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Suplemento

da NATIONAL GEOGRAPHICBRASIL, abril de 2001

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Tebas e as tumbas reais Talhados na pedra, muitos exemplares da arte e da arquitetura da antiga Tebas ainda sobrevivem em Luxor e Karnak. Tebas era a capital do Egito.:no c02:naçQ., da 18ª·dinastia-e mante 'e-se como centro religioso mesmo apés a mudança ,.': =rda capital para Mênfis e, mais tarde,


Iniciado na 12' dinastia, o templo . de Amon-Ra foi ampliado com santuári0':-Z"\ . portais construídos pelos sucessivos fara~s, .

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~iiiiêt~~_,..Diferentemente do que ocorre na maioria d~ssll!; !!I complexos arquitetônicos, esse templo tinM dois eixos, leste-oeste, seguindo a trajetó~ do Sol, e sul-norte, seguindo o curso do Nilo.

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Lagos artificiais na área dos templos de ron-Ra e Mut abrigavam gansos e patos, bnsiderados sagrados, e forneciam parte água utilizada nos rituais de purificação.


governante do antigo Egito era "senhor de tudo que existe sob o sol", conforme reza uma inscrição na parede do grande ~.complexo de Karnak. Intermediário entre os egípcios e seus ~ deuses, o faraó era, ao mesmo tempo, sumo sacerdote e chefe -;:.~<:,:r "";";c., ~c-=de Estado. Ao erguer templos e fazer oferendas, reafirmava .'. "c:;;?J.'/"I'-, r•.•.::-::; ••• ~ua incessante devoção às divindades, que, em troca, preservavam o mundo ~.!:-i1~~'':;! material e tudo o que nele vivia. ----~ ..•••.Ia rainha Hatshepsut, a estátua do Em todos os templos da cidade de Tebas, os sacerdotes, representantes Amoo-Ra era levada por terra de Karnak do soberano, cuidavam diariamente das estátua dos deuses como se ; ~~LI.ar:. auante a festa de Opet, e retomava ••.. ..." lNn:aça. Pelevo« que mostram ° itinerário fossem seres vivos: vestiam-nas com traje fino adornavam-nas com i)l~' -_ •••••.•- constituem os registros mais antigos e ofereciam-lhes comida de manhã e à noite. ~. AiJuns egiptólogos acham possível ~ / /. '-',;••••• :; ."..-.,...Batsh~psut tenha criado a festa -~~.r-;r-i-Ao longo do ano, o farao e seus sacerdot também realizavam festas em0.; laomenag~màs divindades. Nessas ocasiõ o aclamava as procissões; ;;;.......;;~._~ 1_"" r ,.;1 -.' ntoava hinos e dançava para agradar o d a festa anual de Opet (mostrada junto aos obeliscos centrais do tem o estátuas do deus Amon:~~~---R- a, de sua consorte Mut e de seu filho Kho eram levadas desde Karnak até o templo de Luxor, onde ainda relevos retratando as cerimônias públicas. Os rit , que na época constituíarri. , .-i, .-~_.._. um mistério para velmente se destinava , '.. (""~ _- _,''''''' a rejuven eu,s€S DO;; ~a:is um aJ,lQ. rI':.-. .çÇ_,'

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Os templos

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do antigo Egito eram a morada dos ~

deuses, à qual tinham acesso apenas o faraó e os sacerdotes autorizados. Os devotos comuns rezavam no lado de fora e entravam nos fátios

externos para assistir às celebrações.

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para o delta do Nilo. o cosmo egípcio, oreifío dos mortos- ficava além do horizonte ocidental. Na outra margem do ilo, na Tebas ocidental, sucessivos governantes do Novo Império ~ escavaram túmulos na rocha. Também , ':·-"~'fi=:=ergueramtemplos funerários para a celebração de ritos de sepultamento .;..-e dos constantes rituais necessários para alimentar o espírito no outro mundo .

(TelI'.plode RamsésIll)

Malqata {Palácio de Amenófis Ill)

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Cerca de 2950 a 2775 a.C.

Cerca de 4500 a 3000 a.C.

VASO DE TI:RRACOTA: SECUlp ]O a.C.; EGYPl1AN MUSEUM. CAIRO;

KENNETH

GARRETI

Tradição artística

O rei-serpente

Uma predileção pelo ornamento aparece na cerâmica mais antiga. Vasos pré-dinásticos apresentam desenhos geométricos entalhados, hipopótamos e crocodilos moldados e motivos pintados, como barcos a remo e dançarinos. A cerâmica era comum em todo o Egito e as mudanças de estilo fornecem pistas para a datação de locais.

A serpente, ou djet, identifica o 3º rei da 1ª dinastia numa estela de pedra - na verdade o seu túmulo. A este Ia contém a representaçâo de-um edifício e do deusfalcâo Hórus, ressaltando o nome do rei. Esse monumento encontra-se em Abydos, mas o corpo do rei provavelmente foi destruído por saqueadores.

Flutuações do Nilo Cerca de 4500

ae. a 395

d.e. ~.,---'

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As mudanças no nível do Nilo, assinaladas em cinza, parecem coincidir com os altos e baixos da história política do Egito. Um nfvel muito baixo reduzia

as plantações a campos secos e estéreis; alto demais, danificava os sistemas de irrigação. Ambos os extremos provocavam fome e caos.

Copyright © 2001 National GeographicSociety, Washington, D.C.

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1" DINASTIA; P,.,q.RIS

ou LOlJVR;E.

Cerca de 3100 a.C.

Cerca de 2650 a.C.

Surgimento do Estado

Uma figura pública.

Na

arte primitiva, coroas diferentes simbolizam a autoridade em cada uma das regiões: os gevernantes do Alto Egito usam uma coroa branca; os do Baixo Egito, uma coroa vermelha. Juntas elas formam a coroa dual, símbolo da unificaçâo das duas regiões.

ESTÁTUA DE lMHOTEP: PER(ODO TARDIO; MUSEE OU lOUVAE. PARlS

Embora não fosse rei nem sacerdote. tmhotep teve seu nome imortalizado graças a seus múltiplos talentos. Conselheiro tio rei Djoser, arquiteto da pirâmide de Sagqara e provável autor de textos literários e médicos, foi reverenciado pelos egípcios como deus da sabedoria. Estatuetas o mostram segurando um rolo de papiro.


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MUitos deuses do' an~ejifci;;:er~~ de excepcional proeminência. Depois dCl Primeiro Período Intermediário. uma fanlília de prín6j~s _ de Tebas assumiu o trono' e fez\de'Amo~-Ra O deus supremo do 'reino. Se/templo, em Karnak. tornou-se u monumenY:o eSta!!! r _

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o e "("'TI' OS faraós L'r a'" na "lorre as mesmas necessidades da vida. A tumba tornava-se sua morada terrena, onde ele dispunha de alimento, bebida e bens materiais. Sua múmia, preservada para a eternidade com as feições intactas, era o portal entre os dois mundos, oferecendo ao seu espírito um caminho para o reconhecimento do sustento do corpo.

ESTÁTUA DE MENTlmQTEP 11·

DINASTIA;

EGYPTIAN

MUSEUM,

CAIRO:

G1RAUOONJART NOVA

11:

AESOUACE, VORK

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Domínio asiátic

Devastado por lutas políticas, fome e doenças, o Egito dividiu-se em dois estados antagônicos. Quando assumiu o trono de Tebas, Mentuhotep II decidiu reconquistar o Baixo Egito. A sucessão de nomes que adotou reflete o progresso de seu reinado: Aquele que Dá Ânimo às Duas Terras, Senhor da Coroa Branca (Alto Egito) e, por fim, Unificador das Di;Jaslerras.

Estrangeiros conhecido como hicsos controlara o norte do Egito durant o Segundo Período Intermediário. Nas crôn' 'eles foram apresentado como invasores e péssi governantes. Apesar di! os hicsos, provavelrnen originários da Ásia ocic mantiveram intacta par da cultura e da estanur política do Egito.

C~rca de 2350 a 2150 a.C.

Transição e declínio Piguras esqueléticas na pirâmide de Unas, o último rei da 5ª dinastia, prenunciam a fome que contribuiu para lançar o Egito no Primeiro Período Intermediário. "O país intei·ro parece um gafanhoto faminto", diz uma temível inscrição da época, Outros textos registram seca, tempestades de areia e até uma mulher que foi obrigada a comer pulgas. MINIATURA DE ARQUEIROS NÚBIOS: '1'" DINASTIA; EGYPTlAN MUSEUM, CAIRO;

KENNFTH

GARRETT

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Dois tipos de clero atendiam às necessidades religiosas. Os sacerdotes e os cantores de liinos estavam ligados em tempo integral a um templo. Os sacerdotes laicos. que faziam tarefas como carregar as estátuas dos deuses na festa de Opet, trabalhavam em períodos determinados.

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Domínio de s SesonqI ~ s;

Cerca de 1450 a.C.

A queda de J ope

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Cerca de

Nova a

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Durante o Novo Império, as guerras travadas contra as cidades-estado da Ásia ocidental visavam proteger o Egito de invasões, mas a vitória redundou em ricos butins e cativos que se tornaram trabalhadores valiosos. Tutmósis 111 deixou um legado de campanhas respeitado no Egito por muito tempo. O cerco de Jope, atual Jafa, em Israel,

tornou-se legendário. Segundo um raro papiro, o general comandante Djehuty recorreu a um estratagema para romper a resistência da cidade.' Mandou entregar a Jope cestos que deviam conter bens saqueados pelo príncipe local. Naquela noite, os soldados egípcios saíram dos cestos e abriram as portas da cidade.

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DO INTERMEDIÁRIO 11-

Um militan Sesonq 1Bíblia-, a num país de impor s sobre os c de Tânis e sua atençã O rei Saio morrido e de seu rei estavam el Esperando

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1000 A.C.

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Cerca de 1473 a 1458 a.C.

Cerca de 1353 a 1336 a.C.

Cerca de

Comércio com Punt

Faraó herege

Guerr

m algum lugar ao sul do E~ito situava-se a terra de Punt. Expedições I comerciais, que para chegar lá cruzavam o deserto e ingravam o mar Vermelho, retornavam com artigos de luxo como mirra, ébano, marfim e babuínos. Um relevo no templo da rainha Hatshepsut, em Deir el Bahri. retrata a corpulenta rainha de Punt recebendo uma dessas delegações.

Os raios do sol Iluminam Akhenaton, sua rainha Nefertiti e suas filhas numa cena que ilustra uma breve e radical experiência religiosa. Abandonando Amon-Ra, o deus do Estado, o faraó passou a adorar o deus Aton e trocou seu nome, Amenófis ("Amon está contente"), por Akhenaton ("servidor de Aton"). Mas seus sucessores~ retomaram a antiga rengiã;.

Expandinc base, na ' hititas des egípcio nó do Medit série de b quais nen prevalece' Ramsés 11 assinara dois impé aliados e uma prin uma de s

AKHENATON "là ESQUERDAI. NEFERllTl E SUAS FILHAS: 1st DINASTIA; EGVPTlAN MUSEUM, BERUM


Acompanhadas do soberano e dos carros reais, as estátuas sagradas da tríade de Karnak Amon-Ra, Mut e Khonsu - deixavam o templo numa procissão que incluía sacerdotes com ~eimadores de incense, abánadores, soldados, músicos, cantores, dançarinos e oferendas abundantes, como gado, gaze/as, vinho, frutas e buquês de lótus .

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332 a 30 a.C.

Alexandre e os ptolomeus Antes de deixar o Egito, - Alexandre. o Grande, fundou Alexandria, cidade que se tornou um centro de literatura, filosofia e ciência do mundo antigo. Alexandre morreu na Babilônia, aos 33 anos' de idade. Um de seus generais, Ptolomeu, assumiu o controle do Egito, dando início a uma dinastia grega que adotou

525 a 332

s.c.

Domínio persa o Egito não resistiu aos persas. e"ot:lq.uistad(j)por Cambises, tornou-se uma simples província-de um vasto império. Os egípcios . os expulsaram. mas Nectanebo 11, o último rei da 30ª dinastia, foi também o último soberano nativo. Os persas recuperaram o controle até serem derrotados por Alexandre, o Grande. Para informações

o estilo dos faraós. Alguns pesquisadores entendem que Cleópatra, últim-a representante da dinastia, foi a única que aprendeu a falar egípcio. Como Roma tornara-se uma grandepotência no Mediterrâneo, Cleópatra aliou-se a Júlio César e, mais tarde, a Marco Antônio, mas em vão. Derrotada pelas forças de Otávio ria batalha de Áccio, ela se suicidou.

30 a.C. a 395

d.e.

A era romana As irnlilQ1'taçÕesde cereais egípoios eram importantes p·a.raa crescente populaçáo €le Roma. Para legitimar seu 'd'omínio aos olhos dos ·ipcios, os romanos sqataram tradições reais Gomo -a construção de 'templos. Quando o Império Romano se dividiu, os governantes bizantinos assumiram o Egito.

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Cidade egípicia, mapa - NGSBR  

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