Dança nas Bordas - Trajetórias / 5 anos por Cia Diversidança

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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Dança nas bordas : trajetória : 5 anos / [Cia Diversidança, Cooperativa Paulista de Dança ; curadoria Rodrigo Cândido]. -- 1. ed. -São Paulo : Ed. dos Autores, 2022. Vários colaboradores. ISBN 978-65-00-50517-7 1. Artes 2. Criatividade (Literária, artística, etc) 3. Dança 4. Dança - Aspectos sociais 5. Dança de rua I. Cia Diversidança. II. Cooperativa Paulista de Dança. III. Cândido, Rodrigo.

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CDD-306.484 Índices para catálogo sistemático:

1. Dança : Aspectos culturais : Ciências sociais 306.484 Aline Graziele Benitez - Bibliotecária - CRB-1/3129


SU MÁ RIO


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Introdução, por Rodrigo Cândido

Sobre a Cia Diversidança e o Dança nas Bordas

Dançar nos arredores, nos cantos, nas margens... é nas bordas que os pássaros colhem os mais ricos alimentos, por Paloma Xavier

1° Edição... Transformando sonho em realidade! É um evento que convida agente a gerar movimento, reflete e retrata o pensamento além das necessidades latentes na borda da zona sul, manifesta a importância de se articular para sobreviver, por meio da linguagem que escolhemos enquanto profissão e vida, é um convite a se pensar à dança na contemporaneidade, por Renan Marangoni 2° Edição... Semeando sonhos, brotando danças

Transmitindo a Arte Corporal através da Arte Visual, por Raphael Poesia

3° Edição... Alcançando novos propósitos Um lugar de força, resistência, com um olhar acolhedor e cuidado com os nossos, valorizando as grandiosas produções periféricas da cidade, por Bárbara Santos 4° Edição... Redescobrindo possibilidades de enfrentamento!

Uma dança que escorre, permanece e resiste!!! Uma celebração ao Danças nas Bordas, por Gal Martins

5° Edição... Celebrando a resistência!

Como a Dança me moveu para produção de um festival de Dança que acontece nas bordas da capital, por Simone Gonçalves

Ficha Técnica



INTRODUÇÃO

em Dança, pelo Prêmio Denilto Gomes de Dança da Cooperativa Paulista de Dança. Por isso, essa edição é feita sim, para comemorar, em memória a todos que devido a pandemia, não poderão desfrutar desse momento conosco, mas que deixam boas lembranças em nossos corações.

Aqui se concretiza um sonho. O Dança nas Bordas comemora a sua 5° Edição, um desejo que surgiu numa fagulha e que vem flamejando dança em sua singularidade e pluralidade, potencializando a dança e seus diversificados modos de produção. Sim, é necessário comemorar, pois essa edição, deveria ter sido realizada em 2021, ela acompanharia a comemoração de 15 anos de trajetória da Cia Diversidança, mas devido a pandemia, em 2020, não foi possível realizar o Dança nas Bordas, que tem sido realizado anualmente. A 5° Edição, é contemplada pela Lei Aldir Blanc, com o prêmio por histórico de realização em dança, visando grupos, companhias e corpos estáveis. A Aldir Blanc é um projeto emergencial que surgiu para fomentar a área cultural em todo o país, que devido a pandemia, foi uma das mais afetadas. Em 2021, realizamos a 4° Edição, em formato híbrido, com pouquíssimas ações presenciais, e mesmo já estando num momento mais favorável da pandemia, seguimos diversos protocolos de segurança à vida, e todo esse esforço, literalmente de ressurgir, depois de um ano praticamente enclausurados, o Dança nas Bordas foi contemplado em Difusão

A intenção de criar o Dança nas Bordas partiu da necessidade de manter um diálogo com artistas que fomentam na zona sul, outras linguagens e estilos de danças. Até então, todas as ações da Cia Diversidança, ficavam restritas à dança contemporânea. Atualmente em São Paulo, a dança pulsa em todos os cantos da cidade, mas cada linguagem ou estilo se organiza de formas diferentes para existir e ser, então como o Dança nas Bordas poderia ser um canal para que as linguagens e estilos se encontrassem, para dialoguar e fomentar outras possibilidades, ou até mesmo, potencializar o mercado escasso de trabalho, agregando novatos e veteranos, tendências, assuntos e pautas pertinentes à contemporaneidade. Que esse fosse um espaço de troca para receber danças de outras zonas da cidade, fomentando a descentralização e a valorização de artistas independentes. Dentre essas e muitas outras, a cada edição encontramos novos legados e desejos, pois entendemos que também cabe ao Dança nas Bordas, ser um espaço de quebra de paradigmas e que contribua para oportunizar diversas vozes, em suas mais distintas camadas sociais. O Dança na Bordas inicialmente foi pensado para se articular como um Fórum, que sempre deslumbrei ser algo importante para a periferia, mas durante o decorrer dessa ideia, ele foi encontrando outras fronteiras e nesse formato de mostra e/ou 7


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festival, ele encontrou seu lugar de importância na dança paulista. Apesar da idealização ser de Rodrigo Cândido, a curadoria é articulada por todos os intérpretes-pesquisadores e juntos, temos um olhar sensível para a produção, tentando sempre trazer novas referências de pensamentos, estéticas, modalidades, formatos, etc, percebendo que esse é um espaço para emergir outras problemáticas, questões, corpos e identidades. As políticas públicas em dança têm exercido um papel extremamente importante para existência e realização do Dança nas Bordas, pois é com a verba pública, que conseguimos transformar literalmente, dinheiro em arte, e com isso, contribuir junto ao Estado, o direito ao acesso à cultura. A Cia Diversidança sempre atuou na zona sul da cidade de São Paulo, e sempre fomentou a criação, difusão, formação e acesso à dança. O Dança nas Bordas é um reflexo desse legado. Essa 5° Edição, surge com esse desejo de comemorar, e com ele, propomos uma retrospectiva, relembrando quem passou por aqui e como cada edição foi se estruturando. Além de fazer dessa publicação um marco para a produção de dança descentralizada, plural, singular e dissidente. Agradecimentos especiais para todos que estiveram na Cia Diversidança, para aqueles que estiveram na solidificação desse sonho, a todos os artistas, núcleos e coletivos, técnicos que contribuíram em nossas programações, para todos os profissionais de outras áreas que trabalham juntamente a favor da dança.

RODRIGO CÂNDIDO Idealizador do Dança nas Bordas, Diretor geral e artístico, além de intérpretepesquisador da Cia Diversidança.

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SOBRE A CIA DIVERSIDANÇA E O DANÇA NAS BORDAS A Cia Diversidança visa contribuir para o acesso, fomento, difusão e formação artística, possibilitando a prática de democratização e descentralização da produção de dança, dialogando com o circuito cultural da cidade de São Paulo, favorecendo para o fortalecimento de apreciadores da linguagem. Criada em 2006, pelo dançarino e coreógrafo Rodrigo Cândido, sediada na Zona Sul da cidade de São Paulo, território que influência diretamente as ações e o seu processo de pesquisa artística, caracterizando-se por intenso trabalho autoral na busca de uma criação e investigação colaborativa, características às criações coreográficas na contemporaneidade. Até meados de 2012 o intuito da Cia Diversidança era reunir jovens moradores da Zona Sul da cidade de São Paulo para se conectarem por meio da dança, com intenso trabalho de formação técnica e artística. Com a profissionalização do primeiro intérprete, o Diversidança passa a atuar profissionalmente em 2013, estruturando-se em três eixos: 1. Pesquisa, criação e difusão, 2. Formação e residência artístico pedagógico e 3. Ações de fruição em dança, 11


CIA & CIA JOVEM E GRUPO RESIDENTE De 2013 até 2016, a Cia Diversidança era fragmentada em dois Núcleos Artísticos: Cia e Cia Jovem, além de abrir residência artística para ingressantes e interessados na pesquisa desenvolvida pela Cia Diversidança, compondo o Grupo Residente. A Cia Jovem Diversidança, era composta pelos artistas que estavam desde a sua fundação, eram artistas que ainda estavam em formação, mas que desempenharam um papel super significativo na história da Cia Diversidança, assim como, no cenário da dança periférica. Os Núcleos fundiram-se em 2016, deixando A Cia Jovem, um legado para a difusão e ampliação da dança na Zona Sul da cidade de São Paulo, formando uma nova geração de artistas da dança, que hoje fomentam e difundem a arte do dançar. Surgiu entre eles arte-educadores, professores, coreógrafos e até diretores de suas próprias Cias e projetos. Paulatinamente a Cia, que era composta pelos artistas profissionais, já tinha iniciado sua trajetória a partir de 2013. Sua pesquisa e investigações partem de um desejo de buscar na memória, nas relações e na construção de contranarrativas: na vivência, na história e na reflexão, inspiração por meio da lembrança, do conto, do mito, da reportagem, do território, dispositivos criativos: narrativa, descritiva, racional e pontual. Esses elementos sempre são utilizados para compor a dramaturgia cênica, no entanto os intérpretes não contam, descrevem, pontuam relatos ou histórias, o que nos interessa e o que buscamos para essa dramaturgia é a recordação da sensação, a potência emocional vivenciada, o estado psicológico adquirido ao presenciar determinadas questões e como a vida interfere no modo de ver, ser e estar no mundo. A ideia não é narrar os fatos e sim transmitir as emoções vivenciadas nos fatos. A experiência de vida norteia a pesquisa de linguagem estética da Cia Diversidança, entendida como um canal que pretende reverberar em 12

nossa dança as indignações singulares e coletivas, numa abordagem poética, emocional, simbólica, política e acima de tudo relacional, que apontem para as intersecções entre a arte e a vida. De forma a provocar no espectador uma reverberação imediata, fazendo-o repensar as suas próprias estruturas, assim como na interação e na ressonância de suas ações no meio em que vive. A Cia Diversidança foi contemplada pelo: Programa VAI – Valorização de Iniciativa Culturais do Núcleo de Cidadania Cultural da Secretaria Municipal de Cultura • 12° Edição (2015): 3° Edição do projeto Circuito de Difusão Coreográfica. • 11° Edição (2014): 2° Edição do projeto Circuito de Difusão Coreográfica. • 10° Edição (2013) – 1° Edição do projeto Circuito de Difusão Coreográfica. PROAC – Programa de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo: • Mostra, Festivais, eventos culturais e criativos em 2021/34 com o projeto “Dança nas Bordas – 5° Edição” / Suplente. • Registro e Licenciamento de espetáculo de dança inéditos para difusão online (#CulturaEmCasa) em 2020/04 com o projeto “Um dia desses” / Suplente. • Festival de Artes II em 2018/15 (Módulo 1) com


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o projeto “Dança nas Bordas – 3° Edição”. • Festival de Artes I em 2016/13 com o projeto “Dança nas Bordas”. • Primeiras Obras e Temporada de Dança em 2013/10 com o projeto “É na Solidão que a Alma de Revela...”. PROAC Expresso – Programa de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo / Lei Emergencial Aldir Blanc: • Prêmio por Histórico de Realização em Dança – Grupos, Companhias e Corpos Estáveis em 2021/45 com o projeto “Dança nas Bordas – 5° Edição”. PROAC Expresso Direto – Programa de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo: • Fomento Direto a profissionais do setor cultural e criativo (Consolidado) em 2021/39 com o projeto “Dança, políticas públicas e desenvolvimento cultural nas periferias da capital paulista’’, de Rodrigo Cândido. Programa de Fomento à Dança da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo: • 32° Edição com o projeto “Dancem Conosco” 2022/2023. • 27° Edição com o projeto “Tirem os Sapatos...” 2019/2021. • 21° Edição com o projeto “Manifesto Poético: Ensaios Cartográficos” 2016/2018. Prêmio FUNARTE Respirarte: • Dança/2020 com o Videodança “Um canto para EXISTIR”, de Rodrigo Cândido. Prêmio Denilto Gomes de Dança da Cooperativa Paulista de Dança: • 5° Edição/2017 – “Revelação de Ação Continuada em Dança”; • 9° Edição/2021 – PLASTICIDADES CÊNICAS / Cenário – Rodrigo Cândido pela cenografia do espetáculo “Tirem os Sapatos...” e DIFUSÃO DE DANÇA – pela mostra/festival “Dança nas Bordas”.

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Participou da 9° Edição do Espaço Aberto do Balé da Cidade de São Paulo (2008), VI Encontro Criança Criando Dança da EMIA (2012), I e II Festival da Cidadania Cultural (2014 e 2015), Mostra VAI em Movimento no Centro de Referência da Dança (2015), Circuito Municipal de Cultura (2° Semestre/2015), IV, VI, IX Circuito Vozes do Corpo (2013, 2015 e 2018), Mostra de Dança do Club Athletico Paulistano (2015), Mostra Grajaú de Teatro e Dança do Galpão Humbalada (2015), Mostra de Artes Cênicas – Estéticas das Periferias (2015), Palco Largo São Bento/Tablado da Dança na Virada Cultural (2015), Mostra VAI em Movimento no Centro de Referência da Dança (2015), Mostra 10 Anos da Cooperativa Paulista de Dança (2015), Mostra de Arte Jovem da Zona Sul pelo Entre Lagos do SESC Interlagos (2015), Partilha do Sensível – Maio/CCSP (2015) e Janeiro/SESC Pinheiros: Transmissões e Traduções (2016), Circuito Municipal de Cultura (1° Semestre 2016), Feira Livre do Caos (2016), X e XI Mostra do Fomento à Dança (2016 e 2017), III Circuito de Integração de Todas as Artes (2017), Negritudes Convergentes: Danças Independentes da sala Renée Gumiel do Complexo Cultural FUNARTE SP (2017), 20° Mostra de Dança do Monte Azul (2018), 3° Edição Mostra Estéticas da Periferia (2018), Satyrianas (2018 e 2019), SESC Vila Mariana (2019), Praga da Dança – Uma Jornada Cultural (2019), Ocupação Artística Corpos Dissidentes (2021), I Mostra Anual do Fórum de Dança(s) da Zona Sul & Sudoeste (2021), Pré Circuito CITA – Entralhe Cultural, Semana de Comemoração ao Dia Internacional da Dança – Por uma dança plural e descentralizada da Cooperativa Paulista de Dança (2022) etc. Durante sua trajetória, a Cia Jovem foi premiada em diversos Festivais, adquirindo entre os Corpos de Jurados cerca de 80 prêmios, incluindo diversos destaques, como: Melhor Bailarino ou Destaque / Revelação, Melhor Coreógrafo / Coreografia, Melhor Conjunto e Maior Nota do Festival. COMPÕEM O REPERTÓRIO DA CIA JOVEM: Fantasia (2007), Mix (2008), H2Blue (2008), De


Corpo e Alma (2009), 6/1 (Seis por Um): Instantes Coreográficos (2010), Amor de Mel, Amor de Fel (2010), Do mago de Meu SER (2011), Sobre todas as Coisas (2014) e EntreFios (2015). COMPÕEM O REPERTÓRIO DA CIA: Instantes Coreográficos (2013), Tempo de Reprodução (2014), Ao Cair das Pétalas (2014), Por que Danço? – Manifesto Poético (2015) e Manifesto para outros Manifestos – Resistir dançando por alguns cantos...(2017) e/ou Dançando por alguns cantos... (2019), Tempo de Reprodução (Reestreia/2019) e Tirem os Sapatos (2021).

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AÇÕES DE FRUIÇÃO EM DANÇA A Cia Diversidança desenvolve ações por meio do projeto Circuito de Difusão Coreográfica, que visa fomentar, diversificar e difundir a produção de dança na zona sul da cidade de São Paulo, entre eles está a Mostra de Repertório Coreográfico e o Dança nas Bordas, além das ações que permeiam o fluxo das plataformas e mídias digitais, com o DIVERLive e o Micro Danças. A Mostra de Repertório Coreográfico é um espaço em que a Cia Diversidança apresenta o seu repertório de pesquisa, reunindo e agrupando suas obras e inquietações artísticas. A I Mostra de Repertório Coreográfico foi realizada no dia 25 de Julho de 2010, realizando edições consecutivas, contando com a participação de convidados. O Dança nas Bordas, é uma mostra de dança que aglomera artistas, núcleos e cias de diferentes modos de criações, estéticas e linguagens. É um encontro de processos, exibições, apresentações e diálogos acerca das pesquisas e inquietações de artistas que produzem, fomentam e difundem a

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dança na zona sul e convidados, de forma plural e diversificada, sobretudo nas bordas de São Paulo. A programação conta com atividades formativas, desde roda e conversa, exibição de vídeo dança e a realização de oficinas, abrangendo a diversidade das linguagens em dança, além da apresentação de espetáculos de diferentes núcleos artísticos. O DiverLIVE, surgiu em 2020, em meio a pandemia, com a intenção de refletir o fazer artístico em tempo de pandemia, a Cia Diversidança, realiza uma série de lives, para discutir com os intérpretes questões sobre dança, periferia e isolamento social. O DiverLIVE é uma sessão de lives, específicas para o Instagram, onde um interprete conversa com o outro, numa troca entre saberes, dança, territórios, arte e cultura. O Micro Danças, surgiu em 2020, em meio a pandemia, com o tema “impulsos retidos em repartição”, uma mostra de vídeo solos, que serão realizados pelos intérpretes-criadores da Cia Diversidança, em consonância com a experiência advinda pelo isolamento social ocasionado pela pandemia. Sensações, situações e estados foram pontos de partida para a criação de micro danças que refletem parte da vivência em enclausuramento. Uma vez que a Cia Diversidança, atua com uma dramaturgia orientada pela memória, a proposta é partilhar essas vivências por meio de vídeodanças, a fim de repartir a sensação instaurada e todas as esferas provocadas por uma sociedade em reclusão.

Saiba mais em:




DANÇAR NOS ARREDORES, NOS CANTOS, NAS MARGENS… …É NAS BORDAS QUE OS PÁSSAROS COLHEM OS MAIS RICOS ALIMENTOS. POR PALOMA XAVIER

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Não vamos para a periferia para dançar ou levar o acesso a dança, somos da periferia e dançamos. Dançamos nas bordas porque somos das bordas e é deste lugar que pulsa nossos tantos movimentos. É a partir das margens que nos projetamos para o mundo e assim como nas margens de rios e mares, encontramos alimentos para nossa dança, que pode acontecer aqui e onde mais nossas asas nos levarem. Não é se limitar a borda, mas nutri-la para que não haja escassez de alimento, que o vôo seja expressão da liberdade e o canto seja a voz que queremos ecoar. É de direito! Fazer um comparativo entre as bordas dos rios com fartura de alimento para os pássaros pousarem e seguirem o fluxo natural de suas vidas parece irônico diante do que a maioria dos corpos dançantes periféricos vivem. Do lado de cá da ponte, as margens não são tão belas e limpas, nossos peixes quando vivos, não podem ser consumidos e caso você se arrisque a pesca, irá encontrar pedaços de muitas histórias que passaram pelo rio, mas terá que usar disso para se alimentar de realidades possíveis, de combustível para uma imaginação em que essas belezas naturais quase utópicas se tornem ricas metáforas de criação. Não é romantizar a escassez, mas reconhecer que a periferia dança o tempo todo, seja nas festas de família, de bairro, de igrejas e terreiros, e também nos palcos que criamos e lutamos pela fartura. É importante enfatizar esse ponto, porque o identifico em praticamente todos os trabalhos que pude apreciar no Dança nas Bordas, incluindo o do meu, a Pepalantus Núcleo. E olhando para todos esses trabalhos que emergem a partir do lugar onde se está, é possível identificar a pluralidade de vozes, corpos e movimentos à margem. São muitos tipos de abordagens e o que cada uma e cada um quer dizer ao mundo, então a existência de uma Mostra que tenha como tema curatorial as Bordas, tem a importante ação de reunir uma diversidade grande de corpos periféricos que dançam e potencializam esses movimentos plurais. O que temos em comum e o que nos diferencia? Existe uma estética que defina ou identifique a periferia? Não acredito que exista uma estética pe22


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riférica, porque somos múltiplos, sobretudo nas periferias de São Paulo em que a maior parte das pessoas são migrantes de outros estados ou filhos deles. É uma “ruma” de gente de diferentes culturas misturada e gerando cultura a partir deste encontro. Por isso quando esses artistas criam ou se debruçam sobre temas acabam por gerar trabalhos únicos e autênticos, que não podem ser definidos apenas por uma estética. Contudo, ao meu ver, há grande identificação entre as produções periféricas no sentido das linguagens usadas para se comunicar, seja o tema, estilo ou dramaturgia abordada, sinto que falam comigo, que se comunicam e falam a minha língua. Fenômeno esse que dificilmente identifico em trabalhos mais centrais ou de um recorte mais “embranquecido”. Tendo em vista que a maior parte dos artistas das bordas são negros e/ ou com ascendencia indígena e se comunicam primeiramente e não unicamente, a partir da língua que os foi ensinada de berço, fomentar o encontro de danças marginais é também fomentar o movimento de uma ancestralidade que tentaram apagar. Vejo em todo Dança nas Bordas, o pulsar de vozes ancestrais que se manifestam através do movimento de seus filhos. Dança nas Bordas promove o encontro de muitos corpos e a oportunidade de olhar para eles juntos, em seus encontros e divergências, mas de maneira que amplifique suas vozes e potências, fortalecendo o direito de mover!

PALOMA XAVIER

Atriz, artista da dança, educadora e produtora cultural. É co-fundadora do Pepalantus Núcleo e da Via Vento Cia. Capoeirista, integrante do Grupo de Capoeira Angola Irmãos Guerreiros e faz parte do Núcleo de Gestão do Espaço Cultural CITA, no qual atua artisticamente desde 2011. 25


1 EDIÇÃO... TRANSFORMANDO SONHO EM REALIDADE!

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A dança ela é o chão por onde eu piso, ela é minha inspiração, ela é minha corrente sanguínea, ela é o pulso, pulso de vida...

DÉBORA MARÇAL, ARTISTA DA DANÇA

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A 1° edição do Dança nas Bordas foi realizada de 22 a 26 de Março de 2017, no Capão Redondo, zona sul, periferia da capital do Estado de São Paulo. Contemplado pelo Festival de Artes I 13/2016 com realização do Governo do Estado de São Paulo, a Secretaria da Cultura, o PROAC e a Cooperativa Paulista de Dança, o Dança nas Bordas é um desdobramento da Mostra de Repertório Coreográfico, realizado pela Cia Diversidança, desde 2010. No entanto, a Mostra de Repertório Coreográfico, tem o intuito de agrupar e apresentar apenas o repertório atual da Cia, no caso, o Dança nas Bordas, tem como objetivo reunir os artistas que atualmente fomentam e produzem dança nas periferias da capital da cidade de São Paulo. Desde a V Mostra de Repertório, a Cia Diversidança sentiu a necessidade de ampliar esse espaço, também, para outros artistas e por consequência, na VI edição em 2015, a partir da roda de conversa: “Dança nas Bordas: Por onde caminha a nossa dança?” surge a necessidade de alinhavar momentos para partilhar o nosso fazer artístico, de forma mais plural e diversificada, potencializado a produção e modos de criação e estéticas oriundas das periferias. Surge então o desejo de realizar o Dança nas Bordas, um encontro com diversos artistas, roda de conversa, mostra de processo, espetáculo, oficina, baile, exibição de vídeo dança, cortejo, tudo que possa reverenciar a dança, possibilitando o olhar sensível e trazendo à tona a diversidade da produção artística periférica. A 1° Edição foi realizada na Fábrica de Criatividade, que foi sede de ensaio da Cia Diversidança, localizada em menos de 100 metros da estação Capão Redondo da Linha Lilás do Metrô. Todas as atividades foram gratuitas, de acordo com a classificação indicativa. Para Rodrigo Cândido, atual diretor geral e artístico, além de interprete-pesquisador da Cia Diversidança e idealizador do Dança nas Bordas, “é uma mostra de dança que aglomera artistas, núcleos e cias de diferentes modos de criação, estéticas e linguagens”. Acrescenta que “é um encontro de processo, exibições, apresentações e diálogos a cerca das pesquisas e inquietações de artistas que produzem, fomentam e difundem dança na zona sul, de forma plural e diversificada, sobretudo nas bordas” da capital de São Paulo. Abaixo você vai conferir a programação, que deu voz, para um dos maiores festivais e mostras de dança, da zona sul de São Paulo. O Dança nas Bordas inicia no dia 22 de Março às 18h com oficina de danças populares brasileiras, ministrada por Débora Marçal, com participação especial do 28

Mestre Rabi e Lizandra Borges na percussão. Esta oficina oferece uma pequena vivência prática em dança popular brasileira tendo como base algumas danças de matrizes negras principalmente as da região do nordeste, tais como maracatu, samba de roda, afoxé, samba de coco. O objetivo é experimentar um estado corporal de um corpo que brinca, reza, dança, trabalha e festeja. Na mesma noite, às 20h, recebemos o espetáculo “Outras Portas, Outras Pontes”, com a Cia Sansacroma. Em um primeiro momento, o olhar sobre o apartheid “gentil” existente no Brasil, quando negros operários são tratados com sub-cidadãos e os espaços físicos geram separações. No segundo, a dança e o texto mostram quando a consciência desta separação torna-se indignação e é transformada em materialidade poética, explorando questões como herança cultural e identidade do brasileiro. Este é “Outras Portas, Outras Pontes”, da Cia Sansacroma, com direção artística de Gal Martins, direção coreográfica de Yaskara Manzini e trilha sonora composta pelo multi instrumentista Cláudio Miranda, da banda Poesia Samba Soul e os músicos Zinho Trindade e MC Gaspar. No dia 23 de Março, às 18h, o Dança nas Bordas inicia a noite com a roda de conversa “O que e a CPD - Cooperativa Paulista de Dança: Quais as Lutas e Conquistas”, com Sandro Borelli, que na época era o Presidente da CPD, que traçou um contexto histórico, político, administrativo e artístico da Cooperativa Paulista de Dança, do seu inicio até os dias atuais. Às 19h30, tiveram exibições de vídeosdança, acompanhado de debate sobre a pesquisa desenvolvida com os seus criadores: “Carmen” do Coletivo Calcâneos fomentam a discussão: “Quantas vezes matamos a nós mesmos?” Afetos liberadores, na tentativa de produzir sensações e percepções de o quanto todo ser humano, sem exceção, está sujeito a vivenciar tais processos. O Coletivo acredita que expressar um sofrimento torna-se um ato de resistência, mesmo perante os desafetos, aos escombros e os detritos. O “suicídio da personalidade” vem como existência, vem como uma forma de se situar no mundo. Na mesma noite apresentamos também duas obras de Alex Soares: “Perishable” (Perecível), criada a convite da Noord Nederlandse Dans, Cia de dança sediada em Groningen, norte da Holanda, Perishable ou Perecível em português, trata da questão de que tudo está em constante desmantelamento, ou sujeito a ele em qualquer momento. E “Kick on Taish Too” - Inspirado na reforma do Teatro Castro Alves, iniciada no final de 2013, o Balé Teatro Castro Alves realiza, em


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2014, o projeto SOB RASURA em que se lança na investigação acerca das reformas e transformações físicas e de pensamentos, experimentadas por seus bailarinos ao longo do tempo. Afinal, depois de tantos anos dançando, dançar sob novas perspectivas também os interessa. E pra encerrar as exibições, o “Vídeo Espiritual” de Raffab Ajá, que é o terceiro vídeo solo do artista e a inspiração nasce dos estudos da astrologia e da alquimia, que servem como despertadores na criação de uma dança que possa relacionar elementos da natureza com simbolismos, analogias e arquetípicos. Para finalizar a noite, às 21h30, a apresentação do Grupo Corpo Molde dirigido por Renan Marangoni, com o espetáculo “Abismo”. Meus olhos estão fixos nele, me lanço estendo minhas mãos, o apoio é formado, seguro firme, isso tudo é uma insanidade completa. Quem desprender-se primeiro o “botão” de autodestruição do outro. Foi assim que escolhemos viver na dependência desse contra peso. Ele apenas acha que me conhece, mas a real questão é que nem eu mesmo acabei de montar meus fragmentos. Quantas faces ter? O que fazer? Até onde tentar? O quanto eu quero? Falso ou verdadeiro? Ser arriscado ou ter cautela? Até quando posso aguentar ele me despedaçar? A partir destas questões o intérprete-criador Willian Farias desenvolve a pesquisa, de site specific, entre linhas elásticas que estabelecem as soluções de suas questões. No dia 24 de Março de 2017, o Dança nas Bordas inicia às 18h, com a oficina de Hip Hop com Rodstyle, que consiste em trabalhar as suas vertentes como, popping, locking, breaking, house, hip hop freestyles, partindo das improvisações de movimentos e também das linguagens novas, new school, step sociais e urban choreography, visando o lado de vídeo mais comercial, o famoso vídeo dance. Às 20h apresenta o espetáculo “Falem Comigo”, da Cia Street Son, atualmente conhecidos como Núcleo de Pesquisa “Os Peculiares”, dirigido por Duda Moreno. O espetáculo “Falem Comigo” nasceu do estudo sobre a LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) e a Cultura Surda. Esse universo apresentou aos intérpretes, a comunicação que é feita através de um bailado expressivo, repleto de símbolos, significados e sentimentos. Nessa obra cênica há alguns momentos que colaboram diretamente com a formação da identidade do surdo e do deficiente auditivo, a fim de instaurar inquietações e reflexões sobre a exclusão de uma porcentagem de indivíduos que anseiam por afetividade, diálogo e respeito. Às 21h30, o Double Lock estreia o espetáculo “Corpo, Mente e Espírito”, partin-

do da percepção do grupo, que a dança vai muito além de um movimento e que ela é capaz de formar o caráter pessoal, podendo demonstrar, argumentar e provocar diferentes pensamentos. Por meio de várias imagens, textos, vídeos, diálogos e exercícios de forma criativa para instigar os elementos da energia e de como retratar a trindade (Corpo, Mente e Espírito), utilizando as danças urbanas, formação do grupo, além de estabelecer conexões entre o individual e o coletivo. Para o Double Lock, “não somos apenas um, mas parte de um todo, cremos que a Energy, além de nos motivar, dá origem a um ser formado por corpo, mente e espírito”. Esta trindade é a pedra fundamental, o equilíbrio da vida. Corpo depende da mente, que depende do espírito e vice versa, se uma das três pontas está fraca, acabam influenciando nas outras. No dia 25 de Março de 2017, começamos às 18h com uma roda de conversa que discute “Por onde caminha à nossa dança”, com os diretores: Gal Martins da Cia Sansacroma, Mazé Soares da Saída de Emergência Cia de Dança, Renan Marangoni do Grupo Corpo Molde e Rodrigo Cândido da Cia Diversidança. Às 20h, temos o espetáculo com a Com[som]antes Cia de Arte, “CISZA II de IV”, que fala dos silêncios. É uma obra de dança que se construiu e modificou-se no decorrer da trajetória da Cia. Em 2016, a Com[som]antes Cia de Arte olha para o que foi essa criação e propõe alguns procedimentos para aprofundar e entender os silêncios que já foram e os que ainda são. O espetáculo acontecerá em quatro partes. PARTE II - Engolir desejos, 2ois; tecer, ter sido, tração de uma relação; memória A2, bloqueio A2, afastamento A2; cordão umbilical. E pra finalizar a noite, na entrada da Fábrica de Criatividade, a Cia Diversidança, dirigida por Rodrigo Cândido, apresenta o Manifesto Poético “Por que danço?”, recentemente contemplados pela 21ª Edição do Programa de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo com o projeto de pesquisa “Ensaios Cartográficos”, com intuito de amadurecer a proposta, realizada por meio de site specific, mas cuja proposta não somente perfaz pela sua relação com o espaço/território, mas que a vivência estabelecida possa trazer experiência não apenas estética, mas também simbólica para os transeuntes/ espectadores. O Manifesto Poético, “Por que Danço?” reuniu depoimentos de diversos artistas da dança que expressaram em contexto político-social, convidados para relatar parte de suas histórias. Entrelaçadas com os dos próprios integrantes, seus relatos servem como ponto de instigação para que os transeuntes/espectadores possam compartilhar seus modos de ser, sentir 31


e pensar a dança. Por que Danço? Em seus discursos, manifesta-se a importância que a Dança exerce no cotidiano dos artistas, transeuntes e espectadores. No dia 26 de Março de 2017, o Dança nas Bordas começa mais cedo, Kleber Cirqueira, professor de dança de salão e a participação especial da sua companheira Daiy Silva e do DJ Bugas, realizam a partir das 14h a oficina de Zouk, e em seguida, às 15h, o Baile de Zouk até às 17h. A oficina tem como objetivo a iniciação e/ou aperfeiçoamento do ritmo Zouk para os participantes. E o baile tem o objetivo de praticar o conteúdo estudado na oficina. Em seguida recebemos a Dentre Nós Cia de Dança, dirigida por Rivaldo Ferreira, com apresentação às 18h do espetáculo “Cartas à Casa de Pó”, tem como partida o estudo das personalidades de cada intérprete, trazendo as personagens presentes na peça de teatro “A Casa de Bernarda Alba”, indagando a figura feminina no seu estado mais resistente e mais delicado. O espetáculo mostra de uma forma sensível esse lugar de sentir-se pertencente á algo ou alguém. Busca esse pertencer, essa dependência e fazer parte de algo para existir. Utiliza essa metáfora para que possamos dizer que tudo está abarcado nesta pequena atmosfera, seja ela intrínseca ou extrínseca, refere-se ao antigo e ao que se foi. São relatos e rememoração de quem sou e de quem eu era. Às 19h30, temos o recorte do espetáculo “O Silêncio dos Comunicáveis”, com a Saída de Emergência Cia de Dança. O espetáculo foi criado pensando na questão do isolamento dos seres humanos no

ciberespaço, usando como meio de comunicação um estudo de dança contemporânea e danças urbanas. Partindo da ideia “Desconecte para Conectar” se apresenta como contradição ao efeito de individualismo resultante da tecnologia e dos novos meios de comunicação. Se prender ao ciberespaço resulta na ausência de socialização real, uma vez que entre computadores os sentimentos são muito artificiais e não forte o bastante ao vivo. Daí a expressão “O Silêncio dos Comunicáveis”, numa analogia da ausência de comunicação real. Que aumenta o risco dos conflitos face a face e afasta a sociedade contemporânea das reuniões em grupo, da profunda arte de conhecer o outro e formar seus próprios conceitos. E para finalizar a 1° Edição do Dança nas Bordas, temos às 20h30, o cortejo de encerramento com Maracatu Ouro do Congo, fundado em 2010, na região Sul de São Paulo. Tambores em Festa e Reverência! Em uma apresentação vibrante e intensa o grupo Maracatu Ouro do Congo traz a batida do Baque Virado, louvando os Pretos Velhos, saudando os Orixás, um grupo filho das Nações do Maracatu Porto Rico e Encanto do Pina, nascido em São Paulo. “Sonhei liberdade, sofri sim senhor, hoje eu canto alegria, trazendo energia, tocando o tambor”, a força do tambor, a dança que saúda dos Reis do Congo, a alegria de cantemos nossa história e reverenciamos nossos ancestrais, numa manifestação negra, trazendo pra rua o toque Nagô.



PROGRAMAÇÃO QUARTA-FEIRA, 22 DE MARÇO DE 2017 18h: Oficina Danças Populares Brasileiras Com Débora Marçal e Percussão com Mestre Rabi e Lizandra Borges Co-fundadora e Intérprete pesquisadora da Capulanas Cia de Arte Negra, tendo desenvolvido atividades entre espetáculos, cursos, palestras e oficinas. É coreógrafa, dançarina e figurinista do Instituto Umojá de Dramaturgia e Pesquisa Afro brasileira. Cursou Comunicação das Artes do Corpo na PUC-SP e é graduada em Licenciatura em Dança pela Faculdade Paulista de Artes Classificação Indicativa: 14 anos – 90 minutos 20h: Espetáculo “Outras Portas, Outras Pontes”* Com a Cia Sansacroma FICHA TÉCNICA / Direção e Concepção: Gal Martins / Intérpretes Criadores: Djalma Moura, Verônica Santos, Flip Couto, Ciça Coutinho, Érico Santos e Aysha Nascimento / Figurinos e Adereços: Mariana Farcetta / Trilha Sonora: Cláudio Miranda / Operador de Som: Piu Dominó / Assistente de Direção: Djalma Moura / Direção de Produção: Selene Marinho / Assistente de Produção: Dandara Gomes / Assessoria de Imprensa: Marcelo Dalla Pria / Aproximação com o Público: Ciça Coutinho e Dandara Gomes Classificação Indicativa: 12 anos – 60 minutos

* O espetáculo itinerante, começa no pátio do Metrô Capão Redondo da Linha Lilás do Metrô e finaliza na Fábrica de Criatividade

QUINTA-FEIRA, 23 DE MARÇO DE 2017 18h: Roda de Conversa “O que e a CPD - Cooperativa Paulista de Dança: Quais as Lutas e Conquistas”. Com Sandro Borelli - Presidente da CPD desde 2011

Artista e militante da dança, coreógrafo, fundador e diretor da Cia Carne Agonizante. Suas criações já foram apresentadas em algumas das principais cidades do Brasil e no exterior. Pela Fundação Vitae de Artes realizou residência artística no American Dance Festival na Carolina do Norte (Estados Unidos - 1996). Criou a Revista Murro em Ponta de Faca em 2011. Recebeu diversos prêmios, entre eles: Atuação Política na Dança – APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) em 2011, Melhor coreógrafo com Carne Agonizante – Prêmio SESC SATED/Belo Horizonte/MG em 2007, Melhor espetáculo com Adeus deus - 2° Prêmio BRAVO Prime de Cultura em 2006, Melhor Coreógrafo com Plásmica substancia – APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) em 2000

Classificação Indicativa: Livre – 60 minutos 34

19h30: Exibição de Vídeos Dança, acompanhado de debate sobre a pesquisa desenvolvida com os criadores “Carmen” do Coletivo Calcâneos FICHA TÉCNICA / Direção e Roteiro: Victor Almeida / Câmera: Filipe Galdino, Victor Almeida e Vinicius Longuinho / Edição de vídeo: Victor Almeida e Vinicius Longuinho / Edição de som: Victor Almeida / Trilha Sonora: Sigur Rós / Intérpretes: Joelma Souza, Karina Nascimentos, Marina Lima, Richard Pessoa, Victor Almeida e Vinicius Longuinho / Figurino: Beatriz Fontes / Costureira: Quitéria Santos / Produção: Coletivo Calcâneos Classificação Indicativa: Livre – 8 minutos “Perishable” (Perecível) de Alex Soares FICHA TÉCNICA / Direção, Coreografia e Concepção: Alex Soares / Intérpretes: Johannes Lindth, Alex Parret, Marin Lemic, Tinkara Konkar e Luca Cacitti / Trilha sonora: Murcof, Felix Lajko e Alex Soares / Co-produçao: Noord Nederlandse Danse / Direção NND: Stephen Shropshire Classificação Indicativa: Livre – 11 minutos “Vídeo Espiritual” de Raffab Ajá FICHA TÉCNICA / Fotografia, Montagem e Dança: Raffab Ajá Classificação Indicativa: 16 anos – 10 minutos “Kick on Taish Too” de Alex Soares FICHA TÉCNICA / Direção: Alex Soares / Idealização e coordenação projeto Sob Rasura: Luiza Meireles / Programação visual: Camilo Fróes / Curadoria artística BTCA: Jorge Vermelho / Elenco: Ajax Vianna, Angela Bandeira, Dina Tourinho, Lilian Pereira, Luiza Meireles, Luiz Molina, Konztanze Mello, Maria Angela Tochilovsky Classificação Indicativa: Livre – 05 minutos Tempo Total: 90 minutos 21h30: Espetáculo “Abismo” Com o Grupo Corpo Molde FICHA TÉCNICA / Intérprete - Criador: Willian Farias / Orientador: Renan Marangoni / Produção: Júlia Paiva, Reheron e Wendell Araújo / Sonoplastia: Wendell Araújo / Iluminação: Agnaldo Nicoleti / Trilha Sonora: Diego Henrique / Fotos por: Renan Marangoni Classificação Indicativa: Livre - 35 minutos


SEXTA-FEIRA, 24 DE MARÇO DE 2017 18h: Oficina Hip Hop Com Rodstyle Dancer

Artista do teatro, tecnólogo em dança, coreógrafo, arte – educador, pesquisador da dança-​teatro e atual diretor do Grupo Corpo Molde;

Rodrigo Cândido

Rodrigo dos Santos, conhecido como Rodstyle Dancer, começou a atuar profissionalmente em 2003, no projeto Palas Atenas. Atua em diversas áreas dentro da cultura hip-hop, tanto dançando como apresentando em eventos e lecionando aulas de danças urbanas em ONGs, academias, empresas e Studios. É Diretor e Coreógrafo do grupo Freestyles D.S. É agente cultural, ministrando aulas e eventos no Sacolão das Artes, Fábricas de Cultura Capão Redondo e Jd. São Luís e Fábrica de Criatividade. Em destaque, ministrou workshop (Bolívia/ La Paz/ Studio Feeling) e C.D.U. Foi 1° Lugar (TABOARTE 2010), 2° Lugar (MANISFESTARTE 2010), 2° Lugar (7 to Smoke 2010), 1° Lugar (CDU 2013), 1° Lugar (Manifestarte 2013) e 1° Lugar (Knock out Battle - Argentina 2010)

Artista da dança, coreógrafo, arte-educador e atual diretor da Cia Diversidança;

Classificação Indicativa: 14 anos - 90 minutos

21h30: Intervenção “Por que danço? Manifesto Poético” Com a Cia Diversidança FICHA TÉCNICA / Direção Geral e Artística: Rodrigo Cândido / Assistência de Direção Artística: Rosângela Alves / Concepção e Criação Artística: Rodrigo Cândido / Intérpretes: Alessandro Saldanha, Bárbara Santos, Felipe Santana, Iliandra Peluso, Marcio Vitorino, Rodrigo Cândido, Rosângela Alves e Vinicius Borges / Trilha Sonora Original: EdIT e Toska Suzuki / Edição da Trilha Sonora: Rodrigo Cândido / Figurino e Customização: A Cia / Depoimentos e Agradecimentos Especiais: Ana Bottosso, Andrea Soares, Andrey Alves, Cléia Varges, Cleber Vieira, Lucimeire Monteiro, Ivan Bernardelli, Pedro Costa, Priscila Maria Magalhães, Nany Oliveira, Roni Diniz, Sandro Borelli, Valeria Ribeiro, Vaneri Oliveira e Vinicius Francês Classificação Indicativa: Livre – 60 minutos

20h: Espetáculo “Falem Comigo” Com a Cia Street Son FICHA TÉCNICA / Direção Artística: Duda Moreno / Intérpretes criadores: Marcus Oliveira, Yago Azevedo, Duda Moreno / Bailarina convidada: Thays Peric / Professor de Dança Contemporânea: Robson Ferraz / Professor de LIBRAS: Filipe Macedo / Trilha sonora: Fabricio Zavanella, Duda Moreno / Colaborações sonoras: Rita Pontes e Luiz Pontes - Som de Cristal / Iluminação: Gabriela Rosso / Figurino: Duda Moreno Classificação Indicativa: Livre – 40 minutos 21h30: Espetáculo “Corpo, Mente e Espírito” Com Double Lock FICHA TÉCNICA / Direção: Diego Henrique do Nascimento / Coreografia: Criação Coletiva / Intérpretes: Alan Ferrari da Silva, Ana Carolina Batista Souto, Darlita Luiz Albino, Eduardo Carlos Basílio Chaves e Diego Henrique do Nascimento / Trilha Sonora: Participação Nelson D. Classificação Indicativa: Livre – 35 minutos

SÁBADO, 25 DE MARÇO DE 2017 18h: Roda de Conversa, com diretores de Cias que atuam na zona sul da capital do Estado: “Por onde caminha à nossa dança” Gal Martins

Atriz, dançarina, coreógrafa e atual diretora da Cia Sansacroma;

Mazé Soares

Bailarina, coreógrafa, arte-educadora e atual diretora da Saída de Emergência Cia de Dança;

Renan Marangoni

Classificação Indicativa: Livre – 90 minutos 20h: Espetáculo “CISZA II de IV” Com Com[som]antes Cia de Arte FICHA TÉCNICA / Diretor: Harrison Rodrigues / Intérpretes-criadores: Camila Pan, Harrison Rodrigues, Lucas Lopes, Thais dos Reis e Welligton Al / Cantora: Bárbara Bandeira. Classificação Indicativa: Livre – 40 minutos

DOMINGO, 26 DE MARÇO DE 2017 14h: Oficina 15h: Baile Zouk Com Kleber Cirqueira e participação especial de Daiy Silva e o DJ Bugas

Artista da Dança, atualmente Kleber Cirqueira atua como professor e coreógrafo na Escola de Dança JL, Studio de Dança Paloma Amorim, Escola de Dança Carol Siqueira, Escola de Dança Sparttan e Academia Fitness Plus. Destaque e premiação em diversos festivais realizados em São Paulo, além da parceria com Daiy Silva e o DJ VJ Santos

Classificação Indicativa: 14 anos – 180 minutos 18h: Espetáculo “Cartas à Casa de Pó” Com a Dentre Nós Cia de Dança FICHA TÉCNICA / Direção e Concepção: Rivaldo 35


Ferreira / Intérpretes - Criadores: Cintia Rocha, Catarina Stevanato ou Rivaldo Ferreira, Giovana Santos, Júlia Lima, Jeniffer Mendes e Thainá Souza / Cenário: Rivaldo Ferreira e Victor Almeida / Iluminação: Piu Dominó / Edição de Trilha: Rivaldo Ferreira / Fotos e vídeos: Rafi Sousa / Designer Gráfico: Victor Almeida / Figurino: Ana Lucia e Elenco Classificação Indicativa: 10 anos – 60 minutos 19h30: Recortes do Espetáculo “O Silêncio dos Comunicáveis” Com a Saída de Emergência Cia de Dança FICHA TÉCNICA / Direção Geral: Mazé Soares / Coreógrafos: Felipe Santana, Mazé Soares e Rodstyle / Elenco: Camila Ferreira, Danilo Rodrigues, Luiz Oliveira e Priscila Santana / Figurino e Cenário: Elenco e Direção / Sonoplastia: Mazé Soares Classificação Indicativa: Livre – 30 minutos 20h30: Encerramento “Cortejo” Com Maracatu Ouro do Congo FICHA TÉCNICA / Representante do Grupo: André de Camargo Almeida – Jota Vianna / Integrantes: Jota Vianna, Bárbara Carvalho, Cléia Varges, Daiana Rodrigues, Eduardo Turri, Everton Leandro, Gabriel Nascimento, Júlia Berro, Laís Lima, Manuela Rocha, Paulo Felix, Roberta Marangoni, Simone Monteiro, Thiago “Zé” Ferreira, Thiago Soussumi, Kaike Sena, Davi Pina, Fabiana Sena, Amanda Signori, Bárbara Silva, Taynã Lima, Rodrigo Valente, Thainá Rossati, Thiago Dendê, Fabiana Sena, Camila May / Coordenação Geral: Jota Vianna e Roberta Marangoni / Produção Executiva: Cléia Varges / Assistente de Produção: Arabi Mesquita / Apoiadores: Espaço Cultural CITA (Campo Limpo – SP), Nação do Maracatu Porto Rico & Nação do Maracatu Encanto do Pina – PE Onde? Fábrica de Criatividade Rua Dr. Luís da Fonseca Galvão, 248 Pq. Maria Helena – São Paulo/SP 100m da Estação Capão Redondo da Linha Lilás do Metrô Entrada: GRATUITA

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FICHA TÉCNICA dealizador e Programador: Rodrigo Cândido / Designer e Arte gráfica: Aggelos Finikas/ Redes Sociais: Aggelos Finikas e Rodrigo Cândido / Técnico de Som: Alessandro Saldanha / Técnico de Luz: Vinicius Borges / Filmagem: Rodrigo Cândido e Raphael Poesia / Fotografia e Edição de Vídeo: Raphael Poesia / Produção Geral: Aggelos Finikas, Alessandro Saldanha, Rodrigo Cândido e Vinicius Borges. Apoio: Cia Diversidança e Fábrica de Criatividade / Realização: Governo do Estado de São Paulo, a Secretaria da Cultura, o PROAC e a Cooperativa Paulista de Dança.

Saiba mais em:


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“É um evento que convida agente a gerar movimento, reflete e retrata o pensamento além das necessidades latentes na borda da zona sul, manifesta a importância de se articular para sobreviver, por meio da linguagem que escolhemos enquanto profissão e vida, é um convite a se pensar à dança na contemporaneidade.”

POR RENAN MARANGONI

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O evento “Dança nas Bordas” é dê extrema relevância para o desenvolvimento cultural das bordas da Zona Sul da cidade de São Paulo. Abre a oportunidade para promoção de encontros artísticos, reforça a pluralidade [re]existentes no território, demonstra uma rica diversidade do campo de pesquisa cênica, performance, temáticas importantes para o cenário artístico, educacional e profissional da área da dança. Enquanto artista, diretor e coreógrafo do Grupo Corpo Molde, tivemos a oportunidade de participar da 1°, 4° e 5° edição, tendo experiências presenciais e virtuais durante o período de pandemia. Dentre essas edições integramos a programação em diversos encontros, como: Integração a Mesa de Debates com Mazé Soares (Cia. Saída de Emergência), Rodrigo Cândido (Cia Diversidança), Gal Martins (Cia. Sansacroma e Zona Agbara) e Renan Marangoni (Grupo Corpo Molde) em 2017, no mesmo ano apresentação o solo espetáculo “Abismo”, que nos deu a oportunidade de mostrar um processo de pesquisa intenso e que estava em construção. Já na 4° edição em 2021, apresentamos em formato virtual o espetáculo “Bambaquerê” e no mesmo ano participei com o “Programa CENA”, junto ao Rodrigo Lima (Cia 7 de Dança), por meio da ação “Personalidades da Dança” e na composição desta revista, compartilhando o meu depoimento nesta 5° edição em 2022. Ter participado deste evento em diversas edições me faz refletir sobre a importância de ações que geram movimento nas bordas da cidade, “quem não se movimenta, não faz barulho” e este evento me reconecta com as potências existentes na Zona Sul de São Paulo. Por meio dele obtive conhecimentos técnicos dentro do setor artístico, conheci a Cooperativa Paulista de Dança, por exemplo, que eu nunca tinha ouvido falar, assim como a importância de me envolver ativamente nas políticas públicas da cidade de São Paulo, são ações como estas impactam os territórios periféricos. Tenho apenas a agradecer, pelo privilégio de ter participado e integrado edições anteriores, e espero que de fato mais ações, assim como essas, possam reverberar para “além das bordas”, gerando impactos no território, oportunizando novos artistas a estarem em cena, incentivando coletives a se manterem na luta do setor cultural. 40


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RENAN MARANGONI Artista da Dança-Teatro há 8 anos, atualmente atua como Formador Artístico Social, através da linguagem artística dança em 2 CCAs (Centro de Convivência de Crianças e Adolescentes) e em 1 NCI- Núcleo de Convivência do Idoso de São Paulo. Fundador do Grupo Corpo Molde, onde desde 2013 é o diretor artístico e coreógrafo e coordenador de projetos atendendo os pilares institucionais da companhia (Formação, Arte e Cultura, Políticas Públicas Culturais, História e Memória da Dança, Bem-estar, Sustentabilidade Cultural e Atuação Social), atua como produtor do projeto “corpocasa” da Inspiração 6- coletivo de comunicação audiovisual- e atua como Comunicador Social na Associação Maria Flos Carmeli, atuante no Fórum de Dança(s) da Zona Sul & Sudoeste de São Paulo e integra a Cooperativa Paulista de Dança de São Paulo. Formado como Tecnólogo em Dança pela ETEC de Artes de São Paulo em 2012, Licenciado em Educação Física no Centro Universitário Ítalo Brasileiro em 2017 e desde 2020 cursando o 5° semestre de Bacharelado em Ciências Humanas pela Universidade Estácio de Sá.

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2ª EDIÇÃO... SEMEANDO SONHOS, BROTANDO DANÇAS

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E a dança é um instrumento pra gente se fortificar, no sentindo de pessoas, saúde mental, e olhar pra que, as coisas não tenham apenas o significado que a gente observa enquanto vê, quando eu olho pra alguma coisa, que tem mais coisas, por detrás disso...”

MÁRCIO GREYK, ARTISTA DA DANÇA


De 24 á 28 de Janeiro de 2018, o Capão Redondo, zona sul, periferia da capital do Estado de São Paulo, realiza a 2° Edição do Dança nas Bordas. Essa edição foi realizada como uma das ações do projeto “Manifesto Poético: Ensaios Cartográficos”, contemplado pela 21° Edição do Programa de Fomento à Dança da Secretaria Municipal de Cultura, com realização da Cia Diversidança e da Cooperativa Paulista de Dança. A 2°Edição foi realizada na Fábrica de Criatividade, antiga sede de ensaio da Cia Diversidança, que fica localizada em menos de 100 metros da estação Capão Redondo da Linha 5 - Lilás do Metrô, todas as atividades foram gratuitas, de acordo com a classificação indicativa. Nessa edição, reforçamos o legado do Dança nas Bordas, realizando uma ação anual consecutiva, que gerou, de fato, grandes expectativas. Seria o Dança nas Bordas, um encontro anual? Como a programação poderia se expandir e se alinhar com outras periferias e como ele poderia abraçar todas as linguagens, modalidades e Modos de produção? Seria isso possível? Quais as emergências e necessidades em questão? Eram diversas duvidas, mas ter a possibilidade de realizar a 2°Edição, para nós da Cia Diversidança, era um momento de semear sonhos. A gente sabia, que o Dança nas Bordas vinha pra ficar e fazer muita diferença. Outra grande conquista, a 21° Edição do Programa Municipal de Fomento à Dança, era a primeira edição que a Cia Diversidança, era contemplada, ou seja, realizar esse projeto e ter como desfecho a realização do Dança nas Bordas, era comemorar em dose dupla. E assim se fez, além potencializar nossas ações dentro do cenário paulista da dança, e um grande reflexo disso, foi receber em 2017, o Prêmio Denilto Gomes por “Revelação de Ação Continuada em Dança”. A Cia definitivamente se consagrava como uma pioneira nas conquistas e lutas pela dança em São Paulo e o núcleo artístico entendia que quantos mais sonhos conquistávamos, mas responsabilidades tínhamos. A 2° Edição em 2018, foi uma de nossas últimas ações dentro do espaço da Fábrica de Criatividade, enquanto núcleo artístico, precisávamos estar em mais diálogo com outros artistas, com o poder e a administração pública, além de ampliar nossa atuação territorial, então ao final do Dança nas Bordas, migramos para uma nova casa, o Espaço Cultural CITA. Abaixo você vai conferir a programação, que permitiu ao Dança nas Bordas, fluxo, para sua própria existência... 46

PROGRAMAÇÃO O Dança nas Bordas iniciou-se em 24 de Janeiro de 2018, às 17h com a Oficina de Danças Populares Brasileiras, ministrada por Priscila Paciência. O Brasil é um país com uma grande diversidade de danças, diversidade de rítmos, diversidade de “maneiras” de se dançar. Partindo da construção da corporalidade do brasileiro e do seu riquíssimo universo simbólico, essa oficina propõe a vivência de duas danças de roda, uma do nordeste e outro do sudeste, seus “trejeitos” e “mungangas”. A proposta é refletir como a miscigenação e a riqueza gestual e rítmica faz de cada dança e de todas elas juntas, uma grande celebração da vida. Na mesma noite, às 19h, recebemos o espetáculo “Yebo” com Gumboot Dance Brasil, dirigido por Rubens, é uma forma de dança popular que foi criada pelos trabalhadores no século XIX nas minas de ouro e de carvão da África do Sul, por conta dos longos anos de colonização Holandesa e Britânica a segregação racial era essencialmente informal, apesar de algumas leis terem sido promulgadas para controlar o estabelecimento e a livre circulação de pessoas nativas. Muitos dos povos negros segregados em tribos eram enviados às minas como mão de obra local. Por conta dos inúmeros povos de diversas línguas, os trabalhadores encontraram um formato de se comunicar sem precisar do idioma e descobriram que com o batuque das botas, canto e gritos era a solução para que pudessem se comunicar. Pra finalizar a noite, às 20h30, temos a apresentação do espetáculo “Danças Urbanas – Locking” com Chemical Funk. O espetáculo tem como característica a apresentação de uma dramaturgia clara e linear, repleta de tramas e surpresas, que muitas vezes utiliza-se do humor como ferramenta cênica. Aliando a dança ao teatro em um equilíbrio constante. Divertido e inovador Danças Urbanas – Locking agrada e envolve o espectador, de uma forma dinâmica e descontraída que permite ao público identificar-se com suas coreografias e seus personagens. No dia 25 de Janeiro de 2018, em comemoração ao aniversário da cidade de São Paulo, o Dança nas Bordas inicia às 17h30 com a intervenção “Dança por Correio” do Grupo Zumb.boys. A apresentação será realizada no Pátio de Acesso da Fábrica de Criatividade. O espetáculo “Dança por Correio” surge da inesperada quebra do cotidiano. De uma maneira poética, os dançarinos vestidos de carteiros levam, não apenas uma mensagem escrita nas cartas, mas uma mensagem embutida na dança e na música sendo construída para


aquela pessoa e para aquele ambiente. A intenção é fazer com que os transeuntes dos locais públicos escolham uma carta, e a partir dessa escolha seja determinado o que será dançado. “Dança Por Correio” num curto espaço de tempo, espera mudar o minuto, o dia, e quem sabe até um pensamento de seu público. Entregando de verdade uma “carta” e traduzindo corporalmente através da dança, trazendo sentimentos e sensações, com o intuito de melhorar, transformar e interferir na vida das pessoas que por ali estão. O espetáculo é montado a partir de improvisos e jogos coreográficos pré-estabelecidos, que surgiram das pesquisas do grupo, buscando sempre um dialogo direto com o público. Em seguida, recebemos a ANIKAYA Dance Theater com o espetáculo “Forest”, apresentado às 19h, seguido de bate papo com a diretora norte-americana Wendy Jehlen e elenco. A missão da ANIKAYA Dance Theater é romper as fronteiras entres pessoas, culturas e formas de arte, estendendo seu trabalho por todo o mundo, seus processos de criação envolvem dança, música e história, com o intuito de criar trabalhos que buscam utilizar diferentes possibilidades corporais, ao internalizar formas tradicionais e deixar que essas formas se transformem em novas linguagens, resultando num trabalho que se resume nas raízes tradicionais, sem se prender a um gênero, lugar ou prática. “Forest” é baseado em pesquisas sobre a mitologia da floresta como um lugar de transformação. A floresta tem sido sempre um espaço importante na mitologia e psique humana. A falta de respeito do homem em relação à natureza gera desequilíbrios, como o aquecimento global e os desastres ambientais, colocando o lugar da floresta em risco. “Forest” nos leva de volta a este espaço sagrado, em constante evolução, lembrando-nos do seu poder e de sua fragilidade. Em Forest, a ANIKAYA Dance Theater leva o público através numa viagem que começa no chão da floresta, com árvores crescendo, rompendo a terra, insetos correndo, e termina acima do dossel da floresta, voando com os pássaros. Às 20h30, recebemos o quarteto de artistas negros, formado por Duda Moreno, Flip Couto, Nice Estrela e Rodstyle, que discutem na roda de conversa “Por onde caminha à nossa dança”, trazendo suas questões e indagações que permeiam seus fazeres artísticos, trazendo à tona lutas e conquistas que a danças urbanas vem galgando na cidade, sobretudo nas periferias, finalizando a noite. No dia 26 de Janeiro de 2018, começamos às 17h30 com a intervenção “Manifesto para outros Manifestos – Resistir dançando por alguns cantos...” da Cia Diversidança, primeira intervenção do projeto “Ensaios Car47




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tográficos” realizado pela Cia Diversidança, por meio de site specific, mas cuja proposta não somente perfaz pela sua relação com o espaço urbano/território, mas que a vivência estabelecida possa trazer experiência não apenas estética, mas também simbólica para aqueles que transitam pela cidade. A intervenção é norteada pelas perguntas: Por que você dança? Quais as conquistas, lutas e perdas da dança? O que temos contribuído para dança na cidade? A dança pode mudar o seu mundo? Qual é o papel do artista da dança na sociedade? Além disso, o Manifesto para outros Manifestos – Resistir dançando por alguns cantos... reuniu depoimentos de diversos artistas que expressaram em contexto poético-político-social, convidados para relatarem partes de suas histórias, entrelaçadas com os dos próprios intérpretes da Cia Diversidança, seus relatos servem como ponto de instigação para que os transeuntes/espectadores possam compartilhar seus modos de ser, sentir e pensar a dança. O Manifesto para outros Manifestos – Resistir dançando por alguns cantos... é um convite para celebração e reflexão sobre a dança. Às 19h, o Dança nas Bordas inicia a noite com a Oficina de Danças Urbanas, ministrada por Diego Groove, que será divido em 4 etapas onde será abordado variações de velocidade, acentuações e de alguns fundamentos da dança Locking. Terá apresentação e breve história do Locking e sua importância nas Danças Urbanas. Aquecimento com Danças Sociais que foram popularizadas nas décadas de 60, 70 e 80, com ênfase nas que foram de extrema importância para o surgimento do Locking. Prática de alguns fundamentos, desenvolvendo células coreográficas, além de feedback sobre o que foi desenvolvido. Às 21h, temos a exibição de Vídeos Dança, acompanhadas de bate papo com seus criadores/diretores, nessa edição, contamos com a presença da Cia da Vila, da Dentre Nós Cia de Dança e do Raffab Ajá. Iniciamos com “Amor em 4 Atos”, da Cia da Vila, dirigida por Priscila Magalhães inspirado no conto de Honoré de Balzac, Um Amor no Deserto, utilizando também como referência o mito do Narciso, conta a história de amor entre uma pantera e um general do exército de Bonaparte perdido no deserto. A história permeia diferentes tipos de amor e ressalta os sentimentos, principalmente voltados aos quatro atos; o instinto, narcisista, desejo e entre pares. Seguido pelo Vídeo ESPIRITUAL II”, quinto vídeo dança de Raffab Ajá e o segundo da série Vídeo Espiritual. A narrativa reflete a pesquisa do artista sobre o tema da espiritualidade. No videodança, o artista faz o movimento com as mãos “Alapadma Chakra”, ensinado por Wendy Jehlen, fundadora da ANIKAYA Dance Theater, trata-se de um

mudra da flor de lótus em movimento, conhecido pelo símbolo da pureza. É adequado para relacionar-se com o divino, melhorar os relacionamentos, desenvolver a bondade, o afeto e a comunicação. Finalizando com o “VIDEODANÇA - Cartas à Casa de PÓ” da Dentre Nós Cia de Dança com Rivaldo Ferreira e Rafi Sousa. “Cartas à Casa de PÓ” tem como partida o estudo da personalidade de cada intérprete, trazendo as personagens presentes na peça de teatro “A Casa de Bernarda Alba”, indagando a figura feminina no seu estado mais resistente e mais delicado. O vídeo surge do espetáculo de mesmo nome, que mostra de uma forma sensível esse lugar de sentir-se pertencente a algo ou alguém. O espetáculo busca esse pertencer, essa dependência e fazer parte de algo pra existir. Utilizamos essa metáfora para que possamos dizer que tudo está abarcado nesta pequena atmosfera, seja ela intrínseca ou extrínseca, refere-se ao antigo e ao que se foi. São relatos e rememoração de quem sou e de quem eu era. No dia 27 de Janeiro de 2018, começamos às 17h, com o espetáculo “So.corro – Se eu fosse você eu me movia” com o Grupo Xingó, um solo de Érika Moura. Um desabafo. Não individual, mas coletivo. So.corro corre contra o tempo para pensar o tempo, buscando no imaginário dos filmes de ação, referências pra entender nossa ação hoje, para dançar a cidade, a mulher, o relógio, o incômodo, o desumano, o injusto, o desigual. A super-mulher dos filmes de Hollywood ou das capas das revistas se transfigura em gente e ganha rosto, corpo e história. Um corpo feminino e no plural. Mulheres. So.corro é nordestina, são muitas, veias todas abertas na contramão. So.corro é dança, é convite, é provocação. Em seguida, às 18h30 teremos a Roda de Conversa “A importância de festivais e mostras para a difusão da dança” com Júnior Guimaraes. “Uma roda para discutir difusão, financiamentos, gestão, desenvolvimento e participação.” A roda de conversa pretende apontar que Mostras e Festivais podem ser uma das maiores vitrines da produção da dança brasileira. Elas podem ser a primeira porta de entrada, além de serem os principais canais de difusão de obras de novos artistas brasileiros e a possibilidade de encontro com artistas de outras cidades, estados e países. Vamos discutir os mecanismos de financiamento e gestão para festivais, a construção e informações culturais nesse campo e a interlocução com festivais de outras linguagens e também com a gestão pública e privada. Esta proposta de diálogo surge com a necessidade de pensar o papel principal que os Festivais/ Mostras fazem no desenvolvimento humano, na formação de público e 51


o que eles mobilizam através da experiência prática do produtor. Às 21h, teremos a oficina de Dança de Salão: Samba Rock e suas influências históricas com Leonardo Cordeiro e Denise Capelo, um estudo dinâmico e composto de apresentação do ritmo, histórias e impacto social da dança no cotidiano paulista, aula prática e exercícios unindo os movimentos históricos da dança, demonstração e execução técnica dos temas. No dia 28 de Janeiro de 2018, o Dança nas Bordas começa mais cedo, às 13h, realizamos o Encontro com atuais, ex-Diversidanças, além de convidados. Às 14h, temos a presença do ex integrante da Cia Diversidança. Teremos apresentações dos atuais integrantes e em seguida o compartilhamento da sistematização do relato da trajetória de 10 anos “Cia Diversidança: Fragmentos de uma História”, organizado por Rodrigo Cândido, acompanhado de uma grande celebração. Às 17h, teremos o espetáculo “Cubo Tóxico”, com Cia Fusos. “Cubo Tóxico” tem um olhar sensível para a comunidade, onde há questões ambientais que afetam a população, como a poluição dos rios e córregos. Esse contato próximo desses gases, que são liberados como uma cortina de ar poluída, que afeta involuntariamente o sistema respiratório. O espetáculo se aproxima das questões: Ar, Oxigênio e Respiração. A Cia busca novas possibilidades de movimento e expressão tendo como propósito, provocar nos bailarinos situações que possam tirá-los da zona de conforto por meio das limitações que um corpo impõe ao outro, revelando diferentes caminhos ainda não explorados. Este espetáculo de dança contemporânea, pretende não só potencializar

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a arte, mas também contribuir para uma mudança no olhar coletivo das pessoas em relação a essa poluição, e as pessoas são convidadas a refletir a respeito do cenário urbano ao seu redor. Às 19h, temos a apresentação do espetáculo “Martírio”, com a Cia 7 de Dança, dirigida por Rodrigo de Lima. O espetáculo é inspirado nos fatos marcantes da vida de Joana D’arc, dividido em três pequenos atos, o espetáculo tem como intuito mostrar um novo olhar sobre essa história, buscando levar a reflexão do público sobre a injustiça cometida pelo poder religioso e governante da época e da luta contra a injustiça contra as mulheres, mostrando que mesmo depois de anos os erros não podem ser reparados, mas servem de exemplo de uma trajetória vivida e marcada por um povo governado por líderes machistas e preconceituosos, realidade que não mudou com o passar dos tempos, fazendo assim um paralelo com os dias atuais. E para finalizar a 2° Edição do Dança nas Bordas, temos às 20h30, o cortejo de encerramento com o Grupo Umoja. O Umoja trabalha com diversas linguagens artísticas, com ênfase nas referências às culturas afro-brasileiras e nos seus aspectos híbridos, danças dramáticas populares e musicalidades, cocos, maracatus, sambas rural, de roda, cirandas e afoxés. Ao todo são 13 integrantes, autodidatas, pesquisadores universitários, atores, bailarinos, músicos, figurinistas e produtores, com diversas idades identificados com as culturas populares e afro-brasileiras. Umoja na língua africana Swahili, falada na costa oeste da África, significa UNIDADE.


PROGRAMAÇÃO QUARTA-FEIRA, 24 DE JANEIRO DE 2018 17h: Oficina Danças Populares Brasileiras: “Trejeitos e Mungangas” Com Priscila Paciência

Bacharel e Licenciada em dança. Bailarina e coreógrafa. Iniciou estudos e trabalho como bailarina popular e preparadora corporal no Abaçaí Balé Folclórico de São Paulo com direção de Toninho Macedo. Como bailarina compôs elenco da Cia Teatro Dança Ivaldo Bertazzo, Cia Abieié (Direção Irineu Nogueira) e Cia Antônio Nóbrega de Dança. Pesquisa Técnica Silvestre desde 2011. Atualmente leciona e tem nessa técnica inspiração de seus trabalhos artísticos. Participou do curso da AMESPBEESP, e seus padrinhos são Irineu Nogueira e Adriana Gomes. Trabalhou como coreógrafa da Comissão de Frente da Escola de Samba Cecap de Guarulhos sendo premiada em 2016 como melhor Comissão de Frente pelo Sururu no Samba. É coreógrafa na Escola de Samba Mocidade Alegre. Criadora e diretora da Goma Cia de Dança. Atualmente compõe o corpo docente do Centro de Referência da Dança do Município de São Paulo, ministra aulas de Danças Afro Brasileiras.

Classificação Indicativa: 14 anos – 90 minutos

Não há necessidade de inscrição, basta chegar com 30 minutos de antecedência

19h: Espetáculo “Yebo” Com Gumboot Dance Brasil FICHA TÉCNICA / Direção Geral: Rubens Oliveira / Direção Musical: Lenna Bahule / Pesquisa e argumento: Rubens Oliveira / Elenco: Danilo Nonato, Diego Henrique, Fernando Ramos, Lenna Bahule, Munique Mendes, Naruna Costa, Pamela Amy, Rafael Oliveira, Samira Marana, Silvana de Jesus e Washington Gabriel / Músicos: Eduardo Marmo e Mauricio Oliveira / Produtor: Kelson Barros Classificação Indicativa: Livre – 50 minutos 20h30: Espetáculo “Danças Urbanas – Locking” Com Chemical Funk FICHA TÉCNICA / Direção e Coreografia: Ivo Alcântara / Intérpretes Criadores: Diego Henrique “Groove”, Diego Oliveira “Popping D”, Eduardo “Sô”, Evandro “Smile” da Silva, Ivo Alcântara, Leandro Fukuzawa, Nati Glitz, Tadeu “Crazy” Santos, Tiago “Boogaloo Begins”, Zildo Aparecido / Textos e Edição Musical: Frank Ejara / Fotografia: Mari Turco Classificação Indicativa: Livre – 50 minutos

QUINTA-FEIRA, 25 DE JANEIRO DE 2018 17h30: Intervenção “Dança por Correio”* Com Grupo Zumb.boys FICHA TÉCNICA / Direção Geral: Márcio Greyk / Intérpretes Criadores: Danilo Nonato, David Xavinho, Eddie Guedes, Guilherme Nobre, Igor Souza e Márcio Greyk / Operador de som: Alex Araújo / Produtor: Kelson Barros [Cazumbá Produções Artísticas] Classificação Indicativa: Livre – 50 minutos

*Apresentação será realizada no Pátio de Acesso da Fábrica de Criatividade

19h: Espetáculo “Forest” Com ANIKAYA Dance Theater (Brasil) FICHA TÉCNICA / Direção Geral, Artística e Concepção: Wendy Jehlen / Intérpretes: Átila Muniz, Juliana Nascimento, Raíssa Tomasin, Raquel Flor, Rodrigo Cândido, Wendy Jehlen e Wellington Santana / Intérprete Convidado: Marcel Gbeffa (Benin) / Trilha Sonora: Michael Galasso, Nandlal Nayak, Guilllerme Franco e Dani Dalinian / Iluminação: Pradhuman Nayak, Lynda Reiman e Jayne Murphy / Figurino: Wendy Jehlen / Registro Fotográfico: Fábio Minagawa Classificação Indicativa: Livre – 90 minutos 20h30: Roda de Conversa “Por onde caminha à nossa dança” Classificação Indicativa: Livre – 120 minutos Com Duda Moreno

Duda Moreno é um Jovem Pedagogo e artista que transita por distintos caminhos da arte na cidade de São Paulo. Iniciou sua pesquisa na comunidade Nossa Senhora Aparecida na Zona Leste da capital paulistana com o Contra Mestre de Capoeira de Angola Pedro Peu e nas rodas de Break Dance (Dança de Rua), mas logo estendeu o seu olhar para Dança de Salão, Dança Clássica da Índia, Dança Contemporânea e Danças Brasileiras. É ator formado pela Célia Helena Teatro Escola. É diretor artístico e intérprete-criador do Núcleo de Pesquisa e Criação – Os peculiares. É artista educador em ONGs e projetos de expansão cultural pelas comunidades periféricas da cidade de São Paulo. Trabalhou em produções assinadas por Antônio Nóbrega, Ivaldo Bertazzo, Suzana Yamauchi, Célia Govea, Andréa Bassitt, Regina Galdino, Fernando Nitsch, Petronio Nascimento, Zé Posse Neto, Walter Carvalho e outros

Com Flip Couto

Tem sua formação artística construída dentro da cultura Hip Hop e o contato com suas diferentes linguagens artísticas. Artista da dança e produtor cultural. Integra desde 2002 a Cia Discípulos do Ritmo, que leva a cena trabalhos a partir da pesquisa das danças urbanas e desde 2016 é interprete-criador da Cia Sansacroma, de dança negra contemporânea que 53


tem como ponto de partida de criações as poéticas do corpo negro. A partir de discussões sobre espaços de inclusivos, cria a Festa Amem, de cunho político e protagonismo negro e LGBT que apresenta performances de identidade, discutindo temas como: homofobia, racismo, machismo, transfobia e HIV. Em 2016 cria seu primeiro trabalho autoral, a performance “Sangue”, uma obra que, à partir da ambientação dos “bailes black” busca criar uma dança relacional compartilhando vivências, evocando ancestralidades e expondo seu corpo negro, gay e positivo

Com Nice Estrela

Formada em Educação Física e pós graduada em Dança e Consciência Corporal pela FMU. É Professora de Danças Urbanas com especialidade em Dancehall. Começou a aprofundar suas pesquisas em Danças Urbanas em 2010, participando também de vídeoclipes de cantores nacionais, shows com cantores nacionais e internacionais. Ministra workshops de Dancehall pelo Brasil, jurada de batalhas de Dancehall e All Styles em São Paulo e região. Ganhou, participou e foi finalista em batalhas de Dancehall, All Styles e Hip Hop em eventos de São Paulo e região. Participou como dançarina, diretora e coreógrafa de várias mostras, espetáculos e campeonatos, onde conquistou títulos em conjunto pelas companhias / grupos de dança que já passou. Fez aulas com os principais dançarinos e coreógrafos nacionais e internacionais. Idealizadora, produtora e diretora do evento “O Confronto”. Atualmente é Professora de Danças Urbanas na Fundação Cafu, CEU Cidade Dutra, Professora de Dancehall nos Studios MOV e Anacã (Unidade Pinheiros), Diretora e Coreógrafa do URBAN VIBE CREW.

Com Rodstyle

Rodrigo dos Santos, conhecido como Rodstyle Dancer, começou a atuar profissionalmente em 2003, no projeto Palas Atenas. Atua em diversas áreas dentro da cultura hip-hop, tanto dançando como apresentando em eventos e lecionando aulas de danças urbanas em ONGs, academias, empresas e Studios. É Diretor e Coreógrafo do grupo Freestyles D.S. É agente cultural, ministrando aulas e eventos no Sacolão das Artes, Fábricas de Cultura Capão Redondo e Jd. São Luís e Fábrica de Criatividade. Em destaque, ministrou workshop (Bolívia/ La Paz/ Studio Feeling) e C.D.U. Foi 1° Lugar (TABOARTE 2010), 2° Lugar (MANISFESTARTE 2010), 2° Lugar (7 to Smoke 2010), 1° Lugar (CDU 2013), 1° Lugar (Manifestarte 2013) e 1° Lugar (Knock out Battle - Argentina 2010)

SEXTA-FEIRA, 26 DE JANEIRO DE 2018 17h30: Intervenção “Manifesto para outros Manifestos – Resistir dançando por alguns cantos...”* Com Cia Diversidança FICHA TÉCNICA / Direção Geral e Artística: Rodrigo Cândido / Assistência Artística e Ensaiadora: Daniele Santos / Preparação Corporal: Daniele Santos e Rodrigo Cândido / Produção Executiva: Júnior Cecon / Assistente de Produção: Valéria Ribeiro / Preparação 54

Corporal - Convidados: Begson Queiróz, Érika Moura e Luciana Bortoletto / Interpretes-Pesquisadores: Alessandro Saldanha, Cintia Rocha, Felipe Santana, Iliandra Peluso, Márcio Vitorino, Rodrigo Cândido, Rosângela Alves e Vinicius Borges / Trilha Sonora: Vitor Gonçalves / Operador de Som: Rivaldo Ferreira / Figurino e Customização: A Cia / Fotografia: Gabriel Gomes / Assistente de Fotografia: Mariana Rodrigues / Captação e Edição de Vídeo: Leandro Caproni / Assessoria de Imprensa: 7 Fronteiras Comunicação / Arte de Divulgação: Rodrigo Cândido e Willian Santana / Depoimentos: Ana Bottosso, Andrea Soares, Andrey Alves, Cléia Varges, Cleber Vieira, Daniele Santos, Danilo Nonato, Felippe Peneluc, Lucimeire Monteiro, Ivan Bernardelli, Pedro Costa, Priscila Maria Magalhães, Nany Oliveira, Natália Siufi, Rivaldo Ferreira, Roni Diniz, Sandro Borelli, Silvana de Jesus Santos, Valeria Ribeiro, Vaneri Oliveira e Vinicius Francês Classificação Indicativa: Livre – 60 minutos *Apresentação será realizada no Pátio de Acesso da Fábrica de Criatividade 19h: Oficina Fundamentos da Dança Locking (Danças Urbanas) Com Diego Groove

Praticante de danças urbanas há 10 anos. A sua formação conta com grandes professores e referências do cenário nacional e internacional, nomes como: Ivo Alcântara, Frank Ejara, Evandro Smile, Nathalia Glitz, Eduardo Sô, Cleiton Alvez, Zildo Faria, Jimmy “Scoo B Doo” (EUA), Skeeter Rabbit Higgins (EUA), Gemini Lockiano (FRA), Bradley Rapier (EUA), Tony Gogo (EUA\JPA) e Alpha Omega Anderson (EUA). Diretor e intérprete do grupo Double-Lock desde 2010, grupo com objetivo de pesquisar, praticar e desenvolver as Funkstyles. Em 2012 fundou o grupo Locking Practice, grupo de estudo da dança locking direcionado a jovens residentes da zona sul de São Paulo. Integrante do grupo Chemical Funk, formado por estudantes da Dança de Rua no primeiro trimestre de 2006, com o foco de levar a “Dança Urbana” aos palcos e teatros de uma maneira profissional e educativa aos espectadores. Idealizador do evento DANCEMOS (Mostra de Danças Urbanas) evento anual que está na VI Edição, reúne grupos de diferentes regiões de São Paulo. Arte-Educador de dança urbana desde 2010 e desde 2011 ministra workshops para grupos e festivais de dança.

Classificação Indicativa: 14 anos – 90 minutos

Não há necessidade de inscrição, basta chegar com 30 minutos de antecedência

21h: Exibição de Vídeos Dança com bate papo Classificação Indicativa: Livre – 120 minutos “Amor em 4 Atos” Com Cia da Vila


Priscila Magalhães

Formada em Comunicação Social, em Artes Visuais e Pós-graduada em Arte Integrativa. Atualmente estudando Pedagogia. Arte Educadora em diversas linguagens artísticas desde 2003 em CEU’s, ONGs, entre outros espaços. Idealizadora e Diretora do Festival de Culturas Urbanas Batalha na Vila desde 2009. Diretora da Cia da Vila de Dança desde 2007. Foi integrante da Cia de Expressões Populares Trivolim por oito anos, onde atuou como atriz, ensaiadora e produtora. Atuou como coordenadora de cultura no CEU Vila Rubi durante 4 anos, onde desenvolveu diversos projetos culturais. Em 2014 com a Cia da Vila recebeu o Prêmio Funarte Hip Hop e em 2016 foi premiada em 2° lugar com a direção e edição do videodança “Domingo” na Semana Paulista de Curta Metragem, teve duas obras selecionadas no Festival Itinerante de Dança e Vídeo – D’olhar de Goiânia e três trabalhos selecionados para o Festival BANG – Festival Internacional de Vídeo Arte de Barcelona 2017. O trabalho mais recente que atuou foi na direção e montagem do vídeo-poema “Visibilidade Lésbica: sempre fomos história” de Bárbara Esmênia

FICHA TÉCNICA / Diretora: Priscila Magalhães / Diretor de Imagem: João Leão / Coreografia: Juliana Kis / Elenco: Julio Françozo, Thamires Núbia, Daru Liberato, Giovanna Bertolucci e Cris Rother / Produção: Frame Forte Films / Roteiro adaptado: Priscila Magalhães e Juliana Kis / Direção de Arte: Frame Forte Films / Direção de Produção: Pauliana Reis / Assistente de Produção: Paula Reis / MKO: Thamires Cabral / Local de produção: Cabo Frio - Rio de Janeiro Classificação Indicativa: Livre – 13’23’’ - Ano 2015 “VÍDEO ESPIRITUAL II” Com Raffab Ajá

Raffab Ajá é artista multimídia. Iniciou sua trajetória aos 15 anos como técnico do grupo Humbalada. A seguir, coordenou ao lado de Brunno Almeida Maia um teatro dentro de uma escola pública em São Paulo, no bairro do Planalto Paulista. Em 2007, participou da oficina livre da Cia Os Satyros com coordenação de Andressa Cabral, resultando em um trabalho com base de estudo em toda a obra de Plínio Marcos. Cursou dramaturgia com Paula Chagas Autran no CCSP. Estudou direção de arte em cinema com Daniela Castilho. Em 2010 atuou na performance “Worlds of Interiors” de João Galante e Ana Borralho, Mostra SESC de Artes (Sesc Pinheiros). Em 2014, iniciou estudo das técnicas de dança “José Limón” com Bárbara Malavoglia e contato-improvisação com Gisele Calazans no Projeto Ambargris (Funarte/SP). Também estudou contato-improvisação com Ricardo Neves no CRDSP (Centro de Referência da Dança de São Paulo). Participou das oficinas de Wendy Jehlen, resultando nos trabalhos: The Deep e Forest. Foi selecionado em 2015 para a primeira Mostra de Videoarte do CCSP com o vídeo: “Vídeo Ensaio II”. Em 2016, participou do site-specific do artista Francesco Arena na SP-Arte 2016 (Prédio da Bienal). Em Maio de 2016, exibiu 3 dos seus videodanças no Sesc Campinas, sendo eles: Video Ensaio II, Vídeo Espiritual e Vídeo Espiritual II. Em Março de 2007, participou da Mostra Dança nas Bordas com a obra Vídeo Espiritual.

FICHA TÉCNICA / Direção e interpretação: Raffab Ajá / Trilha sonora: Pablo Mendoza Classificação Indicativa: Livre – 9’24’’ – Ano 2015 “VIDEODANÇA - Cartas à Casa de PÓ” Com Dentre Nós Cia de Dança Rivaldo Ferreira

Fez Dança Vocacional com Lina Gomez e diversos cursos livres na Escola de Dança de São Paulo. Foi aprendiz do Projeto Núcleo Luz desde 2012 sob coordenação de Susana Yamauchi e direção de Chris Belluomini. Em 2015 se formou no projeto Núcleo Luz Ciclo II, tendo aulas regulares de Dança Clássica e Contemporânea, também fazendo estágio nas Fabricas de Cultura. Foi intérprete- Criador dos espetáculos “Rito de Passagem” (2012-2013), “Heurói” (2013-2014) e “Okinosmov - Um Ballet nada Russo” (2015), sob direção de Chris Belluomini. Em 2013 integrou a Cia Diversidança sob direção de Rodrigo Cândido, sendo intérprete-criador nos espetáculos “Do Âmago do Meu Ser” (2013), “Sobre Todas as Coisas” (2014) “Entre Fios” (2015), ambos os espetáculos contemplados pelo Programa de Valorização de Iniciativas Culturais – VAI. Fez sua primeira criação “Desabafos” para a Cia Diversidança em 2015, no mesmo ano iniciou seus estudos em Jazz com Francisco Ribeiro, no Studio de Danças Marcia Pee e em Dança Moderna com Claudia de Souza, no Pavilhão D, além da pesquisa do Grupo Clarim com direção de Kelson Barros. Atualmente e Diretor da Dentre Nós Cia de Dança e bailarino do Núcleo de Pesquisa Mercearia de Ideias com direção de Luiz Fernando Bongiovanni e do Grupo Indigesto.

Rafi Sousa

Formada pelo Ateliê da Dança - Rio de Janeiro (2009) em Ballet Clássico, na Budapest Dance Theather – Budapest, Hungria (2012/2013) e Internacional Elit Trainee Program (Programa de desenvolvimento para jovens profissionais Contemporâneo e Clássico). Atualmente estuda Produção Audiovisual na Faculdade das Américas em São Paulo. Integrou o Grupo Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira - São Paulo (2014/2016), a Tunet Egyuttes na Hungria (2014), a Gangaray Trambulim na Hungria (2013/2014) e na Íntime Cia de Dança (2008/2011). Criou os vídeos dança Urbano – bailarina, coreografia e direção (2011) , Partida – bailarina, coreografia e direção (2015), ambos selecionados para o Festival Internacional Dança em Foco – RJ e Cartas à Casa de Pó para a Dentre Nós Cia de Dança (2016) - SP, com direção, captura de imagens e edição.

FICHA TÉCNICA / Direção Geral e Artística: Rivaldo Ferreira / Imagem e Edição: Rafi Sousa / Direção de Vídeo: Rafi Sousa e Rivaldo Ferreira / Intérpretes Criadores: Cintia Rocha, Catarina Stevanato, Giovana Santos, Júlia Lima, Jeniffer Mendes e Thainá Souza / Local: Casa de Cultura Vila Guilhermina Classificação Indicativa: Livre – 5’13’’ – Ano 2016

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SÁBADO, 27 DE JANEIRO DE 2018 17h: Espetáculo “So.corro – Se eu fosse você eu me movia” Com Grupo Xingó FICHA TÉCNICA / Pesquisadora, Intérprete e Operária: Érika Moura / Pesquisadora, Cangaceira e mestre de Obras: Natália Siufi / Pesquisadora, Artesã e Chefe da Cozinha: Meg Siufi / Pesquisadora, Musicista e Pedreira: Aline Reis / Pesquisadora, Carteira e Pintora: Annaline Curado / Pesquisadora, Guerrilheira e Fotógrafa: Clara Figueiredo / Pesquisador, Engenheiro Designer e Ajudante: Bruno Moura / Pesquisador, Iluminador e Eletricista: Jean Maciel / Trilha Sonora: Ramiro Murillo / Treinamento: Diogo Granato / Luz: Marisa Bentivegna / Arte Gráfica: Ana Turra / Parceiro: Maurício Paoli / Essa obra é dedicada à Maria do Socorro de Moura. Classificação Indicativa: Livre – 45 minutos 18h30: Roda de Conversa “A importância de festivais e mostras para a difusão da dança” Com Júnior Guimaraes

É administrador e produtor cultural. Graduado em Administração de Empresas pela PUC-SP, participou de cursos de extensão, oficinas e workshops na área de produção e gestão cultural. Atua como produtor de eventos e projetos culturais há 18 anos. Co-idealizador da Semana Criativa de Tiradentes (Tiradentes/MG). É Coordenador de Produção do Centro de Referência da Dança da Cidade de São Paulo. Participou, como Júri, da comissão de seleção do Proac-Editais, “Concurso de Apoio a Projetos de Festivais I no Estado de São Paulo” no ano de 2016 e na comissão de seleção do edital Território das Artes/2017. Faz parte da equipe de produção dos projetos culturais TODODOMINGO e “Obras em Construção” – Programa de Residência Artística da Associação Cultural Casa das Caldeiras, em São Paulo, há 8 anos. Foi produtor das Cias de Dança Núcleo Aqui Mesmo, Hells Dance Corporation, Ouvindo Passos Cia de Dança e do Coletivo Picanha After Yoga. Faz parte da equipe de produção do Festival Tiradentes em Cena em Tiradentes/MG desde 2013, da equipe de produção da SP-Arte, do Festival de Fotografia Foto em Pauta e do Ciranda de Filmes. Foi produtor executivo do projeto “Uns 300 Anos de Janela”, integrante da Mostra de Cinema de Tiradentes/MG, em três edições. Fez parte da equipe de produção do Festival Internacional de Cultura e Gastronomia de Tiradentes/MG, durante 4 edições.

Classificação Indicativa: Livre – 120 minutos 21h: Oficina Dança de Salão: Samba Rock e suas influências históricas Com Leonardo Cordeiro e Denise Capelo

Leonardo Cordeiro fez parte do coletivo DSR (Coletivo que unindo forças tornou real o sonho do Dia do Samba Rock - 31 de Agosto Lei N° 16207/2016 inscrita no calendário oficial de 58

São Paulo), um dos Diretores executivos dá On Samba Rock (Coletivo que em forma de rede conecta e expande as ações de coletivos de Samba Rock no Brasil), um dos organizadores do Congresso de Samba Rock nas duas primeiras edições. Premiado com o Oscar da Periferia em 2016 na categoria Impacto Social (pela ONG ORPAS), YouTuber chegando em 2.000.000 de visualizações nos vídeos oficiais, líder da Cia de Dança Samba Rock Cultural (Vice - Campeões do Dance Games 2016 e Campeões do Dance Games em 2017), idealizador e fundador do Samba Rock Cultural, grupo que atua desde 2012 com ações voltadas a cultura Samba Rock. É professor do Clube Latino Escola de Dança, Del Corpus Escola de Dança, CEU Casa Blanca, Centro Cultural Monte Azul e Fábricas de Cultura do Capão Redondo. Denise Capelo é dançarina da Cia Samba Rock Cultural (Vice- campeões em 2016 e Campeões em 2017 do Dance Games, além da indicação como melhor equipe de 2016 no Troféu Samba Rock), dançarina na Cia Del Corpus Espaço de Dança. Experiências artísticas em diversos eventos como na 9° Edição do Dança das Estrelas e Festival Multicultural de Arte Social África do Sul e Brasil. É Professora do Clube Latino Escola de Dança e da Del Corpus Espaço de Dança.

Classificação Indicativa: 14 Anos – 90 minutos

Não há necessidade de inscrição, basta chegar com 30 minutos de antecedência

DOMINGO, 28 DE JANEIRO DE 2018 Encontro com atuais, ex-Diversidanças e convidados 13h: Recepção 14h: Apresentação “EU” em evidência” Com Cia Diversidança Classificação Indicativa: Livre 14h20: Compartilhamento da sistematização do relato da trajetória de 10 anos “Cia Diversidança: Fragmentos de uma História” 15h: Celebração 17h: Espetáculo “Cubo Tóxico” Com Cia Fusos FICHA TÉCNICA / Direção: Bruno Feliciano / Intérpretes - Criadores: Bárbara Santos, Bruno Feliciano, Jeniffer Mendes, Thainá Souza / Operação de Som: Giovana Santos / Operação de Luz: Piu Dominó / Preparação Corporal: Ivan Bernardelli Classificação Indicativa: Livre – 50 minutos 19h: Espetáculo “Martírio” Com Cia 7 de Dança FICHA TÉCNICA / Direção Geral: Rodrigo de Lima e Adriana Peixoto / Coreógrafo: Rodrigo de Lima / Produtora e Designer: Tamiris Lima / Assistência de Direção: Larissa Santos da Silva / Assistência de Coreografia: Isabela Gomes de Lima e Samuel Souza Silva /


Intérpretes: Adriana Peixoto, Alanna Beatriz de Paula Alves, Cecilia Amorim da Silva, Deru Jefferson de Jesus Pereira, Ingrid Mariana Carvalho da Silva, Isabela Gomes de Lima, Isabella Helena Chaves Batista, Jainara Monique Silva Souza, Larissa Santos da Silva, Sabrina Santana de Almeida, Samuel Souza Silva e Wesliana dos Santos Classificação Indicativa: 10 Anos – 50 minutos 20h30: Encerramento “Cortejo” Com Grupo Umoja FICHA TÉCNICA / Apresentação: Euller Alves / Dançarinos: Renato Almeida e Débora Marçal / Percussionistas/ Cantores: Rabi, Eul-

ler Alves, Allan Bernadino, Alemão, Flavia Rosa, Alania Cerqueira / Músicas: Autoria e de Domínio Público. Classificação Indicativa: Livre – 60 minutos Onde? Fábrica de Criatividade Rua Dr. Luís da Fonseca Galvão, 248 Pq. Maria Helena – São Paulo/SP 100m da Estação Capão Redondo da Linha Lilás do Metrô Entrada: GRATUITA

FICHA TÉCNICA Idealizador e Programador: Rodrigo Cândido / Designer e Arte Gráfica: Aggelos Finikas / Redes Sociais: Rodrigo Cândido / Técnico de Luz: Fernando Ramos / Fotografia, Filmagem e Edição de Vídeo: Ake Filmes / Produção Geral: Alessandro Saldanha, Cintia Rocha, Felipe Santana, Iliandra Peluso, Márcio Vitorino, Rodrigo Cândido, Rosângela Alves e Vinicius Borges / Produção Executiva: Junior Cecon / Assistência de Produção: Valéria Ribeiro / Assessoria de Imprensa: 7 Fronteiras Comunicação / Apoio: Fábrica de Criatividade / Realização: Cia Diversidança, Cooperativa Paulista de Dança, Núcleo de Fomento à Dança / Secretaria Municipal de Cultura. Este projeto foi contemplado pela 21° Edição do Programa de Municipal de Fomento à Dança

Saiba mais em:

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TRANSMITINDO A ARTE CORPORAL ATRAVÉS DA ARTE VISUAL POR RAPHAEL POESIA

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Quando fui convidado pelo Rodrigo para registrar o Dança nas Bordas, tanto em fotografia quanto em vídeo, foi uma surpresa muito boa, me senti reconhecido enquanto fotógrafo e produtor audiovisual. Eu já tinha iniciado esse processo de fotografar espetáculos de dança contemporânea através do Circuito Vozes do Corpo, que é um outro circuito muito potente, que foi criado aqui na Zona Sul pela Cia Sansacroma, e quando eu vi o Dança nas Bordas sendo criado pelo Diversidança, eu achei incrível, ver que nascia mais um movimento que potencializa a arte da dança na periferia, fiquei feliz de poder transmitir cada movimento através da arte visual.

Vejo o processo fotográfico e a produção audiovisual, como uma forma de eternizar momentos, quando uma pessoa vê um vídeo ou uma fotografia ela lembra como foi aquele dia, aquele momento, tendo a possibilidade de ter sensações e emoções que estavam presentes naquele dia. E pra quem não estava presente é uma oportunidade de ver um pouco daquele momento e ter a oportunidade de ver e até mesmo sentir. Nós somos seres audiovisuais, tudo que está presente na câmara foi tirado de como funcionamos, mesmo que de forma inconsciente, o olhar traz a percepção e o áudio traz o sentir, gerando vibrações e sensações, físicas e emoções.

Ao meu ver, esse circuito é um movimento de muita importância, pois proporciona trocas, conversas e junções, que apoia e fomenta a cultura periférica por meio da dança. Unindo artistas, companhias e amantes da dança contemporânea, com diversos outros segmentos da dança, como as danças urbanas, ballet clássico, danças de matriz africana e a dança de salão. Ao observar e registrar é possível enxergar o quanto essas outras danças também somam na dança contemporânea, é muito lindo ver todos esses movimentos e o quanto todos que se envolvem são apaixonados pela dança.

Além de todo esse processo de movimentos e registros audiovisuais, foi muito bom ver o Dança nas Bordas crescendo e gerando movimento a cada edição, e em diferentes formatos e lugares, com atividades e espetáculos. A 4° foi também foi muito especial, uma edição híbrida, por conta da pandemia. Algumas atividades foram online e outras presenciais, claro que com todos os protocolos e cuidados. Fazia dois anos e meio que eu não saia de casa, e ir lá e estar em contato com a arte foi maravilhoso, era uma coisa que eu estava com saudade de fazer, e foi uma oportunidade também de vivenciar e imaginar como as coisas iriam voltar após a pandemia!?

Foi interessante ver o processo fotográfico, pois conforme mudava o segmento da dança, também mudava a minha forma de fotografar. Existe uma diferença ao registrar uma apresentação de dança de salão e um espetáculo de dança contemporânea. Tinha dias que eu acompanhava um espetáculo após o outro, e era totalmente diferente, as vezes o ambiente era o mesmo, mas mudava a luz, os posicionamento, o clima, a sensação e a forma era totalmente diferentes de uma companhia pra outra.

Em uma visão e memória geral do início do projeto até a 4° edição, foi super prazeroso estar ali, não só assistindo, mas também filmando e fotografando. “Eles estavam fazendo arte através do corpo e eu através do olhar, então de certo modo eu não estava registrando sozinho, estávamos fazendo arte juntos”.

RAPHAEL POESIA É um produtor audiovisual e cultural periférico, integrante da Comuni Films Inst. Favela da Paz. Acredita que a produção audiovisual vai além das fotografias e vídeos... “Quando reproduzimos imagens, contamos histórias e eternizamos momentos, que se tornam coletivos ao compartilhar, gerando movimento e reflexões. Agradecimento para Jéssica Sant’ana 62


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3ª EDIÇÃO... ALCANÇANDO NOVOS PROPÓSITOS “Não deixem de dançar, tentem uma hora do dia, uma hora por semana, uma hora por mês, mas quando vocês tiverem possibilidades, dancem.”

JÉSSICA LIMA, ARTISTA DA DANÇA

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De 21 de Março à 13 de Abril de 2019, o Campo Limpo, zona sul, periferia da capital do Estado de São Paulo, realiza a 3° Edição do Dança nas Bordas. Com realização do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Cultura e Economia Criativa, da Cooperativa Paulista de Dança e da Cia Diversidança. Após a realização da 2° Edição, na Fábrica de Criatividade, a Cia Diversidança passa a ter uma nova sede, o Espaço Cultural CITA, localizado no Campo Limpo. Desde então, atuamos como um dos coletivos residentes, contribuindo para a manutenção e difusão de uma das maiores ocupações culturais da zona sul de São Paulo, sendo assim, essa edição será realizada em nossa nova casa. O Espaço Cultural CITA fica localizado em menos de 100 metros do Terminal Urbano do Campo Limpo, próximo da Estação Campo Limpo da Linha 5 - Lilás da Via Mobilidade, todas as atividades são gratuitas, de acordo com a classificação indicativa. A 3° Edição foi contemplada pelo “CONCURSO DE APOIO A PROJETOS DE FESTIVAIS DE ARTES II NO ESTADO DE SÃO PAULO” - PROAC EDITAIS 2018 - N° 15/2018, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, que possibilitou realizar até o momento, a nossa maior edição, foram realizados 11 dias de programação, dentre elas, conseguimos realizar a exposição “Cia Diversidança, fragmentos de uma década”, evidenciando a nossa trajetória, com fotos, croquis, figurinos, adereços cênicos, cartazes de divulgação, etc. E além disso, tivemos o imenso prazer de realizar uma parceria com ações do projeto do Coletivo Olhares de Guiné, contemplado pelo Programa VAI, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, possibilitando ampliar as nossas ações. A 3° Edição do Dança nas Bordas, sem dúvida foi um grande marco de desenvolvimento desse projeto. Nesta edição as oficinas foram realizadas por artistas que passaram pela Cia Diversidança e que hoje desenvolvem suas próprias pesquisas. Outro fator importante, foi de trazer a dança clássica para articular outras conjunturas e pensamentos, agregando ao evento novos olhares. Temas emergentes, corpos e temáticas dissidentes, foram a grande chave para a construção dessa programação. Outro fator importante para essa edição foi convidar grupos do Estado de São Paulo, grandes precursores do fomento à produção da linguagem da dança. Além disso, estar no Espaço Cultural CITA, além do espaço cênico, temos a possibilidade de realizar ações na Praça do Campo Limpo, um polo eferves-

cente para área cultural e para o Campo Limpo. O Dança nas Bordas começou no dia 21 de Março de 2019, em parceria com o Coletivo Olhares de Guiné. Às 17h, workshop de criação de trilha sonora com Aghata Saan, às 18h, workshop de técnicas básicas de câmera conceitualizando a produção de videodança com Ana Guerra e Bárbara Santos. Já às 19h, Roda de conversa “Ser artista e a produção de arte na periferia” com Camila Odara, Felipe Santana e Rodrigo Cândido. Às 20h tem roda de conversa com a exibição dos vídeos do espetáculo “AFÔ, do Coletivo Olhares de Guiné. AFà surge para mostrar a superação de ser jovem e minoria na cidade de São Paulo, através de corpos que resistem na cidade dançando. Tendo os seus registros feitos através de olhares femininos, trazendo o debate sobre temas críticos a partir da vídeodança. AFà irá mostrar que existem desigualdades de raça, gênero, classe e sexualidades, promovendo a igualdade de direitos ao mostrar que existem diferenças, causando reflexões no público alcançado. Às 20h40, finalizando a noite, temos a abertura da exposição “Cia Diversidança, fragmentos de uma década” e discotecagem com Aghata Saan. A exposição fica aberta até dia 13/04/2019, na sala de convivência do Espaço Cultural CITA. No dia 22 de Março de 2019, às 18h tem “A Flor da Lua” solo de Marcus Moreno que tem como ponto de partida deste espetáculo, é a passagem do tempo. Inspirado na obra da artista e ilustradora botânica Margaret Mee, o artista constrói os movimentos que compõem o espetáculo. Já às 19h30 temos “Sob os pés”, solo de Felipe Santana, seguido da Roda de Conversa “Trajetória da profissionalização do artista da dança na zona sul” com Erico Santos, Felipe Santana, Jeniffer Mendes e Mariane Oliveira com mediação de Rodrigo Cândido. No dia 23 de Março de 2019, já às 16h30 temos na Praça João Tadeu Priolli, “Dançando por alguns cantos...” com Cia Diversidança. A intervenção “Dançando por alguns cantos...” busca trazer à tona questões pertinentes aos processos artísticos dos artistas da dança. A obra traz questões reflexivas sobre a produção de dança, que atualmente pulsa na cidade de São Paulo, tensionando a relação arte/trabalho, artista / trabalhador. Às 18h tem “ContraNarciso” espetáculo com Coletivo Limiar que propõe um corpo que é, em si, uma coletividade, um embate como entidade individual, para compreender cada indivíduo como criador e criação dos contextos em que se inserem, em conflito com o espaço, os outros e os objetos. Para encerrar a noite, 67


às 19h30 tem exibição dos vídeos dança “Vídeo Ensaio II” com Raffab Ajá e “Por alguns cantos” com Leandro Caproni. Dia 24 de Março de 2019, às 16h tem “EntreTamboreS” na Praça João Tadeu Priolli com Grupo Batakerê. A intervenção é baseada nos blocos afros que usaram as ruas para se tornarem visíveis. As belezas negras periféricas, expressando seus sentimentos através da música e da dança. EntreTamboreS são corpos impulsionados pelas ondas sonoras que repercutem do ecoar dos tambores, dançam, improvisam com os sons. Às 18h, tem a oficina de dança moderna com Marcelino Dutra. E às 20h, “Vênus Negra – Um manual de como engolir o mundo” espetáculo com Zona Agbara, que utiliza como uma de suas inspirações a história de Saartjie, a Vênus Negra, mulher negra que há dois séculos foi exibida em uma jaula na Europa por ter proporções avantajadas Abrindo a nossa segunda semana, no dia 29 de Março de 2019, iniciamos às 17h30 com a oficina de Stiletto com Ariel Honorato. A modalidade é um estilo de dança que tem como base o universo feminino, unindo três características indispensáveis: a sensualidade, a elegância e, claro, o salto alto – do tipo agulha, preferencialmente. Stiletto compreende movimentos dos braços e das pernas e se inspira em ritmos como hip hop, jazz e vogue entre alguns ritmos a mais, sendo o último uma maneira de dançar criada pela comunidade LGBT nos Estados Unidos e popularizada na déca-

da de 1980 como uma mistura entre o clássico e o urbano. Às 19h30 tem “Renascence – A (RE) Descoberta do EU corpo” espetáculo com Transense Cia de Dança. No palco enxergam-se diferentes corpos, de diferentes idades e diferentes possibilidades: numa atmosfera por vezes leve, às vezes densa, esses corpos se encaixam e se comunicam na turbulência mais tranquila e cativante já vista. Às 21h, a Roda de conversa e batalha All Style com participação do DJ Rodstyle: “O impacto das danças urbanas na juventude” com Camila Odara, Choks Oliver, Guilherme Freitas e Mi Spinelli com mediação de Rodrigo Cândido. Dia 30 de Março de 2019, recebemos às 18h - “Depoimentos para fissurar a pele” solo de Djalma Moura (Núcleo Ajeum). Iansã é o Orixá que dá corpo para esse trabalho. Inserida diretamente nas coreografias, os movimentos de palco concentram-se em seus arquétipos e analogias em relação à natureza – sejam elas dentro do aspecto animal ou de tempo – como os ventos, as tempestades, os raios, o búfalo. Já às 19h30 tem exibição de vídeo dança “Reminiscência” com Danielle Rodrigues & Rafael Berezinski e “Partida” com Rafi Sousa. Às 21h30 tem “Igbáewe”, espetáculo da companhia Novo Corpo Cia de Dança de Itapecerica da Serra. Tem como investigação corporal para a dança o conhecimento dos orixás Iansã (os caminhos que os ventos de Iansã o levam) e Ossãe (os segredos das folhas e mistério da cabaça podem trazer), trazendo o poder da palavra IGBÁEWE que têm como significado etmonológico igbá – cabaça e ewe – folhas, oriundos da cultura africana, dialeto em ioruba que agrupadas dão nome ao espetáculo. Pra encerrar a semana, no dia 31 de Março de 2019, começamos às 17h30, na Praça João Tadeu Priolli, com “Rosas Danst Rosas” intervenção com Dentre Nós Cia de Dança. O espetáculo Rosas Danst Rosas é construído a partir de sequência de movimentos simples e repetitivos. Ao longo do espetáculo, o espaço constrói-se juntamente com a movimentação dos bailarinos pelo espaço cênico. Já às 18h tem oficina de hip hop com Jaay Silva (João Paulo Silva) e às 20h tem “Tranças de Teresa” espetáculo com Cia da Vila. Inspirado na obra do artista plástico Tunga, o espetáculo mostra as interseções e relações contraditórias do amor e obras do artista. Iniciando a nossa terceira semana, no dia 05 de Abril de 2019, às 18h, temos “Iwosan” solo de Débora Marçal. Um corpo feminino, negro, periférico, ao nascer



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numa sociedade eminentemente machista, racista, heteronormativa, elitista e branca que não abre mão dos seus lugares de privilégios, tem por consequência o constante desafio da construção de identidade. Iwosan (cura em ioruba) transita pelas nuances deste conflito. Às 19h30 tem roda de conversa e baile de dança de salão com Deejay Juninho JJ e apresentações de Daiy Silva & Kleber Cirqueira, Denise Capelo & Leonardo Cordeiro, Jéssica Lima & Lucas Blaide e Juliana Freire & Ronaldo Mota: “As danças de salão, suas silhuetas e alternativas” com Jéssica Lima, Leonardo Cordeiro, Kleber Cirqueira e Ronaldo Mota com mediação de Rodrigo Cândido. No dia 07 de Abril de 2019, às 17h tem oficina de dança contemporânea com Rivaldo Ferreira. Às 19h, diretamente de Franco da Rocha, tem “Ô Saudade...” espetáculo com Rumos Cia Experimental. “Ô Saudade...” traz em seu enredo a migração nordestina; evidencia a figura do nordestino, que abandona sua terra para buscar novos caminhos e possibilidades, a despedida apaziguada pela esperança e o sentimento de saudade causado pelo distanciamento.

altos índices de preconceitos em meio a esta sociedade. Alcançando como tema gerador a vulnerabilidade social em suas diversas facetas. Manifesta-se na pretensão de instigar questões crítico-reflexivas por intermédio de uma obra artística em dança sobre o Ser periférico (a) na reverberação dos contextos de opressor e oprimido, e a partir das relações que circundam essas atuações dando corpo a assuntos que incomodam ou que deveriam incomodar! O incômodo como passo norteador. Às 18h30 tem cortejo com Bloco Afro É di Santo, grupo de musicalidade afro percussiva que celebra as tradições negras com os tambores, as danças, os cantos, a religiosidade e a ancestralidade negra. O cortejo sai do quintal do Espaço Cultural CITA e sai pelos cantos da Praça do Campo Limpo. Das 19h30 às 23h tem a Festa “PiriGOZA” da Cia Diversidança com DJ’s Bárbara Santos e Felipe Santana para celebrar mais uma edição.

No dia 12 de Abril de 2019, começamos às 18h30 com a roda de conversa com apresentação do grand paux de deux “Dom Quixote”, com Diane Sousa e William Santos do Studio Diane Sousa: “A periferia e a dança clássica – situações e conjunturas” com Carol Almeida, Diane Sousa, Renatha Dornelas e Tábata Alves. Já às 20h30 tem “Sangue”, solo de Flip Couto. Discutindo a construção de um corpo negro, homoafetivo e positivo o trabalho cria um ambiente relacional de trocas tendo como ponto de partida os Bailes Black dos anos 70, festas de bairros, reuniões de famílias e as diversas relações afetivas presentes no dinâmico cotidiano das cidades. O auto depoimento é disparador de sensações, sonoridades, gestos, imagens e ritmos. Encerramos nossa programação, no dia 13 de Abril de 2019, às 16h na Praça João Tadeu Priolli com “BANDO!” Intervenção com Coletivo Desvelo. “BANDO!” propõe uma invenção nas relações entre mundos e nichos distintos. Como construir um bando em que cada integrante desse bando decide juntos seguir uma travessia, porém lidando com suas particularidades? Quantas cabeças são necessárias para que o bando surja potente? Às 17h tem “Filhxs --da--- P°##@! - T O D A – Quando me mataram de vez”, espetáculo com Coletivo Calcâneos. tem a intenção de transpor as dores da periferia delimitadas aos corpos que compõem os 71


PROGRAMAÇÃO 21 DE MARÇO DE 2019, QUINTA-FEIRA Especial Coletivo Olhares de Guiné e Cia Diversidança 17h - Workshop de criação de trilha sonora com Aghata Saan / 15 anos 18h - Workshop de técnicas básicas de câmera conceitualizando a produção de videodança com Ana Guerra e Bárbara Santos / 15 anos 19h - Roda de conversa “Ser artista e a produção de arte na periferia” com Camila Odara, Felipe Santana e Rodrigo Cândido / Livre 20h – Exibição dos vídeos dança “AFÔ FICHA TÉCNICA / Direção Coreográgica: Bárbara Santos / Videomaker: Ana Guerra / Intérpretes-Criadores: Camila Odara, Felipe Santana, Guilherme Freitas, Júlia Lima, Potira Marinho, Rivaldo Ferreira e Victor Almeida Produção: Thainá Carvalho / Trilha Sonora: Aghata Saan / Maquiagem: Camila Odara / Figurino e cenografia: Coletivo Olhares de Guiné. Sala Cênica - Espaço Cultural CITA / ENTRADA: Gratuita 20h40 – Coquetel de encerramento do projeto “AFÔ, abertura da exposição “Cia Diversidança, fragmentos de uma década” e discotecagem com Aghata Saan Visitação de 22 de Março à 13 de Abril das 14h às 21h / Livre

22 DE MARÇO DE 2019, SEXTA-FEIRA 18h – “A Flor da Lua” solo de Marcus Moreno / Livre FICHA TÉCNICA / Concepção e dança: Marcus Moreno / Preparação corporal e colaboração cênica: Key Sawao / Piano e colaboração sonora: Manuel Lima / Concepção de Luz: Calu Zabel / Adaptação e Operação de Luz: Dida Genofre / Fotos: Danilo Patzdorf / Produção: Cristiane Klein - Dionísio Produção 19h30 – Roda de conversa com apresentação de “Sob os pés”, solo de Felipe Santana: “Trajetória da profissionalização do artista da dança na zona sul” com Erico Santos, Felipe Santana, Jeniffer Mendes e Ma72

riane Oliveira com mediação de Rodrigo Cândido / Livre Sala Cênica - Espaço Cultural CITA / ENTRADA: Gratuita

23 DE MARÇO DE 2019, SÁBADO 16h30 – “Dançando por alguns cantos...” intervenção com Cia Diversidança / Livre FICHA TÉCNICA / Direção Geral e Artística: Rodrigo Cândido / Preparação Corporal: Rodrigo Cândido / Produção Executiva: Simone Gonçalves / Interpretes-Criadores: Alessandro Saldanha, Cintia Rocha, Felipe Santana, Iliandra Peluso, Márcio Vitorino, Rodrigo Cândido, Rosângela Alves e Vinicius Borges / Interpretes-Pesquisadores: Alessandro Saldanha, Bárbara Santos, Felipe Santana e Rodrigo Cândido / Trilha Sonora: Vitor Gonçalves / Operador de Som: A Cia / Figurino e Customização: A Cia / Fotografia: Gabriel Gomes / Assistente de Fotografia: Mariana Rodrigues / Captação e Edição de Vídeo: Leandro Caproni / Arte de Divulgação: Rodrigo Cândido e Willian Santana / Depoimentos: Ana Bottosso, Andrea Soares, Andrey Alves, Cléia Varges, Cleber Vieira, Daniele Santos, Danilo Nonato, Felippe Peneluc, Lucimeire Monteiro, Ivan Bernardelli, Pedro Costa, Priscila Maria Magalhães, Nany Oliveira, Natália Siufi, Rivaldo Ferreira, Roni Diniz, Sandro Borelli, Silvana de Jesus Santos, Valeria Ribeiro, Vaneri Oliveira e Vinicius Francês Praça João Tadeu Priolli / ENTRADA: Gratuita 18h - “ContraNarciso” espetáculo com Coletivo Limiar / 14 anos FICHA TÉCNICA / Intérpretes-Criadores: Lainx Dias, Larissa Alexandre, Luan Prado, Mithi Silva e Samara Soares / Orientação Geral e Produção: Carolina Nóbrega / Provocação Artística: Juliana Casaut Melhado / Trilha Sonora Original: Pedro Felício / Figurino: Coletivo Limiar / Cenário: Reticências | Karen Furbino e Luana Alves / Iluminação: Rivaldo Ferreira / Preparação Cênica: Felipe Bittencourt e Pedro Stempniewski / Preparação Teórica: Daniel Minchoni e Pedro Felício / Fotografias: Lilian Dias / Arte Gráfica: Carolina Nóbrega (programa) e Laiane Dias (flyer) 19h30 – Exibição de vídeo dança / Livre “Vídeo Ensaio II” com Raffab Ajá FICHA TÉCNICA / Fotografia, Montagem e Dança: Raffab Ajá / Duração: 6140 / Ano: 2015


“Por alguns cantos” com Leandro Caproni FICHA TÉCNICA / Direção Geral e Artística: Rodrigo Cândido / Assistência Artística-Ensaiadora: Daniele Santos / Preparação Corporal: Daniele Santos e Rodrigo Cândido / Direção, Captação e Edição de Vídeo: Leandro Caproni – Sem Cortes Filmes / Intérpretes-Pesquisadores: Alessandro Saldanha, Cintia Rocha, Felipe Santana, Iliandra Peluso, Márcio Vitorino, Rodrigo Cândido, Rosângela Alves e Vinicius Borges / Trilha Sonora: Contraluz de Vitor Gonçalves / Figurino e Customização: A Cia / Produção Executiva: Júnior Cecon / Assistente de Produção: Valéria Ribeiro / Agradecimentos: Luciana Bortoletto, Érika Moura, Bérgson Queiróz Sala Cênica - Espaço Cultural CITA / ENTRADA: Gratuita

24 DE MARÇO DE 2019, DOMINGO 16h – “EntreTamboreS” intervenção com Grupo Batakerê / Livre FICHA TÉCNICA / Artistas: Dominique Vieira, Talita Bonfim, Josué Bob, Edson Jacaré, Silvana de Jesus, Yasmim de Souza, Marcio Dantas, Nancy Teixeira, Kelly Santos e Cintia Abrantes Praça João Tadeu Priolli / ENTRADA: Gratuita 18h – Oficina de dança moderna com Marcelino Dutra / 16 anos 20h - “Vênus Negra – Um manual de como engolir o mundo” espetáculo com Zona Agbara / 12 anos FICHA TÉCNICA / Concepção e Direção: Gal Martins / Intérpretes Criadoras: Fabiana Pimenta, Dandara Gomes, Luciane Barros e Gal Martins / Participação Especial e Preparação Corporal: Rosângela Alves / Musicista Convidada: Analu Barbosa / Figurino: Wellington All / Letras Musicais: Fabiana Pimenta / Texto: Gal Martins / Edição de Trilha Sonora: Piu Dominó e Erico Santos / Colaboração em Arranjos Musicais: Luana Bayô / Iluminação: Natália Tavares / Fotografia: Sheila Signário / Assistente de Produção: Piu Dominó / Assessoria de Imprensa: Lau Francisco Sala Cênica - Espaço Cultural CITA / ENTRADA: Gratuita

29 DE MARÇO DE 2018, SEXTA-FEIRA 17h30 – Oficina de Stiletto com Ariel Honorato / 16 anos

19h30 – “Renascence – A (RE) Descoberta do EU corpo” espetáculo com Transense Cia de Dança / Livre FICHA TÉCNICA / Direção Geral: Rafael Nunes / Assistente de Direção: Silas Alcântara / Assistente de Produção: Tainá Rodrigues e Lorrana Reis / Elenco – Intérpretes/Criadores: Felipe Figueiredo, George Campos, Geovanna Moreira, Jean Karlos, Luís Eduardo Sousa, Malluh Lopes, Naiara Laysla, Otavio Pereira, PAC RED, Silas Alcântara, Steffano Dias, Thais Costa, Thata Gomez, Vinicius Charles, Wendell Barbosa e Wesliana dos Santos. 21h – Roda de conversa e batalha com participação do DJ Rodstyle: “O impacto das danças urbanas na juventude” com Camila Odara, Chocks Oliver, Guilherme Freitas e Mi Spinelli com mediação de Rodrigo Cândido / Livre Sala Cênica - Espaço Cultural CITA / ENTRADA: Gratuita

30 DE MARÇO DE 2019, SÁBADO 18h - “Depoimentos para fissurar a pele” solo de Djalma Moura (Núcleo Ajeum) / Livre FICHA TÉCNICA / Concepção, Direção e Dança: Djalma Moura / Musico Criador: Leandro Peres / Provocação de cena: Deise de Brito / Figurino: Wellington Adélia / Máscara: Murilo de Paula / Criação e operação de luz: Fernando Melo / Preparação Corporal: Everton Ferreira e Wellington Campos / Arte Gráfica: Daniel Normal / Assessoria de imprensa: Lau Francisco – 7 Fronteiras / Produção Geral: Erico Santos / Agradecimento especial: Carol Zanola – Iranti. 19h30 – Exibição de vídeo dança / Livre “Reminiscência” com Danielle Rodrigues & Rafael Berezinski FICHA TÉCNICA / Concepção: Rafael Abreu e Danielle Rodrigues / Direção: Rafael Berezinski / Duração: 12’ / Ano: 2017 “Partida” com Rafi Sousa FICHA TÉCNICA / Bailarinas: Rafi Sousa e Roberta Machado / Coreografia: Rafi Sousa / Direção: Wallace Souza e Rafi Sousa / Direção de Fotografia: Jairo Alves / Produção: Wallace Souza e Rafi Sousa / Imagens e Edição: Jairo Alves / Imagens Aéreas: Uascar Henrique / Duração: 3’14 / Ano: 2015 73




21h30 – “Igbáewe” espetáculo com Novo Corpo Cia de Dança / Livre FICHA TÉCNICA / Direção Geral: Val Ribeiro / Intérprete: Lucimeire Monteiro / Participação: Dona Carme dos Santos / Músicos: Carlos Caçapava e Guilherme Brado / Técnico de som: Dani Carter / Fotografia: Rás Akanni / Maquiagem e cenografia: Gil Oliveira / Figurino: Talita Santana Alberto / Realização: Novo Corpo Cia de dança Sala Cênica - Espaço Cultural CITA / ENTRADA: Gratuita

05 DE ABRIL DE 2019, SEXTA-FEIRA 18h – “Iwosan” solo de Débora Marçal / 12 anos FICHA TÉCNICA / Concepção e Interpretação: Débora Marçal / Luz: Clébio Ferreira / Operação de Som e vídeo: Sol Almeida 19h30 – Roda de Conversa e Baile de dança de salão com Deejay Juninho JJ e apresentações de Daiy Silva & Kleber Cirqueira, Denise Capelo & Leonardo Cordeiro, Jéssica Lima & Lucas Blaide e Juliana Freire & Ronaldo Mota: “As danças de salão, suas silhuetas e alternativas” com Jéssica Lima, Leonardo Cordeiro, Kleber Cirqueira e Ronaldo Mota com mediação de Rodrigo Cândido / Livre Sala Cênica - Espaço Cultural CITA / ENTRADA: Gratuita

07 DE ABRIL DE 2019, DOMINGO 17h – Oficina de dança contemporânea com Rivaldo Ferreira / 16 anos 19h – “Ô Saudade...” espetáculo com Rumos Cia Experimental / Livre FICHA TÉCNICA / Direção Artística: Edson Burgos e Carlos Veloso / Intérpretes-Criadores: Carlos Veloso, Edson Burgos, Júlia Falcade, Mariana Morgado, Thamires Braun, Maria Clara Mirra e Giovana Falcade / Som e Iluminação: Vinícius Pereira / Figurino e Cenografia: Rumos Cia Experimental de Dança / Design Gráfico: Mirko Burgos / Fotógrafo: Luciano Garcia Resende. Sala Cênica - Espaço Cultural CITA / ENTRADA: Gratuita

12 DE ABRIL DE 2019, SEXTA-FEIRA 18h30 – Roda de Conversa com apresentação do 76

grand paux de deux “Dom Quixote”, com Diane Sousa e William Santos do Studio Diane Sousa: “A periferia e a dança clássica – situações e conjunturas”: Carol Almeida, Diane Sousa, Renatha Dornelas e Tábata Alves / Livre 20h30 - “Sangue” solo de Flip Couto / 14 anos FICHA TÉCNICA / Direção: Flip Couto / Intérprete: Flip Couto / Músicos: Robson Couto e Douglas Couto / Luz: Danielle Meireles / Produção: Coletivo Amem Sala Cênica - Espaço Cultural CITA / ENTRADA: Gratuita

13 DE ABRIL DE 2019, SÁBADO 16h – “BANDO!” intervenção com Coletivo Desvelo / Livre FICHA TÉCNICA / Concepção, Direção e Coreografia: Djalma Moura / Intérpretes Criadores: Erico Santos, Juliana Nascimento, Victor Amaro, Sol Almeida, Piu Dominó, Monica Caldeira, Djalma Moura e Shayanny Sá / Direção Musical: Leandro Perez / Provocação Cênica: Aysha Nascimento / Preparação Corporal: Felipe Cirilo e Paulo Carpino / Figurino e Produção: Coletivo Desvelo / Fotografia de Divulgação: Raoni Reis Praça João Tadeu Priolli / ENTRADA: Gratuita 17h – “Filhxs --da--- P°##@! - T O D A – Quando me mataram de vez” espetáculo com Coletivo Calcâneos / 12 anos FICHA TÉCNICA / Direção Geral e Artística: Victor Almeida / Interpretes-criadores: Adriele Gehring, Barbara Oliveira, Joelma Souza, Lucas Pardin, Thainá Souza, Victor Almeida e Vinicius Longuinho / Ensaiador: Rivaldo Ferreira / Músicos: Felipe Oliveira, Paula Beatriz, Alex Barbosa, Pâmela Amy / Orientação Musical: Renato Pessoa / Designer Gráfico e Digital: Felipe Pardini / Figurino: Adélia Wellington / Técnica de som: Raiany Sinara / Cenário: Victor Almeida / Iluminação: Juliana Jesus / Fotografia: Jack Bones / Voz: Anelise Mayumi, Deise de Brito, Flip Couto, Michelle Fusco, Pretas Bas Adebanke, Diego Castro, Barbara Santos, Lucas Almeida, Ashelley Beauty , Thabata Letícia, Alex Antônio, Guilherme Theodoro (Guina) / Direção de Produção: Victor Almeida / Produção: Janaína Oliveira / Assistente de Produção: Henrique Morena / Produção Geral: Coletivo Calcâneos. Sala Cênica - Espaço Cultural CITA / ENTRADA: Gratuita


18h30 – Cortejo com Bloco Afro É di Santo / Livre FICHA TÉCNICA / Direção musical e percussão: Mestre Rabi / Surdos de dobra: Rafael, Andreia Souza, Shirley, Priscila Marques, Sara / Surdos de marcação: Gel, Marcão, Norma e Felipe / Caixa: Regiane e Roberta / Repique: Andreia Criola, Isabella / Timbal: Renildo Timbaleiro Negro, Kadu / Cordas: Isac Negreiro / Corpo de Dança: Orlando, Vitoria Santos, Gisele Eloy e Marina Lisboa / Vozes: Tatiane e Rose Eloy / Assistência técnica de som: Raimundo Negreiro. Quintal - Espaço Cultural CITA / ENTRADA: Gratuita 19h30 às 23h - Festa “PiriGOZA” da Cia Diversidança com DJ’s Bárbara Santos e Felipe Santana / 18 anos Sala Cênica - Espaço Cultural CITA / ENTRADA: Gratuita Onde? Espaço Cultural CITA Sala de Cênica*, Sala de Convivência** e Quintal*** Rua Aroldo de Azevedo, 20 - Jardim Bom Refugio, São Paulo / SP CEP: 05.788-230

FICHA TÉCNICA Dança nas Bordas – 3° Edição Idealizador, Programador e Produção Geral: Rodrigo Cândido / Assistente de Produção: Simone Gonçalves / Designer e Arte Gráfica: Aggelos Finikas / Mídias e Redes Sociais: Rodrigo Cândido / Assistente de Exposição: Valéria Ribeiro / Recepção: Bárbara Santos e Jeniffer Mendes / Camarins: Roger Silper e Rivaldo Ferreira / Técnico de Som: Alessandro Saldanha / Técnicos de Luz: Felipe Santana e Felipe Tchasa / Fotografia, Filmagem e Edição de Vídeo: Ake Filmes / Assessoria de Imprensa: 7 Fronteiras Comunicação / Apoio: Coletivo Guiné, Espaço Cultural CITA / Realização: Cia Diversidança, Cooperativa Paulista de Dança, Programa de Ação Cultural - PROAC Editais, Secretaria de Cultura e Economia Criativa e Governo do Estado de São Paulo.

Praça João Tadeu Priolli (Praça do Campo Limpo)**** Rua Dr. Joviano Pachêco de Aguirre, 30 - Jardim Bom Refugio, São Paulo / SP CEP: 05.788-290 100m do Terminal de Ônibus Campo Limpo e da Estação Campo Limpo da Linha 5 - Lilás da Via Mobilidade Entrada: GRATUITA

Saiba mais em:

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“Um lugar de força, resistência, com um olhar acolhedor e cuidado com os nossos, valorizando as grandiosas produções periféricas da cidade”.

POR BÁRBARA SANTOS 78


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Me peguei pensando várias vezes sobre o que escrever desde que fui convidada para ter a grande honra de participar da primeira revista. Tenho uma múltipla vivência no festival, tanto como artista que se apresentou, como quem trabalhou ou simplesmente foi contemplar algum dos trabalhos ou alguma oficina. Vale ressaltar que além de todas essas vivências também criar vínculos fazer uma parceria entre festival e o Coletivo Olhares de Guiné do qual sou integrante e diretora, em que consistiu na finalização do projeto “AFÔ e o início da 3° edição do “Dança nas Bordas”. Escrever sobre o “Dança nas Bordas” não é uma das tarefas mais fáceis, devido a sua grandiosidade, sinto que às vezes posso cometer o deslize de não dar conta da potência desse encontro de artistas da dança das periferias da cidade de São Paulo. Levando em conta a segregação territorial, que marca a desigualdade urbana e a apropriação social diferenciada da cidade, o “Dança nas Bordas” tem um papel importante na democratização da arte para e na periferia, indo contra as questões de desvalorização da arte e, com isso, aproximando artistas e público das periferias. Além da grande importância de fomentar as danças na periferia da cidade, o “Dança nas Bordas” é um lugar de força, resistência, com um olhar acolhedor e cuidado com os nossos, valorizando as grandiosas produções periféricas da cidade, contruibuindo na formação dos e das artistas, tendo o cuidado e preocupação de atingir os mais diversos e plurais públicos, assim democratizando o acesso à arte, atravessando as pluralidades e diversidades populacionais e culturais. Tudo é feito e pensado com grande competência e eu insisto na questão da pluralidade, pois admiro que isso acontece sem cair no perigo de “Contar uma história única” (ADICHE, 2019) sobre a produção de dança nas periferias. O “Dança nas Bordas” consegue mostrar e contemplar as periferias, as culturas e danças presentes neste espaço que não tem só uma cara, um só corpo ou um só movimento, é extremamente grandioso e rico. VIDA LONGA AO DANÇA NAS BORDAS!

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BÁRBARA SANTOS Tenho 28 anos, estou cursando o último semestre de Licenciatura em Pedagogia na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP - EFLCH), sou Artista da Dança e Educadora. Atualmente participo da Cia Diversidança como intérprete - criadora e do Coletivo Olhares de Guiné como Diretora Coreográfica e de Vídeo e sou Professora na rede Estadual.

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4 EDIÇÃO... REDESCOBRINDO POSSIBILIDADES DE ENFRENTAMENTO! ...A dança é transformação, é energia, é troca, é resistência, é história, é contexto. Ela vai muito mais além do que o movimento, eu acredito que a dança se resume a isso, a dar voz, pra todos, todas e todes.

LAINX DIAS,

ARTISTA DA DANÇA

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A 4ª Edição do Dança nas Bordas, surge num momento em que os brasileiros estão sensibilizados e vulneráveis, devido à pandemia. A rotina das pessoas tomou outras proporções e, é claro, isso não seria diferente no campo artístico. Em 2020, não foi possível realizar uma edição, mas em 2021 o Dança nas Bordas surge em um formato que atualmente chamamos de híbrido, a maioria das ações serão realizadas de forma virtual e algumas serão realizadas em formato presencial, cumprindo todas as normas de segurança, contra a pandemia, ocasionada pela COVID-19. E ela surge num momento propício e importante, sobretudo para os artistas que atuam, produzem, fomentam e difundem a dança na zona sul, região periférica paulista. Como a linguagem, os artistas, os núcleos artísticos, até mesmo a população, se organizou para continuar produzindo e apreciando arte? Sabemos que a classe artística, principalmente a de produção independente, foram uma das mais prejudicadas, e entendemos que o Dança nas Bordas, com um dos propósitos de sua criação, vem justamente para potencializar a produção de dança nas periferias e agora, potencializando essas produções que se adaptam ao formato virtual. De 06 a 22 de Agosto de 2021, as exibições de espetáculos, videodanças, documentários e bate papos, da 4° Edição, serão exibidas no canal do Dança nas Bordas no Youtube. As oficinas presenciais foram realizadas no Studio de Dança Diane Sousa e a live de improvisação guiada, pelo Zoom Meeting, com utilização obrigatória de utilização de máscara e álcool 70%. Esse formato híbrido, foi realizado logo quando São Paulo, começou a flexibilizar atividades presenciais, com o alívio da aplicação das vacinas contra o COVID-19, o receio ainda era muito grande, pois o número de mortes, ainda assolavam a população mundial. Foram 09 dias de programação, sendo que durante 03 dias, foram realizadas as oficinas presenciais. Todos os cuidados foram tomados, incluindo realizar a conscientização das pessoas, com a utilização da máscara durante as atividades. As inscrições foram um sucesso. Como tínhamos um número limitado de participantes, a oficina de dança contemporânea, por exemplo, foi dividida em duas turmas e cada uma veio em um horário, para que pudéssemos atender a demanda. Era notório a vontade das pessoas, de estarem novamente dançando, movendo, sentindo livre, vivos. Em 2020, Danilo Silvestre, artista da dança, ex-inte84

grante da Cia Diversidança fez a sua passagem, e com ela, uma grande perda para a história da dança. Comemorar os 15 anos de Cia Diversidança, foi mais um fator, que deixou esse momento de confinamento, mais difícil. Danilo Silvestre sempre será lembrado por nós. E nessa 4ª Edição do Dança nas Bordas, fizemos uma singela homenagem, durante a transmissão da intervenção “Dançando por alguns cantos...”, em modo presencial, a Cia Diversidança convidava as pessoas para responderem: Por que você dança? Nesse dia, usamos imagens cedidas pelo artista Brian Thomas, que criou um vídeo em memória ao Danilo, e nesse dia, ele foi nosso convidado especial, e mesmo não estando mais entre nós, pudemos lhe ver e ouvir o que o motivava a dançar. Em 2021, a Cia Diversidança completou 15 anos de trajetória, além da estreia de Tirem os Sapatos, um espetáculo virtual interativo, a 4ª Edição do Dança nas Bordas, agrega nossas ações comemorativas. A realização dessa edição reafirma o compromisso do Dança nas Bordas com a produção e a comunidade periférica, reforçando a importância desse festival na cidade de São Paulo. Fazendo parte dessa comemoração, estreamos o nosso primeiro e inimaginável espetáculo virtual interativo, “Tirem os Sapatos”, na qual durante a exibição, as pessoas poderiam selecionar como ou quem, elas iriam assistir a coreografia, a cena mais votada iria ao ar. Foi difícil viver em confinamento social, trabalhar praticamente 100% remotamente, isso consumia a nossa existência... Foram diversos empecilhos, aprendizagem, flexibilizações para que esse projeto pudesse ser realizado. O espetáculo e a 4ª Edição conta com a realização da 27ª Edição do Programa de Fomento à Dança da Secretaria Municipal de São Paulo e da Cooperativa Paulista de Dança, como parte das ações do projeto “Tirem os Sapatos”, que foi realizado inteiramente em formato virtual. O projeto iniciou-se em Março de 2020, logo a pandemia chegou ao Brasil, e por isso, ficamos 03 meses aguardando uma devolutiva no Núcleo de Fomento a Artes, para saber como poderíamos dar fluxo ao projeto, imaginávamos que seria um período curto, mas acabou perdurando ao longo de todo projeto, que finalizou em Setembro de 2021. Mas em meio a tanto esforço, nosso trabalho recebeu o Prêmio Denilto Gomes de Dança da Cooperativa Paulista de Dança por PLASTICIDADES CÊNICAS para Rodrigo Cândido pela cenografia do espetáculo “Tirem os Sapatos...” e DIFUSÃO DE DANÇA – pela mostra/festival “Dança nas Bordas”.


Iniciamos no dia 06/08/2022, as nossas atividades virtuais. Às 19h, temos o Coletivo Olhares de Guiné com (An)Danças, um documentário sobre as trajetórias percorridas pelos artistas da dança que integram grupos e coletivos nas periferias da cidade de São Paulo, mostrando como os conhecimentos são passados, como os grupos se mantêm e como essas trajetórias alimentam os fazeres artísticos. Esse documentário surge da necessidade de reverberar as muitas produções de artistas da dança que são feitas nos extremos e que, devido a isso, muitas vezes não são valorizadas. Sendo uma ferramenta de valorização e divulgação do trabalho desses artistas, uma forma de enaltecer as produções descentralizadas que acontecem na cidade. E às 20h, realizamos a exibição do CORPO FESTA, em que o Coletivo Desvelo lança uma proposta para suas intérpretes-criadores, se lancem num mergulho às imaginações cinéticas onde o corpo reelabora suas vivências a partir da ativação imaginária, aguçando as micro percepções de atos ritualísticos diários que direcionam nossos corpos em um estado de ecstasy, de climáx, um estado de FESTA. No dia 07/08/2021, às 19h realizamos as exibições de vídeo dança com realização de bate papo: Como re-

Eternamente Danilo Silvestre

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sistir dançando pelos cantos? Apresentamos “O Saudosista – A COR[O]AÇÃO” da Cia Fusos, é uma obra dedicada a uma saudade pessoal da intérprete Jeniffer Mendes. Ele se concretizou durante o período de isolamento social na qual a Cia sentiu a necessidade de finalizar essa obra que vinha pesquisando desde de 2015. “Rosas” da Dentre Nós Cia de Dança, que em 2018, remonta ROSAS DANST ROSAS, valorizando as qualidades do minimalismo e dos gestos em que a coreógrafa, Anne Teresa De Keersma, buscou nessa obra e mantendo essa cena composta só por mulheres, a Cia potencializa essa remontagem nos espaços da cidade de São Paulo, com Rivaldo Ferreira. “Por alguns cantos...” da Cia Diversidança, com Rodrigo Cândido, é um vídeo de Leandro Caproni, produzido pela Sem Cortes Filmes, a partir do processo de criação do espetáculo “Manifesto para outros Manifestos – Resistir dançando por alguns cantos...” intervenção artística realizada pela Cia Diversidança, mas cuja proposta não somente perfaz pela sua relação com o espaço urbano / território, mas que a vivência estabelecida possa trazer experiência não apenas estética, mas também simbólica para aqueles que transitam pela cidade. E “Uma dança para assuntos mal resolvidos” do Coletivo Calcâneos, é uma dança na tentativa de expurgar a exaustão emocional, entendendo o corpo que aqui está falando. Entre tantas vulnerabilidades sociais, a busca da tranquilidade na existência, entendendo também o momento que estamos vivendo de isolamento social, e sabendo que os corpos que mais sofrem com essa pandemia, são os corpos periféricos, com Victor Almeida. Dando continuidade, às 20h30 tivemos a Mostra de vídeodanças dos artistas residentes da Cia Diversidança (2020/2021): “Rastros de pesos sensíveis” com Alessandro Mesquita, “Milhares de Eu’s” com Duda Ryan, “Momento incerto, assim como esse vídeo” com Gustavo Cabral e “Presente” com Danilo Estevam. Os vídeos são desdobramentos da vivência durante o período de residência artística desses artistas na Cia Diversidança, utilizando do audiovisual, corpo câmera e videodança, já que a residência ocorreu durante o período de isolamento social. No dia 08/08/2021, começamos às 17h com “Bambaquerê” do Grupo Corpo Molde, que aborda e convida o público a refletir sobre a infância, através da dança contemporânea e as danças tradicionais / clássicas brasileiras, mesclando em sua composição sonora uma viagem entre o erudito e o popular, em sua cenografia e iluminação a leveza e a tecnologia. E às 18h30 tem a Cia Diversidança, realizando uma singela homenagem 86


em memória a Danilo Silvestre com vídeo de Brian Thomas. “Dançando por alguns cantos...” é uma intervenção urbana norteada pelas perguntas: Por que você dança? Quais as conquistas, lutas e perdas da dança? O que temos contribuído pra dança na cidade? A dança pode mudar o seu mundo? Qual é o papel do artista da dança na sociedade? A segunda semana, abrimos no dia 13/08/2021, às 19h com “Mang(Uni)” e bate papo, um video-dança que tem como “mote” para o processo de pesquisa/construção a corporalidade que o Núcleo Disparador vem desenvolvendo a partir da Simbiose (co-dependência) e o Manguezal (bioma). Dentro dessa obra estão presentes conceitos: o Corpo-Mangue, Corpo Caranguejo e o Corpo Simbiose/Bioma/Híbrido. E finalizamos às 20h com Tempo de Reprodução da Cia Diversidança, o espetáculo é embasado nas seguintes perguntas: Como nos relacionamos com a vida e com a morte? Como isso se relaciona com o nosso dia a dia, conectando nossa jornada, por meio do passado, o presente e as perspectivas para o futuro? O que as grandes metrópoles podem influenciar na nossa forma de ser, sentir e estar no mundo? No dia 14/08/2021, às 19h, tivemos a interação mediada por Rodrigo Cândido de dois programas virtuais, que surgiram durante a pandemia. Foi “Cena” com Renan Marangoni do Grupo Corpo Molde e “Personagens da Dança” com Rodrigo de Lima da Cia 7 de Dança. O programa “CENA” nasce no ano de 2020, com o objetivo de compartilhar experiências, vivências e aproximação da classe da dança brasileira, fortalecendo um dos pilares de estudos promovido pelo grupo Corpo Molde, que é o pilar da História & Memória. O projeto de ação coletiva, promove aproximação de artistas que compõem a cena da dança brasileira em um jogo de entrevistas interativas. O Personagens da Dança é um programa de lives (entrevistas) criado pela Cia 7 de dança, em 2020, a sua 1ª temporada teve 19 convidados/entrevistados que partilharam suas trajetórias, todos personagens periféricos que fomentam a dança na periferia de São Paulo. O Projeto em si surgiu da necessidade de contar essas histórias que norteiam a história da dança periférica dentro do cenário que vivemos da “ponte para cá”. E por fim, às 21h, tem “Tirem os Sapatos, um espetáculo virtual interativo, da Cia Diversidança. A proposta era estabelecer conexões com o território, e claro, com as pessoas. Nos-

sa dramaturgia é pautada na experiência, mas com o isolamento social, devido a pandemia, nosso território passa a ser trilhado por meio das plataformas de streaming, mas obviamente, não deixamos de trilhar um caminho que pudesse fazer desse espetáculo um canal de interação com nossos apreciadores. O espetáculo só pode acontecer se você interagir e fazer ele acontecer! A Cia Diversidança, engaja-se para apresentar uma obra interativa, onde coloca o espectador, como um interlocutor, fundamental para as exibições das cenas. Para encerrar essa semana, no dia 15/08/2021, começamos às 16h com “Orkhis” e bate papo com o Coletivo Bichos da Terra, que convida o público para refletir sobre masculinidades. Criando um paralelo entre o “ser masculino” e seus traços, refletida principalmente para os jovens que nasceram e moram nas periferias. Quais são as barreiras encontradas quando passam a ocorrer às desconstruções e quebra de laços? O que é o patriarcado e como ele molda essa masculinidade? Já às 17h, “Barco no Cerrado” com Núcleo Pepalantus, livremente inspirado nas obras literárias “As Aventuras de Pi” de Yann Martel e “Relato de Um Náufrago” de Gabriel García Márquez, a gênese disparadora da obra traz à cena os conflitos dos seres à deriva. Navegamos pelas águas agora tão rasas, que seriam profundas se sustentadas pelas raízes antigas do nosso cerrado, afroamerindio. E para finalizar a nossa última semana, foram realizadas as oficinas, atividades presenciais. No dia 20/08/2021, às 18h30 tivemos dança clássica com Narcisa Coelho, formada pelo método da Royal Academy of Dance, através do Estúdio de Ballet Cisne Negro, foi bailarina na Cisne Negro Cia de Dança e Balé da Cidade de São Paulo. Há 30 anos é diretora, professora e coreógrafa da Academia Narcisa Coelho. E às 20h e 21h, dança contemporânea com Rodrigo Cândido, dançarino, coreógrafo, educador, programador, produtor e Massoterapeuta. Licenciado em Educação Física pelo Centro Universitário Ítalo Brasileiro com Pós-Graduação em Dança e Consciência Corporal pela Estácio de Sá, integrou a Cia Sansacroma, Novo Corpo Cia de Dança, Rascunhos Cia de Dança, Anikaya Dance Theater e da A Inacabada Cia. Em 2006 fundou a Cia Diversidança. No dia 21/08/2021, às 10h, realizamos a Live de improvisação guiada “Eu danço assim mesmo”, realizada pelo Zoom meeting, com Júlio Françozo, formado em Técnico em Dança pela ETEC de Arte e graduado em Comunicação das Artes do Corpo pela PUC. Integrou a Cia da Vila de Dança e como coordenador do Espaço 87


Cultural Casa da Vila. “Eu danço assim mesmo”, surgiu como um projeto online e semanal no Instagram. Atualmente registra mais de 25 edições, cada uma com um convidado novo e abordando um assunto diferente. É um espaço de troca para experimentar, conscientizar, pesquisar e criar caminhos próprios para o corpo dançar. E às 18h, gumboot dance para mulheres, uma dança sul africana que nascem em meados do século XIX, explorando a necessidade de comunicação, que levou os trabalhadores das minas de ouro a utilizarem suas botas, capacetes e as mãos para criarem uma linguagem capaz de unir pessoas de diferentes regiões do continente africano, ministrada por Pâmela Amy, bailarina, trancista, produtora e fotógrafa. Integrou o Núcleo de Dança Pélagos e o Gumboot Dance Brasil. Criou o grupo ‘Troca e Vivência’ com mulheres LGBTQs, mães solo e periféricas de São Paulo e região metropolitana, encontro que deu início ao grupo de estudo em dança Gesto Circular, que pesquisa sobre a força do útero nas danças africanas e afro-brasileiras, na sequência, formou um grupo de mulheres específico para estudar as mesmas questões do sagrado feminino no gumboot dance, com aulas semanais e online. E nosso último dia, 22/08/2021, às 10h com dança de salão, técnicas de dança a dois aplicadas às bases de ritmos da dança de salão, podendo ser dançado em qualquer posição independente do gênero, no geral pessoas com pessoas com Kevin Oliveira & Diego Basílio. Diego Basilio é dançarino, professor e coreógrafo,

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certificado pela “American Academy of Ballet em Nova Iorque, atualmente integrante do Grupo OW Dance Company. Kevin Oliveira é dançarino, professor e coreógrafo. Faz parte da Escola Top Dance 10, Grupo Ow Dance Company e Espaço 3D Escola de Dança. Um dos organizadores do projeto Vida inteligente na madrugada. Campeão do campeonato Master GLS. Às 13h, tem danças urbanas com Enoque Gomez & Lainx Dias. Enoque Gomez é bailarino formado pelo Projeto Núcleo Luz, dançarino, atua como dançarino de vídeo clipes por castings de produtoras em São Paulo e estuda no Studio Westide Full. Lainx Dias, dançarine e estudante de danças urbanas, contemporânea e performance. Formada em Psicologia pela Unip e cursando pós graduação em Psicologia Social pela Metropolitana. Integrou o Núcleo de Dança Pélagos, Grupo Corpo Molde, Coletivo Limiar de Dança. É dançarine e coreógrafe do grupo SM Crew (Street Moviment). E de encerramento, a exibição às 16h de “Todes Nós”, documentário da Dentre Nós Cia de Dança, que busca em sua narrativa mostrar as figuras que fizeram e fazem parte das realizações e construções estéticas e poéticas das obras da Dentre Nós, um olhar para dentro dos bastidores dos processos criativos da Cia. Todes juntes, coreógrafo, costureira, fotógrafo, músico, ensaiador, bailarinas, diretoras, diretor, etc. se apresentam ganhando cor, imagem e voz, essa que se constrói a partir das suas trajetórias pessoais, culturais e sociais, se juntando ao NÓS.


PROGRAMAÇÃO 06/08/2022, SEXTA-FEIRA 19h - (An)Danças (Documentário) Coletivo Olhares de Guiné FICHA TÉCNICA / Direção e Assistente de Fotografia: Bárbara Santos / Assistência de Direção, Direção Fotográfica e Edição: Ana Guerra / Assistente de Fotografia e Produção: Lissa Santos / Som Direto e Trilha Sonora: Aghata Saan / Grupos e artistas entrevistados: Anomia Coletivo, Cia Diversidança, Coletivo Bichos da Terra, Coletivo Calcâneos, Coletivo Indigesto, Dentre Nós Cia de Dança, Érico Santos, Grupo Fragmento Urbano, Núcleo Ximbra, RaízAsas, The Femmex, Vitória Nagô, Zona Agbara. 20h - CORPO FESTA Coletivo Desvelo FICHA TÉCNICA / Performers: Sol Almeida, Erico Santos, Juliana Nascimento, Djalma Moura, Sabrina Dias, Victor Amaro, Piu Dominó / Direção: Coletivo Desvelo / Concepção e Roteiro: Djalma Moura / Provocação e Orientação Artística: Aysha Nascimento / Figurino: Eder Lopes / Trilha Sonora: Dani Nega / Colaboração Artística: Shayanny Sá / Preparadores Corporais: Marina Souza, Jean Jacarezinho, Everton Ferreira, Marcelino Freire / Arte Gráfica: Bruno Marcitelli / Captação de Imagem e Edição: Raoni Reis / Produção: Erico Santos / Agradecimentos: Coletivo Calcâneos, Cia Diversidança, Asili Coletiva, ExperimentandoNus, House Of Zion, Núcleo Ajeum.

07/08/2021, SÁBADO 19h - Vídeo dança com realização de bate papo: Como resistir dançando pelos cantos? O Saudosista – A COR[O]AÇÃO da Cia Fusos, com Jeniffer Mendes FICHA TÉCNICA / Direção artística: Bruno Feliciano e Jeniffer Mendes / Intérpretes – criadores: Bruno Feliciano e Jeniffer Mendes / Intérprete: Jeniffer Mendes / Cenografia: Bruno Feliciano, Jeniffer Mendes e Thainá Souza / Trilha sonora: Bruno Feliciano e Jeniffer Mendes / Figurino: Bruno Feliciano, Jeniffer Mendes e Thainá Souza / Captação e edição de vídeo: Thainá Souza

Rosas da Dentre Nós Cia de Dança, com Rivaldo Ferreira FICHA TÉCNICA / Direção Geral e Artística: Rivaldo Ferreira / Núcleo de Direção: Sabrina Ferreira, Jeniffer Mendes e Rivaldo Ferreira / Remontagem: Rivaldo Ferreira e Wellington Adélia / Ensaiador e assistente: Richard Pessoa / Intérpretes – Criadoras: Potira Marinho, Rafaela Alencar, Karen Marçal, Cintia Rocha, Sabrina Ferreira, Júlia Lima, Ravena Veloso, Bárbara Alves, Isabela Kitsis, Jeniffer Mendes, Paula Freitas, Cris Rother, Jaqueline Andrade, Lilian Martins e Thainá Sousa / Produção: Cristiane Kla in e Júnior Cecon / Filmagem: Jhony Arcelli e Paulo Borges / Edição: Jhony Arcelli / Figurinista: Wellington Adélia e Elenco / Fotógrafo: Marcos Alonso Por alguns cantos... da Cia Diversidança, com Rodrigo Cândido FICHA TÉCNICA / Direção Geral e Artística: Rodrigo Cândido / Assistência Artística-Ensaiadora: Daniele Santos / Preparação Corporal: Daniele Santos e Rodrigo Cândido / Direção, Captação e Edição de Vídeo: Leandro Caproni – Sem Cortes Filmes / Intérpretes-Pesquisadores: Alessandro Saldanha, Cintia Rocha, Felipe Santana, Iliandra Peluso, Márcio Vitorino, Rodrigo Cândido, Rosângela Alves e Vinicius Borges / Trilha Sonora: Contraluz de Vitor Gonçalves / Figurino e Customização: A Cia / Produção Executiva: Junior Cecon / Assistente de Produção: Valéria Ribeiro / Agradecimentos: Luciana Bortoletto, Érika Moura, Bérgson Queiróz Uma dança para assuntos mal resolvidos do Coletivo Calcâneos com Victor Almeida FICHA TÉCNICA / Direção Artística: Victor Almeida / Núcleo de Direção Geral: Thainá Souza, Victor Almeida e Vinicius Longuinho / Assistente de Direção Artística: Rivaldo Ferreira / Pesquisadores corporais: Ana Whitte, Bárbara Oliveira, Joelma Souza, Lucas Pardin, Thainá Souza, Richard Pessoa, Victor Almeida e Vinicius Longuinho / Intérpretes: Ana Whitte, Bárbara Oliveira, Joelma Souza, Lucas Pardin, Thainá Souza e Victor Almeida / Trilha Sonora: Alex Barbosa e Fefê Camilo / Edição e Fotos: Felipe Pardini / Produção: Vanessa Soares / Movimentar Produções / Assistente de Produção: Antonyo Tonny 20h30 - Mostra de vídeodanças dos artistas residentes da Cia Diversidança (2020/2021): Rastros de pesos sensíveis com Alessandro Mesquita 89




FICHA TÉCNICA / Intérprete-Criador, Direção de captação, Edição e Figurino: Alessandro Mesquita / Captação: Ana Whitte / Música: El Búho (Mirando el Fuego Feat Joaquín Cornejo & Minük) Milhares de Eu’s com Duda Ryan FICHA TÉCNICA / Intérprete-Criadora, Edição e Figurino: Eduarda Ryan / Captação: Diego Oliveira / Música: Rasta La Vista (René Aubry) Momento incerto, assim como esse vídeo com Gustavo Cabral FICHA TÉCNICA / Intérprete-criador, Filmagem, Edição e Figurino: Gustavo Cabral / Música: Ohia Coxcomb Red Presente com Danilo Estevam FICHA TÉCNICA / Intérprete-Criador e Edição: Danilo Estevam / Captação: Leandro Affonso / Música: El Búho (Mirando el Fuego Feat Joaquín Cornejo & Minük)

08/08/2021, DOMINGO 17h – Bambaquerê Grupo Corpo Molde FICHA TÉCNICA / Direção Artística e Coreografia: Renan Marangoni / Ensaiador: André Santana / Artista Convidado: Fernando Souza / Elenco: Ane Matos, Camila Amaral, Eduardo Braga, Katherine Hnatiuk, Natália Cunha, Jakeline Lima e Tatiane Santos / Cenografia e Iluminação: Helena Caixeta / Figurino: Felipe Guedes / Trilha Sonora: Frank Van Garret / VideoMaker: Laio Rocha / Fotografia: Victor Paris / Produção: Pin Rolê Invenções 18h30 - Dançando por alguns cantos Cia Diversidança FICHA TÉCNICA / Direção Geral e Artística: Rodrigo Cândido / Assistência Artística/Ensaiadora: Daniele Santos / Preparação Corporal: Daniele Santos e Rodrigo Cândido / Produção Executiva: Júnior Cecon / Assistente de Produção: Valéria Ribeiro / Preparação Corporal/Convidados: Begson Queiróz, Érika Moura e Luciana Bortoletto / Interpretes-Pesquisadores: Alessandro Saldanha, Cintia Rocha, Felipe Santana, Iliandra Peluso, Márcio Vitorino, Rodrigo Cândido, Rosângela Alves e Vinicius Borges / Trilha Sonora: Vitor Gonçalves / Operador de Som: Rivaldo Ferreira / Figurino e Customização: A Cia / Fotografia: Gabriel Gomes / Assistente de Fotografia: Mariana Rodrigues / 92

Captação e Edição de Vídeo: Leandro Caproni / Assessoria de Imprensa: 7 Fronteiras Comunicação / Arte de Divulgação: Rodrigo Cândido e Willian Santana / Depoimentos: Ana Bottosso, Andrea Soares, Andrey Alves, Cléia Varges, Cleber Vieira, Daniele Santos, Danilo Nonato, Felippe Peneluc, Lucimeire Monteiro, Ivan Bernardelli, Pedro Costa, Priscila Maria Magalhães, Nany Oliveira, Natália Siufi, Rivaldo Ferreira, Roni Diniz, Sandro Borelli, Silvana de Jesus Santos, Valeria Ribeiro, Vaneri Oliveira e Vinicius Francês

13/08/2021, SEXTA-FEIRA 19h - Mang(Uni) e bate papo Núcleo Disparador FICHA TÉCNICA / Direção, Criação Artística e Intérpretes-Criadores: Gabriel B Crispim, Gustavo Cabral e Jonatan Vasconcelos / Coreografia: Jonatan Vasconcelos / Assistência de Criação, Gustavo Cabral e Gabriel Crispim / Cenografia, Concepção e Criação: Loira / Cenotécnico e coordenação: André Silva / Montagem: Remo Cerroti, Luiz Cerroti, André Silva e Loira / Figurino: Adélia Aurora / Trilha: Eder O Rocha / Criação de Luz: Yorrana Colognesi / Assistência Técnica: Paloma Dantas / Produção executiva: Simone Gonçalves Áudio e Fotografia: Casa Estúdio - Fabio Minutzche, Felipe Oliveira, Giuli Lacorte, Juan Gutierrez, Larissa Rocha, Leandro França e Manoel Antunes 20h - Tempo de Reprodução Cia Diversidança FICHA TÉCNICA / Direção geral e artística: Rodrigo Cândido / Ensaiador e assistente de direção artística: Rivaldo Ferreira / Preparação corporal: Rodrigo Cândido e Rivaldo Ferreira / Produção artística e executiva: Simone Gonçalves Assistente de produção: Paloma Xavier / Intérpretes – Criadores: Alessandro Saldanha, Marcelino Dutra, Rodrigo Cândido, Rosângela Alves e Vinícius Borges / Interpretes - Pesquisadores: Alessandro Saldanha, Bárbara Santos, Felipe Santana, Jeniffer Mendes, Jonatan Vasconcelos, Lainx Dias e Rodrigo Cândido / Artistas Residentes: Alessandro Mesquita, Danilo Estevam, Duda Ryan, Gustavo Cabral e Luan Prado / Assessoria de imprensa: Lau Franscisco (7Fronteiras) / Social mídia: Leticia Justino / Designer gráfico: Willian Santana (Aggelos Finikas) / Captação e Edição de Vídeo: Ana Guerra (Coletivo Olhares de Guiné) / Edição de telas: Vitor Porphirio / Trilha Sonora: Vitor Gonçalves Figurino: A Cia / Cenografia: Rodrigo Cândido / Fotografia e Registro Audiovisual: Henrique Sousa e Will


Cavagnolli / Edição de Vídeos: Vinícius Borges e Rodrigo Cândido

14/08/2021, SÁBADO 19h - Cena e Personagens da Dança FICHA TÉCNICA / Renan Marangoni (Grupo Corpo Molde) e Rodrigo de Lima (Cia 7 de Dança) com mediação de Rodrigo Cândido 21h - Tirem os Sapatos... um espetáculo virtual interativo Cia Diversidança FICHA TÉCNICA / Direção geral e artística: Rodrigo Cândido / Ensaiador: Rivaldo Ferreira / Produção artística e executiva: Simone Gonçalves / Assistente de produção: Paloma Xavier / Interpretes – criadores: Alessandro Saldanha, Bárbara Santos, Felipe Santana, Jeniffer Mendes, Jonatan Vasconcelos, Lainx Dias e Rodrigo Cândido / Orientação em audiovisual, vídeo dança e corpo câmera: Ana Guerra e Bárbara Santos (Coletivo Olhares de Guiné), Priscila Magalhães (Cia da Vila), Alice Santos, Carlos Lourenço, Felippe Peneluc e Odri Campos (Grupo 011) / Narração: Bárbara Santos / Textos e vozes: Felipe Santana, Jeniffer Mendes e Jonatan Vasconcelos / Iluminação: Rodrigo Cândido / Trilha sonora: Aghata Santos e Gabriela Bárbara / Técnicos de iluminação e sonoplastia: Alessandro Saldanha, Felipe Santana e Rivaldo Ferreira / Cenografia: Rodrigo Cândido / Assistentes de cenografia: Rivaldo Ferreira e Rodrigo Cândido / Figurino: Alessandro Saldanha, Bárbara Santos, Felipe Santana, Jeniffer Mendes, Jonatan Vasconcelos, Lainx Dias e Rodrigo Cândido / Confecção de figurino: Ateliê Aleluia / Maquiagem: Lainx Dias / Edição de telas: Vitor Porphirio / Comedoria e assistência de serviços gerais: Augusto Iúna, Luzinete Xavier e Paloma Xavier / Massoterapeuta: Edeni Cerqueira / Assessoria de imprensa: Lau Francisco (7Fronteiras) / Social mídia: Letícia Justino / Designer gráfico: Willian Santana (Aggelos Finikas) / Fotografia e edição de vídeo promocional: Ana Guerra / Captação e edição de teaser e vídeo espetáculo: Laio Rocha e Victor Paris (Inspiração 6) / Agradecimento: Davi Damasceno, Espaço Cultural CITA e Studio de Dança Diane Sousa

15/08/2021, DOMINGO 16h - Orkhis e bate papo Coletivo Bichos da Terra FICHA TÉCNICA / Intérpretes Criadores: Alessan-

dro Saldanha, Felipe Santana e Guilherme Moreira / Produção: Camila Odara / Preparação Corporal: Ilda Andrade e Mainá Santana / Iluminação: Piu Dominó / Trilha Sonora: Aghata Saan Figurinos: Evy Adélia Aurora / Cenografia: Rodrigo Alcântara / Assistente de Cenografia: Angeli Cristie / Psicólogo: Vinicius Ribeiro / Arte Gráfica: Aggelos Finikas / Captação e edição do vídeo: Coletivo Olhares de Guiné 17h - Barco no Cerrado Núcleo Pepalantus FICHA TÉCNICA / Direção: Oz Ferreira / Concepção e Dramaturgia: Oz Ferreira, Mel Laurent e Paloma Xavier / Intérpretes-criadoras: Oz Ferreira e Paloma Xavier / Sonoplastia: Augusto Iúna / Figurino: Oz Ferreira / Videomaker: Perseu Azul / Iluminadora: Priscila Freitas / Produção: Pepalantus Núcleo

20/08/2021, SEXTA-FEIRA 18h30 - Dança clássica / Presencial Com Narcisa Coelho 20h e 21h - Dança contemporânea / Presencial Com Rodrigo Cândido

21/08/2021, SÁBADO 10h - Eu danço assim mesmo / Live de improvisação guiada pelo Zoom meeting Com Júlio Françozo 18h - Gumboot dance para mulheres / Presencial Com Pâmela Amy

22/08/2021, DOMINGO 10h - Dança de salão / Presencial Com Kevin Oliveira & Diego Basílio 13h - Danças urbanas / Presencial Com Enoque Gomez & Lainx Dias 16h – Todes Nós Dentre Nós Cia de Dança FICHA TÉCNICA / Direção: Pri Magalhães / Direção de Fotografia, Montagem e Finalização: Koji Freemind / Assistente de Fotografia: Bruno Chapolin / Assistente de locação: Pablo Rodrigo / Núcleo de Direção: Jeniffer Mendes, Rivaldo Ferreira e Sabrina Ferreira 93


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/ Elenco: Ana Pina, Beatriz Santos, Jeniffer Mendes, Karen Marçal, Potira Marinho, Rafaela Alencar, Sabrina Ferreira e Thaina Souza / Entrevistades: Ana Lúcia, Daniele Rodrigues, Marcos Alonso, Rafael Abreu, Richard Pessoa, Rivaldo Ferreira, Rodrigo Cândido, Victor Almeida, Vitor Moreira, Sabrina Ferreira, Jeniffer Mendes e Thainá Souza / Designer: Felipe Pardini / Assessoria de Imprensa: Elaine Calux / Produção: Júnior Cecon / Direção de Produção: Cristiane Klein (Dionísio Produção) / Agradecimentos: Andy Monteiro, Casa Marighella, Dino Nogueira, Studio Diane Souza, Alcione Paulino, Rosângela Pereira, Juraj Kosturik e Lima Dorta Onde? Programação / Oficinas / Canais / Inscrições: https:// linktr.ee/CiaDiversidanca Studio de Dança Diane Sousa Estrada do Campo Limpo, 3.416 - Campo Limpo, São Paulo – SP CEP: 05.777-000 100m do Terminal de Ônibus Campo Limpo e da Estação Campo Limpo da Linha 5 - Lilás da Via Mobilidade Entrada: GRATUITA

FICHA TÉCNICA Dança nas Bordas – 4° Edição Idealizador e Programador: Rodrigo Cândido / Produção artística e executiva: Simone Gonçalves / Assistente de produção: Paloma Xavier / Curadoria: Alessandro Saldanha, Bárbara Santos, Felipe Santana, Jeniffer Mendes, Jonatan Vasconcelos, Lainx Dias, Rivaldo Ferreira e Rodrigo Cândido / Edição de telas: Vitor Porphirio / Assessoria de imprensa: Lau Francisco (7Fronteiras) / Social mídia: Letícia Justino / Designer gráfico: Willian Santana (Aggelos Finikas) / Fotografia, Filmagem e Edição de Vídeo: Raphael Poesia (Ake Filmes) Apoio: Studio de Dança Diane Sousa / Realização: Cia Diversidança, Cooperativa Paulista de Dança, Programa de Fomento à Dança, Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. 95


UMA DANÇA QUE ESCORRE, PERMANECE E RESISTE!!! UMA CELEBRAÇÃO AO DANÇAS NAS BORDAS POR GAL MARTINS

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Nas bordas, criamos, dançamos e persistimos. Seguimos criando diversas tecnologias de existência e não é fácil, as vezes achamos que estamos remando contra maré porque precisamos defender o que parece óbvio. Sim, a cada dia é uma insistência para propor o que é de direito básico do ser humano. O artigo 215 da Constituição aponta que o Estado tem que garantir pleno exercício dos direitos culturais e os acessos às fontes de cultura nacional e deve apoiar e incentivar a valorização e a difusão das manifestações culturais. Porém, sabemos bem que os artistas acabam assumindo um papel que é do Estado, e quando falamos de artistas da periferia essa “responsabilidade” se multiplica, pois o senso e o pertencimento comunitário anda lado a lado com sua prática e pesquisa artística. E quando falamos de produção de dança, o caminho fica ainda mais estreito. Existem várias pesquisas que apontam que a dança é uma das linguagens artísticas mais praticadas pelo povo brasileiro, o que parece contraditório quando avaliamos os mecanismos de descentralização da produção de dança na cidade. Na quebrada as pessoas dançam todos os dias, nos botecos, nas ruas, nos bailes, nas igrejas, nos barracos, nas escolas e tantos outros espaços de convivência social permanente. Diante disso surgem as perguntas: O que eles consomem de dança? Que tipo de linguagem e estética acessam? Seus fazeres dançantes são validados como uma produção de conhecimento? É, eu teria aqui muitas perguntas a fazer sobre esse cenário, porém o que eu posso dizer aqui é sobre desejos e vontades políticas e estéticas de se pensar o fazer da dança da ponte para cá.

Falar da Cia Diversidança e seus desdobramentos é como falar de um orgulho maternal... Acompanhei seu crescimento, amadurecimento estético, conquistas e desafios... cada passo, cada escolha e dificuldades. Seu crescimento no cenário da dança paulistana e principalmente na zona sul só me acalanta e me faz manter firme o propósito de nos aquilombarmos em nossas pluralidades. A zona sul é chamada de zona show e não é à toa, daqui brotaram tantas potências artísticas e já possui uma agenda própria de eventos e diversas ações culturais. O festival Dança nas Bordas é hoje um evento de grande destaque e é uma resposta concreta a todo o questionamento apontado no início dos meus pensamentos. Assume uma função importante de fomentar e possibilitar que diversas produções de dança possam circular na zona sul de São Paulo. Junto ao Circuito Vozes do Corpo que eu tenho a honra e felicidade de ser sua idealizadora e curadora, cumprem a função de escancarar que aqui se produz dança de qualidade e responsabilidade estética. São anos de compromisso na produção de conhecimento, memória e difusão. O Dança nas Bordas é um espaço de encontro, de afetos e compartilhamentos pluriversais que atravessa o tempo e o espaço, com uma articulação primorosa e cuidadosa dos seus públicos e com a comunidade, principalmente da região do Campo Limpo. Dança nas Bordas escorre pelo território, permanece fiel a toda trajetória que a Cia Diversidança vem trançando e resiste a toda tentativa de desmonte de práticas emancipatórias e marginais. Celebro, aplaudo e respeito sempre!!!

GAL MARTINS Artista e pensadora em dança com 25 anos de trajetória, Dr.h.c em Artes e Cultura, Gestora Cultural, Curadora e Cientista Social. Em 2002 criou a Cia Sansacroma, grupo paulistano de dança contemporânea preta. Criou em 2016 a Zona Agbara, grupo de dança formado por mulheres negras e gordas. Criou a metodologia de criação e formação em dança denominada A Dança da Indignação. Possui um histórico de indicações e premiações no APCA nas categorias difusão em dança e direção artística e coreografia. Em 2021 recebeu o Prêmio Governador do Estado na categoria Cultura Urbana. Atua também como Supervisora Artístico Pedagógica do Programa Fábricas de Cultura. 98



5ª EDIÇÃO... CELEBRANDO A RESISTÊNCIA!

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Ainda num cenário pós pandemia, a 5ª Edição do Dança nas Bordas será realizada num momento bastante significativo para a humanidade, após o período de isolamento social, as ações presenciais retomaram, os teatros reabriram, e a área da cultura começa a movimentar a cidade novamente. Depois da vacinação, o que permitiu a retomada da vida cotidiana, mesmo com pouquíssimos casos de morte, a COVID 19 ainda está presente em nossas vidas, ainda surgem variantes, ainda, mesmo que em menor escala, ainda usamos as medidas básicas de proteção. E com isso, nesta edição, todas as ações serão realizadas presencialmente, com algumas ações pontuais, que serão transmitidas virtualmente, uma vez que, as artes em comunhão com as plataformas virtuais, desenvolveram um importante papel na sociedade, durante esse período de isolamento social. De 17 a 20 de Agosto de 2022, as apresentações de espetáculos, exibições de videodanças e as rodas de conversa, serão realizadas no Espaço Cultural CITA. E no dia 21 de Agosto, concentramos as oficinas, que serão realizadas no Studio de Dança Diane Sousa. Nessa 5ª Edição, temos algumas novidades, dentre elas, o lançamento da revista Trajetórias, que traz um resgate histórico dessas cinco edições do Dança nas Bordas. A exibição de vídeodança com o Coletivo Olhares de Guiné, o Duo Titelin e o Grupo Flying Low, abordam questões que perpassam pela saúde e bem-estar das pessoas e artistas, afinal, durante esse período de isolamento social, uma das maiores questões foram: E quem cuida da saúde mental dos artistas? E ainda se conectando com as plataformas virtuais, vamos ter a ação presencial, mas também, com exibição simultâ-

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nea de “Tirem os Sapatos, um espetáculo virtual interativo”, da Cia Diversidança, no canal do Youtube do Dança nas Bordas. E os solos de Samuel Oorun e Thiago Croft também serão exibidos simultaneamente pelo canal do Instragram da Cia Diversidança. Nessa edição, temos o prazer de trazer os espetáculos “Caminhos” da SM Crew da zona sul e “Clássicos das Ruas” com “Os Peculiares” da zona noroeste, que desdobram suas pesquisas numa interseção entre a dança cênica e a dança urbana. Ao longo da semana, teremos a participação de artistas que fomentam a dança, em diversos segmentos, na zona sul e demais regiões periféricas da cidade, além de convidados de municípios vizinhos e até de outros estados do Brasil. Essa é uma edição bastante importante, pois é realizada com um edital de ação emergencial ao setor cultural, pela Lei Aldir Blanc, que potencializou a retomada das ações após o período de pandemia. Retornar com a produção cultural e artística, fortifica a nossa existência e a nossa necessidade de fazer arte. Muitas pessoas partiram devido o COVID 19, muitos artistas deixam seus legados e cabem a nós, agora, dançar por nós e por eles. A 5ª Edição recebeu o Prêmio por Histórico de Realização em Dança – Grupos, Companhias e Corpos Estáveis, realizado pelo PROAC Expresso Lei Aldir Blanc 45/2021 da Secretaria de Cultura e Economia Criativa com realização da Cooperativa Paulista de Dança e Cia Diversidança.


PROGRAMAÇÃO 17/08/2022, QUARTA-FEIRA 19h – Abertura e distribuição da Revista “Dança nas Bordas – Trajetórias” Cia Diversidança e Rafael Cristiano FICHA TÉCNICA / Idealizador e acervo: Rodrigo Cândido / Produção artística e executiva: Simone Gonçalves / Diagramador: Rafael Cristiano / Impressão: BCP Gráfica / Artistas convidados: Bárbara Santos, Gal Martins, Paloma Xavier, Raphael Poesia e Renan Marangoni / Fotografia: Raphael Poesia / Realização: Cia Diversidança e Cooperativa Paulista de Dança. 19h30 – Oficina de Dança do Maracatu* Mestra Yakekerê Joana Cavalcante

É uma das artistas populares pernambucanas, única mulher, até nossos dias, a coordenar e apitar o batuque de uma Nação de Maracatu de baque virado, a Nação Encanto do Pina, além de liderar dois outros grupos: Baque Mulher e Mazuca da Quixaba. Foi por anos coordenadora e coreografa da ala dos agbes da Nação Porto Rico. Herdeira do Axé.

20h30 - Cortejo “Mulheres Guerreiras tocando tambor”* Maracatu Baque Mulher SP.

É um grupo filial do Grupo Maracatu Baque Mulher de Recife, considerado o grupo sede, que deu origem ao Movimento Feministas do Baque Virado. Tanto esse movimento, quanto o grupo sede foi fundado e é regido por Mestra Yakekerê Joana Cavalcante. O Baque Mulher SP, nasce em 2016, devido à iniciativa da Mestra Joana em realizar a gravação da Loa “Bate o tambor, oh Negra” por todas as cidades do Brasil, em comemoração ao mês das mulheres. * Cortejo será realizado na Praça João Tadeu Priolli (Praça do Campo Limpo), com participantes da oficina.

18/08/2022, QUINTA-FEIRA 18h – “A dança para o vídeodança, tecendo expoentes” Exibição e Roda de conversa: “(AN)DANÇAS: Da constância a Oscilação - Parte II” Coletivo Olhares de Guiné FICHA TÉCNICA / Direção Coreográfica e de Vídeo: Bárbara Santos / Intérprete – Criadora: Lissa Santos / Assistência de Direção de Vídeo, Direção Fotográfica e Edição: Ana Guerra / Produção: Lissa Santos / Trilha Sonora: Aghata Saan

“CONFUSAMENTE NÓS” Duo Titelin FICHA TÉCNICA / Direção: David Xavinho / Dançarines: David Xavinho e Giovana Araújo (Gissauro) / Edição e concepção de vídeo: Giovana Araújo (Gissauro) “Even in the trash grows flowers (Mesmo no lixo nasce flores)” Grupo Flying Low FICHA TÉCNICA / Artistas: Lee Anderson e Koide / Edição e montagem: Grupo Flying Low / Produção: Nosso Acervo / Trilha Sonora: Tiago Penalva / Voz: Rafaela Maciel 20h - “Waye”* Samuel Oorum FICHA TÉCNICA / Coreografia e Interpretação: Samuel Oorun / Música: Novo Corpo Cia de Dança (Xícara de Chá) 20h10 - “Efeito Borboleta”* Thiago Croft FICHA TÉCNICA / Concepção e coreografia: Rodrigo Cândido / Dançarino: Thiago Croft / Músicas: Ólafur Arnalds, Bonobo e Murcof / Adaptação das músicas: Rodrigo Cândido / Maquiagem: Thiago Croft / Figurino: Rodrigo Cândido e Thiago Croft / Realização: Studio de Dança Diane Sousa * Os solos também serão exibidos em live, pelo canal do Instagram da Cia Diversidança diretamente do Espaço Cultural CITA. https://www.instagram.com/ciadiversidanca/

20h30 - “Como cultivar espaços culturais independentes” - Roda de Conversa Dêssa Souza da Casa das Invenções. Cantora, compositora,

artista de teatro e produtora artística-cultural. Atualmente circula com seu show autoral Camadas e integra como artista o coletivo teatral Bando Trapos. Inspirada em outras mulheres que transformaram suas casas em espaços de convivência artística e cultural, abriu recentemente junto às suas companheiras da Pin Rolê Invenções a Casa das Invenções.

Diane Sousa do Studio de Dança Diane Sousa. Bailarina

formada pela Escola Municipal de Bailados de Taboão da Serra. Estudou na Escola Municipal de Bailados de São Paulo. Licenciada e bacharel em e Educação Física, especialista em dança e consciência corporal e marketing e administração esportiva. Professora formada pela metodologia do ENBC. Atualmente é diretora do Studio de Dança Diane Sousa e idealizadora do programa “Pérolas para o sucesso”.

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Flávia Rosa da Goma Capulanas. Atriz, integra a Capulanas

Cia de Arte Negra, construindo e reconstruindo imaginários possíveis às mulheres negras a partir do teatro negro feminino periférico. O grupo tem sua sede, a Goma Capulanas.

Jéssica Lima da Sparttan Escola de Dança. Dançarina e professora de dança, sócia proprietária e CEO da Sparttan Escola de Dança. Mediação de Cléia Varges do Espaço Cultural CITA. Arte Educadora, atriz, bailarina e pedagoga. Articuladora Cultural no Espaço Cultural CITA, coordenadora do Maracatu Baque Mulher SP e integrante do Maracatu Ouro do Congo.

20/08/2022, SÁBADO “Tirem os Sapatos, um espetáculo virtual interativo”* Cia Diversidança

* Espetáculo será exibido pelo canal do Youtube do Dança nas Bordas e projetado no Espaço Cultural CITA, simultaneamente.

https://www.youtube.com/c/DançanasBordas Formulário interativo: https://forms.gle/T58aSdtjXw7gF9yg9 FICHA TÉCNICA / Direção geral e artística: Rodrigo Cândido / Ensaiador: Rivaldo Ferreira / Produção artística e executiva: Simone Gonçalves / Assistente de produção: Paloma Xavier / Interpretes – criadores: Alessandro Saldanha, Bárbara Santos, Felipe Santana, Jeniffer Mendes, Jonatan Vasconcelos, Lainx Dias e Rodrigo Cândido / Orientação em audiovisual, vídeo dança e corpo câmera: Ana Guerra e Bárbara Santos (Coletivo Olhares de Guiné), Priscila Magalhães (Cia da Vila), Alice Santos, Carlos Lourenço, Felippe Peneluc e Odri Campos (Grupo 011) / Narração: Bárbara Santos / Textos e vozes: Felipe Santana, Jeniffer Mendes e Jonatan Vasconcelos / Iluminação: Rodrigo Cândido / Trilha sonora: Aghata Santos e Gabriela Bárbara / Técnicos de iluminação e sonoplastia: Alessandro Saldanha, Felipe Santana e Rivaldo Ferreira / Cenografia: Rodrigo Cândido / Assistentes de cenografia: Rivaldo Ferreira e Rodrigo Cândido / Figurino: Alessandro Saldanha, Bárbara Santos, Felipe Santana, Jeniffer Mendes, Jonatan Vasconcelos, Lainx Dias e Rodrigo Cândido / Confecção de figurino: Ateliê Aleluia / Maquiagem: Lainx Dias / Edição de telas: Vitor Porphirio / Comedoria e assistência de serviços gerais: Augusto Iúna, Luzinete Xavier e Paloma Xavier / Massoterapeuta: Edeni Cerqueira / Assessoria de imprensa: Lau Francisco (7Fronteiras) / Social mídia: Letícia Justino 104

/ Designer gráfico: Willian Santana (Aggelos Finikas) / Fotografia e edição de vídeo promocional: Ana Guerra / Captação e edição de teaser e vídeo espetáculo: Laio Rocha e Victor Paris (Inspiração 6) / Agradecimento: Davi Damasceno, Espaço Cultural CITA e Studio de Dança Diane Sousa 20h – “Caminhos” SM Crew Ficha Técnica / Direção Artística: Lainx Dias / Orientação Corporal: Carolina Nóbrega / Intérpretes-Criadores: Geovana Gabrielly, Lauryn Portinari, Rebecah Sales, Vittu e Vitória Kimberlly.

21/08/2022, DOMINGO 10h – Oficina de Dança Afro-Brasileira*

Carol Ewaci. Bailarina, coreógrafa, preparadora corporal, professora de pilates e artista educadora. Tem na sua pesquisa o foco nas danças negras, danças afro-brasileiras. Atualmente é mestranda no Programa de estéticas e poéticas cênicas da UNESP.

13h - Oficina de Danças Urbanas*

Teel Santos. Homem Trans, dançarino e estudante das danças urbanas, danças brasileiras e jazz. Participou do grupo Alternative Style. É integrante do grupo Família Unidos Pela Dança, dirigido por Jessica Alves e pelos coreógrafos Gaab’Z dos Santos e Yuri Novais. Atualmente trabalho no Cedeca Interlagos lecionando aulas de Teatro para crianças e adolescentes

15h - Oficina de Sertanejo Universitário*

Jéssica Lima. Dançarina e professora de dança, sócia proprietária CEO da Sparttan Escola de Dança. Lucas Blaide. Dançarino e professor de dança. Sócio proprietário e diretor da Sparttan escola de dança. * As oficinas serão realizadas no Stúdio de Dança Diane Sousa

Como participar? Programação | Canais | Oficinas | Inscrições GRATUITO https://linktr.ee/CiaDiversidanca Espaço Cultural CITA Rua Aroldo de Azevedo, 20 - Jd. Bom Refugio, São Paulo/SP 05.788-230 Praça do Campo Limpo Rua Dr. Joviano Pacheco de Aguirre, 30 - Jd. Bom


Refúgio, São Paulo, 05.788-290 Stúdio de Dança Diane Sousa Estrada do Campo Limpo, 3.416 - Campo Limpo, São Paulo/SP 05.777-000

FICHA TÉCNICA Dança nas Bordas – 5ª Edição Idealizador e Curadoria: Rodrigo Cândido / Produção artística e executiva: Simone Gonçalves / Recepção e Camarim: Lainx Dias / Técnico de Som: Alessandro Saldanha / Técnicos de iluminação: Davi Damasceno e Jeniffer Mendes / Assessoria de imprensa: Frederico de Paula (Nossa Senhora da Pauta) / Social mídia: Viviane Lima / Designer gráfico: Willian Santana (Aggelos Finikas) / Fotografia, Filmagem e Edição de Vídeo: Ana Guerra e Bárbara Santos (Coletivo Olhares de Guiné) / Apoio: Espaço Cultural CITA e Studio de Dança Diane Sousa / Realização: Cia Diversidança e Cooperativa Paulista de Dança. Este projeto foi realizado com o Prêmio por Histórico de Realização em Dança – Grupos, Companhias e Corpos Estáveis pelo PROAC Expresso Lei Aldir Blanc 45/2021.

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COMO A DANÇA ME MOVEU PARA PRODUÇÃO DE UM FESTIVAL DE DANÇA QUE ACONTECE NAS BORDAS DA CAPITAL. POR SIMONE GONÇALVES Lá em 2017, eu comecei a fazer o Programa Vocacional de dança como Rodrigo Cândido no CEU Casa Blanca. Foi um processo incrível, no qual finalizamos em um vídeodança que está disponível no YouTube, neste momento, eu não conhecia nem o Rodrigo nem o Dança nas Bordas, e ao mesmo tempo eu fazia oficina de produção cultural na Casa de Cultura do Campo Limpo, todos esses territórios próximo periféricos, que se conversavam. O Rodrigo enxergou em mim, uma parceira para produção da Cia Diversidança e consequentemente dos projetos nas quais a Cia idealiza. Meu primeiro trabalho como produtora, que teve apoio do Edital PROAC, foi justamente o Dança nas Bordas - 3ª Edição, que aconteceu de Março a Abril de 2019, no Espaço Cultural CITA. Eu diria que grande parte do meu saber como produtora executiva para projetos culturais, foram desenvol-

vidos no fazer da produção desta Edição. Hoje estamos na Organização da 5ª Edição, sendo a minha 3° como produtora da Cia, e de lá pra cá, presenciei momentos únicos e incríveis que a dança movimenta, como conhecer profissionais e artistas que são referência para a dança, acompanhar 4ª Edição híbrida devido à pandemia, tive a experiência de participar um estilo de dança africana chamado Gumboot Dance, com a Pâmela Amy, que foi pra mim uma das experiências mais novas na dança, já que durante todo meu período de Programa Vocacional, minhas experimentações eram sempre com a dança contemporânea. O papel do Dança nas Bordas é proporcionar momentos como estes, e fomentar artistas e danças para nós que nascemos e nos criamos na periferia e que em outros momentos, não teríamos acessado.

SIMONE GONÇALVES Trabalhadora da Produção Cultural, atua com projetos culturais de diversas linguagens desenvolvidos principalmente na periferia da zona sul de São Paulo. Atualmente integra a Articuladora cultural Pin Rolê Invenções e a Cia Diversidança. 106


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Dança nas Bordas – 5ª Edição Cia Diversidança FICHA TÉCNICA Idealizador e Curadoria: Rodrigo Cândido Produção artística e executiva: Simone Gonçalves Recepção e Camarim: Lainx Dias Técnico de Som: Alessandro Saldanha Técnicos de iluminação: Davi Damasceno e Jeniffer Mendes Assessoria de imprensa: Frederico de Paula (Nossa Senhora da Pauta) Social mídia: Viviane Lima Designer gráfico: Willian Santana (Aggelos Finikas) Fotografia, Filmagem e Edição de Vídeo: Ana Guerra e Bárbara Santos (Coletivo Olhares de Guiné) Apoio: Studio de Dança Diane Sousa e Espaço Cultural CITA Realização: Cia Diversidança e Cooperativa Paulista de Dança

“Dança nas Bordas – Trajetórias” Cia Diversidança FICHA TÉCNICA Idealizador e acervo: Rodrigo Cândido Produção artística e executiva: Simone Gonçalves Diagramador: Rafael Cristiano Impressão: BCP Gráfica Artistas convidados: Bárbara Santos, Gal Martins, Paloma Xavier, Raphael Poesia e Renan Marangoni Fotografia: Raphael Poesia (Ake Films) Acervo Fotográfico: Alves Dree, Ana Guerra, Camila Odara, Carol Weishaupt, Casa Estúdio, Coletivo Olhares de Guiné, Douglas Iesus, Douglas Moura, Flávio Alexandre, Felipe Pardini, Fran Meireles, Giovana Araújo (Gissauro), Guilherme Santos, Gui Maal, Grupo Flying Low, Ida Lyra, Inspiração 6, Jéssica Ayara, Lainx Dias, Larissa Paiva, Leandro Caproni, Lucas Ramos (All Focus Produções), Luiz Guilherme Santos, Marcelo Salvador, Pablo Araripe, Perseu Azul, Priscila Magalhães, Rafael Guimarães, Raquel Catão, Renato Hatsushi, Rodrigo Cândido, Rogério Pixote, Samuel Protografer, Sheila Signário, Simone Gonçalves, Studio Só Dança, Taba Benedicto, Thainá Sousa, Vanderson Santos, Varanda Beats, Verônica Pereira, Vinicius Borges e Will Cavagnolli Apoio: Espaço Cultural CITA Realização: Cia Diversidança e Cooperativa Paulista de Dança Este projeto foi realizado com o Prêmio por Histórico de Realização em Dança – Grupos, Companhias e Corpos Estáveis pelo PROAC Expresso Lei Aldir Blanc 45/2021.





ISBN nº 978-65-00-50517-7