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1 ACUPUNTURA PARA TRATAMENTO DE CEFALÉIA: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA CAROLINA SANTOS SILVA1; LILIANE PIRES2.

1- Acadêmica do Curso Superior de Tecnologia em Biomedicina da Universidade Tuiuti do Paraná (Curitiba, PR). 2- Profa. Mestre da Universidade Tuiuti do Paraná (Curitiba, PR).

RESUMO:

Recentemente vários estudos têm sido efetuados para investigar o real efeito da acupuntura na cefaleia. De facto, a acupuntura tem sido usada há séculos na China para tratar esta e outras situações crónicas. Em alguns estudos efetuados com a acupuntura tem-se verificado o seu efeito positivo na redução dos sintomas relativos à enxaqueca. O estudo teve como objetivo verificar por meio de uma revisão sistemática, a utilização da acupuntura para o tratamento de cefaleia. Observou-se nos artigos analisados, que o tratamento com a acupuntura é um método viável e eficaz de terapia complementar para tratar o paciente com cefaleia.

PALAVRAS-CHAVE: Medicina Tradicional chinesa, acupuntura, cefaleia.

1

Acadêmica do Curso de Biomedicina da Universidade Tuiuti do Paraná. Endereço eletrônico para correspondência: 2 Orientadora


2 ABSTRACT:

Recently several studies have been conducted to investigate the actual effect of acupuncture on headache. In fact, acupuncture has been used for centuries in China to treat this and other chronic conditions. In some studies conducted with acupuncture has been verified its positive effect on the reduction of symptoms related to migraine. The study aimed to verify through a systematic review, the use of acupuncture for the treatment of headache. It was observed in the analyzed studies, treatment with acupuncture is a viable and effective method of complementary therapy to treat the patient with headache.

KEYWORDS: traditional chinese medicine, acupuncture, headache.


3 1. INTRODUÇÃO

No estudo de Scognamillo-Szabó e Bechara (2001), os autores realizaram uma revisão sistemática com o objetivo de verificar as bases científicas e aplicações da acupuntura e concluíram que apesar da eficácia demonstrada em várias situações, a carência nas bases científicas da acupuntura ou na compreensão de sua linguagem têm restringido seu uso. O estudo de Rocha et al. (2015), objetivou explorar, a partir de relatos de vida de acupunturistas, a luta pela regulamentação da prática da acupuntura no Brasil. Os autores utilizaram a História Oral de Vida como método, tendo como proposta central a dimensão das experiências humanas envolvidas nesta trajetória de lutas e desafios. Os autores realizaram dez entrevistas, seguindo o conjunto de procedimentos exigidos pela História Oral. As informações contidas nas narrativas foram analisadas e, tomando como referencial a abordagem de interpretação denominada imersão/cristalização, foram estabelecidos os temas centrais do trabalho, a partir dos quais a discussão foi desenvolvida. Os resultados apontaram a emergência de temas extremamente controversos que envolvem aspectos políticos, corporativos e de âmbito cultural, que se apresentam como elementos centrais dentro de um processo histórico ainda em desenvolvimento. Kurebayashi, Freitas e Oguisso (2009) realizaram uma pesquisar entre as enfermeiras quais enfermidades poderiam ser tratadas com acupuntura. Em sua pesquisa estipularam grupos: 1- enfermidades que foram tratadas com acupuntura 2- enfermidades sugeridas por enfermeiras que poderiam ser tratadas. Num grupo de 38 33 enfermeiras, forma perguntadas as questões: 1- já foi tratado com acupuntura ? 2- se não tratou, se trataria e para quê? Em suas conclusões afirmaram que a acupuntura pode estar inserida, pelos princípios holísticos orientais chineses que a regem, como técnica preventiva, curativa e reabilitadora para diversas enfermidades, agudas ou crônicas, pois o foco são as desordens energéticas anteriores às doenças. Com os dados coletados entre as enfermeiras que tinham se tratado com acupuntura, observou-se que os maiores percentuais de enfermidades foram: estresse, ansiedade, enxaqueca, lombalgia, mioma e obesidade; entre as que não se trataram, mas sugeriram estão entre outras enfermidades principalmente dor nas costas, problemas de coluna, hérnia de disco, enxaqueca, tendinite, hipertensão, Diabetes Mellitus.


4 No estudo de Vectore (2005), observou-se por meio de uma revisão de literatura, a importância de identificar as possibilidades de utilização da prática da acupuntura pelos psicólogos, haja vista a Resolução nº05/02, do Conselho Federal de Psicologia, que aponta tal técnica como um instrumento do profissional de Psicologia. Com inúmeros critérios para intervenção da acupuntura na cefaleia e sua eficiência Wink e Cartana (2007) evidenciando o efeito da crânio-acupuntura em conjunto com as outras duas técnicas desenvolvidas na proposta. Observando melhoras significativas quanto à qualidade do sono, função intestinal, tensão pré-menstrual, cólicas menstruais, níveis de ansiedade e medo. A Acupuntura foi regulamentada no Brasil com a criação da Associação Brasileira de Acupuntura. Em 2006 foi criada a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS em que se estabelece que profissionais devidamente capacitados possam utilizar as técnicas da MTC, incluindo a acupuntura, para o tratamento de diversas patologias (RIZZO, et al., 2010). Nesse sentido, o trabalho tem como objetivo descrever o uso de técnicas como a acupuntura na tentativa de curar ou diminuir a incidência e a intensidade das crises de cefaleia por meio de uma revisão de literatura.

2. METODOLOGIA

O presente trabalho foi uma revisão de literatura sobre Acupuntura e cefaleia, onde as bases de dados consultadas foram: Scielo, Bireme, Science Direct, Pubmed, e foram utilizados como os seguintes descritores: Acupuntura, cefaleia, enxaqueca, medicina tradicional chinesa, entre outros. O período da pesquisa bibliográfica foi realizado entre julho de 2015 a setembro de 2015 sendo utilizados artigos publicados no período compreendido entre 2005 e 2015, totalizando 10 anos de publicações.


5 3. DISCUSSÃO

3.1 CEFALEIA

Cefaleia e cefalalgia são palavras de origem grega que significam dor de cabeça (TOPCZEWSK, 2002) e atinge grande parte da população, sendo que, a maior incidência está entre as mulheres adultas, com prevalência de 90% e 67% no sexo masculino. A cefaleia pode ser dividida em dois grupos principais: as cefaleias primárias, ou tensionais, aquelas que não possuem uma causa estabelecida, mas comprometem a dinâmica de vida da pessoa, em suas atividades cotidianas e as cefaleias secundárias, que representam somente um sintoma relacionado a uma doença preexistente (HOFFMANN; TEODOROSKI, 2003). Por meio de estudos bibliográficos foram mostrados que milhões de pessoas se queixam de cefaleia causada por tensão, e a causa vem do ritmo intenso diário combinado com a ansiedade, a depressão, posturas errôneas e outras patologias. A cada dia vem aumentando a queixa da dor, assim como, o uso dos medicamentos no combate à cefaleia (HOFFMANN; TEODOROSK, 2005).

Atualmente, a cefaleia tem sido um dos sintomas que mais acometem os indivíduos. O estabelecimento de posturas errôneas e a sua manutenção combinada ao ritmo intenso diário, à ansiedade, à depressão ou até mesmo à outras patologias que geram contração excessiva da musculatura cervical que provocam dor, são considerados fatores etiológicos para a determinação deste tipo de cefaleia (HOFFMANN ; TEODOROSKI, 2005). A ocorrência de dor, de qualquer localização e causa, sempre esteve presente na história da humanidade, é crescente em nossos dias. Possivelmente, esse fenômeno esteja relacionado a vários fatores, entre os quais estão as mudanças ambientais, novos hábitos de vida, maior longevidade e, inegavelmente, os avanços da biomedicina centrada na integridade física e fisiológica, propiciando sobrevida aos doentes portadores de patologias anteriormente fatais. A dor é um sinal de alerta, um aviso para prestar atenção em algo. É um evento subjetivo, e cada pessoa constrói o significado que tem para si, a partir de suas experiências dolorosas, físicas ou não (WINK; CARTANA, 2006).


6 Sampaio et al. (2013), afirmam que a cefaleia é um sintoma que aparece com frequência em doenças agudas e crônicas, podem ser do tipo primária, onde não são demonstradas em exames clínicos como, por exemplo, a migrânea (enxaqueca), cefaleia do tipo tensional, cefaleia em salvas e outras ou secundária que é originada por outras patologias que são demonstradas em exames clínicos como hipertensão arterial, doenças infecciosas, neuroses, traumatismo craniano dentre outras. Sobre a prevalência, Araújo e Almeida (2009) relatam em seu estudo que as cefaleias acometem mais de 90% da população durante algum período de sua vida. Segundo Pinto et al., (2009), a classificação e os critérios diagnósticos foram desenvolvidos e publicados em 1988, revisados em 2004 pela Sociedade Internacional de Cefaleia – International Headache Society (IHS) são: ocorrências de pelo menos dez ataques anteriores de dor em menos de quinze dias dentro de um mês, com duração de 30 minutos a sete dias e com pelo menos dois dos seguintes aspectos: pressão ou aperto, intensidade leve a moderada, localização bilateral, não agravamento por atividade física rotineira (MESQUITA; MEJIA, 2010). De acordo com os estudos de Bastos et al. (2013), existem 13 grupos de classificação das cefaleias sendo que a do tipo tensional (CTT) ocupa o grupo 2 desta classificação. É subdividida em cefaleia do tipo tensional episódica (CTTE) e cefaleia do tipo tensional crônica (CTTC). A CTTE subdivide-se em frequente e infrequente, os sintomas da CTTE frequente duram entre 1 a 15 dias/mês, a duração da dor varia de 30 minutos a 7 dias/mês, já na CTTE infrequente os sintomas estão presentes por < 1 dia/mês, ou seja, < 12 dias/ano. A CTTC caracteriza-se por dor do tipo pressão, com crises de cefaleia diárias que duram 30 minutos ou até dias, por um período mínimo de seis meses.

3.2 MEDICINA TRADICIONAL CHINESA (MTC)

De acordo com o Modelo de Heidelberg, a medicina chinesa baseia-se num sistema que descreve anomalias funcionais através dos seus sinais e sintomas (GRETEN, 2006). A Acupuntura pode ser definida como a prática de introduzir uma ou mais agulhas em locais específicos da superfície do corpo para efeitos terapêuticos (NASSIR, 2002). Os pontos de


7 acupuntura podem também ser “estimulados” com calor, correntes eléctricas, pressão, luz laser ou ondas de choque. Segundo Ernets (2005), antes de 1970 a maioria dos médicos ocidentais consideravam a MTC pouco mais que uma curiosidade cultural. No entanto hoje é um tratamento prevalente utilizado em várias partes do mundo por praticantes tradicionais de acupuntura, médicos, fisioterapeutas e outros profissionais de saúde. Assim, com a difusão da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) no ocidente, pesquisadores começaram a questionar sobre a participação de estruturas orgânicas no mecanismo de ação da acupuntura, e o desenvolvimento de pesquisas nessa área, principalmente nas últimas décadas, evidenciou estreita relação entre os efeitos da acupuntura e o sistema nervoso central e o periférico, bem como vários tipos de neuro-hormônios (BRANCO et al. 2005). Segundo Silvadoria (2010), a medicina praticada pelos chineses já chegava ao Ocidente em meados de 1255, com a viagem a terra dos Mongóis. Tempos depois o primeiro interesse da comunidade medica no ocidente pela acupuntura surgiu após a notícia de que o jornalista americano James Reston foi tratado com acupuntura, do que na China a Acupuntura era usada como analgésicas em cirurgias. Varias clinicas de dor crônica passaram a usa-la como terapia e, com o despertar do movimento alternativo, mais e mais médicos passaram a se interessar pela a acupuntura. De acordo com Oliveira e Oliveira (2010), a palavra “acupuntura” tem origem no latim, a partir de acus (agulha) e punctura (puncionar). A Acupuntura refere-se, assim, à inserção de agulhas através da pele, nos tecidos subjacentes, em diferentes profundidades e em pontos estratégicos do corpo, no sentido de produzir o efeito terapêutico desejado. Ainda segundo Ernest (2005), um conceito fundamental da acupuntura e da MTCé o qi, que normalmente se traduz por “energia”. Há diversas formas de qi e acredita-se que uma é herdada e mantida durante a vida. Ao circular em 14 meridianos por todo o corpo, pensa-se que o qi nutre e defende o nosso corpo. Nestes meridianos, foram definidos 365 pontos de acupuntura baseados na “correspondência cosmológica” com o número de dias de um ano. A medicina científica ocidental foi avidamente adotada pelos chineses nos séculos XIX e XX. Só a partir dos anos 60 do século XX é que a Medicina Tradicional Chinesa foi


8 promovida por Mao Zedong, devido à falta de médicos em consequência da revolução cultural chinesa. O interesse do ocidente na acupuntura foi aguçado por um artigo que surgiu no New York Times em 1971, no qual um jornalista descrevia o uso eficaz da acupuntura no controle da dor, após ter sido ele próprio submetido a uma apendicectomia (DIENER et al, 2007). Após 25 anos, em 1997, numa conferência organizada pelo NIH nos EUA, a eficácia da acupuntura foi avaliada como sendo adequada para um determinado número de indicações. O relatório dessa conferência, lançado em 1998, relata a existência de muitos resultados positivos no uso de acupuntura em náuseas e vómitos causados por pós operatórios ou sessões de quimioterapia. No que diz respeito às cefaleias, a conferência conclui que a acupuntura pode ser útil como tratamento adjacente ou uma alternativa aceitável e recomendou que deveriam ser feitos mais e melhores estudos para avaliar a sua eficácia (DIENER et al, 2007). Em países como a Alemanha, investe-se cada vez mais na Medicina Tradicional Chinesa. A taxa de crescimento está avaliada entre os 20 e os 22%, indicando que o controle de qualidade e a formação estruturada são necessários. Surpreendentemente existe um elemento socioeconômico entre os usuários da Medicina Tradicional Chinesa, pois esta encontra mais adeptos entre os mais ricos, com mais formação e conservadoras do que entre os pobres e que têm menos formação (GRETEN, 2006). A compreensão moderna e racional da Medicina Chinesa envolve modelos científicos biomédicos que assentam numa teoria de regulação neurovegetativa, sendo exemplo disso, o Modelo de Heidelberg da Medicina Chinesa Tradicional. O conceito tradicional da MTC é visto como uma análise médica de sintomas baseada nas funções vegetativas, que estão à disposição da medicina ocidental, chegando-se à conclusão de que a medicina chinesa está principalmente baseada num sistema para descrever anomalias funcionais através dos seus sinais e sintomas (GRETEN, 2006). A saúde é vista pelos acupunturistas tradicionais como o equilíbrio de dois opostos, o Yin e o Yang, o que por vezes é comparado ao sistema nervoso simpático e parassimpático. As doenças são associadas a um desequilíbrio (por exemplo, um “bloqueio” ou uma “deficiência”) do qi e, consequentemente, a um distúrbio de energia. O objetivo da acupuntura é corrigi-lo. Assim sendo, a maioria das condições médicas são vistas como favoráveis ao


9 tratamento com a acupuntura. Pensa-se que a maioria dos distúrbios é detectável antes mesmo de chegarem ao estado de doença. Pessoas aparentemente saudáveis são, assim, encorajadas a beneficiarem da acupuntura preventiva (ERNETS, 2005). Em relação ao uso da Acupuntura no Sistema Único de Saúde (SUS), os estudos de Silva e Tesser (2013) que tiveram como objetivo analisar a experiência de pacientes com acupuntura no Sistema Único de Saúde e como ela se insere no seu cuidado, à luz da medicalização social, esta pensada nos seus aspectos constitutivos das representações e modelos explicativos dos usuários. Os autores entrevistaram trinta pacientes que foram selecionados das atenções primária e secundária de Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. Os autores observaram relevantes resultados terapêuticos nas queixas principais, no sono, na disposição, no estado emocional e diminuição do uso de fármacos. Os modelos explicativos dos usuários e seu autocuidado foram pouco ou nada modificados pelo tratamento com acupuntura. Notou-se, todavia, um cuidado ampliado e menos iatrogênico, principalmente na atenção primária à saúde, em que houve pouca oferta de outras práticas da medicina chinesa associadas. No estudo conduzido por Santos et al. (2009), observou-se a evolução da acupuntura no SUS bem como a inclusão de novos acupunturistas não-médicos. Os autores efetuaram um estudo exploratório e descritivo cuja fonte de dados foi o Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA) do SUS, disponibilizado pelo banco de dados do Ministério da Saúde, relativo às consultas em acupuntura realizadas por médicos e não-médicos entre 1999 e 2007, distribuindo-se os atendimentos segundo cidades e ano do atendimento. Para a análise da tendência temporal do número de atendimentos de acupuntura, os autores utilizaram o modelo de regressão linear simples, utilizando-se nível de significância de 5%. A análise da tendência temporal revelou um aumento significativo (p>0,001) de 1,1 consultas em acupuntura por 100 mil atendimentos ambulatoriais anualmente registrados entre os anos de 1999 e 2007. Foi observado um expressivo incremento no último ano do período estudado. Em 2007, 28% das consultas de acupuntura foram registradas por profissionais não-médicos em 41 cidades. Os autores concluíram que há expansão das consultas e do número de cidades que registram acupuntura no SUS no período do estudo.


10 3.3 EFICÁCIA DA ACUPUNTURA NO TRATAMENTO DA CEFALEIA

A cefaleia pode ter consequências graves, com impacto na sociedade, no indivíduo e na sua família. O impacto social da enxaqueca é normalmente medido em termos econômicos, através dos custos diretos relacionados com a utilização dos cuidados de saúde (LIPTON, 2006). Segundo Stallbaum et al. (2013), as cefaleias podem influenciar negativamente o bemestar do indivíduo e determinar prejuízos para a sociedade. Sua incidência é mais alta na faixa de 25 a 55 anos, período de pico de produtividade populacional. Estima-se que o custo anual causado pelas cefaleias na população trabalhadora brasileira seja de 7,5 bilhões de dólares. O impacto na área social também é alto: em torno de 60% dos indivíduos informam que a migrânea apresenta um efeito negativo sobre seus familiares, pois 69% dos indivíduos acometidos relatam atrasar ou adiar atividades com estes. Em relação aos possíveis mecanismos de atuação da acupuntura, Diener et al (2007) afirmam que a forma como a acupuntura funciona é ainda desconhecida. O alcance das indicações da acupuntura (não apenas para controle da dor), a variedade de diferentes métodos de acupuntura e a probabilidade de os efeitos serem ou não constituídos por um componente específico e um componente não-específico, tornam difícil encontrar uma base partilhada para um possível mecanismo de ação. Nos últimos 40 anos foram desenvolvidos muitos modelos plausíveis teoricamente, que aparentemente estabelecem uma base para a eficácia de uma ou outra forma de acupuntura, mas ainda não foram encontradas provas experimentais eficazes que confirmem qualquer um destes modelos. Os exemplos são a hipótese das endorfinas, a “Gate Control Theory” de Melzack ou o princípio da contrairritação, o controle inibidor nocivo difuso (DNIC, em português CIND) (DIENER et al, 2007). Naslund e Odenbring (2002) defendem que a resposta fisiológica da acupuntura acontece em três níveis: um efeito local, que ocorre quando um ponto de acupuntura é estimulado através da inserção de uma agulha; o efeito sobre a medula espinal que ocorre após a inserção da agulha com a liberação de neuropeptídeos para o LCR; o efeito ao nível cortical, com a liberação de endorfinas e serotonina.


11 De acordo com Nascimento et al. (2014), a cefaleia é descrita como a dor de cabeça que mais prevalece em jovens trabalhadores, caracterizando-se como um importante problema de saúde pública, com forte impacto socioeconômico atingindo um grande número de pessoas em diferentes idades, com maior incidência em mulheres adultas e prevalência de 90% contra 67% dos homens. Os autores afirmam que o método mais conhecido para sanar seus sintomas ainda é medicamentoso, porém, existem outros métodos alternativos, como alongamentos e massagens, aplicadas manualmente sobre tecidos musculares, ósseos, conjuntivos e nervosos, podem colaborar com a melhora do quadro. A acupuntura se enquadra como meios não medicamentosos no auxílio e tratamento da cefaleia. Estudos conduzidos por Oliveira (2010), afirmam que foi relatada a eficácia da acupuntura por médicos e pacientes em estudos onde se investigaram a eficácia da acupuntura no tratamento da cefaleia, sobretudo, nos últimos anos, sendo um importante método no tratamento das cefaleias, em particular, a cefaleia tensional, em que a causa é desconhecida, não somente pelo seu efeito analgésico, mas pelo potencial de cura, desde que o diagnóstico e tratamento estejam corretos.

Estudos sugerem que a acupuntura induz efeitos sobre determinadas estruturas específicas do cérebro. Acupuntura pode agir como um neuromodulador da periferia para o Sistema Nervoso Central (SNC) (HARRIS et al., 2005; CABYOGLU et al., 2006; ERNST, 2006). A medicina ocidental propõe a acupuntura como mecanismo para "provocar a libertação de substâncias endógenas" do SNC, de modo a reduzir a dor (HARRIS et al., 2005; MARTIN et al., 2006). Nos estudos de Cabyoglu et al. (2006) foram observados que o aumento de ßendorfina, encefalina, serotonina e dopamina provoca analgesia, sedação e a recuperação das funções motoras. Além disso, também têm efeitos imunomoduladores sobre o sistema imunológico e efeito lipolítico no metabolismo. Por esses motivos, o uso da acupuntura tem aumentado gradualmente no tratamento de síndromes dolorosos, distúrbios gastrointestinais, doenças psicológicas, transtornos da função motora e doenças metabólicas. Observa-se que a utilização da acupuntura é uma técnica de tratamento que vem melhorando a percepção subjetiva da qualidade de vida principalmente no caso de cefaleia


12 tensional (RODRIGUES, 2001). Segundo Araújo e Almeida (2009) a razão não esta apenas em

seu efeito analgésico mas também em seu potencial de cura. Segundo Magalhães e Rocha (2007), a acupuntura pode promover a diminuição considerável dos sintomas álgicos nos casos de dores crônicas, promovendo o restabelecimento precoce das atividades. A eficácia do tratamento analgésico da acupuntura se deve a liberação de opióides endógenos.

Os resultados de pesquisa realizada por Mizuno e Corral-Mulato (2013) evidenciam que a acupuntura é eficaz no tratamento da cefaleia, reduzindo a necessidade de medicação, proporcionando analgesia, relaxamento, promovendo a liberação de opióides, produzindo efeitos homeostáticos e harmonizando psicologicamente o indivíduo. A acupuntura é destacada como uma terapia não medicamentosa efetiva para tratar a enxaqueca. Pois, além de controlar a dor, é uma especialidade segura, econômica e sem efeitos colaterais. Chassot (2013, p. 29), afirma que a acupuntura tem sido bastante estudada no tratamento de diversos tipos de cefaleia e esses estudos apresentam resultados controversos com relação à sua eficácia, embora a maioria sugira que a acupuntura seja mais eficaz que o placebo-sham. Assim, essas divergências com relação ao efeito da acupuntura podem ser explicadas pela limitação dos estudos, com relação ao tamanho da amostra e principalmente pela dificuldade de realização de modelos de placebo-sham confiáveis. Os tipos de placebosham utilizados variam desde a inserção minimamente invasiva a dispositivos que mascaram a inserção ou não da agulha. O estudo de Eberhardt et al. (2015), teve como objetivo comparar o efeito da aplicação de Zen Shiatsu e de acupuntura auricular na redução dos níveis de dorsolombalgias em profissionais de enfermagem que atuam em ambiente hospitalar. A pesquisa foi experimental, longitudinal, com análise quantitativa dos dados. A coleta de dados ocorreu em outubro e novembro de 2013, em hospital do Paraná. Foi aplicado um delineamento estatístico completamente casualizado para formar dois grupos com 20 voluntários cada. Os voluntários pertencentes ao grupo 1 receberam uma sessão da intervenção Zen Shiatsu e o grupo 2, uma sessão da intervenção acupuntura auricular. Para mensurar os níveis de dor, foi utilizada a escala visual analógica. Foram comparados os efeitos das duas intervenções com métodos estatísticos não paramétricos, utilizando-se o programa estatístico R para a análise dos dados. Os autores concluíram que que tanto a acupuntura auricular quanto o Zen Shiatsu mostraram-


13 se igualmente eficazes na redução dos níveis de dorsolombalgias crônicas. Este efeito se manteve por sete dias. Os estudos de Brandão et al. (2013), tiveram como objetivo avaliar o efeito da estimulação dos pontos de acupuntura na modulação da dor cefálica. Os autores realizaram um Estudo Clínico Randomizado com abordagem quali-quantitativa, realizado no período de março a maio de 2012. Avaliaram a intensidade e frequência da dor cefálica nos 18 participantes, através da Escala Visual Analógica e questionário fechado antes do início e ao final do tratamento. Resultados: Mostram quanto à intensidade de dor, a prevalência da dor intensa em 56% dos participantes antes do início das sessões de acupuntura, e após 10 sessões a prevalência passou a ser 67% de dor leve. Em relação à frequência da dor, constata-se a prevalência de frequência semanal em 56% antes das sessões e ao término apresentou uma prevalência 45% sem dor. O estudo concluiu que os participantes do tratamento com acupuntura apresentaram redução na intensidade e frequência da dor cefálica. Vieira (2010) concluiu em seu trabalho que a acupuntura produz efeitos aceitáveis nos casos de cefaleia, o autor afirma que o efeito da acupuntura para cefaleia depende das causas etiológicas e ele termina dizendo que em alguns casos quando a terapia não surte o efeito ideal, é indispensável combiná-las com dois métodos diferentes como a acupuntura sistêmica e a auriculoterapia, podendo ter um resultado muito mais eficaz.


14 4. CONSIDERAÇOES FINAIS

Conclui-se após pesquisa bibliográfica que que nos últimos anos teve um aumento significativo de indivíduos comprometendo sua qualidade de vida em decorrência da cefaleia tensional e consequentemente o aumento do uso de medicamentos alopáticos que ocasionam uma melhora momentânea, porém o uso desses medicamentos a longo prazo podem causar outros tipos de patologia. Nesse sentido, após o estudo, observou-se que técnicas em medicina tradicional chinesa como a acupuntura, apresenta um tratamento com mais probabilidade de melhoras e sem reações diversas. Conclui-se que a acupuntura, como tratamento da cefaleia, se mostrou eficaz.


15 5. REFERÊNCIAS

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Tcc carolina  
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