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agosto de 2008 edição 05

canto da

liberdade

Publicação Funap - Fundação “Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel” - distribuição no sistema penitenciário de São Paulo

Lançamento da campanha “Detentos que trabalham, uma nova chance”

Sessão de Cinema na Penitenciária Feminina da Capital

Dia dos Namorados: Roda de Leitura temática em Franco da Rocha I

(DES) Empenho dos alunos do Sistema no Centro de Exames Supletivos (CESU)

Global Reciclagem comemora 1º aniversário




CANTO

Editorial

da

LIBERDADE

O retorno do informativo “Canto da Liberdade” é uma conquista para todos, ampliando o canal de comunicação entre os educandos do sistema prisional paulista, os funcionários da Fundação “Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel” e os da Secretaria da Administração Penitenciária. Elaborar propostas educacionais para os que se encontram recolhidos permite redefinir o papel das prisões no país e oferecer reais possibilidades de exercício responsável das liberdades individuais e coletivas. Implantar projetos de profissionalização possibilita a melhoria das condições de vida da pessoa presa, criando não só a perspectiva de trabalho para todos como também o de geração de renda. Assim, a presente edição traz como matéria de capa uma boa notícia, divulgada pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo: o índice de aprovação dos alunos do sistema no Centro de Exames Supletivos (CESU) superou em 27% o resultado do ano passado. E mais que isso: o desempenho dos alunos na redação foi melhor do que os demais participantes. Temos, ainda, que comemorar o primeiro ano de atividades da cooperativa Global Reciclagem - iniciativa da Funap - Regional Araçatuba e da Prefeitura de Mirandópolis. Esse projeto abrange a integração social de egressos, familiares de

presos e a comunidade local de baixa renda, criando novos laços de amizades e agregando a questão da preservação ambiental. Os resultados positivos deste primeiro ano estão propiciando a expansão da cooperativa. Outra iniciativa inovadora, ora apresentada nesta edição, é o Projeto Cultura da Comunidade na Prisão, que tem por finalidade levar as questões da sociedade para dentro dos presídios, aproximando funcionários, estudantes, artistas e apoiadores vinculados às mais diversas formas de expressão cultural. Uma sessão de cinema na Penitenciária Feminina da Capital marcou a estréia do projeto. Para nós, que persistimos acreditando na transformação de vidas no sistema prisional, que continuamos envolvidos nos projetos de educação, cultura e trabalho e que, há trinta anos, não desistimos de sonhar, é uma grande recompensa! Todos conhecem as muralhas que nos cercam. Vamos continuar trabalhando para fornecer ferramentas que permitam transpô-las ou, até mesmo, derrubá-las, lembrando sempre que “a vida não se conta pela respiração, mas pelos momentos que cortaram o fôlego”. Tenham todos uma ótima leitura! Lúcia Maria Casali de Oliveira - Diretora Executiva

Participe do Canto Olá a todos os leitores do Canto da Liberdade! Estamos de volta com mais uma edição. Esse espaço é reservado aos artistas do sistema penitenciário paulista. Pessoas que escrevem poemas, crônicas, contos ou poesias poderão ter seu trabalho publicado aqui. Participe também com dúvidas, comentários e reflexões. A sua carta sempre será bem-vinda! O Canto da Liberdade é o canal de comunicação do educando. Participe! Estudar é necessário e fundamental. Os estudos proporcionam privilégios e temos que entender que os estudos podem nos proporcionar melhores condições de vida. Ele é o único caminho para aqueles que estão em busca de uma nova oportunidade na vida. Amauri Oliveira dos Santos Penitenciária “João Batista de Santana” de Riolândia EXPEDIENTE

Funap - Fundação “ Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel” Presidente: Arthur Allegreti Jolly Diretora Executiva: Lúcia Maria Casali de Oliveira Chefe de Gabinete: Rosália Maria Andreucci Naves Andrade



Toquinho de madeira, alpiste e água. Toquinho de madeira, alpiste e água. Toquinho de madeira, alpiste e água. Toquinho de madeira, alpiste e água. Toquinho de madeira, alpiste e água. Toquinho de madeira, alpiste e água. Toquinho de madeira, alpiste e água. Toquinho de madeira, alpiste e água. Toquinho de madeira, alpiste e água. (...) Toquinho de madeira, alpiste e água. O menino abriu a gaiola; Ele voou por três dias... morreu de fome. 1‘ lugar no concurso Escrevendo a Liberdade Anderson Aparecido Machado CDP Diadema Nos escreva sempre! É muito bom receber uma carta sua, pois ela representa o resultado do nosso trabalho. Fundação “Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel” – Funap. A/C COMUNICAÇÃO R. Dr. Vila Nova, 268 - Vila Buarque São Paulo / SP Cep: 01222-020 Jornalista: Joyce Malet Kassim (MTB 50973) Diagramação: Douglas Docelino da Conceição Colaboradores: Regionais São Paulo/Vale; Grande São Paulo/Litoral; Campinas; Presidente Prudente; Sorocaba; Ribeirão Preto; Araçatuba; Bauru.


CANTO

ExtraMuros

da

LIBERDADE

Funap comemora 30 anos e lança campanha “Detentos que trabalham, uma nova chance”

E

m comemoração aos 30 anos de atividades desenvolvidas objetivando a formação profissional e o trabalho remunerado dos educandos do sistema prisional de São Paulo, a Fundação “Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel” - Funap - realizou em dezembro de 2007, no Memorial da América Latina – Biblioteca LatinoAmericana “Victor Civita”, um evento de lançamento oficial do selo da campanha “Detentos que trabalham, uma nova chance”. Durante a celebração foram expostos quadros, brinquedos, tapetes e artesanatos em geral produzidos pelos educandos de diversas unidades e também por egressos. Todo dinheiro arrecadado com as vendas foi encaminhado ao responsável pela confecção do trabalho e, no caso dos educandos, depositado em conta pecúlio. Um vídeo institucional foi apresentado aos convidados com os depoimentos da homenageada da noite, D. Carmen Pimentel, viúva do fundador da instituição e de seu atual presidente, Arthur Allegretti Joly, ambos presentes na ocasião. Ao término do evento, o Grupo Panóptico de Teatro - formado por egressos e atores convidados - apresentou a peça “Eles

Selo da Campanha

Cerca de 200 pessoas prestigiaram o lançamento da campanha “Detentos que trabalham, uma nova chance”

não usam camisa de força”, um espetáculo que tem como base a tríade: loucura, revolução e caos. Desde o lançamento oficial, todos os produtos e serviços da Funap levam o selo da campanha “Detentos que trabalham, uma nova chance”, alusivo à relevância da recuperação da população do sistema prisional. O projeto tem por objetivo aproximar a sociedade civil e acrescentar um valor agregado ao trabalho realizado. A Funap é vinculada à Secretaria da Administração Penitenciária, dirigida pelo secretário Antonio Ferreira Pinto. Instituída em 1976, durante a gestão do Dr. Manoel Pedro Pimentel à frente da Secretaria de Justiça, a Fundação tem por missão institucional planejar, desenvolver e avaliar, no âmbito estadual, programas sociais nas áreas da assistência jurídica, da educação, da cultura, da capacitação profissional e do trabalho para as pessoas que se encontram privadas de liberdade, desenvolvendo seus potenciais como cidadãos e profissionais. Contribuir para a recuperação social do preso e para a melhoria de sua condição de vida, por meio da elevação do nível de sanidade física e moral, do adestramento profissional e do oferecimento de oportunidade

de trabalho remunerado tem sido o grande desafio e estímulo para os que estão à frente dos mais diversos projetos da Funap. Na área da profissionalização, os esforços estão centrados na realização de cursos profissionalizantes com certificação que invistam na perspectiva de formação integral (gestão, cidadania, mercado, empreendedorismo, cooperativismo), buscando sempre a especialização de forma a criar real possibilidade de ingresso no mercado formal de trabalho. “O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade que elas acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis. Pessoas que acreditam em seus sonhos, como o Prof. Manoel Pedro Pimentel e sua esposa, D. Carmen Pimentel. Todavia, não basta sonhar. É preciso acreditar, ter fé e lutar, como todos os servidores que, apesar das dificuldades diárias, se dedicam a manter a chama acesa. E, por fim, como nada é impossível, há pessoas que, de alguma forma, participam desses ideais. A elas, o nosso muito obrigado!”, finalizou a diretora executiva da Funap, Lúcia Maria Casali de Oliveira.




CANTO

da

LIBERDADE

Índice de aprovação no CESU sobe 27% De acordo com a Secretaria de Estado da Educação, 3.318 educandos conquistaram diploma de conclusão do Ensino Fundamental e Médio.

J

á foi dito certa vez que educar é gerenciar sonhos. O trabalho que a Funap desenvolve na área da Educação dentro de 97 unidades prisionais tem por objetivo oferecer um Programa de Educação Básica que engloba desde a alfabetização ao ensino médio. Mais do que ensinar os caminhos das letras e números, o que se busca é a Educação plena do indivíduo, envolvendo questões de cidadania e de como vidas podem ser transformadas por meio do conhecimento. Um bom fruto desse trabalho foi colhido com o resultado da última prova do Centro de Exames Supletivos (CESU), divulgado pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. O CESU tem por finalidade oferecer certificação de Ensino Fundamental e Médio, concedendo diploma ou atestado em determinadas áreas aos aprovados. A última avaliação foi realizada em 2 de março e cerca de 4.200 alunos do sistema prisional fizeram a prova, sendo que 3.318 educandos obtiveram essa conquista. O número é 27% superior ao de 2006, quando 2.515 foram aprovados. A Secretaria da Educação divulgou que os alunos dentro do sistema prisional foram melhores nas redações do que os demais participantes. Esse dado demonstra que o incentivo da Funap na área cultural por meio da implantação de Salas de Leitura dentro das unidades - atualmente são 112 salas formadas com, no mínimo, 1.000 títulos e equipadas com computadores para controle e otimização do acervo - é uma atitude acertada. O índice de aprovação dos educan-



dos no CESU foi de 75,7%, a marca de aprovação entre os participantes dos colégios públicos submetidos a igual exame ficou em 66% (105 mil candidatos e 70 mil diplomados). Nas disciplinas História, Geografia, Matemática, Física, Química e Biologia, a nota dos educandos que concluíram o Ensino Médio foi maior do que a dos alunos em liberdade. Já em Português, os presos alcançaram a mesma pontuação. A visão sobre os benefícios no mercado de trabalho e a percepção de que a educação ameniza a ficha criminal são algumas das explicações para essa significativa melhora no desempenho dos alunos dentro do sistema. A diretora executiva da Funap, Lúcia Casali, credita o aumento à implantação do calendário único escolar em 2006. “Quando o preso é transferido, o que é freqüente, ele continua a cursar o mesmo currículo

em qualquer unidade”. De fato, essa padronização trouxe um estímulo a mais para o ingresso nas aulas. Um dos aprovados no exame foi o monitor de cultura do Centro de Progressão Penitenciária “Dr. Edgard Magalhães Noronha” de Tremembé, Edson Lúcio Passos. Ele ministra aulas de Inglês desde setembro de 2007 e fala da importância da busca pelo conhecimento, independente do momento da vida ou local. “Posso ser considerado um privilegiado, já que tive a oportunidade de morar no exterior. Não posso comparar as minhas oportunidades com as do resto da população tanto daqui como lá de fora. Eu não terminei os meus estudos porque não quis, foi pura vagabundagem. Hoje eu sei que o ensinamento e o estudo podem tirar a gente daqui”.


CANTO

da

Oziel Rodrigues dos Santos também concluiu o ensino médio na mesma unidade e não pensa em parar de estudar. “Já estou inscrito para o ENEM e espero fazer a prova lá fora. Essa prova ajuda para o ingresso numa faculdade e eu quero continuar estudando, quero muito fazer algum curso na área de saúde”. O monitor orientador que atua nessa unidade, José Lincoln Simeão Lopes, pontua as principais mudanças ocorridas no sistema desde quando iniciou o seu trabalho, 15 anos atrás. “Houve mudanças no perfil do cidadão-preso. Agora, é uma faixa etária mais jovem que tem mais interesse pelo estudo, pois compreende melhor a importância da educação. Também o nível de escolaridade mudou: se antes tínhamos um número muito grande de analfabetos funcionais, hoje a maioria dos alunos possui o Ensino Fundamental incompleto, uma parte um pouco menor possui Ensino Médio incompleto ou completo e, finalmente, os analfabetos funcionais e os de curso superior são em menor número”. Quanto ao desempenho dos alunos da unidade ressalta “o fato do aluno poder cursar o Ensino Fundamental ou Médio na unidade penal e daqui sair com um certificado de conclusão do respectivo curso não é o fator preponderante para a mudança de vida que ele necessita. Embora o diploma seja importante como elemento de inserção no mercado de trabalho e para a vida, a educação de jovens e adultos presos realizada pela Funap visa antes de tudo o resgate da cidadania, a compreensão de que temos deveres, mas também direitos. Saber respeitar os primeiros e reivindicar de forma responsável os últimos é a tônica de nossa educação”. Apesar do bom desempenho, não se pode esquecer que dentro de um universo amplo de 145 mil pessoas reclusas somente no Estado de São Paulo, cerca de 15 mil freqüentam as salas de aula. E sobre esse tema, foi lançado recen-

LIBERDADE

Edson Lúcio Passos dá aula de Inglês na Penitenciária “Dr. Edgard Magalhães Noronha” de Tremembé

temente uma coletânea de textos de pesquisadores da área da educação escolar nas prisões, “Educação Escolar entre as grades”. Com textos de Elenice Maria Cammarosano Onofre, Elionaldo Fernandes Julião, Arlindo da Silva Lourenço, Marieta Gouvêa de Oliveira Penna, Silvio dos Santos e José Antonio Gonçalves Leme, essa apresentação de diversas pesquisas parte do princípio fundamental de que a educação é a essência transformadora, apresentando a escola como possibilidade, embora a cultura prisional se caracterize pela repressão, ordem e disciplina. Os estudos apresentados permitem o repensar de

Oziel Rodrigues dos Santos também conseguiu sua certificação no CESU

possíveis caminhos para as escolas das prisões, na medida em que estas se constituem em mediadoras entre saberes, culturas e realidade, oferecendo possibilidades que, ao mesmo tempo, libertem e unam os excluídos que vivem no interior das unidades prisionais. “O livro reúne as produções de seis mestres e doutores apaixonados pela escola no interior das prisões e esse interesse nasceu da crença de que a Educação, mesmo realizada entre as grades, é fundamental para a inclusão e cidadania de todos aqueles que estão privados da liberdade”, afirma José Antonio, gerente da regional Grande São Paulo e Litoral da Funap.




IntraMuros

CANTO

da L I B E R D A D E

Estréia do Projeto Cultura da Comunidade na Prisão

N

uma tarde chuvosa, típica do outono paulista, uma sessão de cinema combina não apenas com pipoca, mas também é convidativa para uma boa reflexão. Foi assim com a estréia do projeto Cultura da Comunidade na Prisão, idealizado por José Roberto Costa, supervisor regional da Funap. O projeto tem por objetivo trazer questões da sociedade para dentro dos presídios, aproximando esses dois “mundos” separados, temporariamente, por grades e muros. Dessa forma, busca ampliar o conhecimento tanto dos educandos como também dos funcionários, estudantes, artistas e apoiadores vinculados às formas de expressão cultural. “Todos esses públicos sairão ganhando com essa iniciativa, pois representa uma troca de experiências muito interessante”, diz José Roberto.

A primeira ação do projeto foi a exibição do filme “Ai que vida”, uma comédia romântica produzida por Cícero Filho, aluno de pós-graduação da

Sessão de cinema na PFC

Anhembi Morumbi, curso de Cinema, Vídeo e Fotografia – integração de multimeios. Cerca de 110 pessoas - entre educandas e funcionários prestigiaram a exibição do filme que

transformou a capela da Penitenciária Feminina da Capital numa verdadeira sala de exibição, com direito a telão, escurinho e muita pipoca. Ao término da exibição, as educandas pediram para que o próximo filme também seja um dos 24 produzidos por Cícero. Ele prometeu que levará um drama para o segundo semestre “Entre o amor e a razão”, que narra valores familiares tão pouco trabalhados nos dias de hoje. É só aguardar! Essa foi a primeira etapa de uma série que o projeto Cultura da Comunidade na Prisão levará para as unidades prisionais do Estado de São Paulo. Vivenciar novas experiências, expressões culturais e conhecimentos antes desconhecidos são os ingredientes que tornam essa iniciativa além de interessante, eficaz em seus efeitos.

Uma história de amor entre as grades

O

acaso preparou uma grande surpresa na tarde do dia 12 de junho na Penitenciária “Mário de Moura Albuquerque” de Franco da Rocha I. A Roda de Leitura, atividade que passou a fazer parte do currículo escolar, coordenada pelo educando Ailton José da Silva, naquele dia em especial - dia dos namorados - teve como tema o amor. Na presença de mais de 50 alunos, os educandos Ailton e Renato (ao violão), contaram a história da “Melancia e do coco-verde” (adaptação do folclore da Região Sul), de Ricardo Azevedo (pesquisador das tradições populares). Uma história que fala de um amor que parecia impossível, como tantos outros amores da literatura e da vida. Prestigiaram este maravilhoso evento representando a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, Egle e Ânge-



la, Maria Alice, do Cenpec, as educadoras e educadores das Penitenciárias I e II de Franco da Rocha, o gerente regional da Funap, José Antonio e os Diretores da Unidade, o Sr. Eduardo (Diretor Geral) e o Sr. Anderson (Diretor do Núcleo de Trabalho e Educação). Foi um momento maravilhoso que emocionou a todos. Tanto pela apre-

sentação fantástica do educando Ailton, como pela história ali interpretada.

Essa iniciativa representou o primeiro passo de uma série e deve servir de exemplo para outras unidades. Vale ressaltar o apoio do diretor da unidade para a realização dessa Roda de Leitura, bem como o incentivo ao projeto por parte do Cenpec e Secretaria de Cultura. O papel de destaque tanto da educadora Cláudia dos Santos Nascimento, que já vem realizando eventos como este e incentivando o gosto pela leitura a muito tempo, como também dos monitores e alunos da PI de Franco da Rocha que deram um verdadeiro show na organização e participação entusiasmada. Ao final do evento, houve sorteio de livros para os alunos e um delicioso bolo. A história pode ser encontrada no livro: No meio da noite escura tem um pé de maravilha, Ricardo Azevedo, Editora Ática.


Oportunidade

CANTO da L I B E R D A D E

Global Reciclagem comemora 1º aniversário

E

m 19 de junho foi realizada a cerimônia do 1º ano de atividades da cooperativa Global Reciclagem que reúne egressos, familiares de presos e comunidade de baixa renda de Mirandópolis. O evento teve início com a chamada das autoridades que representavam as instituições parceiras, a saber: o Prefeito José Antonio Rodrigues; a presidente do Fundo Social de Solidariedade, Carmen Lúcia Rodrigues Junqueira; a diretora de Formação, Capacitação e Valorização Humana da Funap, Maria Beatriz Arias Perez Figueredo; o presidente do Lions Clube de Mirandópolis, Luiz Carlos Buzzo; presidente da Câmara Municipal, Gines Fernandes e o presidente da Global Reciclagem, José Maria dos Santos. Falando em nome da cooperativa, o egresso Nelson Francisco destacou a importância da iniciativa para a acolhida e reintegração social das pessoas que deixam o sistema penitenciário, ressal-

tando que o fato de a cooperativa reunir também os familiares de presos e a comunidade local permite a criação de novos laços de amizade e convívio social. Já a diretora da Funap apontou os ganhos significativos desta experiência, sobretudo por aliar a reintegração social à preservação ambiental. “Trata-se de uma iniciativa de enorme valor social e ambiental e que coloca a reintegração social dos presos e egressos num novo horizonte de significação, promovendo um novo olhar tanto por parte da população como por parte da própria Funap”, afirmou Maria Beatriz. O presidente do Lions, Luiz Carlos Buzzo, informou que será renovado pelo período de 2 anos o termo de parceria com a Funap, por meio do qual as organizações parceiras coordenam o Centro de Desenvolvimento e Reintegração Social de Mirandópolis, iniciativa comunitária responsável pela gestão de diversos programas, dentre eles a Global Reciclagem.

Por fim, o prefeito municipal lembrou os desafios para a implantação da cooperativa, as conquistas já obtidas e a importância da coleta e separação dos materiais recicláveis, que além de diminuírem o volume de resíduos incorretamente descartados, estão ajudando na geração de trabalho e renda para diversas famílias. “A coleta seletiva em Mirandópolis completa hoje um ano, junto com a Global Reciclagem e já é necessário pensar na sua ampliação. Por isso, Prefeitura e Funap já estão de olho em novos projetos”, informou José Antônio. Em seguida, o gerente regional da Funap Araçatuba, Felipe Athayde Lins de Melo, responsável pela gestão do projeto, apresentou um balanço dos resultados sócio-ambientais obtidos pela cooperativa. Assim, com este evento, marcou-se mais um momento de integração entre a comunidade local e o sistema prisional.

Cultura Escrevendo a Liberdade: Estado de São Paulo bem representado em concurso nacional

Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro” (Henry Thoreau, poeta e filósofo norte-americano). “Descobri que a leitura é uma forma servil de sonhar. Se tenho de sonhar, porque não sonhar os meus próprios sonhos?” (Fernando Pessoa)

C

ura para a alma e refrigério para o espírito. Esses são alguns dos efeitos que as palavras podem exercer sobre aqueles que se dispõem ao hábito da leitura. Os livros dão asas, transpõem grades e fronteiras. Em 2007, o Ministério da Justiça, por

meio do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), promoveu o primeiro concurso de redação voltado exclusivamente para detentos do sistema carcerário brasileiro. O concurso foi destinado aos presos provisórios, condenados e pessoas sob medida de segurança e premiou as melhores produções textuais sobre o tema “Escrevendo a Liberdade”. O Estado de São Paulo foi muito bem representado neste concurso, prova disso foi que o primeiro e terceiro lugares foram conquistados por educandos do estado. Anderson Aparecido Machado, do CDP de Diadema foi o vencedor e o terceiro lugar ficou com Alexandre da Silva Camilo, da Penitenciária “Mário de Moura Albuquerque” de Franco da Rocha I. Na categoria júri popular, o escolhido foi Marcio Augusto dos Santos, da Penitenciária I de Serra Azul.

O concurso teve por objetivo incentivar a produção textual dos detentos dos estabelecimentos penais e contribuir para a inserção social do preso por meio da educação, além de criar um canal de expressão com o mundo externo. Os participantes puderam desenvolver textos dos mais variados tipos, como poesia, contos, prosa, histórias em quadrinhos e crônicas. Foram inscritas cerca de 8 mil redações e para a seleção dos melhores trabalhos a comissão organizada considerou como critérios a compatibilidade com o tema “Escrevendo a Liberdade”, clareza de expressão, criatividade, originalidade e o desenvolvimento lógico do raciocínio. As trinta melhores produções textuais serão reunidas em posterior publicação. Mais uma iniciativa bem-sucedida que reafirma a máxima de que os corpos podem estar presos, mas nunca a alma.




CANTO

da L I B E R D A D E

EntrevistaA Funap tem a sua história E

m 1977, o sonho começou. Como qualquer nobre projeto, teve início no coração de quem se dispôs a mudar uma realidade. O velho jargão de que atrás de um homem bem-sucedido há uma grande mulher é refutada por essa ativa senhora. “Que coisa mais retrógrada! Ao lado de um grande homem, sempre ao lado, existe uma grande mulher”. De fato. Com o olhar meigo e atitude de vanguarda, a esposa do então Secretário da Justiça do Estado de São Paulo, Dr. Manoel Pedro Pimentel, arregaçou as mangas e começou a transformar a vida de muitas presas da Penitenciária Feminina. Mal sabia ela que, depois de 30 anos, a Fundação que leva o nome do seu marido atende uma população maior que muitas grandes cidades do Brasil. Conheça a simpática D. Carmem Pimentel, mais que uma simples viúva de um político importante, uma brasileira que acreditou na recuperação por meio do trabalho.

de prato bordados, vários crochês, enfim, coisas desse tipo empilhadas e desconhecidas pelo público. Nada daquilo era divulgado e poucas coisas eram vendidas, já que além da falta de coordenação e divulgação, não havia muito estímulo pelo trabalho.

CL

- O que foi feito, então, para mudar essa realidade?

CP

- Naquele instante meu marido começou a raciocinar que seria muito melhor capacitar, tornar o trabalho das detentas mais profissional, para dar uma qualificação de mão-de-obra visando à saída, uma vez cumprida a pena. Então, fizemos a divulgação daquele trabalho que já era realizado e começamos a vender todas aquelas pilhas de artesanatos. Fizemos, inclusive, um bazar na penitenciária feminina mesmo. Foi um sucesso, vendemos tudo! E dali partiu a idéia de realmente profissionalizar o trabalho delas e começamos uma campanha pedindo donativos para CL - Merecidamente homenageada comprar máquinas e os equipana comemoração dos 30 anos da mentos necessários. Funap. Conte-nos um pouco do início dessa história. CL - Quais foram os principais desse novo projeto que CP - Meu marido foi Secretário da apoiadores originou a Funap? Justiça no governo Paulo Egydio Martins e logo após ele ter tomado posse, ele foi fazer sua primeira visita CP - Fomos ajudados pelo Rotary e por várias entidades, secretarias oficial à Penitenciária Feminina. Eu sempre acompanhei o trabalho de Estado e meu marido, então, dele, sempre me interessei muito pelo resolveu criar um instituto que foi o que ele fazia e pelo trabalho que denominado “Instituto de Amparo ao desenvolvia. Então, naquele dia, re- Trabalhador Preso”. Essa seria uma solvi ir junto para fazer essa visita. Che- experiência piloto na Penitenciária gando lá, olhando todas as dependên- Feminina para ver se seria possível cias da penitenciária, conversando ser estendida às demais penitencom a diretora que era uma irmã da ciárias e, por fim, criar de fato uma Ordem do Bom Pastor, visitando a Fundação. sala da laborterapia, constatamos que havia ali empilhada uma quanti- CL - Qual a participação da senhora dade enorme de trabalhos artesanais, no início do Instituto? dos mais variados tipos. Eram panos



Carmen Gama Pimentel, homenageada na comemoração dos 30 anos da Funap

CP

- Eu fui feita presidente desse Instituto e durante um ano e alguns meses trabalhei bastante no sentido de angariar donativos, trocar aquele artesanato todo manual por máquinas industriais. O instituto foi uma experiência piloto para ver se haveria resultado para então encaminharmos o pedido à Assembléia para se criar uma Fundação. Não posso deixar de mencionar a psicóloga da Penitenciária Feminina, Antonieta de Cássio Sá, pois ela acompanhou todo trabalho do Instituto e viu seu progresso, o estímulo que as presas recebiam e acompanhou também o natural crescimento do Instituto de Amparo ao Trabalhador Preso. Por iniciativa própria, ela encaminhou uma mensagem à Assembléia Legislativa de São Paulo relatando todo o progresso que estava havendo com as presas, o entusiasmo do trabalho, o interesse que estava gerando na população carcerária, enfim, justificando a criação da Fundação. E assim foi criada e aprovada a Funap.

SECRETARIA DA ADMINISTRAÇÃO PENITENCIÁRIA


canto da liberdade 05  

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