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O SÃO PAULO 22 a 28 de janeiro de 2013

Geral

www.arquidiocesedesaopaulo.org.br

Livro sobre dom Angélico Bernardino será lançado dia 8 “Dom Angélico Sândalo Bernardino – Bispo profeta dos pobres e da justiça” é o título do livro que será lançado em 8 de fevereiro, às 19h30, na Paróquia São Francisco de Assis (avenida Miguel Rachid, 997, em Ermelino Matarazzo), recordando o pastoreio do bispo emérito de Blumenau (SC) e ex-auxiliar da Arquidiocese de São Paulo.

Junto ao povo, dom Angélico festeja 80 anos

Arquivo pessoal

Em missa em SP, bispo reafirmou amor a Deus, à Igreja e aos mais pobres DANIEL GOMES REPORTAGEM NA ZONA NOROESTE

quando o Bispo conseguiu que o operário fosse sepultado dignamente. “O vinho que o senhor nos ensinou a beber, dom Angélico, nos transformou em homens e mulheres com coragem, com fé, com perseverança, acreditando naquilo que é a maior verdade do Evangelho e que escolhestes como teu lema, nos ensinando que Deus é amor”. Após a comunhão, o Bispo recebeu homenagens e mensagens de felicitação, entre as quais a do cardeal dom Paulo

Evaristo Arns (veja abaixo), arcebispo emérito de São Paulo, recordou a própria trajetória e revelou o que o motiva diariamente. “O que me empolga na vida é esse amor profundo, que eu sinto, do fundo do meu coração, por Jesus”, expressou, “a grande alegria da minha vida é conhecê-lo, amá-lo, é poder proclamar com entusiasmo na Igreja, minha mãe e mestra, o seu Evangelho de amor e estar a serviço do Reino”, complementou.

O aniversariante também reafirmou seu amor aos mais pobres, “aprendi dos pobres o caminho de Jesus, o caminho da Igreja, e nosso caminho é o do Evangelho, é de sermos andarilhos do Reino, irmos ao encontro dos degradados, dos presos, dos famintos, dos drogados, dos prostituídos, e anunciar a eles que vale a pena vivermos em paz, no reino de paz”; e disse não temer o passar dos anos. “Tenho garantida, por Jesus, a vida eterna”.

“O dom dos pobres” - dom Angélico Sândalo Bernardino - festejou 80 anos de vida na sábado, dia 19, em missa na qual “os pobres do dom” – amigos e parentes – lotaram a Paróquia Santos Apóstolos, na Região Episcopal Brasilândia. Como lembrou o Bispo no começo da missa, foi uma celebração para “louvar com alegria a Deus pelo dom da vida”, mas também, como indicava o comentário inicial, Luciney Martins/O SÃO PAULO foi dia de rememorar a atuação de dom Angélico junto aos trabalhadores e aos excluídos e nos serviços de evangelização na Arquidiocese de São Paulo, como bispo auxiliar, entre 1975 e 1989 na Região Leste 2 (atual Diocese de São Miguel Paulista), e entre 1989 e 2000 na Região Brasilândia, e também na Diocese de Blumenau (SC), onde é bispo emérito. Com o aniversariante, concelebraram os bispos dom Pedro Stringhini, de Mogi das Cruzes (SP), dom Antônio Gaspar, emérito de Barretos (SP), dom Fernando José Penteado, emérito de Jacarezinho (PR), dom José Negri, de Blumenau (SC), e os auxiliares de São Paulo, dom Sérgio de Deus Borges e dom Julio Endi Akamine. Dom Angélico lembrou que dom Milton Kenan Junior, auxiliar da Arquidiocese para a Região Brasilândia, DOM ANGÉLICO SÂNDALO BERNARDINO não foi à missa, pois Nascimento: 19/01/1933, em Na Arquidiocese de SP: foi vigário Posse na Diocese: 24/06/2000. estava em Roma. Saltinho (SP). episcopal nas regiões Leste 1 (atual Renúncia do bispado: 18/02/2009. Os leigos tiveram Ordenação sacerdotal: 12/07/1959. Região Belém) em 1975; Leste 2 (atual Distinções civis: Título de cidadão intensa participação Nomeação episcopal: 12/12/1974, Diocese de São Miguel Paulista) entre paulistano em 1991 e de cidadão pelo papa Paulo 6º. 1976 e 1989; e Brasilândia, de 1989 riberão-pretano, no mesmo ano; nos ritos da celebraLema: “Deus é amor”. a 2000; foi diretor do O SÃO PAULO título de cidadão blumenauense ção, incluindo a hoOrdenação episcopal: 25/01/1975, entre 1977 e 2000. em 2003; homenageado em sessão milia, que foi feita pelas mãos de dom Paulo Evaristo Nomeação como 1º bispo de solene na Assembleia Legislativa de pela teóloga Célia Arns. Blumenau (SC): 19/04/2000. São Paulo, em 2 de junho de 2000. Aparecida Leme e pelo professor Waldir Aparecido Augusti, além do padre Konrad Körner, do clero da Brasilândia. Com base no Evangelho do dia (Jo 2, PARABÉNS, DOM ANGÉLICO! 1-11), que narra o episódio em que Jesus transforma água e “Ele realmente é um profeta do nosso tem“Aos 80 anos, a serem completados hoje, vinho, os três apontaram como 19 de janeiro de 2013, nossa homenagem, po, não só aqui, mas também lá junto com a atuação do Bispo transformou família. Eu sempre me lembro de uma música nossas preces, os votos e, sobretudo, pela vidas. santa missa, oferecida por seus padres, pa- que o Milton Nascimento fez para o Teotônio Padre Konrad destacou Vilela [Menestrel das Alagoas], que vale para rentes e amigos, mas também pela juvenque dom Angélico levou cao tio: ‘Quem é esse viajante, quem é esse metude que você representa para todos nós”. rinho às pessoas da periferia Cardeal dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito nestrel, que espalha esperança e transforma de São Paulo, em mensagem. e nunca deixou de emitir sal em mel?’”. opinião. “Para nós fica isso, Fernando Bernardino, sobrinho de dom Angélico. “Dom Angélico sempre foi uma figura de de um lado, a obediência em relação à Igreja, mas também pai. Na Diocese de Blumenau, deixou a mar- “O diferencial de dom Angélico é que ele essa liberdade crítica de colaca de quem amou profundamente. Damos sempre se colocou como mais um para soborar com a Igreja, buscando continuidade a essa fraternidade, a esse mar, não como alguém que estivesse acima, formas eficientes na dinâmica mas como um companheiro que estava ali amor que tem para com todos”. Dom José Negri, bispo de Blumenau (SC). para refletir junto o que seria melhor para a pastoral”. Célia Leme enfatizou que gente para que ao mesmo tempo a Pastoral “Ele é muito querido em Blumenau. Em o Bispo sempre se empenhou Operária conseguisse cumprir a sua missão. 2008, na época de uns tremores de terra na transformação da violência Certa vez, conferimos a dom Paulo [Evaristo que teve na região, chegou uma carreta de Arns] o título de cardeal dos trabalhadores e e da miséria e incentivou atos de transformação social. “Essa madrugada com doações. Vi a carreta e um nós fazemos o mesmo com dom Angélico, caminhada toda de Igreja, de velhinho, dom Angélico, a descarregando. para nós, ele é o bispo dos operários”. Paulo Pedrini, coordenador da Pastoral participação, de movimento, Eu cheguei, ‘dom, o que é isso?’. A lágrima Operária Metropolitana. só foi possível, porque nós corria no olho dele. ‘Meu filho, tá vendo fomos animados, motivados e aquela fila ali? Fui lá pedir uma ajuda para “Faço questão de enviar esta mensagem para abençoados pelo nosso pastor”. descarregar essa carreta, ninguém veio, expressar o grande carinho, o enorme recoWaldir Aparecido Augusti porque disse que não podia perder o lugar nhecimento por tudo que o senhor tem sido recordou a atuação de dom Anna fila’. E eu disse, ‘não, dom! Eu vou ajudar para nós, para o povo brasileiro, especialmengélico com os mais pobres da o senhor’”. te para os sofridos e injustiçados”. Luiz Carlos Costa, paroquiano da Paróquia zona leste da cidade e também Gilberto de Carvalho, ministro chefe da Casa Civil o episódio do assassinato de Nossa Senhora de Fátima, Blumenau (SC). da presidência da República, em mensagem. Santo Dias da Silva, em 1979,

Cardeal Scherer, arcebispo metropolitano, visita Haiti de 8 a 13

Impressões do Haiti DOM ODILO PEDRO SCHERER CARDEAL ARCEBISPO DE SÃO PAULO

Domingo, 13 de janeiro de 2013, festa do Batismo de Jesus. Deixei o aeroporto de Porto Príncipe, capital do Haiti, em direção ao Panamá e a São Paulo. O céu avermelhado do pôr-do-sol encerra mais um dia de tempo seco na ilha “Hispaniola”, onde Colombo aportou por primeiro no Caribe. Foi mais fácil chegar, que sair. Não só porque os controles do aeroporto foram menores na chegada, mas também porque um pouco do coração ficou no Haiti, depois dos dias passados por lá... As coisas ainda andam pesadas e bastante precárias para a população. Disseram que já melhorou muito! A cidade de Porto Príncipe e toda a região sacudida pelo violento terremoto de 12 de janeiro de 2010, ainda mostram as feridas profundas, abertas pelo cisma. Dá para imaginar como ficou o país, que já era o mais pobre da América antes do terremoto, onde morreram mais de 300 mil pessoas, conforme cálculos aproximativos apresentados por lá. Entre elas, também doutora Zilda Arns, em plena missão da Pastoral da Criança. Grande parte das casas ruiu ou foi seriamente danificada. As ruas já foram desobstruídas e os escombros, removidos. Boa parte do povo vive debaixo de tendas ou abrigos improvisados, formando imensas favelas. Mas a vida quer voltar à normalidade, mesmo que a duras penas. As ruas fervilham de vida, de tráfego, de gente, de confusão... Na rua, vende-se e se compra de tudo; ali se trabalha como dá, cozinha-se, come-se e também se anda... Calçadas cheias, muros e árvores servem de vitrine e cabide para tudo, roupa, móveis, sapatos... Frutas, ovos, carvão, gasolina, móveis, tudo se acha na calçada. A vida quer retomar, mesmo de maneira caótica, nervosa, simpática. O transporte coletivo é feito de formas criativas e alternativas. Predominam os “tap-tap”, uma espécie de caminhonete pau-de-arara, apinhadas, penduradas de gente, que enfrenta os maiores sacrifícios para se deslocar num trânsito que nada perde para o de São Paulo em lentidão, nas horas de pico... Tem “tap-tap” de todos os tamanhos e enfeites, andam por toda parte, custam pouco, sempre cheios! Não se reclama, o povo viaja calado, agarrado em algo para não cair; gritam moto-

ristas e cobradores para atrair passageiros ou para cobrar a passagem... Ruas ainda precárias, muito pó, nesta época não chove. A vida vai vencendo a morte e a dor. Com arte, música e mística. Crianças arrumadinhas, com uniformes bem apresentados, “maria-chiquinha” em quantidade nos cabelos das meninas... São lindas e cheias de autoestima, porque vão para a escola! Impressiona a quantidade de crianças e jovens; quase não se veem pessoas idosas. Para um país que sofreu um desastre natural tão trágico, admira ver poucas pessoas com deficiências ou lesões físicas. O povo é, na sua quase totalidade, descendente dos africanos levados para a ilha pelos mercadores de escravos durante o período colonial francês. O gosto pela arte e a beleza está retratado no artesanato e nas telas de artistas populares, muito coloridas, com cenas da vida cotidiana e que enfeitam os muros, à espera de algum comprador. Gostam de música, vozes afinadas, ginga africana, ritmos do Caribe. O país tem muitos problemas sérios a enfrentar; precisa superar a pobreza e avançar na organização e coesão social. É um povo de valor, que luta com os poucos meios que tem, mas depende ainda de muita ajuda e solidariedade internacional. As forças de paz da ONU, que também contam com um contingente brasileiro, são ainda necessárias para assegurar a delicada e difícil transição para a normalidade. Uma força policial do próprio país está sendo formada e preparada, sob a supervisão da ONU, para assumir gradualmente a ordem e a segurança da população. Tudo requer tempo e paciência! As casas do povo ainda estão à espera de reconstrução ou reparos; também os espaços administrativos do governo, escolas, igrejas, casas paroquiais... Grande parte das igrejas desapareceu e as celebrações são feitas debaixo de tendas e coberturas provisórias. Assim também a própria catedral da cidade. Tudo requer tempo, projetos, recursos... A vida é cara no Haiti; a maior parte dos alimentos ainda é importada; material de construção também... Mas a vida tem pressa e tem sua dinâmica própria... O luto vai cedendo o lugar à luta pela sobrevivência. Há esperança para o Haiti. Mas ela depende de ajuda. Muita ajuda!


Josp2936 22 a 28 de janeiro 13 pag a6