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www.arquidiocesedesaopaulo.org.br | 23 a 28 de abril de 2014

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8 mil pessoas testemunham a Paixão de Cristo Marcos Paulo

Daniel Gomes

Reportagem na zona noroeste

O enredo é conhecido há mais de dois milênios, mas a cada Sextafeira Santa se atualiza nas encenações do Grupo Teatral Arte de Viver (GTAV). Na sexta-feira, 18, a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus voltou a ser encenada no estacionamento de um hipermercado em Taipas, na zona noroeste, diante de 8 mil pessoas. Este ano, além do GTAV, integrantes da Cia de Teatro Monfort, Comunidade Missão Mensagem de Paz e Ministério de Artes Cristo Libertador, ligados à paróquias da Região Brasilândia, junto aos atores Victor Delboni (Jesus), Carolina Lelis (Maria) e Daniel Langer (anjo Gabriel) participaram da encenação, que fez alusão à temática da CF-2014. O tráfico humano apareceu como uma das tentações da sociedade atual; Jesus foi açoitado

assim como eram os escravos; Judas indagou se muitos ainda hoje não entregam o Salvador; e Maria lembrou que as pessoas aliciadas pelo tráfico humano são marginalizadas, assim como Luciney Martins/O SÃO PAULO

foi Cristo ao ser crucificado. No início da peça, que durou duas horas e meia, incluindo a procissão, dom Milton Kenan Júnior, bispo auxiliar da Arquidiocese na Região, comentou que

a encenação teatral coroava a celebração da Sexta-feira Santa nas comunidades. “Ao representarmos, contamos a mesma história de uma maneira diferente e as pessoas

prestam mais atenção quando interpretamos o Evangelho e falamos de amor e dos ensinamentos de Jesus”, opinou, ao O SÃO PAULO, Roberto Bueno, diretor da peça. A encenação foi especial para a atriz Carolina Lelis, 24. Evangélica, ela interpretou Maria pela primeira vez. “A história de Jesus é importante para nós, cristãos, e foi muito interessante estudar sobre Maria, uma das figuras mais presentes no catolicismo”. Para Márcio Souza, 44, ator da peça desde a primeira encenação, há 18 anos, “o mais importante é que sempre a gente consegue passar a mensagem da Paixão de Cristo para as pessoas, evangelizá-las”. “Todo ano saio emocionada e reavivo minha fé”, garantiu Inês Francisca de Souza, 63, que junto à multidão bradou ao fim da encenação: “Rei, Rei, Rei, Jesus é nosso rei”.

No Povo de Rua, as dores do Crucificado Edcarlos Bispo

reportagem no centro

“Povo de Rua, 1º eliminado da Copa”, com camisetas onde era possível ler essa frase, dezenas de grupos que realizam trabalhos com moradores de rua, juntamente com o Vicariato Episcopal do Povo da Rua da Arquidiocese de São Paulo, realizaram na Sexta-feira Santa, 18, a “Via Sacra do Povo da Rua”. “O clamor tem que ser mais forte esse ano [por causa da Copa], por isso as camisetas. O Povo da Rua é o primeiro que é posto fora é tratado como lixo. De mil maneiras, dizemos que a

exclusão foi do hostil para o gentil”, afirmou o padre Júlio Lancellotti, vigário episcopal para o Povo de Rua. Com saída da praça do Patriarca, ao lado da Prefeitura de São Paulo, a procissão percorreu os pontos históricos da cidade, passou por prédios ligados a órgãos públicos, como a Secretária de Segurança Pública e o Tribunal de Justiça de São Paulo. À frente da Via-Sacra, um morador de rua encenava Jesus Cristo, que carregava sobre seus ombros a “Cruz do Povo de Rua”, com dezenas de nomes de moradores de rua assassinados ou que perderam a vida por conta do

descaso do Poder Público. No Largo São Francisco, diante de uma das faculdades de direito mais famosas do País e que, como salientou padre Júlio, forma uma grande parte dos advogados, juízes e promotores brasileiros, foi realizado um momento de oração em memória de Wilson Santana, morador de rua, que no dia anterior havia morrido nas calçadas da capital. Para o padre Júlio, os poderes públicos devem se voltar para o povo e ouvir o seu clamor, pois “ou eles se voltam para o povo ou eles ficaram sozinhos como o poder que não se sustenta, que a traça corrói e vai cair”, afirmou.

No Minhocão, fiéis rezam pelo fim da violência e da exploração Nayá Fernandes Reportagem no centro

Enquanto uma senhora, em situação de rua, gritava com um cachorro que passava perto dela, o grupo dos fiéis da Paróquia Nossa Senhora da Consolação se unia à outros das paróquias São Geraldo e Santa Cecília para um momento de oração e caminhada na Sexta-feira Santa, 18. A Via-Sacra começou em frente à Paróquia Nossa Senhora da Consolação e seguiu pelo Elevado Costa e Silva, o Minhocão, até a Paróquia Santa Cecília. Quando os fiéis passaram pela senhora, que antes gritava, ela permaneceu de joelhos, sobre o pedaço de papelão, com as mãos postas e em silêncio, chamando a atenção de todos. Do outro lado,

um senhor, que provavelmente só passava por ali, tirava o chapéu como se estivesse dentro da igreja. Enquanto rezava-se cada uma das estações da Via-Sacra, preparada pelo padre José Augusto Schrammum, pároco da Paróquia São Geraldo, um grupo de jovens da Paróquia Nossa Senhora da Consolação encenava paralelamente à crucificação de Jesus, o caso de um grupo de jovens traficados, para chamar atenção sobre o tema da CF-2014: “Fraternidade e Tráfico Humano”. Em meio aos prédios, padre José Roberto Pereira, pároco da Paróquia Nossa Senhora da Consolação, lembrou que ali existem muitas casas de prostituição e que, talvez, pessoas estejam sendo exploradas. Também lembrou

Luciney Martins/O SÃO PAULO

que, naquela região, durante a semana, há muito tráfico de drogas e violência urbana. “Peçamos a Deus que olhe para todas as pessoas do nosso bairro e que passam por este elevado, tão importante

para a cidade”, disse o Padre. Marcelo Rosas, que estava fazendo exercícios físicos por ali, parou para ver os fiéis e começou também a rezar com eles. “A Igreja está saindo às ruas. Isso é mui-

to importante, principalmente no centro de uma cidade tão grande como São Paulo”, opinou. A Via-Sacra terminou com o encontro dos fiéis de todas as comunidades na Paróquia Santa Cecília.

Josp 2999 pag 15  
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