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www.arquidiocesedesaopaulo.org.br | 29 de abril a 5 de maio de 2014

| Especial - Edição

|3 Foto: Luciney Martins

A redação nossa de cada dia O SÃO PAULO é um meio de comunicação impresso, semanal, da Arquidiocese de São Paulo, mantido pela Fundação Metropolitana Paulista. Criado em 1956 pelo arcebispo de São Paulo à época, cardeal Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, em substituição ao então jornal O LEGIONÁRIO, nasceu no contexto de explosão dos meios de comunicação. Sendo um jornal confessional, sempre se propôs ser instrumento a serviço da união e comunhão dentro da Igreja, mostrar o rosto eclesial para a sociedade e ler os acontecimentos segundo a ótica do Evangelho e da Doutrina

Social da Igreja. Em São Paulo, respondeu aos desafios dos diferentes e sucessivos contextos políticos, sociais e religiosos da cidade. Com dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta concretizou seu sonho de tornar a Igreja presente em cada bairro da cidade e combateu o bom combate contra a dissolução dos costumes; com dom Agnelo Rossi entendeu e concretizou a descentralização do seu ministério episcopal, criando as regiões episcopais; com dom Paulo Evaristo Arns quis a Igreja presente nas periferias da cidade, enfrentou a defesa dos direitos da pessoa diante do

‘Ser a voz das pessoas que não eram pauta nos grandes veículos’ A primeira reportagem no semanário arquidiocesano, Adilson Oliveira, 42, não se esquece. Em 30 de agosto de 2004, ele acompanhou o despejo de 49 famílias de cortiços na Bela Vista, no centro. “Despejadas de cômodos de paredes sujas e esburacadas e com fios elétricos expostos, as famílias disseram que iam para a casa de parentes, morar de ‘favor’ em conhecidos ou que ‘não tinham onde ficar’”, consta na reportagem publicada em 1º de setembro de 2004. “Pode não ter sido a reportagem que teve grande repercussão, mas por conta do O SÃO PAULO sempre estar preocupado em cobrir fatos que causavam grande aflição social, creio que essa reportagem foi a mais marcante, e, salvo engano, não havia nenhum veículo de comunicação

Foto: Luciney Martins

da cidade na ocasião”. Atualmente assessor de comunicação da Câmara Municipal de Embu das Artes (SP) e repórter do site Verbo Online, Adilson trabalhou no Semanário até agosto de 2009. “O SÃO PAULO sempre primou pela cobertura criteriosa e também pelo histórico de ser a voz das pessoas que não eram pauta dos grandes veículos de comunicação”.

arbítrio da ditadura militar e imprimiu nova dinâmica ao trabalho pastoral por meio de sucessivos planos; como dom Cláudio Hummes, ao mesmo tempo em que insistia no compromisso sério de cada pessoa com Jesus Cristo, revisitou a cidade num processo chamado “Seminário da Caridade”; e com o cardeal Odilo Pedro Scherer assumiu e assume a nova evangelização e responde aos questionamentos de hoje. Verdade, justiça, solidariedade, amor fraterno, firmeza na defesa dos pequenos e fracos, clareza doutrinal na transmissão da fé, incentivo, acolhimento e apoio ao

protagonismo dos leigos na missão evangelizadora, são valores que impregnarão as páginas do jornal O SÃO PAULO.

Como é o dia a dia da redação? Tudo começa às terças-feiras, com uma reunião. Neste dia, diretor, administração, jornalistas, fotógrafo e convidados, conversam e definem as pautas para a edição da semana. A partir daí, os repórteres saem às ruas para apurar as matérias e, literamente, ‘correm atrás’ das fontes que serão entrevistadas para o jornal. Sábado, domingo, noite e dia é hora de trabalho. Durante a semana, por meio

‘O jornal sempre foi a expressão do povo marginalizado’ “Era o meu começo no jornalismo, estava recémformada, foi um grande aprendizado o trabalho”, recorda Maria Isabel da Silva, 42, que foi repórter do O SÃO PAULO na década de 1990. Atualmente gestora de comunicação institucional da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, no Estado de São Paulo, Maria Isabel diz que duas reportagens lhe marcaram especialmente: uma entrevista com um frei da pastoral dos nômades - “ele era um frade franciscano, e os franciscanos costumam ficar no convento, mas ele por ser cigano não conseguia permanecer por muito tempo em um lugar só” – e outra sobre um seminário de bioética que tratava como lidar com a morte - “eu fiz uma matéria chamada ‘A morte não

Arquivo pessoal

é tão feia como se pinta’. A bioética defende a valorização da vida e também a morte como uma coisa natural, um fechamento da vida”. A jornalista recordou que sempre foi bem recebida nas reportagens. “O jornal sempre foi muito valorizado porque era a expressão do povo marginalizado. No jornal O SÃO PAULO eles tinham realmente voz”.

da internet e de encontros pessoais, a equipe conversa sobre o andamento da edição. Mas são às segundas-feiras que o trabalho de toda a semana, vai ganhando forma e cores. E desde a manhã até a madrugada da terça-feira, jornalistas, revisora, diagramador, fotógrafo e demais colaboradores se debruçam sobre cada página do O SÃO PAULO, para que o jornal chegue à todos com notícias, artigos e reportagens de qualidade humana e editorial. Você também pode participar da elaboração do semanário da Arquidiocese. Envie sugestões, críticas ou elogios para redacao@ osaopaulo.org.br.

‘Aprendi a ter o olhar mais aguçado para os problemas sociais’ Era o começo de 2012. A Prefeitura e o Governo de São Paulo interviram na Cracolândia, visando conter o tráfico de drogas, mas os métodos violentos da ação foram criticados por parte da sociedade. “Os 1.664 dependentes que frequentam a Cracolândia, entre eles 400 residentes nas ruas da região, perambulam desconfiados como que sobreviventes. Os usuários buscam espaço entre escombros e lixo para fumar crack. O cachimbo ainda novo passa rápido de um para o outro e é logo colocado em uma sacola”, descrevia o texto, assinado por Karla Maria, 30, na edição de 10 de janeiro daquele ano. Para Karla, que trabalhou no jornal entre 2010 e 2012, essa foi a reportagem mais marcante. “Lá, tive contato com uma realidade limite da condição humana e pude ver o quão forte é o

Foto: Luciney Martins

trabalho de presença e denúncia da Igreja Católica por meio do Vicariato do Povo da Rua”, recordou. “Foi com o jornal que aprendi a ter o olhar mais aguçado para os problemas sociais, sempre norteada pelo Evangelho. Essa contribuição é inegável e por onde vou, pelos meios que passo, tento aplicar essa sensibilidade”, contou Karla, atualmente repórter da Folha Metropolitana.


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