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www.jornalfalandodedanca.com.br ISSN 2237-468X

ANO 8 - Nº 96 SETEMBRO/2015

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Comportamento

A Resignada No meu artigo da edição passada expliquei como um pesquisador pode compreender a sociedade de uma época lendo as descrições feitas em Marco Antonio Perna* livros de ficção, escritos, claro, por pessoas que viveram naquele período retratado. Agora eu desafio os leitores desta coluna a interpretarem o texto de ficção abaixo e me enviarem um email (ou mensagem no Facebook) comentando como acham que, daqui a 100 anos, um pesquisador, lendo este texto, vai imaginar nossa dança social no início do século 21. Os melhores comentários serão publicados. Segue o texto.

photoshop em cima de imagem pesquisada na internet

Alguns anos atrás comecei a frequentar bailes e, à medida que ia me tornando mais “experiente”, menos me tiravam para dançar. Não sei se era só a idade que atrapalhava ou os cavalheiros queriam novidades, para arriscar um flerte. O fato é que com 50 anos eu não podia desistir de dançar (e de viver). Muitas amigas minhas tinham “personal dancers” e falavam que eu deveria tentar, já que eu tinha minha aposentadoria e mais a pensão de meu falecido marido. Eu não estava nadando em dinheiro, mas sempre sobrava para colocar na poupança para viagens anuais. Resolvi arriscar. Passei a frequentar um baile de ficha cuja promoter era muito simpática e a DJ era a própria filha dela, por sinal muito bonita. Nesses bailes de ficha, basta comprar fichas por um preço estipulado e entregá-las

para o dançarino a cada música dançada. Bem simples e direto. Algum tempo depois eu já tinha formado um grupo de amigas e passamos a sair com cavalheiros contratados por baile. Era ótimo! Eles só podiam dançar com a gente, chegava a dar calo nos pés. Certo dia, as “meninas” trouxeram um cavalheiro novo - e era novo mesmo. Foi aí que cometi meu grande erro. Ele tinha uns 22 anos, era bonito, um pouco mais alto que eu e se chamava Paulinho. Ao dançar comigo, ele comentou que era sua primeira vez em grupo e que, normalmente, ele saía com uma única dama, com cachê fixo. Bem, na verdade, ele falou isso baixinho, em meu ouvido, enquanto dançávamos um bolero romântico, que unia nossos corpos. Não resisti. Contratei-o para o dia seguinte mesmo. Como o cachê era alto, eu só poderia sair com ele uma vez por semana. O tempo foi passando e eu não conseguia mais controlar meu estado de excitação ao dançar com ele. Acredito que ele tenha percebido, porém, apesar dos corpos colados, ele me respeitava (demais até). Até o dia em que pude sentir, literalmente, que ele também se excitava. Fiquei atônita. Não sabia se aceitava ou se parava de dançar. Lá pelas tantas, falei que tinha dado um jeito nas costas e que queria ir embora. Foi quando ele me abraçou e, tateando minhas costas, perguntou se eu gostaria que ele fizesse uma massagem. Daí em diante, não pensei em mais nada. Fomos para minha casa e ele só saiu no dia seguinte. Tive que aumentar para dois dias por semana minhas saídas com ele e elas sempre terminavam com massagem. Estou apaixonada, não sei mais viver sem ele. Ele reclama que eu fico cerceando-o em outros bailes, que ele tem que trabalhar, essas coisas. Mas morro de ciúmes, imaginando se ele faz massagem em outras mulheres. Ele jura que não, é claro. Quando estamos juntos nos bailes, parecemos namorados, apesar da diferença de idade e de não nos beijarmos em público. Só não tenho coragem de contar para minhas amigas que, além de comer e dormir em minha casa, ele pega meu carro emprestado. E que eu continuo pagando cachê. _________________ Marco Antonio Perna é analista de sistemas, pesquisador, coordenador do portal dancadesalao.com, organizador de congressos de dança e autor de livros sobre dança de salão (dentre os quais Samba de Gafieira, a História da Dança de Salão Brasileira) e organizador da coletânea “200 anos da dança de salão no Brasil”, publicada pela AMAragão Edições. Site: www.marcoantonioperna.com.br/ Blog: www.dancadesalao.com/agenda.

ESTACIONAMENTO NA RUA MÉXICO 21

Dia 07 de SETEMBRO, feriado,

haverá baile normal. Vai bombar!!!

Profile for Leonor Costa

JFD 096  

Jornal Falando de Dança, edição 96, setembro/2015

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Jornal Falando de Dança, edição 96, setembro/2015

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