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| n º 624 | fevereiro 2014 | adar i 5774

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à nAturezA

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Amor à natureza são paulo


HEBRAICA

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palavra do presidente

A democracia em movimento A Hebraica é um ente comunitário, o principal da coletividade judaica de São Paulo e, portanto, de alguma forma, um ser vivo que atua no meio que o abriga, isto é, o conjunto da sociedade civil da cidade onde todos vivemos, com a qual procuramos contribuir e dela participar da melhor maneira possível. Esta condição vai ficar ainda mais evidente neste ano de 2014 ao longo do qual vão ocorrer diversos eventos que nos envolvem direta e indiretamente, alguns mais notórios, como a abertura da Copa do Mundo e principais jogos da competição, e as eleições para presidente da República, governador, deputados estaduais e federais e um senador. Neste ano também fazem cinquenta anos do golpe que derrubou o presidente João Goulart, e trinta anos das grandes manifestações em favor das eleições diretas, respectivamente, em abril, e em janeiro que passou. Mas há, além disso, os movimentos que, de repente, aprenderam e passaram a usar as redes sociais, para reclamar, exigir, mudar e principalmente se mobilizar em função de uma causa, todos válidos desde que ordenados, organizados e usados para melhorar os meios e a sociedade em que vivemos. Valer-se deles para fazer baderna, destruir ou criticar pelo simples prazer de criticar é um ato deplorável e destrutivo que deve ser combatido por todos. A democracia é uma obra em permanente construção – aberta, incompleta, interminável, imperfeita –, no entanto, a melhor que o próprio homem inventou para regular as relações entre os cidadãos. Quando esteve no Brasil, em 2013, o rabino Jonathan Sacks, em brilhante entrevista nas páginas amarelas da revista Veja, disse: “A ideia de que não apenas o chefe de Estado, mas todos somos coletivamente responsáveis uns pelos outros, é especificamente judaica”. O rabino deu um caráter político ao princípio bíblico da responsabilidade do irmão pelo seu irmão, vale dizer, a responsabilidade coletiva, que é também o sustentáculo das democracias. E isso vale também – e principalmente – para este ente comunitário que é o clube, que é a Hebraica. E, por extensão, a nossa cidade, o estado e o país que pretendemos cada vez melhor para os nossos concidadãos brasileiros e, entre eles, os judeus. Shalom

Abramo Douek

A DEMOCRACIA

É UMA OBRA EM PERMANENTE CONSTRUÇÃO – ABERTA, INCOMPLETA, INTERMINÁVEL, IMPERFEITA –, NO ENTANTO, A MELHOR QUE O PRÓPRIO HOMEM INVENTOU PARA REGULAR AS RELAÇÕES ENTRE OS CIDADÃOS


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sumário

HEBRAICA

HEBRAICA

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74

Literatura Um dos mais terríveis crimes de Stalin contra a cultura ídiche

76

Leituras Como anda o mercado de ideias?

78

Música Onze dicas para enriquecer o seu repertório (popular e erudito)

12 6

Carta da Redação

8

Destaques do Guia A programação de fevereiro e março

12

Capa Celebrações de Tu B’Shvat convidam a um passeio pelos jardins da Hebraica

19

cultural + social

20

Réveillon A festa que deu as boas-vindas a 2014

81

diretoria

22

Chaverim Grupo completa dezoito anos com livro e exposição de fotos

24

Galeria de arte Nair Kremer fala sobre a exposição “Territórios Afetivos”

26

Coluna um / comunidade Os eventos mais significativos da cidade

30

Fotos e fatos Os destaques do mês na Hebraica e na comunidade

33

juventude

34

Dança Um balanço da 33ª. edição do Festival Carmel

38

Colônia de férias Como curtir o verão em quinze dias inesquecíveis

39

Fotos e Fatos Os destaques entre os jovens da comunidade

41

esportes

42

Xadrez Hebraica sediou o XVII International Rating Tournament (IRT)

47

magazine

48

Memória O controvertido, amado e odiado Ariel Sharon (z’l)

44

Handebol Confira os bons resultados alcançados em 2013

45

Fotos e fatos Os melhores nos campos, quadras e piscinas

82

52

Ensaio Uma reflexão sobre as negociações de paz entre israelenses e palestinos

54

60

56

62

Tecnologia Empresário israelense cria cadeira de rodas de cem dólares

12 notícias Fatos e personalidades que esquentaram o cenário de Israel

Medicina Dez novidades israelenses para melhorar a qualidade de vida

Religião Uso medicinal da maconha, segundo a tradição judaica

66

Holocausto O Brasil e o campo de concentração de Ravensbrück

68

A palavra Por que os judeus se cumprimentam com “shalom aleichem”?

70

Costumes e tradições Saiba tudo sobre a verdadeira caridade judaica

72

Cinema Cardeal Jean-Marie Aron Lustiger é tema de filme

82

Serviços Hebraica, modo de usar – como aproveitar o verão

86

Comunicação Aplicativo informará sobre programação

87

Lista da Diretoria Vejam quem representa o associado no Executivo

98

Conselho Os planos da nova gestão


6

HEBRAICA

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carta da redação

A capa da revista Fazer uma revista mensal como a da Hebraica, em média com 148 páginas e um número de profissionais que se pode contar em pouco mais do que uma mão, é uma operação complexa e determinada por prazos de modo a que a revista chegue às mãos dos associados o mais rapidamente possível. Além, é claro, da rápida distribuição da revista. Faz parte da “operação complexa”, citada no parágrafo anterior, a escolha do tema da capa da edição, geralmente – e de preferência – relacionado à Hebraica. E aí pontifica a repórter Magali Boguchwal com suas ideias e sugestões que, aprovadas, se transformam em textos agradáveis e, melhor de tudo, informativos, como este a respeito das áreas verdes da Hebraica e como o clube desperta e desenvolve nas crianças o amor à natureza. E, no “Magazine”, textos a respeito do controvertido e polêmico Ariel Sharon amado por uns, odiado por outros, mas de inegável importância na história do Estado de Israel; histórias de brasileiras presas no campo feminino de Ravensbrück; do “julgamento” e execução, em agosto de 1952, por “espionagem”, de treze poetas judeus, naquela que foi uma das últimas maldades de Stalin; o que o Talmud e a Halachá pensam a respeito da maconha, há muitos anos liberada para uso medicinal em Israel; os avanços médicos de Israel para o mundo, e muito mais, como a origem da expressão “Shalom Aleichem”. Aliás, é o livreiro e editor Jairo Fridlin que colabora grafando as palavras em hebraico. Afinal, o computador dele é pródigo em fontes com estes caracteres.

ANO LV | Nº 624 | FEVEREIRO 2014 | ADAR I 5774

DIRETOR-FUNDADOR SAUL SHNAIDER (Z’l) PUBLISHER FLAVIO MENDES BITELMAN DIRETOR DE REDAÇÃO BERNARDO LERER EDITOR-ASSISTENTE JULIO NOBRE

SECRETÁRIA DE REDAÇÃO MAGALI BOGUCHWAL REPORTAGEM TANIA PLAPLER TARANDACH TRADUÇÃO ELLEN CORDEIRO DE REZENDE FOTOGRAFIA BENJAMIN STEINER (EDITOR)

CLAUDIA MIFANO (COLABORAÇÃO) FLÁVIO M. SANTOS

DIREÇÃO DE ARTE JOSÉ VALTER LOPES DESIGNER GRÁFICO HÉLEN MESSIAS LOPES

ALEX SANDRO M. LOPES

FOTO CAPA FLÁVIO M. SANTOS EDITORA DUVALE RUA JERICÓ, 255, 9º - CONJ. 95

E-MAIL DUVALE@TERRA.COM.BR CEP: 05435-040

- SÃO PAULO - SP

DIRETOR PAULO SOARES DO VALLE ADMINISTRAÇÃO CARMELA SORRENTINO ARTE PUBLICITÁRIA RODRIGO SOARES DO VALLE

DEPTO. COMERCIAL SÔNIA LÉA SHNAIDER PRODUÇÃO PREVAL PRODUÇÕES

IMPRESSÃO E ACABAMENTO ESKENAZI INDÚSTRIA GRÁFICA PUBLICIDADE TEL./FAX: 3814.4629

Boa leitura

3815.9159

E-MAIL DUVALE@TERRA.COM.BR

Bernardo Lerer Diretor de Redação

calendário judaico ::

OS CONCEITOS EMITIDOS NOS ARTIGOS ASSINADOS SÃO DE

INTEIRA RESPONSABILIDADE DOS SEUS AUTORES, NÃO RE-

PRESENTADO, NECESSARIAMENTE, A OPINIÃO DE DIRETORIA DA HEBRAICA OU DE SEUS ASSOCIADOS.

FEVEREIRO 2014 Adar I 5774

MARÇO 2014 Adar II 5774

dom seg ter qua qui sex sáb

dom seg ter qua qui sex sáb

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JORNALISTA RESPONSÁVEL BERNARDO LERER MTB 7700

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A HEBRAICA É UMA PUBLICAÇÃO MENSAL DA ASSOCIAÇÃO

“A HEBRAICA” DE 1.000, PABX: 3818.8800

BRASILEIRA

1 5 6 7 8 12 13 14 15 19 20 21 22 26 27 28 29 Véspera de Purim

SÃO PAULO RUA HUNGRIA,

EX-PRESIDENTES LEON FEFFER (Z’l)

- 1953 - 1959 | ISAAC FISCHER (Z’l) - 1960 - 1963 | MAURÍCIO GRINBERG (Z’l) - 1964 - 1967 | JACOB KAUFFMAN (Z’l) - 1968 - 1969 | NAUM ROTENBERG 1970 - 1972 | 1976 - 1978 | BEIREL ZUKERMAN - 1973 - 1975 | HENRIQUE BOBROW (Z’l) - 1979 - 1981 | MARCOS ARBAITMAN - 1982 - 1984 | 1988 - 1990 | 1994 - 1996 | IRION JAKOBOWICZ (Z’l) - 1985 - 1987 | JACK LEON TERPINS - 1991 1993 | SAMSÃO WOILER - 1997 - 1999 | HÉLIO BOBROW - 2000 - 2002 | ARTHUR ROTENBERG - 2003 - 2005 | 2009 - 2011 | PETER T. G. WEISS - 2006 - 2008 | PRESIDENTE ABRAMO DOUEK

VEJA NA PÁGINA 98 O CALENDÁRIO ANUAL 5773-5774

Fale com a Hebraica PARA COMENTÁRIOS, SUGESTÕES, CRÍTICAS DA REVISTA LIGUE: 3818-8855 CANALABERTO@HEBRAICA.ORG.BR

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MUDANÇA DE ENDEREÇO OU DÚVIDAS DE ENTREGA DA REVISTA LIGUE:3818-8898/99 SECRETARIA@HEBRAICA.ORG.BR

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3814.4629 / 3815.9159 DUVALE@TERRA.COM.BR


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HEBRAICA

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por Giovahnna Ziegler

destaques do guia ESSE MÊS O ESPAÇO GOURMET ENSINA DIFERENTES CARDÁPIOS PARA A MESA DE

FAMÍLIA DOS ASSOCIADOS. COMEÇANDO COM A CULINÁRIA ITALIANA, LIDERADO POR RODOLFO DE SANTIS, CHEFE DO

RESTAURANTE TAPPOTRATTORIA. NAS SEMANAS SEGUINTES, AULAS COM O

CHEF LEO BAHIENSE, DO RESTAURANTE YESH, ENSINANDO UM POUCO MAIS SOBRE A COZINHA TRADICIONAL

JUDAICA E THOMPSON LEE EXPERT DA

COZINHA THAI. TRÊS PALESTRAS LIDERADAS PELO RABINO GOURARIE TÊM COMO INTENÇÃO APROXIMAR O INTERESSADO À CABALA, FALANDO SOBRE SUAS FILOSOFIAS, ORIGENS E FUTURO. O GRUPO CHAVERIMESTÁ PRESTES A COMPLETAR 19 ANOS E QUER COMPARTILHAR SUA HISTÓRIA COM UMA EXPOSIÇÃO MOSTRANDO O COTIDIANO E ATIVIDADES QUE VEM MUDANDO A VIDA DOS ENVOLVIDOS.

TODO JOVEM ENTRE 13 E 16 ANOS

QUE DESEJA PRATICAR BASQUETE,

HANDBOL OU VOLEI, TERÁ UMA NOVA OPORTUNIDADE NA HEBRAICA COM A “INICIAÇÃO ESPORTIVA”. É GRATUITA E COMEÇA NO MÊS DE FEVEREIRO.

7 Dias

Horários do ônibus

Social Cultural Palestra: Introdução à Cabala Data: 4/2, 11/2, 18/2 – Hora: 20h30 Local: Sinagoga Mishcan Menachem e Hebraica

Centro de Música Começo do Ano Letivo Aulas de guitarra, violão, piano, teclado, bateria, baixo, clarinete, sax, gaita, flauta doce, flauta transversal, canto, violino, acordeão e musicalização infantil. Inf.: 3818-8824

Galeria de Artes “Rota da Amizade – O caminho para muitos” Exposição de fotos do Grupo Chaverim Início: 22/2 – Término: 1/4 Local: Galeria de Arte Hebraica

Esporte Iniciação Esportiva Pratica de atividades esportivas nas modalidades Basquete, Handebol e Voleibol para jovens de 13 a 16 anos Inf.:3818-8730

• Terça a sexta-feira Saídas Hebraica 11h15 , 14h15, 16h45, 17h, 18h20 e 18h30 Saída Avenida Angélica 9h, 12h, 15h, 17h30 e 17h45

• Sábados, domingos e feriados Saídas Hebraica –10h30, 11h30, 14h30, 16h45, 17h, 18h20 e 18h30 Saídas Avenida Angélica 9h, 11h, 12h, 15h , 16h15, 17h30 e 17h45

• Linha Bom Retiro/Hebraica Saída Bom Retiro – 9h, 10h Saída Hebraica – 13h45, 18h30


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capa | tu b’shvat | por Magali Boguchwal

A natureza como inspiração PARTICIPANTES DAS COLÔNIAS DE FÉRIAS DO ATELIÊ HEBRAICA, DA ESCOLA DE ESPORTES E DO CENTRO JUVENIL HEBRAIKEINU COMEMORARAM TU B’SHVAT, O ANO NOVO DAS ÁRVORES, NA PRAÇA CARMEL

O

WORKSHOP DA EMPRESA ÁRVORES VIVAS TROUXE AMOSTRAS DE MADEIRA, SEMENTES E FOLHAS

Departamento Cultural, em parceria com o Keren Kayemet LeIsrael (KKL) e a N’aamat Pioneiras, incluiu uma atividade extra na programação das crianças inscritas nas colônias de férias do Ateliê Hebraica (crianças até 2 anos), Escola de Esportes (3 a 13 anos) e do Centro Juvenil Hebraikeinu (2 a 8 anos). Pela primeira vez, monitores e professores acompanharam as crianças na celebração de Tu B’Shvat. A convite do presidente do KKL Brasil Eduardo El Kobbi, e do diretor Marcelo Schapochnik, a equipe Árvores Vivas transformaram a Praça Carmel em sala de aula a céu aberto onde as crianças entravam em contato com vários tipos de amostras de madeira, sementes e folhas, além de aprenderem a avaliar a idade de uma árvore pelos anéis em seu tronco. Segundo a presidente das Pioneiras Clarice Schucman Jozsef, “ao ensinar nossas crianças a respeitar a natureza e preservar o ambiente, reforçamos o legado que queremos deixar para as próximas gerações, de respeito e valorização do verde”. “A atividade na Hebraica foi muito interessante para os facilitadores da organização Árvores Vivas, porque as crianças absorveram muitas informações enquanto percorriam as estações montadas da Praça. Quando pedimos a elas para enfeitar a árvore dos desejos com mensagens, muitas delas pediram mais árvores ou proteção para as que já exis-

tem. Essa conscientização é o objetivo do trabalho da empresa”, comentou um dos responsáveis pelas Árvores Vivas, o biólogo Sandro von Matter. Especializado em ecologia tropical, ele ficou impressionado com a diversidade de espécies nativas que circundam a Praça Carmel. “Esse ambiente rico em beleza e biodiversidade estimula a conscientização das pessoas e desperta em todos o interesse pela preservação do ambiente. Essa amostra da diversidade da nossa flora, presente no paisagismo do clube, proporciona abrigo a diversas espécies, suportando desde micro-organismos responsáveis pelo ciclo vital da natureza, até um grande número de pássaros que vimos e ouvimos enquanto trabalhávamos com as crianças”, completou. As áreas verdes da Hebraica foram uma grata surpresa para a equipe da Árvores Vivas em sua primeira visita ao clube e fazem parte do cotidiano dos sócios de todas as idades, que desfrutam de sombra, umidade, aromas e todos os benefícios atribuídos ao contato direto com a natureza. Numa das tardes quentes de janeiro, Débora Beda e Natalie Kalili estenderam uma colcha no gramado para que os filhos e a sobrinha brincassem livremente. “Trago sempre a Sheila e a Isabella para brincar no clube. Para mim é uma alegria oferecer a elas os mesmos prazeres que tive na minha infância, como

brincar nesse gramado lindo. Eu morava na vizinhança e vinha diariamente. Agora venho de Perdizes com ela. Acho que a Hebraica cuida muito bem das áreas verdes”, afirma Natalie. O elogio da jovem mãe nem sempre é traduzido em palavras, mas é comum os associados escolherem áreas floridas como fundo para fotografias ou reproduzirem alguns cenários em pinturas ou desenhos. A natureza exuberante do clube é o resultado do trabalho cuidadoso e incessante de uma equipe de cinco jardineiros orientados pelo diretor de Paisagismo, Maier Gilbert, cujo bar-mitzvá no cargo passou despercebido em 2013. “Quando sugeri criar uma área específica e me propus a dirigi-la, a diretoria da época concordou em dar às áreas verdes as características de jardins tropicais. De lá para cá, mantivemos esse plano mestre e cuidamos de modo a sempre haver uma floração, independentemente da época do ano e escolhemos plantas que oferecem um visual agradável e também exalem aromas que envolvem o sócio à medida que ele circula de um ponto a outro. Temos damas-da-noite, gardênias, jasmins, azaleias, caliandras, além de jade trepadeira, que enfeita a cobertura da Sede Social”, enumera. Ao mencionar Tu B’Shvat, quando se faz o plantio ritual de novas árvores, Maier cita outras festas do calendário em que atividade da sua equipe aumenta. “Em Sucot, juntamos folhas para cobrir as cabanas. Em Rosh Hashaná, deixamos o lago em frente ao Salão Nobre ainda mais lindo para o ritual do Tashlich, no qual as pessoas depositam espiritualmente os pecados do ano anterior

>>


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capa | tu b’shvat >> na água corrente para iniciar o próximo, purificadas”, exemplifica. Ele detalha alguns cuidados tomados para manter as árvores saudáveis e frondosas. “Além de cortar os galhos secos para que não caiam e machuquem alguém, fazemos uma adubação periódica. Só não podemos evitar as perdas devido à idade e à competição natural”, ressalta. Segundo ele, entre os muitos benefícios, “esse manejo possibilita às árvores absorver a água do solo, evitando tombos e acidentes e quando a temperatura do ambiente sobe elas transpiram, ajudando no equilíbrio térmico da área onde estão”, descreve. Ao avaliar o trabalho dos últimos treze anos, Gilbert se declara satisfeito. “Algumas áreas deram trabalho, como, por exemplo, a Pista de Atletismo, mas hoje dá prazer olhar para ela.” Para ele, a recente reforma do interior da Praça Carmel valorizou o paisagismo. “A elevação do pé direito permite enxergar de um lado a outro, o que não era possível antes que a obra ficasse pronta”, avalia o diretor. O Departamento de Paisagismo não

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5. 3. 8.

GRAMADO É UM LOCAL PRIVILEGIADO POR MÃES E BEBÊS

está sozinho na defesa do ambiente na Hebraica. A Escola Maternal e Infantil mantém uma pequena horta cuidada pelos pequenos alunos e promove campanhas de reciclagem entre os alunos. O Projeto Jovens Sem Fronteiras cuidou da renovação do sistema de recipientes para separar lixo reciclável e

orgânico e também da campanha de conscientização do sócio para colaborar com o reaproveitamento de material de difícil decomposição na natureza. Além disso, voluntários do JSF ministram palestras de conscientização em escolas e em movimentos juvenis como o Centro Juvenil Hebraikeinu.

6.

7.

A ecologia está na Torá “Produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie, cuja semente está nela sobre a terra. E assim foi...” Este trecho foi tirado do primeiro capítulo da Torá, Gênesis, 1.11, a Bíblia lida por grande número de fiéis de diferentes credos. No dia 15 do mês de Shvat, o calendário judaico assinala a festa de Tu B’Shvat, o ano novo das árvores, a data em que se fixa o destino das plantas, como o do homem, em Rosh Hashaná. Quando dispersos, os judeus comemoravam a data, não importava onde tivessem fincado raízes. A conexão entre o homem e a terra e o respeito à ecologia atravessaram milênios. Da recordação à realidade atual, em Israel, a terra continua a ter um significado maior. Desde 1908, quando o KKL criou a primeira floresta, mais de 230 milhões de mudas foram plantadas, e Israel é o único país no mundo que entrou no século XXI com mais árvores do que um século antes. As crianças são chamadas e incentivadas a plantar e sentem-se responsáveis pela muda que cresce. Cantam e dançam ao redor da nova planta. Às sextas-feiras, antes do Shabat, homens saem do trabalho e compram maços de flores no caminho para casa. Nas estufas espalhadas por Israel, incentivadas pelas pesquisas, mudas são cultivadas e enviadas em embalagens especiais para países da Europa. Continuamente, novas espécies fazem parte do cardápio de opções aos importadores. Rodeadas pelo deserto, as cidades israelenses são oásis verdes, cuidadas pelo homem, seguindo o preceito bíblico de plantar uma semente, de geração em geração, le dor va dor. ( T. P. T.)

9.

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Tu B’Shvat na Hebraica 1 e 2. Crianças em contato com árvores e frutos; 3, 5 e 8. Cumprindo a mitzvá de plantar: Clarice Schucman Jozsef (Na’amat), Abramo Douek (Hebraica) e Eduardo El Kobbi (KKL); Alexandre Chut, Anarosa Rojtenberg, El Kobbi, Marcelo Schapochnick e Gerson Herszkowicz; duas gerações, Margot Kullo-

11.

ck e Sylvia Lohn; 4. Tradição em Tu B’Shvat, as bandeirinhas do KKL; 6 e 7. Reflexão junto ao verde e na sinagoga; 9. Atentos às explicações do monitor; 10. Conexão direta com a natureza


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cul tu ral +social


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cultural + social > réveillon

Uma festa em família O NOVO ANO FOI RECEBIDO NA ESPLANADA POR CERCA DE 250 CONVIDADOS COM MUITA MÚSICA, ALEGRIA E UM ARSENAL DE AMULETOS CONTRA O MAU OLHADO. NO FINAL, FORAM REALIZADOS DOIS SORTEIOS

P

AS BOAS-VINDAS A 2014 ATRAÍRAM 250 CONVIDADOS

arece uma daquelas festas em que poucos são os verdadeiros convidados pelo próprio dono que a organizou. Mas, como é comum, dias antes estes poucos falam do evento para um amigo, que conta a outro, e outro e quando se dá pela coisa o salão de festas do prédio está tomado por cerca de 250 pessoas que transformam o ambiente em uma espécie de festa familiar, para a qual ninguém é obrigado a trazer presente, mas simplesmente dizer: “Oi. Estou aqui. Feliz ano novo. Um ano de 2014 com bastante saúde”. O Réveillon da Hebraica foi transformado nisso mesmo: um encontro de amigos e adventícios e a reunião de familiares e parentelas, confraternizando o novo ano no local que, de uma forma ou de outra, é uma espécie de extensão do próprio lar e que alguns consideram uma segunda casa, pois os filhos de boa parte destes, que estudam nas várias escolas do clube, praticamente vivem metade do dia na Hebraica. A correta descrição que os participantes do Réveillon fizerem do evento vai levar os 150 que não conseguiram comprar convites se lamentar e, no final deste ano, correr à Secretaria assim que for anunciado o próximo, em 31 de dezembro deste ano de 2014. As mesas foram colocadas na Esplana-

da, naquela área em frente ao restaurante japonês, e no meio delas um tablado onde as pessoas dançaram até quase o raiar do dia primeiro de janeiro, animadas pelo deejay Luciano Mariano. Se a recomendação era traje esporte, alguns foram de bermudas. Havia duas mesas e um balcão: em uma delas sanduíches e petiscos. Em outra, um variado sortimento dos mais conhecidos antídotos para mau olhado e garantir bem-aventurança – segundo a tradição popular – espalhado em sacos e em vasilhas, a saber: ramos de arruda, sal grosso, lentilha, alho, pimentas e até um pé-de-coelho tirado sabe lá Deus de onde. No balcão foram servidas bebidas leves e coquetéis. A festa foi organizada pelo Departamento Social e o diretor Abrão Bober sorteou dois prêmios: o primeiro, estadia para duas pessoas no Hotel Transamérica Prime Barra; e o segundo prêmio, hospedagem por três noites no Hotel Las Torres Patagonia (na Patagônia chilena) e participação de um Shabat no ponto mais austral do continente. Uma das razões do êxito do Réveillon 2014 foi a colaboração das empresas a seguir: Supermercados Santa Luzia, Benassi Frutas, Geleias Queensberry, Queijos Tirolez. Batel - La Table d’Or e Sulamerica Tour Operator. (B. L.)


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cultural + social > chaverim

O FOTÓGRAFO ARY DIESENDRUCK CAPTOU A MAGIA DA AMIZADE E UNIÃO

Livro conta a história do grupo O LIVRO UM ESPAÇO PARA FAZER AMIGOS CONTA A HISTÓRIA DO GRUPO CHAVERIM, QUE FEZ DA HEBRAICA A PIONEIRA E ÚNICO CLUBE DE SÃO PAULO NA INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL

E

ram poucos quando foi criado, há dezoito anos, mas hoje são sessenta pessoas em dois grupos – master e teen – e uma programação de cultura, lazer e esporte, que convivem e se integram às atividades do clube, respeitadas suas limitações. A narrativa dessa trajetória está no livro que será lançado dia 17 de março, às 18 horas, no Restaurante Kasher, com a presença de autoridades, representantes de instituições congêneres e da Associação de Clubes Esportivos e Socioculturais de São Paulo (Acesc), e amigos do Chaverim. O livro é uma realização do jornalista Jayme Brener e a equipe da sua empresa, a Ex-Libris, que se interessou em conhecer

a deficiência intelectual em seus detalhes. O livro é resultado de pesquisa, entrevistas com os jovens relatando histórias e conquistas, depoimentos de pessoas que estiveram e estão ligadas ao Chaverim, textos de profissionais e muitas imagens que expõem esse projeto único de inclusão social, que juntou teoria, prática e muito amor. Na noite de lançamento, o livro estará à disposição do público, interessado em fazer uma doação ao grupo. Convidados, pessoas envolvidas com o projeto, voluntários e pais de integrantes do grupo receberão um exemplar, como um agradecimento do Chaverim pela dedicação à causa. Para a presidente do grupo, Ester Tarandach, “a missão do livro é tornar pú-

blico esses dezoito anos na construção de uma história que envolve uma metodologia de trabalho criada especificamente para o Chaverim. Estudando, atendendo, modificando, num processo de constante evolução”. O lançamento do livro terá uma interação com o espaço físico da Galeria de Arte, onde será aberta a exposição “A Essência do Momento”, com obras realizadas por fotógrafos convidados. Quarenta das centenas de imagens produzidas por esses profissionais em diferentes momentos da vida dos participantes do grupo ficarão expostas na galeria. Elas foram selecionadas pelo diretor do MuBe Olívio Guedes, o fotógrafo Jairo Goldflus, o empresário Marcos Arbaitman e o jovem Décio Zatyrko. A mostra foi montada pela Arquiprom com a colaboração dada profissional do Chaverim Daniela Karmeli, da voluntária Miriam Lobel e da profissional do Departamento Cultural Lucilla Glogowski. Ester agradece aos presidentes que passaram pelo clube nesses anos e o apoio do diretor superintendente Gaby Milevsky. “Por isso podemos dizer que a Hebraica é a nossa casa”, completa. (T. P. T.)


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cultural + social > galeria de arte e neto, não pensava em receber tantas boas reações das pessoas.

Nos territórios de Clarice “RESOLVI EXPOR NA HEBRAICA PORQUE CINCO NETAS E UM NETO ESTUDAM NA ESCOLA ALEF. É UMA HOMENAGEM A ELES”, AFIRMOU AO ABRIR A EXPOSIÇÃO SOBRE CLARICE LISPECTOR NA GALERIA DE ARTE

A

artista plástica Nair Kremer tem carreira e experiência internacionais. O gosto pela arte começou aos 32 anos e já expôs no Brasil, Israel, Europa e Estados Unidos, somado à dedicação à arteterapia e arte-educação. Nair associou-se à Hebraica em meados de 2013 para acompanhar os netos na Escola Alef. Ela se sente feliz no clube, onde o marido Aron Kremer a surpreendeu com uma festa de aniversário, no dia de inauguração da exposição “Territórios Afetivos”, local em que concedeu entrevista à revista Hebraica. Para Nair, “Territórios Afetivos” é como um retorno às origens. Ela recebe críticos, estudiosos da arte, associados e

amigos. Foi assim na abertura. As pessoas interagiam, cada uma a seu modo, com o universo de Clarice Lispector descoberto nas obras. Nair gosta de mostrar e acrescentar um detalhe ao observador menos familiarizado com a escritora. Ela fala com a mesma ênfase do lado criativo e do envolvimento com a arte-educação, a artista e a educadora se encontram pela arte. É o que destaca Amnon Barzel, crítico do Museu do Prato, na Toscana, e diretor do Museu Judaico de Berlim: “Nair opta por uma reflexão existencial e social por meio da arte. Uma busca do outro como atenuante para uma grande solidão existencial”.

NAIR KREMER

MOSTRA OS SEUS TRABALHOS PARA A DIRETORA MEIRI LEVIN E VISITANTES

ENTREVISTA Hebraica – O que lhe atraiu na escritora? Como você entrou no mundo de Clarice? Nair Kremer – Não conheci Clarice. O que me atraiu foi a forma de escrever e como ela se expressa. No livro Água Viva, o processo criativo dela me impressionou, pois coincidia com o meu. Recentemente, em um curso com José Miguel Wisnik, reli A Paixão Segundo G. H., analisamos o texto e a obra me prendeu. O foco desta exposição é o livro e o conto O Ovo e a Galinha. São módulos, construções e figuras femininas como num labirinto. No que converge e no que se afasta o trabalho de Clarice e Nair? Nair Kremer – É recíproco. Eu mora-

va em Campinas, tinha uma vasta trajetória, e a Berta Waldman foi me visitar. Ela teve essa percepção. Eu havia lido os livros de Clarice mas não fizera a conexão. Minhas figuras se deslocam e migram de um lugar para o outro assim como os textos de Clarice. É o que diz o texto da curadora Berta Waldman, na apresentação da mostra: “Diálogos em diferentes direções favorecem os efeitos circulares, as vozes em eco, que assombram tanto a ficção de Clarice quanto a obra plástica de Nair. Nos dois casos, paradoxais, sempre questionadas, as imagens se multiplicam, negam, intensificam, aumentam, incorporam, diminuem, caminham à deriva, procuram”.

Desde quando surgiu a ideia de “fazer” Clarice? Nair Kremer – De tempos em tempos, faço homenagens. Em 1985, a instalação “Retorno ao Mundo Mágico”, representando Israel na XVIII Bienal Internacional de São Paulo, era uma alegoria à obra “Alegria de Viver”, de Henri Matisse. Fiz uma para o poeta romeno Paul Celan, pouco conhecido no Brasil, numa exposição em Colônia, Alemanha; outra foi para Walter Benjamin, no Sesc Pompeia; outra para o escritor israelense A. B. Yeoshua, após ler o seu romance Sr. Mani criei a “Sra. Mani”. Em setembro de 2013, homenageei Hannah Arendt, numa instalação interativa em Berlim com o título “Entre o Passado e o Futuro Esquecer Lembrar”,

na qual as pessoas respondiam a um questionário que as fazia pensar, refletir e raciocinar. Minha intenção era saber por que as pessoas seguem as massas. Meus trabalhos não são fáceis. Esta exposição no clube é a mais convencional dos últimos tempos. Vendi dez trabalhos e até o encerramento da exposição, em 18 de fevereiro, espero vender outros. Meu lema, nesta mostra, é “uma Clarice em cada casa”. Por que a variedade de técnicas nessa mostra? Nair Kremer – É intencional, não aguento fazer uma coisa só. Quem olha, vê uma unidade, porém os suportes são diferentes. É para não ser monótono. Tem serigrafias diretas no jornal e no

papel couchê com tinta, tem óleo sobre papel, diferentes instalações, e tem as mulheres escondidas. É uma construção arquitetônica para dar vazão àquilo que percebi no livro A Paixão Segundo G. H. Sempre quero ir para algo novo e aí entra a dificuldade de como situar esse novo, o que leva à questão da solidão existencial. Estou muito contente. Aqui tem a afetividade. Diferente de um museu, a relação com o público é muito próxima. Uma senhora leu na revista sobre a exposição e queria me contar que trabalhou com meu pai na Organização Sionista. Fiquei emocionada. Isso só poderia acontecer na Hebraica. Muita gente veio informada pela revista. Esta exposição é um presente para minhas netas

Quando começou a carreira artística? Nair Kremer – Nasci no Brasil e fui morar em Israel. Comecei a pintar em 1971, tinha 32 anos e morava no kibutz Bror Chail. Lá, eu era química, minha profissão original, e trabalhava na fábrica do kibutz. Fui autodidata até os 40 anos, quando saí para estudar, fazer uma pós ou algo novo. No teste de aptidão, apareceu o interesse pela história da arte. Durante quatro anos, cursei arteterapia e arte-educação no The Art Teachers Training College e, paralelamente, a pintura se tornou minha nova profissão. O reconhecimento ao meu trabalho foi muito rápido no movimento kibutziano. Em 1975, voltei, expus na Hebraica e no Masp, onde o professor Pietro Maria Bardi gostou muito da série de óleos que enfocava a Guerra de Iom Kipur. Dez anos depois, Dani Karavan, Menashe Kadishman, Tzibi Geva e eu representamos Israel na Bienal. Por motivos familiares, fiquei por aqui. Nessa época, o mundo das artes não era como hoje, houve um estranhamento, fiz uma exposição no MAM do Rio de Janeiro e a crítica não se manifestou. Era difícil relacionar-se com esse tipo de arte, de instalações, murais. Passei a me dedicar à arte-educação na periferia paulistana, na Casa do Zezinho, que atende crianças e adolescentes de baixa renda, buscando na educação e na cultura o foco central da sociabilidade; e no Projeto Anchieta, que atende famílias em situação de vulnerabilidade social, com infraestrutura de educação. Gosto de desencadear processos criativos no outro, é muito importante para mim. Esse trabalho está documentado no livro Deslocamentos, editado pela Edusp e Imprensa Oficial, lançado na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Após expor na Alemanha, no ano passado, fui convidada pela Organização Internacional Janusz Korczak para ministrar um workshop em Amsterdã, na Holanda. (T. P. T.)


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coluna comunidade

HEBRAICA

COLUNA 1

DOM ODILO SCHERER E YOEL BARNEA INAUGURARAM A MOSTRA NA CATEDRAL DA SÉ

Exposição na Catedral da Sé

O Dança não tem idade Elas têm entre 26 e 80 anos e fazem da dança um dos momentos importantes em suas agendas. São as dançarinas do grupo Tzion do Centro de Cultura Judaica. Para quem se enquadra nesse perfil, as portas do grupo estão abertas.

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por Tania Plapler Tarandach

arcebispo de São Paulo Dom Odilo Scherer e o cônsul geral de Israel em São Paulo Yoel Barnea inauguraram a exposição “Os Papas em Israel – A Terra Santa”, realizada com o apoio da Embaixada de Israel no Brasil, da Arquidiocese de São Paulo, do Centro da Cultura Judaica e da Cátedra Judaica da PUC-SP. A mostra ocupou duas naves laterais na Catedral da Sé e foi visitada pelos milhares de devotos no Natal, ano novo e em janeiro. São painéis com imagens das visitas dos papas Paulo VI em 1964, João Paulo II em 2000 e Bento XVI (hoje papa emérito) em 2009. A visita de Paulo VI

não foi oficial, porque o Estado judeu e o Vaticano não tinham relações diplomáticas, estabelecidas somente em 1993, no papado de João Paulo II. Dom Odilo Scherer enfatizou sua proximidade com a comunidade judaica de São Paulo, disse da alegria de receber essa exposição na catedral “sinal da amizade que cresce entre nós. Temos a mesma origem do patriarca Abraão, nossas questões comuns, os mesmos salmos, as palavras dos profetas, esta iniciativa contribui para que as cicatrizes não sangrem mais e as gerações novas convivam em harmonia”.

Entrevistando o Dalai Lama

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s deputados Walter Feldman (PSB-SP) e Pastor Eurico (PSB-PE) visitaram o Dalai Lama, líder espiritual e político do povo tibetano, que vive desde 1959 em Dharamsala, norte da Índia, sede do governo do exílio. Propagador da cultura de paz e um dos idealizadores da implementação do Conselho Parlamentar pela Cultura de Paz e a frente parlamentar “Amigos do Tibete em Defesa do Diálogo China-Tibete” no Congresso Nacional, Feldman conversou com o religioso tibetano a respeito do sistema educacional, cultural e religioso budista e temas ligados à ética, cuja íntegra está em http://www.walterfeldman. com.br/portal/walter-feldman-entrevista-dalai-lama/#sthash.0F7wYu0S.dpuf. Em 1974, os tibetanos optaram pelo diálogo com o governo chinês e querem que este lhes conceda autonomia religiosa, econômica e cultural. O Dalai Lama deu aos visitantes dois xales brancos como símbolo de amizade e que seriam entregues aos presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e da Comissão de Relações Exteriores, Nelson Pelegrino (PT-BA).

“Memórias gravadas: a História de Ruth” está exposta até 27 de março na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, galeria da Livraria João Alexandre Barbosa, na Cidade Universitária. A mostra é parte das comemorações dos 80 anos de vida da artista, restauradora, pesquisadora e historiadora de arte Ruth Sprung Tarasantchi, nascida em Sarajevo, Iugoslávia, atual Bósnia-Herzegovina.

FELDMAN E EURICO RECEBIDOS EM DHARAMSALA

Durante cinco décadas, o fundador e presidente da Escola Panamericana de Artes, Enrique Lipszyc, escolheu e adquiriu obras de artistas de diferentes tendências, que expôs, sob a curadoria de Jacob Klintowitz para marcar o jubileu da escola de arte.

Atendendo às necessidades comunitárias O grupo Chana Szenes escolheu a voluntária Célia Kochen Parnes, presidente da Unibes, para ser homenageada no Dia Internacional da Mulher, dia 17 de março, a partir das 14h30, no Espaço Or Vessimchá, no Bom Retiro. O publicitário Fábio Burg dirige o Grupo Rái, do qual fazem parte, entre outras empresas, a Dezoito Comunicação e a Or Digiweb, responsáveis pela comunicação da Ofner e, agora, também da assessoria de imprensa da confeitaria paulistana. No Sesc Vila Mariana, Camila K. Sander Singer comanda a oficina de Moda Tropical. Com a experiência na Cia. Marítima e, atualmente, à frente de sua confecção, a Cammila Sander. Alexandre Herchcovitch é um dos convidados para criar produtos das Linhas Assinadas da Chilli Beans. Hélio Plapler é livre-docente do Departamento de Cirurgia da Escola Paulista de Medicina da Unifesp.

Daniel Herz dirige a primeira versão teatral de Fonchito e a Lua, a incursão inicial de Mario Vargas Llosa pela literatura infantil.

∂ O livro Alchemie der Farben – Alchemy of Colors, editado pela Damm and Lindler, foi lançado inicialmente em Cracóvia e Berlim. Em seguida, a autora e artista contemporânea Taisa Nasser lançou o álbum bilíngue (inglês/alemão) na Hebraica. Na obra, a artista mostra o que direciona sua pesquisa: “Até quando a humanidade poderá viver sem união entre sombra e luz, corpo e mente, matéria e espírito?”. Dias após o sucesso da festa de fim de ano com os jovens assistidos pela Amem, Beth e Marcos Arbaitman foram a Nova York, assistir aos primeiros espetáculos do Metropolitan Opera House série 2014. Leja Rojtenberg festejou 87 anos bem vividos. E Anarosa cuidou dos detalhes da reunião com os amigos no apartamento de Higienópolis.

∂ A imersão no universo grego e a volta às raízes fizeram Ninetta Rabner expor na galeria do Clube Paulistano. Sérgio Finguermann assina o catálogo de apresentação de “Intervenções”, cujos curadores são Bel Lacaz e Sérgio Scaff. Tânia Grinberg comemorou a formatura em canto popular pela Faculdade Santa Marcelina com “Fio de Som”, show história que fecha um ciclo e abre outro na carreira. A câmera de André Besen, a montagem de Ariela Dorf e a locução de Simone Kliass estão no filme da campanha da publicação Casa Vogue – Especial Decoradores, editada pela Globo CondéNast.

A Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) e o Joint Distribution Committee (JDC) lançam o estudo de necessidades comunitárias que pretende entrevistar judeus residentes em São Paulo para conhecer carências, identidade judaica, participação, o que pensam a respeito de religião, diversidade, antissemitismo e Israel. As informações serão utilizadas pelas instituições parceiras desse trabalho: JDC, Hospital Israelita Albert Einstein, Fundo Comunitário, Fisesp (Vaad HaChinuch, Terceira Idade e Juventude), Unibes, Hebraica, Residencial Albert Einstein. A proposta é aprimorar os serviços comunitários oferecidos e adequar esses serviços às necessidades futuras dessa população. O estudo será realizado pela Knack Pesquisa de Mercado, que trabalha com pesquisa e consultoria no Brasil, e Argentina e México, onde fizeram a mesma pesquisa com as comunidades judaicas desses dois países. Os entrevistadores farão contatos telefônicos com pessoas escolhidas aleatoriamente no universo das entidades participantes. “Para atingir o objetivo, o melhor é fazer as perguntas certas diretamente aos membros da comunidade, clara e objetivamente. Quem responder vai colaborar na construção do futuro de nossa comunidade, fortalecendo-a ainda mais e beneficiando a si próprio, a família e as próximas gerações”, disse o presidente da Fisesp, Mário Fleck.

Gorros para os ayalim Ayalim são os jovens que servem as Forças de Defesa de Israel. Aqui é verão mas ele sentem os efeitos de um inverno rigoroso que provocou uma campanha internacional de confecção de gorros para os soldados. A Wizo SP engajou-se nessa campanha e muitos gorros foram tricotados. Silvana Gluz e Clarice Fajer, do Grupo Barak, embalaram um a um, e Vera Kahan levou-os para a sede da organização mundial.


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Israel de outro ângulo Os turistas que forem a Israel em junho podem incluir no roteiro a experiência única de uma ópera ao ar livre, em Massada, no deserto da Judeia, quatrocentos metros acima do Mar Morto. O IV Festival de Ópera de Massada apresentará La Traviata, de Giuseppe Verdi, com o maestro Daniel Oren na batuta. Informações, deolga@designertours.com.br, na agência que preparou pacotes especiais para esse espetáculo.

De Curitiba para São Paulo “Tão Somente Crianças: Infâncias Roubadas no Holocausto” é o titulo da exposição que a Wizo SP e o Museu do Holocausto de Curitiba inauguram dia 11 de março no Espaço Belvedere do Jardim das Perdizes, empreendimento da Tecnisa na Barra Funda. A exposição interativa e educativa foi muito visitada em Brasília e Rio de Janeiro.

AGENDA •

28/2 a 4/3 – Carnaval com a Wizo em Pouso Alegre (MG). Visitas a Borda da Mata e Poços de Caldas. Informações, fone 3257-0100 25/4 – Saída do Splendour of the Seas rumo a Espanha Sefarad na Primavera. Realização Bobertur. Informações, fone 991-332-505 26/4 a 8/5 – Marcha da Vida na Polônia. Iom Haatzmaut em Israel. Apenas vinte participantes, com acompanhamento de guias. Informações com Renato/Rachel/ Marcos/Rosi, fone 3223-8388, www.sharontur.com.br 13 a 28/5 – Turquia e Israel com a Wizo e AD Turismo. Pensão completa, guia em português. Informações, fone 3257-0100, com Mirta

∂ O público gostou e Soli Mosseri interpreta um repertório internacional todos os sábados, acompanhando o bufê judaico no almoço do Casual Mil. A paixão por doces fez a advogada Fernanda Zekcer abrir a Cheesecakeria, em Moema, a partir de antiga receita da torta que a avó materna fazia. Gabriel Levy levou seu acordeon a Salvador e no Teatro Castro Alves deu um curso de práticas de músicas do mundo. Inspirados no formato de uma vitória-régia, Roberto Loeb e Luís Capote arquitetaram a ponte móvel e a ciclovia às margens do rio Pinheiros. Irreverente no cenário urbano, o projeto facilita a vida de pedestres e ciclistas da Capela do Socorro e Jardim São Luiz.

Cinquenta anos de jornalismo merecem comemoração. Por isso, o repórter da Transamérica Esportes e do programa “Papo de Craque” Roberto Carmona, recebeu duas premiações: da Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo e da Associação Paulista de Críticos de Artes. No mundo fashion, Gisele Bundchen e Natalie Klein oficializaram a parceria da marca de lingerie Gisele Bundchen Intimates (GBI) e NK Store. Ou seja, a loja oferece o que há de mais sofisticado em lingerie. Dos Estados Unidos vem a notícia de que o livro de contos de Hadasa Cytrynowicz, Waiving to the Train and Other Stories está à venda na amazon.com. “Avenida Brasil”, sucesso entre as novelas globais, está na grade do canal israelense Viva desde janeiro.

Sérgio Herz é um dos cem brasileiros mais influentes em 2013. CEO da Livraria Cultura, empresa fundada em 1947 pela avó Eva Herz (z’l), o jovem empresário é conselheiro do Comitê de Varejo Eletrônico da Fecomercio, da Câmara Brasil-Israel de Comércio e Indústria e membro do Instituto de Desenvolvimento do Varejo. Nascido em Berlim e brasileiro naturalizado, PhD com especialização em física nuclear na Universidade de Pittsburgh, EUA, Ernst Wolfgang Hamburger é o mais novo cidadão paulistano, em solenidade na Câmara Municipal. Hamburger é professor aposentado da USP e ex-diretor da Estação Ciência. Nascida em Zurique e refugiada da Segunda Guerra, Mira Schendel (z’l) se destaca na arte contemporânea nacional e uma parceria com a Pinacoteca do Estado de São Paulo levou 270 trabalhos da artista para a Tate Modern, ocupando quatorze salas da mais visitada galeria de arte de Londres.

A vida dos judeus de Cuba

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∂ “Eu pinto a realidade” diz a artista plástica Ana Bittar. Uma das suas obras mais recentes é o quadro a óleo sobre tela em homenagem ao cantor Gilbert Stein. Correndo o mundo, o trabalho de André Tal foi reconhecido como o do melhor correspondente internacional masculino. Natan Jacobsohn Levental, Lúcio Martins Laginha e Rafael Timerman deram à Divisão Técnica de Estruturas a premiação como a melhor entre as divisões técnicas no ano de 2013 no concurso do Instituto de Engenharia. Jayme Nigri entrevistou o especialista em cirurgia robótica Eduardo Werebe no seu programa Armazém da Tecnologia (TV UOL)

ncontramos uma comunidade com uma força inquebrantável, que trabalha para manter sua identidade judaica, e totalmente integrada à sociedade cubana”, disse o presidente do Congresso Judaico Latino-Americano (CJL) Jack Terpins após visitar a comunidade de Cuba. Terpins viajou com o secretário-geral do CJL, Saul Gilvich, e Ezequiel Sporn, do grupo Novas Gerações. Visitaram o Comitê Central do Partido Comunista, reuniram-se com altos funcionários do governo cubano e conheceram a vida em Havana. Para Sporn, “a visita serviu para dizer aos 1.200 judeus cubanos que eles não estão sós. São parte da família do CJL”.

Missão a Israel De 14 a 18 de maio, a Câmara Brasil-Israel de Comércio e Indústria e a Universidade de Tel Aviv (UTA), através da Sociedade Brasileira dos Amigos da UTA levam uma Missão Empresarial a Israel. Além da agenda exclusiva, incluindo encontros com autoridades israelenses e visitas a empresas, os participantes acompanharão a cerimônia de entrega do título de “Doctor Philosophae Honoris Causa” ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, principal orador do “Board of Governors” da UTA em 2014

MARIO ADLER, PRESIDENTE DA SOCIDEDADE BRASILEIRA DOS AMIGOS DA UNIVERSIDADE DE TEL AVIV E JAYME BLAY, PRESIDENTE DA CAMARA BRASIL ISRAEL DE COMERCIO E INDUSTRIA

ENCONTRO DE JACK TERPINS COM DIRIGENTES

E como vivem os seus jovens

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comunidade cubana encerrou o ano com uma cerimônia de havdalá especial, em que dezessete jovens de 15 a 21 anos, e intensa participação comunitária, receberam certificados de bar-mitzvá. Eles não puderam fazê-lo aos 13 anos, pois não haviam concluído a conversão. Depois do curso preparatório, foram submetidos a um tribunal de vários rabinos latino-americanos. Nos últimos meses houve 28 casamentos sob a hupá pelo rabino chileno Samuel Steinhendler, que a cada dois meses, há 22 anos, vai a Cuba, atuar na preparação e educação na comunidade. Além da parte religiosa, os jovens estão motivados com a participação na Macabíada, em Israel, e o encontro esportivo, três meses depois, no Paraguai.

Indicado ao Prêmio Shell, Michel Bercovitch assina a direção do espetáculo Meu Ex-Imaginário, que faz temporada no Teatro Amil.

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MANTENDO AS TRADIÇÕES SOB O REGIME COMUNISTA


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1 e 2. Deputados Walter Feldman e pastor Eurico foram a Dharamsala e conheceram a educação e a cultura hindus; 3. São Paulo Turismo indicou o clube para o israelense Adiel Sternberg escrever um artigo para o jornal Haaretz; 4, 5 e 6. Na Galeria de Arte do Club Paulistano, Sérgio Scaff, Ninetta Rabner e Bel Lacaz; a aprovação de Martin e amigos para a artista da família Rabner; 7. No Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza, oito mil pessoas passaram

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pela exposição fotográfica “Do Holocausto à Libertação”, realização da Sociedade Israelita do Ceará 1, 2 e 3. Serpui Marie, folhas metalizadas Amarjon e muitas bijoux na TM Fashion Hebraica, feira que ocupou o Salão Marc Chagall; 4 e 5. Amem em festa e a dedicação de Marcos Arbaitman aos jovens; 6 e 8. Férias na escola, mão na massa no Espaço Gourmet, crianças aprovaram a farra; 7. Moisés Gross cumprimenta Gabriel Sznelwar, segundo lugar na apresentação durante a XV Maratona Cultural Acesc MPB Vocal

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1 e 2. No Espaço Adolpho Bloch, a bênção do rabino Ruben Sternschein aos universitários formandos de 2013; ao som da Orquestra de Cordas Laetare e a batuta de Mirel Waldman; 3 e 4. Tempo bom, passeios ótimos e compras na viagem da Hebraica para Montevideu e Punta Del Este; 5 e 6. Brindes à saúde e à alegria em Jaguariúna com Perla Mosseri; 7. A exposição dos Papas em Israel, na Catedral da Sé, chamou a atenção do público

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juventude > dança folclórica NO SHOW DE DOMINGO, OS DANÇARINOS DO GRUPO ISRAELENSE MISGAV ACENDERAM LÂMPADAS QUE FAZIAM PARTE DO FIGURINO

Quatro visões do 33º Festival Carmel GRUPOS DE ISRAEL, ESTADOS UNIDOS, CHILE, URUGUAI E DAS COMUNIDADES JUDAICAS DO RIO DE JANEIRO, PORTO ALEGRE, CURITIBA E SÃO PAULO PARTICIPARAM DO 33ª FESTIVAL CARMEL

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assados alguns dias das grandes apresentações do final de dezembro, os coreógrafos e responsáveis pelas lehakot – Dganit Rom, de Israel, Carol Sonson, do Uruguai e Taly Neuhauser, do Chile – falaram a respeito do evento. Em várias edições do Festival Carmel a comunidade judaica do Uruguai foi representada por algumas dançarinas independentes, que participavam das harkadot, workshops e da maratona. Este ano, Carol Sonson trouxe o grupo Shorashim – dezoito meninas e um garoto, todos entre 14 e 18 anos. “Meu grupo fez muitos ensaios extras para viabilizar nossa participação no festival. Ninguém faltava porque, para nós, essa viagem era muito importante. Montamos duas coreografias e a experiência está valendo cada segundo. Para os dançarinos do Shorashim poder se integrar com outros grupos e ver diferentes concepções do folclore judaico os faz gostar mais da atividade”, afirmou a jovem coreógrafa. Taly Neuhauser trouxe oito jovens do Egoz, único grupo folclórico judeu do Chile. “Realizamos um sonho que começou há cerca de dez anos, com um convite para nos apresentar no Festival Carmel. Por falta de apoio financeiro, somente este ano conseguimos aceitar o

convite. Somos uma companhia independente. Nenhuma instituição da comunidade chilena mantém um grupo de danças permanente. Sem o Egoz, não há nada com relação à dança judaica no país. Por isso essa viagem ao Brasil é tão importante”, explicou a coreógrafa. “Há alguns anos, conseguimos participar do Festival Karmiel em Israel e na Hebraica revivemos o prazer de partilhar as harkadot e outras atividades do evento. Uma das três apresentações do Egoz foi no show final, sábado, no palco do Centro Cívico”, afirmou. Nesta terceira visita a São Paulo, coreógrafa do grupo Misgav, de Israel, Dganit Rom, afirmava que, exceto por ela e o parceiro Moshik Sardinas, tudo era diferente no grupo. “A formação é outra, assim como as nove danças que apresentaremos”, afirmava, interrompendo um longo debate acerca de dança judaica com os companheiros ao lado na mesa onde atenderam à reportagem da revista Hebraica. Ela se declarou muito à vontade no clube e em relação ao festival. “Na primeira vez em que acompanhei o Misgav, em 2010, não sabia o que esperar e quase não conhecia ninguém. Nesta edição, é como se estivesse em minha casa. Todos os envolvidos com o Carmel já co-

NO CAFÉ DA MANHÃ, CAROL SONSON, DO URUGUAI, FEZ CONTATOS COM COREÓGRAFOS DE OUTRAS COMUNIDADES

GRUPO SHORASHIM,

REPRESENTOU A COMUNIDADE JUDAICA URUGUAIA

nhecem o grupo e fomos muito bem recebidos. Assim que me entregaram o cronograma do festival, eu sabia para onde ir e com quem falar”, elogiou. Dganit vê com naturalidade o fato de seu trabalho no palco servir como inspiração para outros grupos. “Fico lisonjeada. Em 2011, em São Paulo, ministrei um workshop para os todos os coreógra-

fos que trabalham com dança judaica na cidade e insisti em um ponto: cada programa, cada show, deve incluir uma ou duas surpresas, se não o público perderá o interesse e tudo parecerá igual ao que sempre vê nas performances de um grupo folclórico. Uma das tarefas próprias do trabalho do coreógrafo é criar uma dança que permanecerá na memória da

plateia. Em muitas noites insones, eu matutei a respeito do diferencial para as apresentações do Misgav deste ano. Foi difícil. É mais difícil ser o pioneiro. Copiar é mais tranquilo. Creio que surpreendemos o público do festival este ano”, garantiu. As coreografias apresentadas durante o Kabalat Shabat de abertura impres-

sionaram positivamente a visitante. “Foi uma boa noite. Em 2010, as coreografias da abertura pareciam todas iguais. Este ano, cada número era diferente do outro e a maioria deles evidenciava o investimento criativo do coreógrafo ou coreógrafa. Gostei de todas elas. Se o exemplo do Misgav ajudou nesse aperfeiçoamento, melhor ainda”, avaliou. (M. B.) >>


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juventude > dança folclórica

Dançar com alegria

GRUPO GAÚCHO AMEINU DEMONSTROU, NO DOMINGO À NOITE, MUITO PRAZER EM DANÇAR

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lana Fridman construiu a carreira na dança folclórica judaica atuando na comunidade gaúcha. Como dançarina, participou da terceira edição do Festival Carmel e de quase todas as outras até agora. Como coreógrafa, conquistou o respeito dos colegas pelo trabalho de vinte anos no grupo Kadima, além de outras lehakot, entre elas o Chai, do Colégio Israelita de Porto Alegre, onde coordena a área de danças e leciona no quinto ano, e o Ameinu, todos de Porto Alegre. Há três anos, ela dirige com exclusividade o Ameinu, mantido pelo Club Campestre, que foi muito aplaudido em sua única apresentação na 33ª edição do Carmel, no show “Mazal Tov”, no domingo à noite. Em novembro, ela dividiu um pouco da sua experiência como coreógrafa com a revista Hebraica, nesta rápida entrevista.

Hebraica – Qual o desafio em montar uma coreografia mesclando grupos? Elana Fridman – O desafio é saber qual a coreografia adequada para poder ao mesmo tempo agradar o público com um trabalho de qualidade e o dançarino, tornando este caminho prazeroso. Também devemos fazer uma dança que seja acessível a todos os grupos, que tenham condições de acertar e fique bonita. Meu trabalho sempre foi voltado para os meus queridos alunos. Eles devem sempre estar felizes e satisfeitos, sentindo-se acolhidos e acreditarem que é maravilhosos crescer e que o desafio vale a pena. Montar uma coreografia com mais de um grupo ajuda na integração entre os dançarinos? Elana Fridman – Acho que esta integração deveria ser o objetivo primordial de uma dança massiva e isso só ocorre se a dança for algo mais do que uma correria no palco. Se os ensaios forem tranquilos e em número superior a dois, haverá a tão desejada integração, do contrário a dança não levará a nada. Não basta juntarmos um monte de gente e estressarmos os dançarinos com correrias. Devemos planejar todo o processo e pensar em atividades complementares para atingir o objetivo.


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juventude > fotos e fatos

juventude > colônia de férias 2.

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ATIVIDADE DE INTEGRAÇÃO COM PARTICIPANTES DAS COLÔNIAS DO HEBRAIKEINU E ESCOLA DE ESPORTES REUNIU CERCA DE 240 CRIANÇAS ENTRE 3 E 6 ANOS

Quinze dias inesquecíveis V

inte e três crianças de 2 a 3 anos foram inscritas na colônia de férias do Hebraikeinu. Para cuidar dela, uma equipe de profissionais montou um programa de jogos, atividades artísticas e teve a infraestrutura do Espaço Bebê para garantir um ambiente seguro e adaptado às necessidades desse público. A turma de 3 e 4 anos era a mais numerosa e também a que respondia com mais entusiasmo às atividades de histórias e personagens da literatura ou do cinema. Para eles, os madrichim montaram um esquete a partir de Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato. Os

SOB O TEMA “SUPER-HERÓIS DA PIXAR”, O CENTRO JUVENIL HEBRAIKEINU DIVERTIU CEM CRIANÇAS DE 2 A 8 ANOS, POR DIA, EM MÉDIA. A EQUIPE DE MONITORES SOUBE APROVEITAR TODOS OS EQUIPAMENTOS ESPORTIVOS DO CLUBE dias ensolarados contribuíram bastante para a programação, pois a piscina era uma opção quase diária. Na segunda semana, as crianças entre 3 e 8 anos fizeram passeios ao Parque da Xuxa e ao Bichomania, e modalidades de caça ao tesouro e outras gincanas propostas pela equipe de monitores. Novidade muito apreciada pela garotada foi a atividade de integração com as crian-

ças inscritas na colônia de férias da Escola de Esportes. Na manhã da quarta-feira, os participantes entre 3 e 6 anos de ambas as colônias foram reunidos na quadra do Centro Cívico e superaram os madrichim do Hebraikeinu e professores da Escola de Esportes, imitando as sequências coreográficas e dançando como gente grande. (M. B.)

1, 2 e 3. Ateliê Hebraica promoveu duas colônias de férias com cinquenta crianças; 4. Hora do descanso na colônia de férias do Hebraikeinu, que reuniu 144 crianças de 2 a 8 anos; 5. Momento refrescante durante a colônia de férias do Hebraikeinu; 6. Saída do Hebraikeinu 1 para a machané. Foram 130 participantes de 7 a 17 anos

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esportes > xadrez

À ESQUERDA, KAREN JÁ INTEGROU A SELEÇÃO JAPONESA DE XADREZ; ACIMA, À DIREITA, ANA VITÓRIA PINTO PARTICIPOU PELA PRIMEIRA VEZ DE UM IRT NO CLUBE, ABAIXO, À DIREITA, LONGE

NA SALA PLENÁRIA,

DOS TABULEIROS OFICIAIS, JOGADORES

CADA UMA DAS SEIS PARTIDAS VALIA POR UMA FINAL

Noventa enxadristas em ação DURANTE QUATRO DIAS, 89 ENXADRISTAS DISPUTARAM O XVII IRT (INTERNATIONAL RATING TOURNAMENT) PROMOVIDO PELA HEBRAICA, O PRIMEIRO EVENTO ABERTO DA MODALIDADE, EM 2014

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s salas da Plenária e de Xadrez tiveram um movimento acima do normal em janeiro, durante o XVII IRT (International Rating Tournament), que abriu a agenda competitiva do clube e também da federação paulista da modalidade. Entre os atletas inscritos estavam o argentino radicado no Brasil Davy D’Israel e as irmãs Karen e Meilin Hoshino, integrantes da seleção japonesa. “Até 2013, nossos torneios eram fechados, ou seja, os participantes de fora do clube eram restritos a dez convidados. Este ano, abrimos para enxadristas da Confederação Brasileira e da Federação Paulista, o que explica a diferença numérica e a ampla faixa etária.” explica André Salama, um dos organizadores do evento.

Para o grande mestre Everaldo Matsuura, décimo no ranking nacional e, portanto, dono do maior rating do torneio, dois fatores justificaram o empenho dos enxadristas em disputar o IRT da Hebraica. “Um deles é o período escolhido. No início de janeiro, muitos jogadores estão em férias da escola ou do trabalho, o que facilita, por exemplo, pai ou mãe acompanharem o filho adolescente. Outro foi o sistema adotado, no qual todos os participantes jogam um mínimo de seis partidas durante os quatro dias, de modo a que alguém, derrotado em uma ou duas no início, se recupera para chegar entre os primeiros. Este não foi o meu caso”, arrematou o grande mestre, que terminou a jornada em sétimo

lugar. “Empatei três partidas, uma delas para um garoto de 15 anos que já começou atacando e não me deu chance de revide. Foi uma ótima oportunidade para recuperar a forma e me preparar para os torneios deste ano”, afirmou Matsuura. Os torneios da Hebraica também são uma oportunidade para atualizar os conhecimentos. Além dos cinco mestres Fide (MF), até há pouco tempo o primeiro título na hierarquia enxadrística, dois candidatos a mestre e duas WCM (candidatas a mestre) integravam a lista de atletas. “Candidato a mestre é um título recente no xadrez. Karen Hoshino, a brasileira que representa o Japão, conseguiu o seu durante a Olimpíada de Xadrez, em

TREINAVAM PARA AS PARTIDAS SEGUINTES

2012”, explicou André Salama. O MF Renato R. P. Quintiliano venceu o torneio, seguido por Marcus Vinícius T. Pires e o MF Luiz Guilherme Abdalla. Entre as mulheres, a vencedora foi a WCM Vanessa Ramos Gazola. Dos enxadristas da Hebraica, Davy D’Israel ficou em nono e Bernardo Vainzoff Sztokbant em décimo oitavo lugar. Embora as partidas oficiais fossem realizadas no interior das salas da Plenária e de Xadrez, não era difícil o evento chegar ao conhecimento dos sócios, pois antes ou depois dos jogos sempre havia um tabuleiro montado sobre as mesas dos concessionários e público para acompanhar os movimentos e estratégias. Para Karen Hoshino, 12 anos, o primeiro torneio disputado na Hebraica foi tranquilo. “O nível dos participantes era bom e tudo funcionou direitinho”, afirmou. Quando questionada sobre as atividades prediletas nas férias ela deu um lance certeiro: “Jogar xadrez!”. (M. B.)

CINCO RAPAZES E UMA MOÇA FORAM OS PREMIADOS DA DÉCIMA SÉTIMA EDIÇÃO DO IRT HEBRAICA

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esportes > handebol 1.

Dois títulos inéditos em 2013 AS EQUIPES COMPETITIVAS DE HANDEBOL CONQUISTARAM EM 2013 DOIS TÍTULOS INÉDITOS QUE PROJETAM EXCELENTES PERSPECTIVAS PARA A TEMPORADA QUE SE INICIA NESTE MÊS DE FEVEREIRO

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2014”, escreveu no relatório para o Departamento Geral de Esportes. O técnico do infantil masculino sub-14, Guilherme Borin, também encerrou o ano passado com boas notícias. A equipe disputou os dois jogos da final do Paulista contra a Metodista de São Bernardo e festejou o segundo lugar. “Foi uma final inédita para esta categoria na Hebraica e apesar do placar desfavorável, os garotos mantiveram um bom padrão de jogo nas duas finais, e potencial de vitória. Tenho certeza de que o time está satisfeito com o rendimento obtido em 2013 e acredito nesse grupo para o futuro. Já estamos à procura de novos atletas para o sub-14, pois a maioria dos jogadores sobe de categoria em 2014”, informou Borin. (M. B.)

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A EQUIPE DE HANDEBOL SUB-14 COMEMORA O VICE CAMPEONATO

edição de janeiro da revista Hebraica já estava concluída quando o técnico de handebol Álvaro Herdeiro anunciou a medalha de bronze conquistada pela equipe junior sub-21 no Campeonato Paulista, depois de empatar em 23 gols na final disputada em Araçatuba. “A medalha de bronze completa o esforço de todo o ano de 2013 desta que é uma geração vitoriosa. A maioria desses garotos treina desde a categoria cadete sub-16 e sempre ficou entre as três melhores equipes de São Paulo. É muito gratificante trabalhar com esse grupo fantástico dos quais alguns são titulares da equipe adulta e já integraram as seleções brasileiras no Campeonato Pan-Americano sub-19 e sub-21 e o mundial sub-19. Agora é começar os treinos e ver como nos saímos em

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esportes > fotos e fatos

Iniciação Esportiva O Departamento Geral de Esportes lançou recentemente o projeto Iniciação Esportiva, destinado a formar atletas na faixa dos 13 aos 16 anos que, por uma ou outra razão, não tenham recebido treinamento básico em handebol, vôlei ou basquete. “Não importa se o garoto jogou alguma vez na escola. Basta querer praticar uma dessas modalidades e se inscrever gratuitamente no Departamento Geral de Esportes. Nossos técnicos e professores se encarregarão de dar a esses jovens as noções básicas e de integrá-los às equipes competitivas. Eles vão aprender na prática. Esta é uma forma de atrair o associado para a convivência com as equipes dessas modalidades e lhes dar uma oportunidade de descobrir um potencial atlético e talvez inseri-los no ambiente competitivo”, diz o gerente de esportes Eduardo Zanolli.

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1 e 6. Professores da Escola de Esportes ficaram atentos a todos os detalhes para o banho de piscina dos pequenos; 2. Técnicos e nadadores da equipe olímpica fizeram dois treinos na piscina do clube em janeiro, recepcionados pelos técnicos da casa Adriana Silva (C) e Murilo Santos; 3. Deborah Kabani, Enrique Berenstein e Rubens Krausz, da equipe de águas abertas do clube, disputaram a terceira etapa do Circuito Light Rei e Rainha do Mar em Copacabana, Rio de Janeiro, chegando em primeiro ,segundo e oitavo lugares, respectivamente, em cada categoria; 4. Fábio Faerman, professor de jiujítsu na Sala de Judô, onde acontecem as aulas, e Guilherme Kauffman na passagem de faixa deste último; 5. Equipe master de natação iniciou os treinos já na primeira semana do ano


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SINTOMAS E CAUSAS DA LEUCEMIA Dr. Nelson Hamerschlak, coordenador médico do Centro de Oncologia e Hematologia Família Dayan – Daycoval

com ausência de dor, principalmente na região do pescoço e das axilas; febre ou suor noturno; perda de peso sem motivo aparente; desconforto abdominal (provocado pelo inchaço do baço ou fígado); dores nos ossos e nas articulações. Caso a doença afete o Sistema Nervoso Central, podem surgir dores de cabeça, náuseas, vômitos, visão dupla e desorientação. As leucemias podem ser classificadas, de acordo com o grau de evolução (imaturidade das células), em crônicas ou agudas. E também está relacionada à célula que lhe deu origem ou a sua linhagem, sendo classificada em mieloide, quando as células mieloides são afetadas, ou linfoide, quando a leucemia afeta as células linfócitas.

Câncer é o termo utilizado para representar um conjunto de doenças que inclui tumores malignos de diferentes localizações. Uma destas doenças é a leucemia. Refere-se a um grupo de cânceres que afetam as células brancas do sangue. É uma enfermidade que se desenvolve na medula óssea, parte do corpo que produz as células sanguíneas, (glóbulos vermelhas, glóbulos brancos, e plaquetas). Um organismo com leucemia produz exageradamente certos tipos de glóbulos brancos anormais e clonais. A causa exata ainda não é conhecida, mas a doença é influenciada por fatores genéticos e ambientais e resultam de mutações somáticas no DNA, as quais podem ocorrer espontaneamente ou em função de exposição à radiação ou a substâncias cancerígenas. A origem destas alterações é ainda desconhecida, porém suspeita-se de alguns fatores, como fatores genéticos, anomalias inatas (síndrome de Down e anemia de Fanconi), exames de raio X, alguns tipos de vírus e substâncias químicas em altas doses, como o benzeno. Os sintomas são consequência do acúmulo de células afetadas na medula óssea, o que pode prejudicar ou mesmo impedir a produção dos glóbulos vermelhos (anemia, enfraquecimento, cansaço crônico), dos glóbulos brancos (infecções, febres de causa não explicada) e das plaquetas (sangramentos de gengivas e nariz, manchas roxas (equimoses), ou pontos vermelhos na pele. Os sintomas são similares aos de muitas doenças comuns, porém, depois de algum tempo, tornam-se mais graves e persistentes. O paciente pode apresentar gânglios linfáticos inchados,

Responsável Técnico: Dr. Miguel Cendoroglo Neto - CRM: 48949

O tipo agudo da doença é desenvolvido rapidamente e caracterizado pelo crescimento veloz de células sanguíneas imaturas. Apresenta altas taxas de cura em crianças (cerca de 80% delas são curadas com quimioterapia ou transplante de medula óssea). Em adultos este número é menor. No entanto, uma boa parte dos casos é curada com procedimentos intensivos, como o transplante de medula óssea. Já a leucemia crônica desenvolve-se lentamente e aparece mais frequentemente em adultos. É caracterizada pelo acúmulo de células sanguíneas relativamente maduras, porém ainda assim “anormais”. Nestes casos, muitas vezes os pacientes são assintomáticos. O diagnóstico é feito por meio de uma análise laboratorial do sangue do paciente, como o hemograma (exame de sangue), que deverá estar alterado em caso de leucemia. A confirmação na maioria das vezes é feita com exames da medula óssea (fábrica do sangue). Nos últimos anos foram obtidos grandes avanços no tratamento da leucemia, entre eles a quimioterapia, a radioterapia, imunoterapia, o transplante de medula óssea e a chamada terapêuticaalvo, em que o paciente é submetido a medicamentos especialmente desenvolvidos para destruir as células cancerígenas. A eficácia do tratamento está relacionada ao tipo de leucemia, à gravidade da doença e à resposta do paciente. Novas pesquisas são feitas constantemente e estão dirigidas a métodos diagnósticos e prognósticos, ao desenvolvimento de novos medicamentos e a tipos mais seguros de transplante de medula óssea.

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magazine > memória | por Bernardo Lerer ESTA FOTO FOI PRODUZIDA PARA A CAMPANHA ELEITORAL DE 2001 TENDO O DESERTO AO FUNDO

Sharon, o guerreiro COMO É TRADIÇÃO, OS CHEFES DE ESTADO E DE GOVERNO SÃO SEPULTADOS NO MONTE HERZL, NAS CERCANIAS DE JERUSALÉM, ONDE UM TÚMULO ESTAVA PREPARADO PARA RECEBER O CORPO DO

EX-PRIMEIRO-MINISTRO ARIEL SHARON. MAS PREVALECEU A VONTADE DELE DE SER ENTERRADO AO LADO DA MULHER,

LILY, NO ALTO DE UMA PEQUENA COLINA NO RANCHO SYCAMORE,

NO NEGEV, ONDE CRIAVA OVELHAS

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riel Sharon morreu num sábado, colocando ponto fi nal a oito anos de coma, e foi sepultado segunda-feira. O féretro saiu do hospital em Jerusalém, passou e parou alguns momentos em Latrun, onde existe um memorial e um museu porque lá ocorreu uma das mais sangrentas batalhas da guerra da Independência do Estado de Israel. Sharon foi ferido no pé. Tinha 20 anos e pertencia à unidade 101, uma das mais famosas companhias do exército de Israel. Começava aí a lenda do guerreiro que depois se transformou em político porque se julgava capaz de aplicar as estratégias de combate e de conhecimento do inimigo às artes da política, juntando-se à galeria de heróis como Moshé Dayan, Itzhak Rabin e outros menos votados, conhecidos e importantes. Por ironia, Sharon caiu irreversivel-

mente doente, em 2005, pouco tempo depois de ordenar o desmonte dos assentamentos na Faixa de Gaza, deixando perplexos admiradores fanáticos, adversários empedernidos e lideranças internacionais. Em todos, o silêncio do coma deixou a dúvida: a retirada abria uma perspectiva de paz ou foi um gesto calculado para impedir qualquer negociação de paz entre israelenses e palestinos? Mais do que os eventos da Guerra de Iom Kipur quando atravessou o Suez e chegou às imediações de grandes cidades egípcias, a primeira guerra do Líbano com a ameaçadora sombra de Sabra e Chatila e seu passeio pela esplanada do Monte do Tempo, o ato de deixar Gaza aos cuidados dos palestinos é, na verdade, um legado com o qual seus sucessores tentam lidar como um ponto de honra, ou desafio ou piada de mau gosto. Ou as três alternativas. >>

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magazine > memória | por David Hazony

O Sharon que eles amavam, o Sharon que nós odiávamos MORTO DEPOIS DE OITO ANOS EM ESTADO DE COMA, O CONTROVERTIDO PRIMEIRO-MINISTRO ARIEL SHARON AINDA PROVOCA AS MAIS VARIADAS REAÇÕES EM ISRAELENSES E NOS JUDEUS DA DIÁSPORA

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a morte, como na vida, Ariel Sharon é um desafio para nós. Ao defender os assentamentos na Cisjordânia com ou sem acordo de paz, Ariel Sharon pode ter destruído a imagem de Israel como um país para quem a paz com os vizinhos está acima de todos os outros objetivos nacionais. A decisão dele certamente provocou um racha de longo prazo com os judeus da Diáspora, principalmente nos Estados Unidos, onde a causa da paz tornou-se razão de ser não apenas do sionismo judaico, como também do próprio judaísmo. No entanto, para os judeus de Israel, Sharon representou um ideal fantástico – e até mesmo vital – para a sobrevivência e o êxito do país em cujo nome derramaram tanto sangue para construir. Ele representava a independência no mais profundo sentido. Pois, de fato, lá no fundo, passadas algumas gerações, os israelenses ainda veem a própria sobrevivência nacional como um milagre que desafia as leis da gravidade. Sobrevivência que se deve a pioneiros fundadores, como David Ben-Gurion, Golda Meir, Moshé Dayan, Menachem Begin, que criaram algo do nada, enxergaram as possibilidades através de um véu de sangue e devastação, agiram com coragem desafiando as normas internacionais e entregar de bandeja um país inteiro para a geração seguinte. Quem visitasse Kfar Darom, o maior assentamento israelense em Gaza no Iom Haatzmaut de 2005, poucos meses antes de se transformar num amontoado de escombros, veria que aquele assentamento se transformara em ponto de atração para as figuras mais estranhas do movimento dos assentamentos na forma de messiânicos antiquados, radicais com alto-falantes presos às barbas e brilho demoníaco nos olhos. Esses indivíduos eram, sabidamente, somente uma pequena parte do movimento dos assentamentos mas que, com divina arrogância, levaram a ideia do assentamento, tal como o imaginavam e desejavam para além as fronteiras geográficas, culturais políticas de Israel. Sharon, até então o mais veemente advogado do movimento, decidiu confrontá-los e teve o apoio claro da maior

parte dos israelenses. Hoje, milhares de foguetes e muitas vidas perdidas depois, uma clara maioria acha que o desengajamento foi um erro. Mas isso não importa. O que conta é que Israel, liderado por Sharon, agiu em uma situação que parecia impossível, onde a maioria dos israelenses tinha vivido uma sensação de impotência coletiva e derrota por uma geração. Por meio da retirada, Sharon disse a Israel que a independência – a liberdade de viver e agir sem pedir permissão de potências do mundo – ainda era possível. Ao que parece, os políticos israelenses devem realizar um ato final em que virariam a mesa sobre todas as expectativas, mostrando que o judeu nunca está em casa a menos que, desafiadoramente, reinvente a si mesmo, não importa o quanto isso demore. O hesitante Levi Eshkol levou o país, em 1967, à vitória militar mais ousada e impressionante da história moderna. Begin fez a paz com o Egito; Itzhak Shamir iniciou a conferência de paz de Madri; Itzhak Rabin assinou os Acordos de Oslo após fazer carreira “quebrando os braços e as pernas” de terroristas palestinos. E Shimon Peres abandonou o posto de mais polêmico defensor da paz da nação para passar a última década como o maior unificador, salvando a própria presidência e, com ela, uma parte importante da auto-imagem de Israel. É quase como se o avançar da idade provocasse no político israelense uma necessidade de provar que a sua alma interior ainda é vibrante, que o fogo criativo não se apagou. Que ele é tão eternamente jovem como a nação que ele representa. Sharon, também, precisava de um último ato, e a retirada de Gaza, junto com o realinhamento político dramático que necessitava, foi este gesto. Os israelenses vieram a reverenciá-lo em seus últimos anos. Mas isso tem sido difícil para os judeus da Diáspora. É irritante amar alguém imprevisível. Israel se tornou, para muitos judeus norte-americanos, uma amante “muito cara”: sempre insegura, sempre apaixonada, sempre se reinventando e sempre em

EM 1948, AO LADO DO ENTÃO CORONEL MOSHÉ DAYAN, FERIDO NO

COM O ENTÃO PRIMEIRO-MINISTRO DAVID BEN GURION, EM 1971,

PÉ DURANTE COMBATE EM LATRUN

INSPECIONANDO INSTALAÇÕES MILITARES

SHARON FOI SEPULTADO AO

LADO DA MULHER DELE, LILY,

NO ALTO DE UMA COLINA, COM HONRAS MILITARES

movimento. Mesmo assim, não a abandonamos, porque sabemos que em tais pessoas estão as potencialidades da humanidade que sempre se mostram. Precisamos delas para nos lembrar o que podemos ser, mesmo quando tal lembrança é a última coisa que queremos. Os defensores de Israel que passaram tantos anos reagindo emocionalmente às mudanças tectônicas na política israelense – detestando Sharon, sendo envergonhados por Avigdor Lieberman, sentindo repugnância por Biniamin Netaniahu, desejando que Golda, Rabin e Peres ainda estivessem no comando do país – sempre preferiram uma imagem simples no lugar de uma verdade mais complicada. Eles presumem que sua ideologia deveria triunfar sobre as experiências reais de uma nação, e nunca deram o devido crédito à alma interior israelense – que se recusa em qualquer circunstância a desistir de si mesma, que luta até a morte apenas pelo direito de viver, que sempre escolherá a realidade controversa conflituosa a uma ilusão pacífica, que nunca colocará a moral inexperiente e volúvel do mundo acima da própria verdade. Como político, Ariel Sharon deu uma guinada e manobrou,

às vezes de forma brusca, às vezes sendo magistralmente hábil, nunca temendo a pequena ou grande jogada, a fim de manter a vantagem para si mesmo. Ele não se importava com as imagens estereotipadas, as caricaturas distorcidas dele em toda a Europa e nos corações dos judeus da Diáspora. Ele não estava sempre certo, mas ele nunca projetou fraqueza de espírito. Sob esse aspecto, ele capturou uma parte importante do que Israel realmente é. E o que muitos de nós, que vivemos a uma distância confortável desses conflitos, ainda não conseguimos lidar. * David Hazony é o editor da revista The Tower e é editor contribuinte da Forward

Como político, Ariel Sharon deu uma guinada e manobrou, às vezes de forma brusca, às vezes sendo magistralmente hábil, nunca temendo a pequena ou grande jogada, a fim de manter a vantagem para si mesmo


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magazine > ensaio | por Tullo Vigevani *

UM ANIMADO JANTAR DE JOHN KERRY COM

ISRAELENSES E PALESTINOS, MAS AS CONVERSAÇÕES NÃO AVANÇAM ALÉM DISSO

A frustração de John Kerry: nem paz nem guerra NO IRAQUE, LÍBANO, SÍRIA, E EM OUTROS PAÍSES, NO EGITO INCLUSIVE, HÁ FORTES TENSÕES INTERNAS. A ÁREA ISRAEL-PALESTINA VIVE UM MOMENTO APARENTE DE MENOR TENSÃO, EMBORA O ACIRRAMENTO DO CONFLITO, AGORA LATENTE, PODE REAPARECER A TODO MOMENTO

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riente Médio, Palestina, Israel são temas que nas estatísticas das Nações Unidas, em particular as do Conselho de Segurança, têm os maiores índices de ocupação de espaço na agenda. É tema central de interesse para todo o mundo. Continua sendo. A morte e depois o funeral, de Ariel Sharon, dia 13 de janeiro, serviram para lembrar questões históricas desse confl ito. E a fi gura de Sharon, o modo como foi lembrado, também em Israel, trouxe à tona a memória do confl ito e as contradições na sociedade israelense. Para alguns, sobretudo para os árabes, é o símbolo maior de 1982, o evento de Sabra e Chatila. Para os colonos israelenses é o responsável pela retirada de Gaza em 2005, a primeira devolução de território palestino conquistado por Israel. O vice-presidente norte-americano, Joseph Biden, disse tratar-se de alguém que carregou a fama de complexo, controverso e foi muitas vezes condenado. Em Israel era lembrado como um soldado que lutou intransigentemente pelos interesses do Estado. Passado o momento simbólico, a atenção volta-se novamente

para o tema da paz entre Israel e Palestina, talvez menos para os diretamente interessados e mais para o mundo. Não é possível fazer previsões, nem tirar conclusões a respeito dessa fase conduzida por John Kerry. A novidade é que essas negociações ocorrem em um contexto de relativa tranquilidade na região, aparentemente não há ameaças vitais contra Israel e os palestinos estão negociando. Os países árabes, particularmente os da Iniciativa Árabe de Paz, também aceitam negociar. Netaniahu tem a seu lado alguns ministros, sobretudo Tzipi Livni, que entendem ser necessário algum tipo de acordo. O Oriente Médio está em chamas. No Iraque, Líbano, Síria, e em outros países, no Egito inclusive, há fortes tensões internas. A área Israel-Palestina vive um momento aparente de menor tensão, embora o acirramento do conflito, agora latente, pode reaparecer a todo momen-

to. O fato é que a ação norte-americana trouxe à luz de modo transparente todos os impasses, tanto do lado israelense quanto palestino. Ficaram evidentes os problemas “insolúveis” que, sem perdas sensíveis para todos os lados, inviabilizam qualquer solução. É cada vez mais normal e verdadeiro dizer que uma paz real exige concessões duras, até mesmo em relação a princípios considerados cláusulas pétreas de ambos os lados. Isto é, o ideal seria restaurar o reino da política, o que implica entender as razões do “outro”. Negociar, enfim. Tudo indica que o esforço da administração Obama é mal visto em Israel e pelos palestinos. É fácil perceber isso: quando o ministro da Defesa Ya’alon declara publicamente que Kerry é “inexplicavelmente obsessivo e messiânico” certamente comete um erro diplomático, que obriga a um “corre-corre” de explicações e desculpas formais, mas reflete o sentimento provavelmente majoritário em Israel. Não se acredita na possibilidade de uma paz que viabilize um Estado palestino de fato. Há razões para isso? Certamente existem razões na perspectiva dos que assim pensam. Em 1948, 1956 e 1973, o grande tema era a segurança das fronteiras. Hoje os grandes temas são outros. A segurança das fronteiras, pelo menos com os Estados vizinhos, em tese está razoavelmente assegurada. Hoje o foco central parece ser o do reconhecimento de Israel como Estado judeu. Ainda que imediatamente desmentido, o chanceler israelense Avigdor Liberman, propôs uma “troca de populações e de territórios”. Enfim, vão se colocando problemas novos; ou velhos problemas tomam novos significados. Nos casos citados das posições de Ya’alon e de Liberman não convém reduzir o seu sentido. Claro, ambos não foram “politicamente corretos”, e ajudam a dificultar as relações entre Israel e os Estados Unidos, mas refletem opiniões enraizadas, que tem sustentação na poderosa Aipac [sigla em inglês para Comissão de Assuntos Públicos Israelo-Americanos], o poderoso lobby judaico nos Estados Unidos. Para muitos, a ideia de retirada dos territórios tem como consequência a insegurança. Portanto, vale a pena arcar com os custos (de toda ordem) da ocupação. Além do discurso a respeito da ingenuidade norte-americana sobre a possível existência de meios técnicos e político-militares que garantam a integridade das fronteiras, há o problema dos limites que palestinos e árabes consideram intransponíveis para evitar que a Palestina se torne um bundestan. Os acordos de Oslo haviam superado essa questão. Mas estão esvaziados. Ao encontrar os ministros das Relações Exteriores da Iniciativa Árabe da Paz, inclusive o ministro das Relações Exteriores do gabinete de Abbas, Riyad Al-Malki, John Kerry ouviu que não aceitam a ideia de reconhecer Israel como Estado judeu, nem poderiam assinar qualquer coisa que não explicitasse que Jerusalém Leste seria a capital do Estado palestino. Em princípio essa questão havia sido resolvida nos acordos de Oslo. No entanto – e além disso – os palestinos também colocam como cláusula pétrea o direito de retorno para todos os refugiados. Com este limitado e imperfeito registro de alguns dos pro-

blemas colocados diante da missão Kerry, nota-se que não existe quase a possibilidade de soluções efetivas. Há cerca de quatro milhões de palestinos que aspiram ao direito de retorno. Em tese, há uma quantidade muito maior de judeus de todo o mundo com direito à aliá. Kerry deve estar saindo muito frustrado desta etapa da negociação. Como em outros momentos, é possível, ou não, chegar a alguma declaração conjunta. Tudo indica que isso pouco importa. Tanto israelenses quanto palestinos acreditam que a situação de nem paz nem guerra é melhor que um mau acordo. Desde sempre os Estados Unidos têm sido o mais fiel aliado de Israel. Em verdade é o único Estado no mundo em que confiam. Os palestinos aceitam a mediação norte-americana por várias razões, mas uma é central: são os únicos com poder efetivo, ao menos a curto prazo, ouvidos e com os instrumentos de “convicção” e persuasão econômicos, culturais e militares. Mas há fatos novos que devem ser considerados. No caso do Irã a opção pelo caminho da negociação avançou, ainda que não se saibam os resultados finais. Na Síria, por ora foi abandonada a opção militar, e estão em curso opções de negociação. No conflito Israel-Palestina, todos sabemos, o apoio norte-americano a Israel continuará, inclusive seu compromisso pela defesa das suas fronteiras. O que não sabemos é se o resultado de desânimo provocado por décadas de frustrações, e das administrações Carter, Bush pai, Clinton, Bush filho, e agora, Obama, levarão a uma opção mais decidida por algum acordo. Como vimos, é quase impossível um acordo com as atuais clausulas pétreas. Entre os intelectuais, os comentaristas nos meios de comunicação e aqueles que elaboram a política externa, sempre surge a ideia da necessidade de inovar para diminuir o custo do conflito e das suas consequências para os Estados Unidos. E mesmo que marginalmente, essas posições repercutem na comunidade judaica de fora de Israel. * Tullo Vigevani é professor de ciência política da Unesp

Como em outros momentos, é possível, ou não, chegar a alguma declaração conjunta. Tudo indica que isso pouco importa. Tanto israelenses quanto palestinos acreditam que a situação de nem paz nem guerra é melhor que um mau acordo


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magazine > tecnologia

Ajuda aos cadeirantes do Terceiro Mundo UM EXECUTIVO ARGENTINO, HÁ QUARENTA ANOS EM ISRAEL, INVENTOU UM OBJETO QUE PODE REVOLUCIONAR A SAÚDE NO TERCEIRO MUNDO: UMA CADEIRA DE RODAS DE PLÁSTICO AO CUSTO DE CEM DÓLARES

MODELO DA CADEIRA DE RODAS

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urante 26 anos como alto executivo da Keter, a multinacional israelense de utilidades domésticas, Pablo Kaplan vendeu milhões de cadeiras de plástico para os quatro cantos do mundo. Mas em seu íntimo, o diretor-geral de marketing sempre se perguntava quando poderia utilizar suas habilidades em algo realmente transformador para a humanidade. Este momento da vida chegou agora. Ao lado da mulher e sócia, Chava, ambos veteranos executivos da Keter, criaram um produto que pode ajudar nos cuidados à saúde nos países do Terceiro Mundo: uma cadeira de rodas de plástico, fácil de manusear e de montar, ao custo de apenas cem dólares. “Decidi usar meu conhecimento para aqueles que nunca puderam usar uma cadeira normal na vida”, disse Kaplan em entrevista à revista Hebraica. O projeto, chamado Wheelchairs of Hope (Cadeiras de Rodas da Esperança), sem fins lucrativos, já recebeu o entusiasmado apoio da Organização Mundial da Saúde, que garantiu não haver nada semelhante no mundo. Também a Unicef, o programa de apoio à infância da ONU, já se interessou em adquirir o produto para distribuição global. Calcula-se que existam entre cinco e oito milhões de crianças no Terceiro Mundo à espera de uma cadeira de rodas. O projeto, apresentado oficialmente no final do ano, também foi elogiado em Israel, e o jornal Yedioth Achronoth considerou a iniciativa “uma das mais emocionantes surgidas no setor privado do país”. O químico israelense Aaron Ciechanover, ganhador do Prêmio Nobel, é outro entusiasta. “A globalidade deste projeto me encanta”, declarou.

Há muito tempo Kaplan pensava em dedicar o tempo da aposentadoria em algum projeto social, mas a ideia da cadeira de rodas infantil surgiu há pouco mais de um ano, quando sua mulher participou de um congresso na Índia. “Percebemos que a cadeira de rodas, além de importante na vida das crianças, também possibilita que ela estude. A mobilidade cria acesso à educação”, argumenta. O passo seguinte foi se associar ao Hospital Alyn, de Jerusalém, especializado em reabilitar crianças e jovens com deficiência de locomoção. Junto com os médicos e especialistas do hospital, Kaplan desenvolveu o primeiro protótipo da sua cadeira de rodas, para crianças de 5 a 9 anos de idade. “Esta é uma faixa etária crítica, em que a cadeira de rodas ajudará as crianças a cursar o primário”, explica. O produto foi concebido por uma empresa de engenharia, a Ziv-Av, sem custo nenhum. O dono da empresa, Amir Ziv-Av, foi gerente de desenvolvimento de produtos da Keter e cientista-chefe do Ministério do Transporte de Israel. O produto final é uma obra-prima da engenharia humanista: bem mais barata que a versão em metal, mais leve de carregar e com um visual bonito. Pesa dez quilos, contra os dezessete quilos de uma cadeira de rodas convencional. É fácil de montar, mais parecendo um produto que se compra em lojas de utilidades domésticas. A visão social de Kaplan, 62 anos, vem de casa. Ele nasceu em uma família de intelectuais na Argentina, o pai foi jornalista do Clarín e ministro de Estado nos anos 1970. Com a segunda mulher e sócia, Chava, tem seis filhos dos casamentos passados de ambos, incluindo uma menina etíope adotada, que chegou a Israel sem os pais. Mas todo este sonho tem um custo, ainda não coberto. No momento, Kaplan busca novos investidores para poder transformar o protótipo da cadeira de rodas, que lhe custou US$ 10 mil, em produção em escala que baixará o custo unitário da peça para cem dólares. Também será necessário desenhar outras cadeiras adaptadas para crianças de outras idades. Ao ajudar as crianças do mundo, Kaplan também quer auxiliar o Estado de Israel. A produção das cadeiras, que dentro de sete anos deverá ser de um milhão de unidades, será no país e gerando empregos. Por ironia, no Estado judeu não há necessidade do produto, pois não há fila de crianças para receber ca-

PABLO KAPLAN, CRIADOR DO PROJETO

deiras de rodas tradicionais. O projeto também poderá beneficiar a imagem internacional de Israel. Kaplan já foi procurado por países que não têm relações diplomáticas com o Estado judeu, como o Paquistão. Também a Autoridade Palestina é um dos objetivos do programa. “Queremos mudar a imagem de Israel, especialmente no Terceiro Mundo, onde hoje é negativa. Desejamos apresentar o país como interessado em ajudar outras nações”, diz. O Brasil é considerado “muito interessante” para o projeto da cadeira de rodas de plástico e poderia ser um dos cinco países participantes do programa-piloto marcado para o final deste ano, diz o seu criador, Pablo Kaplan. “A população do país é grande e há muitas crianças que necessitam este produto. E também muito importante, o Brasil tem uma boa estrutura de saúde pública.” Segundo Kaplan, para o projeto dar certo, é necessário o apoio de profissionais locais da saúde para orientar as crianças como usar a cadeira. “A criança sairá de um estado em que passou muito tempo deitada, para uma situação em que passará à posição sentada. Queremos trabalhar com países onde existe uma estrutura de apoio.” O profissional de saúde brasileiro seria treinado pelo Hospital Alyn, de Jerusalém, e transmitiria as informações para a família da criança. “É tudo simples e a cadeira é fácil de montar. Mas precisa ser ensinado.” Informações a respeito do projeto e contato com o idealizador, Pablo Kaplan, podem ser obtidos pelo site www.wheelchairsofhope.org.

SUA MULHER E SÓCIA, CHAVA

No momento, Kaplan busca novos investidores para poder transformar o protótipo da cadeira de rodas, que lhe custou US$ 10 mil, em produção em escala que baixará o custo unitário da peça para cem dólares. Também será necessário desenhar outras cadeiras adaptadas para crianças de outras idades


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por Ariel Finguerman | ariel_finguerman@yahoo.com

Foi inaugurada a filial israelense de um dos mais finos hotéis do mundo, o Ritz Carlton. O presidente da rede, Herve Humler, cortou pessoalmente a fita vermelha, na marina de Herzlia, lugar chique a vinte minutos de Tel Aviv. O públicoalvo do hotel, cuja diária varia de U$ 375 a 3,5 mil (suíte presidencial), são os judeus ricos. Aliás, Humler disse em entrevista que um destes “judeus ricos”, vizinho e amigo seu em Washington, confidenciou para se acautelar com o serviço mal feito e o modo rude do israelense médio. “Não existe isto, toda pessoa pode aprender a prestar serviço”, respondeu. De todo modo, no entanto, o chefão trouxe uma equipe de setenta profissionais do resto do mundo para dar algumas sugestões aos subordinados israelenses.

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Todo mundo (quase) ligado

Energizando o Estado judeu

Também em Israel pobre é pobre e rico é rico, mas por aqui, pelo menos em um quesito, as classes alta e baixa estão quase empatadas: número de celulares por família. Segundo o mais recente relatório do governo, quase todo mundo tem pelo menos um aparelho celular em casa, isto é, 95% dos lares. Mas a igualdade para por aí. A pesquisa mostra que 93% dos ricos em casa estão ligados à internet, enquanto nas famílias desfavorecidas, apenas 38%. Isto coloca a sociedade israelense na média dos países europeus: enquanto no Estado judeu, no geralzão, 75% da população têm internet, na Islândia 95% e na Grécia, 54%.

Um grande passo para a ciência israelense: o país foi aceito como membro da Cern, o mais importante centro de pesquisa de energia atômica do mundo. O Estado judeu tornou-se, portanto, o primeiro país não europeu a integrar a organização com sede na Suíça e responsável pelo maior acelerador de partículas do globo. Para ser aceito, Israel necessitou – e conseguiu – da aprovação unânime dos vinte membros da Cern. O sucesso foi considerado parte de uma nova estratégia do país, de divulgar o menos possível candidaturas internacionais como esta, para não atrair a atenção dos sabotadores de plantão.

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Morreu o bilionário judeu canadense Edgar Bronfman, um dos grandes ativistas do povo judeu, alinhado aos Montefiores, Rothschilds e – por que não? – Safras. Ao mesmo tempo em que enriquecia vendendo o famoso gim Seagram e como sócio da gigante química DuPont, doou um tempo incrível para atividades em favor dos judeus ao redor do mundo, durante 26 anos como presidente do Congresso Judaico Mundial. Defendeu acirradamente o direito de os judeus soviéticos imigrarem, denunciou o asqueroso Kurt Waldheim e não deu paz aos bancos suíços até devolverem o dinheiro de correntistas vítimas do Holocausto. Já sua vida privada foi menos exemplar, casou-se cinco vezes e herdou do pai um business criado para burlar a Lei Seca nos anos 20 e 30. Assim são os grandes homens.

O premiado cineasta israelense Ari Folman, ganhador do Globo de Ouro pelo filme Valsa com Bashir, anunciou que vai rodar uma nova animação, desta vez a respeito de Anne Frank. O novo projeto começou há um ano, quando recebeu o convite de uma fundação situada na Suíça que representa a família da adolescente morta em Bergen-Belsen. Folman, filho de sobreviventes de Auschwitz, disse que o filme será dirigido ao público infantil e que o tema “faz parte do meu DNA”. Ele acaba de receber o prêmio de melhor filme de animação da Academia Europeia de Cinema pela sua mais recente produção, The Congress.

Adeus ao grande pai

Holocausto em animação?

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Fala baixo Esta era para Nelson Mandela levar para o túmulo, mas acabou ressuscitando poucos dias após o enterro. Documentos do Mossad mantidos em segredo por mais de cinquenta anos revelam que o líder da luta anti-apartheid na África do Sul recebeu treinamento do serviço secreto israelense, pouco antes de ser preso pelas autoridades do seu país. Isso foi em 1962, quando Mandela esteve na Etiópia de passagem. Ali, segundo o documento, os “etíopes”, codinome dos agentes secretos, ensinaram ao líder negro técnicas de judô, sabotagem e manuseio de armas. Mandela cumprimentava os instrutores com “shalom” e estava interessado nas técnicas de guerrilha usadas pela Haganá e Herut sob o Mandato Britânico. O objetivo do Mossad era abrir um canal de comunicação com o líder africano em ascensão.

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Trem da salvação

Crônica policial israelense

O sonho de qualquer cidade de periferia é ganhar um meio de comunicação com o centrão de um país. A hora chegou para Sderot, a cidade-símbolo do sofrimento dos israelenses com os mísseis de Gaza, que acaba de inaugurar uma estação de trem. Agora, em 58 minutos, os vinte mil habitantes podem chegar a Tel Aviv – prazer em tempos de paz e alívio em tempos de guerra. O projeto demorou dez anos para sair do papel e foi visto como uma verdadeira salvação, pois metade das famílias de Sderot não tem carro e cerca de um terço trabalha fora da cidade. Como ninguém brinca em serviço por lá, a estação já está preparada para o pior. O lado oeste, virado para Gaza, recebeu reforço de concreto e, em minutos, o corredor de cem metros da estação pode ser transformado em bunker contra mísseis.

Como no Brasil, aqui também se debate o que fazer com o menor criminoso, especialmente quando autores de atos monstruosos. Em Israel, o assunto ressurgiu com a descoberta de uma gangue de estudantes da região central do país que abusou sexualmente inúmeras vezes de uma menina de 12 anos. A loucura começou com uma relação sexual da menina com um dos indiciados, que filmou o ato e colocou na rede social. A vítima, desorientada, acabou sendo abusada por outros quinze colegas, todos mais velhos que ela, nos mais diferentes locais, aí incluída a própria escola. Numa das ocasiões, a menina foi oferecida como “presente” para um dos menores, que aniversariava no dia. A insanidade foi descoberta somente quando a mãe notou o comportamento estranho da filha. E o pior: uma pesquisa entre estudantes do país, feita sob o impacto deste crime, apontou que 40% não viram problema nenhum no caso.

12 notícias de Israel

Herzlia chiquérrima

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Apoio da pesada Tudo correndo bem, a banda inglesa Deep Purple deve se apresentar este mês em Israel. Dinossauros do rock e considerados um dos três maiores grupos de rock pesado da história (ao lado do Black Sabbath e do Led Zeppelin), os caras disseram que nunca lhes passou pela cabeça o temor de vir a Israel. “Já fizemos show no Líbano e tivemos de andar de carro por horas depois que uma ponte foi destruída na guerra”, disse o guitarrista Steve Morse. A respeito de boicote artístico contra o Estado judeu, o metaleiro diz que quando o assunto é este nem abre e-mails. “Isto é coisa de artista com medo de pressão social”, arrebentou.


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Ojeriza a filas Aconteceu no simba safári de Israel (é, existe isto, em Ramat Gan): num sábado de dezembro, uma longa fila de carros se formou para adultos e crianças se divertirem vendo de perto os leões do zoológico. Eis que um motorista, levando a família, resolveu não esperar e, na maior cara-de-pau, cortou a fila. Horas mais tarde, o motorista, em depoimento na delegacia, contou que um fulano que esperava com paciência na fila, levando mulher e dois filhos, resolveu abrir a boca para reclamar. No bate-boca que se seguiu, o reclamante teria dito: “Se você é homem, saia do carro”. O tal cara-de-pau saiu do veículo e arrebentou a cara do sujeito. No dia seguinte, a manchete do jornal: “O que mais mete medo no zoológico não são as feras”. Conto isto para tratar de uma característica nacional do israelense: não existe a mínima paciência para esperar em filas. Começa a formar uma e as pessoas já se aproximam pelos lados, para cortá-la. E aí não existe diferença étnica ou religiosa. Já vi ortodoxos, árabes, soldados e idosos fazerem isto. Outro dia conheci aqui em Israel um brasileiro residente no Japão. Ele contou que lá, quando há uma fila no supermercado e abre um segundo caixa, os primeiros são gentilmente avisados pelos demais para se adiantarem. No entanto, aqui em Israel, o último já se aproveita para furar toda a fila. Como acontecia nos meus primeiros anos no país, não me aborreço mais com isto e aprendi a expressar a raiva chamando a atenção do malandro. Mas me pergunto qual a origem desta característica do nosso povo daqui. Talvez uma herança quase genética, dos tempos em que nossos antepassados ficavam horas nas filas da Europa Oriental, disputando a ração de inverno, e nesta hora era um salve-se quem puder. Ou, então, lembranças no inconsciente daquelas terríveis filas nos guetos e campos, onde nem os filhos respeitavam os pais na hora da sopa. Será isto mesmo?

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Bíblia, esta desconhecida

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O Holocausto, novamente

Primeiro a má ou a boa notícia? Entrevistas com quinhentos judeus israelenses revelaram que o Tanach (Bíblia Hebraica) continua amado pela população: 93% disseram ter um exemplar em casa e quase a totalidade continua achando que estudá-la deve fazer parte do currículo escolar. Mas ao serem perguntados quando foi a última vez em que abriram a obra sagrada, quase um terço confessou não se lembrar. Outro dado interessante da pesquisa: Moisés é o personagem bíblico mais querido em Israel (24% das preferências), seguido pelo rei David. Uma mulher aparece na sexta colocação: a matriarca Raquel.

Das cinzas dos guetos e campos nazistas, continuam a surgir polêmicas, especialmente em Israel. A mais nova delas, que teve um bom espaço na imprensa israelense, e que vale a pena o leitor brasileiro também acompanhar, começou quando o autor e sobrevivente Eli Gat escreveu um artigo perturbador a respeito do Levante do Gueto de Varsóvia colocando em dúvida um dos grandes mitos da guerra – o heroísmo dos guerrilheiros judeus que lutaram contra o exército alemão. Gat calcula que apenas quatrocentas pessoas, ou menos, organizaram a luta armada, sem consultar os cinquenta mil judeus que tentavam sobreviver no gueto. A estratégia era atrair os alemães para as ruelas, onde lhes impingiriam grandes baixas. Mas os nazistas, pressentindo o perigo, adotaram outra tática, evitando confrontos e preferindo bombardear e queimar todo o gueto, de longe. Assim, segundo Gat, quase não houve combates e já no segundo dia do Levante, os guerrilheiros começaram a fugir do gueto, deixando os civis à mercê da terrível revanche. A resposta ao artigo veio da historiadora Havi Dreifuss, da Universidade de Tel Aviv. Segundo ela, sobreviviam no gueto 35 mil judeus escravizados em fábricas alemãs e mais quinze mil na ilegalidade, apelidados de “selvagens”. Ninguém ali tinha ilusão a respeito dos planos nazistas, depois de verem 450 mil judeus do gueto sumir para sempre. Quando a revolta começou, boa parte desta população se escondeu em bunkers, na esperança de sobreviver. Não havia alternativa, a vasta maioria dos trabalhadores judeus em fábricas alemãs não sobreviveu à guerra. Enfim, mais uma discussão, sempre válida, a respeito do trágico episódio.


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magazine > medicina

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Descobertas por uma vida melhor

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OS AUTORES DA LISTA A SEGUIR, DO SITE ISRAEL21C, CONTAM QUE FOI DIFÍCIL ELABORÁ-LA

CartiHeal Agili-C é uma solução de regeneração da cartilagem para os joelhos que pode recuperar a cartilagem hialina verdadeira (o tipo mais abundante de cartilagem do corpo humano) em seis meses, segundo os resultados clínicos observados até agora. Com base em pesquisas na Universidade Ben-Gurion do Negev, o implante foi aprovado pela Comissão Europeia da União Europeia. Após novos estudos clínicos, nos próximos anos será encaminhado à aprovação pelo FDA.

PORQUE A CADA DIA

SURGEM NOVOS AVANÇOS

EM MEDICINA E FARMÁCIA, A

EXEMPLO DO QUE OCORRE NA ÁREA DE ALTA TECNOLOGIA

1 Na-Nose pode detectar câncer de

pulmão a partir do ar exalado e será comercializado em acordo com a Alpha Szenszor, de Boston, que vai participar das novas etapas do desenvolvimento do produto e testes pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos. Inventado pelo professor Hossam Haick, do Technion, o Na-Nose (o “na” é de “nanotecnologia”) foi testado e aprovado em ensaios clínicos internacionais para diferenciar entre vários tipos e classificações de câncer com precisão de até 95%.

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Oramed Pharmaceuticals pretende mudar o tratamento do diabetes tipo 2 de uma injeção diária por um comprimido diário. As patentes de cápsula de insulina oral foram recentemente aprovadas na União Europeia, e estão na fase dois de ensaios clínicos pela Investigational New Drug com a FDA. A Oramed tem sede em Jerusalém e também realiza ensaios clínicos de uma cápsula para tratamento de diabetes tipo 1.

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Hervana é um supositório contraceptivo não hormonal de ação prolongada e que recentemente recebeu US$ 1 milhão da Fundação Bill & Melinda Gates para novas pesquisas. A Fundação Gates confia no potencial do produto como opção de planejamento familiar mais acessível, barata e socialmente aceitável em países em desenvolvimento, embora venham a ser comercializados nos Estados Unidos e também na Europa.

Vecoy nanomedicines é uma armadilha antivírus em nano-escala (“vecoys”) que captura e destrói os vírus antes que infectem as células, o que significa um grande avanço em relação aos medicamentos antivirais e vacinas. Por meio do programa de aceleração de startup MassChallenge, a plataforma da Vecoy foi escolhida em novembro para ser testada em condições de gravidade zero em uma futura missão espacial da Nasa.

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A FUNDADORA DA HERVANA, RACHEL TEITELBAUM

Premia Spine desenvolveu o sistema Tops (Total Posterior Solution) para revolucionar o mercado de implante espinhal com uma articulação artificial idêntico aos sistemas de substituição total do quadril e do joelho de modo a que as fusões de quadril e joelho se tornem coisa do passado. O Tops já está disponível na Áustria, Alemanha, Reino Unido, Turquia e Israel. Um estudo da FDA está agora na fase de acompanhamento.

7 Mapi Pharma foi recentemente patenteada nos EUA e é indicado para tratar

vários sintomas e a dor da esclerose. “Acreditamos que, em dois ou três anos, eles podem chegar à fase final de desenvolvimento, e mais três anos até chegar ao mercado”, promete o presidente e CEO da Mapi Pharma, Ehud Marom. Outra plataforma de liberação lenta para uma droga para esquizofrenia é o próximo medicamento na pipeline da empresa.

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Discover Medical descobriu e desenvolveu a máscara SomnuSeal para ser utilizada por pessoas que sofrem de apneia do sono e acopladas a máquinas CPAP na Europa. Máquinas e máscaras já são comuns na Europa e o mercado norte-americano é o próximo objetivo. A SomnuSeal é mais confortável do que as máscaras atuais usadas com a máquina e sem pressionar o coração como as atuais.

9 Real Imaging está na metade dos ensaios clínicos europeus de RUTH, sistema de imagem, livre de radiação, sem contato e barato para detecção precoce do câncer de mama. Patentes do sistema foram aprovados em vários países. Este método analisa sinais infravermelhos emitidos a partir de tecido canceroso ou benigno em 3D cujo relatório é tão objetivo que dispensa interpretação. O fundador e chefe do Departamento de Tecnologia (CTO) Boaz Arnon apresentou o RUTH na última conferência da Sociedade Radiológica da América do Norte, e será lançado na Europa provavelmente em 2015.

10 NeuroQuest já deu início, nos Estados Unidos, patrocinado pelo Instituto

de Pesquisa Clínica Harvard, aos testes clínicos de um exame de sangue para detectar os primeiros estágios do mal de Alzheimer. Estudos realizados em Israel mostraram que o teste NeuroQuest – com base em pesquisa da professora Michal Schwartz, do Instituto Weizmann de Ciência – tem 87% de precisão e taxa de especificidade de 85% na detecção do mal de Alzheimer e esclerose lateral amiotrófica, duas doenças neurodegenerativas comuns.


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magazine > religião | por Susie Davidson *

AS PROPRIEDADES MEDICINAIS DA CANNABIS SÃO CONHECIDAS DESDE A MAIS REMOTA ANTIGUIDADE

Maconha no Talmud e na Halachá

ALÉM DOS JUDEUS, TAMBÉM OS CHINESES USARAM A MACONHA PARA FINS MEDICINAIS COMO UMA DAS CINQUENTA ERVAS FUNDAMENTAIS POR 4.700 ANOS. MAS UM COMPLEXO SISTEMA DE LEIS REGIA A UTILIZAÇÃO DA CANNABIS ENTRE OS ANTIGOS JUDEUS

“A

lém disso, podemos embelezar [o acendimento das velas do Shabat] quando o pavio é feito de algodão, linho ou de cannabis...” O geriatra de Boston Yosef Glassman encontrou esta frase no Shulchan Aruch, o código da lei judaica, ao ler a respeito dos rituais do Shabat, há alguns anos, quando estudante de medicina. A partir daí, Glassman decidiu pesquisar se, nos tempos antigos, os judeus também usavam a cannabis para fins medicinais. Cercou-se de cuidados porque na época a legislação federal norte-americana sobre a maconha estigmatizava até quem pesquisasse a droga nas bibliotecas. Mas nos últimos anos, com o uso da maconha para fins medi-

cinais legalizado em vários estados americanos, Glassman sentiu-se mais à vontade para pesquisar e encontrou muitas referências na Bíblia e fora dela. “O uso de maconha é um aspecto da lei e da tradição judaicas há muito enterrado e merece ressurgir e ser explorado”, diz ele. “A planta tem uma fonte sagrada, o próprio Deus, e, portanto, é indicada para alguns objetivos ritualísticos”, afirma Glassman, que também é mohel, foi tenente da Força de Defesa de Israel, e atualmente vive em Newton, Massachusetts. Ele também encontrou citações ao uso não medicinal da maconha e o Talmud cita o emprego muito comum da cannabis (cânhamo) para confeccionar roupas e acessórios. A planta era utili-

zada para fazer talitot, tzitzit e o shach (cobertura do teto em Sucot). Glassman descobriu que a cannabis estava incluída na categoria de kitnyos em Pessach, isto é, os judeus ashkenazim eram proibidos de usá-la no feriado. “Portanto, é possível supor que talvez fosse consumida como alimento durante o resto do ano”, diz o médico, para quem as sementes de cânhamo são uma forma não tóxica de proteína. As descobertas de Glassman foram apresentadas no final de outubro durante encontros no New England Sinai Hospital, (Stoughton, Massachusetts), onde é médico, e desde então repetiu a mesma palestra para leigos e profissionais médicos com o objetivo de educar a respeito da rica história cultural do uso da maconha como medicamento, explicar como age e desmistificar algumas questões. Glassman conta ter encontrado várias referências bíblicas para a erva, como no Livro dos Números, 17:12-13, em que o sumo sacerdote Arão provavelmente queimou maconha em uma oferenda de incenso “durante um momento de turbulência”. Outras passagens incluem instruções de Deus a Moisés para “tomar para si mesmo ervas b’samim” – ervas de qualidade medicinal – e, no Êxodo, instruções para “tomar as especiarias da melhor espécie, mirra pura, quinhentos siclos, canela perfumada, ‘keneh bosem’”, que literalmente significa “cana doce”, mas possivelmente refere-se à cannabis. “Keneh bosem” também é mencionada no Cântico dos Cânticos, 4:14, em Isaías, 43:24, em Jeremias 6:20, e em Ezequiel, 27:19. Outra forma de pronunciar se origina do aramaico “kene busma”, que, não à toa, é também o nome de um músico de reggae. Segundo a pesquisa de Glassman, no antigo Israel a maconha pode ter sido usada como anestésico durante o parto, como revela uma descoberta arqueológica que detectou haxixe no estômago dos restos mortais de uma garota de 14 anos, morta há 1.623 anos, em Beit Shemesh. Maimônides também defendia o uso de óleo de cannabis para doenças, como resfriados e problemas de ouvido. “No Talmud existem leis complexas comentadas por Maimônides acerca da mistura de plantas e hibridização. A cannabis era uma planta importante principalmente quando misturada a outras ervas e podia, de fato, incorrer na pena de morte. Isso mostra como, parece, a cannabis foi tratada muito a sério,” diz Glassman. Além dos antigos judeus, também os chineses usaram a maconha para fins medicinais como uma das cinquenta ervas fundamentais por 4.700 anos. Os egípcios a usavam como supositórios e para dor nos olhos, e os gregos faziam vinho ao qual se juntava cannabis em inflamações e problemas de ouvido. Atualmente, é cada vez maior o apoio público à maconha medicinal. Vinte e um estados americanos e o distrito federal de alguma forma já legalizaram a erva, e o uso recreativo da maconha é legal no Colorado e em Washington. Câncer, mal de Parkinson e aids são doenças comumente tratadas com maconha medicinal, mas os médicos ainda hesitam em recomendála porque, do ponto de vista federal, ainda é ilegal. Não em Israel, onde a maconha para fins medicinais é legal

desde o início da década de 1990. A atual pesquisa internacional da cannabis se baseia, em grande parte, naquela realizada em Jerusalém, nos anos 1960, pelos professores Raphael Mechoulam e Yechiel Gaoni, que isolaram o princípio ativo do haxixe e seu componente psicoativo, tetraidrocanabinol, e o analógico natural humano para o THC, a anandamida, produzida pelo corpo. Na última década, os cientistas israelenses desenvolveram uma cepa de maconha sem THC. O governo israelense financia a pesquisa sobre a maconha medicinal, o que beneficia hoje cerca de doze mil pacientes israelenses. É cultivada em oito fazendas e a produção vai para um centro de distribuição de cannabis medicinal mantido pelo governo. Durante suas reuniões, Glassman roda o vídeo Medical Marijuana without the High (“Marijuana Medicinal sem Barato”), de 8 novembro de 2012, da CNN, no qual o autor e pintor Moshé Roth, 80 anos de idade, sobrevivente do Holocausto e residente em Israel, é mostrado fumando maconha medicinal. “Minhas mãos estão firmes agora. Posso segurar coisas como uma xícara de chá”, diz Roth, visivelmente alterado. “Não podemos ser... bitolados”, diz o ministro israelense das Comunicações, Moshé Kahlon no vídeo. “Devemos pensar nas pessoas que sofrem e como ajudá-las, sem, Deus me livre, permitir o aumento do uso de drogas....”. Glassman concorda: “Acho a maconha uma solução maravilhosa para controlar a dor sem o caráter viciante dos analgésicos, e com muito mais segurança. Deixando a ciência de lado, o maior dos medicamentos permite que o Infinito penetre no corpo e na alma. Este é provavelmente, o benefício primordial que a maconha proporciona, e, provavelmente por esta razão, tem tantas propriedades curativas.” * Susie Davidson é jornalista freelancer. Escreve regularmente para o The Jewish Advocate, é colaboradora do Boston Sunday Globe e do Boston Herald

No antigo Israel a maconha pode ter sido usada como anestésico durante o parto, como revela uma descoberta arqueológica que detectou haxixe no estômago dos restos mortais de uma garota de 14 anos, morta há 1.623 anos, em Beit Shemesh


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magazine > holocausto | por Rochelle G. Saidel *

O Brasil e o campo de Ravensbrück RAVENSBRÜCK, O MAIOR CAMPO DE CONCENTRAÇÃO NAZISTA PARA MULHERES, ESTÁ LIGADO À HISTÓRIA JUDAICA BRASILEIRA. LOCALIZADO A CERCA DE NOVENTA QUILÔMETROS DE BERLIM, CHEGOU A TER 132.000 MULHERES ENTRE MAIO DE 1939 E ABRIL DE 1945, DAS QUAIS CERCA DE 25% DELAS JUDIAS

O

lga Benário Prestes foi deportada em 1936 para a Alemanha nazista pelo presidente Getúlio Vargas. Filha de Eugenie e Leo Benário, nasceu em Munique, em 1908, aos 15 anos fi liou-se à Juventude Comunista e em 1926, com 18 anos, fugiu para Moscou. Em 1934, Olga foi escolhida para acompanhar o líder comunista Luís Carlos Prestes ao Brasil, onde colaborou para uma tentativa de revolução, a chamada Intentona Comunista, em 1935. Presa no Brasil no mesmo ano, estava grávida de um filho de Prestes. Para se vingar e de alguma forma punir Prestes, o ditador Getúlio Vargas, que simpatizava com o regime de Hitler, em 1936 enviou Olga para a Alemanha nazista. A filha, Anita, nasceu na prisão feminina de Berlim, em 27 de novembro. Na primavera de 1939, Olga estava no primeiro comboio para Ravensbrück e consta que era tratada como verdadeira heroína no campo. Foi uma das prisioneiras políticas judias mortas nas câmaras de gás de Bernburg, em 1942, onde funcionava uma instalação de eutanásia nas proximidades do campo. A judia polonesa Rachel Rozenbaum Hocherman nasceu em Kurow, perto Lublin, em 1927, imigrou para o Brasil depois de passar por vários campos, entre eles Ravensbrück, em 1945, e por Auschwitz, em 1942, para onde foi levada depois de ser presa portando uma carteira de identidade falsa de uma não judia, documento que usava para ajudar os judeus da Eslováquia na Polônia. Quando a guerra terminou, estava confinada a Malchow, campo satélite de Ravensbrück, e levada para a Suécia pela Cruz Vermelha. Veio para o Brasil com uma carta convite de um tio residente no Rio de Janeiro, e conheceu o futuro marido, Moysés Hocherman, em São Paulo, em 1947. O casal e fa-

mília imigraram para Israel em 1969, foram viver em Ramat Gan, onde Moysés morreu em janeiro de 1995 e ela, de câncer, em 2000. A conexão da outra sobrevivente, Stella Kugelman Nikiforova, com o Brasil, é mais complicada. Nasceu em Antuérpia, na Bélgica, e tinha 6 anos quando foi libertada, e só adulta descobriu que o pai, o judeu espanhol Luís Gustavo Kugelman Griez estava vivo. Ela foi internada em Ravesnbrück com a mãe, a judia britânica Rosa Klionski, em 1943, que morreu três meses depois. Quando os nazistas tiraram as mulheres do campo, em 28 de abril de 1945, Stella foi carregada por uma prisioneira de guerra russa, que a levou para a União Soviética. O objetivo desta mulher era ser “reabilitada” como heróica salvadora de crianças, em vez de correr o risco de ser acusada de traição por divulgar segredos enquanto era prisioneira de guerra. A mulher limpou o próprio nome e internou Stella em um orfanato. Em 1957, quando tinha 18 anos, Stella saiu do orfanato, começou a procurar o pai e descobriu que ele se casara novamente, em São Paulo. Stella visitou-o a primeira vez, em 1963, tinha 24 anos e só falava russo. Pouco à vontade com a nova mulher do pai, somado à barreira do idioma, clima e cultura, seis depois voltou sozinha para a União Soviética, e retornou ao Brasil em 1994 para cuidar de assuntos legais relativos à morte dele. Hoje um memorial, Ravensbrück foi o maior campo de concentração nazista para mulheres, onde as condições pioravam ao longo do tempo. Em 1939, quando Olga Benário Prestes foi internada, o campo era relativamente bem organizado, limpo e funcionava bem. Apesar da tortura e da rotina de trabalho escravo, a ordem e a eficiência nazistas eram visíveis. O objetivo do campo era explorar o trabalho das mulheres ao máximo e depois destruí-las. As mulheres eram escravizadas em fábricas, fazendas e florestas, e construíam casas para os guardas da SS. Correntes humanas traziam pedras do lago próximo e algumas mulheres puxavam gran-

GALPÃO DE TRABALHO DAS DETENTAS NO CAMPO DE RAVENSBRÜCK. A MULHER DE PRETO, NO CENTRO, É A KAPÓ DAQUELE SETOR

des rolos para pavimentar as ruas. Algumas prisioneiras trabalhavam em uma fábrica que remodelava couro, peles e têxteis confiscados. As mulheres geralmente trabalhavam doze horas por dia, algumas fabricando componentes para os foguetes V-1 e V-2 para a Siemens, o maior “empregador” do campo. Ravensbrück foi criado para ser um campo de trabalho escravo, mas havia mortes por tortura, fuzilamento, injeção letal, experiências médicas, fome e gás. Logo após o início da Segunda Guerra, em setembro de 1939, todos os dias chegavam comboios dos países ocupados. Projetado inicialmente para acolher cinco mil mulheres, em pouco tempo havia seis vezes este número de pessoas, o que piorou e deteriorou as condições de vida. Quarenta e três mil mulheres foram lá internadas entre maio de 1939 e junho de 1944, e nos nove meses seguintes, chegaram mais noventa mil. Perto do fim da guerra, os comboios do Leste elevaram a população a 32 mil mulheres. Em barracas construídas inicialmente para 250 mulheres foram alojadas mais de 1.500, dormindo três a quatro na mesma cama. Milhares de mulheres dormiam no chão, em uma grande tenda com piso de palha. Morriam em grande número. O exército soviético ocupou o campo de Ravensbrück em 30 de abril de 1945, e encontrou milhares de prisioneiras fracas, doentes e à beira da morte. Cerca de oito mil foram evacuadas pela Cruz Vermelha para a Suíça e Suécia. Dois dias an-

tes da libertação, entre quinze mil a vinte mil mulheres iniciaram uma marcha da morte. O Holocausto teve efeitos duradouros que afetaram o Brasil de diferentes maneiras. A captura e a entrega de Olga Benário Prestes à Alemanha é um capítulo triste na história do país, embora durante e depois da guerra, o Brasil tenha servido de refúgio para alguns judeus europeus. Entre eles sobreviventes, como Rachel Rozenbaum Hocherman e o pai de Stella Kugelman Nikiforova. * Rochelle G. Seidel é fundadora e diretora-executiva do Remember the Women Institute, com sede em Nova York. Foi pesquisadora sênior do Núcleo de Estudo da Mulher e Relações Sociais de Gênero (Nemge), da USP. Este artigo tem por base o seu livro As Judias do Campo de Concentração de Ravensbrück, editado no Brasil pela Edusp. Mais informações, www.rememberwomen.org

Perto do fim da guerra, os comboios do Leste elevaram a população a 32 mil mulheres. Em barracas construídas inicialmente para 250 mulheres foram alojadas mais de 1.500, dormindo três a quatro na mesma cama


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magazine > a palavra | por Philologos

“Shalom Aleichem” não é citada na Bíblia A SAUDAÇÃO EM HEBRAICO “SHALOM ALEICHEM” (“QUE A PAZ ESTEJA CONVOSCO”) APARECE PELA PRIMEIRA VEZ NO INÍCIO DO PERÍODO RABÍNICO. É ANTIGA, MAS, NA BÍBLIA, A EXPRESSÃO É SIMPLESMENTE SHALOM

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radicionalmente os judeus cumprimentam uns aos outros com “shalom aleichem” e respondem com as mesmas palavras, em ordem inversa (aleichem shalom). Os que falam árabe se cumprimentam com “salaam aleikum” e também respondem com as palavras invertidas. Alguns serviços religiosos cristãos começam com o celebrante dizendo: “Que a paz esteja convosco”, e a congregação responde: “E contigo também”. Qual é a origem desta saudação e como ela se espalhou? A saudação é antiga e, no entanto, não aparece na Bíblia. Lá, a expressão é simplesmente shalom, “paz”, ou shalom lechá [“paz para você”, na segunda pessoa do singular masculino], shalom lach [na segunda pessoa singular feminino], etc. Parece que podem ser duas as hipóteses da origem desta expressão: 1-) teria sido como uma garantia, quando duas pessoas se encontravam, de que o agente da saudação tinha intenções pacíficas, e assim é usada em várias passagens bíblicas, como na história de José, cujo servo diz aos irmãos assustados, “Shalom lachem”, ou seja, “não se preocupem, vocês serão bem tratados”.

Ou 2-) talvez tenha sido a partir de uma pergunta, como na história do Livro de Reis em que o profeta Elisha pergunta à mulher sunamita: “Como você está? (“Ha-shalom lach?” – literalmente “Está tudo bem com você?”) , e recebe a resposta: “Está tudo bem” (“Shalom”). Além de significar “paz”, o termo bíblico shalom tem o sentido de “bem-estar”, e até hoje a forma padrão de perguntar “como vai você?” em hebraico é “ma shlomchá?” – literalmente, “qual é o seu bem-estar?” A forma shalom aleichem é encontrada pela primeira vez em hebraico no início do período rabínico. Até então, porém, era um cumprimento diário. Sabemos disso em razão de um comentário no Talmud de Jerusalém a respeito do tratado da Mishná de Shevi’it, que lida com as questões agrícolas. Na Mishná, a norma era que um judeu ao se encontrar com um não judeu cultivando o campo ao lado do seu sempre devia dizer “olá” “por uma questão de boas relações”. “Como isso deve ser feito?”, pergunta o Talmud. A resposta é: “Como alguém cumprimenta um judeu, com um shalom aleichem”. É difícil dizer por que na expressão se usa aleichem, com a forma plural de “você”, em vez de alecha, a forma singular. Talvez isso se deva porque havia situações em que não estava claro se o indivíduo se dirigia a uma ou mais pessoas. No Novo Testamento, contemporâneo ao início do judaísmo rabínico, Jesus é citado como dizendo aos discípulos: “E, quando entrardes numa casa, façais a saudação. E, se a casa for digna, deixe que sua paz desça sobre ela”. O que se está realmente dizendo é: “Quando você entra em uma casa, diga ‘Shalom aleichem’ ” – e, de fato, ao abrir a porta da casa de alguém, não se sabe quantas pessoas estarão no seu interior e, por isso, usar uma forma plural seria algo natural nessa situação. Shalom aleichem, traduzido no Novo Testamento em grego como eirene humin e na versão latina do mesmo texto como pax vobis, também era a maneira de Jesus cumprimentar os discípulos.

As frases entraram tanto na liturgia ortodoxa grega como na católica, sendo também usadas pelas igrejas episcopais e luteranas. Na missa em latim o termo é reservado, como pax vobiscum, para o uso de bispos; sacerdotes comuns dizem “Dominus vobiscum” ou “O Senhor esteja convosco”. A resposta da congregação a um bispo não é, no entanto, “vobiscum pax”, mas sim “et cum spiritus tuo”, “ E com seu espírito também”. Uma resposta invertida acontece no árabe, onde “aleikum as-salaam”, “E que a paz recaia sobre você”, é a resposta padrão à saudação “salaam aleikum”. Embora não se tenha certeza, é possível que a inversão em árabe – a língua falada pela maioria dos judeus do mundo durante toda a Idade Média – influenciara o uso semelhante em hebraico, para o qual não há nenhuma evidência clara nos tempos antigos. No entanto, a saudação shalom aleichem/aleikum salaam em si existia em ambas as línguas muito antes de terem entrado em contato significativo e, provavelmente, remonta a uma língua semítica ainda mais antiga que pode ter existido no Oriente Médio. Em árabe contemporâneo, salaam aleikum não é uma saudação usada em encontros cotidianos (nesse caso, exis-

tem alternativas mais informais), e isso é ainda mais verdadeiro no shalom aleichem que passou a ser usado pelos judeus. Na língua ídiche da Europa Oriental era uma saudação enfática geralmente reservada para alguém que se encontrava pela primeira vez, ou que não se via há muito tempo; e não era usada para membros da família, vizinhos, amigos ou conhecidos vistos em uma base regular. Hoje, é ainda mais raramente usado, e quase nunca é ouvido entre os israelenses seculares. Em Israel e em outros lugares, a saudação está restrita aos judeus ortodoxos (embora não necessariamente de língua ídiche), e embora um caloroso “shalom aleichem” seja ainda uma forma expressiva de dizer “onde você estava?” ou “prazer em conhecê-lo”, o judeu médio agora pode passar a vida inteira sem dizê-lo ou ouvi-lo.

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magazine > costumes e tradições | por Joel Faintuch

Caridade judaica A GENEROSIDADE E A SOLIDARIEDADE HUMANAS NÃO FORAM INVENTADAS PELOS JUDEUS. OU FORAM? NÃO SE TEM NOTÍCIA DE TEXTO DA ANTIGUIDADE, COMO A TORÁ (PENTATEUCO), QUE ENFATIZE E DETALHE A OBRIGATORIEDADE DE ASSISTÊNCIA A POBRES, VIÚVAS, ÓRFÃOS E SIMPLES TRABALHADORES

C

ontrariamente, no Estado ideal defendido por Platão, um dos mais respeitados fi lósofos da Grécia clássica, mendigos e miseráveis seriam expulsos, pois incomodavam as pessoas e “poluíam” o ambiente urbano. Da mesma forma, doentes, incapazes e idosos deveriam morrer, pois oneravam os cofres públicos e não se justificava carregar tamanho fardo. De acordo com o livro Vaikrá (Levítico), o trigo cultivado nos cantos das plantações (peah), matéria-prima do pão – o principal alimento em tempos bíblicos – não poderia ser utilizado mas deixado para os desprovidos. O mesmo se aplicava às espigas caídas no transporte (leket) ou esquecidas ao final do dia (shichechá). Há dois mil anos a Mishná (parte do Talmud), no tratado Peah, expandiu e normatizou essas obrigações para uvas e outras frutas, alinhando ainda o dízimo especial para os humildes (maassar ani, com base no mesmo Levítico). O Talmud Yerushalmi (compilação paralela escrita em Jerusalém, diferente do Talmud Bavli ou Talmud principal, de origem babilônica), assinala que, na época, havia duas modalidades estruturadas de caridade: a Kupá, (fundo assistencial), como atualmente, ocupava-se dos desvalidos da comunidade. As cidades maiores mantinham ainda o Tamchui (assim como Kupá significa “caixinha”, “cofrinho”), serviço de assistência aos viajantes sem recursos. Numa época em que alojamento e refeições para pessoas em trânsito eram inadequados ou dispendiosos, ele cumpria exatamente esta missão. A prioridade social concedida a órfãos, viúvas e também trabalhadores diaristas ou estrangeiros é reiterada em diversos livros da Torá. Segundo rabi Eliézer, pelo menos 36 vezes, a Torá recomenda gentileza e bons tratos para o converso e o estrangeiro, e contando as citações indiretas, são 46 vezes. Na Torá, tanto em Êxodo como em Deuteronômio (Shemot e Devarim, respectivamente), é evidente que o manto ou agasalho de operário ou prestador de serviços humilde, tomado como garantia ou penhor, deverá ser devolvido ao final do dia independentemente do cumprimento do contrato ou obrigação, para que o indivíduo não passe frio à noite. Caridade no sentido judaico não significa apenas tzedaká, preencher um cheque, por exemplo, embora isso seja fundamental para a sobrevida das entidades beneficentes da comunidade. Ela se mescla com chessed (bondade). Neste sentido quem consegue emprego para um necessitado, atende profissionalmente sem custo pessoas

carentes, empresta cama hospitalar ou cadeira de rodas para enfermos, ou auxilia jovens da comunidade a conseguir um casamento (kedat Moshé ve Israel, “conforme o costume de Moisés e de Israel”), estará cumprindo igualmente o mandamento. Voluntariado é um conceito moderno, traduzindo o trabalho sem remuneração para instituições sociais ou de benemerência. Todavia, a Gemará Sanhedrin (Sinédrio ou supremo tribunal) já destaca “Kol Israel arevim zé lazé” (“todo judeu é responsável pelo outro judeu”). O Talmud Yerushalmi a que se referiu, no mesmo tratado Peah, reforça que atos de bondade em relação ao próximo valem o mesmo que todos os Dez Mandamentos da Torá. Uma história antiga diz respeito a um judeu chamado Israel que residia em um shtetl (“cidadezinha”) da Europa. Embora rico, jamais contribuía com nada, e todos que o procuravam saíam invariavelmente de mãos vazias. Foi assim que lhe aplicaram o apelido de Israel Goi, o que não era do povo judeu, pela total falta de identificação com os correligionários. Um dia Israel Goi morreu, e seu enterro foi dos mais inexpressivos, pois era viúvo, tinha poucos familiares locais e nenhum amigo. A cerimônia, naturalmente, só começou com a chegada dos filhos que residiam em outras cidades, e passado um mês já colocaram a pedra tumular (matzeiva). Tudo indicava que o seu nome não seria mais pronunciado, e a comunidade se esqueceria dele para sempre. No entanto, nas semanas seguintes começaram a acontecer fatos estranhos. O açougueiro da cidade, que sempre vendia carne pela metade do custo ou sem cobrar das famílias em dificuldades, anunciou que não poderia mais conceder o benefício. O lucro dele era pouco e todos deveriam cumprir a tabela de preços. Perguntado sobre a razão de tão radical mudança, revelou que Israel Goi sempre o reembolsava da diferença, mas exigia segredo absoluto. Com o homem morto já não havia como manter a promessa. Seguiram-se histórias semelhantes do dono da mercearia e da padaria.

PESSOAS DE TODAS AS IDADES SE DÃO AS MÃOS EM FAVOR DE UMA CAUSA COMUM

Até o melamed do cheder (professor da escola judaica de primeiras letras) confessou que ensinava de graça o alef-beit para as crianças pobres, e ainda fornecia lanche diário porque Israel Goi pagava tudo, sempre em troca da cláusula de sigilo. Esta cortesia se tornara impraticável e seria abolida. Subitamente o rabino da cidade se deu conta da realidade. Nem mesmo um sepultamento respeitoso havia sido praticado, pois a cova de Israel Goi ficara no canto mais distante do cemitério, em quadra reservada às pessoas de baixo conceito, sem qualquer mérito ou boa ação. Não era possível remover seus restos para local digno porque o Talmud considera uma profanação a exumação de cadáveres. Somente para remover ossos de campo santo de outra religião e dar-lhes um kever Israel (túmulo judaico), bem como em outras situações especialíssimas, é permitido quebrar o repouso do extinto. É verdade que as cinzas de José foram retiradas do Egito após muitos anos quando os judeus se libertaram da escravidão, e no caso do seu pai, o patriarca Jacob, o corpo foi conduzido prontamente após o falecimento. Entretanto eram casos excepcionais já ordenados em testamento pelos próprios personagens (Gênesis, 47). As leis são tão rígidas que mesmo que o novo enterro seja para o bem e a honra do falecido, algumas vertentes religiosas impõem aos parentes um dia extra de luto completo (shivá). Negativo. Trasladar o cadáver estava fora de cogitação. Todavia o rabino já sabia como agir, e durante a semana adotou alguns preparativos. No Shabat anunciou na sinagoga que havia um erro na pedra lapidar de Israel Goi, e, portanto, no domingo todos deveriam comparecer para novo des-

cerramento da matzeiva. Desta vez, foi fácil conseguir minian (quórum de dez homens), pois o cemitério estava repleto. Todos recitaram em voz alta os capítulos apropriados de Tehilim (Salmos), responderam “amen” para o El Male Rachamim (oração pela elevação da alma) e o Kadish (reza dos enlutados). Contudo a multidão estava curiosa para descobrir qual a falha e a correção mencionadas, pois não é todo dia que se refaz uma matzeiva. O rabino atendeu à curiosidade e mandou que os filhos retirassem precocemente o tecido preto de cobertura. No texto antigo se assinalava, logo abaixo do nome hebraico convencional (Israel ben Yehuda), a designação Israel Goi, não no sentido de ofensa mas porque ninguém o conhecia de outra forma. Agora o rabino mandara acrescentar na pedra a palavra kadosh. “Israel Goi Kadosh” se traduz como “Israel é um povo santo”. Uma das frases mais fortes e incisivas do livro de Shemot (Êxodo, capítulo 19) reitera que os israelitas serão Mamlechet Kohanim veGoi Kadosh (“um reino de sacerdotes e um povo santo”). O que é o caso de quem se comportou como um autêntico tzadik (justo).

Na Torá, tanto em Êxodo como em Deuteronômio (Shemot e Devarim, respectivamente), é evidente que o manto ou agasalho de operário ou prestador de serviços humilde, tomado como garantia ou penhor, deverá ser devolvido ao final do dia independentemente do cumprimento do contrato


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magazine > cinema | por Julio Nobre

CENA DO TELEFILME O CARDEAL JUDEU, DIRIGIDO POR DURAN COHEN

Entre Roma e Jerusalém LANÇADO RECENTEMENTE NO XXIII FESTIVAL DE CINEMA JUDAICO DE NOVA YORK, O TELEFILME FRANCO-GERMÂNICO O CARDEAL JUDEU CONTA A POLÊMICA TRAJETÓRIA DO ARCEBISPO DE PARIS JEAN-MARIE ARON LUSTIGER (1926-2007)

É

longa a lista de judeus que, desde a Idade Média, forçados à conversão, galgaram a hierarquia católica e alcançaram os mais altos cargos da Igreja. O caso de Jean-Marie Aron Lustiger é mais do que emblemático. Nascido na França, filhos de imigrantes judeus poloneses, o pequeno Aron encontrou abrigo no seio de uma família católica de Orleãs durante a perseguição nazista. Enquanto Charles e Gisèle Lustiger estavam a caminho de Auschwitz, Aron era convertido ao catolicismo em 1940. O filme dirigido por Duran Cohen (2012) enfoca principalmente a ascensão de Lustiger ao arcebispado de Orleãs (1979) e, depois, de Paris (1981) sob o papado de João Paulo II. Sobrevivente de Auschwitz, onde a mulher fora assassinada, Charles Lustiger nunca aceitou a conversão do filho. Mas o que tornou a posição do cardeal Lustiger extremamente polêmica, tanto nos meios católicos quanto judeus, foi o fato de ele nunca ter aberto mão da sua identidade judia. “Nasci judeu e assim permaneço, mesmo que isso pareça inaceitável para muitas pessoas. Para mim, a vocação de Israel é ser uma luz entre as nações. Esta é a minha esperança e acredito po-

der alcançá-la por meio do cristianismo”, declarou Lustiger. Esta dupla filiação vai fazer Lustiger desempenhar um importante papel no diálogo interreligioso, especialmente em questões espinhosas como quando católicos poloneses tiveram a ideia de criar um convento carmelita em Auschwitz, e enfrentaram a violenta oposição da comunidade judaica. O Festival de Cinema Judaico de Nova York é uma excelente vitrine para a produção com essa temática e reflete o que vem por aí em eventos similares espalhados pelo mundo, inclusive o realizado anualmente na Hebraica. Entre os destaques exibidos em Nova York estão O Congresso, de Ari Folman (Valsa com Bashir), Ana Arabia, de Amos Gitai, Quando os Judeus Eram Engraçados, documentário de Alan Zweig a respeito dos comediantes dos anos 1960 e 1970, e uma curiosidade: Asas Quebradas (2002), filme de estreia de Nir Bergman, criador do hit israelense “Em Terapia”. O Festival de Cinema Judaico de Nova York exibiu também um módulo especial com filmes de Otto Preminger.


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magazine > literatura

GRUPO DE JUDEUS RUSSOS – ENTRE ELES VÁRIOS ESCRITORES – EM CONSTANTINOPLA, NA TURQUIA, POUCO ANTES DE EMBARCAR PARA A ENTÃO PALESTINA

A noite dos poetas mortos EM 12 DE AGOSTO DE 1952, TREZE ILUSTRES JUDEUS SOVIÉTICOS FORAM EXECUTADOS POR ESPIONAGEM, NACIONALISMO BURGUÊS, “FALTA DE VERDADEIRO ESPÍRITO SOVIÉTICO” E TRAIÇÃO, AÍ INCLUÍDO UM PLANO PARA ENTREGAR A CRIMEIA AOS “IMPERIALISTAS NORTE-AMERICANOS E SIONISTAS”

N

este grupo de condenados estavam escritores famosos, como Peretz Markish, Dovid Bergelson e Itsik Fefer – e, por isso, a data é anualmente celebrada como a “Noite dos Poetas Mortos”, embora entre os mortos também houvesse um ator, um ex-vice-chanceler, um cientista e um general. O décimo quarto réu morreu no período dos quatro anos de cárcere do grupo na temida prisão de Lubianka, em Moscou. O décimo quinto foi condenado ao exílio.

O verdadeiro calvário de prisões, torturas e julgamentos ocorreu em segredo, na época, mas, segundo testemunhos que se tornaram acessíveis na década de 1990, consta que até mesmo os próprios juízes pareciam incomodados com as acusações. Sabe-se que naquele período de quatro anos somente um réu não confessou ser culpado de algumas acusações, mas nas audiências finais se retrataram, e um deles enfrentou os inquisidores chamando-os de Torquemada. Os judeus depositavam muitas esperanças na revolução bolchevique, e no período imediatamente posterior ao triunfo da revolução, a URSS apoiou instituições judaicas, o teatro ídiche e escolas de teatro. A cultura ídiche floresceu, principalmente o teatro e a literatura. No início da década de 1930, foi instituído o Plano Quinquenal para industrializar o império soviético e salvar a agricultura. Como pouco disso foi alcançado, promoveu-se o Grande Expurgo em que as vítimas eram os inimigos do regime, reais ou imaginários, principalmente os poloneses e os judeus. Por isso, ao longo dos anos 1930, as instituições judaicas encolheram; novas regras, de preferência não explícitas, controlavam o que poderia ser escrito e de que forma; a grafia das palavras em ídiche foi alterada para apagar vestígios das raízes hebraicas, da religião ou da nacionalidade. Aos primeiros tiros da Segunda Guerra, boa parte dos escritores judeus começou a desaparecer, e assim também os atores que simplesmente não apareciam para ensaiar e ninguém se atrevia a perguntar por quê. Já antes da invasão nazista, na primavera de 1941, houve algum alívio interno para os judeus, com o Comitê Antifascista Judaico transformado em um braço ativo da propaganda do governo e da angariação internacional de fundos contra a sanha hitlerista. Depois da guerra, Stalin era celebrado como o grande vitorioso da derrota nazista e isso serviu para mascarar o revigorado terror que se instalou na União Soviética. Embora tenha sido um dos primeiros a reconhecer o novo Estado de

Um bê-a-bá da literatura ídiche Chaim Baider passou as duas últimas décadas de vida reunindo migalhas de informações a respeito dos escritores, músicos, pintores, atores e professores soviéticos silenciados. Ao morrer, em 2003, o legado de Baider foi um arquivo monumental guardado no Museu do Holocausto em Washington. A partir daí, duas figuras importantes da cultura ídiche contemporânea – o editor da Forward, Boris Sandler, e o professor Gennady Estraich – extraíram das anotações de Baider as biografias de mais de quatro centenas de escritores, matéria-prima do Leksikon fun Yidishe Shrayber in Ratn-Farband (“Dicionário Biográfico de Escritores Ídiche da União Soviética”), publicado pelo Congresso de Cultura Judaica, com a ajuda do Museu do Holocausto e da viúva e do filho de Baider.

O léxico relaciona os perfis com datas de nascimento e morte (quando conhecidas), títulos e descrições de obras, e, ocasionalmente, uma foto. A obra cita escritores famosos, e muitos que viveram pouco para desfrutar de reputação. Segundo o editor associado da Forward e folclorista Itzik Gottesman, essas vidas individuais produzem juntas uma noção de totalidade. Elas fornecem informações suficientes para indicar padrões, como as ondas de mortes, e a ironia de que, na década de 1920, Markish, Bergelson e outros abandonaram carreiras promissoras em Berlim e voltaram para casa para servir aos ideais da revolução. Este livro também espera que alguém se interesse em traduzi-lo para o português e publicar no Brasil.

Israel, em 1948, este evento foi pretexto, primeiro para atacar, e depois, denunciar os judeus. Coincidentemente, naquele ano os poetas mortos se tornaram os mais ilustres hóspedes da prisão de Lubianka, e no ano seguinte, 1949, o julgamento de fachada conhecido como a “Conspiração dos Médicos”. Aparentemente, a morte de Stalin, em 1953, impediu a total extinção da vida judaica na URSS. Fora da União Soviética pouco se sabia do que ocorria no interior das suas fronteiras, e corresponder-se com familiares na Ucrânia, por exemplo, significava expô-los ao perigo. Além disso, a informação oficial era geralmente mentirosa. Conta-se uma história curiosa a respeito do escritor Itsik Fefer e reveladora do processo de desaparecimento a que foi

DA ESQUERDA PARA A DIREITA, PERETZ MARKISH, ITSIK FEFFER, LEYB KVITKO, DOVID HOSHTEYN E DOVID BERGELSON

submetido. Fefer era presidente do Comitê Antifascista Judaico e, nessa condição, durante a guerra visitou os Estados Unidos e conheceu o cantor afroamericano Paul Robeson, um dos mais notáveis baixos de que se tem notícia e sabidamente simpatizante da União Soviética, o que lhe custou represálias do governo americano. Em 1949, Robeson viajou à Rússia e pediu para ver Fefer, que estava magro, maltratado e há meses não via a luz do sol. As autoridades enrolaram Robeson e, enquanto isso, submeteram Fefer a um regime de engorda, deram-lhe vários banhos, desinfetaram-no e vestiram-no de acordo. A sala onde os dois homens se encontraram tinha escutas e, por isso, Fefer falava aos sussurros fazendo sinais com a mão de que estava com a garganta cortada. O fato de muito mais tarde Robeson contar essa história indica ter entendido o que Fefer tentou lhe dizer. Na época, porém, nada comentou a respeito. Fefer voltou para morrer em Lubianka. Em silêncio, como se nunca tivessem existido, os judeus da União Soviética foram “sepultados sem nome, sem número e sem um ‘aqui jaz’”, escreveu o poeta Chaim Baider.

Ao longo dos anos 1930, as instituições judaicas encolheram; novas regras, de preferência não explícitas, controlavam o que poderia ser escrito e de que forma; a grafia das palavras em ídiche foi alterada para apagar vestígios das raízes hebraicas, da religião ou da nacionalidade


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por Bernardo Lerer

É Hora de Falar Helen Lewis | Bertrand Brasil | 223 pp. | R$ 34,00

Quando os alemães invadem a Tchecoslováquia, em março de 1939, a pretexto de proteger – e, depois, anexar – a região dos Sudetos, com a concordância dos britânicos, começa a era do terror para os judeus tchecos e o primeiro capítulo deste livro, uma notável história de coragem e resistência durante o Holocausto. A autora é presa, levada para Teresienstadt e deportada para Auschwitz. Ela conta com humor, franqueza e alguma raiva, mas sem dar espaço à comiseração, como e o que fez para sobreviver. É uma obra de arte cuja tela de fundo é formada por pesadelos apavorantes e expressão do martírio da necessidade de contar.

Zelota

O Carisma de Adolf Hitler Laurence Rees | LeYa Livros | 400 pp. | R$ 54,90

A partir da aclamada série pela BBC “The Dark Charisma of Adolf Hitler”, ainda não exibida no Brasil, o autor mostra como o nazista movido pelo ódio, incapaz de estabelecer relacionamentos humanos normais e contrário a debates políticos, tornou-se tão atraente às multidões por um suposto carisma e conseguiu levar milhões ao abismo. Mostra como um criminoso de guerra em potencial fez da exemplar democracia alma em estado totalitário e encantou as pessoas a que encontrava. O autor valeu-se de testemunhas e de textos inéditos para descrever este personagem hediondo.

Anatomia de um Assassinato Philip Shenon | Companhia das Letras | 681 pp. | R$ 64,50

Com o subtítulo de “A História Secreta do Assassinato de JFK”, é, dizem, o livro definitivo a respeito das circunstâncias da morte de Kennedy e das motivações do assassino Lee Harvey Oswald. O autor leu e releu o relatório da Comissão Warren, designada pelo presidente Johnson para conduzir as investigações e notou que omite a viagem do assassino ao México pouco antes do evento onde visitou as embaixadas de Cuba e da União Soviética e que foi amante de uma funcionária da embaixada cubana. O autor relata as ações da CIA, que era vigiada pelo FBI e que espalhava pistas e versões, tudo para confundir.

Reza Aslan | Zahar | 301 pp. | R$ 36,90

A História do Mundo cm 100 Objetos

Leiam. É dever de todo judeu ler essa impressionante história de Jesus, da época conturbada em que viveu e do nascimento do cristianismo. O autor sabe do que escreve pois, além de especialista em temas religiosos em Harvard e na Universidade da Califórnia, estudou o Novo Testamento, grego bíblico, história, sociologia, teologia das religiões e explica por que a Igreja preferiu promover a imagem de Jesus como um pacífico mestre espiritual em vez do revolucionário politicamente conscientizado que foi. Por isso, a Igreja condenou o livro, o Tea Party execrou-o e os muçulmanos não gostaram de ver um dos seus elogiar Jesus.

Neil MacGregor | Intrínseca | 784 pp. | R$ 69,90

O Mundo Insone e Outros Ensaios

O autor é diretor do British Museum e não por acaso, os cem objetos a que se refere o título fazem parte do seu acervo, um dos mais ricos do mundo. Fartamente ilustrado, o livro mostra como o homem criou estes objetos que moldaram o mundo e moldou o homem desde que existe. Desta forma desfilam artefatos que tiveram e têm importância para o homem desde a Pedra de Roseta até o atual cartão de crédito e os detalhes reveladores das circunstâncias históricas que cercam cada um deles.

Ciência Picareta Ben Goldacre | Editora Civilização Brasileira | 377 pp. | R$ 40,00

O brasileiro maior conhecedor da obra de Zweig e seu biógrafo, Alberto Dines, organizou esta antologia de ensaios políticos, memórias de viagem e análises a respeito de fenômenos do seu tempo, muitos desses textos ainda inéditos no Brasil e que são reveladores do intelectual de curiosidade ágil, criativo e de interesses múltiplos, a partir dos quais é possível compreender sua visão das coisas. Dines comenta as circunstâncias em que os textos foram escritos e as reações que provocaram quando publicados.

Logo na capa lê-se: “Como a mídia promove os equívocos do público sobre a ciência; porque as pessoas inteligentes acreditam em tolices; as estatísticas erradas e os medos em relação à saúde”. É possível que, ao final, as pessoas tenham o mínimo de ferramentas necessárias para vencer, ou pelo menos entender, qualquer discussão a respeito de curas miraculosas, vacina tríplice viral, os males das grandes empresas farmacêuticas, a probabilidade de um determinado tipo de vegetal evitar o câncer, tolices da divulgação científica, a medicalização da vida cotidiana, a ciência da irracionalidade, etc.

Gracias a la Vida

Intocável

Cid Benjamim | José Olympio Editora | 292 pp. | R$ 35,90

Randall Sullivan | Companhia das Letras | 863 pp. | R$ 64,00

Sobrevivente da ditadura militar, daí o subtítulo “Memórias de um Militante”, o autor junta experiências pessoais de participante do sequestro do embaixador americano, preso, torturado e exilado político, oportunas e profundas reflexões pessoais a respeito das venturas e desventuras, poucos acertos e muitos equívocos da esquerda brasileira, desde o final da Segunda Guerra. Cid foi um dos fundadores do PT do qual se afastou para fundar o PSOL que também abandonou e é um dos mais bem fundamentados contadores de histórias das várias gerações que sua vida atravessa. E o livro é isso mesmo: uma história muito bem contada.

É, como diz o subtítulo, “A Estranha Vida e a Trágica Morte de Michael Jackson”, pois trata-se de uma história de família, fama, infância perdida e acusações sombrias a respeito das quais nunca se ouviu falar e é a primeira grande narrativa acerca dos últimos anos do rei do pop e apresentado sob uma nova luz, pois tenta responder a uma pergunta ao mesmo tempo simples e incontornável: quem, afinal, foi Michael Jackson, especialmente nos trágicos últimos anos de vida, revelando como se movem as traiçoeiras engrenagens do sucesso. Segundo o autor, Michael morreu virgem.

A Razão Populista

A Lista de Bergoglio

Ernesto Laclau | Três Estrelas | 383 pp. | R$ 69,90

Nello Scalvo | Paulus Editora | 173 pp. | R$ 38,00

Desde há algumas décadas tornou-se conveniente – e fácil – classificar de “populista”, dando-lhe um caráter de injúria, ironia e difamação, pela esquerda e pela direita, as mais variadas manifestações em que o “povo” estabelece uma conexão direta com uma liderança, e, desta forma, supostamente desestabilizando o funcionamento da democracia representativa. O autor demonstra que o populismo não é ideologia nem conduta irracional, e explica que a razão populista é o fundamento, de fato, do político e vai muito além da administração das coisas públicas.

O livro trata dos presos políticos durante a ditadura argentina e que foram salvos pelo então padre Bergoglio, atual papa Francisco. Dentre esses presos, e não mencionados no livro, que trata exclusivamente de religiosos católicos, principalmente de jesuítas como ele, sabe-se que ele interveio com as devidas cautelas em favor de alguns das centenas de presos políticos judeus naquele país. Eleito papa, agora surgem relatos da atuação do jesuíta Jorge Mário Bergoglio e se conta como foi o depoimento dele no processo conhecido como Esma (Escola Superior de Mecânica da Marinha, o Doi-Codi da Argentina) em 2010.

Stefan Zweig | Zahar | 307 pp. | R$ 54,90


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por Bernardo Lerer

Missas Mozart | Naxos | R$ 29,90

Durante os anos em que viveu em Salzburgo, antes de sair pela Europa, o genial Amadeus escreveu algumas pequenas peças em forma de missas, sob o nome de brevis, de acordo com o modelo que lhe ensinara o amigo mais velho, Michael Haydn, e Regina Coeli é a prova acabada da sua capacidade de escrever para solo. E o Allegro e Andante K. 608, composta nos seus últimos anos de vida, é considerada uma das melhores peças para órgão.

Macbeth

Norma Decca | R$ 42,90

Esta famosa ópera de Vincenzo Bellini foi recentemente gravada em estúdio por Cecilia Bartoli, Sumi Jo, John Osborn e Michel Pertusi e deve entrar para a lista de algumas das maiores apresentações da principal composição de Bellini, pois junta a interpretação vigorosa de Bartoli que parece querer saltar do cd à tranquilidade com que a soprano Sumi Jo canta as suas partes.

Die Frau Ohne Schatten: Symphonic Fantasy Richard Strauss | Naxos – R$ 29,90

Uma das três faixas deste cd é uma serenata para sopro, com solo para trombone, escrita quando Strauss tinha somente 17 anos e já prenunciava o grande criador que viria a ser a ponto de despertar a atenção do mecenas Hans von Bullow e que o apoiaria por muitos anos na carreira. A primeira faixa é uma fantasia sinfônica sobre a ópera Die Frau Ohne Schatten e Josephs-Legende encomendada pelo bailarino e coreógrafo Diaghilev.

Love Me Back To Life Celine Dion | Columbia Records | R$ 24,90

Um dos grandes méritos deste cd é mostrar três fases da vida do compositor austríaco. Assim, o poema sinfônico Macbeth foi escrito entre 1888 e 1891 e tem a forma de uma narrativa; “A Dança dos Sete Véus” faz parte da ópera Salomé, escrita em 1905; e Metamorphosen, estudo para 23 solos de cordas, baseado em poemas de Goethe, composta sob inspiração da ruína provocada pela Segunda Guerra e pouco antes de morrer, em 1949.

Celine nasceu em Quebec, no Canadá, começou a cantar aos 12 anos e o primeiro disco foi gravado com recursos da hipoteca da residência do seu manager, com quem casaria. Gravou em francês, espanhol, italiano, alemão, japonês, latim e mandarim. Conquistou o Chopard Diamond Award e o World Music Award por ter sido considerada a mulher que mais vendeu cd’s em todo o mundo. Segundo a gravadora foram mais de 220 milhões de cópias.

Diva Divo

Eric Clapton Guitar Festival – Crossroads

Joyce DiDonato | Virgin Classics | R$ 29,90

Warner Music | R$ 47,90

Pouco conhecida no Brasil, esta mezzo soprano colloratura é uma colecionadora de prêmios, entre eles o Grammy Award for Best Classical Solo e este cd reúne dezesseis trechos de óperas, nos quais em alguns deles faz duetos com outros cantores, e todos mostram o alcance de uma voz como a dela que, às vezes, nos aproxima dos timbres de voz de homens, daí o nome do cd, Diva Divo.

Estes dois cd’s foram gravados ao vivo no Madison Square Garden, em abril de 2013, e Clapton conseguiu reunir os amigos neste concerto beneficente cuja renda foi revertida em favor de Crossroads, em Antigua, ilha do Caribe, conhecido como um dos mais importantes centros para tratamento de alcoólatras e dependentes químicos em geral, fundado pelo músico em 1998.

Complete Ouvertures – 1

Dances – Aquarelle Guitar Quartet

Rossini | Naxos | R$ 29,90

Chandos | R$ 84,90

E sem dúvida, a de La Gazza Ladra, com quase dez minutos, é uma das aberturas mais famosas e logo sugere a comicidade da obra. As aberturas de Otello e Le Siège de Corinthe mostram as mudanças de fraseado e a dramaticidade dos enredos das duas óperas. Os mais atentos poderão perceber que a abertura de Elisabetta, Regina d’Inghilterra será posteriormente usada em O Barbeiro de Sevilha.

Impressionam o desempenho do quarteto e a maneira como foram arranjadas para quarteto de guitarras as músicas, muitas delas conhecidas como a mexicana Malagueña Salerosa, o Baião Malandro, de Egberto Gismonti, e a Introdução e Fandango, de Luigi Bocherinni, e outras. É um lançamento muito interessante e para ouvintes dispostos a tentar entender a capacidade e as possibilidades da produção musical.

Verdi

Gregorian Chants

Villazon | Deutsche Grammophon | R$ 37,90

Simon & Garfunkel | Movieplay | R$ 16,90

O tenor espanhol Rolando Villazon apresenta estas quinze árias de óperas do mestre italiano Giuseppe Verdi dizendo que “interpretar Verdi é interpretar variações de eternas melodias da alma humana”. De fato, é preciso dar o melhor de si para cantar “Questa o Quella” e “La Donna È Móbile”, de Rigoletto, “O Mio Remorso”, de La Traviata, ou a Missa de Requiem, etc. É, enfim, um cd da melhor qualidade.

Era só o que faltava – e já não falta mais nada: os grandes sucessos da dupla foram arranjados para canto gregoriano e executados pelo grupo Auscultate, da Dinamarca. Estão lá The Sound of Silence, Mrs. Robinson e outras, do filme A Primeira Noite de um Homem. Ficou bonito e interessante, mas os monges beneditinos que cultivam e cultuam o canto gregoriano não teriam aprovado, principalmente pelos instrumentos eletrônicos.

Richard Strauss | Naxos | R$ 29,90

Os cd’s acima estão à venda na Livraria Cultura ou pela internet www.livrariacultura.com.br. Pesquisem as promoções. Sempre as há e valem a pena


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diretoria > serviços

Conjunto completo

A BIBLIOTECA É UM DOS SERVIÇOS MAIS ANTIGOS OFERECIDOS PELA HEBRAICA

Vale a pena experimentar O CLUBE MANTÉM SERVIÇOS E FACILIDADES CAPAZES DE PREENCHER O DIA INTEIRO E QUE PODEM SER MAIS BEM APROVEITADOS, DA MANHÃ À NOITE, COMO NOS CONTARAM ALGUNS ASSOCIADOS

D

iariamente, menos às segundas-feiras, um micro-ônibus faz quatro viagens entre o estacionamento da avenida Angélica, 525, e a Hebraica, na portaria da rua Angelina Maffei Vita, transportando associados de todas as idades. A viagem é confortável e geralmente mais rápida do que de automóvel. Há horários de maior e menor demanda e sempre uma rodomoça a bordo. A He-

braica instituiu o serviço há dez anos e continua o único clube esportivo da cidade a oferecer esse tipo de transporte. Aos domingos, dois horários de ida e volta atendem os moradores do Bom Retiro. Estas informações estão no “Guia 7 Dias na Hebraica”, são facilmente obtidas por telefone e estão espalhadas pelo clube. Das mesas no Bar do Pedrinho se vê um dos playgrounds, há vin-

HÁ SEMPRE UMA QUADRA À DISPOSIÇÃO DOS ASSOCIADOS

te anos palco de aventuras infantis. Trocas de fraldas, banho e as refeições dos pequenos podem ser feitas no Berçário junto à Pista de Atletismo e naquele sob o Ginásio dos Macabeus. Centenas de associados dependem da Pista de Atletismo para caminhadas diárias e também utilizam os equipamentos ali situados para exercícios físicos. Um profissional pode ser solicitado para melhor orientação. Quem procura alternativas para cuidar da saúde por meio do exercício físico tem as aulas abertas de hidroginástica, ginástica funcional, alongamento e yoga oferecidas periodicamente pelo Departamento Geral de Esportes. Para o merecido descanso basta alguns passos até a Praça Carmel, onde é possível ler ou conversar confortavelmente ou utilizar wi-fi (internet sem fio) para trabalho ou lazer. Quem prefere deixar o micro em casa usa a Sala da Internet, serviço que existe

desde bem antes da popularização dos dispositivos móveis e coloca à disposição doze micros habilitados para jogos, consultas ao correio eletrônico e acesso às redes sociais. O parque aquático com oito piscinas climatizadas é um dos locais mais democráticos do clube. Sob o olhar atento dos salva-vidas, crianças, jovens e idosos, com diferentes graus de destreza na água, divertem-se de forma saudável; lá, exame médico é fundamental. Os que querem distância das atividades aquáticas usam as quadras esportivas e “há sempre uma disponível para a recreação do sócio”, afirma o gerente de Esportes Eduardo Zanolli. Os associados – atletas ou não – podem consultar e pedir orientação ao Departamento Geral de Esportes. Os sócios que preferem atividades mais cerebrais têm as mesas junto à Praça Carmel para jogar gamão, e mais a Sala de Xadrez no primeiro andar da >>

Marcos Smetana, 25 anos, pai de Sophie, de 2 anos, líder de projetos na Mercedes Benz, prefere trazer a filha à Hebraica a leva-la a um parque público na cidade. “Ao chegar, você guarda as sacolas em um armário e circula livremente, com toda segurança. Já no parque, você tem de carregar as coisas de um ponto a outro, tarefa mais complicada quando se tem filhos pequenos”, compara. Além disso, a Hebraica é ponto de encontro dos amigos de infância. “Muitos têm filhos na mesma faixa etária da Sophie. Por causa das crianças, meus primos, que não eram sócios, compraram títulos e, como eu, se tornaram frequentadores assíduos. Eu vinha diariamente à Hebraica jogar tênis, mas hoje, em função do trabalho, venho só duas vezes por semana”, explica. Smetana frequenta a Hebraica e o Pinheiros. “Cresci como sócio da Hebraica e a Thaís, minha mulher, era do Pinheiros. Quando a Sophie nasceu, optamos por manter os dois títulos. Ficaria caro incluir os cônjuges no título um do outro. Mas eu gostaria que ela pudesse ao menos entrar na Hebraica, sem utilizar os serviços, da mesma forma que eu acompanho as duas quando vamos ao Pinheiros”, sugere. Ao comparar os dois clubes, Smetana ressalta as vantagens da Hebraica. “Posso dizer que o Pinheiros não oferece uma colônia de férias com a qualidade do Hebraikeinu e sempre que posso trago a Sophie na Hebraica pela manhã, que é muito animado. A estrutura esportiva do Pinheiros é mais sofisticada e à noite sempre há crianças para brincar com a Sophie. Ela gosta dos dois”, conclui. Sophie já participou de uma colônia de férias do Hebraikeinu e isso aumentou a frequência da família. “Neste período usamos diariamente o Espaço Bebê, a Brinquedoteca, playgrounds, as piscinas, os espaços junto ao tênis e a escadaria do Centro Cívico que a Sophie adora subir e descer”, descreve o pai. A bancária Betina Berenholc Kreimer, mãe de Helena, de 3, e Fernanda. de 1 ano de idade, reserva um dia por final de semana para ir com a família à Hebraica. “As crianças gostam bastante. Usamos o parquinho, a piscina raramente, a Brinquedoteca após o almoço e gostamos bastante do Espaço Bebê. Ao chegar, antes do almoço, passamos algum tempo no Espaço Bebê. Quando chegamos mais tarde, vamos diretamente para a Brinquedoteca, e quando fecha, subimos para a Biblioteca. Moramos no Brooklin e vale a pena esse dia fora de casa. O clube tem tudo. O Berçário é bem equipado, conservado e seguro. Está tudo em um só lugar e isso facilita muito. Consigo dar banho nas crianças e outros cuidados em um só local, o que, em São Paulo, é muito difícil. Nós aproveitamos muito o clube.”


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diretoria > serviços >> Sede Social e a Sala de Sinuca, junto ao Recreativo. Enxadristas e sinuqueiros iniciantes podem dar os primeiros lances e tacadas orientados pelo funcionário responsável por cada departamento que oferece tacos, bolas, tabuleiros e peças. Uma galeria de arte pode parecer deslocada na rotina de um clube esportivo. Não na Hebraica, que ainda oferece a possibilidade de conhecer e conversar com os artistas durante os vernissages ou nos plantões que fazem no local. Ah, e as sessões de cinema, sempre. Nos finais de semana a programação apresenta obras que rodaram no circuito comercial ou passaram rapidamente por ele e cuja qualidade justifica uma exibição exclusiva para os sócios. As sessões das quartas são apropriadamente chamadas de pré-estreias porque muitos sócios assistem aos filmes na véspera ou no dia mesmo em que os críticos publicam suas

opiniões em jornais ou revistas. A Biblioteca é um dos serviços mais antigos do clube. Faça chuva ou faça sol é sempre grande o movimento junto às estantes das revistas, ao redor da mesa onde estão espalhados os principais jornais e nas mesas destinadas à pesquisa. Há duas salas à prova de som especialmente para estudos. A sessão infantil é o local ideal para os adultos estimularem nas crianças o hábito da leitura. A consulta ao acervo pode ser por meio da página de internet do clube e as sugestões dos sócios para aquisição de obras são sempre bem-vindas. A Biblioteca circulante tem títulos em inglês, francês, ídiche e hebraico, e a seção de referência é uma rica fonte de pesquisa para dissertações de mestrado e teses de doutorado. A Biblioteca empresta mensalmente centenas de livros e dvd’s. Em 2012, foram criados três grupos no

Clube da Leitura, um projeto da Biblioteca em parceria com o Sindi-Clube, Companhia das Letras e a Academia Paulista de Letras. Nos encontros mensais, cada grupo debate um título escolhido. Textos de autores atuais como Daniel Galera, Walter Hugo Mãe, Michel Laub e Luiz Ruffato, assim como os de Kafka, Salman Rushdie e, mais recentemente, Clarice Lispector, frequentaram as cabeceiras dos participantes. O único requisito para aderir ao Clube da Leitura é gostar de uma boa história. Quem ler esse texto e percorrer o clube de ponta a ponta vai constatar que é possível ocupar as horas de um dia em atividades da moda ou que sempre estiveram em moda. E lembre-se de que no almoxarifado há bolas, raquetes de tênis de mesa e outros equipamentos esportivos para empréstimo. Basta apresentar a carteira de sócio. (M. B.)

Judaísmo em família No final das tardes da sexta-feira, o movimento no clube tem uma ligeira alteração. Famílias inteiras, casais e também alguns solitários chegam de ônibus ou largam as atividades no clube para se dirigir à Sinagoga. Os adultos assistem ao serviço religioso enquanto as crianças se distraem com os monitores e suas brincadeiras ou projetos que geralmente remetem ao Shabat ou à festa judaica mais próxima. Um dos momentos mais esperados pelas crianças que frequentam o Shabatinho é quando se juntam aos adultos e recitam a bênção ao lado de onde ficam guardados os O SHABATINHO É UM SERVIÇO QUE VEIO PARA FICAR rolos da Torá. Nas manhãs de sábado, o serviço de Shabat é mais voltado aos adultos. Para Ita Feldman, 82 anos, a Sinagoga é a principal motivação para a visita semanal ao clube. “Na minha vizinhança há muitas sinagogas, mas gosto daqui porque conheço as pessoas e elas são muito simpáticas. Até recentemente, eu frequentava o Kabalat Shabat na Congregação Israelita Paulista, mas não tenho mais a carona das sextas-feiras à noite. Mudei minha rotina e hoje uso o ônibus comum para vir do Itaim até aqui. E, além disso, aproveito para conversar com as amigas”, conta a senhora.

Em função das crianças É cada vez maior o número de casais que passam o dia no clube e circulam tranquilos com bebês-recém-nascidos e crianças de todas as idades. Eles se apoiam na infraestrutura do Berçário, que oferece trocadores, locais para amamentação e banho, geladeira e forno de micro-ondas para preparar as refeições dos pequenos. Criado há três anos, o Espaço Bebê já faz parte da rotina de pais e mães, que partilham as brincadeiras dos filhos a partir dos 4 meses. Nas manhãs de sábados e domingos o local está aberto ao público dessa faixa etária, sem custos. A Brinquedoteca, sob a agência do Banco Safra, foi concebida para oferecer diversão ao público de 2 a 6 anos e tranquilidade aos pais em relação aos recursos à disposição dos filhos no local. Desde 2009, a Brinquedoteca é coordenada pela arteeducadora e brinquedista Lígia Kohan. Ela está concluindo formação também em arteterapia. “São dez profissionais na equipe que se revezam em diferentes dias e horários. Todos são formados em educação e psicologia e seguem a proposta pedagógica da Brinquedoteca”, informa a coordenadora. Na Brinquedoteca tem minicozinha, palco com cortina, uma grande lousa, muitas almofadas e brinquedos que remontam à infância dos pais e até dos avós. “Tentamos resgatar jogos e brincadeiras tradicionais como pular corda, cinco-marias, amarelinha e também jogos pedagógicos. Evitamos os eletrônicos porque acreditamos no brincar livre da criança de modo a cada uma interagir à sua maneira”, explica a coordenadora. Segundo ela, as crianças escolhem e conduzem a brincadeira e os funcionários atuam como parceiros na fantasia. A criatividade está em toda rotina da Brinquedoteca, desde a disposição dos móveis até a reutilização de brinquedos quebrados. Lígia conta como uma pista de carrinho foi transformada em trilho de trem. “Um trenzinho de madeira que não tinha mais conserto foi desmontado. A base virou tábua de cortar carne e as rodinhas são usadas como biscoitinhos de mentirinha. As crianças acompanham o trabalho de recauchutagem feito pelos funcionários e se interessam por esse tipo de transformação. As mais velhas entendem o objetivo e nos ajudam a manipular esses materiais. Além disso, mensalmente montamos duas instalações sensoriais e cenários temá-

A BRINQUEDOTECA É O DESTINO FAVORITO DE MUITAS CRIANÇAS NOS FINS DE SEMANA

ticos para estimular as crianças. Muitas usam a Brinquedoteca durante a semana e também aos sábados e domingos”, conta a coordenadora. A Brinquedoteca foi concebida para atender a crianças entre 2 e 6 anos, mas meninos e meninas pouco mais velhos também são admitidos, “desde que respeitem as menores e as regras de guarda dos brinquedos antes de irem embora”, alerta Lígia.

SERVIÇO Berçários – Abertos de 7 às 19h. Atendem crianças até 4 anos para trocas, banhos, preparo de alimentos e amamentação Brinquedoteca – Segunda a sexta, das 13h30 às 18h. Sábados, domingos e feriados das 9 às 13h e das 13h30 às 16h. Atende crianças de 2 a 6 anos Cinema Infantil– Sessões às 16 horas no auditório da Sede Social Shabatinho – Sextas-feiras, a partir das 18h, no auditório da Sede Social Hebraikeinu III (12 e 13 anos) e IV (14 as 17 anos) – Sábados, a partir de 14h no Centro de Juventude Cinema no Teatro Arthur Rubinstein – Sábados, às 20h30, domingos, às 16h e 19h. Pré-estreias, às quartas, 20h30 Biblioteca – Segunda-feira, das 13 às 17h; terça a sexta-feira, das 9 às 19h; sábados, domingos e feriados, das 9 às 18h Sinuca – De terça a sexta feira, das 14 às 22h; sábados, domingos e feriados, das 14 às 23h Sinagoga – Serviços religiosos de Kabalat Shabat (sextas-feiras), Shabat e Havdalá (sábados), além de serviços especiais durante às festas judaicas


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diretoria > comunicação

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diretoria

Diretoria Executiva – Gestão 2012-2014 PRESIDENTE

O APLICATIVO HEBRAICA TRAZ OS PRINCIPAIS ITENS DA PROGRAMAÇÃO DO CLUBE

Contatos de primeiro grau A

Hebraica tem agora um aplicativo para smartphones e tablets com todas as informações do clube nas áreas esportiva, cultural e social. “A proposta do aplicativo é oferecer, de forma organizada, dados a respeito de festas, torneios ou cursos promovidos pelo clube. Basta consultar o aplicativo para saber data, hora e local, e como obter o número de telefone ou e-mail dos departamentos, para saber mais detalhes”, explica o coordenador de comunicação, Cláudio Mermelstein, para quem a ferramenta possibilita emitir lembretes personalizados acerca de uma programação específica, e alertar sobre alterações no planejamento mensal do clube. A iniciativa faz parte de uma política destinada a democratizar ao máximo as informações e estimular os sócios a aproveitar cada vez mais os serviços e

UM NOVO APLICATIVO CRIADO NA HEBRAICA REÚNE AS PRINCIPAIS INFORMAÇÕES PARA O SÓCIO ORGANIZAR ATIVIDADES NO CLUBE OU TER RÁPIDO ACESSO AOS VÁRIOS DEPARTAMENTOS programas destinados às diferentes faixas etárias. “Muitas vezes, o título de um filme a ser exibido na sessão de cinema ou a notícia de que um rabino do exterior fará uma palestra no clube podem despertar o interesse do sócio, especialmente se essas novidades chegarem via smartphone”, exemplifica Mermelstein. “O aplicativo Hebraica complementa e aperfeiçoa um conjunto de ações que inclui o ‘Guia 7 Dias’, folhetos, cartazes e a página do clube na Internet.” Baseado na imprevisibilidade da vida em São Paulo, Mermelstein aponta mais uma utilidade do aplicativo. “Vamos supor que uma sócia tenha duas horas livres na agenda. De onde estiver, ela acessa, por exemplo, o spa ou o salão de

beleza e agenda um tratamento por telefone e dessa forma otimiza o tempo. Sentado em uma sala de espera qualquer, o usuário do aplicativo poderá pesquisar os horários do Fit ou da Escola de Esportes ou ser informado a respeito de uma promoção oferecida por um concessionário”, completa. O aplicativo já está disponível nas lojas virtuais e pode ser baixado e instalado gratuitamente. “Por meio dele, o sócio pode acessar o conteúdo da revista Hebraica no tablet ou i-pad e partilhar com os amigos pelas redes sociais uma informação que interesse ao seu grupo, seja a final de um torneio esportivo ou uma palestra particularmente interessante”, enumera Mermelstein. (M. B.)

ABRAMODOUEK

DIRETORSUPERINTENDENTE

GABYMILEVSKY

ASSISTENTEFINANCEIRO ASSESSORͲESCOLA ASSESSORAͲFEMININO ASSESSORͲREVISTA ASSESSORͲREDESSOCIAISECOMUNICAÇÃODIGITAL ASSESSORͲSEGURANÇA ASSESSORͲASSUNTOSACESC ASSESSORͲASSUNTOSRELIGIOSOS CERIMONIALERELAÇÕESPÚBLICAS RELAÇÕESPÚBLICAS

MOISESSCHNAIDER BRUNOLICHT HELENAZUKERMAN FLÁVIOBITELMAN JOSÉLUIZGOLDFARB CLAUDIOFRISHER(Shachor) MOYSESGROSS RABINOSAMIPINTO EUGÊNIAZARENCZANSKI(Guita) ALANBALABANSASSON DEBORAHMENIUK GLORINHACOHEN LUCIAF.AKERMAN SERGIOROSENBERG

HANDEBOL ADJUNTO

JOSÉEDUARDOGOBBI DANIELNEWMAN

PARQUEAQUÁTICO POLOAQUÁTICO NATAÇÃO ÁGUASABERTAS

MARCELOISAACGUETTA FABIOKEBOUDI BETYCUBRICLINDENBOJM ENRIQUEMAURICIOBERENSTEIN RUBENSKRAUSZ

TRIATHLON CORRIDA

JULLIANTOLEDOSALGUEIRO ARIHIMMELSTEIN

CICLISMO

BENOMAUROSHETHMAN

GINÁSTICAARTÍSTICA

HELENAZUKERMAN

RAQUETES(SQUASH/RAQUETEBOL) BADMINTON

JEFFREYA.VINEYARD SHIRLYGABAY

VICEͲPRESIDENTEADMINISTRATIVO

MENDELL.SZLEJF

TIROAOALVO

MAURORABINOVICH

COMPRAS RECURSOSHUMANOS CONCESSÕES ADJUNTO

HENRIZYLBERSTAJN CARLOSEDUARDOALTONA LIONELSLOSBERGAS AIRTONSISTER

GAMÃO

VITORLEVYCASIUCH

SINUCA

ISAACKOHAN FABIOKARAVER

TECNOLOGIADAINFORMAÇÃO DEPARTAMENTOMÉDICO CULTURAJUDAICA ASSESSORESDASINAGOGA

SERGIOLOZINSKY RICARDOGOLDSTEIN GERSONHERSZKOWICZ JAQUESMENDELRECHTER MAURÍCIOMARCOSMINDRISZ

XADREZ

HENRIQUEERICSALAMA

VICEͲPRESIDENTEDEESPORTES

AVIGELBERG

ASSESSORES

CHARLESVASSERMANN DAVIDPROCACCIA MARCELOSANOVICZ SANDROASSAYAG YVESMIFANO

GESTÃOESPORTIVA ESCOLADEESPORTES MARKETING/ESPORTIVO

ROBERTOSOMEKH VICTORLINDENBOJM MARCELODOUEK FLÁVIACIOBOTARIU

MARKETING/INFORMÁTICAESPORTIVO

AMITEISLER

RELAÇÃOESPORTIVASCOMESCOLAS

ABRAMINOSCHINAZI

GERALDETÊNIS SOCIALTÊNIS

ARIELLEONARDOSADKA ROSALYNMOSCOVICI(Rose)

TÊNISDEMESA

SAUNA

HUGOCUPERSCHMIDT

VICEͲPRESIDENTEDEPATRIMÔNIOEOBRAS

NELSONGLEZER

MANUTENÇÃO MANUTENÇÃOEOBRAS PAISAGISMOEPATRIMÔNIO PROJETOS

ABRAHAMGOLDBERG GILBERTOLERNER MAIERGILBERT RENATALIKIERS.LOBEL

VICEͲPRESIDENTESOCIALECULTURAL

SIDNEYSCHAPIRO

CULTURAL SOCIAL FELIZIDADE RECREATIVO GALERIADEARTES SHOWMEIODIA

SERGIOAJZENBERG SONIAMITELMANROCHWERGER ANITAG.NISENBAUM ELIANESIMHON(Lily) MEIRILEVIN AVANICOLED.BORGER EDGARDAVIDBORGER

VICEͲPRESIDENTEDEJUVENTUDE

MOISESSINGALGORDON

ESCOLAS

SARITAKREIMER GRAZIELAZLOTNIKCHEHAIBAR ILANAW.GILBERT

GERSONCANER

SECRETÁRIOGERAL

ABRAHAMAVIMEIZLER

FITͲCENTER

MANOELK.PSANQUEVICH MARCELOKLEPACZ

SECRETÁRIO DIRETORESSECRETÁRIOS

CENTRODEPREPARAÇÃOFÍSICA

ANDRÉGREGÓRIOZUKERMAN

JAIROHABER ANITARAPOPORT GEORGESGANCZ HARRYLEONSZTAJER

JURÍDICO

ANDRÉMUSZKAT

SINDICÂNCIAEDISCIPLINA

ALEXANDREFUCS BRUNOHELISZKOWSKI CARLOSSHEHTMAN LIGIASHEHTMAN TOBIASERLICH

JUDÔ JIUJITSU

ARTHURZEGER FÁBIOFAERMAN

FUTEBOL(CAMPO/SALÃO/SOCIETY) FUTSAL

FABIOSTEINECKE MAURÍCIOREICHMANN

GERALDEBASQUETE BASQUETEOPEN

AVNERI.MAZUZ DAVIDFELDON WALTERANTONION.DESOUZA

BASQUETECATEGORIAMASTERATÉ60ANOS BASQUETEHHHMASTER

GABRIELASSLANKALILI LUIZROZENBLUM

VOLEIBOL

SILVIOLEVI

TESOUREIROGERAL

LUIZDAVIDGABOR

TESOUREIRO DIRETORES

ALBERTOSAPOCZNIK SABETAIDEMAJOROVIC MARCOSRABINOVICH


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vitrine > informe publicitário NOVIDADE

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Tecnologia, conforto e segurança para todos O “abaixa e levanta” das mamães ao lado do berço pode estar com os dias contados. A Baby Easy lançou um berço automatizado, que oferece diversas posições com apenas um toque no controle remoto. Sempre com muita segurança e sem ruídos, a novidade funcio-

na como berço tradicional, quando o colchão está baixo; como trocador, com o colchão alto; e antirrefluxo, já que o encosto pode ser elevado em nove angulações. Baby Easy | Fone 3258-3660 Site www.babyeasy.com.br.


90 HEBRAICA

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compras e serviรงos

HEBRAICA

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compras e serviรงos


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HEBRAICA

compras e serviços

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indicador profissional ADVOCACIA

ANGIOLOGIA

CONSULTORIA FISCAL E CONTÁBIL

CARDIOLOGIA

DERMATOLOGIA

CIRURGIA PLÁSTICA

FISIOTERAPIA

CLÍNICA HIPERBÁRICA

CUIDADORES

MANIPULAÇÃO


94 HEBRAICA

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HEBRAICA

indicador profissional MANIPULAÇÃO

NEUROCIRURGIA

NUTRICIONISTA

ODONTOLOGIA

ODONTOLOGIA

ONCOLOGIA

PSIQUIATRIA

TERAPIA COGNITIVA

PODOLOGIA

UROLOGIA

PROFA BRITÂNICA

NEUROLOGIA

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indicador profissional

TRATAMENTO

PSICOLOGIA

REPRODUÇÃO


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roteiro gastron么mico

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roteiro gastron么mico


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conselho deliberativo

Engajamento e participação Estamos desde janeiro e início de fevereiro em contato permanente com os conselheiros ouvindo reivindicações e sugestões e preparando a primeira reunião do egrégio Conselho Deliberativo, presidida pela nova Mesa, que acontecerá no dia 17 de fevereiro. Nesses encontros, aproveitamos para informar-lhes sobre a estrutura do clube, a forma como é gerido administrativa e financeiramente, respaldado pelo conhecimento dos membros da Mesa que muito tem colaborado com suas experiências nessas áreas. Muitos desconhecem a rotina, obrigações e deveres e se confundem sobre qual é a responsabilidade do Conselho e qual é do Executivo e nessas oportunidades podemos discutir amparados pelo Regimento Interno do Conselho e pelos Estatutos, dos quais recomendamos a leitura atentamente pois, dessa forma, fica muito mais fácil o trabalho e entendimento de cada um. Queremos e vamos procurar dar oportunidade para que outros e novos conselheiros possam participar e como há um número grande, é muito importante que os mesmos demonstrem interesse em participar mais ativamente se candidatando nas três comissões estatutárias permanentes a saber: Administração e Finanças, Obras e Jurídica, cujos membros serão escolhidos na primeira reunião do dia 17 de fevereiro , além do Conselho Fiscal que será renovada em abril. Além dessas, vamos dar continuidade às comissões especiais de Esportes e de Cultura Judaica e estamos estudando a criação eventual, e de acordo com a necessidade, de mais uma para pode abranger com mais profundidade todas as áreas do clube e que uma parcela importante dos conselheiros possa participar, trocar impressões, conhecimentos, interagir com os diretores e dessa forma se inteirar cada vez mais do dia-a-dia da nossa instituição. Estamos firmemente incentivando a participação, pois entendemos que a única e melhor forma é se engajando, participando para podermos criar novas lideranças que conheçam o presente, sejam interessadas no futuro e, com novas ideias, fazerem as devidas mudanças que são necessárias; Contamos com todos para construirmos um futuro brilhante para a nossa instituição, em particular, e colhermos frutos para comunidade em geral.

Mauro Zaitz

Reuniões Ordinárias do Conselho em 2014

Mesa do Conselho

CALENDÁRIO JUDAICO ANUAL 2014

MARÇO 13 16 17

ABRIL

14 **15 ** 16 ** 21 ** 22 28

MAIO

5a FEIRA JEJUM DE ESTER DOMINGO PURIM 2a FEIRA SHUSHAN PURIM 2ª FEIRA 3a FEIRA 4a FEIRA 2a FEIRA 3a FEIRA 2a FEIRA

17/2/2014 28/4/2014 11/8/2014 17/11/2014 8/12/2014

Mauro Zaitz Presidente Fábio Ajbeszyc Vice-presidente Célia Burd Vice-presidente Fernando Rosenthal Secretário Vanessa Kogan Rosenbaum 2a secretária Elisa R. Nigri Griner Julio K. Mandel Silvia L. S. Tabacow Hidal

IOM HAZIKARON – DIA DA LEMBRANÇA

5

2a

6

IOM HAATZMAUT - DIA DA INDEPENDÊNCIA DO ESTADO DE ISRAEL - 66 ANOS DOMINGO LAG BAÔMER 2a FEIRA IOM IERUSHALAIM

18 28

JUNHO 3 *4 *5

3a

VÉSPERA DE SHAVUOT 1O DIA SHAVUOT 2O DIA SHAVUOT - IZKOR

3ªFEIRA

JEJUM DE 17 DE TAMUZ

2ª FEIRA 3ª FEIRA 2ª FEIRA

INÍCIO DO JEJUM DE TISHÁ BE AV AO ANOITECER FIM DO JEJUM DE TISHÁ BE AV AO ANOITECER TU BE AV

15

4 5 11

SETEMBRO **24 **25 **26

DOS CAÍDOS NAS GUERRAS DE ISRAEL

3a FEIRA 4a FEIRA 5a FEIRA

JULHO AGOSTO

FEIRA FEIRA

4ª FEIRA 5ª FEIRA 6ª FEIRA

VÉSPERA DE ROSH HASHANÁ 1º DIA DE ROSH HASHANÁ 2º DIA DE ROSH HASHANÁ

**3 **4 8 *9 *10 15

6ª FEIRA SÁBADO 4ª FEIRA 5ª FEIRA 6ª FEIRA 4ª FEIRA

*16 *17

5ª FEIRA 6ª FEIRA

VÉSPERA DE IOM KIPUR IOM KIPUR VÉSPERA DE SUCOT 1º DIA DE SUCOT 2º DIA DE SUCOT VÉSPERA DE HOSHANÁ RABÁ 7º DIA DE SUCOT SHMINI ATZERET - IZKOR SIMCHAT TORÁ

OUTUBRO

NOVEMBRO 5

4ª FEIRA

DEZEMBRO Local Teatro Anne Frank Horário 19h30

EREV PESSACH- 1º SEDER PESSACH - 2º SEDER PESSACH - 2º DIA PESSACH - 7º DIA PESSACH - 8º DIA IOM HASHOÁ - DIA DO HOLOCAUSTO

16 23

3ª FEIRA 3ª FEIRA

DIA EM MEMÓRIA DE ITZHAK RABIN AO ANOITECER, 1ª VELA DE CHANUKÁ AO ANOITECER, 8ª VELA DE CHANUKÁ

2015

JANEIRO 27

3ª FEIRA

DIA INTERNACIONAL EM MEMÓRIA

DO HOLOCAUSTO ( ONU )

* NÃO HÁ AULA NAS ESCOLAS JUDAICAS ** O CLUBE INTERROMPE SUAS ATIVIDADES,

FUNCIONAM APENAS OS SERVIÇOS RELIGIOSOS



Revista Hebraica - Fevereiro 2014