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MEU [PIOR] MELHOR AMIGO DANIEL BRAZ


O cigarro causa impotência sexual, meu amigo. Cada cigarro que você fuma hoje, será um Viagra que você terá de tomar amanhã.


Fumar envelhece a pele, minha querida. Gastar uma fortuna em cosméticos não impedirá que sua “cutis” seja um lixo.


Eu nunca gostei de cigarro Minhas primeiras experiências com tabagismo foram quando eu ainda era criança e, na verdade, foram como fumante passivo (coisa que sou até hoje). O grande problema é que você não tem como fugir. O cheiro fica na sua roupa, no seu cabelo, na sua pele e no ar que você respira. Fica nos bancos do carro, nas paredes dos bares e nas jaquetas que nem foram usadas ainda. A diferença da minha época de criança em relação a hoje é que aprendi a não me estressar mais. Antes ficava irritado, achava um absurdo (ainda acho, mas não sou tão radical) e ficava de mal humor por um bom tempo. Hoje, cercado de amigos que fumam dezenas de cigarros por dia e não conseguem passar mais de uma hora sentados em uma mesa sem quase morrerem de crise de abstinência, aprendi a entender essas pessoas. Não que agora esteja tudo bem fumar ao meu lado, ou que hoje em dia eu ache o fumo muito legal, mas ok, tanto faz: eu não fumo e eles, na medida do possível, me respeitam. Por enquanto, tem dado muito certo.


O motivo disso tudo Sempre me interessei por séries fotográficas. Logo que consegui comprar minha câmera quis clicar meus amigos, mas depois das primeiras tentativas percebi que a maioria das pessoas sente uma vergonha incontrolável quando estão diante de uma lente. Observando esse monte de gente encabulada, percebi que os fumantes relaxam mais. Às vezes era mais fácil fotografar o cara fumando tranquilo do que sem cigarro e tenso. É por esse motivo que eu, um odiador nato do fumo, me prestei ao papel de ficar exposto a baforadas defumadas de uma porção de pessoas queridas durante quase um ano.


As fotos funcionavam da maneira mais simples e prática possível, para que ninguém precisasse de muito trabalho para aceitar o convite: “a gente vai fazer no dia tal. Eu te encontro no lugar que for mais fácil para você. Não precisa de maquiagem nem superprodução nas roupas. Vai normal que assim que é bom!”, eu dizia. Na maioria das vezes a informalidade do convite era o que dava mais credibilidade ao projeto. Não vou ser hipócrita e dizer que o motivo das fotos terem sido feitas com ISO altíssimo foi estética, estilo ou coisa do tipo. Os motivos são só dois e são bem simples. Primeiro: eu queria que o projeto fosse 100% iluminado pela luz ambiente e um flash estragaria toda a atmosfera “suja” de algumas fotos. Segundo: eu não tinha iluminação alguma e nem paciência para pedir flash e tochas emprestado. Sendo assim, fotografei “na raça”, confiando no equipamento que eu tinha nas mãos e no meu mínimo bom senso. O resultado é o que você vai ver nas próximas páginas.


MEU [PIOR] MELHOR AMIGO


Como você começou? Foi bem idiota. Era uma forma de manter viva a lembrança de alguém que eu amava muito e deixou a minha vida naquele momento. Como é a sua relação com o cigarro? Fumar se tornou um modo de sentir algo diferente daquilo que eu sentia em alguns momentos de extremo incômodo. Toda vez que existe algo latente ao ponto de eu não conseguir lidar, penso imediatamente em fumar um cigarro. É uma fuga, uma ilusão. O que mais incomoda em fumar? Toda tragada que eu dou é vinculada ao pensamento de “isso está me destruindo”. Sinto uma culpa muito forte. É uma destruição consciênte. Quantas vezes minha garganta ficou ruim por conta do cigarro e eu continuei fumando. Meus lábios até sangram, às vezes. É muito ambígua a minha relação com o hábito de fumar. Sei que é prejudicial mas, ao pensar nisso, sou levada aos inúmeros momentos de prazer que tive com um cigarro na mão.

ALINE MANDELLI


ERIK DAEGO Qual a melhor parte de ser fumante? O mais legal é que não temos tempo vago, o tempo é preenchido pelo cigarro! (risos) Você já tentou parar? O máximo de tempo que fiquei sem fumar foram dois meses. Só não parei porque não tive vontade. O cigarro, com o tempo, acabou se tornando um vício gostoso! Você acha que existe melancolia no ato de fumar? Em alguns momentos, sim. Sempre que fumamos colocamos a culpa na tristeza, ou nervosismo, ou até mesmo para ocupar um tempo vago. Mas, geralmente, quando há tristeza, com certeza há mais bitucas ao nosso lado. Existe algum outro motivo para fumar alguns cigarros a mais? Bom motivo, não. Mas fumar muito acaba se tornando um hábito. Por exemplo: é impossivel tomar uma cerveja e não fumar um cigarro ou ver um monte de gente fumando e não fumar.


LYGIA BORBA

O que te conquistou no cigarro? O charme de fumar! Foi isso que me fez pegar um cigarro pela segunda vez. E o charme continua existindo hoje? Não. Acabou faz tempo. Perdeu o encanto quando eu percebi que o cheiro ficava grudado na roupa, que eu ficava com bafo de cinzas e, claro, quando percebi que não dava mais para ficar sem. Como é a sua relação com o cigarro? Eu tento fumar o mínimo possível, mesmo que esse mínimo ainda seja 12 cigarros por dia. Isso se eu não estiver bebendo. Se aparecer álcool, aí acabo fumando um maço inteiro. Geralmente fumo, de sexta-feira a domingo, de 40 a 60 cigarros, mais ou menos! Esses números não te assustam? Muito e me sinto cansada só de pensar! Às vezes a gente junta uma galera e vai jogar basquete. Não dá nem dez minutos de jogo e eu já estou quase morrendo. Mas agora que o cigarro começou a ser vendido a um preço que eu não posso pagar, parar de fumar tem se tornado uma opção a ser estudada.


ERIC PAKALOLO Como foi seu primeiro cigarro? Foi em uma viagem, eu tinha 17 anos. Um amigo meu fumava e pedi um pra ele, só que não gostei. Tossi muito! Mais tarde, no mesmo dia, pedi outro, porque achava que tinha feito errado. Dessa vez foi melhor, mas, mesmo assim, não sentia nenhuma sensação boa. E hoje como é a sua relação com o cigarro? Não costumo fumar de dias de semana por causa da academia, mas de final de semana eu fumo, principalmente se estiver em alguma viagem. Minha prioridade de segunda a sexta-feira é a academia, mas nos outros dias eu gosto muito de tomar uma cerveja e fumar. É um momento relaxante.


Por que você fuma? Porque me acalma... E como você descobriu que o cigarro tinha esse efeito? Eu tinha terminado um namoro e estava triste e estressada. Minha amiga estava fumando e eu pedi um cigarro. Depois de fumar me senti mais calma e, desde então, sou fumante. E como é a sua relação com o cigarro hoje em dia? Eu odeio cigarro, mas sei que não estou preparada para largar. Não quero fumar, mas quando vejo já estou fumando. Quando a minha cabeça estiver bem resolvida e eu não precisar mais dessa fuga, conseguirei parar.

BIANCA BARATELLA


KAREN KOUCHI Por que você fuma? Eu fumo porque eu gosto! Mesmo sabendo que faz mal e que o cheiro é horrivel, fumar me preenche um vazio particular. Você já tentou parar? Nunca, mas também não penso em ser fumante o resto da vida. Por que você acha que o cigarro é tão popular entre os seus amigos? É popular na geração jovem atual, não só entre os meus amigos. Mas conviver com quem fuma desperta mais interesse. É por isso que acho que só vou parar quando terminar a faculdade. Lá é onde eu tenho mais vontade de fumar. Quando eu ficava em casa, não fumava nem metade do que eu fumo hoje.


ALINE CINCERRE Quando você começou a fumar? Vim de uma família de fumantes: mãe, pai, avós. Desde criancinha achava o máximo, tinha uma caixinha de giz de cera que era meu maço. Daí, quando a gente vai crescendo e começando a fazer merda não perdi a oportunidade e comecei a fumar. Nessa época eu ainda tinha 13 anos. O que é melhor em ser fumante? Fumar no frio, tomando cerveja, sozinha, lendo, esperando alguém. Em todos esses momentos introspectivos o cigarro é uma ótima companhia. São quase desculpas para fumar. E o que é pior em ser fumante? Quase tudo né... vicia e faz um mal do caralho dentro da gente. Pro meu fôlego ser bom, eu tenho que caminhar, nadar, andar de bike e, mesmo assim, não resolve totalmente. Sem contar as coisas “superficiais”, como ficar fedendo a cigarro, por exemplo. Qual é o melhor e o pior cigarro? Um Marlborinho Light é sempre bom, às vezes, também aprecio um cigarro de palha ou fumo solto. Mas os piores são os que vêm do Paraguay, que são fedidos e têm gosto ruim. Você disse que curte Marlboro. Se o cowboy bonitão aparecesse te chamando “pro mundo de Marlboro”, o que você faria? Ah! Se ele tirasse o chapéu, as esporas, descesse do cavalo e, quando viesse na minha direção, fosse Jhonny Depp eu ia dizer: “Gato, me dá seu fogo!”


GUILHERME BARSCEVICIUS

Qual é o grande prazer de ser fumante? Pra falar a verdade eu não curto nem o gosto, nem o cheiro, nem a sensação que causa, nem como ficam a minha garganta e a minha voz. Só que nessa bobeira de fumar todo final de semana, principalmente quando eu bebo, o cigarro se tornou um vício. Não que seja uma grande preocupação, mas eu gostaria de parar sim. Se eu vou conseguir? Isso eu não sei.


KAUÊ DELVEQUIO Qual é o melhor momento para fumar um cigarro? Depois do sexo! Cara, não existe coisa melhor e mais satisfatória do que transar. E o cigarro preenche completamente o momento. Vem com um gosto especial, tem a fumaça e tudo mais. Sério, é sensacional!


Qual é o momento perfeito para fumar? Depois de algumas bebidas tenho uma vontade incontrolável de fumar. Geralmente isso acontece quando estou com os meus amigos, conversando, rindo e esse é o momento perfeito! O que é pior em fumar? O “day after”! Eu acordo com a mão cheirando a cigarro e isso é horrivel. Aí eu sempre penso: “preciso parar com isso”, mas nunca dá certo. Nunca te vi comprando cigarros, mas você sempre fuma. De onde vêm? Sempre consigo com os meus amigos e, se der pra escolher, prefiro Marlboro Light. E você nunca compra mesmo? Nunca! Você não se sente mal? Não! (risos)

GUILHERME ZULIM


LIGIA MILLON O fato de os seus pais serem fumantes te influenciou? Não. Na verdade eu não sei se existe alguma relação genética, porque, se existe, aí sim meus pais tiveram uma contribuição. Mas comecei porque sempre achei bonito (apesar de muitos acharem feio – e claro que depende da pessoa), e sempre tive vontade de experimentar. Suas duas irmãs mais velhas não fumam. Você se incomoda com isso? Eu não me incomodo de forma alguma, elas é que se incomodam. Odeiam o cheiro, e com razão. Não gosto de fumar perto de quem não fuma porque odeio a sensação de que estou incomodando alguém. Não te assusta ser uma das pessoas mais novas nesse livro e estar na capa? Olha, não tinha parado para pensar nisso, mas assustar não assusta. Apenas não me dá orgulho. Na capa você está mordendo um cigarro. Na vida real, você “come” os cigarros ou eles é que te engolem? Boa pergunta! Acredito que aos poucos o cigarro engole a todos nós, fumantes. Não é nem um pouco saudável e, por isso, não pretendo fumar pro resto da vida.


VINICIUS DERRAIK Por que você começou a fumar? Não acredito que exista um motivo para eu ter começado, talvez por influência do meu pai e do meu avô que fumam desde antes de eu nascer ou, talvez, por influência de amigos, convivência com fumantes, não sei. Mas antes era só aos finais de semana, quando eu ficava bebâdo, mas depois foi inevitável me apegar. O que vai bem com cigarro? Coca-Cola, com certeza! Eles são como almas gêmeas. Os sabores combinam de uma forma como nenhuma outra combinação. A melhor parceria para o cigarro é a Coca, assim como a melhor companhia para uma Coca-Cola é o cigarro. Estou há seis meses sem beber refrigerante e sempre sinto falta, principalmente quando fumo o último cigarro do dia.


KARLA E FLÁVIA CARVALHO

Como foi quando a sua mãe descobriu? Flávia: Ela ficou bem chateada. Minha mãe também fuma e, por isso, disse que não é porque ela fumava que a gente deveria fumar. É a história do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, mas aos poucos ela foi aceitando. O dia da mudança foi quando ela estava sem cigarro e veio pedir um para mim. Depois disso eu comecei a ficar mais à vontade. Hoje em dia ficam as três fumando na sacada, juntas, sem problema nenhum. O que você acha que a sua mãe sente ao fumar com vocês? Karla: Acho que hoje ela não se incomoda mais. Já é normal, mas tenho certeza de que no começo ela se sentiu desapontada com a gente, e até com ela mesma. Eu sempre soube o mal que o cigarro faz e sei quando devo fumar, aonde, quando devo parar, sei administrar meu fumo. É aquela história do“louco consciente”, sabe? Mas se meu filho um dia quiser fumar, gostaria apenas que ele fosse como eu, soubesse dos males do cigarro e que tivesse consciência de quando usar a droga e quando parar... Acho que o papel da mãe é orientar o filho a fazer a coisa certa, sem impor nada!


VALDEMIR SOARES

Como é a sua relação com o cigarro? Fumo há mais ou menos 15 anos e ainda não descobri o motivo. Acho que é porque eu sou sem noção, burro, não sei. Não vivo estressado, mas um possível motivo para eu continuar fumando é que o cigarro relaxa. Gostaria de parar, mas não consigo nem ir até o banheiro sem fumar. Acho que só conseguiria largar se o médico mandasse. Nossa... pesado isso, né?


MARIANA UTIDA Por que você começou? Porque eu achava lindo o jeito como a minha mãe chegava puta do trabalho e acendia um cigarro na sacada. Qual é o melhor momento para fumar? Depois das refeições, porque, enquanto eu não fumo um cigarro, seguramente eu não paro de comer.


RUBEM SAVORDELLI Por que você começou? Eu andava com uma turma em que quase todos fumavam e eu não via sentido ou graça naquilo. Um dia resolvi pedir um cigarro para saber como era. Foi mais por curiosidade, só que depois disso eu acabei gostando. Você acha que o cigarro fode muito a sua vida? No momento não fode, mas as pessoas não cansam de me avisar que eu vou sentir os efeitos negativos quando ficar velho. E, por isso, acho que quero saber se realmente vou me foder por ser fumante hoje em dia. Vai pagar pra ver? A minha ideia é essa mesmo. Não pretendo fumar até morrer, mas acho que meu corpo aguenta até os 35 fumando numa boa... Sério? É a minha meta! (risos)


NATÁLIA IMPARATO Por que você fuma? Talvez porque eu precise muito, porque me acalma. Não sei mais o que fazer sem o cigarro, como eu vou ocupar minha mão ou o que eu vou fazer se eu não fumar. A dependência e a rotina fazem parte da vida de um fumante e para eu conseguir largar [o cigarro] preciso mudar milhões de coisas nos meus hábitos para que eu não sinta tanta falta e, no momento, eu não estou a fim de fazer isso. Ou seja, prefiro fumar! Faz mal? Faz, mas eu gosto e muito. Acho sensacional o prazer do primeiro trago, aquela tonturinha... Odeio o cheiro na roupa, mas adoro o cheiro do cigarro queimando. Enfim, eu adoro cigarro!


LEONARDO DOMPIERI Qual é o papel do cigarro na sua vida? Ele é um vicio, mas eu gosto de fumar! Gosto porque ele representa a minha hora de reflexão, a hora da minha pausa do dia. Por que você começou? Acho que foi quando passei a trabalhar muito. Fumava para me desestressar.


LARISSA PAPST Qual é a pior coisa em ser fumante? O cheiro e o gosto. Se você sai com um cara que não fuma, por exemplo, é ruim. Não me sinto muito confortável de ficar com o cara porque ele vai beijar um cinzeiro, né? Se é um fumante não tem esse problema... Já tentou parar? Consegui ficar três anos sem fumar. Tive um namorado que não me deixava por um cigarro na boca e fiquei sem durante todo o namoro. Quando a gente terminou, nossa, acendi logo quatro de uma vez para compensar. Você tem fumado muito? Sim, porque essa época de cursinho e vestibular é muito estressante. Acho, na verdade, que deveria existir um vestibular para fumantes! E como seria isso? A prova é muito estressante, quem fuma fica maluco por um cigarro e não pode. Acho que, nesse caso, a sala seria aberta, ao ar livre, e todo mundo teria direito de acender um cigarro enquanto faz a prova. Se eu pudesse fazer isso me ajudaria muito, traria mais calma, mais foco e atenção. E você fuma “cigarro de moça”, né? É! (risos) Fumo um Lucky Strike que chama Click & Roll, que você aperta o filtro e ele fica com gosto. Foi o único que eu consegui suportar, porque eu fumava Marlboro vermelho, mas estava destruindo a minha garganta. Tentei o Light, mas é uma merda. Aí descobri esse cigarro zuado, que foi o único que conseguiu me acalmar. Mas ainda tenho recaídas de Marlboro, tanto que fumo meio maço dele por mês...


ELSA VILLON Por que você fuma? Parafraseando um escritor cujo nome eu não me recordo: “gosto da fumaça entre mim e a realidade”. E cada um com as suas “dorgas”, né? Qual a melhor coisa no cigarro? A sensação de alívio após a primeira tragada. É relaxante. Talvez seja o monóxido de carbono agindo no meu organismo, não sei. Qual é o melhor momento para acender um cigarro? Quando você conta até dez para se acalmar e o dez acaba.


ALINE CAPELOSA Uma vez você me disse que gosta do cheiro do cigarro. É sério? Eu gosto mesmo do cheiro. Gosto do cheiro que fica na boca da outra pessoa, eu gosto do sabor quando tem beijo e eu gosto muito do cheiro que fica na minha mão. Beijar um cara que acabou de fumar é melhor do que um cara que comeu um chiclete? É! Primeiro vem o beijo com cigarro, depois com Trident de menta e, depois, com gosto de saliva. Teu cigarro preferido? Marlboro Light. Se aparecesse aquele cowboy bonitão te dizendo “Venha para o mundo de Marlboro”, o que você faria? No mundo de Marlboro eu já estou. Eu queria era ir para o mundo dele!


RAPHAEL DEBEI Você, que é um cara que trabalha com moda, acha que o cigarro se tornou um acessório? Acho que é meio que um acessório social. Principalmente agora, com as leis anti-fumo, o cigarro tem aproximado as pessoas em fumódromos e derivados. E o que ele é na sua vida? Um companheiro, não um amigo. Quando não estou fazendo nada, ele está lá comigo, só isso... Então não é muito importante? Já foi. Hoje em dia é mais para passar o tempo. E, às vezes, válvula de escape. Então tá fácil de parar, se você quiser? Parar eu acho que nunca vou, mais reduzir é fácil sim. Sábado eu fumei só dois cigarros o dia inteiro. Na sexta, fumei um.


O que o cigarro te traz de melhor? Por incrível que pareça, companhia. Companhia porque quando você chega sozinha em um lugar, por exemplo, e tem que esperar alguém, ou esperar o horário do seu compromisso, você acende um cigarro e nem parece que está mais sozinha. Você não é mais uma pessoa parada sem fazer nada, você tá lá, fumando um cigarro... E tem o outro lado, da companhia das pessoas fumantes! Sempre que você está no trabalho e vai fumar um cigarro com alguém, acaba falando sobre alguma coisa. Algumas conversas só acontecem no fumódromo e tem pessoas que você só conhece porque tem que passar aqueles cinco minutos ao lado dela. E quais as piores impressões que você tem quando fuma? A de sujeira! Sujeira por ser uma coisa fedida e meio nojenta. E quando você fuma, todo mundo sabe, e as pessoas que não fumam e não gostam te olham com uma cara de sujeira, de “que nojo de você”. Acho que a pior coisa é você ter acabado de fumar, voltar pra sua sala, ou pra um lugar fechado e escutar um “nossa que cheiro de cigarro” com aquela cara de nojo. É nessa hora que você se sente suja. Além disso, é uma fraqueza né?! Dá uma sensação de impotência, porque nessas horas você quer parar de fumar, mas não é tão simples assim. Você é meio que refém do cigarro, e tem que ser muito mais forte que ele pra conseguir parar.

NATALIA DE CAMILLO


Qual é a pior coisa em fumar? A pior coisa é ter que ouvir das pessoas que eu não deveria fumar. Eu sei que faz mal, mas o pulmão é meu e eu gosto de cigarro. É um saco ter que ouvir de alguém “ai, credo, você fuma”. Parece que eu estou fumando crack! Quais são o melhor e o pior cigarro que você já fumou? O melhor é Lucky Strike porque não é tão forte, nem tão fraco. Mas o pior com certeza é o Eight! O problema dele é que eu gosto de fumar tabaco, não pernas de barata. Só fumo Eight no fim do mês. Isso porque custa só R$2,00.

TATIANA GARCIA


Por que você fuma? Hoje em dia eu fumo porque virei dependente. E, apesar dos malefícios, é prazeroso e eu gosto. E por que começou? Pra ser sincera, por mais escroto que pareça ser: achava chique, sempre achei! Quando era menor, olhava as atrizes de filme e queria fumar também para “parecer” com elas. Sempre achei bonito o ato de fumar. Você, que trabalha com o mundo fashion, diria que o cigarro ainda está na moda? Eu acho que nos dias de hoje não mais! Pelo menos, não no ciclo de pessoas com quem eu me relaciono, apesar da grande maioria ser fumante. Hoje em dia, os fumantes que eu conheço não estão mais “iniciando” o vício, eles já dependem do cigarro, já têm o próprio vício e há algum tempo. Além disso, o incentivo pra parar de fumar ou nem começar, atualmente, é bem maior do que era antes.

ESTER DIAS


FERNANDA MAYUMI

Ser mãe te fez repensar o vício? Sim! Tanto que passei a fumar tabaco orgânico pra ver se consigo largar o maldito nicotinoso. Já tentou parar de vez? Parei por um tempo. Quando fiquei grávida passei um ano sem fumar. Voltei por causa do estresse, tipo uma válvula de escape, mesmo. Desde então não consegui largar. Acho que um viciado é sempre um viciado, mesmo conseguindo controlar o vício. Não consigo parar porque, na verdade, eu gosto muito de fumar! E acho que a gente só para quando realmente está a fim. E se o seu filho se tornar um fumante? Isso me preocupa bastante. Fumar é um vício maldito e, sinceramente, não gostaria que ele fumasse cigarro no futuro.


GUSTAVO DOMOKOS Quando você começou a fumar? Com 14 anos. Mas fumava para aparecer para os meus amigos. Eu nem tragava. Aos 16 comecei a aumentar o número de cigarros. Com 18, depois do término do meu namoro - minha ex não gostava - passei a fumar muito mais e, com a faculdade, a situação só piorou. Você já tentou parar? Já, várias vezes! Inclusive, hoje mesmo estou parando... Ah é? E como está sendo? Bom! Em casa eu não fumo perto dos meus pais. Como não saí hoje, não fumei. Fico um pouco nervoso e com vontade de acender um cigarro, mas como estou determinado, me seguro. E o frio ajuda ainda mais a não fumar. Sério? Como? Sério, porque como eu tenho que sair de casa para fumar, dá uma certa preguiça. Sendo assim, prefiro me segurar, mas está sendo bem difícil. Por que decidiu parar hoje? Porque ontem fumei muito. Sempre que fumo mais de um maço no mesmo dia penso em largar. Mas sempre deixo para parar de vez na segunda-feira. Infelizmente isso nunca acontece... Hoje é domingo. Tem chance de amanhã você voltar a fumar? Tem, e muita! Eu já estou com vontade agora! Acho que consigo segurar até chegar no trabalho, mas depois do almoço não vou ter como aguentar.


CAROLINA RIBEIRO

Quando você começou a fumar? A primeira vez foi com 14 anos. Tinha uma amiga fumando aqueles cigarros que têm gostinho e eu quis experimentar. Você sempre andou com gente mais velha que você. Fumar te fazia parecer mais madura? Sempre andei com gente mais velha mesmo. E sim, fumar me dava um ar de menos criança. (risos) O que você mais gosta no cigarro? Ele relaxa e ajuda em situações tensas. Por exemplo, quando você não conhece ninguem no rolê, ou esta sozinha, ele te faz companhia... Qual é o melhor momento para fumar, e com quem? O melhor momento é depois de comer ou depois de fazer sexo, e claro, tomando uma cervejinha... e a melhor companhia são as minhas amigas, sempre!


ISADORA PEREIRA Uma vez você me disse que não fuma um cigarro inteiro. É verdade? Eu aguento fumar o cigarro todo, mas não acho necessário. Minha vontade acaba quando ainda está na metade. E por que isso? Antes eu fumava mais, mas ao contrário das outras pessoas, ao invés de aumentar o número, eu dimiuí. Hoje só fumo se estou bebendo e prefiro dar uns tragos no cigarro dos outros do que pegar um só para mim.


JULIANA BRAIM Por que você fuma? Porque eu sou viciada, só por isso! Comecei por idiotice, queria aparecer, fazer cena e quando percebi já estava na merda. Eu comia, tinha que fumar. Bebia, tinha que fumar. Hoje em dia fumo sem parar... E já tentou parar? Nossa, uma seis vezes. Falhei em todas porque não aguentava ver os outros fumando. Talvez, se eu não andasse com gente que fuma, eu conseguiria parar de vez. Se aquele cowboy do Marlboro te chamasse pro mundo dele, você iria? Eu mandaria ele tomar no meio do cu! Na boa, já sou fumante e o cara quer me foder ainda mais? Vai corromper outra, eu já sou viciada!


MAYRA ROMANO Qual é a melhor combinação de bebida e cigarro? Malboro Gold Advanced com uma Brahma geladíssima! E é aquela coisa: quando você toma uma cerveja algo do além faz você querer acender um cigarro! É verdade que o melhor momento para fumar é depois do sexo? Com certeza! Porque, para um fumante, o cigarro causa uma sensação de bem-estar, ou seja, depois de uma transa bem dada, um cigarrinho é a melhor maneira de baixar a euforia! Namorar uma fumante te faz fumar mais? Sim, o cigarro tem uma liga grande, mesmo quando você termina de fumar e alguém acende um cigarro ao seu lado, você com certeza, ou vai acender outro, ou vai dar uns pegas no cigarro alheio! Qual a importância do cigarro na sua vida hoje em dia? Na verdade, como todo fumante, eu não queria ter esse vício! A importância é realmente a sensação que ele proporciona, no relaxamento, na adrenalina, parece que ele ajuda você conseguir resolver seus problemas.


TÁBATA SAVORDELLI Quando você começou a fumar? Comecei com 15 anos. Estava na festa de uma amiga e todos eram mais velhos. Sentimos vontade de fumar porque eles pareciam mais “descolados” com seus cigarros. Clichê, mas é verdade. E desde então você fuma sempre? Não. Parei em 2010 por motivos de saúde, e meu namorado na época era dentista e me ajudou muito. Porém, tive um início de ano muito difícil e perdi uma das pessoas mais importantes da minha vida. Entre outros motivos, tive uma recaída e acabei voltando, mas não contei para os meus pais. Lembro que você não queria me deixar te fotografar para livro por isso. E agora, o que mudou? Decidi contar. Minha mãe descobriu na semana passada que meu irmão mais novo fuma. Foi por um descuido dele, mas achei melhor abrir o jogo e contar também. A reação foi melhor que a esperada. Ah, é? Como foi? Ela se surpreendeu, principalmente porque nunca tinha sentido o cheiro e nem desconfiado. Ela me perguntou porque eu demorei tanto pra contar, sendo que ela sempre me deu a liberdade de dizer tudo. Eu fui sincera! Disse que sentia vergonha e medo dela se decepcionar. Mas mesmo assim eu não podia mais ficar fumando em segredo.


Pronto, acabou. Vai lรก, busca uma รกgua, abre a janela e toma um ar...


... ou, se você ficou com vontade, vai lá, acende um cigarro. Não tem problema, eu te entendo, é sério!


O que eu aprendi com isso tudo Pode parecer manjado para quem fuma, ou meio óbvio, levando-se em consideração o que o cigarro faz com o corpo das pessoas, mas fiquei impressionado ao perceber que a maioria dos meus amigos não gosta de fumar. Não esperava uma ode ao cigarro, mas também não achei que tanta gente fosse assumir de cara, sem nenhum rodeio, que fuma porque caiu na besteira de começar e agora não consegue viver sem. É provado que o poder do cigarro sobre as pessoas é imenso, só que é diferente você ver números, estatísticas e pesquisas sobre tabagismo. A situação muda de figura quando você vê esses dados aplicados na vida de gente que divide a cerveja com você, mas que nunca te chamou pra conversar sobre isso. Fumar é tão normal, faz parte direta e indiretamente da vida de tanta gente que, mesmo quem não gosta, se acostuma e convive com o cigarro. A real é que é suportável. Aprendi que parar é mais difícil do que parece, mesmo já parecendo bem foda. Também descobri que boa parte dos não fumantes que eu conheço já experimentaram ao menos uma tragada na vida. Por obra do acaso esse livro não ficou ainda maior...


Parabéns e obrigado Primeiramente é importante ressaltar que muita gente que eu procurei já tinha parado de fumar quando chegou a hora de fazer a foto. Mesmo assim, agradeço a todos que ouviram, elogiaram e opinaram na ideia inicial. Além desses, devo um “muito obrigado” a uma porção de gente que me inspirou, como a Daniela Toviansky, a Gabriela Mo, a Renata Chebel, o Edu Castello, o Felipe Gombossy e o Wel Calandria, fotógrafos que me ensinaram muito, sem querer, só trabalhando comigo, só me deixando vê-los trabalhar. É óbvio que é necessário agradecer a todos os amigos fumantes que emprestaram seus rostos a este projeto. Sem eles, não seria mais do que uma ideia sem formato. Também tenho que agradecer de coração à grande amiga Nina Borges, que revisou o livro com a paciência e a dedicação que só um amigo pode ter. Por fim, mas não menos importante, um agradecimento especial ao Celso Andrade, ao Denis Takata, ao Renato Silva e à Daniela Fogaça Salvador, meus quatro mentores e conselheiros. Vocês me mostraram que a fotografia pode ser muito mais do que essa porra toda que tem por aí. É isso!


É importante lembrar... Que não existe intenção de fazer apologia, nem de levantar bandeiras contra o cigarro. Eu não gosto, mas sem ele e a beleza que lhe é peculiar, não existira livro algum. A arte está aí, as histórias estão aí e as pessoas estão todas aí, lindas. É só isso o que importa – ao menos para mim. Obrigado.


Fala comigo, me diz o que vocĂŞ achou! braz_daniel@hotmail.com

MEU [PIOR] MELHOR AMIGO  

Livro fotográfico sobre fumantes, suas histórias e suas impressões sobre o cigarro. ** para ver maior e ler com mais facilidade, use a rolag...