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“Eu tinha a história na cabeça há mais de dez anos. Quando parei para escrever, fiz um roteiro antes, já estava mais ou menos pronto. Em 2003 eu estava desempregado, o livro só ficou pronto em 2005. Sou muito disciplinado, levei dois anos escrevendo, aproveitei o ócio do desemprego. Star Wars foi um filme que me ajudou a gostar de mitologia. Vertigo, a série de quadrinhos, e o filme Anjos rebeldes são duas grandes influências marcantes. Além disso, li muito RPG, o que me ajudou bastante no livro. Como não sou gênio, tive de arrumar um esquema de trabalho. Sempre gostei de escrever, sempre fui fascinado por história, mitologia e religião”, conta Spohr, que também dá aulas na Facha (Faculdades Integradas Hélio Alonso), na zona sul do Rio de Janeiro, em um curso sobre a jornada do herói no cinema e na literatura. Não por acaso, esse herói tem mil faces. Trata-se do conceito de jornada cíclica introduzido por Joseph Campbell, autor de um dos livros mais influentes do século XX: O herói de mil faces. Esse antropólogo norte-americano, profundo conhecedor da mitologia, respalda-se em arquétipos jungianos para mostrar que a narração da história universal, de Cristo a Buda, passando por Maomé e Moisés, é sempre a mesma. Segundo ele, seria possível estruturar qualquer história a partir do roteiro básico da jornada do herói ou desconstruir as histórias, entendendo os elementos que constituem a jornada. A obra de 1949 vem influenciando escritores, dramaturgos, autores e mestres do RPG e, no cinema, foi fundamental para nomes como Coppola, George Lucas e Spielberg. Para Spohr, a trajetória foi longa até chegar ao êxito no mercado editorial. Primeiro ganhou o Prêmio Fábrica de Livros, na Bienal do Livro 2007. Tudo começou com 100 cópias cedidas pela vitória do concurso. Em dezembro de 2009, foram vendidos – graças aos nerds – mais de 4.500 exemplares impressos pela Nerdbooks, selo independente criado por Alexandre Ottoni e Deive Pazos, responsáveis pelo bem-sucedido site Jovem Nerd, que possui mais de 800 mil acessos únicos por mês. O sucesso na internet foi tanto que atraiu a atenção da editora Raissa Castro, que procurava livros do gênero fantástico. Uma semana após o lançamento pela Verus, que tinha acabado de se integrar ao Grupo Record, A Batalha do Apocalipse estava na lista de mais vendidos nas revistas Veja e Época. “Eu soube do livro através do meu genro, que acompanhava o site Jovem Nerd. Ele me disse o título e eu gostei: A Batalha do Apocalipse. Em seguida entrei em contato com Eduardo, mas ele ficou meio desconfiado, me mandou comprar o livro. [risos] Comprei o livro e enviei para duas mulheres – que, na teoria, não seriam o público dele – analisarem: uma delas era especialista em mitologia e a outra, nerd. Elas ficaram muito

Star Wars foi um filme que me ajudou a gostar de mitologia. Vertigo, a série de quadrinhos, e o filme Anjos rebeldes, são duas influências marcantes. Eduardo Spohr

impressionadas! E eu devorei o livro. Publicar sempre é um risco, mas no caso do Eduardo Spohr eu estava confiante porque ele já tinha um público cativo na internet. O que me surpreendeu foi a rapidez nas vendas, já editamos mais de 40 mil exemplares do livro. Antes de transformar em filme, a ideia é correr para fazer a publicação internacional. Um passo de cada vez”, comemora a editora, que prepara uma edição especial de A Batalha do Apocalipse com ilustração de Andres Ramos e uma espécie de dicionário da história, um universo expandido. O sucesso de Eduardo Spohr, além de abrir caminho para outros escritores do gênero fantástico, também coloca em pauta uma literatura que se estabelece cada vez mais em constante diálogo com os leitores, principalmente os jovens, através da web. Os leitores Qual é o ingrediente para fazer um livro de sucesso entre jovens? Para Rosa Gens, professora e doutora do Departamento de Literatura Brasileira da Universidade Federal do Rio de Janeiro, há elementos fundamentais para atrair o público leitor em questão. “Primeiro, a ideia de aventura que está em todos os livros. Em segundo, o amor, não qualquer tipo de amor, mas o amor romântico. E terceiro, a mitologia. O jovem é interessado em leitura? A tendência é dizer não. Mas eles leem muitas

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Revista Saraiva Conteúdo - 2ª edição  

Esta segunda edição optamos por trazer aos leitores uma edição mais musical, reverenciando mestres como Noel Rosa, Adoniran Barbosa e Gilber...

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Esta segunda edição optamos por trazer aos leitores uma edição mais musical, reverenciando mestres como Noel Rosa, Adoniran Barbosa e Gilber...

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