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ANO 4 - Nº 42 ABRIL/2011

Destaque de capa

Leonor Costa

Valdeci de Souza

Agora que o reinado de Momo terminou, o professor e promoter reinicia sua programação de eventos dançantes, com destaque para o Baile do Bicentenário, comemorando os 200 anos da dança de salão Até final de julho serão nada menos que 5 grandes bailes, para compensar os trabalhos parados por conta do Carnaval. A todos Valdeci imprimirá sua marca registrada: organização, atenção e satisfação garantida para quem aprecia um tradicional baile social. Mas, nesta entrevista, ele deixa transparecer um interesse especial pelas comemorações dos 200 anos da introdução do ensino de dança de salão no Brasil. “Quando o Jornal Falando de Dança me trouxe a ideia de um grande evento comemorativo, topei na hora, afinal, é uma data muito significativa para deixar passar em branco”, comentou-nos. Levando a empreitada a sério, como sempre faz, Valdeci formou uma equipe para elaborar o projeto I PRÊMIO CULTURA DA DANÇA DE SALÃO e ir em busca de patrocinadores. “Um evento desse pede um clima especial, com presença de autoridades e homenagens àqueles que contribuíram e contribuem para que a dança de salão continue se expandindo e isso requer investimento”, explica. Para ajudá-lo nessa empreitada, ele conta com o apoio de Leonor Costa, que montará uma exposição com base em seus artigos sobre a história da dança de salão no Brasil; Antônio Aragão, na parte administrativa; João Batista da Silva, na parte técnica; e Taíssa Dallarosa, produtora cultural. “A ideia é abrir o salão com música mecânica, duas horas antes da banda começar a tocar, para as pessoas poderem apreciar a exposição, os stan-

ds com produtos relacionados à dança e aproveitar a pista do Helênico, uma das melhores pistas para se dançar. Depois serão duas horas direto com a banda Novos Tempos, antes do intervalo para a cerimônia de entrega do Prêmio Cultura da Dança de Salão, que será um troféu especialmente confeccionado com o tema do bicentenário”, adianta. Além da entrega do troféu do Prêmio Cultura, a representantes de várias categorias, haverá ainda entrega de troféus de participação e de medalhas de honra ao mérito. “E outras surpresas, que estraga se eu adiantar”, brinca Valdeci. Mas uma coisa ele deixou escapar: quem quiser fazer bonito junto às autoridades, é melhor caprichar na “beca” e levar uma “cola” do Hino Nacional. “Afinal, estamos falando de 200 anos, e isso pede um tom cerimonioso”, finaliza. 8L. C. Serviços: • STUDIO DE DANÇA VALDECI DE SOUZA – Rua Voluntários da Pátria, 341 - 2º piso (esquina com R. Real Grandeza) - Botafogo - tel. 2574-9075 / 7897-7969 • BAILE DO TRABALHADOR - dia 1º/05 - sábado - 16h - Helênico A. C. - Banda Rio Balanço by Washington • BAILE DE ANIVERSÁRIO de Valdeci de Souza e Cristina Ramos - dia 28/05 - sábado 16h - Helênico A. C. - Banda Paratodos

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BAILE DE TANGO - dia 12/06 - domingo - 18h - Gran Milonga no salão nobre do Fluminense F. Club. I PRÊMIO CULTURA DA DANÇA DE SALÃO & BAILE DO BICENTENÁRIO - dia 16/07 - sábado - Helênico A. C. - banda Novos Tempos - abertura às 14h com música mecânica - ATENÇÃO: TRAJE ESPORTE FINO BAILE DO AMIGO (realização Valdeci e Indio) - dia 24/07 - domingo - 16h - conjunto Os Devaneios - Helênico A. C.

Dançando na telona: Oscar 2011

Dark Swan

Mãe, por que me mostraste Chopin em seus velhos discos de vinil? M. A. Perna* Por que me levaste ao cinema ver Fantasia? Minha mais antiga memória clássica. Por que me fez assistir a Lago dos Cisnes na TV em preto e branco? Para que eu, quando crescesse, não fosse ao Municipal contigo? Para que quando ligasse eu não tivesse paciência ao telefone? Para eu colecionar DVDs de ballets e nunca assistir a eles? Por quê? Não sei. Mas, por mais ingratos que alguns de nós filhos possamos ser no dia a dia, te agradeço por terme apresentado esse mundo. Mundo esse que não consigo transmitir à sua neta. Ou, pelo menos acho que não. Talvez algum dia eu me surpreenda. Talvez eu esteja me cobrando muito. Cisne Negro (Black Swan) é um pouco isso e muito mais. Ver Natalie Portman irreconhecível, aliás como sempre. Basta lembrá-la em

O Profissional, Goya ou Guerra nas Estrelas. Bom ver também Winona Ryder que literalmente passa o bastão para Natalie no filme. E para mim, fora das telas também. Winona sempre foi bonita e seus filmes ótimos para assistir. Mas, Winona sempre foi “reconhecível”. Natalie, porém, transcende em interpretação. O filme é literalmente uma visão do Lago dos Cisnes. Seu trailer, fotos e críticas ao mesmo tempo nos cativa e nos deixa com medo de assistir a ele. Medo de não estar preparado para um drama tão denso. Do início ao fim imaginamos quando a desgraça vai acontecer. Sim, porque é um Drama com D maiúsculo. Quando o tão esperado clímax ocorre você perde o medo. Compreende. Entristece. No final você sai pensativo do filme. Ainda bem que a vida não é um Lago dos Cisnes, pensamos. Mas, será que não é? Muitas vezes criamos problemas onde eles não existem. Ou pelo menos os

amplificamos indevidamente. Se não temos consciência disso, só nos resta pedir ajuda. Posso não ver minha coleção de ballets, mas a minha coleção de filmes de ballets e de dança, vi toda. Cisne Negro não é um filme que se assemelhe a nenhum outro de dança ou ballet que eu me lembre. É um filme denso, introspectivo, complexo, mas inacreditavelmente simples. Talvez o maior problema de outros filmes de ballet seja não ter uma atriz com a carga dramática de uma Natalie e que também dance maravilhosamente. Natalie parece à vontade no papel de protagonista do Ballet. Sua biografia relata que teve aulas de dança dos 4 aos 12 anos e tem treinamento em ballet, jazz e sapateado. Para o filme treinou arduamente por pelo menos um ano. Porém, no filme, não se vê longas sequências de dança de corpo inteiro. Ela aparece em ponta em tomadas à distância e noutras com graciosos movimentos de braços, inerentes ao Lago dos Cisnes. Em algumas cenas poderiam usar dublê, em outras não, a menos que tenham usado computação gráfica. Aparente-

mente foi ela mesma quem dançou todas as cenas. Aos olhos de leigo em ballet, que sou, Natalie dançou lindamente. Dançou infinitamente melhor que o talento dramático da maioria das protagonistas de filmes de ballet/dança. Tiro desse balaio Leslie Caron, de quem sou fã. Ah, sim: Dark Swan porque é mais deprê que tenebroso. Por essa razão prefiro o título com Dark ao invés de Black. (A crítica acima eu escrevi dia 19/02/2011 e, em 27/02/2011, Natalie Portman ganhou o Oscar de melhor atriz por sua atuação nesse filme. Com certeza um Oscar anunciado, previsto e merecido.) ___________

Falando em Cisne Negro, vi recentemente um clip de John Lennon da Silva dançando “A Morte do Cisne” em estilo street dance. Não costumo ver ballets, mas, sim, muitos filmes com tema ballet ou dança, como já falei anteriormente. Um dos movimentos que mais me encanta no ballet é o dos braços de uma bailarina fazendo o movimento das asas do cisne. Bem, o John Lennon acima entrou no palco do programa do SBT (Ela Dança, Eu

Danço) e, claro, aquele famigerado júri foi jocoso com o nome e as roupas do rapaz. Bem, ele não pediu para ser batizado desse jeito, então, em uma TV, tem que se ter mais respeito. E se ele ia dançar street dance a roupa estava totalmente adequada. Assisto a muitos filmes de hip-hop e já vi todo tipo de coreografia e movimento. Eu mesmo não esperava o que vi. O rapaz inovou nos movimentos de asa do cisne em street dance e dançou uma coreografia lenta, feita por ele mesmo. Eu nunca tinha visto nada parecido, chorei. E o jurado mau também chorou. O jurado bobão aplaudiu de pé. E a jurada gringa só elogiou. Tiveram que engolir o artista e deixaram os seus próprios personagens de lado, perdendo totalmente o rumo. O programa do SBT não merece, mas o John sim. Merece que escrevam, filmem, e vejam muito ele. Vejam o clip: http://www.youtube. com/watch?v=RM2Aio9mvNE ___________________ *Marco Antonio Perna é analista de sistema, pesquisador e colecionador de filmes de dança. Visite seus sites: www. pluhma.com/blog * www.dancadesalao. com/agenda

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JFD 042  

edição 42, abril / 2011, Jornal Falado de Dança

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