Page 1

Jornal do DCE dceusp.org.br // facebook.com/dcedausp // twitter.com/dcedausp Agosto de 2013 - Gestão “Não vou me adaptar!”

Se o estudante não votar a USP vai parar! Bem-vindos de volta à USP! Tivemos um primeiro semestre em que tomamos as ruas com milhões de jovens e trabalhadores e conquistamos a revogação do aumento das passagens! Demonstramos nossa indignação e agora queremos muito mais! Este semestre se inicia com um grande desafio: estamos muito próximos de conquistar nosso direito de votar para reitor. Pressionado pelas manifestações, Rodas declarou oficialmente que pretende ampliar a

participação da comunidade universitária na escolha do próximo reitor. Conhecemos nosso reitor – o autoritarismo foi a grande marca de sua gestão que tornou a USP ainda mais elitizada. Por isso não podemos confiar no que diz. Vamos exigir eleições diretas, paritárias e o fim da lista tríplice para transformar a universidade! A mesma força que derrubou o aumento das tarifas nas ruas deve democratizar a USP!

Junho de 2013: a indignação nas ruas do Brasil! Os milhões de brasileiros que se manifestaram exigindo mudanças estão fazendo história no país. Tendo como estopim os atos contra o aumento das passagens em São Paulo, milhões de jovens e trabalhadores foram às ruas exigir os direitos básicos da população e o fim dos privilégios dos de cima, colocando o Brasil no mapa das grandes mobilizações populares que ocorrem no mundo. Foram dezenas de atos, que em números superam o “Fora Collor” e são comparáveis às mobilizações por diretas nos anos de 1980. Os poderosos foram colocados contra a parede e a rua se tornou a grande arena da disputa política. Não apenas as tarifas caíram em São Paulo e dezenas de outras cidades, como projetos que atacam

direitos básicos da população, como a “cura gay”, foram derrotados e os poderosos se viram sem saídas para conter o ímpeto das manifestações. Nós, estudantes da USP, também estivemos nas ruas. Vamos fazer nossa universidade também respirar os ares de junho!

Derrotada a ação do MP e o PIMESP, queremos mais! Desde a Calourada, o movimento social da USP se organizou para barrar o PIMESP e a denúncia do Ministério Público contra os estudantes que ocuparam a reitoria em 2012 por “formação de quadrilha”. O Programa de Inclusão com Mérito do Estado de São Paulo (PIMESP) não foi aceito como programa de inclusão pelo movimento estudantil, movimento negro e de cursinhos populares. Hoje, apenas 8% dos estudantes da USP são negros. O projeto era excludente e elitista e não garantia reserva de vagas.

Os atos, debates e a pressão do movimento social fizeram o projeto ser barrado nas Congregações e obrigaram as reitorias das estaduais paulistas a abandonar o PIMESP. Além disso, o MP denunciou 72 estudantes por formação de quadrilha, na esteira dos processos promovidos pela própria reitoria contra estes estudantes. O juiz responsável pelo caso se recusou a receber a denúncia e abrir processo. O autoritarismo da promotora Passareli e de Rodas foram derrotados. Movi-


mento Estudantil não é quadrilha. No entanto, o Estatuto da USP segue tendo itens que legitimam processos e expulsões por motivos políticos! Agora nós queremos e precisamos de muito mais! Nos próximos meses, o DCE-Livre da USP construirá, conjuntamente com o movimento negro na Frente Pró-Cotas Raciais Estadual, uma campanha por um Projeto de Lei de Iniciativa Popular por Cotas Raciais em São Paulo: não mediremos esforços

para atingir a meta de 200 mil assinaturas em todo o estado e pressionar a ALESP pela aprovação desse direito! Convidamos todos os Centros Acadêmicos e estudantes da USP a dialogar conosco a respeito da campanha, que será debatida semanalmente na Reunião Ordinária do DCE, aberta a participação de todas e todos. Exigimos um outro futuro para a juventude negra!

(falta de) democracia na USP – uma estrutura mais que arcaica A USP é uma das universidades mais antidemocráticas do país. Não existem espaços de debate e decisão abertos ao conjunto da comunidade universitária. O Conselho Universitário (CO) e o reitor decidem de forma fechada e praticamente secreta sobre as questões relativas à universidade. Além disso, o nosso estatuto guarda constrangedoras raízes no período da ditadura militar. Um dos maiores pilares dessa estrutura de poder é a forma como o reitor é eleito. Somente 5% da comunidade vota no primeiro turno das eleições. No se-

gundo turno é ainda pior: participa o CO, com seus pouco mais de 300 membros. No fim das contas, é o governador que decide quem será o reitor da Universidade, pois ele sozinho escolhe entre um dos três primeiros colocados da eleição. É dessa maneira que a Universidade de São Paulo é mantida fechada à população, à mercê dos poderosos do nosso estado. É urgente democratizar seu funcionamento injusto e antiquado. Precisamos garantir Diretas na USP já!

Não queremos um novo João Grandino Rodas. Diretas já!

A luta por democracia na USP não é de hoje. Desde os anos 1960 se fala em ampliar a participação da comunidade universitária no governo da universidade.

Mas nos últimos anos, com a subida de Rodas ao cargo de reitor, essa luta se tornou mais urgente.

Assinou um contrato com a PM que permitiu a violenta desocupação da reitoria, com 400 policiais armados contra estudantes que se manifestavam pacificamente, expulsou estudantes., mudou a Comissão da Verdade da USP para submete-la ao seu controle.

Ele foi o segundo colocado nas eleições, mas foi nomeado pelo então governador, José Serra. Desde então, foi o maior aliado do governo estadual para elitizar a USP.

Demitiu funcionários, anunciou o fechamento de cursos de graduação, regulamentou o primeiro curso pago de graduação na USP.

Mas os estudantes responderam com muitas mobilizações!


Chegou a hora e a vez de uma USP democrática! Temos nesse semestre uma oportunidade histórica: conquistar eleições diretas para reitor. Podemos dar um passo importantíssimo para derrubar essa estrutura de poder antidemocrática e injusta! Rodas não nos engana: não anunciou a abertura do processo de escolha do reitor por convicção democrática. O próprio Rodas é o maior símbolo da falta de democracia na USP! O anúncio da reitoria de adotar eleições diretas para reitor na USP é vitória nossa, e não uma bondade do reitor. Demos uma forte batalha histórica por democracia na USP. Ele sabe também que muitos de nós estávamos nos atos, e que queremos fazer na USP o mesmo que fizemos na cidade. Mas não podemos nos iludir e pensar que esta batalha está ganha! A proposta da reitoria ainda possui poucos elementos concretos. Rodas pode perfeitamente adotar um modelo de eleição que não garante a participação democrática de fato a todos. Ele pode, por exemplo, restringir

a participação de certos setores, distorcer sua proporção de modo a favorecê-lo, ou ainda, manter a lista tríplice que garante a última palavra ao governador. Queremos democracia de verdade na USP. Por isso, exigimos de forma clara eleições que garantam a participação democrática de todos:  Eleições diretas JÁ (para Chefes de Departamentos, Diretores e Reitor)  Proporção paritária (ou seja, participação igual entre docentes, funcionários e estudantes)  Fim da lista tríplice (pois o governador não pode mandar na universidade!) Vamos mudar radicalmente essa Universidade! A experiência dos atos contra o aumento nos mostrou que quando lutamos podemos fazer os poderosos cederem. Converse com seus colegas, faça debates, manifestações. Organize sua luta! Faça memes, espalhe cartazes, panfletos, use a criatividade. Vamos todos por diretas na USP já!

luta por transporte continua: vamos contra o propinoduto tucano!

As mobilizações de junho foram só o começo! Em São Paulo, Haddad (PT) e Alckmin (PSDB) foram obrigados a recuar e revogar o aumento. No entanto, segue o caos no transporte. Para piorar, agora estamos diante de provas de que os contratos de transporte firmados entre governos e empresários são fonte de desvio de milhões dos cofres públicos. Documentos ligados a contratos de licitações do Metrô provam a existência de esquema de superfaturamento envolvendo o governo do PSDB e multinacionais, totalizando o desvio de mais de 400 milhões de reais dos cofres públicos. Enquanto isso, o governo muni-

cipal de Haddad, do PT, controla com mão de ferro as informações das planilhas de contratos na CPI dos transportes, impedindo que a população saiba quanto tem sido gasto. Desta forma, garante que a máfia dos transportes siga correndo solta. Vencemos em junho. É preciso que o movimento volte às ruas em agosto para exigir o fim do caos nos transportes e avançar na conquista de nossos direitos! Participe do ato no dia 14 de agosto contra a corrupção no metrô!


Vem com a gente transformar a USP e o país!

1

Informe-se A USP é uma Universidade muito antidemocrática! Para combater essa estrutura de poder temos que estar por dentro de tudo o que rola dentro dos muros da nossa universidade.

debata Uma boa maneira de agregarmos mais pessoas nessa luta é debatendo. Converse com o seu CA, combine com seus amigos, discuta com os seus colegas sobre os problemas da nossa universidade!

3

2

divulgue Sabemos que temos dificuldade em sermos ouvidos. Por isso, use as redes sociais e todos os meios ao seu alcance para divulgar pelo que lutamos e o que enfrentamos!

Manifeste-se Aprendemos com as lutas de junho que é na rua que conquistamos vitórias. Na nossa universidade não será diferente. Por isso, organize seus colegas de curso e se manifeste por uma USP democrática e por um país diferente! Vem aí o ENCA: encontro de centros acadêmicos O EnCA – Encontro de Centros Acadêmicos da USP é um espaço aberto para todos os estudantes participarem de debates, grupos de discussão e oficinas. A ideia é que pessoas de cursos e realidades diferentes possam se encontrar e conversar sobre a situação da Universidade e do país, e o que podemos fazer para transforma-los. Procure os diretores do DCE e do seu CA, convide seus amigos, organize caravanas do seu curso e do seu campus para participar. Elabore oficinas junto ao seu Centro Acadêmico e participe!

4

Calendário 14/08: Ato contra o propinoduto tucano por transporte de qualidade! #ForaAlckmin Local a confirmar 17 e 18/08: EnCA - Encontro de Centros Acadêmicos da USP A partir das 09h na Faculdade de Medicina 20/08: Assembleia Geral dos Estudantes da USP 18h na Poli 22/08: 1° Grande Ato pela democratização da USP!cidade Universitária 30/08: Dia Nacional de Paralisações

Jornal do DCE - Agosto de 2013  
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you