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minha cidade daniel boaventura O ator e cantor Daniel Boaventura fala em entrevista exclusiva sobre novos rumos na carreira, projetos e seu amor pela Bahia Por Davi Carneiro

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fotos: divulgação

Daniel Boaventura é um artista completo. Ele conseguiu, como poucos, ser bem-sucedido na árdua tarefa de reunir suas maiores paixões: o teatro e, acima de tudo, a música. Nas novelas – a exemplo de Laços de Família (2000), Senhora do Destino (2004) e Cama de Gato (2009) –, seus personagens costumam arrancar suspiros. Já para o público que frequenta teatro, sua imagem e voz são indissociáveis do universo dos musicais da Broadway. Afinal, foi atuando nas montagens brasileiras de musicais como Vitor ou Vitória, Chicago e My Fair Lady que o ator vem recebendo entusiásticos aplausos do público e da crítica, tendo sido agraciado três vezes com o Prêmio Qualidade Brasil. E ele não para por aí. Para rechear ainda mais essa multimidiática trajetória – que inclui também atuações para cinema e seriados – Daniel acaba de lançar seu primeiro álbum solo, o Song 4 U, com músicas gravadas em inglês. Ator, cantor, músico... e ainda por cima, baiano!

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Amor pela música Apesar de ser mais conhecido pelas atuações na televisão, Daniel Boaventura sempre teve uma relação


Minha base na capital baiana é o apartamento M dos meus pais, mas o nosso mais novo refúgio é um pequeno village que meus pais adquiriram na Praia do Forte. Este sim é o paraíso. Tenho ficado muito impressionado com alguns restaurantes baianos e gosto de indicar alguns, como o Chez Bernard, Bistrô Du Vin, Taboada Bistrô, Amado, 496 Grill & Bar, Di Liana e o bom e tradicional Alfredo Di Roma”

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minha cidade daniel boaventura

Apesar da sobrecarga profissional como ator e cantor, de ser pai, e da rotina dividida entre Rio e São Paulo, Daniel mantém viva a sua ligação com a Bahia

muito forte com a música, antes mesmo de encenar. Aos 8 anos, o artista foi com os pais (a professora de francês, Solange e o bacharel em direito e PHD em educação, Dr. Edivaldo) morar na Pensilvânia, nos Estados Unidos. No país novo, aprendeu a falar inglês e a tocar trombone. “Minha paixão pela música começou por volta de 1979. Nossa família havia mudado em virtude do doutorado do meu pai e lá, como matéria extracurricular, comecei a estudar trombone aos 9 anos. Moramos na América por três anos. Voltamos para o Brasil. Vendi o trombone, mas a paixão pela música já estava lá”, diz Boaventura. Na adolescência, de volta ao Brasil, Daniel passou a participar de festivais em escolas. Anos mais tarde, entre as aulas dos cursos de Publicidade e Propaganda e Administração, o baiano ainda conseguiu ter tempo para continuar pensando na sua carreira musical, e montou não só uma banda, mas duas: Horas Vagas e Os Tocáveis. Por volta dos 20 anos, o ator foi convidado para sua primeira peça profissional, a comédia Os Cafajestes. A montagem durou cinco anos e incluiu uma temporada em São Paulo. Foi o pontapé para assumir a vocação e entrar no universo das novelas e dos musicais. “‘Ficava pulando de musical para a TV. Minha banda ficou para trás. Demorou um pouco, mas a coisa foi dando certo’’, comemora. Um baiano cantando em inglês Faça um teste simples: ponha o CD para tocar na faixa Hello, Detroit. 14

Feche os olhos. Não vai ser difícil imaginar um grande palco da Broadway, onde um ator faz um solo num grande musical, amparado por uma big band e um coro. A regravação deste tema de Berry Gordy e Willie Hutchison – associado à voz de Sammy Davis Jr. (1925 – 1990) – exemplifica a habilidade de o artista passear pelo repertório teatral dos musicais. No repertório do álbum, músicas como I’m in the Mood for Love, que foi tema dos personagens Raj e Maya em Caminho das Índias, e Send In the Clowns, clássico de Stephen Sondheim. “Graças a Deus, o CD é um tremendo sucesso. Ultrapassei a marca de 40 mil cópias, o que é muito bom para os dias de hoje, ainda mais para um CD todo cantado em inglês”, vibra. Aficionado por peças da Broadway – em montagens que faz há anos no Brasil, novelas e música, Daniel Boaventura revela que sempre gostou de standards e de big bands. “A música popular americana, passando pelo rock das décadas 50, 60 e 70, jazz, blues, R n’ B, foi um grande referencial, mas nunca pensei que iria fazer um disco. Imagine um baiano cantando em inglês?!’’, brinca. Gravado pela Som Livre e lançado pela Sony, o álbum produzido por Guto Graça Mello já virou um show homônimo. Daniel vai fazer uma turnê pelas principais capitais brasileiras, começando pelo Rio, ainda este mês.“Foram seis meses gravando. Fiz listas com 600, 700 músicas todas em inglês, minhas principais referências. Estou impressionado com a boa aceitação do CD e do show”, orgulha-se.


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