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Aos 20

Diretora de Redação Kelly C. Duarte Eleto Landim kelly@defatoonline.com.br

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s malas estavam prontas e a menina do interior de mudança para a capital. Ia morar com as amigas, nenhuma família por lá. Até então, Belo Horizonte era um pequeno trajeto entre a rodoviária e as Lojas Americanas da rua São Paulo. Era lá que ficava enquanto seu pai resolvia os negócios. Conhecia também o Hospital do Ipsemg, que visitou algumas vezes para tratar das doenças respiratórias. E, claro, o Parque Municipal, onde perdeu um balão a gás e chorou por vinte minutos sem parar. Agora crescida, aos 20, era hora de explorar outros cantos. Saiu de casa com o sonho de ser jornalista. Voltou na primeira semana, após ser assaltada num ponto de ônibus da Praça Sete. Quem consegue morar num lugar desses? Passado o susto, resolveu encarar a metrópole e seus problemas. E lá se foram um celular, um guarda-chuva e alguns trocados. Mas ela permaneceu. Porque, aos 20, o fracasso não faz parte dos planos. Esbanjava a energia e a esperança dos 20, com paixões e promessas para a vida inteira - mas que, na maioria das vezes, duravam menos que um minuto. Fez muitos amigos. Amigos de verdade. Diferentemente da adolescência, aos 20, sabe-se escolher melhor as companhias. Nem todas se conservam, é claro. Mas as lembranças atestam a importância de cada uma delas. E os sonhos sonhados aos 20 são os mais sinceros. Mesmo que eles se arruínem alguns anos à frente. Mesmo que eles ressuscitem 20 anos depois. Não importa. São eles que acompanham os passos e alimentam as atitudes nesta época. Porque, aos 20, acredita-se que tudo é possível, já que há vigor e tempo para se realizar. A maturidade bate à porta e um milhão de alternativas aparecem aos 20. As decisões desta fase podem mudar toda a história. O auge e o fundo do poço são separados por um piscar de olhos. E podem até ser o mesmo lugar, dependendo do ponto de vista. Aos 20 quer dominar o mundo. Nem que seja o seu mundo. DeFato chega aos 20. Pode se orgulhar de ser a revista com conteúdo regional de maior prestígio e credibilidade do interior de Minas Gerais. Mais: é uma das poucas publicações que manteve o fôlego por duas décadas, sem parar para descansar. A revista continua fiel aos propósitos iniciais dos seus fundadores: informar, analisar, acompanhar e registrar a história, contribuindo com acervo de cultura para um futuro muito próximo. E para apontar o futuro, nada melhor que um resgate histórico - essa é a marca desta edição comemorativa. É hora de trilhar o inevitável caminho do crescimento. Muito se fez até agora. Um bom alicerce foi construído. Vinte anos é muito tempo para um veículo de interior. É pouco para a quantidade de projetos e o tamanho do idealismo. DeFato inicia 2013 com muita disposição para o trabalho e, por meio do talento e da dedicação dos seus profissionais e colaboradores, pretende continuar deixando sua contribuição eficaz para o progresso da região. Afinal de contas, temos apenas 20! Kelly Eleto

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Diretor Comercial Marcelo Eleto marcelo@defatoonline.com.br Diretor de Arte Christian Domingues christian@defatoonline.com.br Gerente Geral Graziele Alves Editoria Rodrigo Andrade rodrigo@defatoonline.com.br Sérgio Santiago sergio@defatoonline.com.br Redação Ari Souza Kelly Eleto Patrícia Emiliano Rodrigo Andrade Sérgio Santiago Tatiana Santos jornalismo@defatoonline.com.br Repórter Especializado Galvani Silva Departamento de Arte Cleiverton Harlan Filipe de Oliveira arte@defatoonline.com.br Ilustrações Pablo Rocha Departamento Comercial Celinha Pires Luisa Moura Solange Duarte comercial@defatoonline.com.br Administrativo / Financeiro Jakeline Isabel Regiane Nepomuceno financeiro@defatoonline.com.br Fundadores José Almeida Sana Marlete Moura Morais Sana DeFato é uma publicação mensal da Revista Itabira Ltda. Filiada ao Sindijori/Abrajori/MG Área de Circulação Centro-Leste, Centro-Nordeste, Médio Piracicaba, Jequitinhonha, Cidades Históricas e Turísticas e Grande BH Redação e Administração Rua Dr. Olinto Andrade, 126 A, Pará 35.900-043, Itabira - MG (31) 3831-3656 DeFatoonline.com.br


Sumário

Omar Freire Imprensa MG

Capa: Christian Domingues

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Entrevista

Alberto Pinto Coelho

Colunistas José Sana

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Daniel Lança

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DeFato: exemplo de êxito editorial e de idealismo Os desafios de uma advocacia militante

Giovani Acácio

Estratégias para diferenciar-se da concorrência

Ronaldo Silvestre A nossa vida já é eterna

Daniel de Castro

A parábola da plaquinha

Dr. André Miolo A linha do tempo...

Capa

Retrospectiva 1993-2012

12

Anote

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Gente e Fatos

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Amig

24

Perfil

Amepi

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Economia

70

Um grande legado

O futuro é agora

Em defesa das cidades

Meio século em 8 anos

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Depoimentos

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Sociedade

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Um pouco de história

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DeFato

Cartas Capa

Dezembro 2012 Edição 240

Concordo com o ortodontista Sérgio Luiz Menezes quando ele diz que uma boca saudável, com dentição perfeita, está ligada aos relacionamentos interpessoais e à própria aceitação. Um sorriso perfeito ajuda não somente a melhorar a autoestima, como colabora e muito para a aparência de modo geral e este quesito é muito avaliado nos padrões de vida atual. Bruna Seixas - João Monlevade

Conheço superficialmente Conceição do Mato Dentro, mas vejo muito falar, principalmente por causa dos projetos de mineração existentes por lá. Acredito que será uma das mais promissoras cidades do interior de Minas Gerais, que precisa conciliar muito bem exploração mineral e preservação do patrimônio histórico-cultural. Afonso Ferreira – Itabira

Hoje, realmente realizar um tratamento dentário está mais fácil. Ainda é caro, mas com algumas facilidades é possível pagar e não deixar de lado esta parte que não é apenas estética, mas saúde. Antigamente, os pais não tinham condições de pagar um dentista e, com isso, adultos ainda novos precisavam substituir os dentes pela famosa dentadura. Hoje existem vários recursos antes deste. E viva a evolução da tecnologia. Amélia Santos - Itabira

Muito legal o título “O Renascimento de Conceição”, na matéria de capa da revista DeFato. Realmente é hora de aproveitar o bom momento da mineração e garantir a sustentabilidade do município para os próximos 310 anos. Maria Coelho – Morro do Pilar

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Muito além da arma em punho

Esperamos que o governo de Dr. Damon dê continuidade ao projeto da Unifei em Itabira, começado por João Izael. A matéria sobre o caminho da diversificação diz com clareza o que tem de ser feito. Os itabiranos ainda não têm noção do quanto a universidade será importante para o futuro econômico do município e região. Que venha o futuro! Sebastião da Silva – Itabira

Parabenizo o repórter Rodrigo Andrade pela entrevista com Doutor Francisco Vieira Chagas, o gentlemen das Armas e das Letras, que nos orientou tecnicamente e eticamente de forma voluntária a criada Academia Itabirana de Letras (AILE), depois de 50 anos de tentativa. Os itabiranos e os Acadêmicos da AILE são eternamente gratos ao Doutor Chagas, caso contrário não existiria ainda a nossa tão sonhada academia. Um grande abraço e feliz 2013 extensivo aos familiares Fernando Moreira Cunha Presidente da AILE - Itabira

Lendo a matéria sobre a importância da Unifei para Itabira, fico pensando sobre o que poderá ser feito em Santa Maria de Itabira. A cidade também se transformará em mineradora e precisa aprender com os exemplos da cidade vizinha. Parabéns aos gestores itabiranos. César Mello Santa Maria de Itabira

Realmente sensacional a entrevista, muito boa mesmo. Alguém tem que ser assim em administração pública para ver como tudo funciona. Agora, combater a violência tem que ser prioridade número um em Itabira, Minas Gerais, Brasil e Mundo. Sueli Antonina Corrêa Belo Horizonte

O caminho da diversificação

Envie sua opinião para cartas@defatoonline.com.br ou comente as matérias no site: www.defatoonline.com.br

Sorriso perfeito, vida sociável

Parabéns a DeFato pela excelente matéria sobre Conceição do Mato Dentro. Uma cidade histórica, que guarda riquezas culturais imensuráveis, merece destaque neste conceituado veículo de comunicação. Esperamos que a revista continue cobrindo os eventos e noticiando os acontecimentos mais importantes de Conceição e região. Adair Cunha Conceição do Mato Dentro


O novo presidente

Ótima escolha! Parabéns, Fabiano! Olívia Alvarenga - São Paulo Felicidade na nova caminhada. A competência te acompanha. Nilson Freitas - Itabira

Parabéns, Fabiano. Boa sorte nesta nova jornada. Ely Brum - Carajás/PA Fabiano, não se esqueça da promessa de gestão participativa. Isso já deveria ter se iniciado na composição da sua diretoria. José R. D.Silva - Itabira

Posto das mulheres

A matéria mostra que hoje as mulheres estão conquistando cada vez mais espaço no mercado de trabalho em profissões que antigamente pensava-se ser somente para homens. É a prova de que competência não se mede pelo sexo, mas pela dedicação e resultados do trabalho. Isso é só o começo. A inclusão feminina em todos os tipos de serviços só tende a aumentar. Parabéns às mulheres. Aline Souza - Itabira Parabéns. Cada vez mais as mulheres mostram sua capacidade e conquistam seu espaço. Weslany Costa - Itabira Parabéns para as excelentes profissionais. Kleytom Tanaka - Itabira

Em defesa da sociedade

Espero que desta vez a acessibilidade tenha sido contemplada, porque a vida de deficiente em Itabira não é fácil. A Avenida João Pinheiro, sem rampas de acesso adequadas, calçada destruídas, e muitas obstruídas por entulhos. Está aí algo para o Ministério Público fiscalizar também. Eliana Lili - Itabira O papel do Ministério Público é de grande importância para a sociedade, mas para que isso demonstre resultado é preciso efetividade. A reportagem mostra bem que a demanda é enorme em vários setores. Acredito que a criação de mais promotorias deva mesmo ser prioridade e a minha expectativa enquanto cidadã é que isso não seja apenas vontade, mas uma realidade em curto prazo. Stela Amarantes - Itabira


DeFato

Entrevista

Alberto Pinto Coelho

Minas

na frente

Vice-governador ressalta a importância da diversificação econômica, defende investimentos em infraestrutura e logística e garante que o estado mineiro está adiantado em relação ao Brasil

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eFato entrevista nesta edição especial o vice-governador de Minas Gerais, Alberto Pinto Coelho (PP), um grande parceiro e incentivador da revista. Natural de Rio Verde (GO), Alberto tem 67 anos, é filho do professor e advogado militante Dr. Alberto Pinto Coelho, de Manhuaçu, e de Abigail, professora natural de São Domingos do Prata. O vice-governador é graduado em Administração de Empresas e tem 30 anos de experiência no setor de telecomunicações, sendo 27 em gestão de empresa estatal. Ocupou cargos de alta gerência e de diretoria nas áreas de gestão administrativa, comercial, planejamento opera-

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cional e de marketing. Foi representante do Ministério das Comunicações em Minas Gerais e comandou o Dentel-MG. Seus primeiros passos na política foram orientados pelo saudoso embaixador José Aparecido de Oliveira, natural de São Sebastiao do Rio Preto. Em Minas Gerais, conseguiu o mesmo cargo que o pai alcançou em Goiás: a presidência da Assembleia Legislativa. Alberto Pinto Coelho assumiu também a presidência do Colegiado de Presidentes das Assembleias Legislativas do Brasil. Na entrevista a seguir, o vice-governador responde perguntas sobre diversificação econômica, investimento do Es-

tado em infraestrutura e logística, Plano Regional Estratégico (para as cidades mineradoras) e representatividade política. “Não há tarefa mais nobre do que servir à coletividade”, diz. Vivendo basicamente da mineração, algumas cidades do interior de Minas debatem há décadas a diversificação econômica. Como o Estado vem lidando com esta questão? Essa é uma grande preocupação de Minas Gerais e um dos objetivos que norteiam o nosso governo: a diversificação da economia. Nós temos o minério, o aço e o café, que são produtos que estão


na base da nossa economia e merecem o permanente cuidado para ampliarmos o desenvolvimento destes setores. Mas, por outro lado, o governo não tem medido esforços para atrair novas empresas com outros perfis econômicos. Como exemplos recentes, temos a vinda da Six, uma empresa de semi-condutores, que escolheu Minas Gerais para abrigar sua primeira indústria. Cito também a volta da fabricação da insulina; a nova fábrica da Panasonic; a ampliação da produção da AmBev; a Helibrás; a fabricação de locomotivas pela Electro-Motive Diesel (EMD), subsidiária da Progress Rail Services, empresa do grupo norte-americano Caterpillar; as fábricas da Alpargatas e da New Holland, em Montes Claros. Como é possível observar, essa diversificação da economia está também muito ligada à tecnologia do conhecimento, o que gera também investimentos em educação e na formação dos nossos jovens para um novo mercado de trabalho. Qual a importância dos investimentos em programas de pavimentação rodoviária (Caminhos de Minas, ProAcesso, Pro/MG, etc.) dos governos Aécio e Anastasia? Se a ONU elegeu 2011/2020 a década de Ação para a Segurança Rodoviária, podemos afirmar que o período entre 2003 e 2012, em Minas Gerais, tem representado, em escala regional, através dos governos Aécio e Anastasia, a década da formação de uma nova e moderna rede viária, com três programas principais em execução. Desde 2004, através do programa chamado ProAcesso, foram implantados mais de cinco mil quilômetros de vias pavimentadas, com investimentos de R$3,6 bilhões. O Pro/MG, por sua vez, é um moderno instrumento de gestão que promove constantemente o acompanhamento e a fiscalização dos serviços prestados por terceiros, visando assegurar aos usuários condições satisfatórias de segurança e trafegabilidade. Já o programa denominado Caminhos de Minas, constitui o maior programa rodoviário da história de Minas Gerais. Prevê a implantação de quase 8 mil novos quilômetros de rodovias, beneficiando diretamente 303 municípios e 7,3 milhões de mineiros. Trata-se ainda de um programa de forte reper-

cussão social, promovendo o acesso de transporte a regiões e municípios. Esses inovadores programas viários visam não só o cidadão - que antes enfrentavam estradas de terra para chegarem a um hospital ou às escolas e faculdades - mas são também catalisadores da economia regional e estadual. Ter estradas em boas condições de tráfego reduz as despesas com o transporte de mercadorias, insumos e implementos. Além disso, a população passa a contar com produtos de melhor qualidade e a preços mais competitivos. O Brasil ainda enfrenta grandes gargalos em infraestrutura. Minas Gerais saiu na frente? Seguramente podemos afirmar que sim. Para entender ainda mais este avanço, é preciso lembrar que a extensão territorial do Estado representa 7% do território brasileiro, o que significa a soma da extensão da França e da Bélgica, por exemplo. A posição geográfica privilegiada, próxima a 78% do mercado consumidor brasileiro, confere ao Estado grande importância econômica. Além dos nossos investimentos viários, há também o desenvolvimento em outras áreas que se referem à infraestrutura. Há em nosso estado 92 aeroportos homologados e em operação. São 10,2 milhões de passageiros por ano. A expectativa é de que até 2013 a capacidade aumente para 16,5 milhões. Temos ainda cinco portos secos (Betim, Uberlândia, Uberaba, Varginha, Juiz de Fora). Ainda na questão viária destaco que Minas Gerais foi o primeiro estado a ter uma rodovia operando pelo modelo de PPP (Parceria Público Privada), a MG-050. As PPP’s são modelos de gestão onde o setor público e o setor privado realizam investimentos em parceria, associando eficiência privada e visão pública de longo prazo. O Estado tem de ser, sobretudo, eficiente. O Estado adequado é aquele que tem capacidade e agilidade para construir parcerias e para enfrentar de forma adequada os desafios que temos pela frente. E é esta gestão moderna que levou Minas Gerais a receber, em 2012, o prêmio de melhor programa de Parcerias Público Privadas do mundo da revista britânica “World Finance”, internacionalmente reconhecida. Em seguida, a agência de classificação de riscos

norte-americana Standard & Poor’s indicou o estado e o BDMG (Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais) ao elevado status de “investiment grade”, o grau de investimento mundial que expressa reconhecimento a uma gestão fiscal prudente e transparente e a um sólido desempenho financeiro. Em dezembro, a Moody´s Investors Service, outra renomada agência internacional de classificação de riscos, também premiou o estado pela manutenção do equilíbrio de suas contas públicas. Em suma, Minas tem localização estratégica, infraestrutura dinamizadora, oferta segura de energia, educação e qualificação profissional, gestão pública eficiente e moderna. Estes são fatores decisivos no momento de investir, e que tem como objetivo permanente a melhoria de vida do cidadão. Que outros obstáculos precisam ser superados dentro do contexto de infraestrutura e logística? Investir em logística tornou-se, no mercado globalizado de nossos dias, a chave de abertura e de segurança do mercado internacional. Em agosto do ano passado tive a oportunidade de participar da inauguração do Terminal da VLIEmpresa Logística do Grupo Vale, em Araguari, um dos maiores terminais de transbordo da América Latina. A estrutura do novo terminal aumentará a capacidade de escoamento para os produtores brasileiros a partir da integração com a malha ferroviária, que é de competência do governo federal. É preciso, portanto, que o Brasil retome, de fato, o investimento na modernização das ferrovias. O governo federal anunciou no ano passado um pacote de concessão para rodovias e ferrovias. A ideia é utilizar o mecanismo que de forma pioneira, como disse, lançamos em Minas, as PPP’s . O governo federal reconheceu e assumiu que se trata de um grande avanço conceder à iniciativa privada a construção e operação de rodovias e ferrovias para progredirmos para uma nova etapa, que significa por um lado restabelecer a capacidade de planejamento integrado do sistema de transportes – ferroviário, rodoviário, hidroviário, portuário e aeroportos, e ao mesmo tempo garantir articulação com as cadeias produtivas. JANEIRO, 2013 defatoonline.com.br

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A privatização da então Companhia Vale do Rio Doce, em 1997, revoltou líderes políticos e preocupou a população (principalmente itabirana). Na visão do senhor, a privatização foi positiva ou negativa? Observamos hoje que cada vez mais é cobrado pela sociedade um Estado centrado em suas funções típicas de governo, e, ao mesmo tempo, que tenhamos também o Estado indutor e promotor do desenvolvimento, parceiro da iniciativa privada na promoção da economia e na geração de empregos de qualidade. A partir deste novo modelo, resguardando as áreas de interesse público, a Vale efetuou investimentos numa escala nunca antes atingida pela empresa. Este ganho refletiu-se em elevação da competitividade da empresa no cenário internacional, e geração de postos de trabalho. A Vale tornou-se uma mineradora global, com sede no Brasil, que emprega mais de 200 mil pessoas nos cinco continentes. Toda mudança para melhor deve ser saudada. Hoje assistimos e vemos, inclusive o governo federal, não só reconhecer mas seguir os passos do governo Fernando Henrique Cardoso, como é o caso da privatização nos aeroportos, agora no governo Dilma. A parceria com a iniciativa privada é o caminho para um Estado mais forte, pois aumenta a eficiência da implantação e da gestão de infraestrutura, com claro foco nos resultados, permitindo que os recursos públicos sejam investidos nas áreas prioritárias para a população, como eu disse, nas áreas típicas de governo. Qual a importância do Plano Regional Estratégico, lançado pelo Governo de Minas para atender as cidades mineradoras (Regiões Norte e Médio Espinhaço)? Nos próximos anos, a previsão é que estas regiões recebam investimentos expressivos na exploração de jazidas de minério de ferro por empresas nacionais e multinacionais. O Plano Regional Estratégico traça diretrizes para a estruturação dos municípios nas áreas da saúde, educação, defesa social, formação profissional, saneamento, entre outros, visando atender o aumento de demandas a curto, médio e longo prazo. A previsão

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é de que o Norte de Minas e o Médio Espinhaço recebam, nos próximos anos, investimentos da ordem de R$12 bilhões de empresas do setor mineral, que vão iniciar grandes empreendimentos nessas regiões, gerando a criação de milhares de empregos e a necessidade de realizar políticas públicas tendo em vista oferecer infraestrutura para o crescimento das cidades. O Médio Espinhaço é atualmente receptor de investimentos no setor minerário e, de acordo com a previsão de especialistas, os recursos nesta área devem continuar chegando até 2014. Estima-se que nos próximos anos sejam investidos na região cerca de R$ 4 bilhões na área da mineração. A Vale e a Anglo American já possuem termos de compromisso assinados com o Governo de Minas para investir na região e com isso gerar 1.300 empregos diretos e 3.300 empregos indiretos. O Plano Estratégico surge para os 15 municípios que vão sofrer com os impactos inerentes a estes investimentos como ferramenta capaz de proporcionar uma agenda de desenvolvimento, com orientações para um melhor aproveitamento econômico-social dos recursos que vão chegar, e também garantir um legado positivo para estas cidades diante de uma atividade que tem prazo para findar. Com relação à representatividade, qual a avaliação do senhor quanto à importância de se ter deputados estaduais e federais nos municípios do interior? Quem acompanha o dia a dia do Parlamento sabe o quanto a função de elaborar e produzir as leis – assim como as de fiscalizar os demais poderes e de acompanhar a implementação das políticas públicas – é complexa e indispensável ao desenvolvimento socioeconômico do Estado e ao bem-estar da população. Tais atribuições, porém, não esgotam o que a sociedade espera hoje de seus representantes. No mundo contemporâneo, o grande desafio das Casas Legislativas – e da democracia representativa – é a capacidade de interlocução com os diversos segmentos da sociedade, de apreensão de suas demandas, de discussão aberta dos temas de interesse coletivo, em síntese, a viabilização da democracia participativa. Na Assembleia Legislativa,

e digo isso com propriedade de quem com muita honra presidiu o Parlamento Mineiro por quatro anos, temos que nos envolver com os mais variados temas de interesse da sociedade e de todas as regiões do Estado. É preciso compreendê-los, e debatê-los em profundidade, para subsidiar a produção das leis e as políticas públicas. Adquirimos assim uma visão multifacetada da realidade, das questões econômicas e sociais, das diversas Minas que compõem o Estado. E o deputado é o interlocutor dessas demandas, é o porta-voz do cidadão. Acrescentaria ainda a essas considerações: quem entra para a vida pública tem deveres e responsabilidades ampliadas, pois torna-se um servidor do conjunto dos cidadãos. E não há tarefa mais nobre do que servir à coletividade. Ao fazer a retrospectiva dos últimos 20 anos, DeFato constatou que os líderes políticos das cidades são os mesmos há duas décadas. Até quando isso é bom ou ruim para uma cidade ou região? É necessário que as instituições públicas e as pessoas que delas fazem parte sejam movidas, acima de tudo, pelo extremo respeito à missão de trabalhar pelo bem comum. Eu diria que quem entra para a vida pública tem que vir com alguma motivação interior, um movimento na alma, no sentido de que é uma atividade desafiadora, uma atividade diferente de qualquer outro ramo profissional, porque você passa a ser um servidor do cidadão e da coletividade. Um empregado de ambos. Portanto, seus deveres e responsabilidades ficam ampliados. Trata-se de uma oportunidade singular para quem tem a ventura de vir para a vida pública e colher, por meio do voto, a confiança dos que o elegeram. Vivemos em uma democracia. A vontade do cidadão é que prevalece. O fundamental, a meu ver, é a consciência de quem atua na vida pública, na atividade política, de saber identificar o reconhecimento público como estímulo, como aquilo que o revigora e o coloca cada vez mais empenhado e determinado. Em síntese, a renovação do mandato representa a renovação da confiança pelo trabalho realizado. Mandatos repetidos são respeitados nesta visão e nesta dimensão. □


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Visita do novo reitor

O novo reitor da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), Dagoberto Alves de Almeida, visitou o prefeito Damon

Lázaro de Sena (PV), acompanhado de seus assessores Marcel da Costa Parentoni e José Eugênio de Almeida. Sem uma

pauta oficial, Dagoberto – que assumiu a reitoria da universidade no dia 26 de dezembro – desejou boa gestão a Damon. Na ocasião, aproveitou para comunicar ao prefeito a formatura dos primeiros estudantes do campus de Itabira, no dia 15 de fevereiro. Com o intuito de manter um bom relacionamento com o Executivo, Dagoberto convidou o prefeito e seus assessores para conhecer o campus da universidade em Itajubá e os projetos lá desenvolvidos. Damon atendeu o convite e agendou a visita para o dia 21 de janeiro.


Além de assumir a administração de Morro do Pilar pelos próximos quatro anos, Vilma Diniz (PTC) também foi escolhida para presidir a Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Espinhaço (Amme). Eleita por unanimidade, Vilma se surpreendeu com a indicação e apoio dos demais prefeitos. Diversos municípios, como Morro do Pilar, Ferros, Congonhas do Norte, Conceição do Mato Dentro, Carmésia, São Sebastião do Rio Preto, Itambé do Mato Dentro, Santo Antônio do Rio Abaixo e Dom Joaquim fazem parte da Associação, que está apta a acolher novos associados. Esta, inclusive, é uma meta de trabalho da nova presidente. Vilma afirma que a entidade, como representante de uma região que tem um futuro promissor – principalmente por causa dos grandes projetos minerários –, exerce um papel fundamental na busca por recursos junto aos governos estadual e federal. “A Associação nos torna muito mais fortes, principalmente porque temos condições de negociar em conjunto”, ressalta.

Nova presidente da Amme


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Prata na presidência O prefeito de São Domingos do Prata, Fernando Rolla (PSDB), tomou posse em 3 de janeiro como novo presidente da Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Piracicaba (Amepi). A solenidade ocorreu no Ideal Clube, em João Monlevade. O chefe do Executivo de Itabira, Damon Lázaro de Sena (PV), assumiu como vice-presidente da entidade. Nos discursos, promessas de integração regional para o desenvolvimento dos municípios. O novo presidente disse que a entidade precisa continuar com a vigília permanente pela duplicação da BR-381. O prefeito do Prata também quer que as cidades sejam parceiras das grandes empresas e que formem um fórum permanente com os secretários municipais

para que eles se ajudem nas resoluções de problemas. Outra meta é consolidar junto ao Governo do Estado a criação de um aeroporto regional.

Fernando Rolla assume a presidência no lugar do agora ex-prefeito de Dom Silvério, José Maria Repolês (PMDB). O mandato é de dois anos.

Asfaltamento Barão-Caeté

A expectativa dos moradores e empresários das cidades de Barão de Cocais, Santa Bárbara, Catas Altas e outras cidades do entorno é grande quanto ao

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asfaltamento do trecho entre Barão e Caeté. De acordo com o coordenador regional do DER, Álvaro Goulart, com a conclusão da obra, a estrada será uma

alternativa à BR-381, para quem for viajar a Belo Horizonte. Algumas empresas também estão ansiosas para ver a obra pronta. Uma delas é a Msol, que tem projeto de mineração em Brumal (Santa Bárbara) e precisa usar a rodovia da morte para transportar cargas até Caeté e outras cidades da região metropolitana da capital. O projeto contempla serviços de melhoramento e pavimentação dos 24,6 km de extensão na rodovia MGC-262 e implantação de pavimentação e restauração com aumento da capacidade no Contorno de Barão de Cocais, com 3,9km de extensão. A obra integra o Programa “Caminhos de Minas”, do Governo do Estado.


Aos 45 do segundo tempo

Após intensa movimentação na manhã do dia 12 de janeiro para retirada dos pertences do Mercado Municipal Caio Martins da Costa, em Itabira, os comerciantes foram surpreendidos com uma decisão que mudou o rumo da história, ou, pelo menos, adiou o fim. Duas liminares, uma concedida pelo desembargador plantonista Afrânio Vilela e outra pela desembargadora Heloisa Combat, determinaram a suspensão imediata de qualquer medida para desocupação do imóvel. A decisão visava evitar maiores danos aos comerciantes, que permanecerão em suas lojas até que seja julgado o pedido de perícia no local, impetrado pelo advogado Leonardo Militão. O novo prazo de permanência no Mercado pode se estender até abril deste ano. Os documentos foram emitidos em caráter de urgência e expedidos pelo juiz de plantão Murilo Silvio de Abreu, que estava em Ferros.


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Agora só falta o recurso Além de ceder parte de sua outorga, a Vale elaborou e entregou à Prefeitura de Itabira o projeto de captação de água na barragem Santana. O projeto é um dos três em andamento no município que visam solucionar o problema de abastecimento da cidade.

Com o estudo técnico em mãos, faltam os R$ 10 milhões para a obra de fato, que prevê captação de 100 l/s. Segundo técnicos da Vale e do Saae, a barragem Santana adicionará 25% de água ao sistema atual do Saae, que já opera abaixo do recomendado.

A água será tratada na estação dos Gatos, que precisará ser ampliada. Depois do tratamento, abastecerá o reservatório do Campestre, que também precisa de reformas. Os 100 l/s cedidos ao município fazem parte da outorga de 450 l/s da mineradora, utilizados na usina Cauê.

Ufop em São Gonçalo

Antes de deixar a Prefeitura de São Gonçalo do Rio Abaixo, Raimundo Nonato Barcelos, o Nozinho, assinou com a reitoria da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) um protocolo de intenções para a implantação de um campus universitário no município. Com a assinatura do protocolo, uma

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comissão formada por representantes da Ufop e da Prefeitura iniciarão os trabalhos para a implementação do campus, que ofertará cursos de engenharia e de outras áreas. Para 2013 serão implantados o Colégio de Aplicação, laboratórios e o Centro de Estudos e Pesquisa. Segundo consta no documento, o

protocolo foi firmado porque o município tem como metas prioritárias o desenvolvimento econômico e social, a caracterização como polo de ensino e pesquisa de estudos de graduação e de pós-graduação de alta qualidade, e a sua vocação como parque tecnológico para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia.


Mudanças no Samu

Uma longa entrevista coletiva, concedida na manhã do dia 9 de janeiro pelo prefeito itabirano Damon Lázaro de Sena (PV) e seu secretário de Saúde, Reynaldo Damasceno, informou à imprensa detalhes das mudanças que ocorrerão no Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu). Na ocasião, os gestores afirmaram que a central de regulação (que recebe as ligações do 192) será

mesmo transferida para Belo Horizonte até o fim deste ano. Para que isso aconteça, Itabira aderiu ao Consórcio Intermunicipal Aliança pela Saúde (Cias), que integrará 104 municípios. Prefeito e secretário disseram que, apesar de muitas pessoas temerem atrasos nos atendimentos, isso não ocorrerá. Pelo contrário, o tempo de resposta será reduzido.

Apesar de o atendimento ser centralizado na capital, haverá uma descentralização de ambulâncias, inclusive com a criação de unidades do Samu em João Monlevade, Guanhães, Barão de Cocais e Ferros. Assim, a demanda hoje atendida somente pelo Samu de Itabira seria diluída, bem como os custos. “Precisamos pensar na região também”, disse Damon, ao afirmar que todos sairão ganhando.


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Unidos pela Amig

O prefeito de Mariana, Celso Cotta (PSDB), é o novo presidente da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (Amig). A eleição da nova diretoria aconteceu durante assembleia com os prefeitos no dia 14 de janeiro. O prefeito de Catas Altas, Saulo de Castro (PT), ficou com a vice-presidência

A Amig, pioneira no estado, é também a maior associação de municípios mineradores do Brasil, com 41 municípios. O prefeito de Itabira, Damon Lázaro de Sena (PV), tinha intenção de disputar a eleição, compondo chapa com Saulo de Castro. Após entendimentos, entretanto, Saulo preferiu unir-se a Celso em chapa única.

Novo hotel em Santa Maria Estimulado pelo projeto minerário da Manabi, que vai explorar a serra do Morro Escuro, o grupo empresarial Família Pires vai construir mais um hotel em Santa Maria de Itabira. O empreendimento terá 70 apartamentos (categoria econômico) divididos em quatro andares. O prédio será erguido na mesma área onde está sendo construído o novo posto de combustível da rede, no bairro Lambari. Os empresários afirmam que estão negociando com uma bandeira internacional, uma das maiores do mundo. De acordo com Dawisson Lage, diretor da empresa, a primeira metade dos apartamentos deve ser concluída no segundo semestre de 2014, ano da Copa do Mundo no Brasil. A outra metade será feita de acordo com a demanda. Com experiência de mais de 30 anos no ramo hoteleiro, o grupo Família Pires é dono de hotéis, postos, restaurantes e padarias em Itabira e em Santa Maria de Itabira. A empresa administra também hotéis em Montes Claros e em Contagem.

Apolo pode ser autorizado As discussões sobre a viabilidade do projeto Apolo, da Vale, com investimentos estimados em R$ 4 bilhões, parecem, enfim, caminhar para um desfecho favorável. Segundo reportagem do jornal Diário do Comércio, para a instalação do complexo se concretizar, tanto a mineradora quanto o Instituto Chico Mendes da

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Biodiversidade (ICMBio) e os governos federal e estadual terão que fazer concessões e implantar no local um tipo de atividade extrativa com impactos minimizados ao meio ambiente. O maior desafio do projeto é a criação do Parque Nacional das Águas do Gandarela, dentro do qual há reservas mine-

rais. Ambientalistas tentam articular com a mineradora, detentora de grande parte das terras destinadas à reserva ambiental, uma participação efetiva em relação à criação do parque, inclusive em termos de investimentos. Se o Apolo sair do papel, as principais cidades beneficiadas serão Santa Bárbara e Caeté, que dividem a mina.


Ranking da Cfem A arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem) em Minas Gerais atingiu o recorde de R$ 974,497 milhões em 2012. O valor é 23,5% superior ao verificado no ano anterior, conforme informações do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).

Por concentrar grandes operações de extração de minério da Vale, Itabira foi a segunda cidade que mais arrecadou, atrás apenas de Nova Lima, na região metropolitana da capital. O município cresceu 12,1% na comparação com o ano anterior, passando de R$ 118,150 milhões para R$ 132,525 milhões.

O resultado foi obtido em meio à volatilidade da cotação da principal fonte da Cfem em Minas, o minério de ferro. O crescimento foi impulsionado pelo reconhecimento por parte da Vale de uma dívida de R$ 1,4 bilhão com os municípios mineradores, que começou a ser quitada no ano passado.

Capacitados para o Minas-Rio A Anglo American promoveu a cerimônia de graduação dos 151 alunos do primeiro ciclo de cursos de capacitação profissional ministrados pela empresa em parceria com o Senai. O objetivo é qualificar e aproveitar a mão de obra local para trabalhar nas operações do Projeto Minas-Rio. O evento aconteceu em

Conceição do Mato Dentro. Os 151 estudantes graduaram-se nos cursos de mecânico de equipamento de mina, operador de planta de beneficiamento, mecânico de instalações industriais, eletricista de planta de beneficiamento e mineroduto e soldador de instalações industriais. Os alunos são de Conceição do

Mato Dentro, Alvorada de Minas, Dom Joaquim e seus distritos. Além das aulas teóricas e práticas, os aprendizes tiveram a oportunidade de participar de visitas guiadas às obras do Projeto Minas-Rio, além de assistir palestras ministradas por especialistas da Anglo American. O segundo ciclo de cursos já começou.


DeFato

Gente e fatos

32 anos de vereança Os vereadores de Itabira fizeram uma homenagem ao colega José Celso de Assis (PR) pelos seus 32 anos como representante do Legislativo Municipal. A Moção de Aplausos foi entregue durante a última reunião ordinária de 2012 e marcou a despedida de José Celso. No final da reunião, o homenageado usou a tribuna para discursar. Ele fez questão de agradecer um por um dos colegas vereadores e também a seus familiares, presentes na sessão.

Uma vez padeiro, sempre padeiro Tão logo deixou a Prefeitura de Itabira, onde atuou por 12 anos, João Izael Querino Coelho voltou às suas atividades empresariais. O ex-prefeito recomeçou sua rotina de padeiro, na padaria São João, fundada por ele há 33 anos. João começou cedo no ramo, aos 12 anos. Foi funcionário da padaria Itabirana e da Central, onde chegou à gerência, e também em uma empresa que vendia doces por atacado, no bairro Pará. Depois, descobriu que poderia trabalhar por conta própria e abriu sua empresa, que funcionou em outro ponto do bairro Caminho Novo antes de atender no endereço atual.

Longe do gabinete oficial, o ex-prefeito-empresário, de 59 anos, brinca sobre expandir seus negócios: “Até já pensei nisso antes de entrar para a vida

pública, mas agora não tenho mais idade”. A respeito de continuar fazendo política, contudo, não descarta outras disputas futuras.


Adeus a Sr. Divaldo

Santa-mariense, apaixonado pelo futebol amador e dono de uma das lojas mais tradicionais de Itabira, o empresário Divaldo Pires Lage, 77 anos, morreu na tarde do dia 7 de janeiro, vítima de enfisema pulmonar. Divaldo estava internado desde o dia 28 de dezembro no Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD), em Itabira. O corpo foi velado no Cemitério da Paz, em Itabira, e na igreja Matriz, em Santa Maria de Itabira. O empresário faria 78 anos no dia 8 de fevereiro. À frente da loja A Nossa Casa, Divaldo trabalhou por mais de 50 anos. Praticamente todos os itabiranos já compraram seus produtos. Sempre envolvido com o Campeonato Amador itabirano, representava o Santa Maria Esporte Clube. Divaldo era casado com Maria Nelza, 72, e não tinha filhos.

Nunca é tarde para aprender

Durante três anos, das 19h às 21h30, eles estiveram todos os dias na sala de aula. Aprenderam matemática, português, história, geografia, fizeram redações, tarefas e trabalhos em grupo. Um cotidiano aparentemente normal, se não fosse por um detalhe: os estudantes em questão já passaram dos 65 anos. Movidos pela vontade de aprender, os casais Terezinha Gonçalves Vieira, 65 anos, e Juventino Teodoro Vieira, 76, junto de Maria Geralda Ferreira Martins, 68, e Franklin Flaviano Martins, 81, concluíram o Ensino Fundamental em dezembro de 2012. Eles estudaram no Colégio Nossa Senhora das Dores

(CNSD), em Itabira, através do projeto Educação para Jovens e Adultos (EJA), e provaram que não há idade para se realizar um sonho. Para os jovens que estão desestimu-

lados com os estudos, um exemplo e tanto. E se engana quem pensa que eles pararam por aqui. Maria Geralda já está matriculada para começar o Ensino Médio. O mesmo fará Terezinha e o marido.


Amig

Foto: Glenio Campregher

DeFato

Em defesa

das cidades mineradoras

Prestes a encerrar o mandato de presidente da Amig, Toninho Timbira traçou um panorama do que foi feito em favor dos municípios mineradores durante a sua gestão

À

frente da presidência da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (Amig) desde 2009, o ex-prefeito de Santa Bárbara, Antônio Eduardo Martins, mais conhecido como Toninho Timbira, conclui o segundo mandato e aponta as principais conquistas da associação, após mais de 20 anos de fundação. Além da experiência de auxiliar os gestores de 41 municípios mineradores do estado, Timbira fala de suas expectativas em relação ao futuro da associação, que passará a ser presidida pelo prefeito de Mariana, Celso Cotta, tendo Saulo de Castro, de Catas Altas, como vice. Com o fim do seu mandato na Amig, como o senhor descreve a experiência de presidir a associação? A Amig tem particularidades às restantes associações regionais e estaduais? A Amig, que neste ano comemora seus 24 anos, é uma entidade que nasceu com o firme propósito de defender os interesses dos municípios mineradores na promoção de desenvolvimento sustentável, com geração de investimentos

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para a melhoria da qualidade de vida e na conquista de recursos para infraestrutura, saúde, educação e preservação do meio ambiente. Com trabalho e dedicação, a Amig conquistou, ao longo de sua história, a confiabilidade dos principais municípios mineradores e, graças ao seu empenho, tornou-se uma entidade de referência nacional. A nossa administração estabeleceu como principais ações manter a integração e unificação de informações em prol do desenvolvimento das regiões mineradoras, com o propósito de também deixar importantes marcas e conquistas para os municípios associados, que hoje totalizam 41 cidades. Qual a importância da Amig no panorama político mineiro? Somos uma entidade política, apartidária, que congrega grandes prefeituras de Minas Gerais e temos como missão defender os interesses e os direitos dos municípios, a fim de capacitá-los para uma gestão eficiente, principalmente no que diz respeito à Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM). A Amig atua como estrutura de articulação política e se posiciona frente aos poderes Executivo, Legislativo e iniciativa privada como representante legítima de 40 cidades mineiras que têm na mineração importante fonte de arrecadação. Atualmente, a Amig é fundamental para os municípios mineradores por ter como uma de suas principais bandeiras a instituição do novo Marco Regulatório da Mineração, que tem por objetivo auxiliar o crescimento da mineração brasileira. O texto está sendo elaborado pela Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia, e conta com a colaboração de representantes do setor, entre eles, a própria Amig e a sociedade civil. Quais os principais motivos de satisfação após estes dois mandatos, que totalizaram quatros anos como presidente? E as maiores desilusões? Faço parte da diretoria da Amig desde 2009. Em fevereiro de 2011, tive a honra de ser reeleito presidente e estarei à frente da instituição até fevereiro de 2013. Graças à sua legitimidade, a Amig alcançou muitas conquistas, junto e a partir do

trabalho de todos os prefeitos e da equipe de funcionários. Assim, o balanço que fazemos durante a nossa administração é muito positivo. Se o nosso projeto de administração era uma promessa, hoje ele tornou-se uma realidade com o início do recebimento de dívida de royalties. Essa vitória é fruto de um trabalho árduo de convencimento e de muitas negociações com a mineradora. Esse aumento no volume dos recursos é muito importante para os municípios, pois favorece seu desenvolvimento e essa conquista referendou, no final de 2012, a nossa administração e a nossa forma de governar, cujo estilo mais essencial consiste no respeito às pessoas e no trabalho coletivo.

“Deixamos legado no pagamento da antiga dívida da CFEM por parte da Vale e o fim das deduções consideradas indevidas no transporte de minerais” Além disso, a associação já contabiliza conquistas ao longo de sua trajetória, deixadas pelos vários presidentes. Entre elas estão: a extinção do IUM e, consequentemente, a criação do percentual específico de 5,61% de ICMS, que compensou as perdas dos municípios; a proposição de diversas alterações no site do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), para garantir um diálogo mais rápido entre os municípios e o órgão; atuação ativa para que fosse instituída uma nova comissão permanente na Assembleia Legislativa de Minas Gerais; a conquista de um avanço histórico no diálogo com as mineradoras, para pagamento da dívida referente aos últimos 15 anos dos recursos da CFEM, além da instituição ter selado importantes parcerias, especialmente com o Instituto de Desenvolvimento Integrado (INDI) e com a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (Sectes). Vou continuar acompanhando a presidente Dilma quanto ao compromisso com as questões da mineração, promessa feita na época em que ocupou o cargo de ministra das Minas e

Energia, quando fomentou a discussão de um Novo Marco Regulatório. Ela já demonstrou publicamente sua posição a favor dos municípios mineradores e seu interesse pela causa. Termos certeza que, em breve, teremos um novo cenário para a mineração. Qual caminho a Amig deve percorrer no futuro? A Amig deve continuar a defender a mineração como uma atividade indutora do desenvolvimento sustentável dos municípios mineradores, principalmente, em virtude do caráter finito das reservas minerais. Para isso, os municípios afiliados têm acesso a diversos benefícios que auxiliam os gestores em prol de uma administração segura e eficiente, além de informações e serviços disponíveis de caráter técnico-administrativo para os municípios associados, órgãos públicos e associações. A Amig também é responsável por acompanhar a fiscalização do repasse da arrecadação, devida aos municípios associados por meio de convênios, audiências, ações e intercâmbio de informações. As eleições federais e estaduais para escolha dos nossos deputados serão em 2014. Pensa em candidatar-se? Ainda não está nos meus planos, mas garanto que meu nome estará à disposição da população mineira e principalmente santa-barbarense, se preciso for. Qual a mensagem final que o senhor quer deixar para a sociedade mineira e aos associados da Amig? A minha primeira palavra é de gratidão. Como escreveu um filósofo: “a gratidão não é só a maior das virtudes, como também a origem de todas as outras”. Agradeço a Deus, a minha família, a todos os nossos correligionários, companheiros, especialmente, a todos os prefeitos que me reconduziram a este cargo. Tenho muito orgulho em ter sido eleito presidente da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais. Tenho convicção de que podemos continuar fazendo grandes parcerias e que iremos superar o momento econômico turbulento pelo qual passam os pequenos e médios municípios de Minas Gerais. □ JANEIRO, 2013 defatoonline.com.br

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DeFato

Perfil

Meio século

em oito anos Sob os cuidados de Nozinho, São Gonçalo do Rio Abaixo recebeu investimentos como nunca entre 2004 e 2012

U

m dos prefeitos mais premiados de Minas Gerais nos últimos anos, Raimundo Nonato Barcelos, o Nozinho (PDT), deixou o município de São Gonçalo do Rio Abaixo pronto para seguir em frente. Calçamentos, construções de casas populares, de escolas, do Centro Cultural, asfaltamento de estradas rurais, viabilização de distritos industriais e diversos outros projetos saíram do papel durante o período em que ele esteve à frente do Executivo. “Posso afirmar, sem exageros, que nesses oito anos São Gonçalo cresceu quase meio século”, afirma. As obras, principalmente de asfaltamentos – como o da estrada que liga São Gonçalo a Itabira – ganham visibilidade por causa do volume. Mas não foram obras apenas que fizeram do governo Nozinho um dos melhores da região. Todos os setores públicos, especialmente educação e saúde, receberam recursos capazes de transformar a vida dos cidadãos são-gonçalenses. A mineração foi fundamental para o desenvolvimento de São Gonçalo, afinal, sem a atividade, a arrecadação do município não seria tão robusta e programas importantes não seriam realidade. De nada adiantaria, porém, um caixa volumoso se não houvesse planejamento. Com uma visão transformadora, foi exatamente o que No-

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zinho fez: elaborou projetos e aproveitou da melhor maneira possível o excelente momento econômico vivido desde que a mina Brucutu, da Vale, começou a operar. As premiações comprovam. Nozinho recebeu duas vezes o Prêmio Mineiro de Boas Práticas em Gestão da Associação Mineira dos Municípios (AMM), em 2011 e 2012. Também foi reconhecido pelo Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor – Juscelino Kubitschek em 2012, por incorporar a eficiência positiva da gestão empresarial à administração pública. E foram várias outras condecorações: Prêmio Gestor Eficiente da Merenda Escola por duas vezes (2009/2010); Medalha da Inconfidência, maior comenda concedida pelo Estado de Minas Gerais (2009); Excelência Administrativa, concedida em 2011 pela Câmara de São Gonçalo; Grande Medalha do Mérito Empresarial de Mariana, em 2011, entre outras. São Gonçalo também ficou em quinto lugar no Estado em um estudo inédito feito pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) sobre gestão fiscal dos municípios brasileiros. Mais uma prova de que o trabalho foi levado a sério. “Os investimentos em educação e cultura foram prioridades em nosso governo. Investimos muito também em ação social, com especial ênfase na moradia. Quanto às obras físicas, além do Centro Cultural, destaco o asfaltamento da rodovia que liga São Gonçalo a Itabira, pavimentação das estradas rurais, construção de avenidas, os postos de saúde e início

da construção do hospital municipal, além do Parque de Exposições e do Estádio Municipal”, afirma Nozinho. Antes de deixar a administração para seu sucessor, Antônio Carlos Noronha (PDT), Nozinho acertou os trâmites finais da concessão de terrenos para mais empresas atuarem nos distritos industriais. Também assinou protocolo de intenções com a Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). “Creio que o que mais marcou a nossa administração foi o investimento na autoestima da população. Hoje as pessoas têm orgulho de dizer que são de São Gonçalo”, ressalta. Por ser um dos líderes mais influentes da região, Nozinho foi escolhido para presidir a Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Piracicaba (Amepi). À frente da entidade, fez um trabalho pautado no dinamismo e valorização do cooperativismo, promovendo uma união dos prefeitos associados em busca de soluções para alavancar o crescimento regional. Com a mesma visão atuou também como diretor da Associação dos Municípios Mineradores (Amig), uma das mais importantes do Brasil. Durante este período, participou de todas as decisões importantes e defendeu os interesses de São Gonçalo e de todas as cidades mineradoras do estado. Sobre a continuidade de sua vida política, Raimundo Nonato Barcelos afirma: “Estive e estarei sempre pronto para o trabalho”. □


Débora Guimarães

“O que mais marcou a nossa administração foi o investimento na autoestima da população. Hoje as pessoas têm orgulho de dizer que são de São Gonçalo”


DeFato

Amepi

Um grande

legado

J Rodrigo Andrade

osé Maria Repolês é a prova de que um administrador, quando é bom, se destaca em pequenas ou grandes empreitadas. Seja como prefeito da pacata Dom Silvério, com aproximadamente 5 mil habitantes, ou como pre-

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sidente da Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Piracicaba (Amepi), que reúne 15 cidades, incluindo as populosas Itabira e João Monlevade, conseguiu se destacar e deixar os dois postos com a sensação de dever

José Maria Repolês deixa a presidêcia da Amepi com o dever cumprido: obras marcantes e a integração regional mais forte que nunca

cumprido. O discurso da integração regional sempre foi a marca de José Maria Repolês enquanto presidente da Amepi. Por causa disso, promoveu, durante a sua gestão, reuniões itinerantes pelos muni-


Fotos: DeFato

Discurso durante solenidade de posse da nova diretoria é otimista: “Deixo a Amepi em boas mãos” cípios que integram a associação. Além disso, sempre pautou a discussão de problemas e a resolução deles em conjunto. Valia o velho ditado de que várias cabeças pensam melhor do que uma. Prova desse pensamento foi a força de trabalho montada para solucionar o problema da estrada do Jacuí, entre João Monlevade e Rio Piracicaba. Os temporais do início do ano passado destruíram completamente o asfalto e fizeram uma cratera no local. A Amepi assumiu a responsabilidade de ajudar, já que a Prefeitura monlevadense alegou falta de dinheiro. Várias entidades foram envolvidas e doações conquistadas. A obra ainda não começou, mas tudo o que foi levantado vai aliviar a tarefa da nova Administração de Monlevade. No dia 19 de dezembro, quando

entregou a sua última obra à frente da Amepi, na sede da instituição, em Monlevade, José Maria Repolês demonstrou muita emoção. Ele agradeceu pela confiança que os demais prefeitos depositaram em sua administração à frente da entidade. Citou que vinha de uma pequena cidade, mas que isso não foi motivo de desconfiança em seu trabalho.“A Amepi é uma das associações mais importantes de Minas Gerais e estou muito orgulhoso de ter presidido esta instituição”, declarou. Sempre que discursou em eventos da Amepi, José Maria chamou atenção para que a região reconhecesse o seu valor e sua grandeza, principalmente no campo econômico, para o estado de Minas Gerais. Pólos em mineração e em siderurgia, os municípios do Médio Pi-

racicaba contribuem com muita riqueza para o estado e, por isso, têm o direito de reivindicar cada vez mais benefícios. BR-381: vigília permanente A BR-381 mereceu atenção especial da Amepi durante a administração de Repolês. A associação montou uma verdadeira vigília em torno dos desdobramentos para a duplicação da rodovia: viagens à Brasília, cartas à presidente Dilma Rousseff, ao vice Michel Temmer e aos dirigentes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Sempre com o intuíto de mostrar a calamidade que é a estrada e com o pedido de agilidade para a duplicação. Tanto esforço deu certo. No fim do ano passado, o Governo Federal anunciou a licitação para os primeiros lotes da rodovia. Mesmo assim, Repolês ainda manteve a postura de continuar a cobrança. Reuniu a imprensa e reclamou que a Amepi não foi convidada para o anúncio oficial, na sede do Governo de Minas. Era mais uma demonstração do quanto tinha de consideração pela entidade: importante demais para ficar de fora de um momento tão solene. José Maria Repolês se encontrou posteriormente com o governador Antônio Anastasia e mostrou a preocupação que tinha com o fluxo de veículos durante as obras na 381. O presidente da Amepi queria garantias de que estradas alternativas seriam melhoradas pelo Governo do Estado. “A região não pode parar enquanto as obras acontecem”, alertou.

“A Amepi é uma das associações mais importantes de Minas Gerais e estou muito orgulhoso de ter presidido esta instituição” José Maria recebe homenagem da entidade em reconhecimento aos feitos de sua gestão. A neta fez a entrega JANEIRO, 2013 defatoonline.com.br

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Fotos: Divulgação Amepi

Teófilo Torres, Aguinaldo Diniz (sub-secretário de Assuntos Municipais do Governo de Minas) e José Maria Repolês se reuniram para discutir obras do Jacuí Final com obras O final do mandato de José Maria Repolês na presidência da associação foi marcado com duas importantes obras: ampliação do prédio da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg), em João Monlevade, com a construção de 8 salas, banheiros e rampas de acessibilidade; e uma nova ala na sede da Amepi, com mais banheiros e uma sala multiuso. Na Uemg, a Amepi foi responsável por gerenciar uma verba de emenda parlamentar do então deputado estadual Mauri Torres para a construção do terceiro andar no prédio da instituição. Durante a inauguração, em dezembro, José Maria Repolês falou da satisfação que é investir em educação e disse ser “um cara politicamente realizado”. O Diretor da Uemg, José Arnaldo da Matta Machado, agradeceu a parceria e enalteceu o trabalho da Amepi como intermediadora do convênio, frisando que foi uma obra de grande importância para a estrutura da Faculdade de Engenharia, que já não comportava mais a demanda. No mesmo dia da inauguração na Uemg, alguns dos prefeitos que integram a Amepi foram para a sede da entidade, onde foi entregue a obra de extensão e a sala multiuso Alice Lucca Quaresma, em homenagem à mãe do secretário executivo da associação, Eduardo José Quaresma. O encontro foi marcado por muita emoção. Repolês destacou que a homenagem foi uma forma de premiar todos os

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anos de trabalho do secretário na Amepi, com muita dedicação e competência. Outros benefícios Além das obras da Uemg e ampliação da Amepi, a adminsitração de Repolês também promoveu oferta de cursos de capacitação e fez parcerias com instituições como a Funcec na área cultural e a Uemg no campo de desenvolvimento de projetos ambientais. Outro ponto marcante foi a operacionalização do Núcleo Ambiental da Amepi, com diversas atividades ligadas às questões ambientais. Nesses dois últimos anos, a associação recebeu a visita de aproximadamente dois mil e quinhentos alunos

para programas como passeios na trilha, filmes educativos, atividades lúdicas e sensoriais, brincadeiras, gincanas e palestras sobre ecologia, saneamento e preservação do meio ambiente. Na estrutura administrativa, a gestão consolidou melhorias no Plano de Cargos e Salários, além do reenquadramento de pessoal e da instituição de uma cláusula no estatuto que garante estabilidade funcional ao funcionário com mais de cinco anos de serviço, para que não haja dispensa por questões políticas. José Maria Repolês passou o bastão da presidência da Amepi para o prefeito de São Domingos do Prata, Fernando Rolla. Na festa da posse, no dia 3 de janeiro, o ex-presidente deu conselhos. Pediu que a missão pela integração regional fosse mantida e que o pensamento fosse sempre pelo fortalecimento dos municípios. “Somos uma das mais importantes entidades regionais de Minas Gerais e, porque não, do Brasil. Nossa região é próspera e contribui muito com as riquezas que aqui produzimos. Temos que representar essa importância também no campo político”, disse. Em tempos em que a classe política é tão desacreditada, fazer um trabalho sério pode até ser considerado uma virtude para alguns. Para José Maria Repolês, não passa de uma obrigação. “Posso sair às ruas tranquilamente e com a cabeça erguida”, respira aliviado o fazendei□ ro e ex-prefeito de Dom Silvério.

Incansável: Repolês cobrou do governador Anastasia sobre a duplicação da BR-381


Textos: Rodrigo Andrade Imagens: Arquivo DeFato


DeFato

1993

Capa

O primeiro ano de Li O empresário Olímpio Pires Guerra dá início ao seu governo e promete reestruturar Itabira

O

ano de 1993 foi marcado pelos 12 primeiros meses de mandato do prefeito Olímpio Pires Guerra, o Li, em Itabira. Há 20 anos, o novo chefe do Executivo assumia e já buscava maneiras de diversificar a economia do município. A criação da Agência de Desenvolvimento de Itabira (ADI) e do

Fundo de Desenvolvimento Econômico e Social de Itabira (Fundesi), foram alternativas que surgiram naquela época. Foi do prefeito a entrevista concedida à edição número um de Itabira e Centro Leste em Revista, o primeiro nome da DeFato. Li dizia que sua principal obra seria o capeamento da avenida João Pinheiro, até

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então dividida ao meio por um córrego que atraia urubus e exalava mau cheiro. O novo prefeito, embora tido como aliado à Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), disse em entrevista que não aceitaria que a mineradora ajudasse em obras estruturantes do município, por considerar ser essa uma obrigação da Pre-


feitura. O orçamento de quase Cr$ 1,5 trilhão, o sétimo maior de Minas Gerais, era tido como mais que suficiente. Como é hoje, a arrecadação gigantesca (mesmo levando em consideração a desvalorização da moeda Cruzeiro) era proveniente da presença da Vale. A preocupação com a diversificação econômica foi dando espaço a outro temor, ainda mais urgente. É que em meados de 1993 aumentaram os boatos em torno da privatização da CVRD. Nomes como o do ex-presidente do Sindicato Metabase, Milton Bueno, e do economista e colunista da revista, Renato Sampaio, além da classe política, passaram a se mobilizar contra a abertura do capital da até então empresa estatal. O medo era de que a cidade perderia o auxílio da mineradora em projetos, justamente quando a companhia se mostrava mais aberta a ajudar. Política

O ano de 93 foi movimentado na área da política. Além da chegada do empresário Li à Prefeitura, a Câmara de Vereadores aumentava o número de vagas de 15 para 19 vereadores. José Aparecido Guerra (Guerrinha) assumia como o mais votado. José Celso de Assis, aos 50 anos, já era o mais velho entre os legisladores. Na Câmara, muita movimentação em quatro Comissões Parlamenteres de Inquérito (CPIs). Duas delas, para investigar atos do ex-prefeito Luiz Menezes. Luiz Menezes foi o entrevistado na

edição de número cinco da Itabira e Centro Leste em Revista. Em maio de 1993, o ex-prefeito dizia estar tranquilo com a investigação que os vereadores promoviam e desafiava alguém a provar que tivesse furtado dez centavos que fosse dos cofres da Prefeitura. As fofocas políticas respingavam até no empresário Adicio Soares, o Adílson da Vale Verde. Já naquele ano ele se consolidava com um dos empresários mais prósperos de Itabira. Em entrevista, afirmou que nunca cometou atos ilíticos e disse que trabalhava muito para alcançar o sucesso. Cidade

Se atualmente já se discute medidas para melhorar o trânsito de Itabira, há 20 anos essa já era uma preocupação. Tanto que a matéria de capa de junho de 1993 já era sobre “o caos no centro da cidade”. Naquela época eram 25 mil carros nas ruas itabiranas, ou cerca de quatro para cada habitante. E, mesmo assim, o congestionamento nas vias centrais já apavorava. A Prefeitura de Itabira estudava contratar uma empresa de consultoria de trânsito para executar um grande trabalho de profundidade nas vias públicas da cidade. Em novembro, a revitalização da rua Água Santa ajudou na imagem que a cidade passava de ser feia e esburacada, como responderam motoristas pesquisados pela revista. A rua comercial foi re-

desenhada pela urbanista Ana Smidht. As obras incluiram a perfuração do solo para drenagem, construção de canaletas e asfaltamento, além de novos passeios, estacionamentos, redes pluviais, iluminação, aborização e pavimentação. Elefante branco

Uma obra muito conhecida da atual geração também já era assunto há 20 anos. O Center Shopping, que se popularizou como Elefante Branco, era anunciado com muito júbilo pelo empresário Dilton Coelho Jácome, um dos sócios da Itacon Engenharia. “Os tempos são outros, a forma de comércio evolui nos grandes centros, não podemos continuar ignorando esta transformação. Portanto, foi neste intuito que projetamos, na área mais nobre da cidade, o conceito de um verdadeiro shopping para Itabira”, disse. Funcesi Foi em 1993 que uma reunião histórica marcou o início da Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira (Funcesi). Capitaneados pelo bispo Dom Mário Teixeira Gurgel, cerca de 500 pessoas se reuníram na Catedral e decidiram criar a instituição. O contrato foi assinado no dia 5 de outubro. Dom Mário, aliás, era um líder não só religioso, mas também muito respeitado politicamente. Em entrevista a Itabira e Centro Leste em Revista, em junho, falou de temas variados e atacou a corrupção.

Edições de 7 a 12 JANEIRO, 2013 defatoonline.com.br

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DeFato

Capa

1994

Esquenta o clima entre Li e Luiz Menezes Política em Itabira fica tensa quando auditoria aponta rombo nos cofres da prefeitura

E

m 1994 a Seleção Brasileira sagrou-se tetracampeã mundial de futebol ao vencer a Copa dos Estados Unidos. Longe da festa do esporte, o clima na política esquentou de vez em Itabira. Tudo por causa de uma devassa que o prefeito Olímpio Pires Guerra (Li)

promoveu nas contas do último ano de governo do seu antecessor, Luiz Menezes. A auditoria apontou um rombo de mais de três milhões de dólares nos cofres da Prefeitura. As irregularidades foram desmentidas por Luiz Menezes. O segundo ano de Itabira e Centro

Edições de 13 a 18

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Leste em Revista começou com mais uma entrevista do prefeito Li, logo em janeiro, para falar de seus primeiros 12 meses de mandato. O chefe do Executivo disse ter feito 400 obras em um ano. Em fevereiro saiu o resultado da consultoria promovida pela equipe de Li. O resultado foi um


rombo de US$ 3,5 milhões, originados de superfaturamentos e obras fantasmas, segundo o laudo. Luiz Menezes desmentiu qualquer tipo de irregularidade em seu governo. Em entrevista à reportagem de Itabira e Centro Leste em Revista, disse: “Quero ver a onça que vem por aí, porque não tenho medo dela”. Depois, em sua Rádio Itabira, fez desafios ao prefeito Li. A Câmara de Vereadores e outras entidades prometeram dar continuidade com as acusações. Pela cidade, outdoors pediam a apuração do fato. Na porta da Casa do Legislativo, estudantes da Faculdade de Ciências Humanas de Itabira (Fachi) fizeram protesto pela moralidade. O Ministério Público recebeu os documentos para proceder a investigação, montou uma central de trabalhos e acabou abrindo processo contra Luiz Menezes, três funcionários públicos e três empreiteiras. Obras

Em 1994, grandes obras tiveram início ou foram inauguradas em Itabira. A avenida João Pinheiro começou a ser totalmente remodelada em 18 de abril, com orçamento previsto de US$ 1,2 milhão. Em agosto foi concluído, em defitinivo, o Pronto Socorro Municipal, que embora já tivesse sido inaugurado no goveno de Luiz Menezes, ainda não estava pronto. No dia 13 de agosto foi lançado, em parceria com a mineradora Vale, o 2º Distrito Industrial de Itabira. O terreno

era dividido em 60 lotes, com extensão total de 33 metros quadrados. No aniversário da cidade, em outubro, uma série de inauguração: Praças, viadutos, pontes nas áreas rurais, além do matadouro municipal. Venda da Vale

Naquele ano o que já era forte ficou ainda mais. Era questão de tempo para a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) ser privatizada. A edição de dezembro ousou e trouxe na capa um anúncio de venda da empresa: “Vende-se - Empresa diversificada, altamente rentável, operando em várias partes do Brasil com minério de ferro, florestas, celulose, alumínio, manganês, potássio, ouro, titânio, cobre, transportes ferroviário e marítimo. Tratar à avenida Graça Aranha, 26, 1ºandar, Rio de Janeiro, Brasil, América do Sul, ou no Palácio do Planalto, em Brasília, DF, com Itamar ou Fernando Henrique”. As opiniões das lideranças políticas e empresariais de Itabira eram contrárias à privatização da Vale. Naquela época, a reportagem de Itabira e Centro Leste em Revista foi até Timóteo, para ver o exemplo da Acesita, que acabara de ser privatizada. Lá, apesar de algumas opiniões contrárias, a venda era aprovada pela maioria dos entrevistados. Na contramão do medo pela venda, o superintendente das minas de Itabira, Ricardo Dequech, em entrevista em setembro, falou sobre a relação da minera-

dora com a comunidade e afirmou que a empresa jamais deixaria o município, por causa do “patrimônio fabuloso” que mantinha. Valério

O Valeriodoce vivia tempos áureos nos anos 90. Em 1994, o time de futebol comandado pelo uruguaio Ricardo Estade disputou a Série C do Campeonato Brasileiro e não fez papel ruim. Terminou na sexta colocação. No volêi, o Valério/Bretas, com apoio da Prefeitura de Itabira e do jogador Talmo Curto de Oliveira, que defendia o Palmeiras, conseguiu montar uma grande equipe e passou pela seletiva para disputar a Liga Nacional em 1995. Com estrutura, o clube de Itabira era tido como promessa para ser um dos maiores do país. Região Em 1994 a revista ficou mais forte pela região. Consolidada em Itabira, a publicação passou a mostrar mais cidades vizinhas, especialmente aquelas que apresentavam belezas naturais invejáveis. É o caso de São Sebastião do Rio Preto, capa da edição de janeiro, e Conceição do Mato Dentro, principal reportagem de março. Santa Bárbara também ganhou reportagem especial, em março. Além dessas, várias outras cidades sempre tinham espaço reservado para suas notícias mais interessantes.

Edições de 19 a 24 JANEIRO, 2013 defatoonline.com.br

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DeFato

1995

Capa

Itabira se une contra venda da Vale Em Itabira, um movimento pelo impedimento da privatização ganhou força e reuniu autoridades até nacionais

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venda da então Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) era iminente no ano de 1995. Com a política de desestatização das empresas adotada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), a mineradora era uma das próximas da lista a ter o capital aberto a compradores. Em Itabira, um movimento pelo impedimento da privatização ganhou força e reuniu autoridades políticas municipais, estaduais e até nacionais, além de líderes sindicais e comunitários. Naquela época, a Vale era uma empresa que operava em 9 estados brasileiros por meio de 14 empresas controladas e 26 coligadas. Em abril, o prefeito Olímpio Pires Guerra enviou carta ao presidente FHC exigindo a participação de Itabira nas discussões sobre a privatização. O chefe do Executivo até viajou à cidade de Volta Redonda, no Rio de Janeiro, para ter noção de como estava o município após a privatização

da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Na festa do trabalhador, em 1º de maio, uma grande manifestação foi realizada no Clube Campestre do Sindicato Metabase. O maior dos atos, porém, foi no dia 2 de junho, um dia depois do aniversário de 53 anos da Vale. No período da tarde, várias autoridades políticas subiram no palanque para discursar contra a venda. Estavam em Itabira figuras como o governador do Espírito Santo, Vitor Buaiz; o ex-governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola; o ex-ministro de Minas e Energia, Aureliano Chaves; e o senador José Eduardo Dutra, de Sergipe. Uma das estrelas principais, Luiz Inácio Lula da Silva, chegou mais tarde e discursou em outra manifestação, realizada no período noturno, na rua Irmão D’Caux. Cerca de 20 mil pessoas participaram da manifestação que terminou com show de Fafá de Belém. Em se-

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guida, o mesmo movimento aconteceu em Vitória, Belém do Pará, São Luís do Maranhão e Belo Horizonte. A mesma edição de julho que falou sobre o que aconteceu no grande ato de 2 de junho também trouxe entrevista com o deputado Maurício Campos, que era majoritário em Itabira. Ele defendia a privatização da Vale, desde que fosse a última das estatais vendidas e que a empresa “resgatasse a sua dívida social com Itabira e região”. Já trabalhando com a hipótese da privatização, os itabiranos esperavam definir um conjunto de reivindicações à empresa, que seriam universiade, rodovias e outros empreendimentos vultuosos. DeFato

Na edição de novembro de 1995 foi a primeira vez em que a revista circulou com o nome de DeFato. Na carta ao leitor, a editoria explica os motivos pela mudança da marca e comenta que


o novo nome nasceu depois de intensa pesquisa. “... queremos que DeFato de fato resista a tudo para continuar, como Itabira e Centro-Leste em Revista o foi, útil e fiel ao sentimento humano”, trazia o editorial. Política

Em 1995 tornou-se evidente o racha entre o prefeito Li e o vice Ademar Mendes de Souza. Desde a campanha os dois mantinham alguns pensamentos diferentes, mas a situação era tratada apenas como ideologias pessoais destoantes. No segundo ano de governo, porém, tornou-se insustentável a convivência. No caso da devassa nas contas do ex-prefeito Luiz Menezes a quebra de sigilo bancário do representante do PFL não encontrou irregularidades. Na Câmara, as contas do antigo governo foram aprovadas. TV Cultura

A TV Cultura de Itabira foi inaugurada em 23 de fevereiro de 1995, quando entrou no ar pela primeira vez. A princípio, tinha duas horas de programação local. “A TV será uma nova coqueluche? Não resta dúvida que sim. Somente se não souberem dirigí-la deixará de influir em alguma coisa”, trazia a reportagem que falava sobre o poder de persuasão da nova emissora. A primeira programação foi o Carnaval Abre Alas 95, com show do grupo Só Pra Contrariar.

Center Shopping

A edição de janeiro trouxe matéria sobre o Center Shopping. Os sócios anunciavam a inauguração da construção com área de 8,5 mil metros quadrados para o fim daquele ano. Entre os comerciantes, expectativa de ótimos negócios. O pensamento era que o empreendimento tinha tudo para dar certo. Problema antigo

A reportagem de capa do mês de abril destacava um problema antigo de Itabira: a falta de moradias em Itabira. “Não tem imóveis para alugar e os preços de venda são exorbitantes”, trazia a matéria que anunciava que esses problemas “davam cartão vermelho para o crescimento e o progresso”. Naquela época, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico se movimentava para trazer indústrias para Itabira. Eram anunciados 2 mil novos empregos para os próximos dois anos. Por falta de moradia, dezenas de famílias intalaram-se em Santa Maria de Itabira, Monlevade ou até mesmo Belo Horizonte. Não havia em Itabira lugares para alugar. E, nos poucos que tinham, o preço assustava. Catas Altas

Em junho, um dos destaques da revista era a emancipação de Catas Altas e a polêmica em torno da Serra do Caraça. Afinal, todo aquele patrimônio natural e cultural ficaria com Santa Bárbara ou

passaria a ser do novo município que estava prestes a surgir? Havia um acordo político para a emancipação desde 1992, mas só três anos depois é que as autoridades políticas santa-barbarenses se deram conta de que o Caraça ficava no distrito de pouco mais de 4 mil habitantes. Naquele momento, tudo indicava que era tarde demais para lutar pelo patrimônio. Geraldo

Matéria de capa de setembro é sobre Geraldo, craque que nasceu em Barão de Cocais e teve ascensão meteórica dentro do futebol. Começou a jogar em maio de 1966, com 12 anos, em Barão, nos campos amadores da cidade. Em 1969, com 15, chegou à escolinha do Flamengo. Em 1971 foi convocado para a Seleção Brasileira de Juniores. Em 1972, assumiu a camisa 8 do Flamengo. Em 73, com 20 anos, era convocado pela primeira vez por Oswaldo Brandão para a Seleção Brasileira principal. A carreira meteórica teve fim em 1976. O jogador, com 23 anos, após relutar por duas vezes, foi submetido à operação das amígdalas. Resultado da simples operação: a morte. Geraldo recebeu uma overdose de Valium (calmante) e por causa disso não resistiu. Em 1995 foi realizado o jogo da saudade em Barão de Cocais, com presença de jogadores como Zico, Evaldo, Natal, Reinaldo, Nelinho, Piazza, Luizinho, Paulo Isidoro, Joãozinho e outros.

Edições de 31 a 36 JANEIRO, 2013 defatoonline.com.br

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DeFato

1996

Capa

Uma nova João Pinheiro Após alguns contratempos, principal avenida de Itabira é reestruturada

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m 1996, Itabira viveu um ano de muitas inaugurações. A principal delas, sem dúvidas, foi a revitalização da avenida João Pinheiro, que teve o córrego que a dividia ao meio completamente fechado. Com o cumprimento da mais urgente promessa de campanha do prefeito Li, a cidade ganhava, definitivamente, o seu centro comercial mais forte e movimentado. A avenida João Pinheiro foi concluída em maio de 1996, mas só foi inaugurada em 7 de Setembro, com direito a ato cívico. Tamanha a imponência da obra, que DeFato até produziu um encarte especial sobre a importância e os impactos que a via revitalizada traria para Itabira. A obra foi marcada por muitos contratempos. A primeira empreteira a assumir foi a CMS, de Belo Horizonte, em abril 1994, que interrompeu os trabalhos em setembro do mesmo ano. Após nova licitação, a Construtora Opus reiniciou a reestruturação da avenida em 2 de maio de 1995. A firma também desistiu. A terceira empresa que assumiu foi a Belmont Constru-

ções e Transportes Ltda, com contrato iniciado em 27 de novembro de 1995 e que conduziu até o fim. No mês de agosto, outra inauguração importante foi a da escola Ipocarmo, entre os dois distritos de Itabira. A aula inaugural foi com o engenheiro florestal Evaldo Luiz Martins Vieira, diretor da instituição. A praça Laércio Brandão, inaugurada também em 7 de setembro, e a avenida Mariana, oficialmente entregue no dia 15, foram outras duas importantes obras em 1996. Jackson prefeito

Jackson Alberto de Pinho Tavares (PT) foi eleito o sucessor de Li em Itabira. O petista chegou à Prefeitura com 21.155 votos, ou 36,7% da preferência do eleitorado. Ele derrotou o ex-prefeito Luiz Menezes e o médico Leopoldo de Melo Castro. Durante o ano de 1996, a revista deu muito enfoque às movimentações políticas, inclusive com matérias de capas com os candidatos itabiranos. Pela região, levantamento da revista mostrou o crescimento da oposição. Em 21 municípios, somente em seis os

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prefeitos conseguiram eleger seus sucessores. Em Catas Altas, a eleição levou Juca Hosken a ser o primeiro prefeito do município. Incêndio

Um incêndio destruiu um casarão histórico no Centro de Itabira em junho de 1996. O incidente foi no dia 16, na rua Guarda Mór Custódio. O imóvel onde funcionava a Papelaria Estante foi consumido completamente pelas chamas. Dois jovens assumiram a autoria do incidente e pediram desculpas à proprietária. As famílias arcaram com os prejuízos. O alerta que a revista fez foi para a falta de uma brigada do corpo de bombeiros em Itabira. Mudanças

Duas mudanças significativas em 1996: na Vale, o engenheiro de minas Artur Eduardo Vilela assumiu a superintendência das minas de Itabira no lugar de Ricardo Dequech. Na Diocese Itabira-Coronel Fabriciano, o respeitado Dom Mário Teixeira Gurgel atingiu a idade limite e foi declarado bispo eméri-


to. O novo bispo passou a ser Dom Lélis Lara. 26º Batalhão

Em março de 1996 Itabira passou a ser sede do 26º Batalhão da Polícia Militar. Os militares eram comandados pelo tenente-coronel Jurandir Marcos Teixeira. No príncipio, a sede era no quartel localizado no bairro Clóvis Alvim II. A atual sede da PM, no bairro João XXIII, ainda estava em construção. O Batalhão tinha 250 policiais e 23 veículos.

O homem das cavernas

Em março de 1996, DeFato apresentou, pela primeira vez, Domingos Albino Ferreira, um homem que decidiu se isolar do mundo depois que se apaixonou por uma fazendeira rica. De origem pobre, optou por se esconder. Morava numa localidade afastada, em Itambé do Mato Dentro, onde ganhou fama de homem das cavernas. A modelo itabirana

A entrevistada da edição de dezem-

bro de 96 foi a jovem modelo Ana Beatriz Barros, até então com 14 anos. A itabirana havia acabado de ser a brasileira melhor classificada no concurso Elite Model Look. Entre milhares de participantes, com concorrentes do mundo inteiro, ficou em segundo lugar geral e assinou contrato de 100 mil dólares para dois anos de trabalho. Ana Beatriz já morava no Rio de Janeiro, mas se declarava apaixonada por Itabira. Naquela época, a jovem se mostrava assustada com o assédio e a fama instantânea.

Edições de 43 a 48 JANEIRO, 2013 defatoonline.com.br

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DeFato

1997

Capa

Vale deixa de ser estatal Privatização movimenta opiniões e economia itabirana

O

que era temido pelas lideranças políticas municipais e regionais e por boa parte da população itabirana aconteceu no dia

6 de maio de 1997: a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) foi privatizada pelo governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Na edição de junho,

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DeFato entrevistou o membro do Conselho de Administração da empresa, Francisco Valadares Póvoa, que morou por muito tempo em Itabira e era


cidadão honorário do município. Ele afirmou que a cidade ainda seria importante para a mineradora por muito tempo. Em Itabira, antes do anúncio da venda, ainda houve uma nova tentativa de protesto, em 14 de março, com presenças de lideranças políticas nacionais. O leilão estava inicialmente marcado para o dia 29 de abril, mas ações na justiça arrastaram a transação para que a empresa deixasse de ser estatal. Passada a venda, o posicionamento do município era não perder o contato e nem deixar que Itabira fosse prejudicada com a venda. Em evento no Plenário da Câmara, organizado pelo Sindicato Metabase em oututro de 1997, foi montado um grupo de trabalho para deliberar sobre como a cidade iria agir. Em outra reunião, no dia 25 de novembro, ficou definido que a Agência de Desenvolvimento de Itabira iria voltar a funcionar. Os representantes ainda queriam uma reunião com o presidente do Conselho de Administração da privatizada Companhia Vale do Rio Doce, Benjamin Steinbruch. Monlevade

As matérias regionais tiveram muito prestígio do ano de 1997. Especialmente a cidade de João Monlevade recebeu destaque nas páginas de DeFato. A cidade estava em um momento economicamente muito bom, puxado pelo desempenho da Belgo Mineira. Em tempos de vendas de empresas estatais, a siderúrgica era o exemplo de uma empresa privada bem administrada. Em outubro, uma matéria de DeFato deu a Monlevade o título de cidade do Terceiro Milênio.

Um mês antes, a Fundação Getúlio Vargas apontou o município como o 11º mais promissor de Minas Gerais. Na área cultural, o destaque foi a Família Alcântara, capa da revista de março em 1997. O grupo era formado por parentes que vieram da Angola para João Monlevade e espalhava a cultura africana pela região. Ficou tão famoso que a TV Nacional, da Angola, veio para fazer uma matéria sobre os cidadãos de lá que faziam sucesso no Brasil. Governo Jackson

O novo prefeito, Jackson Alberto de Pinho Tavares (PT), assumiu a Prefeitura com uma dívida de R$ 6,5 milhões. A matéria de capa de janeiro de 1997 foi com a história de vida do petista e a sua carreira política até chegar ao Poder Executivo municipal. Em junho, o prefeito entregou 68 casas populares aos desabrigados da chuva que causou destruição em janeiro de 97. As famílias estavam alojadas no Parque de Exposições de Itabira desde que perderam as moradias por causa do temporal. Ainda em Itabira, a sede do 26º Batalhão da Polícia Militar de Itabira, no bairro João XXIII, foi inaugurado no dia 8 de setembro. Em 15 de novembro, a Funcesi inaugurou o prédio na localidade de Córrego Seco, ao lado do prédio do Areão. Catas Altas

Em Catas Altas, o prédio da Prefeitura foi inaugurado em 25 de outubro. A sede do Poder Executivo foi transferida para um casarão com mais de 200 anos. Era o endereço definitivo do mais novo município da região, antigo distrito de Santa Bárbara.

Edições de 55 a 60 JANEIRO, 2013 defatoonline.com.br

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DeFato

1998

Capa

Pensando o futuro A busca pela diversificação era impulsionada

E

m 1998, a área econômica em Itabira era marcada por incertezas. Por vários meses, DeFato noticiou projetos que eram desenvolvidos para que a cidade deixasse de depender tanto da Companhia Vale do Rio Doce. A busca pela diversificação era impulsionada ainda mais diante do quadro de informações desencontradas sobre a empresa agora privatizada. O clima não era muito bom entre

a comunidade e a mineradora. Em fevereiro, durante audiência pública no teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade, centenas de itabiranos foram para reclamar, sobretudo, dos impactos ambientais da atividade de extração do minério de ferro. Na edição de junho, a matéria de capa foi com o diretor de Ferrosos do Sistema Sul da Vale, Thiers Manzano Bersotti, apontado como o novo ho-

mem forte da empresa em Itabira. Ele abordou temas como novos investimentos, mas falou, principalmente, do relacionamento com a comunidade. Disse que esperava se reunir em breve com o prefeito Jackson e que a mineradora continuaria parceira de Itabira em projetos. Naquele ano, a Vale ainda estudava a exploração de minério em Conceição, com planejamento para começar em 2005. Uma das alternativas para o futuro de Itabira era o investimento em turismo, muito debatido por várias matérias de DeFato durante 1998. Um projeto, desenvolvido por um itabirano, era para transformar a lagoa do Pontal em um parque temático aos moldes do Beto Carreiro World. A ideia foi bem aceita no meio empresarial e contou com apoio da Fiemg, mas não foi para frente. Finalmente, deputados

Se no futebol o ano de 1998 foi marcado pelo vexame da Seleção Brasileira na Copa do Mundo da França, em Itabira não houve do que reclamar pelo

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Região Cidades da região marcaram presença em capas e reportagens especiais de DeFato durante o ano de 1998. Em julho, a principal matéria era sobre Conceição do Mato Dentro e a cavalgada que cruzava vários pontos do município. No mês seguinte, em agosto, destaque para as belezas naturais de Santo Antônio do Rio Abaixo. Na mesma edição, uma reportagem mostrou o crescimento da caçula Catas Altas, que já recebia a visita do governador pela terceira vez em apenas três anos de existência como município. Memorial

menos dentro do campo da política. Após anos sem representação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em Belo Horizonte, e na Câmara Federal, em Brasília, a cidade conseguiu, finalmente, eleger seus deputados estadual e federal. E a vitória veio com dois ex-prefeitos da cidade. O dentista e radialista Luiz Menezes (PPS) conseguiu 22.529 votos e foi para a Assembleia mineira. Já o empresário Olímpio Pires Guerra, o Li (PDT), alcançou apoio de 42.711 votos e chegou à Câmara Federal. Outros 11 candidatos itabiranos tiveram votações inexpressivas. Apesar do temor de sempre por causa da quantidade de candidatos, dessa vez o povo concentrou os votos e houve sucesso de dois representantes itabiranos. A edição de novembro de DeFato em 1998 foi dedicada ao resultado das eleições que aconteceram em outubro. Pela região, em João Monlevade se elegeram Mauri Torres (PSDB) para estadual e Philemon Rodrigues (PTB) para federal; em Santa Bárbara a vitória foi de Walfrido Mares Guia (PTB), ex-vice-governador do estado e que se tornou deputado federal.

O Memorial Carlos Drummond de Andrade foi inaugurado em 31 de outubro de 1998. O projeto foi elaborado e doado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, que era amigo pessoal do poeta. A cerimônia marcou o aniversário do escritor e os 150 anos de emancipação política de Itabira. Quem marcou presença foi o neto de Drummond, Pedro Augusto, que recebeu a Medalha do Sesquicentenário de Itabira. Telê

Uma das entrevistas de destaque da revista em 1998 foi do técnico de futebol Telê Santana, tido por muitos como o maior treinador brasileiro de todos os tempos. Na edição de junho, ele falou sobre a situação do futebol brasileiro naquela época e das expectativas que tinha para a Copa do Mundo da França.

Edições de 67 a 72 JANEIRO, 2013 defatoonline.com.br

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DeFato

Capa

1999

O Rei em Itabira Craque Reinaldo Lima, maior ídolo da história do Atlético Mineiro, inicia sua carreira com treinador de futebol no comando do Valeriodoce

O

ex-jogador José Reinaldo Lima, maior ídolo da história do Clube Atlético Mineiro, resolveu se dedicar a uma nova carreira em 1999: ser técnico de futebol. E o time escolhido para esse novo desafio foi

o Valeriodoce. No dia 13 de janeiro ele chegou a Itabira e foi recebido com festa no estádio Israel Pinheiro. “O Rei em Itabira” era o título da matéria de capa da revista DeFato em fevereiro de 1999, com a cobertura da

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chegada de Reinaldo. O ex-jogador assumiu o clube justamente quando tinha início a crise financeira que tanto assombra o Dragão atualmente. Naquele ano, os cálculos era de que o VEC devia cerca de R$ 500 mil. O presidente já era Paulo Henrique de Figueiredo, que acabara de assumir o cargo no lugar de Eduardo Maluf. Apesar da crise, o Valério fez campanha razoável em 1999. Aquela edição do Campeonato Mineiro foi disputada em duas etapas. A primeira, chamada de Taça Minas Gerais, foi uma espécie de seletiva com oito clubes. O Dragão ficou em quarto e conseguiu uma das vagas para a segunda fase, na qual já estavam classificados América, Atlético, Cruzeiro e Vila Nova. O VEC acabou o campeonato na oitava colocação. Durante o ano, para resolver o problema da crise, surgiu a ideia para transformar o Valério em um clube-empresa com o nome de Valeriodoce S.A. As negociações tinham participações da Prefeitura, empresários da cidade e da Companhia Vale do Rio Doce. A iniciativa, porém, esbarrou em dificuldades e não seguiu em frente. Velhos problemas

Durante o ano de 1999 algumas reportagens especiais de DeFato mostraram que a revista já discutia há muito


tempo problemas que ainda atormentam Itabira e região. Duas deles merecem destaque: a rodovia BR-381 e a ameaça da falta de água. Em março, a matéria de capa foi sobre a BR-381, confundida em alguns trechos como BR-262. Naquele ano já se discutia a necessidade da duplicação da rodovia. Foi a primeira grande reportagem de DeFato sobre esse tema, com opniões de várias lideranças regionais e de pessoas afetadas diretamente pela rodovia federal. Em outubro, o problema abordado foi a falta de água na região, especialmente em Itabira, onde o problema é ainda mais grave por causa da ausência de um rio caudaloso. Em artigo de opinião no final dessa mesma edição, o engenheiro do Sistema Autônomo de Água e Esgoto (Saae), Dartison Fonseca, dizia que se alguma medida não fosse tomada naquela época, o futuro seria problemático em Itabira. Monlevade DeFato

Em fevereiro de 1999 estreou o caderno Monlevade DeFato, dedicado à cidade vizinha de Itabira. Em agosto, nesse caderno, a notícia de destaque era um grande investimento da Belgo Mineira. A siderúrgica investiu US$ 152 milhões para substituir quatro alto-fornos por apenas um, capaz de aumentar a

produção dem 33%. Também em Monlevade, na área da política, estourou o escândalo envolvendo o vereador José Benísio Werneck, a esposa e o deputado federal Philemon Rodrigues. O legislador municipal usou a tribuna da Câmara para expor que sua mulher estava envolvida em um escândalo sexual com o deputado que era pastor da Igreja Assembleia de Deus. O caso teve grande repercussão em João Monlevade e dentro da instituição religiosa. Philemon não quis se pronunciar sobre o caso. Política

A política sempre foi uma editoria

muito forte de DeFato. Em setembro de 1999 a revista foi além da região e decidiu desembarcar em Brasília para mostrar como era o dia-a-dia do deputado federal itabirano Olímpio Pires Guerra, o Li. A reportagem mostrou que ele tinha bom trâmite na Câmara Federal e era respeitado entre os colegas parlamentares. Ainda na área da política, em janeiro, o entrevistado foi o primeiro prefeito de Catas Altas, Juca Hosken. Foi ele que idealizou, liderou o movimento de emancipação e tornou-se o primeiro dirigente da cidade mais nova da região. Durante a entrevista, ele afirma que cumpriu a sua missão e que, por isso, não iria tentar a reeleição.

Edições de 79 a 84 JANEIRO, 2013 defatoonline.com.br

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DeFato

Capa

2000

A vez da oposição

Ronaldo Magalhães monta bloco de oposição e leva a Prefeitura de Itabira ao lado de João Izael

U

ma frase muito dita até 1999 pela geração mais antiga anunciava que de “mil passará, mas dois mil não chegará”. Para muitos, o fim do mundo seria no ano 2000. Mas o ano cheio de zeros chegou e derrubou mais uma previsão furada sobre o fim dos tempos. Em Itabira, o que acabou mesmo foi o governo do PT. O médico Jackson Tavares foi o primeiro prefeito a tentar a reeleição, só que perdeu para a oposição encabeçada por Ronaldo Magalhães (PSD). Ronaldo foi lançado pré-candidato logo em fevereiro. Com o passar do meses, o grupo foi crescendo até ganhar a participação do PL do empresário e ad-

Inauguração

vogado João Izael. Os dois formaram a chapa que tentaria impedir a reeleição de Jackson. A missão foi concluida com dificuldade: vitória com apenas 1% de frente. Ainda tentou a eleição o empresário Adilson da Vale Verde, que obteve votação inexpressiva. A eleição daquele ano foi marcada por muitas trocas de acusações, especialmente direcionadas à campanha de Jackson. As queixas eram de que o petista usou seu último ano de governo para fazer inaugurações e se promover junto ao eleitorado. Por isso mesmo, enquanto pedia votos, Ronaldo Magalhães usou o bordão que ficou famoso na política itabirana: “prefeito quatro anos”.

Edições de 85 a 90

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Pela região, a revista de outubro também informou os prefeitos eleitos. Destaques para as conquistas de Carlos Moreira, em João Monlevade; José Fernando, em Conceição do Mato Dentro; e a reeleição de Juca Hosken, em Catas Altas. Esse último havia dito que não tinha a intenção de continuar na Prefeitura, mas lançou a candidatura após pedidos da comunidade. Uma das obras inauguradas pelo prefeito Jackson Tavares em seu último ano de governo foi a primeira parte do canal no bairro Praia. O trecho recebeu o nome de avenida Cristina Gazire, em substituição a Carlos de Paula Andrande, antigo nome. A inauguração foi no dia 9 de junho, mesmo dia em que o prefeito e sua comitiva também entregaram a estátua de Carlos Drummond de Andrade na entrada do município, no bairro Areão. Leonardo Diniz

Em maio, João Monlevade se despediu de um de seus políticos mais fervorosos. O ex-sindicalistas e ex-prefeito Leonardo Diniz (PT) morreu no Hospital Belo Horizonte, onde permaneceu em coma profundo por vários dias. O petista era vereador e líder do prefeito Laércio Ribeiro (PT) quando foi internado.


Leonardo morreu em 28 de maio. O vereador sofreu um acidente no sítio e precisou fazer uma cirurgia no ombro. Segundo fontes ligado ao político, ele tinha pneumonia e escondeu do médico. Quando recebeu anestesia, sofreu duas paradas respitarórias e entrou em coma profundo. O petista era casado, tinha dois filhos e dois netos. Um de seus herdeiros, Belmar Diniz hoje é vereador de João Monlevade. Leonardo trabalhou na Belgo Mineira e foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Monlevade. Foi eleito prefeito e exerceu mandato entre 1989 e 1992. A vereança começou em 1996. Brucutu

Em fevereiro de 1999, o embaixador Jorio Dauster, que presidia a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), anunciou a retomada da primeira fase do projeto Brucutu. As obras de construção tiveram início naquele ano e a previsão era de funcionamento para 2002. Em 2006 teria início a segunda fase. Velhos problemas

Mais um assunto para a série de velhos problemas que há muitos anos incomodam Itabira. Em março, DeFato noticiou uma audiência pública que

aconteceu para debater soluções de melhoria para a telefonia, seja para aparelhos móveis ou para fixos. O encontro foi na Câmara de Vereadores e teve a presença de representantes da Telemar e da Maxitel. Entre os problemas mais abordados, o congestionamento das linhas telefônicas, as linhas cruzadas e a falta de telefonia rural. Rebaixado

Pela primeira vez desde 1963 o Valério foi rebaixado para o Módulo II do

Campeonato Mineiro de Futebol. Em crise, a participação do time terminou em déficit de R$ 200 mil. Naquele ano, continuava a discussão para que o clube se transformasse em S.A, mas a queda complicava ainda mais as coisas. Site

Em abril, a revista lançou o site DeFato Digital Semanal. A princípio, o endereço na internet era apenas para divulgação das matérias que eram publicadas na própria revista. O site era integrado ao provedor Valenet.

Edições de 91 a 96 JANEIRO, 2013 defatoonline.com.br

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DeFato

Capa

2001

O início do aglomerado sem-terra

Um dos maiores problemas sociais da história de Itabira tinha início junto ao governo Ronaldo Magalhães

F

oi em 2001 que teve início um dos maiores problemas sociais da história de Itabira: o aglomerado sem-terra, que mais tarde viria a ser chamado de Carlos Drummond de Andrade por seus moradores. A primeira matéria de DeFato sobre o assunto foi no mês de fevereiro. Naquele ano, cerca de 20 famílias já se instalavam nas terras da família Rosa. A reportagem de DeFato esteve no aglomerado para acompanhar de perto o que se iniciava naquela área próximo ao Cemitério da Paz, no bairro São Cristóvão. A impressão que se teve foi de que o problema duraria por muitos

anos. Por isso, a matéria recebeu o título de “A nova Itabira”. Em 2001 o dono do terreno, José Machado Rosa, já havia entrado na Justiça para ter a reintegração de posse. No início da ocupação, a reportagem constatou que empresários do ramo imobiliário e até políticos se aproveitavam da situação para vender terrenos no local. A própria equipe de DeFato foi abordada por um rapaz de 18 anos para comprar lotes no valor de R$ 200. No local havia denúncias de prostituição, inclusive infantil. Na edição de março, uma moradora concedeu entrevista e afirmou que havia

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uma máfia no aglomerado. Ela demonstrava pavor por causa de pessoas de má índole que passaram a se aproveitar e morar no local invadido. Política

Na edição de janeiro, DeFato fez um extenso levantamento sobre os novos prefeitos da região, com as metas e desafios que eles iriam encontrar em suas respectivas cidades. Em Itabira, a nova administração disse ter encontrado R$ 40 milhões em dívidas, além de denunciar sumiço de equipamentos, desmanche de veículos e máquinas.


HNSD em risco

Em julho de 2001 foi escancarada a situação problemática do Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD). A instituição estava no vermelho e devia mais de R$ 4 milhões. Mais uma vez, o bispo emérito Dom Mário foi chamado para tentar salvar outra instituição, como havia feito com a Funcesi. Ele assumiu a provedoria da casa de saúde. A missão não era fácil. Na edição de setembro de 2001, DeFato trouxe um desabafo do bispo provedor. Ele reclamava de grandes empresários da cidade que não atenderam ao seu pedido de ajuda. O religioso dizia que com sua idade, perto de completar 80 anos, não

estava aguentando a pressão. Naquele ano, era grande o risco de o HNSD fechar as portas. Protesto

O primeiro grande movimento pela duplicação da BR-381 aconteceu em João Monlevade, em novembro de 2001. Quase mil e quinhentas pessoas, entre comunidade e representantes políticos, pararam o trânsito na rodovia por cerca de 40 minutos, o suficiente para gerar um congestionamento de aproximadamente 10 quilômetros. Apesar dos transtornos, os motoristas aceitaram bem a iniciativa. Os condutores receberam kits educativos, balas e copos com água.

DeFato é 100

Em abril de 2001 a revista DeFato chegou à sua edição de número 100. Foi elaborada uma matéria especial com os principais fatos noticiados até aquela data. No mesmo ano, mais uma novidade: entrava no ar, em outubro, o site DeFato Online, com notícias factuais que aconteciam em Itabira e região.

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DeFato

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2002

Vai faltar água? Pedido da Vale para rebaixar o lençol freático de Itabira reacende o debate sobre o abastecimento ineficiente em Itabira

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urante o ano de 2002, DeFato debateu com frequência um problema que com o passar dos anos torna-se cada vez mais sério, especialmente em Itabira: a falta de água. Foi naquele

ano que a Companhia Vale do Rio Doce pediu autorização ao Conselho de Política Ambiental (Copam) para rebaixar o lençol freático do município. A solicitação recendeu o debate sobre a escassez de água.

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A autorização foi concedida à Vale logo no início do ano. A empresa rebaixou o nível de água do Complexo Minerador de Itabira à cota de 680 metros acima do nível do mar. Como no início da mineração o nível


estava na cota 880, estimava-se o limite de 200 metros de rebaixamento total. Na edição de fevereiro, uma matéria de DeFato mostrou que a situação de Itabira com relação ao abastecimento de água só não era mais preocupante porque o crescimento da população ficou estagnado no fim dos anos 90. Também eram discutidas o cumprimento das condicionantes da Vale relacionadas ao abastecimento. Na edição de setembro, a equipe de DeFato foi até a cidade de Engenheiro Caldas, na região do Vale do Rio Doce, e voltou com uma constatação preocupante: por causa do rebaixamento do lençol freático que também aconteceu por lá, a principal lagoa do município secou completamente. A discussão sobre a água chegou também até a cidade de Santa Maria de Itabira. A preocupação era com o alteamento da Barragem de Santana. A mineradora Vale pediu autorização à Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) para subir o nível da barragem em seis metros. Na cidade, a apreensão era quanto a inundação, por causa do rio Jirau que corta a cidade. 60 anos

A edição de junho trouxe matéria especial sobre os 60 anos da CVRD. A reportagem contou com entrevistas de pessoas que viveram na época do início da empresa, como Chiquinho Alfaiate, que narrou a chegada dos três primeiros caminhões da Vale em Itabira. Estradas

Em 2002, duas importantes notícias sobre estradas na região. Em maio foi inaugurada a MG-129, trecho entre Santa Bárbara e Mariana. A rodovia já estava pronta desde o ano 2000, mas faltavam sete quilômetros, distância pendente ao fechamento do Circuito do Ouro. Já em ou-

tubro foi anunciado o tão esperado início do asfaltamente da MGC-120, entre Itabira e Nova Era. UFOP JM

João Monlevade concretizou o sonho de ter uma universidade federal. Uma extensão do campus da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) chegou ao município e o primeiro vestibular para o curso de Engenharia de Produção ocorreu no fim de julho. Crise no HNSD

A crise no Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD) se agravou em 2002. Com dívidas estimadas em R$ 4 milhões, a instituição estava ainda mais perto de fechar as portas. Tudo ficou ainda pior quando, em meados de agosto de 2002, médicos do Pronto Socorro entraram em greve. Exausto e sem perspectivas, Dom Mário pediu a renúncia da provedoria. Centenário

Em Itabira, uma grande festa marcou o centenário do poeta Carlos Drummond de Andrade. Shows, eventos culturais e intervenções lembraram a data marcante que o escritor completaria se estivesse vivo. Edição mereceu encarte especial sobre o poeta. Política

Itabira andou para trás nas eleições de outubro. A cidade não conseguiu eleger representante algum para a Assembleia Legislativa ou Câmara Federal. Em todas as urnas do município, nada mais que 741 candidatos foram votados para estadual e 424 para federal. Com tantos votos repartidos, era natural não conseguir que um candidato da cidade vencesse. Na região, apenas Mauri Torres se elegeu deputado estadual. Tricentenária

Matéria de capa mostrou a tricentenária Conceição do Mato Dentro. Reportagem abordou os aspectos históricos, políticos e as belezas naturais de uma das cidades mais antigas de Minas Gerais.

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DeFato

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2003

O ADEUS A LI Em 2003 Itabira se despediu de um de seus maiores políticos: Olímprio Pires Guerra

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empresário e político Olímpio Pires Guerra, o Li, morreu em 14 de novembro de 2003, no Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte, vítima de uma parada cardíaca após uma operação que serviria para diagnostificar se ele realmente estaria com câncer de próstata. Itabira dava adeus a um de seus mais expressivos políticos da história. Na área empresarial, Li começou com um posto de combustíveis e depois criou a concessionária de veículos Pires e Alvarenga. Ele ainda foi presidente do Clube Atlético Itabirano, provedor do Hospital Nossa Senhora das Dores e presidente da Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Agropecuária de Itabira (Acita). Foi eleito prefeito em 1992 e depois conseguiu chegar à Câmara Federal, em Brasília, em 1998. Depois, foi convidado pelo governador Aécio Neves para ocupar a presidência da Minas Gerais Serviços (MGS). Em setembro de 2003 o ex-prefeito foi o entrevistado de DeFato. Ele afirmou que tinha pretenções de retornar à Prefei-

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tura de Itabira, desde que tivesse apoio incondicional de seu grupo na campanha e depois durante o governo. O corpo de Olímpio Pires Guerra foi velado no Ginásio Poliesportivo e sepultado no Cemitério do Cruzeiro. Cultura renovada

A cultura ganhou um importante reforço em 29 de março de 2003. No distrito de Ipoema, em Itabira, foi inaugurado o Museu do Tropeiro. Uma reportagem especial de DeFato mostrou todo o projeto, as peças em exposição e traçou um panorama de como seria o setor cultural dali em diante. O Museu do Tropeiro nascia para recontar toda a história escrita sobre os lombos dos burros e cavalos. A edição de abril trouxe outra apostas na área da cultura em toda região. As novas expectativas estavam ligadas à reconstrução da Fazenda do Pontal e Casa de Drummond, em Itabira; Hotel Cassino, em Monlevade; e o Casarão Dr. Moreira, em Catas Altas.


Dominguinhos

Santuário

Na área do turismo, uma nova opção: explorar a religiosidade. O ano de 2003 foi marcado pela iniciativa do padre Taumaturgo para concretizar a obra do Santuário de São Geraldo Majela. O religioso conseguiu trazer para Itabira uma relíquia que era uma peça dos restos mortais do santo. Além disso, em 9 de julho, ele recebeu da Companhia Vale do Rio Doce a escritura do terreno com quase 5 mil metros quadrados no bairro Esplanada da Estação para a construção do tão comentado Santuário de São Geraldo Magela. Durante todo o ano de 2003, o padre Taumaturgo (que atualmente não veste mais a batina) foi figurinha carimbada nas edições de DeFato. Ambicioso

Em março, a Vale anunciou que iria retomar, em definitivo, o projeto da Mina de Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo. A empresa reuniu prefeitos de toda região para informar que os investimentos seriam na ordem dos 267 milhões de dólares. As obras começaram naquele ano e os planejamentos eram para que a produção tivesse início em 2006. De primeira

O homem das cavernas de Itambé do Mato Dentro voltou a ser destaque nas páginas de DeFato em 2003. Dessa vez, o editor José Sana e o fotógrafo Roneijober Andrade conheceram a fundo a história de vida do homem que decidiu se isolar do mundo e morar por entre as pedras. O personagem mereceu a capa da edição de março. Prejuízos

Porém, nem só de notícias boas foi feito o ano de 2003. Entre o fim do ano anterior e o mês de janeiro, a chuva caiu forte sobre a região e causou prejuízos em longa escala. Em Itabira, o temporal chegou a matar uma criança de três anos. Centenas de pessoas tiveram que ser ajudadas pela Defesa Civil e várias famílias foram desabrigadas, tendo que ser levadas para o Parque de Exposições. Pela região as chuvas também causaram estragos, como em Monlevade, São Gonçalo do Rio Abaixo, São Domingos do Prata, Passabém, São Sebastião do Rio Preto, Barão de Cocais e Santa Maria de Itabira. Sinal vermelho

Após uma sofrida vitória contra o Democrata de Valadares por 2 a 1, o Valério retornou à primeira divisão do Campeonato Mineiro. O gol do atacante Alexandre saiu a quatro minutos do final, quando o Dragão tinha jogadores a mais em campo. No dia seguinte, os atletas desfilaram por Itabira como heróis. Troca de dons

Em 2003, uma nova mudança na direção da Diocese Itabira-Coronel Fabriciano. O atual bispo, Dom Lélis Lara deu lugar a Dom Odilon Guimarães Moreira, que veio do Vale do Aço. A troca do bispado foi marcada por uma missa solene, no dia 30 de março, na Catedral de Itabira.

Em João Monlevade, o Hospital Margarida ligou o sinal vermelho. Naquele ano, a instituição passava pela maior crise de sua história. A casa de saúde acusava falta de medicamentos básicos, de manutenção adequada em equipamentos e de fios cirúrgicos. Além disso, havia equipamentos ultrapassados e número insuficiente de profissionais de enfermagem. Já em Itabira, o Hospital Nossa Senhora das Dores dava sinais de melhoras. Dom Mário resolveu continuar à frente da instituição e empresários resolveram se mobilizar e contribuir para tentar tirar o HNSD do vermelho. A população continuava a ajudar.

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DeFato

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2004 De padeiro a

prefeito João Izael vence as eleições e assume o Poder Executivo de Itabira

A

s eleições de outubro em 2004 reservaram para Itabira aquela que, até então, seria a maior diferença de votos da história política

do município. O empresário João Izael Querino Coelho, de origem humilde em Santa Maria de Itabira, chegou à Prefeitura da cidade a qual veio morar quando

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moço. Fez pão, montou sua própria padaria, formou-se em Direito e tornou-se o homem mais importante da cidade ao fim das eleições.


João Izael era vice de Ronaldo Magalhães e foi indicado a disputar as eleições depois que o prefeito desistiu por causa de problemas de saúde. No fim de dezembro de 2003, Ronaldo, sofreu um problema no coração e precisou ir a Belo Horizonte para fazer uma angioplastia e desentupir as veias coronárias. João e seu vice Roberto Chaves venceram as eleições com uma vantagem de 10.770 votos de frente para o segundo lugar, o médico Damon Lázaro de Sena, que acabou ficando à frente do também médico Jackson Tavares. João Izael viria a ser, no fim do ano, eleito para presidente da Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Piracicaba (Amepi). A edição de outubro de 2004 mostrou as eleições pela região. Em Monlevade, Carlos Moreira foi o primeiro prefeito reeleito do município. Em São Gonçalo teve o início a era comandada por Raimundo Nonato Barcelos, o Nozinho. Governador

Ainda na área política, o monlevadense Mauri Torres assumiu o Governo do Estado por sete dias entre 8 e 15 de setembro em substituição ao governador Aécio Neves, que viajou para a França. O vice-governador Clésio Andrade também estava fora do país. Mauri Torres era o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais em 2004. Inaugurações

O ano foi movimentado em obras. Na edição de maio, DeFato já destacava as novidades que viriam pela frente. O Corpo de Bombeiros foi instalado em 28 de abril. Destaque também para os canais do bairro Praia,

que teve a segunda parte concluída, e do Gabiroba, elaborado até a metade. Em setembro foi inaugurada a Fazenda do Pontal. Monumento foi construído pela Vale, como uma das condicionantes para a liberação da Licença Operacional Corretiva. A reestruturação do local sempre foi uma luta de DeFato, que dedicou várias páginas sobre o tema. Mauro Ribeiro

Mas a obra mais significativa foi a avenida Mauro Ribeiro, no bairro Esplanada da Estação. A via que “quebrou o muro” entre a região central e o bairro Caminho Novo foi entregue em 31 de outubro. A avenida era chamada de Integração, mas depois ganhou o nome do empresário. Bem antes, em maio, o prefeito Ronaldo Magalhães havia reunido centenas de pessoas para dar a primeira marretada da demolição do antigo túnel do Caminho Novo. A nova avenida foi comemorada e bem aceita pela comunidade, como mostrou entrevistas feitas pela reportagem de DeFato enquanto caminhava pelo logradouro recém-entregue à população. Uma curiosidade é uma carta escrita pela jovem Maisa Moura, aos 8 anos, que fala da felicidade em ter o seu bairro, Caminho Novo, ligado à região central de Itabira. Cadeia

A cadeia pública Paulo Pereira foi tema de reportagem em diversas edições de DeFato, mas em junho de 2004 mereceu matéria de capa. A situação do presídio chegava à calamidade, com ocorrências quase que diárias, inclusive com mortes. Era mais que urgente a necessidade de uma nova cadeia.

Edições de 139 a 144 JANEIRO, 2013 defatoonline.com.br

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DeFato

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2005

Unifei começa a ser

pensada Campus itabirano da Universidade Federal de Itajubá é projetado e passa a ser o grande desafio do município

E

stourou no fim do ano de 2005 em Itabira a notícia de que a cidade tinha um projeto grandioso: ter o seu campus local da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), uma das principais instituições em cursos de en-

genharia do país. As expectativas eram enormes, mas os desafios também seriam nas mesmas proporções. A “Cidade Educativa”, finalmente, se preparava para honrar o título que recebera nos anos 90. A ideia de ter uma universidade em Ita-

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bira sempre esteve presente na história do município, sobretudo no governo Jackson Tavares. No entanto, o que se viu foi o crescimento da Funcesi, que construiu prédios e se consolidou no mercado da educação. Porém, na administração de João Izael, o


sonho da universidade pública renasceu e contou com o entusiasmo da mineradora Vale, que tinha a necessidade de formar engenheiros capacitados. O assunto passou a ser comentado em outubro de 2005. Na edição de novembro, DeFato esteve em Itajubá e conversou com o reitor da Unifei, Renato de Aquino. O professor falou da união em torno do projeto e do desafio que viria pela frente, o qual chamou de “fascinante”. Na edição de dezembro a matéria foi sobre um encontro que o prefeito João Izael, o gerente-geral da Vale, Marcos Domingos, e o pró-reitor de Planejamento da Unifei, João Batista Turrioni, tiveram com a imprensa. Veio a confirmação de que o projeto itabirano seria pioneiro no Brasil. Investimentos

Matérias sobre investimentos econômicos foram frequentes durante o ano de 2005 nas páginas de DeFato. Em fevereiro, o destaque foram os impactos que seriam causados pela mina de Brucutu, que começaria a funcionar no ano seguinte. Barão de Cocais, vizinha da cidade sede do projeto, já estava abarrotada por causa dos funcionários que trabalhavam na obra. O prefeito Geraldo Abade estava preocupado. Por outro lado, o prefeito Nozinho, de São Gonçalo, estava entusiasmado com a possibilidade de enriquecimento de seu município. Em março, um movimento em Monlevade, liderado pela Associação Comercial (Acimon), pedia a duplicação da usina da Belgo Mineira na cidade. A empresa fazia estudos para novos investimentos e havia concorrência das cidades de Piracicaba, em São Paulo, e Vitória, no Espírito Santo para que a duplicação ocorresse nesses locais. Foi neste ano que a empresa passou a integrar o grupo Arcelor. Outro acontecimento foi a festa para os 70 anos da siderúrgica em Monlevade. Em abril, DeFato destacou a importância da Acita nas discussões para o futuro econômico de Itabira. A reportagem citava a extinção do fantasma do fim da mineração, já que a

Vale anunciou que ficaria em Itabira por muito além do ano de 2025, que era a projeção inicial. Anúncio

Em abril de 2005 o governador Aécio Neves esteve em Itabira e fez anúncios. Liberou R$ 395 mil para o Hospital Nossa Senhora dos Dores (HNSD), R$ 27 milhões para a rodovia de Itabira a Nova Era, e informou sobre a restauração e construção da terceira pista da MG-129 (Itabira ao trevo da 381), além de várias outras estradas regionais. Jean Charles

O crime do mineiro Jean Charles, natural de Gonzaga, chocou o mundo inteiro. Ele foi morto a tiros, por engano, pela polícia de Londres, na Inglaterra, ao ser confundido com um terrorista. DeFato esteve na cidade e ouviu familiares da vítima. A reportagem destaca que não só o pequeno município ficou estremecido, mas todo o planeta, já que aquele crime era a marca do temor que o terrorismo causava às maiores nações do planeta. Itabira 300

Em outubro, Itabira comemorou mais um aniversário, mas, dessa vez, não foi uma data qualquer. A cidade completou 300 anos de história, desde que os primeiros habitantes chegaram a essas terras. A matéria de capa abordou aspectos históricos itabiranos. Em 2005, a data foi marcada por um grande desfile na avenida João Pinheiro, com a participação de mais de 5 mil pessoas. DeFato 150

Outra data importante em 2005: DeFato chegou ao número 150 de edições com a revista de junho. A matéria de capa trouxe os destaques já publicados, personagens e grandes reportagens. Uma festa foi promovida, com entrega de troféus a empresas e personalidades de destaque em Itabira e região.

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DeFato

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2006

Itabira se despede de

Dom Mário Ano de 2006 é marcado em Itabira pelo adeus ao bispo-emérito que sempre se preocupou em abraçar a comunidade

Q

uem olhava a figura baixinha e com perfil frágil do bispo Dom Mário Teixeira Gurgel não conseguia imaginar o quanto aquele homem representava para Itabira. Foi em 16 de setembro de 2006 que a cidade e toda Diocese Itabira-Coronel Fabriciano se despediu do religioso. Dom Mário morreu às 11h16, na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD). Quis o destino que Dom Mário morresse justamente no hospital que tanto lutou para manter funcionando. O bispo foi provedor da instituição e conviveu com uma de suas piores crises financeiras. Por algumas vezes chegou a dizer que já não aguentava mais, mas, mesmo assim, se manteve no cargo.

O bispo também foi importante para a Funcesi. Foi dele a iniciativa de realizar uma reunião na Catedral para criar a fundação de ensino superior. O projeto foi um marco para a educação de Itabira. Depois disso, a instituição se consolidou e garantiu sozinha, por muitos anos, cursos superiores na cidade. Dom Mário nasceu em Iguatu, no Ceará, e chegou a Itabira em 1971. O corpo dele foi enterrado na cripta da Catedral. Durante o velório, em cerca de 24 horas, 3 a 4 mil pessoas compareceram para despedir-se do religioso. Brucutu

No dia 5 de outubro a Vale inaugurou a sua mais nova “menina dos olhos”: a mina de Brucutu, em São Gonçalo

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do Rio Abaixo. Era aquele o empreendimento que mudaria para sempre a história do pequeno município vizinho a Itabira. A mina nasceu como a maior do mundo em capacidade de produção de partida, com cerca de 30 milhões de toneladas em seu startup. Diversas autoridades políticas compareceram à inauguração que contou também com o então presidente da Vale, Roger Agnelli. A mina de Brucutu era um empreendimento preparado desde o início da década de 90 e consumiu bilhões de dólares em sua montagem. Outra matéria importante sobre mineração em 2006 foi em dezembro, quando a reportagem de capa mostrou a situação de Conceição do Mato Dentro, que se preparava para receber dois


importantes empreendimentos da Vale e da MMX. A matéria comparava que Conceição e Itabira teriam uma semelhança a mais do que o sobrenome Mato Dentro: a economia movida pela mineração. Cultura

A cultura ganhou muito espaço em 2006, principalmente por causa da participação de artistas itabiranos no II Encontro de Culturas e Mercado Cultural, em Serpa, Portugal. A reportagem de DeFato acompanhou a comitiva e deu destaque à cobertura na revista de junho. Em julho, as páginas também estavam repletas de imagens portuguesas, mas dessa vez de Lisboa. Aeroporto

O sonho do aeroporto de Itabira tem início em 2006. O secretário de Obras da Prefeitura de Itabira, Carlos Henrique Silveira de Souza, e o engenheiro Gianni Marcos Pantuzza, da CVRD, foram até a área escolhida, na Serra do Tambor, e deram detalhes do terreno considerado ideal para o empreendimento. O local foi escolhido por ser de fácil acesso regional, já que fica entre os municípios de Itabira, Monlevade e Nova Era. Pureza

O problema da falta de água voltou a ser tema de reportagem em setembro de 2006. Nesse ano, Itabira lançou o projeto Mãe D’Água, para tentar salvar a estação de abastecimento da Pureza. O projeto tinha uma série de medidas para amenizar os impactos, como plantio de mudas, implantação de caixas de retenção de água de chuva, implantação de programa de educação ambiental, entrosamento com parceiros e assessoria técnica. Monlevade

Em 5 de fevereiro, João Monlevade passou a contar com o novo prédio da Câmara de Vereadores, na avenida Dona Nenela, no bairro JK. Em outubro, a cidade ganhou uma nova universidade pública, dessa vez estadual. A Uemg fez o primeiro vestibular paras os cursos de Engenharia Ambiental e Engenharia de Minas.

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DeFato

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2007 O desejo de ser

polo

Projetos ambiciosos reforçam a vocação de Itabira para ser destaque regional

Q

ue Itabira é a maior, mais populosa e mais rica cidade da região não é novidade para ninguém. Porém, a grande dependência pela mineração e a preocupação constante com a diversificação econômica travavam o município em sua busca pela consolidação regional, ou seja, ser verdadeiramente uma cidade polo. Em 2007 esse pensamento começou a ganhar força com projetos ambiciosos. O principal deles era a Unifei. Em março, o projeto para ter em Itabira um campus da Universidade Federal de Itajubá ganhou reportagem de capa da revista DeFato. “A hora da verdade” trazia a matéria que chamava atenção dos itabiranos para o que estava para acontecer. “Itabira estava preparada para tal empreendimento?”, era o que questionava. “E o que era

necessário fazer”? Em fevereiro o prefeito João Izael e uma comitiva com vereadores e secretários, além do reitor da Unifei, Renato de Aquino, estiveram em Brasília onde se reuniram com o deputado federal José Santana para discutir o projeto. Todas as partes (Vale, Prefeitura e Unifei) demonstravam muita confiança. Em novembro Itabira foi sede de um encontro entre prefeitos de cidades polos. O município deixou boa impressão entre os participantes. Foi mostrado que a terra de Drummond queria investir não só em educação, mas também cobrava os asfaltamentos prometidos e aproveitava as parcerias que surgiam. Ronaldo deputado

Logo em janeiro de 2007 Itabira ga-

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nhou um grande parceiro para a missão de se consolidar como polo. Ronaldo Magalhães, que havia terminado as eleições de outubro como terceiro suplente do PSDB, tornou-se deputado estadual depois que os eleitos à sua frente foram chamados por Aécio Neves para assumir secretarias. Vale

A principal empresa de Itabira, a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) anunciou no dia 29 novembro que dali por diante a marca seria única e exclusivamente Vale. A ideia era internacionalizar ainda mais o nome da mineradora. O novo posicionamento e a nova marca foram criados pela empresa norte-americana Lippincott Mercer e sua empresa no Brasil, a Cauduro Martino.


Caos

Enquanto buscava a consolidação, Itabira tinha problemas para resolver. E um deles era o caos da cadeia pública Paulo Pereira. Em 24 de fevereiro, o detento Weberton Bruno Heleno, o Bruninho, de 25 anos, foi encontrado morto dentro da cela 2. Era mais um capítulo da novela infernal daquele estabelecimento que só aumentava a criminalidade no município. O alívio foi o anúncio do novo presídio, às margens da MG-434, na localidade de Rio de Peixe. O Estado liberaria o dinheiro e a Vale doaria o terreno. Região

A cidade de Passabém comemorou a inauguração do asfaltamento dos 7,5 quilômetros que ligavam a MGT-120 com o município no mês de agosto de 2007. A obra foi orçada em R$ 6,9 milhões. Em São Gonçalo do Rio Abaixo a festa foi para o novo Centro Cultural da cidade, inaugurado em 27 de julho, com orçamento de R$ 2 milhões. José Aparecido

A política brasileira se despediu em 19 de outubro de 2007 de José Aparecido de Oliveira. Nascido em São Sebastião do Rio Preto, consolidou-se como personalidade de respeito em Conceição do Mato Dentro. Foi secretário particu-

lar do presidente Jânio Quadros, secretário de Estado da Agricultura de Minas Gerais, secretário de Governo e Interior e Justiça de Minas Gerais, deputado fe-

deral, ministro da Cultura, governador de Brasília e embaixador do Brasil em Portugal, quando criou a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Edições de 175 a 180 JANEIRO, 2013 defatoonline.com.br

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DeFato

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2008 Unifei é

realidade Maior projeto educacional da história de Itabira se concretiza e traz novas perspectivas

O

que era um sonho em 2005 tornou-se realidade em 2008. A Universidade Federal de Itajubá (Unifei) concretizou a vinda de um campus tecnológico avançado para Itabira. O objetivo foi conquistado depois de muito esforço conjunto, reuniões, viagens e acordos. No final, Prefeitura, Vale e Governo Federal chegaram ao denominador comum. A Unifei é um projeto grandioso, que envolve milhares de alunos e um investimento de milhões e mais milhões das partes parceiras na concretização. A Prefeitura doou o terreno no Distrito Industrial II e se comprometeu a arcar com a construção dos prédios. A Vale, por sua vez, garantiu a compra dos equipamentos. Em 22 de abril de 2008 foi lançado o marco inicial da Unifei em Itabira. O vestibular aconteceu na segunda quinzena de julho, primeiro para os cursos de Engenharia Elétrica, Engenharia da Computação e Engenharia de Materiais. Mais

tarde a instituição ofereceria nove cursos, todos na área da engenharia. As primeiras turmas começaram a estudar no I*tec, no bairro Amazonas. Desde quando surgiu a intenção em trazer a Unifei para Itabira, DeFato esteve presente como fomentadora de discussões. A reportagem esteve até em Brasília para cobrir o encontro da comitiva itabirana com políticos como o deputado federal José Santana e o então vice-presidente José Alencar. Em 2008, quando comemorou 15 anos, a revista ganhou o presente de poder informar que o sonho se tornou realidade. Quando o projeto foi concretizado, a opinião era de que Itabira precisava, a partir de então, se preparar para receber cada vez maior fluxo de alunos. “A história de Itabira nunca mais será a mesma”, cravou DeFato em 2008.

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Reeleito

Em outubro de 2008 João Izael tornou-se o primeiro prefeito reeleito da história de Itabira. Ele obteve 35.192 votos, ou 51,9% da preferência do eleitorado. Damon de Sena ficou em segundo, com 32.619 (48,10%). Edição foi dedicada à cobertura das eleições em várias cidades da rota de DeFato, como em Monlevade, onde o advogado Gustavo Prandini desbancou o favorito Railton Franklin com diferença de apenas 1% dos votos.

Nota 10

Tratamento

Outro projeto de destaque na área

A Estação de Tratamento de Esgoto

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da educação em 2008 foi a inauguração da Escola Nota 10, de tempo integral. A instituição foi entregue à comunidade no dia 19 de maio. Inauguração importante também no dia 31 do mesmo mês, em Senhora do Carmo, que recebeu o Centro de Tradições.


(ETE) de Itabira foi inaugurada em 31 de março de 2008. Surgiu como o projeto que iria tratar 90% dos esgotos da cidade. O empreendimento custou R$ 41 milhões: sendo R$ 9 milhões dos cofres da Prefeitura, R$ 14 milhões financiados pelo BNDES e mais R$ 18 milhões pela Caixa Econômica Federal. Crescimento

Em fevereiro, DeFato dedicou a matéria de capa à nova realidade de São Gonçalo do Rio Abaixo, repleta de projetos depois da inauguração da mina de Brucutu. Investimentos em todas as áreas: saúde, educação, agronomia, cultura, abastecimento, social e outras. Em João Monlevade, a ArcelorMittal anunciou que iria duplicar a capacidade de produção anual da usina local, aumentando-a para 2,4 milhões de toneladas de aço líquido. Os investimentos de US$ 1 bilhão animavam as autoridades locais. Paciência

Em Itabira, causou polêmicas e discussões o anúncio da Vale de que iria comprar casas no bairro Vila Paciência para destruí-las e criar uma espécie de cinturão que serviria para proteger a cidade das operações nas minas. As modelos

Onze anos após a primeira entrevista, a modelo Ana Beatriz Barros volta a falar com a revista DeFato, dessa vez já consagrada e respeitada em todo mundo da moda. Naquele ano ela apresentou a irmã Patrícia Barros, também modelo e atriz de comerciais.

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DeFato

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2009

O ano em que a

crise assustou Em 2009 o mundo inteiro passou por problemas financeiros que afetaram diretamente a região do Médio Piracicaba

A

crise financeira mundial começou em 2008, mas foi em 2009 que os efeitos atingiram de verdade os países e as grandes empresas. E é claro que uma região que depende diretamente das gigantes multinacionais também sofreria com os amargos impactos do capitalismo. Foi assim no Médio Piracicaba, onde as cidades passaram aperto para contornar os prejuízos causados pela queda drástica na arrecadação. Em fevereiro, a matéria de capa de DeFato foi sobre a criativiade de empresários itabiranos que precisaram se reinventar para driblar os efeitos da crise. Os problemas afetavam não só as grandes empresas, mas a economia em geral. A reportagem trouxe dicas e exemplos bem sucedidos. Também foi enfocado o que a Prefeitura e a Vale estavam fazendo para

enfrentar a crise. Na edição de março, João Monlevade ganhou destaque. Na cidade da siderurgia, a arrecadação sofreu queda drástica, sobretudo por causa do Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN) gerado pela ArcelorMittal. Um relato do então secretário de Fazenda, Júlio Sartori, apontou que em janeiro a Prefeitura havia arrecadado mais de R$ 1 milhão com o imposto, mas em fevereiro essa cifra havia despencado para R$ 200 mil. Tragédias

Em 2009 as chuvas causaram dor e destruição. A situação mais trágica foi em São Sebastião do Rio Preto. Um temporal em 25 de março elevou o nível do rio e matou cinco pessoas arrastadas pelas águas: Geraldo da Silva Araújo, 38 anos,

Edições de 193 a 198

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Alessandra dos Santos Silva Oliveira, 21, Imária Marinho Ferreira, 18, Daniele Marinho Ferreira, 18, e uma menina de 12 anos morreram. Em janeiro também houve problemas, principalmente nas cidades cortadas pelo rio Piracicaba. Em João Monlevade as águas subiram quatro metros acima do nível normal. Em Rio Piracicaba a elevação foi mais de sete metros e, em Fonseca, distrito de Alvinópolis, foram cinco metros. Foram danificadas, ruas, escolas, centros comunitários, muros e estabelecimentos comerciais. Centenas de famílias foram prejudicadas. Velhos problemas

Alguns problemas sempre estiveram em pauta nas edições de DeFato. A preocupação com a falta de água é um deles.


ra, DeFato resolveu pegar a estrada e ir até cidades universitárias para mostrar o que os itabiranos poderiam esperar. A reportagem esteve em Viçosa, Lavras e Itajubá, municípios que poderiam servir de exemplo para a terra de Drummond. Em outubro a matéria foi sobre a implantação do curso de Medicina em Itabira, pela Funcesi. A expectativa naquele ano é de que o ensino começasse em 2011. O projeto tomou força depois que a Prefeitura convidou a Funcesi para administrar o Hospital Carlos Chagas (HCC). Affonso Penna

Em abril, mais uma extensa reportagem discutiu soluções a curto, médio e longo prazo para solucionar o abastecimento comprometido, além de conter dicas e informações importantes sobre a água. A BR-381 era outra figurinha carimbada nas páginas de DeFato. No dia 13 de agosto de 2009 Itabira parou a BR-381 no trevo que dá acesso ao município e a Bom Jesus do Amparo. Cerca de 300 pessoas participaram do protesto que gerou retenção de 14 quilômetros de extensão na rodovia federal e mais 5 na MG-434. Só naquele ano era a sétima paralisação.

ticiado por DeFato: o caos no trânsito que exige um exercício árduo de paciência dos motoristas. Em novembro o destaque foi tanto para Itabira quanto para João Monlevade. O número de carros em franca expansão sempre esteve na contramão de vias sem as adequações necessárias. Em Itabira, os problemas se repetem nos mesmos lugares de sempre, como Praça Acrísio Alvarenga, avenida Carlos Drummond de Andrade, rua São José e outras vias. Em Monlevade, a Prefeitura até tentou executar o projeto Linha Azul, que acabou não dando muito certo.

Trânsito

Educação

Outro problema antigo e sempre no-

Com a Unifei a todo vapor em Itabi-

No dia 13 de fevereiro de 2009 a cidade de Santa Bárbara promoveu uma cerimônia para receber os restos mortais de seu filho mais ilustre: o ex-presidente Affonso Penna. As relíquias foram colocadas em um mausoléu nos jardins da Casa Grande, local onde o político nasceu e viveu grande parte de sua vida. Novas eleições

No dia 13 de setembro, Conceição do Mato Dentro teve a sua segunda eleição e seu terceiro prefeito desde outubro de 2008. Breno José de Araújo Costa foi eleito, mas foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Dessa forma, a vereadora Nelma Lúcia de Carvalho Vieira assumiu. Depois, Breno José de Araújo Costa Júnior, filho do primeiro prefeito eleito, venceu a nova eleição, mas de novo sob ameaça de cassação.

Edições de 199 a 204 JANEIRO, 2013 defatoonline.com.br

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DeFato

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2010

Mais uma

safra

Vale anuncia projeto Conceição-Itabiritos e prevê mineração por mais 50 anos em Itabira

D

esde quando passou a circular, em janeiro de 1993, DeFato sempre discutiu a diversificação econômica em Itabira enquanto buscava informações sobre o tempo que duraria a mineração no município. Durante esse tempo, várias previsões foram passadas pelas diretorias da Vale. Uma nova perspectiva surgiu em 2010, quando a empresa anunciou que começaria o projeto Conceição-Itabiritos. No dia 30 de março, a Vale reuniu lideranças políticas no auditório da Prefeitura e anunciou o projeto com investimentos na casa de 1,2 bilhão de dólares e que iria dar mais uma safra à mineração de Itabira. O Conceição-Itabiritos surgiu para aproveitar o minério pobre em teor de ferro e gerar empregos. Esse tipo de mineral tem apenas 40% de teor de ferro e, até então, era desperdiçado. Em agosto, DeFato publicou entrevista com o gerente-geral da implantação do Projeto Itabiritos, Carlos Viana, e com o gerente-geral do Complexo Itabira, Rodrigo Chaves. Eles falaram sobre o projeto de aproveitamento do itabirito compacto,

que seria pioneiro no Brasil com o alcance que a Vale propunha. O novo projeto da Vale animou o cenário econômico de Itabira que ainda sofria com os efeitos da crise financeira mundial. Era a chance para empresários se tornarem fornece-

Edições de 205 a 210

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dores da mineradora. Além disso, o panorama regional também era positivo, especialmente pela duplicação da ArcelorMittal, em João Monlevade. As duas empresas apresentavam programas de capacitação para os interessados em fornecer para os grandes projetos.


Unifei

Dívida

A Unifei continuava em pauta em 2010. Dessa vez, nada de pegar estrada. Em maio de 2010 a equipe de DeFato pegou foi o avião e desembarcou na França. Na região de Nice, conheceu o Complexo Valbonne Sophian-Antipolis, um conjunto de escolas e empresas que serviria de exemplo para a Unifei-Itabira. Em 12 de julho a visita foi a São José dos Campos, modelo brasileiro intermediário ao que sonhava Itabira para a Unifei. Uma comitiva de Itabira esteve na cidade paulista para conhecer o Parque Tecnológico local e DeFato registrou tudo. Educação

As notícias sobre educação eram animadoras em 2010. Na edição de janeiro, a revista trouxe matéria de capa sobre as cidades universitárias da região. Era observado que com o aumento das opções de cursos e valorização das faculdades locais, os jovens faziam o caminho inverso, optando por estudar no interior. Aeroporto

O tema voltou a ser assunto na edição de fevereiro de 2009. DeFato trouxe matéria de capa cobrando o desenvolvimento do projeto para o tão falado aeroporto. A reportagem contou histórias de quando a cidade tinha um campo de aviação, usado, principalmente, pela mineradora Vale. Foi lembrado que em 2006 representantes da Prefeitura e da empresa estiveram na Serra do Tambor para mostrar o local escolhido para a instalação de um aeroporto que atendesse toda região. MG-129

A Prefeitura de São Gonçalo entregou em 1º de julho a obra que consumiu o maior investimento de sua história: a MG-129. Foram R$ 16 milhões empregados no asfaltamento da rodovia que liga o município a Itabira. Desse total, a Prefeitura investiu R$ 10,5 milhões, o Governo do estado liberou R$ 3,5 milhões e a Vale mais R$ 2 milhões.

Em 2010 o Hospital Nossa Senhora das Dores conclui auditoria que apontou o tamanho do problema vivido pela instituição: dívida de R$ 11 milhões. Dificuldade que teria que ser resolvida pelo novo provedor casa de saúde, Reginaldo Calixto de Oliveira. Valério

O Valério chegou ao fundo do poço e passava pelo pior momento de sua história: endividado, sem apoio do torcedor e rebaixado à terceira divisão do Campeonato Mineiro. DeFato trouxe matéria com opiniões de especialistas, dirigentes, torcedores e autoridades políticas sobre o que poderia ser feito para ajudar o Dragão. Sem representante

Nas eleições de outubro, mais uma vez, muitos candidatos e nenhum eleito para deputados estadual e federal. Alguns candidatos itabiranos até tiveram votações expressivas, mais muito divididas e que não levaram a lugar algum. Leão

Na edição de fevereiro, matéria curiosa sobre um morador de Barão de Cocais que criava um leão em um sítio, a 300 metros do centro da cidade. O nome do animal era Sansão, com 1,8 metro, 80 centímetros de altura e 130 kg de peso. O proprietário, Humberto Gressi, já havia criado um casal de leões e até onças pintadas. Dominguinhos

Domingos Albino Ferreira, o homem que vivia entre pedras em Itambé do Mato Dentro virou personagem do documentário “A alma do osso”, de Caos Rodrigues. Depois foi trazido para o asilo Lar de Ozanam, em Itabira, onde dizia que não era feliz.

Edições de 211 a 216 JANEIRO, 2013 defatoonline.com.br

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DeFato

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2011

O fim do aglomerado

sem-terra Barracos foram ao chão no dia 2 de agosto de 2011. Restaram um amontoado de entulho e um problema social

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m 2 de agosto de 2011 um forte aparato da Polícia Militar, com homens de Itabira, Ipatinga e Belo Horizonte, se reuniu para cumprir a ação de desapropriação do aglomerado sem-terra, no bairro São Cristóvão, expedida pela Primeira Vara Cível do Fórum Desembargador Drummond. Era o fim da questão jurídica que teve início na virada do ano 2000 para 2001, quando os primeiros barracões começaram a ser erguidos no terreno da família Rosa. A desocupação foi tranquila. Seguindo a orientação do comandante da PM, tenente-coronel Edvânio Carneiro, os moradores esvaziaram quase todos os imóveis antes do dia derradeiro. Não houve sinais de resistência. Depois de tudo vazio, os tratores entraram em ação e transformaram as casas em um amontoado de entulho.

Edições de 217 a 222

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As famílias foram direcionadas a abrigos montados pela Prefeitura de Itabira no antigo Brazuca, no bairro São Cristóvão, e na extinta malharia Fio de Ouro, no bairro Areão. Outras preferiram ficar acampadas em frente a Prefeitura por um bom tempo. O terreno do aglomerado deu lugar a um loteamento. O problema jurídico com a família Rosa estava resolvido, mas tinha início uma baita questão social para o município. Os abrigos são locais de constantes ocorrências policiais. Enquanto isso, famílias de bem aguardam a construção de casas populares. Política

O Partido Progressista (PP) e o Partido dos Trabalhadores (PT), situação e oposição ao governo João Izael, respectivamente, surpreenderam e lançaram uma união chamada de Agenda 2012. O projeto era para escutar a população e não tinha pretensões eleitorais, diziam os participantes. Em fevereiro, o vereador Neidson Freitas (PP) pediu licença da Câmara de Itabira para assumir o cargo de assessor do governador do Estado, Antônio Anastasia (PSDB). No lugar dele entrou o companheiro de partido, Tião da Antena. Água

Uma emenda ao Plano Diretor sugerida pelo vereador José Celso de Assis

(PR) e aprovada pela maioria dos vereadores causou polêmica em Itabira e colocou ainda mais em risco o abastecimento de água. O ato político era para o avanço da urbanização em direção às imediações da estação da Pureza. A medida gerou repercussão de grupos pela cidade e dos engenheiros do Sistema Autônomo de Água e Esgoto (Saae). Por fim, o próprio vereador disse que errou e pediu que o prefeito vetasse a emenda, e assim foi feito. No início de fevereiro, Itabira conseguiu aprovar no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), do Governo Federal, uma verba de R$ 1,22 milhão para a elaboração do projeto executivo para a captação de água no rio Tanque, considerada a solução para o problema do abastecimento no município. Mercado Municipal

Matéria de capa em março era o início da polêmica envolvendo o Mercado Municipal. Os comerciantes questionavam o fechamento do conjunto de lojas, enquanto a Prefeitura argumentava que seguia determinações do Ministério Público. A promotoria aconselhou o Executivo a assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para promover a desocupação e a licitação dos espaços do mercado. Novo traçado

Matéria de capa em junho foi sobre

um movimento que Itabira fazia para mudar o traçado da BR-381, integrando as MGs 434 e 129 e a rodovia que seguia para Nova Era. A explicação era de que esse já era o percurso favorito dos motoristas, especialmente caminhoneiros, para fugir do trecho entre São Gonçalo do Rio Abaixo e João Monlevade em direção ao Vale do Aço. Durante vários dias, a reportagem de DeFato esteve às margens da BR-381 para ouvir os condutores. A conclusão era de que a iniciativa de Itabira era mesmo viável. Solidariedade

A edição de janeiro de DeFato mostrou que diversos grupos em Itabira e região se uniram para arrecadar doações e ajudar os afetados pelos desastres das chuvas em municípios do Rio de Janeiro. Homem das pedras

Dominguinhos, o homem das pedras que DeFato acompanhou desde 2006, morreu em 28 de janeiro, enquanto estava morando no asilo Lar de Ozanam, em Itabira. O corpo dele foi enterrado no dia seguinte, no Cemitério do Rosário, em Itambé do Mato Dentro. No mesmo dia, em Tiradentes, o diretor de “Alma do Osso”, documentários sobre a vida do eremita, fez uma homenagem ao homem das pedras durante o encerramento da Mostra de Cinema.

Edições de 223 a 228 JANEIRO, 2013 defatoonline.com.br

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DeFato

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2012

Damon

chega lá

Como água mole em pedra dura, o pevista insiste e consegue a Prefeitura de Itabira na terceira tentativa

V

itória da persistência. Como no velho ditado que diz que “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”, o médico Damon Lázaro de Sena (PV), em sua terceira tentativa, conseguiu se eleger prefeito de Itabira nas eleições realizadas em outubro de 2012.

A vitória impôs a maior votação da história política do município, com 47.794 votos, ou 70% da preferência do eleitorado. O médico não só conseguiu chegar lá, como também viu o tamanho de sua responsabilidade. Damon derrotou os candidatos Ro-

Edições de 229 a 234

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naldo Magalhães (PTB), Roberto Chaves (PSDB) e Cláudio Ciganinho (PSOL). Em entrevista a DeFato, disse que se considera um grande idealista. Daí a força de tentar várias vezes mesmo depois das duas primeiras derrotas, quando viu João Izael conquistar a Prefeitura em 2004 e 2008.


Nas eleições de 2012, Damon se uniu ao empresário Reginaldo Calixto e montou um grupo recheado por 13 partidos. A estratégia foi criticada pelos adversários, que acusaram o pevista de ter montado o “grupão” que tanto criticou. Mas não adiantou: Damon venceu para assumir o governo em 2013. Ainda em Itabira, a eleição para vereadores apresentou a novidade chamada “Palhaço Batatinha”. O entregador de panfletos que se vestia e pintava como um palhaço foi o segundo mais votado na cidade. Pela região, destaque para a força do sobrenome Torres. Teófilo, o filho mais velho do ex-deputado estadual Mauri, venceu com tranquilidade e chegou à principal cadeira do município. Em São Gonçalo do Rio Abaixo, uma disputa apertada elegeu Antônio Carlos Noronha Bicalho, apoiado por Nozinho. Mineração

Em setembro, DeFato estreou seção especial para notícias sobre mineração e os novos investimentos na área. Na primeira edição com essa editoria, destaque para a entrevista do gerente-geral das minas de Itabira, Júlio Yamacita, que garante a presença da empresa na cidade por mais 30 anos, pelo menos. Outra notícia impactante é a que faz o resumo de todas as novas empreitadas em municípios da região: Morro do Pilar, Santa Maria de Itabira e Conceição do Mato Dentro. A mineradora Manabi anunciou ao mercado a intenção de fazer investimentos de aproximadamente 4 bilhões de dólares para exploração e escoamento de minério de ferro em Morro do Pilar e Santa Maria de Itabira. As duas minas somam cerca de 1,5 bilhão de toneladas em recursos minerais, com potencial exploratório para chegar a dois bilhões. Conceição

Em Conceição do Mato Dentro as atenções estão voltadas para o Projeto Minas-Rio, que possui o maior mineroduto do mundo. O escoamento vai levar o que é produzido no município

até o porto de Açu, em São José da Barra, no Rio de Janeiro. A cidade recebeu destaque em 2012 não só pelas operações da extração mineral, mas também pela vontade de recuperar o tempo perdido. Em julho, matéria de capa foi sobre a busca pela memória e a preservação do patrimônio público e das belezas naturais tão fartas no município. Em dezembro, DeFato mostrou que Conceição do Mato Dentro completava 310 anos e buscava o recomeço dentro de um novo ciclo da mineração. A intenção é fazer a cidade se aproveitar dos recursos e não desperdiçar mais uma chance, como no passado. Baiandeira

Em 13 de setembro, Itabira foi surpreendida pela morte de Newton Baiandeira, cantor e compositor que sempre idolatrou a cidade em suas composições. O artista morreu após uma parada cardíaca. O velório foi na Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade e o enterro no Cemitério da Paz. Chuva e caos

Novamente, as chuvas que caem entre o fim de um ano e o início de outro causaram destruição e prejuízos. A reportagem mostrou os estragos que aconteceram pela região, inclusive em rodovias, e cobrou das autoridades soluções definitivas para o problema que ocorre constantemente. Na edição de fevereiro, a revista enfocou que as cidades afetadas que decretaram situação de emergência ainda esperavam verbas do Governo Federal para fazer os reparos necessários. Industrialização

Matéria de capa de abril foi sobre o desafio da industrialização em Itabira e região. Mais uma vez, DeFato mostrou preocupação com o futuro sem a mineração. Reportagem abordou as dificuldades que as cidades enfrentavam para conseguir a tão sonhada e comentada diversificação, assunto da qual a revista tratou desde quando circulou pela primeira vez, em 1993. □

Edições de 235 a 240 JANEIRO, 2013 defatoonline.com.br

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DeFato

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O futuro

é agora

Investimentos bilionários inspiram confiança aos investidores e alimentam a esperança dos municípios das regiões do Médio Espinhaço e Centro Leste de Minas Gerais

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Foto: Divulgação / Anglo American

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Sérgio Santiago

s últimas duas décadas serviram para mostrar o caminho. Com base em números, projeções e estimativas, é possível dizer que os próximos 20 anos têm tudo para ser ainda melhores. Seja na área da mineração ou da indústria, grandes investimentos inspiram confiança em cidades como São Gonçalo do Rio Abaixo, Conceição do Mato Dentro, Morro do Pilar, Itabira e Santa Maria de Itabira. Os gestores que assumiram as prefeituras em janeiro deste ano têm todas as condições de escrever novos capítulos em uma história de muito sucesso. Indiscutivelmente, o foco principal é o setor minerário. Segundo relatório do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o segmento deve receber US$ 68,5 bilhões de investimentos no Brasil, considerando o período entre 2011 e 2015. Deste montante, US$ 45 bilhões são em explorações de minério de ferro. O restante se divide em alumínio, níquel, fosfato, cobre, ouro, potássio, manganês, nióbio, zinco, calcário, vanádio, carvão e cromita. Minas Gerais tem uma participação expressiva nos investimentos previstos: US$ 25 bilhões, dos quais US$ 20 bilhões são destinados às explorações de minério de ferro. Ainda segundo relatório do Ibram, em 2011 o estado mineiro contribuiu com metade da Produção Mineral do Brasil, que chegou a US$ 50 bilhões. A participação de Itabira, São Gonçalo do Rio Abaixo e outras cidades mineradoras foi decisiva para o alcance de tais resultados. Interior Destas cifras bilionárias, boa parte será destinada à abertura de lavras em jazidas nunca antes desbravadas em Morro do Pilar. A pequena e modesta cidade localizada no circuito turístico Serra do Cipó é a “menina dos olhos” da mineradora Manabi. A empresa vai investir US$ 3,4 bilhões no projeto denominado Morro do Pilar para produzir minério de ferro destinado à exportação.

Tão logo começaram as primeiras sondagens, o projeto despertou o interesse de muitos empresários e investidores do Brasil inteiro. A prefeita Vilma Diniz (PTC), empossada no dia 1º de janeiro, assumiu a administração com um grande desafio: colocar a casa em ordem para aproveitar os benefícios da exploração e anular o máximo possível seus efeitos indesejados. Antes mesmo de tomar posse, Vilma se reuniu com diretores da Manabi para discutir as contrapartidas. “Vamos receber o segundo maior investimento em mineração no Brasil e precisamos estar preparados para essa nova era em Morro do Pilar”, afirma. Mais adiantada nessa jornada está Conceição do Mato Dentro, berço do projeto Minas-Rio. Cidade histórica e com um passado marcado pela vocação educacional, Conceição vive um boom econômico. As engrenagens do maior projeto mundial da Anglo American ainda não começou a rodar, mas o ciclo virtuoso da economia sim. De geração de emprego a diversas oportunidades de negócios, o projeto vem mudando a vida dos conceicionenses. O prefeito Reinaldo César de Lima Guimarães, o Reinaldinho (PMDB), foi reeleito para o cargo e também tem muito trabalho pela frente. Nesta nova gestão, o chefe do Executivo quer se cercar de profissionais gabaritados – inclusive no setor de mineração – para planejar bem a cidade e aplicar com eficiência os recursos dos royalties, visando garantir qualidade de vida aos cidadãos. Conceição do Mato Dentro está dentro do Plano Regional Estratégico do governo do estado, exatamente por ser sede do Minas-Rio. O “manual de instrução” para os gestores municipais ajudará a mitigar os impactos socioeconômicos inevitáveis decorrentes da atividade exploratória. A princípio, duas regiões mineiras (Norte e Médio Espinhaço) serão atendidas. No Norte serão contemplados os municípios de Janaúba, Salinas e Grão Mongol. No Médio Espinhaço, o foco é Conceição do

Mato Dentro. A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) já foi autorizada a elaborar o estudo, que deve ficar pronto ainda este ano. Reinaldinho afirma que a iniciativa, ainda que tardia, é muito bem-vinda. Segundo ele, quando foi convidado pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Regional e Política Urbana (Sedru), ainda antes das eleições, pediu à Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Espinhaço (Amme) para avisar os demais prefeitos. O objetivo era reunir todos os chefes municipais e pensar em propostas a serem levadas ao Estado nas primeiras reuniões sobre o projeto. “Precisamos de ajuda em tudo: saúde, educação, estradas vicinais, infraestrutrua, saneamento básico, entre outros. O impacto social é maior que o ambiental”, afirma. Diversificação Veterana no assunto, Itabira convive com a mineração há 70 anos. A cidade do ferro, berço da Vale, ainda depende muito da atividade para manter sua estrutura em funcionamento, entretanto, busca novos caminhos. Durante sete décadas houve previsões do fim das operações por mais de uma vez, mas as projeções foram redesenhadas e os trens continuam a descer carregados pela Estrada de Ferro Vitória Minas (EFVM). Demorou, mas a cidade de Drummond está mudando. Se antes todo itabirano nascia quase que predestinado a trabalhar na Vale, hoje não mais. Se antes Itabira era apenas uma cidade mineradora, agora está em busca de outro título. Todas as expectativas de um futuro diferente, diversificado economicamente e menos dependente de uma única atividade, estão depositadas na Universidade Federal de Itajubá (Unifei). O complexo universitário, que está em fase de implantação, transformará Itabira em cidade tecnológica. A Unifei não significa oportunidades apenas para formação superior de estudantes que vêm de todo o Brasil. É muito JANEIRO, 2013 defatoonline.com.br

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Fotos: Cleiverton Harlan

mais que isso. À Unifei foi atribuída a função de produzir conhecimento científico e tecnológico de alto nível para atender demandas de empresas do país inteiro. E mais: através de incubadoras e outras instituições, a universidade terá condições de fomentar a criação de novos negócios baseados em pesquisas desenvolvidas dentro do campus, aumentando a receita, o emprego de qualidade e a renda em toda região. Resolvidos alguns gargalos na infraestrutura, como estradas, aeroporto, abastecimento de água e distritos industriais, o futuro estará garantido. Dentro do contexto diversificação, São Gonçalo do Rio Abaixo é um bom exemplo a ser seguido. A cidade não esperou décadas para se organizar e disponibilizou logo dois distritos industriais, incentivos fiscais e equipes para atender bem os empresários. São Gonçalo tem também outro privilégio: está às margens da BR-381, que embora seja considerada a rodovia da morte pelos motivos que todos conhecem, tem boas perspectivas quanto à duplicação. Com todos os poréns, a rodovia consegue escoar bem uma produção industrial de grande porte.

Unifei chegou para transformar o futuro de Itabira

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Em dezembro passado, o então prefeito são-gonçalense Raimundo Nonato Barcelos, o Nozinho (PDT), assinou contrato de concessão de terreno com mais três empresas que se instalarão nos distritos industriais. Até agora, 15 companhias finalizaram parceria para operar na cidade. Em outra frente, o município prepara investimentos em educação – assim como Itabira. Antes de deixar a administração sob os cuidados de seu sucessor, Antônio Carlos,

Projetos de investimento da Vale seguem em frente

Nozinho assinou um protocolo de intenções com a Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). Cautela Sem mineração, João Monlevade sedia a usina de uma das principais siderúrgicas do mundo, a ArcelorMittal. Quando Itabira recebeu a auspiciosa notícia do projeto Conceição-Itabiritos, da Vale, a cidade vizinha também vivia expectativas com o anúncio da duplica-


ção do complexo industrial. As obras da Vale foram adiante; as da ArcelorMittal não. A justificativa está no mercado, especialmente externo. No ano passado, o novo gerente-geral da ArcelorMittal, João Henrique Palmer, assumiu o comando das operações em Monlevade e disse que a duplicação da usina, uma obra grandiosa que consome muito dinheiro, não tinha previsão de ser retomada. A expansão está interrompida desde novembro de 2011 por causa de decisões estratégicas da empresa. Segundo o gerente, o mercado de aço sofreu uma expressiva queda e passou a ser analisado com mais cautela. Wagner Brito, que deixou o cargo para João Palmer, disse na época: “Não adianta fazer expansão e não ter mercado”. A paralisação do projeto causou impacto no orçamento da prefeitura, que esperava muito mais arrecadação de impostos. O prefeito Teófilo Torres (PSDB) assumiu a cidade com mais de R$ 11 milhões em dívidas com fornecedores, entidades e funcionalismo. Um desafio a ser superado. No início deste ano, contudo, as usinas siderúrgicas instaladas em Minas Gerais aceleram o ritmo. Conforme fontes ligadas ao setor, as principais plantas no estado estão operando próximas da capacidade instalada. Isto é resultado das perspectivas de melhora no cenário após as perdas verificadas em 2012. No segmento de aços longos, a ArcelorMittal Monlevade também está operando a pleno vapor, conforme o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de João Monlevade, Luiz Carlos da Silva. O grupo estima bater o recorde anual de produção em 2013, atingindo 1,250 milhão de toneladas. Segundo especialistas na área, medidas do governo, como o aumento da alíquota do imposto de importação para alguns produtos siderúrgicos, além da redução na tarifa de energia elétrica, deverão ter efeitos positivos. Vizinhas, Santa Bárbara, Catas Altas e Barão de Cocais mesclam atividades exploratórias e industriais. Barão de Cocais – apesar da preocupante notícia de fechamento da mina de Gongo Soco – tem como âncoras a Gerdau (siderurgia) e a Vale (mineração). Em Santa Bárbara, há o projeto Apolo, travado devido à criação do parque nacional da Serra do Gandarela. Contudo, têm peso econômico as mineradoras menores, como: Ferro Puro (investimento de R$ 40 milhões para exploração de minério de ferro); Pedreira Um, (R$ 45 milhões – brita); Msol (R$ 25 milhões – ouro) entre outras. Em Catas Altas, o destaque é a Mina Fazendão, que elevou o PIB da cidade em mais de 300% em 2010. O projeto tem capacidade de produzir 17 milhões de toneladas/ano, mas ainda está na casa de 10 milhões, de acordo com o prefeito reeleito Saulo de Castro (PT). O PIB da cidade vai ficar ainda mais significativo quando a mineradora fizer a expansão das cavas e o empreendimento atingir sua capacidade total. Se o apetite chinês continuar voraz, a Europa e os Estados Unidos vencerem a crise e o governo brasileiro resolver investir em infraestrutura para melhorar as condições logísticas do país, será possível dizer com certeza: os próximos 20 anos serão muito melhores. □

US$ 3,6 bilhões é o valor investi-

do pela Anglo American na implantação do projeto Minas-Rio

US$ 3,4 bilhões é o aporte anunciado pela Manabi para exploração em Morro do Pilar

10 mil é a quantidade de alunos que a Unifei-Itabira receberá quando o complexo universitário estiver pronto 37,5 milhões de toneladas de mi-

nério de ferro anuais é a capacidade de produção do projeto Apolo

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Depoimentos de pessoas que fizeram e fazem

parte da história...

“Com certeza, tenho eu muitas histórias para contar da revista fundada por meu marido, José Almeida Sana, e João Bosco Caldeira Rocha, em dezembro de 1992 e que circulou a partir de janeiro de 1993 com o nome de Itabira e Centro-Leste em Revista. O meu depoimento não caberia em um texto, talvez nem em uma enciclopédia. Por isso, acredito que é acertada a atual direção da publicação comemorar os 20 anos de existência durante o ano inteiro, de 2013. Como participante da empresa, comecei a trabalhar na terceira edição, em março de 1993, visto que estava envolvida com outras atividades profissionais. Acabava de me aposentar como diretora de escola e exercia, ainda, o cargo de gerente de três lojas de padaria/confeitaria. A trajetória da revista foi, sem nenhuma conotação de exagero, emocionante, pelas mudanças que foram implementadas mês a mês, requeridas, principalmente, no caminhar rápido da própria evolução imposta a todos os setores, incluindo a da área digital e de informática. Exatamente em nosso período de crescimento se desenvolveu extraordinárias mudanças, as quais pudemos acompanhar no dia a dia de nosso trabalho. O desenvolvimento inclui a inserção de novas cidades no espaço geográfico de circulação. Responsável pela área comercial e a direção-geral, também viajei pelas estradas mineiras, muito mais em rodovias de terra, hoje asfaltadas. Pudemos falar com órgãos públicos, empresas comerciais e industriais,

além de procurar sempre incrementar o nosso principal ideal, que era o crescimento do número de assinantes, esses a principal razão de nossa existência. Cada edição representava mais que a publicação de um livro, há quem se compare ao nascimento de um filho. Mês a mês, ininterruptamente, a chegada de um novo número era como, em comparação sobre ansiedade e esperança, ao nascimento de um filho. Claro, digo, mantidas as proporções e evidenciando-se a grandeza da chegada de um novo herdeiro. Desses, orgulhosamente, temos cinco, já multiplicados e transformados em oito netos. As edições superaram a marca das 220 com a nossa participação efetiva. Dezoito anos se passaram e era hora de parar. O coração sempre fica partido, sempre recebe um calafrio quando se faz algo com amor e há a interrupção, mas o tempo não para, ou como disse o poeta, ‘ninguém detém a alvorada’. Contudo, tivemos uma grande alegria: a de ver que o nosso esforço continua e continuará por muito tempo, quem sabe para sempre, rendendo resultados em benefício da atividade de se construir novas sociedades, reformulando ideais. Deixo aqui registrado o desejo sincero e, como parte da torcida que fica nos camarotes privilegiados, a certeza de novos e melhores dias para DeFato sempre e sempre. Um grande abraço aos nossos sucessores.’’

Marlete Moura Morais Sana,

Fundadora do Grupo DeFato e diretora geral / comercial por 18 anos

‘‘Como colunista da DeFato por mais de seis anos, sinto-me honrado em participar desta data especial, quando a revista completa 20 anos. Sinto-me a vontade para opinar, pois mesmo antes de tornar-me um colaborador, já era leitor assíduo de todas as edições. A DeFato faz escola, com sua linha editorial séria, profissional e comprometida com o desenvolvimento de Itabira e da nossa região. A revista, além de informar, contribui para a formação de importantes conceitos de cidadania. Parabenizamos a diretoria e a toda equipe DeFato por essa data comemorativa’’

Reginaldo Calixto Vice-prefeito de Itabira

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“A DeFato tem uma relação muito próxima com toda a região, levando a notícia até o cidadão de forma prática e com qualidade. É um portal de informação no Médio Piracicaba, levantando questões importantes do dia a dia em diversas áreas e contribuindo com o desenvolvimento regional, sempre pautada pela credibilidade e respeito ao leitor. Parabéns, DeFato, pelo excelente serviço prestado nessas duas décadas!”

Raimundo Nonato Barcelos Nozinho, ex-prefeito de São Gonçalo do Rio Abaixo


‘‘A DeFato foi minha casa. Cresci vendo os esforços do meu pai e da minha mãe em tornar o veículo uma referência na região. Digo esforços pelo empenho em elaboração de reportagens relevantes, captação de anunciantes, impressão e a distribuição da revista. Uma publicação feita de forma ininterrupta há 20 anos. Desafio um ser humano sem o alto de grau de idealismo e profissionalismo a tocar um projeto deste sem pelo menos estas duas características. Foi isso que vi em duas décadas. Penso que o objetivo da revista vem sendo cumprido ao longo dos anos. Ao lado do site, o veículo é referência em credibilidade em Minas Gerais. Cresceu simultaneamente à região e publicou em suas páginas o progresso das cidades ao seu redor. Numa época em que a tecnologia se aliou ao impresso, a DeFato, na minha opinião, se estabeleceu como um pilar de informação com o mesmo propósito de sempre: o compromisso com a sociedade em que a revista atua.’’

Júnior Sana, Jornalista e empresário, criador do DeFato Online ‘‘Quem dera todos os bons projetos pudessem ser assim como foi o da DeFato: um sucesso! Começou como Itabira e Centro Leste em Revista, idealizada por José de Almeida Sana, em parcerias com João Bosco, da gráfica Dom Bosco, e eu. Acima de tudo, o sonho! Erros e acertos, corre-corre, as primeiras edições circulando com boa aceitação na cidade e... tudo foi acontecendo. Uma publicação diferente que, aos poucos, foi ganhando, mais personalidade, força e adesão, até se tornar um projeto maduro, transformado-se em REVISTA DEFATO. Orgulho-me muito de ter tido a oportunidade de começar essa história que continua a fazer a diferença na vida de tantas pessoas de Itabira e região. Orgulho-me por ter tido a oportunidade de trabalhar com dois empresários respeitados em nossa cidade e que se tornaram grandes amigos. Há 20 anos e tudo está dando tão certo! Que bom! Continuo sentindo o mesmo carinho de sempre e vibrando com a revista, que merece todo nosso respeito. Parabéns a toda equipe!’’

Sirlene Barcelos Amorim, Empresária e primeira funcionária da DeFato

“Somos leitores e parceiros da Revista DeFato desde o primeiro número, ainda no século passado. Durante estes 20 anos veiculamos diversos anúncios de nossos clientes e acompanhamos a evolução gráfica, editorial e jornalística da “Itabira e Centro Leste em Revista”. A revista é uma prova viva do esforço e trabalho de gente talentosa como José Sana, Marlete, Kelly e Marcelo - dentre outros tantos profissionais que fizeram, e fazem, esta história de sucesso. Completar duas décadas de veiculação ininterrupta é um feito que merece ser celebrado com muita alegria e motivo para atestar que a idade tem feito muito bem à DeFato.”

Eugenio Müller, Diretor de Criação da CPA Propaganda

‘‘A trajetória de 20 anos de informação demonstra toda a credibilidade da Revista DeFato, e é uma honra para a shineOn Comunicação fazer parte dessa grande história. Somos parceiros de muitos anos e acompanhamos com alegria o crescimento desse veículo.’’

Douglas Cota, Diretor da shineOn


‘‘A revista DeFato, uma das primeiras do interior de Minas, começou a circular numa época em que a informação era privilégio de poucos. Chamada então de ‘Itabira e Centro Leste em Revista’, com edições em preto e branco, permaneceu firme e atuante nestes 20 anos: evoluiu, aprimorou-se e cresceu. Hoje, com a globalização e a tecnologia, diferentemente do passado, recebemos um excesso de informação, de diversas formas e conteúdos. Mais uma vez, a revista DeFato se destaca pelo profissionalismo e seriedade, garantindo-nos o sagrado direito de optar por consumir informação de qualidade. Parabenizamos à equipe DeFato por este marco em sua história, motivo de alegria para Itabira e toda a nossa região.’’

Gil César Lopes, Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas/CDL-Itabira e do Grupo Dular

“Chegar aos 20 anos é, sem dúvida, a constatação de um trabalho sério e de uma equipe de profissionais competentes. E isso se reflete na credibilidade e na qualidade do conteúdo editorial da revista DeFato. Principalmente ao tratar de assuntos, aparentemente áridos, com uma linguagem acessível a todos os públicos, democratizando, assim, o acesso à informação. Nesta data tão significativa também não podemos deixar de agradecer pela atenção e carinho em divulgar a nossa querida Conceição do Mato Dentro. Parabéns! E que venham mais 20 anos de sucesso”.

Reinaldo César de Lima Guimarães, Prefeito de Conceição do Mato Dentro

“A imprensa tem um papel fundamental para o progresso e desenvolvimento de um município. O exercício da cidadania de cada habitante é fundamental na construção de uma sociedade próspera. Isso somente será possível, quando toda a comunidade estiver bem informada e unida em busca de seus ideais comuns. Somente assim, cada cidadão poderá contribuir de forma eficaz, para a construção de uma sociedade fortalecida em todos seus aspectos. Parabéns, Revista DeFato, pelos 20 anos. A Acita, com a responsabilidade de trabalhar como entidade empresarial em prol do desenvolvimento de Itabira, agradece e comemora este momento de uma empresa que devido à competência de seus diretores e profissionais, somados a técnica inovadora e criativa, ao longo do tempo vem fazendo um trabalho de dedicação à informação de forma imparcial, independente e profissional. Inovadora e criativa, a Revista DeFato nos orgulha como itabiranos, e nos motiva ainda mais para o trabalho, no sentido de somarmos, para juntos, construir uma Itabira cada dia melhor para se viver.’’

José Antônio Lopes, Presidente da Acita


‘‘Tenho em minha memória a cena de José Sana, João Bosco e Sirlene Barcelos se unindo para fundar a Revista Itabira, que, mais tarde, passou a se chamar DeFato. O entusiasmo e o idealismo daquele trio se multiplicavam a cada edição. O ‘parto’ desse grandioso desafio mensal sempre contou com o empenho da Pequena Grande Marlete, na área comercial.

Acho que um dos grandes méritos que essa revista alcançou foi fazer a gente enxergar e conhecer melhor a nossa região. Hoje, passados vinte anos, vejo renovada toda aquela empolgação, agora pelas mãos dos novos comunicadores, Kelly e Marcelo Eleto. Que venham mais vinte anos...’’

Peron Colombo, Publicitário “Acompanho a trajetória da Revista DeFato desde a sua primeira edição em 1993. Reconheço a relevância deste veículo de comunicação, pois, além de cumprir o seu papel de informar, tem sido ousado na proposição e provocação de temas fundamentais para o desenvolvimento de Itabira e região. Parabenizo toda a equipe e faço votos de

que continue produzindo uma revista de qualidade, com informação transparente e alicerçada em uma ética comunicacional que contribua para a livre expressão de novas ideias. Que a DeFato continue aguçando o espírito crítico dos cidadãos e fortalecendo a cidadania brasileira.”

José Carlos Fernandes Lima, Diretor de Comunicação Social e Relações Institucionais da Funcesi “DeFato é referência em credibilidade nas notícias, busca por matérias inteligentes e preocupação com o futuro de nossa cidade. Ela fomenta debates saudáveis, dentre eles, a necessária diversificação econômica do município, além de questionar a relação da mineradora com o município, suas causas e

Elder Guerra Magalhães, Advogado, assinante da revista desde as primeiras edições

efeitos para a cidade. DeFato mantém vigilância constante na aplicação do nosso dinheiro público, acompanhando, com imparcialidade, a administração dos nossos prefeitos, tornando-se assim um pólo jornalístico-cultural de nossa região. Recebam meus parabéns, com votos de vida longa.”


‘‘Várias vezes eu já me vi perguntando como foi possível manter a circulação regular do jornal A Notícia por quase trinta anos, sempre na preferência do leitor, mesmo com tantas dificuldades naturais de um mercado limitado e baseado numa cidade de não mais do que oitenta mil habitantes e numa região que não passa dos 500 mil. Entre as respostas mais frequentes sempre me vem o exemplo da revista DeFato, excelência editorial em constante evolução em Itabira e toda região, resultado da seriedade e obstinação do meu eterno amigo José de Almeida Sana e continuidade garantida pelo excelente profissionalismo dos irmãos Kelly e Marcelo Eleto. Eu vi a ideia da revista surgir em meio a uma bandeja dos melhores pães de queijo fabricados pelo Sana na terra do Poeta no início dos anos 90. E nunca deixei de acompanhar sua evolução nas letras. Sou leitor fiel há vinte anos e quero outros vinte. Até porque tenho certeza de que mais do que isso não me resta e nem me pertence. Parabéns família DeFato, com meu pedido de desculpas. É que me pediram texto com 600 caracteres e me excedi em exatos 338 deles. Fazer o quê? São os vícios do ofício.’’

‘‘Desde bem pequeno, quando ainda morava em Cuité, ouvia sempre a Voz do Brasil num daqueles rádios antigos e falava para a minha mãe: ‘Um dia quero trabalhar com comunicação”. Passou-se o tempo, saí de casa, perambulei por áreas diversas do mercado de trabalho e hoje estou aqui no grupo DeFato. Comecei como vendedor de assinaturas e de anúncios, mas meu objetivo sempre foi o jornalismo. Durante esses anos (uns seis ou sete, acho), vivenciei várias mudanças no grupo – sempre para melhor. A turma se renovou, a revista se renovou, mas o clima agradável e familiar do ambiente de trabalho permaneceu. É muito difícil um ex-funcionário não aparecer esporadicamente na redação só para matar a saudade. Isso sem falar dos que saem de férias: não desgrudam do portal e dos emails, querendo saber de tudo que se passa na redação. Os chefes Marcelo e Kelly Eleto são fantásticos! Sempre abertos ao diálogo, preocupados com bem estar dos colaboradores e preocupados em valorizar sempre os profissionais. Sem dúvida, a DeFato é a melhor empresa para se trabalhar.’’

‘‘Uma empresa quando chega há fazer 20 anos tem todo um trabalho, uma história e teve um projeto. Neste período a revista DeFato cresceu muito firme, de forma vigorosa no seu trabalho de informar as pessoas no que acontece em Itabira e região. Procurou também difundir os projetos que pudessem melhorar a vida do cidadão, tanto do ponto de vista econômico, social e cultural. Então o legado que a Revista DeFato escreveu, construiu durante estes 20 anos, contribuiu muito para que Itabira pudesse evoluir, crescer. Portanto reconheço que a revista prestou um importante trabalho durante todo este período. Destacando um dos projetos que a Revista acompanhou desde o início com coberturas de forma muito positiva é o projeto da Universidade Federal de Itajubá (Unifei)-campus Itabira, que na minha concepção juntamente com a DeFato já faz parte da história do município e vai ajudar a desenvolver a cidade, principalmente no que tange o conhecimento.’’

Sérgio Santiago,

Ex-prefeito de Itabira

Diretor do Jornal A Notícia

Editor do DeFato Online, segundo funcionário mais antigo da DeFato no quadro atual

‘‘Como falar do sonho de um cidadão José Sana, das montanhas e beira de rio, lá de São Sebastião do Rio Preto, a menor cidade mais cumprida de Minas, conterrâneo de José Aparecido de Oliveira. Em vivências lembranças itabiranas, o Sana navega em mente/ memórias, tal qual, com a sua presença provocadora da cidadania responsável. Vereador, ativador do Movimento Cidades Mineradoras, migrante cidadão, a somar em Itabira com coração e coragem. Matuto o momento em que a DeFato resultou de um feixe de neurônios em tempestade a solicitarem passagem, a formarem um condensado Bose-Einstein e explodirem em numeroso momento de parto atrevido. Nascença em desafios a se afirmar como catalisadora regional de ideias, a levar mensagens de auto-estima cidadã para a região, princi-

palmente do Mato Dentro. Lá se vão 20 anos. DeFato tem 20 anos de méritos e amor à cidadania, mantém desperta a auto-estima regional. Tão necessária e importante neste momento em que no Mato Dentro explodem novas minas e requererem corações pulsantes para prevenir flagelos. A riqueza regeneradora, mais justa será se contar com veículos como DeFato a manter vigilância e diligenciar compromissos. O sonho de José Sana se faz presente, mais ainda, com os méritos acumulados (tenho certeza, com suores e desafios familiares, inclusive) a bradar pela nossa gente do Mato Dentro, plena de soberania e destemor. Santa Utopia nos guarde e valei-nos! Muitos outros 20 anos sejam celebrados. Semente fértil, amém, de muitos frutos/idéias a serem degustados em cadeiras de leitura,

Márcio Passos,

Sebastião Carlos de Oliveira Andrade (Carlito Andrade), Ex-funcionário da Vale e consultor de mineração

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João Izael,

iluminadas pelo fogão de lenha, regadas pelo café de rapadura, a perfumar paredes e picumãs (também chamador de vizinhos curiosos e comungantes). Dos 20 anos já degustados, DeFato é certeza nutridora de idéias, em cuidadosa contribuição para regar a cidadania responsável. Agradeçamos, itabiranamente, o presente talentoso enviado por São Sebastião do Rio Preto, seu filho migrante José Sana e a sua família empreendedora. Abença, Zé, continue a sua longa jornada. Desta feita, como o Pai vigilante. Abença, novos sócios, para afrontarem os bons desafios e servirem a degustação continuada da melhor revista regional dentre aquelas que pude acessar.”


Exemplo de êxito editorial e de idealismo

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eus inspirou um sonho de muito tempo, fazendo-o realizar-se em dezembro de 1992, ou mais precisamente, em 1º de janeiro de 1993, data de circulação da primeira edição de Itabira e Centro-Leste em Revista. Foi preciso apenas uma visita ao diretor da Gráfica Dom Bosco, João Bosco Caldeira Rocha, para que acertássemos o desafio, e estava criada a publicação. A frase que marcou o acerto é dele, o dono da gráfica: “Você escreve e eu imprimo”. Não tinha eu o que pensar. Faltava um setor financeiro, ou de publicidade. Mas na segunda edição, que circulou em 1º de fevereiro seguinte, a revista já contava com cerca de 300 assinantes, graças à criação de páginas de classificados, trabalho executado na venda por um grupo de jovens. Nova frase decisiva de João Bosco: “Agora não podemos parar mais porque temos compromisso pelo menos com 300 pessoas que pagaram assinaturas de seis meses e até um ano”. E me senti vitorioso, apesar dos frequentes votos de “não vai pra frente”, que ouvia ou me eram retransmitidos. Na terceira edição, chegou Sirlene Barcelos Amorim, que convidamos para cuidar da parte publicitária da revista. Oferecemos-lhe 1/3 do capital inicial como forma de incentivo. Agora era: um escreve, outra vende e o terceiro imprime. E assim foi até o final do ano. Por motivo de força maior, minha amiga Sirlene não continuou e assumiu o seu lugar Marlete Moura Morais Sana, minha companheira desde os tempos de criança e de 43 anos de união. Etapa nova, ainda continuava com João Bosco na impresão. Estávamos no final de 1994 e tomamos nova decisão: adquirimos a parte societária dele e tocamos o bonde. É bom lembrar que a impressão continuava sendo em preto e branco e assim foi até 1998. Anacronismo de lado, as imagens eram bem aceitas, a era digital vinha chegando muito devagar. Usávamos computador, mas havia ainda um pouco de tipografia, e outros recursos hoje superados.

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José Sana Fundador do Grupo DeFato. É ex-jornalista, historiador, aposentado “que, nas horas vagas, permanece à-toa”. E-mail: jose_sana@yahoo.com.br

Durou algum tempo, antes que ocorresse a mudança de nome. Esperávamos a evolução digital, como que sabendo que viria. Tinha chegado Maria Luísa de Moura para compor a parte publicitária, além de outros funcionários burocráticos. Na vinda de Sônia Rodrigues, que se tornou mais uma que, ao lado de Luísa, vestiu a camisa, nos incomodava o nome da publicação, considerado extenso, além de restringir o espaço geográfico da circulação. Mas, se queríamos mudar — e era necessário para crescer — seria preciso alterar não a razão social, mas o nome de fantasia, o atrativo principal. Marlete, Sônia e eu discutimos meses a fio à procura de um nome até que um sonho, desta vez em sono dormido. Sim, sonhei com um nome e como era escrito: DeFato. Assentei-me numa cadeira com o diagramador e pedi que fosse criada a logomarca. A primeira que me apresentou reportava o que vi enquanto dormia. E estava aprovada a marca. A aceitação interna foi normal, apesar da preocupação do esclarecimento, mas a maioria dos leitores não gostou. Fizemos circular uma tarja na edição número e nos dirigimos ao leitor, respeitosamente, apresentando-lhe a ideia que considerávamos correta. Recebemos e publicamos várias

cartas de protesto, além dos telefonemas e de outras discordâncias que saíam nas ruas contra a nossa decisão. O bairrismo era a principal razão da desaprovação inicial, mas com o tempo, parece que todos entenderam a necessidade, visto que a filosofia editorial não foi alterada. Com o novo nome, pensamos em avançar por todo o estado, a regiões igualmente promissoras. A ideia era buscar, principalmente, os exemplos de economia que deu certo. Movidos pela propaganda na imprensa, fomos parar no Sul de Minas Gerais, exatamente Pouso Alegre, onde o que vinha dando certo em matéria de investimentos industriais era mostrado a outras regiões. Considerando, talvez, algo como “amor à primeira vista”, o pouso-alegrense aceitou a revista quase como o itabirano. Daí, vivemos um sonho de expansão decerto perigoso. Houve até quem nos sugerisse buscar o caminho dessa expansão, mas, evidentemente, não constava de nossa listagem de metas. Se tal decisão fosse tomada, deixaríamos de atender o homem, a mulher e a criança da esquina e seria, evidentemente, aberta uma lacuna no foco editorial. Aproveitando apenas uma lua de mel sem sequência, infelizmente, resolvemos planejar


mais decididamente a área geográfica de DeFato, apontando os rumos de crescimento às margens da MG 120, que começa em Itabira e vai a Capelinha, no Jequitinhonha, mantendo o diâmetro da circunferência na região, estendida à Grande BH, Médio Piracicaba, Médio Espinhaço, Baixo Suaçuí e Vale do Aço. As bênçãos de Deus caíram mais uma vez torrencialmente sobre nós. Estávamos no final dos anos 1990 quando tais acontecimentos se deram ao lado de um novo passo de evolução: a impressão em policromia. Foi quando a revista recebeu a Medalha do Sequiscentenário, em Itabira, evento também comemorado em Pouso Alegre, no mesmo mês, quando DeFato recebeu homenagem no Sul de Minas. Além de mostrar a cidade que a atraiu, também circulou em Santa Rita do Sapucaí, chamado de Vale do Silício, Varginha e Três Corações. De volta à nova rota, centenas de cidades se incorporaram ao dia a dia de DeFato, de onde eram acompanhados os principais acontecimentos, principalmente na área de Cultura, Turismo, Política e Polícia. E para chegar ao novo século faltava uma iniciativa considerada na época audaciosa: a criação do sítio da internet, o DeFato Online que, a exemplo da revista, veio para expandir e marcar tempo e presença. Passamos por extraordinários momentos de emoção em comemorações de tempo de circulação e de homenagens que nos foram prestadas, vindas efusivamente de várias cidades. Também graças a inúmeras parcerias com outros órgãos da mídia — como o jornal A Notícia, de João Monlevade; emissoras de rádio de Itabira (Caraça FM e Pontal FM); emissoras de outras cidades (Aranãs, de Capelinha, Bom Sucesso, de Minas Novas, Alternativa, de João Monlevade), pudemos facilitar a expansão. Em todo esse percurso de 18 anos de caminhada — esse é o nosso tempo de ação — tivemos a alegria de dirigir entrevistas e reportagens que marcaram a minha vida, desde fatos policiais, como a um pitoresco e verdadeiro fato do homem que matou e digeriu o amigo, como esportivos, educacionais e econômicos. A maior sequência, que ainda pode gerar um livro é a história da implantação da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) em Itabira, desde a sua principal raiz — o porquê da entidade em nossa região —,

passando pelos personagens decisivos que tornaram realidade um rumo a ser considerado um dos pilares do futuro de Itabira e região, provavelmente. Para fechar com chave de ouro a nossa participação nesse processo, atendendo a sugestão do então reitor Renato de Aquino Faria Nunes, visitamos o maior parque tecnológico do mundo, localizado no Sul da França, na Coute D’Azur, precisamente em Sophia Antipolis. Foi preciso de uma preparação com um ano de antecedência no estudo do idioma francês para que não se requisitasse a presença de um intérprete na missão. A grande viagem, recheada de momentos inesquecíveis para a história, ocorreu em maio de 2006 e pode ser inscrita como parte de uma realização que considero soberba para uma pequena publicação do interior de Minas.

“A exemplo de alguns que não acreditavam na longevidade de nosso projeto, havia os que tentavam abortá-lo com frases tais como ‘Se o Zé Sana morrer, vai com ele a revista pro cemitério.” Para encerrar este texto, que não é nada de Opinião, mas um relatório simplificado, não poderia deixar de registrar mais uma realização que considero de alto significado. Em toda a trajetória de nosso trabalho, a partir do décimo ano de circulação, passamos a nos preocupar com a nossa diretoria sucessora. A exemplo de alguns que não acreditavam na longevidade de nosso projeto, havia os que tentavam abortá-lo com frases tais como “Se o Zé Sana morrer, vai com ele a revista pro cemitério”. Não por causa de levar para o outro mundo DeFato — que teria, mesmo assim, muitos leitores, acredito — encaminhei dois filhos para a área de jornalismo. Uma deles, Flávia, casou-se e hoje milita na imprensa de Belo Horizonte; o outro, José

Sana Júnior, a despeito de ter iniciado seus primeiros passos depois da faculdade em DeFato e DeFato Online, acabou saindo para outro ramo. Sem problemas, não desistimos do fator sucessório, porque sabíamos e sabemos que, por ser um empreendimento sério, graças a Deus, tivemos sempre a Luz Divina a nos mostrar o caminho. Até que, enfim, há cinco anos aproximadamente, apareceu em nossa frente uma figura de extrema sensibilidade, já mãe de família, mas jovem ainda, cheia de entusiasmo, jornalista com uma bagagem de quem tinha percorrido o mundo, embora sua idade não lhe permitiria. Na nossa primeira conversa, ou entrevista, consumimos 12 horas de colóquio profundamente essencial, quase sem interrupção. A partir daí, a figura a que me refiro, hoje diretora-geral do Grupo DeFato, Kelly Eleto (sem o nome todo, que é quilométrico) se tornou a notável sucessora, a quem já transmitimos a obrigação de levar à frente por muitos anos e, depois de nova labuta, poder entregar a alguém que venha com uma luz de fato voltada para esse idealismo maior, que é poder informar e com objetividade e construtivamente o povo a que serve. Fim. Não. É preciso realçar aqui a figura de Marlete Moura Morais Sana, sem nenhum senso de puxar a brasa para a minha sardinha. Meus filhos e netos a adoram, mais que se consegue adorar um ser humano — e vejo nisso uma vitória, pois, como meu pai dizia, “a ninguém devemos mais amor senão à nossa mãe”. E razão dessa nobre conquista, repito sempre a eles: fui eu quem a escolhi para ser a mãe ou a avó de vocês. Mas o que ela fazia? Depois de professora primária, tornou-se diretora de escola; quando criamos uma padaria-confeitaria, era ela a mola-mestra do êxito alcançado; na revista, todo o sustentáculo financeiro passou por suas mãos com a dignidade que seus avós e pais a transmitiram do berço para que nós todos desfrutássemos de graça e gratificados. Fim. Mesmo. Agora sim. Que Deus mantenha todos os sucessores (também Marcelo Eleto) sob a inspiração que Ele nos concedeu durante quase duas décadas. Aos sucessores, já com mais de dois anos de trabalho profícuo, que sigam todos os passos com segurança nas mudanças que sempre e sempre terão que desenvolver. JANEIRO, 2013 defatoonline.com.br

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DeFato

Cidadania

Os desafios de uma advocacia militante

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Daniel Lança Colunista da Revista e do Portal De Fato, advogado com especialização e Mestrado em Ciências JurídicoPolíticas pela Universidade de Lisboa

daniellanca@hotmail.com

“Advogar não é, como pensam alguns, o maquiavélico ofício da manipulação da verdade, do convencimento ofensivista e da obscurização da verdade, por meio de ‘brechas na lei’.”

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into-me honrado com minha profissão. Sou advogado daqueles que chamam de “militante”. Estudei e desenvolvi o zeloso instinto de defender interesses de meus clientes, em juízo ou fora dele, com suor e garra, de dia ou de noite, e utilizando-me de todos os meios necessários e legalmente constituídos para fazer prevalescer a justiça no caso concreto e trazer-lhes a vitória, que não raro trazem, por arrastamento, a honra de uma família e a segurança de patrimônio constituído com muito trabalho, vide gratia. Advogar não é, como pensam alguns, o maquiavélico ofício da manipulação da verdade, do convencimento ofensivista e da obscurização da verdade, por meio de “brechas na lei”. Não cabe a nós, advogados, dizer a lei no caso em litígio, mas tão somente deixar transparente e claro que um julgamento seja realizado com base nos princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, e de acordo com os interesses da parte da qual defendo. O ofício da advocacia, entretanto, tem se tornado cada dia mais penoso, fruto de um sistema que tem desprivilegiado a busca de uma justiça célere. Como explicar a um cliente, ansioso por ver uma solução rápida ao seu caso, que não se pode sequer prever uma data para marcação de audiência de instrução (que aliás raro é de julgamento)? Uma justiça morosa é falha no seu papel, e inaceitável é que cidades-pólo, como a nossa, continue assim, tão preterida pelo Poder Judiciário. Um absurdo – e não nos calaremos – em lidar diariamente com um Fórum antigo, remendado e incapaz de prestar ao serviço que lhe é proposto; com tão poucos juízes, promotores e serventuários. Impra-

ticável um município como Itabira que não tem sequer uma Defensoria Pública, e dessarte coloca em risco a luta pelo direito, como diria von Ihering, àqueles que não tem condições de arcar com um advogado. Ainda, a advocacia se vê desafiada pela constante dinamicidade das leis, sejam elas federais, estaduais ou municipais, regulamentos, portarias, instruções normativas e outras tantas, que a cada dia brotam das casas legislativas. E ainda há outros tantos assuntos, de importantíssima relevância, que sequer tem sido priorizadas para regulamentar áreas importantes da vida em comunidade. Sem contar nas novas teorias da doutrina, pátria e estrangeira, insaciável em melhorar as instituições jurídicas. Outros tantos desafios nos batem às portas diariamente – a cultura litigante exacerbada do brasileiro comum, que, cominada com o paternalismo incrustado nas veias da história, levam processos judiciais aos montes para declaração de um juiz; a falta de uma cultura que privilegia um planejamento juridico a priori, e que, não raro, sofre irremediavelmente suas consequências a posteriori perante a toga e o martelo. Inegável que lides envolvendo assuntos da vida cotidiana – liberdade, bens e patrimônio, direitos de família e tantos outros – certamente continuarão a existir, enquanto tivermos uma sociedade de vulnerabilidades, inseguranças e falta de educação básica no trato das coisas da vida, prórias do ser humano. E enquanto assim persistir, continuaremos nós – os advogados – de prontidão para não permitir que as injustiças do sistema, o autoritarismo dos outros atores do processo e as vulnerabilidades do ser humano impeçam de se perseguir a legalidade e sobretudo a justiça.


DeFato

Empreendedorismo

Como diferenciar-se da concorrência

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Giovanni Acácio Mestre em Administração Estratégica, Inovação e Competitividade pela Fead Minas, especialista em Gestão de Marketing pela UFMG e professor da Unipac e ETFG Sebrae, em Itabira giovanniacacio@terra.com.br

“Os clientes da Apple se tornam verdadeiros fãs dos produtos e isso reforça o apelo da marca.”

esta edição vamos falar sobre algumas técnicas utilizadas pela Apple para se diferenciar no mercado. Steve Jobs foi um grande empreendedor bem como Bill Gates e Henry Ford. Mas o que faz com que os produtos da Apple sejam sucessos de vendas tendo seus estoques de lançamento esgotados em poucas horas? Primeiramente é fundamental que o empreendedor seja capaz de apurar o real custo dos produtos da sua empresa para obter um preço de venda coerente com o mercado a ponto de vencer a concorrência. Por outro lado, o custo não é o fator determinante na formação do preço. Por meio de estratégias voltadas para o consumidor, algumas empresas conseguem diferenciar-se da concorrência. A diferenciação indica o grau de conhecimento de um produto e até que ponto suas intenções de compra são por ela influenciadas. A diferenciação pode ser obtida de muitas formas como durabilidade, desempenho e composição do produto, design, conforto, estilo, cor e ainda o desejo, o prestígio. Os produtos Apple são referência em qualidade e desempenho. A empresa investe bastante em pesquisa e na qualidade de produção, utilizando sempre as melhores matérias-primas. Isso dá ao consumidor, certeza de que está adquirindo um produto que atenderá suas necessidades em relação ao desempenho, tanto de hardware quando de software. O design é um elemento bastante utilizado na diferenciação de produtos, principalmente no que se refere a itens cuja utilização é claramente identificável. É importante lembrar que design é um fator muito subjetivo e a empresa deve elaborar um teste de mercado com o público-alvo para avaliar sua resposta antes de lançar o produto no mercado. O design inovador é uma característica marcante dos produtos Apple que têm suas novidades rapidamente copiadas pela concorrência.

Para certos produtos, a embalagem é muito mais que um invólucro destinado a proteger seu conteúdo. Em alguns segmentos, como o de cosméticos, é comum encontrarmos produtos cuja embalagem possui custo mais elevado que o bem comercializado, sendo muitas vezes, o principal atrativo da venda. Nos produtos Apple as embalagens são parte fundamental da experiência de compra do consumidor. Além de investir no design dos produtos a empresa sempre surpreende pelo design das embalagens. A marca também é atualmente um dos principais diferenciadores de produtos e serviços. A utilização da marca pode se dar de duas formas: -Desenvolvimento próprio: a empresa cria marca própria e investe em propaganda e outros instrumentos de marketing para torná-la reconhecida no mercado; e -Licenciamento ou franquia: a empresa adquire o direito de utilizar determinada marca de terceiro, mediante uma remuneração combinada entre as partes. O desenvolvimento de uma marca própria embora permita à empresa imprimir em seus produtos uma personalidade única, assim como isentá-la do pagamento dos royalties quando se adquire uma marca de terceiros, traz como principal desvantagem a necessidade de um investimento inicial elevado. Quem compra um produto Apple está, automaticamente, se enquadrando em um grupo de pessoas que se tornam muito mais do que consumidores. Os clientes da Apple se tornam verdadeiros fãs dos produtos e isso reforça o apelo da marca. A Apple utiliza uma rede de produtos e serviços para por em prática essa estratégia. Ao adquirir um produto da empresa o consumidor acaba comprando outros aparelhos, aplicativos e serviços. Então, que tal aplicarmos algumas dessas estratégias em nossos emprendimentos? Até a próxima! JANEIRO, 2013 defatoonline.com.br

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DeFato

FatoR

A nossa vida já é eterna

S Ronaldo Silvestre Mestre em Design Sustentável e Delegado de Cultura, Design de Moda da Casa de Criadores SP e Gestor de Projetos Sustentáveis “Tecendo Itabira e Meninas do Tecendo” rs_exmadame@hotmail.com

“Nossa caixa de cartas pode pegar mofo e nossas fotos podem perder a cor. Apesar disso, se jogadas no mar da grande rede, um dia serão encontradas pelo Google dentro de garrafas de vidro, boiando entre outras infinitas informações.”

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e não está na internet você praticamente nunca existiu. Desde que me lembro por gente, ao conhecer uma pessoa, tenho a terrível mania de enchê-la de perguntas. Gosto de saber sobre seus filmes preferidos, restaurantes prediletos e pessoas nas quais se inspira. Pratica esportes? Qual o livro de sua vida? Me mostre suas fotos (eu sempre quero ver todas)! E, depois de muito ver e ouvir, solto a pergunta final – aquela que me apontará os verdadeiros valores de cada um: se você morresse nesse exato instante e todas suas lembranças fossem deletadas da memória, qual seria o único momento que guardaria por toda a eternidade? Um silêncio repentino sempre decorre. São poucas as pessoas que respondem no ato e com convicção. Porém, depois que a internet apareceu como necessidade de sobrevivência humana e, com ela, as redes sociais, tudo se simplificou. Não há mais porquê afogar alguém em pontos de interrogação. Está tudo lá! Abra o Facebook e pronto; faça sua própria análise. Veja os filmes wannabe Cult preferidos, o livro pseudo-intelectual da vida, os restaurantes prediletos, todas as fotos das incríveis viagens e a citação brega favorita. Sinto, entretanto, que ainda fica faltando a questão que revela os verdadeiros valores. Falta também o silêncio repentino, a resposta que demora e a não-convicção. Tudo o que se vê é tão superficial e egocêntrico quanto uma foto tirada na frente de um espelho. De qualquer forma, ando pensando: talvez essa minha pergunta já não

faça mais sentido. Afinal, na era digital, não somos só nós que escolhemos o que ficará guardado. A internet simplificou muitas coisas e complicou tantas outras. Tudo o que, de alguma forma, compartilhamos nas nossas redes sociais não é mais nosso. Assim, o que não está mais em nosso poder não tem mais nosso controle. Na verdade, não importa se você está vivo ou morto, as coisas que fez online estarão lá independentemente de sua vontade. Por isso, considero a internet o canal da contradição: vídeos nos fazem rir, palavras nos fazem refletir, fotos nos fazem lembrar, mensagens nos fazem chorar. E, diferentemente das fotos reveladas e das cartas escritas à mão, essas informações nunca mais serão perdidas por completo. Nossa caixa de cartas pode pegar mofo e nossas fotos podem perder a cor. Apesar disso, se jogadas no mar da grande rede, um dia serão encontradas pelo Google dentro de garrafas de vidro, boiando entre outras infinitas informações. Não à toa, já foram criados sites especializados em deletar tudo a seu respeito antes que vire algo para sempre. Estranho é pensar que, se não está mais na internet, você praticamente nunca existiu. Por fim, caso a gente se conheça e você me pergunte qual a única lembrança que guardaria por toda a eternidade caso morresse nesse exato momento, responderia rapidamente e com toda convicção: o dia em que acessei a internet pela primeira vez e descobri que podia fazer eternos todos os meus mais incríveis momentos.


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Culinária

Ingredientes Recheio 500 g de linguiça fresca sem pele 2 tomates 1 cebola pequena 2 dentes de alho 10 azeitonas picadas Salsa picada Sal e pimenta a gosto Massa 1 kg de mandioca Sal a gosto 1 xícara (chá) de margarina 3 ovos 1 colher (sopa) de fermento em pó 1 ovo batido para pincelar

EMPADÃO DE MANDIOCA Modo de preparo Recheio: Em uma frigideira antiaderente, refogue a linguiça picada em sua própria gordura. Junte o tomate e a cebola picados e mexa por dois minutos. Acrescente o alho e refogue por mais três minutos. Retire do fogo, ponha a azeitona e tempere com a salsa, o sal e a pimenta. Reserve. Massa: Cozinhe a mandioca em água fervente. Escorra e retire os fios mais

grossos. Com um garfo, amasse-a até formar um purê. Tempere com sal. Adicione a margarina, os ovos ligeiramente batidos e o fermento. Misture bem. Em um refratário untado, ponha metade da massa de mandioca. Espalhe o recheio e cubra com o restante da massa. Pincele a superfície com o ovo e asse em forno médio preaquecido até dourar. Sirva imediatamente.


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Prosa

A parábola da plaquinha

Daniel de Castro Professor, escritor e poeta, formado em Teologia, Filosofia e Letras

profdanieldecastro@hotmail.com

“Emocionado eu fiquei também. Senti que aquela Senhora, com seu relato singelo, mítico e apócrifo, levava-me a pensar na importância de cumprir-se a vontade última do Pai Nosso”

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_Apocri?... _Não, Dona Conceição, eu disse: apócrifa. Quer dizer que a estória que a senhora gosta de contar, é uma parábola apócrifa. Ela não consta na lista dos textos sagrados, no Cânon, nos Evangelhos. _ Óia, a tar, pode inté sê apócri, qu’eu cá, pra sê franca, num tindi bem, cáus qui num tenho munta leitura. Mais só seio é qui ela é uma istora danada de bunita qu’ iscutei, quando qui eu era minina, na Fazenda do Rio de Peixe, no Laburiô. Num leva a mar não, mais pra sê sincera, agaranto qu’ ocê num deve di sabê nem quem qui era o Simão Cirineu. _Se sei... É um moço que foi obrigado a carregar a cruz de Cristo. _Mais num deve de sabê qui o Simão era munto, mais munto prosa mês, prosa qui só. Nem qui ele se dava bem com aquês manda-chuva tudo da terra de Jesus. Si dava inté com aquês sordado rumano, aquês di sainha curta e aquês negóço quês sigurava, pra mode defendê dos gorpe da zispada. _Sei, Dona Conceição, os escudos. Não é? _Isso mermo, o ziscuro. Cambada de cuvarde. Tudo dês, era butá o ziscuro na frente do peito. Mais, adundé qu’eu tava mês? Ah! No Simão. Pois é, o Simão ficava inté arta zora prusiano, prusiano, cum os sacerdote do templi. Era da cuzinha dês tudo. Vai iscuitano só: Quando qui tava proxe di Jesus murrê na cruiz, ele falô assim pru Simão qui quando qui ele ia sê crucificado, era mode o Simão pegá uma talbinha, dum tamanho bão, e iscrevê nela cum letra graúda: “JESUS NAZARENO, REI DOS JUDEU.” E era pr’ele butá ela no arto da cruiz. Simão nem iscuitô dereitchu e já pegô falá qui pudia dexá, qu’ ele ia fazê uma furmusura de praca. Pegô falá tumém qui ninguém qui ia crucificá Nosso Sinhô não. Qui crucificá, o quê?! Adundé qui já si viu, o Sinhô murrê crucificado? ... Nosso Sinhô foi, ficô foi

calado, num sabe? O resto nóis cunhece. Nosso Sinhô penô dimais da conta. Mais o Simão ficô o tempo intero pirtinho dele. Inté pidia prus sordado num judiá tanto assim de Nosso Sinhô não. Só qui num diantava di nada. Ês era marvado qui só. Mais, xe’u cabá de cuntá. Quando quês tava quas qui chegano lá no Carvaro, Jesus tornô pidi baxim pru Simão, pra mode num isquecê da praquinha. Pur conta di qui Jesus fazia muito gosto qui ela ficava lá in riba da cruiz. A praca ficô mês pregada lá in riba, mode todo mundo tumá tento qui era Jesus qui tava lá. Só qui num foi o Simão qui butô ela não. Certêz qui foi argum sordado. Minha bisavó cuntava qui Simão inté falô, ach’ qui pru Izé de Arimatéia: _Eu fiquei o tempo intero cum Nosso Sinhô. Inté carreguei a cruiz. Inté sigurei a coroa cum aquês ispin puntudo, mode ele discansá dês. Agora, nessa zartura, tô munto do disanimado prá caçá uma talbinha, prá rumá um trem di iscrevê, pra subi lá in riba e pregá essa praca. E, afinar, nois tudo sabe quem é qui tá lá in riba da cruiz? Mais quando qui Simão zoiô pra riba e viu os zóio di Nosso Sinhô, qui tava morto, pareceno coisa qui zoiava pr’ ele, foi qu’ ele viu a praquinha lá no arto. Aí o coração dele garrô duê, mais duê munto, num, sabe? Aí, ele deu fé da feiúra qui feiz, aí ele viu qui num tinha feito a úrtima vontade de Nosso Sinhô. Mais Simão garrô chorá mês, foi quando qui alembrô qui Jesus falô um dia: _“Ah! si ocês intedesse qui eu quero misericórdia inveiz de sacrifiço...” Dona Conceição calou-se emocionada. Emocionado eu fiquei também. Senti que aquela Senhora, com seu relato singelo, mítico e apócrifo, levava-me a pensar na importância de cumprir-se a vontade última do Pai Nosso: fazer do amor e da misericórdia, a seiva e o cimento de uma sociedade justa e sadia, a se construir.


DeFato

Infantil

Vinícius, Sofia e Benício

Letícia Braga Rodrigues

5 anos; 9 meses Pais: Marcio Athomphson e Vanessa Souza (Itabira)

1 ano Pais: André Luiz Duarte e Cristiana Alcântara Duarte (Itabira)

Isa Carla Souza Vital

Lucas Sarter Duarte

Anna Ster Aguiar

Diego Nunes Caldeira

Júlia Maria

Gustavo de Oliveira Procópio

Augusto e Alice

6 meses Pais: Wagnei Vital e Rosa Maria Vital (Santa Bárbara)

9 anos Pais: Wilton Ribeiro Caldeira e Ana Célia de Souza Nunes Caldeira (Itabira)

Fotos: álbum de família

1 ano e 2 meses Pais: Thyarles Sarter Duarte e Patricia Aparecida dos Santos (Divinópolis)

1 ano Pais: Helison Silva e Naty Aguiar (Itabira)

2 anos e 7 meses Pais: Carlos Eduardo de Almeida Rodrigues e Nilda Cristina Rodrigues (Belo Horizonte)

7 meses Pais: Matheus Henrique Martins e Gisele Aguiar Primo (Itabira)

11 meses Pais: Antonio Guerra Duarte e Luciana Dias de Oliveira (Santa Maria de Itabira)

Envie a foto de sua criança para: sociedade@defatoonline.com.br


DeFato Plástica e Beleza

A linha do tempo...

P

Dr. André Miolo Cirurgião plástico, membro especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica www.andremiolo.com.br

“Lembrem-se que o mais importante não é sabermos quem nos fará bem ou mal e sim quem estará sempre ao nosso lado. Uma vitória não se constrói sozinho... Jamais.”

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orque somos tão vulneráveis frente às variações de pensamentos de amigos, colegas de profissão e de quem nem sequer conhecemos? Nossa vida é uma avalanche de acontecimentos que nos deixam tristes, felizes, ansiosos, apreensivos, duvidosos... A alegria da vida consiste em um despertar de descobertas, é explorar todos os dias o inexplicável e desconhecido, é projetar sonhos por vezes inalcançáveis, vislumbrar conquistas que nos parecem tão distantes... Porque nesta caminhada nos deparamos com tantos obstáculos que numa primeira visão nos parecem tão altos e intransponíveis? Será que o são na realidade ou pequena é a nossa perseverança? Bom, digo isso porque nós somos frutos de uma mistura graciosa de medos, desejos, ansiedades e inseguranças. O que nos faz tão diferentes uns dos outros? Porque uns nos parecem tão mais corajosos, audaciosos e conquistadores do que outros? Qual a diferença entre eles? O que diferencia os vitoriosos dos fracassados? Destino? Obstinação? Nada disso meus amigos, creio que o sucesso ou o fracasso se deva a uma conjunção de fatores que surgem segundo o desejo e força de vontade de cada um, não sendo ele (o sucesso) locatário, designatário ou propriedade privada deste ou daquele indivíduo... E neste contexto, sorte tem muito pouco,

ou nada a ver com isso.... Perseverança, audacidade, voracidade, competência e obstinação são o que na verdade se definem como fatores que em conjunto tornam uma pessoa dona de seu destino... Durante o longo caminho trilhado muitos são os obstáculos. Uns muito altos, outros muito baixos. O que diferencia justamente a dificuldade ou a facilidade em transpô-los, sem sombra de dúvidas, é a nossa perseverança. Nessa nossa jornada nos deparamos e caminhamos junto a pessoas que nos farão companhia, auxiliando ou atrapalhando. Saber identificar quais das duas será mais importante para o nosso crescimento é a grande incógnita da vida. Lembrem-se que o mais importante não é sabermos quem nos fará bem ou mal e sim quem estará sempre ao nosso lado. Uma vitória não se constrói sozinho... Jamais. Então meu queridos amigos, guardem na alma os tesouros mais valiosos ao coração... Seja a estrela da sua própria vida, o protagonista da tua história... Espinhos no caminho? Quem não os tem? Eles ferem, deixam cicatrizes que o tempo pode reparar e nesta hora preste atenção na beleza do roseiral que se abre no horizonte à tua frente... lá sim é o teu lugar!!! Pensem nisso, ninguém nasceu para ser coadjuvante em sua própria história. Um grande abraço e até a próxima!


DeFato Colírio

Mariana teve sua foto publicada na DeFato edição 39, de março de 1996, próximo de completar seu 1º aninho

Mariana

Leal

Idade: 17 anos | Cidade: Itabira | O que faz: estuda Arquitetura Pais: Eduardo Lage Moreira Santos e Jacqueline Martins Leal Comida favorita: Filé mignon ao molho madeira com arroz à piamontese Música preferida: “Smile” - David Gilmour O que pensa para o futuro: “Espero me dedicar ao que amo e ser uma boa profissional.”


Flash Social

Divulgação

DeFato

CCAA Itabira pelo mundo: Intercâmbio Cultural em Londres com tour em Lisboa e Paris. Na foto: Patrícia, Thiago, Glauber, Aguinaldo, Priscila, Yana, Eline, Ludmilla, Ana Magda e Jussara às margens do Rio Tâmisa. Grupo do CCAA Itabira também curtindo férias em Punta Cana (Caribe): Karla, Vanessa, Gizelle, Cássia, Tânia, Luiz Alberto (Pardal) e Eline

Cadu Fernandes

As representantes da DeFato, Graziele Alves e Regiane Nepomuceno, durante ação na Unifei Itabira. Foram distribuídos mais de 500 Guias DeFato aos estudantes

O vereador e presidente da Câmara de Itabira, Rodrigo Assis (Diguerê), e a irmã Thainá Camille na companhia da dupla Fernando e Sorocaba, que se apresentou em Itabira no dia 18 de janeiro

ArtDesigner

Gigi Karlas posou para o editorial da loja Sapato de Nina, coleção alto verão 2013. Make e beleza de Carla Jardim

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Dalton Gonçalves Arquivo Pessoal

O novo presidente da Amepi, Fernando Rolla (prefeito de São Domingos do Prata), e o vice Damon de Sena (prefeito de Itabira), com o coordenador do DER, Álvaro Goulart, e os secretários itabiranos Jadir do Espírito Santo (Governo) e Douglas Oliveira (Administração) durante a solenidade de posse no dia 3 de janeiro, no Ideal Clube de João Monlevade

Thales Canãn

Allaim Gomes, Carolina Lage e a pequena Luisa no casamento de Eduardo e Elisângela, em Itabira

Marco Aurélio (InFocus) é agora um dos vocalistas da recém-lançada banda Soul du Samba, que está agitando a Zoom Show Music, de João Monlevade, e já tem shows marcados em outras cidades da região

Dalton Gonçalves

Leonardo Bicalho e Priscila Lara (Alliance Cerimonial) brilharam na organização do Baile Réveillon 2013 no Ideal Clube, em João Monlevade

O amistoso entre os amigos de Renan Oliveira e os amigos de Rodrigo Diguerê, no dia 18 de dezembro, trouxe uma bela partida de futebol para o estádio Israel Pinheiro, em Itabira, e ainda promoveu a solidariedade, recolhendo quase quatro toneladas de alimentos não perecíveis. Entre as presenças, o meio-campo do Atlético Mineiro, Bernard, revelação do Campeonato Brasileiro de 2012

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DeFato

Registro

Marcella Viana & Everson Paiva Inversão de papeis no casamento do fotógrafo Everson Paiva com a enfermeira Marcella: de trás das câmeras para o altar. A cerimônia foi realizada no dia 22 de dezembro que aconteceu na Igreja Nossa Senhora da Saúde, em Itabira. (Fotos: Priscila Almeida e Tadeu Mota)

Dr. Juliano, Marcella, Everson e Luciano

Douglas, o noivo, a noiva e Márcia

Rômulo, Mariana, Jaciara e Juliano

Cerimonial: Célébrité Buffet: Barenze Make e Hair: Essenciall Recepção: Real

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DeFato

Registro

CASAMENTOS

(Fotos: ArtDesigner)

Alethéia Patricia e Joran Souza, 14 de dezembro, Igreja Nossa Senhora da Piedade

Debora Aparecida e José Geraldo, 14 de dezembro, Igreja Nossa Senhora da Piedade

Cristiane Aparecida e Edinaldo de Souza, 15 de dezembro, Igreja Nossa Senhora da Saúde


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Registro

CASAMENTOS

(Fotos: ArtDesigner)

Mikeline Alessandra e Cristiano Fraga, 15 de dezembro, Salão de Festas do Restaurante Guts

Myriam de Fátima e Sergio Henrique, 22 de dezembro, Igreja Nossa Senhora da Piedade

Gizia de Araújo Costa e Jordan Carlos Gomes da Costa, 30 de dezembro, Igreja em Itabira

Debora Duarte e Fabiano de Assis, 19 de janeiro, Igreja Presbiteriana de Itabira

ANIVERSÁRIOS

Fernanda Aparecida Diniz, 15 anos, 5 de janeiro, Aposvale

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Bernardo, filho de Suellen Santos de Souza e Vinícius Lopes Viggiano comemorou 1 aninho, 16 de janeiro, em São Gonçalo do Rio Abaixo


Preparando-se para o carnaval O carnaval está aí, é hora de planejar como aproveitar os dias de folga e a folia. Mas é hora também de traçar estratégias rápidas e eficientes para perder os quilinhos a mais adquiridos nas festas de final de ano. É a época do ano em que aumenta o movimento nas academias, com alunos que objetivam o “corpo perfeito” em tempo recorde. Seja para enfrentar as maratonas de desfiles em blocos de rua e trios elétricos ou exibir os corpos sarados em praias e clubes, é preciso malhar. A melhora no condiDanielede cionamento perdaCastro de gordura são os principais objetivos dos alunos nesse período e para alcançá-los, um programa de exercícios elaborado por um Educador Físico é a melhor opção. No entanto, é importante lembrar que a prática de atividade física não deve ser restrita a apenas algumas semanas pré-carnaval e sim ao longo do ano, para que os resultados sejam obtidos de maneira satisfatória. Dietas radicais e programas de exercícios muito intensos podem trazer prejuízos para a saúde do folião. Mariana de Oliveira Neves Para os foliões que passarão todo o carnaval agitado, vale ressaltar que é imProfessora de Educação Física na Academia portante não pular etapas na recuperação e voltar ao ritmo de treinos logo após a folia. Independentemente do treino (aeróbico ou de fortalecimento muscular) deve-se Impacto e Rede Municipal de Ensino priorizar uma readaptação, afim de evitar dores musculares tardias ou alguma lesão Personal Trainer - CREF 014085-G/MG por esforço. Lembrando que, antes de iniciar qualquer programa de exercícios físicos, deve-se procurar um médico para averiguar suas condições, “A prática de atividade física não deve ser restrita principalmente cardiovasculares, e opte pela orientaa apenas algumas semanas pré-carnaval e sim ção de um profissional formado em Educação Física para a prescrição do treino de acordo com os seus obao longo do ano, para que os resultados sejam jetivos. Assim, estará apto para curtir os dias de folia obtidos de maneira satisfatória.” sem maiores problemas.

DICAS IMPORTANTES 1) Respeitar sua condição física: diferentes programas de exercícios são indicados para cada nível de condicionamento físico (sedentários, praticantes de atividade física e atletas), isso evita riscos de lesões e potencializa os resultados. 2) Disciplina nos treinos: nada de exageros, mas evite pular série daquele exercício que você não gosta de fazer. Disciplina é fundamental para obter resultados mais rápidos. 3) Malhe todos os dias: o melhor

facebook.com/AcademiaImpactoItabira

é ir à academia todos os dias, mesmo que por menos tempo. Alterne treinos aeróbicos e treinos de força, ou treinos de diferentes grupos musculares com treinos aeróbicos. Seja assíduo. 4) Priorize aeróbicos: Esse tipo de exercício trabalha uma grande quantidade de grupos musculares de forma rítmica. Andar, correr, nadar e pedalar, são alguns dos principais exemplos de exercícios aeróbicos. Eles garantem resultados mais rápidos na queima de gordura e não são monótonos. Mas, fique atento à duração dessa atividade,

pois é comprovado que modificações metabólicas favoráveis à perda de gordura ocorrem a partir de 40 minutos de atividade. 5) Alimentação correta: procure se alimentar nos intervalos entre as refeições. Isso estimula o metabolismo e evita os ataques repentinos à geladeira. É preciso alimentar para ter energia. 6) Beba muita água: ela ajuda a eliminar toxinas, melhora a atividade dos rins, dá aquela ajudinha no que diz respeito à sensação de saciedade e ainda previne a celulite.

Rua Tiradentes, 95 - Centro - Itabira - Tel: 31 3831-7509 Av. Mauro Ribeiro Lage, 65, loja 2, Esplanada da Estação - Tel: 31 3831-6676


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Galeria de Fotos

Bruninho e Davi na Boate Zoom em João Monlevade

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Sérgio Nunes


+ fotos em: www.defatoonline.com.br White Summer em Santa Maria de Itabira

Gustavo Dantas

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Galeria de Fotos

Fernando & Sorocaba em Itabira

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+ fotos em: www.defatoonline.com.br Alta Ideia

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Galeria de Fotos

Festa à Fantasia DeFato

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+ fotos em: www.defatoonline.com.br André Daniel


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Bom Cabrito

Os dez mandamentos do prefeito eleito

im da conversa fiada de eleição. Até na Cabritolândia, a Capital Mundial Caprina, o mais analfabeto sabe como funciona o período eleitoral. Noventa dias antes do pleito, abre-se a TMC (Temporada de Mentiras Caprinas). Noventa dias após o embate, conhecidos os eleitos, vem a TVC (Temporada de Verdades Caprinas). Na primeira, é proibido falar a verdade e na

segunda é permitido falar mentiras. As leis caprinas são mais aperfeiçoadas que as humanas. O motivo é compreensível: na terra dos viventes de duas patas não cabem mais artigos, parágrafos, itens etc. Para início de conversa, os prefeitos reeleitos não têm compromisso algum daqui para o futuro, pois não podem mais se candidatar. Aos novatos, aí estão os DEZ MANDAMENTOS DO PREFEITO ELEITO: 1º— Fazer uma reunião semanal cujo objetivo é protelar obras; não adianta correr porque o povo só enxerga realizações em final de governo. A única preocupação do chefe da reunião, notadamente o prefeito, é marcar uma outra reunião. 2º — No princípio, o prefeito e os secretários, bem como os membros do segundo escalão, deverão chegar ao trabalho o mais cedo possível. É bom que eles até acordem os rondas que estão, nas portas, cochilando ou pegados no sono. Aos poucos, vai-se chegando mais tarde até todos se acostumarem. Dez e

meia da manhã é um bom horário para a arrancada do batente. 3º — Também no princípio, cumprimentar todos os funcionários com apertos de mão, abraços ou beijinhos. Esses afagos podem durar seis meses. Depois disso, apenas acenar e passar correndo, mostrando que está muito apertado de serviço. 4º— Pedidos de emprego: o prefeito deve amenizar a sua promessa com “vou fazer o possível mas o mercado não está bom”. Ele pode fazer um cartãozinho para alguma empresa amiga, desde que tenha combinado com o chefe do emprego de manter o sistema de enrolo. 5º — Pedidos de casas, barracos, telhas, tijolos, cimento etc.: o prefeito tem mais liberdade. Pode dizer: “Espere que vou ver como funciona esse processo de doação”, o mesmo que querer aprender como se faz trambique. E enrola até não poder mais. 6º — A vez do puxa-saco (eles só querem puxar saco mesmo): o único problema é que ele não quer ir embora. Chame a secretária e mande passar com ele na cozinha para tomar café. 7º — Associações: o prefeito deve falar que devem encaminhar ofício e aguardar. Passar para algum secretário a questão, ver se tem verba e outras bulhufas costumeiras. 8º — Mulheres perigosas: abrace, beije, deixe que o batom suje sua camisa. Depois o prefeito mostra para esposa e explica tudo. No caso de mulher prefeita, é mais complicado porque a chefe do executivo pode ter um marido bravo. 9º— Autoridades de outros municípios: receber, dar cafezinho, sucos e depois mostrar as obras do prefeito anterior, informando que são do governo atual. 10º — Roubar: nem pensar. Se quiser cometer esse crime, ao se explicar tente imitar um líder que diz sempre uma frase famosa que tem sido a sua salvação: “Não sei de nada”. JANEIRO, 2013 defatoonline.com.br

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