Issuu on Google+


MARCO ZERO

NEGÓCIOS E OPORTUNIDADES EM TURISMO

REPRESENTAÇÃO ATIVA

Lígia Alem Marcondes

A

E

s reivindicações do setor hoteleiro e de outros segmentos do mercado estão sendo fomentadas através de documentos que estreitam as responsabilidades entre o governo federal e diversas entidades representativas, um indício de que, mais uma vez, há uma mobilização para defender, fortalecer e aprimorar quem faz o turismo no Brasil. Todo esse cenário é abordado pelo empresário Alexandre Sampaio de Abreu, desde 2010, presidente da Federa-

ção Nacional de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (FNHRBS). Com larga experiência profissional e política – ocupou diversos cargos em entidades da hotelaria e do mercado de turismo –, ele enfrenta agora vários desafios, como desenvolver novas ações para qualificar e capacitar mão de obra; fortalecer os programas de atendimento ao cliente por meio de parcerias, como a celebrada com o Ministério do Turismo; e aproximar os 62 sindicatos em várias regiões do País. Além disso, está tra ao Poder Legislativo balhando junto questões como o custo da mão de obra e a margem tributária do ICMS na alimentação, além dos direitos autorais do setor de hotéis, que atualmente está em discussão no governo.

3


MARCO ZERO

NEGÓCIOS E OPORTUNIDADES EM TURISMO

Marco Zero - Desde o anúncio da Carta de Salvador, as entidades que representam o mercado hoteleiro do Brasil (FOHB, ABIH Nacional, FBHA e Resorts Brasil) estão unidas na defesa dos interesses do setor junto ao governo federal. O senhor foi nomeado, extra oficialmente, por essas entidades e também pelo ministro de Turismo, Gastão Dias Vieira, como porta-voz do mercado. Como e por que isso se deu e como se sente com essa responsabilidade? Alexandre Sampaio – A união dessas entidades, na verdade, antecede a assinatura da Carta de Salvador. Há algum tempo procuramos trabalhar juntos em benefício do setor. A Carta foi, sem dúvida, um marco para comprovar os propósitos e objetivos dessa união, assim como a inclusão da hotelaria no programa Brasil Maior foi um marco dos resultados que estamos conseguindo alcançar. Também não existe essa personificação da interlocução empresarial na minha pessoa. As entidades hoteleiras têm trabalhado juntas e, como a Federação representa sindicalmente todos os meios de hospedagem do País, independente de serem associados, essa vocalização vem acontecendo naturalmente. O ministro Gastão Vieira identifica na Confederação Nacional do Comércio, de Bens, de Serviços e de Turismo (CNC) uma entidade verdadeiramente representativa do segmento turístico brasileiro. Como presidimos o Conselho de Turismo da Confederação e coordenamos a Câmara Empresarial de Turismo da CNC, essa comunicação torna-se igualmente direta. Isso nos traz grande responsabilidade, que procuramos partilhar, ouvindo a todos, incentivando a unidade de posicionamento e procurando maneiras de encaminhar propostas em prol de toda a hotelaria.

4

MZ – O que levou as entidades se unirem para elaborar a Carta de Salvador e ratificála no Conotel 2011, quando foi preparada a Carta de São Paulo? AS – A Carta de Salvador nasceu da imprescindível necessidade de organizarmos em um documento dirigido ao empresariado, à sociedade, ao legislativo e aos governos, urgências, problemas e demandas da hotelaria, às vésperas dos grandes eventos e em face de uma nova realidade de nosso setor no contexto da economia nacional. O texto de São Paulo resume e atualiza essas informações e prioriza alguns itens mais imediatos, como a questão da desoneração da folha de pagamento. Essa ratificação permitiu que partíssemos para resultados práticos, como a inserção da hotelaria no programa Brasil Maior. MZ – Como as reivindicações dessas cartas estão sendo conduzidas? Qual é o posicionamento das entidades em relação às proposições legislativas que impactam diretamente a atividade hoteleira? AS – A FBHA tem um assessor parlamentar em Brasília que acompanha matérias de nosso interesse e propostas em benefício de nossa categoria, junto a parlamentares afinados com nosso setor, nas duas casas legislativas. Periodicamente nos reunimos para avaliação da conjuntura e decisões de posicionamento e encaminhamento. MZ – E a desoneração e a diminuição dos custos para o setor? AS – Estamos convencidos de que, para termos competitividade internacional e atrairmos mais turistas estrangeiros, precisamos apresentar custos mais reduzidos e oferecer diárias mais em conta inclusive para o mercado nacional. A forma de fazer isso é desonerar as altas tarifas de nosso funcionamento e o reconhecimento do

mercado receptivo como exportador. São elementos cruciais para evitarmos o alto custo Brasil, que, infelizmente, acaba sendo repassado ao consumidor.

MZ – Comente sobre a questão da terceirização de serviços. AS – A substituição dos 20% da contribuição patronal sobre a folha por 2% do faturamento, prevista no plano Brasil Maior, foi uma grande vitória de nosso segmento. Ela beneficia mais de 95% da hotelaria em lucro real ou presumido e, consequentemente, estimula a empregabilidade. Precisamos avançar agora para a implantação do trabalho intermitente, sem perdas para os trabalhadores, mas com redução sensível de gastos pelo patronato. MZ – Como estão os incentivos fiscais para empresas que financiam programas de capacitação profissional? AS – Na verdade, os benefícios para programas de capacitação, previstos na legislação recente, regrediram. Precisamos discutir com o novo ministro do Trabalho contrapartidas fiscais para esse tipo de investimento uma vez que a capacitação é uma das grandes demandas do nosso setor atualmente. MZ – E os investimentos em infraestrutura, urbanismo e segurança? AS – Entendemos que prover infraestrutura e segurança para nossos visitantes também é parte essencial da nossa responsabilidade enquanto destino. Temos acompanhado com real interesse os investimentos em infraestrutura do governo federal, principalmente pelo Ministério do Turismo, do PAC da mobilidade, investimentos através do Prodetur em parceria com o BID e as obras relacionadas à Copa do Mundo. O Pronasce para a área de segurança contempla uma


NEGÓCIOS E OPORTUNIDADES EM TURISMO

vertente sensível para o turismo e também tem apresentado bons resultados.

MZ – Além dessas cinco, existem outras reivindicações do mercado nas cartas? AS – Estão reunidas nos dois textos outras demandas, que já obtiveram do governo acenos positivos. Uma delas é relativa à depreciação acelerada de bens imóveis e de equipamentos de alto investimento inerentes ao funcionamento do setor. Também estamos propondo a implantação do vale hospedagem, como incentivo ao turismo social dos trabalhadores. Outro aspecto fundamental que estamos discutindo neste momento, com os ministérios do Turismo e o de Minas e Energia, é a redução do custo da energia elétrica, segundo item de maior dispêndio na matriz de custeio da maioria dos hotéis. MZ – As entidades de outros setores do mercado de turismo estão unidas às entidades da hotelaria nessas ações e em outras reivindicações? AS – A Federação participa de outro grupo de trabalho, o da alimentação fora do lar, junto com a Abrasel, a ANR (Associação Nacional de Restaurantes – representa os grandes grupos de refeições de varejo) e a ABF Alimentação, que são empresas franqueadoras na sua essência, principalmente de serviços rápidos, presentes em shoppings e lojas de rua para lanches. Nesse fórum discutimos assuntos mais específicos do setor alimentício, como a substituição tributária, a incidência de ICMS em regimes especiais, entre outros. No âmbito da Câmara Empresarial de Turismo da CNC, outras entidades do patronato debatem entre si seus problemas. Como a confederação pode ajudar, acredito que a possibilidade de contratarmos funcionários em regime de rateio de custos trabalhistas por uma

série de empresas simultaneamente, respeitando os direitos da CLT (regime já existente no Brasil para a agricultura), esse seria o assunto mais urgente a resolvermos, pois beneficiaria praticamente a todos.

MZ – Há conflitos entre essas entidades do setor hoteleiro na defesa de seus interesses nesses assuntos específicos? Se não há, existe a possibilidade de se unirem definitivamente e se transformarem em uma única entidade? AS – Embora as entidades tenham interesses afins e lutem por um mesmo setor mais abrangente, o turismo nacional, elas também possuem suas peculiaridades e suas existências individualizadas garantem que áreas e empreendimentos específicos recebam um olhar mais atento. É o caso dos 65 sindicatos de hotéis, bares e restaurantes e do próprio setor de alimentação, representados pela FBHA, ou dos resorts que recebem a atenção da Resorts Brasil. Claro que, em alguns temas, podemos não ter consenso. Especificamente no que tange a matérias que envolvam operações de flats, condo-hotéis ou aparts. Cada entidade, dentro da sua própria organização, pode ter circunstâncias que os vários associados apresentem visões e interesses divergentes. Mas nada que não possa ser discutido e resolvido. Em última análise, divergências insuperáveis são resolvidas por posição da maioria. Quanto à tão discutida fusão, ela se mostrou inviável, justamente por causa de nossas especificidades. Hoje, discute-se a possibilidade de rateio de custos em escritórios únicos, como por exemplo, em São Paulo e Brasília. MZ – A mídia brasileira e internacional está noticiando sobre a falta de leitos no Brasil para receber turistas durante os grandes eventos que estão por vir. Além disso, o

MARCO ZERO

Que fique aqui uma lição: a hotelaria nacional é suficientemente madura e profissional para atender qualquer grande evento que venha para o Brasil, tanto em qualidade quanto em custos alto preço das diárias dos hotéis tem sido alvo de muitas críticas, fazendo com que o governo federal interviesse e ordenasse a redução das mesmas já na Rio + 20. O que o senhor tem a dizer sobre isso? Como avalia a situação? AS – Não haverá falta de quartos para a Copa de 2014. O comitê organizador acenou que a necessidade de quartos em cada cidade-sede é de 30% da capacidade de lotação do estádio daquela capital. Portanto, somente Cuiabá e Manaus correriam risco de não alcançar esse número. No entanto, as construções de hotéis previstas e em andamento, somadas à possibilidade de hospedagem embarcada na capital amazonense e a utilização de lodges pantaneiros, em Várzea Grande e no entorno da principal cidade de Mato Grosso, garantem número suficiente de acomodações. Quanto à situação das diárias na Rio+20, o problema teve início com os contratos firmados entre o Itamaraty e a agência Terramar. A licitação, que deveria ficar circunscrita aos pernoites que o governo federal iria pagar, extrapolou para a gestão de todos os bloqueios do encontro. O resultado é que a operadora licitada onerou em 25% as tarifas hoteleiras, inflacionando os valores, além de somente vender em pa-

5


MARCO ZERO

NEGÓCIOS E OPORTUNIDADES EM TURISMO

cotes mínimos de noites. Mediante diálogos e acordo entre as partes, chegou-se a uma solução. Que fique aqui uma lição: a hotelaria nacional é suficientemente madura e profissional para atender qualquer grande evento que venha para o Brasil, tanto em qualidade quanto em custos, haja vista que, desde agora, os contratos com os hotéis para a Copa do Mundo e a Olimpíada já estão acordados e assinados.

MZ – Como fica a imagem do Brasil no exterior com relação a esse episódio e a outros problemas que, de certa forma, assustam o turista, como falta de segurança e violência? AS – A imagem do Brasil, sem dúvida, ficou prejudicada. Mas entendemos que essa foi uma situação que a hotelaria vem sinalizando há algum tempo sobre as consequências dos custos elevados e procurando trabalhar para reduzi-los. Ainda assim, assumimos uma responsabilidade que é do País como um todo. Tributos, insumos de serviços públicos e encargos trabalhistas têm tornado o custo Brasil caro, mas não exorbitante. Os empresários dos meios de hospedagem estão providenciando um estudo comparativo de custos operacionais da hotelaria brasileira com outros países, visando desmistificar a ideia de que nossas diárias estão entre as mais caras do mundo. MZ – Qual é o papel da Comissão de Turismo e Desporto (CTD) e de que maneira o órgão tem ajudado o mercado de turismo? AS – O deputado José Rocha, presidente da CTD, apesar de ser um político com vivência no esporte, tem sido muito sensível aos problemas do turismo brasileiro.

6

Com certeza a comissão, sob seu comando, ajudará em muito o setor. Estivemos reunidos no início deste ano em Salvador, quando apresentamos ao deputado as mais importantes demandas da hotelaria no momento atual e ele mostrou-se favorável a nossas reivindicações, principalmente às questões voltadas para desoneração do setor e inserção do turismo como atividade exportadora.

Nunca se viajou tanto neste País, os eventos têm se materializado em expansão geométrica, assim como a locação de carros, a aviação regional e a visitação a parques temáticos MZ – Como está o relacionamento das entidades com o Ministério do Turismo? AS – A maioria das entidades entendeu as circunstâncias vividas no ano passado pelo Ministério do Turismo. Também compreendemos seu esforço para se reerguer politicamente nesta gestão e, principalmente, para se adaptar em relação ao orçamento disponível, se reestruturar internamente, alinhar as políticas do Planalto e definir um planejamento estratégico de atuação, face ao lançamento do Plano Nacional de Turismo e seu novo foco no turista. Temos novos tempos pela frente e é necessário que os representantes do setor privado compreendam essa mudança e haja uma sinergia entre nós e o governo para desenvolvermos produtivamente nossa atividade. MZ – Em sua opinião, vale à pena, nesse momento, ser empresário de turismo no

Brasil? Quais as dicas para quem deseja abrir o seu negócio? AS – Evidente que é um bom negócio e vale à pena investir. A hotelaria, na maioria de nossos destinos indutores e capitais, tem experimentado crescimento expressivo, assim como a gastronomia. Nunca se viajou tanto neste País, os eventos têm se materializado em expansão geométrica, assim como a locação de carros, a aviação regional e a visitação a parques temáticos. Entretanto, para quem quer empreender, principalmente o pequeno empresário, é fundamental pesquisar, conhecer a área de interesse, conversar com empresários estabelecidos, ler muito a respeito do segmento e, fundamentalmente, se inteirar da tecnologia da informação tocante ao nicho do ramo. Isso pode fazer toda a diferença na concorrência e no sucesso da empreitada. MZ – Aos novos empresários, o senhor pode dizer qual a importância de participar das entidades de classe do setor? AS – Além do Sistema CNC, Sesc e Senac, parceiros fundamentais na ajuda aos empreendedores brasileiros, é muito importante a participação dos empresários de qualquer porte em sindicatos patronais de classe. Eles são as estruturas no município, em sua maioria, que podem ajudar a dar voz às reivindicações locais, personificando nossa força, representatividade e importância estratégica para o desenvolvimento de qualquer lugar. O patronato, através da propriedade privada, é a força motriz desta nação e deve se fazer ouvir em toda sua importância, visando construir uma sociedade mais justa e próspera para todos. MZ


MARCO ZERO

NEGÓCIOS & OPORTUNIDADES EM TURISMO

ENTREVISTA

3

POLÍTICA

10

TURISMO SUSTENTÁVEL

16

PARQUES

17

MERCADO

20

CASE

24

VITRINE

28

EVENTOS

29

FRANQUIA

32

TECNOLOGIA

35

OPINIÃO

38

Alexandre Sampaio de Abreu

Aliança em pauta

Xico Graziano

Diversão em alta

Fase de transição

Grupo TX

Boas compras

Aristides de La Plata

Mercado promissor

Fabiano Barros

Ana Carolina Medeiros


IMA IMPR

COM

AE M I T Ó LIDAD

QUA TERIAIS S MA RESA O

EMP

As imagens aplicadas são ilustrativas de trabalhos produzidos pela ArtSim e pertencem aos autores de direito.

A DE SU

NOSSOS SERVIÇOS # adesivos # adesivos de recorte # agendas # ampliações e reduções # apostilas # banners # blocos para rascunho # bordados # cadernos # calendários # cartões de visita # catálogos

# comandas de serviços # crachás # dados variáveis # digitalização # displays # encadernação # envelopes # folders # folhetos # imp. direto em PS 1mm # impressão digital # impressão PB e colorida

# impressos padronizados # jogo americano # jornais # livros # manuais # newsletters # papel timbrado # pastas # plotagem # pôsteres # revistas # sinalização

Consulte-nos sobre outras necessidades de sua empresa

Tel.: 11 2899.6363 | www.artsim.com.br Rua José Gonçalves, 96 • Vila Andrade • 05727-250 • São Paulo • SP • Brasil

RÁPIDO ASSIM,

SÓ NA ARTSIM

A SUA NOVA GRÁ

COM A SEGURANÇ

FICA

A QUE VOCÊ DESE

JA!


MARCO ZERO

NEGÓCIOS & OPORTUNIDADES EM TURISMO

ALIANÇA EM PAUTA

P 10

A

bav/SP, Abracorp, Aviesp e Sindetur-SP se uniram para que os mais de dois mil agentes de viagens associados às quatro entidades tenham, agora, muito mais vantagens. Cursos e treinamentos com maior objetividade e melhor aproveitamento, ministrados por renomados especialistas, estão entre as principais conquistas, além de outros benefícios que essa parceria está trazendo para o turismo paulista


NEGÓCIOS & OPORTUNIDADES EM TURISMO

Cada vez mais o Brasil se torna conhecido no exterior e é um destino desejado por milhões de turistas. Muitas são as associações nacionais que lutam para que o País continue oferecendo produtos e serviços turísticos de qualidade, quesito que se torna possível a partir das atividades desempenhadas por um profissional de fundamental importância para o setor: o agente de viagens. Algumas das principais entidades do segmento atuam em São Paulo. A Associação das Agências de Viagens Independentes do Interior do Estado de São Paulo (Aviesp) representa quase 400 agências associadas e, como o nome indica, tem sua força fora da capital paulista. Sua trajetória, que se aproxima dos 30 anos de história, a transforma na voz dos agentes do interior. A Associação Brasileira de Agências de Viagens de São Paulo (Abav/SP) tem história similar, a começar por William Périco, presidente de ambas. Fundada após a Segunda Guerra Mundial, reúne 580 agências associadas, 447 delas na capital. As duas entidades caminham juntas e mantêm um objetivo em comum: estimular as atividades da categoria por meio de congressos, exposições, seminários, cursos, capacitações e feiras. Fundado há quase 60 anos, o Sindicato das Empresas de Turismo no Estado de São Paulo (Sindetur-SP), é constituído por 750 empresas. Presidido por Eduardo Vampré do Nascimento, o órgão trabalha para manter o alto padrão dos serviços oferecidos no mercado de viagens e turismo. Assim também é a rotina da Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp), que atua em uma área mais específica que as demais: as

viagens de negócios. Com 31 associadas, foi responsável por quase 40% de toda a movimentação financeira gerada no ano passado no setor de viagens corporativas. Semelhantes no ramo em que se encontram, Abav/SP, Abracorp, Aviesp e Sindetur-SP têm como meta defender a profissão do agente de viagens, esteja ele na capital ou no interior do Estado. E para que esses profissionais sejam vistos com bons olhos, a qualidade do trabalho constitui em fator fundamental. Afinal, não se pode negar que o surgimento dos sites de compras coletivas traz inúmeras facilidades e falhas para o consumidor, apesar de serem encarados como verdadeiros inimigos pelos agentes. Ações racionalizadas Ao se unir forças, essas associações decidiram firmar um acordo de cooperação e passam a representar quase duas mil agências associadas e, por consequência, a repercussão de suas atividades também sai vitoriosa. Hoje, as quatro decidem coletivamente sobre capacitações e treinamentos, já que o público-alvo é o mesmo. Eventos como a Aviestur – Feira de Turismo do Estado de São Paulo, têm o apoio técnico das demais associações e o resultado é o crescente e explícito aprimoramento da feira a cada edição.

“Passamos muito tempo lutando separados e pelos mesmos objetivos. Entretanto, só agora optamos por criar essa aliança”

MARCO ZERO

A Abav/SP, por sua vez, promove, em média, oito cursos por mês. O que antes era restrito aos associados da entidade, hoje é aberto às agências credenciadas à Aviesp, Abracorp e Sindetur-SP. Abordando temas atuais e de interesse para os agentes, essa é mais uma grande oportunidade para manter o setor fortalecido no País e que também conta com o aval das parceiras. Os cursos são ministrados na própria sede das associações, no centro da cidade de São Paulo, e têm apenas especialistas como instrutores. A promoção de seminários, congressos, palestras e demais eventos voltados à atualização dos profissionais do segmento é realizada, atualmente, em comum acordo, evitando, por conseguinte, sobrecarregar agentes e fornecedores com acontecimentos repetitivos. A tomada de decisões também foi facilitada: desde o ano passado, as quatro estão localizadas no mesmo prédio e três delas (Aviesp, Abracorp e Abav/ SP) dividem o mesmo andar. “O trabalho desenvolvido pelas entidades não é encarado como concorrente, mas, sim, complementar à atuação de cada uma”, afirma Périco. Mesmo com a decisão de consolidar esse acordo de cooperação, as entidades continuam existindo individualmente, cada uma com sua própria diretoria, agências associadas e diretrizes políticas. Ainda assim, seus respectivos presidentes também estão, de certa forma, interligados. William Périco, à frente da Aviesp e da Abav/SP, tem Edmar Bull, atual presidente da Abracorp, como seu vice na Abav/SP. Eduardo Nascimento, que preside o Sindetur-SP, tem Périco e Bull como membros da diretoria do sindicato, além de ocupar

11


MARCO ZERO

NEGÓCIOS & OPORTUNIDADES EM TURISMO

Desafios a superar Em uma era em que as redes sociais e a Internet vêm ganhando destaque e crescendo assustadoramente, já se falou muito sobre a extinção da profissão do agente de viagens. Não se pode negar que a preferência das pessoas é, sim, comprar passagens e programar passeios inteiros sem ter de sair do conforto de suas residências. “O cenário, aparentemente, é desolador. Porém, é como eu sempre digo, apenas o mau agente de viagens sairá prejudicado”, observa Périco. Para ele, manter-se atualizado significa muito mais do que estudar termos turísticos específicos. “Precisamos incorporar ao nosso cotidiano tudo aquilo que vem se incorporando ao cotidiano de nossos clientes, o que inclui Facebook, Twitter e ferramentas similares”, ressalta. Sabendo dessa realidade, cada vez mais transparente aos olhos do consumidor, as entidades aproveitam as palestras Edmar Bull / Abracorp

o cargo de vice-presidente de Marketing e Eventos na Abav/SP. “Passamos muito tempo lutando separados e pelos mesmos objetivos. Entretanto, só agora optamos por criar essa aliança, que muitos benefícios trará para os agentes”, esclarece Bull. A redução de custos, consequência natural da parceria firmada entre as entidades, serviu como estímulo extra. “Hoje, em vez de promovermos quatro cursos similares destinados a um público comum a todas, reunimos fundos e investimos em um mesmo workshop, buscando trazer temas e palestrantes de qualidade para os agentes de viagens”, completa Nascimento.

12

William Périco / Aviesp / Abav/SP


e os cursos que disponibilizam para tratar desses assuntos. Um de seus objetivos primordiais é trabalhar na defesa das atividades desempenhadas pelo agente. “É nosso papel orientar os profissionais, sejam eles associados ou não, no que diz respeito à virtualização do nosso trabalho. Se houve queda no número de passageiros que procuram uma agência para comprar um pacote para o Nordeste, por exemplo, devemos encontrar uma maneira de levar o nosso serviço até ele de forma que o atraia”, assinala Bull. A partir do acordo estabelecido entre Abav/SP, Abracorp, Aviesp e Sindetur-SP, o setor é fortalecido como um todo, o que pode significar mais segurança para os

Foto: Divulgação

NEGÓCIOS & OPORTUNIDADES EM TURISMO

Eduardo Vampré do Nascimento / Sindetur - SP

MARCO ZERO

agentes. “Mesmo assim, nossa sugestão é que eles mesmos passem a valorizar mais a profissão, encarando cada treinamento e cada capacitação como um desafio. Afinal, qual consumidor não tem interesse em fazer uma boa viagem?”, questiona Nascimento. Não se pode dizer, ainda, se a tendência é manter um único presidente para representar as quatro associações. Tampouco é possível afirmar que outras entidades do turismo se juntarão ao grupo, acrescentando ainda mais força ao órgão. O que fica claro é que, se depender do Estado de São Paulo, os agentes de viagens se manterão entre os mais relevantes profissionais do Brasil. MZ

13


O TEMPO E AS BOAS PERSPECTIVAS Diretora Lígia Alem Marcondes (MTb 1717167-44-SP) Editor Acácio Morais’d Editor de fotografia Inácio Teixeira Editor de arte Cecil Rowlands Filho Editor de tecnologia Diego Florença (JD10) Colunistas Aristides de La Plata Cury (Eventos), Fabiano Barros (Tecnologia), Xico Graziano (Sustentabilidade) Walter Teixeira (Consultoria) Colaboradores Claudia Malinverni, Deborah Rezende Mauricio Mellone Conselho editorial Ana Carolina Medeiros, Aristides de La Plata Cury, Helen Mouço Morais, Lígia Alem Marcondes Walter Teixeira Fale conosco: Avenida João Carlos da Silva Borges, 322 – Vila Cruzeiro CEP – 04726-000 - São Paulo - SP Tel.: 11.2385-4935 (Redação e Administração) 11.3294.2440 (Marketing e Comercialização) www.revistamarcozero.com.br redacao@revistamarcozero.com.br Marketing e comercialização Celso Pinheiro (Empresa Jornalística Economia Interativa) A revista Marco Zero – Negócios & Oportunidades em Turismo é uma publicação bimestral da Adventus Comunicação Integrada Ltda.

14

No primeiro editorial da “nova” Marco Zero – Negócios & Oportunidades em Turismo resolvi falar do tempo. É... As reivindicações não mudaram tanto assim. Já a atitude dos empresários e profissionais deram uma verdadeira guinada e, por isso, as perspectivas são muito promissoras. A receita das atividades de turismo no Brasil (hotéis, agências de viagens, companhias aéreas e serviços de transporte terrestre) foi equivalente a 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2011 - resultado que impacta diretamente a oferta de emprego. Atualmente trabalham no setor 2,3 milhões de pessoas (2,9% dos empregos totais ofertados no País). O crescimento do negócio - e o de sua importância na economia - é visível. Entre outros recordes, no ano passado registrou-se a entrada no Brasil de cerca de 5,5 milhões de turistas que deixaram aqui em torno de US$ 7 bilhões. E esse movimento precisa continuar, pois a meta do Ministério do Turismo é elevar a participação no PIB aos 6% no final da década, de forma que daqui a dez anos, em 2021, o setor esteja ocupando 3,5 milhões de brasileiros, isto é, 26,1% a mais que atualmente. Não há mais lugar para amadores neste mercado. E a profissionalização, a expansão, naturalmente vão exigindo empenho crescente dos diversos segmentos em suas demandas no sentido de remover os obstáculos ao desenvolvimento. Em apoio a essa nova etapa do turismo no Brasil, o trade precisa ter voz, especificamente em uma área pouco divulgada: o negócio do turismo, as oportunidades de investimento, as demandas ainda a atender. Esse é o papel que Marco Zero – Negócios & Oportunidades em Turismo propõe desempenhar: transformar-se no canal de (e para) todos os segmentos do setor divulgar para os governos, investidores e público suas realizações e clarificar suas expectativas. O tempo nos mostrou qual o melhor caminho. E estamos trilhando com todo o cuidado, junto com profissionais e colunistas que, além de experts no que fazem, são amigos verdadeiros, de longa data e estiveram presentes em cada etapa da “nova” Marco Zero. No que diz respeito ao mercado, também estamos muito bem acompanhados. Recebemos as chancelas da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH Nacional) e do Skal Internacional Brasil. Aliás, o Skal e o Instituto Humanitare coordenaram a Reunião de Cúpula Mundial do Skal sobre Economia Criativa e Turismo Verde, evento realizado dentro da Agenda Rio+20 & Você, que mobilizou a participação da sociedade civil organizada no evento. O convite para liderar a reunião ocorreu pelo fato de a entidade reunir profissionais do turismo, em âmbito nacional e internacional, que representam os diferentes elos da cadeia produtiva do setor. E, por ser o Skal nosso parceiro, esta edição tem várias matérias com enfoque em sustentabilidade e circula como o veículo de comunicação oficial do mercado de turismo na Rio + 20. Mais um motivo de orgulho para nós. É muito bom retomar o convívio com pessoas que valem a pena. Estamos felizes e esperamos fazer uma publicação útil e agradável para o seu dia a dia. Boa leitura! Lígia Alem Marcondes Diretora


MARCO ZERO

NEGÓCIOS & OPORTUNIDADES EM TURISMO

SUSTENTABILIDADE SUSTENTABILIDADE

TURISMO SUSTENTÁVEL Virou moda ser sustentável. Ainda mais agora com a realização, no Brasil, da Conferência da ONU, a Rio+20, o tema esquentou de vez. Governos, empresas, entidades, cidadãos, todos querem ser ecologicamente corretos. Isso é muito positivo. Mas não se pode ficar apenas na palavra, ou na intenção. Nem empreender ações superficiais, comuns hoje em dia. Muitas empresas douram a pílula ajudando uma obra social na favela, plantando uma árvore aqui outra ali, fazendo folhetos bonitos sem, entretanto, alterar na profundidade a condução de seus negócios. O desenvolvimento sustentável, para ser verdadeiro, exige mudanças profundas no modo de produção e no consumo da sociedade, alterações de fundo necessárias para se construir a economia verde do futuro. Novas tecnologias precisam ser desenvolvidas, processos inovadores se aguardam, serviços alternativos devem evoluir. Senão, vira um faz-de-conta, marketing enganoso. Nada é fácil, nem simples, para ser concreto, na agenda da sustentabilidade. As equações surgem complexas, com muitas variáveis; precisa-se de planejamento estratégico, duradouro; custa dinheiro, afeta investimentos; prejudica o curto prazo, valoriza o longo cenário. E nem sempre a obtenção de resultados depende apenas de sua vontade, sob seu alcance, mas implica mudanças dos fornecedores, exige o esforço dos governos, requer o envolvimento da sociedade. Veja o setor do turismo, por exemplo. Atividade integrada com os demais ramos da economia, o turismo sustentável, para não se resumir à perfumaria – tipo a reciclagem do lixo da hospedaria –, depende de o sistema de transporte, público e privado, não ser poluidor, e do saneamento básico funcionar tirando os esgotos a céu aberto, somente para citar dois assuntos importantíssimos, mas que fogem do domínio direto dos empresários do turismo. Não dá para ser individualmente sustentável se inserido num ambiente hostil ao meio ambiente. Por isso, na agenda do turismo sustentável a articulação institucional, isto é, o relacionamento externo, é muito importante. Indivíduos também carecem ter atitudes responsáveis. Os consumidores dos serviços turísticos, hóspedes em geral, precisam ser educados, ambientalmente falando, para contribuírem com sua parte. As lixeiras ficam vazias quando ninguém atira dentro delas os detritos do consumo

*Xico Graziano

diário. Para a inclusão social e participação dos empregados, aspecto fundamental na sustentabilidade, a transparência da gestão se requer dos administradores. Respeito para com a cidadania. Ser sustentável, mais ainda, significa manter boa rentabilidade, patamar suficiente para oferecer serviços de qualidade aos clientes, com reflexos no entorno dos empreendimentos, nos municípios, nas localidades. Não basta, para o turismo, ter atrativos naturais, praias ou florestas, como nós temos de sobra no Brasil. Boas condições de infraestrutura, especialmente o transporte aéreo e portuário, capacitação e qualificação profissional dos agentes de turismo, formatação de produtos diferenciados, informações e orientações de qualidade são requisitos básicos para bem explorar o potencial do turismo. Todos esses assuntos da economia verde, da ecologia, da educação ambiental, da infraestrutura, dos processos de comunicação, do poder público, serão tratados doravante aqui nesta coluna sobre Turismo Sustentável. Dentro de uma visão equilibrada entre produzir e preservar, crescer sem destruir. Um compromisso ético para com o futuro da civilização assumido pela revista Marco Zero. Instrumento de desenvolvimento econômico e social, infelizmente o turismo no Brasil ainda não é encarado como estratégico, um serviço capaz de integrar e estimular a sociedade, de gerar empregos e renda ao mesmo tempo em que valoriza a cultura e as origens do nosso povo, fortalecendo as identidades regionais conforme se comprova especialmente no Nordeste e na Amazônia legal. A marca Brasil merece ser mais bem trabalhada no cenário mundial, exigindo políticas públicas que estimulem o empreendedorismo setorial. Por fim, todos percebem que o ecoturismo será a bola da vez. Em todo o mundo, seu crescimento situa-se de 15% a 25% ao ano, mais que o dobro do turismo convencional, que aumenta bastante, mas na taxa anual de 7,5%. Particularmente os jovens gostam de viajar em busca de atividades que divertem e, conjuntamente, valorizam os ambientes naturais, ajudam na conservação dos territórios, promovem maior consciência ecológica. Sem dúvida o patrimônio natural e cultural brasileiro oferece excelentes oportunidades para os negócios ligados ao ecoturismo. Uma chance que não pode ser desperdiçada.

* Francisco Graziano Neto (Xico Graziano): engenheiro agrônomo, mestre em Economia Agrária e doutor em Administração. Foi professor da Unesp/Jaboticabal, ocupou vários cargos públicos e é chefe do gabinete pessoal do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Escritor; conferencista; consultor em organização, marketing de agronegócios e sustentabilidade; sócio-diretor da OIA/Certificação sócio ambiental; diretor-executivo do site Observador Político/iFHC.

16


MARCO ZERO

NEGÓCIOS E OPORTUNIDADES EM TURISMO

DIVERSÃO GARANTIDA Maurício Mellone

C

onsiderado o maior empreendimento turístico do mundo, o segmento de parques temáticos gera lucros expressivos ao empreendedor. No Brasil, com mais de 15 milhões de visitantes ao ano, esse segmento apresenta imenso potencial de crescimento. Após 18 anos de isenção fiscal, as vantagens de se investir em parques e atrações turísticas no País são favoráveis

P

17


NEGÓCIOS E OPORTUNIDADES EM TURISMO

Foto: Divulgação

MARCO ZERO

O setor de parques e atrações turísticas no Brasil recebem por ano mais de 15 milhões de visitantes

Ao receber isenção fiscal para a compra de brinquedos e equipamentos, em 1984, o setor de parques e atrações turísticas começou a florescer no Brasil. Até então o crescimento do segmento esbarrava na dificuldade de se importar equipamentos de alta tecnologia não fabricados no País. “A resposta foi imediata”, diz Alain Baldacci, presidente do Sistema Integrado de Parques e Atrações Turísticas (Sindepat) e do parque Wet’n Wild. “Os investimentos iniciados totalizariam cerca de US$ 1,2 bi

18

nos cinco anos seguintes, mais da metade destinado à compra de equipamentos importados. Mais de 10 parques novos foram criados e os já existentes foram expandidos e renovados. Tudo isso representou um crescimento de 300% no negócio. Hoje, somente os parques e atrações turísticas filiados ao Sindepat recebem mais de 15 milhões de visitantes ao ano, fazendo o Brasil saltar no patamar de qualidade e quantidade de parques profissionais.” Para quem deseja abrir um parque

temático ou alguma atração turística o investimento inicial é alto, mas há vantagens e o negócio é realmente promissor. Segundo Baldacci, a exigência de grande capital inicial é compensada pelo fato de a atividade representar os maiores empreendimentos turísticos do planeta, justamente por atraírem milhões de visitantes de todas as idades. “Após sua fase de maturação, o empreendimento pode gerar lucros consideráveis, já que sua característica principal é a renovação constante do produto.


NEGÓCIOS E OPORTUNIDADES EM TURISMO

rança, incluindo capacitação profissional, manutenção e operação correta dos equipamentos. Ainda assim, desafortunadamente, mesmo os melhores do mundo sofrem a ocorrência de acidentes indesejados. Volto a repetir: como qualquer atividade humana, o importante é que estatisticamente visitar um parque temático de qualidade ainda é uma das atividades mais seguras”, enfatiza. Foto: Divulgação

Dessa maneira, há um crescimento contínuo ao longo do tempo. O maior e mais bem-sucedido exemplo de parque temático é a cadeia Disney, que começou com um único parque, em 1955 na Califórnia (Estados Unidos), e hoje conta com mais de 14 empreendimentos em diversos países, vendendo mais de 20 milhões de ingressos por ano”, relata. O presidente do Sindepat equipara a administração de um parque à de uma cidade, onde os lucros podem ser expressivos e crescentes. “Porém, o empreendedor de parques precisa gostar de desafios constantes, ter muita criatividade, apreciar a satisfação dos milhares de clientes que visitam suas atrações e ter sempre o espírito renovador”, explica. Segurança e manutenção Seja qual for a sua dimensão, acidentes em parques temáticos são sempre desagradáveis, como o ocorrido recentemente no Hopi Hari, em Vinhedo (SP), e que resultou na morte de uma adolescente de 14 anos. Baldacci afirma que visitar um parque temático de qualidade ainda é uma atividade das mais seguras. “Acidentes ocorrem, infelizmente, em toda e qualquer atividade humana. Porém, os índices anuais de ocorrências em parques com administração profissional são muito pequenos, quase insignificantes em relação ao número de frequentadores, se comparados aos acidentes domésticos, de bicicleta”, explica o empresário. Como o objetivo principal de um parque é gerar alegria e diversão, acidentes ganham repercussões maiores, pois confrontam fortemente com os propósitos do empreendimento. “Por isso é que os parques de qualidade internacional investem muito em estruturas de segu-

MARCO ZERO

afirmou que o Brasil é o principal mercado na América Latina e que todos os envolvidos com a indústria do turismo nos Estados Unidos sabem disso. Os brasileiros gastam mais do que alemães e franceses. De acordo com o empresário norteamericano, antigamente 70% das entradas de brasileiros em solo americano tinham os negócios como motivo principal e os 30% restantes eram turistas comuns. Em breve, segundo ele, as viagens de lazer dos brasileiros aos Estados Unidos vão responder por 50% do total. De olho nessa tendência e ciente da atração que parques temáticos exercem sobre as pessoas, Baldacci diz que o setor está em franca evolução no Brasil. “Comparativamente com os Estados Unidos, nosso País tem uma visitação a parques temáticos e atrações turísticas de, aproximadamente, 1/12 avos do mercado americano, ou seja, temos um enorme potencial de crescimento, considerando que o público brasileiro gosta muito desse tipo de atividade.” Eventos esportivos

Alain Baldacci, presidente do Sindepat

Potencial de crescimento O brasileiro gosta de frequentar parques temáticos, tanto que um levantamento recente os mostra como o segundo maior grupo de visitantes estrangeiros aos parques de Orlando (Estados Unidos): mais de 550 mil no ano passado. Em entrevista ao jornal mineiro Hoje em Dia, o empresário Gary Sain, presidente e chefe executivo do Orlando & Orange County CVB — entidade responsável pelo desenvolvimento do turismo na região —,

Com o advento dos megaeventos esportivos que o Brasil irá sediar (Copa do Mundo e Olimpíada), o setor de parques e atrações turísticas deve crescer muito nos próximos anos. “Tenho absoluta convicção que os parques temáticos no Brasil responderão à altura a esses eventos esportivos. O setor investirá fortemente e, consequentemente, verificaremos nova onda de crescimento. Isso representaria um grande benefício à estrutura turística do Brasil, já que as competições esportivas são de longa duração e os torcedores possuem grande tempo ocioso. Assim, os parques tornam-se opções ideais para entreter turistas”, finaliza Baldacci. MZ

19


MARCO ZERO

NEGÓCIOS & OPORTUNIDADES EM TURISMO

AGÊNCIAS DE VIAGENS

ONLINE

C

om tantas transformações tecnológicas para beneficiar seus usuários, seja empresa ou pessoa física, a Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav Nacional) continua inovando no mercado e incentiva suas associadas a utilizar plataformas digitais, como ferramenta para viabilizar seu negócio O mercado brasileiro das agências de viagens vive uma fase de transição, na qual cresce a valorização de seus serviços graças à consolidação do processo de profissionalização setorial. Nessa transição, a Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav Nacional) investe na

20


NEGÓCIOS & OPORTUNIDADES EM TURISMO

capacitação dos empresários e colaboradores, linha de frente com o consumidor final, para viabilizar o negócio. Para o presidente da Abav Nacional, Antonio Azevedo, realizar importantes projetos só traz benefícios para as agências de viagens. “Durante o tempo em que estive a frente do Instituto de Cursos e Certificação – ICCABAV, muitos projetos foram concretizados e beneficiaram nossos associados, como o Programa de Desenvolvimento Setorial em Agenciamento e Operações Turísticas (Proagência), em parceria com o Sebrae. Certamente que, em 2012 e 2013, esperamos poder reeditar iniciativas tão bem-sucedidas como essas, inclusive contemplando a mesma capilaridade dos programas realizados, que abrangeram todos os Estados brasileiros e o Distrito Federal”, diz. Por conta do processo de profissionalização, a Abav Nacional tem discutido boas práticas de incentivo ao uso de ferramentas on-line por parte das agências, um meio que deixou de ser uma tendência de mercado para tornar-se um ajuda essencial ao crescimento. “As agências de viagens de menor porte representam a maioria esmagadora da nossa classe. Por mais que todas as agências, em maior ou menor escala, utilizem os recursos da informática, por muitas vezes, esses pequenos empresários não possuem muita habilidade com as novas ferramentas digitais. Esse assunto é tratado com prioridade em cada Abav estadual. A tecnologia tem que deixar de ser vista como vilã para ser aliada. Hoje, todas as agências utilizam os recursos que a informática oferece”, afirma Azevedo. As estatísticas confirmam ser esse o novo caminho percorrido pelas agências de viagens. Segundos dados da entidade, 51% dos turistas se utilizam

da internet para procurar informações sobre viagens, roteiros e destinos turísticos. Desse percentual, 27% buscam as mesmas informações com as agências de viagens. Por outro lado, para a efetivação da compra de pacotes de viagens, 56% dos turistas preferem comprar por meio de agências, enquanto 11% compram on-line, o que não significa que abram mão da consultoria da agência. As Online Travel Agencies (OTAs) são uma realidade de sucesso em nosso País, atestando que os turistas pesquisam opções de viagens na rede e a maioria absoluta compra com a assistência de uma agência de viagens, de maneira presencial e virtual. Dicas ao consumidor Segundo Azevedo, antes comprar pela Internet, o consumidor deve atender a algumas recomendações para não cair em golpes de empresas fraudulentas, dispostas a atacar, principalmente, em sites de compra coletiva. “De acordo com os dados registrados no Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor (Sindec), em 2011 houve quase 9 mil atendimentos realizados por 23 Procons em todo Brasil, contabilizadas na categoria viagens”, conta. Do total dessas ocorrências, as mais frequentes referem-se a problemas de cobrança (28,72%), contrato (20,88%), desistência do serviço (10,72%), serviços não fornecidos ou não concluídos (8,50%), problemas no SAC (4,47%), entre outros (26,72%). Na pesquisa é possível observar, ainda, que as cinco empresas que mais receberam reclamações são companhias aéreas, sites de compras coletivas e, em

MARCO ZERO

menor quantidade, sites da OTA, ou seja, as reclamações relacionadas com os serviços prestados diretamente por agências de viagens são ínfimas no ranking dos fornecedores mais demandados. A Abav Nacional estima que a maioria das reclamações dos quase 9 mil atendimentos vem de pessoas que optaram pela compra direta no site de fornecedores ou adquiriram pacotes ou outro tipo de produto turístico sem recorrer à consultoria e a assistência de uma agência associada. “A compra online aparentemente facilita muito a vida do consumidor, mas abre espaço para possíveis fraudes e confusões, decorrentes da falta de transparência quanto às regras tarifárias impostas unilateralmente pelos próprios fornecedores. Nada substitui o contato com a agência de viagens associada à Abav, que está capacitada para orientar e informar os clientes sobre roteiros planejados, oferecendo as opções tarifárias mais adequadas, de acordo com os seus gostos e orçamento”, explica Azevedo. Por medo dessas surpresas indesejáveis e que podem acabar com os planos de uma viagem, o consumidor tem procurado, cada vez mais, os serviços profissionais de uma agência de viagens. No exterior, o comportamento não é diferente. O estudo Travel Trends Report 2012 (ABTA), divulgado pela Associação das Agências de Viagens do Reino Unido (ABTA), aponta tendência de aumento da procura por agências, inclusive entre os consumidores mais jovens, de 15 a 24 anos de idade, teoricamente propensos às “facilidades” das compras online, por terem maior familiaridade com as novas tecnologias. Segundo a pesquisa, além de aspectos relacionados à segurança,

21


MARCO ZERO

NEGÓCIOS & OPORTUNIDADES EM TURISMO

Antonio Azevedo presidente da Abav Nacional

os consumidores ingleses encontram nas agências de viagens “inspirações altamente personalizadas e ideias baseadas nos seus gostos e orçamentos”. Independente da faixa-etária, a compra de pacotes turísticos em agências de viagens cresceu 8% entre os britânicos em 2011. Mesmo retratando a realidade europeia, o estudo reitera a força da rede de agenciamento de viagens no mercado brasileiro. Várias tendências britânicas constatadas na pesquisa também são práticas recomendadas pela Abav no Brasil, desde meados de 1980. “Os resultados apontados pelo estudo da ABTA ratificam as ações empreendidas pela nossa entidade que, desde o fim da década de 1980, motivam e embasam o agente de viagens no Brasil a atuar como consultor e

22

investir forte na fidelização. Qualificandose para atender o novo viajante, disposto a pagar por serviços dedicados a garantir uma viagem perfeita, nos moldes por ele imaginados e de acordo com o seu desejo, as agências de viagens associadas se tornaram cada vez mais competitivas”, lembra Azevedo. Dispositivos móveis Seguindo a mesma proposta, a Associação das Agências de Viagens dos Estados Unidos (Asta), divulgou um novo relatório que traça o perfil das agências de viagens e comprova as tendências levantadas pela ABTA. A entidade americana também identificou crescimento no número de agências de viagens que oferecem

itinerários e outros serviços a seus clientes por meio de dispositivos móveis. O dado aparece na sétima edição do Technology and Web Usage Report, que afirma um incremento substancial no número de agentes de viagens que estão utilizando a Web 2.0 para networking e como ferramenta de marketing. Para a Abav, o aumento no número de agências de viagens americanas que disponibilizam informações, itinerários e outros serviços aos seus clientes por meio de dispositivos móveis só ratifica a busca constante das agências pela oferta de serviços personalizados, one-to-one. Seja na Europa, nos Estados Unidos, no Brasil ou em qualquer outra região, a entidade acredita que as agências de viagens devem recorrer a recursos tecnológicos


NEGÓCIOS & OPORTUNIDADES EM TURISMO

apropriados ao perfil dos seus clientes, para assegurar o mais importante: a excelência do atendimento às suas necessidades e expectativas. Mesmo com todas essas informações, quem opta por comprar diretamente dos sites pode colocar em cheque aquela viagem que está planejada há alguns meses e até anos. As companhias aéreas, por exemplo, investem em propagandas que destacam tarifas promocionais, de baixo valor, anunciadas com chamadas do tipo “a partir de”. Entretanto, essas propagandas nunca informam qual é a quantidade de lugares disponíveis no voo com aquelas tarifas de baixo valor. Para os especialistas, essa jogada de marketing busca motivar o consumidor a visitar o site da companhia e, sem encontrar a tarifa anunciada, acabe comprando por impulso, pagando tarifa de maior valor e, mesmo assim, acredite que fez um ótimo negócio. Atualização profissional Além de propiciar uma maior interação entre as agências de viagens e seus clientes, ferramentas de plataforma digital também podem ser utilizadas para aproximar, informar e até capacitar os colaboradores dentro de um grupo especializado. A Abav Nacional, por exemplo, criou uma estrutura de serviços de apoio administrativo e técnico voltados para atender as Abav’s estaduais e melhorar a comunicação funcional. Um desses serviços é o fornecimento de informações e mudanças jurídicas, que, frequentemente, surgem com novidades de interesse direto do agente de viagens e seus clientes. Utilizando ferramentas de comu-

nicação online, as 27 Abav’s estaduais e a do Distrito Federal, bem como suas associadas, recebem orientações legais, quase que imediatamente sobre algum parecer legal. “Essas e outras ações, voltadas à difusão do conhecimento e que aprimoram a interatividade, favorecem, certamente, todas as associadas. Com foco em aspectos legais, estratégias de marketing, relacionamento com a mídia, incluindo uso de redes sociais, por exemplo, os canais de comunicação digital da Abav tendem a gerar uma participação mais ativa na mobilização dos agentes de viagens. Todas essas ações e nos eventos propostos pela entidade, como a Feira de Turismo das Américas – Abav 2012, que será realizada entre os dias 24 e 26 de outubro próximo, no Rio de Janeiro, garantem a qualificação e a competitividade dos agentes de viagens profissionais”, declara Azevedo. Além disso, está em estudo a implantação de recursos de webvídeo e de telefonia Voip no sistema Abav de comunicação interna, permitindo, inclusive, a realização regular de tele e videoconferências, que funcionarão através da conexão com a Internet. Regulamentação da atividade No último mês de maio, a presidência da Câmara dos Deputados arquivou do Projeto de Lei 5.120/2001, que trata da regulamentação da atividade das agências de viagens, alegando, de maneira infundada, que a Lei Geral do Turismo (Lei nº 11.771) já seria suficiente na abordagem do tema. Em contrapartida, Antonio Azevedo entrou em contato com o deputado Alex Canziani (PTB-PR) para que ele, autor do

MARCO ZERO

projeto, encaminhe requerimento para devida reconsideração. De acordo com o Regimento Interno da Câmara dos Deputados, o parlamentar é o único que pode formalizar o encaminhamento, com o intuito de retomar a mobilização em favor da inclusão do projeto na pauta de votação. Todas as providencias foram tomadas para que ocorra a revisão da decisão tomada. Azevedo recentemente enviara ofício agradecendo o esforço das agências de viagens associadas à Abav Paraíba pela atitude do deputado federal Leonardo Gadelha (PSC-PB), que requereu ao presidente da Câmara a inclusão de votação da pauta do PL 5120/2001. “A Abav Rio Grande do Sul também demonstrou interesse pelo assunto e nos informou que está em contato com o senador Paulo Paim (PT-RS), de Porto Alegre, que garantiu apoio à causa e continuidade do processo assim que for aprovado e chegar ao senado”, afirma Azevedo. Na última audiência em Brasília, entre a diretoria da Abav Nacional e a cúpula do Ministério do Turismo, o titular da pasta, Gastão Vieira, declarou apoio integral, junto ao Congresso Nacional, para a aprovação do Projeto de Lei 5.120. Há três anos, o PL que regulamenta a atividade das agências de viagens passou por todas as comissões parlamentares e aguarda na fila para ser votado em plenário. A despeito da morosidade nos trâmites legislativos, a marca Abav passa a ser percebida e valorizada pelos consumidores, sejam pessoas físicas ou jurídicas, que buscam realizar viagens a lazer ou a negócios, no Brasil ou Exterior, com o selo de referência de qualidade. MZ

23


MARCO ZERO

NEGÓCIOS & OPORTUNIDADES EM TURISMO

ESPECIALISTA NO SEGMENTO DE VIAGENSGENS Por Ligia Marcondes

C

O

Grupo TX especializou-se na gestão de informações, conciliação e enriquecimento de dados para cartões de crédito corporativo na compra de passagens aéreas e hotéis, além de prestar consultoria nos processos de viagens em corporações, agências de viagens e outros. Desde 2009, o grupo, comandado por Walter Teixeira, abriu uma nova divisão especializada em outsourcing, serviços e processamento de atividades de back-office, especialmente para TMC’s (Travel Management Companies), hotéis e fornecedores de viagens, tornando-se o maior prestador de serviços desse setor no Brasil. Tem dado certo. O crescimento de suas empresas em 2011 foi de 35% em relação ao ano anterior.

Walter Teixeira, comanda o Grupo TX

24


NEGÓCIOS & OPORTUNIDADES EM TURISMO

A terceirização vem sendo adotada, cada vez, mais por empresas dos mais variados segmentos e portes. No mercado de viagens não poderia ser diferente. Cuidar a atividade-fim do negócio requer muita dedicação dos empreendedores, pois os clientes sabem o que querem e exigem de seus fornecedores serviços e produtos de qualidade. Criado por Walter Teixeira em 1999, profissional com larga experiência no setor de viagens e turismo no Brasil e no exterior, o Grupo TX é especializado na gestão de informações, conciliação e enriquecimento de dados para cartões de crédito corporativo na compra de passagens aéreas e hotéis, e também presta consultoria para melhoria de processos de viagens em corporações, agências de viagens e outros fornecedores. “Nossas empresas têm como objetivo atender à necessidade do mercado de turismo no que diz respeito à oferta de serviços especializados de terceirização do back office de agências de viagens corporativas, redes hoteleiras e locadoras de veículos. Na prática, operacionalizamos, com a adoção das melhores práticas, a gestão de todo o ciclo de faturamento, desonerando clientes da preocupação com a consolidação da informação e da papelada, o que resulta em ganho de competitividade”, explica Teixeira. E continua, “quando começamos, como TX Consultoria, a missão era difundir os meios de pagamentos eletrônicos e foco no mercado de viagens e turismo corporativo, mediante soluções de qualidade e alto valor agregado, percebidos pelos clientes. Tudo isso suportado por tecnologia de ponta e equipe operacional e comercial treinada para garantir a excelência na prestação

de serviços aos clientes”, diz o presidente do grupo. A experiência e a percepção das demandas dos clientes e do mercado mostraram a necessidade de ampliar os negócios, por isso, a partir de 2009 passaram a oferecer cartões virtuais para pagamento de hotéis, que proporcionam redução de custo, ganho de produtividade e rentabilidade. “Ingressamos nesse segmento por acreditar na transformação do setor, cujo modelo tradicional de faturamento deve migrar para os meios eletrônicos de pagamento. É uma alternativa que responde ao cenário de transição”, diz Teixeira. Naquele mesmo ano de 2009 entrou em funcionamento o Portal TX Data, cujo objetivo é agilizar e melhor integrar processos em favor do relacionamento cotidiano entre empresas clientes, parceiros e fornecedores. Ao oferecer suporte ao tráfego de dados com as agências de viagens e outros fornecedores, o portal minimiza a possibilidade de erros no processamento de informações, incorporando metodologia e tecnologia próprias para a gestão dos processos que envolvem recepção, checagem e o tratamento de dados, de maneira inteiramente automatizada. Reconhecida como uma das mais modernas ferramentas de relacionamento corporativo, a solução faz a gestão da abertura e do encerramento dos protocolos de todas as ações realizadas, além de oferecer o completo mapeamento de processos e fluxos de compras de viagem e sua integração operacional, sistêmica e contábil, com o suporte de treinamento de colaboradores internos nas empresas-clientes, monitoramento e avaliação de resultados.

MARCO ZERO

Desempenho e resultados “Nossa matéria-prima e nossos resultados provêm da mesma fonte: enriquecimento de informações e gestão. E essas iniciativas consolidam o Grupo TX, que tem como clientes Bradesco Cartões, Citibank, Santander e Carlson Wagonlit Turismo, entre muitos outros”, afirma Teixeira. A principal ferramenta para que as empresas consigam administrar melhor suas despesas de viagens são as informações. Os sistemas das agências de viagens muitas vezes não se conectam perfeitamente aos dos fornecedores, às datas e dados de reservas e emissões por vezes diferem das faturas dos cartões corporativos, e assim por diante. “Por isso, nos especializamos no trato das informações, principalmente quando integradas aos meios de pagamentos. Nossos sistemas e colaboradores entendem essas dificuldades na coleta de dados e controlam a qualidade, muitas vezes interagindo com os fornecedores de forma não automática”, explica Teixeira. O mercado de viagens de negócios é cada vez mais exigente. A evolução do atendimento e comercialização de viagens exige que os fornecedores de serviços (TMC’s, companhias aéreas, hotéis, locadoras, meios de pagamento) sejam cada vez mais eficientes e operem com custos reduzidos. Atividades que não são o core business desses fornecedores, normalmente trazem custos ocultos, contribuindo para aumentar o custo geral da operação. Os Indicadores Econômicos de Viagens Corporativas (IEVC), divulgados pela Associação Brasileira de Gestores de Viagens Corporativas, registram que as via-

25


MARCO ZERO

NEGÓCIOS & OPORTUNIDADES EM TURISMO

gens a negócios alcançaram receita de R$ 25,1 bilhões no ano passado e representam 58,1% da movimentação total do turismo, incluindo transporte aéreo, locação de automóveis e hotéis. Em contrapartida, as estatísticas divulgadas pela Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) mostram que a taxa de ocupação média em 2011 alcançou 57,96%, registrando queda de 3,1% no ano. Além disso, um relatório divulgado pelo Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB) preocupa as empresas que compram viagens corporativas. O estudo registra um aumento de 18,4% na diária média do ano passado em relação a 2010. Em resumo, os números mostram queda na procura por hospedagem nos hotéis e aumento do preço da diária, o que preocupa o segmento corporativo. Baseado nessas estatísticas e comparando com a prática de milhares de empresas, o Grupo TX utiliza as melhores práticas de empresas preocupadas em reduzir seus custos. Aquelas que adotam cartão de crédito corporativo – físico ou virtual – registram boa economia, pois eliminam um elo da cadeia de pagamento. Para faturar uma despesa de hospedagem ou de passagem aérea, a agência de viagens deve primeiro receber e tratar cada fatura de cada fornecedor. A duplicação de processos não permite que a empresa tire todo o proveito na negociação com seus provedores de serviços. “Normalmente, essa duplicação de processos não fica aparente para as empresas”, ressalta. Ainda de acordo com o Grupo TX, a utilização de uma agência de viagens especializada no segmento corporativo é importante, pois ela já tem grande escala

26

e relações com fornecedores, além de disponibilizar tecnologia que permite maior fluidez nos processos de busca, reserva e finalização da compra de viagens. “Desobrigadas de intermediar o faturamento e assumir esse tipo de ônus operacional, as agências de viagens concentram esforços na qualidade do atendimento de seus clientes corporativos, o que, na prática, também resulta em ganhos para todos os envolvidos”, diz o empresário. Outra opção que as corporações podem adotar é a contratação de empresas terceirizadas, que se responsabilizam pelo recolhimento e tratamento das documentações referentes às viagens corporativas, garantindo o controle e a checagem dos recursos disponibilizados. “Essa também é uma tendência que tem de ser considerada, pois garante economia significativa além de consolidar todas as informações com despesas de viagens”, declara Teixeira. TX Serviços O Grupo TX desenvolveu o produto TXDoc para recolhimento e tratamento de documentos há aproximadamente dois anos. Seus clientes terceirizam o controle e a gestão dos documentos de suas viagens corporativas, recebendo informações consolidadas em relatórios mensais, que podem ser utilizados como business intelligence, para diminuir os custos finais. Além disso, a contratação desse serviço diminui a necessidade da mão de obra interna das próprias empresas. De altíssimo custo para os hotéis, agentes de viagens e eterna fonte de desgaste no relacionamento com os clientes, o ir e vir de faturas entre eles pode ser facilitado através da terceirização de

processos. Com tecnologia própria, aplicada aos meios de pagamento, a TX Serviços é especialista nas áreas de backoffice de forma a que as agências de viagens e outros fornecedores, entre eles as redes hoteleiras, possam se dedicar a seu core business, deixando a papelada de lado. Diretor Geral do Grupo TX e à frente da operação da TX Serviços, Avelino Alves, garante que o fluxo de atividades poderia ser muito reduzido, evitando erros e ajustes nas faturas. “Bastaria que as empresas, ao enviarem seus colaboradores para as viagens, lhes dessem acesso aos meios eletrônicos de pagamento – os cartões de crédito ou cartões virtuais – que automatizam as operações de faturamento, trazendo maior transparência, rapidez, segurança e economia na prestação de contas de viagens”, explica Alves. A maioria das empresas, porém, ainda opta pelo meio convencional – a fatura, repassada pelo hotel ao agente, que deve conferir e faturar novamente para a empresa. “Esse modelo simplesmente dobra os custos para toda a cadeia produtiva e quem acaba pagando o pato, no final das contas, são as empresas clientes”, explica o diretor da empresa, acrescentando que “é comum ocorrer alguma distorção por conta de uma cobrança indevida ou até uma falha na hora da reserva. Se o hóspede, por determinação de sua empresa, não tiver direito a extras e o hotel, inadvertidamente, em vez de cobrar do hóspede, faturar esse extra para a corporação, já estará criada a situação de distorção, que sempre atrasa e encarece a operação”. Ao entrar no ramo de outsourcing de serviços de back-office, quer seja de


NEGÓCIOS & OPORTUNIDADES EM TURISMO

agências de viagens, quer seja de hotéis, o Grupo TX aposta na gradual transformação do modelo tradicional de faturamento para pagamento com cartões. “Como somos especializados na gestão de informações de viagens, essa mudança trará uma grande redução de custos para os nossos clientes de outsourcing no futuro. E quem já for nosso cliente nessa área, terá vantagens adicionais”, esclarece o presidente do Grupo TX. Balanço positivo e mais crescimento A aceitação da nova linha de serviço promete aumentar a demanda e para se tornar apta a respondê-la, o Grupo TX mudou sua sede para instalações que ocupam área de 2.400 metros quadrados, no bairro paulista da Barra Funda. “O outsourcing de serviços aumentou nosso faturamento em 35% no ano passado, em relação ao ano anterior, e agora temos 140 colaboradores” afirma Teixeira. “Foram muitas as mudanças no setor de viagens em 2011. Entre elas, fusões entre grandes TMC’s, aumento das taxas

de ocupações e tarifas dos hotéis e incremento do fluxo de passageiros nos aeroportos. Além disso, o fato das viagens estarem entre os maiores investimentos de uma corporação também contribuiu para o nosso crescimento”, explica o presidente do Grupo TX. A atividade de consolidação de notas fiscais, criada há apenas dois anos e, atualmente, carro-chefe da empresa, é a que mais cresce. Para 2013, por exemplo, estima-se avanço de 200% neste segmento. Isso porque as empresas entendem que a contratação desse serviço proporciona economia de tempo e recursos humanos da empresa contratante, além da isenção de processos burocráticos, preocupação com prazos e validades e ainda a permissão de utilizar os resultados analisados de dados gerenciais, que objetiva o aperfeiçoamento das políticas de viagens corporativas. Além disso, outro projeto audacioso do grupo é crescer no segmento de terceirização de gestão de viagens corporativas. O foco desse serviço é oferecer gestão qualificada para controlar con-

MARCO ZERO

tratos, negociações e fornecedores de viagens e eventos corporativos, entre elas a Agencia de Viagens ou TMC, que continua a desempenhar um papel fundamental. “Isso permite à empresa maior foco na política de viagens e seu acompanhamento. Consequentemente, elas terão mais tempo para focar em seu negócio principal, dependendo do ramo de atuação”, comenta Teixeira. Normalmente, empresas que optam por terceirizar esse serviço são as que não possuem, dentro do seu quadro de colaboradores, a figura do gestor de viagens. Normalmente, nestas empresas, este assunto é delegado a uma secretária que não tem o tempo e tampouco a formação necessária para administrar este importante item de despesa. “Alem da especialização, o custo também é um fator que influencia nessa decisão, pois a contratação de uma empresa especializada possibilita redução de gastos, a manutenção da qualidade e a utilização do processo contínuo de business intelligence”, conclui Teixeira. MZ

Walter Teixeira, fundou o Grupo TX após extensa carreira como executivo do setor de viagens e turismo no Brasil. Começou na aviação, onde permaneceu por 10 anos e formou uma solida rede de relacionamentos. Teixeira, ou simplesmente TX como o apelidaram seus amigos. ampliou seu network com sucessivas gestões em grandes agências de viagens (Wagonlit Turismo e Agaxtur) e na hotelaria (Caesar Park Hotels & Resorts), onde adquiriu também experiência em mercados internacionais. Na década de 90 entrou para o setor de meios de pagamentos e geriu a relação com os estabelecimentos de turismo na American Express e cartões corporativos, na Credicard e MasterCard. Desde o inicio atuou focado nas áreas de vendas e marketing, com participação ativa em marketing promocional. Formado em Publicidade e Propaganda, tem cursos de extensão em Marketing na FBM e FGV e especialização em Internacional Management pela UCR – Universidade da Califórnia Riverside/CA, Teixeira é reconhecido como um líder da indústria de viagens no Brasil. Professor da Academia de Viagens Corporativas e Conselheiro da ABGEV (Associação Brasileira de Gestores de Eventos e Viagens Corporativas), é também presidente do SKAL Internacional de São Paulo, entidade líder mundial do setor fundada há 86 anos e que congrega profissionais e dirigentes de turismo em cerca de 500 localidades em todo o mundo.

27


MARCO ZERO

NEGÓCIOS & OPORTUNIDADES EM TURISMO

FOTO E VÍDEO AO MESMO TEMPO A Nikon apresenta sua nova linha de câmeras a Nikon 1 J1 e a Nikon 1 V1 - com total equilíbrio entre alto desempenho, recursos avançados, portabilidade e um novo sistema de lentes intercambiáveis. Compactas e portáteis, geram imagens surpreendentes, registradas com um foco automático de alta capacidade de resposta e velocidade de disparo muito rápida. O melhor: permitem tirar fotos de alta resolução simultaneamente com a gravação de vídeo em full HD de 1080 pixels. Os dois modelos são encontrados em várias cores.

V 28

REFRESCÂNCIA, LEVEZA E SABOR Desenvolvida especialmente para o Brasil chega ao mercado SMIRNOFF® MIX. Bebida a base de SMIRNOFF®, levemente gaseificada, com uma mistura refrescante à base de frutas e pronta para beber. Nos sabores maracujá com limão, cranberry com limão e maçã com canela, tem teor alcoólico de 5%.

GLASS TOUCHSCREEN DA TRAXON TECHNOLOGIES Criar cenários inusitados com a mais moderna tecnologia LED apenas com o acionamento de um botão. O painel de controle para aplicações luminotécnicas permite diversas opções de programação para projetos completos. Com design elegante e navegação intuitiva, o dispositivo tem utilidade em ambientes residenciais e comerciais, estandes em eventos e até estúdios de filmagem. A tela é de 5.7’’, feita em LCD e com função touch integrada, oferecendo resolução de 640 x 480 pixels. É o Glass Touchscreen, lançamento da Traxon Technologies, uma empresa da OSRAM. TABLETS COM ANDROID 4.0 A Samsung apresenta os dois novos modelos da linha de Galaxy Tab 2: o Galaxy Tab 2 de 7 polegadas e o Galaxy Tab 2 de 10.1 polegadas. São os primeiros do mercado brasileiro com o sistema Android 4.0, batizado de Ice Cream Sandwich. O Galaxy Tab 2 de 7 polegadas é o dispositivo ideal para mobilidade, enquanto o aparelho de 10.1” é mais adequado para uso doméstico, familiar e para quem quer explorar ao máximo as funcionalidades multimídia. As duas versões estão disponíveis com as tecnologias 3G e WiFi. Além do design diferenciado e da espessura de apenas 9.7mm, os dispositivos são muito leves: o modelo 10.1” pesa 588g e a versão de 7 polegadas pesa apenas 345g.


MARCO ZERO

NEGÓCIOS & OPORTUNIDADES EM TURISMO

TURISMO SUSTENTÁVEL POR NATUREZA: O PRINCIPAL LEGADO DOS EVENTOS * Aristides de La Plata Cury

E

A realização no Brasil da Copa do Mundo de Futebol e da Olimpíada colocou em pauta a questão do legado, que não se verifica apenas nesses dois eventos. Além da discussão sobre as obras em estádios, metrô, e outras benfeitorias urbanas, merece atenção o desenvolvimento sustentável decorrente dos eventos, o qual se apresenta em três dimensões: ambiental, econômica e social. A ambiental é mais conhecida, porque tem a ver com a preservação da natureza. O processo turístico, como definiu Josep Chias, consiste em transformar atrativos em produtos e depois, em ofertas turísticas, como exposto no quadro 1.

Quando os atrativos são acidentes geográficos (praias, cachoeiras, florestas, cavernas, montanhas e outros), precisam ser preservados ao longo do tempo, sob pena de, uma vez afetada a razão da visitação, prejudica ou até mesmo acaba com o negócio. Um evento, então, qualquer que seja o porte e a especificidade, deixa por legado a preservação da natureza, mas carece de alguns cuidados para se verificar na plenitude. A primeira delas costuma ser a compensação de carbono, que consiste em plantar o número de árvores necessárias a compensar a queima de carbono consequente do evento em si. A fundação SOS

29


MARCO ZERO

NEGÓCIOS & OPORTUNIDADES EM TURISMO

TURISMO SUSTENTÁVEL DIMENSÃO AMBIENTAL ATRATIVO TURÍSTICO

PRODUTO TURÍSTICO

OFERTA TURÍSTICA

INFRAESTRUTURA ACESSIBILIDADE SANEAMENTO ELETRIFICAÇÃO OBRAS CIVIS

AÇÕES DE MARKETING PREÇO DISTRIBUIÇÃO PROPAGANDA SERVIÇOS

ATRATIVO PRESERVADO

ATRATIVO PRESERVADO

A PRESERVAÇÃO AMBIENTAL FAZ PARTE DO NEGÓCIO Quadro I - Baseado em Josep Chias. Turismo – O Negócio da Felicidade (SENAC Editora)

Mata Atlântica (www.sosmatatlantica.org. br) dispõe de programas usuais, mas já há casos em que promotoras de eventos e centros de convenções e hotéis desenvolveram seus próprios projetos de compensação de carbono. Dimensão econômica

Em cada uma das ocasiões, o turista consome naqueles empreendimentos segmentados, movimentando a economia local, gerando empregos e divisas, distribuindo renda. No mundo todo, o turismo é entendido como a atividade econômica que mais potencializa esses fatores, a ponto de ensejar frequentes pronunciamentos do ex-ministro do Turismo Walfrido dos Mares Guia, apontando esse fato, na maioria das vezes, acompanhado do questionamento de como o governo brasileiro demorou tanto em priorizá-lo. O legado econômico dos eventos pode ser potencializado considerando que o visitante pode aumentar sua permanência para atividades de lazer, se não na própria viagem, em outra ocasião. É o que se es-

A segunda dimensão é a econômica, do próprio negócio e além deste, da região onde ocorre a visitação. Segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT), no destino o turista conjuga quatro verbos, dormir, comer, comprar e visitar, em entretenimentos das mais diversas motivações, conforme esquematizado no quadro 2. TURISMO SUSTENTÁVEL DIMENSÃO ECONÔMICA

pera dos torcedores que virão ao Brasil no ano de 2014, por causa da Copa do Mundo. As estimativas oficiais apontam para 600 mil visitantes estrangeiros, que se bem atendidos, se tornarão potenciais turistas de lazer. Dimensão social Cada vez mais, em tendência mundial irreversível, os turistas estão se tornando consumidores exigentes, a demandar das localidades serviços de qualidade, privados e públicos, valorizando nestes últimos, os ligados a segurança, limpeza urbana e transporte coletivo. Ninguém se desloca voluntariamente para uma cidade, sujeito a se expor a condições nocivas à saúde, por exemplo.

O TURISTA CONJUGA QUATRO VERBOS DORMIR COMER COMPRAR VISITAR

AO SE DESLOCAR PELO DESTINO, DISTRIBUI RENDA, GERA EMPREGOS E DIVISAS “O TURISMO É A ATIVIDADE ECONOMICA QUE MAIS GERA EMPREGO E RENDA” WALFRIDO DOS MARES GUIA (Ministro do Turismo) Quadro 2

30


NEGÓCIOS & OPORTUNIDADES EM TURISMO

MARCO ZERO

TURISMO SUSTENTÁVEL DIMENSÃO SOCIAL TURISTA+HABITANTE TEMPORÁRIO RESIDENTE+HABITANTE PERMANENTE

TURISTA QUER QUALIDADE DE VIDA “UMA CIDADE QUE É BOA PARA O TURISTA, É ÓTIMA PARA QUEM NELA RESIDE.” CAIO LUIZ DE CARVALHO (Ministro do Esporte e Turismo) Quadro 3

Todos os anos, brasileiros invadem a Argentina no mês de julho, ainda mais estimulados pela situação do câmbio favorável, muitos em busca das belezas de Bariloche. Em 2009, aquela estação de inverno viveu uma das piores temporadas de sua história, por conta de uma suspeita incontrolável de gripe Suína generalizada. A constatação de o turista ser um habitante temporário, leva à conclusão de que as benfeitorias e serviços públicos, imprescindíveis à exploração turística em um cenário globalizado e competitivo como o atual, são um legado a toda população, os habitantes permanentes, como esquematicamente exposto no quadro 3. Caio Luiz de Carvalho, ex-ministro do Esporte e Turismo, defendia esse conceito com a seguinte expressão: “Uma cidade que é boa para o turista é ótima para o habitante que nela reside.”

O legado Enfim, o turismo é, por natureza, ecologicamente correto, economicamente viável e socialmente justo, sendo este desenvolvimento sustentável o principal legado dos eventos, inclusive da Copa do Mundo e da Olimpíada. Das três dimensões, ambiental, econômica e social, qual é a mais importante? Frei Xavier Plassat, é um frade dominicano francês que vive em uma casa simples em Araguaína, no Estado do Tocantins. Destaca-se pela atuação na Comissão Pastoral da Terra e na luta contra o trabalho escravo no Brasil. Seu trabalho rendeu-lhe o Prêmio Nacional de Direitos Humanos em 2008 e o Chico Mendes em 2006. Certa feita, em seminário sobre sustentabilidade, Frei Xavier fazia extenso relato sobre a condição de semi-escravidão em que viviam ser-

tanejos em determinada região, quando foi inquirido por uma participante se não falaria sobre a preservação da natureza contra o desmatamento da Amazônia. De pronto, respondeu para aplausos de todos: “Onde nem a natureza humana é preservada, nenhuma outra o será.” MZ

Aristides de La Plata Cury - Engenheiro politécnico, com pós graduação em Marketing e Turismo na USP. Foi diretor de Marketing da Embratur e superintendente do São Paulo Convention & Visitors Bureau, onde se especializou em marketing de destinos e captação de eventos. É consultor da Adetur Amazônia - Agência de Desenvolvimento do Turismo da Macrorregião Norte, Ubrafe – União Brasileira dos Promotores de Feiras, Aprecesp – Associação das Prefeituras Estâncias do Estado de São Paulo, e diretor da Prisma Business, empresa especializada em produtos e serviços para destinos turísticos.

31


MARCO ZERO

NEGÓCIOS & OPORTUNIDADES EM TURISMO

MERCADO ACELERADO Maurício Mellone

F

C

rescendo mais de 15% ao ano, tanto em faturamento quanto em frota, o setor de locação de veículos garante ótimas oportunidades de negócios a franqueadores e franqueados. Essa é a opinião do presidente-executivo da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (ABLA), João Claudio Bourg, que fala com exclusividade sobre o mercado e as perspectivas de negócios no País

32


NEGÓCIOS & OPORTUNIDADES EM TURISMO

De acordo com dados do Censo Abla/2010, o Brasil possui 2.008 empresas de locação de automóveis atuantes – incluindo independentes, franqueadoras e franqueadas –, que têm um faturamento anual de mais de R$ 5 bilhões, com evolução constante. De 2009 para 2010 o crescimento foi da ordem de 17% (quadro 1). A frota de veículos das empresas vem mantendo a mesma margem de crescimento, ou seja, de 2009 para 2010 o aumento foi de 14% (quadro 2).

Quadro 1 – Evolução do faturamento

2010 2009 2008 2007 2006

R$ 5,11 bilhões R$ 4,37 bilhões R$ 3,99 bilhões R$ 3,49 bilhões R$ 3,17 bilhões Fonte: Censo Abla/2010

O presidente-executivo da Abla, João Claudio Bourg, otimista com esse panorama econômico favorável, acredita que o crescimento do setor deve perdurar. “A atividade de locação de veículos automotores reserva boas perspectivas e oportunidades para aqueles que estiverem bem preparados. O modelo de franquia traz benefícios para quem deseja iniciar no ramo, especialmente para aqueles que desejam agregar o valor de uma marca já estabelecida ao serviço e, ainda, fazer parte de uma rede. É importante ressaltar que o negócio de locação precisa de uma administração próxima e presente e, também, adquirir know-how”, diz. Representatividade Ao lado da evolução nos negócios de locação de automóveis, há algumas dificuldades a serem enfrentadas. “No Brasil, uma série de fatores interferem, direta ou indiretamente, no setor, afetando custos e, consequentemente, preços. Aqui, os juros são muito altos; a carga tributária e os encargos de mão de obra são mais pesados do que nos países desenvolvidos; e o custo de proteção dos veículos é mais elevado”, argumenta Bourg. Em contraposição a esses entraves, o custo nacional das diárias de locação no Brasil é convidativo. “Se compararmos em dólar com outros países, nossas diárias continuam sendo as mais baixas do mun-

MARCO ZERO

do. E temos de considerar ainda o preço pago pelo automóvel zero quilômetro, bem diferente do que no exterior. Para crescer diante desses e de outros obstáculos, os empresários já estabelecidos se aprimoraram e detêm padrões técnicos e qualitativos equivalentes, se não melhores, àqueles verificados em outros países”, comenta. Quadro 2 – Evolução da frota 2010 2009 2008 2007 2006

414.340 veículos 363.456 veículos 318.865 veículos 283.562 veículos 250.204 veículos Fonte: Censo Abla/2010

Para as locadoras independentes, franqueadas e franqueadoras, associar-se ao órgão que as representa só traz benefícios. “A Abla tem conquistado posições importantes em prol das locadoras que atuam no Brasil. De forma proativa, nossa entidade tem se manifestado junto aos órgãos e autoridades competentes em relação a assuntos de interesse do setor, tais como a diminuição da carga tributária, capacitação profissional, educação no trânsito, apoio e presença em eventos do turismo e da indústria automobilística”, afirma o executivo. “Paralelamente, a entidade defende os direitos do mercado em relação às multas de trânsito, responsabilidade dos condutores em acidentes, faz análises setoriais, estimula a terceirização de frota, integração do trade e o fortalecimento dos fóruns de turismo”. Segundo Bourg, há vantagens em ser um associado da Abla, que está presente em todo o País. “Nossa atuação fortalece as empresas locadoras de automóveis, auxiliando na profissionalização e no aperfeiçoamento contínuo de suas atividades. Por meio da entidade, as locadoras mantêm um bom ca-

33


NEGÓCIOS & OPORTUNIDADES EM TURISMO

nal de diálogo com o setor governamental e podem também conquistar parcerias fortes e duradouras com os fornecedores de produtos e serviços voltados para as locadoras, como, por exemplo, as montadoras e importadoras de automóveis que atuam no Brasil. Associar-se significa se fortalecer. Fazemos girar uma cadeia produtiva grande, importante e, sem dúvida, significativa. Tudo isso se completa com a atuação dos diretores regionais, que cobrem todos os Estados, propiciando às locadoras o direito de se fazer ouvir em cada região. É assim que entendemos a Abla, uma associação cada vez mais forte”, argumenta Bourg. Terceirização de frotas Normalmente o conceito de locadoras de veículos está ligado à prestação de serviços junto ao turismo. Entretanto, a terceirização de frotas é uma vertente dentro do setor que vem apresentando intensa evolução, oportunidade esta que o empreendedor de franquia deve ficar muito atento. “Além de alugarmos automóveis para turistas, em viagem de lazer ou de negócios, nosso setor presta um serviço importantíssimo para o desenvolvimento das empresas e da economia. Trata-se da terceirização frotas, que implica no aluguel de frotas inteiras para empresas”, observa Bourg. “A empresa que recorre à locadora para terceirizar a frota de veículos, pode se dedicar com mais afinco à sua atividade-fim, pois tira a responsabilidade da empresa sobre licenciamento, emplacamentos e impostos dos veículos, custos com seguro e manutenção, além de despesas que nem sempre estão previstas no orçamento, como reposição de peças e custo financeiro da ociosidade de cada veículo. Tudo isso passa a ser de respon-

34

sabilidade da locadora e acaba se tornando uma grande vantagem competitiva para as empresas contratantes”, explica o presidenteexecutivo da Abla, que completa dizendo que as grandes corporações já utilizam em larga escala a terceirização e, em breve, deverá atrair também para as pequenas e médias empresas. Capacitação Assim como os outros setores da economia brasileira, o de locação de automóveis prevê que aumentará seus negócios com os eventos esportivos programados para o Brasil, como a Copa do Mundo de Futebol, em 2014, e a Olimpíada, em 2016. Para atender essa demanda, a Abla vem se preparando há alguns anos. “Estávamos em descompasso com o advento do Brasil como destino internacional, com a modernização e o aumento da competitividade dos serviços em toda a cadeia produtiva do turismo. Por isso, a entidade vem promovendo programas de capacitação profissional desde 2008, quando foi desenvolvido o Programa de Capacitação e Qualificação, que aplicou 4.597 capacitações em cursos ministrados à distância ou por meio de seminários ou palestras”, explica Bourg. Para ele, esses programas contemplaram profissionais que atuam na linha de frente, além dos empresários, gestores e líderes do setor de locação. “Nossa entidade promoveu, em conjunto com a Fundação de Estudos e Pesquisas Socioeconômicos (Fepese), da Universidade Federal de Santa Catarina, cinco cursos à distância nos quais foram matriculados 2.024 profissionais de locadoras. Os participantes realizaram até dois cursos simultaneamente, totalizando 3.107 capacitações em dois eixos, o de quali-

dade, com conteúdo focado em atendimento operacional e qualidade em vendas, e o de gestão empresarial, que aborda mercado e marketing, gestão de frotas e gestão administrativa e financeira. Além disso, executamos ações de qualificação nos núcleos do conhecimento, que aconteceram paralelamente ao salão e fórum da Abla, maior evento nacional voltado para as locadoras. Os seminários e palestras atraíram mais de 1.490 participantes. As metas traçadas para esse programa já foram atingidas, mas pretendemos dar continuidade ao processo para ampliar a visão estratégica das empresas e a qualidade dos serviços prestados.” Para Bourg, a Copa e a Olimpíada ajudarão incrementar o trabalho desenvolvido pela Abla, de disseminar a cultura da locação de veículos e o consequente fortalecimento da atividade, “um dos três pilares, junto com o transporte aéreo e a hotelaria, para o sucesso de qualquer megaevento”, comemora. MZ

Foto: Divulgação

MARCO ZERO

João Claudio Bourg, presidente da Abla


MARCO ZERO

NEGÓCIOS & OPORTUNIDADES EM TURISMO

SMARTPHONES E TABLETS

Fabiano Barros*

T

O

s dispositivos móveis vieram para ficar. A quantidade de modelos e opções no mercado aumenta a cada dia. Utilizar bem essa tecnologia pode incrementar receitas, participação no mercado e impulsionar os negócios nos mais variados segmentos. E com turismo não é diferente

Para se ter a dimensão do alcance desse mercado, o Brasil atingiu em 2012, segundo a Associação Brasileira de Telecomunicações, a marca de 250 milhões de celulares e, hoje, 85% das cidades brasileiras possuem rede de dados 3G. O declínio nas vendas de PCs e Notebooks e o aumento na de Tablets e Smartphones são outros indicadores de que esse é um caminho sem volta. A expectativa é de que sejam vendidos somente este ano, em todo o mundo, aproximadamente 118 milhões de Tablets, segundo a empresa de consultoria Gartner Group. Por isso, o termo mobilidade é cada vez mais frequente. Ela permite que as pessoas possam acessar a Internet, se comunicar, transportar e acessar suas informações para onde forem. Na prática, as pessoas estão conectadas cada vez mais e carregam seus

35


MARCO ZERO

computadores dentro de seus bolsos e pastas por todos os lugares, gerando um oceano de oportunidades de negócio. Para aproveitar tais oportunidades, é necessário entender de comportamento. O ser humano, por natureza, tem algumas necessidades básicas e entre elas está comunicar-se e socializar-se. A tecnologia tornou possíveis esses dois anseios para que pudessem ser explorados cada vez mais por um número maior de pessoas de forma assustadoramente rápida. Hoje, a partir de um celular, é possível publicar matérias que podem ser lidas em qualquer lugar do mundo, por exemplo. Dentro desse perfil, os usuários de dispositivos móveis utilizam, em sua grande maioria, os aparelhos para duas coisas: navegar pela Internet e ler e-mails. Sendo assim, se você quer que sua empresa comece a ter visibilidade junto a esse público que cresce a cada dia, algumas dicas básicas precisam ser seguidas (vide box).

Para aqueles que já praticam as dicas e querem explorar ainda mais os Tablets e dispositivos móveis, o próximo passo é ter seu próprio aplicativo ou integrar-se a um existente. Os aplicativos Aplicativos são programas específicos que o usuário baixa e instala em seu dispositivo móvel, seja Tablet ou Smartphone. Comumente, são acessados através da loja dos fabricantes, sendo as maiores Apple Store, para dispositivos como iPhone e iPad, e Google Play, para os dispositivos da plataforma Android, como o Samsung Galaxy Tab, por exemplo. Eles podem ou não ser pagos para download. Aqueles que vendem serviços ou institucionais são gratuitos e os de entretenimento e ferramentas pessoais, como jogos e organizadores, são pagos. Os aplicativos têm uma infinidade de utilizações. São desenvolvidos por em-

NEGÓCIOS & OPORTUNIDADES EM TURISMO

presas de software especializadas e disponibilizados aos usuários para download. Destaco algumas dessas utilizações como a compra de passagens aéreas, reserva de hotéis e carros, check-in de tickets, verificação de situação de vôos, clima e dicas de viagem. Na área de aplicativos, o limite é a criatividade. Todos os dias surgem novos serviços que podem ser realizados a poucos cliques e de qualquer lugar. É preciso ter muito cuidado ao explorar esse universo nos dispositvos móveis. A mesma velocidade que pode impulsionar seu negócio, também pode manchar sua imagem, pois a informação trafega em alta velocidade, para o mal e para o bem. Por isso, se propor a disponibilizar um serviço e não ter condições de fazê-lo, seja por problemas de acesso dos usuários, infraestrutura, lentidão ou mesmo falta de feedback, pode se tornar um grande problema e gerar rejeição de sua marca. Disponibilizar um serviço em que o usuário possa enviar uma mensagem a

SEJA SIMPLES EM SUAS CAMPANHAS DE MARKETING: Devido ao tamanho das telas, seus e-mails de marketing devem ter poucas figuras e possuir textos bem objetivos para facilitar tanto o carregamento quanto a visualização nos aparelhos menores. Um e-mail marketing que demora a carregar é geralmente descartado pelos usuários. MANTENHA SUA PÁGINA COM FÁCIL LOCALIZAÇÃO NOS BUSCADORES: Os viajantes costumam fazer pesquisas durante seu deslocamento e tempo livre, portanto, estar bem classificado nos sites de consultas como Google e Bing ajuda a ter mais acessos e, consequentemente, mais consumidores em potencial. Também é importante deixar fácil o acesso a seus dados para contato e localização no site. GARANTA QUE SEU SITE SEJA LEVE E BEM VISUALIZADO EM TABLETS: Atualmente, 40% da navegação na Internet brasileira realizada por dispositivos diferentes de computadores é realizada através de Tablets, segundo dados da consultoria comScore, divulgados em dezembro de 2011. Por isso é fundamental que seu site seja bem visualizado nesses aparelhos. Não é necessariamente obrigatório ter uma versão exclusiva dos sites para Tablets. Basta que a navegação do seu site fique boa nele, eliminando animações desnecessárias e imagens pesadas.

36


MARCO ZERO

NEGÓCIOS & OPORTUNIDADES EM TURISMO

partir do Smartphone para seu estabelecimento exige que você tenha agilidade para responder. Atente sempre para o tamanho das informações e disposição das mesmas, pois os Smartphones possuem tela reduzida e, por isso, os cliques precisam ser fáceis, as letras legíveis e apenas a informação necessária deve aparecer. A oportunidade é única para acertar com o usuário. Se ele não gostar, dificilmente irá voltar. É fundamental ter a exata noção de qual experiência seu aplicativo irá proporcionar. Os consumidores e clientes hoje querem cada vez mais recursos para seus dispositivos móveis. Em pesquisa divulgada pelo Sabre Travel Network no final do ano passado com usuários de dispostivos

móveis que viajam a negócio, aferiu que 63% gostariam de receber ofertas específicas em seus destinos de negócio. Já imaginou poder enviar um alerta com uma promoção de hospedagem para um cliente que esteja próximo ao seu estabelecimento? Ou enviar dicas de gastronomia e entretenimento para os Smartphones de seus hóspedes? Possibilitar uma visualização 360 graus de sua pousada em um Tablet? Os dispositivos móveis estão aí para ajudá-lo. É um mercado embrionário com potencial extraordinário. Saber explorá-lo significa oportunidade de bons negócios. No futuro, certamente será pré-requisito de qualquer empresa e não tê-lo poderá decretar o fim de muitos negócios. MZ

* Fabiano Barros é graduado em Tecnologia de Informação pela PUC-Campinas, MBA em Gestão de Tecnologia de Informação pela FGV-SP e PMP pelo Project Management Institute. Empreendedor e consultor, atua como profissional de TI desde 1999.

37


MARCO ZERO

NEGÓCIOS & OPORTUNIDADES EM TURISMO

SKAL MOBILIZA TRADE POR DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Network e sustentabilidade são palavras-chave que vejo com frequência no noticiário revelando aumento da sensibilidade com os problemas relacionados à natureza, indissociáveis da qualidade de vida de todos. Valores como saúde, amizade, longa vida e felicidade, vivenciados no âmbito do Skal, o maior network do setor de viagens e turismo, também estão presentes nas ações de inúmeras empresas, mobilizando nações a seguirem o mesmo exemplo. O Skal Internacional do Brasil não só se une a essas corporações como vem estimulando e realizando projetos ecologicamente corretos. E isso lhe rendeu o papel de articulador setorial na mobilização e participação dos profissionais de turismo na agenda Rio+20 e Você, Conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável. Com a presença de mais de 120 chefes de Estado é o palco ideal para avançarmos. Momento histórico, onde autoridades públicas e lideranças da sociedade civil podem renovar e ampliar compromissos voltados ao aprimoramento das práticas sustentáveis. Uma das principais contribuições é renovar o interesse coletivo e, em especial do trade turístico, pelas questões afetas ao desenvolvimento sustentável, compreendido em suas três dimensões distintas e complementares: ambiental, social e econômica. Posicionado entre os 15 principais setores da economia criativa mundial, o turismo ocupa um papel de grande importância para a abordagem de dois temas: “A economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável” e “A extinção da pobreza e a estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável”. Devemos estar atentos às riquezas turísticas naturais e culturais presentes nos diversos ecossistemas do nosso planeta. Tampouco devemos nos esquecer de que a matriz econômica do turismo impacta, direta e indiretamente, 52 setores, o que torna a atividade líder mundial na geração de empregos. Durante o 42oºCongresso Nacional do Skal Internacional do Brasil, ocorrido entre os dias 30 de maio e 3 de junho, em São Luís (MA), abordamos temas atuais sobre sustentabilidade no trade de turismo por meio de palestras e debates.

38

Passaram-se 20 anos desde a última conferência e a capital fluminense foi eleita novamente como sede de um evento onde será possível definir as futuras diretrizes a serem adotadas em todo o mundo. Nossa participação na agenda Rio+20 e Você será uma ótima maneira de demonstrar a importância que o Brasil dá a temas atuais e de tamanha relevância. A troca de informações que ocorre como rotina entre os skalegas há de inspirar todos os elos da cadeia produtiva a ter determinação para trabalhar em benefício da coletividade mundial. Um bom exemplo é o prêmio “Desenvolvimento Sustentável no Turismo”, criado em 2002 pelo Skal e que surgiu como uma maneira de incentivar ações de conservação ambiental e estimular, ainda mais, o desenvolvimento do turismo ecológico no Brasil. São 30 projetos sendo apresentados em 18 países pelos skalegas, frequentes promoções e discussões relacionadas ao tema da preservação da natureza e do patrimônio cultural, bem como um intenso envolvimento que mantemos com a comunidade, fomentando recursos educacionais e viabilidade de negócios. MZ

Ana Carolina Medeiros, presidente do Skal Internacional do Brasil



Revista Marco Zero