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É melhor

Vida em Comunidade é uma série de leitura complementar para ser utilizada em sala de aula, junto às famílias e comunidades. Esta obra reúne informações sobre as vacinas e sua importância para a preservação da saúde. A publicação pretende despertar a atenção do leitor para as campanhas de vacinação no Brasil. Os textos convidam alunos, pais e professores a uma viagem exploratória pela história da vacina no país.

Temas da série Água Alimentação Saudável Biomas Brasileiros Democracia Dengue Educação Financeira Empreendedorismo Energia Elétrica Esporte e Inclusão Estatuto da Criança e do Adolescente Fauna Silvestre Ameaçada

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PREVENIR do que remediar Vacinas


É melhor

PREVENIR do que remediar Vacinas Bianca Encarnação e Cathia Abreu Ilustrações de Marcelo Pacheco

1ª Edição


É melhor prevenir do que remediar É dia de vacinação. E, pelos olhos arregalados das crianças na fila, hoje não é gotinha, é injeção.

– Vai doer? – Um pouquinho. Mas vai ser bom. – Bom?!?!? Quando é que uma espetada pode ser boa? – Ora, quando ela funciona como proteção para o nosso corpo. Você vai descobrir que é sempre melhor prevenir do que remediar...

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A injeção que deixa o bumbum ou o braço dolorido por alguns minutos protege a gente de doenças graves pela vida toda. E não se trata de poção mágica. As vacinas são feitas a partir de microrganismos (seres microscópicos), além de outras substâncias. Duvida? Então, acompanhe essa história!

Feridas, muuuu! Ganha um chocolate ao leite quem acertar o animal que deu origem às vacinas! Sim, foi ela: a vaca! Foi observando nossas velhas conhecidas produtoras de leite, que o médico britânico Edward Jenner, no ano de 1796, criou uma vacina contra a varíola, uma doença muito grave que causava feridas na pele dos humanos e que contaminou e matou milhões de pessoas no mundo todo. Trabalho de cientista, você sabe, é como o de detetive. Por isso, bastou o médico perceber que as vacas tinham feridas nas tetas iguais às provocadas pela varíola na pele das pessoas, que resolveu investigar. O que ele descobriu? Que as pessoas que ordenhavam os animais e pegavam a varíola bovina nunca desenvolviam a doença. E ainda que a varíola bovina era uma versão mais amena da varíola humana. Foi então que o médico teve uma ideia: retirou a secreção – o pus, argh! – que saía das feridas de uma mulher infectada pela varíola bovina, e passou sobre arranhões que ele mesmo provocou no braço de um garoto de 8 anos. O menino começou a apresentar os sintomas leves da varíola, teve uma pequena inflamação no local da aplicação e sarou logo. Semanas depois, o médico usou a mesma secreção para injetar sob a pele do mesmo menino – coitado! – e o resultado foi que ele não desenvolveu a doença.

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Da vaca, a vacina

Pelo bem de todos

Edward Jenner, o tal médico-detetive, ganhou fama não só pela descoberta da vacina contra a varíola, mas pela descoberta do método de vacinação. O termo vacina, vale registrar, vem do latim vaccinia, sinônimo de varíola bovina. Mas quase toda história costuma ter um outro lado...

As vacinas evoluíram muito. Hoje, protegem nosso corpo contra diferentes vírus e bactérias causadores de doenças como o tétano, a catapora, o sarampo, a paralisia infantil e muitas, muitas outras. E você sabia que essa proteção é coletiva? Pois é: afinal, a pessoa vacinada não desenvolve a doença e, dessa maneira, também não a transmite.

Há registros de que os chineses, muito antes dos britânicos, já tinham descoberto uma maneira de não contrair a varíola. Dizem que eles secavam o pus das feridas das pessoas infectadas, onde se encontrava o vírus morto da doença, e produziam um pó. Esse pó – pluft! – era soprado no nariz das crianças com a ajuda de canos de bambu e, pelo que se sabe, essas crianças não desenvolviam a doença.

Então, tome nota: quanto maior o número de pessoas vacinadas em uma comunidade, mais difícil será para que um membro dessa comunidade fique doente.

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Conferindo a caderneta Bactérias e vírus estão por toda a parte. Para nos proteger das doenças graves que alguns desses microrganismos podem causar, precisamos tomar vacinas desde que somos bebês. Você que já cresceu e que está ficando supercraque em vacinas – mesmo sabendo que as espetadas podem doer um pouquinho – tem agora um desafio: correlacione as vacinas abaixo com a idade em que devemos tomá-las. Aproveite para conferir a sua caderneta de vacinação e ver se você está em dia com as gotinhas e agulhadas!

– Buááá! A O bebê acaba de nascer!

Já está H com 1 ano e 3 meses

I De 4 a 6 anos G Um aninho! Parabéns!

J Aos 10 anos Agora, ele

B tem 1 mês

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Marque com a le

D Tem 4 meses E Está com 6 meses Completou

C 2 meses

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F Fez 9 meses

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ite iomielite e hepat ol p ra nt co na ci ] va bre amarela ] vacina contra fe mba o, rubéola e caxu p m ra sa ra nt co che ] vacina tétano e coquelu a, ri te if d e, lit ie mba oliom po, rubéola e caxu m ] vacina contra p ra sa e, ch u el qu ifteria, tétano, co ] vacina contra d se patite e tuberculo ] vacina contra he patite e meningite ] vacina contra he tano, coqueluche té a, ri te if d s, meningite ru taví no, coqueluche e ta té ] vacina contra ro a, ri te if d e, lit tavírus, poliomie ] vacina contra ro bre amarela ] vacina contra fe

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Injeção de vírus e bactérias Não se faz mais vacina retirando secreção de doentes. Hoje, bactérias e vírus – cultivados em laboratório – é que são matéria-prima para as vacinas. Misturados a outras substâncias e injetados em humanos, ou em outros animais, eles ativam o sistema imunológico. É algo, mais ou menos, assim... Quando tomamos uma vacina, o líquido injetado, contendo vírus ou bactérias – que, dependendo da vacina, podem estar mortos ou atenuados, isto é, vivos, mas sem poder para causar doenças –, entra em contato com as nossas células de defesa. Para essas células, a presença de microrganismos no corpo é identificada como algo que não pertence àquela pessoa. E aí todo o sistema de defesa – ou sistema imunológico – é ativado.

Ativar memória, câmbio! Depois de acabar com a invasão de vírus ou bactérias, o sistema imunológico fica com o que podemos chamar de “memória” do combate. Em outras palavras: se algum dia nosso organismo entrar novamente em contato com os mesmos tipos de microrganismos, nossas células de defesa já saberão como eliminar aqueles invasores antes que a doença se manifeste. Médicos e cientistas chamam isso de memória imunológica. É por isso que quem toma uma vacina contra rubéola, por exemplo, torna-se imune à doença. Ou seja: quando entra em contato com o vírus da rubéola o organismo vacinado lembra-se como deve agir para eliminá-lo, antes da manifestação de qualquer sintoma.

É verdade que existem bacté rias que não fazem mal à nossa saúde? É si m ! M u u sa d a s n a fa it a s sã o d e a li m e n to b ri ca çã o o io g u rt e – s – co m o e a té n a p ro d u çã o de p lá st ic o s q u e se d e co m p so z in h o s, õ e m p re ju d ic a r se m o m e io a m b ie n te . P e sq u is e e d o u tr a s cu ri e sc u b ra so b re a s “ o si d a d e s b a ct é ri a s do bem”!

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Isso significa que a produção de anticorpos vai começar! Os anticorpos ligam-se aos microrganismos causadores da doença, impedindo que eles nos façam adoecer e, ao mesmo tempo, ajudando as células do sistema de defesa a se livrarem deles.

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Vacina e confusão Qualquer pessoa bem informada como você compreende que as vacinas são importantes. Mas a vacinação não foi algo simples no Brasil. Xiii... No começo do século 20, as pessoas recusavam-se a tomar vacina por medo, pela falta de informação e até por crendices – tinha gente que achava que pelo fato de a vacina ter vindo da vaca, quem a tomasse ficaria com cara de bovino! Dá para acreditar?! Foi preciso que muitas pessoas morressem de varíola para que a população se convencesse de que uma simples injeção preventiva poderia salvar suas vidas. E à frente das campanhas pela vacinação estava Oswaldo Cruz, médico sanitarista brasileiro, que nasceu em 1872 e faleceu em 1917, que lutou muito para quebrar a resistência das pessoas em se vacinar. Além da varíola, Oswaldo Cruz lançou campanhas para combater outras doenças, como a febre amarela e a peste bubônica.

Informar para imunizar A varíola, doença grave, que fez milhões de vítimas pelo mundo, deixou de existir por conta do esforço de diversos países em informar suas populações sobre a importância da vacinação.

O Brasil, além de ter erradicado a varíola, tem sob controle – quase varridas do seu território – o sarampo, o tétano e a poliomielite (ou paralisia infantil). Isso é motivo para muitas comemorações! A informação nos torna mais cuidadosos e responsáveis pela nossa própria saúde, você não acha?

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O que precisamos saber? Anote e divulgue o que vem agora! Todo brasileiro tem direito à vacinação gratuita nos postos de saúde. E a responsabilidade com as vacinas começa nos primeiros momentos de vida. Logo que nasce, a criança deve receber a vacina BCG (contra formas graves de tuberculose) e também a que protege da hepatite B.

O compromisso com a vacinação segue com a gente pela vida toda. Há vacinas para serem tomadas na adolescência e até quando nos tornamos idosos, como é o caso da proteção contra a gripe. Quanto mais descobertas forem feitas sobre imunizações, mais temos de ser agradecidos às agulhadas que nos livram de doenças.

Depois vem a primeira dose das gotinhas contra a poliomielite, uma espetadinha contra rotavírus e outra da tetravalente (contra difteria, tétano, coqueluche e meningite), que ainda deve ser reforçada, tomando mais duas doses até completar 6 meses. Tem também a tríplice viral, vacina que protege, com uma furadinha só, de sarampo, rubéola e caxumba, mas é preciso também reforçar com mais uma dose até os 6 meses. Em algumas regiões, como a Amazônia, é preciso tomar também a vacina contra a febre amarela.

E para que ninguém se esqueça do que precisa tomar, aí vai a grande dica: guarde com cuidado a caderneta de vacinação para seguir o calendário que informa a idade certa para aplicação de cada vacina. Nela você encontra os tipos de vacinas e a idade em que devem ser administradas até completar 10 anos.

Além disso, há também a tríplice bacteriana, contra difteria, tétano e coqueluche, doenças causadas por bactérias, que a criança deve tomar em duas doses após completar 1 ano – uma dose aos 15 meses e outra entre 4 e 6 anos –, para ficar com o organismo reforçado contra esses microrganismos.

Vacinação é uma responsabilidade que começa com os nossos pais, mas, conforme vamos crescendo, torna-se um cuidado que cabe a nós mesmos também. E, claro, não custa lembrar, que quando cada um se protege contra as doenças, protege também a família e a comunidade!

Antes que você possa dizer “Ufa, acabou!”, saiba que muitas vacinas precisam ser reforçadas depois de algum tempo. Não pense também que vacina é coisa para bebês. Para sua informação, a da febre amarela e a dupla (contra difteria e tétano) têm validade de 10 anos e devem ser reaplicadas após esse período.

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Achapalavras D L N E B A I C T U M R D O

X S G B O S J S L Z F O L E

G M I C R O R G A N I S M O

B T W K Z W P A Y S S P E B

E J O W S R Q B H J E W P A

O E R O B T O A U P R S W C

Y U H A X U W N S A T L S E

H N G M D I B T W R O N A L

W I E N V A C I N A S F Y U

P C A W T A E B A S L K M L

R E R B C Ç R I O I D E K A

S L Q R F S T O Q T K L A R

A U S S V K G T P A F R S C

Você está por dentro da diferença entre vírus e bactérias? Então, vamos a um teste de agilidade! Dê uma olhada nas palavras abaixo e tente localizá-las no emaranhado de letras. Não se esqueça de guardar bem o significado delas!

J L M A N T S I M B T A C W

N A T Q V M Y C E G J S E R

T R B S I C K O S Q O B M S

P J H F J O B M T C Y M U E

• Unicelular: ser vivo formado por uma única célula – como as bactérias. • Antibiótico: medicação para combater as bactérias. • Acelular: estrutura dos vírus, que não chegam a compor uma célula. • Microrganismo: organismo que pode ser visto apenas com o auxílio de um microscópio, como os vírus e as bactérias. • Parasita: organismo que não tem vida independente, vive à custa da exploração de outro organismo. • Vacina: antídoto para combater doença causada por vírus ou bactérias.

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* A resposta do Acha-palavras está no final do livro.

Encare essa Família vacinada

Essa família - pai, mãe e três filhos - é unida até na hora de tomar vacina. Um cuida da saúde do outro. São tão unidos que resolveram criar um calendário de vacinação familiar. Acompanhe o raciocínio deles.

recisam Os pais p lhos para levar os fi vacinas tomar três cada um.

maior filho mbrar a precisa le mar três mãe de to a filha vacinas, e brar o pai precisa lem ês vacinas. de tomar tr O

precisa pai O mãe, e a lembrar a , de tomar mãe, o pai uma vacina. q u a n ta s A o to d o , fa m íl ia v a ci n a s a ar? precisa tom

*A resposta do Encare essa está no final do livro.

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Experimento Vírus de jujuba! Huumm, jujuba, que delícia! Vai me dizer que você não ficou com água na boca? Então, mãos à obra para aprender a fazer um experimento muito interessante e gostoso. O vírus da gripe só pode ser visto com a ajuda de um microscópio, mas este modelinho de jujuba todo mundo vai poder ver e (nhac!) comer!! Materiais: • uma bola média de isopor • 50 palitos de dente • 50 jujubas de cores variadas

Modo de fazer: Construir o vírus é muito fácil. Basta espetar as jujubas numa das pontas do palito, e enfiar a outra ponta no isopor. Quanto mais jujubas, mais o seu modelo de vírus ficará rechonchudo e colorido.

É Melhor Prevenir do que Remediar! – Vacinas © 2010 concepção do projeto, textos e ilustrações by Letra e Ponto Editora

Textos | Bianca Encarnação e Cathia Abreu Ilustrações jogo e suplementos – Igor Villa livro e pasta – Marcelo Pacheco Revisão | Vera Carvalho Diagramação | Dario dos Reis Responsável pedagógica | Maria del Carmen G. Chude Consultoria científica | Adriana Bonomo (MD, PhD, professora do Depto. de Imunologia do Instituto de Microbiologia Prof. Paulo de Góes, UFRJ) Concepção do Projeto | Letra e Ponto Editora

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Referências: CCS/MS – Centro Cultural da Saúde/Ministério da Saúde (www.ccs.saude.gov.br) FIOCRUZ – Fundação Oswaldo Cruz (www.fiocruz.br) MS – Ministério da Saúde (http://portal.saude.gov.br)

Todos os direitos reservados à Letra e Ponto Editora Rua Dr. Fabrício Vampré, 59 | Vila Mariana 04014-020 | São Paulo | SP Telefax | 11 3539 2000 letraeponto@letraeponto.com.br www.letraeponto.com.br

O vírus da gripe – que se associa às nossas células e deixa a gente com sintomas que vão de nariz entupido a febre, passando por dor de cabeça e mal-estar – tem por fora uma camada de proteínas e gorduras. Ao microscópio, ele é colorido, parecido com o modelo que você acaba de montar!

Esta obra está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. 1ª edição, 2010 © Letra e Ponto Editora

Respostas das atividades Atividade (págs. 8 e 9): 1. E 2. J 3. G 4. H 5. I 6. A 7. B 8. C 9. D 10. F

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Acha-palavras (pág. 16): M I C R O R G A N I S M O

U N I C E L U L A R V A C A N T I B I O T I C O N P A R A S I T A S A C E L U L A R

Encare essa (pág. 17): Ao todo, a família precisa tomar 17 vacinas.

Livro Vacinas  

Diagramação de Livro para Editora Letra e Ponto