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CONSTITUCIONALISTA 80 anos da Revolução REGISTROS DA EXPOSIÇÃO

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SUMário Palavra do Presidente 06 Apresentação - Curador - Ricardo Oriá 07 Av. 23 de Maio - São Paulo/SP 09 A guerra entre os Brasileiros 11 A morte dos estudantes: M.M.D.C. 13 A mobilização da população: “Ouro para o Bem de São Paulo” 16 O soldado constitucionalista é o novo bandeirante! 19 Os voluntários – o jovem estudante José Getúlio Lima (1908-1975) 20 O cotidiano da guerra: 23 - Na cidade de São Paulo 23 - Nas trincheiras 27 Armas e equipamentos usados nos conflitos 30 - Matraca 32 - Capacetes de Aço 33 - O rádio: a batalha sonora 38 - A Imprensa 39 - Aviões 40 As batalhas travadas 44 O Obelisco - mausoléu do soldado constitucionalista 46 Av. 9 de Julho 51 Revolução de 1932 - O que resultou? 53 A derrota dos paulistas: Vencedores morais 54 O saldo da guerra 55 As eleições para a Constituinte de 1933 58 Os Lugares de memória 58 O poeta da revolução: Guilherme de Almeida (1890-1969) 62 O que a história oficial não contou? 65 A participação das mulheres 66 Maria Soldado: a mulher paulista no front de batalha 68 A Legião Negra: a participação de pelotões de negros e índios 70 A participação das crianças: o batalhão mirim 72 E a classe Operária? 73 A escrita da História: diferentes interpretações 74 Registros da Exposição 78 Referências Bibliográficas 82 Ficha Técnica 83


Palavra do

APRESENTAçÃO

Presidente A comemoração de fatos históricos diz muito acerca das demandas que as sociedades esperam ver atendidas. Passados oitenta anos da Revolução Constitucionalista de 1932 e a par das diferentes interpretações relacionadas a essa verdadeira guerra civil, não podemos deixar de considerar que ela colocou na ordem do dia a necessidade de retorno imediato à legalidade, uma vez que a Revolução de 1930 fechou todas as casas legislativas, suspendeu eleições e inaugurou um governo provisório que legislava através de atos normativos. Após o fim da Revolução de 1932, Getúlio Vargas, no comando do governo provisório, confirmou a convocação de uma assembleia constituinte exclusiva para restabelecer a ordem democrática no país. A terceira constituição brasileira, a segunda do regime republicano, foi elaborada na sede da Câmara dos Deputados, no Palácio Tiradentes, na então capital – Rio de Janeiro. Ela contou com a participação de 254 constituintes e, pela primeira vez na história, com a presença feminina. Embora tenha tido vida efêmera, devido ao golpe de 1937, impetrado pelo presidente Vargas, devemos reconhecer sua importância no contexto da história política e constitucional do país. Esta exposição tem como objetivo propiciar aos cidadãos brasileiros um momento de reflexão crítica sobre a importância de, se necessário for e a qualquer tempo, lutarmos pela Constituição de nosso país, a fim de que ela seja sempre instrumento indispensável à existência do Estado democrático de direito.

MARCO MAIA

Presidente Câmara dos Deputados

A escrita da história comporta muitas interpretações. A cada comemoração de um fato ou efeméride, novos pontos de vista são expostos ou reelaborados ao sabor das demandas do presente e dos embates historiográficos. Quando se comemora um determinado fato, o que se coloca em jogo não é apenas o passado de uma sociedade, mas, também, a maneira como essa sociedade quer se constituir no presente e projetar seu futuro. Em 1932, o Brasil assistiu a um dos maiores conflitos armados entre seus civis. O estado de São Paulo liderou esse movimento, que tinha por objetivos a derrubada do governo provisório de Getúlio Vargas, o restabelecimento da autonomia dos estados e a promulgação de uma nova constituição para o país. Revolução de 1932, Movimento de 32, Guerra Paulista e Movimento Constitucionalista são algumas das terminologias que diferentes correntes historiográficas usam para designar os fatos ocorridos entre 9 de julho e 3 de outubro de 1932. Em algumas análises mais parciais – contrárias ou favoráveis ao evento –, é possível encontrar também os termos Contrarrevolução de São Paulo ou Epopeia Bandeirante. O fato é que a terminologia que se consolidou foi Revolução Constitucionalista de 1932. A exposição CONSTITUCIONALISTA não pretende contar a “verdadeira história da Revolução de 32”, não é essa a nossa pretensão. Queremos, sim, evidenciar a relação do tema com a história da Câmara dos Deputados. Apesar de ter sido uma guerra que dizimou cerca de 800 brasileiros, não se pode desprezar o legado que ela deixou para a história parlamentar brasileira. A vitória de Vargas não impediu o fortalecimento da luta pela reconstitucionalização e, em 1933, foram realizadas eleições para a Assembleia Nacional Constituinte, o que marcou a reabertura do Poder Legislativo. Através de imagens, documentos históricos e objetos museológicos, pretendemos mostrar aspectos até então ignorados pela história oficial, ao tornar evidente a participação de mulheres de diversos segmentos sociais, dos negros, dos índios e das crianças que se mobilizaram em diferentes frentes pelo ideário da revolução. A Revolução de 1932 ainda está muito presente em nosso imaginário. Exemplo disso são as avenidas 23 de Maio e 9 de Julho, lugares de memória na cidade de São Paulo. Convidamos todos a conhecerem a exposição e esse importante fato da história brasileira.

RICARDO ORIÁ CURADOR


Av. 23 de maio

São Paulo-SP

O escritor italiano Italo Calvino disse, de forma muito apropriada, que “a cidade não conta o seu passado, ela o contém”. São Paulo, palco principal da Revolução Constitucionalista de 1932, tem inscritas em sua paisagem várias referências a esse movimento. Exemplo mais marcante disso está na denominação de ruas, avenidas e praças. No decorrer da história, as elites políticas que estavam no poder imprimiram na malha urbana nomes de personagens e fatos históricos que julgavam importantes de serem lembrados na posteridade. Logo após a revolução, iniciaram-se os estudos para a desapropriação dos terrenos às margens do Itororó, para abrir passagem até o projetado Parque do Ibirapuera. Esse caminho recebeu o nome de Avenida 23 de maio, em alusão à data de morte de quatro estudantes, transformados em heróis do movimento constitucionalista.

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A GERRA ENTRE OS

BRASILEIROS ‘‘A guerra de São Paulo começou no dia 23 de maio, o 9 de julho foi só o dia de pegar em armas.’’ (Luiz Vieira de Mello, Renda-se, Paulista!, 1932)


A morte dos estudantes: M.M.D.C. Segunda-feira, 23 de maio de 1932: num comício promovido pelos estudantes da Faculdade de Direito na Praça do Patriarca, pretendia-se assegurar a nomeação de um novo secretariado para o interventor Pedro de Toledo. Um episódio dramático exaltou os ânimos: um grupo de manifestantes tentou empastelar um jornal governista e, do confronto, quatro rapazes foram mortos a tiros, disparados da sede do jornal. Foram eles os seguintes estudantes: Mauro Martins de Almeida: nascido em São ManoelSP, era solteiro, estudante e fazendeiro na sua cidade natal. Tinha 31 anos. Euclides Bueno Miragaia: nascido em São José dos Campos-SP, tinha 21 anos de idade, era solteiro, estudante e auxiliar de cartório. Drausio Marcondes de Sousa: com apenas 14 anos, era o mais novo de todos. Era estudante e ajudante de farmácia em São Paulo. Antônio Américo de Camargo: natural da capital paulista, 30 anos, além de estudante, era comerciário em São Paulo. Casado, tinha três filhos.

Concentração de voluntários na faculdade de Direito, foco de onde emanou a revolta e onde eram distribuídas armas.

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M.M.D.C. Da abreviação de seus nomes, surgiu a sigla MMDC. Os estudantes tornaramse heróis e símbolo do movimento revolucionário. Naquela época, formou-se o primeiro batalhão de voluntários, batizado de MMDC. Para alguns autores, a sigla traduziu o regionalismo paulista, pois os soldados ressignificaram-na para mata mineiro e degola carioca, como forma de impulsioná-los a lutar contra os brasileiros dos estados vizinhos. A Lei n° 12.430, de 20 de junho de 2011, inscreveu o nome dos estudantes no Livro dos Heróis da Pátria, que está no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília.

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A mobilização da população: “Ouro para o Bem de São Paulo” “Paulistas, vós que tendes o coração de ouro, dai ouro para São Paulo.” (Luiz Vieira de Mello, Renda-se, Paulista!, 1932) Com a justificativa de que era preciso lastrear a emissão dos bônus paulistas e pagar os custos da guerra, criou-se a campanha Ouro para o Bem de São Paulo. A quinta edição do Jornal das Trincheiras, distribuído em 28 de agosto de 1932, divulgava a campanha, também denominada Ouro para a Victoria! “Prosegue com o mesmo enthusiasmo a campanha do Ouro para o bem de São Paulo, sendo vultuosos os donativos recolhidos aos cofres dos bancos encarregados de sua guarda. Milhares de pessoas de todas as condições diariamente acorrem pressurosas a levar seu concurso à causa de São Paulo.” A campanha reforçava o imaginário dos heróis bandeirantes que, ao mostrarem sua bravura, eram recompensados com ouro. Na praça do Patriarca, em frente ao Viaduto do Chá, instalou-se uma espécie de barômetro simbólico, que indicava os quilos de ouro arrecadados, com uma enorme figura de um bandeirante.

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O soldado constitucionalista é o novo bandeirante! A Revolução de 1932 transformou em bandeirantes todos os que lutavam contra a ditadura de Vargas. Só os heróis de São Paulo poderiam salvar o Brasil. Todos os paulistas se identificaram com os antigos desbravadores do sertão. Sua missão: provar a superioridade do estado e salvar o país. Assim, o soldado constitucionalista é o novo bandeirante! Diversas propagandas do movimento revolucionário tentavam associar as duas figuras históricas.

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Os voluntários – o jovem estudante José Getúlio Lima (1908-1975) A Faculdade de Direito de São Paulo, localizada no Largo de São Francisco, era considerada o berço civil da Revolução de 1932. Muitos estudantes que faziam o tradicional curso jurídico engajaram-se como voluntários na guerra. Um deles foi José Getúlio Lima, que cursava o 5º ano. Alistou-se na guerra como voluntário e combateu nas trincheiras. Após o confronto, engajou-se na vida política e tornou-se primeiro suplente a deputado constituinte pelo Partido Republicano Paulista (PRP), nas eleições de 1934. Chegou a assumir uma cadeira e participou ativamente dos trabalhos legislativos que resultaram na promulgação da Constituição de São Paulo de 9 de julho de 1935. Tornou-se promotor de justiça e procurador de São Paulo e dedicou-se à educação. Criou, na década de 1950, o Instituto Educacional Quinze de Novembro, destinado à readaptação de menores desamparados.

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O cotidiano da guerra: - Na cidade de São Paulo “A revolução estava no ar.” (Menotti del Picchia, A Revolução Paulista, 1932) A cidade de São Paulo tornou-se uma oficina de guerra e de prestação de serviços em torno do movimento. Foram criados diversos postos de alistamento e os jovens foram convocados a se integrarem à causa da revolução. A pressão era grande: quem não se alistasse era considerado “covarde”, “mau paulista”, “derrotista” ou “maricas”. Foram também criadas as Casas do Soldado, locais de distribuição de alimentos e fardamentos. Além da tradicional Faculdade de Direito, professores e alunos de outras escolas superiores engajaram-se na guerra. O Mackenzie College, por exemplo, cedeu suas dependências para a instalação de um grande hospital. Muitas escolas particulares e públicas suspenderam suas atividades e tornaram-se hospitais de emergência e postos de assistência aos civis. No esforço de guerra, poupou-se gasolina, requisitou-se boa parte dos ônibus e carros para uso militar e fez-se campanha para a população andar de bonde ou a pé. O transporte coletivo foi prejudicado e a iluminação pública ficou comprometida, causando transtorno à grande parte da população, sobretudo nos bairros periféricos da cidade.

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O cotidiano da guerra: - Nas trincheiras A coluna A Voz das Trincheiras do Jornal das Trincheiras traz várias cartas de combatentes relatando aos familiares o cotidiano da guerra. Na edição de nº 6, de 1 de setembro de 1932, há o relato de um voluntário do batalhão Borba Gato: “Meus caros paes ­ – Recebi as cartas, juntamente com os cigarros e chocolattes, que muito agradeço. Como estou a muitas léguas da estrada de ferro ou qualquer outra communicação, a não ser a cavallo ou a pé, só recebi o que mandou pelo correio do M. M. D. C. (...) Eu felizmente ainda vou bem; a vida aqui não é de toda má, também não vá suppôr que é uma delicia, pois durante os combates não se pode comer, nem é possivel: mas depois de passado o perigo, desforramos. O ultimo combate, e também o maior durou quase 60 horas, e o inimigo usou todas as armas, infantaria, e aviões em conjunto sem nada conseguir. (...) Embora a luta demore, fiquem certos que venceremos. Saudades a todos. Beijos à M..., R... e companhia. Um abraço de seu filho.” Além da campanha Ouro para o Bem de São Paulo, foram criadas outras, como a de capacetes de aço, binóculos, material fotográfico, livros raros, obras de arte, o “cigarro do soldado” e até mesmo a do leite Moça: “mande uma lata de leite Moça como dádiva aos soldados”.

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Armas e equipamentos usados nos conflitos Apesar dos esforços dos paulistas na mobilização, seja como voluntários no exército constitucionalista, seja na militância cívica, a probabilidade de São Paulo vencer a guerra era mínima. Isso se deve em grande parte à desigualdade no número de soldados e à falta de equipamentos de guerra, muitos deles defasados em relação aos usados pelas forças governistas. A superioridade militar das forças federais era evidente. Elas dispunham de farta munição e artilharia pesada, contrastando com a precariedade dos meios à disposição dos revolucionários. De todas as frentes de batalha vinham pedidos angustiosos de material de combate. Segundo o coronel Herculano de Carvalho, era tal a falta de munições que os soldados constitucionalistas imaginaram algo que as substituísse. Surgiu, assim, a matraca.

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Matraca

Capacetes de Aço

A matraca, “metralhadora paulista” ou “máquina de guerra” era uma caixa de alta ressonância que imitava o matraqueado das metralhadoras. A matraca era utilizada geralmente à noite para que os inimigos acreditassem numa potência de fogo e munições que não existia do lado dos revolucionários. A arma de efeito moral tencionava derrubar a moral dos inimigos e aumentar o ânimo dos rebeldes. A matraca foi inventada pelo engenheiro Otávio Teixeira Mendes, que integrou o Batalhão Piracicabanos. Além da matraca, os paulistas inventaram novas armas, como a bombarda (uma espécie de bazuca); também construíram carros lança-chamas e três trens blindados.

O entusiasmo que a fabricação de capacetes de aço trazia à mobilização civil aparece em vários números do Jornal das Trincheiras. De cartas de operárias que produziam os capacetes dos combatentes à quantidade de capacetes produzidos: tudo era assunto para matérias. A segunda edição do Jornal das Trincheiras expõe: “A proteção à vida dos soldados constitucionalistas, dando-lhes os meios mais eficazes de defesa, não é só um dever de humanidade, que todos os paulistas tém cumprido religiosamente, mas também um elemento utilíssimo para aumentar poderosamente a eficiência das nossas armas. Todos os dias, sem desfalecimentos, o povo de S. Paulo acorre em massa aos pontos de recebimento de contribuições para os capacetes de aço, fazendo valiosos donativos para esse fim. Até o dia 16 a subscrição atingia a quantia de 922:035$700 , que permite já a acquisição de 61.469 capacetes de aço. Dentro de poucos dias, a generosidade de nossa gente terá fornecido a importância necessaria para acquisição desses preciosos objetos de defesa de todo o Exercito Constitucionalista”.

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O rádio: a batalha sonora

A Imprensa

Como o mais recente meio de comunicação na época, o rádio desempenhou papel crucial em 1932, tendo sido amplamente usado na mobilização da população como propaganda ideológica do movimento. Formou-se a Cadeia de Emissoras Paulistas, que reunia as rádios Record, Educadora e Cruzeiro, para divulgação da causa revolucionária. Instalaram-se autofalantes por todo o centro de São Paulo e, assim, o povo passou a escutar vozes que se tornaram famosas, como a do radialista César Ladeira, considerado o locutor oficial do movimento constitucionalista. Durante a revolução, a população criou paródias musicais, como forma de protesto e resistência, que eram divulgadas no rádio. Foi o caso de O teu governo não nega, Getúlio, a partir da música de Lamartine Babo, O teu cabelo não nega:

A grande imprensa paulista foi importante aliada da causa revolucionária, destacando-se o jornal O Estado de S. Paulo, além de pequenos periódicos católicos. Foi criado o Jornal das Trincheiras, redigido e publicado pela Liga da Defesa Paulista, que integrava o Órgão da Revolução Constitucionalista por incumbência do Comando do Exército Constitucionalista. O Jornal das Trincheiras era publicado aos domingos e quintas-feiras e distribuído diretamente entre as tropas constitucionalistas, nos vários setores, pelos delegados da Liga de Defesa Paulista. Além do Jornal das Trincheiras, foram também criados os seguintes jornais que apoiavam a causa revolucionária: O Farol da Revolução, Nove de Julho, A Estrela, Jornal de São Paulo e O Separatista.

“O teu governo não nega, Getúlio Que foi uma tapeação. A ditadura não pega, Getúlio, Faz dela bucha de canhão. Só tens apoio dos derrotistas, Dos tenentes outubristas. Getúlio, Getulinho, por favor Desiste logo de bancar o ditador”.

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Aviões O conflito de 1932 foi o primeiro de alcance nacional a utilizar aviões como arma de guerra. De início, os aviões foram usados pelos revolucionários para espalhar proclamações por toda a cidade, com o intuito de incentivar a população a participar do movimento. Posteriormente, os aviões foram usados pelas forças governistas, para espalhar panfletos que aconselhavam s revolucionários a desistirem da guerra. O primeiro bombardeio aéreo ocorreu contra a cidade de Cachoeira Paulista e foi realizado por aviões governistas, causando grande pânico na população. Logo a seguir, outras cidades, como Campinas, São José do Barreiro, Cunha, Biri, Cubatão, Itapira e Pedreira, também foram bombardeadas. Ao tomar conhecimento dos ataques a Cachoeira Paulista, Santos Dumont, que se encontrava na cidade de Santos, já com problemas de saúde, comunicou a um amigo que estava magoado de ver seu invento trazendo morte e destruição entre irmãos, transformando-se numa maldita arma de guerra. Tal fato o levou a cometer suicídio no dia 23 de julho daquele ano no Hotel de La Plage, gerando um grande constrangimento tanto para os revolucionários quanto para os governistas.

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As batalhas travadas As operações de guerra começaram no dia 10 de julho, quando as tropas paulistas, sob o comando do coronel Euclides Figueiredo, ocuparam Cruzeiro (SP) e bloquearam o túnel que separa essa cidade de Passa Quatro (MG). Além de Euclides Figueiredo, comandaram as forças paulistas os generais Isidoro Dias Lopes e Bertoldo Klinger. De início, São Paulo esperava pelo apoio do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais, o que não aconteceu. Apenas Mato Grosso aderiu à revolução. Buri, Túnel, Vale do Paraíba (que inclui Mogi das Cruzes e São José dos Campos), Barreiro, Salto, Engenheiro Bianor, Areias e Silveiras foram as regiões em que ocorreram os principais conflitos. Aos poucos, a luta foi mostrando que o ideal paulista não tinha a consistência necessária para ser conduzido à vitória.

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O Obelisco - mausoléu do soldado constitucionalista Da Avenida 23 de maio, vê-se um enorme monumento. Trata-se do mausoléu do soldado constitucionalista, que tem o formato de um obelisco e fica localizado nas proximidades do Parque do Ibirapuera. Ele foi inaugurado no dia 9 de julho de 1955, ainda incompleto. O monumento homenageia os heróis e os mártires da revolução, o poeta Guilherme de Almeida, o tribuno Ibrahim Nobre, os nobres ideais da causa e a data da deflagração da Revolução, 9 de julho. Os autores Galileo Emendábili e Mário Edgard H. Pucci, ao dimensionarem a obra, utilizaram a simbologia do 9 com objetivo de referenciarem o 9 de julho. A altura do obelisco, da base até o topo, é de 72m (7 + 2 = 9); da cripta até o topo, 81m (8 + 1 = 9, sendo 81 o quadrado de 9).

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Av. 9 de Julho

São Paulo-SP

A avenida 9 de julho é uma das principais vias da cidade de São Paulo. Ela faz alusão ao início da Revolução Constitucionalista de 1932. Ironicamente, ela foi inaugurada em 1941, em pleno Estado Novo, por Getúlio Vargas, considerado o grande inimigo dos paulistas durante o movimento. Para os paulistas, a Revolução de 1932 é o grande marco de sua história. Ainda hoje, a cada 9 de julho, comemora-se a identidade paulista e, evocando o passado glorioso na figura dos destemidos bandeirantes, reforça-se, no imaginário popular, a ideia de que o estado de São Paulo é o maior sujeito da história do Brasil. Em 1997, o então governador de São Paulo Mário Covas decretou feriado estadual em 9 de julho para homenagear o Dia do Soldado Constitucionalista. 51


revolução de 1932

O que Resultou? “São Paulo perdeu a guerra! Bobagem pensar que o mocinho vence sempre!”. (Afonso Schimdt, A Locomotiva, 1959)


A derrota dos paulistas: Vencedores morais Desde o início da guerra, os paulistas tentavam passar a ideia de que seriam vencedores. Nunca se repetiu tantas vezes a palavra “vitória”. No entanto, em agosto de 1932, a situação militar deles já era bastante crítica. No dia 2 de outubro, foi assinada em Cruzeiro a Convenção Militar, cessando, pois, a guerra. Apesar de as interpretações acerca do movimento de 1932 serem múltiplas e de São Paulo ter sido derrotado no campo de batalha, os paulistas consideraramse vencedores do ponto de vista ideológico. Os jornais paulistas, ao publicarem a notícia do armistício, não mencionaram a derrota, chegando a considerar uma “vitória moral da Revolução”. Veja o editorial do jornal O Estado de S. Paulo, na sua edição de 4/10/1932: “São Paulo não deve desanimar. O gigantesco esforço que ele fez (...) não foi estéril. O que se encerrou ontem por um inesperado e melancólico desfalecimento de algumas tropas não foi a luta pela redenção do Brasil. São Paulo não foi vencido, nem o será. O povo (...) não afrouxou. Não recuou. Não transigiu. (...) A luta não acabou: vai transformar-se. É um Brasil novo e forte o que surgiu em São Paulo”.

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O saldo da guerra A Revolução Constitucionalista de 1932 tornou-se o maior conflito bélico da história brasileira do século XX. Foram mais de 85 mil homens nas frentes de batalha governistas, enquanto os soldados constitucionalistas não passavam de 30 mil. Em seu livro, o coronel Carvalho e Silva destaca que “num cálculo muito otimista nunca tivemos mais que 30.000 homens, isto mesmo decorrido um mês de luta”. Com o fim do conflito, o governo provisório nomeou um novo interventor em São Paulo, o general Valdomiro Castilho de Lima. A guerra deixou um triste saldo de 600 mortos entre os constitucionalistas e cerca de 200 das tropas governistas. Líderes políticos do movimento de 32 foram presos e muitos foram deportados e partiram para o exílio forçado em Portugal (37 civis e 9 militares), entre os quais estavam Júlio de Mesquita Filho, Ibrahim Nobre, Aureliano Leite, Francisco Morato, Paulo Duarte, Bertholdo Klinger, Isidoro Dias Lopes e Euclides Figueiredo.

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As eleições para a Constituinte de 1933 A Assembleia Constituinte de 1933 foi a terceira a realizar-se em nosso país. Ela nasceu dos anseios das revoluções de 1930 e 1932. Uma particularidade a diferencia das demais: foi a única, em toda a história constitucional, a ser exclusiva, com a presença de 254 deputados constituintes, e a contar em sua composição com 40 representantes de diversas profissões, escolhidos nos termos do decreto expedido em abril de 1933.

Os lugares de memória Na cena urbana paulistana, a memória da revolução faz-se presente em diversos lugares. No centro de São Paulo, no pequeno largo da Misericórdia, nº 23, construiu-se um edifício de 13 andares, que representam as 13 listras da bandeira estadual, com fronte ondulada, reproduzindo-a como que hasteada ao vento. O poço do elevador e as escadas estão instalados numa torre que representa a haste da bandeira, com os dizeres: “Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Este prédio foi construído com o ouro angariado para o bem de São Paulo em 1932”. Além das avenidas 23 de maio e 9 de julho, existem uma rua denominada MMDC, localizada no bairro de Butantã; a praça Ibrahim Nobre; e o Complexo Heróis de 1932, chamado popularmente de “Cebolão”.

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Os lugares de memória A Revolução de 32 aguçou a criatividade de nossos compositores. Muitos sambas foram compostos tendo como referência fatos desse movimento:

“Paulistinha querida, qual é a tua cor, que tanto disfarças com teu pó-de-arroz? Não é loira, nem morena, Não tens nada de mulata, paulistinha querida tua cor é 32.” (Paulistinha querida, de Ary Barroso, sucesso no carnaval de 1933)

“Meu bem, pra me livrar da matraca Da língua de uma sogra infernal Eu comprei um trem blindado Pra poder sair no carnaval” (Trem blindado, de João de Barro)

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O poeta da revolução: Guilherme de Almeida (1890-1969) O escritor Guilherme de Almeida, nascido em Campinas, foi um dos promotores do movimento modernista. Alistou-se na guerra juntamente com seus dois irmãos e escreveu inúmeros poemas para a Revolução Constitucionalista de 1932, entre os quais a letra da música O Passo do Soldado. É de sua autoria também os versos inscritos no Monumento Mausoléu do Soldado Constitucionalista. Por sua atuação inconfundível em prol do movimento de 32, é considerado “o poeta da revolução” e sua casa foi transformada no Museu-Casa Guilherme de Almeida. Além de Guilherme de Almeida, vários artistas e intelectuais apoiaram a Revolução Constitucionalista. Foi o caso da artista plástica Anita Mafalti, dos escritores Monteiro Lobato e Menotti del Picchia e do jornalista Paulo Duarte, entre outros.

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“Marcha soldado paulista, Marca o teu passo na História! Deixa na terra uma pista: Deixa um rastilho de glória!”


O que a história oficial

Não Contou?

A historiografia brasileira é marcada por diversas lacunas e omissões. Geralmente o que se escreve e o que é amplamente difundido nos livros didáticos e no ensino é a versão oficial dos fatos históricos. Que outra história podemos aprender com a Revolução de 1932?


A participação das mulheres Embora poucos livros registrem tal fato, a verdade é que as mulheres tiveram intensa participação durante a Revolução Constitucionalista, seja em ações assistencialistas, seja no cuidado com a alimentação e com as vestimentas dos soldados, seja no tratamento dos combatentes feridos. Cerca de 7.200 mulheres mobilizaram-se em várias instituições, como a Cruz Vermelha Brasileira, a Cruzada Pró-Infância e as Casas de Soldado. Muitas delas foram também trabalhar nas linhas de produção industrial, na embalagem de munição e no acabamento dos capacetes. Houve aquelas que se destacaram na linha de frente, pegando em armas. Destaque especial deve ser dado a duas mulheres: Maria Iguassiaba, nascida em São Paulo e professora de uma escola rural, e Maria José Barroso, mais conhecida como “Maria Soldado”. O Jornal das Trincheiras traz em sua oitava edição, de setembro 8 de 1932, a participação das mulheres em campo de batalha: “Soldado que era mulher – A imprensa diária registrou o seguinte curioso facto, que revela de fórma admiravel o patriotismo da mulher paulista: Das tropas commandadas pelo major Romão Gomes distinguiu-se. Combatendo quatro dias seguidamente numa trincheira, um jovem voluntario. Só depois de ferido em combate, vieram os soldados a saber que o heróico voluntario não era joven – era uma destemida paulista, que arriscaria a sua vida, ao lado dos seus irmãos de armas, pela causa constitucionalista.”

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Maria Soldado: a mulher paulista no front de batalha Nascida em 1885, na cidade de Limeira, Maria José Barroso trabalhava como empregada doméstica. Em julho de 1932, com a mobilização das tropas paulistas, Maria José abandonou os seus serviços e alistou-se como enfermeira na Legião Negra, tendo sido destacada para a linha de frente de Itapetininga. Ela não se limitou a sua função de enfermeira, tendo empunhado o fuzil e combatido em Buri, Ligiana e Itararé. Por sua atuação, recebeu o apelido de Maria Soldado. Após o término da revolução, Maria José retornou ao trabalho de empregada doméstica. Conta-se que, nos últimos anos de sua vida, vendia doces e salgados na porta do Hospital das Clínicas em São Paulo. Morreu em fevereiro de 1958.

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A Legião Negra: a participação de pelotões de negros e índios Com o início dos conflitos armados, muitos batalhões foram criados por categorias específicas, como universitários, comerciantes, operários, esportistas, professores e funcionários públicos. Alguns deles eram formados de acordo com etnias ou nacionalidades, como os batalhões italianos, portugueses, espanhóis, sírio-libaneses e índios guaranis. Estes últimos foram empregados nas tarefas auxiliares, não participando dos fronts. No dia 14 de julho de 1932, a população negra criou o batalhão “Legião Negra” ou “Pérolas Negras”, como ficaram popularmente conhecidos. A Legião era formada por três batalhões e chegou a possuir um efetivo de dois mil combatentes. A Legião contou também com um destacamento de índios da etnia caingangue, que viviam no noroeste do estado.

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A participação das crianças: o batalhão mirim Os batalhões infantis foram organizados nas escolas públicas e particulares, como atividades extraescolares coordenadas pelo professorado em apoio ao movimento. Porém, a grande maioria desses exércitos formou-se espontaneamente pelos bairros da capital e do interior paulista, principalmente por crianças mais pobres, filhas de operários e trabalhadores não qualificados. As crianças desfilavam com faixas e cartazes muitas vezes otimistas, como “Hoje, uma esperança. Amanhã, verdadeiros!”, “Tudo por São Paulo e o Brasil”, “Constituição ou morte!”, “Estamos prontos para partir junto ao Catete” e, talvez, o mais conhecido de todos e que acabou por se tornar o verdadeiro lema dos garotos de São Paulo: “Se for preciso, nós também iremos!”. As forças militares governistas também se utilizaram de crianças. Em 1932, uma grande seca castigou o nordeste brasileiro. Os interventores dos estados advertiam que uma possível vitória dos revolucionários levaria à suspensão da ajuda federal aos flagelados. Assim, as forças governistas contaram com milhares de retirantes “voluntários”, inclusive crianças e adolescentes.

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E a classe operária? “A classe operária é a grande ausente, quer do movimento constitucionalista de 32, quer da construção de sua memória.” (Petrônio José Domingues, Os Pérolas Negras, 2003)) Apesar de São Paulo possuir, na época da revolução, um incipiente parque industrial e abrigar o maior número de trabalhadores urbanos, durante os três meses de guerra, não se fez menção à classe operária. No entanto, a elite paulista em nome do ideário revolucionário constitucionalista e liberal não se descuidou da vigilância das fábricas e da repressão aos líderes do movimento operário. O importante era passar a ideia de uma São Paulo unida em torno de um mesmo ideal, escamoteando, assim, os conflitos de classe latentes e as desigualdades e contradições sociais existentes.

A escrita da História: diferentes interpretações “A revolução paulista transformou-se, calados os canhões, numa guerra literária. Gastaram-se mais palavras para descrevê-la do que fitas de metralhadora para sustentá-la”. (Menotti del Picchia) Revolução de 1932, Movimento de 32, Guerra Paulista e Movimento Constitucionalista são algumas das terminologias que diferentes correntes historiográficas usam para designar os fatos ocorridos entre 9 de julho e 3 de outubro de 1932. É possível encontrar também os termos Contrarrevolução de São Paulo ou Epopeia Bandeirante. O fato é que a terminologia que se consolidou foi Revolução Constitucionalista de 1932.


Registros da Exposição: Constitucionalista - 80 anos da Revolução de 1932 Visitação: de 3 a 26 de julho de 2012 Local: Corredor de acesso ao Plenário Ulysses Guimarães, do Palácio do Congresso Nacional - Câmara dos Deputados.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICOS 1. ABREU, Marcelo Santos. Os Mártires da Causa Paulista: culto aos mortos e usos políticos da Revolução Constitucionalista de 1932 (1932-1937). Tese de doutoramento. Rio de Janeiro: UFRJ/IFCS, 2010. 2. BEZERRA, Holien Gonçalves. O jogo do poder: Revolução Paulista de 32. São Paulo: Moderna, 1988. 3. CAPELATO, Maria Helena. O movimento de 1932: a causa paulista. São Paulo: Brasiliense, 1981. 4. CARVALHO, Affonso de. Capacetes de Aço. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1933. 5. CINTRA, Paulo Cunha. Revolução Paulista de 1932: a história de um combatente. São Paulo: TRIOM, 2004. 6. DAVIDOFF, Carlos Henrique. Revolução Constitucionalista de 1932. In: Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. Disponível em: http://cpdoc.fgv.br/acervo/dhbb. Acessado em 12/3/2012. 7. DE PAULA, Jeziel. 1932: imagens construindo a história. Campinas/Piracicaba: Editora Unicamp/Editora Unimep, 1998. 8. DEL PICCHIA, Paulo Menotti. A revolução paulista: através de um testemunho do gabinete do governador. São Paulo: Rev Tribunaes, 1932. . A longa viagem: 2ª etapa. São Paulo: Martins, 1972. 9. DUARTE, Paulo. Mário de Andrade por ele mesmo. São Paulo, HUCITEC, 1977. 10. DOMINGUES, Petrônio José. Os ‘Pérolas Negras’: a participação do negro na revolução constitucionalista de 1932. Disponível em: http://www.afroasia.ufba.br/pdf/afroasia_n29_30_p199.pdf. Acessado em 23/3/2012. 11. FIGUEIREDO, Euclydes. Contribuição para a história da revolução constitucionalista de 1932. São Paulo: Martins, 1977. 12. FILHO, Paulo Nogueira. A Guerra Cívica 1932. Vol. I e II. Rio de Janeiro: José Olympio, 1965. 13. HILTON, Stanley E. A guerra civil brasileira: história da Revolução Constitucionalista de 1932. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982. 14. HORTA, Paula (org.). A cidade lidera uma revolução: “Revolução Constitucionalista” ou “Contra-revolução”. In: História da cidade de São Paulo. Vol. 3: a cidade na primeira metade do século XX. São Paulo: Paz e Terra, 2004. 15. MARTINS, José de Barros. Álbum de família 1932. São Paulo: Livraria Martins Editora, 1954. 16. MELLO, Luiz Vieira de. Renda-se, Paulista! São Paulo: S.C.E, 1932. 17. PESTANA, Maurício. Revolução Constitucionalista em quadrinhos. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009. 18. POLETTI, Ronaldo. Constituições Brasileiras. Vol. 3. Brasília: Senado Federal, 1997. 19. PONTES, José Alfredo Vidigal. 1932 – o Brasil se revolta: o caráter nacional de um movimento democrático. São Paulo: Editora Terceiro Nome, 2004. 20. SANTOS, Marco Cabral dos; MOTA, André. São Paulo 1932: memória, identidade e mito. São Paulo: Alameda, 2010. 21. SCHIMDT, Afonso. A Locomotiva. São Paulo: Zumbi, 1959. 22. SCHUMAHER, Schuma; BRAZIL, Érico Vital. Maria José Bezerra. Dicionário Mulheres do Brasil. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000. 24. SILVA, Hélio. O Ciclo de Vargas: 1932 a guerra paulista. Vol. XI. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1967. 25. VERSIANI, Maria Helena (Org.). A Res Publica Brasileira. Rio de Janeiro: Museu da República, 2010. 26. VILLA, Marco Antonio. A Revolução de Constitucionalista de 1932: Constituição e cidadania. Vol. I. São Paulo: Imprensa Oficial, 2010. . 1932: imagens de uma revolução. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.

JORNAIS Jornal das Trincheiras: periódico publicado pela Liga da Defesa Paulista, que integrava o Órgão da Revolução Constitucionalista por incumbência do Comando do Exercito Constitucionalista em São Paulo. A redação e a administração ficavam na Rua João Briccola, nº 10, Prédio Pirapitinguy, 4º andar, salas 426-428. O Jornal das Trincheiras era publicado aos domingos e às quintas-feiras e distribuído diretamente entre as tropas constitucionalistas, nos vários setores, pelos delegados da Liga de Defesa Paulista.

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Catálogo 1932  
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