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www.jornalfalandodedanca.com.br ISSN 2237-468X

ANO 7 - Nº 75 DEZEMBRO/2013

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Ensaio

Bolero Carioca É urgente que a classe de Dança de Salão do Rio de Janeiro se una e entenda a importância de valorizar e formalizar nossas danças. Pois se nós não fizermos isso ninguém o fará e, em algum momento, o Rio de Janeiro poderá vir a perder a importância que tem no cenário da dança de salão brasileira

No dia 2 de novembro de 2013 foi realizada uma reunião da classe de Dança de Salão do Rio de Janeiro, na academia do professor Marcello Moragas. O objetivo foi debater as terminologias “estilizado” e “tradicional”, que estão sendo utilizadas sem restrições por jovens profissionais de dança de salão. A mobilização ocorreu justamente por causa da opinião dos profissionais antigos de que essa nomenclatura está levando o aluno ao erro de imaginar ser uma coisa nova. Em primeiro lugar, é interessante lembrar que há três décadas atrás o bolero dançado no Rio de Janeiro era diferente do atual. Porém já era o nosso bolero, mesmo que com, talvez, poucas diferenças para outros boleros do mundo. No final da década de 1980, profissionais como Jaime Arôxa, Stelinha Cardoso, Osvaldo Florêncio, entre outros, começaram a modificar nosso bolero. Esse processo evolutivo consistiu na construção de um estilo de bolero só dançado no Rio de Janeiro. Novos passos surgiram, além do passo básico bem diferenciado, e a partir do início da década de 1990 já se podia verificar um bolero completamente diferente dos boleros existentes no mundo e no Brasil. Assim se firmou o estilo de bolero dançado no Rio, o Bolero Carioca. Nomeado Carioca por ser o estilo do Rio de Janeiro, assim como o estilo cubano criou o Bolero Cubano, o estilo da Costa Oeste americana criou o West Coast Swing e o estilo da Costa Leste criou o East Coast Swing, e por aí vai. É natural chamar uma dança agregando a cidade ou local que criou o estilo diferenciado. O nome Bolero Carioca foi utilizado pela primeira vez por mim, em 2001, no meu livro “Samba de Gafieira - a história da dança de salão brasileira” e, na época, ninguém entendeu a importância de divulgar esse bolero estilizado no Rio pelo nome Bolero Carioca. Atualmente no Brasil só se dança esse Bolero estilo do Rio de Janeiro. Ele foi propagado por todo país a partir de meados da década de 1990, quando a Dança de Salão do Rio começou a ser exportada para todos os Estados, que naquele momento não tinham a dança de salão desenvolvida. Salvo, claro, as danças do Forró e Lambada, ambas transformadas nessa década. O Forró, aglutinando todas as danças nordestinas com o Soltinho (Swing do estilo do Rio) e a Lambada se transformando no Zouk (lambazouk). Hoje a Dança de Salão está bem desenvolvida em todo o país e é imperativo formalizar o nome Bolero Carioca e discutir um syllabus(*) mínimo do

nosso Bolero. Dia 24 de novembro de 2013 foi realizada em Niterói, no curso de pós-graduação em dança da Universidade Gama Filho, uma reunião para tratar justamente desse assunto e, no próximo mês, publicaremos maiores detalhes. Durante a reunião na academia do Moragas ficou clara a boa intenção dos jovens profissionais de promover nossa dança entre os jovens utilizando o termo “Bolero Estilizado”. Porém ficou claro, a partir de depoimentos dos profissionais mais antigos e dos novos, que o termo “estilizado” estava sendo equivocadamente utilizado. Pois estilizado o Bolero Carioca já é há 25 anos pelo menos e a criação de passos novos por si só não o modifica, pois, ao longo desses anos, a criação de passos novos foi constante. Logo, os termos “estilizado” e “tradicional”, seja para bolero, samba de gafieira ou qualquer outra dança, não significam nada e confundem o aluno e a mídia, podendo trazer resultados negativos para a Dança de Salão do Rio de Janeiro. A propósito, não existe samba “tradicional”, existe Samba de Gafieira e o novo Samba Funkeado, descendente do Samba de Gafieira. Em 2011, nas comemorações dos 200 anos da Dança de Salão no Brasil, publiquei, junto com o Jornal Falando de Dança, no volume 1 do livro de coletânea de artigos “200 anos da Dança de Salão no Brasil”, um artigo do jornalista Alípio Paiva, com o intuito de convocar o tema “bolero” ao debate. Como efeito, a curitibana Maristela Zamonner e o carioca Cristovão Christianis escreveram um artigo extenso sobre o tema, contando a história do bolero pelo mundo e comprovando o caráter único do Bolero Carioca. Esse artigo foi publicado no volume 2 da referida coletânea. É urgente que a classe de Dança de Salão do Rio de Janeiro se una e entenda a importância de valorizar e formalizar nossas danças. Pois se nós não fizermos isso ninguém o fará e, em algum momento, o Rio de Janeiro poderá vir a perder a importância que tem no cenário da dança de salão brasileira. Nada impede de serem criadas danças novas a partir das existentes, mas devemos formalizar o que já temos, para não ficarmos sem nada. ____________ Marco Antonio Perna é analista de sistemas, pesquisador e colecionador de filmes de dança - www.pluhma.com/blog www.dancadesalao.com/agenda (*1)Syllabus: código de registro de movimentos e nomes, para padronização internacional.

ATENÇÃO: (1) ANIVERSARIANTES DE DEZEMBRO NÃO PAGARÃO INGRESSO (2) TRAJE: COR BRANCA (NÃO OBRIGATÓRIO)

arte e divulgação www.jornalfalandodedanca.com.br

Marco Antonio Perna*

Evolução das espécies - Parte 3

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Jornal Falando de Dança, ed 75, dezembro/2013

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