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SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

A (p)arte que te cabe deste latifúndio Letras e 50 anos do Cal

CADERNO DE RESUMOS


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

A (p)arte que te cabe deste latifúndio Letras e 50 anos do Cal CADERNO DE RESUMOS

DAL

Diretório Acadêmico de Letras Gestão “Eu Passarinho“ 2013/2014


A (p)arte que te cabe deste latifúndio

A Semana Acadêmica de Letras 2013 está inserida na Comemoração dos 50 anos do Centro de Artes e Letras (CAL). A SAL 2013 não é um trabalho isolado, pois dá continuidade a uma prática das outras gestões do Diretório Acadêmico de Letras, principalmente as duas últimas gestões, as quais resgataram a tradicional Semana Acadêmica de Letras, Tendo como título A (p)arte que te cabe deste latifúndio, referência ao auto Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto, a Semana Acadêmica de Letras 2013, tenta reunir palestras e oficinas que de alguma maneira possam dar a ideia da parte que nos é destinada e da arte que nos é característica nessa instituição de ensino superior. Parte e Arte, muitas vezes desprezadas, ou sufocadas pelos interesses de outras áreas do conhecimento, mais produtivas em seu sentido técnico. A par dessas tensões, todo estudante de Letras da UFSM, tenta ao longo de sua graduação encontrar-se no espaço, no momento histórico, na cultura, na ideologia, nos discursos, nas “artes e artimanhas” de suas constituições identitárias e acadêmicas. Ser do curso de Letras da UFSM pressupõe um bem mais do que estar em curso de Letras.Tomar a p(arte) que nos cabe é ligar-nos subjetivamente e linguisticamente ao espaço que ocupamos, é sentir-nos coletividade em meio às individualizações do mundo moderno. Ser Letras na UFSM sempre foi motivo de teatralizar-se num mundo outro, sempre foi motivo para não dançar conforme a música, sempre foi motivo para deseducar-se de um mundo mesquinho, sempre foi motivo para caber numa trajetória desprestigiada por grande parte da sociedade. Que nesses dias de Semana Acadêmica de Letras 2013, possamos fazer caber a nossa parte no todo desses anseios, que possamos fazer a nossa arte ecoar pela UFSM. Não trazemos carros, não trazemos faixas, não trazemos buzinas.Trazemos conosco enunciados de contestação e de reflexão, porque carregamos os significados do mundo pela linguagem. Que nesses dias de Semana Acadêmica de Letras 2013, nós, graduandos de Letras Inglês, Português, Espanhol e Bacharelado sejamos a p(arte) que acreditamos e que sonhamos, num movimento de especificidades, porém de totalidade, resignados por nosso lugar. Que o lugar que costuma ser o da lacuna, preencha-se com nossas vontades conjuntas.


Reitor da Universidade Federal de Santa Maria Felipe Martins Müller Diretor do Centro de Artes e Letras Pedro Brum Santos Coordenadora do Curso de Letras - Bacharelado Tatiana Keller Coordenadora dos Cursos de Letras - Licenciaturas Carmen Deleacil Ribeiro Gavioli Comissão organizadora da Sal - 2013 Alan Ricardo Costa Ana Carolina Cunha Anderson Trindade Chaves Bruna Cielo Cabrera Felipe Freitag Lara Niederauer Machado Luana Zanon Luiza Casanova Machado Nícolas Rossi Haverroth Sabrine Weber Revisão gramatical dos resumos Alan Ricardo Costa Anderson Trindade Chaves Bruna Cielo Cabrera Felipe Freitag Lara Niederauer Machado Luana Zanon Luiza Casanova Machado Sabrine Weber Texto de apresentação Felipe Freitag Editoração Lara Niederauer Machado Material gráfico Bruna Cielo Cabrera S471c Semana Acadêmica de Letras 2013 : “A (p)arte que te cabe deste latifúndio” (2013 : [Santa Maria, RS]) Caderno de resumos / Semana Acadêmica de Letras 2013 : “A (p)arte que te cabe deste latifúndio”. – Santa Maria : Diretório Acadêmico de Letras, [2013]. 84 p. ; 30 cm 1. Literatura 2. Crítica literária 3. Linguística I. Título CDU 82.09 81 Ficha catalográfica elaborada por Maristela Eckhardt - CRB-10/737 Biblioteca Central da UFSM

Os textos aqui apresentados são de inteira responsabilidade dos seus autores.


SUMÁRIO LAZOS TRANSNACIONALES DE ALEJANDRO CASONA ALVES, Cristiane Maria; MONTEMEZZO, Luciana

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SATURAÇÃO E APELO CORPÓREO AO BANAL EM CORAÇÃO, DE MARCELINO FREIRE ANDRADE, Anderson Proença de; FARIAS,Vera Elizabeth Prola

14

A LITERATURA ABOLICIONISTA DE MARIA FIRMINA DOS REIS: UMA ANÁLISE DO CONTO “A ESCRAVA” ANDRETA, Bárbara Loureiro; ALÓS, Anselmo Peres

15

MONITORIA DE LITERATURA: O PROFESSOR EM FORMAÇÃO COMO MEDIADOR DE LEITURA ANGST, Carine Maria; BERNED, Pablo Lemos

16

FILOSOFIA POLÍTICA E A IMPORTÂNCIA DO CONTEXTO HISTÓRICO EM MAQUIAVEL ARAUJO, Jorge dos Santos de

17

CABO VERDE EM EXPRESSÃO: DA FORMAÇÃO DA LÍNGUA À PRODUÇÃO ARTÍSTICA ARNEMANN, Aline Rubiane

18

ANÚNCIOS PUBLICITÁRIOS DA COCA-COLA : UMA VISÃO ANALÍTICA DE SUAS ESCOLHAS LEXICOGRAMATICAIS BAGNARA, Laura; MATOS, Xênia

19

NOTAS SOBRE O DIA DOS PRODÍGIOS, DE LÍDIA JORGE BASSEDONE, Felipe Clos; OLIVEIRA, Raquel Trentin

20

UM ESTUDO DE WEBQUESTS PARA O ENSINO DE ESPANHOL COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA BEVILÁQUA, André Firpo; COSTA, Alan Ricardo; MACHADO, Jéssica Luzia Souza Stanque; FIALHO,Vanessa Ribas

21

SER MULHER E SER ARTISTA: A TRANSGRESSÃO E OS PARADIGMAS ENTRE LÍLIA MOMPLÉ, PAULINA CHIZIANE E CHIMAMANDA ADICHIE CABRERA, Bruna Cielo; ALÓS, Anselmo Peres

22

DESENRAIZAMENTO E CONFLITOS FAMILIARES EM O ESPLENDOR DE PORTUGAL, DE ANTÓNIO LOBO ANTUNES CANILHA, Samla Borges; OLIVEIRA, Raquel Trentin

23

A PALAVRA FORJADA PELO INVENTÁRIO DA MEMÓRIA: APONTAMENTOS SOBRE O ROMANCE COIVARA DA MEMÓRIA CHAVES, Anderson Trindade

24

REFLEXÕES SOBRE A FUNÇÃO SOCIAL DA LITERATURA FANTÁSTICA ATRAVÉS DE O EX-MÁGICO DA TABERNA MINHOTA COLETTO, Stéphany Ferreira; DIAS, Ana Beatriz Ferreira

25

PROJETO: A ANÁLISE DO DISCURSO MULTIMODAL NO CONTEXTO BRASILEIRO COMARETTO, Pérla Turchielo; SANTOS, Katia Simonetti dos; HENDGES, Graciela Rabuske

26

LUCÍOLA E O PERDÃO, DUAS VISÕES DIFERENTES SOBRE A MULHER CORRÊA, Carla Chaves; ALÓS, Anselmo Peres

27

ESCOLHENDO UMA FAP: UM ESTUDO DE FERRAMENTAS DE AUTORIA PARA O PROFESSOR DE LÍNGUAS COSTA, Alan Ricardo; BEVILÁQUA, André Firpo; MACHADO, Jéssica Luzia Souza Stanque; FIALHO,Vanessa Ribas

28

IDENTIDADE NARRATIVA E ETERNO RETORNO EM BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇAS COSTA,Vítor Hugo dos Reis; COSTA, Tatiane dos Reis

29

REPRESENTAÇÕES PARA AS VÍTIMAS DA TRAGÉDIA NA BOATE KISS EM ARTIGOS DE OPINIÃO CRUZ, Lucas Saldanha da; FUZER, Cristiane

30

AS ESTRATÉGIAS DISCURSIVAS EM ANÚNCIOS IMPRESSOS DE DIFERENTES ÉPOCAS: UMA EVOLUÇÃO? ECHEVARRIA, Rodrigues Felipe; ZILLI, Bruno Ramires; STURZA, Eliana Rosa

31


RUBEM FONSECA: UMA PROPOSTA DE LETRAMENTO LITERÁRIO ECKERLEBEN, Bruna Carolina; PAZ, Demétrio Alves

32

A FORMAÇÃO DA IDENTIDADE NACIONAL, NA OBRA AS AVENTURAS DE NGUNGA, DE PEPETELA ESMERIO, João Alcides Haetinger

33

QUALIFICAÇÃO DOS MATERIAIS DIDÁTICOS UTILIZADOS PELO LINC: UMA ABORDAGEM MULTIMODAL FACHIM, Graziela; NASCIMENTO, Roseli Gonçalves

34

HERÓIS OUVILÕES? REPRESENTAÇÕES PARA O AGRICULTOR E A AGRICULTURA EM RELATOS DE AGRICULTORES SOBRE O NOVO CÓDIGO FLORESTAL BRASILEIRO FARENCENA, Gessélda Somavilla

35

OS ELEMENTOS APOLÍNEO E DIONISÍACO E SEUS DESDOBRAMENTOS NO FILME ANTICRISTO: UMA LEITURA POSSÍVEL FREITAG, Felipe

37

ATELIÊ DE TEXTOS NA E. E. EB. PROF.ª MARGARIDA LOPES: RELATO DE EXPERIÊNCIA EM PROCESSO GERHARDT, Carla Carine; FUZER, Cristiane

38

LABEON: UM PORTAL EM DESENVOLVIMENTO GOMES, Adilson Fernandes; ANSCHAU, Maicon Luiz; REIS, Susana Cristina dos

39

FUNDO DOCUMENTAL: RECONSTRUINDO CAMINHOS, REFLETINDO TRAJETOS QUE CONSTITUEM/ CONSTITUÍRAM A LINGUÍSTICA NO SUL GOMES, Tainise Pegoraro; MARTINS, Taís da Silva; SCHERER, Amanda Eloína

40

MORTE DO LEITEIRO, DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE: UMA PROPOSTA DE LEITURA CONSIDERANDO OS CONCEITOS DE FETICHISMO E REIFICAÇÃO JACOBY, Graziela Inês; UMBACH, Rosani

41

LETRAMENTO LITERÁRIO EM SALA DE AULA: UMA PROPOSTA DE SEQUÊNCIA BÁSICA COM O CONTO RELATO DE OCORRÊNCIA KRONBAUER, Elis Matte; COLETTO, Stéphany Ferreira; PAZ, Demétrio Alves

42

MOACYR SCLIAR EM SALA DE AULA DE LITERATURA KUTTI, Fernanda Taisi Trentin; PAZ, Demétrio Alves

43

ENTRE A LITERATURA E A HISTÓRIA: O BRASIL MODERNO E A FICÇÃO DO SÉCULO XX LARA,Vanessa Castro de; GUERRA, Guilherme Bizzi

44

FLUÊNCIA E LETRAMENTO DIGITAL DE PROFESSORES EM FORMAÇÃO CONTINUADA NO PORTAL WEBENGLISH LINCK, Anderson José Machado; GOMES, Adilson Fernandes; REIS, Susana Cristina dos

45

TRABALHANDO COM O CONTO O COLAR EM SALA DE AULA: UMA PROPOSTA DE SEQUÊNCIA BÁSICA COM LETRAMENTO LITERÁRIO MACHADO, Fernanda Kreuz; ANGST, Carine Maria; PAZ, Demétrio Alves

46

O DISCURSO PUBLICITÁRIO DA CERVEJA POLAR MAIA, Aline Pivetta

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REPRESENTACÃO DE PADRE VIEIRA COMO “JUDAS DO BRASIL” ATRAVÉS DOS OLHOS DE JOÃO FRANCISCO LISBOA MALHEIROS, Roseli; DE MARTINI, Marcus

48

TRAJETO DE PESQUISA: REDESCOBRINDO A LINGUÍSTICA MARQUES, Luzianara Lourenço; MARTINS, Taís da Silva; SCHERER, Amanda Eloina

49

A MULTIMODALIDADE NA ESCOLA: UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA MARQUES, Marciele; STEFANELLO, Claridiane de Camargo; PINTON, Francieli Matzenbacher

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A CASA ASSASSINADA NO ESPELHO: UM OLHAR SOBRE LÚCIO CARDOSO MATOS, Xênia Amaral; FELIPPE, Renata Farias de

51

AVALIATIVIDADE NO DISCURSO POLÍTICO: UMA AMOSTRAGEM MELO,Vanessa; SCOTTA CABRAL, Sara

52

O VALOR DA INFORMAÇÃO: UMA ANÁLISE NÃO VERBAL EM ARTIGOS ACADÊMICOS AUDIOVISUAIS MILANI,Victor

53

CARNAVALIZAÇÃO BAKHTINIANA NA PERFORMANCE POÉTICA E PICTÓRICA DO ARTISTA GENTILEZA MONTEIRO, Ênio

54

JORNAL A PROPÓSITO: UMA USINA DE IDEIAS! MORAES, Russel Vaz

55

UMA DANÇARINA LOUCA, MORTA E VIRGEM: O PAPEL DA LUA EM SALOMÉ DE OSCAR WILDE NECKEL JUNIOR, Fernando Azevedo

56

ANTROPOLOGIA E EDUCAÇÃO: ALGUNS CONCEITOS BÁSICOS PARA A COMPREENSÃO ANTROPOLÓGICA DOS UNIVERSOS EDUCACIONAIS OLIVEIRA, Ciro Eduardo Silva de

57

O DISCURSO DE CREONTE NA ANTÍGONA DE SÓFOCLES OLIVEIRA, Janio Davila; TAVARES, Enéias Farias

58

FACILITAR É LIMITAR: UMA LEITURA COMPARATIVA DE DUAS TRADUÇÕES DE “THE LITTLE BLACK BOY”, DE WILLIAM BLAKE OLIVEIRA, Leandro

59

ENSINO DE ESPANHOL NA REDE PÚBLICA DA CIDADE DE SANTA MARIA: REPERCUSSÕES DA LEI Nº 11.161/2005 PADILHA, Emanuele Coimbra

60

UMA PROPOSTA DE LETRAMENTO LITERÁRIO: O CONTO BRASILEIRO EM SALA DE AULA PAZ, Demétrio Alves; LIMA, Djéssica Follmann de

61

PIBID-ESPANHOL UFSM: DA TEORIA ACADÊMICA A PRÁTICA ESCOLAR PELIZZARO, Daniele; LEMES, Debora; MORIN, Gisélia; MOREIRA, Luisiana; OLIVEIRA, Carine; MARCHESAN, Maria Tereza

62

CAFÉ LITERÁRIO: OFICINA DE LEITURA COMO INSTRUMENTO DE CIDADANIA NO PROCESSO DE TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL PERES, Samara; FELIPPE, Renata de

63

O DISCURSO LITERÁRIO COMO LUGAR DE RESISTÊNCIA: NINGUÉM MATOU SUHURA, DE LÍLIA MOMPLÉ PERTILE, Ana Paula; ALÓS, Anselmo Peres

64

AUTORREFERENCIAÇÃO NO “SERMÃO DE SANTO ANTÔNIO” (1638), DE PADRE ANTÔNIO VIEIRA PORTO, Halyne M. S.; DE MARTINI, Marcus

65

AS CARTAS PORTUGUESAS COMO MITO E MOTE PARA AS NOVAS CARTAS PORTUGUESAS PRADO, Priscila F. do; FLORES, Lawrence P.

66

DISCURSOS SOBRE LETRAMENTO ACADÊMICO/CIENTÍFICO PRETTO, Amanda de Mendonça; CONEGATTO, Laila Da Cás; RADÜNZ, Amanda Petry; MOTTA-ROTH, Désirée

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A IMIGRAÇÃO ALEMÃ E O ESTADO NOVO: O FUNCIONAMENTO POLÍTICO DO SILÊNCIO RONSANI, Luciana Vargas

68

A REPRESENTAÇÃO DO PADRE ANTÔNIO VIEIRA ATRAVÉS DO SEU PRIMEIRO BIÓGRAFO, O PADRE ANDRÉ DE BARROS SANCHES, Angelo Moreno Bidigaray; DE MARTINI, Marcus

69

A PRÁTICA DOCENTE NA (OUTRA) ESCOLA. SANTOS, Flávio Cezar dos; MEURER, Ane Carine

70


O DICIONÁRIO COMO INSTRUMENTO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO NO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA SCHWERTNER, Matheus Von Ende; PETRI,Verli

71

INFÂNCIA E EXPERIÊNCIA NA OBRA DE SALIM MIGUEL SILVA, Ana Cláudia de Oliveira da

72

A PERGUNTA RETÓRICA COMO MECANISMO DE CORTESIA EM CARTAS DEL LECTOR SILVA, Gabriela Colbeich da; FERNANDES, Ivani Cristina Silva

73

VIVER É NARRAR SILVA, Jeferson Flores Portela da

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PLE: PROCESSO DE CRIAÇÃO DE UM MATERIAL DIDÁTICO SOBROSA, Daiana Marques; SANTOS, Grazielle da Silva dos

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REFLEXÕES INTRODUTÓRIAS SOBRE AS “COUSAS” QUE ACONTECEM SOUZA, Luciéle Bernardi de; CABAÑAS, Ana Teresa

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TEMPO E MEMÓRIA EM O ESPLENDOR DE PORTUGAL, DE LOBO ANTUNES STEFANELLO, Camila; OLIVEIRA, Raquel Trentin

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PRODUÇÃO TEXTUAL NO ENSINO MÉDIO SUSIN, Camila; MOTTA,Vaima Regina Alves

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TROPICÁLIA,VISTA DE DENTRO E DE FORA TERRA, Juliana Peres

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REPRESENTAÇÃO DA PATERNIDADE NO ROMANCE PEDRO PÁRAMO DE JUAN RULFO TUZZIN. Maria Iraci Cardoso

81

CURSO DE LETRAS/ESPANHOL DA UFSM: CONTRIBUIÇÕES PARA A (IN)SUFICIÊNCIA LINGUÍSTICA DO FUTURO PROFESSOR DE ESPANHOL WAGNER, Alison Marcelo

82

ATIVIDADES DE PRÉ-ESCRITA COMO MOTIVADORES PARA PRODUÇÃO TEXTUAL NO ENSINO FUNDAMENTAL WEBER, Sabrine; FUZER, Cristiane

83

EL SINTAGMA DETERMINANTE COMO CATEGORÍA LEXICAL EN EL PROCESO DE ADQUISICIÓN DE LA LENGUA ZILLI, Bruno Ramires; OGGIONI, Mariana; RUDZKI, Natasha; DOTTI, Horácio

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COMUNICAÇÕES ORAIS Resumos dos trabalhos discentes


CADERNO DE RESUMOS

LAZOS TRANSNACIONALES DE ALEJANDRO CASONA ALVES, Cristiane Maria¹; MONTEMEZZO, Luciana² Resumo: Com a disputa de poder entre republicanos e nacionalistas na Espanha, a partir de 1933, alguns dramaturgos como Federico García Lorca (1898-1936), Alejandro Casona (1903-1965) e Rafael Alberti (1902-1999) começaram a sair do país em busca de novos públicos para a sua obra. Tanto Casona como Alberti, com a ascensão ao poder do grupo nacionalista (de ideologia nazi-fascista), em 1936, após três anos de Guerra Civil, optaram por morar em Buenos Aires, onde viveram por longo tempo e escreveram textos dramáticos que foram encenados naquele país e também no Uruguai. Conforme DIAGO (2006: 76-77), “un buen número de escritores (…) y artistas teatrales (…) buscó refugio en Buenos Aires a la espera de conocer el desenlace de la guerra”. Nesse eixo rio-platense, publicaram suas produções literárias, a partir da década de 1940. Sendo assim, o objetivo do nosso projeto de Iniciação Científica, intitulado “Dramaturgos Espanhóis no Rio da Prata (1930-1985): possíveis repercussões no RS”, é de estudar, especificamente, a recepção crítica da obra dramática de Alejandro Casona no período do exílio na Argentina - sus lazos transnacionales. A partir disso, observar se há repercussões da referida produção no Rio Grande do Sul e, principalmente, na cidade de Santa Maria. Para entender como se deu esse processo, buscamos as críticas teatrais publicadas nos jornais La Nación (Argentina), El país (Uruguai) e Jornal ABC (Madrid), o que configura um trabalho detalhado e minucioso. Além disso, no cenário teatral santa-mariense, partimos da montagem de 1951 – É proibido suicidar-se na primavera, do dramaturgo espanhol Alejandro Casona, pela Escola de Teatro Leopoldo Fróes. A existência dessa tradução e montagem, na década de 1950, remete ao diálogo entre os países do Rio da Prata e o sul do Brasil. Nesse contexto, registraremos, por meio dos dados obtidos, o processo de trocas culturais no período, com vistas a recuperar uma parte da memória cultural existente entre os três países envolvidos – Espanha, Argentina e Brasil. Referências bibliográficas

CORREA, Roselâine Casanova. Cenário, cor e luz: amantes da ribalta em Santa Maria (1943-1983). Santa Maria: Ed. UFSM, 2005. DIAGO, Nel. El teatro español Buenos Aires durante la Guerra Civil Española (1936-1939). IN: PELLETTIERI, Osvaldo. Dos escenarios: intercambio teatral entre España y Argentina. Buenos Aires: Galerna, 2006. OGÁS PUGA, Grisby. Margarita Xirgu y Federico García Lorca en Buenos Aires. IN: PELLETTIERI, Osvaldo. Dos escenarios: intercambio teatral entre España y Argentina. Buenos Aires: Galerna, 2006.

Palavras-chave: Alejandro Casona; Dramaturgia; Literatura.

___ ¹ Aluna do 9º semestre do curso de licenciatura em Letras – Espanhol (UFSM). E-mail: crisinha.alves@gmail.com ² Professora orientadora do projeto de Iniciação Científica, intitulado “Dramaturgos Espanhóis no Rio da Prata (1930-1985): possíveis repercussões no RS”, do curso de licenciatura em Letras – Espanhol (UFSM). E-mail: luces70@gmail.com 13


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

SATURAÇÃO E APELO CORPÓREO AO BANAL EM CORAÇÃO, DE MARCELINO FREIRE ANDRADE, Anderson Proença de¹; FARIAS,Vera Elizabeth Prola² Resumo: Com a finalidade de problematizar pós-modernidade e literatura, esta pesquisa, de caráter bibliográfico, aponta possibilidades sobre o contemporâneo e a instantaneidade da experiência do corpo com o banal, com ênfase no conto Coração, de Contos negreiros (2011), de Marcelino Freire, vencedor do Prêmio Jabuti de 2006. Por meio do diálogo da escrita ficcional com as postulações teóricas de Stuart Hall (2004), Zygmunt Bauman (2004), Gilles Lipovetsky (2005) e Michel Maffesoli (1996), procurou-se compreender e relacionar sujeito, pós-modernidade, hedonismo e literatura em uma perspectiva filosófica, sociológica e significantemente antropológica, a fim de problematizar cultura, sociedade e suas diversidades. De acordo com Karl Eric Schollhammer (2011, p.10), a literatura contemporânea incide luz nas “zonas marginais e obscuras do presente”, nas frinchas, a priori, imperceptíveis pelo senso-comum, pelas convenções, e compromete-se em flagrar, em flashes e estilhaços, o não convencional, o insuspeito, o obsceno, o ilícito, o interdito. Em Contos negreiros, essa ideia percebe-se no conto Coração, por meio da saturação e fragmentação identitária do negro homossexual da periferia. Nessa perspectiva, “o sujeito assume identidades diferentes em diferentes momentos, identidades que não são unificadas ao redor de um “eu” coerente (HALL, 2004, p.13). Coração trata-se de uma escrita urgente, de apelo ao prosaico, “de corpo em espetáculo, sendo, a partir daí, causa e efeito da comunicação” (MAFFESOLI, 1996, p.165). Nessa apoteose de apelos, conforme adverte Gilles Lipovetsky (2005, p.44), é inevitável a consolidação de uma sexdução generalizada. O resultado é a produção de um sujeito não mais guiado “pela disciplina, mas, sim, pela personalização do corpo sob a égide do sexo. O seu corpo é você e deve ser cuidado, amado, exibido” (LIPOVETSKY, 2005, p.13). O corpo, para usar uma expressão de Michel Maffesoli, pavoneia-se e deflagra toda sua aparência, traz a hipótese de que “há um hedonismo do cotidiano irreprimível e poderoso que subentende e sustenta toda a vida em sociedade (1996, p.11)”. Surge, portanto, no seio social, como que em uma apoteose, o homo estheticus, um sujeito imantado em um reino de aparências, de confusão dionisíaca e orgiástica, de barroquização existencial. De acordo com Schollhammer (2009, p.68), “Freire joga com o linguajar afro-brasileiro, saboreia a sonoridade e o teor linguístico das palavras [...], relatando episódios do cotidiano negro, quase sempre imprimindo um episódio de revolta”, tal como se observa em Coração: “Bicha devia nascer sem coração” (FREIRE, 2011, p.59), “Acendo um cigarro e vou assistir televisão”. Televisão. O especial de Roberto Carlos todo ano. Ai, que amolação! Esse coração de merda” (p.59). “A pior coisa, amiga, é uma trepada quando fica engasgada. Vira uma lembrança agoniada. Uh!” (p.61), “Fui tirando a roupa do bofe. Uau! Menina! Bicha devia nascer sem coração, to te falando” (p.61). “Lá fui eu de novo atrás do bofe. Como uma anta perdida. Não tem coisa pior do que o abandono. Depois de uma trepada daquela, tudo parecia eterno. Aí é que a gente se engana” (p.62). “No lugar do coração, bicha devia ter uma bomba” (p. 62). A propósito dessas relações instantâneas e urgentes vale assinalar uma advertência de Zygmunt Bauman: “Eros com certeza não está morto [...], ele foi condenado a perambular pelas ruas numa infindável e vã procura de abrigo. Eros agora pode ser encontrado em toda parte, mas não se demorará por muito tempo em lugar nenhum” (2004, p.57). Portanto, a ficção de Freire aponta os impasses existenciais do sujeito pós-moderno, hedonista e em constante experiência com o banal. Experiência que evidencia não apenas a saturação pós-moderna, mas também a efusiva vontade por presentificar o cotidiano de modo litúrgico e orgiástico. Referências bibliográficas

BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos.Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2004. FREIRE, Marcelino. Contos negreiros. Rio de Janeiro: Record, 2011. HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP & A, 2004. LIPOVETSKY, Gilles. A era do vazio: ensaios sobre o individualismo contemporâneo. Trad. Therezinha Monteiro Deutsch. Barueri, SP: Manole, 2005. MAFFESOLI, Michel. No fundo das aparências. Trad. Bertha Halpern Gurovitz. Petrópolis, RJ:Vozes, 1996. SCHOLLHAMMER, Karl Eric. Ficção brasileira contemporânea. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009.

Palavras-chave: hedonismo; identidade; literatura; pós-modernidade; sujeito. ___ ¹ Autor. Aluno do 8º semestre do curso de licenciatura em Letras – Língua Portuguesa (Centro Universitário Franciscano). Email: anderson.pro.andrade@hotmail.com . Resumo realizado por meio de discussões teóricas do projeto de pesquisa Cultura e Diversidade: estratégias de ensino e aprendizagem das diferenças via literatura. ² Orientadora. Professora do Curso de Letras do Centro Universitário Franciscano. E-mail: vepfarias@bol.com.br . 14


CADERNO DE RESUMOS

A LITERATURA ABOLICIONISTA DE MARIA FIRMINA DOS REIS: UMA ANÁLISE DO CONTO “A ESCRAVA” ANDRETA, Bárbara Loureiro¹; ALÓS, Anselmo Peres² Resumo: Maria Firmina dos Reis nasceu em São Luís, no Maranhão, em 11 de outubro de 1825, e morreu em 1917. Ao longo dos seus 92 anos de vida, Maria Firmina dos Reis teve uma participação importante como cidadã e intelectual, tendo publicado, em 1859, o romance Úrsula (uma obra que aborda a escravidão a partir do ponto de vista dos escravos), o romance de temática indianista Gupeva (em 1861) , e o conto “A escrava”, que foi publicado em 1887, no auge da campanha abolicionista (DUARTE, 2004), além do “Hino da libertação dos escravos” (1888), a coletânea de poemas Cantos à beira mar (1871), e diversos poemas esparsos na imprensa da época. Nesse conto, a história da escrava Joana é narrada por uma senhora que não tem o nome revelado; porém, sabe-se que ela é membro da sociedade abolicionista da província local e da sociedade abolicionista do Rio de Janeiro. Os sofrimentos de Joana iniciaram-se ainda na sua infância quando ela, filha de uma escrava com um índio, nasceu escrava. Seu pai, na tentativa de tornar sua filha livre, juntou todas as suas economias, com o intuito de libertá-la da escravidão. Após a morte de seu pai, Joana e sua mãe descobriram, no dia em que o senhor ordenou que Joana começasse a trabalhar, que a carta de alforria recebida era uma fraude. Transtornada com a situação, a mãe falece poucos dias depois, e Joana tornou-se escrava. Além de Gabriel, que a acompanhou até a sua morte, teve outros dois filhos, Carlos e Urbano, que foram retirados dela quando tinham apenas oito anos de idade e enviados para o Rio de Janeiro. A loucura / revolta de Mãe Joana teve origem na separação entre ela e seus dois filhos gêmeos, podendo-se considerar a subtração da vivência plena desse amor maternal, a violência e o horror da separação entre mães e filhos como o tema principal deste conto (SILVA, 2012). Segundo Constância Lima Duarte (2005), destaca-se também o ponto de vista (en)gendrado, que permite a crítica às formas de subordinação das mulheres na sociedade patriarcal brasileira, herdeira das relações coloniais. Em Úrsula, Maria Firmina fala como mulher, associando a dominação de raça à de seu sexo, como uma forma de vincular gênero e etnia, evidenciando que a ausência de liberdade do negro provém do mesmo sistema escravocrata e patriarcalista que oprime as mulheres. Nessa obra, a mulher é o outro, assim como o negro. O conto “A escrava” também é emoldurado pelo ponto de vista dos sujeitos historicamente subalternizados, no qual, mais uma vez, a palavra é tomada pela mulher e pelo escravo, para que falem por todos os que não tinham voz na sociedade e na política brasileira daquela época (DUARTE, 2005). Referências bibliográficas

DUARTE, Eduardo Assis. Posfácio. In: REIS, Maria Firmina dos. Úrsula. Florianópolis: Ed. Mulheres; Belo Horizonte: PUC Minas, 2004, pp. 265 – 281. DUARTE, Constância Lima. Gênero e etnia no nascente romance brasileiro. Estudos feministas. Vol. 13, nº 2, Florianópolis, 2005, pp. 443 - 444. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-026X2005000200019&script=sci_arttext. Acesso em: 18/08/2013. REIS, Maria Firmina dos. Úrsula. Florianópolis: Ed. Mulheres; Belo Horizonte: PUC Minas, 2004. REIS, Maria Firmina dos. “A escrava”. In: Úrsula. Florianópolis: Ed. Mulheres; Belo Horizonte: PUC Minas, 2004, pp. 241 – 262. _____. Gupeva: romance brasiliense. In: MORAIS FILHO, José Nascimento. Maria Firmina: fragmentos de uma vida. São Luís: Imprensa do Governo do Maranhão, 1975, p. 103-134. _____. Cantos à beira-mar. São Luis: Governo do Estado do Maranhão, 1871. Edição fac-similar. _____. Hino à liberdade dos escravos. In: FARIA, Antônio Augusto Moreira de; PINTO, Rosalvo Gonçalves (Orgs.). Poemas brasileiros sobre trabalhadores: uma antologia de domínio público. Belo Horizonte: FALE/UFMG, 2011, p. 53. SILVA, Danielle de Luna e. Maternidade e afrodescendência em Úrsula e A Escrava, de Maria Firmina dos Reis. Cadernos Imbondeiro.Vol. 2, nº1, João Pessoa, 2012. Disponível em: http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/ci/article/view/14155/8766. Acesso em: 18/08/2013.

Palavras-chave: “A escrava”; literatura abolicionista; Maria Firmina dos Reis. ___ ¹ Autora. Acadêmica do Curso de Letras/Espanhol – Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Bolsista PIVIC (Programa Institucional de Voluntário em Iniciação Científica) no projeto de pesquisa Ressonâncias e dissonâncias no romance lusófono contemporâneo, sob a orientação do Prof. Dr. Anselmo Peres Alós. ² Orientador. Doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Professor Adjunto no Departamento de Letras Vernáculas da UFSM. Professor do Programa de Pós-Graduação em Letras, na mesma instituição. ³ Em 1861, o jornal literário O Jardim dos Maranhenses iniciou a publicação do romance Gupeva, em 1863, o romance foi republicado pelo jornal Porto Livre e, em 1865, novamente o romance foi republicado, pelo jornal literário Eco da Juventude. 15


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

MONITORIA DE LITERATURA: O PROFESSOR EM FORMAÇÃO COMO MEDIADOR DE LEITURA ANGST, Carine Maria¹; BERNED, Pablo Lemos² Resumo: A monitoria durante a graduação está inserida como uma atividade de apoio aos processos de ensino e de aprendizagem, tendo em vista aprofundar conhecimentos e preparar os alunos para a formação docente. Isso implica em dizer que a função docente não é apenas de transmitir conhecimentos, mas, também, uma troca de informações e vivências com o discente, o que gera um esforço conjunto nos processos de ensino e de aprendizagem, que é facilitado pelo monitor já que ele tem mais proximidade com o professor e com os alunos participantes. Em razão disso, este trabalho tem por objetivo apresentar os resultados parciais do projeto voluntário de Monitoria de Literatura que se iniciou em junho de 2013. As atividades de Monitoria de Literatura têm como finalidade o atendimento regular semanal aos estudantes de Letras dos componentes curriculares de “Introdução aos Estudos Literários” e “Teoria e Crítica Literária” da Universidade Federal da Fronteira Sul, a fim de que estes possam sanar suas dúvidas referentes às disciplinas. O projeto também propôs a mediação de leitura e debate dos textos literários que são propostos no plano de ensino dos componentes curriculares. Essa mediação teve como propósito a discussão e o aprofundamento de questões suscitadas pelos professores em formação, com a realização das leituras dos seguintes textos literários: Memórias do Subsolo, de Fiódor Dostoiévski; Madame Bovary, de Gustave Flaubert e; Se um viajante numa noite de Inverno, de Italo Calvino. Os resultados sinalizam que tanto os alunos participantes, como a monitora do projeto demonstraram ter, muitas vezes, as mesmas dúvidas referentes às leituras feitas tanto de textos teóricos, como de textos literários das disciplinas relacionadas no projeto. Um ponto positivo durante os encontros da monitoria foi a oportunidade oferecida aos alunos de Letras de trocarem impressões de leitura em um momento alternativo ao do horário de aula. Essas discussões em grupo, apenas entre os estudantes, favoreceram o diálogo entre as diferentes leituras possíveis e a exposição de dúvidas recorrentes. Desta forma, o discente aprende, mas também ensina, preparando-se para sua própria profissão docente. Palavras-chave: ensino de literatura; formação docente; mediação de leitura; monitoria.

___ ¹ Acadêmica do Curso de Letras da Universidade Federal da Fronteira Sul, campus Cerro Largo, autora do trabalho. Bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) e voluntária no Projeto de Monitoria de Literatura. carine.angst@ gmail.com ² Professor Assistente 1, Mestre em Letras - Estudos Literários, Universidade Federal da Fronteira Sul, Campus Cerro Largo, orientador do trabalho. pablo.berned@uffs.edu.br 16


CADERNO DE RESUMOS

A FILOSOFIA POLÍTICA E A IMPORTÂNCIA DO CONTEXTO HISTÓRICO EM MAQUIAVEL ARAUJO, Jorge dos Santos de¹ Resumo: Nicolau Maquiavel teve sua filosofia má interpretada ao longo da história por trabalhar a política como elemento independente dos princípios éticos cristãos, ou seja, sua filosofia baseia-se no âmbito das aparências e, por isso, é interpretada como demoníaca, pois é o príncipe o responsável por manter a ordem e proteger seu principado de invasões, agindo com audácia e astúcia, não precisa ter todas as virtudes necessárias, mas sim aparentar tê-las. Por isso, o príncipe deve saber administrar a “fortuna” e a “virtù” (oportunidade e audácia, inteligência). Além disso, o próprio Estado é representado pela figura do príncipe. Neste estudo, utilizaremos como base a obra: O Príncipe, de Maquiavel.Vamos tentar defender que Maquiavel teve sua filosofia má interpretada; é somente voltando-se para o contexto histórico do autor que se pode ter uma ideia clara do que ele realmente pensava, como via e entendia a política dentro do contexto em que viveu. Devemos ter em mente que o objetivo de Maquiavel é unificar a Itália, pois esta estava passando por grande confusão política e a tirania imperava nos pequenos principados, pois a Itália era toda dividida, por isso, ele tenta retratar a política fazendo uma leitura fiel e precisa da realidade e somente um príncipe é quem poderia unificá-la novamente. Por tanto, sua filosofia política é a posteriori e não a priori como era entendida até então. Maquiavel torna a filosofia autônoma da ética e, com isso, privilegia a reflexão laica e não a religiosa, inaugurando um novo modo de ver a política. Se olharmos atentamente para o contexto em que se forma e se desenvolve sua filosofia, veremos na verdade que ele é contra o abuso do poder feito ao povo, bem como a perversidade, pois Maquiavel salienta ao príncipe que é melhor ser lembrado por ter sido bom e não por ter sido cruel, por isso, Maquiavel deve escolher o que seja melhor para seu povo e para manter seu principado. Entre dois males, deverá escolher o mal menor e se preciso for, deve estar pronto a perder sua alma em prol de seu povo. Referências bibliográficas:

ALVES, Marcos Alexandre. A Relação E Distinção Entre Ética E Política Em Maquiavel. Revista Litterarius. Santa Maria: Biblos Editora, v. 7. n. 2, p. 145 – 167, 2008. FIGUEIREDO, Maria Paula Fontana de. A Concepção Ética e Política na Obra “O Príncipe” de Maquiavel. ANAIS do XVII Simpósio de Filosofia Moderna e Contemporânea da UNIOESTE. Toledo, 2012. GRUPPI, Luciano. Tudo começou com Maquiavel: as concepções de Estado em Marx, Engels, Lênin e Gramsci. Trad. Dario Canali. 12. ed. Porto Alegre: L&PM, 1980. MAQUIAVEL. O Príncipe. Trad. Antonio Caruccio-Caporale. Porto Alegre: L&PM, 1998. 180 p. 17 cm.

Palavras-chave: Estado; Ética; Política; Príncipe.

___ ¹ Acadêmico do sexto semestre do curso de filosofia da Faculdade Palotina-FAPAS. E-mail: george.sulina@hotmail.com. 17


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

CABO VERDE EM EXPRESSÃO: DA FORMAÇÃO DA LÍNGUA À PRODUÇÃO ARTÍSTICA¹ ARNEMANN, Aline Rubiane² Resumo: Sabe-se que o número de produções acadêmicas e pesquisas voltadas ao estudo sobre os países colonizados por Portugal, bem como a interferência que a língua portuguesa gerou nesses países é escassa. Diante disso, este estudo visa contribuir com a redução dessa ausência apresentando uma análise de um filme: Nha fala; de uma obra literária: Hora di Bai e de um gênero musical: morna. Nesse sentido, em um primeiro momento, aborda-se o contexto histórico-geográfico de Cabo Verde. No século XV, o ramo marítimo dos países costaneiros europeus estava se expandindo e em consequência disso, territórios foram encontrados, dentre eles, as ínsulas que compõe Cabo Verde, localizadas a oeste da costa africana. Entretanto, essas ilhas foram encontradas desabitadas, o que ocasionou uma política de colonização que se estendeu ao longo dos séculos, reduzindo-se com o ideal de identidade nacional que se fortaleceu no decorrer do tempo e resultou na independência do país em meados finais do século XX. Todos esses fatores favoreceram o multiculturalismo e influenciaram na formação da língua nacional que é caracterizada pelos falares crioulos. Em um segundo momento, observa-se como a identidade nacional e a tradição evidenciam-se em manifestações linguísticas, tanto orais como escritas, da população cabo-verdiana. Na narrativa Hora di Bai de Manuel Ferreira, publicada em 1980, os aspectos mencionados no período anterior se fazem presentes, uma vez que o escritor é influenciado pelos movimentos literários cabo-verdianos, datados da década de 1940, Claridoso e Certeza que estavam atrelados à construção de uma identidade nacional. No filme Nha fala de Flora Gomes lançado em 2002, pode-se perceber, além disso, a questão dos falares crioulos tratados a partir de um ponto de vista otimista, contrastando com a convencional imagem internacional da pobreza que assola países africanos. Já na morna, gênero musical mais popular do país, consagrado por meio da cantora Cesária Évora (1941-2011), outros pontos são verificados, pois a cantora evocava em suas canções as raízes cabo-verdianas e as dissonâncias existentes entre as ilhas, algumas são mais favoráveis à habitação humana em relação às outras, e entre os habitantes das ínsulas, a proporção de cabo-verdianos que vivem no arquipélago é semelhante ao número daqueles que vivem em outros países. Por fim, analisa-se o ideal de identidade nacional compartilhado entre essas distintas manifestações linguísticas realizadas a partir dos falares crioulos cabo-verdianos, que por sua vez, representam o multiculturalismo de Cabo Verde. Referências bibliográficas:

ÉVORA, Cesária. Petit pays. In: ÉVORA, Cesária. Best of Cesária Évora. Brasil: Sony, 1998. CD, track 10. Disponível em: http://www. radio.uol.com.br/#/letras-e-musicas/cesaria-evora/petit-pays/2471990. Acesso em: 25 jul. 2013. FERREIRA, Manuel. Hora di Bai. São Paulo: Ática, 1980. (Coleção de autores africanos, 6). GUIMARÃES, T. T. Claridade e Certeza em Hora di Bai. Porto Alegre: Instituto de Letras. Disponível em <http://wwlivros.com.br/ IIjornadaestlit/artigos_portbras.html>. Acesso em: 25 jul. 2013. Nha Fala, de Flora Gomes. Literartes, [S.l.], v. 1, n. 1, Set. 2012. ISSN 2316-9826.

Palavras-chave: Cabo Verde; identidade nacional; Hora di Bai; Nha fala; morna.

___ ¹ Trabalho desenvolvido na disciplina Cultura Lusófona no 1º semestre de 2013, sob orientação do Prof. Dr. Anselmo Peres Alós. ² Autora. Graduanda do curso Letras Português – Licenciatura da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). 18


CADERNO DE RESUMOS

ANÚNCIOS PUBLICITÁRIOS DA COCA-COLA: UMA VISÃO ANALÍTICA DE SUAS ESCOLHAS LEXICOGRAMATICAIS¹ BAGNARA, Laura²; MATOS, Xênia³ Resumo: O anúncio publicitário é o meio pelo qual bens ou serviços são promovidos para o público com o propósito de venda. Nesse sentido, o objetivo do anunciante é aumentar as vendas dos bens ou serviços anunciados, chamando a atenção das pessoas para eles, assim mostrando-os sob uma perspectiva favorável (PETLEY, 2003). Este trabalho investiga comparativamente propagandas da Coca-Cola à luz da Gramática Sistêmico-Funcional (Halliday, 1994).A análise se concentra no estudo das escolhas lexicogramaticais utilizadas em três exemplares impressos de anúncios da Coca-Cola de períodos de tempo diferentes (1900, 1930 e 2000), com o objetivo de entender se e como a propaganda da Coca-Cola mudou em termos de significados ideacional, interpessoal e textual. No anúncio dos anos 1900, a análise da transitividade revelou apenas processos materiais. Em termos da metafunção interpessoal, todas as orações são declarativas de oferta de informação. A análise dos significados textuais apontou que a posição temática fica reservada ao produto sendo anunciado, nesse caso a Coca-Cola. No anúncio da década de 1930, em termos de significados ideacionais, foi constatado o predomínio de processos materiais. Na função interpessoal, também predominam orações declarativas de oferta de informação. A análise da metafunção textual revelou que participantes ocupam a posição temática sendo a maioria referente à Coca-Cola. A análise do anúncio dos anos 2000 revelou apenas uma oração. Na metafunção ideacional foi reconhecida a ocorrência de um processo material. Em termos de significados interpessoais, a única oração é um comando que demanda bens ou serviços. A posição temática do anúncio é ocupada pelo processo material. Nesse sentido, os resultados demonstram uma mudança de foco nos anúncios publicitários da Coca-Cola. Ao longo do tempo, o discurso publicitário da Coca-Cola foi sendo modificado: de associado à ideia de cura de doenças e medicamentos (1900) à ideia de uma bebida universal (1930), a única bebida que pode saciar a sede de todas as pessoas em todos os lugares. Já no último anúncio (2000) a Coca-Cola torna-se uma forma de alcançar um verdadeiro estado de felicidade. Sendo assim, a representação social do produto muda. Os resultados demonstram também que a linguagem verbal foi gradualmente sendo substituída pela linguagem não-verbal uma vez que sua recorrência começa a dominar na propaganda da Coca-Cola. Nos dois primeiros anúncios publicitários, há uma necessidade de criar uma noção de frescor e sabor delicioso a respeito do produto anunciado para provocar a ideia de algo que realmente vale a pena beber construindo, assim, uma representação social do produto. No entanto, a representação social da Coca-Cola é consolidada com o passar do tempo o que torna desnecessário mencionar verbalmente a noção de frescor e sabor do produto, então as imagens (linguagem não verbal) começaram a representar Coca-Cola bem como todos os prazeres que só ela pode provocar em qualquer lugar e em qualquer pessoa que bebê-la. Referências bibliográficas

HALLIDAY, M. A. K. An introduction to functional grammar. 2. ed. London: Edward Arnold, 1994. THOMPSON, G. Introducing functional grammar. 2ed. London: Arnold, 2004. PETLEY, Julian. Advertising. 2003. Available on <http://books.google.com.br/books?id=aREzFOQ9jsC&printsec=frontcover&dq=Ad vertising&hl=ptBR&ei=kKTJTu6oLJHBtgfcofjGCw&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CDIQ6AEwAA#v=onepa ge&q=Advertising&f=false>. Accessed on November 21st, 2011. <http://www.adbranch.com/coca-cola-advertising-1886-1899/coca-cola_syrup_and_extract_1880s/>. Accessed on November 8th, 2011. <http://cocacolaoldads.blogspot.com/2007/05/coca-cola-thru-50-years.html>. Accessed on November 8th, 2011. <http://images.pingmag.jp/images/article/will14.jpg>. Accessed on November 8th, 2011.

Palavras-chave: anúncio publicitário; Coca-Cola; Gramática Sistêmico Funcional.

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¹ Trabalho realizado como requisito parcial de avaliação na disciplina LTE 1006 Gramática Sistêmico Funcional da Língua Inglesa, sob a supervisão da Profa. Dra. Graciela Rabuske Hendges, durante o segundo semestre de 2011. ² Autor. Aluna do 8º semestre do curso de Letras-Inglês (UFSM) E-mail: lb.laura@hotmail.com ³ Coautor. Aluna do 8º semestre do curso de Letras-Inglês (UFSM). E-mail: lizza_amaral_matos@hotmail.com 19


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

NOTAS SOBRE O DIA DOS PRODÍGIOS, DE LÍDIA JORGE BASSEDONE, Felipe Clos¹; OLIVEIRA, Raquel Trentin² Resumo: Lídia Jorge pertence a uma geração que, política, social, e literariamente, esteve sob os últimos anos da ditadura de Salazar e Marcelo Caetano. Esposa de alferes, também foi afetada pela experiência de desterritorialização, quando o marido foi mobilizado para Angola e Moçambique. Como escritora, está inserida na Geração de Abril, a qual se volta à problematização dos eventos que envolveram essa virada da história portuguesa, por meio de uma linguagem literária também revolucionária. Nessa perspectiva, publica, em 1980, seu primeiro romance O Dia dos Prodígios. Esse romance tem como pano de fundo a Revolução de Abril de 1974, e narra como o surgimento de uma cobra-voadora, na pracinha do pequeno vilarejo fictício Vilamaninhos, transforma-se em mito e expectativa na vida daqueles provincianos habitantes.Ao mesmo tempo, o fato de a Revolução acontecer apenas para fora do vilarejo e não ocupar a consciência das personagens sugere uma possível alienação da população do lugar em relação ao acontecimento que ganhava as ruas de Lisboa. Assim, a autora portuguesa recorre ao simbólico para tratar da mudança, ou da pseudo-mudança da sociedade portuguesa a partir de 25 de abril de 1974. Além de abordar as transformações do papel da mulher, a exclusão social e as modificações de uma sociedade que vive entre a memória colonial e a nação pós-imperial, Lídia Jorge explora, a partir da superstição e da crença no sobrenatural, a representação do rural esquecido e alienado em contraste com o urbano pós-industrializado e “europeizado”. Nesse sentido, o objetivo desta comunicação é apresentar a autora portuguesa e as características mais marcantes de sua escrita, tendo por base o romance O Dia dos Prodígios. Referências bibliográficas

JORGE, Lídia. O Dia dos Prodígios. Rio de Janeiro: Editorial Nórdica LTDA, 1984. MASSAUD, Moisés. A literatura Portuguesa Através dos Textos. São Paulo: Editora Cultrix LTDA, 1995. REIS, Carlos. A ficção portuguesa entre a Revolução e o fim do século. SCRIPTA, Belo Horizonte, v. 8, n. 15, p. 15-45, 2º sem. 2004.

Palavras-chave: Lídia Jorge, O Dia dos Prodígios, Revolução.

___ ¹ Autor. Aluno do 4º semestre do curso de Bacharelado em Letras/UFSM. Bolsista PIBIC/CNPQ. E-mail: felipebassedone@gmail. com ² Orientadora. Professora da Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: raqtrentin@yahoo.com.br 20


CADERNO DE RESUMOS

UM ESTUDO DE WEBQUESTS PARA O ENSINO DE ESPANHOL COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA

BEVILÁQUA, André Firpo¹; COSTA, Alan Ricardo²; MACHADO, Jéssica Luzia Souza Stanque³; FIALHO,Vanessa Ribas4

Resumo: O Repositório Acción E/LE 5 é uma página idealizada e desenvolvida com a finalidade de contribuir com professores formados e em formação de Espanhol como Língua Estrangeira (E/LE). No referido repositório, diversos recursos digitais que podem ser utilizados com fins educacionais estão armazenados em taxionomias, listas de classificações de recursos de acordo com suas formas, funções e potencialidades pedagógicas. Posto que os conteúdos disponibilizados na Internet são bastante atualizáveis, passíveis de mudanças e alterações no que se refere aos endereços e ao conteúdo das páginas, manter os recursos em uma taxonomia é uma tarefa complexa, que exige averiguações e manutenções constantes por parte da equipe responsável pelo Repositório Acción E/LE. Tendo em vista as considerações precedentes, o objetivo do presente trabalho é apresentar uma série de atividades que ilustram o processo de atualização das listas de recursos das taxionomias, tendo como exemplo o estudo da taxionomia WebQuests y Cazas al Tesoro. Resumidamente, uma WebQuest é uma investigação orientada na qual algumas ou todas as informações com as quais os aprendizes interagem são originadas de recursos da Internet (DODGE, 1995). Ou seja, são atividades preparadas pelos docentes em que todos os recursos necessários à resolução das tarefas podem ser encontrados num único lugar: na Internet (BOTTENTUIT JUNIOR, 2009). Por outro lado, Caças ao tesouro são tipos menores (mais específicos) de Webquest: sua base é a mesma, mas sua atividade é constituída por uma série de perguntas e uma lista de endereços onde devem ser buscadas respostas. A metodologia realizada neste estudo deuse três etapas: (1) análise exploratória, (2) investigação pedagógica e (3) atualização da lista de recursos. Na análise exploratória foram averiguados quais dos endereços virtuais relacionados na taxionomia ainda estão em funcionamento. Na investigação pedagógica foram avaliados aspectos que dizem respeito ao valor pedagógico destes recursos para o ensino de E/LE, além de outras informações importantes para um uso efetivo por parte de professores e alunos. Por fim, na atualização da lista de recursos, foram retirados e colocados novos recursos, fazendo com que a lista da taxionomia seja atualizada. A constante avaliação dos recursos que constituem uma taxionomia é uma atividade benéfica também no sentido de que, ao efetuar os três passos do referido ciclo, tem-se uma visão do conjunto de recursos, do todo, e não apenas de cada parte, o que permite vislumbrar melhor aspectos pedagógicos importantes a serem considerados por parte do uso de tais ferramentas por um professor de língua. No caso da taxionomia WebQuests y Cazas al Tesoro, algumas destas considerações pedagógicas pertinentes são: (a) a maioria das páginas redirecionam para outros endereços, e assim sucessivamente, o que dificulta a avaliação das WebQuests e Caças ao tesouro, pois de um repositório somos encaminhado a outro, várias vezes; (b) há uma notável ausência de descritores, que seriam informações chaves para a identificação do recurso. A ausência de descritores como “tema” e “conteúdo” e outros dificulta a identificação e a localização dos recursos dentro de cada repositório; (c) apenas duas páginas apresentam WebQuests específicas para o ensino de E/LE: Ejemplos de WQs e Página de Marcus Fontana. No entanto, somente as WebQuests do site Ejemplos de WQs estão funcionando, pois as WebQuests da Página de Marcus Fontana encontram-se desativadas; (d) poucos dos recursos listados são realmente WebQuests, a maioria dos materiais é o que Dodge (1995, apud ROCHA, 2007) afere como WebExercises, meros exercícios estruturalistas. Conclui-se que, em se tratando de recursos disponibilizados na Internet, análises constantes de viés técnico (funcionamento adequado) e pedagógico (potencialidades didáticas) são necessárias e de suma importância. Referências bibliográficas:

BOTTENTUIT JUNIOR, João Batista. Análise de WebQuests em língua portuguesa disponíveis on-line:aspectos relativos à qualidade dos componentes e da usabilidade. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, v. 90, p. 102-121, 2009. DODGE, Bernie. Some thoughts about WebQuests. 1995. Disponível em: <http://webquest.sdsu.edu/about_webquests.html>. Acesso em: 29 set. 2012. ROCHA, Luciano Roberto. A concepção de pesquisa no cotidiano escolar: possibilidades de utilização da metodologia WebQuest na educação pela pesquisa. 2007. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade do Paraná, Curitiba, 2007.

Palavras-chave: Internet; Repositório Acción E/LE; Taxionomias; WebQuests. ___

¹ Autor. Aluno do 7º semestre do curso de licenciatura em Letras – Espanhol (UFSM). E-mail: andre.firpo@gmail.com. ² Coautor. Aluno do 9º semestre do curso de licenciatura em Letras – Espanhol (UFSM). E-mail: alan.dan.ricardo@gmail.com. ³ Coautora. Aluna do 3º semestre do curso de licenciatura em Letras – Espanhol (UFSM). E-mail: jessicastanque1992@gmail.com. 4 Orientadora. Professora da Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: vanessafialho@gmail.com. 5 Disponível em: <http://w3.ufsm.br/accionele/>. Acesso em: 10 set. 2013. 21


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

SER MULHER E SER ARTISTA: A TRANSGRESSÃO E OS PARADIGMAS ENTRE LÍLIA MOMPLÉ, PAULINA CHIZIANE E CHIMAMANDA ADICHIE CABRERA, Bruna Cielo¹; ALÓS, Anselmo Peres² Resumo: Muitas vezes nos perguntamos onde se encontram as vozes femininas da literatura africana. Vozes essas silenciadas por muito tempo pela cultura patriarcal e de repressão (pós)colonial. A literatura de autoria feminina em Moçambique destaca Lília Momplé e Paulina Chiziane como duas grandes autoras, conhecidas por seu caráter questionador e crítico do patriarcado, tanto no sistema colonialista quanto no sistema cultural étnico. Embora ambas compartilhem da mesma nacionalidade, escrevem sobre questões diferenciadas, porém o ponto que as une é a questão que aborda o feminino e a vida das mulheres moçambicanas. Com este trabalho pretende-se conectar, buscando as semelhanças entre as duas autoras, e analisar duas narrativas (o conto “Ninguém matou Suhura”, de Lília Momplé, e o curta metragem “Phatyma”, cujo roteiro foi escrito por Paulina Chiziane) através das questões levantadas pela fala de Chimamanda Adichie durante a conferência da ONG Tecnology, Entertainment and Design (TED) e pelo texto/testemunho, também de Paulina Chiziane, “Eu mulher... por uma nova visão do mundo”. Tendo como objetivo compreender como ambas as autoras transgridem a construção político-social da mulher moçambicana. Lília Momplé transgride quando denuncia as brutalidades do colonialismo, quando mostra o lado da história em que os negros angolanos querem a sua independência, a sua nação, sem interferências da metrópole que pouco ajuda na vida do povo. A mesma denúncia contra a “única história” que Chimamanda Adichie distingue como “perigosa” em sua fala, está presente em “Ninguém matou Suhura” no sentido que o branco colonialista não está na terra moçambicana como um bem feitor, ele está presente como o truculento, o invasor, o egoísta e o opressor a contrapelo da visão eurocêntrica. E, no curta metragem Phatyma, isso mostra-se na luta da menina para tornar-se uma mulher segura de si e não submissa aos homens, sem perder, ou dar as costas, para sua cultura e suas origens. Adichie, Chiziane e Momplé, todas mulheres buscando sua autonomia dentro da sociedade, cada uma a sua maneira, utilizando de palavras, olhos, bocas e corações. A literatura é utilizada por essas três mulheres, escritoras e artistas, para torna-se uma ferramenta social, desmistificadora do senso comum quanto à autoria feminina, à literatura africana, à literatura negra e, acima de tudo, a posição das mulheres na sociedade. Referências bibliográficas ADICHIE, Chimamanda Ngozi. O perigo de uma única história. Conferência anual: Ted Global, Oxford, 2009. Disponível em: < http:// www.youtube.com/watch?v=ZUtLR1ZWtEY >. Acesso em: 22 de julho de 2013. ALÓS, Anselmo Peres. Memória cultural e imaginário pós-colonial: o lugar de Lília Momplé na literatura moçambicana. Caligrama, Belo Horizonte, v. 16, n. 1, pp. 137-158, 2011. ALÓS, Anselmo Peres. O romance de autoria feminina em Moçambique: Balada de amor ao vento, de Paulina Chiziane. Todas as Letras, São Paulo, v. 14, n. 2, 2012. CHAVES, Rita. Angola e Moçambique: o lugar das diferenças nas identidades em processo. In: ______. Angola e Moçambique: experiência colonial e territórios literários. São Paulo: Ateliê Editorial, 2005. pp. 247-263. CHIZIANE, Paulina. Eu mulher... por uma nova visão do mundo. Abril, Rio de Janeiro, v. 5, n. 10, pp. 199-205, 2013. CHIZIANE, Paulina; CHAVES, Luiz. Phatyma. [curta metragem]. Produção de AfricaMakiya Produções, direção de Luiz Chaves. Moçambique, 2010. 09min.49s. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=NBKbFGxM1-k >. Acesso em: 22 de julho de 2013. CUNHA, Raquel Ferro da. A voz feminina: constituição da literatura pós-colonial moçambicana. Historiador, Porto Alegre, ano 3, n. 3, 2010. DUARTE, Zuleide. Lília Momplé: estórias de uma história contada com lágrimas. Cerrados, Brasília, v. 19, n. 30, pp. 361-377, 2010. MOMPLÉ, Lília. Ninguém matou Suhura. In: ______. Ninguém matou Suhura. 3. ed. Maputo: Edição da Autora, 2007. pp. 57-88.

Palavras-chave: Crítica social; Lília Momplé; Literatura comparada; Moçambique; Paulina Chiziane.

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¹ Autora. Aluna do curso de licenciatura em Letras – Português (UFSM). Bolsista PIBIC/CNPq, sob orientação do Prof. Dr. Anselmo Peres Alós, no projeto de pesquisa Resonâncias e dissonâncias no romance contemporâneo: o imaginário pós-colonial e a (des)construção da identidade nacional. E-mail: bruna.cielo.c@gmail.com. ² Orientador. Professor da Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: anselmoperesalos@gmail.com. 22


CADERNO DE RESUMOS

DESENRAIZAMENTO E CONFLITOS FAMILIARES EM O ESPLENDOR DE PORTUGAL, DE ANTÓNIO LOBO ANTUNES CANILHA, Samla Borges¹; OLIVEIRA, Raquel Trentin² Resumo: A sensação de desenraizamento é recorrente em romances de António Lobo Antunes como Os cus de Judas, As naus e O esplendor de Portugal, que tratam da guerra colonial em África e do retorno dos portugueses para a terra natal. Esse sentimento se dá, principalmente, em função de as personagens não se sentirem integradas ao território africano quando nele se encontram e serem vistas pela sociedade portuguesa, ao retornarem, como estranhos, o que acarreta em uma não reintegração à comunidade de origem. Em O esplendor de Portugal, romance narrado na voz de quatro integrantes de uma família de colonos portugueses em África - a mãe, Isilda, e os filhos Carlos, Clarissa e Rui -, temos a narrativa em dois tempos e espaços: os da mãe, que permanece em solo africano lutando não só pela fazenda, mas principalmente pela própria vida, entre os anos de 1978 e 1995, e os dos filhos, distantes um do outro em Lisboa, na noite de 25 de dezembro de 1995. Por meio das lembranças, devaneios e confissões das personagens, são revividos os anos da família em África e em Portugal. Com isso, são trazidos à tona os problemas de infidelidade, preconceito, rancor e doenças, que, atrelados à convivência diária com a violência da colonização e da guerra colonial e com a perda de poder político e financeiro dos colonos, marcaram profundamente todos os narradores.A desestruturação familiar resultante desses acontecimentos revela-se não apenas pelo distanciamento espacial, mas também pelo distanciamento afetivo, estado que sinaliza a total falta de estabilidade existencial das personagens. Uma vez que a família não mais se apresenta como um lugar estável e capaz de proporcionar conforto, o sentimento de deslocamento, latente em seus membros já por viverem em uma terra que, em realidade, não lhes pertence e à qual não se identificam, é intensificado. Por tal fator agravante ser fundamental neste romance, a presente comunicação busca analisar como essa desestruturação familiar interfere e contribui para a sensação de estar à margem nas personagens Carlos e Isilda. Referências bibliográficas

ANTUNES, António Lobo. O esplendor de Portugal. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. BAL, Mieke. Teoría de la narrativa. Madrid: Ediciones Cátedra, 1990. BRAIT, Beth. A personagem. 4. ed. São Paulo: Ática, 1990. GENETTE, Gérard. Discurso da narrativa. Lisboa:Vega, [19—]. RIBEIRO, Margarida Calafate. Uma história de Regressos: Império, Guerra Colonial e Pós-Colonialismo. Porto: Afrontamento, 2004.

Palavras-chave: António Lobo Antunes; desenraizamento; literatura pós-colonial portuguesa; O esplendor de Portugal.

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¹ Autora. Aluna do 5º semestre do curso de Bacharelado em Letras – Português/Literaturas (UFSM), integrante do projeto de pesquisa Memória e história na ficção pós-modernista portuguesa e bolsista FAPERGS. E-mail: samlaaborges@gmail.com ² Orientadora. Professora da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). E-mail: raqtrentin@yahoo.com.br 23


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

A PALAVRA FORJADA PELO INVENTÁRIO DA MEMÓRIA: APONTAMENTOS SOBRE O ROMANCE COIVARA DA MEMÓRIA CHAVES, Anderson Trindade¹ Resumo: Com o objetivo de observar a constituição formal da narrativa a partir de seus elementos compositivos, o presente trabalho pretende traçar uma análise do romance Coivara da Memória, de Francisco J.C.Dantas, partindo da ação enunciativa que o narrador-protagonista estabelece ao registrar em seu diário as lembranças próprias de um “passado cheio de ossadas”, que estão relacionadas, sobretudo, à infância e à vivência nos contornos espaciais do Engenho do Murituba. Desse modo, entende-se possível uma aproximação crítica pertinente à proposta estética que o escritor realiza em tal obra literária, o que corresponde à tentativa de fugir de formulações genéricas e revisões superficiais que parecem predominar em muitas abordagens da crítica contemporânea especializada, principalmente a acadêmica. Em função da temática, tais abordagens dão conta de colocar esse romance integrado a uma tradição regionalista da Literatura Brasileira, sem problematizar, de fato, as especificidades que estão contempladas por essa classificação. O desafio que se apresenta, portanto, para a formulação de uma perspectiva crítica capaz de desviar das proposições resultantes de certas obviedades retóricas é de buscar no texto literário fundamentações para os gestos analíticointerpretativos realizados pelo crítico em seu fazer. Nesse sentido, o romance em questão parece emergir de uma forma narrativa que coloca a representação ficcional para além das fronteiras tradicionalmente consideradas para o romance regionalista, produto, muitas vezes, de uma representação mimética, marcado por um forte caráter realista da experiência humana em certos contextos histórico-sociais. A arquitetura novelesca de Coivara da Memória contempla uma narrativa que não deixa de estar cercada por tais fronteiras, mas está também para além delas, por vezes, inclusive, superando-as pelo modo como o próprio romance dá forma ao relato de seu narrador-protagonista. Portanto, resulta pertinente colocar em revisão as formulações críticas estabelecidas sobre tal obra para que seja possível refutá-las ou mesmo ratificá-las, mas somente a partir dos elementos fornecidos pela composição literária. Nesse sentido, para o presente trabalho, o desafio traçado assim está constituído. Referências bibliográficas DANTAS, Francisco. J.C. Coivara da Memória. São Paulo: Estação Liberdade, 1991.

Palavras-chave: ficção; memória; representação literária.

___ ¹ Autor. Aluno do curso de Letras - Bacharelado da Universidade Federal de Santa Maria. 24


CADERNO DE RESUMOS

REFLEXÕES SOBRE A FUNÇÃO SOCIAL DA LITERATURA FANTÁSTICA ATRAVÉS DE O EX-MÁGICO DA TABERNA MINHOTA COLETTO, Stéphany Ferreira¹; DIAS, Ana Beatriz Ferreira² Resumo: Sabemos que a literatura tem fundamental importância em nossas vidas, pois a construção do sentido do texto literário nos ajuda a refletir sobre nossas relações em sociedade e sobre as relações que vivenciamos individualmente. Assim, a literatura exerce uma função social para os leitores. Para Cosson (2011), a literatura tem papel humanizador, oferece ao sujeito-leitor a possibilidade de enriquecer-se pessoalmente quando utiliza a literatura para pensar a vida. Tendo isso em vista, este artigo tem por objetivo refletir sobre a função social da literatura fantástica por meio de uma análise que realizamos do conto O Ex Mágico da Taberna Minhota, do escritor brasileiro Murilo Rubião. Esse conto tem como temática as angústias da vida do ser humano, pois o assunto do conto é a própria angústia, o desespero, por que passa um mágico que em determinado momento da vida não consegue parar de fazer mágicas, fazendo seus truques involuntariamente e descontroladamente. Para realizarmos essa análise, tomamos como base perspectivas teóricas que abordam aspectos da literatura fantástica e que se complementam entre si. Uma delas são as contribuições de Todorov sobre literatura fantástica; uma das características do fantástico para esse autor é “a hesitação experimentada por um ser que só conhece as leis naturais, face a um acontecimento aparentemente sobrenatural” (TODOROV, 2010, p.31). A outra é a perspectiva do realismo maravilhoso; nessa perspectiva o fantástico, ou seja, o sobrenatural, o elemento insólito, convive junto com real, sem questionamentos, sem dúvidas (BOTOSO, 2011), assim não há a hesitação apontada por Todorov. Em seguida, foram identificados os elementos fantásticos no conto e realizadas as reflexões necessárias sobre a função social do fantástico identificada por meio do conto. Ao final dessa pesquisa, chegamos à conclusão que uma possível função social da literatura fantástica seria possibilitar aos leitores reflexões sobre suas próprias vivências ao mesmo tempo em que critica algumas das atitudes do ser humano em relação aos outros e a si mesmo. Referências bibliográficas

BOTOSO, Altamir. O realismo maravilhoso no romance O mundo alucinante, de Reinaldo Arenas. RevLet – Revista Virtual de Letras, v. 03, nº 01, jan./jul, 201. Disponível em: http://www.revlet.com.br/artigos/84.pdf Acessado em: 07 de jul de 2013. COSSON, Rildo. Letramento Literário: teoria e prática. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2011 RUBIÃO, Murilo. O homem de boné cinzento e Outras Histórias. 2 ed. São Paulo: Editora Ática, 1993 TODOROV, Tzvetan. Introdução à Literatura Fantástica. Tradução de Maria Clara Correa Castello. 4. ed. São Paulo: Perspectiva, 2010.

Palavras-chave: função social; literatura fantástica; O ex-mágico da Taberna Minhota.

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¹ Autora. Aluna do 4º semestre do curso de licenciatura em Letras – Português e Espanhol (UFFS Campus Cerro Largo). E-mail: stephanycoletto@hotmail.com ² Orientadora. Professora da Universidade Federal da Fronteira Sul, Campus Cerro Largo. E-mail: ana.dias@uffs.edu.br 25


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

PROJETO: A ANÁLISE DO DISCURSO MULTIMODAL NO CONTEXTO BRASILEIRO COMARETTO, Pérla Turchielo¹; SANTOS, Katia Simonetti dos²; HENDGES, Graciela Rabuske³ Resumo: A Análise do discurso multimodal do contexto de pesquisa da Linguística Aplicada internacional tem cada vez mais adeptos (BEZERRA; NASCIMENTO, 2013). No Brasil, um interesse semelhante também pode ser observado, quando consideradas as temáticas dos congressos na área, que passam a incluir o estudo da multimodalidade entre seus tópicos. Esse crescente interesse pode ser devido à ubiquidade da multimodalidade nos textos que medeiam as práticas sociais contemporâneas. A multimodalidade é a condição da presença combinada de vários recursos semióticos (linguagem verbal - das palavras - imagens, layout, som, gesto, cor, etc.) em um mesmo texto. No âmbito dos estudos da linguagem, uma das principais obras que possibilita o estudo sistemático da linguagem visual como sendo léxico-gramatical é a Gramática do Design Visual proposta por Kress e van Leeuwen (1996, 2006). Essa ferramenta teórico-descritiva tem sido a base para grande parte dos estudos sobre a multimodalidade em Linguística Aplicada. Nessa gramática, os autores propõem um conjunto de categorias descritivas para a análise das linguagens não-verbais, as quais constituem o principal ferramental metodológico da Análise do Discurso Multimodal. No presente trabalho, de natureza cartográfica, buscamos mapear as pesquisas com foco na multimodalidade, desenvolvidas no Brasil, em termos 1) da fundamentação teórico-metodológica que orienta essas pesquisas, 2) dos gêneros investigados, 3) dos aspectos genéricos estudados e 4) da distribuição geográfica dessas pesquisas no país. Para tanto, serão considerados os resumos do Simpósio Internacional de Estudos de Gêneros Textuais – SIGET e do congresso da Associação de Linguística Sistêmico Funcional da América Latina – ALSFAL (edições de 2007 a 2011), bem como artigos coletados em periódicos científicos nacionais da área (Qualis-CAPES A1 a B2), publicados nesse período. Como primeiro passo, foi realizado um levantamento dos anais do SIGET e ALSFAL disponíveis online. Destes foram encontrados apenas os resumos de alguns módulos de apresentação referentes ao SIGET. Os demais resumos estão sendo coletados em CDs e em publicações impressas, obtidas por meio de pesquisadores locais que participaram dos eventos. Como segundo passo, está sendo realizada uma análise piloto com os primeiros cinquenta resumos do SIGET nas edições de 2007 e 2011, na modalidade “comunicação individual”, de modo a verificar se houve um crescimento nos estudos multimodais realizados nacionalmente. Os resultados encontrados deverão oferecer subsídios para a pesquisa e para o ensino com foco em gêneros discursivos multimodais no Brasil. Referências bibliográficas

BEZERRA, F. A. S.; NASCIMENTO, R. G. The role of multimodality labs in multiliteracy projects. Ilha do Desterro, n.64, p. 135-171, 2013. KRESS, G.; van LEEUWEN, T. Reading images. 1. ed. London: Routledge, 1996. KRESS, G.; van LEEUWEN, T. Reading images. 2. ed. London: Routledge, 2006.

Palavras-chave: Análise do Discurso Multimodal; Associação de Linguística Sistêmico Funcional da América Latina (ALSFAL); Cartografia; Multimodalidade; Simpósio Internacional de Estudos de Gêneros Textuais (SIGET).

___ ¹ Aluna do 4º semestre do curso de Licenciatura em Letras – Inglês (PROBIC/FAPERGS/LABLER/UFSM). E-mail: perlinha_tc@ hotmail.com ² Aluna do 6º semestre do curso de Licenciatura em Letras – Inglês (PIBIC/CNPq/LABLER/UFSM). E-mail: katitasds@yahoo.com.br ³ Orientador: Profa. Dra. Graciela Rabuske Hendges – PPGL/Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: gracielahendges@hotmail. com 26


CADERNO DE RESUMOS

LUCÍOLA E O PERDÃO, DUAS VISÕES DIFERENTES SOBRE A MULHER CORRÊA, Carla Chaves¹; ALÓS, Anselmo Peres² Resumo: Este estudo propõe uma análise comparativa entre os romances Lucíola, de José de Alencar, e O Perdão, de Andradina de Oliveira, enfocando as angústia e aflições femininas com relação à vida, aos costumes, à educação da época neles retratada. Em Lucíola, romance urbano escrito por um homem, que apresenta a sociedade do Rio de Janeiro da metade do século XIX, o autor retrata os medos, angústias, sofrimento de uma cortesã de luxo do Rio de Janeiro, apaixonada por Paulo, um jovem que vai para a Província para conhecer a corte. O grande drama para Lucia é a conduta moral, pois não se julga merecedora do amor, crendo encontrar apenas na morte a purificação de todos os seus pecados. Em O Perdão, romance também urbano, mas de autoria de uma mulher, o tema retratado é o adultério em uma família porto-alegrense do início do século XX, registrando as angústias, os dramas, os amores de uma mulher no Rio Grande do Sul, do qual emergem dúvidas e angústias protagonizadas por Estela, filha primogênita do casal Leonardo e Paula, que vive rodeada pelo luxo e carinho da família e do marido Jorge, até que Armando, sobrinho de seu marido, a seduz através da música, a grande paixão de Estela. Os dois entregam-se a essa paixão e aqui também a morte manifesta-se. Apesar dos traços comuns, muitos aspectos separam e diferem essas obras literárias, além do contexto sócio histórico, que também abordamos em nossa análise. Embora os contextos sejam diferentes, não podemos desvincular os fatos narrados do tempo-espaço que eles representam, bem como atentar para as diferentes vozes que conduzem as narrativas. Referências Biográficas

ALENCAR, José de. Lucíola. Ed Ática. 19. São Paulo. Ed. Ática, 1995. CARVALHAL, Tania. O próprio e o alheio – Ensaio de Literatura Comparada. EDITORA UNISINOS. 2003. OLIVEIRA, Andradina de. O perdão. Ed. mulheres, 2010. Edição comemorativa.

Palavras-chaves: angústias; aceitação; contradições; sofrimento

___ ¹ Autora. Estudante do 4° semestre do curso Letras - Português e Literaturas de Língua Portuguesa (Bacharelado) da UFSM. E-mail: carla.chaves.correa@gmail.com. ² Orientador. Professor da Universidade Federal de Santa Maria. E-mail anselmoperesalos@gmail.com. 27


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

ESCOLHENDO UMA FAP: UM ESTUDO DE FERRAMENTAS DE AUTORIA PARA O PROFESSOR DE LÍNGUAS COSTA, Alan Ricardo¹; BEVILÁQUA, André Firpo²; MACHADO, Jéssica Luzia Souza Stanque³; FIALHO,Vanessa Ribas4 Resumo: O presente trabalho parte de estudos de ensino mediado por computador e Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) aplicadas ao processo de ensino-aprendizagem de línguas. O tema principal é o uso de Ferramentas de Autoria para o Professor (FAPs), que são programas de computador usados para a produção de arquivos digitais, geralmente incluindo texto escrito, imagem, som e vídeo (LEFFA, 2006). De acordo com Soares (2009), com uma FAP, o docente pode criar atividades na forma de exercícios de múltipla escolha, de preenchimento de lacunas, de ordenação de sequências textuais, de associação, etc. A proposta desta pesquisa é justificada pelos benefícios que o uso de FAPs podem trazer ao professor de línguas, seja para a elaboração de atividades online, seja para a elaboração de Objetos de Aprendizagem de Línguas (OAL). Um OAL é um recurso digital com fim educacional embasado no ensino comunicativo de línguas e que tem foco nas necessidades de comunicação do aprendiz (VETROMILLE-CASTRO et. al., 2012). Nesse viés, o grupo de pesquisa “Internet e Ensino de E/LE”, atualmente ocupa-se de estudar o processo de elaboração de OALs para o ensino de Espanhol como Língua Estrangeira (E/LE). A questão que permeia as atividades do referido grupo de pesquisa é a seguinte: se FAPs são ferramentas propícias para a produção de OALs, qual é a melhor FAP para a construção específica de objetos destinados ao ensino e a aprendizagem de E/LE? Assim, o objetivo geral da pesquisa é apresentar um estudo feito com vistas a distinguir diferenças e semelhanças entre alternativas de FAPs. O objetivo específico é apontar, a partir da constatação de aspectos positivos e negativos de cada FAP, qual(quais) é(são) mais válida(s) para a construção de OALs com fins de ensino de espanhol. O processo metodológico seguido para a concretização da investigação considerou uma análise crítica de três FAPs, que constituem o corpus do estudo: (1) Ardora 5, (2) Ensino de Línguas Online (ELO) 6 e (3) Hot Potatoes7 . A análise das três FAPs, efetuada no mês de julho de 2013, se deu por meio da elaboração de diferentes tipos de atividades em cada uma delas e, posteriormente, da avaliação de vantagens e desvantagens do uso de cada uma em particular. Os resultados obtidos foram averiguados em contraste com a revisão de literatura sobre FAPs, a saber: Leffa (2006), Bouzán Matanza e Sazzo (2007) e Fontana e Fialho (no prelo). Os resultados indicam que a ferramenta ELO se sobressai às demais em três aspectos principais: (a) design mais arrojado, moderno e com maior possibilidade de alterações, (b) facilidade de uso e presença de tutoriais explicativos; e (c) possibilidade de utilização de variados tipos de feedback por parte do professor. Além disso, dentre as três, é aquela voltada designadamente para o ensino de línguas. Contudo, ainda que existam tipos de atividades possíveis de serem criadas em todas as FAPs, cada uma das ferramentas apresenta alternativas específicas de atividades, que as demais não comportam, como palavras-cruzadas e/ou caça palavras. Destarte, conclui-se que – em se tratando do uso de FAPs para o ensino de línguas –, o tipo de atividade visada pelo professor é que delimita qual ferramenta deverá ser empregada. Referencial bibliográfico BOUZÁN MATANZA, J. M.; SACCO, A. Actividades realizadas con el software Ardora aplicadas a las NEE. Revista Comunicación y Pedagogía. Núm. 219, 2007. Disponível em: <http://www.antoniosacco.com.ar/docu/actividades_ardora_nee.pdf>. Acesso: 10 set. 2013. FONTANA, M.V. L.; FIALHO,V. R. Ferramentas de autoria para professores (FAPS): entre batatas quentes e outras delícias. (No prelo) LEFFA,V. J. Uma ferramenta de autoria para o professor. O que é e o que faz. Letras de Hoje. vol. 41, n. 144, 2006, p. 189-214. SOARES, D. de A. Objetos de aprendizagem e o ensino de língua inglesa para fins específicos a distância. In: 7º Encontro de Educação e Tecnologias de Informação e Comunicação. Anais... Rio de Janeiro. 2009. p. 01-16. VETROMILLE-CASTRO, R.; MOOR, A. M.; DUARTE, G. B.; SEDREZ, N. H. Objetos de Aprendizagem de Línguas: uma proposta. In: VETROMILLE-CASTRO, R.; HEEMANN, C.; FIALHO, V. R. (Org.). Aprendizagem de Línguas - a Presença na Ausência: CALL, Atividade e Complexidade. Pelotas: Educat. 2012. p.241-256.

Palavras-chave: Ensino de Línguas mediado por Computador; Ferramentas de Autoria para o Professor; Internet; Objetos de Aprendizagem de Língua. ___ ¹ Autor. Aluno do 9º semestre do curso de licenciatura em Letras – Espanhol (UFSM). E-mail: alan.dan.ricardo@gmail.com. ² Coautor. Aluno do 7º semestre do curso de licenciatura em Letras – Espanhol (UFSM). E-mail: andre.firpo@gmail.com. ³ Coautora. Aluna do 3º semestre do curso de licenciatura em Letras – Espanhol (UFSM). E-mail: jessicastanque1992@gmail.com. 4 Orientadora. Professora da Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: vanessafialho@gmail.com. 5 Disponível em: <http://webardora.net/index_cas.htm>. Acesso em: 13 set. 2013. 6 Disponível em: <http://elo.ucpel.tche.br/>. Acesso em: 13 set. 2013. 7 Disponível em: <http://hotpot.uvic.ca/>. Acesso em: 13 set. 2013. 28


CADERNO DE RESUMOS

IDENTIDADE NARRATIVA E ETERNO RETORNO EM BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇAS COSTA,Vítor Hugo dos Reis¹; COSTA, Tatiane dos Reis² Resumo: O presente trabalho visa apresentar uma leitura filosófica do filme Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (2003). Tal leitura tem como aporte teórico as filosofias de Paul Ricoeur (1913 – 2005) e Friedrich Nietzsche (1844 – 1900) a partir das obras O Si-Mesmo Como Um Outro (1990) e A Gaia Ciência (1882). A hipótese central é a de que o filme permite uma visualização privilegiada dos conceitos de identidade narrativa (Ricoeur) e eterno retorno (Nietzsche) através do desenlace do drama dos personagens principais. O enredo do filme apresenta a história de um casal que, ao não conseguir lidar com o sofrimento ocasionado pela turbulência de sua relação amorosa e intersubjetiva, recorre a uma empresa que oferece como serviço o apagamento de trechos específicos e selecionados da memória do cliente. Com esse pequeno recurso à ficção científica e fantástica, o filme permite a visualização do conceito de identidade narrativa tal como formulado por Paul Ricoeur. Para esse, a memória não é o elemento decisivo na definição de uma identidade pessoal, sendo preterido a narrativa em seu papel de articulação da história de uma existência individual. O filme evidencia isso na medida em que a empresa fictícia à qual recorrem os personagens exige de seus clientes a gravação de um registro a partir do qual esses justificam sua escolha pelo esquecimento. Ao se deparar com os registros gravados por si mesmos antes do processo de esquecimento imposto, os personagens demonstram se reconhecer nas narrativas gravadas e esquecidas, a despeito do lapso de memória. O confronto dos personagens com suas identidades narrativas constitui o desenlace do drama e encaminha o filme para seu final através do qual podemos ver os personagens escolhendo, mais uma vez, ficarem juntos. A conclusão do filme pode ser parcialmente lida com o conceito nietzscheano de eterno retorno. Embora seja uma noção polêmica e alvo de inúmeras interpretações, a ideia de eterno retorno aparece em A Gaia Ciência como um convite à realização plena da existência, na medida em que sugere que tudo o que acontece se repetirá infinitamente em um tempo infinito. Um indivíduo humano, assim, não pode ser pensado senão como sendo necessariamente aquele que é: se outros caminhos fossem trilhados, o indivíduo seria outra pessoa. A filosofia de Nietzsche parece indicar que não é admissível sequer conceber outros caminhos possíveis: se fossem confrontados mil vezes com as mesmas circunstâncias, os indivíduos trilhariam sempre os mesmos caminhos. Exatamente como o fazem os personagens que protagonizam o filme: mesmo tendo o que poderia ser considerado um vislumbre de seu futuro, reafirmam o caminho já trilhado e esquecido e decidem vivê-lo mais uma vez. Referências Bibliográficas

NIETZSCHE, Friedrich. A gaia ciência. Tradução de Paulo César Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. RICOEUR, Paul. O si-mesmo como um outro. Trad. Luci Moreira Cesar. Campinas: Papirus, 1991.

Palavras-Chave: Eterno Retorno; Identidade Narrativa, Memória.

___ ¹ Professor da Faculdade Palotina de Santa Maria (FAPAS). Mestre em filosofia pelo Programa de Pós-Graduação em Filosofia (PPGFil) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). ² Acadêmica do curso de Letras – Português (Licenciatura) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). 29


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

REPRESENTAÇÕES PARA AS VÍTIMAS DA TRAGÉDIA NA BOATE KISS EM ARTIGOS DE OPINIÃO CRUZ, Lucas Saldanha da¹; FUZER, Cristiane² Resumo: O presente trabalho, vinculado ao projeto “Gramática Sistêmico-Funcional em língua portuguesa para análise de representações sociais” (FUZER, 2009), objetiva analisar em artigos de opinião as realizações léxico-gramaticais do sistema de transitividade que constroem representações para as vítimas da tragédia ocorrida na boate Kiss, em Santa Maria-RS, em 27 de janeiro de 2013. Esta é uma análise piloto, uma vez que o projeto, que se estenderá até julho de 2014, visa trabalhar com os textos publicados nos seis primeiros meses após a tragédia. Com base na Gramática Sistêmico-Funcional de Halliday & Mathiessen (2004), a partir dos estudos em língua portuguesa de Fuzer & Cabral (2010), são analisadas as estruturas léxico-gramaticais no sistema de transitividade. O corpus para este trabalho constitui-se dos dois primeiros artigos de opinião publicados após a tragédia: “A maior tragédia de nossas vidas”, de Fabrício Carpinejar, publicado em 31/02/2013, no Diário de Santa Maria, e “O lado técnico da tragédia”, de Antonio Maria Claret, publicado em 03/02/2013, na Folha de S. Paulo. O Diário de Santa Maria foi escolhido por representar um veículo de circulação local, e a Folha de S. Paulo, de circulação nacional. Os procedimentos de análise foram: a) identificação dos atores sociais presentes nos dois textos; b) análise do sistema de transitividade e c) identificação de representações para as vítimas nos artigos de opinião. A análise dos textos mostrou que há mais recorrência do ator social vítimas, seguido de familiares. Nota-se que, nesses textos, ainda não há referência aos possíveis culpados, porque o momento era de consternação. Entre os dois textos analisados, é possível afirmar que, no Diário de Santa Maria, há mais ocorrências do ator social vítima, o que se deve, provavelmente, ao contexto de circulação do jornal, que tem alcance local. No jornal Folha de S. Paulo, são abordadas as tragédias em geral, sendo citada a de Santa Maria como uma delas; em vista desse contexto mais abrangente, há apenas uma referência às vítimas da tragédia na Kiss. Pela análise do sistema de transitividade, pode-se constatar que as vítimas são representadas como Comportantes de processos que envolvem, tipicamente, o jovem moderno, como permanecer até tarde em boates e no outro dia “acordar” ao meio-dia. As vítimas fatais também aparecem como Experenciadores de processos mentais cognitivos, como “lembrar” e “entender”, com polaridade negativa, pois não serão mais capazes de lembrar de nada nem entender como estão longe do futuro. Há também ocorrências das funções de Escopo, para representar os jovens que as famílias ainda procuravam naquele momento, indicando a situação de inconformismo com a perda, e de Portador relacionado à circunstância de modo “eternamente no silencioso”, para representar, por eufemismo, a morte dos jovens. Já no artigo de opinião da Folha de S. Paulo, as vítimas da tragédia mais recente numa boate aparecem relacionadas aos jovens de Santa Maria, na função de Identificador. Como o texto aborda também outras tragédias, como a do edifício Joelma, em 1974, as vítimas não se restringem às da boate Kiss. Pode-se concluir que, no primeiro texto da seção de opinião do Diário de Santa Maria após a tragédia, o autor optou por representar especificamente as vítimas do incêndio de Santa Maria, fazendo uso de recursos de linguagem emotiva e literária, pois o dia da publicação era mais próximo ao da tragédia. Outra razão pode ser a proximidade do autor, que é gaúcho, e a consideração sobre os potenciais leitores que teriam acesso ao texto, na região onde a tragédia aconteceu. Na Folha de S. Paulo, apenas é identificado que as vítimas da vez eram as de Santa Maria, pois a data em que o texto foi publicado já é um pouco mais distante da tragédia e a circulação do jornal é nacional, cujo púbico leitor está afastado do local do incêndio. Referências bibliográficas

FUZER, C. Gramática Sistêmico-Funcional da Língua Portuguesa para análise de representações sociais. Projeto de Pesquisa Registro no GAP/ CAL N. 025406. Santa Maria: CAL, UFSM, 2009. ________; CABRAL, S. R. S. Introdução à Gramática Sistêmico-Funcional em língua portuguesa. Santa Maria: UFSM, CAL, DLV, NELP, 2010. HALLIDAY, M. A. K; MATTHIESSEN, C. M. I. C. An introduction to functional grammar. 3th. ed. London: Arnold, 2004.

Palavras-chave: artigo de opinião; Gramática Sistêmico-Funcional; representações; transitividade; vítimas. ___ ¹ Autor. Acadêmico do 8º semestre de Letras Licenciatura Português-UFSM- Bolsista PIBIC/CNPq. E-mail: lucassaldanhacruz@ gmail.com. ² Orientadora. Professora do Departamento de Letras Vernáculas da Universidade Federal de Santa Maria. Coordenadora do projeto. E-mail: cristianefuzer@gmail.com. 30


CADERNO DE RESUMOS

AS ESTRATÉGIAS DISCURSIVAS EM ANÚNCIOS IMPRESSOS DE DIFERENTES ÉPOCAS: UMA EVOLUÇÃO? ECHEVARRIA, Felipe Rodrigues¹; ZILLI, Bruno Ramires²; STURZA, Eliana Rosa ³ Resumo: O presente estudo analisa a evolução do discurso publicitário em anúncios de perfumes femininos dos anos de 1949, 1957, 1961, 1974, 1999, 2009 e 2010. Para analisar estes anúncios é necessário compreender alguns conceitos. O primeiro deles é o conceito de Publicidade e Propaganda, visto que estes dois termos são considerados sinônimos por autores da área de Comunicação Social. Publicidade pode ser vista como um “conjunto de técnicas de ação coletiva utilizadas no sentido de promover o lucro de uma atividade comercial, conquistando, aumentando ou mantendo clientes” (BIGAL, 1999, p. 05). É uma área que está em constante evolução e, no decorrer da história da humanidade, vem passando por diversas transformações.A cada advento de novas formas e usos de tecnologias de informação e comunicação, a Publicidade sente a necessidade de acompanhar, mudar e inovar, refletindo desta forma, aspectos da sociedade e da época na qual está inserida. Já não é mais vista apenas como uma técnica de vender mercadorias, visto que, além dessas, vende também ideias e valores, que são essenciais para o sucesso de um produto ou de uma empresa. Embora muitas vezes seja acusada de iludir e manipular o consumidor e influenciar os costumes da sociedade, segundo autores da área de Comunicação Social, a Publicidade não engana o consumidor; apenas usa argumentos sedutores e persuasivos para fazê-lo se interessar em comprar um produto para o qual ele já tem certa predisposição em adquirir. Estes argumentos sedutores compõem o discurso publicitário, que faz uso da linguagem verbal e não verbal para construir uma mensagem persuasiva que seja capaz de levar o consumidor a aceitar a proposta anunciada. A Publicidade traz reflexos da época na qual está inserida. É importante também compreender o que é um anúncio publicitário.Anúncio publicitário é um gênero discursivo que objetiva promover uma marca, produto, empresa ou ideia. O discurso de um anúncio “é discurso persuasivo, pois, por meio dele, o enunciador se serve para fazer o receptor crer em algo que lhe é apresentado, mudar seus pontos de vista, tomar decisão favorável ao que lhe é dito” (MARTINS, 1997, p. 154). A linguagem usada no anúncio deve ser adequada ao perfil do público ao qual se dirige e também ao meio de comunicação em que será vinculado. Nos anúncios de perfumes femininos que compõem o presente trabalho, são analisadas características do discurso que os compõem, tais como título, assinatura da marca, texto, logotipo, slogan e imagem. São diferenciados os textos racionais e emocionais, a escolha de palavras que compõe o discurso publicitário e sua ligação com a imagem. Aliadas às imagens, formas e cores, as palavras são elementos essenciais na composição de uma mensagem publicitária, pois possuem o poder de atrair os receptores, através de seus enunciados e efeitos de sentido. O texto publicitário também traz reflexos da sociedade na qual está inserido. “O texto publicitário, qualquer que seja a mensagem implícita, é o testemunho de uma sociedade de consumo e conduz a uma representação da cultura a que pertence” (CARVALHO, 2003, p. 106). Optou-se como metodologia a Análise de Conteúdo, que “se refere a um método das ciências humanas e sociais destinado à investigação de fenômenos simbólicos por meio de várias técnicas de pesquisa.” (DUARTE, 2008, p. 280) Desta forma, foi possível notar que nos anúncios impressos de perfumes femininos de diferentes épocas o discurso publicitário pouco evoluiu, pois a maioria dos anúncios analisados mantém o mesmo discurso, ou seja, passar a ideia de sofisticação e status ao público feminino de forma verbal e não verbal. Referências bibliográficas

BIGAL, S. Que é criação publicitária: ou o estético na publicidade. São Paulo: Nobel, 1999. CARVALHO, Nelly de. Publicidade: A linguagem da sedução. São Paulo: Ática, 2003. DUARTE, J. BARROS, A. Organizadores. Métodos e técnicas de pesquisa em comunicação. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2008. MARTINS, Jorge S. Redação publicitária. Teoria e prática. São Paulo: Atlas, 1997.

Palavras-chave: anúncio publicitário; discurso; texto.

___ ¹ Autor. Aluno do 2º período do curso de licenciatura em Letras – Espanhol (UFSM). E-mail: felipe230285@hotmail.com. ² Coautor. Aluno do 7º semestre do curso de licenciatura em Letras – Espanhol (UFSM). E-mail: zillibrunoramires@gmail.com. ³ Orientador. Professora da Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: listurza@gmail.com. 31


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

RUBEM FONSECA: UMA PROPOSTA DE LETRAMENTO LITERÁRIO ECKERLEBEN, Bruna Carolina¹; PAZ, Demétrio Alves² Resumo: O presente trabalho tem como objetivo apresentar uma proposta pedagógica com o uso de textos literários de Rubem Fonseca para o Ensino Médio, a partir da teoria de Letramento Literário proposta por Rildo. O trabalho faz parte do projeto O conto em Língua Portuguesa em sala de aula. Acreditamos que o conto seja a porta de entrada para conquistar novos leitores e introduzi-los ao estudo e à leitura da literatura. Dessa maneira, resolvemos usá-lo como ferramenta para colaborar com a formação de novos leitores. Partimos da perspectiva de que a literatura contemporânea é pouco trabalhada na escola, além disso, há certo preconceito e desconhecimento por parte de alguns professores em ler textos atuais em sala de aula. Uma das principais características da obra de Rubem Fonseca é a violência. Ela não é somente física (agressões, estupros, assassinatos, roubos), mas principalmente verbal: seus personagens dizem palavrões, chocam pelos seus pensamentos e, principalmente, pela linguagem utilizada pelo autor: objetiva, direta e seca, um diferencial e, ao mesmo tempo, um problema para a escola brasileira, muitas vezes ainda ligada a valores morais questionáveis. Nossa perspectiva é mostrar que o autor parte de uma realidade que não queremos e não gostamos de ver para mostrar algumas facetas do ser humano e compreender que a função da arte não é só mostrar o belo e entreter, mas também provocar reflexão por parte do leitor. Partindo da proposta de Rildo Cosson, elaboramos atividades levando em conta as quatro etapas propostas pelo autor: motivação, leitura, interpretação e produção. A motivação serve para introduzir o assunto do texto ao aluno, estabelecendo relações entre a realidade do aluno e a apresentada no conto. As atividades de interpretação têm intuito de ir além de texto e relacioná-lo com o contexto dos alunos, visto que concebemos a linguagem como um processo de constituição do sujeito, assim como vemos a importância da leitura no estabelecimento de relações entre sujeito e o mundo. Em relação à produção textual, ela é extremamente positiva para incentivar não só a leitura, mas também a produção de contos por parte dos alunos. Referências bibliográficas

COSSON, Rildo. Letramento Literário: teoria e prática. São Paulo: Contexto, 2009. FONSECA, Rubem. Contos Reunidos. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. ZILBERMAN, Regina; RÖSING, Tania M. K. Escola e Leitura: velhas crises, novas alternativas. São Paulo: Global, 2009.

Palavras-chave: Conto; Ensino de Literatura; Ensino Médio; Leitura.

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¹ Bolsista de Iniciação Cientifica do projeto O conto em Língua Portuguesa em sala de aula, Universidade Federal da Fronteira Sul ² Professor Adjunto 2, Doutor em Letras, Universidade Federal da Fronteira Sul, Campus Cerro Largo, Orientador do Projeto O Conto em Língua Portuguesa em sala de aula, aprovado no edital 03/2012 – ARD FAPERGS. 32


CADERNO DE RESUMOS

A FORMAÇÃO DA IDENTIDADE NACIONAL, NA OBRA AS AVENTURAS DE NGUNGA, DE PEPETELA ESMERIO, João Alcides Haetinger¹ Resumo: Esta análise tem por objetivo identificar como se dá a formação da identidade nacional na obra As Aventuras de Ngunga, de autoria de Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, conhecido pelo pseudônimo de Pepetela, escritor angolano de ascendência portuguesa. Durante o período de Guerra Colonial, Pepetela lutou juntamente com o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) para libertação de seu povo. Segundo o autor, o romance foi escrito em um fôlego de dez dias, durante o processo de libertação angolano em 1972 e publicado em forma mimeografada no ano seguinte, em plena Floresta do Leste da Angola. Com a finalidade de ser um suporte para a alfabetização dos guerrilheiros na frente de batalha, a obra é composta de 29 pequenos capítulos, que retratam a história de Ngunga, órfão de 13 anos, personagem-símbolo da luta pela independência angolana. Isso pode ser evidenciado através de suas peripécias, de sua caminhada rumo à consciência de si mesmo. Nesse contexto de independência, a figura do personagem é fundamental para se perceber a real situação do povo angolano. Por meio de seus deslocamentos entre um kimbo (povoado) e outro, Ngunga denuncia a corrupção instaurada nos angolanos, a negligência do exército dos colonizados frente ao exército do colonizador. Assim, evidencia-se que a construção da identidade nacional não parte apenas de uma luta entre um colonizado com um colonizador, mas sim de combates internos às velhas mentalidades. No desfecho, em Para terminar, Pepetela dialoga com o leitor, revela que Ngunga pode ser um colega, um amigo, um vizinho, ou até nós mesmos, pois ele representa o sentimento de aceitação, de reconhecimento de si mesmo e do papel que representa para a nação. A partir desse estudo, percebeu-se que a identidade nacional em As Aventuras de Ngunga é formada através do contato do personagem com a sociedade, da sua relação com os outros cidadãos no espaço social da nação emergente. Referências bibliográficas

ALÓS, Anselmo Peres. A literatura comparada neste início de milênio: tendências e perspectivas. Ângulo (FATEA), v. 130, p. 7-12, 2012. ALÓS, Anselmo Peres. Literatura comparada ontem e hoje: campo epistemológico de ansiedades e incertezas. Organon (UFRGS), v. 27, n. 52, p. 17-42, 2012. ALÓS, Anselmo Peres. Uma comunidade imaginada chamada nação. Letras & Letras (UFU), v. 27, n. 2, p. 439-444, 2011. ALÓS, Anselmo Peres. Texto literário, texto cultural, intertextualidade. Revista Virtual de Estudos da Linguagem, ano 4, vol. 6, p. 1-25, 2006. HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Trad. Tomás Tadeu da Silva. 11 Ed. Belo Horizonte: DP&A, 2006. PEPETELA [PESTANA, Artur Carlos Maurício]. As Aventuras de Ngunga. 3 ed. São Paulo: Ática, 1983.

Palavras-chave: identidade nacional; ficção angolana; Ngunga; Pepetela.

___ ¹ Autor. Aluno do IV semestre do curso de Bacharelado em Letras – Português/Literaturas (UFSM). Bolsista Voluntário de Iniciação Científica (PIVIC/UFSM) no projeto Ressonâncias e dissonâncias no romance lusófono contemporâneo, sob a orientação do prof. Dr. Anselmo Peres Alós. E-mail: joaoesmerio@hotmail.com. 33


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

QUALIFICAÇÃO DOS MATERIAIS DIDÁTICOS UTILIZADOS PELO LINC: UMA ABORDAGEM MULTIMODAL FACHIM, Graziela¹; NASCIMENTO, Roseli Gonçalves² Resumo: O presente trabalho integra o projeto guarda-chuva “Gêneros multimodais e produção de material didático para ensino de línguas estrangeiras/adicionais” e contribui para a qualificação do material didático utilizado nos cursos de línguas oferecidos pelo Projeto LinC – Línguas no Campus, desenvolvido pelo LabLeR (Laboratório de Pesquisa e Ensino de Leitura e Redação), que atende a comunidade acadêmica e o entorno da Universidade Federal de Santa Maria. Neste projeto, buscamos oferecer educação linguística compatível com o atual “mundo acelerado, inevitavelmente pragmático e profundamente multimodal” (SELBER, 2010), por meio da qualificação do processo de produção de material didático nos cursos do LinC. Em outras palavras, buscamos atender aos interesses e necessidades dos públicos-alvo e desenvolver letramentos multimodais e digitais. Esse objetivo está pautado na premissa de que os materiais didáticos fazem parte do processo de ensino-aprendizagem, no qual é preciso “avaliar constantemente a necessidade e as possibilidades de complementar ou aprofundar os estudos sobre os tópicos e conteúdos, assim como complementar as práticas pedagógicas” (VILAÇA, 2009). Em um primeiro momento, foi realizado o mapeamento dos objetivos dos públicos-alvo, através de um questionário aplicado no momento da matrícula nos cursos de Línguas oferecidos pelo Projeto – LINC. Com base nos resultados do questionário, detectamos que os alunos buscam os cursos para fins acadêmicos e/ou profissionais, seguido por fins culturais, tais como intercâmbios e/ou viagens. Partindo desses resultados, foi dado início ao desenho de programa, seleção e análise dos textosbase e ao desenho de atividades. Os próximos passos a serem seguidos serão a revisão e edição do material bem como a sua aplicação e avaliação no curso. Como implicações deste trabalho, buscamos a qualificação de ensino dos cursos oferecidos pelo Projeto LinC, implementando a atualização sistemática dos cadernos didáticos em consonância com interesses e necessidades de cada público-alvo e tendências atuais no campo da Linguística Aplicada ao ensino de línguas e desenvolvendo tecnologia e engenharia de exercícios que explorem letramentos multimodais e digitais. Esse projeto de intervenção deverá também contribuir para a formação dos graduandos em Letras ao envolvê-los em processo cíclico de reflexão e prática de ensino. Referências bibliográficas

SELBER, A. S. Rhetorics and Technologies: New directions in Writing and Communication. USA: University of South Carolina Press, 2010. VILAÇA, Márcio Luiz Corrêa. O material didático no ensino de língua estrangeira: definições, modalidades e papéis. Revista Eletrônica do Instituto de Humanidades,Volume VIII, Número XXX Jul-Set 2009.

Palavras-chave: ensino de línguas; material didático; multimodalidade.

___ ¹ Autor. Aluna do 6º semestre do curso de licenciatura em Letras – Inglês (UFSM). E-mail: grazi_f93@hotmail.com ² Orientador. Professora da Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: profaroseli@yahoo.com.br 34


CADERNO DE RESUMOS

HERÓIS OU VILÕES? REPRESENTAÇÕES PARA O AGRICULTOR E A AGRICULTURA EM RELATOS DE AGRICULTORES SOBRE O NOVO CÓDIGO FLORESTAL BRASILEIRO FARENCENA, Gessélda Somavilla¹ Resumo: Neste trabalho, o objetivo foi investigar como o agricultor e a agricultura são representados discursivamente em relatos de agricultores cuja temática é o Novo Código Florestal Brasileiro, disponíveis no site Canal do Produtor. Como suporte teórico-metodológico, foram utilizadas a abordagem tridimensional de análise de discurso, de Fairclough (2001), formas de representação de atores sociais no nível sociossemântico, de van Leeuwen (1997), e categorias do sistema de transitividade, da Gramática Sistêmico-Funcional de Halliday & Matthiessen (2004). A análise partiu da discussão do discurso como prática social, passando à discussão do discurso como prática discursiva e à descrição e análise linguística e de representações. Os dados evidenciaram que, em relação às práticas sociais e discursivas, os relatos produzidos por agricultores, pequenos e médios, expondo sua situação no campo frente às leis ambientais se configuram como uma tentativa de reação a uma ideologia hegemônica, a de que a agricultura, como um todo, é a grande responsável pela destruição da natureza, e de intervenção em um grupo que detém o poder de criar as leis que regem o país, buscando interferir positivamente quanto à aprovação do NCFB junto aos Deputados. No que concerne ao nível textual, as análises léxico-gramatical da transitividade e sociossemântica de atores sociais evidenciaram, por meio da predominância da função de agente de processos materiais desempenhadas pelos itens lexicais referentes ao campo semântico de agricultor e agricultura, representações tradicionais à atividade: criativa, transformativa e produtiva. No processo de construção de representações, os agricultores, na maioria das vezes, não se manifestam discursivamente como indivíduos, o que revela que se autorrepresentam como integrantes de uma categoria. Essa categoria, bem como a prática a ela correspondente, no discurso dos agricultores, é representada de forma contrastiva. Por um lado, ao ativar agricultor, agricultura e seus referentes lexicais principalmente como Ator, a representação explicitada é de produtores de alimentos e promotores do crescimento do país; por outro lado, ao passivá-los, em especial como Meta e Fenômeno, a representação resultante é de injustiçados, prejudicados por diferentes atores sociais, como o Estado (por meio de leis, principalmente o Código Florestal atual), por interesses ocultos e por ambientalistas. Além disso, a análise textual revelou a presença de intertextualidade em alguns momentos dos textos, em que atores sociais são incluídos como agentes de representação. Sob a perspectiva desses atores sociais, referidos por generalização e despersonalização – “todo o pessoal que pensa que o produtor é o maior vilão da história” e “o Estado brasileiro”, respectivamente – agricultor, agricultura e demais referentes lexicais, ao serem ativados como Ator, Identificador e Portador de ações, identificações e características negativas, são representados como criminosos, destruidores da natureza e, em função disso, como passíveis de punições. A partir dessas representações evidenciadas tanto no discurso dos agricultores quanto intertextualmente, é possível inferir, em termos mais amplos, a menção a dois discursos distintos: de um lado, o discurso dos envolvidos e comprometidos com o setor agrícola, defensores do produtor rural, da agricultura e do seu progresso; do outro, de pessoas e entidades desligadas da agricultura que a veem como uma ameaça à vida e ao planeta. Referências bibliográficas

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DA CNA. Potencial de Crescimento da Agropecuária Brasileira. 2011. Disponível em: http://www. ruralnews.com.br/visualiza.php?id=1176. Acesso em 08 fev. 2012. CANAL DO PRODUTOR. Sistema CNA. Disponível em: http://www.canaldoprodutor.com.br/sobre-sistema-cna/sistema-cna. Acesso em 20 jun. 2012. ____. Envie sua história. Disponível em: http://www.canaldoprodutor.com.br/codigoflorestal/envie-sua-historia/todas. Acesso em fev. 2012. DANTAS, T. Como funciona o sistema político brasileiro? 2012. Disponível em: http://www.mundoeducacao.com.br/politica/comofunciona-sistema-politico-brasileiro.htm. Acesso em: 10 dez.2012. FAIRCLOUGH, N. Language and Power. 2 ed. Harlow: Pearson Education, 2001. _____. Analysing Discourse: textual analysis for social research. London: Routledge, 2007. FARIA, C. Agricultura brasileira. In: InfoEscola, 2008. Disponível em: http://www.infoescola.com/agricultura/agricultura-brasileira/. Acesso em: 13 jun. 2012. FUZER, C. Linguagem e representação nos autos de um processo penal: como operadores do direito representam atores sociais em um sistema de gêneros. Santa Maria: UFSM, 2008. Tese (Doutorado em Letras), Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2008. GOUVEIA, C.A.M. Análise Crítica do Discurso: enquadramento histórico. 2000. Disponível em: http://www.scribd.com/doc/7171104/ ___ ¹ Autora. Aluna do 4º semestre do curso de Doutorado em Letras – Estudos Linguísticos (UFSM). 35


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013 Analise-Critica-Do-Discurso. Acesso em: 30 nov. 2010. GUILHOTO, Joaquim, et. al. A importância da agricultura familiar no Brasil e em seus estados. Brasília: NEAD, 2007. G1. Senado aprova Novo Código Florestal: entenda as principais mudanças. Disponível em: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/ noticia/2011/12/senado-aprova-novo-codigo-florestal-entenda-as-principais-mudancas.html (06/12/2011). Acesso em: 08 abr. 2012. ____. Câmara dos Deputados aprova Código Florestal. Disponível em: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/04/camara-dosdeputados-aprova-codigo-florestal.html (25/04/2012). Acesso em: 26 abr. 2012. HALLIDAY, M. Part I. In:HALLIDAY, M.A.K e HASAN, R. Language, context, and text: aspects of language in a social-semiotic perspective. Oxford: Oxford University Press, 1989. HALLIDAY, M.A.K. & MATTHIESSEN, C. An introduction to functional grammar. 3. ed. London: Arnold, 2004. KUNTZ, R. Um debate desértico. In: Observatório da Imprensa, 693., 2012. Disponível em: http://www.observatoriodaimprensa.com. br/news/view/_ed693_um_debate_desertico. Acesso em: 18 out. 2012. MEURER, J.L. Gêneros textuais na análise crítica de Fairclough. In: MEURER, J. L.; BONINI, A.; MOTTA-ROTH, D. (Orgs.) Gêneros: teorias, métodos e debates. São Paulo: Parábola Editorial, 2005, p. 81-106. PAPA, S.M.B.I. Prática pedagógica emancipatória: o professor reflexivo em processo de mudança – Um exercício de Análise Crítica do Discurso. São Carlos: Pedro & João Editores, 2008. RESENDE, V. de M. Análise de discurso crítica: uma perspectiva transdisciplinar entre a lingüística sistêmica funcional e a ciência social crítica. In: INTERNATIONAL SYSTEMIC FUNCTIONAL CONGRESS, 33., 2006, São Paulo. Anais eletrônicos... São Paulo: PUCSP, 2006. P1069-1081. Disponível em: www.pucsp.br/isfc/proceedings/.../53cda_resende_1069a1081.pdf. Acesso em: 25 nov. 2012. SILVA, L.R.de. O discurso da professora: representação e transitividade. In: SIMPÓSIO NACIONAL E INTERNACIONAL DE LETRAS E LINGUÍSTICA, 18.,2009, Uberlândia. Anais eletrônicos... Uberlândia: UFU, 2009. Disponível em: www.ileel.ufu.br/anaisdosilel/pt/ arquivos/gt_lg14_artigo_6.pdf. Acesso em: 05 nov. 2012. SILVA, J.C.L da. A Reforma do Código Florestal do Brasil., 2012. Disponível em: http://www.brasilescola.com/brasil/a-reforma-codigoflorestal-brasil.htm#_methods=onPlusOne%2C_ready%2C_close%2C_open%2C_resizeMe%2C_renderstart%2Concircled%2Co nauth&id=I1_1356652210727&parent=http%3A%2F%2Fwww.brasilescola.com Acesso em: 10 dez 2012. SCARDUELI, M.C.N. A representação da delegacia da mulher para policiais civis da 19ª região policial catarinense. Tubarão: UNISUL, 2006. Dissertação (Mestrado em Letras), Universidade do Sul de Santa Catarina, Tubarão, 2006. SCOTT, M. Programa Word Smith Tools.Versão 5.0. Oxford University Press, 2008. TICKS, L.K. (Re)construção de concepções, práticas pedagógicas e identidades por professoras de inglês pré e em serviço. Santa Maria: UFSM, 2008. Tese (Doutorado em Letras), Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2008. VAN LEEUWEN,T. A representação dos actores sociais. In: PEDRO, E. R. (Org.). Análise Crítica do Discurso. Lisboa: Caminho, 1997. p. 16

Palavras-chave: Abordagem tridimensional de discurso; Agricultor/Agricultura; Representação.

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CADERNO DE RESUMOS

OS ELEMENTOS APOLÍNEO E DIONISÍACO E SEUS DESDOBRAMENTOS NO FILME ANTICRISTO: UMA LEITURA POSSÍVEL¹ FREITAG, Felipe² Resumo: Anticristo (Antichrist em inglês), filme de 2009, do diretor e cineasta dinamarquês Lars von Trier é uma experiência desconfortável aos espectadores, tanto no plano das cenas e imagens, do andamento e da composição narrativa fílmica, quanto no plano das simbolizações que permeiam toda a obra em questão. O filme é dividido em partes, são elas, respectivamente: Prólogo, Luto-Dor (O Caos Reina), Desespero (Feminicídio), Os Três Mendigos e Epílogo. O que se pretende nesse trabalho é construir um itinerário de pares de oposição nas cenas e no discurso do filme Anticristo, mapeando os campos semânticos em suas simbologias contrastivas, numa leitura possível de relações do filme em questão como uma representação das ideias de Nietzsche nas obras O nascimento da tragédia e A visão dionisíaca do mundo, num percurso destacado da duplicidade dos elementos apolíneos e dionisíacos e de seus desdobramentos, bem como das relações entre feminino e masculino, natureza bela e natureza daimônica em Personas Sexuais, de Camille Paglia. O entendimento do filme Anticristo como uma menção, ou como uma celebração do diretor Lars von Trier aos fundamentos de Nietzsche quanto às obras acima mencionadas, advém, num primeiro instante pelo título da obra cinematográfica, o/a qual faz referência à obra O Anticristo, ensaio de uma crítica ao Cristianismo, porém, considera-se que o horizonte de fundamentação do conteúdo do filme de von Trier seja O nascimento da tragédia e A visão dionisíaca do mundo, o que será detalhado na linearidade deste trabalho. Ademais, dos conhecimentos limitados quanto às teorias fílmicas, o que se pode perspectivar é um estudo da semiologia no cinema nas suas motivações conotativas, em simbolizações não arbitrárias, e em simbolizações parciais ao alcance de noções de analogia com códigos culturais específicos, porém não evidentes a todos os espectadores. Em Anticristo, o corpus temático parece ser motivado pelos elementos apolíneos e dionisíacos da obra O nascimento da tragédia, de Nietzsche, portanto, decorrente de designação não arbitrária, constituindo-se como alegoria e não como símbolo. Entretanto, certos aspectos do filme Anticristo permanecem sob a luz do símbolo, uma vez que universais em sua compreensão (o corvo, por exemplo), mas os símbolos utilizados no filme em questão funcionam como elementos primários de uma compreensão metonímica para alegorias que dizem respeito ao apolíneo e ao dionisíaco em Nietzsche, ou seja, tais simbologias funcionam, sob as figuras do corvo, do cervo, da raposa, como referência ao apolíneo e ao dionisíaco. Referencial bibliográfico

METZ, Christian. A significação no cinema. Tradução: Jean-Claude Bernardet. São Paulo: Perspectiva, 2012. NIETZSCHE, Friedrich. O nascimento da tragédia. Tradução: J. Guinsburg. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. NIETZSCHE, Friedrich. A visão dionisíaca do mundo e outros textos de juventude. Tradução: Maria Cristina dos Santos de Souza e Marcos Sinésio Pereira Fernandes. Rio de Janeiro: UERJ, 2001. ROSA, Maria Cecília Amaral de. Dicionário de símbolos: o alfabeto da linguagem interior. São Paulo: Editora Escala, 2009. PAGLIA, Camille. Personas Sexuais: arte e decadência de Nefertite a Emily Dickinson. Tradução: Marcos Santarrita. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. XAVIER, Ismail. A experiência do cinema. Rio de Janeiro: Edições Graal, Embrafilme, 1983. Anticristo.Título original “Antichrist”. (2009). Dinamarca, Alemanha, França. Dir. Lars von Trier.

Palavras-chave: Cinema; Elementos apolíneo e dionisíaco; Masculino e feminino; Pares de oposição;Tragédia.

___ ¹ Trabalho elaborado para a disciplina de Núcleo de Estudos Clássicos, do curso de Letras Português (Licenciatura) da Universidade Federal de Santa Maria, sob orientação do Professor Dr. Enéias Tavares. ² Autor. Graduando do curso de Letras Português (Licenciatura) da Universidade Federal de Santa Maria. 37


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

ATELIÊ DE TEXTOS NA E. E. EB. PROF.ª MARGARIDA LOPES: RELATO DE EXPERIÊNCIA EM PROCESSO GERHARDT, Carla Carine¹; FUZER, Cristiane² Resumo: Este trabalho objetiva relatar experiências no projeto “Ateliê de Textos”, que está em andamento na Escola Estadual de Educação Básica Professora Margarida Lopes, em Santa Maria, RS, com alunos das séries finais do Ensino Fundamental, desde maio de 2013. Esse projeto está vinculado ao projeto de ensino e extensão “Práticas orientadoras no processo de produção e avaliação de textos na perspectiva textualinterativa” (GAP/CAL nº029622) da UFSM, que visa promover e sistematizar procedimentos para conduzir o processo ensino-aprendizagem de leitura e produção de textos produzidos por alunos do ensino básico na perspectiva textual-interativa. Com base na metodologia de trabalho prevista no projeto, foram realizadas as seguintes atividades: (1) estudo de referenciais teóricos sobre processo de escrita na perspectiva textualinterativa (RUIZ 2001), noção de gênero discursivo (BAZERMAN 2006) e estágios de escrita (SOARES 2009); (2) divulgação da oficina Ateliê de Textos na escola e inscrições dos alunos interessados; (3) delimitação do gênero conto maravilhoso e do tema folclore; (4) elaboração da proposta de produção textual; (5) elaboração das três primeiras sequências didáticas com base em Soares (2010), que aborda os elementos da narrativa, e Ribeiro (1970), que contextualiza o folclore brasileiro; (6) condução dos encontros e (7) reflexões sobre as práticas desenvolvidas para planejamento das ações seguintes. O primeiro encontro consistiu na apresentação do Ateliê, do cronograma, na contextualização do folclore, na contação de histórias sobre as personagens Iara e Bicho Papão e na organização de grupos responsáveis pela leitura de histórias sobre as demais personagens folclóricas. No segundo encontro, os alunos leram as histórias do Curupira, Saci, Boitatá, Boi da Cara Preta, Lobisomem e Mula-sem-cabeça. No final desse mesmo encontro, foi apresentado um resumo sobre as partes do texto narrativo. No terceiro encontro, foram revisadas as partes da narrativa por meio de atividades práticas e estudados aspectos dos personagens, também com atividades práticas. Estudos sobre leitores, tipos de narrador, estrutura do diálogo, do tempo e do espaço serão realizadas na sequência da oficina. Com esses procedimentos, antes de produzirem suas próprias histórias, fazendo uma reescrita criativa dos personagens folclóricos, em um conto maravilhoso, os alunos estudam o modo de organização textual desse gênero, além de obterem informações sobre o contexto do folclore brasileiro. Espera-se que, com esses estudos prévios, os alunos-autores fiquem melhor preparados para iniciar o processo de escrita e reescrita de seus contos, que será a segunda etapa do trabalho no Ateliê de Textos. Referências bibliográficas

BAZERMAN, C. Gênero, agência e escrita. Trad. Judith Chambliss Hoffnagel. São Paulo: Cortez, 2006; FUZER, Cristiane. Práticas orientadoras no processo de produção e avaliação de textos na perspectiva textual-interativa. Projeto de ensino e extensão Registro GAP/CAL nº 029622. Santa Maria: CAL, UFSM, 2009; RIBEIRO, José. Brasil no folclore. Rio de Janeiro: Editora Aurora, 1970; RUIZ, E. Como se corrige redação na escola. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2001; SOARES, D.A. Produção textual e revisão textual. Um guia para professores de Português e de Línguas Estrangeiras. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009; SOARES, E. A arte de escrever histórias. São Paulo: Amarilys, 2010.

Palavras-chave: Ateliê de textos; Ensino Fundamental; Folclore; Perspectiva textual-interativa.

___ ¹ Aluna do VI semestre do curso de licenciatura em Letras – Português (UFSM). E-mail: carla.gerhardt@hotmail.com. ² Professora da Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: cristianefuzer@gmail.com. 38


CADERNO DE RESUMOS

LABEON: UM PORTAL EM DESENVOLVIMENTO GOMES, Adilson Fernandes¹; ANSCHAU, Maicon Luiz²; REIS, Susana Cristina dos³ Resumo: Os portais educacionais alavancados pelo advento da Internet têm se configurado em uma importante fonte de informações e serviços, especialmente por apresentarem uma diversidade de temas, organização criteriosa, boa usabilidade e facilidade de localização de conteúdos, por meio de um sistema de busca. Nessa perspectiva, o desenvolvimento de um portal educacional com participantes de um projeto de pesquisa, envolvidos no processo de seleção e elaboração de material didático para os cursos que serão ofertados no portal, torna-se uma atividade que pode contribuir no processo de formação inicial e continuada dos participantes. Assim, esta proposta tem como objetivos a) relatar um estudo sobre a implementação de um website em portal educacional, bem como b) evidenciar as atividades desenvolvidas no processo de mapeamento, seleção e análise de recursos didáticos e tecnológicos utilizados nessa prática inicial. A metodologia utilizada para a implantação do Portal LabEOn está centrada nos estudos de Bottentuit Junior (2009) e Oliveira (2011). Os resultados iniciais apontam que a busca por suporte teórico, o mapeamento, a análise dos recursos didático-tecnológicos, bem como a elaboração de materiais didáticos digitais dos cursos complementam as atividades de formação inicial e ampliam o conhecimento dos integrantes envolvidos em projetos de pesquisa. Dessa maneira, essas atividades auxiliam o professor em pré-serviço e em serviço a estabelecer relações entre teoria e prática, principalmente as atividades que envolvem a produção de material didático para o contexto de ensino a distância. Referências bibliográficas

BOTTENTUIT JUNIOR, J. B., COUTINHO, C. P. Um estudo sobre os portais educacionais disponíveis em língua portuguesa. In: XI Simpósio Internacional de Informática Educativa (Coimbra, Portugal). Actas do XI Simpósio Internacional de Informática Educativa. Coimbra, Portugal, Universidade de Coimbra. 2009. OLIVEIRA, F. M. A investigação do gênero digital portal educacional: uma possibilidade para o ensino e a aprendizagem de língua inglesa. In: VII Congresso Internacional da Abralin (Curitiba, Paraná). Anais VII Congresso Internacional da Abralin. 2011.

Palavras-chave: Desenvolvimento; LabEOn; Portais educacionais; Projeto de pesquisa.

___ ¹ Aluno de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Tecnologias Educacionais em Rede (PPGTER/UFSM). E-mail: adilson. fernandesgomes@gmail.com; ² Aluno do 4º Semestre de Curso de Sistema de Internet (PIVIC/UFSM). E-mail: maicom.anschau@gmail.com; ³ Professora Adjunto 2, Departamento de Letras Estrangeiras Modernas/Núcleo de Tecnologias Educacionais da Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: suzireis@cead.ufsm.br. 39


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

FUNDO DOCUMENTAL: RECONSTRUINDO CAMINHOS, REFLETINDO TRAJETOS QUE CONSTITUEM/CONSTITUÍRAM A LINGUÍSTICA NO SUL GOMES, Tainise Pegoraro¹; MARTINS, Taís da Silva²; SCHERER, Amanda Eloína Resumo: Entender o processo de produção dos sentidos através das relações entre língua e sujeito exige dois movimentos que são necessários para o fazer/atribuir sentidos. O primeiro movimento é pensar na constituição do sujeito, desse “eu” que em uma determinada alocução, constitui distintos efeitos de sentidos sobre o “outro”, sobre um “tu”. O segundo movimento, para a atribuição de sentidos, vem em decorrência da produção do discurso. Este sujeito, produtor discursivo e que é a origem do seu dizer, é afetado pelos processos discursivos. Na perspectiva do indivíduo que se torna sujeito na/pela língua e nela se faz constituirse na história. O projeto o qual faço parte está vinculado ao desenvolvimento de pesquisas a cerca da concepção/reflexão de língua, sujeito e história. Segundo Scherer, os homens não se contentam apenas em falar as línguas, eles sonham com elas e estes sonhos tomam formas diversas na procura de uma quimera, de uma língua de origem, mítica. Na intensa busca de uma homogeneidade, tanto do falar quanto do escrever, o homem acaba por encerrar a língua e/ou a escrita, colocando, deste modo, um espécime de ponto final em algo que é estritamente passível de possibilidades. Reincidimos, então, no conceito de língua imaginária, na utopia de se constituir uma língua homogênea alicerçada em regras, sistematizações de bem falar e de bem escrever. O projeto de pesquisa o qual estou inserida trabalha a partir da perspectiva da História das Ideias Linguísticas e possui entre seus objetivos estudar a difusão das ideias fundadoras nos currículos dos primeiros cursos de Letras instalados no estado; mapear o perfil dos estudos linguísticos na região, considerando seu desenvolvimento histórico e suas tendências presentes. O Fundo Documental Aldema Menine Mckinney (FDAMM), que está sob-responsabilidade do Laboratório Corpus é composto por diversas materialidades entre elas, livros, textos, diários de viagens, relatórios técnico-científicos, dentre outros e encontra-se em fase de organização e implementação. Participar destas atividades, percorrer esse arquivo, tem me permitido refletir sobre a importância da constituição de outros Fundos Documentais. Em consonância com Scherer, Petri e outros, quando estas afirmam que pensar em um fundo documental é abrir a possibilidade de que se reconstruam caminhos já percorridos, ou melhor, trabalhar com Fundos Documentais é colocar em movimento, é possibilitar o acesso, como o movimento de abrir uma porta, é abrir a porta para as ideias, os pensamentos, as projeções e realizações de um pesquisador. E “abrir a porta”, ou melhor, trabalhar com um fundo documental é uma oferta de passagem para diversos caminhos que queiramos trilhar. É reviver, trazer à superfície experiências que alguém já vivenciou e que nós podemos ter acesso e resgatar acontecimentos que constituem e que fazem parte de uma história. Referências bibliográficas

SCHERER, A. E. Língua, sentido e memória e os processos de constituição do sujeito. 2013 (FAPERGS/PROBIC) SCHERER, A. E. Linguística no sul: estudos das ideias e organização da memória. In: GUIMARÃES, E. BRUM-DE-PAULA, M. R. Sentido e memória. Campinas: Pontes, 2005, p.12. SCHERER, A.E. PETRI, V. et.al. Arquivo, memória e acontecimento em uma política de Fundos Documentais. In: Gragoatá. Org. Mariani, B. Medeiros.V. Publicação dos Programas de Pós-Graduação do Instituto de Letras da Universidade Federal Fluminense. — n34, 2013 -. — Niterói: EdUFF, 2013 (no prelo)

Palavras-chave: arquivo; linguística; memória; sul.

___ ¹ Acadêmica do 4º semestre do Curso de Letras – Habilitação Português e Literatura da Universidade Federal de Santa Maria. Bolsista do Programa de Educação Tutorial- PET Letras. E-mail: tainisegomes@hotmail.com. ² Coorientadora do presente trabalho. Pesquisadora do Laboratório de Fontes de Estudos da Linguagem, da Universidade Federal de Santa Maria. ³ Orientadora do presente trabalho. Professora do Departamento de Letras Vernáculas da Universidade Federal de Santa Maria. Coordenadora geral do Laboratório de Fontes de Estudos da Linguagem. 40


CADERNO DE RESUMOS

MORTE DO LEITEIRO, DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE: UMA PROPOSTA DE LEITURA CONSIDERANDO OS CONCEITOS DE FETICHISMO E REIFICAÇÃO JACOBY, Graziela Inês¹; UMBACH, Rosani² Resumo: Este trabalho tem por objetivo analisar o poema Morte do leiteiro, de Carlos Drummond de Andrade, publicado na obra A Rosa do Povo, em 1945. Este livro compõe-se de cinquenta e cinco poemas escritos entre 1943 e 1945, em um contexto marcado pela Segunda Guerra Mundial e, no Brasil, pela ditadura de Getúlio Vargas. Este poema drummondiano assemelha-se a uma narrativa, em que o “narrador/sujeito-lírico” relata os acontecimentos ocorridos com um leiteiro. Ao realizar a entrega do leite, ele é confundido com um ladrão e é assassinado pelo proprietário da residência. No texto, o leiteiro é caracterizado como um trabalhador dinâmico, mas que age de modo rotineiro e automatizado, sem qualquer consciência pessoal das suas ações. Como decorrência, a percepção dos acontecimentos e do universo narrados são dadas, somente, através do narrador. Outro elemento relevante no poema é a personificação de objetos (leite, garrafas, arma). Enquanto os objetos recebem características humanas no texto, o leiteiro é resumido ao seu trabalho. Nesse sentido, pode-se inferir que este personagem sofre o processo de reificação, conforme as formulações conceituais de Marx e Lukács. Em sua obra História e consciência de classe, Lukács (2003) explica que as condições econômicas e sociais do nascimento do capitalismo moderno agem no sentido de substituir as relações humanas em relações racionalmente reificadas. O ser humano torna-se parte da engrenagem da produção, pois tem seu valor medido pelo valor da troca. Dentro da sociedade capitalista, em que a principal característica é a obtenção do lucro, as mercadorias são marcadas pela efemeridade. Assim, os consumidores adquirem os objetos pelo valor de troca e não pelo valor de uso, desencadeando o que Marx (1996) ponderou como fetichização da mercadoria na obra O capital. Nesse sentido, este trabalho propõe uma leitura para o poema Morte do leiteiro abordando questões como reificação, fetichização, alienação, massificação e desumanização a partir de textos de Karl Marx, Georg Lukács e Theodor Adorno. Referências bibliográficas

MARX, Karl. O capital. São Paulo: Abril Cultural, 1983. LUKÁCS, Georg. História e consciência de classe: estudos sobre a dialética marxista. São Paulo: Martins Fontes, 2003. ANDRADE, Carlos Drummond de. A rosa do povo. 16. ed. Rio de Janeiro: Record, 1995.

Palavras-chave: fetichismo; leiteiro; propriedade; reificação.

___ ¹ Autor. Aluna do 1º semestre do curso de Licenciatura em Letras – Espanhol (UFSM). E-mail: grazielajacoby@gmail.com. ² Orientador. Professora da Universidade Federal de Santa Maria. Email: rosani.umbach@gmail.com.

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SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

LETRAMENTO LITERÁRIO EM SALA DE AULA: UMA PROPOSTA DE SEQUÊNCIA BÁSICA COM O CONTO RELATO DE OCORRÊNCIA KRONBAUER, Elis Matte¹; COLETTO, Stéphany Ferreira²; PAZ, Demétrio Alves³ Resumo: Este trabalho tem por objetivo apresentar uma proposta de sequência básica a ser aplicada nos sextos anos de uma escola estadual de Cerro Largo, RS, com o conto Relato de Ocorrência, do autor brasileiro Rubem Fonseca. Esta sequência básica é baseada na proposta de Letramento Literário de Rildo Cosson. Ao trabalhar com ela, temos como objetivos incentivar o gosto dos alunos pela leitura e aprofundar a interpretação do texto literário. Além disso, segundo Cosson, a utilização da sequência básica é uma forma de sistematizar o trabalho com o material literário em sala de aula. Esta proposta de Letramento Literário apresenta quatro etapas, denominadas “motivação”, “introdução”, “leitura” e “interpretação” e será aplicada por bolsistas do Pibid da primeira e terceira fase do curso de licenciatura em Letras. Na primeira etapa da sequência, em que se faz uma atividade para motivar os alunos a lerem o conto, pretendemos fazer questionamentos orais aos mesmos, perguntando, por exemplo, sobre as coisas que podem ser encontradas durante uma viagem. Em seguida, na introdução, apresentaremos o autor do conto Relato de Ocorrênciae o livro em que ele se encontra. Na etapa que se denomina leitura, os alunos farão a leitura do conto, duas vezes, oralmente e alternadamente. Se for necessário, uma das bolsistas também fará a leitura oral do conto; procuramos fazer a leitura do texto mais de uma vez para assegurar a interpretação por parte dos alunos, e o conto, por não se tratar, geralmente, de uma narrativa longa, permite a repetição da leitura em aula com os alunos. Na última etapa da sequência, para interpretação do conto, serão feitos questionamentos orais e escritos. Como proposta de produção escrita sobre o conto, os alunos farão uma manchete de jornal sobre os fatos descritos na narrativa ficcional Relato de Ocorrência. Os resultados esperados para esta proposta de sequência básica são que os alunos façam uma leitura crítica do conto e compreendam o texto. Referências bibliográficas

COSSON, Rildo. Letramento Literário: Teoria e Prática. 2ª ed. São Paulo: Contexto, 2011 FONSECA, Rubem. Contos reunidos. São Paulo: Cia. das Letras, 1994

Palavras-chave: conto; leitura; letramento literário; Relato de Ocorrência.

___ ¹ Autora. Aluna do 2º semestre do curso de licenciatura em Letras – Português e Espanhol (UFFS Campus Cerro Largo). E-mail: elis_elll@hotmail.com ² Coautora. Aluna do 4º semestre do curso de licenciatura em Letras – Português e Espanhol (UFFS Campus Cerro Largo). E-mail: stephanycoletto@hotmail.com ³ Orientador. Professor da Universidade Federal da Fronteira Sul, Campus Cerro Largo. E-mail: demetrio.paz@uffs.edu.br 42


CADERNO DE RESUMOS

MOACYR SCLIAR EM SALA DE AULA DE LITERATURA KUTTI, Fernanda Taisi Trentin¹; PAZ, Demétrio Alves² Resumo: O presente trabalho tem como objetivo apresentar uma proposta pedagógica com o uso de textos literários de Moacyr Scliar para o Ensino Fundamental. Partimos da perspectiva de que a leitura de bons textos, com valor estético, contribui para o estabelecimento de relações entre o sujeito e o mundo. Igualmente, concebemos a linguagem e a leitura como processos de constituição do sujeito. Dessa forma, a literatura desempenha um papel importante na reflexão de como os sujeitos agem com o mundo circundante. A partir disso, a leitura de textos literários em sala de aula auxiliará tanto professores quanto alunos a explorarem a riqueza de nossa língua, assim como as diferentes visões de mundo que há nos textos. Além disso, a riqueza lexical, a criatividade no uso da língua e a visão social apresentadas nos contos auxiliam para o debate acerca do ser humano e do uso da linguagem como instrumento de comunicação e ligação entre os sujeitos. O projeto de extensão "O conto em língua portuguesa em sala de aula " foi elaborado para contribuir com a mudança da triste realidade deste momento da literatura na educação. Nos contos, encontramos uma parcela da solução, visto que eles possuem uma junção de fatores que contribuem fortemente na formação de leitores. A partir do estabelecimento das metas, realizaram-se consideráveis leituras a respeito da história do conto e de teorias acerca dele . Logo após foram selecionados os contos e os autores em comunhão com os objetivos e temas contidos nos Parâmetros Curriculares Nacionais. Dentre grandes nomes da literatura, Moacyr Scliar se destacou para realizar a aplicação do projeto , tanto pelos temas abordados nos contos como pela linguagem utilizada, ambos adequados para o Ensino Fundamental. O trabalho foi realizado a partir de alguns contos do autor. Foram construídas atividades sobre tais contos de acordo com a proposta pedagógica sugerida por Rildo Cosson (2011) em sua obra Letramento Literário, para trabalhar a literatura em sala de aula: motivação, introdução, leitura e interpretação. Palavras chave: Conto, Ensino de Literatura e Moacyr Scliar.

___ ¹ Autora. Aluna da UFFS (Campus Cerro Largo) ² Orientador. Professor da Universidade Federal da Fronteira Sul, Campus Cerro Largo. E-mail: demetrio.paz@uffs.edu.br 43


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

ENTRE A LITERATURA E A HISTÓRIA: O BRASIL MODERNO E A FICÇÃO DO SÉCULO XX LARA,Vanessa Castro de¹; GUERRA, Guilherme Bizzi² Resumo: Este trabalho, em fase inicial, integra o projeto “Literatura, memória e realidade: tensões do Brasil moderno na ficção do século XX”, sob orientação do Prof. Dr. Pedro Brum Santos. Propomos a averiguação da ficção histórica indagando sobre suas raízes no século XIX e examinando seu desenvolvimento no Brasil. Planejamos caracterizar e apontar a posição que o gênero ocupa na construção da identidade brasileira tal como se revela para os ficcionistas afirmados a partir da década de 1930. Nessa fase do trabalho, pretende-se analisar, comparar e interpretar pelo viés do realismo, da memória, do romance social e histórico, a produção ficcional dos anos 30, 40 e 50 do século XX, buscando compreendê-la à luz das transformações sociais vividas na época, o trabalho também visa zelar os dados para não conceber os fatos literários como resultantes diretos de condicionantes históricos e sociais. Os primeiros estudos desenvolveram-se a partir da leitura e discussão de textos dos autores Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freire e Paulo Prado na tentativa de identificar as principais ideias que moviam o pensamento da nação brasileira nas suas raízes, além de detectálas nas obras de ficção do período já referido. A produção literária, é oportuno lembrar, origina-se de uma energia criativa, de tal maneira que a explicação de seus produtos deve ser buscada, antes de mais nada, neles mesmos. No entanto, na medida em que toda a criação possui uma localização espacial e temporal – e essas marcas são particularmente sensíveis na prosa de ficção – as ligações com a vida social tornam-se lídimas, de modo que se considera legítimo estudar a correspondência e a interação entre ambas – literatura e sociedade. As atividades propostas envolvem o levantamento, a organização, a reedição e a difusão de textos literários, memorialistas e informativos cuja temática e estruturação indiquem seu claro interesse de melhor entender – e difundir – aspectos relevantes da cultura brasileira. Referências bibliográficas

CANDIDO, Antonio. Literatura e sociedade. São Paulo: Nacional, 1985. FREYRE, Gilberto. Casa grande e senzala. Rio de Janeiro: José Olympio, 1982. HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. 26. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. PRADO, Paulo. Retrato do Brasil: ensaio sobre a tristeza brasileira. 8ª ed. – São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

Palavras-chave: Cultura; História; Identidade; Literatura.

___ ¹ Autora.Acadêmica do 8º semestre do Curso de Letras – Português e Literaturas de Língua Portuguesa da Universidade Federal de Santa Maria. Bolsista do projeto Literatura, memória e realidade: tensões do Brasil moderno na ficção do século XX, sob orientação do Prof. Dr. Pedro Brum Santos. E-mail: vcdelara@gmail.com ² Coautor. Acadêmico do 6º semestre do Curso de Letras – Português e Literaturas de Língua Portuguesa da Universidade Federal de Santa Maria. Bolsista do projeto Literatura, memória e realidade: tensões do Brasil moderno na ficção do século XX, sob orientação do Prof. Dr. Pedro Brum Santos. E-mail: gguerraletras@gmail.com 44


CADERNO DE RESUMOS

FLUÊNCIA E LETRAMENTO DIGITAL DE PROFESSORES EM FORMAÇÃO CONTINUADA NO PORTAL WEBENGLISH LINCK, Anderson José Machado¹; GOMES, Adilson Fernandes²; REIS, Susana Cristina dos³ Resumo: A formação profissional docente deve ser um processo em constante atualização, tendo em vista que as abordagens de ensino e de aprendizagem são dinâmicas e mantêm-se em um contínuo sistema evolutivo. Aliado a isso, a expansão das tecnologias tem exigido de professores em serviço novos letramentos, principalmente quando esses letramentos envolvem o contexto digital. As atividades no contexto digital exigem dos professores em serviço tanto fluência tecnológica quanto letramento digital para dar conta da geração de nativos digitais (PRENSKY, 2001) que já vem para escola com certa prática para o desenvolvimento de atividades no ciberespaço. Com isso, este estudo tem como objetivo relatar a experiência vivenciada pelos professores em formação inicial no desempenho da função de tutor do Curso de Fluência tecnológica e letramento digital em língua inglesa junto ao Portal WebEnglish - Projeto institucional de formação continuada de professores de inglês como língua estrangeira/adicional. No desempenho dessa função, procuramos analisar, mediante questionário semi-estruturado, os professores em serviço que são os participantes do curso, procurando evidenciar qual o domínio tecnológico existente, as expectativas, os interesses e necessidades dos participantes do curso. Esse questionamento foi essencial para traçar o perfil dos professores, bem como para o planejamento e desenvolvimento do material didático digital (REIS; GOMES; LINCK, 2012) a ser aplicado com esses participantes. As atividades elaboradas e as tecnologias utilizadas nas propostas aplicadas no curso visavam potencializar práticas sociais e discursivas realizáveis no ciberespaço, tais como: a escrita de biodatas e de perfis para ambientes virtuais, bem como a produção de narrativas digitais. Os resultados das atividades propostas no curso apontam que houve apropriação do uso das tecnologias exploradas no curso pelos participantes, e também indicam resultado positivo quanto ao engajamento e o suporte oferecido pelos tutores para orientar e auxiliar os participantes do Projeto. Referências bibliográficas

PRENSKY, M. Digital natives, digital immigrants. On the Horizon, MCB University Press, v. 9, n. 5, October 2001. REIS, S. C.; GOMES, A. F.; LINCK, A. J. M. Uso de podcast no ensino de Língua Inglesa: um estudo de caso. Revista Escrita, n. 15, p. 1-18, 2012.

Palavras-chave: Curso de Fluência tecnológica e letramento digital; Portal WebEnglish; Relato de experiência.

___ ¹ Aluno de 6º semestre do Curso de Letras - Licenciatura - Habilitação em Inglês e Literatura da Língua Inglesa (PIVIC/UFSM). E-mail: anderson.linck2012@gmail.com; ² Aluno de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Tecnologias Educacionais em Rede (PPGTER/UFSM). E-mail: adilson. fernandesgomes@gmail.com; ³ Professora Adjunto 2, Departamento de Letras Estrangeiras Modernas/Núcleo de Tecnologias Educacionais da Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: suzireis@cead.ufsm.br. 45


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

TRABALHANDO COM O CONTO O COLAR EM SALA DE AULA: UMA PROPOSTA DE SEQUÊNCIA BÁSICA COM LETRAMENTO LITERÁRIO MACHADO, Fernanda Kreuz¹; ANGST, Carine Maria²; PAZ, Demétrio Alves³ Resumo: Se quisermos formar leitores capazes de experienciar toda a força humanizadora da literatura, não basta apenas ler (COSSON, 2009). Em razão disso, este trabalho tem por objetivo apresentar uma proposta de sequência básica a ser aplicada nas sextas séries da Escola Estadual de Ensino Fundamental Padre Traezel, que foi contemplada com o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID). Nessa proposta, trabalharemos com o conto O Colar de Guy de Maupassant baseando-nos na proposta de Letramento Literário de Rildo Cosson, que apresenta quatro passos, denominadas “motivação”, “introdução”, “leitura” e “interpretação”. Com isso, objetiva-se ir muito além da mera leitura do texto literário com os alunos, incentivando-os a criar o gosto pela leitura. Na primeira etapa da sequência, realizaremos uma atividade para motivar os alunos a lerem o conto, fazendo questionamentos orais relacionados com a história que irão ler. Nesse caso, perguntaremos, por exemplo, se os alunos costumam emprestar objetos aos seus amigos e o que eles fariam se perdessem um objeto que eles tivessem emprestado. Na segunda etapa, denominada introdução, apresentaremos o autor do conto O Colar e o livro em que se encontra esse conto, para que os alunos possam ter contato físico com a obra, além de ter um pequeno conhecimento sobre a vida do autor. Na terceira etapa denominada leitura, os alunos farão a leitura do conto, duas vezes, uma individualmente, outra oralmente e alternadamente para melhor entendimento e aprofundamento do texto. Na última etapa da sequência - para interpretação do conto, serão feitos questionamentos orais e escritos. Como proposta de produção escrita, os alunos continuarão a história do casal Loisel, descrevendo a reação que teve Matilde ao saber que o colar era falso. Essas oficinas têm em vista o incentivo à leitura de textos literários, assim como melhorar a escrita e a interpretação dos alunos da escola básica. Referências bibliográficas

COSSON, Rildo. Letramento Literário: teoria e prática. 1. ed. São Paulo: Contexto, 2009. MAUPASSANT, Guy. O Colar. Disponível em: < http://pbondaczuk.blogspot.com.br/2009/04/o-colar-por-guy-de-maupassant-erauma.html>. Acesso em: 14 Jun. 2013.

Palavras-chave: conto; leitura; Letramento Literário; “O colar”.

___ ¹ Acadêmica do Curso de Letras da Universidade Federal da Fronteira Sul, campus Cerro Largo. Bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID). E-mail: fer_kreuz@hotmail.com ² Acadêmica do Curso de Letras da Universidade Federal da Fronteira Sul, campus Cerro Largo. Bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID). E-mail: carine.angst@gmail.com ³ Professor Adjunto 2 de Teoria da Literatura e Literaturas de Língua Portuguesa na Universidade Federal da Fronteira Sul, campus Cerro Largo. E-mail: demetrio.paz@uffs.edu.br 46


CADERNO DE RESUMOS

O DISCURSO PUBLICITÁRIO DA CERVEJA POLAR

MAIA, Aline Pivetta¹

Resumo: As estratégias empreendidas pelo campo da Comunicação em seus discursos midiáticos passam por constantes transformações através dos tempos, e buscam permanente diferenciação frente aos públicosalvo. O discurso publicitário deve sempre apresentar informações relevantes ao público-alvo, referenciando o seu repertório sociocultural, gerando interesse e motivando-o à compra. Numa busca por consumidores, as principais estratégias para enfrentar os desafios do mercado, segundo Silva (2003), são a concentração de mercado, o marketing de segmentação e a consolidação da marca. Para criarem-se campanhas publicitárias eficientes é necessário adicionar empenho criativo e competência na elaboração de apelos, conceitos e posicionamentos publicitários diferenciados. Este é o caso da anunciante Polar, uma marca de cerveja que se posiciona como única, exclusiva e legitimamente gaúcha e, ao mesmo tempo, um patrimônio e um privilégio dos sul-rio-grandenses. Para Paulin (2009), o orgulho que os gaúchos têm de sua terra e de suas tradições vai além do aspecto folclórico, o que é refletivo também na preferência de consumo, por produtos nativos e de empresas locais. O apelo publicitário da marca Polar pode ter seu sucesso relacionado justamente ao culto do orgulho em ser gaúcho pelos sul-rio-grandenses, do suposto grande apego às tradições gaúchas pelos indivíduos nascidos no Rio Grande do Sul. Para Mariante (1976), desde muito tempo o gaúcho cultua suas tradições, valorizando seu passado através do tradicionalismo, por exemplo, que inspira o modo de agir, pensar, ser e sentir dos sul-rio-grandenses. A temática do estudo relaciona-se à investigação do discurso publicitário da marca de cerveja Polar Export, procurando compreender como se dá a relação deste com a cultura regional gaúcha e, portanto, com os consumidores gaúchos. Através de uma análise de discurso sobre o corpus selecionado, buscou-se identificar o perfil do gaúcho representado no discurso da cerveja Polar. Para tanto, definiu-se como parâmetro de análise a representação do gaúcho instituída pelo MTG (Movimento Tradicionalista Gaúcho), com base na qual recorrentemente se amparam tanto as representações elaboradas pela opinião pública, quanto pelas produções das indústrias culturais – a exemplo da publicidade – e até mesmo pelos discursos do poder público. Foram investigadas características culturais comumente associadas à identidade cultural gaúcha (valores, símbolos, atributos físicos e psicológicos, costumes, sotaque, hábitos, indumentárias e objetos típicos, por exemplo); identificadas características da cultura gaúcha mais evidentes no discurso publicitário de Polar, enfatizadas na dupla de personagens protagonistas de suas campanhas – os dois garotos ou “guris”- propaganda de Polar e identificados os aspectos de representação do gaúcho instituído pelo MTG. Referências bibliográficas

MARIANTE, Hélio Moro. História do tradicionalismo sul-rio-grandense. Porto Alegre: IGTF, 1976. PAULIN, Igor. O marketing da bombacha: para uma empresa fazer sucesso no Rio Grande do Sul, ela tem de ser gaúcha ou, pelo menos, parecer gaúcha. [Editorial]. Revista Veja, edição 2099, n° 4, fev, 2009. SILVA, Christian Luiz da. Indústria cervejeira: um mercado em constante transformação. FAE Business, Curitiba, n° 6, agosto de 2003.

Palavras-chave: Cerveja Polar; Discurso publicitário; Identidades.

___ ¹ Aluna do 3º semestre do curso de Licenciatura em Letras-Espanhol (UFSM). E-mail: alinepivetta@gmail.com 47


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

REPRESENTACÃO DE PADRE VIEIRA COMO “JUDAS DO BRASIL” ATRAVÉS DOS OLHOS DE JOÃO FRANCISCO LISBOA MALHEIROS, Roseli¹; DE MARTINI, Marcus² Resumo: O objetivo deste trabalho é apresentar as primeiras observações do projeto de pesquisa “Representações Literárias dos Séculos XVI-XVIII”, coordenado pelo Professor Dr. Marcus De Martini.A partir de um corpus que abarca as obras de Padre Antônio Vieira (1608-97), bem como estudos críticos e biográficos, busca-se analisar as representações de Padre Antônio Vieira através dos tempos, mais especificamente, no caso deste trabalho, no século XIX. Neste primeiro momento, o estudo centra-se em analisar a biografia Vida do Padre Antônio Vieira (1864), escrita pelo brasileiro João Francisco Lisboa (1812-63) que foi jornalista, crítico, historiador, orador e político, e que, em 1855, partiu para Lisboa, incumbido, pelo Governo Imperial, de reunir, em Portugal, documentos e dados elucidativos da história brasileira. Nessa viagem, pesquisou sobre a vida do Padre Antônio Vieira e escreveu sua biografia, primeira de autor brasileiro (VAINFAS, 2011, p. 314). Segundo o crítico literário Alcir Pécora (2008, p. 42), Francisco Lisboa foi responsável por propagar a imagem de Padre Vieira como “Judas do Brasil”, ou seja, um traidor por ter participado nas negociações que propunham, a fim de selar a paz com os holandeses, ceder Pernambuco à Holanda. Para comprovar isso, Pécora (2008), em uma nota de rodapé, em Teatro do Sacramento, cita o seguinte trecho da biografia feita por Francisco Lisboa: “Estas longas Negociações diplomáticas, tractadas até então com summo segredo, mas enfim aventadas, produziram no público a mais pura indignação. Não havia classe ou cidadão que não clamasse contra a cobardia ou traição com que se entregavam à Holanda tão magníficos domínios, ...” (LISBOA, 1874, p. 86). Dessa forma, através da análise da obra Vida de Padre Vieira, especialmente a parte que trata deste episódio das negociações em que esteve envolvido, pretende-se analisar a biografia como um todo, a fim de averiguar se a perspectiva de Lisboa é realmente depreciativa quanto a Vieira ou se a crítica do jesuíta como “Judas do Brasil” é apenas pontual, não descaracterizando o tom encomiástico de suas primeiras biografias. Referências bibliográficas

LISBOA, João Francisco. Vida do Padre Antonio Vieira. Rio de janeiro: Tipografia cinco de março, 1974. PÈCORA, Alcir. Teatro do Sacramento: a unidade teológico-retorico-política dos sermões de Padre Antonio Vieira. 2 ed. Campinas, SP: Editora da USP, 2008. VAINFAS, Ronaldo. Antônio Vieira: jesuíta do Rei. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

Palavras chaves: Padre Antônio Vieira; João Francisco Lisboa; “Judas do Brasil”.

___ ¹ Autora. Aluna do 5° semestre do Curso de Letras – Bacharelado da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Integrante do projeto de pesquisa Representações Literárias dos Séculos XVI-XVIII, sob orientação do Professor Dr. Marcus De Martini. roselimalheiros@gmail.com ² Orientador. Professor da Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: marcusdemartini@gmail.com 48


CADERNO DE RESUMOS

TRAJETO DE PESQUISA: REDESCOBRINDO A LINGUÍSTICA MARQUES, Luzianara Lourenço¹; MARTINS, Taís da Silva²; SCHERER, Amanda Eloina³ Resumo: Nesta comunicação objetivamos apresentar os trajetos de pesquisa que estamos percorrendo junto ao projeto intitulado História das Ideias Linguísticas Digitalização do projeto Memória, Sociedade e Ensino: o professor de Francês como sujeito produtor de história, de autoria da professora Dra. Amanda Scherer, sob a coorientação da professora Dra. Taís Martins. Tal projeto objetiva “Constituir a memória histórica disciplinar contemporânea e sua relação com a construção do conhecimento para o profissional de letras no sul;” “Identificar as tendências e opções teóricas de pesquisadores rio-grandenses”. (SCHERER, A., 2005, p. 12). Entre as ações que desenvolvemos, destacamos a transcrição da entrevista realizada com o importante linguista brasileiro, especialista em línguas indígenas, Aryon Rodrigues, que será publicada ainda este ano na Coleção Fragmentum. Outro trabalho a que temos nos dedicado diz respeito à organização do Fundo Documental Aldema Menine Mckinney (FDAMM), que, embora ainda esteja em fase de organização e catalogação, já vem suscitando alguns questionamentos e debates em nosso grupo de estudos, pois durante este primeiro contato que estamos tentando com o arquivo para fazer uma primeira organização e também a partir da transcrição que redigimos da entrevista a professora que dá nome a este Fundo Documental, começamos a conhecer uma parte da história da linguística que era feita no inicio da década de 80 aqui no Sul, mais especificadamente em Santa Maria, que ao mesmo tempo em que trazia elementos que remetem à política linguística nacional, também trazem à tona a contribuição de professores pesquisadores da UFSM para esta mesma cena. Cabe salientar que ao percorrermos diferentes trajetos dentro deste projeto, temos tido a possibilidade de refletir sobre a constituição da linguística no Sul, seus desdobramentos e suas possíveis repercussões no contexto nacional, bem como compreendermos o processo de institucionalização/ disciplinarização da linguística no Brasil. Referências bibliográficas

SCHERER, A.E. Língua, sentido e memória e os processos de constituição do sujeito, 2013 (FAPERGS/ PROBIC) SCHERER, A. E. Linguística no Sul: estudos das ideias e organização da memória. In: GUIMARÃES, E. BRUM- DE –PAULA, M.R. Sentido e memória. Campinas: Pontes, 2005.

Palavras-chave: Arquivo, Disciplinarização, História das Ideias Linguísticas; Institucionalização; Linguística; Memória.

___ ¹ Acadêmica do IV semestre do Curso de Letras licenciatura de Português e Literaturas da Língua Portuguesa da Universidade Federal de Santa Maria, Bolsista do Programa PETLETRAS. ² Coorientadora do presente trabalho. Pesquisadora do Laboratório de Fontes de Estudos da Linguagem da Universidade Federal de Santa Maria. ³ Orientadora do presente trabalho. Professora do Departamento de Letras Vernáculas da Universidade Federal de Santa Maria. Coordenadora Geral do Laboratório de Fontes de Estudos da linguagem. 49


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

A MULTIMODALIDADE NA ESCOLA: UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA MARQUES, Marciele¹; STEFANELLO, Claridiane de Camargo²; PINTON, Francieli Matzenbacher³ Resumo: Este resumo tem por objetivo apresentar o projeto de extensão “Práticas de linguagem na educação básica”, bem como refletir criticamente sobre uma das oficinas ministradas que teve como tópico “Análise crítica do gênero capa de revista”. As oficinas são ministradas aos alunos do 3º ano do Ensino Médio, de uma escola pública da rede estadual de ensino do Rio Grande do Sul. O grupo é constituído por duas ministrantes do curso de Letras Português e Espanhol – Licenciatura e treze alunos da educação básica. O encontro é realizado semanalmente à tarde no turno inverso ao período regular das aulas ofertadas. A metodologia adotada enfoca a ação-reflexão sobre ação, permitindo às professoras em formação, juntamente com a orientadora, a possibilidade de rever criticamente sua prática de ensino de linguagem, buscando estabelecer relações entre a teoria e a prática docente. A oficina, objeto de análise neste trabalho, teve como proposta desenvolver a capacidade dos alunos de analisar criticamente o gênero multimodal: capa de revista. Por textos multimodais (DIONÍSIO e VASCONCELOS, 2013) entendemos aqueles que são constituídos por uma combinação de recursos de escrita, som, imagens, gestos, movimentos e expressões faciais. Em razão disso, os procedimentos de análise gênero capa enfocaram: i) reconhecimento do funcionamento textual e discursivo da revista Superinteressante, em termos de contexto de produção, circulação e consumo; ii) análise das semioses constituintes do gênero capa de revista e das relações estabelecidas entre cada uma delas; iii) análise das marcas linguísticas; iv) identificação do tema e do propósito comunicativo do gênero em questão e, por fim; v) análise do discurso presente na capa da revista. Esta oficina teve a função de desenvolver a formação crítica dos estudantes do ensino médio em relação aos gêneros multimodais recorrentes em seu cotidiano. Além disso, o projeto tem contribuído de maneira significativa inserindo as licenciandas em uma situação real do ensino de língua materna, possibilitando a formação de um professor reflexivo-crítico. Referências bibliográficas

DIONÍSIO, A. P.; VASCONCELOS, L. J. Multimodalidade, gênero textual e leitura. In: BUNZEN, C.; MENDONÇA, M. Múltiplas Linguagens para o Ensino Médio. São Paulo. Parábola Editorial, 2013. REVISTA SUPER INTERESSANTE. São Paulo: Abril, 2013.

Palavras chave: ensino; gêneros do discurso; multimodalidade

___ ¹ Autora. Aluna da 8ª fase do curso de Licenciatura em Letras Português e Espanhol (UFFS). E-mail: marcielemarques@hotmail.com ² Co-autora. Aluna da 6ª fase do curso de Licenciatura em Letras Português e Espanhol (UFFS). E-mail: claridiane_camargo@ hotmail.com ³ Orientadora. Professora Adjunta I, Doutora, Universidade Federal da Fronteira Sul. E-mail: francielimp@uffs.edu.br 50


CADERNO DE RESUMOS

A CASA ASSASSINADA NO ESPELHO: UM OLHAR SOBRE LÚCIO CARDOSO¹ MATOS, Xênia Amaral²; FELIPPE, Renata Farias de³ Resumo: O romance Crônica da casa assassinada, de Lúcio Cardoso (1912-1968), foi publicado pela primeira vez em 1959. Possui como cenário uma cidade mineira fictícia chamada Vila Velha, que se torna palco para a história da família Meneses. Essa história é a da decadência da família patriarcal mineira, não somente no âmbito financeiro, mas também no que remete à unidade familiar e aos seus valores. A obra possui como principais personagens Nina,Ana,André e os Meneses (Valdo,Timóteo e Demétrio). Nina, a esposa de Valdo, poderia representar esperança para essa família que precisava de descendentes, tornase um corpo estranho, mal visto e catalisador de um processo de destruição. A personagem transforma-se, assim, em um elemento estrangeiro que termina de destruir uma família que já se encontrava em declínio.Além disso, Nina não se “enquadra” nos valores patriarcais que a casa carrega, mesmo que ela e a casa desenvolvam uma forte ligação na qual uma parece refletir o estado da outra. Entretanto, Nina não complementa a casa de modo positivo, ela vem a ser a antagonista da casa. Nesse sentido, Nina representa o novo, uma estrangeira que surge para romper com os vínculos que sustentavam essa família.A relação Nina/casa transforma essa construção em algo vivo, humanizado e também em uma sinédoque da própria personagem. Nina, assim como a casa, carrega um prestígio romântico, um ar de glória e sedução; simultaneamente, carrega um pouco de decadência e é afetada pela corrosão do tempo. Nina também instaura a subversão à ordem dentro de um ambiente ‘fossilizado’. Essa movimentação abre chance para que se inicie o processo de aniquilação, o qual termina com a morte da personagem, da casa e da própria família patriarcal. Este trabalho é uma análise inicial da relação da personagem Nina com a casa, levando em conta como essa relação está conectada com a destruição da unidade familiar. Nessa análise, também será considerado como essa relação humaniza a casa.Ainda, pretende-se analisar como Nina se torna um agente corrosivo para a casa/família. Referências bibliográficas

BATAILLE, Georges. O erotismo. Porto Alegre: L&PM, 1987. BARROS, Marta Cavalcante de. Espaços de memória: uma leitura de crônica da casa assassinada, de Lúcio Cardoso. São Paulo: Nova Alexandria, 2002. CARDOSO, Lúcio. Crônica da casa assassinada. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004. NASCIMENTO, Evando. Crônica de um crime anunciado. Revista Ipotesi. UFJF, v 5, nº1, 2001. Disponível em: http://www.ufjf.br/ revistaipotesi/files/2011/05/6-Cr%C3%B4nica-de-um.pdf SHOWALTER, Elaine. Anarquia sexual: sexo e cultura no fin de siècle. Rio de Janeiro: Rocco, 1993.

Palavras-chave: Literatura Brasileira; Lúcio Cardoso; Nina.

___ ¹ Trabalho desenvolvido no projeto de pesquisa ‘O melodrama na literatura brasileira: gêneros e autoria’ apoiado pelo REUNI. ² Autora. Aluna do 8º semestre do curso de licenciatura em Letras-Inglês (UFSM). E-mail: lizza_amaral_matos@hotmail.com ³ Orientadora. Professora da Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: renatfelippe@yahoo.com.br 51


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

AVALIATIVIDADE NO DISCURSO POLÍTICO: UMA AMOSTRAGEM MELO,Vanessa¹; SCOTTA CABRAL, Sara²

Resumo: Há diversos recursos disponíveis na língua para mostrarmos nossa posição em relação ao que expressamos e emitirmos avaliações sobre pessoas, objetos e entidades. Todo o potencial que a língua nos oferece para expressarmos pontos de vista relaciona-se com a avaliatividade. O contexto de situação e as relações entre os participantes ajudam a determinar as escolhas lexicais do autor do texto e, quando se trata de discurso político, fica evidente a intenção do autor em persuadir o leitor ou ouvinte.As estratégias discursivas do político dependem também da sua relação com seus opositores. No presente trabalho, temos por objetivo apresentar a análise de dois exemplares de um discurso político, a partir do sistema de Avaliatividade, verificar as escolhas léxico-gramaticais e identificar quais categorias semânticas são adotadas pelo autor do texto para avaliar o governo atual. Para a realização deste trabalho, selecionamos dois textos de José Serra, do ano de 2013. Os textos foram publicados no jornal on-line “O Estadão” e no site do candidato www.joseserra.com. br. Utilizamos a ferramenta computacional WordSmith Tools para explorar os dados linguísticos do corpus e verificar as palavras de maior ocorrência nos dois textos. Através da ferramenta WordList, obtivemos como palavra mais recorrente “governo” (18), sendo todas negativas. Os discursos selecionados apresentam maior ocorrência do subsistema de julgamento de estima social, do campo semântico capacidade, o que nos leva a concluir que o autor centra sua crítica na incapacidade do atual governo em administrar o país. Referências bibliográficas

CHARAUDEAU, P. Discurso político. São Paulo: Contexto, 2006. HALLIDAY, M. A. K.; MATTHIESSEN, C. M. I. M. An introduction to Functional grammar. 3. ed. .London: Hodder Education, 2004. MARTIN, J. R.; WHITE, P. The language of evaluation: appraisal in English. New York: Palgrave, 2005. WHITE, P. R. R. Valoração: a linguagem da avaliação e da perspectiva. Linguagem e(m) Discurso, v. 4, n. Especial, 2004.

Palavras-chave: Avaliatividade; Discurso Político; Linguística Sistêmico-Funcional.

___ ¹ Autor. Aluna do 4º semestre do curso de Licenciatura em Letras – Português (UFSM). Bolsista PIBIC. E-mail: nessa.2504@hotmail. com ² Orientadora do Projeto Mídia, Política e Gramática Sistêmico Funcional (GAP 034712) da Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: sara.scotta.cabral@gmail.com 52


CADERNO DE RESUMOS

O VALOR DA INFORMAÇÃO: UMA ANÁLISE NÃO VERBAL EM ARTIGOS ACADÊMICOS AUDIOVISUAIS¹

MILANI,Victor²

Resumo: A análise de gêneros textuais (SWALES, 1990) baseia-se no reconhecimento de padrões encontrados em exemplares de um mesmo gênero, sendo assim possível descrever sua estrutura. Gêneros acadêmicos são uma proveitosa fonte para estudos linguísticos, visto que são usados em larga escala pela comunidade científica, portanto, mudanças dentro desses gêneros devem receber uma atenção especializada. Recentemente, por exemplo, um periódico científico cujos artigos são publicados em formato audiovisual foi lançado. Denominado JoVE – Journal of Visualized Experiments, esse periódico indica a necessidade de usar as linguagens visual e oral para explicar procedimentos de pesquisa que não podiam ser explicados tão precisa e efetivamente pela linguagem verbal apenas (JoVE, 2013). O significado da Composição na Gramática do Design Visual (KRESS; VAN LEEUWEN, 2006) propõe três categorias para a análise da organização da mensagem em imagens: Valor da Informação, Saliência e Molduragem. Nesse trabalho, o Valor da Informação foi mapeado em três artigos audiovisuais a fim de descrever como a informação está estruturada nesse novo gênero acadêmico do discurso científico. Os artigos audiovisuais foram primeiramente divididos em cenas. Em seguida, de cada cena foram obtidos cortes das imagens em um determinado intervalo de tempo. As cenas receberam um intervalo para corte das imagens diferente referentes às mudanças no tipo de imagem apresentada no vídeo: animação, de mudança muito intensa, (três segundos de intervalo), demonstração de procedimento, mudança constante (cinco segundos de intervalo) e explicações ou conclusões ditas nas vozes dos pesquisadores, mudança quase nula, (sete segundos de intervalo). Os três vídeos foram divididos em cinco cenas que seguiram o seguinte padrão: cenas 1 e 3(de animação – cortes a cada três segundos), cenas 2 e 5 (pesquisadores – cortes a cada sete segundos) e cena 3 (procedimento - cortes a cada cinco segundos). A única exceção foi a cena 4 do vídeo Intracranial Implantation with Subsequent 3D In vivo Bioluminescent Imaging of Murine Gliomas onde notou-se uma mudança quase nula de imagens durante aproximadamente dois minutos. Sendo assim, dessa cena foram obtidos cortes a cada dez segundos de intervalo. Finalmente, o Valor da Informação foi identificado em cada um dos cortes e em seguida, quantificado e interpretado. Foram analisados 299 cortes somando os três artigos audiovisuais. A organização do Valor da Informação mais recorrente nos três artigos audiovisuais foi centro-margem totalizando 213 dos cortes de cenas. Em segundo lugar, está a organização dado-novo, encontrada em 70 cortes de cenas. Em terceiro lugar fica a organização ideal-real encontrada apenas em 10 cortes de cenas. Entretanto, a organização ideal-real não foi encontrada em nenhum corte do artigo audiovisual Multiplexed Fluorometric Immuno Assay Testing Methodology and Troubleshooting. Finalmente, foram encontradas 6 organizações trípticas pertencentes apenas ao artigo audiovisual Intracranial Implantation with Subsequent 3D In vivo Bioluminescent Imaging of Murine Gliomas. O alto número de imagens cuja organização do Valor da Informação segue o significado Composicional centro-margem mostra que as informações principais do artigo audiovisual estão no centro das imagens e, portanto, devem ser lidas primeiramente, tais informações são procedimentos e resultados das pesquisas. Em contrapartida, o que se encontra nas margens são informações subordinadas e elementos dependentes em relação aos que então em posição central, por exemplo, circunstâncias de lugar. A organização dadonovo tem grande ocorrência quando há a figura do pesquisador em posição dada e sua ação em posição nova, ressaltando, assim, a familiarização prévia do expectador com o pesquisador que fora apresentado anteriormente no artigo audiovisual. Referências bibliográficas

JOVE. About. Disponível em: http://www.jove.com/About.php?sectionid=-1. Acesso em: 01 Abril, 2013. KRESS, G.;Van LEEUWEN, T. Reading images: the grammar of visual design. 2 ed. London: Routledge, 2006. SWALES, J. M. Genre analysis: English in academic and research settings. Cambridge: Cambridge University Press, 1990.

Palavras-chave: Artigos Acadêmicos Audiovisuais; Gramática do Design Visual; Linguística SistêmicoFuncional;Valor da Informação. ___ ¹ Trabalho em andamento vinculado ao projeto guarda-chuva “Análise crítica de gêneros e implicações para os multiletramentos” (GAP/CAL no. 031609), orientado pela Profa. Dr.ª Graciela Rabuske Hendges (Labler/DLEM/PPGL/UFSM). ² Acadêmico do 8o semestre de Curso de Licenciatura em Letras - Inglês, bolsista FIPE-CAL 01/07/2013 - 31/12/2013. 53


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

CARNAVALIZAÇÃO BAKHTINIANA NA PERFORMANCE POÉTICA E PICTÓRICA DO ARTISTA GENTILEZA MONTEIRO, Ênio¹ Resumo: Este trabalho pretende tecer breves comparações entre a estética e a poética do artista de rua Gentileza e o contexto na qual sua obra textual/pictórica se encontra, tomando como base a teoria bakhtiniana da carnavalização. Mikhail Bakhtin, influente filósofo russo do século XX, interessado no discurso, na arte e na vida cotidiana, dedicou-se à definição de noções, conceitos e categorias da análise da linguagem com base em discursos cotidianos e artísticos. Através de pesquisa bibliográfica e de análise da obra visual do poeta Gentileza, pode-se perceber muitas características dessa carnavalização. A partir de 1980, Marcio José Andrade da Silva, mais conhecido como “Gentileza”, iniciou trabalhos poético/pictóricos nas pilastras do viaduto do Caju (parte da Avenida Brasil), na cidade do Rio de Janeiro, possuindo pouco mais de 1 km de extensão. Os murais consistiam em textos pintados a mão com tintas em cores vivas da bandeira do Brasil, palavras de revolução através do afeto, respeito e amor ao próximo. O entorno caótico, de degradação e pobreza da região na qual se encontravam, era antagônico ao discurso do artista. Os murais surgiam em meio ao caos como um livro urbano (cada página uma pilastra) deslocando o leitor/espectador para um mundo onírico, pacífico e esperançoso. Gentileza, muitas vezes vestido como um profeta (com barba grisalha e longa toga branca também recoberta por seus textos em cores nacionalistas), era visto como um personagem excêntrico, uma figura de grande poder performático, declamadora de suas palavras, ativadora de espaços urbanos muitas vezes degradados ou desconfigurados pela ausência de planejamento econômico e social. Seus murais, que existem até hoje nas pilastras do Viaduto do Caju, foram e são responsáveis por importantes mudanças sociais desse próprio entorno caótico e de rica presença popular, elevando essa estrutura de concreto e os textos nelas escritos ao status incondicional de patrimônio cultural. Referências bibliográficas

BAKHTIN, Mikhail. A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento. Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1993. PONZIO, Augusto. No Círculo com Mikhail Bakhtin. São Carlos: Pedro & João Editora, 2013. STAM, Robert. Bakhtin: da Teoria literária à Cultura de Massa. São Paulo: Editora àtica, 1992.

Palavras-chave: Bakhtin; Carnavalização; Gentileza;Visualidade.

___ ¹Aluno do 2º semestre do curso de mestrado em Letras – Português (UNIRITTER). E-mail: e22bolsa@yahoo.com.br. 54


CADERNO DE RESUMOS

JORNAL A PROPÓSITO: UMA USINA DE IDEIAS!

MORAES, Russel Vaz¹

Resumo: O jornal literário A Propósito surgiu, no ano de 2004, nas salas de aula da Escola Estadual de Educação Básica Dr. Lauro Dornelles, em Alegrete-RS, em atividades pertinentes à Literatura Brasileira. Registrou-se, de início, que as aulas de literatura eram “sobre” literatura (gêneros, figuras, períodos, obras/autores etc.), como de praxe o é; todavia, questionou-se os discentes acerca da razão pela qual não se produzia literatura, ainda que no microssistema, em sala de aula – como, por exemplo, se pratica esportes, em aulas de educação física... Aceito o desafio, iniciaram-se pequenas produções, em oficinas, semanalmente, com temáticas livres (narrativas curtas), em paralelo aos estudos previstos na base curricular da escola. A seguir, em concordância com a Direção do educandário foi obtida uma sala e um horário, em turno inverso (à tarde), período em que os alunos passaram a dedicar seu tempo às suas produções literárias, com supervisão do professororientador, submetendo, inclusive, seus textos à apreciação dos colegas. (E, assim, com esta dinâmica, o tem sido até a presente data.) A primeira edição data de outubro de 2004, impressa em preto e branco, junto à gráfica Universitária, na cidade de Uruguaiana-RS, no formato tabloide, composto de 12 páginas, tendo a tiragem de mil exemplares, com diagramação do jornalista J. C. Queiroga, que também é escritor e produziu obras como Viagem aos Mares do Sul e Tratado Ontológico acerca das Bolas do Boi. O recurso para impressão foi obtido a partir de colaborações de professores e comunidade. A distribuição do jornal foi gratuita, em escolas de ensino médio e feiras do livro (da região e, até, em Porto Alegre), nas quais foram feitas palestras sobre a proposta, incentivando a produção literária em sala de aula. Com edições anuais, o periódico seguiu sua jornada. A 10ª edição está em fase de diagramação e será impressa em novembro de 2013. Os textos literários presentes no jornal classificam-se de acordo com a linha: contos, crônicas, relatos, experiências, resenhas. As cinco edições mais recentes já tiveram capa e contracapa coloridas. Almeja-se, em breve, transformar o tabloide em revista (ou em livro). Dos(as) alunos(as) que participaram das primeiras edições, muitos já são jornalistas formados, publicitários, professores de Língua e Literatura, designers, advogados etc., e certamente a participação nesta iniciativa lhes referendou a vocação para com as letras e a prática do texto ficcional. Palavras chave: jornal, jornalismo cultural, literatura, redação, opinião.

___ ¹ Professor substituto do Instituto Federal Farroupilha – Campus Alegrete. 55


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

UMA DANÇARINA LOUCA, MORTA E VIRGEM: O PAPEL DA LUA EM SALOMÉ DE OSCAR WILDE NECKEL JUNIOR, Fernando Azevedo¹ Resumo: O mito de Salomé agradando Herodes com sua dança em troca da cabeça do profeta João Batista em uma bandeja de prata, por instrução de sua mãe, Herodias, descrito rápido e concisamente na Bíblia, viveu no imaginário e nas criações de artistas do século XIX até chegar à peça Salomé de Oscar Wilde, que talvez seja a versão mais conhecida do mito.Artistas como Heinrich Heine, Joris-Karl Huysmans, Stéphane Mallarmé, Gustave Flaubert e Jules Laforgue contribuíram para trazer o espírito decadentista e simbolista para o mito, conectando o virgem corpo feminino à crueldade. Oscar Wilde possuía um grande conhecimento em relação ao mito e, em sua peça, lançou mão de várias imagens atribuídas a ele por esses artistas e emprega a lua como a principal força simbólica de sua peça. Este trabalho tem por objetivo rastrear quais as instâncias nas quais as personagens dirigem suas falas à lua fazendo referência a um grupo de imagens e sentenças que a tratam como um modelo de sensualidade e crueldade feminina. Essas alusões dramáticas feitas pelas personagens tendem a promover uma vaga associação entre a perturbadora princesa Salomé e o astro. O estudo foca em quatro pontos de vista contrastantes da lua que correspondem ao imaginário de quatro personagens. O primeiro ponto de vista é expresso pelo Pajem de Herodias, para o qual a lua representa a morte. O segundo pelo Jovem Sírio que vê na lua uma mulher dançando. Para Salomé, a lua é uma mulher virgem, enquanto para o Tetrarca Herodes ela é uma louca, uma alucinada. Além dessas características, a lua parece representar os acontecimentos ocorridos em cima do palco através de sua cor que ao decorrer da peça passa da cor branca para a vermelha, mudança percebida pelo Tetrarca. Devido a todo o imaginário que permeia a lua, ela acaba se transformando em uma personagem na peça, e Wilde fez uso desse imaginário para dar vida a uma Salomé que se tornou a mais expressiva representante mulher fatal do século XIX. Referências bibliográficas

WILDE, Oscar. Salomé. Tradução de Renata Maria Pereira Cordeiro. São Paulo: Landy, 2002 ______. Salomé. In: The importance of being earnest and other plays. New York: Oxford University Press, 1995

Palavras-chave: Crueldade; Feminino; Lua; Salomé.

___ ¹ Acadêmico do curso de Letras Inglês da Universidade Federal de Santa Maria. 56


CADERNO DE RESUMOS

ANTROPOLOGIA E EDUCAÇÃO: ALGUNS CONCEITOS BÁSICOS PARA A COMPREENSÃO ANTROPOLÓGICA DOS UNIVERSOS EDUCACIONAIS OLIVEIRA, Ciro Eduardo Silva de¹ Resumo: A Antropologia é uma ciência que pode ser utilizada como importante ferramenta a ser empregada no processo educacional, auxiliando na decodificação e análise dos universos culturais presentes tanto na escola como nas mais variadas manifestações de processos educacionais não formais. Mas, para tanto, é preciso que o educador tenha um adequado conhecimento do fazer antropológico, assim como dos conceitos fundamentais que embasam a antropologia e a educação. Neste sentido, o presente trabalho apresentará alguns destes conceitos básicos, como cultura, educação e aprendizagem. A cultura é o que nos diferencia dos demais animais, no momento em que, através da reflexão, somos capazes de atribuir diferentes e múltiplos significados a um símbolo; de utilizar a linguagem simbólica. Com isso, podemos viver e nos comportarmos de formas quase infinitas, dentro das diversas culturas. Conforme Brandão, “I...I a cultura está mais no que e no como trocamos mensagens e nos dizemos palavras e ideias entre nós e a nosso respeito I...I. A Cultura configura o mapa da própria possibilidade da vida social” (2002, p.23-24). A educação se liga diretamente à cultura (e ao mesmo tempo, faz parte desta), servindo como instrumento para internalizá-la. A educação é onipresente na vida social, e todos os saberes derivam dela, de modo que não existe um modelo único de educação, sendo a escola apenas um dos locais onde ela ocorre, e o professor, um de seus diversos agentes. O aprendizado na escola foi visto, durante muito tempo, como uma transmissão simples e direta, vertical, dos conhecimentos acumulados pelas gerações passadas, de um ser iluminado (o professor) para alguém passivo, sem luz (o aluno). O educando era visto como uma tabula rasa, onde deveria ser gravado o conhecimento. Entretanto, sabe-se hoje, como propõe Ingold (2008), que o processo educacional apresenta uma dimensão composta por múltiplas faces, dada diversidade de componentes multiculturais.Assim, o aprendizado acaba adquirindo um caráter dinâmico, podendo ser explorado das mais diversas formas, e conforme as necessidades e interesses de cada educando. O processo de aprendizagem pode, inclusive, lançar mão do saber tradicional como estratégia de ensino. Enquanto o conhecimento científico se apresenta como único, enquanto prevalecer um determinado paradigma, o saber tradicional, ou melhor dizendo, saberes tradicionais, são múltiplos, ligados às diferentes culturas, sendo “I...I muito mais tolerantes, que acolhem com igual confiança ou ceticismo explicações divergentes, cuja validade entendem ser puramente local” (CUNHA, 2009, p.301). Os saberes tradicionais normalmente são transmitidos em espaços informais de educação. Por fim, é imprescindível que consideremos a importância da integração entre a mente, o corpo e a cultura, através do lazer. Aprender não pode se resumir a uma atividade mental individual, uma vez que é um fenômeno social coletivo. Como afirmam Luce, Debortoli e Gomes, deve-se evidenciar “I...I a relação do sujeito da experiência com a ideia de um sujeito disposto a tentar, a aventurar-se, a correr riscos” (2010, p.14). Pois as práticas de lazer “I...I podem suscitar uma experiência transformadora” (Idem). Referências bibliográficas

BRANDÃO, Carlos Rodrigues. Educação como cultura. Campinas: Mercado das Letras, 2002. CUNHA, Manuela Carneiro da. Cultura com aspas e outros ensaios. São Paulo: Cosac Naify, 2009. FONSECA, Claudia. Quando cada caso não é um caso. XXI ANPEd. Caxambu, set/1998. INGOLD, Tim. Pare, olhe, escute! Visão, audição e movimento humano. Revista do Núcleo de Antropologia Urbana da USP, 2008. LUCE, Patrícia Campus; DEBORTOLI, José Alfredo Oliveira; GOMES, Ana Maria Rabelo. Experiência, performance e práticas de aprendizagem: temas para pensar o lazer de forma não fragmentado. Licere, Belo horizonte,V.13, n2, jun/2010. WACQUANT, Loïc J. D. Corpo e alma: notas etnográficas de um aprendiz de Box. Trad. Angela Ramalho. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2002.

Palavras-chave: antropologia, educação, cultura, aprendizagem ___ ¹ Ciro Eduardo Silva de Oliveira é graduado em Jornalismo (UFSM 2007) e Ciências Sociais (UFSM 2013). É pós-graduado em Tecnologia em Gestão Pública (ESAB 2011). Atualmente, é graduando em Sociologia (UFSM) e mestrando em Ciências Sociais – Ciência Política (UFSM). 57


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

O DISCURSO DE CREONTE NA ANTÍGONA DE SÓFOCLES OLIVEIRA, Janio Davila¹; TAVARES, Enéias Farias² Resumo: Na tragédia Antígona, de Sófocles, o conflito entre a protagonista e o monarca tebano se constitui, para Hegel, como a essência do gênero trágico: duas forças legítimas e moralmente justificadas que se enfrentam, cerne da estrutura dramática grega. Na peça de Sófocles, Antígona defenderia as leis naturais, enquanto Creonte, o direito positivo que rege a vida pública e assegura o bem da comunidade (HEGEL, 1993, p. 656), numa oposição que se tornou clássica nos estudos helenistas. Para um leitor moderno é sempre um risco cair na tentação de reduzir Antígona e Creonte à heroína e vilão, respectivamente. Porém, a despeito do verniz heroico concedido a Antígona, não se pode afirmar que as razões de Creonte não sejam justificadas do ponto de vista político e social (ROSENFIELD, 2002, p. 59). A lógica literária da obra não nos permite afirmar que o soberano está errado, uma vez que seu argumento político se revela lógico. Porém, seu discurso vai deslizando gradativamente para um plano unidimensional, onde não há mais espaços para diálogos ou questionamentos. A inflexibilidade e o autoritarismo passam a dominar suas atitudes. Segundo François Ost, Creonte criará um vazio ao seu redor. Enquanto em condições ideais a cidade deveria se reunir em torno de um centro vazio de poder, na Tebas de Creonte, onde reina a tirania, é o vazio que se cria em torno do poder concentrado na pessoa do chefe. Creonte reivindica um poder tão ilimitado que se estende ao ponto de mandar no injusto. (2004, p.221). Nossa pesquisa tem como objeto de análise o discurso deste monarca. Um discurso que, ao mesmo tempo em que se justifica social e politicamente, é arrogante e impetuoso. Assim, buscamos entender onde residem as fragilidades e quais são as motivações deste discurso. Para tais fins, está sendo utilizada a tradução de Mario da Gama Kury, presente no livro A Trilogia Tebana. Através da análise das falas de Creonte, busca-se o diálogo com os teóricos utilizados até então, Hegel, George Steiner, François Ost e Kathrin H. Rosefield, além dos apontamentos aristotélicos na Poética Clássica. Referências bibliográficas

ARISTÓTELES. HORÁCIO. LONGINO. A Poética Clássica. São Paulo: Cultrix, 2005. HEGEL, G. F. W. Estética. Lisboa: Guimarães Editores, 1993. OST, François. Contar a lei: as fontes do imaginário jurídico. São Leopoldo: Unisinos, 2004. ROSENFIELD, K. H. L. Sófocles & Antígona. Rio de janeiro: Jorge Zahar Ed., 2002. STEINER, George. Antígonas. Lisboa: relógio D’Água, 2008. SÓFOCLES. A trilogia tebana: Édipo Rei, Édipo em Colono, Antígona. Trad. Mario da Gama Kury. Rio de Janeiro; Editora Jorge Zahar, 2011.

Palavras-chave: Análise Discursiva; Creonte; Tragédia Grega.

___ ¹ Autor - Acadêmico do 4º semestre do Curso de Letras – Licenciatura - Português e Literatura de Língua Portuguesa – UFSM. E-mail: janio.davila@hotmail.com ² Orientador. Professor da Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: eneiastavares@gmail.com 58


CADERNO DE RESUMOS

FACILITAR É LIMITAR: UMA LEITURA COMPARATIVA DE DUAS TRADUÇÕES DE “THE LITTLE BLACK BOY”, DE WILLIAM BLAKE¹ OLIVEIRA, Leandro² Resumo: O objetivo deste trabalho é estudar a tradução poética e suas dificuldades no que concerne à língua fonte. Para isso, utilizaremos a arte compósita de William Blake e duas traduções para o português do poema “The Little Black Boy”, presente em Songs of Innocence and of Experience. De um lado, a tradução de Manuel Portela, publicada em Portugal em 1994. De outro, a tradução brasileira realizada por Sorbini e Carvalho, publicada em 2005. Inicialmente, faremos uma breve introdução sobre o autor e sua obra. Em segundo lugar, abordaremos o poema e analisaremos essas duas traduções para o português. Na análise, procuramos elencar aspectos primordiais do poema, como as designações das personagens, a influência das cores e a presença dos elementos divinos, estabelecendo as principais diferenças e consequências que cada tradução apresenta. Além de trabalharmos com o texto, também iremos dirigir o olhar para um elemento fundamental na poesia de William Blake: as imagens. Desta forma, procuramos evidenciar a influência da imagem na leitura e interpretação do texto, bem como na tradução dele. Como respaldo teórico, contamos com Damon (1988), Mitchell (1985) e Tavares (2012), que dedicaram estudos sobre a obra de Blake. Além disso, também recorremos aos comentários de tradução de Portela (2007) e Sorbini e Carvalho (2005). Com este estudo propomos, antes de apresentar soluções, apontar elementos a serem observados. Em Blake, além do vasto repertório simbólico presente nos poemas, temos as imagens comunicando sentidos tanto quanto o texto. Nas edições que encontramos as traduções analisadas, apesar de ambas serem bilíngues, apresentando o texto em inglês ao lado do texto traduzido, nenhuma apresentou a imagem que constitui o poema, o que já limita a leitura de sua arte compósita. Em análise prévia, percebemos que, a nível acadêmico, o que poderia ser considerado como uma facilitação de acesso ao texto, proporciona diversas limitações da obra, tanto no aspecto semântico quanto estilístico. Tendo a noção de que as traduções são versões diferentes, não se espera que sejam nomeadas como novas obras, ou ainda que sejam simplesmente abolidas. Esperamos, entretanto, que estudantes e professores tenham um olhar atento e não ignorem as peculiaridades advindas dos trabalhos em tradução, tanto de obras de arte quanto de textos teóricos e críticos. Através destas reflexões, tentamos evidenciar apenas alguns dos possíveis problemas e obstáculos encontrados por acadêmicos e leitores em geral quando se trata do trabalho em tradução. Referências bibliográficas

BLAKE, William. Cantigas da Inocência e da Experiência. Tradução de Manuel Portela. Lisboa: Antígona, 1994. ______; Cantigas da Inocência e da Experiência. Tradução de Manuel Portela. Lisboa: Antígona, 2007. ______; Canções da inocência; e Canções da experiência: os dois estados contrários da alma humana. Tradução de Gilberto Sorbini e Weimar de Carvalho. São Paulo: Disal, 2005. DAMON, Foster. A Blake Dictionary. London: University Press of New England, 1988. MITCHELL, W. J. T. Blake’s Compositive Art. Princeton: Princeton University Press, 1985. TAVARES, E. F. As Portas da Percepção: Texto e Imagem nos Livros Iluminados de William Blake. Tese de Doutorado. Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria, 2012.

Palavras-chave: “The Little Black Boy”; Tradução literária; William Blake.

___ ¹ Este trabalho integra o grupo de pesquisa “‘Oposição é Verdadeira Amizade’: Poéticas Interartes e Recepção Crítica nos Séculos 19 e 20” (UFSM – GAP/CAL 034434), sob orientação do Prof. Dr. Enéias Farias Tavares (UFSM – Departamento de Letras Clássicas e Linguística). ² Autor. Possui graduação em Letras – Licenciatura – Português e Literaturas de Língua Portuguesa pela Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: leandrocardosodeoliveira@hotmail.com. 59


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

ENSINO DE ESPANHOL NA REDE PÚBLICA DA CIDADE DE SANTA MARIA: REPERCUSSÕES DA LEI Nº 11.161/2005 PADILHA, Emanuele Coimbra¹ Resumo: Nas últimas duas décadas, presencia-se um crescimento espetacular da demanda do ensino de espanhol no Brasil. As principais razões para esse notável aumento são, essencialmente, a criação do MERCOSUL, a aparição de grandes empresas de origem espanhola e os laços comerciais do Brasil com a Espanha (MORENO FERNÁNDEZ, 2005). Na legislação para a Educação Básica brasileira, o Espanhol Língua Estrangeira (ELE) aparece como um conhecimento importante para o pleno desenvolvimento da cidadania. Para garantir a todos o direito de aprender essa língua, em 5 de agosto de 2005, a Lei nº 11.161 foi sancionada. A partir dessa data, o ensino de espanhol passou a ser de oferta obrigatória para a escola, mas de matrícula facultativa para o aluno, incorporando-se, gradativamente, aos currículos do ensino médio. No ensino fundamental, sua inclusão nas grades curriculares de 5ª a 8ª séries é facultativa. O prazo de implantação dessa lei foi estipulado em cinco anos a partir da data de sua sanção. Após a aprovação da Lei 11.161, surgiram vários trabalhos sobre seu surgimento, propostas e repercussões. No entanto, observa-se que não se encontram muitas pesquisas que buscam identificar se essa lei é efetivamente cumprida. Desse modo, o objetivo deste trabalho foi o de mapear a situação do ensino de ELE na rede pública da cidade de Santa Maria – RS, decorrido o prazo de cinco anos estipulado para a implantação da lei. Para tanto, realizouse um estudo quantitativo a partir de dados informados pela 8ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE). O levantamento das escolas apontou que, no total, são 69 instituições na região de abrangência dessa CRE. Da totalidade dessas instituições, apenas 26 apresentam o ensino de ELE na grade curricular. Ressalta-se que, dessas escolas, 42 apresentam ensino médio. Conforme a Lei 11.161, as determinações são que, para essa etapa, a língua espanhola deve ser obrigatoriamente ofertada pela escola. Ao se comparar com o ensino da língua inglesa, os dados levantados mostram que 38 instituições, dentre todas as etapas da educação básica, apresentam o inglês na grade curricular. Isso evidencia que a língua inglesa continua sendo a língua estrangeira mais ofertada nos currículos escolares. Com relação ao ensino da língua estrangeira, no geral, das 69 escolas, apenas 40 oferecem o ensino de qualquer uma das línguas. Esse número comprova que o ensino de línguas ainda ocupa no currículo escolar um lugar de pouco prestígio, apesar de o aprendizado de línguas estrangeiras constituir um direito de todo cidadão garantido por lei. A partir dos resultados, constatou-se que, passados oito anos da aprovação da Lei 11.161/2005 e o prazo para que todas as instituições de ensino médio incluam o ensino de espanhol em suas grades curriculares, ainda não são todas as escolas que ofertam o ensino de ELE, de acordo com o que determina a lei. Referências bibliográficas

BRASIL, Lei nº 11.161, de 5 de agosto de 2005. Dispõe sobre o ensino da língua espanhola. Disponível em: <http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11161.htm>. Acesso em: 20 jun. 2012. MORENO FERNÁNDEZ, Francisco. El español en Brasil. In: SEDYCIAS, João (Org.). O ensino do espanhol no Brasil. São Paulo: Parábola Editorial, 2005.p.14-34.

Palavras-chave: Cidade de Santa Maria; Ensino de espanhol; Lei nº11.161/2005; Rede pública.

___ ¹ Graduada em Letras-Espanhol, mestranda em Estudos Linguísticos e aluna do Curso de Letras-Português (UFSM). E-mail: emanuelecp@hotmail.com. 60


CADERNO DE RESUMOS

UMA PROPOSTA DE LETRAMENTO LITERÁRIO: O CONTO BRASILEIRO EM SALA DE AULA PAZ, Demétrio Alves¹; LIMA, Djéssica Follmann de² Resumo: O projeto teve como objetivo apresentar o conto brasileiro desde suas origens até a atualidade para alunos da educação básica. Acreditamos que o conto seja a porta de entrada para se conquistar leitores e introduzi-los ao estudo e leitura de nossa literatura. O conto, por ser uma história breve, pode ser facilmente introduzido nas escolas e principalmente aceito e admirado pelos novos e futuros leitores. Organizamos um levantamento de contos brasileiros para serem trabalhados em sala de aula com alunos do Ensino Fundamental e Ensino Médio da rede pública de Cerro Largo. Também elaboramos atividades de interpretação de texto e produção textual para serem aplicadas com os alunos após a leitura destes contos. Encontramos muitas dificuldades ao decorrer da execução do projeto, devido a diferentes fatores, tais como a falta de estrutura (biblioteca com poucas obras dos autores brasileiros) ou interesse por parte de alguns dirigentes e professores, que já estavam envolvidos em outras atividades. Tivemos como objetivo divulgar a literatura brasileira por meio de seus contistas, colocando em prática a leitura de contos em sala de aula, incentivando o hábito da leitura literária. Lemos vários autores que tratam do histórico do conto brasileiro, de teoria do conto e de metodologia de ensino de Língua Portuguesa e Literatura, assim como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e tentamos relacioná-los aos temas dos contos em cada série. O conto Uma vela para Dario de Dalton Trevisan foi trabalhado em todas as turmas como estudo piloto, tendo grande aceitação tanto por parte dos alunos quanto por parte dos professores. Além disso, os alunos produziram textos relacionados aos contos quer mudando, por exemplo, o ponto de vista ou final da história, quer criando um novo a respeito do tema tratado. Acreditamos que contribuímos um pouco com a melhoria tanto do ensino de Língua Portuguesa quanto para o fomento à leitura de textos literários. Referências bibliográficas

ASSIS BRASIL. Evolução do conto moderno. IN: ASSIS BRASIL. A nova literatura – o conto. Brasília: INL, 1973. p. 19-51. BOSI, Alfredo. Situação e formas do conto brasileiro contemporâneo. IN: BOSI, Alfredo. O conto brasileiro contemporâneo. São Paulo: Cultrix, 2001. p. 7 – 22. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua portuguesa. Brasília: MEC/SEF, 1998. 106 p. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: apresentação dos temas transversais. Brasília: MEC/SEF, 1998. 436 p. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Ensino Médio: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. Brasília: MEC/SEF, 2000. 71 p. CORTÁZAR, Julio. Valise de cronópio. São Paulo: Perspectiva, 2008. COSON, Rildo. Letramento Literário: teoria e prática. São Paulo: Contexto, 2009. GOTLIB, Nádia. Teoria do conto. São Paulo: Ática, 2002. 96 p. PIGLIA, Ricardo. Formas Breves. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. ZILBERMAN, Regina & RÖSING, Tania M. K. Escola e Leitura: velha crise, novas alternativas. São Paulo: global, 2009.

Palavras-chave: Conto; Ensino; Leitura; Letramento Literário; Literatura Brasileira.

___ ¹ Professor Ajunto de Teoria Literária e Literaturas de Língua Portuguesa da Universidade Federal da Fronteira Sul – Campus Cerro Largo – RS. Autor e orientador do Projeto O Conto Brasileiro em Sala de Aula, financiado pela FAPERGS com uma Bolsa de Iniciação Científica em 2011-2012. ² Graduanda em Letras da UFFS. Coautora e bolsista de Iniciação Científica do projeto O Conto Brasileiro em Sala de Aula em 20112012. 61


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

PIBID-ESPANHOL UFSM: DA TEORIA ACADÊMICA A PRÁTICA ESCOLAR PELIZZARO, Daniele¹; LEMES, Debora²; MORIN, Gisélia³; MOREIRA, Luisiana4 ; OLIVEIRA, Carine 5;MARCHESAN, Maria Tereza6 Resumo: O presente trabalho tem como objetivo apresentar os resultados obtidos durante os dois anos de desenvolvimento do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) pertencente à Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior (CAPES) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) no Colégio Estadual Manoel Ribas. O Colégio está situado no centro de Santa Maria, Rio Grande do Sul, e conta com vinte e uma turmas e uma média de seiscentos alunos no primeiro ano do ensino politécnico. Entre os seus objetivos, o PIBID visa aproximar o acadêmico de licenciatura do seu futuro campo de trabalho e contribuir para a valorização da profissão. O subprojeto Letras-Espanhol 2011/2013 iniciou suas atividades com a preparação de seminários de leituras teóricas sobre o Método Comunicativo (WIDDOWSON. H.G 1991), produção de materiais didáticos (LEFFA. V, 2008) e Análise de Erros (MOLINÉ, R. R., AQUINO, H, A, 2004) então, decidiu-se que as aulas seriam voltadas para o enfoque comunicativo. Em seguida, começouse a estruturar um cronograma das atividades que seriam desenvolvidas na escola. Assim, definiu-se que seria elaborado e aplicado um questionário para obter as necessidades e interesses dos alunos. Este foi aplicado nos anos de 2011, 2012 e 2013. A partir dos dados obtidos no questionário, iniciou-se o processo de planejamento de aulas. Ao longo do ano de 2012, foram ministradas dezenove aulas, caracterizadas por unidades e dinâmicas diferenciadas como: atividades teóricas a fim de fixar o vocabulário da língua espanhola, jogos didáticos elaborados pelo grupo, vídeos, atividades culturais, entre outras. No primeiro semestre do ano de 2013 foram oferecidas onze oficinas norteadas pela mesma perspectiva do ano anterior. Além das reuniões com reflexões teóricas e as aulas ministradas no colégio, o grupo apresentou trabalhos em eventos regionais, nacionais e internacionais. Neste período também foram elaborados seminários que contribuíram para o aperfeiçoamento da formação dos integrantes do grupo. Referências bibliográficas

LEFFA,V. J. Produção de materiais de ensino: prática e teoria. Pelotas: EDUCAT, 2008. MOLINÉ, R. R., AQUINO, H, A, ¿Cómo corregir errores y no equivocarse en el intento? EDELSA, 2004 WIDDOWSON, H. G. O Ensino de Línguas Para a Comunicação. Campinas: Pontes Editores, 1991.

Palavras-chave: Material Didático; Método Comunicativo; PIBID-ESPANHOL.

___ ¹ Autor. Aluna do 9º semestre do curso de licenciatura em Letras – Espanhol (UFSM). E-mail: danipelizzaro@hotmail.com. ² Coautor. Aluna do 9º semestre do curso de licenciatura em Letras – Espanhol (UFSM). E-mail: deboralemes09@hotmail.com ³ Coautor. Aluna do 3° semestre do curso de licenciatura em Letras- Espanhol (UFSM). E-mail: mgiselia@yahoo.com.br 4 Coautor. Aluna do 7° semestre do curso de licenciatura em letras- Espanhol (UFSM). E-mail: luisi.petry@hotmail.com 5 Coautor. Aluna do 7° semestre do curso de licenciatura em letras- Espanhol (UFSM). E-mail: xapyve@bol.com.br 6 Orientadora. Professora da Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: ttmarchesan@gmail.com 62


CADERNO DE RESUMOS

CAFÉ LITERÁRIO: OFICINA DE LEITURA COMO INSTRUMENTO DE CIDADANIA NO PROCESSO DE TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL PERES, Samara¹; FELIPPE, Renata de² Resumo: Nenhum conhecimento é de ordem exclusiva de uma determinada área, mas os saberes são apreendidos e somados, substanciando o jeito de falar e o jeito de pensar dos sujeitos. Este trabalho consiste em apresentar a interdisciplinaridade da literatura como elemento fundamental na formação e construção da cidadania. Neste aspecto, deseja-se contextualizar a oficina Café Literário, desenvolvida na Casa de Passagem para Adultos de Santa Maria, pela assistente social e acadêmica do bacharelado em Letras Português e Literatura/UFSM. Com o objetivo de proporcionar um ambiente em que os acolhidos da Casa de Passagem tenham voz ativa, desmistificando e rompendo as forma de estigmatização, trabalhando de forma social para empoderá-los, demonstrando que todo sujeito é composto por intelectualidade e tem a necessidade de se expressar, trabalha-se com diversas literaturas (brasileira, contemporânea, clássica) possibilitando debates a cerca de leituras pertinentes aos acolhidos. A Casa de Passagem para Adultos é uma instituição que tem como objetivo executar a Política Pública de Proteção Social Especial de Alta Complexidade, assegurando o acolhimento provisório aos acolhidos. Destina-se às famílias ou aos indivíduos de ambos os sexos, maiores de 18 anos, em situação de vulnerabilidade e risco social, que utilizam as ruas como espaço de moradia ou sobrevivência e que se encontram com os vínculos familiares fragilizados ou rompidos, na sua maioria devido ao uso abusivo de substâncias psicoativas, ou que estejam em trânsito e sem condições de autossustento na cidade. Sob esse cenário, pensou-se na leitura como “válvula de escape”, não a fim de iludir a realidade, mas a fim de construir um atalho dentro de um caminho que parece estar predestinado ao dissabor. Para tanto, o café e os livros criam um espaço estratégico, pois essa oficina foi criada a partir da intencionalidade de potencializar os usuários a um papel de protagonismo, conduzindo a autonomia, a autoestima, ao encorajamento de cada sujeito participante; pois, é bem verdade, que em diversos órgãos societários, essa população é discriminada e pouco ouvida; no entanto, a partir dessa oficina, quatro acolhidos solicitaram encaminhamentos para o EJA (Educação de Jovens e Adultos) desses quatro, dois começaram a estudar. Isso é muito significativo, resultado decorrente da vontade de participar da Oficina, de aprender a ler e falar o que entendeu. Destacase que não há um único processo de trabalho no Serviço Social, porém o assistente social na sua rotina de trabalho encontra-se muitas vezes como um mero executor de tarefas, em um viés funcionalista-mecanicista, sobrecarregado por encaminhamentos para os demais serviços da Rede de proteção social. É na Oficina Café Literário que o assistente social conhece o usuário, muito mais do que na hora do acolhimento, do atendimento, do acompanhamento, porque quando o acolhido expõe a sua interpretação a cerca de um texto, por exemplo, ele embasa a sua fala no seu histórico de vida, na sua visão de mundo e de homem. Por isso a literatura tem sido um instrumento de cidadania para esse contexto, capaz de conversar com outras áreas de conhecimento, fortalecendo o processo de trabalho profissional. Referências bibliográficas

CANDIDO, Antonio. Literatura e sociedade. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2006. Disponível em: <http://www.fecra.edu.br/admin/ arquivos/Antonio_Candido_-_Literatura_e_Sociedade.pdf>. Acesso em 26 de setembro de 2013. COSSON, Rildo. Letramento literário: teoria e prática. São Paulo: Contexto, 2011. GIROUX, Henry. Escola crítica e política cultural, Polêmicas do nosso tempo. Ed. Cortez, 1987. IAMAMOTO, Marilda V. O serviço social na contemporaneidade; trabalho e formação profissional. 2. Ed. São Paulo: Cortez, 1999. LEAHY-DIOS, Cyana. Educação literária como metáfora social. Niterói: EDUFF, 2000. <http://literaturasuburbana.blogspot.com.br/2010/05/verdadeira-literatura-de-rua-se-mostra.html>. Acesso em 26 de setembro de 2013.

Palavras-chave: Casa de Passagem; Literatura; Processo de Trabalho; Serviço Social.

___ ¹Autor. Aluna do 2º Semestre do Curso de Bacharelado em Letras- Português e Literatura (UFSM). E- mail: aramas_22@yahoo. com.br ²Revisora. Professora da Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: renatfelippe@yahoo.com.br 63


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

O DISCURSO LITERÁRIO COMO LUGAR DE RESISTÊNCIA: NINGUÉM MATOU SUHURA, DE LÍLIA MOMPLÉ PERTILE, Ana Paula¹; ALÓS, Anselmo Peres² Resumo: As últimas décadas do século XX representaram oficialmente o fim do Imperialismo português em África e, consequentemente, a exigência de uma organização nacional para as ex-colônias, feita às pressas para integrá-las na política transnacional de globalização econômica. Em contrapartida a essa hegemonia, o capital cultural, especificadamente o discurso literário, configura-se como o lugar da resistência a essa unificação. Extrapolando as barreiras do discurso historiográfico, que elege uma única história, a literatura dará voz às histórias silenciadas. Então, a fim de escrever a história de um ponto de vista marcado pelo oprimido na política colonial (que se estendeu nas colônias lusófonas até 1975), Lília Momplé, escritora moçambicana, (re)escreve. De uma trajetória fortemente comprometida com as causas sociais, escreve para denunciar a opressão colonial e as implicações de seus remanescentes na sociedade moçambicana, otimista de que os “ensinamentos do sofrimento passado” (MOMPLÉ, 2007, p. 5) são necessários para construir um futuro melhor. É objeto de análise deste trabalho o livro de estreia da escritora, uma reunião de cinco contos, Ninguém matou Suhura (1988). Histórias que poderiam existir independentemente da estruturação do livro estão cronologicamente organizadas – o primeiro conto ambientado em junho de 1935 e o último em abril de 1974 –, expondo a resistência às políticas coloniais ao longo de suas últimas décadas. Em sintonia com as ideias encadeadas nos contos, o discurso de Chimammanda Adichie, escritora nigeriana, e o pronunciamento de Paulina Chiziane, escritora moçambicana, também serão articulados nesse trabalho, desenvolvendo uma leitura comparada do discurso literário com a experiência de outras duas escritoras de África, uma de origem anglófona e outra de origem lusófona. Três mulheres aproximadas pelo locus de enunciação de seus discursos e oprimidas por uma tripla subalternidade – 1) mulheres, 2) negras e 3) escritoras – é situação semelhante à narrada no conto homônimo: uma mulher, negra, ocupando a condição de colonizada. Mas não sem resistência; Suhura é explorada pelo Administrador das relações coloniais – uma violência que provoca sua morte. Esse trabalho privilegiará a leitura de um Outro acesso à experiência colonial, a partir do ponto de vista do colonizado, relegado à margem da história oficial. Referências bibliográficas

ADICHIE, C. N. “O perigo de uma única história”. Conferência Anual TED Global, Oxford, 2009. Disponível em: <http://www.geledes. org.br/em-debate/colunistas/4902-chimamanda-adichie-o-perigo-de-uma-unica-historia>. Acesso em: 14 de maio de 2013. CHIZIANE, P. “Eu, mulher... por uma nova visão do mundo”. Abril (UFF), v. 5, n. 10, p. 199-205. 2013. MOMPLÉ, L. Ninguém matou Suhura. 3. ed. Maputo: Edição da Autora, 2007.

Palavras-chave: autoria feminina; identidade nacional; pós-colonialismo.

___ ¹ Autora. Aluna do IV semestre do curso de Bacharelado em Letras – Português (UFSM). Bolsista PROBIC/FAPERGS, no projeto de pesquisa Ressonâncias e dissonâncias no romance lusófono contemporâneo: o imaginário pós-colonial e a (des)construção da identidade nacional. E-mail: anap.pertile@gmail.com. ² Orientador. Professor da Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: anselmoperesalos@gmail.com. 64


CADERNO DE RESUMOS

AUTORREFERENCIAÇÃO NO “SERMÃO DE SANTO ANTÔNIO” (1638), DE PADRE ANTÔNIO VIEIRA PORTO, Halyne M. S.¹; DE MARTINI, Marcus² Resumo: Este trabalho está vinculado ao projeto de pesquisa intitulado “Representações literárias dos séculos XVI ao XVIII”, que se encontra em sua fase inicial, o que nos leva a apenas apresentar alguns resultados preliminares. Desenvolvido na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) sob a orientação do Prof. Dr. Marcus De Martini, o projeto tem como corpus de análise a obra e as biografias do pregador inaciano português Padre Antônio Vieira (1608 – 1697), que deixou importantes textos relativos ao período em que atuou em sua missão evangelística. Entre tais textos, há uma produção de duzentos sermões, sendo nove deles dedicados ao taumaturgo lisboeta Santo Antônio (1195- 1231), produzidos estes entre 1638 e 1674 e pregados em quatro diferentes lugares: Lisboa, Roma, São Luís e Bahia. O primeiro sermão desta série antoniana foi pregado em Salvador, Bahia, em 1638, na Igreja de Santo Antônio, durante a festa desse santo celebrada alguns dias após a expulsão dos holandeses dessa cidade. Reelaborado e publicado em 1690, no tomo VI da obra que Vieira destinou à impressão dos sermões, Sermões, dividida em quinze tomos, tem como tese que a defesa e a vitória da Bahia ao cerco imposto pelos holandeses couberam, sobretudo, às ações de Deus e Santo Antônio, reconhecido por ser “recuperador do perdido”. Para desenvolver seu argumento, Vieira se apoia na passagem bíblica de II Reis 19:34, que trata do cerco imposto pelos assírios à cidade de Jerusalém. A fim de atribuir o crédito da vitória a Santo Antônio, ressalta seis qualidades do taumaturgo: ter sido patriarca, profeta, apóstolo, mártir, confessor e virgem. Tais características nos remetem ao problema da nossa pesquisa: a possível autorreferenciação nos sermões de Antônio Vieira dedicados a Santo Antônio. Para isso, são levados em consideração a homonímia e alguns aspectos biográficos comuns entre Vieira e o santo, como ambos serem portugueses e pregadores. Em busca de respostas ao problema, sustentamos as análises, em um primeiro momento, em Margarida Vieira Mendes (2003) e Alcir Pécora (2008). Segundo Pécora, a leitura de um sermão sacramental do século XVII deve considerar a circunstância da sua pregação, o que nos leva a acrescentar que “Vieira acreditou sempre na indispensabilidade do pregador na vida pública” (MENDES, 2003, p. 83), pois, como para qualquer homem de seu tempo, Igreja e Estado são ordens institucionais que se integram na “militância da nação eleita”, no caso, os portugueses, os quais comporiam, segundo a ideia difundida na época em Portugal, o novo povo eleito depois dos judeus.Tal pensamento de Vieira pode ser visto nesse sermão, uma vez que o acento da missão apostólica do santo recai sobre a conversão dos “hereges”, o que é interessante quando se pensa que a guerra que se travava era contra os holandeses calvinistas, também denominados “hereges” por Vieira, significando que, além de uma vitória política sobre a Holanda, tratava-se de uma vitória religiosa da ortodoxia romana. Assim, entra em voga a tese de Mendes de que “o pregador seria uma espécie de subtipo do protótipo do Santo” (2003, p. 53), sempre agindo verbalmente, ligado a uma ocasião e suas necessidades. Ao se considerar a proposição de Mendes, é visto que Vieira desempenhou papel de suma importância na atribuição da vitória ao santo: através de seu discurso, o jesuíta age em prol da devoção a esse santo assim como em prol da Coroa. Considerando que ambos são “Antônio”, pergunta-se: a qual Antônio essa honra portuguesa pode ser atribuída? Ao taumaturgo lisboeta ou ao jesuíta? Existe de fato essa autorreferenciação ou Vieira apenas desempenha o papel de uma “persona retórica”? Essas são algumas perguntas que estamos tentando responder no andamento desta pesquisa. Referências bibliográficas

GALLI, Maria Lúcia Peccioli. Santo Antônio por Vieira. 2003. 174 f. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Estadual de Campinas – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Campinas, 2003. MENDES, Margarida Vieira. A oratória barroca de Vieira. Lisboa: Editorial Caminho, 2003. PÉCORA, Alcir. Para ler Vieira: as 3 pontas das analogias dos sermões. FLOEMA. Caderno de História e Teoria Literárias. Vitória da Conquista, Ano I, n. I, p.29-36, 2005. ______. Teatro do Sacramento: a unidade teológico-retórico-político dos sermões de Antônio Vieira. 2 ed. Campina, SP: Editora da UNICAMP; São Paulo, SP: EDUSP, 2008. VIEIRA, Antônio. Sermões – volume VII. Porto: Lello & Irmão, 1951.

Palavras-chave: Antônio Vieira. Santo Antônio. Sermões. Autorreferenciação. ___ ¹ Autor. Aluna do segundo semestre de Bacharelado em Letras – Português/Literaturas (UFSM); bolsista da Fundação de Incentivo à Pesquisa (FIPE). E-mail: halyneporto2@gmail.com ² Orientador. Professor da Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: marcusdemartini@gmail.com 65


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

AS CARTAS PORTUGUESAS COMO MITO E MOTE PARA AS NOVAS CARTAS PORTUGUESAS PRADO, Priscila F. do¹; FLORES, Lawrence P.² Resumo: Uma situação de intertextualidade é apresentada entre as Novas Cartas Portuguesas e as Cartas portuguesas já em seus títulos. A obra das Três Marias propõe uma leitura das Cartas portuguesas, que se diz “nova”, dado o tempo em que é escrita – três séculos depois, aproximadamente –, e o objetivo do texto, não mais declarar-se a um amado ausente, mas declarar-se à escrita, ressaltando a problemática da mulher portuguesa. Há aí um viés político que certamente não fazia parte do texto seiscentista. O texto das Novas Cartas retoma e amplia a figura da persona Mariana Alcoforado, assim como muitos de seus temas, como a paixão amorosa, o amor pela escrita, o discurso do engano. As Novas Cartas, apesar do título, não se compõem apenas de cartas, mas também de textos poéticos, tanto na forma poemática quanto na forma prosaica. Nos textos, que ultrapassam o número de cem, podemos notar o apelo ao mito alcoforadista como mote para novas criações, que buscam amalgamar informações e pontos de vista não dados pelas Cartas, incluindo uma possível resposta do cavaleiro de Chamilly – pretenso interlocutor do texto alcoforadista – à sóror Mariana. E é pensando nisso que se propõe uma análise da obra de Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, buscando verificar como as Cartas funcionam como mito e mote para as Novas Cartas. Ao nos propormos tratar Mariana Alcoforado como mito e mote das Novas Cartas Portuguesas, precisamos, primeiramente, definir o que entendemos por mito, destacando o conceito de mito cultural, bem como o que entendemos por mote, elemento da Poética com significado definido, mas que pode ser interpretado dentro da nossa proposta por uma perspectiva mais abrangente. Buscaremos analisar como a persona Mariana Alcoforado e as Cartas portuguesas são usadas para a articulação da escrita das Novas Cartas e como essa atualização lhe imprime um tom moderno e questionador. Referências bibliográficas

ALCOFORADO, Mariana. Cartas portuguesas. Lisboa: Assírio & Alvim, s.d. BARRENO, Maria Isabel et alii. Novas cartas portuguesas. 2. Ed. São Paulo: Ed. Círculo do Livro, 1975. BARTHES, Roland. Fragmentos de um discurso amoroso. Tradução de Márcia Valéria Martinez de Aguiar. São Paulo: Martins Fontes, 2003. ELIADE, Mircea. El mito del eterno retorno: arquétipos y repetición. Buenos Aires: Emece, 2001. KLOBUCKA, Anna. Mariana Alcoforado: formação de um mito cultural. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2006. PRADO, Priscila F. Dos sentidos da paixão e da esperança no engano: Cartas portuguesas. (Dissertação de mestrado UFSM). Santa Maria, 2010. Disponível em: http://cascavel.cpd.ufsm.br/tede/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=3454. Acesso em: 23/09/2013.

Palavras-chave: Cartas portuguesas; Mito alcoforadista; Novas Cartas Portuguesas.

___ ¹ Aluna do 6º semestre do curso de Licenciatura em Letras – Espanhol (UFSM). E-mail: priscilletras@yahoo.com.br ² Orientador. Professor Lawrence Flores Pereira da Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: lawflores@gmail.com 66


CADERNO DE RESUMOS

DISCURSOS SOBRE LETRAMENTO ACADÊMICO/CIENTÍFICO PRETTO, Amanda de Mendonça¹; CONEGATTO, Laila Da Cás²; RADÜNZ, Amanda Petry³; MOTTA-ROTH, Désirée4 Resumo: O ingresso de estudantes na universidade gera a busca por qualificação profissional, a qual está diretamente ligada ao letramento acadêmico. Com base nesse pressuposto, o projeto Letramento acadêmico/ científico e participação periférica legítima em comunidades de produção de conhecimento (Motta Roth, 2013) prevê apresentar, por meio da análise dos resumos acadêmicos (abstracts) submetidos ao VI Simpósio Internacional de Estudos dos Gêneros Textuais (VI SIGET/2011), um levantamento dos aportes teóricos em discussão no país sobre Letramento Acadêmico. Nos detemos sobre 43 abstracts publicados no caderno de resumos do SIGET/2011, referentes a quatro das sete modalidades apresentadas no evento: a) Conferências (2); b) Apresentações em Mesas-Redondas (12); c) Apresentações em Painéis (8) e d)Minicursos (21). Foram identificados expoentes linguísticos que evidenciam pistas das discussões correntes sobre letramento acadêmico. Buscamos responder: 1) Qual a incidência do termo “letramento” nos abstracts? 2) Que temáticas se combinam com “letramento” e com que frequência? 3) Em que medida as conversações se concentram em torno de “letramento acadêmico”? 4) Que práticas de letramento acadêmico são investigadas e como? Verificamos que apenas 25 dos 43 resumos apresentam expoentes linguísticos associados a letramento (p. ex., letramento, writing courses, materiales de lectura), mas apenas quatro se referem especificamente a letramento acadêmico. Temáticas associadas a “letramento” são: letramento multimodal, multiletramento, letramento visual, letramento crítico. Ligadas a letramento acadêmico são: ensino e aprendizagem, prática pedagógica, leitura e redação. A partir desta análise, podemos perceber que, nessa conferência, o tema letramento está associado à possibilidade do ensino explícito ligado ao conceito de gêneros textuais/discursivos. Além disso, apesar da importância na sociedade atual e de ser o tema central do evento (“Gênero textual/discursivo e Letramento”), cerca de 50% dos abstracts não mencionam letramento. Dos quatro abtracts explicitamente dedicados a letramento acadêmico, apenas um foca estratégias de letramento desenvolvidas por escritores iniciantes e outro se refere a um estudo teórico sobre o conceito, ambos assumindo uma perspectiva sóciocultural. Um terceiro abstract menciona apenas implicações de uma análise de gênero para o letramento acadêmico e um quarto se refere a uma oficina que parece menos identificada com uma perspectiva sóciocultural da questão. Em um evento dedicado a Letramento, surpreende a pouca referência à Letramento Acadêmico, o que nos sugere a necessidade de mais pesquisas sobre o assunto. Referências bibliográficas

LEA, M.R.; STREET, B.V. Student writing in higher education: an academic literacies approach. Studies in Higher Education, v. 23, n. 2, p. 157-173, 1998. LEA, M. R.; STREET, B.V. The “academic literacies” model: theory and applications. Theory into practice, v. 45, n. 4, p. 368-377, 2006. MOTTA-ROTH, D. Letramento científico: sentidos e valores. Notas de pesquisa, v.1, n. 0, p.12-25, 2011. SIGET. SIGET SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE ESTUDOS DOS GÊNEROS TEXTUAIS, 2011, Natal. Caderno de resumos. Natal, RN: EDUFRN, 2011. SIGET SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE ESTUDOS DOS GÊNEROS TEXTUAIS, 6.,2011, Natal. Apresentação... Natal: UFRN, 2011. Disponível em: < http://www.cchla.ufrn.br/visiget/>. Acesso em: 11 jun. 2013.

Palavras-chave: abstracts; letramento; letramento acadêmico;VI SIGET.

___ ¹ Autora. Aluna do 4º semestre do curso de licenciatura em Letras – Inglês (UFSM). E-mail: amandampretto@gmail.com ² Coautora. Aluna do 8º semestre do curso de licenciatura em Letras – Inglês (UFSM). E-mail: lailadcc@yahoo.com.br ³ Coautora. Aluna do 3º semestre do curso de licenciatura em Letras – Inglês (UFSM). E-mail: mandinha_radunz@hotmail.com 4 Orientadora. Professor da Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: mottaroth@gmail.com 67


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

A IMIGRAÇÃO ALEMÃ E O ESTADO NOVO: O FUNCIONAMENTO POLÍTICO DO SILÊNCIO RONSANI, Luciana Vargas¹ Resumo: O nosso trabalho tem como principal objetivo refletir sobre a memória da imigração alemã, tomada como memória discursiva, a qual se constitui de discursos na e sobre a língua praticada pelos sujeitos descendentes de imigrantes alemães no Brasil. A vinda dos imigrantes alemães para o Brasil teve início nas primeiras décadas do século XIX. Conforme Roche (1969, p. 2), “o Governo Imperial Brasileiro sempre considerou a imigração indispensável à exploração do País”. Os primeiros imigrantes alemães chegaram ao Brasil ainda no reinado de D. Pedro I. Estabeleceram-se no Sudeste e Sul do País, onde, a partir de 1824, fundou-se a colônia alemã de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. A alta natalidade permitiu que os alemães conquistassem e explorassem mais terras gaúchas, chegando ao Noroeste do Estado em 1902 (ROCHE, 1969). Em Serro Azul, atual Cerro Largo, foi fundada, nos últimos anos do século XIX, uma colônia de imigrantes alemães, e dela foram se desmembrando várias outras, como Salvador das Missões. A vila Santa Catarina, situada no interior da cidade de Salvador das Missões, é formada predominantemente por descendentes de colonizadores alemães. Nossa proposta é, pois, analisar um trecho de uma entrevista, realizada com uma descendente de imigrantes e compreender como ela significa sua origem, sua descendência e sua(s) língua(s) e como se significa enquanto sujeito constituído por uma memória de dizeres da interdição linguística, memória esta que o silêncio também faz parte e produz efeitos de sentidos. Os descendentes de alemães, do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, constituem-se, como tantos outros descendentes, pelas condições sócio-históricas da Ditadura Militar no período conhecido como Estado Novo, cujo comando esteve nas mãos de Getúlio Vargas (1937 a 1945). Nesse sentido, analisamos como a memória de tal ditadura constitui o discurso de uma moradora da Vila Santa Catarina. Entendemos que cada sujeito tem o direito de falar na língua que lhe faz interpretar e significar os fatos e as coisas e na língua que lhe significa como sujeito falante. O Estado, no entanto, por meio de seus aparelhos ideológicos, tais como a escola e as demais instituições (ALTHUSSER, 1992), não assegurou, durante o Estado Novo, este direito aos imigrantes. Através da entrevista compreendemos que o sujeito descendente de imigrantes alemães se significa como afetado pelo silêncio imposto e por uma fronteira que delimita seu dizer em alemão e em português. Referências bibliográficas

ALTHUSSER, Louis. Aparelhos ideológicos de Estado: nota sobre os aparelhos ideológicos de Estado (AIE). 2.ª edição. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1985. ROCHE, Jean. A colonização alemã e o Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Globo, 1969.

Palavras-chave: Efeitos de sentido; Estado Novo; Língua alemã.

___ ¹ Mestranda na área de Estudos Linguísticos – UFSM. E-mail: luronsani@yahoo.com.br 68


CADERNO DE RESUMOS

A REPRESENTAÇÃO DO PADRE ANTÔNIO VIEIRA ATRAVÉS DO SEU PRIMEIRO BIÓGRAFO, O PADRE ANDRÉ DE BARROS SANCHES, Angelo Moreno Bidigaray¹; DE MARTINI, Marcus² Resumo: Sob a orientação e coordenação do Prof. Dr. Marcus De Martini, o projeto de pesquisa intitulado “Representações Literárias dos Séculos XVI-XVIII” visa a abordar, no âmbito da UFSM, trabalhos e estudos das obras literárias desse período. O Projeto tem como corpus de análise as obras e biografias do Padre Antônio Vieira (1608-1697), contando com o apoio da FAPERGS e de outras agências de fomento. As considerações apresentadas neste resumo são de caráter preliminar, já que o projeto está na sua fase inicial. No que se refere aos estudos das biografias, temos como foco das análises as representações de Vieira através do tempo. A primeira biografia publicada sobre o jesuíta data de 1746, tendo por autor o também padre da Companhia de Jesus e acadêmico da Academia Real da História Portuguesa, André de Barros (1675- 1754). Com o intuito de reafirmar na mentalidade da época a benignidade da Companhia de Jesus, o biógrafo desenvolve na sua obra um discurso retórico, que objetiva louvar vieira, criando um mito quase divino sobre a sua figura histórica. Grande parte das ações narradas na obra passa-se no Maranhão e Pará. Ali, André de barros narra o furor apostólico com o qual Vieira, juntamente com outros padres da Companhia de Jesus, lançam-se na conversão dos índios bárbaros contra a exploração dos portugueses escravocratas, realçando, nos seus relatos, as dificuldades sofridas, a sabedoria e a graça do Céu para com Vieira. Como afirma Paulo Rogério de Melo Oliveira (2011, p. 3), essa forma de biografar cria “uma historiografia auto-legitimadora e autorreferente, que combina a pesquisa histórica com a narrativa hagiográfica”. Dessa forma, André de Barros usa recursos linguísticos persuasivos para criar uma figura divina para a pessoa de Vieira, tentando vincular a ideia de que a Companhia de Jesus é a propulsora de homens como ele. Aristóteles, na Retórica, caracteriza esse tipo texto laudatório como um discurso “epidítico”. A influência dessa obra sobre a biografia é notável. Muitas das técnicas discursivas apresentadas na obra de André de Barros estão referenciadas na Retórica. É justamente esse o instrumento de persuasão que o biógrafo utiliza para convencer o leitor da grandiosidade de Vieira e, por consequência, fortalecer a imagem da Companhia de Jesus como a instituição que projeta homens virtuosos para o bem da fé e de Portugal. Referências bibliográficas

ARISTÓTELES. Retórica. 2. ed. Lisboa: Imprensa Nacional-casa da Moeda, 2005 BARROS, André de. Vida do apostólico padre Antonio Vieira da Companhia de Jesus, chamado por antonomásia o Grande: aclamado no mundo por príncipe dos oradores evangélicos, pregador incomparável dos augustíssimos reis de Portugal, varão esclarecido em virtudes e letras divinas e humanas; restaurados das missões do Maranhão e Pára. 1. ed. Lisboa: Na nova Oficina Silviana, 1746 OLIVEIRA, Paulo Rogério Melo de. Um estilo jesuítico de escrita da história: notas sobre estilo e história na historiografia jesuítica. História da Historiografia, Ouro Preto, n.7, p. 266-278, Nov/Dez. 2011.

Palavras-chave: Companhia de Jesus; história; Padre Antônio Vieira.

___ ¹ Autor. Aluno do 4° semestre do curso de Bacharelado em Letras – Português e Literaturas (UFSM); bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PROBIC). E-mail: angelosanches@ymail.com ² Orientador. Professor da Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: marcusdemartini@gmail.com 69


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

A PRÁTICA DOCENTE NA (OUTRA) ESCOLA SANTOS, Flávio Cezar dos¹; MEURER, Ane Carine² Resumo: Este trabalho tem como objetivo a apresentação de reflexões alcançadas durante a participação de um projeto que estuda a Educação do Campo (EC) e a Interdisciplinaridade. O projeto faz parte do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência - PIBID, o qual é uma iniciativa para o aprimoramento e a valorização da formação de professores para a educação básica. Durante o curso de licenciatura em Letras é quase inexistente a discussão sobre a EC e a Interdisciplinaridade (essa recentemente debatida em razão da nova proposta pedagógica governamental - Proposta Pedagógica Para O Ensino Médio Politécnico e Educação Profissional Integrada Ao Ensino Médio - 2011-2014), e não questioná-las, principalmente a EC, é abdicar a possibilidade de que o estudante de Letras atue em escolas do campo. Da mesma forma, esse fato ocorre com as outras licenciaturas da UFSM que fazem parte do projeto como Pedagogia, Educação Física, Matemática, História, Artes Visuais e Educação Especial, com exceção de Geografia. Antes de tratar sobre a participação do projeto, é necessário apresentar o que é a escola do campo. Segundo a resolução 01/2002, do Conselho Nacional de Educação, “a escola do campo é definida pela sua vinculação às questões inerentes à sua realidade, ancorando-se na temporalidade e saberes próprios dos estudantes, na memória coletiva que sinaliza futuros, na rede de ciência e tecnologia disponível na sociedade” (BRASIL, 2002). Como se pode notar, a Educação do Campo, em especial a escolar, principal objeto de formação dos cursos de licenciatura, precisa de um estudo diferenciado daquele que é ensinado nos próprios cursos. Além disso, é necessário conhecer a escola, dialogar com os alunos e os professores, enfim, a comunidade escolar. Também a diferença entre conhecer ou não a realidade da escola faz com que a prática do professor de língua portuguesa seja melhor planejada e desenvolvida em sala de aula. Essas reflexões realizam-se no grupo de pesquisa e articulação com a prática docente na escola do campo. Enfim, não cabe somente ao estudante a busca do conhecimento das diferentes escolas, mas incumbe, sobretudo, aos cursos de licenciatura discutir as distintas realidades da educação e da escola. Dalben (2010), afirma que os currículos não destacam as questões relacionadas aos conhecimentos e práticas sociais vindas do meio rural, mas privilegiam conteúdos específicos, não atendendo as reais necessidades de conhecimento e cultura de diversos grupos étnicos e sociais que foram excluídos como capazes de pensar e de agir. Conclui-se que é possível enfrentar a outra escola, reconhecendo seus limites e possibilidades a partir de uma sólida formação inicial e continuada, respeitando as suas diferenças. Referências bibliográficas

BRASIL. Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Básica. Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo. Resolução nº 1 de 03 de abril de 2002. Disponível em: < http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/EducCampo01.pdf >. Acesso em 19 Set. 2012, 14h23min DALBEN, A. I. L. F. Convergências e tensões no campo da formação e do trabalho docente: Educação de Jovens e Adultos, Educação de Pessoas com Deficiências, Altas Habilidades e Condutas Típicas, Educação do Campo, Educação, Gênero e Sexualidade, Educação Indígena, Relações Raciais e Educação. Disponível em: < http://www.fae.ufmg.br/endipe/livros/Livro_2.PDF >. Acesso em: 20 Set. 2012, 13h18min

Palavras-chave: Currículo; Docência; Educação do Campo.

___ ¹ Autor. Aluno do 7º semestre do curso de licenciatura em Letras – Português UFSM. E-mail: flaviocezar85@hottmail.com. ² Orientadora. Professora da Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: acmeurer@terra.com.br 70


CADERNO DE RESUMOS

O DICIONÁRIO COMO INSTRUMENTO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO NO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA SCHWERTNER, Matheus Von Ende¹; PETRI,Verli² Resumo: Este trabalho, que é parte do Programa Conexão de Saberes – programa nacional que busca uma maior integração entre comunidades populares e a universidade – tem por objetivo a criação de um material didático que possibilite o ensino de Língua Portuguesa na sala de aula, favorecendo o uso de dicionário como base instrumental. Para criação deste material, realizaram-se observações em uma turma de oitava série, do ensino fundamental, em uma escola periférica na cidade de Santa Maria, dando ênfase à pratica do dicionário. Partindo do referencial teórico da Análise do Discurso de linha francesa, em autores como Guimarães (1989), Pêcheux (1995) e Orlandi (1993), e buscando, na escola, um espaço diverso de construções de sentido, o projeto de ensino centra as atividades no funcionamento discursivo do dicionário na disciplina de Português – considerando-o, segundo Petri (2010), como “materialidade discursiva, na qual é possível observar diferentes formas de nomear e de definir as coisas do nosso mundo”. Em um último momento, será desenvolvido um artigo para futura publicação dos resultados obtidos em que será apontado os resultados do projeto em relatório específico. Como resultado deste trabalho, é esperada uma nova visão do dicionário por alunos e professores, de modo que esses passem a utilizá-lo para a aprendizagem e para a construção de sentidos, além de produzir uma nova atividade que ultrapasse os limites do currículo escolar, fugindo do senso comum que a prática escolar utiliza – isto é, como um instrumento restrito ao domínio frasal ou textual – e que busque o envolvimento do aluno em sala de aula, tentando escapar da sistematização criada pelo ambiente escolar na disciplina de Língua Portuguesa. Referências bibliográficas

ORLANDI, E. P. Análise de discurso: princípios e procedimentos. Campinas, SP: Pontes, 1993. GUIMARÃES, E. (Org.) História e sentido na linguagem. Campinas, SP: Pontes, 1989. PÊCHEUX, M. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Trad. Eni Pulcinelli Orlandi. 2ª ed. Campinas, SP: UNICAMP, 1995. PETRI,V. Um outro olhar sobre o dicionário: A produção de sentidos. 1. ed. Santa Maria: UFSM – PPGL, 2010.

Palavras-chave: dicionário; ensino; Língua Portuguesa.

___ ¹ Autor. Aluno do quarto semestre do curso de licenciatura em Letras – Português (UFSM). E-mail: matozinhu15@gmail.com ² Orientadora. Professora da Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: verli.petri72@gmail.com 71


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

INFÂNCIA E EXPERIÊNCIA NA OBRA DE SALIM MIGUEL SILVA, Ana Cláudia de Oliveira da¹ Resumo: A infância na literatura possui uma carga simbólica, quase mítica, associada à imagem romântica de uma inocência perdida. Ao contrário dessa imagem idealizada, percebe-se na contemporaneidade a representação de uma infância cindida, que, em Reinvenção da Infância, do escritor Salim Miguel, configura-se pela situação migrante do protagonista. O livro conta a história de um menino que vem com sua família de um país distante, o Líbano, para o interior de Santa Catarina, onde passa sua infância e parte da adolescência. Como o próprio título apresenta, nesse romance fato e ficção se inter-relacionam, em um misto de fantasia e realidade, memória e imaginação. Intencionalmente o protagonista do relato não é nominado, pois, na compreensão do autor, a infância é o momento em que qualquer ser humano, em qualquer época ou parte do mundo, pode aproximar-se da infância dos demais. Assim, partimos da ideia de que esse período da vida é o momento por excelência escolhido para intercambiar uma experiência única e fundamental, que formará o homem e na qual repousam as chances para a compreensão do próprio presente. Portanto, nesse trabalho, parte-se do princípio de que nesse romance de Salim Miguel há uma tentativa de recuperar a experiência como sabedoria, por meio da narração de momentos importantes da infância do protagonista, conforme os moldes propostos por Walter Benjamin em seu famoso ensaio: O narrador: considerações sobre a obra de Nikolai Leskov. Nesse processo de restauração do passado, de retomada salvadora pela palavra de um passado que sem isso cairia no silêncio e no esquecimento, destaca-se a importância da narração para a constituição do sujeito enquanto sujeito migrante. A experiência pessoal, dessa forma, transforma-se em experiência coletiva, conforme se depreende a partir da renuncia às encenações projetadas do “eu”, típicas da autobiografia, e da falta de nomeação do protagonista. Como resultado, surge um texto composto a partir do “entrelaçamento” da história pessoal desse sujeito com a história dos outros. Referências bibliográficas

BENJAMIN,Walter. O narrador: considerações sobre a obra de Nikolai Leskov. In: ________. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre a literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 1989.

Palavras-chave: condição migrante; experiência; infância.

___ ¹ Aluna do curso de Letras Espanhol e respectivas Literaturas/UFSM. E-mail: clauoli13@gmail.com

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CADERNO DE RESUMOS

A PERGUNTA RETÓRICA COMO MECANISMO DE CORTESIA EM CARTAS DEL LECTOR¹ SILVA, Gabriela Colbeich da²; FERNANDES, Ivani Cristina Silva³ Resumo: Discutir sobre Cortesia, no sentido a que nos propomos neste trabalho, significa referir-nos a uma teoria relativa aos estudos sobre Pragmática, a um princípio que faz parte da interação humana, a uma estratégia para poder manter boas relações, que tenderia a alcançar e manter um equilíbrio em uma conversação. Para tanto, é preciso adequar os objetivos dos locutores à preocupação com a imagem de seus interlocutores. Este equilíbrio é bastante sutil e exige um conhecimento profundo das estratégias e normas de emprego dos mecanismos linguísticos, principalmente, quando tentamos interagir em língua estrangeira. Neste trabalho, buscamos examinar, por meio de um paradigma indiciário, por que em cartas del lector em língua espanhola os locutores fazem uso de interrogativas para exporem suas opiniões e não de afirmações - que exporiam de modo mais claro seus pontos de vista. Por meio da materialidade linguística dessas cartas, procuramos compreender quais seriam os objetivos dos seus locutores ao utilizarem interrogativas em seus títulos; quais seriam os efeitos de sentido provocados pela utilização de tais estratégias linguísticas; e, ao final deste trabalho, discutir a importância deste aspecto específico, bem como dos estudos da Cortesia para o ensino-aprendizagem de espanhol língua estrangeira. Para a realização do que nos propomos nesta pesquisa, após eleger o gênero textual – carta del lector – e os aspectos linguísticos a serem analisados – interrogativas totais ou disjuntivas –, buscamos versões online de diários e jornais de países de língua espanhola que disponibilizassem, em seu site, o acesso a textos que fizessem parte de seções destinadas à opinião dos leitores, mais especificamente, cartas del lector cujos títulos correspondessem à interrogativas disjuntivas. Os jornais selecionados para esta análise foram Clarín e La Nación, ambos argentinos, e La Vanguardia, espanhol. Estabelecemos como faixa temporal para seleção do material do corpus o período entre fevereiro de 2012 e fevereiro de 2013. Dessa forma, obtivemos o número total de quinze textos. O eixo dos estudos da Cortesia a que nos referimos nesta pesquisa é o da Cortesia estratégica desde seu critério interacional, que se relaciona aos objetivos argumentativos que um locutor persegue ao produzir um texto e ao modo como ele, por meio de mecanismos da língua, tenta conseguir estes objetivos. Especificamente, para a análise de nosso corpus, nos basearemos em: uma das regras de adequação pragmática propostas por Lakoff, seja cortês, e nas normas que desta derivam; na noção de atos de fala ilocucionários indiretos (SEARLE, 1969); nas considerações sobre as interrogativas – alternativas, polares e retóricas – e nos conceitos de imagem pública (BROWN E LEVINSON, 1987). Por meio dos resultados obtidos, foi possível perceber que a maioria das interrogativas utilizadas pelos locutores teria uma função retórica. Pudemos considerar, também, que os usos dessas interrogativas retóricas, devido a seus possíveis efeitos corteses, podem se configurar em estratégias que atenuem a apresentação de opiniões e isso poderia significar a existência do pressuposto de que os locutores levariam em consideração a imagem de seus interlocutores, a valorização positiva da tese. Causar um efeito de consulta do ponto de vista dos interlocutores sobre algo poderia se constituir em uma estratégia linguística para causar um efeito de Cortesia. A partir disso, ponderamos que sugerir seria um ato de fala mais cortês do que opinar de forma categórica, pois mitigaria uma possível imposição. Referências bibliográficas

AUSTIN, J. L (1970). Ensayos filosóficos. Madrid: Revista de Occidente, 1975. _____________ (1962). Palabras y acciones. Buenos Aires: Paidós, 1971. BRAVO, D.; BRIZ, A. (eds.). Pragmática Sociocultural: estudios sobre el discurso de cortesía en español. Barcelona: Ariel Editorial, 2004. BROW, P.; LEVINSON, S. Some universals in language usage. Cambridge: Cambridge University Press, 1987. Escuela Escocesa San Andrés. Géneros - CARTA DEL LECTOR. Disponível em: <http://www.sanandres.esc.edu.ar/secondary/Espanol/ Espanol%20Tipos%20Texto/Textos%20periodisticos/Carta%20de%20lectores/Carta%20de%20lectores%20(TO).doc.>. Acesso em: 02/03/2013. Centro Virtual Cervantes (CVC) - Biblioteca Cervantes - Diccionario de términos clave de ELE. Disponível em: <http://cvc.cervantes. es/ensenanza/biblioteca_ele/diccio_ele/>. Acesso em: 02/03/2013. COSTA, S. R. Dicionário de gêneros textuais. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2008. Diario El Clarín – Sección Opinión: Cartas al país. Disponível em: <http://www.clarin.com/tema/cartas_al_pais.html>. Acesso em: 24/02/2013. ___ ¹ Este trabalho tem como base minha monografia de conclusão de curso. ² Autora. Graduada em (Licenciatura) Letras Espanhol e Literaturas de Língua Espanhola (UFSM). E-mail: gabizynha_cs@hotmail. com. ³ Orientadora. Professora da Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: icrisifer@gmail.com. 73


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013 Diario La Nación – Sección Opinión: Cartas de lectores. Disponível em: <http://www.lanacion.com.ar/carta-lectores>. Acesso em: 24/02/2013. Diario La Vanguardia – Sección Participación: Cartas. Disponível em: <http://www.lavanguardia.com/participacion/cartas/lista/index. html>. Acesso em: 24/02/2013. ESCRIBANO, A. Las voces del texto como recurso persuasivo. Arco Libros S.L.: Madrid, 2009. GINZBURG, C. Mitos, emblemas, sinais: morfologia e história. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. GOFFMAN, E. (1967). Ritual de Interação: ensaios sobre o comportamento face a face. Tradução: Fábio Rodrigues Ribeiro da silva. São Paulo:Vozes, 2011. GRICE, H. P. (1975). Lógica y Conversación.Tradução José J. Acero. In:VILLANUEVA, L. M.V. (Org.). La búsqueda del significado. Madrid: 1991. p. 511-530. HAVEKATE, H. La cortesía verbal: estudio pragmalingüístico. Madrid: Editorial Gredos, 1994. HOLANDA, S. B. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. HOUAISS, A.;VILLAR, M. S. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. LAKOFF, R. (1973). La lógica de la Cortesía, o acuérdate de dar las gracias. Tradução Marcos Cânovas. In M.T. Julio; R. Muñoz. Textos clásicos de pragmática. Madrid: Arco, p. 292-305 LEECH, G. N. (1983). Princípios de Pragmática. Tradução, notas e prólogo: Felipe Alcántara. Espanha: Universidad de la Rioja, 1998. MARCUSCHI, L. A. Produção Textual, Análise de Gêneros e Compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008. MASIP,V. Gramática Española para Brasileños: fonología, ortografia y morfosintaxis. São Paulo: Parábola Editorial, 2010. MORESI, E. (org.). Metodologia da Pesquisa. Programa de pós-graduação stricto sensu em gestão do conhecimento e tecnologia da informação: UCB, 2003. PERELMAN, C.; OLBRECHTS-TYTECA, L. Tratado da Argumentação: A Nova Retórica. São Paulo: Martins Fontes, 2005. REAL ACADEMIA ESPAÑOLA. Diccionario de la Lengua Española Tomo I. España: Espasa Calpe S. A., 2001. _____________ . Diccionario de la Lengua Española Tomo II. España: Espasa Calpe S. A., 2001. _____________ . Nueva Gramática de la Lengua Española – Sintaxis II. Madrid: Espasa Libros S.L.U., 2009. RODRÍGUEZ, C. F. La gramática de la Cortesía en español/LE. Madrid: Arco Libros S.A.: 2010. SEARLE, J. (1969). Actos de habla: ensayo de filosofía del lenguaje. Barcelona: Editorial Planeta de Agostini, S.A., 1994. _____________ (1975). Indirect speech acts In: COLE, P.; MORGAN, J.L. Sintax and semantics 3: Speech acts. Nueva York:Academic Press, 1975, p. 59-83. SILVA, G. C. A interrogação retórica como mecanismo de cortesia em cartas del lector em língua espanhola. 2013. 63 f. Monografia (Licenciatura em Letras Espanhol e Literaturas de Língua Espanhola) Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2013. TORREGO, L. G. Gramática Didáctica del Español. Madrid: Ediciones SM, 2002. TRAVAGLIA, L. C. Ensino de Gramática em uma perspectiva textual-interativa e qualidade de vida. In: 7ª. JORNADA NACIONAL DE LITERATURA, 237., 1997, Uberlândia. Anais Eletrônicos. Uberlândia: UFU, 1997. Disponível em: < http://www.mel.ileel.ufu.br/ homepages/travaglia/artigos/artigo_ensino_gramatica_perspectiva_qualidade_vida.pdf>. Acesso em: 24/02/2013. VIDAL, M.V. E. Introducción a la pragmática. Barcelona: Editorial Ariel S.A., 1999. _____________ . Aportaciones de la Pragmática. Departamento de Lengua Española y Lingüística General: UNED s/d. Disponível em: <http://www.textosenlinea.com.ar/textos/Aportaciones%20de%20la%20pragmatica.pdf> Acesso em: 24/02/2013.

Palavras-chave: Cortesia; Efeitos de sentido; Interrogativas.

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CADERNO DE RESUMOS

VIVER É NARRAR

SILVA, Jeferson Flores Portela da¹

Resumo: Nosso trabalho tem por objetivo mostrar como toda a nossa vida acontece dentro de uma esteira de narrativas, ou seja, todas as ações que desempenhamos no mundo, desde a mais a simples como tomar um copo d’água até algumas mais complexas como a de constituir uma família está diretamente vinculada a uma narrativa. Segundo Ricoeur “é suficiente, no momento, dizer que em muitas narrativas é pela escala de uma vida inteira que o si procura sua identidade” (1991, p. 139). Este problema, a saber, o problema que uma vida é constantemente narrada, ou seja, se atualiza todos os dias, pois, o que nos da uma certeza que todas as nossas ações no mundo são de fato narrativas e que essa por sua vez pode nos identificar enquanto sujeitos de uma história única e jamais repetível? De um ponto de vista podemos dizer que temos o ato atomizado (fala ou discurso, a própria vida vivida), isto é, toda a história dos sujeitos constantemente está acontecendo entro de pequenas narrativas que depois se tornam em narrativas maiores. Segundo o pensamento de Ricoeur, a narrativa esta enraizada no sujeito, no mundo, pois, é impossível pensar na identidade de cada indivíduo sem ter a ideia de narrativa. Para o filósofo, toda e qualquer ação no tempo tem que estar dentro de uma narrativa que realce possuir um valor de verdade. Segundo Rossatto, não há possibilidade de que as ações humanas sejam contadas fora de uma narrativa, pois, toda análise dos eventos realizados pelos sujeitos estão baseados e devem estar baseados em narrativas, ou seja, “é aí – e só aí” que toda e qualquer ação humana vai encontrar um abrigo seguro (2010b, p. 119). Nesse encontro intimo é que vida e narrativa se tornam uma só, isto é, uma depende da outra, para se pensar em uma vida narrada é preciso ter presente um contexto, onde a narrativa configura as ações humanas no mundo e se identifica com o sujeito narrado. Referências bibliográficas

ROSSATTO, D. Noeli. Vida e Narrativa. Conhecimento, discurso e ação: Organização Gallina, L. Albertino. Sartori, A. Carlos e Schneider, R. Paulo – Ijuí: Ed. Unijuí, 2010. RICOEUR, Paul. O Si-Mesmo como um outro. Campinas – SP: Papirus, 1991.

Palavras-chave:Vida; Narrativa; Ricoeur.

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¹ Autor. Acadêmico do 6º Semestre de Filosofia da Faculdade Palotina – FAPAS. E-mail para contato: jefresonfilosofia@gmail.com. 75


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

PLE: PROCESSO DE CRIAÇÃO DE UM MATERIAL DIDÁTICO SOBROSA, Daiana Marques¹; SANTOS, Grazielle da Silva dos² Resumo: A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) recebe, a cada semestre, um número expressivo de estudantes estrangeiros falantes de espanhol, vindos através da Associação das Universidades do Grupo Montevidéu (AUGM). Esta entidade, criada desde 1991, tem por finalidade firmar convênios de cooperação internacional e interinstitucional entre algumas das universidades públicas da Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai. Pensando neste público, a Secretaria de Apoio Internacional (SAI) firmou um acordo com o Laboratório Entrelínguas, que está vinculado ao Departamento de Letras Estrangeiras Modernas (DLEM) da UFSM, para que fossem ofertados cursos de Português- Língua estrangeira (PLE), objetivando inserir este aluno no novo contexto sócio-cultural. A partir das experiências adquiridas com o ensino de PLE, buscouse elaborar um material que atendesse prioritariamente as necessidades básicas deste aluno estrangeiro que chega à universidade. Tal material inclui questões de compreensão textual, noções de gramática, prática de oralidade e aquisição de vocabulário, todas norteadas pelo princípio da interculturalidade, pois como afirma Serrani (2005) o professor deve ser capacitado para não conceber a língua como mero instrumento a ser dominado pelo aluno, mas deve considerar, em sua prática, os processos de produção-compreensão do discurso, relacionados diretamente à identidade sócio-cultural. Sendo assim, o presente trabalho busca explicitar o processo de criação desta apostila didática - que é voltada ao curso de Português- Língua estrangeira, ofertado pelo Entrelínguas aos intercambistas falantes de espanhol - evidenciando a metodologia utilizada, os critérios de seleção de textos e atividades, bem como outros fatores que influenciaram no desenvolvimento desta. Vale ressaltar que recentemente o Laboratório Entrelínguas ampliou sua demanda de intercambistas falantes de outras línguas, além do espanhol, que buscam a aprendizagem do português como língua estrangeira. Em razão disso, o material didático está passando por um processo de adaptação da metodologia utilizada nas aulas para atender a demanda de falantes de diferentes línguas. Referências bibliográficas SERRANI, Silvana. Discurso e Cultura na Aula de Língua: Currículo, Leitura e Escrita. São Paulo: Pontes, 2005.

Palavras-chave: Entrelínguas; intercambistas; material didático; Português língua estrangeira.

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¹ Mestranda em Letras- Estudos Linguísticos- PPGL- UFSM- daianamsobrosa@hotmail.com ² Mestranda em Letras- Estudos Linguísticos- PPGL- UFSM- graziesp@hotmail.com 76


CADERNO DE RESUMOS

REFLEXÕES INTRODUTÓRIAS SOBRE AS “COUSAS” QUE ACONTECEM SOUZA, Luciéle Bernardi de¹; CABAÑAS, Ana Teresa² Resumo: Há coisas que acontecem, e há livros (que também acontecem) que falam sobre estas “coisas”. Certas narrações sobre tais “coisas” foram denominadas por Daniel Pellizzari como “fábulas metarrealistas”, união de dois conceitos que, juntos, desestabilizariam a noção clássica de termos como “fábulas”, e trariam à tona discussões sobre a representação e o realismo contemporâneo da prosa ficcional brasileira. Estas coisas acontecem entre o “Zero Kelvin” e as “Orelhas que voam”, os dois livros que formam O livro das cousas que acontecem, de Daniel Pellizzari (2003). Contos aparentemente não estão conectados entre si, exceto por algumas situações que remetem as mesmas temáticas, e por representarem o que de mais cotidiano e rasteiro há: a vida, as relações entre os indivíduos e o mundo. Nos contos, são narradas (quase sempre e m terceira pessoa) situações em que o elemento que posso denominar até o momento como “anormalidade”, o “insólito” ou o “bizzarro” irrompe de maneira natural no cotidiano dos personagens: José Leonel acorda com um buraco do tamanho de uma moeda de dez centavos no meio da cabeça; Castilho, que trabalha numa loja sex shop como limpador de cabines, um dia descobre que o sêmen de um cliente de paletó proporciona alucinações e um encontro com deus; Rafael, Ricardo, Rodrigo Louco e Rubem são homens singulares e com cotidianos particulares, que somem quando um buraco que abre-se e os engole; Nova Vigordvodina é uma cidade em que coisas estranhas acontecem com vários personagens: um homem tentou ir à lua através de balões de hélio no pescoço, um ex-palhaço de circo gostava de se esconder atrás de moitas e fumar cigarros, assustando garotinhos que procuravam a bola atrás das mesmas (dentre outras situações presentes no mesmo conto). “Coisas” que, pela maneira como são representadas, geram no leitor um estado de desestabilização emocional que, gago, divide-se entre o riso e grito de pavor, uma sensação de estranhamento frente a situações absurdas tão próximas do real, do cotidiano, como se este fosse realmente permeado de pequenos e sutis absurdos, fissuras entre o que o leitor considera como realidade (e sua problematização), como ela pode ser representada portando em si “reais situações insólitas”, acontecem em pelo menos duas dimensões: na obra e na vida. Como a representação é construída através do gênero conto? Considerando que teóricos o consideram um gênero “plástico” em relação aos temas e mesmo quanto à forma, o quê definiria este gênero polêmico e não totalmente consensuado quanto suas características definidoras? Quais seriam os traços distintivos do conto brasileiro contemporâneo e como eles ajudariam a compreender a obra? Há vinculação do gênero com o realismo contemporâneo nosso? Como, através de uma técnica expressiva como o realismo (qual realismo?), há a problematização de noções como normalidade e a relação real/irreal? As dúvidas acima são algumas que surgiram após refletir um pouco sobre os efeitos iniciais que a obra me causou, intuito responder. Com vista a isso, tentarei apreender como a representação da(s) realidade(s) construídas através da ficção são paralelas e relativas, e como as diferentes roupagens da contística brasileira das últimas décadas podem auxiliar na compreensão sobre “o quê” a literatura fala em diferentes períodos históricos e estilísticos, como fala, e que questionamentos ou reflexões que tal obra pretende (se pretende). Para isso, é fundamental compreender qual é a conjuntura histórico-social atual, para que, conhecendo o contexto de produção e enunciação de tal obra contemporânea, possamos compreender os possíveis “sujeitos interpretantes” (leitores) e o mundo do qual os escritores fazem parte. Estabelecendo relações entre o momento histórico-social e obra como O livro das cousas que acontecem, de Daniel Pellizzari. Referências bibliográficas

BERMAN, Marshall. Tudo que é Sólido Desmancha no Ar – a aventura da modernidade. São Paulo: Companhia das Letras, 1988. JAMESON, Fredric. Pós-Modernismo. A Lógica Cultural do Capitalismo Tardio. São Paulo: Ática: 1997. MARTÍN Barbero Jesús. Modernidad y Posmodernidad en la perifería. Escritos: Revista del centro de ciencias del Lenguaje, Nº 13-14, enero-deciembre, págs 281-288,1996. PELLIZZARI, Daniel. O livro das cousas que acontecem. Porto Alegre, Livros do Mal, 2002.

Palavras-chave: contemporaneidade, conto, metarrealismo. __

¹ Graduada em Ciências Sociais Bacharelado e Aluna do curso de Letras Português Licenciatura da Universidade Federal de Santa Maria. E-mail:lucielebernardi@gmail.com, ² Orientadora. Professora da UFSM. E-mail: tecamay@gmail.com. 77


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

TEMPO E MEMÓRIA EM O ESPLENDOR DE PORTUGAL, DE LOBO ANTUNES STEFANELLO, Camila¹; OLIVEIRA, Raquel Trentin² Resumo: O esplendor de Portugal (1997), do escritor português Lobo Antunes, problematiza o fim da guerra colonial entre Portugal e Angola. Nesse contexto, encontra-se uma família desmembrada entre esses dois países: a mãe Isilda e os seus três filhos: Carlos, Rui e Clarisse. Os filhos foram mandados a Portugal, na tentativa de escapar da hostilidade da guerra, enquanto a mãe permanece na colônia. É nessa última personagem, Isilda, que se concentra o foco deste estudo. Descendente de uma família de colonos portugueses proprietários de uma fazenda de algodão e girassol, Isilda esteve em Angola desde criança e, desse modo, pode presenciar os diferentes momentos do processo de colonização português, desde o apogeu até a derrocada. Nesse sentido, o objetivo desta comunicação é analisar, em tal romance, os capítulos que trazem, sob o foco narrativo da personagem (a obra apresenta o foco narrativo dos quatro membros da família), os ecos da sua memória que desencadeiam o entrecruzamento entre passado remoto e passado recente, sugerindo a complexidade da experiência vivida por ela e uma possível releitura do processo colonizador português. Referências bibliográficas

ANTUNES, António Lobo. O esplendor de Portugal. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. GAGNEBIN, Jeanne Marie. Lembrar escrever esquecer. São Paulo: Editora 34, 2006. GÉRARD, Genette. Discurso da narrativa. Lisboa:Vega, 199-. GOMES, Álvaro Cardoso. A Voz Itinerante: Ensaio sobre o romance português contemporâneo. São Paulo: Universidade de São Paulo, 1993. HUTCHEON, Linda. Poética do pós-modernismo. História.Teoria. Ficção. Rio de Janeiro: Imago, 1988. LOURENÇO, Eduardo. O labirinto da saudade. Lisboa: Gradiva, 2000. POUILLON, Jean. O tempo no romance. São Paulo: Cultrix, 1974. ROSENFELD, Anatol. Texto/Contexto. São Paulo: Perspectiva, 1969.

Palavras-chave: O esplendor de Portugal, Lobo Antunes, Isilda, entrecruzamento de tempos, memória.

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¹ Autora. Aluna do 6º semestre do curso de Letras-Português Licenciatura/UFSM. Bolsista FIPE Júnior. E-mail: stefanello.camila@ gmail.com ² Orientadora. Professora da Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: raqtrentin@yahoo.com.br 78


CADERNO DE RESUMOS

PRODUÇÃO TEXTUAL NO ENSINO MÉDIO SUSIN, Camila¹; MOTTA,Vaima Regina Alves² Resumo: O presente trabalho visa facilitar a parceria entre Universidade e Escola Básica, considerando que as práticas educativas devem ir além da experiência proporcionada pelos estágios supervisionados. Ainda, considera-se a necessidade de aproximação de discurso e de ação entre Universidade e Escola Básica, campo de futura atuação dos acadêmicos de licenciatura. A partir da possibilidade de um trabalho colaborativo entre universidade e escola pública, pretendese fortalecer a relação entre essas instituições de ensino, já que uma das preocupações em comum envolve justamente a necessidade de oferecer aos alunos da Escola Básica experiências em produção textual, que fortaleçam o domínio da escrita. Assim, desenvolvendo um trabalho sustentado pela pesquisa-ação, busca-se envolver o Ensino Médio em um trabalho no qual professor e alunos equilibrem a responsabilidade sobre os avanços na qualidade da escrita. Metodologicamente, o trabalho é dinamizado em oficinas semanais com a duração de 2h/a e envolve uma turma de terceiro ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Coronel Pilar do município de Santa Maria. Ainda, tem como professora-executora das atividades de produção textual uma acadêmica do Curso de Letras/Português da UFSM sobre a orientação direta da professora responsável pelo projeto. Além das diferentes produções escritas, o público-alvo deste trabalho está envolvido em atividades de reflexões sobre o processo de escrita, sobre os resultados obtidos nos artefatos textuais produzidos individualmente e de refacção. Espera-se, através dessa proposta, construir um espaço facilitador para uma experiência diferenciada em produção textual, capaz de provocar reflexões sobre o ensino e aquisição da escrita, bem como sobre os papéis do professor e do aluno em todo esse processo. As discussões sobre o trabalho desenvolvido serão pautadas em análises quanti-qualitativas dos textos produzidos e dos questionários que acompanham todo o processo. Para registros finais, consideraremos os avanços efetivos na relação forma-conteúdo das produções e a consciência sobre a escrita como um processo. Palavras-Chave: Parceria universidade-escola; Pesquisa-ação; Produção textual.

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¹ Apresentadora. Aluna do oitavo semestre do curso de licenciatura em Letras – Português e Literaturas de Língua Portuguesa da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). E-mail: camilatsusin@gmail.com ² Orientadora. Professora Doutora do Departamento de Metodologia do Ensino da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). E-mail: vaima@ibest.com.br 79


SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

TROPICÁLIA,VISTA DE DENTRO E DE FORA

TERRA, Juliana Peres¹

Resumo: A presente comunicação tem por objetivo apresentar uma breve interpretação e revisão bibliográfica acerca do movimento tropicalista, partindo de análises intra e extratropicália. Denomino de intratropicalistas as análises e os comentários de Caetano Veloso (Verdade tropical) e Torquato Neto (Torquatália, Vol.2 Geleia geral), pois os dois foram duas figuras atuantes dentro do âmbito do movimento, o primeiro no campo da canção popular brasileira e o outro tanto na canção quanto na imprensa – através de colunas de jornais. Extratropicalistas são os estudos feitos por autores que não tiveram participação no movimento, tais como os críticos Nicholas Brown, Roberto Schwarz e Luiz Tatit, sujeitos que figuram nesta exposição, entre outros. A tropicália é constantemente referida como um dos momentos mais significativos da cultura brasileira, não deixando de se tratar de um assunto polêmico – a disputa ideológica em torno do tropicalismo é intensa –, que ainda carece de uma síntese. Há muitos ensaios, palpites, livros, documentários que tratam do tema, mas em geral, abordam-no de modo muito polarizado – ou muito se elogia ou muito se critica -, faltando obras que abordem a questão de maneira mais sóbria. Fica aqui a minha tentativa de contribuir nesse caminho, sem nenhuma pretensão de fazer algo mais que sugerir uma possibilidade de por onde começar a trilhálo. Acredito que o esforço de tentar compreender melhor a tropicália é também um esforço de tentar compreender as respostas da cultura brasileira em relação às promessas nacionais-desenvolvimentistas que estavam sendo geradas no pré-64 e que foram desmentidas de forma tão violenta pela ditadura. O Brasil precisa, ainda, colocar fundo o dedo nessa ferida que os militares deixaram; e se aventurar pela produção tropicalista é uma das formas de mexer nesse ferimento, que continua bem exposto, constituinte da nossa história. Fazer a crítica da tropicália articulando o ideológico e o estético, tendo sempre em vista as condições sócio, econômico-históricas que possibilitaram seu surgimento e os desdobramentos que ela teve no futuro: este me parece ser o método de análise mais apropriado, a fim de tentar entender qual a posição que o movimento tropicalista ocupa na cultura brasileira. Referências bibliográficas

BROWN, Nicholas. Tropicália, pós-modernismo e a subsunção real do trabalho sob o capital. In: CEVASCO, Maria Elisa; OHATA, Milton. (Org.) Um crítico na periferia do capitalismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. NETO, Torquato. Torquatália,Vol2. Geleia Geral. PIRES, Paulo Roberto. (Org.) Rio de Janeiro: Rocco, 2003. SCHWARZ, Roberto. Cultura e política, 1964-1969. In: O pai de família e outros estudos. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. TATIT, Luiz. O século da Canção. 2.ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2008. VELOSO, Caetano. Verdade tropical. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

Palavras-chave: ditadura; nacional-desenvolvimentismo; tropicália.

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¹ Autora. Aluna do 2º semestre do curso de mestrado em Literatura Brasileira (UFRGS). E-mail: julianaperesterra@gmail.com.

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CADERNO DE RESUMOS

REPRESENTAÇÃO DA PATERNIDADE NO ROMANCE PEDRO PÁRAMO DE JUAN RULFO TUZZIN. Maria Iraci Cardoso¹ Resumo: Juan Preciado, narrador personagem do romance mexicano Pedro Páramo, não conhece o pai. Ele promete à mãe – moribunda – que irá ao povoado de Comala exigir que o latifundiário e cacique local, chamado Pedro Páramo, o reconheça como filho dele. E parte em viagem. O leitor chega a esta conclusão após realizar uma primeira leitura, da parte inicial do romance. Entretanto, se percorrer, com olhar atento as mesmas páginas, surpreende-se ao inferir que Juan Preciado não realiza nenhum movimento de deslocamento espacial, ele está inerte.Aninhado entre os braços de Dorotea, conta à sua colega de túmulo sobre a razão que o trouxera a Comala: encontrar seu pai.Ambos estão mortos. O pseudo movimento do narrador personagem de um ponto a outro, na história, é uma representação literária em cujo cerne há uma intencionalidade. Platão percebia a representação como cópia da realidade que, por sua vez, era a cópia da ideia. Na Renascença a representação literária ligava-se a ideia de imitação, isto é, objeto imitado e representação deviam ser iguais. Auerbach (1998) declara que a partir do momento em que personagens da vida cotidiana se tornam elementos de representação “abriram caminho para o realismo moderno, que se desenvolveu desde então em formas cada vez mais ricas, correspondendo à realidade em constante mutação e ampliação da nossa vida”. Pedro Páramo é um artefato literário latino-americano que busca expressar o sentido mágico de uma realidade que é única. Para consegui-lo, Rulfo emprega a técnica denominada realismo maravilhoso na escrita de seu único romance intitulado Pedro Páramo, no qual, pode ser identificada a temática da busca pelo reconhecimento da paternidade. Assunto que, contemporaneamente, ganha importância interessante devido à modificação da estrutura familiar. Observa-se, na nova família, a crescente ausência do pai. A paternidade contemporânea vive um momento de mudanças, de dúvidas, de rupturas. Incertezas que servem como pano de fundo para justificar as dificuldades no exercício da função paterna. Referências bibliográficas

AUERBACH, Erich. Mimesis. São Paulo: Perspectiva, 2004. PLATÃO. A república. São Paulo: Martin Claret, 2001. RULFO, Juan. Pedro Páramo. Mexico: Fonde de Cultura Eonomica, 1973.

Palavras-chave: Paternidade; Pedro Páramo; Representação

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¹ Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Letras – Estudos Literários, na Universidade Federal de Santa Maria.

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SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

CURSO DE LETRAS/ESPANHOL DA UFSM: CONTRIBUIÇÕES PARA A (IN)SUFICIÊNCIA LINGUÍSTICA DO FUTURO PROFESSOR DE ESPANHOL WAGNER, Alison Marcelo¹ Resumo: Utilizando como referência o ensino comunicativo de línguas postulado por Almeida Filho (1993) e, também, a concepção de professor reflexivo desenvolvida por Donald Schön (1987), o presente trabalho tem por objetivo apresentar uma discussão sobre o impacto que uma formação deficitária - sob o aspecto da proficiência linguística - pode causar nos futuros professores de língua espanhola. Ainda, considerando que a proficiência linguística é um pressuposto que subjaz a prática docente do professor de língua estrangeira neste caso, língua espanhola- o presente trabalho amplia a discussão para o âmbito da formação de professores, bem como para a prática em sala de aula. Nesse sentido, concordamos com Celani (2001), que aponta para a grande relevância que os cursos de formação de professores, bem como sua estrutura curricular, adquirem no processo de ensino de línguas no Brasil, visto que, segundo a autora (idem),a profissão de professor de línguas requer bem mais que a competência linguística por parte do professor. A metodologia utilizada para embasar a discussão foi a análise documental feita a partir de um recorte da grade curricular do Curso de Letras/ Espanhol da Universidade Federal de Santa Maria. A partir dos dados analisados foi possível perceber alguns aspectos que estão diretamente ligados a (in)capacitação linguística, bem como à formação pedagógica dos futuros professores de língua espanhola formados pela instituição. Alguns dados apontam para uma necessária (re)estruturação da grade curricular do curso de Letras/Espanhol da Universidade Federal de Santa Maria. Vale salientar que, coincidentemente, está em processo de discussão uma reformulação do curso, através do trabalho realizado pelo Núcleo Docente Estruturante (NDE) do Curso de Letras da Universidade Federal de Santa Maria. Por último, será apresentado o relato de um egresso do curso de Letras/Espanhol sobre as dificuldades impostas pela (in)suficiência linguística diante de contextos de práticas de ensino do idioma espanhol e, também, algumas considerações a respeito da formação de professores de línguas na instituição. Referências bibliográficas

ALMEIDA FILHO, José Carlos Paes de. Dimensões comunicativas no ensino de línguas. Campinas, SP: Pontes, 1993. CELANI, M.A.A. Ensino de Línguas Estrangeiras: Ocupação ou Profissão? IN:V.Leffa (org.). O ensino de línguas estrangeiras - Construindo a profissão. Pelotas: EDUCAT. p.21-40,2001. SCHÖN,Donald A. La Formación de Profesionales Reflexivos; Hacia un nuevo diseño de la enseñanza y el aprendizaje en las profesioes. Lourdes Montero e José Manuel Vez Jeremías (tradução). Centro de Publicaciones del M.E.C. y Ediciones Paidós Ibérica.Madrid,1987.

Palavras-chave: Ensino de espanhol; formação de professores.

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Autor. Mestrando em estudos linguísticos do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Santa Maria (PPGL/UFSM). E-mail: Alison.ufsm@gmail.com 82


CADERNO DE RESUMOS

ATIVIDADES DE PRÉ-ESCRITA COMO MOTIVADORES PARA PRODUÇÃO TEXTUAL NO ENSINO FUNDAMENTAL WEBER, Sabrine¹; FUZER, Cristiane² Resumo: A leitura e a escrita são as essenciais habilidades que, segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998), o professor de Língua Portuguesa deve estimular e direcionar os alunos a desenvolverem. A prática dessas habilidades tem colocado desafios aos professores em sala de aula, pois, pelo contato com o agir docente, percebe-se que a maioria dos alunos coloca-se resistente à produção escrita, o que acarreta a grande quantidade de estudantes que concluem o Ensino Médio com grande dificuldade na produção de texto. Diante dessa realidade, este trabalho, vinculado ao projeto de extensão “Práticas orientadoras para o processo de produção e avaliação de textos na perspectiva textual-interativa” (GAP/CAL 029622, FUZER, 2011), objetiva apresentar atividades em andamento no Ateliê de Textos, oficina de leitura e produção textual em que se desenvolvem estratégias e metodologias de leitura e escrita utilizadas. As aulas de leitura e produção textual, que totalizarão 20 horas/aula, beneficiam alunos de 5ª a 8ª série (6º a 8º ano) da Escola Estadual de Ensino Fundamental Professora Celina de Moraes, de Santa Maria-RS. Os pressupostos teóricos utilizados para o presente trabalho e planejamento das aulas incluem a concepção de gênero como ação social, conforme Bazerman (2006), a perspectiva textual-interativa descrita por Ruiz (2001), a abordagem processual da escrita conforme Soares (2009), a didática para redação de narrativas proposta por Soares (2010) e os estudos sobre o gênero conto de fadas a partir de Canton (2009) e Tatar (2004). A oficina em andamento na referida escola está em fase inicial, correspondente ao estágio de pré-escrita. Nesse estágio, foram feitas, com os alunos dispostos em círculo, a contextualização e leitura conjunta das versões de alguns contos maravilhosos. Por meio disso, constatou-se que os alunos, ao terem contato direto com as obras e ao terem acesso a informações sobre os autores e o contexto de publicação das versões, já começaram a colocarem-se também no papel de autores, refletindo sobre a (re)contextualização das próprias histórias que produzirão de acordo com o público para o qual serão destinadas, o tempo e espaço que estarão inseridas e a visão de mundo do próprio aluno-autor. Em seguida, foram feitos estudos e exercícios sobre as partes e os elementos da narrativa, apontando as especificidades do gênero conto maravilhoso. Com isso, os alunos estão aprendendo subsídios para a construção de narrativas escritas e pensando em como construirão suas histórias nos próximos encontros. Na sequência da oficina, os textos serão reescritos pelos alunos-autores até estarem adequados para cumprirem uma função social, uma vez que as versões finais dos textos farão parte de uma coletânea. Referências bibliográficas

BAZERMAN, C. Gênero, agência e escrita. Judith Chambliss Hoffnagel. São Paulo: Cortez, 2006. BRASIL, Secretaria de Ensino Fundamental. (1998). Parâmetros Curriculares Nacionais, 3º e 4º ciclos do Ensino Fundamental: Introdução aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Secretaria de Educação Fundamental - Brasília - MEC/SEF. CANTON, K. Os contos de fadas e a arte. São Paulo: Prumo, 2009. RUIZ, E. Como se corrige redação na escola. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2001. SOARES, D. A. Produção textual e revisão textual. Um guia para professores de Português e de Línguas Estrangeiras. Petrópolis, Rio de Janeiro:Vozes, 2009. SOARES, E. A arte de escrever histórias. Barueri, SP: Amarilys, 2010. TATAR, M. Contos de Fadas: edição comentada e ilustrada. Rio de Janeiro: Zahar, 2004.

Palavras-chave: Ateliê de Textos; contos de fadas; escrita; leitura.

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¹ Autora. Bolsista FIEX. Aluna de Graduação do curso de Licenciatura em Letras – Português da UFSM. ² Orientadora. Professora do Departamento de Letras Vernáculas da UFSM.

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SEMANA ACADÊMICA DE LETRAS 2013

EL SINTAGMA DETERMINANTE COMO CATEGORÍA LEXICAL EN EL PROCESO DE ADQUISICIÓN DE LA LENGUA ZILLI, Bruno Ramires¹; OGGIONI, Mariana²; RUDZKI, Natasha²; DOTTI, Horácio³ Resumo: En este trabajo vamos a realizar el análisis de los sintagmas determinantes en la etapa de su “aparición” en los niños. De la plataforma CHILDES, que es un banco de dados con informaciones de cómo los niños adquieren el habla y como lo hacen, seleccionamos el caso de Alfonso, niño madrileño, de 27 meses de edad. Con base en la clasificación que aporta Radford (1990) vamos a afirmar que el niño en esta edad ya superó la etapa precategorial y ya se encuentra en la etapa de las categorías léxicas. Aquí las estructuras resultan más productivas. Como consecuencia de nuestro interés por el sintagma determinante decidimos realizar un análisis, a través del rastreo en una etapa determinada del desarrollo cognitivo del niño. De esta manera, seleccionamos un corpus para evidenciar nuestra hipótesis de que a esa edad este niño no verbaliza los nombres (sustantivos) solos, sino que, antes de ellos, incorpora el determinante correspondiente enunciándolo de manera correcta en la mayoría de los casos.Así, podemos sostener, a través de este análisis del corpus seleccionado, que a la edad de dos años y medio, aproximadamente, el niño al empezar a incorporar el determinante como categoría léxica lo hace, en la mayoría de los casos, de manera adecuada según la regla del sintagma determinante: concuerda en género y número con el nombre/sustantivo al que precede. En el caso en que la regla no se cumpla adecuadamente, siempre respetará una de las condiciones: a veces concuerda en género y no en número, y otras en número pero no en género. Ahora bien, en los tres ejemplos destacados, vemos como en el segundo de ellos, concuerda en género con el nombre, contrariamente al primer caso que no concuerda en número (el determinante en singular y el nombre en plural). Es decir, cada caso destacado pose características diferentes, según la regla, pero siempre mantienen una coherencia que nos permite afirmar que, en esta edad, el niño ya supero la etapa precategorial. Referências bibliográficas

ANALUA REBOLLO, A. El abecé de la Psicolinguistica. Arco Libros. Madrid, 1998. RADFORD, A. La naturaleza de la gramática del inglés de niños de edad temprana. 3 ed. Santa Fe: UNL, 1990. p. 35- 50 ______.Teoría sintáctica y adquisición de la sintaxis del inglés. 2 ed. Santa Fe: UNL, 1990. p. 36- 48.

Palavras-chave: Adquisición; Categoria Lexical; Sintagma Determinante.

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¹ Autor. Aluno do 7º semestre do curso de licenciatura em Letras – Espanhol (UFSM). E-mail: zillibrunoramires@gmail.com. ² Coautoras. Alunas do 3º ano do curso de “Profesorado de Letras” (UNL). ³ Orientador. Professor da “Universidad Nacional del Litoral” (UNL). E-mail: horaciodotti@gmail.com. 84


DAL

Diretório Acadêmico de Letras Gestão “Eu Passarinho“ 2013/2014


Sal 2013  

Caderno de resumos da Semana Acadêmica de Letras 2013

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