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No mundo da fotografia de moda, o produto final é composto por vários elementos, entre os quais, os modelos e, é mais que certo que o produto final só alcança o patamar de “muito bom” quando os modelos também o são. Uma evolução do típico modelo é o conceito de “supermodelo”, que está agora em extinção, sendo substituído pelas celebridades de Hollywood. No entanto, existiu na boca do mundo e é importante relembrar o trabalho de quem descobriu as mulheres que andam nas capas de todo o mundo. Steven Meisel nasceu em 1954, em Manhattan. Fotografou para a WWD, Seventeen, Mademoiselle, Self e finalmente para a Vogue, ou seja, uma carreira rapidamente catapultada para o sucesso. Esta fotografia é uma das muitas que resultaram da sessão fotográfica que pode ser o autorretrato de Steven Meisel. Nesta imagem são apresentadas todas as mulheres que Meisel descobriu, e às quais conseguiu transformar o look individual, no look do momento. Linda Evangelista foi uma das primeiras que Meisel encontrou e esta descoberta deu-se quando o mesmo folheava uma revista europeia sem qualquer importância e de repente, num canto de uma página, lá estava, uma fotografia minúscula de Linda, e Meisel pensou “Esplendorosa!” e no minuto seguinte já a estava a contratar para uma sessão para a Vogue. De diamantes em bruto, Meisel transforma as suas modelos em maravilhosas pedras polidas e, isto só é possível porque existe uma empatia entre as modelos e Meisel. Citações como “Ele faz-te sempre sentir segura” por Linda Evangelista, ou então “É como um pai orgulhoso que te presta atenção e tu sabes que ele está realmente interessado em ti” por Carolyn Murphy, confirmam-nos o anteriormente mencionado. Estas mulheres têm em comum o facto de serem intensas, polivalentes e com uma personalidade muito forte. Todas elas, em vez de verem Meisel como uma figura reservada (como o resto do mundo vê), vêm-no como um pai afetuoso.

T R E N D S

Steven Meisel é como um psicólogo, que faz com que as inseguranças das modelos desapareçam, para que quando estas estão a trabalhar, mostrem o mais natural que têm em si. Seguramente é isto que faz com que as modelos tenham mais ou menos sucesso, o facto de serem naturais e não mostrarem os seus receios, ou seja, aprendem a aceitar tudo o que acham que têm de mau e ao lidarem com essa situação, mostram a confiança que uma mulher do quotidiano gosta de ver nas revistas. Recapitulando, Meisel não tem um sítio definido onde procurar as modelos, simplesmente sente uma empatia com elas sabendo assim que o trabalho irá resultar, este não procura caraterísticas específicas nas mulheres, mas de acordo com a energia própria de cada uma, consegue intensificar as suas potencialidades, dando-lhes a ver o que realmente têm de bom. Não existe “magia” nenhuma na descoberta de modelos, neste caso em concreto, Meisel apenas sabe avaliar as caraterísticas que funcionam melhor no mundo da moda, em relação ao corpo que uma mulher deve ter e à personalidade que a mesma deve “emanar” nas sessões fotográficas. Não existe nenhuma lista de critérios específicos para a escolha das supermodelos e tudo o que estas mulheres têm em comum, é uma energia enorme que transparece para as fotografias e dá uma imensa força e caráter à fotografia de moda. Steven Meisel é como um realizador de cinema, que cria histórias (carreiras) em que as estrelas de cinema, são as suas supermodelos. Na imagem, no sentido dos ponteiros do relógio, a partir da esquerda: Carolyn Murphy, Liya Kebede, Kristen McMenamy, Coco Rocha, Jessica Stam, Amber Valleta, Linda Evangelista, Gisele Bündchen, Naomi Campbell, Christy Turlingthon, Karel Elson, Natalia Vodianova, Guinevere Van Seenus, Stella Tennant e Agyness Deyn. Ao lado direito de Naomi está Steven Meisel.

DeepArt nº6  

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