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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS (UNIDADE CIDADE DE GOIÁS)

Edital MDA/SAF/CNPq – Nº 58/2010

AGROECOLOGIA E EDUCAÇÃO DO CAMPO: PESQUISA, AÇÃO E REFLEXÃO A PARTIR DAS ESCOLAS DO CAMPO NO MUNICÍPIO DE GOIÁS – GO

Goiás/GO, novembro de 2010.


a) Título do projeto Agroecologia e educação do campo: pesquisa, ação e reflexão a partir das escolas do campo no município de Goiás – GO b) Identificação da Instituição Proponente (executora) Nome: FUEG – Fundação Universidade Estadual de Goiás CNPJ: 01.112.580/0001 - 71 Endereço: Av. Juscelino Kubitschek, n. 14, Bairro Jundiaí – Anápolis/GO – Tel: (62) 3328 – 1128. Responsável pela Universidade: Luiz Antônio Arantes RG: 1196855 – SSP/GO CPF: 124.865.741-15 Unidade Universitária: Cidade de Goiás Endereço: Av. Deusdete Ferreira de Moura s/n, Centro, Goiás/GO - Tel: (62) 3936 – 2160. Responsável pela Unidade: Flávio Antônio dos Santos RG: 3998108 – DGPC/GO CPF: 904.652.961-49 c) Identificação do coordenador (proponente) Nome: Murilo Mendonça Oliveira de Souza Endereço: Rua Bom Pastor, Qd. 3, lote 2, s/n, Centro, Cidade de Goiás/GO. Tel.: (62) 8552-1890. Cargo: Professor efetivo do Curso de Geografia da Universidade Estadual de Goiás (Unidade Cidade de Goiás). Qualificação: Graduado em Medicina Veterinária e Geografia, com Curso de Aperfeiçoamento em Agroecologia, Doutorando em Geografia. RG: 14.024.905 SSP/MG CPF: 802.887.231-04


d) Objetivo(s) geral(is) e específico(s) d.1. Objetivo Geral: Constituir e promover núcleo interdisciplinar de pesquisa e extensão, aproximando a universidade das escolas do ensino básico no campo, das Instituições de extensão rural e das entidades representativas da agricultura familiar, tendo como princípio gerador os preceitos teóricos e práticos da agroecologia. d.2. Objetivos Específicos: - Constituir um Núcleo de Pesquisa e Extensão em Agroecologia, envolvendo professores e alunos universitários, professores e alunos das escolas do campo, profissionais de instituições de assistência técnica e extensão rural, agentes de entidades representativas da agricultura familiar e produtores familiares camponeses; - Pesquisar e resgatar os saberes tradicionais da agricultura familiar camponesa (educativos, produtivos, ambientais, medicinais, etc.), em sua amplitude de significados simbólicos e relevância prática, buscando para isto a participação dos alunos e professores do ensino básico de escolas situadas no espaço rural do município de Goiás; - Proporcionar espaços de reflexão e ação (oficinas, cursos, palestras, atividades práticas) sobre a agroecologia nas escolas do campo, buscando uma ampla participação de discentes e docentes da Universidade Estadual de Goiás e da Universidade Federal de Goiás, assim como, dos profissionais ligados à extensão rural no município; - Executar práticas agroecológicas na escola (implantação hortas agroecológicas, canteiros de plantas medicinais, etc.) com a participação e acompanhamento de docentes e discentes das escolas e da instituição proponente, além da participação dos técnicos das entidades parceiras; - Contribuir, a partir da pesquisa e da extensão, para o fortalecimento de ações agroecológicas já em desenvolvimento nas escolas do campo e nas comunidades de agricultores familiares camponeses do município de Goiás; - Produzir, compartilhadamente, conhecimentos científicos que visem a promoção e consolidação de um território agroecológico, valorizando o “fazer ciência” das comunidades tradicionais camponesas na área de abrangência do projeto;


e) Justificativas para realização do projeto O processo de desenvolvimento do campo no território brasileiro pautou-se, historicamente, por um modelo agrícola importado e baseado em uma matriz tecnológica com elevada exigência em insumos externos. Esta estrutura produtiva, por sua vez, foi construída, ideologicamente, a partir de estratégias excludentes de educação e extensão rural. Foram privilegiados os grandes proprietários e empresários que aderiram ao pacote tecnológico da Revolução Verde. Esse modelo de ocupação produtiva do campo persiste e se renova a cada dia. Sua renovação, dentro do mesmo paradigma, tem sido possibilitada pelo avanço da engenharia genética, especialmente, com as sementes geneticamente modificadas. Essa renovação está permitindo, ao mesmo tempo, a intensificação do monopólio de poucas empresas do agronegócio sobre as sementes e outros conhecimentos produtivos, erodindo os saberes acumulados historicamente pelos agricultores familiares. Nesse contexto, torna-se cada dia mais clara a necessidade de fortalecimento de uma proposta alternativa para o desenvolvimento da agricultura e transformação social de forma geral. Tal proposta, contanto, já está em desenvolvimento dentro dos preceitos da agroecologia, em várias regiões do país. Cabe agora, entendemos, potencializar e expandir estas ações locais, focando o trabalho na investigação científica popular, na educação do campo e na construção de territórios agroecológicos. Essa transformação paradigmática irá ocorrer a partir do trabalho cotidiano e nas bases de um processo de reflexão constante sobre temas como educação, democratização do acesso à terra, produção com base ecológica, medicina alternativa, economia solidária, segurança e soberania alimentar, tendo como fundamento o fortalecimento do território familiar camponês, em toda sua amplitude. Partindo destes pressupostos iniciais e pensando na superação do paradigma apresentado e consolidado pela Revolução Verde, propomos a implantação de um Núcleo de Pesquisa e Extensão em Agroecologia que tenha a educação do campo como fundamento e o território local/regional da agricultura familiar como ponto de partida. Seguindo esta linha de interpretação da realidade, apresentamos nossa justificativa buscando identificar: a premência geral quanto à necessidade de promoção de um projeto alternativo de agricultura, o papel a ser exercido pela educação do campo neste processo de transformação e as experiências/potencialidades existentes no território onde está o município de Goiás, área principal de execução da proposta apresentada.


e.1. A necessidade de superação de um modelo socialmente excludente e ambientalmente nocivo e a proposta agroecológica O processo de produção do espaço agrário brasileiro foi baseado, historicamente, em um modelo monocultor-exportador a partir do estabelecimento precoce de grandes latifúndios. Desde a invasão européia, foram delimitados os parâmetros a serem seguidos na conformação de nosso território. As diretrizes iniciais deste processo foram fornecidas pela empresa monocultora de cana-de-açúcar no litoral nordestino, onde o trabalho escravo tornou-se a base de sustentação e a pequena agricultura foi impossibilitada pelo poder dos senhores de engenho. Seguiram a produção canavieira, de forma mais representativa, as lavouras de café na região Sudeste e a economia gomífera na Amazônia. Todos estes sistemas produtivos tiveram na grande propriedade e na exploração extensiva suas bases de desenvolvimento. Nesse contexto, com a possibilidade de acesso ilimitado às terras livres, a agricultura brasileira pouco evoluiu tecnicamente. Essa dinâmica começou a mudar apenas com a Marcha para o Oeste, iniciada e impulsionada pelo Estado a partir da década de 1940. Como descreve Pessoa (1999), apesar de não transformar significativamente as práticas agrícolas enraizadas desde a época colonial entre os produtores do país, esse movimento permitiu profundas alterações políticas e econômicas para o território brasileiro, com a incorporação de novas terras ao processo produtivo e a construção de infra-estrutura para ligar o CentroSul do país às demais regiões. Foram implantadas também neste período oito colônias agrícolas nacionais, sendo instalada em Goiás a primeira delas. Desta forma, as áreas de cerrado de forma geral e o território goiano, especificamente, foram incorporados ao processo produtivo nacional como fornecedores de produtos alimentícios de baixo custo para o crescente parque industrial de São Paulo e Rio de Janeiro. Ou seja, incrementouse a produção pela incorporação de novas terras ao processo produtivo e não pelo desenvolvimento das tecnologias produtivas. Somente a partir da década de 1960 as práticas agrícolas brasileiras passaram a mudar significativamente. A adesão ao pacote tecnológico da Revolução Verde, com base no elevado uso de insumos químicos e na mecanização, permitiu uma transformação qualitativa na matriz agrícola brasileira. A agricultura passou a ser desenvolvida a partir dos parâmetros estabelecidos para a produção industrial. Isso promoveu um intenso processo de modernização da agricultura brasileira, tendo como


intensificador o capital internacional. Diversos programas de desenvolvimento agrícola foram implantados nos estados de Minas Gerais e Goiás a partir da injeção massiva de capitais binacionais, tendo como financiadores, basicamente, os norte-americanos e os japoneses. O mais representativo destes programas, como escreveu Souza (1999), foi sem dúvida o PRODECER (Programa de Cooperação Nipo-Brasileiro para Desenvolvimento dos Cerrados), criado em 1976. Este programa, apenas no âmbito de suas três primeiras etapas, atingiu os estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão e Piauí, transformando progressivamente o cerrado brasileiro. A partir destes programas intensivos de modernização agrícola e ocupação produtiva do cerrado, como o PRODECER e vários outros que o precederam e sucederam, pretendeu-se transformar o cerrado em um Armazém pronto a satisfazer as necessidades alimentares de todo o mundo. Essa modernização da agricultura brasileira, entretanto, como bem e progressivamente analisou Silva (1982; 1996), ocorreu de forma conservadora e dolorosa. A mudança se deu apenas na base técnica da agricultura, não transformando a estrutura agrária persistente no país desde o período colonial. Em outras palavras, todo o processo de modernização da agricultura brasileira promoveu um expressivo incremento produtivo, mas foi ambientalmente nociva e socialmente excludente, como refletem as palavras abaixo. Este modelo agropecuário que resultou da implantação da Revolução Verde permitiu um considerável aumento da produtividade agrícola, permitindo a oferta de alimentos no mercado interno e um aumento significativo da capacidade exportadora de produtos primários, contribuindo de forma consistente com a balança comercial brasileira. No entanto, a adaptação do pacote tecnológico às condições dos biomas brasileiros, inclusive com a famosa conquista do cerrado, através das técnicas de correção da acidez do solo, tem sido responsável por sérios impactos ambientais. Passados mais de 30 anos do início deste processo no cerrado, tornam-se visíveis os efeitos perversos do modelo da Revolução Verde na região ensejando severas críticas à sua manutenção. (BALESTRO; SAUER, 2009, p. 10).

E da mesma forma como sinaliza a citação acima com relação à perspectiva ambiental, o processo de modernização agrícola também foi socialmente excludente, pois penalizou os produtores camponeses, que tiveram como destino migrar para os centros urbanos ou seguir rumo às novas fronteiras, especialmente, a amazônica. Os programas de desenvolvimento da agricultura procuravam passar a idéia de que sua principal justificativa dizia respeito ao desenvolvimento social e bem-estar das populações atingidas. No entanto, seus fins foram outros. Em verdade, estava em


processo a modernização conservadora, onde os beneficiários constituem uma minoria privilegiada, enquanto a grande maioria da população do campo, seguindo a lógica concentradora do capitalismo, continuou explorada (PESSÔA, 1988). Resumidamente, as principais conseqüências da Revolução Verde foram o intenso êxodo rural, a ampliação da concentração da terra e intensos impactos sobre o meio ambiente. E demoramos a perceber, mas, juntamente com os problemas ambientais e sociais, proliferaram intoxicações e contaminações de trabalhadores rurais com os agrotóxicos utilizados neste modelo. Essa matriz de desenvolvimento agrícola, considerada importante para o crescimento do país a partir de meados do século XX (mas que revelou posteriormente impactos sócio-ambientais irreversíveis), está sendo, nos últimos anos, potencializada pelo apoio da engenharia genética, no que os teóricos têm chamado de Segunda Revolução Verde. É certo, por um lado, que o processo de desenvolvimento tecnológico, especialmente no que se refere à produção alimentar, é de extrema importância para a manutenção da vida humana. Por outro lado, entendemos que tem sido desconsiderada a necessidade de um processo mais criterioso de adoção de sementes geneticamente modificadas, assim como, uma análise mais pormenorizada de suas possíveis conseqüências. No mesmo sentido, é imprescindível que os ganhos com o desenvolvimento tecnológico sejam apropriados coletivamente. O monopólio de empresas estrangeiras sobre as tecnologias produtivas, muitas vezes desenvolvidas por organizações do Estado brasileiro, impede a socialização efetiva dos ganhos advindos dos avanços tecnológicos alcançados. Além disso, é necessário que a comunidade científica, hoje focada no desenvolvimento de tecnologias para as empresas, volte suas pesquisas também para a busca de alternativas sustentáveis de desenvolvimento humano e da agricultura familiar camponesa, especificamente, como propõe o presente edital. Ou melhor, que sejam feitas pesquisas a partir das necessidades dos produtores brasileiros e não somente para a acumulação capitalista de algumas poucas empresas, em sua maioria estrangeiras. Nesse contexto, no sentido de apresentar uma alternativa produtiva ao modelo implantado pela Revolução Verde e pelo padrão de consumo do modo capitalista de produção de uma forma geral, vem sendo desenvolvidas atividades científicas e políticas no sentido de construir um paradigma ambiental e socialmente sustentável. Em vários cantos do mundo e em diferentes espaços sócio-políticos têm sido propostos e debatidos conceitos de desenvolvimento sustentável. Essa discussão ficou notabilizada


especialmente a partir da Eco 92, realizada no Rio de Janeiro, a partir de quando a academia intensificou sua produção sobre os temas sustentabilidade e desenvolvimento sustentável. A partir daí, estes termos transformaram-se em palavras chave para qualquer ação política ou debate acadêmico. No entanto, como assevera Martins (2002), é necessário separar o joio do trigo, pois não são poucos os autores que tem mostrado as inúmeras contradições e o enorme abismo entre os discursos e as práticas pretensamente ditas sustentáveis. Nas últimas duas décadas foi construído um largo arcabouço teórico que congrega várias definições e conceitos de sustentabilidade e desenvolvimento sustentável que, por sua vez, servem a diferentes finalidades e interesses. Especificamente no que concerne à atividade agropecuária são várias as propostas de desenvolvimento sustentável. Entre os extremos representados pelas empresas do agronegócio e os movimentos sociais no campo, diversas foram as teorias, análises e diagnósticos apresentados. As técnicas de plantio direto adotadas há algumas décadas, por exemplo, foram visualizadas como um avanço ambiental por não compactarem tanto os solos. Por outro lado, esta técnica aumentou consideravelmente a utilização de insumos químicos. No mesmo sentido foram apresentadas as sementes geneticamente modificadas, que possibilitariam a diminuição na utilização de agrotóxicos, mas que, por fim, reproduziram mais um pacote tecnológico ambiental e socialmente excludente. ONGs e movimentos sociais, por sua vez, vem já há algumas décadas propondo alternativas orgânicas e sustentáveis de produção agrícola, mas que se traduziram mais em termos de modelos ideais a serem seguidos do que como alternativas concretas a serem democratizadas. A partir deste grande pacote de propostas e intenções, questionamos quais seriam as novas alternativas para contrapor o atual modelo de desenvolvimento, baseado em altos padrões de consumo e, consequentemente, na destruição crescente do planeta? E, especificamente na agricultura, quais seriam as fórmulas para produzir alimentos de forma mais sustentável, garantindo segurança e soberania alimentar a uma população crescente? E, ainda, qual seria o papel a ser desempenhado por cada grupo social na construção de um novo padrão de desenvolvimento humano? Estas são questões ainda sem respostas definitivas, mas que, certamente, tem preocupado não somente políticos como também acadêmicos de todo o mundo. Nesse sentido, entendemos que seja importante, acima de tudo, buscar um equilíbrio na relação sociedade-natureza, que


valorize o ambiente natural, mas que ao mesmo tempo busque alternativas de sobrevivência digna para toda a população do planeta e não apenas para uma parte dela. Democratizando, assim, e não transformando em mercadoria, os bens naturais que possibilitam a reprodução humana no planeta. Seguindo esta perspectiva, nos últimos anos tem sido fortalecida uma corrente de pesquisadores e técnicos que propõem como alternativa a Agroecologia. Essa proposta não é recente no país, pois de acordo com Saquet et al. (2010), já em meados da década de 1970 eram desenvolvidas algumas experiências agroecológicas no sudoeste do Paraná. No entanto, de forma um pouco mais ampla, as práticas agroecológicas passaram a ser desenvolvidas a partir das décadas de 1980 e 1990. A partir daí, especificamente, foram constituídos centros agroecológicos em diferentes regiões do país. São exemplos deste processo a ASSESOAR (Associação de Estudos, Orientações e Assistência Rural) no Paraná, o CAA (Centro de Agricultura Alternativa) no norte de Minas Gerais e a AS-PTA no Nordeste. Estas entidades são representativas de várias outras pelo país que tem buscado apresentar alternativas produtivas com base nos preceitos agroecológicos. Em apoio a estas entidades e experiências agroecológicas tem sido implantadas, nos últimos anos, algumas políticas públicas direcionadas pelo DATER (Departamento de Assistência Técnica e Extensão Rural), órgão ligado ao MDA (Ministério de Desenvolvimento Agrário). Para além do apoio material a algumas experiências agroecológicas, entendemos que esta instituição foi importante, especialmente, no sentido de fortalecer o debate teórico e metodológico em torno das concepções da agroecologia. Nesse sentido, vários cursos, presenciais ou não, foram realizados. Isto, de forma geral, intensificou a discussão da agroecologia em vários cantos do país, abrindo um forte precedente para o desenvolvimento de práticas sustentáveis. No mesmo sentido foi direcionada a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural, estabelecida a partir de junho de 2003. Esta política opta claramente por uma forma de desenvolvimento rural baseada em parâmetros mais sustentáveis, rompendo com o histórico modelo difusionista consolidado no país. A nova Ater nasce a partir da análise crítica dos resultados negativos da Revolução Verde e dos problemas já evidenciados pelos estudos dos modelos convencionais de Ater baseados no difusionismo, pois só assim o Estado poderá oferecer um instrumento verdadeiramente novo e capaz de contribuir, decisiva e generosamente, para a construção de outros estilos de desenvolvimento rural e de agricultura que além de sustentáveis possam


assegurar uma produção qualificada de alimentos e melhores condições de vida para a população rural e urbana. (MDA, 2004).

O fato é que estas organizações, governamentais ou não, assumiram a construção da alternativa e da transição agroecológica no país. Estão criando, ao mesmo tempo, um arcabouço teórico e uma diversidade de práticas que começam a caracterizar e identificar a agricultura agroecológica. Para uma congregação conceitual, esse grupo tem seguido as formulações consolidadas na obra de Miguel Altieri, que propõe que a agroecologia constitui uma forma de produzir socialmente justa e ambientalmente equilibrada, representando uma alternativa de transformação para uma sociedade mais justa no campo e na cidade (ALTIERI, 1989). O foco tem sido dispensado à contraposição ao modelo do agronegócio, considerado nocivo social e ambientalmente, e à diferenciação de outras práticas produtivas de base ecológica que se limitam a produzir sem a utilização de insumos químicos. Tentando agregar todas as formulações e diferenciações conceituais, a EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) produziu um marco teórico, onde destaca principalmente a amplitude e a inter-relação da agroecologia com a concepção de sustentabilidade. A Agroecologia somente pode ser entendida na sua plenitude quando relacionada diretamente ao conceito de sustentabilidade e justiça social. Nesse sentido, a Agroecologia se concretiza quando, simultaneamente, cumpre com os ditames da sustentabilidade econômica (potencial de renda e trabalho, acesso ao mercado), ecológica (manutenção ou melhoria da qualidade dos recursos naturais), social (inclusão das populações mais pobres e segurança alimentar), cultural (respeito às culturas tradicionais), política (movimento organizado para a mudança) e ética (mudança direcionada a valores morais transcendentes). (EMBRAPA, 2006, p. 5).

Buscando também congregar e apresentar um marco teórico e conceitual para a discussão da agroecologia, assim como, para sua aplicação prática, a Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) vem realizando diversos debates e encontros. Em seu Estatuto esta organização busca ressaltar o caráter interdisciplinar e a relação teoriaprática, propondo como conceito gerador para a agroecologia o seguinte: Agroecologia é entendida como enfoque científico, teórico, prático e metodológico, com base em diversas áreas do conhecimento que se propõe a estudar processos de desenvolvimento sob uma perspectiva ecológica e sociocultural e, a partir de um enfoque sistêmico, adotando o agroecossistema como unidade de análise, apoiar a transição dos modelos convencionais de


agricultura e de desenvolvimento rural para estilos de agricultura e de desenvolvimento rural sustentáveis. (ABA, 2004, não paginado).

Esta tem sido, de forma geral, a compreensão assumida sobre a Agroecologia pela maioria das entidades envolvidas no processo de construção de um ambiente produtivo mais saudável e socialmente justo. E é a partir desta perspectiva que visualizamos, particularmente, uma possibilidade real de construção de uma sociedade e, especificamente, de um projeto para o campo que seja, de fato, mais equilibrado ambiental e socialmente. Pois, esta proposta, entre outras prerrogativas, prioriza os agricultores familiares camponeses como sujeitos centrais no processo de construção de um mundo mais sustentável e situa o território, culturalmente construído, como espaço privilegiado e prioritário para a projeção coletiva de alternativas de produção e vida. Esse processo de transformação da matriz produtiva e tecnológica, por sua vez, deve ser construído tendo como base central a educação. Pois, foi a partir de um processo educativo, a educação para o capital, como se referiu Fonseca (1985), que a Revolução Verde foi desenvolvida e consolidada como modelo tecnológico para a agricultura brasileira. Portanto, entendemos que será também a partir da educação, mas agora de uma educação talhada especificamente pelo e para o campo, a educação do campo, que faremos a transição agroecológica. No sentido de reforçar esta perspectiva, centrada na educação do campo, apresentamos alguns elementos a seguir. e.2. A educação do campo como estratégia para promover a proposta agroecológica Como discutimos no item anterior, estamos vivenciando uma crise de paradigma, especialmente, no que se refere à produção agrícola e ao padrão de consumo estabelecido pelo modo capitalista de produção. Estamos vivenciando um processo de questionamento da lógica de desenvolvimento que degrada as condições de vida, tanto no campo quanto na cidade, que não se preocupa em preservar o meio ambiente, modelo este que está nos fazendo sentir os primeiros sintomas de um grave problema ambiental: o aquecimento global. E, para além da crise ambiental, é importante destacar que vivenciamos uma não menos intensa crise de valores. Os padrões de consumo mundializados pela globalização, assim como, a gana capitalista para acumular cada vez mais, deturparam fortemente valores educacionais e ambientais, transformando a relação do homem com a natureza em uma relação de compra e venda. Este cenário é resultado, entre outras questões, da consolidação de uma


educação também direcionada à acumulação capitalista. Este processo educativo, centrado em uma visão simplificadora e urbanizada da realidade, tem promovido uma educação que degrada os saberes construídos historicamente pelas comunidades tradicionais do campo, substituindo-os pelos modelos vendidos pelas empresas do agronegócio. Este modelo educacional cumpriu todas as suas etapas no processo de modernização do campo brasileiro. Nesse contexto, na transição para um modelo agroecológico de agricultura e justo de sociedade, é necessário partir de uma proposta também includente de educação. Nesse sentido, a escola do campo pode desempenhar um importante papel na construção de uma sociedade sustentável. Para tal ela precisa de algumas mudanças em suas práticas pedagógicas, necessita ainda de um urgente apoio em relação aos saberes técnicos, humanos e ambientais. Assim ela poderá contribuir para impulsionar o desenvolvimento rural sustentável. O trabalhador e a trabalhadora rural necessitam de apoio para o desenvolvimento de habilidades e competências para se inserirem no mundo do trabalho, de forma a produzir com qualidade em um ambiente ecologicamente sustentável (SILVA, 2004). Os princípios que norteiam a concepção e a prática da educação nas escolas do campo visam a construção do desenvolvimento local sustentável, e neles estão a relação com a terra, o modo de produzir, a relação com o meio ambiente, bem como os diferentes saberes e culturas do homem e da mulher do campo. Assim, a educação do campo tem um papel fundamental na construção de um projeto de desenvolvimento sustentável em que os sujeitos do campo tenham vez e voz na formulação de políticas econômicas, sociais, culturais, agrícolas, agrárias e educacionais. Isto acontece porque a escola dedica seu tempo à construção do saber, de valores, atitudes e comportamentos. O projeto de desenvolvimento rural sustentável tem suas raízes na democratização do acesso a terra, na construção de atitudes e valores para novas relações de gênero, no fortalecimento da agricultura familiar (SILVA, 2004). Ao conceber a democratização do acesso a terra como um instrumento de fundamental importância na promoção da função social da terra, no combate as desigualdades sociais e econômicas, através da geração de empregos, como uma forma ímpar

de

combate

a

fome,

ao

promover

a

interação

harmônica

entre

sujeitos/terra/natureza, colaborando no processo de implementação de uma relação de respeito às necessidades da sociedade, sem esquecer da dinâmica da natureza, a


educação do campo estará contribuindo para a implementação de um projeto de transição agroecológica (SILVA, 2004). Seguindo uma proposta alternativa de desenvolvimento rural sustentável a escola do campo ao valorizar a construção de atitudes e valores para novas relações de gênero, fundamentadas na igualdade, no reconhecimento do direito de cada pessoa, estará contribuindo para a construção de novas relações sociais. Outro importante papel da educação do campo na construção de um projeto diferenciado de desenvolvimento rural sustentável diz respeito ao fortalecimento da agricultura familiar. A agricultura familiar deve ser reconhecida como estratégica para a manutenção e/ou recuperação do emprego, para o processo de geração e redistribuição de renda no campo. A educação do campo pode contribuir para a produção de alimentos de forma ecologicamente ética, de forma solidária e economicamente viável garantindo a segurança e soberania alimentar (SILVA, 2004). E ainda mais importante, a escola do campo pode contribuir decisivamente para a solução de um dos grandes problemas do campo, a evasão dos jovens do campo em busca de empregos na cidade. Neste caso, especificamente, devemos fortalecer a discussão dos valores e práticas agroecológicas nas escolas de ensino básico no campo, buscando renovar a identidade camponesa entre estudantes de diferentes faixas etárias. A escola que temos hoje educa para a vida na cidade e menospreza as possibilidades de sobrevivência digna no campo. Para que o processo educativo no campo brasileiro seja solidificado, contudo, é importante que tenhamos a clareza de qual o formato de educação que deve ser desenvolvido e consolidado. Nesse sentido, é válido destacar, estamos falando de uma educação do campo, e não apenas de uma educação no campo, como ocorreu historicamente em nosso país. Como já foi destacado por Souza e Fernandes (2009), a Educação no Campo expressa um vínculo à localização do ensino, especificamente, no campo. Já o termo Educação do Campo possibilita a reflexão e a construção da escola do campo, que valoriza a identidade camponesa, congregando a pluralidade das idéias e das concepções pedagógicas, não só da cidade, mas principalmente do campo. Nesse processo, para o fortalecimento e recriação do campesinato, é importante que haja uma escola que esteja não só no campo, mas que também seja do campo. Considerando que o sujeito dessa proposta de educação é o agricultor familiar camponês, a agroecologia surge como um importante modelo de produção alternativa


no campo para esses sujeitos. Ainda, considerando os princípios da educação no/do campo, a agroecologia pode contribuir para o fortalecimento da agricultura familiar camponesa na medida em que um dos principais elementos que sustentam a agroecologia é o envolvimento integral da comunidade, sendo assim, socialmente ativadora, ainda que pelo uso extensivo do conhecimento tradicional, por abarcar todos os cultivos e também pela sua aplicação de baixo custo, ainda por essa ter como prioridade a sustentabilidade socioambiental. É importante ressaltar, ainda, que assim como a proposta agroecológica e em parceria com ela, a construção de um projeto para a educação do campo tem sido intensificada. Os espaços de debate sobre os novos rumos do campo brasileiro e a necessidade de promoção de uma nova educação têm aumentado ininterruptamente no país. O Observatório da Educação do Campo, estabelecido na Universidade de Brasília (UnB), por exemplo, vem realizando periodicamente o Encontro Nacional de Pesquisa em Educação do Campo e este ano (2010), realizou concomitantemente I Encontro Internacional de Educação do Campo, no mês de agosto em Brasília. Um dos espaços de discussão neste evento teve como tema o seguinte: “Educação do campo, agroecologia e soberania alimentar”. Isto revela uma preocupação crescente em conectar a pesquisa em educação do campo com a agroecologia. No mesmo sentido, cabe ressaltar a recente consolidação do PRONERA (Programa Nacional de Educação para a Reforma Agrária) como política pública. No âmbito deste programa foram desenvolvidas ricas experiências educativas para o campo, em especial, direcionadas aos assentamentos rurais. A nova perspectiva assumida por este programa, de política pública, certamente potencializará a ligação entre educação do campo e agroecologia. Portanto, é nesse amplo contexto de possibilidades que situamos a educação do campo como parceira incontestável no processo de transição agroecológica. E é, também a partir desta parceria, que esperamos com este projeto contribuir para a consolidação de um território agroecológico que inclua o município de Goiás e a região de seu entorno. e.3. Caracterização do município de Goiás a partir de sua estrutura agrária, das potencialidades da agricultura familiar camponesa e da educação do campo O município de Goiás localiza-se no Centro-Oeste brasileiro, aproximadamente, entre as coordenadas de 53’ 54” e 16º 00” S e 50º 00” e 50º 40’ W, com uma área


territorial de 3.108 km². Lima (2003) afirma que, em 1957 a área do município de Goiás era de 25.757 Km². No entanto, devido ao desmembramento e emancipação dos municípios de Araguapaz, Aruanã, Britânia, Diorama, Faina, Heitoraí, Itapirapuã, Jussara, Matrinchã, Montes Claros de Goiás, Mozarlândia e Santa Fé, restou para o Município de Goiás, uma área total de 3.108 Km². Administrativamente o município encontra-se inserido na mesorregião geográfica do Noroeste Goiano e compõe a microrregião do Rio Vermelho (BRASIL, 2006), constituindo um dos municípios que se destaca economicamente no cenário goiano, sobretudo em função da sua história e dos atrativos turísticos. O município que atualmente constitui um dos principais atrativos turísticos do Estado de Goiás, compondo o denominado Caminho do Ouro (AGETUR, 2004), tem como principais vias de acesso a GO-070, que parte de Goiânia passando pela cidade e seguindo a oeste, em direção ao Estado do Mato Grosso; e a GO-164, também conhecida como “estrada do boi”, que sai da cidade de Goiás e faz ponte entre o sul-sudoeste e noroeste do Estado. Conforme dados do Censo (IBGE, 2001), o município de Goiás tem uma população estimada de 27.120 habitantes, dos quais 13.665 (50,4% da população) são do sexo masculino e 13.455 (49,6% da população) são do sexo feminino, indicando uma diferença insignificante entre homens e mulheres no município. A densidade demográfica para o período em questão, obtida a partir da relação do quantitativo populacional e da área territorial do município, é de 8,73 hab/Km². Grande parte desta população vive ainda no campo, apesar ter ocorrido um intenso processo de êxodo rural a partir da modernização agrícola nos anos 1970. Isso decorreu, em especial, do modelo assumido pelo processo de formação territorial levado a cabo na região e no município, especificamente. O processo de formação territorial de Goiás teve início através da distribuição de sesmarias e, posteriormente, pelas grandes posses em terras devolutas, constituindo ali verdadeiras famílias oligárquicas, possuidoras de posse e poder político. Pois, as sesmarias, durante o processo de ocupação das terras no período colonial, eram “[...] concedidas aos nobres ou pessoas que, notoriamente, tivesse fortuna” (AGUIAR, 2003, p. 58). Assim, por estar situado na região que historicamente marcou o início da ocupação no Estado de Goiás, o município de Goiás está constituído por grandes latifúndios.


Segundo a mesma autora, com a decadência da mineração cai também o interesse em pedir e em ceder sesmarias, pois, na agropecuária, além do lucro ser menor exigia mais tempo e áreas mais extensas. Também, pela abundância das terras devolutas nota-se que na prática da pecuária, as exigências burocráticas das sesmarias não as tornavam atraentes. O principal fator que dificultava a legalização das sesmarias era a exigência da medição, uma vez que somente “agrimensores”, profissionais raros na época, poderiam realizá-la. Justifica assim, segundo a autora, ter encontrado no período pesquisado (1726-1770), a confirmação de apenas 12 sesmarias em Goiás-GO, apesar dos 1.052 pedidos. Com isso as grandes propriedades passaram a ser através de grandes apossamentos. A Resolução de 17 de julho de 1822 pôs termo ao regime de sesmarias no Brasil, confirmando um fato já consumado, ou seja, a instituição das sesmarias já havia perdido o interesse da classe social. Assim, seu processo de doação já se agonizava, uma vez que corria solto o sistema de apossamento sobre as terras devolutas. Portanto, foi posterior a fase de ocupação aurífera em Goiás, que iniciou o que muitos autores denominam de segunda fase da ocupação, era a ocupação através das posses para a prática da agropecuária. Em Goiás, assim como em diversas regiões do Brasil, o sistema de apossamento campeava livremente. Segundo Pessoa (1999, p. 43), “[...] as ocupações passavam a ser feitas, sobretudo pelos grandes proprietários. Na verdade, as ocupações se constituíram em certa “reserva”, visando às futuras divisões por herança”, não mudando muita coisa em relação ao período sesmarial, ou seja, quanto mais poder, maior quantidade de terra se apoderava. Ao referir-se a esse período Lima (2002, p. 58) assim resume: “[...] a tendência para a grande propriedade estava já definitivamente arraigada na psicologia da nossa gente”. Assim, as terras devolutas no Brasil e em Goiás, iam tomando destino. A Lei de Terras de 1850 não resolveu o problema de posse e uso da terra, pois, nem mesmo o governo tinha noção da quantidade de terras definitivamente ocupadas. Foi ai que o governo imperial, no intuito de tomar conhecimento da quantidade de terras que estavam apropriadas, bem como das terras devolutas ainda existentes, determinou que os detentores de terras fizessem um registro de declaração junto às paróquias. A intenção do império em priorizar as paróquias para esse tipo de declaração de registro das terras, ao invés dos órgãos governamentais. Pois, tomando como exemplo a Província de Goiás, onde existia na época apenas uma sede administrativa, em Vila Boa


(atual município de Goiás), por outro lado existiam quarenta e quatro paróquias espacialmente distribuídas em toda a Província. Ou seja, o contato direto com a população era maior por parte da igreja, através das paróquias, do que pelos próprios órgãos públicos. Antes de falar de luta pela terra, é preciso mencionar os mediadores que exerceram influência junto aos camponeses, em vários momentos de luta. No entanto, “[...] a mediação tanto pode ser no sentido de questionar ou de reproduzir a dominação a que estão submetidos” (DUARTE, 1998, p. 230). Para o autor, o mais importante de tudo isso é que a classe camponesa possui autonomia e até certa rebeldia, se manifestando à frente de seus mediadores, desenvolvendo e sobressaindo sua própria cultura e sua racionalidade. Antes da chegada de D. Tomás Balduino, a atuação da Diocese de Goiás era considerada conservadora, pois, priorizava as ações sacramentais nos moldes tradicionais, conforme afirma Duarte (1998, p. 240): D. Tomás encontrou uma igreja com uma estrutura interna bastante verticalizada, no ápice estava o bispo que era a autoridade máxima, em seguida estava os padres, que cumpriam a vontade do bispo, depois vinham as religiosas, que auxiliavam os padres na catequese, na liturgia e principalmente nas atividades assistenciais, por último estavam os fiéis, que se relacionavam com a igreja através dos sacramentos, dos dízimos e das festas religiosas.

Com essa nova metodologia de ação junto à comunidade, a diocese transformouse no principal pólo de atuação da “igreja progressista”. Destaca-se também a atuação de várias congregações de religiosos, que juntos desenvolveram diversas pastorais que fizeram e fazem a diocese caminhar. Dentre esses, os padres beneditinos (tendo como referência desses o Mosteiro São Bento), além dos padres diocesanos. Destacam-se também no apoio aos camponeses em luta no município, na década de 1980, a Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos BarromeoScalabrinianas, também conhecidas como Carlistas Scalabrinianas que, junto com os beneditinos e diocesanos, desenvolveram importante atuação nos acampamentos. Nas entrevistas realizadas no Assentamento Mosquito são constantes as citações dos nomes de Irmã Zenaide (Scalabriniana), Padre Philipe (Beneditino), também de Dom Tomás e de Frei Marcos (Diocesanos). Ainda hoje são desenvolvidos trabalhos pastorais por essas congregações juntos aos assentamentos rurais do município de Goiás.


Segundo Dom Tomás, a maioria dos movimentos de luta no campo nasceram da CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), num relacionamento profundo com a igreja, a religião, a fé, e a leitura bíblica, assim, no momento em que esses trabalhadores tomam iniciativas por conta própria, a igreja entra com o apoio. Destaca-se na época da ditadura militar a criação da CPT (Comissão Pastoral da Terra) que, apesar de ser um organismo autônomo quanto à organização administrativa, é vinculada a igreja católica, através da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A função principal da CPT na igreja católica era de mediações nas questões agrárias. No município de Goiás, o trabalho da igreja antecipou aos trabalhos da CPT e do próprio MST. O assentado Milton Duarte da Costa, afirma: Esse trabalho começou aqui no município de Goiás através da igreja. A minha mulher era catequista e, através do trabalho de um bispo exemplar, que era D. Tomás, um trabalho social na região. Ele achou a melhor forma desse engajamento através das catequistas, N/É? Aí ele inventou num encontro, que cada catequista levasse à sua região a proposta de luta pela terra, porque quando foi na época da mudança de regime (a passagem da ditadura militar para a democracia da Nova República), a proposta política era “Eleições Diretas, Democracia e Reforma Agrária”. [...] E aí começou através das catequistas, levando para suas comunidades essa proposta. Cada um ficou encarregado de criar na sua região uma comissão.

Ainda segundo senhor Milton Duarte as dificuldades enfrentadas na época eram grandes, pois, quando falavam da importância e necessidade de ocupar grandes latifúndios improdutivos, encontravam resistência dos próprios companheiros. O município de Goiás era um reduto de famílias tradicionais, onde predominava o domínio de trabalho escravo. Por ser um município estritamente agrário, tinha os problemas voltados para a questão fundiária concentrada nas mãos de grandes proprietários e de grileiros, gerando conflitos com antigos posseiros. Nesse sentido, pode-se afirmar que a igreja católica, através da Diocese de Goiás e a CPT, com sua mediação contribuiu na conscientização daqueles camponeses, fomentando o início da resistência e luta pela terra no município de Goiás. Foi contando com essa importante mediação que começou a esperança camponesa no município de Goiás, quando trabalhadoras e trabalhadores rurais desempregados nas cidades de Itapuranga-GO e Goiás-GO, iniciaram a história do Assentamento Mosquito. Segundo informação de Dom Tomás, a igreja não comandava os camponeses, apenas colaborava na realização dos encontros e debates onde os próprios camponeses


discutiam sua realidade e tomava suas decisões. A mediação da igreja pautava, além da orientação, também em apoio moral e jurídico. Isso acarretou no encorajamento de um grupo de sem terra, que decidiu ocupar a Fazenda São Sebastião do Mosquito, resultando em sua desapropriação. Iniciou-se a partir daí diversos outros movimentos de ocupação de latifúndios do município e, conseqüentemente, a constituição de vários assentamentos rurais de reforma agrária. Os camponeses se organizaram coletivamente em Goiás-GO, ocuparam, resistiram, lutaram e conquistaram a terra, formando inicialmente os assentamentos São João do Bugre e Mosquito, abrindo caminho para outros 20 assentamentos que viriam posteriormente. Como resultado, o município de Goiás possui atualmente 22 assentamentos (Ver Quadro 1) abrangendo uma área total de 27.411,59 ha, com 647 famílias assentadas. Quadro 1: Relação e dados de assentamentos existentes no município de Goiás-GO. NOME DO ASSENTAMENTO P. A. Mosquito P. A. São João do Bugre P. A. São Felipe P. A. Acaba Vida II P. A. Retiro P. A. Rancho Grande P. A. São Carlos P. A. Lavrinha P. A. Mata do Baú P. A. Novo Horizonte P. A. Paraíso P. A. Buriti Queimado P. A. União Buriti P. A. Varjão P. A. Magali P. A. Holanda P. A. Bom Sucesso P. A. Baratinha P. A. Vila Boa P. A. Engenho Velho P. A. Serra Dourada P. A. Dom Tomás Balduíno T O T A L. . . . (22). . .

ÁREA (há) 1.786,2397 454,8255 674,0000 271,8076 736,4457 800,1473 5.711,8198 706,7123 1.561,0707 1.018,5037 1.278,8022 1.198,1491 760,6935 1.088,8791 423,2522 1.347,0227 1.714,1569 762,8931 793,2248 1.122,1655 239,3928 2.961,3902 27.411,587

Nº. DE FAMÍLIAS 42 9 10 03 23 21 152 28 39 22 37 21 22 16 08 24 30 16 13 30 14 67 647

DATA DE CRIAÇÃO 17/10/1986 25/04/1988 03/09/1991 03/09/1991 03/09/1991 03/09/1991 06/12/1995 06/12/1995 09/04/1996 16/05/1996 14/10/1996 07/11/1996 14/11/1996 05/03/1998 05/03/1998 16/09/1998 30/05/1996 02/10/1997 17/10/1997 09/12/1997 17/12/1999 21/06/2005 ..........

Fonte: Divisão de Suporte Operacional do INCRA-GO - 2007 Org.: COELHO, J. B. – 2007 Esse quadro reflete a importância da reforma agrária no campo, pois a área de apenas 22 proprietários, que sequer moravam no local, com os assentamentos cederam lugar para 647 famílias de camponeses que trabalham na terra, retirando dali o sustento familiar. Ou seja, ocorreu no município de Goiás, a partir da década de 1980, uma verdadeira reestruturação do espaço agrário, com um intenso processo de reterritorialização camponesa em toda a região. O município de Goiás constitui-se,


atualmente, no município goiano com maior número de assentamentos rurais implantados. Por outro lado, ocorre no espaço agrário regional um fenômeno identificado também em outras regiões brasileiras, a saber, o não reflexo da mudança na estrutura agrária sobre a transformação das relações de poder. Ou melhor, ainda que tenham sido assentadas 647 famílias nas últimas três décadas no município de Goiás, não houve uma mudança política considerável. Isto se reflete, especialmente, no processo produtivo, pois pouco apoio do poder público municipal tem sido direcionado para o fortalecimento dos assentamentos. Os programas do Governo Federal direcionados aos produtores familiares tem sido uma alternativa para o desenvolvimento dos assentamentos. Foi constituído na região, por exemplo, o Território do Rio Vermelho. Também tem sido acessados recursos pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e pelo PRONAF, com os quais foi construída, por exemplo, uma estrutura para distribuição da produção dos assentamentos. Todas estas políticas, no entanto, encontram uma intensa resistência da administração municipal e do grupo conservador que ainda controla a cidade. O Território do Rio Vermelho tem sido controlado por grupos locais que bloqueiam o estabelecimento de um processo verdadeiramente democrático. A estrutura financiada pelos recursos do PRONAF para comercialização da produção dos agricultores familiares, por exemplo, será provavelmente perdida para a construção do fórum da cidade. A principal alegação do poder público municipal é a baixa utilização desta estrutura pelas famílias assentadas. Nesse contexto, apresenta-se a necessidade premente de uma rearticulação das entidades que trabalham diretamente com a agricultura familiar, ligando pesquisa e extensão a partir de parceiros que lutem de forma conjunta pela manutenção dos avanços alcançados a partir da luta dos camponeses e pela conquista de novos espaços de discussão política, de produção, comercialização, etc. Entendemos que esta congregação pode ocorrer por meio da focalização em ações que tenham nas escolas e na educação do campo uma linha de trabalho e na agroecologia o caminho a ser caminhado. Algumas pesquisas realizadas no âmbito da Universidade Estadual de Goiás têm revelado um potencial das escolas do campo para fortalecer a identidade camponesa no município de Goiás. Estas escolas estão representadas por uma Escola Família Agrícola e por quatro escolas pólo de ensino básico, como mostrado no Mapa, abaixo.


Dentre as cinco escolas que serão espaços para a formação do núcleo de pesquisa e extensão em agroecologia no município de Goiás, está a Escola Família Agrícola de Goiás (EFAGO), as Escolas Municipais Pólos: Terezinha de Jesus Rocha, a Holanda, Olimpya Angélica de Lima e Vale do Amanhecer.


A Escola Família Agrícola de Goiás (EFAGO) foi fundada no ano de 1992, com a participação de membros do Projeto de Assentamento Mosquito, Rancho Grande e Retiro Velho, no entanto, a escola só iniciou suas atividades em 1994 num prédio provisório cedido pela escola do Lar São José com uma turma de 23 alunos. Posteriormente, mudou-se para o prédio recém-construído no meio rural do município de Goiás, num local denominado Arraial dos Ferreiros, cerca de 6 km da área urbana, em um espaço de 7,2 ha, de propriedade da Associação de Pais e Alunos da EFAGO. A Escola Família Agrícola de Goiás é regida pela Associação de Pais e Alunos, que a mantém parcialmente, pois o estado assume parte das despesas da escola com o custeamento dos salários dos professores. Essa escola atende o ensino médio de 1ª a 3ª série além do ensino profissionalizante técnico em agropecuária. É preciso ressaltar que devido aos problemas financeiros essa escola que, atendia todas as séries do ensino fundamental, passou no ano de 2006, a desativá-lo gradativamente. No ano de 2010, ela matriculou 75 alunos atendidos por 13 professores. O sistema de ensino da escola é o da alternância, em regime de semi-internato, em que o alunado permanece 15 dias na escola e 15 dias na sua propriedade, entretanto, Jesus (2004) ressalta que ela é uma pedagogia que não se preocupa apenas com a formação, mas, ao mesmo tempo promove uma ação integrada junto à família. Essa escola atende 12 assentamentos localizados no município de Goiás, são eles: Bom Sucesso, Engenho Velho, Mosquito, São Felipe, Paraíso, Lavrinha, Magali, Mata do Baú, São Carlos Retiro, Rancho Grande e Serra Dourada, além de mais um assentamento localizado no município de Araguapaz denominado de Taquaral. A EFAGO utiliza instrumentos pedagógicos específicos na integração escolafamilia-comunidade, esses instrumentos são a visita à família e comunidade, levando ao conhecimento dessas instâncias à Escola e os anseios da comunidade para a escola; Plano de Estudo (PE); Trabalho Prático que desenvolve atividades de olericultura e agropecuária com espaços que servem de laboratório como a horta, apicultura, experimento com leguminosas, práticas de adubação orgânica, produção de mudas, campo de produção de sementes de milho crioulo e pomar com plantas frutíferas. Entretanto um dos principais problemas dessa escola é a assistência técnica na execução das atividades agropecuárias. Outra escola que é objeto desta proposta é a Escola Municipal Olimpya Angélica de Lima que foi criada em 29 de setembro de 1992, essa escola está localizada no meio


rural, especificamente no Projeto de Assentamento São Carlos com uma distância de 51 km da área urbana do município de Goiás, sendo que, 18 km são de estrada não pavimentada e 34 km são de estrada pavimentada. No ano de 2008 foram matriculados 151 alunos que contam com 11 professores. Já no ano de 2010 o número de alunos diminuiu significativamente para aproximadamente 60 alunos. Sua criação se deu a partir das reivindicações dos moradores da região, objetivando atender as necessidades dos alunos moradores dos assentamentos. Ela atende o Projeto de Assentamento São Carlos, Buriti Queimado e União dos Buritis e outras propriedades agrícolas, esse atendimento se dá, em regime de externato, atendendo o ensino infantil jardim I, II e III, e o ensino fundamental do 1º ao 9º anos. A Escola Municipal Olimpya Angélica de Lima possui bom acervo de livros e material pedagógico, o que facilita o desenvolvimento das atividades escolares desde que os professores busquem associar os conteúdos dos livros com a realidade dos alunos campesinos. A Escola Municipal Holanda, foi criada em março de 2005, e esta localizada na comunidade do assentamento denominado de Holanda, no meio rural, distante 23 km da área urbana do município de Goiás. Ela possui 13 professores com um alunado eminentemente do campo, sendo que foram matriculados em 2008, 188 alunos no ano de 2010 foram mariculaos aproximadamente 90 alunos. Ela atende sete assentamentos sendo eles: Holanda, Engenho Velho, Baratinha, Vila boa, Paraíso, Dom Tomas, São João do Bugre. O assentamento mais distante tem 75 km, sendo quatro linhas a serem percorridas para a coleta dos alunos e uma para os professores. Essa escola atende o ensino infantil jardim I, II, III e o ensino fundamental de 1º a 9º anos, sendo que suas atividades de ensino funcionam no prédio da Associação Holanda em regime de externato. Os instrumentos pedagógicos são basicamente quadro giz aparelhos de DVD, televisão, vídeo, retro-projetor, e livros didáticos conseguidos por meio de doações. Em 1999, foi criada a Escola Municipal Terezinha de Jesus Rocha, localizada no distrito de Buenolândia. No ano de 2007, foram matriculados 126 alunos, oriundos de seis projetos de assentamentos, sendo os mesmos: São João da Lavrinha, Mata do Baú, Magali, Novo Horizonte I e II, Rancho Grande e Mosquito. A Escola visa atender a educação infantil e ao ensino fundamental, funcionando no período vespertino, para atender os alunos que moram no campo, pois os mesmos dependem de transporte para chegar até a Escola.


A Escola Pólo Municipal Vale do Amanhecer está situada no distrito de Calcilândia, distante 60 km do núcleo urbano da cidade de Goiás. Essa foi formada em 2002, a partir da aglomeração de sete escolas situadas em fazendas circunvizinhas que funcionavam em sistema multisseriado. No ano de 2010 essa escola matriculou 115 alunos oriundos do distrito de Calcilândia ou de propriedades do entorno. Diferente das outras escolas ela não atende alunos oriundos de assentamento. Atualmente conta com 8 professores, Diretor, Coordenador e merendeiras. Em entrevistas realizadas na escola foi constatado que a escola tem buscado a implantação de atividades práticas, mas não conseguiu o apoio da comunidade escolar. Por fim, é preciso ressaltar que as escolas nasceram das reivindicações dos camponeses que encontravam dificuldades de deslocar seus filhos ate à cidade do município de Goiás, e ainda por estarem mais próximas da realidade do campo. Essas escolas atendem todos os 23 assentamentos do município de Goiás e comunidades rurais. É importante destacar que das cinco escolas, três não possuem espaços para a prática pedagógica ligada a realidade do homem do campo, como horta, piscicultura, apicultura, pecuária, dentre outras atividades agropecuária sendo que uma possui, no entanto, está subaproveitado. Partindo do contexto histórico de formação dessas escolas é que se faz necessário um núcleo de pesquisa e extensão ligado a agroecologia. e.4. Experiências/potencialidades agroecológicas e de educação do campo em desenvolvimento no município de Goiás Nos últimos anos têm sido estabelecidos embrionariamente, no município de Goiás e na microrregião do rio vermelho de forma geral, alguns espaços de resistência ao modelo dominante da agricultura baseada em pacotes tecnológicos e na produção em larga escala. São experiências que englobam uma gama de ações que convergem, de forma geral, para a construção de uma sociedade socialmente mais justa e ambientalmente mais sustentável. O estabelecimento da Escola Família Agrícola de Goiás (EFAGO), o trabalho de pesquisa e extensão nas escolas do campo (e naquelas da cidade que recebem alunos do campo) desenvolvido no âmbito da UEG (Universidade Estadual de Goiás – Unidade Goiás), a implantação de quintais agroecológicos pela CPT (Comissão Pastoral da Terra), a prática de formas solidárias de comercialização consolidadas pela COOPAR


(Cooperativa Mista de Agricultores Familiares do Município de Goiás e Região) a partir do Programa de Aquisição de Alimentos do Governo Federal, o desenvolvimento de medicamentos a partir de plantas do cerrado já enraizado pelos trabalhos da Pastoral da Saúde e Casa da Agricultura Familiar “Dom Tomás Balduíno”, entre várias outras experiências, são exemplos que podem ser identificados no espaço agrário do município de Goiás e região. Todas estas ações, entendemos, podem ser inseridas no que assumimos como agroecologia. Contudo, são ainda experiências realizadas de forma pontual e isoladamente, sem um direcionamento conjunto que as fortaleça como proposta real de construção de um território agroecológico. É possível identificar, por outro lado, um grande potencial para que esta transformação paradigmática possa de fato ocorrer. Entendemos, ainda, que é a partir do acúmulo apresentado por estas entidades e experiências que poderemos consolidar a discussão e a prática agroecológica no município de Goiás. Em uma relação dialética estas experiências podem fortalecer a identidade camponesa entre alunos do ensino básico de todo o município. Por outra via e ao mesmo tempo, a Universidade Estadual de Goiás poderá apoiar estas entidades quanto à realização de atividades de pesquisa e extensão em conjunto. Por isso, acreditamos ser importante apresentar um resumo de cada uma destas experiências. 1. Formação de Técnicos Agrícolas em uma perspectiva de libertação (Escola Família Agrícola de Goiás - EFAGO) A Escola Família Agrícola de Goiás (EFAGO). Nesta instituição está em processo um resgate das práticas agroecológicas entre camponeses do município de Goiás, partindo de igual resgate de um processo educativo originado e voltado para as atividades do campo. A Pedagogia da Alternância permite o desenvolvimento de um processo educativo que respeita as características próprias do campo e do campesinato, além de permitir que o aprendizado seja imediatamente testado e aplicado nas comunidades de origem dos alunos. Borges (2010), analisando especificamente a EFAGO destaca um processo de reconstrução da identidade camponesa no município a partir de tal experiência. “Acredita-se que as crenças populares, a sabedoria popular, a medicina alternativa, as tradições, o lazer, as festas os costumes, os valores e o trabalho, sejam o que há de mais expressivo na identidade camponesa em Goiás, marcando suas práticas culturais”.


(BORGES, 2010, p. 162). Todos estes elementos citados pela autora são formadores de uma cultura agroecológica, subjetivamente imersa no mundo camponês e pouco analisada pela academia. Atualmente estão matriculados nesta escola 75 alunos provenientes dos assentamentos e de outras comunidades camponesas de Goiás. Anteriormente a escola contava também com o ensino fundamental, mas em 2006 devido à falta de recursos estas séries foram desativadas, restando apenas o ensino médio/técnico. E consequentemente, pela não oferta do ensino fundamental, a própria procura pelo curso médio/técnico tem diminuído. A formação que antes era integral no sentido de resgatar a identidade agroecológica, agora foi fragmentada. Por isso, também, a importância de desenvolvermos um projeto com as escolas pólo do campo de Goiás, pois são estas potencialmente as fornecedoras dos alunos para a EFAGO. Trazendo a experiência desta escola técnica para o projeto, e a conectando com as demais escolas do campo no município, poderemos consolidar um contexto de ensino extremamente importante para a construção de uma proposta agroecológica. 2. Implantação de Quintais Agroecológicos (Projeto da Comissão Pastoral da Terra) O desejo e a necessidade dos agricultores/as familiares em construírem uma vida digna no campo passam por um modelo de produção que seja sustentável ecologicamente e economicamente. Neste sentido, os quintais agroecológicos tem se tornado um espaço de reflexão e redefinição do modelo de se produzir alimentos. A integração e inter-relação de diversas culturas e animais em uma área reduzida tem se mostrado como uma forte alternativa no sentido de diversificar a produção e gerar renda. Incentivar a produção de alimentos utilizando-se de princípios agroecológicos e favorecer a segurança alimentar com qualidade e variedade, é sem dúvidas, resgatar a tradição da fartura no campo, abandonada em função da monocultura da atividade leiteira. A metodologia utilizada na implantação dos quintais seguiu um dos princípios básicos da agroecologia, a valorização do conhecimento e das orientações técnicas que os agricultores detêm. Juntamente com toda a família foram tomadas as decisões mais importantes do processo participativo da família na construção da concepção do mesmo levou à diferentes resultados, principalmente por utilizar os recursos disponíveis na propriedade e a tecnologia alternativa que melhor se adequaria a tal realidade.


Basicamente, os quintais contemplaram plantas frutíferas, hortaliças em geral, grãos e animais de pequeno porte, como peixes, aves e suínos, num processo de interrelação na cadeia alimentar. E as famílias beneficiadas com o projeto foram aquelas que mais gostariam de passar do modelo convencional de agricultura para o alternativo, e sentiram a necessidade de melhorar e diversificar a produção, para tentarem sair da cadeia do leite. Estas, por sua vez, são famílias que estão intimamente ligadas a associações de pequenos produtores, sindicatos dos trabalhadores rurais e as feiras de pequenos produtores, e que sabem a importância de um modelo sustentável de agricultura que respeite o próprio agricultor e o meio ambiente. O processo prático de implantação dos quintais contou com grande apoio das comunidades das famílias beneficiadas, vários encontros e mutirões foram realizados para executar o trabalho de forma coletiva. O trabalho de (in)formação técnica realizada com os agricultores e o acompanhamento da implantação dos quintais foi realizado pela equipe técnica da Comissão Pastoral da Terra. Alguns quintais foram implantados totalmente com recursos das famílias. Outros receberam apoio financeiro do Populorum Progressio (Braço Social do Vaticano na América Latina) e a contrapartida dos beneficiários. Vários resultados positivos eclodiram desde a implementação do projeto. O primeiro e talvez mais importante foi a melhoria na quantidade, qualidade e variedade de produtos alimentícios que as famílias passaram a ter na mesa. São dezenas de quintais implantados em diversas regiões. Algumas famílias conseguiram, ainda, resultados economicamente mais significativos, passando a comercializar os produtos, principalmente hortaliças, nas feiras dos pequenos produtores, no Programa Compra Antecipada com Doação Simultânea e agora mais recentemente, no programa da merenda escolar. Este projeto, entendemos, possui um grande potencial para o resgate da identidade agroecológica camponesa. Acreditamos que poderia ser implantado nas Escolas Pólo do município de Goiás, permitindo a investigação por parte dos alunos e professores. Este processo de aprendizado agroecológico, a ser apoiado com pesquisas pela Universidade Estadual de Goiás, poderia refletir indiretamente na adoção das práticas desenvolvidas na escola pelos pais dos alunos. 3. Comercialização de Produtos da Agricultura Familiar (Projeto da COOPAR)


A COOPAR (Cooperativa Mista de Agricultores Familiares do Município de Goiás e Região) é uma organização composta atualmente por 20 cooperados, em sua maioria, produtores familiares assentados. A cooperativa foi fundada para fortalecer a organização dos assentados e produtores tradicionais do município, mas também para inserir tais produtores no Programa de Aquisição de Alimentos do Governo Federal. A adesão a este programa gerou uma possibilidade concreta para a comercialização dos produtos da agricultura familiar. A partir da criação da cooperativa e da inserção no PAA este grupo de agricultores familiares passou a produzir uma maior quantidade e diversidade de produtos. Tais produtos são destinados a atender 19 entidades (entre escolas, creches, asilos, etc.) da cidade de Goiás. Este foi certamente um largo passo no sentido da consolidação do território camponês no município. Por outro lado, contudo, o processo produtiva ainda tem sido direcionado basicamente pelo modelo tradicional de agricultura. Ou seja, com a utilização de adubos e produtos químicos que são nocivos tanto para os produtores como para quem consome tais produtos. Considerando que os filhos das famílias cooperadas estudam, via de regra, nas escolas pólo nas quais propomos desenvolver a presente proposta, entendemos que a pesquisa e a extensão poderá também atingir estes produtores. Estes já demonstraram um grande interesse em iniciar uma experiência agroecológica, produzindo alimentos mais saudáveis para sua família e para as entidades atendidas através do PAA. As experiências implantadas nas escolas podem servir como referências para esta cooperativa e também para todas as demais comunidades onde estão inseridas estas instituições de ensino. Em sentido oposto, da mesma forma, os conhecimentos de alguns dos cooperados da COOPAR podem servir ao processo de aprendizagem para os alunos das escolas pólo e mesmo para os estudantes e professores universitários envolvidos no projeto. 4. Desenvolvimento de medicamentos e manutenção de Farmácia com plantas medicinais do cerrado e rede de agentes pastorais de saúde (Projeto da Pastoral da Saúde e Casa da Agricultura Familiar Dom Tomás Balduíno) A Pastoral da Saúde e o espaço representado pela Casa da Agricultura Familiar Dom Tomás Balduíno constituem uma referência importante, para o município de Goiás


e para toda a região, de saúde popular construída a partir dos conhecimentos tradicionais camponeses. Há várias décadas este espaço tem mantido um trabalho de resgate de práticas tradicionais de tratamento, buscando nas plantas do cerrado soluções para diversas enfermidades. Estão compostos atualmente 18 grupos de agentes que estudam e ensinam sobre os medicamentos do cerrado. Estes grupos estão distribuídos nas comunidades rurais do município de Goiás e da microrregião do Rio Vermelho, constituindo uma ampla rede de saúde popular. A partir destes grupos são realizados dias de campo para reconhecimento e coleta de plantas medicinais, cursos e palestras para os agricultores das comunidades, além de visitas às famílias camponesas de cada comunidade. Para além destas atividades, uma diversidade de medicamentos é desenvolvida no espaço da Casa da Agricultura Familiar para venda direta à população da cidade de Goiás. Este espaço tem se tornado uma referência para um grande número de pessoas que buscam um tratamento alternativo. Neste mesmo espaço são comercializados artesanatos produzidos por famílias assentadas. Esta experiência em particular, que possui um largo acúmulo de conhecimento na medicina popular, pode ser um grande apoio para a discussão das práticas agroecológicas. A saúde, quando pensamos na produção de alimentos, é um ponto central da discussão. Ou seja, a partir do estudo sobre as plantas medicinais podemos refletir sobre que tipo de produtos estamos produzindo para nós e para nossos filhos. Portanto, propomos desenvolver nas escolas participantes do projeto, juntamente com experiências agroecológicas de produção, também a produção de canteiros de plantas medicinais. Tal experiência abrirá, ainda, a possibilidade de pesquisa para estudantes universitários. Poucos estudos têm sido realizados, na região, sobre a utilização plantas ervas medicinais do cerrado.

f) O envolvimento do proponente e/ou de sua instituição com projetos em execução no país relacionados com os objetivos da proposta f.1. Proponente 1. Programa de Apoio Científico e Tecnológico aos Assentamentos de Reforma Agrária – PACTo – MG/Triângulo Mineiro (2004 – 2006).


- Caracterização: Projeto multidisciplinar desenvolvimento, entre 2004 e 2006, no âmbito da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), a partir de convênio realizado

concomitantemente

Desenvolvimento

Científico

com e

o

CNPq

Tecnológico)

(Conselho e

MDA

Nacional

de

(Ministério

de

Desenvolvimento Agrário). - Objetivo: Desenvolver atividades de pesquisa e extensão, em todas as áreas do conhecimento, nos assentamentos rurais da mesorregião geográfica do Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba. - Função Exercida: Professor orientador responsável pela pesquisa e extensão na área da produção animal. 2. Projeto ATER: Formação técnica de produtores rurais tradicionais, assentados e acampados na região do Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, em formas de organização social e produtiva, técnicas de produção agroecológica e meio ambiente. (2005 – 2007). - Caracterização: Projeto desenvolvido no âmbito da Animação Pastoral e Social no Meio Rural (APR), em convênio com o Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA). - Objetivo: Formação de produtores rurais assentados em práticas agroecológicas de produção e discussão da questão ambiental no contexto das áreas de assentamento. - Função Exercida: Coordenador do processo de formação na área agroecológica e instrutor em práticas de produção animal com sustentabilidade. 3. Projeto de Pesquisa: A territorialização das práticas agroecológicas no município de Goiás (2010 – atual). - Caracterização: Projeto de pesquisa apresentado à Pró-reitoria de Pesquisa e Pós Graduação da Universidade Estadual de Goiás para desenvolvimento a partir de 2010 entre assentados e agricultores familiares tradicionais do município de Goiás.


- Objetivo: Identificar práticas de agroecologia entre os produtores familiares do município de Goiás e do território do Rio Vermelho, contribuindo ao mesmo tempo com o resgate do conhecimento tradicional camponês. - Função Exercida: Coordenador do projeto e pesquisador. g) As estratégias para o desenvolvimento do projeto A principal e mais importante estratégia para a efetivação desta proposta está, sem dúvida, relacionada às parcerias estabelecidas. Pois, como mencionamos em outros momentos na elaboração desta proposta, experiências têm sido realizadas, mas de forma pontual. Somente com a congregação das entidades e organizações que trabalham com a agricultura familiar, direta ou indiretamente, poderemos construir um projeto agroecológico. Tudo isto a partir do direcionamento estabelecido no Núcleo de Pesquisa e Extensão em Agroecologia e Educação do campo. Especificamente estabelecemos as seguintes estratégias para o desenvolvimento do presente projeto: - Situar a Educação do Campo como perspectiva central para o desenvolvimento do projeto, especificamente, e para a construção de um território agroecológico de forma mais geral, buscando nas escolas do campo a parceria primeira para que estas ações tenham validade em longo prazo; - Potencializar propostas educacionais adequadas para a agricultura familiar e para as escolas do campo, tendo como referência a Pedagogia da Alternância, além de outras metodologias educacionais construídas a partir da experiência das famílias camponesas; - Estabelecer uma proposta baseada na discussão coletiva e democrática entre as entidades envolvidas no projeto, buscando valorizar as competências e o acúmulo de conhecimentos teórico-práticos de cada uma delas; - Estimular o desenvolvimento de atividades de pesquisa direcionadas à produção de conhecimento para a agricultura familiar, englobando neste contexto toda sua amplitude, social, econômica, ambiental, cultural, etc.;


- Apoiar ações em agroecologia já existentes e orientar o desenvolvimento de experiências agroecológicas nas escolas do campo e, consequentemente, nas comunidades camponesas do município de Goiás e na região de seu entorno; - Desenvolver atividades de resgate dos saberes históricos da agricultura familiar, promovendo ao mesmo tempo o resgate objetivo de sementes e plantas crioulas e raças de animais adaptadas ao contexto camponês; - Apoiar o fortalecimento do Território do Rio Vermelho, procurando fazer deste um espaço de debate e consolidação de políticas públicas que sejam apropriadas para a agricultura familiar; - Proporcionar a construção de metodologias participativas para aproximar o conhecimento científico do saber histórico da agricultura familiar, buscando o acúmulo coletivo na produção de conhecimentos; h) Resultados, avanços, aplicações esperadas e indicadores de progresso Esperamos constituir, de forma geral, um grupo de pesquisa e extensão que se consolide na produção de conhecimentos em agroecologia e na busca de sua aplicação prática entre agricultores familiares do município de Goiás. De forma específica, no entanto, esperamos produzir os seguintes avanços e gerar as seguintes aplicações: - Instituir um espaço (Núcleo de Pesquisa e Extensão em Agroecologia e Educação do Campo) de produção do conhecimento e extensão que sirva de referência à comunidade escolar e da agricultura familiar do município de Goiás; - Criar nas escolas do campo um ambiente de constante aproximação dos processos educativos e das práticas agroecológicas; - Fortalecer a Escola Família Agrícola, direcionando participativamente mais alunos das escolas do campo para este espaço de formação técnica;


- Instalar nas escolas pólo do município experiências práticas de agroecologia, que sirvam objetivamente ao processo de aprendizagem dos alunos e dos professores, assim como, para a aproximação da comunidade onde está inserida cada escola; - Produzir trabalhos (livros, artigos, cartilhas, etc.) para potencializar o debate e a discussão, além das próprias práticas dos agricultores familiares do município e da região; i) Instituições e pesquisadores envolvidos (explicitando qualificação e tempo de dedicação ao projeto) i.1. UEG – Universidade Estadual de Goiás (Campus Cidade de Goiás) A UEG apresenta-se como entidade proponente, onde estará centralizado o Núcleo de Pesquisa e Extensão em Agroecologia e Educação do Campo. Além da infraestrutura e dos professores desta unidade da UEG, também estarão envolvidos profissionais e professores de outras unidades desta universidade. Os nomes dos pesquisadores, qualificação e tempo de dedicação ao projeto seguem abaixo. Auristela Afonso da Costa Qualificação: Professora efetiva do Curso de Geografia da Universidade Estadual de Goiás (UEG – Unidade Goiás), Mestre em Geografia (Área de Concentração: Ambiente e apropriação do cerrado) pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Tempo de Dedicação ao Projeto: 20 horas semanais.

Elisabeth Maria de Fátima Borges Qualificação: Professora do Curso de História da Universidade Estadual de Goiás (UEG – Goiás), Mestre em História. Tempo de Dedicação ao Projeto: 20 horas semanais


Francilane Eulália de Souza Qualificação: Professora efetiva do Curso de Geografia da Universidade Estadual de Goiás (UEG – Unidade Goiás), Mestre em Geografia pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Doutoranda em Geografia pela Universidade Estadual de São Paulo (UNESP) com concentração na área de Educação do Campo. Tempo de Dedicação ao Projeto: 20 horas semanais José Braga Coelho Qualificação: Professor do Curso de Geografia da Universidade Estadual de Goiás (UEG - Unidade Goiás), Mestre em Geografia pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Tempo de Dedicação ao Projeto: 20 horas semanais Murilo Mendonça Oliveira de Souza Qualificação: Professor efetivo do Curso de Geografia da Universidade Estadual de Goiás (UEG – Unidade Goiás), Graduado em Medicina Veterinária e Geografia, com Curso de Aperfeiçoamento em Agroecologia, Mestre em Geografia e Doutorando em Geografia pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Tempo de Dedicação ao Projeto: 20 horas semanais.

Robson de Sousa Morais Qualificação: Professor efetivo do Curso de Geografia da Universidade Estadual de Goiás (UEG – Unidade Goiás), Mestre em Geografia pela Universidade Federal de Goiás (UFG).


Tempo de Dedicação ao Projeto: 20 horas semanais. Jaqueline de Jesus Gomes Qualificação: Aluna do Curso de Geografia da Universidade Estadual de Goiás (UEG – Goiás). Tempo de Dedicação ao Projeto: 20 horas semanais. Rafael Mecenas de Freitas Qualificação: Aluno do Curso de Geografia da Universidade Estadual de Goiás (UEG – Goiás). Tempo de Dedicação ao Projeto: 20 horas semanais. Katharyn Aquino Gonçalves Qualificação: Aluna do Curso de Geografia da Universidade Estadual de Goiás (UEG – Goiás). Tempo de Dedicação ao Projeto: 20 horas semanais. Ana Michele Ferreira Tadeu dos Santos Qualificação: Aluna do Curso de Geografia da Universidade Estadual de Goiás (UEG – Goiás). Tempo de Dedicação ao Projeto: 20 horas semanais. i.2. UEG – Universidade Estadual de Goiás (Unidade Ipameri) Abdala Untar


Qualificação: Professor do Curso de Agronomia da Universidade Estadual de Goiás (UEG – Unidade Ipameri), Graduado em Agronomia, Mestre em Extensão Rural, com experiência na Coordenação da Turma Especial de Agronomia para alunos provenientes de movimentos rurais do campo, em Cáceres/MT. Tempo de Dedicação ao Projeto: 20 horas mensais i.3. UEG – Universidade Estadual de Goiás (Unidade Quirinópolis) José Novais de Jesus Qualificação: Professor do Curso de Geografia da Universidade Estadual de Goiás, com Especialização em Pedagogia da Alternância e Mestre em Geografia pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Tempo de Dedicação ao Projeto: 20 horas mensais. i.4. UFG – Universidade Federal de Goiás George Francisco Ceolin Qualificação: Professor efetivo do Curso de Serviço Social da Universidade Federal de Goiás (UFG – Campus Goiás), Mestre em Serviço Social, com trabalho concentrado na área de direitos humanos para efetivação de direitos sociais e ampliação da cidadania entre populações camponesas. Tempo de Dedicação ao Projeto: 10 horas semanais. Thiago Fernando Sant’Anna e Silva Qualificação: Professor efetivo do Curso de Serviço Social da Universidade Federal de Goiás (UFG – Campus Goiás), Doutor em História, coordenador de extensão da UFG – Goiás.


Tempo de Dedicação ao Projeto: 10 horas semanais. i.5. CPT – Comissão Pastoral da Terra Aguinel Lourenço da Fonseca Filho Qualificação: Coordenador da Comissão Pastoral da Terra da Cidade de Goiás (CPT), Historiador, com Especialização na área de Gestão de Cooperativas pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). Tempo de Dedicação ao Projeto: 10 horas semanais. Fábio José da Silva Qualificação: Agente da Comissão Pastoral da Terra de Goiás (CPT – Goiás), Técnico Agrícola, com Especialização em Agroecologia e Administrador de Empresas. Tempo de Dedicação ao Projeto: 20 horas semanais. i.6. COOPAR – Cooperativa Mista de Agricultores Familiares do Município de Goiás e Região Aderson Liberato Gouvea Qualificação: Produtor Rural, Presidente da COOPAR (Cooperativa Mista de Agricultores Familiares do Município de Goiás e Região), Coordenador Estadual da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Tempo de Dedicação ao Projeto: 5 horas semanais. i.7. Casa da Agricultura Familiar Dom Tomás Balduíno/Pastoral da Saúde Maria Luiza da Silva Oliveira


Qualificação: Coordenadora da Pastoral da Saúde e da Casa da Agricultura Familiar “Dom Tomás Balduíno”, Especialista em Plantas Medicinais. Tempo de Dedicação ao Projeto: 5 horas semanais i.8. Escola Família Agrícola (EFAGO) Izaias da Glória de Araújo Qualificação: Diretor da Escola Família Agrícola de Goiás (EFAGO), graduado em geografia pela Universidade Estadual de Goiás (UEG – Goiás). Tempo de Dedicação ao Projeto: 5 horas semanais. i.9. Escola Municipal Pólo Olímpia Angélica de Lima Ronaldo Santos Martins Qualificação: Professor de Geografia da Escola Municipal Pólo Olímpia Angélica de Lima, graduado em Geografia pela Universidade Estadual de Goiás (UEG – Goiás). Tempo de Dedicação ao Projeto: 5 horas semanais. i.10. Escola Municipal Pólo Vale do Amanhecer Ana Paula Barbosa Qualificação: Professora de Geografia da Escola Pólo Vale do Amanhecer, graduada em Geografia pela Universidade Estadual de Goiás (UEG – Goiás). Tempo de Dedicação ao Projeto: 5 horas semanais. i.11. Escola Municipal Pólo Terezinha Rocha de Jesus Luscélia Soares


Qualificação: Professora de História da Escola Municipal Pólo Terezinha Rocha de Jesus, graduada em História pela Universidade Estadual de Goiás (UEG – Goiás). Tempo de Dedicação ao Projeto: 5 horas semanais. i.12. Escola Municipal Pólo Holanda Ricardo Pereira dos Santos Qualificação: Professor de História da Escola Pólo Holanda, graduado em História pela Universidade Estadual de Goiás (UEG – Goiás), com Especialização em Produção Animal. Tempo de Dedicação ao Projeto: 5 horas semanais. j) infra-estrutura física, recursos financeiros e competências existentes nas instituições participantes do projeto, incluindo o envolvimento da equipe técnica das instituições participantes no desenvolvimento das atividades do projeto j.1. UEG – Universidade Estadual de Goiás A estrutura e equipamentos utilizados no projeto, em grande parte, será a da Universidade Estadual de Goiás/Unidade de Goiás. Os demais participantes – Universidade Federal de Goiás, Comissão Pastoral da Terra, COOPAR e Casa da Agricultura Familiar Dom Tomás Balduíno/Pastoral da Saúde – contribuirão com a parceria técnica e no trabalho junto à comunidade envolvida no projeto. A UEG/Unidade de Goiás é uma das referências no ensino superior na região. De acordo com o Projeto Político Pedagógico da Unidade (PPP), o prédio, inaugurado em 1996, apresenta 273 m² para ambiente administrativo e 991,59 m² para ambiente pedagógico, totalizando 1.870,71 m² de área construída e 3.729,29 m² de área livre. Na área construída são quatro pavilhões, onde funcionam as atividades administrativas e acadêmicas. Atualmente a Unidade possui 23 salas de aula, 01 auditório para 170 lugares com suas respectivas dependências, 04 laboratórios (Laboratório de Climatologia e


Laboratório de Cartografia, Geologia e Prática Pedagógica, ambos vinculados ao curso de Geografia; 02 Laboratórios de Informática); 01 sala para o Centro de Pesquisas e Documentação e Memória/CEPEDOM, vinculado ao curso de História, 01 biblioteca, 01 sala com 06 computadores para bolsistas de pesquisa; 01 sala para Almoxarifado, 01 sala para Mecanografia, 01 sala para recursos humanos da Unidade, 01 sala para secretaria acadêmica, 02 salas para arquivo, 01 sala para coordenação de pesquisa, 01 sala para a coordenação pedagógica, 01 sala para os professores, 02 banheiros para os professores (um para sexo masculino e outro para sexo feminino), 04 banheiros para alunos (dois para sexo masculino e dois para sexo feminino), 01 cozinha e suas respectivas dependências, 01 cantina, 01 espaço de convivência (usado para lanches e também para atividades acadêmicas diversas), 01 sala e 01 banheiro para direção, 01 sala de espera, onde funciona também a Secretaria Administrativa da Direção, 01 sala para coordenações, entre outros (tabela 01). Tabela 01 – Espaço físico da UEG/Unidade Universitária de Goiás (2006) Item Tipo Quantidade Tamanho (m2) (larg.x comp.) 1. Salas de aula 23 46,96 m2 (7,55 x 6,22) 2.

Banheiro para Alunos (Feminino)

02

42 m2 ( 9,56 x 8,70)

3.

Banheiro para Alunos (Masculino)

02

42 m2 ( 9,56 x 8,70)

4.

Sala dos Professores

01

34,03 m2 (6,21 x 5,48)

5.

Banheiro para Professores (Feminino) Banheiro para Professores(Masculino) Sala de Coordenação de Pesquisa

01

3,83 m2 (1,59 x 2,41)

01

3,83 m2 (1,59 x 2,41)

01

8, 96 m2 (2,66 x 3,37)

9.

Secretaria Acadêmica Sala de arquivo Sala de Arquivo Sala Recursos Humanos da UnU

01 01 01 01

26,35 m2 (6,20 x 4,25) 3,83 m2 (1,59 x 2,41) 8,50 m2 (3,30 x 2,50) 22,32 m2 (6,20 x 3,60)

10.

Mecanografia

01

22,38 m2 (6,20 x 3,61)

11.

Laboratório de Climatologia e Coordenação do Curso de Geografia

01

22,67 m2 ( 6,21x 3,65)

6. 7. 8.


12.

Laboratório de Cartografia, Geologia e Prática Pedagógica

01

101,27 m2( 12,35x8,20)

13.

Almoxarifado

01

3,83 m2 (1,59 x 2,41)

14.

Laboratório de Informática Sala para bolsistas de pesquisa da UnU Biblioteca

01

91,14 m2 (14,7 x 6,20)

01 01

136,71m2 (22,05 x 6,20)

01 01 01 01 01

18.

Auditório Banheiro Hall de Espera Camarim Sala da Direção Sala de Espera Espaço de Convivência

01

14,57 m2 ( 4,70 x 3,1) 7,28 m2 (2,35 x 3,10) -

19.

Cantina

01

-

20.

Sala de Coordenação dos cursos

01

60,63 m2 (9,70 x 6,20)

21.

Cozinha Hall Banheiro Deposito Despensa

01 01 01 01 01

13,91 m2 (4,56 x 3,05) 1,30 m2 (0,78 x 1,65) 2,06 m2 ( 1,65 x 1,25) 2,06 m2 (1,65 x 1,25) 7,71 m2 (4,56 x 1,69)

22.

01

7,30 m2 ( 3,11 x 2,35)

01

8, 96 m2 (2,66 x 3,37)

24.

Sala de Coordenação de Serviços Gerais Sala de Coordenação de Pósgraduação Sala do Centro Acadêmico

01

1,84 m2 (2,30 x 0,80)

25.

Arquivo Morto

01

14,74 m2 (6,22 x 2,37)

15. 16.

17.

23.

206,44 m2 (10,40x19,85)

Fonte: Plano Político Pedagógico da Unidade de Goiás (2006) Org.: BOMTEMPO, K. (2006) Entre os espaços acima relacionados, uma parte é de uso comum dos cinco cursos da Unidade: Geografia, História, Letras, Matemática e Tecnólogo em Turismo. Existem outros que estão sob a responsabilidade de cada curso, para o desenvolvimento prioritário de suas atividades acadêmicas específicas, mas que pode ser agendado também para a utilização dos demais docentes e discentes da Unidade.


Entre os espaços coordenados pelos cursos da unidade têm-se os laboratórios que dão suporte às atividades de ensino, pesquisa e extensão da UEG/Unidade de Goiás e que possibilitam o desenvolvimento de aulas práticas de algumas disciplinas das Matrizes Curriculares de cada curso.  Laboratório de Cartografia, Geologia e Prática Pedagógica

O Laboratório de Cartografia, Geologia e Prática Pedagógica foi criado em 2004 e é coordenado pelo curso de Geografia. Embora administrativamente constitua um único espaço, o laboratório encontra-se dividido em três partes: uma para atividades de cartografia, outra para geologia e geografia física e uma terceira para materiais de atividades pedagógicas. Sua função é propiciar a formação dos discentes da unidade, valorizando os aspectos relacionados ao ensino, à pesquisa e à extensão e fornecendo ambiente de apoio para a realização de aulas práticas que envolvem os conhecimentos de Cartografia, Geologia e Prática de Ensino. O laboratório conta com acervo bibliográfico e cartográfico, bem como amostras de rochas e minerais, destinados a estudos e elaboração de projetos que envolvam as áreas de conhecimento às quais está vinculado ou outras que se apóiem em estudos dessa natureza. O mobiliário é constituído por: três mesas grandes, três balcões, dois grandes e um de tamanho médio, três mesas pequenas, uma escrivaninha, um armário tipo fichário, um quadro branco, 25 bancos de madeira para estudos individuais, dois armários (um em aço e outro em madeira), duas prateleiras em aço, vários armários em aço e vidro (tipo vitrine), que serão usados para arquivos de documentos cartográficos e mostruário de rochas, e dois bancos almofadados. Os equipamentos e materiais do laboratório ainda não estão totalmente catalogados, visto que parte deles foram recebidos por doação. Entre aqueles que já estão catalogados podemos citar: 01 notbook, 01 GPS, 07 bússolas, 01 DVD, 02 globos, 05 espectrógrafos, 01 pantógrafo profissional, 02 pantógrafos de madeira, 01 planímetro profissional, 05 réguas de mesa, planisférios, mapas temáticos variados, cartas topográficas diversas (escalas de 1:250.000, 1:100.000 e 1:25.000), plantas da cidade de Goiás (1:2000), amostras de minerais e rochas, além de materiais didático-pedagógicos produzidos nas disciplinas do curso (tabela 02).


Tabela 02 - Material do Laboratório de Cartografia, Geologia e Prática Pedagógica da UEG/Unidade Universitária de Goiás (2010) Item Objeto Quantidade 1. Pantógrafo Profissional 01 2. Pantógrafo de Madeira

02

3. Planímetro Profissional

01

4. GPS

01

5. Notbook

01

6. DVD

01

7. Bússolas

07

8. Espectrógrafos

03

9. Globos

02

10 Réguas de Mesa .

05

11 Planisférios, Mapas . Topográficas e Plantas

Temáticos,

Cartas Catalogação em andamento

12 Amostras de Minerais e Rochas .

Catalogação em andamento

13 Fotografias aéreas .

Catalogação em andamento

14 Imagens de satélite .

Catalogação em andamento

Fonte: Plano Político Pedagógico da Unidade de Goiás – Primeira parte (2006), atualizado a partir de pesquisa direta (2010) Org.: COSTA, A. A. (2010) De acordo com o PPP da Unidade, o espaço que compõe a Prática Pedagógica foi idealizado para “dar suporte pedagógico à atividade prática de cada disciplina da Matriz Curricular do Curso de Geografia.” (Projeto Político Pedagógico, 2006, p. 58). Dentre os materiais do qual dispõe essa parte do laboratório tem-se livros didáticos, Parâmetros Curriculares Nacionais, monografias, periódicos e outros.


 Laboratório de Climatologia

O Laboratório de Climatologia foi criado em 2008, a partir das necessidades do curso e da aprovação de um projeto da UEG/Unidade de Goiás, intitulado “Implantação de rede de coleta de dados climáticos como subsídio à pesquisa geoambiental na bacia do Rio Vermelho” e vinculado à Secretaria de Ciência e Tecnologia (SECTEC). Com a aprovação do projeto, a SECTEC enviou a primeira remessa de materiais que possibilitou a abertura do Laboratório. Nesse período foram enviados: dois computadores, uma impressora, dois estabilizadores, um ar condicionado, três mesas e duas cadeiras para computador. Os demais equipamentos, especialmente aqueles que possibilitarão a coleta dos dados meteorológicos deveriam ter sido enviado posteriormente pela SECTEC, mas até o presente momento ainda não se efetivou. Além dos materiais citados, o laboratório possui atualmente uma estação meteorológica, um quadro com os principais tipos de nuvens, dois armários em aço (um de gavetas e um de duas portas), um banco almofadado e 07 cadeiras. O Laboratório conta, ainda, com uma área disponibilizada pela Unidade Universitária em seu terreno para a implantação de uma estação meteorológica, a qual já se encontra cercada. Até o momento, está implantado apenas um relógio do sol, adquirido com recursos próprios do curso de Geografia. Na tabela 03 estão relacionados os principais mobiliários e equipamentos que compõem o referido laboratório. Tabela 03 – Mobiliários e equipamentos do laboratório de Climatologia da Unidade Universitária de Goiás (2010) Item MOBILIÁRIO Quantidade 1. Mesas para computadores 02 2. Mesa escrivaninha 01 3. Cadeiras giratórias 02 4. Armário de duas portas em aço 01 5. Armário de gavetas em aço 01 6. Cadeiras 07 7. Banco almofadado 01 Item 1. 2. 3. 4.

Materiais/Equipamentos Computadores Estabilizadores Impressora a jato de tinta Ar condicionado

Quantidade 02 02 01 01


5. 6. 7. 8.

Quadro com os tipos de nuvens Hobble para entrada de equipamentos como pendrive (doação de professora do curso) Estação climatológica Relógio do Sol

01 01 01 01

Fonte: Pesquisa Direta (2010) Org.: COSTA, A.A. (2010)  Laboratório de Informática

Atualmente a UEG/Unidade de Goiás conta com dois Laboratórios de Informática. Esses laboratórios foram criados a partir de uma parceria entre a UEG/Unidade de Goiás e a Fundação Universitária do Cerrado. Nesse acordo, a Fundação utiliza o espaço físico da UEG/Unidade de Goiás para a realização de cursos voltados para pessoas da comunidade e também beneficiários do Programa Renda Cidadã, mas em contrapartida fez a doação de computadores para a unidade universitária. Cada laboratório conta 15 computadores completos e em funcionamento (CPU, monitores, teclados e mouse), nos quais estão instalados os pacotes do Linux. Também contam com internet em funcionamento em todos os computadores. Cada laboratório possui ainda mesas, cadeiras e um quadro branco. Esses laboratórios podem ser utilizados pelos docentes e discentes da Unidade, exceto nos horários em que estão sendo realizados os cursos para a comunidade. Num dos laboratórios funciona também uma sala para pesquisa, onde os bolsistas vinculados a projetos de pesquisa da UEG/Unidade de Goiás desenvolvem suas pesquisas. Esta conta atualmente com computadores, internet, mesas e cadeiras e armário.  Centro de Pesquisas e Documentação e Memória/CEPEDOM

O Centro de Pesquisa, Documentação e Memória (CEPEDOM) está localizado na cidade de Goiás que recebeu em dezembro de 2001, em Helsinque, na Finlândia, o título de Patrimônio Histórico da Humanidade. Este Laboratório de Pesquisa foi criado em 2007.


O Centro de Pesquisa, Documentação e Memória (CEPEDOM) desempenha um importante papel para o Curso de História e para a Cidade de Goiás e para a região, ao investir num sistema de arquivos que intensifica o fluxo de documentos e informações históricas da Cidade e região, atendendo às necessidades de seus usuários, internos e externos; acomodando documentos contribui para a preservação do patrimônio documental. É projeto do CEPEDOM implementar um processo híbrido de microfilmagem e digitalização de documentos históricos na cidade de Goiás por meio de um conjunto de ações do Centro de Pesquisa, Documentação e Memória da UEG-Goiás. No Laboratório se encontram digitalizados parte do acervo iconográfico da jornalista aposentada Arcelina Helena Públio, documentos do acervo de Frei Simão Dorvi, do Lar São José, além de vários documentos dos Assentamentos de Reforma Agrária do Municipio. O CEPEDOM visa complementar os acervos da cidade de Goiás, além de modernizar o sistema de arquivos da cidade de Goiás para atender o fluxo de informações e às necessidades de seus usuários, pesquisadores internos e externos. Visa ainda viabilizar as pesquisas de pós-graduação e, especialmente, as de iniciação científica, uma vez que os alunos, nesse processo de aprendizagem no manejo das fontes primárias, ao mesmo tempo em que realizam o seu curso, podem fazê-lo de forma mais fácil e completa. O Laboratório também trabalha no sentido de garantir a conservação das informações contidas em documentos de valor permanente que se encontrem danificados ou sejam objetos de constante manuseio. O CEPEDOM vem trabalhando no sentido de informatizar o sistema de arquivo de documentos recebidos pelo curso de História, como vem sendo realizado com o acervo iconográfico da Jornalista Arcelina Helena Públio, além de trabalhar no intuito de facilitar a consulta de documentos. Portanto, este Laboratório atua no sentido de beneficiar o público em geral envolvido com a memória e a preservação de acervos documentais locais relativos às práticas culturais, políicas e de identidades que conformam a experiência de homens e mulheres ao longo do tempo e que acabam por definir o papel do próprio país. Espera-se, em pouco tempo, ampliar a produção e a produtividade do Centro de Pesquisa, Documentação e Memória da UEG-Goiás (CEPEDOM) e, assim, criar um


centro de referência estadual e nacional compatível com a cidade de Goiás e com o título de Patrimônio Histórico da Humanidade. O alargamento de suas atribuições permitirá ainda a incorporação de um vasto acervo de documentos do período colonial, bem como conjuntos de originais provenientes de instâncias judiciárias, cartorais, fundações e até mesmo privadas. O CEPEDOM atua no sentido de preservação da documentação local, atuando como meio de viabilizar as pesquisas de pós-graduação e, especialmente, as de iniciação científica, uma vez que os alunos, nesse processo de aprendizagem no manejo das fontes primárias, ao mesmo tempo em que realizam o seu curso, podem fazê-lo de forma mais fácil e completa. Afinal, as ciências humanas necessitam de laboratórios de pesquisa tanto quanto as outras áreas do conhecimento.  Outros materiais disponibilizados pela UEG/Unidade de Goiás

Além dos materiais dos laboratórios, já descritos anteriormente, a UEG/Unidade de Goiás conta com outros materiais de uso comum entre os cursos. Muitos equipamentos foram adquiridos recentemente pela Unidade e o setor responsável pelo patrimônio, não teve como disponibilizar os dados.

Portanto, o

levantamento aqui apresentado é de 2006 e constam no Projeto Político Pedagógico da Unidade – parte I. Cabe ressaltar que após esse período, a Unidade já adquiriu novos materiais, especialmente computadores, impressoras e datashow. Assim, de acordo com o PPP, em 2006, a Unidade contava com dois veículos, sendo um deles um carro popular para trabalhos administrativos, marca volkswagem, modelo gol special 1.0 geração II, branco cristal, ano 2002, e o outro, um microônibus, ano 1988, atualmente utilizado apenas para viagens curtas, devido aos constantes problemas mecânicos decorrentes do tempo de uso. Os materiais pedagógico, tecnológico e de apoio da Unidade Universitária de Goiás são importantes para a efetivação do ensino-aprendizagem na Unidade e deles dependem o desenvolvimento das atividades de professores, alunos e funcionários. De acordo com o PPP, em 2006, a Unidade possuía: 19 computadores, 1 máquina de datilografar, 7 impressoras, sendo uma matricial, 2 scanners, 1 servidor de firewall, 1 TV 29 polegadas, 03 aparelhos de TV para uso em sala, 4 aparelhos de vídeo-cassete, 2 microfones, 1 caixa de som, 3 aparelhos de minisystem, 4 telas para projeção, 1


filmadora, 1 câmera fotográfica, 5 retroprojetores, 1 projetor data show e 1 projetor de slides, entre outros (tabela 04) Tabela 04 - Descrição de material pedagógico da Unidade Universitária de Goiás (2006) Local Objeto Quantidade Biblioteca Computadores 05 Máquina de Datilografia 01 Sala de coordenação Computadores 01 Impressora 01 Secretaria Geral Computadores 01 Impressora 01 Secretaria Acadêmica Computadores 04 Impressora 03 Scanner 01 Servidor de firewall (proxy) 01 Sala dos professores Computadores 01 Impressora matricial 01 Diretoria Computador 01 Impressora 01 Scanner 01 Tv 29 polegadas 01 Videocassete 01 Aparelho de Dvd 01 Material Pedagógico para uso Projetor Data show 01 comum Projetor de Slides 01 Filmadora 01 Retroprojetores 05 Minisystem 03 Aparelho de Tv 03 Fonte: Plano Político Pedagógico da Unidade de Goiás – Primeira parte (2006) Org.: SOUZA, K. B. (2006)  Biblioteca da Unidade Universitária de Goiás

A biblioteca Frei Simão Dorvi, no início de 2006, segundo consta no PPP da Unidade Universitária de Goiás, recebeu novas instalações, mais amplas e adequadas do que as anteriores (saiu de um espaço físico de 8,20 m por 12,35 m e passou a contar com um espaço de 10 m po 80 m de comprimento, divididos entre a administração, mesas de estudo e prateleiras com o acervo). A biblioteca funciona nos três turnos e também no sábado, durante o turno matutino. Atualmente conta com uma bibliotecária responsável pela catalogação e


organização do acervo e por vários funcionários que auxiliam nessa função, além de atenderem o público. A biblioteca atualmente possui 02 computadores para cadastro do acervo e três usados pelos alunos para pesquisa no sistema gerenciador, implantado pela Universidade Estadual de Goiás em todas as unidades. O software denominado GNUTECA - Sistema de Gestão de Acervo, Empréstimo e Colaboração para Bibliotecas – já é utilizado pelos/as alunos/as de todos os cursos para pesquisa de referências disponibilizadas pela biblioteca da Unidade de Goiás. A pesquisa no software é devidamente orientada pelos/as funcionários/as da biblioteca. Quanto ao mobiliário, o levantamento que consta no PPP, aponta que em 2006 havia 11 estantes de face única, usadas para periódicos e livros de bolso, 12 estantes face dupla para livros, 1 expositor de revistas, 9 mesas coletivas de estudo, uma videoteca com 170 fitas de vídeo com assuntos diversos e 8 dvd’s que não estão catalogados, possui ainda 2 mapas antigos, sendo um planisfério e um de Goiás. A parte destinada à administração contava ainda com 11 estantes de face única com livros para consulta, inclusão na base e para descarte. Possuía também 2 arquivos com recortes de jornais sobre a cidade, região, cultura e temas diversos, bem como obras de referência, tais como dicionários, enciclopédias, revistas e outros, que não estavam catalogados naquele período. O acervo da biblioteca Frei Simão Dorvi, em 2006, estava organizado em 55 áreas de conhecimento e contava com aproximadamente 4.168 títulos e 5.827 exemplares. Contava ainda com apenas um periódico, a revista Isto é, que não era adquirido pela Unidade, mas sim pela sede da Universidade, situada em Anápolis. Atualmente há na Unidade alguns periódicos doados por outras instituições ou professores, mas que não estão catalogados. Recursos financeiros Segundo o Plano de Desenvolvimento Institucional, o Estado de Goiás, através da Emenda Constitucional N. 39, de dezembro de 2005 alterou o art. 158 da Constituição Estadual designando 2% (dois por cento) para a Universidade Estadual de Goiás, com repasses em duodécimos mensais. Conforme esse documento o repasse garante autonomia financeira à UEG. As receitas orçamentárias da Universidade são provenientes de recursos do


tesouro, próprios e convênios. Esses recursos são repassados às Unidades Universitárias através dos Fundos Rotativos, criado a partir da Lei nº 13.785, de 03 de janeiro de 2001 para 29 unidades – dentre elas a Unidade de Goiás – e Lei nº 16.836, de 15 de dezembro de 2009 para 14 as demais 14 unidades. Com esse recurso, conforme consta no art. 4º da Lei 16.836, a Unidade pode cobrir desde depesas de pronto pagamento da Universidade Estadual de Goiás até a compra de materiais de consumo, serviços, instalação e manutenção de equipamentos, entre vários outros. A partir dessa lei, em seu artigo 2º, foram revalidados e revigorados os Fundos criados em 2001, no valor total de R$ 272.000,00 (duzentos e setenta e dois mil reais). Para a Unidade de Goiás são repassados R$ 11.000,00 (onze mil reais). j.2. UFG – Universidade Federal de Goiás O campus da UFG em Goiás está em fase de expansão, pois serão abertos novos cursos. Atualmente, é importante destacar, existe uma turma especial de Direito Agrário direcionada à formação de filhos de assentados rurais. Especificamente, no que se refere à infra-estrutura esta Universidade possui uma Biblioteca e salas de aulas. Além do espaço físico, equipamentos, especialmente, computadores, impressoras, etc., poderão ser utilizados pelos professores desta instituição durante o desenvolvimento do projeto. j.3. CPT – Comissão Pastoral da Terra A CPT conta com a infra-estrutura da Diocese de Goiás, como veículos para o trabalho dos agentes da entidade, espaços para cursos e palestras, etc. As atividades de formação da entidade são mantidas por convênios realizados com organizações internacionais ligadas à Igreja Católica ou não. Atualmente, está sendo mantido um convênio com a Miserior – organização que apoio o trabalho missionário na América Latina. Os recursos acessados através deste convênio são utilizados nos programas de formação e nos eventos realizados pela CPT. j.4. COOPAR – Cooperativa Mista de Agricultores Familiares do Município de Goiás e Região


A COOPAR conta, atualmente, apenas com um escritório e com um espaço para comercialização e repasse dos produtos direcionados ao Programa de Aquisição de Alimentos do Governo Federal. j.5. Casa da Agricultura Familiar “Dom Tomás Balduíno”/Pastoral da Saúde A Casa da Agricultura Familiar Dom Tomás Balduíno e a Pastoral da Saúde utilizam a estrutura da Diocese de Goiás, como veículos para realizar os trabalhos nas comunidades rurais, espaços para cursos, etc. Possui, contudo, um espaço próprio onde são produzidos os medicamentos e comercializados alguns produtos da agricultura familiar. k) Plano de trabalho detalhado, com metodologia e cronologia; A metodologia de opção para o desenvolvimento deste projeto assume uma abordagem participante da pesquisa e democrática da extensão. O desenvolvimento de um trabalho de investigação científica conectado à extensão deve assumir um caráter prático e de aproximação com os sujeitos pesquisados. No mesmo sentido, é importante o estabelecimento de uma proposta metodológica para o acompanhamento das atividades realizadas. A extensão, em especial, exige da metodologia parâmetros que possibilitem a validação progressiva das experiências e ações implantadas nos processos extensionistas. Neste sentido, buscaremos estabelecer uma metodologia que alcance, ao mesmo tempo, as necessidades de produção de conhecimento científico e aquelas das ações de extensão na comunidade camponesas. Apontamos a seguinte cronologia para o desenvolvimento das atividades propostas: I Semestre: mobilização dos envolvidos no projeto e desenvolvimento de atividades educativas nas escolas pólo envolvidas na proposta. Estas atividades terão no DRP (Diagnóstico Rural Participativo) o conjunto de instrumentos metodológicos centrais para seu desenvolvimento. Os alunos serão incentivados, sob a orientação dos professores e bolsistas da UEG, a realizarem pesquisas em suas comunidades de origem, aprendendo ao mesmo tempo os parâmetros científicos e a características de seu território. Durante este período serão realizadas oficinas, cursos e palestras para professores e alunos das escolas participantes do projeto. Estas atividades serão


direcionadas pelos técnicos das entidades parceiras e pelos pesquisadores envolvidos no projeto. Neste mesmo período realizaremos as pesquisas de resgate dos conhecimentos tradicionais da comunidade de cada escola. II Semestre: Durante o segundo semestre de realização do projeto serão implantadas experiências práticas nas escolas pólo do município de Goiás, com a participação efetivas das entidades parceiras e dos alunos e professores das escolas pólo. Estas experiências serão direcionadas para o desenvolvimento de hortas agroecológicas, mandalas, produção animal agroecológica, canteiros de plantas medicinais. As experiências serão desenvolvidas participativamente, tendo como direcionadores os alunos e professores das escolas pólo. Os técnicos envolvidos no projeto, especialmente, os da CPT acompanharão e orientarão periodicamente as atividades. A idéia central é que estas experiências sejam laboratórios educativos para o resgate da identidade camponesa do território onde se insere a escola. III Semestre: Neste terceiro período de desenvolvimento de nossa proposta realizaremos pesquisas, mais detalhadas, sobre práticas agroecológicas nas comunidades de cada escola pólo. Estas pesquisas serão realizadas em parceria com estas escolas, potencializando a produção de conhecimentos de forma participativa com as comunidades investigadas. Novamente, o DRP será um dos instrumentos selecionados para a investigação. Ai será também inserida, como metodologia, a História Oral. Este instrumento será imprescindível para o resgate dos conhecimentos tradicionais das comunidades camponesas. Outras metodologias e instrumentos metodológicos poderão ser utilizados de acordo com as necessidades exigidas pela pesquisa. IV Semestre: Esta última fase de desenvolvimento do projeto será direcionada para a organização das informações alcançadas durante a execução do projeto. Lembramos que este processo será realizado de forma também participativa com as escolas e comunidades. Serão nesta fase, ainda, publicados trabalhos científicos sobre as experiências desenvolvidas durante o projeto. Será realizada nesta fase também uma avaliação final das atividades desenvolvidas. l) Orçamento detalhado


Elemento de

Quantidade

Valor

Duração

Total

Despesa Bolsa IEX

05

Unitário R$ 360,00

(meses) 24

R$ 43.200,00

Bolsa ATP - A

01

R$ 550,00

24

R$ 13.200,00

Computador

05

R$ 1.500,00

-

R$ 7.500,00

Impressora laser

01

R$ 1.000,00

-

R$ 1.000,00

Tonner impressora

05

R$ 300,00

-

R$ 1.500,00

Papel A4

4 cx

R$ 500,00

-

R$ 1.500,00

Diária

20

R$ 187,83

-

R$ 3.756,60

Material

30

R$ 50,00

-

R$ 1.500,00

Bibliográfico (Livros) Total

(média) R$ 73.156,60


m) Cronograma físico-financeiro NATUREZA DA DESPESA

MÊS 1

MÊS 2

MÊS 3

MÊS 4

MÊS 5

MÊS 6

MÊS 7

MÊS 8

MÊS 9

MÊS 10

MÊS 11

MÊS 12

Bolsa IEX Bolsa ATP A Computador Impressora laser Tonner impressora Papel A4 Diária Material Bibliográfico SUBTOTAL

R$ 1.800,00 R$ 500,00 R$ 7.500,00 R$ 1.000,00 R$ 300,00 R$ 500,00 R$ 375,66 R$ 500,00 R$ 12.475,66

R$ 1.800,00 R$ 500,00

R$ 1.800,00 R$ 500,00

R$ 1.800,00 R$ 500,00

R$ 1.800,00 R$ 500,00

R$ 1.800,00 R$ 500,00

R$ 1.800,00 R$ 500,00

R$ 1.800,00 R$ 500,00

R$ 1.800,00 R$ 500,00

R$ 1.800,00 R$ 500,00

R$ 1.800,00 R$ 500,00

R$ 1.800,00 R$ 500,00

R$ 2.300,00

R$ 2.300,00

R$ 2.675,66

R$ 2.300,00

R$ 2.600,00

R$2. 675,66

Continuação...

MÊS 13

MÊS 14

MÊS 15

MÊS 16

MÊS 17

MÊS 18

Bolsa IEX Bolsa ATP A Computador Impressora laser Tonner impressora Papel A4 Diária Material Bibliográfico SUBTOTAL

R$ 1.800,00 R$ 500,00 R$ 7.500,00 R$ 1.000,00 R$ 300,00

R$ 1.800,00 R$ 500,00

R$ 1.800,00 R$ 500,00

R$ 1.800,00 R$ 500,00

R$ 1.800,00 R$ 500,00

R$ 1.800,00 R$ 500,00

R$ 11.100,00

R$ 2.675,66

R$ 2.300,00

R$ 2.300,00

R$ 2.675,66

TOTAL

R$

R$

R$

R$ 4.975,66

R$ 300,00 R$ 375,66

R$ 300,00 R$ 375,66

R$ 375,66

R$ 375,66

R$ 2.300,00

R$ 500,00 R$ 2.800,00

R$ 2.675,66

R$ 2.300,00

R$ 2.975,66

MÊS 19

MÊS 20

MÊS 21

MÊS 22

MÊS 23

MÊS 24

R$ 1.800,00 R$ 500,00

R$ 1.800,00 R$ 500,00

R$ 1.800,00 R$ 500,00

R$ 1.800,00 R$ 500,00

R$ 1.800,00 R$ 500,00

R$ 1.800,00 R$ 500,00

R$ 300,00 R$ 375,66

R$ 375,66

23.575,66 4.975,66 4.600,00

R$ 375,66

R$ 375,66

R$ 375,66

R$ 2.600,00

R$ 500,00 R$ 2.800,00

R$ 2.675,66

R$ 2.300,00

R$ 2.675,66

R$ 2.300,00

R$ 2.675,66

R$

R$

R$

R$

R$

R$

R$

R$

4.975,66

5.200,00

5.975,66

4.975,66

5.100,00

5.351,32

4.600,00

5.351,32


n) descrição das tarefas específicas dos membros da equipe, estabelecendo a estratégia (ou metodologia) de articulação entre os mesmos, tendo em vista o objetivo comum Auristela Afonso da Costa: Participará do projeto por meio do desenvolvimento de atividades de pesquisa e extensão, orientação de alunos, inserção em atividades práticas nas comunidades de cada escola. Tendo experiência no trabalho com solos, desenvolverá atividades ligadas à conservação de solos, matas ciliares, etc, nas comunidades com a participação dos alunos das escolas pólo. Elisabeth Maria de Fátima Borges: Desenvolverá extensão e pesquisa na área de história, buscando resgatar os conhecimentos tradicionais dos agricultores familiares ligados às escolas inseridas no projeto. Estas atividades serão desenvolvidas participativamente com os alunos e professores das escolas. Atuará também na orientação de alunos do curso de história da UEG, para a produção de conhecimentos sobre o contexto histórico de desenvolvimento da agroecologia na região. Francilane Eulália de Souza: Desenvolverá pesquisas na área de educação do campo, buscando focalizar, em especial, o resgate da identidade camponesa a partir dos alunos das escolas pólo participantes do projeto. Participará ativamente nas atividades de extensão realizadas nas escolas e nas comunidades camponesas, ministrando oficinas e palestras sobre temas ligados à identidade camponesa. José Braga Coelho: Desenvolverá pesquisas na área de geografia agrária, especialmente, focando o contexto de formação territorial do município de Goiás e do campesinato na região. Neste sentido, orientará alunos também na investigação da questão agrária regional, procurando abrir esta discussão, no âmbito da extensão, com os professores e alunos das escolas inseridas na proposta. Ministrará oficinas, palestras e cursos nas comunidades e nas escolas inseridas no projeto. Murilo Mendonça Oliveira de Souza: Será responsável pela coordenação do projeto, participando também na orientação de alunos de graduação em geografia sobre o tema específico das práticas agroecológicas desenvolvidas no município de Goiás. Tendo também formação na área das ciências agrárias, ministrará oficinas sobre produção


pecuária agroecológica e participará efetivamente na implantação das experiências agroecológicas desenvolvidas nas escolas e nas comunidades da agricultura familiar. Robson de Sousa Morais: Com experiência na área de discussão política, terá como responsabilidade abrir um debate sobre o processo de constituição das lutas camponesas nas escolas e nas comunidades inseridas no projeto. Participará também das atividades de extensão direcionadas para as comunidades das escolas. Jaqueline de Jesus Gomes: Desenvolverá pesquisa e extensão na área de agroecologia e educação do campo, participando efetivamente das atividades de extensão nas escolas pólo inseridas no projeto. Rafael Mecenas de Freitas: Desenvolverá pesquisa e extensão na área de agroecologia e educação do campo, participando efetivamente das atividades de extensão nas escolas pólo inseridas no projeto. Katharyn Aquino Gonçalves: Desenvolverá pesquisa e extensão na área de agroecologia e educação do campo, participando efetivamente das atividades de extensão nas escolas pólo inseridas no projeto. Ana Michele Ferreira Tadeu dos Santos: Desenvolverá pesquisa e extensão na área de agroecologia e educação do campo, participando efetivamente das atividades de extensão nas escolas pólo inseridas no projeto. Abdala Untar: Sendo professor da unidade de Ipameri, do curso de agronomia, estará inserido no projeto como consultor para assuntos específicos ligados à produção agrícola. Será responsável pela formação entre alunos e professores das escolas do campo em técnicas de produção agroecológica. Disponibilizará 20 horas mensais para estas atividades. José Novais de Jesus: exercerá a função de consultor na área da pedagogia da alternância não somente para as atividades da Escola Família Agrícola como também para as demais escolas pólo localizadas no campo do município de Goiás. Será inserido também como consultor, dedicando 20 horas mensais ao projeto.


George Francisco Ceolin: será professor colaborador, trabalhando em cursos e palestras no sentido de formar os alunos e a comunidade quanto aos direitos da cidadania, que muitas vezes são negligenciados pelas autoridades e pouco conhecidos pelos agricultores familiares. Thiago Fernando Sant’Anna e Silva: como professor e pesquisador colaborador auxiliará na investigação sobre a questão de gênero na agricultura familiar, participando também de atividades práticas de extensão nas escolas de nas comunidades inseridas no projeto. Aguinel Lourenço da Fonseca Filho: como membro da CPT terá papel fundamental na mobilização das comunidades envolvidas na proposta, assim como, do desenvolvimento das atividades objetivas de extensão. Será responsável pelo acompanhamento das atividades práticas agroecológicas implantadas nas escolas. Fábio José da Silva: Será o técnico responsável pela implantação e acompanhamento das experiências agroecológicas nas escolas inseridas no projeto. Participará como ministrador de oficinas sobre agroecologia para os estudantes e professores das escolas pólo participantes do projeto. Aderson Liberato Gouvea: Sua participação será imprescindível no sentido de representar a comunidade camponesa do município de Goiás. Trará para o projeto a experiência vivida no cotidiano produtivo na região. Ainda, a partir da cooperativa terá a função de mobilização das comunidades conectadas a cada escola do projeto. Maria Luiza da Silva Oliveira: participará ativamente ministrando cursos sobre plantas medicinais e tratamentos alternativos aos alunos e professores das escolas inseridas no projeto, assim como, auxiliará nas pesquisas realizadas no campo da medicina alternativa. Izaias da Glória de Araújo: Como diretor da escola participante auxiliará nas atividades a serem desenvolvidas nas escolas, disponibilizando a infra-estrutura escolar e mobilizando os alunos e professores nas atividades propostas. Será importante também na aproximação dos pais de alunos.


Ronaldo Santos Martins: Como professor da escola participante auxiliará nas atividades a serem desenvolvidas nas escolas, disponibilizando a infra-estrutura escolar e mobilizando os alunos e professores nas atividades propostas. Será importante também na aproximação dos pais de alunos. Ana Paula Barbosa: Como professora da escola participante auxiliará nas atividades a serem desenvolvidas nas escolas, disponibilizando a infra-estrutura escolar e mobilizando os alunos e professores nas atividades propostas. Será importante também na aproximação dos pais de alunos. Luscélia Soares: Como professora da escola participante auxiliará nas atividades a serem desenvolvidas nas escolas, disponibilizando a infra-estrutura escolar e mobilizando os alunos e professores nas atividades propostas. Será importante também na aproximação dos pais de alunos. Ricardo Pereira dos Santos: Como professor da escola participante auxiliará nas atividades a serem desenvolvidas nas escolas, disponibilizando a infra-estrutura escolar e mobilizando os alunos e professores nas atividades propostas. Será importante também na aproximação dos pais de alunos. o) no caso de solicitação de bolsas, inclusão do plano de trabalho resumido de cada bolsista, do perfil profissional desejado para o candidato e das atividades a serem executadas no projeto o.1. Plano de Trabalho 1: Educação do Campo: o resgate da identidade camponesa a partir das escolas do campo no município de Goiás-GO Objetivo: Compreender as características assumidas pela educação do campo no município de Goiás, assim como, identificar os elementos de identidade camponesa persistentes entre os alunos do ensino básico no campo. Atividades a serem desenvolvidas: O bolsista inserido neste plano de trabalho desenvolverá atividades com os alunos das escolas pólo localizadas no campo do


município de Goiás, trabalhando tanto na formação como na investigação sobre a educação do campo. Perfil esperado do candidato a bolsa: Espera-se que o bolsista que assuma este projeto tenha experiência na educação básica, assim como, especificamente com alunos de escolas localizadas no campo. Este estudante deverá também ter facilidade de inserção na comunidade onde está inserida a escola, pois a proposta privará pela aproximação constante entre escola e comunidade. o.2. Plano de Trabalho 2: O processo de territorialização das práticas agroecológicas no município de Goiás/GO Objetivo: Estudar o processo de territorialização das práticas agroecológicas no município de Goiás, buscando ao mesmo tempo resgatar elementos da identidade camponesa em sua amplitude produtiva, social, econômica, cultural e ambiental. Atividades a serem desenvolvidas: Espera-se que o aluno bolsista desenvolva atividades de pesquisa, resgatando e estudando de forma participativa os saberes e práticas agroecológicas da região de abrangência deste projeto. O aluno bolsista deverá, ao mesmo tempo, produzir conhecimentos relevantes para o desenvolvimento da produção agroecológica na região de estudo, escrevendo e publicando trabalhos relacionados a esta questão. Perfil esperado do candidato a bolsa: O aluno incluído como bolsista neste projeto deverá apresentar um perfil de trabalho que possibilite uma investigação e extensão de fato participativa. Ao mesmo tempo, espera-se que este aluno tenha facilidade na inserção entre os agricultores familiares e que esteja familiarizado com as atividades produtivas do campo. o.3. Plano de Trabalho 3: O papel das plantas medicinais na construção de um território agroecológico Objetivo: O objetivo geral deste plano é estudar as plantas medicinais do cerrado, resgatando práticas de saúde utilizadas historicamente pelos agricultores familiares.


Atividades a serem desenvolvidas: Neste projeto o bolsista desenvolverá atividades de pesquisa junto às escolas e comunidades envolvidas no projeto, assim como, atividades de extensão trabalhando na formação de alunos das escolas pólo e Escola Família Agrícola em competências referentes às plantas medicinais. Deverá também participar, em termos de aprendizado, de atividades desenvolvidas no âmbito da Pastoral da Saúde, onde os medicamentos são produzidos e comercializados. Perfil esperado do candidato a bolsa: Espera-se deste bolsista tenha disponibilidade para participar de atividades educativas e investigativas nas áreas de cerrado e nas comunidades e escolas do campo inseridas em nossa proposta. p) Contrapartida da instituição executora A contrapartida da instituição executora (UEG – Unidade Goiás) será a disponibilização para utilização no projeto de toda a infra-estrutura disponível, descrita no item sobre a infra-estrutura deste projeto. Além disto, será disponibilizado veículos (Carro e Ônibus) para transporte dos alunos para as escolas e comunidades de agricultores familiares envolvidos no projeto. Será também reservada sala específica para a concentração das atividades do projeto. q) Resultados esperados - Constituir e consolidar um Núcleo de Pesquisa e Extensão em Agroecologia e Educação do Campo que congregue entidades de apoio aos agricultores familiares, instituições de extensão, escolas de ensino básico e técnico do campo, assim como, as universidades localizadas no município e na região; - Formar e despertar o interesse pela agroecologia entre alunos do ensino básico das escolas do campo no município de Goiás, abrangendo um grupo de beneficiários de aproximadamente 650 alunos das escolas no campo;


- Formar e despertar o interesse pela agroecologia em aproximadamente 650 famílias de agricultores familiares assentados e não assentados, procurando implantar em suas comunidades as experiências inicialmente desenvolvidas nas escolas; - Iniciar na pesquisa e na extensão em agroecologia aproximadamente 300 alunos do ensino superior da Universidade Estadual de Goiás, promovendo ao mesmo tempo um intenso processo de produção de conhecimento em agroecologia; - Criar na comunidade e nas escolas do campo um ambiente propício para a constituição de um território agroecológico; - Esperamos, ainda, que as experiências desenvolvidas nas escolas sejam um parâmetro para o resgate de práticas agroecológicas entre os agricultores familiares do município de Goiás; r) Referências ABA - Associação Brasileira de Agroecologia. Estatuto da Associação Brasileira de Agroecologia. Porto Alegre/RS, 23 de novembro de 2004. Disponível em: http://www.abaagroecologia.org.br/aba2/index.php? option=com_content&view=article&id=57&itemid=69. Acesso em: 02 de novembro de 2010. AGÊNCIA DE TURISMO DE GOIÁS (AGETUR). Viaje pelos Caminhos de Goiás: caminho do ouro. Disponível em: <www.agetur.go.gov.br/Viajegoias/destinoouro.htm>. Acesso em: 30 abr. 2006. AGUIAR, Maria do Amparo Albuquerque. Terras de Goiás: estrutura fundiária (18501920). Goiânia: UFG, 2003. ALTIERI, M. A. Agroecologia: as bases científicas da agricultura alternativa. Rio de Janeiro: PTA, 1989.


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AGROECOLOGIA E EDUCAÇÃO DO CAMPO  

PESQUISA, AÇÃO E REFLEXÃO A PARTIR DAS ESCOLAS DO CAMPO NO MUNICÍPIO DE GOIÁS – GO