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04/06/2013 De volta para casa A banda brasileira Selton, sucesso na Itália, lança o disco Saudade e relembra a terra natal sem perder as influências internacionais. Daniela Bruno Flor Quatro vozes, três línguas e muitos estilos. O terceiro disco da Selton é um pouco de tudo. A versão brasileira do cd Saudade, lançado em 26 de março pela Ghost Records, conta com dez faixas que conseguem trazer um toque tropical ao Indie, Rock e Electro do grupo e fazê-los funcionar em harmonia. Produzido por Tomasso Colliva, que já trabalhou com artistas como Muse e Franz Ferdinand, o álbum pode finalmente conquistar o espaço que a Selton procura no cenário nacional. A trajetória dos gaúchos Ramiro Levy, Daniel Plentz, Ricardo Fischmann e Eduardo Stein explica a mistura que é Saudade. Amigos de escola, foram à Barcelona para um intercâmbio durante a faculdade e tocavam covers nas praças para pagar o aluguel. Foi quando viraram atração local que um produtor da MTV italiana os convidou para trocar outra vez de destino e ir gravar em Milão. Depois de oito anos longe de casa e consolidados nos palcos italianos, o novo disco é lotado de influências das raízes do grupo no ritmo e nas letras. A divertida versão de Qui Nem Jiló (Saudade), homenagem ao rei do baião Luiz Gonzaga, é o ápice do cd. A letra original, combinada com guitarras distorcidas e trechos traduzidos para o inglês, mostra que cultura popular brasileira ainda pode soar bem aos ouvidos jovens. A faixa também conta com a colaboração do multiinstrumentista norte-americano Arto Lindsay. O que torna Saudade especial é sim a combinação da língua nativa, sem negar o sotaque, com o inglês moderno e a musicalidade do italiano. Porém, as letras escritas em puro português não deixam nada a desejar frente a outros artistas nacionais. De volta para o futuro faz um relato sincero da nostalgia e da passagem do tempo. Representa com sentimento e sem precisar apelar para o drama.


O terceiro disco mostra equilíbrio de estilos e bem mais maturidade nas composições que Banana à Milanesa (2008) e Selton (2010). Para os ouvintes tradicionais, o som alternativo da Selton pode soar estranho de início, mas é o inesperado que torna Saudade melhor a cada repetição.


De volta para casa