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E STA D O D E M I N A S

D O M I N G O ,

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D E

A B R I L

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ECONOMIA

EDITOR: André Garcia EDITOR-ASSISTENTE: Marcílio de Moraes E-MAIL: economia.em@uai.com.br TELEFONE: (31) 3263-5103

IMAGINE UM LUGAR ONDE O PREÇO DOS SERVIÇOS SOBE MAIS QUE NOS OUTROS. PARECE FICÇÃO, MAS ACONTECE EM BH

Estacionamento

Médico Dentista

14,23%

10,63% 8,79%

Refeição fora de casa

Manicure Cabeleireiro Depilação

Gasolina Álcool combustível Ônibus intermunicipal Passagem aérea

18,90% 13,90% 13,51%

11,57% 13,95%

Hotel

7% 11,32% 6,74% 65,06%

Boate e danceteria 9,25% Jogos de azar 10,67%

Aluguel Conserto de máquina de lavar e secar Conserto de bomba d’água Empregada doméstica TV a cabo

Clube Ginástica Natação Ingresso para jogo

12,69% 16,95% 22,63% 10,33% 12,67%

Motel

24,88% * Variação de preços nos últimos 12 meses na Grande BH, medida pelo IPCA/IBGE

Transporte escolar 10,63% Educação infantil 9,22% Ensino fundamental 8,78% Curso de informática 15,13%

N

“O preço do salão está cada vez mais salgado.”

FALA, MORADORA

■ Audrey Coimbra, professora. Ela e a filha gastam, juntas, no mínimo R$ 150 por mês para fazer pé e mão.

“A conta era sempre R$ 40. Voltei outro dia e ficou em R$ 70, mas o consumo foi o mesmo.” ■ Luciana Pena, professora de francês. Ela garante que os preços quase dobraram no estabelecimento que frequenta à noite.

“O reajuste é uma necessidade, pois a região ficou valorizada.” ■ Denilde Brandão Góes, proprietária de salão de beleza. Ela diz que precisou aumentar preços por conta do reajuste de 100% do aluguel.

12,01% 10,54% 13,13% 51,29%

“Está ficando cada vez mais caro e difícil.” ■ Maria Nilza Lima Silva, faxineira. Ela gasta quase 40% da renda para ir e voltar do trabalho em ônibus municipais e intermunicipais.

ZULMIRA FURBINO E DANIEL CAMARGOS

acirandadepreçosquetematingidotodoopaíselevadoo governo a adotar sucessivas medidas para segurar a inflação, a Grande Belo Horizonte vem ganhando um jogo no qual quem perde são os consumidores. Gastos que pesam no orçamento das famílias, como almoço fora de casa, salão de beleza, dentista, transporte, plano de saúde, empregada doméstica e outros 70 serviços incluídos no cálculo da inflação oficial, estão subindo mais para os belo-horizontinos que para moradores de qualquer outra região metropolitana. LevantamentofeitopeloInstitutoBrasileirodeGeografiaeEstatística (IBGE) a pedido do Estado de Minas mostra que a chamada inflação dos serviços na Grande BH chegou a 8,65% nos últimos 12 meses. O índice é o maior entre as 11 regiões metropolitanas pesquisadas e superior à média nacional, de 7,7%. Aescaladadospreçosatingeserviçosespalhados pelacidadeeconsumidores de todas as classes sociais (veja na arte). Desde abril do ano passado, por exemplo, o preço das refeições em restaurantes avançou 11,57%, os salários dos empregados domésticos subiram 10,33%, o corte de cabelo encareceu 13,9%, as passagens aéreas tiveram acréscimo de 65,06%, os ingressos para jogos ficaram 51,29% mais altos e até os motéis aumentaram os preços: 24,88%. A situação fica mais complicada quando se considera o peso dos serviçosnoorçamentodosbelo-horizontinos.DeacordocomoagrupamentofeitopeloIBGE,naGrandeBHosserviçoscorrespondema37%dogasto médio das famílias. Em todoopaís, essepercentualéde35%.Considerando a inflação geral medida desde o lançamento do Plano Real, em 1994, a Grande BH também lidera o avanço dos preços no país. O Índice dePreçosaoConsumidorAmplo(IPCA)nosúltimos17anoséde307,10%, contra uma média nacional de 281,88%.

PRESSÃO Para Antônio Braz, analista do IBGE em Minas, a alta dos salários e o aquecimento do mercado de trabalho explicam em parte o aumento dos preços dos serviços. “Em muitas atividades não há mão de obradisponível,oqueprovocaelevaçãodaremuneração”,afirma.OeconomistaAndréBraz,daFundaçãoGetulioVargas(FGV),lembratambém que, com exceção do turismo, o país não importa serviços. “Não há concorrência externa”, pondera. Ele avalia ainda que a inflação dos serviços também está relacionada ao crescimento do país. “Diante do aumento dademanda,empresaseprofissionaisqueprestamserviçospagamsalários que estão em alta e isso contribui para o aumento de preços”, diz. Impulsionadapelosserviçoseoutrositensquetêminfluênciasazonal e pressionam os preços, como alimentos e o álcool combustível, a inflação não mostra tendências de arrefecimento. A consultoria MB Associados estima que a alta do custo dos serviços no país chegará a 9% no final deste ano. O percentual é bem acima do que a inflação de uma maneira geral. Para ter ideia do tamanho do problema, o Banco Central já deu sinais de que abandonará a meta de 4,5% este ano e admitiu que a pressão dos preços em geral pode chegar a 6%.


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