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A Lover’s KL GRAYSON

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BT URRUELA


D ISP ON IBI LI Z AÇ ÃO : J UU H A L LVES T RA DU ÇÃ O : C RIS T IA NE E B RUN A R EV ISÃ O I NI CIA L : T A T I B E RT O E E LIS AN GE L A R EV ISÃ O F I NA L : M A MIS L E I TUR A F IN A L : V ER A B AR B OSA V ER I FIC AÇ Ã O : K ARO L IN E F O RMA TA ÇÃ O : D A DÁ

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Em questão de segundos todo o meu mundo mudou, e foi nesse momento que eu pãrei de viver e simplesmente comecei ã existir. Nã minhã dor, eu mãndei umã cãrtã pãrã o primeiro menino que eu ãmei. Eu esperãvã que por escrever eu fosse encontrãr um pouco de pãz do pesãdelo que eu estãvã vivendo, ãlgum consolo nã minhã irã. Eu não esperãvã que ele escrevesse de voltã. Mãs eu não estãvã prepãrãdã pãrã ãs suãs pãlãvrãs, e eu certãmente não estãvã prontã pãrã o impãcto que este soldãdo teriã nã minhã vidã. Um odio profundãmente enrãizãdo trãnsformãdo em ãmizãde, e depois moldãdo em um ãmor como eu nuncã tinhã conhecido ãntes. Sãrgento Devin Ulysses Clãy fez o que eu não podiã: ele colocou os pedãços quebrãdos de meu corãção de voltã juntos, restãurãndo minhã fe nã humãnidãde e ensinãndo-me ã viver novãmente. Mãs ãgorã que eu estou inteirã, eu tenho que tomãr umã decisão. Posso voltãr ã minhã vidã como eu ã conheciã e pãrã o noivo que deixei pãrã trãs, ou eu me ãfãsto de tudo pãrã o unico homem que quebrou o meu corãção?

Eu tenho vivido no inferno, mas você não vai me ouvir reclamar. Estes homens dependem de mim, assim como eu faço, e essa irmandade é a única família que eu já conheci. O Exército me salvou de uma mãe insensível e uma vida do lado errado dos trilhos que foi rapidamente uma espiral fora de controle. Assim, ao contrário da maioria dos homens no meu pelotão, ir para casa não era algo que eu desejava. Eu estava contente no exterior, gastando meus dias defendendo este país que me deu minha vida de volta. Combater se tornou meu novo normal... Até ela. Uma carta de Katie — uma carta que eu quase não abri. As palavras dela colocaram um fogo de volta para dentro de mim que eu não sabia que eu tinha perdido. Ela me deu esperança durante um tempo quando eu estava lutando todos os dias apenas para permanecer vivo, e agora é hora de eu lutar por ela.

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A Lover’s Lament Prólogo: “Cross That Line” – Joshua Radin Capítulo 1: “Gone Too Soon” – Simple Plan Capítulo 2: “Even My Dad Does Sometimes” – Ed Sheeran Capítulo 3: “Warrior” – Evans Blue Capítulo 4: “Weight of the World” – Young Guns Capítulo 5: “Sad” – Maroon 5 Capítulo 6: “Slow Dancing In A Burning Room” – John Mayer Capítulo 7: “Be Still” – The Fray Capítulo 8: “Lover, You Should Have Come Over” – Jeff Buckley Capítulo 9: “Fight Song” – Rachel Platten Capítulo 10: “Existentialism on Prom Night” – Straylight Run Capítulo 11: “Breathe Again”—Sara Bareilles Capítulo 12: “How to Save A Life” – The Fray Capítulo 13: “The Fear in Love” – Don’t Look Down Capítulo 14: “Fall” – Ed Sheeran Capítulo 15: “The Proof of Your Love” – For King and Country Capítulo 16: “From Where You Are” – Lifehouse Capítulo 17: “Fighting My Way Back” – After Midnight Project Capítulo 18: “We Can Try”—Between the Trees Capítulo 19: “If It Means a Lot to You” – A Day to Remember Capítulo 20: “Carry On”—fun Capítulo 21: “Break Your Plans”—the Fray Capítulo 22: “I’d Hate To Be You When People Find Out What This Song Is About” – Mayday Parade

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Capítulo 23: “A Thousand Years”—Christina Perri Capítulo 24: “How Long Will I Love You”—Ellie Goulding Capítulo 25: “Body In A Box” – City & Colour Capítulo 26: “Armas”—Christina Perri Capítulo 27: “Between The Raindrops”—Lifehouse ft Natasha Bedingfield Capítulo 28: “Tiger Lily” – Matchbook Romance Capítulo 29: “She Is Love”—Parachute Capítulo 30: “Set Fire to the Third Bar” – Snow Patrol Capítulo 31: “Not About Angels” – Birdy Capítulo 32: “Awake and Alive” – Skillet Epilogo Katie: “You And Me”—Lifehouse Epilogo Devin: “This Year’s Love” – David Gray

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Katie “Cross That Line” – Joshua Radin 1996

— KATIE… JESUS. Minha língua gira em torno do mamilo de Devin, interrompendo-o efetivamente no meio da frase, e quando eu o belisco de brincadeira, um rosnado baixo vem do seu peito. Eu sorrio contra a sua pele, amando que eu tenho esse efeito sobre ele. Minhas palmas das mãos contra o estômago, eu empurro para cima para ver os olhos verdes de Devin brilhante sob a luz fraca da lua. Quando eu chego à barra da minha camisa, seu olhar segue. — Há algo que eu preciso que nós... As suas palavras diminuem, os seus lábios se separam quando agarro e levanto o material frágil sobre a minha cabeça. Meu coração corre competindo com meu nervosismo e expectativa. Eu nunca fiz isso antes, e mesmo que eu me sinta segura e valorizada com Devin, eu ainda estou nervosa. Eu posso ser uma virgem, mas ele certamente não é. — O que foi isso? — Eu deixei minha camisa cair e os olhos de Devin vão entre meus olhos e meus peitos. — Eu, uh... Eu sou... — Com um movimento rápido, eu solto meu sutiã. Devin sopra uma respiração lenta e, em seguida, engole em seco antes de tentar terminar o seu pensamento. — É só que... — meu sutiã junta-se a minha camisa em uma pilha no chão. — Porra, você é linda, — ele respira.

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Ele pega nos meus seios, esfregando os dedos sobre os meus mamilos, e os olhos de Devin incendeiam com o desejo. Mãos fortes e quentes deslizam para cima nas minhas coxas nuas, beijando sua parte inferior antes da minha saia se esgueirar para baixo. Lentamente, ele conecta um dedo na minha calcinha e puxa para o lado antes de deslizar dentro de mim. Seu toque é inebriante, me sugando, me afogando em um nível de intimidade que eu não estou acostumada. Sobrecarregada com emoção, eu ouço as batidas do meu coração que está firmemente plantado na minha garganta, e meus olhos se fecham com o peso deste momento, o momento que eu seguramente passei os últimos dois anos esperando. Devin e eu nos conhecemos no primeiro dia da primeira série. Ele roubou meu lápis da Barbie, eu chorei como uma menina, porque eu era uma, em seguida, para sempre o pacificador, meu amigo Wyatt roubou de volta. No outro dia no parque, Devin me empurrou e foi embora rindo. Mas, o que ele não sabia que o meu choro do dia anterior, foram meramente nervos no primeiro dia de escola. Eu era uma menina levada, pronta e disposta a jogar sujo, mesmo que eu estava usando um vestido. Levantando do chão, eu corri atrás tão rápido quanto minhas pequenas pernas me levariam e eu investi diretamente nas suas costas, lançando ambos ao chão. Quando tudo foi dito e feito, Devin tinha um lábio cortado, meu joelho estava todos os tipos de rasgado, e aos seis anos de idade, eu tinha ganhado a minha primeira viagem para o escritório do diretor. Lado a lado, Devin e eu nos sentamos em pequenas cadeiras laranja contra a parede. — Ela prendeu meu lábio. — Suas palavras me pegaram de surpresa e eu olhei para ele. Ele estava sorrindo um grande sorriso desdentado, e eu não podia deixar de sorrir. É bem possível que ele roubou um pedaço do meu coração naquele dia, mesmo que o conceito seria estranho para mim por mais alguns anos. Na idade de quinze anos, eu finalmente admiti para mim mesma que eu, Katie Devora, fui de cabeça no amor com Devin Clay. E não foi até dois anos e meio depois, três meses antes do meu aniversário de 18 anos, e duas semanas atrás, que eu construí coragem suficiente para dizer a Devin como eu me sentia. Ele me tinha presa contra sua camionete, boca inclinada sobre a minha, antes de eu terminar de lhe dar todas as razões pelas quais devemos levar nossa amizade para o próximo nível.

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Um gemido baixo rasgou através do ar, e quando eu percebi que veio da minha boca, os meus olhos se abriram, recuperando lentamente o foco.. Minha saia estava agrupada em torno da minha cintura e a mão de Devin alojada entre as minhas pernas, enquanto a outra mantém um controle apertado no meu quadril. Quando a minha respiração irregular diminui, meu corpo e a mente flutuante voltaram a Terra, algo semelhante aos flashes em seus olhos. — Katie... — Não. — Eu balancei minha cabeça. Meu corpo está vibrando de prazer, e eu preciso disso mais do que eu já necessitei de qualquer coisa. — Por favor, não pare. Eu não vou sobreviver se você parar. — Foda-se, não. — Respira Devin. — Eu não conseguiria parar mesmo que eu quisesse. Obrigado, doce menino Jesus. — É realmente triste, mas um gemido sai da minha boca quando Devin retira a mão entre as minhas coxas. Cobrindo meu rosto com as mãos, ele me puxa para ele, roçando seus lábios contra os meus. — Quero isto, Katie, mais do que quis alguma vez algo, mas sei que é... — Seus olhos amolecem, suplicando-me para entender o que ele está dizendo, que ele não tem que realmente dizer isso. — É só que eu preciso saber que você quer isso... Comigo. Ele não sabe o quanto ele significa para mim? Eu já não disse a ele uma e outra vez que nós dois juntos somos tão incrivelmente perfeitos que mesmo em meus sonhos não poderia existir algo melhor? Em seguida, isso me bate. Tudo que Devin me contou sobre seu relacionamento com sua mãe e a maneira que ela o tratou, o rasgando para baixo, pouco a pouco. Ele precisa saber que eu o quero e só ele, tenho certeza de que ele é não apenas digno, mas merecedor de algo tão perfeito. E se é isso que ele necessita, estou mais do que disposta a não só dizer a ele o quanto eu o amo, mas mostrar também. Caindo para frente, as palmas das mãos sobre a cama em ambos os lados de sua cabeça. Escorregando para meus ombros, meu cabelo cai, nos perdendo em nosso próprio pequeno casulo. — Eu não posso imaginar fazendo isso com ninguém além de você. Você é meu sonho, Dev. Este... Este é o meu sonho.

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— Katie. — Meu nome pode ser apenas uma palavra saindo de seus lábios, mas é a maneira como ele diz, como se fosse uma oração que ele só percebeu que foi respondida. Devin fecha os olhos como se ele estivesse lutando com suas próprias emoções, e quando ele abre, eles estão brilhando com uma intensa quantidade de desejo, excitação, adoração e amor. Mas, a única coisa que está brilhando mais através é a felicidade. — Deixe-me mostrar que eu quero isso tanto, se não mais do que você, — eu sussurro. Abrindo o botão de sua calça jeans, eu lentamente deslizo o zíper. Meus dedos roçam ao longo de sua cintura antes de mergulhar em sua calça, onde eu o encontro grosso e pesado. Eu envolvo meus dedos em torno dele e Devin suga uma maldição sob sua respiração. Eu vejo flash de seus olhos entre a minha mão e meu rosto como se eles não podem decidir onde pousar. — Você é mais do que o meu melhor amigo, você é meu Dev. Você é minha alma gêmea. Você segura o meu coração em suas mãos. Palavras fortes, eu sei, mas elas não chegam perto de arranhar a superfície do que eu sinto por ele e do vínculo que compartilhamos. Num piscar de olhos, minha mão é arrancada de suas calças e no outro o meu corpo é invertido através do ar até que eu estou de costas. Droga isso foi quente. Apoiando-me em meus cotovelos, eu tiro um pedaço de cabelo para fora do meu rosto a tempo de ver Devin deixar calças e boxers cair a seus pés. Sem quebrar o contato visual, ele rasteja seu caminho até a cama. Meus quadris levantam instintivamente quando suas mãos retiram minha saia, permitindo que ele puxe junto com minha calcinha, para baixo das minhas pernas. Ele as joga de lado sem um segundo olhar e sua boca encontra a minha, quente e rápida. Nossas línguas duelam, lutando pelo controle, e em certo ponto quando eu estou preparada para me render, ele puxa para trás, espalhando beijos em toda a minha mandíbula. — Isso está acontecendo, — ele murmura. — Você e eu, Katie. — Meus olhos flutuam fechados quando a boca trilha o meu pescoço, em toda a minha clavícula, em um seio e, em seguida no outro. — Você é tão bonita. Você é um anjo “meu anjo”. — Olhando para baixo, eu vejo sua mão em um peito, enquanto sua boca ataca o outro.

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— Você não tem ideia do que faz para mim, Katie. Não faz ideia como você me faz sentir. Enfiando os dedos em seu cabelo preto e grosso, eu o seguro para mim enquanto seus lábios continuam o seu torturante caminho pelo meu corpo. Ele está lento muito lento, e eu luto contra o impulso de simplesmente empurrá-lo onde eu preciso dele. Não é mais um desejo... Eu preciso desse homem. — Eu acho que tenho uma ideia. — Minha respiração pega na última sílaba quando sua boca desce no meu clitóris. Finalmente! Meu corpo está em chamas, amarrado tão apertado quanto ele pode ir. Eu estive pensando sobre isso durante todo o dia, e eu mal posso suportar isso. Cada carícia de sua língua é elétrica, o envio de milhares de volts de faíscas em linha reta através do meu corpo. Pressão aumenta abaixo da minha barriga e eu sei que não vou durar muito. — Não é possível, eu ofego. — Eu não aguento mais. Minhas palavras somente instigam mais. A boca de Devin é implacável, a almofada de sua língua ainda mais. Eu gemo, deixando cair a minha cabeça de volta para a cama antes de decidir que a visão do seu teto não esta próxima de emocionante. Apoiando-me em um cotovelo, eu assisto Devin com olhos encobertos. Seus ombros largos estão pressionados contra as minhas coxas, a cabeça enterrada, e quando ele olha para cima, seus olhos esmeralda me devoram com quase a mesma intensidade que sua boca faz. Seu olhar é inflexível de desejo, e peço. — Por favor. Oh Deus. A determinação brilha nos seus olhos diretamente antes que os aperte bem fechado. Meu corpo está quase se quebrando no ponto, e eu não tenho certeza quanto tempo mais eu vou ser capaz de durar. Quando chegam as primeiras ondas de choque de prazer dentro de mim, eu aperto forte o seu cabelo, um gemido profundo sai da minha boca. Ele continua a chupar e provocar, empurrando meu corpo mais do que jamais fez alguma vez, e ele não para até que ele roube todos os ossos do meu corpo. Eu não sou nada mais do que uma grande pilha de gelatina, saciada ao ponto da imobilidade. Meu coração bate no meu peito, e eu luto para abrir meus olhos enquanto Devin se retira entre as minhas pernas. Sentando sobre as pernas traseiras, ele chega para sua calça jeans e pega algo do bolso.

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— Posso? — Ele pergunta seus olhos esperançosos. Colocando sua bochecha na minha mão, eu empurro até que nossos lábios estão moldados em conjunto. Eu posso provar a mim mesma em seus lábios e é surpreendentemente erótico. — Eu já me entreguei a você, Devin, você simplesmente não sabe disso. Isso… isso envolve tudo em um pequeno laço bonito. Ele morde meu lábio inferior. — Eu gosto de laços. — Ele sorri me beijando uma, duas vezes, e uma terceira vez antes de se afastar. Com um movimento rápido, ele rasga a embalagem, e sem quebrar o contato visual, ele lentamente desenrola o preservativo sobre sua ereção, que está balançando fortemente entre as pernas. Minha língua se lança, deslizando em seus lábios, dividindo-os quando a boca de Devin se funde com a minha. Este beijo é doce, lento e incrivelmente sensual. Não é o beijo de dois jovens amantes; é o beijo de duas almas gêmeas explorando um ao outro pela primeira vez. Nós nos beijamos até que meus lábios estão dormentes e meu corpo está vibrando com tanta energia que eu acho que pode ficar louco. Puxando a boca da minha, Devin se sustenta nos seus braços, a minha cabeça aninhada em suas mãos, seu pênis aninhado entre as minhas pernas. Se ele não fizer isso logo, quando ele grita. — Eu te amo, Katie. Suas palavras se envolvem em volta do meu coração, que derepente se sente muito grande para o meu peito, e eu luto contra a pressão atrás dos meus olhos. — Eu te amo mais. — Impossível. — Ele sorri, tirando uma mecha de cabelo do meu rosto. — Eu vou ser gentil, baby, eu prometo. Eu aceno e Devin desliza a mão entre nossos corpos, se alinhando na minha entrada. — Se for demais ou doer, me diga ok? — Ok. — Passando a mão ao longo de seu pescoço, eu enfio os dedos nos cabelos em sua nuca e o puxo para mim enquanto empurro simultaneamente meus quadris para cima. Sua respiração é quente, amavelmente doce no meu rosto quando ele desliza para dentro de mim pela primeira vez. Uma pequena onda de dor rasga através de mim, mas é rapidamente substituída com prazer até maior.

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Eu arqueio minhas costas, pressionando meu corpo contra o dele, nossos quadris balançando em um ritmo perfeito enquanto eu tento desesperadamente me lembrar de cada detalhe. O corpo de Devin é tão duro como uma rocha, flexionando seus músculos e dobrando o peso sobre as mãos. Eu posso sentir seu coração batendo descontroladamente dentro do seu peito, e eu não posso ajudar, mas saber se ele está fazendo a mesma coisa... memorizando isso... memorizando-me. — Katie, — ele rosna, enterrando seu rosto no meu pescoço. — Eu não vou durar muito. Isto é demais, — ele fala, empurrando para dentro de mim uma última vez antes de seu corpo ficar rígido acima do meu. Seus olhos se fecham em um gemido estrangulado em seu peito. Ele se balança em mim várias vezes, cavalgando a onda de seu orgasmo, e os meus braços bloqueiam ao redor de seus ombros, segurando-o para mim. — Isso foi incrível. — Meus dedos trilham de cima e para baixo em suas costas, e eu o sinto sorrir contra o meu pescoço. — Incrível? — Ele ri. — Foi arrebatador... marcante... alucinante... — Confie em mim, — murmuro, dando um beijo ao lado de sua cabeça. — Foram todas essas coisas para mim também. — Ah, é? — Ele empurra para cima, com os olhos sorrindo junto com sua boca. Adoro vê-lo sorrir, feliz e despreocupado. — Sim. Eu não quero me mover. — Portanto, não faça, — diz ele, nos rolando sobre ele e estou envolta em seu peito. — Vamos ficar aqui, certo como isto. — Para sempre. — Enrolando o meu corpo em torno dele, eu tomo uma respiração profunda, saciada, amando o estado de felicidade que parece que encontrei. Fechando os olhos, eu escuto a batida do coração de Devin que me toca a canção de ninar mais doce.

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Uma batida forte me assusta me acorda e eu pisco pesadamente. Levantando minha cabeça, acho Devin esfregando os olhos e percebo que devemos ter cochilado. — Oi. — Sua voz é rouca de sono e um sorriso puxa no canto da minha boca. — Oi, — eu sussurro. A batida forte toca novamente e ambos viramos a cabeça para a porta. — Por favor, me diga que você bloqueou sua porta da frente. — Claro. — Ele beija meu nariz e rola para fora da cama, e eu imediatamente perco a sensação de seu corpo contra o meu. — Eu tranquei a porta do quarto também, apenas no caso. — Você sabe, — eu digo, sorrindo ironicamente. — Nós poderíamos simplesmente cancelar a festa e ficar aqui. — Devin pula sobre a cama, saltando no meu corpo, e eu rio quando ele enche de beijos o meu pescoço. — Gosto da maneira como sua mente funciona, mas temos cerca de trinta pessoas que não hesitariam em esmagar minha porta da frente. — Lembre-me novamente porque você decidiu ter uma festa hoje à noite? — Porque minha mãe se foi esta noite, e o irmão de Chris nos comprou um barril de cerveja, e quem mais é que vai dar as crianças um lugar para se soltar e desobedecer a suas famílias? — Tudo bem, eu me rendo. Vamos chegar a nossa festa. Só me prometa que você não vai convidar Marybeth para a próxima festa que você fizer. — Os meus lábios enrolam como se algo somente cheirasse mal e Devin sorri, só que desta vez seu sorriso não alcança seus olhos. Em vez disso, ele desaparece indo embora como se ele só percebeu algo. — O que há de errado? — Eu falo sentando-me, e enrolando o lençol em volta do meu peito. Devin desliza para fora da cama, pega sua cueca e calça jeans do chão e os puxa sem dizer uma palavra. Meu estômago se agita no olhar triste no rosto, e eu me mexo na cama, movendo para perto dele. — Devin, o que está errado? — Minha mente corre com uma quantidade infinita de possibilidades de porque ele de repente parece tão

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derrotado. Será que ele não aprecia o que nós compartilhamos? Será que eu de alguma forma o decepcionei? — Merda, — assobia, dando passos longe de mim. Meus braços voltam para meus lados, enquanto eu assisto e aguardo ele dizer o que é que está em sua mente. — Eu estava tentando lhe dizer algo antes de... — Ele treme sua mão distraidamente na cama. — antes de... antes de fazermos amor, — eu afirmo, pisando na frente dele. Ele deve ter pegado o olhar de ansiedade no meu rosto, porque seus olhos amolecem e ele sopra um longo suspiro. Estendendo a mão, ele conecta o braço em volta dos meus ombros e me puxa contra seu peito. — Eu estava tentando lhe dizer alguma coisa e eu não tive a chance, e é grande, Katie. Eu queria dizer antes de nós… Eu rio. — Fazer amor. Vamos, Devin, não é assim tão difícil de dizer. — Isso me faz soar como um marica. — Eu rio contra seu peito e ele murmura uma maldição. — Bem. Eu queria dizer antes que fizessemos amor, porque é importante. — Ok. — Puxando fora de seus braços, eu dou-lhe um olhar curioso. — Então me diga agora. Segurando meus ombros, Devin me cutuca de volta na cama antes de limpar as mãos na frente da calça jeans. — OK. Não há nenhuma maneira fácil de dizer isto, então eu só vou dizer isso. — Devin, você está me assustando. — Estamos nos mudando, Katie. Minha mãe e eu estamos nos movendo. Minhas sobrancelhas saltam enquanto minha mente funciona para processar o que ele disse. — Você está se mudando? Como para outro país, ou em outra cidade? O rosto de Devin cai e ele balança a cabeça. Meu peito aperta dolorosamente. — Pensilvânia. — O quê? — Saltando da cama, eu balanço a cabeça quando minha garganta começa a fechar. — O que você quer dizer que você está se movendo para a Pensilvânia? V-Você não pode se mudar. — Segurando minha mão acima do meu coração, eu esfrego distraidamente, com uma dor

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surda — Ela não pode simplesmente levantar e se mudar. Por que ela faria isso? O que tem na Pensilvânia? O tremor do meu queixo faz com que os meus lábios a se inclinem para baixo, e eu giro para longe, tentando manter algum tipo de compostura. A mão de Devin encaixa para fora, agarrando o meu braço. Ele puxa até que as minhas costas é pressionada contra o seu peito, e então ele envolve seus braços em volta de mim e adere a cabeça no meu ombro. — Eu odeio isso, Kat. — As lágrimas soluçam na minha garganta quando ele usa o apelido que ele me deu na escola primária. Lágrimas rolam pelo meu rosto e eu chego para enxugá-las. — Confie em mim, a ideia de te deixar aqui rasga meu coração, e se houvesse alguma maneira para eu ficar, eu o faria. Minha mente corre com soluções, porque ele não pode ir. Ele é meu melhor amigo, ele é a pessoa que eu quero passar o resto da minha vida com. — E quanto a Chris? — Girando em seus braços, eu descanso minhas mãos contra seu peito. Chris é o melhor amigo de Devin, e os pais de Chris amam Dev. — Tenho certeza que seus pais iriam deixá-lo ficar e terminar o ano.... — Minhas palavras morrem na garganta quando Devin sacode a sua cabeça. — Por que não? — Katie, — ele sussurra, cobrindo meu rosto com as mãos. — Eu não posso deixar a minha mãe se mudar sozinha. Ela precisa mim. — Vocês nem sequer se dão bem, — eu resmungo, dando um passo para trás. — Ela te trata como merda. — Devin arregala os olhos e eu quero pedir desculpas pela dureza das minhas palavras, mas não consigo, porque é verdade. Muitas vezes eu me sentei para falar com ele sobre alguma coisa estúpida que sua mãe puxou. Eu o assisti quase se quebrar uma e outra vez sobre a forma como ela o tratou e agora isso. Agora ela está apenas indo para cortá-lo longe de sua vida inteira e a única vida que ele já conheceu? Eu respiro fundo, tentando me acalmar, mas não funciona. Adrenalina, raiva, confusão e tristeza. Eles estão todos correndo em minhas veias em velocidade máxima. Eu não consigo fazer o senso de nada disso, e eu preciso de algum tempo para resolver através de tudo isso. Tudo o que eu achava que sabia apenas foi alterado. Meu futuro previsível apenas mudou de posição, inclinando meu mundo sobre seu eixo, e eu preciso parar e obter

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um controle sobre isso antes que eu possa obter um controle sobre a situação. Agarrando minha calcinha e saia do chão, eu deslizo sobre mim. — Katie? Correndo ao redor da cama, eu olho a procura da minha camisa. Eu sei que esta aqui em algum lugar; ela não poderia ter ido tão longe. O poder do olhar de Devin pesa sobre minhas costas. Ele está me seguindo ao redor do quarto, eu posso sentir isso. Eu acho o material no chão, junto com meu sutiã, e levo-os ambos para cima. Devin anda na minha frente quando eu escorrego em meu sutiã. — Katie, por favor, fale comigo. Não faça isso; não fuja de mim. — Eu não vou fugir. — Puxando a camisa sobre a minha cabeça, eu corro minhas mãos para baixo na roupa, a fraca tentativa de puxa-las juntos. — Eu só preciso de um minuto. As sobrancelhas de Devin quase tocam seu couro cabeludo. — Você precisa de um minuto? Não, — ele balança a cabeça e estende a mão para mim, mas eu me esquivo dele. — O que você precisa é falar comigo. Nós vamos resolver isso. É só temporário. Vou ter dezoito anos neste inverno, e assim que eu fizer, eu vou voltar. Este não é o fim. Por favor, não acho isso. — Não é? — Eu pergunto, girando em torno dele. — Você está se mudando para a Pensilvânia, Dev. Isso é como mil milhas de distância. — Oitocentos, — ele murmura. — Ótimo! — Eu lanço minhas mãos para cima, exasperada. — Você já olhou para isso. O que significa que você já sabia há um tempo. — Não, — ele declara com firmeza. — Ela me contou isto ontem de manhã. Tentei… te dizer mais cedo, mas nós estávamos... — Você sabe o que, não importa. — Eu estou confusa. Muito confusa. Eu só me entreguei a Dev e eu não mudaria isso por nada neste mundo, mas de alguma forma parece tão insignificante à luz de tudo isto. Ele esta me deixando. Deixando. Meu estômago mergulha e depois rola quando eu luto através de uma onda de náusea.

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Devin tem sido uma grande parte da minha vida por tanto tempo quanto me lembro, e apenas o pensamento dele não estar aqui todos os dias, não ser capaz de ir até a casa dele e vê-lo sempre que eu quiser, ou beija-lo quando eu quero, faz meu peito fisicamente ferido. Eu nunca tinha sido baleada antes, e eu espero que como o inferno eu nunca seja, mas esta dor aguda no meu estômago deve ser o que se sente. Deslizando meus pés em minhas sandálias, eu me lanço em direção à porta. Devin corre atrás de mim, batendo a mão contra a madeira sólida, fechando-a antes que eu possa escorregar para fora. Seu corpo está quente contra o meu, a sua respiração é irregular, e culpa ondula através de mim. Ele é o único que está saindo, ele é o único que tem que começar de novo, e aqui estou eu agindo assim. — Katie, por favor, me ouça quando digo que isso não muda nada. — Você está errado, — eu digo com um suspiro. — Isso muda tudo. E tudo, quero dizer que nada será mais o mesmo. Não quero dizer que não vai funcionar, porque eu acredito que, se me quer o suficiente e tentar duro o suficiente, nós podemos fazê-lo funcionar. Mas não vai ser fácil. É algo que vamos precisar sentar e botar para fora, mas agora eu só preciso organizar meus pensamentos. — Por favor, não faça isso. — Sua voz suplicante é quase a minha ruína, quase. Mas, eu sei que eu preciso me afastar e me acalmar antes de estragar a melhor coisa na minha vida. — Eu só preciso parar e processar isto. É uma responsabilidade muito grande. — Nós podemos fazê-lo funcionar, Katie. Eu prometo a você, eu vou voltar. — Eu acredito que nós podemos fazê-lo funcionar se nós dois tentarmos o suficiente. O corpo de Devin endurece atrás de mim. — O que isso deveria significar? Você faz parecer como se eu não iria trabalhar para isso. Virando-me, eu planto minhas mãos em meus quadris. — Sua mãe não teve um telefone fixo em anos, Devin. E se eu quero ver você ou falar com

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você, eu tenho que dirigir a sua casa. Então me explique o que eu deveria fazer quando estiver a oitocentas milhas de distância. Seus ombros caem, e posso dizer que ele não tinha pensado nisso. — Agora, por favor, me leve para casa? — Não. — O que quer dizer, não? — Quero passar cada segundo que eu posso com você, porque estamos saindo no domingo. — O quê? — Eu grito meus olhos quase pulando para fora da minha cabeça. Ótimo. Isso está ficando cada vez pior. — FODA-SE! Isso não está acontecendo. — Como posso lutar contra isso? Como no inferno que devemos fazer funcionar quando temos tão pouco tempo até mesmo para falar sobre isso ou nos preparar? Enfiando os dedos no meu cabelo, eu seguro com firmeza. — Domingo? Você está indo embora no domingo? — Minha voz se eleva em cada palavra, juntamente com a minha pressão sanguínea. — Eu não posso acreditar nisso. Meu pulso está martelando com tanta força em meus ouvidos que ele está me dando uma dor de cabeça, e meu queixo dói com o tremor incontrolável. — Katie! — Uma forte batida soa na porta do quarto, e me pergunto quem no mundo conseguiu entrar na casa de Devin. — Katie, você está bem aí? — Meu corpo afunda de alívio ao som da voz de Wyatt. Várias outras vozes filtram no ar, e eu rolo meus olhos, porque a última coisa que preciso agora é uma audiência. — O que diabos ele está fazendo aqui? — Rosna Devin. Pisando em torno de mim, ele arremessa a porta aberta. — O quê? — Ele late, o tom de voz fazendo Wyatt dar um passo para trás. — Ele é meu amigo e eu o convidei. — Wyatt olha no relógio hesitante, mas quando eu ando em linha reta até ele, ele abre os braços sem pensar duas vezes. Enterrando meu rosto em seu peito, deixando as minhas emoções obter o melhor de mim. Elas fervem abaixo em minha barriga, trabalhando lentamente seu caminho até estrangular em um grito que rasga da minha garganta. O braço de Wyatt envolve em torno de meu ombro, mas

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eu noto que ele deixa o outro solto ao seu lado. Provavelmente uma ideia inteligente, se ele não quer que ele seja rasgado fora. — Chega. — Uma mão forte envolve em torno de meu braço e eu estou sendo puxada para longe de Wyatt. — Mova-se, — Devin ferve. Wyatt sai do caminho, quando Devin decola no final do corredor, puxando-me atrás dele. — Deixe ela ir. — Foda-se, cowboy. — Devin ri quando Wyatt não volta com mais, mas eu realmente não estou surpresa. Estes dois homens, meus dois primeiros amigos, não gostavam um do outro desde o primeiro dia. Devin tem sido sempre um pouco ciumento e Wyatt um pouco intimidado, mas eles conseguiram manter a paz por minha causa, bem, principalmente. — Onde você está me levando? — Eu tento sair de suas mãos, mas ele segura com facilidade. Eu finalmente decido que isso vai ser mais fácil se simplesmente seguir atrás. Nós reunimos vários olhares estranhos quando Devin me arrasta através da sala de estar e para fora da porta da frente sem uma palavra a ninguém. Jogando a porta do carro aberta, ele me coloca dentro, em seguida, anda em torno de seu carro e desliza para o assento do motorista. É uma curta distância de carro a minha casa, mas o tempo suficiente para a minha raiva parar de drenar e ser substituída por uma mistura de culpa, tristeza e pesar. Se há uma coisa que eu sei, é que Devin é e sempre será meu melhor amigo, e eu o amo mais do que eu amarei mais qualquer outro homem. O cascalho tritura abaixo do peso do seu carro quando puxamos abaixo da minha rua, e eu me desloco do meu assento para ficar em frente dele. — Eu sinto muito. — Deixando cair a cabeça no assento, eu espero por ele para olhar para mim, mas ele não faz, nem mesmo depois que ele joga o carro no parque. — Eu não posso acreditar em você. Fechando os olhos, eu esfrego uma mão pelo meu rosto. — Eu sei, admito. — Eu não deveria ter dito que precisava do tempo necessário, isso não era justo para mim. Mas, em minha defesa, eu estava sobrecarregada. Eu só queria um segundo para processar isto e colocar tudo em perspetiva.

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— Não isso. — Finalmente, ele olha para mim, mas eu não vejo qualquer tipo de afeto, apenas um olhar distante. — Você foi para Wyatt. — Hum? — Eu queria te abraçar e falar com você, mas você se afastou de mim. Você foi direto para Wyatt. Meu coração estava quebrado junto com o seu e você andou para os braços dele. — Não, — eu digo, balançando a cabeça. Isso tinha algo a ver com tudo? — Sinto muito, eu não estava... — Você deveria ter ido para os meus braços. Você deveria ter me deixado te abraçar e confortar você porque eu sou a porra do seu namorado, Katie. Eu sou o único que tem que dizer adeus à pessoa que me mantém ancorado a essa porra de terra. Você honestamente acha que eu quero ir com ela? Você honestamente acha que eu não escolheria você num piscar de olhos? A faixa apertada em volta do meu coração estoura e eu balanço para frente, segurando seu rosto em minhas mãos. — Você está certo. Eu estava errada, muito errada. — Meu nariz queima com lágrimas, e elas rapidamente se constroem e em seguida, caem dos meus olhos. — Por favor, me perdoe, — eu imploro. A culpa agita no meu estômago, atando-o com nó. Eu não posso acreditar que eu agi assim. O que diabos eu estava pensando? Eu não posso afastá-lo, e eu definitivamente não posso perdê-lo. A necessidade de estar perto dele, eu passo por cima da alavanca de câmbio e encaixo em seus quadris. Empurrando as mãos através de seu cabelo, eu puxo-o para mim até que estejamos nariz com nariz. — Diga-me que você sabe o quanto eu amo você e que você sabe o quanto estou triste por isso. Diga-me você sabe que eu vou encontrar uma maneira de fazer isso funcionar. Engolindo em seco, os olhos de Devin penetram nos meus. Eles estão brilhando sob a luz fraca da lua através da janela. — Eu sei que você me ama, e eu sei que está arrependida. Confie em mim, eu tive quase a mesma reação quando mamãe me disse. Eu não lidei com isso muito bem. — Eu posso ver nos olhos dele que ele está sendo sincero. Isso é uma coisa sobre Devin e eu; temos sido amigos por tanto tempo que eu possa lê-lo como um

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livro. — Eu sei que nós vamos encontrar uma maneira de fazê-lo funcionar, porque não há outra opção. Toda a respiração é roubada de meus pulmões quando ele diz o que meu coração sente. Não há realmente qualquer outra opção. Devin e eu estamos destinados a ficar juntos.

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Katie “Gone Too Soon” – Simple Plan JANEIRO DE 2006 (10 ANOS DEPOIS)

— Quando é que ela vai acordar? — A voz estrangulada de uma mulher vem alta em meus ouvidos, e o nevoeiro espesso me rodeia lentamente. — Eu preciso que ela acorde. — Desta vez, a voz quebrada é muito mais clara e eu reconheço instantaneamente. Mamãe? Um arrepio de medo percorre meu corpo e eu luto para me mover, mas algo ou alguém parece estar me segurando no chão. Por que você está chorando? Mamãe! — Todos os seus exames voltaram normais. Ela vai acordar Sra. Devora, eu lhe garanto. Ela passou por uma experiência traumática e seu corpo está se permitindo tempo para curar. — Eu não tenho certeza de quem essa voz pertence, mas o sotaque estrangeiro soa estranhamente familiar. E o que diabos ele quer dizer que eu já passei por uma experiência traumática? — Você continua dizendo isso, mas ela continua dormindo. Eu já perdi muito, Dr. Cantrell... Eu não posso perdê-la também. — Espere o que ela está falando? Onde estou, e por que o inferno meus olhos não estão abertos? Escuridão lentamente começa a rastejar em torno de mim, e antes mesmo de eu ter a chance de lutar contra ela, eu estou sendo levada para a inconsciência...

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Meu corpo inteiro se sente pesado e fraco. Eu tento virar a cabeça, mas uma dor aguda perfura o lado da minha testa. Eu choramingo, mas não sai nada... Nenhum som. O que diabos está acontecendo? Por que não posso me mover? Quanto tempo eu dormi? — Vá para casa, Wyatt, descanse um pouco. Eu te ligo se ela acordar. — A voz da minha mãe flutua através dos segundos no ar antes de eu sentir uma mão quente, presumidamente dela, do lado da minha cabeça. — Eu não vou deixá-la. Eu não vou deixá-la. — A voz de Wyatt parece tensa, porém inflexível, e quando ela racha, eu freneticamente empurro contra a escuridão que parece ter tomado o controle do meu corpo. Wyatt! Oh, Wyatt. Me concentro com força, tentando desesperadamente fazer um som ou mover meus dedos, mas nada acontece. Eu dou um rosnado de frustração, pelo menos eu tento. — Querido, você tem estado esgotado. Você tem trabalhado tão duro e gastando cada segundo de folga aqui. Você precisa ter uma boa noite de sono. — Não! Não deixe. Por favor, não deixe! Em algum lugar no meio das minhas lutas, eu ouço uma cadeira sendo deslizada pelo chão e, em seguida, duas mãos quentes envolvem em torno de minha mão direita, puxando-a para cima. Eu estou intimamente familiarizada com essas mãos e seu toque sozinho parece acalmar o pânico que havia estado borbulhando dentro de mim, por agora, de qualquer maneira. — Brenda, eu não vou embora até que ela vá comigo... — A voz de Wyatt gradualmente diminui, juntamente com a minha mente, como eu sou sugada de volta para as sombras do desconhecido. Um leve zumbido deriva através do ar. Este conjunto dentro e para fora, e incapacidade de me mover frustra o inferno fora de mim, mas desta vez estou exausta demais para tentar. O zumbido continua, e com um toque tão suave que eu mal sinto, meus dedos são levantados para fora da cama e entrelaçados com outra pessoa. A mão é macia e delicada, e eu imediatamente sei pelo tamanho e pela falta de calos que não pertence a Wyatt. A voz abafada que primeiro me acordou fica cada vez mais clara. Eu tento difícil não lutar contra a parede que está me segurando em cativeiro,

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em vez disso fico esperando relaxada, ela vai levantar por conta própria. Eu me vejo tendo uma respiração profunda, limpando enquanto minha mente segue a voz. — Acorde, querida, — ela diz cantarolando sua melodia doce. — Por favor, acorde. Eu estou tentando, mãe. Eu prometo a você, eu estou tentando. Sua voz sedosa começa a cantar a mesma música que ela cantava para mim quando eu ficava doente quando era criança. As palavras são como um bálsamo para minha alma tão doce e reconfortante que eu me permito me perder nelas. — Você é o meu sol, o meu único sol. — Suas palavras são cortadas e tudo ao meu redor fica estranhamente calmo e quieto. O que ela está fazendo? Por que ela parou de cantar? — Faz de novo, Katie, — Minha mãe diz com uma sugestão de um sorriso na voz. — Mova os dedos para mim. Eu movi meus dedos? Sério? — É isso, Katie. — A voz da minha mãe soa alta e é alegre, e eu a imagino pulando para cima e para baixo, torcendo como ela costumava fazer nos meus jogos de softball. Eu ouço uma sequência de altos, bipes sólidos, ao mesmo tempo eu sinto meu coração bater violentamente dentro do meu peito. Uns pulsos ‘woosh-woosh-woosh’ constantes atrás das minhas orelhas. Algo está acontecendo. Eu não tenho certeza do que é, eu com certeza não tenho qualquer controle sobre isso, mas, apesar do desejo urgente para tentar me mover, eu fico perfeitamente calma. E então eu sinto uma contração muscular, seguida por outra contração, e outra. Ouço a porta abrir e em seguida, alguém começa a falar, mas estou muito absorvida no sentimento destes pequenos espasmos que ocorrem durante todo o meu corpo para prestar muita atenção à conversa. Do nada, minhas pálpebras se abrem e eu tremo quando uma luz brilhante brilha na minha cara. Um gemido ilegível sai da minha boca, e eu posso dizer pela dor ardente rasgando minha garganta que um som real está saindo. — Katie! — Minha mãe grita. — Ela está acordada! Ela está em movimento!

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Sinto minhas pálpebras pesadas e fracas, e cada vez que eu tento deixa-las abertas, a luz no quarto me cega. Alguém deve notar porque a próxima vez que eu tento abri-los, a luz está desligada, o que torna muito mais fácil. Eu pisco várias vezes, e a figura borrada na minha frente vem lentamente ao foco. — Mã-eee, eu tento. — Oh, Katie. — Ela esconde o rosto no meu pescoço. Sem pensar, eu levanto o meu braço. É pesado e dolorido, mas eu consigo erguê-lo desajeitadamente por cima do ombro enquanto ela chora. — Eu estava tão assustada. Eu pensei que tinha perdido você também. — Suas palavras mal têm tempo para registar antes de meu braço deslizar de suas costas e minhas pálpebras derivarem fechadas, e apesar do meu melhor esforço, eu não posso levá-los a abrir de volta. — Katie? Eu pensei que eu perdi você também. — Está tudo bem, Sra. Devora. Isto é normal. Eu estou indo deixar Dr. Cantrell saber que ela está começando a acordar. O que isso significa? Quem mais ela perdeu? — Graças a você. — Tudo ao meu redor corta para preto, e meu corpo fica mole quando o buraco negro me suga novamente. — Ei, menina bonita. — Lábios quentes tocam ao lado da minha cabeça. Eu não tenho nenhuma noção de tempo, mas eu espero que eu não esteja fora por muito tempo. — Eu vou para casa por trinta minutos para tomar um banho e trocar de roupa, e você acorda. O que é isso tudo, hein? Meus olhos se abriram e eu tenho um vislumbre do rosto bonito de Wyatt antes que derivem fechados novamente. — Ela é teimosa como o inferno. Bailey! — Wyatt ri da descrição precisa da minha irmã, e a cama mergulha abaixo ao lado do meu quadril. — Sempre teimosa. Mesmo quando você está inconsciente. — A respiração de Bailey vem ao lado do meu rosto antes de ela me beijar na bochecha. Ela sussurra eu te amo me beija mais uma vez e se afasta. Cada músculo do meu corpo grita quando eu tento mudar na cama. Meu corpo se sente machucado e surrado, e eu estou dura como o inferno. — Katie? — Eu pauso os olhos abertos, e desta vez dois rostos estão olhando para baixo, para mim. — Não se mova querida. — Wyatt está me

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observando com adoração aberta. Aquele olhar, combinada com as lágrimas não derramadas brilhando nos olhos da minha irmã, faz meu peito se contrair. Meu olhar salta ao redor da sala, e campainhas de alarme começam a tocar na minha cabeça quando eu noto fios do IV dispostos ao lado. Meus olhos seguem a tubulação, que está ligada a um IV no meu braço, e um oxímetro de pulso que esta enrolado firmemente em torno de meu dedo médio. Tudo esta flutuando em minha cabeça, ainda é uma bagunça confusa, e eu começo a entrar em pânico, porque, eu não consigo descobrir por que estou aqui. — Wyatt? — Minha voz é rouca e ferida, e eu preciso desesperadamente de algo para beber. Os belos olhos azuis bonitos estão me observando, cheios de lágrimas, e eu me sinto um pouco da minha própria deslizar para o lado do meu rosto. Wyatt estende a mão e escova na minha bochecha. — Eu senti tanta falta de você, Katie. — O que aconteceu? Por que estou aqui? — Eu pergunto, tentando fazer sentido ao que está acontecendo. Por que ele sente falta de mim? Há quanto tempo estou aqui? Bailey desliza a Wyatt um olhar de soslaio que ele retorna rapidamente, e é quase como se eles estivessem tendo algum tipo de conversa silenciosa. Meus olhos saltam ansiosamente entre os dois quando eu espero por alguém para me responder. Obviamente algo de ruim aconteceu ou eu não iria ser colocada em uma cama de hospital, com um sentimento que eu fui atingida por um trem. Eu vejo como a cabeça da minha irmã abaixa. Ela coloca a mão em seu rosto e eu posso ver, apesar de sua tentativa de ocultá-lo, que seu queixo esta tremendo. — Eu n… — sua voz quebra e ela balança a cabeça. — Eu não posso. — Levantando minha mão, eu alcanço Bailey, mas ela gira longe de mim e corre para fora do quarto. Deslocando na cama, eu faço um movimento para ir atrás dela e todo o meu corpo grita em protesto. Sugando uma respiração afiada, meu olhar se encaixa em Wyatt e ele passa a mão trêmula na frente de seu rosto. — O

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que... — Eu balanço minha cabeça, pânico e medo sedimentando duro em meus ossos. — O que diabos esta acontecendo? — Katie... — Wyatt suspira e olha para o lado. Sua mandíbula trava várias vezes, e quando seus olhos encontram os meus novamente, eles estão cheios de tristeza. — Eu acho que nós precisamos esperar por sua mãe voltar. Meu estômago se agita enquanto minha mente corre para tentar fazer sentido ao que está acontecendo. Eu venho com absolutamente nada, e isso me frustra ainda mais. — Não, Wyatt. — Com os meus olhos fixos em seu rosto, eu alcanço sua mão. Ele envolve os dedos ao redor dos meus e apertaos levemente. — Diga-me, — eu imploro. Mas, ao mesmo tempo em que eu digo as palavras, trechos de memórias e conversas quebradas piscam pela minha mente. A minha mãe chorando. Eu já perdi muito. Eu não posso perdê-la também. Eu pensei que eu perdi você também. — Droga, Wyatt, — eu rosno. Examino os seus olhos, e posso dizer que ele está tentando decidir o que fazer. — Por favor. Por favor, me diga. — Frustrada, eu levanto a minha mão livre para a cabeça e estremeço quando algo fere meu dedo. Que diabos? Suavemente, eu corro minha mão ainda no meu cabelo e siga o que presumo serem pontos, descobrindo que param logo acima da minha orelha. Esfregando o polegar sobre as pontas dos meus dedos, eu seguro minha mão na frente do meu rosto, inspecionando de perto. Minha mão treme quando eu vejo o sangue manchando nas pontas dos meus dedos. Sangue da minha cabeça dolorida. Corpo rígido. O que aconteceu comigo? — Você teve que levar quinze pontos para fechar o corte acima da sua cabeça, — Wyatt diz suavemente. O som distinto de pneus cantando soam pela minha cabeça, e eu aperto meus olhos fechados quando a memória

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começa a inundar. — Demorou conseguir isto parar de sangrar. — Ouço o que ele está dizendo, mas os flashbacks estão chegando muito rápido para eu parar e fazer perguntas. Faróis piscando. Buzinando... desviando. — Você também tem doze pontos em um ferimento no seu braço esquerdo. Reflexos de metal, o vidro, pneus cantando. Meu coração dispara dentro do meu peito e eu aperto o tecido do meu vestido, tentando desesperadamente me ancorar em alguma coisa. — Três costelas fraturadas... Meu corpo voa para frente, então ele puxou de volta antes de ser jogado violentamente de um lado para outro. Eu estremeço, agarrando minha cabeça. Demais... Tudo isso é demais. Minha respiração está se tornando mais e mais superficial quando a ansiedade escorre pelas minhas veias. — E você tem o quadril esquerdo machucado. Gemendo... murmurando. Minha cabeça rola para o lado e eu quebro meus olhos abertos. Meus olhos derivam fechados. A memória do gosto metálico do sangue inunda minha boca. Sangue. Lotes e lotes de sangue. Meus olhos se abrem e eu procuro a sala. Alguém está faltando. Onde está meu pai? Oh Deus. Não não, não, não. Por favor, não. Minha mãe vem acelerando para o quarto ao mesmo tempo em que realização me bate. — Pa-iii! — Eu grito. Mamãe vem em uma parada bruscamente no final da minha cama e sua mão voa para o rosto, cobrindo a boca. Ela pisca uma vez e lágrimas começam a rolar pelo seu rosto. — Katie... Ouço Wyatt dizer o meu nome, mas tudo parece estar acontecendo em câmera lenta e eu não consigo tirar os olhos da minha mãe, que está me

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observando com um olhar de medo misturado com dor. Ela dá um passo hesitante para frente, como se eu fosse um animal selvagem e ela está tentando decidir a melhor maneira de se aproximar de mim. Meus olhos seguem cada movimento que ela faz, e quando ela se senta ao meu lado na cama, ao lado de Wyatt, ela deixa cair a mão de seu rosto para que ela possa escovar os dedos ao longo da minha bochecha. Seus belos olhos estão vermelhos e inchados, e os círculos escuros ao redor deles me dizem quanta dor que ela está. Eu engulo em seco quando seu lábio inferior treme, porque eu sei, eu posso sentir isso no fundo da minha alma que tudo o que ela está prestes a me dizer vai rasgar minha vida em pedaços. — Katie… — Ela sussurra seus olhos procurando os meus. — Pai. Onde está o papai? — Papai... — sua voz falha, e mais uma vez ela põe a mão sobre sua boca para abafar um soluço. Uma batida aperta e contrai em volta do meu coração. Levantando minha mão, eu esfrego distraidamente a dor em meu peito. — Shhh... Está tudo bem. — A voz suave de Bailey me pega de surpresa. — Bailey? — Pergunto freneticamente, com a necessidade de ver a minha irmã. Ela caminha para a minha cama e põem o braço em torno do ombro da mãe. Lágrimas estão escorrendo pelo seu rosto corado e ela olha para mim por um breve momento, seus lábios apertam juntos, antes dela dá um ligeiro aceno de cabeça. Aquele movimento é monumental e um soco médio de palavras silenciosas que batem direto no meu estômago. E isso é tudo o que preciso para confirmar o meu pior pesadelo a única coisa de que estava com mais medo. Meu coração bate descontroladamente dentro do meu peito, e um dos monitores que eu sou ligada faz um som estridente. Uma enfermeira corre para o quarto quando eu luto para manter minhas emoções sob controle. Ela voa nervosamente em torno de mim, checando meu pulso e aperta os botões nas máquinas, e quando eu me esforço para me sentar, ela me ajuda. Seus olhos estão tristes, e eu imediatamente sei que ela está consciente do que está acontecendo. — Tente relaxar, — ela sussurra antes de sair do quarto.

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No minuto que a porta se fecha atrás dela, algo dentro de mim se estilhaça. — Não! — Eu choro. — Por favor, não... — Caio para a frente, eu envolvo meus braços em volta do meu estômago. Num piscar de olhos, vários conjuntos de braços vêm em torno de mim, me segurando enquanto soluços violentos arruínam o meu corpo. — Eu sinto muito. — Oh, Katie. — Nós vamos passar por isso. Palavras de conforto são sussurradas, mas com o sangue correndo através de minhas veias e batendo na minha cabeça, eu não posso decifrar o que eles estão dizendo... Ou talvez eu simplesmente não me importe. Tudo ao meu redor se torna abafado, exceto para as duas palavras que continuam ecoando na minha cabeça. Ele se foi. Oh meu Deus, ele se foi. — Não! — Eu grito, tentando me enrolar em uma bola, só para sentir o aperto em volta de o meu corpo ficar mais apertado. — Nããão. Oh, por Deus. — Eu engasgo com minhas próprias palavras quando eu luto para sugar o ar. Um grito mutilado rasga dos meus pulmões quando uma dor de faca esfaqueia através do centro do meu peito, rasgando tudo em seu caminho quando ele faz um caminho direto para o meu coração e, em seguida, ainda mais profundo, uma vez que corta diretamente através de minha alma. Centenas de memórias vem em flash pela minha cabeça. Que está em seus dedos do pé quando nós dançamos do outro lado da cozinha. O sorriso dele a primeira vez que bateu um homem na liga juvenil. Minha mão desliza em meu cabelo quando uma memória me sufoca. Acordo em um veículo, vendo vidro e metal torcido em torno de mim como uma gaiola e eu não posso escapar. A memória não me abala, e um instante depois eu vejo outra imagem.

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Meu pai amarrando meu cabelo em tranças, puxando de brincadeira em cada uma, me dizendo que eu sou sua pequena princesa. Eu forço a minha cabeça mais quando a memória agradável dissipa em algo assustador. Meu pai está coberto de sangue, seus olhos estão abertos sem vida, e eu assisto impotente, como a cor extingue de seu rosto. Isso não pode estar acontecendo. Ele não pode ter ido embora... Ele simplesmente não pode. Eu não consegui dizer adeus. Um gemido profundo borbulha no meu peito com o pensamento de nunca chegar a vê-lo novamente, ou abraçá-lo, ou dizer-lhe que eu o amo. — Por favor, — eu imploro, soluçando através de soluços. — Eu sei baby. Eu sei. — Desta vez eu reconheço a voz doce da minha mãe, e eu ponho minhas mãos em sua camisa a espera da vida. Eu não tenho nenhuma ideia de quanto tempo estamos aqui sentados e chorando. Minutos... Talvez horas. Mas eu finalmente chorei até dormir, e quando eu acordo algum tempo depois, a sala esta escura, iluminada apenas pelo brilho opaco da lua filtrando através da janela. Em algum momento durante a noite, todo mundo deve ter trocado de lugar, porque mamãe e Bailey estão ambos a dormir com as cabeças na cama em ambos os lados do meu corpo. O braço de Bailey é esticado em minhas pernas, como se ela estivesse se segurando em mim, e eu estendo a mão e escovo suavemente em sua testa. Wyatt esta passando para fora na cadeira ao lado da minha cama, com a cabeça apoiada desajeitadamente em uma camiseta enrolada. Esticando os braços acima da minha cabeça, eu solto um grande bocejo. Minhas pálpebras pesadas sacodem várias vezes me tirando do nevoeiro do sono induzido, e em poucos segundos, eu estou sinto um tapa na cara com uma forte dose de realidade. Meu nariz arde com lágrimas iminentes, e eu respiro fundo para tentar me segurar apenas por um minuto. E na verdade é apenas um par de segundos. Inclinada para frente, eu enterro meu rosto em minhas mãos e eu grito. Meu peito dói fisicamente, e se corações podem realmente quebrar, então o meu foi demolido. O pensamento de não ver o meu pai todos os dias assusta a merda fora de mim. Ele foi o primeiro homem a me amar, e sabendo que ele se foi, sabendo que ele nunca andará comigo abaixo do

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corredor ou ensinar os meus filhos como selar um cavalo é devastador. Apertando os olhos fechados, eu tento me lembrar de tudo sobre ele que eu puder, porque de repente eu sinto a necessidade de catalogar cada memória. Christopher Devora era um urso de homem. 1,95 m de altura e bem mais de 110 kg. Seu cabelo espesso foi o mais belo tom de prata, mas você nunca teria conhecido porque ele se recusava a ir a qualquer lugar sem o seu Chapéu. Já ouvi inúmeras vezes que os meus ricos olhos cor de chocolate são a réplica exata do seu, e eu sempre tomo isso como um elogio. Ele foi muito mais do que apenas o meu pai, e ele foi um pai incrível, ele também era meu melhor amigo. Claro, eu estava perto de minha mãe, mas crescendo, eu era a filhinha de papai por completo. Vestidos e maquiagem? Não, obrigado! A maioria dos dias você me encontrava em um boné e botas de cowboy, inferno de educação na fazenda. Tudo o que ele fez, eu fiz, e não houve uma vez que ele me fez sentir como se eu não pudesse fazer algo só porque eu era uma menina. Até o momento que eu tinha doze anos, eu estava ajudando a domar cavalos, consertar cercas e eu poderia trocar o óleo em cada trator, carruagem de quatro rodas e veículo para locomoção na neve no nosso galpão. — Katie? Eu olho para cima, limpando as lágrimas do meu rosto, e encontro minha mãe me observando. — Há quanto tempo você está acordada? — Ela pergunta, esticando os braços acima da cabeça. Seus olhos ainda estão vermelhos e inchados de todo o choro, sem dúvida. Eu não posso nem imaginar o inferno que ela passou. Eu me inclino para trás na cama. — Não muito. Dez ou quinze minutos. Balançando a cabeça, ela me oferece um sorriso trêmulo. — Você estava pensando sobre ele, — ela observa, já sabendo a resposta. — Que dia é hoje? — Eu pergunto, tentando desviar a conversa. Minhas emoções são muito cruas e eu não estou pronta para falar sobre isso ainda. Ou talvez em algum lugar no fundo da minha mente eu me convenci de que se não falar sobre isso, não é verdade.

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— É sábado à noite, — ela suspira, passando a mão sobre os olhos cansados. — Deus, Katie... — Olhando para o teto, ela sopra um longo suspiro, lento e, em seguida, seus olhos brilhantes encontram os meus. — As últimas quarenta e oito horas foram um inferno. Depois do acidente, você não acordava e eu estava com tanto medo na minha mente. No início, eles não sabiam a extensão de seus ferimentos, então eles estavam fazendo testes e exames. Mas, tudo o que eu sabia é que você não estava acordando, e eu, nós tínhamos perdido tanto. Eu só sabia que não iria sobreviver se eu perdesse você também. O olhar de tristeza no rosto é demais para suportar e eu instintivamente chego para ela, puxando-a contra meu peito. — Eu não posso acreditar que ele se foi. — Ela enterra o rosto no lado do meu pescoço e lamenta. — Eu não posso viver sem ele, Katie, eu não posso. — Seu corpo treme contra o meu, as lágrimas correndo quente no lado do meu pescoço, e eu aperto forte em torno de seu pequeno corpo, silenciosamente prometendo ajudá-la através disso. Ele pode ter sido meu pai, mas ele era seu marido, o amor da sua vida sua alma gêmea. Eles deveriam se aposentar e envelhecer juntos. — Eu sinto muito, mamãe, — eu grito desesperada por seu perdão. Deveria ter sido eu. Eu deveria ter sido a única a morrer. Era para eu dirigir naquela noite, não papai. A culpa se instala no meu estômago, vergonha formiga em minha pele, e eu engulo a bile subindo na minha garganta. — É tudo minha culpa. — Ela puxa para trás, sacudindo a cabeça de um lado para o outro. — Não, Katie. — Sua mão macia escova a umidade do meu rosto, e desta vez ela me reúne em seus braços e me puxa para seu peito. — Isso não é culpa sua, querida. Não há nada que você poderia ter feito. — Eu abri a boca para discutir com ela, mas ela não me dá a chance. — Vocês foram atingidos por um motorista bêbado. — O quê? — Eu suspiro, puxando para fora de seus braços. Lembro-me vagamente de ser atingido por outro carro, mas eu não tinha ideia de quem era ou até mesmo como aconteceu. — Será que a outra pessoa sobreviver? Mamãe balança a cabeça. — Ele sobreviveu. Não sabemos muito mais do que isso.

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Emoção obstrui minha garganta. — Ele deveria ter morrido. — Eu engasgo ao longo de um soluço. — Não papai. Deveria ter sido ele. — Ou eu, eu penso comigo mesmo, que deveria ter sido eu. Não há maneira de explicar, mas o pensamento deste homem bêbedo ainda viver e respirar me faz fisicamente doente. Não é certo, e com certeza não é justo. Ele deve ser o único a ser tirado de sua família, não o meu pai. A raiva se infiltra em meu corpo. Eu tento lutar contra isso, tento afastá-la, mas eu me sinto muito melhor por estar brava com ele, do que sentir essa dor angustiante. Então eu deixei a raiva infiltrar minha alma, e eu deixei ela por cima da minha dor.

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Katie “Even My Dad Does Sometimes” – Ed Sheeran

— O CAFÉ DA MANHÃ ESTÁ PRONTO. Eu salto ao som da voz suave de Bailey. A pá desliza do meu aperto, mas eu consigo pegá-la antes de cair no chão. — Caramba, — eu respiro, a minha mão fechada acima do meu coração quando eu volto para encará-la. — Você assustou a merda fora de mim. — Desculpe, — ela diz, bocejando. Enfiando as mãos nos bolsos do casaco, seus pés arrastam contra o chão e ela boceja novamente antes de se sentar em um dos fardos de palha no canto. Minhas sobrancelhas se levantam e eu jogo a minha cabeça para o lado. Não me lembro da última vez que vi minha irmã antes de dez horas da manhã, e eu com certeza não me lembro da última vez que a vi de pé descalço neste sujo celeiro. Bailey e eu temos oito anos de diferença, e quando estávamos crescendo, eu sempre costumava brincar com ela que ela era uma bebê 'oops'. É claro que ela não era, mas eu era mais velha então era meu dever implicar com ela. Apesar da nossa diferença de idade e minha necessidade ocasional de fazê-la chorar, Bailey e eu sempre tivemos um grande relacionamento. Eu sempre fui a menina levada, nunca tinha medo de sujeira e trabalho duro, e Bailey sempre foi a garota feminina, apaixonada por roupas de grife, unhas feitas e maquiagem. Enquanto eu passei horas no celeiro ou no campo ajudando Papai, ela se sentou no interior tendo festas de chá e jogando com suas Barbies. Nós sempre fomos completamente opostas, mas melhores amigas, no entanto.

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Até recentemente. — Bailey? — Pergunto cautelosamente, olhando de fora para confirmar o que eu já sei. Sim. Ainda escuro. — Você percebeu que o sol não vai aparecer por pelo menos mais 20 minutos, não é? Ela encolhe os ombros e olha para baixo. — Eu não conseguia dormir. — Ok — eu respondo lentamente quando eu me viro ao contrário para continuar juntando com a pá. Minhas mãos estão cansadas e com dores, mas eu continuo, porque se eu não fizer isso, se eu não cuidar de Mac, Molly, e Toby, então ninguém vai. Bailey e mamãe não entendem por que eu insisto em manter os cavalos, e eu não entendo como elas podem pensar em se livrar deles. Eu sei que os cavalos são caros e eles tomam um monte de trabalho, mas é por isso que eu tenho assumido o fardo. Eu quero fazê-lo. Não, eu preciso fazer. Eles são uma parte de nós e parte dele, e agora eles são a única coisa que estão me mantendo presa ao passado... Um passado que eu não estou pronta para deixar ir. Quarenta dias. Isso é quanto tempo tem sido desde que enterrei meu pai. 03 de janeiro de 2006 entrará para a história como o único pior dia da minha vida, e eu passei cada segundo desde vivendo no inferno e três milhões, quatrocentos e cinquenta e seis mil segundos, para ser exata. E todos eles já foram preenchidos com dor e uma angústia que eu não desejaria nem para o meu pior inimigo. Levou catorze dias para a minha família perceber que eu não estava de luto corretamente, mas pouco fizeram, sei que não estava de luto em tudo. Eu tenho apenas existido. E então tomou mais duas semanas para eles me convencer a falar com alguém. — Estou preocupada com você. E lá está ela! É claro que ela está preocupada comigo. Isso é tudo o que eu ouvi desde que eu saí desse maldito hospital. Bolhas de frustração dentro de mim, os meus músculos enrolam apertado e, sem pensar, eu começo disparando palavras de volta para a minha irmã. — Realmente, Bailey, você está preocupada comigo? — Eu zombo. Ela dá um passo em minha linha de

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visão e eu pego seu olhar antes de continuar. — Você não tem coisas melhores para se preocupar, como as classes que você está falhando? — Ela abre a boca, mas eu não dou a oportunidade de falar. Eu estou irritada. — Ou como sobre o seu namorado? Não me disse que achava que ele estava trepando com outra por trás das suas costas? — Os olhos de Bailey alargam como se não pudesse acreditar que eu fui lá. E sim, eu estou bem ciente que eu estou fora da linha, mas não consigo encontrá-lo em mim para cuidar. Infelizmente, é isso que acontece quando você desliga, e não demorou muito depois do funeral de papai para perceber que é muito mais fácil ficar com raiva do que estar com dor. A queda é o que me torna insensível, e não só para meus próprios sentimentos, mas todos os outros também. — Foda-se, Katie! — Ela grita. Meu coração bate contra meu peito enquanto eu espero por ela para rasgar em mim um pouco mais. Deus sabe que eu mereço. — Merda, — ela sussurra. Seus olhos espremem fecham e ela deixa cair a sua cabeça. — Isto não é sobre mim, é sobre você. — Sua voz é mais suave, mas ainda forte, e eu sou orgulhosa e ciumenta que ela é capaz de controlar suas emoções quando eu não sou. — Eu estou preocupada com você, porque você é minha irmã e eu te amo. — Não se preocupe comigo, Bay. Eu estou bem. — Isso é uma porra de mentira. Estou longe de estar bem, mas eu estou lidando com as coisas da única maneira que eu sei. Eu tenho que passar por isso na minha própria maneira e em meus próprios termos. — Você não está bem. — Os olhos de Bailey estão duros e inflexíveis quando encontram os meus. — Você está perdendo peso e você tem olheiras que se tornaram equipamentos permanentes sob seus olhos. Você trabalha o tempo todo, e quando vemos você, não é nada mais do que 'oi' e 'tchau' no seu caminho para o celeiro. Você está irregular e você vai se matar, Katie. — Certo, — eu digo com um suspiro. Lançando a pá para o lado, eu puxo as luvas das minhas calejadas mãos. — Eu dificilmente considerei estábulos e barracas no grupo do risco de vida. Discutir os outros pontos que ela falou é inútil, porque eles são todos verdadeiros. — Não é só estábulos e barracas, é tudo. Se é o seu dia de folga, você está aqui no celeiro do amanhecer até depois do pôr do sol, e se é o seu dia

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de trabalho, você está aqui antes e depois de voltar do seu turno de doze horas no hospital. Sério, nem mesmo foi ver Wyatt mais? — Em primeiro lugar, não se preocupe com a minha relação com Wyatt, — advirto, meu sangue fervendo com a menção do nome dele. — Não é da sua conta. Em segundo lugar, eu venho aqui porque é tranquilo e isso me dá tempo para pensar... — Pensar, — ela interrompe. — Dá-lhe tempo para pensar. Eu entendi Katie. Eu entendo que você está sofrendo. Eu estou machucada também, e assim é a mãe. Mas, o que você está fazendo não é saudável. — Saudável? Eu não sou saudável, esta doendo! Drexler matou nosso pai, Bailey, — eu grito, passando a mão pelo meu cabelo. — Como é que isso não te incomoda? Ele era egoísta, e suas ações são a razão da mamãe envelhecer sozinha e nossos futuros filhos nunca conhecerão seu vovô. Os ombros de Bailey caíram. — Eu entendo isso, — ela admite tristeza em seus olhos. — Eu sei que Andrew Drexler é o culpado, mas você precisa perdoá-lo por isso que... — O que você disse? — Eu assobio, dando um passo para trás como se ela me desse um tapa no rosto. — Perdoa-lo? Você está brincando, certo? — Não, eu não estou brincando, e sim, eu acho que você deve perdoálo. Olhe para você, — diz ela, acenando com uma mão em minha direção. — Você está com raiva e amarga sobre algo que você não pode mudar. Você pode gritar e gritar e chorar, e você deve fazer todas essas coisas. Inferno, você pode até mesmo ferir o homem que fez isso, mas você sabe o quê? — Ela pergunta, jogando as mãos para cima em seus lados. — Não vai trazer o papai de volta. Então você pode ficar com raiva e continuar a viver a vida nesta concha que você está vivendo no último mês e meio, ou você pode lamentar com o resto de nós e lembrar de todas as coisas boas sobre Papai. O ar nos rodeia com a tensão tão espessa que poderia sufocar. Nós estamos por alguns segundos apenas olhando uma para a outra, e eu, eventualmente, tenho que desviar o olhar ou corro o risco de quebrar, e eu não quero quebrar. Não agora, e certamente não aqui.

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Meu silêncio deve ser demais para Bailey, porque ela diz: — Eu não quero brigar com você, Kat. — Eu recuo por ela usar meu apelido de infância. — Somente temos andado nas pontas dos pés em volta de você também, por muito tempo e não posso fazer isso mais. Eu vou indo, e eu vou deixá-la sozinha por agora, mas só sei que quando você deixar a raiva, a dor ainda estará lá. Não vai longe, não até que você lide com ela. — Ela gira nos calcanhares e caminha em direção à porta, e quando eu finalmente reúno a coragem de conversar, ela para, mas não vira para me encarar. — Eu estou lidando com isso, ok? — Eu suspiro, principalmente porque eu estou cansada de discutir, e eu odeio que minha irmã mais nova está me dando uma lição. — Eu estou indo para a terapia apenas como você e mamãe queriam. Eu estou tentando trabalhar através dela. O que mais você quer de mim? Bailey se vira seu vazio diante de qualquer emoção, e ela dá os ombros. — Eu não quero nada de você, Katie. Essa é a coisa, eu só quero você. Eu quero a minha irmã de volta. — Estou tentando. — Por que diabos eles não podem ver isso? — Bem, se esforce mais. — Ela balança a cabeça antes de se virar para longe de mim e sair.

— Como é que isso te faz sentir? — Pergunta o Dra. Perry. Cruzando as mãos, ela coloca-as ordenadamente em seu colo no topo de um bloco amarelo e olha para mim com curiosidade. Aparentemente, a minha discussão com Bailey esta manhã me amoleceu, porque normalmente eu sou um osso duro de roer, ou pelo menos eu gostaria de pensar que eu sou. Mas não hoje. Hoje, sentei-me sobre este horrível sofá floral, derramado minhas entranhas antes da especialista quebra-nozes dissesse uma palavra. — Você sabe que eu odeio quando você me faz essa pergunta, eu gaguejo, ganhando um sorriso genuíno da minha terapeuta. Um rosnado baixo borbulha do meu peito e eu jogo a cabeça para trás no sofá. Levei três

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sessões com a Dra. Perry parece saber que ela pode me ler como um livro. Eu também aprendi, depois de uma sessão muito feia gritando, que ela tem a paciência de um santo, e se eu realmente desejo me mover para além da parede eu coloquei para cima, então eu tenho que primeiro me abrir. — Me fez sentir como uma merda. Isso fez me sentir como se estivesse deixando-as para baixo. — Deixando a quem para baixo? Levantando minha cabeça, eu arqueio uma sobrancelha e dou-lhe um clássico de quem você pensa. — Mãe, Bailey, e Pai. — Eu sei a várias semanas que eu estou deixando-os para baixo, mas essa é a primeira vez que eu disse isso em voz alta. Há algo sobre falar isso em voz alta que o torna muito mais real. — Você está esperando por mim para lhe dizer como eu estou deixando-os para baixo, não é? Dra. Perry pisca seu sorriso assinatura de rainha da beleza. — Eu estou orgulhosa de você, Katie. Você está finalmente se destravando sobre isso. — O canto da minha boca levanta apenas uma fração antes de morder o interior da minha bochecha para não sorrir. — Espere! — Ela coloca a mão para me impedir de responder. — Primeiro, eu quero saber por que você deixou Wyatt longe. Você sente como você está o deixando também? Oh inferno não. Eu não estou prestes a mergulhar nisto agora. — Uma coisa de cada vez, Doutora. Tome a sua escolha. — Seus lábios enrolam, mas ela balança a cabeça. — Por favor, continue. Meu corpo relaxa. Há tanta coisa que eu posso tomar, e eu quase tive o meu suficiente. — Eu não entendo como a mãe e a Bailey tenham sido capazes de seguir em frente. Eu não entendo como elas podem ir sobre seus dias como se nada tivesse acontecido. — Redemoinhos de ansiedade vem através do meu corpo. Eu tomo uma respiração profunda e deixo ir para fora lentamente para tentar me manter calma. — Elas sorriem, riem e continuam exatamente como elas eram quando ele era vivo. — lhe que elas fazem essas coisas... Que elas parecem felizes? — Não, — eu respondo, acenando com a cabeça que sim. — Talvez. — Inclinando-me para frente, eu enterro meu rosto em minhas mãos e em seguida, arrasto pelo meu cabelo. — Eu não sei, — eu murmuro, encolhendo os ombros. — Isso me faz sentir como elas mudaram como elas não se

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importam. Mas, eu percebo que é estúpido. É claro que sentem falta dele. É claro que elas se importam. Eu só... Eu sinto que há uma linha traçada na areia, e elas podem saltar livremente de um lado para o outro, enquanto eu estou presa em um ponto, completamente congelada no lugar. — Por que você iria querer pular? — Porque eu não gosto de me sentir assim, eu agarro. — Eu odeio isso. A raiva não é algo que eu estou acostumada, mas eu não consigo parar de sentir isso. E eu sou completamente indiferente a todos ao meu redor. É como se eu fosse um intruso olhando de fora para dentro. Eu vejo que estou fazendo e como estou atuando, mas eu não posso parar. Quero me preocupar que estou a prejudicando-as, mas eu não. Eu simplesmente não me importo. Meus olhos sobre o ombro da Dra. Perry quando essas palavras afundam. Oh meu Deus. Eu não me importo. Estas são as pessoas que eu amo. As pessoas que me amam, apesar de tudo, e eu não me importa que eu ás esteja machucando. Espero pela pressão familiar para construir atrás dos meus olhos ou a queimadura no meu nariz para transmitir um esgotamento, mas nada vem. Nada. Que diabo é que isso diz sobre mim? — Katie, você está bem? — Dra. Perry inclina a cabeça, tentando recuperar o meu olhar, e eu olho para ela e aceno. — Posso falar livremente por um segundo? Isto é diferente. Ela nunca fez essa pergunta antes. — Claro, — eu respondo, odiando o quão fraca a minha voz soa. — Você se preocupa, ou você não estaria aqui. — Suas palavras me atingem como uma tonelada de tijolos e eu olho para baixo, de repente fascinada com a parte invisível de fiapos na minha calça. — Se você não se importa então, quando elas imploram e choram por você para obter ajuda, você não teria ouvido. Mas, você está aqui, e você não tem perdido uma sessão. E cada vez que nos encontramos, você abre um pouco mais. Isso me diz que você se importa. Ela está certa. Eu sei que ela está certa, mas por que eu continuo agindo como uma puta? Por que o pensamento de estar em torno delas e passar tempo com elas fazem a minha pele arrepiar? Por que eu insisto em

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manter-me fechada para fora? Por que eu ignoro suas chamadas e grito com elas quando eu as vejo? — Eu não sei. Só você pode responder a essas perguntas. Meus olhos se arregalaram e eu olho para cima. — Eu, uh... Eu não quis dizer isso em voz alta. — Mas você fez. — Eu fiz, eu reconheço. — Então, qual é a resposta? Por que o pensamento de passar tempo com sua família faz a sua pele arrepiar? — Meu peito aperta e minhas pernas tornam-se inquietas, meu joelho saltando em um ritmo rápido. — Por que você se mantém fechada para elas? — A voz calma da Dra. Perry não faz nada para me acalmar, e desta vez ela não me faz querer abrir. Não, desta vez isso me irrita porque ela está com a obtenção um pouco perto demais. — Eu não quero falar sobre isso. — Empurrando-me da cadeira, eu ando em direção à janela e olho para fora em Great Smoky Mountains. Eu amo isso aqui. Os riachos ondulantes, colinas e... — Por que você não quer falar sobre isso? Filha da puta, ela é boa com essas estúpidas perguntas abertas. — Se eu responder a sua pergunta, podemos mudar de assunto? — Por agora. Meu estômago aperta ao saber que eu deveria ter conduzido naquela noite. Eu não disse a ninguém aquele pequeno pedaço de informação, porque tenho vergonha. Eu sou a razão da minha mãe perder o marido. Eu sou a razão do meu pai não estar lá caminhando com Bailey pelo corredor. Alcançando a frente, eu aperto a base da janela e me inclino para baixo. Meus lábios tremem e eu levo meu queixo até o peito, em seguida, explodo uma respiração lenta. Com os olhos bem fechados, eu abro a minha boca, mas não sai nada. Eu não posso. Eu não posso fazer isso. — Não há problema em chorar, Katie, — ela sussurra atrás de mim. Eu giro ao redor, os olhos largos, minha cabeça balançando freneticamente de um lado para outro. — Oh, eu não vou chorar. — A primeira lágrima escorre pelo meu rosto.

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Dra. Perry lança seu bloco de notas sobre a mesa. Empurrando-se de seu assento, ela caminha para sua mesa e pega um lenço de papel, que empurra na minha mão. — Eu sei que você não quer, mas se você decidir, eu quero que você saiba que está tudo bem. Nós todos gritamos. Não há nada para se envergonhar — Deveria ter sido eu, — eu digo. Culpa penetra na parede sólida em torno de meu coração, e pela primeira vez em várias semanas eu sinto aquela dor horrível que eu tenho trabalhado tão duro para afastar. Minha mão esfrega distraidamente a dor em meu peito e eu chuto em uma respiração afiada. — Quando estou perto delas, eu me sinto culpada. Porque deveria ter sido eu. E então eu fico com raiva que não fui eu, e, em seguida, a raiva toma conta e tudo o que posso pensar é Andrew Drexler. Basta dizer o nome dele que me faz querer socar alguma coisa. — Eu enrolo meus dedos, cravando as unhas na palma da minha mão. — Eu odeio ele, — eu fervo. — Eu odeio o que ele representa. Eu odeio que ele era foi descuidado. Me deixa doente. Ele é um soldado porra, Dra. Perry. Ele deveria proteger este país, não assassinar um cidadão inocente... — Katie... — Não. — Eu balancei minha cabeça, me recusando a deixá-la tentar mudar minha mente. — É verdade. Ele matou o meu pai. Eu não dou a mínima para o que ele passou ou quantas vidas ele tenha salvado. Isso não dá a ele o direito para fazer o que ele fez. Ele não tinha o direito de ficar atrás do volante de três chapas ao vento e colocar a vida de todo mundo em perigo. — Você pensa sobre ele muitas vezes? — A pergunta da Dra. Perry me joga fora de equilíbrio. Eu dou um passo para trás. — Sim, eu penso sobre ele, muitas vezes, — eu admito. — Eu penso sobre ele apodrecer na cadeia. — E sobre sua mãe e irmã? — Ela pergunta. — Como elas se sentem sobre ele? Uma risada maníaca cai de minha boca. — Elas o perdoaram. Minhas sobrancelhas levantam e procuro o rosto da Dra. Perry para algo, qualquer coisa que me diz que ela pensa que isso é tão louco como eu acho que é. — Elas realmente o perdoaram.

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Os olhos da Dra. Perry me assistem. Seu olhar se torna muito intenso. Afastando-se, eu ando de volta para sofá e sento-me. Cruzando os braços sobre o peito, eu efetivamente fecho-me para fora, ou coloco minha armadura, nenhuma diferença, eu acho. Dra. Perry acompanha os fatos e se senta na minha frente em sua cadeira de pelúcia, mas ela não parece confortável. Ela foge para a borda e coloca os cotovelos sobre os joelhos. — Katie. — Sua voz cuidadosa e eu inclino para trás, sem saber o que ela está prestes a dizer. — Alguma vez você já se perguntou o que ele tem sido através disso? — Meu queixo cai e suas palavras saltam correndo antes que eu tenha a chance de discutir. — Você se perguntou que tipo de vida que ele viveu, ou as coisas que ele pode ter visto em guerra, ou pior ainda, o que ele tinha que fazer na guerra? — Não! — Eu respondo, com uma carranca colada ao meu rosto. Merda, eu não posso nem parecer me preocupar com a minha família e como estão se sentindo, como eu poderia me importa como um assassino está se sentindo? — De jeito nenhum. Por que, no mundo iria me importa com o que ele passou? Eu não dou a mínima para ele. Ele matou o meu pai. A dor que eu sentia antes libera seu aperto em volta do meu coração quando a raiva escorre de volta, e eu sinto como se eu pudesse respirar novamente. Isso é o que eu estou acostumada. Isso eu posso lidar. — Não me importa o que ele viu, ou tenha feito. Essa é a vida que ele escolheu. E não importa o que ele já passou; não faz o que ele fez certo. — Eu não estou dando desculpas para ele, — Dra. Perry afirma, pegando seu bloco de notas, ela rabisca algo para baixo e olha para mim. — Eu estou tentando encontrar uma maneira de ajudá-la a se mover além da raiva, e me parece que você está segurando o ressentimento que sente em relação ao Tenente Drexler como uma forma de impedir de avançar. — Eu não quero seguir em frente, — eu mordo para fora, rangendo os dentes para não gritar. — Por quê? A verdade fica presa no meu peito, mas eu preciso tirá-la. Eu chupo uma respiração profunda e deixo ir fora grosseiramente. — Porque eu vou avançar sem o meu pai, eu lamento, agarrando o meu cabelo em minhas mãos. — Então ele vai realmente ter ido embora. — Estas últimas palavras

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foram sussurradas para mim, mas eu sei que a Dra. Perry me ouviu... Ela ouve tudo. — Ele já se foi, Katie. Suas palavras flutuam em torno da minha cabeça, como se me testando para fora, e quando eu não sinto imediatamente a necessidade de dar um soco nela, eu tomo isso como um bom sinal. Não há dúvida em minha mente que ela está certa, eu preciso seguir em frente. Espremendo meus olhos fechados, eu imagino o olhar de deceção e tristeza que vi no rosto de Bailey, esta manhã, e um pequeno pedaço de parede que eu ergui em torno do meu coração cai no esquecimento. — Ok, — eu respiro, abrindo meus olhos. — O que eu preciso fazer? O olhar de orgulho no rosto da Dra. Perry é inconfundível, e seu sorriso brilhante sorri para mim. Ela se levanta, caminha até a mesa dela e tira um pedaço de papel, que ela dá para mim antes de se sentar e recuar. Meus olhos vagueiam sobre a folha, e quando vejo afundo no que ela está tentando fazer, eu levanto minhas sobrancelhas e olha para ela. — Sério? — Eu pergunto, franzindo o nariz. — Isso parece um pouco bobo. Eu não vejo como chegar a um soldado vai tornar as coisas melhores. Um soldado é meu problema, lembra? Eu pergunto, soltando o papel próximo a mim. Sento-me um pouco mais reta no sofá e cruzo as pernas, joelho ao longo do joelho. — Talvez nós devêssemos evitar qualquer e todos os soldados. — Eu posso ver porque você poderia pensar isso, eu realmente faço. Mas, eu acredito que se você chegar a conhecer um, pode ajudar você a olhar para a situação de forma diferente. Ele pode até torná-lo mais fácil de se mover através da sua raiva para que você possa seguir em frente com sua vida. — Bem. Eu vou fazer isso, — eu digo, lutando contra um rolar de olhos, porque isso seria infantil, e é provavelmente algo que uma mulher de vinte e sete anos de idade não devia fazer. A Dra. Perry dá um sorriso em resposta que me diz que esta feliz, e enquanto eu estou fazendo todo mundo feliz, então eu acho que é o que importa. — Grande. — Olhando para baixo, ela rabisca algo em seu legal papel amarelo, eu odeio esse maldito papel, e então ela olha de volta para mim. —

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Vou enviar-lhe uma lista de participantes no programa amigo soldado para que você possa começar. — O que eu devo dizer? — Pergunto, de repente, sem saber da minha decisão. — Tudo o que você quer dizer. — Foda-se você? — Pergunto sem um pingo de sarcasmo. Surpreendentemente, a Dra. Perry ri um pequeno sorriso rebocado no canto da minha boca. — Bem, você não pode querer usar essas palavras exatas, mas se você acha que vai fazer você se sentir melhor, então vá com isso. — Eu não sei como ela faz isso, falar com as pessoas durante todo o dia, todos os dias. Isso me dirigi absolutamente insana. Inferno, eu dirijo-me absolutamente insana. Olhando para o relógio, noto que o meu tempo está quase esgotado. — Bem, Doutora, tem sido divertido. — Eu proponho a terminar, mas ela estende uma mão, parando o meu movimento. — Espere, — diz ela, olhando-me com curiosidade. — Você nunca me disse por que deixou Wyatt anteriormente. Gostaria de falar sobre isso antes de sair? — Não, eu não gostaria de falar sobre isso. Nós conversamos o suficiente para um dia. Estive colocando para fora o que sinto sobre todos. Além disso, eu penso comigo mesmo, eu realmente não sei o porquê. Eu acho que é apenas mais uma coisa que eu deveria adicionar à minha lista de problemas. — Ok, — diz ela, rindo. — Então eu acho que terminamos por hoje. Eu vou lhe enviar essa lista de nomes, e na segunda-feira você pode me dizer o que você fez com isso. — Parece fantástico. — O sarcasmo está escorrendo de minha voz, mas eu realmente não dou a mínima. Agora, eu só quero chegar em casa, tomar um banho e ir para a cama. Me empurrando para cima do sofá, eu aperto a mão da Dra. Perry e faço o meu caminho para fora do seu escritório. — Ah, e Katie... — Eu paro e olho sobre os meus ombros. — Eu quero você escrevendo a carta, não digitar isto.

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— Por que diabos eu faria isso? — Porque a escrita é muito mais pessoal. — Ela me oferece um pequeno aceno e, em seguida, volta para sua mesa. Eu balanço minha cabeça enquanto eu saio. Em que diabos eu fui me meter? Eu não quero escrever uma carta para um estranho, e eu com certeza no inferno não quero escrever para um soldado. Penso quando vou em direção ao carro, minha mente esta correndo com todas as diferentes coisas que eu poderia dizer para irritá-lo. Então aquele maldito olhar para o rosto de Bailey volta a minha mente, e pelo tempo que eu subo no meu carro, pensamentos sobre o que eu deveria dizer para tentar me ajudar a passar por isso tem retomado. Posso dizer-lhes sobre o acidente e quem foi que matou meu pai? Posso dizer-lhes sobre tudo o que eu estou sentindo e pensando desde que acordei? Quanto é muito? Minha mente continua em mil direções diferentes, tão rápido que eu nem sequer posso manter-me com isso. Antes que eu saiba, eu estou puxando em minha calçada com absolutamente nenhuma lembrança de dirigir até aqui. Eu coloquei meu carro na frente e olho para minha casa. Não é nada de especial, apenas uma casa pequena, com dois quartos, mas é minha e eu sou muito orgulhosa dela. No verão passado, papai trabalhou duro para fazer parecer apresentável do lado de fora. Ele repintou a casa, acrescentou algum paisagismo, plantou uma árvore no jardim da frente, e ele até mesmo pendurou um balanço na varanda. Lágrimas enchem meus olhos quando eu penso sobre todas as coisas que meu pai fez por mim, todas as coisas que fizemos juntos. Agora, quem vai vir quando o meu aquecedor de água der pane ou o meu encanamento entupir? E quem é que vai me ajudar a instalar os armários que papai e eu passamos todo tempo no inverno a lixar e colorir? Melhor ainda, quem vai andar comigo até o altar no dia do meu casamento e ensinar o meu filho ou filha como jogar uma perfect spiral1?

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PERFECT SPIRAL - Uma jogada perfeita em espiral do futebol americano.

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Eu tremo com raiva e as lágrimas escorrendo pelo meu rosto, me esforço para fora do carro e caminho alguns passos para minha casa. Rapidamente abro a porta, eu empurro aberta com um rangido alto e bato atrás de mim. Quando ligo a luz, a primeira coisa que eu vejo é a túnica de meu pai ainda dobrada sobre as costas do meu sofá. Ele saiu daqui no dia do acidente, e eu simplesmente não consigo mover. Se eu fizer isso, então estou perdendo uma parte dele mais uma vez e eu simplesmente não posso. Uma vez que isso quase me matou. Jogando minhas chaves sobre a mesa, eu pego meu laptop e sento-me confortável na minha cadeira. Eu ligo meu computador, há um e-mail esperando por mim da minha adorável psiquiatra. De: Dra. Carol Perry Para: Katie Devora Assunto: Programa Soldado Amigo por Correspondência Srta. Devora, Anexado você vai encontrar a lista que eu estava te falando. Escolha qualquer um e comece o seu caminho para a cura. Boa sorte. Vejo você na segunda-feira. Atenciosamente, Dra. Perry Eu dou um duplo clique sobre o anexo e uma lista de nomes abre. Casey Dean Becker Patrick Eric Malone Richard Lee Farnsworth Jason James Newman Paul Thomas Johnson Jeremy Michael Wilkinson Daniel Robert Gladney

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Todd Wilson Blair Jacob Matthew DiCenzo Eric Robert Recendez Maxwell Lucas Albert Shane Emil Lopez Blake Kenneth Haines Christopher Marcus Holguin Kevin Aaron Witte Devin Ulysses Clay Eu chupo em uma respiração afiada com a visão de seu nome. — Impossível, — murmuro, me sentando na cadeira. Não há nenhuma maneira que haja mais do que um Devin Ulysses e ainda completando com Clay. É impossível. Certo? Coçando a cabeça, eu inspeciono o nome, leio várias vezes para me certificar de que meus olhos não estão pregando peças em mim. O cabelo na parte de trás do meu pescoço se levanta e um pequeno arrepio percorre minha espinha. De jeito nenhum. Quais são as chances disso? Eu clico sobre o seu nome, mas tudo o que me diz é que Devin Ulysses Clay tem vinte e sete anos de idade, é Sargento do Exército dos EUA. Bem, eu vou ser amaldiçoada. Meus olhos continuam à procura de qualquer informação que possa recolher, mas isso só me dá um postal de endereço. Eu pego uma caneta e papel para escrever. Eu nem sequer me preocupo em olhar para quaisquer outros nomes porque é isso. Devin é mais uma conexão com o meu passado, uma conexão que ainda não se sente resolvida. Fechando os olhos, eu inclino minha cabeça para trás, deixando a memória assumir, uma memória que eu posso afogar a raiva. Não posso acreditar que ele está saindo. Puxando meu edredom ao meu queixo, eu me enrolo em uma bola e realmente choro sobre o que tudo isso significa. Minha mente peneira através das memórias, uma por uma, como se fosse colocando-as em pequenas caixas de lembrança, então eu vou ser capaz de retirá-las sempre que quiser.

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No dia em que nos conhecemos. Ao cair de uma árvore e sentados lado a lado na sala de emergência, enquanto eu tenho um puto hematoma rosa quente no meu braço direito e ele tem doze pontos no lado do rosto. Dançando com ele pela primeira vez no meu Baile para os estudantes Júnior. O olhar em seu rosto a primeira vez que eu disse a ele que o amava. Um pedaço de conhecimento continua tentando lutar contra seu caminho, então eu batalho da única maneira que eu sei com mais memórias. Correndo... rindo... montando cavalos... nadando no riacho... Lutas de bolas de neve... Nadar Nu... Não tenho certeza de quanto tempo as memórias andaram na minha cabeça, mas, obviamente, o tempo suficiente para me colocar para dormir. Quando eu acordo ao som do canto do galo, eu me levanto para fora da cama, deslizando em um par de jeans, coloco um sutiã e t-shirt, e corro pela casa. Ignorando as chamadas de ambos minha mãe e meu pai, eu me apresso para fora da porta com pressa para completar minhas tarefas matinais. Leva mais tempo do que eu gostaria, e é quase meio-dia quando eu deslizo para do meu carro e vou para a casa de Devin. Na noite passada, eu pedi desculpas, e eu sei que ele aceitou minhas desculpas porque estava em minha garagem por quase uma hora discutindo todas as formas que poderíamos fazer as coisas funcionarem entre nós. Nós falamos sobre cartas, telefones públicos, cartões telefônicos, qualquer coisa e tudo o que podia pensar em ficar ligado até que ele possa voltar. E mesmo que eu saiba que estamos firmes, o conhecimento não faz nada para suprimir este formigueiro estranho que eu tenho na boca do estômago, um formigueiro que me diz que algo está fora. Excesso de velocidade através da cidade, eu quase quebro todas as regras de condução conhecidas pelo homem. Preciso vê-lo, ver por mim mesmo que nós realmente estamos bem. Eu quero beijá-lo, abraçá-lo, fazer amor com ele e lembrar a ele que eu vou lutar por isso... Por nós. Quando eu chego na frente da casa de Devin, eu empurro o carro na garagem, puxo a minha chave da ignição, E vou até a frente e bato na porta.

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Ninguém responde então eu bato novamente, e novamente. Correndo de volta para trás, eu vou direto para janela do quarto de Devin. Meus pés derrapam a uma parada quando a primeira coisa que noto é que a cortina não esta pendurada na frente dele. Meu estômago revira, e com as pernas trêmulas eu ando em direção a sua casa. Inclinando-me perto, eu olho através do vidro rachado da janela. A dor aguda escapa a seu caminho através do meu peito, e eu não posso deixar de imaginar que esta é de partir o coração. A dor rasga através de mim, deixando um rastro de carne retalhada em seu caminho, e eu coloco minha mão sobre meu peito. O pânico me agarra, adrenalina bombeando em minhas veias, e eu caio no chão em uma pilha gelatinosa de braços e pernas. Curvando-me em uma bola, eu enterro meu rosto em meus braços e soluço. Eu perdi uma parte de mim naquele dia. A maioria das pessoas diria que eu era jovem demais para realmente saber o que o amor é, mas eu discordo. Evidentemente, eu não sei qual parte de mim eu perdi ou como permanente o vazio é, mas eu tenho certeza que deve ter sido significativo se o buraco dentro do meu peito é qualquer indicação. — Eu não posso acreditar nisso, — eu sussurro para ninguém além de mim. Quais são as chances de que seu nome apareceria em uma lista de amigo de correspondência que minha psiquiatra me enviou? É um pensamento que passa, mas um que eu não posso ignorar. E se o seu nome foi colocado para mim ver? Não estaria surpresa por isso, considerando que Devin era sempre a única pessoa que poderia me ajudar a trabalhar através de meus problemas, grande ou pequeno, no entanto foi pelo menos até o dia em que ele decidiu me deixar sem uma palavra. Amargura se infiltra em minhas veias, mas eu luto contra, porque não há nenhuma maneira no inferno que eu vou permitir que Devin Ulysses Clay tivesse esse tipo de controle sobre mim, especialmente depois da maneira como ele saiu. E agora eu tenho que escrever-lhe, porque se eu não fizer isso, eu vou deixá-lo ganhar, estou deixando de lado a amargura. Estou cansada da merda de perdedora.

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Não, não há nenhuma razão em tudo que eu não possa escrever-lhe uma carta. Uma mísera carta é pouco. Quem sabe? Talvez seja bom para mim. Sem muito mais pensamento, eu abro um documento do Word para começar a digitar a minha carta quando eu lembro o que a Dra. Perry disse. — Maldita seja... — murmuro. Desligando meu laptop, eu pego o papel e escrevo o endereço com a caneta que esta ao lado. O que agora? Meus dedos giram a caneta enquanto contemplo o que escrever. Foda-se! Eu rio em voz alta quando eu rabisco as palavras no papel. Então eu rapidamente arremesso para fora, porque tanto quanto eu gostaria de escrever isso, eu não sou tão grande cadela. O meu telefone vibra no final da mesa ao meu lado. Olhando para baixo, eu vejo o nome de Wyatt aparecer na tela. Eu coloco a cabeça para trás e gemo. Algo mudou entre nós ao longo dos últimos meses, e se eu estou sendo completamente honesta comigo mesmo, eu me sinto diferente sobre Wyatt por algum tempo. Como o que exatamente mudou, eu não tenho tanta certeza, mas as coisas são diferentes. Eu sou diferente. Antes do acidente, eu pensei seriamente que era tudo na minha cabeça. Eu percebi que eu tinha estado muito confortável em nosso relacionamento e era uma fase que eu teria que trabalhar. Depois do acidente, comecei a perceber que o amor que sinto por ele não é diferente do que o amor que sinto por minha mãe e Bailey. Agora o amor que eu sentia por Devin... Uau! De onde diabos veio isso? Claro que não, Katie, digo a mim mesma. Não. Vou. Lá. Meu telefone continua a zumbir e eu aperto o botão verde para atender a chamada. — Olá? — Ei. Topa fazer jantar hoje à noite? Acabei de chegar do trabalho. — Sua voz soa esperançosa, e algo sobre isso só me irrita. Claro que não, eu não faria o jantar. Eu nem sequer me faço o jantar. — Não, — eu agarro, deixando cair a cabeça na minha mão. Tem sido um longo dia de burro e estou além de exausta, e isso não vai me levar para fora em Wyatt. — Eu estive ocupada durante todo o dia, e eu fui na minha

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consulta com a Dra. Perry e agora eu... ��� Eu cortei rapidamente. Será que eu realmente quero dizer a Wyatt sobre a carta. Eu vou escrever? Ele e Devin nunca foram realmente em termos amigáveis, e eu tenho certeza que isso só iria criar mais ondas no nosso oceano já transbordante de problemas. — Agora você o quê? — Eu-uh... Agora eu estou me preparando para fazer o jantar. Então, se você quiser você pode me dar cerca de uma hora e então terei terminado. Esta bem? — Filho da puta. Eu não quero que ele venha hoje à noite. Eu não quero ninguém vindo hoje à noite. Eu quero escrever esta carta estúpida e depois ir para a cama, sem jantares condenados. — Você está bem, querida? — Eu posso ouvir a preocupação em sua voz e isso irrita o inferno fora de mim. Eu não digo qualquer coisa, porém, porque eu conheço Wyatt e ele não vai capta-lo. Inferno, talvez não seja mesmo preocupação em sua voz, talvez seja agitação. O Wyatt não entende o que estou passando e ele faz um bom trabalho em empurrar tudo para debaixo do tapete. Tanto quanto eu estou irritada com todo mundo sendo obsessivamente preocupado e, sua falta de preocupação colocou uma enorme pressão sobre o nosso relacionamento já tenso. — Estou bem. Eu vou ficar bem. O vejo em uma hora. — Se você tem certeza. E isso... Se você tem certeza. — Ele nunca empurra para mais; ele esta apenas sempre disposto a tomar o caminho mais fácil. Homem típico. — Até logo, diz ele. Eu desligo o telefone sem me despedir. Empurrando todos os pensamentos de Wyatt da minha cabeça, eu volto para o bloco de notas no meu colo e olho para ele, e depois olho para ele um pouco mais. Toco a caneta várias vezes contra a minha boca. Eu não tenho absolutamente nenhuma ideia de como começar mesmo. Posso dizer-lhe como me sinto? Eu falo o que penso, e se eu fizer isso, vai ofendê-lo? Será que eu realmente me importo se eu ofendê-lo? Não, não posso dizer que eu faço. Ele me deixou, lembra? Além disso, não é como se nós vamos ser amigos novamente, especialmente depois da maneira que ele discutiu nossa relação comigo e depois correu. É provável que ele não vá nem mesmo responder.

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Situo a caneta na linha superior do papel e decido ir adiante. Quero dizer, sério, o que fazer. O que eu tenho a perder? Nenhuma maldita coisa.

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Devin “Warrior” – Evans Blue

As manhãs aqui são quando eu estou mais à vontade. O sol rasga o horizonte, provocando as folhas de palmeiras com lampejos de vida. O ar é fresco e leve no início antes de fazer seu caminho para torrar ao meio-dia, e eu faço o meu melhor para desfrutar de cada pedacinho dele. Acho que a fronteira oriental do nosso pequeno complexo, não é maior do que um campus de escola primária, e é o melhor lugar para pegar os afiados raios da manhã. Eu pacientemente espero aqui por eles para romper as paredes maciças, nossa única defesa contra uma dura realidade do outro lado. Eu dormi como merda na última noite pensando em Jax, ou sargento David Jackson, como se lê na pedra agora gravada. Meus pensamentos se desviaram chegando a lugares profundos e escuros, onde eles não estão destinados a ir. Entre eles, a nossa primeira implantação no Afeganistão, que foi fácil comparado a isto. Jax era como um irmão mais velho para mim lá, me levando sob sua asa. Nós crescemos perto lutando contra um inimigo que veio com tenacidade. Mas, pelo menos nós sabíamos que estávamos lutando porque iríamos trazer a luta para nossa porta porra. Não era como essa merda aqui, bombas enterradas em cada esquina. Lembro-me claramente de olhar o impacto dos aviões contra as Torres Gêmeas. Isso ficou gravado, e servindo meu país sempre foi algo sobre o que eu pensei. Então, depois de anos de brincadeiras e uma falha tentativa de

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faculdade comunitária, entrei para o Exército cheio de energia e pronto para uma luta. A notificação de que eu seria enviado mesmo para atender a uma unidade de infantaria em fase de implantação não foi nenhuma preocupação para mim, e o Afeganistão era exatamente o que eu esperava que fosse. Passamos muitas longas noites depois de completar uma missão falando sob as estrelas brilhantes do deserto, mantendo as esperanças de cada um com histórias de faculdade, meninas e cerveja. Discussões tão vívidas, você pode quase provar os sons. Mas essa implantação, isso é muito diferente. Eu não me inscrevi para o Iraque. Eu nem sequer realmente concordo com isso. Inferno, até tinha ‘Fode-se Bush’ escrito na pintura de janela do Dodge Stratus952 branco da minha mãe com base na escola secundária. Aquela merda esteve lá durante dois anos, cuide de você, que era pela maior parte porque os chateados trabalhadores rurais brancos do Tennessee me deram um difícil lembrete, eu realmente nunca pertenci lá. Como soldado, eu levei minhas dúvidas sobre o Iraque no tranco, mas com explosões a cada dois dias e o inimigo camuflado tão completamente dentro do público, que fazia a tarefa difícil de ser cumprida. Com o passar dos dias, esses pensamentos tornaram-se mais frequentes, puxando a minha atenção, me levando a lugares que eu sei que eu não deveria estar indo, mas parece que não podia controlar. Eles escavam meu cérebro e têm a sua maneira comigo. Penso em cada etapa da fase da decomposição de Jax, vem com visões do sangue que escoa através do material do seu uniforme piscando pela minha cabeça. Deus, por favor, salve-me desses pensamentos. Passaram-se três meses desde o dia que Jax foi baleado. Com a cabeça apoiada no meu colo enquanto esperávamos o helicóptero médico chegar, o peito sangrava para fora de onde a bala do atirador acertou ainda quente. Antes de tomar o seu último suspiro, ele estendeu a mão trêmula no bolso e tirou uma carta. Com os olhos esvoaçantes exigiu que eu a levasse. Eu sabia muito bem o que era, nessa carta, e se eu queria ou não, eu puxei a 2

Um sedan da Dodge dos anos noventa, impulsionado por aqueles que exigem respeito.

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carta de sua mão antes que ele caísse sem vida ao meu lado. Todo dia eu lembro dele, e com essa dor vem a insônia. Eu estou em cima de uma barreira de concreto em Jersey, tomando café preto tão espesso quanto piche enquanto meu grupo prepara os Humvees3 para uma missão. Eu deixei o ronco dos motores me acalmarem, quando o sol finalmente, começa a banhar o meu rosto com calor. Jogando a cabeça para trás, eu respiro lento e profundo, com o vento chicoteando meu rosto enquanto eu espero para a cafeína fazer seu trabalho. Tomo um gole de café, deixo descansar em minha boca por um momento antes de beber tudo. Este local, esta luz solar, este café, é a minha libertação. Muitas vezes me pergunto quando ele não será mais o suficiente. Meus olhos estão bem fechados, e eu sinto uma lágrima rolar pelo meu rosto. Eu rapidamente limpo para longe. Não aqui. Agora não. Meus pensamentos são interrompidos por meu motorista, Soldado Blake Thomas, gritando de um dos nossos quatro Humvees em marcha lentas cem pés afastado. Eu mudo o meu foco e avisto um dos meus outros soldados, Especialista Jace Elkins, quando ele empurra uma bota na bunda de Thomas cada vez que ele tenta puxar a vareta do recetáculo. Eu puxo uma lata de tabaco de mascar do bolso e embalo um maço pungente atrás do meu lábio. Eu coloco minha outra mão na minha boca e grito: — Elkins! Você não tem uma porra de rádio de frequências para discar? — Eu embolso minha lata quando Elkins oscila ao redor e se vira em atenção. Thomas ri e retoma as suas funções sem se incomodar. — Hooah, sargento, eu já fiz isso, — Elkins responde de volta. — Você tem gelo no refrigerador? — Sargento Roger. Elkins está mais confiante agora. Arrogante, e é uma pena para ele porque a sua memória é uma merda. Não é culpa dele, ou talvez seja. Ele é jovem, e por sua própria conta fumava muita maconha na

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HUMVEES -A designação HMMWV (lê-se Hum-vee) é um acrónimo para a expressão inglesa High Mobility Multipurpose Wheeled Vehicle, que significa Veículo Automóvel Multifunção de Alta Mobilidade. É um veículo utilitário militar desenvolvido pela AM General que oferece um grande tempo de vida, muito utilizado nos Estados Unidos e outros países e organizações.

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escola de Cheech e Chong porra. Quando eu estou diante dele, ele tem que inclinar os olhos para encontrar os meus. Eu obtenho prazer disto o tempo todo. — Elkins. — Eu planto um sorriso no meu rosto. — Sim, sargento? — Eu aguardo um momento e o deixo suar. — Você abasteceu esta manhã? — Eu pergunto, embora eu saiba a resposta. Seus olhos se arregalam imediatamente, a boca escancarada. — Foda-se! — Ele grita enquanto corre para o banco do motorista e se joga nele. Thomas tampa o terminal de petróleo quando Elkins abre a janela, em seguida, coloca a cabeça de fora. — Venha foder, T! Tenente Dixon vai rasgar o meu maldito traseiro, homem. — Eu estou indo, cara. Foda-se, não é minha culpa que você esqueceu. — Thomas bate o capô, levanta-o, em seguida, bate novamente e continua sem se apressar em direção ao lado do passageiro do veículo. Ele abre a porta cuidadosamente sobe, colocando o cinto de segurança mais lentamente possível. — Que tal Navas? Ainda têm a arma levantada. — Vamos nos preocupar com isso mais tarde, cara! — Elkins grita enquanto ele rasga a partir do monte de terra. Thomas está usando um sorriso diabólico, que você pode manchar uma milha de distância, quando o Humvee corre para o ponto de combustível. Eu lhes dou merda por causa disso, mas realmente, eu amo seus disparates. Pergunto-me, às vezes, se isto ajuda a manter Thomas vivo mesmo. Ele não tem lidado bem com a implantação, mas Elkins sempre pode trazer um sorriso ao seu rosto. E para o resto de nós, bem é um pequeno pedaço da juventude em outra maneira muito adulta do mundo. Eles são os corredores dos altos juniores. Eles fazem reuniões de escoteiros e prática de bola. Eles estão em casa. — Ei, Sargento. — Brooklyn Navas o especialista da fala arrastada de Mississippi pega a minha atenção, e eu volto para vê-lo embaralhar o seu corpo de linebacker4 para mim. Em uma das suas mãos tem uma arma 4

Algo que é surpreendentemente grande; também pode se referir a algo que é annoying- um termo depreciativo. "Sabe que cara é um linebacker".

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automática de cinquenta libras que faz parecer um brinquedo de uma criança, e na outra ele equilibra uma pilha de revistas. — Onde diabos está o Humvee? — O porra do Elkins esqueceu o combustível de novo, — eu digo, quando eu pego a pilha de revistas de sua mão. — Bem merda, isso é um choque maldito. Ele levou o pau do Tweedle com ele? — Navas grunhe e cospe uma corda de fumo e saliva no chão quando define a arma automática para baixo. — Sim, eles devem estar de volta em breve. — Ele me dá outra pilha de revistas de seus bolsos de carga e eu coloco em meu colete enquanto ele faz o mesmo com o seu. — Tenente Idiota de Merda provavelmente ainda esta dormindo de qualquer maneira. Eu acho que eu gosto de chamá-lo assim muito. Um destes dias, ele vai me pegar. Eu não tenho tanta certeza que eu tinha mente. — Oh, você sabe disso. Só tenho feito preencher essas revistas para cima e ele ainda estava roncando porra comodamente. — Você vai acordá-lo? — Pergunto, assim quando o nosso Humvee vem rasgando ao virar da esquina, gritando e parando bem na nossa frente. Como sugestão, Tenente Idiota de Merda sai do quarto do oficial, que fica logo ao lado da sede. Tenente Idiota de Merda, ou 2º tenente Justin Dixon como nos solicitou chamá-lo, é um pomposo imbecil que saiu do Ponto Oeste há um ano. Seus pais são senadores, ou alguma merda assim, e ele chutou seu caminho para nossa unidade. Não literalmente, claro, embora não me surpreenda. Um menino entre os homens, ficamos chocados quando chegou porque o seu tipo não faz uma boa infantaria. Mas sendo assim ou não, aqui está ele. É óbvio que ele vê essa atribuição específica como uma via rápida ao status de senador. As relações estreitas com os moradores e a promessa de uma Medalha de Combate de Infantaria é um sonho futuro político, e ele sabe disso. Ele também conhece a linha que ele deve atender para ficar aqui, e ele dança tudo sobre isso. Ele dorme até quando precisamos da cabeça para fora em uma missão, e muitas vezes ele ignora as mais perigosas. Desejo que ignorasse todas elas, porque andar com ele é um pesadelo maldito devido à sua arrogância intolerável. Ele cambaleia em direção a nós,

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seus olhos afundados e seu uniforme desgrenhado, e eu escorrego um olhar em direção a Navas. — Diga-me que ele não está andando com a gente, — murmuro quando nós carregamos dentro do veículo. — Merda, — grunhe Navas. Isso seria um sim. Merda.

Eu observo quando a imagem dos escassos 1,75 metro do Tenente Dixon se balança asperamente para frente e para trás no assento de passageiros, quando nós cruzamos pelo terreno acidentado. Ele normalmente monta com o Sargento Dustin Adams no Humvee do Team Bravo, já que os dois são de Nova York e parecem ter se dado bem. Mas, aparentemente, seu artilheiro comeu carne de cabra estragada em uma missão na noite passada e essencialmente criou uma câmara de gás dentro do seu veículo. Então, ao invés, Idiota de Merda está no meu veículo brincando com a navegação pousada à sua esquerda com uma distração quase infantil. Ele não sabe como trabalhar isso, nem nunca tenta aprender, mas ele gosta de jogar a parte. — Ahhh, você vê essa merda? — A cabeça de Dixon dispara para a direita, seus olhos olhando para fora da janela. A voz estridente dele quebra o zumbido estático dentro de nossos fones de ouvido. — Que merda, Senhor? — Pergunta Navas. — Essa garota. Ela está em jeans, nenhuma porra de burca. — Eu rasgo essa merda. A mulher atraente caminha para o lado da pequena estrada de terra. Ela olha o nosso caminho e racha em um meio sorriso tímido, e eu vejo Dixon tremer pelo canto do meu olho. Ele está trabalhado, arrastando em sua cadeira, e eu olho para Elkins para ver se ele percebeu, mas o seu ADD que tem com ele na terra porra, porra esta brincando com seu kit de medicamentos.

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— Estou chocado que ela ainda tem sua cabeça, — digo antes de me pegar a mim mesmo, desejando que eu pudesse ter de volta as minhas palavras. Eu penso sobre os vídeos de decapitação que correram ao longo nos meios de comunicação e eu me sinto mal no meu estômago. Para tirar da minha cabeça as imagens terríveis, eu decido irritar Dixon. — A propósito, como está a sua esposa? — Eu pergunto, lançando um sorriso travesso na direção da parte de trás de sua cabeça. Eu sei que ele está tentando pensar em algo inteligente ou espirituoso para dizer, mas ele suga isso, então eu aproveito os poucos segundos que ele leva para pensar em uma réplica. — Grávida e gastando todo o meu dinheiro da implantação, ele diz. — E quanto a sua, sargento Clay? Eu sei que ele gostaria de poder dizer algo insultante, mas a barra de ouro no peito o freia. — Não tenho esposa, Senhor. — Não que eu não tenha pensado nisso de vez em quando. Como seria bom ter alguém esperando por mim, alguém para ir para casa, alguém para me perder. Dixon torce a cabeça. — Não? — Pergunta ele, seus olhos sem vida fazem uma varredura da cabeça aos meus dedos do pé. Ele se vira rapidamente. — Você não é feio. Então o que é? Você não pode obter uma mulher? Não é possível lhe proporcionar uma? Quantos anos você tem de qualquer maneira, Sargento Clay? — Eu tenho vinte e sete anos, Senhor. E negativo, eu só não quero uma. Eu não tenho tempo para tudo isso. — Provavelmente a melhor escolha que você poderia fazer. Minha esposa, ela é grande e tudo, mas porra! Mas foda! Não fomos destinados ter uma boceta o resto das nossas vidas... Por que outra razão Deus teria criado prostitutas? — Ele gargalha alto, me fazendo estremecer com o som que faz sobre o fone de ouvido. — Entendido, Senhor! — Elkins diz, lançando o kit de medicamentos para o lado. Aparentemente, ele ficou aborrecido com isso. — Oh, cale a boca, Elkins, você aspirante a praia, — Navas entra na conversa, chutando um sapato para trás em direção a Elkins, mas nem mesmo chega perto.

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— Porra, eu aposto que eu comi mais cadelas do que você, velho, — Elkins grita através da escotilha, como se o fone de ouvido na cabeça fosse inútil. Navas ri e inclina seu corpo para Elkins. Ele desloca uma mão para baixo para sua virilha e finge bater uma. — Você Porra, está brincando comigo? Isso é uma merda idiota que você está dizendo, rapaz. Eu fui um fuzileiro naval por doze anos, eu viajei em torno de navio para portos em todo o mundo. Você faz a porra da matemática! — Navas grita. Eu olho para cima através da torre da escotilha e vejo Navas sorrindo para mim. Eu o conheço bem, e por causa disso, eu sei que ele está mentindo seu rabo largo. Ele não é o tipo foda-se. Ele era casado com sua namorada da escola por quinze anos e tiveram dois filhos lindos juntos, um filho e uma filha. Ela morreu de câncer de mama há um ano, pouco antes de ele entrar para o Exército e vir para a nossa unidade. Ele lutou com a nossa liderança por um mês diretamente para subir até neste desdobramento. Queriam que ele ficasse para trás, para o bem de seus filhos, mas ele não queria nada disso. Ele disse que precisava estar com os caras. Eu o respeitava por sua decisão, mas eu me preocupo com ele e seus filhos sem parar por aqui. Isso me mantém acordado a maioria das noites. — Você já foi para a Tailândia, Navas? — Pergunto, enfiando pedaços de carne seca em minha boca enquanto conscientemente empurro os pensamentos no fundo. Profundo o suficiente para nunca ver a luz do dia. Até que eles inevitavelmente vão. — Sim, uma porrada de vezes. Por quê? — Pergunta Navas. — Você já fodeu uma senhora? — Pergunto, sorrindo. — Que porra é essa? Uma senhora? Porra, não! — Navas ri e faz de conta que vomita em seu microfone. Eles não ouvem como alto que essa merda é? Puxe o microfone longe de seu rosto, idiotas! — Você sabe, a cirurgia que eu ouvi é tão bom por lá que você não pode mesmo dizer que um procedimento tem sido feito, — eu digo, fazendo o rádio ficar em silêncio por um momento. Então Elkins e Thomas começam a rir, e Dixon volta a jogar com a navegação.

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Navas limpa a garganta e volta sua atenção de volta para Elkins. — Elkins, você tem vinte anos de idade. Você tem muito mais vida, e um inferno de muito mais, porra a fazer antes de chegar ao meu nível. — Bem, Thomas é virgem porra! — Elkins bufa e estimula um dedo no ouvido de Thomas, o fazendo sacudir a cabeça. — Eu não sou um virgem, você é um babaca. — Thomas mantém a sua atenção na estrada, com seus ricos olhos verdes oliva observando atentamente enquanto ele orienta o Humvee fora do caminho de terra e em uma pista de quatro na rodovia pavimentada. Esta estrada em particular é essencial para as viagens em que usamos quase todos os dias. — Uma menina e um trabalho de mão é praticamente virgem, cara, — repreende Elkins. — Eu lhe disse em confiança, foda-se seu pau! Com todo o lixo do reboque que você esteve no Arkansas, seu pau está prestes a cair de qualquer maneira. Vou levar a minha cadela e um trabalho de mão em qualquer dia do caralho. — Thomas fala, lançando um olhar em direção a Elkins através do retrovisor. — Foda-se, cara! — Elkins grita brincando, dando um chute na parte de trás do assento de Thomas, fazendo com que o Humvee se desvie. — Ei idiota, não fode com o condutor... — Eu engulo minhas próximas palavras quando uma explosão irrompe a distância, tão forte que chocalhamos violentamente em nosso Humvee. Navas instintivamente mergulha desde o porão da torre para dentro do veículo. — Bem, foda-se, — diz ele, subindo de volta para a alça do revólver quase tão rapidamente como ele veio para baixo. — Que porra é essa! Onde diabos foi isso? — Thomas pergunta, retardando o veículo um pouco para baixo. — Mantenha a condução, Thomas. — Pego meu fone de ouvido e clico no botão que se comunica entre cada Humvee. Eu chamo o último em nosso comboio. — Gator três Alpha, aqui é Gator quatro Bravo, vocês estão bem? O rádio fica mudo um segundo antes de voz do Sargento Adams romper. — Roger. Estamos todos bem. Nada bateu qualquer um de nós.

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— Roger isto parece que veio do nosso as seis. Precisamos de um retorno, — eu digo, dirigindo Thomas para fazer a volta. Ele agarra o volante com tanta força que sua pele se torna branca quando ele atravessa por meio de terra batida, o melhor lugar para plantar uma bomba na estrada. Eu prendo a respiração. Eu não sei por que, mas eu sempre faço. — Foda-se! Vocês veem isso? — Quando Navas diz isso, eu vejo o que ele está falando. Uma enorme pluma de fumaça preta grossa rompe as nuvens cerca de uma milha abaixo da estrada, ao lado da rodovia. Isto se detém o céu. Isto é mau. — Que porra é essa, cara? Deve ter sido um carro-bomba. De jeito nenhum que teríamos sentindo de tão longe de outra forma. Eu levo tudo isso em um segundo, perguntando-me o que exatamente estamos prestes a encontrar e orando para que não haja baixas do nosso lado. Ou mulheres. Ou crianças. Foda-se, por que alguém tem que morrer? Bato no ombro do Tenente Dixon. — Senhor, você quer que eu chame e avise isto a sede? Ver se podemos obter algum apoio? — Oh, sim, sim, eu estava prestes a fazer isso, — Dixon diz através de sua mandíbula apertada, seu suor agora corre livremente para baixo na parte de trás do pescoço. Eu posso ouvir o medo por trás de suas palavras e me faz odiar ele tão muito mais. Eu chamo e falo da explosão e peço para outro esquadrão nos encontrar no local, enquanto dirigimos até a carnificina. Não é um ataque aos Estados Unidos que posso ver. Não há mulheres ou crianças. Eu sou grato por isso, pelo menos. O alvo era um posto de controle da polícia iraquiana. Eu vejo um bloco de motor desfiado na parte inferior de um buraco que tem três pés de profundidade e cinco pés de largura. O poço está preto carbonizado e contém pedaços mutilados de que era uma vez um Geo Metro. Mais peças encontram-se a mais de cem jardas de distância, e três caminhões da polícia estão deitados danificados em torno do poço. O distinto cheiro de carne cozida e combustível queimado começam a se insinuar no veículo, grosso e nauseante, quando chegamos a uma parada. Eu faço a varredura na área através do para-brisa e vejo alguns policiais espalhados ao redor do buraco com falta de braços ou pernas, ou em alguns casos, ambos. Eles se

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contorcem no chão, gemendo de agonia. Apalpam em tocos crus ou justamente agarram membros que suspendem por fios de pele. Outros são apenas fragmentos de seres humanos deixados adornando ao lado de casas vizinhas para bolo no sol da tarde. Os policiais que permanecem intocados estão revestidos de preto com cinzas e errante sem rumo, alguns uivando para o céu. Tiros em círculos erráticos começam a entrar em volta de nós, alguns levantando poeira e rochas, enquanto outros perfuram casas e caminhões danificados da polícia. — De onde diabos é que vem? — Eu pergunto, olhando o melhor que posso através da janela. — Elkins, pega os binóculos, — Navas late para baixo através da escotilha. Elkins freneticamente escava o compartimento tronco utilizando uma ranhura na parte de trás. Ele localiza os binóculos e os passa rapidamente. Navas aguarda o fogo parar, em seguida, leva um longo olhar através dos binóculos enquanto eu espero ansiosamente por uma palavra. Ele lentamente se abaixa dentro do veículo e define os binóculos ao lado dele. — Filho da puta! — As palavras explodem de sua boca. — Filhos da puta! — Ele arranca o fone no ouvido de sua cabeça e atira-o para o andar no Humvee. — É outro controle maldito. A foda dos IPs dispara em nós porra do outro controle, cara. Deus fodido de merda! Eu olho para Dixon cujas mãos brincam com o seu fone de ouvido, seu olhar fixado na navegação e na parte inferior, lábios apertados nervosamente entre os dentes. — Senhor, temos que fazer algo. Há filhos de puta naquele controle, mandado vestir o inimigo como IP5s, Navas diz ao Tenente Dixon. Nenhuma resposta. — Senhor, nós temos que fazer alguma coisa! Estamos apenas sendo patos sentados aqui. — Eu tento o meu melhor para subjugar a raiva na minha voz, mas eu não consigo fazer e Dixon pegar. 5

Terminologia comum no Corpo de Fuzileiros Navais. 1), Também comumente referido como um "galhardete irlandês", neste caso descreve os fios que saem de seu uniforme.

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Ele chicoteia a cabeça e fecha os olhos nervosos sobre a minha. — O que exatamente você espera que nós façamos Sargento Clay? Deixe-me pensar por um segundo maldito! — Ele se vira e corrói a sua miniatura. Eu olho pela minha janela e no local a um dos policiais que não está ferido, mas atordoados e encolhido atrás de um caminhão. Ele tem um rádio preso ao cinto. Eu não espero mais. — Que porra você está? — Eu rapidamente balanço abrindo a minha porta, me atirando ao chão e fechando a porta atrás de mim, efetivamente cortando as próximas palavras do Tenente Dixon. Eu espero pelos tiros para retardar, agarrando meu capacete no chão com as duas mãos. Uma vez que finalmente o faz, eu me levanto, bato meu queixo no meu peito, e corro para a localização do policial. Alguns tiros mal destinados falham em torno de mim e meu estômago se transforma a cada grave nuvem de poeira. É como se eles estão atirando em nós cegamente. Vários segundos excruciantes mais tarde, eu atinjo o caminhão e me ajoelho diante do policial assustado. Ele não olha para mim, mas murmura orações em voz baixa e as rochas e para trás. Seu rosto está pálido e olhos estão bem. Sua boca abre enquanto ele luta por oxigênio. Eu o agarro pelos ombros e o balanço até que ele olha para mim. — Você fala Inglês? — Eu grito lentamente. Ele balança a cabeça de um lado para o outro, os olhos ainda desfocados. — Foda-se! — Eu o liberto e roubo o rádio do seu cinto, prendendo-o em meu próprio. Eu o deixo lá de joelhos e corro para caminhão do Sargento Adams, que está posicionado estrategicamente atrás do nosso. Ouço mais algumas rodadas de fogo atrás de mim e eu digo uma rápida oração: Senhor dá-me este dia. Eu encontro Adams atrás de sua porta, o suor escorrendo livremente pelo meu rosto e têmporas palpitantes. Ele está com seu rifle, esquadrinhando o caminho vizinho a nós, e diminuo na minha chegada. — A porra dos tiros está vindo do outro controle meia milha abaixo da estrada, — eu digo entre respirações pesadas. — Não é uma porra de surpresa. Bastardos imundos.

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— Eu preciso do intérprete. Tenho um dos rádios IP. Precisamos chamar esses filhos da puta o mais rápido possível e ver o que diabos está acontecendo. Eu passo o rádio para Adams e ele atira para... Mike, o nosso intérprete, em seguida, ordena-lhe para fazer a chamada. Antes que Adams possa obter outra palavra, eu decolo na direção do meu próprio veículo, o meu coração tentando perfurar um buraco através da minha caixa torácica. Parece que vai ser um longo dia no inferno.

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Devin “Weight of the World” – Young Guns

Virmos a descobrir que os tiros foram disparados por um grupo de IPs assustados em resposta à explosão. Isto levou o controle descendo pela rua a supor que outro se atravessou rapidamente. Claro, porque não disparar cegamente em direção a outro posto de controle com base exclusivamente em suposições? Filhos da puta idiota. Depois de ajudar os IPs carregar os mortos e feridos em novos caminhões que chegaram, finalmente caminhamos de volta para a base. Toda a confusão tirou a vida de catorze policiais iraquianos e um dedicado homem-bomba. Ele roubou seis horas do nosso dia. Quando nós calmamente cruzamos a estrada de volta à base, eu não podia ajudar a maravilha dos feitos que tombou em mim, mas pergunto qual desses me deixou mais chateado. Eu estou com um pouco de vergonha disso. Depois de alcançar base e dar esclarecimento da nossa missão e se não tivesse arriscado minha bunda por Dixon para tomar o material em minhas próprias mãos, minha equipe e eu pegamos nossos lugares habituais nas cadeiras de gramado em torno de uma fogueira no centro das três tendas aonde nossa equipe permanece. Não é tanto uma fogueira, pois é um gigante cinzeiro desde que o protocolo determina que não podemos ter fogo à noite. Um punhado de luzes azuis químicas lançam um brilho em torno de nós. A lua domina o céu da noite, brilhando na perfeição com a ausência de poluição. Temos cantis cheios de bebida e uma caixa de cigarros entre nós. Nós não vamos fumar todos eles, mas depois das missões lamentáveis que

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não pudemos esquecer, certamente damos-lhe um esforço valente. O exército possui quase todas as horas de todos os dias que passamos neste lugar, mas nesta hora, esta é a nossa. Aproximadamente dois cantis depois, a conversa de meu pelotão se transforma em 'mais doentes histórias anal', mas eu ajusto eles para fora. Eu estou perdido no momento. Perco-me naquela esfera sardenta brilhante no céu. Eu estou querendo saber quem mais poderia estar a olhar para isso também... Naquele momento. Com as pernas esticadas e as mãos atrás da minha cabeça, eu quase esqueço que estou mesmo em uma zona de combate. Eu me perco em pensamento quando a conversa pisca ao meu redor. Fecho os olhos e derivo longe, muito longe. Estou lendo Cormac McCarthy 6 em uma praia havaiana. A história é sobre um homem e um menino em uma jornada em uma terra desolada. O mar é tão azul quanto eu já vi isso, e tão claro que eu posso ver os golfinhos brincando torneios de distância. Uma menina bonita senta-se ao meu lado. Um romance está embalado em uma das mãos, enquanto a outra repousa contra o meu abdômen. Eu amo seu toque. Os olhares frequentes e sorriso devastador fazem o meu corpo entorpecido. Ela me diz que me ama. Giro uma mecha de seu cabelo entre dois dedos, ela morde a borda do lábio, então ela me diz que eu sou tudo para ela. Esta é a perfeição. Este é o meu oásis. Isto é... — Hora de ir, irmão. Vamos ser os primeiros de manhã. — Um chute de Navas é o baque dececionante que abala os olhos abertos, e imediatamente meu coração afunda de volta ao seu lugar de descanso. Eu gemo abro os olhos e subo para encontrá-lo. Ele tem razão. Cinco da manhã estará aqui em algum momento. Depois de um banho de campo rápido, o que praticamente consiste de lenços umedecidos e água engarrafada, eu faço meu caminho para o meu beliche. Na tenda onde dormimos, nossos beliches estão alinhados um ao lado do outro com equipamentos espalhadas. Pósteres de mulheres seminuas estão coladas contra as paredes da tenda, e um obsoleto aroma, sujo senta pesado no ar. Não é muito, mas é a nossa casa por agora.

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Cormac McCarthy é um escritor norte-americano. Na juventude serviu na Força Aérea dos Estados Unidos durante quatro anos, e estudou Artes na Universidade do Tennessee.

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Quando eu chego a minha cama, há uma carta posicionada no meu travesseiro. Viro-me para Navas, que entra atrás de mim, e pergunto: — Recebemos correio? — Sim cara. O expedidor de rádio apenas os deixou. Quem diabos está escrevendo para você de qualquer maneira? — Eu estou supondo que apenas alguma pessoa aleatória a partir dessa merda amigo por correspondência, — eu digo, pensando de volta no programa. Eu relutantemente me inscrevi há alguns meses atrás. Eu nem tenho certeza por que fiz desde que não me preocupava em ler as cartas que têm vindo a mim, mas é difícil ver esses caras receber cartas e pacotes de casa. E não me interpretem mal, estou feliz por eles, mas eu estou com inveja também, e eu odeio inveja. É uma máscara tão feia em alguém. Então eu faço o meu melhor para esconder isso. Eu pego o envelope, e assim quando eu estou prestes a lançá-lo com os outros, eu vejo o nome e endereço. Meu coração aloja na base da minha garganta. Katie Devora 1224 N. Main St. River Rock, TN, 62442 — Santa Merda! — Exclamo, chamando a atenção de Navas. — E aí, cara? — Ele pergunta, mas eu o ignoro. Katie tem estado muito em minha mente ao longo dos anos, e mais ainda depois de passar algum tempo neste buraco do inferno. Mas eu nunca pensei que eu iria ouvi-la novamente, não depois do jeito que eu a deixei. E como ela me encontrou? A dor surda apunhala no meu peito, e eu sopro uma lenta respiração, ofegante. Eu sinto um impulso imediato para abrir a carta, uma força poderosa demais para negar. Katie Devora, Porra! Escorregando um polegar no canto do envelope, eu deslizo-o abrindo rapidamente e puxando a carta. Quase imediatamente, bate-me o cheiro de

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perfume… perfume de Katie. O cheiro é fraco, não como ela pulverizado, mas como se simplesmente passou a mão no papel. Para melhor ou pior, meu nariz se tornou bastante sensível ao cheiro das mulheres em apenas alguns primeiros meses de implantação. Nós muitas vezes paramos na base principal operacional localizada na Zona Verde que entregam detidos, e muitos dos soldados do sexo feminino ali estacionadas usam algum tipo de perfume. Nós animais poderíamos sentir a partir de uma milha de distância. Mas o perfume de Katie traz um ataque de memórias que fazem as minhas pernas fraquejarem e me faz tropeçar para trás. Sento-me na minha cama para me recompor. Eu não desdobro a carta imediatamente, em vez disso escolho deixar o flutuar da essência floral suave ao redor das minhas narinas um pouco. Eu fecho os olhos e respiro lentamente, deixando a fragrância me lembrar do meu maior arrependimento. Meu único arrependimento, na verdade, e que nunca foi superado. A partir do segundo que eu a vi, eu sabia que eu era um caso perdido, e que foi na primeira série do caralho. Duas tranças balançavam livremente de ambos os lados de sua cabeça, e quando ela se virou e trancou os grandes olhos castanhos nos meus, eu só sabia que tinha que roubar seu lápis. Eu a queria me perseguindo, porque ela me perseguindo, isso significava que ela gostava de mim. Em um segundo ela mergulhou em minhas costas e me trouxe caindo no chão, eu sabia que ela conhecia o meu jogo. Os anos que se seguiram, tornou-se claro que Katie seria a mulher que eu ia casar. Uma mulher que tomaria minhas besteiras e as jogaria de volta para mim, uma mulher com uma vontade obstinada e o mais gentil dos corações. E eu sabia que, pela primeira e única vez que fizemos amor, que eu era um caso perdido completamente. A partir desse momento, Katie Devora me possuía. Apertando os olhos fechados, eu me permito me lembrar do momento, a sensação de suas pernas longas em torno de mim, me puxando para ela e cavando seus saltos em minhas costas se eu tentasse mover longe. Eu vejo seus perfeitos seios esperando pela minha boca ávida.

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Meu pau palpitando na minha calça do uniforme, e eu olho para ele como se ele tivesse cultivado um rosto. Que porra há de errado comigo? Ignorando a sensação, eu desdobro a carta e começo a ler. Caro Devin, Eu não tenho certeza que a melhor maneira de começar esta carta, mas considerando nosso passado, eu sinto que a única maneira é com toda a honestidade. Então, aqui vai. Eu não estou te escrevendo porque quero; eu estou te escrevendo porque eu preciso, bem pelo menos é o que minha terapeuta diz. Ela queria me conectar com um soldado, então ela me enviou uma lista potencial. E, embora eu me lembre de vagamente de alguém me dizendo de passagem, que você se juntou às forças armadas, eu acho que eu bloqueei isto. Portanto, você provavelmente pode imaginar minha surpresa quando vi o seu nome. Sério, quais eram as chances? Eu tenho tido um momento difícil ultimamente, e conectar-me com um soldado é suposto para me ajudar a curar. No começo eu pensei que ver o seu nome era algum tipo de sinal, um pequeno raio de esperança do homem lá de cima. Porque se alguém sabia o quanto você me ajudou antes, seria ele. Mas agora que eu estou realmente sentada e escrevendo isso, está fazendo nada além de trazer de volta todas as inseguranças e raiva que eu fui deixada em quase uma década atrás. Você me deixou. Sem uma única palavra. Eu estou chateada com você por isso, e honestamente, eu não tenho certeza se eu vou alguma vez sentir qualquer coisa, além de raiva de você. Você tomou a decisão de me deixar, com nenhuma maneira de alcançá-lo ou encontrar você. Você me deixou em casa para me afogar em meu próprio sofrimento, e é isso que eu fiz. Eu nem sequer tive a chance de dizer adeus, assim como não tive com o meu pai. Você provavelmente nunca ouviu falar, mas meu pai foi morto em um acidente de carro. Eu estava com ele, e sua morte completamente me destruiu. Na verdade, de acordo com minha terapeuta, eu não estou de luto pela perda dele muito bem. Ela parece pensar que escrever-lhe ou para qualquer soldado, para essa matéria pode me ajudar deixar de ir um pouco da minha mágoa e

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raiva. Mas eu posso ver agora que chegar até você provavelmente não foi a melhor ideia. Enfim, acho que a Dra. Perry tem um parafuso solto e não tem absolutamente nenhuma ideia do que ela está falando. No entanto, estou desesperada para encontrar encerramento e seguir em frente, porque a mulher que eu me tornei não a mulher que eu quero ser. Você provavelmente ainda me reconhece se você me ver, mas a despreocupada menina feliz que você conheceu, ela se foi, enterrada lado a lado com meu pai em um túmulo frio, escuro. Apesar do que você está pensando provavelmente sobre o assunto agora, eu não estou completamente irritada, deixando a cadela de fora. Escrever apenas parece ter puxado isso fora de mim. Honestamente, eu não me importo o que você pensa, e eu não posso dar a mínima para nada, na verdade. Estou ficando fora da linha, e isso é exatamente o oposto do que esta carta é suposta fazer, então eu sei que vai fazer melhor para mim agora. Vou contar o que aconteceu, mas para a minha própria sanidade eu vou fingir que Devin Ulysses Clay é um completo estranho, não deve ser muito duro, eu acho, considerando que eu não ouvi uma palavra de você nos últimos anos. Então aqui vai. Seis semanas atrás, meu pai e eu estávamos em nosso caminho para jantar quando um carro na pista oposta cruzou a divisão central e bateu em nós de frente. Acordei dois dias depois no hospital para descobrir que o meu pai tinha morrido no impacto, e o homem responsável por sua morte era um soldado. Sargento Clay, meu pai era meu melhor amigo, meu maior incentivador e agora ele se foi. E em vez de luto pela sua perda e lembrando todas as grandes coisas sobre ele, eu estou consumida com raiva e ressentimento por um jovem que de forma tão descuidada roubou a vida do meu pai. Ele era soldado, pelo amor de Deus, não é suposto os soldados serem homens fortes, íntegros? Não deveriam ser treinados na arte da disciplina e controle? Ou será que os militares passaram a cagar e agora eles estão produzindo nada mais que descuidados monstros, incontroláveis que pensam que está tudo bem para dirigir bêbados?

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Quem faz isso de qualquer maneira, dirigir bêbado? Deixa-me irritada, e eu odeio essa raiva que de alguma forma tem me consumido sobre todos os aspetos da minha vida. Mas eu não consigo superá-la. Isso me controla de forma que eu não consigo nem explicar. É uma entidade, por si só, crescendo dentro de mim a proporções épicas. É a última coisa que penso quando eu vou para a cama à noite e a primeira coisa que eu penso pela a manhã, e na maioria dos dias que ocupa e a cada minuto no meio. Bailey me diz que o primeiro passo é o perdão, mas por favor me diga como diabos eu deveria perdoar um “erro” que destruiu todo o meu mundo? Como posso seguir em frente com isso? Como é que eu apago este ódio profundamente enraizado que se espalhou a partir de uma combustão lenta a um inferno dentro da minha alma? Honestamente, eu não tenho certeza se posso apagá-la, ou seguir em frente, e que aterroriza a merda sempre em mim. Meu pai era um bom homem, um homem gentil. Ele era um trabalhador e o maldito melhor pai que uma menina jamais poderia pedir. Ele era o meu herói, e nada e ninguém pode trazê-lo de volta. Mas é certo que será gratificante saber que o Tenente Drexler vai apodrecer na prisão para o que ele tirou de mim e de minha família. Você pode até mesmo se entrelaçar com o que estou passando e o que estou sentindo? Claro que você não pode. Porque o que eu estou sentindo é um buraco vazio no local onde meu coração deveria estar. Eu não disse a ninguém sobre esses sentimentos, exceto a minha terapeuta. Claro, minha mãe e irmã sabem que eu estou tendo um momento difícil, mas elas são indiferentes às coisas que giram mais e mais na minha cabeça. Elas não sabem que houve dias que tenho pensado sobre o que seria se eu deixar esta terra, e eu espero que elas nunca façam porque eu não quero decepcioná-las mais do que eu já tenho. Então, eu me sinto melhor depois de escrever esta carta? Eu não tenho tanta certeza. Se alguma coisa, pelo menos vai apaziguar a Dra. Perry, e ela me dar a oportunidade de lhe dizer que você é um maldito pau e eu te odeio

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pelo o que você fez. Acima de tudo, eu odeio que eu não sei por que você me deixou. O que mudou ou aconteceu para me deixar do jeito que você fez? Você sabe o que? Não responda a isso. Eu não me importo. Tenha uma boa vida, Sargento Clay. Atenciosamente, Katie Devora Minha respiração é irregular e meu coração está correndo em um ritmo que parece desumano. Meus dedos apertam a carta firmemente quanto mais longa e mais apertada que eu seguro, mais gentil as palavras se tornam. Sua carta absolutamente me dilacerou, mas não devo estar surpreendido. Talvez ter a deixado sem dizer uma palavra foi um mau movimento, mas ela não tinha ideia do que eu vi, o jeito que ela olhou para Wyatt, a maneira como ela se virou para ele com seus problemas. Eu nunca seria capaz de competir com os gestos dele. Eu podia sentir isso em meus ossos, mesmo antes de falar com seu pai, que Wyatt seria seu cavaleiro de armadura brilhante. Claro, no momento eu não queria acreditar, mas eu podia sentir. Katie pode ter me amado então, Porra, eu sei que ela fez, mas tinha cada razão de acreditar que o meu o amor por ela não seria bastante. Sem permissão, minha mente voa para a última noite que eu vi Katie. A noite que eu prometi a ela que ia encontrar uma maneira de fazê-lo funcionar. A noite que parti, rasgando tanto o seu coração no processo. — Boa noite. — Boa noite. — Ela ri quando eu dou beijos na parte de trás do seu pescoço e a trago para a minha boca. Relutantemente, eu a deixo ir, e com um sorriso, ela se afasta, apenas olha para trás uma vez para me dar um pouco de segurança. Meus olhos permanecem fixos nela até que eu sei que ela está segura dentro de casa. Katie vive fora da cidade, e é muito mais escuro aqui fora do que na cidade. Tão escuro, na verdade, que um leve toque contra a minha janela do lado do passageiro faz com que eu vá imediatamente em modo de pânico. Virando ao redor, eu me fixo contra a porta do lado do motorista. A enorme imagem do Sr. Devora vem na vista, mas mesmo depois de eu perceber que é o

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pai de Katie, e não um assassino mascarado, ainda tiro vários momentos para me recompor. Ele joga uma mão em pedido de desculpas e, em seguida, sugere que eu saia do meu carro. Meus olhos vão a porta por onde Katie apenas passou a alguns momentos e depois de volta para o Sr. Devora antes de eu finalmente fazer o que me pede e sair. Ele caminha ao redor do carro e coloca uma mão no meu ombro; eu me sinto como se ele aplicar qualquer pressão em tudo iria rasgar meu braço direito. A força que ele adquiriu de trabalhar em uma fazenda nunca foi mais aparente do que agora, quando meu braço adolescente desaparece sob o aperto da mão. Ele abre um sorriso branco brilhante sob um bigode castanho espesso que mesmo Tom Selleck seria orgulhoso dele. — Desculpe, amigo, eu te assustei? — Sua voz sai muito mais suave do que você esperaria de tal figura intimidante. Ele sempre tem uma maneira de fazer instantaneamente me sentir confortável, embora uma mudança rápida na expressão facial e eu estaria de volta para me encolher como se eu tivesse quatorze anos novamente. Sr. Devora e eu sempre tivemos um bom relacionamento. Ele sabe como me sinto sobre Katie, e por anos eu ajudei os dois ao redor da fazenda. Ele também sabe sobre a minha vida em casa e tem muitas vezes um ponto para atuar como figura paterna para mim. Eu sempre o apreciei por isso. — Não, está tudo bem, eu só não o vi. Está escuro aqui fora da cidade. — Eu tento o meu melhor para não parecer como uma criança, mas eu não posso ajudar, mas acho que faço de qualquer maneira. Eu acho que isso é apenas uma repercussão de saber desde que eu era um menino sem dentes. Ele sempre será o pai assustador de Katie para mim. — Eu só queria falar com você rapidinho. Você tem alguns minutos? — Minha mente percorre sobre todas as coisas que ele podia querer falar comigo, e eu vou para a mesma conclusão de cada vez, ele sabe que eu tive relações sexuais com sua filha! Arrepios percorrem o meu corpo quando eu me lembro quantas armas este homem possui, e por uma fração de segundo eu considero saltar no meu carro e correr, porque eu tenho certeza que isso vai ser o fim para mim. Eu vou morrer nas mãos do pai de Katie, e ele vai me enterrar em algum lugar isolado

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na sua propriedade, para nunca mais ouvir falar de mim. Bem, foda-se, era um passeio divertido, eu acho. — Sim. — Minha voz alta e eu engulo em seco, esperando que ele não ouviu. — Isso seria muito bom, Sr. Devora. O que está acontecendo? — Vamos até a fogueira, e eu vou pegar um par de gemas. — Eu limpo minha garganta e só posso gerenciar um assentir da minha cabeça enquanto eu faço o meu caminho ao lado da casa onde a fogueira está, quatro cadeiras em torno dela, com apenas algumas brasas ainda fumegantes. Ele faz o seu caminho dentro e eu agarro uma cadeira me sentando, minha vida inteira correndo pela minha cabeça. Eu me pergunto quanto tempo vai levar para minha mãe perceber que eu fui, e quanto tempo ela vai levar para vender todas as minhas coisas. A porta bate de volta fechada e o brilho suave do fogo lança uma sombra enorme aborda que vem do Sr. Devora. Na minha cabeça, eu estou dizendo muitas Ave Maria tanto quanto eu posso, mas eu estou bagunçando na metade das palavras. Eu estou pensando sobre correr agora e pegar um vôo de primeira classe para o inferno. Deixo para mim para tentar encontrar religião apenas alguns segundos antes que minha vida deixa de ser. Eu vejo sua mão se elevar entre as sombras e eu aperto meus olhos fechados, esperando a bala perfurar minha pele e me deixar sangrando até a morte no chão. — Bem, você vai pegá-la, ou você vai me fazer beber por ambos? Sua voz com o seu ligeiro sotaque me obriga a abrir os olhos, e eu vejo que ele está segurando uma Bud Light para fora para eu pegar. Eu imediatamente relaxo e aceito. Estalando a parte de cima, eu lanço de volta, na esperança que o álcool vai acalmar meus nervos. Eu até tomo a metade da garrafa antes de nota-lo olhando para mim como se para dizer, é melhor você retardá-lo, rapaz. Eu sempre amei que o pai de Katie me dava cervejas de vez em quando, e eu tenho os seus caminhos de vaqueiro para lhe agradecer por isso. Mas ele nunca foi um fã de minha tendência para beber inteiramente muito rápido. Ainda bem que ele não sabe, mas é meu medo dele que me faz engolir isso em primeiro lugar.

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Sr. Devora puxa uma cadeira, estatela-se ao meu lado e toma um gole de cerveja. — Você conhece minha princesa por um longo tempo agora, e vocês ficaram muito próximos, — diz ele, de fato. — Sim senhor, nós estamos. — Lembrei instantaneamente de volta apenas algumas horas antes, quando eu estava enterrado dentro de sua princesa, e tão maravilhoso quanto era, eu estou chegando a um acordo com o fato de que eu possa ter estado comprometendo minha mortalidade por fazê-lo. Este homem poderia me esmagar com as próprias mãos, e eu estou apenas esperando para que isso aconteça. Bem, pelo menos eu vou ter uma última cerveja antes de eu ir. Tomo outro gole e coloco a garrafa entre as minhas coxas. — É sobre isso que você precisava falar comigo, senhor? — Bem, tipo isso. Eu também queria falar com você sobre o seu futuro. Onde você está indo. Seus planos depois da escola. — Ele espera por um momento como se estivesse tentando encontrar as palavras certas e uma maneira aceitável para apresentá-los para mim. — Eu sei tudo sobre a sua vida em casa, Devin, e o que eu não ouço de Katie, eu ouço de Brenda. Ela e sua mãe costumavam serem muito boas amigas. Você se lembra? Eu aceno com a cabeça. — Sim eu lembro. Não muito, mas eu me lembro de nossas famílias saírem quando eu era pequeno, antes de tudo acontecer. — Eu deixo cair meus olhos para o chão e começo a me atrapalhar com o bolso da minha calça jeans. Não é uma parte da minha vida que eu estou particularmente orgulhoso. — Está certo. O seu pai e eu costumamos ser bastante bons amigos também. Depois que decolou, olhei sua mamãe o melhor pude. Brenda e eu ambos fizemos. Pararíamos todo o tempo com refeições e material para você. Lembra-se disto? — Sim, eu faço. Vamos lá, como eu poderia esquecer a carne assada de Brenda? — Você era um bom garoto. Incrivelmente resistente, considerando tudo o que passou. — O fato que ele usou o passado para me descrever como “um bom garoto” ainda me convence que esta noite vai acabar diferente do que eu tinha planejado originalmente. — Depois de alguns meses, quando as coisas ficaram realmente ruins, sua mãe ficou muito brava com a gente. Ela nos disse

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para nunca mais voltar. Nós queríamos sempre continuar a ajudar, mas também queríamos respeitar seus desejos. — Eu aceno, sem saber o que dizer. Eu não estou certo onde ele está indo com tudo isto, a menos que ele está apenas permitindo-me refletir sobre minha vida antes de ele leva-la. Mas o que eu sei é que eu não preciso dele para me lembrar das escolhas que minha mãe fez. Volto a pensar naquela noite, há sete anos, quando minha mãe, toda drogada em Percocet e cocaína, completamente perdida nos Devoras. Destruiu a metade dos objetos frágeis em nossa casa enquanto eu estava chocado na entrada com a lasanha recentemente feita em uma mão e uma nova bolsa de livro na outra. Ela gritou com eles tendo piedade dela, dizendo que eles estavam tentando provar que eles eram melhores pais do que ela. Eles relutantemente me deixaram lá com ela, enquanto ela continuava a destruir o resto da casa e, posteriormente, passou duas semanas. Quando ela saiu dessa ela me mandou que nunca mais eu visse os Devoras novamente. Em verdade, como estava de pernas para o ar no amor por sua filha e sempre fui, eu nunca tive uma opção. Eu tinha sido muito bom em esconder ao redor, e minha mãe estava geralmente muito fodida para saber o que estava a acontecer de qualquer maneira. — Então, você sabe o que estou tentando dizer? — As palavras do Sr. Devora rasgam em meus pensamentos, e eu percebo que eu perdi a última parte do que ele disse. — Sinto muito, senhor, eu realmente não. — Minhas palavras são quase inaudíveis e eu evito fazer contato visual com ele. — O que eu estou dizendo é que eu compreendo que a sua situação não é ideal. Merda, para ser perfeitamente honesto, é uma merda. Você não foi tratado pela melhor mãe na vida, mas eu só quero ter certeza que você nunca deixe que ditem seu futuro. É fácil cair em um ciclo familiar. — Eu coço minha cabeça e faço o meu melhor para interpretar as suas últimas palavras. No meu entendimento, ele apenas disse: — não seja como a sua mãe, foda-se. — Eu tento o meu absoluto mais difícil para manter o meu rosto mostrando como ofendido eu realmente estou especialmente vindo dele. — Há um monte de boas escolas na área e um monte de bons programas. Já pensou alguma vez sobre o que você gostaria de fazer a seguir? — Ele pergunta.

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Eu quero mentir e dizer que sim, mas eu não sei mesmo no que eu pretendo estar interessado, para não mencionar o fato de que eu não vou estar aqui. — Não, eu realmente não pensei nisto ainda. — Eu me sinto tolo dizendo isso, e eu posso sentir seus olhos me julgado como todos os outros lixo de reboque do parque de Tennessee, então eu rapidamente examino o meu cérebro para outra coisa, qualquer coisa que possa provar o meu valor para ele. Mas, inevitavelmente, há nada a dizer, mas a verdade. — Eu realmente estou me movendo para a Pensilvânia, nos próximos dias com a minha mãe. Então, eu vou ter que descobrir alguma coisa lá. A boca de Sr. Devora cai aberta e ele inclina a cabeça para o lado como se ele está tentando decidir se ele me ouviu direito. E então acontece. Suas sobrancelhas escuras e seus olhos endurecem, e eu recebo a nítida sensação de que é isso. Eu só deixei puto o papai urso. Porra. Desviar os olhos, procurar alguma maneira de sair dessa conversa, esconder-me sob um balançar, talvez? Corpo da Paz? Exploração Antártica? Qualquer coisa para me levar o mais longe possível deste homem. — Então você está mudando? Eu aceno, e quando ele fica em silêncio, eu tenho uma chance e olho para cima. — É sua mãe, não é? — Suas palavras me jogam fora porque eu estava esperando que ele estivesse chateado comigo. Mas, a julgar pelo tom da sua voz, ele está chateado por mim. — Minha avó, na verdade. Ela não está bem. Eles estão falando em colocar ela no hospício e mamãe quer estar mais perto dela. — Uau. — Ele sopra uma respiração lenta e passa a mão pelo cabelo. — Sinto muito sobre sua avó, e eu sinto muito em ouvir que você está se mudando. — Sim, eu grunho. — Eu não estou realmente feliz com isso. — Eu aposto. — Nós dois ficamos em silencio, e não é uma espécie confortável de silêncio. É mais um estranho silêncio onde eu posso dizer que ele quer dizer alguma coisa, e eu sei que ele vai dizer algo que eu não quero ouvir. — Então, o que isso significa para você e Katie?

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Aí está. — Eu realmente não estou certo, senhor. Eu me preocupo com sua filha muito, e eu não estou, eu não... — Eu limpo minha garganta, frustrado porque as minhas palavras não parecem querer sair. — Eu realmente quero ficar com ela. EU... — Escuta, — ele interrompe. — Como é que isto vai funcionar? Como vocês dois estão indo fazer funcionar quando você estará vivendo tão longe? — Ele levanta a mão quando eu abro a boca para falar, o que apenas me irrita. — Eu sei que você vai me dizer que você vai voltar, e eu acredito que você tenha vontade. Mas o que você vai fazer quando você voltar? Onde você irá morar? Você tem que ir para a faculdade, e então, como você vai pagar por isso? Onde você vai trabalhar? — Com cada palavra que sai da sua boca, meu coração bate mais rápido, porque eu não tenho essas respostas. Seus olhos travam em algo sobre o meu ombro por um par de segundos antes de aterrar em mim. — Eu quero que você tenha sucesso, Devin, eu realmente quero. Mas eu amo minha filha com todo o meu coração, e eu quero o melhor para ela. Todos esses anos que nos conhecemos, todas as conversas que tivemos e a ligação que temos, vão direito para fora da janela com sua última declaração. — Em não muitas palavras, ele apenas me disse que ele não acredita em mim e eu não sou bom o suficiente. Eu gostaria que ele tivesse dito isso logo. Eu termino a cerveja e timidamente passo-lhe a garrafa vazia. De pé, eu desvio os olhos e a esperança vai para o inferno, ele vai me deixar ir para que eu possa ir lamber minhas feridas. — Eu só quero o que é melhor para ela, — ele repete, desta vez sua voz inflexível, como para conduzir seu argumento. Concordo com a cabeça sem entender e faço o meu caminho de volta para o meu carro. — Devin... Ele me faz parar nos meus passos e me viro para encará-lo. — Não, está tudo bem, eu entendo o que você está totalmente querendo dizer. — Virandome no meu calcanhar, eu vou em direção ao meu carro, abro a porta e entro, esperando lavar as mãos de toda essa conversa. — E você? — Pergunta ele com ceticismo quando ele se aproxima do carro. Dou partida no motor, eu fecho minha porta e rolo para baixo a janela. Cada uma de suas mãos estão em concha contra a moldura da janela e ele

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esta se inclinando em direção a mim. — Devin, acho que é um bom garoto, você sabe disso. Este... — Não, realmente, eu entendo completamente. Você quer que sua filha fique com alguém um pouco mais do que eu, e um pouco mais como Wyatt, certo? Alguém que vem de uma família de sangue puro, alguém que está destinado a entrar em uma escola da Ivy League e ganhar mais dinheiro em uma semana do que eu vou fazer em um ano. — Meu peito aperta, porque eu sei que estou certo. Isso é exatamente o que Christopher Devora quer, e eu não posso culpá-lo, porra. Inferno, porque é o que eu quero para Katie. Deslocando o carro da unidade, eu estou esperando que ele vá ter a dica e afastar-se do meu carro. Realmente isso apenas me deu um tapa na porra da cara, com uma pequena ajuda de Katie, tanto quanto eu odeio isso, eu sei o que tenho que fazer. Suas sobrancelhas levantam e ele olha para mim por um segundo antes de empurrar para longe do meu carro. — Devin, não é... Antes que ele ainda possa ter uma chance de terminar, eu enfio meu pé no acelerador e acelero para longe do único lar de verdade que eu já conheci. A grande moldura do Sr. Devora diminui lentamente no meu espelho retrovisor, e quando ele não esta mais visível, me bate que eu provavelmente nunca mais vou ver este lugar novamente ... Ou a menina que eu amo. Eu nunca poderia ter a Katie com o tipo de vida que ela merecia, e naquela noite isto se tornou claro que eu só estaria segurando-a. Ela merecia alguém que pudesse lhe dar o mundo... Alguém como Wyatt. Wyatt porra. Eu ainda não tinha pensado nisso em cerca de uma década, e agora aqui está ele novamente me cavando debaixo da minha pele. Pergunto-me por um momento, se eles acabaram ficando juntos. Desde o dia em que a deixei, eu apenas sempre assumi que é como ela iria se quebrar que Wyatt estaria lá para pegar as peças, e ela iria recebê-lo de braços abertos. Wyatt é o pai perfeito para os filhos de Katie, o molde de marido perfeito para sua querida filha. Ele pode ter pensado bem de mim, ou assim ele disse, mas eu poderia vê-lo sob a superfície. Wyatt teve a grande vida em casa, o dinheiro da família, e as excelentes notas. Eu era apenas o garoto do outro lado dos trilhos com a mãe confusa.

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Katie não tem ideia do que foi as últimas palavras de seu pai para mim que em última análise, deram-me a coragem de afastar-me dela, deixá-la sem aviso prévio. E ela nunca sonharia que essas palavras são também a razão por que estou onde estou hoje. Tão terrível quanto parece, eu contemplo jogar a carta com as outras e me juntar ao resto do meu pelotão em seu sono, sem me preocupar em responder. Mas eu estou rasgado. Eu quero escrever e explicar o que aconteceu. Eu também quero o seu perdão. Mas não sou eu quem a fez passar o suficiente já? Não dizendo a verdade seria contraproducente? Eu poderia deixar-nos fora disso inteiramente, porque, apesar de que ela pode pensar, Katie Devora tem sempre sido e será sempre, a minha melhor amiga, e não há um segundo que se foi sem eu não ter pensado nela e perguntado o que ela estava fazendo. Eu quero estar lá para ela, especialmente desde que eu posso ler o desespero em suas frases, a dor em suas palavras. Eu sinto a dor também. Eu conheço a dor. Ela fica pesada em meus ossos. Eu poderia oferecer-lhe algum tipo de conforto? Talvez todos nós somos monstros, criados pela guerra como um experimento de laboratório que deu errado. Talvez eu devesse lhe dizer que o homem que tirou a vida de seu pai merece ser enforcado, junto com cada motorista bêbado. Talvez eu deveria dizer a ela que eu não quero nada mais do que vontade de matá-lo com minhas próprias mãos por machucá-la, porque, mesmo depois de todos esses anos, ela ainda significa o mundo para mim. Talvez eu deva ser honesto. Eu removo um bloco e caneta da minha mochila, e então eu sento e olho para o papel, a digitalização vem do meu cérebro para as palavras certas a dizer. Eu consigo escrever “Cara Katie” antes da incerteza tomar conta novamente. Fechando os olhos, eu imagino, nós dois naquela última noite perfeita. Sentindo seus lábios nos meus, minha pele contra a dela, e sabendo que tudo ia ficar bem. E então a realidade de tudo estabelecendo-se em... Wyatt na sua reta e fundo fiduciário inchado, seu pai e suas inatingíveis expectativas, minhas deficiências. Balançando a cabeça, eu empurro a memória longe.

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Agarrando a lanterna do meu travesseiro, eu encosto na almofada, e antes de eu começar a mover a caneta começa a se mover. Eu não processo cada palavra que escrevo; eu só escrevo a partir do coração. Deixando as palavras fluírem livremente, eu rabisco com a intenção febril, deixando a verdade ditar a mensagem. Pela primeira vez em anos, eu deixei meu coração assumir a liderança.

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Katie “Sad” – Maroon 5

— CONTE. — Maggie deixa cair o seu garfo no prato e se inclina para frente, apoiando os cotovelos sobre a mesa. — Você realmente falou com ele? Você lhe escreveu uma carta? — Eu aceno com a cabeça, ao mesmo tempo em que eu levo um pedaço de pizza na minha boca. — E você disse a ele o que aconteceu e como você estava sentindo, e você não espera nada de volta? — Balançando a cabeça novamente, eu alcanço um guardanapo e ela desliza uns para mim. — Uau, — diz ela, com um olhar de descrença no rosto bonito. — Uau? — Pergunto um pouco irritada que ela acha surpreendente. — Porquê Uau? — Maggie relaxa em sua cadeira, o me dando o olhar patenteado de que você não ganhará este argumento, e eu rolo meus olhos. — Você apenas foi assim... — Ela vacila mordendo o lábio enquanto ela está procurando a palavra certa. — Fechada? — Ofereço. Suas sobrancelhas empurram para a linha dos cabelos e ela ri. — 'Fechada' é uma maneira de dizer, mas eu estava indo dizer malintencionada. Mas, podemos ir com 'fechada' se isso te faz sentir melhor. — Eu abro minha boca para discutir e ela ergue uma sobrancelha, me desafiando a negar. Eu deixo minha boca fechada. — O que você espera que eu diga, que você foi um raio de luz do sol do caralho? Porque nós sabemos que com certeza não é a verdade.

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Magdalena Garcia “vulgo Maggie” tem sido minha melhor amiga desde o primeiro dia de faculdade, quando ela me parou acidentalmente andando para o banheiro dos homens. Ela foi e sempre será a mais adiantada, vejo em sua cara, olhando para a pessoa que eu conheci, por isso, sua ousadia não me surpreende, mas suas palavras picam, no entanto. Elas não deveriam, eu sei que não deveria, mas elas fazem. Eu tenho sido uma cadela de proporções épicas com todos, incluindo ela, e eu tenho sorte que ela me atura ainda. Eu realmente não tenho ninguém para culpar além de mim, mas eu ainda não estou no humor, não depois de minha recente briga com Bailey. — Não, — ela diz, acenando seu garfo em minha direção. — Não se atreva a olhar para mim como se eu tivesse chutado o seu cachorro de merda. — Eu amo você, Maggie, mas eu lido com essa merda de todo mundo na minha vida, e eu não estou prestes a sentar-me aqui e acatar isso de você. Empurrando da mesa, eu largo o meu prato na pia. Caminho em direção a sala de estar, mas ela segura meu braço com sua pequena mão e me chicoteia ao redor. — Eu tenho mantido minha boca fechada por três meses. — Eu fico olhando para ela sem expressão, na esperança de que ela diga sua parte, para que possa dar o fora daqui. Aguardo, estamos em minha casa. Eu preciso sair fora daqui. — Isso é doze semanas, Katie. Você sabe como foi difícil para mim? Eu luto contra um sorriso, porque é quase impossível para Maggie manter a boca fechada por mais tempo do que um minuto, então o fato de que ela ficou por doze semanas é um milagre completo. — Eu deixei você apodrecer como uma cadela e se fechar para fora porque é o que você sentiu que precisava fazer. E talvez esta não era a melhor hora de dizer qualquer coisa, mas eu vi algo diferente em você hoje à noite e... — Ela encolhe os ombros e olha para baixo. — E o quê? — Eu pergunto, sentando-me no banco que eu tinha acabado de desocupar.

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— Quando você estava me dizendo sobre o programa soldado amigo por correspondência e sobre Devin, vi um pouco da parte de você que eu não tenha visto desde antes do acidente. — Sério? — Ela realmente viu isso? — Sim, realmente, — diz ela, rindo. — Você sorriu. Claro, você sorriu com o pensamento da merda escrita de você para um homem que está defendendo nosso país, mas você ainda sorriu ... E eu perdi esse sorriso. Eu sabia que eu estava fazendo todos sofrerem um inferno, que não era a minha intenção. Mas, vendo seu olhar desamparado. O rosto de Maggie me faz perceber, pela primeira vez, o quão longe eu tinha ido. — Desculpe, Mags, — eu digo, estirando o braço por cima da mesa. Eu contorço meus dedos, pedindo a ela para pegar minha mão. — Eu não tenho certeza que estou pronta para beijar e fazer as pazes, — diz ela, a diversão brilhando em seus grandes olhos castanhos quando ela ergue as sobrancelhas sugestivamente. — Eu acho que você precisa fazer um pouco mais do que apenas pedir desculpas. Eu suspiro e puxo meu braço para trás. Sua mão voa por cima da mesa. — Ok, tudo bem, — diz ela com um rolar de olhos dramáticos. — Eu perdoo você. Agora me diga mais sobre esta carta. Eu quero saber exatamente o que você disse para Devin. Espero saber que inferno você colocou nela. Ela é como um cachorro com um osso, e eu deveria saber que ela tinha lido muito na minha atitude sobre isso. — Então sobre isso não há mais nada a dizer. — Eu dou de ombros, deslocando minha mão da dela para que eu possa roubar um pepperoni dela meio comido da fatia de pizza. — Eu disse a minha parte, me abri com ele sobre meu pai e, em seguida, eu puxei o meu e-mail e peguei um soldado diferente que eu vou escrever na próxima vez. — A não ser que você não vai, — ela murmura com desdém. — De qualquer forma, você chorou quando você escreveu? — Ela toma um gole de seu refrigerante e espera que eu responda. Eu perdi isso, sentada aqui atirando a merda com minha melhor amiga. E mesmo que eu particularmente não quero falar sobre esse assunto, eu também não quero mentir para ela.

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— Eu fiz. — Eu aceno, lutando contra o desejo de desviar o olhar. Sua mão congela ar e ela pisca para mim várias vezes antes de lentamente levar a pizza à boca. — Por que você está me olhando assim? — Desculpe. — Ela engole e depois toma outro gole de refrigerante. — Somente estou vendo um laço aí. Eu pensei que talvez, quando você me disse que se abriu para ele em sua carta, que foi apenas um acaso que você realmente me respondeu, mas então você só fez isso de novo. — Eu fiz. — Aparentemente, essa é a minha resposta universal esta noite e, surpreendentemente, ela se sente bem. No início, eu não tinha certeza se escrever a carta foi terapêutico ou não. E honestamente, eu ainda não tenho certeza, porque quando eu me arrastei para a cama naquela noite, eu estava nada menos do que irritada. Mas este parece ser um progresso, então eu vou pegar. Devin nunca me escreveu de volta e, inicialmente, eu estava chateada. Eu tinha certeza de que ele iria, pelo menos, responder a me dizer que sentia muito, ou talvez que eu era uma cadela e não merecia a libertação. Eu estava tão desesperadamente a procura. É possível que sua falta de resposta me incomode mais do que suas palavras duras teriam, e talvez seja porque tudo o que rodeia nossa queda é nada além de um grande mistério para mim. Maggie empurra o prato para o lado, o canto de sua boca inclinando-se em uma merda de um clássico sorriso. — Eu me pergunto o quão longe eu posso empurrar minha sorte. — Me teste. — Pois não ouviu...? A porta da frente bate fechada, e ambas viramos a tempo de ver Wyatt lançar suas botas. — Foda-se Wyatt, — Maggie rosna baixinho. — Ele apenas esta totalmente me bloqueando. Ela cruza os braços sobre o peito e bufa. Eu ri, observando Maggie agir como uma criança petulante. — O quê? — Ela pergunta. — Você não tem um pau, Mags, e nós não estamos fazendo sexo.

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— Mas isso é o que seria a sensação, — ela responde com um rosto completamente em linha reta. — Você estava solta e pronta para deixar ir, e eu estava totalmente indo para matar, e BAM! Ela acena as mãos e sacode a cabeça lentamente de um lado para o outro. — Wyatt entra e estraga tudo. Eu lanço minha cabeça para trás e riu, percebendo instantaneamente como estranho soa mesmo para os meus próprios ouvidos. Mas mesmo que seja estranho, é bom. Eu estou finalmente sendo capaz de recuperar o fôlego quando Wyatt passou para a cozinha. Ele me olha com ceticismo e em seguida, dá a Maggie um olhar aguçado. — Magdalena. — Caralho... Eu tampo a mão sobre a boca, e nós dois nos perdemos em outro ataque de riso. Wyatt nos observa com curiosidade e eu meio que espero dele exigir saber o que é tão engraçado, então eu estou pega completamente de surpresa quando ele simplesmente sorri e não apenas para mim, mas para Maggie também. Maggie e Wyatt nunca realmente se deram bem, mas eles toleram um ao outro por minha causa. Eu sempre contabilizo sua antipatia um pelo outro a nada mais do que um choque de personalidades. Maggie é tão alta e indisciplinada como ela parece, e Wyatt é, bem não. Wyatt é mais um tipo de cara certinho, rápido para ir embora, e sempre ensinado por sua mãe a ser reservado. Com passos lentos e medidos, ele se aproxima e desliza na cadeira ao meu lado. — Você está sorrindo e rindo. — Eu aceno, soltando a mão do rosto. Wyatt se inclina para frente, colocando um suave beijo em meus lábios, em seguida, puxa para trás, me olhando com adoração aberta. Eu espero por essa tentação familiar dentro do meu peito, o que eu costumava sentir quando ele ia me beijar, o que eu não sentia há meses. Meus olhos vagam por seu rosto, desesperadamente à procura de alguma coisa, qualquer coisa. Nada.

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Todos os sentimentos de incerteza e culpa que eu estive empurrando pelas as últimas semanas correm para frente, e meu estômago cai. Como isso aconteceu? Como chegamos aqui? Eu já perdi tanto; eu não posso perdê-lo também. Algo na minha expressão deve ter mudado, porque o rosto de Wyatt cai e ele me olha com uma pitada de confusão. Será que ele percebe isso também? Ele poderia dizer que meu coração não vibra e minha respiração não pega na minha garganta como ela deve ter? Eu estou completamente congelada no lugar, porque eu sinto, sem um pingo de incerteza, que esta não é uma fase. Isso não é algo que eu tenho que trabalhar. Isto é apenas como eu sinto. A dor surda ressoa no meu coração com o pensamento de ferir Wyatt. Incapaz de sustentar seu olhar, meus olhos derivam por cima do ombro. Maggie está me observando atentamente, e se eu não soubesse melhor, eu acho que ela simplesmente lê minha mente. Ela me conhece, e ela tem estado em torno de nós dois mais vezes do que eu poderia tentar contar. Ela vê também. Limpando a garganta, Maggie quebra contato com os olhos e olha para Wyatt. — É por causa de mim, Wy-Wy. A mandíbula de Wyatt aperta no apelido que ela deu a ele anos atrás. Ela está usando sua antipatia geral para o outro para quebrar a tensão, e mesmo que eu não acho que isso vai trabalhar, eu sou grata que ela está tentando. — Eu sou a única que a fez sorrir. — Tenho certeza que você fez, Magdalena, — Wyatt afirma categoricamente. Seus olhos voltam aos meus, me implorando para explicar o que está acontecendo. Tudo dentro de mim está gritando para fazer isso direito, e puxá-lo para os meus braços e lhe assegurar que estamos bem. Mas eu não posso, porque não estamos bem. Ele corre um dedo para baixo do lado do meu rosto e me oferece um sorriso hesitante. — Está tudo bem? Esperei meses para ele me empurrar para respostas, e ele escolhe agora? — Eu estou bem. — Faço uma pausa, me dando a oportunidade de colocar tudo na linha, mas como sempre, eu fracasso. Como você diz a seu

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namorado de sete anos, que agora é seu noivo, que você não está mais apaixonada por ele? — Eu estou bem, — eu repito, mesmo que ele não tivesse me questionado depois que eu disse a primeira vez. Minha voz é uniforme e controlada, e a falta de emoção deve falar volumes. Os olhos de Wyatt fitam entre os meus e ele abre a boca, mas o som estridente de seu rádio o corta. — Merda, — ele sibila, correndo para a sala de estar. Wyatt pega seu rádio fora da mesa de café, onde ele deve ter colocado quando ele entrou, e desliza suas botas. Em seguida, ele volta para a cozinha e pega uma garrafa de água da geladeira enquanto espera pelo despachante para dar detalhes em torno da chamada. Wyatt é um bombeiro voluntário de terceira geração, e ao longo dos últimos anos, eu aprendi a manter a calma até que eu saiba o que é a situação de emergência. A cidade em que vivemos é muito pequena, com apenas cerca de setenta mil e quinhentos moradores. Portanto, o corpo de bombeiros responde a qualquer coisa desde uma estrutura pegando fogo a pequenas emergências médicas. A voz crepita através do rádio. — Atenção Rock River Fire Department de River Rock EMS. Relato de dois veículos 10-50 na estrada 25 perto do cruzamento da Placard Road, relatório do acréscimo de airbag com vários ocupantes, lesões desconhecidas. Nenhuma informação adicional neste momento. — Eu tenho que ir, baby. — Wyatt mergulha para baixo assim que nosso olhar se cruza. Ele põe uma mão em minha bochecha e me beija, duas vezes antes de se afastar. — Eu não sei o que está acontecendo com você hoje à noite, mas quando eu voltar, nós vamos falar sobre isso. Ele gira ao redor e sai correndo pela casa. — Esteja seguro! — Eu grito, minhas palavras morrendo quando a porta da frente bate fechada. — Que diabos foi isso? — Um acidente de carro é um 10-50, — eu respondo secamente, arrastando meu olhar de volta para Maggie. — Não, não é isso, — diz ela, os lábios apertados em uma linha firme. — A outra coisa.

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— Que outra coisa? — Eu pergunto, fingindo que não tenho absolutamente nenhuma ideia do que ela está falando. — Tudo bem. — Deslizando a cadeira para trás, ela se levanta, caminha até o armário e pega dois copos de vinho. — Se é enquanto ela seguida, puxa e a garrafa na Katie.

assim que você quer jogar. — Eu sigo seus movimentos passeia a geladeira e escolhe uma garrafa de vinho, em a rolha a partir do topo. Agarrando os dois copos em uma mão outra, ela cai em seu lugar na mesa. — Eu tenho toda a noite,

Há um sorriso em seu rosto quando ela preenche ambos os copos com o meu vinho tinto favorito e empurra um para mim. — Há apenas o suficiente lá para mais dois copos. Seu sorriso cresce e ela inclina a taça na minha direção. — Bem, então, é uma coisa boa que eu tenho mais duas garrafas no meu carro e uma muda de roupa. — Grande. — Eu gemo e levanto a cabeça para trás, drenando metade do meu vinho. É uma coisa muito boa eu não ter que trabalhar amanhã, porque com certeza seria um saco gastar doze horas ter cuidados hospitalares de outras pessoas, enquanto a enfermeira está em uma ressaca. Coloco a taça sobre a mesa, eu movo lentamente, esperando que ela diga alguma coisa. Os olhos de Maggie brilham em diversão, e eu vejo quando ela leva vários pequenos goles de vinho. Minutos vão passando, e, eventualmente, ela chega para o jornal sobre o balcão e folheia as páginas. Ela com certeza não está facilitando as coisas para mim, isso é certo. — Você é um pé no saco. Maggie nivela os olhos inflexível. — Igualmente, minha amiga. — Eu odeio quando você faz isso. Você sabe que eu não consigo entender o espanhol.

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Maggie bufa com o riso quando eu termino o Stella Rosa. Levantando a garrafa de vinho, ela recarrega meu copo e depois me oferece um sorriso arrogante. — Si dejaras de ser una perra, yo no lo haria.7 Quando ela começa a falar espanhol, eu normalmente apenas a ignoro, porque se eu jogar, ela não vai parar. Ela simplesmente ama me atormentar. Então, ao invés, a minha mente corre, tentando descobrir a melhor maneira de colocar em palavras o que estou sentindo. Quando eu chego a um branco completo, eu decido apenas ir com isso. Respirando fundo, eu empurro para baixo a ansiedade que está me impedindo de me abrir. — Eu não estou mais apaixonada pelo Wyatt. O sorriso de Maggie vacila, e seus ombros sobem e descem quando ela suspira. — Eu sei. A maneira casual que rola fora a língua me irrita. — Sério? — Meu tom é muito mais acentuado do que eu pretendo, e Maggie franze a testa para mim. — Como diabos você sabe, quando eu só descobri a pouco tempo? — Você, porém, apenas descobriu isso? Realmente? — Seus olhos estreitam e ela cruza os braços sobre o peito. — Porque eu já vi isso, pelo menos, no ano passado. — Não, — eu digo com firmeza, sem vontade de acreditar que eu poderia ter estado cega por tanto tempo. — Nos últimos meses, sim, mas... — Sério, Katie? — Ela estala, parando momentaneamente para olhar para mim como se eu tivesse crescido uma segunda cabeça. Minhas sobrancelhas estão praticamente no meu cabelo quando eu espero por ela para continuar. — Bem. Quantas vezes você e Wyatt saíram? — Isso não é justo, Mags. Você sabe muito bem que eu o empurrei desde que papai morreu. A menção da morte de meu pai faz com uma faixa grossa ir se construindo ao redor do meu coração e meus olhos instantaneamente se enchem de lágrimas. Eu vejo como pesar substitui determinação no rosto de Maggie. — Eu sinto muito...

7

Se você parasse de ser uma cadela, eu não faria.

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— Não sinta. — Tremendo eu tomo outro gole do meu vinho. — Devemos ser capazes de mencioná-lo sem que eu entre em modo esquisito. — Continue indo… — incito, querendo mover-me para além disto tão rapidamente quanto possível. — Ok, quantas vezes você e Wyatt saíram antes do acidente? Ela já sabe a resposta para isso, porque ela está sempre com a gente, mas eu sei que ela está tentando fazer um ponto, então eu jogo junto. — Um par de vezes por semana. Ela balança a cabeça, aceitando a minha resposta. — E quem estava iniciando esses encontros? Eu abro minha boca para responder e, em seguida, rapidamente ajusto fechada. Filha da puta. — Wyatt, — eu sussurro. Minha mente trabalha furiosamente para recordar uma época em que iniciei qualquer coisa com ele, e eu venho completamente no vazio. — E quantas vezes você me enviou um texto de última hora para vir e sair com vocês dois? Não. Não há nenhuma maneira que eu tenho evitado tempo a sós com Wyatt. Certo? Nós passamos muito tempo juntos, só nós dois. — Ok, sim, eu gostaria de convidar-lhe mais, mas Wyatt sempre permaneceu a noite depois que você saia e nós com certeza não fomos fazer lenços de tricô na cama. — Mas você não vê? Ele é seu noivo, Katie. Não só vocês não vivem juntos, mas você não o faz até mesmo passar a noite toda juntos. Sean é apenas meu namorado e passamos todas as noites sozinhos juntos. E eu não tenho dúvida de que você e Wyatt tenham sido íntimos, mas eu questiono o quanto de paixão existe entre vocês. Suas palavras perfuram a armadura que eu passei os últimos meses protegendo-me atrás. Minha perna salta rapidamente debaixo da mesa, energia nervosa se acumula dentro de mim ao ponto que eu sinto como se eu não posso me mover ou fazer algo, eu vou explodir. Uma pequena parte de mim quer explodir a Maggie, para lhe dizer para se foder e cuidar da própria vida, mas eu não posso. Tem sido o meu mecanismo de defesa para longe muito tempo, e que é hora de agir como um adulto.

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— Foda-se. — Enterrando meu rosto em minhas mãos, eu gemo. — O que há de errado comigo? — Náuseas rolam através do meu estômago com o pensamento que eu tenho com Wyatt, e eu respiro fundo para tentar manterme para não vomitar. Ela está certa. Ela é completamente certa. — Como é que eu não vi isso mais cedo? — Ok, em primeiro lugar, nada há de errado com você, querida. — As mãos macias de Maggie no meu braço e eu olho, encontrando seu olhar. — Em segundo lugar, eu não acho que você viu porque você não queria ver. Não há dúvida em minha mente que você ama Wyatt; você apenas não está apaixonada por ele. Pressão aumenta atrás dos meus olhos e eu balanço minha cabeça com firmeza. — Eu não estou. Eu quero estar... Deus, Eu quero estar apaixonada por ele. O pensamento de feri-lo faz-me fisicamente doente. Mas por quê? Isso é o que eu não entendo. Ele é perfeito para mim, Maggie. Ele é um cara incrível. Como é que eu simplesmente não caio no amor por alguém assim? Pensamentos me acertam como um tijolo na parede. Puta merda. Foi isso que aconteceu com Devin? Ele não estava mais apaixonado por mim? Será que ele dormiu comigo e então decidiu que o que ele estava sentindo não era nada mais do que amizade? Que era mais fácil cortar e correr ao invés de lidar com as consequências de uma mulher emocional? — Eu não tenho certeza. — Maggie me olha por alguns segundos, e então ela se levanta, pega os nossos copos de vinho e acena em direção à sala de estar. — Vamos entrar lá e falar. Entorpecida, eu a sigo até a sala de estar e enrolo-me no canto do meu sofá enquanto ela faz-se confortável no reclinável. — A permissão para falar livremente. — Eu acho que vou precisar de mais vinho para isso. — Eu alcanço minha mão para fora e olho para baixo, percebendo que ela ainda esta segurando meu copo. Com um sorriso insolente, ela empurra-o em minha mão e então drena o resto de vinho. — Permissão garantida. — É possível que você nunca tenha sido verdadeiramente apaixonada por ele? — Minhas sobrancelhas levantam e ela chega a mão. — Me ouça. Vocês estão juntos há, o quê, cinco anos? — Sete, — eu digo, uma onda de nostalgia por meu intermédio. Wyatt e eu tínhamos sido amigos desde jardim de infância, então quando ele tinha

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construído coragem suficiente para me perguntar no nosso segundo ano na faculdade, eu não pensei duas vezes em dizer sim. Porque mesmo que eu nunca tinha pensado em Wyatt como mais do que um amigo, o que é que eu tenho a perder? E bem, estamos juntos desde então. Era fácil e confortável, e não há uma vez que eu lamente a decisão. Nós gostamos das mesmas coisas, tivemos uma tonelada de diversão juntos e eu geralmente só gostava de estar com ele. A primeira vez que ele me beijou, eu tinha todo o sintoma universais “primeiro beijo”. Borboletas levantaram vôo no meu estômago, minhas mãos estavam suadas e a coceira para beijá-lo novamente era forte. Levou mais um ano, mas, finalmente, dormimos juntos, e mesmo embora a primeira vez que foi além de difícil, ele finalmente ficou ainda melhor. Wyatt foi a primeira pessoa que eu tinha dormido desde aquela noite com Devin. No início, eu comparei os dois, o que sempre levou a uma quantidade enorme de culpa. Um dia, eu decidi que eu não poderia continuar comparando Wyatt com Devin. Devin tinha ido embora e ele não estaria sempre voltando. Eu sabia que eu tinha que valorizar o que eu tinha, porque mesmo que a nossa ligação não sentia tão forte quanto a que Devin e eu tínhamos, eu ainda estava consciente de que era uma conexão que a maioria das pessoas iria morrer para ter. Por fim, comecei a desejar Wyatt. Houve momentos em que ele era tudo que eu conseguia pensar, e sua presença me aliviava de maneira que nada ou ninguém mais podia. Então, não, o que Maggie está dizendo é não é possível. — Eu estava apaixonada por ele. — As palavras saíram facilmente da minha boca, porque elas são verdadeiras. Eu o amava; eu só não o amava o suficiente. Eu não o amava a maneira como uma mulher deve amar um homem, a maneira como uma mulher deve amar sua alma gêmea. — Eu não posso discutir com esse olhar em seu rosto. — Como posso... O que eu sou... — Merda. Jogo minha cabeça para trás, eu olho para o teto. Minha mão desliza para dentro do meu cabelo. Envolvendo um pedaço espesso em torno de meu dedo, eu rodo ele quando eu vasculho meus próprios pensamentos. — Eu não quero machucá-lo. Parece estúpido quando eu digo essas palavras em voz alta, porque isso é tudo o que eu tenho feito. Eu já o feri suficiente, e agora... — Você precisa deixá-lo ir. Você tem que deixá-lo ir.

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— Eu sei. — Forma-se uma protuberância grossa em minha garganta e eu engulo pesado. Esfregando as mãos nervosamente sobre as minhas pernas, eu olho para cima. — Eu sei que eu tenho. — Está indo para machucá-lo, não há maneira de contornar isso. Mas é melhor acabar com isso agora. — Eu aceno minha cabeça porque eu sei que ela está certa. Não torna mais fácil embora. Uma lágrima desliza pelo meu rosto, e Maggie se levanta e caminha até mim. Envolvendo o braço em volta de meus ombros, ela se senta e me puxa contra seu lado. — Ele vai estar com raiva, mas você deve isso a Wyatt, é o certo a fazer agora. Eu quero que você seja feliz, Katie. Você já passou por tanta coisa e você merece ser feliz. — O mesmo acontece com Wyatt. — Eu gaguejo, colocando meu rosto na curva do pescoço dela. A mão de Maggie corre um calmante caminho para cima e para baixo nas minhas costas, e sem combatê-la ou até mesmo pensar muito sobre isso, eu aceito o conforto que ela está oferecendo. — Sim, diz ela, rindo. — Mesmo Wy-Wy. — A metade soluço, meio grito cai de minha boca e eu roubo minhas lágrimas. — Eu te amo, Mags. Você é a melhor. O aperto de Maggie em mim aperta e ela pressiona seus lábios na minha cabeça. — Se você soubesse o que eu te chamei mais cedo em espanhol, você poderia não pensar assim.

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Katie “Slow Dancing In A Burning Room” – John Mayer

— KATIE? Meus olhos se abrem e acho Wyatt apoiado em seus cotovelos, me observando. O lençol está ajuntado em torno de seus quadris e os músculos de seu abdômen se contraem sob o peso do meu olhar. Meus olhos sobre seu corpo seminu e eu tento sentir algo. Em algum momento durante a noite eu finalmente desisti de tentar adormecer e me mudei para uma cadeira do outro lado da sala. — Desculpe se eu te acordei, — diz ele, esfregando uma mão sobre os olhos cansados. — Está tudo bem? Oh meu Deus, eu não posso fazer isso. Eu não posso machucá-lo. Meus braços e pernas estão fracos, e meu coração está batendo tão forte que ele poderia voar para fora do meu peito. Merda. Eu chupo em uma respiração afiada. — Não. — Eu digo. As sobrancelhas de Wyatt se levantam e eu sei que ele está à espera de mais, mas uma palavra é tudo que eu consigo trazer para fora. A culpa se arrasta até a minha garganta, ameaçando se tornar conhecida, a mesma culpa que poderia me impedir de fazer o que precisa ser feito. Wyatt arremessa as cobertas de cima e se move para sair da cama. Urgentemente, eu seguro a mão trêmula. — Por favor, — Eu imploro, balançando a cabeça. Os olhos de Wyatt ampliam, e o olhar de pânico em seu rosto quase me deixa de joelhos. — Por favor.

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Eu amo Wyatt. Eu sempre vou te amar Wyatt. Mas ele merece muito mais. Ele merece uma mulher que o ame de coração e alma. Uma mulher que vai se abrir e lhe dar tudo o que a vida tem para oferecer. Eu não sou aquela mulher. Não para Wyatt, provavelmente não para qualquer um. E é o pensamento de que Wyatt merece melhor que empurra as palavras da minha boca. — Eu não posso... — Minha voz falha, e eu olho para o teto e espremo os olhos fechados, uma tentativa fraca de ganhar algum tipo de controle... — Eu não posso mais fazer isso. — O quê? — Com dois passos largos, ele está ajoelhado na minha frente. — Você não pode fazer o quê? Eu mando uma respiração lenta, me lembrando de que estou fazendo a coisa certa, mesmo que seja uma das coisas mais difíceis que já fiz, bem a segunda coisa mais difícil. A primeira foi enterrar meu pai. Ok, a terceira coisa mais difícil. A segunda predominava o meu primeiro amor. — Katie? — Sua voz suplicante é espessa e crua. — Olhe para mim. — Ele coloca suas mãos quentes em meu rosto, obrigando-me a olhar para ele. — Você não pode fazer o quê? Seus olhos azuis estão rodando com insegurança e preocupação. Basta dizer isso. Libertá-lo, Katie. — Nós. Wyatt suspira, seus ombros caem e ele acena para mim com um olhar de compreensão. Uh, o quê? Será que ele não ouviu o que eu disse? — Você tem estado sob muita tensão, e sei que não tenho feito is... — Não, — eu interrompo. — Ouça-me, está bem? — Ele desliza a mão na minha e dá um aperto suave. — Eu sei que não tenho sido o que você precisava que eu fosse desde o funeral, e eu me odeio por isso. — Eu balanço minha cabeça vigorosamente, mas ele continua a falar. — Eu não sabia como lidar com isso. Eu não sabia como lidar com você. E então quando você desligou, quando se fechou, eu congelei. Isso assustou o inferno fora de mim, e em vez de empurrá-la para falar sobre as coisas e confortar você, eu te abandon ei. —A expressão de dor ultrapassa seu rosto. — Você não me abandonou, — eu rapidamente digo. Ok, sim, ele me deu espaço, essencialmente agindo como se nada tivesse acontecido e que

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tudo estava bem, quando certamente não estava bem, mas não há nenhuma maneira no inferno que eu vou deixá-lo assumir a culpa por isso. — Isto é com... — Wyatt empurra um dedo contra meus lábios, efetivamente me calando. — Eu fiz. Eu dei-lhe espaço porque eu pensei que era necessário para você, e cada vez que você me disse que estava bem, eu só aceitei e segui em frente, sabendo que você não estava. Eu deveria ter insistido para você se abrir e falar comigo, e eu gostaria de poder voltar e fazer tudo de novo, mas eu não posso. O que vou fazer é te prometer que eu nunca vou agir assim novamente. Eu prometo estar lá para você, não importa o quê. — Angústia rola fora dele, batendo em mim, e meu peito fisicamente dói. Porra. — Eu deixei você para baixo e eu sinto muito. Eu sinto muito. Suas palavras cortadas vêm como uma faca em mim, e eu não tenho certeza quanto mais disto posso tomar. — Pare, eu imploro. — Por favor, pare. Nós dois poderíamos ter tratado toda a situação de forma diferente, mas isso não tem nada a ver com isso. Isto... — Merda. A pressão aumenta atrás dos meus olhos, e eu pisco várias vezes para tentar manter as lágrimas. Isto é tão difícil. Minha mão em punhos no meu colo e eu luto contra o desejo de desviar o olhar, mas seria a coisa mais covarde para fazer e ele merece muito mais do que isso. Eu respiro fundo e apago-o. — Meus sentimentos mudaram, Wyatt. Suas sobrancelhas mergulham pra baixo e ele deixa minha mão. — O que você quer dizer? — Eu não posso me casar com você. Uma veia salta no pescoço de Wyatt, e em um movimento rápido, ele se levanta e dá um passo para trás. — Você está falando sério? Eu não entendo. Levantando-me da cadeira, eu dou um passo em direção a ele. Eu nunca o vi tão impotente e perdido, e eu não quero nada mais do que envolvê-lo em meus braços e dizer-lhe que tudo ficará bem. Mas eu não posso. — Eu não quero feri-lo, Wyatt. — Você não quer me machucar. — Sua voz grave pinga com descrença. — Que porra isso quer dizer, Katie?

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Girando nos calcanhares, Wyatt se vira e anda até meu quarto com as mãos firmemente plantados nos quadris. Quando ele faz o seu caminho, ele para em minha frente. Seus olhos azuis estão cheios de lágrimas não derramadas, e a visão quase quebra o meu coração em dois. — Apesar do que nós acabamos de falar, o que eu fiz? Diga-me o que eu fiz. Eu não estava atento o suficiente? — Ele dá um passo para frente e me cutuca de volta. — Eu disse coisas erradas, ou a levei para os lugares errados? — Sua voz vai de crua para dura e inflexível. — Diga-me o que eu fiz! — Ele grita. — Nada, — Eu digo, empurrando um passo para trás. — Você não fez nada, não foi você que conseguiu isso? Isto não é sobre você, Wyatt, é sobre mim. Eu não estou mais apaixonada por você, e você merece coisa bem melhor do que isso. — Eu olho para baixo. Uma sensação de calma vem sobre mim e meus ombros caem em alívio. — Eu mereço melhor do que isso. — Minha voz é mais suave e mais reservada, porque eu posso sentir isso no meu coração que eu estou fazendo a coisa certa. Ele pode me odiar agora, mas um dia, um dia, quando ele tiver tempo para pensar, tempo para seguir em frente, ele vai entender. — Eu não acredito em você. — Sinto muito, Wyatt. — Nossos olhos se encontram e eu descanso minha mão sobre meu peito. — Eu não vi isso chegando. Isso se aproximou de mim, e eu acho que se você olhar para isso, realmente olhar para isso, você vai... — Foda-se! — Sua voz troveja através da sala, e eu recuo. Em todos os anos que nos conhecemos, eu nunca o ouvi gritar como agora, e eu odeio que eu sou a causa. — Eu não quero olhar para isso, Katie! Eu te amo. Ele enfia um dedo no meu peito e eu tropeço para trás. Apoiando-me sobre a cômoda, fico ereta, determinada a não recuar. Flashes de pesar no rosto de Wyatt. Cautelosamente, ele chega para mim, mas eu dou mais um passo para trás. — Está tudo bem, — eu sussurro. Eu sei que ele não estava tentando me empurrar, mas eu não o quero me tocando. Eu estou muito aberta, muito crua, e francamente, eu não tenho certeza do que ele vai fazer para mim.

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— Eu só quero você. — Suas palavras são atadas com convicção, com os olhos brilhando com paixão, e eu não duvido por um segundo que ele quis dizer isso. — Eu quero a vida que falamos, a vida que você planejou. Quero a cerca branca e o balanço de pneu no jardim da frente. — Lentamente, ele avança em direção a mim. Meus pés ficam plantados quando eu o ouço implorar por todas as coisas que eu mais jovem prometi a ele anos atrás. — Eu quero essas três crianças. Dois meninos e uma menina, lembra? Concordo com a cabeça debilmente e ele dá mais um passo em minha direção. — Você não me vê em seu futuro? — Sempre muito gentil Wyatt coloca suas mãos em meu rosto. — Porque eu faço. Eu vejo tudo isso... Com você. Parece incrível, tudo isso. E eu espero que um dia eu tenha sorte suficiente para experimentar tudo o que ele está falando. Mas, quando as palavras caem da sua boca, quando eu imagino tudo na minha cabeça, eu não me vejo com ele, e isso traz uma nova onda de culpa. — Wyatt. — O nome dele é mais em um sussurro, mais cheio de emoção do que todo um romance porra, e eu posso dizer pelo olhar atordoado em seu rosto que ele entendeu o significado alto e claro. Os olhos de Wyatt ampliam e ele recua. A paixão nos olhos dele desaparece, substituída rapidamente com a frustração e dor. — Droga, Katie! — Girando, ele se move através da sala. Um rosnado baixo borbulha de seu peito enquanto ele desliza os dedos pelo cabelo loiro, puxando os fios. Isto não é de modo nenhum, como eu vi isto acontecendo. Honestamente, eu não tenho certeza do que eu esperava, mas eu pensei que talvez eu pudesse levá-lo a ver que isto é o melhor. Agora sei que nunca teria acontecido, porque esta noite eu quebrei seu coração, e eu sei muito bem como é isso. Como poderia esperar que ele entendesse, muito menos um dia me perdoar. Eu estou indo embora depois de prometer que era pra sempre? Eu ainda não tenho certeza do que eu poderia perdoar o homem que quebrou meu coração, então por que eu deveria esperar diferente do Wyatt? Inconscientemente, meu polegar rola para meu anel de noivado no meu dedo. Eu olho para baixo, observando como o diamante reflete a luz, espalhando partículas de cor ao redor da sala. Pela primeira vez desde que ele me deu, há mais de um ano atrás, o anel de ouro com diamante corte de

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princesa se sente estranho em meu dedo. O peso do diamante, como o peso da minha culpa, sinto pesadamente, e eu coloco pra fora, ao mesmo tempo, deixando de lado a mentira que eu tenho vivido desde o ano passado. É estranho de uma forma que eu não posso nem explicar. Em certo sentido, me sinto mais leve. Por mais momentâneo que seja, os monstros dentro de mim tenham se acalmado, e pela primeira vez eu sinto que posso realmente respirar. Um baixo rosnado me chama a atenção. Olhando para cima, eu acho Wyatt colocado seu jeans, e eu vejo puxar sua camisa sobre a cabeça. Ele vai para a cama, os cotovelos sobre os joelhos e as palmas das mãos cobrindo o rosto, esfregando-o mais ou menos várias vezes. Por favor, não quebre, eu penso comigo mesmo. Você merece muito mais do que a menina quebrada que eu me tornei. Lentamente, eu caminho em direção a ele. Seu rosto inclinado para cima, com os olhos vidrados encontrando o meu, e é impossível de perder o corar em suas bochechas. Instantaneamente, meu nariz queima, tipo de queimadura que me destrói antes de eu virar em uma confusão de lágrimas e ranho. Nós olhamos um ao outro por alguns segundos, e quando eu estou confiante de que tenho algum controle sobre as minhas emoções, eu empurro o anel na palma da sua mão. Wyatt olha para onde tenho a minha mão em volta dele, e então seus olhos voltam para o meu. — Você é uma pessoa incrível, Wyatt. Você é gentil e generoso... — Eu engulo em seco após o nó na minha garganta — É inteligente e engraçado, e eu tenho a sorte de ter tido você na minha vida. Um dia destes você vai fazer alguém muito, muito feliz. E eu não mereço a sua amizade, mas eu sou egoísta o suficiente para pedir por ela, porque o pensamento de não ter você na minha vida é terrível. — A mandíbula de Wyatt aperta, um novo lote de lágrimas veem em seus olhos, e eu chupo uma respiração trêmula. — Você pode não acreditar agora, mas eu nunca quis te machucar. Você foi meu primeiro amigo e sua felicidade significa o mundo para mim, e é por isso que eu preciso fazer isso. — Os lábios de Wyatt beliscam em uma linha fina e eu sei que ele tem algo a dizer, mas eu preciso dizer isso, pois eu nunca mais posso ter a chance novamente. — Meu único arrependimento é que eu não fiz isso antes... — Com tremores, eu corro para explicar — porque eu sabia meses atrás que meus sentimentos mudaram.

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Mas eu era gananciosa. Eu estava com medo de perder você, com medo de perder a sua força e sua amizade. Eu vejo agora como injusto que era para você, e por isso eu sinto muito. O queixo de Wyatt treme, o movimento tão leve que eu quase perco isso. Então, num piscar de olhos, seu rosto muda e se transforma, quase como se ele escorregou em uma máscara. Ele arranca a mão para fora sob a minha e está em sua altura máxima, ombros para trás e queixo para cima. — Eu não quero o anel de volta, maldição. — Ele empurra em meu peito, e eu corro para pegá-lo antes que ele caia no chão. — E eu não quero a sua amizade, Katie. Eu não quero suas desculpas, eu não quero suas desculpas de merda e eu com certeza não quero você. — Passando por mim, ele corre para a porta. Segurando o botão, ele arremessa a porta aberta e, em seguida, vem a uma parada. — Você sabe o quê? — Girando ao redor, ele volta em minha direção. Seus olhos azul-celestes estão quase todos pretos e eles estão queimando com ódio e muito possivelmente desgosto. Eu estou congelada enquanto ele rasga o anel da minha mão. — Eu quero isso. Eu quero destruí-lo, ele ferve. — Da mesma maneira que você me destruiu. E então eu vou jogá-lo fora, junto com cada porra de memória de você. Falar não é uma opção. Eu não tenho nenhuma defesa, nenhum argumento e eu certamente não tenho o direito de pedir a absolvição. Meus pulmões enchem quando eu luto para sugar o ar. Eu quebrei ele. Na verdade, eu quebrei ele. — Não se de muito crédito. — Puta merda! Eu tenho que parar de fazer isso. — Vai levar muito mais para você me quebrar. — Wyatt... — Não! — Ele rosna, os olhos saltando em volta do meu rosto. Eu sinto que ele está procurando a garota que ele se apaixonou, mas ele não vai encontrá-la. Ela morreu meses atrás. Com um suspiro pesado, Wyatt se vira e sai do meu quarto sem olhar para trás. Segundos depois, ouço a porta da frente se fechar. Ele se foi. Minha mão chega para meu peito, pronta para esfregar a dor que eu senti a última vez que perdi um homem que eu amei. Mas a dor não está lá como era antes, então eu solto a minha mão ao meu lado.

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Eu fico imóvel no meu quarto, à espera do pesar esmagar em mim. Eu aperto e abro minhas mãos, esperando sentir elas dormentes e formigando, mas elas não ficam. Não há lágrimas estourando para se libertar, e meu coração não está ameaçando saltar do meu peito. A única coisa que eu sinto é uma sensação de calma que eu não sabia que eu possuía. Ok, eu obviamente não tenho dado tempo suficiente. Mais está vindo, eu sei que está chegando... Sentindo-me surpreendentemente em paz, eu ando até a cozinha, passando diante do tênis de corrida de Wyatt sentado pela porta dos fundos. Vou ter que me preocupar com isso mais tarde, porque esta é apenas a calmaria antes da tempestade. A qualquer momento eu estou indo para entrar em modo de pânico total. Agarrando uma garrafa de água da geladeira, eu retiro a tampa e engulo a metade. O meu olhar desvia para o relógio e minha mandíbula quase cai. É apenas quatro horas da manhã, não me admira que eu esteja fodidamente esgotada. Bem, isso era sobre a pior maneira possível para começar o dia. No lado positivo, o meu dia não pode ficar muito pior. Eu espero. Enganchando meu pé em torno da perna de uma cadeira, puxo-a para fora de debaixo da mesa e sento nela. Com um suspiro exagerado, eu fecho meus olhos e inclino a cabeça para trás, deixando uma sensação derramar sobre mim. Meu corpo está relaxado, não há um pingo de tensão para ser encontrada. Meu pulso, calmo e firme, cria um baque suave no meu peito, e minha respiração esta lenta e fácil. Eu quero me sentir mal ou culpada, ou algo assim, mas eu não posso, porque eu sei que fiz a coisa certa. Eu só lamento que tenha que quebrar o coração de Wyatt, para sentir essa sensação de alívio. Com movimentos calmos, eu engulo o resto da minha água e olho sem rumo em torno da cozinha. Normalmente, eu não teria cabeça para cuidar dos cavalos para outra hora ou assim, mas eu estou bem acordada e um nascer do sol em exercícios com Mac é apenas o que eu preciso. Empurrando-me para cima, eu atiro a garrafa de água vazia no lixo e, em seguida, eu volto para pegar os copos de vinho deixados lá na noite passada. Meus olhos caem na pilha de correspondência depositada na borda

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da mesa e eu pego os envelopes, deslizando cada um para o lado apenas o suficiente para que eu possa ver o próximo, conta de telefone, conta de luz, pagamento de carro e... Tudo dentro de mim se aquieta. Meu coração literalmente para de bater antes de chutar no próximo batimento, e eu lentamente arrasto o envelope rasgado para fora a partir do meio da pilha. Inclinando a cabeça para o lado, eu examino a caligrafia confusa do Sargento Devin Ulysses Clay. Meu dedo corre um caminho deliberado ao longo das bordas desgastadas e um sorriso lento constrói, puxando os cantos da minha boca. A vontade de rasgá-la aberto é forte e eu mordo meu lábio inferior, tentando determinar se devo ou não vê-la. Um pequeno arrepio percorre através de mim, e eu decido que, pela primeira vez na minha vida, eu vou fazer alguma coisa sem sobrepensar. Então, e se eu o irritei? Assim que a esperança floresce no meu peito contradiz completamente a amargura ainda que sinto em relação a ele? Pegando o envelope, eu lanço na minha bolsa, juntamente com o meu bloco de notas e caneta. Eu corro para o meu quarto, rapidamente me vestindo em um par de jeans e uma camiseta, e então eu escorrego no meu casaco, pego minhas chaves e saco, e vou para fora da porta.

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Katie “Be Still” – The Fray

Uma fina neblina cobre a paisagem acidentada, que é iluminada apenas pelo brilho maçante da lua. Meu cabelo chicoteia em torno de minha cabeça, o ar frio picando minhas bochechas, e pela primeira vez em muito tempo, eu sento o desejo de sorrir. Mac galopa para além de um grupo de árvores familiares, e por instinto, eu abaixo minha cabeça por três vezes para evitar os ramos que eu conheço estão pendurados pra baixo o suficiente para bater na cara. Retardar seria a única coisa inteligente a fazer, mas Mac adora correr tanto quanto eu faço. Além disso, eu tenho montado por este caminho a minha vida inteira, e estou certa de que poderia levá-lo para trás às cegas sem tanto tropeço. O brilho suave do sol espreita para fora ao longo do horizonte e eu empurro Mac mais rápido. Eu estive fazendo dez minutos de cavalgada até a borda da propriedade dos meus pais quase todas as manhãs desde que foi autorizada pela médica, porque é o único lugar que eu pareço encontrar consolo. Quando criança, meu pai iria trazer-me aqui para assistir ao nascer do sol, quando adolescente, Devin e eu reivindicamos como “o nosso lugar”, e quando adulta, eu venho aqui para afogar nas memórias deles dois. Mac retarda a um trote quando bate na clareira, e eu sei que fizemos a tempo. Puxo as rédeas e chegamos a parar em nosso lugar de sempre ao lado de um velho carvalho que fica a vários pés a partir da borda da angra. Laranja e tons vermelhos beijam a terra, e é neste breve momento, quando tudo não é nem escuro, nem claro, que a minha raiva e tristeza parece cair.

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Tudo ao meu redor é calmo, e eu inclino minha cabeça para o céu, fecho os olhos e respiro o ar fresco da manhã. Os raios de sol fresco deve manter promessa de um novo dia, mas para mim eles foram um lembrete do que eu perdi, até hoje. Algo dentro de mim mudou. Não consigo identificar exatamente, mas há uma pequena porção de esperança que não estava lá antes. Meu rosto aquece a medida que os minutos vão passando, e só quando estou certa de que o sol nasceu eu abro meus olhos. Torcendo, eu escorrego de Mac, ando até o carvalho e sento em baixo. Essa carta maldita tem estado queimando um buraco na minha bolsa desde que eu corri para fora de casa, então eu não perco tempo e a puxo. Incapaz de esperar um segundo a mais, eu deslizo o dedo sob o lado do envelope, rasgo e puxe a carta. Minúsculas manchas de sujeira estão espalhadas ao redor das bordas do papel totalmente branco, e eu imagino imediatamente Devin sentando-se depois de um longo dia de trabalho, tentando decidir como responder a sua melhor amiga que virou... Nada. Meu estômago se agita com o pensamento do que ele poderia ter escrito, e por uma fração de segundo eu me pergunto se não é melhor eu não lê. Será que suas palavras vão dar paz? Que ele decidiu colocar a limpo sobre o que aconteceu, ou ele escreveu para finalmente me dizer adeus? Eu não quero imaginar, mas esse último pensamento não me faz bem. Dane-se, eu digo a mim mesmo. Não importa o que ele escreveu. Suas palavras não vai mudar nada. Porque quando se trata sobre dele não muda, ele ainda me deixou, meu pai se foi e não há palavras ou desculpas para corrigir qualquer dessas coisas. E com esse último pensamento deprimente, com as mãos trêmulas eu desdobro a carta. Cara Katie, Uau, bem minha pele ainda está agitada! Quando vi seu nome no envelope, eu praticamente tive um AVC. Na verdade, eu acho que eu reli essas duas palavras uma centena de vezes só para ter certeza de que era realmente você. O endereço não é o mesmo, eu vou tomar isso como um bom sinal, embora o seu endereço antigo esteja gravado na minha memória toda a vida.

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Então você me encontrou através do programa amigo por correspondência, hein? E através de uma terapeuta, nem menos. O mundo verdadeiramente funciona de maneiras misteriosas. Já pensei muitas vezes em você ao longo dos anos e sempre esperava que estivesse bem. E tão louco como você pode ser para mim, ouvir de você é uma das melhores coisas que me aconteceu em muito tempo, que eu acho que é muito estúpido para dizer considerando como as coisas terminaram. Mas você tem que acreditar em mim, Katie, eu nunca quis que as coisas fossem assim. Você sabe que eu amei você. Aqueles momentos que passamos juntos são as melhores lembranças que tenho. Você nem sequer sabe como muitas vezes essas memórias têm conseguido duramente me acertar. Nós éramos inseparáveis, você e eu, parceiros no crime. Eu não quero que você pense que eu tomo de ânimo leve. Eu tinha minhas razões para deixar, razões que são, provavelmente, melhor não serem ditas. Eu não esperaria que você sequer comece a entender o que estava passando pela minha cabeça no momento. Você sabe o que eu estava passando na época, e no momento em que eram apenas duas pessoas em dois mundos muito diferentes. Mas eu estou divagando, não é isso que eu queria focar esta carta em tudo. Estou tão incrivelmente triste de ouvir sobre o seu pai, e eu não posso imaginar a dor que você deve estar passando. Eu sei o quão próximos vocês dois foram, e apenas lendo suas palavras sinto muita dor por você, Katie. Estou muito triste. Como está sua mãe a lidar com tudo? E Bailey? Você sabe o meu pai abandonou-nos quando eu era apenas uma criança e como me devastou quando ele desapareceu. Eu não estou tentando comparar a minha situação com a sua, não por um tiro longo. Eu só quero dizer que depois de passar por aquilo que eu fiz com tudo isso, lutando com isso como eu fiz, mas ainda sabendo que ele estava vivo e bem, pelo menos, eu não posso nem começar a entender como você se sente agora. Eu quero que você saiba que, não importa o que aconteceu no passado, eu sempre estarei aqui para você. Se você precisar conversar, ou desabafar, ou simplesmente rasgar em alguém, eu estou aqui. Eu até tenho e-mail. Você poderia totalmente me chamar lá sempre que quiser! Deus, o homem que bateu em vocês era um soldado? Eu gostaria de poder dizer que estou surpreso, mas há uma abundância de abuso de

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substâncias nas forças armadas. Há um monte de pessoas entorpecidas, e eu não posso dizer que os culpo. Quando perdemos pessoas dia após dia, assistindo a nossos amigos morrer, e tirar vidas que não queremos tirar, de que outra forma é que vamos lidar com isso? Eu perdi tantos amigos aqui que eu estou começando a perder a conta. Apenas três meses atrás, meu melhor amigo era um deles. Jax sangrado em meus braços. Ele era um menino com educaç��o Mórmon de Utah sem um osso de ódio em seu corpo. Então, para responder à sua pergunta, somos todos monstros? Não, não somos. Somos pais, irmãos, maridos e filhos. Nós somos sonhadores, amantes e homens tementes a Deus. Alguns de nós monstros? Sim, nós somos. Alguns desses soldados matam com sede, e outros podem atirar em um homem baixo e nem mesmo pensar duas vezes sobre ele. Infelizmente, há alguns que usam o uniforme que não vivem dentro do código de ética que nossos uniformes representam. Mas a maioria de nós são apenas como você, pessoas que lidam com algo tão traumático, tão devastador, e tão horrível que o coração nunca aprende a consertar. Muitos de nós, incluindo eu mesmo, às vezes, temos aprendido a remendar os pedaços quebrados de nossos corações usando todos os meios necessários e sim, que às vezes resulta em danos infligidos sobre nós mesmos e aos outros. Eu gostaria de poder dizer que eu nunca dirigi embriagado, mas isso seria uma mentira. Eu não mudei muito depois de deixar Tennessee. E, como me envergonha admitir que eu piorei depois que me mudei para Pensilvânia e fiquei pior ainda depois que minha avó faleceu. Minha mãe perdeu a merda completamente quando a vovó não deixou um centavo no nome dela, e tudo foi por água abaixo. Eu comecei a fumar o tempo todo e beber. Eu caí dentro com as pessoas erradas. Eu só queria qualquer outra coisa, mais não estar lá com ela na porra do trailer. Era meu aniversário de vinte anos, e eu estava no meu caminho de volta de um bar com o meu amigo, eu estava bêbado e quase inconsciente no banco do passageiro quando o meu amigo, que também estava rebocado, bateu em um poste de telefone indo de cinquenta para trinta e cinco. Os médicos disseram que a única razão pela qual eu não tive um ferimento grave foi porque eu estava desmaiado e usando um cinto de segurança. O meu amigo

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não teve tanta sorte. Ele quebrou o C-2 vértebras e tem sido um tetraplégico desde então. Toda a sua vida mudou naquela noite, Katie. Mesmo que eu saí do naufrágio, a minha vida mudou naquela noite também. Eu tive uma tremenda culpa, desde então, e muitas vezes penso sobre danos que poderíamos ter provocados. E pensar que poderia ter feito algo parecido com o que aconteceu com o seu pai, à sua família, que me embalou para o meu núcleo. Ainda faz. Entrei para o exército logo depois disso. Eu não queria ser mais aquela pessoa. Eu não quero ser definido por essas ações, e embora eu soubesse que você estava muito longe, que eu tinha efetivamente a empurrado de minha vida, eu ainda queria ser digno para você. O homem que tirou a vida de seu pai poderia facilmente ter sido eu a alguns anos atrás. O que é pior é que eu ainda não tinha experimentado combate ainda. Passamos os dias aqui imersos na morte de mulheres, filhos e entes queridos mortos em uma base diária, e quando voltamos para casa, não somos o mesmo que éramos quando chegamos. Nós tornamos insensíveis, nossas emoções sedadas. A morte torna-se apenas um substantivo, algo que nenhum processo cura. Eu não tenho nenhuma desculpa para o homem que matou seu pai. Talvez ele é um monstro, um daqueles que matam com prazer. Talvez ele seja um jovem grunhindo, mudo, que não tem respeito pela santidade da vida do ser humano. Ou talvez ele é um dos muitos que bebem pra ir embora a dor que eles não podem começar a entender. Não importa a circunstância, uma vida foi levada, a vida de um homem maravilhoso e por isso não tem desculpa. Eu só posso imaginar que aquele soldado que está sentado em uma cela, neste momento, desejando que ele pudesse tomar o lugar do seu pai. Eu estou pensando sobre isso agora que eu provavelmente posso ter feito mais mal do que bem. Espero não ter intensificado a fúria que você vê em todos nós, em mim especialmente, porque essa não era minha intenção. Eu apenas espero explicar os efeitos colaterais potenciais de jogar roleta russa com bombas na beira de estrada e balas por um ano inteiro. E, em seguida, mais um ano, e outro, e outro... Não trate a sua dor como nós. Não deixe ferver até que, antes de saber o que aconteceu, é fervente sobre a borda. Não deixe que esse homem e suas ações mudem quem você é e quem você foi feita para ser. Não deixe ele possuir sua existência.

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Eu sei que deve ser difícil, Katie. Não sou especialista; Eu só sei que não tenho feito da maneira certa. Inferno, eu não sei mesmo qual é o caminho certo. Mas eu sei que, pendurando em todo este material e enterrando lá no fundo, tudo vai apanharme um dia. Eu posso sentir as rachaduras já se formando, e eu sei que a fundação acabará por ruir. Espero ouvir de volta de você. Eu realmente gostei de sua carta, embora seja possível que poderia ser a primeira carta na história do programa amigo por correspondência onde um soldado foi chamado de 'porra de pau'.— Mas, falando sério, obrigado por ter escrito. E obrigado por não deixar o passado ditar o futuro. Atenciosamente, Devin Devin.U.Clay@us.army.mil A carta cai das minhas mãos, os papéis flutuantes sem rumo até que eles vêm para descansar sem ruído no chão. Minha mente está correndo em grande velocidade quando eu trabalho para processar suas palavras, mas eu não posso. Há também muito, muitas emoções, muitas coisas que ele disse que eu não estava preparada para ouvir ou ler, e agora parece que não consigo me concentrar em nada, exceto essa emoção esmagadora, indescritível que está rastejando o seu caminho através de mim. Minhas sobrancelhas levantam quando eu penso de volta na carta que escrevi para ele e as coisas cruéis que eu disse sem ceder. E, no entanto, aqui está ele, este soldado, este homem que deve se sentir como um estranho, mas indiferente de combate para o nosso país, vivendo em sua própria versão do inferno todos os dias, tentando me dar paz. Ele claramente tem seus próprios traumas que funcionam tão profundo, se não for mais profundo, que aos meus, mas ele está me oferecendo conforto da única maneira que pode, com suas palavras. Não me arrependo de expressar meus sentimentos na carta que escrevi, mas depois de ler sua resposta, eu me sinto que não mereço sua compaixão. Eu quero isso, embora. Deus me ajude, eu quero.

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Eu aperto meus olhos fechados enquanto suas palavras derivam em torno na minha cabeça. Então, para responder à sua pergunta; somos todos monstros? Não, não somos. Somos pais, irmãos, maridos e filhos. Nós somos sonhadores, amantes e homens tementes a Deus. Mas a maioria de nós são apenas como você, pessoas que lidam com algo tão traumático, assim comovente e tão horrível que o coração nunca aprende a consertar. O rosto do tenente Drexler aparece na minha cabeça. Eu só o vi uma vez, retratado na notícia, mas ficou marcado na minha memória e agora eu não posso ajudar, mas pergunto. Será que ele tem uma menina preciosa ou um menino que atua em torno de quem vai agora crescer sem ele? Será que seus filhos lamentam a perda de seu pai da maneira que eu tenho? Será que ele tem uma esposa que está assustada e perdida e solitária? Está sua mãe chorando em cada noite que vai dormir, pois o filho que com segurança voltou do campo de batalha nunca realmente voltara para casa agora? Nenhuma vez eu permiti estas possibilidades entrar na minha mente. Eu não queria considerar nada sobre o homem que matou meu pai, e eu ainda não tenho certeza se quero. Mas as palavras de Devin têm aberto uma porta, e não importa o quão duro eu empurro, a maldita coisa não vai fechar. Eu só posso imaginar que aquele soldado que está sentado em uma cela, neste momento, desejando que ele pudesse tomar o lugar de seu pai. Passamos os dias aqui imersos na morte de mulheres, crianças, e entes queridos mortos no dia-a-dia, fundamenta-se que quando voltamos para casa, não seremos os mesmos que éramos quando chegamos. É a dor do tenente Drexler como a minha? Será que ele pensa sobre nós as vezes, como que eu penso sobre ele? Pressão aumenta atrás dos meus olhos, fazendo-os arder e algumas lágrimas conseguem driblar os limites de meus cílios e escorrem pelo lado do meu rosto. Se eu lhe der a oportunidade de explicar ou se desculpar, ele iria fazêlo? É algo que eu sou forte o suficiente para fazer?

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Uma onda de lavagens de calor em cima de mim, e sem aviso, um grito estrangulado voa da minha boca. Não trate a sua dor como a nossa. Não deixe que esse homem e suas ações mudem quem você é e quem você estava destinada a ser. Não deixe que ele possua sua existência. Agarrando meu estômago, meus ombros enrolam para dentro, levantando enquanto o meu corpo expele três meses de tristeza, dor, raiva e culpa. — Oh, Deus, — eu gemo, deslizando minhas mãos no meu cabelo, enrolando-os em torno dos fios pelo vento. Devagar e sempre, meu corpo vai para trás quando minha mente repete todas as vezes que eu segui as minhas emoções para longe de minha família. Eu os ignorei, fechei-os para fora e recusei e o seu conforto e amor. Eu disse coisas odiosas em acessos de raiva e tristeza, coisas que eu nunca pode aceitar de volta. Puxo mais ou menos no meu cabelo, precisando sentir algum tipo de dor física em troca de toda a dor que eu causei. Minha respiração engata quando eu chupo uma respiração profunda e outra rodada de soluços arruínam o meu corpo. Levantando a cabeça para fora das minhas mãos, eu inclino meu rosto coberto de lágrimas para o céu. Raios, energia nervosa cursa através de mim e eu empurro para os meus pés, a necessidade de ir para algum lugar e em qualquer lugar. Caminhando em direção a Mac, eu agarro as rédeas e conduzo em direção ao riacho. — O que há de errado comigo? — Murmuro, meu olhos procurando nas nuvens por alguma resposta escondida. — Eu não quero mais fazer isso. Meu queixo treme e eu limpo as lágrimas escorrendo pelo meu rosto, mas elas continuam chegando e eu finalmente desisto. Minutos vão passando, ou talvez horas, mas os soluços finalmente diminuem. Estou exausta, além de exausta e já lamentando a decisão de pegar um turno extra no trabalho esta noite. Cada músculo do meu corpo dói, e eu sinto como se eu poderia rastejar na cama e dormir por horas a fio. Eu tomo uma profunda respiração de limpeza e apago lentamente, deixando todas as palavras de Devin desabar em mim. Eu não tenho absolutamente nenhuma ideia porque sua carta me bateu da maneira que ela fez. Suas palavras são apenas uma versão

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diferente da mesma coisa que todo mundo vem tentando me dizer, mas elas me fazem sentir diferentes. Ou talvez seja apenas porque é Devin. Há uma razão que ele era meu melhor amigo por tanto tempo. Ele foi a primeira pessoa que eu dei meu coração e corpo, e talvez essa seja a razão pela qual eu não tenho sido capaz de sacudir esta conexão inconfundível com ele, mesmo depois de dez anos. Há também uma razão que seu nome estava nessa lista amigos por correspondência. Eu fui pisando na água em um mar agitado de culpa e raiva, e ele apenas, inadvertidamente, me jogou uma tábua de salvação. Se fosse qualquer outra pessoa, eu não tenho certeza que teria feito o mesmo impacto. Então, sem pensar duas vezes, eu tomo a decisão de agarrar-me a essa tábua de salvação que ele me jogou, e eu vou agarrá-la com toda a força que me resta. Algo cutuca meu ombro, me puxando dos meus pensamentos, e eu me virar e ficar cara-a-cara com Mac. Usando seu nariz, ele frisa minha camisa por guloseimas e eu dou uma risada, batendo-lhe suavemente no pescoço. — Desculpe, cara grande. Não há nada aqui para você. — Ele solta um bufo macio antes de deixar cair a cabeça para pastar na grama. Meus olhos derivam para o meu saco que está encostado na árvore, e eu noto que a carta de Devin está exatamente onde eu o deixei cair. — Há mais uma coisa que eu preciso fazer antes de irmos, Mac. — Eu dou-lhe uma última rápida olhada na cabeça e, em seguida, faço o meu caminho para a árvore. Sentando-me de pernas cruzadas, eu pego a carta e leio ela mais uma vez. Desta vez, porém, o meu coração se sente mais leve e eu não posso deixar de sorrir como diferentes partes da carta começam a se destacar. Você sabe que eu te amei. Aqueles momentos que passamos juntos são as melhores lembranças que tenho. As palavras de Devin cortam através de mim, me deixando sentir mais aberta e vulnerável do que eu já me senti há muito tempo. Ele tem o poder de me machucar novamente. Como é que é possível sentir essa forte conexão com alguém que eu nem sequer falei em uma década? Quero dizer, sério, ele me tratou como merda, e mesmo assim depois de um pedido de desculpas muito simples, eu estou morrendo de vontade de voltar a ligar, morrendo de

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vontade de contar-lhe tudo. Isso deve assustar o inferno fora de mim, mas isso não acontece. Eu não tenho nenhuma ideia de quem este homem é mais. Claro, eu sei o menino que ele costumava ser, mas eu não tenho nenhuma ideia que tipo de pessoa que ele se transformou. O que aconteceu depois que ele deixou Tennessee? Qual foi a sua vida na Pensilvânia? Será que ele encontrou alguém e se apaixonou? Será que ele foi para a faculdade, e se não, por quê? Claro que ele tocou em algumas dessas perguntas em sua carta, mas a mulher em mim, a mulher que claramente ainda abriga algum tipo de sentimentos em relação a seu primeiro amor, quer detalhes. E muitos deles. Um lento sorriso se espalha pelo meu rosto, e quando eu tomo uma respiração profunda, eu tenho uma versão inesperada de tensão. Não há dúvida em minha mente que um poder superior está no trabalho aqui, e eu dou sorriso para o pensamento que eu poderia muito bem ter o meu pai para agradecer por isso. Balançando a cabeça, eu fecho meus olhos. Seria fácil de segurar o meu ressentimento e raiva contra Devin, mas quando eu olho para trás em nossa amizade e todas as coisas que nós passamos, eu sou grata que estou tendo uma segunda chance. Eu não sei por que, e talvez seja tolice minha, mas eu tenho um profundo sentimento em meus ossos que eu posso confiar nele. Uma pequena voz aparece na minha cabeça me dizendo que eu não deveria estar me sentindo dessa maneira depois de tudo que aconteceu com Wyatt, esta manhã, especialmente considerando tanto de nosso passado com Devin, mas eu empurro de lado. A necessidade de escrever a Devin volta cresce a cada segundo, assim eu pego o meu bloco de notas e caneta da minha bolsa, com a intenção de fazer isso. Ele precisa saber que eu posso ter perdido tanto de quem eu costumava ser, mas uma coisa não mudou, minha capacidade de perdoar. Agora, eu não posso ser capaz de perdoar Andrew Drexler, mas Devin é uma história completamente diferente. Eu quero que ele saiba que as palavras que escrevi, embora verdadeiras na época, foram escritas por raiva e confusão, mas que suas palavras me tocaram. O processo pode ser lento, mas vou fazer as coisas direito com minha família e com Devin.

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Assim quando a minha caneta atinge o papel, eu abro a parte mais profunda de mim e deixo tudo para fora, esperando contra toda a logica que eu vou ter uma resposta de volta dele novamente.

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Devin “Lover, You Should Have Come Over” – Jeff Buckley

Eu acordo antes do sol nascer, faço o check-in para o dia e verifico a tenda, observando meus homens ainda dormindo pesadamente. Meu ritual da manhã, pelo menos, nos dias que eu tenho tempo para fazer isso, requer um pouco de privacidade, e eu faço certo de que eu tenho antes de começar. A maioria destes palhaços só vai se empurrar a partir de suas camas no meio da noite com o resto de nós desmaiados em torno deles. Há sempre algo de estranho nisso para mim. Em uma base regular, eu acordo com os sons de respiração pesada e batendo na pele, e barulho de mijo. Foda-se. Se eu não estou morto de cansaço, eles terão uma bota indo em sua direção, apontada em linha reta para o pau e com o expresso propósito de colocá-los fora de ação por um tempo. Não, João do pé de feijão em público não é para mim. Infelizmente, isso deixa apenas outro lugar para fazer, na zona de rebaixamento. Porta bostas, como gostamos de chamá-los, ficam por semanas sem ser esvaziado e captura cada pouco do calor do sol. É como uma estufa lá porra, e uma respiração filha da puta, enquanto batendo fora e seu pau está em plena retirada. Portanto, há um truque para fazer isso apenas da maneira certa; você tem que prepará-lo em primeiro lugar. Você levá-lo para cima e indo, e então você termina rapidamente na privada. Para a maioria desses caras, meninas vestindo biquíni acima de suas camas ou as revistas pornô escondidas em seus sacos são uma necessidade para um bom empurrão, mas eu sou um

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cara imaginativo. Eu fecho os olhos e minha mente torna-se como uma máquina do tempo da porra. Marilyn Monroe em algum lugar quente... Bam!... Vai em todos os lugares. Farrah Fawcett, em seu maiô vermelho se inclinando sobre o balcão... Defino a máquina do tempo e vou embora. Esta vez a minha mente não vai para nenhum outra senão Jackie. Nela, com a minha língua levemente sacudindo o seu clitóris latejante, enquanto ela está implorando pelo meu pau. E, claro, eu estou fazendo-a me chamar de Sr. Presidente. Eu rio no último pensamento, mas aviso que é, pelo menos comecei a iniciar o trabalho. Desde que o meu pau está a meio mastro e firmo a sua maneira de forma completa, eu faço o meu caminho para a entrada da tenda. Pisando fora, eu sou recebido pelo sol rastejando suavemente sobre os topos das barreiras, e me apresso em direção ao porta bostas, posicionado logo após os Humvees em frente à parede oriental. Essas duas partes são a mais importante do processo. Você tem que andar com velocidade, mas não urgência, na espera que você não atraia a atenção dos poucos outros também acordados, tudo enquanto imagina pornografia ainda em sua cabeça. Eu consigo fazê-lo no privado sem ser detetado e rapidamente vou para o trabalho no meu eixo, enquanto minha mão esquerda aperta o nariz em torno e meus olhos espremem bem fechados. Só que desta vez não é alguém famosa que eu imagino. É Katie. Mesmo tão cedo como é, a zona de rebaixamento é como uma sauna, e gotas de suor escorre na minha testa. Eu tento desesperadamente segurar a respiração enquanto os segundos marcam para baixo. Assim como meus pulmões começam a exigir ar e meu corpo enrijece, eu atirar a cabeça para trás com um gemido abafado. Meu corpo se recupera de seu ápice muito mais rápido neste cenário, mas pelo menos o trabalho é feito. Duas semanas de estresse de combate se foram, apenas como isto. Eu tomo uma respiração profunda do ar nocivo e me arrependo imediatamente. Abrindo os olhos, volto-me para sair, mas noto que eu descarreguei em todo o assento do vaso sanitário. Porra! A maioria desses idiotas iria deixar, mas penso em como chateado eu estaria sentando em

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uma cadeira coberta de porra, assim eu pego um pouco de papel higiênico e limpo indo embora as evidências. Quando eu faço, eu atiro o maço no poço e me empurro pela porta, aliviado ao sentir o ar fresco novamente. Assim quando eu saio, vejo Navas sair do tubo ao lado. No começo eu não digo nada, pego de surpresa por seu aparecimento súbito e sensação estranha de ter apenas um tiro fora de uma carga de um pé ao lado dele. Ele tem um sorriso curioso no rosto enquanto o suor agora escorre na minha testa. O olhar dele avista minhas mãos desajeitadas com o meu cinto; seu sorriso se transforma em um fodido sorriso. Ele totalmente sabe. — H-h-ei, eu gaguejo. — O que está fazendo, cara? Acrescento eu e me componho um pouco. — Que é isso, companheiro? — A maneira como ele diz e o sorriso plantado no rosto me permite saber que ele tenta descobrir. — Um pouco suado, hein? Você estava batalhando uma merda ou batendo uma com seu pau? — Merda de monstro, irmão. Você sabe como isso é. Uma semana de MRE construídas e os excrementos são como braços de ganchos. O que está fazendo tão cedo? — Repito, na esperança de mudar de assunto quando nós lentamente fazemos o caminho de volta para a tenda. — Conversando com as crianças, você conhece a minha mãe. Ela só vai me deixar falar com eles uma vez por semana. Diz que é simplesmente muito duro para eles de outra forma, e com a diferença de tempo de dez horas, este é o melhor momento para fazer isto. — E pelo menos você não está tendo que lutar com qualquer um sobre o telefone, — eu digo assim que nós alcançamos a tenda. Eu me movimento em direção ao poço de fumaça. — Você quer um cigarro? — Não, cara, eu estou bem, mas eu vou relaxar com você. Nós dois pegamos um assento quando eu acendo a vara do câncer. Foda-se, este lugar esta me fazendo viciado nessas coisas. Eu os odeio, mas eles são apenas o zumbido que eu preciso antes e após esses dias longos pra burro. Navas encurta na distância, parecendo estar imerso em seus pensamentos, e continua. — Por que diabos eles tem que ter um telefone e

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um computador para todo um posto de combate está além de mim. Mesmo a essa hora, eu ainda tinha que esperar por Idiota de Merda para ficar pronto a falar com sua esposa. Porra passou duas horas lá, e em um ponto eu podia ouvir sua bunda ficando fora, pedindo-lhe para torcer seus mamilos e merda. Eu penso na minha própria libertação nos momentos privados anteriores e rio para mim mesmo. Coloque um homem em combate ou prisão, ou um escritório de porra com panorama, não importa, e ele acabará por encontrar o seu pau na mão. Olho mais duramente para Navas, que ainda parece perdido em pensamentos. — Como estão as crianças? — Pergunto. — Você sabe, eles me perderam. É estranho, porque é como, sobre o que eu vou falar com eles? Eles me perguntam o que o papai está fazendo por aqui e eu nunca consigo encontrar as palavras certas para dizer nada que um de quatro e outro de seis anos de idade iriam entender de qualquer maneira. Então eu digo-lhes que estamos aqui ajudando as pessoas. — Ele para e passa a mão pelo cabelo. — Eu nunca me senti um mentiroso, — diz ele, exalando alto, e eu posso ver a dor em seus olhos. — E então minha mãe fica com seu discurso habitual. Ela acha que eu escolhi guerra sobre meus filhos, e ela usa todas as oportunidades que ela recebe para me lembrar disso. — Isso é fodido. Parece que não há muito bom que pode vir disso. — Eu não tenho certeza o que mais dizer. Eu não falei com minha mãe em anos. Embora ela estivesse fisicamente lá, ela me deixou junto com meu pai todos esses anos atrás. — Sim, isso é apenas quem ela é. Mulheres mexicanas, homem, o que você pode fazer? — Ele olha para mim quando eu acendo outro cigarro. — Você sabe que essa merda vai matar você, certo? — Não antes deste lugar. — Eu rio, mas imediatamente me sinto desconfortável porque eu muitas vezes não me vejo saindo daqui vivo. Chame-lhe uma premonição ou o que você tem, mas parece tão porra real. Posso até sentir Jax de pé ao meu lado, sua mão descansando no meu ombro como se estivesse esperando para me juntar a ele. Eu estou vindo, amigo. Estou chegando.

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Eu luto contra o pensamento pra longe, e leva tudo o que tenho para fazer isso. Navas percebe e me dá um tapinha no ombro. — Você está bem, irmão? Aonde você vai, homem? Foda-se! Eu preciso de uma distração. — Eu aponto para o bolso de carga de Navas onde eu sei que tem restos de um charuto, esperando impacientemente a ser fumado após a missão. — Você acha que essas coisas não vai matá-lo? — Eu envio-lhe um sorriso grande, de plástico, de modo que domina você acho que ia pensar que era Beaver fodido Cleaver8. — Foda-se, cara. Se não é uma coisa, é outra. — Ele me conhece bem o suficiente para ler as asneiras, mas ele também sabe, como seu líder de esquadrão, eu não vou ser o único a chorar como uma vadia. Isso é todo o tenente Dixon, e eu realmente gostaria de manter as coisas assim. — A forma como isto está indo, se eu contornar a volta, eu vou estar morto no passeio, — diz ele, sorrindo. — O que você quer dizer? — Eu olho para ele com curiosidade, mas com cuidado, de modo a não parecer crítico. — Eu não sei. É estranho, — diz ele, — mas você acha que nunca vai aprender a sentir de novo? Depois de tudo isso, Quero dizer. Eu sei exatamente o que ele está falando, mas eu espero por ele para continuar. Navas não é sempre assim generoso com suas emoções, e eu tenho certeza de aproveitar os momentos em que ele está. É óbvio que ele está sofrendo, e parece piorar a cada telefonema para casa. — É como se toda essa morte e destruição, a perda de amigos, e as crianças que crescem sem mim, eu penso que perdi meu senso de sentimento. Eu não me machuco. Eu não sofro por nada. Eu só existo. Eu não sinto que tenho o controle, não mais. Mas eu preciso disso. — Ele enfatiza essas últimas palavras, e eu sei que é porque ele tem medo de sair muito mole na minha frente. — Eu preciso disso também, homem. Mas tanto quanto eu gostaria de poder, não posso simpatizar com você. Eu não tenho nada de volta para casa. Eu não tenho ninguém que precisa de mim. Você, você tem seus 8

Heodore "The Beaver" Cleaver é o personagem-título fictício da série de televisão americana Leave It to Beaver. A maioria dos episódios da série apresenta o Beaver entrando em algum tipo de problema em casa, na escola, ou em torno do bairro e, em seguida, recebendo instrução moral oportuna e apropriada de seu pai a respeito de seu mau comportamento.

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bebês, homem. As crianças que precisam de seu pai. — Eu paro e olho para Navas nos olhos. Ele está curvado em sua cadeira como se o peso do mundo estivesse descansando diretamente sobre seus ombros, mas ele se anima quando eu faço uma pausa como se estivesse me pedindo para continuar. Eu hesitei por um momento, mas então eu faço. — Eu sinto por você, cara. Sinto por sua família. Por mim, isto tudo parece o normal agora. Fico ansioso para voltar para os Estados Unidos. Com tempo demasiado para pensar e admirar. Eu acho que quando esse dia chegar e finalmente pendurar as botas, vou olhar no espelho e não reconhecer quem está olhando de volta. E tenho a sensação de que vou perder isso. Vamos perder o inferno fora de nós mesmos. — Eu não poderia concordar mais com você. — Ele balança a cabeça, parecendo aliviado que alguém entende. — Eu acho que isso é uma grande razão pela qual eu estou de volta aqui. Além de ser com vocês, eu só não me sentia bem de voltar para casa. Gostava de estar lá para os meus filhos, mas eu não estava realmente lá, sabe? Crescendo, isso era tudo que eu sempre quis fazer. Agora, eu só não sei. É como se estivesse mudado. Foda-se, é cedo demais para esta merda, né? Ele dispara um sorriso forçado meu caminho, mas a tristeza em seus olhos é muito proeminente. — Nunca é demasiado cedo, meu amigo. Eu estou aqui a qualquer hora você precisa atirar a merda. As crianças, homem, eles vão adaptar-se. Eventualmente, eles vão ter idade suficiente para entender o significado por trás de tudo isso. Quanto a nós, eu posso só esperar que quando os últimos tiros forem disparados, seremos capazes de lidar com o que temos visto e feito, e voltar mais forte. A maneira do Exército, certo? — Eu deixo escapar uma risada sarcástica quando eu subo para os meus pés, sacudindo a ponta de cigarro para a fogueira. O Navas não se move, apenas continua a olhar para o nada. Eu descanso a mão em seu ombro. — Temos mais cinco meses para descobrir tudo. Não deixe isso chegar muito a você. Vamos começar com essa merda e obter esses caras em casa em segurança, ok? Navas se levanta e me enfrenta, e por um breve momento, ele me abraça antes de me deixar ir e fazendo o seu caminho em direção à tenda. Não há amor como o de seus irmãos de armas.

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— Vamos tomar um café porra, — ele diz, deslizando através da entrada da tenda. Eu o sigo e visualizo as camas. Alguns dos caras estão concentrados em suas MRE9, enquanto outros ainda estão abiscoitando suas bundas para sair da cama. Eu cavo através de uma caixa de MREs na frente da tenda. Frango. Frango. Frango. Eu estou tão cansado de frango. — Porra, você foda-se, esta é uma marca nova na caixa. Quem diabos levou meu tortellini? — Quando eu digo isso, eu vejo Elkins levar o macarrão em sua boca com um largo sorriso. — Eu espero que você sufoque Elkins. Você sabe que eu tenho infinitas reclamações sobre os tortellini. — Eu sorrio para ele em seguida, pego duas das MRE de frango. Eu lanço um para Navas e desgasto abrindo outro. Nós tomamos um assento em nossas camas, um ao lado do outro, e comemos. — Sargento, conhece aqueles que fodem o oficial e levam os bons antes que nos dêm a caixa, certo? — As palavras de Elkins saem ligeiramente distorcida quando ele ainda está trabalhando em um bocado de meus tortellini. — Seja objetivo, Elkins, não posso compreendê-lo com esse pau em sua boca. — Eu tranco meus olhos sobre Elkins com as sobrancelhas franzidas quando eu forço um pedaço de peito de frango seco em minha boca. Navas puxa a minha atenção de Elkins por jogar um saco de manteiga de amendoim e M & Ms em minhas costas. No mundo do MRE, manteiga de amendoim M & Ms são como ouro. Eles são cobiçados e muitas vezes trocados. Eu rapidamente esqueço o quão terrível é o gosto de frango. — Isso me lembra, quando Dixon estava no Centro de Comunicação, ele me disse, para avisar-lhe para estar lá as 07:00. Alguma entrevista de tipo de missão ou algo assim, afirma Navas. Eu olho para o meu relógio. 06:50. Droga. Eu coloco o frango restante em minha boca, recupero o meu bloco de notas e caneta, e começo a andar para fora, saudando Navas com o saco de M & Ms antes da partida.

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Refeições, pronta para comer- rações militares - alimentos pré-embalados realizados pelas forças armadas para o uso no campo durante a batalha (as iniciais muitas vezes são reinterpretadas por soldados que não gosta delas, portanto, termos como refeições rejeitadas pelo inimigo).

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A sala é apertada. Eu e os outros líderes de esquadrões estamos à volta contra a parede. Tenente Dixon e os outros três líderes de pelotão ocupam assentos em duas mesas que nos separam da frente da sala. Na parede da frente, há um grande mapa de Bagda bem como a nossa área de operações marcadas corajosamente em vermelho. Nosso comandante da companhia, Capitão Kendricks, está diante de nós. Ele é um clone de Mr. Clean e é quase tão grande como o próprio mapa. Nosso comandante da brigada, o coronel Birch, esta ao lado dele o que me diz que isso é grave. Ele está na base fora da Zona Verde e só vem aqui somente quando é importante. Ele é um homem extremamente curto e se parece com um anão em pé ao lado de Capitão Kendricks, mas ele é encorpado com uma personalidade forte. Ele é da velha escola do Exército e, portanto, late suas palavras, em vez de falar. Ele começa com a introdução de costume, o todo “Eu estou orgulhoso de vocês” e “mantiveram um bom trabalho” besteira, mas minha mente decola depois disso. Eu penso sobre Katie e a carta que enviei. Eu sei que o sistema de correio militar é uma porcaria, mas porra, tem que demorar esse tempo? Eu mesmo verifiquei meu e-mail duas vezes por todos os dias durante uma semana, na esperança de ouvir dela, mas não tive essa sorte. Eu sutilmente coloquei meu endereço de e-mail abaixo do meu nome na minha última carta esperando que ela visse, mas eu estou supondo que ela não viu, ou ela simplesmente não queria voltar a escrever. Há cada dia que passa, eu estou um pouco mais convencido disto. Eu acho que sua terapia em relação a mim já está completa. Ela tirou sua raiva e disse-me como ela se sente. O que mais posso esperar após o que eu fiz com ela? E eu quero que ela se sinta melhor, eu só espero que ela tenha saído disso. Vou torcer por palavrões e insultos de que seu longo silêncio em qualquer dia. Eu não posso afastar a sensação de ver seu nome e ler suas palavras novamente. Leva-me de volta para o ensino médio, e incrivelmente, a caligrafia é a mesma coisa. Tão bonita e impecável você iria achar que era falso. Escrevíamos notas para frente e para trás, o meu arranhão de frangote

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e a sua obra de arte, e fazíamos o dia inteiro. No momento em que pegava o ônibus para casa, tínhamos preenchido cinco folhas, frente e verso, eu ainda tenho todo o último, já que eu sempre insistia em mantê-los. Ela lutou comigo o tempo todo, mas eu sempre ganhei. As noites aqui quando estou sofrendo tanto que eu preferia morrer a suportar a dor, eu li as notas e podia senti-la ao meu lado, rindo enquanto eu jogava aviões de papel na cabeça de Wyatt. Uma lágrima rola no meu rosto, me pegando de surpresa, e eu rapidamente limpo-a com minha mão antes que qualquer um possa ver. Quase imediatamente, eu recebo um golpe rápido nas costelas de Sargento Adams, que esta de pé ao meu lado. — Acorda cara. Kendricks está olhando para cá, — Adams sussurra, o que para um New Yorker sai mais como um grito. Dixon olha para nós, rosto vermelho, e ele empurra para dirigir a atenção para frente da sala. Eu rolo os olhos para Adams e dirijo a minha atenção para frente. — Temos ordens de fazer um grande impulso ofensivo, Coronel Birch diz com seu ponteiro de laser pairando sobre o mapa. Ele orbita em torno de uma área específica. — A inteligência que reunimos diz que esta área de Saidiyah tem vários grandes galpões de armas e fabricação de bomba instalados. Para as unidades nas próximas duas semanas, pelo menosinfantaria fora de Base Operacional Avançada Falcon será realizado ataques maciços porta-a-porta em todo o bairro. Nós vamos em torno do relógio, vinte e quatro horas por dia, com duas unidades de 1ª Divisão Blindada e 101 Airborne, que estão liderando os esforços de ataque e de defesa. Eles precisam de nós para servir como sua rápida força de reação. Se a merda vai para baixo, nós estamos lá para ajudar. — Ele limpa a garganta e deixa o ponteiro de laser sobre a mesa. — Nós só temos o seu pelotão para executar esta missão específica desde que o resto da empresa precisa continuar com a missão em mãos, por isso precisamos de vocês para chutar nas próximas semanas. Vai ser algumas longas horas, mas isso é muito, muito importante, de modo a manter a cabeça no lugar. Eu vou deixá-los com o capitão Kendricks aqui, e ele pode deixar vocês saberem como irá ser as rotações. Fiquem fortes, senhores, estamos no meio.

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Ele concorda com o capitão Kendricks e vai com a cabeça para fora da sala tão rápido quanto suas pernas curtas podem levá-lo. Eu não posso evitar, eu sorrio. Capitão Kendricks aguarda o coronel sair antes de abordar nós. — Como o Coronel Birch afirmou, esta é uma tarefa importante para um pequeno contingente, de modo que as horas serão longas. Sargento Richards e Sargento Baker, sendo que ambos estão numa classificação mais elevada e mais experiente, teremos vocês cobrindo o turno da noite ... das 20:00 às 08:00... O mais provável que, se a merda vai descer, vai para baixo à noite. Richards e Baker acenam em direção a Capitão Kendricks e ele continua, mudando seu foco para nós. — Clay e Adams, isso significa que vocês estão no primeiro turno. Precisamos de vocês para preparar seus caras, dividi-los entre três caminhões, e estar no seu caminho. Coordenado as chamadas de sinais da chamada de unidade, e toda essa merda será fornecida a você por seus líderes de pelotão. — Sim, senhor, — Adams e eu dizemos em uníssono quando Capitão Kendricks volta sua atenção de volta para os líderes de pelotão. — PLs não precisam participar destas missões, mas vou deixá-lo ao seu critério. Aqueles que não estará aqui em HQ10 comigo. Eu preciso de vocês todos ficando para trás por um segundo para que possamos passar por cima dos detalhes. O resto de vocês pode ir para fora. Há alguma pergunta? Não? Boa! Vamos ao trabalho. Os quatro de nós ruma para fora da sala quando o capitão continua sua discussão com os líderes do pelotão. — Ei, Clay, seus bichanos desfrutaram de suas doze horas girando seus paus no sol. Baker e eu vamos estar nos preocupando em fazer alguma merda verdadeira. — Eu olho para trás e vejo Richards com um sorriso de comedor de merda em seu rosto. Uma espessura vermelha atravessa o lábio superior como uma sela. Baker projeta o queixo para fora e sorri para mim. Eu volto ao redor sem dizer qualquer coisa, mas Adams chicoteia a cabeça para trás em direção a eles. — Ah, porra você, Richards, não falamos de gengibre. Baker, você pode por favor traduzir as assombrações? — Adams 10

Short Form Para "sede". Headquarters.

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ri e olha para ver se eu estou também, o que é claro que eu estou. Uma boa piada gengibre vai um longo caminho comigo. Mas estou também parcialmente rindo da necessidade constante de Adams se afirmar. Eu gosto do cara, mas porra... — Merda, você acha que o lixo de Nova Iorque que sai da sua boca é melhor? Vocês fedem de inveja, — Baker fala pra Adams à medida que atingem a porta. Eu tento não dar a mínima para o que estão dizendo, mas eles estão certos. Aqui na bela Bagda, eles realmente só gostam de sair e jogar à noite. Os dias são deixados para bombas e excessivas do sudoeste. Estou prestes a dizer algo, mas eu me paro porque não vale a pena. Meu foco vai a Katie e na possibilidade de um e-mail estar na minha caixa de entrada. Como porra incrível seria ouvir dela. Só então, uma voz me chama a atenção. — Ei, Clay! — Sargento Tavares, nosso operador de rádio, chama de sala de comunicações. O zumbido de rádio joga como uma orquestra atrás dele. — Venha aqui por um segundo. Viro-me e me aproximo dele quando os outros saem do prédio. Noto uma carta na mão e meu coração pula na minha garganta. Tento conter a minha emoção, mas um zumbido intenso fica logo abaixo da pele. Talvez não seja pra mim. Ele a entrega para mim. — Isso veio com a expedição de correio ontem à noite, e eu esqueci de deixá-la para você. Eu arranco de sua mão e estreito meu olhar antes de virá-la. Katie Devora. Um sorriso racha em meu rosto. — Valeu cara. Eu nem sequer olho para ele. Mantenho meus olhos fixos na carta, eu viro e rapidamente faço o meu caminho para a saída. Antes que eu possa abrir a porta, a voz estridente do tenente Dixon chama para fora da Sala de conferência. — Clay, venha aqui rapidinho. Precisamos passar por cima dessa merda. Eu lentamente viro e luto contra o desejo de estrangulá-lo ali mesmo. Ele segura um bloco de notas com uma página inteira escrita de questionamentos nela. Meus ombros cai um pouco, quando eu sei o que está

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prestes a vir, e eu tenho que forçar meus olhos não rolar quando eu ando em direção a ele, relutantemente, deslizando a carta em meu bolso.

A minha cabeça golpeia como tambores em conjunto firmemente com os meus dentes, retendo todas as palavras porque as únicas que quero usar tem quatro letras. Estamos cruzando a estrada com Thomas ao volante, Navas na torre da escotilha, eu no banco do passageiro, e nosso intérprete, “Mike”, sentado atrás de mim. Vinte e cinco malditos minutos que Dixon tagarela adiante. Ele tem uma maneira única de fazer o que deve levar cinco minutos durar a vida inteira, e eu estava muito ocupado recebendo o esquadrão juntos para ler a carta de Katie. Se tivéssemos o primeiro veículo do comboio e não o terceiro, é provável que acabaríamos no rio Eufrates, porque de nenhuma maneira minha mente está focada o suficiente para navegar. Só posso pensar em Katie e na carta que atualmente está queimando no buraco em meu bolso. Um zumbido sobre nos fones de ouvidos do rádio chama a minha atenção. — Ei, Sargento, parece que o caminhão de Adams esta caindo para trás. Você quer que eu pare o veículo da frente pra diminuir? — Pergunta Navas. — Não, eles estão bem. Eles sabem onde estamos indo. Eles vão fazer a cobertura para 101 no sul no final da área de alvo de qualquer maneira. Nós temos o extremo norte, de modo que estará cortando sair daqui em breve. Eu viro minha atenção para a navegação. É carregado com pequenos ícones que representam toda a coalizão dos veículos. As forças de ataque e de defesa já se posicionaram ao redor do bairro, e nós estamos apenas algumas milhas de distância. Eu vejo quando o comboio do sargento Adams puxa fora da estrada. — Sim, lá vão eles. Uma milha ou assim na estrada e nós estamos lá. Eu mudo

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o meu olhar para Thomas, que tem um olhar distante, seu corpo mole no banco do condutor. — Thomas, acorda cara? — Ele se encaixa em alerta como um adolescente pego dormindo na sala de aula e rapidamente acena com a cabeça. — Claro, não é o que parece. Você dormiu bem na noite passada? Eu sei que ele não o fez. Eu acordei várias vezes durante toda a noite, como costumo fazer, e eu encontrei-o lendo com uma lanterna ou simplesmente deitado ali, olhando para o interior da tenda. Desde a cena macabra no checkpoint, ele apenas não foi o mesmo. Eu não tenho sido capaz de fazê-lo falar tanto, que não é normal para ele. Ele vai normalmente, pelo menos se abrir para mim. — Dormi como um bebê, Sargento, — ele me fala. — Tudo bem, eu vou tomar a sua palavra para isso. Eu aponto para um alqueire de palmas apenas fora de nossa meta na vizinhança. — Marque sob aquelas árvores ali. Enfrente essa compensação. Thomas faz o ordenado, enquanto na nossa outra direção dois Humvees mais a frente uma centena de jardas e em ambos os nossos lados em suas próprias posições defensivas. O sol está brilhando em cima, mas a folhas estendidas das palmas vão manter o nosso veículo bem sombreado. Uma brisa da manhã veem baixo pela escotilha da torre e brinca com a minha cara. Curiosos de todas as idades ficam no meio das estradas de terra que ligam o bairro, assistindo esquadrões de infantaria trabalhar. O bairro está repleto de atividade quando as tropas procuram as casas de armas, disparos de artilharia, bombas e insurgentes prontos para uma luta. Nós não podemos ver muito das nossas posições desde que meias paredes fecham a maior parte do bairro, com apenas algumas estradas deixando espaço para visibilidade. Mas podemos ouvir as forças americanas dando ordens em voz alta e uma orquestra de Chatter árabe. Eu chamo no rádio o Sargento Adams para assegurar se sua equipe assumiu sua própria posição e, em seguida, faço check-in com a liderança do contingente. Thomas tem a cabeça apoiada contra o volante, já mão no sono rápido, e Navas está cavando profundamente dentro de um saco de torresmo.

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Assegurando-me primeiro que Navas não pode me ver, eu deslizo o envelope do bolso cargo e abro rapidamente. A primeira coisa que eu avisto quase imediatamente, é o seu e-mail na parte inferior da carta. Minhas bochechas formam um sorriso que é dono do meu rosto. Parece que eu vou passar um inferno de muito mais tempo no Centro de Comunicação. Caro Devin, Para dizer que eu fiquei chocada ao ver uma carta sua é um eufemismo. Depois da maneira que você deixou as coisas, eu certamente não esperava que você responde-se, e eu não estava preparada para as suas palavras. Minha cabeça está me dizendo que eu sou uma idiota por continuar a comunicação, ela me diz que eu deveria estar com raiva e que você não merece um segundo do meu tempo. Meu coração, no entanto, meu coração se lembra da nossa amizade, e por causa disso, eu quero acreditar que naquele momento particular, no tempo que você realmente achava que estava fazendo a coisa certa. Porque eu conheço você, pelo menos eu conheci o menino que eu cresci junto, o menino que eu caí no amor, não teria rasgado meu coração, a menos que lá fora não tinha qualquer outra escolha, pelo menos é isso que eu continuo dizendo a mim mesmo. Mas eu não posso ajudar, mas pergunto se você percebe agora que você tomou uma decisão horrível, porque eu acho que você tomou uma horrível decisão. Oh meu Deus, se ela só soubesse que meu coração doeu por ela desde o dia em que saí. Eu daria o mundo para mudar o que eu fiz. Decisão horrível? Experimente o maior arrependimento da minha merda de vida. Eu não vou dizer a ela sobre a conversa que tive com seu pai embora. Eu nunca posso dizer-lhe que ele é a razão pela qual desapareci sem um traço. E eu não estou dizendo isso só porque eu era a única à cair. Eu estou dizendo isso porque eu sei como era importante para mim, o quanto eu te amei, e eu sei que eu teria ido até os confins da terra para me certificar de que

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nós fizemos isso. Mas você não me deu essa escolha. Você não acreditou suficiente no meu amor por você, e tanto quanto eu quero perdoá-lo, eu não posso. Honestamente, eu não tenho certeza que vou ser capaz de perdoá-lo até que eu saiba o que aconteceu, mas parece que você vai levar isso para o túmulo. Então, provavelmente você está se perguntando por que diabos eu estou tendo o tempo para escrever-lhe se eu ainda estou chateada com você e não posso perdoá-lo. É porque mesmo que há uma mulher desprezada em mim e ainda chateada, Mais a menina que você empurrou para baixo no campo de jogos, ainda gosta muito do amigo que ela perdeu. Porra, eu daria qualquer coisa para estar de volta em Tennessee fazer as memórias novamente. Eu quero essa menina. Eu sempre quis esta menina. Como diabos eu vou fazer? É também porque a parte de mim que está quebrada, a parte que eu estou desesperado para corrigir, esta mais do que tocado por suas palavras. Na verdade, eu sou incrivelmente grato que você empurrou o passado de lado e decidiu responder a minha carta, não obstante o fato de que o tom foi menos que cordial e ninguém teria me culpado por simplesmente odiá-la e jogá-la fora. Mas eu quero agradecê-lo por compartilhar a história sobre você e seu amigo dirigindo bêbado. Como Tanto quanto eu odeio ouvir sobre o quanto sua vida mudou naquela noite, eu estou muito feliz por você ter sobrevivido. E a culpa que você está segurando a partir daquela noite, deixando-a ir. Por favor, deixe-a ir. A questão é que, sim, você poderia ter causado danos a outros, mas não o fez. Você não rasgou além de uma família, ou tirou a vida de alguém, e apesar de eu entender de onde sua culpa vem, eu estou implorando para superá-la. Você aprendeu com seu erro e você usou isso para fazer-se uma pessoa melhor. Você deve estar orgulhoso disso. Sei que eu estou. Meu foco deriva da carta para o nó que está se formando na minha garganta. Eu engulo em seco antes de continuar a ler.

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E eu sinto muito sobre seu melhor amigo. Eu não posso imaginar como foi difícil perdê-lo. Eu sei que é não exatamente o mesmo, mas eu sinto que eu posso um pouco relacionar-me com isso. Eu não acho que eu lhe disse na minha primeira carta a verdade, eu sei que eu não fiz porque eu não disse a ninguém, mas eu tenho essa memória de acordar e ver o meu pai por um par de segundos logo após o acidente. Se eu fechar meus olhos, eu posso lembrar de tudo tão perfeitamente... Ele estava coberto de sangue, e estava literalmente correndo em riachos por seu rosto. Eu ficava observando seu peito, tentando ver se ele ainda estava respirando, mas eu não conseguia me concentrar, porque eu estava entrando e saindo. Eu não me lembro de muita coisa, mas isso me assombra. Eu não durmo bem, porque quando eu fecho os olhos a noite é o que eu vejo. Por que eu o vejo, embora? Eu tenho tantas memórias dele, e ainda assim essa é aquela que sempre aparece. Como você faz isso? Como você fecha os olhos e não ver o seu amigo? Ou talvez você faz, talvez a memória dele sangrando em seus braços é o que mantém você durante a noite. Provavelmente soa sádico, mas tanto quanto eu espero que você não esteja assombrado por aquelas memórias, acho que é um pouco reconfortante saber que talvez eu não estou sozinha neste barco. A carta cai para meu colo e os meus olhos fecham firmemente. Penso em Katie, lutando pela consciência no banco do passageiro, observando seu pai morrer diante de seus olhos, e eu não posso ajudar, mas me sentir mais conectado com ela naquele momento, tendo sentido isso mesmo com Jax. Eu sofro por ela também. Imagino-a deitada no cama algumas noites, as lágrimas coletadas pela almofada, sob essa bela obra-prima de seu rosto. Em minha mente, ela está segurando uma moldura de prata, imagem de seu pai olhando para ela. Eu tenho que levá-la da dor. Eu não sei como faz, como você lida com tudo o que você teve que testemunhar ou fazer. A menos que você é como eu, e você não está realmente lidando com isso em tudo. Meu palpite é que você está vivendo um dia e um segundo de cada vez, apenas chegando. Isso é o que eu venho fazendo. Mas eu quero mudar isso. Eu quero parar de existir. Eu quero viver de novo, e sua carta fez isso por mim. Então, se você não colocar isso na mente, eu vou jogar com muito cuidado suas palavras de volta para você.

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Não trate a sua dor como a minha. Não deixe ferver até que esteja a ferver sobre a borda. Viva sua vida, não apenas para si, mas também por seus amigos que perderam suas vidas. Leve-os com você onde quer que vá e faça todas as coisas que eles nunca vão conseguir fazer. Eu li a sua carta várias vezes agora, e cada vez que eu chego à parte onde você acha que você tem feito mais mal do que bem eu tenho que sorrir, porque você não tem absolutamente nenhuma ideia quanto bem você realmente fez. Eu fiz uma grande mudança na minha vida hoje, que me deixou com um lampejo de esperança, e então eu li a sua carta e que foda explodiu. Eu não posso explicá-lo, Eu gostaria de poder, mas nas palavras de meu pai — algumas coisas não são destinadas a serem explicadas, elas apenas são. Então, eu não vou pensar muito sobre isso. Eu só vou ser grata que as coisas aconteceram da forma como eles fizeram, e eu vou trabalhar para fazer mudanças. Eu sei que não vai ser fácil, mas eu quero perdoar o Sr. Drexler porque eu sei que essa é a única maneira que eu vou superar tudo isso. Ou talvez não perdoá-lo, talvez isso não era a palavra certa. Que tal trazer a paz? Isso soa melhor, você não acha? Eu quero trazer a paz dentro de mim para Andrew Drexler. Acho que vou trabalhar em mim em primeiro lugar. Parece apropriado que me sinta confortável em minha própria pele novamente antes de tentar fazer as pazes com mais alguém. De qualquer forma, eu tenho certeza que você está cansado de ouvir-me tagarelar sem parar. Aposto que quando você escreveu que você esperava ouvir de volta de mim, você provavelmente não esperávamos tudo isso, não é? Eu realmente espero que você esteja fazendo bem. E desde o pequeno trecho de sua carta, parece que você teve que ir áspero na Pensilvânia, mas eu gostaria de ouvir mais sobre isso, sobre o seu tempo lá. Como está a tua mãe? Espero que ela conseguiu limpar-se e deu a volta por cima, mas eu tenho um sentimento que você está rolando seus olhos agora mesmo. Estou tão triste de ouvir sobre sua avó. Eu sei o quanto ela significava para você e quanto você gostava de passar as suas férias lá quando era uma criança. Aposto que foi bom chegar a vê-la mais depois que você mudou, porém, não foi? Bem, eu provavelmente poderia continuar e continuar com qualquer número das perguntas correndo pela minha cabeça, mas agora mesmo estou

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pensando que indo em passos de bebê esta em ordem. Eu observei o seu endereço de e-mail na última carta que você enviou, e eu contemplei enviar esta carta para você, mas eu não quero fazer isso. Parece bobagem, eu sei, mas enviando-lhe, em vez de escrever senti como se estivesse fazendo um primeiro movimento em direção a algo, que coisa é essa, eu não tenho ideia. Eu só sei que eu não estou pronta para fazer quaisquer primeiros movimentos, e não quando se trata de você. Vou, no entanto, colocar a bola no seu campo. Espero ouvir de volta de você. Atenciosamente, Katie Katie.devora@gmail.com Eu estou surpreso por um momento quando eu percebo que ela estar bem com a ideia de abrir sua vida de volta para mim. Tudo que eu quero é a chance de conhecê-la novamente, para aprender sobre a nova Katie, e a estrada que ela levou para chegar aqui. Eu quero que ela aprenda sobre mim também, e quão diferente eu me tornei. Como muito melhor que eu me tornei. Ou eu tento? Eu li sobre isso mais três vezes, e o sorriso que eu tenho com certeza está estampado em meu rosto e poderia iluminar o meu caminho através da noite do deserto. Eu não senti isso em um tempo, e isso me faz sentir realmente bem, inferno.

Se passaram seis horas desde que assumimos a nossa posição e um monte de nada aconteceu. Rádio tagarelice das centenas de unidades envolvidas na missão como picadores de gelo enterrado em meus tímpanos. Eu leio a carta, basicamente, uma centena de vezes mais, e eu ainda não posso limpar o grande sorriso bobo do meu rosto. Eu conheço essa mulher como a palma da minha mão, e quando eu estou lendo suas palavras, eu posso ouvi-la dizendo exatamente como ela

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teria de volta, com gestos e tudo. Tinha posto a sua mão sobre o seu quadril e dê-me o mais atraente, estou tentando muito, muito duro olhar chateado para o rosto mais bonito. Eu coloco minha mão no seu quadril, apenas onde a pelve molda, no seu estômago ridiculamente sexy, e eu deslizo minha outra mão abaixo de suas costas, levemente correndo os dedos para trás e para frente, efetivamente tornando seu corpo inútil. Ou é assim que costumava ser, pelo menos. — Foda-se! Eu estou muito entediado! — Navas lamenta. — Porque você esta tão tranquilo hoje, cara? Ambos babacas. — Eu rapidamente dobro a carta e coloco ao meu lado, reajustando a protuberância que se desenvolveu. — Bem, Thomas ainda está dormindo. — A cabeça de Thomas agora está alojada entre a roda da direção e a porta. — Ele vai estar prejudicando amanhã, estou apenas no meu próprio pequeno universo, homem. Esta merda entorpece a mente. — Sim homem, isso vai ser a minha morte. Mais duas semanas com isso e você vai ter que puxar o barril fora da minha boca, — Navas diz com uma risada. — Eu sei, eu quase desejo que algo aconteça apenas para quebrar o tédio. — Eu imediatamente me sinto imundo. As palavras soam em meus ouvidos quando o pensamento de um Humvee feito em pedaços é dono do meu pensamento. — Quero dizer, dentro da razão. — Eu sei o que quer dizer, cara. Eu não me importaria de colocar um par de rodadas em algum azar insurgente, Navas diz. — Porra, é doente ou o quê? Acho que preciso de umas férias. — Você e eu, irmão. — Eu verifico o meu relógio e é como se a segunda mão estagnou, movendo sempre tão lentamente em torno do relógio. — Mais seis horas porra. — Eu jogo minha cabeça para trás contra o encosto de cabeça, inclinando os olhos para a janela. O barulho da vizinhança morreu para baixo, o que me diz que os esquadrões mudaram para o próximo bloco de casas. Civis iraquianos estão agora reunidos em grupos, conversando na rua com agitados olhares em seus rostos. Alguns espiam na gente antes de voltar para os outros e apontar.

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Deixei escapar um suspiro alto, as palmas das minhas mãos apertaram com força em meus lados. Preciso dar o fora desse Humvee. Só então eu sinto o movimento e me viro para ver Navas fora da torre e agachado apenas atrás de mim, sorrindo. Seus dentes perfeitamente brancos brilham contra sua pele bronzeada, e como sempre, me faz sorrir também. — O quê? — Eu pergunto. — O que está te consumindo, abóbora? — Seu sorriso se torna incrivelmente mais amplo, e ele dá um tapa nas costas com seus dedos contra o braço. — Derrame isso, cara. — Não é nada. — Eu finjo jogar com a navegação. — Realmente, eu só estou cansado. — Cara, eu sou o único acordado. — Fale comigo. Eu tento o meu melhor para deslizar furtivamente um cotovelo sobre o envelope deitado ao meu lado, mas é muito tarde. — Oh merda, cara! Katie? — Pergunta ele, o sorriso volta ao rosto. Eu deslizo a carta no envelope e enfio no compartimento da porta lateral. Eu posso sentir o sorriso de Navas queimando um buraco na parte de trás da minha cabeça, mas eu me recuso a me virar. — O que ela tem a dizer? Ela é legal? — Ele enfia um dedo encharcado de saliva no meu ouvido e eu puxo minha cabeça para longe rapidamente, franzindo o nariz e jogando um soco selvagem que ele facilmente desvia, — Chupa Pau, você sabe que eu odeio willies11 molhados. — Eu sei, é por isso que eu faço isso! — Ele ri, fazendo com que Thomas e Mike se movam em seus sonos. — Assim, ela era legal? Eu tenho um momento para pensar, puxando as bordas desgastadas da minha manga. — Bem, vamos apenas dizer que não vamos estar fazendo The Amazing Race juntos tão cedo. Nós dois rimos, e assim quando eu estou prestes a continuar, um tiro incendeia na distância, ecoando em direção a nossa posição. Outro aparece fora e depois outro, e grupos de civis se mexem febrilmente a volta em direção a suas casas.

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Algo que dá um forte sentimento de nervoso e desconforto. Arrepios/Calafrios etc. Também pode ser referente a Pênis.

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Mais tiros soam para fora e Mike está acordado e olhando nervosamente ao redor, mas Thomas de alguma forma permanece dormindo. — Thomas, acorde babaca! Eu cutuco ele no seu lado, mas ele não se move. — Thomas, desperte do seu sono agora, Porra! — Eu assobio, e ele finalmente acorda, assustado e confuso. —Há alguma merda indo para baixo. Eu preciso de você para nos aproximar juntos. Thomas acena com a cabeça, afirmando, embora ele ainda não está totalmente lá. Dirijo a minha atenção de volta para Navas. — Você vê alguma coisa lá em cima? — Enquanto eu espero ele responder, eu espio o oposto do para-brisa, o bairro em direção ao campo que se estende de uma milha para o horizonte, palmeiras e grandes pedregulhos estão espalhadas através dele, tornando-o difícil de detetar o movimento inimigo. — Eu não vejo nada. Nada através do binóculos. Nada no campo ou bairro adjacente, mas há um monte de cobertura então, Navas grita para baixo através da escotilha. — Você acha que é um atirador? — Isso é o que parecia para mim. Em quem diabos eles estão atirando então? — Mais duas rodadas de tiros. Eu observo o movimento no bairro, mas não consigo entender o que está acontecendo. Quando eu estou prestes a ter Thomas dirigindo em direção às casas, uma multidão de civis, pelo menos dez a quinze saem do bairro e fazem o seu caminho para a nossa posição. Eles estão apontando freneticamente para o campo e depois de volta para a rua. Uma mulher desliza entre a multidão carregando algo em seus braços. Parece como um pequeno saco de batatas cobertas de um manto azul claro. Um vermelho escuro rapidamente domina o azul. Porra. O grupo quase atinge a nossa posição quando outro tiro ressoa. Ele atinge nada, mas a maior parte dos homens e mulheres estão lutando para se esconder. A mulher com o xale sangrento nem sequer vacila, mas continua arrastando para frente. Ela chora incansavelmente. — Mike, vamos! — Eu digo, quando eu saio do Humvee, e ele rapidamente segue o exemplo. A mulher encontra-nos por trás da tampa da

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minha porta aberta e manobra de uma mão em torno de puxar para trás o xale. Meu estômago aperta e eu sinto vômito trabalhando o seu caminho para a superfície. Eu também sinto uma raiva insuprível quando eu olho para os olhos sem vida, de uma menina, não mais do que cinco anos de idade. O sangue jorra de um ferimento de entrada em seu peito. Meu coração dá guinadas debaixo da minha caixa torácica, e eu instantaneamente quero matar até o último destes profanadores de inocência. Eu quero fazê-los sofrer. Eu quero que eles desejem que seu Allah iria rasgar a vida de seus corpos, porque a dor é muito insuportável. — Navas, chame a porra dos médicos! Traga-os aqui agora! — Eu grito, minha voz embargada. Eu pego um cobertor do porta-malas e coloco no chão atrás do nosso Humvee. Mike está tentando falar com a mulher, mas suas palavras são interrompidas por seus gritos. Eu os encontro de volta pela porta e delicadamente levo a menina dos braços da mulher e em meu próprio. Mais uma rodada de pranto vem de um civil agarrando a perna e indo para a parede exterior, bloqueado parcialmente por uma palmeira. Ele geme de dor. Mike abaixa e puxa a mulher mais perto de nós. Nós nos movemos em uníssono para trás na traseira do Humvee para uma melhor cobertura. — É sua filha, — diz Mike. — Ela diz que os tiros vieram do campo. Que há um homem atingindo na rua, também. — Ele aponta para o bairro quando eu defino a menina em cima do cobertor e verifico o pulso dela. Nada. Eu pego um curativo compressivo do meu kit de medicamentos e seguro firmemente contra a ferida quando nossos outros Humvees puxam para cima atrás de nós, lado a lado no estacionamento. Eu levanto a menina usando o cobertor e deito ela entre os veículos. Nosso médico do pelotão, Especialista Bento, sai do banco de trás do um dos Humvees e me atende pelo lado da menina. As outras portas começam a abrir. — Fique porra nos veículos! Nós estamos recebendo fogo! Deixe seus artilheiros alcançar uma posição defensiva enquanto Bento trabalha. — Mike orienta a mulher e Bento e ambos se ajoelham ao lado de nós. A mulher está histérica agora, balançando para frente e para trás. Seus gritos fazem os cabelos na parte de trás do meu pescoço arrepiar. — Bento, eu preciso de

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você para que veja o que pode fazer aqui. Eu vou assumir o nosso Humvee a vou em campo para encontrar esses filhos da puta. — Entendido, Sargento! — Ele rapidamente vai para o trabalho, embora por apenas um breve momento, seus olhos dizem exatamente o que eu já sei, esta menina está morta. Eu movimento para cada artilheiro para apontar suas armas em direções opostas, e então eu vou para o meu próprio veículo. Mike começa a fazer o mesmo, mas eu coloco a mão para detê-lo. — Fique com eles! Acalmea, — eu digo, entrando no veículo e apontando na direção do campo.— Thomas, vai! Tão rápido quanto você porra pode! Ele puxa lentamente no início, levando em conta os três ajoelhados atrás de nós, mas uma vez que a costa está livre, ele coloca o pedal para o chão. O motor ruge quando o Humvee pega velocidade, rasgando em direção ao campo. Percorremos cerca de uma milha abaixo da estrada quando vemos um homem saltar de trás de uma grande pedra, jogando o rifle para baixo e decolando na direção oposta. À medida que surgem ao lado da pedra, mais dois homens derrubam rifles de precisão e munições, e pegam fuzis AK-47 e atiram. O primeiro homem é atingido, cerca de cem jardas de distância, quando Navas arranca uma sequência de tiros com a sua metralhadora. Eles rasgam as costas do homem, colocando um buraco em linha reta através de seu estômago. Ele agarra ambas as mãos na ferida aberta quando ele cai de joelhos, finalmente indo de cara à areia. Navas, em seguida, dirige sua metralhadora em direção ao segundo homem e ele dispara. As rodadas não atingiram o homem, mas rasgam o chão logo atrás dele. O insurgente lança seu AK-47 para o chão e depois se ajoelha, colocando a mãos atrás da cabeça. O terceiro homem vê isso, mas continua em fuga. Ele se vira e dispara rodadas no Navas, forçando-o para baixo para a segurança do veículo. Mais rodadas entram, um após outra, prevenido Navas a retomar o seu posto e atirando para trás. — Navas, abaixe, eu tenho um presente. — Abro a porta e saio, com o Humvee entre o insurgente fugindo e eu, eu descanso do barril do meu rifle sobre o capô. Eu posiciono as guias vermelhas na sua cabeça enquanto ele

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se vira para disparar novamente, e então eu gentilmente aperto o gatilho. Os tiros redondos irrompe do meu barril e rasga um buraco em sua cabeça, tirando um pedaço de seu crânio. Jorra sangue da ferida enquanto ele desaba no chão. Corro para o outro insurgente, que continua a ter o rosto em terra, e eu rapidamente amarro suas mãos juntas. Navas embaralha de volta na torre para puxar a segurança enquanto eu arrebato o insurgente por seus braços e o arrasto de volta para o Humvee. Eu o jogo no banco de trás de qualquer jeito, então eu caminhar até a pedra que eles usaram para cobertura e encontro um pequeno esconderijo de armas incluindo rifles de precisão, AK47, um lançador de granada-foguete e vários tipos de munição. Um por um, eu coloco no compartimento de trás do Humvee. Quando eu tenho tudo feito, eu volto para o veículo. O insurgente fala com raiva na língua árabe para Thomas, que tão furiosamente o ignora. — Cale a boca! — Eu grito para ele, embora ele não entende o que estou dizendo. Ele olha desafiadoramente para mim, em seguida, cospe na minha direção, me afasto por uma polegada, e ele continua despejando merda que eu não sei ou não me importo em saber. — Eu disse cale a boca, filho da puta! — Repito com o fogo queimando nos meus olhos. Eu quero matá-lo... Eu quero rasgar a alma de seu corpo, mas nós precisamos dele. Precisamos de um corpo vivo para o centro de detenção. Ele continua falando, mas desta vez eu não digo nada. Deixo o lado do motorista do veículo e abro a porta traseira, pegando-o e socando-o diretamente no rosto. Ele tomba, e eu o agarro pelo braço e puxo ele de volta para uma posição sentada. Ele limpa o nariz sangrando em sua camisa e continua me insultando. Eu o soco novamente, e em seguida, novamente, até que ele finalmente desvia os olhos para o navegador do Humvee. A raiva incha em mim como uma tempestade quando penso na menina, sua mãe agora em total desespero. Eu quero dar mais um soco duro nele e sentir sua mandíbula rachar sob meus dedos. Ele geme alto e eu noto Thomas vacilar. A pretensão do insurgente está completamente quebrada. Ele agora é obediente, com o rosto ensanguentado e inchado. Eu puxo-o para mim, perto

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o suficiente para que nossas narinas quase se toquem, e eu empurro o queixo para que seus olhos encontrem o meu. Neste momento, eu quase perdi todo o controle. Estou em pé na borda de um penhasco, e o vento está ganhando. — Vou porra destruí-lo. Você me entende? — Eu levanto meu punho novamente e ele se encolhe de volta para o assento. — Navas, venha aqui bem rápido, — eu digo. Ele se remove do cinto da torre e se junta a mim no exterior do veículo. Ele olha para mim, com os olhos arregalados e nervosos, quando ele sabe o que está por vir. Eu puxo perto de sua orelha. — Isso não é bom, cara. — Eu sei, — ele sussurra. — Malditas regras de engajamento. Se os superiores sabem que você atirou naquele filho da puta na parte de trás da cabeça sem arma, estamos fodidos. — Minha mente corre para chegar a um plano enquanto eu faço o meu melhor para abafar a minha preocupação. — O que você acha que devemos fazer? — Sua voz falha, e o olhar em seus olhos me permite saber imediatamente que seus filhos estão em sua mente, e o fato de que ele poderia obter cinco a sete anos de dificuldade em Fort Leavenworth. Lágrimas vem em seus olhos. Eu penso por um momento, olhando em direção aos outros Humvees, que são meramente manchas na distância. Eu, então, olho para fora em direção a um grande palmeiral, o maior do lote, localizado a apenas a algumas centenas de pés de distância e denso, com folhagem. — Estamos longe o suficiente para que eles não possam nos ver. Você passe um rádio e diga-lhes que encontramos dois insurgentes com um rifle sniper e um pequeno arsenal. Trocamos fogo, matamos um deles, e o outro se rendeu. Depois de alguma confusão. Peça-lhes para chamar a sede e obter uma equipe a disposição aqui em baixo. — Eu tomo um segundo para olhar nos olhos de Navas para garantir que ele entendeu. — Eu vou cuidar do outro corpo.

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Katie “Fight Song” – Rachel Platten

— Então, vocês garotas tem quaisquer grandes planos para este fim de semana? — Não. — Empurrando a última das sobras na geladeira, eu fecho a porta e, em seguida, faço uma pausa. Eu não posso lembrar a última vez que eu tinha planos reais, além de sair com Wyatt. — Quando eu tive planos? — Puxando uma cadeira na mesa, eu sento e tomo um gole de minha água. Maggie vira seu olhar inquisitivo para Bailey, que está atualmente colocando um pedaço de brownie em sua boca. Cobrindo a boca com as costas da mão, ela olha para nós timidamente. — Não há planos, — ela murmura. Engolindo seu bocado, seus olhar vem no meu. Ela parece um pouco nervosa, quase hesitante, e eu ofereço um pequeno sorriso, os olhos tão aberto e convidativo como posso obtê-los. Porque eu estou realmente feliz por ela aceitar o meu convite para vir aqui esta noite. Seus olhos piscam com uma emoção desconhecida e uma tentativa de sorriso puxa o canto da boca. Bailey tinha estado me evitando, e justamente por isso, e eu acabei tendo que jogar duro para obter que se senta-se e falar-se comigo. Eu sabia que estava errada, então eu não estava acima de um pequeno rastejar, mesmo embora o pensamento de me desculpar quase me mata. É difícil de engolir seu próprio orgulho, mas eu sabia que tinha que ser feito. Então eu apareci no início da manhã na mamãe, como na maioria das outras manhãs,

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só que desta vez eu já tinha cuidado dos cavalos e eu estava esperando dentro quando Bailey se arrastou para fora da cama. Seus passos tinham vacilado quando ela entrou na cozinha para encontrar-me sentada à mesa com mamãe, comendo uma tigela de cereais. Eu podia ver isso em seus olhos, a vontade de fugir, e eu sabia que era agora ou nunca, então eu fiz a única coisa que eu poderia pensar em fazer. Atirando-me da cadeira, corri para a minha irmã, envolvendo-a em meus braços e pedindo desculpas por ser uma vadia. Mas mais do que isso, eu implorei a ela para me perdoar e prometi que eu estava indo fazer as coisas direito. Eu sabia que não estávamos apenas pulando de volta no lugar, e eu sabia que eu ia ter que trabalhar para ganhar sua confiança e amizade de novo, mas foi um começo. Nós conversamos por duas horas naquela manhã antes de eu finalmente sair para o trabalho, mas quando saí, eu realmente acho que ela tinha uma melhor compreensão do que eu tinha vindo a atravessar depois que meu pai morreu e vice-versa. — Você sabe o que vocês precisam? — Minha boca com água quando Maggie desprende uma mordida de seu alcaçuz, meus olhos seguindo a deliciosa corda vermelha quando ela acena-o no ar. — Uma parte disso, — eu respondo, tentando arrebatar o doce de sua mão. Bailey ri vivamente e Maggie pula para longe de brincadeira antes de puxar um pedaço extra para fora do saco e entregando-o para mim. — Você é uma viciada. — Eu sou. — Eu aceno de acordo, em seguida mordo um pedaço do meu kryptonita sabor de cereja. — Vocês, meninas precisam de uma noite fora na cidade. Bailey e eu respondemos, ao mesmo tempo, apenas a sua resposta é um entusiasmada — Sim! E a minha é um muito firme — Não! — Ambas se viram para olhar para mim. — Por que não? Seria divertido. — Bailey acena em concordância com o que Maggie diz, mas eu simplesmente balanço a cabeça. — Eu estive tão cansada ultimamente, eu mal posso lidar através do trabalho nos dias de hoje. As duas me dão um olhar aguçado. — Eu sei eu sei. Já comecei á cortar minhas horas, mudanças de não mais extra.

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— Estou feliz, — Bailey diz suavemente. — Você realmente me deixou preocupada por um tempo. — Eu disse que tenho vindo a trabalhar sobre as coisas e eu quis dizer isso. — Ela me olha com curiosidade e depois acena com a cabeça antes de estalar outra mordida do brownie em sua boca. Era muito mais fácil convencer a mamãe que eu estava tentando mudar as coisas do que Bailey, e eu faço uma nota mental para tentar fazer algumas coisas extras para reforçar a sua crença em mim. — Então... — Meu telefone vibra, derrapando sobre a mesa, e Maggie para de falar, pega e vira aberto. — Hey! — Alcançando o outro lado da mesa, eu arranco da sua mão. A visão de seu nome na minha tela me faz cerrar os dentes de frustração, e eu solto um bufo alto quanto eu digito uma resposta rápida. — Quem é? — Bailey pergunta, olhando-me com curiosidade. Quando eu bloqueio os olhos com Maggie, eu sei instantaneamente que ela viu quem era. — Wyatt. — Lançando o meu telefone fechado, eu lanço sobre a mesa e mordo outro pedaço do meu alcaçuz. — Como está Wyatt? — Pergunta Bailey. Ah Merda. Ela não sabe que nós terminamos. Dou a Maggie um olhar “Me ajude aqui”... E ela amplia seus olhos em um “o que você quer que eu faça”. O olhar de Bailey lentamente viaja entre nós duas. — Eu estou perdendo alguma coisa aqui. O que eu não sei? Eu já sei que isso não vai mais além. Bailey sempre foi uma grande fã de Wyatt. — Nós, uh... — Eles terminaram. — O quê? — Bailey suspira com a declaração de Maggie. — O que quer dizer que você terminou? — Ela pergunta, ela balança a cabeça em chicotadas em minha direção. — O que aconteceu? Ele deixou você, não foi? — Sacudindo a cabeça em descrédito, Bailey empurra para longe da mesa. — Deixou-a, — Maggie afirma despreocupadamente, dando de ombros quando eu olho para ela.

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— Você terminou com ele? Por que diabos você fez isso? Vocês estão juntos para sempre. — Eu não o amo. É realmente muito simples. — Você, você não o ama? — A cabeça de Bailey recua como se eu apenas lhe desse um tapa. — Como você pode não amá-lo? Você não pode simplesmente cair fora do amor com alguém, Katie. — Okaaaay, diz Maggie. — Eu acho que é hora de eu ir. Desculpandose na mesa, ela encolhe os ombros em seu casaco, pega sua bolsa e, em seguida, se abaixa, sussurrando um rápido “boa sorte” no meu ouvido antes de sair. Todo o tempo, Bailey continua a olhar para mim em estado de choque. — O que você quer que eu diga? Eu me senti desse jeito por um tempo, e eu me recuso a pedir desculpas por fazer o que eu preciso fazer para ser feliz. — Mas eu pensei que você estava trabalhando seus problemas. Como é esta situação sobre tudo? — Flashes de deceção no rosto de Bailey. — Eu não posso acreditar nisso. — Você não tem que acreditar. — Por mais que eu quero o apoio de Bailey sobre isso, eu sei que eu não vou obter. Ela zomba, cruzando os braços sobre o peito, e bolhas de frustração vem dentro de mim. — Isto não lhe diz respeito, Bailey. Você não tem que entender, você não tem que sequer gostar. Minha pele arrepia com irritação enquanto Bailey deixa seu lugar à mesa e segue o exemplo da Maggie encolhendo os ombros em seu casaco e pegando sua bolsa. Eu não vou pedir-lhe para ficar. Por mais que eu não queira que ela fosse embora agora, e tanto quanto eu quero consertar as coisas entre nós, eu me recuso a deixá-la ditar sobre o assunto e me influenciar em tudo. Eu sei que fiz a coisa certa. — Bailey... Com um suspiro, ela gira um olhar em torno de mim. — Eu não entendo isso, Katie. Eu não compreendo. Wyatt é um bom homem, e ele não merece isso. — Ele é um bom homem, mas eu fiz o que é melhor para mim, Bay. É isso que eu preciso que você entenda.

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— Tanto faz. O despedimento me irrita, e eu afasto-me da cadeira e sigo ela até a porta. Ela pega a alça, e em um último esforço para impedi-la de sair, eu agarro o braço dela. — Deixa de ser tão teimosa e vamos falar sobre isso. — Panela conhece chaleira, — ela murmura antes de abrir a porta, deslizando por ela e fechando suavemente atrás de si. Eu ando entorpecida para o sofá, caindo com um grande suspiro, em seguida, enterrando meu rosto em minhas mãos. Que porra aconteceu? O zumbido alto do meu telefone vibra do outro quarto agarrando a minha atenção, então eu entro e pego para encontrar ainda outro texto de Wyatt. Demorou cerca de uma semana depois de nossa separação antes que ele começasse mandando textos. Começou com : — Eu sinto muito pela maneira como agi... E lentamente evoluiu para: — Por favor não faça isso, podemos trabalhar isso e Eu te amo tanto. Apesar das minhas numerosas respostas que nada mudou e eu ainda me sinto da mesma maneira, ele só não vai desistir. Abdicando de uma resposta, porque não faria nenhum bem, eu decido encerrar a noite. Eu faço uma rápida arrumação me preparando para dormir enquanto os eventos desta noite jorram na minha cabeça. Rastejando para a cama, eu pego meu laptop para fora da mesa de cabeceira e o ligo, decidindo rapidamente verificar meu e-mail antes de pegar no sono tão necessário. Eu me inclino contra meus travesseiros, observando como meu Dell lentamente traz em si a vida. Na abertura do navegador, eu entro no meu email. A ampulheta vira e vira várias vezes na tela em branco, e eu estico os braços sobre a cabeça com um grande bocejo. Quando o meu e-mail, finalmente, carrega, meu corpo inteiro para, exceto o meu coração . Eu tenho certeza que ele está tentando lançar-se para fora do meu peito. Um sorriso lança em minha boca, e eu inclino para frente para me certificar que meus olhos cansados não está jogando truques em mim. Eu estou olhando para um e-mail de Devin. Oh meu Deus, eu estou olhando para um e-mail de Devin! Bolhas de excitação dentro de mim, e eu limpo as palmas das mãos suadas no meu edredom antes de tomar uma respiração profunda e abrir a mensagem.

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Para: Katie Devora De: Sergeant Devin U. Argila Assunto: Graças a Deus por e-mail Katie, Estou tão feliz que eu posso enviar e-mail pra você agora. Isso torna as coisas muito mais fácil sabendo que eu não tenho que esperar três semanas por uma resposta. Então, obrigado por isso! Passei a maior parte de doze horas em uma missão hoje e lendo sua carta e decidindo como responder. Eu ainda não tenho certeza da melhor maneira de começar, então eu estou indo com o meu coração. Ele porra me mata, mata por saber que eu a feri da maneira que eu fiz. Mas eu quero que você saiba de uma coisa, eu quero o seu perdão, eu preciso dele, Katie, e eu vou trabalhar para caramba por ele. E você vai me perdoar. Pode levar tempo e um monte de "rastejamento" da minha parte, mas isso vai acontecer. Um desses dias, quando for a hora certa, quando eu souber que você esteja pronta, quando estivemos prontos, eu vou contar para você todas as razões por trás da minha saída. Mas agora não é o momento. Por agora, eu simplesmente quero provar-lhe que pode confiar em mim, que eu estou aqui por você, e que eu nunca vou te machucar desse jeito mais uma vez. Obrigado por ignorar a sua cólera e responder, especialmente na hora de tristeza. Você nunca vai entender completamente o que isso significa para mim. Deus, Katie, não consigo parar de pensar em você, em seu pai, sua família inteira, inferno. Eu odeio que eu não estive lá para você quando você precisou de mim, você sabe que se eu pudesse estaria lá em um piscar de olhos. Mas eu estou aqui para você agora. Eu tenho certeza que você já passou por várias fases e emoções diferentes, mas eu quero que você saiba que você pode vir para mim. Falando de emoções, eu realmente acredito que os sentimentos que você está tendo em reação a morte de seu pai são normais. Todas as surpreendentes vezes que Jax e eu tivemos juntos: passando do básico, graduando juntos, tornando-nos Sargentos, noites bêbados em pequenas cidades alemãs, elas não são o que eu vejo quando eu fecho meus olhos. Eu só o vejo deitado em meus braços completamente sem vida, de olhos fechados, seu corpo sem vida. Eu acho que tem a ver, de eu não ter conseguido dizer

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adeus, e muito disso tem a ver com desejando que outros morressem e não ele. Eu daria qualquer coisa para trocar de lugar com Jax, como tenho certeza que você faria com seu pai. Eles chamam isso de “culpa do sobrevivente”, e eles dizem que é uma cadela para superar. Claro, que estou assumindo que é algo que você pode realmente “passar por cima”. Eu não vejo isso nunca indo longe. Estou devastado que eu perdi, mas sinceramente, eu ainda o sinto em torno de mim o tempo todo. Eu acho que ele está olhando por mim, ou talvez eu estou apenas enganando a mim mesmo. Você me perguntou como eu faço isso, a resposta é fácil. Eu não faço. Eu o vejo quando fecho meus olhos. Ele está em meus sonhos, meus pesadelos, ele está sempre lá. Eu não posso deixar de pensar que talvez a gente só precisa de tempo, você e eu. Talvez, com o tempo, as nossas memórias não vão nos assombrar tão mal. Talvez, com o tempo, nós seremos capazes de processar mais fácil. Ou talvez seja apenas esperança que desejamos. Você está certa, embora (Eu aposto que você gosta de ouvir isso, não é?). Eu não posso deixar isso me impedir de fazer o meu trabalho de levar esses homens para casa em segurança. É um fardo que aceitei quando assumir esta posição e é uma que levo muito a sério. Mas estar nesta posição significa que muito do que eu sinto deve ser contido. Eu não posso deixá-los saber que eu estou sofrendo e que eu sou fraco. Por vezes a pressão de tudo parece que vai me sufocar. E outras vezes, eu sinto como se eu estou bem onde eu pertenço. Eu amo esses caras, e os laços que eu formei com eles são como nada que eu já senti. Você sabe que eu era uma espécie crescendo solitário. Eu tinha alguns amigos aqui e ali, mas eu realmente não sentia como se eu pudesse me relacionar com qualquer um deles. E depois de vir pra cá, para lutar e sangrar ao lado desses caras, fazer algo muito maior do que nós, isso significa tudo. Não importa como este lugar me muda na estrada, eu sempre serei grato por essas amizades. Esses homens são meus irmãos. Isso significa ainda mais quando você está vendo uma diferença real. Quando você sabe em seu coração que você está fazendo algo bom, algo que muda a vida de outro ser humano para o melhor. Isso é como era no Afeganistão, mas aqui nem tanto.

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Como hoje, por exemplo. Algo aconteceu durante uma missão que assombrou minha cabeça. Eu nem sei como fazer sentido de tudo isso. O desrespeito absoluto da vida por esses animais me deixa perplexo. Para matar uma criança, para roubá-la de seus pais sem levar em conta é algo que eu nunca vou entender. Eles nos chamam de assassinos. Eles chamam de nossas cabeças, mesmo, e ainda assim eles matam uns aos outro com abandono imprudente. Eu gosto de pensar que entrei para o Exército, me implantado neste buraco para fazer algum tipo de boa diferença no mundo, mas não me sinto como se nós estivéssemos fazendo muito mais progressos. Não quero espancar você com os detalhes deprimentes deste lugar, porque eu sei que você está lidando com a sua própria dor. É apenas bom ter alguém para conversar sobre tudo, especialmente alguém que não está aqui questionando as mesmas coisas que eu sou. Confie em mim, eu não vou estar reclamando em poucos meses, quando a minha bunda embarcar em um avião de volta para Estados Unidos, eu posso prometer-lhe isso! Eu sinto falta de cerveja pra caramba e pizza, não podemos esquecer a pizza. Existem poucas pizzaria ainda na cidade, as que utilizávamos para comer em cada sexta-feira à noite depois do jogo de futebol? Deus, eu sinto falta daquele lugar. Lembro-me de quando a minha mãe trabalhou lá por um par de meses e ela levava para casa sobras de pizza do seu Buffet, sério, eu não posso falar sobre comida ou isso vai me deixar louco. De qualquer forma, falando de minha mãe, infelizmente ou felizmente, dependendo de como você olha para isto, ela está fora de cogitação. Passamos a melhor parte dos meus primeiros dois anos no exército fingindo porra. Eu voava para a Pensilvânia para uma ou duas semanas de férias e ficava em sua casa. Ela ia fazer o jantar e jogar de “mãe”. Então, ela ia tentar me convencer de que ela estava sóbria, e ela parecia um pouco melhor, mas eu não sou um idiota. Eu a peguei algumas vezes fazendo uma linha ou colisão chave. Nas semanas que passei com ela, eu me encontrava com vinte versões diferentes de Josephine, cada uma mais psicótica que o anterior. Ela era boa apenas quando ela precisava de alguma coisa de mim, geralmente de dinheiro e eu apenas me cansei dela. Durante um ano ou assim, eu senti esse ressentimento construído na boca do estômago e foi me arrastando pra baixo. Ugh, você não pode julgar-me

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para esta próxima parte, ok? Eu passei cerca de duas horas uma noite aleatória escrevendo como me senti, tudo isso. Quer dizer, essa coisa acabou sendo como cinco páginas. Eu gastei trinta minutos no telefone dizendo a ela o que eu tinha escrito, praticamente mordendo o rabo. Ela ficou puta e transformou-se em torno de mim, me culpando por meu pai sair porque ela disse que nunca queria ter filhos em primeiro lugar. Nós discutimos e, em seguida, suas últimas palavras foram: — E daí? É no passado. Eu disse 'foda-se', desliguei o telefone e nunca chamei novamente. Já se passaram três anos agora desde nossa última conversa, e eu não posso dizer que tenho saudades dela. Por mais louco que eu tenho certeza que tudo isso soa, me senti melhor depois que eu fiz isso, como se um peso tivesse sido tirado. Eu não estava sobrecarregado, porque eu tinha colocado tudo em cima da mesa e lavei minhas mãos disto. Esta é realmente a minha primeira vez que penso nela há algum tempo, por isso, obrigado por isso (e sim, eu estou sendo um espertinho). Eu tive ótimos dois anos com a minha avó embora. Eu trabalhei em biscates e tomei algumas aulas em uma faculdade comunitária nas proximidades. Com o tempo livre que eu tinha, eu li seus livros. Seu autor favorito foi Nicholas Sparks. Tentávamos frequentemente chegar a essa última página temida do livro, e como as palavras finais derramado de meus lábios, ela invertia esses olhos bem abertos, soltava um suspiro longo e satisfeito, e então começava em uma história sobre o vovô e ela se apaixonar. Ela disse que eles se apaixonaram um pelo outro ao longo e uma e outra vez. Ela sentia falta dele terrivelmente nos anos que passou sem ele, e parecia que quanto mais se aproximava do final, mais animada ela estava de vê-lo novamente. Pode soar idiota, mas era apenas uma coisa muito bonita de sua parte. Desculpe, eu acho que posso ser o único balbuciando hoje. E o suficiente sobre mim de qualquer maneira. Fale-me sobre você. Tem sido uma década, então o que eu perdi? O que faz a senhorita (ou Sra?) Katie Devora? Você sabe que eu sou um soldado aqui fora jogando na maior caixa de areia do mundo. O que você está fazendo na sua vida? Posso levantar três suposições? Professora, enfermeira ou assistente social. Eu sei o quão grande é seu coração, e você sempre disse que queria fazer algo para ajudar os outros.

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Bem, tem sido um dia muito longo e os meus olhos me odeiam agora, então eu vou pular fora daqui. Mas eu quero que você saiba que tem sido bom conversar com alguém, especialmente você. Estou feliz por nós temos um meio mais rápido de comunicação, porque eu não quero esperar semanas para ter noticias de você novamente, não depois da última década que passamos separados. PS. Como esta sua mãe e Bailey? Atenciosamente, Devin Meu corpo é uma mistura confusa de emoções quando eu inclino para trás contra a minha cabeceira e penso em tudo que ele escreveu. Meu coração dói por Devin e o que ele testemunhou e sofreu tanto em guerra e em casa. Eu não sei como ele faz isso, como ele lida no dia-a-dia, mas eu poderia dizer por sua louca corrida de palavras que ele precisava falar o que aconteceu hoje, ou talvez se fosse ontem em seu peito. Ele também mencionou que era bom ter alguém para conversar, e meu estômago vibra com o pensamento que eu sou aquela pessoa. A sensação de paz que a nossa amizade inflige e lava em cima de mim, e eu aperto meus olhos fechados porque o sentimento é tão familiar que fisicamente dói. E, pela primeira vez, me bate a falta dele. Eu perdi a nossa amizade, a ligação que nós compartilhamos. Eu sinto falta de ser capaz de falar com ele sem ser julgada, e eu sinto falta do jeito que ele costumava me apoiar sem balançar qualquer um dos meus pensamentos ou ações. Eu sinto falta de Devin. Em algum lugar no fundo da minha cabeça, há uma visão pequena de mim chorando no meio de sua calçada, depois que eu descobri que ele tinha me deixado, mas eu afasto e me concentro em suas palavras. Como no mundo pode me afetar suas palavras desta maneira? Demorou cerca de um ano depois que ele saiu para enfrentar o fato que ele não ia voltar, e mais um ano para me convencer de que qualquer sentimentos que teve por mim não eram reais. Cerca de um ano depois, eu

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finalmente percebi que eu nunca seria a mesma. Então, ele foi capaz de se infiltrar facilmente na minha vida desta forma após uma década do nada, é bem assustador realmente. Porque se ele me machucou uma vez, ele poderia fazer novamente. Esse pensamento só faz meu estômago revirar, mas eu tomo uma respiração profunda, limpando e empurrando a náusea. Porque agora eu quero nada mais do que levar tudo isso para o que vá com ele. Eu não quero viver com medo. O que eu quero é avançar. Assim quando eu estou a ponto de responder ao seu e-mail, meu telefone vibra novamente. Wyatt: Por favor, me chame. — Vamos, Wy, — murmuro, para ninguém além de mim. — Por favor, não faça isso. — Eu sento por alguns minutos, tentando decidir o que fazer, e quando eu sopro e olho para o lado, meu olho pega em uma imagem encravada no lado do meu espelho. Meu primeiro pensamento é como diabos é que imagem fixou lá? Então, quando meus olhos permanecem sobre a foto de Wyatt e eu, de braço dado, um dia depois que fomos contratados, eu imediatamente penso em Devin. Por que ele perguntou se eu era uma senhorita ou senhora? Ele é curioso, porque ele acha isso, o que quer que isso é, é mais do que o que é? Ou talvez ele perceba que ele fez a porra de um erro colossal e quer que eu lhe der outra chance. Se for esse o caso, então, de jeito nenhum, senhor. Você me deixou, você perdeu, e Deus sabe que eu não vou por esse caminho novamente. Certo? Certo! Mas e se, Talvez ele esteja envolvido. Ou, pior ainda, casado. Puta merda, e se ele tem uma família? Meu peito aperta com a ideia de construir uma ligação emocional com ele, quando ele pertence a outra pessoa, e por um segundo eu hesito em responder. Ênfase na segunda divisão, que é mais quando eu bati 'resposta', todos os pensamentos de Wyatt completamente desapareceram. Para: Sargento Devin U. Argila De: Katie Devora Assunto: Você é casado?

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Devin, (Espero que eu não esteja sendo muito indiscreta, mas eu sinto que nós nos mudamos no passado há um tempo, digamos no primeiro grau:) . Então, aqui vai nada. Você é casado? Você não tem uma namorada, esposa ou família em casa, não é? Eu vou ser descaradamente honesta, e se eu estou longe da marca então, bem, vamos fingir que eu nunca escrevi este e-mail. Suas palavras atingiram um acordo comigo. Elas me bateram onde dói, da melhor maneira, e talvez é só nostalgia, mas eu sinto uma ligação quando leio suas cartas / e-mails. Mas eu não vou mentir, o pensamento de reiniciar a nossa amizade, que eu suponho que é o que isto é, uma vez que ambos continuamos respondendo um ao outro, com alguém que já está emocionalmente investido em outra pessoa não faz eu me senti bem comigo. E considerando nosso passado, não seria justo com sua esposa ou namorada. Mas não é apenas isso, apesar de que é isso já é enorme. Seja o que for, isso assusta a merda fora de mim. Não apenas devido à forma como as coisas terminaram entre nós, mas porque você tem o poder de me machucar. E francamente, eu não vou sobreviver se me machucar novamente. Meus dedos batem nervosamente contra as teclas, os dentes mastigando meu lábio inferior ao reler o que eu escrevi. Merda. Pareço uma idiota. Quem diabos escreve para alguém que mal conhece mais? Isto é da minha conta se ele está em um relacionamento. Certo? E devo dizer-lhe sobre Wyatt? Ele tem o direito de saber sobre isso, mesmo que seja de novo? Droga! Torcendo um pedaço de cabelo em torno de meu dedo, eu giro várias vezes, decidindo se devo ou não, esta conexão que estamos construindo vale a pena. Só quando eu começo a ter uma dor de cabeça real me atingido é que eu não tenho uma escolha na matéria. A conexão já foi estabelecida, se eu goste ou não. Então dane-se, não é como se eu tenho muito mais a perder. Tudo bem, agora que eu coloquei a parte estranha fora do caminho, vamos para outra coisa. PIEDOSA MERDA.

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Mata-me saber que estes são os tipos de coisas que você está vendo e lidando com isso no dia-a-dia, e meu coração dói para as crianças inocentes que parecem estar sendo apanhadas no fogo cruzado. Eu sei que você provavelmente se sente impotente, nessas situações, e eu não vou fingir que eu sei nada sobre isso, mas eu tenho certeza que você está fazendo tudo o que pode. Você tem que se lembrar que você é apenas uma pessoa em um exército de soldados que lutam contra o mal. Vão ser em dias para você conquistar e outros para você capitular. Mas não perca de vista porque você escolheu fazer isso. Eu não tenho nenhuma dúvida de que você vai fazer um impacto, grande ou pequeno, e a vida das pessoas será melhor para elas. Eu quero que você saiba como estou orgulhosa que você tomou este caminho na vida. Você sempre foi assim incrivelmente forte, por isso não devo me surpreender que você decidiu ir para a guerra e lutar pelo nosso país. Obrigado por isso, E de maneira nenhuma se sinta como você estivesse esmurrando demasiadamente. Você se lembra de toda a merda que eu bati-lhe nesta primeira carta? E não vamos esquecer todas as histórias que fiz você ouvir crescendo. Além disso, eu gosto de ouvir sobre sua vida no serviço militar, e todos nós precisamos de um lugar para desabafar. Estou feliz que eu posso estar aqui para você. Assim, tanto quanto eu aprecio a oferta que eu possa vir a você e eu quero acreditar em você quando você disse e quero que você saiba que eu estou aqui para você também. Ok, agora que as coisas piegas estão fora do caminho, deixe-me responder à sua pergunta. Eu sou uma enfermeira. Eu trabalho em um hospital local, ao lado da minha melhor amiga, Maggie. Nós trabalhamos no setor de trabalho de parto, que eu adoro. É tão emocionante ver a vida nova que está sendo trazida a este mundo. Estas pequenas pessoas inocente são tão perfeitas, e vê-los abrir os olhos pela primeira vez e tomar a sua primeira pequena respiração aquece o meu coração. E confiem em mim, meu coração precisa de todo o aquecimento que pode obter nestes dias. Percebo agora que eu tenho trabalhado muito embora, usando-o como uma fuga. Fui pegando as muitas mudanças quando o hospital permitia, na tentativa de ignorar a dor. E isso ajudou realmente, mas eu estava me escondendo por trás disso. Eu estava a trabalhar em exaustão, de modo que no final do dia eu não podia fazer muito mais do que passar em descansar.

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Eu também fui cuidar dos cavalos. Você se lembra do Mac, certo? Bem, eu ainda tenho ele! Mamãe quer se livrar dos cavalos, porque ela diz que eles são uma obra muito cara e muito, mas para mim, eles são uma maneira de manter a memória do meu pai viva e eu não estou pronta para deixar ir ainda. Mas um dia desses, eu vou chegar lá. Depois da minha última carta para você, eu jurei tentar fazer melhor. Eu acho que você vai ter orgulho de saber que não fui pegar o maior número de turnos, e eu contratei um jovem menino de alta escola para ajudar na fazenda. Eu definitivamente tenho mais tempo em minhas mãos, mas eu acho que nem sempre é uma coisa ruim. Eu acho que o fato de que eu posso passar mais dias, ênfase no mais, sem gastar cada segundo pensando sobre o acidente é um movimento na direção certa ... Você não acha? Já comecei a fazer as pazes com minha mãe e irmã, que estão indo muito bem, por sinal, obrigado por perguntar. Mamãe era muito, muito mais fácil do que Bailey, você se lembra como teimosa ela pode ser. Eu sei que vai demorar um tempo com ela embora. Algumas das coisas que eu disse a ela e da maneira como agi são indesculpáveis, mas estou confiante de que ela vai me perdoar com o tempo . E, quem sabe, talvez com o tempo você vai ser capaz de consertar as coisas com Josephine. Eu odeio ouvir como as coisas correram para baixo entre vocês dois, embora eu não posso dizer que estou surpresa, não depois do jeito que ela começou a atuar depois que seu pai a deixou. Mas não é culpa sua, então não ache isso. Ela é mãe; ela deveria ter lidado com as coisas de forma diferente, tanto quando você estava crescendo e quando um adulto. Eu não o culpo por não ficar em contato com ela. Nenhuma criança deve ter que trabalhar duro para ter um relacionamento com o seus pais. Mas eu discordo, quando é de Josephine que estamos falando. Gosto de pensar que isso só vai se tornar mais forte, quando chegar o dia que você se tornar um pai. (Não se desespere por essa perspetiva LOL) Ok, o suficiente com todo o material pesado, me diga algo sobre você que eu já não saiba, algo que aconteceu em sua vida desde que nos separamos. Eu vou falar com você em breve ... EMAIL É GRANDE !! Atenciosamente, Katie

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Com um sorriso no meu rosto, eu clico em enviar, em seguida, fecho o meu computador para baixo, colocando-o sobre minha mesa de cabeceira e aconchegando na cama. Meus olhos derivam fechados quando minha mente puxa para frente em visões de Devin quando era um jovem. Somente antes de adormecer, eu começo a me perguntar como ele se parece como um adulto. São seus olhos verdes e penetrantes como foram uma vez? Será que a covinha na bochecha esquerda ainda se destaca cada vez que ele sorri? Se eu o ver agora, será que o meu corpo vai ter a mesma reação que teve a ele uma vez?

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Devin “Existentialism on Prom Night” – Straylight Run

Mais um dia se passou e eu ainda não consigo tirar Katie fora da minha cabeça. Visões suas dançam na minha cabeça no momento que meu corpo atinge a cama. Ela está em meus sonhos e, em seguida, consome cada pedaço da minha mente, cada segundo que eu estou acordado. E não só ela tem se infiltrado no meu cérebro, como ela recuperou o lugar vazio no centro do meu peito também. Se eu tive um tempo difícil dormir antes de Katie voltar para a minha vida, então eu estou como uma insônia completa agora. Desde o último, eu me encontro no centro de comunicações em noites como esta noite, nem mesmo contar mil ovelhas não faz o sono chegar, e-mails de Katie ter fornecido um link para a minha vida passada, às memórias da malícia na infância e amor novo. Porra, eu sinto falta daqueles dias, era muito mais simples. Quando meus dedos instalam-se contra o teclado, eu penso sobre a improbabilidade de tudo. Nunca em um milhão de anos eu queria participar de um programa pen pals12 porra, e eu não tenho absolutamente nenhuma explicação para isso que eu fiz. E para Katie me encontrar entre os milhares de outros nomes, Eu sou apenas um sortudo filho de uma cadela. 12

Pen pals (o termo em inglês para amigos por correspondência) na internet, acabamos achando muitos sites de gente que ainda praticava a troca de cartas via snail mail (ou “correio lesma”, na tradução ao pé da letra em português). Nesses sites, era possível fazer um perfil se apresentando, contando do que gostava, indicando de que tipo de assuntos queria falar, de que lugares e idades gostaria que seus pen pals fossem e se queria trocar coisas (cartões postais, CDs, moedas e o que mais a imaginação permitisse).

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Mas não posso deixar de perguntar se a sorte jogou uma mão em tudo isso, ou se era algo mais, algo maior do que todos nós. Eu nunca acreditei uma vez em um Deus, não com a educação que eu suportei. Mas quando você vê a delicadeza da vida e da rapidez com que pode ser arrancada, você começa a ansiar para um poder superior. Você começa a sentir a sua presença e vê-lo de maneira que você não pode começar a entender porque a aterrissagem de bomba de morteiro sem valor não detonou antes em você, a bala de um atirador que fura o seu colete à prova de balas, viajou o seu caminho em torno de sua volta, mas o deixou imune, com um estilhaço alojado no lado do seu capacete que poderia ter sido em seu cérebro. Uma segunda chance no amor... Muitas pessoas não encontram o que Katie e eu já tivemos, e menos ainda ter outra chance para isso. Eu sei que ela não está pensando em termos de reacender o que tínhamos antes, mas se ela acha que “reiniciar a nossa amizade” é suficiente para mim, ela não poderia estar mais errada. É claro que eu quero ser seu amigo novamente, mas eu quero tudo. Eu a quero de volta. Passos de bebê, eu me lembro. Para: Katie Devora De: Sergeant Devin U. Argila Assunto: linha de assunto agradável! Katie, Falar sobre a vinda para a direita fora da porta, então novamente, não esperaria nada menos de você. Então, para responder à sua pergunta, não, eu não estou casado. Não há esposa, namorada ou família em casa, por isso, você pode descansar fácil esta noite. E eu não vou mentir, eu realmente gosto de saber que você está se tornando emocionalmente investida, porque eu já estou lá. Suas cartas têm o mesmo efeito em mim, isso é conexão, não é só nostalgia. É real, e no caso de eu já não ter deixado claro, eu sinto isso também. Você mencionou que esta perspetiva assusta a merda fora de você, porque eu tenho o poder de feri-la. Não deixe que isto te assuste, Katie. Eu sei que é fácil para eu dizer, desde que eu sou o único que se afastou, mas eu não

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apenas arranquei seu coração naquela noite, o meu foi retalhado também. E sabendo que eu a feri é algo que eu vou ter que viver com isso, todos os dias para o resto da minha vida. Assim confie em mim quando eu digo que eu não vou te machucar, não agora, nem nunca. Nunca mais vou andar longe de você. Minha palavra significa merda agora, como deveria, mas vou provar isso para você. Só me dê a chance. Agora, desde que conseguiu evitar completamente o meu não assim modo sutil de perguntá-la, o que não faço realmente. Eu realmente quero saber, eu preciso saber. Você está vendo alguém? Casada? Namorando? Filhos ? (Isto funciona nos dois sentidos, você sabe:) . Ok, bastante com o que o chamou coisa estranha? Hahahaha simmm! Uma enfermeira! Como bom sou eu, hein? Eu não posso nem imaginar que tipo de desafios esse tipo de profissão apresenta, mas parece que você tem um trabalho incrível. Todos os dias você começa a ver o vínculo instantâneo entre a criança e a mãe, isto deve ser incrível. Estou tão maldito orgulhoso de você, Katie. E eu acho que está tudo bem que você usou o trabalho como uma fuga, porque isso é quem você é. Você sempre foi de se enterrar de alguma forma no trabalho quando você ficava estressada ou chateada. Inferno, eu ainda posso me lembrar de você entrando em brigas com a sua mãe ou Bailey, e qual é a primeira coisa que você faria? Pisar duro e ir para o celeiro, sim eu sempre estive olhando, e não, eu não me arrependo, você ia direto para o celeiro e começava estercar estábulos. Adicionaria aquela canção que odiei. O que diabos era isso? Oh sim! Aquela “Bye Bye Bye” canção do Backstreet boys, certo? Eu sabia que logo que essa música vinha, era a minha deixa para sair. E a partir dos sons dela, você não mudou tanto assim. Mas eu tenho que perguntar, você ainda ouve essa música? Não, realmente, eu quero saber! Agora, se minha memória não me falha, você sempre anda longe do celeiro renovado e pronta para enfrentar sua mãe ou Bailey, espero que isso não mudou. E por falar em sua mãe, eu estou tão feliz que você não está ouvindo-a sobre como se livrar dos cavalos, especialmente sabendo o quanto eles eram especiais para seu pai. Você nunca deve se arrepender por querer agarrar-se a isso. Mas eu acho que foi uma boa ideia obter alguma ajuda na fazenda, e parece que você poderia usar um pouco tempo para si mesma.

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Talvez você deve pensar em um período de férias, digamos, Maui, quando eu chegar em casa de licença? Eu quero dizer, eu estou bem com Bahamas também (que não era sutil em tudo, não é?). Assim você apenas medita sobre isso, e vamos voltar a isso mais tarde. Que tal isso? Meus dedos pausam quando eu decido qual próxima parte de sua carta abordar. Eu não quero falar sobre a porra militar agora mais do que eu preciso. Vivê-la dia após dia é suficiente. E eu com certeza como o inferno não quero falar sobre minha mãe. O que eu realmente quero falar é sobre Katie. Com um sorriso no meu rosto, eu decido responder sua última pergunta. Então você quer saber algo sobre mim que você ainda não sabe, hmm... Você percebe que vai ser difícil, certo? Ok, tem um! Antes da minha primeira implantação, eu comprei uma guitarra acústica para levar comigo porque Jax tocava. Ele era bem louco e pedi-lhe para me ensinar. Ele finalmente cedeu e nós utilizávamos para praticar juntos todas as chances que tivemos. Bem, se você passar um ano tocando com um guitarrista tão incrível como Jax, você será muito muito bom mesmo. Grace é o nome que dei a minha Fender13. E você? Diga-me algo que eu não sei. E enquanto estamos no assunto, nos conhecer outra vez e então me diga sobre você, me conte o seu maior medo na vida. Não me lembro, acho que nós nunca falamos sobre isso. Ok, já é tarde como o inferno aqui e tenho uma missão cedo amanhã. Espero que você tenha um ótimo dia e eu não posso esperar para ouvir de volta de você. Sempre, Dev Cansado pra caramba, eu desligo o computador, empurro para longe da mesa, e faço o meu caminho em direção a porta para mijar, antes de sair. Quando eu chego mais perto, eu ouço gritos abafados vindo a partir de dentro de um deles. Eu acelero meus pés até que eu estou fora da porta, 13

Marca de guitarra.

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onde eu ouço um ronco alto acompanhado de um choro mais abafado. Eu bato levemente na porta e o choro para imediatamente. — Eu estarei fora em um minuto. — Eu reconheço a voz de Thomas quando ela salta contra as paredes de plástico. — Thomas, é Clay. Você está bem, cara? — Sim. Eu, uh... Eu só preciso de um minuto. — Fique a vontade. — Eu tomo um banheiro ao lado dele e, em seguida, viro a esquina para esperar por ele na saída. Quando a porta range aberta, vejo Thomas esgueirar-se, com os olhos fixos no chão. — Hey, eu chamo com calma, — vêm fumar um cigarro comigo. Ele não me enfrenta e continua na direção oposta. — Eu estou bem, Sargento, — diz ele, me acenando pra fora. Dando um passo em direção a ele, eu chego com um cigarro e isqueiro. — Isso não foi um pedido, Thomas. Obtenha a porra da sua bunda aqui. Thomas para e lentamente, me enfrenta. Sem fazer contato visual, ele leva o cigarro e isqueiro da minha mão. Ele passa rapidamente o Zippo duas vezes antes das faíscas ir à vida, e em seguida, ele acende o pau do câncer e joga meu isqueiro de volta para mim. — Você precisa falar comigo, porque eu sei que esta merda está corroendo você. — Eu tomo um acento. Thomas não olha para mim ou toca em seu próprio cigarro, mas eu não perco o tremor em seu queixo ou o tique em sua mandíbula. Ele está lutando para manter algo de volta, e eu preciso levá-lo a se abrir. — Eu estou bem, Sargento, — diz ele com os dentes cerrados. Eu posso dizer pela maneira como ele está mudando em seus pés que ele não quer nada mais do que obter o inferno longe de mim. — Foi o carro-bomba? A menina? — Ele suga uma respiração afiada. Eu estou empurrando-o, eu o conheço, mas isso é o que ele precisa. — Foi o corpo? Tudo isso? — Pergunto. — Eu disse que eu estou bem, sargento! — Seus olhos encaixam aos meus, duros e inflexíveis, completamente inconsistente com as lágrimas que estão empurrando contra os limites de seus cílios. Ele é como uma criança

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tentando desesperadamente ser um homem, e eu quero levá-lo em meus braços como se eu fosse uma criança. Mas isso não é o que fazemos aqui... — Thomas, vamos ficar aqui o caralho da noite, se é isso que é preciso para levá-lo a falar. Eu estive em um tiroteio de três dias sem dormir, enquanto você ainda era uma porra de um sênior na escola, de modo que você não quer ter esse concurso comigo. Agora me diga o que está em sua mente. Ele esfrega as lágrimas com as mãos, mas o que está passando por sua cabeça deve ser demasiadamente poderoso. Eu vejo quando seu peito arfa várias vezes. Quando ele finalmente olha para cima, com os olhos vidrados encontrando o céu, e por um momento eu vejo paz. Apenas por um momento. E então ele olha para mim e balança a cabeça. — Não é o corpo. Eu poderia dar dois fodidos tiros sobre esse filho da puta. Eu estaria de volta a equipe presente nessa merda cem por cento, assim como nós concordamos antes de chegarmos aqui. — Então, o que é? — Eu pergunto, já sabendo a resposta. Como a maioria de nós aqui, não é uma coisa qualquer, apenas uma grande pilha de merda. — A garota, os IPs, porra, tudo cara. Eu pensei que eu queria isso, eu realmente fiz. Mas se perdermos mais uma porra de Guy... — Thomas se isola, com lágrimas em seus olhos mais uma vez. Posso dizer que ele quer deixar tudo para fora, mas ele não pode na minha frente. Ele não vai. É a maneira da infantaria, e às vezes eu odeio. — Eu não sei quando eu vou cair. — Sua voz treme com cada palavra quando ele deseja qualquer coisa, para escapar. Ele deixa cair de cabeça, envergonhado. — Você vai porra pendurar, Thomas. Você sabe por quê? — Eu não lhe dou tempo para responder. — Por causa dos outros cento e cinquenta filhos da puta, pau duro nessas tendas. — Eu aponto o dedo na direção para onde estão todos dormindo. — Você vai continuar lutando, porque eles iriam continuar lutando por você. Você acha que eu não sinto o que você sente? Eu faço cara. Cada. Porra. De. Dia. — Dou um passo à frente, eu coloco minha mão ao redor da nuca e puxo o seu rosto perto do meu. — Eu preciso de você para lutar por mim. Eu preciso de você para lutar por eles. Eu preciso de

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você para se certificar que esses caras cheguem em casa. Foi por isso que se inscreveu e eu vou ser Condenado por Deus Porra, se eu deixar você sair daqui agora. Você é uma porra de um guerreiro, está me ouvindo? — Seus olhos se desviam do meu, de voltam para o chão, então eu aperto forte em seu pescoço. — Olhe para mim! Quando ele faz, meu coração aperta as lágrimas agora caindo livremente pelo seu rosto. — Você pode encontrar uma maneira de passar por isso? Estamos a sua volta, irmão. Nós só precisamos que você tenha isso agora, não é? — Sargento Roger, — diz ele, com a voz quase inaudível. — Eu não posso ouvi-lo, Thomas. Você tem as minhas costas até que saia daqui? Isso é tudo que estou pedindo. Thomas me olha nos olhos, enxuga as lágrimas e endireita as costas. — Eu sempre terei suas costas, Sargento. — Boa. Agora obtenha alguma porra de sono. Eu sei que você precisa dele. — Eu o puxo em um estreitamento e jogo um braço ao redor de seus ombros antes de deixá-lo ir e empurrando-o para as tendas. Ele tropeça um pouco, mas endireita a si mesmo, e eu vejo um sorriso puxar no canto da boca. Acendendo outro cigarro, eu o vejo caminhar dentro da sua tenda, e quando eu estou certo de que ele se foi e ninguém esta por perto, meus ombros caem para frente, a minha cabeça baixa, e eu cedo a minha própria dor. As lágrimas vêm rapidamente, escorrendo pelo meu rosto antes de ser absorvido pelo meu uniforme. Há ferrugem se formando em minha armadura.

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Katie “Breathe Again”—Sara Bareilles

— Ei Katie. — Sean se inclina e me beija docemente no rosto. — Eu não vejo você a um tempo. Você está bonita. — Ei! — Protestos de Maggie, dando tapas em seu braço de brincadeira. — O que eu sou, fígado picado? — Droga, mulher, — ele ri, esfregando o braço. — Tapas não. O que eu disse a você sobre isso? — Isso é para o quarto, — Maggie canta, empurrando-se da cadeira, entrando diretamente para os braços de Sean. Ele a levanta e lança-a sobre seu ombro. Maggie grita, chegando a me pedir ajuda, mas eu bato a mão, rindo ao longo de suas palhaçadas lúdicas. — Onde você está me levando? — Ela diz quando Sean se vira para caminhar pelo corredor. — Onde mais? Para o quarto. — Temos companhia, — ela grita, ziguezagueando ao redor, tentando se libertar. — Droga. — Abaixando Maggie no chão, ele mantém uma mão firme em sua cintura até que ela esta em seu pé e depois a empurra contra a parede. Uma imagem de Devin segurando meu quadril enquanto ele bate em mim aparece na minha cabeça, e eu pisco os olhos várias vezes. De onde diabos veio isso?

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— Eu pensei que eu ia fugir com ela. — A voz de Sean é baixa e rouca, seu lábios em Maggie, quando ele fala. Eu me sinto atordoada em silêncio pela quantidade de energia sexual correndo pela sala. Desviando o olhar, é provavelmente a coisa educada a fazer, mas por alguma razão eu não posso. A química entre os dois é porra quente. É palpável. É exatamente o que eu quero. Meus olhos seguem as mãos de Sean quando elas deslizam para cima do corpo dela. Ele coloca em seu pescoço, puxando sua boca para a dele, mas em vez de beijá-la docemente como eu esperava ele fazer, ele devora-a, mergulhando a língua em sua boca. Eles estão instantaneamente em um duelo de poder. — Você tem um gosto tão bom pra caralho, Katie. — Os olhos de Devin, brilhando com a luxúria, estão prendendo-me na cama, me segurando refém. As batidas de memória dentro de mim são tão rápidas, que eu não vejo chegando, mas eu estou rapidamente arrastada de volta, quando o som fraco de gemidos me chama a atenção. Meu queixo cai na mira de Maggie e Sean. Suas mãos estão por toda parte, explorando lugares, eles certamente não devem se explorar na presença de outro ser humano. Eu olho para longe, os olhos saltando ao redor da sala, mas talvez eu só estou com uma tensão no coração porque a curiosidade tem o melhor de mim, e eu não posso deixar de olhar para eles. Maggie emaranha os dedos no cabelo de Sean, segurando ele para ela, e quando um leve gemido cai de sua boca, o calor se instala baixo em minha barriga. Deus me ajude, isso é como assistir pornô ao vivo, e juntamente com os meus flashbacks aleatórios de perder minha virgindade com Devin, bem, vamos apenas dizer que eu estou certamente trabalhado. Sean puxa para trás. Os olhos de Maggie vibrando abertos. — Eu tenho que atender um cliente para jantar — diz ele, ligando as mãos juntas, — Mas eu queria parar e dizer “eu te amo”. Esse foi o seu beijo firme e espere até eu chegar. — Isso era um inferno de um beijo, — murmuro. Ambas as cabeças de Maggie e Sean encaixam na minha direção. — Bem... — Encolho os ombros não apologeticamente — Eu poderia seriamente ir para uma bebida forte e cigarro atrás de ver isso.

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Os olhos de Maggie ampliam com diversão. — Você não fuma. — Exatamente. Sean sorri e beija Maggie uma última vez antes de sair pela porta. — Ele é minha lagosta, — diz ela com um suspiro, caindo ao meu lado no sofá. Maggie é uma viciada em Friends, e um de seus episódios favoritos é aquele em que Phoebe tenta convencer Rachel que Ross é sua “lagosta”, porque lagostas são companheiros para a vida. Assim, sendo viciada em Friends, eu sei logo de cara o que ela está falando. — Posso ter uma mordida de sua lagosta? Maggie bufa e sorri para mim. — Desculpe, irmã. Precisamos encontrar o seu próprio. — Eu não acho que eu tenho uma lagosta, — eu digo, sentindo uma pontada de desconforto no peito. Em poucos anos eu vou ter trinta, e, embora eu sei que não estou no melhor lugar agora para começar uma relação, ainda é algo que almejamos. — Você tem uma lagosta, — ela afirma. — Ele só está ainda lá fora, nadando ao redor, tentando não ser comido. Puxo o joelho em cima do sofá, ângulo o corpo de Maggie para o meu. — Ok, eu estou faminta sério, por isso temos de parar de falar sobre comida. O que você quer fazer essa noite? — Quais são as minhas opções? — Pergunto, imitando sua posição no sofá. — Você quer assistir um filme? — Nah, eu assisti a um filme esta manhã. — Eu trabalhei nas últimas três noites, o que significa que tenho o próximo par de dias de folga. Esta manhã foi gasta assistindo The Breakfast Club, e quando eu fui para começar de novo, eu decidi que já era o suficiente. Então eu me convidei a ir para Maggie onde eu passei a maior parte da tarde. — Poderíamos ficar arrumadas e ter algumas bebidas. Eu olho para as minhas calças de yoga, t-shirt e meias. O pensamento de substituir por jeans e saltos me faz querer estremecer. — Passo. Próxima opção.

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Maggie olha em volta, fazendo um estalo com a língua. — Eu consegui! — Saltando do sofá, ela se lança no final do corredor, e um par de segundos depois, ela corre de volta com seu laptop a tiracolo. — Pode querer bebê, — diz ela, entregando-me o computador dela antes que entre na cozinha. Até o momento que eu ligo o computador, Maggie vem passear de volta com um litro de sorvete de creme de baunilha, uma garrafa de xarope de chocolate, e duas colheres. — Desculpe. — Ela encolhe os ombros, sentado no sofá ao meu lado. — Eu só tenho de baunilha, mas podemos totalmente revesti-la no chocolate. — Nunca peça desculpas por me alimentar com sorvete ou chocolate. — Entregando o laptop para Maggie, eu agarro o sorvete e abro a tampa, em seguida, despejo a calda toda sobre ele. Agarrando as colheres, eu entrego uma para ela, aconchegamos contra o sofá e nós duas mergulhamos. — Para que é o laptop? — Eu pergunto, na primeira mordida da delícia cremosa na boca. Um lento sorriso se espalha pelo rosto de Maggie. — Nós estamos indo encontrar uma lagosta. — Ah não. Não, não. — Balançando a cabeça, eu faço um movimento para o computador, mas ela puxa-o para fora do meu alcance. — Ah sim. Sim, Sim, Sim. — Maggie... — Oh vamos lá. Soltar-se. Isso poderia ser divertido, — ela brinca. — Eu nem sei o que é isso. — Eu fecho em uma carranca, mergulhando minha colher no recipiente para outra mordida. — Case-se comigo. — Absolutamente não, — murmuro com todo o sorvete em minha boca. — Eu não vou entrar em um site de namoro. — Porque não? Ela chora, me dando seus melhores olhos de cachorrinho. — Bem, em primeiro lugar, porque eu simplesmente não quero. Em segundo lugar, é muito cedo que Wyatt e eu terminamos.

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— Dramática, — diz ela, acenando com a mão no ar com desdém. — Você estava com Wyatt por um longo tempo antes de cortar o cordão. Passar vai ser uma coisa boa. Que tal o Mark do piso cirúrgico? — Ele tem uma namorada. — Oh, Maggie diz com um beicinho. — E quanto a...? — Que tal você parar? — Eu digo, lambendo minha colher. Maggie dá-me a olhar para baixo, e eu devolvo com um grande sorriso. — Bem. Sua perda, diz ela, encolhendo os ombros. Eu assisto em silêncio, corroendo o sorvete quando Maggie puxa para cima na Internet e nos registros em sua conta no MySpace. Meus olhos saltam ao redor da tela, olhando-a, clicando através de vários perfis de pessoas. Eventualmente, eu fico entediada e pego o controle remoto. Eu não sei como ela tem tempo para tudo isso. Eu certamente não tenho. Bem, eu não o fiz até agora... Ligo a TV, acho o canal de notícia e solto o controle remoto, escutando como as conversações de ancoragem sobre contudo outro tiro na cidade. — Onde é que este mundo vai parar? — Eu sussurro. — Katie? — O quê? — Você precisa atualizar sua página do MySpace. — Eu sei, — eu respondo, meus olhos grudados na TV. — Não, sério. — Olho para Maggie e ela aponta para o seu computador. — Sua imagem de perfil é de dois anos atrás, e há uma enorme quantidade de fotos de você e Wyatt. Veja! De acordo com o seu perfil, vocês dois estão envolvidos. — Quem se importa? — Eu dou de ombros, voltando minha atenção de volta para a TV. — Não é como se eu estou sempre no MySpace de qualquer maneira, e eu não interajo com ninguém lá. Eu provavelmente só deveria excluí-lo. — Você não vai eliminá-lo, — ela protesta, me cutucando no lado. Rindo, eu taco a mão.

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— Awww, há Bailey quando ela era doce, ela murmura. — Falando de Bailey, como é que as coisas foram na outra noite? — Não foi bom. Ela esta louca comigo. Mais uma vez. — Ela não tem nada que estar louca aproximadamente. Não é sua decisão. E ela é sua irmã; ela deveria querer você feliz. Esfaqueando minha colher no sorvete, eu defino o pote na mesa de café. — Podemos falar sobre outra coisa? — Pergunto. Quando eu olho para Maggie, eu vejo seus olhos amolecer e ela me oferece um sorriso simpático. — Claro, — ela diz, olhando para baixo em seu computador. Um grande estrondo me assusta, e eu volto minha atenção de volta para a tela plana que está aninhada contra a parede. Flashes de luz laranja brilhante iluminam a tela. A cena horrível de uma loira vem na vista, a voz estridente que ressoa através dos alto falantes. Quatro pessoas ficaram feridas e dois mortos na manhã de sábado quando uma bomba atingiu um comboio militar dos EUA. Devin. Oh meu Deus, Devin! Meu coração quase explode do meu peito enquanto eu me esforço para compreender o que ela está dizendo. O ataque ocorreu trinta quilômetros ao sul de Bagdá. Isto vem apenas dois dias depois de uma série de atentados em todo o Iraque mataram trinta e nove pessoas, três dos quais eram soldados americanos. Eu coloco a mão trêmula sobre a minha boca com os pensamentos em Devin pela minha cabeça. É aonde ele esta? Ele está bem? Estão seus homens ok? Picos de adrenalina, bombeiam energia nervosa através das minhas veias, e eu fujo para frente no sofá. Largando a mão da minha boca, eu sustento meus cotovelos no meu joelhos e escuto atentamente, cada palavra fazendo o meu estômago torcer em nós. Um porta-voz militar nos diz que os quatro feridos no sábado eram, na verdade, soldados americanos, e todos são esperados para fazer uma recuperação completa. As duas mortes não eram americanos, mas civis iraquianos.

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Várias emoções me batem com tudo de uma vez com uma força tão poderosa que eu sinto em meus ossos. Medo. Ansiedade. Alívio. Ele está vivo. A respiração volta aos meus pulmões e eu largo meu queixo, enredando os dedos no meu cabelo. Ele poderia ter sido morto. Sua tropa poderia ter sido mortos. É possível que ele era um dos quatro homens ferido, mas sabendo que todos os soldados vão fazer uma recuperação completa e sem mortes de militares norte-americanos ajudou me acalmar. Mas meus dedos se contraem, o desejo de escrever pra ele e alcançá-lo é mais forte do que nunca. Mais do que tudo, eu quero saber que ele está bem e que seus homens estão bem, o que assusta o inferno fora de mim, porque isso significa que eu o deixei entrar. De alguma forma, neste curto espaço de tempo, eu permiti que meus sentimentos saíssem do esconderijo e eu já comecei a me preocupar com ele. Você nunca parou de se preocupar com ele, eu falo para mim mesmo. Apertando os olhos fechados, eu empurro para trás o ataque de emoções. Como isso aconteceu? Não somente tem me deixado chegar perto o suficiente da única pessoa que poderia me machucar de novo, mas em cima disso, ele é um soldado alguém que pudesse ser facilmente arrancado de mim a qualquer momento. — Katie? A voz suave chega em meio à neblina, me puxando para fora, e eu esfrego os olhos, determinada a não chorar. Quando eu finalmente endireito-me, Maggie está me observando atentamente. — Você está bem? — Sim. — Endireito as minhas costas, eu corro uma mão trêmula sobre o meu rosto. — Eu estou bem.

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— Sério? — Pergunta ela, as sobrancelhas levantadas. — Porque o que quer que fosse... — Ela vem com a mão na minha direção — Não estava bem. — Pare com isso. Estou bem. Eu só... Aquele repórter... — Não é possível obter as minhas palavras para fora, eu finalmente desisto e fracasso de volta no sofá. Um par de segundos se passa e Maggie fica quieta, então eu fecho meus olhos, tomo uma profunda respiração e digo: — Essa notícia assustou a merda fora de mim. Eu nunca presto muita atenção à notícia. Eu nunca tive um motivo para isso até agora. — Por causa de Devin? — Ela pergunta. Eu aceno com a cabeça, ouvindo os dedos tocar o teclado no seu computador portátil. — Lembra-se o seu último nome? Devin o quê? — Clay. Devin Clay. — Faço uma pausa, com medo de abrir meus olhos, porque eu tenho certeza que eu soei como uma completa maluca, e eu não quero vê-lo refletido em seus olhos. — Eu sei que é bobagem. Nós não falamos em uma década, Maggie, mas é como se nunca mais parei. — Minha mão em punhos na minha camisa, logo acima do meu coração. — Eu não posso explicar, mas eu sinto que me voltar a conectar com ele estava destinado a acontecer. — Ele tem o cabelo escuro muito curto? — Não faço ideia, — eu gracejo, jogando minha mão para cima, exasperada. Eu deixei cair para baixo cobrindo meu rosto. — Eu só sei o que ele usava antes, e ele odiava o cabelo curto. Era sempre desgrenhado, mas sim, era escuro. Memórias de enfiar os dedos pelos cachos na nuca de seu pescoço são flashes através de minha cabeça. — Seu cabelo era porra sexy. — Ele era robusto em um menino de tipo ruim de forma. Eu não posso imaginá-lo com cabelo curto. Aposto que se ele tem cabelo curto, então ele provavelmente não tem tão boa aparência, eu raciocínio, odiando que eu quero desesperadamente saber como ele se parece. Eu quero saber se seus cílios são escuros, se seus olhos são verdes ainda, e se a covinha na bochecha esquerda ainda se destaca a maneira como ele costumava fazer. — Sim... O meu corpo relaxa — Aposto que ele não envelheceu bem. Se eu o visse, eu provavelmente não iria sentir nada. Eu sei que é uma porra de mentira, porque não era na aparência de Devin que eu caí no amor. Foi seu coração e sua mente e tantas outras

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coisas que eu não estou indo para listar porque eu não estou interessada em um relacionamento, droga! — Talvez você sentisse um pouco mais do que isso, — diz ela sugestivamente. Arremessando o meu braço fora de meu rosto, meus olhos se abrem e eu olho para Maggie. Ela olha para baixo, sorrindo para mim e depois para o computador. — Porque ele com certeza não se parece com um homem que envelheceu bem. Mmm-mmm-mmm. Não, esse soldado é o sexo em uma vara. — Maggie, — eu respiro, meus olhos dolorosamente alargam. — Você não pode procurá-lo. Ela encolhe os ombros. — Tarde demais, já fiz. Quer ver? — Pergunta ela, mostrando-me seu laptop. — Não! — Levantando, eu rapidamente fecho seu laptop. A boca de Maggie cai aberta. — Bom Deus, Mags, ele vai pensar que eu estou perseguindo ele ou algo assim. Você não pode simplesmente fazer isso, eu digo freneticamente. — Você não pode simplesmente olhar alguém assim. — Porque não? — Eu... Eu não sei. Você simplesmente não pode. Parece errado. — Oh, confie em mim, diz ela, — Não é tão errado. — OK. Bem, talvez eu não queira saber com o que ele se parece mais, porque não é isso que ele é para mim. Eu não estou interessada em algo mais do que aquilo que somos agora, que é dois velhos amigos que conseguiram... — Ou talvez, — diz ela empurrando as mãos de cima do computador, — Você precisa parar de se preocupar, pare de pensar e basta olhar. Talvez. — Ela abre seu computador, que ainda está aberto ao MySpace, e eu cruzo minhas mãos sobre a tela, protegendo-a da vista... — A conexão que você sente em relação a Devin é forte, não porque ele é um velho amigo, mas porque ele é sua lagosta. — Ela ergue as sobrancelhas, e um sorriso derruba o canto da boca. — Oh meu Deus, Maggie. — Apertando a ponta do meu nariz, eu respiro fundo, lutando contra o desejo de estrangular a minha melhor amiga.

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Ela não pode fazer isso. Ela não pode plantar estas ideias malucas na minha cabeça. — Ele não é minha lagosta. — Sério? Os seus olhos se iluminam quando você fala sobre ele, — diz ela. — Ele tem sido capaz de puxar as coisas de você com “letras maiúsculas” Katie — ninguém mais poderia puxar fora de você. E só agora, quando estava a ver a notícia, você quase enfartou Inferno, eu quase enfartei apenas observando você. — Ela deixa cair uma mão suave no meu braço. — Vocês dois têm uma conexão. Eu sei que você sente porque você me disse. E você está certa. Não importa como ele é, porque essa conexão está lá, e é real. Mas e se essa conexão tem potencial para crescer? E se essa conexão poderia florescer em muito mais do que amizade? E se vocês não só poderia começar de volta de onde você perdeu, mas ganhar muito mais? Droga. Como ela sempre sabe dizer a coisa certa para me fazer mudar de ideia? Ela não sabe que eu não estou pronta para isso? Quer dizer, eu não estou pronta para isso, certo? Não, eu sei o que eu quero e o que eu não quero, e outra coisa do que ser amigos com o único homem que pode quebrar o meu coração é algo que eu definitivamente não quero. E se esse for o caso, em seguida, vendo sua imagem não vai mudar nada. Mas o que fazer? Merda. Lentamente, eu largo minhas mãos. A imagem do Devin preenche a tela, e cada última imagem do homem que eu tinha evocado na minha cabeça cai no esquecimento porque o real ele é muito mais do que eu imaginava. Meu coração dispara quando meus olhos vagueiam sobre sua imagem de perfil, que foi, obviamente tirada na praia. Seu corpo inteiro é rasgado, cinzelado à perfeição muito mais do que a última vez que o vi metade nu. Eu não posso ajudar, mas acho que este é o tipo de corpo que eu lido nos livros. Um braço de espessura, está lançado sobre o ombro de outro homem, igualmente tão lindo em um robusto tipo de caminho. Como esperado, os olhos verdes de Devin sob cílios escuros grossos e emparelham perfeitamente com seu nariz reto e lábios carnudos, que são divididos em um sorriso de tirar o fôlego. Ele sempre teve

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características fortes, mas elas são diferentes agora, mais definidas. E se isso não é suficiente para fazer qualquer menina desmaiar, a única covinha na bochecha esquerda que eu sempre amei, mais do que faz o truque. — Por favor, diga-me, podemos olhar para mais fotos. — A respiração quente de Maggie vem ao lado da minha cara, me trazendo de volta à realidade. Eu nem quero saber como nós duas somos loucas, por estarmos aqui sentadas babando sobre uma imagem em uma tela. — Absolutamente, — eu digo, balançando a cabeça. O punho de Maggie bombeia o ar. — Sim! — Clicando na seta, ela lentamente rola através das fotos. Há vários de Devin por si mesmo, um pouco dele com alguns amigos bebendo cerveja e um dele com uma menina. Ela é uma loira com olhos azuis brilhantes. Seu corpo encontra-se perto do seu, à sua esquerda, o braço envolto em torno de sua parte inferior das costas. O braço de Devin está encaixado em volta do pescoço, como se de uma criança, ou uma irmã mais nova, de qualquer maneira isso não faz nada para aliviar a tensão no meu estômago. Minha mente voa para o meu último e-mail e a questão muito importante que eu perguntei a ele. É esta a sua namorada, ou talvez sua esposa? De repente, eu quero nada mais do que correr para casa e verificar meu e-mail. Eu sei que Maggie me deixaria utilizar seu computador, mas as minhas cartas para Devin e as dele pra mim são apenas isso, elas são minhas somente. Mordendo o interior da minha bochecha, eu continuo a ver mais várias fotos quando um pensamento aparece em minha cabeça. — Maggie? — Eu sei, eu sei. — Ela sopra uma respiração lenta, com os olhos colados na tela. — Você é uma cadela sortuda. — E se eu não estiver pronta para isso? — Sua cabeça se encaixa na minha direção. — E se eu estou fazendo um enorme erro? — Pergunto. Seus olhos saltam ao redor do meu rosto, a incerteza rodando nas profundezas de seus olhos.

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— Mas você não está, — ela respira, seus olhos me implorando para considerar realmente o que ela está dizendo. — E se esta é uma segunda chance? Você me disse o quanto Devin significou para você e como você ficou esmagada quando ele se foi. Mas e se simplesmente não era o seu tempo? E se era necessário vocês dois se separarem, para que dessa forma vocês poderiam voltar a ficar juntos, mais fortes e mais sólidos? — E se eu deixá-lo entrar e ele sai de novo? Um sorriso lento toca no canto da boca de Maggie. — Então eu rasgo a porra das bolas dele fora. — Ofereço-lhe um sorriso trêmulo e ela fica sóbria. — Mas eu não acho que ele iria chegar a esse ponto. Você quer saber por quê? Eu concordo. — Eu acho que Devin é provavelmente um sujeito bastante inteligente, que é por isso que ele está escrevendo. Agora eu não sei exatamente o que as cartas dizem, mas você me disse que ele se desculpou mais de uma vez. A analogia mostra praticamente que ele percebeu que cometeu um grande erro, e que ele não vai fazer mais uma vez. Eu quero acreditar nela, eu realmente quero, mas há muitos 'e se'. Começando com — E se eu estou cometendo um grande erro por pensar que ele não vai me machucar de novo? — Katie. — Maggie suspira, fugindo pra frente sobre o assento. — A vida é uma grande chance. Você também pode optar por ficar à margem e sempre tomar a rota segura, ou você pode saltar para o jogo. Eu acho que você precisa saltar para o jogo. O destino fodido com você é o suficiente, e desta vez eu acho que está funcionando em seu favor. Ou isso, ou o seu velho está puxando algumas grandes da cadeia lá de cima. Minha mente voa de volta para o apelo silencioso que fiz ao meu pai no dia do seu funeral. — Você prometeu que nunca me deixaria, eu choro, não fazendo nenhuma tentativa para enxugar minhas lágrimas. Minhas garganta aperta, tornando-se difícil falar, mas eu preciso tirar isso. Abaixando-me, eu me ajoelho ao lado do caixão do meu pai, que fica situado apenas no interior da

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sala. Seu nome, Christopher James Devora, está gravado na placa de identificação. Meu peito dói-dói fisicamente, e eu esfrego ele, tentando aliviar a dor. — Eu não tenho certeza se posso fazer isso sem você. Minhas palavras quebram em um soluço e eu enterro meu rosto em minhas mãos. — Mostre-me o caminho, eu peço meus ombros palpitantes. — Coloque-me no caminho certo, e eu prometo que vou segui-lo. Eu prometo. Mas você tem que me dar um sinal, papai, — eu imploro, finalmente reunindo força para olhar para cima. Suavemente, eu coloco minha mão contra o lado de seu caixão, meus dedos a deriva sobre o nome dele. — Eu preciso saber que você está comigo. O nome de Devin estava nessa lista pen-pal por uma razão, eu sei que estava. Eu teria formado um vínculo ou amizade com qualquer um dos outros soldados, foi sorte ou algo inteiramente demasiado grande para eu compreender, trazendo Devin de volta para mim? Palavras não ditas ficam pesadas no ar, e seu significado é tão poderoso e intenso que eu estou com muito medo de falar delas. — Maggie, eu preciso ir.

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Katie “How To Save A Life” – The Fray

Eu não consigo parar de sorrir. Mesmo se eu pudesse parar, eu não sei se eu quero. Deixei Maggie com pressa para chegar em casa, na esperança de que eu tinha uma mensagem de Devin esperando na minha caixa de entrada. Além disso, eu fiquei agitada sobre o que eu tinha visto no noticiário e fiquei abalada pela perceção de que talvez apenas talvez, ele e eu deveríamos voltar para a vida um do outro. E quem sabe, talvez nós estamos destinados a ser nada mais do que amigos, mas eu precisava chegar em casa e processá-lo. Processar tudo. Eu não recebi muito tempo para ver tudo, porque embora no segundo que puxei minha conta do Gmail e vi o seu nome, eu tive que ler o que ele escreveu, e eu não estava desapontada. Suas palavras colocam um grande sorriso, pateta no meu rosto. Oh, e o fato de que ele não é casado e eu não fiz nada inadequado, como me tornar uma amante emocional o que me faz sorrir também. Muito. Depois de bater resposta, eu sento e assisto a intermitência do cursor constantemente na tela. Eu não quero nada mais do que colocar tudo na linha. Quero dizer-lhe que a notícia da bomba me assustou, e que naquele momento, eu estava desesperada para ouvi-lo e falar com ele, que eu teria dado qualquer coisa para ser capaz de pegar o telefone e ligar para ele, só para ter certeza que ele estava bem. Eu quero que ele saiba que eu estou preocupada, e que eu me importo. Mas, quando meus dedos continuam a pressionar contra o teclado imóvel, minha mente fica completamente em branco. Rindo de mim mesmo,

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porque este é Devin, e eu sei como falar com Devin, eu decido fazer o que vem fácil. Para: Sargento Devin U. Clay De: Katie Devora Assunto: Bye Bye Bye Devin, Os Backstreet Boys, realmente Dev? Será que eu não ouvi todo esse álbum maldito cada dia no verão? Foi NSYNC, não Backstreet Boys. Vamos lá, não se lembra do meu esmagamento em Justin Timberlake? Honestamente, isto é apenas imperdoável! Foi um prazer conhecer você, soldado... Atenciosamente, Katie Com um sorriso no meu rosto, eu clico em enviar. Oh merda, eu cliquei no enviar! Clicando em seu e-mail, eu bati 'resposta' e tente novamente, esperando como o inferno que ele não vê esse e-mail e ache que eu estava falando sério. Caminho a percorrer, Katie. Para: Sargento Devin U. argila De: Katie Devora Assunto: Como salvar uma vida Devin, Ok... Eu te perdoo. Não apenas por confundir NSYNC, a melhor banda de meninos dos anos 90, para Backstreet Boys, mas porque você é um homem e bem foi provavelmente injusto da minha parte assumir que você poderia manter todas aquelas canções em linha reta. Minha culpa :)

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E não, eu não ouço mais “Bye Bye Bye” quando estou chateada. Eu deilhe uma pequena pista, na forma de linha de assunto, com o que eu gosto ouvir nos dias de hoje. Eu sinto que a música inteira é de alguma forma sobre mim, só que eu sou a única que está sendo salva. Agora, para responder à sua outra pergunta, o que eu olhei por cima. Não, eu não sou casada e não estou vendo ninguém. Eu vou ser honesta com você embora. Eu sai apenas recentemente de uma longa relação. Franzindo os lábios, eu removo minhas mãos do meu laptop e passo através do meu cabelo. Eu digo a Devin que era com Wyatt que eu estava? Uma parte de mim quer deixar um pouco mais de informações, mas de alguma forma eu me sinto mal e eu tive bastante mal na minha vida para durar. Eu estava noiva de Wyatt. Os detalhes não importa realmente e talvez um dia nós vamos falar sobre isso, mas eu recentemente terminei tudo e não foi bem. Isso provavelmente me faz soar como uma pessoa horrível, mas eu não estava feliz, e com tudo o que aconteceu com meu pai, bem, a vida é muito curta e eu não poderia arrastá-lo junto por mais tempo. Eu não poderia fazer isso para mim também. Então eu terminei o nosso noivado, e caso você esteja se perguntando, o que é extremamente presunçoso da minha parte, eu estou fazendo pelo bem dele. É assim que eu sei que fiz a coisa certa. De qualquer forma, eu não quero aborrecê-lo com tudo isso. Então você quer saber algo que você não saiba sobre mim? Não há muito a dizer, mas vou dar-lhe um tiro. Lembra que eu disse que eu trabalho com minha melhor amiga, Maggie? Nós nos conhecemos na faculdade e nos tornamos amigas. Parece patético, mas eu não tenho muito de uma vida fora do trabalho e Maggie. E todo mundo adora Maggie, exceto Wyatt. Eles nunca se deram bem, mas ela é linda e engraçada, e ela é uma daquelas pessoas que vive por seu próprio conjunto de regras. Ela faz o que quer, quando ela quer fazer, e ela não dá a mínima para o que ninguém diz. Ela é a melhor amiga que eu poderia pedir, e eu sei que você absolutamente a teria amado. Posso totalmente imaginar vocês dois falando a merda ao longo de um par de cervejas ao lado da fogueira, e confia

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em mim quando digo que ela pode fazer um prato fora apenas tão bom quanto ela pode levá-lo. Espero que um dia vocês possam se conhecer. E você quer sabe o meu maior medo, né? Esse é difícil. Ok, antes de o meu pai estar morto, meu maior medo era a morte. Tenho certeza de que a resposta soa clichê, mas é verdade. Eu posso lembrar ficar acordada à noite, e eu começava a pensar sobre a morte e o fato de que uma vez que estamos desaparecido, nós nunca mais voltamos. Não ver mais sol no meu monte favorito, ou não andar com Mac na chuva. Nunca mais eu iria sentir a queimadura nas pernas após os exercícios, ou a dor em meu peito depois de rir muito difícil. Isto é assustador, pensando em todas as coisas que você nunca vai chegar a experimentar novamente. Algumas noites, quando eu estava pensando muito sobre isso, eu tinha que sair da cama e ir fazer algo para acalmar meu cérebro. De qualquer forma, após a morte de papai, eu diria que meu maior medo não é mais a própria morte, mas perder uma pessoa que me interessa. E não é qualquer um, mas alguém que possui um pedaço do meu coração, alguém que eu estou investido. Perder o meu pai quase me destruiu, e eu não tenho certeza se eu iria sobreviver a algo como aquilo novamente. Eu disse-lhe o meu agora você tem que dizer o seu. É justo:) Sempre, Katie Meu mouse passa sobre o botão 'Enviar', e eu chupo meu lábio inferior entre os dentes enquanto eu penso se eu devo ou não mencionar a bomba na estrada, que ouvi sobre a notícia. É algo que eu só posso falar? Porque eu realmente quero saber… PS. Eu vi no noticiário que houve alguns ataques, e eu tenho certeza que é uma coisa diária para você, mas eu vou ser honesta, isso tipo me assustou. Eu nunca conheci alguém na guerra, então quando eu ouvi falar sobre isso, bem, isso me assustou, e eu pensei em você. E eu acho, eu só quero saber se você está bem, e que seus homens estão bem, e eu quero que você saiba que eu estou pensando em você e orando por você. Além disso, eu não tenho

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certeza de toda a situação de telefone por ai, mas estou sempre disponível no meu celular, você sabe, se você quiser me chamar ... (533) -224-9892

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Devin “The Fear In Love” – Don’t Look Down

FODA-SE estas manhãs. Aquelas em que eu acordo após uma noite agitada de sono cerca de dez minutos antes de missão. Os que limitam a higiene pessoal e adicionar estresse desnecessário a um já longo dia. Os que eu mal tenho tempo para mijar, muito menos verificar a porra do meu e-mail no Centro de comunicação. Corro para entrar no uniforme, escovo os dentes rapidamente, e encontro os meus rapazes perto dos caminhões. Eles riem suas bundas fora quando me aproximo, e meu suor já correndo pelo meu rosto. Eu perfuro um buraco através deles com os meus olhos quando eu termino de ajustar em meu equipamento e apertando meu capacete. — Vocês, filhos da puta não podiam me acordar ? — Eu grito, batendo o punho no capô do Humvee. Eu faço o meu caminho para o banco do passageiro e olho por cima na sede pouco antes de subir. É quando eu tenho uma visão de raios-X. Eu vejo através das paredes o centro de comunicação e o computador que se encontra lá, me provocando com um e-mail não lido a partir de Katie. Eu bufo e afundo meu traseiro no assento, deslizando o meu fone de ouvido e fechando a porta. — Ei, o que posso dizer, sargento? Você tinha um polegar na boca e outro na sua bunda. Isto era muito bonito para foder com isso. — Navas cacareja e cutuca meu cotovelo com a bota. — Eu juro que nós estávamos indo obtê-lo em cinco minutos.

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— Mais cinco minutos e eu tinha que sair em missão sem calças. — O Humvee puxa para fora do local e na direção dos portões quando os outros dois veículos vêm atrás. — Thomas, você é o condutor. É o seu trabalho acordar o chefe. Thomas olha para os dois homens que guardavam o portão da frente quando passamos, antes de olhar por cima para mim com um sorriso. Ele está parecendo muito melhor desde a nossa conversa. — Não foi minha culpa, Sargento. Navas disse para deixá-lo lá. Que precisava de seu sono de beleza. — Ele ri e orienta o Humvee para a estrada principal. Enquanto eu estou bem com o sono extra, eu estava esperando, pelo menos, ter tempo para verificar meu e-mail antes de sair em missão. Agora, isso é tudo que eu vou ser capaz de pensar. Porra, isso é tudo que eu vou ser capaz de pensar sobre todo o dia, o que importa. Isto vai ser por umas longas doze horas.

O condicionamento aéreo bombeia o ar morno fora, que pouco faz para aliviar este sol no início da tarde. As armaduras pesadas sobre os Humvees e o calor do motor tornam o veículo como um forno durante esta hora do dia. Eu tento o meu melhor para ficar confortável, estabelecendo cada mão contra as aberturas do A/C, absorvendo cada bit que possa vir. Thomas é passado fora, como de costume descansando a cabeça no capacete contra a direção. Eu me pergunto como ele pode até mesmo gerenciar dormir com este calor agora. Então, novamente, mesmo embora haja vezes eu não consigo dormir se minha vida dependesse disso, há outros momentos em que posso passar para fora em cada cinco segundos usando o capacete como um travesseiro. Não há nenhuma rima ou razão para isso, realmente; é apenas a forma de um soldado. Você aprende a se adaptar, eventualmente. Mas esse calor é uma história diferente. Eu nunca vou me acostumar com isso.

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Navas está falando sobre algum episódio de The Office, onde Dwight define o escritório em chamas quando uma segurança testa seus colegas de trabalho, mas eu realmente não estou ouvindo. Ele prossegue com estas tangentes sobre episódios de The Office como se isto realmente aconteceu em sua vida, como se ele estivesse me dizendo uma velha história sua ou alguma coisa. É engraçado como a merda, mas eu não poderia me importar menos agora. Minha cabeça está presa em Katie e quanto mais clara a minha mente tem sido desde que nós começamos a falar mais uma vez, eu não posso afastar a sensação de que isso é algo que deveria acontecer, que nossos caminhos ter atravessado mais uma vez por uma razão. Mas porquê agora? Porque quando estou implantado a milhares de milhas embora sem a opção de vê-la, ou a garantia de que nunca será de novo? Pelo que eu sei, eu vou estar em um das centenas de caixões cobertos com a bandeira que revestem a parte traseira de um C-130. Esse pensamento terrível está dividido por um alto “hei” que ruge no fone de ouvido. É tão alto que sacode Thomas de seu sono por um momento antes que ele fuça de volta para o painel da porta. — Está me ouvindo, idiota? — Grunhidos de Navas. — Sim, sim, homem, The Office e Dwight, e tudo isso. — Você é um idiota! Você deveria ser meu melhor amigo, homem. Isso significa me entreter nas missões, — diz Navas, sua voz propositadamente chorona, que me faz rir porque parece tão não natural vindo de um homem do seu tamanho. — Se eu não soubesse melhor, eu diria que a tira da torre pequena cortou a circulação às suas bolas. Você pode querer pensar em pé por um tempo, irmão. Talvez dando um pouco de sangue de volta para aqueles pequenos caras. — Eu rio, e ele também, mas ele sufoca rapidamente. — Não me faça puxar estes meninos maus. — Ele se inclina para mim e abre as pernas, segurando sua virilha na mão. — Eu não gostaria de dar-lhe um complexo. Eu chego uma mão antes que ele possa se mover a distância e dou uma tapa com as costas dos meus dedos contra suas bolas rígidas. Seus joelhos empurram juntos, e ele quase cai para fora da alça de revólver em cima do nosso intérprete. Mike, sendo todo cento e vinte libras, e se

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encolhendo contra a lateral da porta, mas Navas recua a si mesmo e, em seguida, agarra suas bolas, uivando de dor. — Você é um merda, — ele fala entre suspiros. — Bem, não coloque essa merda na minha cara. Eu não quero pegar nada. — Eu rio alto enquanto agito a porreta. — Espere, você transou, eu não estou brincando. Eu estou recebendo de volta dez vezes. — Não me faça puxar classificação, especialista, — Eu brinco, inclinando a cabeça para trás e atirando-lhe um sorriso a torre. — Você me deve algumas flexões quando voltarmos, cadela! Ele sorri de volta, atirando-me uma saudação do dedo médio. — Sim, boa sorte, espere quando você estiver sentado no Centro de Comando! Eu relaxo em meu lugar e verifico o relógio. De todas as nossas missões, esta foi a mais longa e chata, mas tenho cuidado para não mencioná-lo... ou até mesmo pensar sobre isso. Não mais. Não depois da menina. — Desde que você não quer me ouvir, filho da puta, você começa a falar, — diz Navas. — Então, o que há com Katie? — Assim que ele pede isso, seu rosto provoca meus pensamentos. Eu não quero falar com ele sobre isso. Inferno, eu nem sei o que está acontecendo comigo mesmo. Eu tenho um momento para responder, mas eu acho que é demasiado longo para o gosto de Navas. — Olá... você quer ouvir ou falar, um ou outro, mas não estamos apenas indo sentar aqui em silêncio. Eu não vou permitir isso. — Ok, então você fala, — eu digo. — Não, não, não, — Navas diz, — você perdeu esse privilégio. Agora você começa a me dizer o que está acontecendo com a Senhorita Katie Devora. Ou é a Sra Katie Devora? — Ele sorri para mim, mas apenas o pensamento dela ser casada com Wyatt me faz estremecer. Não teria pelo menos retratos do casamento já, certo? — Vamos lá, cara. Nada está acontecendo. O que poderia até acontecer de qualquer maneira? Eu estou um milhão de milhas de distância e uma década tarde demais. — Eu acho, pelo fato do seu envolvimento com Wyatt, e eu sinto minhas unhas escavando em minhas palmas. Sim, eu persegui totalmente sua página no

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MySpace e lá estava ele, na frente e no centro. Eu sempre odiei aquele garoto, mas sabendo que ele vai casar com a minha Katie, porra me faz querer ficar louco. — Não me venha com essa besteira. Eu conheço você, cara. Você não usou o Centro de comunicação toda esta implantação e de repente você está lá, o que, três vezes por dia durante a semana passada? Isso é algo articulando. — Ele para, mas antes que eu possa ter uma palavra, ele continua. — Tenho notado uma mudança em você, eu não vou mentir. Você não está tão fora estes dias. Eu sei que pode ser deprimente às vezes, mas você estava começando a ficar em um nível A Escolha de Sofia que se carrega em mim. Eu não posso descrever se havia nada disso. Eu rio e, finalmente, decido deixar as palavras sair. O que eu tenho a perder? — Eu não sei. Tem sido bom ter alguém com quem falar que não tem uma mão em nada disso e pode levar minha mente longe de tudo. Alguém que tem um passado comigo. Eu só desejo que eu ainda seja um acaso. — Eu paro, percebendo que não posso realmente querer compartilhar a próxima parte com Navas, mas ele termina para mim de qualquer maneira. — Você olhou de cima, não é? — Pergunta ele, sabendo muito bem que eu fiz, depois de ter descoberto a forma de me ler há muito tempo. — É a porra da sua culpa, cara! — Eu digo, convencido de que nunca teria se não fosse por ele. Ah, como muito mais fácil esta missão seria se eu não tivesse. — Ela é um nocaute do caralho, não é? — Ele estica a cabeça para baixo da escotilha da torre e olha para mim inquisitivamente. Ele tem um sorriso ridículo no rosto. — Ela não é? — Merda, ela foi um nocaute quando éramos crianças. Agora é só injusto para qualquer outra mulher no planeta. — Soa como uma boa coisa para mim. — Bem, eu não estou com ela agora, estou? — Ela está saindo com alguém? — Ele pergunta, e eu tenho que lutar contra o meu desejo de dar uma cotovelada no rosto para calá-lo. — Você sabe que eu odeio falar sobre essa merda, né?

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Minhas palavras passam despercebidas quando ele continua a falar. — Neste ano em que eu te conheço, você falou sobre essa garota implacavelmente. Por um momento, eu sabia mais sobre ela do que eu sabia de você. Você pode achar que você é o Sr. Independente, tentando agir todo duro e merda, mas você é igual a mim, uma doce dura concha com um centro de caramelo pegajoso. Irritado, eu inclino a cabeça para trás para olhar para ele novamente. Recuperando o sorriso brincalhão, eu me abstenho de lançar meu cotovelo em seu rosto. — Nós somos amantes, é apenas como Deus nos fez. — Sim, bem, eu também sou um assassino, então mantenha-me, pau! — Ok, ok, vamos lá, estou apenas brincando. Não tenha vergonha de quem você é, cara. As senhoras não querem alguma emoção dos osso durões. Eles querem um homem que possa amá-las melhor do que ninguém, — diz ele, provavelmente esperando que isto seja o suficiente para me fazer falar. Funciona. — Ela foi é a única que escapou homem. E eu não acho que nada e nem ninguém vai mudar isso. Ela é tudo para mim, — Minha voz falha por um momento, e Navas toma isso como sua deixa para dialogar. — Então, ela está vendo alguém, né? — Sim, cara ela está. E de todas as pessoas, ela está noiva do meu inimigo de infância. O cara queria ela tão mal quando estávamos crescendo, mas ela só tinha olhos para mim. Eu deveria ter sabido que ele iria atacar no momento em que eu saí. — Porque vocês terminaram de qualquer maneira?? Você nunca me disse essa parte. — A conversa acabou, filho da puta. Eu não estou prestes a dizer-lhe sobre o meu maior erro, porque então eu teria que dizer-lhe que, é a primeira vez na minha carreira militar que eu quero rasgar este uniforme fora, queimar os meus papéis de alistamento, e entrar em um avião de volta para casa. Pela primeira vez na minha vida, meu mundo parece muito maior, minhas opções sem limites, minhas chances de felicidade agora visível.

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E eu sei o que ele diria. Ele me diria para ir buscar a minha menina. Mas também sei que após ver ela com Wyatt na foto, seria quase impossível. Curvo-me para baixo no meu lugar, eu fecho meus olhos. Eu ainda quero ler esse e-mail que eu espero como o inferno que o tenha lá pra mim porque talvez então o fato de que ela vai se casar vai estar martelado na minha cabeça. Talvez então eu vou ser capaz de aceitá-lo e levar isso para o que é, uma porra de amizade. E tanto como isso vai me matar, pelo menos seriamos amigos.

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Katie “Fall” – Ed Sheeran

— EU ACHO QUE ESTOU PRONTA. — Meus olhos se ampliam com a minha própria admissão e Dra. Perry levanta uma sobrancelha, claramente insegura quanto ao que estou falando. — Drexler, — esclareço. Eu acho que estou pronta para lidar com Andrew Drexler. — O que você quer dizer com lidar com ele? Deixando cair a cabeça para trás, eu olho para o ventilador de teto, observando as lâminas girando ao redor. Quem diabos tem um ventilador de teto em seu escritório? — Katie? — Estou pensando, — murmuro. O que exatamente quero? Não tenho certeza. Eu só sei que cheguei até aqui e estou começando a me sentir feliz novamente. Encontrei o lugar que pensei que tinha perdido para sempre, mas uma coisa ainda está lá no fundo da minha mente. — Eu preciso ler sua carta, ou talvez encontrar com ele. Eu realmente não sei. Sentando-me, bloqueio os olhos com a Dra. Perry. — Eu só sei que quero superá-lo de uma vez por todas, e isso é a única coisa que está no meu caminho. — Permanece em seu caminho do quê? — Vida. Felicidade. Perdão. Você dá o nome. — A quem quer perdoar?

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Seus olhos sondando vêem demais, e mesmo que eu quero nada mais do que desviar o olhar, eu não faço. — Ele, ou a você mesma? Dou de ombros. — Ambos, talvez. É difícil de explicar. É só que... — Minhas palavras param enquanto penso a melhor maneira de colocá-las. — Eu quero seguir em frente. Já passei por tanta coisa, raiva e ressentimento, mas eu quero deixar tudo isso para trás. Eu quero... eu suspiro, esfregando uma mão sobre meu rosto quando minha garganta cresce apertada. — Quero ser capaz de pensar em meu pai, sem pensar em Drexler. Quero paz. O sorriso no rosto da Dra. Perry alarga e algo dentro de mim relaxa. — Eu estou orgulhosa de você, Katie, e acho que é uma ótima ideia. — Você acha? — Absolutamente. Eu acho que você está pronta. Mas talvez apenas pode começar lendo sua carta e, em seguida, se você ainda se sentir perturbada, você pode falar com ele. — Soa como uma boa ideia. — Eu sorrio e esfrego as mãos ao longo da frente das coxas, em seguida, empurro para cima do sofá. — Boa noite, Katie. Vejo você na próxima semana. Com um pequeno aceno, volto-me para a porta quando a Dra. Perry chama por mim. — Oh, a propósito, como vão as coisas com o seu amigo por correspondência? — Elas estão indo muito bem. — Melhor do que bem, eu penso comigo mesma, quando saio do escritório da Dra. Perry, me sentindo muito mais leve do que nunca. E sei que há realmente apenas uma pessoa para agradecer por isso, a mesma pessoa que tem conseguido ocupar minha cabeça, considerando que me pego pensando sobre ele quase 24/714. — Boa noite, Kelly! — aceno para a secretária da Dra. Perry no meu caminho, puxando o meu telefone do bolso no segundo que deslizo em meu carro. Três chamadas não atendidas aparecem no meu celular, e eu rolo os olhos para a visão do nome de Wyatt. Ele está realmente recuando ultimamente; na verdade, não tenho notícias dele há vários dias. Então, por que ele está me chamando de novo, de repente? 14

Vinte e quatro horas, sete dias por semana.

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Só então, meu telefone vibra na minha mão, iluminando com o número de telefone do Wyatt. Curiosa para saber por que ele está me chamando, rapidamente abro o meu telefone. — Olá. — Katie, hey... Eu, uh... Não esperava que você respondesse. — Eu estava com a Dra. Perry. Eu só estou indo para casa. O que foi? — Coloco meu celular no viva-voz, ligo meu carro e saio do estacionamento. Eu escuto o som fraco de uma mulher rindo ao fundo. — Está tudo bem? — Uh... — Grunhidos de Wyatt e, em seguida, mais ruídos seguem. Eu tremo, perguntando o que diabos está acontecendo, e eu estou a segundos de distância de apenas pedir-lhe, quando ele diz a última coisa que eu esperava ouvir. — Não, não está tudo bem. Estou ligando porque eu tenho Bailey, e ela está… — Wyatt grunhe… Merda, você está bem? Há outro grunhido seguido por alguns sons sussurrantes, e agora eu estou querendo saber se Bailey realmente está bem e por que diabo Wyatt está com ela. — Wyatt? O que quer dizer que você tem Bailey? — Ela está bêbada, — diz ele, suspirando. — Ela se recusa a deixar-me leva-la para sua mãe, e de nenhuma maneira no inferno que vou levar ela ao meu lugar. — Traga-a para mim. — Eu não posso deixar de rir. Bailey é um bêbada engraçada, embora eu não posso ajudar, mas pergunto por que ela está bêbada às seis horas da tarde. — Eu estarei em casa em dois minutos. — Graças a Deus, — diz ele com um gemido exagerado. — Estamos sentados em sua calçada. — Quase ai. — Desligo o telefone quando me viro na minha rua. Com certeza, o carro de Wyatt está estacionado na entrada da garagem e ele está do lado de fora, encostado em seu elegante Chevy preto. Puxo e deixo o meu carro no estacionamento e começo a rir histericamente com a visão do rosto de Bailey esmagado contra o vidro da janela do lado do passageiro. Wyatt anda ao redor do carro e abre a porta do passageiro, empurra uma mão para fora apenas a tempo de impedir que Bailey caísse no chão. Sustentando-a, ele atira-a por cima do ombro e eu balanço a cabeça, rindo. — Não é engraçado.

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— Oh, mas é. — Desbloqueio minha porta da frente, seguro-a aberta para Wyatt e ele entra e coloca Bailey no sofá. Eu tiro os sapatos dos pés de Bailey, fazendo-a se agitar e rolar de lado. Suas pálpebras vibram fortemente várias vezes e ela engole em seco. — Você vai vomitar? — Pergunto, apontando para o cesto do lixo e fazendo sinal para Wyatt trazê-lo para mim. — Ele me traiu. — Suas palavras são arrastadas enquanto ela desajeitadamente atinge até enxugar algumas lágrimas que se reuniram em seus olhos. Meu coração aperta, e eu ajoelho-me no chão ao lado do sofá para passar uma mão suavemente ao longo de sua testa. Não é à toa que ela está martelando isso no início da noite. — Sinto muito, querida. Wyatt me entrega o cesto do lixo e eu coloco no chão, apenas no caso de ela sentir a necessidade de vomitar mais tarde, que ela provavelmente irá. — Ele não merece você, Bay. Você é muito boa para ele. — Mas eu queria ele. Os olhos dela derivam fechados e quando ela suspira, o cheiro de sua respiração quase bate-me na minha bunda. Ok, então o seu medicamento de escolha esta noite foi tequila. Agradável. Isso deve ter um belo cheiro de manhã, quando eu estiver limpando qualquer bagunça que ela faça. — Eu sei que você o queria querida. Escovo seu o cabelo fora do seu rosto, eu inclino e beijo sua testa, contente que ela está bêbada demais para lembrar que ela está louca comigo. — Mas às vezes o que nós queremos não é sempre o que é melhor para nós. Um ronco fraco cai da boca de Bailey, e eu puxo um cobertor das costas do sofá e coloco em torno dela. Levantando-me do chão, eu fico cara a cara com Wyatt. — Obrigado por trazê-la. —Você não tem que me agradecer. — Levantando o chapéu da cabeça, Wyatt passa os dedos pelo cabelo antes de reajustar seu Stetson. Eu sempre adorei quando Wyatt usava seu chapéu de vaqueiro. Isso me fez pensar em meu pai.

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— Ela ligou e disse que não sabia a quem mais chamar. — Wyatt encosta o quadril contra a parede e inclina a cabeça para o lado. — Por que ela apenas não a chamou? Ótimo. Não é exatamente a conversa que eu quero ter. Voltando para a cozinha, eu aceno para Wyatt me seguir, para não perturbar Bailey. — Bem, — eu digo, pegando uma garrafa de água da geladeira, — Não estávamos exatamente em condições de falar. — Por que isso? — Seu sotaque sulista sempre cresceu mais espesso quando está concentrado, e é mais do que proeminente agora. — Ela ficou com raiva quando ela descobriu que você e eu terminamos. — Olhando para baixo, eu brinco com a tampa da minha garrafa, sem saber o porquê de repente eu acho que é difícil olhar Wyatt no olho. Eu com certeza fui capaz de olhar nos olhos dele quando eu quebrei seu coração. — Nós não terminamos. Minha cabeça se encaixa. — Uh, sim nós fizemos. — Não. — Wyatt dá um passo em minha direção. Meu corpo inteiro congela. — Você terminou comigo. Por isso dizer que nós terminamos é uma mentira completa, porque se bem me lembro, eu realmente não tive uma escolha no assunto. — Não, eu acho que você não fez. — Olhando para baixo, eu tomo uma respiração profunda. — Sinto muito, Wyatt. — Pela primeira vez desde que aconteceu, culpa por terminar com ele rasga através de mim. Não porque eu lamento ter terminado as coisas com ele, porque eu não faço, mas porque eu me sinto mal por machucá-lo. E eu não vou mentir tê-lo aqui na minha casa novamente é familiar e confortável, e eu estou achando no mínimo inquietante. Eu salto ao sentir a mão quente de Wyatt no meu rosto, mas eu não olho para cima. Isto tudo é tão confuso. Eu não posso me fazer encontrar o seu olhar, mas quando ele conecta o polegar debaixo do meu queixo, inclinando a cabeça para cima, eu não tenho muita escolha. Seus olhos são intensos, nadando com emoção, e fico com um sentimento de afundamento na boca do estômago. Por favor, não faça isso.

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— Eu não quero que você se desculpe Katie. — Ele engole em seco. — O que eu quero é que você me dê outra chance. — Wyatt, — eu digo, gemendo. Franzindo as sobrancelhas, eu balanço minha cabeça. — Por favor... — Apenas me ouça, — diz ele, levantando a mão. — Entendi. Eu entendo porque você terminou as coisas. Você já passou por muita coisa ultimamente, e eu... Eu não estava lá para você como eu deveria ter estado. E não posso te dizer o quanto estou triste por isso, mas eu posso te mostrar. Deixe-me te mostrar. — Wyatt. — Encaro-o por alguns segundos, odiando que ele está me colocando nesta posição. — Eu não mudei de ideia. — Me deixe a fazer mudar de ideia, — ele implora. — Estivemos muito bem juntos, Katie, e sim, em algum lugar ao longo do caminho nós nos afastamos. Mas eu sei que nós podemos encontrar o nosso caminho de volta para o outro. Eu só preciso que você me dê uma chance. — Eu não... — Jantar, — ele fala. — Somente jante comigo. Vamos conversar. Isso é tudo que eu peço. — Eu não sei, Wyatt. — Meu estômago rola com a incerteza, mas empurro para baixo, no telefone era muito mais fácil de dizer-lhe não do que pessoalmente. — Pense nisso. — Lentamente, ele se afasta de mim com um sorriso esperançoso no rosto. — Basta pensar nisso. — Ok, — eu cedo. — Vou pensar sobre isso. Ele não diz uma palavra. Virando-se, ele caminha para fora da casa, fechando a porta silenciosamente atrás dele. Completamente derrotada, caio em um assento na mesa da cozinha. Deveria ter dito a Wyatt que eu penso que jantar com ele seria um grande erro, porque eu sei que no fundo não importa quão familiar era a sensação de estar perto dele novamente, eu fiz a escolha certa. E um jantar não iria mudar isso.

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O meu telefone vibra no meu bolso e eu gemo. — Vamos, Wy. — Escavo o meu telefone do meu bolso, estou preparada para ver o número de Wyatt mais uma vez, mas o número é completamente estranho para mim. Quem diabos é? Provavelmente é algum maldito operador de telemarketing, e, geralmente, eu acabo enviando-os para o correio de voz, mas por alguma razão desconhecida eu decidir responder. — Olá. — Katie? Eu reconheço essa voz em qualquer lugar. Uma pequena onda de energia elétrica vibra através do meu corpo, enviando um arrepio na espinha. De jeito nenhum. O sentimento de afundamento em meu estômago de antes é agora um enxame de borboletas que decidem tomar o vôo de uma só vez. Eu empurro para cima da mesa, derrubando a cadeira no processo. — Devin? — Minha voz sai demasiada ofegante, mas eu não tenho tempo para cuidar porque eu estou muito ocupada estando chocada e animada, e esperançosa... — Oi. Sua voz rica e grave flutua através da linha, embebe na minha pele e envolve-se em torno de meu coração. Eu queria falar com ele, ouvir sua voz dizendo às palavras que ele escreveu, mas eu não sabia que eu precisava dele até agora. Não posso acreditar que ele chamou. Ele está na linha, sem dúvida, esperando que eu fale, mas estou sem palavras. A única coisa que eu posso pensar é que, agora que eu ouvi a sua voz novamente, ler suas palavras não serão suficientes. Vou ansiar esta... Esta conexão. Vai ser a minha nova fraqueza, minha nova droga de escolha. — Trata-se de um momento ruim? — Eu praticamente posso vê-lo franzindo a testa através da linha. — Não! — Eu respiro fundo para tentar acalmar meus nervos. — Não, é perfeito. Você só me pegou de surpresa. Eu não esperava ouvir de você, e agora você está aqui no telefone e é tão diferente, sabe? — Eu tremo, detestando a maneira que eu estou divagando, mas completamente incapaz

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de pará-lo. — Ao ouvir a sua voz, é apenas... É... É demais... Tem sido assim por muito tempo... Devin ri e arrepios espalham-se em meus braços. Ele está rindo de mim, e eu não me importo, porque o som da sua risada é como um cobertor me aquecendo de fora para dentro. — Katie? — Sim? — Você estava envolvida com o Wyatt. — Ok, eu não estava exatamente esperando que ele dissesse isso. Ele, obviamente, tem o meu e-mail. — Estava. Pretérito. — Eu nunca estive tão porra aliviado ao ler alguma coisa na minha vida. — Sim? — Você não tem ideia, — diz ele. — E Katie? — Sim? — E-mail ou telefone? — Pergunta ele. — Isso é uma pegadinha? — Um sorriso lento se espalha em toda a minha cara. — Você deveria apenas responder, — diz ele, rindo. — Você supostamente não deve responder a uma pergunta com outra pergunta. Agora, responda a pergunta, Katie. Seu tom de comando provoca arrepios na minha espinha. Esqueci como alfa ele poderia ser. — Telefone. — Eu não tenho que pensar duas vezes. Nossas palavras podem ter nos reconetado, mas ouvir a sua voz só confirma a única coisa que eu suspeitava o tempo todo: o que nós tínhamos nunca foi embora. — Boa resposta. Minhas bochechas estão doendo, elas estão com cãibras e se eu não parar de sorrir em breve, eu tenho medo de ter esse sorriso bobo como inferno para o resto da minha vida. Mas é bom... Muito bom. — O que você teria feito se eu dissesse e-mail?

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— Eu teria desligado e lhe enviado. — Ele ri. — Você nunca foi uma pessoa de divagar, então é porque você está nervosa... Ou sou apenas eu? Meu coração acelerado retrocede acima de alguns entalhes extras porque é totalmente por ele. Estou tentada a dizer-lhe que eu divago e ele simplesmente não lembra, porque dizendo a Devin que é ele, é o equivalente a cortar o meu peito aberto e estabelecer o meu coração na linha e, francamente, meu coração tem tido o bastante recentemente. Mas, por mais tentador que seja eu sei que eu tenho que lhe dizer a verdade. Nós chegamos muito longe e construímos muito em um curto espaço de tempo, e por tudo o que isso é, eu não quero compromete-lo... Ou perdê-lo. — É você. — Inclinando-me para frente, apoio minhas mãos no balcão. Puta merda, isso foi terrível. Devin sopra uma respiração lenta, mas não responde. Ah Merda. Meu estômago aperta quando eu tento descobrir uma maneira de me tirar fora desta. — Sinto muito, eu não deveria ter... — Eu gostei da sua resposta. — Você gostou? — Esse nó no estômago quebra, levando com ele a vontade de vomitar. — Mais do que eu provavelmente deveria, — diz ele com um suspiro. A linha estala, ficando completamente em silêncio por alguns instantes, e eu estou preocupada que a chamada caiu de alguma forma quando eu ouço claramente sua voz. — Eu tenho uma confissão a fazer. — Ok... — Meus nervos estão rodando em alta velocidade, assim que eu pego um pote de debaixo da pia. Talvez se eu me mantiver ocupada, eu estarei mais relaxada. — Merda, — diz ele, rindo. — Eu realmente não quero que você ache que eu sou algum tipo de perseguidor... — Fala logo, sargento, — Eu brinco. — Eu verifiquei a sua página do MySpace, — ele respira, rapidamente correndo para explicar. — Meu amigo Navas, aquele filho da puta, tinha me convencido de que eu precisava vê-la novamente, para ver o que você andou fazendo. Não me interprete mal, eu queria saber como você se parecia depois de todos esses anos, mas... Você está rindo de mim?

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— D-desculpe. — Eu suspiro para recuperar o fôlego. — Eu estou rindo por que.. — Meu abdômen contraiu e tenho lágrimas de felicidade e muito possivelmente de alívio escorrendo pelo meu rosto. Eu puxo uma respiração. — Eu totalmente persegui você também. — Você fez? — Ele parece surpreso, o que me faz rir mais. — Sim, eu tinha que fazer. Maggie me forçou! — Enchendo a vasilha com água, eu coloco-a no fogão, definindo a temperatura elevada. — Ela forçou você? — Ele brinca. — Como é que ela forçou você? — Ela é má, Devin. Ela é um pequeno diabo, e ela está encantada com você e seu abdómen definido. — Eu acho que Maggie e eu vamos ser grandes amigos. — Eu vou dizer a ela que você disse isso. — Enxugando a umidade do meu rosto, eu puxo o macarrão cabelo de anjo do armário. — E você... Você está encantada com o meu abdómen definido? — Eu sorrio, imaginando Devin com um sorriso comedor de merda no rosto. — Nah. Seu abdómen perguntar, — eu brinco.

poderia ter algum trabalho, se você me

A risada de Devin é profunda e gutural, e ele faz coisas para mim que uma risada nunca deveria ser capaz de fazer a alguém. Isso está rapidamente se tornando o meu som favorito. — Vou ter que me lembrar de fazer um treinamento extra com levantamento de pesos amanhã. — Seu sorriso. — Huh? — Foi seu sorriso que me pegou. — Sem permissão, minha boca continua a vomitar exatamente o que está passando pela minha cabeça. — Eu sinto falta de ver a forma como ele ilumina o seu rosto. E aquela covinha em sua bochecha esquerda... Eu não deveria estar surpresa que é tão sexy agora como era. Ele suga uma respiração afiada na minha confissão. Em seguida, a linha fica em silêncio, e eu não posso deixar de pensar que eu sou louca por abrir a boca e dizer essas coisas. O que diabos eu estava pensando?

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— Como vai você, Katie? — A voz de Devin é infundida com tanta emoção. Eu respiro fundo, grata que finalmente estamos tendo a chance de falar e tentar ao mesmo tempo não me debruçar sobre o fato de que ele não mencionou o que ele pensava sobre mim. Eu sei que não tenho a mesma aparência. E se ele não me acha mais atraente? — Bem, — eu respondo honestamente. Eu deixo cair à massa na panela de água fervendo. — Eu estou bem. Eu tive uma sessão com Dra. Perry esta noite, e disse a ela que acho que estou pronta para ler a carta de Andrew Drexler. — Uau, ele respira. — Esse é um grande passo. Mas você é forte, e se alguém pode fazê-lo, eu sei que você pode. Eu estou tão orgulhoso de você. Ao ouvi-lo me dizer que ele está orgulhoso de mim me dá uma enorme quantidade de confiança, mas também me deixa nervosa. — Eu não sei se posso perdoá-lo. Fechando os olhos, eu evoco uma visão de meu pai. Ele está sorrindo, as bochechas redondas vermelhas de tanto rir, e eu quero saber o que ele quer que eu faça. — Ele quer que eu o perdoe, — murmuro, repetindo rapidamente essas palavras quando elas surgem. — Papai quer que eu o perdoe. — Um passo de cada vez, isso é tudo que você pode fazer. Leia a carta em primeiro lugar, ouça o que ele tem a dizer e depois parta daí. Você não tem que perdoá-lo imediatamente, ou em tudo, para qualquer assunto, mas pelo menos você está tomando esse passo. Basta lembrar que você está tomando esse passo para você, e mais ninguém. — Espere um minuto... Isso é Dra. Perry? — Eu brinco. — Não realmente, o que você fez com ela? — Ha ha. O som fraco de água fervendo me chama a atenção, então eu abro meus olhos e olho ao redor. — Merda. — Rapidamente, eu viro a temperatura do fogão para baixo e exploro na parte superior da água fumegante, até parar de ferver. — Você está bem? Você se machucou?

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— Não, eu estou bem. Apenas um pequeno acidente cozinhando. E caso você esteja se perguntando, não, eu não sou uma cozinheira melhor agora do que eu era antes de sair. — Devidamente anotado. — Devin boceja através da linha e eu olho para o meu relógio. Seis e quarenta e cinco. Gostaria de saber qual é a hora de onde ele está. — O que você está cozinhando? — Você realmente quer que eu diga? — Pergunto. — Será que vai fazer você sonhar com comida? — Diga-me, mulher. Deixe-me viver através de você. — Ok, — eu falo lentamente. — Espere por isso... Espere por isso... spaghetti! — Mmmm. — Devin geme, profundo e longo. A vibração em sua voz bate dentro de mim como uma onda, piscinas de desejo se formam na minha barriga, e uma visão de nós dois nus e se contorcendo na cama passam como flashes pela minha cabeça. — Isso parece tão bom, — diz ele. — Isto... — Minha voz sai esganiçada e pigarreio grata quando as palavras saem direito pela segunda vez. — Isto é. Tornou-se a minha especialidade. — Oh sim? Qual é o seu segredo? — Bem, se eu te dissesse, eu teria que te matar. — Uau, agora eu estou morrendo para saber. — Bem, bem, torça o meu braço, por que não vou te dizer? É frango. — O quê? — Ele ri. — Frango? — Sim. Coloquei frango no espaguete em vez de carne bovina. É incrível! Eu vou te fazer isso em algum momento. — Eu vou cobrar isso de você. Espero que você faça soldado. — Vai ser ótimo. Nós podemos fazer um piquenique com espaguete sob as estrelas. Se você for bom, eu vou até embalar fichas Rancho legal e Mountain Dew.

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— Você se lembrou, — ele murmura, como se perdido em pensamentos. Eu aceno com a cabeça, mas pelo tempo que eu lembro que estou no telefone e ele realmente não pode me ver, ele começa a falar novamente. — E neste piquenique, você vai me fazer serenata com Backstreet Boys também? Nós dois caímos em um ataque de risos quando nós discutimos a velha questão de quem é melhor ou pior, como Devin gosta de dizer: Backstreet Boys15 ou NSYNC16. Então eu vou para contar-lhe sobre Bailey, por que ela está chateada comigo, e como ela acabou aqui esta noite, deixando de fora o fato de que Wyatt trouxe. Ele não precisa saber de tudo. Devin me diz algumas histórias engraçadas sobre seu amigo Navas, e eu posso dizer pelo jeito que ele fala sobre ele que Navas é uma boa pessoa. Eu estou contente que Devin tem alguém assim em sua vida, alguém que ele pode confiar e conversar com ele lá, dia após dia. Se eu estou sendo honesta, eu estou um pouco ciumenta que eu tenha sido substituída, e então eu pergunto se é assim que Devin se sente quando eu vou e falo sobre Maggie. Devin está bocejando quase todas as palavras, e quando eu olho para o relógio na minha cozinha, eu noto que temos estado no telefone por quase uma hora. — Você parece exausto. Que horas são aí? — Hum... — O telefone vibra e crepita mais algumas vezes. — Quase duas e quinze. — Na parte da manhã? Oh meu Deus, Devin, por que você não me disse que eu estava detendo-o? — Porque eu queria falar com você, Katie. — Meus ombros relaxam, mas eu ainda me sinto mal. Ele provavelmente tem que levantar-se no romper da aurora. — E confie em mim, eu não durmo muito de qualquer maneira. — Nós vamos discutir isso na próxima vez que falarmos, — eu digo, causando-lhe a gargalhada. — Mas eu estou deixando você ir, porque você precisa dormir um pouco. — Está bem, está bem. 15

Backstreet Boys é uma boyband norte-americana formada em Orlando, Flórida em 1993. O grupo consiste nos integrantes AJ McLean, Howie Dorough, Brian Littrell, Nick Carter e Kevin Richardson. 16 'N Sync (às vezes estilizado como *NSYNC) foi uma boy band estadunidense de música pop. Os seus membros eram Lance Bass, JC Chasez, Joey Fatone, Chris Kirkpatrick e Justin Timberlake.

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Nenhum de nós diz uma palavra ou dá o primeiro passo para desligar. Sou imediatamente transportada para o 'desliga você, não, você desliga' palhaçadas que estávamos habituados a jogar quando crianças, antes de sua mãe desligar seu telefone. — Eu vou tentar chamá-la novamente em breve, — diz ele. — É melhor. — Katie? — Sim? — Caminhando para a sala, eu me enrolo na cadeira e inclino a cabeça para trás, fechando os olhos. — Isto foi... — Ótimo, — eu interrompo. — Foi ótimo. — Ele murmura de acordo, e de repente eu sinto a necessidade de perguntar a ele sobre nós. Eu preciso saber se ele sente essa conexão ou se é apenas na minha cabeça, porque eu posso sentir-me começando a cair novamente. E não seria uma merda, se não havia ninguém lá para me pegar? — Devin? — Sim? — Essa amizade... É, um... Quer dizer, eu sinto como... — Eu mordo meu lábio, frustrada que eu não consigo colocar em palavras tudo o que eu estou pensando e sentindo. Respirando fundo, eu chego lá no fundo, agarrando qualquer coragem que puder encontrar. — Desde a sua primeira carta para mim, eu me senti... Eu só... — Eu sinto isso, Katie. Tudo ao meu redor borra enquanto as lágrimas enchem meus olhos. — Você faz? Porque eu sinto isso, e é poderosa e esmagadora, e eu pensei que tinha passado por isso, e então, de repente, lá estava isso de novo, e... Devin suspira uma onda de som de ar através do telefone. — Deus, Katie. Eu não sei como explica-lo, mas você não está sozinha. Eu me sinto da mesma maneira, só que eu sei que eu nunca passei por isso. Acredite em mim, eu tentei porque pensei que era melhor, mas sempre esteve lá para

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mim. Por que acha que eu era tão rápido para responder às suas cartas quando eu joguei todas as outras cartas fora? Meu coração contrai. Eu não tinha ideia que ele jogou outras cartas fora... Ele não me disse isso. — E sim, é poderoso e esmagador, mas em um bom caminho. Cristo, o que nós tivemos... Eu nunca senti nada assim antes, e agora, simplesmente não há palavras para isso. Eu fungo, enxugando o rosto com o braço. — Eu não te posso dizer como estou aliviada de ouvir você dizer isso. Eu não sei... Eu pensei que talvez fosse apenas eu. Que talvez eu estivesse fazendo disso muito mais do que era. — É tudo. — Sua voz cresce cheia de emoção. — O que quer que isso seja entre nós... É grande, Katie. Maior do que você, maior do que eu... E dez anos não mudou isso. — E agora? — Eu não sei. — Se fosse possível, sua voz parece mais leve, como se um peso tivesse sido tirado de seus ombros. — Mas eu acho que eu vou gostar de descobrir isso. Meus lábios levantam nos cantos, um sorriso dividindo meu rosto. — Sim? — Com certeza. — Bem, tudo bem então. Então me ligue quando você puder? — Logo. Eu prometo. Meu coração sobe quando deixo ir todas as inseguranças que eu estava tendo sobre Devin. Eu sei que quando eu colocar minha cabeça para baixo hoje à noite, ele vai consumir meus sonhos. — Boa noite. — Katie? — Ainda aqui. Você totalmente tem que desconectar-se em primeiro lugar. Sua risada ruidosa enche o quarto e meu coração. — Vou desligar em primeiro lugar, não porque eu quero, mas porque eu estou exausto e eu tenho que estar de pé em umas três horas. Mas eu preciso dizer uma coisa.

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— O que é isso? — Empurrando o pé no chão, eu balanço para trás na cadeira, completamente contente e feliz. Pela primeira vez em muito tempo, eu me sinto realmente feliz. — Era seus olhos. — Adrenalina explode em minhas veias. O calor irradia por todo o meu corpo e o sorriso que tem sido rebocado no meu rosto desde que ouvir sua voz novamente... Sim, ele só tem estado um pouco maior. Devin pigarreia. — Você sempre foi linda, Katie, e eu sabia que nenhuma quantidade de tempo iria mudar isso. Mas a partir da primeira vez que eu coloquei os olhos em você, em primeiro lugar, sempre foram seus olhos. E quando eu te ver de novo, e eu vou te ver de novo, eu vou te dizer exatamente por que eles sempre me cativaram. — Ou agora... Você poderia me dizer agora. — Algumas coisas precisam ser ditas pessoalmente. — Eu posso ouvi-lo sorrindo através do telefone. — Katie? — Sim? — Eu sinto muito por ferir você. — Sua voz racha sobre a última palavra, e o crack ressoa todo o caminho para a minha alma. — Eu nunca vou ser capaz de... — Eu te perdôo. — Mais uma vez, as palavras saem da minha boca antes que eu tenha tempo para pensar sobre elas. Mas eu estou bem com isso, porque agora eu me sinto tão incrivelmente leve como se o meu coração cai dentro do meu peito. Devin respira pesadamente no telefone durante vários segundos. — Boa noite, Katie. — Tenho a sensação de que ele ficaria toda a noite, se pudesse. — Boa noite, Devin, — eu digo com hesitação. O clique e o bip do fim da linha envia meu coração caindo em meu estômago porque eu não tenho ideia de quando vou voltar a falar com ele novamente. Visões da notícia que eu vi no outro dia passam pela minha cabeça. Se algum dia eu vou poder falar com ele novamente.

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Devin “The Proof of Your Love” – For King and Country

EU ESTOU AGITADO. TODA A PORRA do meu corpo está agitado e sua voz ainda ressoa em meus ouvidos quando devolvo o telefone ao gancho. Mal posso lutar contra o sorriso amplo em toda a minha cara, tanto que minhas bochechas estão doendo. Como pode alguém a milhares de milhas de distância me fazer sentir assim... Assim... Eufórico? E como diabos eu deveria me concentrar em qualquer outra coisa agora está além de mim. Pisando fora da sede, vou para nosso alojamento, perguntando o que ela está fazendo neste exato momento. Isso me faz soar como um maldito bichano considerando que acabei de desligar o telefone com ela, mas o que posso dizer, a menina me deixa idiota. Ela me faz pensar e sentir coisas que eu não me deixo pensar ou sentir a um longo tempo, coisas como casamento, filhos, amor e um futuro longe daqui. Um futuro onde posso ir para a cama com seu corpo lindo envolvido em torno de meu e acordar todas as manhãs com seu belo rosto. Essas são as coisas que estou pensando, as coisas que estou sonhando, e as coisas que estou determinado a fazer acontecer, porque o que sinto por Katie ultrapassa o raciocínio humano normal. Eu tenho que levar-me de volta para ela. Tenho que a sentir em meus braços e fazê-la minha. Não há qualquer outra opção. — Bem, vou ser amaldiçoado, — uma voz chama assim quando eu estou prestes a entrar na tenda. Eu olho por cima do ombro, e sob o luar vejo Navas sentado perto da fogueira com um cigarro fumado pela metade

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preso entre os dedos. Eu paro na entrada, em seguida, viro e caminho em direção a ele. Enganchando meu pé em torno da perna de uma cadeira, puxo para perto da dele e sento. — O quê? — Eu pergunto, sentindo o sorriso ainda puxando os cantos dos meus lábios. Eu luto com a maldita coisa o melhor que posso, mas é uma batalha perdida. — Esse sorriso de comedor de merda que você tem. Isso me cegou quando você passou andando. — Ele ri e bate uma mão contra sua coxa. — Não sei o que você está falando, — eu digo, puxando um cigarro do maço e acendendo-o. — A porra que você não faz, — Navas diz com uma risada. — Você praticamente vive para o Centro Comum agora! Você realmente está totalmente para esta menina, hein? — Você já sabe que eu estou, filho da puta. — Por que você não quer falar sobre isso? — ele pergunta, me olhando atentamente nos olhos como se estivesse tentando me ler. — Eu não sei cara. Acho que pensei que você poderia pensar que eu estava louco. Foda-se, às vezes eu ainda acho que estou porra louco. — Eu tomo uma longa tragada do meu cigarro e penso sobre as palavras que acabaram de sair da minha boca. É algo sobre o qual tenho pensado muito. — Que você é louco por ela? — ele pergunta. — Eu não sei. Eu não falei com a menina em dez malditos anos. — E você não tem ideia do que fiz para ela, penso comigo mesmo, sabendo muito bem que não falar com ela por dez anos não significa nada. — Você falou no telefone, ou webcam, ou foi apenas por cartas e emails? — Seus olhos me interrogam ainda mais difícil agora enquanto ele sopra o cigarro. Ele parece com um chefe da máfia interrogando um delator em potencial. Não posso dizer que eu gosto desses papéis invertidos. — Primeira chamada de telefone foi apenas agora, — eu digo, deixando a memória fresca da conversa em minha mente. Deus, sua voz é perfeita. Tão suave e delicada... Do tipo que um cara teria a sorte de ter sussurrando — bom dia do travesseiro ao lado dele. Gostaria de saber se seu coração correu como o meu fez durante a chamada?

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— Não, merda?! Isso é legal, cara. Como foi? — Foi... — Eu paro, meus pensamentos ainda na chamada, minha mente cheia de imagens dela envolvidas firmemente em meus braços. — Perfeito. — Você vai chamá-la de novo amanhã... Ou, porra, eu acho que seria esta noite? — Pergunta ele, levantando-se e jogando a ponta de cigarro no chão. Tomando uma última tragada do meu cigarro, eu atiro-o para o chão e depois o sigo até as tendas. — Sim, eu acho que poderia fazer isso.

Meu dia passou tão lento como o inferno, principalmente porque eu estava contando os minutos até que poderia voltar para o Centro Comum. Meu Deus, eu soo como uma porra de uma menina. Eu olho em volta, meio que esperando alguém para subir e atirar uma bala no meu cartão de homem. Quando estou certo de que estou sozinho, pego o telefone e disco o número dela. Cada toque eleva o meu nível de ansiedade, e mudo de posição nervosamente no assento. Espero que ela atenda. Outro toque e estou desejando que tivesse realmente programado uma chamada com ela. — Olá? — Sua voz doce envia um choque de eletricidade através de meu sistema, me deixando sem fôlego e em uma perda completa para palavras. — Olá? — Diz ela novamente, trazendo-me para os meus sentidos. — Ei, desculpe, é Devin... oi! — Foda-se, eu só soei como uma criança. — Devin. — Ela solta meu nome em uma respiração rouca, e o som faz meu pau ficar instantaneamente duro. Fechando os olhos, eu nos imagino sentados juntos no sofá, com suas pernas montando meus quadris, minhas mãos derivando muito lentamente acima de seu corpo arqueado.

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— Eu estava esperando que você ligasse. Honestamente, eu não tinha certeza se faria ou não, mas eu estava esperando... — Você estava? — Mmmm-hmm, — ela ronrona. O som é muito erótico foda, e eu tenho que chegar para baixo e reorganizar meu lixo. — Essa coisa de diferença de horário faz com que seja um pouco difícil. Eu não tinha certeza de qual seria o melhor momento para chamá-la. — Você pode me chamar a qualquer momento. — Sua voz parece ficar suave, mas suas palavras falam por si, e algo dentro de mim clica, algo que tenho vindo a me preocupar. Isso é real. — Não importa quando você liga, responder... Prometo.

eu vou fazer o meu melhor para

A doçura em sua promessa me faz doer para tê-la perto de mim, e eu tenho que mudar de assunto antes de eu faça algo estúpido como pedir-lhe em casamento. Porque isso seria totalmente estúpido. Certo? — Como foi o seu dia? — Rotineiro, — diz ela com um suspiro. — Eu tinha o dia de folga, então eu fui para uma corrida esta manhã e fiz algumas compras esta tarde. — Corrida? — Eu rio, lembrando o quanto ela costumava desprezar correr em P.E17. — A Katie que eu conheço não era uma corredora. — Conhecia... A Katie que conhecia não era uma corredora. Muita coisa mudou ao longo da última década. O sorriso cai do meu rosto por várias razões. Primeiro, porque ela está certa. Muita coisa mudou. E segundo, porque ela não fez nada, mas levar para casa o conhecimento que eu realmente não sei mais dela, e talvez mudou mais do que eu penso. — Ok, eu totalmente menti. — Sua risada rouca viaja para o sul, e meu pau vai de sólido para latejante contra os limites do meu zíper. — Eu não sou assim uma corredora. Mas eu tentei! Eu realmente tentei. Levantei-me ao romper da aurora, amarrei meus Asics e corri em torno do bloco. — Você correu em volta do quarteirão? 17

Educação Física.

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— É um grande bloco. — Você é tão cheia de merda, — eu brinco, sentindo o sorriso de volta no meu rosto. — Eu aposto que você nem sequer correu todo o caminho. — Eu te odeio. — Porque eu estou certo. Você totalmente andou, não é? — Eu corri, — ela corrige. — Há uma grande diferença. E o suficiente para mim. Ela bufa, mas a diversão é clara em sua voz. — Como foi o seu dia? — Chato... Mas um dia chato é um bom dia aqui. — Faço uma pausa e penso sobre como temos tido sorte nos últimos tempos. Não aconteceu muita coisa desde o incidente com a menina, e as missões ocorreram sem problemas até agora. Na minha experiência, isso significa que algo está prestes a acontecer. Sempre há uma calmaria antes da tempestade. — Como é lá? E o que você... Espere, estou autorizada a perguntar isso? — Sim, você pode perguntar isso. — Eu rio, secretamente amo que ela queira saber mais sobre mim. — Não é nada muito especial. Estamos em algo chamado um posto de combate, por isso é muito pequeno... Apenas há o essencial. Alguns edifícios, um dos quais eu estou agora, e algumas barracas para a estadia. Um par de banheiros, mas sem chuveiro. — Sem chuveiro? Caramba! — Ela ri, mas ela mesmo para, como se ela se sente mal por estar brincando. — Não, você não tem ideia. Nossas barracas têm um cheiro que pode ser recolhido e utilizado como arma biológica. É além de ruim. — Ela ri alto através do telefone e isso me faz querer continuar, mesmo que apenas para ouvir esse som doce novamente. — Eu faço o meu melhor absolutamente com lenços umedecidos e garrafas de água, mas alguns desses caras por aqui têm um mal-entendido do que é uma boa higiene. Juro esse cara Elkins não mudou seu uniforme em meses. Ele poderia continuar na posição vertical sem ele. — Oh Deus, — ela desliza para fora entre risos. — Na medida em que a vida do dia-a-dia, porém, ele tem seus altos e baixos. Há incrivelmente lento, momentos maçantes, e há momentos em que

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sinto que estou em um filme de ação... E alguns dias eu gostaria que fosse um filme. Pelo menos, então poderia sair após os créditos começar a rolar e ir para casa, sã e salvo. Katie limpa a garganta. — É uma loucura que só passou pouco menos de vinte e quatro horas desde a última vez que falamos. Parecia muito mais tempo. Ai está a menina que eu cresci, eu penso comigo mesmo, nunca tem medo de dizer exatamente o que ela está pensando. — Você não tem nenhuma ideia do caralho. — Minha cabeça cai para trás entre meus ombros, e eu corro uma mão ao longo da parte de trás do meu pescoço. — Neste momento, muito do nosso trabalho está apenas em ficar sentado em um Humvee18 sem fazer nada, assim o tempo se arrasta no ritmo de um caracol. Após o dia que tive, sinto como se tivesse passado semanas desde que nos falamos. — Faço uma pausa por um momento e um crepitar estático assume a linha. — Estou indo para fazer um tolo de mim mesmo se eu disser que você era a única coisa em minha mente durante toda a missão de doze horas? — Eu rio, mas é o tipo nervoso que sai tudo errado. — Sério? — Ela pergunta sua voz cheia de descrença. — Eu não parei de pensar em você desde que eu recebi a sua primeira carta. — Devin... — O som áspero do meu nome saindo de seus lábios é quase a minha ruína. O que não daria para ouvi-la dizer meu nome assim, nua e retorcendo-se debaixo de mim. — Eu gosto disso. Eu gosto que você pense em mim... Que você não possa parar de pensar em mim. — Ela faz uma pausa. Meu coração está batendo contra o meu peito enquanto eu espero ela continuar, e ela vai continuar. Eu posso sentir isso. Sua honestidade e franqueza me espantam... Tudo sobre a minha menina me surpreende. Minha menina. Porra, isso soa bem.

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— Estou feliz em saber que você pensa em mim, porque você, sargento Clay, assumiu a forma de muitos dos meus pensamentos também. Por isso, faz-me feliz saber que o sentimento é mútuo. Eu estou feliz que não estou sozinha nessa. — Meu peito aperta. Esta menina não consegue ser mais perfeita. Como no inferno eu tenho tanta sorte, eu nunca vou saber. — Mais do que mútua. — As palavras saltam de minha boca antes que eu possa pará-las. Droga, isso provavelmente me faz soar como um maldito bichano, mas é bom dizer isso a ela. Eu balanço minha cabeça, mesmo que ela não possa me ver. — Eu olhei nas suas cartas e e-mails, Katie, mas agora que nós já conversamos... Eu não posso dizer como é bom ser capaz de chamá-la depois do dia de merda que eu tive. Você sabe que eu vou implorar a sua voz agora, não é? — Eu escuto uma ingestão rápida de ar, e eu não posso segurar o sorriso puxando meus lábios. Meus olhos derivam para o relógio e eu me encolho porque esqueci a diferença de horário. — Espero que esteja tudo bem que eu estou chamando neste momento. — Claro, — diz ela. — Como eu disse me ligue a qualquer hora. Se eu não estou por perto para responder ou tem algo mais acontecendo, eu vou enviar e-mail e você pode me dar uma chamada de volta. Concorda? Deus, como eu poderia não concordar com tudo o que esta mulher diz? — Você tem um acordo. — E porque nada na minha vida é sempre fácil, eu escuto um apito longo seguido por uma explosão ao longe. Os sons colocam meu corpo em alerta máximo. Eu me endireito no meu lugar, duro como uma tábua, e não escuto mais nenhum som. — Devin? — Eu escuto, mas eu não respondo imediatamente. Eu escuto o som de outro apito longo e outra explosão que bate mais perto desta vez. — Devin, o que é isso? — O pânico em sua voz recupera a minha atenção. — Hey, não era nada, — eu minto, deslocando o telefone para minha outra orelha. Eu ergo a minha cabeça e tento escutar mais. — Você tem certeza? Não soava como nada. Droga. Esta é a parte que eu não quero que ela seja exposta, à parte que eu queria fingir que não existe. Quero terminar a chamada antes de os

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morteiros atacarem mais perto e o som das explosões não possam ser enganados, mas eu não posso suportar deixá-la ir. A comoção do outro lado da porta na sede começou agora, e eu sei que a merda está prestes a ir para baixo. Apenas um pouco mais. Eu preciso falar com ela um pouco mais. — Nada fora do comum, eu prometo. — A última palavra é cortada ao meio por um apito que castiga os tímpanos e é seguido por uma explosão que balança as paredes do edifício, como se fossem feitos de papel. O telefone clica e balança, mas ouço Katie fracamente chamando por mim na outra extremidade. Eu posso ouvir o caos lá fora e eu sei que isso é ruim. Eles tiveram êxito com o alvo de seus morteiros e com a certeza que mais estar para vir. — Katie? — Eu chamo freneticamente para o recetor, a necessidade de saber que eu não a perdi desesperado para ouvir a voz dela uma última vez. — Devin? Devin estou com medo. Eu não posso esc... — Sua voz trêmula é silenciada pelo zumbido estático, mas eu sei exatamente o que ela estava dizendo, porque é a mesma coisa que eu estava pensando. E talvez isso seja o que me motiva a continuar. Talvez seja isso que puxo as próximas palavras da minha garganta. Minhas palavras são apressadas, e eu nem sei se ela pode me ouvir, mas ela precisa saber... Eu quero ela saiba. — Eu quero você de volta. Eu quero nós, Katie e Eu nós... A linha corta minhas palavras, e eu estou jogado da minha cadeira enquanto outra explosão faz tremer a terra debaixo dos meus pés.

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Katie “From Where You Are” – Lifehouse

— DEVIN? — TODO O SANGUE É DRENADO do meu rosto, meu coração bate tão rápido que está literalmente a segundos de distância de explodir. — Devin! — O som estridente de uma mulher gritando penetra através do sangue pulsando em meus ouvidos, e eu olho ao redor antes de perceber que a mulher sou eu. — Não. Não,não,não,não. — Tirando o telefone calado, eu esfrego os dedos sobre as têmporas, tentando abafar o que ouvi. As palavras de Devin estavam quebradas e mal audíveis quando foi completamente cortada. Imagens dele deitado no chão, ferido ou pior, começam a jogar pela minha mente, e eu olho ao redor, freneticamente tentando decidir o que fazer. Eu preciso fazer alguma coisa. Não posso simplesmente sentar aqui e não fazer nada. Meu corpo congela a perceção de que não há absolutamente nada que eu possa fazer. Devin está a meio mundo de distância, e não tenho outra maneira de entrar em contato com ele. — Oh, Deus. — Meus membros ficam dormentes. Tremores cursam através do meu corpo, roubando a função e controle normal. Com as pernas bambas eu me empurro do sofá e, com movimentos bruscos ando pela sala de estar para a cozinha, meu telefone seguro tão apertado na minha mão que meus dedos estão dolorosamente brancos. Eu não posso fazer nada. Assim como com o papai, estou impotente.

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Sugando uma respiração trêmula, eu envio um texto... Um rápido pedido de ajuda e, em seguida, lanço meu telefone no balcão e me preparo para o impacto. Com minhas mãos firmemente plantadas contra a pia, curvo minha cabeça, me permitindo ser absorvido por tudo o que me consome e a muito, muito familiar sensação de medo. Diga o que você quiser... Pânico, medo, terror. É tudo a mesma coisa. E agora, como o sangue em minhas veias está fluindo através de meu corpo. Tremores correm até meus braços, deixando um rastro de arrepios na sua esteira, e o soluço que está se construindo dentro do meu peito, finalmente, rasga livre, me fazendo cair no chão. Minha visão borra e lágrimas gordas deslizam rápidas pelas minhas bochechas. Imagens do meu pai no carro, sangue escorrendo de seu rosto, provocam flashes na minha cabeça... Só que não é o rosto do meu pai que eu vejo, é Devin. Puxando meus joelhos no meu peito, eu enterro minha cabeça e choro. O tempo passa cada visão arrancando outro pedaço do meu coração. Talvez eu estive aqui por alguns minutos, talvez horas; Eu honestamente não tenho ideia. Mas quando eu escuto a voz suave da minha mãe, minha cabeça se levanta. — Katie. — Ela corre em minha direção, caindo de joelhos, me puxando contra o peito, os braços familiares enrolam em volta do meu corpo, me envolvendo no calor e amor que eu sabia que só ela poderia proporcionar. — Katie, querida, o que está errado? Você está me assustando, querida. — Devin. — Puxando para trás, eu enxugo as lágrimas do meu rosto, mas elas são rapidamente substituídas. — Nós estávamos falando e houve este barulho alto, e ele disse que estava tudo o-ok, mas não estava. — Minhas palavras quebram conforme o meu peito arfa. — Não estava tudo bem... — Minha cabeça sacode freneticamente... — Porque eu o-ouvi novamente, este a-alto assobio... E depois houve um b-boom... E então ele se foi. Assim como isto, ele tinha ido embora, e eu não sei o que fazer. Eu não posso perdê-lo, Mama. Eu não posso. — O pensamento de perdê-lo de novo é quase insuportável. A faixa apertada contrai em volta do meu peito, roubando o ar dos meus pulmões, e ameaçando sufocar a vida fora do meu coração.

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Bile corre pela minha garganta. Levanto do chão, eu corro para o cesto do lixo. A sensação de queimação rasga através do meu estômago enquanto eu expulso todo o seu conteúdo. Minha mãe tira meu cabelo para fora do meu rosto, prendendo-o em um agarrador. Segundos depois, um pano frio, molhado é pressionado contra a parte de trás do meu pescoço. Com cada onda do meu estômago, eu grito, quebro pouco a pouco até que não seja deixado nada. Só então me permito derivar em direção ao túnel escuro do lugar onde estava antes... O buraco vazio que me enterrei após a morte do meu pai. Como eu poderia me fazer passar por isso de novo? Como eu poderia cuidar de um homem que poderia facilmente ser rasgado para longe de mim? Eu sabia que Devin era um soldado e eu sabia os riscos que vinham junto com isso, mas eu ainda me permiti cair para ele... Cuidar dele... Amá-lo. Outra onda de bile rasteja pela minha garganta, mas desta vez eu sou capaz de engolir o passado. — Vamos. — Envolvendo um braço em minha volta, minha mãe me guia suavemente para o meu quarto, me enfia na cama e, em seguida, sobe ao meu lado. Eu aconchego contra o seu lado, e ela beija o topo da minha cabeça e então sussurra, — Devin, hein? Meus olhos estalam abertos. Mama está me observando, mas em vez de olhar aborrecida ou confusa, ela está curiosa. Eu disse a ela que Wyatt e eu terminamos as coisas, mas eu nunca contei a ela sobre Devin... Nem mesmo que estamos nos falando de novo depois de todo esse tempo. Eu decido que ela precisa de uma atualização. Então eu digo a ela sobre o programa de amigos por correspondência, e falamos de Devin e o que ele passou, e como ele conseguiu romper minhas paredes e roubar um pedaço do meu coração. Ela sorri quando eu revivo o momento em que li sua primeira carta para mim e como suas palavras eram como um soco na minha cara, em seguida, ela ri quando eu conto a ela sobre a maneira como ele tirou sarro de mim tentando correr. Meus olhos se fecharam enquanto eu descrevo como foi ouvir sua voz pela primeira vez em muito tempo, e do jeito que literalmente fez meu coração voar em torno de meu peito. Quando abro os olhos, vejo que ela tem lágrimas nos dela.

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— Então o que vamos fazer agora? — Ela disse. O ar foge dos meus pulmões. Inclinando a cabeça para dar uma olhada melhor para o meu rosto, ela sorri. — Como é que vamos descobrir se Devin está bem? — Eu, uh... — Digitalizo através de cada carta, e-mail e conversa na minha cabeça, eu tento pensar em algo para me ajudar, mas eu venho de mãos vazias. — Eu não faço ideia. Eu nem sei por onde começar. Há um número no meu telefone, que aparece quando ele chama, mas eu não sei se estou autorizada a chamar ele, ou mesmo se eu deveria. Não depois do que ouvi no telefone. Eu não sei as regras ou procedimentos ou qualquer coisa do caralho, e isso está me deixando louca. — Esfregando uma mão sobre meu rosto, enfio os dedos no meu cabelo, agarrando-a nas raízes. — O que eu faço? — Eu gostaria de ter algumas respostas para você querida, mas eu não tenho. — Mama suspira, reajustando-se em meus travesseiros. — Devin sempre foi um jovem inteligente, e tenho certeza que ele poderia saber o quão assustada você estava no telefone. Eu aceno, lembrando suas palavras e do jeito que ele estava tentando confortar e me tranquilizar quando todo o inferno foi, obviamente, se formando em volta dele. — Tenho certeza de que, assim que puder, ele vai encontrar uma maneira de chegar até você. — Eu sei. — Mordo meu lábio, eu chupo-o em minha boca. — Mas isso não me ajuda agora. Estou com medo por ele. Eu quero saber que ele está bem. — Eu sei querida. — Ele é mais do que o meu amigo, — eu sussurro, abaixando a cabeça. — Eu sei que parece bobagem, mas eu sinto que estou de volta onde eu estava quando eu tinha dezoito anos. É como se nada tivesse mudado. Meus sentimentos não vacilaram, e se mudou alguma coisa, eles só se tornaram mais fortes. Ele sente isso também, acrescento apenas no caso de que ela está querendo saber se o sentimento é mútuo. Sob os cílios grossos, eu espreito para minha mãe para encontrá-la sorrindo. — É uma espécie de assustador, porque não é como esqueci que ele me deixou, Mama. E eu acredito quando ele diz que nunca vai me deixar novamente. Mas, e se desta vez ele não tiver uma escolha? Dizendo essas coisas em voz alta, dizendo a outra pessoa todo o sentimento que tenho por Devin, está me libertando de uma forma que eu

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nunca esperava. É quase como se, depois que ele me deixou todos esses anos atrás, eu enrolei tudo dentro, escondi tudo fora e nunca conversamos sobre isso novamente. — Não estou louca? — Não está louca, — ela sussurra. — Eu nunca senti por Wyatt o que sinto por Devin, e é terrível, porque eu não o vi em dez anos. — O amor não tem uma data para expirar, Katie. Não há cortador de biscoitos para ele, e se há, com certeza, ninguém tem as instruções. Ele apenas é. Quem disse que você não pode se apaixonar por alguém que já quebrou seu coração? Quem disse que você não pode seguir em frente e, em seguida, cair no amor tudo de novo a partir de milhares de quilômetros de distância através de cartas e e-mails? Essa é a grande coisa sobre o amor... Ele encontra você. E quando é o verdadeiro amor, não vai embora, e você apenas sabe. Você não tem que saber ou adivinhar, porque ele simplesmente... É. — Isso é exatamente como eu me sinto. — A sensação de paz me cobre, um sorriso puxando o canto da minha boca. — Como você ficou tão inteligente? Mama ri. — É uma coisa de mãe. Você vai entender um dia destes. — Eu te amo. Você sabe disso, certo? Eu sei que era uma dor após papai... Depois que papai morreu, e eu sei que disse algumas coisas e fiz algumas coisas... — Você já se desculpou. Não mais. — Beijando a minha cabeça, ela desliza da cama e eu me sento, desejando que ela ficasse. Há apenas algo sobre estar envolta em seus braços de mãe. Por alguns momentos, eu era uma criança novamente, e suas palavras e toque suave tinha a capacidade de fazer tudo melhor. — Todos nós lamentamos à nossa própria maneira, em nosso próprio calendário. Eu sabia que você ia passar por isso, você só precisava de tempo. — Aonde você vai? — Casa. Eu preciso cuidar dos cavalos. — Não. — Arremessando minhas pernas sobre a borda da cama, eu me levanto. — Eu vou fazer isso. Eu disse que iria cuidar deles. — Mama pega meu rosto em suas mãos.

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— Hoje não. — Suas palavras podem ser simples, mas elas são firmes, não deixando espaço para a discussão. — Você precisa estar aqui. Eu sei que você está preocupada, mas tente manter o pensamento positivo e forte até ouvir alguma coisa. Isso é mais fácil dizer do que fazer. — Ok, Mama. Obrigada. Seguindo-a pela casa, lhe dou um último beijo antes de vê-la sair pela porta da frente. Ela a fecha suavemente atrás dela e eu estou indo em direção a minha sala de estar. Tudo está quieto e me sinto perdida, então eu faço a única coisa que posso fazer... Eu me comunico com Devin da maneira que eu sei neste momento. Para: Sargento Devin U. Clay De: Katie Devora Assunto: Devin, A linha de assunto está vazia porque eu simplesmente não sei o que colocar. Eu estou assustada. Não, assustada, provavelmente, não é uma palavra forte o suficiente. Eu estou aterrorizada. Eu não tenho ideia do que aconteceu hoje... Claro, eu posso tomar algumas suposições, mas o que eu sei com certeza é que você foi arrancado de mim, suas palavras cortadas, e em uma fração de segundo, você se foi. E agora eu realmente preciso saber que você está bem. Na verdade, você tem que estar bem, porque ainda há tantos planos que precisamos fazer e coisas que eu preciso te dizer. Minha mãe veio depois do nosso telefonema. Eu precisava de alguém para ficar comigo porque senti como se estivesse caindo aos pedaços. Eu disse a ela tudo sobre como nós tornamos a nos encontrar, e meio que esperava que ela fosse toda Mama Urso devido à forma como as coisas terminaram entre nós. Mas ela não o fez. Ela deu um passo até aqui e tomou conta de mim, assim como eu precisava que ela fizesse. Ok, então eu estou indo para seguir com o meu dia, limpar a casa e lavar roupa, mas não ache que por um segundo que você não está consumindo cada único pensamento na minha cabeça. Porque você está, e que não vai mudar

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até que eu ouça você de volta, e eu vou ouvir de volta de você. Por favor, me ligue assim que puder. Amor, Katie

Faz vinte e quatro horas desde que ouvi a voz de Devin. Vinte e quatro horas de espera, preocupantes e estimulantes... E tenho feito um monte de suposição. E quando não estou andando, não estou pensando, e agora, eu estou pensando em todas as coisas que eu nunca pude dizer para Devin. Para: Sargento Devin U. Clay De: Katie Devora Assunto: Eu quero você Devin, Eu tive um sonho ontem à noite que estávamos no telefone. Você estava rindo de algo que eu disse e houve um grande estrondo. Foi um sonho estranho, porque mesmo que você estava no telefone, eu podia vê-lo. Eu vi você ser jogado pelo quarto e você estava deitado, se contorcendo de dor, e não havia nada que eu pudesse fazer. Eu estava gritando, batendo desesperadamente na parede invisível me impedindo de ficar com você, mas não estava fazendo nenhum bem. Eu estava desesperada para chegar até você, mas eu não podia. Era isso... Eu acordei em um suor frio e depois percebi que não era um sonho. Eu percebi que era real, somente a realidade, eu não sei se você está bem. Eu não sei se você está deitado em algum lugar, ferido... Ou morto. Eu decidi que eu não gosto do desconhecido... Que deixa muito espaço para minha mente vagar, e minha mente não costuma caminhar na direção certa. Eu tenho que trabalhar hoje. Eu não tenho certeza se trabalhar vai ser uma coisa boa ou uma coisa ruim. Você ainda está consumindo cada polegada

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de espaço na minha cabeça... E meu coração. Esqueci-me de lhe dizer a última vez que nos falamos, mas é verdade. Amor, Katie

Apertando minhas mãos, meu olhar voa ao redor da sala, evitando o computador a minha frente. Meu estômago ronca, mas não me atrevo a colocar qualquer coisa nele, e não com a quantidade de vômito que eu tenho tido. Pensamentos sobre Devin preenchem cada segundo de cada dia. Ontem, depois do trabalho, eu quebrei e comecei a pesquisar na Internet sobre qualquer informação que pudesse encontrar. Eu não tinha ideia do que procurar, então comecei a vasculhar notícias na Internet, na esperança de ver algo qualquer coisa que possa me dar algum tipo de paz... Algum tipo de conforto no inferno que eu tenho vivido. Eu não achei nada. Rangendo os dentes, eu tento lutar contra o tremor em meu queixo, mas é uma causa perdida. Minha garganta queima, aperta de emoção, enquanto as lágrimas caem do meu rosto. Enxugar as lágrimas é inútil desisti há muito tempo. Para: Sargento Devin U. Clay De: Katie Devora Assunto: Eu quero nós Faz quarenta e nove horas, vinte e dois minutos e quatorze segundos desde que eu ouvi de você. Eu verifiquei meu e-mail centenas de vezes, na esperança de ver uma resposta, e cada vez que olho sinto um vazio, um pequeno pedaço de mim rompe. Meu telefone tornou-se um elemento permanente em minha mão porque continuo esperando você me ligar. Eu sinto sua falta. Como isso aconteceu em um curto espaço de tempo? Eu sinto falta de ver seu nome na minha caixa de entrada... Eu sinto falta de

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ler suas palavras e, a cada segundo que passa, estou convencida de que nunca vou poder vê-las novamente. Eu preciso vê-las, Devin. Você sempre foi uma parte de mim, mas isso ainda é novo e eu não estou feita em explorar. Eu certamente não estou pronta para deixar ir. Eu ainda estou mantendo a esperança. Amor, Katie

— Oi querida. — Oi, mãe. — É a terceira vez que ela chama hoje. Cancelei minha consulta com a Dra. Perry, e eu não tenho aparecido para cuidar de Mac, Molly, e Toby toda a semana. Eu nunca iria deixá-la para fazê-lo, então eu contratei ajuda extra do garoto que já estava me ajudando lá. Ela está preocupada... Ela deve estar. Eu posso sentir-me escorregar, perdendo a esperança a cada segundo. Posso me ver descendo a estrada que eu viajei recentemente... Aquela onde eu desligo porque estar dormente é muito mais fácil do que sentir dor. — Eu estou fazendo lasanha para o jantar. Você gostaria de vir? — Não. Mas, obrigada, — eu respondo. — Eu fiz uma pizza pouco tempo atrás. — Fechando os olhos, eu me encolho. Mentir para ela não é uma coisa adulta para fazer, mas eu odeio fazê-la se preocupar, e agora, eu só preciso ficar sozinha. — Que tal café da manhã? Eu posso fazer o seu favorito. — Eu tenho que trabalhar. — Não faça isso, Katie, — ela implora. — Não fazer o quê? — Eu assobio. — O que eu deveria fazer? Devo apenas fingir que ele não existe, fingir que algo horrível não aconteceu. — Eu sei que parece ruim.

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— Parece ruim? — Eu zombo, pressionando meus dedos em minha testa, porque, caramba, eu não quero chorar agora. — Isso não parece ruim, mamãe, é ruim. Eu fiz tudo que eu posso fazer, e eu continuo estando de mãos vazias. Entrei em contato com todas as instalações militares que pude encontrar, mas ninguém sabe nada, ou eles simplesmente não querem me dizer. Assim, ou algo terrível aconteceu, ou... Minhas palavras, juntamente com os meus pensamentos, param. — Katie, eu não quero que você fique sozinha agora. — Eu tenho que ir, mãe. — Termino a chamada, conecto o meu telefone na tomada, fecho minha porta, pego meu laptop e rastejo na cama. Para: Sargento Devin U. Clay De: Katie Devora Assunto: O que você diz? Devin, Minha mente está fodendo comigo ferozmente. Eu considerei o fato de que talvez eu tenha estado enganada... Talvez você não esteja respondendo aos meus e-mails ou ligando porque tudo isso foi algum tipo de brincadeira ou jogo e eu tenho jogado. Mas então eu li as cartas que você me enviou, e eu sei que não podia ser isso. Então eu fico com raiva de mim mesmo por pensar isso, porque você prometeu que não ia me machucar novamente. E eu acredito em você. Na noite passada eu chorei até dormir, porque essa dor que se estabeleceu no centro do meu peito está se tornando demais para suportar, e cada dia dói um pouco mais. Tive outro sonho sobre você, só que desta vez você não estava ferido e não tinha nada a ver com o nosso último telefonema. Na verdade, você estava aqui comigo. Nós estávamos na cama. Minha cabeça estava descansando sobre seu coração. Seu braço esquerdo estava envolvido em torno de meu ombro, o dedo desenhando círculos por cima do meu braço nu. Foi perfeito. Ficamos felizes e não tínhamos um cuidado no mundo. E então eu acordei e percebi que eu nunca pude principiar a sentir sua pele contra a minha outra vez, e esse pensamento sozinho quase me deixou de joelhos.

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Eu quero isso, Devin. Eu quero te ver. Eu quero sentir seus lábios escovar os meus, para sentir nossos dedos ligarem da maneira que eles faziam. Mas, ao mesmo tempo, eu quero começar de novo porque nós somos duas pessoas diferentes do que éramos naquela época. Quero os primeiros mais uma vez com o homem que você se tornou. Eu quero o primeiro encontro, o primeiro beijo estranho, porque há sempre um (lembra-se do nosso?)... O primeiro beijo não desajeitado, o primeiro tudo. Eu quero me aconchegar ao seu lado e adormecer com a batida do seu coração. Eu quero ser acordada no meio da noite por seu toque... A lista continua sobre e sobre, mas, basicamente, eu quero tudo. Mais do que isso, agora, eu só quero ouvir de você. Se eu não posso sentir você, eu quero ouvir a sua voz. Amor, Katie

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Devin “Fighting My Way Back” – After Midnight Project

CINCO DIAS DO CARALHO estive preso dentro deste edifício, com toda a companhia até a porra da minha bunda. Estamos todos os dias, um ao lado do outro, nos corredores, cem soldados, sem nada para fazer, apenas deixar os nossos pensamentos correrem soltos e nada mais do que aquilo que fomos capazes de realizar com ambos os braços. Um tiro certeiro do morteiro do nosso inimigo atingiu nosso ponto de munição, o que causou explosões secundárias melhores do que o próprio quatro de julho e atingiram cerca 60 metros de altura. Nossas próprias granadas de artilharia e rodadas marcadoras explodiram sob o calor das chamas, arqueando sem rumo em um incêndio no céu. Desconsiderando a nossa própria segurança, nós assistimos ao show do lado de fora por pouco tempo quando as conchas explodiram em belos vermelhos, laranjas e amarelos. Eventualmente fomos chamados ao interior pela liderança, que, por sinal, estão hospedados em seus próprios edifícios e em seus próprios quartos. Então, enquanto nós ficamos aqui como sem-teto sob um viaduto, os grandões foram dormir confortavelmente em seus berços. Não que tenha sentido muito sono para está dormido. Por trás dessas paredes, soado como se todo o complexo estivesse no meio do Armagedom. Há dois dias, as explosões pararam, e desde então, equipe de destruição de munições da Zona Verde têm sido escolhidas através de rondas que passam,

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carregando com cuidado aquelas que não detonaram em caminhões para serem levadas para o meio do nada e explodidas manualmente. Deus sabe em que forma o composto está agora. Quanto à sede, não houve qualquer dano significativo e ninguém ficou ferido, felizmente. Um idiota no 3º Pelotão alegou que ele foi atingido por estilhaços, mas acabou sendo apenas alguns cacos de vidro de uma janela quebrada. O que ele realmente quis dizer foi que ele está sendo uma cadela e quer ir para casa. Nossas comunicações ainda são por rádios, mas que tem sido a nossa única ligação com o mundo exterior. Que significa… Sem telefone. Sem internet. Sem Katie. Estou deitado ao lado de Navas no meio do corredor com o resto do pelotão esparramado em torno de nós, e parece que estas paredes estão começando a fechar em torno de mim. Eu realmente não tenho falado com ninguém. Estou cansado de falar e cansado de fingir que não estou preso dentro deste buraco. Um cobertor é dobrado debaixo de cada axila e minha cabeça se senta confortavelmente contra um travesseiro quando eu olho para o mesmo Sports Illustrated que li milhares de vezes antes. Tudo o que posso pensar é Katie e o que está passando através de sua mente durante tudo isso. Eu sei que ela ouviu a última explosão, porque eu podia ouvi-la falar direito antes de bater. Suas últimas palavras flutuam em torno da minha cabeça... Devin estou com medo. Ninguém se importava comigo, não desde ela e eu nunca tive ninguém esperando ansiosamente para o meu regresso. Mas ela faz, e espero realmente que ela esteja. Nesse meio tempo, quebra a porra do meu coração que ela possa pensar que estou morto, apenas outra pessoa para deixá-la para trás. Deus, se eu só pudesse chamá-la, eu pudesse ouvir sua voz, tudo estaria bem. A revista cai das minhas mãos. Minhas têmporas pulsam a cada

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piscada da luz fluorescente, e fixo meus olhos no centro de comunicações a poucos passos de distância. Sabendo que não posso entrar lá irrita o inferno fora de mim. As risadas de Elkins atingem meus ouvidos como pregos de encontro a um quadro-negro, e eu quero fudidamente gritar. Eu quero pegar o oficial mais próximo e agitar a merda que vive dentro dele. Deixe-me ir para fora daqui caralho! Conserte o telefone, porra! O som estridente da abertura da porta principal faz-me olhar para cima e atrai a maioria dos olhos no edifício. Capitão Hendricks entra no corredor principal e para, examinando-nos enquanto todos nós mantemos nossos olhos fixos nele. Nós esperamos ansiosamente que ele fale, mas ele corre rapidamente por nós e para o centro de operações, juntando-se aos outros oficiais. Eu caio de volta para baixo e fecho os olhos, mas apenas quando meu sono está prestes a chegar, ouço passos que saem do centro de operações. Eu olho para cima para ver o tenente Dixon fazendo o seu caminho em direção à porta da frente, mas ele para pouco antes de ele chegar lá. — Tudo bem, nós só temos a palavra da EOD que quase toda a artilharia está limpa e cuidada. Nós ainda teremos engenheiros e equipes de comunicação aqui nos próximos dias para ter tudo de volta em boas condições de funcionamento, mas vocês vão ser capaz de voltar para suas tendas esta noite às 21:00 horas. — Ele termina e se vira para sair, e eu rapidamente me levanto. — Senhor? — Ele para em seu caminho e se vira para mim. — O que sobre o Centro Comum? Quando ele vai estar de volta? — Será que você não me ouviu, sargento Clay? — Ele rosna. — As equipes de Comunicações vão ter tudo de volta a ordem de trabalho nos próximos dias. Você acha que é o único que quer usar o telefone? — Eu me imagino estrangulando-o, minhas mãos grossas apertando seu pescoço enquanto ele suspira impotente. — Bem, eu não sabia se talvez eles deram-lhe um prazo... Senhor. — Deve estar até amanhã, — ele murmura antes de pegar seu capacete e sair do prédio.

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— Filho da puta, — eu assobio sob a minha respiração, caindo de volta para o chão.

Eu escuto quando o último caminhão ronca para fora do portão da frente e abaixo da estrada. Me sinto como um rei da Califórnia em minha cama e nossa tenda como uma suíte no Ritz. Eu estou enrolado no escuro, usando a lanterna para iluminar meu caminho para sair deste lugar. Varro em cada linha de cada carta que Katie me escreveu enquanto eu escuto os sons fracos dos homens que trabalham fora da tenda, os próprios homens que eu estou confiando tão desesperadamente para reestabelecer a comunicação ou pelo menos me colocar sensatamente mais próximo dela. Eu rezo para que eles obtenham as linhas antes de partimos para a nossa missão amanhã. Eu estou olhando para três horas de sono que terei, mas eu não me importo. Eu não consigo dormir porque minha mente está muito frenética, e eu sei que não vai se acalmar até que eu fale com Katie. Tudo o que eu quero fazer é deixá-la saber que estou bem... que eu ainda estou aqui e eu não vou a lugar nenhum.

O alarme do relógio explode para o que tem de ser cinco minutos antes de eu perceber que não é um sonho. Navas e alguns dos outros estão meio acordados e resmungando para mim para desligá-lo e me foder, e eu finalmente agito o sono longe o suficiente para silenciar o som irritante. 05:00. Os números gritantes queimam buracos através das minhas pupilas. Olho para a minha esquerda e vejo a pilha de cartas ao meu lado. Ela

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imediatamente me lembra de o que estou fazendo tão cedo e me faz entrar em ação. Vou verificar a cada hora se eu tiver que fazer, mas vou alcançá-la antes da missão. Saio fora da cama e visto meu equipamento antes de fazer o meu caminho para a entrada da tenda. Espreito para fora, vejo que as equipes da noite terminaram de trabalhar. Equipamentos e veículos de manutenção ainda estão espalhados ao redor da base, mas não há um barulho para ser ouvido ou movimento a ser visto. Saio da tenda e caminho em direção a sede, o tempo todo contando os restos carbonizados onde cada morteiro explodiu. As paredes das barreiras Hesco são pintadas de preto com fuligem e pontilhada com buracos frescos, e uma torre de guarda ainda está no meio de reparo. Dois pequenos edifícios utilizados para o armazenamento estão agora em ruínas, mas o resto da base parece estar intacta. Um frio rápido dispara na minha espinha quando percebo o quão sortudos somos. Nós poderíamos ter estado mortos. Eu poderia ter sido morto. Pouco antes de entrar na sede, eu olho para o céu e imagino Deus olhando para mim. Eu falo um “obrigado” a Ele, e na minha cabeça eu faço uma pequena oração: Por favor, deixe-o ter sido corrigido, Senhor. Por favor. Entro no interior, primeiro olho através da porta do centro de operações em aberto. Por um segundo, eu acho que eu deveria apenas perguntar ao operador de rádio se as comunicações estão de volta, mas eu não posso. Se ele me diz que não, eu não sei o que vou fazer. Em vez disso, entro no centro de comunicações, tomo um banco e ligo o computador, cruzando meus dedos firmemente enquanto eu faço. O pequeno ícone dança para frente e para trás através da tela do computador, uma e outra e outra vez. Meu estômago aperta e meu pé bate em um ritmo que qualquer viciado em crack apreciaria. Os segundos parecem horas enquanto a palavra 'carregando' trabalha o seu caminho sob a minha pele. E então acontece... o toque... o sistema de inicialização. Está consertado! Cada músculo tenso no meu corpo relaxa. Eu me mexo no assento e deixo escapar um longo suspiro de alívio. Então, sem hesitação, eu rapidamente abro o meu e-mail. Há quatro mensagens de Katie, e leio cada uma delas, mais de que uma vez. Em cada uma, meu coração para e, em seguida, emenda, e quando

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minha mente finalmente reúne as mensagens que ela me deixou na forma de linhas de assunto, meu coração se expande para proporções épicas. Ela me quer. Ela quer a nós. Eu digo, inferno sim. Lágrimas borram meus olhos, mas eu pisco-as fora. Eu tenho que deixá-la saber que estou bem. Eu verifico o meu relógio. 06:00. Esforçando-me para fazer as contas na minha cabeça, eu finalmente percebo que é apenas dez onde ela está, então eu tiro o telefone do suporte, discando o número dela tão rápido quanto meus dedos se movem.

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Katie “We Can Try”—Between The Trees

EMERGINDO MINHAS MÃOS na água quente e sabão, eu alcanço um copo e, em seguida, executo a mesma rotina monótona que eu já venho realizando sobre esta pilha de pratos durante os últimos vinte minutos. Esfregar. Enxaguar. Repetir. Meus olhos estão focados em uma menina que joga em seu quintal do outro lado da rua, mas minha mente não está processando o que minhas mãos estão fazendo ou o que meus olhos estão vendo. Eu tive minha mente em um único lugar durante os últimos dias, e tem sido em Devin. Eu levo meu telefone ao redor em minha mão como se estivesse ligado ao meu corpo, e cada vez que ele toca, meu coração gagueja até parar. Mas nunca é ele, e a cada dia que passa, a pouca esperança que eu tinha começa lentamente a desaparecer. Uma batida suave soa na porta, mas em vez de mover-me para atender, eu só grito com quem está lá para entrar. Provavelmente não é a ideia mais inteligente, mas agora eu realmente não me importo. Minha mente voa de volta para pensamentos em Devin quando ouço a porta da frente aberta e depois fechada, seguido pelo passo suave de alguém caminhando em minha direção. Espero que ele não seja um assassino em série. Retiro o que eu disse.

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— Hey, Kit Kat. — Ao som suave da voz de Bailey, eu fecho meus olhos, respiro fundo e rezo para quem está disposto a ouvir que tenha pena de mim, porque eu não estou aqui para muita luta agora mesmo. Puxando as mãos da pia, as seco com uma toalha e, em seguida, me viro e me apoio contra o balcão. Bailey está de pé na porta, com os ombros curvados para frente, as mãos torcendo juntas. Eu não posso ajudar, mas pergunto por que diabos ela está tão nervosa. Meu silêncio deve ser irritante porque ela dá um passo adiante e diz: — Obrigado por cuidar de mim na outra noite. Amassando o meu nariz, eu penso de volta no que ela está falando, e então eu me lembro da noite de bebedeira dela. — Você tinha sumido quando me levantei. — Sim, — ela limpa a garganta... — Desculpe por isso. Eu deveria ter esperado por você se levantar, mas eu estava envergonhada e ainda um pouco frustrada com você... bem, mais comigo... de qualquer maneira, eu só precisava sair. — Como é que você chegou em casa? Você não tinha seu carro. — Meu carro estava apenas uma milha abaixo da estrada no bar, então eu só andei. — Os olhos de Bailey deslizam para a mesa da cozinha e, em seguida, de volta para mim. — Se importa se eu me sentar? — Oh, hum, não... Vá em frente, sente-se. — Eu fico em pé. Bem aqui, eu sinto absolutamente nada, mas se eu me mexer... bem, se eu me mexer, isso pode mudar. E eu realmente não quero que isso mude. Bailey puxa uma cadeira, senta e coloca os cotovelos em cima da mesa. A sala está estranhamente silenciosa e, a julgar pela maneira como ela está mexendo em seu assento, ela está fazendo eu me sentir desconfortável. — Mamãe me contou sobre Devin, — ela deixa escapar. Eu não posso dizer que estou surpresa. — O que você quer que eu diga, Bailey? — Nada. — Seus olhos amolecem e ela balança a cabeça. — Eu só... eu queria que você soubesse que eu estou aqui para você, se você precisar de mim. Eu sei que as coisas têm sido um pouco dura entre nós, mas você ainda é minha irmã, e eu quero que você saiba que se você precisar de um

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ombro para chorar, ou alguém para sentar e comer um litro de sorvete de cookies, eu sou sua garota. Suas palavras envolvem-se em volta do meu coração, e de repente, o desejo de fechar-me fora não é tão forte. Mas eu não cedo porque cedendo me fará sentir, e agora eu estou especificamente tentando não sentir. — Obrigado, Bailey. Ela bufa e ergue a cabeça para o lado. Essas três pequenas palavras não devem ter sido o que ela estava esperando. — Sinto muito, Katie. Lá, eu disse isso. Sinto muito por empurrar você e por ficar brava com a coisa toda com o Wyatt. Você estava certa, não era o meu negócio. Eu só... — Meu telefone toca, cortando-a, e ambas lançamos nossos olhos para a pequena engenhoca prata enquanto ele salta sobre a mesa com cada vibração. Meu coração gagueja a uma parada completa, e muito como todas as outras vezes meu telefone tocou, adrenalina corre nas minhas veias. Fechando os olhos, tento me acalmar, mas isso não funciona. Nunca funciona, porra. — Aqui. — Meus olhos se abrem a tempo de ver Bailey pegar o meu celular. Ela olha para a tela e depois para mim. — Número desconhecido. Quer que bata 'ignorar'? — NÃO! — Saltando para frente, eu arranco o telefone da mão dela, abro-o e empurro contra a minha orelha. — Olá? — Katie. — Sua voz surge através da linha; é o som mais porra doce que eu já ouvi. Lágrimas brotam em meus olhos e minha mão trêmula voa para minha boca. Toda a tensão instantaneamente drena do meu corpo enquanto eu caio contra os armários e deslizo para o chão em uma confusão chorando. Bailey sai da mesa, atravessa a sala e cai de joelhos ao meu lado, me envolvendo em seus braços. O som fraco da voz de Devin filtra através do telefone, mas eu não posso ouvi-lo sobre os gritos vindos de minha boca. — Devin... — Eu suspiro entre soluços. — Oh Deus. Eu não... — Um gemido estrangulado rasga meus pulmões, meu corpo balança para frente quando minha mente finalmente me permite acreditar que isso é real. Ele está vivo.

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— Por favor, não chore, Katie. Eu estou bem. — A voz de Devin é suave e gentil, e eu posso dizer pelo engate em sua voz que ele está se sentindo tão emocional como eu estou. Meus pulmões lutam para sugar o ar, e quando eu finalmente sou capaz de recuperar o fôlego, eu levanto o olhar para o céu e eu silenciosamente digo “obrigado” a quem estiver ouvindo minhas orações. Olhando para baixo, vejo Bailey me olhando interrogativamente, e eu dou-lhe um sorriso trêmulo e aceno. Ela lentamente solta seu aperto e me beija na bochecha antes de sair da sala, provavelmente para me dar privacidade. — Eu não posso ajudar. — Eu soluço enquanto eu luto após o ardor em meu peito para apenas falar. — A explosão…E, Em seguida, a linha ficou muda... você nunca chamou ou enviou e-mail, e eu não tinha maneira de obter notícia sua, e... — Com cada palavra, as lágrimas voltam com força total, emoção entupindo minha garganta. — Eu pensei que você tinha ido. Eu não achei que eu fosse ouvi-lo novamente, e... — E agora você está me ouvindo, — ele respira. — Porque eu estou bem. Merda, Katie, eu não suporto ouvir você chorar. — Estou feliz que você está bem. — Minha voz é estrangulada. — Você não tem ideia do que passou pela minha cabeça, Devin. Eu só tenho você de volta, e então o pensamento de perder você, foi... — As palavras caíram da minha boca antes que eu tivesse a chance de processar o que eu estava dizendo, mas agora que eles estão lá fora, eu não me arrependo de dizê-las. Porque é verdade. Ele está de volta no meu coração, inferno, ele nunca saiu, porra. — Eu não quero perder você, — eu sussurro, limpando minhas lágrimas. A respiração de Devin fica difícil e pesada como se o peso do mundo apenas tivesse sido tirado de seus ombros. — Você não vai me perder, Katie, — ele promete. — Ficar sem saber de você, recebendo você de volta, que foi tudo que eu pensava. Você era tudo que eu pensava. — Nós dois estamos tranquilo, mas os sons fracos de fungados e respiração pesada ainda passam através da linha. Eu não tenho certeza de quem está fazendo o quê, mas eu sinceramente não me importo. — Eu tenho seus e-mails. Eu puxo em uma respiração e seguro. Será que ele notou a minha mensagem escondida?

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— Você quis dizer isso? — Pela primeira vez desde que me reconectei com Devin, ele parece inseguro, e eu odeio aquele som de sua voz. É algo que eu não quero nunca ouvir de novo, e não quando se trata de nós. — Sim. — Eu aceno, mesmo que ninguém está por perto para vê-lo. — Eu preciso ouvir você dizer isso, Katie. — Eu quero nós. — Eu coloco tanta convicção quanto eu posso nessas três pequenas palavras, e Devin deve pegar isso, porque um enorme suspiro filtra através do telefone. — Eu quero você, — eu continuo, precisando que ele saiba o quanto isso significa para mim, o quanto ele significa para mim. — Eu nunca parei de querer você, Dev. — Deus, Katie, — uma série de palavras incoerentes caem de sua boca antes que ele limpa a garganta. — Eu não posso te dizer o quão malditamente eu queria ouvir você dizer isso. E eu me sinto da mesma maneira. Você possui a porra do meu coração, Katie. Você sempre teve e nunca vai mudar. Lágrimas estão escorrendo pelo meu rosto, mas eu sou incapaz de me impedir de rir. Não porque o que ele disse é engraçado, mas de pura felicidade. Esta euforia é algo que eu não senti em um longo tempo, e isso está me deixando com uma sensação de vertigem. — O que agora? — Agora vamos esperar até que eu possa ir para casa. Vão ser os mais longos meses de toda a minha vida, porra, — ele diz com uma risada. — E depois? — Pergunto, a necessidade de ouvi-lo dizer o que o meu coração quer desesperadamente ouvir. — Quando você vier em licença, então o que? — Então eu estou voltando para casa... para você. E nós estamos indo para compensar cada porra de segundo dos últimos dez anos. Eu aceno, roçando o fluxo interminável de lágrimas. Melhor coisa que eu ouvi em... Dez anos. Estou ciente de que quando ele vier em licença, isso não significa que seu passeio será longo, mas um passo de cada vez. Nós vamos lidar com isso mais tarde. Respirando fundo, eu seguro e depois solto lentamente. Isso está realmente acontecendo. — Eu gosto do som disso. Muito. — Katie?

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— Hmmm? — Eu não tenho muito tempo para falar porque estamos nos preparando para sair em missão, mas eu quero que você saiba que, se eu pudesse ter chamado depois da explosão, eu teria. Você sabe disso, certo? Merda. Apenas por um segundo, eu esqueci completamente sobre a explosão. — Eu não sei mesmo o que aconteceu naquele dia. Por que você não ligou? Por que não poderia ao menos me enviar e-mail para me deixar saber que você estava bem? Devin geme, e eu imagino-o deixando cair a cabeça para trás e passando a mão pelo cabelo como ele fazia quando éramos crianças. — Confie em mim, eu teria, mas essas rodadas malditas de explosões levaram o nosso centro de comunicações e levou dias para obtê-lo funcionando novamente. Eu nem sequer pensei nisso. — Isso não era tudo o que estava passando pela minha cabeça, — eu digo, um arrepio correndo pela minha espinha. — Eu não quero saber o que estava passando pela sua cabeça. — Inferno não, você não quer. — Minha cabeça cai de volta contra o gabinete da pia com o alívio, infiltrando o seu caminho através do meu corpo. — Sinto muito, Katie. Não tenho a certeza de porque ele está se desculpando, mas a forma como as suas palavras saem fazem parecer que por tudo. — Você está perdoado. — Um sorriso se espalha pelo meu rosto, porque, no meu coração, eu sei que ele realmente está perdoado... por tudo. Antes, eu não tinha certeza se eu jamais seria capaz de perdoar Devin pela forma como ele se afastou de mim, mas que parece tão insignificante agora em comparação com tudo o que aconteceu. — Não há mais desculpas, ok? A partir de agora, você e eu, nós seguirmos em frente. — Eu gosto do som disso, — diz ele com um toque de brincadeira em sua voz. Calor irradia através do meu peito, e eu chego para o local que tem estado dolorido nos últimos dias, apenas para descobrir que ele desapareceu.

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A linha telefônica fica arranhando e ouço várias outras vozes antes de Devin falar novamente. — Katie, eu odeio fazer isso, mas eu tenho que ir. Estamos nos preparando para sair, mas eu prometo que vou chamá-la assim que puder. — Você promete? Não importa o tempo, você promete que vai chamar? — Eu prometo, — diz ele, rindo. — Bom. Porque se eu não ouvir de você em breve, você estará em sérios apuros. — Acho incrivelmente intrigante, senhorita Devora. Qual seria a minha forma de punição? — Diz ele sugestivamente. — Hah! — Eu solto para fora, um enorme sorriso dividindo meu rosto. — Claro que você iria transformar isso em algo sujo. — Você não respondeu minha pergunta. Qual seria a minha forma de...? — Adeus, Devin. — Eu suspiro, sentindo como se o peso do mundo fosse tirado dos meus ombros. — Adeus, Katie.

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Devin “If It Means a Lot to You”—A Day To Remember

ESTOU DERRAMANDO MEUS EQUIPAMENTOS ao lado da minha cama, logo após a missão, quando Tavares estoura através da entrada da nossa tenda, seus movimentos frenéticos capturam a nossa atenção. Seus olhos bloqueiam no meu e quando vejo o olhar de pena em seu rosto, o meu sangue corre frio. Eu sei que ele está aqui por mim... mas por quê? Em três passos largos, ele está de pé diante de mim. Sua boca abre e fecha várias vezes como se ele tivesse algo a dizer, mas ele simplesmente não sabe como falar. — E aí, cara? — Eu pergunto, soltando a minha arma no chão e desabotoando meu uniforme. Ele permanece em silêncio e olha para Navas, que está segurando uma revista Hot Rod, mas tem os olhos trancados em Tavares, esperando também por ele falar. — Cara, Tavares, o que diabos está acontecendo? — Nós precisamos de você no HQ... — Seus olhos voam em volta do meu rosto e sua voz sai fora. Posso dizer que ele quer dizer mais, mas não pode. Agora eu estou irritado. — Quem é, Tavares? — Eu pergunto, tentando manter minha voz o mais calma possível. — Capitão Kendricks, — diz ele, antes de virar as costas.

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— Não, — eu digo. Ele olha por cima do ombro, e a determinação deveria estar estampada em meu rosto, porque ele gira em torno de frente para mim. — Diga-me o que está acontecendo. — Eu não tenho certeza. Kendricks não mencionou nada. — Eu não acredito nele, mas não vou tentar pressioná-lo por mais. Conheço Tavares tempo suficiente para entender que ele diz o que ele quer e nada mais. Se há uma coisa nesta vida que eu já dominei, é a capacidade de ler as pessoas. Eu sigo Tavares para a sede e uma curta caminhada estranhamente silenciosa. Ele me leva para dentro para o pequeno escritório do capitão Kendricks. Batendo na porta, ele encontra com um grunhido profundo do outro lado. Em seguida, ele abre a porta, movimenta-se para me deixar entrar no escritório e fecha a porta atrás de mim. Sento-me, não tendo absolutamente nenhuma ideia do que está acontecendo, mas minha mente funciona através de uma centena de cenários diferentes. Nenhum deles é bom. Kendricks continua procurando através dos documentos sem notar minha presença. Ele encontra o que está procurando e finalmente olha para cima. Ele tem o mesmo olhar de pena que Tavares tinha, apenas que o seu pareceu forçado, provavelmente por força do hábito. Suas conversas com os homens abaixo dele são negócios, e só negócio. — Bem, Clay, eu tenho algumas más notícias. — Ele faz uma pausa, cruzando os braços sobre o peito. Estou imediatamente grato que ele narra como ele faz; eu respeito um homem que pode fazer isso. — Recebemos uma mensagem da Cruz Vermelha de hoje à noite, e... bem, — ele limpa a garganta, mas mantém os olhos nos meus — a sua mãe morreu há dois dias. — Ele para, presumivelmente para me deixar processar o que ele acabou de dizer. Minha mente está insensível enquanto eu luto para compreender suas palavras. — Não há um monte de informações lá, — diz ele, entregando-me uma pilha de papéis, mas há um número para ligar, e, claro, teremos que levá-lo em um plano de sair daqui o mais rápido possível. Pego o papel de sua mão e percebo que a minha está tremendo. Minha mão nunca porra treme. Minha mãe está... morta. Se foi. Uma rajada de ar empurra através dos meus lábios e eu fecho meus olhos, só que em vez de pensar em Josephine, meus pensamentos viajam para Katie.

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Vou conseguir ver ela? Ela virá para a Pensilvânia para me ver? Eu deveria me sentir mal que este é o lugar onde meus pensamentos estão indo, mas eu não sinto. Não depois do inferno que minha mãe me fez passar. — Um avião, senhor? — Eu sei o que ele está dizendo, mas, neste momento, a minha mente não está aqui. — Sim, temos que tirá-lo para o funeral. Ele está na mensagem, quero dizer, você pode ler você mesmo, mas o funeral é em três dias. Vamos ter de levá-lo em um helicóptero à Zona Verde na parte da manhã, e os nossos homens de operações criaram um vôo para você para fora do país amanhã à noite. Você vai estar em casa até sexta-feira, — diz ele, me entregando outro pedaço de papel. Eu olho para ele e vejo o meu itinerário. Ele para por um momento, e pela primeira vez durante este encontro, ele tem um olhar genuíno de pena em seu rosto. — Sinto muito pela sua perda, sargento Clay. — Obrigado, senhor, — murmuro, meus olhos à deriva até sua mesa com tampo de mármore quando eu mentalmente faço planos para chamar Katie. Eu tenho que ligar para ela. Eu tenho que vê-la. — Clay? — A voz profunda de Capitão Kendricks me chama a atenção, e olho para cima. Ele quer dizer mais alguma coisa, mas para e simplesmente balança a cabeça. — Você sabe quando o helicóptero estará aqui, senhor? — Eu peço para preencher o silêncio constrangedor que tomou a sala. — 06:00 o pássaro vai estar aqui, assim que arrume suas coisas juntas esta noite e esteja preparado às 05:30. Balançando a cabeça, eu levanto, com a mensagem da Cruz Vermelha apertada na minha mão. Sem dizer uma palavra, eu ando até a porta antes de perceber quão rude eu devo ter de sido. Eu giro de volta. — Desculpe senhor. Eu vou estar no heliporto em 05:30. Ele balança a cabeça, aceitando a minha explicação. — Sinto muito de novo, sargento Clay. A caminhada de volta para a tenda é quase como um sonho. Meus sentidos têm estado em conflito com minha mente se esforçando para

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compreender. Eu espero pela vontade de chorar ou sentir uma enorme sensação de perda, mas ele nunca vem. Eu só estou dormente.

A linha toca várias vezes e gostaria de saber o que eles vão me dizer, se alguma coisa. Meu desejo de chamar Katie está crescendo a cada segundo, mas eu tenho que descobrir o que aconteceu com minha mãe em primeiro lugar. Mesmo sabendo como aquela mulher poderia ser, ela ainda era minha mãe, e eu espero que, pelo menos, ela morreu pacificamente, embora na sua idade eu sei que isso é impossível. A linha clica e uma voz de mulher surge. — Cruz Vermelha Serviços de comunicações de emergência. Esta é Sharon. Como posso ajudá-lo? — Sim, senhora, meu nome é sargento Devin Clay. Eu sou um soldado do exército dos EUA enviado para o Iraque, e eu acabo de receber uma mensagem da Cruz Vermelha sobre a morte da minha mãe. — Oh, eu sinto muito por ouvir isso, sargento Clay, e devo dizer, muito obrigado para os sacrifícios que você e sua família estão fazendo. — Suas palavras são terrivelmente doces, mas tenho a sensação de que ela faz esses tipos da chamada inteiramente demasiado frequente e suas palavras são apenas um script que é executado através de sua cabeça. Ouço-a digitando no teclado. — Muito obrigado, senhora. Você tem alguma informação para mim? — Pergunto quando ela continua a escrever. — Só... Um... Segundo... Sim, aqui vamos nós. Josephine Clay, infarto do miocárdio, morreu 18 de abril, 2006. O funeral é em 23 de abril. — Ela digita novamente antes de continuar: — Agora, sargento Clay, seu comandante lhe deu toda a informação sobre o funeral e viagem? — Sim, senhora. Existe alguma coisa que eu deveria saber?

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— Isso deve ser tudo. Por favor, dê-nos uma chamada se você tiver qualquer problema com seus planos de viagem. Estamos aqui para servi-lo e, novamente, se você ainda tem dúvidas, muito obrigado para o que você está fazendo ai. — Suas palavras mal registram porque minha mente está em uma coisa e uma coisa só. Faz dez longos anos, e estou pronto para reiniciar com a minha menina. — Não, eu acho que estou bem. Obrigado, senhora. — Eu rapidamente desligo o telefone e pego ele novamente, disco o número de Katie tão rápido quanto eu posso. Com cada toque, meu coração pulsa rapidamente pelas minhas veias, um zumbido quente senta apenas sob a minha pele. O entusiasmo sobre vê-la é quase demais para compreender, o pensamento de minha mãe não estar nesta terra, pelo menos no momento, sendo empurrado abaixo da superfície. — Devin? — A voz de Katie crepita sobre a linha e eu não posso deixar de sorrir. E então, sem aviso, uma imagem de minha mãe e pai, segurando cada uma de minhas mãos e me balançando no ar deslizam na minha cabeça, fazendo a realidade desabar sobre mim. Katie diz meu nome de novo, mas antes que eu possa responder, outra memória vem batendo de novo. Desta vez estamos caminhando através de Cedar Point, à procura de passeios adequados para uma criança de oito anos de idade. Eu tenho um sorvete em uma mão e um urso de pelúcia na outra. Minhas pernas fraquejam e eu arranco uma cadeira antes de cair para ela. — Devin? Você está aí? Meu peito aperta e nariz queima, e quando eu abro a boca para falar, minha voz está embargada pelas lágrimas. — Katie.

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Katie “Carry On”—fun

— WYATT… — Vamos, Katie, — diz ele, me cortando, eu tenho sido seu melhor amigo há anos. E eu era o seu noivo, pelo amor de Deus! — Será que ele não percebe que isso não vai mudar alguma coisa? Olhando para o meu relógio, eu olho a hora. — Wyatt, — eu digo, suspirando, — podemos falar sobre isso mais tarde? Eu vou estar atrasada para a minha consulta. — Empurrando a porta do lado do motorista aberta, eu saio do meu carro, fecho a porta atrás de mim e clico no alarme antes de ir para o escritório de Dra. Perry. — Apenas diga sim, — diz ele antes de dar uma desculpa abafada para levantar a voz. — O inferno, você já disse que sim, você apenas não tem seguido através disso. É jantar. Um jantar. Dê isto a mim, por favor. — Tudo bem, — eu cedo, principalmente porque eu estou ficando cansada de ouvi-lo implorar, e eu estou esperando que vou ser capaz de provar-lhe uma de vez por todas, que acabou. — Sério? — Eu quase riu do choque em sua voz. — Ok, então. Como cerca de sexta à noite? — Sexta-feira à noite está bom. — Puxo a porta do edifício, uma rajada de vento pega e eu grunhe, tentando obtê-la aberta. — A que horas devo buscá-la?

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Soprando um pedaço de cabelo do meu rosto, eu dou de ombros para fora da minha jaqueta e armo-a sobre meu braço. — Você não está indo me pegar. Este não é um encontro. Vou encontrá-lo no Bobby às seis. — Bobby? — Sim, Bobby. — Eu sabia que ele não iria gostar disso. Bobby é um café movimentado que geralmente está cheio de estudantes universitários. Não é um bom lugar em tudo para alguém que quer ter um bom jantar íntimo... que é exatamente o que Wyatt quer. — Agora eu tenho que ir. Vejo você então. — Eu desligo antes de ele terminar de dizer adeus. Ando a pé até o edifício, eu abro a porta e entro na sala de espera da Dra. Perry. — Bom dia, Katie. — Bom Dia. — Eu sorrio, na receção do consultório antes de me sentar contra a parede. — Você pode realmente ir para o escritório. Dra. Perry está pronta para você. — Obrigado. — Eu deixo cair a revista que eu tinha acabado de pegar e faço o meu caminho para o escritório da Dra. Perry. Ela já está sentada em sua cadeira de pelúcia, esperando por mim com um sorriso gigante no rosto. — Há, muito tempo sem te ver Senhorita Devora. — Sim, bem, tem sido uma longa semana, — eu digo, pendurando meu casaco em seu cabide antes de caminhar a esse belo sofá floral que eu amo pra caramba. Não. — Diga-me sobre isso. Eu não posso abafar o riso quando eu caio sobre a almofada gasta. — Como eu sabia que você ia dizer isso? — Dra. Perry ri também, e sem pensar duas vezes, digo-lhe absolutamente tudo o que aconteceu. Falamos sobre Devin, e como eu não só o perdoei, mas deixei-o voltar para o meu coração. Falamos de Bailey e Wyatt e mamãe, e quando eu estou finalmente realizada dizendo-lhe tudo sobre tudo, ela se inclina para trás em sua cadeira e simplesmente olha para mim com um enorme sorriso estampado em seu rosto. — O quê? O que é que procura?

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— Estou sem palavras. — Ela ri novamente. — Eu realmente não sei nem por onde ir com tudo isso. — Bem, você poderia começar com Devin. Você acha que eu sou idiota por deixá-lo voltar? — Você acha que você é estúpida por deixá-lo voltar? — Boa reflexão. — Obrigado. — Ela balança a cabeça, seus olhos brilhando com diversão. — Eu acho que ele está bem. Eu acho que é o mais certo que eu senti desde antes de meu pai morrer... inferno, é provavelmente o mais certo que eu senti desde antes de Devin me deixar há dez anos. É como se assim que eu abri meu coração até a possibilidade de deixá-lo de volta, todo o ressentimento restante e tristeza sobre o que aconteceu com ele só foi embora. De repente, o buraco no meu coração não era mais tão vazio, e eu gosto desse sentimento. — Meus ombros relaxam como se eu precisasse dizer essas palavras. — Às vezes na vida, temos que ir com o nosso coração em vez da nossa cabeça, — Dra. Perry diz, oferecendo-me um sorriso gentil. — Temos que confiar que o nosso coração vai nos levar no caminho certo, mesmo se não é o caminho que esperávamos originalmente seguir. Eu aceno, esperando por ela para continuar, esperando por ela para me dar a confirmação de que eu já me dei. Ela sorri e balança a cabeça. — Você não é estúpida, você é humana, e você está no amor. Eu chupo em uma respiração afiada. Apaixonada? Estou no amor? Não me interpretem mal, meus sentimentos ainda são fortes... mas no amor? — Não pense muito sobre isso. — Dra. Perry rabisca algo em seu bloco de notas antes de deixá-lo cair sobre a mesa entre nós. — É apenas uma observação e não algo que você deve ter medo. Você é uma mulher incrivelmente inteligente, Katie. Você só conseguiu sair da pista, mas eu realmente não estou preocupada com você.

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— Você não está? Sério? Porque eu estou uma espécie de preocupada comigo. — Não. — Dra. Perry balança a cabeça e empurra um pedaço de cabelo atrás da orelha. — Você tem um sistema de apoio incrível. Eu assisti você ficar cada vez mais forte a cada consulta, começando a fazer escolhas difíceis sem ficar sobrecarregada. Além disso, quando você entrou aqui mais cedo, você parecia mais leve do que eu já vi você parecer. Você parecia feliz. — Estou feliz. — Bom. — Podemos falar sobre Wyatt agora? Dra. Perry joga a cabeça para trás e ri. — Absolutamente! Vamos falar sobre Wyatt. — Estou errada indo jantar com ele? — Não, — ela declara com firmeza. — Você sabe o que quer, e isso é Devin. O que você está dando a Wyatt é o fechamento, e eu acho que é algo que ele merece. Bem, eu não pensei nisso dessa forma. — Encerramento, hein? — Você não conseguiu o encerramento, quando Devin a deixou. Ele apenas se foi, e você estava presa atrás de escolher acima de seu próprios pedaços. — Eu tremo quando suas palavras trazem um ataque de memórias ruins, mas eu sei onde ela está indo. — Parece que Wyatt ainda precisa de um fechamento, e talvez um último jantar vai ajudar ele entender que você não mudou sua mente. — Tudo bem. — Eu aceno. — Quanto a Bailey? — Quem está fazendo as perguntas aqui? — Você está, — eu digo, sorrindo. — Mais do que provável, Bailey se sente culpada pela forma como ela foi empurrando-a em cima de tudo que você passou. Dê-lhe alguma folga. Ela é sua irmã. — Então, da próxima vez que eu vê-la, eu só vou abraçá-la e dizer-lhe que a amo? Porque isso é realmente o que eu quero fazer.

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— Eu aposto que ela adoraria isso. — Eu aposto que você está certa. — Agora é a minha vez. — Dra. Perry cruza as mãos no colo, e o sorriso cai lentamente. — Vamos conversar sobre Andrew Drexler. A primeira coisa que noto é que quando ela diz seu nome, eu não entro instantaneamente em pânico. Meu corpo não congela e meu sangue não começar a ferver. — O que tem ele? — Você já leu sua carta? Ela está guardada no meu armário em casa. — Não. — Existe uma razão para que você não tenha? Eu estou assustada. — Eu não tive tempo. — Minhas palavras saem mais como uma pergunta e menos como a afirmação que eu estava indo. Dra. Perry diz. — Não tive tempo ou não tenho feito tempo? — Acabei de chegar muito longe... Pelo menos eu sinto que tenho. — Você tem, — ela confirma. — E eu não quero que ele me coloque de volta. Eu não quero voltar para aquele lugar. Dra. Perry inclina a cabeça para o lado, suas sobrancelhas franzindo. — Você não vai. Suas palavras são atadas com tanta convicção que eu quase acreditei. — Como você sabe? — Confie em si mesma, Katie. Você está pronta para isso, e eu acho que é o fechamento que você precisa. — Ela está certa. Eu me senti tão bem nesses últimos dias, mas algo ainda está fora ainda por resolver. Talvez seja isso. — Ok, — eu digo, empurrando para cima do sofá. — Mas é melhor eu ir fazê-lo agora antes de me convencer do contrário. — Por todos os meios... — Dra. Perry se levanta e movimenta-se em direção à porta. — Vá buscar o seu encerramento. Entro no meu casaco, pego minha bolsa e abro a porta, e então eu volto para Dra. Perry. — Obrigada.

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— Você é bem-vinda, Katie. — O olhar de orgulho no rosto dela é inconfundível, e isso me dá um impulso extra que eu preciso. — Vejo você na próxima semana. Nenhum adeus é necessário. Eu simplesmente dou-lhe um sorriso e saio de seu escritório, determinada a chegar em casa para que eu possa ler essa carta.

Meus braços soltam ao meu lado antes de eu agitá-los fora como se eu estivesse me preparando para ir para uma corrida. Tudo dentro de mim está gritando para fazer isso, para acabar com isso, mas o bombeamento de sangue em meus ouvidos é o que torna difícil me concentrar. Fechando os olhos, eu conto até dez, tomando várias respirações lentas e profundas. Quando abro os olhos, eles instantaneamente pousam em uma foto de Devin e eu que encontrei em uma caixa de sapatos escondido no meu armário. Nós, provavelmente com cerca de dez anos de idade. Seu braço está envolto em torno de meus ombros, os meus envolvidos em torno de suas costas. Nós dois temos lama endurecida na nossa cara e ele está segurando um peixe-gato. Eu não tenho certeza o que é, mas há algo sobre esse retrato... que a memória me dá coragem. Abrindo a gaveta de cima do meu armário, eu retiro a carta que minha mãe me deu há vários dias. O envelope é totalmente branco, mas desgastado nas bordas, um sinal de que ele foi passado ao redor e, provavelmente, aberto inúmeras vezes. Deslizando o dedo sob a aba, eu abro o envelope e retiro a carta. Minhas mãos tremem enquanto eu desdobro-a, e quando vejo a caligrafia rabiscada através do papel, meu coração quase salta do meu peito. Com a carta segura em uma das mãos, eu me situo na cama, apoiandome sobre os travesseiros. — Vamos, Katie, — eu sussurro, dando-me uma última conversa de vitalidade. — Você tem isso. Cara Brenda,

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Lamento não parece ser suficiente, mas vou dizê-lo de qualquer maneira. Vou repetir essas palavras uma e outra vez durante o tempo que você precisar. Eu não espero o seu perdão, e é algo que eu nunca vou pedir, porque eu não mereço isso. Eu a feri de uma forma que nenhum ser humano nunca deve ferir outro ser humano, e por isso eu realmente sinto muito. Não há desculpa para minhas ações naquela noite. Tomei uma decisão estúpida e eu fiquei atrás do volante bêbado. O meu advogado tentou jogá-lo fora que eu estou cheio de cicatrizes do meu tempo de serviço no exterior, mas eu insisti que ele pare. Eu não lhe permiti jogar o mesmo cartão que tantos outros soldados usam como desculpa. O que eu testemunhei e passei enquanto estava na guerra não detém qualquer influência sobre minhas ações naquela noite. Mas eu quero dizer-lhe o que aconteceu, porque você merece ouvir. Meu amigo Tom e eu saímos para jantar. Eu não o tinha visto desde a graduação do ensino médio e estávamos aproveitando para recuperar nosso tempo. Uma cerveja levou à outra e depois outra, e antes que eu percebesse, eu tinha quase sete cervejas. Na época, eu achava que era bom. Inferno, eu costumava beber muito mais do que isso na faculdade. Mas o que eu não levei em consideração foi que eu não tinha um pingo de álcool em mais de dois anos. Novamente, não é uma desculpa, mas eu realmente quero que você saiba o que aconteceu e porquê. De qualquer forma, eu deixei o restaurante naquela noite sabendo que eu não deveria dirigir, mas eu não tinha mais ninguém para chamar. Tom teve muito mais bebida do que eu, então eu decidi dirigir para casa. A casa que eu tinha alugando era apenas dois quilômetros estrada abaixo, por isso não é grande coisa, certo? A um quilómetro de casa eu cruzei a linha de centro, e num piscar de olhos, eu tirei a vida de alguém, de alguém que, pelo que eu tenho sabido, era um marido amoroso, pai dedicado, e um inferno de um fazendeiro. Mas eu sei que não tirei só uma vida naquela noite, eu levei quatro. Eu reconheço que, ao perder seu marido, eu consegui destruir não só a sua vida, mas também a vida de suas duas filhas. Eu odeio que eu sobrevivi. Eu daria qualquer coisa para trocar de lugar com o seu marido, e eu quero que você saiba que eu penso sobre ele e sobre você e suas filhas... cada segundo de cada dia.

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Eu tenho orado para a sua felicidade e para o conforto para suas meninas, e espero que um dia você seja capaz de encontrar a paz, apesar do desastre que eu causei. Atenciosamente, Andrew Drexler Eu li a carta mais três vezes antes de deixá-la cair ao meu lado. Meu pulso é firme e calmo, não rápido e desigual como eu previa que seria. Lágrimas estão escorrendo pelo meu rosto, porque acredito que Andrew Drexler está verdadeiramente arrependido de destruir as nossas vidas. Eu acho que ele iria mover céus e terra para trocar de lugar com o meu pai, e que a crença libera uma corda de tensão que eu não sabia que estava enrolado em volta do meu coração. Algo dentro de mim se abre, e as lágrimas deslizam escorrendo pelo meu rosto, eu noto que eu estou sorrindo. Na verdade, estou sorrindo. Eu não tenho certeza do que eu estava esperando da carta de Andrew Drexler, mas com certeza não era isso. Mas eu vou levá-lo, porque a Dra. Perry estava certa. Eu precisava deste encerramento. Eu precisava da oportunidade de ouvir o seu pedido de desculpas e fazer a minha decisão se devo ou não aceitá-lo. Eu estou muito feliz por ter lido a sua carta, e agora eu sei por que minha mãe e irmã aceitaram as coisas muito mais fáceis do que eu. Elas abriram o caminho do coração antes que eu fiz e elas o perdoaram. Elas aceitaram as desculpas de Andrew pelo que era, elas entristeceram pela perda de seu ente querido e fizeram o que papai iria querer que elas fizessem. De repente, a necessidade de escrever de volta a Andrew Drexler bate em mim como um trem de carga, e eu salto para cima, pego meu caderno e uma caneta da minha cômoda, e caio de volta para baixo na cama. Abro meu notebook, eu situo-o no meu joelho. Eu estou pronta para dar ao meu coração o encerramento que ele precisa, e enquanto transfiro as palavras da minha cabeça para meu coração e no papel, eu percebo que não era realmente um fechamento que eu precisava, apenas amor. Porque o amor de minha família e meu amor por meu pai em última análise, levou-me a ser capaz de perdoar. Caro Andrew, eu te perdôo.

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Obrigado por servir nosso país. Obrigada pela sua carta de desculpas. Espero que você seja capaz de encontrar a mesma paz que eu tenho. Atenciosamente, Katie Devora

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Katie “Break Your Plans”—The Fray

— DEVIN? — O ZUMBIDO MAÇANTE soa crepitante através da linha, e que juntamente com o barulho vindo da minha sala de estar faz com que seja difícil de ouvir. Empurrando para cima do sofá, eu seguro minha mão sobre o recetor. — Eu estarei de volta, — eu sussurro para a sala cheia de mulheres conversando. Mãe e Bailey ambas sorriem e acenam, mas deixam para Maggie abrir sua grande boca. — Quem está no telefone? — Ela pergunta enquanto ela enche os copos de vinho de todas. — Devin... — Oooh, Devin, — ela geme antes mesmo de eu terminar. Revirando os olhos, eu ando para fora da sala, enquanto ela grita: — Nada de sexo por telefone. Não é educado, enquanto você tem companhia. — Eu escuto minha mãe e Bailey rachando de rir assim quando eu fecho a porta do quarto. — Devin? — No começo eu acho que eu perdi a chamada, caiu ou algo assim, mas então eu juro que ouvi-lo respirar através do telefone. — Devin? Você está aí? — Katie. — Ei! Eu pensei que tivesse perdido você. — Puxando as cobertas de volta na minha cama, eu subo e apoio-me contra a cabeceira. — Um... — Devin pigarreia. — Meu dia..., Uhh... Merda.

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Sua voz é muito suave, seus pensamentos muito dispersos, e os cabelos na parte de trás do meu pescoço instantaneamente se levantam. — O que está errado? Você está bem? Seus homens estão bem? — Eu pergunto, empurrando-me na posição vertical, como se isso fosse me ajudar a ouvi-lo melhor. Meu corpo fica tenso enquanto eu espero pela sua resposta. — Não, — ele respira. Eu escuto um sussurro, como se ele está se movendo ao redor ou passando a mão sobre o rosto. — EU... quer dizer, sim. Eu estou bem, e os meus homens estão bem. — Oh, bem, — Eu digo, sentindo meus músculos bem enrolados relaxarem. — Mas eu tenho algo para lhe dizer. — Parece que vamos estar no telefone um tempo, então, — eu digo, recostando-me contra a cama, — porque eu tive um inferno de um dia, e menino, eu tenho algumas coisas para lhe dizer. Mas você primeiro. — Minha mãe morreu. — Suas palavras saem plana e completamente sem vida, e leva um par de segundos para a minha mente processar o que ele disse. — O quê? — Eu suspiro, atirando-me para fora da cama. — Oh meu Deus, Devin. — Lágrimas brotam em meus olhos e eu balanço minha cabeça. — Eu sinto muito. — Meu coração dói, não porque Josephine se foi, como mal-intencionado que isso possa parecer, mas isso dói por Devin. Ela pode ter sido uma mãe de merda, e eu tinha esperanças de que Devin seria capaz de encontrar a paz onde ela está em causa, mas ela ainda é sua mãe e agora isso não é mais uma opção. Ele não responde, embora eu não estou realmente certa do que eu esperava que ele dissesse. Eu sei o entorpecimento que ele está sentindo provavelmente agora. Inferno, eu passei por isso, e não há muito tempo. — O que eu posso fazer? Eu quero ajudar. Por favor, me diga o que eu posso fazer. Devin suga uma respiração e eu juro que o ouvi chorar. Esse som absolutamente quebra meu coração. Fechando os olhos, uma imagem de uma criança de dez anos de idade, Devin aparece na minha cabeça. Estávamos sentados perto do riacho e ele estava chorando por causa de algo que sua mãe disse, e posso imaginá-lo agora, um homem adulto sofrendo a

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perda da mulher que causou tanta dor em sua vida. Ela não merece suas lágrimas. — Eu estou indo para casa, — diz ele, com a voz cheia de emoção. — Eu recebi uma licença de quatro dias. Ele está vindo para casa? Oh meu Deus, ele está voltando para casa! — Você está voltando para casa. — Não é uma pergunta, apenas algo que eu repito para me convencer de que o que eu ouvi é verdade. Excitação borbulha dentro de mim, e apesar do que ele me contou sobre sua mãe, eu não posso parar o sorriso de surgir no meu rosto. — Eu estarei em casa mais cedo sexta-feira. — Ok, — eu respiro. Minha mente instantaneamente começa a fazer uma lista do que eu tenho que fazer para ser capaz de ir vê-lo. Eu vou realmente poder vê-lo. Eu vou poder tocá-lo, e segurá-lo e beijá-lo. Eu vou poder dizer-lhe... — Eu estava esperando que você pudesse vir... você sabe, para a Pensilvânia... para me ver. — Há insegurança em suas palavras que suaviza meu coração. Eu, obviamente, não tenho feito um bom trabalho de convencê-lo de que eu realmente quero um nós, e tudo o que vem junto com isso. — Eu estarei lá. Eu não quero que você passe por isso sozinho. — E ele teria que passar por isso sozinho. Devin não tem ninguém. Seu pai esteve ausente por mais tempo do que me lembro, e ele era apenas uma criança. — Você vai? — Pergunta ele, sua voz cheia de descrença. — Você vai voar para lá? — Sim, — eu digo. — Claro, eu vou ter que reorganizar algumas coisas. Eu tenho que trabalhar no sábado e domingo... — Você não tem que ir, Katie. — Pare com isso, — eu zombo, saindo do meu quarto e na cozinha. Eu puxo meu horário de trabalho para fora da gaveta para ver quem está fora que pode querer pegar alguns turnos extras. — Eu quero ir; é apenas um curto prazo, então eu vou ter que encontrar a minha própria cobertura.

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Minha mente voa para todas as outras coisas que eu vou ter que fazer como o plano de viagem e encontrar um hotel, porque eu não quero ser presunçosa e assumir que Devin quer que eu fique a noite com ele. E honestamente, eu não sei mesmo onde Devin vai ficar. — Eu estou ficando em um hotel, — diz ele, pegando a minha atenção. — Hã? — Você disse que não sabe onde eu vou ficar. — Merda. Dizendo coisas em voz alta está se tornando um hábito para mim. — Eu vou ficar em um hotel, e se você vem, você vai ficar comigo. A maneira como ele diz, como se eu realmente não tivesse uma escolha, faz com que a minha mente evoque todas as coisas que eu vou começar a fazer para, quero dizer com, fazer com... Devin ao longo dos próximos quatro dias. — Ok, — eu digo, encolhendo-me quando as minhas palavras saem de maneira muito áspera. — Além de pegar folga do trabalho, o que mais você tem a fazer? — Ele pergunta. — Você tem alguém para ajudar com a fazenda, certo? — Sim. Eu não estou preocupada com a fazenda, e para além disso, eu vou ter de cancelar planos de jantar com Wyatt e... — Planos de jantar com Wyatt? — ele interrompe em um tom que eu não ouvia há cerca de uma década. Largando meu horário de trabalho na mesa, eu fico em pé. Eu ouvi ele certo? Ele está louco? Ele não pode estar louco; Eu nem sequer tive a chance de dizer a ele por que eu estava jantando com Wyatt. — Simmm, — Eu falo lentamente. — Wyatt me pediu para jantar sextafeira a noite, e com tudo o que aconteceu, eu senti que o mínimo que eu poderia fazer é me encontrar com ele. — Além disso, vai ser bom para dizer a Wyatt sobre Devin e eu antes que ele acabe descobrindo sobre o assunto através de outros. Soa estúpido, eu tenho certeza, considerando que eu ainda não vi Devin. Mas se ele realmente está voltando para casa de licença em menos de dois meses, e nós realmente decidimos conversar para acertar este turbilhão no qual estamos, caso contrário, eu estou chutando-o nas malditas bolas, então todo mundo vai descobrir de qualquer jeito.

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A última coisa que eu quero é que Wyatt pense que terminei as coisas com ele para estar com Devin, porque isso está muito longe da verdade. Além disso, eu estava esperando que Wyatt seria capaz de obter algum fechamento, uma vez por todas. — Então, você disse sim? — Claro que eu fiz. — Minhas sobrancelhas sulcam, e eu trago a minha mão ao meu quadril. — Ele era meu melhor amigo há anos, Dev. Ele pegou os pedaços que você deixou para trás, e... — Devin suspira e eu fecho meus olhos. — Eu não quis dizer isso assim. Eu não estava tentando fazer você se sentir mal... e eu sinto muito, mas é verdade. Você tem que entender que ele esteve lá para mim através de tudo, e eu quebrei seu coração. Ele precisa de um fechamento e eu devo isso a ele. — Tudo bem. — Meu sangue corre frio ao ouvir o som da voz de Devin. — Eu entendo. Faça o que tem que fazer. — Não seja assim, — eu imploro. — O jantar não significa nada, e eu estou indo para cancelá-lo, assim como eu vou encontrar uma maneira de sair do trabalho. Eu prometo a você, eu vou tentar o meu melhor para ter certeza que vou estar lá com você o tempo todo que você estiver em casa, ok? — OK. O que? É isso aí? — Devin, eu... — Olha, — diz ele secamente: — Eu tenho uma mala para arrumar. Vou enviar um e-mail com o meu itinerário. Você só me deixe saber se você será capaz de reorganizar a sua agenda ocupada. — Desculpe... — Eu puxo o telefone para trás e olho para ele. Ele acabou de desligar na minha cara? — Katie? — Eu olho para o som da voz suave da minha mãe e encontroa em pé na soleira da porta da cozinha. — Está tudo bem? — Josephine faleceu. — Oh, não, — ela canta, dando um passo para dentro da cozinha. — O que aconteceu?

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— Eu... — Isso me atinge toda de uma só vez, que eu nem sequer me preocupei em perguntar-lhe como sua mãe morreu, e eu imediatamente me esqueci de que eu estou brava com ele. — Eu não sei. — Como Devin está segurando? — Não está bem, desde os sons dele, — eu respondo, olhando para o meu telefone e depois para ela. — Ele está se desligando. Eu deveria saber. Eu era a rainha de desligar durante vários meses. — Eu posso ouvi-lo em sua voz. — Bem, então é uma coisa boa que ele tem você, não é? — Diz ela, puxando-me em seus braços. — Porque você sabe um pouco sobre isso, e talvez você vai ser capaz de ajudar quando você chegar até ele. — Como você sabia que eu estava indo para ele? — Eu pergunto, puxando longe dela apenas uma fração. — Porque você o ama. — Ele é a sua lagosta, — Maggie canta, para a sala com Bailey seguindo de perto. Mãe ri e dá-lhe um olhar de soslaio. — Você e aquela lagosta de maldição. — Hey, — diz ela, levantando as mãos, — culpe Phoebe. — Ela caminha até a mesa e agarra meu horário de trabalho. — O que é isso? Mamãe conta a ela e a Bailey com o pouco que eu disse a ela, e, em seguida, Maggie se vira para mim. — Eu estou fora esses dias; Eu vou cobrir para você. — Sério? Maggie, você só fez o meu maldito ano. — Saindo dos braços da mamãe, eu ando em linha reta até Maggie e puxo-a para um abraço. — É para isso que os amigos servem. Além disso, Sean está fora da cidade, de modo que o trabalho extra vai me manter longe de problemas. — Eu te amo, Mags. Você sabe disso, certo? — Claro que sim, — ela diz e ri, envolvendo os braços em volta dos meus ombros. — O que não há para amar? Eu sou incrível. — E convencida, — Bailey murmura, ganhando um tapa no braço da mamãe. — Eu vou te dever um grande momento, — eu digo, ao mesmo tempo em que Maggie se afasta de mim.

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— Não. — Agarrando meus ombros, ela me vira e leva-me para o meu quarto. — Você não me deve nada. — Puxando a mala do armário, ela joga-a na cama e abre. — Você é minha melhor amiga, Kit Kat, e eu quero que você seja feliz. Agora se arrume e então eu vou ajudá-la a reservar um voo. — Obrigado. — Você pode me agradecer quando você vê a roupa interior que eu tenho esperando por você em casa. Eu vou pegar para você mais tarde, mas você está levando-a com você. — Primeiro, eu não estou levando lingerie comigo. Porque como porra embaraçosa seria isso se eu levasse lingerie e então nós nem sequer... bow chicka wow wow19. — Em segundo lugar, porque no mundo você tem lingerie para mim? Você só descobriu sobre esta viagem agora. — Era algo que eu peguei para sua festa de despedida, mas desde que você passou toda Noiva em Fuga em mim, eu acho que eu vou dar para você agora. — Eu não fui toda Noiva em Fuga, — eu argumento, dando-lhe o meu melhor rosto ignorante. — Semântica. — Ela acena com a mão através do ar, e eu não posso ajudar, mas riu de seu traseiro louco. — Não era para ter um casamento, agora nem nunca. Nós realmente não precisamos mais jogar o jogo da velha, especialmente porque você tem coisas mais importantes para fazer. Girando em seu calcanhar, Maggie anda para fora da sala e eu estou olhando para a minha mala vazia, perguntando como diabos eu vou fazer as malas. O meu olhar desvia para a imagem de Devin e eu que está escondida no quadro do meu espelho. Eu ando até meu armário, pego a foto e passo o polegar através dela. — Dez anos, — eu sussurro para mim mesma. Fechando os olhos, eu envio uma oração silenciosa até o grande homem... Deus, ou o meu pai... Agora mesmo, eu vou tomar um ou outro. Por favor, não deixe que ele quebre meu coração novamente.

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Meios verbais de referência a um encontro sexual, ato ou ação. Também é usado para identificar alguém ou coisa que é sexual.

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Devin “I’d Hate To Be You When People Find Out What This Song Is About”—Mayday Parade

— KATIE? OLÁ? Tudo o que escuto é estática antes da linha de telefone clicar e voltar para um tom de discagem. Eu bato o recetor no gancho e corro minhas mãos pelo meu cabelo, tentando o meu melhor para me acalmar. De todas as vezes para esta merda cortar. Eu tomo uma respiração profunda e alcanço o telefone de novo antes de parar. Pergunto-me por um momento, se eu ainda quero chamá-la de volta. Eu não sei se eu estou chateado, ciumento, ou talvez os dois, mas agora tudo o que eu quero fazer é passar tempo com meus homens que também acontecem de serem meus amigos. E quando eu quiser escapar desses pensamentos de Katie e minha mãe, eles são o melhor antídoto disponível. Levanto-me para os meus pés e viro em direção à saída, o tempo todo fazendo o meu melhor para fingir que ela não estava pensando ver Wyatt e lutando para agitar pensamentos deles juntos... abraçados, beijando-se, foda... Não. Inferno não. Eu não estou fodendo indo para lá.

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O helicóptero veio apenas como esperado em 06:00. O passeio rápido à Zona Verde foi um borrão como o chicote rítmico das lâminas forçando os meus olhos cansados fechados. Navas passou várias horas na noite anterior puxando tudo fora de mim, embora eu lutasse com unhas e dentes contra ele. E como agora me sento no terminal aéreo militar à espera do C-130 chegar, meus olhos ardem durante a digitalização da enorme sala cheia de centenas de outros militares canalizando dentro e para fora. Eu tento e capturo a vista que eu possa saber, por mais improvável que seja, porque neste momento de total isolamento, mesmo nesta sala lotada, tudo que eu quero é a familiaridade. O que eu realmente quero é Katie, mas tudo o que posso pensar agora é que ela precisa de espaço... que, tanto quanto eu quero falar com ela, tanto quanto eu quero vê-la, ela tem negócios instáveis e eu não posso ficar no caminho, não importa o quanto eu preciso dela. Ela me disse que ela não está mais com Wyatt, que o que eles tinham está no passado, mas como ele pode estar quando acabou de terminar? Eu quero acreditar nela, mas uma voz pequena na parte de trás da minha cabeça está me segurando, me impedindo de acreditar que eu já tive a chance. Então eu vou passar os próximos trinta minutos, passando nossa conversa por telefone na minha cabeça, e quando meu avião finalmente chega, eu respiro um suspiro de alívio. O vôo C-130 para a Alemanha passou num piscar de olhos, e quando eu embaralho no meu segundo e último voo ao longo do dia, uma viagem de nove horas através do Atlântico, eu estou realmente grato pelo ridiculamente adiantado do helicóptero... e mesmo Navas por suas horas de interrogatório preocupado, porque meu sono no vôo C-130 era melhor do que qualquer outro que eu tenha obtido em um tempo muito longo. Eu acho que, mais do que tudo, é o conhecimento de que, pelo menos por agora, estou fora do mau caminho.

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Da maneira cruel de costume, os pensamentos de meus rapazes entram em foco. Vendo os confortáveis, assentos da Lufthansa em filas diante de mim, eu não posso ajudar, mas me sinto culpado que eu não estou lá com eles. Se algo acontecer com um de meus homens enquanto eu estiver fora, eu não sei o que diabos eu vou fazer. Eu me derramo em minha cadeira e deslizo à sombra da janela aberta. A luz vem em ondas através da pequena janela oval, primeiro me cegando, então expondo a pista do aeroporto ocupado e a linda cidade de Frankfurt. Estou surpreso com o quão diferente este lugar é comparado com onde eu acabei de vir de como alheio essas pessoas são com o que os outros estão passando neste momento. Eu estou assustado quando uma mulher mais velha desliza para perto de mim, e eu não posso deixar de olhar. Ela se parece com a minha mãe, só que com o cabelo loiro acinzentado, em vez de escuro, que se estende ao longo de suas costas. E, assim como Josephine, sua pele é resistente assim. É como se minha mãe estivesse sentada ao meu lado. Desde que ela parece visivelmente perturbada por mim ficando de boca aberta, eu puxo meus olhos longe dela e forço-os a olhar para fora da janela. Eu não quero pensar sobre a minha mãe, mas a mulher ao meu lado traz as memórias em ondas. Os piores pensamentos dominam todos os positivos que eu jamais poderia ter dela. Eu odeio-a por todos os anos que eu perdi com ela. Eu a odeio por não me deixar dizer adeus. Eu a odeio pela escolha das drogas sobre mim. A casa é extraordinariamente escura, e com as cortinas fechadas, é difícil para eu ver muita coisa. Eu deslizo minha mochila fora e defino-a no sofá, fazendo notar a lição de casa de geometria que eu sei está dentro e ainda precisa ser terminada. Uma casa escura quando eu chego a casa da escola normalmente significa que mamãe se foi para a noite, mas seu carro está na garagem e eu posso ouvir sons farfalhar e conversa abafada vindo de seu quarto na parte de trás da casa. Eu viro a luz acesa e eu estou parado no meu lugar, os olhos arregalados, quando olho meu entorno. A mesa de vidro do café está quebrada em pedaços, sua escultura favorita uma representação em pedra de São Francisco, o santo padroeiro dos animais fica apenas dentro da estrutura de

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metal da mesa com pedaços de vidro pulverizados em torno dele em todas as direções. A estante está tombada com livros espalhados por todo o piso de madeira. Se eu não tivesse visto isso uma ou duas vezes antes, eu estaria a três quadras agora e gritaria para os vizinhos chamar a polícia... mas isso não é invasão de domicílio. Isso não aconteceu em um longo tempo, mas minha mãe tem sido conhecida por destruir merda quando ela não poderia obter qualquer prescrição de pílulas, ou quando ela teve inteiramente muito. Conforme eu rastejo pelo corredor, eu estou debatendo qual desses cenários eu prefiro lidar. Apenas andando através de sua porta do quarto, vejo o corpo muito magro trilhando através do quarto, mas ela para imediatamente quando ela me vê. Seu cabelo está emaranhado e encharcado de suor. Seus olhos estão arregalados com olheiras abaixo deles, e os tamanhos de suas pupilas me dizem claramente que ela está alta como uma pipa. Não posso me mover. Neste momento, estou com muito medo e meu cérebro me diz para correr tão rápido quanto eu possivelmente posso, mas minhas pernas não vão cooperar. Quando entrei antes no salão, ela parecia confusa e cheia de desespero, mas agora, quando ela está a polegadas em relação a mim, o mal em seus olhos envia arrepios nas minhas costas. Sua mandíbula aperta e ela mói os dentes com tanta força que posso ouvi-lo. Ela levanta um dedo fino e enfia-o na minha direção. — Você! — Sua voz é áspera, sua respiração pesada, e as veias em seu pescoço são grossas e pulsando. Neste ponto, ela provavelmente nem sabe quem eu sou, mas a maneira como ela faz uma carranca para mim agora faz tudo parecer desconfortavelmente pessoal. — Seu pequeno merda..., — ela rosna, levando mais dois passos em direção a mim, tão perto que posso sentir o cheiro do bourbon em seu hálito. Eu volto alguns passos, sabendo muito bem quando ela mistura álcool com comprimidos ou coca, ela se torna alguém completamente diferente. Não um ser humano, mas um animal, desesperado por presa, que não quer nada mais do que causar danos. Ela quer alguém para machucar tanto quanto ela se machuca. E, infelizmente, esse alguém provavelmente serei eu. — Mãe, o q-que há de errado? — Eu gaguejo, tentando alcançar a maçaneta para a porta do quarto enquanto eu retorno. Minha mão entra em

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contato com o metal frio e eu me apego a ela, pronto para arrancar-me dentro se for necessário. — O que há de errado? — Ela para de se mover e se levanta em linha reta. O olhar irritado, mal em seu rosto parece quase cômico, como se estivesse lembrando-se de uma piada que ouviu algumas horas antes. — O que há de errado? — Ela ri como se essa mesma piada fosse a coisa mais engraçada que já ouvira. — O que está errado é você... o que está errado é que eu tinha um casamento perfeito até você. O que está errado é que eu odeio você, — ela sussurra, e embora eu já ouvi essas palavras antes, esta é a primeira vez que eu realmente acredito nelas. — Você é um tumor do caralho. Eu lutei com todas as minhas forças, mas uma lágrima faz o seu caminho pela minha bochecha. Eu não quero chorar, não na frente dela, mas desde a que primeira caiu, é como se as comportas se abrissem. Esta é a minha mãe, a mulher que supostamente me ama. As lágrimas caem mais rápido do que eu posso secá-las. Eu puxo minha camisa contra meus olhos, esperando que quando eu puxar novamente, ela vai estar de volta em seu quarto. Mas em vez disso, ela está ainda mais perto. Minhas costas são empurradas contra a porta e ela traz seu dedo na minha cara, me fazendo recuar e recuar. Eu bato minha cabeça contra a parede, mas isso não a impede. Em vez disso, ela desliza sua unha do meu queixo para o meu olho, recolhendo algumas das lágrimas, e então ela puxa a mão para examiná-lo. Ela olha para mim e depois de volta para seu dedo com desgosto antes de limpá-lo em minha camisa como se ela pudesse pegar alguma coisa com ele. — Foda-se suas lágrimas. Sabe quantas lágrimas eu chorei por você roubar-me a vida? Quantas lágrimas que eu chorei porque eu não escutei o seu pai e me livrei de você como ele me disse para fazer? — A última parte corta através de mim como uma faca, meu coração exposto ao frio, duro mundo e para sempre mudado por causa disso. Mas eu não estou mais triste, embora as lágrimas ainda derramem. Não, agora eu a odeio. Na verdade, agora, eu poderia matá-la. Eu quero apagá-la de minha memória e fingir que minha mãe morreu há muito, muito tempo atrás.

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Assim quando eu estou prestes a perdê-la, ela se vira e caminha de volta para seu quarto, batendo a porta com tanta força que eu posso ouvir cada imagem em seu quarto cair para o chão. Empurrando a porta aberta, eu rapidamente deslizo para dentro, fecho-a atrás de mim e deito na cama. Eu enterro meu rosto em minhas mãos, e por mais tempo do que eu gostaria de admitir, eu choro. As lágrimas começam a secar e eu puxo uma imagem de minha mesa de cabeceira, a única que eu tenho de minha mãe e pai juntos, a única que tenho de meu pai em tudo. Tenho oito anos de idade e ambos estão sentados à minha volta, todos nós com orelhas de Mickey Mouse por diante. É a minha imagem favorita, provavelmente porque é a última vez que me lembro de nós sermos felizes. Eu consegui roubá-la da minha mãe antes que ela queimasse cada imagem com o meu pai nele, tudo que ele comprou ou tocou ou olhou... minha infância, literalmente, pegou fogo. Eu fico olhando para a imagem por uma eternidade, e pela milionésima vez, eu revisto-a com uma camada fresca de lágrimas. Uma vez que eu chorei minha última lágrima, eu faço o meu caminho para a cozinha e pego o telefone, porque agora só há uma pessoa que eu quero ver... a única que pode levar essa dor embora. E ela é a única família que realmente preciso.

— Katie? — Uma voz puxa minha consciência, puxando os olhos abertos, e por um segundo, eu não tenho nenhuma ideia de onde eu estou ou quem poderia estar falando comigo. Eu esfrego as palmas das mãos nos meus olhos e tentar apagar a nebulosidade. — Desculpe, eu não queria te acordar. Seus olhos estavam abertos apenas alguns momentos atrás, e você parecia alerta. — Sério? Alerta? Minha coerência finalmente retorna e reconheço a mulher, o tipo que parece com a minha mãe, olhando muito maternal para mim. Minha mãe. Eu estou em um vôo. Minha mãe morreu. Eu estou indo para casa.

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— Quanto tempo temos estado voando? — Pergunto. — Um pouco mais de seis horas. Você não se lembra de falar comigo algumas vezes ao longo do caminho? — Ela pergunta, soando surpresa. Eu examino o meu cérebro, mas vêm-se vazio. Então, como se ter certeza que meus membros ainda estão intactos, eu digitalizo cada manga do meu uniforme e ambas as pernas da calça, e então eu olho ao redor do avião, recebendo tudo. — Eu sinto muito, eu não sei. Eu... — Ela coloca a mão para me impedir. — Não se preocupe com isso. Eu só posso imaginar o pouco sono que vocês todos tem lá. Obrigado pelo que você faz, a propósito. Eu tenho um monte de família que serviu e continuam a servir. Eu estava realmente na Alemanha para visitar o meu filho e sua esposa. Ele está no exército e eles tiveram seu primeiro bebê, então eu tive que ir vê-lo. Agora estou fazendo o meu caminho de volta para Memphis via JFK. Ela faz uma breve pausa, colocando uma mão à boca para capturar um bocejo, então continua. — Claro, nós discutimos tudo isso, então, desculpe se eu estou me repetindo. Eu balancei minha cabeça. Ela não está repetindo coisa alguma, para meu conhecimento. Eu estou um pouco envergonhado e chocado que eu tive conversas com esta mulher e nem sequer me lembro. — Espere, então o que disse de Katie? — Será que eu falei com ela sobre Katie? — Você com certeza falou sobre ela em seu sono... muito. — Ela ri um pouco e, em seguida, se recompõe. — Sério? O que eu estava dizendo? — Bem, você não estava fazendo um monte de sentido. Parece que você está desesperado para chegar até ela embora e, a julgar pela forma como você estava chamando por ela, eu diria que você a ama muito. Eu acho que é por isso que eu perguntei. Eu estou esperando por uma boa história de amor para passar o tempo. Oh, como eu amo uma boa história de amor! — Ela sorri para mim, apertando as mãos contra o peito. Eu prefiro definir a minha cabeça e os braços em cima da mesa da bandeja e voltar a dormir, mas ela é também extremamente doce. Eu não posso ser um idiota para ela. — Uma velha chama, — eu acho que você poderia dizer. É a única coisa que vem à mente. Eu procuro mais, mas não há nada. Nada que o meu

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cérebro nublado pode chegar, e nada que eu quero compartilhar com essa completa estranha. — E você está no seu caminho para ver esta velha chama? — Ela coloca a mão no meu ombro. — Puxa, eu sinto muito! Olhe para mim sendo toda intrometida e irritante! — Ela balança a cabeça de um lado para o outro, repreendendo-se sob a sua respiração. — Não, está tudo bem, senhora. Eu sei como esses voos longos podem ser. Desculpe-me, eu tenho sido um vizinho rude. — Eu forço um sorriso. — Para dizer a verdade, eu não tenho certeza se eu vou vê-la ou não. Eu espero, mas já faz muito tempo e muita coisa aconteceu. Sim, Wyatt aconteceu. — Oh, querido, você não sabe se poderá vê-la? Diga-me ela sabe que você está no seu caminho para casa. — Ela faz. — Eu adoraria nada mais do que chegar ao fim desta conversa, e se esta fosse um dos meus caras, eu teria lhe dito para calar a boca já. — Mas eu tento o meu melhor para lembrar-me onde eu estou e com quem eu estou falando. Enviei-lhe o meu itinerário. O resto é com ela. Ela quase fala, mas ela se para, em seguida, fica imersa em seus pensamentos antes que ela continua. — Leve-o de uma mãe, embora eu tenha certeza que você tem a sua própria para lhe dar conselhos, se ela soubesse — Mas pare de ser tal como um cara! — Ela ri e dá um tapinha no meu ombro suavemente. Se esta conversa continuar por mais tempo... — Se você ama esta menina, como parece que você faz, você precisa ter certeza de que isso acontece. Você precisa fazer tudo em seu poder para vêla, para mostrar a ela que você a ama. — Ela espera um momento, recostando-se em seu assento, e curvando a cabeça. — Deus, eu sinto muito. Terry, este é o meu garoto, ele diz-me todo o tempo que falo demais com estranhos. Eu apenas não posso para-me. — Está tudo bem, senhora. Eu agradeço. Eu realmente faço. — Eu verifico meu relógio e solto um gemido quando eu percebo que apenas vinte minutos se passaram. — Sinto muito, eu odeio interromper a conversa, mas eu estou exausto. Eu poderia tentar dormir mais um pouco. — Eu finjo um bocejo, embora eu realmente não precise... Eu poderia dormir por dias. Mas

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mesmo se eu não pudesse, eu não quero falar sobre Katie. E eu certamente não quero pensar sobre a possibilidade de não vê-la. — Claro! Por favor, faça, querido. Você merece descansar um pouco. — Vejo você em Nova York, embora eu tenho certeza que vamos ter mais conversas de sono antes de chegarmos lá, para o qual peço desculpas antecipadamente. — Eu forço uma risada e um último sorriso, então aninho minha cabeça em meus braços , dobrado sobre a bandeja da mesa. Quando eu caio no sono, só há uma pessoa em minha mente... Katie. — Posso ir? — Eu pergunto, minha voz tremendo no telefone. — Claro. Está tudo bem? Você está bem? — É incrível como, quase que instantaneamente, a voz de Katie pode acalmar a pior das dores. Eu a quero desesperadamente em meus braços. — Eu vou te dizer sobre isso quando eu chegar lá. Eu só preciso sair daqui... — Venha, por favor. Eu vou esperar por você lá fora. — Ok, eu vou te ver em breve. — Eu desligo o telefone e vou para fora da porta. Se minha mãe tivesse me dado mais dois meses de drogas antes que ela tivesse seu colapso, eu estaria com dezesseis anos e capaz de conduzir à casa de Katie. Em vez disso, eu amaldiçoo-a sob a minha respiração quando eu pego minha bicicleta do lado da casa e rapidamente pedalo me afastando. O passeio passa rapidamente, e antes que eu saiba, eu estou puxando para a estrada de cascalho que leva a propriedade de Katie. A luz da varanda está ligada, lançando um brilho maçante sobre seu corpo, e apenas vê-la me traz alívio. Derrapo a uma parada, eu pulo fora da bicicleta, deixo-a cair no chão, e Katie instantaneamente impulsiona-se para mim. Ela me envolve em seus braços, segurando-me mais apertado do que ela nunca fez antes. O calor de seu toque e as garantias suaves que ela está sussurrando contra o lado do meu pescoço faz meu coração pulsar dentro do meu peito. Eu aperto as costas, esfregando o nariz em seu ombro e deixando algumas lágrimas passarem de meus olhos para sua pele. Meu coração está em casa. — Vem para dentro, — ela sussurra, pegando a minha mão e me puxando em direção à porta. Neste momento, estou a sua completa mercê. Ela tem o meu coração, e ela sempre terá.

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— Devin, eu nem sei o que dizer. — Ela passa a mão suavemente no meu rosto e eu me inclino para ela, levando-me um pouco mais em seu toque. — Eu sabia que as coisas estavam ruins e nós já conversamos sobre isso antes, mas... — Ela para e ela inclina a cabeça, deixando algumas lágrimas correr pelo seu rosto. Eu escovo as lágrimas levemente de seu rosto e puxo-a contra mim, envolvendo meu braço em torno do seu ombro. — Você não precisa dizer nada, você sabe disso. Só de estar aqui com você é o suficiente. — Ela olha para cima, seus olhos castanhos lindos brilhando com lágrimas, e leva tudo o que tenho para não beijá-la. Temos sempre sido apenas amigos, e embora nós tivéssemos muitos momentos como este, nós nunca deixamos ir mais longe. Eu quis por tanto tempo, e não beijá-la foi como uma morte lenta e dolorosa, mas eu não quero estragar a nossa amizade. Eu prefiro tê-la em minha vida como uma amiga do que não tê-la em tudo. Ela desliza o lábio inferior entre os dentes e deixa cair a cabeça no meu ombro. — Você promete isto foi tudo? A primeira coisa que eu quero deixar escapar é 'você está brincando comigo? Mas eu não assisti todas aquelas comédias românticas para nada. Eu sei que eu preciso jogar com calma. — Você é minha melhor amiga, Katie. A pessoa que eu confio mais do que ninguém neste mundo. Você é a única pessoa na Terra que poderia torná-lo melhor. Isso... — Eu puxo-a ainda mais perto de mim e planto meus lábios no topo da sua cabeça. Eu deixo-os ficar lá um pouco, respirando-a em antes de me afastar. — Isso é tudo. Eu posso ver as lágrimas em seus olhos, e ela está tentando muito duro para mantê-las de mim. Eu coloquei dois dedos suavemente contra seu queixo e vira sua cabeça para a minha. Seus olhos ainda olham para baixo e suas pálpebras fazem o melhor que podem para piscar as lágrimas. — Katie, — eu digo, doce, mas firme. Ela pisca suas pálpebras várias vezes antes de olhar para mim. — Por que você está chorando?

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Ela funga e limpa o rosto dela antes de responder. — Deus, Devin... Eu só queria... Eu queria... Eu gostaria de poder levar toda a sua dor. — Ela repousa a cabeça contra a minha camisa e enxuga algumas lágrimas sobre ela. Ela não sabe disso, mas eu adoro quando ela faz isso. Parece que ela está compartilhando uma parte de si comigo. — Você toma minha dor embora, Katie. Colocando seu rosto em minhas mãos, meus olhos vagueiam por seu rosto, e antes de eu perceber, meus lábios estão nos dela. Para minha surpresa, ela não puxa para trás, em vez disso empurra sua boca apertada contra a minha efetivamente selando eventuais lacunas. Seus lábios são mais suaves e mais doces do que eu poderia ter imaginado, e quando a minha língua traça a costura de seus lábios, ela abre disposta. Com cada golpe de sua língua contra a minha, meu coração bate e a dor desaparece apenas um pouco mais.

Acordei com um avião quase vazio e uma aeromoça me cutucando ao meu lado. Uma nota Post-it foi presa ao assento na minha frente, e dizia: Tentei acordá-lo. Você tem o sono muito pesado, mas não se preocupe, você não baba. Eu tenho um voo de conexão que devo fazer. Nada, mais que o melhor para você, soldado. Persiga seu coração. Encontre Katie. Cheryl O Post-it permanece seguro na minha mão quando eu embarco no meu último voo, tomo um assento na parte traseira e afivelo-me. Quando o avião decola e ganhamos altitude, releio sua nota muitas vezes e não posso ajudar, mas sinto-me desapontado que eu não tive a chance de dizer adeus à minha

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doce companheira de assento, mas faladora. É engraçado como as pessoas aleatórias que você topa e o efeito que podem ter sobre você. A turbulência violenta do avião me tira dos meus pensamentos e os passageiros começam a se mexer em seus assentos. Ele vai e vem em primeiro lugar, e depois de um longo chocalho assume que o faz sentir como o avião pudesse quebrar em pedaços no ar. A maioria dos passageiros do avião grita, abafando o piloto pelo intercomunicador, mas eu permaneço em silêncio. Meu pulso poderia bater o seu caminho através de minhas veias, mas eu ainda me sento, agarrando cada braço com força em minhas mãos e assisto as cenas da minha vida passando como um filme na minha cabeça. Eu sou forçado a perceber a natureza irônica e aleatória da morte. É muito provável que eu poderia sobreviver a duas implantações para uma zona de combate e morrer bem aqui na viagem de avião de volta para casa. Que mente fodida. À medida que o caos irrompe em torno de mim e a turbulência continua a fazer a morte muito real para todos a bordo, não posso deixar de pensar em Katie. Eu não posso acreditar o quão idiota eu estou sendo, e que idiota inseguro e ciumento eu fui. Eu não deveria ter agido da maneira que fiz no telefone. Era óbvio que ela queria me ver, mas eu com certeza não deixei claro o quanto eu queria vê-la. Ela estava indo para limpar sua agenda e, em seguida, eu fodi tudo. Não importa, porque embora eu vá fazer isso certo, mesmo se eu tiver que ir para o Tennessee. Eu não me importo se eu tiver que dirigir a noite toda, eu vou ver Katie Devora, e vou dizer a mulher tão bonita que eu quero ela... e só ela, para o resto da minha vida. E então eu vou explicar-lhe que todos os dias que eu estive sem ela, eu perdi um pouco de mim, e eu vou trabalhar pra caramba para provar a ela que eu posso ser o homem que ela merece. Não mais me afastando, e certamente não mais momentos de cabeça quente. A turbulência, eventualmente, para e as pessoas fazem o seu melhor para se acalmar, algumas orações são ditas, e eu encontro-me a tomar uma respiração profunda. Nunca mais vou tomar por certo o que Katie tem me dado e o que ela traz para a minha vida. Nunca mais eu vou deixar meu orgulho obter o melhor de mim.

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Estes pensamentos são o que me fazem passar o voo de uma hora de Nova York para Pittsburgh. Eu estou fodendo em êxtase com a possibilidade de ver Katie, mas estou em conflito com a morte de minha mãe e como vou me sentir ao colocá-la no chão. Eu preciso passar o funeral e dizer adeus a Josephine, e então eu posso concentrar-me no reencontro que esperei por dez longos anos. Meus pés batem rapidamente quando os meus pensamentos correm, e até mesmo três Bloody Marys não me acalmaram. E então acontece... o sinal alto seguido pela comissária de bordo anunciando nossa descida final. Eu abro a cortina da janela e olho às vistas familiares de meu antigo reduto. Um passo mais perto de Katie. Descendo do avião e entrando no aeroporto é como ser atingido por uma onda de nostalgia. Eu não estive neste aeroporto desde o voo que me levou para o treinamento básico. E, embora muitas coisas mudaram desde então, ele ainda se sente tão familiar e reconfortante. Antes que eu saiba, eu estou indo em direção a esteira de bagagens com um sorriso cheio de dentes que eu tenho certeza que traz alguns olhares. Eu simplesmente não me importo. Nenhum deles jamais pensaria que eu estaria aqui para um funeral, e eu sei que eu deveria me sentir culpado por isso, mas indo de uma zona de guerra tóxica para um lugar que eu chamava de lar há muito tempo, um lugar sem balas, bombas, e morte, é quase irresistível. Quero me tirar do uniforme, me jogar em um jeans e uma camiseta, e apenas ser normal novamente. A escada rolante que nos leva para onde nós pegamos a nossa bagagem não poderia ser mais longa, ou mais devagar, e eu estou ansioso ao ponto que eu estou ficando irritado. Apertando os olhos fechados, eu corro uma mão sobre meu rosto e abafo um suspiro. Largando a minha mão, meus olhos reabrem, e desembarcam instantaneamente em um conjunto familiar de olhos castanhos, embora eles não estejam fixos em mim. Meus membros formigam direto antes de ir completamente insensível, e quando a escada rolante me deixa em baixo, eu quase tropeço no chão. Katie. Ela está examinando a área à esquerda de mim, e eu sei que a qualquer momento ela vai me ver. Eu poderia chamá-la, mas agora eu estou gostando de ser capaz de simplesmente olhar para ela. Seu cabelo está mais longo do

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que eu me lembro, e ela tem ondas castanhas escuras penduradas sobre o ombro direito. Ela é a minha Katie... só que mais velha, mais madura. Os seios dela estão maiores, sua figura ampulheta claramente definida através de sua camiseta apertada, e seus quadris estão mais cheios também. Ela é porra sexy e inferno, e aquelas pernas correm milhas de distância. O corpo dela mudou definitivamente, e eu não posso esperar para chegar minhas malditas mãos sobre ela. Meu olhar faminto viaja até o comprimento do seu corpo, e quando meus olhos caem nos dela, ela está me observando, as lágrimas escorrendo pelo rosto corado. Então eu faço a única coisa que posso fazer...

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Katie “A Thousand Years”—Christina Perri

EMPURRANDO MEU CAMINHO através dos outros passageiros, corro até a rampa. O meu voo atrasou uma hora, o que em última análise, significava que nossos voos aterrissaram ao mesmo tempo. Normalmente, isto não seria um problema. Hoje, no entanto, é. Eu não falo com Devin desde ontem. Depois que ele desligou, eu recebi um e-mail com o seu itinerário, e eu não ouvi uma palavra desde então. Será que eu o irritei até o ponto onde ele não queria me ver? Eu disse a ele que o que eu tive com Wyatt estava acabado muito antes que ele entrasse em cena. Ele não deveria confiar em mim? Correndo através do terminal, acho o Portão 13, apenas há pessoas que pulam por toda parte. Teço meu caminho através da multidão, eu fico o mais perto da rampa que eu posso. Empurrando-me na ponta dos pés, eu salto ao redor, tentando obter uma visão melhor, mas a multidão é muito cheia. E isso é quando eu percebo... essas pessoas estão esperando para embarcar. Eu olho para o meu relógio e, em seguida abro meu caminho para o balcão de informações. — Desculpe-me, — eu pergunto, tocando no balcão. A mulher perfeitamente penteada olha para cima, claramente irritada com a minha batida, mas agora eu não tenho tempo para dar a mínima. — Posso ajudá-la? — Ela pergunta.

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— Voo 4402 de JFK, — eu digo, apontando para fora da janela de um avião na pista. — Será que ele acabou de aterrissar? Os passageiros ainda estão a bordo? — Eles já saíram do avião, senhora. — Merda, — eu assobio, passando a mão pelo meu cabelo. Meu coração cai dentro do meu peito e lágrimas picam meus olhos. — Obrigado. — Eu ofereço-lhe o melhor sorriso que eu possa reunir, e então eu viro para olhar para o sinal que indica bagagem. — Senhorita? Eu giro ao redor e olho para a mulher que arrancou apenas inadvertidamente meu coração. E eu não estou sendo melodramática. Se eu perdi Devin, então eu não tenho nenhuma maneira de obter um domínio sobre ele. Não tenho nenhum número de telefone, sem endereço para a casa de sua mãe, e eu não tenho nenhuma ideia que hotel ele está planejando se hospedar. Essencialmente, eu estou sozinha-em Pittsburgh de todos os lugares. — Sim? — Os passageiros provavelmente não tenham pegado a bagagem ainda. — Sim! Um sorriso se arrasta no meu rosto e ela retorna. — Se você virar a esquerda no banheiro logo ali, — diz ela, apontando para a esquerda, — desça a escada rolante e depois vire para a direita, provavelmente você pode alcança-los. É um atalho. — Ela pisca, e eu decolo. Ela estava certa. A esteira de bagagem era apenas um pulo, pulo e um salto de distância. O único problema? Este lugar está foda cheio. Ao que parece, cada maldito avião na pista desembarcou ao mesmo tempo. Não há nenhuma maneira eu vou encontrar Devin nesta multidão. Meus olhos digitalizam o lugar, e mais uma vez eu estou saltitando na ponta dos pés, tentando ter uma boa olhada, mas vendo um monte de nada. A pouca esperança que eu tinha está diminuindo rapidamente, e depois de um sólido dez minutos de busca, eu decido chamar meu tio. Estou exausta, precisando desesperadamente de um chuveiro, e meu cabelo, provavelmente, parece que enfiei meu dedo em uma tomada. E não vamos esquecer o meu coração... está batendo correto agora também.

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Envolvendo minha mão em volta do meu cabelo, eu retiro-o do meu pescoço antes de jogá-lo através do meu ombro. O que agora? Girando ao redor, eu reajusto a alça da minha bolsa e faço uma varredura final antes de ir recolher a minha bagagem. As pessoas estão apressando-se a passar por mim em grande velocidade, as crianças rindo e correndo ao redor, homens e mulheres empurrando seu caminho através da multidão para chegar mais perto dos carrosséis. Quando vejo uma jovem atirar-se nos braços de um homem, é como um soco no estômago. Deveria ser eu. As lágrimas brotam em meus olhos, e eu dou um passo em direção à esteira de bagagem quando eu pego um vislumbre de camuflagem. Uma onda de pessoas passam por mim, mas meus pés estão enraizados no lugar enquanto espero com ansiedade para ver o que, ou quem, estará esperando por mim quando eles passarem. Como se o próprio Moisés estivesse lá, o mar de gente parte, deixando-me com uma vista perfeita e ininterrupta de... — Devin. — O som de seu nome nos meus lábios soa distante e estrangeiro. Tudo ao meu redor é um grande borrão, estrias de cor tentam romper o domínio que os meus olhos têm sobre o soldado de uniforme. Há um formigamento no meu peito que eu nunca senti antes, e quando eu puxo uma respiração esperançosa, esperando por ele para olhar para cima, meu queixo começa a tremer. Ele está olhando para mim, seu olhar vagando em volta do meu corpo, e quando seus olhos finalmente fazem o seu caminho para o meu, o formigamento no meu peito irradia para fora, disparando faíscas de familiaridade para todas as partes do meu corpo. O cabelo na parte de trás do meu pescoço se levanta, as mãos tremem e as lágrimas que estavam brotando dos meus olhos finalmente decidem estourar livre. Devin dá um passo hesitante... seguido por outro... e depois outro. Finalmente chutando em marcha, meus pés se movem para frente, mas eu só obtenho alguns passos antes de dois braços quentes envolverem em torno de mim, me arrastando para perto. Um soluço rasga do meu peito enquanto eu enterro meu rosto em seu pescoço. Minhas mãos agarram em um punho a frente de sua jaqueta, eu me ancoro a Devin.

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— Katie. — Sua respiração quente ao lado do meu pescoço. Eu não posso imaginar como nós parecemos para todos os outros, duas pessoas que prendem um ao outro para a vida, ambos ou melhor eu, com certeza estou com medo de deixar ir, com medo do que poderia ser perdido. Afrouxo meu aperto na frente de sua jaqueta, eu deslizo as mãos em suas costas e em direção a seu pescoço, segurando-o para mim. Meus dedos se movem ao emaranhado no cabelo dele, só que não é muito cabelo, então eu faço a próxima melhor coisa, a coisa que meu coração está doendo para fazer. Colocando seu rosto em minhas mãos, eu puxo para trás apenas o suficiente para que eu possa olhar em seus olhos, que estão nadando em lágrimas. Sem quebrar o contato dos olhos, eu arrasto sua boca para a minha e nossos lábios em conjunto como ondas em uma costa. Meus olhos derivam fechados, minha cabeça inclinada para o lado para lhe dar melhor acesso. Ele toma o convite de bom grado e empurra sua língua na minha boca, deslizando profundo, explorando e degustando. As mãos de Devin estão em todos os lugares deslizando em meus braços, segurando minha cintura e, em seguida, deslizando até minha volta antes de finalmente se decidir. Uma mão em volta do meu pescoço e outra pressionada firmemente contra a minha parte inferior das costas, ele me segura perto dele. Nossos corpos estão ao mesmo nível, nenhum pingo de espaço entre nós. Seu coração está batendo tão duro que eu posso sentir isso no meu peito, e seu corpo pressionado contra o meu é a coisa mais doce que eu senti em um longo tempo. Parece que foi ontem que estávamos fazendo isso pela primeira vez. Devin puxa para trás e minhas pálpebras pesadas batem abertas. — Eu senti tanto sua falta, — ele murmura, os lábios roçando contra o meu. O som de sua voz provoca arrepios a correr pela minha espinha, e eu aperto forte nele. — Eu também senti sua falta, — eu digo, meu corpo relaxa contra o seu. Ele geme e seus lábios encontram o meu rosto, meu nariz, meu queixo, meu pescoço... eles batem em cada lugar que eles podem chegar antes de pousar de volta na minha boca. Só que desta vez, o beijo é doce e gentil, completamente diferente de apenas um minuto atrás.

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Tantas coisas estão correndo em minha cabeça e sendo ditas certas agora... tantas emoções que estão sendo transmitidas. Alívio. Conforto. Felicidade. Arrependimento. O aperto de Devin solta e eu fecho os olhos com força, desesperada para ficar nesta pequena bolha perfeita por apenas mais alguns momentos, não querendo deixar a realidade e as palavras não ditas manchar o aqui e agora. — Vamos sair daqui, Katie. — Seus olhos verdes estão rodando com tanto amor que é quase impossível de perder. — Eu quero isso mais do que qualquer coisa, mas não aqui, não na frente de todas essas pessoas. Um sorriso puxa no canto da boca e sua mão está em punho na minha camisa na parte baixa das costas. — Você não pode olhar para mim assim, Kit Kat. Estou mal pendurado por um fio porra por apenas estar tão perto de você. Meu corpo se sente como ele fosse explodir, mas eu quero fazer isso direito. Só eu e você. Bem merda. Como diabos eu deveria dizer não a isso? É injusto, realmente, que ele pode ser tão convincente. — Onde você está ficando? Suas sobrancelhas sulcam e, em seguida, ele suspira. — Eu esqueci de reservar um quarto. Mas vamos lá, vamos encontrar um lugar para ir. Ele pega sua mochila do chão, e é engraçado, porque eu nem me lembro de ele ter uma. Entrelaçando os dedos com os meus, ele me leva para as bagagens que estão sendo embaralhadas em círculos, à espera de seus proprietários para reclamá-las. — A propósito, eu tenho um quarto no Hilton. Há apenas uma cama, mas você é mais que bem-vindo para compartilhar comigo se você quiser, — eu digo, rindo quando seus passos vacilam, quase o fazendo cair de cara no chão.

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— Eu me sinto muito melhor. — Devin sai do banheiro, com uma toalha pendurada baixo em seus quadris e amarrada na frente. Gotas de água estão espalhadas por todo o peito, e quando uma desliza para baixo seu abdômen, desaparecendo no algodão branco de espessura cobrindo sua trilha feliz, eu mordo meu lábio inferior. Deveria ser ilegal alguém ser tão bom de olhar como ele faz. Todas as linhas retas e músculos definidos. Ele é um perigo para a saúde das mulheres, realmente. Na verdade, ele deve ter um sinal luminoso pendurado em sua cabeça advertindo... Devin se encaixa, fixando minha atenção. — Olhos aqui. — Quando eu olho para cima, ele tem um sorriso estampado no rosto. Merda! Eu espero que ele diga alguma coisa, para fazer algum tipo de comentário constrangedor sobre eu não ser capaz de tirar os olhos dele, mas ele não faz. A expressão em sua face, seus lábios, sobrancelhas mergulhadas para baixo... ele parece incerto. Devin pigarreia. — Você quer tomar um banho? Não é o que eu estava esperando que ele dissesse, mas tudo bem, eu vou levar. — Sim, — eu digo com um aceno de cabeça. — Eu definitivamente quero, mas eu não acho que eu posso me mover. — Deito de volta na cama, eu fecho meus olhos, rolo para o meu lado, e enrolo meu corpo em torno de um travesseiro. — Eu provavelmente poderia dormir por dias se você me deixar. Eu não escuto sua abordagem, mas eu posso sentir o cheiro dele. Eu conheço esse cheiro em qualquer lugar. É picante e doce, tudo em um, e eu daria qualquer coisa para engarrafa-lo apenas para que eu pudesse retirá-lo sempre que eu quiser. Eu não estou com ele. Uma mão quente desliza para o lado do meu rosto. — Eu sinto muito, Katie, — ele sussurra, me pegando totalmente de surpresa. Meus olhos se abrem, meu coração de repente martelando dentro do meu peito. — Porquê? — Eu pergunto, querendo saber se ele vai me dar as palavras que eu estava morrendo para ouvir pessoalmente pelos últimos dez anos.

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Ele se agachou no chão ao lado da cama, com o rosto apenas alguns centímetros de distância do meu, mas as linhas profundas de tensão no rosto são inconfundíveis. — Tudo, — ele diz, sua voz cheia de pesar. — Não, — eu sussurro, colocando a mão na parte de trás do pescoço. Não vou deixar que esses poucos dias preciosos sejam contaminados com algo que já está passado. Sim, eu ainda quero respostas, mas elas podem esperar. Ele abre a boca, mas eu engolir suas palavras com um beijo antes de me afastar. — Você não tem que se desculpar... — Eu faço. — Não. — Eu balancei minha cabeça. — Não agora. — Sua boca cai aberta, um olhar de espanto enfeitando seu belo rosto. — Isso é real? — Ele sussurra, subindo na cama ao meu lado. — Você está realmente aqui comigo? — Sua voz é cheia de descrença enquanto seus dedos rastream ao longo do meu quadril e sobre a minha barriga. Meu estômago se contorce enquanto seus dedos encontrar o caminho para minha clavícula. — É verdade, e eu estou. Ele sorri como se ele realmente não esperava por mim responder. Aqueles dedos mágicos escovam através da pele do meu pescoço antes de o polegar encontrar meu lábio inferior. Meu corpo está vibrando com a energia sexual, e sem pensar, eu chupo o dedo na minha boca, beliscando de brincadeira na base. Os olhos de Devin ampliam, piscando com o que eu só posso descrever como puro desejo. Liberando o polegar, eu coloco meus lábios nos dele. — Devemos falar... não deveríamos? — Ele pergunta, soando completamente incerto. Alcançando a toalha, eu puxo o nó, sentindo a queda do algodão macio aberto. É preciso toda a força que eu tenho para não olhar para baixo, mas minha mão não tem a mesma quantidade de autocontrole que os meus olhos. Circulando meus dedos ao redor de seu pênis, eu lentamente começo a trabalhar nele.

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Devin sibila, sugando uma respiração afiada, e seus olhos derivam fechados. Eu amo que eu possa fazer isso, e eu quero saber que outros ruídos posso levá-lo a fazer. — Katie, se começarmos isso, eu não vou ser capaz de parar. — Eu não quero que você pare. — Suas pálpebras pesadas abertas me observam de debaixo de um olhar encoberto. — Eu não quero falar, e eu estou cansada de pensar. Eu só quero sentir, — eu digo, olhando para baixo. A visão da minha mão sobre ele é erótica e uma onda de umidade vai direto para o meu núcleo. — Eu quero te sentir. Finalmente, suas mãos movem-se para a minha camisa, deslizando sob o material e levantando lentamente sobre a minha cabeça. Sento-me, apenas o suficiente para deixá-lo puxar de cima de mim. Devin solta o fecho do meu sutiã e o material laçado solta em volta do meu corpo. Em um movimento lento e calculado, ele desliza um dedo sob a calça e puxa-a. — Onde você me quer, Katie? Ele beija o inchaço do meu peito antes de sugar o meu mamilo em sua boca. — Oh, Deus. — Deixo cair a cabeça para trás, eu fecho meus olhos, absorvendo tudo. Ele me libera com um pop molhado, e meus olhos abremse para encontrá-lo cara a cara comigo... me observando. — Continue fazendo isso, — arfo, querendo sua boca de volta em mim. — Você não me respondeu. — Huh? — Responda-me, Katie. — O tom de sua voz não devia me ligar, mas ele faz, e eu não tenho nenhuma vergonha de admitir isso. — Qual foi a pergunta? — Ele não sabe que meu cérebro está uma desordem agora? Eu estou tão ligada que literalmente porra dói. — Onde você me quer? — Em todos os lugares, — eu respiro. — Em mim, dentro de mim, ao meu redor. Quero cada parte de você tocando cada parte de mim. — Minhas palavras devem ter sido exatamente o que ele queria ouvir, porque, em questão de segundos, minhas calcinhas estão longe de serem encontradas e Devin está pairando em cima de mim, sua grossa ereção embalada entre as minhas pernas.

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— Eu preciso ouvir você dizer isso. — Eu quero você, Devin. — Envolvendo uma perna em volta da cintura, eu mergulho a mão entre nós e guio-o para a minha entrada. — Faça amor comigo. Por favor. Em um movimento fluido, ele balança para frente, roubando cada respiração que eu tenho. Minhas mãos encontram suas costas e eu fecho meus olhos, memorizando o momento. A forma como seus músculos ondulam sob meus dedos, a sensação da respiração dele contra a minha pele, a forma como os quadris rolam com cada impulso. Isto não é apenas sexo, e é mais do que fazer amor. Isto são duas almas se reconectando, tornando-se uma. Neste momento, estamos deixando ir o passado e nos abrindo para um futuro que está cheio de infinitas possibilidades. Isto é apenas o começo. Necessitando estar mais perto, eu fundo nossas bocas juntas. Eu golpeio minha língua contra a dele, esperando por ele para lutar pelo controle, mas ele não faz. Surpreendentemente, ele segue minha liderança. Nosso beijo é apaixonado e tão diferente dos nossos beijos adolescentes. Sem fôlego, eu me afasto. — Toque-me. — Eu não tenho que pedir duas vezes, é como se soubesse exatamente do que eu preciso, Devin desliza a mão entre nossos corpos suados. Seus dedos encontram o meu clitóris e ele pressiona para baixo, esfregando-o em pequenos círculos. Minha respiração pega, se transformando em um arfar, quando ele traz o meu corpo para a borda. Então ele pega o ritmo, seus quadris balançando no meu, mais rápido e mais exigente. — Abra os olhos, — ele rosna, o som quase me manda sobre a borda. Mas de alguma forma eu consigo segurar, querendo nada mais do que arrastar isto para fora por tanto tempo que eu puder. — Veja-nos, Katie, — diz ele, olhando para o lugar onde nossos corpos se unem. Meu olhar segue o seu e eu assisto por alguns segundos enquanto ele bombeia dentro e fora de mim, a visão tão extremamente erótica que me empurra direto para a borda. Cavando minhas unhas em sua pele, eu arqueio de volta. Duramente, seus quadris batem em mim. Seu polegar esfrega círculos rítmicos no meu clitóris, e quando seu corpo enrijece acima do meu, eu explodo em milhões

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de pedaços minúsculos. Jogando a cabeça para trás, Devin geme. O som estrondoso de seu peito é de longe o barulho mais sexy que eu já ouvi vir de um homem. — Isso foi incrível porra, — diz ele, salpicando beijos no meu rosto. — Você é incrível, eu sussurro. E eu te amo... muito.

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Katie “How Long Will I Love You”—Ellie Goulding

QUENTE. POR QUE ESTOU FODIDAMENTE QUENTE? E porque é que há um braço sobre meu estômago? Há um braço sobre meu... — Merda, — eu assobio, voando da cama, o lençol apertado contra o meu peito nu. Meus olhos estalam para a pessoa na cama ao meu lado, e quando eu encontro os olhos de esmeralda de Devin sorrindo para mim, eu respiro um suspiro de alívio. — Você está bem? — Sua voz é grossa e rouca, fazendo com que partes de mim formiguem que provavelmente não deveriam. Olho para o relógio… Nove horas da manhã. — Sim. — Levantando as cobertas longe de nossos corpos, eu olho para baixo. Sim, nua como os bebês que ajudo a vim ao mundo. E olá, Devin está completamente nu também. Eu deixo cair o lençol sobre a parte de trás do meu corpo. Devin tem um sorriso diabólico grudado em seu rosto e calor sobe do meu pescoço. — Eu, uh... Eu acho que eu esqueci. Não estou acostumada a acordar com um homem ao meu lado. — Nós vamos voltar a discutir a última metade da declaração em um segundo. Mas, realmente, você esqueceu? — Devin se senta, seu movimento faz o lençol cair em torno de seus quadris. Tento manter meus olhos nos dele, eu realmente faço, mas é também extremamente difícil. Seu peito é digno de babar, e não me fale sobre o abdômen. São facilmente... um, dois, três, quatro...

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— Seis. — Devin estala os dedos e eu olho para cima. — Hã? — É um pacote de seis, — diz ele, rindo. Eu não me sinto de todo ruim sobre a obtenção de seu olhar amoroso preso ao meu ou contando seu abdômen. Seu corpo é uma massa definida de perfeição. — Agora vamos falar sobre este negócio de esquecimento. Se você já se esqueceu, então eu obviamente não fiz um trabalho muito bom. — Sua voz suaviza quando ele traz a boca para meu pescoço. Correndo o dedo ao longo da minha clavícula, ele desliza a mão por baixo do lençol, empurra-o para baixo e expõe meu peito. O ar frio sopra sobre a minha pele e meus mamilos duros. — Talvez você deva tentar novamente. Basta fazer um trabalho melhor desta vez... em, uh... você sabe... oh porra. — Eu não tenho certeza de quando Devin mergulhou a mão entre minhas pernas, mas, francamente, eu não me importo. Ele empurra um dedo dentro de mim, torcendo-o ao redor antes de enrolar para cima. — Deite-se, — ele exige, seus olhos encapuzados. Bem, eu certamente não vou fazê-lo implorar. Eu caio de volta na cama e ele arranca o lençol do meu corpo. Empurrando para cima em um cotovelo, eu olho para baixo. Sua mão ainda está alojada entre as minhas pernas, e ele está observando conforme seu dedo desliza para dentro e para fora de mim. Vê-lo trabalhar em mim é surpreendentemente erótico. É algo que eu não estou particularmente acostumada, então eu aperto meus olhos fechados antes que eu faça ou diga algo para me envergonhar. — Me observe, — Katie. Eu não preciso assisti-lo, soldado, eu posso sentir isso e é fanfodástico. E abro os olhos de qualquer maneira. Seus olhos estão sobre o meu, intenso e rodando com desejo. Eu sempre senti muito em torno de Devin, mas agora, do jeito que ele está olhando para mim, eu me sinto sexy. — Você gosta disso, não é? — Ele pergunta. Eu aceno, principalmente porque eu não posso formar palavras. Meu corpo está enrolado apertado e um gemido sai da minha boca. — O que você quer agora, Katie?

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Meu Deus, pare de falar. — Eu-eu não sei. — Você sabe. — Não pare, — Eu ofego, lutando contra o peso das minhas pálpebras. Eu não quero nada mais do que para jogar a cabeça para trás e deixar-me ir, mas agora que eu comecei, eu não consigo parar de assistir. — Nunca foi meu plano. Agora me diga o que você quer. — Toque-se, — Eu digo, sentindo o calor infundir meu rosto quando eu percebo exatamente o que eu apenas lhe pedir para fazer. — Você quer que eu me toque? Concordo com a cabeça, observando com muita atenção quando ele prende com a mão livre e desliza-o lentamente para cima e para baixo o seu eixo. — Será que isso te excita, Katie? — ele pergunta, ganhando velocidade com ambas as mãos. — Sim. Deus sim. É... — Minhas palavras param quando minhas pernas começam a tremer. Eu não vou ser capaz de manter por muito mais tempo. Tudo ao meu redor fica escuro e eu finalmente cedo. Apertando os olhos fechados, e jogando a cabeça para trás. Devin puxa sua mão de minhas pernas, mas antes mesmo de eu ter tempo para reagir, eu estou sendo virada. Meus mamilos empurram no lençol quando Devin empurra para dentro de mim, e eu arqueio para trás, quando a sensação envia faíscas de prazer direto para os dedos dos pés. — Eu amo estar dentro de você, — ele sussurra antes de escovar meu cabelo para fora do caminho e beijar a minha nuca. — Você é gostosa pra caralho, tanto que dói. Esta é a perfeição. Você é a perfeição. Suas palavras me empurram sobre a borda, e eu grito quando o orgasmo bate em mim com muito mais força do que eu estou acostumada. Meus dedos do pé enrolam, minha pele inflama com o calor intenso enquanto meus quadris empurram em conjunto com o seu. — Porra, isso é quente, — ele rosna. Devin agarra meu cabelo, e circula ao redor de seu pulso e puxa levemente, puxando minha cabeça para trás. É suave e doce, completamente contraditório com a maneira como ele está batendo em mim. Quando os lábios encontrar o meu pescoço, ele morde de leve sobre a pele

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abaixo da minha orelha e eu choramingo. Seu corpo fica rígido acima do meu e seu aperto no meu cabelo aumenta enquanto ele empurra para mim várias vezes mais. Eu sinto uma onda de umidade e Devin geme, uma série de palavras ininteligíveis caindo de sua boca. Não há palavras para descrever o que ele fez para mim. Nunca foi assim... nem mesmo a última noite. Meu corpo fica mole e a sensação de seu peso nas minhas costas é reconfortante. Lentamente, ele puxa para fora de mim e eu sou instantaneamente deixada com uma sensação de vazio, um sentimento de repente que eu não estou muito afeiçoada. — Merda, — Devin sibila, deixando cair a cabeça no meu ombro. — Eu sinto muito, Katie. — Por quê? — Eu pergunto, não tendo absolutamente nenhuma ideia do que ele poderia estar se desculpando, após o que nós fizemos. — Eu não estava pensando, — diz ele, com a voz baixa. — Eu não... nós não usamos proteção, ontem à noite ou hoje de manhã. Oh aquilo. Ainda bem que eu tenho isso coberto. — Eu estou no controle da natalidade. Eu tomo regularmente e eu não estou tomando antibióticos, por isso está tudo bem. — Ok, — diz ele, liberando uma respiração rápida. — Tinha-me preocupado lá por um segundo. Não que eu não gostaria de... Você sabe, ter bebês com você e tudo... Mas... — Basta parar. — Eu rio, amando o jeito que ele instantaneamente grita no mero pensamento de mim ficando grávida. Típico homem. — Nós estamos bem. Tudo está bem. — Ele beija a parte de trás do meu pescoço. Devin desliza à esquerda de mim, envolve um braço em minha volta e fuça seu rosto perto do meu. Ele beija meu nariz e então a minha boca, e quando eu finalmente reúno força suficiente para abrir os olhos, os seus estão fechados. Pacífico. Essa é a melhor maneira de descrever o olhar no seu rosto. Ele olha completo e pacífico, e eu tenho a sensação de que ele não experimentou esses sentimentos muitas vezes. Seus lábios abrem-se, seu hálito quente abanando no meu rosto. Atingindo-o, eu passo o meu polegar ao longo de

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seu lábio, seguido por sua bochecha. Estou tentando memorizar tudo sobre ele que eu puder, porque eu sei que em breve eu vou ter que deixá-lo ir. E depois de estar com ele de novo, eu não tenho certeza o quão bem eu vou lidar com isso. Entre suas cartas e as conversas telefônicas que tivemos, eu tinha a sensação de que ele ainda possuía uma grande parte do meu coração, mas de ser envolvida em seus braços, a familiaridade de seu corpo contra o meu, eu percebo agora que era estúpido. Ele é dono de tudo. Ele sempre teve e ele sempre terá. — Eu te amo, — eu sussurro, não tenho certeza se ele ainda está desperto para me ouvir. — Eu te amo mais. — Seus olhos abrem. Eles são brilhantes, e do jeito que ele está olhando para mim diz muito, mas essas três palavras que vêm de sua boca puxam as lágrimas dos meus olhos. Ele tinha ido embora... Por dez longos anos eu tive que viver sem ele, e meus sentimentos não diminuíram nem um pouco. Claro, eu estava com raiva e empurrei o amor de lado, mas era demasiado forte para eu lutar. Todo meu coração precisava estar perto dele novamente para lembrar que ele bate para ele. Wyatt nunca teve uma chance... nenhum homem nunca teve uma chance. Porque há uma única pessoa neste mundo para mim, e essa é Devin Ulysses Clay. — Diga isso de novo, — diz ele, enfiando os dedos no meu cabelo. — Eu te amo. — Meus lábios descem no seu para um beijo suave. — Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Seu rosto contorce como se minhas palavras o ferissem fisicamente, e eu puxo para trás. Mas antes que eu possa perguntar o que está errado, ele diz: — Eu sinto muito, Katie. Por tudo. — Shhhh. — Eu pressiono o dedo contra sua boca, mas ele facilmente tira-o fora. — Eu preciso tirar isso. Por favor, deixe-me tirar isso. — Eu entendo que ele tem coisas que ele quer dizer, mas eu não estou apenas certa que eu quero ouvi-las mais. Ele disse que estava arrependido e eu acredito nele. Isso deve ser o suficiente, certo?

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Mas vejo a determinação em seu rosto que me diz que esta é uma luta que não vou ganhar. — Ok, — eu sussurro, colocando a mão em volta do pescoço, puxando sua boca para a minha. — Eu quero dizer algo em primeiro lugar. — Ele balança a cabeça, mas seu rosto ainda está fechado como se as palavras que ele precisa dizer estão pesando fortemente sobre seus ombros. — Não importa o que você diz. No grande esquema das coisas, não importa por que você me deixou. O que importa é que você está aqui agora, e quando você me diz que está arrependido, eu sei que você está dizendo a verdade, porque eu posso ver isso nos seus olhos. — Eu o beijo uma vez, duas vezes, e depois uma terceira vez antes de me afastar. — Você é perfeita, você sabe disso? — Não, eu não sou. — Eu suspiro. — Mas tenho certeza que gostaria de ouvi-lo. Na verdade, sinta-se livre para me dizer isso todos os dias para o resto da minha vida. Seus olhos se arregalam em minha menção do futuro, mas ele não perde uma batida. — Você está falando de para sempre, Katie? — Para sempre não é suficiente, — eu sussurro, apoiando meu braço sobre suas costas. A respiração corre de seus pulmões e eu sorrio para mim mesmo. — Eu não mereço você. — Isso é besteira. Eu abro minha boca para lhe dizer isso, mas ele empurra o dedo contra a minha boca, da mesma maneira que eu fiz há alguns instantes. — Escute. Eu só preciso que você escute, ok? Eu aceno, seu dedo ainda pressionado em meus lábios. — Boa menina. — Devin deixa sua mão cair, mas não vai muito longe. Ele apoia-se sobre um cotovelo, sua outra mão apoiada firmemente no meu quadril. — Você foi o meu mundo crescendo. Eu vivia em uma casa, mas eu nunca tive uma casa... você era minha casa, Katie. — Lágrimas brotam em meus olhos, e quando desliza pelo meu rosto, ele gentilmente limpa. — Eu sabia que não era bom o suficiente para você, mas eu era egoísta, então eu tinha toda a intenção de mantê-la de qualquer maneira. — Os olhos de Devin derivam para o lado como se estivesse contemplando suas próximas palavras. Quando eles me encontram de novo, eu posso ver a

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incerteza. Seja o que for que ele está prestes a dizer pode muito bem me afetar mais do que eu penso. — Até que eu falei com seu pai. — Meu pai? — Minhas sobrancelhas sulcam e eu empurro para cima, imitando sua posição. — O que o meu pai tem a ver com isso? — Lembra-se da última noite? — Eu dou-lhe o olhar espantado você está brincando comigo e seus olhos amolecem. — Desculpe, é claro que você faz. De qualquer forma, eu assisti você entrar em casa, e eu estava pronto para me afastar quando seu pai se aproximou. Ele fez? Como é que eu não soube disso? — Eu não sabia que ele estava mesmo fora naquela noite. — Confie em mim, — diz ele. — Eu também não. Ele assustou o inferno fora de mim. — O que ele disse? — Pergunto. Meus nervos já estão chutando, a adrenalina fluindo em ondas pelas minhas veias, porque eu não tenho absolutamente nenhuma ideia do que meu pai poderia ter tido a ver com Devin me deixando sem deixar vestígios. Papai sabia o quanto Devin significava para mim; ele nunca teria feito algo para pôr em causa o que tínhamos. Faria? A cabeça de Devin cai. — Ele não me disse nada do que eu já não soubesse. Mas a maneira como ele a apresentou... — O que? O que ele disse? — Ele queria o melhor para você, Katie. Ele queria que você tivesse um marido que poderia fornecê-la com o tipo de vida que você merecia, e ele e eu sabíamos que eu não era aquele cara. Wyatt era o cara para você, e seu pai pensava a mesma coisa. — Eu me assusto com suas palavras, mas ele continua. — Eu sabia que se eu a visse novamente, que se eu falasse com você sobre isso, você me diria que era tudo um monte de merda. — Porque é tudo um monte de merda. — Eu sei, — ele respira, arrastando os olhos de volta para os meus. — Confie em mim, eu sei. É o meu maior arrependimento na vida. É a única coisa que eu daria qualquer coisa para voltar atrás e mudar, mas você tem que entender de onde eu estava vindo. Eu estava vivendo uma vida de merda

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com uma mãe também de merda, e eu estava sendo forçado a mudar a mil milhas de distância. Não havia nenhuma maneira que eu iria ser capaz de me dar ao luxo de ir para a faculdade, e muito menos conseguir um emprego decente, e eu não queria impedi-la. Eu queria que você tivesse a linda casa com a cerca branca e dois punhados de crianças. — Mas eu só queria você. — Eu sei. — Ele toma uma respiração profunda. — Eu sei disso agora. Mas no momento, minha cabeça não estava em um bom lugar, e eu sabia que a única maneira de dar-lhe uma rutura era sair e não voltar. E confie em mim, foi a coisa mais difícil que eu já tive que fazer. — O queixo de Devin treme, o movimento tão leve que quase perco isso. Eu não tenho nenhuma dúvida de como ele se sente mal por me deixar do jeito que ele fez. — Você quebrou meu coração. — Eu sei. Eu quebrei meu coração também. Eu pensei em você toda a porra de segundo de cada dia de merda, e se a mãe tivesse tido um telefone, eu provavelmente teria chamado e pedido perdão na primeira chance que eu tivesse. Mas ela não o fez. Inferno, eu não poderia mesmo me dar ao luxo de chamá-la de um telefone público. As coisas foram difíceis lá por um tempo, e honestamente, eu estou feliz que você não teve que ver isso. É uma coisa boa que você não estava lá, porque eu iria me apoiar em você demais. — Eu quero que você se apoie em mim, Dev. Eu quero ser essa pessoa, a que você virá quando você precisa de algo, qualquer coisa. Eu quero ser sua melhor amiga e sua confidente e tudo o mais. — Você é. — Sentando-se, Devin puxa-me em seus braços. Seu domínio sobre mim é apertado, e seu peito está levantando como se ele tivesse corrido uma maratona. — Confie em mim, você é, e eu nunca esqueci isso. Eu cometi um erro terrível me afastando de você, e eu juro que eu nunca vou deixá-la novamente. Eu sei que você disse isso antes, mas eu preciso ouvir você dizer isso agora. Você me perdoa, Katie? — Sim. — Com essa pequena palavra, eu sinto seu corpo relaxar contra o meu. Ele precisava ouvir isso muito mais do que eu percebi. — Eu te perdôo. — É fácil dizer por que é a verdade, mas ainda há uma pequena coisa irritante na parte de trás da minha cabeça. — Eu não posso acreditar

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que papai fez você se sentir assim, — eu digo, balançando a cabeça em descrença. — Não faça isso. Não fique brava com seu pai. Ele só queria o melhor para sua menina, e eu não o culpo. Eu era um adolescente impetuoso, e não importa como ele disse, suas palavras significavam apenas uma coisa para mim. — Diga, — eu ouso, puxando para trás, — ...E eu vou chutar o seu traseiro. — Eu te amo, — ele diz, rindo, a covinha no lado da bochecha estalando para fora. Eu perdi esta covinha. Me inclino para frente, eu pressiono um beijo para ela. — Eu também te amo. — Me aninho contra seu peito, Devin me puxa me estreitando antes de nos estabelecer sobre os travesseiros. Ficamos assim por vários minutos, ambos desfrutando da calma, mas minha mente não pode deixar de vagar. Se ele tivesse me dito o que aconteceu com meu pai há muito tempo, eu provavelmente teria ficado chateada, porque ele deveria me conhecer melhor do que pensar dessa forma. Mas eu estou mais velha agora, e a situação que ele estava naquele momento é mais fácil de entender como uma adulta do que era como uma adolescente sonhadora. Além disso, tanto quanto eu odeio admitir isso, nossos tempos separados provavelmente não foram uma coisa tão ruim. Quem sabe o que teria acontecido se tivéssemos tentado fazer funcionar a cerca de mil milhas de distância? Eu só queria que Wyatt não tivesse se machucado no processo. E por mais que eu não quero, eu sei que o tema precisa ser discutido. — Já que estamos falando e nos abrindo, agora é um bom momento para falar sobre Wyatt? Devin nos rola até que seu corpo está pairando sobre o meu. — Eu acho que nós falamos o suficiente por hoje, não é? — Eu balancei minha cabeça. — Além disso, temos de chegar a casa funerária e nos certificar que tudo está pronto para amanhã. Eu estive tão envolvida em me reconectar com Devin que eu esqueci completamente sobre isso que estamos mesmo juntos agora, em primeiro lugar. — Eu sinto muito. — Eu olho para baixo, mas dois dedos quentes

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encontram o meu queixo, levantando meu rosto de volta. — Eu tenho sido tão egoísta... — Não. — Essa palavra é dita com uma imensa quantidade de convicção. — Você não foi egoísta. Você foi altruísta. Você pegou folga do trabalho, arranjou sua agenda e voou todo o caminho aqui apenas para estar comigo, e eu não posso te dizer o quanto eu te amo por isso. E eu quero saber o que aconteceu depois que eu saí, tanto quanto isso pode me matar. — A última parte foi murmurada, e eu não posso deixar de rir ao ver a expressão de nojo no rosto. — Mas podemos esperar até depois do funeral? — Absolutamente. — Eu só quero passar por isso. E eu quero aproveitar e ter você só para mim por um pouco mais antes de falar sobre qualquer outra coisa. — Isso soa como um plano. Agora, eu digo, plantando minhas mãos firmemente contra seu peito, — devemos nos levantar e preparar-nos para que possamos ir finalizar os planos para o funeral amanhã e encomendar algumas flores. Ele não se move quando eu o empurro, então eu me esquivo sob o corpo duro feito pedra. Eu viro para o lado da cama quando eu sinto uma mão forte em torno do meu tornozelo, me puxando para trás. — Nós podemos ir para lá em outra hora. Meus olhos se arregalam. — Sim, mas eu tenho que ficar pronta. — Eu vou ser rápido. Eu rio quando as mãos dele atacam o meu corpo, mas a minha risada rapidamente se transforma em um gemido quando sua boca junta-se ao assalto.

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Devin “Body In A Box”—City & Colour

A SALA ESTÁ CHEIA DE FILEIRAS DE CADEIRAS, cada uma delas vazia, exceto as duas que Katie e eu pegamos na primeira fila e uma ocupada por uma tia-avó que eu nunca tinha encontrado antes, que está sentada duas cadeiras para trás de nós. Ida está próxima de noventa se não cem por cento com isto, mas ela nos disse que ela tinha prometido a minha avó há muito tempo que se algo viesse a acontecer com a minha mãe, ela cuidaria de tudo e por isso aqui está ela. Mas ela não quer um elogio, e Deus sabe que eu não estava fazendo isso. Então aqui estamos nós, ouvindo o agente funerário fazer o seu melhor para dizer coisas agradáveis sobre a minha mãe como se a tivesse conhecido todos os anos. É provável que ele nem sequer sabia sobre minha mãe além do que minha tia-avó compartilhou com ele quando ela planejou o funeral. Esta é uma pequena cidade da Pensilvânia e todo mundo sabe os negócios de todo mundo, mas parece que minha mãe tornara-se bastante reclusa depois que eu saí, até mais do que quando a vi pela última vez. Katie e eu paramos na casa de mamãe, esta manhã para separar algumas coisas, e sua vizinha, Shelly, apareceu. Aparentemente, ela era a única amiga da mãe, embora eu aposto que ela era mais uma conhecida e só estava tentando ser agradável. Ela nos disse que a mãe deixou o emprego na Kroger há alguns anos atrás e estava sobrevivendo com os pagamentos da

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segurança social. De acordo com Shelly, foi ao mesmo tempo em que a mãe começou a fechar-se, lentamente se tornando uma ermitã. Shelly disse que ia verificar Mãe sempre que podia, principalmente para se certificar de que ela tinha comida e mantinha suas contas em dia, mas outras vezes para dar-lhe algum tipo de interação social. Doeu saber que esta mulher era a única pessoa que minha mãe falou por meses em um tempo. Ela também mencionou que nos últimos dois anos mais ou menos, a mãe tornou-se paranóica e delirante, muitas vezes alegando que pessoas estavam atrás dela. Shelly era doce, encolhendo-se em suas próprias palavras como se a fizesse doente ser a única a ter que me dizer tudo isso, mas eu a fiz continuar. Eu tinha que saber como foram os últimos dias de minha mãe. Ela passou a dizer-me que, muitas vezes, ela iria encontrar a minha mãe deitada em uma pilha de garrafas de bebidas vazias, e que algumas vezes ela realmente tinha que verificar para se certificar de que ela estava viva. Soa como Josephine, tudo bem. Agora, aqui está ela, olhando brilhante feito porcelana como uma escultura de cera de Madame Tussaud, as linhas de expressão ainda correndo grossas para baixo os cantos de sua boca. Tento desviar os olhos, mas eu não consigo parar de olhar para ela deitada imóvel no caixão com os dedos esguios cruzados juntos. Ela parece terrível. Mesmo após o trabalho o que o agente funerário colocou, eu quase não a reconheci. Eu não posso ajudar, mas acho que isto é o melhor. Katie deve reconhecer a minha luta interna porque ela leva minha mão na dela e puxa-a no colo, apertando com força. — Você está bem? — Ela sussurra em meu ouvido. Sem olhar para ela, eu aceno, continuando a analisar o estado atual da mãe. Eu vi muitos corpos para contar, todos em vários estágios de decomposição, mas nunca na minha vida vi isso. Eu só fui a um funeral não militar antes, da minha avó, e ela foi cremada e os que eu já assisti nunca tiveram um caixão aberto porque os corpos estavam em uma forma muito ruim. Josephine pode ter sido uma estranha para mim no final de sua vida, mas ela ainda era minha mãe, e tão distante quanto as boas memórias são,

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ainda tenho algumas. Então, vê-la assim, plástica e sem vida, traz tanta dor no meu coração que eu sinto que tenho que lutar para recuperar o fôlego. Eu não quero que Katie se preocupe, então o pouco de angústia que sinto neste momento é limpo do meu rosto. Ela teve que lidar com isso também e não muito tempo atrás, então eu vou ser amaldiçoado se eu a forçar a passar por isso novamente. Ninguém precisa arcar com esta carga, mas eu. Eu vou lidar com isso como faço com todo o resto. Vou deixar que os sentimentos e emoções tomassem posse por um dia, eu vou processá-los no meu próprio tempo, e então eu vou levá-los tão profundos que não posso ajudar, mas esquecê-los... Por um tempo, pelo menos. O agente funerário termina seu discurso e nos acolhe a dizer nossas despedidas finais. Minha tia-avó vai até o caixão em primeiro lugar. Ela toca na testa da minha mãe e em cada ombro, entregando a oração do Senhor antes de sair da sala. Katie olha para mim, mas no início eu não me movo. Eu sei que eu tenho que ir lá em cima, mas minhas pernas não estão respondendo ao que o meu cérebro está dizendo-lhes para fazer. É duro o suficiente ver o corpo de minha mãe a esta distância. O agente funerário pega na minha hesitação e se move por trás do pódio. — Vou deixar vocês sozinhos. Por favor, tome o seu tempo e apenas venha me avisar quando você tiver acabado, — diz ele em seu tom mais simpático antes de seguir Ida para fora da sala. Levanto sobre meus pés, mas não posso avançar ainda. Meu peito está queimando, o nó na garganta deixando-me saber que eu só posso perder-me se eu tomar um passo mais perto. Eu me viro para olhar para Katie. Ela está de pé ao meu lado, a mão pousada delicadamente nas minhas costas. Seu toque é tão reconfortante e eu não quero lhe pedir para sair, mas eu preciso neste momento ser particular. — Baby, eu posso fazer isso por mim? Eu só não posso... Ela descansa a mão no meu rosto, imediatamente me cortando. — Eu entendo completamente. Eu vou estar no lobby se precisar de mim. Ela puxa minha cabeça para a dela e beija meus lábios suavemente. Eu quase caio quando ela me libera, não querendo parar ainda. Ela atira-me o sorriso mais doce antes de fazer seu caminho para fora da sala.

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Meus olhos se movem dela para minha mãe, e eu tomo dois pequenos passos para frente. Eu não sei exatamente qual é o meu problema, mas quanto mais perto eu chego até ela, mais apertada a dor no meu estômago se torna. Eu tomo uma respiração profunda e esfrego os dedos contra a testa, então eu avanço lentamente até que eu estou de pé ao lado do caixão. Meus olhos ardem, o sinal de como as minhas emoções estão assumindo. No início, apenas algumas lágrimas, mas quanto mais tempo eu fico aqui, mais elas caem. Antes de tomar conhecimento, as lágrimas estão correndo pelo meu rosto, muitos delas revestindo as mãos de minha mãe e o vestido preto velho que costumava usar em ocasiões especiais. É de veludo e engole completamente o seu corpo frágil. — Eu odeio que você tirou essa reação de mim, — eu digo, limpando o meu rosto. — Eu odeio chorar mais lágrimas sobre você. — As palavras escorregam para fora antes que eu possa sequer processá-las. Eu sei que ela não pode me ouvir, mas isso não significa que eu não tenho nada para tirar do meu peito. — Você roubou uma enorme parte da minha vida de mim. Você deixou a sua própria dor e angústia afetar negativamente a mim. Você é a pessoa mais egoísta que já conheci. Então, porque eu ainda porra amo você? — As lágrimas caem ainda mais difíceis agora e eu caio de joelhos, descansando minha testa contra o lado do caixão. Eu estou tão irritado, e eu não posso dizer se isso é por causa da pessoa que ela era ou a mãe não foi. Ou talvez seja apenas porque eu nunca tive a chance de dizer adeus, nunca tive a chance de juntar os pedaços quebrados. Eu sei que foi culpa dela; não é como se ela tivesse feito uma tentativa também. Mas isso é quem ela era. Isso não significa que é como tinha que ser. É muito tarde agora, porém, e esse fato está muito claro quando eu choro como um bebê ante o corpo murcho da minha mãe. Quando eu finalmente me recomponho, eu subo para os meus pés e escovo as lágrimas do meu rosto. Tomando uma respiração longa, trêmula, eu chego a minha camisa e pego minhas etiquetas20, puxando-as para cima da minha cabeça. Eu removo uma das etiquetas e armo a outra com a corrente de volta ao redor do meu pescoço. 20

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Eu coloco a etiqueta entre as mãos frias, e no instante em que eu tocoa, as lágrimas rastejam de volta. Rapidamente, eu puxo as minhas mãos para trás e olho para os seus olhos fechados. Tudo que eu preciso fazer agora é dizer adeus. — Você me magoou mais do que ninguém jamais poderia. Você me fez desejar todos os dias uma vida diferente. Mas isso não muda a realidade. Você é o meu sangue, e não importa o que aconteceu no passado, nada pode mudar isso. Eu te amo, Josephine. — Eu me inclino e beijo sua testa. — Descanse em paz, mamãe.

Estamos cruzando abaixo a Avenida Old Hickory no carro alugado, e Katie não tem ideia para onde estamos indo. Mas eu... Eu só estou esperando que eles ainda estejam lá. Quando eu dirijo ao redor da curva e vejo a enorme propriedade que pertenceu a meus avós, eu estou imediatamente aliviado ao ver os cavalos selvagens que minha avó tanto amava. Katie avista as criaturas impressionantes, ao mesmo tempo em que eu faço, e o sorriso que ilumina seu rosto é quase a minha ruína. O funeral foi difícil e deixou minha mente uma bagunça desordenada, mas Katie torna tudo melhor. — Oh meu Deus! — Ela rola para baixo sua janela o mais rápido que pode. — Eles são tão bonitos! — Fechando os olhos, ela respira fundo. O ar aqui é diferente de qualquer lugar do mundo, e isso me leva de volta aos dias que passei com minha avó sobre esta propriedade, o único lugar que eu poderia esquecer o mundo exterior por apenas um tempo. Eu perdi isso. — Cheira incrível, não é? — Eu abro minha própria janela e deixo o cheiro de pinho e terra húmida verter para o veículo. É libertador estar aqui no meio do nada, ver, cheirar e ouvir apenas as coisas que são naturais a esta Terra. Traz meus sentimentos em relação a guerra e no Iraque em foco, e imediatamente me faz ansiar para sair completamente do exército. Se eu

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pudesse, e se meus homens não estivessem ainda lá, eu nunca mais voltaria a aquele buraco novamente. Katie repousa a mão no meu colo, o maior sorriso no rosto. — Isso realmente faz. Será que vamos vê-los? — Ela está tão animada que se não tivesse sido parte do meu plano para começar, ver os cavalos, sem dúvida, seria acrescentado à agenda. — Iremos em apenas alguns minutos, — eu digo com um sorriso maroto. — O que você está fazendo, soldado? — Deus, eu amo quando ela me chama assim, e ela sabe disso. — No devido tempo, Kit Kat, no devido tempo. — Eu puxo o carro alugado em uma pequena estrada de terra que leva para a floresta ao lado da propriedade. — Nós temos permissão para fazer isso? — A inocência de Katie é ridiculamente adorável. — Bem, eu não pedi permissão, mas vamos apenas dizer que eu estava aqui muito antes do que quaisquer umas dessas pessoas estavam. — Ela me olha com curiosidade, tentando o seu melhor para descobrir o que quero dizer, antes que ele se encaixe e sua boca caia aberta. — Meu Deus! — Eu não sei quem vive aqui agora, mas eu sei que... — Aponto assim que avisto o casarão à nossa direita que está situado no meio da terra vinte acres que minha família uma vez possuiu, — o meu avô construiu isso com suas próprias mãos. Ninguém vai me dizer que não podemos estar aqui. — Sim, senhor, — diz ela com a mão delicada em uma saudação terrivelmente executada. Eu penso sobre as perspetivas deste tipo de rotina durante o sexo, assim quando nos aproximamos de uma bifurcação na estrada. Vou ter que me lembrar disso. Eu tomo o caminho para a esquerda, que viaja mais para dentro da floresta. O outro caminho se projeta duramente para a direita e através de um portão em direção à fazenda. Estamos completamente cercados por árvores, e noto os olhos de Katie olhando para fora da janela.

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— É tão, tão bonito aqui fora. Eu simplesmente não posso acreditar. Quanto tempo seus avós viveram aqui? — Eu amo que mesmo que esta mulher sabe tanto sobre mim, provavelmente mais do que qualquer pessoa ela ainda quer saber mais. — Bem, o meu avô construiu depois de voltar da guerra em 45. Ele e minha avó viveram juntos aqui por quase 55 anos antes que ele tivesse um derrame. Então minha avó viveu aqui por cerca de mais três anos até a sua morte. — E ela não quis deixá-lo algo para sua família? Por que não você? — Ela pergunta, assim como nos aproximamos do local que eu estava procurando. É uma grande clareira na floresta, vazio de qualquer coisa, mas agulhas de pinheiro secas e galhos caídos. A estrada de terra continua abaixo da linha do muro setentrional da propriedade, e um riacho corre paralelo à estrada à nossa esquerda e profundamente na floresta, atuando como uma borda parcial para este ponto que eu vim a conhecer tão bem. A casa da fazenda está apenas uma mancha no horizonte do outro lado da cerca. Saio do carro e Katie me segue, quase tropeçando sobre si mesma enquanto ela olha, hipnotizada pelos mais ou menos vinte cavalos galopando através da terra cercada. — Além da minha mãe e eu, e eu acho que minha tia-avó Ida, minha avó não tinha qualquer família. — Eu estendo minha mão, oferecendo a Katie um assento bem no meio da clareira, então eu sigo o exemplo. — Ela com certeza como a merda não estava dando a minha mãe, e eu não tinha me juntado ao Exército ou qualquer coisa, então eu não acho que ela estava muito confiante do meu futuro nesse ponto. Ela acabou doando a terra, cavalos e casa para uma organização sem fins lucrativos. Eu não tenho ideia se eles apenas venderam a propriedade, ou se eles estão realmente a usando. Eu nem sei quem é o dono. Pensei em ir para cima e perguntar se estava tudo bem para nós estarmos aqui, mas eu não tenho tempo para foder ao redor, bem, não com alguém além de Katie, claro.

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— Será que você ou sua avó sempre os montavam? — A bondade em seus olhos faz a pequena distância entre nós quase insuportável. Eu chego mais perto dela e coloco meu braço em volta das suas costas. — Bem não. Minha avó realmente nunca acreditou em montá-los. Eles sempre foram meio selvagens e apenas vivendo na terra. — Eu lanço ao ar quando cito em torno de “viver na terra”, porque, na realidade, eles comiam melhor do que a nossa família fazia a maior parte do tempo. — Ela realmente apenas amava vê-los andar livremente. — Katie puxa os joelhos em direção a seu peito e cai o queixo sobre eles, seus olhos se movendo no ritmo com os cavalos. Ela se instala perto de mim, permitindo-me a envolvê-la completamente em meus braços. — Eu posso ver o porquê. Eu poderia sentar aqui para sempre. — Seu olhar está fixo nos cavalos e o meu está sobre ela. Eu poderia também, Katie. Eu poderia também. Embora, eventualmente. precisaríamos de... — Oh merda, eu quase esqueci, — Eu digo, subindo para os meus pés. Eu faço o meu caminho para o carro, abro-o e, agarro uma garrafa de vinho, dois copos, um abridor e um cobertor de piquenique. Levo-os para Katie e coloco-os para baixo. — Senhora, se puder levantar-se por favor, eu digo, brincando, segurando a minha mão para que eu possa ajudá-la. — Quero dizer, sério, que idiota iria deixá-la sentar-se na sujeira? Eu dou-lhe uma piscadela e um sorriso, e ela sorri de volta, levantando-se. — Obviamente, um homem não tão cavalheiresco como senhor, bom senhor. — Ela ri e recua alguns passos. Eu defino o cobertor no chão e avanço para abrir a garrafa de vinho, enchendo cada copo. Eu entrego a Katie dela e fecho a garrafa antes de me sentar para baixo com o meu copo. Eu levanto o meu copo de vinho para um brinde, mas eu não consigo pensar em nada apropriado para dizer. — Para nós? — Pergunto, e ela torce o nariz e balança a cabeça. Ela me dá um muito dramático polegar para baixo. — Não? Tão simples? Ok, que tal... para a minha mãe, que ela possa encontrar-se em um lugar melhor, e minha avó e avô por ter os meios para ver a beleza absoluta desta terra, e para nós, e os quatro dias inesperados que temos para passar juntos. Que tenham muitos mais a seguir. — Ela sorri, seus olhos cheios de lágrimas enquanto ela levanta seu copo, tilintando-o contra o meu.

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— Para Josephine, Hang e Arrie... E para nós. — Ela toma um pequeno gole e me olha como se eu fosse louco quando eu tomo a coisa toda. — Longo dia, — eu brinco, definindo o vidro para o lado e movendo-me em frente dela. Eu levo de volta o copo para baixo e coloco-o ao lado do meu. — Katie... — Sim? — Não é engraçado como você pode ter um milhão de coisas diferentes na ponta da língua, esperando para serem ditas, mas quando chega a hora de derramá-las, não há nada? — Eu encontro-me olhando para o cobertor e tentando o meu melhor para dar sentido a tudo o que acontece na minha cabeça. Katie coloca as duas mãos ao redor do meu pescoço e me puxa para baixo até que eu estou a polegadas do seu rosto. Eu posso sentir seu perfume, e meus olhos se fecham quando eu deixo o cheiro me consumir. Eu poderia sentar aqui, apenas como estamos, para sempre. — Você não tem que dizer uma palavra, Dev. Eu sei. — Mas eu quero. Quero dizer-lhe tudo. Eu quero que você saiba que, independentemente da distância ou tempo entre nós, vou fazer este trabalho, e vou fazer nossos últimos dez anos. Nós seremos tudo o que sempre sonhamos enquanto crescíamos. — Ela deixa escapar um suspiro profundo, e, neste momento, eu sei que ela está se sentindo da mesma maneira que eu estou. Ela precisa de mim tanto quanto eu preciso dela. Nós ficamos ali por horas, completamente perdidos um no outro, falando sobre o passado e fazendo amor como se não houvesse amanhã. Apenas Katie poderia fazer isso. Só ela tem a capacidade de tomar este dia horrível e virá-lo. Observando os cavalos graciosamente raiar em toda a terra sob o sol de verão fugaz, eu estou completamente em paz. Quando a sua cabeça repousa contra o meu peito e meu dedo traça percursos através de sua pele, eu percebo que estou bem onde estou destinado a ficar. Se eu pudesse segurar a este momento e nunca o deixar ir. Mas, infelizmente, a realidade sóbria que eu só tenho mais dois dias com ela persiste como uma ressaca.

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Katie “Armas”— Christina Perri

NOSSOS DOIS PRIMEIROS DIAS juntos voaram. O primeiro dia foi praticamente todo de viagens, mas lembrando de como a noite terminou coloca um grande sorriso no meu rosto. Ontem, naturalmente, foi o funeral, e depois passamos a tarde inteira assistindo os cavalos selvagens. Ele finalmente fez amor comigo ali mesmo no cobertor antes de me levar para jantar e, em seguida, passar o resto da noite adorando o meu corpo. E agora aqui estamos limpando a casa de Josephine. Não é exatamente do jeito que eu tinha planejado passar o terceiro dia, especialmente considerando que Devin vai embora amanhã, mas precisava ser feito. Temos limpado por horas, e Devin insiste que tudo o que não queremos será simplesmente jogado fora. — Você quer isso? — eu agarro uma velha luva de beisebol que eu só encontrei empurrada debaixo de uma cama de solteiro no quarto de hóspedes, que eu suponho que costumava ser de Devin. Eu reconheço esta luva. Meus pais compraram-no para Dev na sétima série e ele adorou. Sua mãe não podia pagar por qualquer uma ou não que ela gastaria o dinheiro de qualquer forma e ele estava muito orgulhoso de seus Rawlings negros. — Onde você encontrou isso? — Empurrando de joelhos, Devin engatinha até onde eu estou e ele leva a luva, sacudindo a poeira.

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— Estava debaixo da cama... lá no fundo. — Alcançando debaixo da cama de novo, eu encontro uma caixa de sapatos velhos e arrasto-o para fora. Devin suspira e desliza a mão no couro desgastado. — Eu olhei em toda parte por esta luva depois que me mudei para cá, mas eu não poderia encontrá-la. Minha mãe me dizia que ela iria aparecer, e então eu acho que ela ficou doente de tanto me ouvir perguntar porque ela finalmente me disse para superar isso. Apertando sua mão em um punho, ele bate-o na luva, um olhar melancólico passageiro sobre o rosto. — Ela disse que eu não jogava mais, por isso não tinha importância. Só que fazia, e eu provavelmente teria. O olhar em seu rosto me diz tudo o que preciso saber, como não se fizesse já sobre que tipo de mulher odiosa que Josephine era. Ele também me diz que precisamos de uma mudança de assunto... rápido. Limpando a garganta, eu levanto a tampa da caixa de sapatos. — O que você quer fazer essa noite? Eu pensei que talvez pudéssemos ir pegar algum jantar. — O jantar parece bom, — ele resmunga, deixando cair sua luva para o lado e chegando até a caixa de sapatos que acabei de abrir. Sua mão trava em algumas fotos e ele folheia-as uma por uma, seu sorriso crescendo cada vez que ele se move para a próxima. Inclinada para frente, eu espio as fotos. — Meu Deus. Dá-me isso! Puxo a de cima da sua mão, eu olho para a foto e eu estou instantaneamente tomada em uma viagem pela estrada da memória. — Que diabos eu estava pensando? Não realmente, o que diabos eu estava pensando? Eu sei que foi a década de 90 e tal, mas minha franja não poderia ficar maior se eu tentasse, e eu estava vestindo seriamente meias de néon listradas? — Você parecia quente. — Se por quente você quer dizer que eu parecia um sinal de néon piscando que gritava — olha para mim, eu amo New Kids On The Block, então sim, eu parecia quente. Devin ri e joga uma foto para mim. — Se lembra desta? — Pegando a foto desgastada, sou instantaneamente levada às lágrimas. É de nós dois, Devin e eu, e ele está sentado em um dos quatro por quatro do pai. Estou sentada atrás dele, os braços envolvidos em torno de seu estômago. Nós dois

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estamos cobertos de lama e rindo. Tínhamos quinze anos de idade, e é um momento no tempo que eu nunca vou esquecer. No dia que esta foto foi tirada foi o dia Devin me disse que me amava pela primeira vez. Na época, era apenas o amor de dois amigos, mas suas palavras significavam o mundo para mim, no entanto. — Você se lembra do que aconteceu, — eu pergunto, — logo antes de papai tirar esta? — Meus olhos derivam para cima e Devin está me observando, sorrindo. — Claro que eu faço. E você se lembra do que mais fizemos naquele dia? Um sorriso toca no canto da minha boca. Como eu poderia esquecer? — Ele ainda está lá, eu digo, deixando a lavagem de memória em cima de mim. — As coisas estavam melhores com a sua mãe esta manhã? Pergunto, jogando uma pedra no riacho. Devin encolhe os ombros, os olhos treinados em algum objeto desconhecido na distância. Imagino que a luta com sua mãe na noite passada ainda deve estar pesando fortemente em sua mente. — Podemos falar sobre isso um pouco mais, se quiser. — Não, eu já falei tudo, e você ouviu o suficiente da minha merda. Se ele soubesse o quanto eu adorava ser a única que ele procurava. É uma coisa boa que ele não faz, porque pode assustá-lo. Mas é verdade. Eu quero ser o que ele procura quando ele está tendo um mau dia e quando algo emocionante acontece. Infelizmente, este último não ocorre muito frequentemente. — Obrigado, — ele sussurra, olhando na minha direção. — Você não tem que me agradecer. — Eu quero. — Ele suspira, passando a mão sobre o rosto. — Você está aqui para mim quando eu preciso de você, e eu não quero que você pense que eu tomo de ânimo leve. Eu balancei minha cabeça. — Eu não acho isso. Você é meu melhor amigo, Dev, e eu te amo.

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— Eu também te amo, Katie. — Sua voz é suave, e quando ele diz as palavras, um rubor arrasta-se até o pescoço. Meu corpo inteiro congela, e eu sou completamente incapaz de fazer nada, mas olhar para ele. — Por que você está me olhando assim? Eu não respondo porque eu ainda estou em choque. Ele me ama… — Diga alguma coisa, Kit Kat. Eu pisco várias vezes antes que eu seja capaz de formar palavras. — Eu sei, — eu digo. Eu amo a maneira como seus olhos se arregalam. — Você sabe? — Sim, — eu disse, rindo. — Eu sei que você me ama. E-Eu só acho que você nunca realmente disse isso. — Bem, ele diz, cutucando o meu ombro com o seu. — Agora eu já disse isso. — Agora você disse. Eu aceno, desviando o olhar com um sorriso. Eu só queria que ele me amasse do jeito que eu o amo. — Quer torná-lo permanente? — Ele pergunta. Saltando para seus pés, ele estende a mão. Eu olho para a oferta por apenas um segundo antes de deslizar minha mão na sua. Ele me puxa para os meus pés e eu escovo minha bunda. — Eu não tenho certeza se entendi. — A árvore, — diz ele, apontando para o velho carvalho sentado a poucos passos do banco. — O que sobre ela? — Pergunto, seguindo-o quando ele caminha em direção a ela. — Vamos esculpir os nossos nomes na árvore. Meus lábios beliscam juntos e sobrancelhas amassam quando eu olho para os outros conjuntos de iniciais esculpidas na casca. Ambos os meus avós e iniciais dos meus pais estão lá, e algo sobre esculpir o nosso não parece certo. — Mas nós não somos casados, — eu digo. — Você não é mesmo o meu namorado. Devin ri e puxa um canivete de seus jeans. — Não importa, — diz ele, balançando a cabeça. — Você e eu, somos para sempre. Não importa se estamos casados ou não. Você é minha melhor amiga, Katie. Você poderia

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crescer e se casar com algum filho da puta rico como Wyatt e eu poderia casar com uma criança mimada como Marybeth, mas isso não mudaria o que sinto por você. Você sempre vai ser uma parte de mim, e nada no mundo vai mudar isso. Suas palavras fazem duas coisas. Em primeiro lugar, elas fazem o meu coração derreter. Em segundo lugar, eles fazem a escultura de nossas iniciais um som muito mais atraente. Que é uma coisa boa, porque, sem me dar uma chance de responder, Devin empurra a ponta da faca na árvore e esculpe nossas iniciais. DC + KD = PARA SEMPRE —Katie? — Devin cutuca minha perna e eu olho para cima. — Hã? — Você me deixou por um segundo, — diz ele, as sobrancelhas mergulhando baixo. — Você está bem? Eu sorrio, mas não é um sorriso radiante. É um gentil que diz apenas o quanto eu adoro ele. — Sim. Estou ótima. — E pela primeira vez em meses, eu quero dizer isso. Eu estou maravilhosa, e é graças a este homem bonito. — Você não respondeu minha pergunta, — diz ele, com um olhar nervoso em seu rosto. — Bem, isso é porque eu zoneei para fora e não ouvio. Repita, por favor. Os ombros de Devin sobem e caem em uma respiração profunda e ele esfrega as mãos ao longo de seus jeans. — O nome de Wyatt está esculpido na árvore? — Seus olhos viram para longe como se ele não pode ver-me darlhe a resposta, então eu fujo mais perto, até que nossos joelhos estão se tocando. Dane-se. Rastejando em seu colo, eu envolvo as minhas pernas em cada lado de seus quadris. Devin olha para cima, lindos olhos verdes tão grandes como eles podem ser, quando a minha boca desce sobre a dele. — Não. — Eu escovo meus lábios nos dele, beliscando a parte inferior de brincadeira antes de mergulhar minha língua em sua boca. Ele abre de boa vontade, e o beijo vai de zero a sessenta em menos de um segundo. Em seguida, uma voz pequena na parte de trás da minha cabeça realmente em pânico começa a gritar que agora é o momento perfeito para a conversa que ainda precisamos ter.

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Relutantemente, eu puxo para trás. Os olhos de Devin estão encapuzados, suas pálpebras sacodem-se várias vezes diante de seus olhos antes de se centrar em mim. — Seu nome não está na árvore, porque ele não é meu para sempre. — Empurro minhas mãos na frente de sua camisa, eu o puxo para frente até que estamos cara a cara, a nossa respiração misturada. — Você é meu para sempre, Devin. E tanto quanto eu odiava admiti-lo depois que você saiu, eu sabia que eu nunca iria esculpir iniciais de outro homem naquela árvore. O sorriso de resposta de Devin me deixa completamente cega, e eu não posso ajudar, mas pergunto quantas vezes ele foi capaz de soltar um conjunto de calcinha apenas por piscar seu sorriso de bad boy para uma mulher. Eu tremo só de pensar, e depois faço uma nota mental para perguntar sobre as ex-namoradas. Mãos fortes e quentes envolvem sobre meus quadris. — Diga-me sobre ele... sobre o que aconteceu depois que eu saí. — Seu rosto parece com dor quando ele diz as palavras e sei que esta é a parte que ele está temendo, então eu decido aqui e agora para torná-lo tão indolor e verdadeiro quanto eu posso. — Não há muito para dizer, — eu digo com um encolher de ombros. — Você me deixou e meu coração estava quebrado. Eu fui um zumbi andando através de todo o meu último ano, olhando para você em todos os lugares que eu ia, convencida de que um dia você iria aparecer novamente. Toda vez que o telefone tocou, eu quase pulava para fora da minha pele, e eu dirigi passando pela sua casa tantas vezes que eu acho que as pessoas que se mudaram pensavam que eu estava os perseguindo. Devin tem um olhar envergonhado no rosto, e seus olhos passam para o lado antes de encontrar os meus novamente. Com meus braços em volta de seu pescoço eu desenho círculos com os dedos na parte inferior de seus cabelos. — De qualquer forma, eu finalmente percebi que não estava voltando e eu fiz a única coisa que eu poderia fazer... eu segui em frente. — As mãos de Devin ficam em punhos em meus quadris. Eu trago meus lábios nas bochechas dele salpicando beijos e em seu pescoço, um lembrete de que eu estou aqui e estamos juntos. Porque isso é tudo que importa.

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— Eu comecei a escola de enfermagem, me reuni com Maggie, e, finalmente, comecei a viver minha vida novamente. Não foi até um par de anos mais tarde que Wyatt finalmente me pediu para sair, e eu não tinha nenhuma razão para dizer não. Eu dou de ombros. — Ele ainda era um dos meus melhores amigos, e ele me conhecia melhor do que quase qualquer outra pessoa. Ele tinha sido completamente leal a mim desde o jardim de infância, e eu não tinha saído com uma única pessoa desde que você partiu. Devin olha para a direita, e eu seguro sua bochecha na minha mão e trago seus olhos para os meus. — Ele era seguro, — eu sussurro, tentando que Devin compreenda o significado por trás de minhas palavras. — Eu sabia que ele não iria me machucar, e no momento, isso era o que eu precisava. Eu nunca o amei do jeito que eu te amo. Você acredita, certo? — Eu pergunto, mergulhando a cabeça para dar uma olhada melhor em seus olhos. Atingindo-me, Devin corre um polegar ao longo do meu lábio inferior. Eu tenho que lutar contra a vontade de beliscar ele, porque o peso do momento é muito forte e ele está rodando com muita emoção agora. Seu rosto suaviza e seus olhos saltam ao redor do meu rosto como se ele estivesse me vendo de novo pela primeira vez. — Eu acredito em você. — Seus olhos se fecham como nossas bocas trabalham juntas, meus lábios se movem contra o seu. Esse beijo é completamente diferente de qualquer um antes. Nossas mãos estão explorando e nossas línguas estão dançando em vez de duelar pelo poder. É como se nós estivéssemos dizendo adeus a toda a culpa e remorso, deixando ir o passado, de uma vez por todas. — Eu te amo, — eu digo, rindo quando ele suga meu lábio inferior em sua boca, distorcendo minhas palavras. — Eu também te amo, baby. — Agora, — eu digo, tomando uma respiração profunda. — Quer me contar sobre suas ex-namoradas? Tem de haver algumas. — Devin puxa para trás com um clássico olhar você-está-fumando-crack em seu rosto. — Ok, — eu falo lentamente. — Vou tomar isso como um não. — Eu mudo para me mover para fora de seu colo, porque, bem... não é justo para mim contar tudo e ele não fazer o mesmo. Uma grande mão se instala baixo nas minhas costas, segurando-me a ele, a outra envolvi ao redor do meu pescoço.

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— Primeiro de tudo, você não vai a lugar nenhum, senhorita Devora, — diz ele, acariciando o lado do meu pescoço. — Em segundo lugar, não há muito para contar. — Empurrando o peito, eu separo-me dele apenas o suficiente para que eu possa olhar em seus olhos, que estão dançando com partes iguais de diversões e adoração. Minhas pernas ficam moles e eu relaxo contra ele. — Diga-me de qualquer maneira. — Bem, nós nos mudamos para a Pensilvânia e eu estava além de chateado. Por mim, por minha mãe, o seu pai... — Ele balança a cabeça como se ele estivesse envergonhado... E minha vida só ficou fora de controle depois disso. Eu tenho vergonha de admitir que a minha fase de bebidas piorou, eu experimentei drogas, e em algum lugar, eu tomei a decisão de tentar ir para uma faculdade comunitária. Bem, isso foi um erro terrível, porque a minha cabeça não estava lá. Eu ainda estava com raiva, mesmo depois de um par de anos, e então eu me envolvi em um acidente e eu decidi que era hora de limpar meu ato. — Então você entrou para o Exército. Eu sei disso. Mas o que aconteceu com as namoradas? — Meu coração tem estado batendo, esperando por ele para me dizer que ele caiu no amor com a mulher sem nome que eu vi na foto, e cada segundo que passa me deixa um pouco mais louca. — Conte-me sobre elas. — Houve apenas uma. Ela não era ninguém. Apenas uma garota que conheci na faculdade. Nos demos muito bem e ela amava festa... Era um ganha-ganha para todos. — Você a amava? — Não, — diz ele, beijando-me suavemente na boca. — Eu só amei uma menina na minha vida. Eu só disse essas três palavras para uma pessoa, e essa é você. Tem sido sempre você, e sempre vai ser você, Katie. — Você promete? — Pergunto, odiando o quão vulnerável eu soo, mas porra, eu sou vulnerável. Ele é dono de cada parte de mim, coração e alma, e se ele me deixar de novo, eu sei que não vou sobreviver a mágoa. — Katie, — a voz de Devin suaviza, as mãos fazendo o seu caminho até o meu corpo até que eles estão envolvidos em torno minhas bochechas. — Eu juro que eu não vou a lugar nenhum. Eu sou seu, se você me quiser ou

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não. Eu dei-lhe o meu coração, e mesmo se você não quiser, você não pode devolvê-lo porque ele pertence a você. Eu sei o que eu tenho o que temos. É especial. É uma vez na vida. É uma espécie felizes para sempre do amor. E eu posso ser um idiota, mas eu aprendo com meus erros e eu não cometo os mesmos duas vezes. Deixar você ir foi um desses erros. Suas palavras se infiltram na minha pele e enrolam em volta da minha alma. Eu fecho meus olhos, saboreando o momento. — Podemos ir para casa? — pergunto, odiando que, “casa” quero dizer o hotel, porque agora eu preferia tê-lo na minha cama. — Eu só quero estar com você. Quero fazer amor com você uma e outra vez. — Nós temos um monte de anos para compensar, isso é certo, — diz ele, sorrindo enquanto ele consegue se empurrar de pé comigo ainda em seus braços. — Dez, para ser exato. — Eu rio quando ele cheira minha bunda de brincadeira. — Cerca de trinta e sete mil dias... Para mais ou para menos. — Devin rosna, um ronco baixo fazendo com que seu peito vibre, e o som provoca arrepios correndo pela minha espinha. — Isso é uma tonelada de sexo. Você está pronto para o desafio, sargento Clay? — Oh, doce Katie. Você não tem ideia que tipo de desafios que eu estou por dentro. — Hmmm, — Eu ronrono, beijando o lado de seu pescoço enquanto ele anda pela casa e pela porta da frente. — Isso poderia ficar interessante. Com uma velocidade que eu não sabia que ele era capaz, Devin abre a porta do nosso carro alugado, me deposita no banco e depois corre para o seu lado do carro. Em questão de segundos, nós estamos voando abaixo da estrada. Suas mãos estão agarradas firmemente em torno do volante, e eu vejo os músculos de suas coxas se contorcerem sob seu jeans quando ele muda de marcha. É foda sexy como o inferno, e de repente eu não posso esperar para chegar ao hotel, eu preciso tocá-lo agora. Virando no meu lugar, eu chego do outro lado da alavanca de câmbio. Devin me dá um olhar curioso. — O que você está fazendo? — Nada. — Eu dou de ombros, deslizando minha mão em seus jeans. Eu encontro sua ereção em rocha sólida e latejante, e quando eu aperto meus dedos em torno dele, seu pênis pula na minha mão.

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— Katie. — Sua voz é baixa, crua e possui uma enorme quantidade de aviso. — Estamos quase no hotel, baby. Dê-me mais um par de minutos. — Eu lhe dei tempo suficiente, Dev. — Ele olha para mim e eu não posso ajudar, mas sorrio. Ele é tão maldito lindo, não é mesmo justo. Sua mandíbula forte, aquela porra de covinha... aqueles olhos. É muito. Ele deveria ser preso por ser malditamente belo. — Bem, então é melhor você dirigir rápido, — eu digo, baixando os olhos dos seus enquanto eu me abaixo no banco. — Porque em cerca de dez segundos, você vai estar enterrado no fundo da minha boca. — Ele geme, seus músculos do estômago contraem-se sob o peso de meus lábios contra o seu umbigo. — E uma vez que eu começar, eu não vou parar. — Espere. — Sua voz é profunda e rouca, e parece que ele está fazendo tudo que pode para se manter junto. É uma coisa muito boa que eu fui sem calcinha esta manhã ou ela estaria encharcada. Suas pernas se movem debaixo de mim quando ele muda de marcha, e eu empurro meu corpo à medida que me impulsiono para frente. Eu estou soltando o botão da calça jeans, eu deslizo o zíper para baixo e puxo seu pênis a partir dos limites de sua cueca. — Eu sugiro que você dê o seu próprio conselho, soldado. — Envolvendo minha boca em torno da cabeça de seu pau, eu o levo profundamente em minha boca, cercando-o, tanto quanto a minha boca vai permitir. — Filho da puta. — A mão de Devin está em punho no meu cabelo, e eu acho que é seguro dizer que ele não está fazendo um bom trabalho de se manter junto agora. Porque quando eu deslizo minha língua ao longo do lado de baixo de seu eixo e chupo duro, uma série de palavrões voam a partir de sua boca. — Katie. Porra. Eu não vou... — Suas palavras trilha fora quando eu chupo ainda mais difícil, bombeando-o mais e mais. Seus quadris pulam e eu sinto o momento exato em que eu o dirijo até a borda. Seu corpo treme, empurra, e depois fica completamente rígido. Eu engulo, montando o seu orgasmo, antes de liberá-lo com um pop molhado. Eu olho para cima em Devin enquanto eu coloco-o em seus jeans. Ele olho saciado e feliz. Ele deve sentir-me a observá-lo, porque ele olha para

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baixo. Minha cabeça está embalada em seu colo e ele me dá um sorriso diabólico. — Sua vez. — O carro chicoteia para a esquerda e ele joga no estacionamento. Antes que eu possa piscar, eu estou de cabeça para baixo, pendurada pelo ombro e ele está andando em um ritmo rápido para o que eu assumo seja o hotel, considerando tudo o que eu posso ver é a sua bunda. Sua grande mão desliza para cima na parte de trás da minha coxa e depois desaparece antes de bater duro contra a minha bunda. — Eu espero que você esteja pronta, porque eu vou passar a noite inteira fazendo você pagar por isso. Você vai gozar uma e outra vez até que você esteja me pedindo para parar. — Será que vou gritar seu nome? — Pergunto brincando. — Oh, querida. Você não tem ideia do que está por vir. De volta para nós, baby!

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Katie “Between The Raindrops”—Lifehouse ft. Natasha Bedingfield

UMA MÃO QUENTE SE ESTABELECE baixo nas minhas costas, e eu gemo quando ele começa a amassar os meus músculos doloridos. Devin estava certo; Eu não tinha ideia do que estava por vir. Como o homem dominou meu corpo ontem à noite e bem na parte da manhã, e agora estou pagando o preço. — Você está ferida? pergunta ele, seus dedos fazendo o seu caminho para o ponto exato que ele reivindicou... várias vezes. — Mmmm... Talvez um pouco. Ele balança a cabeça e beija meu ombro nu. Seus dedos estão roçando a minha volta, e o leve toque provoca arrepios se espalhando por toda a minha pele. — Eu amo que meu toque pode fazer isso para você. — Confie em mim, soldado, seu toque faz muito mais do que me dá arrepios, murmuro, meu rosto ainda enterrado no travesseiro. Devin ri, e eu faço o meu melhor para memorizar o som porque eu não vou ouvi-lo por várias semanas. — Devemos levantar, ele sussurra. — Não. Eu não quero me levantar. — Fizemos amor até as primeiras horas da manhã e, em seguida, caímos no sono antes de acordar para um café da manhã tardio. Então fizemos amor novamente, voltamos a dormir, e agora aqui estamos nós. Eu tenho músculos doloridos que eu nem sabia que

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existia, e eu estou bastante certa de que eu tive mais orgasmos nos últimos quatro dias do que eu tive nos últimos quatro anos combinados. — Adoro ver você assim, diz ele, com as mãos vagando pelo meu corpo nu. — Como o quê? Minha maquiagem está um desastre, e eu tenho cabelo de sexo. — Não fale sobre a minha mulher assim. — Ele aperta minha bunda de brincadeira e eu me contorço ao lado dele, rolando em seus braços. — Oi. — Bom dia, linda. — Dev beija o topo do meu nariz. — Você é linda, e este olhar saciado em seu rosto é algo que eu poderia me acostumar. Eu afago tão perto quanto eu posso obter e emaranho uma das minhas pernas com as dele. — Falando de tempo para se acostumar... o que vamos fazer quando você tiver terminado? Você disse que você só tem cerca de mais seis semanas ou algo assim, certo? Você vai voltar para casa, ou... — Katie, — diz ele, me cortando. — Você é a minha casa. Estou voltando para casa para você. Onde você estiver, é onde eu vou estar. Meu coração faz um trezentos e sessenta dentro do meu peito. Se eu já não estivesse de cabeça sobre os saltos no amor com Devin, eu estaria após essas palavras. — Isso soa perfeito. — Você é perfeita, — diz ele. — Isto aqui, estar com você de novo, e segurando você... é perfeito. Eu não quero sair. Droga. Eu estava realmente tentando ir o maior tempo possível sem mencionar a saída de Devin, mas agora que ele está fora, eu não consigo parar as lágrimas de borrar minha visão. — Eu não quero que você saia também. Devin beija minha bochecha, e então ele arrasta a boca para a dele. — Não ficaremos muito mais tempo longe, diz ele, os lábios roçando os meus. — Então eu vou estar em casa, e podemos começar nossas vidas juntos. — Isso soa bem, eu digo, odiando o jeito que meu coração está tentando saltar do meu peito. O simples pensamento de ele ter ido me faz querer rastejar para fora da minha pele. A boca de Devin pousa na minha e eu abro-me imediatamente até ele. Nós caímos em um beijo viciante, uma nova dança que foi aperfeiçoada nos

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últimos dias, e o pensamento de não fazê-lo novamente esta noite ou amanhã faz meu estômago revirar. As lágrimas que estavam borrando minha visão, finalmente, libertam-se. O polegar de Devin se lança, enxugando as poucas lágrimas que ele pode pegar. — Não chore. Por favor, não chore. — Eu não posso ajudá-lo. Eu fungo, enterrando meu nariz em seu peito. — Eu não quero que você vá. Eu só tenho você de volta. Do nada, minha mente voa para os e "se" que eu tenho tentado tão difícil não pensar. Pânico arrasta-se em minha garganta e eu puxo para trás, os olhos pousando em Devin. As palavras estão na ponta da minha língua, mas eu não posso levá-las a sair. Posso dizer-lhe que isso me assusta? Que o pensamento de algo acontecer a ele me faz querer ir porra louca? — Não. — A voz de Devin é baixa e firme, o completo oposto de seus olhos, que estão nadando com amor. — Não vá lá, Katie. Por favor, não vá lá. — Não ir para onde? — Minha voz é aguada e muito instável. Eu tiro as lágrimas escorrendo pelo meu rosto e eu puxo uma respiração profunda. — Está escrito na sua cara, baby, — diz ele, enfiando a mão pelo meu cabelo. — E confie em mim, eu entendo. O desconhecido é assustador, e não há garantias onde a guerra está em causa, mas se há uma coisa que você precisa saber uma coisa que eu quero que você leve com você é que eu vou lutar como o inferno para torná-lo de volta para você. Os olhos de Devin se enchem de lágrimas. — Eu estou voltando para você, Katie. Eu ofereço-lhe um sorriso trêmulo; que não é muito, mas é o melhor que posso fazer. — Prometa-me, eu sussurro. — Prometa-me que vai fazer o que tem que fazer para voltar para mim. Os olhos de Devin saltam entre os meus como se ele não pode decidir exatamente como responder. Eu sei que estou pedindo muito, mas eu estou desesperada, e agora eu preciso de suas palavras. — Baby. — Sentando-se, Devin me puxa para o seu colo. O lençol cai em torno da minha cintura, deixando meu corpo tão nu e vulnerável como o meu coração, mas os olhos de Devin não se afastam dos meus. Ele embala meu pescoço entre as palmas das mãos quentes, seus polegares executando um caminho suave ao longo das minhas bochechas. — Eu deixei você para baixo uma vez, e eu prometo que não vou deixar você para baixo novamente.

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— Diga-me que você me ama, — Eu imploro, envolvendo minhas mãos em volta do seu pescoço, imitando seu poder sobre mim. Estamos frente a frente, a nossa respiração misturada, e este momento é tão incrivelmente perfeito, eu não quero que isso acabe. — Eu amo você. — Com os olhos presos nos meus, Devin me beija suavemente. — Quero você por todos os dias para o resto da minha vida. Ele beija meu nariz, seguido de cada pálpebra. — Eu quero casar com você e ter filhos com você. Seus lábios trilham para minha orelha. — Quero fazer amor com você a cada noite e acordar para o seu belo rosto todas as manhãs. Enxugando mais das minhas lágrimas, Devin sorri para mim, e é esse sorriso combinado com estas palavras que me trazem paz. — Eu quero envelhecer com você, Katie. Eu quero para sempre. — Você significa o mundo para mim, Dev. — Eu largo a minha testa na dele e deslizo minhas mãos para a parte de trás do seu pescoço. — Eu quero tudo isso. O que você acabou de dizer... Esse é o meu sonho. — Não vai ser um sonho por muito tempo, porque em seis semanas, eu estou voltando para casa e vamos começar a construir esse sonho... Juntos. O impulso para começar a construir esse sonho agora é tão extremamente forte, e sabendo que ele está me deixando, apenas leva para casa a realidade de que vai ser uma droga por muito tempo até eu chegar a estar envolta de seus braços novamente. — Faça amor comigo, — eu sussurro. Devin rosna e bate a boca com a minha, ao mesmo tempo em que o alarme dispara. Nós não o configuramos para nos acordar; nós o configuramos para nos lembrar de quando Devin necessita para ir a tempo de fazer seu vôo. Eu odeio essa porra de alarme. Atingindo em torno de mim, Devin bate o alarme, efetivamente desligando-o. — Não vá, — eu peço, meus nervos assumindo. — Eu preciso que você faça amor comigo mais uma vez. Apressadamente, eu puxo o lençol de nós e coloco minhas pernas em volta de sua cintura. Minhas mãos vagueiam cada polegada de seu corpo, porque de repente eu preciso de uma última chance para memorizar tudo sobre isso para que quando eu estiver em casa por mim e estiver sentindo falta dele, eu possa puxar as memórias para fora e me afogar nelas.

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— Devagar, Katie. — Devin envolve suas mãos em torno de meus pulsos, em seguida, puxa-os para o seu rosto e beija-os. — Temos tempo, baby. Eu vou fazer amor com você, e então eu vou me dirigir para o aeroporto... O que? Ele é louco? De jeito nenhum. — Não. Eu balanço minha cabeça, sobrancelhas franzidas. Será que ele não quer gastar tanto tempo comigo quanto ele pode? Que ele não me quer lá bem antes que ele embarque no avião? — Eu quero ir com você. — Não, — diz ele, gentilmente me cutucando à minha volta. Sua grande estrutura paira acima de mim. — Eu vou te mostrar o quanto você significa para mim, e então eu vou deixá-la aqui nesta cama, saciada e feliz. Essa é a memória de você que eu quero, quando eu voltar para o Iraque. Eu não quero ver você chorando no aeroporto. Eu quero vê-la deitada aqui nessa cama, seu cabelo espalhado pelo travesseiro com este pequeno sorriso sexy em seus lábios. Porque você faz, diz ele, beijando meus lábios, — você obtém esse sorriso em seu rosto, e isso me faz sentir porra fantástico. Faz-me sentir como, se pela primeira vez na minha vida, eu fiz a coisa certa. E eu preciso sentir isso quando eu sair daqui. Bem, filho de uma mãe, como é que eu vou discutir com isso? Meu coração incha e eu deixo meus joelhos caírem, permitindo que Devin se estabeleça entre as minhas pernas. — Portanto, este será nosso adeus? Aqui mesmo na cama, em vez de no aeroporto? — Nós não estamos dizendo adeus, Katie. Este não é um adeus. É uma promessa... lembre-se do sonho que acabamos de falar? Concordo com a cabeça, sentindo ele posicionar-se na minha entrada. — Esta é uma promessa que você vai estar esperando por mim quando eu chegar em casa ... Uma promessa que nós vamos fazer esses sonhos realidade. — Será que precisamos agitar ele? Eu pergunto, finalmente ganhando força para sorrir. — Oh baby, vamos fazer mais do que agitar ele. E com essas palavras, Devin empurra dentro de mim. Casa.

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Devin “Tiger Lily”—Matchbook Romance

A DOR OCA NO MEU ESTÔMAGO é algo que eu não desejaria ao meu pior inimigo. JFK está inundado com multidões de outros passageiros que andam pelo banco que eu reivindiquei como meu, mas eu não presto atenção a eles. Eu não vejo meus companheiros de bar, porque, neste momento, agora, eu só preciso esquecer. Eu tomo dois tiros de Jameson e corri atrás com um tiro de suco de laranja. Não querendo ser visto bebendo de uniforme, eu deslizo os copos de tiro, tanto para baixo do balcão que eu posso. Eu não gosto de desrespeitar o uniforme e em qualquer outro momento eu seria mais forte do que isto, mas deixar Katie foi insuportável. Não há nada certo sobre como eu estou sentindo agora, e definitivamente não há nada certo sobre deixá-la novamente. De todas as coisas de merda que eu experimentei em todos os anos da minha vida, isso-isso aqui-leva o prêmio. Este tipo de dor fica com você; isto fode suas entranhas abertas. Eu aceno dois dedos em direção ao garçom e ela acena com a cabeça em reconhecimento. Ela prepara mais dois tiros de Jameson e os coloca diante de mim, junto com o tiro necessário de suco de laranja. Eu olho em minha volta, certificando-me de que ninguém está olhando, e depois viro para baixo todos os três sucessivamente antes de mais uma vez deslizá-los para baixo do balcão. Eu me sinto como um idiota por beber esses sentimentos a distância, mas o formigamento quente, que o Jameson cria

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ondula através do meu corpo, logo abaixo da pele, e adormece a dor um pouco. Eu quero chamá-la novamente. Eu preciso de sua voz suave para ajudar a aliviar essa dor no centro do peito, para me ajudar a esquecer para onde estou indo. Mas eu tenho que permanecer forte. Estes sentimentos não podem tirar o melhor de mim fazendo o meu trabalho, voltando aos meus homens e certificando-me que todos eles voltem para casa. Mas eu não posso ajudar, mas pergunto como diabos eu vou fazer isso quando eu estou deixando a melhor parte de mim de volta com Katie. Como vou fazer isso quando uma concha de um homem retorna a Bagdá? Inclinando meu pulso, eu olho para o meu relógio, que está muito mais difícil de ler agora do que quando entrei pela primeira vez no bar. Vinte minutos até a decolagem. Vinte minutos e eu estou muito mais perto de um mundo completamente oposto ao presente. A dura realidade puxa o ar dos meus pulmões e senta-se pesado na minha garganta. Eu estou engasgado com a verdade. Eu ordeno para baixo mais dois tiros, pago minha conta, e depois faço o meu caminho até a porta, meus olhos contando os azulejos no chão conforme eu vou. Foda de realidade.

Até o momento em que cheguei a Alemanha, eu tinha chegado bêbado, sóbrio e me embebedado de novo, gastando mais dinheiro do que eu gostaria de admitir e dormindo desconfortavelmente perto de meus companheiros de voos. Eu fui indiscreto com eles contando em pleno voo sobre Katie, nossos dez anos de intervalo, e os nossos quatro belos dias juntos. Em algum lugar sobre o Atlântico, vários deles me compraram tiros, o que contribuiu grandemente para o meu nível absurdo de intoxicação. Algumas das mulheres escutam com divertimentos em seus olhos, e eu acho que em certo ponto eu também.

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Quando eu embarco no avião para o Kuwait, já não estou bêbado, mas agora tenho uma dor aguda, perfurando minha testa, olhos, e na base do meu crânio. O pulsar quase me cega e faz com que as luzes da cabine pareçam como lâmpadas de halogênio queimando buracos através de minhas retinas. Vários dos outros companheiros uniformizados cambaleiam no voo olhando da mesma forma que eu faço, um morto-vivo balançando o caminho de volta para o inferno. Eu quero chorar tão mal, mas eu estive lutando contra as lágrimas da melhor forma possível. Porque tanto quanto eu tento forçar a minha mente para fazer essa transição de volta ao soldado, eu não posso lutar contra a verdade. Eu preciso estar em casa, e Katie é a minha casa. Enquanto as luzes na cabine apagam e o avião ronca preparando-se para a decolagem, eu penso sobre o nosso último telefonema apenas momentos antes do embarque. — Devin? Quero falar, mas eu não acho que posso. Estou a um momento de voltar para uma zona de guerra, e tudo o que eu quero fazer é estar de volta ao seu lado, para continuar a viagem surpreendente que nós reiniciamos. A linha fica em silêncio, e cada vez que eu tento obter uma palavra para fora, o latejar na base do meu pescoço assume, as lágrimas querendo tanto a derramar dos meus olhos. — Devin, baby, eu sei que você está aí. Diga alguma coisa, por favor... você está na Alemanha? — Katie... — Eu coaxo, minha voz cortando involuntariamente. — Oh, Devin. — Eu posso ouvir sua voz quebrar sobre a linha e ela funga. Sinto minhas lágrimas rolarem pela minha bochecha e rapidamente enxugo-as enquanto eu me escondo na cabine para que ninguém possa ver. Este terminal está cheio de outros companheiros militares que se dirigem de volta para o mesmo lugar que eu estou, e eu me recuso a mostrar fraqueza em torno deles, embora a fraqueza seja a única coisa que eu sinto agora. — Sim, um... — Eu limpo minha garganta. — Eu estou a poucos minutos de sair. — Engolindo em seco, eu fecho os olhos e imagino Katie estando bem ao meu lado, com os braços ao redor da parte inferior das minhas costas e os

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meus sobre os seus ombros. Ela me conforta com as suas palavras, balançando comigo, para trás e para frente. — Baby, eu sinto sua falta pra caralho. — Minha voz racha na última palavra, e eu largo minha cabeça entre os ombros. — Deus, eu sinto sua falta também, Devin. Eu sinto muito sua falta. — Eu posso dizer que ela está chorando mais difícil agora, e tanto quanto eu preciso dela para parar, para o bem da minha sanidade, há algo terrivelmente comovente sobre saber que ela sente falta de mim tanto quanto eu sinto falta dela. — Katie, baby, eu só quero dizer que não importa o que aconteça durante o resto do meu tempo lá, meus quatro dias com você foram os melhores da minha vida. Eu não mudaria um segundo de nosso tempo juntos. Eu posso ouvi-la chorando do outro lado agora. — Maldição, Dev, — exclama Katie. —Você não pode falar assim, você me escuta? Nunca... Eu chupo uma respiração profunda, sabendo muito bem que eu posso nunca voltar para ela. A porra do pensamento me mata. Eu odeio que eu tenha que deixá-la outra vez... que eu estou fazendo-a passar por esse tipo de dor. — Baby, eu sinto muito, eu sou só... — Não, — ela diz, me cortando. Suas palavras estão muito mais composta do que apenas um segundo atrás. — EU entendo, Devin. Eu já estou sofrendo demais, e eu não posso lidar com esse pensamento. — Eu sinto Muito. Eu estou sofrendo muito... Muito, muito ruim. Só então, uma voz vem pelo interfone anunciando o embarque do nosso avião, e meu coração afunda. — Katie... — Eu sei, baby. — Eu te amo pra caralho. — Eu gostaria que houvesse outra palavra para o amor, porque isso é muito mais. O que eu sinto por esta menina não pode ser colocado em palavras. — Eu também te amo, Dev, mais do que você jamais saberá. Ligue-me assim que puder, ok? — Eu vou, menina doce. Tchau.

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— Adeus querido. O clique e o tom de discagem me atingem como um soco no estômago. Eu quero ficar aqui e lamber minhas feridas, mas há um trabalho a ser feito. E mesmo que eu não consiga entender o pensamento de ficar nessa porra avião, muito menos levando os homens em batalha, eu vou fazê-lo. O barulho do trem de pouso no pavimento me acorda. Eu tenho que sentar-me por um momento para processar onde estou. Esfregando o sono dos meus olhos, eu olho em volta, mas não posso ver muita coisa na escuridão da cabine. Eu espreito pela janela e observo as luzes de asfalto que dominam o céu noturno, um terreno baldio deserto decora seu pano de fundo. Bagdá. Foda-me.

Meus rapazes me acolheram de volta calorosamente sobre as intercorrências dos últimos quatro dias. Eu tenho eles levantaram o meu espírito estar de volta com eles. irmãos, e se eu não posso estar com Katie, estar com os próxima melhor coisa.

e encheram-me que admitir que Eles são meus meus caras é a

Tem sido semanas desde a minha volta, e embora tenha sido difícil, a importância do nosso trabalho aqui e o bem-estar dos meus soldados ajudam a aliviar a dor da falta dela. Felizmente, a maioria dos dias eu estou muito ocupado para deixá-lo dominar minha cabeça. Eu chamo Katie sempre que posso, e nós começamos a conversar via webcam. Deus sabe que eu não poderia ficar seis semanas sem colocar os olhos em seu belo rosto. Enquanto eu prefiro tê-la comigo, ser capaz de vê-la torna as coisas muito mais fáceis. Lutando pelo uso de computador, por outro lado, tem sido uma dor na minha bunda. Mas eu aprendi a trazer um livro comigo para me ajudar a passar a espera. Que é por isso que eu estou atualmente sentado do lado de

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fora centro de comunicações fechado lendo The Notebook, fazendo o meu melhor para esconder a capa. Katie insistiu que eu tinha que lê-lo, e eu vou admitir que fiquei um pouco cético em um primeiro momento, mas Noah e Allie conseguiram capturar minha atenção. Encontrei-me imaginando a mim mesmo sendo nós dois em vez deles, e eu até ri algumas vezes, porque quando eu penso sobre a jornada que Katie e eu tivemos para chegar onde estamos, é quase como uma história de amor em si e por si mesmo. Como um romance que estava destinado a ser, fixado no local muito antes que qualquer um de nós tivesse nascido. Ela e eu fomos feitos um para o outro, e isto sopra a minha mente que eu não podia olhar pelos meus próprios meios teimosos para ver muito antes de agora. A abertura da porta do centro de comunicações agarra a minha atenção e eu rapidamente fecho o livro, escondendo-o no bolso da calça cargo, enquanto subo para os meus pés. Adams vem pela porta e pisca para mim, apontando para o seu pau. — Todo seu, amigo! — Ele gargalha e me dá um tapinha duro na parte traseira. — Ei, cara, muito obrigado por tomar o nosso turno esta noite. Temos vocês da próxima vez. — Sem problemas. Eu sei que você faria isso por mim. — Ele aperta a minha mão antes de sair. Eu faço o meu caminho para dentro, fecho a porta e tenho um assento no computador. A antecipação é uma porra de corrida. Ela domina meus sentidos e envia pulsos por todo meu corpo. Eu amo poder ver a sua beleza, seu sorriso olhando para mim e ouvir esse doce risada, melódica. A webcam aparece e eu envio a solicitação para Katie, e depois espero com impaciência para ela responder. Ele toca por mais tempo do que eu esperava, e eu não posso ajudar, mas temo que algo está vindo para cima. Eu ficaria de coração partido se esse fosse o caso. Toda a razão que eu mudei de turno com Adams foi porque eu queria ver Katie, e esta foi a única hora que trabalhei para ela. Quero dizer, meus rapazes queriam a noite de folga para todos, mas definitivamente me ajudaram.

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A tela cintila e o rosto de Katie aparecendo envia uma onda de euforia em cima de mim. Eu me sinto como uma criança na porra da manhã de Natal. — Devin! — Ela sorri largo e me sopra um beijo. — Como você está, querido? — Caramba, estou melhor agora! — Eu rio. — Como foi hoje? — Ela sabe que eu não vou dizer-lhe toda a verdade. Eu não quero que ela se preocupe comigo mais do que ela já faz, mas eu também não quero mentir para ela. — Não foi tão ruim, na verdade. Este bairro está ficando fora de controle, e parece haver uma porrada de ressentimento entre os sunitas e xiitas. Eles simplesmente odeiam um ao outro... Minha voz falha e meus olhos se desviam da tela. Eu não gosto de falar sobre essas coisas com ela, não quando eu estou tão longe e eu não posso estar lá para aliviar sua preocupação. — Tem sido muito tranquilo embora. Acho que estamos fazendo progressos. Falaram que pode haver um aumento no número de soldados aqui, então isso é bom. — É? — Diz ela e quase imediatamente cobre o rosto com as mãos. — Desculpe, Devin, eu não quis dizer isso. Eu só quero você em casa é tudo, e as notícias... — Ela para por tomar o lábio inferior entre os dentes. Eu amo quando ela faz isso. — Não, querida, está tudo bem. — Quer dizer, não é como se eu não pensasse sobre essas coisas, você sabe disso. Eu odeio ver meus rapazes sobrecarregados... entrando e saindo para a missão, dormindo por algumas horas e, em seguida, sendo chamados de volta. Vestindo-se novamente. Ela balança a cabeça, aparecendo para digerir as minhas palavras. Katie é tão paciente na conversa, sempre atenta e à espera que as pessoas terminem completamente o que elas têm a dizer antes que ela contribua. Eu sempre fui atraído por esta mulher, e eu sorrio amplamente quando eu pense sobre isso. — Espere, — ela ri — O que está acontecendo neste seu cérebro? — Só você. Eu te amo, você sabe disso? — Para sempre e sempre?

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— Para sempre e sempre, baby, — eu digo, piscando para ela. Momentos como estes são quando o vídeo só não é o suficiente. Quero puxála em meus braços, envolvê-la em meu calor e beijá-la apaixonadamente. Eu sinto meu pau pulsando e sem querer formo um sorriso diabólico. — Agora, o que você está pensando? — Ela ronrona, suas palavras grossas com esse tom sexy brincalhão que ela usa quando ela realmente me quer trabalhando. — O que eu penso sobre 24-7 é tudo. Nada demais, — eu digo, rindo e reajustando meu pau. — Eu vi isso! — Ela grita. — Será que alguém quer sair e brincar? — Não foda comigo, Kit Kat. — Eu forço o sorriso no meu rosto e doulhe o meu melhor olhar de cara durão, o que leva os homens crescidos de joelhos. Katie apenas sorri. Essa porra de menina me possui. — Eu não estou fodendo com você, — diz ela, com os olhos encapuzados. — Eu sinto sua falta. — Eu posso ver sua mão deslizando para baixo e fora de vista, e um rubor vermelho se arrasta lentamente até o pescoço. Seus olhos estão ardendo de desejo e é sexy como o inferno. Porra, eu quero ela. — Eu estou sozinha, e eu quero você dentro de mim tão ruim que realmente porra dói. — Suas palavras enviam ondas de prazer pelo meu corpo. — Foda-se, baby. — Minhas palavras são abafadas quando eu estou sendo ultrapassado por uma necessidade desesperada de estar dentro dela. Para tirar tudo dela e olhar em seus olhos, sabendo que de agora em diante, vou ser o primeiro e único homem a tê-la. — Você sabe como porra ruim que eu a quero? Você sabe o quanto você invade meus pensamentos, e meus sonhos e meu subconsciente? Você é meu vício, Katie. Ela geme e seus braços se movem, mas não consigo ver o que ela está fazendo e isso está me deixando louco. Eu posso ver através de sua camisa que ela não está usando um sutiã, e o contorno de seus mamilos estão fazendo meu pau doer. — Eu deveria ser punida por ter tomado tanto do seu tempo, — diz ela, sua língua se lançando e executando um caminho ao longo do seu lábio inferior. — O que você vai fazer para mim, Dev? Qual é o meu castigo?

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Filho da puta. Eu não sabia que ela tinha isso nela. Normalmente eu sou o único a fazer a conversa suja, não ela. Meu anjo doce tem a boca de um demônio. — Bem, isso tudo depende de quão ruim você foi. — Eu atiro-lhe um sorriso, mais do que dispostos a brincar com ela. — Oh, eu tenho sido muito, muito ruim... — Suas palavras permanecem, e antes que eu perceba, eu puxei meu pau para fora e em minhas mãos. Eu não o acaricio imediatamente, mas esfrego a ponta, imaginando que é a língua de Katie me provocando antes que ela leva tudo de mim em sua boca. — Foda-se, Katie. — Eu lamento, o calor do momento me obtendo de todos os tipos de irritação. De repente, todos os pensamentos de punição voam a partir de minha cabeça, porque eu só quero porra vê-la. Meu rosto aperta firmemente, e ela deve notar minha luta porque ela desliza a mão ao peito e leva um de seus mamilos entre dois dedos, puxando-o levemente do lado de fora de sua camisa. Um rosnado baixo rasga do meu peito. O som parece estimular ela porque ela foge da cadeira para trás para expor a outra mão, que está alojada em sua calcinha. A temperatura na sala sobe uma centena de graus mais quente e meu coração bate no meu peito. — Eu quero ver você, baby. — Eu movimento para ela tirar sua camisa e espero com impaciência para ela fazer isso. Ela coloca um dedo para cima e sacode. — Eu não penso assim, sargento Clay. Eu quero te ver primeiro. E por você, quero dizer Hector Sanchez. — Eu explodo em risadas quando a memória do nome me oprime. Ela me perguntou do que eu chamei meu pau uma vez, e eu brincando disse Hector Sanchez. Por alguma razão, ele vinculou. Ela está rindo muito agora, mas isso não mata o humor porque aquele riso é a coisa mais sexy que eu já ouvi. As curvas de seu pescoço movem-se elegantemente, fazendo com que seus mamilos me provoquem de dentro de sua camisa. — Ok, eu lhe mostro Hector, e então eu começar a ver as senhoras.

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— Feito. — Ela pisca, retirando a mão da sua maldita calcinha! E tomando a parte inferior de sua camisa com ambas as mãos. Ela prende lá, não levantando ainda, esperando por mim para mostrar os produtos. Eu afasto a cadeira de escritório para trás para expor meu pau, e quando ela sorri, eu começo levemente acariciando. Ela completa o negócio por retirar a camiseta, uma velha do Nirvana que ela roubou de mim, em Pittsburgh, e a joga no chão. Seus seios perfeitos sentam-se como gotas de lágrimas, seus mamilos alegres e dispostos esperando por mim para chupá-los. — Foda-se, baby. Eu amo seu corpo muito. — Eu deslizo minha outra mão até a minha camisa e esfrego meu abdômen assim quando eu continuo a acariciar meu pau duro feito pedra. Katie leva ambos os mamilos em suas mãos e puxa eles, olhando sedutoramente para mim, a boca em um O perfeito. Sua respiração está irregular. — Eu quero sentir você, baby. Quero cada parte de você, e eu quero levá-la uma e outra e outra vez. — Mmmm, o que mais? — Ela muda uma de suas mãos para baixo da calcinha e desliza para dentro, a outra mão ainda está trabalhando em seu mamilo. — Eu quero que você comece devagar. Provoque-me com os seus lábios e língua como você sempre faz. Faça-me doer para sentir você, sua boca, sua buceta, tudo. — Mmmm-hmm. — É tudo o que ela pode gerenciar porque ela tem sua calcinha puxada para o lado e, foda-me, ela está brincando com seu inchado clitóris. Sua pele está ruborizada com prazer, e leva cada parte de controle que eu tenho para não explodir no local. — Traçar um caminho por todo o meu corpo com os seus lábios. Empurre-me até que eu simplesmente não aguente mais, e depois tome tudo de mim em sua boca. Faça-me implorar para estar dentro de você. Eu estou foda morrendo. — Meu pau está latejando na minha mão, e eu posso sentir minha libertação logo abaixo da superfície. — Eu quero que você me leve, — ela choraminga, a mão ganhando velocidade. — Eu não aguento mais; Eu quero que você me foda, Dev. — Foda-se, sim, Katie. Quando estou prestes a explodir, porque o desejo construiu tanto, eu vou levá-la pelo braço e atirá-la para o colchão.

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Vou rasgar as roupas do seu corpo, levando tudo de você antes de beijar cada polegada de você. Eu quero sentir a sua pele macia contra os meus lábios. Eu quero fazer o seu pequeno corpo se contorcer abaixo de mim. Vou levemente mordiscar seu pescoço para o seu estômago para o interior de sua coxa, tomando a carne entre os meus dentes antes de ir me movendo lentamente para o seu clitóris. Eu vou lamber suavemente, permitindo que você empurre seus quadris contra mim, conseguindo apenas como você gosta. — Foda-me, Deus, por favor, me fode. Eu preciso de você dentro de mim, — ela geme, contorcendo seu corpo. Eu estou preso no momento agora, trabalhando meu eixo rapidamente e tendo a perfeição que está jogando diante de mim. Eu posso sentir um zumbido na base do meu eixo ganhando impulso, se preparando para o clímax. Eu me movo minha mão mais rápido, tentando alinhar meu orgasmo com a dela. Ela joga a cabeça para trás e geme, seu corpo arqueando para cima e para fora do assento. A visão dela envia arrepios pelo meu corpo, o sangue se enfurece por minhas veias eA porta de comunicações rompe. Navas anda para dentro e depois para abruptamente, seu queixo quase batendo no chão. Ele protege seus olhos com um braço ao mesmo tempo em que meu orgasmo bate em mim, a força dele e sua interrupção quase me fazendo cair da minha cadeira. — Que porra é essa? — Eu grito, olhando para o computador quando eu enfio o meu pau em minhas calças. Katie conseguiu cobrir-se, e ela está olhando para a tela com um olhar de horror completo no rosto. — Porra, cara, eu sinto muito. Merda desceu... Eu... Foda, — gagueja Navas. — Eu não sabia que você estaria fazendo isso. Desculpe, homem. Ele está tentando não rir, mas eu posso dizer pelo seu tom de voz e pelo olhar em seus olhos que há algo muito, muito maior acontecendo. Levanto-me para os meus pés e inclino-me para desligar o computador. — Baby, eu vou chamá-la em breve, ok?

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— Uh... bem. — Ela parece estar dividida entre estar totalmente envergonhada e preocupada com o que está acontecendo, mas ela sabe que agora não é o momento de perguntar. — Eu te amo, Kit Kat, com todo o meu coração. — Navas anda para fora para nos dar um momento a sós. — Sempre e para sempre? — ela pergunta. — Para sempre e depois. — Eu também te amo, — diz ela antes que a tela fica preta. Eu faço o log-off do computador e encontro Navas fora da porta. — Você fodeu legal! Você já ouviu falar de bater? — Eu o soco duro no braço. — Eu sinto muito. Eu estava correndo e não estava pensando. É só que... — Ele para e olha para o centro de operações, em seguida, de volta para mim. — E aí cara? O que está acontecendo? — Basta vir ao Centro de Operações comigo, cara. O esquadrão inteiro está lá dentro. Algo desceu com o comboio de Adams. — O medo rasteja morto no peito e as piores imagens inundam minha mente. — O que você quer dizer? Eles apenas definiram-se há quarenta minutos. — Eu sigo Navas enquanto ele me leva para o centro de operações, onde eu vejo meus rapazes nervosamente debruçados sobre o rádio. — Os outros dois caminhões da sua patrulha saíram para o local e eles estão enviando a informação agora. Capitão Kendricks me queria para obter todos os caras prontos porque estamos indo provavelmente para fora. — O que quer dizer 'obtendo a cena'? Por que eles não foram juntos? — Eu não sei. Eles literalmente apenas alcançaram a tempo de denunciá-los. Aparentemente, eles ainda estão tentando descobrir o que aconteceu. Eu não tenho ideia do que está acontecendo ou como os veículos poderiam ter iniciado separados. — Eu viro meu foco para o rádio, que fica em silêncio por um momento antes de retransmitir a mensagem.

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— Três KIA21 um MIA22 rodadas de RPG e armas de fogo de pequeno porte. Nenhum sinal de combatentes inimigos. Desligo. Três KIA, um MIA. As palavras me pegam desprevenido. Por favor me diga que eu apenas não ouvi isso. — Tavares levanta o fone de ouvido de rádio para sua orelha e clica no botão. — Nomes de KIA, MIA? Desligo. — Akers, Fields, Dixon, KIA... Adams MIA, a voz no rádio diz, lutando para manter a compostura. — Os rostos de Adams e de Dixon estalam em minha cabeça, e eu não posso ajudar, mas me sinto terrível por tudo o que eu alguma vez pensei ou falei sobre qualquer um deles. Esta não é a primeira vez que estou ouvindo sobre a morte de um companheiro soldado, mas nunca fica mais fácil. É como uma experiência fora do corpo; você está lá, mas bem além do reino de compreensão. Você quer acreditar que se você se convencer de que não é real, talvez seja a verdade. A notícia me força a sentar. Thomas caminha rapidamente para fora da sala, e eu sei exatamente o que ele vai fazer. Ele vai fazer o que todos nós desejamos que nós poderíamos fazer agora e isso é chorar. Capitão Kendricks agarra o fone de ouvido de Tavares e puxa-o à boca. — Gator 2 Charlie, o que diabos aconteceu lá fora? — Desligo. Ele está furioso, e justamente por isso. — O caminhão do tenente Dixon estava puxando a segurança em uma ponte e nós estávamos do outro lado cobrindo, à espera de palavra deles sobre nossos próximos movimentos. Os veículos não ficarem juntos foi ordem do tenente Dixon, Senhor. Desligo. — Capitão Kendricks aperta o fone de ouvido com força entre as mãos, e parece como se ele pudesse apenas esmagá-lo em pequenos pedaços. — E o que aconteceu depois? Desligo. — Nós não soubemos imediatamente de onde o ataque estava vindo, Senhor. Nós não tínhamos olhos no caminhão do tenente Dixon e estávamos esperando por eles para nos dar as direções. Desligo. — E quando você finalmente decidiu mover sua bunda e reagir a entrar em contato, o que você achou? Desligo. 21

(Killed In Action– morto em combate), 7(Missing In Action – Desaparecido em Combate).

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— Não havia combatentes inimigos, Senhor. O Humvee estava parcialmente destruído por RPG e pequenas armas de fogo, e os três KIA e um MIA. Desligo. — Roger. Você mantenham seus traseiros lá e não se movam. Desligo. — Capitão Kendricks lança o fone de ouvido para o chão e Tavares luta para recuperá-lo. — Sargento Clay, — Capitão Kendricks chama, e eu subo para os meus pés. — Junte seus homens e se preparem para a missão. Leve o pelotão do Sargento Baker com você. — Roger that (entendido), senhor. Eu recolho os meus homens e nós fazemos o nosso caminho de volta para a tenda, sem uma palavra falada entre nós. Não é como se houvesse alguma coisa a dizer neste momento. Não há nenhuma rima ou razão neste momento. Alguns voltam para casa ainda respirando. Outros o fazem para casa em caixões cobertos com a bandeira. Estes são os dias que eu gostaria de poder esquecer.

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Katie “She Is Love”—Parachute

SODA ESPIRRA DA BOCA DE MAGGIE, seus olhos tão grande como eles podem chegar, e ela arrebenta numa gargalhada. — Meu Deus! Isso foi foda hilário. — Não, não foi. — Eu balanço minha cabeça, lábios franzidos, perguntando por que no mundo que eu pensei que era uma boa ideia dizer a minha melhor amiga sobre o acidente da webcam de ontem à noite. — Foi horrível. Eu estava completamente mortificada. — Quem se importa? — Diz ela, acenando-me fora quando ela enxuga as lágrimas do rosto. — Isso é clássico, e você vai rir disso para os próximos anos. — Não, eu não vou, — eu digo categoricamente. Ela encolhe os ombros e, em seguida, cai em outro ataque de riso. — Bem. Eu vou. — Eu te odeio. — Não você não me odeia. Eu não fui a única que persuadiu você a ficar nua na frente de uma tela de computador. — Sim, eu deixei de fora a parte que eu era a única a fazer a persuasão. Ela pode ser a minha melhor amiga, mas há definitivamente coisas que são melhores quando não ditas.

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— Podemos, por favor falar de outra coisa? Isso está começando a deixar-me irritada. — Além disso, eu tenho algo muito maior em minha mente, e se eu não contar a alguém, eu provavelmente vou estourar. — Tudo bem, — diz ela, dando uma mordida no rolo de canela depositado em frente a ela. — Sobre o que você quer falar? — Eu acho que estou grávida. — Eu não tenho absolutamente nenhum controle sobre a minha boca hoje e as palavras saem antes de eu dar-lhes permissão. Pela segunda vez em menos de cinco minutos, eu assisto Maggie espirrar algo por toda a minha mesa da cozinha só que desta vez não é soda, é seu rolo de canela. — O QUE? O que quer dizer que você acha que está grávida? — Quer dizer, que eu não tive meu período e eu nunca perco o meu período... nunca. — Mas você está no controle de natalidade, certo? — Sim! Isso é o que eu não entendo. Meus períodos têm sido regulares desde o início anos atrás, então não há outra explicação. A boca de Maggie abre e fecha em seguida, quando ela absorve o que estou dizendo. — Ok, poderia facilmente ter outra explicação. — E o que exatamente seria essa? — Eu não sei! Eu ainda estou pensando... — Ela esfrega a mão sobre a cabeça e olha para baixo por vários minutos antes de olhar para cima novamente. — Será que os seus seios doem? Você se sente doente? Você já fez um teste? Você deve fazer um teste. — Suas perguntas saem muito rápidas, e eu tenho que pensar sobre as minhas respostas por um segundo antes de responder. — Sim. Não. Mais ou menos. As sobrancelhas de Maggie sulcam enquanto ela presumivelmente alinha as minhas respostas às suas perguntas. — O que quer dizer com mais ou menos? Você fez um teste ou você não fez. É uma resposta de sim ou não. — Eu não fiz xixi em uma vara, se é isso que você está perguntando. Mas eu liguei para o escritório do Dr. Bray e eles me disseram para parar o

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controle de natalidade e entrar com um exame de sangue, o que fiz como primeira coisa esta manhã. — Eeeeeee... — Maggie está me observando com os olhos arregalados, esperando por uma resposta que vai dececioná-la. — Eles deveriam me chamar esta tarde. — Como se na sugestão, meu telefone toca, e Maggie e eu olhamos para ele. — Atenda-o, — diz ela, empurrando-o na minha direção. — E se eu estiver grávida? — Você não vai saber se você não atender ao maldito telefone. Maggie pega meu celular na mesa e vira-o aberto. — Olá... sim, ela está aqui. Ela me dá o telefone e eu lentamente trago-o para a minha orelha. Meu coração está martelando dentro do meu peito, e o sangue está correndo passando pelos meus ouvidos tão rápido que eu estou um pouco preocupada que eu vou sequer ouvi-la... na verdade, eu poderia muito bem passar para fora. — Olá? — Minha voz racha e eu engulo em seco. — Oi, Katie, é Stephanie do consultório do Dr. Bray. Este é um bom momento? Bem, isso depende do que você tem para me dizer. — Sim. Você recebeu os meus resultados de volta? — Isso foi rápido, eu penso comigo mesmo. Eu puxo uma respiração, esperando a resposta dela, e quando eu escuto as palavras — Parabéns, você está grávida... — Flutuarem através da linha, eu quase deixo cair o telefone. — Eu-eu não entendo, — eu gaguejo. — Como isso aconteceu? — Eu balanço minha cabeça, percebendo o quão estúpido que soei. — Claro que eu sei como isso aconteceu, mas eu estava no controle da natalidade... E eu sei que nem sempre é eficaz, mas... Uau... Tudo bem... Eu estou grávida. — É uma responsabilidade muito grande, e sim, essas coisas acontecem. Mas a Dr. Bray disse para chamá-la se você tiver quaisquer perguntas. Ok... Eu aceno para mim mesmo. Eu posso fazer isso... Nós podemos fazer isso. — Espere! Eu digo. — Eu sei que isso soa estúpido, e eu sou uma

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enfermeira e provavelmente deveria saber, mas até ontem, eu estava tomando o controle de natalidade. Isso afetará o bebê? — Não é uma pergunta estúpida, — diz ela antes de facilitar minha mente. — Você e o bebê devem estar bem, mas Dr. Bray quer que você volte para o consultório para um exame em duas semanas. Minha mente voa em direção a Devin, e tudo o que ela estava dizendo cai no esquecimento. O que ele vai pensar sobre isso? Será que ele vai estar animado? Nós acabamos de voltar a ficar juntos... ele estará pronto para um bebê? Estou pronta para um bebê? — Você não tem uma escolha. — Maggie encaixa o telefone fechado e eu olho para cima. — Não se preocupe, diz ela, — você foi para dentro da terra do la, então eu peguei o telefone e escrevi todo o resto. — Obrigado, — eu sussurro. Olhando para baixo, eu olhar para o meu estômago ainda plano e toco-o suavemente. Há uma vida crescendo dentro de mim. Uma vida pequenina que é metade Devin e metade eu. Lágrimas se formam nos meus olhos. — Eu vou ter um bebê, — eu digo, quase engasgando com as palavras. — Eu vou ser uma mãe. Os braços de Maggie me envolvem. — Você vai ser a melhor maldita mãe. — Você acha? — Eu pergunto, voltando-me para ela com um sorriso trêmulo. — Eu sei disso. Parabéns, mamãe. Agora você só tem que dizer ao pai... e apenas para saber se estou na página certa, o pai é Devin, certo? — Sim! — Eu meio grito e meio rio, quando eu esbofeteio-a em todo o braço. — Ok, — diz ela, segurando as mãos para cima no ar. — Eu tive que verificar. Quer dizer, eu pensei, mas você nunca mencionou se Devin se esqueceu de proteger o dragão. — Proteger o dragão? De onde diabos você vem com este material?

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— Não importa, — diz ela, revirando os olhos. — Então, eu preciso saber quando você está dizendo a Devin e quando você está dizendo a sua mãe, porque este vai ser um segredo muito difícil de manter. — Maggie, — advirto, dando-lhe o meu melhor olho autoritário. Bom para começar a praticar agora, certo? — Você não pode dizer a ninguém, pelo menos não até eu dar-lhe o ok. Entendeu? — Eu vou fazer o meu melhor, mas prometa que você vai dizer a ele em breve, porque... Bem, você sabe como eu fico quando estou animada com alguma coisa. — Vou dizer a ele em breve, prometo. Estamos cronograma para a webcam novamente em um par de minutos de qualquer maneira. Os olhos de Maggie acendem. — Estou totalmente ficando ao redor para isso. — O que? Não, você não está ficando ao redor. — Existe alguma chance de alguns momentos sensuais? Porque se assim for, eu estou aderindo ao redor para isso. Aquele menino de você é foda delicioso, e eu adoraria entrar e pegá-lo nu na tela. — Confie em mim, — eu digo, rindo, — não haverá mais nenhum tempo sexy na tela por um tempo muito longo. Agora saia, — eu digo, rindo como eu puxo-a para cima de sua cadeira, giro em torno dela e guio-a em direção à porta. — Você não é divertida. — Sim, bem, eu tenho certeza que o amigo de Devin que viu minhas partes de senhora não concorda com isso. — Girando em torno dela, eu puxo-a para um abraço, beijo seu rosto e, em seguida, abro a porta e educadamente empurro-a para fora. — Espere! — O braço de Maggie se lança, parando a porta de fechar. — E quanto a Wyatt? Minhas sobrancelhas sulcam. — E quanto a Wyatt? — Isto é enorme. Você está grávida, Katie. — Eu estou ciente, eu digo com um sorriso. — Mas o que isso tem a ver com Wyatt? Maggie dá de ombros. — Nada... mas vocês não terminaram há muito tempo. E pelo que você me disse, ele está mantendo a esperança que vocês

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dois voltarão a ficar juntos. Eu nunca fui um fã dele, mas eu espero que você tenha algum planeamento... — Eu vou cuidar disto, eu digo, gentilmente cortando-a. — Quando fui para a Pensilvânia, eu liguei e falei com ele, expliquei onde eu estava indo e por quê. Eu deixei muito claro que o que tínhamos acabou. Mas você está certa, isto é sensato, e eu vou falar com ele sobre isso, logo que eu tiver a chance de dizer a Dev. — Ok. — Ela balança a cabeça, aparentemente satisfeita com a minha resposta antes de girar nos calcanhares. — Amo você! — ela grita, afastandose. — Te amo! — Eu grito, fechando a porta. Volto para o meu quarto, pego meu laptop e em seguida, estabeleço-me contra a cama para esperar pela solicitação de Devin. Pelo tempo que eu espero por chegar, meu telefone toca e vejo o número que é agora tão incrivelmente familiar. — Hey! — Eu cantarolo, ao atender o telefone. — Eu pensei que íamos conversar online? — Hey, baby, — Devin diz, com a voz baixa e rouca. Soa como se ele não tivesse pregado o olho desde a última vez que falei com ele, e eu imediatamente estou em alerta máximo. — Eu não poderia obter o computador, e as coisas têm sido tão... — Ele para, e eu luto contra o desejo que implorar para ele terminar a frase. Devin tenta o seu melhor para me proteger de uma grande quantidade do que se passa por lá, e tanto quanto eu aprecio isso, às vezes torna as coisas piores porque a minha imaginação corre selvagem com seus próprios cenários. — As coisas 'tem sido apenas tão... — O quê? Eu mantenho a minha voz suave e relaxante, na esperança de que ele vai se abrir. Mas ele não faz. — Merda, Katie. — O som através do telefone fica arranhado e imagino que ele está passando a mão sobre o rosto, provavelmente completamente dominado. — Tem sido um longo dia de merda, e eu estou pronto para esta merda acabar. — Em breve. Você vai estar em casa logo, eu prometo. — Sua resposta é um grunhido abafado, então eu prossigo. — Você quer falar sobre isso...

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Sobre o que está acontecendo? Porque eu estou aqui, você sabe, se você precisa para obter algumas coisas fora de seu peito. — Eu sei, — ele respira, — e eu aprecio isso. Mas agora, eu só quero esquecer isso por um par de minutos. Está bem assim? — Eu abro minha boca para responder, mas ele não me dá a chance. — Como foi o seu dia? Alguma coisa nova? Merda. Eu não quero nada mais do que dizer-lhe que estou grávida, mas agora só não parece ser o momento certo. Ele tem o suficiente em sua mente, o suficiente para se preocupar, e se eu lhe contar sobre o bebê, poderia afetar sua concentração, e isso é a última coisa de que precisamos. — Não, — eu minto, encolhendo porque eu quero tanto lhe contar a verdade. — Nada de novo. Eu tive que pegar um turno extra na próxima semana para Maggie. — Isso é bom, baby. Isso é bom? Realmente, é isso? Normalmente, eu iria lhe dar uma bronca sobre como eu deveria estar cortando e relaxando, já que eu praticamente me corri para o chão. Claro, que tem sido meses atrás agora, mas ainda assim, ele geralmente tem mais a dizer do que isso é bom. — Sim, eu senti que eu precisava pegar para pagar a ela por me cobrir para que eu pudesse vir vê-lo em Pittsburgh. — Ela provavelmente aprecia isso. O que ela precisa sair? Ok, bem, pelo menos ele está engajado um pouco. Eu odeio que ele soa tão distraído. — Eu acho que Sean vai levá-la para fora da cidade. Se eu tivesse que adivinhar, eu aposto que ele vai propor. — Impressionante, — Devin diz, sua voz plana. — Então, o que você vai fazer no resto do dia? Outra vez me preocupar com você? — Hmmm... bem, eu tenho uma consulta com a Dra. Perry, esta noite, de modo que deve ser divertido, eu digo, revirando os olhos. — E então eu vou jantar com a mãe e a Bailey. — Parece que você tem uma noite cheia.

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— Ok, — eu estalo, encolhendo-me quando minha voz sai mais dura do que eu pretendia. — Tive o suficiente. Diga-me o que está acontecendo, e não diga “nada”, porque eu não sou estúpida, Dev. Você está distante e distraído, e eu odeio te ouvir assim. Deixe-me ajudá-lo, querido. — Você não pode ajudar, — ele rosna, em seguida, pede desculpas rapidamente. — Desculpe, eu não tive a intenção de atirá-lo em cima de você, mas você não pode ajudar. Ninguém pode ajudar. É só que... essa merda, tudo isso. Eu estou feito, Katie. Deixando cair minha cabeça para trás contra o meu travesseiro, eu respiro fundo e fecho os olhos. — Eu sei. — Eu suspiro. — Eu não posso imaginar como é para você, mas eu preciso de você para ficar forte e focado... — eu coloco a mão na minha barriga, porque agora essas palavras são mais verdadeiras do que nunca...E eu preciso de você volta para casa. Você está quase lá. — Eu te amo. Você sabe disso, certo? — Claro que sim, mas eu te amo mais. — Nunca, — diz ele, com a voz infundida com tanta convicção de que ele faz que meu corpo trema com estas palavras “Entretanto” Devin corta e ouço vozes abafadas, mas eu não consigo entender o que estão dizendo. Quando ele retorna, suas palavras são apressadas e eu estou à esquerda com mais uma coisa para me preocupar. — Hey baby, eu odeio cortar esta conversa, mas eu tenho que correr. — Não se preocupe. Você vai me ligar mais tarde se você tiver uma chance? — Absolutamente. — Tchau, Dev… — Adeus, Kit-Kat. A linha vai morre antes que ele termine de dizer adeus. Eu tiro meu telefone fechado e deixo-o sobre a cama. Bem, essa porra me sugou. Minha mente corre, indo ao longo de toda a nossa conversa novamente para me certificar de que eu não perdi nada, e quando eu venho para cima vazia, eu faço a única coisa que posso fazer. Como um robô, eu me visto e sigo para o

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meu dia, sabendo muito bem que Devin vai consumir cada pensamento até eu conseguir falar com ele novamente. Logo, eu me lembro, e então vou contar sobre o bebê, sobre a vida crescendo dentro de mim... Sobre a vida que criamos. Nosso relacionamento pode ter sido áspero no início, mas o início realmente não importa, e verdadeiramente, nem o fim. É toda a substância no meio que faz uma grande história de amor... para um ótimo relacionamento e se eu tiver algo a dizer, nossa história de amor vai ser épica. Eu ando para o espelho e lentamente levanto minha camisa. — Olá, — eu digo, esfregando uma mão sobre minha barriga. — Você está pronto para conhecer o seu pai? — Eu pergunto, não me importando nem por um segundo que eu provavelmente pareço ridícula falando com a minha barriga. — Não vai demorar muito agora e ele vai estar em casa são e salvo com a gente... bem onde ele está destinado a estar.

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Devin “Set Fire to the Third Bar”—Snow Patrol

O SOL DO MEIO-DIA SENTA pesado sobre esta paisagem desesperadora de Bagdá. Seus raios penetram os vinte e oito quilos do uniforme que estou usando e sela a carne por baixo. Julho foi ruim, agosto é pior. O rifle M4 em minhas mãos e doze pentes carregados amarrados ao meu peito não são as coisas mais fáceis, mas como o líder da equipe destes quatro idiotas, eu continuo em frente e mantenho a minha merda para mim mesmo. Estávamos à procura de nosso companheiro de lutas e nós deveríamos avançar até que o encontrássemos, mas agora recebemos a notícia de que temos de reencontrar com o resto do nosso pelotão e voltar para a base. O medo de que sargento Adams tenha sido encontrado morto toma conta de mim. Nós invadimos centenas de casas sem nenhum sinal dele e nenhuma maldita pessoa está falando. Elkins e Thomas estão se queixando atrás de mim, mas até que eu sinto a necessidade, eu vou manter a minha boca fechada. Minha equipe está escalonada, as costas contra uma longa parede de pedra, rifles apontados em todas as direções ao redor de nós. Navas está na retaguarda. Seus olhos estão concentrados com força observando a nossa volta, o lançador de granadas definido e pronto para disparar. A discussão continua, me irritando e eu passo. — Elkins. Thomas. O que vocês cadelas querem agora? — Eu não olho para trás, mas prossigo ao

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longo da parede, traçando o seu exterior para onde o resto dos veículos do nosso pelotão estão localizados, a meio quilômetro de onde estamos agora. — Nada, Sargento, — responde Elkins, com sua voz cheia de ressentimento. — Elkins, você sabe que você está sendo uma cadela alto o suficiente para eu ouvir, então não é simplesmente nada. Cuspa-a, garoto. Eu digitalizo a fileira de casas que corre paralelamente a nós, do outro lado de um pequeno riacho enlameado. Os únicos sons que vinham daquela direção, ou qualquer direção, realmente são alguns cães esquálidos vasculhando restos. — Está muito tranquilo, Sargento, — Navas grita, sua voz rouca e resistente. — Esses cabeças de turbantes estão foda planejando alguma coisa. Eu posso sentir isso. Uma onda de incerteza cai sobre mim, sentindo um mal-estar no fundo do meu estômago. — É agosto e quente como bolas. Eles estão provavelmente apenas mantendo-se fresco para dentro. — Minhas palavras são hesitantes, como se não quisessem escapar da minha boca em tudo, e eu quero saber brevemente se meus homens pegaram elas. Mantenha-se calmo, Clay. Eu examino os telhados atentamente, à procura de qualquer tipo de movimento ou qualquer coisa suspeita. — Por que eles estão nos chamando de volta, sargento? Por que eles não apenas nos dizem se eles o encontraram ou não? Esta é uma porra de merda! — Elkins deixa escapar. Eu olho para trás a tempo para ver Thomas dar um tapa no braço de Elkins. Balanço a cabeça e sigo em frente, mas Elkins não consegue calar a boca. — Quero dizer, quão difícil é para nos dizer o que diabos está acontecendo? Eu não posso culpá-lo por sua frustração. Eu quero saber por que eles estão chamando a equipe de busca também. Eles lhe dizem o que você precisa saber, e muitas vezes isso não é muito. Eu também quero saber se eles encontraram Adams vivo e bem, mas não é como funciona este tipo de coisa. Eu olho para trás para eles novamente e vejo a preocupação nos olhos de Thomas. Ele não está levando bem, e eu sei que minhas palavras devem ser suaves.

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— Escute, nós fazemos o que é dito, sempre. Não questionamos nossas ordens, nós a executamos. Vamos relatar de volta à base e descobrir o que está acontecendo em breve. Eu tenho certeza que eles o encontraram e apenas não precisam de nós procurando mais. Quando a minha última palavra é dita, uma cabeça aparece em um telhado a distância, e eu imediatamente mudo meu rifle de pronto no quadril ao nível dos olhos. Elkins percebe a mesma coisa que eu faço e chicoteia a cabeça em direção a atividade com o entusiasmo de um garoto de vinte anos de idade, com muita testosterona e nenhum senso comum. — Espere, Elkins. É uma criança. Eu puxo a minha arma de volta para baixo e toco na parte superior de sua cabeça para ele fazer o mesmo. Ele abaixa-o, e, em seguida, os quatro de nós continuarmos ao longo da parede. À medida que passamos a casa, eu paro em direção à criança, uma menina, não mais do que cinco anos de idade, que agora está de pé e, curiosamente, olhando em nossa direção. Tão jovem. Ela não tem a menor ideia por que estamos aqui, ou o que estamos fazendo. Neste ponto, ela não sabe a diferença entre um AK-47 e seu cobertorzinho, mas um dia esta menina vai me odiar assim como seus pais fazem e que seus pais fizeram antes deles. Eu afasto o pensamento da minha cabeça e aceno para a menina com um sorriso. Ela ri antes de decolar, os cachos balançando no topo de sua cabeça. — Vamos pegá-los, meus senhores, não muito além do... — Eu sou cortado por um guinchar brusco passando a nossa posição e cavando a parede a poucos passos à frente de mim. Fragmentos de explosão do concreto em todas as direções, quando a bala rasga através da argamassa. Eu salto para trás, imediatamente lutando para recolher os meus pensamentos. Outro tiro zumbe apenas por sobre as nossas cabeças, obrigando-me a reagir. — Para cima e para baixo, para cima e para baixo! Thomas, você para cima com Elkins. Navas, eu tenho você. — Eu me deixo cair em um joelho e entrelaço meus dedos. Navas mergulha seu pé em minhas mãos, e com um toque rápido, ele pula por cima do muro. Thomas e Elkins seguem o exemplo, e depois eu me ajoelho diante Thomas para fazer o mesmo para ele.

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Navas e Elkins ficam atrás de meia parede com fuzis a, examinando os telhados, procurando o culpado. Mais duas rodadas veem correndo dentro, batendo na parede apenas no nosso lado. Eu iço Thomas ao topo de forma que os outros podem puxá-lo para cima. Em vez de se juntar a eles, Thomas se desloca ao redor e atinge um braço para baixo para mim. Eu apoio a minha espingarda nas minhas costas e agarro. Sua outra mão se estende ainda mais para baixo e ele trava seus dedos em meu cinto, me dando um puxão. Minha mão livre aperta firmemente na borda da parede enquanto ele trabalha me puxando para cima. O som de outra rodada de tiros explode através do ar, e eu instintivamente baixo minha cabeça. Ele rasga através da mão que eu agarro a parede, e eu arranco-a de volta com um uivo profundo. Quando eu faço, meu peso me puxa de volta para o chão com Thomas junto comigo. Ele vira para trás longe da parede e desaba no chão como uma boneca de pano. Navas dispara alguns tiros contra ninguém em particular quando eu ajudo Thomas a seus pés. Ele está atordoado, mas rapidamente se sacode. Eu luto com a dor para limpar o melhor que posso, sangue escorrendo de minha mão. — Vamos, Thomas, eu preciso que você suba de novo. — Eu me deixo cair em um joelho para ajudá-lo, mas ele me sacode. — Não, Sargento, sua mão está fodida. Eu vou tirar você em primeiro lugar, — diz ele desafiadoramente. Eu não posso discutir porque eu sei que ele está certo. Eu finco uma bota sobre as palmas das mãos e ele me levanta acima. Eu mudo meu peso de volta e bloqueio com a minha mão boa para Thomas quando apenas outra bala quebra pelo ar. Os olhos de Thomas vão largos e sua mão fica mole na minha. Uma bala agora se senta enterrada no interior da parede, tendo feito um caminho através de suas entranhas. Ele cai para trás, batendo no chão duro, e uma piscina de sangue estende-se rapidamente para fora em torno dele. Antes que eu possa reagir, Elkins agarra minhas pernas e me puxa para baixo com eles do outro lado com tanta força que eu caio no chão. Navas localiza o inimigo em um telhado na distância e envia vários de seus próprios tiros nessa direção. Elkins faz o mesmo. Adrenalina chuta, e em poucos segundos, a dor na minha mão cessa. Eu passeio de volta para os meus pés e uso um tambor de óleo para sustentar-me para cima da parede, minhas axilas agarradas a ela para obter

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suporte. Eu vejo Thomas atingindo a mão para cima em direção a nós, o acúmulo de sangue em sua boca, enquanto ele luta para respirar. O fogo de retorno dos rifles de Elkins e de Navas é silenciado e o vento para, liberando os grãos de areia de volta para a terra. O tempo para. Thomas me olha diretamente nos olhos, sua face pálida e embora ele pareça estar indo embora, seus olhos estão me pedindo ajuda. Se eles pudessem falar, eu sei exatamente o que eles diriam, por favor, não me deixe morrer. Elkins e Navas param para recarregar, e mais três rodadas recomeçam. Uma rodada de fogo passa pelo topo de nossas cabeças. Outros duas rasgam o corpo moribundo de Thomas, com sucesso arrancando fora qualquer vida restante. Não posso me mover. Eu não posso falar. Eu não posso pensar. Eu só olho para o rosto disforme que esta nova rodada fez e eu estou paralisado. Completamente dormente. Eu não ouço a minha equipe gritando para eu descer. Continuo na parede, minha cabeça ainda exposta ao inimigo, quando algo dentro de mim se encaixa. Eu tiro a minha atenção de volta para a minha equipe, uma feroz determinação agora resplandecendo nos meus olhos. — Nós não estamos indo para foda deixá-lo aqui! — Nós não estamos dizendo isso, Sargento. Podemos voltar e levá-lo uma vez que tivermos algum apoio! — Grita Elkins, com a voz tensa e crua. Ele atira mais três vezes em direção ao inimigo. — De jeito nenhum nós sairemos vivos se voltarmos para lá, Sargento. De maneira nenhuma! Contemplo estas palavras por um momento quando mais tiros vem colidindo com a nossa posição, perfurando a parede e jogando pedaços de rocha e estilhaços no meu braço e rosto. Eu não sinto isso, mas eu esfrego meu rosto contra o meu braço, limpando o sangue de meus olhos, e olho para baixo para Thomas, depois de volta para Elkins e Navas. Antes que eles possam me convencer do contrário, eu me puxo completamente para cima da parede, como se eu fosse pesado, e me sento em sua borda. Navas abre fogo de cobertura. Eu aceno com a cabeça para ele, e com isso eu me deixo cair aos meus pés da parede em primeiro lugar. Tudo acontece tão rápido que eu estou abaixo com nenhum tempo para pensar. Uma granada é atirada diretamente para mim, chamas escorrendo

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por trás dela, e assim quando meus pés tocam o chão, a explosão assume o controle do meu corpo. Os primeiros segundos são o que eu imagino como o inferno deve ser. Chamas correm de um lado a outro de mim, envolvendo-me no calor e cegando-me de tudo o mais. A força me lança diretamente no ar e em seguida, eu me encontro com o chão com tanta força que todo o ar dos meus pulmões explode de mim. Eu luto por ar, lutando para apagar o fogo fora das minhas pernas... Ou o que resta delas. A última coisa que vejo antes que a escuridão me engula é uma fusão carbonizada de carne, ossos e uniforme onde minhas pernas deveriam estar. E Katie... Eu vejo Katie.

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Katie “Not About Angels” - Birdy

POR FAVOR ESTEJA BEM. Por favor esteja bem. Por favor esteja bem. Essas três pequenas palavras jogam em repetição na minha cabeça quando meu pé pisa no pavimento. Meus braços bombeiam furiosamente, empurrando-me em frente ao estacionamento. A cada passo meu pânico cresce, e meu coração está batendo tão duro dentro do meu peito, eu estou certa de que ele poderia voar direto para fora. Meus pulmões estão queimando, me implorando para abrandar. Mas eu não posso... não até que eu o veja... Não até que eu saiba que ele está bem. Trovão ruge através do céu seguido por um forte estalo de um relâmpago, e as nuvens se abrem, me banhando na chuva de gelar os ossos. Empurrando um pedaço de encharcado cabelo do meu rosto, as portas para o hospital entram em vista. Quase lá. Faço meu caminho através de um grupo de corpos, eu corro para a sala de espera. Meus pés tocam o chão de ladrilhos, deslizando por debaixo de mim, e eu luto para me manter em pé. Tudo daqui para frente é um borrão completo. Estou correndo em pura adrenalina e medo, e a necessidade de estar com Devin está consumindo cada parte de mim. Então, quando os pontos azuis que eu tinha sido

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instruída a seguir desaparecem, eu olho para cima, avistando uma pequena placa pendurada na parede, e eu suspiro de alívio. UTI DE TRAUMA UTILIZE O INTERFONE PARA ASSISTÊNCIA HORÁRIO DE VISITAÇÃO DA UTI Segunda a sexta 09:00 horas – 17:00 horas Sáb. e dom 09:00 horas -19:00 horas É isso. Devin está lá. Apertando meus olhos fechados, eu digo uma oração silenciosa para quem está escutando. Alívio que eu vou conseguir vê-lo se desenrola no meu peito, e pela primeira vez em dois dias eu sinto que posso respirar. Um alto-falante preto pequeno está embutido na parede ao lado da porta e um botão minúsculo está empoleirado sob ele. Levantando minha mão, meu dedo paira acima do botão despretensioso, e com uma respiração profunda, otimista, eu empurro-o. Vários segundos excruciantes depois, uma voz suave crepita através do alto-falante. — Posso ajudar? — Hum... sim, eu estou aqui para ver Devin Clay. — Tudo está calmo, menos o som do meu pulso batendo em meus ouvidos quando eu espero por uma resposta. — Senhora, os horários de visitas terminaram por hoje. Se você puder, por favor, volte amanhã a qualquer momento após as nove horas. Meu coração cai para os dedos dos pés e eu balanço minha cabeça. Eu ouvi o que ela disse, mas isso não faz sentido. Ela não vai deixar-me vê-lo? — O que? — eu coaxo, dando um passo mais perto da porta. A queimadura familiar de lágrimas constrói atrás dos meus olhos, e eu engulo o caroço sentado firmemente na minha garganta. — Não, — eu grito, balançando a cabeça freneticamente. Isso não está acontecendo. — Você não entende. Preciso vê-lo agora. Por favor, — eu imploro, pressionando o botão de novo, porque eu não sei nem se ela está ouvindo, e eu preciso dela para ouvir. — Por favor, deixe-me vê-lo.

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— Sinto muito, senhora. Desculpe-me por qualquer inconveniência... — Isso é uma piada? — Eu rio sem humor, maníaca. — Você pede desculpas pelo inconveniente? — Meu corpo treme quando os pesos dos últimos dois dias batem em mim, e desespero rapidamente assume. — Você não entende. Você tem que me deixar entrar lá. Por favor, — Eu imploro, batendo o punho contra a porta. Não há resposta, e eu bato meu punho na porta novamente antes de sacudir o punho. Toda emoção que tenho vindo a construir dentro de mim ferve. Minha garganta contrai, tornando-se difícil respirar. — Por favor, deixe-me entrar. Há tantas coisas: — Minhas palavras quebram em um soluço e eu afasto as lágrimas que agora correm pelo meu rosto. — Eu juro que não vou ficar no caminho. Vou ser rápida por esta noite, mas eu tenho que vê-lo. — Minhas palavras são apressadas, desesperadas. — Eu não posso esperar até amanhã. Eu tenho que vê-lo agora. Isso não está acontecendo. Isso não pode estar acontecendo. Girando ao redor, eu enfio os dedos pelo meu cabelo, tentando descobrir uma maneira de entrar. Oh Deus. O que eu faço? Eu tenho que chegar lá. E se ele... e se eu não conseguir... Não. Eu balancei minha cabeça, recusando-me a deixar-me ir lá. Virando-me, eu encaro a porta. Isso está me matando, sabendo que Devin está em algum lugar do outro lado desta parede. Eu levanto minhas mãos, colocando-as planas contra a madeira. — Por favor, — eu sussurro. Algo dentro de mim para e eu aperto meus olhos fechados, empurrando outra onda de lágrimas pelo meu rosto. Um grito quebrado rasga do meu peito, e meus ombros tremem quando eu luto para sugar o ar. Porque isso está acontecendo? Será que ele já não sofreu o bastante? Eu não tenho estado através disso o suficiente? Devin está finalmente ao alcance, para o bem, e eu não posso nem mesmo tocá-lo. Ele está em um desses quartos frios, estéreis, ligado a Deus sabe o que, e eu não estou lá com ele. Eu deveria estar lá. Enrolando meus dedos para dentro, eu cavar minhas unhas nas palmas das minhas mãos,

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fazendo um punho, e, em seguida, bato furiosamente contra a única coisa que me separa dele. Eu não tenho ideia de quanto tempo eu bato na porta, determinada a conseguir a atenção de alguém, mas ninguém anda por aqui ou se oferece para ajudar, e, eventualmente, a raiva e determinação ofuscam a minha dor. Largando meus braços, eu passo para trás da porta, lembrando-me de algo que Devin me disse uma vez. : *A força vem de dentro. Tornam-nos fortes, Katie, e agora eu preciso de você para cavar fundo e descobrir sua força. E quando você encontrá-la, eu preciso de você para segurá-la. Eu não me importo quantas vezes você quiser desistir e deixar ir, você se agarra a essa força e você luta.* Um arrepio percorre-me como se ele fisicamente apenas sussurrou aquelas palavras no meu ouvido. Empurrando a tristeza, cansaço e dor, cavo fundo, descobrindo a força que ele estava falando. Endireito minhas costas, eu vou até o interfone e aperto o botão novamente. — Posso ajudá-lo? — É a mesma mulher de antes. Eu tremo, sabendo que eu não vou chegar a lugar nenhum, mas determinada a pelo menos tentar. — Eu não vou sair. — Minhas palavras saem firmes e fortes, o oposto completo de como estou me sentindo no interior. As lágrimas sentam-se logo atrás dos olhos, esperando para entrar em erupção novamente, esperando para derramar pelo meu rosto tremendo. — Eu vou ficar fora dessa porta e apertar o botão, até que alguém me deixe entrar lá. — Senhora, escute... — Não, você escuta, — eu exijo, apontando o dedo para o interfone como se fosse seu rosto. — Eu não tenho dormido em quarenta e oito horas. Eu estou um caco, eu estou cansada e eu estou morrendo de medo porque o homem que eu amo está em um desses quartos lutando por sua vida, e você não me deixa vê-lo. — A adrenalina está fluindo através de meu corpo, e eu corro uma mão trêmula na frente da minha camisa. O desejo de vê-lo, sentilo, supera qualquer fraqueza nas pernas. Ele coloca o fôlego em meus pulmões. Ele reprime as lágrimas que querem cair. — Devin é meu, — eu proclamo, minha mão em punho sobre meu coração. A verdade e a potência desta declaração se infiltra através das minhas veias, aquecendo-me de

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dentro para fora. Eu sei que se Devin estivesse aqui agora, ele ficaria orgulhoso como o inferno. — Ele. É. Meu. E se você pensar por um segundo que eu estou indo embora agora, porque você diz os que horários de visita acabaram, bem, então, você tem outra coisa vindo. O manuseio sobre a porta muda e eu passo para trás, os olhos arregalados, grato que alguém está me dando a hora do dia. A porta racha aberta e um baixa, gorda mulher, mais velha passa para o corredor, fechando a porta silenciosamente atrás dela. — Senhora. — Katie, Eu digo. — Por favor, me chame de Katie. — Katie, eu entendo que você quer ver seu amado, mas como eu disse anteriormente, o horário de visita acabou. Temos horários de visita rigorosos por razões muito específicas, e eu sei como é frustrante, mas você não pode ficar aqui fora agindo assim. E se você não parar, eu vou ter que chamar a segurança. — Sem um segundo olhar, ela se afasta, fechando a porta silenciosamente na minha cara. — Foda-se, — Eu assobio, andando através do corredor. Toda a força que eu tinha conseguido reunir quebra. Minha cabeça gira e eu paro, firmando-me contra a parede. Estou completamente insensível, meu coração, meu cérebro, meu corpo... tudo isso está insensível. pura e absoluta exaustão assume. Pressionando minhas costas contra a parede, eu deslizo para baixo até minha bunda atingir o azulejo frio. Eu dobro meus joelhos, passo meus braços em torno de minhas pernas e trago-as para perto. — Eu estou aqui, Devin, — eu sussurro, enterrando meu rosto em meus braços. A faixa apertada contrai em volta do meu peito, e desta vez, quando as lágrimas caem, não há nenhum aviso. Elas simplesmente caem, e eu deixoas. Meu coração está me dizendo para pegar minha bunda para cima e encontrar uma maneira de chegar a ele, mas minha cabeça está tendo nenhuma parte dele. A última coisa que eu preciso é ser arrastada para fora daqui por seguranças. — Senhorita?

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Meu corpo sacode quando uma mão pousa no meu ombro, mas eu não olho para cima. Eu não posso. — Eu estou bem, — murmuro, um soluço subindo na minha garganta, porque eu estou nada, mas bem. — Isso é uma mentira. — Eu fungo, limpando o nariz na manga do meu casaco. — Eu não estou bem. Eu estou miserável. Eu não tenho ideia se Devin está bem. Minha voz racha quando eu digo seu nome em voz alta. — Eles só me dizem que ele está vivo, — eu choro, — mas isso é tudo que eu sei, e tudo que eu quero fazer é ir lá e... eu quero dizer-lhe que e-eu o amo e que ele tem que manter-se forte. Eu preciso dizer-lhe o-obrigado por me salvar e por, — eu puxo uma respiração afiada, sobrecarregada pela quantidade de coisas que eu preciso dizer a ele, — me amar. Eu não sei o que vou fazer se ele não conseguir. — Estourando uma respiração lenta, eu aperto os lábios. Meu queixo está tremendo tanto que fisicamente dói, e eu me pergunto se alguém se importaria se eu apenas me enrolasse em posição fetal aqui mesmo no chão. — Eu não vou sob-sobreviver sem ele. Eu sei que eu não vou. Eu balanço minha cabeça, golpeando as lágrimas, ainda olhando para o chão entre as minhas pernas. — Ele tem que estar bem. Ele só tem que... — Eu me mantenho a divagar porque é bom para conseguir isso tudo, mas eu não tenho absolutamente nenhuma ideia se a mulher ainda está lá ou se ela realmente foi obter segurança. Levantando minha cabeça uma fração, eu espreito através dos meus cílios e fico cara a cara com uma jovem. — Eu não sei o que dizer. — Sentada ao meu lado, ela e inclina a cabeça contra a parede. — Ele soa como um homem de sorte por ter você. Limpando a garganta, eu arrumo minhas pernas para imitar sua posição. Eu não posso sequer imaginar o quão horrível eu pareço. Meus olhos se sentem inchados, e eu tenho certeza que eles estão tão vermelhos como podem ser. Minha maquiagem de dois dias está muito longe e meu cabelo é nada menos do que um ninho de ratos, mas a mulher está me olhando com curiosidade aberta e compaixão desenfreada. E agora, isso é algo que eu poderia usar um pouco. — Eu sou a sortuda, — digo a ela. — Ele é meu mundo e eu faria qualquer coisa por ele. — E por ele, você está se referindo a alguém lá, — eu assumo. Ela aponta sua mão para a UTI e eu aceno. — Entendo. Eu estou supondo que

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você chegou aqui depois do horário de visitas. Eu aceno novamente. — Quando foi a última vez que você viu...? — Devin, — eu respondo com um sorriso aguado. — Seu nome é sargento Devin Clay, e eu não o vejo a quarenta e três dias, dezoito horas e... Eu olho para a meu relógio... Trinta e três minutos. — Mas quem está contando? — Ela ri e se empurra para cima a partir do chão. Noto pela primeira vez que ela está vestindo um par de uniformes cirúrgicos azuis muito parecidos com o da mulher mais velha de mais cedo. Ela estende a mão e eu olho para ela como se fosse um objeto estranho. — Gostaria de ir ver Devin? Eu salto do chão. — Você pode fazer isso? — Eu pergunto, pressionando a mão ao braço. — Eu posso, — diz ela, balançando a cabeça. — Assim que houver as mudanças de turno, eu vou pegar você de volta. — Como? — Eu respiro. — Por que você pode me deixar entrar, mas ela não poderia? — Eu pergunto, acenando com a mão para a UTI. Eu sou uma enfermeira; Eu deveria saber esta resposta. Mas agora, minha mente está focada em uma coisa e uma coisa só. — A enfermeira que você falou era mais velha? — Eu aceno e ela sorri. — Alguns dos mais velhos estão definidos em seus caminhos. Eles não gostam de burlar as regras; eles gostam de manter-se firme ao lado delas. Sorte para você, o grupo muito mais legal, muito mais jovem de enfermeiros executam o turno da noite, e nós preferimos quebrar as regras ao invés de segui-las. Ela pisca, e sem pensar, eu envolvo meus braços em volta dos seus ombros, arrastando-a para um abraço. — Obrigado. — Você é muito bem-vinda. — Afastando-se, ela me guia em direção a uma sala de espera. — Sente-se aqui e eu venho buscá-la em pouco tempo. — Katie! — Eu digo, pegando-lhe a atenção depois que ela se vira para ir embora. Ela inclina a cabeça para o lado, olhando-me com curiosidade. — Meu nome é Katie. Um sorriso amigável desliza em seu rosto. — Jennifer.

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— Obrigado, Jennifer. — Eu não posso infundir gratidão suficiente para essas três palavras, mas espero que ela saiba o quão grata eu sou. Acenando com a cabeça uma vez, ela se afasta. Caminhando para a sala de espera, noto uma mulher jovem dormindo em um dos sofás. Duas meninas estão sentando-se no chão com uma caixa de lápis de cor e um livro de colorir, e quando eu sento em uma das cadeiras, ambas olham para cima. — Oi. — A única mais jovem sorri para mim e eu não posso deixar de sorrir de volta. — Oi. — O seu pai está aqui também? — A questão é tão inocente, e se o meu coração já não estivesse quebrado, ele teria agora. — Não, — eu respondo, balançando a cabeça. — Seu marido? — Não. — Eu rio, balançando a cabeça novamente. — O meu namorado. — Meu melhor amigo. O amor da minha vida. O homem que eu quero casar. — Ah! — O entusiasmado grito querubim quebra ao redor, batendo uma mão sobre sua boca. — Você tem um ‘namolado’? — ela sussurra. Concordo com a cabeça com um sorriso e ela abaixa a mão. — Papai diz que não posso ter um ‘namolado’ até que eu tenha ‘tinta’. — Bem, seu pai parece ser muito inteligente. Tenho quase trinta anos, então eu acho que estou bem. — Quer que eu ‘joze’ com você? — Eu balanço a minha cabeça para o lado, tentando determinar se ela disse 'jogar' ou 'rezar'. — Minha Nana diz que eu devo ‘jozar’ muito. Ela diz que vai ajudar ‘tazer’ o papai de volta. Vou ‘jozar’ com você, se você quiser. — Pare com isso, Sally. — A garota mais velha dá um tapa no braço de Sally, mas Sally apenas sorri. — Esta é ‘Sawah’. — Oi, Sarah. Eu ofereço um pequeno comprimento para a jovem. — Meu nome é Katie.

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Sally se levanta e caminha ao redor da mesa, não parando até que ela está de pé na minha frente mim. — Eu gosto desse nome. Eu tenho uma amiga chamada Katie. — Você tem? Sua cabeça balança um pouco excitada. — Toc, toc. — Eu giro em torno ao ouvir a voz familiar e vejo Jennifer de pé na porta. — Pronta? — Sim! — Voltando-me para Sally, eu aperto sua mão na minha, grata que esta menina preciosa pôde momentaneamente me distrair. Sally desliza sua pequena mão na minha e balança-a. — Foi tão bom conhecê-la. Eu vou fazer algumas orações extra-especiais para o seu papai. — ’Obligada’ você, — diz ela, e seu sorriso ilumina o quarto. Mas no segundo que eu passo para o corredor e caio no passo atrás de Jennifer, se desvanece o brilho. Depois que ela desliza sua insígnia, a porta clica e ela puxa-a aberta, eu sigo-a para a mal iluminada UTI. Ela pergunta: — Você já foi atualizada sobre o estado do Sargento Clay? — Não. Na verdade, eu não sei muita coisa. — Passamos pelo posto de enfermagem e depois paramos na frente da sala dois. Ele está lá dentro. Meu peito aperta e eu engulo em seco. — Eu recebi o telefonema sobre a explosão. Foi-me dito que cidade e hospital, ele estava sendo transportado e que sua condição foi identificada como crítica. Isso é tudo que eu sei. Jennifer acena com a cabeça lentamente. — Dr. Karesh está cuidando do sargento Clay, e ele vai estar amanhã de manhã por volta das dez. Se você parar por aqui, em seguida, ele vai ser capaz de entrar com mais detalhes sobre os ferimentos e a condição do seu namorado. — Estarei aqui. — Eu achei que você estaria. Basta lembrar que quando mudar os turnos você vai ter que sair. — Ela me dá um tapinha no braço e eu aceno enquanto eu viro. Mal sabe ela que eu não vou a lugar nenhum, mas não há nenhum sentido em começar um argumento, porque agora eu tenho algo muito mais importante para cuidar. Segurando a maçaneta, eu abro a porta e uma cacofonia de sons flutua através do ar. Quantas máquinas que ele

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está ligado? Ele está inchado e machucado? Será que vou reconhecê-lo? — Você está bem, Katie? Jennifer pergunta. Aperto meus lábios, eu aceno e entro na sala. A visão na minha frente me para morta em meu caminho. Levantando a mão trêmula à minha boca, eu puxo uma respiração afiada. Meu Deus. A dor aguda rasga meu peito. — Devin, — eu respiro, correndo em direção a ele. — Oh, Deus. — Lágrimas correm quente pelo meu rosto e eu pego sua mão fria na minha, beijando-a várias vezes antes de embala-la contra meu peito. Ele sempre parecia maior que a vida, mas hoje, escondido sob o lençol branco, Devin parece tão incrivelmente frágil. Lembro-me da pior maneira possível que o meu herói... meu soldado... é humano. Apertando os olhos fechados, eu envio uma oração silenciosa. Por favor, Deus, por favor, deixe-o passar através disto. Engolindo em seco, eu abro meus olhos e olho para Devin. Meu Devin. Tubos de plástico transparente desaparecem entre seus lábios, sem dúvida, levando à sua traqueia, e meus olhos derivam em direção ao ventilador depositado ao lado de sua cama. Ele não está respirando por conta própria. Uma bandana grossa está envolvida em torno de sua cabeça. Cortes e contusões estragam seu rosto lindo. Um IV está anexado à sua mão direita, que leva a três sacos diferentes de líquidos claros a partir de uma conexão de IV na cabeceira da sua cama. Ele tem um manguito de pressão arterial garantido ao redor de seu braço esquerdo e elétrodos são visíveis sob o pescoço de seu vestido. Meus olhos derivam para o monitor cardíaco. Um sinal sonoro constante ressoa por toda a sala, me infundindo com esperança. Seu coração ainda está batendo. Meu olhar varre a sala, e eu deteto um pequeno saco de lona dobrado contra a parede no canto como se foi posto de lado e esquecido. Sem pensar, eu gentilmente descanso a mão de Devin na cama e atravesso o pequeno espaço. Caindo de joelhos, eu pego o saco e chego lá dentro, tirando uma camiseta verde escura, pelo menos é isso que eu acho que é. O tecido está

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esfarrapado e... isto é sangue? Um tremor passa pelo meu corpo e eu definoo de lado. Olhando no saco, um lampejo de metais chama a minha atenção e eu puxo o objeto para fora. Um gemido estrangulado rasga do meu peito com a visão das etiquetas de Devin. Segurando a cadeia na minha mão, eu alcanço o interior uma última vez e retiro uma imagem. Eu engasgo uma risada aguada, passando o meu polegar sobre a fotografia suja. Tomado a última vez que o vi, ela é uma das minhas favoritas. Nós estávamos no quarto do hotel, e foi a última noite de Devin em Pittsburgh depois do funeral de sua mãe. Os lindos olhos verdes de Devin estão treinados na câmara. Seu rosto está dividido em um enorme sorriso, enquanto eu estou beijando seu rosto. Meu queixo treme quando eu me lembro do momento. Aquele dia, todo fim de semana foi fundamental para nós em muitas maneiras. Uau. Realmente só foi um pouco mais de um mês atrás? Eu sinto como tanta coisa aconteceu desde então. Empurrando a partir do chão, dou de ombros para fora do meu casaco molhado e penduro-o na parte de trás da porta. Cuidadosamente, eu coloco a fotografia no bolso do casaco, deslizando as etiquetas de Devin sobre minha cabeça e faço o meu caminho em direção a ele. — Eu me sinto tão perdida, — murmuro, correndo os dedos sobre a parte superior de sua mão, querendo nada mais do que ele para agarrar minha mão, me puxar para perto e me dizer que tudo vai ficar bem. Quero que ele me diga que isto foi apenas uma pequena colisão na estrada que leva ao nosso para sempre. Estávamos tão perto, tão próximo do final de sua implantação e iniciar nossas vidas juntos. E se eu nunca mais começar a sentir a sua mão em volta do meu pescoço para me arrastar para um beijo ou sentir o calor de seus lábios contra os meus? E se eu nunca chegar a ouvi-lo rir de novo ou olhar em seus olhos quando eu caminhar até o altar? E se eu nunca tiver a chance de dizer a ele que ele vai ser pai? A vontade de tocá-lo, estar perto dele, sentir o calor do seu corpo contra o meu é esmagadora. Meus membros crescem pesados e, como um soco no estômago, tudo me atinge de uma só vez. Há tantas coisas que temos ainda para experimentar juntos, tantas coisas a dizer e fazer, e o pensamento de

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nunca mais ter a chance me faz sentir como se alguém está empurrando uma faca para o centro da minha alma. Levantando o braço de Devin, eu gentilmente sento na cama ao lado de seu quadril e com muito cuidado, sem perturbar qualquer um dos tubos ou fios, enrolo meu corpo contra o dele. Descansando minha cabeça suavemente em seu peito, eu deixo a batida constante de seu coração acalmar minha alma dolorida. Eu o uso como um lembrete de que ele ainda está aqui, ele ainda está lutando e eu preciso lutar com ele, para ele. — Ei você aí, soldado. — Minha voz falha e uma torrente de lágrimas correm para fora do canto do olho, sobre o nariz e a caem do meu rosto, apenas para ser absorvida pelo algodão macio do vestido do hospital de Devin. — Eu vou precisar que você lute, certo? Eu preciso que você sobreviva a isso, porque eu não posso viver essa vida sem você. Eu fungo, aninhando meu rosto nele. — Você sabe o que me aconteceu da última vez. Eu não posso passar por isso novamente. Eu não vou sobreviver a este tempo, Devin, não sem você. Você é tudo para mim. Você é a razão de eu acordar todas as manhãs. Basta saber que eu vou começar a falar com você ou ler suas palavras me deixam a passar o dia. Você me possui, Dev. Meu coração é seu, e eu lhe dei minha alma há muito tempo. Levantando-me no meu cotovelo, eu estico meu pescoço, salpicando beijos em toda a sua mandíbula. — Eu te amo tanto. Eu preciso de você mais do que eu já precisei de alguém. Por favor, acorde, baby, — eu choro. — Eu não estou indo a lugar nenhum, eu prometo. Enquanto você estiver aqui, eu estou aqui. Contanto que você esteja lutando, eu estou lutando. Eu vou lutar com você e para você. Eu serei sua rocha, e eu vou te amar e falar com você e trazê-lo de volta da escuridão, assim como você me trouxe de volta. — Inclinando minha cabeça um pouco mais, eu toco meus lábios nos dele, odiando como secos e frios eles se sentem. — Eu quero casar com você, — eu sussurro contra sua boca. — Casese comigo, Devin. Acorde, cure, e, em seguida, se case comigo. Deixa eu te amar e cuidar de você e mostrar o que uma família de verdade é. E vamos ter filhos, ok? — Minha voz quebra em um soluço e eu puxo para trás, limpando a umidade do meu rosto. — Muitos e muitos bebês. Quero meninos pequenos doces com seus grandes olhos verdes e cílios grossos escuros. A nossa menina vai ter o seu cabelo escuro e seu sorriso. — Eu fecho meus

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olhos, imaginando isso na minha cabeça. Eu não sei porque, mas eu tenho um sentimento que é uma menina. — E sua risada, — eu sussurro, o pensamento causando uma sugestão de um sorriso a puxar minha boca. — Ela vai ter sua risada. E ela vai te amar e te adorar, e eu sei que você vai ser o melhor pai do mundo. — Katie. A voz profunda e grave me assusta e meus olhos se abrem, e desembarcam instantaneamente sobre a figura de pé na porta. Eu tomo uma respiração lenta com a visão dele. Lábios desenhados, olhos apertados, avermelhados cheios de lágrimas, seu rosto está cheio de emoção. Eu sei que, agora, ele precisa de mim tanto quanto eu preciso dele. — Navas. — Correndo para fora da cama, eu vou em direção a ele. Ele me encontra no meio do caminho e eu ando em linha reta para seus braços em espera. — Oi, — eu sussurro, enterrando meu rosto em sua camisa. Ele não responde, mas o seu poder sobre mim aperta. Seus ombros largos saltam quando um grito borbulha do fundo de seus pulmões. Apertando os braços em volta do pescoço dele, dou-lhe o que ele precisa... alguém para segurar, alguém para lhe dar esperança. Nós ficamos lá por um longo tempo, mas eu não o deixo ir, não até que ele se afasta. — Desculpe, — ele murmura, dando um passo para trás. — Isso provavelmente não era a melhor maneira de me apresentar. — Bem, você já me viu nua... — Eu dou de ombros e dou-lhe um olhar o-que-se-pode-fazer. Uma risada sufocada cai de boca de Navas e, em seguida, ele balança a cabeça, passando a mão pelo rosto. — Devin quase porra me matou por isso. Desculpe, de qualquer maneira, — diz ele, desviando os olhos. Um rubor arrasta-se até o seu pescoço, e fico com a sensação de que não há muito coisa que vai fazer este homem corar. — Você está perdoado. — Deslizando minha mão na sua, eu levo-o para a cama. — Agora, por favor, me conte sobre o que está acontecendo? O médico não estará aqui até amanhã e eu estou tão perdida. — Meu nariz arde com lágrimas iminentes e eu aperto meus olhos fechados, ouvindo

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quando Navas começa a falar. Não tenho certeza se eu captei tudo isso, mas eu certamente escuto as partes importantes. — Houve uma explosão... Danos às pernas... Lesão cerebral ... Precisa amputar abaixo de ambos os joelhos... Eu não ouvi uma coisa depois disso. Estendendo a mão, eu puxo o cobertor que está cobrindo Devin. Suas pernas estão envolvidas, mas elas estão lá. Oh, graças a Deus, eu penso comigo mesmo. Eu devo ter ouvido que ele estava errado. — O que foi aquilo uma amputação? — Eu pergunto, tentando limpar as teias de aranha. Eu ainda estou correndo em pura adrenalina e, provavelmente, a segundos de distância de cair de cara no chão. — Ele vai amanhã de manhã para a cirurgia. Eles não podem salvar as pernas dele, Katie. Confie em mim, eles tentaram. Mas agora, a única chance de sobrevivência de Devin é tê-las removidas. — As palavras de Navas são lentas e precisas, como se ele soubesse que estou na iminência de perdê-lo. — Eu não posso acreditar nisso, — eu digo, caindo para uma cadeira ao lado da cama. Olho para onde as pernas de Devin estão debaixo das cobertas, e depois meus olhos levantam para Navas. — Ele vai passar por isso, — diz ele, a convicção tocando alto em suas palavras. — Devin é um filho da puta, e ele te ama mais do que a própria vida. Confie em mim, ele vai ficar bem. E nós vamos chegar uns aos outros através disto, para que possamos ser fortes para ele, ok? — Eu aceno debilmente e Navas aperta minha mão na sua. Nós assistimos Devin por vários minutos, nenhum diz uma palavra e uma coisa está pesando em minha mente... uma coisa que eu estou desesperado para dizer a alguém. — Estou grávida! — Eu digo. Os olhos de Navas ampliam, sua mandíbula cai aberta e seu olhar cai para o meu estômago. — Você está…grávida? — pergunta ele, olhando para mim. Meu coração está alojado no centro da minha garganta e eu não consigo formar palavras, então eu simplesmente aceno. O pensamento de não conseguir compartilhar isso com Devin é demais e minhas emoções entram em erupção. — Eu preciso dele, Navas. Eu não posso fazer isso por mim... Eu não quero fazer isso por mim.

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— Pare, — diz ele, cobrindo meu rosto com a mão. — Você precisa dizer a Devin. Na primeira chance que você tiver, você precisa dizer a ele. Isto vai dar-lhe algo para lutar, algo para segurar. Mas você não pode falar assim de novo. Não é bom para você, e não é bom para o bebê. Concordo com a cabeça novamente, enxugando as lágrimas do meu rosto. — Mas eu quero que você saiba que você nunca vai fazer isso sozinha. Entendeu? Porque não importa o que aconteça, você tem a mim, e eu não vou a lugar nenhum. — Obrigado, — eu sussurro, engasgando com as minhas palavras. — Não me agradeça, — diz ele, seus olhos suavizando. — Ele é meu irmão, e é isso que irmãos fazem.

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Devin “Awake and Alive”—Skillet

O som fraco de choro penetra na minha cabeça. Há vozes abafadas em torno de mim, um homem e uma mulher, mas eu não posso dizer o que eles estão dizendo. Eu quero perguntar, mas minha boca está seca. Muito seca. Eu luto para abrir meus olhos, mas o troço não vai ceder. Nem meus braços... ou as minhas pernas. Em seguida, outra voz, esta não familiarizada, rompe através do ar. Onde estou? Tento gritar. Nada. Por que não posso me mover? Por que minhas pernas queimam? — Ele está se mexendo! — A voz é baixa abafada, mas eu ainda posso escutar. É Navas, e por um momento eu me pergunto se eu estou sonhando. Eu tento alcançá-lo, mas, novamente, nada acontece. — Devin... Devin... Volte para nós, baby. — Katie? Katie está aqui? Este não se sente como um sonho. É assim muito real. Eu tento alcançá-la. Nada. — Devin, por favor, acorde, — ela chora. Uma mão quente suavemente acaricia meu rosto. Eu sei que toca em qualquer lugar. As sensações são maçantes, mas eu sei que é ela. Eu posso sentir seu perfume. Este não é um sonho. É real. Tem que ser. Mas onde estou? — Devin, pare de ser uma vadia e abra os olhos. Sua menina sente falta de você, cara. Por que você sempre tem que estar jogando jogos? — Navas resmunga. Um punho bate levemente no meu ombro. Filho da puta isso machuca!

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Uma última vez eu forço os meus olhos para abrir, usando toda a força que eu posso reunir. Luz atravessa a abertura minúscula entre as minhas pálpebras, e é tão brilhante que parece que eu estou olhando para o sol. Instintivamente, eu levanto um braço para proteger os olhos e sinto a palma da minha quando uma mão tapa com força contra minha testa. Foda-se, eu sinto isso também. Há comoção no quarto. Navas e Katie estão me incentivando, me pedindo para mexer novamente, para abrir os olhos. Eu tento mover meu braço e novamente sinto um tapa com força, desta vez para o meu lado. Dou-lhe uma última tentativa e minhas pálpebras se abrem, os raios fluorescentes cegando-me completamente. Eu torno a fechá-los e, em seguida, a luz atrás de minhas pálpebras escurece. Sinto que as luzes fluorescentes foram desligadas, permitindo-me aliviar os olhos abertos novamente. Desta vez eu noto que a lâmpada foi ligada. — Está melhor, irmão? — Pergunta Navas. Concordo com a cabeça a cabeça com firmeza em direção as figuras distorcidas de Navas e de Katie, o efeito desfocado provoca uma mudança de brilho. Katie se move para mais perto de mim, perto o suficiente para que eu possa olhar para o seu lindo rosto, e ela me leva gentilmente em seus braços, beijando cada polegada do meu rosto. Cada vez que seus lábios escovam contra mim trazem uma sensação de formigamento que me faz sentir como se eu estivesse brilhando. — Oh Deus, baby, eu estou tão feliz que você está de volta. Eu sabia que meu soldado iria sobreviver. Eu só sabia! — Quando ela se afasta, eu posso finalmente vê-la completamente. Parece que ela não dormiu em dias e passou a maior parte desse tempo a chorar, mas ela ainda é tão incrivelmente bela. A visão dela faz com que o meu monitor cardíaco acelere. Eu tento sorrir para ela, mas os músculos do meu rosto se sentem fraco. Eu abro e fecho minha mandíbula várias vezes para esticá-la. — Bem-vindo de volta, mano. — Navas sorri amplamente e pega a minha mão na sua. Eu encontro seus olhos e aperto sua mão. Eu quero dizer, Cara, por que diabos você está segurando a minha mão, mas tudo o que consegue sair é “obrigado” antes de eu ter um ataque de tosse.

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— Não fale, — Katie diz, desaparecendo da minha vista. — Eles simplesmente tiraram seu tubo de respiração, e eles disseram que sua boca estaria seca e sua garganta dolorida. Deixe-me pegar-lhe alguns pedaços de gelo. O som fraco de farfalhar chama a minha atenção, mas quando eu tento virar a cabeça em direção ao barulho, dor lança através de minhas têmporas. Porra. Seu rosto aparece na frente do meu. — Abra. — Eu faço como me disseram, porque Katie é uma enfermeira porra quente como o inferno. Meus lábios abrem e ela coloca um pouco de gelo, que se dissolvem instantaneamente. Ela me dá um pouco mais, e depois de eu engolir um par de vezes, eu sinto como se posso realmente falar. — Onde estou? — pergunto, as palavras saem fracamente dos meus lábios, o frio dos pedaços de gelo contra a minha garganta entorpecente a dor. — Walter Reed em Washington DC, mano, — diz Navas. — Há quanto tempo estou aqui? — Três dias. Você foi atingido há uma semana embora. Fui atingido? Eu examino o meu cérebro para o que ele poderia estar falando, mas nada vêm acima além de um vazio. A última coisa que eu me lembro era de estar encarregado da missão para procurar pelo, — Sargento Adams, — eu digo assim que o pensamento bate no meu cérebro, — o que aconteceu com o sargento Adams? — Navas olha para Katie e depois para o chão, então para mim novamente. Ele abre a boca para dizer algo, mas para a si mesmo. Quando ele balança a cabeça lentamente de um lado para o outro, eu fecho meus olhos e deixar a informação afundar. — O que aconteceu comigo? — Você foi atingido por um RPG. Apanhou-te muito ruim. — Eu abri meus olhos para cima, e eu posso ver que os olhos de Navas deixaram os meus novamente e estão de volta no chão. Ele respira para fora, longo e lento. Eu sinto o calor. Sinto o cheiro da pele queimada. Eu sinto o gosto da fuligem. — O que aconteceu comigo? — Eu repito, rangendo os dentes, a necessidade de saber o verdadeiro estado em que estou. Navas olha para Katie, mas ela apenas balança a cabeça, cobrindo a boca com a mão trêmula

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com lágrimas nos olhos. Meu corpo treme, pânico segurando na minha garganta. — Alguém precisa me dizer o que diabos está acontecendo. Navas olha para baixo para minhas pernas e meus olhos seguem seu olhar. Se for possível, meu maldito coração para. Adrenalina, medo, confusão... todos eles estão bombeando rapidamente através do meu corpo. Onde deveria haver um pé, não há. Quase instantaneamente, os eventos jogam através de minha cabeça como uma apresentação de slides frenética fodido. A patrulha de ataque... Porta a porta... Sendo chamado de volta... Tomando fogo... minha visão fica preta e eu aperto meus olhos fechados. Há outra coisa, mas eu não posso vê-lo. O que é isso? O que mais aconteceu? Katie corre para o meu lado, sobe na cama comigo e enxuga as lágrimas do meu rosto antes de me envolver em seus braços. Eles me acalmam um pouco, mas eu preciso de mais respostas. — O que você está fazendo de volta? — Pergunto a Navas, tentando acionar a memória ausente. — Eu levei alguns estilhaços da bomba. Obtive muito bem na cabeça. Nada grave, mas eles me mandaram aqui com você para alguns testes e para remover os estilhaços. — Quando ele diz isso, eu noto pela primeira vez que ele está vestindo um vestido de hospital. — Tudo está bem agora. Eles vão me manter aqui por mais alguns dias e depois me dar alta. — E quanto a Elkins e Thomas? — Pergunto. Navas parece confuso, e depois de tudo mais uma vez seu rosto fica pálido. — Elkins ainda está em Bagdá. Ele vai voltar com a unidade em uma semana ou assim. Thomas... — Suas palavras param e meu coração chuta em alta velocidade. — E Thomas? — Eu pergunto, sentindo a minha voz começa a virar contra mim, o nó na minha garganta fica rapidamente mais apertado. Ele não responde, nem olha para mim, e por algum motivo Katie aperta seu braço em volta de mim. Ela permite que algumas lágrimas corram pelo seu rosto, o que ela faz o seu melhor para esconder de mim. — Por favor, Navas! — Thomas... — Navas respira para fora e limpa uma lágrima de seus olhos. — Thomas está morto. — Seus olhos encontram os meus. — Ele foi

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baleado, Clay. Você se machucou tentando recuperar o seu... Seu corpo. — Navas aponta para a mesa de cabeceira e eu lentamente viro a cabeça. A estrela de prata senta-se ao lado de um coração roxo do emblema da infantaria de Combate em cima da mesa de cabeceira. — Eles lhe deram isso, diz ele. Suas palavras fazem o meu sangue correr frio. Nada. Elas não significam nada. Os meus olhos estão sobre os prêmios, mas minha mente não está. Que dia horrível, finalmente, entra em foco e eu posso ver Thomas no chão, impotente e estendendo a mão para mim. Lágrimas empurram os limites de meus olhos antes de rolarem pelo meu rosto corado. Uma dor aguda corta em linha reta através do meu peito, e a pressão envia ondas de choque através do meu corpo e até o meu crânio. Estou tonto e começando a sentir vertigens. Meus olhos se fecham, e por um momento, eu me sinto mal ao meu estômago. — Clay, você está bem, homem? — Há preocupação na voz de Navas. Sinto Katie levantar a cabeça, e ela faz o seu melhor para limpar o meu rosto. Meus olhos se fecham e, em seguida, piscam fortemente antes de abrir de volta. Que porra há de errado comigo? — Baby, você está bem? — Pergunta Katie. Através da minha visão turva, vejo a abordagem do médico. Katie sai da cama e, em seguida, em uma onda de atividade começa, uma enfermeira corre no quarto e começa a verificar os sinais vitais. Fecho os olhos ao sentir a mão gelada contra a minha testa. Eu escuto como o médico recita algumas ordens antes de dizer algo para mim. — Sargento Clay, meu nome é Dr. Vincent. Eu sou um dos médicos que está tomando conta de você. Você pode me dizer o que você está sentindo agora? Eu pisco os olhos várias vezes e vejo como ele lentamente entra em foco. — Vertigens... Tonturas...Enjoo, — eu digo. É a única coisa que eu posso vir para acima. Um frio corre pelo meu corpo. O sinal sonoro constante que emana em toda a sala fica mais alto e mais alto. O médico olha para o monitor e, em seguida, rapidamente faz o seu caminho em direção à porta. — Eu já volto. — A preocupação está

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espessa em sua voz, e posso dizer que Katie pega nele. As lágrimas voltam e ela vem me abraça novamente, me beijando na minha testa e depois em meus lábios. Eu tento beijar de volta, mas eu não posso. Por que não posso beijá-la? — Por favor, por favor, por favor, baby, lute para mim, — ela grita, esfregando o rosto no meu pescoço. Por que ela está me pedindo para lutar por ela? O que está acontecendo? Estou muito frio, e sinto meus membros indo e vindo. Meus olhos se fecham e não abrem novamente. Eu sinto um suor frio. Eu posso ouvir os dois Navas e Katie chorando. Navas não pode chorar... ele nunca chora. Por que diabos ele está chorando? — Diga a ele, Katie, talvez vai ajudar. Por favor, diga a ele, — implora Navas. Dizer-me o que? Há um silêncio por um momento e a espera é insuportável. A enfermeira ainda está voando ao redor da sala e as mãos estão rasgando meu vestido. Que diabos está acontecendo? Eu vejo quando uma das enfermeiras empurra Katie longe da cama, mas Katie empurra seu caminho de volta. — Diga-me, — eu de alguma forma consigo dizer, usando cada gota de energia que me resta. A enfermeira puxa o braço de Katie novamente. — Senhora, eu preciso de você saia do caminho. — A pressão arterial é 88x50 mmHg. Pulso 133 bpm, outra voz chama. Que diabos é isso? — Dê-me um segundo, — Katie rosna antes de embalar meu rosto em suas mãos. Seus olhos estão inchados e ela tem maquiagem escorrendo pelo rosto, mas ela nunca pareceu tão bonita. Ela é meu anjo. Katie traz a boca ao meu ouvido e sussurra: — Você vai ser pai, Devin. Repito suas palavras mais e mais na minha cabeça. Um pai... Eu vou ser pai. Estou cheio de tanta alegria que eu sinto como se estivesse flutuando. — Eu vou ser um pai, — eu digo, minha voz crua e arranhado. Cegamente, eu pego a mão de Katie e ela envolve sua mão ao redor da minha.

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— Sim, querido, você será... — Suas palavras cortadas quando um soluço rasga sua garganta. Ela beija minha bochecha e depois os meus lábios, e então ela se foi. O que aconteceu? Onde ela foi? Eu tento chegar de novo, mas desta vez nada acontece. Meus olhos estão queimando e eu posso sentir as lágrimas escorrendo pelo meu rosto. O pensamento de ter um bebê com Katie me faz querer sorrir, só que quando eu tento, meus lábios apenas se contorcem. Imagens passam como flashes por trás das minhas pálpebras... Katie e eu com uma menina bonita... Rindo, de mãos dadas... Beijos bobos... Eu posso ver cada dia do resto da minha vida com a minha pequena perfeita família, vivendo a vida que estava no roteiro para nós por Deus, posto em movimento por ele muito antes de nós existirmos. E então a escuridão se arrasta lentamente. Tudo fica preto. O zumbido ininterrupto de um monitor cardíaco filtra através do ar, ao mesmo tempo meu corpo fica completamente dormente. Meus membros se tornam pesados, e a menos que eu estou sonhando, eu tenho as minhas pernas de volta. A luz branca brilhante aparece do nada. Esta luz não fere meus olhos, e há algo sobre isso que me faz querer levar tudo dentro. Eu fecho meus olhos, e quando eu os reabro, vejo braços abertos me esperando.

Katie — Me solta! — Eu grito quando um dos enfermeiros aplica gel para o peito de Devin. Alguém me envolve em seus braços, e quando eu me esforço para me libertar, seu aperto aumenta.

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— Acalme-se, porra, Katie, — Navas rosna, sua boca perto do meu ouvido. Ele me arrasta para a porta, e eu faço a única coisa que eu posso pensar para voltar para Devin. Levantando minha perna, eu bato meu pé para baixo no topo do seu tão duro quanto eu posso. Ele resmunga, seu corpo dobrando para frente no processo, e eu uso a sua fraqueza contra ele. Quando ele solta seus braços, eu bato meu cotovelo em seu estômago. — Filho da puta, — ele sibila, lançando seu poder sobre mim. Eu corro direto para a cama de Devin, mas não posso chegar perto, porque há enfermeiros em torno dele. Um deles grita: — Obtenha. Ela. Fora. Boa sorte, senhora. — Devin, — eu choro, na esperança de que ele possa me ouvir. — Você lute por isto, baby. Você me escuta? Você é um soldado, Devin, e os soldados lutam. Uma mão fria envolve em torno de meu braço, mas eu passo à esquerda, ficando livre. — Você me prometeu que ia voltar para mim, e danese, é melhor você passar por isso porque eu preciso de você! Lágrimas borram a minha visão e eu empurro para cima na ponta dos pés, querendo ter uma boa olhada nele. — Nós precisamos de você! — Afastem-se! Uma das enfermeiras passa para o lado, criando uma abertura, e eu obtenho um vislumbre do homem que eu amo, o pai do meu filho. Seu corpo empurra, arqueando para fora da cama antes de cair. Meu sangue corre frio ao vê-lo na minha frente, o que desfoca instantaneamente. Lágrimas correm pelo meu rosto quando uma dor aguda rasga meu peito. Isso não está acontecendo. Alcanço as etiquetas de Devin em volta do meu pescoço, aperto-as firmemente na minha mão, precisando me sentir perto dele, precisando do conforto. Meus ombros caem para frente, e enquanto eu assisto o seu corpo arquear para fora da cama por uma segunda vez, todo o meu mundo se estilhaça. — Meu Deus. Não..., — eu sussurro. Braços fortes envolvem em torno de mim novamente, e desta vez eu não luto contra isso. Em questão de segundos, eu estou no corredor enterrando a cabeça no peito de Navas. Ele está esfregando minhas costas, sussurrando palavras de esperança, e eu agarro-me a ele como se ele fosse a única coisa que me mantém ancorado a esta terra. Porque, agora, ele é.

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— Ele tem que ficar bem, — eu grito, agarrando a frente da camisa de Navas. — Eu-eu não posso perdê-lo. Isso não era para acontecer-r. — Com cada palavra, meus gritos ficam mais alto, o que explica por que eu não escuto quando alguém caminha atrás de mim. Um leve toque nas minhas costas seguido por um puxão da minha camisa agarra a minha atenção, e eu puxo para trás a partir de Navas. Meus olhos pousam imediatamente em... Sally. A menina da sala de espera está olhando para mim, seus penetrantes olhos azuis cheios de lágrimas. O queixo de Sally treme quando seus olhos caem sobre o meu rosto. Levantando minha mão, eu enxugo as lágrimas do meu rosto, esperando que meus lamentos não assustaram de alguma forma a menina. — Você pode ‘cholar’, — ela sussurra, lágrimas escorregando por suas bochechas rosadas. — Mas não esqueça de ‘jozar’. — Sem outra palavra, Sally estende a mão como se ela tem algo a me dar. Liberando o meu domínio sobre a camisa de Navas, eu estendo minha mão e ela cai algo nele antes de girar ao redor e decolar em direção a uma mulher do lado de fora de outra sala da UTI. Meus olhos estão inchados de tanto chorar, mas quando eu olho para o que a menina me deu, uma pequena faísca de esperança inflama no fundo da minha alma. Um rosário. A partir da boca de bebês, eu penso comigo mesmo. Levantando o olhar para Navas, eu seguro o belo terço branco. — Eu preciso encontrar a capela, — eu sussurro, minha voz rouca de tanto chorar. Ele não diz uma palavra, simplesmente aperta minha mão na sua e me leva para fora da UTI. Sigo atrás dele enquanto ele tece pelos corredores, através de portas, e quando, eventualmente, acabamos na frente da capela, ele empurra a porta de madeira e me faz um gesto. A porta se fecha suavemente atrás de mim, mas eu não tenho ideia se ele seguiu-me em porque agora eu estou em uma missão. Deslizando em um banco na primeira fila, minhas mãos caem entre os joelhos. O rosário travado em meus dedos quando eu digo a oração mais importante da minha vida até agora. Só que quando eu dou o sinal da cruz e solto a cabeça entre os ombros, não é Credo dos Apóstolos que corre pela

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minha cabeça, é uma oração ao primeiro homem que me amou... um homem que eu sei que literalmente moveria céus e terra para me ajudar. Eu preciso de você, papai... Devin precisa de você. Eu tenho orado a você muito ao longo dos últimos meses, mas desta vez é vida ou morte. Eu não tenho certeza se você tem qualquer influência lá em cima, mas se o fizer, agora seria o momento de usá-lo. Porque eu não estou pronta para entregar Devin ainda. Eu não estou pronta para viver o resto da minha vida sem ele, e eu honestamente não sei como eu iria fazê-lo. Eu vou ser uma concha de uma mulher sem ele. Ele significa tudo para mim, papai. Ele é minha vida, meu coração, minha alma e eu preciso dele mais do que eu preciso da minha próxima respiração. Nosso bebê precisa dele. Ele ou ela merece crescer com um pai tão grande quanto você era, então, por favor... por favor deixe-o ficar bem. Fique ao lado dele, dê-lhe força, e se ele tenta encontrar seu caminho para onde quer que seja que você está, empurre-o de volta. Diga-lhe que é muito cedo... diga que ele tem uma família aqui esperando para ele... — Katie... — O som suave da voz de uma mulher flutua pelo ar, e eu rodopio no meu lugar. Jennifer. Meu coração bate dentro do meu peito, e as palmas das mãos estão crescendo cada vez mais suadas a cada segundo. Eu não tenho nenhuma ideia de como a enfermeira de Devin encontrou-me, e eu realmente não me importo. O que me interessa é o olhar ilegível em seu rosto que poderia rasgar meu coração para fora sozinho ou colocá-lo novamente.

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Katie “You And Me”—Lifehouse

FECHANDO MEUS OLHOS, eu deixo a brisa quente lavar em cima de mim. O ligeiro aroma de flores começa a florescer e o som de pássaros cantando ao longe me diz que a primavera está chegando, se tecnicamente já não está aqui. Uma mão quente encontra a minha, e eu respiro fundo antes de olhar para cima. — Eu não tenho certeza que estou pronta para isso. Navas não diz uma palavra. Ele simplesmente liga nossos dedos, dando-me o apoio que ele sabe que eu preciso desesperadamente agora. Ele tem sido minha rocha através de tudo o que aconteceu desde Devin naquela cama de hospital. Ele me segurou quando eu precisava ser segurada, e ele falou comigo sempre que me encontrei para baixo diante das dificuldades. E confiem em mim, houve um monte de dificuldades. Ele puxa a minha mão, me guiando através de fileiras e mais fileiras de lápides brancas. Elas todas parecem iguais, e se não fosse pelo mapa em minha mão, eu certamente me perderia. ‘Arlington National Cemitery’ não é o meu lugar favorito no mundo. Claro, é incrivelmente belo em uma espécie de forma sombria, mas eu odeio vir aqui porque é um lembrete de todas as vidas que foram perdidas. Meu corpo treme, minhas pernas sentem-se fracas, e eu empurro rapidamente esses pensamentos da minha cabeça. O médico disse que a

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minha pressão arterial já está muito alta, e eu tenho que mantê-la para baixo ou eu vou acabar em repouso na cama. O Senhor sabe que a última coisa que eu preciso agora é acabar em repouso na cama. Minha mão livre cai na minha barriga inchada e eu esfregue-a gentilmente. — Você está pronto para ver o papai? — Pergunto, amando a forma como o meu pequeno amendoim movimenta-se ao som da minha voz. — Isso foi o que eu pensei. — Você realmente acha que ele pode ouvi-lo? — Navas pergunta um olhar curioso no rosto. — O que faz você pensar que é um ele? — É apenas um sentimento que eu tenho. Ele dá de ombros e continua a levar-me pelas fileiras de soldados caídos. — Sim, bem, se você acha que é um menino, então ela deve ser uma menina. — Você é teimosa como o inferno, você sabe disso? — Eu faço. Olhando para cima, eu sorrio presunçosamente. — É uma das razões que você me ama. — Quem disse que eu te amo? — O quê? — Eu zombo, parando meus passos. Estou curtindo a brincadeira porque está mantendo-me distraída da sepultura que está a apenas um par de distâncias. Eu sei que é a sua sepultura, porque as flores da última vez que estive aqui ainda estão lá. — Tome isso de volta, eu insisto. — Diga que me ama. — Tudo bem, — ele resmunga, sabendo que ele não vai ganhar. — Eu amo você... mesmo se você é um pé no saco. — Quem você ama? — Devin pergunta, empurrando sua cadeira para o meu lado. Olho para Navas, curiosa para saber qual a resposta que ele vai dar ao meu noivo. — Sua mulher, — diz ele com um sorriso no rosto que é certo para irritar Devin se suas palavras já não o fazem. Devin olha para baixo e um rosnado baixo rasga de sua garganta bem antes que ele puxa minha mão da de Navas. — Cara, obtenha a sua própria mulher porra. Esta está tomada, — diz ele, trazendo a palma da minha mão à boca antes de explanar beijos em meu

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estômago. Amendoim se move com o contato e Devin sorri contra o meu vestido. — Eu te amo. — Ok, chega dessa merda, — Navas late, passando por nós. Ele caminha em linha reta até o túmulo de Jax, deixa cair sua mão para cima e abaixa a cabeça. Devin e eu ficamos para trás, dando-lhe espaço. — Você teve uma visita agradável com Jax? — Eu sussurro. — Eu fiz. — Devin olha por cima do ombro para Navas e depois de volta para mim. — Obrigado por me dar algum tempo para mim com ele. — Você não tem que me agradecer. — Abaixando-me, eu largo um beijo nos lábios suaves de Devin. Ele envolve um braço em volta de minhas costas e me arrasta para o seu colo. Eu costumo resistir, porque eu não quero machuca-lo, mas ele insiste que ele está bem. Aquele dia no hospital foi de longe um dos piores dias da minha vida. Eu pensei que Devin tinha ido embora e por um minuto lá, ele tinha. Eu nunca vou esquecer a maneira como meu corpo ficou dormente, a forma como o meu coração parecia que estava literalmente quebrando, e então ouvi a voz do meu pai. Ele estava bem ali comigo, me dizendo para ser forte e me lembrar de ter esperança. Imediatamente depois, ouvi a voz de Devin me lembrando de que ele prometeu que nunca ia me deixar uma promessa que ele finalmente manteve. — Além disso, eu acho que o Sr. Cara Resistente ali secretamente gostava de andar atrás de minha bunda grávida todo o caminho até o banheiro. — Confie em mim, — diz Navas quando ele se aproxima. — Sr. Cara Resistente não gostava. — Que seja. — Dando a Devin um último beijo, eu delicadamente me retiro de seu colo. — Agora sigam em frente e me deem algum tempo a sós com Jax. Devin alcança meu pulso em sua mão. — O que? — Eu disse que quero um pouco de tempo a sós com Jax. Algo de errado com isso? — Uh... Ele olha para Navas para aprovação, como se eu precisasse de alguma, e Navas apenas dá de ombros. — OK. Certo. Nós estaremos lá.

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Sorrindo, eu esfrego uma mão sobre a bochecha de Devin antes de pisar fora e caminhar até a sepultura de Jax. — Olá, — eu sussurro, mudando de joelhos. — Eu acho que só explodi meu disfarce. Devin não sabe que nós falamos antes, então não diga a ele, ok? Quando chegamos aos Arlington, eu sempre encontrei uma maneira de escapar aqui e ter algumas palavras minhas próprias com Jax. A primeira vez, eu apenas agradeci a ele por seu serviço. Na segunda vez, agradeci-lhe por salvar a vida do meu noivo, e então lentamente se transformou em um ritual. Hoje, tenho uma coisa totalmente diferente para falar com ele. — Eu queria dizer-lhe que eu descobri outro dia, acidentalmente, o que estou tendo. Espreito por cima do meu ombro, eu certifico-me de que os meninos estão suficientemente longe que eles não vão me ouvir e depois eu volto. — Eu aprendi a ler ultrassons na escola. Inferno, eu olho para eles quase todos os dias no trabalho. Então, quando eu tive os meus feitos, eu poderia dizer exatamente o que eu estava tendo. E se está tudo bem com você, eu gostaria de chamá-lo de Jax. Jaxon Thomas Clay. Correndo a mão ao longo do granito, eu imagino-o sorrindo. Eu nunca tive o privilégio de me reunir com Jax, mas tenho visto bastantes fotos para saber que o sorriso seria semelhante. — Eu sabia que você não se importaria, — eu sussurro. Eu provavelmente pareço como uma pessoa louca sentada aqui tendo uma conversa só para mim, mas eu poderia me importar menos. Acredito firmemente que Jax estava vigiando Devin no dia da explosão e novamente no dia que Devin parou, então quem pode dizer que ele não está aqui agora? — De qualquer forma, eu queria que você fosse o primeiro a saber. Mas é melhor eu ir. Mais uma vez obrigado por tudo. Jax pode ter estado cuidando de Devin, mas eu sei que eu tenho o meu próprio anjo da guarda. Inclinando a cabeça para o céu, eu dou um silencioso 'obrigado' para o meu pai, o homem que me guiou e me ajudou a chegar onde estou hoje. Bato na lápide branca duas vezes, eu me esforço para fora do chão, percebendo pela primeira vez o quão difícil está começando a me movimentar com esta barriga crescendo rapidamente. Faz-me desejar que estivéssemos

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de volta em casa, no Tennessee, para o melhor. Estou plenamente consciente de que agora Devin precisa do melhor tratamento disponível, e é por isso que estamos aqui. Mas isso não me faz sentir menos falta de casa, especialmente com todas as coisas interessantes que parecem estar acontecendo sem mim. Sean e Maggie estão noivos, embora não tenham começado a planejar seu casamento, e se ela sabe o que é bom para ela, ela vai esperar até eu chegar em casa para ajudar. Bailey está indo bem na faculdade e ela finalmente decidiu por um curso... enfermagem. Eu estava além de orgulhosa quando ela me disse, e eu sei que ela vai ser uma grande enfermeira. Mamãe está fazendo bem, e começou a assumir o cuidado dos cavalos. Tentei lhe dizer que não, mas ela é teimosa e não vai ouvir. Deve ser de onde eu obtenho. Eu mesmo comecei uma conversa ocasional com Wyatt. Isso aquece o meu coração para saber que ele seguiu em frente, e nós ainda falamos ao telefone algumas vezes. Eu sou grata que ele foi capaz de me perdoar, e ele mesmo disse que quando ele teve tempo para sentar e realmente refletir sobre as coisas, ele percebeu que nós dois nunca teríamos funcionado. Eu não empurrei esse comentário mais longe, apenas levei pelo que era, mas eu gosto de saber que ele ainda é uma parte da minha vida. Uma garganta limpa e eu olho para cima. Devin está me observando com curiosidade. Ele quer saber o que eu estava fazendo no túmulo de Jax, mas ele só vai ter que esperar. Erguendo a mão, ele faz um gesto para eu me juntar a eles. Não querendo esperar nem mais um segundo, dou um passo à frente... E outro... E depois outro até que eu estou embrulhada nos braços do meu para sempre. Meu melhor amigo. Meu noivo. Meu soldado. Meu Devin.

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Devin “This Year’s Love” – David Gray

O FORMIGAMENTO TRANSITA PARA uma queimadura e eu bato no fim da meu joelho direito várias vezes, entorpecendo o nervo e acalmando a dor. É a única coisa que eu encontrei que funciona quando se lida com a dor de um membro fantasma. A sensação de ainda ter os pés, embora eu não tenha isso, ainda é uma viagem até um ano depois de perdê-los. O que se sente como choques de onda elétrica a partir de meus joelhos para baixo do que resta de cada perna, ambos cortados na altura da panturrilha. A maioria dos amputados para baixo do joelho se levanta sobre seus novos pés em cerca de seis meses ou mais, mas as infeções me fizeram espera o dobro disso. Nada poderia me derrubar agora embora. Não estas picadas nas minhas pernas. Nem mesmo o ano que esperei por este dia chegar. Nada. Hoje, eu estou tendo minhas novas pernas. Hoje, sinto-me como é estar de pé novamente. Hoje, eu me curo apenas um pouco mais. — Baby, bater-se realmente duro ajuda? — A voz doce de Katie puxa meus olhos dos meus tocos para o rosto curioso que olha de volta para mim. Eu amo a maneira que seu nariz se enruga quando ela está se perguntando o que diabos eu estou fazendo. — Eu juro que faz. É a única coisa que funciona. Eu estou achando que quanto mais difícil eu atingi-lo, mais rápido as sensações vão embora. — Eu bato meu coto direito mais algumas vezes e disparo um sorriso brincalhão em sua direção. — Mau hábito!

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Ela revira os olhos bonitos, e aquele sorriso, aquele que ainda faz meu coração disparar, senta-se perfeitamente em seu rosto. Esta viagem não foi fácil, mas com Katie ao meu lado, eu aprendi a lutar mais do que jamais imaginei ser possível. E agora, com o pequeno Jax... Deus, como aquele rapaz me mudou. Como se ele soubesse que seu pai está pensando nele, ele grita de emoção, jogando suas pequenas mãos para o ar. Katie puxa-o mais apertado em seus braços e senta-se na cadeira. Ela agita-o docemente para frente e para trás, seu corpo delicado aninhado confortavelmente contra o peito. Ele tem cabelo castanho sedoso, brilhante, e cada dia parece mais como sua mãe. Agradeço ao Senhor por isso. Não que eu não gostava do meu cabelo, mas você simplesmente não pode bater aqueles belos cachos que ela tem, atualmente retidos por um laço de cabelo e caem graciosos para baixo de um ombro. Assim quando eu me pego bajulando minha linda esposa, a porta se abre e Tom, meu protético, vem embalando em seus braços duas pernas protéticas... minhas pernas. A visão delas me faz me mexer no meu lugar. Tom coloca cada perna para baixo na minha frente e enxuga o suor da testa. Ele é um cara corpulento, o tipo urso de pelúcia, e é justo, porque ele é uma das pessoas mais amáveis que eu encontrei neste lugar. O cara realmente se preocupa com seus pacientes, e fez esta longa e dolorosa espera um pouco mais fácil. Excitação brilha em seus olhos, mas empalidece em comparação com a sensação de que oprime o meu corpo agora. Meu sorriso ridículo deve ser contagioso, porque sentado do outro lado de mim está Katie sorrindo de volta tão grande que o meu coração poderia explodir com a visão dela. Entre nós dois correm paralelamente brilhante uns aos outros em quase todo o quarto. Eu nunca os usei antes, mas eu vi outros amputados usá-los quando eles começam a andar. —vVocê está pronto para isso? — Tom pergunta, retoricamente, claro, desde que estou pedindo sobre este dia para ele há meses. — Pode apostar que eu estou. — Eu aceno em direção a ele e chego para as minhas pernas. Tom puxa-os de volta, e o olhar que eu dou deve realmente assustá-lo um pouco, porque ele coloca-los de volta para baixo na frente de mim.

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— Agora, agora Devin, temos que passar por cima de algumas coisas primeiro. — Eu aceno em reconhecimento, sento no meu lugar. Eu atiro-lhe um sorriso matador, de como eu sabia que não poderia ser tão fácil e espero por ele para continuar. Katie está olhando atentamente, mentalmente notando tudo Tom diz para que ela saiba o que fazer quando estivermos de volta em nosso pequeno apartamento. Uma lesão cerebral traumática, por vezes, tem à sua maneira com a minha memória de curto prazo e Katie tem sido uma dádiva de Deus durante a minha recuperação, lembrando medicamentos e consultas, passando por cima de informações médicas com os meus médicos, tudo ao mesmo tempo estando grávida do nosso filho. E ela estava de volta para isto imediatamente após Jax nascer quando eu fui para a minha quadragésima sexta cirurgia, outra irrigação e desbridamento para remoção necessária de tecido morto ou danificado de modo que o tecido saudável restante pudesse curar. Três meses atrás era a quadragésima sétima e a operação final. Eles fecharam os tocos para o bem, é por isso que eu me encontro agora a segundos de distância de andar pela primeira vez em um ano. — Estes são soquetes de teste, é por isso que eles são claros. — Ele mostra as pernas para Katie e eu antes de colocá-los para baixo novamente. As soquetes são de plástico e quase transparente. — Eu vou ter você em cima deles hoje entre as barras paralelas para se certificar de que você tem um bom ajuste. Vai ter que me contar sobre todos os pontos quentes, e eu vou marcá-los para mais tarde. — O que acontece depois? — Eu interrompo, minha curiosidade obtendo o melhor de mim. Este material protético é fascinante, e eu absorvo toda a informação que ele tem para dar. — Bem, nós temos o que é, essencialmente, um secador de cabelo pesado que aquece o plástico para que eu possa fazer as mudanças necessárias. Tom olha para nós dois e aguarda confirmação. — Então você vai aquecê-los hoje, e então eu vou andar para casa, certo? — Eu empurro. Ele olha para mim, apenas por um momento, como se eu estivesse absolutamente louco, mas eu realmente não posso entender o porquê. Eu vi

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amputados suficientes ao redor do complexo hospitalar e apartamento. Não parece tão difícil. O rosto de Tom retorna ao normal, e ele olha para Katie como se ele está preocupado que o que ele tem para dizer em seguida vai me deixar para baixo terrivelmente. Ela acena para ele continuar. — Bem, vou começar as mudanças esta noite, mas você não será capaz de recuperá-los até a terapia física amanhã. — Ele faz uma pausa, e eu posso dizer que ele está mordendo o interior de seu lábio. Ele é meu amigo e nos damos muito bem, mas ele sempre teve esse medo ímpar de ser sutil comigo, muito estranho. Eu sorrio para ele e ele relaxa um pouco. — Eles vão deixar você levá-los para casa, mas só depois que eles sentirem que é seguro para você fazê-lo. Depois que, tivermos que você continue andando sobre eles e fizermos todas as mudanças que precisamos. Eventualmente, você terá seus soquetes de fibra de carbono, e mais nada a partir daí, meu amigo! Eu olho para Katie e ela ainda está sorrindo tão docemente que é difícil de me preocupar com a minha própria impaciência. Não quando ela foi tão paciente comigo por tudo isso. Eu olho para trás para Tom e sorrio, e ele estende cada perna protética para mim. — Bem, vamos levar este show na estrada, eu digo, levantando ambos os meus tocos para que ele possa deslizar o encaixe da prótese sobre meus tocos, cada um protegido por um revestimento de gel. Ele rola uma luva de gel em ambas as pernas que vai do meio da coxa até o meio do soquete. Em seguida, ele pega as minhas mãos para me ajudar a levantar-me, mas eu afasto para longe. Ele olha para mim como se dissesse: Eu não tenho uma opção, mas, finalmente, revira os olhos e se afasta da minha cadeira, permitindo-me ficar por mim mesmo. Instantaneamente, eu estou humilhado. Permanecer não é tão fácil ou confortável, como eu pensei que seria. Meus músculos da coxa doem enquanto eles flexionam, trabalhando mais do que eles têm em algum tempo. Katie olha para mim em causa e quase se ergue de pé, mas eu coloquei a mão para impedi-la. — Por favor, querida... — Eu tenho isto. Ela instala-se na cadeira com Jax, mas o olhar apreensivo permanece em seu rosto.

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Eu luto com tudo o que tenho, rangendo os dentes bem juntos e segurando os braços da cadeira antes de finalmente ficar de pé. Eu me equilibro, balançando um pouco, antes de ser capaz de fazer a varredura do quarto a partir da perspetiva de um homem que está a 1,89m de altura, pela primeira vez em quase um ano. É como se meus olhos estivessem abertos para um mundo inteiramente novo, estrangeiro, mas emocionante. Tom leva-me pelo braço e repele as minhas tentativas de afastá-lo. Ele me guia quando eu dou dois passos vacilantes lentamente para frente, estabilizando-me com uma mão em cada uma das barras paralelas. Tom se afasta e espera, colocando as mãos nos quadris. Katie se ergue de pé na outra extremidade das barras paralelas, com os olhos brilhando de emoção, mas a ansiedade ainda presente em seu rosto. Eu dou dois passos para frente. A dor nos nervos, as paredes tomam a pressão contra eles, mas eu não sinto isso. Eu tomo mais dois passos para frente. Minha esposa me espera, meu filho nos braços, e a única coisa que eu sinto é a necessidade imediata de levá-los tanto em meus próprios braços, para manter Katie pela primeira vez em muito tempo. Mais dois passos para frente. Lágrimas rolam pelo seu rosto, uma após a outra. Eu quero limpar todas elas. Eu quero beijá-la, tocá-la, abraçá-la como se ela nunca foi. Para sentir tudo, em paz, e assim no amor que nada neste mundo poderia mudar isso. Eu tomo mais dois passos para frente. Katie está agora diante de mim, rindo, porque ela está tão feliz. Jax está acordado, seus belos olhos castanhos curiosamente me levam. Eu beijo o rosto molhado de Katie e provo o sal em suas lágrimas. Eu coloco meu braço em torno dela, segurando em volta de suas pequenas costas, e eu puxo-a apertada. Deixando de lado a outra barra, eu coloco minha mão na testa de Jax, suavemente acariciando seu cabelo para um lado. Eu beijo-o levemente na testa. Ele tem cheiro de talco de bebê e a loção rosa que Katie gosta de usar, e é o melhor cheiro do mundo inteiro.

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Então eu olho para dentro dos olhos de chocolate de Katie, depois de olhar para ela durante o último ano e todas as minhas preocupações evaporam. Meus lábios encontram sua testa, meu outro braço descansando em sua coxa, e de repente me lembro de algo que Katie me disse enquanto eu estava no hospital. Ela provavelmente não sabem mesmo que eu a ouvi, mas foram suas palavras que me puxaram. — Eu quero casar com você, — disse ela, os lábios roçando o meu. — Case-se comigo, Devin. Acorde, cure, e, em seguida, se case comigo. Deixa eu te amar e cuidar de você e mostrar o que uma família de verdade é. E vamos ter filhos, ok? — Sua voz quebra direto junto ao meu coração e eu tento chegar para tocá-la para consolá-la, mas nada acontece. — Muitos e muitos bebês. Quero meninos pequenos doces com seus grandes olhos verdes e cílios grossos escuros. A nossa menina vai ter o seu cabelo escuro e seu sorriso. Bem, eu tenho tomado cuidado na parte do casamento, e nós temos um menino doce, mas estou pronto para essa menina... inferno, eu estou pronto para muitos bebês. — Ei, Katie? — Sim, querido? — Lembra quando eu estava no hospital e você me disse que queria muitos e muitos bebês? Katie ergue a cabeça para o lado e me dá um olhar curioso. — Você ouviu isso? — Ela pergunta. — Eu ouvi cada palavra que você disse. Incluindo a parte sobre os bebês... — Sim? — Diz ela com um sorriso bonito. — Que tal voltar agora, colocar Jax para tirar uma sesta e começar a trabalhar sobre os bebês? — Um som abafado vem atrás de mim e eu olho para Tom. Ele olha para baixo, mas não antes de eu observar como coradas suas bochechas estão. Sorrindo para mim mesmo, eu viro minha atenção para minha linda esposa. O sorriso de Katie me cega, e é a mais bela vista em todo o mundo. — Eu acho que soa como uma grande ideia.

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Um rosnado baixo borbulha da minha garganta com o pensamento de enterrar-me profundamente dentro de minha esposa. — Vamos tirar-me dessas coisas, — eu sussurro, de modo que só ela pode me ouvir. — Para o que eu preciso dessas pernas quando o importante é totalmente funcional? Os olhos de Katie ampliam, um olhar de desejo piscando em seu rosto. — Mais do que totalmente funcional, — diz ela, rindo. — Droga reta que é. — O que eu vou fazer com você, sargento? — Ela dá um tapa em meu braço de brincadeira. — Ame-me, — eu respondo, escovando meus lábios nos dela. — Eu só preciso que você me ame. — Senhor, sim, senhor, — ela diz, e então eu devoro aquela doce e atrevida boca, inteligente dela.

FIM

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Somente esta noite – Just For Tonight Por K. L. Grayson

Chegando em 2016

Todos nós temos nossas fraquezas... ricos, de chocolate decadente, bolsas de grife fantasia, estiletes caro em todas as cores sob o sol. Minha fraqueza é Benny Catalano. Mais chamar Benny alto, moreno e bonito seria um grande eufemismo. Seu gigante tatuado corpo digno de babar estende-se em um impressionante seis pés de três. Cabelos escuros aderem em todas as direções, dando-lhe um notório olhar sexy que a maioria das mulheres adoram. E a sombra de cinco horas no queixo perfeitamente quadrado poderia trazer qualquer mulher de joelhos. Benny não estava apenas batendo com a vara bonito. Não, ele estava batendo e depois batido com o cinto de bad boy Adonis. O meu único problema... ele está jogando duro para conseguir. Eu nunca tive que trabalhar muito duro para qualquer coisa, especialmente não um homem. Meu pai é o produtor de música mais influente do mundo, estou acostumada a conseguir o que eu quero. Mas se eu aprendi alguma coisa de meu pai querido, é que o dinheiro não pode comprar a felicidade e as melhores coisas da vida não vem fácil. E Benny vale a pena ter, embora a forma como ele está balançando os bens e dando nada de graça, ele com certeza está fazendo as coisas difíceis. A pergunta é: por quê? O que ele não sabe é que esta socialite privilegiada não tem medo de sujar as mãos. Se o homem dos meus sonhos é o resultado final, eu estou pronta para me colocar no trabalho para torná-lo meu. Meu nome é Mia Brannigan, e esta é a minha história.

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Sobre os autores

K. L. Grayson reside em uma pequena cidade fora de St. Louis, MO. Ela é entretida diariamente por seu extraordinário marido, que será para sempre inspirador de toda boa qualidade, ela escreve em um homem. Sua vida inteira está nas palmas das seis pequenas sujas mãos, e quando o dia é longo e esses querubins pint-sized foram lavados e levados para a cama, você pode encontrá-la digitando furiosamente em seu computador. Ela tem um amor por machos-alfas, brownies, leitura, tatuagens, óculos de sol, e finais felizes ... e não particularmente nessa ordem.

BT Urruela era um soldado de infantaria do exército dos EUA por seis anos e meio. Ele foi ferido em Bagdá no 22 de outubro de 2006, resultando na perda de sua perna abaixo do joelho. Ele medicamente se aposentou em 2011 e passou a formar as VETSports desportivos veteranos sem fins lucrativos, para se tornar um modelo de palestrante motivacional, personal trainer e capa, e 's Lament A Lover é seu primeiro esforço como autor.

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