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LITERATURA COMPARADA pror. AU~id Machado

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C AR V ALHAL Tània Franco. Literatura Comparada. 4.ed. São Paulo: Atica. 1999. pp. 5 -8: 45-49. N" de ~TRINt Sandra. Literatu" Comparada. São Paulo. EDUSP. 2000.

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i. Literatura

Comparada:

os primõrdios

Designa uma forma de investigação literária Que confronta duas ou mais literaturas: Estudos comparados: investigações bem variadas, que adotam diferentes metodologias e que, pela diversificação dos objetos de análise. concedem li literatura comparada um vasto campo de aruação. Examinam a migração de temas. motivos e mitos nas diversas literaturas, ou buscam referências de fontes e sinais fie influências; LC: não existe apenas uma orientação a ser seguida - ecletismo metodológico - ie, o método não antecedi! a análise. como aigo previamente fabricado, mas dela decorre - não é sinônimo de apenas de "comparação", pois a comparação não é um método especifico, mas um procedimento mental que favorece a generalização ou a diferenciação. Breve história O surgimento da LlC está vinculado à corrente de pensamento cosmopolita que caracterizou o século XIX, época em que comparar estruturas ou fenômenos análogos, com finalidade de extrair leis gerais foi dominante nas ciência> naturais. Entretanto, o adjetivo "comparado",

derivado do latim comparativus, já era empregado na Idade Média.

Critica literária x Literatura Comparada Quando a comparação é empregada como recurso preferencial no estudo critico, convertendo-se na operação fundamental da análise: tal investigação é um "estudo comparado".

~-Onde começa a ellpressão Literatura Comparada (entre países, estilos e épocas): Séc. XIX - Compara estroturas com finalidade ôeç;w-.ill- leis gerais. Em filosofia e fisiologia. [História Comparada dos Sistemas de Filosofia, de Degênwd (1804) e Fisiologia Comparada (18JJ), de Blainville]. 2. O termo "comparado" já fora utilizado em 1598 e no século XVII ["discurso comparado de nossos poetas ingleses com os poetas greco-Iatinos" de Frances Meres (1598) e Fulbeck <CUmdiscurso comparado das leis" (16Õi) e John Gregory (em Anatomia). . 3. Em 1816 surge o Curso de Literatura Comparada Sainte-Beuve ).

Villemain em 1829 usa o termo, mas Ampêre o divulga mais (via

4. Primeira cátedra em Lyon (1887) e Sorbonne (1910). 5. Na Alemanha (1887 - 1910): Periódico da disciplina comparativista. 6. Nos EUA: J 809 e em Portugal Teófilo Braga fui precursor e na Alemanha Madame de StãeJ (J 8(0), "Da lit:eratura considerada em suas relações com as instituições sociais". 7. "Literatura Comparada" ou "Literatura Gerar? (ou "mundial", Goethe usou este termo, para diferenciar de lit:eratura nacional. Seria a integração das literaturas entre si), "corrigindo-se" umas às outras. 8. Imitações e Empréstimos? (por exemplo: influência de Goethe na França, Taine na Inglaterra).

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9. Nos EUA aprimoraram-se estudos comparados dentro de uma única literatura, coisa que os franceses rejeitaVUl

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10. França, 193] - Paul Van Tiegbem: caráter mais analítico. Afirma que os estudos de literatura-comparada (binários) seriam como "análise preparatória" aos trabalhos de "literatura geral", esta mais "sintética" e a primeira mais "'analitica"'. Ele preparava uma história da Literatura Internacional (literatura comparada como subsidio). 11. Jean-Marie Carré (francês) afirmou: "Literatura Comparada é um ramo da história literária; relações eutrenações,

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obras e vidas de escritores. Obras não no seu valor original mas com as transformações que cada nação, cada autor impõe a seus empréstimos", (Goethe e Carlyle) i 2. A identificação de tais contatos abria caminho para os estudos de tomes e influências; com isso, as investigações que se ocupavam em estabelecer filiações e em determinar imitações ou empréstimos recebiam grande impulso.

1-'. No Brasil, 1964. o professor Tasso de Oliveira argumentou: Em Literatura Comparada verifica-se a filiação de uma obra. autor/movimento de um pais aos de outros países. Vemos que ele segue orientações francesas, aproximando-se do binarismo e da constituição de "famílias literárias". O comparattvista seria um caçador de indícios. Um objetivo. como percebemos, ainda muito restrito. Já João Ribeiro em 1905 sugeriu comparar a literatura popular com a erudita e Augusto Mever estudou "temas e fontes". Sem confundir semelhança com dependência

14. Machado. em Memórias Póstumas de Brás Cubas, no capitulo do "delírio", sugere um "quimismo" próximo da visão antropofágica de Oswald de Andrade qUI!alargou as fronteiras da imitação, adaptação, assimilação e originalidade. "Todas as sugestões depois de misturadas. preparam-se para nova mastigação, complicado quirnisrno em que jã não é possrvel distinguir o organismo assimilador das matérias assimiladas." 15. O francês Marius-François Guynard chega a usar Montaigne como eixo para comparar Racine a Shakespeare, ou ainda estudar a interpretação de um pais pela imagem que fazem dele no estrangeiro ("trocas literárias internacionais"). buscavase mais a semelhança do que eventuais diferenças. Em 1%3 e 1974 Etiemble, sucessor de Carré na Sorbonne, renova conceitos ao combater eurocentrtsmo e defende a "imerdependência universal das nações" (Marx). 16. René Wellek em 1958 manifesta-se contra os estéreis paralelismos, resultados de caça às semelhanças. Ele inspira-se no formalismo russo e pede menos dados externos nas análises. Recusa-se a distinguir literatura contemporànea da literatura do passado (postura anri-historicista) e aceita estudos comparados no interior de uma só literatura 17. O Tcheco Dionys Durisin em 1972. apoiado no estruturalismo de Praga, substituiu o termo "influência" por ripa/estratégia dentro dos sistemas e subsistemas literários proporcionadores de "transformações", diferente da. maneira mecânica e casual dos exames anteriores de exportação e importação literárias. [Durisin deixa de lado a relação entre autores para ocupar-se com aspectos formais (relação entre textos)]. Procurou mais faros análogos do que diferenças. O texto é o objeto central das preocupações. quando antes imperavam o historicismo e a figura do autor. 18. As relações que a literatura mantém com outros sistemas semióticos: A inserção de um elemento em um novo sistema altera sua própria natureza e o faz exercer outra função (no novo contexto). A tradição ai, como sugere Tynianov, seria um processo conflituado de idas e voltas. Um texto é absorção e riplia a outro texto, diria Julia Kristeva, deslocando assim "o sentido de dívida antes tão enfatizado, obrigando a um tratamento diferente do problema" (CARVAlliAL, 1986: 5]), buscar-se-iam os motivos que geraram essas relações. o exame dos procedimentos efemados e por que houve tal "resgate" em determinado contexto, que novo sentido lhe foi atribuído (Paródia, Paráfrase, etc.). Lembra-nos conceitos como "Pastiche". Novamente Machado escreve: "idéias nem sempre conservam o nome do pai (...) cada um pega delas. verte-as como pode", disse o mestre em "Esaú e Jacó". Ler um texto é ler os textos que ele leu (não só literários).

ImpofUote: as cootribuições de Tynianov e B.amuo agiram sobre a atuação comparativista, já prec:oniuado as correlações entre a série literária e as oio-litenlria5, esses estudiosos aceum para um tratamento que ~ as relações entre a literatura e as eutras artes que encontram 00 campo dos estudos semiológicos, DaS relafÕeS qae os sutemas sígnicos travam entre eles, novas possibilidades de compreensão para essas correspondências. 18. Harold Bloom quis tratar da "angústia da influência" (1973) e desmistificar os procedimentos pelos quais um poeta ajuda a formar outros poetas (história da poesia = influências poéticas). Isso se dá em forma de "desleitura" em processo contínuo de desapropriação/apropriação. Cita a relação ÉdipolLaio: correção, complemento, esvaziamento/ruplura, autopurgação, retomo. Não há vitória só a ânsia, cristalização do atrito, "males benéficos" que levam à evolução literária. nesse contexto sem ameaças aos originais. Eliot, em 1907, questiona a originalidade das obras (no ensaio "A tradição e o talento individual"). Não se herda tradição, conquista-se. "Não é possível valorizar (um autor] sozinho, é preciso situá-Jo. por contraste ou comparação", cada obra lê a tradição literária ] 9. Jauss, no final dos anos 60, opinou que a obra não poderia ser mais vista como algo acabado a deslocar-se intocável no tempo e no espaço, mas como objeto mutável por efeito das leituras que a transformam, extrapolando o eixo autoI'-obra. r

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20. Há, como já vimos. migração de temas, motivos, personagens, como na obra de Lobato (inrersemiose até: o gato Félix, Peter Pan e outros vão ao "Sitio do Pica Pau Amarelo).

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::1. TRANSCULTURAÇÃO (transformação cultural por influência de outra cuirura) como desierarouizaçâo. "Todo passado nos e 'outro' e deve ser negado. Vale dizer: merece ser comido. devorado". sugeriu HarollbJ de Campos (Colóquio das Letras, Lisboa: 1981). Isso acarreta em alteração. Assimilar o que convém. (caráter seletivo). A Europa também reescreve "escrever é rernastigar".

dcsconstrução.

22. As contradições devem ser expostas CTupi tangendo alaúde", "curupira usando tênis") ("Nós somos também a civilização européia", escreveu Mário de Andrade em "0 Banquete" - uma critica). Antropofagia, traição ou corte radical. a dependência é inevitável? Não podemos negá-Ia, mas podemos expor sua força coerciva e exaltar o que de 1/0VO o mais recente texto traz. De "descolonizado" no sentido de resposta. de referencial me para o "colonizador". entender nossa critica. 23. Os estudos literários comparados assim apontam para um terceiro espaço, tão comentado por Paul Gilroy, Édowuii Glissam.. Stuart Hall, Homi Bhabha, Sandra Nitrini e tantos outros, em reflexões que analisam o local o nacional e o glaihdl. e as questões da identidade e da outridade. Sob o ângulo da intertextualidade: singularidades e processos. Hoje o antigo binarismo trances encontra-se diante de várias encruzilhadas sócio-potnico-cuírurais, todas exigindo sentidos mais abrangentes. A essência do ser humano hoje e sempre em várias horas e lugares Estudo dirigido 1 Provérbios. MoraJidades e Intertextualidade As moraiidades e os provérbios traduzem. um tipo de sabedoria popular cuja autoria perde-se no tempo ene número de pessoas que os enunciaram alguma vez. E isso que lhes confere autoridade: afinal não representam a sabedessa de uma pessoa, mas o saber comum da coletividade. Quantas vezes não dissemos, ao experimentar um duro período dificuldades, que não há de ser nada, que a dificuldade vai passar, pois "não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe"? Quando dizemos isso, esramos concordando com o dito popular e juntando nossa voz a tantas outras que., disseram anteriormente. Estamos exercitando a intertextualidade e nem nos damos conta disso! Quando utilizamos os provérbios em nosso discurso, desejamos que eles tenham força de argumento. J3hs<, expressam um saber que não precisa de comprovação; já têm o seu aval de toda uma coletividade. De tão ~. muitas vezes nem é preciso dizê-los inteiros, pois "para bom entendedor ... ". O perigo que ronda os ditos populares, porém é que, de tão conhecidos e ditos, acabam tornando-se cba\1iiai., esvaziados de sua força expressiva original.

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Nada melhor, então, do que introduzir neles um pouco (ou muito) de subversão.. ._, An"ise o tfito "Bom Conselho", de Cbko Buarque sob este, prisma. Como sua ançjo Podemos afirmar que estes testes (ou intertutos) estio revitalizados! Como ele os utiliz2!

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COIII~

r~------~-----------------------------,~----------~--------------------------~ Bom conselho Buarque

I Chico

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Ouça um bom conselho Que lhe dou de graça Inútil dormir Que a dor não passa Espere sentado Ou você se cansa Está provado Quem espera nunca alcança Ouça meu amigo Deixe esse regaço Brinque com o meu fogo Venha se queimar

Faça como eu digo Faça como eu faço Aja duas vezes antes de pensar

COrro atrás do tempo Vim de não sei onde Devagar é que não se vai longe Eu semeio o vemo : Na minha cidade Vou pra rua e bebo a tempestade

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Leia atentamente o texto a seguir. A investigação das hipóteses imertextuais, o exame dos modos de absorção ou transformoçõo ( como IDII textolfllJ um sistema incorpora eiementos alheios ou os rejeita), permite que se observem os processa ••de a'>.'>imi1oçiío crioIiva iiBII; elementos, favorecendo não só o conhecimento da peculiaridade. de cada texto, mas também o entendimemo das proces!lIIE


.ie produção literária. Entendido assim. os estudos comparados "comparam" com a fina/idade de interpretar questões mais gerais das quais as obras ou procedimentos literartos sdo mamtestações cal/creras. Dai a necessidade de articular a invesugaçào comparativista com o social. o poiitico. o cultural. em suma. com a História num sentido obrangeme. Em sintese. o comparativismo deixa de ser visto apenas como o confronto entre obrar ou autores.. Também não se restringe à perseguição de uma imagem. de um lema. de um verso, de um fragmento. ou à análise da imagem/miragem que lima literatura faz de outras. Paralelamente a estudos como esses, que chegam a bom término com o reforço teóricocritico tndispensavcl, a literatura comparada ambiciona um alcance ainda maior, que é o de conmbuir para a eiucidaçõo de questões literárias que exijam perspectivas amplas. Assim. a mvestigação de 11m mesmo problema em diferentes contextos literários permite que se ampliem os horizontes do conhecimento estético ao me.V11Otempo que, pelà análise contrastiva, favorece a visão crítica das literaturas nacionais. Por outro fado, pela natureza da disciplina. ocupa-se com elementos que a critica literaria mlhitllaJmenle não considera: correspondências. literatura de viagens, traduções. No entanto. ao explorá-Ias. atua criticamense. desse modo que a literatura comparada se integra àsdemais disciplinas que estudam o literário, comp'etalld(~ as com uma atuação específica e particular. CARVALHAL Tânia Franco. Literatura Cemparada. 4.ed. São Paulo: Ática, 1999 p.86

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Extraia do texto algumas divisas importantes acerca da Literatura

2.

O que é Literatura litentri2(s)!

Comparada

3. Esquemarize a trajetória

2. Entendendo

e como o estudo comparado

da LIC dos seus primórdios

Comparada ..

pode contribuir

para a e:lucid2ção da(s) obra(s)

até os dias atuais.

Bakhtin

BARROS, Diana Luz Pessoa de & FIORIN, Jose Luiz (orgs). Dialogismo. Polifoni~ Bakhtin. 2_ ed. São Paulo: Edusp, 2003.

Intertexmaíidade:

Em torno de

1. Prefácio, p. IX Crescemos e nos formamos num mundo dividido e polarizado entre Oriente e Ocidente., socialismo e capitalismo. esquerda e direita, materialismo e idealismo, novo e velho. Somos levados a ler a dinâmica das relações dessas dualidades como sendo a de luta e exclusão - um enfrentamento constante entre duas forças (ou mais), ou seja: •

Retomando às antigas representações do nnmdo como o resultado do enfrentamento do bem com o mal; acrescidas das esperanças cristãs da vitória um dia do bem., com a exclusão definitiva do mal

Mikbail Bakhtin - teóricol filósofo da linguagem russo: viveu na União Soviética nos tempos em que essa também em a visão oficiaL Porém., ele aprecia o Universo sem exclusão "em sua variedade, riqueza e muhiplicidade". • Busca compreender as idéias e a representação delas no seu melhor campo de observação: no romance. Por q"Uê?•

Para compreender "como os homens experimentavam as idéias e as traduziam em ação e representação".

Nota.: o plano poIitico influenciava a cultula de modo geral na época da Revoluçáo Russa (meados de 1917); SUIg8 o Fonnalismo Russo. - uma reaçlJo a vis40 política, histórica, sociológica da literatura' -literatura como desaiçilo da lula de classes, cujo grande representante 'VlSSlJlÍOnBielinsJcí - um dos críticos literários russos mais influentes do século XIX, obcecado com moral e o sofrimento dos pobres. Para quem, segundo lsaiah Berlin, "todas as indagações sérias se resumiam a indagaç()es morais-o Ainda segundo lsaiah Barlin: •....BieIinsJcí (...) até o fim de seus dias aaecftou que a alfe, e em particular alitefllÚJl8, oferecia a veldade aos que a procuravam; que, quanto mais puro o impulso attistico, (...) maior e mais profunda seria a verdade revelada; e permaneceu fiel à doutrina IOI11ánticade que a arte melhore menos aduIrJrada era necessariamente a expresslio nlio apenas do arDsta, mas sempre de um meio, uma cultula e uma nação, c:uja voz, consciente ou filo, era o artista. Sem essa fu~o, ele se tomaria banal e inútil, e somente nesse contexto sua personalidade teria qualquer significado- (Pensadores Russos, lsaiah Berlin). Acreditar nisso corresponcJe a acrec/itar que Jorge Luis Borges, crescendo no bairro pobre de Palermo, foi um produto de Palermo; que PaJetmO falou através de sua boca, como o Faubourg Saint-Germain supostamente falou pela boca de Proust E tantos russos acreditaram nisso. Pense em GOrld, pouco antes da Revoluç4o, dizendo que o esctitor é ·os olhos e os ouvidos de sua classe-.

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Em reação a essa visão.socioJcçico-histórico-tovográfica da literatura. surgiu em São Petersburgo a OPOJAZ - que :Jlgnifica Sociedade Para os Estuaos da Unguagem Poética.: grupo de quatro rapazes chamados ShkJovsky, Eikhenbaum. 5rik e Tynianov. "Nós nos caracterizamos pela llmtatíva de criar uma ciência da literatura. que seja autônoma e e~:tude material especificamente lderário·. Eikhenbaum René Wellek: '0 Fonnalismo foi no inicio deliberadamente e definftivamente emi-histàricc". Boris Schnaiderman, no prefáci.') escrito para 'Teoria da Uteratura - Formalistas Russos": "Desde o início a nova corrente se caracteriza por uma recusa categórica às interpretações extraliteráTias do texto. A filosofia, a sociologia, a psicologia eIJ: não poderiam servir de ponto de partida para a abordagem da obra literária". Objetivo: criar uma abordagem científica para o problema literário: Concomitanremente: Círculo Ungüístico de Praga: MÉ preciso elaborar princípios de descrição sincrônice da língua poética".

Bakhtin (lnfluências) Dinâmica que regulam dois planos: 1° Plano da vida da produção dos bens materiais: podia ser observado e analisado sob ótica da Dialética; da vida da produção dos bens simbólicos: ?

'r. Plano •

Se a dialética hegeliana desenhava bem o movimemo do primeiro plano, o do segundo precisava de uma ouua figura: DlALOGIA-

Principio básico: termo que descreve a vida do mundo da produção e das trocas simbólicas, composto não como um universo dividido entre bons e maus, novos e velhos.. vivos e mortos, cenos e errados, verdadeiros e mentirosos ete. Mas como um universo composto de signos cujos valores não eram dados e estáticos, mas extremamente ambíguos e mutáveis..

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Desse modo, tudo o que era simples poderia se tomar complexo e o que era complexo se tomar simples, o novo ser expressão do velho e o velho do novo, ie, nesse universo nada era definitivamente dado, pq tudo poderia vir a ser, inclusive ....•o-seUCõrrtrár~Q. Nota: O que é Oialéüca? George W. Hegel (Alemanhal1770 Etmologia: do grego dialektikós: arte do diálogo Trata-se de um método de compreensão permanente mudança.

- 1831)

e análise

da realidade,

considerada

essencialmente

contraditória

e

Filosofia do devír (de movimento, do vir-a-ser). "Tudo que existe merece desaparecer" Goethe Idéia central: todas as coisas e idéias morrem; essa força destruidora é também a força motriz do processo histórico. A dialétiea inspirará o materialismo dialético de Kali Marx: • Para Hegel: as idéias e o pensamento criam a realidade e fazem o mundo mover-se; • Para Marx e Engels: as idéias são reflexo da realidade, constituindo idéias e realidade um todo integrado e interdependente. Dialética:

uma informaç4o social ou de omem da produç4o material informações mais novas superavam e anulavam as mais velhas.

conhecia

um ~mento

~•

em que as,

x Dialogismo:

nas formas simbólicas nada era inteiramente superado e esgotado - poderia CtVZ suástica - poderia ser um dia revivida com novos e terriveis significados).

ganhar novos signntcados (p.ex.:

Por ser um autor complexo por reunir fontes idealistas e materialistas, epicuristas e estóicas, marxistas e fenomenológicas, historicistas e fonnalistas, hegeüanas e kantianas, cristãs ortodoxas e pagãs, clássicas e modernistas, muitos têm dificuldades em classificá-lo.

o que notamos na leitura de cada um dos SaJS trabalhos é como relato competente e compreensivo de uma visita, seus estudos resultam se~pre de uma relação; de quem foi aprender com aqueles que procurou conhecer. ~ antes de 5


qualquer critica. ouvia o que tinham a dizer. mais preocupado com as contribuições do que mosuavam e deixavam entrever do que com os limites do que afirmavam.

Anexo 1 04A Intertextnalidade

em O Plantador de Naus a Haver". de Júlia Nery=.

A escolha da obra mencionada como objeto de análise deste artigo, justifica-se pela necessidade de estudo de 11mviés analitico. que. por sua abrangéncia. pode suscitar elementos que. implícitos lia obra. contribuem para a reveloçõo do ponto de vista de seu autor acerca do personagem e do contexto histórico com o qual dialoga, via texto dramáticoficcionai:

Retomando a questão do dialogismo. consideramos que. como pressupõe BaKh11n. o discurso escrito é de certa maneira parte imegrame de uma discussão ideológica e que. por isso. dele podemos recuperar respostas importantes de um discurso social que se cristalizou com o passar do tempo. E'\Se discurso. pode ser percebido lias tmervenções do autor 110 texto novo. como as dos outros autores com os quais dialoga, portanto. "ele /0 INJI,'O texto) respalNk a alguma coisa, reflita. confirma. amecipa as respostas e objeções potenciais, procura apoio ele. rt> Dessa maneira, na releitura biohibliografica de um Rei que atravessou o século XIlf/XIJ~ 011 daqueles que foram testemunhas de sua vida. obra e reinado, podemos amever o reflexo ideológico da composição social de um grupo, sua concepção de mundo e sua ideologia. evidência da afirmação de Bakhtin ao dizer que "Toda palavra é ideológica ..J. Por essa razão. e que, mesmo em lima "aparente" simples fala sobre Dom Dinis. de um dos narradores/personagens da peça, o Lavrador, pode nos revelar um discurso que deixa oflorar os elementos culturais constantes de uma ctasse social: a dos servos, ou dos camponeses que "serviam" a uma camada privilegiada. composta pelos s~~nhon.~ffeudais, ai/os dignitários da Igreja (o clero) e nobreza.

"Cada um tem de limpar o seu campo. Eu limpei a minha letra das pedras e das enus ruins: o rei limpou o reino da Iadroagem ...de quase toda. .. O rei chamava ..na••a nós, os lavradores, "nervos da terra e do reino". EnI:re nós e ele um tratado que T1U1JCa foi preciso escrever: "a terra a quem trabalha ".E de Dom Dinis 1I0S veio a força de nos metermos por paúis e lodaçais! ", (NERY, O PlantaJor tk NtUlS a Iunw-. p. 2-1) Assim. esse Lavrador passou a refletir e refratar a realidade social - imeragmdo CQfIf o SL'U meio - seu discurso é reflexo da situação de produção. O que apenas reforça a idéia da palavra em movimemo, o poder da palavra Através dela. os sujeitos são postos em ação para reproduzir ou mudar o social.

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BAKHTlN. M Marxismo e filosofia da linguagem, p. 123.

4

Idem, p. J 22

• Excerto do Artigo" A Intertextualidade em O Plamodor de Naus a Haver, de Júlia Nery". MACHADO, Alleid. Revista Boca do Inferno. Lisboa, 2004.

3. Polifonia Textual e .Discnniva AaáIise do Discuno:

contribuições

BRANDÃO, Helena H. N. Introdução

teóricas à auálise do disc~no.

2. 00. Campinas, S1;'~Unicamp, 2004.

LinplIKe1ll: 11111II abonlsgem intertu:io1llll Qualquer estudo da linguagem é hoje, de alguma forma, tributário de Saussure, partida, assumindo-o suas postulações teóricas, quer rejeitando-as. No nosso caso. a sobretudo, a sua célebre concepção dicotômica entre língua e fala, Embora reconhecendo provocada por Saussure, logo se descobriram limites dessa. dicotomia pelas conseqüências campo do estudo lingüística.

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que tomando-o como ponto de referência a Saussure deve-se, o valor da revolução lingüística advindas da exclusão da fala do

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Dentre os que sentiram essa camisa de força que colocava como objeto da lingüística apenas a língua, tendo-a corno algo abstrato e ideal a constituir um sistema sincrónico e homogêneo. está Bakhtin (Voloshinov, 1929) que. com seus estudos, antecipa de muito as orientações da lingüística modema. Palmilhando a trilha aberta por Saussure.. parte também do principio de que a lingua é um fato social cuja existência se funda nas necessidades de comunicação. No entanto. afasta-se do mestre genebrino ao ver a língua como algo concreto, fruto da manifestação individual de cada falante, valorizando dessa forma a fala. Visando à formulação de uma teoria do enunciado, Bakhtin atribui um lugar privilegiado à enunciação enquanto realidade da linguagem: "A matéria lingüística é apenas urna parte do enunciado; existe também uma outra pane, nãoverbal que corresponde ao contexto da enunciação", Dessa forma. ele diverge dos seus antecessores (Saussure e a escola do subjetivismo individualista representado ;mr Vossler e seus discípulos), para quem o enunciado era um ato individual e, portamo. uma noção não pertinente lingüisticamenre. Bakhtin, aliás, nào só coloca o enunciado corno objeto dos estudos da linguagem como dá à situação de enunciaçâo o papel de componente necessário para a compreensão e explicação da estrutura sernàntica de qualquer ato de comunicação verbal. Como. através de cada ato de enunciação, se realiza a intersubjetividade humana, o processo de int.enlçào verbal passa a constituir, no bojo de sua teoria, uma realidade fundamental da língua. O interlocutor não fi um elemento passivo na constituição do significado. Da concepção de signo Iingüístico como um sinal inerte que advém da análise da língua como sistema sincrônico abstrato, passa-se a uma outra compreensão do fenõmeno: à de signo dialético, vivo, dinâmico. Essa visão da linguagem como interação social, em que o Outro desempenha papel fundamental na constituição do significado, integra todo ato de enunciação individual num contexto mais amplo, revelando as relações intrínsecas entre o lingüístico e o social. Para Bakhtin, a palavra é o signo ideológico por excelência, pois, produto da interação social, eu se carac:teriza peja plurivalência. Por isso é o lugar privilegiado para a manifestaç20 da ideologia; relnllll as diferentes formas de ~nificar a nalidade, segundo vozes e pontos de vista daqueles que a empregam. Dialógioa por natureza. li palavra se transforma em arena de luta de vozes que, situadas em diferentes posições, querem ser ouvidu por outras vozes. O reconhecimento da dualidade língua e fala, isto e, do seu caráter ao mesmo tempo formal e atravessado por entradas subjetivas e sociais, provoca o deslocamento do estudo da língua, sistema ideologicamente neutro, para a instância da linguagem enquanto discurso: ponto de articulação dos processos ideológicos e dos fenômenos lingüisticos. A linguagem enquanto discurso é inreração, e um modo de produção social; ela não é neutra, inocente e nem narural, por isso o lugar privilegiado de manifestação da ideologia. É lugar de conflito, de confronto ideológico, não podendo ser estudada fora da sociedade, urna vez que os processos que a constituem são históricos-sociais.

"A palavra não é um objeto. mas um meio constantemente ativo, constantememe mutáve! de COIIIIIIIicoçlJo dialôgica: Ela nunca basta a lima consciência, a uma voz. Sua vida está na passagem de boca em boca, de "", contexto para outro, de um grupo social para outro, de uma geração para outra. Nesse processo ela nõo-perd« o seu COIIIinho nem pode liberta-se até o fim do poder daqueles contextos concretos que integrou. .. (Mikail Bakhtin) A CONCEpÇÃO

DA PALAVRA

EM BAKHTIN MarinaJva Vieira Barbosa Profusso~de~P~~e~

T~rov, no prefácio da Estética da Criação Verbal, dgme Bakhrin co o ~ d,.!s fi ras mais lJ!!Í . Ia e_,,!jgm!rica ~ cultura euro " ck.meados do século xx. Procurando ~ com ~ de homem que uire uma linguagem id--: rDota e a~ e co~ a diCõt~ u~ a lin~ como forma~eúdo,Bákbtin~ um homem que dialoga com a realidade por meio da ~ Este teórico provoca fascínio, talvez, pela sua capacidade de ver g., mundo, o homem e a linguagem como sendo partes de um mesmo processo dialético .

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As concepções de Bakhtin exigem do leitor um olhar múltiplo sobre o mundo e sobre o outro. Trata-se de uma teoria que 'lê.A.mundo a~ de ruídos, vozes., sentidos, sons e linguagens ~ se misturam., {re)constroem-se, modificam-se e transformam-se. Dei'itro esse burburinho, a palavra assume 6?e primordial, ~ dela ue o ·cito se constitui ;-t.constituído. Para pensar a palavra a partir dessa perspectiva, faz-se necessário considerar o direito e o avesso não romo partes distintas, mas como elementos que se complementam por meio de uma relação dialógica ~ visão dialQgica SJ,! era a ~escti - dos elementos estritamen!.eJi!!güisticos e busca também Q elementos emalingüísticos gm; direta ou jndir~ente, condicionam a mteração nos lanos social econômico, histórico e ideológico. Para pensar a concepção de palavra para Bakhtin, é preciso abandonar a - de:~codifi~!!' içca~· ~-~e~~~~2~ que dá mãi-gem a uma percepção de língua como sendo um código fechado. Assim, a linguagem e a história são pontos

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tundame tais na compreensão das questões humanas e sociais. Por ser poiissémica e dialógica. a palavra traz marcas culturais. sociais e históricas. Neste ponto Bakhtin estabelece o maior divisor de águas na construção de sua teoria sobre a lingua, pois ao afirmar que o contexto histórico é parte constitutiva da linguagem. ele questiona as concepções estrururalisras que tomam a palavra como parte de um sistema abstrato de formas. em que o falante nào tem poder de intervenção. O contexto histórico transforma a palavra fria do dicionário em fios dialógicos vivos que refletem e refratam a realidade que a produziu. (Bakhtin, 1995) -\ palavra. em situação de uso, é um espaço de produção de sentido. Dela emergem as significações que, conseqüentemente. se fazem no espaço criado peios interlocutores em um contexto sócio-histórico dado. Por ser espaço ,gerador de sentido é controlada. selecionada por meio dos mecanismos sociais. Diante disso. heio que poderíamos chamar de determinismo social, ou seja, dependendo do interlocuror, da situação de uso. o falante determina qual a melhor palavra a ser utilizada. Não podemos pensar em um total assujeitamento do sujeito falante ao contexto social. Ao contrário, se submete, modifica-se para adequar-se à ordem social em que está inserido, por outro, também interfere contexto. Trata-se de uma relação que constitui e é constituída, uma vez que a linguagem não é sistema por isso permite ao sujeito falante abrir fis nstruir outros sentidos, romper o cerco do sentido já

por um lado ele se e muda taJ fixo e abstrato, dado.

Daí Bakhtin falar do processo de reflexão e refração. Neste caso, a palavra, quando entra na arena diseursiva, passa por constantes transformações. Ela é íançada pelo locutor. mas quando devolvida pelo interlocutor, que já tem mudado de posição, passando a ocupar a posição daquele. não é mais a mesma. É a palavra do primeiro locutor, que a proferiu considerando o seu interlocutor, mais o sentido do segundo locutor que a devolve com uma carga a mais de sentido. Assim. podemos afirmar que, em situação de uso, a palavra se vai revestindo de sem idos. tons e valores. Ela e prenhe de significados. Para Bakhtin, a palavra não é somente um universo de sentidos ou signo puro. é também um signo neutro. Ela é neutra em relação a qualquer função ideológica determinada, aceita qualquer carga ideológica. Daí Baldttin considerá-Ia como o modo mais sensíveJ de relação social, uma vez que se faz presente em todos em todos os domínios sociais. É por meio da palavra que percebemos as mudanças mais efêmeras que ocorrem na sociedade. Para compreender como se dá o processo de construção do sentido, é preciso ver a palavra como um signo ideológico. pois só assim é possível perceber a sua capacidade de assumir múltiplas tonalidades em diferentes campos como o político, o moral e o religioso. Os sentidos funcionam como camadas superpostas que se vão juntando. É o conteno, a situação social, o lugar ocupado pelo falante que determinam qual o sentido que deveser dado à palavra. Em situação de uso, a neutralidade da palavra não é possível porque o processo de interação não acontece de forma simétrica entre os interlocutores. Por meio da linguagem as divergências, a materialização das lutas de classes, a disputa pelo poder.por grupos antagônicos, as crenças religiosas e as demonstrações de preconceitos são colocadas em evidência A mobilidade da palavra faz com que nenhum falante seja o primeiro a proferir determinado tópico discursivo. Ao usar a palavra, encontramo-la já habitada pelas falas de outrem, pois ela penetra em todos os domínios da sociedade, por isso é indicadora das transformações que a sociedade infere no ser humano, a palavra associa o traço visível à coisa invisível. à coisa desejada ou temida como umafrági/ passarela improvisada sobre o abismo. (Calvino, 1995; p. 90) Se para Calvino a palavra é a coisa visível e invisível, para Bakhtin ela é a ponte que, quando lançada, de um lado está o locutor e do outro encontra-se o interlocutor. Em cima dessa ponte se dão as tramas sociais e ideológicas que determinam os sentidos da palavra. É interessante observar que tanto Bakhtin como CaIvino vêem a palavra como algo que mostra e oculta, que é clara e escura. É no entremeio dessa dualidade que está o território comum dos falantes, Diante dessa dupla face, Calvino (1995) defende a necessidade de respeito 110 uso das palavras, pois elas permitem aproximar-nos das coisas presentes e das coisas ausentes. Isso exige cautela, pois as coisas ausentes, embora nio ditas. estão presentes, não se distanciam, comunicam-se, mesmo não estando explícitas na materialidade da palavra. O horizonte social mais imediato e o mais distante se fazem presentes na palavra. Bakhtin fala em auditório social imediato e mediato. Se no processo de interação o interlocutor presente direciona a palavra do outro, este também não perde de vista falas, vozes, valores, concepções que se fazem ouvir, embora distantes. Como a palavra traz as marcas históricas, sociais e culturais, a gama de sentido que ela denota é algo que vai sendo produzido de acordo com os processos de mudanças sociais, ou seja, os vários sentidos das palavras são construidos ao longo da história, em momentos singulares, pelos sujeitos sociais em interação verbal A palavra possui uma gama de rumores que perturbam a constituição do discurso. Ao refletir e refratar a densidade do

8


.•••....

mundo que a produziu. revela-se lacunosa e fragmentária. Em situação de uso. ela abre fissuras e brechas que permitem a interferência do outro na construção do sentido. Em cada palavra há vozes. vozes que podem ser infinitameme longínquas, anônimas, quase despersonalizadas .... inapreensiveis; e vozes próximas que soam simtdtaneameme. (Bakhrin ;11 Kramer, I 996: p.l 09) Dentro desse jogo dialético - da palavra que liga a palavra - o sujeito falante, que apreende o discurso do outro, não é um ser mudo e passivo. Ao contrário, é um ser perpassado, cindido pelas suas palavras e pelas de outrem. Podemos afirmar, utilizando-se da voz de Chico Buarque, que no processo de apreensão é estabeleci da uma relação em que a palavra vim:i palavra com temperatura/ que se produzi muda; feita de /1IZ mais que de vemo.' palavra ... que indo a palavra permite a constituição do sujeito por meio da e 110 linguagem. Esse processo de interação não ocorre fora pertencentes a um mesmo contexto. Nesse para a construção dos sentidos. Não existe processo de uso da palavra. Esse horizonte com base no contexto que o cerca.

do contexto social e caso, questões como interlocutor abstrato, é internalizado pelo

histórico, é truta da interlocução de dois falantes classe social, hierarquia e afetividade são determinantes uma vez que o horizonte social é determinante no falante, que passa a fazer suas deduções e considerações

Ao orientar a sua palavra a partir do seu interlocutor, o falante constitui a sua subjetividade considerando o seu outro. Esse processo funciona como um espelho em que o falante busca refletir-se, daí o fato de a palavra ter dupla face, pois é determinada tanto pelo fato de preceder de alguém, como por dirigir-se a alguém. Podemos afirmar, assim, que a sua existência está intrinsecamente ligada à realidade social, fora do contexto de uso é destituída de sentido. A palavra é uma arena em miniatura onde se perpassam e lutam os valores sociais de orientações contraditórias. É a partir do momento em que o sujeito falante entra nessa corrente ideológica, urna vez que a palavra é um signo ideológico por excelência, que constrói a sua visão de mundo. Neste sentido, a palavra, quando proferida, traz as marcas inalienáveis da vida. (Bakbtin, [995; p. 49) Tais fatores extralingüisticos determinam socialmente as palavras dos interlocutores, uma vez que eles também são sujeitos sócio-históricos e trazem valores, ideais, desejos, culturas e marcas de pertencimento sócio-politico-ecenômico diferentes. Tais pertencimentos, que marcam singularmente os sujeitos, se fazem presentes na. materialidade de suas palavras. As palavras refletem, não de forma mecânica, os conflitos e apontam as marcas ideológicas distintas de cada sujeito em interação. Nessa visão bakhtiniana não existe pensamento e linguagem inatos. A atividade mental do sujeito pertence totalmente ao campo social, pois a palavra e o material semiótico, externos aos sujeitos, são elementos determinantes para a orgam7J!ção do pensamento que, posteriormente, retoma ao campo social. A palavra, em sua condição de signo, é adquirida no meio social que, interiorizada pelo sujeito, retoma ao meio social por meio do processo de interação, numa forma diferenciada, ou seja, ela é dialeticamente alterada devido às colorações ideológicas que marcam as condições de produção. Em razão desses condicionamentos sociais e históricos que perpassam tanto os sujeitos quanto as palavras, somente o acontecimento emmciativo dará a significação da palavra que, nwitas vezes, será diferente da significação registrada no léxico; a significação é constnúda no processo de iotecação social. Assim, apaJavra é constitutiva tanto da oonsciência quanto do desenvolvimento humano. A linguagem é constitutiva dos sujeitos sociais. BmLlOGRAFIA BAKHTIN, MikhaiJ (Volochinov). Marxismo CAL VINO, Ítalo. Seis propostas

e Filosofia da Linguagem.

São Paulo, Hucitec. 1995.

para o próximo milênio. São Paulo, Companhia da Letras. 1995.

KRAMER, Sônia & LEITE, Maria Isabel. Infância:

/

-~~-----~--------

fios e desafios da pesquisa. Campinas, Papiros. 1996." - -


Literatura Comparada Um exemplo prático Dom Dinis: o paradigma

histórico revisitado

Texto J Sexto rei de Portugal, filho de D. Afonso 111a de D. Beatriz de Castela. A doença de seu pai preparou-o bem cedo para governar. Foi aclamado em Lisboa em 1279, para iniciar 11mlongo reinado de 46 QJlOS,inteligente e progressivo. Lutou contra os privilégios que /imitavam a sua autoridade. Em /282 estabeleceu que sájunto do rei a das Cortes se podiam fazer as apelações de quaisquer juizes. a um ano depois revogou doações feitas antes da maioridade. Em J 284 recorreu às inquirições. a que outras se seguiram. Em 1290 foram condenadas todas as usurpações. QUQJJdosubiu ao trono, estava a coroa em litígio com a Sm11a Sé motivado pa.I' abusos do clero em relação à propriedade real. D. Dinis por acordo diplomático, obteve a concorda/a após a qual os litigios passaraJn a ser resolvidos pelo rei a os seus prelados. Apoiou os cavaleiros portugueses da Ordem de Santiago. que pretendiam separar-se do seu mestre castelbano. Salvou a Ordem dos Tempiários em Portugal, passando a chamar-Ihes Ordem de Cristo. Travou guerra com Castela, mas dela desistiu depois de obter as vilas de Moura a Serpa; territórios para lá do Guadiana e a reforma das fromeiras de Ribacoa. Percorreu cidades a vilas, em que furtificou os seus direitos, zelou pela justiça a organizou a defesa em todas as comarcas. Fomentou todos os meios de lOIIa riqueza nacional. na extração de prata. estanho. ferro, exigindo em troca um quinto do agrícolas para a Flandres; Inglaterra e França. Exportações 'fue abrangiam ainda sal e peixe salgado. Em troca vinham minérios e tecidos .. Estabeleceu com a Inglaterra um tratado de comércio. em 1308. Foi o grande impuisiooador da nossa marinha, embora fosse à agriculhua que dedicou maior atenção. A exploração das terras estava na posse das ordens religiosas ..D. Dinis procurou interessar nelas lodo o povo, pelo que facilitou distribuições de terras. Fundou aldeia ••, estabeleceu toda uma série de regiões a ar províncias. Deve-se ainda a D. Dinis um grande impulso na cultura nacional. Entre várias medida .••tomadaç, ckve oõeas:

A sua corte foi um dos centros literários mais notáveis da Peninsula: Como comribuidor da cultura, escrevnl cerca de /40 cantigas lírica ••e satírica ••e implantou em Portugal a primeira Univer: ••idade (provavelmente imp/onlada em 1289 e confirmada pelo Papa Nicolau IVem 9 de agosto de J 190). ,...,\fI,#? ~ "",):;: dePiDa

y

Teuo2 A El-Rei D. Dinis ~e

'\_~ )Jollr

.

\t;-: 'V

~""?

/'~

de insígnias diferentes, Cetro. e picão. e livro, e espada, e arado? Este foi paz de Reis, e ~ gentes; G:-i1iide Dinis. Rei nunca assaz louvado. Outros foram mia~ só causa excelemes: \ ~

Este com todas nobreceu seu estado. Regeu. edificou; lavrou, venceu, HOIUou as musas, poetou e leu. ADwaio Ferreira

Texto 3

"~:d

JJ

\V -'.

Dom Dinis

~~

Na noite escreve seu Cantar de Amigo . O plantador de naus a haver, E ouve um silêncio ~ É o rumor dos pinhais que, como um trigo De Império, ondulam sem se poder ver, ÍÀm>io, esse cantar, jovem e puro, - d..e.,~ v-;:r Busca o oceano por achar: ~o-'l E a fala dos pinhais, marulho obscuro, É o som presente desse mar futuro, É a voz da terra ansiando pejo mar. Fenumdo Pessoa

0 /"", ._ '"

O texto 1 é um registro biográfico feito por Ruy de Pina, Cronista-Mor que viveu entre 1440 e 1522. Através de sua leitura percebemos que D. Dinis foi um dos melhores reis que houve em Portugal Os dois outros tatos, o primeiro pertencente ao Classicismo, o segundo, ao Modernismo. estabelecem diálogo ou com a figura de Dom Dinis ou com a sua obra. .. 1.

Faça ~

breve análise dos intertextos e teça um comentário acerca do diálogo intertextu.aJ que neles há.

Sug~: defina o paradígma (com quem (ou cofu o quê) os intertextos dialogam; os intertextos seguem a mesma orientação ideológica? Qual é o mecanismo que promove a intertextualidade? I

-----


• Estudo dirigido 2 Fundamentos

Teóricos do Dialogismo para

o Estudo do Discurso Literário

Texto J

*_ .

\

.;-

Os doá casamentos de Jacó. ãirea'" iIi SflldLI!:.oepoiS disse Labõo a Jacó: Porque lU és meu irmão. hás di! servir4llt! de graça? Declara-me qual será o teu salário. E Lahão tinha duas filhas: o nome da mais velha era Lia. e (/ nome da me7klr Raquei.JJiil$· porem tinha othos tenros. mas Raquel era de formoso semblante e formoso a vista. E Jacó amava a Raquel. e disse: "Sete antlS(1ri! servire! por Raquel. tua filha menor. Então disse Labõo: Melhor é que eu ta dê. do que a dê a outro varão: fica comigo. Assim serviu Jacó sete anos por Raquel: e foram aos seus olhos como poucos dias. pelo muito que a amava. E disse .Aai}w Laõôo: Da-me mmha mulher. porque meus dias são cumpridos. para que eu entre a ela. Então ajuntou Labõo a todos os m1Ves lÚJ!lIIlugar. efi.'Z banquete. E aconteceu. tarde. que tomou lia. sua filha. e trouxe-lha. E entrou a ela. E Labõo deu sua SL'7VQ :Uipa a.LirJ..:rslm filha. por serva. E aconteceu pela manhã ver que era Lia: pelo que disse a Labão: Por que me fizeste isso? Não cenho servilílDflIJI'i Raquel? Par que pois me enganaste? E disse Labôa: Não se faz assim no nosso lugar. que a menor se dê antes da primogênua. Oll!l.l'~?' a semana desto; então te daremos também a outra. pelo serviço que ainda outros sete anos servires comigo. à

Raquel.

E Jacó fez assim: cumpriu a semana desta: então lhe deu por mulher Raquel sua filha E Lobõo deu .\110 serva Bila por fiiha. E entrou também a Raquel. e amou também a Raquel mais do que a Lia: e serviu com ele OUTra sele anos.

!

Sete anos de pastor Jacó servia

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Sete anos de cordeiro Sete anos de cordeiro já servia Jacó a Lobão, pastor' cruento Que, em. troca apenas do sustento E das promessas doces que fazia Nwneroso rebanho apascentava.

Sete ZIIlOS de pastor Jacó servia Labão, pai de R.1~uel.serra~ bela, Mas não servia ao pai, servia a ela, Que a ela só por prêmio pertendia,

I

3l!'J11ftl1'l:'

sua

Os dias lia esperança de um sÓ dia Passava, contentando-se com vê-Ia: Porem o pai usando de cautela, Em lugar de Raqueí the deu a Lia.

E após tanto servir, dia após dia, Viu Jacó a esperança de mna vida, Nédia Raquel, a ele prometida Pelo astuto Lobão, tomar-se Lia, Num ardil mesquinho odioso.

Vendo O triste pastor que com enganos Assim lhe «a negada a sua pastora, Como se a não uvera merecida,

Fez-lhe c:ntào o pastor singela oferta: Servir mais sete anos sem protesto. Após os quais - tempo modestoA pmcira lhe seria enfim aberta Para gozar Raquel com libcl'dadc.

Começou a servir outros sete anos, .Dimldo: Mais servira, se não fora Para tão longo amor tão curta a vida. (Luís Vaz de Cam6es)

Por mui simples e também por mui cordeiro, Acc:dcu Jacó sem um balido. Mas aon:s do prazo transcarido, Percebeu o rebanho tão ordeiro Que ~J era um Lobão mellia' vestido. (Eduardo Alva da Costa)

-Eduanlo AI vcs da COSIa

(Nitcrói RJ 1936)

Cooduiu o curso de Direito na Univenidade Mact:enzie em 1952. em ~ Paulo SP. Por ,-oI1a de 1960 organizou as Noitude Poesia. DO T_ AR:IIL •••• SIot~ Partic:q,ou no movimc:nto do•• Novissimos. da MassaoOhno. em 1962. Entn: 1962 e 1989 pubIioou. oovela Fátima e o Velho. o romanccC~aseo livrode_ft~ do Jogo. Recebeu. ~-m 1978. o primio Anchida de Tcairo pan a peça As Cawpainhm. Em 1994 fui lançado seu li",) ju""';l ,I/~ Ik _ .~. EaIno 19960alJlftl foi <:rOOÍ5Ia do jornal paulislano Diário PoprJar. Seu lilÚco livro de poesia. .Vo cartfiIrho. eu. A/aioluN:Jl.i. fui publicado em 1985. Sobn: sua ••••••• <lilica EIvira NqlpLt afirmou: "Eduardo Alvcs da COSIa. em dircçào à originalidade. implica em e.<periências mais dificeis .lwMImeodo todPia o in-ario do ccrdJnl que a.mói _ ••••• poéli<:omo e assépóc:o. árido c imperfeito. Há cena obcdiéncia em seu roceiro lírico. 05 RCUDOS likririos silo medidos. de um coeso ioo"ador. O ...,."., cIáIico c dcaaiIi_ explosões sem rima. sem IÕrmulas métricas. o predi5põc ao caminho da prosa. ".

Literatura

Comparada

.Estudo dirigido 3 Fundamelltos Teóricos do DiaJogismo para o Estudo do Disc:ano Literário

Trlode de Uanor (Camões) !

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1

••


Literatura comparada Bakhtin e a natureza constitutivamente •

Busca da compreensão funcionalismo

das formas

da linguagem

dialógica

de produção

de sentido.

da significação

discursivo: (conduz à estética e ética da linguagem).

I!'

Bakhtin enfoca a linguagem segundo postura estética, ética e reflexões filosóficas;

O seu conceito de linguagem abrange visão universal sentido, vai além da abordagem

e

(construção

e instauração do

lingüística! discursiva ou da teoria da literatura).

Há um grande interesse pelos diálogos

filosóficos:

neo-kantisrno,

fenomenologia,

marxismo, freudismo. lingüística, estilística. biologia, física e matemática: •

A natureza dialógica da linguagem é um conceito fundamental

Sentido

e

significação

envolvem

dialogismo,

nas obras dele:

polifonia.

interdiscurso

e

heterogeneidade: •

Um dos eixos do pensamento representação

Alguns

indícios:

bakhitiniano

da heterogeneidade dimensão

está na busca das formas e dos graus de

constitutiva

histórico-ideológica,

da linguagem. ccnstituição

sígnica

das

ideologias,

insistência na discussão de uma natureza interdiscursiva,

social e interativa da palavra, a

tentativa

sobre

de

oferecer

interdiscursividade Questiona-se:

elementos

para

uma

reflexão

gêneros

discursivos,

a

nos trabalhos

ou

como condição de linguagem.

como rastrear

círculos de Bakhtin?

a questão

do sentido

E como entrever ou esboçar

conjunto, na diversidade e na complexidade

da significação

um "projeto

em tomo do sentido" no

dos textos, inclusive os atuais?

Algumas obras podem responder: Toward

a PhiJosophy

of the Art(

Bakhtin,

1993),

The

Formal

Method

in Literary

Scholarship, Marxismo e filosofia da linguagem, Problemas da poética de Dostoievski. Toward a Philosophy ofthe Art: •

Refere-se

ao dialogismo

e as relações

existentes

entre filosofia e teoria literária

(relação entre estética e ética); •

A questão do sentido é percebida pelas posições filosófica explícita ou implícita.

Vários temas pontuam sua obra: visão dialógica de mundo (existência e linguagem, mundo e mente, dado e criado etc) .

•••


Ao fazer crítica à filosofia da época tenta estabelecer

síntese entre a sensibilidade.

ato

vivido e razão: baseia-se numa semiótica das ideologias c no intercurso social: Já o conceito de linguagem está ligado a uma teoria do conhecimento, com o mundo e a dimensão

relação dos sujeitos

da linguagem nesta dinâmica:

Em .. The Forma Merhod in Literary Scholarship: •

O método

formal é repensar

perspectiva

social, marxista do sentido e da significação;

em geral e à estética

o estudo da cultura.

- característica

Signi fica

construção

de uma

Dedica-se à linguagem

e formas do intercurso social - aí o significado

é realizado; •

Idéia centrada:

a linguagem não é falada no vazio, mas numa situação histórica e

social; •

Procura-se

então enfatizar a história e a intersubjetividade

- realização

social no

sujeito de maneira semântica; •

Esta "avaliação

social' reitera a idéia de particularidade

um enunciado;

envolve

competência

avaliativa

da situação em que se dá

e interpretativa

de sujeitos

em

processo interativo; •

Bakhtin prega que a criação ideológica não existe em nós, mas entre nós - é diálogo entre indivíduo e sociedade.

Em Marxismo e filosofia da linguagem -linguagem •

Liga-se à enunciação,

Trata das relações da linguagem com a sociedade - ideologia e natureza social dos fatos lingüísticas

Aborda-se

à interação e a necessidade e daí ao dialogismo:

podem determinar a linguagem;

que na palavra há os confrontos

dos valores sociais - a comunicação

verbal é inseparável de outras formas comunicativas; •

O dialogismo

como diálogo permanente

comunidade,

sociedade;

O dialogismo

como relações estabelecidas

Bakhtin

critica

subjetivismo •

os estudos

de diferentes

discursos

de uma cultura,

entre o eu e o outro nos discursos;

da linguagem

segundo

o objetivismo

abstrato

e ao

idealista com mira em uma 3a vertente;

Pontua que a linguagem

funciona

materiais ideológicos e cada situação;

diferente

para cada diferente

grupo / segundo


tl

Na obra Problemas da poética de Dostoiévki:

à linguagem são uma constante:

Reflete que problemas relacionados

As questões abordadas servem para qualquer discurso;

São questões sobre o método de estudo dos discursos, de

discursos

na

prosa,

aspectos

conceituais

de

gêneros dos discursos, poJifonia,

tipos

diaJogismo

heterogeneidade; Portanto o conjunto dos escritos de Bakhtin aponta à natureza dialógica da linguagem.

Caraguatatuba,

28/03/06

e


'..

,

.~

~

Marxismo e filosofia da linguagem

•..

Síntese

O título e certas partes ligadas à escolha deste livro são de Valochinov. O livro é marxista do começo ao fim. Bakhtin expõe bem a necessidade de uma abordagem marxista da filosofia da linguagem abordando ao mesmo tempo, praticamente todos os domínios das ciências humanas, por exemplo, a psicologia cognitiva, a etnologia , a pedagogia das línguas, a comunicação, a estatística e a crítica literária, Coloca de passagem os fundamentos da semiologia

..•..

moderna. Bakhtin possui de todos esses domínios uma visão notavelmente

unitária e muito avançada em relação a seu tempo . O livro trata-se principalmente da relação entre linguagem e sociedade, apresentando a dialética do signo, enquanto efeito das estruturas sociais, sendo o signo e a enunciação de natureza social. Bakhtin coloca, em primeiro lugar, a questão dos dados reais da lingüística da natureza real dos fatos da língua, A língua é para Saussure

um fato social cUJa existência

se fundamenta

nas

necessidades da comunicação. Faz da língua um objeto abstrato ideal que se consagra como sistema sincrônico homogêneo rejeitando suas manifestações

(a fala) individuais. O que é

justamente contemplado por Bakhtin: a valorização da fala, a enunciação, a natureza social e associação das condições de comunicação às estruturas sociais. Bakhtin coloca ainda em evidência a inadequação

de todos os procedimentos

de

análise lingüística: fonéticos, morfológícos e sintáticos. A filosofia marxista da linguagem deve colocar como base de sua doutrina a enunciação, como realidade da língua e como estrutura sócio-ideológica. Os sistemas semióticos servem para exprimir a ideologia que são, portanto, modelados por ela. Assim, a língua é determinada pensamento

da atividade

mental,

pela ideologia

condicionados

e pela consciência,

pela linguagem,

Portanto,

são modelados

o

pela

ideologia. Bakhtin define a língua como expressão das relações e lutas sociais vinculando e sofrendo o efeito desta luta, servindo ao mesmo tempo de material para análise estilística, parte integrante da lingüística, que aparece como uma das preocupações

dele.

Literatura Comparada - Profa. Alleid Machado  

6. Nos EUA: J 809 e em Portugal Teófilo Braga fui precursor e na Alemanha Madame de StãeJ (J 8(0), "Da lit:eratura considerada em suas relaç...