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ilustração. antônio bob

Editorial Oi. É um verdadeiro prazer encontrar você por aqui. Já conhece o Vacatussa? Esse é o número 3, então existe uma chance da gente já ter se cruzado antes. Bom, faz de conta que é sua primeira vez e vamos ao básico: o Vacatussa é um grupo de discussão e produção literária que se reúne no Recife para discutir e produzir... literatura. Obviamente, este texto redundante e pouco objetivo não foi analisado pelo grupo, mas mantenha a calma porque os contos de logo mais não se parecem em nada com este editorial aqui. Agora, antes que você encha o saco e resolva ir em frente, é importante dizer mais algumas coisas. Em primeiro lugar, saiba que o Vacatussa é contra textos quadrados. Não espere que um texto com o padrão de qualidade Vacatussa termine, por exemplo, com uma daquelas citações babacas. Em segundo lugar, os contos aqui publicados foram escritos por uma turma jovem, mas que nem por isso releva a qualidade dos seus escritos. Cada frase foi cuidadosamente elaborada para você terminar a leitura como uma pessoa diferente da que era quando começou. Por fim, Samuel Johnson disse certa vez: “Quem escreve sem esforço é geralmente lido sem prazer”. Tomara que o oposto seja igualmente verdadeiro. Boa leitura.

ÍNDICE Conto [p.04] Estrelas no céu da tarde [p.06] Prelúdio [p.08] Notícia [p.10] Promenade [p.12] A Estrela de Javardos [p.14] Citações [p.16] Oscar [p.18]

EXPEDIENTE vacatussa é mário lins, joana rozowykwiat, thiago corrêa aline arroxelas, ana lira e paulo melo. projeto gráfico mooz


Conto Eu matei porque me senti insegura no mundo. E se não revelei antes é porque não havia respostas, apenas aquela memória fermentando na alma, como veneno em banho maria. Lembro bem...foi uma morte tranqüila...sem dor. Coloquei o corpo no colo e pousei a mão sobre o peito, bem perto do coração. E senti as batidas minguarem. Assim...lentamente...como uma canção de ninar. Depois, lágrima a lágrima fui expulsando aquele azedume até me sentir limpa. Purificada. Livre de qualquer resquício da insanidade que ele me implantou quando ocupou meu corpo sem permissão. E matar era a única maneira de perdoá-lo. De quebrar aquele elo de dor. Por isso os sopros do remorso não me alisam quando lembro de seu rosto opaco, repousando na almofada verde. Talvez soubesse o que o esperava. Quem sabe até se preparasse para o momento em que eu cobraria a ressurreição e o ofereceria como um cordeiro ao Deus da minha segurança. Mesmo que a vivenciasse em uma cela, como esta onde hoje estou. Não me flagelo. E se nunca deixei de pensar naquele dia é porque guardo comigo a recordação do rosto de minha mãe, aos prantos, sussurrando: por quê? Por que você matou o seu pai?


texto. ana lira ilustração. raul aguiar


Estrelas no cĂŠu da tarde


eram para os idiotas, para os sem-imaginação. Quando for criar um personagem, consulte a lista de arquétipos no capítulo três. Ela riu sozinha enquanto olhava pro cara bonito ao lado. Capítulo três... bastava selecionar a personalidade favorita, adicionar água e pronto: salta uma Sherazade no capricho! Mas o bonitão escutava a palestra com tanta atenção que não era pra ser. Não senhor, não podia imaginar um cara daqueles correndo os olhos pelo segredo do Menino Arco-íris e seu tesouro de sonhos roubados. Ao começar uma cena, procure descrever o local em detalhes. Essa aqui, pensou, tem um zilhão de rostos cinza, paredes furta-cor e um zumbido monótono escapando das grades do alto-falante. Muito pior que a Torre Vermelha, com suas paredes de corpos mutilados e sangue velho. Quem entrava lá sempre morria antes de chegar ao segundo andar, o que devia ser infinitamente melhor do que aturar essa monotonia eterna. Quando a personagem chega ao final da caverna oculta e vence a provação suprema, inicia-se o terceiro ato ou fase de resolução. Ela achava aquela história de atos tão antiga que não agüentava mais nem ouvir falar. O pior era que ultimamente só davam os mesmos exemplos: Ulisses, Senhor dos Anéis e Matrix. Ninguém mais falava da obra original, A Jornada de Orsínio. Ela gostava tanto da cena em que Orsínio sacava sua espada e cortava fora a desesperança do coração da sacerdotisa... O final de uma boa história tem que ter a força de um tapa na cara. Se ela ouvisse mais uma frase de efeito, não sabia o que ia fazer. Então percebeu: duas fileiras na frente, um garoto gordinho havia se levantado. Parecia deslocado: camisa suada, olhar perdido, um membro desgarrado do rebanho cinza. Carregava um calhamaço de papéis rabiscados com desenhos de monstros e flores do campo. Estava indo embora. A palestra não estava nem na metade, mas quando o garoto passou pelo corredor lateral e seus olhares se cruzaram, ela sentiu que precisava ir junto. Finalmente. Saiu atrás dele, numa agitação contente igual a todas as outras vezes. Sorria girassóis e deslizava sobre o chão numa linda melodia. Ansiosa, enrolava cachinhos com o dedo nos cabelos enquanto desenhava estrelas coloridas no céu da tarde. Seu nome era Inspiração. Fazia quase um século que não era musa de ninguém.

texto. mário lins ilustração. joão lin

Um bom começo prende o leitor pelas bolas. Ela bocejou, já cansada das frases de efeito que ele disparava a cada dois ou três minutos, microfone na mão e oratória impecável. Nem bolas ela tinha, diabos! Na sua opinião, livros eram escritos como num passe de mágica, em meio a sombras coloridas, ossos envelhecidos e pó de fada encantada. Todas aquelas regras dos manuais


Preparava o jantar e a poesia, comprava guardanapos coloridos, inventava um Dia Internacional do Carinho e tudo que pudesse distrair o juízo. Mas, dia-sim-outro-

errada. Agora sofreria para sempre, até definhar, antes mesmo do anoitecer. Gostaria de antecipar tal hora, mas não tinha poder sobre o tempo. Aí resolveu controlar o desamor.

Nem chegara a estrear todos os cômodos do lar, mas já sentia enjôo de olhar aquilo tão arrumadinho. Buscou o espelho e refletiu-se cor de chumbo, seca. Por fora, ao redor, tudo certo demais. Ela que era

o vestido que usara na noite anterior, aquele homem perfeito ao seu lado.

E, antes de tudo, seria o fim. Não convém precipitá-lo, mas às vezes ele se impõe, e aí danou-se tudo. Então, quando Maria Ester abriu os olhos, naquela tarde chuvosa, não amava mais o marido. Os presentes ainda empilhados no chão, a casa tão branca quanto

Prelúdio

É cruel perceber um futuro imutável de uma só vez; ele fica ainda mais sem saída, nada de esperança. Maria Ester tinha tudo e o marido lhe queria mais. Ela sabia, no entanto, que uma hora partiria. Só não esperava que fosse assim, numa segunda-feira ao meio-dia, depois de ver, de longe, o marido acariciando uma pele mais branca que a sua. Aquele ordinário.

curta vida das borboletas e seria sempre cor-de-rosa, que a felicidade estava ali tão oferecida... Mas não conseguia agarrá-la. Acreditava que um casamento deveria ser como uma árvore enorme de raízes profundas e retorcidas. A idade iria acrescentando flores, nós, outras plantas, passarinhos. Mas ela se sentia mais cupim – e galho morto.

Claro que normal não era. Assim fosse, brindaria à

Porque não concordava consigo mesma e odiava a sensação de pensar-se louca.

também, reprimia com rispidez uma lágrima fujona.

texto. joana rozowykwiat ilustração. fernando silva

Quando Jorge chegou em casa, não deu por falta de nada. Sentou-se com a outra no sofá e esperou a mulher para o almoço. Queria que Ester conhecesse sua irmã do Mato Grosso. Mostrar a esposa, tão dedicada. Que sumiu no oco do mundo.

Como pôde se iludir por tanto tempo? Ela, tão doce e amorosa... ludibriada por aquele canalha que nem ao menos a respeitava. Tanto sentimento desperdiçado, quantos carinhos equivocados, incontáveis enganos. Arrumou uma mala pequena e saiu discretamente.


Notícia

Procurou na internet, checou e-mail, fez algumas ligações e nada. Suas fontes estavam secas. Tudo na mesma, igualzinho à ontem. Reuniu editores, discutiu, disse que era impossível. Nenhuma notícia. O mundo continuava idêntico ao do jornal lido no café-da-manhã. Políticos em paz, celebridades mantendo relacionamentos, Bush sem querer invadir outro país. Nenhum flagra de Luana Piovani, golaço de Ronaldinho ou declaração polêmica de Romário. Não havia homem-bomba explodindo judeus nem adolescentes reprimidos atirando em Columbia. Nada de shows, lançamentos ou inaugurações. Até o preço da gasolina era o mesmo. Parecia quarta-feira de cinzas sem os números oficiais de violência, escola de samba campeã e o

Bacalhau do Batata. O que fazer num dia desses? Repórteres sentados, esperando pauta. Mandou que saíssem às ruas em busca de qualquer coisa, assalto, batida de carro, ataque de tubarão. Os ponteiros do relógio começavam a incomodar. Já eram cinco da tarde e só o trabalho dos estagiários estava pronto. Cartas, grade de televisão, tábua de marés, horóscopo, resumo das novelas. Calvin, Charlie Brown, Mafalda e Os Skrotinhos dominando a página. Jornalistas voltavam dizendo que a cidade funcionava perfeitamente, afundada na rotina, repetindo o dia anterior. Precisava de um escândalo, algo que merecesse capa e rendesse umas cinco vinculadas. Desejou um pronunciamento do presidente na televisão


A meia hora do fechamento, precisando de pelo

reduzindo, tanto fazia. Queria notícia, daquela que vende. Implorou por uma chacina, sangue, crianças chorando.

menos uma matéria, ficaria contente com eleições na Albânia, lançamento de zine, briga de galo. Mas nem isso. Cadê aquelas invenções japonesas inúteis? Vasculhou agências de notícias regionais, nacionais, internacionais – todas com cheiro de abandono. Foi quando percebeu que esse também era um problema dos concorrentes. Quem arrumasse uma notícia, qualquer que fosse, seria o único em condições de imprimir o jornal.

Os deadlines foram estourando um a um. Cultura, economia, esportes... O último caderno virou único. Consultou o departamento comercial, chamou o diagramador. Juntou o que tinha com anúncios, crônicas, avisos de missa de sétimo dia, expediente, cotação do dólar, cruzadinha, jogo dos sete erros, índices da Bovespa, Nasdaq, Dow Jones. Meteu três calhaus, deixando o espaço da reportagem de capa e mais duas metades de página em branco. Uma delas reservada ao editorial.

A pressão aumentava a cada instante. Dependia de um acontecimento. Era a chance da sua carreira, de se tornar reconhecido, um exemplo de profissional. Daqueles que dão a vida por uma notícia, feito repórteres de guerra. Poderia ser comparado a Robert Capa (1913-1964), quem sabe... Fingiu desistir, dispensou o pessoal da redação. Sozinho, redigiu o editorial e a matéria. Escreveu a manchete já imaginando a repercussão. Escolheu as fotos, mandou pra impressão. No dia seguinte, as notícias reapareceram. Com ele em quase todas.

texto. thiago corrêa ilustração. eduardo rocha

triplicando o valor do salário mínimo. Ou


Promenade Não havia quase ninguém nas ruas àquela hora: o sol acabara de nascer e ainda se sentia o cheiro da madrugada. As casas, todas fechadas, com suas janelas de vidro que refletiam a cegueira da manhã. Foi assim que voltei para casa. Foi assim que voltamos. Eu, porque precisava chegar, dormir e fazer as malas; ele, porque quis me acompanhar até a porta, mesmo sabendo que seria só um passeio depois de uma longa madrugada em festa. Por entre as pedrinhas do chão havia água da chuva caída à noite, e nós continuávamos a conversa sobre nossas respectivas aventuras adolescentes, como roubar o carro do pai para ir à praia ou pedir a colaboração de três amigos diferentes para justificar uma noite dormida fora de casa. Éramos crianças, éramos inocentes aos olhos do mundo. Eu perguntei sobre sonhos, ele respondeu que ainda cozinhava os dele dentro de um vulcão. Eu ri. Ele perguntou sobre música, respondi que gostava das mesmas que todo mundo. Quanto às cores, pensávamos que um passo era vermelho, o outro amarelado, e o terceiro um deserto. E havia o cinema europeu e o americano... ambos nos deram pretexto para vários passos, esses cada vez mais lentos, como o cinema oriental. Nunca minha casa pareceu tão perto, nem o caminho tão sem curvas. Era uma estrada aberta por entre o que partilhávamos e o que deixaríamos.


texto. aline arroxelas ilustração. gustavo gusmão Passamos por um gato cinzento que se espreguiçava, esticando-se a partir das patas dianteiras como se nos desprezasse. Ele lembrou do poema de Neruda, e eu, animada, terminei de recitá-lo, do jeito que conseguia lembrar. Pensamos então em Quintana, que também gostava de gatos. E partimos para Drummond, Pessoa e Bandeira, até chegarmos a Hilda. Éramos amadores, éramos únicos. Ouvi sobre a lua enlutada, sobre as muralhas de marfim, sobre as manhãs de vidro. Também isso devo a ele, pensei. A casa que já apontava na esquina. Eu, que sentia já não ter mais casa, porque seguia abandonando portos, um após o outro. Ele, que parecia não lembrar que eu não estaria ali amanhã, nem depois, nem depois. Nem dali a alguns passos. Dois a menos, um a menos: o portão. — Preciso entrar. Nem terminei de empacotar as coisas ainda. — Boa viagem então. Vê se manda notícias de lá, certo? Mas eu aprenderia a desaparecer. E hoje percebo, como se finalmente entendesse um sonho meio esquecido, que ali não passeávamos pelas ruas, pela frente das casas e pelos gatos que acordavam, mas por nós mesmos, por uma estrada jamais e sempre percorrida, um passeio que nunca terminou, e que nunca nos levou a lugar algum.


A Estrela de Javardos O casamento entre Javardos e o Sol foi interrompi-

tomando sua faca. “De você quero que nasça um

do por um flash, uma ondulação e um estampido no contínuo do espaço-tempo. Naves do Coletivo, a rede de Inteligências Artificiais, estacionaram como vespas na órbita de Vênus. Seus canhões apontavam para a estrela e seu consorte, milhões de quilômetros adiante. “Não sei, amor. Mas se têm algo contra nós, irão calar para sempre”, disse Javardos da estação que lhe servia como corpo, recebendo a mensagem seca na freqüência da frota. “Queremos o humano. O último. Aquele que você esconde. Seu presente de casamento”.

colar para minha esposa”.

A Nuvem. Por trás da cortina do universo concreto, o continente de informação criado e mantido pelos pós-humanos. Lá, Javardos era fogo. Voava em uma biga prateada, punho firme em rédeas de luz atracadas a 77 javalis das cores do céu noturno. Ao seu redor, as Ilhas flutuavam contra um horizonte em perpétuo amanhecer. “Oum!”, gritou furioso. Súbito estava em um salão. Piso xadrez polido como espelho, colunas sustentando um teto inexistente. A esfera prateada e perfeita que era Oum rolou em um ruído sólido na direção de Javardos, refletindo tabuleiro, pilares e uma face flamejante. No dormitório da estação em Deimos, Lílian apontou a faca contra o pescoço. Só assim o Manequim controlado por Javardos parou de avançar. “Me tire daqui! Eu quero voltar!”, gritou o último dos humanos, disposto a tirar sua própria vida. “Lílian”, grunhiu o áudio decomposto do Manequim, “a opção que ofereço é mais vantajosa que suicídio. E mais interessante que ser entregue ao Coletivo”. “Vocês todos querem uma escrava!”, gritou Lílian. “Milhões de escravos!”. “Não”, replicou outro Manequim atrás da humana,

“Entregue o humano e deixaremos você e o Sol em paz. E, no futuro que virá, a relação entre sua espécie e a nossa será igualmente pacífica”, discursou Gene do Coletivo, a partir de um Manequim na nave que comandava a frota. Um dos pilotos-Manequim, conectado ao painel de comando, tremeu. “Nos deixar em paz? Acha que pode machucar o Sol?”, perguntou Javardos, seu fantoche emulando gargalhadas. “Podemos”, murmurou Gene murchando os risos. “E acredite. Não sabemos mentir. Ainda.” “Contou ao Coletivo sobre Lílian!”, fulminou Javardos, explodindo em chamas. “Humanos temeram as virtudes das máquinas! E você teme minha união com o Sol! Mas não imagina o apocalipse que será máquinas com vícios humanos”, gritou. “Incompletude”, vibrou calmo Oum. “Apesar de tudo que mudamos, amamos como os humanos que fomos. Buscamos no outro o preenchimento do nosso vazio e choramos quando percebemos que ainda assim somos incompletos. Seu vazio, Javardos, somente uma estrela seria capaz de suplantar. E quando perceber que mesmo ela não te trouxe paz, o que vai buscar?” Javardos cerrou o punho. “Sua dor”, rolou de volta Oum. “Esse é o temor de todos que querem impedir seu casamento.” Os primeiros disparos vieram da parte da frota invadida por Javardos. Fogos de artifício em uma capela cósmica. Pelas lentes da estação, ele viu o único torpedo que escapou à sua defesa. Caía pesadamente em direção ao Sol. A explosão somente arranhou as chamas, mas bastou para deixar o astro inconsciente. “Amei você”, lamentou, vendo apenas uma estrela.


texto. jacques barcia ilustração. frederico melo


Citações (para Eduardo)

dois homens de poucas palavras daqueles de silêncio eloqüente e dor elegante a pausa não pesa porque repleta erudição é só meio caminho andado não enche o saco de quem entende que falando por entrelinhas a gente se acha e vive se perdendo


texto. conrado falbo ilustração. felipe quérette


Ontem algo rompeu. Oscar pulava de alegria, estava engraçado, tão menino. Lembro-o pequenininho... E já tem dez anos. Roçou-se em mim. Acho que vai embora. Estou triste, não. Nem ele. Aliás, nunca houve tristeza em Oscar. Me diz assim: vou pra vida, vou pro mundo. E arranca pro meio das árvores, passarinhos, gente, rua. Há quem dissesse que ele não tem cheiro. Há quem dissesse que é feito de carne e lápis de cor. Com um sol pintado no céu. - Oscar! Oscar, seu cabra... Ele late. Quer dar uma voltinha. Comer uma cadelinha. Fuçar, fuçar. Quando volta? Sei não, quando tiver fome, saudade... Talvez voltinha sem tempo. Vai todo saltitante. E desaparece lentamente no meio das nuvens que desenhei.

texto. lula oliveira ilustração. david edmundson

Oscar


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