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ESPORTES

EULER JÚNIOR/EM

MARCOS MICHELIN/EM

EULER JÚNIOR/EM

Os confrontos entre cruzeirenses e atleticanos obrigaram a PM a escoltar ônibus com torcedores que se dirigiam ao Mineirão, que utilizaram bombas, fogos de artifício e pedras nas brigas. A polícia chegou a prender alguns

Torcedores celestes e alvinegros sequer esperam início do clássico e partem para a briga com bombas, fogos de artifício e pedras. Comércio fecha as portas antes do planejado

Centro da capital vira palco de

guerra entre torcidas EMMANUEL PINHEIRO

INGRID FURTADO E SANDRA KIEFER A violência começou cedo entre as torcidas organizadas do Atlético e do Cruzeiro. Quatro horas antes do início do jogo, por volta do meio-dia, o Centro de Belo Horizonte virou praça de guerra, com a explosão de bombas caseiras, fogos de artifício, e pedras do tamanho de tijolos atiradas em uma das sedes da Máfia Azul, na Avenida Santos Dumont. O confronto entre as torcidas rivais em dia de clássico deixou o saldo de pelo menos quatro feridos, com as camisas dos times banhadas em sangue, sendo socorridos dentro de viaturas da Polícia Militar. “Torcedor é dose. A gente marca reunião com as lideranças das torcidas organizadas e cansa de avisar dos riscos, mas não adianta”, desabafou o coronel Renato. Segundo relato dos comerciantes locais, que foram obrigados a fechar as portas mais cedo, a confusão teria começado com a provocação de torcedores da Galoucura. O boato, não confirmado pela PM, de que um integrante da torcida organizada atleticana teria levado um tiro, aumentou ainda mais a temperatura entre as torcidas rivais. “Os caras invadiram a sede da Máfia e tivemos de reagir”, afirmou um torcedor, com os ânimos bastante alterados.

■ ÔNIBUS ESCOLTADOS PELA POLÍCIA MILITAR A polícia agiu com rapidez e conseguiu controlar a confusão, escoltando os torcedores da Máfia Azul durante todo o percurso da Avenida Santos Dumont até a Rua Rio Grande do Sul, esquina com a Avenida Olegário Maciel, de onde saiu o comboio de ônibus especiais

União só para pedir cerveja DANIEL CAMARGOS

Os torcedores deram trabalho aos policiais. Atleticanos e cruzeirenses ficaram feridos, mas não houve casos graves no posto médico da Ademg exclusivamente para o Cruzeiro. Na Rua Curitiba, próximo ao shopping popular Oiapoque, embarcaram os torcedores da Galoucura, também em esquema especial. Quem estivesse usando a camisa dos times era revistado antes de entrar nos ônibus. Durante a aglomeração, um helicóptero da PM sobrevoava o Centro da cidade. No trajeto até o Mineirão, um torcedor do Cruzeiro, cujo nome não foi divulgado, caiu da janela de um ônibus na Avenida Carlos Luz, 4.300, no Bair-

ro Ouro Preto. O acidente ocorreu em frente à mata da Universidade Federal de Minas Gerais. A vítima estava desmaiada quando foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e foi encaminhada ao Hospital de Pronto-Socorro Risoleta Neves, em Venda Nova. Até a tarde de ontem, segundo a BHTrans, estavam previstos 33 ônibus para a torcida celeste e outros 17 para a alvinegra. Um ônibus escolar, alugado por 50 torcedores do Atlético, foi parado na esquina das ruas

Tamóios com Mato Grosso, no Centro da cidade. Segundo a Polícia Militar, um deles apontou um rojão para dois militares que faziam plantão no posto de observação e vigilância e, por isso, o coletivo foi impedido de continuar a viagem. Entre os passageiros, 15 eram menores. “Eles apontaram o artefato, ameaçando o posto de policiamento. Os dois agentes de segurança pediram apoio e pararam o veículo. “Assim que chegamos, mandamos todos os torcedores sentarem e apreendemos

EMMANUEL PINHEIRO/EM

O EM VIU Os pedidos de paz no clássico foram constantes. Em faixas, declarações de dirigentes e jogadores. Também foi simbolizada na entrada, em conjunto, dos mascotes de Cruzeiro, Atlético e Polícia Militar em campo (foto). Balões nas cores dos dois clubes ganharam os céus. A política de boa vizinhança foi vista também nos bastidores. AnPolicial militar mostra bomba caseira apreendida ontem à tarde

tes do jogo, os dois presidentes se abraçaram e diretores das equipes fizeram questão de se cumprimentar, nas cabines do Mineirão. A partida atraiu, ainda, a cantora de música baiana Gil, vestida com uma camisa celeste. Mas ela viu apenas o começo do clássico, pois tinha de dar seu show na Banda Mole. (Kelen Cristina)

PAULO FILGUEIRAS/EM

CONFRATERNIZAÇÃO

dezenas de artefatos. Normalmente, esse tipo de foguete não é proibido no comércio, mas é proibido o uso em jogos. O que não podemos conceber é a intenção com a qual os torcedores usam esse material. O risco de queimadura e o início de uma confusão é muito grande”, disse o tenente do Batalhão de Eventos da PM, Paulo Roberto Pereira Júnior. Durante três horas, os torcedores ficaram ajoelhados na calçada aguardando a liberação da PM. Para descobrir o culpado, policiais usaram spray de pimenta.

O único ponto em que cruzeirenses e atleticanos concordaram foi em relação à ausência da cerveja no Mineirão. Fora isso – foram contra a proibição –, as duas torcidas deram trabalho aos policiais militares. Alguns torcedores faziam força para ser confundidos com bandidos e trocavam ofensas, pedras e socos. A tensão se concentrou em frente ao hall principal, onde os cruzeirenses ficaram do lado direito e os atleticanos, do esquerdo. Mesmo separadas por cordas, as torcidas se ofendiam com gritos ensaiados e, vez por outra, atiravam bombas e pedras contra a rival. Quando o ônibus da equipe do Atlético chegou ao hall, o tumulto aumentou e um policial usou gás de pimenta para dispersar a confusão. O gás atingiu também Márcia Maria, de 56 anos, e Mara Barbosa, de 64, além de um garoto de 8 anos, que nada tinham a ver com a confusão e foram pela primeira vez ao Mineirão. A movimentação do lado de fora do estádio foi grande, pois com a venda de cerveja proibida, os torcedores tentavam espantar o calor até o último instante no bares do entorno. No estacionamento, ambulantes usavam o portamalas como estoque de cerveja e, em sacolas de feira, tentavam enganar a anunciada fiscalização. Grupos mais criativos ensaiavam um coro, fazendo uma versão da música baiana: “Cerveja, cerveja. Eu quero cerveja”.


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