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Basílio Alves, contra-mestre, e mais Guilherme Pedro dos Santos, rei do congo, Marcolino Fernandes, general da congada e Francisco Paulo Femandes

de Cristo,

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Um dado muito importante

que ocorre

esses grupos folclóricos geralmente são formados dentro

seu irmão Ditinho

de uma família e essa tradição também foi mantida em

residência, a congada do Poruba passou por um longo

Ubatuba,

tempo

Benedito do Sertão do Poruba, desde sua criação, é

porubano,

Somente

na década

senhor Fortunato,

assumiu

de 60, outro a direção da

pois a Companhia

da Congada

No resplendor das estrelas,

era sol icitada para se apresentar nas festas populares

Resplandece Q Ave Maria. A lua resplandece a noite,

do Carnburi à Tabatinga. Em 1978 o senhor Fortunato

O sol resplandece o dia.

foi vítima de um atropelamento na altura do bairro da

fIZ

Estufa, na BR 101, e veio a falecer.

segunda vez, entrava em decadência, ficando desativada até 1987. Com o surgimento da FUNDART, Fundação de Arte e Cultura de Ubatuba, criada para ser um

de São

formada por uma grande família de porubanos.

congada. De 1960 a 1978 a congada viveu seu auge,

A partir desse episódio a congada do Poruba, pela

Memorian

Ponto de congada em homenagem aos ilustres senhores porubanos. mestre Fortunato e contra-mestre Luizinho Femandes. Texto compilado de Sidnei Martins Leme

sustentáculo da cultura popular no município, até então fadada a d~saparecer, desponta va uma nova aurora para a congada do Poruba. Em 1987 a congada do Poruba voltava ao cenário

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senhor Benedito Fernandes, filho de Francisco Paulo

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Fernandes de Cristo, antigo capitão da Companhia de

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folclórico apresentando-se em todas as festas populares em Ubatuba, tendo a frente um novo comandante,

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nas

Com o falecimento do senhor Basílio Alves e a ida do

inativa.

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fundação, e que permanece até hoje.

Companhias de Congada e também Moçambique é que

onde fixou

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São Benedito na década de 40, quando da sua

capitão da companhia.

Alves p,·,ra Santos,

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Capital

do Surf

PREFEITURA MUNICIPAL

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CONGADA DE SÃO BENEDITO DO SERTÃO DO PORUBA UBATUBA / SP

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Congada ou moçambique

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são grupos formados

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pessoal

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acampado

em

pelos devotos de São Benedito e Nossa Senhora do

pequenos ranchos naquele local, nasceu um laço de

Rosário, santos protetores dos negros. As congadas e

amizade entre os cunhenses e porubanos residentes na

Sobre a existência do Moçambique em São Paulo

moçambiques foram muito difundidas na região do Vale

área. Segundo Pedro Brandão, nascido naquele sertão

parece ser a referência de Afonso A. de Freitas a que

do Paraíba e mesmo com a industrialização dessa região

em 1920, a maioria desses trabal hadores vinda de Cun ha

mais recua no tempo. Ao tratar das folganças populares

existem ainda muitos grupos.

pertencia a um determinado grupo de congada daquela

comenta que" o hábito das danças e cantigas religiosas

Congada chega em Ubatuba

cidade.

teve indubitável

A congada do Sertão do Poruba tem suas raizes presas

Moçambique

ou Congada de Bastão:

origem em São Paulo, no método

Nos fins de semana

eles se juntavam

aos

ao moçambique da cidade de Cunha (SP), e essa por

porubanos e participavam das funções (bailes de roça),

sua vez, a de São Luiz do Paraitinga, como mostra

comuns na região. Entre uma talagada e outra de cachaça

uso de máscaras e proibindo as danças nos cortejos

citação feita pelo pesquisador

ou concertada (bebida típica caiçara), nasciam as prosas

religiosos, foi tardiamente cumprida e que no período

Caderno de Folclore escrito por Maria de Lourdes

sobre festas e danças. Assim os porubanos começaram

de transição, albores do século passado, as danças já

Borges Ribeiro: "A moçarnbique chegou em Cunha

a se interessar pelas festas tradicionais de Cunha.

eram realizadas sem o caráter público e religioso de

através dos luizenses na década de trinta".

,\nchietano" . Observa que a Provisão de 1752, condenando o

outrora

e sem o concurso

indistinto

"As castas da população foram-se delimitando e os costumes

promiscuidade

de classe

até a extinção

da

naqueles

folguedos.

batuques,

sambas

no

Em Ubatuba o surgimento dessa manifestação

das diversas

camadas sociais.

detalhando-se

Emilio Willerms

Por diversas vezes os porubanos saíam a pé pelas trilhas junto com os cunhenses e chegavam em Cunha

folclórica ocorreu na década de 40 no Sertão do Poruba.

para assistir as festas, nas quais se apresentavam

Nessa época o espanhol Benigno Castro instalou na

congadas e moçambiques. Assim os porubanos foram

praia do Poruba uma serraria para beneficiar caxeta,

se entusiasmando com aquelas danças e resolveram criar

madeira que havia em abundância no sertão porubano.

também a congada no Sertão do Poruba. Os primeiros

movimentos,

as

versos (pontos) e

e

Essa madeira, após seu beneficiamento, era levada para

pelas ruas, de

a praia do Ubatumirim em lombo de burros. De lá era

manejos dos bastões, foram ensinados aos porubanos

ordinário no Largo de São Bento ou junto às igrejas de

transportada

pela lancha Santense até Santos para a

pelos senhores Zé Isidoro e Jorge Vergílio, mestre e

São Benedito e Nossa Senhora do Rosário, após o

fábrica de lápis. Para a retirada dessa matéria prima

contra-mestre na dança da congada de São Benedito de

recolhimento das procissões".

foram contratados aproximadamente

Cunha.

Unicamente moçambiques

as congadas,

ainda se realizavam

Caderno de Folclore, Maria de Lourdes Borges Ribeiro

150 homens, que

na sua maioria vinham de Cunha, da região do Vale do Paraíba.

Os primeiros porubanos a comandar a congada foram os senhores Ditinho Alves, mestre, seu irmão


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Trabalho de preservação

Fatos pitorescos Em 1958, Augusto do Cristino preparou o seu boizinho para bri ncar o carnaval e colocou uma caveira de boi recheada de cimento, para que, na hora da briga, o seu boizinho aguentasse as cabeçadas do adversário. No domingo de carnaval à tarde, o grupo do Augusto estava se dirigindo para a praia do Perequê-Açu, pois era costume os blocos de enredo e grupos de I>nça de Boi dançarem um pouco em dois ranchos (bares) existentes naquela praia, o Rancho do Galo e Rancho da Sereia. Quando o grupo do Augusto se encontrava no meio da ponte sobre o Rio Grande, defrontou-se com o grupo do Sidônio que vinha da cidade, em sentido contrário. Não deu outra! A briga do boi teve início. O boizinho do Auzusto deu uma cabeçada no boizinho do Sidônio, que não rest~tindo ao impacto daquele boi com a cabeça de cimento foi rara a água. Foi muita gargalhada e corre-corre, pois a maré estava cheia e o Sidônio, emaranhado dentro do hoizinho. quase morre afogado. Em outro carnaval. o boizinho estava dançando em frente ao armazém do Poneiano, que ficava ao lado do cinema, investindo pro lado que tinha mais gente, como manda o refrão ela música. Na multidão estava uma senhora com uma criança nos braços que não parava de chorar, assustada com a folia do boi. A mulher, que era mãe da criança e que não queria perder um só instante da folia, dizia: -Não chore, seu bobo, o boi é seu pai I De fato era o pai daquela criança, mas a maneira como a mulher se expressou, serviu de chacota e provocou gargalhadas em todos. Outro episódio rnarcante dessa manifestação foi quando o boizinho Canarinho do mestre Veiga estava vindo da praia do Perequê-Açu para a cidade e defrontou-se com algumas vacas e um boi verdadeiro em uma das ruas do bairro. As vacas, assustadas com aquela cantoria e batucada, correram para o mato, mas o boi ficou enfurecido e partiu pra cima do grupo. Foi um corre-corre, cada um queria arrumar um local para se proteger, mas o boizinho Canarinho não teve a mesma sorte. Foi obrigado a enfrentar a fúria de um boi verdadeiro. Quando o animal deixou de chifrar o Canarinho, o pessoal percebeu o estrago causado. Pobre Canarinho, ficou todo arrebentado e o mestre Veiga teve que levá-lo de volta para o sertão do Taquaral para rerncndá-Io. Mas no outro dia o Canarinho estava de volta às ruas de Ubatuba, fazendo a alegria dos foliões.

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A partir de 1983, a Seção de Cultura da Prefeitura Municipal, e posteriormente a FUNDART, iníciou um trabalho de resgatar, preservar e apoiar os grupos folclóricos de Ubatuba Em 1985, a Dança de Boi voltava aos festejos populares, nos moldes dos anos 40. A Dança de Boi apresentou-se na Praça Ex.a1tação a Santa Cruz no dia 22 de agosto, dia Nacional do Fole-ore O boizinho e os cavalinhos foram feitos pelo senhor Emilio Graciliano. De lá para cá, essa manifestação folclórica é presença garantida em todas as festas populares do município. Existem dois grupos de Dança de Boi em Ubatuba, o Boi Dourado, que se apresenta no carnaval, acompanhado por uma bateria de escola de samba. O outro, que conta com a presença dos filhos do saudoso mestre Veiga seguindo a tradição dos grupos dos anos 40. Um grupo não dramatizado, que usa violas, rabeca, caix.a e adufe (pandeiro), cantando a mesma música do boizinho e se apresenta nas festas de São Pedro, do Divino, nos bairros e Festa da Cultura Popular. O tempo passa, os costumes da cidade tomam outros rumos, mas a Dança de Boi de Ubatuba perpetua-se e continua investindo pro lado que tem mais gente.

Texto compilado

de Sidnei Martins

Leme

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UDatuba

Capital do Surf

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PREFEITURA MUNICIPAL

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DANÇA DE BOI DE UBATUBA - SP A Dança de Boi de Ubatuba é uma das variantes do Bumba Meu Boi Bumbá do Estado do Maranhão espal hada pelo Brasi 1. Exemplos: Alagoas - Boi Calemba, Boi Três Pedaços; Ceará - Boi Santo; Pemambuco - Boi de Reis; Rio Grande do Sul - Boi Marrequeiro, Boi Barroso; Pará e Amazonas - Boi Bumbâ; Santa Catarina - Boi de Mamão, Boi de Vara, Boi de Fita; Rio de Janeiro - Folguedo do Boi, Boi de Reis; São Paulo - B oizinho de Carnaval, Boi de Quatro Pernas, Dança de Boi; Maranhão - Bumba Meu Boi Bumbâ. Este folguedo folclórico, de maior incidência no Brasil, tem como centro o boi, figura constante dos ciclos agrários, divindade que representa força e fertilidade. Entremeou-se depois com as festas profanas do carnaval e em combinação com as festas do Divino e São João, espalhou-se pelas terras brasileiras.

Segundo depoimentos colhidos junto a antigos ubatubenses, nas primeiras apresentações da Dança de Boi do bairro do Itaguá, diversos personagens faziam parte do enredo (drama), que, no decorrer da dança, representavam. Leopoldo Scongelo era o patrão (mestre). Joaquim Thiago, o velho Quincas, era o angariador de donati vos. Anisio José dos Santos e Lauro Bougert, vestidos de mulher, eram ricas fazendeiras que brigavam entre si para comprar o boi. Sebastião Rita era o contador de estórias. Dito Paratiano desejava matar o boi e repartir a carne com os pobres. Euclides Estevam, o Quidi, era o dançador que ficava debaixo do boi. Miguelzinho Firme e Joaquim Firme, dançadores nos cavalinhos. Augusto Bernardo, o Patera, era o toreador e Antonio Pinho e Antonio Pedra eram os mascarados. Os integrantes do conjunto musical eram: Alfredo Mariano, Arlindo, João Paro, Tibursio e Otávio Rolim, . tocadores de violas e Benedito Parú, tocador de rabeca.

Ao difundir-se no Brasil, recebeu denominações, formas e enredo diferentes. Sempre a figura maior é o boi, representado por modelo em armação com cabeça verdadeira ou modelada, o corpo revestido com pano pintado, bem colorido, em conformidade com os recursos financeiros dos grupos.

Com essa formação a Dança de Boi do Itaguá apresentou-se no carnaval de 1940 e foi um sucesso tão grande, que os blocos carnavalescos da época ficaram enciumados e prometeram quebrar o boi e seus componentes, se eles voltassem a se apresentar no carnaval do ano seguinte.

Em Ubatuba essa manifestação começou a fazer parte do nosso carnaval lá pelos anos trinta, como mostra o jornal da época "Echo Ubatubense". A Dança de Boi era apresentada pelo senhor Carlinhos, ou Carrinho, filho de Armindo Carros, um oficial aposentado do exército. Esse senhor era de origem nordestina (maranhense}.Com ele Carlinhos aprendeu a confeccionar o boizinho e também os cavalinhos para brincar o carnaval. Com estes fatos podemos deduzir que a Dança de Boi de Ubatuba é sem dúvida uma das variantes do Bumba Meu Boi Bumbá do Maranhão. Outro detalhe é que o Bumba Meu Boi Bumbá se apresenta com folguedo popular dramatizado e nosso boizinho também era uma manifestação dramatizada.

No ano seguinte, para que a Dança de Boi do Itaguá se apresentasse tranquilamente no carnaval, Leopoldo Scongelo, mestre de dança, veio até a cidade e solicitou ao delegado de polícia segurança ao seu grupo. E assim foi feito. O delegado e um soldado vieram até a barra do rio Tavares e conduziram o grupo de Dança de Boi até o centro da cidade, e seus foliões puderam brincar o carnaval de 1941. A Dança de Boi do Itaguá deixou de se apresentar nos carnavais por volta de 1947. De 1950 a 1970 muitos grupos se formaram, mas apenas como grupos de dança e não como folguedo, isto é, sem dramatização.

A música usada para a Dança de Boi é composta de versos de improviso, mas o refrão sempre foi o mesmo, e diz o seguinte: Investe, investe meu boi, pro lado que tem mais gente. E nesse momento o boizinho corre para cima do povo e tem que ser contido pelos cavalinhos e toreador. Com o desenvolvimento chegando em Ubatuba numa velocidade muito grande, as ruas por onde desfilava a Dança de Boi sendo tomadas por veículos motorizados e os espaços diminuídos, o carnaval ubatubense foi perdendo a pureza da folia caiçara feita de mascarados, dança de boi, sacis e pequenos blocos. Para sobreviver nesse espaço, agora limitado, a Dança de Boi foi se adaptando, ganhando novos conceitos. De 1985 a 1996 não se viam mais as violas e nem se ouvia mais a música da Dança de Boi. De lá para cá novos instrumentos foram introduzidos na Dança de Boi. O grupo do Boi Dourado tem como figura central o boi, mas os instrumentos, violas e rebecas, foram substituídas por uma bateria de escola de samba e a música pelos sambas de enredo das grandes escolas de São Paulo e Rio de Janeiro. Só restou o boi, mesmo assim, já não dança como antigamente. De 1950 a 1962, a Dança de Boi era tão importante no carnaval caiçara, que chegavam a sair diversos grupos pelas ruas da cidade. Nomes importantes são lembrados, como Augusto do Cristino com seu grupo do Morro da Pedreira, Sidônio e seu grupo da praia do Perequê-Açu, mestre Veiga com seu grupo do Sertão do Taquaral, mestre Diniz com seu grupo da antiga Rua da Adutora, Emilio Graciliano 'e seu grupo da Rodovia Osvaldo Cruz, Albado com seu grupo do bairro da Estufa. Nessa época havia uma competição entre os grupos de Dança de Boi. No último dia de carnaval, às 15 horas, os grupos se reuniam na Praça Nóbrega, que também já foi Praça do Programa e Praça Dr, CarJos Coelho, e tinha a briga de boi. Aquele que se mantivesse inteiro era o vencedor do carnaval.


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é a Pança da Fita

A Dança da Fita é desenvolvida da seguinte forma: É colocado no centro um mastro chamado paude-fita de aproximadamente 3m de altura com doze fitas, duas vermelhas, duas verdes, duas amarelas, duas azuis, duas rosas e duas azul marinho. Ao lado do mastro formam-se duas filas, do lado direito os homens e do esoverdo, as mulheres. Na cabeceira das duas filas fica o ~~stre e num sinal feito através do apito tem início a dança. O primeiro movimento é conhecido como preparação da terra para o plantio da árvore. No segundo movimento os dançadores cruzam as fitas, que significa a escolha da semente. No terceiro movimento inicia-se a semeadura. No quarto já se percebem as tranças formadas em um total de cinco trançados diferentes que simbolizam as raízes. Quando o mastro fica totalmente coberto pelas tranças, os adultos são substituídos pelas crianças que irão realizar a destrança. As crianças simbolizam as folhas da árvore. Quando termina o movimento executado pelas crianças o mastro é transformado simbolicamente em belíssima árvore, sendo este o final da dança. Mestre Raposa ainda se lembra daqueles que formaram o primeiro grupo da Dança da Fita do Itaguá por volta de 1950: seu pai Augusto Bernardo (Velho Gusto ou Patera), Joaquim Firme de Souza, Sebastião Rita, João Parú, Tibúrcio e Vicente Ramos.

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A Dança da Fita também é conhecida em outros países (Dicionário do Folclore Brasileiro Câmara Cascudo) Baile de Cordon, Carxofa, Magrana e Baile de Gitanas, em Portugal Danza de Ias Fitas, em Cataluíia na Espanha Dança de 10s Minero, no Peru Dança de 10s Matachines, na Colombia Dança de Ias Listones, na Argentina Dança de Ias Cimas, na VenezueIa

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Texto compilado de Sídnei Marfins Leme

Capital

do Surf

PREFEITURA MUNICIPAL

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DANÇA DA FITA

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européia, instalou-se em nosso país nos estados do sul, santa catarina i migrantes

e Rio Grande

no século passado.

do Sul, através

dos

essa manifestação,

segundo a Revista "Brasil- Histórias, Costumes", é uma reverência europeu.

feita a arvora, após o rigoroso

inverno

Nas aldeias, os colonos, no prenúncio

da

Quando a Dança da Fita passou a ser apresentada pejos

Benedito Henrique, que junto com Joaquim de Góes,

jovens do Itaguá, algumas alterações já podiam ser

Antonio Henrique, Olímpio, Eupídio, Joaquim Firme

notadas: as violas foram substituídas

de Souza e mais os tocadores

música junina, a indumentária,

ele passou

seus conhecimentos

de violas Antonio

pelos LPs de

que era branca, foi

Campista, Juca Campista, Cipião Campista e Licínio,

substituída pela roupa de chita e xadrez, muito usada

moradores

na dança de quadrilha.

da Praia

do Perequê-Mirim,

deram

Com o passar dos anos o bairro foi perdendo suas

continuidade a Dança da Fita.

características

puramente caiçaras e mais uma vez a

Dança da Fita saiu do cenário. A partir de 1980 a dança

Por volta de 1950 a Dança da Fita chegava ao Petrolina Maria de Góes, D. Pitiá, nascida em 31

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ao Sr.

avançada,

Dança da Fita chega ao Itaguá

Dança da Fita em Ubatuba

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foi no carnaval de 58 ou 59.

prima vera, realizavam a Dança da Fita para homenagear o renascimento da Árvore.

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últi ma apresentação, segundo recorda mestre Raposa.

trouxe para Ubatuba. Quando o Sr. João Vitória já estava com idade

A Dançada Fita, manifestação milenar de origem

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era apresentada vez ou outra pelas crianças do bairro

bairro do Itaguá através do Sr. Joaquim Firme de Souza,

nas festas da Capela de Nossa Senhora das Dores.

um itaguaense que frequentava

Em 1987 a FUNDART, com a proposta de resgatar a

a Praia da Enseada.

de maio de 1923 na Praia da Enseada, relata que assistia

Conta D. Pitiá e também os irmãos Benedito Correia, o

cultura no município, incentivou o ressurgimento

na sua infância a Dança da Fita sendo apresentada na

mestre Raposa (nascido em 2 de agosto de 22) e Maria

Dança da Fita, não apenas nas mãos das crianças, mas

casa do Sr. Benedito Henrique e do Sr. Valentim. A

Aparecida dos Santos, D. Mariazinha (nascida em 18

a reativação do grupo formado por pessoas antigas,

dança era apresentada

no carnaval e dentro de casa.

de janeiro de 26), que a Dança da Fita tinha sua própria

como o próprio Raposa,

Segundo D. Pitiá, o Sr. Benedito Cabral aprendeu a

música, uma marchinha acompanhada por violas. O

Delsinha e ainda, da segunda geração, Haroldo, Totinha,

dança com o Sr. João Vitório que, na realidade, foi o

grupo da Dança da Fita era formado somente

Stella, El vio, Roseli, Mauro, Nina e Ieda. De lá para cá,

primeiro a organizar um grupo para dançar a fita na

homens. Os jovens entre 15 e 17 anos se caracterizavam

a Dança da Fita tem participado de várias festas de

Enseada.

de damas e assim formavam os pares para a dança.

Ubatuba.

O Sr. João Vitório era um pescador famoso da ."'Enseada e fazia muitas viagens para Santos com seus

por

Quando os antigos dançadores deixaram de se apresentar,

essa manifestação,

até então de cunho

da

Vergílio, Jango, Celeste,

A participação das crianças do bairro teve papelimportante

na recuperação

da Dança

da Fita.

Os

amigos para comprarem sal, carne seca, anil, querosene,

carnavalesco, ficou por longo tempo inativa. Mas com

dançadores mirins, em sua totalidade, são descendentes

pano e materiais para a pesca. essas viagens eram feitas

a tradicional

e

dos antigos e a persistência deles em dançar fez com

em canoas

1Om de

adolescentes resolveram ressucitar a Dança da Fita. Os

que os mais velhos voltassem a compor um novo grupo,

comprimento) com 4 a 6 remadores. Tudo indica que o

ensinamentos foram passados pelo mestre Raposa, que

atualmente liderado pelo mestre raposa.

Sr. João Vitória conheceu a dança da fita no litoral sul

os passou aos seus filhos Totinha, Haroldo e Stella. A

de voga

(canoas

com

até

festa

de São João,

as crianças

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SIMBOLOGIA

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DA FESTA DO DIVINO

A Festa do Divino, como é popularmente chamada a comemoração da descida do Espirito Santo sobre os apóstolos. é real izada e m homenagem à terceira pessoa da Santíssirna Trindade: O Espirito Santo. Realizada quase sempre no dia de Pentecostes (em grego Pentekoste significa c inqücnta), isto é. cinquenta dias após a Páscoa, como é comemorada na vizinha cidade de São Luiz do Paraitinga. Segundo a tradição da Igreja, o dia de Petencoste significa que após cinquenta dias da Ressurreição do Senhor, o Espirito Santo desceu sobre os apóstolos, Todavia em Ubatuba, a Festa do Divino quase sempre não foi comemorada no dia de Pentecostes, e a explicação que encontramos para tal fato. é que no passado, devida a grande importância que desempenhava a pesca da tainha durante os meses de maio,junho e até mesmo princípio de julho, obrigava a população local a transferir as comemorações do Divino Espirito Santo para o mês de julho. Hoje a pesca da tainha está praticamente exterminada, porém a tradição de se realizar a Festa no mês de julho continua. O Divino Espírito Santo é representado por uma pomba (sinônimo de mensageiro) e possuidor de sete dons (SABEDORIA, ENTENDIMENTO, CIENCIA, CONSELHO, FORTALEZA, PIEDADE e TEMOR DE DEUS) daí, quase sempre a pomba que o representa possuir sete raias ou sete fitas. A cor vermelha predominante tanto nas flores como nos andores e nos arranjos da Igreja representa para u chama, ou luz da qual o Divino é portador e para outros \.. amor, pois para a Igreja o amor é representado pela cor vermelha. A Pomba que representa o Divino pousa quase sempre sobre uma esfera azul ( o Universo) o que significa o domínio do mensageiro (Divino) sobre o mundo, iluminando-o. Por isso mesmo as flores que compõem a bandeira da Folia do Divino, formam uma esfera que representa o universo iluminado pelo Divino Espírito Santo. Outro componente importante nas Festas comemorativas ao Espírito Santo é a utilização da folha de canela sobre o chão das Igrejas, não só com o intuito de aromatizar a mesma, mas principalmente como símbolo da pureza. Os sete tapetes ou tecidos de cor encarnada localizados no interior da Igreja ou até mesmo desprendendo-se das janelas das mesmas, tem a mesma simbologia dos raios e

das fitas, isto é, representam os sete dons do Divino Espírito Santo. A Festa hoje. no entanto, nem sempre se apresenta com todo este simbolismo, pois muitos deles foram alterados pela dinâmica popular, Podemos observar por exemplo, que os sete raios que circundam o Divino, atualmente, nem sempre são representados por esse número e que as sete fitas que antes partiam da bandeira da Folia, hoje são representadas por inúmeras delas, pois um popular pode acrescentar outras em pagamento a uma promessa.' Todavia o povo repete ano a ano, os rituais da Festa de acordo com o que diz sua fé e seu coração, independente, muitas vezes da compreensão de toda essa simbologia. Prof Zizinho

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Festa do Divino em Ubatuba Já não se festeja mais o Divino como antigamente ... Naquele tempo, quando terminava uma festa, o novo festeiro, ou melhor o novo Imperador providenciava logo as corridas da folia. Folia, eram duas bandeiras, mais um bando precatório composto de Mordomo, chefe e recebedor das espórtulas ( gorjetas) - Mestre, repentista que cantava e ritmava seus cânticos repicando o tambor: um rabequista, dois violeiros e um tiple. Estes eram os foliões. Duas Folias partiam simultaneamente para os extremos do município: uma para o Camburi, ao Norte, outra para o Tabatinga ao Sul. De lá vinham para a cidade em lenta peregrinação, cantando de casa em casa. Para a hospedagem no bairro - apesar de gratuita - havia séria disputa e a honraria cabia ao mais generoso na espórtula ou ao mais intluente junto ao imperador. Depois desta peregrinação, de bairro em bairro, a FOLJP.. chegava à cidade e após breve repouso partia para a segunda corrida que era manobrada de modo a aqui chegar em vésperas da Festa, para a qual extenso programa já estava organizado. Nove dias antes, ao amanhecer, a Folia percorria as ruas da cidade, acompanhada pela Banda Musical: eram as Alvoradas. À noite, novena solene com benção do Santíssimo Sacramento e depois de nova caminhada pela cidade, leilão de prendas em coreto armado no Largo da Matriz. No dia da Festa, domingo, pela manhã, Procissão das Esmolas. O Imperador levando a Coroa, o círio, à guisa

da báculo e seleto cortejo.percorria as ruas, com sen horitas angariando donativos. As onze horas, Missa solene, cantada a três ou quatro vozes, acompanhadas no côro pela Banda Musical. Na missa, o Imperador tinha lugar destacado junto ao Altar -Mór, cercado por alguns cavalheiros que representavam a Corte. Finda a Missa. o Imperador, a Corte e o celebrante .dirigiarn-se ao Império, no coreto armado frente a Igreja, onde havia benç ão dos pães e doces, que havia em abundância, para serem distribuídos aos "prornesseiros". Os "prornesseiros" compareciam levando uma vela, uma peça de vestuário, ou qualquer objeto fruto de sua promessa, mas sempre segurando-o envolto num lenço. Recebidos pelos atendentes do Império, estes devolviam no lenço, pão e doces. Findo o Império, farta distribuição de comes e bebes na Casa da Festa, para em seguida novo cortejo levar alimentos aos presos da cadeia (quando havia) e aos doentes da Santa Casa. À tarde, na praça hilariantes demonstrações, como pau de sebo, corridas em sacos, porco ensebado e outras mais. Às 17 horas, imponente procissão com inúmeros andares, nunca menos de oito e presença das Irmandades do Santíssimo Sacramento, Apóstolos da Oração, Pia União das Filhas de Maria e outras. A procissão voltando á Igreja, verificava-se indisfarçável inquietação: i~-se proceder a eleição do novo Imperador para o ano seguinte. Doze nomes eram depositados em uma urna e em outra onze cédulas em branco e uma com a inscrição: "Imperador", Em suspense os nomes eram anunciados um a um .até que surgia a cédula:" Imperador"! O contemplado, envaidecido apressava-se por chegar '"" casa receber o Imperador destronado, que com povo e ãi;~nda Musical ia levar-lhe a coroa do Divino Espirito Santo. À noite, finalizando a Festa, havia variada, demonstração de fogos de artifício, onde. ressaía a habilidade do maestro e o pirotécnico Benedito Xavier Teixeira. Devemos acrescentar que não havendo outros entretenimentos na cidade e nos bairros, a Festa do Divino era o acontecimento máximo e a população se preparava nas compras, nas reservas, nas co~~ecções de ves~uár!us e tudo mais quanto pudesse manifestar ostentaçao !1l1S dias festivos, Washington de Oliveira - Seu Fitinho


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o Fandango

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em Ubatuba foi muito apreciado até

os anos 70 e não havia uma data específica para se dançar. Havia Xiba nos batizados, noivados, casamentos ou vi sitas da romaria Atualmente

do Di vino Espírito

o Xiba é dançado

Santo.

na comunidade

do

Prornirim, ao norte do município.

"Aquela morena ingrata Não sabe agradecer Passeia meu bem, passeia Até o dia amanhecer."

Benedito Fernandes e Ditinho Alves Sertão do Poruba

(*) Araújo Maynard Alceu - Documentário Folclórico

Paulista 1952 SP

I:

Fandango: palavra que tem origem no latim, FIDICINARTE, e quer dizer tocar lira.

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FANDANGO Fandangueando, [andangando

fandangu .•ar,

em Ubatuba

o Fandango

é um conjunto de danças de salão

povo de onde veio. Outro fato que colaborou para que

nascendo o pessoal fechava as janelas para dançar a

muito apreciado nos estados do sul do Brasil, entre elas

o Fandango fosse deixado de lado pelos palacianos foi

última roda de Xiba.

uma dança denominada Xiba e que ainda é dançada em

devido aos ataques que recebia das Ordenanças Reais,

Ubatuba.

que usavam o argumento dizendo que o mesmo era

diversos casais, sempre em número par, oito ou dez, e

dança maliciosa e isso era herege. (*)

assim por diante.

Vários

autores

estudiosos

do assunto

tem Algumas danças que compõem

através dos portugueses, mas acham também que eles

Ubatuba:

receberam

ubatubenses

danças

dos espanhóis.

Outros

uma roda de Xiba são usados Em determinados

momentos

os

homens fazem o sapateado e batem palmas, sempre ne

levantado hipóteses que o Fandango chegou ao Brasil essas

Para dançar

Xiba (também

conhecido

como Bate-pé

o Fandango de

ritmo da música

pelos caiçaras

participam

e Cachorro

do Mato),

ditado

pela viola. As mulheres'

dos movimentos

coreográficos

que são

formados no decorrer da dança.

estudiosos acham que essa manifestação chegou até a

Recortado, Ciranda de Roda, Tontinha, Cana Verde,

Espanha

da

Mangericão, Vilão de Lenço, Vilão de Mala, Serrabaile

O Xiba é cantado em versos tirados pelo mestre

No Brasil o

ou Serrabaiha. Anuzinho, Marrafa, Ubatubana, Canoa,

da dança e são usados os seguintes instrumentos: viola

etc.

de dez cordas, cavaquinho, rebeca ou rabeca e adufe

Península

com os Mouros

quando

da invasão

Ibérica e daí até Portugal.

Fandango foi introduzido

através dos açorianos por

volta de 1774 no Rio Grande do Sul e daí chegou até o Litoral Paulista e Interior.(*)

Antigamente era costume em Ubatuba dividir o

(pandeiro). Antigamente os dançadores de Xiba usavam

Fandango -rn três partes. Primeiro dançavam o Xiba

tamancos feitos de pau de laranjeira para ritmar a dança.

até a meia noite, chamado de rufado ou batido. Depois

o Fandango

do Litoral Paulista é composto por

vinha o Bailado Valsado, danças menos agitadas, como

Na zona pastoril

do Estado de São Paulo é

dezenas de danças cem as mais variadas coreografias.

Ciranda de Roda, Canoa', etc., 'Semo sapateado e palmas.

dançado o Cateretê que ~mbém é sapateado e palmeado.

Pela riqueza desse conjunto de danças notamos que o

Nessa parte o pessoal aproveitava

para tomar uma

mas não tem a participação da mulher e os homens usam

Fandango,

no século XVIII, veio animar as festas

gelada de:~,f~ ou concertada (bebida típica do Litoral

esporas chilenas para ritinir no sapateado. Já o Fandango

palacianas ao lado do Minueto Emproado e da Valsa

'::;mlista), ou mesmo uma pinguinha. Na terceira parte

dançado na região de Ribeirão Grande e Capão Bonito

Figurada. No final do sécuio XVIII, com a chegada do

estava de volta o Xiba rufadíssimo,

(sudoeste do Estado) usam tamancos e sanfona de oito

Shottish e da Polca, o Fandango volta para as mãos do

encerrar

o Fandango.

Muitas

momento

de

vezes já com o sol

baixos para marcar o ritmo.

Danças e Festas de Ubatuba  

As manifestações culturais de Ubatuba/SP.

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