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10 DE ABRIL A 1º DE JULHO DE 2018 terça a sábado, das 10h às 21h30 domingos e feriados, das 10h às 19h30


ARTISTAS Alcina Anamaria Fernandes e Michel Charron Andrea Menezes e Marcelo Masagão Anna Maria Maiolino Arlindo Oliveira Arthur Bispo do Rosário Atelier Gaia – Museu Bispo do Rosário Aurora Cursino dos Santos Bernardo Damasceno Carla Guagliardi e Stela do Patrocínio Carlos Bevilacqua Cildo Meireles Claudio Paiva Clóvis Dias & Riedweg Dora Garcia Dudu Mafra Fernando Diniz Fernando Lima Flávio de Carvalho Geraldo Lúcio Aragão Gina Ferreira Grupo Arte e Cuidado, Jessica Gogan e Daniel Leão Gustavo Speridião

Hélio Carvalho Ioitiro Akaba Ivan Grilo João Jordão da Silva José Bechara Lasar Segall Laura Lima Leonilson Luiz Carlos Marques Luiz Guides Lula Wanderley Lygia Clark Maria Leontina Mathilde Monnier Maurício Flandeiro Miriam Chnaiderman Natalia Leite Osvaldo Vicente Francisco Patrícia Ruth Pedro França e Cia. Teatral Ueinzz Raphael Domingues Rede Fernand Deligny Ricardo Alves Jr. Rodrigo Paglieri Solon Ribeiro Tailan Coelho Tarsila do Amaral Wlademir Dias-Pino


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1 Pedro França

Ueinzz mix #2 (O tarado de Copacabana), 1997/2017 impressões sobre MDF | dimensões variadas [detalhe] Col. do artista


ENTRE O LUGAR E O NÃO LUGAR

DANILO SANTOS DE MIRANDA

Que voz me dão as vozes?

Diretor Regional do Sesc São Paulo

HERBERTO HELDER

Ao longo do último século, o entendimento sobre a loucura, passando da representação simbólica de uma exterioridade a uma espécie de dispositivo de ruptura com as sujeições da vida, representou uma relevante diferença com o tradicional enjeitamento consagrado àqueles que agiam de modo desviante. Tal abordagem demonstrou que indagar sobre a natureza da loucura é um exercício de efeitos amplos, que tem impacto nas regras que definem nossa inserção na vida social e no próprio dimensionamento que fazemos do sofrimento, nosso e dos outros. Se há uma imbricação entre os supostos contrários que opõem loucura e lucidez, cabe interrogarmos se nossas relações estão amparadas pela compreensão da complexidade psíquica e sua vinculação com as normatividades sociais. Longe da negação do sofrimento inerente aos desvios, está em jogo o fato de que a relação permanente do sujeito com seus outros pode ser capaz de produzir novas formas de existência. Com sua sondagem sobre os desvios, expresso materialmente em produções artísticas, a exposição Lugares do Delírio reflexiona sobre a importância da circulação e compartilhamento dos significados desviantes, de modo a enxergarmos os outros em nós mesmos.

2 Raphael Domingues

sem título, 1949 nanquim sobre papel | 30,9 x 23,7 cm Col. Museu de Imagens do Inconsciente 2

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INCURSÕES NO DELÍRIO

EVANDRO SALLES

Desde o século XIX, a arte participa — junto à ciência — de amplo processo

Diretor Cultural do MAR

de desconstrução das ideologias dominantes construídas em torno das noções de racionalidade, verdade e certeza. Recalcitrantes e dominantes, estas resistem e se apresentam a cada ciclo em novas roupagens, entretanto, sempre associadas à noção de força que institui e determina os lugares da “loucura” e da “razão”. A exposição Lugares do Delírio, transitando livremente entre a imprecisão de tais fronteiras, toma aquilo que foge dos laços estabelecidos de sentido como força criadora que concerne a todos em sua capacidade política de reposicionar a razão e, assim, nos reposicionar no mundo. Suspendendo distinções tradicionais e dualistas entre “razão” e “loucura”, a mostra abre o campo dialético do “delírio”, como campo possível para formas de resistência no agenciamento de forças inconformes aos modelos vigentes de racionalidade. Dando sequência ao programa Arte e Sociedade no Brasil, do Museu de Arte do Rio – MAR — eixo curatorial dedicado a aspectos urgentes à vida social no país —, Lugares do Delírio foi idealizada por seu primeiro diretor cultural, Paulo Herkenhoff. A seu convite, a curadora e psicanalista Tania Rivera propôs uma delicada trama de experiências, recusando a classificação de artistas “loucos” e “sãos” para promover a diversidade como força de construção de nossa realidade comum. A apresentação de Lugares do Delírio no Sesc Pompeia marca o desejo do MAR de abrir um profícuo campo de colaboração que possibilite um verdadeiro fluxo de ideias, reflexões e realizações entre as duas instituições, entre os dois polos de produção, entre Rio de Janeiro e São Paulo.

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3 Cildo Meireles

RazĂŁo / Loucura, 1976/2017 bambu, correntes de metal, cadeado, chave 80 x 150 cm | Col. do artista 4-5 Cildo Meireles RazĂŁo / Loucura, 1976/2017 [detalhes]

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EM TODA PARTE

TANIA RIVERA curadora

“A única arte que presta é a arte anormal”, dizia Flávio de Carvalho ao expor obras de pacientes do Complexo Hospitalar Juquery em 1933. Mas existiria arte “normal”? A arte parece querer sempre fugir da “norma”, ou seja, do hábito e das regras que delimitam nossa realidade compartilhada. Ela abre janelas na vida cotidiana e nos convida a construir novos mundos. O sofrimento psíquico intenso leva-nos também, às vezes, a abrir janelas na realidade e delirar, ou seja, sair dos trilhos, dos sulcos do pensamento compartilhado e tomado como “correto”. Isso mostra que a realidade não é única e evidente, ela é construída por nós e pode ser alterada de diversos modos. Sua transformação no delírio, para o psicanalista Freud, é uma tentativa de “cura”, ou seja, tenta abrigar e conter nossa dor, reinventando o mundo para que nele possamos encontrar um lugar. Mas essa atividade — humana, demasiado humana — não está restrita a situações de sofrimento extremo. Podemos dizer “que delírio!” ao falar de momentos intensos e que envolvem prazer, alegria, invenção. O delírio pode aparecer na festa, na brincadeira, mas também na rebelião, na revolta contra uma sociedade injusta e violenta. Ele surge no carnaval, por exemplo, suspendendo o lugar social e o gênero de cada um. Ou na gíria, que retorce a língua e a faz dizer outra coisa. Talvez a poesia seja sempre delirante, e a arte seja o campo no qual o delírio mais se põe em jogo — e nunca se esgota.

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Esta exposição visa a afirmar que os lugares do delírio são muitos e variados, e tenta assim explorar e questionar as fronteiras entre normal e patológico, entre arte e vida, entre o museu e o mundo. Suas obras vêm de locais diversos — do circuito artístico tradicional ou de instituições psiquiátricas, do campo de interseção entre terapia e arte ou de propostas diversas de interação e construção poética entre sujeitos “fora dos trilhos”. Elas formam aqui um campo de suspensão no qual cada um de nós é convidado a se deslocar de seu lugar habitual para inventar novos modos de viver com os outros. Lugares do Delírio teve uma primeira versão no Museu de Arte do Rio – MAR em 2017, a partir de proposta de Paulo Herkenhoff. A versão apresentada

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no Sesc Pompeia traz importantes modificações e insere novas produções de artistas de perfil diversificado. Além disso, ela explora mais amplamente os cruzamentos que marcaram a história da relação entre arte e loucura no Brasil, com a participação da coleção do Museu Osório Cesar – Complexo Hospitalar Juquery e dos artistas Flávio de Carvalho, Tarsila do Amaral, Lasar Segall e Maria Leontina. Neste pequeno livreto não seria possível apresentar todas as obras e artistas envolvidos na exposição. Privilegiamos, portanto, alguns dos eixos de articulação entre artistas e dos núcleos institucionais que nos parecem transmitir com força a diversidade da proposta. Lugares do Delírio convida a um passeio pela louca poesia da arte — aquela que já está, de alguma maneira, na vida, entre nós. Seu desejo secreto é fazer que ela escorra por essas páginas e ganhe o mundo.

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6 Arthur Bispo do Rosário

Arco e flecha “ORFA”, s/d madeira, barbante, linha e fio | 39 x 37 x 3 cm Col. Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea 7 Vista da exposição Museu de Arte do Rio, 2017

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8 Arthur Bispo do Rosário

Alvo de batalha, s/d | madeira, plástico, tecido, metal, linha e papel | 34 x 67 x 10 cm Col. Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea 9 Arthur Bispo do Rosário Distroey – Rio Grande do Norte, s/d | madeira, plástico, tecido, metal e linha | 140 x 180 x 40 cm Col. Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea 10 Maurício Flandeiro Navios, s/d | flandres | dimensões variadas Col. Museu da Cultura Cearense – Instituto Dragão do Mar 11 Arthur Bispo do Rosário Vela roxa, s/d | madeira, metal, fórmica, tecido e linha | 82 x 74 x 28 cm Col. Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea 12 Bernardo Damasceno Baú de vaidades, 2014 | barco de madeira, veludo, filó, espelho e miniatura de perfume 22 x 20 x 40 cm [fechada] Col. do artista

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ARTE, LOUCURA, GENTE

TANIA RIVERA curadora

A arte às vezes pensa a loucura. Em Razão/Loucura (1976/2017),

Lado a lado, as obras de Cildo e Bispo abrem a exposição,

Cildo Meireles põe em questão a distinção entre os termos,

desenhando arcos e flechas como a chamar nossa mão a lançar

construindo dois objetos com varas de bambu curvadas para baixo

algo no ar. Minha intenção era ter nelas uma espécie de definição

ao máximo, quase a ponto de se quebrarem, e assim mantidas por

poética de Lugares do Delírio. Queria também salientar, com essa

uma corrente de metal que une suas duas extremidades, formando

proximidade, a dimensão conceitual do trabalho de Bispo do

entre elas uma reta horizontal no meio da qual se encontra um

Rosário, tentando distanciá-lo do universo da arte popular ou naïf

cadeado. No primeiro objeto, pende do ponto mais alto da curva do

e de categorias que historicamente encerram a produção realizada

bambu uma outra corrente em cuja extremidade há uma pequena

em instituições psiquiátricas, como a de “arte bruta”.

chave, formando uma linha vertical que termina antes de cruzar a cadeia horizontal. A chave não chega, portanto, a tocar o cadeado.

Realizada ao longo de décadas entre as paredes de uma instituição

Em uma pequena placa de metal no corpo da corrente vertical está

psiquiátrica, é certo que a obra de Bispo não pode ser desvinculada

inscrito o termo “razão”.

de sua biografia e do contexto social no qual ela se desenrolou. Porém, mais do que encarnar a “loucura” como doença ou condição,

O segundo objeto tem a mesma estrutura, mas nele a corrente

ela testemunha a vida de um homem pobre e negro e portanto

vertical se prolonga e cruza com sua chave a horizontal, abrindo

particularmente sujeito às arbitrariedades de um sistema médico

virtualmente seu cadeado e fazendo-nos supor, sob a fixidez

excludente e segregador. Mais do que materializar a “esquizofrenia”

pacífica de seu desenho na parede, a liberação súbita da

como afecção que acomete parte da humanidade, ela consiste em

forte tensão a que o bambu está submetido e o consequente

uma sofisticada estratégia de subversão do dispositivo de exclusão

desmantelamento do sistema de retas com seu ordenamento

médico-social que permitiu a esse homem um status privilegiado

racional do mundo. Em sua plaquinha está escrito: “loucura”.

dentro da instituição, apesar de tudo. Mais que nos ensinar sobre as particularidades de um artista “louco” ou de uma produção

Ao lado dessa obra de Cildo Meireles, Lugares do Delírio posiciona

artística “psicótica”, ela pensa em ato — em objetos e imagens —

um dos objetos recobertos por fio azul de Arthur Bispo do Rosário,

sobre a arte e o sujeito, sobre nós e o mundo.

o Arco e flecha (s/d). Com este e os demais objetos dessa série interminável construída com sucata e uniformes desfiados

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dos internos da Colônia Juliano Moreira, o artista repovoa o mundo e mostra o gesto fundamental disso que estranhamente chamamos arte: alguém a refazer e renomear as coisas, com mãos e pensamento, porque a realidade não basta.

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13 Bernardo Damasceno

O M.A.R. vai virar sertão, 2017 barcos de madeira, miniatura de perfumes, filó e ventiladores | dimensões variáveis Col. do artista [p. 12] 14 Cadernos de artistas do Atelier Gaia e Gustavo Speridião na exposição no Museu de Arte do Rio, 2017 15 Vista da exposição no Museu de Arte do Rio com obras de Gustavo Speridião, 2017

Uma exposição é um processo que envolve muitas pessoas e acontecimentos, e em geral as pequenas experiências nela envolvidas se perdem no tempo, apesar de talvez se transmitirem, de alguma maneira incerta e imprevisível, ao público que vem visitá-la. Um acontecimento desse tipo se deu no momento em que a equipe do Museu de Arte do Rio – MAR fixava na parede o Arco e flecha, na primeira versão da mostra: surpreendentemente, ele tomou a forma de um barco, seu arco subitamente transformado em casco a sustentar o perfil de uma vela. A obra tomou lugar, assim, entre a seleção de barcos de Bispo que formam uma espécie de espinha dorsal da exposição. Como sua obra é o mundo, refeito e renomeado e sempre infinito, qualquer recorte seria aleatório. Diante desse desafio, optei por trazer seus barcos, que são muitos, claro — ele foi marinheiro em sua juventude —, e se espalham em objetos escultóricos e estandartes. Confesso que a escolha foi intuitiva, inicialmente, mas depois foi-se curiosamente recobrindo de justificativas delirantes e versões teóricas. “No MAR, precisamos de barcos para não afundar”, eu dizia jocosamente a quem me questionava sobre a quantidade de barcos, que foi aumentando durante a pesquisa, entre artistas diversos como Maurício Flandeiro, Bernardo Damasceno,

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Luiz Carlos Marques e Arlindo Oliveira. Com essa brincadeira, a

efêmeros sobre a superfície móvel da água. E nós todos, na deriva

curadoria assumia talvez uma proposta “delirante”, aliando-se à via

que pode assim nomear os movimentos geradores de desvios nas

pela qual o sofrimento psíquico intenso pode transformar nosso

trilhas estabelecidas pela cultura.

uso da linguagem ao fazer-nos tratar as palavras como coisas concretas (como notava Freud), tomando significantes de maneira

Desvio, deriva, delírio: o termo é uma espécie de motor desta

literal — e assim subvertendo a língua através de uma estratégia

exposição. Delirar é ir fora da “lira” (sulco feito pelo arado, em

muito explorada nas piadas e na poesia.

latim), dos caminhos já fixados, das normas. Em vez de tomá-lo à maneira da psiquiatria, como pensamento errôneo a ser eliminado

Foi mais tarde, já durante a montagem da exposição, que percebi

ou corrigido pelo uso de medicamentos, tentamos vê-lo e usá-lo

a ligação dos barcos com a história da loucura que, segundo Michel

como força política, como potência de afirmação do sujeito a

Foucault, incluiria durante a Idade Média o abandono de insanos

transformar a realidade. Buscamos incitar tal potência no corpo

no mar, nas chamadas “naus dos loucos”. À medida que as obras se

e no pensamento de cada um, convidando-o, na exposição, a fazer

colocavam no espaço e se punham de alguma maneira a conversar,

um caminho singular entre as mesas de alturas variáveis nas

surgiam outras figuras teórico-poéticas náuticas, como a da

quais estão pousadas as obras, a passear a esmo entre os

“jangada” concebida por Fernand Deligny como uma construção que

elementos que pendem do teto. A cada momento, a cada olhar,

dá notícias do autismo, na precariedade que permite uma

talvez cada um possa pôr em relação e movimento obras

navegação sem leme. As embarcações iam evocando, ainda, outro

diversas, contaminando-as.

Arthur, o poeta francês Rimbaud, com seu famoso “barco bêbado” que é, finalmente, cada um de nós: “eu, barco perdido em baías e danças” 1. Cada um de nós, à deriva, no movimento imprevisto e sem direção fixa que o barco encarna tão bem ao traçar rastros

1 Na tradução de Augusto de Campos para Le Bateau Ivre (1871). Disponível em https://poemargens.blogspot.com.br/2010/11/le-bateau-ivre.html

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16-17 Carlos Bevilacqua

De onde eu te vejo você não me olha, 2017 madeira, aço inox e quartzo dimensões variáveis Col. do artista

Em meio a esses barcos à deriva — aos quais eventualmente podemos dar alguma direção — aparecem em Lugares do Delírio outras propostas de transformação do mundo, como o Livro corpo (2009) de Rodrigo Paglieri, a casa que não cabe em si, de José Bechara (da série Open House), ou ainda a escrita pictográfica de João Jordão da Silva, que brinca entre traço e desenho, transformando a linguagem. No pátio do MAR, uma das colunas do prédio modernista já descrevia um inusitado giro de tempos em tempos, tornando instável a arquitetura do mundo (Ana Linnemann, Os invisíveis número 11, 2017). De volta à área de exposição, por entre elementos cósmicos (porém construtivos) como as alphinhas de Carlos Bevilacqua (De onde eu te vejo você não me olha, 2017), pulsa o sujeito como nada mais do que um ponto, no desenho de Claudio Paiva intitulado Quem sou eu (2009), para em seguida emitir um raio que o une a outros pontos mas pode chegar a aprisioná-lo em uma dada órbita (O raio prisioneiro, 2002). Pulsam também imagens-corpos trazidos por Pedro França e a Cia. Teatral Ueinzz, a fazer dali um “território cênico para quem sente vacilar o mundo”. Ao lado de Clóvis com suas esculturas-objetos híbridos de carro, caminhão, avião e móveis com gavetas e dos mapas, uma mesa baixa permite que nos debrucemos sobre textos, desenhos e mapas 16

da Rede Fernand Deligny, nos quais podemos buscar, de alguma maneira, os traços de nossas próprias derivas. A Camisa de força de Lygia Clark (réplica, 1969/2017), por sua vez, convida à percepção fina de nosso frágil equilíbrio e, talvez, a uma espécie de delicada

Por ocasião da prorrogação de Lugares do Delírio no MAR, fui levada,

autocontenção. À sua volta, brincam objetos relacionais de

curiosamente, a pôr em movimento a disposição de parte das

Lula Wanderley e cintilam trechos e imagens poéticas oriundas

mesas, concretizando a ideia de deslocamento incessante, de

do método clarkiano da Estruturação do self, declinado por

deriva ou transformação interna. Circunstâncias independentes

Gina Ferreira.

de minha vontade levaram à substituição de Cartoon – parte 3 de Ana Linnemann por telas de Gustavo Speridião, que inscrevem no mundo linhas horizontais em jogo com jatos de escrita, propondo novos lugares poéticos (Todos somos nuvens, afirma uma delas). À sua volta, fui levada a rearranjar parte das obras e assim, na exposição, refez-se de repente o espaço, mudando em curvas e giros (como faz a vida).

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18 Laura Lima

Ascenseur, 2013/2017 fenda, mĂŁo e chaves Col. da artista

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Laura Lima relata que sua decisão de se tornar artista foi marcada

Por um fio, também, estão os trabalhos institucionais ou que se

pelo surto psicótico vivenciado por seu irmão naquele momento.

fazem em colaboração com instituições, na aguda precariedade

Talvez toda sua obra relance, de alguma maneira, tal experiência de

do sistema brasileiro de saúde, do patrimônio e da arte. Mas basta

angústia e transformação, de modo a pôr em questão a realidade

um fio — e alguém que o sustente, muitas vezes encarnado pelos

e impulsionar-nos a torcer poeticamente nosso lugar no mundo.

profissionais que se colocam na fronteira entre arte e saúde —

Ascenseur (2013) eleva uma parede para dela fazer surgir, insólita,

para que dele se faça desenho ou bordado, cor ou escrita, gestos e

uma mão que parece buscar um molho de chaves. Já a versão de

laços com os outros, e assim se subverta a adversidade, a violência

Novos costumes (2006/2016) realizada para Lugares do Delírio, por

e a exclusão. Em Lugares do Delírio, muitas obras comprovam a

sua vez, convida à revisão dos hábitos e do status quo por meio

potência dessa torção, oriundas dos variados lugares aqui postos

de peças de roupa e adereços a serem vestidos e usados conforme

em atrito, encontro e deslocamento. Neste livreto damos

a invenção e o desejo de cada um.

espaço privilegiado a alguns deles, diante da impossibilidade de mostrá-los em sua integralidade nos curtos textos e nas imagens

A verticalidade implicada nos dois trabalhos de Laura é quebrada

que se seguem.

pelo reflexo do espelho de Novos costumes, que desestabiliza o espaço. Enquanto as mesas de pés finos e alturas variáveis

Para concluir, gostaria de evocar uma cena banal, mas que

visavam a recusar a fixidez e a garantia da “base” em prol de uma

me parece transmitir com simplicidade a proposta de embaralhar

diversidade de patamares e recusar o painel — a parede falsa como

lugares socioculturais distintos e fazer de Lugares do Delírio uma

superfície neutra a isolar cada obra do mundo — para incitar à

plataforma de experiências, pensamentos e encontros que possam,

contaminação delirante entre os diversos trabalhos, a verticalidade,

em escala micropolítica e apesar de suas limitações, contribuir para

por sua vez, é trabalhada nas escolhas cenográficas de Lugares

a construção de uma realidade na qual se afirme a diversidade de

do Delírio de modo a explicitar sua quebra e precariedade, na

lugares singulares. Na abertura da exposição no MAR, em fevereiro

disposição de obras e monitores de vídeo pendurados no teto

de 2017, eu conversava com o artista Arlindo Oliveira, integrante

graças a finos fios de aço.

do Atelier Gaia, Museu Bispo do Rosário, quando se aproximou de nós Wlademir Dias-Pino, outro artista participante da exposição

Por um fio: assim estamos fragilmente sustentados, como

e que alguns meses antes havia exposto na Bienal de São Paulo.

mostram a arte e a loucura. Diante da insegurança e da oscilação

Apresentei um ao outro e Arlindo olhou firme nos olhos de

inerentes a essa condição, tendemos a transformar o fio em firmes

Wlademir, enquanto empregava a simpática expressão coloquial:

amarras a nos conter e paralisar, como mostra a performance

“tamo junto!”.

In ATTO, de Anna Maria Maiolino, realizada como ação na abertura das duas versões de Lugares do Delírio e presente também em

Espero que nos Lugares do Delírio cada um seja convidado

registro fílmico. Nela a atriz Sandra Lessa vai-se aos poucos

a mover-se e deslocar-se, pondo-se fora de si — no lugar móvel

liberando de uma espessa bandagem, com gestos, giros do corpo

e plural onde um encontra o outro.

e vocalizações diversas. Maiolino a acompanha durante todo o processo, tomando em mãos a ponta da faixa, enrolando-a pacientemente, movendo-se no espaço em sutil coreografia com o corpo de Sandra — e ensinando, talvez, sobre o lugar do artista, a fazer vibrar os fios e as faixas que nos ligam e, assim, a sustentar com seu corpo, com sua presença, a emancipação de alguém.

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19-25 Laura Lima

Novos costumes, 2006/2016 vinil cristal dobrado e recortado dimensões variáveis Col. da artista 19 Anna Maria Maiolino vestindo peças de Novos costumes, Museu de Arte do Rio, 2017 20 A artista, Laura Lima, vestindo peças de Novos costumes, Museu de Arte do Rio, 2017 22-24 Visitantes vestindo peças de Novos costumes, Museu de Arte do Rio, 2017 25 Vista da obra na exposição, Museu de Arte do Rio, 2017

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26-28 Anna Maria Maiolino

In ATTO, 2015/2017 | performance Col. da artista

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WLADEMIR DIAS-PINO Há mais de quatro décadas, Wlademir Dias-Pino (1928-) dedica-se ao estabelecimento da Enciclopédia visual brasileira, intensa pesquisa de imagens em que a iconografia substitui o caráter ordinal da ordem alfabética. A elaboração dessa obra in progress é guiada por uma pergunta geral: o que pode ser uma leitura gráfica? Com uso previsto de mais de 200 mil imagens tratadas digitalmente, a Enciclopédia compõe-se de 1001 verbetes-volumes. Em Lugares do Delírio apresentamos um deles, intitulado “homem vegetal”. Para o artista, trata-se da explicitação imagética de que o homem apresenta uma espécie de “inveja” do vegetal em sua capacidade de autoregenerar-se.

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CIA. TEATRAL UEINZZ E PEDRO FRANÇA Há mais de vinte anos, a Companhia Teatral Ueinzz mescla pessoas com experiências diversas e idades variadas em aventuras teatrais que repensam o teatro e o mundo. Lugares do Delírio tenta fazê-la presente em um grande painel de imagens elaborado por um de seus integrantes, o artista Pedro França, e vídeos que retomam imagens e áudios de seus espetáculos. Na definição poética proposta pela própria Companhia, Ueinzz é território cênico para quem sente vacilar o mundo. Como em Kafka, faz do enjoo em terra firme matéria de transmutação poética e política. No conjunto, há mestres na arte da vidência, com notório saber em improviso e neologismos; especialistas em enciclopédias marítimas, trapezistas frustradas, caçadores de sonhos, atrizes interpretativas. Há também inventores da pomba-gíria, incógnitas musicais, mestres cervejistas e seres nascentes. Vidas por um triz experimentando-se em práticas estéticas e colaborações transatlânticas. Comunidade dos sem comunidade, para uma comunidade por vir. Cia. Teatral Ueinzz é composta por Adélia Faustino, Amélia Monteiro de Melo, Ana Carmen Del Collado, Ana Goldenstein, Arthur Amador, Carlos André Balthazar, Eduardo Lettiere, Erika Inforsato, Jayme Valarelli Menezes, Leo Lui Cavalcanti, Luiz Felipe Oliveira, Luiz Guilherme Ribeiro Cunha, Onés António Cervelin, Paula Francisquetti, Pedro França, Peter Pál Pelbart, Rodrigo Sano Calazans, Simone Mina e Valéria Manzalli. De outras galáxias, conta ainda com Alexandre Bernardes, Iza Cremonine, Luiz Augusto Collazzi e Yoshiko Mine. O som é realizado por Pontogor e a luz, por Laiza Menegassi.

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Homem vegetal, 1970/2017 fragmento da Enciclopédia visual brasileira 83 impressões sobre papel | 29,7 x 21 cm [cada] Col. Regina Pouchain e Wlademir Dias-Pino 30-32 Pedro França Ueinzz mix #2 (O tarado de Copacabana), 1997/2017 impressões sobre MDF | dimensões variadas [detalhes] | Col. do artista 33 Vista da exposição com instalação Ueinzz mix #2 ao fundo, Museu de Arte do Rio, 2017 [p. 26-27] 30

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LYGIA CLARK GINA FERREIRA E LULA WANDERLEY OBJETOS RELACIONAIS E A ESTRUTURAÇÃO DO SELF

Lula Wanderley e Gina Ferreira já haviam trabalhado com Nise da Silveira quando se aproximaram de Lygia Clark, em 1980, para se submeterem individualmente à Estruturação do self, método inventado por Clark que se situa na fronteira entre terapia e proposição artística e se reinventa a cada sessão, com cada cliente singular, usando objetos sensoriais de produção simples, os chamados objetos relacionais, que criam relações com o corpo através de textura, peso, tamanho, sonoridade e movimento. Ao longo de anos, até o falecimento de Lygia em 1988, Gina e Lula a acompanharam nessa radical experimentação que põe em questão as fronteiras tradicionais da arte, visando a desencadear a “memória afetiva” e as fantasias do sujeito para atingir o nível anterior à fala e levar a uma elaboração progressiva e estruturante do eu. Inicialmente sob sua supervisão, eles puseram-se a praticar tal método com clientes e, graças à formação de Gina como psicóloga e de Lula como médico, puderam inserir a Estruturação do self em contexto institucional no acompanhamento de pacientes em sofrimento mental grave. Desde então eles vão declinando o método de modo pessoal, em proposições variadas das quais Lugares do Delírio apresenta alguns exemplos. Lygia Clark está diretamente presente em Lugares do Delírio com duas réplicas de um objeto relacional pouco conhecido do público, a Camisa de força, de 1969, que revisita o tradicional instrumento de contenção de pacientes para fazer dele o convite à percepção de nosso equilíbrio e lugar no mundo. De Gina Ferreira temos notas que são fragmentos clínico-poéticos realizados por pessoas ao longo de seus processos de Estruturação do self, e uma fotomontagem feita em parceria com Hélio Carvalho para retomar uma proposição singular, criada por Gina nos anos 1980 com um cliente em crise. 34

De Lula Wanderley trazemos o Diálogo da projeção do olhar (c. 1984), três objetos que põem em jogo a imagem especular. Ele os realizou para Lygia Clark quando encerrou sua experiência de Estruturação do self, na tentativa de criar uma metáfora para seu processo com os objetos relacionais.

34 Réplica de Camisa de força sendo manipulada

por um visitante, Museu de Arte do Rio, 2017 35-36 Lygia Clark | Camisa de força, 1969

juta, elástico e pedras | dimensões variáveis Col. Associação Cultural O Mundo de Lygia Clark 35

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Uma vez todos os objetos relacionais em mim, pensei que gostaria de dormir assim, com eles, todos os dias. Aconchego absoluto. No instante seguinte caí em um sono pesado e maravilhoso, sem imagens ou sons. Dissolução completa. Acordei com ruídos. A pedra, que eu não havia gostado de ter nas mãos, ficou meio encostada — não quis tomá-la na palma (ela me parecia muito maior). [ relato de R. M. / sexo: feminino / idade: 45 anos ]

A última sessão foi bem especial, surgindo logo de cara umas borboletas laranjas voando numa estrada na floresta. Em seguida, o chão de terra batida estremece e se divide em dois, como em um terremoto, abrindo uma cratera.

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Depois, aparece um sol “descendo” do céu. Esse sol tem um rosto com uma boca, e essa boca me engole por inteira. Ao fim, uma cachoeira, com pequenos arcos-íris em sua queda.

Na penúltima sessão houve uma

Vejo os quatro elementos nesta última sessão.

sensação de nutrição. Também com

[ relato de S. L. / sexo: feminino / idade: 27 anos ]

duas imagens apenas, mas que falavam de cuidado e alimentação. Uma mão com um algodão encharcado de óleo essencial pinga na minha testa, bem no meio, no local do “terceiro olho”. A outra vem em forma de amêndoas, amendoins e castanhas, que são Vejo uma mulher imensa em pé

jogadas sob meu corpo inteiro.

diante de mim. Então Lygia disse:

O cheiro veio nessa imagem também.

“é a sua última sessão, nessa

[ relato de S. L. / sexo: feminino / idade: 27 anos ]

imagem você fez uma verticalização, está pronta”. Ela me deu os objetos e me autorizou a fazer a estruturação do self com meus próprios clientes. [ relato de Gina Ferreira / sexo: feminino / idade: 27 anos ]

37 Gina Ferreira | fragmentos de relatos escolhidos da

Estruturação do self, 1980/2017 | Hélio Carvalho | Fora do corpo, 2017 montagem fotográfica | dimensões variáveis | Col. dos artistas 38 Lula Wanderley | Diálogos da projeção do olhar, c. 1984 objetos e fotografia | Col. do artista 37

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LULA WANDERLEY E ESPAÇO ABERTO AO TEMPO (EAT) PSIQUIATRIA POÉTICA Lugares do Delírio apresenta um panorama da multifacetada

Luciano Soares, Márcio Romeu, Geronildo do Nascimento e

Psiquiatria poética realizada no Espaço Aberto ao Tempo (EAT),

Fernanda Nogueira, e dos músicos Max, Diego Rebello, Cláudio

instituição fundada há mais de trinta anos no hoje denominado

Francisco, Marcos Inácio, Severino dos Santos, Adriano Calca,

Instituto Municipal de Assistência à Saúde Nise da Silveira, no

Laércio Cláudio, Pedro Berenger, Alexandra Montalvani e Cristiana

Engenho de Dentro. A atuação de Lula Wanderley e sua equipe

Corcine. Hoje o grupo permanece ativo em nova formação, sob a

situa-se na interseção entre arte e cuidado em saúde mental,

denominação Sistema Nervoso Alterado Jazz Band.

dando-se de modo singularizado, sempre em colaboração com os pacientes e desenvolvendo proposições individuais ou coletivas

A exposição traz registros diversos das atividades do EAT em

que geram performances, vídeos e objetos.

vídeos das décadas de 1980 e 1990, além de uma coletânea de ações do Sistema Nervoso Alterado, com destaque para o registro

Em 1994 esse trabalho deu origem ao Grupo de Ações Poéticas,

da performance Sistema Nervoso Alterado Fashion Week, da qual

que desde 2005 passou a denominar-se Grupo de Ações Poéticas:

apresentam-se duas Camisas de força. Trabalhos mais recentes

Sistema Nervoso Alterado, com direção musical de Guilherme

estão presentes nas instalações Insônia (eu horizontal x eu vertical),

Milagres e Leandro Fleixo, composições de Ilcatan, Geronimo e

de 2016, parceria entre Wanderlei Ribamar e Lula Wanderley,

Jackson, direção e criação performática de Daniel Oliveira, Lula

e Vaso dos delírios (2017), que convida o público a expressar seus

Wanderley, Sandra Autuori e Maurício Junqueira, figurinos de

delírios ao sair da mostra.

Neusa Campanolo, participação dos atores Mônica Rodrigues,

O SEQUESTRO DO DR. LULA

SUTIS LAÇOS QUE NOS UNEM

Lula Wanderley e Edmar de Oliveira, anos 1990 | vídeo 03’35’’ | Col. EAT

Lula Wanderley e Rogério, anos 1990 | vídeo 05’21’’ | Col. EAT

ANÁLISE COMBINATÓRIA ENTRE UMA DÍZIMA PERIÓDICA E UMA PROGRESSÃO GEOMÉTRICA Roberto Garcia (colaboração de Lula Wanderley e Leandro Freixo), anos 1990 | vídeo 16’00’’ | Col. EAT

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INSÔNIA (EU HORIZONTAL X EU VERTICAL) Lula Wanderley e Wanderlei Ribamar, 2016 vídeo para instalação multimídia 06’40’’ | Col. EAT


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39 Lula Wanderley e Wanderlei Ribamar

Insônia (eu horizontal x eu vertical), 2016 instalação multimídia dimensões variáveis | Col. EAT 40 Insônia (eu horizontal x eu vertical), 2016 [detalhe] 40

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DIAS & RIEDWEG Da dupla de artistas Maurício Dias e Walter Riedweg, são apresentados dois importantes trabalhos oriundos de projetos participativos com usuários do IPUB – Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O projeto Corpo Santo (2012), comissionado pela Coleção Prinzhorn, Clínica Psiquiátrica da Universidade de Heidelberg, Alemanha, e realizado em colaboração com o IPUB a partir de oficinas que ocorreram no Teatro Qorpo Santo (IPUB) por Dias & Riedweg, assistidos por Juliana Franklin, Bruno Pires, Leandra Lambert, Cleiton Henrique dos Santos, Constança Pondé e Natália Pfeil e com acompanhamento médico e supervisão de projeto do dr. Julio Verztman. E o projeto colaborativo Nada absolutamente nada (2015, instalação sonora), comissionado pela Casa Daros, realizado em colaboração com o grupo A Voz dos Usuários (IPUB/UFRJ), com assistência de direção de Juliana Franklin.

41-43 Dias & Riedweg | Corpo Santo, 2012 | vídeo em loop

Col. dos artistas Com Adilson Santos de Almeida, Ana Cláudia Amaral dos Santos, Ana Cristina Ferreira da Costa, Ana Paula de Oliveira, Antônio Carlos Dias, Aristóteles Casas de Oliveira, Benedita Vicente, Carlos Alberto Pereira Batista, Carlos Henrique Coelho França, Carolina Batista Cesário, Claudio de Carvalho Claudino, Cristiano Antonio da Silva, Dalila Meira de Azevedo Marques, Demetrius Lucas Peixoto Andrade, Diogo dos Santos Luz, Edmyr Jesus do Nascimento, Fábio Rodrigues da Silva, Fernanda Gomes de Siqueira, Gerson Mandarino Nunes Marques, Gessy Faria da Silva, João Batista de Souza, José Newton Santos Queiroz, Luiz Fernando da Silva de Souza, Marcelo Henrique Paranhos de Lima, Marcio Henrique de Oliveira, Marco Antonio Pinheiro Moreira, Marconi Pereira da Silva, Marcus Paulo de Paula de Amorim, Maria Cecília Vieira, Maria Raimunda de Jesus, Maria Ribamar, Mauricio Gloria Martins da Silva, Patrícia de Oliveira da Silva, Paulo Humberto Veiga Junior, Pedro Paulo Salouto da Silva, Priscila Mayara Guimarães da Silva, Priscilla Sobral Pinto, Rafael Dias dos Santos, Rafael Melo Soares Ferreira, Regina Celia Benjamin de Souza, Renato Batista de Carvalho, Rodrigo Pereira de Souza, Rosemery P. C. de Almeida, Samuel de Oliveira Souza, Sandro Gomes Rocha, Severino Estevão da Silva, Sintia Alves, Vilma Maria Thiago, Vinicius Nogueira de A. Martiniano, Viviane dos Anjos Marcelino e Wagner Almada Queiroz

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REDE FERNAND DELIGNY

Fernand Deligny (França, 1913   -1996) foi um educador cujo pensamento atravessa diversos campos do saber, especialmente a antropologia, a psicanálise e a filosofia, e influencia importantes autores, como Gilles Deleuze e Félix Guattari. Seu trabalho com crianças e adolescentes autistas em áreas de convivência no sul da França, a partir dos anos 1960, traz uma contribuição fundamental para a reflexão sobre o tratamento em saúde mental. Além disso, essa iniciativa inaugura uma interseção muito rica com a produção artística contemporânea, especialmente através de um vasto conjunto de mapas traçados por seus colaboradores na tentativa de apreender os deslocamentos e gestos das crianças (e também dos adultos, em muitos casos) no território da convivência. Utilizada como dispositivo clínico e de reflexão de 1969 a 1979, essa cartografia recoloca e subverte a própria noção de “sujeito”, ao mesmo tempo em que fricciona os campos do desenho, da dança e da performance. Apresentamos em Lugares do Delírio mapas originais traçados por Gisèle Durand, Jacques Lin, Jean Lin e Dominique Lin, alguns dos principais colaboradores de Deligny (por ele denominados “presenças próximas”). Boa parte dos mapas compõe-se da base sobre a qual se sobrepõem traçados realizados em papel vegetal, em uma prática que permitia que fossem justapostos, para reflexão clínico-teórica, os trajetos costumeiros e aqueles surgidos de forma incomum, ou ainda deslocamentos e gestos realizados em dias distintos ou por diferentes crianças ou adolescentes. De um dos mapas, trazemos apenas a sobreposição de dois trajetos de crianças diferentes, sem base. São também apresentadas páginas da revista Cahiers de l’immuable 44

(Cadernos do imutável) com reproduções de outros mapas e trechos de textos, poesias e desenhos do próprio Deligny e de Janmari, criança autista com quem conviveu até sua morte.

44-45 Gisèle Durand / Rede Fernand Deligny

Ateliers de Garniers, 30 de setembro de 1969 mapa [44] e traçados em papel vegetal sobre mapa [45] | 50 x 65 cm | Col. Gisèle Durand 46 Gisèle Durand / Rede Fernand Deligny Le Serret, julho de 1973 traçados em papel vegetal | 64 x 50 cm Col. Gisèle Durand 45

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MUSEU OSÓRIO CESAR

Desde 1925, são realizados ateliês artísticos pontuais no Hospital Juquery, fornecendo material para estudos do dr. Osório Cesar sobre a produção dos pacientes. Em intenso contato com os artistas modernistas, Cesar organizou em 1933, com Flávio de Carvalho, o “Mês das Crianças e dos Loucos”, no qual foram expostas algumas obras do hospital. Em 1949, o psiquiatra fundou, ao lado do dr. Mário Yahn, a Seção de Artes Plásticas, com a proposta de levar artistas para trabalharem regularmente com os internos. Após contar com a colaboração de Maria Leontina e ser frequentada por Flávio de Carvalho, Lasar Segall e Tarsila do Amaral, a seção foi renomeada Escola Livre de Artes Plásticas em 1956. Ela funcionou até 1974 e deu origem ao acervo do Museu Osório Cesar – Complexo Hospitalar Juquery. Desse acervo, Lugares do Delírio conta, em sua versão no Sesc Pompeia, com obras de Ioitiro Akaba (? -1968) e Aurora Cursino dos Santos (1896-1959), além de uma obra de Alcina (datas desconhecidas) e um desenho anônimo. No trabalho de Aurora, uma forte carga de denúncia social alia-se a elementos autobiográficos de maneira muito singular e atual, trazendo a arte como ação micropolítica incidindo especialmente em questões de gênero. Já o imigrante japonês Ioitiro conjuga a tradição oriental a cores exuberantes para formar paisagens inusitadas nas quais somos convidados a navegar (como os barcos muitas vezes presentes) por um mundo em vias de transformação. 47

47 Ioitiro Akaba

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sem título, s/d | 39 x 54 cm Núcleo de Acervo, Memória e Cultura Complexo Hospitalar Juquery 48 Ioitiro Akaba sem título, s/d | 39 x 53 cm Núcleo de Acervo, Memória e Cultura Complexo Hospitalar Juquery


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49 Aurora Cursino dos Santos

sem título, s/d | 60 x 50 cm Núcleo de Acervo, Memória e Cultura Complexo Hospitalar Juquery 50 Aurora Cursino dos Santos sem título, s/d | 50 x 33 cm Núcleo de Acervo, Memória e Cultura Complexo Hospitalar Juquery

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OFICINA DE CRIATIVIDADE DO HOSPITAL PSIQUIÁTRICO SÃO PEDRO A Oficina de Criatividade do Hospital Psiquiátrico São Pedro,

51-52 Luiz Guides | sem título, s/d

em Porto Alegre, tem origem em oficinas de artes plásticas criadas

guache sobre papel | 66 x 96 cm [cada] Col. Oficina de Criatividade Hospital Psiquiátrico São Pedro 53-54 Natalia Leite | sem título, s/d bordado | dimensões variadas Col. Oficina de Criatividade Hospital Psiquiátrico São Pedro 55 Natalia Leite | sem título, s/d | bordado sobre faixa de contenção | 10 x 245 cm Col. Oficina de Criatividade Hospital Psiquiátrico São Pedro

no final dos anos 1980 por iniciativa de Barbara E. Neubarth, Luciana Moro Machado, Luiza Gutierrez e Rosvita Bauer em parceria com a UFRGS, por meio das professoras Tânia Galli Fonseca e Blanca Brites. Ao longo dos anos, a oficina tem sido um lugar de criação e invenção artística no qual o processo de cada artista é valorizado como produção inovadora de linguagens possíveis. Entre os frequentadores da Oficina de Criatividade, Lugares do Delírio conta com a participação de Luiz Guides e Natalia Leite. Luiz Guides (1922-2010), ao ritmo de um profundo silêncio, traça nas folhas em branco uma sofisticada geometria de cores capaz de contar o tempo (pela repetição de mostradores de relógios) e marcar o espaço (pela presença de uma régua com seus números). Natalia Leite (1943-), por sua vez, traz em sua memória histórias de fazenda e com elas traça, na linha do bordado, um mapa rasurado em pontos, cores e curiosas disposições e justaposições espaciais. Destaca-se o bordado feito sobre uma das faixas de contenção tradicionalmente usadas em instituições para a contenção dos pacientes, que revela o gesto artístico de Natalia como uma delicada porém potente transformação da violência vivida em arte compartilhada.

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ATELIER GAIA O Atelier Gaia é um espaço de arte e criação integrado ao Polo Experimental de Cultura, Educação e Convivência atualmente integrado por Aidir, Alex, Arlindo Oliveira, Clóvis, Gilmar, Leonardo Lobão, Luiz Carlos Marques, Patrícia Ruth, Pedro Mota, Sebastião Swaizer e Victor. O Atelier é administrado pelo Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea e congrega artistas que usam ou usaram o serviço do Instituto Municipal de Assistência à Saúde Colônia Juliano Moreira em algum momento de suas vidas. Na tarefa de incentivar e oferecer suporte à produção desses artistas, o Atelier já teve o acompanhamento de Bianca Bernardo e, mais

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recentemente, de Diana Kolker. Sua participação em Lugares do Delírio é intensa e variada. Clóvis, Patrícia Ruth, Luiz Carlos Marques e Arlindo tiveram obras individuais expostas, e o último contribui ainda com a realização de uma performance na abertura da exposição no Sesc Pompeia. Já as residências artísticas realizadas por Gustavo Speridião, Lívia Flores e Solon Ribeiro contaram com a colaboração de todos os integrantes do Atelier.

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56 Arlindo Oliveira | Navegar, s/d

madeira, plástico, fio e barbante | 78 x 69 x 12 cm Col. MAR – Museu de Arte do Rio / Secretaria Municipal de Cultura da cidade do Rio de Janeiro 57 Clóvis | sem título, s/d | tinta, papel machê e madeira dimensões variadas | Col. do artista 58 Luiz Carlos Marques | sem título, 2016 | fios de lã, tecido e bambu | 49 x 44 x 28 cm | Col. do artista 59 João Jordão da Silva | sem título, s/d | pintura sobre lona 71 x 100cm | Col. Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira 60 Detalhe de mesa com trabalhos de João Jordão da Silva, Museu de Arte do Rio, 2017 56

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JOÃO JORDÃO DA SILVA As obras de João Jordão da Silva (1928 -) materializam passagens do traço à letra, do desenho à escrita. Em uma fina reflexão sobre a linguagem e a imagem, suas telas coloridas transformam-se, ao nosso olhar, em textos de decifração poética, enquanto as múltiplas escritas inventadas em seu caderno — exemplar único do qual Lugares do Delírio apresenta algumas páginas escolhidas — se retorcem em singulares hieróglifos 60

e revelam súbitos desenhos. Reescrevendo e redesenhando o mundo, este artista que frequentava o ateliê de pintura do Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira, em Campinas, retorce a linguagem de modo a nela inscrever a si mesmo, como comprova, em alguns de seus trabalhos, a presença de sua assinatura, na qual as letras de seu nome se põem em jogo e se deixam ler em múltiplas direções.

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MUSEU DE IMAGENS DO INCONSCIENTE O Museu de Imagens do Inconsciente nasceu em 1952 da Seção de Terapêutica Ocupacional fundada por Nise da Silveira seis anos antes no Centro Psiquiátrico Nacional (hoje Instituto Municipal de Assistência à Saúde Nise da Silveira), Rio de Janeiro. O gesto da psiquiatra opôs-se desde o início a tratamentos como eletrochoque, choque insulínico e lobotomia, constituindo-se como precursor do movimento antimanicomial que impulsionou, a partir da década de 1960, a demanda por serviços humanizados em regime aberto e com ênfase na socialização dos pacientes. Nas atividades do ateliê de pintura, especificamente, foi decisiva a presença de Almir Mavignier, funcionário da instituição que levou até lá outros artistas, como Abraham Palatnik e Ivan Serpa. Após a primeira exposição de obras dos internos, realizada em 1947, o crítico Mário Pedrosa começou também a acompanhar e frequentar o ateliê. Sua reflexão nutriu-se da proximidade com a experiência da loucura para reformular a noção de expressão como uma tomada de distância em relação ao próprio eu. Na arte estaria em jogo uma ativação do eu como outro, o que permitiria que uma obra fosse além da “personalidade” de seu autor e atingisse rigor formal, para então chegar ao outro como arte. Essa concepção foi seminal para

61

o movimento neoconcreto surgido em 1959, e até hoje influencia a produção brasileira.

RAPHAEL DOMINGUES Raphael Domingues (1913-1979) é um dos mais importantes artistas do ateliê de Nise da Silveira. Segundo o crítico Mário Pedrosa, seus desenhos teriam sido considerados “superiores aos de Henri Matisse” por André Breton, poeta e líder do Surrealismo. Seu processo criativo encantava Pedrosa por apresentar uma espontaneidade distinta daquela dos artistas tachistas ou expressionistas abstratos, na qual traços informais expressariam a personalidade do artista. Em Raphael, o gesto vem “de longe”, de fora de si mesmo,

61 Raphael Domingues

sem título, 1950 nanquim sobre papel | 32,4 x 23,3 cm Col. Museu de Imagens do Inconsciente 62 Raphael Domingues sem título, 1974 nanquim sobre papel | 55 x 36,6 cm Col. Museu de Imagens do Inconsciente

42

e no entanto materializa-se, de saída, no rigor da forma. Lugares do Delírio apresenta uma seleção dos já clássicos retratos e naturezas-mortas do artista, ao lado de um desenho singular no qual se desestabiliza a propensão figurativa de sua obra.


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GERALDO LÚCIO ARAGÃO Geraldo Lúcio Aragão (1929- ?) frequentou o Museu de Imagens do Inconsciente em fins dos anos 1950 e é o único artista que tem fotografias no acervo da instituição. Suas imagens apresentam sofisticadas composições geométricas, retratos e naturezas-mortas, com forte marca construtiva e pontos de vista insólitos. Além do conjunto de fotografias representativo de sua produção, Lugares do Delírio apresenta quatro de suas intervenções sobre fichas administrativas de controle nas quais consta a curiosa expressão “movimentos do doente”. Em gravura e desenho, Aragão retorce sua natureza burocrática e institucional ao torná-las suporte para outros movimentos: aqueles que imprimem sua presença no mundo. É notável, em algumas das fichas, que a 64

assinatura do artista seja acrescida do termo “realidade” como parte de seu nome próprio.

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63 Geraldo Lúcio Aragão

sem título, 1958 guache sobre papel | 21,5 x 28,3 cm Col. Museu de Imagens do Inconsciente 66

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64-71 Geraldo Lúcio Aragão

sem título, déc. 1960 fotografias | 24,6 x 35,6 cm [cada] 69

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FERNANDO DINIZ

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Fernando Diniz (1918-2005) foi um excepcional artista, de quem Nise da Silveira dizia “todo objeto o atrai, toda matéria o prende, todo êxito o fascina”. A expressividade de suas cores não deve nos desviar do rigor construtivo e conceitual de sua obra. Suas áreas de interesse são variadas e seu estudo é profundo: da numismática à astrofísica, Fernando pesquisa incessantemente o mundo, disseca suas estruturas e reconstrói suas imagens.

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O Tapete digital (s/d) presente em Lugares do Delírio materializa a linguagem binária como modulação gráfica, conjugando-a de maneira surpreendente à fragilidade e textura de seu suporte em tecido. Já a série Cinema reflete sobre a lógica de sucessão cinemática e aplica sobre ela os princípios do espaço-tempo de Einstein, construindo uma espécie de novo cubismo, no qual os objetos são retalhados não só espacialmente, mas também temporalmente, em uma prospecção vertiginosa de sua essência.

72 Fernando Diniz | Tapete digital, s/d [detalhe] 73 Fernando Diniz | Tapete digital, s/d

guache sobre tecido | 250 x 249 cm Col. Museu de Imagens do Inconsciente 74 Fernando Diniz | Pé cinema, s/d guache e giz de cera sobre papel | 55,1 x 72,9 cm Col. Museu de Imagens do Inconsciente 74

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CRÉDITOS SESC – SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO ADMINISTRAÇÃO REGIONAL NO ESTADO DE SÃO PAULO

MUSEU DE ARTE DO RIO – MAR

EXPOSIÇÃO

Presidente do Conselho Regional Abram Szajman Diretor do Departamento Regional Danilo Santos de Miranda

SESC POMPEIA

CONSELHO ODEON

Gerente Mônica Carnieto

Presidente Eder Sá Alves Campos

Curadoria Tania Rivera

Adjunto Sérgio Pinto

Integrantes do Conselho de Administração Alexis Vargas Bruno Ramos Pereira Edmundo de Novaes Gomes Eloisa Elena Gonçalves Emília Andrade Paiva Flavio Alcoforado Iran Almeida Pordeus Renato Beschizza

CONSELHO MUNICIPAL DO MUSEU DE ARTE DO RIO CONMAR Luiz Chrysostomo Nilcemar Nogueira André Luiz Carvalho Marini Geny Nissenbaum Ronald Munk Pedro Buarque de Holanda Hugo Barreto Luiz Paulo Montenegro Paulo Niemeyer Filho PREFEITURA DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO

Projeto Expográfico Estúdio Gru Jeanine Menezes Juliana Prado Godoy Lia Untem

SUPERINTENDENTES Técnico-social Joel Naimayer Padula Comunicação Social Ivan Giannini Administrativo Luiz Deoclécio M. Galina Técnico e de Planejamento Sérgio José Battistelli GERENTES Artes Visuais e Tecnologia Juliana Braga de Mattos Adjunta Nilva Luz Assistentes Sandra Leibovici e Leonardo Borges Artes Gráficas Hélcio Magalhães Adjunta Karina Musumeci Assistentes Érica Dias e Rogerio Ianelli Difusão e Promoção Marcos Ribeiro de Carvalho Adjunto Fernando Fialho

Programação Alcimar Frazão (coordenação) Barbara Rodrigues, Cibele Camachi, Mariana Fernandes (núcleo de Artes Visuais) Comunicação Igor Cruz (coordenação) Ian Herman, Victor Buck (supervisão gráfica) Infraestrutura José Renato Alegreti Dias (coordenação) Rafael Della Gatta, Leslie Balhe (produção) Alimentação Raquel Lopes Py Atendimento Silvio Basilio Administrativo Paulo Delgado Serviços João Victor Guerrero

Integrante do Conselho Fiscal Mônica Moreira Esteves Bernardi DIRETORES Diretor Presidente Carlos Gradim Diretor Cultural Evandro Salles

Prefeito Marcelo Crivella Vice-Prefeito Fernando Mac Dowell Secretário Chefe da Casa Civil Ailton Cardoso da Silva

Diretora Executiva Eleonora Santa Rosa

Secretária Municipal de Cultura Nilcemar Nogueira

Diretora de Projetos e Conformidades Ana Carolina Lara

Secretário Municipal de Educação, Esporte e Lazer Cesar Benjamin

Diretor de Operações e Finanças Jimmy Keller

Estudos e Desenvolvimento Marta Colabone Adjunto Iã Paulo Ribeiro

Projeto Original Paulo Herkenhoff Assistente de Curadoria Caroline D’Ávila Produção Executiva NU Projetos de Arte Nathalia Ungarelli Iara Freiberg Tomi Mariane Sato

Identidade visual e Projeto Gráfico Danowski Design Sula Danowski Carol Müller Machado Nathalia Lepsch Design de Luz T19 Projetos Carlos Eduardo Peukert Montagem Fina Install Produtora Conservação R&M Conservação de Obras de Arte Adereçagem Artos Cenografia Projetos de Engenharia Jarreta Projetos Revisão de Textos Maurício Ayer Ação Educativa Quadrado Projetos Culturais Assessoria de Imprensa Sofia Carvalhosa Comunicação

A mostra Lugares do Delírio foi realizada pela primeira vez no Museu de Arte do Rio – MAR de 07/02/2017 a 17/09/2017.


AGRADECIMENTOS

FOTOGRAFIAS DA PUBLICAÇÃO

Alessandra Clark

Herotildes Beata de Carvalho

Alexandre Dacosta

Instituto Mesa

Acervo Associação Cultural O Mundo de Lygia Clark: nº 35, 36

Álvaro Clark

Ioná Zalcberg

Acervo Lula Wanderley e Gina Ferreira: nº 38

Ana Maria Monteiro de Carvalho

Larrine Maija

Associação O Mundo de Lygia Clark

Laura Lima

Acervo Museu de Imagens do Inconsciente: nº 63, 64, 65, 66, 67, 68, 69, 70, 71

Bárbara Neubarth

Luciana Magno

Bernardo Damasceno

Luiz Carlos Melo

Bianca Bernardo

Lula Wanderley

Casa Verde

Marcelo Campos

Catherine Bompuis

Marcos Inácio

Catherine Perret

Maria Raquel Fernandes

Cildo Meireles

Marlon Miguel

Clarisse Lopes

Museu da Cultura Cearense – Instituto Dragão do Mar

Coleção Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira Complexo Hospitalar do Juquery Conselho Regional de Psicologia do Estado de São Paulo – 6ª Região

Anaïs Masson [ Cartes et lignes d’erre. Traces du réseau de Fernand Deligny, 1969 - 1979. Editora L’Arachnéen ]: nº 44, 45, 46 Dias & Riedweg: nº 41, 42, 43 Elisa Mendes: nº 25, 33 Evandro Salles: nº 3, 4, 5, 6, 7, 8, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 39, 56, 57, 58, 59, 60, 73, 74 Gisele Ottoboni: nº 47, 48, 49, 50 Mário Eugênio Saretta: nº 51, 52, 53, 54, 55

Museu de Arte de São Paulo – MASP

Miguel Pacheco e Chaves: nº 2, 61, 62

Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea

Pedro França: nº 1, 30, 31, 32

Museu de Imagens do Inconsciente

Consulado Geral da França no Rio de Janeiro

Museu Lasar Segall

Diana Kolker Edson André Luiz de Sousa

Oficina de Criatividade – Hospital Psiquiátrico São Pedro

Élida Tessler

Pat Kilgore

Espaço Aberto ao Tempo – EAT

Paulo Amarante

Fernando Freitas

Priscilla Moret

Fernando Reiszel

Projeto Leonilson

Flávia Corpas

Ricardo Resende

Gabriel Angel Dominguez Jacob

Rubens Teixeira dos Santos

Genny Nissembaum

Sandra Alvarez de Toledo

Gina Ferreira

Tarsila do Amaral – sucessora

Gisèle Durand

Umberto Costa Barros

Neusa Helena Carvalho Viapiana

Sula Danowski: nº 9, 72 Tania Rivera: nº 19, 20, 21, 22, 23, 24, 34, 37, 40 Thales Leite: nº 26, 27, 28 Wlademir Dias-Pino: nº 29

Guillaume Pierre

IDEALIZAÇÃO

REALIZAÇÃO


SESC POMPEIA Rua Clélia, 93 São Paulo tel +55 11 3871 7700 /sescpompeia

sescsp.org.br/pompeia prefira o transporte público sescsp.org.br/transporte público  

   Barra Funda 2000m CPTM Água Branca 800m

ou Barra Funda 2000m Terminal Lapa 2100m

Lugares do Delírio  

Brochura para a exposição no Sesc Pompéia, 2018 curadora Tania Rivera A mostra Lugares do Delírio foi realizada pela primeira vez no Museu...

Lugares do Delírio  

Brochura para a exposição no Sesc Pompéia, 2018 curadora Tania Rivera A mostra Lugares do Delírio foi realizada pela primeira vez no Museu...

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