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EDIÇÃO REVISTA MAIO | 2011 R$ 7,00

5 ENTREVISTA COM CHARLES

CHELALA

ASSALTOS: A ONDA QUE

PARECE NÃO 24TER

FIM

AÇAÍ 17 ENCHENTES 20 MISS AMAPÁ 2011 30


A GENTE TEM O MELHOR

PARQUE GRテ:ICO.


E AGORA A MELHOR

REVISTA.

Uma revista para quem coleciona revistas.


EDITORIAL

DIRETOR GERAL Reinaldo Von Scharten DIRETOR DE REDAÇÃO Emanoel Reis DIRETOR DE ARTE/ PROJETO GRÁFICO Daniel Nec REDATOR CHEFE Manoel do Vale REVISÃO Ronaldo Rodrigues PRODUÇÃO GRÁFICA Editora Gráfica RVS I

DEMOROU, MAS ACONTECEU.

TIRAGEM 3.000 exemplares IMPRESSÃO Gráfica RVS

Dizem que o amapaense não gosta de ler. Nós, que trabalhamos na indús-

tria gráfica, discordamos totalmente disso. O que falta ao amapaense não é vontade de ler, mas o que ler. Esse foi nosso sonho de anos: trazer ao mercado local um projeto editorial de qualidade e conteúdo. A RVS reuniu uma equipe de profissionais que comungam do mesmo desejo: produzir uma revista elegante e bem articulada. Uma proposta afinada com as tendências mais modernas do design. Leve, solta, ousada. Ou seja, uma revista daquelas que a gente pega e lê com gosto, tem ciúme e guarda com carinho de colecionador. Hoje você recebe em mãos o trabalho de jornalistas, fotógrafos, diretores de arte, ilustradores e colaboradores que sabem que informação sem amarras, isenta e responsável é fundamental para o crescimento das pessoas e do lugar em que elas vivem. Deu trabalho fazer uma revista da qual você possa dizer: essa aqui é minha!

EXPEDIENTE

PERIODICIDADE Mensal

TEXTOS: Seles Nafes, Bianca Castro, Manoel do Vale, Emanoel Reis, Aldenor dos Santos, Marcelia Viana, Gabriel Penha e Ronaldo Rodrigues FOTOGRAFIAS: Amilton Matsunaga, Gabriel Penha, Acervo Secom, Maksuel Martins, Acervo MIS PUBLICIDADE: Bianca Castro e Manoel do Vale APCOMERCIAL@GRAFICARVS.COM.BR (96) 3212-6298 / 8116-1626 / 8133-7651

Agradecimento especial a todos que direta e indiretamente colaboraram para que a revista se tornasse realidade e nos apoiam desde o início. Todos os artigos assinados e fotografia são de responsabilidade única de seus autores e não refletem necessariamente a opnião da revista. SUGESTÕES E MATERIAL PARA REVIEW ENTRE EM CONTATO ATRAVÉS DE: APREVISTA@GRAFICARVS.COM.BR

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entrevista Seus pais são libaneses, o sobrenome é de origem árabe, está no Amapá há 15 anos, Seu livro chegou às livrarias quando o Amapá completava 21 anos de independência administrativa, passando por três diferentes tipos de governo, com visões e prática spolíticas bem particulares. Coordenador político do escritório do senador Randolfe Rodrigues (P-SOL), no Amapá, é professor da Unifap e Ceap. Economista, considerado a maior autoridade da área socioeconômica no Amapá, Charles Achcar Chelala conversa com a AP sobre “A magnitude do Estado na socioeconomia amapaense”, assunto que foi sua tese de mestrado em meados de 2008, e título de seu livro lançado em 2009. Bastante didático e elegante em seu texto, o livro tornou-se leitura obrigatória para todos que se interessam pelo desenvolvimento humano e institucional do Amapá.

Amapá

Charles Chelala

O está na periferia da economia

brasileira

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Em seu livro, o senhor faz uma análise da magnitude do Estado, partindo dos primórdios da história dessa instituição no mundo até os tempos atuais, passando pela formação do Estado brasileiro para então detalhar o peso que o Estado exerce na socioeconomia do Amapá. Qual a premissa deste trabalho, o que o despertou para esse estudo? Bom. Todo mundo sabe que no Amapá vigora a economia do contracheque, um jargão popular e visível a olho nu, vamos dizer assim. Na sociedade, você sente esse peso na movimentação econômica quando sai o salário dos funcionários públicos. Durante meu mestrado, o que eu fiz foi pesquisar o verdadeiro tamanho do Estado na nossa economia. Qual é o peso do Estado na nossa economia, qual é o grau de influência na movimentação econômica, na atividade econômica, enfim. E aí chegamos à conclusão, comparando o Amapá com outras seis unidades da federação, de que realmente é no Amapá onde é maior o tamanho, o peso, do Estado na economia. Foi feita uma análise teórica do que é Estado; uma análise histórica global sobre a relação estado-economia com determinadas questões mais controversas da teoria econômica. Depois, fizemos uma análise histórica do Estado do Amapá, da construção do Estado do Amapá para, finalmente, chegarmos ao cerne da pesquisa, que foi essa comparação dos indicadores, como, por exemplo, a participação da administração pública no PIB, total de salários públicos sobre o total de mão de obra no Estado, comparação de salários dos servidores públicos sobre o total de salários pagos. Com esses indicadores foi possível chegar à conclusão de que, realmente, no Amapá é maior o tamanho do Estado do que em qualquer outra unidade da federação do Brasil.

Já nessa época o senhor fazia pesquisas sobre a dependência do Estado. Certo. Nessas duas décadas da Constituição do Estado do Amapá, o que o senhor poderia indicar como pontos de avanços ou de diminuição da magnitude do Estado na economia? E o que falta avançar? Na verdade, não houve grandes mudanças nos principais indicadores. Quais sãos os principais indicadores de presença do Estado na economia: No produto interno bruto, qual a fatia da administração pública? Do total de postos de trabalho, qual é a parcela dos funcionários públicos? Do total de renumeração paga, qual é o total de salários públicos? Do total pago por pessoas ou empresas, qual o total de gastos realizados por entidades da União, Estado e Município? Isso tudo

Amapá

não melhorou. Os indicadores são muito parecidos. Pelo contrário, até avançou esse nível de presença do Estado. E por quê? Porque essas duas últimas décadas foram décadas de pouca evolução da economia privada no Estado do Amapá. O que nós tivemos? Em 1989, houve o início mais pesado da Área de Livre Comércio de Macapá e Santana. Isso perdura até meados da década de 1990, quando houve uma profunda crise em sua economia. A Icomi [Indústria e Comércio de Minérios] deixou de funcionar, os preços dos produtos que nós exportamos parou de subir... Então, a atividade econômica privada no Amapá sobrevive lentamente nesse processo. Quem puxa a economia para cima é o Estado. Nos últimos cinco anos, com a volta da melhoria dos preços no mercado internacional do minério de ferro, alguns investimentos privados recentes como as hidrelétricas, até com a retomada de algum nível de dinamismo do setor comercial, é possível dizer que a gente tenha para a próxima década um pouco de

O senhor foi secretário de Estado... Certo. De 2001 a 2002 fui secretário de Planejamento.

O tem um dos menores índices de saneamento

do Brasil

melhoria nesses indicadores. O setor privado venha a ter uma participação maior nesses indicadores do que teve nos últimos anos.

Em relação a essa questão, há alguns setores na economia onde a gente percebe, se não for uma falsa impressão, certo crescimento. Tipo no setor educacional, na construção civil e, em alguns aspectos, na prestação de serviços. O que é que sustenta esses setores? Tu estás coberto de razão. Toda economia tem um eixo dinâmico. Por exemplo, o eixo de São Paulo é a indústria. A indústria automobilística, siderúrgica, de autopeças. O eixo dinâmico do Mato Grosso, Goiás é o agronegócio. Se for pegar o Pará 6


é o minério, a mineração como um todo. No Amapá é o Estado. E o Estado é um excelente eixo dinâmico, porque a arrecadação nos últimos 20 anos não parou de crescer, recurso para manter o Estado funcionando não faltaram. E isso possibilita setores como, por exemplo, o da educação. A educação privada aumentou bastante nos últimos anos. Sobretudo, a educação superior. Nos últimos 15 anos, de duas a algo em torno de 20 faculdades entraram no mercado. Agências de viagens, venda de automóveis novos e usados, supermercados. Se você tiver uma boa praça aliada a um nível de cliente como o do servidor público, você consegue manter esses setores em bom funcionamento. Agora, eu volto a dizer, um setor específico privado que puxasse a economia para cima, esse ainda sofre alguma retração, que eu acredito que volta a se recuperar. É importante dizer que, se indicadores econômicos se mantiveram pouco desenvolvidos, os indicadores sociais melhoraram. Presença na escola, melhoria nos indicadores de redução da mortalidade infantil. Mas nós temos um problema altíssimo de geração de emprego no Amapá. O Amapá está entre as piores unidades federativas em taxa de ocupação. O senhor fala que o Amapá está na periferia da economia nacional. Nessa periferia, a gente percebe o seguinte: o Amapá tem um dos menores índices de saneamento do Brasil. Ele também tem uma grave crise na questão da saúde, e agora também na questão da segurança. A magnitude do Estado dentro da economia é determinante, ela é que dinamiza a economia. Então, qual seria a solução? É uma questão geográfica, é uma questão política? O que a gente teria que enfrentar para sair dessa periferia? Para mim, o principal é o de infraestrutura. Porque as pessoas acham que o Estado é muito onipresente, então ele deveria liberar impostos, conceder benefícios. O Amapá já tem um leque de benefícios para as empresas virem pra cá se instalarem. Isso é importante, mas não é suficiente.

O apoio do Estado para atrair a iniciativa privada é importante, mas não suficiente. Para mim, o decisivo é exatamente isso que você falou um pouco. As empresas não se estabelecem onde não têm canais de distribuição seguros, estradas, ferrovias. Onde não têm energia elétrica de qualidade, condições de saneamento básico de qualidade. O Amapá está num atraso de infraestrutura muito grande, porto, aeroporto, que quando a empresa vai pesar aonde vai situar o seu sítio de produção, ela vai dizer “Não. Eu prefiro colocar em Barcarena, no Pará”. Por exemplo, a empresa de beneficiamento de caulim. Aqui nós temos o caulim que é produzido em Vitória do Jari. O primeiro beneficiamento da Cadam é feito em Monte Dourado. E de lá leva para o segundo beneficiamento. Aonde? Barcarena. A Ancel seguramente poderia colocar aqui uma fábrica de celulose. O que está faltando para que nós tenhamos siderúrgicas? Como agora há importantes investimentos em infraestrutura, com as duas pontes, a binacional e a do Laranjal do Jari; está chegando o linhão de Tucuruí; e muito próxima a questão da banda larga. Só um exemplo: a da empresa que está construindo a hidrelétrica de Ferreira Gomes. Ela mantinha o seu setor de engenharia lá em São Paulo. Chegavam aqui, tiravam as medidas e faziam todo o resto lá, sem problemas. Só que na hora de transmitir os cálculos, os desenhos, as plantas, não tinha condições de ser pela internet. Então, ela teve que comprar um canal do satélite. Eles pagam 200 vezes mais caro por uma 7

internet dez vezes mais lenta para poder ter o mínimo de comunicação. Então, essas são questões específicas. O Amapá precisa tirar o atraso da infraestrutura. Aí a gente vai começar a chegar lá. Aí nós vamos poder finalmente transformar nossas velhas potencialidades em realidade. Senão, vamos continuar com a economia do contracheque. Mas a coisa está em andamento. Existe recurso, me parece que existe vontade política, e existem obras de infraestrutura em andamento o linhão, a ponte binacional... Eu acho que a gente ainda está um pouco atrasado, e precisa ser feito com mais urgência, é a questão do saneamento. A indústria da construção civil cresce, mas ela cresce num terreno pantanoso. Quando se constrói um prédio, por exemplo, de 12 andares, são 24 apartamentos em média. Uma obra desse tamanho demanda infraestrutura de saneamento básico. Qual será o resultado dessa verticalização da cidade, se o problema do saneamento básico não for resolvido em, pelo menos, uma década? Nós temos de 3% a 5% de cobertura de esgoto sanitário em Macapá, onde ocorre o boom da construção civil no Estado. Tem essa pequena quantidade já sobrecarregada. A verticalização é uma boa solução porque Macapá está sendo muito espalhada, e isso aumenta os custos com rede de água, esgoto, com transporte. Agora isso [a verticalização] tem que ser acompanhado de dois tipos de estudo: de impacto da rede de esgoto e de impacto da vizinhança. Nós percebemos o seguinte: nos edifícios residenciais é mais grave porque têm de abrigar pelo menos dois carros por apartamento, e é um transtorno, pois os carros se espalham pelas esquinas gerando uma série de desconfortos, inclusive ambientais. Senão pensarmos nisso, só vai piorar um problema que já é sério.


As empresas não se estabelecem

onde não têm canais

de distribuição

seguros

A magnitude do Estado é cada vez maior na dinâmica social. O senhor não acha que haja certo inchaço no Estado, um excesso de funcionários? Eu não acho que o Estado esteja inchado, eu não acho que exista um excesso de funcionários públicos. Eu acho que existe ineficiência do Estado aqui. Tem que avançar muito. Ele não consegue ser eficiente na gestão dos recursos da saúde pública, não consegue ser eficiente na gestão da educação, não consegue ser eficiente nas suas duas principais companhias de serviço público, CEA e Caesa. Mas ele está buscando essa eficiência. E isso não é culpa do funcionalismo. É culpa realmente de um certo descaso com essa palavrinha básica: eficiência. Vai ter que fazer uma revolução de eficiência. E isso significa qualificação, melhoria salarial do pessoal, melhoria na tecnologia, melhoria no atendimento.

É óbvio que houve avanços em alguns aspectos do setor público, na política de Estado. Mas eu não vejo um mecanismo que proteja esses avanços. O senhor não acha que deveria haver um mecanismo, uma escola de qualificação dos gestores para proteger os avanços das escaramuças partidárias? Essa questão não é um privilégio do Amapá, esse problema da continuidade. Nós temos vários casos, como um em São Paulo, da década passada. Tinha um túnel pronto pra ser inaugurado, mas como ele tinha o nome de um prefeito de outro partido, ele acabou não sendo inaugurado, na época era o túnel Jânio Quadros. Agora, como tem um processo de acompanhamento da sociedade mais próximo, você consegue diminuir isso. Há uma

STUDIO

TATTOO ART CUSTOM

série de avanços da gestão Fernando Henrique que o Lula não pôde ignorar, houve muitas irregularidades, que ele não deixou passar. No Amapá, onde a política faz parte de nossas vidas, essa questão é mais passional. E chega a ser engraçado. Na gestão anterior, o governador mudou o nome desenvolvimento sustentável para desenvolvimento durável. Hoje tem muita gente na gestão Camilo que quer trazer de volta essa questão da sustentabilidade, mas tem receio, porque essa questão ficou muito associada a um período de um governo, quando no mundo inteiro sustentabilidade só faz crescer. Então essa é uma questão típica nossa.

edricy

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(96) 8116 3013 (96) 81264805 Av. Cora de Carvalho, 2060B Santa Rita - Macapá AP WWW.FLICKR.COM/PHOTOS/ORESTUDIO

franca


O d ú e T n o c RECEITA DO CAOS | 14 AÇAÍ | 17 ENCHENTES | 20

DIOCESE DE MACAPÁ | 22 ASSALTOS: A ONDA QUE PARECE NÃO TER FIM | 24 DESTAQUE E COM A | 29

MISS AMAPÁ 2011 | 30

IRREGULARIDADES NA AL | 32

BELEZAS E HISTÓRIAS DA ZONA RURAL | 33 AMAPÁ NA CENA DO AUDIOVISUAL | 35 ÁREAS DE RESSACA | 38 AMAPÁ DESTINO TURÍSTICO | 39 AP SOCIAL | 41 BATE FICA ESCAPOLE DEIXA | 42

FEITO AQUI | 43 9


SELES NAFES

EMANOEL REIS

Paraense/amapaense. Fã do rio Amazonas e do Jornalismo.

Jornalista, 50 anos, 30 de profissão, há 10 em Macapá. Natural de Belém, já trabalhou nas principais empresas de comunicação do Norte/Nordeste. Admirador das belas ‘’pequenas’’.

MARCELIA VIANA

BIANCA CASTRO

Amapaense, 29 anos, economista e jornalista com atuação nos estados do Pará e Amapá. Apresentadora de TV e grandes eventos. Expert em assessorias de comunicação.

Macapaense, 39 anos, nutricionista, especialista em Nutrição Clínica. Atua no governo do estado desde 1994. Consumidora assídua de açaí.

GABRIEL PENHA

MANOEL DO VALE

Gabriel Penha atua no jornalismo impresso amapaense há 15 anos. Define o Jornalismo não como uma profissão, mas um estilo de vida. Natural de Macapá, mas tem raízes na vila de Mazagão Velho.

Me interesso em mostrar o que as pessoas têm para dizer, seja em vídeo, livro ou revista.

Pe. ALDENOR BENJAMIM

DON GARCIA

Carioca, 40 anos, 19 anos morando no Amapá. Chefe de cozinha, consultor gastronômico, administrador de empresas, empresário do setor de alimentos (Restaurante Expresso Itália).

Sacerdote diocesano, nascido em Santana (AP) , é graduado em Filosofia, Teologia e Pedagogia, possui mestrados em Filosofia e Sociologia e doutorado em Comunicação Social.

RONALDO RODRIGUES Publicitário e escritor.

RONALDO RONY Cartunista. Há quem diga que se trata da mesma pessoa.

colaboradores 10


VO C Ê S A B E O QUE ACONTECE CA DA V E Z QU E U M L I V RO, UM CADERNO, UMA EMBALAGEM, UMA REVISTA OU UM FOLHETO

É IMPRESSO?


Imagem de eucalipto


U M A N O VA Á R V O R E

D A E D U C A Ç Ã O, D A I N F O R M A Ç Ã O, E DA DEMOCRACIA

É P L A N TA DA . A cadeia produtiva do papel e da comunicação impressa vem realizando uma campanha de informação sobre o que produz para a sociedade. Esclarecer dúvidas e, principalmente, traz à luz da verdade algumas questões ligadas à sustentabilidade. A principal delas é deixar claro que, as árvores destinadas à produção de papel provêm de florestas plantadas, e que essas são culturas, lavouras, plantações como qualquer outra. Somos uma indústria alinhada com a ecologia e a natureza, ou seja, as nossas impressões são extremamente conscientes porque utilizamos processos cada vez mais limpos. E, mesmo assim, buscamos todos os dias novas tecnologias de produção que respeitem ainda mais o equilíbrio do meio ambiente. Somos uma indústria que traz prosperidade para o País e benefícios para todos os brasileiros. Temos imenso orgulho de saber que cada vez que imprimimos um caderno, um livro, uma revista, um material promocional ou uma embalagem, estamos levando conhecimento, informação, democracia e educação a todos. Imprimir é dar veracidade, tornar palpável. Imprimir é assumir compromisso. Imprimir é dar valor. Principalmente à natureza.

IMPRIMIR

É DAR VIDA.

ENTIDADES PARTICIPANTES: ABAP, ABEMD, ABIEA, ABIGRAF, ABIMAQ, ABITIM, ABRAFORM, ABRELIVROS, ABRO, ABPO, ABTCP, ABTG, AFEIGRAF, ANATEC, ANAVE, ANDIPA, ANER, ANL, BRACELPA, CBL, FIESP E SBS. CAMPANHA DE VALORIZAÇÃO DO PAPEL E DA COMUNICAÇÃO IMPRESSA.

Acesse e saiba mais:

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T CE

A

por Emanoel Reis

O secretário da Receita Estadual, Cláudio Pinho, tem pela frente uma tarefa portentosa: reduzir a dependência do Amapá em relação aos recursos federais, hoje as principais fontes de sustentação da economia estadual. Para alcançar esse objetivo, vem implementando uma série de mudanças internas na Secretaria da Receita Estadual (SRE) visando a solucionar problemas prosaicos como restabelecer o funcionamento dos telefones convencionais e substituir os velhos computadores por outros mais modernos. 14


Essas primeiras medidas poderiam ser

dispensáveis se não fosse o sucateamento sistemático da máquina tributária do Estado do Amapá promovido em apenas oito anos. Uma constatação à vista de quem entra no prédio da SRE, localizado no centro de Macapá. O desleixo dos antecessores de Cláudio Pinho fica evidenciado na má conservação do próprio imóvel e de suas dependências acanhadas, insuficientes para acomodar o quadro de servidores efetivos, comissionados e prestadores de serviço. Alguns telefones fixos da SRE já voltaram a funcionar e novos equipamentos de informática também foram adquiridos. Contudo, a carência no setor de tecnologia da informação continua em patamares elevados e dependendo de recursos do governo estadual para sair do estágio neandertaloide em que se encontra. Mas, pelo cenário de débâcle amplamente preconizado pelo Palácio do Setentrião (sede do governo), a secretaria ainda vai demorar para abandonar a clava no fundo da caverna. Tanto que para garantir aumento na arrecadação do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) deste ano, o secretário precisou lidar com imprevistos no mínimo hilários como a súbita paralisação do sistema de controle de arrecadação do tributo por mais de uma semana. Ao narrar o contratempo, Cláudio Pinho esboçou um sorriso contrafeito, demonstrando certo incômodo com o inusitado ocorrido exatamente no período de maior necessidade. Segundo deixou entrever, foi um corre-corre dentro da SRE para contornar o problema. E existem outros complicadores. Cláudio Pinho ainda tem que lidar com situações comezinhas, como a defasagem do Sistema Integrado de Administração Tributária (SEAT), responsável pelo gerenciamento da arrecadação dos tributos e considerado a “mola mestra” de sua gestão. Segundo relata, o descompasso entre o passado recente e o futuro em fase embrionária alcança níveis assombrosos se enumeradas todas as deficiências constatadas no sistema.

Além desse entrave maior, conforme assinala o secretário, outros agravantes igualmente foram relacionados nos últimos três meses e têm influência direta na baixa arrecadação de tributos no Amapá. Um deles, aumentar o quadro de auditores fiscais convocando os candidatos já aprovados em concurso público, está no topo da lista de prioridades. Mas esbarra na determinação do governador Camilo Capiberibe (PSB) em diminuir gastos com pessoal – pelo menos nos próximos oito meses. Em busca de soluções prementes para a SRE, Cláudio Pinho anuncia

três projetos em fase conclusiva para captação de recursos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), totalizando R$ 22 milhões, e outro endereçado ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), de US$ 7 milhões, aproximadamente R$ 12,5 milhões. Ou seja, Pinho espera abarrotar o cofre com mais de R$ 34 milhões para reformar e ampliar o prédio onde a secretaria funciona, investir em treinamento e capacitação de pessoal e dotar todo o sistema tributário amapaense com o que há de mais moderno em tecnologia da informação.

Por enquanto, são apenas projetos em estudo. A verdade, conforme o secretário descortinou, é que neste momento a fazenda estadual não está em condições plenas de conter um dos mais graves problemas em evidência no Amapá: a sonegação fiscal. Sem estrutura física adequada e sem o necessário aparato tecnológico para exercer a atividade em sua plenitude, os auditores e fiscais da SRE são facilmente fintados pelos sonegadores, estes em maior número e mais bem preparados.


O fato é que em outubro de 2010, o Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), presidido pelo procuradorgeral de Justiça, Oswaldo Trigueiro do Valle Filho, esteve no Amapá e constatou prejuízos de R$ 19 milhões aos cofres públicos resultado de evasão fiscal amplamente praticada por empresas de médio e grande porte estabelecidas no estado. O GNCOC, criado pelo Conselho Nacional dos Procuradores Gerais (CNPG), denunciou na ocasião a existência de um forte esquema de sonegação fiscal entranhado nos subterrâneos do governo estadual. No entendimento de Cláudio Pinho, o combate à sonegação fiscal deve passar necessariamente pelo controle da informalidade, para ele a principal agente motivadora da prática. Compreende como “informalidade” empresas de pequeno e médio porte que atuam clandestinamente nos diversos setores do mercado. Mas confirmou, em tom reticente, que empresas maiores estão sonegando impostos em grande escala. Porém, não soube quantificar, em percentuais ou mesmo em dinheiro, o tamanho do rombo. “Não tem como mensurar isso aí”, comentou, resignado. Mais recentemente, a procuradora-geral de Justiça, Ivana Lúcia Franco Cei, designou os promotores Eder Geraldo Abreu, Marco Antônio Vicente, Andréa Guedes de Medeiros, Moisés Rivaldo Pereira, Afonso Gomes Guimarães e José Cantuária Barreto para atuarem no combate à sonegação fiscal no Amapá. Trata-se de uma força-tarefa especialmente criada para coibir ostensivamente essa prática criminosa e extremamente nociva ao povo amapaense. Eder Abreu, Antônio Vicente, Andréa Guedes e Moisés Rivaldo são titulares da Promotoria de Justiça de Investigações Cíveis, Criminais e de Defesa da Ordem Tributária. Afonso Guimarães é titular da Promotoria de Justiça Criminal e Tribunal do Júri de Santana. E José Barreto é titular da Promotoria de Justiça de Porto Grande. Logo, pelo proposto pela portaria número 0188/2011 – CG/PGJ, de 16 de março, se deduz que três municípios estão na alça de mira dos “eliot ness” de Ivana Cei. Resta esperar se estão prontos para identificar e prender os “al capones” em atividade no Amapá.

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Reino: Plantae Divisão: Magnoliophyta Classe: Liliopsida Ordem: Arecales Família: Arecaceae Gênero: Euterpe Espécie: E. oleracea Nome popular: acai; juçara

MATERIA2 por Marcelia Viana O açaí, nosso bom e velho conhecido fruto redondinho, apresenta uma fina camada de polpa comestível que reveste sua semente. Advém do açaizeiro, uma palmeira nativa da nossa região amazônica que produz cachos com dezenas de caroços (frutos) de cor violeta. A bebida açaí, como é consumida habitualmente aqui na região, é uma emulsão obtida por atrito dos frutos, adição de água e filtração em peneiras adequadas para a retenção da borra, fornecendo um liquido espesso de cor arroxeada, unânime na preferência popular por seu singular paladar. O consumo do açaí na região Norte do Brasil atravessa vários séculos e já constituía parte importante da alimentação indígena antes da chegada dos europeus, inclusive a origem do seu nome vem do tupi, que quer dizer “fruta que chora”(vide quadro A lenda).

Segundo dados de 2001, o açaí é o segundo produto mais consumido nos estados do Pará e Amapá, depois da farinha de mandioca. Sua produção, antes destinada totalmente ao consumo local, tem conquistado novos mercados. A demanda do produto em nível nacional cresceu muito a partir dos anos 1990 devido à descoberta do açaí pelo público jovem de classe média alta do Brasil extra-amazônico. Isso fez com que a venda de sua polpa congelada aumentasse, significativamente, para outros estados brasileiros, tornando sua produção uma importante fonte de renda e emprego, além de responder pela sustentação econômica, principalmente das populações ribeirinhas. Em 2000, foi iniciada a exportação para os Estados Unidos e para a Itália, tendo sido valorizado principalmente no mercado norte-americano, como fruta exótica e alimento funcional. Esse mercado externo vem crescendo bastante com a comercialização do açaí concentrado em latas, polpas congeladas e com a consequente popularização do seu consumo em mistura com diversas outras frutas: guaraná, granola - preparadas em academias, lanchonetes, entre outros estabelecimentos comerciais. Na nossa região, seu consumo ainda se restringe à compra do produto processado na hora. Os frutos têm que passar por um processamento para a obtenção da bebida açaí, a qual não é a polpa integral dos frutos. Em função da quantidade de água adicionada no processo, o açaí é comercializado sob diferentes denominações. Segundo a Instrução Normativa 01/2000 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o açaí é classificado em:

• Açaí fino ou popular (tipo C) – entre 8 e 11 % de sólidos totais • Açaí médio ou regular (tipo B) – entre 11,1 e 14 % de sólidos totais • Açaí grosso ou especial (tipo A) – acima de 14 % de sólidos totais 17


No entanto, em outras regiões do país e no exterior, onde o açaí é também bastante apreciado, o seu consumo só é viável se o mesmo passar por processo adequado de conservação, o que provoca modificações no seu sabor original, além de encarecer o produto. Quando não submetido a processos de conservação, o açaí tem a vida de prateleira muito curta, no máximo 12 horas, mesmo sob refrigeração. A sua alta perecibilidade está associada, principalmente, à elevada carga microbiana presente no fruto, causada por condições inadequadas de colheita, acondicionamento, transporte e processamento, enquanto as contaminações por coliformes fecais, salmonelas e outros microrganismos patogênicos, por exemplo, do protozoário transmissor da doença de chagas (vide quadro) são devidos ao seu manuseio inadequado.

A transmissão da doença

de chagas, segundo pesquisas, está no ato de o barbeiro fazer um ninho nas folhas da árvore ou no próprio cacho, e quando é realizada a colheita, o inseto é levado junto e triturado com a fruta na produção da polpa. Nessa situação, o inseto transmissor da doença integrou-se à mistura e, como ela foi consumida sem tratamento térmico, isso permitiu a transmissão do mal. Se a polpa for tratada, a forma ativa do inseto é destruída, sendo esta a vantagem de se consumir o açaí processado, pois ele é pasteurizado para garantir maior tempo de vida útil, com isso, o elemento transmissor da doença, se estiver eventualmente presente, será destruído. Na nossa região, como o açaí é consumido “in natura" (sem tratamentos térmicos) devemos ter muito cuidado ao escolher o local, a batedeira, onde ele é produzido. Devemos ficar atentos aos cuidados de higiene dos proprietários, funcionários, a forma como conservam, e se utilizam água tratada. Na dúvida, é melhor não adquirir o produto, pois sem essas medidas mínimas de higiene, não há como eliminar o protozoário.

O açaí em si é uma fruta de grande valor energético e rico em valores nutricionais/funcionais, estando apropriado ao consumo, ou seja, conservadas suas propriedades organolépticas, este produto, além de ser um alimento saboroso, possui propriedades terapêuticas que agem em benefício da nossa saúde. Detalhe: aqui na região temos o costume de dizer que açaí “dá um sono”, não é mesmo? Pensando bem, com o alto valor energético que ele apresenta, o efeito deveria ser justamente o contrário, já que fornecendo tanta energia devia nos manter mais ativos! Fica a dica!

É um fruto rico em minerais, principalmente potássio e cálcio, e dentre as vitaminas destaca-se a vitamina E, além de uma alta concentração de fibras. Para se ter uma ideia, o teor de fibras em 100g do açaí batido fornece 90% do que necessitamos ingerir diariamente para ter um bom funcionamento intestinal. A composição química e o valor nutricional do açaí estão discriminados na tabela (próxima página).

Pesquisas já demonstraram que, ao contrário do que se pensava, o açaí não combate a anemia, mas tem muitas outras propriedades, ou seja, é um fruto que contribui com o valor energético, sem dúvida, mas, por outro lado, o perfil de gorduras do açaí é muito parecido com o do óleo de oliva, que o qualifica como um óleo comestível especial, pois apresenta, predominantemente em sua composição, ácidos graxos monoinsaturados (até 61%) e ácidos graxos poli-insaturados (até 10,6%), ambos recomendados para prevenção de doenças cardiovasculares. Possui elevado teor de antocianinas pigmentos naturais responsáveis pela cor característica do açaí, o que torna este fruto um produto com alta ação antioxidante, ou seja, ajuda no combate ao colesterol e protege o organismo da ação dos radicais livres – que são moléculas que, se produzidas em níveis elevados, danificam células sadias do corpo, provocando malefícios como a hipertensão, entupimento de artérias e envelhecimento precoce. Você já deve saber que uma taça de vinho tinto por dia faz bem ao coração, certo? E isto deve-se justamente à presença de antocianina na uva, que é preservada na fabricação do vinho. Também não é por acaso que a cor do açaí é semelhante à do vinho tinto, no entanto o açaí tem 33 vezes mais antocianina quando consumido “in natura” do que a uva.

O que faz este alimento se tornar excessivamente calórico, seria até desnecessário dizer, são os diversos adendos utilizados habitualmente na nossa região, como farinha de mandioca e/ou tapioca, açúcar, dentre outros, além de associar seu consumo com produtos fritos: peixe, carnes em geral e ao camarão seco. Já nas demais regiões brasileiras, o açaí também é adicionado de produtos calóricos de forma diferenciada, sendo mais apreciada sua mistura com xarope de guaraná, cereais, além de outras frutas.  Pelo seu valor nutricional importante, principalmente na prevenção de doenças e por ser um produto arraigado aos nossos costumes, o açaí apesar de seu alto valor energético pode ser consumido por todos sim, inclusive não há contraindicação de seu consumo por pessoas com doenças crônicas naotransmissiveis (diabetes, hipertensão, por exemplo), afinal de contas o açaí e uma fruta e como tal precisa ser consumida em porcoes adequadas, ou seja, cada um tem necessidades específicas, e nesses casos e necessário consultar um nutricionista para que todas as dúvidas sejam esclarecidas. O importante é optar pelo consumo da forma mais natural possivel, sem adicionais calóricos e preferencialmente em substituição a pequenas refeições.

Consuma com moderação, afinal esta é a medida para ter uma vida saudável e cheia de sabor!

 

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COMPOSIÇÃO

Proteínas Lipídios totais Açúcares totais Fibras brutas Energia Sódio Potássio Cálcio Ferro Tocoferol (vitamina E)

A lenda

UNIDADE

g/100 g(1) g/100 g(1) g/100 g(1) g/100 g(1) Kcal/100g mg/100 g(2) mg/100 g(2) mg/100 g(2) mg/100 g(2) mg/100 g(2)

MATÉRIA SECA

13,00 48,00 1,50 34,00 66,30 56,40 932,00 286,00 1,50 45,00

Há muito tempo, quando ainda não existia a cidade de Belém, vivia naquela localidade uma tribo indígena muito numerosa. Como os alimentos eram escassos, tornava-se muito difícil conseguir comida para todos os índios da tribo. Então, o cacique Itaki tomou uma decisão muito cruel. Resolveu que a partir daquele dia todas as crianças que nascessem seriam sacrificadas para evitar o aumento populacional de sua tribo. Até que um dia a filha do cacique, chamada IAÇÃ, deu à luz um bonito menino, que também teve de ser sacrificado. IAÇÃ ficou desesperada, chorava todas as noites de saudades de seu filhinho. Ficou vários dias enclausurada em sua tenda e pediu a Tupã que mostrasse ao seu pai outra maneira de ajudar seu povo, sem o sacrifício das crianças. Certa noite de lua, IAÇÃ ouviu um choro de criança. Aproximou-se da porta de sua oca e viu seu lindo filhinho sorridente, ao pé de uma esbelta palmeira. Inicialmente, ficou estática, mas logo depois lançou-se em direção ao filho abraçando-o. Porém, misteriosamente seu filho desapareceu. IAÇÃ, inconsolável, chorou muito até desfalecer. No dia seguinte, seu corpo foi encontrado abraçado ao tronco da palmeira, porém no rosto trazia ainda um sorriso de felicidade e seus olhos negros fitavam o alto da palmeira, que estava carregada de frutinhos escuros. O cacique, então, ordenou que os indígenas apanhassem os frutinhos e percebeu que deles, quando amassados, poderia extrair um suco espesso de cor arroxeada, que alimentou seu povo, passando a ser a principal fonte de alimento daquela aldeia. A partir desse dia, suspendeu sua ordem de sacrificar as crianças. Para agradecer aquela benção e também homenagear sua filha, batizou o AÇAÍ (IAÇÃ invertido).


por Seles Nafes Fotos: Márcia do Carmo

Seis cidades debaixo d’água, 20 mil pessoas afetadas e a certeza de que em 2012 tem mais.

T

odos os anos, durante o inverno, a população de Laranjal do Jari, na região Sul do Amapá (a 260 quilômetros de Macapá) reza para São Pedro não ser muito rigoroso. Os moradores da parte mais baixa do terceiro município mais populoso do estado se acostumaram a ver as casas sendo invadidas pelas águas turvas do rio Jari que chegam a atingir mais de 3 metros acima do nível normal. Só que este ano algo diferente aconteceu. Moradores de outras cidades do interior experimentaram a mesma sensação. Porto Grande, Ferreira Gomes, Serra do Navio, Pedra Branca do Amapari e até Calçoene enfrentaram inundações que desalojaram e desabrigaram milhares de pessoas. O fenômeno tem um nome: La Niña. Em espanhol, A Menina. Os problemas começaram em março, conhecido como o mês das águas. O primeiro município a sentir os efeitos do fenômeno foi Calçoene. A água do rio Calçoene invadiu casas, cercou o prédio da prefeitura e até contaminou a estação de tratamento da Companhia de Água e Esgoto (Caesa), interrompendo o fornecimento de água tratada para centenas de famílias. “Um senhor de 92 anos, que morou a vida inteira em Calçoene disse que nunca tinha visto isso”, lembra Gerson Tosta, assessor de imprensa da prefeitura de Calçoene. O rio Calçoene subiu tanto que, por pouco, não encobriu a ponte do igarapé Sete Ilhas, na BR-156. Se subisse mais 20 centímetros, o tráfego seria interrompido e o município ficaria isolado. Depois, foi a vez de Pedra Branca e Serra do Navio. Assim como Calçoene, as duas cidades decretaram situação de emergência. Em Porto Grande, a 105 quilômetros da capital, o rio Araguari passou por cima do muro de arrimo, invadiu praças, casas e ruas. Em Ferreira Gomes, que fica a apenas 30 quilômetros de Porto Grande, a quantidade de residências atingidas foi ainda maior e nem o fórum da cidade escapou. Segundo o último relatório da Defesa Civil, datado do dia 3 de maio, além da região ribeirinha de Ferreira Gomes, foram atingidos os bairros Matadouro e Central, afetando 2.749 pessoas, entre desalojados (quando as pessoas deixam as residências para se abrigar em casas de parentes) e desabrigados (removidos para abrigos públicos, neste caso escolas e creches). Em Porto Grande, ficaram no fundo os bairros Beira Rio, Serraria, Babá, Balneário e região ribeirinha, mexendo com a vida de 935 pessoas, incluíndo os desalojados e desabrigados. No município de Serra do Navio, os bairros Capivara, Perpétuo Socorro, Cachaço, Pedra Preta e Assentamento também ficaram alagados, mas com um número menor de pessoas afetadas, cerca de 100. O mesmo rio Amapari também banha Pedra Branca, onde 200 pessoas foram afetadas e os bairros Balneário, Cai n’Água e Central também ficaram alagados. O auge das enchentes em todos esses municípios foi a segunda quinzena de abril. Até o dia 3 de maio, a situação já havia sido normalizada com a diminuição das chuvas e o recuo das águas dos rios. Mas a situação ainda era complicada em Laranjal do Jari, onde 17 mil pessoas já foram afetadas, mais de 1,8 mil estão desabrigadas e outras 1,7 mil se refugiaram nas casas de familiares. Laranjal do Jari foi também o único município onde houve óbitos. Duas crianças morreram afogadas. Uma delas tinha apenas dois anos. O Governo do Estado mandou para a região máquinas, caminhões, militares do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil para auxiliar os atingidos. O governador Camilo Capiberibe liberou R$ 1 milhão para todas as cidades atingidas para a aquisição de produtos para as necessidades mais urgentes. “Para a compra de cestas básicas, colchonetes, água potável, combustível para as operações, e quaisquer outras despesas que surgirem nas ações de remoção das famílias das áreas afetadas e minimização dos transtornos”, explicou o tenente-coronel José Mont’Alverne, da Defesa Civil. Além disso, o Ministério da Integração Nacional liberou mais R$ 1 milhão para o Governo do Estado elaborar projetos que resultem em obras que possam evitar novos alagamentos nessas cidades. O governo tem um ano para apresentar as propostas. 20


Até o dia 3 de maio, restava efetivo da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros apenas em Laranjal do Jari. Além da remoção de famílias e distribuição de colchões, remédios, água potável e alimentos, funcionários da Secretaria de Inclusão e Mobilização Social cadastraram famílias para acesso a programas sociais. Apesar do sofrimento de todos os anos, a tendência é de que situações como essa voltem a se repetir especialmente em Laranjal do Jari, que historicamente enfrenta as cheias do rio Jari. O problema não teria as dimensões que tem se não fosse a teimosia das famílias que insistem em morar no bairro conhecido como Beiradão, às margens do rio Jari. A prefeitura não conseguiu terminar o muro de arrimo porque as famílias não aceitam as indenizações propostas pela prefeitura e assim se recusam a deixar o local. A obra não chegou nem na metade. “Em 2008, houve a última grande enchente. De lá pra cá a situação só piorou no Beiradão porque aumentou o número de pessoas morando no lugar”, lamenta Mont’Alverne. No total, as enchentes deste ano afetaram mais de 20 mil pessoas. Se as previsões se confirmarem para o ano que vem e não houver vontade política para remanejar as famílias, o amapaense verá de novo os mesmos capítulos de uma novela que parece não ter fim.

acima da média.

Choveu no Amapá Culpa do La Niña

Este ano choveu muito no Amapá. O fenômeno que causou esse aumento na precipitação das enchentes tem um nome: La Niña, que em espanhol quer dizer “A Menina”. Os efeitos, que nascem nos oceanos Atlântico e Pacífico, não foram nenhuma surpresa para a equipe do Núcleo de Hidrometeorologia do Iepa (Instituto de Estudos Científicos e de Pesquisa do Amapá). Os especialistas emitiram boletins com alertas de enchentes que ajudaram a Defesa Civil a se planejar. O núcleo ficou praticamente desativado durante oito meses. Em janeiro, os trabalhos começaram a ser retomados, começando pela aquisição de programas atualizados que ajudam a fazer simulações sobre as variações do clima. Os meteorologistas utilizam informações de estações de coleta que captam água da chuva, mandam os dados para um satélite que, depois, transmite a informação para a internet. “Hoje não dá para prevermos quanto irá chover, mas podemos calcular se irá chover mais ou menos”, explica o meteorologista Jeferson Vilhena. Esse trabalho poderia ser mais eficiente se não fosse o fato de pelo menos 14 das 30 estações espalhadas pelo Amapá estarem apresentando algum tipo de defeito. Para fazer a previsão do que poderia ocorrer em Laranjal do Jari, por exemplo, a equipe precisou utilizar as informações de estações que ficam nos municípios paraenses de Óbidos e Altamira, no Pará, e que ficam mais próximas das cabeceiras do rio Jari. Mesmo assim, o Núcleo de Hidrometeorologia passou a emitor 3 boletins por semana com informações sobre o clima.

Março foi o mês que mais choveu em Macapá. Foram 450 milímetros, 50 a mais do que era esperado. Os municípios de Calçoene e Oiapoque (que não registrou alagamentos) foram os municípios mais bombardeados pelas nuvens. Em abril, as cidades onde as chuvas foram mais intensas foram Amapá, Tartarugalzinho e Pracuúba, cidades que não tiveram ocorrências graves de alagamentos justamente por terem regiões ribeirinhas pouco habitadas.

Enquanto El Niño representa o aquecimento das águas dos oceanos, o La Niña é o resfriamento, fenômeno cuja origem a ciência ainda busca uma explicação. O fato é que os dois são muito antigos. “Observando que por volta de 1500 houve uma grande migração de índios para o litoral brasileiro, historiadores e pesquisadores concluíram que o motivo da fuga tenha sido uma grande seca causada pelo El Niño”, revela Vilhena. O La Niña tem um ciclo que dura um ano. Neste caso, o ciclo atual termina no fim de maio. Os meteorologistas sabem que nos últimos anos tem ocorrido mais La Niñas do que El Niños. Isso quer dizer quer vai continuar chovendo acima da média. 21


DIOCESE DE MACAPÁ, uma história

de amor à evangelização e à comunicação Por Pe. Dr. Aldenor Benjamim dos Santos

O

caminho de evangelização, anúncio de Nosso Senhor Jesus Cristo, na mídia da Diocese de Macapá, foi marcado por experiências riquíssimas de doação, de sacrifício, de muito amor; cada sacerdote que assumia o encargo de trabalhar em determinado veículo de comunicação colocava a alma, o entusiasmo, um pedaço de si: era uma doação completa, sem reservas... um amor pelo Reino em terras tucuju. A Rádio Educadora São José expressão do Episcopado de Dom Aristides Piróvano no anúncio da Palavra de Deus tendo como padres protagonistas Alexandre Pezzoti, Jorge Basile e tantos outros que utilizaram as ondas para propagar a mensagem de Jesus; a gráfica São José, que tinha como slogan “sempre uma boa impressão", foi fundamental para a mídia impressa, sobretudo com o primeiro jornal da prelazia/diocese intitulado A Voz Católica, que teve como expoente máximo da divulgação da cultura religiosa o padre Gaetano Maielo; o informativo o Ponteiro, com divulgação da vida da Igreja e sociedade amapaense sob os cuidados do padre Rogério Alicino, por mais de 10 anos. Um outro instrumento de comunicação forte na evangelização foram os cines-paróquias: Cine João XXIII, cine da igreja da paróquia Nossa Senhora da Conceição no bairro do Trem, Cine Paroquial de Santana (paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro). Os sacerdotes utilizaram a linguagem cinematográfica para incrementar a cultura religiosa local e criar um elo daquilo que se estava produzindo na Europa. Todavia, será no campo da mídia televisiva que a Diocese de Macapá deu grandes passos com a implantação da Redevida de Televisão e TV Nazaré, que abriu possibilidades para programação local. Graças ao incentivo do bispo dom João Risatti. Diversos foram e são os cursos de comunicação pastoral e programas no rádio, na televisão, nos impressos, internet que refletem essa preocupação do anúncio de Cristo Jesus, ontem, hoje e sempre. A Diocese de Macapá sempre teve uma preocupação na formação de bons comunicadores cristãos para operar nos diversos mídias. Entre esses, destacamos os padres Cláudio Pighin, Rogério

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Rogério Alicino, José Busato e Aldenor Benjamim dos Santos e tantos leigos e religiosos. Portanto, podemos descrever a história da evangelização-comunicação da Diocese de Macapá em quatro capítulos: 1º Capítulo: UT VITAM HABEANT (Eu vim para que todos tenham vida) – foi o lema de Dom Aristides Piróvano. E tudo aquilo que ele fez e orientou a fazer foi mesmo garantir a esta porção do Povo de Deus no Amapá condições de vida digna. Pois achou que havia carências de suas dimensões fundamentais: a saúde e a instrução; a profissionalização e a informação; todos pré-requisitos para um contexto de vida que só é plena quando é complementada pela fé e pela vida sacramental; 2º Capítulo: EM CHRISTO AD PATREM PER SPIRITUM (Em Cristo por meio do Espírito rumo ao Pai) foi a nota programática de Dom José Maritano. Foi no episcopado de Maritano que vivenciamos os novos ares do Concílio Ecumênico Vaticano II. A opção pelos pobres e a docilidade aos sinais dos tempos, qual voz do Espírito que só se colhe em seus conteúdos e não em forma verbalizada. Nascem daí as atitudes inovadoras que antecedem a letra das orientações, inovações na pastoral. Leitura evangélica do pobre e anseio pela comunhão que não se realiza com decretos, imposição pela obediência e sim pelo testemunho. 3º) Capítulo: MINISTRARE NON MINISTRARI (Servir e não ser servido) foi o lema de dom Luis Soares Vieira. A Igreja, qual mediadora de vida plena, que pela mediação do Espírito não deixa de rumar ao Pai, fonte e ápice da felicidade total do homem, tornar-se serviço. 4º Capítulo: COM MARIA, MÃE DO SALVADOR – foi o lema de dom João Risatti. Simples, imediato, acessível ao nosso povo, muito disponível a deixar-se evangelizar por Aquela que foi a primeira evangelizada e é a Estrela da Evangelização. Hoje estamos atravessando um deserto, com profunda aridez, esperamos chegar à terra prometida. Os desafios são imensos. Porém, diante desses areópagos da modernidade somos interpelados a recriar novas formas para o anúncio de Jesus Cristo, o perfeito comunicador do Pai.


Assaltos:

aMATERIA onda que parece não ter fim CAPA

"Meter o bicho" quer dizer

textos e fotos

por Seles Nafes

"assaltar". A expressão, cunhada nas ruas pelos criminosos, é também bastante conhecida pelos policiais e até usada por jornalistas que cobrem o submundo do crime e a ação da polícia. Nos últimos meses, o que o amapaense mais tem visto são bandidos "metendo o bicho". Os alvos são os mais variados, desde um simples mercantil de esquina a uma agência bancária dentro do que deveria ser uma fortaleza à prova de roubos: o quartel do próprio Comando Geral da Polícia Militar do Estado, onde trabalham mais de três mil policiais. Apesar de todas as tentativas e megaoperações de fim de semana, as forças de segurança parecem ser incapazes de tirar de circulação os mentores por trás dessas ações. Por isso, a onda de assaltos continua, e está virando uma pororoca.

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25


Nas barbas da polícia

Uma

AGÊNCIA SANTANDER, POSTO LOCALIZADO NO COMANDO DA PM, FOI ASSALTADO EM PLENA LUZ DO DIA

Os

assaltos sempre foram comuns no Amapá, especialmente na capital, que concentra cerca de 70% dos 648 mil habitantes do estado, segundo o IBGE. Mas, a partir de dezembro e janeiro deste ano, a ação dos bandidos começou a ganhar cada vez mais as manchetes dos jornais e espaço nos programas de rádio e televisão. Alguns ataques terminaram até com reféns e negociação com a polícia. Em janeiro, a "indústria" dos assaltos ganhou o reforço de 40 detentos que conseguiram fugir do Instituto de Administração Penitenciária (Iapen) nas duas primeiras semanas do ano. Entre os detentos havia muitos assaltantes "profissionais". "Essas fugas são uma espécie de demonstração de força, um desafio que os criminosos fazem sempre que muda a direção da penitenciária", comentou na época o então recém-empossado secretário de Segurança Pública do Estado, Marcos Roberto, referindo-se ao delegado da Polícia Civil Nixon Kennedy que havia acabado de assumir o cargo. A maioria dos fugitivos de janeiro continua solta e livre para agir. Mas depois de um período com mais de dois meses sem novas fugas, ocorreu uma nova e, desta vez misteriosa, escapada da penitenciária. Andrei Chaves de Moura Costa, o "Mourão", conhecido também como "Velho", de 54 anos, simplesmente desapareceu de dentro do pavilhão de segurança máxima do Iapen. Procurado pelas polícias do Pará e do Amazonas por roubos a agências bancárias de pequenas cidades do interior, "Mourão" é acusado no Amapá de comandar, pelo menos, quatro grandes assaltos na capital. Dois deles em janeiro deste ano em agências do Banco Santander que funcionam dentro das Companhias de Eletricidade (CEA) e de Água e Esgoto (Caesa). Nos dois roubos, "Mourão" e os comparsas teriam levado pelo menos R$ 180 mil. Em fevereiro, no bairro dos Congós, policiais reconheceram o carro de Mourão que acabou preso. Junto com ele os policiais encontraram documentos falsos e cartões de banco. O bandido ainda foi reconhecido por uma testemunha em um dos assaltos às agências do Santander. Mas "Mourão" acabou ficando pouco tempo fora de circulação. Escapou no dia 14 de abril, de uma forma até agora não esclarecida pela corregedoria interna do instituto. Não foram encontrados túneis e nem "terezas", as famosas cordas feitas com panos, roupas ou lençóis que o presos geralmente usam para escalar os muros. Quatro dias depois da fuga, uma agência do Santander, dentro da Universidade Federal do Amapá, foi assaltada por cinco homens que fugiram levando R$ 100 mil e o revólver do vigilante. A descrição feita por testemunhas bate com as características de "Mourão". 26

semana depois um novo roubo e mais uma vez dentro, de uma agência do Santander. Só que desta vez a audácia surpreendeu até os policiais mais experientes. O golpe foi o coração da PM, dentro do quartel do Comando Geral da corporação , no bairro do Beirol. "Isso já não pode ser mais coincidência, de novo uma agência desse banco", analisou o comandante geral da PM, tenente-coronel Pedro Paulo Rezende, durante uma entrevista coletiva concedida no mesmo dia. "Não descartamos nenhuma possibilidade", completou referindo-se à chance de um policial estar envolvido no crime, mesmo que indiretamente. O assalto aconteceu por volta de 13h30, quando a pequena agência já havia encerrado o expediente em horário especial para atender aos policiais. A gerente do banco tinha saído e quando chegava a um restaurante no Centro de Macapá para almoçar foi abordada por dois homens em uma moto antes de descer do carro. Com um dos bandidos no interior do veículo, ela foi obrigada a retornar ao quartel da PM e chegou a acenar para os policiais que estavam na guarita como se tudo estivesse bem. Não estava. Grávida de oito meses, ela foi obrigada a entrar na agência onde do lado de fora havia outro bandido vestindo short e camiseta como se fosse um conjunto de educação física usado pelos policiais militares. Sob a mira de uma arma, a gerente teve que abrir o caixa eletrônico e entregar cerca de R$ 120 mil aos bandidos que ainda fugiram levando a funcionária como refém. "Eles iam para Santana, pela Rodovia JK, mas cruzaram com duas viaturas da PM e resolveram mudar o percurso, passando a tomar a Rodovia Duca Serra", explicou o comandante da PM baseado no relato da gerente que foi libertada pelos assaltantes no primeiro trilho da estrada de ferro no sentido Macapá/Santana. A Polícia Civil não conseguiu tomar o depoimento da vítima que precisou ser internada em estado de choque em um hospital particular. Não é a primeira vez que uma agência bancária é alvo de bandidos dentro do Comando Geral da PM. Em 2006, uma agência do Bradesco também foi roubada num crime até hoje não desvendado. O fato é que mesmo depois do primeiro assalto não houve medidas que proporcionassem mais segurança no quartel. Não há nem circuito de câmeras dentro do complexo. As únicas câmeras estavam dentro da agência do Santander e foram levadas pelos criminosos no roubo do dia 25.


Os mais procurados "Mourão" é apenas um na lista dos assaltantes mais procurados pela Polícia Civil. Raimundo Robson Cruz, o "Coca", é outro desses assaltantes que dominam a arte de se manter também na lista de foragidos. E isso há anos. Outro assaltante acusado de participar de ações em postos de gasolina e estabelecimentos comerciais é Diego Gomes Coutinho. Ele chegou a ser preso, mas também acabou escapando. Muitas vezes o bandido nem precisa fugir da penitenciária para cometer crimes. Alguns apresentam atestados de que conseguiram emprego só para conseguir permissão da Justiça para sair durante o dia com a condição de retornar à noite. "Não existe uma fiscalização no suposto local de trabalho desses detentos. Alguns vão uma semana trabalhar e depois não aparecem mais. Em muitos casos nem são empregos de verdade. Eles forjam esses documentos só para terem a liberdade de fazer os assaltos", comenta um agente penitenciário. Depois que cometem os crimes, os assaltantes se escondem em localidades do interior, mas também em municípios bem próximos da capital. "A maioria se esconde em Santana e nas ilhas do Pará e do arquipélago do Bailique", comenta o delegado Alan Moutinho, titular da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCP).

JOSÉ MARLUCIO PEREIRA DE SOUZA

RAIMUNDO ROBSON NASCIMENTO DA CRUZ “COCA”

ANDREI CHAVES “MOURÃO” DA COSTA

DIEGO GOMES COUTINHO

Cansados

Numa escala inferior dos crimes, mas não menos traumática para as vítimas, estão os assaltos a pequenos estabalecimentos comerciais. No bairro Nova Esperança, o comerciante Edson Pereira Souza, de 24 anos, foi obrigado a esvaziar o caixa enquanto a filha de um ano e meio tinha uma arma apontada para a cabeça. "Já fui assaltado quatro vezes esse ano. Na última vez, o bandido chegou sozinho armado e fugiu a pé", lembra ele, que agora tem que trabalhar o dia inteiro atrás de uma grade que, na verdade, não oferece proteção alguma contra balas de revólver. Quem também trabalha como se fosse um criminoso, atrás de uma grade, é o comerciante João Batista Souza, de 39 anos. Desde o fim do ano passado já foi vítima de cinco assaltos. "Vou desistir. Vou entregar o ponto para o dono e voltar para o Ceará", diz ele desiludido. Detalhe: o mercantil de João Batista fica a dez metros da Delegacia de Polícia do Nova Esperança APÓS CINCO ASSALTOS, JOÃO BATISTA ENTREGA O PONTO

Capacidade de investigação

A Polícia Civil é responsável pela investigação dos crimes, mas é a Polícia Militar quem mais prende. A Polícia Civil perdeu há muito tempo a capacidade de investigar. Muitos agentes estão desmotivados, especialmente pela falta de infraestrutura. Até o dia 25 de abril, por exemplo, os telefones da maioria das delegacias estavam cortados por falta de pagamento. A dívida é do governo passado, e só agora começou a ser renegociada pela atual gestão. "Nós estamos quase há um ano sem rádio de comunicação e sem telefones", comenta um agente da DP do bairro Nova Esperança, Zona Oeste de Macapá. A Polícia Técnico-Científica (Politec), responsável pela perícia nos locais do crime, demora de 40 dias a dois meses para remeter às delegacias especializadas o relatório com a análise de digitais e outras evidências encontradas. Isso quando os peritos são acionados pelos agentes, que usam seus próprios telefones celulares. Para piorar a situação, os delegados e agentes ainda precisam administrar os 15 litros semanais de combustível dados por dia. "Temos que entregar intimações e ainda fazer digilências. Não dá pra fazer tudo", desabafa um agente. Até o Grupo Tático Aéreo (GTA) está parado por falta de um helicóptero. A aeronave usada até o início do ano passado era alugada e foi devolvida à empresa proprietária. Mas há avanços. Em abril, a Polícia Civil finalmente começou a receber novas viaturas e os telefones começaram a ser religados. Mas enquanto os 900 agentes que existem hoje em atuação não começarem a ser reaparelhados e motivados, o poder de investigação da Polícia Civil vai continuar reduzido. E a pororoca de assaltos vai continuar. 27


COMANDO DA PM REÚNE IMPRENSA, PARA APRESENTAR OPERAÇÃO DE EMERGÊNCIA DE COMBATE AOS CRIMINOSOS

Assaltos crescem 17% na capital A

quantidade de roubos varia muito. Segundo as próprias estatísticas da Polícia Militar, no primeiro trimestre de 2007, por exemplo, foram registrados mais de 1,3 mil casos. No mesmo período de 2008 pouco mais de 800, em 2009 mais de 900, no ano passado 974 e de janeiro a março de 2011 mais de 1,1 mil. Assaltos onde as vítimas são pessoas caminhando em via pública lideram as estatísticas. Entre janeiro e março foram 81. No rancking dos alvos mais frequentes estão estabelecimentos comerciais, residências, bicicletas, motos, carros e postos de revenda de combustíveis. A criminalidade está espalhada pelos quatro cantos do Amapá. No caso dos assaltos, o Centro, um dos maiores bairros da capital, está entre os campeões de ocorrências. Mas os crimes são de todos os tipos. E na ponta do atendimento está o Centro Integrado de Operações em Defesa Social (Ciodes), responsável por receber as primeiras chamadas do cidadão vítima de um crime. Só em março deste ano, o centro recebeu o fantástico número de 62 mil chamadas. Numa triagem para identificar as chamadas legítimas (tirando o que era trote) sobraram ainda pouco mais de 13 mil ocorrências. Desse total, apenas 5 mil foram de verdade atendidas pela PM. "Em função da nossa estrutura", admite o diretor de Operações da Polícia Militar tenente-coronel Carlos Souza. A Polícia Militar está dividida em batalhões com o dever de guardar grandes partes do território amapaense. Vinte e cinco por cento das ocorrências estão dentro da área de abrangência do 1 Batalhão, que compreende nada menos que 26 bairros, incluindo o Centro. Apesar dos assaltos dominarem as manchetes por serem crimes onde existe violência e muitas vezes assassinatos, esses não são os crimes mais comuns. No topo das ocorrências atendidas pela PM estão as queixas de poluição sonora, seguidas de averiguação de suspeito, violência doméstica contra a mulher, ameaça, rixa, entre outros. Em março, 18 pessoas morreram de forma violenta e no total dos três primeiros meses foram 47 vítimas. "No mesmo período em 2010 foram registradas 53 mortes", comemora o diretor de Operações. Mesmo assim, o total de mortes de janeiro a março de 2011 é maior do que o registrado nos mesmos períodos entre os anos de 2007 e 2009 (média de 34). Bairros como Zerão, Buritizal, Perpétuo Socorro e municípios como Laranjal do Jari e Santana aparecem sempre nas estatísticas da PM. Numa tentativa de inibir a violência, a PM tem realizado nos fins de semana megaoperações em Macapá e Santana. As ações têm contado com apoio da Polícia Civil. 27


DESTAQUE

coma

por Don Garcia Fotos: Jonas Albuquerque

Paixão sem medidas

A “Paixão” que me move e me encanta é a “Gastronomia”, sem fronteiras

PITU GRELHADO COM POLENTA DENSA DE JAMBU

e além da geografia convencional, envolvente e eloquente, mostra às pessoas que possuem sensibilidade e acreditam que não existe distância entre o “saber” e o “prazer”. A fonte do conhecimento está nas experiências que vivemos e compartilhamos. O saber é resultado desta troca do mundo interior com o exterior, aliado dos “Gourmets” o prazer completa esta busca incessante e define o espírito dos grandes “Chefs” que se arriscam por caminhos desconhecidos. O que quero dizer neste artigo está relacionado com a “Gastronomia raiz”, onde se valoriza e enaltece o que há de melhor em sabores e texturas regionais, resgatando o tempero “caiçara” e seu modo de preparo, deixando os pensamentos livres dos conceitos teóricos e acadêmicos apenas com a finalidade de extrair a essência do “simples” com prazer. Meus conceitos de “Gastronomia” são fundamentados nas experiências adquiridas com o tempo, lugares e pessoas que contribuíram para o meu crescimento profissional completando esta jornada de aprendizado contínuo. Esta “fome” do “saber” me leva ao encontro da pura e simples “Gastronomia” brasileira, raízes nortistas, receitas de boteco e as lembranças dos amigos que norteiam este ambiente gastronômico que me engrandece e propicia momentos grandiosos regados à cultura e aos prazeres da boa mesa.

•06 unidades de camarão Pitu, descascado e sem cabeça •1 limão médio •Pimenta-do-reino áa gosto •02 dentes de alho •01 colher de sopa de manteiga •Metade de uma pimenta dedo de moça •250ml do consumê de jambu com tucupi •50g de farinha de mandioca da terra •01 cheiro verde picado 29

Modo de preparo: Pegar os pitus, lavar no limão e temperar com dois dentes de alho bem picados, um pouco de cada lado, polvilhar com pimenta do reino moída na hora, reservar. Aquecer a frigideira, colocar a manteiga até derreter, acrescentar os camarões pitus e dourar por três minutos de cada lado. Em uma caçarola, em fogo baixo colocar o caldo do tucupi com o jambu previamente fervido e temperado, a pimenta dedo de moça picada, ferver por cinco minutos e bater tudo no liquidificador. Voltar para a caçarola em fogo baixo e colocar a farinha mexendo lentamente, deixar reduzir por 1 minuto, desligar o fogo. Servir os camarões pitus em um prato grande com a polenta de jambu bem quente no meio. Salpicar o cheiro verde para decorar.


MISS ´ AMAPA 2011MATERIA4 por Bianca Castro Fotos: Amilton Matsunaga

Nome: Josiene Lima de Jesus Modesto Data de Nascimento: 07/12/1985 Signo: Sagitário Altura: 1,70 Busto: 87cm Cintura: 65cm Quadril: 98cm Sapato: 36 Manequim: 38 Peso: 57kg Estuda: Direito (4 semestre) 30


A acadêmica de Direito Josiene Lima de Jesus Modesto, de 25 anos, representante da cidade de Pracuúba, foi eleita Miss Amapá 2011. A escolha da mais bela amapaense foi repleta de emoção no Teatro das Bacabeiras. Ao todo, 16 participantes, representaram os municípios do estado e levaram a platéia ao delírio com um desfile clássico, cheio de glamour e emoção. As candidatas se apresentaram com roupas típicas (tomara-que-caia branco, com saias de marabaixo estilizadas) e outros dois figurinos, entre traje de banho e vestidos de festa. Além de Josiane, as duas finalistas foram Lana Pereira Botelho, representante de Calçoene, em segundo lugar e Daiane Moura Maciel Uchoa, representante de Macapá, levou a terceira colocação, Foram premiadas ainda a Miss Simpatia 2010, que foi a

candidata Beatriz Campos (escolhida entre as concorrentes), e o personal style, responsável pela melhor produção de candidatas, foi Cley Leal (produtor da candidata Daiane Uchoa). O título de Miss Fotogênica (melhor desempenho fotográfico), escolhida pela coordenação do Miss Amapá, também foi para Josiene Modesto. Nos intervalos para troca de roupa das representantes, os pocket-shows do cantor Cléverson Baía, do Quinteto Amazon Music e da Cia. de Dança Agesandro Rego, deram continuidade na empolgação do público. Na fase final do concurso, ficaram apenas seis finalistas: Lana Botelho, Daiane Moura Uchoa, Josiene Modesto, Isabeli Borges, Edivane Marques e Paloma Brasil. Foram sorteadas entre as candidatas perguntas sobre questões relacionadas à cultura regional e global, impressões pessoais sobre o concurso e conhecimentos gerais. A então candidata Josiene Modesto foi questionada sobre quem ela considerava como exemplo de vida em sua trajetória. Ao falar de sua mãe, que não estava presente no Teatro, a candidata se emocionou e arrancou aplausos da plateia. Os oito jurados tiveram voto aberto no microfone. Estava escolhida a nova Miss Amapá. 31

Josiene Modesto, ou simplesmente Enny, como é carinhosamente chamada pelos amigos, tem diversos talentos musicais, canta e já desenvolve uma caminhada pelas passarelas há alguns anos. Ela concorreu como Rainha da Expofeira 2009 e levou o titulo de Rainha das Rainhas do Carnaval 2010. Entre as exigências do concurso, ela deverá cumprir uma extensa agenda de eventos, sempre usando a faixa e não poderá nem se casar, nem engravidar pelo período de um ano, até a entrega de faixa da próxima Miss Amapá. Caso isso ocorra, ela pode perder a faixa. Atualmente, este fato é bem comum. Este ano, Enny Modesto recebeu a faixa como Miss Amapá 2011 das mãos da atual Miss Brasil 2010, Débora Lyra. Pois a escolhida Miss Amapá de 2010, Andréia Rodrigues, engravidou, e acabou perdendo o título (por uma boa causa!). Josiene recebeu a coroa, faixa com título e um cheque de R$ 5 mil. "Estou muito feliz, esse é um grande sonho realizado, muito obrigada!", disse a nova Miss Amapá. Na opinião da Miss Brasil 2010 Débora Lyra, o Amapá está bem representado."Começa agora uma verdadeira maratona para a Josiene. Ela é uma amapaense linda, fotografa bem e irá representar o estado na 57a edição do concurso Miss Brasil 2011, que será realizada em julho de 2011, no Credicard Hall, em São Paulo. Se ela vencer, pois ela tem tudo para isso, poderá ainda representar o Brasil no concurso Miss Universo 2011, que este ano também será realizado em São Paulo, no dia 12 de setembro", disse Débora.


por Emanoel Reis

Irregularidades na AL Ministro manda ampliar investigações

Os deputados estaduais do Amapá foram surpreendidos no início de maio com a determinação do ministro Otávio Noronha, do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), de ampliar as investigações sobre supostas fraudes na folha de pagamento, contratação de funcionários-fantasma e irregularidades no pagamento de diárias. A Superintendência da Polícia Federal no Amapá também trabalha com indícios de que empresas em nome de pessoas físicas, que seriam “laranjas”, estariam prestando serviço irregularmente para a Assembleia Legislativa do Amapá. Outra denúncia que ganhou grande repercussão na capital, Macapá, e se destacou no documento assinado por Noronha, trata de empréstimos consignados feitos por assessores “laranjas” e que estariam beneficiando parlamentares investigados desde 16 de dezembro de 2010, quando foi deflagrada a segunda parte da “Operação Mãos Limpas” dentro da Assembleia Legislativa. Para o ministro do STJ, existem vestígios de estelionato praticado em larga escala.

AL SOB SUSPEITA Desde a manhã de 16 de dezembro passado, quando a PF cumpriu vários mandados de busca e apreensão e de condução coercitiva na AL do Amapá, os deputados e deputadas estaduais estão sendo investigados. Na ocasião, os agentes federais vasculharam gabinetes de deputados, residências de funcionários e o anexo da Casa, onde funciona a Secretaria de Finanças. Vários funcionários foram conduzidos à sede da PF para depor. Computadores e documentos foram apreendidos. Análises posteriores do material apreendido na Assembleia Legislativa, segundo informa o setor de Comunicação da PF do Amapá, devem ter consubstanciado a ordem expedida pelo ministro Otávio Noronha para aprofundamento das investigações sobre as irregularidades cometidas no legislativo amapaense. Nos últimos quatro meses, cinco deputados estaduais, que são réus em inquérito que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ), impetraram habeas-corpus preventivo (HC 106811), mas os pedidos de liminar foram indeferidos pelo ministro Joaquim Barbosa.

MINISTRO JOAQUIM BARBOSA DETERMINOU INVESTIGAÇÃO MAIS AMPLA


fotos e texto por Gabriel Penha

O município de Macapá “esconde” diversas comunidades em sua área rural. São lugares que ostentam belezas naturais e culturais e um povo que fugiu da agitação da zona urbana para viver integrado com a natureza. A conhecida região da Pedreira engloba grande parte dessas localidades.

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A rodovia Alceu Paulo Ramos, a AP-070, dá acesso

a diversos lugarejos que mostram que há uma Macapá apática ao processo de urbanização; o asfalto chega até a vila de Santo Antônio da Pedreira e ainda é um sonho para outras localidades. Nossa primeira parada é na comunidade de Casa Grande, na região quilombola do Curiaú, cerca de 25 km da área urbana. A região é conhecida por um confronto entre familiares pela posse de terras, que resultou em matança, em julho de 1969. Dona Josefa Meneses das Chagas, de 57 anos, moradora tradicional do lugar, se emociona ao falar do derramamento de sangue. “Essa história é uma mancha que nossa comunidade carrega na alma”, lamenta. O fato ganhou registro no livro “Utopia da Terra – na Fronteira da Amazônia”, do escritor Osvaldino Raiol, editado em 1990. “Um conflito pela posse da terra entre camponeses, na localidade de São Francisco da Casa Grande, Município de Macapá, veio resultar em uma tragédia quando da interferência de advogados e do aparelho policial na contenda que até então ocorria sem maiores desdobramentos que viessem afetar a integridade dos camponeses”, diz um trecho do livro. Percorrendo mais 30 km, aproximadamente, chegamos à comunidade de São José do Mata Fome. O lugar foi colonizado no início dos anos 1950 por moradores para realizar a festa a São José, em 19 de março. “A festa é a nossa grande identidade”, diz dona Raimunda Nery, aos 72 anos. Já a vila de Ressaca da Pedreira tem esse nome devido ser uma região muito serrada. Com o tempo, o que antes se chamava Ressaca Serrada da Pedreira, ficando só Ressaca. Lá, o destaque é para a agricultura, cuja produção abastece as feiras da cidade, com farinha, açaí, melancia e outros produtos. “A comunidade até possui um trator”, orgulha-se Manoel Antônio, 59, dizendo que a máquina foi comprada com esforço conjunto da comunidade. Na Ressaca, vivem cerca de 72 famílias.

Em Conceição do Macacoari, a exuberância de uma linda paisagem, onde encontramos o casal Benedito Coutinho Picanço, 67 e Joaquina Picanço, 61. Eles têm casa na cidade, mas adotaram o interior para viver. “Matamos a saudade dos filhos e netos quando vêm para passar o fim de semana”, diz dona Joaquina. Uma das mais distantes comunidades da Pedreira é Carmo do Macacoari. A viagem de carro dura, em média, quatro horas. O lugar é conhecido por ter sido palco do acidente aéreo que matou o deputado federal Coaracy Nunes, o promotor Hildemar Maia e o piloto Hamilton Silva, em 21 de janeiro de 1958. Os três participavam da festa de São Sebastião, a mais tradicional daquela região. Depois de participar dos festejos, levantaram voo no avião “Carioquinha”, por volta de 7h30min, com destino ao município de Mazagão. Relatos de moradores dizem que naquele dia fazia uma neblina muito forte e que, muito provavelmente, o avião teria batido na copa de uma árvore, provocando a queda da aeronave. Também há relatos de uma grande explosão. “Naquele dia, nossa comunidade parou. A tristeza tomou conta dos moradores e de todo o Amapá”, lembra dona Luiza Barbosa Tolosa, de 74 anos. O irmão dela, Veridiano Barbosa Tolosa, 75, conta que o acidente fez com que retornasse para a região no dia de sua lua-de-mel. “Eu havia acabado de casar em Macapá, quando chegou a notícia [do acidente]. Claro, voltei para o Macacoari às pressas”, diz. A feição de seu Veridiano é de tristeza ao falar do caso até hoje. Ele passa o dia no pátio da velha casa de madeira, confeccionando tipiti – artefato de origem indígena que serve para espremer a mandioca ralada e separar o soro (tucupi) da massa, na fabricação da farinha. Os três ocupantes da nave tiveram morte instantânea e seus corpos ficaram carbonizados. O resgate da fuselagem aconteceu algumas horas depois do acidente. Já não havia mais nada a fazer. No dia seguinte, os restos mortais de Coaracy, Hildermar e Hamilton foram transportados para Macapá, na balsa Veiga Cabral. Na chegada à capital, as homenagens da população, comovida com a fatalidade. Hamilton Silva foi sepultado em Macapá; Hildemar Maia em Belém e Coaracy Nunes no Rio de Janeiro. O governador Pauxi Nunes mandou construir um marco no local do acidente. Hoje, o monumento foi engolido pela selva, mas ainda desperta interesses de visitantes. 34


As duas últimas décadas foram de afirmação e descoberta de novos talentos para o cinema nacional. A política cultural do governo Lula possibilitou a descentralização das produções brasileiras, que por muitos anos ficaram centradas no eixo Rio/São Paulo, democratizando os recursos a todos os estados da federação. Editais como o Doctv, Etnodoc, Mais Cultura, entre outros, trouxeram à cena da sétima arte nacional estados com pouca ou quase nenhuma tradição na área do audiovisual.

por Manoel do Vale Fotos: acervo MIS

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Anote os dias e horários dos cineclubes em Macapá

OFICINA MINISTRADA PELO CINEASTA PERNAMBUCANO CAMILO CAVALCANTE

Cinemando na Amazônia (ABDeC) – todo sábado, às 19h, no Centro de Convivência do Nova Esperança Cine Mairi – Fortaleza de São José, todos os sábados, às 16h, na Fortaleza de São José Clube de Cinema – no Teatro das Bacabeiras, segundo piso, 19h, de quinze em quinze dias Univercinema – Auditório multiuso da Unifap, todas as quintas, às 19h Cinema Paraíso – atrás da igreja de São José (Largo dos Inocentes), todas as sextas, 19h, e domingos, às 20h

ALEXANDRE BRITO, DIRETOR DO MUSEU DA IMAGEM E DO SOM

BOA SESSÃO!

Em 2009, o revitalizado e agora atuante Museu da Imagem e do Som do Amapá promoveu oficinas de capacitação em roteiro, fotografia, iluminação, produção e direção, com duração média de 80 horas/aula cada curso. Ao mesmo tempo em que começam a surgir novos realizadores, o audiovisual amapaense ganha representação institucional com a criação da seção Amapá da ABDeC – Associação Brasileira de Documentaristas e Curtametragistas, com a tarefa, entre outras, de dar eco às reivindicações dos produtores locais. Hoje, o audiovisual luta por uma cadeira no Conselho Estadual de Cultura, espaço que já tem garantido no Conselho Municipal, ainda em fase de articulação. “Nós estamos articulando o primeiro seminário amapaense do audiovisual, que vai ser de 24 a 30 de julho, onde apresentaremos painéis com o tripé Formação, Produção e Distribuição. Nesse seminário, nós realizaremos também a primeira jornada amapaense de cineclubes. O foco principal do seminário será discutir propostas e encaminhamentos para o primeiro Fórum de Audiovisual da Amazônia Legal (Faal), que está sendo articulado pelo pessoal da ABD do Pará. A ideia é que a gente chegue ao Faal com discurso afinado, levando um diagnóstico da cadeia produtiva do audiovisual amapaense, para saber quantos são e quais seus principais entraves e realizações. Porque a ideia do Faal é fazer um mapeamento dos realizadores de toda a Amazônia Legal para encontrar meios de facilitar a produção e, principalmente, fazer com que os recursos circulem na Amazônia”, informa o diretor do Museu da Imagem e do Som e um dos criadores do FIM, Alexandre Brito. O seminário traz de volta a Macapá a realizadora Cassandra Oliveira, que em julho volta de sua temporada de um ano em Cuba, onde participa de curso de cinema. Cassandra volta para ministrar o curso O Documentário Audiovisual. Alexandre informa ainda que para o seminário está sendo articulada a vinda de dois dos jovens diretores do filme Cinco Vezes Favela - Agora por nós mesmos, reedição do projeto original da década de 1960, em que cinco cineastas – Marcos Farias, Miguel Borges, Cacá Diegues, Joaquim Pedro de Andrade e Leon Hirszman –, com o apoio da União Nacional dos Estudantes (UNE), deram ação a uma ideia ousada para a época que se transformou em um dos expoentes do Cinema Novo brasileiro. Quase cinco décadas depois, Cacá Diegues revive o projeto. Desta vez escrita, dirigida e realizada por jovens cineastas das favelas da Maré, Vidigal, Cidade de Deus, Parada de Lucas e da Lapa. Outro nome cotado para estar entre os realizadores amapenses em julho é o paraense Fernando Segtowick, diretor do curta Matinta Pereira, que tem em um de seus papéis principais a atriz Dira Paes, que, rezem, poderá marcar presença no seminário. Consolidando o tripé Formação, Produção e Distribuição, os espaços de exibição começam a surgir com a criação dos cineclubes, salas alternativas estruturadas com recursos do Ministério da Cultura, com funcionamento regular que exibem produções nacionais, regionais e internacionais que não passam nos cinemas comerciais. Em Macapá existem hoje cinco cineclubes em funcionamento, um em negociação com a Casa Brasil, em Santana, e outro funcionadno em caráter experimental em Calçoene, projeto articulado pelo Iepa com apoio do MIS, FIM e Coletivo Palafita. Em Pedra Preta, em Serra do Navio, funciona o Cine Zamber. A expectativa do MIS é, em pouco tempo, conseguir articular um cineclube na zona norte, no bairro Novo Horizonte. Mas quem pensa que os cineclubes são novidades no Amapá é porque não sabe que o primeiro cineclube amapaense foi fundado na base aérea, construída pelos americanos, no município de Amapá, durante a Segunda Guerra Mundial. Na década de 1980, um grupo de cinéfilos, entre eles o professor Antônio Munhoz, funda o Cineclube Humberto Mauro, que funcionou no cine da paróquia de Nossa Senhora da Conceição, no Trem. 36


INVASÕES DE RESSACA uma dor de cabeça ambiental (parte 1)

Vidas Alagadas A casa onde Fabíola mora com o marido e três filho,

um chalé de madeira erguido sobre palafitas, é exemplo típico da arquitetura ribeirinha amazônica. O lilás vibrante das paredes contrasta com a exuberante paisagem que a cerca, onde predomina o majestoso buritizeiro, palmeira comum nas florestas de igapó. Uma armação formada pelo cruzamento de ripas de madeira adorna a varanda de entrada. No pátio que dá acesso à sala, a imagem de Nossa Senhora Aparecida, em sua capela esculpida na própria parede, vigia a entrada da casa. Ao contrário do que você deve estar pensando, esta não é uma imagem colhida no interior do Amapá. Fabíola mora com a família na ponte da Hamilton, no final de uma das principais vias da capital, no tradicional bairro Jesus de Nazaré. Ela é uma das mais de 80 mil pessoas que hoje moram sobre as áreas de ressacas de Macapá, um problema que está dando a maior dor de cabeça aos ambientalistas e aos governos estadual e municipal.

Igual aos filhos de Robson e Fabíola, centenas de outras crianças vivem sua ludicidade nesse intricado mundo de palafitas; de ruas de madeira da cor da árvore morta, sobre o fedor, o lixo e o risco de contrair doenças graves. Uma realidade que a artista plástica Bárbara Damas retratou em 2007 em sua exposição "Lacunas: Um Mundo entre Pontes", na galeria do Sesc Araxá. O trabalho da artista chamava a atenção para a lacuna entre o poder público e a realidade das famílias que As invasões das áreas de ressaca são um problema que vivem nessas áreas, se equilibrando como podem, enquanto já tem mais de meio século. Começou na década de não têm direito a habitar sua cidade como é devido. 1950. Atraídas pela oportunidade de vida próspera no novo território federal brasileiro, milhares de pessoas Três anos antes, a engenheira civil Sara Neri apresentava sua migraram para o Amapá. Mas, ao contrário do que dizia tese de mestrado à banca de avaliação da Universidade a propaganda oficial, a prosperidade não era para Federal do Rio de Janeiro. Em seu trabalho, a autora utiliza as todos. Aos milhares que não tinham qualificação profis- ferramentas do geoprocessamento para identificar as comunisional, restaram os subempregos. Sem dinheiro para dades expostas à hepatite A nas áreas de ressaca de Macapá e uma habitação digna, esse povo todo não teve alterna- Santana. E não foram poucos os casos registrados à época pela tiva se não construir suas casas nas áreas baixas da estudiosa: 1.531 casos em Macapá e 350 em Santana. cidade. O problema se manteve como incômodo a ser ignorado até o final da década de 1980, quando o Em suas poucas linhas de dedicatória, ela escreveu: “Dedico Amapá deixou de ser território e passou a estado. A este trabalho para as meninas e meninos moradores das criação da Área de Livre Comércio de Macapá e o ressacas na certeza de que ele pode contribuir para que os Distrito Industrial de Santana deu novo impulso à sonhos e esperanças em dias melhores, almejados por essa incipiente economia do estado e intensificou o gente tão sofrida, se torne realidade.” processo de invasões em ressacas nas duas cidades. As áreas de ressacas (expressão regional que, segundo alguns estudiosos, tem sua origem no dialeto dos negros guianenses que andavam pelas as áreas baixas do Laguinho) formam um intricado sistema de absorção das águas dos rios. Essas áreas são comuns no Amapá e garantem grande parte de sua rica biodiversidade. O crescimento urbano desordenado de Macapá descaracterizou profundamente várias ressacas na cidade, colocando em risco o equilíbrio ambiental e a saúde de toda a população, se levarmos em conta que pouco mais de 3% da capital é servida por rede de esgoto.

Um mundo entre pontes

Robson, 35 anos, marido de Fabíola, passou a infância brincando na ponte da Hamilton. Hoje seus filhos, um menino de 12 anos, outro de três anos e uma menina de 25 dias, curtem suas brincadeiras de criança na mesma rua de madeira.

Força-tarefa

Sete anos depois, o texto de Sara Neri – quase uma profissão de fé – parece ter provocado algum eco. No começou deste ano, o ministério público estadual começou a se mobilizar, focando suas ações na busca de soluções articuladas entre as instituições públicas ligadas ao meio ambiente no sentido de coibir as invasões nas áreas de ressaca. Em março último, o MP acionou, via Justiça, Estado e Prefeitura de Macapá a comparecerem para responder a Ação Civil Pública, movida contra esses poderes, por danos causados em áreas de ressaca no município de Macapá. A iniciativa é uma tentativa de fazer cumprir a legislação ambiental do estado, criada ainda no ano de 1999, no capítulo referente aos recursos hídricos, ignorada sistematicamente pelos gestores do estado e município. Por outro lado, o MP procura articular uma força-tarefa para encarar o problema, com projetos, autoridade e vontade política. Mas esse é um problema de múltiplas faces, algumas bem difíceis de enfrentar, pela força do poder econômico que estampam ou por suas articulações políticas, como veremos na próxima edição, na segunda parte desta reportagem. 38


turístico? destino por Seles Nafes

Apesar de tantas belezas naturais e relativa infraestrutura hoteleira, os visitantes ainda não chegam aos montes, como em outras cidades brasileiras

Fotos: acervo SECOM

Daniel Nec

Há cerca de dois anos, Macapá foi incluída numa seleta lista de cidades brasileiras na condição de “destino indutor do turismo”, ou seja, local onde a atividade pode ser desenvolvida. E mesmo depois de tantos fóruns, encontros e transatlânticos de passagem, o Amapá na prática ainda não é um destino turístico. Mas por quê? Apesar do papel do Governo do Estado ser importante na criação de uma política pública, é, na verdade, a iniciativa privada que faz o turismo. O Amapá é conhecido como o estado mais preservado do Brasil do ponto de vista da cobertura vegetal. Existe pouca exploração ilegal de madeira, em virtude de fiscalização, mas também pelo fato de o estado ser uma ilha sem ligações terrestres, o que facilitaria muito o contrabando de madeira. O estado tem cerca de 70% de sua área territorial tomada por reservas indígenas e áreas de conservação, como o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque. Com cerca de 3,8 milhões de hectares, a unidade chegou a ser uma das maiores do mundo. O Amapá também tem fauna e flora riquíssimas, além da pororoca, e o maior rio do mundo, o Amazonas. Isso tudo além da maior construção bélica da área portuguesa (Fortaleza de São José de Macapá) e o monumento do Marco Zero do Equador, sem falar na culinária e na cultura.

Mas como transformar isso tudo em produto turístico é o que os especialistas vêm tentando descobrir há bastante tempo. “Outros estados que hoje são destinos turísticos já passaram por esse dilema”, diz a presidente da Associação de Guias Turísticos do Amapá, Obede Gadelha, que já foi, também, gerente da Fortaleza de São José. Nos últimos tempos, novos hotéis surgiram, principalmente na capital, mas outros fecharam. Nos últimos dois anos foram cinco. Mesmo assim, existe uma boa rede hoteleira com unidades dentro dos padrões nacionais de recepção a turistas. Mas existem muitos fatores que conspiram contra a chamada “indústria que não polui”. O Aeroporto Internacional de Macapá ainda está longe de ser confortável. Só recentemente, com o atraso na construção do novo terminal de passageiros, é que houve reforma no atual. Mesmo assim ele continua muito pequeno para uma cidade que pretende atrair mais visitantes e seguir o exemplo dos irmãos Pará e Amazonas. Para piorar, o único voo internacional, entre Macapá e Caiena, foi cancelado no dia 14 de março. “O turismo é um corpo que depende de membros. Quando um membro é retirado o corpo funciona mal. Mas temos uma boa expectativa com a construção da ponte entre Oiapoque e Guiana”, analisa a presidente da associação. 39


Orientação

Nas próximas semanas, a Assembleia Legislativa deve votar um projeto de lei encaminhado pelo Executivo, mas elaborado com a participação das entidades ligadas ao chamado “trade turístico”. “É preciso uma política pública que oriente o planejamento sobre o turismo, mas é a iniciativa privada que deve fazer o turismo”, conclui Obede Gadelha. Não há estatísticas sobre quantos turistas o Amapá recebe, mas eles surgem aos poucos. Hoje apenas uma operadora amapaense contrata guias turísticos. São pequenos grupos de visitantes que, na maioria das vezes, chegam para fazer negócios e aproveitam o fim de semana para passear. “O papel do governo é implementar políticas, mas nós estamos trabalhando para revitalizar trilhas nas Áreas de Preservação da Fazendinha e no Curiaú, e ainda ampliar a sinalização turística”, revela a secretária de Turismo do Estado, Helena Colares. A Setur tem investido na capacitação de funcionários das secretarias municipais de Turismo para que as prefeituras sejam capazes de elaborar projeto de captação de recursos. A secretaria também busca capacitar os profissionais que fazem os receptivos dos transatlânticos que vêm de outros países a caminho do estado do Amazonas. Os passageiros, geralmente entre 100 e 200 deles, sempre desembarcam para rápidos passeios em Santana e Macapá. Mas nunca para dormir. “Queremos mudar isso, assim como Manaus conseguiu”, comenta Patrícia Cunha, do Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur), programa criado pelo Ministério do Turismo.

Infraestrutura

A Secretaria de Turismo do Estado elaborou um plano de ação que prevê investimentos de R$ 100 milhões em obras de infraestrutura que atraiam turistas. Os recursos, se aprovados, sairão do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). As obras incluem estradas e complexos paisagísticos em vários municípios, mas o empréstimo ainda depende da análise da capacidade de endividamento do Estado e de autorização do Congresso Nacional. “Não só para obras, mas para o fortalecimento institucional, investimento em gestão ambiental”, completa Helena Colares. Enquanto tudo isso não acontece, as agências de turismo precisam investir mais na venda de pacotes em outros estados. “É a iniciativa privada que faz o turismo de verdade”, comenta a presidente da Associação de Guias Turísticos.

FESTIVAL BRASIL SABOR REALIZADO ANUALMENTE

Festival de gastronomia trabalha a ideia da culinária como produto para o turismo Culinária tem que ser um dos principais atrativos para qualquer estado que pretende ser destino turístico. Neste quesito, o Amapá dá banho. A gastronomia é riquíssima, baseada em pescado, camarão, ervas e no açaí e na genialidade dos chefes de cozinha que não cansam de reinventar receitas que misturam todos esses elementos. Essa característica pode ser vista no Festival de Gastronomia Brasil Sabor. O evento é organizado pela Associação Brasileira de Bares e Restaurante (Abrasel) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) com o objetivo de transformar a culinária em produto turístico. O evento é nacional e no Amapá passou a ser realizado em agosto de 2006, paralelamente com todas as capitais e algumas localidades interioranas, fazendo do festival o maior do planeta. Este ano, o evento de degustação do festival foi realizado no Mercado Central entre os dias 28 e 30 de abril. Dezoito empresas, entre restaurantes, lanchonetes e buffets participaram, cada um com uma receita diferente. “A degustação dura três dias no Mercado Central, mas a venda dos pratos continua até o dia 30 de maio em todas as empresas que participam este ano”, explica a presidente da Abrasel no Amapá, Elaine Vieira. As receitas incluem verdadeiras experiências com ingredientes da culinária local, como a gurijuba, o camapu (fruta da Amazônia) e o palmito de pupunha. Alguns pratos são mais ousados, como a pizza de cupuaçu com chocolate. “Culinária e turismo andam juntos”, disse durante o evento o superintendente do Sebrae, João Alvarenga.

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social

por Bianca Castro

A onda de desfiles para escolha de belas amapaenses começou! Depois do Miss Amapá, que foi muito bonito, agora pela primeira vez haverá o concurso Miss Mundo Amapá, coordenado pela promoter e Musa Verão, Dani Morais. Antes as candidatas eram escolhidas por indicação, mas agora é a vez de jurados e públicos escolhrem. O desfile será no Teatro das Bacabeiras, com decoração de Júnior Beltrão. O empresário Odilon, da Chopperia da Lagoa, prepara mais um investimento em Macapá. Pelo projeto, haverá um hotel para ajudar a suprir o aumento da demanda na rede hoteleira no estado, e uma casa noturna para shows, com equipamento de ponta em tecnologia. Vamos aguardar! Enquanto isso, a esposa, prefeita Lucimar, de Calçoene, continua com projetos de desenvolvimento. Já construiu escolas e agora deve reestruturar a orla do município.

A bela Bárbara Trajano, da SCA, é uma das melhores projetistas do estado. Parabéns! Ao lado do empresário Michael Góes, da CDN, forma um dos casais mais bonitos do Amapá. Recentemente, os dois conferiram o show do U2 em São Paulo.

A Junta Comercial do Amapá (Jucap) comemorou aniversário este mês com uma série de honras para personalidades que marcaram a história da entidade. Um dos homenageados foi o empresário Salomão Alcolumbre (em memória), lembrado como o primeiro empresário a ter o Contrato Social registrado na Jucap. Duas placas foram entregues aos seus filhos Moisés Alcolumbre e também o deputado estadual Isaac Alcolumbre.

O empresário Antonio Bessa de Castro, da rede Papa Tudo, tem colhido bons frutos com o hobby de jogador de poker. Ele tem se destacado em torneios nacionais e saiu vencedor do BSOP, campeonato nacional, realizado no Rio de Janeiro.

Os empresários Adriano e Patrícia, do bar e restaurante Norte das Águas, apresentam no espaço cultural do restaurante uma exposição sobre a pororoca. As fotos que retratam a força das águas são do jornalista Olimpio Guarany.

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1-A bela publicitária Letícia Friole Bessa, morando no Rio de Janeiro. 2- Carlos Eduardo Del Rio recebe em Macapá este mês a mãe Vanda, direto de Porto Alegre. 3 – Empresária Ednéia Lima e a nora Joana Jansen Lima. 4- Encontro de economistas: Eduardo Fisben e Celso de Deus . 5- Descontração do casal Melissa Melo e Lidium Oliveira, da Betral. 6-Os publicitários Eduardo Moutinho e Cirilo decidindo quem é o melhor do mercado. 7- Empresária Uiliane Sá, da loja Bela Piscina. 8- Abraço de Elaine Melo e sua filha Eliana Costa, homenageando todas as mães do Amapá, pela passagem do seu dia!


BATE por Ronaldo Rodrigues FICA & Ronaldo Rony ESCAPOLE DEIXA

OSAMA BIN LADEN MORTO? NEM MORTA!

A notícia da morte de Osama Bin Laden pipocou pelo mundo e deixou a comunidade internacional em estado de júbilo. Os Estados Unidos e seus aliados comemoram o grande feito, mas ainda pairam dúvidas sobre o fato. Teria o terrorista número 1 do mundo realmente levado o farelo? Nossos repórteres botam mais lenha na fogueira e fazem uma revelação-bomba: Osama Bin Laden está entre nós. Isso mesmo! Descobrimos Osama tranquilamente instalado numa das ilhas do Amapá, cercado por pacíficos ribeirinhos, que nem desconfiam estar às voltas com uma celebridade. Vamos ouvir o que o terrorista tem a dizer de sua morte. Repórter: A-Salaam-Aleikum! Osama (falando em árabe com leve sotaque ribeirinhês): Aleikum-A-Salaam! Como o senhor recebeu a notícia de sua morte? Alá-lá-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô! Eu enganei mais uma vez essa cambada de infiéis. Agora eles pensam que me mataram. Mataram coisa nenhuma! Disseram que meu corpo foi jogado ao mar. Na verdade, eu me joguei ao mar para escapar mais uma vez dos exércitos que defendem a escravidão imposta pelo mundo capitalista. Me joguei ao mar e boiei aqui

no rio Amazonas. Estou refugiado entre o povo pacífico da Amazônia. Por que o senhor escolheu o Amapá para se esconder? Quando o mundo inteiro me procura, quando meio mundo é revirado para me encontrar, a melhor coisa a fazer é vir para o meio do mundo. Aqui encontrei o clima ideal para botar minha barba de molho. Como o senhor está mantendo a organização? Faço os contatos daqui mesmo. É fácil. Tive umas aulas com Fernandinho Beira-Mar sobre como dirigir uma ação sem sair do lugar em que se está. Mas como a vida daqui é assim devagar, estou numa de paz total. Aposentei as armas. Jura? Juro pelo grude da gurijuba! Então podemos ficar tranquilos? O senhor não vai mais comandar atentados terroristas? Algumas torcidas organizadas do futebol brasileiro tentaram me contratar para liderá-las, mas agora sou da paz. Deixei de pensar em destruir o império da dinastia Bush, agora comandado pelo meu quasexará, o Obama. O senhor se tornou um militante da não-violência? Alá-lá-ô! Violência não leva a nada. Aliás, leva. Ao hospital, ao presídio e ao cemitério. Então, estamos livres do terrorismo? Aqui no Brasil eu não sei. Alguns políticos de vocês cometem atos de terrorismo quase todo dia. São muitos conchavos, acordos, articulações, tramoias, apadrinhamentos... São práticas tão truculentas que nem eu, na minha melhor fase, consegui pensar. Deixe uma mensagem para os nossos leitores. Paz pra todo mundo. Eu vou ficar mais um tempo por aqui, vivendo essa vidinha maneira, com os ribeirinhos, comendo pirão de açaí com tamatá. Que vida boa, muçulmano! Nós nem tem que fazer plano. E assim vão passando os anos. Êta, que vida boa! Alá-lá-ô!

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ilustra ou foto artista amapa feito aqui AOG ROCHA: higiene bucal


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