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Jornal do DCE

dceusp.org.br // facebook.com/dcedausp // twitter.com/dcedausp Novembro de 2013 - Gestão “Não vou me adaptar!”

Rodas retrocede e estudantes podem ter conquistas A greve dos estudantes da USP está num momento decisivo. Quatro anos depois, a gestão de Rodas, que parecia invencível, sofre uma derrota. Nossa greve ganhou a opinião pública, saiu às ruas, mobilizou a universidade e demonstrou sua importância. Agora, além de tudo, tem conquistas. Na última quintafeira (31), a reunião de negociação resultou em conquistas concretas para os estudantes. Hoje, muitos órgãos da imprensa noticiam as mudanças históricas pelas quais a USP pode passar

graças à nossa luta. Entretanto, elas ainda não estão garantidas. Um termo de acordo só é assinado mediante a desocupação da reitoria e o encerramento da greve. A próxima assembleia geral, nesta quarta-feira (06), deverá debater esses temas. E o DCE considera fundamental que isso seja feito à luz do debate sobre a ampliação da mobilização dos estudantes no próximo período. Tudo o que conquistamos até aqui é resultado de nossa luta. E assim deve continuar sendo.

Entenda as conquistas que estão em jogo no termo de acordo

O termo de acordo proposto na quinta-feira responde a importantes reivindicações estudantis [ 1 ] 25 anos depois, a USP abrirá um processo de estatuinte livre, autônoma e democrática, pautado pela participação de estudantes, funcionários e professores em um congresso que acontecerá em maio de 2014. Dentro da estatuinte, universidade será obrigada a pautar o tema das eleições diretas para reitor, diretores de unidade e chefes de departamento. [ 2 ] Os blocos K e L serão devolvidos para moradia estudantil. Serão quase 500 novas vagas no CRUSP. [ 3 ] Os espaços de vivência do DCE e da APG também serão entregues de volta às entidades. [ 4 ] As bolsas estudantis serão, daqui em diante, reajustadas anualmente de acordo com a porcentagem de reajuste salarial de professores e funcionários. [ 5 ] Até 2014, todos os bandejões da USP terão café da manhã, almoço e jantar nos fins de semana, e novos postos de recarga de bilhete serão construídos na Física e na Química.

[ 6 ] A universidade fará frente à SPTRANS, junto aos estudantes, para que se aumente a frota de circulares na USP e voltem as linhas extintas (177P/10, 107T/10, 7725). [ 7 ] Interior: serão formadas comissões paritárias nos campi para que as demandas de permanência sejam resolvidas ainda em 2014, com a reformulação dos planos diretores. [ 8 ] A universidade abrirá processo democrático de discussão do modelo de segurança da USP, a fim de contemplar todas as singularidades do tema, inclusive a violência contra a mulher. [ 9 ] O Núcleo de Consciência Negra não será retirado de seu local atual. [ 10 ] Está indicado a reposição de aulas ao término da greve, sem cancelamento de semestre letivo. [ 11 ] Mesmo com o fim da greve, será aberta uma mesa de negociação permanente entre a universidade e os estudantes, para que nossas demandas sigam sendo atendidas.


O caminho para ampliar nossa mobilização é concretizar essas vitórias! Não podemos subestimar o que estamos arrancando da universidade. Um processo de estatuinte no ano que vem, com congresso das três categorias, é a enorme chance que o movimento tem de virar de cabeça para baixo a universidade em 2014, arrancar finalmente as eleições diretas para reitor que, neste ano, infelizmente não conseguimos. Iremos atormentar o novo reitor da USP que será mais uma vez eleito de maneira antidemocrática. Poderemos também superar os resquícios autoritários dos tempos da ditadura na USP, como o regimento disciplinar de 1972. Além disso, as conquistas de permanência estudantil podem melhorar a vida de muitos estudantes demonstrando que a luta vale a pena. Por isso, o DCE acredita que a grande tarefa de nosso movimento, na atual conjuntura, é consolidar nossas conquistas e nos preparar para seguir lutando pela democratização da universidade em 2014. Dizemos isso pois acreditamos que este é

o melhor caminho para ampliar a mobilização dos estudantes no próximo período. A luta por democracia na USP não começa nem termina em 2013. Vem desde muito tempo e, temos certeza, continuará com força ainda neste ano e principalmente em 2014. É necessário compreender que a greve e a ocupação são ferramentas que o nosso movimento utilizou até agora. Desde o dia primeiro de outubro foram fundamentais para massificar nossa luta e obrigar a reitoria a negociar e ceder. Mas agora temos um risco: se não consolidamos nossas vitórias, no próximo período podemos retroceder. É hora de consolidar nossas conquistas e nos armarmos para o próximo período!

TODOS À ASSEMBLEIA GERAL DOS ESTUDANTES QUARTA-FEIRA, 06/11, ÀS 18H, NA HIST/GEO! O espaço em que essas decisões serão tomadas

de reitor em 2013 que seguirá acontecendo

será a Assembleia Geral dos estudantes. O en-

de forma indireta, com atos nos debates en-

cerramento da greve e da ocupação, nesse mo-

tre os reitoráveis e nas eleições no dia 19-

mento, pode consolidar nossas conquistas e am-

/12.

pliar a luta no próximo período. Para isso, o DCE irá propor uma série de iniciativas para

*

Estado de mobilização permanente em 2014, com possibilidade de retorno a greve,

que nossa mobilização siga massificada no pró-

por diretas já e pelas reivindicações estu-

ximo período:

dantis no processo de Estatuinte que con-

*

quistamos.

Organização nos cursos, unidades e campi para seguir pressionando as diretorias por reivindicações específicas.

*

Campanha de delegitimização da eleição

*

Criação de um Grupo de Trabalho dos estudantes para discutir a Estatuinte e nossas pautas para a democratização da USP

Seguir o exemplo de São Carlos

Os estudantes de São Carlos tem dado um grande exemplo de luta vitoriosa. No dia 22/10, em uma assembleia com cerca de 1500 estudantes (para um campus de aproximadamente 6000), entraram em greve e fizeram a ocupação da prefeitura do campus pelos eixos gerais do movimento e reivindicações locais. Após duas semanas de mobilização, conquistaram suas reivindicações encerrando a greve e a ocupação em uma assembleia com mais de 1200 estudantes. As conquistas por democracia na USP estão também no interior!


Jornal do DCE - Novembro de 2013