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Concurso de Quadilhas do Arraiá do Chi Pul Pul. Mercado Municipal, São Luiz do Paraitinga, 2012. Foto: Suzete de Martini.

A produção musical em São Luiz do Paraitinga não para. A Banda Quar de Mata lançou seu primeiro CD na Festa do Saci 2011: «Deu na Créca», com músicas compostas ao longo de vinte anos, produzido com recursos próprios e parceria com Eduardo Rennó. Os Estrambelhados lançaram em 7 de abril de 2012 o seu segundo CD: «Estrambelhado eu sou», produzido também com recursos próprios e parceria com os produtores Betão Aguiar e Zé Nigro. Moreno Overá lançou o CD «Brasil Viola» na Festa do Saci em 2012. O CD de Moreno foi custeado pelo PROAC - Programa de Ação Cultural promovido pelo Governo do Estado de São Paulo que no mesmo edital contemplou mais três artistas da cidade: Camilo Frade, na produção do CD «Por que Nós?», com show de lançamento dia 29 de dezembro de 2012 no Coretão, Paulo Baroni com «Baroni e a Loukomotiva Kabereka» lançado dia 26 de janeiro após a Final do 28º Festival de Marchinhas de Carnaval de São Luiz do Paraitinga, e Lia Marques, com seu primeiro àlbum solo «Se perfume tivesse cor, a rosa seria beija-flor» com oito composições de Marco de Rio Branco, além de parceria de (seu pai) Negão Santos com Zeca Baleiro, e uma canção de (seu avô) Elpídio dos Santos, e lançamento previsto para março de 2013. Rádio SLP Online

Grupo Paranga no show em homenagem ao centenário de Mazzaropi, Avenida do Povo, Taubaté, 09/04/12. Foto: Daniel Tucci.

A Primeira Web Radio de São Luiz do Paraitinga completa em fevereiro um ano e cinco meses de transmissão ininterrupta, trazendo além da sua programação musical informações e notícias sobre a cidade em seu site. Acessível de qualquer lugar do planeta através da internet a Rádio SLP Online tráz na sua programação 24 horas o Programa Sons da Terra com as canções e a musicalidade de São Luiz do Paraitinga todos os dias das 10 às 16:00 horas. Para ouvir a programação da Radio SLP Online basta acessar o site: www.radioslp.com A Rádio SLP Online tem o Apoio Cultural do Ponto de Cultura Parahy - Culta (Ações Culturais). Daniel Tucci


Edição e Arte: Daniel Tucci Direção: Suzete de Martini Colaboração: Camila Tucci Marco Rio Branco Judas Tadeu de Campos Juventino José Galhardo Junior Wellington Tibério Desenho do Galo na Capa: Helder dos Santos Foto da Capa: Daniel Tucci Jornalista Responsável: Izabel Ortiz - MTB 39300

3 - Ponto de Cultura Parahy 4 - Oficina de Teatro

5 -Nova Congada Alto do Cruzeiro 6 -Oficina de Cinema Parahy 7 - Tupinambrass/ Cordel Caipira 8 - I Balaio das Artes

10 - Nas Linhas da Parahytinga Cidade 11 - O Juca Teles 12 - Juca Teles 13 - Correio Elétrico Musical 14 - Poesia

Gráfica: Supergraf

Ponto de Cultura Parahy Culta (Ações Culturais)

Foto antiga da Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Acervo Juventino José Galhardo junior.

15 - Festival de Marchinhas 16 -Fotomania/Zuummm

Foto: Camila Tucci

DT

O Ponto de Cultura trabalha com a cultura local, e pode acontecer em qualquer espaço, desde um pequeno espaço comunitário até um grande centro cultural. O importante é incorporar aqueles que raramente são lembrados. Por isso os Pontos de Cultura estão presentes nas áreas mais pobres das grandes cidades, em assentamentos rurais , junto a comunidades ribeirinhas, quilombolas, indígenas, e em locais com pouco ou nenhum acesso à cultura. O Programa Cultura Viva do qual faz parte o Ponto de Cultura, procura apresentar uma abordagem de Gestão que leve em conta os “pequenos” e localizados contextos sociais, ajudando a repensar os programas de políticas públicas que tendem a definir contextos preestabelecidos, fixos e tendências anacrônicas. O resultado correspondente ao Programa é a experimentação de um processo que visa a transformar o papel do Estado e de suas políticas públicas, quando este, paulatinamente deixa de ser um controlador dos processos sociais para tornar-se um facilitador das demandas da sociedade civil. O Ponto de Cultura Parahy realiza suas atividades dentro dessa prerrogativa, o ano de 2012 foi de trabalho intenso e gratificante; Oficina de Cinema, formação de grupo musical Eclectic Brass Band, documentação e registro para arquivo de festas e eventos, disponibilização de uniformes, novos instrumentos e viagem para Aparecida do Norte para a Congada Alto do Cruzeiro, apoio à Folia de Reis da Ponte Alta, apoio aos eventos públicos municipais, disponibilização de equipamentos para apresentações artísticas e musicais, formatação de projetos para artistas e grupos da cidade que nos procuram, Oficina de Teatro e Oficina de Circo (em parceria com o CMDCA conselho Municipal da Criança e do Adolescente e Prefeitura Minicipal). E várias pequenas ações que acontecem no dia a dia do Ponto. Parabenizamos a Nova Congada Alto do Cruzeiro que em 2012 comemorou 20 anos de existência e resistência, e desejamos vida longuíssima e a continuidade desse Grupo que representa o município, carregando o Mastro em suas festas religiosas e também levando a cultura popular luizense para outras cidades. Parabéns!

Foto: Daniel Tucci

O Galo de São Luiz do Parahytinga Número 10 Ano 4 Fevereiro de 2012 Tiragem: 1000 cópias Distribuição Gratuita

ficou-se sem brincar a mais brasileira das festas! Até o movimento da volta do carnaval pelos idos de 1981, São Luiz era a cidade onde tradicionalmente não havia Carnaval! Pois que atualmente tem no próprio Carnaval talvez sua tradição mais popular! Curioso, não? E assim a vida segue... Qual a sua opinião? Escreva para o Jornal O Galo de São Luiz do Parahytinga no e-mail: cartasogalo@hotmail.com

Foto: Tadeu Mendes

Olá amigos, chegamos ao número dez do jornal O Galo de São Luiz do Paraitinga! Cantando e pulando as originais marchinhas carnavalescas da cidade! São Luiz do Paraitinga é uma cidade de muitas tradições culturais e artísticas. Algumas centenárias, outras nem tanto. Tradições são mantidas, outras novas são criadas. Uma tradição luizense é a vanguarda(?) cultural! Mas quando iniciou-se essa tradição? Quem diria que onde hoje acontece um dos mais importantes carnavais do «país do carnaval», durante décadas

Suzete de Martini Responsável Técnica/ Produtora Cultural e Gestora Topo: Palhaços da Cavalhada no evento Revelando São Paulo. Meio: Oficina de Circo. Acima: Transporte do Mastro na festa do Divino.


Nas fotos: Elencos das peças «Essa propriedade está condenada» de Tennessee Williams, e «Pluft, o fantasminha» de Maria Clara Machado, encenadas pelos alunos da Oficina de Teatro e com a participação especial de Luciana Monteiro, no dia 22 de dezembro de 2012 no Centro Cultural e Turístico Nelson José de Oliveira Coelho.

Fotos: Camila Tucci

Oficina de Circo Parte integrante da Oficina de Teatro, a Oficina de Circo teve malabarismo, mágica, tecido, acrobacias e esquetes. A Oficina de Circo foi realizada nos dias 3 e 24 de novembro de 2012 no palco da Área de Eventos, com apresentação dos alunos e dos professores no Coreto Elpídio dos Santos no dia 1 de dezembro de 2012 na abertura do evento Balaio das Artes São Luiz do Paraitinga. A Oficina de Circo teve a direção de Nina de Cassia Sprovieri e os professores Luís França (acrobacias) e Luciana Pamplona (números aéreos).

Dia 6 de dezembro de 2012 a Nova Congada Alto do Cruzeiro completou vinte anos de existência. Única Congada tradicional remanescente no município de São Luiz do Paraitnga, a Nova Congada Alto do Cruzero reúne mestres da cultura popular que se dedicam à congada pela fé e devoção a São Benedito, ao Divino Espírito Santo, e a Nossa Senhora, abrilhantando as festas religiosas de São Luiz do Paraitinga. Entre os integrantes há pessoas de todas as idades. São Luiz do Paraitinga já teve dezenas de grupos de Congadas e Moçambiques, além do Jongo, na cidade e principalmente na zona rural. Em maio de 2012 o Ponto de Cultura Parahy proporcionou à Nova Congada Alto do Cruzeiro novos uniformes e instrumentos musicais, além da organização e custeio da viagem comemorativa. Os novos uniformes foram produzidos sob medida pelo figurinista Helder dos Santos, e os novos instrumentos musicais pelo luthier Flávio Itajubá. A entrega foi realizada em cerimônia realizada no espaço alugado pelo Ponto de Cultura Parahy - Culta (Ações Culturais) na sede da Congregação Mariana. Nessa noite o Ponto de Cultura Parahy prestou uma homenagem à Nova Congada Alto Do Cruzeiro e também aos integrantes: Sr. Sudário (o mais antigo Mestre de Congada vivo de São Luiz do Paraitinga), e Sr. Benedito Pacífico (músico - sanfoneiro do grupo). Na semana seguinte o Ponto de Cultura Parahy – Culta (Ações Culturais) protocolou na Prefeitura Municipal um pedido para o reconhecimento oficial da Nova Congada Alto do Cruzeiro como representante do município, e também do Sr. Sudário como o mais antigo mestre congadeiro vivo de São Luiz do Paraitinga. A nova Congada Alto do Cruzeiro estreou o novo uniforme na Festa do Divino de 2012, quando transportou o Mastro da Bandeira no domingo último dia da festividade. Nesse dia houve uma homenagem ao finado ex-integrante do grupo Sr. Geraldo Polião, e em seguida o Mastro foi transportado da sua casa até a Praça Osvaldo Cruz onde aconteceu a missa e de lá para o Largo do Rosário onde foi fixado. Desde o início de suas atividades o Ponto de Cultura Parahy vem realizando registros áudios-visuais da Nova Congada Alto do Cruzeiro e com este material está sendo produzido um vídeo-documentrio do grupo, além de arquivo fotográfico. Daniel Tucci

Viagem à Aparecida do Norte em comemoração aos 20 anos da Nova Congada Alto do Cruzeiro

Foto: Daniel Tucci

Foto: Daniel Tucci

Oficina de Circo - Oficina de Teatro - Praça de Eventos.

Dia 2 de outubro de 2012 teve início a Oficina de Teatro, gratuita, para jovens de 10 a 17 anos, realização do Ponto de Cultura Parahy – Culta (Ações Culturais) em parceria com o CMDCA – Conselho Municipal da Criança e do Adolescente e a Prefeitura Municipal, com a direção de Suzete de Martini. A Oficina de Teatro aconteceu até o dia 22 de dezembro quando houve a apresentação final dos alunos e equipe com as peças “Essa propriedade está condenada” de Tennessee Williams e “Pluft o fantasminha” de Maria Clara Machado no Centro Cultural e Turístico Nelson José Oliveira Coelho, com entrada livre. Dia 1 de dezembro de 2012 a Oficina de Teatro levou os alunos ao Teatro Renault na cidade de São Paulo para assistirem a apresentação da peça “A Família Addams” custeando o transporte, entradas e alimentação.

Foto: Suzete de Martini

NOVA CONGADA ALTO DO CRUZEIRO NOVA CONGADA ALTO DO CRUZEIRO

OFICINA DE TEATRO OFICINA DE TEATRO

Nova Congada Alto do Cruzeiro durante o transporte do Mastro na Festa do Divino em São Luiz do Paraitinga em 2012.


OFICINA DE CINEMA PARAHY

Cordel Caipira

O Ponto de Cultura Parahy está produzindo um documentário parte da Oficina de Cinema Parahy com o Sr. Renô Martins e a Cavalhada. Foram captadas imagens em 2012 da Cavalhada na festa do Divino e no evento Revelando São Paulo, realizado ano passado na cidade de São Paulo, além de entrevistas com o Sr. Renô Martins em Catuçaba.

Teia Regional dos Pontos de Cultura Nos dias 3 e 4 de maio de 2012 aconteceu no Centro Cultural Municipal de Taubaté a Capacitação e Teia Regional dos Pontos de Cultura, evento que reuniu representantes de Pontos e Pontões de Cultura de todo o Vale do Paraíba e Litoral Norte, além de representantes do Ministério da Cultura, Unesco, e Secretaria de Estado da Cultura. No último dia do evento aconteceu o Forum onde foram deba-

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tidas entre os representantes preocupações pertinentes, como a continuidade dos Pontos e do Programa Cultura Viva, e se, como e quando haverá novo edital e quais benefícios os atuais Pontos de Cultura exitosos teriam ao pleiea-lo, e ainda, sobre a necessidade de programas e recursos que propiciem uma interação maior entre os Pontos de Cultura da região. Daniel Tucci

do

Ditão Virgílio

Tupinambrass na Capela das Mercês O Ponto de Cultura Parahy trouxe para São Luiz do Paraitinga na noite de 24 de outubro de 2012 a apresentação da conceituada Tupinambrass Brazilian Quintet. Formada pelos integrantes Cesar Pimenta (Trompete), João Fontes Neto (Trompete), Evendro Neves (Trompa), Eduardo Machado (Trombone), Albert Khattar (Tuba), e com a participação especial da cantora mezzo-soprano Mere Oliveira, a banda apresentou repertório baseado na música popular e erudita, agradando aos ouvidos da platéia e imprensa que lotaram todo o espaço da Capela das Mercês. Alan da Silva Santos (Trompete), João Vítor Calro (Trompete), Guilherme Luiz Veloso (Trombone) e Everton William de Alverenga (Bombardino), integrantes da Ecletic Brass Band de São Luiz do Paraitinga também fizeram uma participação especial tocando «Ode à alegria» de Beethovem junto com a Tupinambrass Brazilian Quintet.

Foto: Suzete de Martini

Fotos: Tadeu Mendes

Foto: Camila Tucci

Em fase de produção o Documentário “Sãos e Salvos”, realização do Ponto de Cultura Parahy através da Oficina de Cinema Parahy, conta as histórias da fatídica data de 1 de janeiro de 2010, com depoimentos de pessoas que salvaram vidas com os botes de rafting e também das que foram salvas na mais trágica enchente que assolou a cidade.

Em 2012 o Ponto de Cultura Parahy editou mais dois livrinhos da série de Cordel Caipira do Ditão Virgílio, autor e contador de estórias com mais de trezentos títulos lançados, entre cordéis e livros, cujos temas sempre trazem personagens do nosso folclore. “O Saci e o pensamento» e «A lenda da Cobra Grande»” tiveram cada um quinhentas cópias impressas para distribuição gratuita em São Luiz do Paraitinga. Em 2010 e 2011 o Ponto de Cultura editou os títulos do Cordel Caipira de Ditão Virgílio: «O homem que casou com a Mula Sem Cabeça» e «O Saci e a Àfrica» e reeditou “O Saci-Pererê» e «O Caipira e o Saci». O autor participou da filmagem de “O Mistério da Matriz”, interpretando a si mesmo no CurtaMetragem inspirado na lenda da “Cobra Grande” produzido em São Luiz do Paraitinga pela Oficina de Cinema Parahy. Daniel Tucci

Integrantes da Ecletic Brass Band posam ao lado das ilustres convidadas Dona Olga Fontes e Dona Didi Andrade na apresentação da Tupinambrass Brazilian Quintet na Capela das Mercês.

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Foto: Daniel Tucci

Robsoñ Luquêsi

Fotos: Daniel Tucci

Fernanda Soares

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José Carlos Monteiro

aconteceu o I Balaio das Artes em em São Luiz do Paraitinga, evento que obteve ampla divulgação nos veículos de comunicação do Vale do Paraíba e reuniu dezenas de artistas, trazendo à cidade um grande número de visitantes interessados na mostra de cultura produzida em São Luiz do Paraitinga. O I Balaio das Artes teve início às 13:00 horas com a apresentação dos alunos e professores da Oficina de Circo, parte integrante da Oficina de Teatro realizada pelo Ponto de Cultura Parahy - Culta (Ações Culturais). A apresentação foi no Coreto Elpídio dos Santos com diversos números circenses como malabarismo, mágica, teatro, esquetes, acrobacias e aéreo (tecido). Em seguida a BAMIG - Banda Monsenhor Ignácio Gióia, formada por integrantes da tradicional FAMIG se apresentou em frente às obras da reconstrução da Igreja Matriz, fazendo a abertura do Embaralho Musical que seguiu no Coreto até às 2:00 horas do domingo. Foram doze horas ininterruptas com atrações musicais. Dezenas de músicos e grupos se apresentaram no Embaralho Musical, entre eles a Banda Quar de Mata, Estrambelhados, Música Parahytinga Brasileira, Baroni e Kabereka Rock, Nhô, Camilo e Caio Frade, Nelsinho do Mato Dentro e Vicentinho Rocha, Madds, Violetas do Brejo, Natal & Natalino,

Moreno Overá, Tânia Moradei e Banda Pé de Morro, Ditão Virgílio e Nhá Rosa, Almost Lost, Beatriz Tucci, Loro & Lucas, Valencee, e Eduardo Bandeira, e Madds, entre outros. Na Pracinha do Calçadão durante o evento aconteceu o Balaio Luizense, exposição com artes plásticas, poesias e fotografias, reunindo os artistas José Carlos Monteiro, Helder dos Santos, Juventino Galhardo, Jaime Esper, e Luciano Coca. Às 17:00 horas no local houve roda de capoeira com o GCAP – Grupo de Capoeira Angola Pelourinho Núcleo São Luiz do Paraitinga. A ideia da realização do I Balaio das Artes São Luiz do Paraitinga surgiu quando foi confirmado oficialmente o cancelamento da edição de 2012 da Semana da Canção Brasileira, assim o evento surgiu como um manifesto a favor da realização desta, bem como demais eventos culturais em São Luiz do Paraitinga. A adesão dos artistas da cidade foi tão grande que o manifesto acabou por tornar-se uma mostra da cultura produzida em São Luiz do Paraitinga. Assim foi surgindo o conceito do Balaio das Artes e a idéia de torna-lo parte do calendário cultural da cidade. O I Balaio das Artes São Luiz do Paraitinga teve o Apoio Cultural do Ponto de Cultura Parahy - Culta (Ações Culturais), Prefeitura Municipal de São Luiz do Paraitinga, Rádio SLP Online e TV Cidade Taubaté. Daniel Tucci

Foto: Claudia Helena

No dia 1º de dezembro de 2012

Vicentinho Rocha e Nelsinho Mato Dentro

Gabriel

Oficina de Circo

Patrícia Guimarães e Ditão Virgílio

Musica Parahytinga Brasileira

Tânia Moradei

Foto: Daniel Tucci

Darly Gonçalves

Madds

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Nas Linhas da Parahytinga Cidade do Sertão das Cotias

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O Luizense

O Chicote

No dia 4 de outubro de 1903 foi fundado o mais longevo jornal de São Luiz do Paraitinga. O Luizense foi idelizado e editado por Bernardo joaquim Dias, um artista português que chegou na cidade em turnê com um circo de cavalinhos. O circo se foi e ele ficou. Casou-se com Chiquinha Alvim com quem teve quatro filhos. O Luizense começou mensal, depois se tornou quinzenal, e enfim semanal - sempre publicado às quintas – feiras. A maioria dos textos eram escritos pelo próprio Bernardo, além de colaboradores. Bernardo também fundou o Grupo Dramático-Musical. A primeira sede do grupo onde as apresentações aconteciam era no prédio onde havia sido a antiga cadeia da cidade (local onde hoje em dia fica o posto policial), ao lado da Igreja Matriz. Também há registros de apresentações na Praça Oswaldo Cruz. Depois, com seus próprios recursos construiu o Teatro São Luiz, que dispunha de salão de cinema com aparelho sonoro e, claro, palco. Bernardo trouxe ainda artistas de outras cidades para São Luiz do Paraitinga. O português radicado nas bandas do Paraitinga também foi com sua esposa proprietário do Hotel Central, além de trabalhar como funcionário público. Os filhos do artista e jornalista fundaram o cinema que ficava na Rua 31 de Março, atual Calçadão. Infelizmente, quase todos os exemplares que restavam em São Luiz do Paraitinga do jornal O Luizense foram perdidos na enchente do dia primeiro de janeiro de 2010.

O Chicote foi fundado em 1978 e revolucionou a linguagem jornalística de São Luiz do Paraitinga, rompendo com a costumaz redação conservadora que predominava nas publicações da cidade e apresentando uma linguagem moderna, influenciado pela imprensa alternativa da época. De maneira inédita e em linguagem direta, O Chicote denunciou em suas páginas a cultura dos caciques populistas na política e trouxe à tona personagens de São Luiz do Paraitinga que vinham sendo esquecidos ou marginalizados e a que partir de então tiveram influência decisiva na cultura da cidade, abrindo alas inclusive para a retorno do «proibido» Carnaval dois anos após a fundação do jornal. Sem um editor definido o Chicote era publicado por um coletivo de rapazes que se reunia todas as semanas (embora a periodicidade da publicação fosse mensal) para discutir as pautas, buscando nos assuntos pertinentes à cidade uma sintonia com o que acontecia no Brasil e no mundo. Entre os colaboradores estavam: Judas Tadeu de Campos, Marco Rio Branco, Benito Euclides de Moura Campos, José Alfredo Pereira Rodrigues, Nilson Lopes Soares, Sérgio Moradei de Gouvêa e Sebastião Nascimento Santos Júnior. Vários dos redatores do Chicote seguiram na carreira jornalistica escrevendo e desenvolvendo jornais pelo Vale do Paraíba, trabalhando inclusive para os grandes veículos da imprensa paulista. O nome «O Chicote» foi inspirado em um semanário homônimo que circulou em São Luiz do Paraitinga em 1934. e que trouxe entre seus redatores Mario Joaquim Dias, Filho de Bernardo Joaquim Dias.

Sábado, meio dia! Um Bloco contagiou definitivamente o Carnaval de São Luiz do Paraitinga com suas cores, alegria e irreverência. Embalado pela melodia de Galvão Frade, pelas letras de Marco Rio Branco e pela arte de Benito Campos, o Bloco Juca Teles do Sertão das Cotias se tornou uma referência arrebatadora arrastando todos os anos uma legião de «Jucatelianos» pelas ruas da cidade para «comemorar as festividades de momo», faça sol a pino ou chuva a rodo, no mais alto calor do Carnaval. Antes do popularíssimo bloco carnavalesco, porém, houve o original jornal mimeografado. Mas para contar essa história vamos voltar um pouco mais no tempo: Pelos idos de 1982 Judas Tadeu de Campos editou em São Luiz do Paraitinga um jornal mimeografado com uma página frente e verso chamado «Recado» que teve algumas edições e era distribuído entre os jornais que eram assinados na cidade. Esse jornal teve poucas edições, mas um leitor e também antigo colaborador do “O Chicote” não se conformou com o seu fim: Marco Rio Branco tentou convencer Judas Tadeu a voltar a publica-lo, até que decidiu ele próprio editar um novo Jornal. Segundo edição póstuma do “O Juca Teles” (número «ene») lançado no Carnaval de 2007, o próprio Judas Tadeu sugeriu o nome: «O Juca Teles», e assim foi lançada a primeira edição no dia 20 de novembro de 1984. Nas 34 edições do «O Juca Teles» lançadas quase todos os textos publicados foram escritos por Marco Rio Branco e Benito Euclides de Moura Campos, com uma linguagem poética, figurativa, experimental, irreverente, e provocativa. Além das participações de Judas Tadeu de Campos, Luiz Egypto também colaborou em algumas edições como correspondente de «Piratininga». A diagramação do jornal tinha feitura artesanal com as letras datilografadas na máquina de escrever. Traços feitos com ajuda da régua separavam os textos e o título do jornal bem como intervenções eram feitas à mão livre.

A cada número, o título do jornal ia recebendo uma intervenção. No primeiro e segundo número apenas “O Juca Teles” compunha o título em letra de forma desenhada. No terceiro número já há uma pequena mudança: as linhas divisórias de cima e em baixo do título foram usadas para completar as letras J e também o T, que ganhou três pontas... A partir do quinto número o título passou a ser em letra de mão, e no número seguinte foi acrescentado ao seu lado o bonequinho desenhado (que a cada nova edição também foi ganhando um detalhe diferente). A arte e diagramação eram feitas pelo próprio Marco Rio Branco, bem como o desenho do bonequinho do título e outras interveções à mão livre. A partir do Número 36 « O Juca Teles» começou a contar com os desenhos de Pio Santos (Elpídio dos Santos Filho) na sua capa. O artista que também era músico – integrante da formação original do grupo Paranga, exibiu um traço muito original e estilizado que de alguma maneira remete às gravuras. Foram cinco capas ilustradas pelo Pio, os últimos números do “O Juca Teles”. Essas últimas edições continham na capa o subtítulo “cachorro louco” que a cada número também teve sua grafia alterada. Primeiro, a grafia normal, no número 37 já vinha assim: “carrocho louco” (e com os erres invertidos para o lado esquerdo). Na última edição, a capa trazia um desenho do cachorro encima de um foguete, literalmente “indo para o espaço”. À época, com uma única folha de estêncil era possível reproduzir quase trezentas cópias e essa era a tiragem do «O Juca Teles». O Jornal era distribuído em São Luiz do Paraitinga para um publico seleto que o recebia por baixo da porta da casa, e ainda, Brasil afora via correio. Todas as edições do «O Juca Teles foram impressas na escola Monsenhor Ignácio Gióia. O Bloco carnavalesco foi lançado na edição número 6 do jornal «O Juca Teles», em 9 de fevereiro de 1985 com a letra da marchinha na capa. Daniel Tucci

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Judas Tadeu de Campos

marco rio branco

Juca Teles Dia

18 de novembro de 2012 completaram-se 50 anos da morte de Benedito de Souza Pinto. Ele é, sem dúvida, um dos personagens mais interessantes da sociedade luisense na primeira metade do século XX. Oficial de justiça, cruzando constantemente os sertões à procura de pessoas convocadas pelos tribunais, se tornou um pesquisador do folclore e, ao mesmo tempo, um folclórico em grande estilo. O historiador Jaime de Almeida considera que a argúcia do olhar do Major Pinto era, por vezes, implacável como uma objetiva de uma lente fotográfica. E atribui isso ao contato com folcloristas e sociólogos da época, como Mário de Andrade, Alceu Maynard Araújo, os redatores da revista Paulistânia e da Revista do Arquivo Municipal de São Paulo, e com professores e alunos da Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Redigiu à mão uma longa série de cadernos (Cadernos de Juca Teles do Sertão das Cutias, Trovas Folclóricas, Cadernos do Major Pinto, etc.), que cobrem pelo menos 20 anos (décadas de 1920 e 1940) das andanças de um indivíduo dotado de uma extraordinária percepção para o insólito, para os cruzamentos de temporalidades e mentalidades, para o trágico e para o cômico. Pelo menos alguns desses cadernos estão entre os muitos documentos de São Luís do Paraitinga levados para o Arquivo do Estado. Não há estudos de folclore do município que não mencione as suas façanhas: é

citado como introdutor de várias tradições, como a dança dos caiapós e, sobretudo, como o principal responsável pela confecção do "judas" que era malhado no Sábado da Aleluia, redigindo o testamento dessa figura com trovas bem humoradas, onde o "judas" legava cada um de seus defeitos para políticos e autoridades locais. Além do autodidatismo e a escolaridade precoce que possuía, conhecia as rotinas dos moradores da cidade e da zona rural. Nascido por volta de 1888, era filho de João Pinto de Alvarenga e de Prisciliana Amélia de Souza. Aos 6 anos entrou na escola e aos 7 já ensinava os meninos de aprendizagem mais lenta como decurião, como então era chamado o aluno mais adiantado da classe. Em 1900 fez o papel de um aluno, numa comédia sobre a escola da roça, em exercícios de soletração e pontuação Baseado em sua experiência, Benedito Pinto afirmava que a escola deveria transmitir apenas os princípios básicos das linguagens (escrita, silábica, musical) e deixar que o aluno se desenvolvesse por si, como as plantas. Ele valorizava a grafia caipira das pessoas alfabetizadas na roça, como num trecho publicado no "Jornal de São Luiz", em 1950: "Os da roça tem inteligência às vezes mais que muitos da cidade, haja vista a tranquilidade que ali existe. Por que os grandes e ocupados em cousas importantes rumam para os lados da roça para descansar?". Dito Pinto foi militante da religião católica: sacristão, fundador de

Correio Elétrico-Musical

associação religiosa, membro da Conferência Vicentina, catequista e um dos fundadores da Corporação Musical São Benedito, em 1927, sob os auspícios da Irmandade de São Benedito que, então, tinha centenas de associados no município. Nas festas, promovia brincadeiras para as crianças, como o "quebra-potes", confeccionava os bonecões João Paulino, Maria Angu e a Miota e a pintura dos mastros. Organizou uma série de eventos, como leilões, "roda de Israel" e outras promoções para arrecadar dinheiro durante a construção da igreja do Rosário e, na mesma década, para a reforma da igreja matriz. Em 1921, por ocasião da inauguração do novo templo do Rosário, junto com os irmãos Oscar Cabral e João Cândido Cabral e Júlio César de Toledo Murat, publicou uma edição do jornal chamado "Polianthea". Também fez parte da facção política que fazia oposição ao grupo dominante. Em sua casa de três portas na Rua do Carvalho, em frente à casa paroquial, Dito Pinto tinha, logo à entrada, uma biblioteca com coleções de clássicos, vidas de santos e muitos livros de História. Mas nem todos reconheciam o valor de seu trabalho para preservar a cultura popular de São Luís do Paraitinga. Alguns até achavam que ele era "meio louco". A importância da obra de toda a sua vida passou a ser reconhecida muitos anos depois de sua morte, que ocorreu no dia 18 de novembro de 1962, aos 74 anos de idade. Judas Tadeu de Campos

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Correiô! E é assim mesmo que fico tocado quando escuto Dona Celina Carvalho pronunciando essa palavra. A palavra Correio sempre me soa como se fosse uma pessoa muito próxima, muito familiar. Sempre digo por ai que sou sócio do Correio. E como sou. Sim, sou daquelas pessoas que ainda mandam cartas mundo afora. E olha que estou falando a verdade, a mais pura verdade. Se mesmo assim você ainda está duvidando, ó, é só dar uma corridinha até o Correio e perguntar, "é verdade que o Malaco ainda manda umas cartas por ai?" Correiô! Ah, a voz da Dona Celina crava em meus ouvidos... E fico pensando... carta para mim? Carta de quem? Ôba, quem será que me mandou uma correspondência? Tudo em vão, tudo em vão... Tantas expressões, tantas interrogações que nem saberia como usá-las hoje em dia. Claro, praticamente todas elas desapareceram das nossas bocas, das nossas orelhas. Sim, também sei muito bem que ninguém mais se comunica com ninguém através de cartas. Para quê? Escrever em papel? Vige!... Ah, sim, a Internet é a palavra da vez, da voz, do fui. Mas o que queria falar mesmo é de uma outra história. Dessas historinhas para embalar luas e martes, sóis e anzóis. Minha Senhora, meu Senhor, o galo-editor do jornal me forçou a lembrar de palavras que há muito desapareceram das terras parahytinganas. Sou obrigado a confessar que algumas expressões nunca desaparecem por completo das nossas mãos, das nossas bocas, das nossas caretas, muito menos das nossas espantadas expressões. Gosto da expressão Correio da Terra. Não sei por que, mas Correio da Terra sempre me leva a pensar em alguém mandando uma correspondência para um qualquer lugar, talvez até mesmo para um Outro planeta. Ou alguém do Outro planeta tentando entrar em contato com alguém desse planeta então chamado Terra. Por que não!? E olhe que sempre desconfiei que Correio da Terra um dia ainda ia acabar em samba, e samba dos bons. Correio da Terra - essa expressão na verdade teria que ser dita que pertence a algum lugar. E pertence mesmo. Ela vem da costela do então extinto jornal Correio da Serra, que também veio das asas do jornal O Chicote. Esses dois ilustres e valentes jornais circularam pelas portas, janelas e olhos de São Luiz do Parahytinga lá pelos tantos e tintos anos 1977 a 1980.

A década de sessenta do século XX, pelo menos na Parahytinga Cidade foi de uma efervescência a toda prosa. Suas provas então nem se fala, multiplicavam idéias em qualquer mesa de bar. Fanfarras, jornais, Paranga, bares, violas, cavaquinhos, violões, manifestos musicais. E quase tudo isso acabava ou começava nos botequins do Mercado Municipal. O mundo sempre está mudando. E é justamente a partir de 1981 que tudo muda mesmo. Mudamos todos. E a Cidade de São Luiz do Parahytinga também nunca mais seria a mesma a partir desse ano. Quem não entendeu o que estava acontecendo, cada vez mais ia perdendo o começo de uma nova era. O começo de uma Nova Era. Se quase todo o Brasil optava pelo samba, a Parahytinga Cidade mirou sua face e sua fuça para as esquecidas marchinhas. As marchinhas carnavalescas passaram a não mais soar como sendo o que até então eram. As marchinhas passaram a serem tocadas e cantadas com toques e vozes de congadas, moçambiques, festas juninas, roças e rocios, rojões e requentões. Duvida, dá só uma escutadinha no vinil Chora Viola Canta Coração (Paranga) e você vai entender tudo facinho, facinho... Onde é que você estava mesmo nesse período? Sei, sei... São Luiz do Parahytinga como todo o mundo ainda rezava na cartilha do século dezenove. E olha que já existiam boas e boas coisas no tal século XX. E dentre elas, é lógico, a cultura da música. Mais do que nunca, não é mesmo, São Luiz do Parahytinga sempre tenta zelar pela sua cultura musical. Bom, mas no Brasil a ditadura campeava como uma insana senhora procurando chifre em cabeça de cavalo. E é justamente a partir dos valentes jornais O Chicote, Correio da Serra e o Correio da Terra que a Parahytinga Cidade começa a querer se situar no dito século vinte. Quem leva adiante a idéia dos jornais Correio da Serra e Correio da Terra foram os rapazes Zeco Rodrigues, filho do Professor Waldemar Rodrigues, e Sérgio Moradei, filho do Dito Ismael. Ah, sim, em 1984 o jornal mimeografado O Juca Teles passa a contar uma outra historinha. Em tempo - as placas solares já estão pulsando pelos quatro cantos da Cidade Parahytinga, e as fiações de pratas também já embalam os neurônios das Mulheres e dos Homens. Correiô! marco rio branco

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Na noite do último sábado dia 6 de janeiro foi realizada a Final do 28º Festival de Marchinhas de Carnaval de São Luiz do Paraitinga, onde as dez marchinhas classificadas após apresentação na Fase Eliminatória dos dias 18 e 19 de janeiro se apresentaram no coreto fazendo mais uma vez a alegria dos foliões com as originais marchinhas carnavalescas da cidade. Entre o júri da final estava Renata Marques, cantora do Grupo Paranga, e Luís Homero, um dos fundadores do Bloco Enkuka Kuka. A Final do Festival foi acirrada e contou com marchinhas dos experientes e consagrados compositores da cidade: Paulo Baroni, Thar, Galvão Frade, Juca Santos, Tânia Moradei e Marko Aurélio, Pedro Moradei, e também dos estreantes Wellinton Ismail, Matheus Santos e Pedro Alves. E ao final quem ficou em primeiro lugar levando o belo troféu artesanal confeccionado por Benito Campos e os R$ 2500,00 da premiação foi Gustavo Salinas, compositor da marchinha “Em foco na brincadeira”. O próprio autor interpretou a música, além de ter criado também o arranjo, baseado em sua guitarra. Líder do Cincopado, uma das bandas que se apresentam na programação oficial do Carnaval de São Luiz do Paraitinga, Gustavo já havia ganhado há muitas edições atrás o Festival de Marchinhas de São Luiz do Paraitinga com uma composição em parceria com Pio Santos. Sissa Carvalhal surpreendeu com a marchinha de sua autoria “Recado ao rio” ficando em segundo lugar, levando pra casa o troféu e a premiação de R$ 1500,00. Mais uma vez entre os três primeiros, o compositor Thar, integrante da Banda Quar de Mata, ficou em terceiro com a marcha-rancho “Cores inúteis,” sendo premiado também com o troféu além de R$ 800,00.

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O 28º Festival de Marchinhas de Carnaval de São Luiz do Paraitinga teve como apresentadores Daniel Tucci e Darly Gonçalves e premiou ainda a Melhor Intéprete, Mara Rubia, pela interpretação de “Recado ao rio”, e o Troféu “Dodô/ Quadô” do júri popular que premiou a marchinha mais votada pelo público na barraca que foi montada durante a Final do Festival, consagrando nessa edição a marchinha de Juca Santos “O galo do Bozó” que levou a premiação de R$ 500,00 reais mais o troféu. Essa edição trouxe pela décima terceira vez a Banda Confrete como banda de apoio com o maestro Alexandre Peixe no comando e arranjos, além da Banda na Banguela, estreando neste Festival também como banda de apoio e com Léo Couto nos arranjos. Todos os troféus foram confeccionados artesanalmente por artistas da cidade: Assis, Benito Campos, Anderson Corvo, Geraldo Tartaruga, e Nena Santos. Após a apresentação das dez marchinhas finalistas, a festa continuou com o show de lançamento do CD de Paulo Baroni e a Loukamotiva Kabereka. Daniel Tucci 28º Festival de Marchinhas de São Luiz do Paraitinga 1º Lugar - Em foco na brincadeira – Gustavo Salinas 2º Lugar - Recado ao rio – Maria Silva Coutinho Carvalhal 3º Lugar - Cores inúteis – Thar Prêmio “Dodô/Quadô”- Júri Popular - Galo do Bozó - Juca Santos Melhor Intérprete – Mara Rúbia - Recado ao rio

A Vida maior expressão de Amor, nos desperta para o lavouro, nos campos onde as ferramentas brilharão ao sol, o suor molhará a terra e a terra germinará o pão. Manhãs felizes onde as bênçãos se multiplicam, germinando as sementes sonhos, herdadas carinhosamente de nossos antepassados, das quis agora temos a honra e a felicidade de somá-las as nossas. Bendito sejam os seus frutos nessa Nova Era, realização fraterna que reluz em nossos olhos, dando-nos a certeza de que foi válida a espera pela chuva, para amassar o barro e remodelar os velhos sonhos nunca abandonados. Iguais que somos, trilhamos por um mesmo caminho, imprimindo-lhe a nossa crença alicerçada na liberdade e na fé_____jardins onde brincam nossas crianças, onde se desenolvem nossos jovens e se sentem seguros nossos anciãos embalados pela canção da esperança. Viver é preciso! É mais que uma viagem, é a autorealização que se cronquetiza no sorriso amigo, nas sílabas de cada palavra pronunciada com sinceridade, buscando-se a compreensão; no aperto de mão que visa mais que a soma de forças, mas se traduz na confirmação de que somos acima de tudo irmãos, com iguais direitos, iguais deveres_____ “responsáveis por tudo que cativamos.” (Exúpery) O nosso futuro está irremediavelmente ligado às nossas ações, cujos frutos seremos colhedores apenas da primeira safra, as outras pertencerão abençoadamente aos nossos filhos, pois só no porvir os frutos estarão sazonados. Bendita é a terra em que seus filhos se reconhecem pelo trabalho e pela compartilhação do pão! Todavia, por mais que façamos, deixamos muito por fazer. O que construímos através do trabalho honesto, se perpetuará através da poesia, da magia contida no tempo, para que a nossa memória, junta às nossas obras sejam o norte a seguir sob as bênçãos do Creador. Viver é preciso! Amar é preciso! Se não nada teria sentido. “Somos importantes! Procuremos ver o melhor dos outros, e darmos aos outros o melhor de nós, porque o pessimismo jamais edifica.” (André Luiz). O sol se fará forte, o cansaço saudável, as noites serenas, envoltas pelo frescor_____um convite para nós irmãos contemplarmos as estrelas, num prenúncio de um novo amanhecer, onde pulsa ininterruptamente a dádiva da Vida, na congregação do Amor.

Pregu iça

“O Lavrador que trabalha deve ser o primeiro a gozar dos frutos.” ( Paulo – II Timóteo, 2: 6 )

Santa

Fotos: Ana Beatriz de Moura Assis

“Solidários seremos união. Separados Uns dos Outros. Seremos Pontos de Vista.” (Bezerra de Menezes)

Foto: Wellington Tibério

28º Festival de Marchinhas de Carnaval

Provavelmente até os Santos que observavam tal cena devem ter dado uma bela bocejada. Somos herdeiros da maldição divina, do castigo de ter que trabalhar: “Ganharás o teu pão com o suor do teu rosto”. A deliciosa preguiça do paraíso foi enquadrada como um dos sete pecados capitais em uma cruzada que uniu a Igreja e o sistema econômico de exploração do trabalho. Como fazer com que as pessoas trabalhem além do necessário? Como fazer com que ser trabalhador seja uma virtude? Na antiguidade trabalhar era depreciativo, humilhante. Grande foi o investimento ao longo da história para transformar o que era uma maldição em uma virtude, para que o trabalhador viesse a ter orgulho dessa condição. Entre grupos indígenas era inconcebível tão situação. O famoso caipira, aliás, era um legítimo preguiçoso, trabalhava o que era preciso para o seu sustento e de sua família. Esses dois, índios e caipiras, com sua conhecida indisposição em trabalhar para um outro, ocuparam um lugar de resistência à expansão do trabalho lucrativo e destrutivo pelo interior do Brasil, por isso foram tão combatidos. Expropriados de suas terras, tiveram que engrossar a fila dos empregados. A história do Brasil é em parte a história de um massacre de povos tidos como preguiçosos, pois inadequados ao dito desenvolvimento.

Fraternalmente, Wellington Tibério Juventino José Galhardo Junior

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Jornal Cultural O Galo de São lUiz do PArahytinga #10  

Ponto de Cultura Parahy - Culta (Ações Culturais)