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~emanaJo~éKleber José Kleber Martins Cruz, nasceu em Paraty em 30 de junho de 1932. Se estivesse vivo, estaria completando hoje, dia 30 de junho, 65 anos. Esta exposição que abre a "Semana José Kleber" tem como objetivo homenagear esta data e elucidar as pessoas sobre a influência da vida desse personagem sobre Paraty. Culto, com espírito vanguardista e demonstrando uma multifacetada personalidade artística, José Kleber influenciou as mudanças comportamentais da juventude da cidade que até a década de 60 não tinha acesso ao que estava acontecendo fora daqui. Mesmo tendo passado parte de sua infância em outras cidades por causa do trabalho do pai, sempre manteve um forte elo com a cidade, que mais tarde escolheu para viver e cantou em verso e prosa, na tela dos cinemas em discos e ao vivo, durante toda a sua vida.

José Kleber como se sabe não era nenhum santo e aproveitou a vida como poucos, mas apesar de às vezes ser visto como louco ninguém tirou seu mérito ou duvidou da sua sensatez. O respeito ao seu caráter e a confiança que • ele tinha de seus conterrâneos foi comprovada nas umas' . com a sua eleição como vereador da cidade. Durante essa semana vamos voltar no tempo. junto com Paraty, na época em que aqui vivia o José Kleber e vamos escutar pelos becos a sua música, ler a sua poesia, rever os filmes dos quais ele participou e quem sabe delirar - como era comum entre a juventude da época - e ver seu vulto por entre as ruas vazias, olhando pela janela do sobrados ou passeando pela Itatinga, lugar em que viveu por algum tempo. Talvez, nem fosse preciso de uma semana para lernbrá-Io, por que ele deixou muitas marcas por aqui. o sino das quatro igrejas de Paraty, nas águas do rio poesia, Zé Kleber está etemizado seja pela obra que deixou ou peja memória e saudade de cada um que dividiu com ele momentos que não voltam mais.

ana sé Kleber

de 30 de junho a 5 de julho de lqq7 - P A R A T Y


lembrança~ de família Nosso irmão José Kleber Martins Cruz nasceu na Praia do Pontal, de frente para o mar. De nosso irmão, guardamos grandes lembranças. Em Campos conheci pela primeira vez a veia artíst~c.a?e meu irmão; ele cantando no circo que era dirigido por um grande artista de televisão, Colé, a música "Estrelita", dificílima. Já em Santo Antônio de Pádua veio a conhecer outro artista, Ari Leite e juntos fundaram o Teatro Amador de Santo Antônio de Pádua. Nessa época representou o monólogo de Pedro Bloch, "As mão d~ Eu;ídi~e". M2I.istarde, ele repetiu a peça na Cinelândia - Teatro Rival, onde passou a conhecer o meio artístico do Rio. Por causa dessa representação, anos mais tarde, teve pr~blemas c.om a rebordosa revolução de 64, onde fOIperseguido devido a uma foto barbado tirada durante a representação. Esta foto foi ' inserida nos autos como peça de acusação por estar muito parecido com Fidel Castro. Participando qo meio artístico no Rio, conviveu co~. grande número de pessoas ligadas às letras, musica, as artes em geral, como Cecília Meireles Sílvio Moreaux, Condessa Pereira Carneiro, do ' Jornal do Brasil, entre outros. Nessa época, com seu diploma de advogado, ele retomou a Paraty onde passou a advogar e compôs as músicas mais bonitas sobre Paraty, baladas e marchas-rancho, entre elas a célebre "Tudo isso é Paraty". Foi sua fase musical mais rica. Coincidindo com esse período de grande riqueza poética, surgiu o B~ V~lhacouto que !~z história em Paraty. Foi a primeira pessoa a utilizar os porões de sobrados para determinadas finalidades que não fossem dep?s~tos. Pa:a este Bar, do qual não chegou a particrpar da Inauguração por se encontrar em exílio político, compôs a música "Chiba do Valhacouto" . Ao mesmo tempo em que frequentava a alta roda literária, conhecia e convivia com a ralé, os tomadores de pinga de botequim. E e profundo

conhecimento da vida serviu de subsídio para que desenvolvesse sua obra poética e musical e o levou a ser cidadão do mundo. Da ~esma maneira que compunha uma grande música, que escrevia as "Larnentações sobre os muros. de Pa:aty", poema que ganhou.o 2° lugar no Tor~eIO Nacional de Poesia realizado na antiga TV Tupi, ele compôs músicas como "Latinha de Skol": "Você já viu uma latinha de Skol virar caracol?" Marcado por sua profunda irreverência, José Kleber con~eguia ser cidadão do mundo e ao mesmo tempo apaixonado por suas raízes. Vende tudo que tem, o~pra e se instala na Itatinga, uma fazenda que fazia parte de sua história de infância sua mãe havia lecionado ali. A Fazenda Itatinga foi ~ua vida, seus film~s (Mão Vazias, Leila Diniz), sua música, sua poeSIa e sua morte - 7/fevereiro/89. Foi sempre muito inteligente, rodeado de muitos amigos, amores e ao mesmo tempo muito solitário. Amou demais mas sem nunca se ligar diretamente a ninguém. Amava e desamava com a mesma intensidade, com a mesma força com que amava suas poesias, suas músicas e sua vida. Para nosso irmão José Kleber, do seu irmão Vicente.

Vicente Cruz

fra~e~(01 ida~de

amigo~ de Paraty

sensibilidade e os conhecimentos do Zé eram de uma grandeza que pode ser comparada à dos filósofos taoístas. Foi grande e jamais se sucedeu a vaidade ou busca de glória. Apenas quis viver a vida intensamente. Um iniciador de cabeças, um indicador de caminhos". Nena Gama


J oprava

um sudoeste esquisito e nós na Praia do Pontal, nos preparando para sair no nosso pequeno veleiro. Da praia, José Kleber nos avisa para não ir, que o mar está bravo e que o vento está forte. Retrucamos que o barco é seguro e que não vamos longe e saímos assim mesmo. De repente, olhamos para a praia e lá vem José Kleber pelado na água gritando: "Parem, parem, vocês vão se afogar, vocês são meus irmãos, parem ..." José Kleber embriagado, tresloucado e poeta. José Kleber que mal nos conhecia, correndo pelado na praia em plena luz do dia, para nos salvar, de braços abertos, como um Jesus Cristo na cruz, sacrificando a sua dignidade por um punhado de estranhos. Ou talvez para ele a dignidade não significasse nada diante da poesia do gesto ensandecido e absurdo, mas cinematograficamente fantástico, como no final de um filme de Fellini. Marcos Caetano Ribas Secretário Municipal de Turismo e Cultura

\\11 Zé foi meu grande professor de ecologia. Ele sabia das estrelas, do mar, da mata. Aprendi a ver e sentir a natureza a partir da convivência com ele". Saulo da Cruz Machado

xistem professores e mestres. O Zé era um mestre. Ele não ensinava, se deixava ser observado. Ele era especial. Todo artista tem a sua obra, mas o Zé incorporava a sua própria obra". Luís Perequeaçú


Expo~ição llAlBUM DEfAMíUA JOlÉ KlEBER VIDA E OBRA" l

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Cronologia Obra e vida artística Família e amigos Fazenda Itatinga, viagens e filmes Objetos pessoais, registros, câmara de vereadores Homenagens e impressos

Todo o acervo desta 'exposição foi cedido pela família Martins Cruz

Ficha técnica Prefeito: Benedito José Mello Sec.de Turismo e Cultura: Marcos Caetano Ribas Dir. Dep.Cultura: Rachei Ribas Organização do acervo: Célia Cruz e Irma Zambrotti Organização, concepção e montagem da exposição: Inez Petri Texto: Ana Bueno, Irma Zambrotti e Vicente Cruz

lemana José Kleber de 30 de junho a 5 de julho PROGRAMAÇÃO Dia 30 de iunno- 20h - Casa da Cultura - Abertura da "Semana José Kleber", com a exposição "Album de Família - José Kleber, vida e obra", recital e musical. Dia 1 de julho - 20h - Casa da Cultura - Exibição do filme "A Bela Palomera" - de Ruy Guerra - com José Kleber Dia 3 de julho - 20h - Casa da Cultura - Exibição do filme "Memórias do Cárcere" - de Nelson Pereira dos Santos com José Kleber Dia 5 de julho - 20h - Praça da Matriz - Exibição do documentário sobre José Kleber feito pela Eco TV.

José Kleber - Semana julho 1997  

Durante essa semana vamos voltar no tempo. junto com Paraty, na época em que aqui vivia o José Kleber e vamos escutar pelos becos a sua músi...