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“Shimbalaiê foi um susto. Veio do nada. Eu era muito pequenininha, mas sempre fui meio nerdzinha, lia muito. E, na verdade, não tem nada demais na música, eu estava descrevendo uma paisagem. Criança adora inventar palavra, né?”, explica Gadú. Ela toca violão desde criança, mas antes veio o piano. “Eu ouvia muita música clássica quando era pequena, era meio viciada, e ficava experimentando no piano. Só que eu queria sair tocando nos lugares onde eu estava, sair treinando. E aí o violão é mais móvel”, conta ela. Sua mãe a colocou em uma escola de iniciação artística, chamada Demia, em São Paulo, onde teve contato com todos os instrumentos – flauta, bateria, percussão, piano – além de aprender a fabricar instrumentos. Foi lá onde realmente aprendeu a tocar violão. Tocava tudo o que ouvia junto com os discos. Aos 24 anos, comemorados em 04 de dezembro, dia de Santa Bárbara, Gadú mudou de casa e de cão. Foi morar sozinha, e Cuíca, o labrador, ficou com a mãe. Agora ela cuida de Cachaça, um pug endiabrado, de apenas dois meses. O pescoço ficou repleto de patuás. “Foram me dando patuás, eu fui pondo, agora não cabe mais nada, é um embolado de coisas. Não posso cortar porque senão arrumo briga com metade do céu.” A vida ficou corrida, mas cheia de momentos que a fazem duvidar da própria realidade. “Claro que a vida mudou. A rotina virou pauleira. Desde que gravei o CD tem sido assim. No começo fazia muito trabalho de divulgação para a imprensa e agora tem esse lance de viajar, sair de casa, não voltar nunca. É estranho, fazia um show no Posto 8 para 200 pessoas, e de repente tem 7 mil gritando meu nome. O que é isso? Que coisa maluca!” Maria Gadú com os amigos Toni Ferreira e Dani Black, que participam do DVD.

Além da rotina de shows pelo Brasil e um público cada vez mais apaixonado, Gadú ganhou prestígio no meio musical, incluindo indicação para o Grammy Latino em duas categorias: Artista Revelação e Melhor Álbum de Cantor-Compositor. Foi convidada para gravar com Ana Carolina e Moska, ganhou elogios rasgados de Milton Nascimento – “Música, simpatia, tudo de bom. Canta lindamente e traz amigos para repartir o palco” – e agora se prepara para uma turnê com Caetano Veloso. Apesar das novas amizades, Gadú fez questão de contar com os amigos de sempre na hora de dividir o palco e gravar o DVD – a banda é a mesma dos primeiros shows: Cesinha (bateria), Doga (percussão), Maycon (teclados), Gastão Villeroy (baixo) e Fernando Caneca (guitarra) – e os extras trazem canções e participações, em sua maioria, desconhecidas do grande público: Toni Ferreira em Reflexo de nós, Dani Black em Só sorriso, Manuh em You’ve got a believe, e uma participação família (Philippe Gadú, Bernard Gadú, Marc Gadú e Patrick Gadú) em I can see clearly now.

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SARAIVACONTEÚDO DEZ. 2010 / JAN. 2011

“Isso de gravar com os amigos é muito verdadeiro. São os meus mesmos amigos, de hoje e de sempre. A gente é amigo, divide música, chora, ri, e por que não dividir o palco? É um instante maravilhoso, um lugar em que todo mundo gosta de estar. Cantamos as músicas deles, pra galera conhecer. É gente que faz música porque gosta. Só presta pra isso, só sabe fazer isso, vive pra isso. Todo mundo é meio sozinho na vida, e a maravilha tem que ser dividida. Solidão nessas horas não é legal. Fizemos do modo como fazemos em casa, com intimidade e conforto, só que desta vez com um puta equipamento de som. Não podia privar os amigos disso.” De participação “ilustre” no DVD, apenas Sandy, que chegou de forma inusitada. “Ela foi assistir ao show com seus pais, o Xororó e a Noeli. Eu sou muito fã da Sandy e do Junior, e sempre canto Quando você passa nos shows. Aliás, eu acho a família toda muito doce, um berço de elegância e educação. Quando o show acabou, perguntei se era necessário regravar

Revista Saraiva Conteúdo - 2ª edição  

Esta segunda edição optamos por trazer aos leitores uma edição mais musical, reverenciando mestres como Noel Rosa, Adoniran Barbosa e Gilber...

Revista Saraiva Conteúdo - 2ª edição  

Esta segunda edição optamos por trazer aos leitores uma edição mais musical, reverenciando mestres como Noel Rosa, Adoniran Barbosa e Gilber...

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