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Boletim especial | março 2014 http://www.professorespelabase.net/ Facebook: Professores Pela Base Campinas Telefone: 984208290

O que os professores podem aprender com a greve dos garis? O Brasil mudou! Essa afirmação pode ser ouvida inúmeras vezes desde as grandes mobilizações de junho do ano passado. O antigo espírito de conformidade e apatia desmoronou e a vontade por mudança se espalhou por todo Brasil. Até o ano passado era a juventude a protagonista dessa nova fase nacional, contudo hoje é evidente que esse espírito contaminou também a nós trabalhadores. A recente greve dos garis do Rio de Janeiro tomou as principais capas dos jornais nacionais e internacionais, causando pânico aos governos e reatualizando algo que para nós é fundamental: os trabalhadores podem vencer! Em meio ao carnaval os garis fizeram uma greve de 8 dias, que contou com amplo apoio da população carioca e também com solidariedade de outras categorias de trabalhadores. Conseguiram uma conquista histórica: aumento salarial de 37%, aumento no valealimentação, garantia de que não haveria demissões e ainda por cima sem que houvesse descontos nos dias parados. Conseguiram tudo isso derrotando o governo truculento do Rio de Janeiro – que em meio à

greve demitiu 300 garis e ao final da greve foi obrigado a readmiti-los – e passando por cima de seu próprio sindicato que sempre foi contra a greve. Deram um grande exemplo de organização pela base, sendo eles próprios os sujeitos de sua própria luta, com métodos de democracia operária na tomada de toda e qualquer decisão sobre a greve! Nós professores também podemos aprender muito com essa incrível experiência. Assim como eles nosso sindicato há muito nos abandonou, sendo incapaz de organizar nossa categoria para conquistar vitórias, enquanto os vinte anos de governo tucano continuam atacando nossas condições de trabalho e a educação pública. Devido às sucessivas derrotas que tivemos na categoria, era comum ouvir entre nossos colegas que não acreditavam mais na APEOESP de Bebel e Cia. e que as greves não podiam ser vitoriosas. Ao contrário disso, os garis puderam nos ensinar que é possível vencer se superarmos a atual lógica do sindicato que rifa nossas lutas em detrimento de interesses eleitorais. Só conseguiremos organizar uma grande batalha para mudar

completamente a educação e derrotar o governo se nos organizarmos e superarmos a atual direção do sindicato. Assim nos mostraram os garis, façamos como eles!


Trabalhar todos, trabalhar menos

A precarização da educação e o descaso com o trabalho dos professores No Estado de São Paulo, o governo e seus secretários parecem ter um plano geral de educação que vai contra nosso trabalho em todos os sentidos: a começar pela estrutura das salas de aula e escola, vemos salas lotadas, com calor insuportável, nossos materiais didáticos são cartilhas feitas por quem jamais pisou em uma escola pública, nossa jornada é cansativa e desgastante, chegamos a ter 15-20 diários em alguns casos para completar, além de dezenas ou centenas provas e trabalhos pra corrigir, com pouco espaço para nós professores sermos realmente sujeitos de uma educação digna e emancipadora. Exemplo disso é que a educação pública é tratada como um gasto dispensável pelos governos. Eles que preferem investir milhões entregando o orçamento público para iniciativa privada, são incapazes de promover uma melhora de qualidade da educação, pois não é o que lhes interessa. Ao contrário disso, se o orçamento e a gestão da educação pública fossem feitos pelos próprios trabalhadores da educação e comunidade escolar, as prioridades pedagógicas e da realidade escolar seriam completamente distintas. Se os professores, funcionários e a comunidade é que conhecem e vivenciam os dilemas da educação são eles que devem decidir com deve ser empregadas as verbas e o projeto pedagógico. Basta de tecnocratas e políticos corruptos, que nada tem a ver com educação decidam os rumos dela, sejamos nós

os sujeitos de uma transformação completa da educação pública! Para os contratados, é um inferno ainda pior: vemos muitos professores sendo tratados como algo descartável nas atribuições de aula, enquanto faltam milhares de professores nas escolas. Uma mostra de total descaso dos governos, pois a solução para isso é muito simples: criar mais salas de aula com menos alunos e reduzir a jornada dos professores, com muito tempo para preparação de aula (50% em classe e 50% extra), de modo que criaríamos emprego para todos e acabaríamos com a enorme precarização do trabalho. Além disso, deveríamos barrar já essa divisão que querem nos impor entre efetivos e contratados: se os

contratados dão aula todos os dias e mostram que são capazes, por que não efetivar todos imediatamente como forma de começar a reduzir a falta de professores? Essa redução da jornada tem que vir acompanhada de um salário melhor. Os garis do Rio de Janeiro conseguiram 37% de aumento e benefícios, conseguiram mostrar pra toda sociedade sua importância e tiveram conquistas. Precisamos seguir esse exemplo e nos unir, mudar completamente as escolas e lutar contra essa política do governo (apoiada pelo sindicato) de precarizar o trabalho dos professores. Acabar com a precarização do trabalho e a divisão na categoria, esse deve ser nosso aprendizado e nossa luta!


Com medo das grandes mobilizações, direção da Apeoesp freia a greve nacional Tomemos as lutas e o sindicato em nossas mãos! Basta de uma Apeoesp cheio de privilégios que não organiza e trai a luta dos professores! Todos a Assembleia do dia 28 para exigir um plano de luta organizado a partir das escolas! Depois das humilhações que os professores sofreram na atribuição de aulas; o caos e as irregularidades do concurso público; o escândalo de eliminar aprovados do concurso devido à obesidade; os fechamentos de salas noturnas; a falta de estrutura nas escolas entre vários outros problemas, só existe uma explicação para que não esteja sendo organizada uma luta séria dos professores da rede estadual paulista: o grupo que dirige nosso sindicato (Chapa 1) tem medo que as grande manifestações questionem também seus projetos políticos e os governos que são atrelados. Até a tímida greve nacional de três dias chamada pela CNTE foi desmontada em São Paulo com medo que se transformasse em uma grande mobilização ligada a juventude com apoio popular. Nada está sendo organizado nas escolas. Essa greve nacional poderia mostrar a desvalorização do professor e a precarização da educação em nível nacional e ainda se tornar, em São Paulo, uma luta contra o governo do PSDB. Além disso, seria um potencial para articular uma grande luta entre várias categorias em defesa da educação uma vez que trabalhadores das escolas técnicas

de São Paulo e das Universidades federais também estão em greve. Mas a direção de nosso sindicato prefere a normalidade em benefício dos políticos e de seus projetos eleitorais. A CUT, o PT, não querem uma mobilização real deste tipo, pois ela se enfrentaria com seus próprios projetos como garantir a copa do mundo escondendo os ataques aos trabalhadores e a população sofre cotidianamente, também, pelas mãos de seus governos. O grupo que dirige nosso sindicato, representado por Bebel, quer garantir a tranquilidade a favor dos governos, são o exato oposto do exemplo dos Garis. Estiveram absolutamente ausentes das principais mobilizações que existiram a partir de 2013 e estão consolidando nosso sindicato cada vez mais como um aparato cheio de privilégios que sustenta carreiristas políticos que ficam anos e anos sem trabalhar. Temos que fazer como os garis e tomar as lutas em nossas mãos.

Organizarmos-nos a partir das escolas e varrer a casta de privilegiados que toma conta de nosso sindicato para que ele esteja nas mãos dos professores e no caminho das lutas. Nos dias de greve nacional, façamos exemplos de mobilizações nas escolas denunciando a brutalidade dos ataques que vemos sofrendo e exigindo das diretorias de ensino respostas frentes aos fechamentos de sala noturna, salas superlotadas, assédios morais na escola, irregularidades nos pagamentos de janeiro. Na assembleia do dia 28 temos de denunciar a paralisia da Apeoesp e exigir que se encaminhe um plano de lutas concreto para encaminharmos a campanha salarial e resolver o caos que encontra as escolas com professores sem aulas e alunos sem professores. Chega de faz de conta! Basta das manobras eleitorais dos dirigentes sindicais enquanto o professor sofre no chão da escola! Tomar a luta e o sindicato em nossas mãos!  


Na convenção da Oposição Alternativa lutar para colocar de pé uma oposição pela base disposta a varrer a burocracia da Apeoesp! Neste sábado, dia 22/03, haverá convenção da Oposição Alternativa que discutirá a formação de chapa para as eleições sindicais que ocorrerão em 06/05. Consideramos fundamental unificar os setores contrários a política traidora da Chapa 1 para fazer na campanha eleitoral parte de um movimento para varrer os carreiristas privilegiados da Apeoesp e colocar o sindicato no caminho das lutas que se abriram em Junho. Para isso precisamos na convenção votar um programa que questione o atrelamento aos governos imposto pela burocracia governista em nosso sindicato e os privilégios dos dirigentes sindicais. É fundamental também que encaminhemos as lutas a partir dos problemas mais sentidos pelos professores no cotidiano da escola: redução da jornada dos professores como forma de garantir emprego Em Campinas nos dias 17 e 18 lutemos pela saúde e educação pública Apesar da paralisia de muitos sindicatos a cidade de campinas não estará em total calmaria nos dias que deveríamos estar fazendo uma grande mobilização dos professores. Os trabalhadores da saúde pública do Hospital Mario Gatti organizarão uma paralisação denunciando as péssimas condições de atendimento e de trabalho imposto por Jonas Donizete que causam sofrimento a população. Chamamos os professores, junto ao Professores pela Base, prestar solidariedade demonstrando que a luta da educação e da saúde é a mesma luta contra os governos, as privatizações, a precarização da vida e a favor da população!  

para todos! Reaberturas de todas salas noturnas e redução do número de alunos por sala para garantir a qualidade da educação!   Trabalho igual, salário e direitos iguais através da efetivação imediata de todos os professores sem necessidade de concurso! Nós dos Professores Pela Base somos bastante críticos a política que o PSTU e a Conspiração Socialista, grupos majoritários dentro da Oposição Alternativa impõem a ela. Esta vem tendo uma atuação bastante adaptada ao sindicalismo da própria Chapa 1, muitas vezes se ausentando de enfrentamentos sérios contra a direção do sindicato. Exemplos disso é que depois do Congresso da Apeoesp a Oposição Alternativa parou de denunciar os

golpes e as manobras da Chapa 1 e neste início de ano nem ao menos denunciam que o sindicato suspendeu a mobilização do primeiro semestre. Precisamos de uma oposição que supere essa adaptação e que de exemplo ao professores de que é possível um sindicato democrático, combativo independente dos governos e sem burocratas, para lutar contra a precarização da educação e dos professores. Para isso a oposição tem de votar um programa contra os privilégios sindicais começando pelo período de afastamento do trabalho: Que todos os dirigente sindicais liberados, voltem para a sala de aula. Não mais que um ano de liberação do trabalho!

Participe do “Encontro de trabalhadores - Façamos como os garis do Rio de Janeiro!” Uma das grandes lições da greve dos garis é que nós trabalhadores se unidos podemos vencer. Para nós professores, atuar junto a outras categorias será fundamental para juntar forças atuando como um só punho para derrotar os governos.Assim como os garis podemos nos organizar para derrotar a burocracia do nosso sindicato que só serve para rifar nossas lutas e travar uma grande batalha por educação pública de

qualidade.Convidamos a todos para essa apaixonante tarefa participando do “Encontro de Trabalhadores – Façamos como os garis do Rio de Janeiro” que acontecerá dia 29 de março, às 14:00 horas em São Paulo. Organizaremos transporte desde Campinas, entre em contato e participe!


Boletim Professores pela Base Campinas