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DIÁLOGO CONCRETO

apresenta

Abraham Palatnik Alexandre Wollner Almir Mavignier Aluisio Carvão Amilcar de Castro

d e s i g n e c o nstrutivismo no bras i l Antonio Maluf Geraldo de Barros Lygia Clark Lygia Pape Mary Vieira Willys de Castro Waldemar Cordeiro

CAIXA Cultural Rio de Janeiro Av. Almirante Barroso, 25, Centro Rio de Janeiro, RJ / c e p 20031-003 de terça a domingo, das 10h às 22h informações

(21) 2544.4080 / 2544.7666


DIÁLOGO CONCRETO

design e construtivismo no brasil

F

oram várias as exposições sobre arte construtiva no Brasil. Contudo, tais exposições não dão conta das produtivas experiências rea­ lizadas quando as correntes construtivas no Brasil tomaram um novo rumo, após a dissolução dos grupos concreto e neoconcreto. Hoje, a explosão da arte brasileira no exterior acontece justamente como fruto de investigações de curadores e críticos de arte internacionais acerca deste rico e influente período da história da arte brasileira. A exposição diálogo concreto : design e construtivismo

no Brasil vem, assim, ocupar um espaço em branco. A exposição pretende mostrar como as carreiras de alguns artistas no Brasil dos anos 1950 estabeleceram intenso diálogo como comunicadores visuais. Com peças de design, estes criadores le-

varam para os produtos industrializados e de circulação de massa — cartazes, jornais, embalagens, logomarcas, estampas de tecido — todos os princípios plásticos que orientavam a vanguarda construtiva. Assim, cumpriram, com o design, a maior ambição dos movimentos do período: chegar ao povo e às ruas. A caixa reitera sua posição estratégica de fomento à arte nacional em todas as suas vertentes, linguagens e formas de manifestação, não apenas oferecendo espaço às novas gerações de artistas, mas também valorizando e disseminando o consagrado junto à população. Ao patrocinar a presente mostra, a caixa contribui, mais uma vez, para a valorização e a disseminação da cultura nacional. caixa econômica federal

presidente da república

curadoria

cenografia

administração

Luiz Inácio Lula da Silva

Daniela Name

Flávio Graff

Loane Malheiros

m i n i s t r o d e e s ta d o

c u r a d o r i a a d j u n ta

iluminação

f oto g r a f i a

d a fa z e n d a

Felipe Scovino

Antonio Mendel

Vicente Mello [ Abraham Palatnik ]

coordenação geral

programação visual

Mauro Saraiva

Fernando Leite

Marcelo Correa [ Lygia Clark ]

produção

assessoria de imprensa

Tisara Arte Produções Ltda. Clarice Magalhães

Raquel Silva Assessoria de Comunicação

Guido Mantega p r e s i d e n ta d a caixa econômica federal

Maria Fernanda Ramos Coelho

H. Cordeiro [ Waldemar Cordeiro ] Lenora de Barros [ Geraldo de Barros ]


D

iálogo concreto é uma ex-

posição sobre conversas. Na galeria da Caixa Cultural, o público vai testemunhar um batepapo entre arte e design, idéia e matéria, projeto e vida prática. Nas décadas de 1950 e 1960, o Brasil viveu uma explosão desenvolvimentista provocada pelos anos de Juscelino Kubitscheck na presidência da República. O ‘Presidente bossa nova’ ergueu uma capital, Brasília, sob os alicerces da arquitetura moderna de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. Para cumprir sua promessa de fazer “50 anos em 5”, abriu o país para o capital estrangeiro, para os produtos importados e estimulou a industrialização. As vanguardas artísticas que se organizaram no Brasil nestas duas décadas precisam ser compreendidas dentro deste contexto de desenvolvimentismo. Artistas ligados aos movimentos concreto (em São Paulo) e neoconcreto (no Rio de Janeiro) acabaram se aproximando da comunicação visual e do design, dois campos do conhecimento que amadureceram no mesmo compasso do desenvolvimento social, econômico e cultural do país. Há outras razões para o casamento entre o construtivismo brasileiro e os primórdios do design nacional. Herdeiros de vários princípios das vanguardas que tinham sacudido a Rússia e a Alemanha nos primeiros anos do século xx , os artistas construtivos brasileiros tinham a ambição de levar a arte para um espaço muito mais amplo do que o das galerias e

A

preparação para o cenário apre­sen­tado em d i á lo g o concreto começa nos anos 1940. Em 1948, os Museus de Arte Moderna de São Paulo e Rio de Janeiro são inaugurados. A discussão estava aberta e uma nova crítica de arte no Brasil também se anunciava, com Mário Pedrosa. Em 1949, ele defenderia a tese Da natureza afetiva da forma na obra de arte, o primeiro estudo sobre a Gestalt publicado no país. Pedrosa, no Rio, e Geraldo de Barros, em São Paulo, tornam-se personagens estimuladores das inovações estéticas que emergiam nas artes visuais brasileiras. Recebemos Calder para palestras (1948) e, em 1951, foi inaugurada a 1ª Bienal de São Paulo. Houve, ainda, a retrospectiva de Max Bill em 1950 no Masp, que impulsionaria a ida de jovens

dos museus. Eles cultivavam a crença de que a arte poderia ser um agente transformador do espaço e da própria sociedade. Por isso, nada mais natural que tenham tentado levar para as ruas e para os supermercados os princípios que orientam seus trabalhos em artes visuais, na maior parte das vezes restritos aos espaços museológicos. Fizeram projetos arquitetônicos, cartazes, logomarcas, estamparias para tecidos e embalagens. diálogo concreto apresenta estes trabalhos em design lado a lado com importantes obras destes artistas. Lygia Pape, por exemplo, realizou, nos 1960, toda a identidade visual — logomarca, caminhões, caixas e embalagens — para os biscoitos e massas Piraquê. Criou uma forma nova de cortar e dobrar o papel da embalagem, permitindo que os biscoitos, antes empacotados em caixas e sacos, passassem a assumir a forma de sólidos geométricos. Geraldo de Barros criou móveis perfeitamente afinados com a lógica do movimento concreto e com sua própria obra; Abraham Palatnik, também autor de móveis curiosíssimos, elaborou jogos, peças de decoração, utensílios domésticos e as próprias ferramentas com as quais trabalha. O trabalho em logomarcas também foi outro destaque nesta geração e está representado em diálogo concreto elas obras de Willys de Castro e Alexandre Wollner. Em Willys, é notável a comunicação entre seu trabalho como artista gráfico e obras importantes, como

a série de Objetos ativos. Já Wollner marcou um design brasileiro que ainda engatinhava profissionalmente ao criar projetos como o das sardinhas Coqueiro. Lygia Clark e Waldemar Cordeiro representam as relações do design com a casa e a cidade. Lygia criou um projeto para a aplicação da arte na esfera doméstica, caso de Construa você mesmo seu espaço para viver, enquanto Cordeiro, um dos pilares do movimento concreto, criou os brinquedos para o playground do Clube Espéria, em São Paulo, em que aplica à perfeição os jogos visuais com luzes e cores propostos pelo construtivismo. Amílcar de Castro e Aluísio Carvão compõem o segmento das artes gráficas — o primeiro com a histórica reforma visual do Jornal do Brasil e Carvão com o trabalho constante como capista de livros. Os cartazes e fôlderes de Antonio Maluf, Mary Vieira, Almir Mavigner, Geraldo de Barros, Alexandre Wollner, Lygia Pape e Willys de Castro ilustram, por fim, um meio de expressão que foi corriqueiro nesta geração. O cartaz foi quase um outdoor para a vanguarda, a forma mais simples e corriqueira de aplicar esta nova forma de abordar a arte. Os diálogos concretos entre as muitas formas de expressão destes criadores é a marca de um tempo em que a arte sonhou não ter limites.

artistas para a Alemanha — como Mary Vieira, Almir Mavignier, Geraldo de Barros e Alexandre Wollner —, imprimindo novos rumos à arte construtiva brasileira. O contato deste grupo com a escultura Unidade tripartida, de Max Bill, causa um especial impacto ao revelar o vazio como volume da obra. O destino deles acaba sendo a Hochschule für Gestaltung (Escola Superior da Forma), em Ulm. O curioso é que enquanto a Europa e os Estados Unidos começavam a mergulhar no expressionismo abstrato, a América Latina retomava a tradição construtiva e a transformava no seu projeto de vanguarda. Os brasileiros de Ulm focaram suas produções nas duas operações básicas da Escola: a incorporação radical de processos matemáticos à produção artística e o estabelecimento do projeto construtivo de

integração da arte na sociedade industrial. Exemplos com os quais tomamos contato por meio dos cartazes e móveis feitos por eles e apresentados nesta exposição. Tendo aulas com Tomás Maldonado, Max Bill, Josef Albers e Max Bense, os brasileiros direcionam suas pesquisas com a arte concreta para a arte gráfica, respeitando as premissas funcionalistas da Bauhaus — as quais ditavam a participação do artista na prática de construção do novo ambiente. Esta tentativa de estabelecer uma função positiva para a arte no espaço social era regida pelo pensamento de Van Doesburg: “Nada mais concreto, mais real que uma linha, uma cor, uma superfície.”

Daniela Name curadora

Felipe Scovino curador adjunto


Abraham Palatnik foi um produtivo designer e até hoje cria peças utilitárias em seu ateliê. Além de móveis, objetos de decoração como bichinhos de acetato e jogos como Objeto lúdico, de 1965

Em 1957, Amilcar de Castro assi-

(acima), o artista projetou utensílios do­

nou a reforma gráfica do “Jornal do

mésticos e algumas de suas próprias

Brasil”, mudando a história do design

ferramentas. Palatnik chegou a ter uma

brasileiro. Aplicou grandes áreas vazias

fábrica de objetos decorativos em socie­

nas páginas do veículo – e elas significa-

dade com o irmão nos anos 1970.

vam tanto visualmente quanto as áreas onde havia textos e fotos. Era o mesmo “vazio ativo” visto em suas esculturas e nas peças de contemporâneos como Franz Weissmann.

Alexandre Wollner aplicou princípios construtivos na identidade visual das sardinhas Coqueiro (alto), de 1958. A logomarca apresenta as folhas do co-

Lygia Pape foi responsável pela identidade visual dos biscoitos e massas Piraquê nos anos 1960. Além de conceber a logomarca e projetar o caminhão com as cores da bandeira da Itália, terra dos proprietários, a artista criou o projeto gráfico de todas as embalagens,

queiro feitas a partir de uma seqüência de círculos seccionados. A carreira de Wollner mescla dois pioneirismos: foi um dos primeiros artistas a aderir ao movimento concreto paulistano e um dos primeiros designers brasileiros reconhecidos como tal.

aplicando nelas os princípios ópticos e cromáticos do construtivismo, como prova a imagem acima, do pacote dos Cream Crackers.

Willys de Castro foi um produtivo de­­signer de logomarcas, como a da Mobília Contemporânea, feito entre 1963 e 1964 (à direita), em que utiliza a mesma tensão entre preenchimento e falta presente em seus Objetos ativos, e também de peças gráficas para a indústrias de tinta, como o folder para as tintas CIL, da década de 1950 (à esquerda).


Aluisio Carvão foi dono de uma obra Em Construa você mesmo seu espaço

de geometria lírica, cheia de sutilezas

para viver, de 1960 (maquete acima),

e pequenas distorções em formas cor-

projeto desenvolvido no escritório do

riqueiras, como o triângulo e o círculo.

arquiteto Sergio Bernardes, seu grande

Esta visão muito peculiar da herança

amigo, Lygia Clark propõe uma inte-

construtiva aparece tanto em suas telas

gração entre arte, arquitetura e design

quanto nas capas de livros que realizou

de interiores através dos princípios da

ao longo dos anos 1960/1970.

vanguarda construtiva.

Geraldo de Barros desenhou a logomarca e vários móveis produzidos pela cooperativa de trabalho Unilabor, que ele ajudou a fundar em 1954. É deste ano esta cadeira (ao lado), uma das peças do artista incluídas em na exposiO cartaz de Mary Vieira para a Pan Air do Brasil (ao lado), da década de 1960, exemplifica bem a aplicação da geometria construtiva no design: duas

ção. Em 1964, o artista abriu com Aluísio Bione a Hobjeto Indústria de Móveis. Seu trabalho marcou a história do desenho industrial brasileiro.

áreas de cor representam o mar e o céu, enquanto um círculo feito com um fio branco e corpo vazado insinua a escotilha do avião. A tipologia toda em letra minúscula, usada também no projeto da Lygia Pape para a Piraquê, é uma característica do período. Outros cartazes de destaque são os realizados por

Antônio Maluf para a I Bienal de São Paulo, em 1951 (abaixo, à esquerda), e o de Almir Mavigner, Brasília-Burle Marx, de 1958 (abaixo, à direita).

Waldemar Cordeiro aplicou cores e truques ópticos do construtivismo nos brinquedos e no projeto arquitetônico / paisagístico do Playground do Clube Espéria, em São Paulo, projeto realizado na década de 1960 e que é apresentado na exposição através de fotos de época com a vista acima.


Abraham Palatnik Natal (RN), 1928 É um dos artistas mais múltiplos da história brasileira, pioneiro mundial da arte cinética e da investigação das relações entre arte e tecnologia. Além de objetos cinéticos e luminescentes, vem realizando obras bidimensionais, móveis e jogos. Cria as próprias ferramentas com que trabalha e, nos anos 1970, manteve com um irmão uma fábrica de objetos de design que chegou a ter 50 funcionários. Morou em Israel entre 1943 e 1947, estudando, simultaneamente, mecânica e as artes. Voltou ao Brasil em 1948 e passou a freqüentar o Centro Psiquiátrico Pedro II, coordenado pela Dra. Nise da Silveira, ao lado dos artistas Almir Mavignier e Ivan Serpa. Iniciou suas pesquisas no campo da arte cinética em 1949, com os Aparelhos cinecromáticos. Uma dessas obras não foi aceita de imediato pelo júri da I Bienal de São Paulo (1951) por não se encaixar em nenhuma das categorias que faziam parte da exposição. No entanto, diante da ausência da comitiva japonesa, a obra participou da mostra e obteve uma Menção Honrosa. Participou do Grupo Frente entre 1953 e 1955, mas não assinou o Manifesto Neoconcreto. Fez parte, em 1964, da XXXII Bienal de Veneza e da importante exposição de arte cinética Mouvement II, na galeria Denise René. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

Alexandre Wollner

Aluisio Carvão

São Paulo (SP), 1928

Belém (PA), 1918 / Poços de Caldas (MG), 2001

Um dos pioneiros da profissionalização do design no Brasil, recebeu o prêmio Revelação de Pintura da II Bienal de São Paulo em 1953, ano em que concluiu seus estudos de design no Instituto de Arte Contemporânea do Masp, onde estudou com Lina Bo Bardi e Leopoldo Haar, entre outros. Foi convidado por Max Bill, seu futuro professor, a ingressar na Hochschule für Gestaltung (Escola Superior da Forma), em Ulm, Alemanha, onde estudou de 1954 a 1958. Em Ulm, abandonou a pintura para se dedicar exclusivamente às artes gráficas, trabalhando nos estúdios de Max Bill e Otl Aicher. Ganhou os concursos internacionais de cartazes para a III e IV Bienais de São Paulo. De volta a São Paulo em 1958, trabalhou na Forminform, empresa de design fundada juntamente com Geraldo de Barros, Rubem Martins e Walter Macedo. No mesmo ano, desenvolveu a identidade visual das sardinhas Coqueiro, um clássico do design nacional. Em 1960, participou da mostra Konkrete Kunst, em Zurique, e, ao lado de Décio Pignatari e Hermelindo Fiaminghi, criou um departamento de design na Panam Propaganda. A partir de 1962, desenvolveu em escritório próprio sua atividade de designer visual. Vive e trabalha em São Paulo.

Almir Mavignier Rio de Janeiro (RJ), 1925 Ao lado dos críticos Mário Pedrosa e Ferreira Gullar, e de Ivan Serpa, formou uma espécie de “linha de frente” da formação conceitual do construtivismo carioca. Conheceu Pedrosa em 1947, durante uma exposição dos artistas do centro psiquiátrico do Engenho de Dentro. A tese Da natureza afetiva da forma na obra de arte, de Pedrosa, marcaria o trabalho de Mavignier, que se encaminharia para pesquisas na área da abstração. Em 1949 aproximou-se de Serpa e Palatnik no Rio, e, por intermédio de Geraldo de Barros, ligou-se aos artistas concretos de São Paulo. Participou da I Bienal de São Paulo (1951) e realizou, nesse mesmo ano, sua primeira individual, no MAM-SP. Mudou-se em definitivo para a Alemanha em 1953, cursando, até 1958, Comunicação Visual, na Hochschule für Gestaltung, em Ulm, tendo como professores Josef Albers e Max Bense. Depois de formado, estabeleceu-se como artista gráfico em Ulm, onde manteve ateliê até 1971. De 1958 a 1964, participou do Grupo Zero, com Tinguely, Klein, Manzoni e Fontana. Participou ainda da mostra Konkrete Kunst (1960). Entre 1965 e 1990 foi professor de pintura na Escola de Belas-Artes de Hamburgo, cidade onde vive e trabalha até hoje.

Amilcar de Castro Paraisópolis (MG), 1920 / Belo Horizonte (MG), 2002 Considerado um dos maiores escultores de toda a história da arte brasileira, desenvolveu como poucos a utilização das áreas vazias propostas pelo construtivismo em esculturas, desenhos e obras gráficas. Mudou-se para Belo Horizonte com a família em 1934. A partir de 1944, estudou desenho e pintura na Escola de Arquitetura e Belas-Artes de Belo Horizonte, sendo aluno de Guignard. Estudou também escultura com Franz Weissmann, outro grande nome da escultura brasileira e da vanguarda construtiva. Em 1951, assistiu à conferência de Max Bill no Rio de Janeiro e ficou muito impressionado. Mudou-se para o Rio no ano seguinte, iniciando sua carreira de diagramador em 1953 nas revistas A Cigarra e Manchete. Participou da I Exposição Nacional de Arte Concreta no MAM-SP (1956) e MAM-RJ (1957). Ainda em 1957 iniciou o projeto de reformulação gráfica do Jornal do Brasil, atuando ativamente no Suplemento Dominical. Em 1959, assinou o Manifesto Neoconcreto e participou de exposições do grupo neoconcreto neste ano e em 1960. No carnaval de 1964 realizou a cenografia do enredo da Escola de Samba da Mangueira, com Hélio Oiticica e Jackson Ribeiro. Viveu, posteriormente, mais de três décadas de muito trabalho e reconhecimento. Em 1989, o Paço Imperial realizou uma retrospectiva de seu trabalho.

Participante de todos os grandes eventos da formação do grupo neoconcreto, desenvolveu posteriormente uma obra mais lírica e menos ligada aos princípios estritos do construtivismo. Passou a juventude no Amapá, onde foi ilustrador de revistas e cenógrafo. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1949 e, em 1952, iniciou o curso livre de pintura de Ivan Serpa no MAM-RJ. Tomou parte das reuniões de artistas construtivos na casa de Serpa e integrou o Grupo Frente desde sua formação, em 1953. Participou da I Exposição Nacional de Arte Abstrata (1953), I Exposição Nacional de Arte Concreta em São Paulo (1956) e Rio de Janeiro (1957). Assinou o Manifesto Neoconcreto de 1959, e participou das mostras do grupo no Rio de Janeiro e Salvador. Figurou na exposição Konkrete Kunst em 1960. Nesse mesmo ano, recebeu o Prêmio Viagem ao Exterior no Salão Nacional de Arte Moderna e freqüentou a Hochschule für Gestaltung. De volta ao Brasil em 1963, participou de exposições importantes como Nova Objetividade Brasileira (1967) e realizou o projeto de várias capas de livros, tais como A opção brasileira, de Mário Pedrosa.

Antonio Maluf São Paulo (SP), 1926 / São Paulo (SP), 2005 Pioneiro do construtivismo paulista, autor do histórico cartaz da I Bienal de São Paulo, de 1951, o artista aplicou princípios matemáticos na elaboração de suas pinturas, trabalhos gráficos e estampas para tecidos. Iniciou seus estudos em pintura na Escola Livre de Artes Plásticas. Mais tarde, foi aluno de Samson Flexor e também estudou desenho industrial no Instituto de Arte Contemporânea do Masp. Além de vencer o concurso para o referido cartaz da I Bienal, participou da mostra como pintor. Concebeu murais com elementos pré-moldados em colaboração com arquitetos, notadamente Vilanova Artigas e Fábio Penteado; para a Caixa Econômica Estadual, em Bastos (SP); Edifício Cambuí, em São Paulo; Banco Noroeste, em Guarulhos, dentre outros. Participou da IX e da X Bienais de São Paulo e da I Exposição Nacional de Arte Abstrata (1953). Desenvolveu estampas para a Estamparia e Beneficiadora de Tecido Victoria (da qual sua família era proprietária), nos anos 1950, e para a Rodhia, entre as décadas de 1960 e 70. Em 2002, a editora Cosac & Naify publicou um livro sobre a sua obra.


Geraldo de Barros

Mary Vieira

Xavantes (SP), 1923 / São Paulo (SP), 1998

São Paulo (SP), 1927 / Basel (Suíça), 2001

Precursor da fotografia abstrata no Brasil, construtivo de primeira hora, designer de móveis, fôlderes e cartazes, foi um dos artistas mais versáteis da vanguarda paulistana. Em 1948, entrou em contato com Mário Pedrosa e conheceu a teoria da Gestalt. Foi responsável em 1949 pela organização do laboratório de fotografia do Masp. Também freqüentou a Hoschule für Gestaltung, em Ulm, no ano de 1951. Participou da I, II, III, IX, XIV, XV e XXI Bienais de São Paulo. Foi um dos signatários do manifesto do Grupo Ruptura, em 1952, lançando as bases do concretismo em São Paulo. A partir de 1954, concentrou-se na questão da industrialização e seriação dos meios de comunicação de massa, como cartaz, fotografia e outdoors. Exerceu atividades na área do desenho industrial e comunicação visual, fundando a cooperativa Unilabor (1954), a Forminform (1957) e a cooperativa Hobjeto Móveis (1964). Participou da XXVII Bienal de Veneza, em 1956, na qual recebeu o Prêmio Aquisição. Integrou o Grupo Rex em 1966. Fez parte de diversas exposições com a temática construtiva entre os anos 1950 e 80. Em 1996, o CCBB-RJ realizou uma retrospectiva de sua obra.

É, ao lado de Palatnik, uma das principais artistas no campo da experimentação da arte cinética. Em 1948, na cidade de Sabará (Minas), onde foi criada, deu início à realização das obras da série Polivolumes: torres com dimensões variáveis e formadas por discos que permitiam ao espectador manipulá-las. Em 1950, depois de uma troca de correspondência com Max Bill, mudou-se para a Europa definitivamente. Recebe o prêmio de melhor escultura na II Bienal de São Paulo. Ainda em 1953, ingressou na Escola de Ulm. Nos anos 1950, ganhou uma série de prêmios na Suíça por conta da produção de cartazes. Destacam-se, dentre eles, Brasilien baut Brasília [o Brasil constrói Brasília] e o produzido para a empresa de aviação Panair, ambos de 1957. Participou, em 1965, de duas importantes mostras de arte cinética: XX Salon des Réalités Nouvelles, em Paris, e Luz e movimento, no Kunsthalle de Berna. Em 1995, projetou o material gráfico das comemorações do 5º Centenário do Brasil. Em 2005, o Centro Cultural Banco do Brasil organizou uma retrospectiva de sua obra.

Lygia Clark Belo Horizonte (MG), 1920 / Rio de Janeiro (RJ), 1988 Investigadora do espaço, Lygia dedicou sua pesquisa sobre o caráter orgânico do concretismo, os limites e aproximações entre o trabalho artístico e a terapia e, por fim, a afirmação da arte como potência transformadora da vida. Em 1947, no Rio de Janeiro, iniciou seus estudos artísticos com Zélia Salgado e Burle Marx. Entre 1950 e 52, fixou-se em Paris, onde teve aulas com Léger e Szènes. De volta ao Brasil, sua casa se transformou em ponto de encontro dos artistas que formariam o Grupo Frente. Mediante suas pesquisas com a cor e a forma, desenvolveu o conceito da “linha orgânica”. Em 1959, assinou o Manifesto Neoconcreto e tornou-se uma das pioneiras da arte participativa mundial, com as esculturas manipuláveis da série Bichos. Nos anos 1960, abandonou o objeto artístico e dedicouse às proposições sensoriais. Ganhou uma sala especial na XXXIV Bienal de Veneza. Morou em Paris entre 1964 e 1976 e, como professora da Sorbonne, buscou a liberação da criatividade dos alunos por meio de exercícios de sensibilização. Na volta ao Brasil, iniciou uma nova fase (“Estruturação do Self”), que fica na fronteira entre a terapia e as suas experiências sensoriais. Entre 1997 e 1999, a Fundació Tàpies organizou uma retrospectiva de sua obra e esta atravessou cinco países.

Lygia Pape Nova Friburgo (RJ), 1927 / Rio de Janeiro (RJ), 2004 Uma das mais inquietas artistas da vanguarda construtiva brasileira, realizou uma obra múltipla, carregada de humor e sensualidade. Aproximou-se de Ivan Serpa nos cursos do MAM-RJ e entrou em contato com Hélio Oiticica, Décio Vieira, e outros artistas, que viriam a formar o Grupo Frente, em 1953. Nos anos 1950, desenhou e executou jóias em cobre e esmalte, expostas no MAM-RJ. Integrou todas as exposições do Grupo Frente e do neoconcretismo. Em 1958, idealizou o primeiro balé neoconcreto a partir do poema “Olho e alvo” de Reynaldo Jardim. Assinou o Manifesto Neoconcreto, em 1959, ano em que criou a série Tecelares, na qual formas geométricas se misturam ao desenho natural da madeira. Com a dissolução do grupo neoconcreto, manteve sua pesquisa em artes visuais, mas se abriu à produção de cartazes para o cinema e à criação de logotipos e embalagens para a indústria Piraquê. Neste último caso, aplicou no desenho das embalagens os jogos óticos utilizados pelo construtivismo. Foi professora da Universidade Santa Úrsula e da UFRJ. É autora de cerca de 16 curtas-metragens com temática experimental. O Centro Cultural São Paulo realizou uma retrospectiva de sua obra em 1996.

Willys de Castro Uberlândia (MG), 1926 / São Paulo (SP), 1988 Apesar de ter vivido em São Paulo, o artista mineiro abriu sua obra plástica e como designer para a sugestão da subjetividade, da imaginação e da participação do espectador, princípios que nortearam o neoconcretismo carioca. Mudou-se para São Paulo em 1941 e, entre 1944 e 1945, trabalhou como desenhista técnico, formando-se em química industrial em 1948. Fundou, em 1954, com Hércules Barsotti, o Estúdio de Projetos Gráficos, onde trabalhou até 1964. Foi um dos idealizadores do movimento Ars Nova, dirigido por Diogo Pacheco, do qual participou como barítono e compositor, de 1954 a 1957. Foi co-fundador e diagramador da revista Teatro Brasileiro, e, entre 1956 e 57, fez cenários e figurinos para peças do Teatro de Arena e Teatro Cultura Artística. Participou das Bienais de São Paulo entre 1957 e 1962. Em 1959, integrou exposições do grupo neconcreto e iniciou a pesquisa dos “Objetos Ativos”, considerados como a sua grande contribuição à arte construtiva brasileira. Realizou estampas para a Rodhia nos anos de 1960. Foi co-fundador da Associação Brasileira de Desenho Industrial e também da Galeria NT-Novas Tendências. Em 2005, a Cosac & Naify editou um livro sobre a sua obra, organizado por Roberto Conduru.

Waldemar Cordeiro Roma, 1925 / São Paulo (SP), 1973 Grande incentivador do concretismo em São Paulo, líder do movimento de vanguarda construtiva, o Grupo Ruptura, e pioneiro no campo da arte e tecnologia, Cordeiro exerceu múltiplas atividades: foi jornalista, crítico de arte, ilustrador, paisagista e artista visual. Participa da mostra Do Figurativismo ao Abstracionismo, que inaugurou o MAM-SP em 1949. Participante da I Bienal de São Paulo organizou em São Paulo a 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta. Em 1952, publicou ao lado de Lothar Charoux, Geraldo de Barros, Luiz Sacilotto, entre outros, o Manifesto Ruptura, uma síntese do concretismo no Brasil. Nesse mesmo ano, iniciou os seus estudos de paisagismo. Na década de 1960 participou das mostras Konkrete Kunst (em Zurique), Opinião 65 e Nova Objetividade (as duas últimas realizadas no MAMRJ). Crítico de arte e teórico manteve uma coluna de artes plásticas no jornal Folha da Manhã. Em 1966, realizou o projeto para o playground do Clube Espéria, em São Paulo. A partir de 1972, tornou-se professor da Unicamp, onde dirigiu o Centro de Processamento de Imagens do Instituto de Artes. Recebeu o prêmio de aquisição na IX Bienal de São Paulo.


CAIXA Cultural Rio de Janeiro Av. Almirante Barroso, 25, Centro Rio de Janeiro, RJ / c e p 20031-003 de terça a domingo, das 10h às 22h informações

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caixacultural.rj@caixa.gov.br www.caixacultural.com.br

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