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SALVADOR SEXTA-FEIRA 8/10/2010

Berg Silva / Agência O Globo

GASTRONOMIA O carioca Márcio Moreira veio à Bahia para conhecer o tempero

O chef por trás das saborosas receitas do Mais Você

DANIELA CASTRO

Toda manhã há uma legião de espectadores que ficam de caderninho na mão esperando a parte final do programa Mais Você, da Rede Globo. É quando a apresentadora Ana Maria Braga mostra tudo que uma dona de casa quer em sua cozinha: receitas práticas, de baixo custo e, claro, bonitas de se ver. O que nem todo mundo sabe é que ali atrás há um certo alguém ralando, e muito, para que tudo saia perfeito – ou quase – diante das câmeras que mostram cada passo ao vivo. Estamos falando do chef carioca Márcio Moreira, que há nove anos é responsável pela criação de todas as receitas e ainda tem tempo para correr o País em busca de ingredientes para projetos paralelos. Dias atrás, ele andou dando

DEGUSTAÇÃO

Mestre do sushi comanda semana gastronômica regada a vinhos

Moreira com a apresentadora Ana Maria Braga: há nove anos preparando os pratos do programa

seus bordejos pela Bahia, onde adiantou que a edição do dia 25 do Mais Você será produzida em Salvador. Ele também veio se inteirar sobre o V Tempero no Forte, festival idealizado pela baiana Tereza Paim, que acontece de 25 de novembro a 5 de dezembro, em 30 restaurantes de Praia do Forte. “Estou muito empolgado por-

que os chefs que frequentam o evento são pessoas que admiro muito. Vou trazer e adquirir conhecimento. É como realizar um sonho de criança”, exulta Moreira, que divide a programação com nomes badalados como Flavia Quaresma, Mônica Rangel e Morena Leite. Márcio Moreira estará no comando do restaurante Sobrado

(DC) SEMANA DE GASTRONOMIA JAPONESA / QUA A TER, 20H / SOHO / BAHIA MARINA E PASEO ITAIGARA / R$ 130 E R$ 160 (COM VINHOS) / RESERVAS: 3322-4554

da Vila, onde vai apresentar receitas como pimenta recheada, lembrando o tema do festival.

Bagagem

Na bagagem para sua primeira participação no evento, ele traz uma experiência que já conta uns 20 anos – e olhe que de idade ainda são 39. “Aprendi a cozinhar na Marinha”, revela o

Boa comida familiar em boteco japonês Repórter do 2+ dcastro@grupoatarde.com.br

Há séculos o sushi ocupa lugar de honra na culinária japonesa. Mas o tempo levou a iguaria pelo mundo, ganhando releituras e incorporando tendências da gastronomia contemporânea. Uma amostra desta evolução estará à disposição do público entre os dia 13 e 19, nas duas unidades do Soho, que receberão o mestre Cris Mori para uma semana de degustação. Sushiman do famoso Empório Santa Maria, de São Paulo, Mori é reconhecido por apostar na tradição do prato. Ao mesmo tempo, porém, ele incrementa suas preparações com elementos caros aos gourmets contemporâneos, como as sofisticadas trufas e o foie gras.

Visibilidade

Márcio Moreira estará no comando do restaurante Sobrado da Vila, onde apresentará receitas como pimenta recheada

Daniela Castro

O Ponto 3 é um daqueles lugares que corre o risco de passar despercebido por quem passa com pressa ou distraído, já que fica colado ao gigante edifício Oceania. Também é preciso sorte para encontrar lugar no pequeno salão, que só comporta oito mesas. Mas, se conseguir sentar – ainda tem uns três ou quatro lugares no balcão –, aproveite a experiência de estar num boteco japonês. A definição é estranha, mas é difícil encontrar expressão que melhor descreva um pequeno bar familiar que serve da cerveja gelada ao sakê quente, do espetinho à comida oriental artesanal. É claro que a parte trivial está ali para não espantar os botequeiros convencionais. Mas o melhor mesmo é se deixar seduzir pelos pratos japonses, preparados numa cozinha subter-

De volta à vida civil, começou o processo de lapidação em cursos como o de chef internacional do Senac – Águas de São Pedro, respeitada instituições de ensino de gastronomia.

rânea pelo casal Moritaka. O menu surpreende pela variedade de opções e pelo preço camarada. O Misoshiru, sopa com tofu e algas marinhas, é uma ótima opção para começar e belisca só R$ 3,50 do bolso. Os espetinhos ocupam lugar de destaque e incluem sabores manjados, como frango e linguiça, mas também alguns inusitados como quiabo com bacon (R$ 4,10) – que, na verdade, não vem espetado, mas simpaticamente disposto num pratinho, revelando cuidado e delicadeza na apresentação. Também são bonitos de se ver os quatro rolinhos que com-

O Oshi Zushi encanta por ser absolutamente simples. É arroz, raiz-forte, chicharro e só

põem o shimeji maki (R$ 7,60), que combina cogumelo e pimentão enrolados com carne de porco. Neste caso, porém, a apresentação ganha do sabor. A carne de porco faz um papel melhor no recheio do Gyoza, pastel de massa cozida servido em porção de seis (R$ 12). É do tipo que faz você ficar com vontade de repetir. E repetir. Mas é bom guardar o que restar do apetite para um encerramento em grande estilo com o Oshi Zushi (R$ 23,50), sushi prensado que chega em oito retângulos perfeitos. O prato encanta por ser absolutamente simples, não lembrando em nada os combinados multirrecheados dos restaurantes japoneses mais badalados. É arroz, raiz forte, chicharro e só. Mas como nem tudo são flores, não se surpreenda se algum dos seus pedidos chegar muito atrasado, afinal a casa tem um único garçom. PONTO 3 SNACK BAR / AV. MARQUES DE LEÃO, 3, BARRA (3264-5272) / SEG A SAB, DAS 18H À 0H

chef, que assumiu as panelas do navio depois de topar com certas coisas desagradáveis boiando em seu prato. “Já estava cansado de passar a viagem inteira comendo biscoito”, brinca. Os colegas de tropa saíram ganhando na qualidade do rango e ele ganhou uma habilidade de cozinhar para grandes grupos.

Daí seria um passo para a assumir as panelas de vários restaurantes, até chegar à Rede Globo. “Foi um desafio. Os públicos do restaurante e da tevê são diferentes, mas igualmente exigentes. Quando alguma coisa dá errada, chove e-mail”, diz o chef, que também precisou superar preconceitos para valorizar a simplicidade. “Descobri que não existe comida ruim, existe comida mal-feita. Tudo pode ser alta gastronomia, depende de como você prepara e apresenta”, afirma Moreira, que diz trabalhar para uma “chefe exigente”. Quanto ao fato de ficar longe das câmeras, ele assegura que é motivo de alívio. “Minha criatividade funciona melhor nos bastidores. E também não tenho esse ego. O que tem que aparecer é a receita, ninguém precisa saber quem eu sou”. Mas tudo indica que o anonimato caminha para o fim. Além da frequente participação em festivais, Márcio Moreira está reunindo informações e fotos para seu primeiro livro. “A ideia é pesquisar as receitas que mais identificam determinado local, mas buscando sua história”, adianta o autor, que vai percorrer todas as capitais. A publicação deve se chamar Nossa Panela Brasil, numa alusão ao seu recém-criado blog: panelabrasil.blogspot.com).

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