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Daniel Figa


A proposta deste ensaio consiste no manuseio de imagens e palavras com o objetivo de possibilitar, mediante tal composição, algo que resulte na imagem-palavra; entidade terceira, distinta e não menos importante. Tempo e memória: um convite ao olhar, exercício da imagem-palavra.


Espiar o tempo, expiar a mem贸ria


Tempo de plumas, sorriso plúmbeo, à espreita na soleira do quase acaso faz reverências à multidão que perfila sobre o semi traçado da morte calcado na calçada dos devaneios: carne, osso, giz e, por fim, carvão.


Eis a coexistência plena e pacífica do que eternamente perece e do que se esquece; embate e acalento, feito a sílica abissal e inamovível em água salgada.


Amargura intrínseca do não mais ter o amálgama vívido dos sentimentos. Que outrora eram. Sacro e inconfesso ao gosto da razão: se me perguntam sobre o tempo,


jรก o esqueรงo.


Tempo titânico, condição cíclica de Sísifo, carrega sobre os ombros a pedra ígnea da memória.


Apesar de negรก-la.


Anamnese, vingada em contrapartida, grotesco reflexo na face ruborizada de Narciso; desvela todos os antigos feitos em silĂŞncio cometidos.


Em entrelinhas daquilo que não é dito: Aqui tendes, ó estirpe! Fartai por completo de vossas imagens, repletas de toda pena e resignação.


Biografia

Daniel Figa nasceu em 1983 na cidade de Birigui, interior de São Paulo. Atualmente vive e trabalha em Campinas e no Rio de Janeiro. É graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Ouro Preto/MG, Mestre e Doutorando em Filosofia da Educação pela Universidade Estadual de Campinas/SP. Estudou fotografia na Escola de Artes Visuais do Parque Lage/RJ e no Ateliê da Imagem/RJ. danielfigalves@gmail.com


Espiar o tempo, expiar a memória  

Portfólio de Daniel Figa, pesquisador e entusiasta das questões imagéticas.

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