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ANO 8 - Nº 100 JANEIRO / 2016

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www.jornalfalandodedanca.com.br ISSN 2237-468X

Fala Aragão

Com cara de tacho Assim me senti, após o Jornal Falando de Dança ter feito ampla divulgação da candidatura de Denise Acquarone, do SPDRJ, como representante da socieAntônio Aragão dade civil para a cadeira de titular do Conselho Estadual de Política Cultural do Estado do RJ, votação da capital, e ver a representante da dança perder por dez votos, diante da impressionante ausência dos profissionais do segmento. Contava-se nos dedos das mãos os representantes da dança na votação presencial do dia 5 de dezembro, no Teatro João Caetano. Do Sindicato, apenas o comissário de artes para a dança de salão, Leandro Azevedo, estava presente, além da Ana Romano, que é conselheira do SPDRJ e vice-presidente da APDS (Associação dos Profissionais e Dançarinos de Salão do RJ). Para diminuir a diferença, eu e Leonor Costa, que prentendíamos apenas atuar fazendo a cobertura do evento, como jornalistas do Jornal Falando de Dança, tivemos que nos inscrever como eleitores (afinal, somos também diretores

da APDS/RJ). Mais uma vez, como tantas vezes registrei aqui, a equipe do JFD teve de participar como protagonista quando o certo seria os profissionais e produtores do nosso segmento se fazerem presentes e exercerem seu direito de voto. Não é preciso bola de cristal para vislumbrar o que vamos escutar em 2016: que o poder público não apoia a dança, principalmente a dança de salão, que “ninguém faz nada”, que “não temos representantes”, que os clubes sociais estão morrendo por falta de incentivos, etc, etc. Ora, senhores, quem não luta por seus direitos acaba perdendo as mínimas chances de reverter esse quadro! Os profissionais da dança e produtores culturais precisam entender que “fazer a sua parte” é, sim, desmarcar eventualmente alguma aula para se fazer presente; é, sim, colocar o despertador pra tocar e não perder o compromisso, quase sempre em fim de semana pela manhã. Não sabia? Teria ido se soubesse? Então agora não tem desculpa - heis aqui o passo a passo para, desta vez, par-

ticipar da eleição do representante da dança nesse mesmo Conselho: (1) entre no site da secretaria estadual de Cultura, http://www.cultura.rj.gov.br/cepc/?ur, e faça seu cadastro como eleitor. Você perderá apenas alguns minutos. (2) Curta a página do SPDRJ no Facebook para receber notificações, pois o Sindicato abrirá espaço para que os candidatos à vaga se manifestem. (3) Escolha o candidato com o qual mais se identifique. (4) Acompanhe o período de votação e acesse o site para exercer seu direito de voto (isso mesmo, nem precisa sair de casa, e serão dez dias de votação!). E se você, leitor, é aluno e não professor de dança, contribua para o engrandecimento desse segmento cultural: explique ao seu professor o que está ocorrendo e desafie-o a participar do processo. Melhor ainda se ficar no pé dele, pois o que mais ouço são desculpas do tipo “não me liguei na data”. Vou torcer para este apelo surtir efeito. __________________________ Antônio Aragão é diretor do JFD

Causos da Dansa

Ensaio

Papa Anjo

O prazer de dançar

Paaara! Carlos! Já te disse que eu estava brincando quando disse que queria um segundo namorado. Gosto de dançar contigo, mas é só isso, Marco Antonio Perna* viu?! Sim, ele tem 20 anos, não precisa ficar me gozando só porque tenho 10 anos a mais que ele. Eu sou apaixonada por ele e ele por mim. E eu convidei ele pra morar comigo porque eu posso, sou servidora pública, tenho meu apartamento, sou independente. Deixa de ser machista. Ele não quis porque quer vencer sozinho e eu admiro isso. Por que ele não está aqui na gafieira comigo? Já te falei que ele é da lambadazouk e que eu acho os bailes de zouk uma pouca vergonha, por isso ele vai nos de zouk e eu, nos de samba. Ele não gosta tanto de samba. Para! Chato, ele é bom sujeito, sim! Já te disse que não estou disponível. Não tenho culpa da minha irmã também ter namorado, fico até chateada de você falar que me trocaria por ela só porque somos parecidas e dizer que ela dança melhor que eu. E a cabeça? Não importa? Não, não tô dizendo que por isso eu tô te dando esperanças. Deixa de ser mentiroso. Meu namorado não fica com ninguém nos bailes de zouk. Que história é essa de “o que os olhos não vêem o coração não sente”? Não é nada disso, não vou com ele porque não gosto do ambiente e não porque não quero ver ele se esfreg.. quero dizer, dançando com aquelas vagabundas. Eu confio nele. Ele é supertranquilo, não tem ciúmes de mim, por quê eu teria dele? Deixa de ser ridículo, Carlos, só porque ele tem a cabeça madura pra idade você não pode dizer que ele não tá nem aí pra

mim. Você é patético. Não vai falar isso, hein? Cara, não sei porque te falei isso. Vê se esquece. Isso foi no início do meu namoro e eu ainda não tinha visto como ele era maduro e eu queria fazer ciúmes nele. Por isso fiquei com o irmão gêmeo dele no baile, com a desculpa de não ter notado. Ele me perdoou na hora e disse que era comum isso acontecer com ele e o irmão. Não teve problema algum. O quê??? Você tá louco! Ele nunca poderia estar no baile de zouk da semana passada com nenhuma piriguete, ele viajou com o irmão gêmeo para visitar os pais em Belo Horizonte. Você fotografou? Não, não pode ser. Deixa eu ver. Tá vendo essa camisa? É do irmão dele, então, deve ser o irmão que não viajou. Bem, ele não me contou que o irmão não foi, talvez porque não importasse. Sim, o irmão é dançarino iniciante, mas vai ver ele já melhorou muito e na foto apenas parece que ele dança muito. Ele é tão fotogênico quanto meu namorado, lindo, com essa barba por fazer ficam parecidinhos, aiai! Essa foto foi tirada ontem? Você tá me zoando? Ontem encontrei o irmão dele e tava com barba feita, rosto liso e ontem meu namorado tava dando plantão. Para Carlos! Dá licença que preciso telefonar e não adianta que vou embora e vou encontrar meu namorado no baile em que ele disse que ia estar. N.A.: Carlos é um personagem da série de crônicas Causos de Dansa. _________________ Marco Antonio Perna é pesquisador, editor de site de dança e autor de livros de dança. Site: www.marcoantonioperna. com.br/ Blog: www.dancadesalao.com/ agenda.

Um pouco de técnica é fundamental. Mas não é só isso. O prazer de dançar a dois está associado a uma química que não se explica e não Milton Saldanha se cria. Ela brota espontaneamente, do nada, e independe de atração física. A sintonia na dança nada tem a ver com afinidade sexual. Ainda, claro, que ambas possam ocorrer. A pessoa menos atraente fisicamente, no baile, se dançar bem, não esquentará cadeira. Seja mulher ou homem. E a mais bela, se dançar mal, certamente só contará com parceiros graças a esse atributo da natureza, e não por sua dança. Não raro, é a que menos dança. Quem frequenta as pistas com regularidade sabe que é assim. É a percepção dessa realidade que torna possível, sem grilos, que casados e namorados se separem momentaneamente, no baile, para dançar com outras pessoas. Ainda que estejam abraçados, haja contato físico, o único sentimento que aflora entre os dançarinos é o prazer da música e do movimento. A quebra desse código, quando acontece no meio da dança, é rapidamente percebida e repelida. Não será nenhuma falta de educação dar um toque ao parceiro, ou parceira, que esteja destoando. Se persistir, também não será nenhuma transgressão da etiqueta interromper imediatamente a dança. Feio ficará para quem abusou. Por isso, é extremamente importante que se conheça as duas formas de se abraçar, na dança, para não incorrer em equívocos. O abraço aberto mantém uma distância entre os dois e se aplica muito ao show, para que tenham espaço para os movimentos mais complexos. O abraço fechado, que se usa muito no tango milongueiro, ou mais do que isso, é sua essência, obriga também ao contato das cabeças. Não pre-

cisa ser totalmente facial, basta um leve encostar da parte superior da cabeça, ou até mesmo um queixo, para quem é mais alto. Mas isso, longe de pressupor uma intimidade, é uma técnica que ajuda na condução e na interação do casal. Na dança a dois, como já definiram alguns grandes mestres do gênero, a dança deve transcorrer como se fosse um corpo único, que se move com quatro pernas. Nada melhor do que essa imagem para definir o que vem a ser sintonia, eixo, harmonia. E disso deriva o prazer. Isso seria impossível se ambos exercessem, ao mesmo tempo, o comando. Para não soar tão autoritário, usamos a palavra condução. Mas é a mesma coisa. Alguém tem que decidir o que fazer, para onde ir, e como ir. Essa tarefa cabe ao homem, por tradição. Por isso ele tem que ser extremamente cauteloso com sua dama. No meu caso, que danço há mais de 50 anos, e até hoje faço aulas de técnicas e aperfeiçoamento, sabendo que há sempre mais para aprender, minha frustração será terminar uma música sem perceber que proporcionei prazer à parceira. Mesmo que tenha feito os melhores passos. Aliás, já incorri várias vezes nesse equívoco, de fazer muitos passos, sem que a mulher consiga acompanhar com desenvoltura. Equívoco sim, porque nesse momento a gente troca o prazer pelo esforço dela em acompanhar. Só depois me dou conta que teria sido bem melhor trocar tudo por uma gostosa caminhada, com muito swing. Mas quem governa isso? Na verdade, não somos nós, os homens. Quem manda é a música. Quando a emoção aflora, brotam também os passos e a vontade de fazê-los. É humano. Desculpem, queridas damas. ______ Milton Saldanha, jornalista e editor do jornal Dance (São Paulo)

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JFD 100  

Jornal Falando de Dança, edição nº 100, janeiro/2016

JFD 100  

Jornal Falando de Dança, edição nº 100, janeiro/2016

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