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Romances que consagraram autoras de sucesso da Harlequin.

Noiva Inesperada O príncipe encantado se tornaria realidade para ela? Grávida e em trabalho de parto nomeio de um engarrafamento, tudo o que Maddie Palmer precisa é de um médico! Bem, ela teria que


se contentar com um cowboy… Joshua Blackwell sabia que Maddie era problema desde o momento em que ela o sequestrou para levá-la às pressas até a maternidade. Depois disso, a única coisa da qual se lembra é de vê-la na porta de sua casa. Joshua jamais decepcionara uma mulher, mas se não tomasse cuidado, em breve estaria comendo bolo de casamento no café damanhã!


NOIVA INESPERADA Tradução Deborah Mesquita de Barros


2015


Prólogo

MADDIE PALMER, de nove anos, deixou cair a agulha sobre o disco e correu para o banco alto de bar. Ela subiu no assento e ficou de pé ali. – Um, dois, três, quatro! – gritou exatamente como fazia Davey Rogers, da banda de rock Pink Bubblegum. Sorrindo para suas amigas Emily e Jenna Jean, ela cantou, de maneira


entusiasmada, juntamente com seu astro de rock favorito. Suas amigas estavam de pé sobre bancos iguais de vinil e também cantavam. Uma vez que estava chovendo em Cherry Lane, hoje, Maddie tinha convencido sua babá a deixar suas amigas e ela brincarem no porão. A vida era boa. A babá a deixava tocar a música em volume tão alto quanto Maddie quisesse. Ela acabara de comprar o novo disco que estava em seu toca discos, e estava tocando sua guitarra de mentira, uma raquete de badminton, com suas duas melhores amigas. Maddie estava até mesmo


usando a tiara chique de Emily. E, daquela vez, não estava de castigo. Quando o disco acabou com um som estático alto, Maddie saltou do banco e correu para o toca discos. – Vamos fazer isso de novo – disse ela, segurando a tiara na cabeça com sua outra mão. – Se ficarmos boas o bastante, talvez possamos fazer um show e cobrar 25 centavos de cada pessoa que nos ouvir cantar. Vestida numa jardineira cor-de-rosa, Emily olhou para sua raquete de badminton com expressão duvidosa. – Eu não sei, Maddie. Não acho que sou uma boa roqueira.


Jenna Jean bateu a raquete contra seu punho. – Eu não sei se alguém vai pagar para nos assistir. Talvez nós tenhamos de dar comida a eles, ou algo assim. Aqueles garotos idiotas apenas ririam. – Ela olhou para Maddie. – Além disso, estas raquetes parecem mais banjos do que guitarras elétricas. – Bem, talvez possamos servir ponche de frutas e cookies – sugeriu Maddie, ignorando o comentário sobre as raquetes de badminton, uma vez que não podia fazer nada sobre aquilo. Estava mais preocupada com sua voz. Tinha medo mortal de que, quando cantasse, soasse tão desafinada para os


outros quanto soava para si mesma, mas não tinha coragem de pedir que suas amigas lhe dissessem a verdade, então cantava com a voz mais alta que conseguia. – Você quer mesmo ser uma estrela do rock quando crescer? Minha mãe diz que eles quase nunca tomam banho – contou Emily com um tremor. – Davey Rogers, da banda de rock Pink Bubblegum, toma banho – insistiu Maddie. – Eu sei, porque sou um membro oficial do fã-clube dele. – Emily era um pouco meticulosa, mas Maddie gostava dela, porque ela era boazinha e compartilhava sua tiara. – Eu não preciso ser realmente uma


estrela do rock. Só quero ser rica e ir a lugares excitantes. Quero ter aventuras – contou ela, então se lembrou de seu maior desejo de todos. – E nunca mais ficar de castigo. – Eu enlouqueceria se minha mãe me obrigasse a ficar no meu jardim, como sua mãe faz com você – disse Jenna Jean, girando seu banco enquanto estava de pé sobre ele. – Parece que você está sempre se metendo em encrenca. Maddie sentiu um nó na boca do estômago. Às vezes, tentava imaginar o que havia de errado com ela. Nenhuma de suas amigas ficava de castigo com tanta frequência quanto ela.


– Eu não faço nada tão terrível. Ela observou Jenna Jean girar o banco novamente, e pensou em pedir que sua amiga parasse com aquilo. Jenna Jean era exibida, e a mãe de Maddie não gostava quando elas ficavam de pé sobre os bancos de bar. – Não – concordou Jenna Jean. – Sabe qual é o seu problema? – Qual? – Você é pega. O nó em seu estômago apertou mais. Jenna Jean era um ano mais velha, e era muito inteligente. Tirara sempre A em matemática. Maddie tirava C. – Talvez – admitiu ela. – Talvez eu seja apenas ruim. – Maddie não gostava


de pensar sobre a frequência com que ficava de castigo. Com as mãos nos quadris, virou-se para suas amigas. – Vamos continuar. Enquanto minha mãe está fora, vamos praticar esta música novamente e fingir que estamos cantando no coliseu do centro da cidade. Ela abaixou a agulha sobre o risco e subiu no banco de novo. Suas mãos se posicionaram na raquete de badminton, e, quando ela abriu a boca, pronta para cantar, viu sua mãe entrando no porão. Maddie congelou apavorada. Pelo canto do olho, viu Jenna Jean e Emily descerem de seus bancos, mas Maddie parecia não conseguir mover os


pés enquanto sua mãe observava a cena com uma expressão de desaprovação. – Mocinha – disse sua mãe, e Maddie suspirou. Toda vez que sua mãe a chamava de mocinha, ela estava de castigo. – O que você está fazendo de pé sobre esse banco? Eu já disse, uma dúzia de vezes, para vocês não subirem nos bancos de bar. E se suas amigas se machucarem? – Ela balançou o dedo para Maddie. – Você teve seu aviso, agora… Maddie olhou para Jenna Jean enquanto sua mãe continuava com seu sermão. Pega novamente.


Capítulo 1

MADDIE OLHOU para fora, pela janela de seu carro. A mesma vista cumprimentou-a de todos os lados. Carros. Carros parados. Estava no meio de um trânsito pesado, na Highway 81. Pega novamente. Esse tipo de coisa não acontecia em Roanoke, Virginia. A população não era


densa o bastante para criar problema de trânsito, especialmente na autoestrada. De acordo com o rádio, todavia, um buraco de escoamento tinha cedido no meio da pista, causando atraso esperado de mais de duas horas. Não teria havido problema se ela estivesse na faixa da direita, pois poderia virar na esquina para alcançar seu destino, mas estava na faixa do meio. Não que estivesse com pressa de chegar ao seu emprego de agente de viagem. Tirara o dia de folga. Não era como se tivesse um encontro importante para jantar também. Não saía com alguém para jantar em aproximadamente nove meses.


Seu problema era a contração rítmica nos músculos em suas costas e abdômen, construindo-se lentamente, então aumentando de intensidade. Mais desconfortável do que dor, a contração ocorria a cada cinco minutos. Maddie continuou dizendo a si mesma que a sensação passaria, mas suspeitava que estava em trabalho de parto. No meio do único trânsito na história de Roanoke, Virginia. Na chuva. Sem telefone no carro. Seu estômago roncou, e ela desejou, pela décima quarta vez, que tivesse levado alguns cookies no carro. Outra contração veio, esta requerendo o uso de uma técnica de respiração. Maddie


visualizou Maui, água linda, palmeiras, arco-íris. Se estivesse em Maui, estaria tomando um Mai Tai. Deus sabia como seria bom alguma coisa com álcool no momento. Uma onda de pânico assolou-a. Ela realmente não queria ter seu bebê no meio de uma estrada. Ligando os parabrisas, procurou desesperadamente por uma viatura de polícia. Esta seria uma vez que enfrentaria um policial com satisfação. Infelizmente, não havia um único por perto. Desespero a inundou. Talvez, ela devesse descer do carro e andar. Mas sua instrutora de parto natural não tinha dito que andar acelerava o


trabalho de parto? E se ela não conseguisse andar o bastante para achar uma carona até o hospital? Através da chuva leve, Maddie avistou uma caminhonete com uma motocicleta coberta por plástico em sua caçamba. Uma ideia insana ocorreulhe. Por mais insano que parecesse, aquilo era mais louco do que ter um bebê no carro, sozinha? Seguindo seus instintos, Maddie saiu desajeitadamente de seu conversível verde, passou dois carros, e andou até a janela de motorista da caminhonete. Bateu ao vidro embaçado pela névoa. O homem dentro virou a cabeça para olhá-la.


Ela sorriu. Ele não. Maddie suspirou e gesticulou para que ele abrisse a janela. – Sim? – perguntou ele numa voz que enviou um arrepio por sua coluna. O rádio tocava uma música heavy metal, e parecia que havia alguém no banco de trás, mas ela não podia ter certeza. Maddie olhou para o homem e mordeu o lábio. Embora estivesse sentado, ele parecia grande e austero, e tão flexível como aço. Os olhos eram acinzentados, o rosto, angular e esculpido. Sua amiga de muito tempo, Jenna Jean, estava sempre dizendo a


Maddie que ela tirava conclusões precipitadas sobre as pessoas, mas este homem não parecia amigável. Não parecia ter nem um pouco de senso de humor. Sob outras circunstâncias, ela se viraria e voltaria para seu carro. A única coisa que precisava mais do que senso de humor agora, todavia, era a motocicleta deste homem. – Eu… uh… – Outra contração veio, e Maddie ergueu uma das mãos. – Só um minuto, por favor – sussurrou ela, e focou-se na maçaneta da porta. Inspire. Expire. Inspire. Expire. A fisionomia do homem se tornou alarmada. – O que…


Com um esforço, ela endireitou o corpo, após o pico da sensação. – A motocicleta na caçamba de sua picape funciona? – Sim, mas… – Eu sei que isso é incomum – disse ela, apressadamente, porque queria vociferar o pedido, antes que outra contração a atingisse. – Mas eu estou em trabalho de parto e preciso chegar a um hospital antes… Um jato de água escorreu por suas pernas. Maddie olhou para seus tênis ensopados. – Oh, droga. – Droga?


– Minha bolsa d’água estourou – disse ela, e encontrou-lhe o olhar cauteloso. Talvez, ele fosse humano, afinal de contas. Quando não estava carrancudo, ele era quase atraente. Ela o reavaliou. Estudando-o uma segunda vez, o homem ainda parecia um pouco irritado, mas responsável, pensou ela esperançosamente. A força estampada naquelas feições a agradava. E com aqueles ombros largos, Maddie apostava que ele tinha um corpo magnífico. Em outras circunstâncias, ela teria… – Olhou para sua barriga imensa e descartou o pensamento. – Você pode me emprestar sua moto, por favor? O volume do rádio abaixou.


– Papai, quem está do lado de fora… – A jovem voz masculina abruptamente parou. – É uma mulher grávida – disse ele, o tom surpreso na voz desafinada típica da adolescência. O pai não respondeu a pergunta do filho. Num movimento ligeiro, ele estava fora do carro, encarando Maddie. – Vamos esclarecer isso. Você quer que eu a leve para o hospital numa motocicleta? Ela assentiu e cobriu o abdômen de maneira protetora. – Eu não acho que tenho muita escolha. Não quero que este bebê nasça na Highway 81. – Quando ele não


respondeu imediatamente, Maddie sentiu uma onda de pânico. E se ele não a ajudasse? – Ela uniu os dedos. – Ouça, eu não tenho muito dinheiro, mas posso recompensá-lo. – O homem meneou a cabeça. – Sou agente de viagem. Talvez, eu possa lhe arranjar uma viagem de graça. Ou, eu sei cozinhar – acrescentou ela sentindo desespero fechar sua garganta. – Eu lhe farei um jantar por semana durante um ano se você apenas… Outra contração fez Maddie se dobrar sobre o estômago. No meio da sensação, ela ouviu algumas instruções sendo dadas. No momento que a dor passou, a moto estava fora da


caminhonete, e o filho havia passado para o assento do motorista. Lutando contra lágrimas de alívio, Maddie deu um sorriso fraco para o adolescente de olhos arregalados. – Senhora… – começou o homem desajeitadamente. – Maddie. Maddie Palmer – disse ela, entendendo a mão. Uma mão grande e quente engoliu a sua. – Joshua Blackwell – apresentou-se ele, o rosto tenso com preocupação. – Você consegue andar até o acostamento? Ela assentiu. – Sim, muito obrigada.


Joshua andou atrás dela. – Poupe seu agradecimento para quando chegar ao hospital – murmurou ele, cuidadosamente colocando um capacete na cabeça dela, então outro na própria cabeça, antes de montar a moto. Maddie deu um olhar duvidoso para a motocicleta, então subiu a acomodouse de pernas abertas sobre o assento. Motos não eram projetadas para mulheres grávidas. Mordendo o lábio, ela estendeu os braços para além de sua barriga volumosa e para a cintura dele, e segurou-se com firmeza. – Você está pronta? – Sim – sussurrou ela, lutando contra mais uma contração.


– De quanto em quanto tempo elas estão ocorrendo? Maddie esperou até que a dor passasse. – Menos de quatro minutos. – Ótimo – murmurou ele. – Tudo que você tem de fazer é segurar-se. Eu dirigirei o mais rapidamente que puder. Quando você sentir uma contração vindo, me aperte, grite comigo, me chute… apenas me informe. Sua opinião sobre Joshua aumentou muito. Ele era forte. Era prático. Mais importante, ele estava lá. – Tudo bem. Ele assentiu brevemente com a cabeça e ligou o motor.


– Vamos. ELES CHEGARAM ao hospital em 17 minutos e 32 segundos. Joshua estava contando. Devia ter sido uma viagem terrível para Maddie. No momento que eles chegaram, o rosto dela estava pálido e contorcido. Ela praticamente caiu da moto. A equipe de emergência colocou-a numa cadeira de rodas e levou-a para a sala de parto, gritando instruções para que Joshua seguisse. Ele nunca fora do tipo de seguir instruções cegamente, mas, desta vez, fez isso. Levar uma ruiva grávida em sua moto para o hospital acionara sua adrenalina. Ele lavou as mãos, vestiu-se


no macacão de papel estéril e foi direcionado para a sala de parto. – Oi – disse ela, a voz repleta de alívio quando ele atravessou a porta. – Eles falaram que meu obstetra não vai chegar aqui a tempo. Ele franziu o cenho. – E quanto ao seu marido? – Eu não tenho – respondeu ela, e desviou o olhar. Joshua estudou-a por um longo momento. O rosto de Maddie era muito branco contra a camisola do hospital. Ela parecia jovem e assustada. Aparte o volume enorme da barriga, o corpo dela era pequeno e delicado. Ele experimentou uma estranha sensação


de querer protegê-la, e, apesar das circunstâncias incomuns, avaliou-a novamente. Os seios eram cheios, as pernas, torneadas. Ele não podia afirmar sobre os quadris, uma vez que eles não eram visíveis. Mas supunha que eram estreitos. Com sardas no nariz, curiosidade cautelosa nos olhos castanhos, Maddie o observava observando-a. A inclinação do pequeno queixo lhe dizia que ela era uma guerreira. Alguma coisa sobre a boca carnuda insinuava que ela era uma mulher de paixão, e Joshua sentiu uma onda de curiosidade. – Você não precisa ficar se não quiser – ela falou para ele.


Tomado por um raro momento de indecisão, Joshua refreou-se de praguejar, quando Maddie fechou os olhos e começou a respirar profundamente. Com o rosto se contorcendo em dor, ela balançou a cabeça. – Eu preciso fazer força. Chame a enfer… Não! – gritou ela, e estendeu a mão para ele quando Joshua se virou. – Fique. Ele deixou-a segurar sua mão. Para uma mulher pequena, ela o apertava com muita força. – Ofegue – disse ele, lembrando-se vagamente de sua experiência com o


parto de seu filho, 16 anos atrás. – Ofegue. Por milagre, Maddie obedeceu, ofegando até que a necessidade de fazer força de expulsão passou. Quando Joshua tentou recolher sua mão, ela meneou a cabeça, os olhos arregalados com medo. O coração dele amoleceu, a sensação estranha, quase esquecida. – Eu voltarei em menos de trinta segundos. Prometo. Eles se entreolharam, e Joshua viu o segundo no qual ela confiou nele. Aquilo lhe causou uma emoção, mas ele reprimiu-a. Teria de pensar sobre


isso mais tarde. Um bebê estava esperando para nascer. Verdadeiro a sua palavra, Joshua retornou rapidamente, acompanhado de uma enfermeira. Tudo aconteceu muito depressa depois que a enfermeira examinou Maddie. – Não faça força para empurrar. Eu vou achar o médico. – Onde ele está? – demandou Maddie. – Tomando café e comendo donuts? Eu juro, homens nunca estão por perto quando você precisa deles. Falando mais consigo mesma do que com qualquer outra pessoa, ela fez uma careta quando outra contração veio, xingando toda a humanidade.


– Você não pensaria que um pequeno furo num… num… preservativo – Maddie parou e soluçou – pudesse causar tanta dor – terminou ela de maneira apressada. – Maui – ela continuou falando sozinha. – Eu deveria visualizar alguma coisa agradável. Maui. Se eu estivesse em Maui, estaria mergulhando em Molokini. Eu estaria… – Ela parou e gritou: – Onde está o médico? Joshua segurou-lhe a mão e apertoua, mesmo quando as unhas dela morderam sua pele. O médico finalmente apareceu, e Maddie fez força de expulsão por 23 minutos tensos, antes que o bebê fizesse sua


aparição gritando. A enfermeira embrulhou o bebê e colocou-o sobre o peito de Maddie. – Ele é lindo – disse ela, lágrimas escorrendo pelas faces. – Tão lindo – acrescentou, tocando a cabecinha careca e alisando as minúsculas orelhas enrugadas. – Você estava com pressa, não estava? – sussurrou carinhosamente para o bebê. O momento era tão íntimo que era difícil para Joshua assistir. Subitamente, sentindo-se sobrando ali, ele enxugou o suor de sua testa e pensou em ir embora. O movimento deve ter chamado a atenção de Maddie, pois ela levantou a


cabeça para olhá-lo. Fungando, sorriu entre lágrimas. – Ele é lindo, não é? Joshua olhou para o bebê e sorriu. – Sim, ele é. – Quer segurá-lo? Embaraçado, ele hesitou. – Vá em frente – incentivou ela, inclinando o pacotinho na sua direção. Joshua deu alguns passos à frente, e, cuidadosamente, pegou o bebê nos braços. Tão pequeno, tão frágil, porém tão vivo. Olhou para o pequeno ser humano que o encarava. O bebê balançou o punho no ar. Joshua pensou em Patrick. Ele sempre fizera o melhor possível por seu


filho, na ausência de sua esposa, mas durante os longos anos de luta para fazer a coisa certa, alguma coisa em seu interior tinha morrido. Apesar de seus melhores esforços, sabia que Patrick precisara de alguma coisa dele que Joshua simplesmente não pudera dar. Então, foi com um grande choque que, depois de 12 anos no frio, Joshua sentiu uma onda de calor. A sensação era tão estranha que ele não sabia o que fazer com aquilo. Uma enfermeira entrou no quarto. – Sra. Palmer, as pessoas que você pediu que nós avisássemos estão na sala de espera, e insistem em vê-la. Sr. Benjamin Palmer…


– Meu irmão – interrompeu Maddie. – E aposto que a outra pessoa é Jenna Jean. – Sra. Jenna Anderson – disse a enfermeira. – Diga-lhes que eu os receberei aqui dentro de alguns minutos e – acrescentou ela, uma ponta de travessura misturando-se à expressão de felicidade nos olhos –, diga-lhes que eu tive quíntuplos. A enfermeira ficou boquiaberta e olhou para o bebê nos braços de Joshua. – Perdão? – É só para brincar – insistiu Maddie. – Eles concordaram em serem os


padrinhos. – Ela riu, então olhou para Joshua e o bebê, o semblante se suavizando. – Aposto que, quando você acordou esta manhã, não tinha ideia de que resgataria uma mulher grávida de um buraco de escoamento e a ajudaria a ter um bebê. – Não posso dizer que eu tinha – replicou ele, pensando que ela possuía mais exuberância no dedindo da mão do que ele em seu corpo inteiro. Joshua experimentou uma ponta de inveja e uma atração indesejada. As duas emoções não familiares o envolveram. – Aqui está – disse ele, inclinando-se para devolver o bebê a Maddie.


Ela aninhou o bebê contra o peito de um natural jeito maternal. Num movimento também natural, estendeu uma mão e puxou Joshua para mais perto. – Venha aqui – murmurou ela, e surpreendeu-o completamente, dando um beijo bem ao lado de sua boca. – Obrigada. Você foi um herói hoje. Ele fitou aquele olhar caloroso e outra emoção estranha o envolveu. Piscando, deu um passo atrás e pigarreou. – Não tem de quê. Agora, eu preciso ir. Cuide da criança. E cuide-se também – murmurou ele, sentindo-se relutante


em aceitar que estava saindo da vida de Maddie Palmer. JOSHUA NÃO se lembrava do dia exato que tinha parado de sonhar. Apenas sabia que não sonhava durante seu sono há anos. Quando Joshua entrou debaixo das cobertas de sua grande cama naquela noite, não esperava sonhos. Ouviu ao silêncio de sua casa. Era um silêncio bom, disse a si mesmo. Especialmente depois do barulho do dia. Ele pensou sobre o esquema que tinha armado para trazer éguas e acomodá-las. Pensou em seu filho de 16 anos, e como cada dia parecia


colocar mais distância entre eles. Aquilo o perturbava, mas Joshua sabia que Patrick estava crescendo, e crescer significava separar-se do pai. Sua mente voltou para o cenário de Maddie com seu bebê recém-nascido, incitando uma memória do dia que Patrick nascera. Ele e sua esposa eram muito jovens, na época, para o encargo de criar um filho, mas tinham aceitado a responsabilidade de qualquer forma. Na ocasião, ambos estavam cheios de esperanças e de sonhos. Isso fora antes de Gail adoecer. Antes que ela definhasse diante de seus olhos e morresse. Patrick estivera com apenas quatro anos.


Algum tempo depois disso, Joshua parara de sonhar. Sem problemas, falou para si mesmo. Tinha trabalho a fazer, e tinha de ser virar com as tarefas de ser um pai solteiro. A vida era um assunto sĂŠrio. Para Joshua, nĂŁo havia tempo para sonhos.


Capítulo 2

ERA

da noite na casa da fazenda Blackwell, e tudo estava silencioso. Joshua manuseava o jornal. Os únicos barulhos eram barulhos inquietos… o farfalhar de seu jornal, os pés de seu filho batendo no chão da cozinha enquanto ele fazia seu dever de casa, e seu pastor alemão, Major, rondando a porta da frente. COMEÇO


Ele estava acostumado com a ausência de barulho. Se Joshua se permitisse pensar sobre isso, poderia capturar a emoção que o silêncio provocava… vazio. Mas Joshua era um homem com responsabilidades de administrar uma fazenda de cavalos bem-sucedida, e criar seu filho adolescente, sozinho. Não havia tempo para ficar pensando sobre o que fazia falta. Ele olhou para Patrick por sobre o jornal. Suspeitava que Patrick o visse como um homem sério, frio e sem humor. Uma ponta de dúvida levou Joshua a imaginar se tinha realmente se tornado esse tipo de homem.


Reprimindo o pensamento não produtivo, voltou a olhar para o jornal e ignorou a distância entre seu filho e ele. Mas o silêncio, o vazio infinito, permaneceu. Major rosnou. – Deite – comandou Joshua. Major obedeceu por uns quinze segundos, então levantou-se novamente e começou a latir. Patrick ergueu os olhos de sua lição de casa. – Qual é o problema dele? Joshua deu de ombros, levantou-se para deixar o cachorro sair. Assim que a porta se abriu, ele ouviu o distinto som de um escapamento em necessidade de reparo. O escapamento estava atado a


um carro que vinha pela estrada de terra em direção a sua casa. Major estava latindo como um louco, enquanto Joshua estreitava os olhos contra a escuridão da noite. Ele acendeu as luzes de fora. O carro era vagamente familiar, mas ele não podia lembrar bem… O conversível verde parou na frente da sua casa. Um momento depois, a porta do lado do motorista se abriu, e o som de um bebê chorando juntou-se ao coro de Major. Patrick saiu da casa e parou ao lado de Joshua. – O que…


Os dois homens Blackwell assistiram, impressionados, quando Maddie Palmer colocou o bebê numa espécie de canguru que usava na frente do corpo, pegou duas cestas grandes e passou por Major, subindo os degraus. – Oi – disse ela, alegremente, os olhos castanhos brilhando com o mesmo bom humor que curvava sua boca bonita. – Lembra-se de mim? Você me deu uma carona para o hospital, seis semanas atrás, e me ajudou a ter meu bebê. Eu lhe prometi uma refeição por semana pelo próximo ano, e tento cumprir as minhas promessas. Então, aqui está seu primeiro jantar.


– Perdão? – disse Joshua, olhando-a com incredulidade. Ela não podia realmente pensar que ele a esquecera. Ele certamente nunca levara outra mulher grávida para o hospital na garupa de sua motocicleta. – Comida – disse Patrick, a voz quase tremendo de alegria. – Ela trouxe comida, papai. – Isso não é necess… Ela deu de ombros. – Já está feita. Quando o bebê começou a se agitar, Joshua e Patrick pegaram as cestas. – Isso realmente não é… – começou Joshua novamente.


– Tem uma torta! – Patrick gritou como se não visse uma em anos. – Entre – convidou Joshua quando o bebê começou a chorar. – Pensei que fosse levar menos tempo para encontrar você – disse ela, seguindo-o para o sofá. – Além disso, eu me perdi e tive de pedir informações para um de seus vizinhos. Sr. Crockett. Ele é muito ranzinza, não é? – Você parou na casa de Otis Crockett? – perguntou Patrick, sua atenção desviando temporariamente da comida para Maddie. – Ele sacou uma arma para você? – Ele não apontou exatamente para mim – replicou Maddie, liberando o


filho agitado do canguru. – Mas ele tinha uma sobre o ombro, e não foi prestativo. Eu lhe disse que ele precisava trabalhar em sua língua, pois esta arrancaria papel de parede. – Oh, Deus – murmurou Joshua, baixinho, sentindo um nó de desconforto em seu âmago. Maddie parecia tão indefesa, e Otis gostava de dar tiros. – Não pare na casa de Otis Crockett. Ele já foi parar no tribunal por seu temperamento antes. – Ele precisa de uma remodelação de personalidade – ela falou sobre o choro do bebê. – Não pare na… – Para enfatizar seu ponto, Joshua começou a se repetir,


mas parou quando viu Maddie puxar a blusa para fora da calça. Sua expressão devia tê-la detido. Ela pausou e levantou um ombro. – Fofucho aqui está com fome. Já passou muito de sua hora de mamar. Tenho certeza de que isso não é nada que você não tenha visto antes, mas… – Para a cozinha, Patrick – disse Joshua, imediatamente virando-se e andando para longe. Coçou a nuca e balançou a cabeça. Reprimindo um xingamento, gesticulou para seu filho sentar-se de costas para Maddie enquanto ela amamentasse o bebê. – Isso não é nada demais, papai. É natural.


– Conte essa para outro, Patrick. Eu já tive 16 anos um dia. – Ele começou a entender por que a maioria dos furacões recebiam nomes de mulheres. Em menos de dois minutos, Maddie entrara em sua casa quieta e pacífica e a virara de cabeça para baixo. Ele tirou os pratos das cestas e serviu a comida, notando o silêncio do bebê. Isso significava que Fofucho estava sendo alimentado e que os seios de Maddie estavam desnudos. Nada sobre o que ele deveria fazer um drama, Joshua disse a si mesmo. Como Patrick apontara, aquilo era natural. Mas fazia muito tempo desde a última vez que uma mulher se sentara na sua sala de


estar, e mais tempo ainda desde que uma mulher se sentara lá com os seios nus. Joshua deliberadamente apagou a imagem de sua cabeça e focou-se na refeição. Aquilo era muito melhor do que os ovos mexidos que ele planejara fazer. – Isto está ótimo – disse Patrick, pegando outro pedaço de frango frito. – Aprecie – Joshua falou para o filho, secamente. – Aposto que será sua última refeição ótima por um tempo. – Não muito tempo – disse Maddie de trás dele. Joshua virou a cabeça para olhá-la, notando que ela arrumara as roupas no


corpo, e então reparando no sorriso dela. Um sorriso levemente torto, mas generoso e atraente o bastante para lhe chamar a atenção. Ele arqueou as sobrancelhas. – Não muito tempo? – Isso mesmo – confirmou ela, enquanto batia gentilmente nas costas do bebê. – Eu lhe prometi uma refeição por semana durante um ano. Ele imediatamente rejeitou a ideia. – Isso não é necessário. Foi gentileza de sua parte trazer o jantar esta noite, mas vamos considerar que estamos quites agora – murmurou ele, ignorando o protesto de Patrick. – Não é prático ou sensato para você viajar


toda semana até aqui para trazer uma refeição caseira. O sorriso de Maddie ampliou-se. – Levar uma mulher grávida para o hospital na garupa de sua motocicleta, depois ficar com ela até que o bebê nascesse não foi prático ou sensato para você, foi? – Eu… – Um excelente argumento – intrometeu-se Patrick. Joshua fechou a boca. Entre seu filho, que parecia um saco sem fundo, com sua fome de adolescente, e Maddie Furacão, ele podia ver que teria de ser firme. – Isso não é…


– Eu preciso ir embora – interrompeu ela, pegando suas cestas e alguns dos pratos vazios. – Maui é um pouco temperamental, e, uma vez que eu não conheço suas redondezas na luz do dia, muito menos no escuro, eu detestaria ficar encalhada. Totalmente confuso, Joshua levantou-se. – Maui? – Oh, é o nome que dei para meu carro. Alguns anos atrás, eu tive de escolher entre fazer uma viagem para Maui e comprar um carro novo. Eu escolhi Maui, e decidi dar este nome para meu carro, como um lembrete, toda vez que ele quebrasse. – Olhando


para baixo e para o bebê dormindo, ela balançou a cabeça. – Você não ouviu o que eu lhe falei ontem à noite? – sussurrou para o filho no canguru. – Deveria esperar por mim antes de dormir. O bebê não se mexeu. Maddie deu uma olhara irônica para Joshua e Patrick. – Homens. Patrick riu. – Você… uh… deu mesmo o nome Fofucho para ele? Maddie arregalou os olhos. – Oh, não. Ele se chama David. Um nome bom e sólido para compensar o fato de ele ter uma mãe egocêntrica.


Mãe solteira – acrescentou ela, em voz baixa, e o brilho nos olhos castanhos diminuiu só um pouquinho, como se ela soubesse que a responsabilidade de criar um filho seria uma experiência solitária, algumas vezes. Maddie parecia ser o tipo de mulher livre e descontraída, com uma risada rouca que fez Joshua pensar em manhãs preguiçosas na cama. Com os cabelos ruivos levemente despenteados e os olhos castanhos travessos, um homem poderia concluir que ela era um pouco selvagem. Em seu mundo silencioso e ordenado, ela era barulho e confusão. Ela era amigável, mas dava a impressão de que se sentia à vontade


com sua sexualidade. Isso se refletia no jeito que Maddie se mexia, no jeito que ela falava, que encontrara seu olhar. Ela o deixava desconfortável. – Como eu disse, preciso ir. Alguma coisa que vocês não gostam, além de fígado? – perguntou ela enquanto se dirigia para a porta. – Meu objetivo é agradar. Joshua sentiu um nó no estômago e piscou. – Por favor – ecoou ele, sua pulsação acelerando diante da imagem inapropriada, porém ardente, que surgiu na sua mente. Ela assentiu.


– Jantar na próxima semana. Obrigada, Patrick – acrescentou Maddie, andando para a varanda da frente. – Obrigada, senhorita… – Maddie – disse ela. – Apenas Maddie. Joshua precisava desesperadamente controlar a situação. – Deixe-me levar isso – disse ele, e carregou as cestas para o carro. Uma brisa leve soprava. Joshua abriu a porta do carro, e ela prendeu o bebê na cadeirinha. – Maddie – falou quando ela endireitou o corpo. – Muito obrigado por ter trazido a refeição…


– Não tem de quê. Desacostumado a ser interrompido por uma mulher atraente que o distraía, Joshua pausou por alguns segundos, antes que o rumo da conversa fosse desviado. – Mas não é necessário que você traga uma refeição toda semana. Não é necessário nem prático nem racional. Ela deu aquela risada rouca novamente, mexendo com suas terminações nervosas e com sua masculinidade. – Não é prático, não é sensato. Graças a Deus que existem muitas coisas que não são práticas nem


sensatas. E eu discutiria sobre se é necessário ou não. Ela meneou a cabeça e inclinou-se para mais perto. Não pretendia que parecesse um convite. Aquela era apenas a linguagem corporal de Maddie, ele sabia, entretanto, seus dedos se curvaram com vontade de tocá-la. – Eu não estou acostumada a ser resgatada por fazendeiros confiáveis e conservadores. Na verdade, não estou acostumada a ser resgatada, em absoluto. E preciso agradecê-lo. Façame um favor e apenas aprecie as refeições. Tudo bem?


Sem fala, Joshua deu um suspiro frustrado. – Eu entenderei isso como um sim. – Ela andou para o lado do motorista do carro e sorriu, antes de entrar. – Boa noite, Joshua Blackwell. – Boa noite – murmurou ele, depois que ela fechou a porta do veículo. O motor pegou aos engasgos, com o barulho alto do escapamento. Ele mal conseguia ouvir a si mesmo sobre os ruídos do carro, mas notou que Major começava a latir de novo, que outro animal uivava a distância e que os pássaros se agitaram com a interrupção. Até os insetos gritaram, como se


estivessem nervosos. Deus, a mulher era um assalto contra a natureza. Na neblina do começo da noite, ele observou-a dirigir até a metade do caminho de acesso para o portão. O carro seguiu por mais um momento, de maneira instável, então parou. Tinha começado a chover forte, e Joshua suspirou. A noite ainda não acabara. Maddie sabia muito bem por que seu carro estava inclinando para um lado. Tinha furado um pneu. – Não é nada tão grave. Desta vez, eu tenho um estepe. E o bebê está dormindo – ela disse a si mesma, lembrando-se da última vez que tivera um pneu furado, David estava


acordado, chorando, com fome e infeliz. Ela abriu a porta do carro e pisou numa poça de lama. – Esta é apenas mais uma das aventuras da vida. O que fará de mim uma pessoa melhor – sussurrou para si própria. – Vinha repetindo o mesmo mantra durante os últimos dez anos de sua vida, e ainda esperava ansiosamente pelo dia que finalmente acreditasse nisso. Rodeando o carro, ela colidiu com um objeto imóvel. Piscou, então reconheceu Joshua. – Oh, aposto que você pensou que eu estivesse longe – disse ela com um


sorriso encabulado. – Sabe o que dizem sobre moedas sem valor ou pessoas indesejáveis? Você não consegue se livrar delas. Pode voltar para sua casa. Eu tenho muita prática em trocar pneus. Ela abriu o porta-malas, e ele pegou o pneu e o macaco, antes que ela pudesse fazer isso. Maternidade a estava deixando lenta, pensou Maddie com irritação. – Ouça, está chovendo. Eu não espero que você… – Por que você não se senta dentro do carro, para que não fique molhada? Eu não vou levar muito tempo – disse


Joshua, já se ajoelhando ao lado do pneu furado. Desacostumada a ter alguém fazendo coisas para ela, Maddie sentiu-se desconfortável. – É muita gentileza sua, mas eu posso trocar o pneu. Você não precisa fazer isso. Pode… – Você está falando como eu falei, alguns minutos atrás. Mesmo na escuridão, a intensidade dos olhos acinzentados a penetraram. Fechando a boca, Maddie sentiu seu desconforto aumentar. Ela nunca gostara de homens calados, especialmente aqueles que se recusavam a continuar uma conversa


ou uma discussĂŁo. Sempre preferia passar seu tempo com homens verbalmente expressivos, porque nĂŁo ficava tentando imaginar o que eles estavam pensando. Joshua a fazia imaginar. Ele era um daqueles homens nobres e honestos que provavelmente a desaprovava, mas era muito reticente, ou muito educado, para demonstrar isso. E ela apostaria um ano de bilhetes de loteria que ele era uma pessoa antiquada. Uma pessoa antiquada boa, emendou Maddie, porque o homem estava trocando seu pneu, mas ainda uma pessoa antiquada. Ele parecia precisar de alguĂŠm que o fizesse relaxar


um pouco. Imaginou se ele possuía uma vida sexual, e, a propósito, se tinha sido beijado ultimamente. O homem parecia estar precisando de um beijo. Maddie experimentou uma onda de excitação ao mesmo tempo em que ouviu um sino de alarme. Conhecia bem os resultados de seguir essa onda de excitação. Encontrara-se encrencada muitas vezes para contar, por seguir tais sensações. Bem, ela não cumpriria missão alguma de beijar Joshua Blackwell, ordenou si mesma, olhando dentro no carro. Vendo que David continuava dormindo pacificamente, voltou para o lado de Joshua.


Gostaria que tivesse um guardachuva à mão para segurar sobre ele. Molhada da chuva, a camisa de algodão de Joshua marcava o contorno dos ombros largos, das costas e dos bíceps. Ela teria de ser cega para não apreciar a força daquele corpo. Todavia, a atração era mais do que física. Para Maddie, havia alguma coisa insidiosamente sedutora sobre um homem que, claramente, passara por momentos difíceis. Segurança. Ela engoliu uma risada. Quem pensaria que Maddie Palmer pudesse achar segurança uma coisa sexy? Seus hormônios ainda deviam estar descontrolados da gravidez.


– Seu filho parece um bom garoto. Aposto que você tem orgulho dele – disse ela, para quebrar o silêncio e interromper sua própria linha de pensamentos. – Sim – murmurou Joshua enquanto continuava trabalhando com o pneu. – Ele já está louco por garotas? Joshua pausou, olhando para ela. – Se ele estiver, não me conta nada. A voz dele era baixa e profunda, inteiramente máscula, fazendo-a querer ouvir mais. Que interessante, pensou Maddie, que um homem antiquado e conservador pudesse ter uma voz tão atraente. – Tipo acadêmico, huh?


– Sim. Ela fez uma careta. – Ele mantém suas motivações em segredo? Joshua assentiu. – Como o pai? Ele pausou novamente e fitou-a. – Suponho que sim. Eu não tinha pensado nisso antes. Aquilo não a surpreendeu. Joshua não lhe parecia do tipo que ficava sentado, analisando suas similaridades com o filho. – Você deveria ter esperado dentro do carro – disse ele quando abaixou o macaco. – Molhou-se inteira.


Maddie olhou para sua blusa úmida. Ao mesmo tempo, sabia que seus cabelos estavam provavelmente espetados em dez diferentes direções, por causa da umidade. Ela deu de ombros. – Você também. Ele pôs o pneu furado e o macaco de volta no porta-malas. – Eu pensei que as mulheres não gostassem de se molhar. – Depende do motivo – murmurou ela. – Molhar-se na piscina ou no chuveiro é bom. Molhar-se porque você está de pé numa fila para comprar ingressos para um show não é muito ruim.


Ele virou-se para ela, e Maddie podia jurar ter visto os lábios de Joshua se curvando num sorriso rápido. – E quanto a se molhar por causa de um pneu furado? Os cabelos dele estavam muito molhados, e, por um breve segundo, Maddie tentou imaginar como Joshua ficaria saindo de um banho matinal. O corpo dele era claramente bem torneado e musculoso. A imagem lhe causou um friozinho na barriga, e ela piscou para apagá-la da mente. – Molhar-me por causa de um pneu furado? Depende se a experiência vai ser uma aventura ou não.


Ele deu um pequeno sorriso, então estudou-a com curiosidade. – Aventura num caminho de terra? – Às vezes, você precisa criar suas próprias aventuras – ela o informou e suspirou. – Agora, como eu vou agradecê-lo por isso? Mais refeições? Os olhos de Joshua se arregalaram em horror, e ela riu. – Está com medo da moeda sem valor? De não conseguir se livrar de mim? Quer colocar o pneu furado de volta no carro? – Não – replicou ele imediatamente, sem convicção. – Mas você pensou sobre isso – disse Maddie, e riu.


– Que tal um simples “obrigado”? – sugeriu Joshua. O homem parecia que precisava ser beijado. O pensamento impertinente voltou a cutucá-la, com mais força, desta vez. Bem, e daí? Aquilo não exigiria alguma coisa monumental dela. Mas ele dissera que um simples “obrigada” bastaria. E algumas pessoas realmente preferiam levar vidas calmas e tediosas. Maddie assentiu. – Muito obrigada. – O homem parecia precisar ser sacudido. Resignada ao inevitável, ela ergueu-se na ponta dos pés, tocou o queixo teimoso dele


com a ponta dos dedos e deu um beijo firme na boca de Joshua Blackwell. Ela o ouviu arfar em surpresa. O que a lembrou de uma criança tomando remédio para tosse. Só mais um pouco de tempo para o remédio fazer efeito, pensou ela, e sentiu os lábios dele testando os seus. Uma mão grande envolveu sua cintura. Maddie não tinha certeza se ele a estava puxando para mais perto ou segurando-a com firmeza. De qualquer forma, ela derreteu-se um pouco. Estava surpresa pela resposta de Joshua. Ainda mais surpresa por sua própria resposta.


Com o coração disparado contra as costelas, ela afastou-se e respirou fundo. Lentamente, deu um passo atrás, para dentro da porta aberta do carro. – Aventura num caminho de terra – murmurou ela. – Eu nunca fui boa em qualquer coisa do jeito simples, mas obrigada. Boa noite – acrescentou, então, acomodou-se em seu assento.


Capítulo 3

JOSHUA PERMANECEU parado na chuva, olhando na direção que ela partira, muito tempo depois que o barulho do escapamento desapareceu. Ficou ali no escuro, na lama, na chuva. Como um tolo. Bufando, virou-se e voltou para a casa. Pelo jeito que ele reagira, qualquer pessoa pensaria que ele nunca tocara


uma mulher, muito menos que tinha sido beijado por uma. Praguejando baixinho, movimentou os ombros. Sua camisa molhada estava terrivelmente agarrada à pele. Maddie Palmer era problema. Apesar de não possuir muita experiência com mulheres, Joshua sempre acreditara que ele tinha instintos bem desenvolvidos. Maddie desafiava tais instintos. Ela era uma estranha instável com um bom coração. Uma paqueradora com boas intenções. Sob tudo isso, todavia, Joshua percebia que ela possuía um núcleo central de força, e sentia uma conexão


estranha com Maddie. De certa forma, ela era como ele. No sentido de que faria o que precisava ser feito. Mas ele perguntou-se como ela conseguia os sorrisos fåceis, se ela estivesse com metade do medo que ele sentira quando havia começado a criar seu filho sozinho. Joshua pensou em como ela o abalara quando o beijara. Maddie era bonita, tinha cheiro e gosto maravilhosos, mas destruía a ordem natural das coisas. A mulher era problema. QUANDO MADDIE entrou no caminho de acesso para sua casa eram aproximadamente 10h da noite. Seu


estômago estava roncando de fome, e David estava acordando. Exausta, ela o tirou da cadeirinha e entrou em casa. – Muito bem, doce Pete, aposto que você vai querer mamar e brincar um pouco. Deixe-me apenas fazer um sanduíche de presunto – sussurrou ela. – Não vou levar mais do que alguns minutos. Acomodando-o no berço dobrável portátil, ela foi para a cozinha. Estava acabando de espalhar mostarda em duas fatias de pão, quando a campainha tocou e David começou a chorar. Maddie pôs a cabeça para fora da cozinha, e viu seu irmão atravessando a porta.


– Onde você esteve? – perguntou Ben, e roubou o sanduíche parcialmente feito de sua mão. – Eu passei por aqui duas vezes. Estava começando a me preocupar que alguma coisa tivesse acontecido. – Ele deu uma mordida e fez uma careta, olhando para o pão. – O que é isto? Ainda não acostumada com seu irmão mais novo indo ver se ela estava bem todas as noites, Maddie balançou a cabeça. – No momento, é um sanduíche de mostarda. Tinha o potencial de ser um sanduíche de presunto se você tivesse esperado, mas era destinado para a minha boca – disse ela, tirando o pão


das mãos dele. – Não para a sua. Você se importa de segurar Davey por um minuto enquanto eu termino isto? Ben olhou por sobre o ombro e deu meio sorriso. – Tudo bem. Mas se ele tentar mamar no meu braço, como fez alguns dias atrás, ele é todo seu. Maddie tocou o braço de seu irmão e forçou uma expressão solene e zombeteira ao mesmo tempo. – A vida é frágil. Uma vez que você é padrinho de David, se alguma coisa me acontecer, você teria de lidar com o fato de ele mamar em você, babar em você etc. – disse ela. – O tempo inteiro.


Pela fisionomia de Ben, ele estava um pouco enjoado. – Eu sei. Por que você acha que estou tão preocupado com seu bem-estar? – Por quê? Porque você me ama e me adora – respondeu ela, e deu-lhe um beijo rápido no rosto. – Oh, dê-me a criança. É mais fácil lidar com ele do que com você – resmungou seu irmão. Maddie sorriu, então, virou-se para continuar preparando seu sanduíche e servir-se de refrigerante descafeínado. Ben estava sentado no sofá, falando para David sobre mulheres, num tom de voz suave e gentil. Seu irmão durão, com cabelo castanho claro batendo nos


ombros, brinco numa única orelha, que dirigia uma motocicleta Harley e se fingia de durão, era louco pelo bebê. Ela foi para a sala e sentou-se no canto do sofá, onde poderia dar de mamar e comer ao mesmo tempo. Dando um gole rápido do refrigerante, estendeu os braços. – Eu posso segurá-lo agora. Ben deu de ombros. – Coma primeiro. Nós estamos tendo uma conversa de homem para homem, e ele está bem. – Certo. Obrigada. – Uma vez que Maddie sabia que seu tempo era contado, comeu rapidamente o resto do


sanduíche e começou a tomar o refrigerante. – Você ainda não me contou por que chegou tão tarde esta noite – insistiu ele, e levantou-se quando o bebê começou a se agitar. – Dez horas da noite é tão tarde? – Para você, é. Você nunca está na rua após as 8h, depois que meu amigo aqui chegou ao mundo. – David começou a procurar o bico no braço de Ben, novamente. – Ah, não. Isso não. Aqui está ele – murmurou seu irmão, e rapidamente entregou-lhe o filho. Maddie riu e, discretamente, ajustou o topo da blusa para alimentar seu bebê.


– Eu levei uma refeição para Joshua Blackwell e o filho dele. Ele olhou-a com incredulidade. – Você dirigiu até depois da Montanha Catawba! Naquele desastre que chama de carro… – Maui – interrompeu ela. – E você não se perdeu? – Eu não disse isso. Eu me perdi, mas acabei achando a casa. Ele e o filho apreciaram a refeição, e depois, eu vim embora – murmurou ela. – Depois que Joshua trocou meu pneu furado. – E eu o beijei. Seu irmão não precisava saber deste pequeno fato, especialmente uma vez que não era uma ação que ela pretendia repetir.


– Você não vai realmente levar uma refeição para lá, toda semana, durante um ano, vai? Isso é um pouco de exagero, até mesmo para você, Mad. – Não é. O homem me ajudou quando eu precisei dele, e aquilo significou muito para mim. Eu quero recompensá-lo de alguma forma. – Mesmo se isso deixar o pobre Joshua louco? Ela vira a expressão no rosto do homem. Quase se perguntara quando ele ia erguer os dedos numa cruz para detê-la. – Você teima sobre as coisas mais estranhas – disse Ben. Maddie olhou de maneira significativa para a tatuagem de jiboia


no antebraço de seu irmão, que o impedira de conseguir diversos empregos. – Eu poderia dizer o mesmo sobre você. – É diferente – defendeu-se ele. Maddie sorriu. Quando Ben crescesse e abandonasse seu estado de rebeldia, seria um grande sujeito. Ela encontrou-lhe o olhar afetuosamente. – Obrigada por ter passado aqui. Os olhos castanhos se suavizaram. – Sem problemas. Ligue se você precisar de mim. – Você tem falado com mamãe? – perguntou ela esperançosamente.


– Falei com ela outro dia – replicou ele. – Nada de novo. Maddie lutou contra a pontada de dor. Sabia o que seu irmão estava dizendo. Sua mãe ainda não a perdoara por ter engravidado e tido o bebê quando ela era solteira. Maddie começava a imaginar se sua mãe algum dia aceitaria David. – Descanse, Maddie – disse seu irmão. Ela assentiu com a cabeça. – Boa noite. Dentro de alguns instantes, o silêncio envolveu-a. Olhando para seu filho, ela lutou contra o medo que, às vezes, acompanhava o silêncio. Ele era tão


precioso, pensou, maravilhando-se diante da visão de seu filho novamente. Tão, tão precioso, e ela era completamente responsável por sua saúde, segurança e bem-estar. Maddie acariciou os cabelos ralinhos na cabeça no bebê e lutou contra as lágrimas. Muitas vezes, perguntava a si mesma se estava apta para o trabalho. Não que tivesse alguma escolha. Lutaria com unhas e dentes com qualquer pessoa que tentasse lhe tirar David. Entretanto, continuava se perguntando, e quando cansava de se perguntar, resolvia que ficaria apta para a tarefa. Ela aprenderia a jogar beisebol. Que Deus ajudasse David, porque


Maddie não conseguia atingir a lateral de um estábulo com uma bola. Sabia andar de patins, todavia, e poderia ensiná-lo a dançar. Mais importante do que tudo isso, ela queria ser capaz de ensiná-lo a crescer feliz e saudável. Acreditando em si mesmo, capaz de dar e receber, de amar e de sonhar. Solidão era uma emoção poderosa, mas amor e sonhos eram ainda mais fortes. Sua mente foi para Joshua Blackwell, e ela franziu o cenho. Ele a intrigava. No começo, Maddie pensara que ele fosse “certinho” demais. Ou ele reprimia suas necessidades ou não possuía nenhuma, concluiu. Maddie


podia ouvir sua amiga Jenna Jean provocá-la por tirar conclusões precipitadas. Ela fez uma careta. Jenna podia estar certa desta vez. Havia alguma coisa indesculpavelmente máscula, imperdoavelmente determinada sobre Joshua. Levara alguns segundos, mas ele respondera ao seu beijo. A boca dele havia começado a se mover sobre a sua numa exploração sensual. O peito largo parecera sólido contra seus seios. As coxas grossas haviam se pressionado contra as suas, tornando-a consciente da força e masculinidade de Joshua. A reação dele perturbava-a, porém o que mais a perturbava era sua própria


reação. Maddie não esperara que sua pulsação acelerasse, ou que sua respiração se tornasse ofegante. Jamais teria previsto o tremor em seus joelhos. Bem, ela aprendera sua lição. Sob aquela superfície calma e conservadora, havia um homem misterioso com o potencial de um barril de pólvora. Maddie não o subestimaria de novo. JOSHUA TOMOU um banho quente para eliminar a umidade gelada que permeava seus olhos, depois de ter trocado o pneu de Maddie. Após alguns minutos acessando o dia mentalmente, ele, no geral, caía num sono sem sonhos. Esta noite, todavia, o sono não


veio. Quando ele fechou os olhos, estava mais consciente de seu corpo do que se sentira em anos. Sua pele, seu coração bombeando, sua respiração. Levantou-se e tomou uma rara dose de uísque, então voltou para cama. Após um tempinho, o efeito do álcool e do silêncio melhorou seu estado de tensão, e ele fechou os olhos. Quando finalmente começou a relaxar, uma visão de Maddie fez cócegas em sua cabeça, como uma flor debaixo de seu queixo. Problema… a mulher era problema. Mas ela era tão calorosa, tão viva. Joshua suspirou e, gradualmente, adormeceu.


E sonhou. MADDIE SORRIU para Patrick quando ele atendeu a porta. – Estrogonofe de carne hoje, tudo bem? Os olhos dele se iluminaram. – Sim. Entre, Maddie. Ele olhou para o carro dela. – Onde está Dav… Passando por ele, e indo para a cozinha, ela colocou as cestas sobre a mesa, então abriu as laterais de sua capa de chuva para revelar o topo da cabeça de seu bebê dormindo dentro do canguru que ela usava. – Eu não queria que ele se molhasse. – Ela olhou ao redor. – Onde está seu


pai? Eu cheguei num horário ruim? – Ele voltará daqui a pouco. Uma das éguas está dando trabalho para ele. Ela deveria agarrar esta oportunidade, disse a si mesma, e ir embora. Não queria ver Joshua de novo. Especialmente depois que aquele pequeno gesto de boa vontade, que ela pretendera que fosse um beijo de caridade, acabara fazendo coisas loucas com seus hormônios. – Eu não preciso ficar. Posso apenas trocar os pratos da próxima vez e… Patrick pareceu horrorizado. – Você não vai embora, vai? Incerta, Maddie hesitou.


– Bem, eu só queria trazer a comida. Entre me perder, ter de alimentar o bebê e seu pai trocando meu pneu furado, acho que eu devo ter atrapalhado toda a rotina de vocês na semana passada. Patrick balançou a cabeça. – Não. Papai irá querer agradecer você por ter trazido o jantar. – E tentar me convencer a não trazer mais nenhuma refeição – murmurou ela. Patrick riu. – Sim, mas você não precisa fazer o que ele diz. Falando como um adolescente ansioso por independência, pensou ela.


Maddie ia responder, quando a porta da frente se abriu com um ruído, e Joshua entrou, falando uma série de palavrões que teria descascado a tinta das paredes. Maddie piscou, olhando para Patrick. Ela inclinou a cabeça para espiar além da porta da cozinha. Com a cabeça ensopada, água pingando do nariz, Joshua estava removendo uma capa de chuva cinza. Com o semblante mais sombrio do que uma nuvem de tempestade, ele devia ter sentido que ela o observava, porque ergueu os olhos para encontrar os seus. O coração de Maddie disparou. Ele não parecia feliz. O que você está fazendo aqui?


Ele não perguntou em voz alta, mas a expressão no rosto sério dizia isso. A intensidade de Joshua mexeu com ela, surpreendendo-a. A imagem de um barril de pólvora surgiu na sua mente mais uma vez. – Oi – disse ela com um sorriso fraco. – Acabei de trazer a refeição. Espero que vocês gostem. Eu já estava de saída. Maddie andou em direção à porta, mas ele mudou de posição, bloqueando seu caminho. – Não precisa ter pressa – murmurou ele, naquela voz que parecia dizer “confie em mim” e que penetrava sua pele. – Está chovendo muito no momento.


– Meus limpadores de para-brisa funcionam bem – replicou ela, e tentou passar por ele. Infelizmente, David tomava um pouco mais de espaço do que Maddie estimara. Ela roçou contra Joshua, então deu um passo atrás, rapidamente. – Será melhor se você esperar. Já jantou? Maddie hesitou, sentindo-se encurralada. – Não, mas eu ia… – Há o suficiente para três? – Não realmente… – começou Maddie. – Mais do que o suficiente – Patrick gritou da cozinha.


Maddie franziu o cenho. Sem ajuda do filho. Optou por uma abordagem direta. – Você provavelmente não está no humor para companhia no momento. Ele arqueou uma sobrancelha, então deu uma risada misturada com um suspiro de exasperação. – Oh, você quer dizer, porque eu estou prestes a matar uma égua vencedora de prêmios, porque ela está rejeitando meu garanhão? – Ainda chutando? – perguntou Patrick. – Tem certeza de que ela está no cio? Joshua deu um olhar irritado para o filho.


– Ela está no cio. É apenas uma fêmea teimosa e exigente demais. Meu Deus, eu estou começando a me perguntar se ela precisa de violinos e velas aromáticas. Maddie balançou a cabeça em confusão. – Perdão? Eu realmente não entendo muito sobre fazendas de cavalos. O que você faz basicamente não é dar aulas de equitação e treinar cavalos? Patrick riu. Joshua quase sorriu. Ele tirou as botas. – Esta é uma fazenda para a criação de cavalos. Nós procriamos cavalos de corrida. Eu tenho um garanhão que foi


vencedor da coroa tripla. Ele não é jovem, mas faz bem o seu trabalho. Donos de cavalos trazem éguas para mim, e eu supervisiono a produção. – Produção? – repetiu Maddie. – Impregnação. Fecundação – acrescentou ele, quando ela pareceu confusa. – Consumação. Os olhos de Maddie se arregalaram. – Oh. Então você está nos negócios de sexo. Patrick emitiu um som estrangulado de divertimento. Joshua piscou. Então, inclinou a cabeça para um lado, considerando as palavras dela.


– Não posso dizer que eu já pensei nisso por este ângulo, mas, sim, suponho que estou. – Os olhos dele percorreram-na da cabeça aos pés. E havia curiosidade, e alguma outra coisa neles, que a deixou um pouco sem graça. – Tire seu casaco e fique um pouco. Eu vou lavar as mãos. Maddie o observou desaparecendo nos fundos da casa, então olhou para Patrick. – Ele sempre dá ordens, assim? Resignação guerreou com revolta nos olhos acinzentados tão parecidos com os do pai. – Sim. E as ordens dele geralmente são cumpridas.


Maddie guardou aquela informação. Um ponto contra ele, disse a si mesma. Apesar de sempre ter se sentido divertida por homens arrogantes, nunca sentira o menor interesse de se envolver com um. Os dois homens Blackwell encorajaram-na a conversar durante a refeição. Maddie podia quase jurar que Patrick estava tão faminto por companhia feminina quanto estava por comida. Ele era uma criança interessante, academicamente orientado, mas também apreciava conversar sobre música. Joshua não falou muito, mas ela sentiu o olhar dele


sobre si o tempo inteiro. Aquilo foi o bastante para continuar perturbando-a. Eles lhe deram privacidade para amamentar David, depois Joshua ajudou-a a carregar os pratos para seu carro. – A chuva quase parou – disse ele. – Tome cuidado. A pista pode estar escorregadia. Maddie prendeu Davey na cadeirinha no carro e pôs a chupeta na boca dele. Quando endireitou o corpo, Joshua se aproximou. – Eu estou curioso, Maddie – começou ele. – Você beija todos os homens que trocam seu pneu furado? Maddie ficou tensa.


– Bem, para ser honesta, nenhum homem havia trocado meu pneu antes de você. Eu mesma os troco. – Ela deu de ombros, desejando que houvesse um pouco mais de espaço entre eles. – Mas é verdade que sou uma pessoa afetuosa. Eu abraço muito, beijo muito no rosto. Tenho certeza de que isso deixa algumas pessoas desconfortáveis. Mas você não precisa se preocupar. Eu posso ver que você não é do tipo que gosta de tocar e ser tocado, portanto, eu não o perturbarei mais com… – Ela parou, respirou fundo, exalou e desviou o olhar. Por que se sentia embaraçada? – Com beijos.


Joshua ficou silencioso por um momento longo e desconcertante. Se ele ao menos se movesse, pensou Maddie, então ela poderia entrar no carro e… – Perturbar. – Ele falou a palavra lentamente, como se estivesse tentando sentir o gosto da mesma. Maddie o fitou. Os olhos acinzentados a estudavam. Joshua assentiu com a cabeça. – Sim, você me perturbou quando me beijou. O beijo a perturbou de alguma forma? O tom de desafio sexual na voz dele surpreendeu-a. Ela considerou mentir, mas, como na maioria das coisas,


Maddie sempre era pega quando mentia. – Um pouco – concedeu ela com relutância. – Mas eu não agi com essa intenção. Foi mais como uma forma de agradecimento, e porque eu pensei que você não era beijado por um tempo. Joshua encarou-a, os cantos de sua boca levemente inclinados para cima. – Aquele foi um beijo de compaixão? Maddie sentiu seu rosto esquentar. Grata pela escuridão que escondia seu rubor, praguejou silenciosamente. – Um beijo de agradecimento – murmurou ela. – Um beijo de piedade – corrigiu ele. Ela suspirou.


– Não acontecerá novamente. – Por que não? Ela abaixou a cabeça sob o braço dele e fechou a porta do carro, rapidamente. – Porque eu não acho que você precisa desse tipo de agradecimento – retorquiu Maddie, dando a volta para o outro lado. – Não mais beijos de piedade para o pobre Joshua – disse ele, zombando dela. – Não. – Maddie abriu a porta do lado do motorista, mas Joshua a deteve. – Que pena – murmurou ele. – Maddie – chamou quando ela continuou olhando para a porta do carro, e não para ele.


Ela relutantemente olhou para cima. – O quê? – Obrigado pela refeição. – Então, Joshua fechou o espaço entre os dois e cobriu-lhe a boca com a sua. Não havia nada de piedoso no gesto, pensou Maddie, enquanto perdia seu equilíbrio interno. A boca de Joshua era sugestiva e sedutora, e ele foi ainda mais ousado quando usou a língua para passar pela barreira dos seus lábios e prová-la como se esse fosse seu direito. A mente de Maddie se rebelou, mas seu corpo respondeu. Ela inclinou-se contra ele, as mãos indo para os braços fortes e agarrando-os. Ele não era rude. Mas ela podia sentir o gosto da


curiosidade sensual e determinação de Joshua. A força dele era temperada com gentileza. Uma combinação tão potente que atravessou suas barreiras e lhe tirou o fôlego. Ela podia quase sentir a emoção tocando seu coração. Não. Aquilo não daria certo, pensou. Não podia abrir seu coração para um homem no momento. Precisava construir um lugar seguro, interno e externo, para si mesma e para seu bebê, e aprendera que tal lugar não incluía um homem. Ela afastou-se e lutou por fôlego. – Eu acredito que nós dois já agradecemos o bastante – ela conseguiu


falar. – Sem mais beijos de gratidão. Sem mais beijos de piedade – acrescentou, e engoliu em seco. Uau. – Vejo você na próxima semana. Boa noite. Sem esperar pela resposta dele, Maddie entrou no seu carro e pegou o caminho de acesso para partir, mentalmente cantando, Sem mais…


CapĂ­tulo 4

JOSHUA PERMANECEU parado na chuva, olhando para o caminho de acesso, por muito tempo depois que o som do escapamento barulhento de Maddie desapareceu. Novamente. Sentia-se um tolo. Novamente. Joshua praguejou e jurou que nĂŁo ia ficar abalado por causa de uma mulher


amalucada como Maddie Palmer. Recusara-se a atribuir a ela o sonho que tivera na semana anterior, o primeiro sonho em mais de dez anos. Era provavelmente a comida, racionalizou, enquanto permanecia ali, parado na chuva. Seu estômago não estava acostumado com comida decente, então seu sistema digestivo causara atividade intensa no seu cérebro, motivo pelo qual ele tinha sonhado aquela noite na última semana. Explicação lógica, disse a si mesmo, uma vez que não sonhara desde então, e o sonho não tinha sido com Maddie. Pelo amor de Deus, ele sonhara com flores. Com ranúnculos, um campo de


ranúnculos. Joshua decidiu tirá-la da cabeça, livrar-se da sensação dos lábios dela sob os seus, do aroma feminino único penetrando suas narinas. Bastava, e teria de bastar. Virando-se, ele olhou para o chão, e um feixe de luz vindo da varanda iluminou um objeto perto de seus pés. Joshua estreitou os olhos e balançou a cabeça, praguejando novamente. A noite não acabara ainda. MADDIE RETRAÇOU seus passos do carro, pela terceira vez, enquanto balançava David nos braços. Ela o alimentara novamente, depois que chegara a casa, então planejara colocá-lo para dormir.


Uma parte vital da rotina de dormir de seu bebê estava faltando todavia. Toda vez que ela pensava que ele adormecera e começava a deitá-lo no berço, David choramingava. Os resmungos chorosos cresceram para um choro frustrado, que progrediu para soluços que a fizeram sentir como se alguém tivesse arrancado seu coração do peito e pisado nele. Maddie logo estaria chorando com ele. Voltando para a casa, ela meneou a cabeça de novo. Sabia que devia ter comprado outra. Sentindo o peso da hora tardia da noite, ela suspirou enquanto andava de um lado para o outro em sua sala, tentando acalmá-lo.


– Durma, querido – sussurrou. – Você se sentirá muito melhor amanhã. – Ela engoliu sua risada. – Eu me sentirei muito… Uma batida à porta a pegou de surpresa. Ben, previu ela e abriu a porta. Piscou diante da visão de Joshua Blackwell na sua varanda da frente. Vestido em jeans surrado e jaqueta de couro, ele estava parado ali, com os cabelos levemente desalinhados, olhando-a fixamente. O coração de Maddie disparou um pouco. – Olá? – Eu achei que você poderia precisar disto antes de amanhecer.


Ele levantou a mão e ofereceu-lhe a chupeta desaparecida. – Oh, meu Deus! – Maddie sentiu-se como se tivesse acabado de receber o Santo Graal. – Obrigada – disse, agarrando a chupeta. Estava tão aliviada que não sabia o que dizer. É claro, isso não a impediu de falar. – Ele deve ter cuspido a chupeta, e então caiu do carro. Eu não posso lhe dizer o quanto estou agradecida. Ele não dormia, e eu estava começando a me perguntar se algum de nós dormiria por um minuto esta noite. Quando Joshua continuou olhandoa, sem falar nada, ela lutou contra uma sensação estranha no estômago.


– Bem, entre e… Ele meneou a cabeça. – Isso não é necessário. – Sim, é – insistiu ela. – Você dirigiu um longo trajeto para entregar uma chupeta. Deixe-me lhe fazer uma xícara de café ou de chocolate quente antes de você voltar para a estrada. Ele começou a menear a cabeça de novo, e Maddie falou, em tom impaciente: – Nós precisamos discutir por causa de uma xícara de café? Joshua pausou e deu uma risada seca. – Suponho que não.


Sentindo Joshua atrás de si, Maddie andou para a cozinha e ligou a cafeteira. Mudou David para o outro braço, de modo que pudesse lavar a chupeta. – Quer que eu o segure? – ofereceu Joshua. Ela virou-se para olhá-lo. – Tem certeza? – Sim. – Joshua quase sorriu. – Ele não parece muito pesado. Maddie lentamente entregou David para Joshua. Era bom que começasse a treinar, pensou, uma vez que voltaria a trabalhar em duas semanas, quando teria de compartilhar ainda mais os cuidados de David.


– Obrigada – murmurou ela, notando que Joshua segurava David com naturalidade. Não parecia nem um pouco desajeitado. As mãos grandes estavam abertas sobre as costas do bebê de maneira firme, mas sem apertá-lo. Mais uma vez, forte e gentil. Seu corpo lembrou-se de ser segurada por ele, e Maddie experimentou aquela sensação de estar se derretendo por dentro, surpreendendo-a novamente. Ela não soubera que estava vulnerável à combinação. Afinal de contas, seu noivo tinha sido um músico do tipo “presente hoje, ausente amanhã”. Ela fora a enraizada ao solo.


Era estranho ter um homem, que não fosse seu irmão, dentro de sua casa. Ali em seu pequeno espaço proclamado “sem homens”, a masculinidade absoluta de Joshua lembrava-a de que ela era mais do que mãe. Era mulher. Piscou para afastar o pensamento. – Você parece ter certa prática nisso. – Sim, faz um tempo. Ele está quase dormindo. Maddie lavou a chupeta e fez uma careta. – É um truque. Assim que eu o coloco no berço, ele acorda. – A chupeta ajuda? – perguntou ele, mantendo a voz baixa. Uma voz que


soou estranhamente íntima, e ecoou dentro de Maddie. Ela balançou a cabeça para despistar a sensação. – A chupeta é mágica. Eu gostaria que tudo sobre a maternidade fosse fácil assim. Você tem um problema? Vá ao mercado e ache alguma coisa mágica que custa menos de dois dólares, e a crise passará. – Com medo? – perguntou ele, surpresa permeando as duas palavras. – Apavorada – replicou ela, assentindo. – Isso é evidente? Ele meneou a cabeça. – Não. Em absoluto.


Maddie pegou David de Joshua, e seu coração se derreteu diante da visão de seu bebê doce, que confiava totalmente nela. – Bem, eu estou – sussurrou ela. – Com muito medo. Pobre criança. Tem uma mãe que não leva o menor jeito para esportes. – Você pode gritar? Ela olhou para Joshua, em confusão. – Gritar? Sim, eu posso gritar. – Então, pode torcer das arquibancadas. Ela sorriu lentamente, grata, desta vez. – Sim, eu posso fazer isso. – Pondo a chupeta entre os pequenos lábios de seu


filho, ela andou em direção ao quarto do bebê, no andar de cima. – Mas eu tenho outras… irregularidades. – Como o quê? – perguntou Joshua, seguindo-a. Gentilmente colocando David no berço, ela levantou os dedos cruzados e contou até dez. – Acho que funcionou – sussurrou ela. Eles desceram a escada, juntos. – Minha amiga de infância, Jenna Jean, que é advogada, costuma dizer que eu atraio figuras de autoridade em momentos desafortunados. – Figuras de autoridade?


– Policiais de trânsito, guardas que multam exclusivamente por estacionamento proibido, e, recentemente – acrescentou Maddie com uma careta –, a Receita Federal. Joshua também fez uma careta. – Malha fina? Maddie assentiu. – Ai. – Já passei por fases diferentes com isso. Eu costumava pensar que era azar. Então, decidi que era o momento errado que fazia o policial de trânsito me multar, em vez de multar o sujeito que tinha acabado de me ultrapassar. – Ela serviu o café e entregou-lhe a xícara. – Eu me responsabilizo pelas


minhas pequenas infrações, mas suspeito que haja algum tipo carma trabalhando aqui. Ela pensou em se servir de uma xícara de café, para fazer alguma coisa com as mãos, então, lembrou-se da cafeína e reconsiderou. – Eu tenho tendência a atrair desastre – murmurou ela. – Entendo. – Joshua deu um gole do café e inclinou-se contra o balcão. – Falta de sorte. Você está preocupada que passará isso para seu filho também. Com o coração apertado, Maddie desviou o olhar. Não queria pensar que poderia trazer azar para Davey, mas, às


vezes, quando suas defesas estavam em baixas, imaginava se isso aconteceria. – Ou você está tentando me dar um aviso? Ela o fitou, em surpresa. – O quê? – Maddie não tinha certeza se gostava dos olhos acinzentados sábios de Joshua. Supunha que o fato de ele ser antiquado também significava que não era facilmente enganado. – Você está tentando me avisar que vai me trazer azar? – perguntou ele numa voz neutra. Aquela não havia sido sua intenção. Pelo menos, ela achava que não. – Por que eu faria isso? – questionou Maddie, inalando uma combinação dos


cheiros de couro, café e homem. – Porque você recebeu mais do que pediu com seu beijo de piedade. Maddie franziu o cenho. – Não muito mais. Aquilo não foi grande coisa. – Hã-hã – murmurou Joshua, divertimento no tom de voz. O som era repleto de desafio sensual, que talvez ela tivesse aceitado, em outra ocasião. Maddie prendeu-lhe o olhar, considerando. Ele não a assustava, disse a si mesma, embora um calafrio estivesse percorrendo sua coluna. Como regra, homens não a assustavam. A exceção sendo oficiais da lei. Homens a


divertiam, a irritavam e a seduziam, mas eles não a assustavam. Isso não importava, todavia, porque agora não era hora para flertes ou namoros, nem mesmo com um homem como Joshua. Agora, era hora de Maddie se organizar e fazer as coisas de maneira eficiente para o bebê e para si mesma. Tinha dito não mais, e talvez, subconscientemente, estivesse tentando reforçar isso, falando sobre sua falta de sorte. – Como anda sua sorte, desde que você me conheceu? – perguntou ela, viajando na sugestão dele. – Você foi coagido a levar uma mulher grávida


para o hospital, numa moto e debaixo de chuva. Teve de trocar um pneu na chuva, e agora percorrer uma longa distância para entregar uma chupeta. Mais uma vez, na chuva. – Ainda está tentando me espantar com um aviso? – perguntou ele, com aquele quase sorriso sexy no rosto. – Você é um homem crescido – retrucou ela, forçando uma voz rouca, incapaz de resistir lhe devolver um pouco do que ele estava lhe dando. – Eu não acho que preciso avisá-lo sobre coisa alguma. Os olhos acinzentados a percorreram, lembrando-a, mais uma vez, com


chocante claridade, que ela era mais do que mãe. – Sim – respondeu ele, tomando o último gole do café. – E eu não vou avisá-la, também. Roçando-a com seu corpo, Joshua pôs a xícara no balcão atrás dela. Maddie prendeu a respiração. Ele recuou, e ela exalou. Ele assentiu. – Vejo você na próxima semana. Obrigado pelo café. Ela o acompanhou até a porta. – Obrigada por ter trazido a chupeta – Maddie conseguiu falar, perguntando-se como ele mudara de atitude de maneira tão rápida e


eficiente. – Eu conseguirei dormir agora. – Grata? – perguntou Joshua, inclinando a cabeça para um lado. – Quão grata? O coração dela disparou. Outra mudança de atitude. Ela poderia acompanhá-lo naquele jogo, disse a si mesma. Estava apenas um pouco enferrujada. – Eu levarei sobremesa na próxima semana. A PROMOTORA pública assistente Jenna Jean Anderson possuía olhos azuis intensos que inspiravam medo, desconforto, às vezes, hostilidade, mas,


acima de tudo, verdade. Aquilo não era alguma coisa que ela criava para o drama de uma sala de tribunal. Era a personalidade dela, e tinha sido assim desde que Jenna era criança. – Você falará a verdade, a verdade absoluta, e nada além da verdade – disse ela, claramente suavizando sua voz rouca, um contraste direto com sua personalidade forte. – Mas se você não gosta desse leite em pó ruim que sua mãe lhe dá, certifique-se de arrotar em cima dela, não de sua madrinha. Ela abaixou-se e soprou a barriga de David. Ele riu, e Jenna Jean sorriu para Maddie.


– É melhor dizer aos vizinhos para trancarem suas filhas. Ele irá destruir corações. – Nós estamos seguros – replicou Maddie. – Você não terá coragem de processá-lo. – Ele é adorável. – Emily St. Clair Ramsey falou enquanto as três amigas de infância compartilhavam almoço na casa bem equipada da mãe dela. Emily aproximou-se para deslizar o dedo sob o queixinho gorducho de Davey. – Ele tem seus olhos, sua boca e… – Se você disser que ele tem meu corpo, vou derrubar esta mimosa na sua cabeça – Maddie avisou, levantando seu cálice com o drinque de champanhe


e suco de laranja, num brinde zombeteiro. Emily balançou a cabeça loira, mas riu. – Que piada. Você está mais magra do que antes da gravidez. – Mais magra, não mais firme – replicou Maddie, então suspirou. – Isso realmente não importa, porque eu não sairei com um homem até que David tenha 18 anos. Jenna bufou. – E eu sou Mamãe Noel. Maddie olhou para seu drinque. – Não. Eu pensei sobre isso. Não quero ser uma daquelas mães que


trazem diferentes tios para casa durante a infância dos filhos. Ela sentiu os olhares preocupados de suas amigas e olhou para cima. – Com Clyde, eu podia aceitar o fato de ele estar aqui um dia, e não estar no dia seguinte, porque era apenas eu. – Ela deu um sorriso triste, então acrescentou: – Tudo bem que Clyde geralmente não estava aqui quando eu precisava dele. Tudo bem que ele perseguisse seu sonho em Nova York e na Califórnia. Se eu me sentisse solitária, um telefonema ajudava. Se não ajudasse, eu podia ligar para uma de vocês. Todavia, não posso mais ser assim. Agora, tenho alguém além de


mim mesma em quem pensar. – Maddie mordiscou o lábio. – Eu realmente não quero fazer bobagens. A fisionomia de Emily suavizou-se. – Oh, Maddie, não seja tão dura consigo mesma. Tudo vai dar se resolver. Eu tenho certeza de que você encontrará um homem que se apaixonará por você e por Davey. – Isso dito por uma mulher recentemente casada, cuja fé no gênero masculino adulto foi totalmente restaurada – apontou Maddie, mas não pôde conter um sorriso. – Eu não posso discordar disso – murmurou Jenna Jean. – Mas não


tenho certeza se um adiamento completo em namoros é necessário. Emily e Maddie olharam para Jenna com incredulidade. – Quantos namorados você teve recentemente? – questionou Emily. – Eu ando muito ocupada. Casos longos e complicados nos tribunais… – Você falou a mesma coisa o ano passado – Emily a relembrou. – E o ano retrasado – acrescentou Maddie. Jenna Jean rapidamente fechou a boca. – Nós não estávamos falando sobre mim – disse ela, numa voz arrogante, que usava quando estava tentando fugir


de um assunto. – Meu ponto é, se um homem bom entrar em sua vida neste momento, não o dispense por causa de crises emocionais pós-parto. Uma imagem de Joshua Blackwell surgiu na mente de Maddie. Os olhos de Jenna se estreitaram. – Quem você conheceu? Maddie piscou. Seu semblante era tão transparente assim? Ou Jenna era muito intuitiva? Talvez um pouco de ambas as coisas. – Ninguém importante realmente. – Ah. – Emily deu um sorriso lento. – Conte-nos sobre essa pessoa “não importante realmente”.


Maddie pensou em Joshua, e sentiu um friozinho na barriga. Deu um gole de seu drinque, mimosa. – Eu não conheci muita gente nova, ultimamente, exceto o homem que me ajudou a ter Davey. – Oh, isso mesmo – exclamou Jenna. – O fazendeiro. Como era o nome dele? Começava com J. – Joshua Blackwell. Ele administra uma fazenda de cavalos. Uma fazenda de criação de cavalos – acrescentou ela, balançando a cabeça. Jenna riu. – Fazenda de criação de cavalos? Aposto que há excesso de testosterona naquela propriedade.


Maddie não podia discordar. – Eu levo refeições na casa dele uma vez por semana. Prometi que faria isso, antes que ele me levasse para o hospital na garupa da moto. Emily estremeceu. – Eu ainda não acredito que você fez aquilo. – Melhor do que ter o bebê na Highway 81 – retrucou Maddie. – Como Joshua é? – Ele é pai de um adolescente. Muito responsável. Não sorri com frequência. Muito sério. Do tipo bom e honesto. Provavelmente antiquado – acrescentou ela, sentindo que estava distorcendo a verdade.


– Ele não parece seu tipo – comentou Emily, claramente desapontada. – Ele não é – concordou Maddie, e reprimiu a vozinha em seu interior que queria argumentar o contrário. – Aposto que ele tem um corpo incrível – disse Jenna, olhando para Maddie, como se fosse arrancar a verdade dela. – Ele tem – concedeu Maddie, e pausou. – Ele cheira… – Ela hesitou, vasculhando sua mente pela descrição apropriada. – Mal? – Emily torceu o nariz. Maddie meneou a cabeça. – Não, de jeito nenhum. Ele cheira a couro, feno fresco e…


– Cavalos? – ofereceu Jenna. – Não realmente. Eu não sei o que é. – Ela riu. – Sei que é um cheiro muito diferente do de talco de bebê. – Ah – disse Jenna, o único som carregando um mar de significados. – Testosterona. – ESTÁ TUDO no cheiro – Joshua falou para Maddie durante o jantar da semana seguinte. Ela levara espaguete e almôndegas, e ele estava apreciando tanto a curiosidade dela quanto à refeição. Patrick tinha servido seu prato e ido para o quarto, assistir a um show na televisão, e David estava dormindo sobre um cobertor, então Joshua tinha a


atenção não dividida de Maddie. Ele descobriu que gostava disso. Gostava do jeito que os olhos castanhos o encaravam, e o jeito que ela inclinava a cabeça para o lado enquanto ouvia. Os brincos pendurados das orelhas delicadas balançavam, e ele flexionou os dedos para refrear o impulso de segurar os pendentes de prata entre os dedos. Lutou contra o mesmo impulso em relação aos cabelos ruivos desalinhados, brilhando na luz da cozinha. Maddie não era a única curiosa. Depois do segundo sonho que ele tivera na semana anterior, Joshua estava mais curioso sobre ela do que nunca.


– O garanhão sente o cheiro da égua e está pronto para ação – explicou ele, inalando uma leve fragrância feminina que o fez querer se aproximar mais. – Você quer dizer que ele simplesmente a cheira, e é isso? – Isso não é exatamente tudo – replicou Joshua. – Às vezes, nós precisamos deixar a égua se acostumar com o garanhão, colocar os dois perto por um ou dois dias. Temos de tomar cuidado, todavia, ou ele irá se machucar, tentando agarrá-la. Maddie deu-lhe um olhar duvidoso e bebeu um gole de seu chá. – Machucar-se? Isso não é um comportamento um pouco estouvado?


Joshua passou a mão sobre a boca para esconder um sorriso. – É instinto. Puro instinto animal. Quando há uma égua por perto, e ela está no cio, um garanhão só tem uma coisa na cabeça. Ela pareceu considerar suas palavras por um momento. – Suponho que posso dizer que eu já conheci homens assim. Ele meneou a cabeça. A mulher não tinha ideia, e, por alguma razão que Joshua não estava pronto para admitir, ele gostaria de ser aquele que a ensinasse. – Não como um garanhão. Eles batem as patas no solo. Eles empinam.


Eu vi um quebrando uma cerca para atravessá-la, e outro chutando a parede do estábulo. É por isso que nós os conduzimos e os assistimos quando eles fazem o trabalho. Ela arregalou os olhos. – Você assiste? – Claro. Eu sou pago para oferecer esse tipo de serviço, e é meu trabalho me certificar de que ninguém fique machucado, incluindo meu garanhão. Nós amarramos a égua, mas ela ainda pode causar muitos danos se está arisca e chuta. – Vocês amarram a égua – ecoou ela. – Isso é muito diferente do que eu teria imaginado.


Voyeurismo, escravidão. Ele praticamente podia ver as imagens girando na cabeça de Maddie. Ela não parecia apavorada, porém mais surpresa e intrigada. O olhar de Joshua foi para a saliência dos seios dela sob a cava do decote da blusa cor de ferrugem. Estava perto o bastante para ver algumas sardas no peito dela. Perto o bastante para tocá-la. Imaginou se ela era tão curiosa assim na cama também, então imediatamente reprimiu o pensamento. – Isso não é sadomasoquismo, Maddie – Joshua assegurou-a. – Nós estamos apenas criando os vencedores


futuros da coroa tripla, da maneira mais segura que podemos – explicou ele. Ela assentiu. – Isso faz sentido. Você me parece o tipo de homem que escolheria o caminho seguro. Eu não pensaria que você fosse pego correndo muitos riscos. – Eu já corri alguns riscos bem loucos – replicou ele, lembrando-se das três vezes que apostara em possibilidades, em vez de em realidade. – E prefiro um risco calculado. Ela o fitou com expressão cética. – Oh, verdade? Conte-me. Não totalmente à vontade discutindo aquele assunto, Joshua deu de ombros e recostou-se em sua cadeira.


– Suponho que você pode considerar Patrick um risco louco. Ele foi concebido no Chevy 1973 de meu pai. Ela sorriu. – E você sente que ganhou com esse risco? – Sim – replicou ele, assentindo com a cabeça. – A parte ruim foi o que aconteceu com Gail. Ela perdeu uma quantidade significativa de sangue, e acabou contraindo hepatite numa transfusão ruim. O que a deixou doente e matou-a quatro anos depois. – Sinto muito – murmurou Maddie, estendendo a mão para tocar o braço dele. – Imagino que tenha sido difícil.


Ela desviou o olhar por um momento, pensando em como aquela época de sua vida tinha sido triste. – Sim, foi. – Joshua suspirou, pronto para mudar a direção de seus pensamentos. – Mas houve mais dois riscos loucos. Eu ganhei meu garanhão num jogo de pôquer. – Você? Joshua não sabia o que pensar da atitude de incredulidade de Maddie. Por alguma razão, aquilo o irritou um pouco. – Sim. Era tarde. Nós tínhamos bebido muito, e havia um sujeito que estava determinado a ganhar. Ele não se importava com o dinheiro ou com as


apostas. Apenas queria ganhar. Gostava de apostas altas, então apostou seu garanhão na última rodada de cartas. Todos disseram que ele estava louco. Joshua riu das armações do destino. – As cartas estavam ao meu favor, e eu construí meus negócios em cima daquela vitória. O único outro risco louco foi comprar esta fazenda. O lugar estava destruído, mas este risco foi mais calculado. Teve mais a ver com trabalhar longas horas depois que o sol se punha. Ela balançou a cabeça, ainda sorrindo. – Eu não sei o que dizer. Você me parece tão estável, tão confiável.


Ele assentiu e virou a mão, palma para cima. – Sim. Quer terminar de ler minha mão, cigana? Você me lembra de uma cigana. – Eu? – Maddie riu. – Tudo bem. Eu lerei sua mão de graça, desta vez, mas não espere isso novamente. – Passando as pontas dos dedos pela palma de Joshua, ela falou: – Você é cuidadoso. O olhar dele foi capturado pelo movimento rítmico e gentil dos dedos delicados. Aquilo não fazia o menor sentido, mas os dedos de Maddie acalmavam alguma coisa em seu interior, ao mesmo tempo em que o excitavam.


Quanto tempo fazia, perguntou-se, desde a última vez que uma mulher o tocara deste jeito? Ele imaginou como seria a sensação daqueles dedos no resto de seu corpo, explorando e dando prazer. Imaginou como seria a sensação da pele nua de Maddie sob as suas mãos. Imaginou que tipo de sons ela faria. Imaginou… – Determinado. Você é o tipo de pessoa que faz coisas acontecerem – afirmou ela. – E não é o tipo de homem que passa muito tempo sonhando. Joshua sentiu o golpe da avaliação dela em sua alma. Não o tipo de homem que passa muito tempo sonhando. Ele não sentira falta de


sonhar, lembrou a si mesmo. A ausência de sonhos havia sido conveniente. Ele recolheu a mão e esfregou-a contra a coxa. – Certa novamente. Eu não sou um sonhador.


Capítulo 5

MADDIE

por que ele recolhera a mão de maneira tão abrupta. – Eu não quis dizer que você não sonha, em absoluto – murmurou ela. – Isso seria um pouco extremo demais. – Não realmente – replicou ele, numa voz suave, mas parecia distante. PERGUNTOU-SE


Intrigada, ela franziu o cenho por um momento, então deu uma risada, meio que para si mesma. – Talvez eu deva deixar você com um de meus brincos esta noite. Joshua olhou-a como se ela tivesse enlouquecido. – Seu brinco? – Sim, é uma miniatura de captador de sonhos. Sonhos bons passam através do centro, e sonhos ruins são capturados e presos na teia, até desaparecerem. – Tudo isso em um brinco – disse ele, em tom irônico. Maddie tirou um de seus brincos e estendeu-o para ele.


– Precisa de uma pequena ajuda com seus sonhos? – Não. A resposta dele tinha sido um pouco rápida demais, pensou ela. Seria possível que Joshua possuísse um ponto fraco? Ela o estudou novamente. Não um rosto bonito exatamente; ele tinha maxilar forte e olhos que se estreitavam quando em dúvida. A boca de aparência dura era enganosa, lembrouse ela com um traço de desconforto. Não havia nada fantasioso sobre este homem. Externamente, ele era pura força e ângulos rígidos. Ela pensara que Joshua seria igual por dentro, mas


estava descobrindo que ele era muito mais complexo. – Como você era quando criança? Ele deu de ombros. – Como a maioria das crianças. Maddie fez uma careta. – Resposta econômica – murmurou ela e suspirou. – Eu serei mais específica. O que você queria ser quando crescesse? Qual era seu doce favorito? Qual era seu brinquedo favorito? Joshua hesitou. – Eu queria ser um jogador profissional de beisebol. Um lançador. Eu joguei durante o ensino médio, e teria jogado na faculdade, mas Patrick


veio, e eu tomei um rumo diferente. Meu doce favorito era balas fireballs, e – continuou ele, divertimento nostálgico suavizando suas feições duras por um segundo –, eu tinha um monstro Godzilla de plástico que rosnava. Ah, pensou ela, então ele tinha sonhado. Maddie sorriu. – Nós nunca teríamos nos dado bem quando crianças – disse ela, e decidiu “esquecer” seu brinco sobre a mesa. – Odeio beisebol. Eu queria ser uma estrela de rock. Eu me escondia no armário depois de assistir filmes de terror, e teria brigado com você pelas fireballs.


Ele sorriu. – Então você era levada quando criança? Maddie meneou a cabeça e deu-lhe um olhar zombeteiro. – Não. Eu apenas sempre encontrava figuras de autoridade na hora errada. – Ahan. O som de incredulidade era sexy de maneira não calculada, e o pensamento de Joshua com sonhos fez seu coração bater mais acelerado. Ela entendia sobre sonhos que não se realizavam. Sentindo uma emoção estranha, Maddie reprimiu seus pensamentos abruptamente.


– Eu sou pega – murmurou ela e levantou-se, então acrescentou sua próxima declaração tanto para si mesma quanto para ele: – Mas não o tempo inteiro. – Não ia ser pega por quaisquer sentimentos tolos em relação a Joshua Blackwell. NAQUELA NOITE, Joshua evitou ficar parado na chuva, depois que Maddie partiu. Se ele fosse um homem supersticioso, diria que ela levava a chuva consigo, porque, toda vez que a mulher ia lá, chovia. Esta noite, no entanto, ele não se molhou, não trocou pneus e não achou chupetas.


Também não foi beijado. Sem problemas, disse a si mesmo. Vinha vivendo sem os beijos de Maddie por 35 anos, e não tivera problemas por isso. Joshua estava bastante satisfeito consigo mesmo, até que viu o brinco dela sobre a mesa da cozinha. Olhandoo por um momento, pegou o pingente e roçou entre os dedos. A luz refletiu na prata brilhante, e ele lembrou-se de como o brinco havia balançado com cada movimento da cabeça de Maddie. Ela queria pensar nele como um homem rabugento, sem interesse em sexo. Joshua não gostava disso. Não deveria se importar, mas se importava.


Estava muito difícil resistir ao impulso de mostrar-lhe quanto interesse ele podia ter. Estava muito difícil não pôr as mãos e a boca em Maddie, e descobrir o que seria necessário para mudar a perspectiva dela. Maddie era uma mulher sensual, um banquete feminino, após um longo jejum. Era como se ele tivesse se esquecido de almoçar, e aquilo não o incomodara, até que Maddie chamasse a sua atenção. Ela o fazia sentir-se insatisfeito. Joshua suprimiu a sensação, mas quando acordou na manhã seguinte, imediatamente soube que não tinha


sonhado. traído.

Sentiu-se

estranhamente

– VOCÊ FEZ o quê? – demandou Joshua. Desta vez, a mulher tinha ido longe demais. Os olhos de Maddie se arregalaram, e ela estendeu as mãos para pegar David de Patrick. – Eu inscrevi você como voluntário para ir ao baile do centro comunitário como acompanhante. – Por que diabos você… Maddie cobriu as orelhas do bebê e franziu o cenho para Joshua. – Você pode, por favor, me ajudar com uma coisa na cozinha?


Mal-humorado, ele removeu sua capa de chuva. – Eu não vejo por que… – Por favorrrr. Ele respirou profundamente, sem paciência. – Certo, mas se você está preocupada com xingamentos nos ouvidos de seu bebê, talvez seja melhor deixá-lo com Patrick. Maddie olhou para Patrick. – Você se importa? – Não – respondeu ele, a expressão aliviada, porque não precisava enfrentar o pai. – Obrigada – murmurou ela, dandolhe um sorriso tranquilizador.


Um sorriso tranquilizador prematuro, pensou Joshua com irritação, e conduziu o caminho para a cozinha. Ignorou o aroma convidativo da sopa de carne e inclinou-se contra o balcão. – Então? – Enquanto você estava lá fora, sra. Quackenbush veio à porta com a filha e estava vendendo convites para o baile no centro da comunidade. – Ela abaixou o tom de voz. – Você já viu a filha da sra. Quackenbush, Amy? Ela é muito bonitinha. Ela estava olhando para Patrick, e ele a olhava com admiração, o tempo inteiro, mas foi muito tímido para falar alguma coisa, então…


– Então? – incentivou ele numa voz que soou hostil em seus próprios ouvidos. Inabalada, Maddie continuou: – Então, quando sra. Quackenbush disse que elas ainda precisavam de alguns acompanhantes, eu pensei que se você fosse ao baile, daria a Patrick uma oportunidade para conversar com Amy. – É uma péssima ideia. Ela pareceu afrontada. – Não é. Isso irá requerer apenas algumas horas do seu tempo. – Como você sabe que eu não tenho compromisso naquela noite? – Eu perguntei para Patrick.


– Tenho certeza de que preciso fazer alguma coisa. – Se ele não precisasse, sem dúvida, encontraria algo para fazer. – Oh, certo – ela falou sarcasticamente. – Você sempre poderia ficar em casa, ler o jornal e ver a grama crescer. Isso não irá matá-lo. – Isso é discutível – murmurou ele, seu estômago reclamando juntamente com seu humor. Os olhos de Maddie escureceram com fúria. – Sabe, do jeito que você está agindo, eu quase pensaria que está com medo. Ela era muito ousada, e ele sentiu o desafio abalá-lo com força total. Com muita dificuldade, resistiu à vontade de


fechar-lhe a boca impertinente e tentadora com um beijo. – Eu não gosto que outras pessoas tomem decisões sobre meus compromissos. Aquilo tirou um pouco do ar de prepotência dela, ele notou. Maddie hesitou, então, moveu-se para a travessa de sopa e lhe serviu uma cumbuca. – Bem, você não precisa ir sozinho. – Verdade? Ela ficou nervosa por aproximadamente trinta segundos, antes de tornar-se impaciente consigo mesma.


Observando-a jogar a concha dentro da travessa, Joshua escondeu um sorriso. – Sim, verdade – replicou ela, e encarou-o com olhos castanhos que diziam “Não zombe de mim”. – Eu disse a sra. Quackenbush que eu irei com você. MADDIE SE considerava uma pessoa bastante tolerante. Sabia que possuía um temperamento forte, mas tentava viver com a filosofia de que existia espaço para todo mundo, e para quase tudo se todos abrissem um pouco de espaço.


Espaço para tudo… exceto para música country tocada por um grupo de músicos que não entendiam o conceito de “pegar o ritmo”. Ela podia respeitar o gosto por música country, mas sua paixão era rock and roll. Quando tinha se oferecido para ser voluntária com Joshua, não imaginara que ficaria presa, ouvindo horas de música country e assistindo à dança em linha. Era engraçadinho e divertido pelos primeiros trinta minutos. Depois disso, começava a cansar. A banda iniciou outro som fanhoso, com um ritmo apropriado para os mortos, e Maddie ansiou por Bruce


Springsteen, enquanto ela e Joshua estavam encostados contra a parede dos fundos do centro comunitário. – Você está se contorcendo de novo – disse ele ao pé de seu ouvido. – Eu não estou me contorcendo – retorquiu ela, movimentando os ombros com impaciência. – Esta é a resposta natural do meu corpo a um ritmo muito lento. – Eu lhe disse que vir aqui era uma péssima ideia. – Já estamos quase na metade da festa. – Um terço do caminho – corrigiu ele. – Estas coisas duram, no mínimo, três horas.


Maddie contorceu-se, então. – A banda nunca faz um intervalo? – Talvez alguém quebre alguma corda ou algo assim. Ela olhou para ele e riu. – Sair para se divertir um pouco é como arrancar um dente para você, não é? Ele a fitou com incredulidade. – É isso que estamos fazendo, nos divertindo? – Sabe, Joshua, você está bonito esta noite, mas sua atitude é horrível. – Eu lhe disse que não gosto de ter meus compromissos decididos por mim. – Não foi decidido. Eu apenas lhe dei uma pequena ajuda.


Ele pausou, então olhou para a pista da dança. – Quão bonito? Maddie piscou. Quando entendeu do que ele estava falando, não foi capaz de evitar um sorriso. – Você está muito bonito – respondeu ela. A camisa branca estilo velho oeste contrastava com a pele bronzeada e chamava a atenção, principalmente a atenção das mulheres, para os ombros largos. Acrescentasse isso ao jeito que o jeans preto enfatizava a altura e traseiro muito sexy dele, e Maddie suspeitava que metade das mulheres no salão estava secretamente babando.


– Na verdade, há algumas mulheres do outro lado do salão que não conseguem tirar os olhos de você. Já pensou em convidar alguém para dançar? – Eu não acho que preciso aumentar meu quociente de tortura esta noite. Maddie suspirou. – Eu estou curiosa. Há quanto tempo você é tão – ela procurou por um bom termo, e não conseguiu encontrar nenhum – ranzinza? Joshua pareceu momentaneamente desconcertado, então as feições se clarearam, e ele consultou seu relógio. – Aproximadamente uma hora e quinze minutos.


– Não, não, não – discordou ela, meneando a cabeça. – Eu estava pensando mais em termos de anos. E fico imaginando se isso está relacionado a um problema físico – continuou ela. – Assim como as mulheres têm TMP, sabe? – Eu já ouvi falar sobre homens experimentando alguma coisa similar, mas não é necessariamente uma coisa mensal. – Maddie abaixou o tom de voz. – Problemas de próstata. Pelo que sei, retenção urinária pode causar irritabilidade. Ele pareceu atônito. – E você acha que eu tenho retenção urinária?


– Bem, Joshua – murmurou ela, e realmente não estava tentando insultálo. – Você provavelmente não percebe isso, mas é mal-humorado. Quando a sra. Quackenbush levou os convites, pensei que isso pudesse ser bom para você e Patrick. Você, para sair um pouco e se relacionar com pessoas, em vez de apenas com cavalos, e Patrick precisa de alguma exposição às garotas num ambiente social. Com tristeza, ela percebeu, pela expressão carrancuda de Joshua, que ele não estava recebendo a sugestão com uma mente aberta. – Mas essa coisa da retenção urinária é só uma teoria, e talvez você não…


– Com licença – disse um homem, interrompendo seu esforço imenso de voltar atrás no que falara. – Você gostaria de dançar? Maddie sorriu com alívio. Salva pelo gongo, ou, neste caso, por um homem um pouco mais velho que queria dançar. – Obrigada. Eu adoraria. Volto daqui a pouco – ela falou para Joshua, sentindo o olhar dele sobre si, enquanto ela aceitava o braço de outro homem e se movia para a pista de dança. Joshua olhou para a ruiva louca, enquanto ela conversava com Henry Krause e dançava ao ritmo arrastado tocado pela banda.


Retenção urinária. Problema de próstata, pelo amor de Deus. Ele praguejou, silenciosamente. Se não houvesse um pingo de verdade nas palavras dela em relação ao seu mauhumor, ele estaria rindo agora. Mas vinha pensando muito em Maddie, ultimamente. No estábulo, à mesa de jantar, em sua cama. Ainda não sonhara de novo, mas a visualizara em sua cama, os braços delgados ao seu redor, o corpo feminino desnudo e suscetível, a boca responsiva. Seus pensamentos o tinham deixado excitado, irrequieto e desejoso. E malhumorado.


Joshua sentiu seu sexo enrijecer e praguejou novamente. Ela não era maravilhosa, tentou convencer a si mesmo. Não era a mulher mais sedutora da face da Terra. Não era… Alguma coisa em seu interior protestou. Maddie podia não ser a mulher mais linda e sedutora, mas era a mulher mais interessante, mais vibrante e mais naturalmente sexy que ele já conhecera na vida. Ele a queria. E sabia que não deveria fazer absolutamente nada sobre isso. Não deveria, relembrou a si mesmo quando a banda finalmente fez um intervalo. Alguém não perdeu tempo mudando o ritmo. John Cougar


Mellencamp começou a tocar rock, cantando “Hurts So Good”. Joshua ainda estava dizendo a si mesmo que não deveria, quando viu, em choque, seu filho tirando Maddie para dançar. Ela assentiu e riu, girando, girando e cantando junto com a música. A saia curta do vestido balançava acima dos joelhos, atraindo seu olhar, fazendo-o desejar que subisse um pouco mais, de modo que ele pudesse ver suas coxas. Os cabelos ruivos também balançavam, caindo sobre uma das faces, escondendo um olho. O movimento dos ombros causava o movimento dos seios. Ela estava apenas se divertindo, ele disse a si mesmo, mas aquele


abandono de Maddie o deixava em chamas. A música acabou, e Joshua suspirou aliviado, esperando que Maddie retornasse. Mas outra música de rock começou, e ele assistiu outro adolescente convencê-la a dançar. Três músicas depois, ele estava começando a se sentir impaciente, irrequieto… possessivo. Bufou diante do pensamento. Quando uma música da Tracy Chapman soou pelos alto-falantes, todavia, Joshua afastou-se da parede. Aquilo não era racional, mas ele desistira de ser racional, pelo menos no momento. Atravessando a multidão, ele


capturou-lhe o olhar, e ela o encarou de volta. – Minha vez – ele falou para o adolescente esperançoso, então, voltouse para Maddie. – Dance comigo. – Joshua pegou-lhe a mão, então colocou sua outra mão nas costas dela e puxoua para mais perto. – Eu não sabia que você podia dançar – disse ela numa voz rouca. – Pensei que fosse contra sua política de se divertir. Ele inalou o cheiro delicioso e picante dela. O cabelo ruivo era macio sob seu queixo. O corpo delgado era quente, e ela movia-se em ritmo com ele.


– Talvez eu precise de uma pequena ajuda. – Para se divertir? Joshua guardou a risada para si mesmo. Sua excitação, todavia, era outra questão. – Isso servirá para começar. Maddie deu-lhe um olhar interrogativo. – Servirá para começar? – Alguém esbarrou nela, empurrando seu corpo para mais perto do de Joshua. Ele gemeu. De súbito, Maddie estava completamente cônscia a que tipo de divertimento Joshua estava se referindo. Depois de dançar com


adolescentes do ensino médio, a sensação de estar nos braços de Joshua era incrivelmente boa. Coxas poderosas roçavam contra as suas, e, com cada movimento, ela estava ciente da masculinidade dele. Joshua estava intensamente focado nela. Maddie podia ver isso nos olhos acinzentados, sentir no jeito que ele a abraçava. Dedos fortes entrelaçaram os seus, enquanto a mão que estava em suas costas a mantinha perto o bastante para fazê-la ofegar. Uma armadilha sedutora. Ela deliberadamente respirou fundo. – Então, o que acionou seu gatilho? Mellencamp ou Prince?


– Nenhum dos dois – replicou ele, e roçou a ponta dos dedos nas costas dela. Maddie sentiu seu peito inchar. Lutou contra sua reação. – Joshua, sabia que você está me olhando como Frajola olha para o Piupiu? – ela conseguiu murmurar. Um sorriso lento e predatório curvou os lábios dele. – Você me deixa com fome, Maddie. A parte inferior do corpo dele deslizou contra a sua novamente, e ela sentiu-se esquentar e umedecer por dentro. O homem lhe despertava sentimentos contraditórios. Ele era tão estável e confiável que a levava a


acreditar que poderia relaxar com ele. Porém, ao mesmo tempo, ele tumultuava seu sistema respiratório. Maddie engoliu em seco. – Com fome? – repetiu ela. – É por isso que eu levo comida para você uma vez por semana. – Resposta fraca, veio uma voz no fundo de sua mente. Fraca, fraca, fraca. – Oh, moça. – Ele roçou a boca em sua franja numa carícia doce e ardente ao mesmo tempo. – Eu não estou falando sobre comida.


Capítulo 6

– NÃO SOU

eu – sussurrou Maddie com desespero, seu coração batendo descompassado. – Você ficou isolado da sociedade normal por tanto tempo que exposição a qualquer mulher… o afetaria. – Ela engoliu em seco. Ele abaixou a cabeça. – Você realmente acha que eu reagiria dessa forma a sra.


Quackenbush? – Joshua fez a pergunta impertinente na mesma voz íntima que faziam seus joelhos perderem a firmeza. Maddie pausou. Sra. Quackenbush aparentava ter quase o dobro da idade de Joshua e, provavelmente, pesava o mesmo que ele. – Certo, talvez não qualquer mulher, mas… – Tem toda razão – disse ele, prendendo-lhe o olhar. – Não qualquer mulher. Você. O coração de Maddie parou de bater por um segundo. Ela errou um passo, e por uma vez na sua vida, ficou sem fala. Imaginou se ele iria beijá-la ali mesmo, na pista de dança, mas ele não fez isso.


Apenas a abraçou e olhou-a, e deixou que ela absorvesse as palavras. A música acabou, e outro adolescente tirou-a para dançar. Maddie continuou agarrada a Joshua por mais alguns segundos, antes que percebesse o que estava fazendo. Então piscou, liberando-o. – Obrigada – murmurou para Joshua, e observou-o andar para os fundos do salão. Ainda olhando para ele, automaticamente começou a se mover ao ritmo da música que agora tocava. Não estava acostumada com esse tipo de atenção de um homem. Seu pseudonoivo de longo tempo havia sido


muito casual sobre seu desejo por Maddie. Ela fora mais uma força estabilizadora na vida dele do que sua grande paixão. A grande paixão dele tinha sido a música, e, embora a ausência de Clyde a tivesse feito se sentir solitária muitas vezes, ela se adaptara. Maddie convencera a si mesma que não precisava ser a grande paixão de alguém. Cultivar amizade, companheirismo e respeito era mais importante. Sentiu uma pontada de dor diante da memória de Clyde. Da última vez que ele tinha ido para Los Angeles, prometera voltar com um anel de noivado da próxima vez. O


relacionamento deles era sempre baseado em “na próxima vez”. Maddie sentia falta dele, mas, por alguma razão, ele nunca estivera por perto quando ela verdadeiramente precisara, então ela aprendera a se virar sem ele. Joshua não lhe parecia o tipo de homem que se distanciava quando a situação estava difícil. A noção de que ele a desejava, não apenas uma mulher, não apenas qualquer mulher, abalava-a imensamente. Maddie não se lembrava de ter sido desejava com esse tipo de intensidade. O mero fato parecia roubar seu coração e despertar todos os tipos de segredo, de desejos tolos.


Duas horas depois, Maddie e Joshua saíram do baile. – Onde está Patrick? – perguntou ela, enquanto eles se aproximavam da caminhonete de Joshua. – Ele vai voltar para casa mais tarde esta noite. Vai comer numa lanchonete com alguns amigos. – Ele abriu a porta de passageiro. – Então, somos só nós dois, uma vez que seu irmão está cuidando de David. Maddie acomodou-se no assento. – Sim – concordou ela. Ele entrou do seu lado e dirigiu para sua casa, onde Maddie deixara o carro dela. Muito consciente da proximidade de Joshua, ela abriu a janela, a fim de


criar a ilusão de espaço, embora fosse começo de primavera, e a temperatura estivesse um pouco fria. – Com muito calor? – perguntou ele. – Não realmente. Eu gosto da brisa. Silêncio. Um silêncio que parecia envolvê-los e uni-los mais ainda. Maddie não conseguiu suportar aquilo. – Numa escala de zero a dez, qual você diria que foi o quociente de tortura desta noite? Ele a fitou, então voltou a olhar para a estrada. – A noite não acabou ainda. Maddie sentiu um friozinho na barriga. – Então, para o baile?


Joshua deu de ombros. – Eu daria um quatro, considerando dez o pior quociente de tortura. Eu não tive de dançar com sra. Quackenbush, e Patrick finalmente conseguiu dançar com Amy. Maddie assentiu. – Ele levou um tempo, mas quando finalmente tomou coragem, não teve problema algum. – Aposto que você pensou que, uma vez que o pai dele é um recluso… – Eu não o chamei de recluso – protestou ela. – Um pária social – continuou Joshua. – Um monge dos tempos modernos…


– Eu não falei nada disso. – Não – concordou ele. – Mas você pensou essas coisas. Ela abriu a boca para protestar, então hesitou e voltou a fechá-la. – Eu posso ser um recluso e um pária social, mas não sou um monge dos tempos modernos. – Eu nunca disse isso – repetiu Maddie. – Para ser totalmente honesta, nem mesmo pensei em você nesses termos. – Certo. Que palavras você escolheu para me descrever? Maddie olhou pela janela e fez uma careta. Como se safar daquela situação?


Optou pelos atributos positivos e rezou para que fossem suficientes. – Estável, confiável, sério. – E? Ela fez outra careta. – Mal-humorado e antiquado – murmurou em voz baixa. Ele deu uma risada ríspida, enquanto pegava o caminho de acesso para sua casa. – Não foi tão ruim assim. Isso fez você me dar um beijo de piedade. Ela sentiu as faces esquentarem. – Eu pensei que nós já tivéssemos discutido esse assunto. – Maddie franziu o cenho ao notar que ele passou


pela casa e continuou dirigindo. – Para onde você está indo? – Para o topo de uma montanha. Você vai gostar. Está uma noite clara, e você pode ver as estrelas. Ele seguiu uma estrada de terra sinuosa, então parou no topo de um morro. – Vamos descer – murmurou ele, e estava à porta dela em segundos. – Bons modos – elogiou Maddie, quando ele ajudou-a a sair da picape. – Como isso aconteceu? – Resposta automática. Meu pai não é o homem mais instruído, mas exige respeito e educação dos filhos.


– Você vê seu pai com frequência hoje em dia? – Não. Eu sou o filho mais velho, e recebi a oferta de uma bolsa de estudos em basebol na faculdade, mas desde que Patrick chegou, não pude ir. Eles ficaram desapontados, e depois, desapontados mais uma vez quando eu me mudei de Kentucky para cá. Maddie suspirou, sentindo uma conexão com ele. – Às vezes, é difícil conviver com desapontamento. – Sim. Suponho que eu estava sempre muito ocupado para me preocupar com isso. Fiquei chateado até perceber que, talvez, nós tenhamos


decepcionado uns aos outros. Eu não fiz o que eles queriam. Eles não me apoiaram quando eu precisei deles. Maddie o olhou em surpresa. – Isso é impressionante. Ele deu meio sorriso. – Para um pária social antiquado? – Sim. Minha mãe não está falando comigo no momento. Ela acha que eu deveria ter dado David para adoção. – Ela inalou o ar frio e olhou para as estrelas. Elas pareciam um milhão de diamantes num cobertor azul-escuro. – Ela viu David? – Fotografias. Meu irmão mostrou a ela algumas fotos. – Perda dela.


Maddie balançou a cabeça. – Todo mundo perde nesta situação. – Sim, mas sua mãe perde mais. Ela não pode segurar o neto, e – acrescentou ele, movendo-se para mais perto –, não pode apreciar você. – Eu não tinha pensado nisso por este ângulo. – Não. Você está muito ocupada sentindo-se envergonhada. Ela meneou a cabeça, novamente surpresa. – Para um pária social sem senso de humor, você sabe muita coisa. – Oh. Nós acrescentamos “sem senso de humor”. Maddie cobriu a boca.


– Ops. Quem disse isso? – Você está com frio – apontou ele, notando o leve tremor dela. – Hora de voltar para dentro do carro. Relutante em ir embora, mas começando a sentir mais frio, ela voltou ao seu assento. – Se eu morasse num lugar assim, provavelmente subiria este morro todas as noites para olhar as estrelas. – Não quando chove. – Mas aposto que é bonito quando neva – murmurou ela, e virou o pescoço para olhar do lado de fora da janela. – É tão silencioso, tão pacífico. – Sim, é.


O tom profundo na voz de Joshua penetrou-a. Olhando-o, Maddie suspirou e recostou-se no banco. – Obrigada por ter me trazido aqui. Ele inclinou a cabeça para um lado, estudando-a, e a boca se curvou no começo de um sorriso. – Sem gestos de agradecimento? O coração de Maddie disparou diante da expressão perigosa no rosto dele. – Você quer dizer beijos? – Ahan. – Ele inclinou-se para mais perto. Era incrível como Joshua podia tornar o som “ahan” sexy. Ela sorriu,


porque nada ia acontecer. Maddie tinha certeza. – Joshua, você não é o tipo que beija uma mulher no seu carro. – Não sou? – Ele levantou uma mão para o cabelo dela. A confiança de Maddie diminuiu um pouco. – Não, não é. Você é prático, confiável e… – E eu quero você. A respiração de Maddie ficou presa na garganta. – Alguém deve ter colocado álcool no ponche – disse ela, sem fôlego. – Quanto você bebeu, de qualquer forma?


Joshua balançou a cabeça e aproximou-se mais ainda. – Isso não é conversa de bêbado, Maddie. Sou eu, e você está enganada. Sou do tipo de beijar você no meu carro. Ela estava prestes a apontar que tinha falado mulheres num sentido geral, não específico, mas a boca de Joshua cobriu a sua. Ela sentiu dedos quentes deslizando por baixo de seus cabelos e descansando na sua nuca. De maneira suave e convidativa, ele deslizou a ponta da língua sobre seus lábios, colocando uma pressão gentil para abri-los, e causando-lhe um friozinho na barriga. Ela inalou o aroma


másculo e sentiu-se tonta. Era tão fácil responder, roçar os lábios contra os de Joshua, e descobrir o gosto e a textura daquela boca. Quando ela emitiu um gemido quase inaudível, foi muito fácil abrir os lábios e provar a língua dele em contato com a sua. Ele moveu os dedos em sua nuca, numa massagem gentil e sensual, mas a boca tornou-se mais ávida, e, de repente, a temperatura na caminhonete subiu diversos graus. Inclinando-se contra ele, Maddie abriu mais a boca para acomodar a língua exploratória de Joshua. Atordoada com a sensação de estar caindo, Maddie apoiou a mão no peito


largo. O beijo continuou e continuou, até que Joshua afastou-se um pouco para respirar. Os olhos acinzentados queimavam com desejo, e ele balançou a cabeça. – Moça, você é demais. Ele levou os dedos para os lábios dela, e Maddie fechou a boca ao redor de um deles. Joshua cerrou os olhos brevemente, como se estivesse com dor, então os reabriu e observou enquanto ela saboreava seu indicador. Aquilo não iria longe demais num carro, ela disse a si mesma. Então chupou o dedo dele não querendo parar.


Joshua praguejou, o olhar indo para seu lábios e seu pescoço, depois descendo para seus seios. Ele não os tocara, mas Maddie sentiu os bicos se arrepiarem. Ela podia quase jurar que havia uma corrente elétrica se movendo no ar. Um fio elétrico muito perigoso para segurança. Aquilo enviou um sino de aviso em seu organismo, mas Joshua inclinou-se para mais perto, novamente, e tudo que ela podia ouvir eram as batidas aceleradas de seu próprio coração. Ele pressionou a boca aberta sobre a sua, rolando-a de um lado para o outro, mais uma provocação sensual do que um beijo.


Ele a fez querer mais. Joshua deslizou um dedo de seu pescoço até o topo de seus seios, movendo-o para frente e para trás. – Todo mundo naquela festa – sussurrou ele contra sua boca – estava tentando imaginar o que tinha por baixo deste pequeno vestido. Sentindo-se derreter por dentro, Maddie engoliu em seco. – Apenas as coisas comuns. Sutiã e cal… Ele gentilmente mordiscou-lhe o lábio, e ela arfou. Joshua continuou a provocar o topo de seus seios com aquele dedo. Uma sensação irrequieta


percorreu suas terminações nervosas. Ela queria que ele a tocasse. Mais perto agora, ele moveu o dedo e deslizou a língua para dentro da sua boca. Maddie arqueou-se contra ele. Toque-me. Toque-me. O dedo provocante entrou por baixo de seu sutiã de renda e tocou seu bico inchado. Um pequeno gemido escapou da garganta de Maddie. O som devia ter removido outra camada do controle de Joshua, porque ele parou de brincar com sua língua e tomou-lhe a boca num beijo ardente. Dentro de segundos, o zíper de seu vestido estava aberto e o corpete do vestido abaixado.


Ele torceu o bico sensível de seu seio entre o polegar e o indicador, e ela sentiu a resposta correspondente em seu útero. Gemeu mais uma vez, agarrando-se aos ombros largos e beijando-o com igual fervor. Sentiu o calor de Joshua sob seus dedos, sentiu a excitação profunda pulsando no corpo dele. Tudo que ele estava fazendo, cada movimento que realizava, aumentava sua tensão interior, e Maddie estava tão enlouquecida de desejo que sua cabeça girava. Afastando a boca da sua, ele inalou profundamente. Os olhos de Joshua a


lembravam de um céu durante uma tempestade elétrica. – Eu quero tocar você – disse ele. – Em todos os lugares. – Então abaixou os bojos do sutiã e olhou para seus seios desnudos. – Você é tão linda. Ele segurou seus seios, ainda provocando os bicos com os polegares. Apertou-os gentilmente, depois abaixou a cabeça e tomou-a na boca. A sensação foi tão erótica que ela fechou os olhos. Pelo último ano, seu corpo tinha sido devotado a desenvolver e nutrir um bebê. Joshua relembrava-a de que ela era mulher, com necessidades. Necessidade de tocar


e ser tocada, necessidade de desejar e ser desejada. Com as feições suavizadas pela luz do luar, a dor em seu interior piorou, em vez de melhorar. – Ohhhh – ela gemeu. Puxando-lhe a camisa, Maddie conseguiu abrir os botões. Deslizou as mãos sobre o peito largo, seus dedos se deleitando nos músculos bem definidos e pelos sedosos. Joshua emitiu um som rouco de prazer, então levantou a cabeça. – Isso não é o bastante. – Ele reclinou o banco e puxou-a para seu colo, então deslizou as mãos para as coxas dela, onde Maddie estava úmida e quente.


Através da meia-calça, ele massageou-a, deixando-a mais molhada, fazendo-a querer mais e mais. Impaciente, Maddie movimentou-se no colo dele, sentindo a ereção viril contra seu quadril. Ela queria tocá-lo lá, onde ele estava inchado de desejo. Queria lhe dar o prazer de sua mão. Queria… Ela o queria. Maddie emitiu um som de frustração, e ele apertou sua coxa. – Eu quero… Eu preciso… – Ela fechou os olhos. – Ohhhh! – Eu detesto meia-calça – disse ele. – Você está com muitas roupas. Maddie tentou se sentar ereta, de modo que pudesse recobrar um pouco


do controle. Tentou fazer o carro parar de girar. – Eu estou usando menos roupas do que você no momento. Ele subitamente pareceu preocupado, fechando os braços ao redor dela. – Você está com frio? – Não exatamente – ela conseguiu replicar, sentindo como se sua pele estivesse pegando fogo. – Joshua, nós estamos numa picape. – Ainda não podia acreditar naquilo. – Sim. O espaço é um pouco restrito para o que quero fazer com você. Ele puxou-a para seu peito e roçou o nariz em seus cabelos. O gesto deveria ter ajudado a acalmá-la, mas Maddie


sentiu um turbilhão acontecendo em seu interior. Um desejo nervoso, que precisava ser satisfeito. Ela queria estar com ele em todos os sentidos da palavra. Intimamente. Mordeu o lábio. – Eu pensei que você nós tivéssemos dito que não faríamos mais isso. – Você disse isso. Eu não. Ela ia gritar se não tomasse algum ar. Sentando-se, puxou o sutiã e o vestido para cima. – Pode subir meu zíper, por favor? – Era o mínimo que ele podia fazer, uma vez que tinha descido seu zíper. Joshua franziu o cenho. – Sim, mas…


Maddie emitiu um som estrangulado de frustração. – Por favor? – Tudo bem, tudo bem. – Ele fechou o zíper para ela, então, olhou-a cuidadosamente, enquanto Maddie voltava para seu assento e abria a porta do carro. – O que há com você? – Você já ouviu a expressão “Mais quente do que pimenta jalepeño em junho”? – Não, nunca. – Bem, eu me sinto como aquela pimenta jalepeño agora! – Maddie saltou para o chão, bateu a porta do carro e abanou o rosto.


Joshua observou-a, com divertimento. Ela parecia tão descontrolada quanto se sentia. Pelo amor de Deus, ele queria devorar a mulher. Mentalmente, fizera um inventário de seus suprimentos alimentícios para se impedir de rasgarlhe as meias de nylon e suplicar que ela o deixasse entrar. Ainda estava excitado, ainda a queria. Soubera que a queria, mas não tivera ideia de como Maddie era responsiva. Não tivera ideia que o gemido rouco dela seria como uma carícia íntima. Não tivera ideia de que ela pudesse querê-lo metade do que ele a queria.


Praguejando, Joshua respirou profundamente. Seu corpo estava tenso, excitado. Por Maddie. Com base no pequeno passeio que ela estava fazendo na noite fria, seu corpo não receberia o que tanto queria. Ele apertou a ponte do nariz. Ora, teria de entender aquilo, mas agora não era o momento. Agora, seu cérebro não estava funcionando apropriadamente. Com um suspiro, Joshua abriu a porta do carro e juntou-se a ela do lado de fora. O ar noturno o atingiu como um tapa. – Quem precisa de um banho frio depois disso?


Maddie pressionou os lábios e deu um sorriso fraco, mas não olhou para ele. Os braços delgados estavam cruzados sobre o peito. – O gato comeu sua língua? – Não, você comeu. O corpo dele respondeu imediatamente diante do pensamento da boca de Maddie, apesar da temperatura fria. – E eu gostaria de fazer isso de novo – disse ele e pôs o braço atrás dela, na lateral da caminhonete. Maddie deu um suspiro suave e olhou para as estrelas. – Estou envergonhada. Ele levantou a cabeça para fitá-la.


– Por quê? – Porque eu perdi o controle, e você também. Eu estava praticamente atacando você dentro da caminhonete. – Eu gostaria que estivesse – murmurou ele, então balançou a cabeça. – Acho que você está confusa. – Eu não vou discordar disso. – Você não estava me atacando. Eu estava atacando você. Ela o olhou com expressão cética. – Você parece mais calmo do que eu me sinto. – Tenho de parecer. Se eu lhe mostrar o quanto a desejo, tenho medo de que a intensidade assuste-a.


Os olhos castanhos de Maddie se tornaram maiores. – Eu nunca me senti tão sem controle antes. Não acho que gosto disso. – Eu gosto – replicou ele sem hesitação. Maddie deu uma risada trêmula, e o som da mesma fez o coração de Joshua apertar. Ele segurou-lhe o queixo na mão e abaixou a cabeça. – Maddie, em qualquer momento que você sentir vontade de perder o controle ou de me atacar, fique à vontade.


Capítulo 7

– MAMADEIRA?

O que aconteceu com… – O olhar de Joshua baixou para os seios de Maddie, enquanto ela estava sentada no sofá da casa dele, e Maddie foi abalada pela memória de como ele a tocara na semana anterior. – Eu passei para mamadeira quando voltei a trabalhar. Sem problemas para você, não é, Fofucho? Você só quer


comida – disse ela para David, e observou-o sorrir ao redor do bico da mamadeira. Suspirou. – Ele é tão lindo. Terá de bater nas garotas com uma vareta. – Tem certeza de que não será você batendo nas garotas com uma vareta? – perguntou Joshua, com uma sobrancelha arqueada. – Não se elas forem legais – replicou ela docemente. Patrick acariciou Major, então andou para o lado de Joshua e cruzou os braços sobre o peito. – Ele não é nada mal para um bebê. Não grita muito ou algo assim. Maddie riu.


– Obrigada. Eu gostaria de ter crédito pelo temperamento dele, mas acho que isso está mais relacionado com um sistema digestivo maduro. – Ah, é? – Isso significa que ele arrota depois que ela o alimenta – explicou Joshua. Patrick deu de ombros, e Maddie imaginou que ele fosse voltar para o quarto, como frequentemente fazia, depois do jantar, mas ele ficou. – Você gostaria de alimentá-lo? – perguntou ela. A fisionomia de Patrick se tornou cautelosa. – Eu… uh… bem…


– Você não precisa fazer isso. Eu não sabia se você já segurou ou alimentou um bebê alguma vez antes. Ele deu de ombros, novamente, o gesto padrão. – Tudo bem. – Por que não se senta do meu lado? – convidou Maddie, e posicionou David nos braços de Patrick. – Isso provavelmente não vai demorar. Ele é muito esfomeado. – Ela sorriu para Patrick. – Você parece que vem fazendo isso há anos. – Ele alimentou potros em algumas ocasiões – contou Joshua. – Deve ser isso. – Ela notou que Patrick a fitou, então desviou o olhar,


como se quisesse falar alguma coisa. Maddie tentou adivinhar o que se passava na cabeça dele. – Você falou com Amy desde o baile? Ele assentiu. – Ela fala comigo na escola. Foi a vez de Maddie assentir com a cabeça. – Você fala alguma coisa de volta? – Sim – replicou Patrick, então acrescentou: – Quando eu consigo pensar em alguma coisa. Maddie arqueou as sobrancelhas. – Ela o deixa um pouco nervoso? – Um pouco – concedeu ele, olhando brevemente para o pai. Parecendo de súbito irriquieto, pigarreou. – Quando


você estava no ensino médio, como os caras conseguiam que você saísse com eles? Maddie viu o quanto a pergunta custara a Patrick, e emocionou-se. Sentiu um aperto no peito ao pensar que David talvez lhe fizesse a mesma pergunta algum dia. – Bem, eles me telefonavam. Eles me acompanhavam até minha classe e lanchavam comigo. Faziam perguntas. – Que tipo de perguntas? – Que estilo de músicas eu gostava, que filmes eu tinha assistido, quais eram meus programas favoritos na televisão. Esse tipo de coisa.


– Eu acho que ele acabou – disse Patrick, uma vez que a mamadeira estava vazia, e David estava quase dormindo. – Acho que você está certo. – Ela levantou Davey no ombro e, gentilmente, esfregou-lhe as costas. – Funcionava? Confusa, ela olhou para Patrick. – O que funcionava? – Fazer perguntas e telefonar para você. Isso a fazia aceitar sair com o cara? – Às vezes – murmurou ela. – Também dependia se eu achasse ou não que ele era bonito.


– Oh. – A expressão de Patrick dizia que ele não achava que caía na categoria “bonito”. – Flores ajudavam? – Flores sempre ajudam, e não precisam ser rosas – disse ela, mas não revelou o fato de que nunca recebera flores de um homem. – Pequenos presentes ajudam. – Pequenos? – A voz de Patrick tornou-se preocupada. – Muito pequenos – ela o assegurou. – Uma fita do grupo musical favorito. Um chaveiro com a primeira letra do meu nome. – Maddie estava nomeando os presentes que teria gostado de ganhar, mas não ganhara. Lembrou-se novamente como Clyde estava sempre


sem dinheiro, e sorriu. – A coisa que mais funciona, todavia, é ouvi-la. Se você aprender a ouvi-la de verdade, descobrirá do que ela gosta. – A maioria das mulheres é mais obscura do que isso – palpitou Joshua cinicamente. – Ouvir é uma habilidade difícil para alguns homens aprimorarem – ela falou diretamente para ele. – Diga-lhe que ela é bonita. Diga que gosta dos cabelos dela, do cheiro e do sorriso dela – aconselhou Joshua. – Isso funcionava para você? – perguntou Patrick. – Como um feitiço.


– Mas se for uma frase padrão – avisou Maddie, não completamente certa de qual Blackwell ela estava instruindo –, então ela acabará descobrindo, e vai dispensar você. Suas palavras precisam ser verdadeiras. – Ela pausou. – Diga-lhe como ela faz você se sentir. – Como se eu estivesse com vontade de vomitar? Joshua riu e deu a Maddie um olhar que dizia “Você pediu por isso”. – Seus sentimentos bons – disse ela, enviando um olhar prepotente para Joshua. – Mas isso só depois que você sair com ela. Quando a conhecer melhor, talvez, mude de ideia. É para


isso que servem os encontros românticos. Patrick assentiu. – Sim, mas para onde eu a levo? – Primeiro encontro é sorvete – respondeu Joshua. – Barato e rápido. Você não pode estragar as coisas num passeio para um sorvete. Incapaz de resistir a uma leve provocação, Maddie o olhou em divertimento. – Estou surpresa de que você se lembre de uma época tão distante. Ele deu-lhe um olhar repleto de ardor e desafio. – Como andar de bicicleta. Você nunca esquece.


O coração de Maddie descompassou. Joshua a lembrava de um urso que estivera hibernando. Ela se enganara ao pensar que ele estivera meio-morto, e agora ele estava acordando. E faminto por ela. Maddie apenas não tinha certeza do que restaria dela se Joshua a consumisse. Ela voltou sua atenção para Patrick mais uma vez. Ele era muito mais seguro. – Isso vai parecer tolice, mas você ficaria surpreso ao saber como consideração e bons modos funcionam. Patrick parecia estar processando todas as informações que recebia. – Você dispensou muitos homens?


– Diversos – confirmou Maddie, com ironia. – Acho que eu atraía muitos idiotas naquela época. – Ela riu com a lembrança. – Houve alguns que eu deveria ter dispensado antes do que o fiz. – Certo – disse Patrick e levantou-se. – Obrigado. Ele começou a sair da sala, então, virou-se, uma expressão pensativa no rosto. – Qual foi a melhor coisa que um namorado já lhe deu? – Além de David? – perguntou ela, saboreando o peso suave de seu bebê. Ouviu Joshua arfando e soube o que ele devia estar pensando. – Mas você


precisa lembrar que eu tenho 27 anos, já acabei os estudos e preferiria compartilhar as responsabilidades de criar um filho. – Sim, eu sei tudo sobre preservativos. – Sim, mas eles podem romper – murmurou ela em voz baixa. – Dois tipos de controle de natalidade trazem mais garantia, mas você já sabe disso. E tenho certeza de que já sabe que são mais do que corpos que estão envolvidos quando pessoas fazem sexo, então deve se lembrar disso. – Ela enviou um rápido olhar para Joshua, e sentiu a aprovação dele. Maddie sorriu para Patrick.


– Meu presente favorito de um namorado foi uma música que ele compôs para mim. – Ela balançou a cabeça e suspirou. – Eu sempre me encantei por um homem com um violão. Alguns minutos depois, Joshua acompanhou-a até o carro. A chuva de mais cedo tinha parado, e o ar noturno estava frio novamente. Assim que ela pôs David na cadeirinha, afivelou o cinto de segurança e fechou a porta do carro, Joshua pressionou o peito e a parte baixa do corpo contra ela, gentilmente prendendo-a contra o carro.


Maddie disse a si mesma para ignorar o jeito que seu coração bombeava no peito. – Pode ser difícil para eu entrar no carro e dirigir para casa. – Você está com pressa? – perguntou ele, abaixando a boca para lhe roçar a orelha. Maddie tremeu. – Não realmente. Apenas não quero abusar de minhas boas-vindas. Lábios quentes passearam pelo pescoço dela. – Sem chance. Ela tentou abafar um gemido, mas não foi completamente bem-sucedida. Joshua também gemeu baixinho.


– Eu adoro os sons que você faz. Fico imaginando como você soaria na cama. Uma onda de excitação ilícita a percorreu, mas Maddie estava dividida. – Não sei se isso significa que eu devo me calar ou não. – Não – replicou ele. – Eu já lhe disse como você é bonita? Maddie derreteu-se, embora soubesse que aquilo não era verdade. Ele entrelaçou os dedos nos cabelos dela. – E eu gosto dos seus cabelos, da cor, da textura, do jeito que eles se movem. Maddie fechou os olhos. A sensação das mãos dele era tão boa. Ouvir aquelas palavras era maravilhoso.


– Oh, Joshua. Ele roçou o nariz contra sua pele. – Eu adoro seu cheiro. – Talco de bebê. – Cheira sexy em você. Ela abriu os olhos e riu um pouco. – Você é louco. – Talvez. – Joshua levou um dedo para os lábios dela. – Eu gosto do modo que você sorri. Incerta se devia rir ou chorar, Maddie meneou a cabeça. – Muito bom, Joshua. Muito bom. – Ela empurrou-lhe o peito com força e circulou o veículo para o lado do motorista.


– O quê? – demandou ele, seguindoa. – O quê? – Boas frases padrão. Elas quase funcionaram como um feitiço. – Ora, Maddie, você sabe que eu fui sincero. – Bem, aqui vai uma para você – disse ela, acomodando-se atrás do volante. – Você me dá vontade de vomitar. JOSHUA OLHOU pela janela mais uma vez e franziu o cenho. – Você não a vê? – Não. – Esta era a primeira quartafeira que Maddie não aparecia com uma refeição em semanas e semanas.


Apesar de gostar da comida dela, Joshua não estava nem de perto preocupado com a refeição como estava com Maddie. – Você acha que deveríamos telefonar? – perguntou Patrick, revelando que também tinha se acostumado com as visitas dela. – Vamos esperar só mais alguns minutos – disse Joshua, embora seu instinto fosse sair para procurá-la. E se ele a encontrasse no quintal de seu vizinho louco, novamente, e, desta vez, o sujeito tivesse decidido usar sua espingarda? Ele ouviu um barulho alto se aproximando, e sentiu uma onda de


alívio. Aquele era o escapamento de Maddie. Major raspou as patas na porta. Patrick olhou para ele e assentiu. Os dois foram para a porta, prontos para descer os degraus, a fim de ajudá-la. A porta do carro de Maddie se abriu, e um homem desceu com uma caixa de pizza. Ele subiu para a varanda. O cabelo era comprido, ele usava um pequeno brinco de ouro numa das orelhas e estava usando jeans e uma camiseta de ciclista. – Ei, eu sou Ben, o irmão de Maddie. Ela não pôde vir hoje. O bebê está doente, então ela me pediu para trazer pizza para vocês. Você é Joshua, certo?


Joshua assentiu, não vendo nada de Maddie no homem, até fitar os olhos de Ben. A mesma tonalidade de castanho, a mesma vitalidade. – Vamos sair da chuva. Entre e coma conosco. Ben hesitou por um momento, então fez uma careta para o carro de Maddie e deu de ombros. – Obrigado. Eu acho que vou aceitar. Tem duas pizzas. Maddie me falou para escolher, então há uma super supreme e uma pepperoni. – Boa escolha – disse Ben enquanto eles iam para a cozinha. – Patrick provavelmente poderia comer através da caixa.


– Pa-pai – disse Patrick com desgosto, ainda olhando para Ben com certa reserva. Bem pegou algumas latas de refrigerante da geladeira. – Louça de solteiro esta noite, Patrick – disse ele. Patrick pegou pratos descartáveis e guardanapos de papel, e Ben sorriu em aprovação. – Você quer dizer que há outro tipo de louça? – O que há de errado com David? Ben meneou a cabeça. – Infecção de ouvido. Ela levou-o ao médico e comprou remédio, mas ele


provavelmente vai berrar esta noite de novo, pobrezinho. Bem franziu o cenho. – De novo? – Sim. Maddie passou a noite de ontem em claro. Eu a teria deixado descansar esta noite, mas vou trabalhar no turno da noite no Bar de Tony. – Ben deu uma mordida na pizza e um gole do refrigerante. – Ela está com uma aparência péssima. Uma ideia surgiu na mente de Ben, e ele deixou-a fermentar ali enquanto conduzia a conversa para uma direção diferente. – Eu não sei muito ao seu respeito, exceto que você é o padrinho de David


– comentou Joshua. – E que no começo, recebeu a notícia de que Maddie tivera quíntuplos. Ben riu. – Esta é a nossa Maddie. Gosta de nos enlouquecer. – Ele observou Joshua. – Eu ouvi muito sobre você. Surpreso, Joshua pausou no meio da mordida. Engoliu, então perguntou: – É mesmo? – Sim, ela me contou tudo sobre você e seu filho. Disse que Patrick é muito inteligente. Um grande garoto. Patrick sentou-se ereto. – Ela disse isso? – A voz saiu desafinada, e ele pigarreou. – Ela disse isso? – repetiu num tom mais profundo.


– Sim. E está determinada a continuar com esta coisa de trazer refeições, nem que isso a mate. Tomado por uma onda de culpa, Joshua reprimiu um xingamento. – Eu tentei fazê-la parar. Isso não é necessário. – Esqueça – murmurou Ben. – Maddie está decidida. Ela diz que você estava lá quando ela precisou de alguém, e jamais esquecerá isso. – Ele pausou e comeu um cogumelo da pizza. – Esta é uma experiência nova para Maddie, especialmente com um homem. Meu pai viajava muito enquanto nós crescíamos, de modo que não era muito presente. E Clyde – Ben


acrescentou com desgosto –, nunca estava por perto. – O sujeito era mais estranho do que Maddie. Talentoso, mas não a merecia. Ele olhou para Joshua novamente, como se o estivesse avaliando. – Há mais em Maddie do que o que os olhos podem ver – disse ele numa voz suave, porém firme. Foi a vez de Joshua estudar Ben melhor. Ele ouviu um aviso sutil na voz do outro homem. O irmão cuidando da irmã. Do jeito que Joshua se sentia com relação a Maddie, talvez alguém devesse realmente estar cuidando dela.


MAIS TARDE naquela noite, Joshua estava irrequieto e incapaz de dormir. Andou pela sala e pela cozinha, tomou um copo de leite e um cookie de pacote. Fazendo uma careta enquanto mastigava o cookie seco e sem gosto, percebeu que essa era provavelmente uma das razões pelas quais nunca engordava. Sua comida certamente não era nada de espetacular, e ele nunca possuíra o talento para encontrar as coisas boas no supermercado. Se ele comesse as refeições de Maddie em bases mais regulares, apostava que quebraria a balança. Joshua franziu o cenho. Tinha se acostumado a vê-la uma vez por


semana. Ansiava pelo momento, às vezes, sentindo-se até mesmo impaciente sobre isso. Experimentando o calor do desejo em seu interior, suspeitou que a sensação não tinha nada a ver com comida, e tudo a ver com Maddie. Gostaria de pensar que aquilo se tratava apenas de sexo, mas alguma coisa sobre Maddie penetrava sua pele e agarrava seu coração. Imaginou se ela estaria andando de um lado para o outro com David nos braços esta noite. Lembrou-se da solidão de ser a única pessoa responsável por uma pequena criança, e a ideia de Maddie lutando


contra a exaustão durante outra longa noite o perturbou. Ele movimentou os ombros e tentou apagar a imagem da cabeça, mas não teve sucesso. A mesma ideia que lhe ocorrera durante o jantar voltou agora. – Uma ideia louca – murmurou ele, olhando para o relógio da cozinha e vendo que já eram 11h30 da noite. – Louca. Voltando para seu quarto, ele vestiu um jeans, uma camisa, meias e sapatos, o tempo inteiro murmurando sobre “sua ideia louca”. Acordou Patrick somente para avisá-lo onde estaria, então partiu em sua caminhonete.


Sem trânsito, fez a viagem em 35 minutos. Ele iria apenas ver como ela estava, disse a si mesmo, planejando manter sua loucura consigo mesmo. Se a casa de Maddie estivesse apagada, ele faria a volta com o carro e voltaria para casa sem bater à porta. Havia, no entanto, uma luz. Ele bateu de leve e esperou, então bateu novamente. Isso é loucura, pensou, e estava virando-se para ir embora, quando a porta foi aberta. Com David apoiado no ombro dela e chupando sua chupeta como se não houvesse amanhã, Maddie olhou para Joshua por um longo momento, sem piscar. Ele viu o cansaço e choro das


últimas 24 horas no rosto dela. Com olheiras, cabelos desalinhados, ela usava uma camisola com estampa de uma personagem feminina de desenho animado. A visão de Maddie esfregando as faces molhadas de lágrimas, e abaixando a cabeça, envergonhada, o virou do avesso. Ela estava desarrumada, e ele não podia se lembrar de quando uma mulher o afetara mais. – Eu soube que você estava tendo uma noite difícil. Ela assentiu e fungou. – Tem certeza de que você quer se juntar a nossa choradeira?


Ele reprimiu um sorriso e deu de ombros. – Eu não tinha nada melhor para fazer. Maddie gemeu em sofrimento. – Que tal dormir? Eu já tentei e não consegui, pensou ele com ironia. – Você vai me deixar entrar? – Oh, desculpe-me – disse ela, como se a ideia não tivesse lhe ocorrido. Deu um passo ao lado. – Eu não estava esperando você. – Ou qualquer outra pessoa, depois da meia-noite – acrescentou Joshua, e seguiu-a para a sala.


– Meia-noite? – Ela estreitou os olhos diante de um relógio de porcelana sobre o mantel da lareira, enquanto andava de um lado para o outro. – Eu não tinha notado. Você quer café, leite ou… – Eu quero que você se sente – disse Joshua, imaginando se ela ia desmaiar de exaustão. Sentiu uma vontade imensa de erguê-la nos braços e carregá-la para a cama, mas suspeitava que ela protestaria. Maddie o olhou e meneou a cabeça. – Não posso. Fofucho aqui está com uma dor de ouvido horrível, e andar é o único alívio dele. Eu não suporto ouvilo chorar mais.


– Ele está tomando remédios? Ela continuou andando. – Sim. O médico disse que o antibiótico fará efeito dentro de 24 a 48 horas. – Você não perguntou por que eu vim – murmurou Joshua. – Não. – Maddie deu uma risada suave. – Acho que eu estou ficando um pouco atordoada. – Ben falou que você também passou a noite de ontem em claro. Ela assentiu com a cabeça e focou na estampa do tapete. – Eu lembro de como ficar acordado com Patrick era difícil, às vezes. A noite se torna insuportavelmente longa.


Ela assentiu outra vez. – Então, eu pensei em assumir seu lugar por um tempo. Maddie assentiu novamente, ainda andando de um lado para o outro. A falta de reação dela deixou Joshua preocupado. – Maddie, você ouviu o que eu falei? Ela olhou para cima e piscou. – Deus, eu gostaria que a sala parasse de girar. Pelo amor de Deus, a mulher estava quase desmaiando. Ele estendeu os braços. – Dê-me o bebê, querida. Ela franziu o cenho, como se tentando entender.


– Perdão? – Eu disse, dê-me o David e vá dormir. Maddie fechou os olhos. – Não. Meu Deus, eu gostaria de recobrar meu equilíbrio para entender o que está acontecendo. Não se preocupe. David irá se acomodar daqui a pouco e… – Você vai desmaiar e cair no chão se não dormir um pouco. – Joshua falou com firmeza, estalando os dedos. – Dê o bebê para mim. Ela encontrou-lhe os olhos, e ele pôde ver que tinha conseguido penetrar o entorpecimento do cansaço de Maddie. Sentiu que ela o estava vendo,


finalmente, pela primeira vez naquela noite. Um misto de emoções brincou no rosto dela. Joshua observou-a relaxar um pouco as defesas. Alívio e confiança suavizaram as feições de Maddie. Ela confiava nele. Aquilo era muito estranho, mas a confiança dela o fez se sentir mais alto, mais forte. Ainda mais estranho era o fato de que, sob o cansaço de Maddie e todas as outras emoções, ele sabia que ela o queria. Era mais do que um desejo físico, embora incluísse desejo. Ela o queria pelo homem que ele era, por dentro e por fora. O desejo expresso claramente nos olhos castanhos o abalou.


– Apenas por uma hora – disse ela, e entregou-lhe David, acariciando seu bebê e se certificando de que a chupeta estava segura. – Mais tempo que isso não seria justo. Na verdade, não estou certa de que uma hora é justo. Ela olhou para Joshua novamente e balançou a cabeça, gratidão brilhando nos olhos castanhos. – Você é um homem incrível – sussurrou ela, então, ergueu-se na ponta dos pés e beijou-o de leve. – Incrível. Tudo que eu preciso é de uma hora. Acorde-me, certo? – Claro. Maddie acordou quando os primeiros raios de sol se infiltraram


pelas cortinas de seu quarto. Permaneceu deitada por um momento, sentindo que alguma coisa não estava certa. Olhou rapidamente para o berço de David e viu que estava vazio. Lembrou-se de Joshua e encolheu-se. Ele passara a noite inteira lá. Devia estar exausto. Saindo da cama, ela desceu e parou abruptamente à entrada de sua sala. Joshua estava sentado na cadeira de balanço, os pés separados no chão, as mãos grandes segurando David seguramente contra o peito, e a cabeça inclinada para frente. David estava dormindo. Assim como Joshua.


Uma onda de emoção apertou seu coração. Maddie respirou fundo. Olhar para aquela cena quase lhe causava dor. Ver um homem segurando David com tanta ternura e cuidado era o maior de seus sonhos. Queria que David tivesse tudo que precisava, e por mais que ela tentasse, nunca poderia ser pai também. Apenas assumira que teria de seguir aquele caminho sozinha, e, apesar de saber que Joshua não estava procurando um filho bebê, era tentador brincar com a ideia mágica por um momento. E se Joshua se apaixonasse por ela e por seu bebê, e quisesse manter ambos? E se…


Maddie balançou a cabeça e suspirou. Pare com isso. Mas não podia se culpar pela fantasia momentânea. Pelo amor de Deus, quando algum homem passara por alguma inconveniência para garantir o bemestar dela? Nunca, ela sabia com certeza. Mas não queria Joshua desta maneira, lembrou a si mesma. Todavia estava se tornando cada vez mais difícil acreditar no lembrete. Dando um passo à frente, ela pressionou o dorso da mão contra a testa de David. A febre tinha passado. A tensão em seu interior aliviou um pouco, e ela olhou para Joshua novamente. O maxilar dele estava


sombreado com o começo de uma barba, o cabelo escuro estava desalinhado, e a camisa estava amassada, provavelmente úmida de baba de bebê. Maddie nunca vira um homem mais lindo em sua vida. Quando ele mudara, perguntou-se? Ou ela mudara? Subitamente, os olhos acinzentados se abriram, o olhar de Joshua encontrando o seu com tanta velocidade e intensidade que ela pareceu parar de respirar. Um sentimento muito, muito antigo, originado em sua infância, causou-lhe um nó no estômago. Ela sentiu-se sendo pega.


Capítulo 8

MADDIE

fundo novamente, então seguiu seus velhos instintos. Quando pega, fale. Muito. – Você não me acordou depois de uma hora – ela ralhou com Joshua, agitada, ansiosa para quebrar o encanto e aliviar a sensação de “ser pega”. – Foi amabilidade sua me oferecer um descanso, mas eu detesto a ideia de RESPIROU


você passando a noite numa cadeira. Aqui, deixe-me trocá-lo e alimentá-lo. – Ela pegou David e andou para a cozinha. – Se você me der apenas um minuto, eu farei um café. – Maddie? – A voz de Joshua chegou a ela quando Maddie fez a curva para a cozinha. Ela parou. – Sim? – Não precisa fazer o café. Eu irei embora num minuto. As palavras dele colocaram-na em ação, novamente. – Não, não, não. – Com David contra seu ombro, Maddie tirou uma mamadeira da geladeira e colocou-a no micro-ondas para amornar o leite.


Depois de acomodar David no cadeirão, pegou o antibiótico líquido dele. – Deixe-me pelo menos lhe dar um café. Se você puder esperar mais um pouco, eu posso preparar um café da manhã completo e… – Ei. – Joshua parou atrás dela. – Por que a agitação? Maddie pausou, enquanto despejava o remédio numa colher infantil. Seu coração estava disparado, sua mente em turbilhão. Sentia-se sem controle. – Ninguém nunca esteve presente para mim quando eu precisei de ajuda. Bem, exceto por Emily e Jenna Jean, e, às vezes, Ben.


Ela deu o remédio a David e observou-o fazer uma careta. – Bom menino – murmurou ela, sacudindo a mamadeira e testando a temperatura antes de colocá-la na boca dele. Finalmente, olhou para Joshua. – Eu me sinto desconcertada. Isso significa muito para mim, o que você fez ontem à noite… Joshua deu de ombros. – Não foi nada demais. – Sim, foi – disse ela, enfaticamente. – Foi uma grande coisa para mim, e eu não sei como agradecê-lo. Um brilho que falava sobre sexualidade surgiu no olhar dele.


Maddie olhou para sua camisola, e estava certa de que interpretara aquele olhar de maneira errada. – Você está se sentindo grata? – Sim. – Quão grata? – perguntou ele numa voz rouca e profunda que mexeu com todas as suas terminações nervosas. Joshua moveu-se para mais perto. Maddie engoliu em seco, então deu uma risada curta. Alguém precisava devolver a sanidade para aquele homem. – Estou atualmente usando uma camisola de uma menina de cinco anos de idade, alimentando um bebê, e não me olhei no espelho, mas tenho quase


certeza de que meus cabelos estão espetados para todas as direções possíveis. Não é possível que você me deseje neste momento. – Apesar de seu protesto, ela viu desejo nos olhos dele. – A menos que você seja cego. Ele meneou a cabeça. – Visão normal. Perfeito. Por que aquilo não a surpreendia? – Ou você é louco. Ele deu uma risada curta e abaixou a boca para o pescoço dela. – Agora, isso é possível. Maddie fechou os olhos contra um turbilhão de sensações.


– Você não pode me querer. Não pode. Isso simplesmente não é… A mão de Joshua curvou-se em volta do seu quadril e deteve as palavras de Maddie. – Eu posso – afirmou ele, subindo a camisola dela pelas coxas e deslizando os dedos ao longo de sua pele desnuda. Abriu a boca contra seu pescoço, provocando a área com a língua. – E eu a quero. Maddie sentiu seu corpo em chamas. Reprimiu um gemido, quando os dedos subiram mais. Seus mamilos começaram a formigar, e ela teve de conter o impulso de esfregar uma perna na outro.


– Joshua – sussurrou ela. – A pergunta é: você me quer? – Oh, socorro. David choramingou, e Maddie abriu os olhos. Murmurando consigo mesma, ela olhou para Joshua em acusação. – Você está tentando me arruinar. – Você acha? – Os olhos acinzentados estavam ardentes, e a voz dele tinha uma qualidade que a fazia se derreter. Maddie levantou o queixo, vendo problema no seu futuro. – Sim, e é melhor você parar com isso. – Oh, verdade?


– Sim – replicou ela, acrescentando um pouco de agressividade na voz. – Reviravolta é um jogo justo. Você me arruína, eu arruíno você. E agora que eu passei a noite inteira cuidando de David, eu diria que você me deve uma. A boca de Maddie secou. Ela disse a si mesma que era por choque, não excitação. Ele não podia estar falando sério… Não esperava realmente que ela mostrasse sua gratidão de uma maneira sexual. Uma voz perversa dentro de sua cabeça disse que aquele seria o agradecimento mais prazeroso de sua vida. – Sorvete – disse Joshua.


Completamente confusa, ela o encarou. – Sorvete? – Na sexta-feira à noite. – Ele deulhe um olhar zombeteiro inocente. – Nada pode dar errado com um passeio para tomar sorvete. E Maddie percebeu que tinha sido enganada. Joshua não era uma pessoa antiquada. Apenas se disfarçava de uma. Ele era, na verdade, um lobo. ELES NÃO tomaram o sorvete até mais tarde, na sexta-feira, porque Joshua precisara cuidar de alguns assuntos com os cavalos. No momento que chegaram à sorveteria, o lugar estava lotado, então


eles compraram sorvetes e levaram para a casa de Maddie. Joshua estava num humor louco. Não se sentia assim há anos. Se não tivesse Maddie Palmer, temia que fosse obrigado a se comprometer. Sentia-se como o Demônio da Tasmânia, e estava lutando contra o impulso de tomá-la sobre a mesa da cozinha. – Quem você disse que está cuidando de David? – perguntou ele enquanto ela pegava coberturas de chocolate, de morango e de caramelo do armário. – Minha amiga, Jenna Jean. Ela brigou comigo por eu não ter lhe telefonado numa das noites que David estava doente, mas nem mesmo pensei


na possibilidade. Ela é promotora pública assistente – Maddie contou para Joshua. – E ela pode derrotá-la facilmente com um argumento, então eu apenas falei que ela poderia ficar com David numa outra ocasião. – Maddie tirou uma lata de chantilly da geladeira e sorriu. – Eu escolhi esta noite. Joshua olhou do creme chantilly para Maddie, e de volta para o creme chantilly. Em sua mente devasse, possibilidades devassas se abundaram. Ele pigarreou. – Você gosta de um pouco de sorvete com suas coberturas?


O sorriso dela aumentou, e Maddie estreitou os olhos para ele. – Um pouco de sorvete. Você é um purista? Ele não se sentia nem um pouco puro perto dela. – Eu gosto de um pouco de cobertura de chocolate no topo de vez em quando. Ela pôs cookies de chocolate, granulados de chocolate e bananas sobre a mesa. – Parece que você precisa expandir seu gosto. – Estou tentando – murmurou Joshua, observando-a se mover em volta da cozinha.


Ela brincou com colheres por alguns segundos, então, colocou-as sobre a mesa ao lado das cumbucas. Ergueu a mão sobre o sortimento de coberturas. – Bem, quais você quer? – Difícil escolher – replicou ele. – Então, talvez eu possa ajudar – sugeriu ela e abriu as caixas pequenas. – Você escolheu sorvete de limão. Isso limita as opções. Nem mesmo eu misturo chocolate com limão. Que tal cobertura de morango? E bananas? Maddie serviu o sorvete, pôs a cobertura e fatiou meia banana. – Chantilly? – perguntou ela. Joshua estava tendo dificuldade em parar de pensar em sexo.


– É bom? Ela franziu o cenho, então olhou para a lata. – Não está vencido. – Maddie espirrou um pouquinho no dedo e lambeu-o. – Parece bom para mim. – Ela esperou um momento e deu de ombros. – Você quer experimentar? – Sim – disse Joshua. Ela respingou mais no dedo e levantou-o, presumivelmente para que ele capturasse o creme com o próprio dedo. Em vez disse, Joshua fechou a mão em volta do seu pulso e levou o dedo de Maddie à boca. Ele sentiu o sobressalto dela quando lambeu o chantilly… e o dedo delgado.


Ela puxou a mão de maneira abrupta e olhou-o com expressão de superioridade. – Isso foi trapaça. – Se você mostrasse um pouco de piedade – disse ele, enfatizando a palavra –, eu não precisaria recorrer a tais medidas. Ela o encarou por três segundos, antes que visse o começo de um fogo lento. – Piedade? – Sim. – Joshua puxou a cumbuca para si e deu uma colherada. – Você me beija, e justamente quando eu começo a perder o controle, você para. Ele engoliu outra colherada do sorvete, e


esperou que aquilo esfriasse o calor que queimava em seu interior, o tempo inteiro, ultimamente. – Eu nunca imaginei que você pudesse ser tão provocativa, Maddie. – Provocativa! – Parecendo furiosa, ela balançou a lata de creme chantilly na direção dele. Joshua abafou o riso. – Cuidado para onde você aponta isso. Eu só estava brincando – murmurou ele, e então acrescentou: – Mais ou menos. – Mais ou menos! – Maddie pressionou o bocal da lata de chantilly e espirrou o creme nele, atingindo não


apenas sua mão ou seu rosto, mas sua camisa. Um bocado caiu no seu jeans. Incrédulo, Joshua olhou-a. Ela parecia quase tão horrorizada quanto ele se sentia. – Ops. – Ela deu um sorriso fraco e colocou a lata sobre a mesa. – Eu não pretendia atingir sua camisa. Joshua meneou a cabeça. – Você tem um guardanapo? – Oh, claro. Só um segundo. – Maddie entrou em ação, pegando diversos guardanapos de papel do balcão e apressando-se para seu lado. Ela limpou sua camisa diversas vezes, então olhou para sua coxa.


Os olhos castanhos subiram pelo corpo dele, e Joshua os sentiu como se eles fossem beijos molhados em sua pele desnuda. Quando ela finalmente encontrou seu olhar, ele pôde ver confusão guerreando com excitação ali. Maddie usava um vestido pêssego sem mangas, que combinava com a personalidade dela. Estava uma noite quente, e as pernas delgadas estavam expostas, exceto por uma corrente de ouro com pendentes em formato de coração, ao redor de um tornozelo, e sandálias nos pés bonitos. A bainha rodada do vestido e a correntinha de ouro, juntamente com os olhos


castanhos e um sorriso travesso o provocavam em demasia. Joshua deu vazão aos desejos contra os quais vinha lutando a noite inteira. Deslizando a mão acima do joelho dela, roçou a pele sedosa e bem torneada. Maddie enrijeceu. Com o coração batendo descompassado no peito, ela respirou fundo. Havia alguma coisa diferente sobre Joshua esta noite. Aparentemente, tudo que ele precisava era de um pequeno empurrão para perder o controle de vez. A ideia a excitava e enervava-a, e ela não estava muito certa de como queria responder. Sabia, todavia, que gostava


do jeito que Joshua a olhava, como se ela fosse sorvete, e ele pudesse comê-la com uma colher. Gostava do efeito que a voz dele causava em sua mente e nos lugares mais sensíveis de seu corpo. Gostava demais da mão dele na sua perna, para se sentir incerta. Ela pigarreou. – O sorvete está derretendo. Ele subiu os dedos mais um pouco, e o peito de Maddie se comprimiu. – Joshua – ela conseguiu falar, mas a entonação não era aquela de um protesto. – Maddie – retornou ele, o olhar dele derrotando sua resistência. – Quando você vai me tirar do sofrimento?


Maddie suspirou, e alisou-lhe o maxilar, gostando de sentir a leve aspereza da barba do fim da tarde contra sua pele. Gostando muito. – Joshua, você não quer se envolver comigo. Ele puxou-a entre suas pernas, encaixando-a ali. – Eu já estou envolvido. – Está? Ele assentiu devagar e deslizou uma de suas pernas entre as dela. – Sim, e você também está. Chega mais perto, querida. – Joshua roçou a boca contra a sua. Maddie sentiu-se afundando. No olhar dele, no beijo dele, nele.


Joshua puxou-a para baixo, fazendo com que ficasse tão fácil para ela sentarse de pernas abertas sobre ele. – Você deveria se envolver com um tipo diferente de mulher – ela o avisou e beijou-o. – Uma mulher que não deixa chupetas no caminho de acesso para sua casa. Ou que fura um pneu que você acha que precisa trocar. Maddie roçou-lhe o pescoço com o nariz quando ele levantou sua saia. – Você deveria se envolver com uma mulher que entende sobre garanhões, éguas e… – Maddie, eu quero você. – Ele tomou-lhe a boca, a língua fazendo amor com a sua.


Foi um beijo tão voraz e sensual que fez o coração de Maddie se apertar e dificultou sua respiração. Dedos quentes deslizaram entre suas pernas, indo para onde ela estava mais úmida e quente. Ela arfou e abaixou a cabeça. – Eu estou tentando avisar você. Ele inclinou-lhe a cabeça para cima e penetrou-a com um dedo. – É tão bom tocá-la. Ela instintivamente enrijeceu. Queria Joshua. Oh, como o queria. – Não vamos chegar ao quarto, vamos? – sussurrou ela. Joshua mordiscou-lhe o lábio inferior e puxou a calcinha dela num


movimento ligeiro. Houve um breve barulho de tecido rasgando. – Não a primeira vez – respondeu ele. Maddie desceu o zíper do jeans masculino e liberou a masculinidade rija. – Isso mesmo. Toque-me – pediu ele, ainda lhe roubando beijos, ainda acariciando Maddie intimamente. Ela gemeu e massageou-o. Ele estava muito excitado, quase úmido com desejo. O som rouco de fascinação e aprovação que Joshua emitiu instigou-a a continuar. Ela sabia que ele a estava observando. A excitação de Joshua


excitando-a, Maddie rolou o indicador sobre o membro viril, depois levou a umidade à própria boca. Ele fechou os olhos, como se estivesse com dor. – Oh, Maddie. Onde você estava… Onde… – Parando, ele enfiou a mão no bolso e tirou um pequeno envelope de alumínio. Maddie perdeu um pouco mais do seu coração quando viu que ele tinha ido preparado. Um homem que tinha consideração, era estável, sexy. Ele beijou-a novamente, e a sala pareceu virar de ponta-cabeça. Um momento se passou, então outro, e ele a estava levantando, posicionando-a


sobre seu sexo. Então, guiou-a para baixo, até que a preencheu. Eles se entreolharam, unidos intimamente. Paixão, desejo, fascínio. Maddie fez um movimento ondulante com o corpo e observou-o tremer. O tremor ecoou em seu interior. – Oh, moça. – Joshua segurou-lhe as nádegas e moveu-a em ritmo. Prazer a inundou. Ele a olhava como se ela fosse a mulher mais linda do mundo. Maddie o cavalgou, sentindo a força de Joshua crescer dentro do seu corpo. Ele falou seu nome, e um som suave escapou da garganta dela. Joshua


olhava-a como se ela fosse a única mulher capaz de satisfazê-lo. Maddie acompanhou o ritmo cada vez mais acelerado. Girando mais e mais alto, ela o abraçou com força, nunca tirando os olhos do rosto dele. Alguma parte sua notou que Joshua também não tirava os olhos dela, e que ele a abraçava tão apertado quanto ela o abraçava. Ele recitou seu nome repetidamente, mas os olhos acinzentados contavam histórias que Maddie tinha medo de acreditar. Aqueles olhos lhe diziam que isso era mais do que desejo e necessidade para ele. Os olhos de Joshua diziam que ele


a amava. Foi quando Maddie atingiu o clímax. E Joshua tombou sobre ela. Os tremores pós-orgasmo abalou ambos, e eles se abraçaram, seus corações bombeando freneticamente, suas respirações ofegantes. Ele puxoulhe a boca para a sua e beijou-a com gentileza, com carinho. Então, olhou-a e balançou a cabeça. – Oh, Maddie, que Deus me ajude – murmurou ele numa voz rouca. – Eu a quero novamente. Ela riu, com fraqueza, deitando a cabeça no ombro dele. – Deus me ajude. Eu o quero novamente também.


Ele apertou-a contra si, e, embora Joshua ainda estivesse em seu interior, ela sabia como ele estava se sentindo. Aquela proximidade ainda não era perto o bastante. – Vamos subir. Maddie assentiu. – Você consegue andar? Os lábios dele se curvaram num sorriso afetuoso. – Sim. – Exibido – brincou ela, sentindo as pernas bambas como gelatina. – Tudo bem – disse ele, mudando de posição, antes de se levantar. – Eu carrego você.


– Há alguma coisa muito injusta sobre isso. – Maddie tentou franzir o cenho, mas não conseguiu. Estava muito tonta. Ele arqueou uma sobrancelha escura. – Injusto? – Sim – replicou ela, então, impulsivamente, pegou a lata de creme chantilly. – Vamos ver se eu posso melhorar as chances. Uma hora e meia depois, Joshua estava deitado na cama, tentando recuperar o folego. A lata de chantilly estava vazia. Esta tinha se tornado uma batalha erótica para ver quem receberia a última espirrada. Maddie vencera. Por muito pouco.


Ele a olhou. Totalmente feminina, ela estava com o cabelo desalinhado, pele desnuda, låbios inchados por seus beijos e membros longos entrelaçados nos seus. Cheirava a creme chantilly e sexo. E se ele continuasse pensando naquilo por mais trinta segundos, Joshua a tomaria novamente. No momento, os olhos de Maddie estavam fechados, e ela respirava de forma profunda e regular. Ele poderia ter pensado que ela estava dormindo, exceto pelo leve movimento da mão delicada sobre seu peito, acariciando-o gentilmente. O carinho contido no gesto emocionou-o.


O jeito que Maddie o afetava era impressionante. Quando ela fazia amor com ele, não continha nada. Joshua nunca tinha experimentado uma mulher se doando tão completamente. Maddie não era do tipo de ficar passiva e ser tomada. Ela queria sua parcela tomando, também. A experiência o preenchia com emoções. E com perguntas. Os olhos dela se abriram e o encararam os seus sem palavras. – Eu tenho uma pergunta pessoal – disse ele. – Tudo bem. Faça. – Este homem com quem você esteve envolvida por um longo tempo…


Ela assentiu. – Clyde. – Ele viajava pela maior parte do tempo. Fico imaginando se você fazia amor com ele como fez comigo. Maddie arregalou os olhos, então mudou de posição. – Isso é pessoal. Você quer dizer… com creme chantilly? Ele deu de ombros. – Não. Eu quero dizer com… – Joshua procurou pelas palavras certas. – Com a mesma intensidade. Ela deu-lhe um olhar intrigado. – Por que você pergunta? – Se você fazia, então o sujeito provavelmente não ficou muito tempo


por perto, porque temeu morrer de parada cardíaca. Maddie caiu na gargalhada. – Ah, eu acho que não. – Ela meneou a cabeça, então sua fisionomia tornou-se mais séria. – Para responder a sua pergunta, não, nunca foi assim tão intenso para mim. – Ela pausou, os olhos castanhos escurecendo com uma ponta de incerteza? – Demasiado? Ele balançou a cabeça. – Não. Em absoluto. Joshua beijou-a, sentiu-a derreter, e isso foi o bastante para querê-la novamente. – Nós acabamos de fazer amor – murmurou ele, com incredulidade.


Ela suspirou. – Eu sei, e nós precisamos parar. – Mas o tom de voz de Maddie era lastimoso. – Eu tenho de ir buscar David. Não quero apavorar Jenna Jean na primeira vez que ela fica sozinha com ele. Joshua lutou contra uma onda de desapontamento e riu baixinho. Estava louco. Deu-lhe um beijo rápido. – Deixe-me levá-la lá no meu carro. Surpresa e prazer suavizaram as feições dela. – Obrigada. Isso seria muito bom. À primeira vista, Jenna Jean Anderson pareceu o oposto de Maddie. Jenna tinha uma imagem de uma


pessoa fria e composta. Os cabelos morenos estavam bem penteados para trás e presos na altura da nuca, e até mesmo o traje de calça jeans e blusa era comportado e discreto. Ela provavelmente não acreditava nos brincos captadores de sonhos de Maddie, e não parecia do tipo maternal. Maddie era calorosa e impulsiva. Jenna era fria e racional. Joshua não entendeu a associação íntima entre as duas, até que Maddie mencionou por quanto tempo elas eram amigas. – Jenna Jean e eu nos conhecemos desde que eu tinha seis anos, e ela, sete.


Jenna arqueou uma sobrancelha escura. – Eu atendo por Jenna – ela falou para Joshua, então olhou para Maddie. – Ainda enfatizando o fator idade, pelo que vejo. Maddie sorriu. – Idade antes de beleza. Como Davey ficou? As feições de Jenna se suavizaram um pouco. – David é divino. Nós discutimos um dos meus casos, e ele concorda com meus planos de pena máxima para o crime repetido de dirigir sob o efeito de álcool. Eu acho que ele tem um dom – continuou Jenna. – Não estou


brincando. Ele parecia estar ouvindo cada palavra minha. Estava sorrindo e respondendo numa linguagem própria. Maddie deu um olhar rápido e disfarçado para Joshua. – Ele lhe ofereceu alguma outra sugestão? – Não, mas ele é muito seletivo. Bocejou quando eu lhe contei sobre meu chefe. – Todo mundo boceja quando você fala do seu chefe – disse Maddie. – Imagino que David esteja dormindo no momento? – No meu quarto, no berço portátil que você trouxe.


– Certo – disse Maddie, andando em direção ao corredor. – Eu volto num minuto. Jenna imediatamente virou-se para Joshua com um olhar observador, avaliando-o. – Então, você é o homem que ajudou Maddie a ter David? Joshua assentiu. – Eu mesmo. – Maddie mencionou que você administra uma fazenda de cavalos. Isso pode ser um pouco arriscado, não pode? – Pode, dependendo de como você administra seus negócios – replicou ele,


perguntando-se onde ela queria chegar com aquelas questões. Jenna gesticulou casualmente para o sofá, mas Joshua podia jurar que ela estava analisando cada movimento seu. – E quanto aos seus negócios? – continuou ela. – Você está perguntando se eu tenho uma situação financeira estável? Ela não perdeu a compostura. – Não realmente, mas esta é uma pergunta interessante se você quiser respondê-la. Ele sentou-se e começou a prestar atenção nas táticas de advogada dela. – Eu tenho uma situação financeira estável.


Jenna assentiu solenemente. – Maddie também mencionou que você tem um filho adolescente. Gosta de crianças? Joshua deu de ombros. – Eu gosto de crianças, mais de algumas do que de outras. Ela considerou aquilo, então uniu as mãos na frente do corpo. – Suponho que isso é justo. – Jenna pausou de novo, pensando, torcendo os lábios. – Maddie sempre teve um – ela procurou pela palavra – talento para… – Experiências desafortunadas com figuras de autoridade – Joshua terminou por ela. – Ou para problemas.


– Ela não é uma causadora de problemas – insistiu Jenna, e Joshua gostou dela, por defender Maddie. – Ela apenas é sempre pega. As pessoas próximas de Maddie acabam desenvolvendo uma tolerância por… – Confusões – terminou ele mais uma vez. Jenna assentiu. – Sim. Você se considera um indivíduo flexível? Ele poderia ter ficado ofendido, se não entendesse a base das perguntas dela. – Flexível até um ponto. Eu tenho meus limites. Mas, Jenna, tem certeza de que você não precisa de duas


testemunhas e uma Bíblia para esta discussão? Ela lutou com um sorriso, porque gostava de estar no controle, e ele não estava permitindo isso. – Eu espero que você seja mais inteligente do que Clyde era. Ele não sabia o que tinha. Maddie mudou – continuou Jenna. – Ela não vai mais se contentar… Ela parou no meio da sentença, porque Maddie estava voltando para a sala. E Joshua ficou sem saber com que Maddie não ia se contentar.


Capítulo 9

– SUSPIRANDO, EXTASIANDO-SE

– disse Jenna Jean enquanto ela, Maddie e Emily estavam sentadas em volta da piscina da casa da mãe de Emily. – Isso me causa repulsa. – Eu sei – concordou Maddie com um sorriso que estava ciente que era muito amplo. Nada poderia destruir seu humor maravilhoso. – Você também


precisa experimentar um pouco de suspiros e êxtase, Jenna Jean. – Abaixando o volume do aparelho de CD, Maddie deu um suspiro exagerado e bateu a mão sobre o peito, na altura do coração. – Ademais, eu tenho uma boa razão para isso, e você o conheceu. – Eu lhe disse que ela estava insana. Todavia, ele é melhor do que Clyde, que Deus o tenha – concedeu Jenna Jean. Emily passou protetor solar e franziu o cenho para as nuvens. – Quando eu vou conhecê-lo? – Não sei. Joshua está fora da cidade, esta semana, para algum tipo de reunião com a Associação de Criadores


de Cavalos. Uma vez que você e Beau não vêm à cidade com muita frequência… Emily deu um gole de sua limonada. – Nós teremos de planejar alguma coisa então. Jenna Jean sentou-se mais ereta e riu. – Quem teria imaginado que Emily se casaria com um caubói? – Bem – murmurou Emily, com expressão dissimulada –, se eu não podia ser um caubói, casar-me com um era a segunda coisa melhor. – Ela olhou para Maddie. – Eu me recordo de temer que Maddie se tornasse uma tiete de rock.


Maddie fez uma careta. – Nunca gostei da ideia de ser uma de muitas. Eu queria ser única, ponto final. Talvez seja por isso que Joshua virou minha cabeça. Ele é diferente. Não olha para mim e pensa “caso temporário”. Ele não é esse tipo de homem e me quer. Ele me quer. A noção ainda lhe tirava o equilíbrio. O assunto todo deixava Maddie nervosa e excitada, incapaz de permanecer sentada, imóvel. Ela levantou-se e começou a andar de um lado para o outro. – Ele é bom demais para ser verdadeiro. É como um daqueles exercícios “descubra o que está errado


com esta foto”, que nós fazíamos quando éramos crianças. Eu continuo procurando motivos pelos quais um relacionamento entre nós não pode dar certo, e Joshua continua eliminando-os. Ele me liga com regularidade – disse ela, impressionada, porque aquela era uma experiência nova para ela. Maddie balançou a cabeça e pensou em David, e no quanto ela havia mudado durante o último ano. – Eu não quero estragar tudo desta vez. – Apesar de todos os seus supostos suspiros de êxtase, ela lutava contra um medo sempre presente. – Eu não quero ser tola.


– Você não vai ser – Jenna Jean lhe falou. – Você tem a cabeça no lugar, e acho que Joshua Blackwell sabe que encontrou uma em um milhão. – Se ele fizer você feliz, isso é o que importa – disse Emily. – Mas se ele a tratar mal… – começou Jenna Jean, e levantou-se. – Nós o pegaremos – Emily e Jenna Jean terminaram ao mesmo tempo. Jenna Jean sorriu. – Agora, vocês duas vão brincar de princesas do sol o dia inteiro ou irão se molhar? A última a entrar na piscina é um ovo podre.


– PARECE UM céu cheio de diamantes – Maddie comentou enquanto estava deitada sobre o cobertor, com Joshua. Eles tinham saído para jantar fora, e uma vez que estava uma noite clara e quente, ele a levara para o topo de seu morro. Ela podia sentir os olhos acinzentados sobre si. – Quem lhe deu diamantes? O coração de Maddie disparou, mas ela riu para esconder sua agitação. – É mais provável que alguém tenha me dado zircônia cúbica ou cristal australiano. – Você sentiu falta das pedras? Ele pegou-lhe a mão, e ela o fitou.


– Diamantes? – perguntou, e Joshua assentiu. Maddie pensou sobre aquilo. – Não. – Após uma pausa, acrescentou: – E sim. – Hã? – murmurou ele, olhando-a, como se as palavras dela não fizessem o menor sentido. Maddie apoiou-se sobre um cotovelo. – Eu sei que a figura do dólar num presente não é importante em si. Acho que é mais o simbolismo por trás disso… o fato de que alguém pensasse que eu sou tão importante ao ponto de merecer um diamante. – Ela encontroulhe o olhar. – Isso faz algum sentido? – Eu acho que sim. Que tipo de presentes Clyde lhe dava?


Maddie riu novamente. – Você quer dizer, quando ele lembrava? Joshua estreitou os olhos. Maddie teve de pensar. Clyde tinha sido desatento. – Ele me deu muitos CDs que gostava, diversas fitas demos amadoras, alguns brincos de prata do México. – Ela riu com a lembrança. – Ele me trouxe pé de moleque uma vez, mas acabou comendo-o. Eu nunca gostei de pé de moleque de qualquer forma. – Ela olhou para Joshua, e tentou ler a expressão dele. – No que voz está pensando? – falou em voz alta.


– Clyde parece que era um patife egocêntrico. Maddie assentiu e sorriu. – Sim, eu suponho que ele era. – Então, por que você ficou com ele por tanto tempo? Maddie suspirou, sentou-se e puxou as pernas contra o peito. – Eu não sei. Era mais fácil continuar com ele do que terminar o relacionamento. Acho que nós éramos mais um hábito um para o outro, e havia alguma segurança naquilo. Pessoas têm todo tipo de hábitos. Como você – murmurou ela, ansiosa para desviar o assunto de si mesma. – Eu?


– Claro. Por que você não se envolveu com uma mulher por tantos anos? Ele deu de ombros. – Eu estava ocupado. Maddie fez uma careta. – Desculpa esfarrapada. Fraco, fraco, fraco. Ele capturou-lhe o pulso e puxou-a contra seu peito num movimento rápido e abrupto. – Quem você está chamando de fraco? – perguntou ele, a expressão desafiadora e sexualmente intensa, ao mesmo tempo. Maddie ergueu o queixo. – Você.


– Eu estava ocupado. – Você estava usando vendas – Maddie falou, forçando-se a se concentrar quando ele deslizou as mãos para as laterais de seus seios. – Isolou-se da convivência com pessoas do sexo feminino. Joshua movimentou sua pélvis, de modo que pudesse sentir sua ereção contra ela. – Talvez, eu simplesmente não tenha encontrado alguém que puxou meu gatilho. Ela deu uma risada ofegante. – É assim que você chama isso? Seu gatilho?


– Sim – replicou ele, deslizando as mãos para os quadris dela. – Então, o que você vai fazer sobre isso? Aquele era um desafio sexy e irresistível, e ele aguçou tanto seu desejo que ela queria gritar. Maddie balançou a cabeça. – Eu nunca teria imaginado que você fosse do tipo que quereria uma atividade como esta ao ar livre. Os olhos acinzentados escureceram perigosamente. – Verdade? – Ele rolou, de modo que a posicionasse sob seu corpo. – E de que tipo eu sou? Ops. O sexo de Maddie pulsou quando ele pressionou a boca aberta


contra seu pescoço. – Tipo? – repetiu ela, tentando escapar da pergunta. Não poderia lhe dizer o que realmente pensava dele. – Sim. Você acha que eu sou o tipo que fecha as persianas, apaga as luzes e faz amor na cama e no escuro. – Achava – corrigiu ela. – O que você está fazendo com meus shorts? – Tentando ensinar-lhe que tipo de homem eu sou – respondeu ele. O ar frio da noite percorreu a pele de Maddie, então mãos quentes a acariciaram. Seu coração disparou, e ela tremeu. – Eu pensei que você já tivesse feito isso.


– Oh, querida, eu estou apenas começando com você. Um aviso ou uma promessa? Uma excitação ilícita a percorreu quando ele beijou-a. Joshua não ia realmente tomá-la naquele morro sob as estrelas, ia? Maddie lembrou-se do creme chantilly e gemeu. Ele subiu uma das mãos por sua blusa e roçou seu mamilo já rijo. – Eu acho que está na hora de eu acionar o seu gatilho – disse Joshua, enquanto usava a língua para começar uma jornada lenta de tirar o fôlego pelo seu corpo. Ninguém jamais a fizera se sentir tão desejada. O sentimento a fazia derreter.


Como ele conseguia lhe causar aquelas sensações? Lutando por um fiapo de sanidade, Maddie brincou: – Da última vez que olhei, eu não tinha um gatilho. Ele circulou seu umbigo com a língua, e ela gemeu. – Então, eu farei você ver estrelas – prometeu Joshua, abaixando a boca novamente, desta vez entre as pernas dela, para seu centro úmido e pulsante. – Eu farei você ver estrelas do lado de dentro. Mãos fortes seguraram seus quadris, e a língua de Joshua fez mágica. Mas foram as palavras íntimas dele, os sons de aprovação e desejo profundo que a


levaram para a extremidade repetidas vezes. E mesmo quando Maddie fechou os olhos, ela viu estrelas. QUANDO JOSHUA levou-a para casa naquela noite, Maddie sentia-se muito vulnerável a ele. Aquilo a assustava, porque sentia que faria qualquer coisa por ele. O que podia ser perigoso. Então, observou-o, e viu a força sólida estampada nas feições duras e no corpo másculo. Ele era um homem gentil, lembrou a si mesma. Um homem bom, que não se aproveitaria dela. Maddie poderia confiar nele. Joshua entrou em sua casa e conversou com Ben por alguns minutos,


enquanto ela ia ver David. Ben tinha cuidado de David pela noite, insistindo que o bebê precisava de exposição regular à influência masculina, de modo que não acabasse pensando como uma mulher. Em outra ocasião, ela teria discutido com seu irmão, mas esta noite, estava deslumbrada. Quando desceu a escada, Ben havia ido embora. – Ele precisou ir para seu trabalho noturno – disse Joshua. Maddie assentiu. – Trabalhar no bar. De qualquer forma, meu irmão fez um bom trabalho. A fralda de David não está do avesso ou nada assim.


Joshua riu, então, puxou-a para si. – Você é uma mulher incrível, Maddie. Eu nunca conheci alguém como você. – Isso é bom ou ruim? – Bom – replicou ele. – Muito bom. Engolindo um nó na garganta, Maddie confessou: – Eu sinto o mesmo em relação a você. Nunca conheci um homem que me faz… – ela fitou-lhe os olhos. – Que faz com que eu me sinta assim. – E que me faz ter esperança. E acreditar. – Você é tão honesta e generosa. – Ele balançou a cabeça, como se não pudesse acreditar que ela existia. – A maioria das mulheres quer alguma coisa


em troca – continuou Joshua. – Casamento ou dinheiro. Elas querem posse, domínio. Mas você – ele segurou-lhe o queixo –, você entende. Você não precisa ter um homem numa coleira para saber que o tem no que conta. Uma sensação estranha instalou-se no estômago de Maddie. – Numa coleira? – Sim. Você é uma mulher incrivelmente rara – afirmou Joshua. – Porque você não precisa se casar. Oh, sim, eu preciso. E pensei que você soubesse disso. Ela se sentiu como se estivesse num elevador e o cabo tivesse acabado de ser cortado. Não poderia ter


falado uma palavra nem se houvesse uma em sua cabeça. Joshua continuou falando, mas Maddie não o ouvia mais. Tinha sido enganada novamente. Seu estômago contorceu-se violentamente. Ela enganara a si mesma, outra vez. Por que tinha sido tão estúpida? Por que pensara que Joshua a veria de maneira diferente da de outros homens? Apenas porque ele era estável e confiável? Apenas porque ele a ajudara a ter seu bebê, trocara um pneu furado e ajudara-a naquela noite que David estava doente? Deus, a dor que Maddie sentia agora era profunda. Nunca sofrera assim por um homem antes. Com Clyde, ela não


confiara nele o bastante para pôr esperanças no futuro. Mas permitira-se a ter esperança com Joshua. Tinha sido total e incrivelmente tola. Ele era como qualquer outro homem, embora numa capa diferente. Ele ainda a tocava, mas ela estava fisicamente congelada e não podia sentir os toques. Observou a boca de Joshua formar palavras. Ele abaixou a cabeça, como se fosse beijá-la, e Maddie encolheu-se. Ela a fitou com expressão interrogativa. – Você está bem? Maddie piscou contra a umidade em seus olhos e assentiu. Uma mentira.


Ele beijou-a suavemente. – Vejo você na quarta-feira. Não. Ela pretendeu menear a cabeça, mas moveu-a num círculo. As refeições. Sua mente girava. O que faria sobre as refeições? – Boa noite, querida – murmurou Joshua, então virou-se para partir. Quando a porta se fechou com um ruído, ela sussurrou: – Adeus, Joshua. Sentia-se tão estúpida e furiosa que precisava quebrar alguma coisa. – Eu não vou chorar – disse a si mesma numa voz trêmula. – Eu não vou chorar.


Olhando para seus pés, ordenou que eles se movessem e andou para a cozinha, ainda repetindo como um mantra: – Eu não vou chorar. Abriu um armário, pegou um pote de vidro com geleia e jogou-o com força dentro da pia. – Ele não merece isso. Que sonhos absurdos ela nutrira. Tão absurdos que ela não os compartilharia com mais ninguém. Pegou outro pote de geleia e olhou para ele. – Meu coração não está partido. Mentirosa. Um nó se formou em seu estômago. Outro nó apertava tanto sua garganta


que sua voz soava rouca. – Está apenas arranhado – insistiu ela e quebrou o outro pote dentro da pia. Procurou por um terceiro pote de geleia, mas parou, sua mente girava num milhão de direções. – Por que eu fiz isso comigo mesma? Sentiu seu peito comprimido. Seus olhos queimavam. – Eu não vou chorar – falou pelo enorme nó fechando sua garganta. Mas suas faces estavam molhadas de lágrimas. Outra mentira. Baixando os ombros num gesto de derrota, Maddie tremeu com uma onda feroz de desapontamento. Estava desapontada consigo mesma e com Joshua. Bastava


de mentiras, pensou, enxugando o rosto e deixando as lágrimas fluírem. Já contara muitas dessas para si mesma. JOSHUA OLHOU para o frango a parmegiana e franziu o cenho. O frango estava bom, mas ele não falava com Maddie há três dias. Começava a imaginar se ela o estava evitando. – Quando você disse que ela veio? – ele perguntou para Patrick, novamente. Patrick acabou de comer uma garfada. – Eu tinha acabado de chegar em casa da escola. Ela não ficou nem um minuto aqui. – Ele deu um gole de leite. – Disse que estava com muita


pressa – acrescentou, pondo metade de um pãozinho na boca. Joshua sentiu dúvida o preenchendo. Dúvida e desapontamento. – Ela falou mais alguma coisa? As sobrancelhas de Patrick se uniram em concentração, e ele balançou a cabeça em negação. Então parou abruptamente, o rosto se clareando. – Oh, sim. Joshua experimentou uma onda de alívio, e movimentou os ombros. Um recado para ele, pensou. Uma explicação sobre onde ela estava. Uma promessa de telefonar. Patrick sorriu e comeu mais um pedaço do frango, antes de falar:


– Ela disse para colocar a gelatina na geladeira. Joshua tentou ligar para ela duas vezes por dia durante os próximos diversos dias. Se sua agenda não estivesse tão cheia, e se ele não estivesse trabalhando desde o amanhecer até o anoitecer, teria ido até a cidade para vêla. Como estava, ele mal tinha tempo para comer. Desde a primeira vez que fizera amor com Maddie, ele sonhara todas as noites, durante a noite inteira. Uma daquelas coisas inexplicáveis, disse a si mesmo. Provavelmente relacionada a hormônios. Nas últimas noites, quando dormia, tinha apenas pedaços de


sonhos, de curta duração. Não podia explicar a mudança. Certamente, não possuía tempo ou energia para tentar. Falta de energia ou de tempo, todavia, não o impedia de se perguntar o que estava acontecendo com Maddie. Na quarta-feira seguinte, ele decidiu devotar a tarde e a noite ao trabalho com papelada, de modo que estivesse em casa quando ela fosse levar a refeição. Ouviu o barulho do escapamento escandaloso muito antes que ela parasse na frente de sua casa. Ao som do motor sendo desligado, Joshua abriu a porta para oferecer ajuda, mas ela já estava andando rapidamente em direção à


varanda, o cabelo ruivo balançando com os movimentos, a saia girando ao redor das pernas delgadas. A vitalidade de Maddie era contagiosa. Ele notou um Band-Aid no tornozelo dela e tentou imaginar no que ela batera. À primeira olhada, ela fez seu coração bater mais rápido. À segunda olhada, quando ela encontrou seu olhar brevemente e quase tropeçou, como se não estivesse feliz em vê-lo, Joshua soube que alguma coisa estava errada. – Oi. Dia ensolarado hoje, não está? – murmurou ela, passando por ele. – Eu trouxe carne com batatas hoje. Bife apimentado, purê de batatas, molho


gravy e vagens. Espero que você e Patrick apreciem a refeição. Falando em Patrick, onde ele está? Seguindo-a para a cozinha, Joshua franziu o cenho. – Ele ficou depois da escola para uma aula especial de informática. Onde você… – Informática – repetiu Maddie alegremente. Um pouco alegremente demais, ele achou. – Isso é ótimo. Aposto que ele é bom com computadores. Joshua assentiu. – Sim, mas… – Eu pus o pudim na geladeira. Desculpe a pressa, mas eu preciso ir


buscar Davey, que deixei com uma babá – disse ela, e praticamente correu para a porta. – Foi bom ver… No momento que ela alcançou a porta, ele colocou-se na sua frente e bloqueou o caminho. Sentiu-se como um garanhão tentando encurralar uma fêmea nervosa. – O que está acontecendo? Ela encontrou seu olhar brevemente, então desviou os olhos e deu de ombros. – É um dia movimentado. Eu preciso ir buscar Davey. – Você recebeu os meus recados no telefone?


Ela cruzou os braços sobre o peito e respirou fundo. Pareceu estar estudando a ponta do sapato. – Sim. Joshua perguntou-se, ironicamente, para onde tinha ido a tagarelice típica de Maddie. – Você pensou em retornar os meus telefonemas? Ela fez um movimento irrequieto com os braços. – Sim. Deus, isso era tudo que Maddie tinha a dizer? – Alguma razão em particular pela qual você não os retornou? Ela assentiu.


– Sim. Joshua esperou em silêncio, mas ela não acrescentou mais nada. Ele cerrou os dentes. – Você gostaria de compartilhar o motivo comigo? Ela pausou, como se não tivesse certeza se queria compartilhar qualquer coisa com ele, a tanta hesitação o enervou. Ele praguejou baixinho. – Certo, Maddie, pare com estes jogos – disse ele, e observou a cabeça dela inclinando-se para cima. Puxou-a para si e lutou contra o impulso de beijá-la até acabar com a resistência dela. – Conte-me que diabo está acontecendo. Da última vez que eu


estive com você, nós estávamos tão próximos quanto duas pessoas podem ficar. Da última vez que estivemos juntos, fizemos amor. Os olhos castanhos finalmente encararam os seus, com uma expressão desafiadora, e, ao mesmo tempo, tão desapontada que lhe causou um vazio interior. – Eu estraguei tudo – disse Maddie, sem rodeios. – Pensei que você e eu quiséssemos a mesma coisa, mas estava errada. Eu não posso mais ficar com você daquela maneira.


Capítulo 10

JOSHUA PENSOU que teria se recuperado mais rapidamente se ela o tivesse chutado entre as pernas. Esta dor aguda, no entanto, era muito mais alta. Ele a encarou. – De que diabos você está falando? – Exatamente o que eu disse – replicou ela, e contorceu-se, como se estivesse tentando fugir dele.


Joshua instintivamente apertou suas mãos. – O que é isso sobre não querer a mesma coisa? Ela respirou profundamente. – Nós não queremos. Eu quero um relacionamento mais permanente. E pensei que você também quisesse, mas não quer. Culpa minha – acrescentou Maddie, rapidamente, numa voz suave. – Eu não estou culpando você. Não estou tentando algum tipo de truque ou querendo mudá-lo. Todavia, eu quero mais do que tive no passado. – Ela balançou a cabeça. – Tenho mais alguém em quem pensar agora. Davey.


Contentar-se. Agora, ele sabia o que Jenna Jean quisera dizer ao comentar que Maddie não ia mais se contentar. Ele praguejou silenciosamente. Ela deu um sorriso fraco e trêmulo e emitiu um som estrangulado, que ele apostava que ela pretendera como uma risada. – E me chame de louca, se quiser, mas talvez haja alguém aí fora que olhará para mim e verá mais do que divertimento momentâneo. Tudo dentro de Joshua gritou em protesto. – Você é mais do que divertimento… Ela ergueu uma mão e meneou a cabeça.


– Joshua, isso não é necessário. Sei que você está tentando ser gentil, mas eu não preciso ser tranquilizada. Eu não o culpo. Entendo o que você quer. Simplesmente, não posso dar isso, e toda esta situação é embaraçosa para mim, então eu gostaria de ir embora. – Ela desviou os olhos e esperou alguns segundos. – Por favor. Ele não podia deixá-la ir embora. Suas mãos, seu corpo e sua mente não a deixariam ir. Aquilo era mais do que inaceitável. Era insustentável. Joshua balançou a cabeça, rejeitando tudo que ela dissera. – Não. Eu…


A porta se abriu em Maddie, empurrando ambos para trás. Ele ouviu a voz de Patrick: – Cheguei! Maddie aproveitou o momento para tirar os dedos de Joshua de seus braços e afastar-se. Ele observou-a forçar um sorriso para seu filho e cumprimentá-lo. – Eu preciso correr agora. Vejo vocês dois na próxima semana. Cuidem-se. Ela passou pela porta aberta e desceu os degraus da varanda correndo. Ligou o motor, o barulho do escapamento assustando os pássaros e fazendo-os voar das árvores. Lutando contra o impulso de detê-la, Joshua cerrou os punhos, e soube, com certeza absoluta,


que acabara de deixar a melhor coisa que já acontecera na sua vida escapar pelos seus dedos. – Papai. Ei, papai – Patrick chamou pela terceira vez. – O que há com você e Maddie? Eu pensei que vocês dois estivessem… Desviando os olhos da nuvem branca de gás que o carro de Maddie deixara em seu rastro, Joshua olhou para Patrick e viu as perguntas no rosto de seu filho. – Eu também pensei – murmurou ele e fechou a porta. – Então, o que aconteceu? Você a dispensou ou algo assim? – indagou


Patrick, seguindo Joshua para a cozinha. A ironia era grande o bastante para fazê-lo se sentir sufocado. Joshua meneou a cabeça. – Não. Ela me dispensou. Os olhos de Patrick se arregalaram. – De jeito nenhum! O peito de Joshua doía, e ele sentia um vazio interior que estava determinado a categorizar como fome. – Sim. Ela me dispensou. – Nossa, papai, o que você fez? Maddie é tão legal. Ela teria de estar muito irritada para dispensar você, não é?


A verdade estava dolorosamente clara para Joshua. Maddie abrira seu coração para ele, e deixara-o entrar. Ela havia sido carinhosa, receptiva e amorosa de um jeito que ninguém fora com ele. Não tinha sido Maddie quem estragara tudo. – Eu estraguei tudo – ele falou para Patrick. Aquilo era simples. Ele girara o dado e perdera, e Joshua lutou contra o sentimento terrível, porém evidente, de que esta perda poderia ter um impacto significante no resto de sua vida. OS SONHOS de Joshua desapareceram completamente. Não havia sequer um


deslumbre de qualquer visão noturna para alegrá-lo. As noites tinham voltado a ser desertos sombrios infinitos. Era como um inverno que não acabava. Ele temia ir para a cama de noite e detestava o jeito que se sentia quando acordava pela manhã. Disse a si mesmo que havia vantagens em voltar para sua paz e quietude preciosas. Ele não estava trocando pneus na chuva. Não estava saindo para entregar chupetas para mães solteiras. Não estava perdendo horas de sono, enquanto embalava um bebê com dor de ouvido. Fazia semanas desde que os pássaros nas árvores não exibiam sinais de nervosismo diante do


barulho do escapamento do carro de Maddie, porque ela enviara as últimas refeições pelo seu irmão. Major não latia, como costumara fazer ao ouvi-la chegando. Tudo estava mais silencioso. Isso era bom, ele tentou se convencer. Gostava do silêncio. Gostava da vida calma e sem interrupções. Contudo sentia-se como uma folha seca. Maddie levara a chuva, mas também levara o sol. Ela lhe devolvera a vida, tornando-o consciente de tudo que estivera faltando para Joshua nos últimos anos. Ela lhe dera um gosto das possibilidades. Despertara-lhe desejo, então o satisfizera. Ela o fizera sentir, e


ele quase se ressentia de Maddie por isso. Não sentir tinha sido mais fácil. Era quarta-feira à noite, e Joshua ouviu o ruído da motocicleta Harley de Benjamin Palmer parando. Patrick levantou-se da mesa da cozinha e andou para a porta aberta da frente. – O que será que ela mandou desta vez? – disse ele. – Não sei – replicou Joshua, e juntou-se ao filho. Com olhos tão parecidos com os de Maddie, Ben deu a Joshua um olhar arrogante e hostil, então assentiu a cabeça num cumprimento para Patrick. – Como vai você, rapaz?


– Tudo bem. As férias começarão em algumas semanas. Não vejo a hora. Pensativo, Joshua observou os dois conversando. Tinha quase certeza de que Ben apenas não adicionara arsênio à comida por causa de Patrick. – Ela mandou frango frito com arroz. Vocês provavelmente terão de esquentar. Os brownies estão maravilhosos. Eu negociei uma travessa em troca da fazer a entrega – contou Ben, sorrindo para Patrick. – Você tem sorte – disse Patrick. – Pode comer as refeições de Maddie a qualquer momento. – Obrigado por trazer o jantar – Joshua falou para Ben. – Eu apreciaria


se você agradecesse Maddie por mim também. Ben o olhou com expressão de desprezo. – Isso não fará a menor diferença. Você estragou tudo. Joshua não piscou. – Sim, eu estraguei tudo. Os olhos de Ben se arregalaram brevemente em surpresa, então ele se virou para conversar com Patrick. Quando ele começou a ir embora, Joshua cedeu a um desejo crescente de saber como Maddie estava. – Como ela está? Ben pausou.


– Muito ocupada, mas ela sempre se enterra no trabalho quando alguma coisa a está perturbando. No momento, ela está tentando corrigir um erro na declaração de impostos do ano passado, que foi apontado por um auditor da Receita Federal. Joshua franziu o cenho. Ele tinha quase certeza de que contabilidade de impostos não era o forte de Maddie. – Ela tem um contador especializado em impostos? – Eu acho que não. Mas por que você se importa? – perguntou ele, em tom agressivo. – Tudo que você queria eram algumas rodadas de…


Ben não terminou a declaração, antes que alguma coisa explodisse dentro de Joshua e ele empurrasse o outro homem contra a parede. – Eu já lhe disse que estraguei tudo – disse Joshua, encontrando o olhar desafiador do irmão de Maddie. – Estou pagando por isso. Ela se foi, e eu acordo sabendo disso todo santo dia. Ben deu de ombros e encarou-o. – Se você está tão infeliz sobre isso, e tem certeza de que não vai magoá-la novamente, então por que não faz alguma coisa a respeito? – QUALQUER LUGAR, Exceto Tours Para a Lua – Maddie falou o nome da agência


de viagem ao telefone, desejando que pudesse ir para a lua. – Aqui é Maddie. Em que posso ajudá-lo? Depois de ter passado seu horário de almoço tentando racionalizar com o representante da Receita Federal, ela estava convencida de que o homem tinha gelo nas veias em vez de sangue. Também estava convencida de que uma das grandes mentiras americanas que acontecia o tempo inteiro era “Olá, eu sou da Receita Federal e estou aqui para ajudá-la”. Reprimindo sua ansiedade sobre o erro em sua declaração de impostos, ela ouviu ao pedido do cliente por passagens de avião, acessou a


informação, usando o teclado, depois especificou o preço: – No cartão de crédito… – Ela parou quando um copo descartável de sorvete e uma colher de plástico cor-de-rosa foram colocados sobre sua mesa, a sua frente. Ergueu os olhos lentamente, e viu um par de pernas musculosas envoltas em jeans surrados, um cinto de couro com fivela dourada, um abdome reto, peito bem definido e ombros largos. Ergueu um pouco mais a cabeça e viu Joshua olhando-a intensamente. Seu coração bombeou num ritmo frenético. O cliente ditou os números de seu cartão de crédito, mas Maddie não os


anotou. Ela balançou a cabeça e desviou o olhar de Joshua. – Desculpe-me. Pode repetir os números, por favor? Ela teve de sombrear os olhos para se concentrar, mas conseguiu anotar as informações certas e desligou. Olhou para Joshua mais uma vez, e piscou para se certificar de que não o estava imaginando. Novamente. – Oi – murmurou ela. Vinha adiando encontrá-lo, porque soubera que isso a abalaria. Tinha esperado que o tempo suavizasse o impacto. Não suavizara. – Oi – disse ele, a voz causando aquela mesma sensação maravilhosa em seu baixo-ventre.


Maddie respirou fundo e tentou não olhá-lo fixamente. – Bem, o que você está fazendo aqui? Ele gesticulou a cabeça em direção ao sorvete. – Você nunca conseguiu tomar seu sorvete naquela noite em que ficamos juntos. Ela olhou para o sorvete e lutou contra uma onda de emoção e sensualidade. A noite que eles tinham feito amor. Ela afastou o cabelo do rosto e forçou um sorriso. – Que surpresa boa – murmurou ela, e abriu a tampa do copo plástico. Creme chantilly. Um nó se formou em sua garganta.


– Por baixo da cobertura de caramelo e dos granulados de chocolate, há um pouco de sorvete – disse ele num tom de voz irônico. Como ela ia tomar aquele sorvete? Tudo que podia pensar era no gosto erótico de Joshua e em creme chantilly. Sua mente estava preenchida com a imagem de Joshua tomando-a, e ela o tomando. Extremamente cônscia do olhar dele sobre si, ela forçou-se a pôr uma colherada de sorvete na boca. – Está delicioso. – Ótimo. – Ele sentou-se da extremidade da mesa. – Será que você


iria tomar um sorvete comigo na sextafeira? Maddie se perguntara se ele apareceria novamente. Esperara por isso, temera isso e evitara isso. Até mesmo subornara Ben para que ele levasse as refeições de Joshua, de modo que ela não precisasse enfrentá-lo. Covardia? Talvez. Mas preferia ver aquilo como prudência. Apesar de nunca ter sido particularmente prudente antes, achou que seria uma boa ideia desenvolver o atributo. Até agora, aquilo ia contra sua natureza. Mas não ia desistir ainda. Tinha muito a perder.


Não somente isso, mas também estava usando três broches de anjos da guarda, debaixo de sua gola, para protegê-la da tentação. A tentação estava sentada bem a sua frente, e não era o sorvete. Ela pigarreou. – Eu não acho que seja uma boa ideia. Ele inclinou-se para mais perto. – Por que não? Joshua fez as palavras soarem íntimas; a boca dele estava perto, e ela podia ver o desejo nos olhos acinzentados. O mesmo desejo que sentia em seu interior. Seria tão fácil


erguer os lábios para que ele os tomasse. Os olhos de Joshua tinham o poder de fazê-la se derreter, a voz profunda podia dissolver sua resolução. Ele era o melhor e pior tipo de tentação. Não me conduza em direção à tentação, Maddie rezou com desespero. Eu não tenho o menor problema em chegar lá sozinha. Ela respirou profundamente e recuou. – Porque você tem o péssimo hábito de derreter meu – tudo, pensou. Você derrete tudo em mim. Mas Maddie olhou para sua sobremesa se desintegrando e disse: –, sorvete.


NO SÁBADO de manhã, Maddie estava com o som ligado na altura de um show ao vivo. Se ela precisava rever sua declaração de impostos pela décima vez, então U2 poderia ajudá-la no processo. Ela programou o balanço de Davey para balançar por vinte minutos, e, de vez em quando, fazia cócegas nos pezinhos dele e dava-lhe beijos barulhentos nos dedos. Estava manuseando velhos recibos e cheques cancelados quando alguém bateu a sua porta da frente. Maddie ponderou se atendia ou não. Até agora, uma instituição beneficente e duas organizações religiosas a tinham solicitado. Mal-humorada, ela levantou-se e abriu a porta.


Joshua e um homem jovem estavam na sua varanda. O olhar de Maddie focou-se em Joshua, e ela sentiu o familiar friozinho na barriga. O que ele estava fazendo lá? Depois de recusar a oferta dele por sorvete e por qualquer outra coisa que ele pudesse ter em mente, ela assumira que ele não fosse voltar lá. Afinal de contas, Joshua podia ter quantas mulheres quisesse. O fato não fez nada para melhorar seu humor. Irritada que teria de mandá-lo embora de novo, Maddie pensou sobre seus anjos da guarda e franziu o cenho. Ela estava fazendo o possível para lutar


contra seu desejo por Joshua, e um pouco de ajuda seria bom. A boca de Joshua estava se movendo, mas ela não podia ler as palavras nos lábios dele. – Perdão? – disse ela. Com um meio sorriso irônico, ele balançou a cabeça e passou por ela, a fim de abaixar o volume no seu aparelho de som. – Eu soube que você está tendo problemas com sua declaração de impostos, então eu trouxe um amigo que pode ajudar. Este é Roger Hensley. Ele é meu contador de impostos. Confusa, ela hesitou, olhando de Joshua para Roger. Estendeu a mão.


– Obrigada. Muito prazer em conhecê-lo. – Maddie não tinha ideia de como agir com relação a Joshua. Aquilo ia muito além de um convite para tomar um sorvete. Era um gesto de consideração. Ela podia quase acreditar que era realmente importante para ele. Seu coração se inchou com esperança, e ela ralhou consigo mesma. Já havia sido enganada antes. – Maddie – disse Roger. – Você se importa em me deixar dar uma olhada na sua declaração? Dividida apenas por um segundo, ela meneou a cabeça. – Em absoluto. Eu ficaria muito grata… – Ela parou quando Joshua


capturou seu olhar. A tensão era palpável entre eles. Houvera gratidão e muito mais, mas ela não tinha condições de rejeitar uma oferta de ajuda neste estágio. – Eu gostaria muito disso – acrescentou ela, então foi coletar os formulários. Duas horas depois, Roger tinha feito sua mágica em contabilidade e corrigido sua declaração. Ele deu-lhe um cartão pessoal e despediu-se. – Se o gladiador da Receita tiver alguma dúvida, pode dizer para ele me ligar. Ela ofereceu pagá-lo, mas ele levantou as mãos e assegurou-a que aquilo já estava coberto. Depois que ele


partiu, ela voltou-se para Joshua, que estava segurando Davey enquanto o bebê dormia. A imagem emocionou-a, relembrando-a de seus desejos e sonhos secretos, relembrando-a de suas tolas esperanças. Ela tentou bloquear seus sentimentos. Era quase impossível. – Foi muita gentileza sua – disse ela. – Por que você fez isso? Joshua pareceu momentaneamente desconfortável. – Você precisava de ajuda. Não foi difícil arranjar. Maddie assentiu com um movimento de cabeça e pegou Davey de Joshua.


– Nada de mais? – perguntou ela numa voz baixa. – Nada de mais conseguir um contador especializado em impostos para trabalhar a domicílio num sábado de manhã? Ele deu de ombros. – Ele é um velho amigo. Um bom sujeito. – O que você ofereceu a ele? – Quando Joshua deu a impressão de que ia negar aquilo, ela o interrompeu, antes que ele abrisse a boca. – E não minta. – Desconto no serviço de garanhão para a égua dele. – Os olhos acinzentados brilharam com insinuação


sexual. – Não se preocupe, Maddie. Ninguém vai sofrer. Ela gemeu e afastou-se, levando Davey para seu berço. Sua mente estava girando. Por que Joshua a estava ajudando? Aquilo não fazia sentido. Ele deixara claro que a queria apenas para divertimento. Maddie deixara claro que precisava de mais, agora. Então, por que ele estava brincando com ela? Por que estava fazendo coisas por ela? Retornando à sala, Maddie o confrontou. – Eu apreciei muito a ajuda de seu amigo com meu imposto, Joshua. Mas não entendo porque você foi me ver no


trabalho outro dia, ou porque veio aqui hoje. Ele aproximou-se. – Eu senti a sua falta. Aquele friozinho percorreu a barriga de Maddie. – Sentiu? – Ela ouviu o tom surpreso em sua própria voz e pigarreou. – Sim. – Ele levantou uma mecha de cabelo do rosto dela. – Você sentiu a minha falta? – perguntou numa voz baixa e sexy. Muita. Ela engoliu em seco. – Eu… eu achei que seria melhor se nós não nos víssemos mais. Joshua assentiu e se moveu para mais perto ainda.


– Eu discordo. Maddie deu um passo atrás, tentando criar algum espaço muito necessário entre eles. – Nós queremos coisas diferentes. Você quer divertimento. Eu preciso… Ai! – O salto dela bateu contra o rodapé. – Você me apressou – murmurou ele num tom suave. Maddie o fitou em confusão. – Eu apressei você? – Eu tinha acabado de começar, e você decidiu que estava acabado. Apesar da proximidade de Joshua, ela tentou manter a mente clara. – Eu achei que seria melhor…


– Melhor para quem? – demandou ele, trilhando a ponta dos dedos ao longo do braço desnudo de Maddie. Ela ignorou a sensação de formigamento. – Melhor para nós dois. – Não para mim – discordou ele, e inclinou a boca para a sua. Ela abaixou a cabeça e conseguiu esquivar-se. Com muita dificuldade. Oh, Deus, podia quase sentir o gosto dele, pensou, fechando os olhos por um segundo. Joshua usou uma tática diferente e roçou os lábios sobre sua franja. – Eu senti a sua falta. Quero saber se você sentiu a minha também.


O coração de Maddie se apertou. Temia dizer sim para ele, temia que aquilo precipitasse uma série de outros sins nos quais ela nem mesmo deveria estar pensando. – Isso não importa realmente – insistiu ela. – Nós queremos coisas distintas. – Almoce comigo – convidou ele, abaixando a boca para o pescoço dela. Maddie meneou a cabeça. – Não. – Diga que você sentiu a minha falta. – Não. – Ela sussurrou a mentira e reprimiu um gemido, quando ele pressionou-se contra seu corpo desde seu peito até as coxas. Ele era forte, e a


sensação de tê-lo junto a si era tão certa. Mas aquilo era tão errado. Maddie empurrou-o e passou por baixo do braço de Joshua, levantando uma mão num sinal de impedimento quando ele começou a andar na sua direção. – Nós não estamos nem perto de acabar isso – declarou ele, determinação estampada no rosto. O poder da autoconfiança de Joshua poderia tê-la intimidado, se Maddie não tivesse sua própria força de vontade feroz. Ela desconfiava, todavia, que iria precisar de mais do que três anjos de metal se quisesse manter sua posição firme.


Ergueu o queixo. – Você não vai dar todas as ordens, Joshua. É preciso dois para fazer este tipo de jogo. E eu não quero mais brincar com você. Os olhos acinzentados a percorreram com expressão possessiva. – Então, eu terei de mudar isso, não é? E, minha querida, aqui vai um aviso. Eu mal comecei. Ele saiu porta afora, deixando Maddie se perguntar quando o homem bom e antiquado tinha se transformado no próprio demônio.


Capítulo 11

NO

que Joshua saiu do estábulo, Maddie estava indo embora, dirigindo para longe da casa, para longe dele. O escapamento zumbia como uma abelha mutante gigante. Mesmo na chuva, ele podia ver o gás saindo do escapamento. Jogou seu rastelo no chão e praguejou. Sua MOMENTO


melhor oportunidade, em dias, para encontrá-la, e ele acabara de perdê-la. O ruído do motor dela aumentou abruptamente, e ele estreitou os olhos. Joshua correu para o caminho de acesso e viu um objeto deitado na estrada. Apesar de seu mau humor, riu quando o identificou. A noite ainda podia virar para ele. Pegando o caminho de acesso para sair da fazenda de Joshua, Maddie pisou no acelerador e franziu o cenho diante do barulho alto que seu motor fez. Ela não conseguia ouvir o rádio. Não conseguia ouvir seus próprios pensamentos. Olhou para Davey. Ele parecia estar dormindo.


Maddie supunha que alguns poderiam dizer que ela agira como uma covarde, fugindo da casa de Joshua tão rapidamente. Mas ela discordaria. Estava tentando ser prudente mais uma vez. Covarde. – Prudente – repetiu ela em voz alta, mas mal conseguiu se ouvir. Continuou dirigindo pela estrada quando uma sirene soou. Olhando pelo espelho retrovisor, Maddie encolheu-se, e imediatamente checou o velocímetro. Ela não estava acima da velocidade permitida. O que poderia estar errado? Ela parou no acostamento e esperou, uma sensação de medo instalando-se


em seu estômago. Nunca lidara bem com figuras de autoridade. O policial andou para a lateral de seu carro. Ele inclinou o chapéu num cumprimento. – Senhora, está ciente de que é ilegal operar um veículo sem escapamento? Confusa, ela meneou a cabeça. – Mas eu tenho um escapamento. Eu sei que tenho. Eu sei… O policial sorriu e meneou a cabeça. – Não, você não tem, e eu lhe darei uma multa. – Mas… Uma caminhonete parou ao seu lado no acostamento. A caminhonete de


Joshua, Maddie percebeu. Ela não sabia se devia se abaixar ou se sentir aliviada. Descendo, ele tirou um objeto longo e enferrujado da caçamba. – Procurando por isto? – ele perguntou para Maddie, com um sorriso presunçoso. – Como vai, Abel? – acrescentou para o policial. – Dia lento quando você pega mães jovens com bebês, não é? Abel fez uma careta. – Ela é mãe? Oh, eu não vi o bebê aí dentro. – Ele guardou o bloco de multas de volta no bolso. – Esse é o escapamento dela? – Sim, caiu do carro quando ela saía da minha fazenda.


– Tudo bem, Josh. Certifique-se de que seja consertado. Não me deixe pegá-la sem o escapamento novamente. Boa noite, senhora – ele falou para Maddie, então voltou para a viatura policial. – Machista – resmungou ela, baixinho, e encontrou o olhar de Joshua. – Pode devolver meu escapamento, por favor? – Claro – replicou ele, colocando o metal enferrujado no banco de trás do carro de Maddie. – Mas se outro policial pará-la, você provavelmente vai receber uma multa. Ela afastou os cabelos do rosto em frustração.


– Como eu vou encontrar uma oficina mecânica para consertar isso agora? Ele inclinou-se contra a janela. – Eu conheço um sujeito que pode estar disposto a consertá-lo para você esta noite. Maddie estava cética. – E me cobrar um braço e uma perna? Joshua meneou a cabeça. – Não mais do que você pagará na cidade amanhã. – Guie-me – disse Maddie. Os lábios de Joshua se curvaram num sorriso travesso. – Você pode jantar conosco.


Uma onda de nervosismo a assolou. Por que ele a fazia sentir como se ela fosse o jantar? Uma hora mais tarde, depois que eles tinham acabado de jantar, e Patrick desaparecera dentro do quarto para fazer sua lição de casa, Maddie pôs Davey para tirar uma soneca num cobertor. Ela estivera receosa em deixálo lá, com Major sempre por perto, mas o cachorro agia como se fosse o trabalho dele vigiar o bebê. Ele sentou-se e observou, então após alguns minutos, fechou os olhos. Joshua chamou-a para a varanda da frente.


– Venha, você pode pela porta. Parou de chover. Cansada de lutar contra ele, Maddie desistiu de fazer isso pela noite. Ela não ficaria muito mais tempo, porque seu escapamento seria consertado, e ele não avançara nela durante o jantar. Ela olhou para as estrelas brilhando no céu e respirou fundo. – É realmente lindo aqui. Você não tem de enfrentar as luzes da cidade. Ele aproximou-se e parou atrás dela. – Sim. Isso me lembra daquela noite que estávamos juntos no morro – murmurou Joshua. O baixo-ventre de Maddie se contorceu com a memória. Joshua tinha


sido carinhosamente persistente pelo prazer dela. Ele a abraçara como se nunca quisesse soltá-la, amara-a como se ela fosse a mulher mais importante do mundo. Ele a deixara atordoada de prazer. Ela sentiu a mão dele em seu cabelo e prendeu a respiração. – Eu nunca quis uma mulher como quero você, Maddie. Ela engoliu em seco, apesar do nó na garganta. – Faz muito tempo para você – murmurou ela. – Isso é tudo. Joshua deu uma risada seca. – Seria muito mais fácil se isso fosse tudo. – Ele circulou sua cintura com um


braço, virou-a de frente para si e puxou-a contra seu corpo. – O que você pensaria se eu lhe dissesse que passei anos sem sonhar? Ela sabia que deveria distanciar-se, mas aquela declaração a distraiu, a surpreendeu. Inclinou a cabeça para olhá-lo. – O quê? – O que você pensaria se eu lhe dissesse que passei anos sem sonhar? Maddie balançou a cabeça. A ideia era difícil de compreender. – Eu não consigo imaginar isso. Como uma pessoa pode não sonhar? Você vai para cama, à noite, e sonha.


– Não eu – disse ele, e entrelaçou os dedos no cabelo dela. – Eu não sonhei durante anos. – Mas isso mudou? – Sim. – Ele continuou acariciandolhe o cabelo. O toque era tanto tranquilizador como sensual, e ela o faria parar. Num minuto. – Quando você sonhou novamente? – A primeira vez? Ela assentiu, e os dedos de Joshua deslizaram para seu pescoço, fazendo-a tremer por dentro. Era fácil e difícil, ao mesmo tempo, ser abraçada por ele. Fácil, porque a sensação era boa e certa. Difícil, porque Maddie sabia que não deveria sentir assim.


– A primeira vez que eu tive um sonho foi quando você me beijou por eu ter trocado seu pneu. O coração de Maddie parou de bater. – O quê? Ele encontrou-lhe o olhar, enquanto deslizava a mão um pouco mais para baixo. – Eu sonhei na noite que você me beijou. – Com o que você sonhou? A expressão de Joshua foi um misto de desgosto e incredulidade. – Ranúnculos amarelos. Ela não pôde suprimir uma risada leve.


– Como foi a sensação de sonhar novamente? – Eu gostei, mas não sonhei mais, até que você me beijou de novo. Uma ponta de dúvida se instalou na cabeça de Maddie. – Isso é estranho – disse ela. – Mas é sério – murmurou Joshua. – Eu pensei que tivesse sido coincidência, até que aconteceu outra vez. Muito estranho. Ela estava dividida. Ele soava tão cético quanto ela se sentia. Prendendo-lhe o olhar, Joshua deslizou os dedos por baixo do decote de sua blusa, para seus seios.


– Oh, Maddie, você não tem ideia do que faz comigo. Ele abaixou a cabeça e brincou com um mamilo. Ela deveria estar dizendo não neste exato momento, pensou, mas sua boca estava se abrindo para ele, sua língua entrelaçando com a de Joshua numa carícia íntima. Ela deveria estar empurrando a mão dele para longe, mas seus seios estavam inchados e florescendo sob o toque de Joshua. Maddie sentiu como se uma chuva de meteoros estivesse caindo em seu interior, e ela não queria que parasse. Se tivesse superpoderes, poderia ter se afastado imediatamente, mas Maddie


sempre fora extremamente humana. Nunca tão humana quanto agora. – Oh, Maddie, eu quero você – murmurou ele contra sua boca. – Eu quero você de volta. Nos fundos de sua mente, ela ouviu uma voz, Engane-me uma vez, a culpa é sua. Engane-me duas vezes, a culpa é minha. Com o coração apertado, dúvidas preencheram sua mente. – Você me virou de ponta-cabeça – disse Joshua, beijando-lhe o pescoço, ainda brincando com seus seios. – Fazendo-me sonhar, depois me fazendo parar de sonhar quando cortou a conexão.


– Eu cortei a conexão? – repetiu ela, arfando e buscando algum fiapo de sanidade. Estava dividida entre medo e excitação. – Oh, sim. Na primeira vez que fizemos amor, eu sonhei a noite inteira. Quando você me dispensou, os sonhos pararam completamente. Maddie recuou um pouco e olhou para Joshua. Sua cabeça estava girando. Sentia-se como se estivesse numa gangorra e não soubesse para que lado ir. Acreditar ou não acreditar. Ele parecia digno de confiança. Parecia estar falando a verdade. Mas ela já tinha sido enganada uma vez.


– Está me dizendo que você não sonha desde que nós fizemos amor? – perguntou Maddie, observando-o com atenção. Ele meneou a cabeça lentamente. – Algumas visões rápidas e vagas, mas não sonhos de verdade. Eu não sonho em absoluto desde que estivemos juntos sob as estrelas. Maddie simplesmente não conseguia acreditar que podia ter esse tipo de impacto num homem, muito menos num homem como Joshua. – Parece que você não acredita em mim – observou ele. – Eu estou com dificuldade de acreditar – confessou ela. – Você sabe


como isso soa? Ele inclinou-se contra o parapeito e cruzou os braços sobre o peito. – Como? – Como a “cantada” mais original para conseguir seduzir uma mulher que eu já ouvi. – ORA, ORA, se não é sr. Tolo – disse Jenna Jean Anderson, olhando-o com uma expressão de superioridade. Joshua engoliu um suspiro. Não um começo auspicioso, pensou. Ele não estava chegando a lugar algum com Maddie, e o pensamento de não tê-la em seu futuro era insuportável.


– Eu preciso da sua ajuda – murmurou ele sem rodeios. Os olhos dela se arregalaram um pouco. – Ajuda? Por que eu o ajudaria? Você magoou minha amiga. Você – continuou ela, apontando um dedo para ele –, sr. Dono da Fazenda de Cavalos… – Eu estraguei tudo – disse ele, terminando por ela. – Maddie foi a melhor coisa que já me aconteceu, e eu a quero de volta. – Joshua encontroulhe o olhar duvidoso, sem piscar. – Eu acho que, no fundo, no fundo, ela também me quer. Você vai me deixar entrar ou não?


Jenna Jean hesitou por um longo momento, então abriu mais a porta. – Se você fizer eu me arrepender disso, eu encontrarei um jeito de torturá-lo pelo resto de sua vida. – Eu não duvido – replicou ele, mas entrou na casa. Sente-se. – Ela gesticulou em direção ao sofá. – Eu não falo com Maddie há alguns dias. O que você fez até agora? Sem humor para se sentar, ele andou de um lado para o outro. – Eu levei sorvete no trabalho de Maddie, consegui um contador especializado em impostos para resolver os problemas da declaração dela, e


impedi que ela levasse uma multa ao perder o escapamento do carro. Jenna emitiu um som de desgosto. – Maui ataca novamente. – As feições dela se clarearam. – Eu estou impressionada com o contador especializado em impostos. Boa atitude. – Obrigado. Não funcionou. – Quando você se desculpou… – começou Jenna, e devia ter lido sua expressão, porque parou e fez uma careta. – Oh, não, você não se desculpou. Joshua abriu as mãos no ar. – Pelo que eu devo me desculpar? Tudo que fiz foi dizer-lhe que ela era uma mulher incrível e que era especial,


porque não precisava de casamento. – Ele meneou a cabeça. – Como eu deveria saber que Maddie estava pensando em alguma coisa permanente? Jenna suspirou. – Eu preciso de vinho. Você quer uma taça? – Não. Eu já tentei uísque. Não resolve. Jenna desapareceu dentro da cozinha e voltou com uma taça. Sentou-se numa poltrona. – Você pode se sentar, por favor? Joshua relutantemente sentou-se. – Tudo bem, vamos por partes. Primeiro, o pedido de desculpas.


Mesmo se você não acha que disse qualquer coisa errada, pode se desculpar por ter magoado os sentimentos de Maddie. – Ela deu um gole do vinho. – Há também a questão de como você se sente sobre um compromisso, sobre um relacionamento permanente. – Eu quero Maddie na minha vida. – Por quanto tempo? – perguntou Jenna, estudando-o cuidadosamente. Joshua tinha feito esta pergunta a si mesmo. A ideia de assumir um compromisso, mesmo em sua mente, quando Maddie mal aceitava seus telefonemas lhe causava apreensão. Na


maioria das situações, ele preferia limitar suas apostas. – Isso é alguma coisa que Maddie e eu teremos de descobrir – respondeu ele. Jenna arqueou as sobrancelhas, e pareceu estudá-lo mais uma vez. – Eu vou lhe contar uma coisa sobre Maddie. Ela nunca teve um homem que a cortejasse. Talvez ela negue que deseja uma coisa dessas, mas se fizer isso, não estará falando a verdade. Ela ficou com Clyde por um longo tempo, mas ele nunca se incomodou em descobrir o que Maddie queria. A mente de Joshua foi imediatamente para as pequenas


indiretas que Maddie, sem querer, lhe dera durante as diversas conversas deles. Lembrando-se de uma em particular, ele praguejou baixinho e meneou a cabeça. – O que houve? – Eu não sei tocar um chocalho, muito menos um violão. MADDIE CANTAVA juntamente com Bryan White e alimentava Davey com seu primeiro cereal de arroz. Ela não podia dizer se ele estava gostando ou não, uma vez que a maior parte estava nas mãozinhas e no rosto gorducho. Infelizmente, ele também a sujara um pouco com o cereal. Ainda bem que era


domingo de manhã, e ninguém a veria em seu estado atual. Ela prendera o cabelo num rabo de cavalo e usava uma camiseta velha e shorts jeans. Observando os olhos de seu filho dançarem, e os pés chutarem o ar, ela sorriu. A personalidade vibrante de Davey estava se tornando mais aparente a cada dia. Inteligente e curioso, ele era um bebê feliz, mas possuía uma característica de teimosia. Não dormia muito. Maddie suspeitava que ele não queria perder nada. Ela adorava quando ele emitia sons. Estava certa de que ele teria um dom musical. E poderia agradecer Clyde por isso. E agradecia as suas estrelas da


sorte que tinha dado a luz ao seu filho. Ele era a alegria de sua vida, a razão para ela acordar pela manhã, e, ultimamente, colocar um pé na frente do outro. Seu sorriso desapareceu. Aquele era um jeito horrível de criar um bebê, pensou. Não seria sempre assim, disse a si mesma. Ela nem sempre sentiria uma dor tão aguda ao pensar em Joshua. Logo pararia de pensar nele 23 das 24 horas do dia. Não se lembraria do modo como ele a abraçara, e de como ele a fizera se sentir, como se ela fosse importante, até mesmo vital. Não pensaria nos sonhos loucos que vinha tendo com ele.


Logo, Maddie repetiu para si mesma. Logo. A campainha tocou, interrompendo seus pensamentos. Dando uma olhava para o relógio, ela imaginou se era Ben, que tinha vindo para tomar café da manhã. Então, Maddie rapidamente pôs o bebê de volta no berço, antes de se dirigir para a porta. Abriu a porta para Joshua. A mera visão dele já era uma surpresa suficiente, mas rosas? Ela olhou para as flores, para ele, então de volta para as flores. Teve de controlar o impulso de perguntar: “Quem morreu?” Elas não podiam ser para ela, tentou dizer a si mesma, porém, nenhuma outra razão


lógica lhe veio à mente. Seu coração começou a disparar. Joshua estreitou os olhos. – O que você tem no seu cabelo? Maddie levantou a mão e sentiu o café da manhã de seu filho. – Cereal de arroz. Ele deu-lhe um olhar zombeteiro. – Novo tratamento de beleza? Ela meneou a cabeça. – Engraçadinho. Por que você está aqui? A expressão de Joshua tornou-se mais intensa. – Para ver você. Com um friozinho na barriga, Maddie respirou fundo.


– Para me ver – disse ela com ceticismo. – Usando cereais de arroz. – Certamente, você não está surpresa – replicou ele, passou por ela e entrou na casa. Sem ser convidado. – Eu apreciei vê-la com outros alimentos no corpo. Na verdade, recordo-me de tê-la visto usando nada, exceto… – A voz parou, enquanto os olhos dele percorriam-na. Creme chantilly. Maddie experimentou outro friozinho na barriga enquanto fechava a porta da sala. Apesar de todas as suas tentativas de negar e esquecer, sabia que jamais esqueceria o dia do creme chantilly.


– Estas são para você. – Ele ofereceulhe as flores. Sentindo um misto de prazer e desconforto, ela pegou as rosas e cheirou-as. Aquela era a primeira vez que ganhava flores de um homem. Não sabia exatamente como responder. – São lindas – murmurou Maddie. – E inesperadas. O que deu em você? – Um lembrete de minha afeição – disse ele com o semblante sério. O coração de Maddie se apertou. – Obrigada. Eu vou colocá-las na água. – Ela foi para a cozinha, e Joshua a seguiu. – Eu preciso me desculpar – ele falou para suas costas.


Maddie quase derrubou o vaso de vidro. Com a água da torneira correndo, ela virou-se e olhou para ele. – Perdão? – Eu preciso me desculpar por ter magoado você. Não foi minha intenção. Simples, porém dolorosamente sinceras, as palavras dele tocaram seu coração. Ela respirou fundo. – Eu nunca achei que você pretendesse me magoar. Eu apenas interpretei seus sentimentos de maneira errada. – Ela fechou a torneira e tentou se recompor. – Apenas percebi que nós estávamos indo em direções diferentes. Ele inclinou a cabeça para um lado.


– Você realmente pensa assim? Que nós estamos indo em direções diferentes? Maddie piscou. – Bem, sim. Eu estou procurando alguma coisa permanente. Você não. – Ela repetiu as mesmas palavras para si mesma três vezes. – Eu acho que você pode estar errada. – Não – replicou Maddie, imediatamente. – Não estou. – Acho que nós dois gostaríamos de descobrir o que queremos um com o outro. – Joshua se aproximou e segurou-lhe o queixo. – Eu acho que você ainda quer estar comigo.


Maddie fechou os olhos e gemeu. – Quando você vai parar? Ele puxou-a contra si, e ela sentiu a força sólida e a excitação viril. Por que tinha a sensação de que se encaixava neste homem como uma segunda pele? Por que seu coração brigava com sua mente para se aproximar dele? Ele deslizou a boca aberta sobre seus lábios, tentando-a, prometendo-lhe o céu. – Eu não vou parar até ter você – declarou Joshua, suavizando o golpe de sua ameaça sensual com um beijo. Maddie o beijou de volta, e as carícias deles rapidamente saíram de controle. Ele deslizou uma das mãos


para os shorts dela, e, com a outra mão, guiou-a, de modo que ela o tocasse intimamente. Nós não deveríamos fazer isso. Maddie ouviu a frase em sua cabeça, mas tinha falado em voz alta? Dedos másculos massagearam seu centro úmido. Ele friccionou seu ponto sensível de prazer, e ela sentiu-se inchar de dentro para fora. Desejando-o loucamente. – Joshua – disse ela, sabendo que deveria pôr um fim naquilo. – Não me faça parar. É tão bom sentir você – murmurou ele. – Pode pôr a culpa de tudo em mim – acrescentou, e mordiscou-lhe o lábio inferior. – Eu


preciso sentir você atingindo o clímax em minhas mãos. Aquilo foi tudo que precisou. As palavras e voz de Joshua afetaram-na como se ele estivesse nu e em seu interior. Maddie subiu ao topo e estremeceu em êxtase, até que tombasse sobre ele. – Oh, Maddie, você é incrível. É tão linda. Não tem ideia de como é linda. Não tem ideia do que faz comigo – disse ele, abraçando-a apertado. Os joelhos de Maddie ainda tremiam. Ela sentia-se dividida em duas. Era como se seu corpo soubesse que pertencia a ele, mas sua mente se recusasse a permitir isso.


– Oh, Joshua, isso é loucura – sussurrou ela, ofegante, e ficou mortificada aos sentir lágrimas ameaçadoras atrás dos olhos. Engoliu um nó na garganta. Fechando os olhos com força, ela abaixou a cabeça contra o peito largo. A força de Joshua, as batidas do coração e o cheiro dele lhe eram tão familiares que pareciam ser como uma parte sua. – Eu não quero me enganar novamente – disse ela. – Quando estou com você, sinto-me um pouco descontrolada. – Balançando a cabeça, obrigou-se a encará-lo. – Isso é assustador. Eu não quero me sentir estúpida por acreditar que as coisas


podem dar certas quando isso não acontecerá. Ele permaneceu em silêncio por um longo momento, os olhos acinzentados se movendo como nuvens de tempestade. – Cada um tem suas próprias dúvidas com as quais lidar – ele finalmente falou. – Só existe uma solução. – A voz profunda era firme, quase dura. – Você precisa me encontrar no meio do caminho. A garganta de Maddie se apertou, porque ela temia que o conceito de Joshua de um encontro no meio do caminho seria como saltar para o outro lado do Grand Canyon.


Capítulo 12

ALGUMAS NOITES depois, Joshua estava sentado no morro de Maddie. Sim, ele era dono da propriedade, mas alguma parte louca sua decidira que Maddie possuía o morro. Ele pensou sobre sua vida, seu coração, e imaginou se ela possuía mais do que o morro. Joshua não passara os últimos doze anos procurando, em sua alma, o


motivo pelo qual a mãe de Patrick tinha morrido. Estivera muito ocupado construindo seus negócios, e muito sem noção de como criar um filho, sozinho, para mergulhar em análises profundas. Ultimamente, todavia, ele vinha refletindo muito, e algumas dessas reflexões não eram agradáveis. Questionava se, no fundo, tinha se culpado pela morte de Gail. Como aluno do último ano do ensino médio, fora Joshua quem a convencera de fazer amor com ele dentro do carro. E fora ele quem esquecera sobre contracepção. Havia sido Gail quem pagara. A injustiça daquilo o chateava. Por que ela tivera de morrer? Por que tudo


dera tão errado? Por que Patrick tivera de crescer sem uma mãe? Os pensamentos faziam seu peito se sentir pesado com tristeza. Ele lembrouse de viver carregando esse peso por anos, mas de estar sempre muito ocupado para descobrir a fonte do mesmo. Agora, sabia. E a razão pela qual sabia era Maddie. Ela fizera o peso desaparecer. Ela lhe dera esperança. Conseguira com que ele sentisse o sol e o gosto da chuva. Joshua ansiava por sua presença. Ela falava sobre ter medo. Ele ria sem humor. Se Maddie soubesse o quanto ele a desejava, provavelmente morreria


de medo. A intensidade de seus sentimentos certamente o perturbava. Por muito tempo tinha sido seguro não se envolver, deixar sua vida e seu coração trancados. Tinha sido um alívio não sonhar ou não sentir muito. Agora, todavia, era como se Maddie tivesse lhe mostrado outro mundo, e Joshua não queria partir. Sorriu para si mesmo. Não importava quão arduamente ela tentasse mandá-lo embora de sua vida, pensou ele, olhando para a escuridão, ele a queria. Um momento se passou, e ele viu Patrick andando na sua direção. De sua posição sentada na grama, Joshua estava especialmente cônscio da altura


de Patrick. Para onde os anos haviam ido?, perguntou-se, mas não vociferou o pensamento. Embora Joshua não tivesse satisfeito todas as necessidades de seu filho, tinha a satisfação de saber que fizera o melhor possível, e que Patrick crescera com equilíbrio emocional. Para sua idade, ele era um garoto responsável e sensato. Digno da confiança e do respeito de seu pai. Quando Joshua olhou para Patrick, pensou que talvez não tivesse estragado tudo no fim de contas. O olhar de seu filho era curioso. – Você recebeu um telefonema de uma mulher com o sobrenome de


Randolph. Ela diz que a égua dela está no cio. Joshua assentiu. – Ela está adiantada, mas nós podemos lidar com isso. Patrick enfiou as mãos nos bolsos. – Então… o que você está fazendo aqui em cima? Os lábios de Joshua se curvaram. Ele sabia que estava agindo de modo estranho. – Ouvindo – replicou ele. – Olhando para as estrelas. Patrick o olhou. – Oh. – Ele ergueu os olhos para as estrelas, então, voltou-os para Joshua. –


Isso tem alguma coisa a ver com Maddie? Joshua inclinou a cabeça para um lado. Seu filho tinha bons instintos. – Sim. Eu tenho pensado muito em Maddie ultimamente. – Você vai se casar com ela? Os músculos de seu pescoço estavam tensos, e ele massageou-os. – Eu ainda não decidi. – Você a ama? Joshua pausou por um momento. Ainda não estava exatamente feliz com a verdade. – Sim, eu acho que a amo. – Você acha que ela o ama? O coração de Joshua amoleceu.


– Sim, eu acho que ela me ama, filho. – Ele encontrou os olhos inquisitivos de Patrick. – Mas, às vezes, é preciso mais do que amor. Patrick deu de ombros, como se não entendesse. – Bem, se você decidir se casar com ela, eu gosto de ter Maddie por perto. Joshua reprimiu um sorriso. – Tem certeza? E quanto a Davey? Bebês fazem muito barulho. Patrick balançou a cabeça. – Ele é um bebê bonzinho. Não muito chorão. E só regurgita um pouquinho. – Isso é verdade, mas Maddie é mulher, e quando as mulheres se


mudam para uma casa nova, elas gostam de modificar as coisas. Os olhos de Patrick se estreitaram em cautela. – Que tipo de coisas? Joshua pensou em sua vida anterior. – Oh, elas espalham perfumes e maquiagem pelo banheiro inteiro, e gostam de pôr enfeites na casa toda. Elas se aborrecem quando você deixa meias no chão e gostam que você arrume seu quarto em bases regulares. Patrick ficou silencioso por um longo momento. – Uma vez que você tem um banheiro máster, ela provavelmente colocará perfumes e maquiagem no seu


banheiro. Quanto aos enfeites, eu não me incomodo, mas nós teríamos de conversar sobre arrumar meu quarto. – Ele deu um sorriso ardiloso. – Talvez por brownies. Joshua riu. – Você está aprendendo coisas com Ben. – Ben é legal – disse Patrick. – Falando em Ben, ele… me deixou dirigir a motocicleta dele. Joshua arqueou as sobrancelhas. Patrick sabia que Joshua não gostava da ideia de ele dirigir uma moto ainda. – Ele deixou? – Sim. Eu fui supercuidadoso – ele apressou-se em dizer. – Usei um


capacete, e não dirigi rápido ou algo assim. Eu tenho outra aula de informática, depois da escola, amanhã, e queria pedir para dirigir a sua moto para a escola. A resposta automática de Joshua era não, mas então, ele viu a esperança não disfarçada no rosto de seu filho. Patrick era um bom menino. Digno de confiança. Joshua respirou fundo. – Isso não será uma ocorrência regular – disse ele. – E… – Certo, certo! – gritou Patrick, empolgado. – Papai, você não vai se arrepender disso. Eu serei muito cuidadoso.


– É melhor que seja. – Joshua se levantou. – Use o capacete. – Eu usarei. – E dirija de maneira defensiva, porque pessoas não veem motocicletas tão facilmente quanto veem carros. – Eu sei. – Mantenha distância dos outros veículos, e não se exiba – continuou Joshua. – Mesmo se as garotas estiverem observando. Patrick apenas sorriu. – Não irei me exibir. JOSHUA ENTROU pela porta da frente no exato instante que Maddie saiu da cozinha. Ela arregalou os olhos em


surpresa. Ela obviamente obtivera uma chave com Patrick, e estava tentando escapar sem encontrá-lo. – Com pressa de novo? – perguntou ele suavemente, inclinando-se contra a porta. Ela endireitou sua postura. – Não muita pressa – replicou Maddie. – Eu sabia que você estava ocupado com as coisas dos garanhões e das éguas no cio… – ela gesticulou as mãos no ar. – Então, eu não queria interromper sua programação. Por que não?, pensou Joshua. Você interrompeu tudo mais. Quando ele não disse nada, Maddie perguntou:


– Foi tudo bem? As éguas foram cooperativas e os garanhões estavam… – Ela tremeu. – Os garanhões estão sempre prontos – disse Joshua, pensando em como o reino animal espelhava os rituais do ato sexual humano. – Normalmente não temos muitos problemas com as fêmeas, a menos que alguém tenha se confundido nos cálculos e testes, e elas não estejam no cio. Maddie assentiu. – Eu não sei nada sobre cavalos. Andei num pônei algumas vezes quando eu era criança. Confuso, Joshua estudou-a. No começo, parecera que ela estava


tentando evitá-lo, mas agora ela não estava correndo para a porta. – Você gostaria de cavalgar? – O garanhão? – Não – respondeu Joshua, imediatamente. – Ele é arisco, teimoso, e só é realmente bom para – ele parou e procurou um termo menos direto para o que queria implicar –, engravidar éguas. Eu tenho uma velha égua doce, que lhe daria um passeio agradável. Ela inclinou a cabeça para um lado e sorriu. – Este é seu jeito de dizer que você acha que eu não posso lidar com um garanhão?


Joshua sentiu seu sangue começar a esquentar. Ela quase parecia estar flertando com ele. – Eu sei que você não pode lidar com o meu garanhão. Com o meu cavalo. Mas isso não é o mesmo que dizer que eu não quero que você lide com qualquer coisa minha. Ela encontrou-lhe o olhar. – Isso é um convite? A expressão nos olhos de Maddie o fez querer uivar como um animal selvagem. – Sim – replicou ele. – O que você acha disso? Ela moveu-se para mais perto, perto o bastante para tocar.


– Eu estou… pensando. – Maddie ergueu os lábios para os seus, e Joshua sentiu seu coração disparar contra as costelas. Ela era tão quente, tão suave, tão viva, tão maravilhosa, que ele podia jurar que ouvia sinos. – O telefone está tocando – Maddie conseguiu dizer quando recuou um pouco. Ele respirou fundo e praguejou. Deus, ele estava tão excitado que poderia tê-la tomado contra a parede. Pensou se atendia ao telefone, então, lembrou que estava aguardando um telefonema sobre outro garanhão que queria comprar.


– Só um minuto – disse ele, com firmeza. – Não vá a lugar algum. Joshua correu para a cozinha, e preguiçosamente notou que a mesa estava posta para três. Talvez, Maddie não tivesse pretendido fugir, afinal de contas. Ele atendeu ao telefone. – Blackwell – disse ele. – Sr. Blackwell, você é o pai de Patrick Blackwell? – uma voz de mulher perguntou. – Sim – respondeu ele, franzindo o cenho de leve. Nunca recebia telefonemas sobre Patrick. – Eu estou ligando do Hospital Memorial de Roanoke, e seu filho sofreu um sério acidente de automóvel.


Ele chegou à sala de emergência e está sendo examinado para tratamento. Podemos ter sua permissão por telefone para tratar seu filho? O sangue de Joshua gelou. – Patrick? – Sim, senhor. Temos a permissão de tratar seu filho? – Quão sério? – Eu não sei ao certo. Ele está sendo avaliado. Nós temos a sua permissão por telefone para tratar seu filho? – Como ele está? – Sinto muito, sr. Blackwell, mas eu não sei informar. Ele está sendo avaliado no momento. Pode nos dar sua permissão por telefone para o


tratamento, de modo que possamos começar com radiografias e exames de laboratório? – Sim – disse ele, frustrado quando percebeu que ela não ia lhe dar mais nenhuma informação. Sentiu o olhar de Maddie sobre si. – Diga a Patrick que eu estarei aí assim que possível. – Ele pôs o telefone no gancho, lutando contra um medo terrível. – O que aconteceu? – indagou Maddie. Joshua balançou a cabeça. – Foi aquela motocicleta – murmurou ele para si mesmo, e dirigiuse para a porta. – A maldita motocicleta. Eu sabia que não deveria


ter deixado Patrick dirigi-la. Eu devia ter me livrado da moto, que é pura tentação para um adolescente. Ele sentiu Maddie segurando seu braço. – Joshua, o que aconteceu? – demandou ela. – É Patrick. Ele está na sala de emergência do hospital. Eu tenho de ir. – Oh, não. – Ela pausou por um breve segundo. – Eu vou com você. Com a mente girando em velocidade estonteante, Joshua meneou a cabeça. – Eu não sei quanto tempo isso pode levar. Não sei qual é a condição dele. A mulher mencionou radiografias. Isso significa que ele provavelmente


quebrou alguma coisa. Um acidente de moto pode ser feio – disse ele, e sentiu uma dor aguda diante dos cenários passando por sua cabeça. Pegando sua bolsa, ela o olhou com incredulidade. – Eu vou com você. Alguma coisa no interior de Joshua resistiu à ideia, embora ele não pudesse dizer por quê. Sua mente estava em Patrick. – E quanto a Davey? – Eu ligarei para Jenna Jean ou para Ben do hospital. Você quer que eu dirija? Ela estava falando sério, pensou ele enquanto os dois corriam para sua


caminhonete. Joshua quase riu, mas pensamentos sobre Patrick o impediram. – Eu não tenho tempo para um guarda se você tomar uma multa. Maddie suspirou. – Bom ponto. Durante o trajeto, em algum canto de sua mente, Joshua notou o jeito que Maddie tentava tranquilizá-lo. Ela tocou-lhe o braço, fez perguntas que requeriam respostas de uma palavra e disse: – Eu acho que ele vai ficar bem. Joshua estava preocupado. Alguma coisa em seu interior não lhe permitia aceitar o conforto dela. Ele possuía


muita prática em lidar com tragédia, sozinho. Depois de fazer o registro na recepção do pronto-socorro, uma auxiliar de enfermagem o conduziu para uma sala separada. Sua garganta se fechava a cada segundo, até que o médico chegou. – Concussão – declarou o médico. – A perna dele está quebrada em dois lugares, e ele precisa de suturas. De acordo com a polícia, o acidente não foi culpa de seu filho. Ele tentou evitar o ocorrido. O estômago de Joshua se contorceu, e ele enrijeceu. Não deveria ter deixado Patrick dirigir a motocicleta. – Ele está consciente?


– Pela maior parte do tempo – respondeu o médico. – Ele ainda está um pouco confuso. Não para de dizer às enfermeiras que tentou sair do caminho. – Ele é um bom menino – murmurou Maddie e, gentilmente, apertou o braço de Joshua. Conforto, pensou ele, e foi quase seduzido a se virar para ela. Mas virou para o outro lado, em vez disso. Não podia aceitar conforto enquanto seu filho estava sofrendo. – Sim, ele é – concordou Joshua. – Eu quero vê-lo. – Ele ainda não foi limpo – avisou o médico.


– Eu quero vê-lo. – Ele olhou para Maddie. – Se você precisa ir para casa… Maddie meneou a cabeça. – Eu vou esperar. Você pode me informar como ele está? – Sim. – Joshua assentiu, e começou a se afastar. Aquilo podia ser muito peculiar, mas ele experimentou uma sensação de perda assim que deu três passos. O sentimento o confundiu, mas não havia tempo para pensar sobre isso. – Eu lhe darei notícias assim que puder. Joshua sabia que ver um filho sangrando e com dor, numa sala de emergência, era o pior pesadelo de um pai ou de uma mãe. Quando ele viu Patrick, todavia, sentiu como se seu


coração tivesse sido rasgado do peito. Teve de cerrar os dentes para bloquear suas emoções. Patrick olhou-o como se estivesse se afogando. – Papai. Eu juro que não foi culpa minha. Eu tentei… Joshua balançou a cabeça e apertou o ombro de Patrick. – Psiu. Eu sei que você fez tudo que pôde. Vamos nos concentrar em curálo. Ele não saiu do lado de Patrick, enquanto ele levava pontos ou enquanto eles lhe engessavam a perna. Enviou uma enfermeira para contar a Maddie o que estava acontecendo, mas


demorou horas antes que Patrick fosse levado para um quarto. Com seu filho dormindo, Joshua foi para a sala de espera, a fim de tomar um café. Ficou surpreso ao descobrir que Maddie ainda estava lá. Ela levantou-se assim que o viu. – Como ele está? Joshua deu de ombros. – Ele vai ficar bom. Maddie sentiu a tensão diminuir em Joshua. – O que eu posso fazer por você? Há alguma coisa em sua casa que necessita ser feita ou eu posso lhe trazer refeições, ou… Ele meneou a cabeça.


– Nada. Eu estou bem. Dei um telefonema para um dos homens que trabalham comigo, e ele irá cobrir tudo. Vá para casa. Você não deveria ter passado a noite na sala de espera. Sentindo-se inútil, Maddie o estudou. Joshua parecia distante dela. – Você teve uma noite longa – murmurou ela, suavemente. Ele deu de ombros. – Eu tenho muita prática de enfrentar noites longas. Entretanto você não precisa fazer isso sozinho desta vez. Maddie reprimiu o pensamento, mas insistiu. – Tem certeza que eu não posso fazer nada?


– Eu vou lhe dar uma carona para casa. Ela meneou a cabeça. – Não, Ben ficou com Davey para mim. Ele ligou duas vezes perguntando por Patrick, e disse que virá me buscar. Joshua passou uma mão pelos cabelos. – Tem certeza? – Claro – replicou ela, passando os braços em volta dele, mas sentindo-o rígido e distante. – Você pode relaxar – sussurrou. – Um abraço não machuca ninguém. Ele abraçou-a brevemente de volta, então se afastou, o olhar parecendo penetrar a alma de Maddie.


– Falo com você mais tarde – disse ela. Ele assentiu de maneira reservada, e seguiu o corredor. Maddie observou-o, aliviada que Patrick ficaria bem, mas preocupada com Joshua. A resposta distante dele perturbava-a. Ela ligou para seu irmão, e ele levoua para casa. Durante o trajeto, depois que Maddie lhe contou sobre Patrick, ela permaneceu em silêncio, pensando sobre o comportamento de Joshua. – Mad, você está me deixando nervoso. Não fica assim silenciosa desde que descobriu que estava grávida. – Ben


pausou e fez uma careta. – Você não está grávida de novo, está? Ela meneou a cabeça. – Não. Eu não estou grávida. Estava pensando sobre Joshua, e em como ele pareceu distante ontem à noite e hoje. – Ela franziu o cenho em concentração. – Eu sei que ele estava muito preocupado com Patrick, mas é como se tivesse se fechado em si mesmo. – Joshua é um típico solitário. Ele está acostumado a lidar com crises, sozinho. Ela olhou para seu irmão. – Eu concordo, mas o que faz você dizer isso? Ele não permitiu mulheres


em sua vida por diversos anos, mas sempre teve Patrick. – Mais um motivo para ele enfrentar problemas sozinho. Joshua provavelmente está tão acostumado a apagar fogos por conta própria que não sabe o que fazer com outro ser humano, muito menos com uma mulher. Maddie poderia ter argumentado sobre a questão se Joshua sabia ou não o que fazer com uma mulher, mas talvez Ben tivesse razão. – Você está dizendo que ele já lidou com tantas crises sozinho que não sabe como compartilhá-las. Ben assentiu, e pegou o caminho de acesso para a casa dela.


– Sim – replicou ele. – E eu aposto que Joshua não é do tipo que algum dia aprende. O pensamento não confortou Maddie. Desde que ele sugerira que ela o encontrasse no meio do caminho, ela resolvera lhe dar uma segunda chance, e se abrira para ele novamente. Ralhou consigo mesma. A quem estava enganando? Quando ela se fechara para Joshua com sucesso? Todavia, agora ela precisava analisar bem o comportamento dele. E se Joshua a fechasse do lado de fora de sua vida? Ela já sabia que ele ficaria ao seu lado durante uma crise, sempre que Maddie atravessasse uma. Mas ela seria


capaz de aceitar a distância de Joshua durante os momentos difíceis dele? Ela balançou a cabeça. Mesmo com todas as mudanças pelas quais passara no último ano, Maddie sabia que não era uma mulher para meias medidas. Embora pudesse ser mais cautelosa agora, ela nunca seria prudente. Possuía uma qualidade impetuosa, e esta tinha sido responsável por seus triunfos e por suas perdas. Maddie perguntou-se, quando tudo fosse dito e feito, como as coisas acabariam com Joshua.


Capítulo 13

JOSHUA FECHOU sua

porta da frente e encostou-se contra a mesma. Não se incomodando em acender uma luz, permaneceu na escuridão silenciosa e suspirou. O médico dissera que queria manter Patrick em observação por mais uma noite. Todos, inclusive Patrick, tinham dito para Joshua ir para casa.


Então, aqui estava ele, forçado a enfrentar a ausência dos barulhos e do ritmo frenético do hospital. No hospital, havia centenas de interrupções. Tirar a pressão sanguínea, verificar os pontos de seu filho, checar sua temperatura, dar-lhe almoço… e assim por diante. A rotina oferecera pouca paz, mas pelo menos, mantivera seus demônios acuados. A agitação do hospital o impedira de questionar se ele tinha falhado com Patrick, permitindo-lhe dirigir a motocicleta. Impedira-o de se lembrar das repetidas internações de Gail no hospital, e daquela última visita do pronto-socorro, quando nada pudera


ser feito. Quase o impedira de sentir a falta de Maddie. – Mais um longo dia – uma vez feminina suave murmurou do outro lado da sala. – Sem descanso para os cruéis – brincou ela. Joshua abriu os olhos. Era Maddie. Ele não podia distinguir mais do que o formato dela, por causa da escuridão do cômodo. – Onde você está? – Chegando mais perto – respondeu ela, andando na sua direção. Maddie pôs um copo na mão dele, e Joshua inalou o aroma feminino delicioso. – Beba. Como está Patrick?


Ele automaticamente engoliu o vinho. Estava gelado e prazerosamente seco. – Patrick ficará bem. A boa notícia é que foi perda total da motocicleta – disse ele. – Então, a tentação será removida. – Talvez – murmurou ela. – Você jantou? Ele concentrou-se. – Acho que jantei. Sim, eu comi dois hambúrgueres. – Observando os olhos castanhos brilharem no escuro, ele deu mais alguns goles e terminou o vinho. – O que você está fazendo aqui? – Vim ver você. – Maddie pegou o copo. – Vou lhe servir mais vinho.


– Eu acenderei a luz – disse ele. – Não – respondeu ela, imediatamente. – Sente-se no sofá e relaxe. Por quê?, Joshua pensou em perguntar, mas seu cansaço venceu, e ele desmoronou no sofá. Observou Maddie voltar e aceitou o segundo copo de vinho, quando ela sentou-se ao seu lado. – Numa escala de zero a dez, quão apavorado você ficou quando recebeu o telefonema ontem? – perguntou ela. Ainda tenso, Joshua girou os ombros. – Vinte. – E quando Joshua Blackwell lida com uma crise, ele faz isso sozinho.


Ele encontrou-lhe o olhar. – É o único jeito que eu sei fazer. – Sem abraços, sem conforto, sem compartilhamento – continuou ela, deslizando para mais perto dele. Joshua inalou profundamente, ainda esperando que o nó apertando seu peito se afrouxasse. – Eu não me recordo de ter tido nada disso. Maddie pôs uma mão em seu braço e roçou os lábios no rosto dele. – Então, talvez esteja na hora de você criar algumas memórias novas. Ela pegou o copo de vinho da mão dele e colocou-o sobre a mesinha


lateral. O corpo de Maddie estava quente, e o perfume era doce e sedutor. – Talvez, seja hora de você aprender um novo jeito de lidar com crises – murmurou ela e beijou-o. O peito de Joshua finalmente se expandiu, porém outras partes de seu corpo enrijeceram. A boca de Maddie era suave e ardente, as mãos delicadas tranquilizavam e seduziam ao mesmo tempo. Ele respirou fundo mais uma vez, querendo inalá-la, absorvê-la. Então, sentiria que tudo ficaria bem. Não era que ele não pudesse sobreviver sem ela, disse a si mesmo. O fato era que não queria ficar sem ela.


Sentiu os dedos de Maddie abrindo os botões de sua camisa. – O que você está fazendo comigo, Maddie? Os lábios deleitosos se curvaram num sorriso travesso. – É uma surpresa. O baixo-ventre de Joshua pulsou, e seu coração parecia bater em todos seus pontos de prazer. Antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, ela deslizou as mãos pelo seu peito e deu-lhe um beijo tão voraz que elevou a temperatura do seu corpo. Ele pensou em fazer sua pergunta, novamente, mas o que Maddie estava fazendo era tão bom que ele decidiu


aproveitar o momento. Ela estava fazendo mais do que mexer com seu corpo. Joshua nunca se sentira tão adorado e excitado, ao mesmo tempo. Não soubera que isso era possível. Maddie abaixou a boca para seu peito, e a mão para seu cinto. Enquanto os lábios doces percorriam uma trilha de seu peito até sua barriga, ele enrijeceu sob a mera sugestão do toque dela. Em movimentos dolorosamente lentos, ela abriu seu cinto e desceu o zíper da calça. Quando a mão quente deslizou por baixo de sua cueca e para sua ereção, ele gemeu. – Oh, Maddie.


Ela circulou seu umbigo com a língua, então mergulhou-a no pequeno buraco, e Joshua gemeu novamente. A boca de Maddie estava tão quente e doce que ele não queria que ela parasse. Posicionada entre suas coxas, ela o massageou intimamente com os dedos, segurando-o. Ele estava em chamas, pulsando, pronto para subir as paredes pelos toques enlouquecedores. Ela abaixou ainda mais a boca e pausou. Joshua prendeu a respiração. Ela ousaria? Um segundo se passou, e Maddie o tomou na boca. – Ah, Maddie. – Joshua fechou os olhos diante do prazer incrível. Sentiu o passeio da língua quente sobre sua


masculinidade rija e começou a praguejar baixinho. Então, gradualmente, abriu os olhos, e a visão de Maddie com os lábios acariciando-o intimamente quase o levou ao orgasmo. O cabelo dela roçava em suas coxas e abdômen, e as pequenas mãos massageavam sua pele. Aquilo era muito erótico para descrever em palavras, mas Maddie estava fazendo mais do que amor com ele, ela estava reivindicando seu coração e mente. A resistência e as dúvidas de Joshua escaparam de seu controle. Carinhosamente, ela o estava levando para além do ponto de retorno.


Transpiração escorria por sua nuca. Ele entrelaçou os dedos no cabelo dela enquanto ela continuava enlouquecendo-o, cada vez mais. Joshua mal conseguia respirar, e seu corpo inteiro tremia de excitação intensa. Seu coração estava muito repleto, o prazer era demais. Chamando o nome dela, ele explodiu sobre a extremidade, caindo, caindo, até que ela o segurou. Respirando fundo diversas vezes, Joshua puxou-a contra si, abraçando-a com força. Entre cada inalação e exalação, ele praguejava, ou falava o nome dela. Maddie beijou-lhe o pescoço e o rosto.


Finalmente, Joshua se recompôs o bastante para ver com clareza, embora não sabia se seria capaz de andar. Olhaa na escuridão. – Você é incrível. Meu Deus! – Ele balançou a cabeça e liberou um longo suspiro. – Para que foi isso? Maddie aninhou-se contra ele. – Há muitas maneiras diferentes de lidar com uma crise. Você está acostumado a fazer isso de um único jeito, e sempre sozinho. Eu queria lhe mostrar outro caminho. – Levantando a cabeça, ela acariciou-lhe os cabelos. – Há diversas formas de estar junto numa crise, quando você está com alguém que ama.


O coração de Joshua inchou dentro do peito novamente, e ele a beijou. Perguntou-se quando havia sido mais amado. Perguntou-se quando alguém se doara para ele de maneira tão altruísta. – Eu amo você – sussurrou ela. – Você precisa saber isso. – Os olhos castanhos escureceram com emoção, e ela respirou fundo. – Você precisa saber de outra coisa também. Eu não sou uma mulher do tipo meio a meio – declarou ela, a voz mais forte, quando Maddie sentou-se mais distante dele. – Nem do tipo que vai até a metade do caminho. No que diz respeito ao amor, eu não fraciono nada. Eu me entrego


inteira. Dou tudo de mim. – O olhar dela encontrou o seu num desafio. – E eu quero tudo de você. Ele observou, impressionado, quando ela se levantou. – Lide com isso, Joshua. Eu amo você. Com a cabeça ainda girando pelo ato de amor e pelas palavras dela, ele observou-a sair porta afora. Porta afora? Quem esta mulher pensava que era? Joshua se recompôs e levantou-se sobre pernas não muito firmes. Seus joelhos ainda estavam fracos, mas ele correu para a varanda e capturou-a, quando ela rodeava a lateral da casa para onde devia ter escondido o carro.


– Aonde você pensa que vai? – demandou ele. Ela o fitou com expressão estupefata. – Para casa. Eu pensei que você pudesse precisar descansar um pouco. – Depois que você me deixou quase incapaz de andar? Ela piscou. – Você está reclamando? – Sobre você ir embora, sim. Maddie pausou. – Oh – começou ela, estudando-lhe o olhar. – Realidade me chama. Eu não tenho uma babá para passar a noite com Davey hoje, portanto preciso ir para casa.


Ele respirou fundo e puxou-a contra si. – Maddie, você não pode fazer amor comigo assim, e simplesmente ir embora. – Eu pensei que mulheres tivessem mais problemas com isso do que homens. Ele deu de ombros. – Eu não sei sobre isso. Tudo que sei é que quero que você fique. – Ele engoliu em seco. – Eu quero que você fique para sempre. Com perplexidade brilhando nos olhos castanhos, ela o encarou. – Para sempre?


Joshua entrelaçou os dedos de ambos. – Eu quero colocar um anel no seu dedo e fazer promessas que cumprirei. Eu amo você, Maddie, e quero amá-la pelo resto de minha vida. Então Maddie começou a chorar e molhou a camisa dele, mas Joshua não se importou, porque sabia que aquilo estava certo. Nunca mais passaria uma noite sem sonhos ou sem Maddie. DOIS MESES depois, eles se casaram no morro de Maddie. Choveu um pouco, mas, então, o sol saiu, e Maddie pensou que era mais ou menos assim que as coisas aconteciam na sua vida. Chovia


com frequência, mas o sol sempre acabava aparecendo. Com Joshua, ela finalmente sentia que tinha encontrado o lugar ao qual pertencia. Um lugar designado para ela. Seu coração estava muito repleto para conter tudo aquilo, e ele provocou-a gentilmente enquanto ela lutava contra as lágrimas. Mas foi um dia incrível. Suas duas melhores amigas do mundo estavam do seu lado. Seu irmão e Patrick, que estava se recuperando rapidamente, posicionavam-se ao lado de Joshua. As surpresas que mais a emocionaram, todavia, tinham sido seu


pai escoltando-a para o altar ao ar livre, e a aparição de sua mãe. Sem o seu conhecimento, Joshua visitara seus pais, e os ajudara a vê-la sob uma perspectiva diferente. Agora, Davey conheceria seus avós. Maddie fez os votos, e sentiu cada um deles em seu coração. Quando Joshua repetiu os seus, ela pôde ver nos honestos olhos acinzentados que ele sempre a amaria. O milagre daquilo ainda lhe tirava o fôlego. Ele abraçou-a apertado e beijou-a. Então, depois das fotografias, eles conduziram a caravana para uma pequena hospedaria adorável, onde a recepção aconteceria.


– Você se importou com a chuva? – Maddie perguntou para ele. Joshua meneou a cabeça e sorriu-lhe. – Não. Eu já tomei tanta chuva que passei a gostar dela. – Estragou meu penteado – resmungou ela. – E eu rasguei a barra do vestido quando desci do carro. Ele beijou-lhe o nariz. – Você está linda. – Você está impecável – Maddie o acusou. – Hora de cortar o bolo – disse Ben, com Patrick ao seu lado. – Guardem as palavras sentimentais para mais tarde e nos alimentem agora.


– Tudo é sempre sobre seu estômago. Você é tão primitivo – disse Maddie. Ele deu de ombros. – Isso me torna mais fácil de ser subornado. – Ele tem razão, neste ponto – murmurou Joshua, andando com ela para a mesa que continha um bolo de três andares, com cobertura de chocolate. Maddie cortou duas fatias e sorriu para a câmera. Então, como mandava a tradição, Joshua serviu-lhe um pedaço de sua mão. Ela lambeu-lhe os dedos e sorriu da surpresa dele. Na vez de Maddie, ela levantou a fatia de bolo para a boca dele.


– Maddie – chamou o fotógrafo. – Olhe para cá. Ela virou a cabeça, e mudou a mão de direção. Ouviu um gemido coletivo e olhou ao redor. Então esfregou o bolo melado na camisa perfeitamente branca do smoking de Joshua. – Ops. – Ela fez uma careta para ele. – É aqui que eu digo que você parecia um pouco perfeito demais? Ele olhou para a própria camisa e riu. – Eu pensei que você fosse pelo menos esperar que chegássemos a nossa suíte, antes de começar a comer coisas do meu corpo. Maddie deu-lhe um olhar de censura zombeteira.


– Você tem uma mente suja. O olhar de Joshua tornou-se sensual, e ele puxou-a para mais perto. – Eu aprendi com a melhor professora. – Os aplausos dos convidados do casamento desapareceram de sua consciência enquanto Joshua a beijava. MAIS TARDE naquela noite, depois que os brindes tinham sido feitos e arroz tinha sido jogado, Maddie passou perfume e vestiu a camisola que sua amiga Emily lhe dera. Ela olhou para o anel de diamante no seu dedo. Quando ele lhe dera o diamante, Joshua lhe


dissera que era uma estrela que ele pegara do céu. Ela havia chorado. Agora estava casada. Com Joshua. Com o coração transbordando de amor, ela respirou fundo. Queria que esta noite fosse especial. Jenna Jean estava cuidando de Davey, portanto Maddie podia focar toda sua atenção em seu marido. Ela lhe diria, novamente, como ele era maravilhoso, e o quanto ela o amava. Então, ela lhe mostraria. Olhou-se no espelho e viu uma mulher muito, muito feliz. Esperou que pudesse fazer Joshua tão feliz quanto se sentia. Abrindo a porta, Maddie saiu do banheiro e entrou na suíte


luxuosamente decorada. A única luz vinha do banheiro. Joshua apagara o resto delas. Ela curvou os dedos dos pés no tapete grosso e virou-se para encontrá-lo na cama. Ao vê-lo, Maddie ficou completamente boquiaberta. Ele estava usando nada, exceto um violão. – Olá – murmurou ela, andando na direção de seu marido. – Do que se trata tudo isso? Ele pareceu divertido, mas resignado. – Você uma vez me disse que sempre se encantou por um homem com um violão. Ela sorriu. – Então, você comprou um violão?


– Eu senti que precisava fazer isso. E aprendi uma música. Atônita, Maddie pôs uma mão no peito e sentiu seus olhos se encherem de lágrimas. – Para mim? Você aprendeu uma música para tocar para mim? Joshua ergueu uma mão. – Não fique tão empolgada. É só uma música. Uma música muito simples. – Toque! Toque! – Tudo bem – disse ele, e posicionou os dedos nas cordas. Com intensa concentração, começou a tocar, e, apesar do fato de aquela não ser uma guitarra elétrica, Maddie pôde


distinguir claramente a famosa melodia de três cordas “Louie, Louie”. Ela riu e chorou, e jogou os braços em volta dele. Maddie Palmer Blackwell tinha sido capturada novamente. Desta vez, para sempre.


CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ

B17n Banks, Leanne Noiva inesperada [recurso eletrônico] / Leanne Banks; tradução Deborah mesquita. - 1. ed. - Rio de Janeiro: Harlequin, 2015. recurso digital: il. Tradução de: The troublemaker bride Formato: ePub Requisitos do sistema: Adobe Digital Editions Modo de acesso: World Wide Web ISBN 978-85-398-1768-9 (recurso eletrônico) 1. Romance americano. I. Mesquita, Deborah. II. Título.


15-19638

CDD: 813 CDU: 821.111(73)-3

PUBLICADO MEDIANTE ACORDO COM HARLEQUIN BOOKS S.A. Todos os direitos reservados. Proibidos a reprodução, o armazenamento ou a transmissão, no todo ou em parte. Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência. Título original: THE TROUBLEMAKER BRIDE Copyright © 1997 by Leanne Banks Originalmente publicado em 1997 por Silhouette Desire Arte-final de capa: Isabelle Paiva


Produção do arquivo ePub: Ranna Studio Editora HR Ltda. Rua Argentina, 171, 4º andar São Cristóvão, Rio de Janeiro, RJ — 20921-380 Contato: virginia.rivera@harlequinbooks.com.br


Capa Texto de capa Rosto Prólogo Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 Capítulo 5 Capítulo 6 Capítulo 7 Capítulo 8 Capítulo 9 Capítulo 10 Capítulo 11 Capítulo 12 Capítulo 13


CrĂŠditos

(primeiros sucessos 58) noiva inesperada leanne banks  
(primeiros sucessos 58) noiva inesperada leanne banks  
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