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Pós Graduação IBPEX- Grupo Educacional Uninter Mídias Social, Interatividade e Conectividade _______________________________________________________________________________________________

MyBarackObama.com Um Estudo de Caso sobre Marketing Político online

Por Dayane do Rocio Teixeira Vendramel Módulo Marketing Digital- Professor Ney Queiroz Azevedo

2011


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Introdução: Política na era digital “Na política vale tudo”. Essa frase costuma ser utilizada por integrantes do meio político dispostos a utilizar todas as ferramentas em busca da vitória. No entanto, nem sempre estas ferramentas disponíveis são devidamente utilizadas, podendo mostrar-se como um diferencial entre dois adversários. O reconhecimento e a utilização da internet como mídia para campanhas eleitorais já existe há pelo menos 10 anos, porém, a campanha realizada por Barack Obama em 2008 para a eleição presidencial dos EUA superou qualquer expectativa de especialistas, traçando novos rumos para o marketing político, reescrevendo regras de como atingir eleitores, arrecadar doações e monitorar a opinião pública.

mesmo princípio: a integração, neste caso, das mídias online e off-line. Além de ações comuns à campanhas eleitorais tais como TV e jornais, necessários ainda para atingir o público off-line e como elemento de fixação, o então candidato à presidência estadunidense utilizou as mídias online como recurso principal de sua caminhada eleitoral, explorando o aspecto viral e a democracia proporcionada pela web. John McCain, concorrente de Obama na corrida presidencial, utilizou os meios tradicionais e também a internet porém como simples mídia para divulgação. Barack Obama teve seu destaque no marketing político online devido a algumas ações fortes e congruentes a sua proposta e seu perfil. Site www.mybarackobama.com

No estudo a seguir serão apresentadas algumas estratégias, comparativos, resultados e projeções em relação a essa personalidade, com base na campanha presidencial de 2008. Ambiente político dos EUA em 2008 A situação política e econômica dos EUA não estava bem em 2008. Alto índice de desemprego, bolha imobiliária e tropas no iraque são exemplos dos fatos que estavam levando a população do país à busca pela mudança. Em meio a essa crise, seria realizada a eleição presidencial entre o candidato republicano John McCain e o candidato democrata Barack Obama, o qual possuía uma caminhada política relativamente recente, tendo destaque em sua atuação como Senador do estado de Illinois. Ações de Barack Obama eleições 2008 A própria história pessoal de Barack Obama (pai negro, mãe branca e padrasto asiático) levou à população a imagem de unificação e pacificação que o país precisava. Para que a população pudesse conhecer esse candidato, a estratégia utilizada pelo partido teve o

O site da campanha democrata de 2008 não visava apenas traçar o perfil de um candidato. Tinha como objetivo maior interagir com o público, transformando-os em seguidores e propagadores, não apenas receptores de informações eleitorais. Através da estruturas apresentada por esta mídia, quem acessava poderia, além de conhecer o candidato, participar da campanha como voluntário, personalizar o ambiente online fazendo seu próprio blog, poderia fazer doações e ainda promover eventos. Além do site, um dos pontos fortes da campanha foi a utilização de redes sociais tais como twitter e facebook. Tanto no site como nas redes eram formados grupos segmentados de usuários de acordo com o perfil. O destaque foi para a discussão política possibilitada por estes meios, lembrando que todas as ações eram monitoradas pelos integrantes do partido responsáveis pela campanha, possibilitando a reação e a participação de Obama sempre que necessário. Essa interação proporcionada em especial pelas redes sociais possibilitou maior aproximação dos eleitores com Obama além da própria idéia de participar de um grupo social politicamente ativo.


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Como um resumo da força desta campanha, abaixo estão alguns números relevantes: • • • • • • •

130.000 seguidores no twitter 14 milhões de views em apenas um vídeo do youtube 3,1 milhões de doadores em 2008 Um grupo do facebook com 2,3 milhões de membros 500 grupos no facebook (criados espontaneamente pelos usuários) 16 espaços sociais (de acordo com a etnia e o perfil psicográfico do público) Mais de 130.000 vídeos postados no You Tube

Ações in game, download de aplicativos para I Phone e concurso de vídeos foram algumas estratégias que aumentaram os acessos ao site e às redes, por consequência proporcionando maior interação e oferecendo, pode-se dizer gratuitamente, novas ferramentas para a campanha através do conteúdo gerado pelos usuários. Os vídeos enviados pelos participantes passarem a representar uma ação de marketing viral, aumentando assim o número de pessoas com acesso e visualização da campanha eleitoral de Barack Obama. O próprio candidato usufruía da tecnologia para chamar as pessoas a participarem de sua campanha no momento da emoção, sem deixar para depois. Nos eventos, após o discurso ele chamava todos a iniciar a sua participação naquele momento, através do seu telefone enviando um SMS para o número indicado com a palavra “Join”. Com todas estas ferramentas, Obama não pedia o acesso ao site. Ele acontecia de forma mais natural, sem imposição. E talvez mais naturalmente ainda ocorreu a arrecadação para a campanha. Em cada rede social e no site foram disponibilizados widgets para que o usuário pudesse fazer sua doação à campanha no momento que preferisse. O resultado deste detalhe pode ser visto nos seguintes números: 87% das doações de toda a campanha foram realizadas pela intenet; 93% dos usuários doaram menos de U$ 100,00 (grande número de

participantes); apenas em setembro de 2008 foram arrecadados U$ 100 milhões. Resultados eleitorais Em 4 de novembro de 2008 Barack Obama foi eleito presidente dos Estados Unidos. Analisando o momento crítico pelo qual o país passava, por indução conclui-se que a população naturalmente elegeria o candidato democrata, porém essa conclusão não fica tão simples ao considerarmos os perfil dos eleitores nesta campanha. Segundo pesquisa realizada pela Edison Media e pela Mitofsky International, o presidente eleito Barack Obama obteve vitória incontestável entre negros, hispânicos e pessoas com menos de 30 anos. Especialmente essa fatia de pessoas com menos de 30 anos representou a diferença entre os candidatos, pois 66% deste público específico votou em Obama, destacando que esta faixa etária é composta por uma grande parcela da população chamada de Geração Y, geração que nasceu ou que muito cedo teve acesso ao ambiente online. Importante destacar nesta análise que Obama conseguiu os votos de muitas pessoas que não tinham o hábito de votar ou ainda que o estavam fazendo pela primeira vez, lembrando que nos EUA não há obrigatoriedade de voto. E agora? Mesmo eleito as ações online não pararam. Apenas 48 horas após ser anunciado como presidente eleito, como medida para manter o contato com o público no período de transição do governo, a equipe de Obama colocou no ar o site change.gov, através do qual a população poderia enviar ideias, opinar sobre assuntos diversos em relação à presidência, além de acessar conteúdo disponibilizado pelo governo para aprendizagem sobre administração pública. Atualmente este site informa que o período de transição acabou e que o novo governo começou, disponibilizando ao final um link que direciona ao site da Casa Branca.


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Ainda hoje as redes sociais estão ativas, contando com mais de 7 milhões de seguidores no Twitter e mais de 19 milhões no facebook, ou seja, mesmo com medidas de segurança mais intensas e com informações mais comedidas, a interação continua. Eleições 2012 Em março de 2011, o partido democrata dos EUA já lançou o nome de Barack Obama à corrida presidencial de 2012. No momento não há definições sobre o adversário político que representará os republicanos.

deve considerar que existe uma oposição que fará ações de impacto questionando a lenta evolução do país nos últimos e colocando à prova a mudança tão esperada pela população. Será que esta não é a hora de Obama ficar ainda mais próximo à população para reverter críticas que possam ser lançadas contra eles? Dentro de dois anos, poderemos fazer uma nova análise o marketing político dos EUA, certamente com muitas mudanças.

Referências Bibliográficas

De qualquer forma, o partido democrata já anunciou que não terá o foco de sua campanha na internet e a utilizará de maneira mais intensa para arrecadar doações.

Site

Talvez os baixos índices de aprovação do governo Obama (menos de 50%) tenham levado a restringir a utilização de ferramentas estratégicas online, talvez para evitar embates que desgastem a imagem de Obama frente aos eleitores.

http://webinsider.uol.com.br/2008/02/11/barackobama-e-exemplo-de-politico-20/

http://danielaalmeidateixeira.wordpress.com/2009/0 2/09/campanha_barack_obam/

http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/pesquisarevela-perfil-do-voto-em-obama/ http://www.youtube.com

No Brasil http://www.barackobama.com/ Mesmo dois anos após deste exemplo de campanha eleitoral utilizando mídias online, os candidatos à presidência do Brasil não apresentaram grandes inovações, mantendo forte campanha em TV, jornais, eventos e deixando a mídia online em um patamar onde “não atrapalhe ao invés de ajudar”, ou seja, existe, mas apenas para o básico Conclusão Através das informações acima apresentadas, foi possível analisar o impacto de ações online em um ambiente até pouco tempo tradicionalista como marketing político. A interação entre eleitores e candidatos proporcionou o aumento da confiança e credibilidade, proporcionando mudança de hábitos e maior participação política da população, em especial os mais jovens. Sobre as expectativas de ações online para a campanha presidencial de 2012, o partido democrata

http://change.gov/ http://twitter.com/BARACKOBAMA http://www.facebook.com/barackobama

Barack Obama- Estudo de caso Marketing Político  

Estudo de caso sobre o marketing político aplicado nas eleições dos EUA em 2008- campanha presidencial.

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