se isso não bastasse, eu desço o olhar e me deparo com um leve volume na parte da frente de sua calça. Umedeço os lábios ao ver que seu membro está semiereto e desvio os olhos rapidamente. Alexander percebe que estou abalada e contorna a mesa, se sentando em sua cadeira executiva. — Qual é a sua dúvida? — pergunta apoiando os braços sobre a mesa. — É referente a esse contrato. — Eu abro a pasta com as mãos levemente trêmulas e entrego o documento a ele. — E o que tem o contrato, senhorita Isadora? — Ele continua me tratando com o mesmo formalismo ridículo somente para me provocar. Cerro os dentes e conto até dez mentalmente para não mandá-lo para o inferno. — Bem, é sobre os orçamentos referentes ao contrato de compra e venda de aço com a empresa citada. Eu achei que eles não fecham em alguns pontos — respondo fazendo a minha análise e ele volta a atenção aos papéis.


— Eu não vejo nada de errado aqui. — Ele me devolve o documento e me encara com semblante neutro. — Mas, na cláusula de número 9 há um equívoco... — Como eu disse, senhorita Isadora, não há nada de errado com os orçamentos — ele me interrompe bruscamente. Eu me levanto irritada com tamanha criancice e me controlo para não dizer-lhe umas verdades. Mas sei qual é o objetivo dele. Ele está me testando e jogando comigo novamente, como fez há quase um ano. Se Alexander pensa que eu fugirei da raia, ele está muito enganado. Eu decido entrar no jogo e é para ganhar. E começo com a minha cartada neste exato momento. — Bem, eu acho que o Roberto pode me ajudar a analisar esse documento, uma vez que ele é o vice-presidente da empresa agora. — Abro um sorriso lentamente enquanto vejo os olhos de Alexander se estreitar em fúria. E, sem dar tempo para ele revidar, eu giro o corpo e caminho em direção a porta. — Pare agora, Isadora! — Para a minha surpresa, ele me trata em tom informal. Levo um susto diante de seu tom ameaçador e interrompo os passos. Alexander se levanta e vem até mim. Seu olhar se assemelha ao de um felino, pronto para abater a sua caça. E eu sou a caça! — Que porra você pensa que está fazendo? — questiona parando muito próximo. Tão próximo que sinto sua respiração pesada incendiar o meu rosto. — Se você não pode dar as respostas que eu procuro, recorro ao Roberto. Ele pode! — Empino o queixo, decidida a enfrentá-lo. Alexander semicerra os olhos outra vez e comprime os lábios em uma linha fina e dura. Ele dá um passo a frente e dou um para trás, mantendo distância. Para a minha surpresa, sou encurralada por ele junto a parede, próximo a porta de saída. — Nem ouse ir até o galinheiro daquele safado! — diz em tom baixo e ameaçador, espalmando as mãos em ambos os lados da minha cabeça, me cercando. A proximidade de nossos corpos está no limite. Sinto o calor emanar de sua pele e seu cheiro peculiar e gostoso entrar em minhas narinas, me deixando zonza. E outra vez o meu corpo me trai: a minha vagina fica molhada e meu coração começa a martelar apaixonado. — E o que você fará para me impedir, Alexander? — A minha pergunta o afeta muito. Vejo as pupilas de seus olhos se dilatarem e se comprimirem com rapidez, enquanto ele inclina o rosto para baixo e se aproxima de mim. — Você continua uma jogadora muito destemida, Isadora. Aliás, está cada vez mais perita nessa arte. — Quem está jogando aqui é você! — rebato, engolindo em seco devido a proximidade entre nós. Alexander respira fundo, fecha os olhos e quando os abre ele os fixa em minha boca. Vejo novamente aquele brilho selvagem pairar em sua íris e percebo que ele está lutando consigo mesmo, com os seus sentimentos. Não tenho dúvidas de que ele está transbordando emoções pelos poros. Está mais do que evidente para mim. Mas então por que Alexander não para de lutar contra isso? Por


que raios ele não me beija? Desejo tanto sentir o seu gosto alucinógeno outra vez que sinto o corpo inteiro arder em súplica. — Me dê os documentos que eu analiso com mais cautela. — Ele se afasta um pouco e estende a mão para mim. — Eu prefiro falar com Roberto — digo decidida desafiando-o, pois sei que ele gosta disso. — Eu sei o que você está fazendo, Isadora. — Alexander dá um passo para trás enquanto seus olhos voltam a ficar frios e distantes. — Você está jogando com a intenção de voltar ao que éramos. Mas não perca o seu tempo! Ou você pensa que eu me esqueci de quando você duvidou da minha palavra e do meu caráter, e cruzou por essa porta me deixando em um abismo negro, sem fim? — Sua voz soa ferida e espezinha o meu coração. É chegado o momento de dizer a verdade a ele, o porquê eu voltei. Alexander tem que acreditar em mim. Afinal, ambos fomos vítimas de uma mulher louca inconsequente que armou tudo para nos destruir. E, com o intuito de que ele acredite em mim, eu resolvo pôr as cartas à mesa. — Alexander, eu sei que te magoei e que te feri, mas na época as evidências deixadas pela Samara eram tão claras e... — Você duvidou da minha palavra, Isadora! Você não acreditou em mim mesmo depois de eu entregar o meu... — Ele interrompe a frase e passa a mão pelo cabelo se movendo em direção a mesa. Percebo que há dor em suas palavras e meu coração se comprime dentro do peito. — Me perdoe, por favor! — Eu o sigo e paro em sua frente. Ele gira o corpo para me fitar e vejo uma confusão de sentimentos em seu olhar. — Eu sei que o filho da Samara não é seu. Eu soube do exame de DNA. — Agora você acredita em mim? Depois de saber do maldito resultado do exame é que você acredita em mim? — Alexander, por favor, eu... — Você acha que depois de ter arrancado o meu coração, pode vir aqui e simplesmente exigir coisas de mim, Isadora? Você está enganada. Nada mais será como antes. Nada! — diz com voz ferida. — Não foi minha intenção fazê-lo sofrer... — declaro contendo o pranto e a dor que surgem em mim. Estou tão trêmula que temo em cair diante dele. — Por favor, eu quero ficar sozinho. — Ele se acomoda em sua cadeira e desvia os olhos de mim. A velha sensação de rejeição me atinge e não consigo mais racionar direito. Tento manter o controle aparente em sua presença, pois não quero que ele veja o quanto estou abalada. Eu engulo o pranto, assim como o amor que transborda em meu peito e deixo sua sala sem olhar para trás. E, neste instante, percebo o quanto eu o feri e não sei se conseguirei curá-lo tão cedo. Mas uma coisa eu tenho certeza: eu farei de tudo para tê-lo de volta. Nem que para isso, eu precise lamber o chão que Alexander pisa.


*** Eu cruzo por Manolo que acaba de retornar do almoço e, ao ver a minha expressão aflita, ele me segue, entrando em minha sala. Meu amigo e braço direito fecha a porta e se aproxima enquanto eu desabo na cadeira. — Afrodite, o que aconteceu? — pergunta preocupado, sentando-se na cadeira em minha frente. — Foi um erro eu ter voltado, Manolo — respondo afundando a minha cabeça nas mãos. — Por que você está dizendo isso? — Alexander acabou de dizer que não me quer... Ele... Ele disse tanta coisa... — sussurro com o peito sufocado. — Eu nunca mais o terei de volta! — Não fica assim. — Manolo se levanta e vem me abraçar com carinho. — Eu lhe disse uma vez e vou repetir novamente: ninguém vale o seu choro. — Mas eu o magoei demais. Ele disse que não acreditei nele e duvidei de seu caráter. E o pior é que isso é verdade — digo com raiva por estar tão vulnerável. Maldito Alexander e sua tática de me deixar sem chão! — A verdade é que vocês dois sofreram por causa da armadilha daquela cadela ruiva, Isadora. Vocês são vítimas da piranha da Samara! — Isso até pode ser verdade, mas eu nunca o reconquistarei de volta! Eu não sei como fazer isso! — Mas eu sei! — Manolo abre um enorme sorriso nos lábios e volta a se acomodar na cadeira em minha frente. Ele apoia os cotovelos na mesa e seus olhos brilham ardilosos. — E o que eu devo fazer, Manolo? — pergunta interessada — O que você é mestre em fazer: PROVOCAR! — Mas essa técnica não está ultrapassada? — Ah, Dorinha! Pelo amor de Zeus! — Ele sacode as mãos para cima. — Não funcionou há quase um ano atrás? Vai por mim que dará certo de novo. E quer saber? Eu aposto com você que não passa da terceira provocação e Bismarck cai de boca em cima de você! Ô, delícia! — Ele revira os olhos e eu rio de sua palhaçada. — Não custa tentar... — Eu me reclino na cadeira enquanto mil ideias perversas surgem em minha mente. — É muito fácil, Dora. Todos têm um ponto fraco. Basta você descobrir qual é o dele e se esbaldar. Provoque a sede do senhor Alexander até ele não aguentar mais e depois, bem... Depois ele vai desossar você inteirinha! — Ri divertido com os olhos cheios de malícia. Eu reflito sobre o que Manolo acaba de me dizer e de imediato um plano surge em minha cabeça. Sei muito bem qual será o primeiro passo a ser dado. Vi que Alexander não gosta nem um pouco do Roberto e senti que, rolou um pouco de ciúmes da parte dele quando disse que iria falar com o Gusmão, pouco antes em sua sala. É isso que eu farei! Vou provocá-lo até ele não aguentar


mais. E conhecendo ele como eu conheรงo, tenho certeza que logo ele desfaz com aquela mascara postiรงa de homem de aรงo e se torna o velho Alexander, ardente como fogo.


Capítulo 7 Alexander

Quando vi Isadora entrando por essa porta, usando os costumeiros óculos de grau cor vinho que me deixa louco e vestindo aquela roupa fina que marcava o contorno de seu corpo, quase perdi a cabeça. E, depois quando ela se sentou em minha frente e cruzou as pernas de um forma tentadora, segurei com força a borda da mesa, tentando manter presente o último fio de controle que tinha em mim. E, se não bastasse todo aquele tesão estalando entre nós, o meu pau ficou duro feito aço. Vi que Isadora direcionou seus olhos na parte da frente da minha calça e lambeu os lábios, me provocando. Percebi que ela se remexeu excitada, com as bochechas vermelhas e o corpo exalando sexo pelos poros. Neste momento eu quase mandei tudo para o espaço e a vontade que tive foi de arrancar aquele vestido de seu corpo e fodê-la com dureza. Atirá-la em cima de minha mesa e realizar todas as fantasias que me consumiram ontem à noite, enquanto eu me masturbei pensando nela. Passo a mão no rosto, nervoso e sinto o sangue aquecer em minhas veias. Ela está linda que chega a doer. Não posso negar que Isadora está divina, mais esplendorosa do que nunca. Certamente que ela desperta atenção dos olhares masculinos ainda mais. E neste momento eu me recordo do filho da mãe do Roberto. Ela estava decidida a ir até a sala daquele galinha para tirar dúvidas ou para me provocar? Por que se for a segunda opção, ela quase conseguiu atingir o seu objetivo. Se Isadora cruzasse a porta naquele momento eu a traria de volta para dentro da sala e a colocaria sentada no meu colo, com as pernas suspensas no ar, presas em meus braços. Depois abaixava a sua calcinha e castigava aquele traseiro que me enlouquece e faz perder a razão de tudo. E juro que estou no meu limite para concretizar esse ato. O desejo de espancar a sua bunda até deixála escaldante, com a boceta encharcada implorando pelo meu pau, está me consumindo por inteiro. A vontade que tenho é de mostrar para todo mundo que Isadora nunca deixou de ser minha. Mas eu não posso ceder assim tão fácil. Ela me feriu muito duvidando da minha palavra e acreditando na Samara, que armou ardilosamente uma artimanha para nos separar. Isadora preferiu acreditar na ruiva falsa e sem escrúpulos do que em mim, que entreguei o meu amor a ela, a minha vida, tudo o que eu tinha. Preciso manter o controle quando ela está presente, caso contrário eu estarei fodido! Não posso deixar que Isadora consiga atingir tão fácil o seu objetivo, embora esteja fervendo de tanta paixão e tesão. Ela precisa saber me valorizar, e, sobretudo, precisa saber que sou um homem de palavra. O que digo, eu cumpro!


*** Faz uma semana que Isadora voltou e que eu tenho tentado bravamente me manter longe dela. Somente a vejo quando não há outra opção, ou quando todas as chances de ficar longe dela se esgotam. Tenho trabalhado direto em minha sala que nem sair para o costumeiro almoço eu saio. Peço qualquer coisa por telefone e faço minhas refeições aqui mesmo, em meu escritório. Pelo menos esse plano está dando certo. Após um dia cansativo e infernal, termino o expediente de trabalho irritado e só pensando em sexo. A raiva é tanta que deixo a empresa mais cedo que o normal e vou direto para casa. Tenho que me acalmar, fazer algo para dissipar esses pensamentos pervertidos que têm povoado a minha cabeça desde que Isadora voltou. E já sei como amenizar essa merda. Eu preciso me exercitar e ficar exausto fisicamente. Só assim eu me acalmo um pouco. Chego em casa e troco o terno pelas roupas de treino. Pego meu iPod e desço para a academia. Ao som de Pearl Jam, Alive, eu começo a minha corrida na esteira. Permaneço em movimento por quase uma hora e decido encerrar a malhação. Saio da academia com o corpo todo suado e mais agitado do que quando cheguei. Enquanto cruzo o corredor enxugando o rosto com a toalha, eu ouço passos vindos do hall. Ergo os olhos e vejo Pierre parado em sua postura tesa e elegante. — Boa noite, senhor Alexander — saúda abrindo um sorriso cordial. — Boa noite, Pierre! — Eu o cumprimento saindo em sua direção. — A dona Raquel deixou o seu jantar pronto antes de ir para casa: filé ao molho de manjericão e uma porção de salada, do jeito que o senhor gosta. — Obrigado, mas eu não estou com fome — agradeço, abrindo um meio sorriso e caminhando em direção a escada. — Você não vai jantar? — indaga preocupado, logo atrás de mim. Pierre e seu instinto paterno incorrigível. Sei que ele tem carinho por mim e me considera um filho, assim como eu o considero um pai. E, com a intenção de não deixá-lo preocupado à toa comigo, eu me volto para ele com a expressão mais amena. — Eu vou tomar um banho e depois eu como um sanduíche. — Senhor, sanduíche pode alimentar um garotinho, mas não um homem forte como você! — exclama contrariado. — Bem, então eu como dois sanduíches. — Dou uma piscadinha para ele, tentando convencê-lo de que está tudo bem comigo. Pierre franze o cenho e coça o queixo, pensativo. — Está tudo bem? Respiro fundo e seguro as pontas da toalha que acabo de colocar em volta do pescoço. Não posso negar que Pierre me conhece melhor do que ninguém. Depois que meus pais faleceram, ele e a Raquel passaram a ser a minha família. — Isadora está de volta — declaro sentindo o coração bater rápido dentro do peito somente em pronunciar o nome dela.


— E quando ela chegou? — pergunta e vejo seus olhos castanhos brilharem. — Faz uma semana. — Entendo... — diz, me fitando e estudando as minhas reações. — E ela veio para ficar? — Ao que tudo indica sim. Mas eu não quero falar sobre ela, Pierre — respondo irritado, tentando esconder ao máximo que posso os meus sentimentos por Isadora. — Sabe senhor, muitas vezes a gente luta contra algo que é infinitamente maior que nós mesmos e acabamos lutando em vão. — Pierre solta mais uma de suas frases filosóficas somente para me deixar reflexivo e ainda mais puto. — Pierre, se você acha que eu a Isadora voltaremos ao que éramos antes, você está enganado! Ela duvidou de minha palavra, embora eu nunca tenha mentido para ela. Isadora é a responsável direta por eu estar vivendo imerso em emoções outra vez. Você sabe disso! Você e a Raquel sabem o quanto eu fugi esses anos todos e aboli os sentimentos em minha vida — desabafo inquieto, passando uma das mãos ao cabelo molhado pelo suor. — Sim, senhor Alexander. Nós sabemos o quanto foi doloroso o seu processo de voltar à vida. Mas isso é necessário para que você reapreenda a amar e a odiar também. Amor e ódio caminham de mãos dadas. — Eu não odeio a Isadora — enfatizo com sinceridade sabendo que o que sinto por ela é outra coisa. — Eu tenho certeza disso, senhor. O que você sente pela senhorita Isadora é o que está de mãos dadas com o ódio. — Sorri francamente e meu queixo cai. — Bem, eu vou preparar a mesa para o seu lanche. Com licença! Se Pierre concluiu isso depois de eu dizer meia dúzia de palavras, o que Isadora terá concluído a meu respeito? Será que ela percebeu que eu ainda sou louco por ela? *** — Vanessa, esse não é o documento que eu pedi para que você buscasse no arquivo — digo impaciente e irritado enquanto vejo as bochechas da minha secretária pegarem fogo. — Desculpe senhor Alexander, mas eu não sabia direito qual gaveta continha os papéis. Então, a senhorita Isadora estava lá e me ajudou, entregando esse documento — ela explica a situação, constrangida, e a única coisa que eu ouço é o nome de Isadora saindo de seus lábios. — Isadora estava lá? — pergunto em tom casual não demonstrando muito interesse enquanto guardo a documentação dentro da pasta. — Sim! Eu acho que ainda está, porque ela também pareceria um pouco perdida procurando por algo. — Hum, entendi... — O senhor quer que eu volte lá para...


— Não! — exclamo me levantando. — Eu mesmo irei até lá. Não se preocupe, Vanessa. Pode voltar aos seus afazeres — digo, deixando o escritório. Enquanto eu cruzo o largo corredor em direção à sala de arquivo, a minha mente trabalha montando um possível plano estratégico, caso aconteça algo inesperado. Não quero cair em tentação estando somente eu e Isadora dentro daquela minúscula sala. Mas então por que diabos eu estou indo até lá? E pior! Por que diabos eu estou tão ansioso? Abro a porta de repente e a encontro de costas, com o tronco inclinado para baixo e com a bunda arrebitada voltada para os meus olhos. Isadora dá um sobressalto e gira o corpo para me fitar. Eu mal consigo fechar a porta e meus olhos passam a analisar cada curva de sua silhueta. Hoje ela está usando calça preta, blusa bege de seda sem mangas e um par de scarpins vermelhos que despertam as mais perversas fantasias em minha mente. Prontamente o meu corpo reage em resposta e meu pau endurece tanto que me desperta para dor. — É você, senhor Alexander? — indaga em tom monótono e volta a ficar na mesma posição, empinando ainda mais o seu traseiro tentador para mim. Ela está me provocando deliberadamente! Isadora se concentra em procurar alguns papéis nas pastas do arquivo, enquanto eu invoco todas as divindades para não agarrá-la. Engulo em seco, afrouxo um pouco o nó da gravata e avanço a passos lentos. Parece que estou momentaneamente cego e tudo que eu vejo diante de meus olhos é a sua bunda, que ela mexe levemente de um lado para o outro, me atiçando. — Eu não sabia que você estava aqui, senhorita Isadora — minto na maior cara de pau, tratando-a no mesmo formalismo. — Eu imagino... — Ela me lança um olhar sugestivo por cima do ombro e em seguida volta a se concentrar na papelada. — Eu nunca vi você aqui, senhor Alexander. Cerro o maxilar e me aproximo mais, encostando o meu pau rígido contra o seu traseiro. Isadora estremece, retesa e se vira abruptamente. Ela morde o lábio, arregala os olhos e sua respiração começa a ficar pesada. Encaro seus olhos e vejo que ela está excitada com a minha proximidade súbita e confesso, eu também estou. E outra vez, estamos nos fitando com o desejo explícito no olhar, à medida que a tensão sexual atinge patamares elevadíssimos. — Pare de me chamar de “senhor” Alexander. Isso soa ridículo! — Mas foi você que começou me chamando de “senhorita” Isadora. Eu apenas estou retribuindo o formalismo que... — Não diga mais nada! — Espalmo as mãos no arquivo, cercando-a. — Que diabos você pensa que está fazendo? — Que diabos você pensa que está fazendo?! — rosno, semicerrando os olhos enquanto o tesão e a luxúria me consomem por dentro. — Alexander, eu... — Isadora se cala ao sentir os meus dedos em seus lábios. — Shhhh! Quietinha! Agindo somente pelos meus impulsos e pelos sentimentos violentos que gritam dentro de mim,


me esqueço por completo do plano que montei para me manter afastado dela. Deixo a paixão me invadir e passo a contornar com os dedos a sua boca entreaberta, que me convida para um beijo ardente. Isadora arqueja e fecha os olhos por um momento, enquanto eu deslizo o polegar em seu lábio inferior e depois no superior, desfazendo o pouco do gloss labial que ela usa. Percebo o modo como ela se entrega a mim, com um simples toque e isso mexe comigo. Ela sabe que me excita quando se submete a mim, sem reservas, apenas se deixando levar pelo momento. Nunca tive dúvidas de seus sentimentos por mim. Sei que Isadora me ama e que está fazendo de tudo para me reconquistar. E eu devia estar neste instante recuando para longe da tentação que ela se tornou nos últimos dois dias, mas eu simplesmente não consigo. E movido por um sentimento maior que eu mesmo e que minha razão, deslizo a minha mão e agarro seu cabelo pela nuca. Com a outra, seguro firme a sua cintura e a puxo de encontro a mim. Mal dá tempo para Isadora processar o que virá a seguir. Eu capturo seus lábios em um beijo quente e arrebatador. Ela abre a boca e eu insiro a minha língua em seus lábios carnudos, serpenteando, buscando a sua sôfrega. Seu gosto narcotizante e familiar é a minha perdição. Eu aprofundo o beijo e esqueço-me de tudo. Os sentimentos violentos e perturbadores me atingem e se espalham por cada célula do meu corpo. Amor, paixão, tesão, raiva, dor. Tudo isso me invade com uma intensidade absurda e assustadora. O meu coração está batendo como um louco dentro do peito, sem controle, mas consciente do que sinto por ela. Isadora me beija com a mesma ânsia, entrelaçando seus dedos em meu cabelo, enroscando sua língua na minha, gemendo em meus lábios. Aperto ainda mais a sua cintura e colo de vez os nossos corpos, sentindo seus seios inchados sobre o fino tecido da blusa de seda que ela veste. Inclino o quadril para frente e esfrego meu pau duro em seu ventre, mostrando o quanto eu a quero. Beijo seu lábios com rudeza, quase me alimentando deles como se fosse um animal faminto. Espalmo a minha mão em sua bunda e Isadora vai à loucura, estremecendo excitada e entregue demais. Estou louco, completamente fora de mim, invadido pelo conhecido sentimento, o qual eu neguei todo esse tempo em minha vida. Sei que estou cruzando a linha, ignorando todos os sinais de alerta que piscam em meu cérebro em transe. E depois de beijar muito a sua boca e sentir o seu gosto viciante, retomo o autocontrole perdido há pouco. Mordo com dureza seu lábio inferior e me afasto dela, vestindo a minha máscara de frieza, que estou acostumado a usar. Isadora leva os dedos a boca dolorida e, semicerrando os olhos, ela ergue a mão com a nítida intenção de me dar um tapa. Sou mais rápido que seus reflexos e seguro seu pulso com firmeza, girando seu braço e prendendo-o em suas costas. — Nem ouse fazer isso! — digo em tom ameaçador imerso em sensações ferozes que embaralham a minha mente e martelam o meu coração. — Confesse que você queria me beijar desde o primeiro dia que me viu no saguão — diz entredentes, enquanto sua respiração está pesada e seus olhos semicerram para mim. — E é somente isso que você terá de mim! — Eu a solto abruptamente, irritado por me deixar levar pelos meus instintos de macho. Por me deixar guiar pela paixão em vez de agir com a razão. Isadora faz menção em dizer algo, mas giro o corpo rapidamente e saio da sala como um


foguete. Nunca estive tão confuso em toda a minha vida. Estou me sentindo culpado por ter sucumbido a ela e ao mesmo tempo me sentindo ainda mais furioso por querer mais dela. Por querer tudo dela! Amor e raiva duelam em mim violentamente, tornando-me vulcânico. Preciso buscar a porra do controle ou ficarei escravo dessa mulher pelo resto da minha vida. Sinto como se o feitiço tivesse virado contra o feiticeiro, e isso me deixa puto. *** Ainda sob o domínio da raiva e imerso em sensações confusas, eu chego ao meu andar. O que eu preciso é me trancar em minha sala e me afundar no trabalho para tentar esquecer o episódio ocorrido a pouco na sala do arquivo. Quando adentro o saguão, sou surpreendido pela presença de Thereza Sandoval. Ela está acomodada a uma poltrona e abre um sorriso para mim. Puta que pariu! Eu me esqueci de que ela estava chegando hoje. Mas que mancada é essa, Bismarck? A morena se levanta e vem em minha direção, caminhando elegantemente e balançando os longos cabelos pretos. Thereza é realmente uma bela mulher. Tem 30 anos, um corpo esbelto, cheio de curvas. É elegante e acima de tudo decidida e muito pragmática. É independente e, depois da morte do marido, há mais de 4 anos, ela vive como quer. Não se amarra a ninguém e o que a move é a luxúria. Ela pisca os olhos castanhos enquanto se aproxima de mim, sorridente. Se fosse antigamente, eu estaria excitado em sua presença. Sei que a espanhola é fogo puro entre quatro paredes. Fode como uma louca e não tem pudor em relação a nada. Lembro-me de uma noite em que eu e ela nos divertimos muito com uma de suas amigas. Fizemos um ménage e tanto em seu apartamento em Barcelona. Mas agora isso para mim não tem mais importância. Nenhuma mulher tem mais espaço em minha vida a não ser Isadora. E isso me deixa extremante irritado. Desde quando eu não sou mais dono de mim? — Hola Alex, mi guapo! — Ela me dá dois beijinhos no rosto, falando seu costumeiro sotaque. — Oi Thereza, fez uma boa viagem? — pergunto enquanto caminhamos em direção a minha sala. — Sim! Mas senti sua falta no aeroporto. Achei que você iria esperar por mim. — Ela se acomoda a cadeira de frente para mim. — Me desculpe! Hoje o dia está muito atribulado. — Dou uma desculpa me sentando também. — E deve estar mesmo. Afinal, a empresa está de sócio novo. — Sorri cheia de malícia. — Falei com Roberto Gusmão enquanto esperava por você. Homem muito interessante! — Um filho da mãe, isso é o que ele é! — rosno não contendo o desconforto e ela ri balançando a cabeça. — Eu acredito que essa sua rixa com Roberto tem um rabo de saia no meio. Estou certa? — Desta vez você errou. — Abro um sorriso, me esforçando para que ela acredite em mim.


— Sei... E a sua... — Ela interrompe a frase e pigarreia. — Soube que Isadora também assumiu seu posto novamente. Nossa! Quanta novidade em uma semana. Deve estar mesmo sendo muito complicado para você administrar tudo isso. Ouço o nome de Isadora e meu corpo entra em estado de alerta novamente. Sinto a perturbação voltar a me rondar e decido dissipar essa sensação para longe. Não posso deixar transparecer para Thereza o que sinto por Isadora. Isso jamais! Não quero dar margem a especulações e tampouco a burburinhos na empresa. Sei que a espanhola tem uma língua afiada e que não consegue ser discreta quando quer. — Thereza, vamos almoçar? — convido lançando um olhar rápido para o relógio de pulso. Ela percebe que mudei o rumo da conversa e sorri. — Oh, mas é claro! Deixamos a sala e nos dirigimos até a garagem. Preciso tirar Isadora da minha cabeça e os assuntos divertidos e perversos de Thereza talvez me ajudem. É o que eu espero!


Capítulo 8 Isadora

Estou parada a certa distância observando enquanto a espanhola Thereza Sandoval conversa com Marco. Ela é realmente muito bonita. Tem corpo esbelto, cabelo longo negro, olhos castanhos e um rosto bem feminino. Talvez seja um pouco magra demais, mas mesmo assim é muito bonita. Tem seus atributos. Mas uma coisa que não gostei dela foi seu olhar quando cruzou comigo pouco antes no corredor. Parece que ela queria me engolir viva. Encarou-me de um jeito tão hostil e arrogante que me surpreendi. Sei que ela teve um caso com Alexander. E tenho certeza que ela sabe que eu era exnamorada dele e por isso me olhou com certa reserva. Não serei hipócrita em dizer que a presença de Thereza na empresa não esteja me deixando nervosa. Sei que ela fará de tudo para reconquistar Alexander, ainda mais agora que o caminho está livre. E essa constatação me deixa arrasada. Embora eu saiba que ele não quer mais nada comigo, ainda tenho um fio de esperança. Ainda mais depois do que rolou entre nós dois a três dias na sala do arquivo. E só em relembrar a sua boca me engolindo viva, a sua língua se enroscando com a minha sôfrega e seu membro duro roçando desesperado em meu ventre, entro em ebulição. Manolo tem razão quando me aconselhou a provocar Alexander. A primeira partida foi jogada e eu saí ganhando. — Ela é esnobe, não é? — Estela se aproxima ao meu lado e fixa os olhos em Thereza. — Não sei. Eu não a conheço ainda — respondo tentando parecer casual, mas por dentro estou fervendo de raiva. — Mas eu sim e posso dizer que ela é um poço de arrogância. — Não estou preocupada com ela. — Eu começo a me mover em direção ao elevador e Estela caminha ao meu lado. — Não perde nada! — Ela faz uma careta. — Thereza acha que tem o poder nas mãos. Sempre com o nariz empinado, quase cheirando as nuvens. É uma hipócrita de carteirinha! — Pelo visto a loira platinada não gosta da espanhola. Bom saber! — Bem, eu estava saindo para almoçar. Quer me acompanhar? —Mudo de assunto, pois não quero mais falar na morena. — Obrigada pelo convite, mas não vai dar Dora. Eu tenho muito trabalho acumulado ainda. Vou pedir um lanche e almoçar na minha sala. — Ok! Até mais então! — Trocamos dois beijinhos e eu aperto o botão do elevador. Enquanto vejo espero, vejo Estela se distanciar e entrar na sala do arquivo. Desde que retornei que eu tenho notado que Estela está diferente. Não parece mais a mesma


pessoa perdida que conheci há alguns meses atrás. Ela parece mais compenetrada e não me olha com malícia como antes e tampouco faz comentários hostis em relação ao Alexander. Lembro-me da noite em que ela me chamou em seu apartamento e despejou a verdade a respeito de sua vida e dos sentimentos que dizia nutrir por mim e por Alexander. Naquela época eu achei que Estela estivesse precisando de ajuda médica especializada. Mas agora observando seu novo comportamento eu constato que ela mudou. Eu gosto dela e desejo que Estela seja feliz, mas sem neuras e mágoas, pois isso só traz prejuízos para as pessoas. Como o tempo está com cara de chuva, opto em fazer a minha refeição em um restaurante que fica dois quarteirões da empresa. Não estou com vontade de ter que me deslocar de carro nesse trânsito infernal somente para almoçar no antigo restaurante que eu e Alexander costumávamos ir. E, além do mais, não quero ter recordações daquela época, que tudo ao lado dele era colorido e mágico. Estou acomodada a uma mesa e com os olhos totalmente voltados para o menu, que nem sinto uma pessoa se aproximar e parar diante de mim. Ergo a cabeça, sobressaltada, e encontro Roberto sorrindo. — Está sozinha? — Oh, sim! — Roberto já vai puxando a cadeira. — Posso acompanhá-la? — Seu tom é de puro interesse e seus olhos brilham cintilantes para mim. Reflito por alguns segundos e concordo com a cabeça. Afinal, é apenas um almoço entre sócios e nada demais irá acontecer. Roberto se senta e coloca o guardanapo de boca ao colo. — Eu a vi pouco nesses últimos dias. — Estive bastante atribulada. Tive que rever alguns contratos que foram fechados enquanto estive fora. — Sorrio e volto a atenção para o menu. — Já escolheu o que comer? — Ainda não. Estou indecisa. — Eles têm um prato à moda da casa que é uma delicia. Quer experimentar? — E esse prato é feito de quê? — Lombo canadense regado por ervas afrodisíacas e saladas de vários tipos. — Hum, parece saboroso. Eu vou experimentar. — Deixo o menu sobre a mesa enquanto Roberto lê a carta de vinhos. — Vinho branco ou tinto? — Ele ergue os olhos para me fitar. — Eu vou preferir água com gás, limão e gelo. Se eu beber uma taça de vinho agora, não trabalho direito à tarde. — Bem, então eu vou pedir o mesmo. — Ele deixa a carta sobre a mesa. — Sabe, eu sou de origem italiana e lá na minha casa sempre tem vinho nas refeições. Roberto parece ser uma pessoa muito sociável e descontraída, embora Alexander diga o contrário. Conversamos mais alguns assuntos banais enquanto a garçonete anota os nossos pedidos. A moça sai em direção à copa e eu e Roberto continuamos a nossa conversa informal. Entre um assunto


de trabalho e outro, ele não perde tempo para me elogiar e flertar comigo deliberadamente. Ignoro o quanto eu posso e fico alerta em minha postura séria, porém amigável. Roberto está falando sobre estratégias de mercados e como conseguir para atrair mais clientes para a empresa. Ouço a tudo atentamente e, já um pouco entediada com assuntos profissionais eu giro a cabeça para o lado. Neste instante eu estremeço na cadeira e meu coração começa a bater como um louco dentro do peito. Alexander está parado a uma distância segura e com os olhos semicerrados, me observando. Ele me encara com tanta intensidade, que vejo amor e raiva espelhados em seu olhar azulado. Engulo em seco e bebo um gole de água para lubrificar a minha garganta. E, quando dou por mim, vejo-o se mover em nossa direção. Não preciso nem dizer o que estou sentindo, o meu corpo inteiro está em alerta máximo diante de seu olhar felino e afiado. Roberto parece ter notado a minha apreensão e quando gira o rosto de lado se depara com Alexander parado próximo a mesa. Ele inclina a cabeça para cima e eles se encaram como se fossem dois leões, prontos para o ataque. Roberto franze o cenho descontente enquanto Alexander trinca o maxilar, furioso. — Alexander, eu não sabia que você frequentava esse restaurante — diz Roberto, puxando assunto. Alexander desvia o olhar do sócio para se fixar em mim. — E eu não frequento. Mas acabei de me tornar o mais novo freguês. — Ele puxa a cadeira que está vazia e se acomoda ao meu lado. Sinto ondas de eletricidade emanar de seu corpo em direção ao meu e a tensão começa a me rondar. — Você vai nos acompanhar em nosso pedido? — indaga Roberto enquanto Alexander o ignora e me encara com semblante duro. — Isadora, que diabos você está fazendo aqui? — Sua voz sai quase em um rosnado e eu ergo o queixo, decidida a enfrentá-lo. — Almoçando, não vê? — Algum problema, Bismarck? — Roberto interfere na conversa deixando claro o seu descontentamento. — Gusmão, você é mesmo um safado filho da mãe! — Alexander volta a encarar o sócio com olhar cortante. — Como é mesmo o nome da garota que você engravidou e depois deu um pé na bunda? Roberto estreita os olhos e encara Alexander com a mesma hostilidade. Percebo que a atmosfera está densa e a qualquer momento um dos dois perderá o controle. Prendo a respiração e fico sem reação, somente observando as duas feras que se medem com fúria. — Com certeza ela não se chama Samara Fagundes — responde Roberto e eu congelo de vez. Senhor Deus! Estou prevendo uma possível revolução com direito a sangue e bofetadas. Alexander bufa e inclina o corpo para frente. Seu maxilar se contrai tanto que ouço os ossos se trincarem enquanto ele comprime a mandíbula. Roberto não recua e mantém a postura tesa e o olhar cortante. Quanto a mim, começo a rezar para que nem um dos dois cometa uma loucura em público. — Você é podre, Roberto! Um maldito intruso em minha empresa e um homem sem caráter.


— Que ironia, Alexander. Você me falar sobre caráter... Logo você que não é desprovido de um! — rosna Roberto acusando Alexander por entre linhas. — Se você disser mais uma palavra, Gusmão, você saberá o porquê sou conhecido como Homem de Aço. — Alexander cerra os pulsos em cima da mesa, enquanto seus olhos azuis perfuram os castanhos de Roberto. — Gente, por favor, é apenas um almoço. — Minha voz sai baixa e abafada. Sinto o corpo começar a tremer aos poucos à medida que nenhum dos dois recua. — Isadora, você vem comigo! — Alexander segura meu braço e se levanta exasperado. — Não vou a lugar algum com você! — Indigno-me enquanto somos alvos de alguns burburinhos que começam a se formar nas mesas que estão próximas. — Alexander, você não pode levar uma mulher contra a sua vontade. Solte a Isadora! — Meta-se com a sua vida, Roberto! — Alexander retruca entredentes ainda de posse de meu braço. — E você vem comigo, agora! — Ele me puxa fazendo com que eu fique de pé e tenta me arrastar para fora do restaurante. — Alexander, me solte! — Eu me seguro na mesa e ele me lança um olhar furioso. — Bismarck, eu já disse a você para soltar a Isadora. — Agora é Roberto que se levanta e encara Alexander com raiva. — E eu já disse a você para se meter com a porra de sua vida! — Ele rosna em tom baixo para o sócio e volta a me fitar impaciente. — Isadora, vamos sair daqui antes que eu cometa uma loucura! Seu tom de voz sai tão duro e ameaçador que eu temo que aconteça algo pior. E, para evitar um possível confronto entre ambos, pego a minha bolsa e deixo o restaurante com Alexander. Roberto apenas me olha com uma expressão furiosa em seu rosto. Antes de sair do local, vejo o meu novo sócio jogar o guardanapo de boca sobre a mesa com raiva e chamar a garçonete. Certamente que ele está pedindo a conta e retornará para o escritório. Alcançamos a calçada e a chuva fina começa a cair em nossas cabeças. Alexander não solta meu braço de jeito nenhum e continua andando comigo como se tivesse ligado o piloto automático. Irritada por ser tratada como uma marionete, interrompo os passos e ele se detém, voltando a me encarar nada contente. — Que diabos deu em você? — brado furiosa, puxando o meu braço da posse de seus dedos. — Acha que sou um quadro que está em leilão? Ou pior! Pensa que pode fazer o que der na telha só para alimentar o seu maldito ego? — Não queira discutir comigo agora, Isadora. Roberto é um cafajeste que come meio mundo. Ele não vale um centavo! — E eu estou pouco me importando se ele não vale um centavo. Você deixou claro que não me quer mais. Então o porquê dessa ceninha besta? — Eu começo a caminhar sob a garoa forte que molha as minhas roupas e ele me segue. Alexander volta a segurar meu braço e, sob protestos, ele adentra em um pequeno beco. Com agilidade, ele me coloca contra a parede de concreto, enquanto prende meus pulsos em ambos os


lados de meus quadris. Eu me debato para tentar me livrar de suas mãos, mas é em vão. Alexander é mais forte e mais alto do que eu, me tornando presa fácil de ser capturada. Desisto de lutar contra ele e o encaro furiosa. Em seus olhos eu vejo um misto de sentimentos desconexos que estão loucos para se libertar. E neste emaranhado de emoções que ele se encontra, o meu peito explode de tanto amor. Deus! Como eu amo esse homem. — O que você quer de mim, Alexander? Ele não responde e desce seus olhos até minha boca. Meu corpo reage violentamente diante da intensidade de seu olhar. Minhas pernas estremecem, o coração acelera e a calcinha fica molhada. Alexander contempla meus lábios por alguns segundos e o que eu mais desejo é que ele me beije sob a chuva, que deixe de lutar contra si mesmo e que baixe a guarda de vez. Mas para meu pesar, ele libera meus pulsos e se afasta confuso, passando as mãos pelo cabelo molhado. Quanto a mim, estou imóvel e sendo consumida por um amor que não tem mais limites para extrapolar, pois já ultrapassou o infinito. Respiro fundo e ajeito a blusa molhada enquanto tento mascarar a frustração que me invade. Ela sempre esteve presente quando estou com Alexander. Parece macumba ou coisa do capeta! — Para o seu bem, fique longe do Roberto. Ele não é confiável. — E quem é confiável? Você?! — digo em tom duro, devolvendo na mesma moeda. — Isadora, eu sei o que estou dizendo. Gusmão é um safado de marca famosa! — Estamos discutindo em um beco, sob uma forte garoa e sob olhares de alguns pedestres que cruzam por aqui. Não acredito a que ponto nós chegamos! — Você foi bem claro quando disse que não me quer mais, que o que eu teria de você era apenas aquele beijo na sala de arquivo. Ou estou enganada? — Não! Você não está! — Então, deixe-me viver a minha vida em paz, Alexander! E volte para a sua redoma de vidro. — Engulo o pranto e com um nó na garganta, saio em disparada calçada afora. *** Após o expediente de trabalho Manolo vem me fazer uma visita rápida e está acomodado ao meu lado, no sofá da sala de estar. Enquanto eu termino de conversar com minha mãe ao telefone, ele me espera saboreando um suco de acerola. — Meu bebê, eu estou morrendo de saudade de você! — Eu também estou com saudade, mãe. Quando você e o Douglas retornam da viagem? — Minha mãe e o namorado estão curtindo alguns dias de férias na Patagônia. — Estaremos chegando daqui a dois dias. Não queremos perder o carnaval e aqui está frio demais. — Mãe, você está na Patagônia e não no Caribe. — Dou um sorriso sugestivo e Manolo revira


os olhos diante da reclamação de dona Vitória. — Vocês estão se divertindo? — Sim! Estamos curtindo muito a neve. Eu até esquiei, acredita? — Ela dá uma risada gostosa. — Dora, meu bem, eu queria conversar mais com você, mas temos um jantar com um grupo de amigos que conhecemos durante a viagem. — Fique tranquila, mãe. Divirta-se! — Beijos, meu bebê. Em breve nos veremos! — Beijos, mãe. — Desligo o celular e me afundo no sofá. Manolo percebe a minha expressão abatida e me fita com ternura. — Vivi estava reclamando da viagem com o bofe gostoso, é? — indaga em tom divertido. — Sim! Vê se pode! — Agora é minha vez de revirar os olhos. — Sua mãe é uma figura! — Ele balança a cabeça e me encara com semblante preocupado. — Afrodite, você está bem? — O seu plano infalível não está dando certo. — Eu puxo as pernas para cima do estofado e abraço uma almofada. — Você está falando sobre Zeus? — Eu concordo com a cabeça, mais desanimada que nunca. — Acho que você está enganada. — Por que está dizendo isso, Manolo? Tentei de tudo e Alex não cede. Ao contrário, está cada dia mais frio e distante. — Dorinha, como você é boba. Não enxerga um palmo na frente do nariz! O senhor delicioso está roendo as pernas das cadeiras e subindo pelas paredes de tanto tesão reprimido. — Sobre o que você está falando, Manolo? — Ontem ele chegou todo molhado da rua e você também. — Ele ri baixinho e seu olhar se torna maroto. — Pelo que eu soube, o homem estava uma fera. Entrou em sua sala e cancelou todos os compromissos do dia. — E como você sabe sobre isso? — Arregalo os olhos imaginando a fofoca que o retorno meu e de Alexander molhados pela chuva não deve ter gerado na empresa. — Vanessa me contou na copa, quando eu fui pegar o meu lanche. Ela disse que Zeus estava picando de raiva. Que não demorou muito em sua sala e logo saiu, antes mesmo de encerrar o expediente de trabalho. — Sério? — pergunto sem acreditar, pois Alexander é obstinado por seu trabalho. — Dora, o tesão e amor reprimidos que ele sente por você estão por um fio. Mais uma provocação e as barreiras do senhor Zeus desmoronam igual ao muro de Berlim. — Manolo solta uma gargalhada gostosa que ecoa em meu apartamento. — Manolo, eu não sei... — Deixa de ser cega e me escute. A próxima oportunidade que você tiver, agarra com unhas e dentes e não deixe esse homem escapar! Basta você escutar o meu plano. — Sorri perverso, repleto de ideias.


Manolo explica o seu mais novo plano mirabolante para eu me reaproximar de Alexander e escuto a tudo atentamente. Meu amigo tem me ajudado muito nesse processo de reconquistar o coração do homem que eu amo, e estou sendo imensamente grata a ele.


Capítulo 9 Alexander

Após fecharmos negócios com uma empresa americana, Roberto sugere uma festa de précarnaval em sua casa, para comemorar o acordo, com direito a bateria de escola de samba, feijoada e bebidas a vontade. Como não tenho alternativas, acabo concordando com a ideia e a festa acontecerá na sexta à noite, daqui dois dias. Maldito filho da mãe! Se não bastasse ele ter se aproximado da Isadora com o interesse de cantá-la e levá-la para a cama, agora ele se acha no direito de propor eventos em sua casa. Quero matar esse miserável! Sinceramente não sei o que me deixa mais irritado, se é vê-lo se derretendo de galanteios para cima de Isadora, ou se é o fato de se comportar como se fosse o presidente da empresa. Preciso controlar meus sentimentos e meus impulsos, pois minha paciência está por um fio. Apenas um fio tênue, que está prestes a se romper. Entro em minha sala e abro meu notebook. Preciso terminar alguns afazeres ainda no dia de hoje. Tenho vários assuntos para resolver: contratos, orçamentos, parcerias com outras empresas. Enfim, são tantas coisas que nem sei qual devo analisar primeiro. E, quando eu penso que finalmente terei um tempo para me dedicar aos meus afazeres, Daniela interfona e diz que Ernani quer falar comigo. Deixo o trabalho de lado e o recebo em minha sala. — Bom dia, senhor Alexander! — Ernani se aproxima com semblante sério e se acomoda na cadeira em minha frente. — Para mim é um péssimo dia! — rosno irritado e ele ergue as sobrancelhas, surpreso. — O que houve, Ernani? — O senhor se lembra das fotos que recebeu na noite da festa de aniversário da empresa, há alguns meses? — Como esquecerei essa noite? Foi a partir desse dia que eu e Isadora rompemos e que minha vida se tornou o caos que está até hoje. — Sim, eu lembro. Alguma novidade sobre o remetente? — Sim. Nós já temos um nome e um possível endereço. Está tudo aqui — diz me entregando um envelope lacrado. Tiro o documento de dentro e leio com atenção o que está escrito. O responsável por enviar as fotos tiradas enquanto eu fui ao túmulo de Fernanda e depois quando estive no cais com Isadora, se chama Jairo Camargo. No documento consta que ele reside em um bairro de classe baixa na cidade, lugar onde a criminalidade comanda. Nunca ouvi esse nome em toda minha vida e nem faço ideia quem seja esse homem, tampouco o que o motivou a enviar as fotografias.


Continuo lendo o relatório e vejo que a ficha de Jairo é mais suja que pau de galinheiro. Ele tem passagens pela polícia por agressão, porte ilegal de arma de fogo e furto. Mas o que levou esse homem desconhecido a enviar aquelas fotos? Na época recebi apenas as fotos, nada mais, nem um pedido de dinheiro ou um favor especial. Reflito por um momento e, como tenho meus velhos inimigos que me rondam de vez em quando, eu suponho que esse homem não está agindo sozinho. Algo me diz que existe um mentor com cérebro por trás de Jairo e descobrirei quem é. — E o que faremos agora, senhor? — A voz de Ernani me tira de meus pensamentos. — Nada, por enquanto. — Eu guardo os papéis dentro do envelope e o tranco em minha valise. — Mas você não acha melhor procurarmos a polícia? — E alegaremos o que, Ernani? Que eu recebi algumas fotos e que quem enviou não exigiu nada em troca? Os policiais vão rir da minha cara e a imprensa vai se fartar com essa notícia. — Respiro fundo e decido colocar uma ideia em prática. — Quero que você contrate o melhor detetive que existe no mercado e mantenha o homem grudado no rabo desse Jairo Camargo 24h por dia. Assim, nós saberemos ao menos se ele tem algum envolvimento com um de meus inimigos. — Sim, senhor! Eu farei isso — assegura se levantando. — Mais alguma coisa? — Sim! Você soube sobre a festa na casa do Roberto, não é? — Sim, eu soube. — Então, quero que você convide todos os funcionários, se é que o filho da mãe do Roberto já não fez isso por mim. — Passo uma das mãos no cabelo, irritado. Roberto Gusmão está sendo mais do que uma pedra em meu sapato. Ele está sendo um espinho em minha bunda. — Eu farei isso. Pode deixar tudo comigo! — Obrigado! Você é meu braço direito e por isso confio muito em você. — De nada, senhor. Eu estou aqui para fazer o meu trabalho. Com licença. — Ernani se move em direção a porta de saída e deixa a sala. Após a saída de meu funcionário eu decido me concentrar em meus afazeres. Passo o dia inteiro tão ocupado que não tenho tempo nem para tomar um cafezinho. Recebo empresários que vem pessoalmente conversar comigo sobre um negócio ou uma parceria, atendo a ligações nacionais e internacionais. Enfim, meu dia está sendo muito agitado. Estou encerrando meu expediente e saindo de minha sala quando encontro Thereza, que vem em minha direção. A espanhola balança os quadris, mexe com o cabelo e sorri para mim. Interrompo os passos e espero por ela. — Alex, mi guapo, eu queria falar com você. — Eu já estava de saída. É algum assunto urgente, Thereza? — Na verdade eu também estou de saída. — Ela sorri e acaricia meu rosto com os dedos. Engulo em seco e começo a caminhar, me esquivando de uma saia justa diante de minhas secretárias. Thereza me acompanha. — Eu queria convidá-lo para jantar em uma casa mexicana que conheci aqui no Brasil, na última vez que vim.


— Eu adoraria Thereza, mas hoje estou muito cansado. — Dou uma desculpa, pois estou a fim de ficar sozinho. — Ah, mi guapo, não faça essa desfeita para mim. Vamos? — Ela insiste parando em minha frente e interrompendo os meus passos. — Thereza, eu sei que ainda não conversamos tudo que tínhamos para conversar e realmente me sinto em dívida com você. — Hum... Eu sei muito bem como você pode pagar essa dívida. — Ela sorri maliciosamente e seus dedos vão parar na gola de meu casaco. Um pouco constrangido diante da espanhola desinibida, eu sorrio e ergo meus olhos. Meu sorriso desaparece de imediato quando vejo logo mais a frente Isadora me encarando com olhar gélido. Ela está parada em frente ao elevador principal e segura em uma das mãos a sua valise, enquanto na outra está a sua bolsa. Certamente que ela presenciou a cena que Thereza acaba de fazer e tirou conclusões precipitadas. Isadora respira fundo, ergue o queixo e me lança um novo olhar cortante como navalha. Percebo que embora ela tente manter sua postura firme e demonstrar para mim que não está abalada, vejo seus lábios tremerem levemente. Ela está furiosa! Thereza que até então estava apenas sorrindo para mim, vira o rosto e encontra Isadora. Ela não se demora muito e logo volta o olhar para frente, ignorando a presença da deusa Afrodite que está me destroçando com os olhos. Meu peito explode em um misto de amor e raiva. Tenho sentido isso desde que Isadora retornou à empresa. Passo a mão pelo cabelo, nervoso tentando assimilar a saia justíssima em que me encontro. A vontade que tenho é de correr até ela e esclarecer o recente equívoco. Sei que não devo explicações de minha vida a Isadora e nem ela me deve da sua. Mas por que é então que eu me sinto no dever de me explicar? As portas do elevador se abrem e Isadora desvia o olhar do meu e entra. As sensações confusas me atingem com fúria e eu ignoro Thereza e saio cego em sua direção. Ainda ouço a espanhola falar mais algumas coisas, mas minha mente está tão focada em Isadora, que simplesmente o meu cérebro foi desconectado com o mundo exterior. Eu alcanço o elevador tarde demais. As portas se fecharam e Isadora sai furiosa. Com certeza ela deve estar me odiando neste momento e imaginando que eu tenha um caso com Thereza. Não serei hipócrita, se estivesse no lugar dela, pensaria a mesma coisa. E, me sentindo mais perdido do que nunca, eu me despeço rapidamente da espanhola e pego o elevador de serviço. Preciso colocar em ordem os meus pensamentos, pois ando muito confuso ultimamente. *** O dia passa rápido e a noite chega. Dispenso os funcionários mais cedo e vou para casa. Não sei muito bem o que fazer. Uma parte de mim quer ficar trancafiada em minha suíte, outra quer ir à festa na casa do Roberto. Após tomar um banho, reflito por um momento. O que tem demais em ir a um evento na casa do safado do meu sócio? Eu não queria ir, mas como Gusmão tem tudo organizado


e ainda por cima, convidou os empresários americanos que fechamos um negócio lucrativo há dois dias, me sinto na obrigação de me fazer presente. Honestamente eu não quero participar dessa festa, pois sei que Isadora estará lá e a presença dela me deixa fora de mim. Eu me transformo em outro homem e esse outro eu fica completamente fora de controle. Os sentimentos estão fazendo uma revolução em meu peito e me deixando quase louco. Eu me levanto, decidido, e saio até o closet para me trocar. Como a festa acontece praticamente ao redor da piscina, eu opto por usar uma calça jeans escura, uma camisa polo branca e um par de sapatos pretos. Seco o pouco de água que ainda resta em meu cabelo com uma toalha e apenas corro os dedos nos fios, acomodando-os de qualquer jeito. Passo a fragrância de One Million, meu perfume predileto de Paco Rabanne e me olho no espelho. Essa noite eu preciso manter o domínio de mim e não me deixar levar pelos instintos. É isso que farei! Desço e dispenso tanto Plínio quanto Carlos. Pego as chaves do meu Jaguar do console e saio. Quero passar pelo menos uma noite sem ter os dois grudados em meu rabo. Não aguento mais essa vida de privações, onde tenho que estar acompanhado de meu segurança, ou de meu motorista para manter a integridade de minha vida. Quem dera se eu não tivesse dinheiro, talvez eu fosse mais feliz. Minutos depois estou adentrando na casa do Roberto, que está lotada. Empresários, funcionários da empresa, colaboradores, rivais de negócios e até mesmo algumas modelos se fazem presente. Não acredito que Roberto convidou toda essa gente. Quanta ousadia desse filho da mãe! Além de marcar essa festa na casa dele em nome da empresa, ele convida alguns de meus rivais no mundo do aço. Gusmão que se cuide quando cruzar comigo esta noite, pois a vontade de socá-lo é enorme. Um garçom passa por mim e me oferece uma bebida. Pego uma cerveja gelada e olho ao redor. Não vejo Isadora, Roberto ou qualquer outro sócio da empresa. Os conhecidos que vejo estão se divertindo ao som da bateria da escola de samba que ecoa na área externa, ao redor da piscina. Alguns estão sambando animados, enquanto outros estão entretidos bebendo e conversando em pequenos grupos. Eu aprecio samba, pagode, mas não nesse tom tão alto. Bebo um gole da bebida e sinto um tapinha camarada nas minhas costas. — Alex, você por aqui? — Sou surpreendido com a visão de Douglas, que se aproxima acompanhado de dona Vitória. — Eu não tive escolhas. — Abro um sorriso e me volto para cumprimentar a mãe de Isadora. — Tudo bem, dona Vitória? — Tudo bem sim! E você Alexander, como vai? — Estou bem. Como foram de viagem? — Foi muito divertida e excitante. Pena que lá estava muito frio — responde Douglas, abraçando a namorada. — Você viu a Isadora? — Dona Vitória parece ler os meus pensamentos, porque está me fitando com o semblante desconfiado. — Não, eu nem sei se ela está presente — respondo tenso, bebendo um gole da minha cerveja. — Oh, claro que está! Ela estava ainda a pouco conversando com Estela e o novo sócio — diz Douglas e meu sangue ferve ao ouvir as últimas palavras. Aquele galinha safado do Roberto está


dando em cima da Isadora. Como eu não pensei nessa hipótese? Ele acha que só porque é véspera de carnaval, época em que ninguém é de ninguém, pode sair pegando propriedade alheia. Eu mato esse desgraçado! Neste instante uma cortina vermelha cobre meus olhos. Eu não raciocino mais nada e passo a varrer o ambiente em busca dos dois. A sensação que tenho é como se uma bomba relógio fosse ligada dentro de mim e cronometrada para explodir assim que os vir juntos. — Quer feijoada? — A mãe de Isadora pega um prato de comida e me oferece. — Obrigado! — Aceito o prato meio a contragosto por que sei que não comerei a feijoada. Nada passa em minha garganta. Até o ar parece que me falta. — Está uma delícia. — Ela sorri para mim enquanto eu busco Isadora com os olhos sem obter sucesso. — Bem, eu e a Vivi vamos curtir o carnaval — diz Douglas constatando que estou com a atenção voltada para as pessoas a minha frente. Eu mal vejo os meus amigos se distanciarem e mantenho meu olhar atento como um leão em busca de sua presa. Mas os convidados que sambam e se divertem diante de mim dificultam um pouco a minha visibilidade. Espicho o pescoço, olho de um lado para o outro e de repente meus olhos queimam e fico estático. Meu corpo se enrijece e minha respiração se torna pesada. A uma distância razoável está o galinha do Roberto de costas para mim. Isadora e Estela estão rindo e conversando com ele. Eu não vejo mais nada. A fúria me domina assim como os sentimentos. Os três conversam animadamente enquanto eu me controlo para não cometer uma besteira em público. Isadora se move um pouco e mexe no cabelo comprido, jogando-o para trás do ombro. Neste instante eu analiso a roupa que ela veste: uma saia branca levemente rodada acima dos joelhos, uma blusa de seda cavada dourada fosca e uma sandália vermelha de salto alto. Por um breve momento eu me concentro em seus pés delicados e na maldita sandália, que está despertando em mim as pornografias mais diversas. Mas a pouca roupa que ela usa faz meu cérebro entrar em parafusos. Isadora está seminua diante do Roberto?! E, se não bastasse a ira que me invade por vê-la tão pouco coberta e sorridente, eu vejo Gusmão deslizar seus dedos no braço dela de uma forma muito íntima e Estela se derreter em sorrisos para os dois. O que está acontecendo? Eles farão um ménage depois? Minha mente se embaralha e eu não penso em mais nada. Cerro o maxilar e deixo a Bud pela metade e o prato de feijoada sobre uma bandeja de um garçom que acaba de cruzar ao meu lado. E, decidido a acabar com essa festinha particular e mostrar ao Roberto, bem como a megera loira a quem Isadora pertence de verdade, começo a me mover com os olhos fixos neles. Cada passo que dou, sinto a fúria me dominar ainda mais, me deixando quase um ser primitivo. Tudo se torna difícil: respirar, raciocinar e manter o controle. E, inesperadamente, Isadora gira o rosto para o lado e nossos olhos se encontram. O sorriso desaparece de seus lábios e ela fica paralisada. Sua pele se torna pálida e percebo que ela está nervosa, pois leva os dentes ao lábio inferior, mordendo-o inconscientemente. Neste instante eu não ouço mais o samba que ecoa no ambiente, e tampouco vejo as pessoas que estão a minha volta. Somente há eu e ela na piscina.


Vejo o tesão explícito em seus olhos, assim como o amor e a paixão. Interrompo os passos e permanecemos nos encarando famintos. Não posso mais recuar e tampouco negar. Isadora está fodendo o meu psicológico, a minha vida, o meu mundo. Desde que ela voltou, tenho travado uma luta interna comigo mesmo, com meus sentimentos. O que mais desejo agora é arrancá-la daqui e fodê-la a noite inteira, até a exaustão. Até que estejamos saciados e consumidos pela paixão ardente que sentimos um pelo outro. Neste instante eu constato que perdi a luta. Não adianta mais travar uma batalha na qual nem um de nós dois sai perdendo, e sim ambos ganhando. E com esse pensamento em mente, eu volto a me mover, determinado, em sua direção. Mantenho o olhar felino prezo ao dela, enquanto o tesão emerge com intensidade, assim como a paixão que me deixa cego. Isadora pressente a minha proximidade e engole em seco, arregalando os olhos, passando a língua nos lábios. Fixo o olhar em sua boca carnuda pintada com gloss labial rosa e meu pau se torna rijo. Tudo transborda em mim de uma forma muito selvagem. Eu me aproximo e paro diante dela, Roberto ainda está absorto contando um assunto qualquer e não notou a minha presença, assim como Estela, que está distraída. Foda-se o Gusmão, a Estela, o meu orgulho e o resto do mundo! Eu quero o que é meu e quero agora! — Alexander... — Isadora sussurra ainda sem piscar, com as mãos levemente trêmulas. — Isadora! — exclamo em um rosnado com os olhos fixos aos seus. Neste instante Roberto e Estela me encaram surpresos. Ignoro a presença desagradável de ambos e permaneço sem desviar meus olhos da deusa Afrodite, que respira com dificuldade. — Oi, Alex! Que surpresa em vê-lo. — Sorri Estela, escondendo um brilho ardiloso por trás de seus olhos verdes. — Alexander, você veio se juntar a nossa festa? — Roberto ainda tem a coragem de me provocar? Eu encaro o safado com olhar estreito e ele faz o mesmo. — Roberto, eu repetirei o conselho que lhe dei no restaurante pela última vez: meta-se com a porra de sua vida! — E, dizendo isso eu seguro o braço de Isadora e a puxo para perto de mim. — Mas o que é isso, Bismarck? Isadora não é sua propriedade! — O que está acontecendo? — Estela se intromete em um assunto que não é de seu interesse. — Fiquem fora disso! — Eu alerto tanto a loira quanto o safado do meu sócio. — Alexander, o que... — Isadora tenta falar, mas eu a interrompo, com os olhos voltados para o corvo do meu sócio. — E só mais um lembrete, Roberto: fique longe da minha mulher ou eu parto a sua cara ao meio! — Você quer partir para a briga agora? Não precisa me convocar duas vezes. — Roberto está decidido a partir para cima de mim. Eu o encaro por alguns segundos e recuo, pois estamos chamando a atenção de algumas pessoas que estão ao nosso redor. O mais sensato a fazer agora é controlar a minha fúria perante os demais. Tenho uma carreira a zelar e não quero que um ato impensado manche a reputação minha ou da minha empresa. — Gente, por favor, estamos em uma festa. — Estela tenta colocar panos quentes, mas é em vão.


Eu e Roberto nos medimos como duas feras, pronta para o ataque. — A sua hora vai chegar, Gusmão! — asseguro sabendo que farei o impossível para enxotá-lo da minha empresa. — Você está me ameaçando? — Eu estou lhe avisando! — Ergo o dedo indicador para ele. — Mas que porra é essa? Quem você pensa que é? Deus? — Roberto rosna dando um passo a frente, louco para fazer uma cena. — Você precisa fazer esse teatro todo, Alex? — indaga Estela, se intrometendo outra vez. — Estela, essa não é uma boa hora para conversarmos. Com licença! — digo já girando o corpo, determinado a sair daqui o mais rápido possível. Ignoro os meus sócios, assim como algumas pessoas que nos olham especulativamente, e cruzo a piscina segurando a mão de Isadora. Desço as escadas apressadamente e a ouço dizer alguma coisa, mas estou tão obstinado em tirá-la daqui que não respondo. A fúria me domina, bem como a paixão. Sou vencido pela segunda, que queima o meu coração e arde a minha pele. — Alexander, o que há de errado com você? — pergunta, enquanto eu caminho apressadamente, quase a arrastando para fora da casa do Roberto. — Me solte, eu não sou sua propriedade! — Ela puxa a sua mão da minha sem obter sucesso. Chego ao estacionamento e avisto meu carro de longe. Mas como estou com uma venda em meus olhos, eu não consigo ir adiante e encurralo Isadora junto a parede de concreto, em meio a penumbra. — Me deixe em paz e vá atrás da Thereza! Não é ela que você quer? — esbraveja se contorcendo inutilmente, pois está presa com o peso do meu corpo. — Não! Eu quero VOCÊ! Isadora arqueja forte e para de se debater. Enquanto uma de minhas mãos pressiona a sua mandíbula, a outra desce em direção a sua bunda, apertando-a. Permanecemos por alguns segundos apenas nos encarando com sentimento e selvageria. Vejo em seus olhos verdes a intensidade da paixão e do tesão que se equiparam aos meus. Tudo se torna evidente entre nós. Não há mais o que negar e tampouco o que lutar. Ambos estamos consumidos pela mesma fome: amor e saudade. Deslizo a mão de sua mandíbula para posicioná-la em sua nuca, segurando-a firme. Inclino a cabeça um pouco mais para baixo e seu cheiro gostoso invade as minhas narinas. Cheiro de feminilidade, do perfume costumeiro que ela usa. — Alex... — sussurra me chamando pelo meu apelido. — Não diga nada Dora, apenas me beije! — ordeno com voz rouca e ela obedece. Com os dedos enroscados em meu cabelo, Isadora cola seus lábios aos meus.


Capítulo 10 Isadora

Os nossos lábios estão se movendo com a mesma paixão que estala entre nós. Alexander praticamente me devora viva. Sua língua duela com a minha ansiosa e ávida. Eu paro de me debater e apenas sinto. Meu cérebro está desconectado com o mundo exterior. Puxo-o ainda mais perto, como se isso fosse possível, pois estamos praticamente colados um ao outro. Alexander perde a razão de vez e passa a não somente me beijar, mas a consumir a minha vida, a minha alma. A saudade e o amor transbordam em nós, nos envolvendo, fazendo nossa pele arder desesperadamente. Sinto-o mover os quadris com sua ereção proeminente apertando o meu ventre, enquanto uma de suas mãos aperta as minhas coxas por baixo da saia levemente rodada. Seus dedos vão ansiosos para a minha calcinha e, em hesitar, ele começa a massagear meu clitóris por cima da roupa íntima. E se isso não bastasse para me deixar totalmente arrebatada, Alexander afasta o fino tecido para o lado e insere o dedo médio em mim. Solto um gemido abafado em sua boca que continua se alimentando da minha, enquanto ele começa a me torturar empurrando o dedo em uma dança erótica de ida e vinda. Neste instante eu não sou mais dona de minhas faculdades mentais. Tudo ao redor para de existir e somente há eu, ele e o amor que nos une desde sempre. Eu palpito e tremo em suas mãos, sabendo que meu corpo e minha alma pertencem a ele. Seu dedo me tortura, estocando forte, pressionando o meu ponto G, enquanto sua língua serpenteia em minha boca. É um beijo intenso, longo e delicioso. Alexander morde, lambe e beija meus lábios e me segura firme pela nuca, mantendo-me presa em seus braços. As minhas pernas tremem, meu corpo arde e meu coração explode dentro de mim. Sinto os seios doerem contra seu peito másculo e viril e seu cheiro inebriante tomar conta de minha mente, me deixando entorpecente. Somente depois de beijar muito os meus lábios e de estocar seu dedo em mim até quase me fazer perder os sentidos, é que ele se afasta o mínimo possível, puxando o dedo para fora e colando a sua testa a minha. Estamos os dois arfantes, queimando de amor e desejo. Invadidos por sentimentos tão intensos, inexplicáveis. Agora eu sei que nenhum de nós poderá fugir mais. O amor que sentimos um pelo outro é maior do que qualquer coisa: orgulho, ressentimento, raiva. — Quanta saudade eu tive de seus lábios, Dora! Senti sua falta! — Ah, Alex! Quase morri sem você! — Confesso sem reservas, apenas arrebatada por ele e por tudo que significa para mim. — Venha comigo! — Ele sai decidido de posse de minha mão, caminhando até o Jaguar. Nós nos sentamos e ele coloca o carro em movimento. O trajeto é feito as pressas. Alexander pisa fundo e faz rugir o motor do seu esportivo. Quanto a mim, apenas me mantenho calada ao seu


lado, presa ao cinto de segurança e estalando de tanto sentimento. Percebo que ele toma a direção de sua casa e entendo o motivo de sua pressa: ele me quer tanto quanto eu o quero. Minutos depois estamos adentrando o hall de entrada em direção as escadas que dão acesso para o segundo andar. Em nenhum momento Alexander desgruda a sua mão da minha. Subimos apressadamente até chegarmos ao quarto. Eu entro e ele fecha a porta atrás de si. Quando volto o rosto frente eu me deparo com meus quadros pessoais, os quais ainda estão na mesma posição: pendurados de frente para a sua cama. Uma alegria enorme invade o meu peito por saber que embora nós estivéssemos separados, Alexander ainda manteve os meus retratos em seu quarto. Isso significa que ele ainda sente algo por mim. Tenho certeza! — Eles sempre estiveram ai. — Ele parece ler os meus pensamentos. Eu desvio os olhos dos quadros e encontro seu olhar flamejante. Alexander está imóvel, apenas me encarando com seu cativeiro azulado felino e carregado se magnetismo. Meu corpo volta a se aquecer á medida que seus olhos me analisam por inteira. Ele me olha desde o dedão do pé, até o último fio de cabelo. A expressão de luxúria dá sinal em seu rosto bonito e me deixa fervendo, pronta para ele. — Dora, tire sua calcinha. — O timbre sensual e rouco de sua voz faz com que líquidos de excitação saiam da minha vagina. Com as mãos levemente trêmulas, eu escorrego a minúscula peça de roupa e a deixo a um canto próximo. — Fique de quatro na cama, puxe sua saia para cima e empine sua bunda para mim! Eu me deixo ir e faço o que ele me pede. Todos os meus sentidos estão aflorados neste momento, e a única coisa que penso é em seus castigos prazerosos. Conheço seu olhar selvagem e puramente sexual. Embora esteja apimentado pelo amor, ele continua o mesmo depravado de sempre. E eu adoro isso! Eu me coloco de quatro na cama e puxo a minha saia para cima, expondo a minha bunda para ele. Seguro firme nas barras de ferro e de canto de olho eu o vejo tirar as roupas lentamente. Primeiro Alexander tira os sapatos e as meias e depois e a vez da camisa e da calça. Ele coloca as vestes em cima de uma poltrona e fica somente de cueca boxer branca. Não sei o que me incendeia mais, se é a imagem da ave Fênix tatuada em seu peito, ou se é seu membro que está ereto, pronto para a batalha. Quanta saudade eu senti de contemplar a sua masculinidade e beleza. O corpo bem trabalhado, nada exagerado, tudo proporcional. Ombros largos, bíceps torneados, peitoral forte com uma camada de pelos rasos, com alguns gominhos evidentes e o V que tanto amo e que se perde dentro da cueca. Sem falar nas coxas grossas e na bunda dura e redonda. Socorro! Preciso de minha razão presente! Ele se move lentamente em direção ao criado mudo e tira de dentro de uma gaveta um pacote de preservativo. Joga-os em cima da cama e volta seu olhar ardente para o meu corpo. Alexander desliza sobre os lençóis e se coloca atrás de mim. Eu respiro com dificuldade, mordo o lábio, excitada e ansiosa demais. Seus dedos começam a se mover quentes em minha pele, incendiando-me. Ele espalma suas mãos em minha bunda e aperta com vontade. — Que visão mais linda! — Alexander continua a acariciar a minha pele que arde de desejo. —


Seu traseiro merece umas palmadas por me deixar puto. Estremeço ao sentir a ausência de seus dedos e sei o que virá. O golpe vem quente, marcando a minha bunda de baixo para cima. Dou um sobressalto na cama e pisco os olhos com dificuldade, tentando assimilar a velha sensação de calor ardido que se espalha em meu corpo. — Você sabe por que eu estou te castigando, Dora? — Alexander volta a me bater forte, agora do outro lado da minha bunda. — N-Não... — Sabe sim! — Ele está obstinado e dá outra palmada dura. — Diga! — Por que eu... Eu estava conversando com Roberto. — Arrisco sentindo líquidos escorrerem de minha vagina em direção as minhas coxas. — Não! — Ele dá mais uma bofetada e acaricia onde bateu. — Você está sendo castigada por estar quase seminua naquela porra de festa. — Seminua?! Ele está louco? E logo vem outro golpe forte, me fazendo morder com intensidade o lábio inferior. — Ahhhh, Alex! — Sempre tão molhadinha para mim, Afrodite! — Seus dedos massageiam a minha entrada e eu empino ainda mais a bunda para cima. — Estou doido para sentir o gosto dessa bocetinha novamente. Essa droga que foi feita exclusivamente para mim. Alexander segura ambos os lados da minha bunda e sua língua me invade. Oh, que delícia! Ele suga com vontade meu ponto sensível, e me leva a loucura. Sua língua trabalha tão incrivelmente bem em minha vagina, que sinto o orgasmo começar a se formar. Alexander prende meu clitóris com os dentes e insere um dedo em mim. Ele começa a fazer círculos enquanto chupa meu ponto sensível. Eu me debato, choramingo e seguro forte as barras de metal. O meu corpo começa aos poucos a entrar em combustão máxima e minha mente começa a girar. E quando penso que a coisa não pode ficar mais selvagem do que está, ele sobe a língua e passa a lamber o meu segundo orifício. Neste instante eu estremeço, entregue e imersa na luxúria. — Hum... Esse seu rabinho delicioso... Alexander umedece o dedo com sua saliva e insere em meu ânus, estocando fundo e forte. A sensação é muito prazerosa e levemente ardida. Eu começo a rebolar no embalo de seus movimentos, atiçando-o. E, de um momento para outro, ele puxa os dedos para fora de ambos os canais e aperta forte a minha mandíbula, puxando o meu corpo para trás. A outra mão prende os meus braços atrás de minhas costas, imobilizando-me. Estou praticamente de joelhos na cama e totalmente a sua mercê. Sinto seu hálito quente em minha orelha e não faço ideia do porque de tanta selvageria. — Dora, você teve alguém depois de mim? — Agora entendi! Alexander está repleto de desconfianças e isso me deixa apreensiva. — Não! Somente você. Sempre! — respondo com dificuldade devido aos seus dedos que apertam a minha garganta. — Jura que ninguém mais te tocou depois de mim? — Eu juro! Meu corpo e minha alma são seus!


Ele libera a minha garganta e eu busco por ar. Alexander me vira de frente e me joga deitada na cama, de barriga para cima. Ele fica de joelhos no meio de minhas pernas e um sorriso vitorioso se forma lentamente em seus lábios. Em vez de eu estar furiosa por ele ter duvidado de minha lealdade e de meu amor, eu estou completamente arrebatada e presa em sua teia de sedução. Suas mãos vão ansiosas para as minhas roupas e, em um piscar de olhos, tudo é arrancado de mim: saia e blusa são jogados ao chão. E as preliminares quentes e delirantes começam. Alexander segura um de meus pés e sorri ao contemplar a sandália vermelha que eu uso. Ele deposita um beijo em meus dedos e desliza sua língua em minha panturrilha lentamente. Eu arfo e agarro com força o lençol, enquanto a sua boca avança em direção as minhas coxas. — Ohhh, Alex! — Abra as pernas, minha putinha. Quero ver a sua bocetinha. — Ele segura firme em minhas coxas enquanto eu abro as pernas, expondo a minha vagina encharcada para seus olhos famintos. Estremeço imersa em amor, paixão, êxtase e saudade. Seu olhar é tão carregado de volúpia que me faz estalar. Ele se aconchega no meio de meu ventre e volta a me chupar com voracidade. Enquanto me dá prazer no sexo oral, seus olhos não desviam dos meus nem um segundo sequer. Eu começo a serpentear o corpo, gemendo, me debatendo. Alexander entrelaça as suas mãos as minhas e alterna os ritmos entre sugadas e lambidas. Não consigo mais segurar o gozo e explodo em sua boca, inclinando o tronco para cima e arfando como uma gatinha no cio. Ainda estou com as pálpebras pesadas, sentindo ondas e mais ondas de prazer que atravessam o meu corpo, quando o vejo tirar a cueca e deslizar um preservativo por sua ereção. Pisco ligeiramente e lambo os lábios ao rever o Poderoso, apelido que eu dei ao seu pênis no primeiro dia que nós transamos. O seu membro continua lindo, grande, grosso, com a cabeça robusta. Ele percebe que estou momentaneamente hipnotizada e abre um sorriso perverso. — Você não está tomando pílulas, não é Dora? — Eu nego balançando a cabeça. — Foi o que eu imaginei. — Ele paira sobre mim, encarando meus olhos com um brilho selvagem, apaixonado. Alexander acaricia meu rosto e contorna meus lábios com o polegar. — Vou te comer tanto hoje, mas tanto, que você ficará exausta. Você será o meu jantar, a minha sobremesa, o meu lanche da madrugada e o meu café da manhã. E isso tudo em dose dupla! — e, dizendo isso, ele captura os meus lábios em um beijo delicioso. Uma de suas mãos ergue minha coxa e a suspende em seu braço, enquanto a outra massageia meu clitóris inchado. Ele não se demora muito na estimulação e logo sinto a cabeça de seu membro em minha entrada. Alexander não vacila e, com um golpe certeiro, me penetra. Eu gemo em sua boca, enquanto ele me beija, enroscando as nossas línguas. Envolvo meus braços ao redor de seu pescoço e entrelaço a outra perna em suas coxas grossas. Seu membro vem faminto, me abrindo, implorando por mais, estocando fundo e forte, fazendo círculos, me endoidecendo. Quanta saudade eu tive em senti-lo dentro de mim. Quantas noites eu me masturbei pensando nele, em seu gosto, em seu cheiro, em seu toque. Agora estamos aqui, sendo consumidos por uma paixão avassaladora, por um amor imensurável e por um tesão reprimidos. Os sentimentos emergem em meu peito e as lágrimas saltam de meus olhos. Eu o abraço apertado e deixo que ele me tenha como quiser. Bruto, selvagem, intenso, como somente Alexander é capaz de fazer.


— Porra! Que saudade que senti de você, Dora. Quase enlouqueci sem você! — diz por entre meus lábios, apertando a minha bunda. Alexander aumenta o ritmo e passa a meter fundo, pressionando o meu útero. Os movimentos ganham rapidez e eu passo a rebolar junto com ele, atiçando-o ainda mais. Ele libera a minha perna e crava seus dedos em meu bumbum, suspendo-o do colchão. — Rebola bem gostoso no meu pau. — Ele dá uma palmada na minha bunda e volta a estocar forte. — Ah, Alex! — choramingo agarrando o lençol, sentindo um novo orgasmo se formar em mim. — Eu adoro quando você chama por mim, Afrodite. Alexander se debruça sobre mim e passa a acariciar os meus seios. Ele chupa, lambe e mordisca os meus mamilos e eu perco a razão de tudo. Pressentindo que estou prestes a gozar, seus dedos começam a manipular o meu clitóris intensamente. Isso é o auge do prazer para mim, que atinjo o orgasmo tremendo, despedaçada, com o coração batendo forte dentro do peito. Alexander goza junto comigo, rosnando, cerrando o maxilar e enterrando a cabeça em meu pescoço. Nós nos abraçamos apertados e suados. Ouço as batidas de seu coração e lágrimas voltam a brotar em meus olhos. Sem conter a forte emoção que sinto, deixo o choro emergir com tudo. Alexander sente que estou sensível e ergue a cabeça para me fitar. Seu olhar se torna triste e perdido e vejo um resquício de dor nascer no fundo de sua íris. — Não aguentaria mais ficar longe de você, Alex. — Dora, não pense e nem fale nada agora. — Ele acaricia o meu rosto enxugando minhas lágrimas com os dedos. Eu fico em silêncio tentando controlar as emoções e não sou a única. Alexander também fica calado e rola para o lado me puxando para junto de si.


Capítulo 11 Alexander

As fortes emoções que sinto em meu peito são demais para mim. Sento-me na beirada da cama e passo a mão no rosto suado. Preciso colocar em ordem os meus pensamentos, mas no momento a razão está ausente e somente a paixão me domina. Sei que não posso mais negar que amo Isadora como eu nunca amei ninguém em minha vida, mas ainda estou me sentindo machucado e angustiado por ela não ter acreditado em mim. Isso é algo que eu preciso trabalhar em meu subconsciente e perdoá-la. Na época ambos fomos enganados pela Samara que fez de tudo para tentar nos destruir. E a ruiva quase conseguiu! Mas o que está me deixando inquieto é que estou sendo consumido pelo ciúme. Quando vi Isadora conversando com Roberto, fiquei possesso. Ela nunca esteve a disposição de homem algum, além de mim. Todos precisam saber que Isadora é minha mulher! E tenho que mostrar isso ao Roberto e aos demais o mais rápido possível. Ainda mais agora que ficou evidente para mim que o meu mais novo sócio está de olho naquilo que me pertence. Isadora se move nos lençóis e sinto suas mãos nas minhas costas. Ela desliza os dedos acariciando a minha nuca, o meu cabelo. Logo a sua boca também está distribuindo beijos em meu ombro e braços. Eu fecho os olhos por um breve momento e apenas sinto seu carinho gostoso em minha pele. A ausência de Isadora quase me matou aos poucos. Se ela não tivesse voltado, não sei o que seria de mim. — Alex, precisamos conversar. — Não agora! — Seguro suas mãos e beijo seus dedos. Giro o rosto de lado e encaro seus olhos apaixonados. — A nossa conversa pode esperar, eu não! — Seguro seus ombros e a deito na cama novamente, prendendo seu corpo com o peso do meu. — O que eu quero agora é cumprir com o que eu disse. Vou te dar muito prazer essa noite. Espero que não esteja cansada, porque recém começamos. Acaricio suas costelas e desço até o seu quadril. Isadora geme e se remexe excitada embaixo de mim, puxando meu cabelo e fechando os olhos. Beijo a sua boca com sofreguidão enquanto escorrego a mão em direção a sua bunda, apertando-a. Depois de beijar muito os seus lábios e enroscar as nossas línguas, eu me separo dela e abro a gaveta do criado mudo. Retiro um óleo lubrificante e Isadora arregala os olhos e morde os lábios, sabendo as minhas intenções. Inverto as posições e sento-me na cama, apoiando as minhas costas com um travesseiro. Tiro as sandálias que ela usa e puxo Isadora de costas para montar em cima de mim de pernas abertas. Meus dedos vão ansiosos de encontro a sua boceta molhada, massageando seu clitóris endurecido pelo


tesão. Enquanto lhe dou prazer estimulando seu ponto sensível, ela envolve um dos braços ao redor do meu pescoço e apoia a cabeça em meu ombro. Com a mão livre eu seguro a sua mandíbula e giro seu rosto de lado, inserindo a minha língua em sua boca. Acredito que nem todos os beijos que Isadora me der saciará essa fome que sinto por ela. Ficar sem tocá-la, sem fazer sexo com ela foi terrível. Mas nada se compara a ausência de seus lábios colados aos meus. A sua saliva é droga pura para mim, na qual estou viciado para o resto de minha vida. Isadora é meu vício! Lubrifico dois dedos com óleo e uno suas pernas, suspendendo-as para cima. Seguro suas coxas e deslizo meus dedos molhados em direção ao seu ânus. Isadora arqueja em minha boca ao sentir que o dedo médio entra em seu canal e começa a fazer leves movimentos. Estoco mais e mais e meto outro dedo dentro dela, abrindo-a para receber o meu pau. Neste instante ela se contorce e começa a rebolar no embalo de meus dedos. Isadora enrosca seus dedos em meu cabelo e me beija com ardor. Estamos suados e nossos corpos começam a ficar pegajosos enquanto nos chocamos com intensidade. Mas eu ignoro toda e qualquer outra sensação desagradável e me concentro em dar prazer a ela. Depois de estimulá-la o suficiente eu puxo os dedos para fora e ela separa os nossos lábios e encara meus olhos, apaixonada. — Eu continuo o mesmo depravado, Dora. E quero tudo aquilo que sempre foi meu: sua boca, sua boceta e seu rabinho! — digo segurando a base de meu pau e forçando a entrada de seu ânus apertadinho e lambuzado pelo lubrificante. — Ah, Alex! Está doendo! — Ela aperta o meu pescoço e joga a cabeça para trás em meu ombro. Seu cabelo solto começa a grudar no suor que está em minha pele. Forço um pouco mais e a cabeça do meu pau entra em seu canal lentamente, mas com fome, procurando por espaço. Controlo os movimentos para não machucá-la durante a penetração e Isadora volta a gemer. Abaixo suas pernas, abrindo-as e encaixando melhor seu corpo sobre o meu. Aos poucos eu vou forçando mais e mais e logo meto tudo para dentro. O seu canal lubrificado facilita a penetração e eu passo a me mover mais rápido em um ritmo alucinado. — Rebola, minha putinha safada! — Dou uma palmada em sua bunda e ela começa a se mexer, me deixando louco. — Caralho! Que gostoso! Escorrego minha mão em seu clitóris e volto a estimular o seu ponto sensível. Isadora está encharcada e começa a se debater descontroladamente, arfando, rebolando e me beijando. Perco o controle de tudo quando sinto sua língua duelar com a minha e passo a fodê-la bruto, fundo, rasgando-a. Meto o dedo em sua bocetinha e começo a dar-lhe prazer, comendo-a de todos os modos. A outra mão agarra sua bunda para facilitar os movimentos. Cravo meus dedos em sua carne e a devoro como um animal irracional. É sempre assim quando estou com ela. Isadora é a única que me satisfaz dentro e fora da cama. Isso é fato! É a única mulher que amo e que amarei para o resto da vida. Sou atingido por uma onda de paixão avassaladora, por um tesão imensurável e por um sentimento que nunca terá fim. O coração começa a bater descompassado dentro do peito a medida que sinto que logo explodirei dentro dela. Aumento a pressão em ambos os canais, pois pressinto que Isadora também não aguentará por muito tempo.


— Oh, Alex! Vou gozar... — Me dê o seu prazer, Afrodite! As minhas palavras soam como comando aos seus ouvidos. Em poucos segundos Isadora se desfaz em pedaços, contorcendo o corpo, arfando e suando sem parar em um gozo que lhe rouba a razão de tudo. Eu a sigo e me esvaio estocando fundo, cerrando o maxilar e jogando a cabeça para trás. Sinto meu pau ainda latejar dentro de seu ânus enquanto a sua boceta sofre os espasmos pósorgasmos ao redor do meu dedo. *** Após fazermos amor por mais duas vezes, tomamos um banho de espuma para relaxar o corpo. Nada de sacanagens dentro da banheira, apenas nos tocamos com carinho e acariciamos um ao outro com beijos molhados. Enquanto Isadora seca o cabelo, eu visto uma bermuda e desço até a copa para preparar algo para comermos. A maratona de sexo despertou o apetite e eu estou procurando por algo que sirva de uma refeição rápida. Para minha sorte, Raquel sempre deixa algo na geladeira e o prato de hoje é panqueca de frango ao molho e uma tigela repleta de saladas diversas. Coloco a comida no microondas e cronometro o tempo em 2 minutos. Deixo a salada sobre a bancada de mármore e ouço passos se aproximar. Quando viro o rosto eu encontro Isadora vestindo uma de minhas camisetas. Abro um sorriso, seco as mãos na toalha de prato e me aproximo com o olhar ardente. Ela morde o lábio e sorri enquanto eu acaricio seu rosto bonito. — Alex, você está cozinhando? — Na verdade não! Raquel deixou algo na geladeira para a gente. — Eu a envolvo pela cintura e beijo seus lábios brevemente. Inclino a cabeça para baixo e encosto sua testa na minha. — Está cansada? — Um pouco. Você quase me matou. — As palavras ditas por Isadora me fazem rir. Ela me dá um tapinha no ombro e faz uma careta. — Para mim, não há maneira melhor de se morrer que seja fazendo sexo. — Ela sorri e se afasta um pouco me encarando nos olhos. Percebo que Isadora está inquieta e eu sei bem o motivo: ela quer conversar sobre nós dois. O bip do microondas avisa que as panquecas estão prontas e eu faço um sinal para ela se acomodar a bancada de mármore. Isadora se senta em um banco e espera por mim. Eu sirvo a mesa e pego uma jarra com suco de laranja e dois copos e ela franze o cenho, surpresa. — Nada de vinhos? — Hoje não! A gente vai comer um jantar light para manter a energia para os rounds seguintes. — Eu me acomodo ao seu lado em um banco e sirvo seu prato. Após servi-la com uma porção de saladas e uma panqueca eu faço o mesmo, mas vejo que Isadora não toca em sua comida e que seus olhos estão voltados para mim. Deixo os talheres sobre a mesa e giro o corpo e ficando de frente para ela. Não tem mais como fugir dessa conversa. É hora de


encarar o assunto de uma vez por todas. Respiro fundo esperando que ela comece o discurso. — Eu quero conversar sobre o que houve. Eu preciso, Alex. — Ok, Dora! Vamos até a sala de estar. — Seguro em sua mão e ela se detém. — O que houve? — Eu não posso ficar desfilando somente de camiseta em sua casa. Você esqueceu as câmeras de monitoramento? — Eu pedi ao Plínio que mantivesse somente as câmeras externas ligadas na noite de hoje. Não se preocupe. — Ela sorri mais tranquila e eu a conduzo até a sala. Sentamos no sofá de três lugares e ficamos frente a frente. Percebo que Isadora está tensa, pois seus lábios tremem um pouco e ela torce os dedos sobre o colo. — Alex, por favor, me perdoe! — Seus olhos se enchem de água e ela abaixa a cabeça fugindo de me encarar. — Eu te feri, te magoei demais, agi por impulso e duvidei de sua palavra. Os indícios eram tão fortes que eu fiquei cega. Samara jogou tudo em cima da minha mesa. As suas abotoaduras, o resultado positivo da gravidez... Eu já estava no meu limite. Sei que o que eu fiz não foi o correto, mas não tive escolha naquela época. — Isadora está tão fragilizada que chora e tenta enxugar as lágrimas com a palma das mãos. — Dora, olhe para mim! — Eu me aproximo mais e ergo seu queixo, buscando seus olhos marejados. — Eu sei de tudo isso! Samara agiu ardilosamente para nos destruir e pegou o seu ponto fraco, que era a desconfiança. — Seco suas lágrimas com os dedos e ela respira fundo. — O que eu passei depois, sem você, imerso em sentimentos e ainda trancafiado em meu mundo foi doloroso. Eu fui inundado tanto pelo amor quanto pela dor. Mas não eram somente eles que invadiam cada célula do meu corpo. Raiva, ódio, solidão, desamor... Tudo isso se fez presente. — Alex, eu... Eu sinto muito. — Ela balança a cabeça fechando os olhos e deixando que algumas lágrimas ainda rolem pelo seu rosto e pescoço. — Eu sofri tanto quanto você. Só que ao contrário de você, estava familiarizada com as emoções. Não digo que foi mais fácil, mas foi mais aceitável. — Eu sei que você sofreu, Dora. Vi isso em seus olhos no primeiro dia que nos cruzamos no hall da empresa. — E por que você ficou tão relutante em vir falar comigo? — Porque eu ainda não estava pronto para aceitar tudo. A sua volta, o retorno dos sentimentos, a minha nova vida — digo com sinceridade, pois até poucas horas antes, eu ainda estava em dúvida comigo mesmo e lutando contra meus sentimentos por ela. — Eu entendo... — sussurra visivelmente abalada. — Eu quis tanto odiar você. E eu tentei! Tentei te esquecer a todo custo. E quanto mais eu tentava, menos eu conseguia. — Ela arregala os olhos e me encara com semblante surpreso. — Eu lutava em vão comigo mesmo e, enquanto eu tentava me adaptar a minha nova vida, eu me via sendo tragado para o fundo, para o vazio... — Fecho os olhos como se voltasse a sentir a dor gélida que a ausência dela me causou. Isadora começa a acariciar o meu rosto com as mãos levemente trêmulas e a sensação de frieza dá espaço ao fogo. É somo se eu sentisse ondas e mais ondas ardentes se espalhando pelo meu corpo.


— Eu só quero que me perdoe, Alex. — Seguro seus pulsos e beijo seus dedos com carinho. — Não precisa me pedir perdão, Dora. — Ela me fita sem entender. — Eu tenho que agradecer a você por ter me mostrado o verdadeiro significado da palavra vida. Eu estava cego e imerso em meu passado, desprovido de tudo que era bom. Mas você chegou e, de mansinho, foi abrindo brechas em mim, penetrando em meu coração, despertando coisas que nem eu sabia que podia sentir. — Você está me agradecendo por ter feito você sofrer? — indaga incrédula. — Não! Eu nunca pensei eu fosse capaz de dizer isso, mas estou te agradecendo por você ser uma das poucas pessoas que ainda acreditava que eu tinha vida. Além de você, somente Pierre e Raquel tinham esperanças quanto a mim. Nem eu mesmo tinha, até você chegar. — Oh, Alex! — Ela coloca a mão sobre a boca e seus olhos voltam a encher d’água. Seguro suas mãos e fito seus olhos com amor. — Infelizmente não podemos voltar atrás e apagar o que houve com uma borracha. A vida não é assim! Nós sofremos e magoamos um ao outro em vão. Foi tudo armação de terceiros para nos prejudicar e se darem bem. — Sim, você tem razão! Mas eu não quero perder você de novo. Na verdade eu não sei se eu ainda o tenho. — Sua voz sai embargada e em um sussurro. — Dora, nós nunca deixamos de ser um do outro. — Seguro seu queixo e encaro seus olhos. — Esses últimos meses serviram de muito aprendizado para mim. Sei que escolhi aprender da forma mais árdua, mas mesmo assim eu estou me transformando em um novo homem. — Eu também aprendi muito. Acredite! — Eu sei! Eu só quero te pedir uma coisa: nunca mais me deixe. Eu não aguentaria — digo sabendo que se ela me abandonar novamente, eu prefiro a morte ao viver sem ter Isadora do meu lado. — Nunca mais! Eu sou sua! — Neste momento o meu peito explode de amor e paixão. Eu a puxo para os meus braços e nos beijamos apaixonados, interligados, conectados um ao outro. — Eu te amo, Alex! — declara por entre meus lábios. — Eu também te amo! — Eu a pego no colo e subo as escadas em direção a suíte novamente. O lanche pode esperar, o nosso amor não!


Capítulo 12 Isadora

Acordo no domingo com a musculatura do corpo dolorida, mas me sentindo a mulher mais feliz e realizada do mundo. Nem acredito que estou na cama, ao lado de Alexander, que dorme nu da cintura para cima. Eu me ajeito lentamente e fico de lado apenas admirando o homem que amo. Ele dorme um sono profundo, virado de frente e com um dos braços erguidos atrás do travesseiro. Meus olhos passeiam pelo seu rosto, peito, braços. A ave Fênix tatuada em sua pele parece ganhar vida com suas cores e beleza. Relembro a sua declaração de amor na madrugada de ontem, quando estávamos sentados no sofá da sala e meu coração começa a bater mais rápido, como se quisesse saltar da minha boca. Estremeço apaixonada e maravilhada como se o que eu estou vivendo não fosse realidade, mas é! Alexander confessou que me ama com a mesma intensidade que eu e isso é o que importa. Embora eu saiba que ele ainda nutria algo por mim, nada melhor do que ouvir isso de sua boca. Trouxe mais segurança para meu coração e paz para a minha alma. Respiro fundo e deslizo os dedos em seu peito, no contorno do pássaro desenhado em sua pele. Alexander geme e se mexe um pouco, mas ainda está sonolento. Decido colocar uma deliciosa ideia em prática e escorrego o lençol lentamente, deixando-o nu por completo. Ele ainda permanece dormindo e constato que seu membro está semiereto. Deslizo sobre os lençóis e seguro a base de seu pênis, acariciando em suaves movimentos. Alexander volta a se remexer e resmunga alguma coisa de olhos fechados, enquanto vejo a sua excitação ganhando vida e tamanho. Abaixo-me e abocanho o seu pênis, chupando a cabeça robusta em movimentos rítmicos para cima e para baixo, contornando a língua na ponta. Alexander flexiona levemente os quadris e arfa entrelaçando seus dedos em meu cabelo, ainda de olhos fechados, mas consciente do que está acontecendo. Eu continuo a dar-lhe prazer no sexo oral, massageando as suas bolas, chupando seu membro, faminta. Aos poucos sinto líquidos suaves de excitação em minha boca e pressinto que ele logo gozará. Aumento os movimentos e enterro sua ereção em minha boca, quase tocando a base de minha garganta. Neste instante, Alexander agarra com mais força o meu cabelo e rosna como um doido, movendo os quadris e comendo a minha boca. Seguro a sua extensão e acelero os movimentos, chupando e lambendo seu pênis, sentindo a minha vagina arder excitada e preparada para ele. Seu corpo se torna rijo e Alexander explode em minha boca. O líquido levemente salgado desliza em minha garganta, enquanto ele se contorce, cerrando o maxilar e jogando a cabeça para trás. — Porra! Que boca mais gostosa! — Ele abre os olhos e me puxa para cima, segurando meu


rosto em suas mãos. — Essa sua boca ainda vai me enlouquecer! — exclama me beijando e sua língua começa a duelar com a minha, movendo, serpenteando. Uma de suas mãos desce até a minha bunda e uma palmada esquenta a minha pele. Alexander dá mais outra e aperta meu bumbum, gemendo em meus lábios. — Agora eu vou te foder no banheiro, minha Afrodite! — Ele me pega no colo e sai em direção ao banheiro. Alexander me coloca de pé e liga o chuveiro. Meu corpo já se acende como uma fogueira, sempre esperando por ele. Entramos no boxe e a água desce em temperatura ideal em nossos corpos nus. Suas mãos deslizam quentes em mim, acariciando os meus seios, apertando a minha bunda. Ele abocanha um mamilo e eu vou á loucura, arfando e puxando seu cabelo já molhado pela água. Alexander chupa mordica e lambe o meu seio e depois dá a mesma atenção ao outro. Suas preliminares sempre me deixam em ponto de ebulição, ainda mais quando sinto sua ereção apertar as minhas coxas. Estamos nos esfregando deliciosamente em baixo da água, quando ouço o som do meu celular. Perdida em meio a atmosfera erótica que nos envolve, eu ignoro o aparelho. Mas parece que a pessoa que me chama não desiste e, mesmo a ligação caindo na caixa de mensagem, ele volta a despertar. — Alex... — digo por entre seus lábios que agora me beijam apaixonados. — Alex, eu preciso atender ao celular. — Ah, Dora! — Ele se afasta o mínimo possível e me fita com semblante frustrado. — O meu celular não para de tocar. — Eu saio do boxe e enrolo uma toalha ao corpo. Pego o aparelho de cima do criado mudo e atendo a ligação sem ao menos ver quem me chama. — Alô? — Dora, minha filha! Isso não se faz com sua mãe! — brada dona Vitória enquanto eu reviro os olhos. — Estou morrendo de saudades de você, meu bebê. Você esqueceu do almoço que combinamos ontem? Eu, você, Douglas e Manolo? — Ãhn?! — Estou piscando os olhos e me xingando por ter me esquecido realmente do almoço com minha mãe e meu melhor amigo. Giro o rosto e vejo Alexander, com uma toalha branca ao redor dos quadris, encostado no batente da porta do banheiro. Sua expressão é de puro descontentamento por tê-lo deixado sozinho do chuveiro. — Almoço com você, Manolo e Douglas? É claro que eu não esqueci. — Minto e ele torce os lábios formando uma careta. — Minha filha, Manolo ficou de passar para te pegar. — Mãe, diga ao Manolo que não precisa... Eu não estou em casa. — A linha fica muda por alguns segundos e em seguida uma gargalhada ecoa em meus ouvidos. — Traga Alexander Zeus junto com você. — Dona Vitória continua gargalhando enquanto eu volto a revirar os olhos. Todos devem estar sabendo que eu e Alexander passamos a noite juntos. Também pudera depois do modo como ele me arrastou da festa ontem! — Ok! Beijos, mãe! — Beijos, meu amor. O restaurante é aquele que combinamos ontem. Hoje o cardápio será comida italiana. — avisa animada e desliga o telefone. — Eu não sabia que você tinha planos para o dia de hoje. — Ele se aproxima e me enlaça pela


cintura. — Achei que iria passar o dia inteiro te dando prazer, mas... — Alex, minha mãe te convidou. Ela sabe que estamos juntos. Na verdade não foi um convite e sim uma intimação. — Hum, que bom que dona Vitória sabe que nós voltamos. — Ele sorri animado apertando a minha bunda, como de praxe. — Bem, acho bom eu me trocar e deixar o nosso sexo selvagem para depois. — Alexander me dá um beijo rápido e faz menção em girar o corpo. — Eu preciso passar em casa antes para trocar de roupa. — Tudo bem! Eu não demoro. — Ele dá uma piscadinha e sai em direção ao closet. Abro um sorriso feliz ao vê-lo tão descontraído. Alexander está mudando para melhor e os responsáveis por isso são os sentimentos. *** — Dora, meu bebê, que saudade! — Minha mãe se move em minha direção e me dá um abraço apertado, além de dois beijinhos no rosto. Eu sorrio sem jeito toda vez que ela me trata como um recém-nascido mesmo. Dona Vitória nunca perde essa mania! — Esse vestido ficou lindo em você! — elogia o modelo reto, acima dos joelhos, na cor champanhe que uso com um cintinho na cintura. — Eu também estava com saudades, mãe! — Sorrio e enquanto e enquanto eu cumprimento Douglas com dois beijinhos e Manolo com um abraço de urso e vários beijos no rosto, ela se volta para Alexander. — Como vai, dona Vitória? — Me chame apenas de Vitória. — Minha mãe sorri. — Eu vou bem, Alex e você? — Minha mãe troca dois beijinhos com ele e seus olhos brilham. — Muito bem, Vitória. — Ele sorri tratando-a de modo íntimo e em seguida aperta as mãos de Manolo e de Douglas. — E Ernani, por que não veio com você, Manolo? — Hoje é domingo e ele está almoçando com a filha. — Ah, claro. Eu havia me esquecido que Ernani tem uma filha adolescente — diz Alexander, sem jeito. — Isadora, como vai? — Douglas me cumprimenta dando dois beijinhos no rosto. Ele continua extrovertido e bonito. Minha mãe tem sorte de namorar um homem mais jovem e ainda por cima charmoso. Ele tem cabelos e olhos castanhos claros e é alto. Tem a musculatura menos trabalhada que a de Alexander, sendo mais esguio. — Por favor, sentem-se — diz e todos se acomodam a mesa. Eu me sento no meio de Alexander e de Manolo, que sorri com ar maroto. — Afrodite! — Meu amigo se aproxima de meu ouvido. — As provocações deram resultado. — Manolo! — exclamo em um sussurro enquanto ele volta a sua posição tesa na cadeira. Alexander que até agora estava absorto, me lança um olhar especulativo. — Espero que vocês gostem da culinária italiana regada a muita massa — diz meu amigo


tentando parecer casual. — Eu não sabia que vocês tinham reatado o namoro — fala minha mãe sorridente. Alexander se remexe desconfortável na cadeira e passa uma mão pelo cabelo negro. Quanto a mim, respiro fundo e abro um meio sorriso, me sentindo na maior saia justa. Eu sabia que dona Vitória iria tocar neste assunto. Ela é mestre em deixar qualquer um inibido. Desde criança ela faz isso comigo e o seu jeito extravagante de ser não muda. — Sim, eu e a Dora voltamos a namorar. — Então vocês esclareceram o mal entendido? — Agora é a vez de Douglas falar. — Está tudo esclarecido, Douglas. — Que ótima notícia, Alex. Estou feliz por vocês dois! — Ai, Dorinha! Estou tão feliz também. — Manolo bate palmas e me beija na bochecha demonstrando a sua genuína felicidade. Uma garçonete se aproxima da mesa e fazemos os pedidos. Alexander e eu optamos por uma água tônica enquanto, Manolo pede um suco natural de maracujá e Douglas pede champanhe. Eu arregalo os olhos diante do pedido feito pelo namorado de minha e não sou a única, pois Alexander e Manolo também estão admirados. — Estamos comemorando algo Douglas? — Alexander ergue uma sobrancelha para o amigo que sorri enigmático. — Calma, Alex. Você já saberá! — Douglas está cheio de segredos e ele e minha mãe apenas trocam um olhar significativo. A garçonete volta com as bebidas e em vez de copos, ela traz taças. Ela nos serve o champanhe gelado e se retira. Eu lanço um olhar para minha mãe que sorri com os olhos brilhantes. Eu não acredito que... Ah, meu Deus! Será que Douglas e dona Vitória vão se casar? Não me falta mais nada! — Eu quero anunciar a vocês que eu e Vivi vamos nos morar juntos e se der certo, oficializaremos a nossa união ainda este ano. O namorado de minha mãe ergue a taça para cima e brindamos entusiasmados. A bebida gostosa desce refrescando a minha garganta seca. Abro um sorriso de felicidade ao perceber que minha mãe e Douglas estão trocando olhares apaixonados. Alexander me encara e sorri com olhar misterioso. Ele aperta a minha coxa por baixo da mesa e eu estremeço. — Ai, que lindo! Mais um casal entrando para o time — Manolo diz eufórico abrindo um sorriso de orelha a orelha. — Como assim mais um casal? — Alexander está perdido diante da declaração feita pelo meu melhor amigo. — Eu e Ernani também vamos morar juntos e depois nos casar. — Meu namorado arregala os olhos e abre a boca em forma de O. Eu reprimo uma risada divertida enquanto vejo Alexander ficar imóvel.


— Você e o Ernani vão se casar? — Sim! E queremos convidar você e a Dorinha para serem os nossos padrinhos. — Eu abro um sorriso e fico emocionada com as palavras do Manolo, mas ao me virar para fitar Alexander, percebo que além dele estar imóvel, está pálido. Ele está em choque! — Eu estou feliz por você e o Ernani, Manolo — declaro beijando a sua bochecha. — Ah, isso não vale! — resmunga Douglas, deixando a taça sobre a mesa. — Nós iríamos convidar Alex e Isadora para serem nossos padrinhos. Isso se chama roubar testemunha de casamento, Manolo! — ralha em tom divertido. Pisco os olhos, ainda mais emocionada e minha mãe respira fundo, me fitando com carinho. Alexander sai do transe e bebe o restante de seu champanhe em um só gole. Após deixar a taça em cima da mesa, ele volta a piscar os olhos. Não posso deixar de reprimir um novo sorriso. Nunca tive um final de semana tão repleto de surpresas. — Nossa! Estou lisonjeado! — Meu namorado envolve seu braço no encosto de minha cadeira e finalmente sorri. — Então, vocês aceitam? — Minha mãe está sorridente esperando uma resposta. Eu e Alexander nos entreolhamos e voltamos a fitar os nossos amigos. Seremos padrinhos de dois casamentos das pessoas mais que queridas de nosso meio. Os quatro merecem toda a felicidade desse mundo. — Mas é claro que sim, não é Dora? — Claro! Nós aceitamos! — Uma salva de palmas ecoa na mesa. Enquanto minha mãe troca um beijo rápido com Douglas, Manolo pisca emocionado. Alexander me encara e acaricia o meu rosto. Prontamente o meu corpo se acende e uma corrente elétrica desperta em mim. — Você está feliz? — ele sussurra ao meu ouvido. — Sim! Muito! — Eu também! — Alexander me dá um beijo casto, porém apaixonado e eu me derreto por inteira. E o almoço segue animado com mamãe e Douglas programando a recepção aos convidados, a festa, o bufê, a decoração. E, quando eles terminam de falar é a vez de Manolo fazer o mesmo. O primeiro casamento é o de minha mãe com Douglas que está marcado para daqui dois meses. Logo em seguida é a vez de Manolo e Ernani oficializarem a união. Alexander e eu escutamos tudo atentamente e vez ou outra, trocamos olhares apaixonados e carícias. Tenho certeza que o assunto casamento mexeu com ele, só resta-me saber se foi de maneira positiva.


Capítulo 13 Alexander

Saímos do restaurante conversando animadamente. Estou segurando a mão de Isadora e caminhando ao lado de Douglas que está de braço dado com dona Vitória. Manolo saiu um pouco antes se encontrar com Ernani. Confesso que fiquei muito surpreso com o convite inesperado para ser padrinho do casamento de ambos. Nunca estive em um casamento em toda a minha vida. Fui convidado para vários e não fui a nenhum! E agora eu serei padrinho de dois casais! Mas não pude recusar o pedido, uma vez que todos estão em meu mais novo círculo de amizades. Para mim isso foi um grande passo, pois eu mantinha as pessoas longe de mim, de minha vida e me isolava do mundo. É... Eu estou me tornando um novo homem. E estou gostando muito do meu novo eu! — Alex, eu quero agradecer mais uma vez por você e Isadora terem aceitado serem nossos padrinhos. — Não agradeça, Douglas. Será uma honra para nós. — Eu interrompo os passos na calçada e abraço Isadora, que sorri animada. — Eu estou tão feliz por vocês também. — Sorri dona Vitória demonstrando sua felicidade. — Vocês foram feitos um para o outro, Alex. Tenho que admitir que a mãe de Isadora está certa. Não me vejo mais longe da minha Afrodite. Eu sorrio para eles e nos despedimos. Douglas sai abraçado a dona Vitória enquanto eu e Isadora começamos a nos mover em direção a Range Rover que está estacionada do outro lado da rua. Hoje eu não dispensei o meu motorista que deve estar nos esperando para ir para casa. Estamos caminhando tranquilamente, quando o horror acontece. O meu carro explode diante dos meus olhos. Fragmentos da lataria saltam por todos os lados. O estrondo é tão grande que faz despertar o alarme dos carros que estão próximos. Isadora solta um grito desesperado e eu a puxo para os meus braços, nos apoiando sobre a grade que separa a calçada de um edifício qualquer. A cena é tão apavorante que é como se eu estivesse em um filme de ação. Prontamente eu me recordo de Carlos e meu desespero toma conta de mim. Ele estava me esperando dentro do carro e com certeza deve estar... Não! Não posso cogitar a ideia de perder mais uma pessoa que estimo por minha causa. O coração começa a bater descompassado dentro do peito a medida que os pensamentos ruins tomam conta de minha mente. Isadora chora descontroladamente em meus braços enquanto do outro lado da rua, o meu carro se transforma em uma bola de fogo. — Carlos! — grito agoniado, levando uma das mãos a cabeça enquanto a outra segura a minha namorada. — Deus! Por favor, não! Carlos!


— Alex... Meu Deus! — Se desespera Isadora observando o terror a nossa frente. Olho para os lados e me dou conta que outras pessoas estão apavoradas. Homens, mulheres e crianças estão em choque. Algumas crianças choram e vejo um homem ligando de seu celular, provavelmente chamando a polícia e o corpo de bombeiros. Meu peito está sufocado e meus olhos queimam diante da cena que vejo. Abraço forte Isadora, que chora com a cabeça enterrada em meu peito. É inacreditável o que estou vivendo. Tem alguém aqui fora que quer me ver morto. Não há outra explicação. A dor da perda se apodera de mim. Ela vem com toda sua fúria e dilacera o meu coração. Já perdi tantas pessoas que estimo e amo na minha vida e agora o meu funcionário, que tem esposa e filhos, que é um homem digno e trabalhador. Eu não posso acreditar que a vida me reservou mais essa cruz para carregar. O que direi para a da família dele? Como viverei carregando mais essa morte em minha consciência? Passo a mão no rosto suado na fracassada tentativa se buscar o autocontrole que se foi. Nada vai amenizar mais essa agonia que está se formando dentro de mim. Nada! Neste instante, Douglas e dona Vitória, que assistiam a tudo do outro lado do estacionamento, se aproximam correndo. A mãe de Isadora chora ao abraçar a filha, enquanto Douglas está de olhos arregalados de pavor. Ele me dá um abraço forte enquanto a minha mente gira em desespero. — Vocês estão bem? — ele pergunta ainda abalado com o ocorrido. — Sim, eu e Dora estamos bem, mas... — Não consigo falar. A minha garganta se fecha e as forças parecem querer me abandonar. — Carlos... Ele estava lá dentro — diz Isadora em meio ao pranto se agarrando a mim. — Oh, meu Deus! — Dona Vitória está com a mão sobre a boca, apavorada. E, quando penso que perdi para sempre o meu motorista, que era além de um de meus braços direitos, é um amigo, um conselheiro para todas as horas, um milagre acontece. Giro o rosto para o lado e, com meus olhos embaçados pelo terror, eu vejo Carlos vir correndo em nossa direção. Pisco os olhos rapidamente para constatar de que não se trata de uma miragem neste dia quente de verão, enquanto meu motorista se aproxima ofegante e com o semblante aflito. — Senhor Alexander, senhorita Isadora! Está tudo bem com vocês? — Carlos... Vo-você... Jesus Cristo! — Eu o abraço com um braço só, pois o outro ainda ampara Isadora que arregala os olhos e agora chora aliviada. — Eu achei que você estivesse... Meu Deus! Isso é um milagre! — Eu que o diga, senhor. Quando escutei o estrondo de dentro do restaurante e vi o que estava acontecendo, eu... Eu... — Pela primeira vez em minha vida eu vejo a sua pele negra ficar pálida. Carlos se apoia na grade e busca o ar que lhe falta. — Eu achei que... — Ele não consegue terminar sua frase, tamanho é o seu choque. — Eu sei! — Aperto seu ombro e ele balança a cabeça, desnorteado. — Isso é um milagre! Carlos, meu velho! — Douglas dá um abraço em meu motorista, deixando o homem quase sem ar. Ele sempre foi assim, muito espontâneo em suas atitudes.


— Graças a Deus, você está vivo! — Isadora seca as suas lágrimas com a palma das mãos. — Graças a Deus vocês estão vivos, senhorita Isadora. Mas nós precisamos chamar a polícia. — A polícia deve ser avisada o quanto antes — diz a mãe de Isadora ficando ao lado do namorado. — Sim, mas vamos sair daqui e voltar para o restaurante. Não quero que essa gente comece a fazer perguntas. De lá nós ligamos para a polícia. — Todos concordam e eu me volto para Carlos. — Mas o que você foi fazer no restaurante? — Eu fui ao banheiro, senhor. — Ele responde se movendo ao nosso lado. E, dando uma última olhada para o meu carro que é consumido pelo fogo, nós fazemos o caminho de volta. *** Após o fatídico ocorrido, estou em minha casa onde recebo o delegado Silvio Novaes. Relato tudo que sei a ele, que anota em seu bloco cada detalhe. Não quis ir até a delegacia e pedi ao Ernani que o delegado viesse em minha casa. Como o meu funcionário é amigo do doutor Novaes, ele facilitou as coisas para mim. Desde o meu segundo sequestro que eu fujo de delegacias e de jornalistas. Sei que amanhã a notícia estará estampada em jornais e em sites, mas pelo menos a imprensa não terá o privilégio de expor uma foto minha entrando ou saindo da delegacia. Tudo que eu quero é paz em minha vida e preservar a imagem dos que me rodeiam, principalmente a de Isadora, que ajuda no relato, acomodada ao meu lado no sofá do escritório. Além de mim e de Isadora, Carlos, Pierre e Raquel também se fazem presente. Meu motorista agora está mais calmo e conta o que viu. Na verdade, nenhum de nós sabe o que aconteceu. Em minha mente pipocam ideias e todas elas me levam aos meus velhos inimigos. Sei que muitos deles querem ver a minha ruína, a minha queda como homem, como profissional, nem que para isso eu esteja morto. — Senhor Alexander, nós iremos investigar o caso. — diz o delegado Novaes se levantando. — O seu carro passará por uma perícia detalhada para constar o que realmente aconteceu, mas não podemos descartar a hipótese de atentado. — Atentado?! Oh, meu Deus! — Exclama Raquel apavorada. — Não vamos tirar conclusões precipitadas, pessoal. — Eu tento acalmar a todos e me volto para o delegado que está acompanhado de um investigador. — Qualquer novidade sobre o caso eu entro em contato com o senhor ou com o seu advogado. Aliás, quem o representa? — A empresa tem três advogados. Eu entrarei em contato com um deles amanhã. Ernani avisará ao senhor quem me representará neste caso. — Ok! Boa noite! — Boa noite e obrigado, delegado. — Aperto sua mão me despedindo.


— De nada, senhor Alexander. Estamos aqui fazendo o nosso serviço a favor da lei. — Pierre, por favor, acompanhe o doutor Novaes até a porta de saída — recomendo e Pierre prontamente atende ao meu pedido. Raquel, Plínio, Carlos e até mesmo Isadora estão me encarando de um modo muito sugestivo. Sei o que está por vir: um sermão sobre a minha segurança pessoal. Eles só esperam o retorno de Pierre para começarem com o discurso. — Senhor Alexander, precisamos reforçar a sua segurança. — Pierre é o primeiro a se pronunciar. — Eu concordo com Pierre. Isso que aconteceu hoje foi demais para todos nós. — Raquel lamenta-se acomodada ao sofá, do lado de Isadora. — Senhor, eu não queria comentar nada, mas também estou de acordo. — Agora é a vez de Plínio falar. — Gente, não precisam se preocupar comigo. Está tudo bem, ok? — Tento impor minha palavra, mas é em vão. — Alex, eu acho que eles têm razão! — Isadora se levanta e caminha na minha direção. — Você não pode arriscar a sua vida. E se algo pior vir a acontecer? Eu não sei se... — Dora, nada vai acontecer comigo. — Eu acaricio seu rosto e abraço. Lanço um olhar para os demais que me fitam com semblante desaprovador e termino com o discurso. — Eu agradeço a preocupação de vocês, mas contratar mais pessoal está fora de cogitação. Eu não tenho que ter medo de ninguém. A segurança de Plínio e Carlos já é o suficiente. — Mas, senhor... — Pierre, é preciso muito mais que um atentado mal planejado para me destruir. Agora vamos todos descansar. O dia de hoje foi exaustivo e amanhã é segunda-feira. — Eu caminho até ele e aperto seu ombro com carinho. Pierre e Raquel soltam um ar pesado, porém nada falam. — Boa noite, pessoal! — Seguro a mão de Isadora e deixo o escritório. Tudo que preciso agora é de um banho de banheira, que foi preparado por Raquel e está esperando por mim e pela minha namorada. Chego à suíte e tudo que preciso é retomar o domínio de mim e, nada melhor para isso do que o sexo. Fecho a porta e ligo o Mini System. A música Vem pra cá, de Papas na Língua começa a tocar baixinho. Sorrio para Isadora e a conduzo até o banheiro. A banheira de sais está cheia e o aroma está muito gostoso. Eu me detenho perto da porta enquanto a linda Afrodite para a minha frente. Encaro seus olhos e desço meu olhar pelo seu corpo, coberto pelo vestido reto que marca, de uma forma discreta, as suas curvas. — Puxe a saia do seu vestido lentamente para cima. — Isadora morde o lábio, ansiosa e começa a subir o vestido. Ela interrompe os movimentos, deixando a roupa na altura de suas coxas e o tesão começa emergir em mim. — Mais um pouco. Quero ver a cor da sua calcinha. — Como uma boa menina, ela ergue o vestido e eu me deparo com uma lingerie linda rendada branca. Eu me aproximo e dispo sua roupa pelo alto de sua cabeça. — Linda! — Entrelaço meus dedos em seu cabelo e inclino sua cabeça para trás. Com total acesso ao seu pescoço, começo a distribuir beijos e lambidas.


— Ah, Alex! — Ela estremece o corpo e suas mãos apertam meus bíceps, me puxando para mais perto. Torturo-a mais alguns instantes e volto a encarar a sua boca. Faço o contorno dos seus lábios carnudos com o polegar e dou-lhe um beijo delicioso. Enquanto beijo seus lábios com sofreguidão, termino de despi-la, tirando seu sutiã. Isadora ofega e aprofunda o beijo, se esfregando em mim. O desejo me consome assim como a paixão. Ansioso e excitado demais, me livro de minhas roupas e suspendo Isadora do chão. Coloco-a sentada em cima da pia de mármore e avanço em direção aos seus seios inchados, de mamilos arrebitados. Sugo, lambo e mordico cada um deles. Dou o carinho devido com a língua, alternando entre um e outro, e Isadora começa a gemer, enterrando seus dedos em meu cabelo. Recordando-me de que ela não está fazendo uso de pílulas, abro uma gaveta e retiro um pacote de camisinhas. Rasgo o envelope com os dentes e deslizo o preservativo sobre meu pau rijo e pulsante. Não posso correr o risco de engravidá-la. Ainda mais agora que reatamos o nosso romance. Quero recuperar o tempo perdido estando ao lado dela, dando muito amor prazer a minha Afrodite. Seguro meu pau e miro a sua bocetinha molhada, de lábios rosados. Abro um sorriso perverso e penetro-a em um só golpe. Isadora solta um gemido alto e envolve suas pernas ao redor de minha cintura. Cravo meus dedos em seus quadris e meto tudo para dentro, me enterrando nela, extraindo dela o máximo que posso e dando a ela tudo de mim. — Ah, que delícia, Alex! — Isadora começa a gemer, me deixando ainda mais faminto. Passo a devorá-la como um louco apaixonado. Flexiono os quadris, retrocedendo e voltando a enchê-la de mim. A cena da explosão surge e o sentimento de quase tê-la perdido assola o meu peito, deixando-me angustiado. Abraço-a apertando e permaneço imóvel dentro dela. Seguro seu rosto em minhas mãos e encaro seus olhos entreabertos. — Se algo tivesse acontecido com você hoje, não sei o que seria de mim. — Dou um beijo desesperado em sua boca, tentando dissipar os pensamentos ruins. — Alex, eu morreria sem ter você ao meu lado — declara por entre meus lábios, acariciando o meu rosto. — Ah, minha Afrodite! Você é minha vida desde sempre! Sou invadido outra vez por sentimentos violentos. Amor, paixão e desejo tomam conta de meu peito e crescem a cada minuto. Sei que minha vida só tem sentido ao lado dela e isso me assusta e ao mesmo tempo me traz uma enorme felicidade. Até poucos meses atrás eu não fazia ideia do quanto a Isadora é importante para mim. Mas hoje eu tenho certeza absoluta que ela é o meu tudo. Volto com os movimentos compassados, metendo duro e forte, fazendo círculos dentro dela. Enquanto me embriago beijando seus lábios, meus dedos estimulam seu clitóris. Isadora começa a arfar em minha boca, apertando a minha bunda com os seus pés, trazendo-me inteiro para dentro dela. — Oh! Mais forte, Alex! — Ela crava os dedos em minha nuca enquanto estremece em delírios de prazer. — Quer ser fodida assim, Dora? — Meto fundo e volto a permanecer imóvel dentro dela, provocando-a. — Forte! — Dou mais uma estocada, apertando seu útero. — Selvagem! — Retorno com aos movimentos punitivos e a deusa Afrodite fecha os olhos, jogando a cabeça para trás.


Sinto sua boceta tragar o meu pau mais e mais, começando aos poucos a se comprimir, me apertando. Continuo a incitar seu ponto sensível sabendo que ela logo gozará. Sei que Isadora fica fora de si quando eu manipulo seu clitóris e aproveito para lhe dar prazer de todas as formas. — Ah, Alex! — Ouvir o seu lamento é combustível para que eu também entre em combustão. — Toma tudo, minha Afrodite safadinha! — Isadora começa a se debater e me leva junto. Perco o controle de tudo e explodimos consumidos por um orgasmo intenso, gemendo suados e se perdendo em nosso amor sem limites.


Capítulo 14 Isadora

Embora eu esteja trabalhando, os pensamentos vagueiam para o incidente de ontem. Tiro os óculos de grau e os deixo em cima da mesa, recostando-me na cadeira para refletir por um momento. A cena horrenda não sai de minha cabeça. O carro de Alexander sendo consumido pelo fogo e o desespero tomando conta de nós dois é algo realmente assustador. A dor que atravessou o meu peito naquela hora teve o mesmo impacto que um punhal sendo cravado em mim. E no instante seguinte pensei em Carlos e em sua família. O desespero de Alexander se uniu ao meu naquele momento angustiante. Enfim, quero apagar esse dia da minha memória. Não sei o que teria acontecido se o homem que eu amo estivesse dentro do carro naquele momento. Eu prefiro a morte em vez de ficar sem Alexander. Pelo modo como tudo aconteceu, rápido e sem pistas aparentes, tudo me leva a crer que se trata de um atentado. Sei que a polícia está trabalhando no caso e que há várias hipóteses a serem cogitadas, mas para mim, alguém quis acabar com a vida do meu namorado. Não há outra explicação! E nesse instante alguns nomes surgem em minha mente: Samara, a família Roth ou outra pessoa do passado de Alexander. Balanço a cabeça confusa e tento não dar nomes ao culpado. Recoloco meus óculos e me afundo no trabalho, que é a melhor coisa que devo fazer para dissipar esses pensamentos ruins e angustiantes. Analiso algumas cláusulas contratuais, faço alguns apontamentos e duas horas mais tarde estou saindo da minha sala para almoçar com Alexander. Combinamos de almoçar juntos no mesmo restaurante que almoçamos no primeiro dia em que nos conhecemos e estou ansiosa para me encontrar com meu amor. Cruzo o corredor absorta digitando uma mensagem de WhatsApp para Alexander quando ouço alguém chamar por mim. — Isadora! — Ergo a cabeça e me deparo com Thereza sorrindo ironicamente diante de mim. A espanhola está me analisando de cima a baixo piscando seus cílios repletos de rímel. Eu guardo o celular dentro da bolsa e abro um sorriso tão falso quanto o dela. — Nós não fomos apresentadas ainda. Eu me chamo Thereza Sandoval, a diretora da filial da empresa na Espanha. — Ela estica a mão de dedos finos e compridos para mim. — Olá, Thereza. Como vai? — Eu a cumprimento rapidamente e ela volta a sorrir. — Estou ótima, obrigada! Você está saindo para o almoço? — Eu fiquei de me encontrar com Alex. — Que coincidência! Eu também! — Meu bom humor se evapora de vez e eu enrijeço o corpo. Mas que merda é essa?


— Alex não me disse nada sobre isso. — Oh, ele às vezes é um pouco esquecido. Isso já aconteceu outras vezes. — Ela comenta dando a entender que eles estiveram juntos em outras ocasiões e meu sangue ferve. Eu volto a andar até o elevador e ela me acompanha com ar sereno. A vontade que tenho é de dar um soco da cara da espanhola. — Ele deve estar esperando por nós na garagem. Marco irá conosco também! Depois de dividir o elevador com Thereza tagarelando sobre o meu namorado, como se o conhecesse intimamente, nós chegamos à garagem. Meu humor está péssimo e minha costumeira educação está por um fio. Peço forças divinas para não fazer da espanhola o prato principal desse almoço. Alexander está me esperando perto de sua nova Range Rover Vogue grafite que foi paga pela seguradora. Ele percebe que não estou sozinha e arregala os olhos em nossa direção. Thereza abre um sorriso de orelha a orelha e o cumprimenta com dois beijinhos no rosto. Enquanto ela toca no meu namorado, me controlo para não puxar os braços dela, que estão em volta do pescoço de Alexander. Eu mato essa espanhola! — Thereza, você também vai almoçar? — pergunta Alexander me envolvendo pela cintura. Eu aproveito e dou-lhe um beijo na boca que é assistido por Thereza. O sorriso que ela tem nos lábios diminui e forma uma leve careta. Excelente! — Alex, você se esqueceu do almoço de negócios que nós tínhamos marcado desde a semana passada? — Claro que não esqueci. — Ele sorri demonstrando educação. — Bem, por favor, entrem. Thereza me olha e fica esperando a minha vez para entrar. Sei o que ela quer: ficar sentada perto do meu namorado! Mas isso não vai acontecer. Abro um sorriso irônico para ela e aponto o banco de couro. — Thereza, como você está de visitas no Brasil, você entra primeiro. — Contrariada, ela solta um ar pesado e se acomoda no estofado, sendo seguida por mim e finalmente por Alexander que se senta ao meu lado. Thereza não fecha a boca durante o trajeto da empresa até o restaurante. Chega a ser enervante ouvi-la falar com a sua voz melosa e seu sotaque espanhol ecoando dentro de minha cabeça. Terei que buscar forças nem sei de onde para suportar o almoço na presença dela. A espanhola me irrita e muito! Sei que estou tendo uma crise boba de ciúme, mas não consigo evitar, é mais forte do que eu. Instantes depois, chegamos ao restaurante e Marco já nos espera, acomodado a uma mesa. Nós nos sentamos enquanto o maître nos serve de um vinho branco nacional. O garçom que está acabando de anotar os pedidos sorri para nós e deixa a mesa na companhia do outro homem, e Thereza volta a me azucrinar com a sua voz enjoativa. — Eu adoro o Brasil e sua cultura riquíssima. Acho que eu me daria bem se morasse aqui. — O nosso país é mesmo fabuloso — elogio, tentando manter um diálogo com ela, mas os olhos da espanhola estão no meu namorado. — Sim, o Brasil é um país magnífico — elogia Marco sorridente.


— Alex, quando você nos fará uma visita? Faz algum tempo que não vai a Barcelona e seria tão bom a gente ter o nosso presidente na filial. — Thereza, eu acredito que a empresa esteja bem representada por você. Mas assim que arranjar um tempo aqui, dou uma passada lá. — Ele olha para mim e sorri. — E você vai junto comigo, Dora. — Ah, eu adoraria! Não conheço a Espanha ainda. — Eu afago o seu rosto com os dedos e vejo pelo canto dos olhos que Thereza respira fundo e bebe um longo gole de vinho. — Alex, Marco e eu estamos pensando em fazer uma parceria com o pessoal de Milão. Será uma ótima oportunidade para expandirmos ainda mais os nossos negócios. — Thereza volta a me ignorar, dedicando sua atenção ao meu namorado. Aperto com vontade o guardanapo de boca que está em meu colo, enquanto imagino estar apertando o pescoço da espanhola assanhada. — Alex, eu e Thereza gostaríamos de ouvir a sua opinião sobre o assunto. Lembra que eu falei com você outro dia sobre isso? — indaga Marco degustando de seu vinho. — Sim Marco, eu me recordo. Mas acho que é um passo muito arriscado a ser dado agora, uma vez que o Brasil passa por uma crise interna, tanto na economia quanto na política. Não sei se você tem acompanhado os escândalos com os desvios de dinheiro da Petrobrás? — Sim, eu tenho. Mas o que uma empresa petrolífera tem a ver conosco? — Tudo! A crise afeta todos os setores, sejam eles quais forem. E o nosso está sendo afetado também, mesmo que indiretamente. — Ah, mas tem certeza? Os empresários de Milão têm ótimas ideias. — Thereza sorri, tentando incentivá-lo. — Como eu disse, é melhor não arriscar. A empresa está indo bem no momento e não queremos uma crise interna. O garçom se aproxima e traz os nossos pratos. Eu estou tão irritada que mal posso olhar para a cara da Thereza. Está mais do que evidente que ela está tramando alguma coisa. E se não bastasse ela me ignorar completamente durante o almoço, ela ainda atrai a atenção de Alexander somente para si. Isso é demais para mim! Depois de algumas garfadas na minha comida e de ouvir a espanhola tagarelar sobre sua vida particular, começo a sentir um mal estar. Não estou mais suportando o modo como ela fala, se atirando para cima de meu namorado. Sinto o estômago embrulhado e parece que uma ânsia sobe a minha boca. Dou uma desculpa, pego a minha bolsa e saio em direção ao banheiro. Alexander me fita confuso, mas não fala nada. Thereza aproveita enquanto eu me distancio e volta a tagarelar sobre qualquer assunto. Chego ao banheiro e ligo a torneira. Preciso passar uma água no rosto e na nuca para me acalmar, caso contrário eu não respondo por mim. Molho as mãos na água e passo no rosto, na nuca e nos braços. A sensação é boa e refresca a minha pele que está fervendo de raiva. Olho para meu reflexo no espelho e ajeito meu coque no alto da cabeça. Seco meu rosto com a toalha de papel e passo um gloss labial que tenho dentro da bolsa. Somente após eu ter novamente o controle de mim mesma, saio. Ao cruzar pelo corredor que dá


acesso até o salão do restaurante, eu vejo uma mulher loira, na faixa de seus 50 e poucos anos, bem arrumada usando um vestido creme e de sandálias de salto alto. Seus olhos azuis-claros me analisam de cima a baixo enquanto nos lábios ela esboça um leve sorriso. — Olá, Isadora! Como vai? — Ela está esticando a mão para mim. Eu interrompo os passos e fico sem saber o que fazer. — Olá, tudo bem... Eu a conheço? — Acredito que não. Eu me chamo Verônica Almeida Roth. Muito prazer! — O chão some abaixo dos meus pés e meu coração começa a bater em minha boca. A mulher que sorri para mim é... A mãe da Fernanda?! — Prazer! — Eu a cumprimento com um rápido aperto de mãos e constato que as mãos dela são frias, assim como a sua postura e seu olhar. — Estou vendo que você reatou seu romance com Alexander. Isso não foi uma ideia nada inteligente, Isadora. — Dona Verônica, não me leve a mal, mas a minha vida particular não lhe diz respeito — declaro em tom firme e tento me mover, porém ela me detém segurando em meu braço. — Ele é um filho da mãe miserável! Cuidado menina, Alexander acabou com a vida da minha filha e acabará com a sua também. — A senhora pode me soltar, por favor! — Meus nervos estão à flor da pele e minhas pernas começam a estremecer. Dona Verônica me encara com olhar gélido e postura tesa e por fim, solta o meu braço. — Eu não quero que você se torne mais uma vítima daquele desumano! — Eu não sei o que aconteceu a sua filha, mas a senhora não pode acusar Alex assim! — Ele foi o responsável pela morte da minha filha. Fernanda morreu por culpa de Alexander. — Com licença, mas eu estou de saída! — tento passar, mas ela se coloca em minha frente, bloqueando a minha passagem. — Eu não acredito que você não saiba o que Alex causou a Fernanda. Ela tinha apenas 21 anos quando morreu... — Seus lábios tremem e seus olhos se enchem de água. — Esse homem não presta, Isadora! Se eu fosse você, ficaria onde estava e nunca teria retornado a cidade. — Ela retoma o autocontrole com um piscar de olhos e sai restaurante afora. Nem sei dizer o que estou sentindo, a única coisa que sei é que minha respiração está bloqueada e que meu coração continua martelando angustiado. Estava explícito nos olhos de dona Verônica o ódio que ela nutre por Alexander. É algo assustador! Não tenho dúvidas de que ela faria qualquer coisa para destruir com a vida de meu namorado. Mas será que a mãe de Fernanda teria coragem de cometer um atentado? E a cena do carro explodindo surge outra vez para me deixar confusa e abalada. Meu corpo treme tanto que até para caminhar se torna difícil. E mais uma vez os fantasmas do passado de Alexander batem em minha porta. Eles já bateram em outras ocasiões, e agora se fazem presentes novamente. Quando isso acabará? Quando eu saberei o que houve com Fernanda? Eu caminho em direção à mesa e Alexander me acompanha com o olhar. Não posso deixar


transparecer que estou inquieta, tampouco quero deixá-lo ainda mais preocupado do que está. Para disfarçar o nervosismo, eu abro um sorriso e me aproximo. Contudo, não me sento a cadeira ao lado dele, pois para mim esse almoço de merda acabou faz tempo. — Dora, está tudo bem? — pergunta Alexander preocupado enquanto deixa o guardanapo de boca sobre a mesa. — Eu estou um pouco zonza e gostaria de voltar para a empresa. — Claro. Mas o que aconteceu? — Ele se levanta prontamente e afaga meu rosto com carinho. — Acho que é uma queda de pressão. — Sorrio tentando tranquilizá-lo e ele franze o cenho desconfiado. — Bem, então nós voltaremos para a empresa. — diz Alexander se voltando para a espanhola que assiste a tudo com um ponto de interrogação no meio da testa. — Marco, você pode dar uma carona para a Thereza? — Claro que sim. — Que pena que vocês já vão. — Ela abre um sorriso forçado e me fita. — Melhoras para você, Isadora. O calor em excesso às vezes provoca isso. — Obrigada! — agradeço enquanto Alexander deixa o dinheiro sobre a mesa e coloca a mão em minha cintura. — Até depois. — ele diz e deixa o restaurante junto comigo. Preciso dar um jeito de descobrir o que houve com a ex do meu namorado. Mas não quero fuçar na internet ou até mesmo perguntar a terceiros sobre esse caso, pois sei que há duas versões dos fatos. E não quero acreditar na falsa e sim na verdadeira. Alexander tem que se abrir comigo sobre a morte de Fernanda. Tenho que começar a preparar o terreno para comentar esse assunto delicado com ele. Não posso ficar ao lado do homem que amo se ele ainda me esconde algo de mim. Não mesmo!


Capítulo 15 Alexander

Faz uma semana desde que o meu carro foi sabotado e não recebi nenhuma resposta da polícia sobre a perícia. A única coisa que Ernani me disse é que eles estão trabalhando no caso. Tenho pensado muito e a probabilidade de um dos meus fantasmas do passado estar por trás disso é grande. Sei que tem muitas pessoas que querem ver a minha ruína, me destruir em nome da vingança ou até mesmo para satisfazer o seu ego. E, devido a isso, não saí mais sozinho. Plínio e Carlos têm me escoltado todos os dias. Minha vida privada mais parece um reality show, onde não existe privacidade. As câmeras de segurança da casa estão sempre ligadas, tanto internas quanto externas. O único lugar que ainda está preservado é o meu quarto. Outra coisa que está me preocupando é a segurança de Isadora, que ultimamente anda mais calada que o normal. Propus a ela que contratasse um segurança particular, mas como sempre ela se recusa em ouvir os meus conselhos, o que me deixa louco. Para não deixá-la a mercê do perigo, não a deixo vir para a empresa sozinha. Quando Isadora dorme na minha casa, ela vem comigo. Quando eu durmo na casa dela, Carlos passa lá e nos pega. Estou mais atento a tudo e a todos. Sempre em alerta, preparado para uma situação inusitada. Nunca tive uma vida normal, pois desde criança sempre tive rodeado de segurança. O poder e o dinheiro tem um preço alto. E eu estou pagando o meu! Estou no apartamento de Isadora ajudando-a a preparar o jantar. Na verdade, eu me propus a fazer algo para a gente comer. O cardápio da noite é comida japonesa. Gosto de cozinhar e depois do nosso rompimento, eu nunca mais coloquei os pés na cozinha. Acredito que por falta de motivação ou até mesmo porque na época nada me animava. — Você está muito calada ultimamente. Aconteceu alguma coisa? — Eu seco as mãos na tolha de prato e me volto para ela. Isadora interrompe o que está fazendo e me fita. Há aflição em seus olhos verdes e prontamente as ideias ruins permeiam a minha cabeça. Ela deixa a faca sobre a bancada e cruza os braços sobre o peito. — Alex, nós precisamos conversar. — O que houve, Dora? — Eu quero acabar com os segredos entre nós dois. — E há segredos entre nós? — pergunto confuso sem entender a que ela está se referindo. — Da minha parte não. Mas você não me contou tudo sobre a sua vida.


— Dora, eu pensei que estivesse tudo esclarecido entre a gente. — E está quase tudo esclarecido. Mas eu preciso saber o que aconteceu com Fernanda — diz decidida e eu respiro fundo. De um momento para outro o meu peito se aperta. Nunca pensei que esse assunto ainda estivesse martelando na cabeça de Isadora. Sempre tive dificuldades em falar sobre Fernanda com os outros. Nem mesmo com Pierre, que é praticamente da família, consegui me abrir. E agora Isadora volta a remexer em feridas do meu passado, me torturando inconscientemente. Balanço a cabeça e saio em direção à sala de estar. Isadora me segue em silêncio. Preciso beber uma dose de uísque para oxigenar o meu cérebro. O medo volta a me rondar me deixando acuado e perdido. Sei que mais cedo mais tarde eu terei que falar sobre isso, embora eu acredite que nunca estarei pronto para tocar nesse assunto. — Por que você está me perguntando sobre a Fernanda? — Alex, a dona Verônica falou comigo — declara e eu estremeço. — Quando isso aconteceu? — Deixo o copo sobre o bar e me aproximo aflito. — Foi no dia em que você, Thereza e eu saímos para almoçar. Eu fui ao toalete e na volta, fui abordada por ela. — Meu Deus! — Seguro Isadora pelos ombros e busco seus olhos. — Como ela te encontrou? O que ela queria com você? — Alex, não se preocupe! — Como não?! Você deve ficar longe dessa mulher. Dora, dona Verônica é perigosa. Você não pode sair sem proteção depois da explosão com meu carro. — Alex, eu não quero segurança nenhum. Por favor! — Ela se afasta contrariada. — Eu prezo a minha vida particular e é assim que será! — Mas, Dora... — Não! — Um silêncio se forma enquanto nos fitamos. Isadora parece decidida a ficar sem proteção o que me deixa ainda mais nervoso. Porra! Ela podia colaborar um pouco comigo. — Ok! Então se você não quer que eu contrate um segurança, você vem morar comigo — digo em tom firme e ela arregala os olhos. — Você ficou doido? Acabamos de reatar o nosso namoro e você quer que eu vá morar em sua casa? — Pelo menos lá você estará segura. — Eu seguro seu rosto em minhas mãos. — Dora, eu não sei quem está atrás de mim. A única coisa que sei é que querem acabar comigo e com estiver ao meu lado. Eu não consigo nem imaginar a minha vida sem você! Será que você não percebe isso? Isadora me encara com olhar aflito e acaricia o meu rosto. O amor que sinto por ela é imenso e mal cabe em mim. Se algo de ruim acontecer a ela... Deus do céu! Nem gosto de pensar. Fecho os olhos e dissipo para longe essas ideias macabras. Desde que fui invadido pelos sentimentos que tenho conhecido dois lados novos de mim mesmo. Tornei-me um homem apaixonado, cheio de emoção e também passei a ser mais frio e calculista do que eu era. E essas duas personalidades


vivem em mim atualmente. — Alex, nada acontecerá comigo. Fique tranquilo. — Ela tenta me tranquilizar em vão. — Mas eu quero falar com você sobre a Fernanda. — De novo esse assunto? Isso parece até macumba! — rosno incomodado, pois sei o quanto isso me tortura. — O que aconteceu com ela? Por favor, me conte. — Eu começo a caminhar de um lado para outro, nervoso. — Tenho medo de contar a verdade a você e te perder. — Você nunca me perderá. — Ela me abraça forte. — Dora, a verdade sobre Fernanda é tão dolorosa, tão... desumana. Você não tem ideia! — Mesmo assim eu preciso saber. — Isadora insiste tornando as coisas ainda mais difíceis para mim. — Dona Verônica te acusou de ser o responsável pela morte da filha dela. É claro que eu não acreditei, mas quero saber o que houve e quero que você me conte. — Isso não é novidade para mim. A família Roth me culpa até hoje pelo ocorrido — respondo sabendo os tempos terríveis que passei depois da morte da Fernanda. — Sente-se aqui. — Nos acomodamos no sofá e eu me preparo para uma das tarefas mais árduas de toda a minha vida: reviver o passado doloroso mais uma vez. — Eu contarei a você tudo sobre a Fernanda e espero que você esteja preparada para ouvir. — Sim, eu estou. E chegou o momento mais adiado por mim: relatar a Isadora tudo que vivi ao lado de Fernanda. O sentimento que havia entre nós dois, o ciúme doentio dela e por fim, a sua trágica morte. Confesso que poderia ser mais fácil se eu escondesse tudo isso de Isadora e deixasse no vácuo do esquecimento. Mas sinto que não dá mais para procrastinar esse assunto. A única coisa que espero é que minha namorada entenda o que vivi no passado e não confunda com o presente. — Eu conheci a Fernanda há nove anos em uma festa de inauguração de uma das filiais da empresa do Douglas. Como ele e o pai dela atuam no mesmo ramo de marketing, ela estava presente com a família. Fernanda era bonita, tinha o cabelo cor de mel e os olhos castanhos. Era alta e irradiava juventude e felicidade — digo me recordando de quanto ela era bonita e alegre. — Ela cursava Publicidade e Propaganda. Tinha 21 anos, parecia tão cheia de vida, tão... envolvente. Não vou negar a você que fiquei encantado com ela. — Você a amava? — A pergunta de Isadora me deixa acuado. Não posso mais omitir o que eu sentia por Fernanda. Não é justo com ela e tampouco com Isadora. — Sim! Mas o que eu sentia por ela era diferente do que sinto por você. — Isadora arregala os olhos e engole em seco. Eu seguro suas mãos e encaro seus olhos. — O que eu sentia pela Fernanda era mais paixão do que amor propriamente dito. Mexia muito mais com o corpo do que com a alma. O que sinto por você, Dora, é muito mais sublime. É o amor em sua plenitude. — Como você tem tanta certeza, Alex? — Você entenderá que tudo que eu estou te dizendo é verdade. — Isadora concorda com a


cabeça. — Foi na época em que eu voltei da minha viagem ao redor do mundo. Eu estava me reencontrando comigo mesmo quando a conheci, mas não estava pronto para ter nada sério com ninguém. Eu apenas queria salvar as empresas que meu pai me deixou. E com a ajuda de seu avô, eu consegui. — Sim, eu sei. — Isadora sorri. — Nós tivemos um relacionamento que durou cerca de seis meses. Percebi que conforme os dias se passavam, Fernanda se declarava mais apaixonada por mim e eu não sabia ao certo o que sentia por ela no início. Depois eu percebi que estava apaixonado também. — Respiro fundo na tentativa de buscar forças para continuar. — Mas o amor que ela dizia nutrir por mim era algo obsessivo, doentio. Frequentemente Fernanda fazia cenas de ciúmes, até mesmo com a irmã mais nova. — Naiara? — Ela arregala os olhos, admirada. — Sim! Naiara na época era uma criança. Tinha 11 anos. Era ridículo o ciúmes bobo que Fernanda sentia da irmã. Até que um dia a menina nos flagra em um momento de intimidade. — Naiara pegou vocês... Oh, Meu Deus! — Isadora coloca a mão sobre os lábios, apavorada. — Fomos descuidados e aconteceu. A menina nos pegou fazendo sexo na garagem da casa da família dela. Mas isso não foi nada, perto do que viria depois. — Fecho os olhos e vejo flashes sendo reprisados em minha memória. — Fernanda ficou enfurecida e passou a acusar a irmã de estar apaixonada por mim. Vê se pode? Naiara era uma menina. Isso não tinha cabimento. — Balanço a cabeça de um lado para outro. — Eu acho que talvez Fernanda não estivesse enganada. — Sobre o que você está falando, Isadora? — Eu já fui adolescente e tive meus amores platônicos — responde e sinto que ela me esconde algo. — Mas nós não estamos aqui para falar sobre a Naiara e sim sobre a Fernanda. O que aconteceu depois? — Fernanda ficou grávida. — A boca de Isadora forma um O e ela fica com os olhos vidrados. Neste instante uma dor profunda começa a se formar em meu peito: a dor da perda. — Ela me mostrou o exame e dizia que o filho era meu. Nunca contestei a paternidade da criança, pois sabia que ela saia somente comigo. Eu tinha certeza de que era o pai do filho que ela esperava. Estou sentindo-me sufocado e um nó se forma em minha garganta. Contar a história sobre mim e Fernanda está sendo mais difícil do que cogitei. Minha cabeça começa a zunir e os pelos do meu corpo se arrepiam de imediato. Sei que o que relatarei de agora em diante poderá me distanciar de Isadora e isso me assusta. — Ela estava grávida quando... — Ela não termina a frase e me encara com os olhos vidrados. — Dora, o que vou dizer agora é a coisa mais horrível que presenciei em toda a minha vida, mas quero te pedir novamente para não me deixar. Não vá para longe — imploro com o coração angustiado. — Eu já disse que não vou te deixar. Nunca! — Ela me beija os lábios rapidamente. E suas


palavras são o combustível para que eu continue o relato. — Fazia algumas semanas que a Fernanda estava transtornada por causa do ciúme que sentia por mim. Ela estava cega e o nosso relacionamento estava se deteriorando aos poucos... Eu pensei em pedir um tempo a ela, mas Fernanda não aceitou. Ela me mostrou o exame e eu fiquei sem chão. Não sabia direito o que fazer. Disse a ela que um filho não iria consertar a nossa vida e ela entendeu tudo errado. — Busco ar nos pulmões enquanto a sensação de pânico começa a me rondar. — Fernanda enlouqueceu. Ela me acusou de seduzir a irmã mais nova, de eu ser um cafajeste que se aproveitava dela e de Naiara. Um absurdo! — Eu balanço a cabeça de um lado para outro enquanto sou inundado por lembranças ruins. — Nós estávamos no apartamento dela quanto ela atirou um vaso contra o espelho da sala, fazendo com que ele explodisse em milhares de pedaços. Depois, se jogou em mim e me esmurrou com toda a força que pode enquanto chorava desesperada. Por fim, ela me expulsou da sala e trancou a porta de vidro. O que veio depois foi o inferno... — Fecho os olhos por um momento tentando encontrar o autocontrole de mim mesmo. Não aguento mais relatar essa história trágica, mas ainda tem a pior parte a ser contada. — Alex, eu estou aqui. — Isadora segura a minha mão demonstrando seu amor incondicional. — Fernanda pegou um pedaço do espelho e... — interrompo o relato ofegante sentindo o coração martelar aflito dento do peito. — Ela cravou o estilhaço no pescoço, Dora. Direto na veia aorta. Fernanda tirou a própria vida diante dos meus olhos e não pude fazer nada. — Enfio a cabeça entre as mãos enquanto Isadora me abraça apertado. — Meu Deus, Alex! Eu sinto muito! — Ela fica abraçada a mim por um momento sem nada dizer, apenas compartilhando de meu sofrimento. — Eu fui o responsável pela morte dela. — Não, você não foi. — Ela ergue a minha cabeça e agora é a sua vez de segurar o meu rosto em suas mãos. — Fernanda estava louca e você nada podia fazer. — Como não, Dora? Ela se suicidou e matou o próprio filho. Meu filho! — digo com o peito dilacerado devido às trágicas lembranças que surgem em minha mente. — Agora eu entendo o porquê você se culpa pela morte da Fernanda. Mas não foi culpa sua! Ela buscou por isso. — Não! Eu fui o culpado sim! — Eu me levanto nervoso enquanto vejo ao redor as coisas começarem a girar aos poucos. Sinto um suor frio descer em minhas têmporas e o corpo começar a estremecer. Porra! A crise de pânico está querendo dar o ar de sua graça. — Alex, você não teve culpa na morte dessa garota. — Isadora se levanta e vem até mim. — Fernanda estava doente. A paixão que ela sentia por você era obsessiva. Algumas pessoas fazem isso quando estão cegas de amor. Elas agem inconsequentemente. Você não deve se culpar pela morte dela. — A família da Fernanda não pensa como você, Dora. Eles fizeram de tudo para me colocar atrás das grades. Você sabia? Eu só não paguei pelo crime de assassinato por que ficou comprovado que Fernanda se suicidou. Tinha as digitais dela no estilhaço do espelho, além da porta trancada pelo lado de dentro. Você não sabe o inferno que eu passei. — Isadora me olha com compaixão.


— Eu devo imaginar que foi horrível. Mas você precisa esquecer isso e seguir em frente. E eu estarei ao seu lado. Sempre! — Ela se aconchega junto a mim e eu a envolvo em meus braços. — Eu tive tanto medo de perder você após contar a verdade sobre a Fernanda. Por isso eu adiei o que pude esse assunto. — Você nunca me perderá! Não diga besteiras. — Ah, minha Afrodite. Eu te amo tanto. — Ergo seu queixo e a beijo com paixão. — Vamos tomar um banho e depois nós jantaremos. Ok? — Sim, faremos isso. — Eu seguro em sua mão e saio em direção ao quarto. Nada nesse mundo tem mais significado que o amor que sinto por Isadora, a mulher que está curando todas as minhas feridas e me trazendo de volta a vida.


Capítulo 16 Isadora

Estou chocada com a história que Alexander contou sobre Fernanda. Eu tinha quase certeza de que a morte dela foi trágica, mas nunca imaginei que pudesse ser tão horrenda. A garota tirou a sua própria vida e a vida de seu filho, que estava em seu ventre. E fez tudo isso em nome de um amor doentio e obsessivo. Agora eu entendo a relutância que Alexander tinha em tocar nesse assunto. Ele é macabro em todos os sentidos. Outra coisa que me deixou abalada foi a revelação de sua paixão por ela. Desde o início, eu sabia que essa hipótese existia, mas não queria admitir. Por um lado foi bom ouvir que ele já amou alguém antes de mim. Isso só me fez crer ainda mais que Alexander não era o homem frio pelo qual eu me apaixonei alguns meses. Ele sempre teve os sentimentos presentes em sua vida, embora eles estivessem escondidos. Ainda não sei como Alexander teve a coragem de me relatar a história inteira. Percebi que ele estava nervoso, mas mesmo assim, estava mais seguro de si do que quando me contou a história de seus pais. Alexander está realmente se tornando um novo homem e isso se deve ao fato de ele estar repleto de sentimentos. As emoções estão ajudando nesse processo que ele está passando, de voltar a vida e encarar os medos de frente, com determinação. E eu estou muito orgulhosa dele. Sei o quanto foi difícil para ele esse tempo de transição. Mas Alexander precisa passar por essa fase, encarar o mundo e ter esperanças de dias melhores. Também não foi nada fácil para mim, pois viver os últimos meses com a dor da culpa e da traição, que martelavam a minha cabeça constantemente. Nem sei como sobrevivi todo esse tempo, imersa em uma dor que foi causada por terceiros que queriam nos prejudicar. Mas como não existe plano perfeito... A verdade sobre a emboscada da Samara veio a tona e tudo ficou esclarecido, assim como a morte precoce e fatal de Fernanda. As semanas passaram rapidamente e já faz um mês que eu e Alexander reatamos o nosso romance. Temos sido alvos constantes de burburinhos dentro e fora da empresa, mas eu não dou importância a isso. É incrível como as pessoas têm o prazer de tomar conta da vida alheia em vez de cuidar da sua. Thereza ainda está no Brasil e pelo jeito vai demorar mais alguns dias aqui. A presença da espanhola é algo que me deixa ligeiramente incomodada. Ainda mais quando eu e Alexander estamos juntos e ela começa a flertar com ele, na tentativa fracassada de seduzi-lo. Na maioria das vezes eu finjo que não vejo, mas a minha paciência e educação estão por um fio. Thereza que se cuide porque da próxima vez que ela se insinuar para o meu namorado, eu mostro com quantos paus se faz uma canoa.


Embora existam fofocas sobre mim e Alexander, nós estamos sabendo administrar muito bem o nosso relacionamento. Durante o dia, estamos trabalhando, somos sócios e desempenhamos as nossas funções com responsabilidade. E quando temos uma folguinha, sempre nos acariciamos e trocamos beijos apaixonados, na sala dele, na minha ou na escada do prédio. À noite, passamos juntos e nos revezamos entre a sua casa e meu apartamento. Tenho resistido bravamente às insistências dele em me mudar para a sua casa. Não sei se estou pronta para dar um passo tão importante como esse. Morar junto com alguém significa privação de liberdade entre outras coisas. Se bem que a minha plena liberdade tem sito tolhida desde o dia que o carro de Alexander explodiu. E por falar nisso, as investigações continuam e a hipótese que a polícia trabalha é de atentado. Depois que Alexander soube sobre isso, seus cuidados com a sua própria segurança e com a minha, redobraram. Não damos um passo sem ter Carlos ou Plínio fazendo escolta. Confesso que ando um pouco nervosa, sem saber quem está tentando machucar o meu namorado. Como ele mesmo disse outro dia, existem muitas pessoas que querem ver a sua ruína e uma delas é a família Roth. Claro que não posso acusar ninguém sem ter provas. Mas para mim, desconfio que a dona Verônica esteja de alguma forma, envolvida nessas artimanhas feitas para cima do meu namorado. Não vejo outra pessoa que sinta tanto ódio de Alexander como ela. É fim de tarde e eu e Estela estamos fazendo um happy hour em uma cafeteria. Ela acabou de retornar de sua viagem aos Estados Unidos e me convidou para tomar um suco. Desde que voltei que não tive a oportunidade de conversar com ela e aproveito o dia de hoje para isso. — Tem certeza que você não vai tomar um chope ou até mesmo uma caipirinha? — Estela desvia o olhar do menu para se fixar em mim. — Não! Eu prefiro um suco de açaí e uma fatia de torta de limão. — Entrego o menu para a garçonete que espera ao lado da mesa. — Bem, eu vou querer uma água tônica e uma fatia de pavê de abacaxi. — A moça anota os nossos pedidos e se retira. — Dora, eu soube do incidente com o carro do Alex enquanto estava em Chicago resolvendo alguns negócios da empresa. E confesso que fiquei chocada. O que aconteceu realmente? — A polícia está trabalhando no caso. Eles estão desconfiados de que seja um atentado. — Atentado?! É sério? — Ela arregala os olhos verdes. — Sim! Na verdade os investigadores estão cogitando a ideia de uma bomba. — Meu Deus! — exclama apavorada. — Eu sei que Bismarck tem alguns desafetos, mas nunca pensei que alguém queria vê-lo morto! — Nem, eu, Estela — digo com pesar. Ela estica a sua mão e acaricia a minha sobre a mesa. — Dora, você está correndo perigo ao ficar do lado de Alex. Você sabe, não é? — Não se preocupe comigo. Tudo ficará bem. — Sorrio e puxo lentamente a minha da sua. Estela se remexe incomodada na cadeira e ajeita uma mecha de seu cabelo chanel atrás da orelha. — E como está a relação entre vocês? — Estamos nos dando muito bem. Alex mudou. Ele é outra pessoa, Estela. — Sorrio orgulhosa,


sabendo que o meu Zeus agora é um novo homem. — Eu percebi que ele está diferente. Até tem me tratado um pouco melhor. — Ela torce os lábios quase formando uma careta. Neste instante a garçonete surge trazendo os nossos pedidos. Enquanto a moça nos serve, organizo as minhas ideias e decido conversar sobre o amor que Estela dizia sentir por mim e por Alexander. Tenho pensado muito sobre isso e preciso esclarecer esse assunto de uma vez por todas. Não quero magoá-la, todavia não quero que ela alimente uma ilusão sobre Alexander e tampouco sobre mim. Eu gosto dela como amiga e desejo manter a nossa amizade. — Estela, que quero conversar um assunto com você — digo após a garçonete se distanciar. — É sobre o episódio que aconteceu em seu apartamento, naquela noite em que você me chamou lá. Preciso saber como você se sente em relação e mim e ao Alex. — Estela bebe um pouco de sua tônica e me encara. — Dora, você disse que Alex mudou e ele não foi o único. Eu também mudei durante esses últimos meses. Acredito que todos mudaram. — Você tem razão! Mas eu preciso saber se você ainda sente algo por mim ou por ele? — indago sem rodeios e Estela respira fundo. Percebo que ela está nervosa, pois seus dedos correm em seu cabelo. — Eu sabia que mais cedo ou mais tarde você me faria essa pergunta. — Ela abre um sorriso melancólico e inclina o corpo para frente, se aproximando um pouco mais. — Existem momentos em nossa vida que estamos perdidos ou na dor ou no amor. Eu passei por essa fase, que durou alguns anos, mas agora, depois de tudo que aconteceu, eu refleti melhor. Sei que não podemos simplesmente arrancar um sentimento de dentro do peito, mas podemos analisar se o que sentimos pelo outro renderá frutos. E eu sei que no meu caso, isso nunca acontecerá. Então, estou trabalhando os meus sentimentos com a ajuda de um psicólogo. Eu estou me amando mais e dando valor a mim antes de tudo. Isso tem sido muito bom. Estou vendo outro lado de mim que não conhecia. Eu estou me descobrindo, Isadora. — Fico feliz em ouvir isso! — digo com sinceridade. — Estela, não é somente sobre isso que queria conversar com você. — Dou mais uma garfada na torta de limão e deixo o garfo sobre a mesa. Alexander precisa saber que foi o primeiro homem na vida da minha amiga. Isso não é justo com ela. Sei que darei início a outro assunto delicado, mas estou decidida a fazê-lo. — E sobre o que mais você gostaria de conversar? — Estela, Alexander precisa saber que foi o seu primeiro. —Ela respira fundo e demonstra seu descontentamento. — Pelo amor de Deus, Dora! Esse assunto não! — Você não pode guardar isso para o resto da vida! — Eu disse que não! Isso está fora de cogitação. — Ela deixa o guardanapo de boca a mesa, exasperada. — Eu estou admirada com a sua atitude. Se eu estivesse em seu lugar, nunca deixaria que isso viesse à tona! — Para você ver como eu não sou como você. Você tem que contar para ele. — Sei que o que


estou pedindo a ela é muito, mas esse pensamento está martelando o meu subconsciente há alguns meses. — Quem deve escolher isso sou eu. E a minha resposta é não. Por favor, não toque mais nessa conversa — implora visivelmente incomodada. Eu me calo diante de seu nervosismo, embora a vontade que tenha é de eu mesma falar para Alexander. Mas essa história não é minha. É deles! — Ok! Vamos mudar de assunto — sugiro tentando amenizar a atmosfera densa que se forma entre nós duas. — Eu te convidei para vir até aqui porque quero te convidar para o meu aniversário, que é daqui alguns dias. Resolvi dar uma festa no meu apartamento e convidei o pessoal mais íntimo da empresa, além de alguns amigos. — Ela deixa o convite em cima da mesa. — Obrigada, Estela! — Sei que você só vai se o chato do Alex for, mas não custa tentar. — Ela faz uma careta. — Não é bem assim. Alex e eu não somos casados e se fôssemos, isso não seria motivo para faltar a sua festa. — Eu deixei um convite com uma das secretárias dele, mas tenho certeza de que ele nem olhará para o papel. — É visível a frustração em sua voz. — Eu conversarei com ele sobre a festa. Alex vai comigo nem que seja arrastado. — Brinco e ela abre um meio sorriso. — Bem, eu preciso ir. Tenho hora marcada na manicure — diz se levantando. — Eu te acompanho até o caixa. — Pego minha bolsa e a sigo. Depois de pagarmos a conta, Estela vai para sua casa e eu para minha. Hoje prepararei um jantar para Alexander regado ao vinho que ele me deu de presente na primeira vez que me mudei para cá. Sei que ele ficará surpreso ao constatar que não degustei da bebida. Mas as coisas aconteceram de um modo tão turbulento no passado, que acabei me esquecendo de algumas pequenas coisas. E o vinho foi uma delas. Após um delicioso banho, visto um vestido de seda estampado de alcinha e levemente rodado da cintura para baixo, pouco acima dos joelhos. Abro a gaveta do closet e observo as lingeries que tenho. Pego uma calcinha fio dental de renda vermelha e uma ideia muita sacana surge em minha mente. Usarei apenas a calcinha por baixo do vestido, sem sutiã. Quero distrair o meu namorado esta noite e fazer com que ele esqueça os últimos dias infernais que viveu. E ele não é o único. Eu também preciso esquecer as lembranças ruins e me concentrar nas boas. Faço uma maquiagem rápida, passando rímel nos cílios e lápis preto no contorno dos olhos. Para completar, passo um blush no rosto, um batom em tom cereja nos lábios e um pouco da essência de Angel, meu perfume preferido. Seco o cabelo e o deixo solto, em forma de cascata banhando parte de meus seios e de minhas costas. Olho para o decote generoso do vestido, que realça o meu busto e fico satisfeita com o que vejo. Hoje Alexander vai cair de boca em cima de mim. E não vejo a hora de ter aqueles olhos azuis, que me prendem e me fascinam, me devorando e me incendiando de tanto tesão.


Ligo o som e uma coletânea de Lulu Santos começa a tocar, deixando a atmosfera mais leve. Deixo a mesa posta para o jantar com uma travessa de arroz branco, outra de estrogonofe de frango e um prato de saladas coloridas. Estou terminando de arrumar as coisas, quando ouço a campainha tocar. Prontamente meu coração se acelera e a alegria me invade. Caminho até a porta e para a minha felicidade vejo Alexander lindo e cheiroso encostado ao batente. Ele está usando uma calça jeans clara e camiseta azul royal que enaltecem ainda mais os seus olhos que estão ardentes, postos sobre mim. — Dora, você quer me matar do coração? — Ele me envolve pela cintura e fecha a porta com um pontapé. — Apenas quero deixá-lo alegre. — Sorrio entrelaçando meus braços ao redor do seu pescoço. — Você me deixou de pau duro. Isso sim! — Ele me dá um beijo apaixonado enquanto sinto sua ereção contra as minhas coxas. — Está vendo o que você faz com o Poderoso? Alexander volta a me beijar com fúria, enroscando os dedos em meu cabelo e me apertando ainda mais. Seus lábios macios e sensuais me levam a loucura e eu viajo em seus braços. Deslizo meus dedos em sua nuca e cravo minhas unhas em sua pele. Ele aproveita para serpentear a sua língua em minha boca, me deixando escaldante. Eu me derreto completamente, sentindo o coração bater como um louco dentro do peito. Meu corpo inteiro reage a ele de uma forma muito intensa. Sinto as pernas amolecerem e a vagina encharcar de imediato, ansiando pelo seu membro que lateja agoniado contra mim. — Alex, o jantar está na mesa — sussurro por entre seus lábios que não me dão trégua, quase me devorando viva. — Hum, eu não preciso de outra comida se tenho você para me alimentar. — Ele está deslizando suas mãos em minhas costas, em direção a minha bunda. Prevendo que a sua intenção é erguer a saia do meu vestido para cima, me distancio dele rapidamente. — Me atiça e depois foge, né sua safadinha! — Eu não estou fugindo, apenas quero jantar com você e tomar o nosso vinho. — Disfarço abrindo um sorriso e controlando com todas as forças para não mandar o jantar para o espaço e me atirar novamente em seus braços. Mas prometi a mim mesma que essa noite eu irei seduzi-lo e é assim que espero que aconteça. — Sei... — Ele ergue uma sobrancelha divertida. — Você vai me pagar por essa, Dora. Assim que terminar esse jantar eu vou te comer em cima da mesa. — Ele pega na minha mão e me conduz para a sala de jantar. Alexander fica imóvel e franze o cenho ao observar que eu coloquei o meu prato em uma extremidade da mesa e o dele na outra. — Que diabos é isso? — Um jantar. — Um jantar onde eu não vou poder tocar em você em nenhum momento? — É apenas um jantar romântico... — Jantar romântico onde eu fico a quilômetros de distância de você? Onde há romantismo nisso, Dora?! — Ah Alex, não exagera. — Eu reviro os olhos diante de sua lamentação sem fundamento.


— Eu sei qual é o seu plano. — Ele passa por trás de mim e dá uma palmada na minha bunda. — Você está querendo me enlouquecer neste jantar — diz acertando em cheio e puxando a cadeira para que eu me sente. — Como eu disse, é apenas um jantar romântico. — Eu me faço de desentendida enquanto ele abre a garrafa de vinho. — Fico feliz em saborear o vinho que lhe dei. — Ele serve as taças de bebidas e ergue a dele. — Um brinde! — A quê? — Sorrio entusiasmada. Alexander se abaixa um pouco e se aproxima de mim. — A sua sabedoria em me fazer perder a cabeça sempre. — Sorri charmoso e brindamos. Após tomarmos um gole de vinho, ele me beija os lábios rapidamente e se acomoda na outra extremidade da mesa. Dou uma garfada em minha comida e Alexander faz o mesmo, com seus olhos presos aos meus, enquanto a tensão sexual aumenta a cada segundo, me deixando em brasas. Percebo que ele come calado, mas com a atenção compenetrada em mim, não deixando escapar nenhum gesto que seja. Ele bebe outro gole da bebida e deixa a taça sobre a mesa. — Dora, quando você vai se mudar para minha casa? A pergunta feita por ele me pega totalmente desprevenida. Eu termino de engolir a comida e encaro seus olhos que me fitam em tom inquisitivo. Sei que Alexander me fez essa proposta outro dia, mas acho que é cedo demais para dar um passo tão importante como esse. Não quero que ele fique magoado comigo, mas também não quero perder a minha liberdade tão cedo. — Eu acho essa ideia um pouco precipitada. Faz apenas um mês que nos reconciliamos — argumento tentando não magoá-lo com minhas palavras. Ele suspira fundo e em seguida, limpa a boca com o guardanapo. — Eu fiquei muito tempo longe de você. — Eu sei e sinto o mesmo, mas não quero tomar uma decisão impensada. Alexander deixa os talheres sobre a mesa e me lança um olhar nada contente. Vejo que ele está pensativo e um pouco frustrado com minha decisão e não posso culpá-lo por isso. A única coisa que quero é que ele entenda que recém reatamos o nosso relacionamento e que dividir uma casa com a mesma pessoa significa dividir a vida e as responsabilidades que ela traz. Na verdade, eu não sei se estou pronta para isso. Tenho medo de agir impulsivamente. — O amor que sinto por você não é uma forma de garantia? — indaga com voz ferida. — Alex, isso não tem a ver com o que sentimos um pelo outro. — E qual é o motivo então? — Eu não me sinto pronta — respondo em um sussurro, abaixando os olhos e mordendo o lábio, um pouco tensa. Ouço-o respirar pesado e ergo a cabeça para fitá-lo. Preciso encontrar um jeito de não estragar a nossa noite juntos e tampouco deixá-lo com a cabeça repleta de minhocas. — Eu pensarei sobre o assunto. — Sério? — Ele ergue uma sobrancelha sugestiva para mim, com quem está duvidando da


minha palavra. — Sim, eu prometo! — Abro um sorriso na tentativa de convencê-lo. Alexander pensa por um momento e sua expressão finalmente se suaviza. — Ok! Quinze dias são o bastante para você? — Oh! E agora essa?! Ele está me encurralando e me deixando sem saída. Eu permaneço calada, apenas assimilando o tempo dado por ele e Alexander não recua, decidido. — Dora, é o máximo de tempo que eu posso lhe dar. Por favor, não me faça esperar mais que isso. — Ok... Quinze dias. — concordo e vejo um sorriso lentamente se formar em seus lábios. Seu humor muda e seus olhos azuis brilham ardilosos em minha direção. Ele analisa a parte de cima de meu vestido, se concentrando no meu decote. Aposto que ele está com o pensamento repleto de pornografias. E eu não me engano! — Quero ver a sua bocetinha, Dora. — Suas palavras aquecem o meu sangue e me deixam com a boca seca. Com a finalidade de hidratar a garganta, degusto do vinho que está saboroso. — Mas eu estou sentada... — Dê um jeito de mostrá-la para mim, porque já vi que você está sem sutiã hoje. Os mamilos dos meus seios enrijecem tão prontamente, que chega a doer de tanto desejo. Abro a boca para tomar um ar enquanto sinto o corpo agitado, a minha vagina arder e a cabeça se encher de pensamentos sexuais. Alexander percebe a minha excitação e abre um sorriso que faz qualquer calcinha evaporar em questão de segundos. Ele deixa os talheres na mesa e me encara com olhar flamejante. — Você é bom observador — digo em tom zombeteiro, sorrindo. — Dora, você está me provocando? — E se eu estiver... O que você fará? — Ele pensa por um momento e se recosta na cadeira abrindo um novo sorriso sensual. — Vou dar umas palmadas na sua bunda e depois vou te comer em cima dessa mesa. Mordo o lábio, excitada e abalada demais. Alexander sabe o efeito avassalador que provoca em mim e sempre usa isso a seu favor. É extremamente sedutor e selvagem o modo como ele me encara. Seus olhos azuis repletos de tesão, estão prendendo os meus, como uma fera que espreita a sua caça para logo ser abatida. Envolvida em seu jogo fatal de sedução, coloco em prática uma ideia nada convencional. Levanto-me afastando os pratos, talheres e qualquer coisa que possa estar em meu caminho, e começo a engatinhar lentamente sobre a mesa. Vejo como a minha ação mexe com ele. Alexander reage instantaneamente, abre a boca para tomar um ar enquanto seus olhar se torna faminto, não somente sexual, mas também apaixonado. Ele nunca imaginou que eu fosse capaz de fazer algo tão inusitado e me sinto poderosa, tendo o domínio da situação. E eu continuo o meu percurso, louca para chegar logo até meu caçador e ser devorada por ele.


Capítulo 17 Alexander

Não acredito no que Isadora está fazendo, engatinhando sobre a mesa de vidro, com uma expressão safada no rosto e um sorriso sexy nos lábios. Enquanto ela se move na minha direção com a bunda empinada para cima, os meus pensamentos mais sujos e perversos dão sinal de vida, assim como o meu pau, que está duro como aço. É extremamente sensual o que ela está fazendo, tentando me seduzir com atitudes nada convencionais. A minha Afrodite sabe que me deixa louco quando me desafia e aproveita para ter o controle, pelo menos neste momento. Honestamente, eu estou adorando a nova Isadora. Está mais ousada, mais determinada, mais feminina, mais sedutora. E ela não foi a única que mudou para melhor. Eu também sou um novo homem ao seu lado, mais descontraído, mais destemido e apaixonado. Esses meses em que estivemos separados serviram como uma escola para ambos. Aprendemos muita coisa, mas primordialmente, a dar mais valor um ao outro e ao amor imenso que nos une. Isadora para um pouco antes de me alcançar. Ela morde o lábio e me encara com o olhar brilhante. Permanecemos por alguns instantes apenas nos fitando carregados de tesão e de paixão. Contenho um sorriso divertido e meus dedos passam a acariciar seu braço, subindo em direção ao seu ombro. Ela estremece o corpo e os pelos se arrepiam ao meu toque. Eu me levanto lentamente enquanto Isadora ergue os olhos, sempre me encarando. A visão que tenho não pode ser mais quente e pecaminosa. Ela está de quatro na mesa, com a saia do vestido erguida para cima, o que deixa sua bunda parcialmente exposta. Deslizo uma das mãos em suas costas e a outra segura seu queixo, mantendo seus olhos presos aos meus. Escorrego os dedos em direção a barra de sua saia, e ergo o tecido todo para cima, expondo o seu traseiro. Puxo uma respiração afiada, fodidamente excitado, ao ver a minúscula calcinha que ela usa. A peça é um fio dental de renda vermelho que faz meu sangue todo ser bombeado diretamente para o meu pau. — Porra! Dora, você está usando apenas isso por baixo do vestido? — indago com voz grossa de tesão, apertando uma de suas nádegas, louco para arrancar o pedaçinho de tecido que ela chama de calcinha. — Gostou? — Sorri, me provocando e consegue atingir seu objetivo. Cravo os dentes no tecido e parto em duas a sua calcinha que é jogada ao chão. Seguro firme em sua cintura e a coloco sentada na borda da mesa. Em poucos segundos desço o zíper de sua roupa e puxo a parte de cima do vestido para baixo. Os seios de Isadora surgem empinados, redondos, lindos. Fecho a mão ao redor deles e, com olhar faiscando, eu caio de boca nela. Chupo com vontade


um de seus seios, enquanto torço o bico do outro com os dedos. Isadora me puxa pelo cabelo e joga a cabeça para trás, arfando baixinho. Eu me delicio em lhe dar prazer com minha boca e língua, lambendo, mordiscando e chupando seus mamilos rosados. — Alex, que delícia! — Ela serpenteia o corpo de olhos fechados. — Me fode em cima dessa mesa. Por favor! — Ergo os olhos para encará-la e abro um sorriso. — Mudei de ideia. — Agarro sua bunda e suspendo-a de cima da mesa. Enquanto saímos em direção à sala de estar, ela entrelaça suas pernas ao redor da minha cintura e cola a seus lábios aos meus. Eu a coloco de pé e me distancio um pouco, observando-a de olhos ardentes. Analiso seus seios generosos e empinadinhos, sem falar na boca carnuda que é a minha perdição. Isadora é perfeita, linda, feminina e muito, muito sensual. Ela se contorce excitada, abrindo um sorriso ao perceber que eu começo a tirar a roupa, sempre com os olhos fixos nela. Eu me dispo da camiseta, da calça jeans, do sapatênis e das meias. Quando escorrego a cueca boxer para baixo, o meu pau salta livre e ereto. Isadora lambe os lábios, excitada. Ela sabe o que eu quero e eu sei o que ela está louca para fazer. — Adoro o Poderoso sempre pronto para a batalha. — Ela segura meu pau e começa a massagear de cima para baixo, deslizando os lábios em meu peito, lambendo e beijando. Isadora desliza sua língua em minha pele e quando dou por mim, ela fica de joelhos na minha frente. Acaricio seu rosto bonito e entrelaço meus dedos em seu cabelo sedoso. Abrindo um sorriso sacana, ela beija a cabeça rosada do meu pau, e lambe a minha extensão, indo e vindo. Semicerro os olhos e Isadora abre a sua boquinha e engole o meu pau esfomeada. Com os olhos fixos aos meus, ela passa me chupar forte, enquanto uma das mãos acaricia as minhas bolas inchadas. — Porra, que boca deliciosa! — rosno começando a mover os quadris no mesmo ritmo de suas investidas. A boca quente e úmida de minha namorada está me matando. Ela desliza os lábios e a língua em minha extensão e volta a contornar a cabeça, lambendo e beijando. Sempre gostei de sexo oral, mas com Isadora é diferente, apaixonante, intenso. Ela se delicia comigo como se eu fosse um doce ou uma iguaria afrodisíaca a ser devorada. Estoco com mais rapidez e profundidade e volto a sentir a sua garganta. Como não quero machucá-la ou deixá-la sem ar, retrocedo os meus movimentos. Sinto o orgasmo começar a emergir aos poucos e cerro os dentes, sempre com os olhos fixos aos dela. — Chupa com força o seu Poderoso, minha putinha. — E ela cumpre a ordem direitinho, abocanhando o meu pau, enquanto massageia as minhas bolas. Eu poucos segundos, estou gozando como um louco nos lábios dela. — Beba aquilo que te pertence. Depois de eu me derramar em sua boca, Isadora me encara com olhar sacana e passa a língua nos lábios, degustando do resto da minha porra. Segurando-a pelos ombros, eu a coloco de pé. A vontade de fazer algo muito safado e pervertido nasce em mim. Lanço um olhar para a sacada do apartamento e o tesão emerge com tudo. — Dora, vista a parte de cima do seu vestido. — Sem hesitar, ela faz o que eu recomendo. — Não quero que teus vizinhos vejam você nua. — Eu a conduzo até a sacada e ela arregala os olhos,


surpresa. — Alex, o que... — Isadora se detém agitada me fitando de olhos arregalados, enquanto as poucas luzes dos prédios vizinhos iluminam seu olhar esverdeado. — Vou te comer na sacada. — Eu a puxo para fora e ela solta um gemido abafado. — Você está louco? — Isadora, você sabe que isso me excita muito! — Envolvo uma das mãos em sua cintura, puxando-a de encontro a mim, sentindo seus seios arrepiados pelo tesão e pela brisa suave e gostosa que sopra nesta noite quente de verão. — Os meus vizinhos, eles... Eles podem nos ver! — exclama em um misto de pavor e êxtase. — As luzes estão tão fraquinhas... — sussurro distribuindo beijos em seu pescoço, com uma das mãos em sua bunda e a outra em seu seio, acariciando-o. — Eu duvido que alguém consiga nos identificar a essa distância. Estamos no 7º andar, Dora. No máximo eles verão duas pessoas transando na sacada. Nada mais! — Mas, Alex... — Shhh! Segure a barra de metal e empine a sua bunda para mim — ordeno com o olhar predador enquanto sinto a onda de luxúria me invadir. Embora um pouco receosa, Isadora faz o que eu peço. Ela vira de costas para mim e empina o seu traseiro. Eu me encaixo atrás dela, deslizando meus dedos em suas costelas, em direção a sua bunda. Ergo o tecido para cima e dou uma palmada forte fazendo-a sobressaltar e morder os lábios. Aperto onde acabei de bater e começo a distribuir beijos em seu ombro e pescoço. Isadora arqueja, fechando os olhos, inebriada em nosso joguinho sacana. — Sabe que sou um tarado e sou mais tarado ainda quando estou com você. — Eu insiro minha língua em seu ouvido com uma das mãos em seus seios e a outra em sua bunda. Beijo e chupo o lóbulo da orelha dela enquanto esfrego o meu pau duro em seu traseiro, em uma dança lenta de ida e vinda. Isadora fica louca, começa a esticar os braços para trás para me tocar. Escorrego os dedos no meio de suas pernas e encontro sua boceta encharcadinha a minha espera. Solto um rosnado em seu pescoço e massageio seu clitóris, preparando-a para mim. — Sempre tão molhadinha para mim, tão fodidamente gostosa. — Seguro firme em seus quadris e a penetro devagar. Meu pau começa a latejar como um louco, buscando por espaço, exigindo por mais e Isadora me dá mais. Ela se abre toda, empinando ainda mais a bunda para trás, dando acesso para eu fodê-la do jeito que gosto: selvagem e intenso. Perco a razão de tudo e me concentro na sacanagem prazerosa que estamos fazendo na pequena sacada, sob a penumbra. Agarro seu cabelo comprido em uma das mãos enquanto a outra mantenho em sua cintura, controlando os ritmos. Bato, volto e faço círculos dentro dela, comendo-a como um animal faminto, como se ela fosse a única coisa que mata a minha fome e a minha sede. Isadora arfa pesado e começa a rebolar junto comigo, me levando a loucura. Fico imóvel dentro dela e deixo seu cabelo para fechar a mão em volta de seu pescoço, forçando a sua cabeça um pouco para trás. — Abra os olhos e olhe para frente, Dora. — Ela reage as minhas palavras prontamente,


arregalando os olhos e buscando ar. — Alguns vizinhos seus estão vendo você ser comida por mim. E isso é para que eles saibam que você é minha — digo em tom possessivo, liberando sua garganta de minha posse. Passo a meter em estocadas violentas e apaixonadas. Dou mais dois tapas em sua bunda e Isadora solta um gritinho abafado, estremecendo o corpo e comprimindo a sua boceta no meu pau. Umedeço o dedo polegar e meto em seu rabinho, estimulando-a de todas as formas. Ela suspira fundo, excitada enquanto empurro em seu buraquinho apertado. Volto a me mover dentro dela, pressionando seu ponto G, levando-a a loucura. Quando sinto que Isadora está prestes a gozar, tiro o pau somente para enterrá-lo de volta, fazendo pressão em seu útero. — Ahhh, Alex... — choraminga rebolando, enquanto a sua entrada traga o meu pau esfomeada. — Gostosa do caralho! — E me enterro de novo e de novo, comendo-a com voracidade. Isadora começa a se debater, agarrando com mais força as barras de metal, gemendo já não mais em sussurros mais sim em lamúrias delirantes e audíveis. — Rebola bem gostoso! Em poucos segundos Isadora estala, se quebrando em mil pedacinhos, gozando e gozando enquanto eu seguro meu orgasmo de uma forma absurda. Sei que ela está fazendo uso de anticoncepcional não tem um mês e devido a isso não poderei gozar dentro dela. Somente depois de Isadora se debater em ondas de espasmos pós-orgasmo, é que eu saio e libero meu gozo jorrando violentamente em suas costas, deixando que o líquido escorra em direção a sua bunda. Não me demoro muito e a puxo para dentro, fechando a porta de vidro. — Venha, minha linda Afrodite. Vamos tomar um banho. — Eu a pego no colo, toda lambuzada pelo meu sêmen e a conduzo até o quarto. E a noite termina assim: eu banhando Isadora e vice e versa. Depois fazemos amor em cima da cama e dormimos de conchinha. *** No dia seguinte Isadora e eu chegamos de mãos dadas na empresa, sob os olhares curiosos e atentos de alguns funcionários. Enquanto cruzamos o corredor do meu andar, sorrimos e nos fitamos com amor. Eu sou o homem mais realizado, feliz e pleno que existe. Estar ao lado de minha amada, vendo a sua felicidade e sentindo o seu amor, é algo que não tem preço. Mas a minha alegria dura pouco. Vejo Roberto, vindo em direção oposta. Ele está na companhia de Estela e os dois conversam animadamente. Gusmão nos olha e o sorriso que traz nos lábios desaparece de imediato. — Bom dia! — Ele interrompe os passos enquanto nos fita com uma expressão ilegível no olhar. — Bom dia! — Isadora sorri de maneira cordial e eu apenas observo a reação do galinha do Roberto. — Isadora, você está a cada dia mais bonita! Eu ouvi direito? O filho da mãe está cantando a minha namorada na minha frente? Esse miserável não me conhece de verdade e não sabe do que sou capaz. Estreito os olhos para ele e estou


pronto para avançar em sua garganta na frente de todos, mas Estela prevendo uma possível discussão e começa a falar: — Hum, eu acho que vocês já sabem da festa de aniversário que darei no final de semana, não é? — Oh, sim! — exclama Isadora, me lançando um olhar rápido, enquanto ainda encaro Roberto com raiva. — Eu gostaria de avisar que a festa ocorrerá no salão da empresa. — Sorri a loira e só então eu me dou conta de que não faço ideia alguma sobre essa festa. O que me deixa ainda mais puto. — Que festa é essa que não estou sabendo, Estela? — Alex, eu achei que Isadora tinha contado. É meu aniversário e darei uma recepção no salão de festas da empresa. Espero que não se incomode. — Ãhn... Claro, sem problemas. — Eu troco um olhar rápido com Isadora e volto a fitar Estela. — Será uma grande noite. — Sorri Roberto, me provocando. Eu quebro a cara desse galinha filho da puta! Ele olha para Estela e se derrete. — Pode contar comigo para o que precisar. — Obrigada, Roberto. Certamente que você será muito útil. — A loira está flertando deliberadamente com o Gusmão, sem se importar com a presença minha e de Isadora. Estela e o safado do Roberto estão juntos? Isso é o fim! E eu que pensei que ela estivesse de caso com Marco. — Bem, com licença, mas o trabalho me espera. — Saio com minha namorada até a minha sala e quando entro, fecho a porta atrás de mim. — Dora, quando você ia me contar sobre essa festa? — Alex, não precisa ficar zangado por causa disso. — Eu não estou puto por causa da festa da Estela e sim devido ao descaramento do Roberto para cima de você. — Deixo a valise em cima da mesa e me acomodo em minha cadeira estofada. Isadora para em pé em minha frente e cruza os braços sobre o peito, me encarando. — Você está enxergando coisas... — Não estou! Vi o modo como ele cantou você e depois flertou com Estela. Roberto não vale nada mesmo. — E a Thereza vale muito, não é? — grunhe e eu não faço ideia o porquê de seu ar azedo. — Sobre o que você está falando? Thereza é uma amiga e tem boa índole. — Boa índole?! Sei... — bufa torcendo os lábios. — Thereza é muito querida mesmo, principalmente quando te canta debaixo do meu nariz, se atirando em de você e te chamando de... mi guapo — conclui por entredentes e percebo que ela está com ciúme. Eu me levanto e vou em sua direção. Preciso acabar com esse mal entendido e não deixar que nada roube a nossa felicidade. — Amor, você está com ciúme da Thereza? — Isadora arregala os olhos e franze o cenho. — Se você está me chamando de amor para tentar me acalmar, está perdendo o seu tempo. — Ela faz birra e eu a abraço pela cintura abrindo um sorriso. — Dora, eu estou te chamando de amor porque você é o meu amor, a minha vida, o meu tudo. — Ela suaviza a expressão e envolve seus braços em meu pescoço. — Não precisa se preocupar com a


Thereza e com quer que seja. Eu tenho olhos somente para você! — Eu fiquei uma fera mesmo o dia em que ela foi almoçar com a gente. Não gosto dela! — resmunga e ergue o dedo indicador para mim. — E se você preza as suas bolas e o Poderoso, eu acho bom ficar bem longe daquela espanhola fresca. — Adoro te ver zangada, Afrodite. Você fica ainda mais sensual. — Deslizo meu nariz em seu pescoço e ela arfa. — Eu estou falando sério! — diz em um sussurro enquanto eu distribuo beijos em sua pele. Isadora se desarma presa em meus braços. — Eu sei! — Capturo seus lábios em um beijo rápido, porém intenso. Desço uma das mãos em sua bunda e dou uma palmada. Ela geme em minha boca e fico excitado em hora imprópria. E, como tenho mil e uma coisas para fazer e ela também, eu a solto. — Acho bom você ir para a sua sala antes que eu te jogue em cima dessa mesa. — Não seria uma má ideia. — Ela dá uma piscadinha sacana, e morde o meu queixo, me provocando. — Dora, não me tire do sério! — Aperto sua bunda e dou outra palmada. Ela ri. — Esse é meu objetivo. — Ela me dá um beijo rápido e caminha até a porta, mexendo os quadris de um lado para o outro. Isadora sabe que estou com os olhos fixo em sua bunda e se aproveita para me provocar. Ah, Afrodite! Você me paga por me deixar com o pau duro! E cobrarei isso logo mais a noite!


Capítulo 18 Isadora

Passo o restante do dia muito ocupada em meus afazeres. São tantos papéis e telefonemas de alguns colaboradores e parceiros do ramo do aço, que nem tenho tempo para sair para almoçar. Alexander me liga avisando que terá que almoçar com alguns possíveis compradores e que Roberto irá com ele, assim como Marco. Meu namorado está se esforçando e tentando manter a civilidade em relação ao seu novo sócio. Sei o quanto está sendo árdua essa tarefa para ele, mas tenho certeza que o profissionalismo falará mais alto do que qualquer rixa particular. Encerro o expediente de trabalho, pego minha bolsa e deixo a sala junto com Manolo, que caminha ao meu lado. Ele está animado me contando assuntos de sua especialização e também de seu namorado. Adoro vê-lo feliz e alegre. Enquanto ele conversa comigo, seus olhos verdes refletem a sua felicidade. — Eu me mudei para o apartamento do Ernani. — Oh, mas que maravilha! — Decidimos fazer isso antes de oficializar a nossa união estável. Você devia aceitar a proposta de Zeus, Dorinha. — Ele me incentiva, parando próximo ao elevador. Eu aperto o botão e espero as portas se abrirem. — Não sei, Manolo. Tenho receio de estar apressando demais as coisas — digo me recordando de que comentei com ele sobre Alexander querer que eu vá viver em sua casa. — Deixe de besteiras, Isadora! Você pode perder o gostoso do senhor Alexander só por causa de seus charminhos. Ouça o que eu digo! — Ele aponta o dedo indicador para mim e nós entramos no elevador. — Alexander me deu um prazo. Tenho que dar a resposta para ele em menos de quinze dias. — Manolo dá uma gargalhada descontraída e eu faço uma careta para ele. — Esse é o Zeus Delícia que eu conheço. Ele não perde uma! — Conversamos até chegar a garagem e Manolo me aconselha mais uma vez para que eu aceite o pedido feito por Alexander. Ele se despede de mim com dois beijinhos no rosto e sai em direção ao seu carro, enquanto eu me movo até o meu. Embora hoje eu vá passar a noite na casa de meu namorado, decido passar em uma padaria para comprar algumas guloseimas. Sempre me esqueço de armazenar alguns produtos para fazer um lanche rápido. Compro um pouco de tudo, desde pães de queijo até biscoitos integrais. Pago ao homem que está do outro lado do balcão e deixo o local com a sacola em mãos. Estou caminhando distraída até o meu


Focus, quando ouço o som do WhatsApp. Pego o celular de dentro da bolsa e interrompo os passos instantaneamente. Na tela do aparelho tem uma foto minha, que recém foi tirada. Na imagem eu apareço saindo da padaria com a sacola de compras na mão. Estremeço e olho rapidamente ao redor, sentindo a sensação de estar sendo vigiada. Passam por aqui algumas pessoas que estão retornando do trabalho ou fazendo algumas compras. Fico sem reação por algum momento e volto a olhar a tela do celular. O número que aparece como remetente da mensagem não está incluído em meus contatos. Obviamente se trata de uma pessoa desconhecida. Pisco os olhos rapidamente e sinto um arrepio atravessar a minha coluna e meu coração começa a martelar em meu peito. Será que tem alguém me seguindo? Com as mãos levemente trêmulas, guardo o aparelho dentro da bolsa e volto a me mover o mais rápido possível até o meu carro. As minhas pernas não ajudam muito, pois estão estremecidas de pavor. Eu estou tão nervosa que me atrapalho com as chaves. Quando finalmente consigo abrir a porta, caio sentada no banco do motorista. Tranco as fechaduras e começo a varrer o local com os olhos. Nada encontro além de alguns pedestres que cruzam a calçada, entretidos em suas vidas. Ligo a ignição do carro e saio em disparada para a casa de Alexander. Durante o trajeto mil pensamentos ruins povoam a minha mente, me deixando gélida de medo. As ideias são uma pior que a outra. Quem tirou uma foto minha e me enviou? Qual o propósito dessa brincadeira maquiavélica? Despertar o medo e a insegurança em mim? Se for esse o objetivo, a pessoa conseguiu atingir, porque não há um nervo em meu corpo que não esteja em alerta máximo. Preciso me acalmar antes de chegar na casa do Alexander. Não quero que ele saiba sobre isso ou que fique preocupado comigo. Talvez seja uma brincadeira de mau gosto de alguém, ou talvez não... Mas decido não contar a história a ele. Pelo menos não agora. Um pensamento repentino se faz presente em minha mente: será que os fantasmas do meu namorado estão atrás de mim também? Isso faz com que eu me recorde das palavras ditas por Alexander antes de nosso rompimento, quando ele me aconselhou que fosse melhor que se eu me mantivesse longe de sua vida. Talvez ele estivesse certo. Mas agora nada disso tem mais importância. Seja quem for que estiver armando algo para cima de mim e de Alexander outra vez, eu descobrirei. O remetente deixou o número do celular na mensagem e talvez através dele eu possa chegar ao autor dessa foto. Descido não pensar mais no assunto e manter a calma. E é o que eu faço! *** Alexander vem sorridente me encontrar e me abraça pela cintura, beijando meus lábios apaixonadamente. Ele tem feito muitas demonstrações de afeto em público o que me deixa extremamente feliz. Sua boca se separa da minha e ele acaricia o meu rosto. — Raquel fez uma moqueca de peixe maravilhosa para o jantar. — Ele volta a me dar um selinho nos lábios. — Deve estar uma delícia. — Sorrio de volta, acariciando o seu rosto que hoje está barbeado e


lisinho. — Mas nós não jantaremos agora. Venha comigo. — Ele segura a minha mão e sai comigo em direção à garagem. — O que você está aprontando, hein Alex? — indago percebendo o brilho pervertido que ele traz nos olhos. Chegamos à garagem e Alexander me surpreende com um beijo de tirar o fôlego. Enquanto sua boca me devora, suas mãos estão por toda a parte do meu corpo, me apertando, me acariciando, me enlouquecendo de tesão. — Você está tão linda! — Ele fala por entre meus lábios me encurralando contra a lataria do esportivo. — Linda, cheirosa e comestível. — Alexander distribui beijos em meu pescoço e clavícula. Eu arquejo em resposta e entrelaço meus dedos em seu cabelo. Suas mãos vão em direção a barra da minha saia e eu estremeço receosa. — Alex, as câmeras... — Shhhh! Não tem ninguém na sala de monitoramento. — Ele me encara e seus olhos azuis estão com um brilho selvagem. — Eu quero te comer sobre o capô do carro. — Sim, mas... agora? — Meus pelos se arrepiam e a excitação dá sinal de vida em meu corpo. Alexander inclina o rosto um pouco mais para baixo e espalma suas mãos ao redor de meus quadris, me cercando. Vejo as pupilas dos seus olhos dilatarem, evidenciando que ele está extremamente excitado. Seus dedos avançam em direção a minha saia, subindo o tecido para cima. Um arrepio atravessa a minha coluna e eu agarro seus bíceps e inclino a cabeça para trás. Alexander ergue a minha saia e expõe a minha calcinha rendada. Seus olhos se estreitam repletos de luxúria ao contemplar a lingerie que uso. — Eu sei que você ainda não tem roupas íntimas em minhas gavetas e não quero deixá-la sem a sua calcinha. Portanto, eu vou tirá-la de você, mas a vontade que eu tenho é de rasgá-la com os dentes — diz, escorregando a peça lentamente por entre minhas pernas sem desviar seus olhos dos meus. Ele deixa a roupa em cima do capô e desliza sua língua em minha panturrilha, subindo em direção as minhas coxas. Nem preciso dizer que estou gemendo como uma louca, mordendo os lábios e com os dedos entrelaçados em seu cabelo negro e sedoso. Alexander puxa meus pelos púbicos e cheira a minha vagina profundamente. Ele abre um sorriso e massageia meu clitóris, estimulando ainda mais a minha libido que está elevadíssima. Ele me coloca sentada sobre a lataria e abre as minhas pernas, me deixando exposta. Seus olhos voltam a brilhar perversos para minha vagina e eu tremo de tanto tesão. Suas mãos rapidamente vão para a minha blusa cavada que é tirada por cima de minha cabeça. O sutiã também é arrancado de mim e se une a calcinha e a blusa que estão próximas. Alexander também tira a sua camiseta e se aconchega no meio do meu ventre. Uma de suas mãos apoia a minha coluna e inclina meu tronco para trás. Gemo abafado ao sentir o contato frio da lataria em minha pele quente. — As câmeras estão gravando a nossa foda, Dora. E em outra oportunidade, nós assistiremos a ela. — E o lado mais depravado do meu namorado está de volta. Acredito que ainda mais sacana e


tarado. Suas mãos se fecham ao redor de meus seios, acariciando, apertando. Ele manipula o bico, torcendo-o entre o indicador e o polegar e eu começo a arfar como uma louca, me debatendo. A ideia de voyeurismo é algo que excita muito Alexander e eu confesso que estou começando a gostar dessa prática. Tudo com ele é excitante, intenso e selvagem. E é por isso que eu sou louca por ele. — Eu passei o dia inteiro louco para sentir o seu sabor. — E dizendo isso sua boca encontra a minha entrada. — Ah, meu Deus! — choramingo inclinando o tronco para cima enquanto a língua de meu namorado trabalha em minha vagina. Sou chupada e lambida com tanta intensidade que minhas pernas começam a estremecer. E, quando Alexander prende meu clitóris em seus dentes, eu vou a loucura. Começo a gemer sem parar e a rebolar os quadris, inclinando a minha pélvis para cima. Agarro seu cabelo com minhas mãos e fixo meu olhar ao dele. Ele aumenta a pressão e meu corpo não aguenta. Com o olhar preso ao seu, eu gozo em sua boca, arfando alto e me contorcendo sobre a lataria do carro. — Porra! Que delícia! — diz me puxando pelos quadris e se encaixando no meio de minhas pernas. — Estou viciado para sempre em você! Ainda sinto ondas de prazer que atravessam o meu corpo, quando vejo Alexander deslizar um preservativo em sua ereção. Ele sorri de um jeito sacana e segura seu pênis, mirando a minha entrada. Sou penetrada em um golpe profundo e forte. O Poderoso vem esfomeado, abrindo-me toda, clamando por passagem, empurrando o meu útero. — Alex, mais forte! — Eu entrelaço as minhas pernas ao redor da cintura dele e ele crava os dedos em minha bunda, suspendendo-a um pouco do capô. — Peça para eu te comer, minha putinha. — Ele fica imóvel dentro de mim, fazendo círculos, mexendo com os quadris e me enlouquecendo. — Me come, Alex. — Eu começo a me movimentar, atiçando-o e ele estreita os olhos para mim. Alexander dá uma estocada violenta e volta a me manter cheia. — Mais alto! — Me fode! Me fode, Alex! — grito em lamúrias de prazer enquanto ele volta com os movimentos punitivos, me devastando, me devorando como somente ele sabe fazer. — Boa menina! — Ele dá uma tapa em minha bunda e volta a bater, indo e vindo, empurrando seu membro rapidamente dentro e fora. — Estou louco para te comer sem o uso de preservativos. Diga que falta pouco tempo. — Sim... — balbucio sentindo-o todo dentro de mim. Alexander ampara-me com uma das mãos segurando as minhas costas, trazendo-me ainda mais para perto dele. Não hesito e o beijo apaixonada, segurando seus braços musculosos, enquanto rebolo endoidecida, sentindo seu membro massagear o meu ponto G, me enlouquecendo. Com os lábios colados aos dele, eu me despedaço, sendo consumida não somente pelo prazer, mas também pelo amor que sinto por ele. Alexander deixa a minha boca e crava os dentes em meu


ombro, rosnando e liberando seu clímax. Ele dá as últimas estocadas e eu caio desabada sobre a lataria do carro, arfante e com o corpo amolecido e a mente girando. Alexander cai com o tronco em cima de mim e me abraça forte, beijando-me nos lábios. Eu o abraço também completamente maravilhada por tudo que significamos um para o outro, pelo amor único e verdadeiro que nos une desde sempre. *** Após um banho regado a muitas carícias, estamos acomodados a mesa saboreando a moqueca de peixe feita por Raquel. O prato está uma delícia e para acompanhá-lo, Pierre foi buscar um bom vinho branco. Encaro os olhos flamejantes de meu namorado e ele sorri de volta. Certamente que a cena de sexo na garagem é reprisada em sua mente, assim como na minha. Pierre chega a sala de jantar e eu desvio de seu olhar zombeteiro e me concentro em meu prato. — Senhor, aqui está o vinho que me pediu — diz o mordomo nos servindo as taças. — Pierre, sente-se com a gente — convida Alexander animado. — Eu não quero atrapalhar — responde Pierre com seu jeito polido. — Mas você não atrapalha, Pierre. — Sorrio e aponto para a cadeira ao meu lado. — Sente-se aqui. — Mas senhorita Isadora... — Sem “mas” — ralho com ele em tom divertido. — Apenas sente-se ao meu lado. Pierre troca um olhar com Alexander e se acomoda na cadeira perto de mim. Sei que ele não é acostumado a sentar-se a mesa, embora Alexander já tenha convidado muitas vezes. Ele faz o estilo europeu, sempre muito eficiente em seu trabalho. Eu fico feliz por estar aos poucos mostrando a Pierre a sua importância na vida de meu namorado, assim como na minha. Gosto muito dele e sinto que sou correspondida. — Eu vou buscar prato, talheres e uma taça para você. — Sorri Alexander se levantando e saindo em direção à copa. Pierre abre a boca para dizer algo, mas se cala. Instantes depois todos nós estamos comendo e bebendo vinho em um clima muito agradável. Pierre conta algumas peripécias que meu namorado fazia quando criança e eu escuto atentamente. Não sei quando foi a última vez que vi Alexander tão relaxado e alegre. Eu me pergunto se algum dia ele esteve tão sereno e tão vivo como eu o tenho sentido nesse último mês. Ambos acabamos com a nossa solidão, raiva e desamor que nos consumiram e nos separaram, fazendo-nos quase refém da inveja e da obsessão de Samara. Por causa de uma louca inconsequente que era guiada apenas pela sua paixão doentia, eu perdi o homem que amo. Sei que preciso esquecer isso e seguir adiante, me concentrar no presente e, sobretudo, no amor que sentimos um pelo outro. Por mais que eu tente, o fantasma da ruiva asquerosa de vez em quando vem me rondar, deixando-me apreensiva. Dissipo as lembranças incômodas para longe e volto a atenção para o jantar, que está muito bom.


O celular de Alexander toca e ele atende. Seu cenho franze e ele limpa a boca com o guardanapo. Por fim, fala deixando os talheres sobre a mesa: — Alô? — Ele espera por alguns instantes e pelo jeito não obtém resposta. — Quem está falando? — indaga impaciente. Segundos depois, Alexander desliga o aparelho, guardando-o no bolso da calça jeans. — Era engano? — arrisco dando uma garfada na comida, com os olhos fixos nos dele. — Não sei... O número estava restrito. Deve ser algum imbecil que não tem o que fazer da vida. — Ele dá de ombros e meu estômago se embrulha de imediato. O gosto da moqueca de peixe sobe a minha garganta, enquanto sinto um frio gélido percorrer a minha coluna. Eu me recordo da foto que recebi à tarde. Posso estar ficando paranoica, mas meu sexto sentido me diz que tanto a foto quanto a ligação que Alexander acaba de receber, têm o mesmo remetente. Continuo o meu jantar e tento não demonstrar que estou nervosa, mas a minha mente está inquieta. Se as minhas suposições estiverem certas, tem alguém querendo nos amedrontar. E eu preciso fazer algo para acabar com essa dúvida.


Capítulo 19 Alexander

Após mais um dia intenso de trabalho, eu chego em casa, tiro o terno e a gravata e visto minha roupa de treino. Pego meu iPod e seleciono a música Me Deixa da banda O Rappa. Desço para a academia mais frustrado do que nunca. Queria tanto poder correr no parque, ao ar livre, mas desde que fui sequestrado pela segunda vez, minha rotina mudou. E ainda mais agora, depois que meu carro explodiu que tenho tomado maior cuidado com a minha segurança, assim como a de Isadora, que teima em continuar morando sozinha em seu apartamento. O pior de tudo é que dei a ela quinze dias para pensar e, pelas minhas contas, ainda faltam 8. Começo a fazer a minha corrida na esteira, mantendo tanto o corpo em movimento quanto a mente, que não quer parar de pensar. Não quis demonstrar que fiquei um pouco grilado com a ligação restrita que recebi na noite de ontem, durante o jantar. Percebi que Isadora arregalou os olhos e ficou um pouco nervosa, assim como Pierre, que me fitou em busca de respostas. Naquele momento eu fiquei apreensivo, mas depois, refletindo melhor, eu cogitei que talvez fosse uma ligação inocente de alguém que trocou os números, ou até mesmo de algum adolescente que liga para a sua namoradinha e não quer ser descoberto. Talvez tenha sido isso: engano. Realmente eu espero que seja isso! Quase uma hora depois, eu termino as minhas atividades diárias e subo para minha suíte. Tomo uma ducha para refrescar o corpo e tento deixar a cabeça livre de preocupações. Não me demoro muito no banho e logo deixo o banheiro, com uma toalha ao redor dos quadris. Caminho até o closet e escolho uma roupa casual para vestir: calça jeans, camiseta cor salmão e sapatênis. Isadora me ligou dizendo que quer fazer compras no shopping e aproveitaremos para jantar fora também. Ela me pareceu um pouco misteriosa durante a ligação e não quis dar maiores detalhes sobre o que quer comprar. Coisas de mulher! Ao chegar ao hall, eu encontro Plínio e Carlos que me esperam. A minha rotina mudou muito depois do atentado e embora na maioria das vezes, eu fique contrariado por estar sempre acompanhado pelos meus funcionários, não posso arriscar a minha vida assim. Ainda mais agora que Isadora está comigo. Querendo ou não, a vida particular de minha namorada também está comprometida. *** Momentos mais tarde, nós estamos caminhando no shopping, de mãos dadas como um casal normal de namorados. Isadora está linda usando um vestido azul royal de alcinha, na altura dos


joelhos e levemente rodado da cintura para baixo. Conforme ela se move, sua bunda balança acompanhando o movimento dos quadris. Eu sorrio fascinado, controlando a maldita excitação que sempre se manifesta em local inapropriado. A deusa Afrodite me devolve o sorriso com o olhar cintilante e eu me derreto apaixonado. Nunca pensei que pudesse ficar de quatro por uma mulher e tampouco que a felicidade fosse algo tão presente em minha vida. Expus todos os sentimentos para Isadora, os bons e os ruins. Ninguém conhece os meus dois lados tão bem como ela e eu só tenho a agradecê-la por estar me fazendo renascer aos poucos para a vida. — Alex, venha comigo. — Ela me puxa pela mão para dentro de uma loja de produtos de beleza. Uma atendente loira, de óculos se aproxima de nós. A moça não é nada discreta e começa a me analisar de cima a baixo. Ela passa a língua nos lábios e seus olhos brilham para mim. Isadora percebe a situação e faz uma cara feia para a loira, que prontamente pigarreia sem jeito enquanto acomoda uma mecha de cabelo atrás da orelha. — Pois não? — pergunta a garota tentando soar profissional. — Vocês têm aquelas caixas prontas para presente, que contém desde xampu até creme para o corpo? — pergunta minha namorada encarando a atendente com semblante duro. — Sim, nós temos. É por aqui. — Ela indica o caminho. Isadora está comprando presente para quem? Eu interrompo os passos e seguro de leve seu braço, detendo-a também. Ela me olha surpresa sem nada entender enquanto eu faço um sinal para que a moça aguarde um momento. — Dora, para quem é esse presente? — sussurro desconfiado, pois sei que Estela aniversaria neste fim de semana. — É para a Estela. — Minhas suposições estão certas. A minha namorada me trouxe para comprar um presente para a Megera Loira? Não acredito que ela fez isso sem me consultar. — Você vai a essa festa? — Nós vamos! — Ela sorri e eu trinco o maxilar. É só o que me falta! Eu a puxo um pouco para o canto enquanto a moça nos observa com ar especulativo. — Nós estamos discutindo o tamanho da caixa — digo para a vendedora e me volto para minha namorada que me encara nada feliz. — Eu não vou a essa festa, Dora — sussurro decidido enquanto ela comprime os lábios. — Então eu irei sozinha! — Isadora em desafia e dá um passo tentando se desvencilhar de meus dedos. — De jeito nenhum! — Eu a detenho e puxo-a de encontro a mim. — Você acha que vai ficar sozinha no mesmo ambiente que o safado do Roberto? Mas nem que a vaca tussa! — Mas se você não for comigo, eu irei sozinha sim. — Por que está fazendo isso? — indago indignado, pois ela sabe que eu e a Estela não somos amigos e sim colegas de trabalho. — Porque está mais do que na hora de você desfazer com a desavença com a Estela. Isso é


criancice sua, Alex. — Dora, eu não irei a esse aniversário e espero que você também não vá. — Ah, eu irei sim. Com ou sem você! Não posso deixar Isadora ir sozinha a essa festa sabendo que Gusmão estará lá, pronto para dar o bote nela. Se aquele cretino ousar alguma gracinha para cima dela, eu parto a cara dele. Reflito por um momento e constato que estou sem alternativas. Para o meu pesar, terei que acompanhar a minha namorada no aniversário da Estela. Tenho percebido que a loira platinada tem se mostrado mais amigável comigo, demonstrando seu profissionalismo e eficiência. Não sei o que ela quer agindo dessa forma, com sua solidariedade repentina, mas confesso que não vejo malícia em seus atos. Será que Estela também está mudando para melhor? — Ok! Eu irei com você — declaro desgostoso. Só de imaginá-la sozinha, dando sopa naquela festa, sob os olhares de cachorro faminto do Gusmão, o meu sangue ferve. — Ah, eu sabia! — Ela pula em meu pescoço e me dá um beijo rápido nos lábios. — Não me provoque em público, Afrodite. — Aperto sua cintura e a puxo para bem próximo do meu corpo enquanto meu pau se avoluma dentro da calça. Isadora arregala os olhos, surpresa e se afasta me puxando pela mão. Permanecemos na loja cerca de 30 minutos. Enquanto Isadora escolhe o presente para dar a Estela, aproveito para comprar alguns produtos masculinos para mim e também alguns presentes para a minha namorada, que os aceita de bom grado. Estou surpreso comigo mesmo por estar em uma loja ajudando Isadora a comprar um presente para Estela. Nunca cogitei a ideia de ir a essa festa e tampouco de escolher algo para a Megera Loira, que aos poucos está perdendo seu título de megera e conquistando um de amiga. Isadora e sua perspicácia estão conseguindo extrair o impossível de mim e isso me assusta um pouco. Deixamos a loja e saímos em direção ao estacionamento. Estou com a cabeça repleta de pensamentos sexuais desde o momento que Isadora se esfregou em mim, na loja. O que eu mais quero é fazer uma sacanagem com ela. Decido jantar em um restaurante que serve uma deliciosa comida brasileira. Chegamos ao local e somos conduzidos pelo garçom até a nossa mesa que fica em um espaço privado, pouco distante dos demais presentes. Acomodamo-nos no estofado em couro em forma de L e eu faço os pedidos rapidamente. O garçom serve as nossas taças com o vinho tinto que eu sei que Isadora gosta e em seguida sai, deixando-nos a sós. — Gostaria de fazer um brinde — digo entusiasmado. — E a que brindaremos? — A você, Dora, que é a pessoa mais incrível e destemida que conheci até hoje — respondo sincero fitando-a com paixão. — Oh, Alex! — Isadora está sorrindo feliz e não tem preço ver a felicidade da mulher que amo. Erguemos as taças brindando e tomamos um gole de vinho com os olhos presos um no outro. A tensão sexual começa a estalar entre nós. Deixo a taça em cima da mesa e me aproximo um pouco


mais, deslizando os dedos na coxa de Isadora. Prontamente ela responde ao meu toque, arfando baixinho e mordendo o lábio. Essa é a minha Afrodite, sempre pronta para mim! — Esse seu vestido está me deixando louco. — Escorrego a mão por baixo da mesa e encontro suas pernas. Aperto delicadamente a sua coxa e Isadora suspira fundo, estremecendo o corpo. Puxo lentamente a saia do vestido rodado para cima e ela me fita de olhos arregalados. — Alex, o que você está fazendo? — Estou indo de encontro ao prato de entrada. — Sorrio perverso e deslizo a outra mão em seu pescoço, em direção a sua mandíbula. — Aqui?! Você está louco? — sussurra lançando um rápido olhar ao redor. — As outras pessoas não podem ver o que estamos fazendo embaixo dessa mesa. Esse espaço é completamente privado. Vê? Pouca luminosidade e mais aconchegante — asseguro roçando os lábios em sua orelha, enquanto os meus dedos encontram a borda de sua calcinha de renda. — Ah, Alex! — Isadora começa a gemer quando sente o contato de meus dedos em sua boceta, por cima do fino tecido de renda. — Que cor é a calcinha, Dora? — indago distribuindo beijos em seu pescoço. — Ver...Vermelha — responde em um fio de voz fechando os olhos e inclinando a cabeça para trás. — Porra! Você quer acabar comigo, é isso? — Meu pau está duro dentro da calça, louco para se libertar. — Relaxe Dora, que vou lhe dar um orgasmo aqui, no meio do restaurante. Ela abre os olhos piscando ligeiramente confusa e eu me aproveito de sua perplexidade para inserir a minha língua em sua boca. Isadora me puxa pela roupa e suas mãos deslizam até minha nuca. Eu afasto o tecido da lingerie para um lado, puxo seu quadris levemente para frente e insiro dois dedos em seu interior. Ela arquejia em minha boca enquanto meus dedos a torturam implacavelmente. Mordo seu lábio inferior, beijo sua boca e sugo sua língua. Isadora estremece o corpo quando sente meus dedos pressionam fortemente seu ponto G. Ela deixa a minha boca em busca de ar e eu desço com os lábios em seu pescoço. — Alex, você é louco! — sussurra entrelaçando os dedos em meu cabelo e jogando a cabeça para trás. — Sim, Dora. Sou um louco depravado e viciado em você! Invisto comendo sua bocetinha molhada com os dedos, indo e vindo, estocando fundo. Por mais que eu queira despi-la e trepar com ela sobre a mesa, eu sei de que se trata de um local público. O máximo que posso fazer é dar-lhe um orgasmo com meus dedos enquanto o meu pau chora aflito dentro da cueca boxer. — Sinta os meus dedos te fodendo, Afrodite — exijo aumentando o ritmo dos movimentos. — Ohhh, Zeus! — ela morde o lábio de olhos fechados, com os dedos enroscados em meu cabelo. Quando pressinto seu gozo emergir, colo os meus lábios aos dela. Isadora explode gemendo em minha boca, sugando a minha língua, com o corpo estremecido pelo prazer. Separo meus lábios dos


seus e puxo os dedos para fora. Ela ainda está com as pálpebras pesadas, porém com uma expressão totalmente prazerosa no rosto. — Deliciosa! — chupo os dedos sentindo seu gosto e ela abre a boca perplexa. Isadora ajeita a saia do vestido enquanto eu saboreio a sua excitação. — Alexander, Isadora, que coincidência encontrá-los aqui — diz uma voz masculina conhecida que vibra ao nosso redor. Isadora e eu voltamos o olhar para frente e meus olhos se tornam duas pedras de gelo. Diante de mim está o maldito Max Hoffman com um sorrisinho irônico nos lábios e uma mochila de couro jogada em um dos ombros. O que esse filho da mãe está fazendo aqui? O meu dia foi cansativo e o meu jantar estava sendo delicioso até agora acaba por se tornar desagradável. É só esse loiro aguado chegar para estragar tudo. A vontade que tenho é de esmurrá-lo e mandá-lo para o pronto socorro com a cara quebrada. — É um completo desprazer encontrá-lo aqui, Max. — Cerro os punhos em cima da mesa e o encaro com olhar afiado. — Oh, espero não ter atrapalhado nada de importante — ironiza com os olhos frios e brilhantes. Certamente ele viu a nossa cena íntima, ou parte dela. Se eu encostar a mão no Max, eu o parto em dois em um estalar de dedos. Levanto-me abruptamente e trinco o maxilar puto de raiva. — Desapareça de minha frente, seu rato de jornal! — O que é isso, Alexander? Onde está a costumeira educação? — pergunta mantendo o ar sarcástico. — Fodam-se as boas maneiras! A educação assim como a minha paciência acabaram de escoar ralo abaixo. Você não viu? — Alex, não há necessidade de desentendimentos — diz Isadora se colocando em pé ao meu lado. — Max, eu não tinha visto você. Como vai? — Ela trata o verme de modo cordial o que me deixa ainda mais enfurecido. Sei que Max arrasta uma asa para cima dela e está fazendo essa ceninha de bom moço somente para me provocar. — Eu estou bem e você? — Vamos, Dora. O ar ficou ligeiramente contaminado. — Eu a envolvo pela cintura e Dora me lança um olhar incrédulo. — Alex, nós acabamos de chegar! — Eu pedirei ao garçom que embrulhe o nosso jantar para viagem. — Seguro firme e sua mão e saio detrás da mesa ficando frente a frente com o loiro aguado. — Calma ai, gente! Não era intenção minha atrapalhá-los. — Ele se desculpa lançando um olhar desejoso para minha Afrodite. — Você está linda, Isadora. Eu não acredito no que acabo de ouvir. Esse escroto está mesmo elogiando a minha namorada na minha presença? Max realmente não tem noção do perigo! Eu semicerro os olhos, fecho os punhos e esqueço-me dos bons costumes. Com um gesto rápido, minha mão está em seu colarinho, apertando a sua garganta. Ele começa a ficar ligeiramente azul, sem ar e de olhos arregalados de pavor.


— Se você preza a sua vida Max, darei um conselho e espero que o siga a risca. Fique longe de minha namorada. E longe para mim, significa quilômetros de distância. — Alex, solte-o! Max está sem ar! — implora Isadora segurando meu braço e tentando afastarme dele sem obter sucesso. — Você entendeu a porra do conselho? — rosno puto ignorando o apelo de Isadora que está pálida diante da cena que vê. — Si... Sim. Entendi... Sim... — ele gagueja com dificuldade. Eu o solto abruptamente e Max busca o ar nos pulmões. Ajeito a minha camisa e dou uma rápida olhada ao redor. Algumas pessoas estão com os olhos voltados para nós. Umas cochicham enquanto outras apenas olham. O que essa maldita gente tem a ver comigo? Querem ver um espetáculo comprem um bilhete e vão ao circo. Bando de sociedade hipócrita que cuida mais da vida alheia do que da sua própria. — Vamos, Dora. — Seguro a mão dela e antes de sair eu me volto para Max, que está se apoiando a mesa, ainda um pouco zonzo. — Fique longe de Isadora! — Vo-você se acha o dono do mundo, Bismarck. — Ele começa o seu discurso com dificuldade enquanto a sua voz sai abafada e arrastada. — Só porque tem dinheiro e poder, pensa que pode tudo. Mas está enganado! — Não estou usando minha influência para nada, Max. Estou apenas cuidando daquilo que é meu. Ou você pensa que eu não sei que você joga seu charminho para cima de minha namorada? — declaro a verdade dos fatos em tom baixo, porém firme. — Eu poderia dar queixa contra agressão! — Faça isso! Pouco me importa! — Dou um passo determinado a sair, mas Isadora me detém, me fitando de forma inquisitiva. Aos passos largos eu deixo o restaurante com a comida em uma mão e a mão de Isadora em outra. O acontecido com o miserável do Max me deixou realmente puto da vida. Quem esse jornalista de quinta categoria pensa que é para me desafiar? Só Deus sabe o quanto eu me controlei para não socá-lo até sangrar. E ele merecia todas as pancadas que eu tivesse lhe dado. E pensar que tenho que encará-lo na festa de aniversário de sua irmã adotiva, meu sangue volta a se aquecer. Embora no passado eu admitisse que Estela e Max valessem pouca coisa, hoje eu estou refazendo os meus conceitos. Max é uma sanguessuga que faz de tudo para se dá bem à custa dos outros, diferente de Estela que trabalha árduo para manter a casa. Quem diria que eu estaria defendendo a Estela?


Capítulo 20 — Você fez o que eu recomendei, Jairo? — indago impaciente. Esse brutamontes que trabalha para mim é mais um idiota incompetente que tenho que adestrar. Parece que não se faz mais criminoso como antigamente. — Sim, se... — Não fale o meu nome! Eu já disse isso a você e espero que escute para o seu bem — brado por entredentes enquanto o homem se acomoda na poltrona de couro do meu escritório particular. Ainda tenho que aguentar seu mau cheiro que provavelmente provém das suas axilas azedas. — Desculpe... — Lembra-se das fotos que você enviou para Alexander na noite da festa? — indago impaciente. — Sim, eu lembro. O que tem os retratos? — Retratos? — Reviro os olhos diante de seu palavreado pobre. — O funcionário que é braço direito de Alexander descobriu o seu nome. Acho bom você ser bem mais cuidadoso a partir de agora. Porque não quero que essa merda toda chegue até mim. Entendeu? — Entendi sim. Pode deixar comigo! — Sorri mostrando seus dentes amarelados. Porco imundo! — Bem, chega de conversinha fiada. Vamos direto ao ponto. — Eu tiro a foto de dentro da gaveta e entrego a ele. — Está reconhecendo esse homem? — Não. Quem é ele? — pergunta o idiota alternando o olhar entre mim e a fotografia que está em suas mãos. — Esse é o amiguinho da puta do Alexander, o veadinho do Manolo Garcia. Ele é o próximo alvo, entendeu? — Aponto para a imagem na foto, com raiva. — Quer o veado morto? Se for assim o preço é outro e... — Você não é pago para pensar, seu idiota. — Lanço um novo olhar frio para o homem que me encara confuso. Odeio gente que se faz de besta! A indagação feita por ele me faz refletir por um momento. Não seria má ideia dar um grande susto na vadia da Isadora e no arrogante do Alexander. Certamente que a puta vai chorar muito depois que eu colocar o meu plano em prática. E eu adoraria presenciar essa cena. Por outro lado, não quero o peso de uma morte para carregar. É um preço muito alto e receio que esse troglodita que contratei não faça o trabalho bem feito. Como não tenho tempo para ir atrás de outro capanga para fazer o serviço, preciso me contentar com esse que tenho. Infelizmente! — E então vivo ou morto? — Ele parece impaciente, o que me desagrada.


— Vivo, mas bem machucado. Quero sangue, fratura, mas nada de exagero. — Eu vou até o bar e me sirvo de um pouco de uísque. — Fratura?! Que diabo é isso? — o idiota pergunta e eu arregalo os olhos diante de sua ignorância. — Osso quebrado! Entendeu ou quer que eu desenhe? — Entendi sim, mas o trabalho vai sair mais caro. Quero o dobro para quebrar o veadinho — exige se levantando e coçando a barriga enorme. É nojento olhar para ele. Onde eu estava com a cabeça para contratar um bicho do mato como esse? — Eu já te pago e muito bem. Ou você pensa que a fortuna que recebe é pouca? — rebato, deixando o copo em cima do bar e me aproximando. — É que veja bem... Eu terei despesas para contratar uns “fortão” para fazer o serviço. Sabe como é... Respiro fundo sabendo que o babaca gordo não é capaz de concretizar o meu plano. Caminho até o cofre e tiro uma quantia em dinheiro. O desejo de saber que tanto Isadora quanto Alexander sofrerão com a tragédia, me faz regozijar. O prazer de vê-los sofrer realmente não tem preço. Volto para o babaca e lhe entrego uma boa quantia dentro de um envelope. — Aqui tem cinco mil. — Os olhos dele brilham ao contar as cédulas de dinheiro. Gente morta de fome! Odeio essa espécie imunda que permeia a nossa sociedade. — Contrate os melhores homens e aguarde as minhas instruções — ordeno sentando-me na cadeira executiva, de saco cheio da presença do fedorento. — Você quem manda! — Espero que dessa vez não haja erros, como aconteceu com o carro do Alexander — argumento em tom sério, com o olhar afiado. — Pode deixar com a gente. O veadinho vai ter a sua coça na medida certa para o hospital. — O homem sorri mostrando seus dentes horrendos outra vez e meu estômago se embrulha. — Agora vá! — Eu aceno com a mão, desviando meu olhar de sua cara feia coberta de barba. — Apenas aguarde a minha ligação. Eu avisarei o dia mais propício. — Pros-prospício?! — Ele ergue as duas sobrancelhas e eu me sinto como se estivesse falando javanês. Santa ignorância! — PRO-PÍ-CIO significa “favorável” — esclareço sem um pingo de paciência, já dispensando o idiota da minha frente. — Agora pode sair e bico calado. Se esse plano falhar, eu terei a sua cabeça em cima de uma bandeja — ameaço e ele engole em seco, ajeitando a calça surrada de linho. — Vá! Após o homem sair, recosto-me na cadeira enquanto minha mente trabalha inquieta. Não vejo a hora de Alexander pagar por tudo que fez a mim e a minha família. Foram anos e anos esperando, maquinando o momento certo para me vingar do filho da mãe, sem deixar rastros de meus atos. Estudei cada passo dado por ele, cada negócio fechado, cada mulher que comia e depois descartava. E agora eu tenho um trunfo nas mãos: a putinha dele. Isadora caiu de luva para eu concretizar os meus


planos. Pude perceber hoje no shopping, enquanto os observava de longe, que os dois estão morrendo de amores um pelo outro. Eles trocavam olhares apaixonados e sorriam alegres, de mãos dadas. Eu assisti tudo e minha raiva somente crescia mais e mais. Vi o quanto estavam entretidos, olhando vitrines, comprando coisas e passeando. A vontade que tive foi me livrar de ambos, de forma lenta e dolorosa, mas me contive. Quero um pouco de diversão. E eu terei! Vou começar em breve. A explosão do carro falhou, mas serviu para colocar medo no casalzinho apaixonado. Então eu mudei a tática do meu próprio jogo e passei a montar outra estratégia. Quero me divertir um pouco, vendo-os sofrer por aqueles que amam. Começarei com o gayzinho que Isadora tanto estima e depois, e talvez, partirei para Pierre, o mordomo de Alexander, o qual ele tem como um pai. E para fechar com chave de ouro, acabarei com vadiazinha que ele tanto ama. Alexander pagará muito caro pelo que me fez. Quero ver como ele enfrenta a vida sem a sua cadelinha. Ah, isso eu quero ver!


Capítulo 21 Isadora

Não foi tão difícil quanto eu imaginei convencer Alexander a ir ao aniversário de Estela. Embora eu saiba que ele está fazendo isso por mim, estou feliz. Quero muito que ele e Estela se entendam de uma vez por todas e deixem essa desavença de lado para sempre. Ainda mais sabendo que Alexander foi o primeiro homem na vida da minha amiga. Sei que se algumas pessoas soubessem sobre isso, elas achariam a minha atitude no mínimo estranha. Mas eu não me sinto ameaçada por Estela. Nunca me senti. Ela teve seu momento de fragilidade no passado, se sentiu perdida e confundiu os sentimentos que sentia por mim. Sei que ela ainda ama Alexander, mesmo não sendo correspondida durante esses anos todos. O que mais desejo é que ela encontre alguém que lhe dê o valor que ela merece e que a faça feliz. O sábado finalmente chega e eu estou terminando de me arrumar para a festa. Visto um vestido de seda da Patrícia Bonaldi levemente rodado da cintura para baixo, até a altura dos joelhos, na cor creme, com detalhes em renda vermelha no busto. A renda é formada por pequenas flores que enfeitam e dão realce ao vestido, deixando-o clássico e elegante. É um modelo muito bonito e delicado, além de discreto. Para acompanhar o visual, calço um par de sandálias brancas, de salto alto e fino. À tarde, eu fui ao salão de beleza e fiz as unhas dos pés e das mãos. Eu não quis prender o cabelo e deixei os fios ondulados soltos, banhando as minhas costas e busto. Sei que a festa não é de gala, mas quero ficar bonita. Paro em frente ao espelho e começo a fazer a maquiagem um pouco mais carregada para a noite. Passo uma sombra escura, esfumando o canto dos olhos e dando mais realce em meu olhar. Aplico um pouco de rímel nos cílios e um batom em tom cereja nos lábios. Passo a fragrância de Angel e sorrio para a minha imagem refletida no espelho. Hoje eu quero me divertir um pouco e esquecer os problemas dos últimos dias, bem como os fantasmas que estão rondando a mim e ao meu namorado. Alexander vem me buscar e está impreterivelmente sensual em um terno grafite, sem gravata e camisa branca. Ele tem o rosto barbeado e sua pele exala o delicioso aroma de seu perfume costumeiro. Nossos olhos se encontram apaixonados e ele abre um sorriso sensual, me envolvendo pela cintura. Mal dá tempo de fechar a porta de meu apartamento e a sua boca encontra a minha em um beijo arrebatador. Após remover o meu batom com os lábios e sugar muito a minha língua, ele me solta e volta a sorrir travesso. — Oi, minha Afrodite. Você está exuberante, como sempre. Desculpe por eu ter rebocado o seu batom, mas não resisti. — Ela dá uma palmada em minha bunda e volta a beijar meus lábios com brevidade.


— Eu adorei! — Sorrio acariciando seu rosto bonito. — Você está muito sensual. Acho que terei problemas em conter as outras mulheres na noite de hoje. — Alexander solta uma risada divertida e eu lhe dou um tapinha em seu bíceps como forma de punição. — Eu só tenho olhos para você, meu amor! — Ele me chama de meu amor e eu me derreto apaixonada. — Dora, eu não sei como irei me controlar nesta noite, pois a vontade que tenho é de comer você inteirinha — sussurra em meu ouvindo deslizando a língua no lóbulo da minha orelha. Arfo e estremeço excitada. — Oh, Alex! — Vamos antes que eu mande essa festa para o espaço e te coma no meio desse corredor. — E vem outra palmada inesperada na minha bunda. Ele aperta onde me bateu e ouço um gemido rouco e gutural escapar de sua garganta. Cada dia que passa eu fico mais impressionada com o novo homem que Alexander está se tornando. A felicidade toma conta do meu peito e a única coisa que receio é que esteja sonhando. E se for um sonho eu não quero jamais acordar. Sorrio para ele e saímos de mãos dadas em direção ao elevador. *** A festa de aniversário de Estela acontece a todo o vapor. Um DJ anima a festa tocando todos os estilos de músicas, mas principalmente pop rock e dance. As mesas e cadeiras estão cuidadosamente posicionadas no salão que está enfeitado com alguns balões coloridos no teto. Rosas amarelas deixam o ambiente ainda mais bonito e cheiroso. Garçons bem vestidos circulam entre os convidados, servindo-os de bebidas e de salgadinhos dos mais diversos tipos. Todos feitos por um chef especializado em bufe para eventos sociais. Cruzamos o salão sob os olhares curiosos de alguns funcionários e também de algumas pessoas que eu desconheço, provavelmente são amigos da aniversariante ou, possivelmente, empresários da sociedade. Sorrio e Alexander me dá um beijo na testa que é assistido por alguns convidados que estão próximos. Alguns cochicham entre si, enquanto outros apenas nos observam calados. Vejo Estela um pouco mais a frente na companhia de Roberto, Marco e de Thereza, que já está comendo meu namorado com os olhos. Ignoro a espanhola fresca e sorrio para Estela que está bonita em um vestido azul, reto, até os joelhos. Eu e Alexander nos aproximamos e a felicitamos, entregando o presente que escolhemos juntos. Meu namorado a cumprimenta com um breve abraço e logo volta a ficar ao meu lado, com a mão ao redor da minha cintura. Estela está surpresa com a nossa presença e alterna o olhar para nós e para o pacote que está em suas mãos. — Obrigada pelo presente, mas o mais importante é que vocês vieram. — Eu disse que não faltaria a sua festa. — Dou uma piscadinha para ela. — Que bom que vocês estão aqui. Eu já estava prestes a fazer aposta com a Estela. — Ri Marco descontraidamente. — Não exagere, Marco — Estela diz um pouco sem jeito.


— Que bom mesmo que vocês vieram — Thereza fala ajeitando uma mecha de seu cabelo castanho atrás da orelha. — Essa também é minha festa de despedida. Estarei embarcando para a Espanha no domingo de manhã. A vontade que tenho é de dar uma salva de palmas, mas apenas abro um enorme sorriso nos lábios enquanto me aproximo mais de meu namorado, envolvendo o braço ao redor do dele. Thereza que até então estava sorridente, desfaz com o sorriso, torcendo os lábios, quase formando uma careta. Não vejo a hora de me livrar da presença insuportável dessa fresca. Mulher metida e vulgar, que não percebe que meu namorado já tem dona: EU! — Espero que faça uma boa viagem! — Estela diz com uma ponta de sarcasmo na voz me lançando um olhar rápido. Ela sabe que eu não suporto Thereza e vice e versa. A antipatia que senti por ela foi recíproca e verdadeira. — Eu estou surpreso com a sua presença neste evento, Alexander — Finalmente Roberto fala encarando Alexander em tom inquisitivo. — Afinal, eu achei que Isadora viria sozinha. — Isadora não tem o porquê comparecer a eventos sem a minha companhia, Roberto, uma vez que estamos namorando. Acho mais do que normal que estejamos juntos. Você não acha? — rosna meu namorado em tom nada amigável, mas controlado. — Claro! Eu só achei estranho. — Sorri Roberto tentando ser cordial com o sócio sem obter sucesso. — A propósito, Isadora, você está divina! Alexander respira fundo e pelo canto dos olhos eu o vejo trincar o maxilar. Ele estreita os olhos para Roberto que continua sorrindo cinicamente. Engulo em seco e peço a Deus para que Alexander não faça nada impulsivo. Sei que ele tem ciúmes de mim e ainda mais quando o assunto envolve o nosso sócio atrevido. Sinceramente, eu não entendo o motivo de Roberto agir dessa maneira, provocando Alexander deliberadamente na frente dos demais convidados. Às vezes eu penso que ele faz isso somente para testar a paciência de meu namorado. — Isadora, eu vi a sua mãe e ela estava perguntando sobre você — intervém Marco sentindo a atmosfera se tornar carregada. — Ela está sentada naquela mesa. — Ele faz sinal com a cabeça em direção onde minha mãe, Douglas, Manolo e Ernani estão acomodados. — Obrigada, Marco — agradeço sorrindo. — Vamos circular um pouco. Até mais e boa festa. — Alexander me conduz para longe e pega duas taças de champanhe, me entregando uma. — Está tudo bem? — Agora sim! — Ele sorri beijando o topo da minha cabeça. — O idiota do Roberto não perde tempo para bater de frente comigo. — Não dê importância ao que ele fala ou faz. Roberto gosta de ser o centro das atenções. — Eu bebo um gole de champanhe e olho rapidamente ao redor. — Dora, Gusmão age assim porque sabe que eu fico puto quando ele se insinua abertamente para você. É um cafajeste mesmo! — resmunga visivelmente descontente. — Vamos esquecê-lo e nos concentrar em nós dois, meu amor!


— Hum, eu gostei desse apelido que você me deu. — Sorri sedutor e eu incendeio por inteira. — Que apelido? — Eu em faço de desentendida. — “Meu amor” — repete acariciando o meu rosto. — Você tem razão! Vamos esquecer o traste do Roberto e cumprimentar a sua mãe e os nossos amigos. Depois vamos nos sentar em uma mesa. Só nós dois! Atravessamos o salão e caminhamos até a mesa onde minha mãe está sentada com Douglas, Manolo e Alan. Cumprimentamos todos e nos acomodamos nas cadeiras vagas. Douglas nos conta de sua mais recente aventura: uma pescaria, e nós damos boas gargalhadas com a sua história. Minha mãe ri animada e fita o namorado apaixonada. Pelo visto eles estão se dando muito bem. Já estão morando juntos e fazendo planos de oficializar a união. Para mim isso tudo é uma novidade, pois até onde sei Douglas fugia de relacionamentos como o diabo foge da cruz. E, segundo Alexander, o amigo somente se envolvia com garotas mais jovens do que ele. Como as coisas mudam! Conversamos um pouco e uma música menos agitada começa a tocar. Minha mãe e Douglas levantam e vão para a pista dançar. Ernani e Manolo decidem cumprimentar alguns amigos e nos deixam a sós. Eu aproveito para comer alguns salgadinhos e apreciar o clima descontraído que paira entre nós. Neste instante, começa a tocar Blame de Calvin Harris e as luzes começam a piscar no ambiente. Empresários e funcionários da empresa se misturam dançando ao som da música eletrônica. — Vem, minha Afrodite. Vamos nos acabar na pista. — Ele deixa o casaco no encosto da cadeira e estica a mão para mim. O convite feito por ele me pega desprevenida. Nunca imaginei que Alexander apreciasse esse estilo de música. E essa é mais uma das facetas de meu namorado que eu estou conhecendo e estou gostando. Eu me levanto e seguimos para a pista que começa a ficar relativamente cheia de gente. Alexander me puxa pela cintura e começamos a dançar no embalo do som dance. As luzes piscam no mesmo ritmo da música, tornando o salão de festas da empresa em uma casa noturna. Vejo que Manolo e Ernani também dançam próximos a nós, mas de forma mais discreta. Eles não se tocam e tampouco se acariciam mutuamente. Mas vejo a troca de olhares apaixonados dos dois e fico com uma pontada de dor no coração. Por que os homossexuais têm que sofrer discriminação no mundo contemporâneo em que vivemos? Custa respeitar a opção sexual de cada um? Não! Mas, infelizmente, nem todos pensam como eu. Com os braços ao redor do pescoço de Alexander, nós nos encaramos com amor, esquecendo os problemas que temos enfrentado. Algumas pessoas que estão ao redor nos lançam olhares especulativos, principalmente as mulheres, que parecem querer comer o meu namorado vivo. Elas se derretem para ele e, no entanto, para mim, me encaram com desdém. Ignoro tudo e todo e apenas curto a noite nos braços do homem que eu amo e que me ama também. Tenho que aprender a manter o controle, pois sei que as mulheres dão em cima dos homens abertamente. Ainda mais se esse homem for comprometido e se chamar Alexander Bismarck. Algumas fariam de tudo para tirá-lo de mim. Dançamos algumas músicas e nos divertimos muito na pista. Meus pés começam a ficar um pouco doloridos e eu começo a me mover mais lentamente. Alexander percebe que estou um pouco desconfortável e convida para se acomodar a mesa. Eu aceito prontamente e voltamos a nos sentar.


Um garçom passa por nós e nos serve de duas taças de champanhe. — Está com dor nos pés, minha Afrodite? — pergunta Alexander abrindo um sorriso. — Sim, um pouco. Na verdade estou com dor no dedo mindinho do meu pé direito. — Então me dê ele que eu faço uma massagem. — Mas aqui? — Eu olhos espantada ao redor. — Isadora, tire suas sandálias dos pés e deixe que eu alivie a sua dor. Sigo o conselho dado por ele e segundos depois, Alexander está fazendo massagem no meu pé direito. Suas mãos quentes e macias deslizam pela minha pele, despertando ondas de eletricidade pelo meu corpo. Ele massageia toda a extensão de meu pé, subindo até o tornozelo, onde circula os dedos, em um ritmo de vai e vem. Eu me remexo, excitada na cadeira e ele sorri maliciosamente. É óbvio que Alexander sabe o efeito que suas mãos causam em mim e se aproveita para me desarmar, embora seja em uma festa, cercada de pessoas. — Você está me surpreendendo, sabia? — Eu puxo assunto com a finalidade de amenizar a fogueira que começa a se formar em mim. — Em que sentido? — Nunca te vi dançando uma música eletrônica antes. Pensei que você nem gostasse disso. — Eu mudei. — Ele continua a deslizar seus dedos em meu pé, agora em um gesto mais de carinho do que de massagem propriamente dita. — Você ainda não viu nada. O meu novo eu está diferente e ainda mais tarado. — Seu sorriso se torna sacana e suas mãos agora deslizam em minha panturrilha, me despertando mil e uma sensações. — Acho que a dor já passou. — Eu abaixo o pé sentindo o corpo pegar fogo e dou uma olhada rápida ao redor. Não quero chamar a atenção justamente em uma festa onde os funcionários da empresa estão presentes e, tampouco, dar margem para fofocas nos corredores durante o expediente de trabalho. — Está fugindo de mim, Isadora? — Claro que não! — Dou um gole na bebida e vejo em seus olhos um brilho diferente, sexual, quente. — Sei... — Alexander também degusta do champanhe e deixa a taça sobre a mesa. — Estou louco para saber o que você usa por baixo desse vestido. Se é um fio dental ou uma calcinha bem comportada. — Você aposta em quê? — Eu me remexo excitada outra vez somente imaginando os pensamentos depravados que permeiam a cabeça de meu namorado neste momento. — Que cor é a sua calcinha? — Ele ignora a minha pergunta com outra. — Descubra! — Sorrio, provocando-o ainda mais. — Não me provoque, Dora! — Sua voz sai em um sussurro rouco e ele respira fundo, inclinando o corpo um pouco para frente. — Quero ver a sua calcinha! — Alex, nós estamos em uma festa! — Estremeço o corpo, excitada, comprimindo as coxas


sobre a cadeira. — Pouco me importa onde estamos. Eu quero saber o que você usa por baixo desse vestido. — Sorri malicioso esperando por minha reação. — Isso é um jogo? — Talvez... — responde pensativo, passeando o dedo sobre a covinha de seu queixo. — E você sabe que eu só jogo para ganhar. — Pare com isso, Alex! — Eu aposto que você não tem coragem de mostrar a sua calcinha para mim aqui, no meio da festa. — Agora é a sua vez de me instigar. Eu olho ao redor por um momento e vejo as pessoas entretidas umas com as outras. As luzes piscam sem parar deixando o ambiente quase em uma penumbra. Se eu fizer algo ousado aqui, as chances de alguém notar são mínimas. Mas o que fazer? Alexander começou com o velho hábito de jogar comigo, me provocando, fazendo-me chegar ao abismo da luxúria. E eu não posso recuar. De jeito nenhum! Encaro seus olhos e uma ideia muito sacana surge em minha mente. Se Alexander quer jogar, então eu vou jogar. Só que para ganhar! Abro um sorriso charmoso e deslizo as mãos em minhas coxas por baixo da mesa. Ele apenas observa os meus gestos sem piscar, atento em mim como se eu fosse a única pessoa presente na festa. Adoro quando Alexander age assim comigo, demonstrando o quanto se sente atraído por mim, o quanto eu ainda o deixo em brasas. Eu me sinto poderosa e desejada, além de me sentir amada com intensidade. Com os olhos fixos aos dele, discretamente eu encontro a minha calcinha por baixo do vestido. Faço o menor movimento possível e começo a rolar a roupa em meus quadris, descendo pela minha bunda. A peça minúscula escorrega com facilidade entre minhas coxas lisas e chega rapidamente em meus tornozelos. Abaixo-me o mínimo que posso e tiro a lingerie de meu corpo, segurando-a com a mão fechada. Alexander está com os olhos vidrados em mim e já bebeu dois goles consecutivos do champanhe. Ele sabe o que farei e isso me excita tanto, que sinto a vagina molhar a cadeira. Sorrindo triunfante, eu estico o braço e deixo o pequeno tecido cair em sua frente. — Eu ganhei esse jogo, meu amor! — declaro sorridente enquanto deixo a excitação me consume. Alexander segura a calcinha e inala profundamente. Neste instante um garçom se aproxima da mesa e eu congelo. O homem franze o cenho e pisca várias vezes, parecendo confuso. Eu acredito que pela expressão que o garçom esteja fazendo, ele não consegue visualizar direito o objeto que meu namorado está segurando em sua mão. É o que eu espero! — Mais champanhe? — indaga o homem sem jeito, parado ao lado da mesa. — Não, obrigado! — Alexander despacha o garçom enquanto as minhas bochechas pegam fogo. — Fio dental vermelho! — Ele volta a cheirar a roupa. — Quem ganhou esse jogo fui eu, meu amor. — Ele sorri sedutoramente, guardando a calcinha dentro do bolso de sua calça. — Agora eu vou ter o meu prêmio, que é te matar de prazer.


Socorro! Meu queixo cai e meu corpo entra em combustĂŁo.


Capítulo 22 Alexander

Enquanto saio com Isadora em direção à sala de conferências que fica no andar de baixo, minha mente trabalha pensando em como a minha namorada está mais atrevida, mais mulher, mais sedutora. Fiz a aposta para testá-la e me surpreendi. Eu sabia que ela daria um jeito de ganhar o joguinho sacana que propus. Mas nunca imaginei que ela tivesse coragem de ir tão longe. Quando vi aquele fio dental vermelho, o meu corpo inteiro reagiu. Senti todo o sangue ser bombeado diretamente para o meu pau, que enrijeceu dentro da cueca, por saber que Isadora estava nua por baixo daquele vestido. Não pensei duas vezes e parti para a ação. Estamos nos aproximando da sala de conferências que está na penumbra, pouca iluminada, e eu apresso os passos. Isadora, que segura a minha mão está mordendo o lábio, excitada. Ela olha para mim e sorri como se nós fôssemos dois adolescentes que vão transar escondido dos pais. Nós nos aproximamos e ouço um barulho vindo de uma saleta de espera. Detenho os passos e o que ouço são gemidos e mais gemidos. Tem alguém fazendo sexo aqui?! — Alex... — Shhhh! — Eu faço sinal para Isadora se calar e me aproximo um pouco mais. A porta está entreaberta, o que facilita a minha visão. Diante dos meus olhos está uma das minhas secretárias, Vanessa, praticamente deitada em cima de uma mesa e Roberto no meio das pernas dela. A loira tem o vestido justo puxado até a cintura enquanto ele tem as calças arriadas até os joelhos. Os dois estão transando?! Meu queixo cai! E eu que pensava que a minha secretária era tímida e vivia no mundo da lua, me enganei. Vanessa é safada, isso sim! Sei que Gusmão não vale um centavo e que tem fama de comer as funcionárias, mas precisava pegar a minha secretária que se faz de coitadinha? — Meu Deus! — sussurra Isadora com a mão na boca, de olhos arregalados. — Vamos sair daqui. — Ela faz menção de se mover e eu a detenho. — Olhe para eles, Afrodite! — Eu a puxo e a coloco em minha frente, segurando seu queixo em direção a cena pornográfica que assistimos. — Não é excitante? — Deslizo meus lábios em sua orelha e ela estremece, soltando um gemidinho quase inaudível. — Você quer que eu veja isso? — murmura em um misto de fascínio e medo. — Fique quietinha e apenas olhe — digo em seu ouvido dividindo a atenção em distribuir beijos em sua pele e apreciar a cena como um legítimo voyeur que sou. Enquanto Vanessa está arfando e se debatendo de prazer em cima da mesa, deslizo uma das mãos


por baixo do vestido de Isadora. Ela volta a estremecer comprimindo as coxas, ao sentir meus dedos em seus lábios vaginais. Para minha completa perdição, Isadora está molhada e quente como o inferno. Fecho e abro os olhos, controlando o meu pau que está duro. Começo a mover os quadris lentamente, pressionando minha ereção contra a bunda de Isadora, por cima do vestido de seda. Ela morde os lábios e estica um dos braços para trás, enroscando seus dedos em meu cabelo. Após massagear seu clitóris durinho com a palma de minha mão, sou vencido pela luxúria e insiro um dedo em sua bocetinha. Isadora começa a rebolar no embalo do meu dedo, empinando a bunda para trás e se esfregando sem dó em meu pau. Neste instante o casal que se mostra para nós, sem saber que estamos apreciando a cena escondidos atrás da porta entreaberta, começa a rosnar e uivar como loucos. Gusmão pega pesado e dá tapas na bunda e também alguns no rosto de Vanessa, que sorri regozijada. Fico impressionado com a selvageria de ambos, que estão se devorando como animais famintos. E eu que pensei que fosse o único tarado que gostava de um sexo selvagem e de bater na bunda de uma mulher, me enganei. Roberto e Vanessa estão dando um show de safadeza. — Ah... — Isadora arqueja baixinho enquanto é fodida pelos meus dedos. — Gosta disso, minha Afrodite safada? — Beijo seu pescoço, indo em direção ao seu queixo. Meu corpo já não aguenta mais segurar o tesão. Deixando o casalzinho continuar a sua sacanagem, eu puxo o dedo para fora e conduzo Isadora para a sala de conferências. Entro agarrado nela, com uma das mãos em sua bunda e a outra em sua nuca, com os dedos entrelaçados em seu cabelo. — Eu estava doido para fazer isso. — Beijo seus lábios, inserindo minha língua em sua boca, serpenteando, sugando, lambendo. Isadora me beija deliciosamente com a mesma fome, gemendo em minha boca e agarrando o meu cabelo. Quando eu iria imaginar que pegar Vanessa e Roberto em flagrante em uma cena íntima de sexo fosse me deixar tão excitado? Embora eu já estivesse com a libido a flor da pele, confesso que vê-los trepando em cima daquela mesa acendeu ainda mais o fogo que me consome. Dissipo o pensamento sobre os dois para longe e me concentro em minha deusa Afrodite que beija com paixão. Saio com ela, sem separar as nossas bocas em direção ao estofado de couro de três lugares. Interrompo os passos e me afasto um pouco ofegante, com os olhos faiscantes. Isadora me encara, mordendo o lábio e se esfregando em mim. Ela sabe que me deixa louco quando começa a me atiçar e se aproveita disso. — Dora, ajoelhe-se no sofá, de costas para mim, e erga a saia de seu vestido. — Ela sorri de modo travesso e faz o que é recomendando, deixando a mostra a sua bunda redonda e deliciosa. Fixo os olhos nela e me aproximo tirando o casaco e abrindo mais dois botões de minha camisa. Enquanto aprecio a visão de seu traseiro que está exposto para meus olhos, eu dobro as mangas da camisa até a altura dos cotovelos e tiro o cinto italiano da calça. Isadora me encara por cima do ombro, com o olhar flamejante e eu espalmo as mãos em sua pele macia. — Linda! — Dou uma palmada em sua nádega direta e ela arfa surpresa ao golpe. — Deliciosa! — Mordo do outro lado enquanto dou mais um golpe, aquecendo a sua pele de baixo para cima. —


Meu pau está louco para se enterrar nessa bocetinha gostosa. — Desço o zíper da calça e escorrego a roupa com cueca e tudo para baixo. Seguro meu pau e roço a sua entrada tentadora, já molhada, me esperando. — Ah, Alex! Me fode, por favor! — Isadora está endoidecida, empinando ainda mais a bunda para mim e agarrando com força o encosto do sofá. — Seu desejo é uma ordem. — Sorrio malicioso e puxo seus quadris ainda mais, me encaixando totalmente no meio de suas pernas. Miro a sua bocetinha e em um golpe único eu a penetro, fundo, forte, faminto. Isadora solta um gemido alto e começa a rebolar junto comigo, me endoidecendo. Cravo os dedos em sua bunda e meto nela implacavelmente. É delicioso e arriscado estarmos transando dentro da sala de conferencias outra vez. Ainda mais agora com a presença de Vanessa e Roberto que estão se matando de prazer em outra sala, no mesmo andar. Ah, quer saber? Estou pouco me importando se eles nos escutarão. Na verdade, eu até quero que o filho da mãe do Gusmão ouça que estamos fazendo amor aqui. Assim ele ficará ciente de que Isadora está comigo e a deixará em paz. Movo os quadris e a penetro lentamente, enchendo-a de mim, pressionando seu ponto G. Subo uma das mãos pelas suas costas ainda cobertas pelo vestido e chego até seu cabelo ondulado cor de chocolate. Entrelaço meus dedos nele e inclino um pouco a sua cabeça para trás. Retorno os movimentos aos poucos estocando em uma dança sensual, enquanto beijo o topo de sua cabeça. Isadora está com os olhos fechados e a boca entreaberta, completamente arrebatada. — Minha gostosa! Só minha! — declaro comendo-a lentamente, saboreando cada segundo dentro dela. — Meu amor! — Bato e volto a enchê-la. — Minha Afrodite! Isadora começa a gemer sem parar e mover os quadris com mais intensidade. Sua busca por prazer sempre me deixa fora de mim e eu perco o domínio de tudo. Tiro meu pau de dentro dela só para enfiá-lo de novo, e de novo, e de novo. A essa altura a Afrodite está enlouquecida, arranhando o couro do sofá e se debatendo, quase atingindo seu êxtase. — Meu amor! Meu Zeus safado! — sussurra me chamando do apelido que me deu alguns meses atrás. — Toma tudo do seu Zeus, minha Afrodite. — Mordo sua clavícula, metendo o meu pau inteiro dentro dela, flexionando os quadris, deixando-a doida. — Oh, Alex! — Isadora estala gozando e gozando, jogando a cabeça para trás. — Porra! Não vou aguentar! — E eu também a sigo rosnando enquanto meu pau lateja, jorrando esperma dentro dela, devorado-a em estocadas brutas e profundas. Permanecemos por alguns instantes saboreando as ondas de prazer que nos inunda, cercados de luxúria e de amor por todos os lados. *** Após fazermos amor escondido na sala de reuniões, eu e Isadora retornamos a festa. A minha


namorada está usando a calcinha que ganhei em nossa aposta. Embora a ideia de tê-la nua da cintura para baixo seja excitante, não quero correr o risco de alguém perceber que Isadora não faz uso de roupa íntima e deixá-la em uma saia justa. A festa continua a todo vapor com algumas pessoas dançando, outras em pequenos grupos conversando. Avistamos os nossos amigos e nos aproximamos. Douglas é o mais animado de todos, sempre tagarelando alguma peripécia feita e a última foi a sua pescaria, que ele não para de falar. Todos dão risada porque sabem que ele aumenta os relatos, transformando-o quase em conto de pescador. Douglas é assim extrovertido e muito alto astral. Vejo Max conversando com sua irmã. Estela está sorridente, feliz e tagarelando com o branquelo, que escolhe esse momento para perscrutar o ambiente e se depara comigo. O sorriso que ele traz nos lábios se desfaz de imediato, e Max me encara com expressão cortante. Seus olhos verdes perfuram os meus, que o fitam com a mesma frieza. Filho da mãe miserável! Esse rato de jornal quer o que é meu. Recordo-me de um episódio ocorrido há alguns meses, quando Ernani me apresentou a ficha dele, que por sinal é mais suja que pau de galinheiro. Preciso falar agora mesmo com Ernani e, com esse intuito eu busco meu braço direito entre os convidados. Não demora muito para que o aviste conversando com Manolo em um canto. Determinado a ficar de olho em Max, eu me aproximo de meu funcionário e faço sinal que quero falar com ele. — Pois não, senhor Alexander. — Ernani se prontifica aguardando ordens. — Quero que fique de olho no Max Hoffman. Não precisa segui-lo com frequência, mas fique por perto. — O senhor está desconfiado de algo? — Não sei... Apenas quero que fique de olho nele, ok? — recomendo e meu funcionário concorda com a cabeça. — Bem, agora divirta-se, Ernani. Ele volta para ficar na companhia de Manolo e eu olho ao redor procurando por um garçom. Como não vejo nenhum por perto, eu vou até o bar buscar duas taças de champanhe, uma para mim e outra para Isadora que está acomodada a mesa, junto de nossos amigos. Estou quase chegando, quando o celular toca. Pego o aparelho e constato que a chamada é com número restrito mais uma vez. Uma sensação estranha toma conta de mim, me deixando ligeiramente nervoso. Sem pensar duas vezes, atendo a ligação. — Alô? — Espero alguns segundos e ninguém responde do outro lado. Apenas ouço a respiração ofegante da pessoa que está me ligando. — Quem está falando? — indago puto por cogitar a ideia de ter alguém me fazendo de palhaço. A pessoa não demora muito e, como no outro dia, desliga, encerrando a ligação. Bufo enfurecido e quando olho para frente eu vejo Estela de pé, cabeça baixa. Ela está com uma das mãos apoiada em uma pilastra e a outra está em sua testa. A loira pressente os meus passos e ergue a cabeça para me fitar. — Está tudo bem, Estela? — Sim... — A sua voz sai meio pesada e enrolada enquanto ela pisca os olhos com dificuldade. — Você e Isadora estão felizes. — Ela abre um meio sorriso em seus lábios. — Estamos!


— Você mudou, Alex. — Ela dá dois passos em minha direção e percebo que está com dificuldade em se locomover. Estela está bêbada? — Às vezes precisamos mudar para renovar a vida — respondo quase filosofando e ela volta a sorrir se aproximando ainda mais. A loira se detém a minha frente, me encarando com um brilho diferente nos olhos verdes. Não sei o que se passa na cabeça dela, mas confesso que estou começando a ficar intrigado com a sua atitude inusitada. — Dora é uma mulher de sorte por que tem você. E você é um homem de sorte por que tem ela. — Seus dedos vão parar na gola do meu casaco, escovando o tecido delicadamente. — Estela, o que está acontecendo com você? — Alex, você não se lembra de nada? Eu, você, uma festa da faculdade... — Ela sorri agora deslizando as mãos em meu peito. — Estela, que porra é essa? — Seguro seus pulsos encarando seus olhos pesados. — Você foi o meu primeiro homem! — declara e meu queixo cai. Essa mulher está doida? — Você está bêbada para falar essas coisas sem fundamento. Eu nunca transei com você, Estela! — Eu a largo abruptamente e ela se desequilibra. Prontamente eu volto a ampará-la, envolvendo-a em meus braços. Senhor Deus, que cena bizarra! — Estela, por favor, fique sóbria e pare de ver coisas — aconselho-a soltando-a devagar. Ela pisca os olhos e seu rosto denota frustração. — Você não se lembra? A festa de veteranos da faculdade, na casa de praia do Renato Gouveia, seu colega. — Ela me encara com os olhos vidrados. — Que festa você está falando? — indago confuso buscando em minha memória algum resquício desse evento. — Oh! Claro que você não se lembra, Alex. Você estava bêbado. — Sorri sarcasticamente. — E eu fui só mais uma de muitas que você comeu naquela noite. — Você enlouqueceu, Estela? — Estou indignado por dois motivos. Primeiro, eu não me recordo de ver Estela nesta festa e segundo, estou puto por ela me acusar sem fundamento. — Eu me lembro vagamente dessa festa. Mas não me lembro de ter feito sexo com você — finalizo em um sussurro olhando rapidamente ao redor. — Bem, se você não está lembrando-se de nada, de que adianta eu confessar meus sentimentos por você e por Isadora? — esbraveja girando o corpo. — Sentimentos por mim e por Isadora?! — Abro a boca, incrédulo sem acreditar no que acabo de ouvir. Estela me ignora e desaparece cambaleante em meio à multidão. Ela só pode estar fora de si. Não há outra explicação! Caminho até o bar e peço duas taças de champanhe. O garçom prontamente me atende e eu bebo quase todo o líquido em um único gole. Preciso refrescar meus neurônios depois de tanta abobrinha descabida que ouvi dela. Agora percebi que Estela nunca deixou de ser a megera loira que quer foder a minha vida. Onde ela estava com a cabeça para me acusar de ter transado com ela e tirado a sua virgindade? Isso é um absurdo! De posse das taças de bebida, eu retorno onde está Isadora, que já está me buscando com os


olhos aflitos. Quando eu me aproximo, ela abre um sorriso, aliviada. Eu lhe entrego a bebida e a abraço pela cintura. — Alex, está tudo bem? — sussurra próximo ao meu ouvido. — Sim, está! — Sorrio tentando não deixá-la apreensiva. Permanecemos na festa por mais algum tempo e logo nos despedimos de todos, com exceção da aniversariante, que após a conversa infundada que teve comigo, tomou chá de sumiço. Não sei o que deu na cabeça da Estela para agir daquela forma. Ela parecia levemente alcoolizada, mas seus olhos espelhavam ressentimento. De todas as coisas que Estela falou a que mais me deixou puto foi ela ter declarado que tem sentimentos por mim e por Isadora. Juro que não entendo a cabeça dessa mulher! Há pouco tempo ela queria comer o meu rim de tanta raiva que sentia de mim e agora vem com declarações sentimentais aos meus ouvidos? Ah, me poupe! Estela precisa é de um exame de sanidade ou apenas de um café forte para curar a ressaca. Chegamos ao estacionamento e Carlos nos aguarda com a porta traseira do carro aberta. Nós nos acomodamos no banco de couro e Isadora deita a cabeça em meu ombro. Enquanto fazemos o trajeto, ouvindo Nando Reis, Nosso Amor, a minha mente martela sem piedade. Preciso falar com Isadora sobre o disparate que Estela teve. Não quero que mais cedo ou mais tarde, isso se torne um equívoco que possa abalar o nosso relacionamento. Eu preciso conversar com minha namorada. E eu farei isso assim que nós chegarmos em casa.


Capítulo 23 Isadora

Estou no quarto tirando minhas sandálias enquanto Alexander está tirando seu paletó. Ele deixa o casaco sobre uma poltrona de canto e enfia as mãos nos bolsos da calça. Seu semblante está sério e uma rusga se forma em seu cenho. Não sei o que está acontecendo com ele, que fez o trajeto inteiro da festa até aqui praticamente calado. Ele trocou algumas palavras, mas foram poucas. A única conclusão que chego é que meu namorado não gostou de ir a festa de aniversário da Estela. — Está tudo bem, Alex? — Eu me levanto descalça sobre o tapete caminhando em sua direção. — Dora, eu estou um pouco grilado com algumas coisas. — E o que é? Alexander pensa por um momento e se afasta passando uma das mãos pelo cabelo. Seja lá o que estiver aborrecendo-o, deve ser importante. Ele parecia tão animado durante a festa e até propôs um joguinho sacana com a minha calcinha. A sua atitude de agora me deixa confusa. — Estela me abordou quando fui pegar o champanhe, por isso eu demorei. Ela começou a falar umas coisas sem fundamento. — Ele balança a cabeça de um lado para o outro, volta a passar uma das mãos ao cabelo, nervoso. — Dora, eu acho que a Estela bebeu muito e fantasiou coisas. — Eu não estou entendendo. O que Estela disse para você ficar assim? — Ela me acusou de ser o responsável por algumas coisas no passado. — Ele se senta na poltrona e estica os braços sobre as pernas. — Estela está fora de si, Isadora! — Mas o que ela falou a você, afinal? — Eu me aproximo e me acomodo na poltrona vazia ao seu lado. Alexander me encara enquanto um repentino e angustiante silêncio paira no ar. Minha imaginação está a mil e várias ideias permeiam a minha cabeça. O que será que Estela disse a ele para deixá-lo tão incomodado? Será que... Oh, meu Deus! — Olha Dora, independente do que eu falarei a você agora, quero que saiba que se esse incidente... Esse acaso do destino, se isso aconteceu de verdade, ele está no passado. E um passado sem lembranças para mim. — Ok! Mas agora me conte que eu estou aflita! — digo impaciente e Alexander solta um ar pesado. Sinto que ele sente dificuldades em começar o assunto que está lhe trazendo ansiedade. — Estela veio com uma conversa sobre uma festa que aconteceu anos atrás, na época da faculdade. Segundo ela, nós dois... Nós transamos naquela noite. Vê se isso tem cabimento! — Ele se


levanta exasperado enquanto eu abro a boca admirada. Nunca pensei que Estela fosse confessar isso para Alexander no meio de sua festa de aniversário. — E ela ainda foi além, Isadora. Disse que eu fui o primeiro homem da vida dela. Isso é um completo absurdo. Eu nunca transei com ela. Não me recordo de nada disso! — Alex, o que a Estela disse a você é verdade. — Eu me levanto e ele me encara de olhos arregalados. — Dora, você sabia? — Sim! Eu soube antes mesmo de nós rompermos o nosso relacionamento. — E por que você não me disse nada? — Seu tom de indignação aumenta e é minha vez de respirar fundo. — Porque esse assunto é de vocês dois e não meu! — Mas o que Estela falou não tem cabimento, Isadora! E ainda ela teve a audácia de contar para você, em vez de vir conversar comigo antes. — Se a Estela tivesse procurado você para conversar, será que ela obteria sucesso alguns meses atrás? Você não podia nem ouvir falar no nome dela! — respondo sabendo que o que eu falo é a mais pura verdade. — Isso não é desculpa para ela agir assim, sorrateiramente. O que Estela queria? Colocar você contra mim? — Ele distorce a veracidade dos fatos. — Alex, eu sei que o que irei de dizer agora irá te chocar ainda mais, mas não posso mais adiar isso — digo determinada a esclarecer essa história de vez. — Estela é apaixonada por você! Alexander não pisca e seus olhos ficam vidrados. A minha declaração o pegou totalmente desprevenido e eu receio de que talvez fosse melhor não ter dito nada. Esse assunto é entre os dois e eu prometi a Estela que ficaria de fora. Ah, que se dane! Alexander precisa perceber que ela não é sua inimiga e tampouco quer prejudicá-lo. Ele tem que entender e aceitar Estela como uma aliada, embora eu saiba que isso é um pouco difícil de acontecer, ainda mais agora. — Estela é louca, isso sim! — Ele solta o verbo furioso. — Você acredita que ela insinuou que tem sentimentos por você? Essa mulher precisa de um psiquiatra urgente! — Eu já sabia sobre isso também. — Jesus Cristo! O que mais você está escondendo de mim, Dora? — Alexander se aproxima perplexo, me segurando pelos ombros. — Nada! Acho que agora você sabe de tudo. — Estela está doente! Só pode ser! — Amor não é uma doença, Alex. E sim a cura! Estela pode até estar um pouco perdida e confusa sobre o que sente por mim e por você, mas ela não está precisando de médico. O que ela precisa é de afeto e compreensão — digo com veemência enquanto ele me escuta ainda um tanto chocado. Mas eu não posso culpá-lo por se sentir assim, pois sei que é muita informação para uma noite apenas.


— Meu Deus! — Alexander se senta na cama e balança a cabeça de um lado para o outro. — Eu nunca imaginei que ela pudesse estar apaixonada por mim e por você. Que loucura! — Sei que será um pouco difícil para você compreendê-la, mas eu peço que não a enxote. Estela não é uma pessoa má. — Eu paro no meio de suas pernas de pé e o abraço, acariciando seu cabelo. — Eu não me recordo de ter tido nada com ela naquela festa. A única coisa que eu me lembro foi de que bebi todas e no outro dia acordei vomitando horrores. Foi uma época difícil para mim e eu não estava nada bem comigo mesmo. — Ele envolve seus braços ao redor dos meus quadris. — Eu não sinto nada pela Estela, Isadora. Nunca senti! — Eu sei! Mas agora está na hora de você conversar com ela e tentar ao menos ser amigo. — Como vou entender a cabeça dela? E além do mais, eu fiquei com ciúmes quando ela disse que tinha sentimentos por você! Como vou conviver com isso, Isadora? — Alexander está perdido e a única coisa que me resta é fazê-lo se encontrar. — Eu sei que você achará um jeito. — Você sempre consegue tudo de mim! Ele enfia as mãos em baixo da saia de meu vestido e desliza seus dedos em minhas coxas, despertando arrepios em minha pele. A minha calcinha logo é despida de mim, lentamente e o tecido desce embolando em minhas pernas. O calor que emana de seus dedos tem o mesmo efeito que fogo em minha pele. Ele deixa a lingerie ao chão e sobe distribuindo beijos e lambidas em minhas pernas. Eu fecho os olhos e entrelaço meus dedos em seu cabelo. Quando estou com ele o momento se torna mágico, intenso, delirante. — Eu preciso tanto de você, minha Afrodite! — sussurra entre minhas coxas, cheirando os meus pelos púbicos. — Ah, meu Zeus! — choramingo estremecendo o corpo enquanto ele espalma suas mãos em minha bunda e beija minha virilha. Sou torturada entre beijos, lambidas e mordiscadas que ele dá em minhas coxas. Sei que meu namorado adora prolongar o meu prazer e isso é delicioso. Alexander é o verdadeiro deus do sexo, da sensualidade e da paixão. Cada dia que passa, eu me convenço mais e mais que minha vida é dele e eu vivo para ele. E o mais bonito de tudo isso, é que sinto que ele sente o mesmo em relação a mim. O vestido que uso é despido de meu corpo no alto da minha cabeça. O mesmo acontece com o meu sutiã que é praticamente arrancado de mim. Ele sorri sedutoramente e eu me remexo excitada ao vê-lo se despir. Adoro quando ele faz um strip-tease, tirando uma peça de roupa e depois a outra, me deixando exaltada a contemplar o seu corpo másculo e bem feito. — Vem cá! — Alexander volta a se sentar na beirada da cama e me puxa para seu colo, com as pernas abertas, fazendo-me montar em cima dele. — Você é a mais bela de todas! — Ele beija a minha boca com paixão, abraçando-me apertado e torturando-me com seu membro que pulsa forte no meio das minhas pernas. — E essa bocetinha está molhadinha esperando pelo meu pau? — pergunta sem separar os meus lábios dos seus, massageando meu clitóris com a palma de sua mão. — Oh, que delícia! Não para! Não para! — Eu agarro sua nuca, mordendo de leve o seu lábio inferior.


— Porra, Dora! Eu não aguento mais esperar para te comer. — Alexander me suspende um pouco, para então me penetrar deliciosamente fundo e forte. E ele começa me comendo como um louco, com um das mãos em minha bunda e a outra em meu quadril, enquanto sua boca e língua estão em meus seios, me dando tanto prazer que chega a doer. Alexander encara meus olhos com luxúria e paixão e o que eu faço em resposta é me dar toda a ele, meu corpo e minha alma. Eu beijo a sua testa, sua têmpora, seus olhos e ele geme baixinho ainda com a boca em meus mamilos. Alexander investe em mim, forte e intenso, metendo seu membro grande e grosso que entra apertado e delicioso, implorando por mais espaço, abrindo mais e mais. O ritmo se torna tão implacável e alucinante que o que me resta é gritar e estalar de tanto prazer, sentindo o coração martelar apaixonado dentro do peito. — Ah, meu Deus! — arfo e me debato em seu colo, enquanto ele me devora sem piedade, como um animal faminto. — Que boceta gostosa do caralho! Toma tudo! Cada pedacinho do meu pau. — E ele cumpre a promessa metendo tudo para dentro, fazendo círculos e pressionando meu ponto G. Isso é demais para mim e eu começo a me mover junto com ele, reivindicando-o ainda mais. Alexander crava seus dedos em minha bunda e passa a estocar como um louco, empurrando meu útero me fazendo só sua como sempre foi. E os movimentos ganham rapidez e profundidade. Sinto o poderoso inchado, bombeando forte e esfomeado. Arranho seus ombros, subindo até a sua nuca onde cravo minhas unhas, desvairada de tanto prazer. — Alex! Alex! — arquejo sentindo o gozo vir potente e voraz. — Ah, porra! Adoro quando você chama por mim, Dora! — rosna empurrando firme e decidido. E quando Alexander crava os dentes em meu pescoço, eu me despedaço gozando, falando palavras desconexas, perdida em um mundo de luxúria, amor e encantamento. Ele geme rouco e libera seu orgasmo, me inundando com seu esperma quente, fazendo-me estalar outra vez, agarrada em seu pescoço, quase sem ar e sem razão. E a noite termina assim, com Alexander fazendo amor mais duas vezes comigo. Uma embaixo do chuveiro e outra em cima da cama. *** Ainda estou reflexiva em relação à coragem de Estela ao se declarar para Alexander. Ela estava tão decidida em deixar o assunto no esquecimento, que a sua atitude na festa me impressionou. Mas acredito que o mais surpreso nessa história toda foi meu namorado. Nunca o vi tão confuso e chocado na vida. A declaração feita por Estela o deixou enfurecido ao ponto dele sentir ciúmes de mim, o que é um absurdo compreensível em se tratando de Alexander. Espero que ele tenha ouvido os meus conselhos e procure Estela para terminar essa conversa. Não sei como o clima entre eles ficará, mas desejo que os dois se tornem amigos, ou que pelo menos,


não guardem mágoas um do outro. É um processo difícil para Alexander, mas percebi que a sua rejeição em relação a minha amiga está diminuindo. O primeiro sinal dessa mudança foi a ida dele a festa de aniversário dela. Sei que ele fez isso por mim, mas mesmo assim é um grande passo. E tudo isso graças aos sentimentos, que têm feito dele um novo homem. Encerro o expediente e aviso ao meu namorado que irei me encontrar com minha mãe em uma cafeteria. Dona Vitória reclamou que tenho estado ausente, embora eu tenha conversado com ela na festa. Eu conheço minha mãe e sei que ela deve estar cheia de novidades, ainda mais agora que está morando com Douglas. Pelo que percebi na festa de aniversário de Estela, a minha mãe e seu namorado estão se entendendo muito bem. Eu estou feliz por eles e desejo que esse relacionamento dure por muito tempo. — Minha filha, desde o acidente com o carro do Alex que eu tenho estado muito preocupada com você. — Não precisa se preocupar, mãe. Nós estamos bem escoltados por Plínio e Carlos. Eles estão sempre por perto. — Abro um sorriso tentando tranquilizá-la, mas é em vão. — Dora, você devia de aceitar o convite feito pelo seu namorado e se mudar para a casa dele o mais depressa possível. — Mãe, quem te contou sobre isso? — indago já imaginando a sua resposta. — Foi o Manolo, mas não brigue com ele. Seu amigo está preocupado com você assim como eu. — Ok! Eu não falarei nada! — asseguro e ela sorri afagando a minha mão. — Estou tão feliz por você e por Alex terem reatado o romance. Vocês estão se dando muito bem, não é filha? — pergunta sorridente. Embora minha mãe tenha uma alma adolescente, ela se preocupa comigo e com a minha felicidade. — Estamos nos dando muito bem. Alex mudou! Ele é outra pessoa, mãe. — Sorrio orgulhosa. — Que bom ouvir isso, Dora! — E você e Douglas? Como estão em sua vida de quase casados? — Estamos muito bem! Douglas é demais e faz tudo para me agradar. Dentro e fora da cama. — Ela dá uma piscadinha sacana e solta um suspiro apaixonado. Essa é minha mãe! — Pelo visto não foi somente Alex que mudou, mãe. Douglas também está diferente. Está mais centrado e monogâmico. Você sabe a fama de mulherengo que ele tinha, não sabe? — Eu dou uma garfada em minha torta que está muito gostosa. — Sim, eu sei sobre tudo. Douglas fez questão de me contar a sua vida e confesso que estou impressionada com a sua mudança. Ele demonstra todo o instante que está apaixonado por mim e me paparica com presentes e jantares românticos. Estamos vivendo em constante lua de mel. — Sorri alegre de olhos brilhantes. — Fico feliz por você, mãe. Você merece isso e muito mais. — Sou sincera com ela. — Os nossos homens mudaram para melhor e nós devemos agradecer aos deuses por essa façanha. — Dona Vitória solta uma risada gostosa e eu a sigo.


Conversamos mais um pouco e nos despedimos com carinho e ela sai apressadamente. Eu faço o mesmo e deixo a cafeteria em direção ao estacionamento absorta em meus pensamentos. Ao me aproximar do meu Focus eu vejo a uma distância razoável uma garota de cabelo ruivo saindo de dentro de um Fiat Uno branco. Ela dá a volta e abre a porta traseira. Quando vira o rosto para frente eu vejo Samara segurando um bebê conforto. Ela se move entretida com a criança e interrompo os passos. Fico apenas observando ela carregar o filhinho, o qual eu não consigo ver o rosto. Ela está usando roupas simples e casuais: uma calça jeans, tênis All Star e regata. Nem parece aquela menina petulante que vivia de salto alto, de vestido de grife e de carro importado. Samara vira o rosto de lado e se depara comigo. Prontamente a sua expressão se transforma e ela me encara friamente. Empina o queixo e segura firme a alça do bebê conforto. Levo um choque tão grande ao me deparar com ela que apenas fico fitando-a sem reação. Diante de mim está a garota que foi responsável pelo meu rompimento com o homem que amo. A vontade que tenho é de ir ao seu encontro e exigir-lhe explicações, o porquê de tudo. Mas olhando para a criança que ela traz consigo, coloco freios em meus ímpetos e permaneço onde estou. Samara volta a se mover a passos rápidos, de queixo altivo e postura tesa. Nunca perde a pose, embora eu perceba que as suas condições financeiras já não são mais as mesmas. Ao passar por mim, ela me lança um olhar gélido de desdém e se detém, voltando a me encarar. Dou alguns passos e me aproximo dela, que arregala os olhos, nervosa. — Não se aproxime de mim e do meu filho! — brada segurando com força o bebê conforto, protegendo seu filho de mim como se eu fosse capaz de fazer algum mal a ela ou a criança. — Olá, Samara! — digo dando outro passo a frente enquanto ela dá um passo para trás, mantendo distância. — Não precisa ficar na defensiva. Eu nunca faria mal a você e tampouco ao seu filho. — Não se aproxime mais, Isadora. Eu estou avisando. — Eu quero apenas conversar com você. Quero saber o porquê você armou toda aquela mentira para cima de Alex. O que a motivou? Amor? Ódio? Inveja? — Samara arqueja forte e comprime os lábios, nervosa. — Você sabe somente me acusar, não é Isadora? Na sua concepção eu devo ser um monstro que queria roubar o seu namorado. — E não era o que você queria? Destruir-nos e levar vantagem dando o golpe da barriga? — É uma pena que você me veja como uma golpista. Eu agi por amor! Tudo que fiz por em nome do amor que tenho por Alex — confessa seu sentimento que para mim é uma pura e simples obsessão acompanhada de cinismo. — Se você o amasse de verdade não engravidaria de um homem e jogaria as culpas em outro. — Ela semicerra os olhos, enfurecida. — De quem é o seu filho, Samara? Dou mais um passo na tentativa de enxergar o rostinho da criança que dorme enrolada em uma mantinha suave e Samara dá um pulo para trás. Ela segura com as duas mãos o bebê conforto e observo pela primeira vez na vida que a ruiva tem sentimentos pela criança. Ela está agindo como uma mãe protetora, o que para mim é uma surpresa, pois Samara sempre foi mesquinha e fria. Nunca


pensei que nutrisse um sentimento puro por alguém, mas me enganei. Ela ama o filho. — Não te interessa quem seja o pai do meu filho. Estou criando-o sozinha, com algumas dificuldades, mas estou. — Seus lábios começam a tremer e seus olhos castanhos se enchem d’água. — Samara, você está precisando de alguma coisa? — Meu coração se aperta ao cogitar a ideia de que um bebezinho esteja passando necessidade. — Não é da sua conta! Fique longe de nós! — Ela começa a chorar e tenta limpar as lágrimas com a manga da blusa. É algo surpreendente para mim, pois nunca a vi tão fragilizada e perdida. — Eu só quero ajudar... — Então mantenha distância. Não quero ver você perto do meu filho novamente. Deixe-nos em paz! — esbraveja e sai em disparada estacionamento afora. Durante o trajeto até o meu apartamento, eu reflito sobre a atitude da Samara. É óbvio que ela não contaria para mim quem é o pai do seu filho. Nem sei por que eu fiz essa pergunta a ela. Percebi que a ruiva falava a verdade quando disse que estava criando sozinha o filho. Mas então por que ela faz questão de esconder o nome do pai da criança? Será que Samara engravidou de um homem casado? É provável que o pai da criança não saiba sobre a paternidade e, se as minhas suposições estiverem certas, ela está precisando de ajuda financeira para sustentar o menino. Honestamente, tive piedade dela e do bebê, que é um inocente nesse caos todo. A vontade que tive foi de oferecer ajuda, embora eu saiba que ela não aceitaria. Samara continua arrogante mesmo passando por dificuldades financeiras. Tenho quase certeza de que ela não está trabalhando, pois é muito difícil alguma empresa dar emprego a uma mulher que tem filho pequeno. Sei bem como é o nosso mercado de trabalho. As firmas preferem mulheres solteiras e sem filhos, pois sabem que têm arcar com despesas extras caso contratem uma mãe de família. Triste constatação, mas é a realidade em que vivemos. Mas uma coisa não sai do meu pensamento: preciso descobrir quem é o pai do filho da Samara. E eu descobrirei custe o que custar!


Capítulo 24 Alexander

Após um dia cansativo de trabalho, eu estou me exercitando na academia da empresa. Não quis ir para casa malhar sozinho e acabei trazendo as minhas roupas e tênis de treino em uma mochila. É bom fazer atividade física olhando para os prédios que estão do outro lado da enorme janela de vidro. Pelo menos a visão de concreto substitui a visão verdejante do jardim de minha casa. Eu gosto de malhar obsevando a natureza, mas às vezes isso se torna entediante. Alguns poucos funcionários se exercitam neste fim de tarde. E entre eles está a minha secretária Vanessa, que pedala em sua bicicleta ergométrica. Ela lança um olhar de soslaio e volta a se concentrar em sua malhação. Quem diria que a minha secretária, que parece ser uma mocinha muito tímida e recatada, se mostraria na festa de Estela uma putinha de primeira linha? Dissipo o pensamento da transa dela e do Gusmão sobre a mesa e me concentro na música By the Way de Red Hot Chili Peppers, que ecoa em meus ouvidos, vinda de meu iPod. Estou na esteira quando Marco se aproxima vestindo sua roupa de ginástica. Ele bebe um pouco de água, deixa a mochila de lado e se apoia em um dos aparelhos. Termino a corrida e tiro meus fones de ouvido para conversar com ele. — Alex, você por aqui! — Eu estou um pouco entediado de malhar sozinho e, como não posso arriscar a minha segurança fazendo uma corrida no parque, eu optei por exercitar aqui hoje. — Isso é chato... Eu imagino como você e Isadora não devem estar se sentindo. — Marco sentase em um dos aparelhos de musculação para pernas. — Esse é o preço que se paga por ter dinheiro em nosso país — declaro secando o suor de minha pele com a toalha. — Marco, eu só quero viver uma vida normal como todo mundo, mas no momento não posso arriscar me expondo sem segurança por ai. Então, só me resta aceitar a realidade e torcer para que achem o culpado pelo atentado feito contra mim e Isadora. — E como andam as investigações? — Os policiais continuam trabalhando no caso, mas por enquanto, nenhuma pista de quem foi o responsável. — Eu desejo que encontrem logo quem cometeu esse crime e que a pessoa pague pelo que fez. — Ele se levanta pegando suas coisas. — Bem, eu já estava de saída. Tenho um encontro com a Estela hoje à noite. Eu fico surpreso diante da declaração feita por Marco que arregalo os olhos. Eu não sabia que


ele e a loira platinada estavam tendo um caso. Será que ele sabe sobre os sentimentos que Estela diz sentir por mim e por Isadora? Não sei o que eu faço, se começo esse assunto delicado com ele, ou se esqueço dessa merda toda de vez. Não quero deixá-lo desconfortável, mas Marco precisa saber onde está pisando. Eu não estou seguro de que Estela esteja jogando limpo com ele. E se ela agir de má fé com o propósito de curar de sua dor de cotovelo platônica, eu entro em ação. Não deixarei que ninguém use os outros para tirar proveito próprio. — Marco, você tem um minuto? — Se for assunto rápido, sim! — Eu vou pegar as minhas coisas e te sigo até o elevador. — Ele assente e eu saio em direção ao vestiário. Pego as minhas coisas e encontro com ele me esperando perto da porta de saída. — Agora podemos ir. — Marco caminha ao meu lado com semblante especulativo. — Você e Estela estão saindo juntos? — indago em tom baixo para não chamar a atenção de alguns funcionários que passam por nós em direção à academia. — É uma longa história, Alex. Faz alguns meses que eu tento ter mais do que um simples encontro casual com Estela, mas parece que ela está relutante em firmar compromisso. — Ele fica cabisbaixo, com o olhar perdido. — Marco, você conhece bem a Estela? — Acho que isso é impossível em se tratando dela. — Ele sorri tristemente balançando a cabeça de um lado para o outro. — Estela anda estranha. Muito estranha. — Eu interrompo os passos ao me aproximar do elevador e ele também. — Estranha em que sentido? — Ela me abordou durante a sua festa de aniversário, falando alguns assuntos sem cabimento. — Eu começo o relato enquanto Marco me encara meticulosamente. — Acho que ela está passando por um transtorno. — Mas que assunto ela te contou, afinal? — Eu acho que ela está fora da casinha, isso sim! — Eu aperto o botão do elevador arrependido de ter tocado nesse assunto tão delicado e constrangedor com ele. Afinal, o que Marco tem a ver com a neurose da Estela? — Santa Madre de Dios, me diga logo o que está havendo, Alex! — brada misturando a sua língua materna ao português. — Estela está confundindo algumas coisas, sabe Marco? Ela está misturando... sentimentos e... pessoas. É por isso que eu acho que ela não está bem — respondo com dificuldade enquanto espero o elevador subir quase 20 andares. — Eu aposto que sei o que aconteceu — diz convicto e eu o encaro esperando a bomba da vez. — Estela finalmente tomou coragem e declarou o que sente a você. Eu arregalo os olhos, atônito. Porra! Mas que sacanagem é essa? Todo mundo sabia que a megera loira era apaixonada por mim, menos eu? Não sei por que, mas estou me sentindo como se


fosse o palhaço que faz os outros se divertir. A irritação me ronda enquanto eu tento não explodir com Marco. Sei que ele não disse isso por mal, mas está difícil digerir este assunto desde a festa de aniversário da Estela. Tenho me controlado ao máximo para não pensar sobre isso e agora estou aqui, me sentindo culpado por ter tocado nessa merda. — Marco, desde quando você sabia dessa história? — Já faz algum tempo... — Ele suspira pesadamente. — Mas Estela não está doente. O amor não é uma doença! E a última frase dita por Marco me remete a Isadora, que falou a mesma coisa na noite em que contou o restante da história da loira. Se o amor que Estela diz sentir por mim e por Isadora não é uma doença é o que então? Uma obsessão? *** Essa noite eu e Isadora saímos para jantar em um restaurante e o cardápio é pizza. O local está cheio. Adultos, jovens, crianças e alguns idosos aproveitam o ar agradável da noite de verão para sair com suas famílias. Faz algum tempo que eu não frequento um lugar assim e estou gostando. Na verdade nem sei quando foi a última vez que eu fui ao teatro, a uma festa ao ar livre ou até mesmo em uma pizzaria, como hoje. Dispenso a escolta de Carlos e Plínio para ter um pouco de privacidade com minha namorada. Quero sentir-me livre e fingir que os problemas não fazem parte de minha vida. Pelo menos eu estou tentando agir como se isso fosse real. Mas a verdadeira intenção desse jantar é que estou ansioso em saber a resposta que Isadora me dará sobre a oferta que eu propus, de morar em minha casa. Acredito que ela não se recorde, mas hoje o prazo de 15 dias está se expirando. Isadora está comendo calada e eu acho estranho esse seu comportamento. Faz dois dias que ela tem estado assim e eu não faço ideia o motivo de seu silêncio repentino. Ela sempre foi falante e entusiasmada e de uns dias para cá está fechada e reflexiva. Preciso saber o que está deixando a minha amada preocupada. — Está tudo bem? — Sim... Está! — responde tentando parecer casual, mas percebo pelo seu olhar que ela está inquieta. — Dora, você está me escondendo alguma coisa. — Eu limpo a boca com o guardanapo e encaro seus olhos. — Não... Claro que não! — Ele se remexe desconfortável na cadeira o que denota a sua apreensão. É óbvio que Isadora está escondendo algo de mim. Por que então ela não me diz? — Não sei o que está havendo com você, mas sei que está me escondendo alguma coisa. O que é? — intimo em tom firme e ela suspira fundo, deixando os talheres sobre a mesa. — Alguém me enviou essa fotografia por WhatsApp. — Ela me entrega o celular e meus olhos se arregalam prontamente. — Foi tirada no instante em que eu saia da padaria.


— Que dia isso aconteceu? — Estou perplexo e minha meus neurônios fervem. Tem alguém seguindo a mim e a Isadora. Não resta dúvidas! Mas quem? — Alguns dias antes da festa da Estela. Eu não quis comentar nada com você porque eu sabia que ficaria preocupado. Isso deve ser alguma brincadeira de mau gosto. — Isso não é brincadeira de gente desocupada, Dora. Isso é preocupante. — Eu lhe entrego o aparelho ainda sem acreditar no que está acontecendo. — Por que você está dizendo isso, Alex? Dou uma breve olhada ao redor e suspiro fundo. Não quero deixar a minha namorada ainda mais nervosa, mas não posso esconder dela as duas ligações suspeitas que recebi. Tenho certeza que tanto a fotografia enviada para Isadora quanto as chamadas com número bloqueado e a explosão do meu carro partiram da mesma pessoa. — Eu recebi duas ligações com número restrito. Uma delas foi na noite em que jantamos com Pierre e a outra na festa de aniversário da Estela. — Meu Deus! — sussurra apavorada. — Você acha que é a mesma pessoa que cometeu o atentado? — Tenho certeza! — exclamo voltando a analisar o ambiente. Receio de que possamos estar sendo vigiados neste exato momento por alguém que quer me destruir. Não posso colocar a vida de Isadora em risco. Quero chegar em casa e conversar com ela sobre o pedido que eu lhe fiz de morar comigo. Isadora tem que aceitar, nem que para isso eu precise arrastá-la como um homem das cavernas. — Dora, eu acho melhor nós irmos embora. — Sim, você tem razão! Enquanto Isadora pega a sua bolsa do encosto da cadeira, eu faço sinal para o garçom. Ele se aproxima e eu pago a conta rapidamente. Não quero ficar mais nenhum minuto aqui. Parece loucura, mas sinto como se estivesse sendo observado. A sensação é semelhante ao dia que fui ao cemitério, no túmulo de Fernanda. Naquele dia eu vi um vulto se mover por traz das árvores e achei que fosse algo da minha mente que estava tomada pela crise do pânico. Mas eu estava enganado! Tem alguém me espionando desde aquele dia, ou talvez, até antes disso. Saímos em direção ao estacionamento e meus olhos estão atentos a tudo e a todos. Antes de chegar ao meu carro que está há alguns metros de distância, eu interrompo os passos. E se alguém tiver colocado outra bomba no meu carro? Minha mente começa a zunir enquanto a sensação de impotência diante da vida me ronda. Neste momento eu chuto meu subconsciente por ter dispensado a escolta de meus seguranças. Onde está a porra do meu juízo? — Alex, o que houve? — pergunta Isadora de olhos estáticos, apertando forte a minha mão. — Nada! Vamos! — desconverso e volto a me mover cautelosamente. Sei que as chances de ter alguém me observando ou até mesmo armando algo ardilosamente para cima de mim é grande. Mas ao contrário daquele dia no restaurante, onde o meu carro estava fora do estacionamento privativo, hoje eu deixei o Jaguar em um estacionamento privado e com seguranças e câmeras de monitoramento.


Vejo o guarda lendo um jornal e me aproximo dele. Se alguém suspeito esteve no local, ou até mesmo chegou perto do meu carro ele saberá. O homem pressente a minha presença e ergue a cabeça para me fitar. — Boa noite, o senhor esteve aqui a noite toda? — indago parando em frente a ele. — Sim, a noite inteirinha! — Ninguém se aproximou do meu carro? — Não, senhor. Por quê? — Ele cruza os braços e me encara com olhar especulativo. — Apenas curioso. Obrigado! — Eu tento me mover, mas ele me detém. — Eu sei quem o senhor é! O Homem de Aço, o playboy ricaço que foi sequestrado duas vezes e que teve o carro explodido em um restaurante há algumas semanas. — Eu arregalo os olhos e Isadora também. Maldita imprensa do caralho! Privacidade que é bom, eu não tenho! — Sim, sou eu! Agora o senhor entende o meu receio, não é? — Sim, eu entendo. Mas o senhor não precisa se preocupar. Quem se aproximou do seu carro para tirar uma foto para levar para meu filho fui eu. Aliás, que máquina, hein! Parabéns! — Sorri de modo genuíno mostrando a sua simplicidade e educação. — Obrigado mais uma vez e boa noite. — Abro um leve sorriso me despedindo com um aceno e me movendo com Isadora em direção ao carro. Minutos depois estamos fazendo o trajeto de volta. Isadora está em silêncio e com os olhos fixos na janela, como se buscasse por uma resposta de suas indagações na paisagem do lado de fora. Eu também estou receoso e meus instintos de alerta me fazem olhar pelo espelho retrovisor todo momento. Preciso saber quem está fazendo isso e qual é o motivo. Assim que chegar a empresa amanhã, eu chamarei Ernani e pedirei a ele que investigue o caso. Não quero polícia envolvida em mais um novo assunto. Quanto menos a polícia e a imprensa souberem sobre a minha vida pessoal, mais seguro eu e Isadora estaremos. Aumento um pouco a velocidade e o motor do carro ruge a todo vapor. Eu observo outra vez pelo espelho retrovisor e vejo um moto grande, escura fazendo ultrapassagem em alta velocidade. Ela se aproxima de nós rapidamente, costurando entre um carro e outro. O motociclista está vestido com calça e jaqueta de couro preta e capacete da mesma cor, o que dificulta o seu reconhecimento. Levo alguns segundos para perceber realmente o que está acontecendo: nós estamos sendo seguidos! — Alex, está acontecendo alguma coisa? — Isadora indaga preocupada, enquanto eu aumento um pouco mais a velocidade a fim de despistar a moto que está em nosso encalço. — Tem alguém atrás de nós — respondo alternando o olhar entre o trânsito a minha frente e o espelho retrovisor. — O quê?! — Ele se remexe apavorada no banco de couro tentando olhar para trás. — Não faça isso, Dora. Finja que está tudo bem — aconselho temeroso, pois não sei que tipo de lunático está guiando aquela moto. Ainda dividindo a atenção entre o trânsito a minha frente e o espelho retrovisor, eu vejo que a moto não pode ser reconhecida. No lugar da placa existe uma faixa preta escondendo a sua


identificação. Certamente que a pessoa que está tentando nos aterrorizar não é amadora no que faz. Sinto o cheiro de gente profissional no quesito perseguição. Faço uma ultrapassagem e ele nos segue fazendo o mesmo. Não acredito no que está acontecendo. Será que os fantasmas do meu passado surgiram para me atormentar? Ou é um lunático, querendo se divertir as minhas custas? Minha mente vagueia repleta de indagações enquanto eu tento manter o domínio de mim mesmo. Dobro com tanta velocidade uma esquina que os pneus do carro cantam no asfalto, fazendo balançar a traseira do esportivo. Enquanto costuro entre os veículos, mantendo o máximo de distância que posso da moto, eu me recordo de quando fui sequestrado pela segunda vez. Tudo começou com uma perseguição de carro em uma avenida também movimentada como essa. Eu estava sozinho e havia acabado de sair da empresa, cansado e com a cabeça latejando de tanta dor. Recordo-me da perseguição inteira, porém não me lembro exatamente de como eu fui parar no porta-malas do carro do sequestrador. A única coisa que guardo na memória é que fui fechado pela Van, que ultrapassou a minha frente, se colocando no meio da pista. Embora eu quisesse ter fugido, não tive tempo, pois dois homens armados desceram do carro e correram em minha direção. Um deles me arrancou para fora e me deu uma coronhada na cabeça e eu desmaiei. Depois disso, acordei no escuro, com mãos e pés amarrados e com uma mordaça na boca, dentro do porta-malas do luxuoso veículo. — O que vamos fazer? — pergunta Isadora me tirando de meus devaneios. — Eu não sei. Mas acho que tenho uma ideia. Pode ser loucura, mas vou colocá-la em prática. Segure-se e não faça movimento algum! Eu acelero o quanto posso o motor do carro e ultrapasso uma van que está em minha frente. Vejo pelo espelho retrovisor que o motociclista está obstinado em sua perseguição e não recua de jeito nenhum. Dobro outra esquina, menos movimentada e de ruas mais estreitas, onde tem condomínios residenciais e estaciono o carro. Vejo pelo espelho retrovisor que a motociclista se aproxima com velocidade reduzida e mantenho meu olhar focado nele. Ao cruzar por nós, o motociclista apenas faz um gesto apontando o indicador para mim, como se apontasse uma arma e disparasse um tiro. Fixo olhar atento para a pessoa que se esconde atrás de um capacete preto enquanto a adrenalina percorre as minhas veias. Se ele parar ou fizer outro movimento suspeito, eu não vacilarei e chamarei a polícia. Mas para minha surpresa, ele dá uma última olhada por cima do ombro e desaparece rua afora. — Alex... Meu Deus! — Isadora está ofegante e com os olhos vidrados. — Vamos dar o fora daqui o mais depressa possível. — falo manobrando o carro em direção a rua. Meus neurônios estão em chamas e a adrenalina queima as minhas veias. Preciso saber quem é o filho da mãe que está fazendo isso! E quando eu souber, não medirei esforços para fazer com que essa pessoa apodreça atrás das grades.


Capítulo 25 Isadora

Meu corpo ainda está estremecido pelo medo e a minha cabeça lateja de tanta dor. A cena da perseguição de moto está impregnada em minha mente e de minuto em minuto ela é reprisada, como um filme de ação. Estou tão nervosa que nem consigo raciocinar direito. Quase tive um treco quando ele estacionou o carro e o motociclista cruzou rente ao carro, fazendo um gesto de que eu e meu namorado estamos na mira dele. Como será a nossa vida a partir de agora? Precisaremos andar escoltados dia e noite para nos proteger? Isso é o fim! Balanço minha cabeça enquanto de um lado para outro observando Alexander que fala ao celular com Ernani. Certamente que ele está lhe contando tudo que ocorreu conosco esta noite. Deixo meu namorado no escritório e subo para o quatro. Tudo que preciso agora é de um banho e de uma boa noite de sono para tentar esquecer essa noite fatídica. Dispo-me e entro no chuveiro. A água desce gostosa em meu corpo enquanto me banho com sabonete líquido. Quero conversar com Alexander sobre a arma que ele comprou. Se ele pensa que escapará de um interrogatório, está enganado. Preciso saber o que está acontecendo. Alguns minutos depois eu estou vestindo um roupão gigante do meu namorado e escovando o cabelo, quando ele chega ao quarto. Com uma expressão cansada, Alexander se aproxima deixando o celular em cima de um dos criados-mudos. Ele me abraça pela cintura e beija minha testa. — Ainda estou um pouco nervosa. — Respiro fundo e o encaro nos olhos. — Alex, nós precisamos procurar a polícia e relatar o que aconteceu. — Eu farei isso amanhã. — Ele tira a camiseta e a visão do pássaro de fogo tatuado em seu peito surge para me desconcentrar. Pisco os olhos ligeiramente e tento manter a razão. — Alex, eu fiquei com tanto medo do que pudesse acontecer a nós dois. — É por isso que nós precisamos conversar. — Ele tira seu sapatênis e meias e os deixa em um canto. — Conversar sobre o que exatamente? — Sobre o prazo dos 15 dias que expirou hoje. — Que prazo?! — Eu me faço de desentendida, pois sei a qual assunto ele se refere. — Dora, depois de tudo que aconteceu hoje à noite, eu não deixarei você morar sozinha. Está mais do que na hora de você se mudar de vez para cá. Aqui você está em segurança — diz decidido,


se aproximando vestindo somente a sua calça jeans. — Eu não me decidi ainda. Eu não sei se quero... — Tento escapar pela tangente, mas ele segura os meus ombros. — Você está dizendo que não virá, é isso? — Alex, eu acho que é muito cedo para darmos um passo tão importante assim. — E lá vem você com esse papinho de novo! — Ele semicerra os olhos para mim e me segura firme na cintura. — Isadora, você virá morar aqui, nem que para isso eu a coloque nas minhas costas e te traga à força! Está decidido! Amanhã nós iremos buscar as suas coisas e trazê-las para cá! — Você não pode decidir isso por mim! — Na situação em que nós estamos você não tem muita opção. — Eu tento abrir a boca para falar algo, mas em troca o que recebo é um beijo intenso nos lábios que me deixa quase sem respiração. Alexander usa de seu poder de sedução para me coagir a mudar de ideia. E confesso, a sua língua se enroscando com a minha e, suas mãos agarrando a minha bunda, estão por um fio para me convencer do contrário. Ele me beija com sofreguidão, movendo seus lábios macios nos meus, embriagando-me com seu gosto delicioso e me deixando fora de mim. Não posso negar que meu namorado é rei na arte da persuasão, pois meu cérebro não pensa em mais nada a não ser se entregar a ele e realizar todos os seus pedidos. — Dora, eu morro se algo acontecer com você — sussurra por entre meus lábios, acariciando meu rosto com as pontas dos dedos. — Aceite o meu pedido. — Ah, Alex! — gemo apaixonada, enroscando os dedos em seu cabelo sedoso. Sou vencida pelo amor e pelo jogo sujo de convencimento. — Sim! Alexander interrompe o beijo e me encara com um enorme sorriso nos lábios. Embora seu semblante esteja um pouco cansado, também denota o alívio por eu ter aceitado. Ele realmente está preocupado com essa situação caótica que estamos vivendo e não negarei que também estou apreensiva. Nunca o vi tão abatido e nervoso como no último mês. E não custa nada me render ao seu convite. Afinal, eu sabia que mais cedo ou mais tarde, acabaria cedendo. — Você não sabe o quanto me faz feliz! Eu poderei dormir e acordar ao seu lado, sabendo que você está comigo e segura em meus braços. Não deixarei nada nem ninguém te machucar! Eu te amo tanto! — Ele cola a sua testa na minha. — Eu também te amo, meu amor! — afirmo com paixão sentindo-me realmente feliz. — Acho que você não quis me esperar para o banho. — Ele torce os lábios analisando o roupão que estou vestindo. — Eu achei que você ia demorar no telefone, por isso eu me banhei antes. — Ok! Eu vou tomar uma ducha rápida e depois dormir abraçadinho com você. — Eu franzo o cenho, surpresa, por ele não usar nenhum termo de cunho sexual em suas intenções. Alexander está doente? — Dormir?! Só isso?


— Sim, Dora. Hoje eu só quero dormir abraçado a você e nada mais. — Alexander me beija mais uma vez nos lábios e sai em direção ao banheiro. Minutos depois, estamos deitados na cama de dossel, abraçados um ao outro. Enquanto ele afaga o meu cabelo, eu fico imaginando como será a minha vida agora, vivendo em sua casa que passará a ser a minha também. Será que isso dará certo? Bem, só arriscando para saber. E, depois de algumas carícias, ambos caímos em um sono profundo. Acordo durante a madrugada com raios e trovões de uma chuva forte e também com os gritos de Alexander. Ele está tendo um pesadelo. — Me solte! Não toque em mim! — Ele se debate de um lado para outro, em meio aos devaneios. — Não, dona Berenice! — grita abrindo os olhos, ofegante. — Alex, você está bem? Foi só um pesadelo. — Eu acaricio seu rosto bonito e ele me abraça apertado. — Fazia tempo que eu não tinha mais os malditos pesadelos — diz enquanto sua respiração volta ao normal. — Você estava sonhando com a sua ex babá, não é? — Sim. Aquela mulher desumana e miserável que hoje está apodrecendo atrás das grades. — Ele beija o topo da minha cabeça. — Ainda bem que você está aqui comigo, meu amor. Eu me aconchego junto a ele enquanto a chuva se torna intensa lá fora. Os batimentos cardíacos de Alexander estão voltando ao normal e não demora muito para que ele pegue no sono outra vez. Quanto a mim, permaneço por um bom tempo ainda com os olhos abertos, reprisando a perseguição que sofremos. Agora entendo o porquê de sua agitação. Alexander está lutando bravamente para não demonstrar abalo diante de mim. Controlando as suas emoções e as velhas e dolorosas lembranças que ainda traz consigo. Meu namorado está se mostrando um bravo guerreiro, embora tenha seus momentos de fraqueza, como agora. *** No dia seguinte, decidimos que não vamos trabalhar pela parte da manhã. Ficamos envolvidos com a minha mudança para sua casa. Não estou levando muitas coisas. Além de roupas e calçados, levo alguns objetos como livros e quadros. Não irei me desfazer dos móveis e tampouco do apartamento, pois após conversar com Alexander, ficou decidido que eu ficarei em sua casa até que o suspeito que está nos aterrorizando seja preso. Alexander aceitou a minha condição muito facilmente, o que para mim foi uma surpresa. Tenho a impressão que ele esteja tramando algo para que eu fique definitivamente em sua casa, pois conheço a sua persuasão sem limites. Agora, eu estou dividindo o mesmo closet com ele, que fez questão de deixar um espaço vago para arrumar as minhas coisas. Até mesmo em suas gavetas, tenho o meu espaço reservado. Achei sua atitude muito carinhosa e fiquei extremamente feliz. Ligo para minha mãe e para Manolo contando sobre o assunto e eles ficam tão radiantes, que só


faltam bater palmas pelo telefone. Minha mãe tagarela tanto, se derramando em elogios para Alexander que somente me fez crer que a legião de fãs de Zeus está aumentando a cada dia. Dona Vitória fica muito feliz e promete uma visita ao “novo casal”. Segundo ela, foi a melhor decisão que eu tomei. E é o que eu espero! A tarde chega e eu estou na empresa com a mesa cheia de trabalho e a mente repleta de preocupação. Dissipo os pensamentos incômodos para longe e me concentro na papelada. Abro a pasta que contém uma possível parceria de negócios com uma empresa asiática do ramo do aço e começo a leitura. Cerca de uma hora mais tarde, estou cruzando o corredor em direção à copa. Preciso de uma folga nem que seja para tomar um cafezinho. Depois das emoções que passei nos últimos dias, eu tenho me sentido um pouco fatigada, tanto física, como psicologicamente. Ao entrar na copa eu me deparo com Estela e Roberto que tomam um café, entretidos em um assunto qualquer. Assim que eu entro, Roberto está me encarando, me deixando inquieta. — Dora, você veio até aqui também? — Estela sorri bebericando seu café. — Sim, eu estou precisando de um pouco de cafeína. — Eu sirvo um pouco do líquido fumegante em um copinho descartável. — Eu não vivo sem café. — Roberto abre um sorriso em seus lábios enquanto me fita com ar felino. Sempre me sinto desconfortável quando ele me encara assim e tento não demonstrar. — Eu gostaria de agradecer mais uma vez pela sua presença na minha festa de aniversário, Isadora. Você não sabe a importância que teve para mim! — Não precisa agradecer, Estela. — Sorrio para ela, que afaga o meu braço com ternura. Sei que Estela ainda está um pouco perdida e por isso age assim, demonstrando que ainda sente algo por mim. Se fosse outra época eu até ficaria chateada e nervosa, mas agora eu entendo o que ela sente por mim e apenas aceito. Estela olha para o relógio de pulso e deixa o copo de café na lixeira. — Eu tenho que ir agora. O trabalho me aguarda. Roberto continua calado e com os olhos fixos em mim. O modo como ele me olha denota o desejo sexual que ele sente e isso me deixa muito incomodada. Eu nem termino de beber o meu café e jogo o copo no lixo. Gusmão faz o mesmo e se aproxima de mim com os olhos faiscantes e um sorriso malicioso nos lábios. Certamente que por sua mente deve estar passando muitas fantasias pornográficas envolvendo nós dois neste instante. E só em imaginar isso, o gosto do café sobe a minha garganta, me despertando ânsia. — Eu também preciso ir. Até mais! — Tento me mover, porém ele me detém segurando meu braço. Neste instante todos os pelos do meu corpo se arrepiam em alerta. Roberto se aproxima e seus olhos castanhos brilham para mim. Não posso negar que ele é um homem bonito e charmoso, que pode conseguir a mulher que quiser em um estalar de dedos. Acreditam que muitas delas se jogam aos seus pés para satisfazer os seus desejos. Menos eu!


— Isadora, você estava tão linda na festa de aniversário da Estela que eu só via você. — Enquanto ele fala eu me recordo de sua transa com a Vanessa em cima da mesa, dentro daquela pequena saleta. Meu estômago começa a ficar embrulhado e eu puxo o braço de sua posse, me distanciando. — Roberto, eu amo meu namorado. Você sabe disso! — digo com firmeza tentando fazer com que ele entenda que não tem chance comigo. — Eu posso oferecer muito mais do que o Bismarck. Eu darei o mundo para você. Basta me pedir. — Ele volta a ficar perto de mim e seus dedos roçam o meu ombro desnudo, coberto apenas pela alça da blusa. — Roberto, pare com isso. Por favor! — Você sabe o poder que desperta nos homens e até mesmo nas mulheres, não sabe Isadora? Ou você acha que eu não percebi que Estela sente algo por você? Eu congelo enquanto Roberto abre um sorriso malicioso nos lábios. É óbvio que ele notou o modo como Estela agiu comigo pouco antes, acariciando o meu braço, e tirou suas conclusões. Errôneas conclusões! — Não sei sobre o que você está falando — desconverso mudando de assunto. — Eu acho que você não entendeu ainda. Alexander é o único homem que amo e amarei na vida! Não há espaço para mais ninguém em meu coração! — declaro apavorada enquanto ele acaricia minha pele, deslizando seus dedos em meu braço. — Você diz isso porque não conhece o filho da mãe. Alexander não vale nada! É um egoísta que só pensa em si mesmo — rosna com sarcasmo, segurando meu pulso e encarando meus olhos. — Roberto, que loucura é essa? — Estou louco mesmo admito. Louco por você, Isadora! Sem dar tempo para eu reagir, ele me puxa pela cintura e me beija. Eu me debato com repugnância, tentando empurrá-lo para longe, enquanto sua língua luta para invadir a minha boca. A sensação de pavor que toma conta de mim é tanta que a única coisa que faço é desferir socos em seu peito, com a boca fechada. Mas ele dificulta os meus movimentos, mantendo uma das mãos em minha bunda e a outra em minha nuca, segurando firme. Atemorizada diante da situação, eu lhe dou uma joelhada no meio de suas pernas. Roberto urra abafado e se afasta com a mão em seu saco, que deve estar dolorido. Ele me encara com olhar fulminante, como se quisesse me devorar viva. Sinto a sua raiva crescendo assim como o meu nojo por ele. Eu limpo a boca com a palma da mão e o encaro com ar gélido. Esse filho da mãe vai ver com quem está mexendo! Não deixarei isso barato! — Você quer ser acusado de assédio ou de tentativa de estupro, hein Roberto? — Você está louca, Isadora? Quem pode ser acusada aqui é você por agressão! — Ele rosna retesando o corpo e ajeitando o nó da gravata. — Você acha que as pessoas acreditariam em quem? Em você que tem fama de se aproveitar de suas funcionárias? Ou em mim, que sempre prezei pelo respeito? — indago por entredentes e ele dá


uma risada baixa, me debochando. — Acredito que após sair daqui, você irá correndo contar para o namoradinho arrogante e sem escrúpulos. Isadora, você esqueceu que o seu namorado te traiu e engravidou a filha do próprio sócio? — destila seu veneno, embora saiba que o fato não é verdadeiro. Movida pelo impulso e pela raiva, eu ergo a mão e lhe dou um tapa no rosto. Roberto pisca os olhos surpreso e leva a mão onde acabei de bater. Seu rosto fica vermelho e ele semicerra os olhos para mim. Embora eu esteja perplexa pelo que acabei de fazer, ergo o queixo para ele, demonstrando firmeza. — Agora você pode prestar queixa a polícia, seu filho da mãe! — declaro, girando o corpo para sair. Ainda ouço o desgraçado dizer qualquer coisa de dentro da saleta, mas ignoro por completo suas palavras de ódio, e cruzo o corredor sob os olhares atentos e especulativos de alguns funcionários, que estão trabalhando em suas repartições. Senhor Deus! Se Alexander souber o que aconteceu, será o fim de Roberto.


Capítulo 26 Estela

— Estela, você está um pouco dispersa — Marco comenta, me encarando enquanto saímos do elevador e cruzamos o corredor caminhando um do lado do outro. — Por que está dizendo isso? — Porque eu vi o modo como você estava ainda há pouco na reunião. Quando eu ou Roberto nos pronunciávamos, você mantinha seus olhos ao longe, perdidos — resmunga visivelmente incomodado. — As únicas pessoas em que você prestava atenção eram em Alexander e Isadora. — Não crie fantasias, Marco. — Eu reviro os olhos e ele segura meu braço, me detendo quase na porta de entrada da minha sala. — Aconteceu alguma coisa, não é? — Claro que não! — Eu abro a porta, entrando com passos apressados e marco me segue. Deixo minha pasta sobre a mesa e me acomodo na cadeira. Desde a reunião que sinto um malestar me rondando. Na verdade, eu tenho sentido essa sensação ruim desde a festa de meu aniversário. Só pode ser a paixão platônica que sinto pelo casal 20 mais lindo e desejável de toda a cidade. Não vou negar que ainda dói muito vê-los juntos. Não sei se a agonia é mais forte quando olho para Alexander ou quando toco em Isadora. — Estela, seja sincera comigo. — Marco senta-se na cadeira a minha frente, me encarando com olhar especulativo. E eu que me esqueci de que Ramírez é apaixonado por mim. Sempre me esqueço dos sentimentos dele e só lembro-me dos meus, que não são correspondidos e sempre rejeitados. Preciso resolver essa merda dentro de mim, esse emaranhado de emoções que me inunda e me deixa fora de mim. O doutor Bastos, meu psicólogo, me aconselhou outro dia a tentar inserir em minha vida pessoas que realmente se importam comigo, que me estimam e me querem bem. E Marco é uma delas. Ele tem estado sempre ao meu lado, demonstrando carinho, zelo e paciência, que é muito injusto de minha parte se não retribuir o seu afeto. Tenho que dar uma chance a ele. A mim! — Marco, que tal se nos dois sairmos hoje à noite? — convido entusiasmada, mudando de assunto. — Sério? — Ele franze o cenho surpreso. — Sim! Vamos jantar em um lugar onde se possa dançar depois. Que tal? — Eu aceito, mas por que esse convite repentino?


— Eu quero curtir uma noite legal com você, não posso? — Saio detrás da mesa que nos bloqueia e me aproximo dele, acariciando seu rosto de pele morena. Marco me encara com seus olhos castanhos profundos enquanto um brilho desconfiado surge neles. — Bem, se é isso que você quer... — Ele se levanta me envolvendo pela cintura. — Eu sou todo seu essa noite! — completa sorrindo. — Então vamos trabalhar antes que Alex nos demita por justa causa. — Eu beijo a sua boca e Marco me abraça forte, trazendo meu corpo de encontro ao seu. Por um momento eu me deixo ir e apenas sinto seus lábios macios se movendo com os meus. Preciso me permitir a isso e tentar me encontrar como mulher. E nada melhor do que um homem apaixonado para ajudar nesse processo. — Estela, eu sempre fui fascinado por você! — declara colando a sua testa na minha. — É bom ouvir isso, Marco. — Sorrio contente. — Mas agora uma pilha de papéis me espera. — Então, até a noite. — Ele em dá outro beijo rápido. — Eu passo para te pegar. Ok? — Sim! — Até a noite! — E vem outro beijo em minha boca, quente e suave. Sorrindo, Marco deixa a sala e eu me afundo no trabalho. Não quero pensar em nada que não seja em construir a minha felicidade. Chega de gostar de quem não gosta de mim, de amar e dedicar os meus pensamentos a um amor de mão única. Quero amar e ser amada de verdade e lutarei para conseguir isso. *** Cruzo o corredor vazio em direção ao elevador enquanto alguns poucos funcionários se preparam para sair. Absorta em meus pensamentos, eu ouço uma voz grave, conhecida e sexy soar atrás de mim. — Estela! — Viro-me rapidamente e vejo Alexander que está parado próximo, segurando a sua valise. Ele me encara com seus lindos olhos azuis e meu coração traidor martela apaixonado dentro do peito. — Eu preciso conversar com você. Tem um minuto? A vontade que tenho é de dizer a ele que tenho todos os minutos de minha vida. Que daria cada segundo dela para ficar ao seu lado e ao lado de Isadora. Quem sabe formaríamos um casal anormal, onde três pessoas, independente da opção sexual, se amam e se respeitam. Como eu queria que isso fosse verdade e não mais um de meus devaneios. — Claro, Alex. O que você quer? — Tomo coragem para responder a ele. Cautelosamente ele se aproxima de mim e meu corpo volta a reagir. As pernas estremecem, a boca fica seca e o coração parece que bate em minha garganta. Sempre foi assim! Cada vez que estou perto dele, eu perco a razão de tudo e amor, raiva, solidão, desprezo, frustração se fazem presentes, duelando em meu peito. — Nós precisamos conversar sobre aquela festa de faculdade. Quero saber se eu fui o... Bem, se


eu fiz o que fiz com você. Ele está um pouco nervoso, o que para mim é uma surpresa. Alexander nunca me deu o prazer de perder o domínio de si mesmo diante de mim, ou de qualquer outra pessoa. Ele sempre escondeu o que sentia de tudo e de todos, assumindo apenas a sua máscara fria de aço. Realmente ele está mudando. E muito! — Tudo que eu falei é verdade. Você e eu transamos aquela noite. Você tirou a minha virgindade — afirmo quase em um sussurro. — Que merda eu fiz? — Ele passa uma das mãos pelo cabelo negro sedoso. — Eu não me recordo de muita coisa. As lembranças vêm um pouco distorcidas para mim. — Isso se deve ao fato de que você estava bêbado. — Sim, fodidamente bêbado. Nunca bebi tanto em toda minha vida e fiz uma merda tão grande como aquela. Suas palavras, embora não sejam proferidas com teor de raiva ou ódio, ferem profundamente o meu coração. Eu sou um erro para o homem que amo. A dor que se instala em mim é uma dor silenciosa e mordaz. Ela sempre me fez companhia, além da solidão e do desamor. — Bem, se é só isso que você queria falar comigo... Eu preciso ir! — Sem poder mais ouvi-lo, eu tento girar o corpo, mas ele me detém. — Espere, Estela! — Eu volto a encará-lo tentando esconder ao máximo as minhas emoções. — Eu quero tentar entender esse sentimento que você diz que nutre por mim e pela Isadora. Isso é loucura! Não se ama duas pessoas de sexo diferentes ao mesmo tempo. — Para você pode significar loucura, mas para mim o amor não tem explicação. Apenas se sente! Agora você deve saber sobre o que estou falando, não é Alex? — indago sabendo que ele está transbordando sentimentos pelos poros. — Sim, eu sei! Mas acho que você está um pouco equivocada em relação as suas próprias emoções. — Eu sei o porquê você está agindo assim comigo. Para você é mais fácil aceitar que eu o ame, mas aceitar que eu sinta amor pela sua namorada é muito diferente. Isso está corroendo você. Estou enganada? — Não! — responde sem hesitar. — Eu amo demais a Isadora e tenho ciúmes dela. Sua declaração tem o mesmo efeito que uma apunhalada em meu peito. Mesmo sabendo que isso é a mais pura verdade, tenho dificuldade em aceitar. Sei que nada que eu faça ou diga mudará a realidade. Alexander e Isadora se amam loucamente e eu preciso aceitar isso. Mas mais do que aceitar, eu preciso esquecer os dois e seguir a minha vida. — E eu tenho ciúmes de vocês dois! E você também pode classificar isso como mais uma loucura, mas eu não me importo. — Dou de ombros, com o peito sufocado pela amarga e dura realidade. Eu tento girar o corpo pela segunda vez e Alexander segura meu braço. — Estela, eu sei que fiz merda. Mas eu não quis feri-la ou magoá-la. Me desculpe! — Alexander está me pedindo desculpas?! Meu queixo cai!


— Sei que deve ser horrível para você ter... fodido com a “Megera Loira”. Ter tirado a virgindade daquela que você acusou pouco tempo atrás de ser fria e mal comida. — Alexander me solta cautelosamente e está com os olhos vidrados, a boca aberta. Com certeza está me odiando neste momento. Ah, foda-se! — Estela, eu queria que as coisas fossem diferentes entre nós dois. Eu juro! Se ao menos eu me lembrasse de algo que fiz naquela porra de festa, mas a minha memória está literalmente apagada. Eu lamento muito tudo isso. Acredite! — Sim, eu acredito... — sussurro, sentindo cada célula do meu corpo vibrando por ele, ansiando por ele. A fome é tanta que sinto ódio de mim mesma. — Diga o que eu preciso fazer para consertar isso. — Ele se aproxima ficando muito próximo de mim. — Nada que você fará agora consertará o passado. — Eu sei, mas eu quero que saiba que eu mudei — diz com sinceridade enquanto eu me perco no azul de seus olhos. — Eu não sou aquele homem frio e insensível que você conheceu. O que eu quero a partir de agora é que sejamos amigos. Podemos ser amigos, Estela? E agora mais essa? Alexander quer ser meu amigo? Será que eu tenho condições psicológicas para ter uma relação de amizade com ele? Respiro profundamente e dou um passo para trás. Não posso ficar muito perto da tentação que ele é para mim. É terrível amá-lo quase que em silêncio, sem poder tocá-lo. É como morrer aos poucos. — Eu acredito que já somos amigos, Alex — digo isso a ele e a mim mesma, repetindo a frase como um mantra para que meu cérebro assimile essa ideia. — Então... Somos amigos? — Ele estende a mão em minha direção. — Sim! Amigos! — Eu me esforço para abrir um sorriso enquanto aperto sua mão rapidamente, sentindo o calor que emana de sua pele. — Bem, agora que está tudo esclarecido, eu preciso ir. Tenho um compromisso essa noite com Marco e não quero me atrasar. — Eu torço para que você e Marco sejam felizes, Estela. Que sejam tão felizes quanto eu e Isadora. — Ele abre um sorriso cordial. — Obrigada! Até mais, Alex! — Até, Estela. Alexander caminha até a sua sala, enquanto com as mãos ligeiramente trêmulas eu entro no elevador e aperto o botão referente a garagem. Poucos minutos depois estou me acomodando no banco do motorista do meu carro. As emoções que tanto segurei na presença dele, explodem em forma de um choro intenso, rasgando meu peito e estilhaçando o meu coração. Eu preciso refazer a minha vida, seguir adiante, matar com esse sentimento que tenho por ele e por Isadora. E como diz o velho ditado: só se cura um amor com outro. No meu caso, só se cura dois amores com outro. E esse outro pode ser o Marco. Não custa nada dar uma chance ao acaso. E eu farei isso!


Capítulo 27 Alexander

Ainda estou chocado sobre a conversa que tive com Estela na garagem da empresa. Não quero mais remoer esse assunto, uma vez que não me recordo de nada que aconteceu naquela maldita festa, anos atrás. Até entendo a confusão de sentimentos que ela se encontra, mas o que não entendo é como Estela conseguiu esconder o que sente por mim e por Isadora durante tanto tempo. Não sei o que é mais difícil assimilar, se é o amor que ela diz sentir por mim, ou se é os sentimentos que a loira sente por Isadora. Por um momento eu pensei que Estela estava tentando me provocar, me chamando para uma briga ao mencionar que gosta da minha namorada, mas vi em seus olhos que o que ela dizia era verdade. Se existe algo em que fiquei expert nesses últimos anos, foi detectar quando alguém está mentindo para mim ou tramando algo pelas minhas costas. Meu sexto sentido quase nunca falha! E por incrível que pareça eu não vi maldade nas palavras da Estela. Ela não estava brincando ou armando algo para desencadear um desentendimento entre mim e minha namorada. Para meu pesar, ela estava falando a verdade. Balanço a cabeça de um lado para outro e deixo de lado a papelada que me espera em cima de minha mesa. Recosto-me na cadeira e me pergunto como eu pude transar com Estela? Tirar a virgindade dela e não me lembrar de nada? Por um lado eu me sinto aliviado por não me recordar desse episódio, mas por outro eu sinto piedade dela e de seus sentimentos. Agora entendo o porquê ela tinha tanta relutância a meu respeito, destilando seu amor disfarçado de veneno e ódio para cima de mim. Esse tempo todo estive cego e não vi um palmo na frente do nariz. No fundo eu sabia que o que sentia por Estela no passado era raiva e desprezo. Mas hoje o que eu sinto por ela é pior de todos os sentimentos: piedade. Espero que depois de tudo que houve entre nós, das mágoas guardadas e das ofensas proferidas, que eu e ela tenhamos uma convivência amigável. Somos sócios, trabalhamos juntos e Isadora a estima. Por isso, que me esforçarei para essa amizade repentina com a loira realmente dê certo. Momentos depois o telefone toca e é Vanessa que anuncia que Ernani está do lado de fora e quer falar comigo. Eu aproveito que a minha secretária safadinha me ligou e, antes de mandar Ernani entrar, eu peço para que ela venha até a minha sala. Preciso conversar com ela sobre Roberto e deixar algumas coisas esclarecidas. Não demora nem um minuto para que Vanessa esteja a minha frente, com o olhar baixo, as bochechas coradas e a postura um tanto encolhida. Quem vê essa garota que se mostra tímida em minha frente, não diz que é a mesa putinha que gemia de prazer em cima de uma mesa, enquanto


levava uns tapas na bunda e outros na cara. Como as pessoas nos enganam! — Vanessa, eu quero ter uma conversa rápida com você. Por favor, sente-se! — Aponto a cadeira e ela se acomoda ofegante. — Eu sei que já fiz essa pergunta a você antes, mas preciso saber se preza seu emprego aqui? — Sim, muito! — Pois não é o que parece. — Ela arregala os olhos. — Você conhece a fama do senhor Roberto Gusmão? Vejo o sangue ser drenado de seu rosto e sua pele fica ligeiramente pálida. Vanessa abaixa os olhos, ajeitando os óculos de grau e torcendo os dedos em cima do colo. Sei que estou sendo duro com ela, mas porra, a garota não tem noção onde está pisando! — E então, o gato comeu a sua língua? — Eu não sei nada da vida do senhor Gusmão — sussurra ainda de cabeça baixa. Essa garota é simplesmente patética! Se fazendo de coitadinha, mas é uma safada de carteirinha! — Vanessa, você é uma garota estudiosa, que veio de família humilde. Eu sei que seus pais não têm muitas condições financeiras e que você ajuda a manter as despesas da casa. Para o seu bem e para o bem do seu emprego, fique longe de Roberto. Ele não é o tipo de homem que agrada mulheres com jantares românticos e declarações de amor. Você entendeu? — Ela ergue os olhos para me fitar. — Sim, senhor! — Bem, era tudo! Você pode ir agora e diga ao Ernani que eu o encontro no saguão de saída. Estou encerrando o expediente por hoje. Vanessa se levanta mortificada de vergonha e deixa a sala silenciosamente. Notei que ela ficou completamente constrangida quando toquei no nome do Roberto. Certamente que passou por sua cabeça que sei algo comprometedor envolvendo os dois. Sinceramente espero que ela siga o conselho que lhe dei e preze o seu trabalho na empresa, pois sei que ela foi seduzida pelo safado do meu sócio. Ele se aproveitou da ingenuidade aparente de Vanessa e jogou charme para cima dela. Darei um jeito de tocar nesse assunto com Roberto, nem que seja indiretamente. Ele precisa saber que a minha empresa não é um bordel, onde ele se aproveita das funcionárias. Reconheço que não sou a melhor pessoa para dar lição de moral. Cometi meus deslizes, quando fiz amor com Isadora aqui na empresa, duas vezes na sala de reuniões. Mas no meu caso é diferente. Eu não estava me aproveitando dela, assim como Gusmão fez com Vanessa. É óbvio que o sacana só queria usar a garota e depois descartá-la. Ok! Confesso que também já fiz isso. Mas foi quando eu estava mergulhado em uma fase negra de minha vida, onde não tinha discernimento do que era certo ou errado. Hoje as coisas mudaram e eu estou mais consciente de meus atos. Pego a valise e saio. Hoje será uma noite especial. Estou preparando uma surpresa para a Afrodite, que nem desconfia de nada. Ontem eu fui até uma joalheria e comprei um par de alianças de ouro. Foi muito difícil ter que fazer tudo as escondidas, preparar jantar para receber nossos amigos mais íntimos, comprar as joias, ainda bem que posso contar sempre com a ajuda de Raquel e Pierre que se esmeraram nesse caso. Será hoje a noite que pedirei a sua mão em noivado. Estou Chego ao hall de saída e encontro Ernani me esperando. Ele acena com a cabeça e começa a se mover ao meu


lado em direção ao elevador. — Você queria conversar comigo, Ernani? — pergunto, apertando o botão referente a garagem. — Sim! As informações não são agradáveis — responde e eu fico apreensivo. — O que houve? Você descobriu quem estava nos seguindo ou a polícia achou o suspeito pelo atentado com meu carro? — Ernani passa uma das mãos em sua calvície e balança a cabeça de um lado para o outro. Um silêncio se segue e me deixa aflito. — É algo que eu não esperava... — Vamos conversar sobre isso no elevador — sugiro com a mente inquieta, imaginando mil e uma coisas. Momentos depois, nós estamos descendo até a garagem e Ernani está calado com uma expressão preocupada no rosto. O que será que aconteceu para deixá-lo assim? — Ernani, desembucha logo antes que eu tenha uma síncope — exijo impaciente e ele gira o rosto de lado para me fitar com seus olhos castanhos aflitos. — Dona Berenice Tavares progrediu de regime e está cumprindo a pena no regime aberto. — Eu arregalo os olhos e os pelos do meu corpo se arrepiam. — Ela está em liberdade, senhor Alexander. O pior pesadelo da minha vida está circulando livre pelas ruas da cidade. A mulher que destruiu com a minha vida, que me sequestrou quando criança e que foi a responsável pela morte do meu pai está em liberdade! Não acredito que isso realmente está acontecendo. Nem sei direito o que pensar, pois meus neurônios estão em chamas, tentando processar a informação que acabo de receber. Eu já tenho tantos problemas para enfrentar ultimamente e agora ganhei mais esse de presente. O que acontecerá com a minha vida e a daqueles que me cercam a partir de agora? Estará Dona Berenice com sede de vingança? Essas e outras indagações surgem em minha cabeça, martelando impiedosamente o meu subconsciente. — Ernani, como você soube disso? — indago nervoso sentindo o sangue correr rápido nas minhas veias. — Recebi a informação diretamente do diretor geral da penitenciária. Ele ligou para mim assim que dona Berenice saiu. — E como essa mulher sai assim da cadeia? Eu pensei que ela ficaria trancafiada por mais alguns anos! — brado indignado tentando controlar a fúria que sinto. — Ela teve bom comportamento na prisão e isso facilitou para que progredisse de regime. Eu sinto muito, senhor — diz prostrado. — E nossos advogados estão sabendo? — Sim, estão! — Porra! Por que eles não me ligaram? Ernani, isso é muito sério! — rosno incomodado por não receber a informação do corpo jurídico de minha empresa. Afinal, eu pago esses advogados para quê? — Senhor, certamente eles iriam avisar. Mas o que importa é que assim que eu soube, eu o


procurei — assegura e eu concordo com a cabeça. As portas se abrem e saímos em direção ao carro, onde Carlos e Plínio me esperam. — Quero que fale com um de seus amigos e contrate alguém para achar essa mulher e grudar nela 24h por dia! Preciso ficar de olho nela e saber o que fará agora que está solta — recomendo temeroso. — Sim, senhor! Pode deixar comigo! — Somente mais uma coisa. — Eu interrompo os passos antes mesmo de chegar ao carro, pois não quero que meu segurança e meu motorista saibam sobre o ocorrido. Não agora! — Ernani, por enquanto não fale sobre isso com ninguém. Não quero que Pierre, Raquel e tampouco Isadora saibam que dona Berenice está em regime aberto. Vamos manter esse segredo conosco até quando puder. — Não se preocupe, senhor Alexander. Não falarei nada a ninguém. — Obrigado! — Eu volto a me mover e ele me segue. — Não se esqueça do jantar de logo mais. Quero ver você e Manolo presente. — Eu não esquecerei! — Ele sorri. — Bem, até a noite, senhor. — Até! — Eu me despeço e Ernani sai em direção ao seu carro. Eu faço o trajeto até minha casa absorto na notícia que Ernani me deu. Quem diria que dona Berenice teria um comportamento exemplar na prisão? Logo ela que era considerada uma das criminosas mais perigosas do estado! Às vezes eu penso que a lei não é tão justa como deveria ser. Mas não adianta reclamar agora. Lei é lei e deve ser cumprida a risca. Quanto a mim, a única coisa que posso fazer daqui para frente, é manter todos que amo em segurança. Principalmente Isadora. *** Assim que chego, encontro Raquel terminando de arrumar a mesa da sala de jantar. O ambiente está lindo e florido, com alguns vasos de rosas brancas enfeitando o hall de entrada e outro em cima da mesa, que está arrumada para receber os convidados. Há também algumas velas vermelhas aromatizadas que estão espalhadas em cima do balcão. Pedi a Raquel que as comprasse nessa cor porque é a cor de preferida de Isadora. — Senhor Alexander, espero que tenha gostado da decoração. — Raquel sorri candidamente. — Está tudo muito bonito, obrigado Raquel — agradeço dando-lhe um beijo afetuoso no rosto. — Isadora ainda não chegou? — Não, senhor. — Ótimo! Eu vou subir e tomar uma ducha antes que ela chegue. Raquel concorda com a cabeça e retorna a sala de jantar para terminar os preparativos para logo mais. Eu subo para o quarto ainda um pouco nervoso devido a conversa que tive com Ernani. E, com a finalidade de não pensar no assunto por hora, eu vou direto para o banheiro. Um banho é tudo que eu preciso para aliviar o estresse.


Eu me banho rapidamente, pois quero estar pronto quando Isadora chegar da empresa. Organizei com tanto carinho e zelo o jantar de hoje à noite, que não quero que nada estrague a surpresa que tenho guardada para a minha amada. O que mais desejo é oficializar logo o nosso amor e manter Isadora protegida junto a mim, longe de tudo que possa ameaçar a sua segurança e a nossa felicidade. Ainda mais depois do que eu soube hoje. Parece que o mundo está caindo em cima da minha cabeça, tentando tirar a paz e a harmonia que há pouco conquistei. A dor que esteve camuflada e escondia dentro de mim, mascarada em forma de frieza durante todos esses anos, retornou. Lembro-me da morte de minha mãe, uma mulher tão jovem, que teve a vida ceifada brutalmente por um assaltante em uma noite qualquer. E meu pensamento vagueia ainda mais me remetendo ao meu pai, que levou um tiro em seu peito, salvando a minha vida, morrendo no meu lugar. Eu me recordo de Fernanda, tirando a sua própria vida e levando consigo o nosso filho em seu ventre, em nome de um amor doentio e da obsessão que sentia por mim. Desligo o chuveiro e me seco rapidamente. Não quero mais pensar em tragédias sendo que um jantar ao lado de pessoas queridas e da mulher que amo me aguarda. Coloco a tolha ao redor da cintura e saio do banheiro em direção ao closet. Visto uma calça social cor grafite, uma camisa cor salmão e um par de sapatos pretos. Termino de secar o cabelo com a toalha e ajeito os fios com os dedos. Passo a fragrância de meu perfume e, antes de deixar o quarto, eu guardo a caixinha que contém o par de alianças dentro do bolso da calça. Quando estou descendo a escada, Isadora está adentrando o hall. Ela me vê e abre um sorriso abrilhantando a minha noite que até então, estava opaca. O meu coração começa a bater mais forte, apaixonado e vivo. Eu me aproximo e a abraço pela cintura, beijando seus lábios rapidamente. — Hum, você está me esperando de banho tomado e perfumado. — Ela acaricia o meu rosto passeando os dedos na covinha do meu queixo. — Nós vamos sair ou algo assim? — Não exatamente. Eu organizei um jantar aqui em casa para a sua mãe e os nossos amigos mais íntimos — respondo mal contendo a excitação que desperta em mim. — E isso tem um motivo? — É uma surpresa! — Sorrio segurando sua minha mão e a conduz até a sala de jantar. — Uau! Que lindo! — Os olhos de Isadora estão brilhantes ao contemplar a mesa posta. — Quem se inclui na lista de amigos íntimos que jantarão conosco hoje? — Além de sua mãe, virão também, Douglas, Manolo, Ernani, Marco e Estela. Eu acho — respondo, me recordando que convidei a loira para vir em minha casa. Isso é um fato inédito, uma vez que Estela nunca veio aqui. Bem, já que estamos tentando uma amizade sincera, nada melhor que dar o primeiro passo. — Que maravilha! — Isadora sorri. — Então eu vou tomar um banho e me arrumar. Não quero chegar atrasada a esse jantar de jeito nenhum. — Ela me beija nos lábios e volta a se mover em direção à escada. Eu a sigo fascinado e muito empolgado com a surpresa que preparei. — Espero que escolha um sapato ou uma sandália vermelha para usar com um vestido. — Sugiro indiretamente, pois adoro vê-la com calçados em tom de vermelho. Isadora fica ainda mais deslumbrante quando usa algo de sua cor preferida. — Ah! E uma calcinha fio dental, de renda


igualmente vermelha. — Ela interrompe os passos antes mesmo de chegar ao terceiro degrau da escada e se volta pra mim com um brilho malicioso no olhar. — Você é terrível, Alex! — Sim, eu sou! E você gosta! — Sorrio um pouco mais relaxado enfiando as mãos nos bolsos da calça. — Eu adoro! — Ela dá uma piscadinha e volta a subir os degraus. — Você está tramando alguma coisa, Alex. Eu sinto o cheiro. Isadora desaparece escada acima e me deixa mais ansioso que nunca. Hoje realmente será um dia inesquecível. O primeiro de muitos que virão!


Capítulo 28 Isadora

Após uma ducha rápida eu escolho um vestido reto, cor creme, um cintinho na cintura e calço um par de peep toe vermelho para agradar ao meu namorado que gosta de me ver usando calçados na minha cor preferida. Acredito que essa cor também se tornou a preferida dele. Escovo o cabelo e deixo solto, formando uma cascata ondulada. Faço uma maquiagem rápida, passando rímel nos cílios para dar um pouco mais de volume e lápis no olho para dar mais realce. Para completar o visual, um batom na cor pêssego colore meus lábios discretamente. Desço e ouço vozes vindas da sala de estar. Reconheço a voz alegre de minha mãe, de Douglas e de Marco, que conversam animadamente com Alexander. Eu adentro o ambiente e cumprimento todos, animada, enquanto eles bebem um drinque. — Que bom que vocês vieram! — Eu me sento ao lado de Alexander, que me abraça sorrindo. — A gente não faltaria por nada, minha filha! — Sorri minha mãe. — Verdade! — Concorda Douglas. — Embora ainda não saibamos o motivo real desse jantar, não é Alex? — É apenas um jantar — diz meu namorado, mas percebo que ele me esconde algo. — Marco, Estela não veio com você? — pergunto sentindo falta dela. — Estela disse que estava um pouco indisposta e pediu desculpas por não poder comparecer — Marco responde e eu entendo perfeitamente o porquê ela não veio. Estela deve estar se sentindo constrangida depois declarar seus sentimentos para Alexander. Não está sendo fácil para ela amar duas pessoas de sexo diferentes sabendo que nunca será correspondida na mesma intensidade. Pobre Estela! A campainha toca e Pierre sai atender a porta. Manolo e Ernani chegam para se juntar a nós. Agora todos os convidados estão presentes, com exceção de Estela. Meu amigo e seu namorado se acomodam no sofá e conversamos mais um pouco enquanto degustamos das bebidas. Os homens bebem uísque e mamãe e eu optamos por um martini. A atmosfera está agradável e leve. Eu e Alexander aproveitamos a companhia de meus amigos para espairecer um pouco, pois a tensão que nos cerca é palpável. Tenho feito de tudo para não deixar transparecer o nervosismo que sinto devido ao que está acontecendo ao nosso redor. Não quero preocupar minha mãe, ou até mesmo Manolo que está radiante com sua nova vida ao lado de Alan. E, devido a isso, eu guardo as preocupações somente para mim, ou as divido com meu namorado, que tem estado tão tenso quanto eu.


Pierre que tinha ido à copa, retorna a sala de estar. — Senhor Alexander, o jantar está servido — ele anuncia em sua costumeira postura profissional. — Obrigado. Por favor, Pierre, chame Raquel, Carlos e Plínio para se juntarem a nós. Além de você, claro. — Alexander diz se levantando. Pierre o encara com semblante surpreso. — O senhor quer que seus funcionários compartilhem do jantar? — ele pergunta em tom baixo como se isso fosse uma conduta errada para si. — Sim! Eu quero que todos estejam à mesa esta noite. Antes de vocês serem meus funcionários, eu os considero meus amigos. Minha família. Há emoção na voz de Alexander que está sorridente, olhando para Pierre. Eu me levanto e ele me abraça pela cintura. Nossos amigos nos seguem em direção a sala de estar. Poucos instantes depois todos se fazem presentes, acomodados a mesa que está com um banquete regado a comida brasileira e um bom vinho. Raquel caprichou no cardápio de hoje. Há uma travessa grande com filé ao molho de mostarda, outra de macarrão ao molho madeira e arroz branco. Alexander se coloca na extremidade da mesa e fica de pé enquanto nós estamos sentados. Percebo que ele quer fazer um comunicado e sinto um frio atravessar minha coluna. É óbvio que por trás desse jantar tem algum propósito. E pelo jeito é algo importante, pois Alexander está com uma das mãos no bolso da calça de linho enquanto a outra segura a minha mão. — Esse jantar não é um jantar comum. — Começa meu namorado em tom controlado de voz. — Eu convidei todos vocês para estarem aqui esta noite porque eu quero anunciar algo muito importante. Eu e Isadora estamos morando juntos, como todos sabem e eu pretendo oficializar esta união. — Ele olha para mim com amor e meu coração dá um salto de felicidade. Alexander tira de dentro do bolso da calça uma pequena caixinha vermelha de veludo e coloca em minha frente. — Dona Vitória — Agora seus olhos se voltam para minha mãe que está sorrindo, prevendo o que está por vir. —, eu quero pedir a mão de Isadora em casamento. Neste instante sou inundada por uma onda de felicidade e de amor que não tem medidas, nem explicação. Eu apenas sinto. Minha mãe me fita com os olhos cheios d’água enquanto eu estou literalmente petrificada na cadeira, sem reação. Sinto como se estivesse sonhando, embora Alexander abra a caixa e eu veja duas alianças grossas de ouro reluzir diante de mim. Santo Deus! Ele está mesmo me pedindo em casamento?! — Que lindo! — exclama minha mãe, não contendo a emoção. A reação dos demais que estão na mesa é de completa surpresa. Todos estão sorridentes e de olhos arregalados. — Oh, meu Deus! — sussurro, emocionada. — Você aceita ser minha noiva, Isadora? — Alexander segura a minha mão direita. — É claro que sim! — declaro sorrindo enquanto meu namorado me fita com amor. Estou me sentindo nas nuvens. A alegria é tanta que não cabe dentro de mim. Alexander coloca a aliança em meu dedo anelar e eu faço o mesmo com a outra, tornando-o meu noivo. Selamos o nosso noivado com um beijo comportado, porém apaixonado, que é seguido por uma salva de palmas dos nossos amigos. Ele tinha tudo planejado para me fazer essa surpresa. Percebi que ele estava estranho


quando cheguei da empresa. Alexander não me esperou para vir para casa, e deu uma desculpa de que tinha que resolver algo. Certamente que ele não organizou tudo isso sozinho. Pierre e Raquel o ajudaram, basta olhar para o rosto de ambos, que estão com os olhos brilhantes. Após sermos cumprimentados por todos, nos parabenizando e desejando felicidades, voltamos a nos acomodar a mesa para jantarmos. Alexander me olha apaixonado e acaricia meu rosto. Eu não posso estar mais realizada. Mesmo em meio a tantas atribulações que estamos enfrentando, o meu namorado, que agora é meu noivo, organizou essa linda surpresa para mim. É por isso que eu o amo incondicionalmente. — E quando será a data do casamento, Alex? — indaga Douglas curioso. — Bem, isso eu preciso ver com Dora. Mas se fosse por mim, me casava amanhã mesmo — responde Alexander sorrindo para mim. — Uau! Estou mais que surpreso com essa novidade. Afinal, você nunca foi adepto a relacionamentos. — Espanta-se Douglas abrindo um sorrisinho maroto para Alexander. Eles estão conversando silenciosamente e trocando algum segredo do passado. Mas eu estou muito feliz para dar importância aos comentários zombeteiros de Douglas. — Pois é, Douglas. As coisas mudam. Acredito que você saiba disso melhor do que ninguém, não é? — rebate Alexander no mesmo tom dando uma garfada em seu filé. O amigo abre um novo sorriso e segura a mão da minha mãe sobre a mesa, fitando-a com carinho. — Senhor Alexander, que noite mais feliz! — fala Raquel ainda emocionada. — E eu que achei que não estaria viva para ver isso. — Verdade, dona Raquel. Eu também estou muito surpreso e contente pelo enlace dos dois — fala Carlos, acomodado ao lado dela. — O amor é lindo! — exclama Manolo piscando rapidamente seus olhos marejados e me fitando com afeto. Meu amigo esteve calado até agora, apenas contemplando o nosso momento. Plínio e Marco também comentam o nosso noivado. O último a se pronunciar é Pierre, que assiste a tudo com os olhos brilhantes e um enorme sorriso nos lábios. Eu acredito que para ele essa noite tenha um significado mais que especial. Afinal, foi Pierre quem criou Alexander como se fosse seu próprio filho. — Senhor Alexander, eu nem sei o que dizer... — Pierre começa a falar e todos se silenciam, aguardando ansiosamente sua declaração. — Eu não quero me prolongar, pois não gosto muito de discursos. Mas quero que saiba que depois de você e de senhorita Isadora, a pessoa mais feliz nesta mesa sou eu! Alexander segura a mão dele, que está sentado na diagonal, quase ao seu lado e eles trocam um olhar repleto de cumplicidade. Meus olhos voltam a se encher d´água ao presenciar essa cena tão bonita. Sempre soube que Pierre ama Alexander como um filho, que se preocupa com ele como se tivesse seu próprio sangue e isso me deixa profundamente emocionada. A minha admiração por Pierre só aumenta a cada dia. Ele é uma pessoa ímpar, sensacional, honesta e inigualável. Sei que os sentimentos de Alexander por ele são enormes, embora muitas vezes ele não demonstre isso abertamente. Mas as coisas estão mudando e sinal disso é a cena que presencio nesta mesa.


— Vamos fazer um brinde! — propõe Douglas erguendo a taça de vinho. — Brindaremos a felicidade de Alexander e Isadora e também a vida de todos nesta mesa. Erguemos as nossas taças e brindamos sorridentes. Respiro fundo e peço a Deus que as palavras proferidas por Douglas façam sentido na vida de todos. Que todos conquistem seus objetivos, vivendo ao lado daqueles que amam e que lhes querem bem. *** Os convidados já foram embora e eu e Alexander estamos na suíte. Embora meu noivo estivesse sorridente durante o jantar, senti que estava um pouco nervoso. Ele olhou para o relógio de pulso várias vezes enquanto tomávamos cafezinho na sala de estar. Eu não faço ideia do que esteja tirando sua tranquilidade, mas preciso descobrir. Saio do banheiro vestindo meu roupão de seda curto e encontro Alexander sentado em uma poltrona de canto. Ele está descalço e sua camisa está aberta, deixando parte de seu peitoral a mostra. Eu me aproximo cautelosamente enquanto ele mantém a cabeça baixa, absorto em seus pensamentos, com os braços apoiados em suas coxas. Eu paro no meio de suas pernas e ele apoia sua testa em minha barriga, ainda cabisbaixo. — Está tudo bem? — indago acariciando seu cabelo sedoso. — Dora... — Alexander suspira e abraça minhas pernas. — Tenho tanto medo de perdê-la. — Não fale bobagens! Pertencemos um ao outro para sempre e nada vai nos separar. — Ah, minha Afrodite! — Ele ergue seus olhos que encontram os meus. — Eu te amo tanto, tanto! — Alexander abre o meu roupão e distribui beijos em meu ventre enquanto suas mãos apertam a minha bunda. — Oh, Alex! Eu também te amo! — declaro fechando os olhos, saboreando seus lábios quentes em mim. Alexander tira meu roupão e me deixa somente de calcinha e sutiã. Seus olhos faíscam ao contemplar a minha pele e ele abre um meio sorriso. Eu vejo que ele está se esforçando para não deixar transparecer a inquietude que toma conta de si neste momento. E ele sempre consegue resolver qualquer problema, ou amenizá-lo, com sexo. Ele me pega no colo e me deita na cama. Eu fico de barriga para cima, com o cabelo esparramado sobre os lençóis, enquanto Alexander se despe do resto de suas roupas rapidamente. Gloriosamente nu e com seu pênis em prontidão, ele puxa a minha calcinha para baixo e quase arranca meu sutiã. Sua ansiedade em me dar prazer se equipara a minha em satisfazê-lo. — Minha linda Afrodite! — sussurra afastando os meus joelhos para se encaixar melhor no meio de meu ventre. Ele paira sobre mim e seus olhos azuis parecem duas bolas de fogo que queimam a minha pele. Eu estremeço quando sinto sua boca em meus mamilos. Isso é delirante! Suas mãos se fecham em meus seios enquanto sua língua trabalha em mim, me deixando louca. Enrosco meus dedos em seu


cabelo e gemo fora de mim. Alexander está malvado e roça seu membro na minha vagina que está encharcada esperando por ele, ansiando desesperadamente por ele. E para me torturar ainda mais, sua língua viaja em meu corpo, descendo até a minha barriga, em direção ao meu ventre. Subitamente ele interrompe os movimentos e me deixa a deriva. Alexander está realmente muito mau! Ele abre um sorriso ao contemplar a minha vagina e seus olhos voltam a se fixar em meu rosto. Conheço esse olhar sacana que ele está fazendo agora. Certamente que algum pensamento pornográfico permeia sua mente. — Espere aqui que eu já volto. — Ele pula para fora da cama, enrola uma tolha nos quadris e deixa o quarto. Eu pisco sem nada entender, mas tenho certeza que ele está tramando alguma coisa depravada e prazerosa. E eu não me engano! Poucos minutos depois, Alexander retorna ao quarto segurando uma vela vermelha. Ele deixa a vela em cima do criado mudo e se aproxima com olhar predatório, puramente sexual. De um minuto para outro, sua expressão se torna luxuriosa e eu estremeço excitada. — Dora, eu quero que fique de bruços na beirada da cama, com a bunda para fora e os quadris apoiados nas laterais. Sou invadida por um misto de tesão e tensão que faz meu coração bater como um louco dentro do peito. Uma eletricidade atravessa minha coluna e minha vagina se comprime só imaginando as pornografias que ele fará comigo. Alexander apenas me encara sem se mover, compenetrado em mim. Perdida em seu olhar azulado, a única coisa que faço é atender ao seu pedido. Eu fico de costas e me debruço na cama, com a bunda exposta para ele. — Segure o travesseiro. Não quero ter que amarrar os seus pulsos. O tom grave e sedutor de sua voz me deixa ainda mais excitada. Eu puxo o travesseiro e apoio meu tronco nele, segurando firme, ansiosa pelo que está por vir. Viro o rosto de lado e meu cabelo cai em meu pescoço e um pouco sobre a cama, formando uma cascata cor de chocolate em cima dos lençóis brancos. Alexander se move atrás de mim e pelo canto dos olhos eu vejo que ele não tirou a toalha branca que está em seus quadris. Ele fica malditamente sexy com essa tolha e eu fico ainda mais fascinada por esse homem. Tudo nele me faz ficar preza em suas vontades, apaixonada e cativa. — Sua bunda é só minha e eu faço o que quiser com ela. — Ele espalma suas mãos em minhas nádegas e eu estremeço, mordendo o lábio inferior. — Assim como a sua bocetinha — declara deslizando um dedo para dentro de mim. — Mostre o quanto você quer ser fodida por mim, Afrodite. Rebole no meu dedo! — Com a outra mão ele desfere uma palmada em minha nádega direita, ordenando para que eu comece a me movimentar endoidecida, seguindo o embalo de seu dedo. Eu começo a gemer e me debater, quase dançando enquanto ele estoca mais e mais, estimulando meu ponto G. Esse homem é inacreditável! Em um momento está perdido em si mesmo, em algum ponto de suas lembranças passadas e, em outro, se transforma em uma máquina de fazer sexo, ditando ordens e me enlouquecendo com suas sacanagens. Eu amo as duas facetas de Alexander. Amo tudo nele. O seu eu frágil e amoroso, o seu lado safado e intenso. — Ah, Alex! Continue! Continue! — choramingo prazerosa e ele faz o contrário, puxando o dedo para fora. Oh, não!


— Não quero que goze agora. Eu tenho algo muito excitante para te apresentar. — Ele pega a vela de cima do criado mudo e eu estremeço imaginando o que ele tem em mente. — Alex, isso vai me queimar! — digo me remexendo agitada, pronta para me levantar. Ele segura firme o meu quadril e me detém. — Dora, você acha que eu faria alguma coisa para machucá-la? — Não... É que... Eu estou um pouco receosa. — Não se preocupe! Você verá o quão prazeroso isso pode ser. — Sua voz volta a se tornar aveludada enquanto meu corpo começa a tremer um pouco. — O que você fará? — Vou acender a sua pele como uma tocha, pingando um pouco da parafina em sua bunda. Você vai sentir um calor no local, mas essa sensação logo desaparece. Alexander vai pingar a vela em minha bunda? Mas que técnica mais sórdida é essa, afinal? Será que sentirei prazer com isso? Volto a piscar os olhos rapidamente tentando assimilar as palavras ditas por ele. Mas no momento eu não tenho escolha, sua mão grande segura a minha cintura, me deixando impossibilitada de se mover. — Isso não vai doer, né? — questiono e por cima do ombro eu o vejo balançar a cabeça de um lado para o outro. — Confie em mim e relaxe. Alexander solta a minha cintura e sei o que ele fará. A primeira gota de parafina cai em minha bunda, espalhando um calor ardido em minha pele. Solto um arquejo abafado enquanto mais algumas gotas caem em minhas nádegas e em meu cóccix. — Ah, meu Deus! Está ardendo... — solto uma ladainha e lágrimas começam a saltar de meus olhos. — Muito? — Ele interrompe os gestos enquanto eu tento absorver o calor que se espalha em meu corpo como labaredas de fogo. — Não... Um pouco! — Eu me remexo com a respiração ofegante. — Só mais umas gotas. Fique quietinha! E a tortura prazerosa continua. Alexander derrama um pouco mais de parafina na minha bunda e eu tenho certeza que, além de está com as nádegas vermelhas pelas gotas das velas, ela também está rosada pelo calor que a parafina causa em minha pele. Não sei o que deu em Alexander para agir assim comigo, com essa selvageria e perversão. Ele estava tão carinhoso durante o jantar, tão amável e agora está aqui, me castigando com suas taras, como fez naquele dia que me deu uma surra de prazer, espancando a minha bunda enquanto transava alucinadamente comigo. E eu me remeto a parte de sua personalidade indomável, ao Homem de Aço propriamente dito. Movido apenas pelos instintos carnais e pela luxúria. Não estou me queixando. Pelo contrário, eu sempre fico apavorada comigo mesma porque gosto do modo selvagem como ele me tem!


Capítulo 29 Alexander

Isadora está agitada, se contorcendo todo momento enquanto eu despejo as últimas gotas de parafina em sua bunda. Deixo a vela em cima do criado mudo e fixo os olhos em sua pele, pintada pelas gotas vermelhas. Ela está tão linda! Se Isadora visse a maravilha que está o seu traseiro repleto pelas gotas da vela, ela pararia de se mover e choramingar. — Você está a legítima deusa Afrodite! — Eu pego o celular e tiro uma foto da arte para mostrar a ela. — Alex, você está fotografando a minha bunda? — pergunta admirada. — Não! Eu estou fotografando a arte que fiz em sua pele. Depois você verá! Deixo o celular de lado e espalmo minhas mãos em seu traseiro aquecido pelas gotas da vela. Aperto com vontade e a parafina começa a se partir, escorregando em suas coxas. Isadora solta um gemido prazeroso enquanto eu me delicio acariciando sua bunda. Mas como estou com meu lado tarado ligado, desfiro uma palmada no lado direito, golpeando sua pele de cima para baixo. Ela arfa de novo e empina ainda mais a bunda para mim. Dou mais três tapas em seu traseiro e tiro a tolha do meu corpo, jogando para longe. — Dora, não aguento mais segurar o tesão! — digo agarrando-a pela cintura e deitando-a na cama, de barriga para cima. E voltamos na cena anterior: eu no meio de suas pernas, aconchegado em seu ventre. — E essa bocetinha gostosa está esperando pelo meu pau? — Deslizo meus dedos em direção a sua entrada e manipulo seu clitóris. — Sim! Sim! Ahhhh... — Isadora enrosca seus dedos em meu cabelo, arfando como uma gatinha. Confesso que também não aguento mais para me enterrar dentro dela. Eu seguro meu pau e miro sua bocetinha rosada, molhadinha para mim. Com os olhos presos aos de Isadora eu a penetro lentamente, saboreando o seu calor. Pairo em cima dela e encaro apaixonadamente seus olhos enquanto me movimento devagar a princípio. Isadora me encara de volta com tanto sentimento, que meu coração começa a bater acelerado dentro do peito. — Eu te amo, minha Afrodite! — afirmo beijando-a com ardor, serpenteando minha língua que se entrelaça a dela. Isadora me abraça forte, acariciando as minhas costas e inclinando sua pélvis para cima. Ela me reivindica por movimentos mais intensos, com seus calcanhares grudados em minha bunda, forçando a penetração. Isso é demais para mim! Eu perco o domínio de mim mesmo e passo a meter tudo para dentro, em um ritmo alucinado.


— Forte, Alex! — sussurra ofegante em meus lábios, sem separar a minha boca da sua. Seguro sua coxa e ergo sua perna para cima mantendo o ritmo constante cada vez mais rápido e mais fundo. Isadora começa a gemer em minha boca e busca desesperadamente por ar. Como eu também sinto necessidade de oxigênio, eu separo minha boca da sua, descendo com meus lábios em seu pescoço. — Você quer forte, Dora? — Eu flexiono os quadris, bato e retrocedo, mantendo cheia de mim. — É assim que você gosta? — Não dou tempo para ela responder e insiro minha língua em sua boca outra vez. Isadora começa a se debater, enlouquecida, preza embaixo do meu corpo, exigindo por mais, querendo muito mais. Abaixo a sua perna e fecho a mão em um de seus seios, acariciando o seu mamilo entre o indicador e o polegar. A outra escorrega até seu clitóris para estimulá-lo com intensidade. A linda Afrodite começa a arfar outra vez em meus lábios, agarrando meu pescoço e cravando suas unhas nele. Aumento o ritmo das estocadas e logo somos inundados por um orgasmo violento. Isadora estremece o corpo, rebola comigo enquanto eu me derramo inteiro dentro dela. Ejaculo várias vezes, gozando e gozando, com uma das mãos em seu seio e a outra em sua bunda. Deixo seus lábios para gemer em seu pescoço, buscar o ar que me falta nos pulmões. Isadora solta um arquejo que mais parece um grito de prazer e morde de leve o meu ombro. E terminamos a noite assim, consumidos pela paixão, amor e luxúria que sempre nos envolve. *** — Estou esperando um filho seu e você anda comendo outras?! — Fernanda grita desesperada, esfregando novamente o exame de gravidez em minha cara. Ela se joga contra mim e desfere socos em meu peito, completamente fora de si. — Escute, Nanda! — Seguro seus pulsos e encaro seus olhos castanhos. Ela para de se debater e seus lábios tremem. — Eu não tenho ninguém. Isso é um absurdo! Fernanda se afasta de mim com as mãos na cabeça. Ela caminha de um lado para outro de seu apartamento, completamente desnorteada. Tudo que disse a ela é a mais pura verdade. Não sei o porquê está agindo assim, me acusando de algo que não fiz. Fernanda não vê que isso está prejudicando o nosso filho? — Você é um egoísta filho da puta! — Fernanda, se acalme e me ouça. — Eu tento me aproximar, mas ela faz um sinal com a mão para eu manter distância. — Não se aproxime de mim! Você tem outra! Quem é a piranha? Uma puta qualquer? Ou você está trepando com minha irmã adolescente? Seu pedófilo! — Ela me acusa fora de si. Eu rolo de um lado para o outro na cama, enquanto calafrios percorrem o meu corpo. — Você está louca, Nanda! Eu não tenho ninguém. Suas acusações são infundadas.


— Não! Não! Não! Eu te amo e você me traiu. — Ela grita desesperada e movida pelo impulso, joga um vaso de flores contra o espelho da sala, partindo-o em milhares de pedaços. — Saia daqui! Nunca mais quero ver você! Saia, Alex! — grita se jogando em mim novamente e me expulsando da sala. Fernanda tranca a porta de vidro pelo lado de dentro e se distancia com os olhos fixos em mim. É nítido o seu desespero e seu estado de pouca lucidez. Ela está completamente fora de si, embora ainda esteja chorando, seus olhos estão enlouquecidos, arregalados. Há tristeza e dor neles e meu peito se aperta. Ela pega um estilhaço do espelho e segura tão forte na mão que começa a sangrar. O sangue pinga no chão, manchando seu tapete branco de vermelho. Meu coração começa a bater em minha garganta e meu corpo inteiro se arrepia. Eu quero gritar, mas não consigo, apenas continuo me rolando de um lado para o outro. — Você não quer a mim e nem ao nosso filho, não é? — diz com voz ferida me encarando através do vidro que nos separa. — Fernanda, abra essa porta! — Eu forço a maçaneta inutilmente, pois está trancada pelo lado de dentro. — Não faça nada impensado, Fernanda! Por favor! — imploro apavorado com o que possa estar se passando pela cabeça dela neste momento. — Você não terá nenhum de nós dois! — declara levando o estilhaço até o pescoço. — NÃO, FERNANDA! — grito desesperado prevendo a sua intenção maquiavélica. — Eu te amo, Alex. Adeus! — E dizendo isso, ela corta a sua própria garganta. Abro os olhos rapidamente e sento-me na cama. Não há uma célula do meu corpo que não esteja convulsionando em horror. O coração está batendo com tanta intensidade que parece que estou prestes a ter um enfarte. Passo a mão pelo rosto, suado e, com muita dificuldade, eu busco o ar nos pulmões. Fazia muito tempo que o fantasma de Fernanda não se infiltrava em meus pensamentos, transformando o meu sonho em pesadelo. Ultimamente minha vida está se tornando um emaranhado de sensações. Quando não estou feliz e realizado ao lado de Isadora, estou sendo perseguido pelo meu passado, tanto na vida real, quanto em meus sonhos. Lanço um olhar por cima do ombro e vejo a minha noiva amada, que dorme tranquilamente na cama. Ainda bem que eu não gritei ou fiz um movimento brusco que pudesse acordá-la. Não quero que Isadora fique nervosa por minha causa. Ela está tão feliz com a surpresa que eu fiz no jantar, que serei um egoísta se tirar a sua alegria. Felicidade é o que ela merece. É o que eu mereço. Mas não se pode ter tudo que se deseja. Levanto e saio em direção ao banheiro. Transpirei tanto que estou com o corpo todo molhado. Ligo o chuveiro e deixo a água levar seus medos consigo, me purificando deles. Enquanto me banho eu tento não pensar em nada e deixar a mente desprovida de qualquer atribulação, mesmo que elas sejam muitas. Tenho enfrentado tudo com muita coragem e determinação. Até as crises de pânico, que antes eram constantes, estão sendo amenizadas. Aprendi a controlá-las e isso é um ponto positivo. Mas nem sempre tenho sucesso com os pesadelos, que insistem em me assolar algumas noites, tirando o meu sono como agora. Saio do banheiro e enrolo uma toalha nos quadris. Ao chegar ao quarto eu vejo Isadora ainda


dormindo, com o cabelo espalhado no travesseiro. Parte do lençol cobre seu corpo, na altura de sua cintura. Outra parte deixa seu tronco a mostra e uma de suas coxas que está dobrada em cima da outra. Como ela é linda! Permaneço por alguns instantes apenas observando-a, sentindo o amor encher o meu peito. Como estou sem sono devido ao pesadelo, eu me sento em uma poltrona de frente para a janela e só então percebo que está chovendo. A chuva cai calmamente lá fora enquanto dentro de mim tudo é inquietude. E outra vez meus pensamentos me remetem para as últimas notícias sobre a liberdade de dona Berenice. Certamente que ela é uma ameaça a minha vida e a vida daqueles que me rodeiam. Farei o que for necessário para que Isadora e os demais fiquem protegidos de meus inimigos. Fecho os olhos e balanço a cabeça de um lado para o outro. Quando terei uma vida normal? Quando poderei viver em paz com minha amada, desfrutando do nosso amor? Quando a vida me dará essa chance? Quando? Enquanto estou fazendo essas e muitas indagações ao meu subconsciente, eu ouço um barulho e sinto as mãos macias de Isadora em meus ombros. Ela acaba de acordar e está de pé atrás de mim, deslizando seus dedos em minha pele ainda molhada pelo banho. — Acordei e não vi você na cama. Levei um susto e então virei para o outro lado e encontrei você sentado, olhando a chuva. Aconteceu alguma coisa, meu amor? — Eu perdi o sono — omito a história do pesadelo para não deixá-la apreensiva. Beijo os dedos de Isadora e a puxo para o meu colo. Ela está enrolada no lençol, que com o movimento todo, escorrega um pouco de seu corpo. — O jantar foi tão lindo! — Sorri envolvendo seus braços os redor do meu pescoço. — Sim foi especial. — Todos estavam tão felizes, mas nada se compara a felicidade de Pierre. Ele ficou emocionado e encheu os olhos d’água. Pierre tem você como um filho. — Sim, eu sei! — Sorrio acariciando seu rosto. — Pierre e Raquel são o que eu mais tenho próximo do que se chama família. — Eu beijo rapidamente seus lábios e alguns pingos d’água caem do meu cabelo molhando seu rosto. — Alex, você ainda está molhado! — Ela ri para a minha alegria. — Ah Dora, você gosta de mim até molhadinho. Diga que sim! — Eu roço meus lábios aos seus enquanto enfio a mão por baixo do tecido e acaricio um de seus seios. Isadora ofega e fecha os olhos. Não penso duas vezes e beijo apaixonadamente a sua boca. Derramo neste beijo todas as aflições, medos, angústias. Transformo as sensações ruins em tesão e paixão. Isadora me puxa para mais perto me beijando com a mesma fome que a minha. Eu aperto-a contra meu peito, sentindo o seu coração bater no mesmo ritmo descompassado que o meu. Desço uma das mãos e aperto sua bunda ainda por cima do tecido. A outra continua acariciando seus seios, alternando entre um e outro. Isadora geme em minha boca e meu corpo reage. Sinto meu pau endurecer e o desejo de estar dentro dela novamente me consome. Continuamos nos amassando como dois adolescentes, na penumbra do quarto. Acho isso estranho e ao mesmo tempo muito excitante. Não me recordo de fazer isso com ninguém antes dela. Aliás, muitas coisas eu somente fiz e faço com ela. Deixo sua boca e desço com os lábios em seu


pescoço, em direção aos seus seios. Abocanho um deles e Isadora arfa se contorcendo em meu colo. Dou o devido carinho a ambos, e ela vai a loucura com minha boca e língua. — Que delícia, Alex! — sussurra inebriada puxando meu cabelo levemente molhado. — Você que é deliciosa! — Eu me levanto com ela no colo. — Quero fazer amor com você, minha noiva. — Fazer amor?! Você nunca disse isso. — Isadora arregala os olhos, surpresa. — Hum, digamos que eu esteja exercitando esse novo vocabulário em minha boca — digo em tom divertido, colocando-a sobre a cama. Seguro sua mão direita e beijo a aliança. Isadora sorri. — Eu já volto. Saio em direção ao closet e abro a gaveta onde está a caixa com as lembranças de meus pais. Já está mais do que na hora de colocar essa corrente que era de minha mãe no pescoço da minha futura mulher. As duas mulheres mais importantes de minha vida até hoje. Sorrio e retorno para o quarto. — Quero lhe dar isso. — Eu me sento a beirada da cama e entrego a corrente de ouro. — Mais um presente? — Sorri com os olhos brilhantes segurando a joia em suas mãos. — Essa corrente tem um significado muito importante para mim. — Isadora me fita atentamente. — Ela era de minha mãe. Meu pai deu a ela na noite em que ela morreu. — Alex, ela é linda! — Os olhos de Isadora se enchem d’água. — Agora ela é sua. — Eu coloco a corrente em seu pescoço e Isadora pisca emocionada. — Você tem certeza que quer que ela fique comigo? — A joia está com a sua nova dona. A dona do meu coração! — Eu deslizo sobre a cama e pairo em cima dela que sorri com amor. Tirando o lençol que ainda envolve parcialmente o seu corpo, eu caio de boca nela, ardendo de paixão. Seguro seu pé e deslizo a minha língua na sola, indo e vindo. Ela começa a serpentear e arfar constantemente. Deslizo a minha boca em seu tornozelo, panturrilha, coxas, sempre lambendo e beijando. Tudo que preciso agora é amar Isadora e me sentir amado. Somente ao lado dela eu encontro a paz e o refúgio que tanto necessito.


Capítulo 30 Isadora

Chegamos juntos a empresa mais felizes do que nunca. Eu fico no meu andar e Alexander sobe para o dele, mas antes trocamos um beijo apaixonado na porta do elevador. Faz uma semana desde que ficamos noivos e ainda não conversei com Estela sobre o motivo de sua ausência em nosso jantar. Cruzamos algumas vezes pelos corredores ou nos encontramos rapidamente em uma reunião, mas a loira não perguntou nada. A única coisa que ele fez foi olhar para minha mãe direita que traz a aliança de ouro. No entanto, Estela não fixou seus olhos nela, ela somente olhou de relance, como se a joia que uso em meu dedo a ferisse. E eu sei que fere. Antes do fim do expediente, recebo Estela em minha sala. A loira entra e se acomoda na cadeira de frente para mim. Percebo que sua visita não é casual, pois ela sempre avisa antes quando quer conversar um assunto de trabalho. — Oi, Dora! Eu não quero atrapalhar a sua saída. Eu serei breve — argumenta cruzando as pernas. — Você não está me atrapalhando, Estela. — Sorrio tentando não deixá-la constrangida, embora eu pense que isso nunca acontecerá. — Eu acho que devo uma satisfação por não ter comparecido ao jantar do seu noivado. — Eu senti a sua falta, mas Marco disse que você estava indisposta — digo, enquanto Estela desce o olhar e se fixa em minha aliança. Ela permanece por alguns segundos olhando para a joia e então, sem hesitar, segura a minha mão. — É muito bonita, grossa, brilhante e tem presença. — Seus dedos não só acariciam a joia como acariciam os meus dedos. — Ela é tão imponente assim como Alex e você. Eu puxo minha mão cautelosamente da sua e Estela acomoda uma mecha de seu cabelo chanel, tão constrangida quanto eu. É a primeira vez que a vejo assim, sem jeito. Ela nunca perdeu o domínio de si, mesmo na noite que fui ao seu apartamento e que ela declarou seus sentimentos por mim e pelo meu noivo. Sinto um aperto no coração por causa dela, pois não quero que sofra. Mas é inevitável! No amor não há regras e sim riscos. Risco de nos entregarmos demais ao sentimento e não ser correspondido, ou viver imerso em uma ilusão. Infelizmente, eu acredito que a Estela esteja vivendo as duas situações. — Acho que você sabe o porquê eu não fui... — Ela me encara e vejo melancolia em seu olhar. — Eu imagino...


— Ainda é difícil aceitar vocês dois juntos, mas estou trabalhando nisso. — Ela se levanta exasperada ajeitando a saia de seda. — Eu desejo que vocês sejam muito felizes. De verdade! — diz esticando a mão em minha direção. — Obrigada, Estela! — Eu me levanto e aperto a sua mão. Estela abre um meio sorriso. — Eu e Marco estamos tentando um relacionamento — fala mudando de assunto e se movendo até a porta. Eu a sigo. — Oh, eu fico feliz em saber disso — declaro com sinceridade. Estela se despede de mim com um abraço afetuoso e deixa a sala. Percebi o modo como ela olhou para a minha aliança. Havia um emaranhado de sentimentos em seus olhos. Mas em nenhum momento eu vi ciúme ou inveja. O que eu vi eram amor e solidão. Deve estar sendo árdua a sua luta contra o amor, o sentimento. Estela está travando uma batalha interna consigo mesma, com o objetivo de substituir duas pessoas por uma em seu coração. Esse pensamento dá um nó em meu cérebro. Eu não queria estar na pele dela. De jeito nenhum. Arrumo alguns papéis na valise e deixo a sala. Manolo e Luana já encerraram seu expediente de trabalho e suas mesas estão vazias. Ao adentrar o corredor eu vejo uma garota ruiva parada em frente a um dos dois elevadores da empresa. Ela está usando calça jeans, tênis e camiseta. Por mais que a garota esteja a uma distância segura, eu a reconheço. É Samara! O que ela está fazendo aqui? E com a finalidade de conversar com ela eu apresso o passo. Samara vira o rosto de lado e seus olhos castanhos encontram os meus. Atordoada por ter me visto, ela aperta desesperadamente o botão do elevador, como quem está fugindo de algum inimigo. Eu me aproximo o mais rápido possível, mas infelizmente as portas se abrem e Samara entra correndo. Eu espero pacientemente o outro elevador que está em movimento chegar e quando as portas se abrem, eu entro e aperto o térreo. Certamente que Samara está indo embora e eu espero poder alcançá-la antes que isso aconteça. Preciso esclarecer vários questionamentos que zunem a minha cabeça já faz mais de 5 meses. Ela vai me contar quem a ajudou a armar aquela emboscada suja para cima de Alexander. Ah, se vai! Chegando ao hall eu vejo a ruiva caminhar apressadamente em direção a porta de saída. Ela me lança um olhar por cima do ombro e seus passos se tornam apressados, assim como os meus. — Samara? — Eu a chamo assim que alcançamos a calçada. — Samara, espere! Eu preciso conversar com você. — Fique longe de mim, Isadora! — brada ainda em movimento, quase se esbarrando em alguns pedestres que vêm em sentido contrário. Ela caminha até seu carro que está estacionado próximo e eu finalmente a alcanço. Seguro o seu braço e Samara gira sobressaltada, com os olhos arregalados e o corpo um pouco trêmulo. Ela me encara com uma expressão apavorada, parecendo um animalzinho acuado que foge do caçador. Eu libero seu pulso com cautela e me afasto um pouco. Não quero deixá-la ainda mais assustada. — Não toque em mim! — Ela está se afastando o quanto pode e se coloca praticamente grudada na lataria de seu Fiat Uno. — Eu não vou te machucar, Samara. Apenas quero conversar com você. Fique calma!


— Nós não temos nada para conversar, Isadora. — Samara coloca uma armadura provisória em seu rosto, empinando o queixo para mim. — O que você estava fazendo na empresa? — Não fui atrás de Alex se é isso que você quer saber! — E então o que você fazia lá agora a pouco? Visitando amigos é que não era. — Sou sarcástica com ela. Samara merece um pouco de minha ironia depois de tudo que me fez. — Não é de seu interesse! — Ela me dá as costas e tira as chaves do carro de dentro do bolso de sua calça jeans. — Eu sei que você não agiu sozinha quando armou para separar Alex e eu. Quem te ajudou? — As minhas palavras a fazem interromper o que está fazendo e ficar imóvel. — Eu não sei sobre o que você está falando. — Ela volta a ficar de frente para mim, me encarando com ar frio. — Samara, quem você está protegendo? O pai de seu filho? Ou uma terceira pessoa que assim que tiver uma oportunidade, acabará com você? — Está louca, Isadora? — Você está precisando de ajuda financeira para criar o seu filho. Eu percebi isso o dia em que nos encontramos no estacionamento da lanchonete. Eu posso ajudá-la! — Tento convencê-la atingindo seu emocional. — Você está trabalhando? — Quem dará emprego a uma mãe que cria seu filho, sozinha? Ninguém! Ou você acha que é fácil arranjar emprego depois que se torna mãe? As empresas preferem mulheres sem filhos às mães solteiras! — declara com voz embargada a veracidade do mercado de trabalho em nosso país. — Então me conte a verdade e eu a ajudarei. Ela pensa um pouco enquanto olha de um lado para o outro, visivelmente nervosa. Há medo e desolação em seu olhar e meu peito se aperta. Por mais que eu não goste dela e que saiba que ela foi o pivô de meu rompimento com Alexander, eu não posso de deixar de sentir piedade de Samara. Merda! Eu e esse meu coração mole! — Eu não posso dizer... — sussurra abaixando os olhos. — Então existe uma terceira pessoa? — Ela balança afirmativamente a cabeça. — Quem é, Samara? — Por favor, Isadora, eu não posso contar... Não posso! — Ela está apavorada, voltando a mexer nas chaves com a nítida impressão de dar o fora e me deixar sem respostas. Seguro seu braço e giro seu corpo para encará-la. Se Samara pensa que me deixará sem resposta, está muito enganada. — Eu lhe dou um cheque nominal no valor de 7 mil para ajudá-la a se manter com seu filho. — Ela arregala os olhos, surpresa. — E ajudo você a arrumar um emprego. Mas para isso, eu quero o nome dessa pessoa. — Eu não estou à venda! Me solte! — grunhe tentando se libertar de minha posse. — Eu não estou comprando ninguém aqui, Samara. Acho que quem se vendeu há muito tempo foi


você! — Me solte, Isadora! Me solte! — implora com os olhos marejados e os lábios trêmulos. Samara se liberta de meus dedos e abre a porta do carro com pressa. — Não seja idiota, garota! — Eu seguro a porta com força, impedindo-a de entrar e fechá-la na minha cara. Não sei de onde estou tirando tanta coragem para fazer essa proposta para ela. Mas a sede em saber quem foi o responsável pelo fim do meu relacionamento com Alexander é maior do que minha razão. — Aceite a minha proposta. — Que garantia eu tenho? — Ela se detém e me encara. — Eu te dou a minha palavra — respondo enquanto Samara fica em silêncio por alguns instantes. — Eu pensarei! — Ela se acomoda ao banco do motorista. — Ótimo! — Se eu aceitar a sua oferta, eu te ligo. — Samara dá a partida no motor, quase fugindo de mim. — Até mais, Isadora! — Até mais, Samara — eu me despeço esperançosa de que ela aceite o que eu propus enquanto vejo Samara sair em disparada. *** — Eu sinto muitas saudades dele. — Eu deixo um buque de crisântemos em cima do túmulo de meu amado avô Samuel enquanto os olhos se enchem de lágrimas. Nem acredito que convenci Alexander a vir no cemitério comigo. Mas eu precisava estar aqui e fazer essa visita póstuma a Samuel. Já se passou mais de um ano desde a data de seu falecimento. Foi a partir da morte dele que a minha vida se transformou. Viro o rosto de lado e encontro Alexander com os olhos fixos na lápide a sua frente. Ele está calado e com semblante perdido. Aliás, desde que chegamos aqui, de moto, que ele não falou muita coisa. Eu me abstenho de fazer alguma indagação, pois sei o que esse lugar significa para ele. Certamente que meu noivo está revivendo lembranças dolorosas em sua memória. — Obrigada por vir comigo. — Eu seguro em sua mão e ele me fita por um momento. — Só você para conseguir me fazer vir a um lugar assim, Dora. — Você está arrependido? — Não! Eu também sinto saudades do seu avô. — Sorri para mim. — Mas passeios a cemitérios não são exatamente o meu programa preferido. — Ele faz uma careta enquanto segura minha mão. — Vamos sair daqui. — Eu gostaria de ir ao túmulo de Fernanda. Minha declaração faz com que ele interrompa os passos para me encarar. Alexander solta a minha mão e respira fundo, fechando os olhos por um momento. Eu estou me chutando


inconscientemente por ter tocado em sua única ferida que ainda não cicatrizou. — Dora, por que você quer ir até lá? — Enquanto Alexander me encara eu posso ver todos seus medos resplandecerem em seus olhos azuis. — Alex, Fernanda precisa saber que você está feliz agora. Essa é a chance de eu provar isso a ela. Por favor! — Eu volto a segurar em sua mão. — Faz algum tempo que eu não vou lá... Na verdade, faz alguns meses — confessa baixando os olhos. — Então você vem aqui com frequência? — Uma pontada de ciúmes fisga o meu peito. Um ciúme idiota, eu sei! — Não! Mas estive aqui quando Fernanda estaria completando aniversário. — Entendo... — Agora é minha vez de baixar os olhos. — Você quer mesmo ir até lá? — Sim, eu quero! — Eu volto a fitá-lo concordando com a cabeça. — Ok! Mas será uma visita rápida. Eu não quero ficar muito mais tempo neste lugar. — Ele segura outra vez em minha mão e saímos em direção ao outro lado do cemitério. Minutos depois estamos em frente a uma lápide muito bonita, cercada de um pequeno jardim e rodeada por alguns anjos. Alexander se detém e não se aproxima muito, enquanto eu chego mais perto para observar melhor a foto da moça que o amou mais do que a si mesma. Em um pequeno retrato cravado na lápide de mármore está a imagem de uma garota muito bonita, de cabelo cor de mel e olhos castanhos. Como pode uma moça tão fina, bonita e com um futuro promissor agir de forma tão impensada? O que o amor doentio aliado à obsessão não faz com as pessoas? Deixa-as loucas! — Fernanda era muito bonita... — sussurro voltando a atenção para Alexander que pisca os olhos rapidamente. — Sim! Ela era... — Ele concorda dando uma última olhada para a fotografia. — Agora podemos ir? — indaga, visivelmente nervoso e impaciente. — Sinto muito tudo que aconteceu! — Eu entrelaço meus dedos aos dele e encaro seus olhos. — Eu também! Mas vamos deixar o passado no passado — aconselha se movendo junto comigo pelo corredor estreito entre os túmulos. Estamos fazendo o nosso caminho de volta, quando Alexander interrompe os passos. Não sei o que está acontecendo com ele, só sei que seu maxilar está tenso e seus olhos estão inquietos olhando ao redor. Eu olho na mesma direção que ele e nada vejo, além de algumas pessoas que vêm visitar os seus entes, trazendo flores e conversando. Ele aperta ainda mais a minha mão e sinto-o estremecer. — Alex, o que houve? — Você ouviu o grunhido de um pássaro? — pergunta ainda sem me fitar, enquanto seus olhos varrem o ambiente em busca de algo que somente ele sabe o que é. — Não. Alexander começa a respirar pesadamente e transpirar mais que o normal. Ele volta a apertar a


minha mão, mas parece que seus dedos já não tem a mesma força de pouco antes. Preocupada, eu acaricio seu rosto e ele me encara aflito. — Dora, vamos embora. — Pelo canto dos olhos eu vejo que sua pele empalideceu de um momento para outro e que ele pisca constantemente. Alexander pode estar tendo uma crise de pânico ou algo assim. Não sei exatamente o que está acontecendo com ele, mas está relacionado ao lugar onde estamos e a tudo que isso significa para sua vida. Eu não devia tê-lo convidado para vir até aqui. E meu coração se aperta por ser a culpada direta pelo seu sofrimento, por trazer a tona suas lembranças dolorosas, as quais ele quer esquecer para sempre. Balanço a cabeça e praguejo a mim mesma silenciosamente em vários palavrões possíveis. Enquanto nos aproximamos da moto, Alexander volta a segurar forte a minha mão. O suor que antes era visível em seu rosto, agora está se dissipando assim como a respiração que está voltando ao normal. Mas a palidez de sua pele ainda está presente. Antes de tirar as chaves de dentro do bolso, ele dá mais uma rápida olhada ao redor, como se estivesse desconfiado de algo e eu fico em alerta. — Alex, me diga o que está havendo? — pergunto com voz abafada encarando-o enquanto ele ainda mantém seus olhos focados ao longe. — Não está acontecendo nada. Eu apenas não gosto desses lugares. — Ele me entrega o capacete e sinto que suas palavras não correspondem com a verdade. Estou quase colocando o capacete quando meu celular, que está no bolso de minha calça jeans, toca. Observo na tela que quem me chama do outro lado é minha mãe. Faço um sinal para Alexander e atendo a ligação. — Oi, mãe! — Dora, minha filha! Manolo foi espancado e está na UTI — minha mãe fala com voz chorosa e o chão some abaixo dos meus pés.


Capítulo 31 Alexander

“Homem de Aço”... Sempre odiei esse apelido idiota que colocaram em mim, mas hoje estou fazendo jus a ele. É ironia, eu sei. Mas depois de tudo que vivi no cemitério, a crise de pânico, o medo vindo de mansinho e se apoderando de cada polegada de meu ser e a notícia de que Manolo está na UTI, tudo isso me fez crer que talvez o Homem de Aço exista mesmo. É preciso ter muita calma e controle para poder amparar Isadora, que chora descontroladamente em meus braços na sala de espera do hospital. A minha amada está sentada ao meu lado, com a cabeça em meu peito enquanto eu afago seu cabelo, dando carinho. Além de dona Vitória que está sentada em outro sofá, igualmente abalada e chorosa, Douglas, Estela e Marco se fazem presentes. Todos estão tristes com o ocorrido, mas nada se compara ao desalento de Ernani, que só sabe caminhar de um lado para outro, cabisbaixo e calado. Meu funcionário está sofrendo silenciosamente a sua dor, chocado com a brutalidade que acometeu seu namorado. Através dos relatos de Ernani, Manolo tinha foi correr no parque e estava retornando para casa quando um grupo o abordou. Ernani não soube dizer quantas pessoas faziam parte da gangue, a única coisa que ele disse foi que Manolo ainda estava consciente quando ligou para ele e pediu por socorro. Ernani foi o primeiro que chegou ao local, junto com a ambulância e trouxe o namorado para o hospital. Ainda segundo as declarações dele, Manolo estava todo ensanguentado e desacordado. O médico que atendeu Manolo veio conversar conosco assim que chegamos e disse que ele foi muito espancado. Levou chutes na barriga e alguns pontapés na cabeça. Seu estado de saúde é delicado e ele está em coma induzido. O cérebro está inchado, mas não houve traumatismo craniano. Ele quebrou o braço esquerdo e teve uma costela fissurada. Enquanto o médico relatava a situação delicada que Manolo se encontra, a minha mente dava voltas e mais voltas, tentando entender o que houve. Passou por minha cabeça que quem fez isso ao amigo de Isadora pode estar por trás do que está acontecendo em minha vida. Talvez ambos os casos estejam interligados entre si. E eu preciso descobrir se isso realmente tem fundamento. — Dora, se acalme. De nada adianta você ficar assim. — Eu ergo seu queixo e limpo suas lágrimas com o polegar. — Eu sei... Mas é tão triste! — sussurra abalada e ainda um pouco trêmula. — Eu preciso conversar com Ernani. Você fica um pouco com sua mãe? — Ela concorda com a cabeça. — Eu já volto, meu amor! — Beijo sua testa com carinho e faço sinal para Ernani e acompanhar até a próxima antessala.


Preciso conversar com ele, mas não na presença dos demais Não quero que eles fiquem mais nervosos do que já estão e tampouco que saibam que ouçam a nossa conversa. Isso só daria margem às especulações e logo chegaria até a imprensa, se tornando manchete em todos os jornais. E sensacionalismo é o que eu não quero neste momento delicado. — Ernani, eu sinto muito! — Aperto seu ombro em sinal de solidariedade. — Obrigado, senhor! — Manolo não corre risco de morte, não é? — pergunto preocupado. — Não, mas o estado de saúde dele inspira cuidados. — Ernani está prostrado, com o semblante aflito. — Eu posso estar enganado, mas algo me diz que Manolo não foi espancado à toa. — Como assim, senhor Alexander? — Sente-se! — Eu aponto para uma poltrona em minha frente. Ernani se acomoda e eu o sigo, sentando-me em outra. — Você conversou com a polícia? — Sim, eu prestei alguns esclarecimentos. Mas como o fato ocorreu em um lugar de pouco movimento no parque, será difícil para a polícia encontrar alguma testemunha. O delegado me garantiu que estará trabalhando para elucidar o caso. — Do jeito que eles estão conduzindo as investigações sobre o atentado do meu carro, eu não espero muita coisa — declaro desgostoso, pois conheço a morosidade dos órgãos públicos. — Eu entendo... — Ernani, o que eu mais temia está acontecendo. Àqueles que eu estimo e que me rodeiam estão correndo perigo por minha causa. — Ele me encara de cenho franzido. — O senhor acha que o que aconteceu com Manolo tem a ver com o que está acontecendo com o senhor? — Acredito que sim — confesso sentindo meu coração se apertar. — Quem espancaria um homem tão pacato como Manolo? — Os homofóbicos? — arrisca pensativo. — Acho pouco provável. Isso tem cheiro de vingança. — Meu Deus! — exclama de olhos arregalados. — O que nós faremos? — Vamos ficar de olhos abertos. Quero que continue vigiando os passos de dona Berenice e os de Max. Se bem que acho pouco improvável o irmão da Estela estar metido nisso. Mas todo cuidado é pouco. — Sim, senhor. Assim que Manolo sair da UTI e voltar para casa, eu continuo com o planejado. Mas por enquanto, eu não tenho cabeça para pensar em mais nada que não seja na recuperação dele. — Não se preocupe. Eu entendo. — Eu me levanto e Ernani faz o mesmo. — Agora vou levar Isadora para casa. Ela está muito abalada e precisa descansar um pouco. — Eu aperto seu ombro mais uma vez. — Se precisar de alguma coisa, qualquer coisa, Ernani, não hesite em me chamar.


— Obrigado! — Não precisa agradecer. Amigos são para isso! — Eu me despeço dele e retorno a sala onde Isadora está. A única coisa a fazer agora é levar a minha Afrodite para casa e dar muito amor a ela. Farei tudo que tiver ao meu alcance para que mantê-la segura, assim como o restante de meus amigos. *** Isadora ainda está abalada com o ocorrido e, após um banho relaxante, está aconchegada em meus braços na cama. Ela acaricia meu peito enquanto eu afago seu cabelo. Foi um choque e tanto para nós dois, mas mais ainda para ela, pois considera Manolo como um irmão. Isadora tem demonstrado ser uma guerreira e tanto nesses últimos meses, que perceber o sofrimento dela me deixa sem chão. — Alex, isso parece um pesadelo — diz quebrando o silêncio. — Sim, é verdade. — Eu queria tanto ter visto o Manolo, mas os médicos não deixaram — queixa-se, me abraçando forte. — O estado dele inspira cuidados, Dora. Nós precisamos entender isso. — Tento consolá-la e ela fica em silêncio por alguns instantes. — Você acha que foi ataque de homofóbicos? — Não! — A minha resposta faz com que ela se apoie em um dos cotovelos e me encare com semblante preocupado. — Você acha que tem ligação com o que está acontecendo conosco? Eu me ajeito e apoio as costas sobre o travesseiro, no encosto da cama. Não adianta mais prorrogar alguns assuntos, embora eu também acredite que esse não seja o momento certo para dizer o que eu penso. Mas é melhor que Isadora saiba o que eu penso sobre o ocorrido e que saiba também sobre a liberdade da assassina de meu pai. — Dora, você se lembra de quando eu alertava você para ficar longe do caos que era a minha vida? — Ela balança a cabeça afirmativamente. — Então, era isso que eu temia. Que mais tragédias acontecessem e que mais pessoas inocentes pagassem pela ira dos meus inimigos. — Mas nós não sabemos se o que houve com Manolo veio da mesma pessoa que está nos aterrorizando. — Minha Afrodite, você não tem ideia mesmo do que está nos atingindo. Essa merda está crescendo a cada dia que passa e se tornando muito perigosa. Faz alguns dias que Ernani me avisou que dona Berenice, a minha ex babá está solta. — Ela arregala os olhos e abre a boca, perplexa. — A responsável pelo meu sequestro e pela morte de meu pai está curtindo a sua liberdade em regime aberto.


— Meu Deus! Alex, por que você não me contou sobre isso? — Isadora se senta a cama, agitada. — Porque eu não queria que isso estragasse os poucos momentos felizes que estamos tendo. Mas depois do que aconteceu ao Manolo, eu não tive escolhas... — Seguro seu rosto em minhas mãos. — Eu me preocupo muito com a sua segurança, Dora! Tenho medo do que possa acontecer a você — declaro nervoso, enquanto os pensamentos ruins povoam a minha mente. — Oh, meu amor! Nada acontecerá comigo. Não se preocupe! — Ela volta a se aconchegar em meu peito, me abraçando forte. — Eu ficarei tranquilo somente depois que a polícia pegar esse bandido que está fazendo tudo isso. Mas até lá, nós não podemos arriscar e sair por ai sem proteção. — Eu a abraço com amor e beijo o topo de sua cabeça. — Sim, você tem razão! Mas no momento a única coisa que quero é que Manolo fique bem e se recupere. Eu não sei o que acontecerá comigo se vir acontecer algo pior a ele... — Isadora fala com voz embargada, estremecendo o corpo. — Manolo sairá dessa! Eu tenho certeza. — Alex, amanhã eu não irei trabalhar de manhã, pois quero passar no hospital para saber como Manolo está. Tudo bem para você? — Sim, faça isso! Agora se acalme e durma, minha Afrodite! Ficamos em silêncio, apenas imersos em nossos pensamentos, até que depois de algum tempo, adormecemos abraçados um ao outro. *** Isadora ainda está dormindo enquanto eu acordo cedo. Depois de fazer alguns exercícios e tomar um banho, eu desço para o café da manhã. Não quero acordar a minha amada, pois sei que ela precisa descansar e recarregar as energias para estar ao lado de seu melhor amigo neste momento complicado. Aproveito para fazer uma pequena reunião, convocando Pierre, Raquel, Carlos e Plínio. Preciso conversar com eles sobre a liberdade de dona Berenice e avisá-los para ficarem atentos. Eu havia pedido ao Ernani que não comentasse com ninguém sobre esse assunto, mas após o ocorrido com Manolo, eu não posso mais arriscar a segurança daqueles que me rodeiam. — Obrigado a todos vocês por estarem aqui. — Eu começo o discurso depois de tomar o café — Estamos curiosos e ansiosos para saber o motivo dessa reunião repentina, senhor Alexander — diz Raquel, que assim como os demais, está sentada a mesa. — Senhor, aconteceu alguma coisa? — Pierre está impaciente. — Sim! — Suspiro fundo encarando todos com semblante sério. — Dona Berenice Tavares progrediu de regime e está em liberdade. — A minha declaração faz com que meus funcionários se entreolhem, apavorados.


— Meu Deus! — exclama Raquel perplexa. — O senhor tem certeza? — indaga Plínio. — Sim! Ernani me avisou outro dia. Eu quero que vocês fiquem em alerta, pois estou receoso depois do que aconteceu com Manolo. Eu me preocupo com a segurança de todos — declaro com sinceridade temendo que algo de ruim possa acontecer a eles. — E senhorita Isadora sabe? — pergunta Pierre que até agora esteve calado. — Sim, ela está a par de tudo. — Deixo o guardanapo de boca sobre a mesa e me levando. Todos me seguem. — Infelizmente isso não é algo que se possa esconder. — Senhor Alexander, o que sugere que nós façamos? — questiona Carlos preocupado. — Ficaremos em alerta máximo, vigiando a casa através das câmeras de monitoramento. Eu sugiro também que vocês fiquem de olho em algo suspeito, cuidem de si mesmos e de suas famílias. Afinal, não sabemos o que essa mulher é capaz de fazer — aconselho e todos concordam com a cabeça. — Eu conheci dona Berenice e posso dizer que é uma mulher desprovida de coração — afirma Pierre. — O senhor e senhorita Isadora não podem mais sair sem proteção. — Não se preocupe, Pierre. Carlos e Plínio estarão sempre nos escoltando. — Eu aperto seu ombro tentando tranquilizá-lo. — Sim, senhor! — Ele sorri. — Plínio, eu quero que você acompanhe Isadora até o hospital na manhã de hoje. Ela não pode sair de casa sozinha. — Pode deixar, senhor. — Bem, eu preciso ir para a empresa, pois o trabalho me espera. — Saio em direção à garagem na companhia de Carlos que caminha ao meu lado. Durante o trajeto até a empresa eu reflito sobre tudo o que está acontecendo em minha vida nesses últimos meses. Tive meu carro explodido, fomos seguidos por um desconhecido que nos ameaçou em uma moto, Manolo foi espancado sem motivos aparentes e ontem, enquanto estávamos no cemitério, eu tive a sensação de que estava sendo observado de novo. Passo a mão no rosto, nervoso, sabendo que tudo isso que está acontecendo é por minha causa. O passado que sempre me privou de sonhos, alegrias, esperanças, me dando somente dor e desamor como lembrança. Esse passado maldito, marcado de tragédias, que nunca será esquecido quer tirar aquilo que conquistei arduamente, que é o amor em sua plenitude. Não deixarei que isso aconteça. Jamais! E tampouco deixarei que algo de ruim ocorra com aqueles que amo. Eu os protegerei de tudo e de todos. Custe o que custar!


Capítulo 32 Isadora

O estado de saúde de Manolo ainda é delicado. Não faz muito tempo que ele saiu da cirurgia, pois teve um braço quebrado e uma costela trincada durante o ataque brutal que sofreu. Depois de implorar para ver o meu amigo, o médico responsável autorizou a minha visita por alguns minutos. Manolo está na UTI, sedado pelos medicamentos. Ao redor dele há aparelhos de todos os tipos, fazendo o seu trabalho para mantê-lo vivo. Eu me aproximo da cama e levo um choque ao ver a sua fisionomia. Ele está com o rosto todo inchado. Há pequenos cortes em sua face: um acima da sobrancelha, outro no lábio inferior e um no queixo. Seu olho esquerdo está roxo e inchado demais. Meu coração se aperta e lágrimas brotam em meus olhos. Manolo sempre foi cheio de vida, alegre, extrovertido que vê-lo em cima de um leito de hospital, não combina em nada com ele. Com as mãos levemente trêmulas eu puxo a cadeira e me sento ao lado de sua cama. Toco sua mão macia de pele muito branca e não consigo mais segurar o pranto. Por que alguém fez uma brutalidade dessas com ele? Manolo sempre foi pacífico e nunca se meteu em confusão alguma. O delegado me relatou que meu amigo pode ter sofrido um ataque de homofóbicos, mas sei que isso não é verdade. Ontem à noite, depois que conversei com Alexander e que ele me esclareceu tudo, eu tenho certeza de que o espancamento de Manolo tem ligação com meu noivo e eu. Enxugo as lágrimas com a palma da mão e acaricio o rosto de Manolo suavemente com os dedos. Tenho receio machucá-lo nem que seja de leve e por isso não me prolongo nas carícias. Além dos arroxeados que estão por toda a parte de seu rosto, a sua pele também está pálida. Meu peito volta a se apertar por ele. Meu amado amigo-irmão não merecia isso. — Eu prometo que vou descobrir quem fez isso com você, Manolo — sussurro para ele, embora saiba que não pode me ouvir. Ouço um barulho e uma enfermeira entra avisando que meus minutos de visita acabaram. Beijo a testa de Manolo e deixo o hospital na companhia de Plínio, com o coração partido. Preciso conversar com Alexander para tentar descobrir o que aconteceu com Manolo. Nem sei como definir a minha vida depois que reatei meu relacionamento com Alexander. Eu me sinto como se estivesse em alerta o tempo todo. Não sei mais o que é paz e tranquilidade. Eu me recordo de que meu noivo havia me alertado sobre sua vida e o porquê estava receoso em eu fazer parte dela, mas nunca pensei que isso pudesse ter uma proporção tão avassaladora. Não é apenas as nossas vidas que estão em perigo. A vida de minha mãe e todos aqueles que eu estimo também. E isso me assusta! Chegamos à garagem da empresa e Plínio estaciona o carro. Eu desço e ouço o celular tocar


dentro da bolsa. Quando pego o aparelho em minhas mãos levo uma surpresa ao ver quem está me ligando: Samara! Disfarço a situação em frente ao segurança de meu noivo e saio apressadamente em direção a um canto. Não quero que Plínio ouça a nossa conversa e tampouco que desconfie de algo. — Samara! — sussurro olhando ao redor. — Isadora, podemos fechar o nosso acordo? — Sim, claro! — Então me encontre no parque, perto da pista de ciclismo. — Agora? — Sim! Eu não tenho muito tempo. Ou fechamos o acordo agora, ou não terá acordo — diz decidida enquanto eu respiro fundo. Não posso recuar agora. Tenho que aproveitar a chance essa chance e descobrir quem armou a emboscada para Alexander, alguns meses atrás. Preciso dar um jeito de sair sem ser vista por Plínio ou até mesmo outro funcionário de confiança de meu noivo. Ninguém pode saber onde estou indo e o que estou prestes a fazer. — Tudo bem, Samara. Eu estarei no lugar que você me disse em menos de 30 minutos. — Ficarei esperando! — Ela desliga o telefone. Eu olho em direção a Range Rover e não há nenhum sinal de Plínio. Certamente ele saiu para almoçar devido ao horário. Esse é o momento para eu sair de fininho. Eu me aproximo de meu carro e entro. Dou a partida no motor e saio ao encontro de Samara mais ansiosa que nunca. *** Ao chegar ao local combinado, eu avisto Samara sozinha sentada em um banco. Ela está ansiosa e olha no relógio de pulso, constatando o horário. Eu me aproximo e a ruiva tira os óculos de sol para me fitar. Eu me acomodo ao seu lado e faço o mesmo tirando meu Ray-Ban. — Desculpe se eu me atrasei um pouco. O trânsito não ajudou muito e eu tinha acabado de sair do hospital quando você me ligou. — Eu soube o que aconteceu com seu amigo. Eu sinto muito, Isadora. — Eu também... — sussurro sentindo uma profunda dor no coração ao me lembrar do estado grave de saúde que se encontra Manolo. — Eu estava quase indo embora. Não tenho muito tempo, pois deixei o meu filho com uma vizinha de meu prédio. Não tenho dinheiro para contratar uma babá para cuidar dele. — Samara, isso pode mudar se você aceitar a minha proposta. — É por isso que estou aqui. Mas eu quero garantias de que ninguém ficará sabendo sobre isso — diz nervosa. — Eu já disse que dou a minha palavra e arrumo um trabalho para você em outra cidade. — Ela


concorda com a cabeça. — Mas eu preciso saber quem está por trás de tudo isso. A minha declaração a deixa ainda mais nervosa. A ruiva passa a mão em seu cabelo que está preso em um rabo de cavalo e se remexe incomodada sobre o banco. Certamente não deve ser nada fácil para ela ter que entregar a pessoa que a ajudou a executar o plano sórdido de alguns meses atrás. Mas como estou disposta a descobrir tudo, eu mantenho a palavra e vou com o combinado até o fim. — Isadora, isso me custará muito caro. A pessoa é muito influente na sociedade e eu temo por mim e pelo meu filho. — Eu prometo que nada acontecerá a você e ao seu filho. Eu arranjo esse emprego em outra cidade e você vai embora sem dizer nada para ninguém. Você estará segura lá com seu filho — declaro com veemência. — Quem armou para Alex, Samara? — Samara respira fundo e me encara com o olhar aflito. — Foi a dona Verônica Almeida Roth. Quem mais poderia querer a ruína de meu noivo senão a mãe de Fernanda? É óbvio que ela culpa Alexander até hoje pelo ocorrido e quer vê-lo pagando pelo que acha que ele fez a sua filha. Embora eu tivesse minhas suspeitas, ainda estou um pouco chocada diante da falta de dignidade de dona Verônica. Outro dia no restaurante ela me abordou com um papinho sobre caráter. Mas quem é ela para falar sobre isso? Ainda mais ela que é desprovida de princípios morais e éticos. Dona Verônica não passa de uma mulher fria e sem escrúpulos. — Meu Deus! — exclamo levando a mão a boca. — Isadora, eu não planejei nada. Juro! Ela me ligou e marcou um encontro no Jóquei Clube. Depois que cheguei lá, dona Verônica apenas me instruiu sobre o que seria feito, mas não me disse o verdadeiro motivo por odiar tanto Alexander — confessa pesarosa, com cara de coitadinha. Sei que ela foi ludibriada pela mãe de Fernanda, que não quis sujar as mãos e acabou encontrando a apaixonada e obsecada Samara para consumar seu plano perverso. — E sabe o porquê disso tudo, Samara? Por que dona Verônica usou você para colocar em prática o plano sujo dela? — indago em tom firme, contendo a fúria em mim. — Ela não disse detalhes. A única coisa que falou foi que Alex destruiu a vida da família dela. — Isso que dona Verônica diz não é verdade, Samara. Ficou comprovado na época que Alex não tinha culpa de nada. — Eu me levanto exasperada, com os nervos à flor da pele. — Eu não sei o que aconteceu entre a família Roth e Alex. E nem quero saber. — Samara também se levanta me encarando. — Você foi usada como marionete por dona Verônica, porque de uma forma ou de outra ela sabia o que você sentia por Alex. — Sei que você não gosta de mim, Isadora. E está me ajudando somente porque queria saber quem foi a mentora de tudo isso. Então, agora você já sabe. Vai cumprir a sua parte no acordo ou eu terei que sumir de mãos abanando com meu filho a tira colo? — indaga em tom inquisitivo. — Eu cumprirei a minha promessa. — Tiro o cheque de dentro do bolso e entrego a ela, assim


como os nomes de algumas empresas que conheço em uma cidade não muito longe daqui. — Aqui está! O cheque e o nome das empresas que eu ligarei recomendando você. Em alguns dias, eles darão uma resposta. Mas é quase de certeza que uma delas te contratará. Samara guarda tanto o cheque nominal quanto a lista que contém o nome das empresas no bolso de sua calça jeans e começa a se distanciar. Porém se detém e me lança um olhar neutro por cima do ombro. — Obrigada! Se tudo der certo, nós nunca mais nos veremos. — E, dizendo isso ela volta a caminhar e desaparece entre as árvores. Quanto a mim, saio apressadamente em direção ao carro. Já passa das 13h e certamente Alexander sentiu a minha falta no horário de almoço. Minha cabeça dói tanto que a abaixo e deixo apoiada sobre o volante. Depois de tudo que Samara me contou, eu não posso mais esconder isso de Alexander. Ele precisa saber que foi dona Verônica que armou a emboscada para nos separar. Não sei como contarei isso a ele. Só sei que não posso falar nada na empresa. Preciso conversar com ele em casa, onde é seguro. *** Passo o restante do dia ocupada com os demais sócios em uma reunião com alguns empresários que querem comercializar aço com a nossa empresa. Mal dá tempo de dar um beijinho em Alexander, quanto mais para conversar assunto que não envolva trabalho. Ainda bem que ele não falou nada sobre minha ausência durante o horário do almoço. Alexander estava ocupado demais com os empresários e pelo que ele me disse, acabou comendo um lanche em seu escritório. Encerramos o expediente e antes de irmos para casa, vamos ao hospital para saber como Manolo está. Ernani não saiu de perto dele e vem nos encontrar com uma expressão abatida no rosto. O companheiro de meu amigo tem se mostrado forte diante do acontecido. Eu também tenho tentado manter o controle de minhas emoções, buscando forças em mim. Ainda mais depois de tudo que estamos vivendo. — Ernani, como está Manolo? — Alexander aperta a mão dele cumprimentando-o. — Ele saiu do coma induzido e agora está em cirurgia devido ao braço quebrado. — Ainda bem que Manolo saiu do coma! — exclamo aliviada enquanto Alexander me abraça carinhosamente pela cintura. — A cirurgia vai demorar? — Acho que sim. Ele entrou agora no bloco cirúrgico. — Eu queria tanto vê-lo... — Eu me queixo com o coração ainda apertado. — E você o verá, meu amor! — Alexander beija o topo da minha cabeça. — Mas o que temos a fazer agora é irmos para casa descansar. E isso inclui você também, Ernani— aconselha ao funcionário. — Obrigado senhor, mas eu ficarei aqui. — Mas você precisa dormir — insiste meu noivo.


— Eu tenho tirado meus cochilos no sofá da recepção. O senhor não precisa se preocupar. Eu só sairei daqui quando Manolo sair. O senhor entende, não é? — Sim! Eu entendo perfeitamente. — Alexander aperta o ombro de Ernani em sinal de solidariedade. — Se precisar de algo não hesite em me chamar. — Obrigado mais uma vez, senhor Alexander. — Ernani abre um meio sorriso. — Ernani, quando Manolo acordar diga a ele que eu o amo e que estou com saudades — digo com voz embargada. — Darei o recado. Pode deixar! Nós nos despedimos de Ernani e deixamos o hospital. A minha cabeça está a mil e vários pensamentos permeiam a minha mente, me deixando inquieta. Tenho que me preparar para contar a ele sobre a conversa que tive com Samara. Estou prevendo que a reação que Alexander terá não será nada boa. Eu conheço muito bem o meu noivo, e sei que ele ficará furioso e louco por retaliação. Mas prometi a ruiva traidora que pouparia ela e o seu filho, que ainda não sei quem é o pai. E eu manterei a minha promessa, mesmo que meu noivo seja contra.


Capítulo 33 Alexander

Subimos direto para o quarto e tudo que preciso agora é fazer amor com minha amada. Sim! Estou exercitando esse termo novo em meu vocabulário e estou gostando. Por mais que os pensamentos que passam em minha mente neste exato momento, em que a vejo tirando sua sandália de salto alto, não sejam exatamente os mais puros. Sou um safado tarado. Confesso! Mas sou tarado pela minha noiva. E isso é o que importa. Ligo a água da banheira e deixo encher. Retorno ao quarto tirando o casaco de terno e ligando o ar condicionado. O calor está infernal esta noite e nada melhor do que um ar para refrescar o corpo. Tiro os sapatos e a camisa e me aproximo. Isadora pressente meus passos e encara meus olhos. Eu paro diante dela e analiso seu corpo coberto por um vestido azul de seda levemente rodado da cintura para baixo. Eu apenas contemplo suas curvas enquanto Isadora morde o lábio, imaginando o que tenho em mente. — Passei o dia inteiro pensando em comer a sua bocetinha. Meu pau ficou tão duro durante a reunião com os americanos, que não sei como não ejaculei dentro da cueca — declaro em um rosnado, sentindo a luxúria me dominar. — Eu adorei saber disso! — Isadora sorri, passa a língua nos lábios e meu pau endurece. Essa mulher sabe como me enlouquecer. Isso é fato! — Tire sua calcinha lentamente. Excitada e com o olhar brilhante, ela faz o que eu peço. Isadora escorrega a roupa íntima em suas pernas e eu constato que a cor é azul celeste e não vermelha como eu havia imaginado. Ela deixa a peça em um canto e me encara com fome. Essa mesma fome que sinto quando estou com ela. Sempre foi assim e sempre será! — Quero que sente naquela poltrona e abra as pernas para mim. — Aponto para um sofá e Isadora se move acomodando-se sobre o couro branco e puxando o vestido para cima. Abro um sorriso os ver seus lábios vaginais rosados e molhadinhos pela excitação. Ela nunca me decepciona e está sempre pronta para mim. Adoro isso! — Insira um dedo em sua boceta e mostre o quanto você quer o meu pau. Isadora arqueja, mordendo o lábio. Sei que o meu palavreado sujo a deixa ainda mais excitada e eu uso desse recurso a meu favor. Ela chupa o dedo sensualmente, com os olhos fixos aos meus, para depois enterrá-lo em sua boceta. Então começa a mover o dedo e os quadris em um ritmo compassado, indo e vindo, dentro e fora. Vê-la se dando prazer me deixa completamente alucinado. O animal safado e libertino ganha vida dentro de mim, louco para devorá-la.


Eu me aproximo um pouco mais enquanto a minha Afrodite está dando um show se masturbando para mim. Não sei quem está tendo mais prazer se é ela metendo seu dedo em sua boceta ou se sou eu que assisto a tudo fascinado. Fechando os olhos, ela joga a cabeça para trás e começa a gemer alto. Enquanto uma de suas mãos trabalha em seu interior, a outra sobe o fino tecido e se posiciona em seu seio, apertando-o com força. E quando dou por mim, Isadora explode gozando, se contorcendo sobre a poltrona. — Alex! Alex! Ohhhh! — geme alto inclinando o ventre para cima enquanto seu dedo dá as últimas estocadas em seu interior. — Porra, Isadora! Não chama por mim desse jeito que você me mata! Eu me aproximo e me ajoelho no meio de suas pernas. Ergo ainda mais seu vestido para cima, puxo seus quadris para frente e caio de boca nela. Isadora estremece e volta a se contorcer. Lambo seu clitóris sensível e chupo com força, me embebedando em seu gosto de feminilidade. Tomo tudo que tenho direito, alternando entre lambidas e chupadas. — Olhe para mim, Afrodite! Quero ver você gozar de novo como fez agora a pouco. — Agarro sua bunda com uma mão enquanto a outra viaja em seu corpo, em direção ao seu seio. Afasto o tecido e sutiã para o lado, aperto e torço o biquinho entre o polegar e o indicador. Isadora puxa o meu cabelo, arfando e rebolando no embalo da minha língua. Prendo seu clitóris entre os dentes e ela solta um grito abafado, mordendo os lábios e se debatendo toda. Para deixá-la ainda mais louca, enfio o dedo em sua bocetinha e faço círculos, pressionando sua zona sensível. Esse é ponto culminante para Isadora ser inundada por um novo orgasmo que a deixa quase sem ar. Ela solta gemidos constantes, um atrás do outro, enquanto sua boceta aperta o meu dedo, sofrendo os espasmos de seu êxtase intenso. — Ah, essa boceta gostosa... — Tiro o restante de suas roupas bem como as minhas com fúria, jogando-as em um canto, e inverto as posições. Eu me sento na poltrona e puxo Isadora de costas para meu colo. — Senta bem gostoso no meu pau. Isadora se encaixa em meu colo, montando deliciosamente em cima de mim. Um gemido sexy escapa de sua garganta quando ela sente meu pau inteiro dentro de sua bocetinha apertada e quente como uma fornalha. Agarro firme a sua cintura e começo os movimentos rítmicos para cima e para baixo, me enterrando nela, reivindicando o que é meu. — Ah, que delícia, Alex! Mais forte! — Isadora exige acariciando seus seios com as mãos. — Deixe-me que faça isso! — Afasto uma de suas mãos e cubro seu seio com a minha, apertando-o, acariciando-o. — Cavalga no meu pau, Afrodite! — Dou uma palmada em sua bunda, ordenando para se mover em cima de mim. — Ah, porra! Que gostosa! Umedeço meu dedo com saliva e enfio em seu rabinho, estocando de leve no início. Enquanto Isadora me fode em movimentos alucinados, eu deslizo minha boca em suas costas, comendo seu rabinho com o dedo e sua boceta com meu pau. — Alex, você está acabando comigo! Isadora joga a cabeça para o lado, inclinado-a para trás, dando acesso para eu beijar apaixonadamente seus lábios. Tiro meu dedo se seu ânus e agarro suas pernas, suspendendo-as para


cima. Passo a meter como um louco, com as mãos entrelaçados em suas pernas, sem separar nossas bocas em nenhum momento. Enfio com tanta profundidade que Isadora começa a arfar e tremer descontroladamente. Movo o quadril e bato de novo e de novo. Tiro meu pau e volto a penetrá-la com violência, enterrando-o em seu canal apertado, quente e molhado. Isadora envolve o braço por trás de meu pescoço e agarra minha nuca gemendo sem parar. — Eu não vou aguentar... — choraminga separando seus lábios dos meus para encarar meus olhos, apaixonada e cativa. — Então toma tudo que você tem direito. Volto a tirar meu pau e enfiar de novo, deixando-a doida. Seguro suas pernas ainda suspensas no ar e retorno os movimentos punitivos. Meu coração bate com tanta intensidade que parece querer explodir dentro do meu peito. Deslizo os dedos em direção ao seu clitóris e começo a estimulá-lo, preparando para o gozo que é iminente. Isadora começa a se debater e dizer coisas incompreensíveis em minha boca. Ouvir seu lamento sempre me deixou fora de mim, querendo mais, muito mais. — Ohhh, Alex! — grita se contorcendo de prazer, rebolando em cima do meu, enquanto eu derramo jatos e mais jatos de meu gozo dentro dela. — Porra! Essa bocetinha ainda vai acabar comigo — digo em um rosnado mordendo seu pescoço, depois de gozar muito. *** Após o banho de banheira, no qual nos acariciamos e trocamos muitos beijos dentro d’água, jantamos um sanduíche reforçado com suco de laranja. Embora Raquel tenha deixado uma comida congelada, nós optamos por algo leve e rápido. O dia foi cansativo e o que mais desejamos é nos recolher cedo para o quarto. Isadora está parada de costas para mim e mexendo em uma gaveta do armário, enquanto eu termino de analisar alguns papéis da negociação feita com os empresários. Tenho que deixar tudo sacramentado para o dia de amanhã que será corrido como de praxe. Termino de analisar as últimas linhas do contrato e guardo a papelada dentro da valise. Quando me levanto da cadeira e saio detrás da escrivaninha eu vejo Isadora com os olhos estáticos para sua tela de celular. Ela segura o aparelho em uma das mãos e seu rosto está pálido. Preocupado de que possa estar acontecendo alguma coisa eu me aproximo rapidamente. — O que houve, Dora? — Mais uma foto... — sussurra me entregando o celular com mão trêmula. Na tela do aparelho está Isadora no parque da cidade. Ela usa a mesma roupa que usou hoje durante o expediente de trabalho na empresa. Eu fico por um instante sem entender o que se passa e só então me dou conta de que a minha noiva não passou o dia todo trabalhando como eu supunha. Estive tão ocupado com os empresários americanos que não tive tempo de vê-la durante o almoço. — Dora, você esteve fora o dia de hoje e arriscou sua vida saindo sem proteção? — questiono


apavorado voltando a olhar para a foto que está no visor. — Sim, eu estive... — responde em um fio de voz sentando-se a beirada da cama. — Eu achei que depois do que aconteceu ao Manolo você ficaria mais precavida com sua segurança, mas me enganei! Dora, você foi seguida no dia de hoje! A porra dessa foto é a confirmação disso. — Eu me sento ao seu lado, nervoso. — Eu sei! Me desculpe! — Isadora está tão abalada que se abraça em mim um pouco trêmula. — O que você foi fazer no parque, meu amor? — Eu afago seu cabelo com carinho. Ofegante e com a expressão assustada, Isadora me encara. Ela abaixo os olhos e prende os lábios me deixando ainda mais nervoso. Mil ideias começam a martelar a minha cabeça e nenhuma é boa. — Eu fui me encontrar com Samara. — Eu não acredito! — brado me levantando exasperado passando uma das mãos ao cabelo. — O que aquela vagabunda queria com você? — Ela queria dizer quem foi a mentora do plano que nos separou. — Mas que diabos é isso? Outra mentira da Samara? Quem foi a responsável por nós dois vivermos separados um do outro foi ela mesma. — Não! Ela foi um fantoche nas mãos de uma pessoa muito mais experiente e ardilosa — diz se levantando. — Dora, você está dizendo que Samara foi usada por uma terceira pessoa? — Exatamente! — E quem é essa pessoa? — Dona Verônica Almeida Roth. Por que eu não estou nenhum pouco surpreso ao saber sobre isso? Na verdade, eu já cogitava essa ideia, mas ouvir Isadora fazer essa declaração com tanta convicção me deixa irado. A família Roth quer mesmo a minha ruína. Até hoje me culpam pela morte da Fernanda, embora tenha ficado provado de que ela se suicidou. Mesmo assim a obsessão por vingança toma conta de dona Verônica, chegando até mesmo a usar Samara para executar seu plano maquiavélico. O que mais essa mulher é capaz de fazer? Será que ela também está por trás de tudo que está acontecendo em minha vida? — Meu Deus! — exclamo horrorizado sentindo o sangue ser bombeado com rapidez em minhas veias. — Quando isso vai acabar? — Alex, eu sinto muito... — Isadora se aproxima e afaga o meu rosto. — Dora, o que Samara pediu em troca para te contar essa história? De graça é que não foi! — Na verdade, fui eu que pedi que ela me contasse. — O quê?! — Eu arregalo meus olhos surpreso. — Me conte tudo. Quero saber de cada detalhe. — Alex, eu fiz uma proposta para Samara. Ela não tem dinheiro, está desempregada e tem um bebê para criar... — Isadora solta um longo suspiro. — Eu ofereci dinheiro a ela e uma oportunidade


em uma empresa longe daqui em troca dessa informação. — O meu queixo cai! — Dora, você praticamente comprou essa confissão. Meu Deus! — Levo as mãos ao cabelo e começo a caminhar de um lado para o outro. O que está acontecendo com minha noiva? Isadora enlouqueceu? — Eu sei que você não vai aceitar o que eu fiz. Mas eu não tinha alternativa para fazer com que a Samara me contasse toda a história — explica-se nervosa. — Você não vê que agindo assim, você está se igualando no mesmo nível dessa gente sem escrúpulos? — Alex, eu estava desesperada para saber toda a verdade. Sei que agi por impulso e de maneira inconsequente, mas era o único meio que eu dispunha para descobrir quem armou aquela sujeira para separar nós dois. — Isadora senta-se a beirada da cama e coloca a cabeça entre as mãos. — Me perdoe! Por favor! Eu caminho até ela e me acomodo ao seu lado, abraçando-a. Embora saiba que Isadora agiu errada e impulsivamente, eu me abstenho de deixá-la ainda mais culpada. Ela apoia a cabeça em meu peito e começa a chorar baixinho fazendo meu coração se comprimir angustiado. — Amor, não chore! Por favor! Eu entendo o que você fez, mas desaprovo a maneira como agiu. Você não pode tomar decisões precipitadas, Dora. — Ergo seu queixo limpando suas lágrimas com o polegar. — Fiz tudo errado, eu sei — afirma com voz chorosa. — Mas eu não suportava mais conviver com a dúvida. Ela estava me deixando louca! — Eu também queria descobrir tanto quanto você quem armou para nos separar. Mas não devemos colocar os pés pelas mãos. A vida cobra o preço depois. — Beijo seus lábios rapidamente. — Mas então me diga: Samara concordou com tudo? — Sim! Ela assegurou que irá desaparecer com o filho, pois teme a segurança dela e da criança. — Isadora volta a aconchegar a cabeça em meu peito enquanto eu afago seu cabelo. — Eu fiquei com pena dela, Alex. Samara está passando por dificuldades e ainda tem um filho pequeno para criar. — Samara procurou por isso, Dora. Agora ela terá que arcar com as consequências. — Eu queria tanto saber quem é o pai daquela criança. Você tem ideia de quem seja? — Não! — respondo convicto e um silêncio se segue. — Por que dona Verônica quis nos separar? O que ela lucraria com isso? — A minha ruína. Eu sabia que dona Verônica me odiava, mas nunca pensei que ela pudesse agir tão baixo para me destruir. Ledo engano! Além de não ter caráter, ela não tem noção do que fez contra mim, tentando me prejudicar. Mas não deixarei isso barato. Amanhã mesmo eu procurarei o delegado Silvio Novaes e relatarei todo o ocorrido. Desde o início. Espero que dona Verônica tenha uma reserva boa em dinheiro, porque ela precisará para pagar os advogados para livrá-la de uma condenação perante a justiça.


Capítulo 34 Isadora

Alexander tem razão quando disse que agi impulsivamente. Tenho que controlar meus ímpetos para não cometer mais besteiras e nem colocar a minha segurança em risco. Ainda mais depois da fotografia que recebi ontem. Estava tão cega e obstinada para saber quem foi o responsável pela nossa separação que sequer me dei conta de cuidar de mim. Fui seguida e fotografada outra vez. Certamente que é a mesma pessoa que está nos aterrorizando há mais de um mês. Não tenho dúvida. Mas quem? Dona Verônica? Dona Berenice, a ex babá de Alexander? Outra pessoa que desconhecemos? A dúvida e o medo estão me corroendo por dentro. Tento esquecer isso por alguns minutos e me concentrar na explicação do doutor Hélio, médico que cuida de Manolo. Enquanto eu estou no hospital para saber notícias de meu melhor amigo, Alexander está conversando com o delegado Silvio. Ele levou meu celular para mostrar as fotos que recebi e também relatar sobre as ligações com número bloqueado que tem recebido. Mas o assunto mais importante a ser tratado com a polícia é sobre a declaração feita por Samara. Alexander quer saber o que as autoridades policiais podem fazer neste caso. Depois de falar com doutor Hélio e quase implorar para ver Manolo, sou conduzida até o quarto onde meu amigo está. Tenho apenas 10 minutos para vê-lo, o que para mim significa muito. Entro e avisto Manolo deitado na cama, com um gesso no braço esquerdo. Eu tento segurar o pranto, mas é em vão. Quando ele vira o rosto em minha direção, vejo suas feições inchadas e com manchas arroxeadas. — Manolo! — Eu me aproximo e seguro a sua mão com carinho fitando seus olhos verdes que também estão cheios d’água. — Dorinha! — sussurra com voz fraca. Enquanto eu seco as minhas lágrimas sem obter sucesso, as dele descem molhando seu rosto pálido. — Como você está? — Eu puxo uma cadeira e me acomodo perto de sua cama. — Todo quebrado. Sinto como se um rolo compressor tivesse passado por cima do meu corpinho — responde, usando seus termos divertidos mesmo estando com o semblante abatido. — Ah, Manolo! Quando recebi a notícia, eu... Eu... — Não consigo terminar a frase e abaixo a cabeça chorando sem parar. A dor por saber que ele foi espancado sem motivos dá sinal em mim, me deixando devastada. — Dorinha, eu estou vivo! Um pouco quebrado, mas euzinha aqui se recupera rápido. Você vai ver! — diz em tom de brincadeira, tentando me animar.


— Sim, graças a Deus você está vivo. — Eu acaricio seu rosto enquanto o pranto cessa. — O que realmente aconteceu naquele dia? Você se lembra? — Foi tudo tão rápido! Eu estava voltando para casa depois da corrida no parque, quando quatro brutamontes me cercaram. Sem dizer nada, um deles me deu um soco e eu caí. Foi então que eles começaram a me dar chutes e pontapés. — Manolo está ofegante e aperta minha mão durante o relato. — Depois de baterem muito em mim, eles correram. Eu ainda tive tempo de ligar para Ernani antes de desmaiar. — Meu Deus! — gemo apavorada voltando a acariciar seu rosto. — Manolo, eu prometo que nós acharemos os culpados e que eles pagarão pelo que fizeram a você. Ernani e Alex já estão trabalhando nisso, junto com a polícia que está investigando o caso. — Obrigado, minha diva! — Não agradeça! Eu o tenho como a um irmão. — Beijo a sua testa e ele sorri. Uma enfermeira chega avisando que meu tempo de visita acabou. Eu dou mais um beijo na testa de Manolo e deixo o quarto. Enquanto eu faço meu trajeto de volta para a empresa, estou fazendo minhas preces silenciosamente, pedindo a Deus e aos anjos que Manolo se recupere rápido e que tudo seja resolvido, tanto para Manolo como para Alexander e eu. *** Algumas semanas depois...

Manolo já está em casa se recuperando do ataque que sofreu. As ligações telefônicas com número restrito cessaram, assim como as fotografias. Tudo está calmo demais para o meu gosto. Sinto como se isso fosse algum presságio de que algo ruim está por vir. Talvez seja coisa da minha cabeça. A polícia continua investigando o caso da explosão do carro de Alexander e também o espancamento que meu amigo foi acometido, mas até agora nada de indícios de quem sejam os culpados. Apenas poucas pistas que não levam a um provável suspeito. Quanto ao crime cometido por dona Verônica, infelizmente a polícia nada pode fazer sem que Samara dê uma declaração, confirmando o fato. Nem preciso dizer que a ruiva pegou o dinheiro e a oportunidade de trabalho em uma empresa renomada e sumiu com seu filho. Sendo assim, as coisas se tornam difíceis de serem elucidadas. É domingo e estamos todos reunidos ao redor da piscina depois do almoço regado a churrasco, arroz campeiro. Alexander convidou os nossos amigos e também os sócios da empresa para o almoço. Todos vieram com exceção de Roberto, que deu uma desculpa de que estaria viajando no final de semana. Desde o dia que ele me agarrou na copa e que eu dei um tapa no seu rosto, ameaçando contar o ocorrido para meu noivo, Roberto tem estado arredio. Ele somente interage com os demais sócios quando o assunto é trabalho. Caso contrário, se tranca em sua sala, se isolando de todos.


— Esse chope está uma delícia! — exclama Douglas, que está acomodado assim como os demais em uma das mesinhas, no quiosque. — Manolo, como está a sua recuperação? — pergunta minha mãe que está acomodada ao lado de Douglas. — Não podia estar melhor, Vivi! Ernani tem me mimado muito e não me deixa fazer nada. — Meu amigo lança um olhar carinhoso em direção ao namorado, que sorri sem jeito. — Manolo sempre exagera, mas dessa vez, eu estou controlando os movimentos dele e ele está seguindo a risca com o que o médico prescreveu. Em um mês já pode tirar o gesso. — Sorri Ernani esperançoso. — Coisa horrível o que aconteceu — se manifesta Estela, balançando a cabeça de um lado para outro. — A polícia não tem indícios de nada ainda? — Infelizmente não, mas eles estão trabalhando no caso — responde Ernani. — O importante é que Manolo está vivo e bem. — Eu acaricio a sua mão e ele sorri. Neste instante Alexander chega com Raquel que traz um carrinho repleto de doces. Ela começa a distribuir os pratos com pudim, bolo de brigadeiro e mouse de maracujá. Minha boca se enche de água quando ela coloca o doce em minha frente. Desde pequena que gosto de doces, mas depois que fui modelo, tive que me controlar por um tempo, o que era um martírio. Ainda bem que essa época de privações já passou. Vejo a alegria de meu noivo enquanto ajuda Raquel a distribuir os doces e apenas sorrio, regozijada. Alexander está mudado, é um novo homem em todos os sentidos da palavra. Está mais leve e sorridente, aberto ao convívio com os demais e isso tudo me enche de felicidade, de esperanças. O que eu tanto queria, que era vê-lo cheio de vida, de amor, com o coração mais terno e menos frio, está acontecendo. O meu sonho está se tornando realidade e eu sou grata a Deus por isso. Por ter dado a vida e o amor ao homem que amo, por ter ajudado aos poucos a curar as suas feridas, ou ao menos amenizar aquelas que receio que nunca cicatrizarão. Mas isso já é um começo! — Eu adoro mouse de maracujá! — Sorrio enquanto mergulho a colher cheia em minha boca. — Então aproveita, meu amor. Esse foi feito especialmente pela Raquel — diz Alexander se sentado ao meu lado. — Está mesmo muito bom! — elogia Marco enquanto prova do doce. — Por que será que o Roberto não veio? Alexander torce os lábios ao ouvir o nome do sócio e eu engulo rapidamente um pedaço de bolo de brigadeiro. Marco não fez a pergunta por mal, ele apenas desconhece o cafajeste que Roberto é! — Parece que ele está viajando. Não sei direito — responde Estela. — Pessoal, eu serei sincero com vocês. — Começa meu noivo, deixando o prato de doce de lado. — Vicente vendeu as cotas dele para Roberto sem avisar os demais sócios. Acho que todos sabem disso. — Sim, eu achei uma falta de consideração do Vicente, após tantos anos de firma — argumenta Marco.


— O pior de tudo é que sabemos que Roberto não tem boa reputação entre os empresários e eu temo que isso afete a nossa empresa — fala Alexander bebendo de seu chope. — Infelizmente, empresários com péssima reputação é o que mais se vê em nosso meio! — diz Douglas. — Mas será que Roberto prejudicaria a empresa na qual é sócio? Alex, ele não é louco de fazer uma coisa dessas. — Não sei, Douglas. Mas estou de olho nele. E não é somente nos negócios e sim no geral. — Alexander me lança um olhar e eu congelo. Nem quero saber o que ele é capaz de fazer se souber o que Roberto fez outro dia na copa. Minha mãe pressente que o clima está um pouco carregado e muda de assunto, falando sobre viagens e passeios. A atmosfera se torna mais agradável e passamos a tarde conversando assuntos triviais, comendo doces e bebendo chope. *** A segunda-feira está agitada na empresa. Minha mesa está cheia de papéis para analisar, minha caixa de entrada de e-mail está igualmente lotada e o telefone não para de tocar. Ainda bem que Manolo retornou ao seu posto e está me ajudando com tudo, senão eu estaria louca. Ele ainda está com o braço esquerdo imobilizado, o que dificulta um pouco para realizar todos os afazeres. Mas sob meus protestos, de Ernani e de Alexander, meu amigo quis vir trabalhar antes de vencer seu atestado médico. Sem tempo de sair para almoçar, Alexander acaba pedindo um almoço em sua sala para nós dois. Entre uma garfada e outra de comida, trocamos beijos carinhosos e declarações de amor. Mas nada de sacanagens durante o expediente de trabalho. Passo o restante da tarde, juntamente com Manolo, analisando alguns papéis, revisando orçamentos, relendo alguns contratos. Quando me dou conta já está na hora de encerrar o expediente. Enquanto Alexander termina de fazer uma ligação importante, eu desço para esperar por ele no carro. Estou cruzando a garagem e no caminho, eu encontro Roberto, que está concentrado guardando alguns documentos em sua valise. Ele vem na direção oposta a minha e quando ergue a cabeça, nossos olhos se encontram. Roberto me encara com semblante ilegível e se aproxima. — Olá, Isadora. Desculpe por eu não ter comparecido ao churrasco ontem. Eu estava viajando para o interior. Tenho um sítio não muito longe daqui. — Estela disse que você estava fora. — Eu lanço um breve olhar em direção a Range Rover, mas não vejo nem Carlos e nem Plínio. — Estela é um doce! — Sorri com ar malicioso e eu respiro fundo contendo a irritação. — Você e ela são amigas faz tempo? — Nós nos conhecemos desde a época de colégio. — Isadora, eu não posso mais ser hipócrita. — Ele suspira e segura o meu braço. — Eu não fui ao almoço ontem na casa do Alexander porque eu não suporto mais ver vocês dois juntos.


Roberto não dá tempo para eu absorver as suas palavras e me puxa para um canto da garagem, de pouca visibilidade. Ele me encurrala junto à parede de concreto e com uma das mãos prende os meus pulsos atrás de minhas costas. A cena que ele me beijou a força na copa outro dia, é reprisada em minha mente como um filme de terror. Eu me debato para sair de sua posse enquanto sua mão livre desliza em meu corpo, me despertando para o horror. — Roberto, me solte! — imploro apavorada à medida que seus dedos avançam em direção a barra da minha saia. Ele puxa o tecido para cima e eu comprimo as coxas em repulsa. — Isadora, eu te darei o mundo se você quiser. Vou te cobrir de ouro da cabeça aos pés. Posso te dar mais do que Bismarck te dá. — Roberto inclina a cabeça para baixo para me beijar e eu viro o rosto rapidamente. — Não quero nada que venha de você! Me solte, Roberto! Me solte! — Eu me debato em vão, pois estou quase impossibilitada de me mover. Ele escorrega os dedos para debaixo de minha saia e passeia sob a renda da minha calcinha. O nojo é tanto que sinto o estomago embrulhar. — Não faça isso! Por favor! — Essa bocetinha deve ser uma delícia! Dá ela para mim, Isadora — rosna tentando a qualquer custo me beijar enquanto passeia seus dedos por cima da renda da minha calcinha. — Pare, seu filho da mãe! Pare! — grito desesperada me contorcendo e tentando escapar de qualquer jeito. — Tire suas mãos sujas de cima de minha noiva, seu maldito! Nem dá tempo para eu processar o que virá a seguir. A única coisa que vejo é Alexander agarrando o pescoço de Roberto e o puxando para longe de mim. Os dois começam a se engalfinhar como se estivessem em um ringue de luta livre. Alexander dá um soco no rosto de Roberto que cai com o nariz ensanguentado. Eu assisto a tudo horrorizada e estaqueada. Não consigo sequer respirar, quanto mais raciocinar. — Alex, cuidado! — grito enquanto Roberto se levanta e parte para cima do meu noivo, dandolhe um soco na altura da sobrancelha esquerda. O que se desenrola nos segundos seguintes são chutes, pontapés e socos para todos os lados. Os dois estão com os casacos em desalinho, o cabelo igualmente todo despenteado enquanto lutam um com o outro. A cena é similar a de um filme de ação, com direito a sangue e bofetadas. Enquanto Alexander tenta revidar e não deixar Roberto levar vantagem, Roberto tenta a qualquer custo desestabilizar o meu noivo, que fisicamente é mais forte e mais alto do que ele. — Senhor Alexander, pare! Ouço a voz de Carlos que chega separando os dois e puxando Alexander para longe. Roberto aproveita para limpar seu queixo coberto de sangue e encara o sócio com fúria. Meu noivo devolve na mesma moeda, fulminando Roberto com olhar. — Cafajeste, nunca mais ouse tocar em Isadora novamente ou eu acabo com a tua raça! — ameaça Alexander. — Quem vai acabar com a sua reputação serei eu, Bismarck! — declara Roberto com os olhos ardendo em cólera.


— Porra, Carlos! Me solte! — rosna Alexander enquanto seu motorista libera seu braço com cautela. Ele ajeita o casaco de terno e encara Roberto. — Quero vê-lo fora da minha empresa, amanhã mesmo! Eu viro o rosto para o lado e vejo alguns funcionários que estão encerrando o expediente de trabalho e começam a cruzar por aqui para ir embora. Eles cochicham entre si e estão com os olhos vidrados na cena que veem. Eu engulo em seco e fico imaginando a repercussão do ocorrido no dia de amanhã. Certamente que a imprensa logo saberá e não pouparão a imagem de nenhum dos dois. Quanto a mim, só temo pela reputação de meu noivo, que é um empresário sério e influente. — Essa empresa é minha também, Alexander. — Roberto limpa o sangue que escorre em seu nariz. — Acho bom você acionar os seus advogados, por que estou indo agora à delegacia prestar queixa contra você por agressão. — Filho da puta! — Alexander dá um passo a fim de partir novamente para cima de Roberto, mas eu o detenho. — Pode ir à delegacia, Roberto. — Meu noivo me lança um olhar surpreso. Eu tomo coragem e encaro o nosso sócio mau caráter de queixo altivo. — Se você prestar queixa contra meu noivo por agressão, eu presto queixa contra você por tentativa de estupro. Relato ao delegado que Alexander me defendeu de ser violentada por você. Em quem acha que a polícia acreditará? Em mim ou em você? Roberto me encara de volta com frieza. Ele pensa por um momento enquanto eu vejo pelo canto dos olhos alguns dos funcionários que estão ao longe assistindo a tudo, começar a tomar conta de sua própria vida. Eles entram em seus carros e deixam o local. — Você não teria coragem de fazer isso, Isadora — diz Roberto duvidando de minha palavra. — Experimente e verá! — Muito bem! — Roberto abre um sorrisinho cínico. — A gente se vê amanhã aqui mesmo na empresa, sócios. — E dizendo isso ele gira o corpo e sai em disparada em direção ao seu carro. Alexander solta um longo suspiro e vem ao meu encontro. Ele me abraça forte e acaricia o meu cabelo. Eu deixo a minha cabeça repousar em seu peito por um instante e ergo os olhos encontrando os seus aflitos sobre mim. — Dora, você está bem? Aquele maldito não fez nada contra você? — Estou bem, meu amor! Mas você... — Eu acaricio o seu rosto e fixo os olhos em sua sobrancelha machucada. — Alex, Roberto te feriu! — Isso não é nada, amor! O que é de Roberto está guardado. Agora vamos para casa. — Alex volta a me abraçar e saímos e entramos no carro. Uma coisa eu tenho certeza: Alexander sempre cumpre o que diz.


Capítulo 35 Alexander

— Ai, Dora! — gemo acomodado no sofá do escritório de minha casa. Isadora ignora o meu protesto e volta a limpar o ferimento de minha sobrancelha. — Alex, você precisa ficar quieto para eu poder fazer o curativo. — Nunca pensei que você pudesse entrar em uma briga, senhor Alexander. — Indignado, Pierre balança a cabeça de um lado para outro apenas observando enquanto Isadora faz o curativo em mim. — Para tudo existe uma primeira vez, Pierre. E Roberto merecia muito mais do que um nariz quebrado — rosno enfurecido. Só em lembrar o que ele fez a minha namorada, a vontade de esmurrálo emerge com toda sua fúria. — Mas o que o motivou a isso? — indaga Pierre curioso. — Roberto extrapolou com os limites aceitáveis daquilo que se chama caráter. Se bem que ele não tem um! — respondo incomodado enquanto Isadora termina de fazer o curativo. — Ele mexeu com minha noiva e teve parte do que merecia. Aquele desgraçado não será mais meu sócio. Farei o impossível para enxotá-lo de dentro da empresa. — Pierre volta a balançar a cabeça em sinal de contradição. — Eu vou colocar a mesa para o jantar. Com licença — ele diz e deixa o escritório em direção a copa. — Pronto! — exclama Isadora fechando a caixa de primeiros socorros. — Alex, você promete que não vai comprar mais briga com Roberto? — Não posso prometer isso! — Eu me levanto pegando o paletó de cima da poltrona. — Alex! — Dora, aquele desgraçado tocou em você! — esbravejo enfurecido. — Se ele ousar fazer qualquer gracinha, eu acabo com ele. Juro! — Roberto não fará mais gracinha nenhuma. Ainda mais depois do que eu disse. Se ele for à polícia, quem se ferra é ele. — Isadora me abraça e apoia a cabeça em meu peito. Eu fecho os olhos por um breve momento e a envolvo em meus braços. Ainda sinto os resquícios da fúria em mim. Quando ouvi o pedido de socorro de Isadora eu me desesperei. Mas nada se compara a cena que vi. Fiquei cego e a raiva me dominou. Esqueci-me de tudo e parti para cima do Roberto como um animal felino em defesa de sua fêmea. A vontade que eu tinha era de matar o miserável. Estava tão obstinado em socá-lo e dar uma


lição a ele, que só fui perceber a repercussão do meu ato quando Carlos me agarrou e separou nós dois. Nunca me descontrolei em toda minha vida adulta, embora tivessem ocorrido algumas desavenças quando criança, no colégio. Mas a raiva do Roberto era tanta, que se Carlos não tivesse me detido, eu teria machucado muito mais o safado. Claro que eu também teria saído com mais alguns arranhões. Mas foda-se! Roberto mexeu com a minha noiva, com a mulher que amo e isso me deixou em cólera. Ouço o meu celular despertar e me distancio de Isadora o mínimo possível. Pego o aparelho e levo uma surpresa ao ver quem me chama do outro: é Abdulah, filho do sheik Zayn Rashid Al Kazir II dos Emirados Árabes. — Abdulah! — exclamo atendendo a ligação. — Alex, meu amigo, quanto tempo? Saudações árabes para você — diz falando a língua portuguesa com destreza. — Saudações brasileiras, meu amigo. — Como está o homem de aço? — indaga em tom divertido. — Confesso que poderia estar melhor. — Eu volto a me acomodar na poltrona e puxo Isadora para se sentar em meu colo. Ela está sorridente e com o semblante curioso. — A que devo a honra de sua ligação? — Meu pai e eu estamos hospedados na cobertura de um hotel aqui na cidade e amanhã à noite estaremos dando uma reunião íntima para poucos convidados. Você não podia ficar de fora. — Reunião íntima?! Sei... — Dou uma gargalhada me recordando das “reuniões” pomposas que o sheik costumava dar em seu palácio. O número de convidados era de no mínimo, cem pessoas. E todos com dinheiro o suficiente para comprar metade de um estado brasileiro. Esse é o mundo dos deuses do petróleo e suas fortunas inestimáveis. — Você conhece meu pai. — Ele também solta uma risada. — Mas espero poder contar com sua presença, amigo. — Sim, claro. Que horas? — A reunião começa às 8 horas da noite. Venha com trajes típicos da Arábia. — Pode deixar! — Sorrio para Isadora que franze o cenho sem entender nada. — Até amanhã, amigo. — Até, Abdulah. — Eu desligo o telefone e abraço Isadora. — Temos um jantar árabe para ir amanhã! — Oh, mas que maravilha! — Seu sorriso se expande em seus lábios. — E teremos que ir a rigor. — Os olhos de Isadora brilham. — Mal posso ver você vestida com trajes típicos árabes. Não sei se vou me aguentar. — Aperto a bunda dela e beijo seu pescoço. — Eu irei adorar! — Isadora me fita com desejo e beija meus lábios. Essa festa era tudo que eu precisava para esquecer o mal entendido que tive com Roberto. E eu irei aproveitá-la e muito ao lado de minha noiva.


*** — Porra! — Sentando em minha cadeira executiva, eu xingo um palavrão ao observar a manchete de um dos jornais mais influentes do estado. Na página da coluna social fala sobre o meu desentendimento com Roberto ocorrido no dia de ontem. Eu sabia que isso seria prato cheio para a imprensa e não me enganei. Eles estão se esbaldando com essa matéria sensacionalista. Como eu esperava Roberto não veio trabalhar hoje. Ele deu uma desculpa de indisposição passageira e ficou em casa. Sei que meu sócio não quer bater de frente comigo tão cedo e está esperando a poeira baixar. Quanto a mim, trabalho sob olhares curiosos de alguns funcionários que ao passarem por mim, analisam o pequeno curativo de band aid em minha sobrancelha esquerda. Mas em vez de alguns cochicharem ou expor uma reação mais comprometedora, eles apenas me olham de canto. O desentendimento entre mim e Roberto deve ter causado um rebuliço e tanto nos corredores da empresa. Conheço muito bem o efeito que esse tipo de assunto causa nas pessoas, mas não estou nenhum pouco preocupado com o pensamento alheio. O que os outros pensam sobre o que aconteceu ontem na garagem, pouco me importa. O que realmente tem relevância é o que eu farei para colocar Roberto no olho da rua, sem suas cotas que ele comprou de forma duvidosa de Vicente. Eu me sento em minha cadeira executiva e abro o jornal. Na página da coluna social está uma matéria sobre mim e Roberto. A reportagem não é tão extensa, mas contém o mais importante que é a informação sobre o nosso desentendimento na garagem no dia de ontem. Eu sabia que alguém daria um jeito de fazer com que a imprensa descobrisse sobre isso e publicasse essa matéria. Puto de raiva, eu fecho o jornal e o deixo em cima da mesa. Certamente que essa matéria deve estar em sites de fofocas online, se espalhando mais que notícia ruim. Mas o pior de tudo é que todos que conheço devem estar sabendo do desentendimento entre mim e o safado do meu sócio e acreditando no que veicula na mídia. Ah, quer saber? Fodam-se o que os outros pensam! Nunca me deixei guiar pela opinião alheia e não será agora que isso acontecerá. A noite chega e com ela o jantar do sheik Zayn, na cobertura de um dos hotéis mais chiques da cidade. Isadora está esplêndida vestindo sua roupa árabe. A roupa é em tom de vermelho com algumas pedrarias douradas que a deixam ainda mais desejosa. Ela está maquiada e com o cabelo solto banhando suas costas. Eu também estou usando roupas típicas orientais: um turbante branco com dourado na cabeça e uma túnica branca com detalhes também em dourado. — Minha Afrodite! — Eu a abraço pela cintura e beijo rapidamente seus lábios. — Você está deslumbrante com essa roupa! — Meu Zeus, você também está mais charmoso do que nunca. Terei que cuidar para nenhuma mulher fresca não tente se aproximar de você. — Isadora sorri acariciando o meu rosto. — Eu só tenho olhos para você, meu amor! — Eu me separo o mínimo possível de Isadora e encontro Abdulah sorrindo para nós. Assim como os demais, ele está vestido trajes típicos árabes. Por cima de sua túnica, um tecido fino, bordado com fios que parecem ser de ouro, completa o


visual. Abdulah caminha em nossa direção e nos cumprimenta. — Amigo Alex, quanto tempo! — Ele me cumprimenta com os famosos beijinhos no rosto e eu apenas sorrio. Sei como são as suas tradições e as respeito, porém não deixo de ficar um pouco constrangido. Abdulah lança um olhar especulativo para Isadora e seus olhos brilham. — Abdulah, eu quero que conheça a minha noiva, Isadora Medeiros. — Eu os apresento. — É um prazer conhecê-la, senhorita. — Ele aperta educadamente a mão de Isadora. — Obrigada! É um prazer conhecê-lo também. — Por favor, a festa é por aqui. — Abdulah nos conduz para o interior da cobertura pomposa do hotel onde há um número generoso de pessoas. Aproximadamente cem convidados, em sua maioria mulheres vestidas com trajes árabes. Entre os convidados, estão presentes alguns empresários que conheço. Nenhum está com sua esposa ou namorada. Enquanto caminhamos em direção ao sheik Zayn, eu cumprimento com a cabeça os poucos conhecidos que se fazem presente. Eles não são nem um pouco discretos e lançam olhares especulativos para mim e para Isadora, que caminha de mãos dadas comigo. A casta abastada da sociedade brasileira adora uma fofoca e um burburinho. E eu detesto esse tipo de comportamento. Nós nos aproximamos do sheik e como sempre está rodeado de belas mulheres. Zayn deixa sua poltrona requintada e vem sorrindo ao nosso encontro. — Alexander, nosso homem de aço, que honra em revê-lo! — diz me cumprimentando do mesmo modo que Abdulah. — É uma honra para mim também, sheik Zayn — respondo enquanto ele está olhando para minha noiva. Zayn analisa meticulosamente Isadora. Ele olha desde o dedão do pé até o último fio de cabelo. Conheço muito bem o olhar predatório do sheik e abraço a minha noiva pela cintura, aproximando-a de mim. Lembranças de festas regadas a muitas mulheres e champanhe em companhia de Zayn e Abdulah surgem em minha cabeça. Eu imagino o que o sheik deve estar pensando neste momento e confesso que não estou gostando do modo como ele olha para Isadora. — Linda esta moça que está com você, Alexander — elogia o sheik com olhar brilhante. E quando vou abrir a boca para dizer que Isadora é minha noiva, somos interrompidos por um dos funcionários de Zayn. O homem se aproxima do sheik e fala qualquer coisa em seu ouvido. Pelo jeito o assunto é importante porque Zayn escuta tudo atentamente e depois se volta para nós. — Vocês terão que me dar licença, mas eu preciso resolver algo de última hora. — Fique tranquilo, Zayn — digo percebendo a inquietação dele. — Aproveitem a festa. Depois conversamos — diz Zayn saindo na companhia de seu funcionário. — Por favor, me acompanhem até uma mesa. — Abdulah faz sinal enquanto eu e Isadora o seguimos. Acomodamos a mesa e logo somos servidos por champanhe e salgadinhos finos. A reunião está


animada e os empresários circulam sempre acompanhados de uma ou mais mulheres. Não estou admirado com isso, pois sei que as festas do sheik Zayn são sempre repletas de muitas garotas e até mesmo de orgias. Só espero que essa seja um pouco diferente. Nunca participei de orgias, embora tivesse muitas oportunidades. — O meu pai está um pouco atribulado esta noite. Alguns empresários aproveitam a reunião para falar de negócios — explica-se Abdulah. — Não se preocupe, amigo. Eu entendo. — Sorrio bebendo um pouco de champanhe. — Alex, o que foi isso em seu rosto? Andou se metendo em alguma briga? — ele pergunta ao observar o band aid que está em minha sobrancelha. — Eu estava defendendo alguns interesses primordiais e acabei esbarrando com um filho da mãe sem escrúpulos. — Lanço um olhar para Isadora que está ao meu lado. Abdulah balança a cabeça afirmativamente como se entendesse o meu recado. — Só espero que essa pessoa tenha entendido o recado. — Eu acho que ele entendeu. — Isadora se antecipa, abrindo um sorriso. — As mulheres ocidentais são muito observadoras. Eu gosto disso! — Sorri meu amigo bebericando de sua bebida. — Abdulah, você e Alex se conheceram em seu país, não é? — Minha noiva começa o interrogatório. Isadora e sua curiosidade sem fim! — Sim, exatamente. Você conhece a história? — Alex me contou que deu a volta ao mundo e que em uma de suas viagens, conheceu você e seu pai. Ele disse que aprendeu a falar a sua língua em seu país. — Alex não fala a minha língua. Ele faz o que vocês costumam dizer aqui que é “assassinar” a língua materna alheia. — Abdulah não se contém e solta uma gracinha caindo na risada. Isadora olha para mim e ri também. Sem alternativas, eu os sigo e todos nós gargalhamos. Conversamos um pouco mais e logo Abdulah é chamado por um dos funcionários de seu pai. Enquanto ele sai para atender ao chamado, Isadora e eu aproveitamos para curtir a festa. Em um palco que foi montado exclusivamente para o sheik, estão algumas dançarinas fazendo apresentações da dança do ventre. Os olhos da minha noiva estão brilhantes e focados no desempenho das garotas. Enquanto Isadora está entretida observando-as, eu vejo ao longe o sheik se acomodar em sua poltrona de destaque e ser rodeado de belas mulheres. Duas lhe servem frutas, petiscos e bebidas e outras três se dividem entre sentar em seu colo e acariciá-lo. Os nossos olhos se encontram e Zayn gesticula com a mão para que eu vá até onde ele está. Termino de beber o resto do champanhe e saio com Isadora em direção ao sheik que nos espera. — Amigo Alexander, você e sua acompanhante estão se divertindo e estão sendo bem servidos? — pergunta enquanto degusta de sua bebida. — Sim, estamos! O champanhe está gelado e os salgados estão deliciosos — respondo de mãos dadas com Isadora.


— Então vamos animar ainda mais a festa! — Ele abre um sorriso em seu rosto de pele levemente bronzeada que ostenta um cavanhaque bem aparado. Zayn olha para minha noiva e seu sorriso se alarga. — Senhorita, você dança também? — Sim, mas não são todos os estilos. — Isadora sorri. — E quais estilos você dança? — Eu sei um pouco de dança de salão, arrisco no balé e gosto do forró. — Fascinante! — O sheik está com o olhar brilhante para minha noiva. — Eu adoraria vê-la dançando. — Quem sabe em outra oportunidade, Zayn. — Eu intervenho pressentindo as perversas intenções dele. — Alexander, eu estou muito interessando em ver a sua acompanhante dançando. — Ele bebe um gole do champanhe e continua o assunto. — Que tal uma troca como nos velhos tempos? Eu te dou quatro das minhas garotas por uma noite com a sua acompanhante. Meu queixo cai! O que eu mais temia acaba de acontecer: Zayn me coloca em maus lençóis com minha noiva. Viro o rosto para o lado e a vejo me encarando, incrédula. Isadora não pisca e seus olhos verdes me fulminam em uma mistura de espanto e raiva. Ela solta minha mão e eu ajeito a gola da roupa. Eu sabia que isso podia vir à tona. Na verdade eu previ esse acontecimento, mas não tive tempo se apresentá-la ao sheik formalmente como minha noiva. Que grande cagada acabo de fazer! Onde eu estava com a cabeça quando vim para essa festa na companhia de Isadora. Eu conheço os costumes muçulmanos e conheço melhor ainda o atrevimento de Zayn. Olho por cima do ombro e avisto Abdulah que se aproxima de olhos arregalados. Ele presenciou a cena e vem dar uma explicação. — Com licença! — Ele começa em tom baixo e polido de voz. — Acho que faltou fazer as apresentações corretas ao meu pai. — Abdulah se volta para Zayn. — Pai, a moça que acompanha Alexander é noiva dele. O nome dela é Isadora. Visivelmente constrangido, o sheik pigarreia e dispensa as garotas que saem rapidamente se misturando entre os convidados. Eu estou em maus lençóis. A expressão que Isadora traz em seu rosto é um indício. Ela ainda me encara como se estivesse julgando com o olhar uma atitude cometida por mim anos atrás. — Allah! — o sheik exclama e vem em nossa direção. — Alexander, Isadora, me perdoem. O que eu posso fazer para remediar essa situação? — Está tudo bem, Zayn — respondo sem jeito, enquanto minha noiva agora encara o sheik. — Mas eu quero fazer algo para me redimir com vocês. — Ele faz sinal para um de seus serviçais e cochicha algo no ouvido do homem que sai atender a sua ordem. — Eu estou no ocidente, mas minha cabeça ainda está no oriente. Por favor, me desculpem! — Com licença sheik, mas eu preciso saber — Isadora começa seu discurso determinada e eu engulo em seco. — Alex, fazia isso de trocar mulheres com o senhor? Zayn e Abdulah se entreolham e depois o sheik me lança um olhar em busca de respostas. Sei


que ele não mentirá sobre minha estadia nos Emirados e isso me deixa ligeiramente apreensivo. Se Zayn contar tudo que sabe a Isadora, eu temo perder a minha noiva. — Claro que não! — ele responde abrindo um sorriso e eu respiro aliviado. — Mas o senhor mencionou que faziam isso nos velhos tempos — Isadora insiste ainda desconfiada. — Quando eu disse isso eu me referi a uma brincadeira que fizemos certo dia no palácio. Mas foi só uma brincadeira inocente. O funcionário do sheik se aproxima e entrega uma pequena caixa. Zayn se vira para nós e estende a caixa para Isadora. Enquanto o sheik tenta consertar o que fez, eu invoco as forças divinas para que Isadora acredite nele. Caso contrário, estou perdido. — Esse é o meu pedido de desculpas, senhorita. Quando Isadora abre a caixa tanto os seus olhos se arregalam quanto os meus. O sheik acaba de dar a minha noiva um colar de esmeraldas. Por essa eu não esperava. Zayn sabe contornar uma situação. Dinheiro e poder ele tem para fazer isso e muito mais. A única coisa que espero é que Isadora aceite o presente e acredite na palavra dele.


Capítulo 36 Isadora

Entendi a jogada do sheik. Ele está me dando essa joia caríssima de presente para remediar a situação constrangedora que meteu o meu noivo. Sinto que eles me escondem algo e isso me incomoda, pois conheço o modo como Alexander levava a vida. Ele mesmo me contou que era um pervertido de carteirinha. Sem querer que essa saia justa se prolongue por mais tempo, eu aceito o presente do sheik. Alexander e eu sorrimos e saímos em direção a uma mesa. Permanecemos sentados bebendo champanhe, comendo alguns salgadinhos e apreciando a reunião. Tento disfarçar o meu incomodo conversando sobre assuntos triviais. A história contada por Zayn ainda não foi digerida e martela meu pensamento. Depois de nos despedir do sheik e de Abdulah, Alexander e eu cruzamos o salão em direção à saída. Estamos quase chegando, quando somos abordados por duas garotas: uma loira e outra ruiva. Elas param em nossa frente e estão com um sorriso malicioso nos lábios. Minha intuição é despertada e não levo nem meio segundo para direcionar o alvo dos olhares das duas mulheres. Elas estão completamente focadas em meu noivo. Reteso o corpo e lanço-lhes um olhar frio. — Olá! Você se lembra de nós duas, gato? — indaga a loira ainda sorrindo desejosa. — Desculpe, mas acho que você está me confundindo com outra pessoa. — Alexander segura em minha mão e começa a caminhar em direção a porta de saída. — A gente nunca confundiria o Homem de Aço — diz a ruiva e eu interrompo os passos. Alexander faz o mesmo e nós nos voltamos para elas. — E não esquecemos a noite que nos divertimos juntos, não é Dani? — pergunta a loira para a amiga e meu sangue ferve. Alexander passou uma noite com essas duas putas?! — Nunca esqueci aquela noite, Fabi. — Sorri a ruiva perversamente. — Se quiser repetir a dose, você sabe onde nos encontrar. — Ela dá uma piscadinha e minha sanidade me abandona. Eu cerro os dentes e dou um passo a frente enquanto meus olhos perfuram os das piranhas. — Quando isso aconteceu? — questiono sentindo a fúria me dominar. As duas garotas se entreolham e voltam o olhar para mim. Parece que elas não entenderam a minha pergunta, ou fingiram que não escutaram. — Vocês me ouviram? Eu perguntei quando isso aconteceu? — Quem é essa louca? — A loira está me analisando de cima abaixo. — Eu sou a noiva do Homem de Aço. Portanto, sou a Mulher de Aço. — Não me controlo mais e seguro forte o braço da piranha loira que arregala os olhos, apavorada. — Isadora, o que você está fazendo? — Alexander está chocado e apenas assiste a tudo com o


rosto ligeiramente pálido. Ele tem culpa no cartório. Ah, se tem! — Alex, eu converso com você em casa — rosno para ele e me volto para a garota que começa a tremer como vara verde. — Estou esperando a sua resposta! Diga! — Isso foi há alguns meses. Seu noivo passou a noite comigo e com mais duas amigas. Eu ouvi direito? Alexander transou com três mulheres ao mesmo tempo? Eu devia ter desconfiado que algo estava errado. Quando Estela me procurou e quase implorou para que eu voltasse, ela mencionou que Alexander havia voltado a viver seus velhos hábitos. Como pude ser tão cega? As evidências são tão claras para mim e elas estão diante dos meus olhos. Essa é a gota d’água para meu sangue começar a correr rápido em minhas veias. Solto a loira abruptamente e ela esfrega o pulso levemente vermelho devido a pressão de meus dedos. — Tenho um recadinho para as duas — Eu começo em tom baixo. — Nunca mais cheguem perto do meu noivo. Por que se qualquer uma de vocês cruzarem meu caminho de novo, eu não serei tão queridinha assim! Entendido? — Cruzes! Você é maluca, garota! — fala a ruiva e volta-se para a amiga. — Vamos Fabi, antes que essa doida nos coma viva! — debocha, girando o corpo e desaparecendo com a loira em meio aos convidados. Alexander vira o rosto e me encara de olhos arregalados. Ele está nervoso enquanto eu estou com o estômago embrulhado e me sinto enjoada. Respiro fundo e tento contar até 50 para não explodir com ele, mas parece que a tática numérica não funciona. A explosão vem e sai descomedida. — Então você se divertiu com essas duas e mais uma terceira amiguinha puta? — esbravejo e saio pisando duro até o elevador. Alexander me segue mais tenso do que nunca. — Dora, espere! Eu posso explicar... — diz enquanto eu aperto o botão do térreo. — Não! — Eu me volto para ele apontando o indicador em sua direção. — Volte para a festa e comece a orgia da noite na companhia do seu amigo sheik safado, do filho dele e das muitas piranhas que estão no salão. — Dora, você está distorcendo as coisas. Não é o que você está pensando. Eu juro! — Leve essa joia e dê para uma daquelas putas. — Eu lhe entrego a caixa e ele abre a boca, estupefato. — Vamos conversar em casa. Aqui não é local apropriado para falarmos sobre isso. — Você quer lavar a roupa suja em casa, Alex? — bufo, ignorando suas palavras e entrando no elevador. Alexander faz menção de me acompanhar e eu volto a erguer o indicador para ele. — Nem ouse entrar. Eu irei sozinha para casa! — Isadora, espere! — diz enquanto as portas se fecham. A fúria se apodera de mim e me deixa cega. Não vejo mais nada a minha frente a não serem os malditos números que contam os andares sobre a minha cabeça. Alexander transou com aquelas piranhas? Quando? Como? Por quê? Não acredito que ele fez isso. Não pode ser verdade. Balanço a cabeça enquanto pensamentos catastróficos povoam a minha mente.


Chego ao estacionamento do hotel e avisto Carlos esperando ao lado do carro. Ele ergue uma sobrancelha especulativa quando me vê e eu sei o motivo de seu espanto: Alexander não está comigo. — Senhorita Isadora. — Ele acena com a cabeça. — Carlos, você pode fazer um favor? — Sim, pois não? — Avise ao Alex que eu vou para casa de táxi. — Ele franze o cenho sem entender. — De táxi? Mas por quê? — Apenas avise a ele — respondo sem querer entrar em detalhes com o motorista. — Senhorita Isadora não é aconselhável que você saia desprotegida — ele tenta me persuadir a mudar de ideia. — Carlos, dê o meu recado. Boa noite! — Eu me antecipo e saio calçada afora em busca de um táxi. Estou furiosa demais para conversar neste momento. A única coisa que quero agora é chegar em casa e antes de Alexander. *** Cerca de meia hora depois eu cruzo o hall de entrada e nem sinal de Alexander. O meu celular não para de tocar e de receber mensagens de WhatsApp que são enviadas pelo meu noivo. Eu não atendo as ligações e tampouco leio as mensagens. Alexander precisa aprender que não se brinca com os sentimentos das pessoas. Pelo que entendi a suruba aconteceu quando a gente ainda não tinha reatado o romance. E, embora isso talvez seja relevante, eu não consigo absorver ainda o impacto que foi ouvir daquelas garotas falando sobre a safadeza que passaram na companhia de meu noivo. A vontade que tive foi de quebrar a cara delas, ali mesmo na festa. Mas o bom senso falou mais alto em mim e controlei os meus nervos. Entro no quarto e me dispo da fantasia. Coloco uma camisola curta e o roupão de seda e vou até o banheiro para remover a maquiagem. A raiva ainda se apodera de mim e não consigo raciocinar direito. Preciso pensar em algo para falar a Alexander e deixar claro que o que ele fez me incomodou e muito. Mas não sei se esse é o momento certo para isso. Preciso me acalmar um pouco, senão acabo falando merda. Retorno ao quarto e levo um susto ao me deparar com Alexander. Ele está terminando de se despir da túnica e seu corpo másculo e seminu quer colocar o meu cérebro em desordem. Mas não conseguirá. Ele veste seu calção de dormir e me encara com uma expressão nebulosa. — Dora, eu acho que você me deve explicações! — Ele irrompe o silêncio dando dois passos à frente. — Acho que quem deve explicações aqui é você, Alex, e não eu! — rebato em tom firme cruzando os braços sobre o busto. — Por que você não esperou por mim e pegou um táxi? Você gosta de arriscar a sua vida!


— Não fuja do assunto, Alex! — Você ainda está zangada por causa daquele equívoco? — Ele ergue uma sobrancelha especulativa. — Eu não achei que fosse um equívoco. Aliás, eu entendi muito bem o que aquelas duas piranhas estavam falando. — Ele suspira fundo e passa uma das mãos ao cabelo. — Você vai negar que dormiu com aquelas putas? — Não, Dora. Eu não vou negar, mas isso aconteceu muito antes de nós reatarmos o namoro. Foi apenas sexo, farra. Nada mais! Por favor, acredite em mim. — Ele dá outro passo e tenta uma aproximação. Eu me afasto e Alexander estreita os olhos nada contente. — Eu não estou duvidando de você, Alex. Mas eu não consigo administrar isso agora, neste momento. Você é um hipócrita! Quando voltamos, a primeira coisa que fez foi me interrogar, querendo saber se eu havia transado com alguém. Percebi o seu alívio quando respondi. Não conseguia suportar que ninguém mais me tocasse, mas obviamente isso não aconteceu com você — declaro com sinceridade sentindo o peito ferido por uma traição que não aconteceu. Sei que estou agindo movida pelo ciúme, mas o que posso fazer se isso é mais forte do que eu? Eu dou as costas para ele e me sento na beira da cama. Fixo os olhos na janela de vidro engolindo o pranto para não cair. Se Alexander soubesse o quanto essa farrinha inocente me atingiu, ele não estaria tratando o assunto como uma banalidade. Mas infelizmente a maioria dos homens não pensa como as mulheres e acaba fazendo besteira. — Dora, eu estava perdido sem você e sei que fiz merda. — Ele se aproxima e sinto minhas barreiras quase desmoronando. Não posso ceder. Não agora. — Isso não é justificativa para uma orgia com três mulheres! — esbravejo com o peito sufocado. — Dora... — Alexander tenta falar e eu faço sinal com a mão para que ele não prossiga. — Não adianta tentar se explicar hoje. Eu estou muito magoada com você. — Giro o rosto para o lado oposto ao dele, fugindo de seus olhos sobre mim. — Alex, me deixe sozinha. Eu preciso pensar. — Você não me quer aqui? — indaga indignado. — Hoje não... — sussurro com um nó na garganta. Alexander respira fundo e caminha até a cama. Pega o travesseiro e o roupão que está em cima de uma poltrona e volta seu olhar para mim. Em seus olhos eu vejo a frustração e a culpa estampada nele. Sei que ele está tentando se redimir comigo, mas eu ainda estou muito confusa e ferida demais para ouvi-lo agora. — Eu te amo, Dora! —Alexander deixa o quarto e eu me afundo na cama. O choro que tanto reprimi em sua presença emerge com fúria, estilhaçando o meu peito e ferindo o meu coração. Agarro o seu travesseiro e sinto no tecido o cheiro do perfume que ele usa. Isso é o que falta para me deixar ainda mais devastada e sozinha. Adormeço assim, em meio a lágrimas, frustração e desalento.


*** Acordo cedo no domingo. Na verdade nem dormi direito e passei me rolando na cama a maior parte da noite. Dormir sem ter Alexander ao meu lado foi uma angústia. Meu corpo sentiu a falta dele a noite toda. Aliás, o meu corpo ainda sente a falta dele. Saio da cama e olho através da janela de vidro. O dia está bonito lá fora e os raios de sol iluminam o quarto. Visto o roupão e vou até o banheiro para fazer minha higiene matinal. Após ter os dentes escovados e o cabelo preso em um rabo de cavalo, eu tomo coragem para deixar o quarto. Na enorme casa tudo é silêncio. Não se ouve um ruído sequer. Hoje é dia de folga de Pierre e Raquel, esta nunca vem aos domingos. Ela fica com sua família neste dia. Estamos somente eu e Alexander na casa, além de Carlos e Plínio que ficam na sala de monitoramento. Mas como é domingo, talvez nem eles estejam aqui. Quando chego à cozinha eu avisto Alexander, de costas para mim. Ele está entretido preparando o café e sequer pressente a minha presença. Engulo em seco e passo a analisar a roupa que ele usa: apenas uma calça de treino. Uma maldita calça que pende de seus quadris. Para completar o visual de cozinheiro-sexy-molhador-de-calcinha, um pano de prato está jogado em seu ombro direito. Meu corpo responde a visão de seu corpo seminu. A pulsação cardíaca se acelera, a boca fica seca, minhas pernas estremecem e minha razão quer me abandonar. Pisco ligeiramente e tento manter o domínio de mim. Não posso fraquejar diante de Zeus. Não depois do que aconteceu ontem. — Bom dia, Dora! — Alexander diz ainda de costas para mim. Eu me enganei quando pensei que ele não tinha notado minha presença. — Senta aí que a omelete está quase pronta. — Bom dia! Obrigada, mas eu não estou com fome. — Tento escapar, mas ele se vira abruptamente com uma rusga na testa. — Deixe de criancice! Sente-se que eu vou colocar o café. Como não quero discutir em plena manhã de domingo, me acomodo ao redor da bancada e ele me serve uma xícara fumegante de café e uma porção de omelete. O cheiro está delicioso, tanto da bebida quanto da comida. Sei que Alexander está se esforçando para se aproximar de mim fazendo o café da manhã, mas mesmo assim eu fico na defensiva. — Você acordou cedo — digo bebendo um pouco do café. — Você também. — Ele se acomoda em um banco ao meu lado enquanto se serve da omelete. — Eu não dormi direito — confesso remexendo a comida com o garfo, sem vontade nenhuma de comer. — Então fomos dois. — Alexander termina de preencher a sua xícara com café e me encara visivelmente prostrado. — Me desculpe, Alex. Era eu que deveria ter ido dormir no quarto de hóspedes e não você. Afinal, essa é a sua casa.


— Essa é a nossa casa, Dora. Nós estamos noivos e moramos juntos. — Ele respira fundo e passa uma das mãos ao cabelo. — Nós deveríamos ter conversado sobre o que aconteceu ontem para evitar aborrecimentos. — Eu não estava em condições. Sinto muito! — Eu abaixo a cabeça fugindo de seu olhar sobre mim. — Dora, eu fui sincero quando disse que o que aconteceu naquela noite não significou nada. Acredite em mim! — É tão difícil... — Você não precisava ter presenciado a cena na festa, mas eu nunca imaginei que aquelas garotas estariam lá. — Ele segura meu queixo e busca meus olhos. — Desculpe se eu te magoei. O seu toque em mim é tão perturbador, que para não sucumbir a Alexander, eu me levanto abruptamente e me distancio um pouco. Meu corpo inteiro chama pelo dele, me traindo inconscientemente. A paixão e o amor falam mais alto dentro de mim e não sei como resistir a isso. — Alex, eu nem sei direito o que dizer... Foi um choque muito grande saber que, enquanto eu estava sofrendo com nosso rompimento, você estava fazendo ménage com mulheres. — Dora, aquela foi a única vez depois que te conheci que eu estive com outras mulheres. Eu falei isso ontem. — Ele se levanta e se aproxima de mim. — Doeu muito saber pelas bocas daquelas putinhas que você tinha passado a noite inteira na farra. — Se eu pudesse voltar atrás, eu voltaria. Mas o passado não é algo que podemos mudar. — Alexander segura meu rosto em suas mãos e encara meus olhos. — Eu senti tanto a sua falta durante a noite. Foi um martírio dormir sozinho naquele quarto, Dora. — Também senti muito a sua falta. — Estou desarmada pelo seu olhar intenso e o seu toque quente em minha pele. — Me perdoe, minha Afrodite! — Sim... Vamos esquecer isso — murmuro com sinceridade. Alexander me puxa um beijo e minhas barreiras se desmoronam completamente. Ele me abraça forte junto de si enquanto sua boca me devora com sofreguidão. Seus lábios macios se movem contra os meus em um beijo delicioso e desesperado. Suas mãos passeiam em meu corpo coberto pelo roupão, acariciando, apertando, levando-me a loucura. Senti tanta falta dele que o que eu mais quero agora é esquecer o passado e me concentrar no presente. O que importa é o amor que sentimos um pelo outro. É isso que realmente importa.


Capítulo 37 Alexander

Nem sei como chegamos ao quarto. A única coisa que sei é que Isadora e eu somos bocas e mãos que não se desgrudam um segundo sequer. Sempre é assim quando estou com ela. Tudo se torna intenso e delirante. Nós nos despimos com pressa, consumidos pela paixão. Quando ficamos totalmente nus, eu puxo a linda Afrodite para meus braços, quase entorpecido pelo cheiro de sua pele. Nossas bocas se encontram ávidas outra vez. Insiro minha língua em seus lábios e busco a sua, sôfrega, serpenteando e beijando com paixão. — Adoro seu cheiro! — Deslizo meu nariz em seu pescoço enquanto agarro sua bunda. Isadora estremece excitada e enrosca os dedos em meu cabelo. — Você será o meu café da manhã, minha Afrodite. — E você será o meu, meu Zeus. — Ela sorri como uma menina travessa. Abraçados, nos deitamos na cama e eu me encaixo no meio das pernas dela. Meus olhos contemplam a sua pele suave, seus seios redondinhos e empinados, as curvas bem feitas e a sua bocetinha depilada em forma de pirâmide invertida exposta para meus olhos. Isadora é linda! Uma verdadeira deusa da feminilidade e beleza. — Não desvie seus olhos dos meus enquanto eu estiver te chupando. — Seguro firme nas coxas dela, abrindo-a mais para então começar a lhe dar prazer no sexo oral. — Deliciosa! Isadora estremece e se debate, inclinando o tronco para cima, arfando baixinho, mas sem nunca desviar seu olhar do meu. Enquanto minha língua trabalha em sua entrada, sinto o pau dolorido de tanto tesão, louco para fodê-la. Puxo um pouco mais seus quadris para ter total acesso a ela e passo a chupá-la, me embebedando com seu gosto alucinógeno. — Ahhhh, Alex! — geme agarrando o lençol e começando a rebolar lentamente no embalo da minha língua. Escorrego uma das mãos em direção aos seus seios e começo a acariciá-los, torcendo o bico com os dedos. Isadora se deixa levar pelo prazer e joga a cabeça para trás, mordendo o lábio e se debatendo. Adoro quando ela se entrega a mim, repleta de luxúria e sem pudor algum. A minha Afrodite sabe como seduzir. Isadora sabe do que eu gosto e é por isso que sou apaixonado por ela. — Estou quase gozando... — avisa em um sussurro voltando a encarar meus olhos. — Não quero que goze em minha língua hoje e sim em meu pau. — Deslizo sobre ela, lambendo meus lábios, saboreando seu gosto que sou viciado.


Agarro sua bunda e a suspendo o mínimo do colchão. Meus olhos voltam a se fixar em sua boceta rosada, molhadinha a minha espera. Isadora me dá um olhar apaixonado enquanto, devagar, eu a penetro. Movo os quadris lentamente e ela começa a arquejar entrecortado, fechando os olhos e estremecendo o corpo. — Ah Zeus! Meu Zeus! — Ela segura forte a minha nuca me puxando para um beijo ardente. — Sou seu Zeus e você é minha Afrodite — declaro por entre seus lábios. Com uma das mãos em seu traseiro e a outra em seu seio, eu me movo mais rápido, metendo tudo para dentro, flexionando os quadris. Isadora começa a rebolar junto comigo, me endoidecendo, fazendo meu coração bater rápido e apaixonado dentro do peito. — Empina essa bunda para mim e rebola bem gostoso no meu pau. — Ela obedece direitinho e começa a rebolar ainda mais, reivindicando-me todo dentro de si. Umedeço o polegar com a saliva e escorrego para dentro de seu ânus, estocando devagar, abrindo passagem. Isadora ofega pesado, endoidecida, sabendo as minhas intenções. — Quero comer o seu rabinho. — Saio de dentro dela e a viro de bruços, colocando-a de quatro sobre os lençóis. A bunda de Isadora está exposta para meus olhos, deixando-me ainda mais faminto. — Segure-se nas barras de metal e apenas gema muito para mim. Espalmo as mãos em sua pele e abro a sua bunda. A penetração é facilitada pelos próprios líquidos de excitação de Isadora que estão em meu pau. Ela solta um gritinho abafado ao sentir-me por trás enquanto eu me enterro dentro dela, comendo-a com fome. Escorrego uma das mãos e passo a manipular seu ponto sensível, dando-lhe prazer de todas as formas. Estoco o dedo em sua boceta, indo e vindo, fazendo círculos em seu interior. A essa altura, Isadora está ensandecida, rebolando e empinando ainda mais o seu traseiro para mim. — Que rabinho delicioso! Porra! — Ah Alex, eu não vou aguentar... — geme agarrando com mais força a barra de metal da cama. — Toma tudo, minha Afrodite! — Dou uma palmada em sua bunda e passo a fodê-la desvairado, consumido de tanto tesão. Em poucos instantes, Isadora está estalando em um gozo delirante e me levando junto com ela. O orgasmo é tão forte que ambos gozamos mais de uma vez, suados, estremecidos e com o coração batendo acelerado dentro do peito. *** Uma semana depois, recebo em minha casa o delegado Novaes. Para ter maior privacidade, eu o conduzo até meu escritório e fecho a porta após entrar. Aponto para a cadeira diante de minha mesa e enquanto o delegado se senta diante de mim, eu me acomodo de frente para ele. — Alguma novidade, doutor Silvio? — Sim, senhor Alexander. Tenho uma notícia boa e uma ruim. — Ele começa a falar cruzando as


pernas e deixando a pasta de documentos em cima da mesa. — Eu estou ouvindo — digo nervoso esperando a sua resposta. — A notícia boa é que nós descobrimos quem sabotou o seu carro e também enviou fotos para senhorita Isadora, bem como ligou para você com número restrito. E a má é que a pessoa foi assassinada. — Meu Deus! — exclamo apavorado. — E quem foi o responsável por atentar contra a minha vida? — Ele se chamava Jairo Gomes. Era uma figura carimbada da polícia e já tinha sido preso por outros crimes. — Doutor, eu preciso de uma dose de uísque para digerir isso. O senhor me acompanha? — Eu me levanto e vou até o bar. — Não, obrigado. Eu estou de serviço — o delegado agradece enquanto eu volto a me acomodar a cadeira. Bebo um gole da bebida e deixo o copo sobre a mesa. — O senhor disse que ele foi assassinado. Como isso aconteceu? Quem fez isso? — Ainda não sabemos, mas estamos trabalhando para solucionar o caso. Os meus homens encontraram o corpo após uma ligação de uma moradora de um bairro de classe baixa. Ela encontrou Jairo sem vida em um beco. Ele foi alvejado por quatro tiros de revólver calibre 38. — Doutor, o senhor suspeita de alguém que queria ver Jairo morto? Um desafeto dele ou algo parecido? — Estou trabalhando com duas hipóteses. Primeira: queima de arquivo, porque ele sabia demais e a segunda seria dívidas com narcotráfico, uma vez que ele negociava com traficantes. Mas são hipóteses, senhor Alexander. Não temos nada concreto ainda. — Eu entendo... — sussurro tentando assimilar tudo que o delegado acaba de me dizer. — Depois do ocorrido com Jairo, peço a você que continue preservando a sua vida e a de senhorita Isadora. Não saia sem segurança, senhor Alexander. Nós não sabemos quem está por trás de tudo isso. Certamente tem um mentor que quer ver a sua ruína. Isso ficou evidente agora que Jairo foi assassinado — aconselha o delegando se levantando. — Sim, doutor Silvio. Fique tranquilo quanto a isso. Conversarei com minha noiva e não arriscaremos a nossa vida — respondo me levantando também. — Bem, eu já vou. Tenho trabalho me esperando na delegacia. — Eu o acompanho até a porta. Eu me despeço do delegado Silvio e subo para o quarto. Preciso conversar com Isadora e contar as novidades. Minha cabeça está fervendo e mil ideias permeiam a minha mente. Quem quer que seja que quer me destruir estava usando Jairo para fazer o serviço sujo. Não tenho dúvidas que é uma pessoa que está ou esteve muito próxima de mim. Que sabe toda a minha vida, cada passo que dou e aonde vou. Um frio atravessa a minha coluna enquanto o passado doloroso começa a dar sinal, batendo em


minha porta. Respiro profundamente e tento dissipar os pensamentos ruins para longe. Tenho que manter o domínio de mim e não me deixar levar pelas más lembranças. Isadora e aqueles que eu estimo dependem disso. Converso com Isadora e conto tudo. Minha noiva fica chocada com o relato, mas compreende a situação. Ela precisa ficar a par do ocorrido. Não dá mais para ter segredo entre nós dois. Ainda mais agora, depois que Jairo foi assassinado. Todo cuidado é pouco. *** Duas semanas depois...

Eu sabia que mais cedo ou mais tarde Roberto retornaria ao trabalho. Tenho que suportar a sua presença insuportável e seu jeito arrogante em uma reunião de negócios com empresários da cidade. Mas nada se compara em conviver com esse miserável sabendo o mau caráter que ele é. Ou ter que fingir para os demais que estamos nos relacionando amigavelmente. Sinto o modo como Roberto me olha, como se estivesse me espreitando, pronto para dar o bote. E isso me deixa puto. Mas ele sabe que não pode sair da linha, que tem suas cotas que valem muito. Só em lembrar que esse filho da mãe é meu sócio, o sangue ferve. Eu ainda descobrirei uma forma de expulsá-lo da firma que meu pai fundou. Após a reunião cansativa, eu vou para minha sala. Daniela me entrega um envelope que Ernani havia deixado e eu me sento na cadeira executiva. No documento consta a ficha do Max e, por incrível que pareça, não há nada que o incrimine. Bufo enfurecido e ligo para Ernani. Ele tem que explicar que porra de relatório é esse. — Então é isso, Ernani? Você seguiu Max esse tempo todo e nada? — Frustrado, vou direto ao ponto depois de deixar os relatórios colhidos por ele em cima da mesa. Ernani está viajando a trabalho e pediu para Daniela me entregar o envelope com a papelada. — Pois é, senhor. O cara tem uma rotina bem definida, como você mesmo pode ver. Ele faz algumas viagens a trabalho para o jornal e, quando está de folga, sai para noitadas com amigos ou uma companhia feminina. Max nem chegou perto de senhorita Isadora ou da empresa. Infelizmente, estivemos seguindo a pessoa errada esse tempo todo. — Eu não estou acreditando nisso — bufo impaciente ao telefone enquanto observo a minha mesa repleta de trabalho. — Senhor Alexander, eu estive pensando em uma hipótese, mas talvez esteja enganado. — Ele suspira do outro lado. — O que você pensou, Ernani? — Será que dona Verônica não está envolvida nisso? Pode ser loucura, senhor Alexander, mas


ela tem motivos de sobra para querer se vingar de você. — Enquanto meu braço direito está falando a minha mente começa a fervilhar de ideias. E é uma pior que a outra. A família Roth nunca me perdoou pelo que aconteceu a Fernanda. Principalmente dona Verônica, que me odeia de morte. Mas será que ela seria capaz tramar contra a minha vida? — Não é loucura, não! Você pode estar certo sim. Dona Verônica nunca esquecerá o que aconteceu a sua filha mais velha. Ela me odeia, embora seu marido, senhor Alberto, seja uma pessoa diferente. Ele sabe que eu não tive nada a ver com a morte da Fernanda. — Puxo uma respiração afiada e fecho os olhos para tentar dissipar as lembranças ruins que surgem como flashback em minha cabeça. — O senhor quer que a siga? — De jeito nenhum, Ernani. Não quero ter um processo no rabo por causa de uma desconfiança. Dona Verônica é muito esperta e sacaria na hora que está sendo seguida. Isso está fora de cogitação! — declaro sabendo que essa mulher é capaz de tudo para me destruir. — E o que faremos? — Por enquanto vamos deixar o caso nas mãos do delegado Novaes. Se dona Verônica estiver envolvida, a polícia descobrirá. — Sim. Mais alguma coisa, senhor Alexander? — Não. Isso era tudo. Nós nos vemos quando você voltar, Ernani. Até mais! —Guardo o celular no bolso da calça de linho e fixo os olhos no nada. A conversa que acabei de ter com meu funcionário me deixou com várias pulgas atrás da orelha. E se Ernani estiver certo? E se dona Verônica estiver por trás disso tudo? Ela tem motivos de sobra para fazer isso e muito mais, mas será que ela seria capaz de chegar a esse ponto? Expondo sua família, sua reputação e os negócios do marido em troca de uma vingança? Essas perguntas fazem zunir a minha cabeça. Decido me concentrar na papelada que me espera e esquecer essas ideias malucas. De nada adianta eu ficar martelando sobre esse assunto. A melhor coisa a fazer é deixar o caso nas mãos da polícia enquanto cuido da segurança minha e de Isadora. É isso que devo fazer. Passo o dia tão atribulado que mal dá tempo para trocar um beijo com Isadora. A minha noiva se queixa que está com um pouco de dor de cabeça e deixa o expediente mais cedo. Carlos a leva para casa e depois volta para a empresa, a minha espera. Cansado e louco para chegar logo em casa, eu encerro o expediente e desço até a garagem. Absorto, de cabeça baixa, eu estou caminhando em direção ao meu carro. As palavras ditas por Ernani ainda ecoam em minha mente e fazem festa queimando meus neurônios. — Alexander Diniz Bismarck — diz uma voz conhecida feminina. Sinto todos os pelos do meu corpo de arrepiarem. Giro o rosto lentamente para o lado e me deparo com o meu maior pesadelo. A uma distância segura, está dona Berenice Tavares, a mulher responsável por transformar a minha vida em um inferno. Meus olhos não acreditam no que estão vendo. Não consigo me mexer e tampouco respirar. A sensação gélida me ronda e me deixa acuado. É como se eu tivesse viajado no tempo e voltasse a ser aquele garotinho de 10 anos, amedrontado


dentro de uma cela imunda. Ela abre um sorriso lentamente enquanto me encara sem pestanejar. Em seus olhos castanhos eu vejo o mesmo brilho maquiavélico que ela cultiva desde sempre. Dona Berenice está um pouco diferente, mais velha, porém mais arrumada. O cabelo que no passado era castanho claro, hoje está tingido de loiro mel, repicado até a altura dos ombros. Ela usa um vestido de seda floral e sandálias brancas de salto baixo. Está maquiada com rímel nos olhos e um batom vermelho nos lábios. Parece uma bruxa enfeitada, celebrando o dia de Halloween. — Quanto tempo, Alexander. Agora já não é mais um menino e sim um homem feito. — Ela se aproxima devagar e eu gelo. — Não se aproxime de mim, sua assassina ou eu chamo a polícia — alerto em tom firme não demonstrando abalo para ela. — Calma, Alexander. Eu não estou fazendo nada de errado. Só quero cumprimentar um velho conhecido. — Seu tom de voz continua frio e cortante, assim como seus olhos, ardilosos. Dona Berenice só mudou um pouco a sua aparência física, mas por dentro ela ainda é o pior tipo de ser humano que tive o desprazer de conhecer em minha vida. — Não ouse dar mais um passo ou eu meto você de novo na cadeia, que é o seu lugar — digo em tom duro e ela interrompe os passos e abre um novo sorriso cínico em seus lábios de cascavel. Ela tira de dentro da bolsa um jornal e abre a página para mim. Na capa está Isadora e eu, no dia em que a empresa completava aniversário. Minha respiração se torna irregular e minha pulsação se acelera. Dona Berenice está me vigiando? Não pode ser! Ela progrediu do regime semiaberto para o aberto esse ano. Mas então, que diabos ela faz com a foto minha e de minha noiva? — Isadora Medeiros... Muito bonita a sua noiva! — Fique longe de Isadora! — brado sentindo a fúria me dominar. — Eu juro que se algo acontecer a ela, eu te mato sua bruaca maldita. — Nunca pensei que fosse estar viva para vê-lo assim: apaixonado e todo sentimental. — Ela abre um novo sorriso cínico. Ouço passos e Plínio e Carlos surgem ao meu lado, com o semblante preocupado. Enquanto eles estão analisando a situação entre mim e Berenice, esta continua sorridente, demonstrando a sua costumeira frieza. — Seus funcionários são eficientes, Alexander. Estão sempre grudados em sua bunda. Também pudera, depois de dois sequestros. — Ela dá uma gargalhada maquiavélica e meu sangue ferve. — Desgraçada! Seu lugar é na cadeia! — Eu dou um passo à frente, mas Plínio me detém. — Senhor, quer que chame a polícia? — pergunta meu segurança. — Não será necessário — eu respondo e a encaro pela última vez. — Para o seu bem, continue muito longe de mim, de Isadora e de todos aqueles que me rodeiam. Se você der um passo em falso, eu te meto atrás das grades. — Diga ao Pierre que eu mandei lembranças — diz ajeitando a bolsa ao ombro. Nós nos encaramos por mais alguns segundos e dona Berenice desaparece garagem afora.


Respiro profundamente e sinto meu corpo inteiro estremecido. Meu pior pesadelo me encontrou. A mulher responsรกvel pela morte de meu pai estรก livre para armar contra mim e contra aqueles que amo. Preciso descobrir os planos de dona Berenice, pois tenho certeza que ela tem muitos.


Capítulo 38 Isadora

Acomodada na cadeira de meu escritório, eu estou lembrando a conversa que tive com Alexander ontem à noite. Eu sei que a ex babá de meu noivo está em liberdade, mas nunca cogitei a ideia que ela pudesse procurá-lo. Essa mulher é louca ou está tramando alguma coisa. Receio que a segunda hipótese seja a mais aceitável neste momento. E só em pensar no que ela pode fazer de mal ao homem que amo, a mim ou a qualquer pessoa que amo, um frio atravessa a minha coluna. Não sei como Alexander conseguiu encarar a dona Berenice. Deve ter sido muito difícil para ele ter que olhar nos olhos da mulher que foi a responsável por trazer tanta dor e tormento. Não é a toa que ele está preocupado. Nós temos estado em constantes provações. Ouço um barulho na porta e Manolo entra, trazendo o nosso almoço. Alexander está acompanhando alguns empresários em um almoço de negócios e meu amigo me convidou para um lanche aqui mesmo, no escritório. — Dorinha, aqui está o nosso china in box. — Ele ri deixando as coisas em cima da mesa. O cheiro da comida entra em minhas narinas e embrulha meu estômago. — Credo, Manolo! Tire isso da minha frente. — Eu me levanto me distanciando do cheiro que está me deixando zonza. — Hoje o china in box está terrível mesmo. Mais terrível que os outros dias. — Vou até o frigobar e me sirvo de um copo d’água. — Desde quando você está assim? — Manolo está de pé me encarando especulativamente. — Assim como? — pergunto sem entender enquanto volto a me acomodar na cadeira. — Enjoada! — Eu não estou enjoada. Apenas não quero comer o china in box. Por favor, tire essa comida da minha frente. — Eu faço uma careta de repulsa sentindo uma ânsia subir até minha garganta. — Dora, você está grávida! — Ele dá um sobressalto com os olhos arregalados e um enorme sorriso nos lábios. — Enlouqueceu, Manolo? — Pisco os olhos, indignada. Meu amigo só pode estar louco para cogitar essa ideia. — Eu não estou grávida! Isso é um absurdo! — Como você tem tanta certeza? Está tomando seus comprimidos direitinho? — Claro que sim. Eu ando com eles sempre na minha bolsa. Quer ver? — Eu pego a bolsa e retiro de dentro a cartelinha com os anticoncepcionais. — Olha isso! — Eu mostro o medicamento a ele. — E não esqueceu nenhunzinho sequer, Dorinha? — Manolo se debruça sobre a mesa com os


olhos fixos em mim. — Claro que não! Vou te mostrar como estou falando a verdade. — Eu começo a contar os dias que estou tomando os anticoncepcionais e em seguida conto quantos comprimidos há na cartela. Levo um choque ao constatar que a quantidade de pílulas não fecha com o número de dias. Não pode ser! Senhor Deus! — E então? — Isso... Isso... É um equívoco. Eu não estou grávida, Manolo! — declaro enquanto sinto um frio atravessar a minha coluna. — Você se esqueceu de tomar alguns comprimidinhos, não é Dora? — Sim, mas... Isso não pode estar acontecendo... — digo apavorada sem acreditar nessa hipótese. — Ah, que maravilha! Vamos ter uma mini Afrodite, ou um mini Zeus correndo pelos corredores da empresa. — Manolo está batendo palmas e alegre como se fosse uma criança. Enquanto meu amigo dá pulos de felicidade, a minha mente gira como um cata-vento. Eu não posso estar grávida. Alexander e eu nem somos casados ainda. Isso não pode estar acontecendo comigo. Volto a olhar para as pílulas em minhas mãos e a desconfiança me atinge. Depois de tudo que aconteceu neste último mês, eu fiquei tão atordoada que acredito ter me esquecido, algumas vezes, de tomar os benditos comprimidos! — Manolo, pare! Você está me deixando nervosa — digo com voz abafada e o corpo estremecido. — Afrodite, por que está nervosa? — Ele para de se sacudir e se senta na cadeira de frente para mim. — Eu não posso estar grávida. Não posso! — Balanço a cabeça de um lado para o outro sem saber direito o que fazer. — Dora, para de ser boba! Você tem medo de quê? — Alex e eu não somos casados. Estamos noivos e moramos juntos, mas não oficializamos a nossa união — tento explicar a situação. — Que discurso é esse? Por favor! — Manolo revira os olhos. — Você só saberá fazendo um exame. Pode comprar um desses, que vendem em farmácias mesmo. — Esses exames não são confiáveis. — Eu afundo a cabeça em minhas mãos, sentindo-me momentaneamente perdida. — Bem, então eu vou com você a um laboratório e lá você faz o exame de sangue. Sei que esse é o mais eficaz — sugere com a intenção de me ajudar. Ergo meus olhos e encaro os seus. — Você está falando sério? — É claro que sim. Eu te acompanho até lá. — Ele sorri candidamente. — Ah, Manolo. Eu não sei... Estou com medo — confesso enquanto meu amigo se levanta e começa a guardar o nosso almoço.


— Dorinha, eu sei que não é fácil, mas se você quiser, eu vou com você. Pense e não deixe para saber sobre isso quando a sua barriga estiver crescendo. — Eu pensarei! Qualquer coisa eu te aviso. — Eu me levanto e vou até ele para abraçá-lo com carinho. Dou-lhe um beijo no rosto e ele sorri. — Obrigada! — De nada! Sempre estarei aqui para o que você precisar. — Eu digo o mesmo. — Sorrio. — Manolo, nem preciso dizer para não comentar isso com ninguém, não é? — Misericórdia! Claro que não, né? — Ele faz uma careta. — Será o nosso segredinho. — Obrigada de novo. — Euzinha aqui precisa comer algo. E uma vez que você está toda enjoada com o cheiro do china in box, eu vou comer na minha mesa. — Manolo me dá um beijo na bochecha e sai até a porta. — Acho que não comerei nada por enquanto. Esse cheiro está me matando. — Estarei aqui se precisar. — Ele dá uma piscadinha e deixa a sala. Eu me recosto na cadeira, nervosa e muito agitada. As possibilidades de estar grávida existem e são fortes. Tenho sentido dores de cabeça fora do comum e alguns enjoos, poucos mais tenho. Isso pode ser um indício. Manolo tem razão quando disse que é melhor fazer o exame o quanto antes. Se eu estiver mesmo esperando um filho, eu preciso começar a me cuidar e fazer o pré-natal. Tenho que manter a calma e não demonstrar o meu nervosismo para Alexander. Não quero que ele desconfie de nada. Depois que fizer o exame e tiver com o resultado, então eu conto a ele. *** Disfarçar a situação não foi tão difícil quanto eu imaginei. Alexander ainda está preocupado com a nossa segurança e isso é uma desculpa plausível para que eu também me sinta nervosa. Jantamos com Pierre, que ultimamente anda fazendo as refeições ao nosso lado, na mesa. Conversamos os mais variados assuntos, tentando espairecer um pouco. A companhia dele ajuda nesse processo. Ele é muito inteligente e tem uma boa conversa. Após o jantar nos recolhemos para o quarto e fizemos amor por duas vezes. Alexander está mais intenso que no passado e isso se deve ao fato de seu coração estar repleto de paixão. Se não fosse por tantos problemas que temos enfrentado, eu poderia afirmar com todas as letras que tenho uma vida perfeita. Mas estou muito feliz, embora esteja cercada de tantos percalços. No outro dia vamos direto para a empresa. E durante o trajeto eu monto em minha mente uma desculpa para me ausentar assim que chegar. Decidi fazer o exame de laboratório e avisei Manolo antes de sair. Ele está esperando por mim na firma e assim que chegarmos nós iremos à clínica, escondidos de Alexander. Não quero deixá-lo apreensivo e contarei o fato a ele depois que tiver o exame em minhas mãos. Eu aviso ao meu noivo que tenho que acompanhar Manolo a um exame de rotina para ver como


está a sua recuperação e nós deixamos a empresa. Mas não vamos sozinhos. Como eu previa Plínio nos leva e fica nos esperando do lado de fora. Alexander teme por minha segurança e por isso não me deixa sair sem escolta. Confesso que nunca gostei de ter alguém grudado a mim, servindo de guarda-costas. Mas agora do jeito que as coisas estão não tenho alternativa a ser concordar com ele. Após o exame feito, tenho que aguardar o prazo de 24h para sair o resultado. A ansiedade toma conta de mim deixando-me ainda mais nervosa. Se o exame for positivo eu não sei como contarei a Alexander. Será que ele está pronto para ser tornar pai? Será que eu estou pronta para me tornar mãe? Preciso manter o controle até ter o resultado do exame em minhas mãos para não gerar especulações desnecessárias. É noite e estamos imersos na banheira de sais. Eu estou de costas, aconchegada no peito de Alexander enquanto ele me banha com carinho. No aparelho de som toca um CD de coletânea de músicas, e neste momento é Ring my Bells de Enrique Iglesias. — Você está muita quieta, Dora. Está tudo bem? — Sim, está — respondo tentando manter a tranquilidade, mas estou inquieta por dentro. — Dora nós moramos juntos faz mais de dois meses e eu estava pensando se não poderíamos marcar a data do nosso casamento? Eu me viro e fico de frente para ele. A surpresa é tão grande que eu não consigo falar e apenas o encaro nos olhos. Tudo que mais quero é me casar com o homem que amo e fazê-lo feliz. Mas a desconfiança da minha gravidez não me deixa calma. Se eu estiver grávida, será que Alexander ainda vai querer se casar comigo? Sei que essa ideia é um tanto maluca, mas e quem disse que as pessoas quando estão nervosas pensam de forma coerente? — Casamento tradicional? — pergunto e ele balança a cabeça afirmativamente. — Sim! Com tudo que temos direito: igreja, você em um lindo vestido branco, eu em um terno preto, casais de padrinhos, a marcha nupcial entoando, uma festa pomposa para recepcionar os nossos convidados, uma noite de núpcias bem safada e quente e uma lua de mel regada a amor e perversão. O que você acha? — Alex, eu estou adorando. Mas eu não pensei que você quisesse algo assim — digo surpresa, pois nunca cogitei a ideia de que ele quisesse se casar dentro das formalidades. — E por que eu não iria querer algo assim? — Ele me puxa para seus braços acariciando meu cabelo molhado. — Apenas acho que o convencional não combina com você. — E você tem razão! Mas eu não abro mão de você ser minha como manda o figurino. — Você me surpreende a cada dia, sabia? — Sorrio acariciando a covinha que ele tem no queixo. — É bom saber disso! — Ele me beija nos lábios com paixão. — Vamos escolher uma data? Que mês e dia você sugere? — indaga enquanto eu fico pensativa por alguns instantes. Nem posso acreditar que estamos escolhendo a data de nosso casamento em uma banheira de sais. Isso é a cara do Alexander!


— O que você acha do dia 17 de outubro que é o dia do seu aniversário? — sugiro entusiasmada e Alexander franze o cenho. — Dora, outubro está longe demais! Nós estamos no mês de junho — protesta fazendo uma careta. — Eu não quero esperar muito para oficializar a nossa união. — Alex, nós reatamos o namoro não tem nem cinco meses e eu estou morando na sua casa. Acho que isso tudo está ocorrendo rápido demais. — Eu engulo em seco só imaginando se eu estiver mesmo grávida nesse curto espaço de tempo. O meu coração acelera ansioso dentro do peito. — Você acha que vai escapar de minhas garras, hein? — Ele me abraça apertado e sinto ondas de eletricidade nos envolver. — Quarenta dias acho que é o bastante para a gente resolver todos os trâmites. O que você acha? — Bem, já que não tenho escolha e estou presa em suas garras... Eu acho que é um prazo razoável. — Acabo concordando enquanto os pensamentos sobre uma possível gravidez povoam a minha mente. Se estiver mesmo esperando um filho, quando ocorrer o nosso casamento, a minha barriga nem aparecerá. — Eu sabia que você concordaria comigo, Afrodite. — Ah, Zeus! O que os seus lindos olhos azuis não fazem comigo. — Sorrio passeando os dedos em seu rosto viril. Alexander me beija e desliza uma das mãos em direção a minha bunda. Ele acaricia a minha pele que está molhada pela água e a excitação dá sinal em mim. Mas como ainda estou preocupada sem saber se estou ou não grávida, eu me distancio dele. A cabeça começa a doer e sinto a musculatura do corpo também dolorida. Estou nervosa demais. — O que foi, Dora? — Estou com um pouco de dor nas costas — respondo fazendo uma careta. — Vamos sair da banheira que eu te faço uma massagem bem relaxante. Depois do banho, eu recebo uma massagem muito gostosa de Alexander. Estou deitada de bruços na cama e ele está deslizando suas mãos em minhas costas, flexionando os polegares em meus músculos doloridos pela tensão. A sensação é muito relaxante e também erótica. Enquanto recebo um carinho de meu noivo, minha mente só pensa no dia de amanhã, quando terei o resultado do exame em minhas mãos. Dissipo o pensamento incômodo para longe e me concentro em suas mãos quentes que estão em minha pele. Os movimentos já não são mais de uma massagem propriamente dita. Alexander está acariciando as minhas costelas, escorregando as mãos em minha bunda. Ele aperta as minhas nádegas e solta um gemido sexy que me deixa molhada. Sinto seu membro pulsar forte contra meu bumbum, me atiçando. E o fim de noite acaba com Alexander e eu fazendo amor sobre os lençóis. ***


Estou tão nervosa que quando a moça me entrega o envelope contendo o resultado do teste de gravidez, as minhas pernas estremecem. Eu olho para Manolo que está ao meu lado, tão ansioso quanto eu e volto a encarar o papel em minhas mãos. Driblei Plínio e vim sozinha com meu melhor amigo. Não quero que ninguém desconfie de algo, e uma saída em dois dias consecutivos a uma clínica geraria fofocas desnecessárias. Sei que o segurança de Alexander iria correndo contar para seu chefe onde estive com Manolo. E isso seria um prato cheio para criar desavenças com meu noivo. Entro no carro e me acomodo no banco do motorista. Manolo se senta ao meu lado e me encara, nervoso. — Ai, Dorinha! Abre logo isso antes que eu tenha um treco. — Ele exagera sem esconder a ansiedade. — Manolo, eu não sei se tenho coragem. — Eu alterno o olhar entre ele e o documento em meu colo. — Deixe de ser boba. Você precisa saber a verdade e eu também. — Ele suspira fundo. — E a gente tem que voltar logo para a empresa senão o senhor Alexander vai desconfiar de alguma coisa. — Você tem razão! Não quero criar picuinhas com Alex por causa disso. — Então abra logo isso, que euzinha está criando brotoejas. — Manolo e suas hipérboles! Tomo coragem e abro o envelope. As letras saltam aos meus olhos: POSITIVO. Jesus Maria e José! Não acredito! Meu coração começa a bater forte e minha cabeça gira em um misto de sensações. Não sei explicar o que estou sentindo. Só sei que um mar de sentimentos me invade e lágrimas brotam em meus olhos. — Estou grávida! — sussurro com a mão em minha barriga, imersa em fortes emoções. — Ah! Eu sabia! Eu sabia! — Manolo pula em meu pescoço e me abraça apertado. — Parabéns, mamãe Afrodite! — Ele me solta, sorridente e muito emocionado. Enquanto Manolo está batendo palmas de felicidade, eu tento assimilar o que está acontecendo. Eu estou esperando um filho do homem que amo e contarei essa novidade a ele no momento certo e de um modo muito especial. Quero que Alexander sinta o que estou sentindo neste momento, que é o amor em sua plenitude. É horário de almoço e a empresa está quase vazia. Estou cruzando o corredor que dá acesso até a minha sala, absorta sobre a notícia de minha gravidez, quando ouço a voz de Roberto ecoar de dentro de sua sala. Ele está exaltado e fala alto com alguém. De repente ouço a voz de Samara e meu interesse aumenta. O que a ruiva faz na sala do Roberto? — Você precisa me ajudar, Roberto. Estou precisando de dinheiro — brada Samara enquanto eu me aproximo um pouco e fico escondida atrás da porta, escutando a conversa. — Eu já disse que não lhe darei mais dinheiro. Se vira! — rosna ele com voz alterada. — Mas eu não tenho mais condições de criar o Lucas. Ele é nosso filho! Então o pai do bebê de Samara é Roberto? Por essa eu não esperava! Eu não sabia que eles se conheciam e tampouco que tinham um caso. Será que esse safado filho da mãe está metido na


armadilha que Alexander caiu há mais de um ano? Roberto e Samara armaram para me separar do homem que amo? Mas como? Pisco ligeiramente confusa, tentando raciocinar enquanto os dois continuam seu bate boca dentro da sala. — Samara, eu nunca disse a você que queria ser pai. Na verdade, eu nunca quis ter um filho. — Mas Lucas é seu filho, Roberto. E você sabe! — Olha aqui, garota, foi você que me abordou naquela noite na casa noturna, usando um vestidinho “tomara que me coma”, se insinuando para mim. Eu havia bebido um pouco além da conta e nós acabamos na cama. Mas nunca me passou pela cabeça que você pudesse ficar grávida. Para mim, você não passou de mais uma putinha que comi e não me lembro direito — ele diz com sarcasmo relatando toda a história. — Você não é nenhum santo, Roberto, e está caindo fora de uma responsabilidade que também é sua! — ela rebate com voz embargada, como se estivesse engolindo o pranto. — Mas, Roberto... — Dê o fora, garota! Você não ouviu? Esse é o momento para eu sair de fininho e desaparecer corredor afora. Não quero nem pensar no que pode acontecer se Samara ou Roberto me virem aqui. Estarei em apuros! Eu me aproximo do elevador, que está parado no andar, e entro. Preciso contar a Alexander quem é o pai biológico do filho da ruiva. Ele não vai gostar nenhum pouco do que acabo de descobrir.


Capítulo 39 Alexander

— Ah, Alex! Você não me deixa ganhar uma partida de tênis. Isso não vale! — Douglas está reclamando em tom frustrado enquanto guarda suas coisas na mochila. — Pare de reclamar como um bebê chorão, Douglas. Isso não combina com você. — Dou uma piscadinha para ele enquanto bebo de minha água. — Vamos tomar uma cerveja no bar do clube? — Ele sugere entusiasmado. — Dessa vez não vai dar. Quero chegar cedo para jantar com a Dora. Mas antes, passarei na floricultura para pegar o ramalhete de flores que encomendei para ela. — Alguma ocasião especial para você dar flores para a Isadora? — Sim! Nós estamos escolhendo a data do nosso casamento. — Sorrio animado enquanto cruzo o hall do clube em direção ao estacionamento. — Vocês vão se casar? — Douglas me encara de olhos arregalados. — Vamos! E se você a Vitória não se apressarem, Isadora e eu nos casamos antes de vocês dois. Aliás, nós nos casamos antes de vocês e antes de Manolo e Ernani — declaro entusiasmado com a ideia do casamento. Esse assunto está em deixando muito radiante. — Estou mais do que surpreso, Alex. Nunca pensei que fosse oficializar de verdade o relacionamento de você e de Isadora. — Como não, Douglas? — Eu interrompo os passos e o encaro. — Você esteve em minha casa quando eu e Isadora noivamos. Lembra-se? — Sim, eu me lembro. — Então, eu disse que queria oficializar o relacionamento que tenho com Isadora o mais rápido possível. Se fosse por mim, eu me casava na semana que vem. Mas como as formalidades levam um pouco mais de tempo, estamos escolhendo uma data. — Eu volto a me mover e Douglas me segue. — Iremos nos casar em 30 dias. Vai se preparando, por que será uma troca de padrinhos. Você e dona Vitória serão os meus, juntamente com Pierre e Raquel, claro. — Estou lisonjeado, Alex. Realmente você mudou muito. — Ele dá um tapinha em meu ombro. — Você também mudou, Douglas. Você só pegava garotinha e agora está morando com uma mulher que é mais velha que você. Quem diria, hein? — Sorrio de modo sugestivo. — O amor está no ar, Alex. Essa é a explicação! — filosofa e caímos na risada.


— Pelo menos isso está dando certo na minha vida — confesso reflexivo interrompendo os passos e me detendo próximo ao carro. Douglas para de gargalhar para me encarar especulativamente. — Você está falando sobre o atentado? — Se fosse somente isso que me preocupa, eu me daria por satisfeito. — Respiro fundo sabendo que a minha vida está um caos. — Douglas, a minha ex babá, Dona Berenice, que me sequestrou e tirou a vida do meu pai, me procurou outro dia na empresa. — Meu Deus! O que essa mulher queria com você, Alex? — Douglas está apavorado, de olhos arregalados. — Tentar me atormentar, mostrar que está livre para fazer o que der na telha. Dona Berenice é um perigo, Douglas. — E o que você fará? — Eu a avisei que se ela se aproximar de mim, de Isadora ou de alguém que amo, eu meto essa desgraçada na cadeia, que é de onde ela nunca deveria ter saído — respondo convicto sabendo que farei o impossível para mantê-la longe daqueles que eu amo. Olho para o relógio e vejo que o tempo passa. — Douglas, eu preciso ir. — Sim, eu também. Vivi está me esperando. Nós vamos jantar fora. — Sorri animado. — Até mais, amigo! — Aperto seu ombro em sinal de despedida. — Até, Alex. Nós nos despedimos e ele sai em direção ao seu carro. Douglas vai para a casa dele e eu para a minha. Não vejo a hora de estar junto de Isadora, jantar com ela e planejar os preparativos do nosso casamento. Quero que tudo seja perfeito e lindo, como minha noiva amada merece. Depois de tudo que estamos passando, nós merecemos toda a felicidade do mundo. E nós teremos isso! Estou acomodado no banco traseiro do carro enquanto Carlos está fazendo o caminho para casa. Ouço o bip do meu celular e acesso o WhatsApp. Na tela aparece um par de sapatinhos de bebê e a seguinte mensagem de Isadora: “Meu amor, eu tenho uma notícia mágica para lhe dar. Me encontre em meu antigo apartamento. Te amo!” Levo alguns segundos para processar a informação que recebo. Olho para a tela novamente e meus olhos se enchem d’água. O par de sapatinhos é do nosso filho? Isadora está grávida! Meu coração se enche de alegria, vida, esperança. Parece que estou flutuando, pois tamanha é a intensidade de sentimentos que toma conta de mim. A mulher que eu amo e que será minha esposa está esperando um filho meu! Isso é felicidade demais da conta. Digito a seguinte mensagem a ela:


“Estou a caminho, meu amor. Também te amo!” Extremamente feliz, eu aviso a Carlos que mude de rota e vá até o antigo apartamento que era de Isadora. Acho estranho ela marcar um encontro na casa que era de seu avô, em vez de me esperar em nossa casa. Qual será a surpresa que ela está preparando? Devido as fortes emoções, eu não consigo raciocinar direito. A única coisa que sei é que serei pai. Passo a mão pelo rosto, nervoso, sentindo minha pele suada por causa do jogo de tênis. Eu queria poder passar em casa antes para tomar um banho e trocar de roupa. Mas não posso deixar Isadora esperando. Então vou assim mesmo: com a camisa um pouco amassada, as mangas dobradas até a altura do cotovelo e o cabelo em desalinho. Depois de receber a surpresa que minha noiva está guardando para mim, a gente toma um banho de banheira para celebrar. Carlos estaciona o carro em frente ao prédio e abre a porta traseira para mim. — Carlos, eu não vou demorar. Em 30 minutos eu volto com Isadora. Você pode me esperar aqui — aviso ao meu motorista enquanto pego o ramalhete de flores que comprei para minha noiva. — Ficarei aguardando, senhor. — Ele assente com a cabeça. Cruzo o hall de entrada e vou direto para o elevador. Aperto o botão do andar desejado e enquanto o elevador se movimenta, o meu subconsciente dá gritos e mais gritos de felicidade. Estou eufórico! A notícia da paternidade me deixou um pouco bobo. Mas e qual homem apaixonado não fica alucinado depois de receber uma notícia assim? Quando será que Isadora descobriu que estava grávida? Será que faz poucos dias? Eu não notei nada de errado com ela. Isadora não demonstrou nenhum dos sintomas costumeiros de gestação. Ela não se queixou de enjoos e tampouco me disse que sua menstruação estava atrasada. Será que isso foi uma surpresa para ela também? A minha Afrodite jamais esconderia algo tão importante de mim. Tenho certeza! Saio do elevador e caminho ansioso até a porta, que para minha surpresa, está entreaberta. Agarro a maçaneta e entro deixando a porta entreaberta atrás de mim. As luzes estão apagadas e estranho Isadora estar na penumbra. Tateio o interruptor, ligando a lâmpada. O que surge diante de meus olhos é o horror. Isadora está de pé no meio da sala e Plínio a segura pelo braço, apontando uma arma para a cabeça dela. O meu segurança em quem eu confiava me traiu esse tempo todo?! É inacreditável! O ramalhete de rosas cai ao chão e eu não sinto mais nada. A felicidade e euforia dão espaço ao desespero. Tudo acaba e é substituído por um profundo tormento que dilacera não só o meu coração, mas também a minha alma. Meu corpo parece que está petrificado e um frio atravessa a minha coluna. Eu caí em mais uma emboscada. Só que dessa vez, não estou sozinho, a mulher que eu amo está nessa comigo. — É a primeira vez que vejo o Homem de Aço ficar branco como cera — Ele ironiza abrindo um sorriso em seus lábios. Realmente o Plínio frio e sarcástico que vejo não é o mesmo Plínio amigo que convivo diariamente. Quem é esse homem que tem duas faces e aponta um revólver para a mulher que eu


amo? Qual é o motivo disso tudo? Faço essas perguntas mentalmente enquanto estou incrédulo e apavorado observando a cena a minha frente. — Plínio, abaixe essa arma — digo em tom baixo dando um passo a frente enquanto meu coração começa a bater aos solavancos dentro do peito. — Não se aproxime ou eu estouro a cabeça da sua putinha! — Ele está obstinado, com os olhos verdes enlouquecidos. Interrompo os passos e lanço um olhar rápido para Isadora, que me encara horrorizada. As lágrimas começam a molhar seu rosto bonito e meu sangue ferve. Eu não acredito no que está acontecendo. A vida só pode ter me pregando uma peça muito sacana. A mulher que amo e que pode estar esperando um filho meu, está sob a mira de um revólver. O louco do Plínio não está para brincadeira. Vejo em seu olhar um brilho maquiavélico se formar enquanto ele mantém Isadora presa consigo. Preciso manter o controle e não deixar que a crise de pânico dê sinal. Essa merda não pode surgir agora, quando minha noiva mais precisa de mim. Tenho que ser frio e pragmático o suficiente para não demonstrar abalo diante do psicopata do meu segurança. Respiro fundo e coloco a minha máscara de aço. Ela precisa funcionar neste momento. — Isadora, você está grávida de verdade? — indago encarando-a com aflição. — Sim... — ela responde em um sussurro colocando as mãos ao redor da barriga como se quisesse proteger o nosso filho. Sinto como se uma faca atravessasse o meu peito. As lembranças de Fernanda dizendo que estava grávida, pouco antes de tirar a própria vida, surgem com a finalidade de roubar a minha razão. Engulo em seco sem acreditar que a cena pode se repetir. Só que dessa vez de uma forma mil vezes mais horrenda. — Por que está fazendo isso, Plínio? Por dinheiro? — questiono ainda confuso e ávido para saber o verdadeiro motivo que o levou a cometer essa loucura. — Isso é segredo! — ele rosna e abre outro sorriso cínico. — Você gostou da novidade, chefinho? A putinha vai te dar um filhinho. — Então foi você que me enviou a mensagem com a foto, Plínio? — indago contendo a ira de avançar sobre ele e arrancar Isadora de seus braços. Isso seria fácil, se fosse outra circunstância. — Não! — Uma voz feminina e conhecida ecoa através do corredor. Meus olhos ficam vidrados e o sangue entra em ebulição quando vejo a Naiara. Ela para de andar e fica próxima a Plínio, me encarando. Como eu não suspeitei dela? É óbvio que alguém da família Roth está por trás de tudo que está acontecendo de ruim em minha vida. No entanto nunca cogitei a ideia dessa pessoa ser Naiara. Dona Verônica, mãe dela, tem todos os motivos para me odiar e querer ver a minha ruína. Mas quais os motivos que Naiara tem para querer me destruir? Inveja? Obsessão? Mas uma pergunta em especial ecoa em minha cabeça: qual é a relação entre ela e o meu segurança traidor? — Eu enviei a mensagem com a foto, Alex — ela diz em tom mortalmente calmo.


— Naiara, o que você quer? — Em resposta ela dá um sorriso irônico para mim. Fico espantando diante de sua frieza. — Eu quero que você pague pelo que fez a minha família — ela responde como se o assunto fosse trivial para si. — Então solte a Isadora. Ela não tem nada a ver com esse assunto. Isso é entre nós dois, Naiara — tento persuadi-la, mas é em vão. Em resposta ela dá uma gargalhada mordaz mostrando quem realmente é: uma garota vingativa e insensível. — O que você acha, Plínio? Devemos soltar o brinquedinho do Alex? — ela questiona o comparsa que sorri cinicamente para mim. — Não! Quem vai se divertir um pouquinho com a princesa aqui sou eu. — Plínio lambe a bochecha de Isadora que fecha os olhos em repulsa. Eu controlo a ira que transborda em mim e rezo a Deus por um milagre divino. Somente Carlos pode fazer alguma coisa. Espero que ele perceba a nossa demora e que suba para averiguar o que está acontecendo. Somente o meu motorista para nos salvar de uma tragédia. — Pare, Plínio... Por favor... — Isadora suplica tentando se esquivar dele a qualquer custo. Contudo está impossibilitada de se mover. — Seu filho da mãe desgraçado! — Cerro os punhos na intenção de me aproximar, mas ele me detém. — Não dê nem mais um passo, Bismarck. Ou eu estouro a cabeça da sua cadelinha. — Ele ameaça encostando a arma na cabeça de Isadora. — O que você quer para deixar Isadora livre? É só me dizer, que eu faço — proponho sempre mantendo contato visual com minha noiva que está tremendo de pavor. — E então Naiara, o Homem de Aço disse que faz qualquer coisa pela putinha dele — o cretino ironiza lançando um rápido olhar para ela, enquanto mantém Isadora na mira do revólver. Realmente eu não reconheço esse homem que está aqui. É outra pessoa. Um bandido frio e calculista. — Não existe acordo comigo, Alex. Você foi o responsável pela morte da minha irmã. Fernanda tinha uma vida inteira pela frente, mas caiu na sua sedução perversa. — Naiara, você sabe que o que aconteceu com sua irmã foi uma tragédia que ela mesma procurou — falo sabendo a verdade dos fatos. — Mentira! Você a matou! Você foi o responsável pela morte dela e agora você me pagará na mesma moeda — ela grita completamente cega como sempre esteve. — Alex... — minha noiva choraminga aflita enquanto eu nada posso fazer. — Cale a boca, Isadora! Você fica choramingando igual ao gayzinho do seu amigo no dia em que levou aquela surra. Foi divertido ficar dentro do carro, apenas observando os gritinhos do veadinho enquanto ele apanhava. — Ela ri maquiavelicamente enquanto se entrega, relatando como Manolo foi espancado. Estou incrédulo e mal posso acreditar que Naiara está por trás de quase tudo de ruim que tem acontecido comigo e com aqueles que estimo. — Então foi você? — sussurra Isadora, perplexa.


— Sim, queridinha, fui eu. — Naiara sorri. — Mas eu não quero falar do seu amigo gayzinho — ela rosna para minha noiva e volta a me acusar. — Alex, você não só usou a minha irmã como me seduziu. Brincou com meus sentimentos. — Você está louca, Naiara! Que papo sem fundamento é esse? — brado incrédulo enquanto vejo os lábios de Isadora ficar trêmulos. — Você vai negar, Alex, que trepou com Fernanda na garagem sabendo que eu estava lá? Você queria que eu os visse juntos por que sabia que eu estava apaixonada por você. — Isso não é verdade, Naiara! — O mais triste não foi saber que Fernanda te amava e que você também a amava. O pior de tudo foi saber que minha própria mãe era apaixonada por você — ela declara jogando essa bomba sobre mim. Pisco os olhos ligeiramente na tentativa de assimilar todas as loucuras que essa menina está dizendo, e não consigo entender aonde ela quer chegar com isso. Naiara só pode estar completamente fora de si para afirmar que sua mãe estava apaixonada por mim. Isso é um absurdo! — Que merda é essa? Você enlouqueceu? — Estou pasmo com os olhos vidrados. — Naiara, você é doente! — diz Isadora encarando-a com perplexidade. — Já mandei você calar a porra da boca, putinha! — Ela esbraveja para minha noiva. — Uau! Chefinho, você é mais sujo do que eu pensei — ironiza Plínio abrindo um novo sorrisinho cínico. — Que golpe mais baixo seduzir a futura sogra, a namorada e a irmã dela. Você é um cafajeste de primeira, senhor Alexander. — Você não sabe porra nenhuma de nada, seu filho da mãe. Tudo que Naiara está falando é mentira — rosno me aproximando um pouco mais. — Se você der mais um passo, eu faço um estrago na sua cadelinha — ele alerta com os olhos faiscando raiva em minha direção. — Seria uma pena mandar essa coisa tesuda para o paraíso. — E para completar ele dá outra lambida em Isadora. Só que dessa vez em sua boca. Cerro os dentes e me controlo ao máximo que posso para não matar esse canalha. Plínio só está levando vantagem por que está com um revólver na mão enquanto eu estou desarmado. — Plínio, você é nojento! — Naiara faz uma careta para ele. Ela gira o rosto e me encara sem emoção. — Foi muito divertido brincar com vocês dois. Enquanto eu ligava para você, Alex, com número restrito, Plínio tirava fotos de Isadora e enviava para ela. Tudo feito de celulares que não eram os nossos pessoais, claro. — Meu Deus! Plínio, você me seguiu até o parque o dia em que eu me encontrei com Samara? Você tirou as fotos de dentro do carro! Por que você fez isso? — pergunta minha noiva tão chocada quanto eu com a frieza dos dois bandidos. — Para se divertir um pouco, princesa. — Ele desliza os dedos no braço de Isadora e esse é o momento de eu agir com a razão. — Plínio, é dinheiro que você quer? Diga o seu preço que eu pago — declaro em desespero sentindo uma sensação ruim me rondar. Não sei o que será de mim algo pior vir acontecer a Isadora e


ao meu filho, que ela espera em seu ventre. Eu não terei mais vida! — Talvez isso seja negociável. — Sorri o desgraçado. — Você vai fraquejar por causa de uma merreca dessas, Plínio? — brada Naiara encarando-o com raiva. — Eu cumpri o nosso acordo e paguei a metade do que havíamos combinado. O dinheiro que eu prometi a você não é o suficiente? — Claro que é! Mas eu sou ambicioso e quero mais. — Ele volta a atenção para ela. — Alex tem que pagar pelo que fez a minha família. E pelo que fez a você também ou acha que esqueci a sua história? — Mas que diabos Naiara está falando? — Cale a boca! — Plínio grita cerrando o maxilar para ela. — Eu disse a você que não era para tocar nesse assunto. Mantenha a porra da sua língua dentro da boca, Naiara. — Você não vai descumprir o nosso acordo, vai? — Eles continuam a sua discussão, se distraindo por completo. Neste instante eu ouço um barulho forte atrás de mim e Carlos e surge de arma em punho. O que vem a seguir ocorre muito rápido. Plínio dispara contra Carlos, mas erra e acerta a parede de concreto. É meu motorista que acerta em cheio em Plínio, que cai com um tiro no ombro. Com a queda dele, Isadora é jogada com força e bate a barriga sobre o braço do sofá, caindo desacordada no chão. Enquanto Naiara se dá por vencida, erguendo as mãos para o alto, eu saio correndo desesperado em direção a minha noiva. Seguro-a em meus braços e só então percebo que algo vermelho escorre por entre as pernas dela. Isadora está sangrando! — Oh, Deus! NÃO! — grito agoniado enquanto Carlos imobiliza Plínio com uma mão e com a outra aponta a arma para Naiara. — Me solte, Carlos! — grita Plínio impossibilitado de se mover. — Cale a boca, seu traidor miserável! — rosna meu motorista para ele. — Senhor Alexander, eu vou chamar uma ambulância. — Não! Eu mesmo levarei a minha noiva. Cuide desses dois e chame a polícia. — Sim senhor! Não espero por nada e nem ninguém e saio carregando Isadora nos braços. Preciso chegar logo ao hospital, antes que o pior aconteça. Tenho que salvar a mulher que amo e meu filho. O que será de mim se perdê-los?


Capítulo 40 Alexander

Parece que minha vida se tornou um pesadelo. Os últimos acontecimentos me fazem crer que nada mais importa para mim a não ser Isadora e meu filho. Fui traído sorrateiramente pelo meu próprio segurança, que trabalha para mim há mais de quatro anos. Até agora não consigo entender os motivos que o levaram a cometer tal ato criminoso. Plínio sempre demonstrou ser um homem de caráter, íntegro e confiável. Enquanto eu pensava que ele estava prestando segurança a mim e a Isadora, ele me apunhalava pelas costas, tramando contra mim e contra minha noiva. Uma equipe médica de confiança está cuidando de Isadora e avaliando o estado de saúde dela. Enquanto isso, eu estou acomodado em um sofá na sala de espera. Mas não estou sozinho. Dona Vitória, Douglas, Pierre, Raquel e Manolo me fazem companhia. Assim que eles souberam do acontecido, vieram correndo para cá. Todos estão muito abalados. Mas nenhum deles se compara a mim. Presenciei todo aquele horror e ainda tenho que relatar mais tarde ao delegado Novaes o que aconteceu. Plínio e Naiara foram presos em flagrante. A irmã da Fernanda está detida no presídio, enquanto o safado do Plínio está em um hospital, sob custódia da polícia. Ele está passando por uma cirurgia para a retirada da bala que perfurou a sua clavícula direita. Carlos ainda está na delegacia com um de meus advogados. O meu motorista está prestando esclarecimentos sobre o disparo efetuado contra Plínio. O médico Rogério Maia, responsável pela equipe que cuida da Isadora, se aproxima e eu me levanto. Ele ajeita os óculos de grau ao rosto enquanto segura o prontuário em suas mãos. — Doutor Rogério, como está a minha noiva? E o bebê? — indago nervoso sentindo o coração se comprimir dentro do peito. — Senhor Alexander eu gostaria de conversar com você em particular — diz o médico em tom calmo. — Doutor, eu sou mãe da Isadora. Preciso saber como está a minha filha — adianta-se dona Vitória tão preocupada quanto eu. — Bem, então vocês dois me acompanhem até a minha sala. — Ele faz sinal e nós o seguimos corredor afora. Chegamos na sala e nos acomodamos em duas poltronas. O doutor Rogério se senta em sua cadeira, de frente para nós, e tira os óculos de grau. — Doutor, como eles estão? — Estou aflito e minha voz sai arrastada.


— Senhorita Isadora está bem e não corre risco algum. — Ele faz uma pausa e pigarreia. — Mas infelizmente ela perdeu a criança. Dona Vitória desaba chorando enquanto eu fico petrificado. Sinto meu sangue congelar e o coração bater descompassado dentro do peito. Uma parte minha está eufórica por saber que minha amada está bem e não corre risco de morte, mas outra parte está quebrada ao meio. Neste instante não tem como eu não me recordar de Fernanda e do incidente cometido anos atrás. — Calma, Vitória — sussurro segurando a mão dela, tentando manter a razão e tranquilizá-la. — Oh, meu Deus! Estou feliz porque Dora está bem, mas meu coração está apertado por causa do bebê — ela responde enxugando as lágrimas com um lenço de papel, que o doutor entrega. — Sim, eu entendo a situação em que vocês se encontram — fala o médico. — Mas o importante é que senhorita Isadora está bem, embora perdeu um pouco de sangue. Ela precisará ficar em repouso por alguns dias. — Eu entendo, doutor. Nós podemos vê-la? — pergunto ansioso. — Sim. Só que pode entrar um de cada vez e não podem demorar mais que cinco minutos. Senhorita Isadora ainda está fraca e necessita de cuidados médicos e de descanso — doutor Rogério aconselha e eu assinto com a cabeça. — Vitória, você pode ir primeiro — digo sabendo o quanto ela está preocupada com a filha. — Obrigada, Alex. — Ela se levanta me fitando com olhar terno. — Não se esqueçam de que são somente alguns minutinhos — relembra o doutor também se levantando. — Vou pedir a uma enfermeira que para acompanhá-la. — Eu agradeço, doutor Rogério. Enquanto dona Vitória vai ver a filha, eu me acomodo no mesmo sofá que estava antes. Relato aos demais o que aconteceu e eles ficam chocados e pesarosos, no entanto aliviados por Isadora estar bem. Meus amigos me fazem companhia neste momento delicado. *** Alguns minutos depois eu entro no quarto e encontro Isadora deitada na cama. Ela veste a camisola de hospital verde clara que contrasta com sua palidez. Meu coração se aperta ao vê-la tão frágil e abatida. E só em pensar que o pior pudesse ter acontecido a ela, o meu mundo para. Não quero cogitar essa ideia maldita. Eu me aproximo e beijo sua testa com amor. Isadora não contém as emoções e começa a chorar desoladamente. Seguro sua mão com carinho e tento ser forte neste momento. Por mim e por ela. — Alex... Eu perdi o nosso filho... — sussurra em meio ao choro, quase soluçando. — Shhhh! Não diga nada agora. — Beijo rapidamente seus lábios. — Não! Eu perdi o nosso bebê. Perdi! Perdi! — Isadora está desconsolada e nervosa. Ela balança a cabeça de um lado para o outro enquanto lágrimas e mais lágrimas molham seu rosto,


descendo até o seu pescoço. — Meu amor, se acalme. — Seguro seu rosto em minhas mãos e seco suas lágrimas com os dedos. — Dora, eu não sei o que seria de mim se algo de ruim viesse a acontecer com você. — Eu sei... Mas e o nosso filho? — Foi uma tragédia tudo que aconteceu. Você não teve culpa de nada. E nós podemos ter muitos filhos ainda. Não se preocupe, Dora. — Eu a abraço com ternura tentando acalmá-la e tentando seguir o meu próprio conselho. — Por que Plínio fez aquilo? Por que, Alex? — Não sei. Mas logo descobriremos. A polícia já está trabalhando no caso. Fique calma. — Eu senti tanto medo — confessa estremecendo o corpo. — Eu também! Senti como se estivesse sendo tragado por um buraco negro sem fim. — Volto a encarar seus olhos tristonhos. — Minha vida não teria sentido sem você, Dora. Nada teria mais sentido. — Oh, Alex! — Isadora me abraça outra vez como se buscasse refúgio em mim. Na verdade não sei qual de nós dois está se refugiando aqui. — Eu te amo muito! — Beijo o topo de sua cabeça. — Eu também te amo! Ficamos abraçados por mais alguns minutos até que uma enfermeira chega avisando que meu tempo acabou. O doutor Rogério quer avaliar novamente o estado de saúde de minha noiva e, por isso, eu tenho que sair do quarto. — Logo mais eu estarei acomodado ali. — Aponto com a cabeça em direção a uma poltrona que está no canto do quarto. — Vou passar a noite aqui, cuidando de você. — Eu não posso estar mais protegida. — Isadora abre um meio sorriso e eu beijo rapidamente seus lábios. Dou uma piscadinha e deixo Isadora na companhia da enfermeira. Enquanto minha noiva está sendo medicada e cuidada pela equipe médica, decido ir para casa tomar um banho e vestir roupas limpas e confortáveis para retornar ao hospital. Mas antes disso, eu preciso falar com dona Vitória e dizer a ela que pretendo cuidar de Isadora durante a noite. Ao chegar na antessala, encontro Estela, Marco e Ernani conversando baixinho com a mãe de Isadora. A loira desvia seu foco de atenção para mim. Um resquício de dor e alívio é vislumbrado em sua íris. Estela pisca rapidamente e retomando o controle de si, ela se move até mim. — Alex, eu vim assim que soube. Eu... Eu lamento muito! — Estela me abraça me deixando um pouco perdido. Não sei o que fazer se a abraço de volta, se fico parado, inerte. Opto pela primeira opção e devolvo o afeto, abraçando-a brevemente. — Obrigado, Estela! — agradeço soltando-a com cautela. — Eu falei com a Vivi e ela me disse que Dora não corre risco de morte. Como ela está? — Está muito abalada, mas vai se recuperar.


— Sim, ela vai. — Estela abre um meio sorriso, enquanto ajeita a bolsa ao ombro, um pouco nervosa. — Será que eu posso vê-la? — O doutor Rogério disse que a Dora não pode receber muitas visitas no momento. Mas acho que ela irá gostar de ver você. — Os olhos dela brilham com a minha resposta. Faço sinal para uma enfermeira e explico que Estela é amiga de Isadora e quer vê-la. A enfermeira avisa que assim que o médico sair do quarto, falará com ele. Estela fica animada com a informação e volta a ficar ao redor de nossos amigos, aguardando a sua vez de fazer a visita a minha noiva. Cumprimento rapidamente o restante do pessoal, e logo em seguida deixo o hospital. A minha mente ainda está inquieta, assim como meu coração. Sinto que a dor da perda comprime meu peito e não somente as lembranças angustiantes de Fernanda me vêm à mente, mas as de meus amados pais também. Sei que preciso trabalhar isso dentro de mim. Aceitar que eles se foram e não foi por minha culpa. Mas essa tarefa ainda é difícil para mim. Ainda mais agora, depois de tudo que aconteceu com Isadora. *** Após uma boa ducha para relaxar, eu vou até a delegacia para prestar meu depoimento ao delegado Silvio Novaes. Relato a ele tudo que aconteceu, desde o momento que recebi a mensagem de WhatsApp, até quando trouxe Isadora nos braços para o hospital. Ao chegar, sou surpreendido pela imprensa que está a minha espera, pronta para ver o circo pegar fogo. Na esperança de escapar desse estardalhaço, faço sinal para Carlos manobrar o carro para o estacionamento. Os flashes são tantos que chegam a quase cegar a mim e ao meu motorista. A imprensa realmente não está me dando sossego. Desde o acontecido que Isadora e eu temos aparecido nas colunas de notícias. E dessa vez não é na social e sim na policial, junto com os acusados Naiara e Plínio. Desço escoltado por Carlos e por mais dois investigadores e eu entro na delegacia. Minutos depois estou em frente ao delegado que ouve o meu relato, enquanto o escrivão redige o meu depoimento. — Eu sinto muito tudo que aconteceu a você e a sua noiva, senhor Alexander — diz o delegado por fim. — Eu também, doutor. A única coisa que quero agora é que os culpados sejam punidos. — E serão! Eu já fiz o pedido ao juiz competente para obter um mandado de busca e apreensão na casa do senhor Plínio da Costa e da senhorita Naiara de Almeida Roth. Amanhã terei esse mandado em mãos e efetuaremos a abordagem. — Fico mais tranquilo, doutor Silvio. — Abro um meio sorriso um pouco aliviado depois de saber sobre essa notícia. — Como está a senhorita Isadora?


— Ela ainda está um pouco abalada depois de tudo que aconteceu, mas ficará bem — respondo preocupado pela demora desse interrogatório sem fim. Estou ansioso para estar perto de minha noiva e dar muito carinho a ela. — Nós precisaremos ouvi-la assim que ela estiver recuperada. — Sim, doutor. Isadora sabe sobre isso. — Senhor Alexander, você nunca desconfiou do seu funcionário? — indaga o delegado se recostando na cadeira. — Não, nunca! Foi um choque e tanto quando eu o vi com a arma apontada para a cabeça de minha noiva. — Respiro profundamente lembrando-me da cena horrenda que Isadora e eu vivemos. — Bem, nós vamos averiguar tudo e assim que tivermos alguma resposta, nós entramos em contato com você. — Obrigado, delegado — agradeço impaciente. — Eu estou dispensado? — Sim, você está. — Ele se levanta e estica a mão em minha direção. — Boa noite, senhor Alexander. — Boa noite, doutor Silvio. — Após cumprimentá-lo eu deixo a delegacia e vou direto para o hospital. Isadora dorme profundamente sob o efeito de medicamentos prescritos pelo médico. Eu puxo a poltrona para mais perto e me acomodo ao lado da cama. Enquanto estou olhando para minha linda Afrodite, que está frágil e abatida, uma dor conhecida nasce em mim. Mas nada se compara a dor que sinto pelo que aconteceu a Isadora e ao meu filho, que ainda era um embriãozinho recém-gerado. Sei que perdi mais um filho, mas o mais importante é que quase perdi a mulher que amo. Se não fosse pelo meu motorista e seu velho treinamento militar, a minha noiva talvez não estivesse mais aqui. Talvez eu não estivesse mais aqui. Afundo a cabeça em minhas mãos e o inevitável acontece. Quando percebo, eu estou chorando, com o peito dilacerado, soluçando como um menino. É mais forte do que eu e simplesmente eu me deixo sentir essa dor. Eu preciso senti-la novamente para dar valor a tudo de bom que a vida me ofereceu desde que conheci Isadora. Mas preciso também perdoar a mim mesmo, tirar o peso da consciência carregada pela culpa, esquecer as tragédias que me assolaram por anos e viver uma nova vida. Eu preciso dar a chance de ser um novo eu. Quero viver o amor em sua plenitude. E eu só encontro isso ao lado de Isadora. Em meio ao cansaço, eu adormeço sentando na poltrona. *** Duas semanas mais tarde...


Chego em casa e nem sinal de Isadora. Avisto apenas Raquel que está terminando de arrumar a mesa para o jantar. Aceno com a cabeça para ela que sorri ao ver o ramalhete de rosas vermelhas que tenho em mãos. Depois de tudo que aconteceu comigo e com Isadora, eu a tenho mimado muito. Sempre trago alguma surpresa para minha Afrodite. Quando não é um presente, são flores, em sua maioria orquídeas que ela adora. Ao abrir a porta do quarto eu quase tenho um enfarte de tanto tesão. A cena que vejo não pode ser mais erótica, pecaminosa e sensual. Isadora está nua acomodada em uma poltrona com as pernas cruzadas. Ela está maquiada e o seu cabelo cor de chocolate está solto, formando uma cascata ondulada que cobre parcialmente seus seios. Apenas uma gravata vermelha enfeita seu pescoço. E para completar a atmosfera carregada de sensualidade, toca a música I'll Make Love To You, Boyz II Men.

Estremeço excitado e sinto o sangue ser bombeado todo para o meu pau. Sem condições de raciocinar direito, eu deixo o ramalhete de flores em cima da cômoda e dou dois passos me aproximando. Ela pressente que me afetou profundamente e abre um sorriso, mordendo o lábio. Essa é a outra Isadora, aquela safadinha que volta e meia sai da toca para me atiçar. Eu adoro isso! Amo as duas personalidades dela. — Você quer me matar, Dora? — Estou com os olhos grudados nela enquanto tiro a gravata, jogando-a em um canto. — Eu quero fazer uma surpresa. — Ela cruza e descruza as pernas somente para me deixar doido. — Você está brincando com aço, Afrodite, e não com fogo. Por que é assim que meu pau ficou quando viu você nua, sentada nesta poltrona. — Eu fecho a distância entre nós e paro de pé em frente a ela. Arranco a minha camisa e faço o mesmo com o resto de minhas vestes, deixando somente a cueca boxer branca. — Gostou da gravata? — Isadora acaricia o tecido, me encarando com luxúria. — Comprei para combinar com o seu terno de casamento. — Eu adorei a gravata. — Eu seguro a mão dela e coloco em cima do meu pau que pulsa como um louco dentro da cueca. — Sinta o quanto eu gostei da sua surpresa. — Uau! O Poderoso está feroz! — Ela acaricia a minha ereção me atiçando ainda mais. Eu me inclino para baixo e agarro ambos os braços da poltrona, cercando-a. As pupilas dos olhos de Isadora se dilatam e se comprimem. Ela está muito excitada. E aproveitando o joguinho safado de sedução que ela me propôs indiretamente, eu retiro devagar a gravata de volta de seu pescoço e a suspendo em meus braços. — Linda Afrodite! — exclamo deitando-a sobre os lençóis. Eu me aconchego no meio de suas pernas e ela geme excitada. — Então hoje você quer ser minha escrava sexual? — indago contornando os lábios dela com o polegar. — Sim... Sempre! — Isadora sussurra mordendo a minha orelha, despertando calafrios de tesão pelo meu corpo. Deslizo minha língua em seu pescoço, na direção de sua mandíbula e encontro seus lábios em


um beijo apaixonado. Quero dar e receber muito amor e esquecer de tudo de ruim que passamos nessas últimas semanas. Estou me entregando como nunca me entreguei ao sentimento, às emoções. E desejo viver isso para o resto de minha vida.


Capítulo 41 Isadora

Alexander abocanha um de meus seios e eu vou à loucura com sua língua habilidosa. Ele mordisca, lambe e chupa os meus mamilos, arrancando muitos gemidos de minha garganta. Agarro seu cabelo e entrelaço as pernas ao redor de seus quadris. — Ah, Dora! Você vai pagar caro por me deixar doido de tesão. — Sua voz é dura e ao mesmo tempo tão sedutora. Ele agarra a minha bunda e me vira de costas para a cama. — Empine a bunda para mim! — Faço o que ele me pede e Alexander me ataca como um homem das cavernas. — Alex! — grito quando ele me dá uma mordida na minha nádega direita e uma bofetada na esquerda. Alexander se ajoelha no meio das minhas pernas e sinto seu membro roçar a minha vagina molhada. Sem hesitar, ele me penetra bruscamente, fundo e forte, arrancando de mim outro grito de prazer. — Ahhh, Alex! — debato-me agarrando com força as barras de metal da cama enquanto ele me devora, com as mãos firmes em minha cintura. — Essa bocetinha apertada merece levar muita porra! — Ele dá uma palmada em minha bunda e geme satisfeito. — Você gosta, Afrodite, quando eu te fodo assim? — Sim... Sim... Ohhhh! E o ritmo se intensifica. Alexander bate, retrocede e me deixa cheia de seu membro grosso e grande, que implora por mais espaço, me abrindo toda, fazendo estalar de tanto tesão. Minha mente começa a girar em espiral, imersa em um mundo de erotismo onde somente Zeus e Afrodite existem. — Gostosa do caralho! — rosna empurrando exigente dentro de mim, fazendo ondular mais e mais. Agarro com mais força as barras de metais, sentindo o orgasmo começar a se formar. Alexander umedece o dedo e começa a estocar em meu segundo canal, preparando-me para o segundo round. — Eu não aguento mais... — choramingo enquanto ele sai e volta a me penetrar, de novo e de novo, fazendo círculos dentro de mim. Não aguento e sou jogada no precipício do prazer, gozando e gozando, sacudindo-me toda, com as pernas quase bambas e o coração batendo como um louco dentro do peito. E quando penso que Alexander gozará, ele puxa seu membro para fora e abre a primeira gaveta do criado mudo. Vejo pelo canto dos olhos que ele tira um frasco de óleo e no instante seguinte sinto lubrificar o meu ânus. — Agora vou comer esse rabinho bem gostoso. — e ele cumpre a sua palavra. Ao sentir a cabeça de seu pênis entrando eu solto um grito que se mistura com os gemidos de Alexander. — Ah, porra! Que delícia!


Despedaçada de tanto gozar e com as pernas ainda trêmulas eu busco por respiração, virando o rosto de lado. Não consigo pensar em mais anda que não seja em Alexander me devorando com seu jeito selvagem e possessivo. Eu gosto disso. Sempre gostei do modo como ele me possui. Apaixonado, intenso, feroz, bruto. — Alex... Ahhhh! — arquejo enquanto ele bate e volta, quase enterrando tudo dentro de mim. — Ah, porra! Não vou me segurar... E é assim que ambos explodimos em um orgasmo avassalador, com o corpo estremecido e suado. Caio na cama com o peito invadido pelos sentimentos mais sublimes que existem. Cativa e dominada por Alexander e seu eu depravado e insaciável. Ele sai lentamente de dentro de mim e rola para o lado, puxando-me para perto. Estamos lambuzados de suor e gozo, cheirando a sexo selvagem. Mas para mim isso não é degradante. É uma confirmação do amor que sentimos um pelo outro. Do amor que nos une desde sempre. *** É sábado de tarde e estamos acomodados na varanda ouvindo Lulu Santos cantar Certas Coisas. Alexander está deitado no sofá de vime e eu estou aconchegada em seus braços. Enquanto ouvimos uma boa música e comemos uns petiscos feitos por Raquel, aproveitamos para planejar os últimos preparativos para o nosso casamento que acontece em duas semanas. Estou muito feliz. Tão feliz que temo estar sonhando. A paz voltou a reinar. Plínio e Naiara estão presos e a polícia está em fase de conclusão das investigações. Respiro fundo e sinto uma dor em meu peito. Não aceitei a perda do nosso filho daquele jeito tão trágico. Os momentos que passei logo após o aborto foram angustiantes. Eu adormecia e revivia em meus pesadelos toda a cena horrenda que aconteceu no meu antigo apartamento. Tudo parecia tão real, que eu acordava sempre sufocada, suada, com o coração batendo descontrolado. Não comentei isso com Alexander, embora ele tenha notado algumas vezes a minha apatia. Mas o meu noivo tem feito de tudo para me deixar feliz e esquecer os momentos horríveis que passamos. E eu estou sendo muito grata a ele por isso. À tardinha, vou ao shopping com minha mãe e Manolo para fazer compras e me distrair um pouco. Enquanto caminhamos e olhamos as vitrines, aproveitamos para colocar o papo em dia. Os dois estão alegres e estou pressentindo alguma notícia boa a caminho. Conheço muito bem a minha mãe e o meu amigo para afirmar isso. — Dora, eu fico tão feliz em ver que você está bem. Você não tem ideia o quanto me deixou aflita. — Ela afaga meu rosto com os dedos. — Não precisa se preocupar mais, mãe. Eu estou bem sim! — Sorrio carinhosamente para ela. — Alexander é tão adorável! Eu vi o modo como ele te trata, minha filha. Ele te ama muito! — Nós nos amamos muito, mãe. E é um pouco clichê o que vou dizer, mas Alex é o meu amor eterno — declaro com amor e ela sorri. — Zeus é perfeito, Afrodite — diz Manolo piscando ligeiramente os olhos os olhos verdes. —


Além de ser um gato gostoso, óbvio! — ele completa com ar malicioso e não posso deixar de rir de seu comentário. — Dorinha, eu e a Vivi queremos contar uma mega novidade. — E o que é? — Vivi, conta você porque eu sou uma manteiga derretida. Não vou conseguir contar sem derramar umas lágrimas de emoção. — Filha, Douglas e eu casaremos no mesmo dia que Manolo e Ernani. — Minha mãe está com um sorriso de orelha a orelha e seus olhos estão irradiando felicidade. — Que notícia maravilhosa! — Eu abraço os dois e fico tão emocionada quanto eles. Ao soltar Manolo, ele está fungando e reprimindo para as lágrimas não caírem. — Estou tão feliz por vocês! — O juiz de paz irá efetuar os dois casamentos no mesmo dia. Manolo e Ernani fizeram esse convite para mim e Douglas, e como a gente já estava planejando se casarmos ainda este ano, nós acabamos aceitando. — Mas será depois do seu casamento, Dorinha! Exatamente um mês depois. Não queremos perder o “bafo” que será o seu casamento. A união de Zeus e Afrodite será o acontecimento da década! — meu amigo diz todo faceiro. Rimos da graça feita por Manolo, que continua a tagarelar como será o evento do casamento em conjunto com minha mãe. Ouço o som do meu celular e vejo na tela uma mensagem nova de WhatsApp. Certamente é Alexander que está entrando em contato comigo. Mas para minha surpresa, eu constato que é a remetente é Samara. O conteúdo diz o seguinte: “Isadora, eu preciso conversar com você. Sei que está no shopping. Me encontre na lanchonete”. Enquanto minha mãe e Manolo estão conversando ainda sobre os seus casamentos, eu digito a seguinte mensagem de volta: “Ok! Estou indo”! — Gente, eu tenho um assunto de última hora para tratar — aviso aos dois que param de tagarelar e se voltam para mim. — Você quer ir para casa, Dora? — Não, mãe! A pessoa que quer conversar comigo está me esperando na lanchonete. — E quem é essa pessoa, minha filha? — É a Samara. — Manolo e minha mãe arregalam os olhos e se entreolham preocupados. — Dorinha, isso não é uma boa ideia. Aquela piranha ruiva quase arruinou a sua vida! — geme meu amigo angustiado.


— Eu concordo com Manolo, Dora. Acho melhor você não ir a esse encontro. — Vocês não precisam se preocupar. Se a Samara me chamou é por que ela algo importante para me contar. — Eu tento tranquilizá-los. — Bem, eu acho que você está decidida mesmo a ir ao encontro com a vaca ruiva. — Manolo revira os olhos. — Samara não é perigosa. Ela só late e não morde. — Eu dou uma piscadinha para ele. — Nós vamos te acompanhar e ficaremos sentados no outro canto da lanchonete — avisa minha mãe em tom protetor. — Eu não confio nas boas intenções dessa garota, Dora. — Nem eu! — concorda Manolo. Sem ter alternativas, eu saio com os dois em direção a lanchonete. Conforme o combinado, eles se sentam em uma mesa do lado oposto em que Samara está. A ruiva está sozinha, tomando um suco e olhando ao redor. Fazia alguns meses que eu não a via e nem sabia que ela estava na cidade. A última informação que tive era de que Samara estava trabalhando e morando fora daqui, na empresa que eu lhe arrumei emprego. — Oi, Samara! — Eu puxo a cadeira e me acomodo a mesa. — Oi! Eu espero não estar atrapalhando o passeio com sua mãe e seu amigo. — Ela está lançando um olhar por cima do ombro, na direção onde minha mãe e Manolo estão. — Está tudo bem. Eles estão me esperando — esclareço lançando um olhar rápido em direção onde Manolo e minha mãe estão. — Como está o seu filho? — De imediato eu me recordo do dia em que descobri que Roberto é o pai do bebê dela. — Lucas está bem. — Bonito nome! — Abro um sorriso melancólico sabendo que o meu filho poderia estar crescendo em meu ventre se não fosse pela tragédia que aconteceu. Eu preciso superar isso. — Eu sinto muito pelo que ocorreu com você, Isadora. Não deve ser nada fácil ter um aborto provocado indiretamente por terceiros. — Não! Não é... — repondo ainda um pouco abalada. E como não quero remexer nessa ferida, eu mudo de assunto. — O que você quer falar comigo? Samara termina de beber seu suco e me encara séria. Percebo que a conversa é importante, caso contrário ela não estaria se expondo para mim assim, do nada. — Depois do que aconteceu a você, eu estou disposta a ir à polícia e relatar todo o ocorrido na festa da empresa, ano passado. — Samara quer voluntariamente prestar depoimento? Estou pasma! — Samara, eu nunca imaginei que você pudesse querer isso. — Nem eu... Mas acho que é o mínimo que eu posso fazer para tentar consertar a merda que eu cometi. — Ela abaixa os olhos por um momento. — Você fará o certo, Samara. Alex não merece ser injustiçado. Você sabe! — Sim, eu sei! — Ela ergue os olhos para me fitar. — Eu ainda o amo. — Samara se declara e eu controlo o ciúme que me ronda. Embora eu saiba que Alex nunca a amou, eu me sinto incomodada


com esse assunto. Preciso lidar com isso e apenas aceitar que ninguém pode mandar em seu coração. Principalmente quando o assunto é o amor. — Samara, nós estamos aqui para conversar sobre a sua ida a polícia e não sobre os sentimentos que você diz sentir pelo meu futuro marido. — Sei que fui seca e até um pouco ríspida com ela. Mas foda-se! Samara está vendo a aliança grossa de ouro que tenho em meu dedo e mesmo assim não deixa de me alfinetar, falando sobre o que sente por Alexander. Isso é demais para mim! — Eu entendo que isso te incomoda, Isadora. E não a culpo por se sentir assim. No seu lugar eu não estaria aqui, falando com a responsável por separar você do homem que ama. Você é uma mulher admirável. Por isso Alex é louco por você! — Ela respira profundamente e percebo que não sou a única que está desconfortável aqui. — E o que você irá contar para a polícia? — indago voltando ao assunto primordial do nosso encontro. — Eu contarei que foi dona Verônica que planejou realmente a emboscada para Alex e o porquê ela fez isso. A sede de vingança que a mãe de Fernanda em prejudicar Alexander é surpreendente. Não sei por que, mas sinto que existe algo por trás disso tudo. Algo que vai além de uma rixa particular. Será que dona Verônica... Não! Isso seria horrendo demais para minha cabeça. — Dona Verônica... Sempre tem um dedo da família Roth por trás de alguma coisa de ruim que acontece com Alex. — Balanço a cabeça de um lado para o outro enquanto sinto a garganta seca. — E o que a motivou a fazer isso? A morte da filha mais velha? — No início eu achava que era. Mas depois... — Samara se cala com os olhos vidrados. Parece que nem ela acredita no que sabe. — Depois o que, Samara? Diga! Pelo amor de Deus! — imploro pressentindo que a resposta que ela me dará será muito desagradável. — Eu descobri o motivo de tudo, Isadora. Quem envenenou Fernanda contra Alex anos atrás, colocando minhocas na cabeça dela, fazendo-a acreditar que a história era verdade. Eu sei o porquê Fernanda tirou a própria vida. — Ela fecha os olhos com força como se sentisse dor. — Aquela família não presta como você mesmo disse. Dona Verônica e Naiara são duas cobras. Não é á toa que são mãe e filha. — Diga aquilo que eu ainda não sei, Samara. Por favor! — Dona Verônica estava apaixonada por Alex, assim como as duas filhas. —Deus do céu! Naiara havia dito isso naquele dia em que eu fui sua refém. Eu não acreditei em uma palavra do que ela falou e achei que era loucura, que ela estava blefando. Mas era tudo verdade! — Meu Deus! Dona Verônica foi responsável pela morte da filha! — Estou horrorizada com tamanha insensibilidade humana e falta de escrúpulos que mãe e filha possuem. — Também fiquei chocada quando descobri. Mas é a mais pura verdade. Ela me usou assim como usou as duas filhas de formas de diferentes. Dona Verônica sabia exatamente o que fazer. Ela estava apaixonada por Alex, e como viu que nunca seria correspondida, o amor que ela nutria se transformou em ódio, maldade, doença. Sabe aquele velho ditado: se eu não posso ter, ninguém terá?


Esse era o lema dela. Estou tremendo que só percebo quando olho por um breve momento para as minhas mãos, que estão sobre a mesa. Tento controlar os tremores e a respiração que falha enquanto consigo processar todas as informações que recebo. Eu sei que dona Verônica é uma mulher fria e vingativa, mas nunca imaginei que ela fosse diabólica. Como pode uma mãe deturpar a mente das próprias filhas em nome do seu ego ferido? Na verdade quem estava segurando aquele estilhaço de espelho, no dia em que Fernanda cometeu suicídio, era a sua própria mãe, mesmo que ausente da cena do crime. Mas ela estava lá. No pensamento de Fernanda, azucrinando a cabeça da garota e deixando-a louca. — Como você soube disso? — questiono com o coração martelando angustiado dentro do peito. — O senhor Alberto Roth me procurou e contou tudo. Ele disse que na época nem desconfiava do que estava acontecendo. Mas alguns meses atrás, ele escutou uma conversa entre dona Verônica e Naiara. As duas estavam discutindo sobre o que havia acontecido com Fernanda e Alex, e ele ouviu tudo atrás da porta. O senhor Alberto ainda não se separou da dona Verônica por causa do patrimônio. Eles vivem um casamento de aparências — declara Samara me deixando mais perplexa do que já estou. — Como você tem certeza de que ele está falando a verdade? — Ele pediu para que eu gravasse a conversa, Isadora — diz tirando de dentro da bolsa um envelope. — Está tudo aqui. Você pode ouvir quantas vezes quiser. Essa é uma cópia. A original eu entregarei à polícia. — Eu ouvirei junto com Alex. Ele saberá o que fazer. — Mas isso não é tudo, Isadora. A responsável pelo segundo sequestro do Alex, foi ela também. O senhor Alberto relata isso na gravação. — Eu suspeitava dela. — Respiro profundamente para oxigenar o meu cérebro, que parece estar entorpecido diante de tanta informação. — Isso tudo é uma loucura! — Eu sei... Parece um pesadelo. O senhor Alberto assegurou que entregará a esposa para a polícia na hora certa. Ele só precisa de um tempo para organizar os papéis do divórcio. — fala Samara se levantando. — Eu preciso ir. Deixei o meu filho com a babá e logo a garota encerra o seu expediente. — Samara, por que está fazendo tudo isso? — Eu me levanto e a encaro em busca de resposta. — Eu quero ter uma nova vida junto de meu filho e ensinar a ele os valores e não desvirtuá-lo como dona Verônica fez com Naiara. Eu quero viver em paz, Isadora. — É muito bom ouvir isso, Samara. Nunca te desejei o mal — digo com sinceridade. — Eu sei! — Ela abre um meio sorriso. — E a Dona Verônica vai pagar pelo que fez. Assim como a filha está pagando. O lugar dessas duas pilantras é atrás das grades. Até mais, Isadora! — Ela se despede e deixa o local. Eu volto a me acomodar na cadeira sem acreditar em tudo que ela me contou. Acredito realmente na redenção de Samara e desejo que ela seja feliz. A vida ensina muita coisa às pessoas e basta escolhermos se queremos aprender da melhor maneira ou da pior. No caso dela, ela aprendeu


levando pancada, mas o importante é que aprendeu. Guardo o envelope dentro da bolsa e saio em direção a minha mãe e Manolo que me esperam. Por enquanto não direi nada a nenhum dos dois. O que mais quero agora é contar tudo para Alexander. Inclusive que Roberto é o pai biológico do filho da Samara.


Capítulo 42 Alexander

Estou chocado com a história que Isadora me contou. Eu sempre soube que dona Verônica não possuía caráter, mas nunca pensei que ela pudesse estar diretamente envolvida em tudo que tem acontecido de ruim em minha vida nesses últimos anos. Ouvir o áudio gravado onde o marido dela, senhor Alberto, confessa todas as artimanhas que ela planejou contra mim, desde que Fernanda ainda era viva, é realmente assustador. Como uma mãe pode usar as próprias filhas em nome de uma vingança particular? Em nome de uma paixão insana? Na época em que Fernanda se suicidou, eu desconfiava que alguém estava envenenando a cabeça dela, mas nunca cogitei a ideia de essa pessoa ser a sua própria mãe. Dona Verônica é realmente uma mulher diabólica, sem escrúpulos e desprovida de sentimentos. Agora entendo o seu ódio camuflado de amor por mim, as suas acusações infundadas me culpando pela tragédia que acometeu a sua filha mais velha. É muito fácil passar a culpa que sente para um terceiro e acusá-lo daquilo que ele não cometeu. E isso tudo somente para livrar a sua própria pele e inflamar o seu ego de mãe zelosa perante a sociedade. Ela soube esconder muito bem o que sentia por mim e o que planejava fazer quando viu que nunca seria correspondida. Dona Verônica encheu tanto a cabeça da filha mais velha, pegando seu ponto fraco que era o ciúme e a desconfiança, que a deixou louca. Outro fato que me deixou surpreso, de forma positiva, foi a atitude de Samara, que procurou Isadora e contou todo esquema armado para cima de mim. Ela também não deixa de ser mais uma vítima que dona Verônica usou como marionete para tirar proveito da situação. E se não bastasse saber de todas as artimanhas feitas pela mãe de Fernanda, eu ainda fiquei sabendo que o pai do filho da Samara é o safado do Roberto. Não duvido nada que ele não esteja envolvido nesse esquema para tentar me destruir. Está mais do que evidente para mim que Gusmão pode ter comprado as cotas do Vicente para ficar me espionando mais de perto, pronto para dar o bote certeiro para acabar com minha vida. Preciso conversar com meus advogados e encontrar uma brecha nas leis para enxotá-lo para fora da firma. Mas antes, eu preciso esclarecer as pendências entre mim e dona Verônica pessoalmente. A paixão doentia que a mãe de Fernanda dizia sentir por mim se transformou em ódio e ela não mediu esforços para tentar me destruir. Nem que para isso precisasse sacrificar a sua filha mais nova bem como Samara. O que a paixão e o sentimento de ser desprezado faz com as pessoas? Tornam-nas cegas e doentes, capazes de realizar os atos mais abomináveis que existe. É noite quando Isadora e eu o recebemos no meu escritório. O Dr. Silvio e a sua equipe tem trabalhado arduamente para descobrir tudo sobre o envolvimento de Naiara, dona Verônica e Plínio e também o que os motivou a cometer tais crimes.


— Espero que tenha novidades boas para nos dar, doutor — digo. Isadora se senta ao seu lado e o delegado se acomoda de frente para nós. — Tenho muitas notícias, senhor Alexander. Algumas boas, outras nem tanto — fala o delegado abrindo um envelope grande que traz em suas mãos. — Dona Berenice foi encontrada morta em casa. — Ele entrega um papel e eu arregalo os olhos, espantado. — Ela se suicidou usando uma corda. Foi encontrada pendurada no banheiro. — Meu Deus, que horror! — Isadora fica apavorada enquanto eu leio os relatos trazidos pelo delegado. — Doutor Silvio, eu não entendo o porquê a dona Berenice tirou a sua própria vida. Ela estava livre e podia viver fora das grades. Quando a vi naquele dia, na garagem da minha empresa, ela me pareceu muito bem — relembro incrédulo balançando a cabeça de um lado para outro. — Ela se suicidou mesmo? — Sim, ao que tudo indica não encontramos outras digitais no local que não fossem as dela. — Eu não serei hipócrita ao dizer que não me sinto aliviado, delegado. Mas isso não era o que eu queria que acontecesse a ela — desabafo, entregando os papéis ao doutor Silvio. — Embora a dona Berenice é a culpada pela morte do meu pai e pelo meu primeiro sequestro, eu não desejava o mal a ela. Apenas queria que ela ficasse longe de mim e da Isadora. — Eu entendo, senhor Alexander. Isso realmente foi uma surpresa para todos nós. Mas há outros assuntos que eu quero lhe falar. Quando fizemos a abordagem de busca e apreensão na casa da senhorita Naiara e do senhor Plínio, encontramos provas de que eles estavam por trás de tudo que lhe aconteceu. — E o que vocês encontraram, delegado? — Isadora questiona nervosa enquanto segura a minha mão. — Encontramos tudo, dona Isadora. Na casa do senhor Plínio estava a motocicleta usada na noite em que vocês foram perseguidos, o aparelho celular usado por ele para fazer as ligações para o senhor Alexander e até mesmo uma generosa quantia em dinheiro. Mais ou menos 300 mil reais, que com certeza foi pago a ele para mantê-la em cárcere privado. — Plínio é um filho da mãe mesmo! — rosno enfurecido. — E quanto a Naiara? Encontraram alguma coisa na casa dela? — Sim, senhor. Encontramos o celular que ela usou para enviar as fotos e uma arma calibre 38. Além disso, conseguimos a quebra da conta bancária dela bem como dos sigilos telefônicos dela e do senhor Plínio. É assustador, senhor Alexander — confessa o delegado entregando uma nova papelada para mim. — Os dois tramaram a morte do senhor Jairo Camargo como queima de arquivo. Mas ainda não sabemos quem executou, se foi um deles ou um terceiro. Por isso estamos periciando a arma encontrada para averiguar se os disparos que tiraram a vida de Jairo saíram daquela arma. Agitado, eu me levanto e começo a andar de um lado para o outro. Meus olhos estão vidrados nos documentos que tenho em mãos. Tudo isso está sendo um choque para mim e para Isadora também, que até agora está tentando digerir todas as informações que recebe. Sei que Naiara e Plínio estavam obstinados em arruinar a minha vida, mas nunca pensei que eles pudessem cometer um


assassinato para encobrir seus rastros. — Nunca pensei que Naiara pudesse se aliar ao meu segurança para me destruir. Ela tem seus motivos loucos para querer me arruinar. Mas e Plínio? O que o motivou a cometer um crime? Será que ele estava passando por dificuldades financeiras? — pergunto desconfiado. — Senhor Alexander, a gente nunca compreende muito bem a cabeça de um delinquente. Ainda mais quando eles não têm motivos evidentes. — Eu estou um pouco chocado com tudo isso, doutor Silvio. E acredito que o senhor terá ainda mais trabalho para resolver depois do que eu lhe entregar. — Eu abro a gaveta da escrivaninha e tiro de dentro o envelope que contém a gravação que incrimina dona Verônica. Estendo a mão e entrego o conteúdo precioso ao delegado. — Aqui está uma cópia da gravação feita por Samara Fagundes, antiga funcionária da nossa empresa. Ela foi procurada pelo senhor Alberto Roth, marido de dona Verônica. Ele relatou todo o esquema armado por mãe e filha e ainda esclareceu fatos que, até então, não havia elucidação. Como o caso do meu segundo sequestro. — Como você conseguiu isso, senhor Alexander? — pergunta o delegado enquanto examina o CD que contém a gravação. — Quem descobriu isso foi a Isadora — respondo enquanto me acomodo ao lado de minha noiva, abraçando-a. — Samara me enviou uma mensagem pedindo para se encontrar comigo, dizendo que tinha algo muito importante para me contar. Eu fiquei pasma com tudo que soube — Isadora diz, prostrada diante da situação. — Bem, eu analisarei o conteúdo desse CD e tomarei as medidas cabíveis. Preciso ouvir essa moça de nome Samara. — Ela irá cooperar, delegado. Samara me assegurou isso. — Ótimo, senhorita Isadora! Assim a investigação se torna um pouco mais fácil. — A única coisa que importa agora é a segurança de Isadora e daqueles que eu estimo. Espero que dona Verônica, Naiara e Plínio paguem pelo que fizeram. E se depender de mim e de meus advogados, eles ficarão um bom tempo atrás das grades — digo em tom firme. — Bem, isso vai depender do crime pelo qual eles serão denunciados. Se ficar comprovada a participação de algum deles no assassinato de Jairo Camargo, a coisa pode se complicar de verdade para os três — afirma o delegado, guardando a o envelope dentro de sua valise. — Bem, qualquer novidade, eu entro em contato. — O delegado se levanta e nós fazemos o mesmo. — Doutor, eu posso fazer uma visita ao Plínio na prisão? — Isadora em encara, estupefata. E ela não é a única, até o delegado Silvio arregala os olhos em minha direção. — Alex, eu não acho que seja uma boa ideia. Plínio é perigoso! Ele apontou uma arma para minha cabeça! — brada, apavorada, tentando me persuadir a mudar de ideia. — Senhor Alexander, a sua noiva tem razão — diz o delegado, concordando comigo. — Eu preciso saber o porquê ele fez isso. Plínio tem que me contar o que o motivou a praticar


esse crime. Eu quero ouvir isso da boca dele, delegado — digo determinado sabendo que não sossegarei enquanto não ouvir a verdade da boca de Plínio. Mas antes, eu preciso esclarecer as pendências entre mim e a mãe da Fernanda pessoalmente. *** Decido ir até a casa de dona Verônica sozinho. Pego o carro e poucos minutos depois eu estou apertando o botão da campainha. É hoje que essa desgraçada responderá todas as minhas perguntas. Não demora muito para que a governanta atenda a porta e arregale os olhos ao constatar que sou eu. — Boa tarde, o senhor tem hora marcada, senhor Alexander? — Não — respondo e entro decidido. — Dona Verônica está em casa? — Sim, ela está. Mas o senhor não pode... — Não diga o que eu posso ou não fazer — rosno para a mulher que se encolhe um pouco. — Onde ela está? — No escritório. — Eu giro o corpo e começo a caminhar em direção ao corredor que leva até a sala. — Mas o senhor não pode entrar ai, senhor Alexander. — Não se preocupe. Eu não preciso ser anunciado — ironizo para ela. — Eu vou chamar a polícia. Isso é invasão de domicílio — diz nervosa logo atrás de mim. — Ótimo! Faça isso! — Sorrio e abro a porta. Entro e encontro dona Verônica sentada atrás da mesa de vidro. Ela se levanta exasperada e me encara com raiva. — Como você deixou esse homem entrar aqui, Nilza? — esbraveja para a governanta que treme feito vara verde ao meu lado. — Senhora, eu... Eu... Não tive culpa. — Dona Nilza, a senhora pode sair. Esse assunto é entre mim e a sua patroa. A governanta olha desconfiada para dona Verônica, que faz sinal com a mão para que ela saia e nos deixe a sós. Sem ter alternativa a mulher se retira e fecha a porta atrás de si. — Como você ousa invadir a minha casa, Alex? — pergunta me fulminando com olhar. — Verônica, eu soube de tudo que aconteceu. Mas vim até aqui para ouvir de sua boca se sente remoroso pelo que fez as suas filhas! — Eu me aproximo e espalmo as mãos na mesa de vidro. Ela leva um susto e quase cai sentada na cadeira. — Do que está falando? Está louco?! — Fernanda morreu por sua causa e Naiara está atrás das grades por sua causa também. Como se sente usando as duas para satisfazer um simples capricho? — indago possesso enquanto vejo seus olhos azuis-claros se transformarem em gelo. — Você foi o responsável pela morte da minha filha. Fernanda morreu por sua causa! — grita saindo de trás da mesa que nos separa.


— Você é uma mulher sem coração. Uma desvairada que não mediu esforços para usar as próprias filhas para me prejudicar. Eu sei de tudo! Desde a história do sequestro até o seu plano perverso para destruir Isadora e eu. Ela dá uma gargalhada maquiavélica. Fico pasmo com a frieza dessa mulher. E eu que pensei que dona Berenice fosse diabólica. Dona Verônica a supera em todos os níveis de crueldade, pois foi capaz de manipular Fernanda e Naiara para atingir o seu propósito. Essa mulher me dá nojo! — A putinha insossa e sem graça. — Ela controla o riso e me fita com os olhos arregalados, enlouquecidos. — Eu avisei a Isadora que você não prestava, mas ela está encantada pelo seu charme e pelas suas taras, que sequer me ouviu. Você vai destruir a vida dela assim como fez com a minha vida! — grita completamente fora de si. — Você não sabe o que é o amor, Verônica. É uma mulher amargurada, fria que engana quem estiver ao seu redor. Nunca amou seu marido e tampouco as suas filhas. — Alex, você não sabe o que se passa em minha vida — diz em um fio de voz, olhando para o chão. As minhas palavras a atingiram intensamente e, de um momento para outro, ela parece perdida. — Eu fiz tudo em nome do amor. — Ela me olha com os olhos marejados e quando percebo se joga em mim chorando e tentando me agarrar. — Eu te amo! Fiz tudo em nome do amor que sinto por você. — Pare com isso, sua louca! — Seguro seus braços a detendo enquanto sou invadido pela culpa. Sei que não sou culpado pela loucura de Verônica, mas não posso deixar de sentir remorso. A família dela está destruída por minha causa, mesmo que indiretamente. — Diga a verdade! Você colocou minhoca na cabeça da Fernanda para que ela enlouquecesse e tirasse a própria vida! A sua filha se suicidou e levou o meu filho em seu ventre. Isso não dói em você, Verônica? Como consegue deitar a cabeça no travesseiro e dormir com a consciência tranquila? Você não sente? — Eu te amo, Alex! Sempre te amei. Mesmo antes de você e Fernanda começarem a namorar. Eu não tenho culpa do amor que sinto por você — ela ignora o que eu digo e continua a sua cena patética falando sobre o amor que nutre por mim. Eu a solto abruptamente e me distancio dela. Meu estômago começa a se embrulhar diante de tanta sujeira. Fecho os olhos por um momento e Fernanda surge em minha mente, no dia em que tirou sua própria vida. É como se um punhal fosse cravado em meu peito pela segunda vez, remexendo na ferida até sangrá-la. — Eu estava apaixonado pela Fernanda — Ela para de chorar e me olha estupefata, como se não acreditasse no que acaba de ouvir. — Estava disposto a me casar com ela e assumir o nosso filho, mas você os tirou de mim. Tirou aquilo que eu estava considerando na época a minha salvação depois de tanta desgraça que a vida me proporcionou. — Você nunca amou a minha filha. Isso é mentira sua, seu cafajeste! — esbraveja limpando as lágrimas com a palma da mão. — Pense o que quiser. Mas agora, depois de anos, eu consigo deitar a minha cabeça no travesseiro e dormir tranquilo porque sei que não fui o culpado pela morte dela. Quanto a você — Eu a olho com piedade. —, nunca terá esse privilégio. — É mentira! É mentira! Eu sempre fui uma mãe zelosa, que ama sua família. Você é o


responsável por tudo. Você, seu desgraçado! Ouço um barulho na porta e o senhor Alberto entra. Ele está com os olhos vidrados e certamente escutou parte da conversa. Viro o rosto e o encaro sem saber o que dizer. Ele olha para mim e depois volta seu olhar para a esposa que está chorando. — Alberto, meu amor! — Verônica corre em direção ao marido com a nítida intenção de abraçá-lo, mas ele de esquiva dela e ergue a mão detendo sua ação. — Alberto... — Não me toque! Eu ouvi tudo, Verônica. Sempre desconfiei que tivesse dedo seu nesta história. E agora eu tive certeza absoluta. Como você pôde fazer isso com as nossas filhas? Como? — ele rosna em tom duro para a esposa que volta a vestir sua máscara de frieza. — Não é verdade. O responsável por tudo é Alex. Ele é o culpado, Alberto. — Cale a boca! — Ela dá um pulo diante da voz enérgica do marido. — Você é a culpada por destruir com a nossa família. Somente você, Verônica! — Não! Não! Não! — Ela coloca as mãos na cabeça em desespero. — Chame a polícia, meu amor. Alex invadiu a nossa casa. Ele é perigoso e precisa ser preso. — Eu já chamei a polícia. — Ela sorri vitoriosa me lançando um olhar carregado de veneno. — Mas quem vai para a cadeia aqui é você! — O sorriso desaparece de seu rosto e pela primeira vez na vida eu a vejo empalidecer. — Meu amor, você está enganado. O criminoso aqui é ele. — Ela aponta o dedo em minha direção. — Basta! Chega de falsidade. Já aguentei muito de você esses anos todos. Mentindo para mim, usando a Naiara para concretizar seus golpes sujos. Você colocou coisas na cabeça da Fernanda e fez com que ela ficasse fora de si. Você é um monstro, Verônica! — declara com repulsa enquanto a esposa cai sentada na poltrona com os olhos estáticos. — Senhor Alberto, me desculpe ter invadido a sua casa desse jeito — eu me pronuncio incrédulo diante de tudo que estou presenciando. — Não se desculpe, Alex. Você é mais uma vítima da desvairada da minha ex esposa. — Ele usa a palavra ex e Verônica se levanta de imediato, com os olhos estreitos em fúria. — Ex?! Você ficou louco, Alberto? Duvido que você tenha coragem de fazer isso! — Ela dá uma nova gargalhada mordaz enquanto eu e Alberto estamos pasmos diante de sua insensatez. — Vai se separar de mim e ficar sem um tostão no bolso? — Querida, quem vai ficar sem um centavo depois que estiver na cadeia, é você. Meus advogados estão cuidando com o nosso divórcio e em breve ele sairá — diz Alberto seguro de si. — Você se esqueceu de que somos casados com divisão de bens? — Eu nunca darei o divórcio a você! Nunca! — Verônica, a polícia já tem em mãos tudo que precisa para te colocar atrás das grades. Eu mesmo procurei a filha do senhor Vicente Fagundes e relatei tudo a ela. Você não tem escapatória! — diz Alberto confirmando o que Isadora havia me contado alguns dias atrás. — Aquela putinha desgraçada me traiu? — ela grunhe cerrando os dentes.


Neste instante eu ouço vozes no corredor e logo o doutor Silvio e Isadora surgem na sala. O delegado não está sozinho e mais dois homens da polícia civil o acompanham. Isadora se aproxima e me abraça apertado. Eu a envolvo pela cintura e beijo seu cabelo. — Meu amor, como você soube onde eu estava? — indago em um sussurro afagando seu rosto bonito. — O delegado me contou depois que recebeu a ligação do marido da dona Verônica. Ele denunciou a própria esposa — responde nervosa, voltando a se aconchegar junto a mim. — Dona Verônica Almeida Roth, a senhora está presa pelo crime de sequestro do senhor Alexander Diniz Bismarck, pela participação no crime de assassinato do senhor Jairo Camargo e por ser a mentora do plano montado para tirar a vida do senhor Alexander e de sua noiva, a senhorita Isadora De Luca Medeiros. Tudo que a senhora disser, poderá ser usado contra você. A senhora tem direito a um advogado e também tem o direito de permanecer calada. — Enquanto o delegado fala, um investigador algema dona Verônica que começa a se debater e espernear tentando se libertar. — Não! Isso é uma armação do Alex. Não! Eu sou inocente! — grita em agonia e olhando para o marido suplica: — Alberto chame meus advogados. Eu não posso ir presa. — O investigador a ignora e a conduz para fora do escritório. — Alberto, seu babaca, não deixe que me levem! Eu sou inocente! INOCENTE! Alberto? — grita endoidecida cruzando o corredor sob a escolta dos dois investigadores. Isadora me abraça apertado enquanto eu respiro aliviado. Dona Verônica terá muito tempo para meditar no que fez. E eu já assegurei aos meus advogados que façam o que for possível pra que ela pegue a pena máxima. Essa mulher vai pagar por tudo que fez a mim e a sua família.


Capítulo 43 Alexander

Conforme solicitado por mim, meus advogados conseguem encontrar uma brecha nas leis para que seja anulado o contrato de compra e venda das ações que Roberto adquiriu de Vicente. Finalmente eu me livrarei desse intruso, que só me trouxe desprazer e dor de cabeça. Estamos na sala de reuniões para assinar o novo contrato. Dessa vez, Ernani e Manolo adquirem as cotas que eram de Vicente. Roberto está acomodado ao redor da enorme mesa e com uma expressão furiosa, mas está calado. Não protestou e nem disse nada, pois sabe que se abrir a boca, pode ser processado. E bem que eu queria que isso acontecesse. Só que eu tenho outros planos para ele. E espero para o seu próprio bem, que ele cumpra com o acordo que irei propor. — Está tudo sacramentado perante a lei, senhor Alexander — diz o doutor Aécio Caldas, um de meus advogados. Ele me entrega a papelada do acordo e eu dou uma olhada rapidamente. Constato que está tudo certo e guardo o documento na valise. — Obrigado, doutor — agradeço a ele e volto à atenção para o meu ex-sócio. — Roberto, você está ciente do acordo extrajudicial que realizamos hoje, não é? — Sim, estou — rosna com cara de poucos amigos. — Pois bem, então as cotas que você adquiriu de maneira ilegal de Vicente, pertencem agora a Ernani Rodrigues e Manolo Garcia. — Neste instante os demais sócios dão uma salva de palmas. Todos estão presentes na reunião, inclusive Isadora, que está sentada ao meu lado. — Agora eu gostaria de pedir aos demais que se retirassem e apenas permanecesse o doutro Aécio e Roberto na sala. Nós temos um assunto sério a tratar. — Alex, você está certo de que é isso mesmo que quer fazer? — pergunta em um sussurro, sabendo muito bem o que eu farei. — Sim, meu amor. Não se preocupe. Eu te vejo daqui a pouco. — Beijo rapidamente seus lábios e ela deixa a sala com os demais. Permanece Roberto, eu e o meu advogado. — Roberto, eu estou te poupando de um processo perante a justiça. — Muita generosidade da sua parte. — Ele sorri ironicamente. — Garanto que você quer algo em troca disso, não é Alexander? — Acertou em cheio! — Eu devolvo o sorriso com a mesma zombaria usada por ele. — O meu acordo é muito simples, Roberto. Você assume o filho da Samara, registra e paga uma pensão à criança até que ela esteja com os estudos da faculdade concluídos. — Você está louco? Jamais farei isso. Não pedi para ser pai e tampouco gosto de crianças!


— Roberto, embora eu tenha pena do menino por ter um pai tão inescrupuloso como você, ele precisa levar o nome paterno em sua certidão de nascimento. Isso é o mínimo que você pode fazer — rebato entredentes com nojo por Gusmão ser tão insensível. — Você perdoou a putinha ruiva que quis lhe dar um golpe?! Eu estou pasmo com a sua atitude, Alexander — ele ironiza abrindo um sorrisinho zombeteiro, me debochando. — Não trate a Samara com esse termo, Roberto. Ao contrário de você, ela admitiu os erros e está cooperando com a polícia. Samara se redimiu pelo que fez e quer levar uma vida nova com seu filho — esclareço a situação e mostro o novo acordo, deixando a papelada em sua frente. — Ou você assina a porra desse acordo, ou eu coloco um processo no seu rabo. Tenho certeza que sairá muito mais caro do que todos os anos de pensão que você terá que pagar para o seu filho. Roberto bufa enquanto segura os papéis. Ele lê e relê o documento várias vezes e por fim, decide aceitar o que propus. Contrariado, ele me entrega os papéis e se levanta abotoando o casaco de terno. — Era só isso que você queria comigo? — pergunta em um rosnando enquanto seus olhos castanhos perfuram os meus. — Não! — Eu me levanto e o encaro em tom duro. — Amanhã mesmo o doutor Aécio dará a entrada da papelada na justiça. E para o seu bem, espero que cumpra com o acordado. — Você está me ameaçando, Alexander? — Roberto, você deve saber que eu cumpro com o que prometo. E se não fizer o que está escrito nesse documento, eu meto um processo contra você. Eu não estou brincando! — rosno espalmando as mãos na mesa e inclinando o corpo em sua direção. Roberto se apruma como um pavão, pronto para me atacar, mas se contém e apenas respira pesadamente. — Se eu assinei essa porra é porque eu cumprirei com o que está determinado ai. Satisfeito? — brada torcendo os lábios e saindo em direção à porta de saída. — Espere! Pegue as suas tralhas e suma da minha empresa. A partir de hoje, você está proibido de colocar os pés aqui dentro. E se o fizer, os meus seguranças estão orientados a te colocar para fora a pontapé. Roberto faz uma cara de nojo e deixa a sala batendo a porta com força. As paredes tremem com seu gesto bruto e deselegante. Eu desconsidero a sua falta de educação e me acomodo ao lado do doutor Aécio, respirando aliviado por não precisar mais suportar a presença do filho da mãe. Agora a empresa vai voltar a paz e tranquilidade de outrora. *** O restante da semana passa muito rápido e a sexta-feira chega. Deixo a empresa mais cedo e na companhia de Ernani e do doutor Aécio, eu vou até a penitenciária onde Plínio está preso. O meu advogado conseguiu a permissão para eu poder falar com ele e aqui estamos nós, acomodados em uma pequena sala e esperando por Plínio.


Ouço um barulho na porta e ele entra escoltado por um dos agentes penitenciários. Plínio está algemado com as mãos para trás e veste um desses uniformes de detentos. É impossível não deixar de notar que ele emagreceu um pouco e que está abatido, porém ainda mantém um brilho frio em seus olhos esverdeados. Ele se acomoda na cadeira que está do outro lado da pequena mesa e me encara com raiva. Eu fito seus olhos e não vejo nada além de ódio e desprezo. Para mim a sua ira ainda é uma incógnita. — Olá chefinho, quanto tempo!— ele ironiza abrindo um sorrisinho. — Pelo menos peça para o guarda tirar as algemas para conversarmos. Essa merda incomoda. — Eu não sei se isso seria seguro, senhor Alexander — meu advogado se pronuncia preocupado. — Está tudo bem, Aécio. — Faço sinal para o guarda, que remove as algemas de Plínio. Ele esfrega os pulsos e abre outro sorriso para mim. — Obrigado, chefinho. Você é um homem muito generoso. Agora podemos conversar. A que devo a honra da sua visita? — Eu preciso de respostas, Plínio. E somente você pode dá-las — digo apoiando meus braços sobre a mesa. — Ora, ora! Que tipo de respostas eu devo a você, hein? — Ele se estica na cadeira e cruza os braços sobre o peito. O tom de sua voz é de puro deboche. Sei que ele quer me provocar e eu o ignoro. — Aécio, você poderia nos deixar a sós? — Isso não é uma boa ideia, senhor — resmunga Aécio, alternando seu olhar entre mim e Plínio, que continua esboçando o sorrisinho cínico nos lábios. — Não se preocupe comigo. O guarda está aqui se alguma coisa acontecer. — Eu o tranquilizo. — Tudo bem. Eu esperarei por você ali fora. — Ainda um pouco desconfiado, Aécio se levanta e deixa a sala. Agora só há eu, Plínio e o agente penitenciário que está parado ao lado da porta, com o olhar atento ao detento que está acomodado diante de mim. Encaro meu ex segurança por um breve momento e fico pensando o que as pessoas não fazem para atingir o seu objetivo. No caso dele, me enganou durante esses anos todos que trabalhou para mim, fazendo-me confiar nele enquanto tramava às minhas costas. É inacreditável como nos surpreendemos com as pessoas. Em relação a Plínio não foi exatamente uma surpresa e sim uma dura revelação. — Como está a sua noivinha linda? — Respiro fundo e tento manter o controle, não entrando em seu jogo. — Isadora está muito bem! — Foi triste o que aconteceu ao seu “embrião” herdeiro. — Ele balança a cabeça de um lado para o outro demonstrando toda a sua crueldade sem medidas. — Seu maldito! — rosno em um sussurro estreitando os olhos para ele que sorri.


— Uma tragédia também o que aconteceu ao seu carro. Carlos podia ter morrido naquele dia. O que não seria uma má ideia para aquele negro puxa saco — ele injuria o meu motorista e eu cerro os punhos me contendo para não esmurrá-lo em frente ao agente penitenciário. E para tentar manter a sanidade presente, eu me recosto na cadeira me distanciando desse doido. — Você realmente nunca chegará aos pés do Carlos. Ele é um homem íntegro, um pai de família, um amigo confiável. E você é uma decepção para mim e para a sociedade. — E eu nunca fui confiável para você? — questiona em tom irônico. — Eu confiava em você, Plínio, do mesmo jeito que confio no restante do pessoal que trabalha para mim. E você me enganou por mais de quatro anos. Por quê? — Chefinho, você veio aqui para me perguntar isso? — Ele arqueia uma sobrancelha zombeteira, me debochando. Esse filho da mãe que apontou uma arma carregada para a cabeça da mulher que amo, vai pagar pelo que fez. E subitamente a cena do crime surge para me deixar quase cego de fúria. Respiro fundo, deixando as lembranças ruins de lado e encaro Plínio nos olhos. — O que motivou você a cometer esses crimes? — Eu ignoro a sua provocação e sigo minha linha de raciocínio. Ele inclina o tronco para frente e apoia os braços a mesa, se aproximando. Seus olhos quase perfuram os meus, pois tamanha é a frieza de seu olhar. Eu não me deixo intimidar por esse maldito e o encaro com a mesma intensidade. — Você não sabe o que é passar dificuldades na vida, não é Alexander? Sempre ganhou tudo de mão beijada. Nunca precisou suar a camisa para ganhar um centavo. — Sinto um escárnio quando ele pronuncia meu nome. — Ao contrário de mim, que até fome passei e tive que viver de favor dos outros. Você realmente não sabe o que é isso! — Então foi por dinheiro, Plínio? — pergunto sem entender aonde ele quer chegar com essa conversa. — Não me ignore, seu verme! — grunhe com os olhos estreitos em fúria, inclinando ainda mais o corpo para frente. — Você é um merda que se acha o dono do mundo, o rei do aço. Mas não passa de um filho da puta miserável que só trouxe desgraças para minha família. — Sobre o que você está falando? Eu nunca prejudiquei a sua família. Você enlouqueceu, Plínio! — rosno puto de raiva pelas falsas acusações que são dirigidas a mim. — Nem conheço a sua família para você me acusar dessa forma. — Você conhece muito bem! Mas é uma pena que agora não esteja se lembrando dela. — Seu semblante se torna sombrio e vejo seu rosto se contorcer em um misto de raiva e dor. O que Plínio esconde de mim? — Eu não conheço ninguém de sua família. Sei que você não tem irmãos e seus pais estão mortos. Não é casado e nem tem filhos. Portanto, não conheço nenhum parente seu! — declaro irritado levando uma das mãos ao cabelo quanto o miserável me aniquila com os olhos. — Você mereceu cada minuto de sofrimento que teve até agora, todas as humilhações que passou enquanto esteve sequestrado. Eu odeio você, seu desgraçado! — Plínio grita e vejo o guarda fazer menção de vir até nós para controlá-lo. Rapidamente eu ergo a mão para o agente e faço sinal de que


está tudo bem. Ele volta a ficar de escolta com os olhos fixos em nós dois. — Eu juro que não conheço ninguém da sua família. Do que diabos você está falando? — Minha mãe morreu por sua causa. Ela tirou a própria vida e foi culpa sua! — Ele está fora de si, com os olhos enlouquecidos. De repente, Plínio avança sobre mim, me segurando pelo colarinho da camisa, tentando me esbofetear. O guarda corre até nós e puxa os braços de Plínio para trás, algemando-o logo em seguida. Ele se distancia de mim, contudo não para de se debater e espernear, ofegando como um louco. Neste instante outro guarda aparece para ajudar a contê-lo. — Quem é a sua mãe, Plínio? — pergunto apavorado diante de sua hostilidade e insensatez. — Ela não aguentou ver o único filho preso e se enforcou. — Ele continua se debatendo e dando chutes no ar, tentando se libertar do agente que tenta arrastá-lo para fora. — BERENICE TAVARES era minha mãe e está morta por sua culpa. Sua culpa! Sua! Sua! Eu ainda vou acabar com você, seu desgraçado! Eu juro! Me soltem! Me soltem! Ahhhhhh! — grita enlouquecido enquanto é arrastado corredor afora pelos dois agentes. O meu corpo fica rígido e não consigo me mexer. A mulher que me sequestrou, que matou o meu pai, que foi responsável por grande parte das tragédias que assolam a minha vida, é mãe de Plínio?! Como isso é possível? Tento organizar o pensamento e tudo vai se encaixando devagar. Cada peça em seu devido lugar. Lembro o dia em que Plínio apareceu para a entrevista de emprego, demonstrando ser uma pessoa digna e responsável. O currículo dele era muito bom e com certeza foi forjado. Ele agiu com astúcia para se infiltrar em minha casa, conhecer a minha rotina, espionar a minha vida, adquirir a minha confiança. Respiro profundamente enquanto cruzo o estacionamento e encontro Carlos e Ernani que me esperam. Certamente que eles já souberam do ocorrido e por isso estão me olhando aflitos. Eu me abstenho de falar alguma coisa para ambos e apenas me acomodo no banco de trás do carro. Eles se sentam nos bancos da frente e Carlos dá a partida no motor. A minha cabeça está latejando e não consigo raciocinar direito. O coração está batendo angustiado dentro do peito, invadido por dor e piedade. Dor por mim e piedade por Plínio, pelas tragédias que ambos sofremos em determinados momentos de nossas vidas. Nesse momento eu não sei lidar com tudo isso. Apenas preciso me acalmar e pensar no que fazer para diminuir todo esse caos e acalmar o meu coração. Preciso fazer algo para cicatrizar de vez essa ferida que de vez em quando surge para me machucar.


Capítulo 44 Alexander

Subo os degraus da escada que leva até a minha suíte, de dois em dois degraus. O que mais preciso agora é de Isadora, de seus beijos, de seu toque, de seu amor. Depois de tudo que aconteceu nos últimos dias, a visita até a penitenciária onde Plínio está preso serviu somente para coroar o restante do caos que aconteceu em minha vida. Eu devia estar sentindo ódio do Plínio, da Naiara e da mãe dela. Mas o único sentimento que tudo isso me desperta é piedade. Embora eles tenham sido os causadores de toda a tragédia que sofri desde que era criança, eu não consigo odiá-los. Outrora eu sentia raiva da família Roth e de dona Berenice. Mas agora, depois de descobrir o quão doente e frio o ser humano pode ser para atingir o seu objetivo, a ira que eu sentia se transforma em pena. Pessoas que praticam o mal são dignas de piedade. Ao chegar no quarto eu encontro Isadora, que está acomodada na poltrona tirando suas sandálias de salto. Ela ergue a cabeça para me fitar e, descalça, vem em minha direção. — Alex, está tudo bem? — Ela me encara nos olhos, preocupada. — Dora, eu preciso tanto de você! Tanto! — declaro perdido, envolvendo-a em meus braços e beijando-a com urgência. Agarrado a Isadora, eu a conduzo para o banheiro. Tiro suas roupas e as minhas com aflição, quase rasgando os tecidos. Ligo o chuveiro e a puxo para dentro do boxe. A água ligeiramente morna cai sobre nossos corpos que estão colados um ao outro. Somos mãos e bocas que não se separam um segundo sequer. A minha Afrodite sempre foi o meu refúgio, o meu porto seguro, a minha tábua de salvação. Não sei o que seria de minha vida sem Isadora. Distribuo beijos em seu pescoço, colo e logo minha boca alcança seus seios. Eu me delicio com eles, mordiscando, sugando, lambendo. Escorrego a mão e agarro a bunda dela pressionando sua pélvis para frente, roçando em meu pau que está doendo de tão duro. O tesão é tão intenso que Isadora começa a se debater, inclinando o ventre ainda mais para frente e agarrando meu cabelo com força. — Eu preciso te foder, Dora! — sussurro girando o corpo dela contra a parede do banheiro. — Espalme suas mãos no ladrilho e empine essa bunda para mim. Mordendo os lábios e um pouco trêmula, Isadora me obedece. Abaixo-me e abro sua bunda, deslizando a língua em sua pele quente e molhada pela água que desce sobre nós. Lambo seu ânus, chupo sua boceta molhada e inchada, fazendo Isadora empinar ainda mais a bunda, quase se


enterrando na minha cara. — Gostosa do caralho! — rosno dando algumas palmadas em seu traseiro. Isadora volta a choramingar excitada demais. Seguro meu pau e a penetro fundo, pressionando até o útero. — Ah, porra! Eu amo essa bocetinha apertada. Isadora começa a rebolar, sussurrando palavras incompreensíveis, entregue ao prazer e a luxúria. Giro o quadril e ela vai à loucura se debatendo e gemendo. Puxo meu pau para fora e volto a enchê-la de mim, fazendo círculos, comendo-a esfomeado. — É assim que você gosta, Afrodite? Selvagem? — pergunto próximo ao seu ouvido, com um das mãos agarrando seu cabelo molhado. — Sim, sim... — Diga para eu te foder, Dora! Bem alto! — exijo em um rosnado lambendo seu pescoço. — Me fode, Alex! — grita endoidecida aumentando ainda mais o meu desejo por ela. Obedeço e passo a meter fundo, indo e vindo, tirando tudo dela e dando tudo de mim. Isadora grita explodindo em um gozo violento, bambeando as pernas e gemendo sem parar. Aumento os meus movimentos e o gozo vêm, deixando-me inerte com o mundo exterior e fazendo meu coração bater forte dentro do peito. Escorregamos no chão, exaustos e saciados, enquanto a água nos molha. Eu puxo Isadora para meu colo, beijando meus lábios, abraçando-a apertado contra mim. Ela corresponde às carícias, afagando meu cabelo, beijando minha boca e meu queixo. E permanecemos um bom tempo assim, em silêncio, apenas sentindo o amor preencher tudo. *** Após o banho, optamos por fazer um lanche no quarto. Enquanto comemos, eu começo o relato para Isadora, que ouve tudo atentamente. Conforme vou acrescentando detalhes da conversa que tive com Plínio, os olhos de Isadora vão se arregalando de espanto. Ela fica chocada ao saber que dona Berenice era mãe dele. Não posso culpá-la por se sentir assim, pois eu mesmo ainda estou tentando digerir toda essa fatídica história. — Alex, como Plínio pode enganar a todos por tanto tempo? — pergunta me fitando, sentada na cama, sobre seus calcanhares. — Sinceramente... Eu não sei — respondo prostrado, ajeitando o travesseiro nas minhas costas no encosto da cama. — Você acha que dona Berenice cometeu suicídio por que o filho foi preso? — Eu acredito que sim! Ela deve ter ficado fora de si quando soube da prisão do Plínio e pensou que ele seria condenado, o que é uma verdade. Ele pagará diante da justiça pelo que fez a todos nós. E então, dona Berenice agiu movida pela dor e achou melhor tirar a própria vida ao ver seu filho atrás das grades. — Eu a entendo. Ela não queria para o filho o mesmo destino que teve. — Isadora se aconchega


junto a mim apoiando a cabeça em meu peito. — Sim! Você está certa! — concordo pensativo enquanto afago seu cabelo sedoso. — Você se arriscou muito indo até lá. Plínio é perigoso. — Não se preocupe, Dora. Não aconteceu nada comigo. Ele está preso e um pouco transtornado. Mas o mais importante é que eu, você e todos que estimamos estão seguros. — Alex, você não está se culpando pelo que aconteceu a dona Berenice e ao Plínio, não é? — Ela se apoia em meu tórax para me encarar. — Não! Claro que não! — respondo com sinceridade. — Que bom! Isso me deixa mais aliviada. Você não é o culpado pelo que aconteceu a essas pessoas. Elas é que são doentes e vingativas. — Sorri e volta a se aninhar nos meus braços. — Quando você chegou mais cedo eu sabia que algo de ruim tinha acontecido. — Ah, é? Como você sabia? — Estou reprimindo um sorriso diante de sua afirmação. — Você gosta de se refugiar dos seus problemas no sexo. Eu já percebi isso! — Isadora afirma passeando os dedos em minha tatuagem. Não posso deixar de perceber o quanto a minha Afrodite me conhece de verdade. E é por isso que eu a amo incondicionalmente. — Eu gosto de me refugiar em você. O que é muito diferente. — Ergo seu queixo e encontro seus olhos verdes brilhantes. Isadora sorri. — Somos o porto seguro um do outro — declara com carinho. Sorrio fascinado e percebo que ela está usando a corrente que era de minha mãe. A joia combina tanto com Isadora que parece que foi feita para ela. Levo a mão a corrente e fixo os olhos no pingente em forma de coração. — Você está usando a joia que era da minha mãe — digo com voz sentimental e ela volta a sorrir. — Sempre a uso. Eu gosto dela! — Esse pingente simboliza o meu coração que sempre foi seu. — Seguro seu rosto e encaro seus olhos. — Eu sou louco por você, Dora! — Eu também sou louca por você, Alex! E isso soa tão clichê — responde em tom brincalhão antes que nossos lábios se unam em um beijo delicioso e apaixonado. *** Algumas semanas depois...

Estou me sentindo o homem mais feliz do mundo. Em algumas horas Isadora será oficialmente minha mulher perante as leis dos homens e a de Deus. A felicidade podia ser completa se não fossem


alguns poucos percalços que ainda temos que enfrentar. Um deles é o julgamento de Plínio, Naiara e dona Verônica, que ocorrerá em poucos meses. Eles estão presos e sendo acusados por praticar mais de um crime. Pelas últimas informações que o delegado Silvio me disse, é quase impossível os três escaparem de uma condenação. Dona Verônica foi a responsável pelo meu segundo sequestro, e de acordo com as provas elucidadas pela polícia, ela foi a mentora do esquema armado para me destruir. Foi ela quem planejou tudo, estudando cada estratégia, cada crueldade que colocou em prática com a finalidade de atingir o seu objetivo. Usou Samara para me seduzir e a filha para comprar a arma que tiraria a vida de Jairo Camargo. Embora não tenha cometido o assassinato, foi ela que contratou os serviços de Jairo para agredir Manolo. Plínio foi o encarregado por tirar a vida do capanga, que sabia demais. Foi ele que colocou a bomba em meu carro e também ficou esclarecido através da quebra do sigilo telefônico, que era Plínio e Naiara que ameaçavam Isadora e eu. Outra coisa que a polícia conseguiu comprovar foi o dinheiro que havia na conta dele, fruto do pagamento feito por meio de transação bancária entre dona Verônica e o meu ex-funcionário. Estou na suíte, na companhia de Pierre e Raquel, que me ajudam com as vestes de meu casamento. Ainda parece um sonho. Estou agitado, feliz, impaciente, preocupado, nervoso. São muitos adjetivos para enumerar o que estou sentindo. Mas o maior deles é que estou radiante como nunca estive na vida. Visto o terno e me viro para Pierre e Raquel que me auxiliam. Eles abrem um sorriso enorme de felicidade em seus lábios, como se estivessem casando seu próprio filho. — Senhor Alexander, você está muito elegante! — exclama Pierre, que está igualmente vestido em um terno escuro impecável. — Elegante?! — Raquel franze o cenho para Pierre e revira os olhos. — O senhor Alexander está um deslumbre. — Ela sorri para mim com os olhos cheios d’água. — Com todo o respeito, mas você está um gato. Mais lindo do que já é! — Obrigado pelo carinho de vocês. — Eu os abraço com ternura demonstrando o meu contentamento. — Falta só uma coisinha. — Raquel abre uma pequena caixa e tira de dentro um cravo branco. Ela coloca a flor na lapela do meu casaco. — Agora está perfeito! — Eu estou tão feliz, senhor Alexander. Parece que é meu filho que está se casando hoje. — Emocionado, Pierre enxuga uma lágrima que cai. — Verdade, Pierre! Eu sinto o mesmo. — Raquel também está chorosa e limpa os olhos já maquiados, com os polegares. — Ei, vocês dois! — Eu me aproximo e coloco a mão esquerda no ombro de Pierre e a direita no de Raquel, encarando-os igualmente emotivo. — Eu sei que estão felizes por minha causa, mas não quero que esse sentimentalismo todo cause aumento em sua pressão, Pierre. — Eu olho para ele e depois para Raquel. — E tampouco quero que você fique com os seus lindos olhos esverdeados inchados de chorar, Raquel. Vocês são importantes para mim. São a família que eu não tive. — Eu os abraço com carinho.


— Nós nos sentimos muito honrados por conduzi-lo até o altar — diz Pierre. — Será uma cerimônia um pouco diferente, uma vez que dona Vitória e o Manolo irão conduzir a senhorita Isadora. — Eu quebrei o protocolo, embora o padre responsável pela cerimônia não tenha ficado surpreso. Ele disse que nunca fez um casamento assim. — Sorrio lançando um olhar rápido para o relógio de pulso. — Acho melhor a gente descer. — Senhor Alexander, ainda falta uma hora para começar a cerimônia — argumenta Raquel. — E as noivas sempre atrasam! — complementa Pierre, sorrindo. — Sim, eu sei! Mas não aguento mais ficar aqui. Prefiro esperar lá fora. Estou muito elétrico. — Ansioso, eu saio do quarto e eles me seguem em meus calcanhares. Ao chegar ao hall, encontramos Carlos que nos espera vestido em um terno cinza escuro. Ele abre um enorme sorriso ao nos ver. O meu motorista e sua família foram convidados para o casamento, assim como os demais que trabalham para mim. Todos estarão presentes na cerimônia. — O senhor está elegante — diz Carlos. — Eu estou é nervoso, Carlos. Isso sim! A minha declaração faz com que eles soltem uma risada divertida. Nós saímos em direção ao salão de festas, onde acontecerá o casamento. Isadora e eu optamos por fazer uma cerimônia discreta em nossa casa, apenas para os amigos, conhecidos mais próximos e funcionários da empresa. Nós não queremos um evento extravagante, ainda mais depois de tudo que aconteceu. Então decidimos por algo mais íntimo, porém sofisticado. A equipe de decoração que contratei fez um excelente trabalho. O altar está esplêndido e rodeado por rosas brancas. Há um arco enfeitado com flores e adornos em tecido de seda que balança com a suave brisa. Um tapete vermelho se estende entre as fileiras de cadeiras, que leva até ao altar. As cadeiras também estão enfeitadas com flores brancas e fitas vermelhas. A recepção aos convidados acontecerá no salão de festas que há muito tempo eu não ocupava. Ele está igualmente ornamentado e florido para a festa. Minutos depois, eu estou no altar e meus padrinhos me fazem companhia. Isadora e eu conversamos sobre quem seria padrinho de quem, e decidimos que os homens ficariam do meu lado, enquanto as mulheres do lado dela, com exceção de Manolo, que teria um ataque se não ficasse ao lado da amiga. Mais um protocolo quebrado para os ditos casamentos tradicionais. Portanto, estão ao meu lado, Pierre, que entrou comigo, Douglas, Marco e Ernani. Ao lado da noiva, que ainda não chegou, estão Estela e Raquel enquanto dona Vitória e o Manolo conduzirão Isadora até o altar. Abro um sorriso cordial para eles e volto o olhar para frente. Os convidados estão sentados e ansiosos pela cerimônia, mas não estão mais ansiosos do que eu. Thereza veio com um amigo, que certamente deve ser seu mais novo caso. A espanhola fez questão de estar presente em nossa cerimônia para desejar seus votos de felicidades. Acomodados a fileira a minha frente está o sheik Zayn e seu filho Abdulah. Eu enviei um convite para os dois via sedex e eles vieram. Viajaram algumas horas dos Emirados Árabes até aqui apenas para nos prestigiar. O sheik insistiu muito em me dar um presente, embora eu tenha dito a todos os


convidados que o nosso presente de casamento era a presença deles. Mas mesmo assim ele quis ser gentil e nos deu uma lua de mel em um lugar de nossa escolha. Eu fiquei relutante no início e não quis aceitar o agrado, mas Zayn ficou desconfiado e perguntou se eu ainda estava chateado pelo que aconteceu quando ele e o filho estiveram no Brasil e deram aquela festa fatídica, na cobertura de um hotel. Como eu não quero criar atritos com ele e, tampouco deixar Abdulah em maus lençóis com seu pai, eu e Isadora acabamos aceitando o presente inusitado. Ouço Ave Maria começar baixinho e as minhas pernas estremecem. Eu me aprumo no altar e olho para frente. Isadora surge deslumbrante em seu vestido de noiva. O modelo é realmente muito bonito, estilo princesa, decote redondo e repleto de rendas e algumas pedrinhas pequeninas que o tornam ainda mais perfeito. O cabelo de Isadora está preso em um coque no alto da cabeça e um enfeite delicado completa o visual. Os nossos olhos se encontram e meu peito explode de tanto amor. Isadora sorri para mim e transforma o que era sonho em realidade. A minha Afrodite, a mulher que eu amo, que foi responsável por me trazer das trevas à luz, que encheu de vida os meus dias nebulosos, que deu sentido ao significado da palavra amor. Essa mulher está prestes a ser minha esposa, minha amiga, minha companheira, meu tudo para sempre. E isso não se explica, apenas se sente.


Capítulo 45 Isadora

A forte emoção que sinto faz meu coração se acelerar e as pernas tremerem um pouco. Eu tenho consciência de que preciso ficar calma e me controlar, mas é impossível. Hoje é o dia mais importante de minha vida. É o dia que finalmente me tornarei a senhora Diniz Bismarck. Quando nos casamos no civil, há dois dias, Alexander fez questão de que eu não retirasse nenhum de meus sobrenomes, fazendo com que o meu nome ficasse extenso, mas não me importei. Aceitei feliz a pequena mudança em minha assinatura. Enquanto sou conduzida por mamãe que está do meu lado direito e Manolo que está do meu lado esquerdo, eu mantenho os olhos presos aos de Alexander. Mal vejo os convidados que estão sorrindo e com a atenção voltada para mim. O meu foco neste momento são os lindos e apaixonados olhos azuis de Zeus, que em poucos minutos será meu marido perante as leis de Deus. Alexander está tão lindo em seu terno e usando a gravata vermelha que dei a ele de presente. Sinto ondas de paixão e de excitação atravessarem o meu corpo. Não tem como esquecer a cena do sexo quente naquela noite em que eu o esperei nua, usando apenas a gravata. Sinto as bochechas corarem e pisco os olhos rapidamente para me recompor. Quando chego ao altar, minha mãe e Manolo entregam a minha mão a Alexander. Ele dá um abraço caloroso em dona Vitória que está um pouco chorosa e um aperto de mão em Manolo que está igualmente emocionado. Ele não fala nada e é como se ele estivesse prometendo em silêncio que cuidará de mim. Alexander me fita e seus lábios tocam a minha testa suavemente. As emoções são fortes demais e eu não consigo segurar algumas lágrimas que caem. Lágrimas de felicidade. Para minha surpresa, os olhos dele também estão marejados. E pela primeira vez na vida, vejo uma lágrima solitária descer o seu rosto bonito e barbeado. Alexander rapidamente a enxuga com o polegar e faz o mesmo comigo, secando as poucas lágrimas que ainda teimam em descer. Emocionados, ficamos de frente para o padre que oficializa a nossa união perante Deus. Uma vez que nós pertencemos um ao outro faz muito tempo. É chegada a hora de trocar as alianças e repetimos as palavras do sacerdote, nos fitando com amor. Os votos são tradicionais e não há nada mais lindo do que o momento em que eu passo ser sua esposa e Alexander passa ser o meu marido. Tudo como tem que ser. — Pode beijar a noiva — diz o padre após a troca de alianças. Alexander abre um sorriso e segura meu rosto em suas mãos. O beijo não é casto, pelo


contrário, ele enfia a língua dentro de minha boca e me puxa um pouco contra seu corpo. Fico sem ar e apenas retribuo o beijo abraçando-o com amor. — Minha Afrodite! — sussurra com a testa apoiada a minha enquanto uma salva de palmas quebra o silêncio do jardim. — Para sempre minha! — Meu Zeus, para sempre meu! — E sorrimos, realizados, sentindo o amor em sua plenitude invadir e tomar conta de tudo. Momentos depois, estamos na recepção de casamento que acontece no salão de festas da nossa casa. O local está tão bonito que fico ainda mais emocionada. Uma banda anima a festa tocando vários estilos musicais nacionais e internacionais. Enquanto os convidados saboreiam os salgados feitos por um dos chef mais conceituado da culinária da cidade, eu e Alexander brindamos à nossa felicidade. A cena é assistida por todos que aplaudem felizes por nós dois. Um fotógrafo da imprensa tira algumas fotos para postar em uma coluna social. Sei que meu marido não gosta de exposição, mas como é uma data espacial para nós eu pedi a ele que deixasse um membro da imprensa registrar o dia de hoje. Alegres, eu e Alexander passamos nas mesas para receber o cumprimento de todos. Os mais emocionados são, Pierre, minha mãe, Manolo e dona Raquel, que não conseguem esconder de ninguém a sua felicidade que está estampada em seus olhos marejados. Eles nos cumprimentam com abraços afetuosos, desejando muitas felicidades para nós dois. Alexander e eu apenas retribuímos o afeto abrindo um sorriso genuíno e agradecendo o carinho que recebemos. Eu tento me controlar para não chorar novamente. Sei que não foi um choro de tristeza e sim de felicidade. Então, eu estou sorrindo para todos e demonstrando a alegria que me consome e a realização que sinto. Chegamos na mesa onde Estela e Marco estão e eles se levantam para nos parabenizar. A minha amiga está emocionada e seus olhos estão brilhantes. Eles parecem realmente felizes juntos e eu também estou feliz por eles. Enquanto Alexander conversa alguma coisa com Marco, Estela está ao meu lado sorridente. — Dora, eu estou feliz por você e por Alex. Feliz de verdade! — declara e sinto que há sinceridade em sua voz. — Obrigada! Eu também estou radiante. É como se um sonho se tornasse realidade! — Vocês merecem toda a felicidade do mundo. Especialmente depois de tudo que passaram para ficarem juntos. — Sim, nós merecemos! — exclamo sabendo de todos os percalços que Alexander e eu tivemos que enfrentar para chegar até aqui. — Max mandou felicitações para vocês. Ele ganhou uma bolsa de especialização e está indo morar nos Estados Unidos por dois anos. — Fico feliz por ele — falo e mudo de assunto. — E você, como está? — Estou bem! Tenho descoberto coisas em mim que nem eu mesma sabia. — Ela sorri acomodando uma mecha de seu cabelo loiro chanel atrás da orelha. — As análises com o psicólogo têm me ajudado muito nesse processo de redescoberta. Muita coisa está mudando dentro de mim. Eu


estou olhando o mundo por outro ângulo agora. — Fico feliz por você, Estela. Você sabe que eu torço muito pela sua felicidade! — Sorrio e dou um gole em meu champanhe. — Dora, ninguém é feliz o tempo todo. Existem os momentos de felicidade e devemos saber aproveitá-los. Eu aprendi isso. — E aprendeu isso fazendo análise? — questiono curiosa e ela ri descontraidamente balançando a cabeça. — Não, não! Quem está me ensinando é o Marco. — sussurra e seu rosto se ilumina em um novo sorriso. — Então o relacionamento entre vocês está sério mesmo? — Bem, acho que está ficando sério. Mas por enquanto estamos apenas namorando. Cada um em sua casa, embora ele já tenha me convidado para morar com ele. — O importante é que você está se reencontrando, Estela, e se permitindo viver. Marco te ama de verdade. — Mas não como Alex te ama, Dora. — Há uma ponta de desapontamento em sua voz. — Há vários tipos de amor, Estela. Em uma relação ninguém ama da mesma forma. — Tento animá-la enquanto estou mentindo para mim mesma. Sei que o amor que Alexander e eu sentimos um pelo outro se equipara em intensidade. E a festa segue animada. Enquanto os convidados estão conversando e se divertindo entre si, Alexander e eu nos acomodamos a uma mesa e trocamos olhares e palavras apaixonadas. E neste instante eu me dou conta que todo o esforço valeu a pena, que sou a mulher mais feliz e realizada do mundo. *** Grécia, três dias depois...

Estou deitada na espreguiçadeira da sacada do nosso quarto de hotel, de frente para o lindo mar de águas cristalinas de Atenas. Ao longe estão ancorados no cais, algumas embarcações e navios que trazem turistas do mundo inteiro. Fixo o olhar, através das lentes de meu Ray-Ban, e fico maravilhada pela milésima vez com a beleza do lugar. As construções em pedra cravadas na rocha, todas pintadas de branco, de frente para o mar. O hotel, um dos mais luxuosos que estamos hospedados, também segue a mesma linha de arquitetura. Ouço passos e viro o rosto para ver Alexander caminhando na minha direção, vestindo somente uma sunga preta. Meu coração acelera apaixonado dentro do peito e um arrepio atravessa a minha coluna. O pássaro de fogo tatuado em seu peito, no canto superior direito, que se estende até uma


parte de seu bíceps, parece me convidar para uma viagem erótica, somente de prazer e de luxúria. — A terra de Zeus! — Sorrio apontando para a baía a nossa frente. — E de Afrodite também! — Alexander me dá um beijo gostoso na boca e passeia seus olhos em mim. A intensidade de seu olhar é tanta, que sinto a temperatura se elevar ainda mais. — Você está bronzeada, Dora. E estamos aqui somente há dois dias. Seu corpo está realmente um pecado. — Ele desliza as mãos em minha barriga, contornando a borda da minha calcinha e logo seus dedos grandes estão apertando a parte interna das minhas coxas, fazendo-me arquejar baixinho. — Ah, isso está tão gostoso — gemo fechando os olhos e entregue ao seu toque carinhoso sobre mim. — Vista-se, Afrodite. Vamos comprar alguns biquínis novos para você. — Alex, eu não preciso de biquínis novos. Você esqueceu que eu comprei alguns antes de embarcar para a nossa lua de mel? — questiono desconfiada de suas intenções. — Não, amor. Eu não me esqueci. A voz carregada de sensualidade de Alexander me faz estremecer excitada. Ele está sorrindo de forma enigmática e em seu olhar paira um brilho predador e carregado de luxúria. Certamente que o nosso passeio não tem nada a ver com a aquisição de novas roupas de banho. Instantes depois, estamos entrando em uma loja de roupas de banho tanto masculinas como femininas. Algumas pessoas, na maioria turista, estão aqui para comprar roupas de banho. Uma atendente se aproxima nos recepcionando em inglês, língua esta usada para se comunicar com os visitantes. — Hi! Can I help you? — pergunta a moça em que pode nos ajudar. — We can see swimsuits — responde Alexander que nós queremos ver roupas de banho. A moça abre um sorriso e nos conduz até uma prateleira grande repleta de todos os tipos de biquínis e sungas. Alexander continua a se comunicar com ela em inglês e escolhendo alguns modelos de biquínis para mim. Ele me mostra as peças coloridas que escolheu e eu sorrio entusiasmada. — Thank you! — agradeço a moça e ela me guia até um dos quatro provadores que há na loja. Alexander nos segue com olhar flamejante. A moça abre a pequena porta do provador, que é iluminado por uma luz fraca e tem ar condicionado para amenizar o calor, e se retira. Meu marido, que continua sorrindo misteriosamente para mim, agarra a minha cintura e me puxa para dentro. Alexander fecha a porta atrás de si e se volta para mim, deslizando as mãos para debaixo da saia levemente rodada que uso. — Adoro o seu cheiro, Dora. — Ele desliza o nariz em meu pescoço, despertando arrepios em minha pele e líquidos de minha vagina. — Alex, você está louco? Estamos rodeados por turistas — sussurro enquanto minha mente já começa a ficar entorpecida pelo tesão e pelo amor que me embriaga. — Então teremos que ser bem silenciosos ou todos saberão o que estamos prestes a fazer neste cubículo. — Alexander enfia as mãos nas laterais da minha calcinha e a escorrega pelas minhas pernas. Seus dedos vão ansiosos em direção a minha entrada e eu arquejo pesado enquanto ele


manipula meu clitóris. — Sempre molhadinha para mim. Tão fodidamente gostosa. Essa é a minha Afrodite safada que eu amo. Em um piscar de olhos, ele escorrega a bermuda jeans de seu corpo com cueca, e a camiseta que usa é puxada por mim por cima de sua cabeça. O mesmo acontece com minha regata e minha saia que são arrancados de meu corpo. Alexander me encara com fúria, luxúria, amor. Ele se acomoda no pufe de couro branco e me puxa para seu colo. De pernas abertas, eu me sento em suas coxas e minhas mãos vão parar em seu cabelo, enroscando nos fios negros e macios. Solto um arquejo abafado, mordendo o lábio, ao sentir o seu pênis pressionar a minha vagina, pulsando no meio de minhas pernas, louco para se encaixar dentro de mim. Mas parece que Alexander está controlando o desejo bravamente, pois sua boca e língua trabalham em meus seios, sugando e lambendo, alternadamente um e depois outro. Ele crava uma das mãos em minha bunda enquanto a outra enrosca em meu cabelo, forçando a minha cabeça para trás. E com o pescoço totalmente exposto, Alexander passa a distribuir beijos e lambidas em minha pele, indo do colo, até a mandíbula. Ele só para quando encontra a minha boca. Seus olhos faíscam apaixonados. No mesmo instante em que me penetra, fundo e exigente, ele captura meus lábios em um beijo arrebatador. Eu solto um arquejo em sua boca e ele aproveita para me beijar com mais dureza, enroscando a sua língua com a minha. Agora entendi o porquê ele me beijou enquanto me penetrava, era para que os meus gemidos não fossem ouvidos por algumas pessoas que estão nos provadores ao nosso lado, experimentando as roupas de banho. — Ahhhh.... — choramingo em um sussurro enquanto ele me devora, empurrando seu membro grosso e grande que vem ansioso, sempre pedindo por mais espaço. — Shhhh! Quietinha! Apenas sinta eu te comer bem gostoso — murmura por entre meus lábios, voltando a me beijar alucinadamente, com um das mãos em minha bunda, forçando os movimentos para cima e para baixo e a outra em meu cabelo, enroscando os dedos nos fios. Vozes de algumas pessoas se misturam com nossos gemidos baixos e nossas respirações pesadas. Sei que isso excita o meu marido e confesso que também estou excitada. Fazer amor em um local público, com pessoas ao nosso redor, é algo totalmente novo para mim. Alexander sempre me surpreende com suas fantasias sacanas e arriscadas. E eu adoro quando ele faz isso. O sexo com ele nunca é repetitivo ou trivial. Sempre tem algo novo, excitante e prazeroso que ele me apresenta. — Alex, eu não vou aguentar mais... — choramingo separando meus lábios inchados dos seus, em busca de ar. Com as pálpebras pesadas, eu encaro seus olhos que são duas bolas de fogo que queimam a minha pele. — Se controle, Dora, que eu quero te foder muito ainda. — Alexander se enterra dentro de mim, gemendo baixinho com os lábios grudados em meu pescoço. — Ah, meu amor. Então me fode muito. Me fode bem gostoso — sussurro em seu ouvido, mordendo de leve o lóbulo da sua orelha. O meu gesto faz com que ele solte um palavrão em meu pescoço e comece a me estocar com violência, flexionando os quadris para cima e para baixo. Embora esteja ligado o ar condicionado no frio, os nossos corpos estão suados e quentes, se chocando com fúria, fazendo barulho dentro do pequeno espaço. Alexander começa a manipular o


meu clitóris e eu vou à loucura. Seus dedos se movem em minha carne macia arrancando involuntários espasmos de minha vagina. Esqueço-me de onde estamos e me entrego, imersa em uma miríade carregada de sensualidade e lascívia. Desço com os lábios em seu pescoço, distribuindo beijos e lambidas até chegar a seu peito, onde contorno a sua tatuagem com a língua. Alexander ofega pesado, acelerando os movimentos em meu ponto sensível. Isso é demais para mim. Com a finalidade de abafar os nossos gemidos, eu colo nossos lábios em um beijo apaixonado. Explodo gozando e gozando, sendo seguida por ele, que se derrama dentro de mim. Engolimos os suspiros um do outro, enquanto ondas e mais ondas de prazer nos consome, nos envolve, nos liga. A vida ao lado de Alexander promete ser sempre assim, repleta se erotismo e paixão. E eu não tenho dúvidas de que sou a mulher mais sortuda do mundo.


Epílogo Alexander

Um ano mais tarde...

— É uma menininha e também um menininho. São gêmeos! — exclama a doutora Silvia enquanto faz o exame de ultrassonografia na barriga de Isadora. Meu coração dá um salto dentro do peito e lágrimas vêm aos meus olhos. Seguro mais forte a mão da minha esposa e a encaro apaixonado, realizado. Isadora está tão emocionada quanto eu e o pranto desce silencioso em seu rosto bonito. Sorrio para ela, enxugando as lágrimas com o polegar e beijo sua testa. — Obrigado por me fazer o homem mais feliz do mundo! — sussurro com sinceridade sentindo uma emoção forte preencher o meu peito. — Eu digo o mesmo, meu amor! Quando nós ouvimos os coraçõezinhos dos nossos bebês fomos arrebatados pela emoção. Nunca senti essa sensação na vida. É algo indescritível, inexplicável. Eu serei pai de duas crianças. Sorrio alegre como um bobo enquanto a doutora termina o exame. Depois que soubemos que seríamos pais de um casalzinho, começamos a pensar no nome que iríamos dar as crianças. E Isadora teve uma ideia brilhante de homenagear os nossos pais. Então o nosso filhinho se chamará Antônio Augusto, o primeiro em homenagem ao seu pai e o segundo ao meu. E a nossa filhinha levará o nome de Ana Vitória, em homenagem as duas avós, paterna e materna respectivamente. Fiquei emocionado com a escolha dos nomes de meus pais unido aos dela. Realmente, a minha esposa é genial quando se trata de me fazer surpresas. Mas lembrei-a que teremos que ter mais um filho para homenagear Samuel, seu avô e meu grande amigo. Isadora riu da minha declaração e disse que é muito cedo para se pensar nisso. Bem, daqui uns três ou quatro anos, voltamos a pensar no assunto. É tarde de domingo e estamos reunidos no jardim de casa. Fizemos um churrasco e recebemos os nossos amigos para contar a novidade. Todos compareceram, até mesmo Estela, que está alegre e serena ao lado de Marco. Percebo que ela está diferente e não nos olha mais com aquela confusão de sentimentos que antes se espelhava em seu olhar. Agora o que vejo é uma nova Estela, mais livre, encontrada em suas emoções, mais tranquila. Marco e ela estão se entendendo e eu fico feliz por eles. Fico feliz por todos nós.


Um mês após o nosso casamento, aconteceu o casamento de dona Vitória e Douglas e também de Manolo e Ernani, que foi realizado no mesmo dia e no mesmo local. Foi uma cerimônia muito bonita e emocionante. Isadora derramou algumas lágrimas ao ver a troca de alianças de sua mãe e de seu melhor amigo. Os casais estavam realizados, felizes. A recepção foi igualmente bonita, na cobertura de um hotel requintado. Todos estão aos poucos encontrando os seus caminhos. Uma prova disso é a conduta de Roberto, que está cumprindo direitinho o acordo que propus. Ele registrou o pequeno Lucas, filho da Samara, que agora está com mais de um ano de vida. Soube pelo doutor Aécio que Gusmão está pagando a pensão conforme acordado, sem deixar faltar nada para o seu filho. Samara ficou tão agradecida, que enviou flores para Isadora e um cartão, dizendo o quanto ela estava feliz com seu filho e sua nova vida em uma cidade não muito longe daqui. Vicente, seu pai, me procurou outro dia na empresa e pediu perdão por tudo que tinha feito. Conversei com ele e deixei esclarecido que entre nós não havia ressentimentos. Aceitei seu pedido de desculpas e ele foi embora com a consciência tranquila e deixando a minha em paz também. Dona Verônica, Naiara e Plínio foram julgados e estão cumprindo pena em presídios distintos. Plínio foi sentenciado a uma pena de 25 anos. Dona Verônica passará 15 anos atrás das grades e Naiara, que foi sentenciada a 7 anos, está cumprindo em regime semi aberto. Todos estão pagando pelos atos que fizeram. Meus advogados sempre me mantêm informado sobre qualquer coisa que acontece com os três bandidos. E se não bastasse para a família Roth ter a sua matriarca e única primogênita presa, o senhor Alberto decidiu se divorciar da esposa antes mesmo que ela fosse sentenciada. Ele achou que era o melhor a ser feito, uma vez que seus negócios estavam começando a ruir depois que o ocorrido foi parar em todos os noticiários do país. Algumas manchetes dizem que ele deixou a ex esposa sem nenhum centavo, pois eram casados com divisão total de bens. Dona Verônica está pagando pelo seu egoísmo e crueldade sem medidas. — Senti um chute! — exclama Isadora me trazendo de volta a realidade. Ela coloca a minha mão sobre sua barriga e eu espero ansioso outro movimento de meus filhos que estão crescendo em seu ventre. — Está sentindo? Parece como ondulações. É fantástico! — Sorri encantada enquanto sinto um deles se mover sobre a palma da minha mão. — Minha Afrodite, que lindo! — digo emocionado com o coração acelerado dentro do peito. — Isso se chama vida, felicidade, amor! — completo beijando seus lábios com ternura. — Ai, eu também quero sentir, Dorinha! — Manolo estica a mão e coloca em seu ventre, todo faceiro, enquanto Ernani que está acomodado ao seu lado abre um sorriso genuíno. Neste instante todos se aproximam e querem também sentir o que eu senti. Eles se revezam para tocar a barriga de seis meses de gravidez da minha esposa. Dona Vitória se emociona e lágrimas descem molhando seu rosto. Estela sorri e seus olhos brilham. Ela lança um olhar para Marco, realizando uma conversa silenciosa que somente eles entendem. Douglas e dona Vitória vão embora um pouco mais cedo, pois têm um compromisso com alguns amigos que fizeram enquanto estavam em sua viagem a Patagônia. Estela e Marco também aproveitam a deixa e saem junto com eles. Apenas Manolo e Ernani ficam um pouco mais,


conversando e fazendo planos para o futuro. Eles compraram o apartamento que era de Isadora e agora estão vivendo lá. Quanto ao apartamento que eu tinha somente para o prazer, vendi e doei o dinheiro para uma instituição de caridade que cuida de crianças portadoras de câncer. Isadora ficou feliz com meu gesto, mas não mais do que eu, que quando posso, vou até lá fazer uma visita. — Ernani e eu temos uma notícia para dar a vocês — diz Manolo animado, com os olhos cintilantes. — E que notícia é essa? — indaga minha esposa bebendo de seu suco de maracujá. — Nós decidimos adotar um bebê recém-nascido. — Isadora e eu nos olhamos, admirados. — Queremos um menino, porque Ernani já tem uma filha que é adolescente. Conversamos muito e entramos com o pedido de adoção. Em menos de dez meses teremos o nosso pequeno Davi em casa — finaliza Manolo segurando com carinho a mão do seu companheiro. — Nossa! Eu... Eu estou realmente surpreso e feliz com a atitude de vocês. Os dois estão de parabéns! — Eu os cumprimento com um breve aperto de mão e Isadora faz o mesmo, só que com beijinhos no rosto de nossos amigos. — Manolo, eu estou tão emocionada! — exclama minha esposa com os olhos marejados. — Aninha e Tony terão um amiguinho para brincar. O pequeno Davi. Isso é lindo! — Davi irá fazer muita bagunça com o mini Zeus e a mini Afrodite. Isso eu posso apostar! — Ri Manolo com sua costumeira espontaneidade. — Sim! Muito em breve estaremos com a casa cheia de crianças, correndo e brincando neste jardim — digo alegre, virando-me para Ernani e apertando seu ombro. — Lindo gesto, meu amigo. — Obrigado, senhor Alexander. Manolo e eu estamos muito felizes. Eu adoro crianças e ele também. E se tudo der certo, mais tarde, adotaremos uma menina. Não queremos que o nosso Davi cresça sem ter uma maninha — responde Ernani orgulhoso. Passamos o restante da tarde conversando e fazendo planos para o futuro. A felicidade está presente e eu fico pensando em como a vida é maravilhosa e repleta de boas surpresas. *** Quatro anos depois...

— Tony, meu filho, obedeça ao seu pai — repreendo o meu garotinho, que está fazendo bagunça junto com Davi, filho de Manolo e Ernani, que está passando a tarde de sábado conosco. — Deixe as crianças brincarem, Alex — retruca Isadora, enquanto prende o cabelo da Aninha em um rabo de cavalo. A minha princesinha é uma mistura de nós dois. Aliás, os meus filhos são um misto meu e de


Isadora. Ana Vitória tem o cabelo cor de chocolate e lábios carnudos da mãe, mas seus olhos são azuis iguais aos meus. Já Tony tem o cabelo negro e olhos verdes. Os dois vão me dar muito trabalho quando crescerem. Acredito que mais do que estão dando agora. — Eu estou de olho neles, senhor Alexander. Não se preocupe — diz Raquel, que está acomodada em uma cadeira ao nosso lado. — Tenho uma surpresa para vocês. — Pierre surge na varanda do jardim, sorrindo para as crianças, que correm até ele. — O que é, vovô Pierre? — pergunta Aninha segurando em sua mão e sorrindo carinhosamente para ele. — Sorvete! — anuncia ele e as crianças batem palmas, contentes. — Vô, eu só como se for de chocolate — resmunga Tony, fazendo referência ao seu sorvete predileto. — Eu adoro todos os tipos! — fala Davi animado. — Então tem para todos os gostos — responde Pierre contente, andando de mãos dadas com as crianças. Ele as conduz para dentro da casa e posso ouvir os gritinhos de felicidade deles ecoando na copa. — Eu só espero que Samuel seja um pouco mais tranquilo do que o Tony. — Isadora passa a mão em sua barriga grávida de três meses do nosso terceiro filho. — Tony é a versão do senhor Alexander quando criança. — Ri Raquel voltando a se concentrar em seu bordado. — Não exagera, Raquel — resmungo para ela, embora saiba que eu era talvez até pior que o meu garotinho. — Ele faz isso porque Dora o mima muito. — Eu?! — espanta-se a minha esposa. — Olha quem está falando, você mima Aninha e Tony todo o tempo quando está em casa. Rimos diante de sua declaração. É verdade. Eu mimo muito os meus filhos. Mas ensino aos dois como devem se proteger dos perigos da vida e como devem interagir com os outros. Sobretudo, transmito a eles os valores e princípios, os quais eu aprendi com meus pais. Quero que meus filhos cresçam sabendo distinguir o bem do mal, entendendo quem existe pessoas que praticam o bem, enquanto outras se dedicam a maldade. E que eles têm que saber conviver com ambos, sempre discernindo o que é melhor para si. — Vó, vó... — Aninha vem correndo até Raquel. — Vem tomar sorvete com a gente. — Ah, minha querida. Obrigada pelo convite. Eu vou mesmo. — Raquel deixa o pano que está bordando em cima da mesa e sai de mãos dadas com Aninha para o interior da casa. Eu me aproximo um pouco mais da minha esposa e acaricio seu rosto, beijando seus lábios. — Estamos ficando velhos, meu amor. — Ela ri. — Estou com quase 38 anos e você com 31. Estou até com alguns cabelos brancos que teimam em nascer entre os fios negros. Olha aqui. — Inclino a cabeça em sua direção e Isadora acaricia o meu cabelo ainda rindo.


— Amor, você está exagerando. — Não estou exagerando, não Dora! Já temos dois filhos lindos e um terceiro que em poucos meses chegará. — O tempo passa, Alex. — Ela acaricia a minha barba por fazer. — Mas o que não acabará nunca é o amor que sinto por você. — Eu encaro seus olhos repletos de sentimento, assim como os meus. — O nosso amor é infinito. — Ela cola a sua testa a minha. — Eu te amo para sempre, meu Zeus. — Eu também te amo para sempre, minha Afrodite. E selamos o nosso amor com mais um beijo apaixonado.

FIM


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Obras Ardente Cativeiro da Fênix – Duologia Fênix (Vol. 1), Amor em Julgamento – Série Sentença (Vol. 1), O Enigma da Borboleta Azul. Contos: Depois Daquela Noite, A Pequena Rosa.

Sublime renascer da fênix duologia fênix (vol 2)  
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