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Daniel L. Werneck

Stop-Motion

Breve histĂłria do stop motion. Modelagem de bonecos e cenĂĄrios. Materiais e possibilidades estĂŠticas. 1


O QUE É “STOP MOTION”?

O termo “stop-motion” vem da língua inglesa e

descreve uma técnica de trucagem cinematográfica que permite ao cineasta utilizar fotografias estáticas tiradas em série para criar um movimento artificial. Ao invés de ligar a câmera de cinema e deixar que ela fotografe 24 imagens por segundo automaticamente, o cineasta cria cada fotograma individualmente, como um fotógrafo, criando com isso um movimento que só existe quando o filme é projetado.

Essa descrição genérica poderia ser aplicada

a quase todas as formas de animação produzidas antes do advento da animação por computador. Tanto os desenhos animados quanto a animação de bonecos ou a animação de pinturas a óleo são feitas dessa mesma maneira, usando fotos tiradas em seqüência para criar uma ilusão de movimento. No dia-a-dia, quando se fala em stop-motion, subentende-se que se trata da animação de bonecos, por ser uma técnica mais difundida e popular, mas profissionalmente esse termo pode ser usado para descrever qualquer técnica de animação direta, ou seja, em que cada frame é criado individualmente e na ordem.

A animação de desenhos, por exemplo, é feita

fora de ordem. O animador cria os quadros principais da animação, depois os secundários, e finalmente preenche os espaços entre esses desenhos com novos frames criados fora de ordem. Na animação 3D digital, os bonecos também são animados com quadros-chave, e o computador cria automaticamente as imagens intermediárias. Essas são, provavelmente, as únicas exceções: quase todas as outras formas de animação são feitas em stop motion, inclusive as técnicas de animação abstratas. Até mesmo quando o filme é desenhado diretamente sobre a película, o animador desenha cada quadro individualmente na ordem em que será exibido. 2

Ray Harryhausen trabalhando em uma de suas criaturas


ORIGENS DO STOP MOTION: O CINEMA MÁGICO DE GEORGES MÉLIÈS As primeiras invenções relacionadas ao que hoje chamamos de cinema foram aparelhos de cronofotografia criados na Europa com intuito de pesquisa científica. Astrônomos, médicos e biólogos usavam câmeras fotográficas especiais, modificadas por eles mesmos, para criar séries de registros fotográficos que seriam usados em suas pesquisas e experiências científicas. Inicialmente isso era feito em grandes discos de vidro cobertos com emulsão fotográfica, que só conseguiam registrar poucas imagens de cada vez. Quando surgiu a película cinematográfica, que permitia que as fotos fossem armazenadas em uma longa tira de papel transparente flexível, chamado de nitrato de celulose, alguns inventores e empresários, entre eles os irmãos Lumière, criaram aparelhos semelhantes aos dos cronofotógrafos que permitiam tirar várias fotografias por segundo. O mesmo aparelho que fazia esse registro também podia usar uma fonte de luz para projetar as imagens na parede, através da lente, permitindo que várias pessoas vissem as imagens ao mesmo tempo. Inicialmente esses registros de imagens em movimento eram apenas fotografias sem graça que se moviam. Os irmãos Lumière, por exemplo, só criavam filmes com cenas banais do cotidiano: um trem chegando a uma estação, um bebê comendo mingau, etc. Eles próprios não viam muito futuro para sua invenção, e achavam que era apenas uma diversão tola e sem futuro.

Georges Méliès

O famoso estúdio de Méliès

Foi preciso que um mágico ilusionista chamado Georges Méliès transformasse a câmera dos irmãos Lumière em um instrumento de arte e entretenimento, criando ilusões fantásticas e dando origem ao que hoje chamamos de cinema. Ao invés de apenas registrar acontecimentos simples do dia-a-dia, Méliès criava histórias mirabolantes cheias de seres fantásticos, conflitos entre personagens, efeitos especiais e muitos outros elementos que nunca saíram de moda no cinema. Méliès era um mágico de palco, dono de um teatro, e assistiu à primeira exibição dos irmãos Lumière em Paris. Fascinado pelas possibilidades do cinema, pediu aos irmãos que vendessem a ele uma cópia do equipamento. Pouco tempo depois, Méliès 3


já estava produzindo seus próprios filmes. Para isso, ele construiu um estúdio especial que o permitisse filmar nas condições exigidas na época, adaptando algumas técnicas de palco de teatro às necessidades das filmagens. Além dos cenários móveis e do alçapão, Méliès também construiu em seu estúdio um engenhoso sistema de roldanas e alavancas que permitia que o teto fosse aberto ou fechado dependendo da luminosidade do sol. Enquanto os irmãos Lumière e outros cineastas pioneiros filmavam acontecimentos reais presenciados nas ruas e outros locais públicos, Méliès escrevia histórias ficcionais e as encenava nesse estúdio particular. Conhecedor das técnicas de ilusionismo de palco, ele começou a explorar as possibilidades do cinema para incrementar seu número de mágica, explorando técnicas teatrais para obter resultados impactantes nos filmes. Foi em meio a essas experiências que Méliès descobriu que a câmera cinematográfica poderia criar coisas mais incríveis do que parecia. Ao invés de apenas girar a manivela e filmar o que estava acontecendo, se ele interrompesse essa filmagem e depois continuasse novamente, ele poderia facilmente criar ilusões dentro do filme, como por exemplo o aparecimento e o desaparecimento de pessoas e objetos, como num passe de mágica. Bastava filmar, interromper a filmagem, retirar ou colocar a pessoa em cena, e continuar a filmagem. Não era sequer necessário editar o filme: o truque era feito diretamente dentro da câmera. O filme era revelado na própria casa de Méliès, e depois levado ao seu teatro para ser exibido na grande tela colocada atrás do palco.

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Outro truque que Méliès desenvolveu e aprimorou consistia em cobrir uma parte

do cenário com grandes pedaços de veludo preto, filmar uma cena, rebobinar o filme dentro da câmera, cobrir o resto do cenário com veludo preto, exceto a parte coberta anteriormente, e filmar de novo, usando apenas a área não sensibilizada do filme. Assim, a parte que havia sido coberta pelo veludo preto na primeira filmagem continuava nãoexposta no filme, e quando a câmera filmava novamente sobre os mesmos fotogramas, as partes que não haviam sido sensibilizadas recebiam as novas imagens da segunda filmagem. Ao fazer isso, Méliès conseguia obter o efeito de contracenar consigo mesmo, ou cortar sua própria cabeça e fazê-la reaparecer em outra parte do cenário.

Além disso, Méliès usava outras técnicas cênicas, como cenários móveis, veículos

de papelão suspensos no teto, etc. Misturando essas técnicas todas, ele conseguiu criar filmes totalmente fantasiosos, muito à frente de seu tempo, e que serviram de inspiração para cineastas do mundo inteiro, desde aquela época até os dias de hoje. Cada vez que vemos um filme feito com chroma key, explosões, viagens espaciais, demônios e qualquer outro tipo de efeito especial, estamos testemunhando a evolução do trabalho desse importante pioneiro do cinema.

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O MUNDO DOS BONECOS: JIRI TRNKA E A TRADIÇÃO DOS BONECOS DO LESTE EUROPEU A animação de bonecos é quase tão antiga quanto o cinema de animação. Um dos exemplos mais antigos dessa técnica em um filme comercial é “The Teddy Bears”, de Edwin S. Porter, lançado em 1907. É um filme ação direta com atores, mas em um determinado momento da história acontece uma cena de cerca de 1 minuto de duração onde um grupo de ursinhos de pelúcia dança e faz acrobacias. Outro grande pioneiro da animação de bonecos é o russo Ladislaw Starevicz. Tudo começou porque ele tinha o hobby de colecionar insetos. Ele era fascinado por certa espécie de besouro que lutava até a morte quando chegava a época do acasalamento. Starevicz sonhava em ver um filme com essa dramática batalha da natureza, e tentou criar um filme usando dois besouros e uma câmera de cinema. O problema é que, para fazer uma filmagem como essa, e principalmente naquela época em que a tecnologia do cinema ainda estava apenas começando a evoluir, eram necessárias luzes muito quentes e fortes para filmar. Sob o intenso calor e a luminosidade dos refletores, os besouros ficavam imóveis, e não conseguiam lutar, ou mesmo se mover. Sem se deixar abater, Starevicz teve uma idéia: ao invés de filmar besouros lutando de verdade, ele poderia pegar besouros mortos e substituir suas patinhas por pequenos pedaços de arame, e então animar uma luta entre esses dois bonecos. Seu primeiro filme, “Piekna Lukanida”, foi lançado em 1909, fazendo de Starevicz um dos mais antigos e interessantes pioneiros do cinema de animação. A Rússia e os demais países do Leste Europeu têm uma antiga e forte tradição de teatro de bonecos. Por isso, não foi por acaso que esses países se tornaram os grandes polos de produção de filmes de animação de bonecos ao longo da história do cinema. O maior mestre dessa técnica, e um dos animadores mais importantes de todos os tempos, foi o tcheco Jirí Trnka, diretor de filmes como “O Rouxinol e o Imperador”, “Príncipe Bayaya”, “Antigas Lendas Tchecas” e “A Mão”. 6


Trnka era tão famoso e popular no Leste Europeu que costuma ser chamado de “o Disney do Leste Europeu” no ocidente. Ele também era ilustrador de livros infantis, e ganhou diversos prêmios tanto com seus filmes quanto com os livros. Seu legado é tão forte que hoje na República Tcheca é possível comprar selos postais e moedas que homenageiam o artista. A tradição do teatro de bonecos da República Tcheca remonta à Idade Média, e já era muito forte e estabelecida no século XVIII. Antigamente, não existiam meios de comunicação como os de hoje, e a figura do contador de histórias era bastante importante para toda a sociedade. Esses narradores nômades vagavam de aldeia em aldeia levando entretenimento, informações e as últimas notícias à população que morava longe da capital. Os contadores de história podiam usar apenas a palavra oral, ou recursos como bonecos e marionetes. Essa tradição não ficou presa no passado: mesmo em meados do século XX, durante o regime comunista na Tcheco-Eslováquia, os teatros de marionetes se tornaram um importante meio de expressão crítica contra os abusos do governo, e alguns marionetistas daquela época são hoje lembrados como heróis da resistência contra o regime. Jirí Trnka também participou desse movimento, o que acabou provocando o fim abrupto de sua brilhante carreira de cineasta animador. Seu filme “A Mão”, uma grande obra-prima da história da animação, conta a história de um escultor que é obrigado a se conformar com as ordens dadas por temíveis mãos com luvas de couro. O filme é uma metáfora da maneira como a ditadura comunista tratava os artistas, e apesar de ter acumulado prêmios em diversos festivais do mundo, foi banido na Tcheco-Eslováquia, e Trnka nunca mais pôde fazer filmes em seu país até o dia de sua morte. É interessante notar que, ao contrário dos bonecos de stop motion que conhecemos hoje, com muitos movimentos faciais, olhos que giram e piscam, bocas que abrem e fecham, et cetera, os bonecos de Jiri Trnka e a maioria dos animadores do Leste Europeu não tinham tantos detalhes. Suas cabeças eram como de bonecas, com muitos detalhes de pintura e escultura, mas sem movimentos acima do pescoço. De vez em quando a cabeça era substituída por outra com uma expressão facial diferente, mas

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raramente se mostrava uma cabeça com movimentos faciais.

Mesmo assim, Trnka conseguia extrair de seus

bonecos atuações memoráveis e filmes inesquecíveis. Seu segredo era uma mistura de boa expressão corporal, cenários expressivos, iluminação, trabalho de câmera, e edição. Ao invés de se concentrar no movimento da bochecha do personagem, e fazer sua boca se mexendo enquanto ele falava, Trnka investiu em narrativas fortes que dependiam muito pouco ou nada de diálogos. O resultado foi uma das obras mais colossais da história da animação, e que décadas depois da morte de seu criador ainda servem de inspiração para muitos profissionais do mundo da animação.

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STOP MOTION COMO EFEITOS ESPECIAIS: RAY HARRYHAUSEN E OS MONSTROS DE LÁTEX. Um dos diversos estilos de animação stop motion é a animação de modelos, ou de maquetes, também conhecida como animação de efeitos especiais. Essa modalidade de animação de bonecos começou a se popularizar em 1925, quando o animador Willis O’Brien fez os efeitos especiais de um filme de ação chamado “O Mundo Perdido”, baseado em um livro do criador de Sherlock Holmes, e ambientado no Brasil, onde cientistas encontravam um vale perdido cheio de monstros pré-históricos. Depois disso, em 1933, O’Brien foi o responsável pelos efeitos especiais de “King Kong”, um filme que marcou a história do cinema e inaugurou um novo gênero cinematográfico. Kong inspirou toda uma geração de artistas de cinema, entre eles um rapaz que mais 9


tarde iria se tornar um dos nomes mais importantes da história dos efeitos especiais: Ray Harryhausen. Depois de assistir “King Kong” várias vezes, Harryhausen fez alguns testes de stop motion em sua casa, usando bonecos criados com pedaços de arame de cabide e casacos de pele velhos. Com esses testes ele conseguiu um emprego de animador na Paramount. Quando começou a II Guerra Mundial, Harryhausen foi alistado, e trabalhou dentro do exército fazendo filmes de treinamento usando stop motion para simular situações de guerra, acidentes de caminhão, etc. Em 1949, Harryhausen finalmente conheceu seu grande ídolo Willis O’Brien. Com o material que havia produzido nesse meio tempo, Harryhausen convenceu O’Brien a lhe dar sua primeira chance em um filme grande, e conseguiu um emprego como animador assistente em “Mighty Joe Young”, um filme sobre um gorila de tamanho normal mas inteligência acima da média, o que exigia mais dos animadores do que o gorila gigante de “King Kong”. “Mighty Joe Young” ganhou o Oscar de efeitos especiais no ano seguinte. “King Kong” foi relançado nos cinemas em 1952, transformando uma nova geração em uma legião de fãs do filme. Surgiu uma grande demanda por filmes de monstros gigantes, e Harryhausen foi convidado a fazer seu primeiro filme solo, “The Beast from 20,000 Fathoms”, de 1952. A partir de então, Harryhausen se especializou nesse tipo de filme, e foi aprimorando sua técnica de animação de efeitos especiais a cada novo trabalho. Em filmes como “A Invasão dos Discos Voadores” (1956), “Simbad e a Princesa” (1958), “Jasão e os Argonautas” (1963) e “Fúria de Titãs” (1981), Harryhausen criou praticamente sozinho todo um universo de monstros e fantasia, que foi a base para a criação dos filmes 3D digitais que são tão populares hoje em dia. Sua técnica, patenteada com o nome de “Dynamation”, utilizava um sistema de camadas semelhante ao que hoje é usado por softwares de vídeo-composição. Harryhausen usava camadas de vidro e telas de projeção para misturar imagens de filmagens, maquetes, bonecos e outros efeitos. Ele podia, por exemplo, projetar uma multidão correndo em primeiro

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A famosa cena dos esqueletos em “Jasão e os Argonautas”. 1. Esboço conceitual 2. Frame final 3. Bonecos

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plano, e animar um boneco atrás dela, colocando os dois elementos na mesma imagem final. Outro cineasta que explorou recursos semelhantes foi o tcheco Karel Zeman. Em seus filmes de ação direta ele criava efeitos especiais usando placas de vidro, aquários, perspectiva forçada e outros recursos analógicos de antigamente que foram a inspiração para a maioria dos recursos de efeitos especiais digitais usados hoje na indústria cinematográfica. A perspectiva forçada, por exemplo, é um efeito simples criado diretamente na câmera. Elementos são colocados em distâncias diferentes e filmados como se estivessem no mesmo lugar, explorando a ausência de percepção tridimensional da imagem cinematográfica para criar uma ilusão. Por exemplo, pode-se utilizar uma maquete de pequena escala posicionada perto da lente da câmera, e atores bem distantes, criando a ilusão de que os atores estão dentro da maquete. Em seu sistema Dynamation, Ray Harryhausen também utilizou essa técnica, misturando projeções quadro-a-quadro, maquetes e bonecos. Usando uma tela translúcida no fundo, maquetes e placas de vidro,

Detalhes do processo de produção de um filme de Karel Zeman. 1. Um fotograma impresso é usado como base. 2. Com papel vegetal e lápis, o diretor planeja a colocação de um matte painting cobrindo parte da tela. 12


ele podia criar camadas de imagens que eram então fotografadas na câmera, criando a ilusão de que os vários elementos manipulados por ele faziam parte da mesma imagem originalmente. Com esse truque ele podia destruir cidades inteiras e trazer pânico a toda sua população usando apenas um boneco de espuma com 40 centímetros de altura. Para criar a ilusão de que o boneco estava atrás de algum objeto de cena ou dos atores, ele usava uma “máscara” preta na frente e batia cada frame duas vezes, a primeira com o boneco e a máscara preta, e a segunda sem os dois, pegando todo o frame original - uma técnica bastante semelhante à utilizada por Mèliés algumas décadas antes. Karel Zeman também usava aquários cheios de água para criar ilusões. Jogando um pouco de tinta dentro do aquário, e filmando isso de cabeça para baixo, ele criava uma fumaça artificial colorida. Pendurando alguns objetos dentro do aquário, e colocando uma maquete de um submarino atrás dele, podia criar a ilusão de uma filmagem submarina, com veículos fictícios viajando pelo fundo do oceano. Todas essas técnicas simples podem ser feitas hoje em dia da mesma maneira, independentemente do equipamento ser analógico ou digital, película ou vídeo. Basta um pouco de criatividade.

3. Na metade de cima, a imagem filmada, com os cavalos correndo e saltando. 4. Subitamente, um cavalo é substituído por um modelo de stop-motion, simulando a queda do cavalo no penhasco, que só existe na pintura. 13


CATÁLOGO DE MATERIAIS MADEIRA •  MDF - “Medium-density fibreboard” é um tipo de madeira artificial, produzido a partir de partículas de madeira prensadas em alta temperatura com resinas e ceras. O resultado final são placas ou ripas de “madeira” muito lisa, de fácil acabamento e ótima resistência a cortes. É um ótimo material para construir bases de cenários ou qualquer outra coisa que precise ser feita em madeira. •  Compensado - Madeira artificial produzida a partir de várias pequenas lâminas de madeiras coladas juntas. É resistente e barata, ideal para construir bases de cenário e maquetes. •  Madeira Balsa - Madeira muito macia e fácil de cortar, usada em modelos e maquetes por sua consistência e leveza. É encontrada em pequenas tábuas ou varetas finas, que podem ser cortadas com um estilete comum e coladas com cola branca ou cola de madeira.

COLAS & ADESIVOS •  Cola Branca - Também conhecida como PVA (Poli-Vinil Acetate) , é um polímero sintético diluído em água utilizado em diversas aplicações. Adere facilmente a qualquer material poroso, como papel, tecido, e madeira, e não corrói os materiais onde é fixado. Pode ser facilmente coberto com tinta acrílica para acabamento. Por ser solúvel em água, pode ser diluído para aplicações de grandes áreas com pincel. •  Cola de Madeira - Semelhante à cola branca, baseada em PVA, e com um corante amarelado. Pode ser facilmente substituída pela cola branca comum sem diluir. •  Massa Epóxi - Composta por duas massas inertes e diferentes que iniciam um processo químico depois que misturadas. Tem usos variados, e pode servir até mesmo para modelar personagens e objetos. Seca rápido e fica dura como pedra, podendo ser usada para colar madeira, cerâmica, vidro, plástico, e até mesmo metais, e pedras como cimento, concreto, ladrilhos e gesso. 14


MODELAGEM •  Plasticina - Massa de modelar de consistência semelhante à argila, feita com cera de abelha, óleo e pigmentos. Pode ser amaciada com óleo mineral ou óleo vegetal de cozinha. É mais estável e confiável do que a plastilina, sendo usada em filmes de animação profissional, como os da Aardman. •  Plastilina - A famosa massinha de modelar. Geralmente é feita com farinha de trigo e pigmento vegetal. Por ser feita com farinha, pode mofar e atrair insetos. O pigmento costuma manchar quanto em contato, e não resiste bem à iluminação forte necessária para filmagens de stop motion. •

DAS: Argila sintética italiana, tem consistência semelhante à plasticina ou argila, mas fica muito rígida depois de seca, sem necessidade de ir ao forno. Pode ser pintada com qualquer tinta, até mesmo caneta hidrocor.

FIMO - Massa de modelar da Staedtler, disponível em diversas cores inclusive transparente. Pode ser assada em um forno de cozinha comum, ficando rígida o suficiente para serrar e lixar, ou então usada para animação. É mais firme e lisa do que a plasticina comum.

Sculpey - Espécie de FIMO feita nos Estados Unidos.

Argila - Material natural, extremamente barato, fácil de modelar e solúvel em água. Pode rachar depois de secar, dependendo da qualidade do material, mas é bom para criar bases de cenários com formas orgânicas, como pedras.

Gesso - Outro material bastante barato e fácil de usar. É um pó branco que, misturado na água, vira uma massa e que fica bastante dura depois de seca. Por ser um material poroso e áspero, é muito fácil de pintar e colorir. Pode ser usado em fôrmas de silicone para fazer várias peças iguais.

Gesso Acrílico - Material usado em pintura para dar acabamento e criar texturas. É uma pasta espessa semelhante ao gesso mas que fica com aparência de tinta acrílica ou cola branca depois que seca. Não é resistente o suficiente para montar uma peça inteira como o gesso, sendo 15


mais usado para acabamentos. Atóxico e fácil de trabalhar. •  Látex - Líquido branco e espesso, de origem vegetal, usado para dar acabamento emborrachado a peças de tecido. Na construção de bonecos, é utilizado para dar um acabamento resistente, flexível, e com aparência orgânica e natural. Pode ser pintado facilmente com tinta acrílica. •  Espuma de Látex - Derivado do látex usado com fôrmas e moldes. Uma fôrma de gesso com um esqueleto de metal posicionado é injetada com uma mistura especial, e depois levada a um forno próprio, onde o calor faz com que o líquido se expanda como uma espuma. O resultado final é uma peça única, com exterior liso e miolo macio. •  Silicone - Borracha industrial usada para criar moldes flexíveis para criação de peças de resina ou plasticina. Dependendo do tamanho da peça, pode ser usado sozinho, ou como forração de um molde de gesso mais rígido. •  Resina Cristal - Plástico líquido transparente que pode ser usado para confecção de peças rígidas, com um molde de silicone. Pode ser transparente ou tingida com pigmentos coloridos translúcidos, ou então pintada com tinta acrílica opaca. •  Fibra de Vidro - Tecido industrial feito a partir de fibras de vidro muito finas, flexíveis e resistentes. Pode ser moldado com grande nível de detalhes, e depois coberto com um material próprio para dar um acabamento rígido. •  Isopor - Espuma de poliestireno extrudada, muito leve e resistente. Pode ser encontrada em placas de diversas espessuras, bolas, ou outros formatos. Usado normalmente para fazer bases de estruturas, como paredes e pisos de cenários. Pode ser pintado com tinta acrílica, mas pode derreter em contato com solventes e tinta spray, e pega fogo muito fácil.

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ARAME •  Fio de arame - Vendido em lojas de artesanato ou material de construção. Pode ser usado para fazer articulações e armações de bonecos, ou bonecos inteiros de arame aparente. Geralmente são feitos de alumínio ou cobre. O arame de alumínio recozido é usado na construção civil para fixar vergalhões em armações de concreto armado. É produzido com aço de baixo teor de carbono, bastante maleável e resistente, destinado a aplicações que exigem muitas dobras e torções. •  Tela de galinheiro - Pode ser usado para criar cenários com aparência de paisagens naturais, como terrenos acidentados e montanhosos. A tela é pregada na base e modelada com as mãos, e depois pode ser coberta com tecido, papel maché, gesso, etc.

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TECIDOS Existem vários tipos de tecido que podem ser usados em stop motion, tanto para a criação de cenários quanto de bonecos. Geralmente, damos preferência a tecidos naturais, como algodão e linho, por serem mais fáceis de tingir e de colar. No caso das roupas de bonecos, é interessante usar tecidos de trama fina e resistentes o suficiente para serem costurados à mão. Uma das principais características e vantagens do stop motion em relação a outras técnicas de animação é o uso de texturas. Elas devem ser levadas em consideração na hora de planejar o design dos personagens, assim como a opacidade do tecido e seu brilho. É possível animar os tecidos usando pequenos pedaços de arame costurados em volta da peça. Outra opção interessante para o animador é usar goma ou cola branca diluída para endurecer partes do tecido e evitar que elas se movam durante o processo de animação. O animador deve manter um acervo de tecidos interessantes que possam ser reaproveitados. Como normalmente usamos pedaços muito pequenos de tecido, podemos comprar pedaços de apenas 1 metro em lojas de tecido, dividi-lo em pedaços menores e trocar com outros colegas. O reaproveitamento de tecidos antigos pode se provar muito frutífero. Bolsas, sapatos, chapéus e roupas em geral podem ser descosturados e reaproveitados no figurino de bonecos ou cenários.

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TINTAS Desde as primeiras pinturas nas cavernas, feitas com carvão mineral e óxido de manganês, as tintas evoluíram bastante e se diversificaram. Cada especialidade de tinta tem usos e características diferentes. Geralmente as tintas têm quatro elementos que devem ser levados em consideração: pigmento, veículo, solvente e aditivos. •  Pigmento - Partículas sólidas que dão a cor característica de cada tinta. Podem ser sintéticos (argilas calcinadas, carbonato de cálcio, sílicas sintéticas, etc) ou naturais (argilas, mica, talco, etc). Outros elementos como dióxido de titânio e óxido de ferro podem ser usados para deixar a tinta opaca e resistente aos raios ultra-violeta da luz. Outros elementos como terra e areia podem ser usados como “pigmento” para deixar a tinta mais grossa e opaca. A proporção entre pigmento puro e pigmento de enchimento ajuda a definir a qualidade da tinta (quanto menos enchimento, melhor a qualidade). •  Veículo - É o material adesivo que permite que a tinta grude na superfície e seque, mantendo as partículas do pigmento no lugar. O veículo da tinta define seu brilho final depois de seca, durabilidade, flexibilidade e resistência. Podem ser sintéticos (resinas de acrílico, poliuretano e poliéster) ou naturais (óleos vegetais ou minerais, gema de ovo). •  Solvente - Material que dissolve a tinta, modificando sua consistência e método de aplicação, sem no entanto se tornar parte da película de tinta resultante da secagem. Tintas à base de água podem ser facilmente diluídas com mais água, mas outros tipos de tinta exigem solventes mais específicos, como óleo mineral, óleo de banana, álcool, thinner, aguarrás, eco-solv, etc. •  Aditivos - Além dos componentes que dão características físicas à tinta, podem ser adicionados componentes com outras finalidades, como anti-congelantes, catalizadores, emulsificantes, texturizadores, vernizes, e remédios para evitar o surgimento de bactérias e fungos. 19


Existem diversos tipos de tintas e vernizes que podem ser usados para construção de bonecos, cenários e maquetes.

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Acrílica - Tinta opaca solúvel em água, atóxica e de cores fortes. É a tinta mais utilizada para trabalhos gerais, por ser barata, fácil de usar, e secar rápido. Tem uma aparência brilhante quanto seca, que pode ser modificada com um verniz opaco dependendo do efeito desejado. É bastante flexível e resistente ao stress mecânico, podendo ser usada até para pintar tecidos. Pode ser diluída em água ou engrossada com cola branca (PVA).

Têmpera / Gouache - Semelhante à acrílica, mas sem a aparência artificial de PVA. Geralmente resulta em cores menos fortes, mais naturais, e sem brilho. É menos flexível, podendo rachar se movida depois de seca, sendo mais indicada para pinturas de cenário ou arte conceitual. Solúvel em água, mas por ser mais natural do que a acrílica, pode ser misturada a diversos tipos de solvente natural, como leite de vaca e gema de ovo.

Tinta a Óleo - Tinta própria para pintura em tela, pouco usada em bonecos e cenários, mas que pode ser útil. Geralmente seus solventes são derivados do petróleo e tóxicos, mas hoje em dia existem solventes atóxicos e sem cheiro. Seus pigmentos são, em geral, mais escuros do que os da tinta acrílica.

Tinta de Tecido - Espécie de tinta acrílica própria para pintar tecidos. Indicada para pinturas que vão sofrer muito stress mecânico, como estampas de roupas.

Vernizes - Tintas sem pigmento usadas para proteger, impermeabilizar ou mudar a aparência de uma pintura ou de outros materiais não pintados. O verniz fosco, por exemplo, é usado para diminuir ou eliminar o brilho natural da superfície de certos materiais, evitando reflexos indesejáveis. Também podem ter cores diferentes, sendo usados para escurecer ou clarear materiais.

Tinta em Spray - Tinta acrílica misturada com solventes tóxicos que permitem que a tinta passe por um furo muito pequeno. A tinta sai como uma nuvem, e é indicada para cobrir grandes áreas. É tóxica, e o solvente pode atacar e corroer alguns


materiais como isopor e plásticos. Alguns vernizes também são vendidos em spray. •

Corantes e Tinturas - Tintas muito líquidas e translúcidas, usadas para tingir materiais sem modificar sua textura. Geralmente são feitas à base de anilina ou álcool, mas existem tinturas de tecido que são solúveis em água fervente. Geralmente são usadas para mudar a cor de tecidos, madeira ou papel, preservando a textura original dos objetos. Pode ser aplicada por imersão, ou com pincel.

Óleo de Linhaça - Solvente de tinta a óleo usado para retardar a secagem e aumentar a transparência da tinta.

Betume da Judéia - Verniz especial usado para envelhecimento de peças de artesanato. Pode ser aplicado sobre peças pintadas ou não. Solúvel em aguarrás. Existem também outras formas de betume, como solúvel em água, ou em bastões de cera que podem ser esfregados diretamente sobre o material.

Goma Laca (Indiana) - Verniz especial para impermeabilizar materiais porosos e absorventes como papel, madeira, cerâmica e gesso, antes da pintura. Serve também como proteção para pinturas com baixa resistência à abrasão. Solúvel em álcool. Pode apresentar acabamento incolor ou amarelado.

Laca Chinesa - Verniz selante com acabamento transparente fosco ou brilhante Impermeabiliza e protege pinturas e materiais como madeira, vidro, cerâmica e gesso. Solúvel em água, atóxica.

Primer - Verniz usado antes da pintura para cobrir superfícies lisas ou de difícil aderência, como metal, vidro e plásticos, permitindo que sejam pintadas com tinta comum. Protege peças de alumínio e ferro contra corrosão.

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BIBLIOGRAFIA SUGERIDA •  LORD, Peter e SIBLEY, Brian. Creating 3-D Animation: The Aardman Book of Filmmaking. Harry N. Abrams, 2004. •  SHAW, Susannah. Stop Motion: Craft Skills for Model Animation. Focal Press, 2008. •  PURVES, Barry. Stop Motion: Passion, Process and Performance. Focal Press, 2007. •  PRIEBE, Ken. The Art of Stop-Motion Animation. Course Technology PTR, 2006. •  HARRYHAUSEN, Ray. DALTON, Tony. A Century of Stop-Motion Animation: From Melies to Aardman. Watson-Guptill, 2008. •  HALAS, John. Timing for Animation. Focal Press, 2009. •  WILLIAMS, Richard. The Animator’s Survival Kit. Faber & Faber, 2009.

FILMOGRAFIA SUGERIDA •  “King Kong” (1933) •  Aardman Animation •  Barry Purves •  Jiri Trnka •  Jan Swankmajer •  Kihachiro Kawamoto •  Ladislaw Starewicz •  Ray Harryhausen •  “Guerra nas Estrelas” •  O Império Contra-Ataca”

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SITES INTERESSANTES •  www.loutky.cz - Loja de bonecos na República Tcheca. •  www.awn.com/mag/issue5.04/5.04pages/dutkatrnka.php3 - Jiri Trnka •  www.rayharryhausen.com •  www.barrypurves.com •  www.aardman.com •  www.mackinnonandsaunders.com •  www.armaverse.com

LOJAS DE MATERIAL •  www.fxarte.com - Espuma de Latex •  www.casadaresina.com.br - Silicone, resina cristal, fibra de vidro, etc. •  www.dulatex.com.br •  www.dimclay.com - Massa de modelar, arame, etc. •  www.kalunga.com.br - Cerâmica fria (DAS), cola, trincha, papel, etc. •  www.acasadoartista.com.br •  www.armadura.com.br - Site de “armaduras” (armações, esqueletos) de stop motion.

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Apostila Stop-Motion - Daniel Werneck